rivais, politizar os tribunais e atacar a liberdade de impren sa, e essas estratégias são muito mais prevalentes no dis curso da extrema direita. cludente sobre cidadania, enquanto os padrões argentinos concentram o iliberalismo na contestação, independente mente do bloco político. Argentina: uma configuração bipolar A figura 2 mostra que a Argentina apresenta uma situação mais complexa: um padrão em forma de U no qual os dis cursos da extrema direita e da esquerda 2 convergem em ní veis iliberais semelhantes e elevados, enquanto a direita tradicional ancora a linha de base liberal. O iliberalismo de extrema direita de Javier Milei mira prin cipalmente a mídia/informação alternativa e o pluralismo/ oposição, mas também a dimensão de freios e contrape sos/Estado de direito. Isso é coerente com sua autodescri ção como«antiestablishment e libertária», que se baseia fortemente na deslegitimação sistemática dos rivais. Surpreendentemente, o discurso da esquerda argentina exi be os meios mais iliberais em relação aos mecanismos de controle e equilíbrio de poderes/Estado de direito e à mídia alternativa, indicando uma postura rígida em relação à su pervisão judicial e à esfera da informação. O discurso da direita tradicional(Juntos por el Cambio) é comparativa mente mais liberal, especialmente no que diz respeito à in tegridade eleitoral e à cidadania inclusiva. Na ponderação, tanto a extrema direita como a esquerda atingem níveis gerais em torno de 2,65 a 2,66, impulsiona das principalmente por seu foco constante em mecanismos de controle e equilíbrio de poder, mídia e oposição. A pon tuação mais baixa da direita tradicional(em torno de 2,3) reflete tanto uma intensidade moderada quanto uma dis tribuição mais equilibrada da atenção retórica. O fio conductor Apesar das diferentes configurações – o gradiente linear da Espanha versus a bipolaridade da Argentina –, surge aqui um padrão subjacente. O iliberalismo se difunde por meio de ataques à responsabilização horizontal e à esfera da in formação. Os líderes repetidamente promovem restrições não triviais ou politização(com pontuação de 2,3 a 2,9 em nossa escala) nas áreas associadas à contestação. Esses si nais iliberais de médio alcance, usados c om frequência, im portam ainda mais do que declarações extremas feitas de forma ocasional porque normalizam a pressão sobre o ecossistema da informação, a independência judicial e o pluralismo. O discurso sobre participação é escasso em ambos os paí ses. Quando surge, contribui de maneiras diferentes: a ex trema direita espanhola utiliza uma retórica claramente ex Além da intensidade: o poder da repetição Medir o quão antiliberais os líderes soam é apenas metade da história. Também precisamos saber com que frequência eles utilizam essas perspectivas. Um líder pode ter uma pontuação moderadamente iliberal(em torno de 2,5) ao discutir tribunais ou mídia, mas, se ele retornar a esses tó picos de forma repetida, entrevista após entrevista, essa mensagem persistente molda o discurso público muito mais do que declarações extremas ocasionais. Desse modo, portanto, combinamos a intensidade com a ênfase, ponderando nossas pontuações segundo a frequên cia com que cada líder aborda cada âmbito institucional. Isso revela dois padrões cruciais. Primeiro, o discurso iliberal mira sobretudo a contestação, não a participação. Na Espanha, cerca de 84% das men ções codificadas em todos os blocos políticos se concen tram na contestação; na Argentina, esse número sobe para aproximadamente 90%. Em segundo lugar, a frequência amplifica o risco. Na Espa nha, quando consideramos a ênfase, a pontuação pondera da do Vox sobre contestação atinge 2,72, em comparação com 1,81 para a esquerda, uma diferença impulsionada tan to por um conteúdo mais iliberal como por um uso mais frequente. A direita tradicional fica em 2,37, sugerindo al guma acomodação retórica. Na Argentina, tanto a extrema direita(Milei, 2,65) como a esquerda(2,66) convergem para níveis semelhantes quando ponderados pela frequência, enquanto a direita tradicional permanece mais baixa, em 2,30. Essas pontuações intermediárias(2,3–2,9), repetidas com frequência suficiente, normalizam a pressão sobre as instituições democráticas sem exigir linguagem extrema em nenhum caso específico. Em suma, a estratégia iliberal funciona através da repeti ção. Ataques de médio alcance contra tribunais, mídia e pluralismo, utilizados de forma consistente em centenas de entrevistas, têm mais peso do que declarações incendiárias isoladas. É por isso que a detecção precoce no nível discur sivo é essencial; quando as políticas mudam, a batalha re tórica já foi vencida. Por que isso importa: um sistema de alerta precoce Nossas conclusões oferecem três perspectivas cruciais para a defesa da democracia: 2 Em nossa análise, a líder de esquerda em questão é Cristina Fernández de Kirchner, enquanto na centro-direita nos concentramos em Mauricio Macri Rastreando o discurso iliberal 4
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Rastreando o discurso iliberal: como a retórica da extrema direita erode a democracia antes que as políticas restritivas entrem em vigor
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