NILDA Jacks MULHERES DA COMUNICAÇÃO Coordenação Nacional LÍRIAN Sifuentes GUILHERME Libardi MÁRCIA Gomes Coordenação Regional BENEDITO DIELCIO Moreira DIONE Oliveira Moura Mallú Morales Luiza Venturelli Angélica Madeira Maria Rita Leal Célia Ladeira Arcelina Públio Ruth Maria Scaff Lavina Ribeiro Ana Lucia Novelli Márcia Flausino Elizabeth Brandão Selma Oliveira Susana Dobal Tânia Montoro Nélia Del Bianco Dácia Ibiapina Zélia Adghirni Dione Moura Márcia Marques Cláudia Lemos Graça Monteiro Florence Marie Dravet Cosette Castro Elen Geraldes Fernanda Martinelli Liziane Guazina Jane Sarques Silvana Pereira Ana Carolina Temer MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Centro-Oeste Maria Luiza Mendonça Lisa França Rosa Maria Berardo Angelita De Lima Jô Levy Simone Tuzzo Kátia Meirelles Maria Helena Antunes Sônia Zaramella Marluce Scaloppe Luciana Borges Maria Rosário Orquiza Vera Lúcia Lopes Cláudia Moreira Mariângela López Lucia Helena Possari Janaina Capobianco Andrea Fernandez Débora Tavares Hélia Vannucchi Maria Francisca Marcello Ecilda Stefanello Ruth Vianna Daniela Ota Márcia Gomes Rosana Borges 1 MULHERES DA COMUNICAÇÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Centro-Oeste Friedrich Ebert Stiftung FES COMUNICACIÓN 1 Diretor do projeto: Omar Rincón Coordenação Nacional Nilda Jacks, Lírian Sifuentes, Guilherme Libardi Coordenação Regional Márcia Gomes, Benedito Dielcio Moreira, Dione Oliveira Moura Autoras Región Centro Oeste Márcia Gomes, Benedito Dielcio Moreira, Dione Oliveira Moura, Fernanda Martinelli, Liziane Guazina, Mônica Peres, Cosette Castro, Luciane Agnez, Katrine Tokarski Boaventura, Ana Carolina Roure Malta de Sá, Luisa Günther, Ébida Santos, Vinícius Pedreira Barbosa da Silva, Rafiza Varão, Cilene Alves Vieira, Letícia Renault, Cristiane Brum Bernardes, Fabíola Orlando Calazans Machado, Luciane Fassarella Agnez, Carina Ochi Flexor, Mariana Souto, Bárbara de Pina Cabral, Ana Carolina Kalume Maranhão, Denise Moraes Cavalcante, Fernanda Vasques Ferreira, Suzana Guedes Cardoso, Katia Maria Belisário, Alessandra Lessa, Mariana Martins de Carvalho, Liliane Machado, Thaïs de Mendonça Jorge, Luísa Guimarães Lima, Alice Roberte de Oliveira, Ana Gabriela Guerreiro, Luiz Signates, Luiz Eduardo Krüger, Ângela Teixeira de Moraes, Sabrina Moreira, Adriana Teixeira de Moraes, Murilo Luiz Ferreira, Patrícia Quitero, Fernanda Ribeiro, Ângela Teixeira de Moraes, Noêmia Félix da Silva, Janaína Jordão, Ana Rita Vidica, Ana Paula Silva Ladeira Costa, Lara Lima Satler, Tatiana Carilly, Thais Rodrigues Oliveira, Daiana Stasiak, Thiago Cury Luiz, Patrícia Kolling, Eveline dos Santos Teixeira Baptistella, Tamires Coêlho, Janaina Sarah Pedrotti, Mirian Barreto Lellis, Aline Wendpap Nunes de Siqueira, Nealla Valentim Machado, Sabrina Tenório Luna da Silva, Letícia Xavier de Lemos Capanema, Danielle Tavares Teixeira, Jociene Carla Bianchini Ferreira Pedrini, Pâmela Saunders Uchôa Craveiro, Daniela Cristiane Ota, Rafaella Lopes Pereira Peres, Laura Seligman, Rose Mara Pinheiro, Taís Marina Tellaroli Fenelon, Daniela Giovana Siqueira Revisão de estilo: Denise Ana Basso Andrigheto Coordenação editorial: Luisa Uribe Cidade: Bogotá, abril de 2025 Design: Nelson Mora Murcia ISBN: 978-958-8677-91-0 As fotos que constam nas bionotas foram autorizadas pelas biografadas ou pelas autoras dos textos. Produção: Programa de Meios e Comunicação da Fundação Friedrich Ebert para a América Latina e o Caribe https://fescomunica.fes.de/ 2 COORDENAÇÃO NACIONAL NILDA JACKS Mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/ USP. Pós-doutorados na Copenhague University e na Universidad Nacional da Colombia. Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS. Bolsista PQ do CNPq. njacks@gmail.com LÍRIAN SIFUENTES Doutora em Comunicação pela PUCRS, com estágio de doutorado na Texas A&M University. Mestre em Comunicação pela UFSM. Pós-doutorados na PUCRS e na UFRGS. Coordenadora de Comunicação do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER-RS). lisifuentes@yahoo.com.br GUILHERME LIBARDI Mestre e Doutor em Comunicação e Informação pelo PPGCOM/UFRGS. Pós-doutorado no PPG em Imagem e Som(PPGIS) da UFSCar. Professor Permanente do PPGIS. Autor do livro Diversidade, reconhecimento e identidade: notas teóricas a partir da Comunicação. gblibardi@gmail.com 3 COORDENAÇÃO REGIONAL BENEDITO DIELCIO MOREIRA Jornalista, pesquisador e professor do Programa de Pós-graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP) e Doutor em Educação pela Universität Siegen, Alemanha. Integra o Grupo de pesquisa Multimundos(Multimundos. org). Temas de interesse: Ensaios Audiovisuais Científicos, Cultura Científica, Educomunicação, Comunicação e Poder. dielcio.moreira@gmail.com DIONE OLIVEIRA MOURA Professora Titular e Diretora da Faculdade de Comunicação (FAC) da Universidade de Brasília(UnB), na qual é docente do PPGCOM da FAC-UnB e participante da Comissão 50 anos do mesmo PPG. Doutora em Ciências da Informação pela UnB. Coordenadora do Projeto Cartas para o Amanhã, e coordenadora da pesquisa Mapa da Mídia Negra Brasileira (MMNB). Relatora Cotas UnB e idealizadora e coautora do livro “Vá no seu tempo e vá até o final: mulheres negras cotistas no marco dos 60 anos da UnB.” Diretora Centro-Oeste da ABEJ. Sócio Fundadora e Prêmio Adelmo Genro Filho 2022 da SBPJor. dioneoliveiramoura@gmail.com MÁRCIA GOMES Doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Università Gregoriana – Roma/Itália (2002), com pós-doutorado pela Universitat Autonoma de Barcelona/España(2011), e mestre em Comunicación (1995) pela Pontificia Universidad Javeriana – Bogotá, com estágio de mestrado sanduíche pela Universidad Iberoamericana – México. Socióloga, formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RIO, e coordenadora do grupo de pesquisa“Mídia e mediações comunicativas da cultura”(UFMS/CNPq), é professora titular da Universidade Federal de Mato Grosso Sul – UFMS. marcia.gomes@ufms.br 4 [ SUMÁRIO] TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS.......................................................................................................................... 7 CENTRO-OESTE: HISTÓRICO DO CAMPO REGIONAL.................................................................... 12 DISTRITO FEDERAL.................................................................................................................................... 25 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO DISTRITO FEDERAL: CELEIRO DE ASSOCIAÇÕES CIENTÍFICAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS................................................................................. 26 Introdução........................................................................................................................................................... 27 Primeiras Décadas dos Cursos de Graduação em Comunicação no DF Anos 1960/1970/1980/1990......................................................................................................................... 27 A Criação da Primeira Pós-Graduação em Comunicação no DF(UnB-1974)........................... 34 A Pós-Graduação em Comunicação da Católica.................................................................................. 37 Considerações Finais...................................................................................................................................... 38 Referências......................................................................................................................................................... 40 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS................................................................................................... 42 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS..................................................................................................132 GOIÁS................................................................................................................................................................ 137 HISTÓRICO DOS CURSOS DE COMUNICAÇÃO NO ESTADO DE GOIÁS...............................138 Introdução........................................................................................................................................................ 139 Jornalismo.........................................................................................................................................................139 Publicidade e Propaganda.......................................................................................................................... 142 Relações Públicas......................................................................................................................................... 142 Cinema e Audiovisual.................................................................................................................................. 143 Pós-Graduação............................................................................................................................................... 143 Considerações Finais................................................................................................................................... 144 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS.................................................................................................145 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS.................................................................................................. 178 5 MATO GROSSO............................................................................................................................................181 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM MATO GROSSO: A GÊNESE DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL E DO PENSAMENTO CIENTÍFICO NO ESTADO................................................182 Os Cursos de Graduação: UFMT e Unemat..........................................................................................183 O Cenário da Pós-Graduação e o Fomento à Pesquisa.................................................................... 187 A Comunicação no Radar de Outros Programas................................................................................189 Mestrado e Doutorado Institucionais......................................................................................................190 O Fomento à Pesquisa em Mato Grosso................................................................................................190 A Formação em Comunicação nas Instituições Privadas de Ensino Superior de Mato Grosso............................................................................................................................190 Publicações, Eventos, Associações e Premiações..............................................................................191 Algumas Considerações..............................................................................................................................194 Referências.......................................................................................................................................................194 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS................................................................................................. 197 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS..................................................................................................238 MATO GROSSO DO SUL........................................................................................................................ 241 EFETIVAÇÃO DOS CURSOS DE COMUNICAÇÃO EM MATO GROSSO DO SUL – UM BREVE RELATO SOBRE O DESENVOLVIMENTO E A CONSOLIDAÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO.242 Surgem Novas Graduações no Setor Privado......................................................................................246 O Campo Amplia-se e se Retrai................................................................................................................249 Audiovisual...................................................................................................................................................... 251 Interior................................................................................................................................................................251 Pós-Graduação em Comunicação............................................................................................................252 Referências.......................................................................................................................................................255 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS................................................................................................ 257 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS.................................................................................................. 275 6 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS Un día analizamos los textos asignados en los cursos de los estudios de la comunicación y la cultura y encontramos que la mayor parte de la bibliografía está compuesta por hombres, blancos, muy gringos y europeos. Nos dijimos que debíamos hacer algo al respecto. Y este es el primer intento: dar testimonio de que la comunicación en América Latina es un campo en mirada de mujeres. De eso es que va este proyecto. 1 “Mujeres de la comunicación” é uma grande empreitada capitaneada pelo pesquisador colombiano Omar Rincón, com apoio da Fundação Friedrich Ebert(FES), na qual ele exerce o cargo de diretor para a América Latina. Até o momento da escrita desta introdução foram publicados dois volumes que incluem mulheres de diversos países da América Latina, selecionadas conforme critérios da coordenação do projeto. Os textos contidos nesses volumes ora tratam de autoras escrevendo sobre sua própria produção, ora de entrevistas com algumas delas ou de análises feitas por outras acadêmicas sobre a obra de determinada pesquisadora. Nesse mesmo formato já foram publicados livros na Bolívia, no México, na Argentina e no Equador 2 . No caso brasileiro, decidimos tentar abranger o maior número possível de mulheres, empreendendo a publicação como memória de suas trajetórias para a configuração do campo. Além disso, organizamos em volumes dedicados a cada região do país para destacar suas atuações em contextos próprios e com idiossincrasias históricas, econômicas e culturais que as distinguem e que deixam suas marcas na formação dos campos estaduais e regionais. 1 “Um dia analisamos os textos nos cursos dos estudos da comunicação e cultura e notamos que a maior parte da bibliografia está composta por homens, brancos, gringos e europeus. Dissemos, então, que devíamos fazer algo a respeito. E este é o primeiro objetivo: dar testemunho de que a comunicação na América Latina é um campo sob o olhar das mulheres. É disso que trata esse projeto”. Disponível em: https://fescomunica.fes.de/mujeres-de-la-comunicacion.html 2 Todos os livros, bem como detalhes do projeto, podem ser conferidos em: https:// fescomunica.fes.de/mujeres-de-la-comunicacion.html. 7 Embora não discutamos teoricamente a categoria de gênero, tampouco tratamos a publicação como um manifesto do tipo“lute como uma garota” 3 , é impossível apartar este levantamento das questões sociais e políticas inerentes à presença das mulheres no campo científico. Haag et al.(2021), citando Maria Margaret Lopes(2006), afirmam que o prestígio de uma disciplina é inversamente proporcional ao número de mulheres que a praticam. Para Elizabete da Silva(2008, p. 3), este problema se constitui historicamente, pois “[...] as mulheres não foram consideradas indivíduos dotados de razão, mas de emoção, as mulheres possuíam o contraponto da razão – o coração”. Tratando especificamente do campo da comunicação, o dado é curioso e incômodo, uma vez que, conforme observam, as mulheres são a maioria desde a iniciação científica até a Pós-Graduação, seja como alunas ou pesquisadoras. Esta publicação, portanto, mesmo não se caracterizando como uma“pesquisa de gênero”, quer contribuir para a questão, dando visibilidade a mulheres que subverteram, de um jeito ou de outro, as estruturas patriarcais e se colocaram como pioneiras, líderes ou partícipes em suas respectivas áreas de atuação. Dessa forma, as mulheres da comunicação, que atuam ou atuaram, com destaque, no ensino, pesquisa e extensão de universidades brasileiras, estarão presentes em cinco volumes, como este, para registrar sua presença na constituição do campo no país. Foram 27 equipes empenhadas em resgatar parte importante da atuação das mulheres do cenário diverso que constituiu o campo brasileiro, organizado por região, para evitar invisibilidades impostas por zonas com presenças mais hegemônicas. As biografadas foram indicadas pelos pares, colegas que as reconheceram como fundadoras ou consolidadoras do campo da comunicação em cada Estado, incluindo o Distrito Federal. Por fundadoras 4 foram identificadas as mulheres que participaram dos primeiros tempos de criação das faculdades de comunicação, o que tem uma forte variação de Estado para Estado. As primeiras faculdades, ainda dedicadas apenas ao jornalismo, são das décadas de 1940 5 e 1950, em geral ligadas aos cursos de filosofia, como o caso da Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), inaugurada em 1952 6 , entre outras. Da década de 1970 são os primeiros Programas de Pós-Graduação em Comunicação. 3 Segundo Clementine Ford, autora do livro Figth like a Girl (Editora Allen& Unwin, 2016), seu título parafraseia uma antiga expressão popular, a qual foi retomada em várias versões, desde slogans de movimentos populares(“Lute como Marielle Franco”,“Lute como uma professora”) até campanhas publicitárias de marca de absorvente( Always , em sua campanha#likeagirl), entre inúmeras outras apropriações. 4 José Marques de Melo(1997), em um esforço semelhante, propôs as seguintes classificações: desbravadores, sedimentadores, continuadores. 5 O primeiro curso de Jornalismo do Brasil, e da América Latina, é o da Cásper Líbero, fundado em 1947. 6 Em 1970 é criada a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da junção do antigo curso de Jornalismo com a Escola de Biblioteconomia e Documentação (formada a partir do curso técnico em Biblioteconomia, surgido em 1947). 8 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS MULHERES DA COMUNICAÇÃO As consolidadoras, por outro lado, são mulheres que chegaram para reforçar o plantel inaugural, sendo uma situação também variável de Estado para Estado, o que, em alguns, representa várias gerações, como é o caso de cursos mais antigos, por exemplo o da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), da Universidade de São Paulo (USP) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP). Os pares consultados também indicaram as mulheres emergentes, as quais se dedicaram a escrever sobre suas antecessoras, cujo propósito é alcançar um tipo de reflexividade em suas atuações e, ao mesmo tempo, deixar registrada a presença de algumas delas na atual fase do campo. Há, entretanto, raríssimas exceções em que as bionotas das fundadoras e consolidadoras não foram escritas por emergentes, tampouco por mulheres, contrariando o protocolo da pesquisa, dadas as dificuldades ou peculiaridades encontradas em alguns Estados por motivos diversos. A nominata inicial, que solicitava indicação de fundadoras, consolidadoras e emergentes, foi adquirida por meio de um formulário disponibilizado durante dois meses nas listas de e-mails da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós) e da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Parte do resultado foi satisfatório, no entanto, diante da inconsistência da listagem de alguns Estados, da inexistência de indicações em muitos outros, além de sobreposições nas categorizações de alguns nomes, uma ampla revisão foi realizada por meio do envio da listagem para três pessoas de cada Estado para consolidarem as indicações ou para que as fizessem no caso de faltarem nomes relevantes. Mesmo assim, uma nova rodada, com duas outras pessoas de cada Estado, ocorreu antes de as listagens serem enviadas para coordenadoras e coordenadores regionais, que convidaram pesquisadoras de cada Estado da região para organizarem as bionotas junto as emergentes indicadas na etapa anterior. Ou seja, a listagem inicial passou por cinco pessoas antes de chegar às biógrafas, e poderia ainda ter nomes acrescentados pela coordenação estadual a seu critério e responsabilidade. Mesmo com todo o esforço realizado em várias etapas, não há garantia de que todas as mulheres fundadoras e consolidadoras de cada Estado estejam presentes nas publicações. Muitas dificuldades foram encontradas: indicadas que não quiseram conceder informações para a redação da bionota, ausência de emergentes dispostas a escrever sobre suas antecessoras, lacunas ou inexistência de informação sobre as mulheres que já saíram de cena do mundo acadêmico, entre muitos outros obstáculos, diferentes e diversos em cada Estado ou Região. Sugerimos, por essas razões, em especial sobre as fundadoras, que em qualquer dos casos elas fossem incluídas no texto sobre o histórico do campo estadual, uma vez que esses registros são muito importantes para não se perder a memória de suas participações na geração desse campo de conhecimento. Com relação às consolidadoras, em geral foram seguidas as indicações dos pares 9 consultados, com a sugestão de que as coordenadoras e os coordenadores regionais e estaduais tivessem autonomia para complementar a listagem. As coordenações estaduais tiveram a tarefa de também convidar colegas para escrever os históricos dos respectivos campos, os quais serviram de base para a escritura dos históricos regionais a cargo de seus respectivos coordenadores. Ou seja, cada um dos cinco livros pretendeu abarcar o histórico dos campos estaduais que serviram de contexto para situar as bionotas das fundadoras e consolidadoras, além de dar subsídio para os coordenadores regionais escreverem o histórico de sua região. As bionotas são compostas por dados bastante sucintos a modo de um verbete 7 , por isso seguiram um roteiro para que a publicação funcione como uma espécie de dicionário sobre as mulheres que fundaram e consolidaram o campo brasileiro da comunicação. Tratam-se, portanto, de anotações sobre as trajetórias acadêmicas dessas mulheres, como o próprio termo indica. Não se configuram, por isso, como histórias de vida, narrativas ou relatos sobre elas. A ordem de apresentação segue a cronologia da trajetória acadêmica das mulheres, em uma sequência de fundadoras a consolidadoras. Para os históricos estaduais, um roteiro para sua construção foi sugerido como uma maneira que dar saliência para os mesmos dados 8 , com a finalidade de criar parâmetros que, porventura, precisem ser comparados em alguma situação de consulta e para a formulação dos históricos regionais. Assim, apresentamos para leitura o primeiro volume resultante dessa empreitada, iniciada em fevereiro de 2022, quando ainda não tínhamos a real dimensão do trabalho que teríamos pela frente, seja pelas inúmeras demandas e desafios que encontramos, seja pela importância de registrar as contribuições dessas mulheres para nosso campo. O percurso das mulheres irá surpreender! Nilda Jacks Lírian Sifuentes Guilherme Libardi 7 Dados biográficos, formação escolar, atuação profissional e principais publicações. 8 Ano, universidade e cidade de criação dos cursos de comunicação, opções ofertadas (jornalismo, RP, PP, rádio e TV, etc.), agentes e/ou instituições responsáveis pelas criações dos cursos(pessoas, sindicatos, associações, etc.), ano, universidade e cidade de criação dos cursos de Pós-Graduação, áreas de concentração, linhas de pesquisa; agentes e/ou instituições responsáveis pelas criações dos PPGs(pessoas, sindicatos, associações, etc.), revistas acadêmicas, associações de professores e pesquisadores da comunicação, realização de congressos, encontros, jornadas, seminários de abrangência estadual, etc.(em vigência e não), bibliotecas especializadas na área, agências estaduais de fomento à pesquisa, editais específicos para a área, prêmios instituídos, cooperação desenvolvida sistematicamente com outros Estados da região, outros dados relevantes. 10 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Referências HAAG, A. T.; PARISE, G.; PEREZ, J. L.; IRIGOYEN, M.; WOTTRICH, L.; OLIVEIRA-CRUZ, M. F. Lugar de mulher é na ciência: um estudo acerca da desigualdade de gênero na ciência da comunicação. In: PESSOA, S. C.; PRATA, N.; SANTANA, F. Um mundo e muitas vozes: da utopia à distopia? Olhares de jovens pesquisadores. São Paulo: Intercom, 2021. LOPES, M. M. Sobre convenções em torno de argumentos de autoridade. Cadernos Pagu, v. 27, p. 35-61, jul./dez. 2006. MELO, José Marques de(coord.). Memória das ciências da comunicação no Brasil: o grupo gaúcho. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1997. 286 p. SILVA, E. R. A.(In)visibilidade de mulheres no campo científico. Revista Travessias, v. 2, n. 2, p. 1-20, 2008. 11 Márcia Gomes 9 , Dione Oliveira Moura 10 e Benedito Dielcio Moreira 11 CENTRO-OESTE: HISTÓRICO DO CAMPO REGIONAL Este ensaio sobre a história do campo da comunicação no Centro-Oeste do Brasil faz parte de um projeto que resgata a memória e registra a presença feminina na fundação e na consolidação dessa área de conhecimento nas diversas regiões do país. De modo geral, o desenvolvimento do campo ocorreu atrelado, principalmente, à introdução da educação de nível superior, com cursos de Graduação – direcionados à formação para o exercício profissional no setor – e, mais tarde, também com os programas de Pós-Graduação, os quais, no Brasil, abrigam grande parte da produção de conhecimento científico, do debate sobre os problemas do país, da reflexão sobre a sociedade contemporânea e suas questões e da pesquisa teórica ou aplicada nas diversas áreas da ciência. A região Centro-Oeste conta com uma população de 16.289.538 habitantes(IBGE, 2022). O território do Centro-Oeste ocupa uma posição estratégica no país. Ainda que seus habitantes não cheguem a 10% da população brasileira, o Centro-Oeste é a segunda região mais extensa, com uma área de 1.606.354 km², o que equivale a quase 20% do território nacional. O Centro-Oeste é constituído por três Estados e pelo Distrito Federal e, assim, a região abriga cinco dos seis biomas presentes no Brasil: Pantanal, Cerrado, Floresta Tropical, Amazônia e Mata Atlântica, com predominância 9 Professora titular da Universidade Federal de Mato Grosso Sul. Doutora em Scienze Sociali pela Pontifícia Università Gregoriana – Roma/Itália –, com Pós-Doutorado pela Universitat Autònoma de Barcelona/España. Mestre em Comunicación pela Pontificia Universidad Javeriana – Bogotá. Socióloga, formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. 10 Professora titular e diretora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. Doutora em Ciências da Informação/UnB. Coordena o Projeto“Cartas para o Amanhã” e a pesquisa Mapa da Mídia Negra Brasileira. Relatora Cotas UnB. Diretora Centro-Oeste da ABEJ. 11 Jornalista, mestre em Comunicação e doutor em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso. Professor do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso. Integra o Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte(GPEA) e o Grupo de Pesquisa em Mídia Política e Democracia. 12 CENTRO-OESTE: HISTÓRICO DO CAMPO REGIONAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO dos dois primeiros. Adicionalmente, essa região tem fronteira seca com dois outros países, Bolívia e Paraguai, e seus Estados fazem divisa com todas as demais regiões do país, com particular destaque em extensão para as regiões Norte(com os Estados de Rondônia, Amazonas, Pará e Tocantins) e Sudeste(com os Estados de Minas Gerais e São Paulo). O surgimento e a ampliação do campo da Comunicação no Centro-Oeste ocorreram pela importância que a comunicação de massa adquiriu na década de 1960 no Brasil, com a crescente audiência das emissoras de rádio e televisão no cenário da comunicação e a decorrente necessidade de formar profissionais familiarizados com as mudanças das Tecnologias da Informação e da Comunicação(TICs) e preparados para atuar nesse setor. Os primórdios da formação do campo na Região Centro-Oeste, no decorrer da década de 60 do século 20, estão ligados ao então recém-fundado Distrito Federal, com a criação, na Universidade de Brasília(UnB), dos cursos de Graduação em Jornalismo, Cinema e Publicidade e Propaganda, e, na Universidade Federal de Goiás(UFG), do curso de Jornalismo. Esse início, no entanto, foi pontual em Goiás e Brasília, dada a proximidade do Distrito Federal com a Capital de Goiás: Goiânia. Não se propagou ou espalhou, porém, pelos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ao refletir sobre o que foi feito até agora e sobre como se deu esse processo, um primeiro ponto que salta aos olhos é que, comparativamente com as regiões pioneiras no campo no país, a instituição e a consolidação dos cursos e programas de Pós-Graduação em comunicação neste território foi particularmente lenta, pouco abrangente e, em grande parte, relativamente tardia, refletindo outros desequilíbrios de acesso ao Ensino Superior em um país continental como o Brasil. Depois de Brasília, na segunda metade da década de 60, deu-se a criação, em Goiânia, do primeiro curso de jornalismo de Goiás, embora tenha tardado quase uma década para ser reconhecido pelo Ministério da Educação(MEC). A ampliação do ensino universitário pelo território, com a presença de formação específica nos três Estados da Região, no entanto, somente verificou-se com a transição democrática no país a partir da segunda metade da década de 80 do século 20, com a abertura de cursos na área de Comunicação também em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esse padrão de desenvolvimento do Ensino Superior, que se verifica na região CentroOeste, é representativo do modelo de educação universitária no Brasil, historicamente concentrado na região litorânea, nos Estados do Sudeste, principalmente 12 . A lenta e titubeante expansão acadêmica dessa importante área do conhecimento rumo ao oeste é representativa, também, da criação das políticas públicas na área da 12 Sobre a abertura dos primeiros cursos de Mestrado em Comunicação na década de 70, dos primeiros cursos de Doutorado na década de 80 e do total de 11 programas de Pós-Graduação criados no país até a metade da década de 90, todas do século 20, ver Sérgio Caparelli,“Pós-Graduação em comunicação e regionalização”, Revista Intercom , v. XIX, n. 2, p. 27-28, jul./dez. 1996. 13 educação na segunda metade do século 20, cujo modelo acentua a reprodução das desigualdades estruturais entre as regiões, que, nesse caso, se manifestam na carência de formação profissional de grandes contingentes da população. Como processo político, como bem observa-se na criação e fechamento de cursos no histórico da formação do campo no Distrito Federal, por exemplo, a situação política-institucional do país impactou tanto nas escolhas do que caberia executar na região de preparação para o exercício profissional e a cidadania quanto no volume de investimentos destinado à formação de nível superior de modo geral, e em particular com relação aos Estados considerados periféricos. O modelo de política educacional do país expressa-se nas dinâmicas de criação dos cursos, que não ocorreram a partir de um plano estratégico para a formação profissional inclusiva e considerada enquanto um vetor de desenvolvimento social e econômico, mas por iniciativas pontuais e pressão local, como bem observa-se no histórico da criação dos cursos em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Outra manifestação da política-institucional de educação, com ênfase na perpetuação das desigualdades, pode ser identificada na pouca integração e colaboração acadêmica entre as partes da região de modo geral, seja nos processos de fundação, desenvolvimento e consolidação dos cursos de Graduação e de programas de Pós-Graduação, seja na produção de conhecimento e formação para a docência universitária em nível de Pós-Graduação. Nesse quesito, observa-se uma transformação nas últimas duas décadas, com uma maior integração entre as partes a partir do começo do século 21. As informações contidas neste texto tomam como ponto de partida os relatos históricos de cada Estado e do Distrito Federal publicados neste volume. Neste breve histórico sobre a fase inicial e a consolidação regional do campo da comunicação, algumas especificidades desse processo nesse território serão apontadas, seja no que se refere à criação dos cursos de Graduação e a oferta sistemática de formação nessa área ao longo do tempo, seja com relação ao fortalecimento e ao amadurecimento do campo, com a efetivação dos cursos de Pós-Graduação stricto sensu em todos os Estados do Centro-Oeste. Entre essas especificidades, pode-se notar que, neste caso, são os cursos de Graduação em Jornalismo e Publicidade e Propaganda(PP) que predominaram e marcam, até hoje, a relevância da Comunicação na região. Outras iniciativas tiveram, também, sua importância, como os cursos de Rádio e Televisão, Cinema e Relações Públicas. Não obstante, indiscutivelmente, a liderança das Graduações em Jornalismo e PP é expressiva. Outro ponto de destaque no surgimento do campo da Comunicação no Centro-Oeste foi, e ainda é, a relevância das universidades públicas, especialmente as federais, com o engajamento posterior de universidades estaduais, particulares e confessionais. Igualmente importante no surgimento do campo, outro aspecto a ser ressaltado foi a militância de jornalistas principalmente na criação dos cursos de 14 CENTRO-OESTE: HISTÓRICO DO CAMPO REGIONAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO Jornalismo. No Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul o papel dos sindicatos dos jornalistas foi decisivo para a abertura dos cursos. GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO NO CENTRO-OESTE DO BRASIL Os primeiros passos do campo da Comunicação no Centro-Oeste aconteceram em 1963 com a criação do curso de Jornalismo na Universidade de Brasília – UnB. Após foram introduzidos os cursos de Rádio e TV, Cinema e Publicidade e Propaganda. Foi o começo de uma história que tornou possível a aproximação de profissionais de mercado das áreas de jornalismo, cinema, propaganda e publicidade com a academia. Depois da UnB, que criou o curso de jornalismo em 1963, despontaram os cursos de Comunicação na Universidade Federal de Goiás(UFG): primeiro com Jornalismo e, após, Publicidade e Propaganda. Essas duas habilitações, e mais a de Rádio e Televisão, inauguraram o campo em Goiás, caminho seguido pela Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT). Já em Mato Grosso do Sul a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(UFMS) inaugurou o campo da Comunicação com o curso de Jornalismo. Por conta da proximidade com o centro do Poder no Brasil e a crescente importância que a comunicação assumia no cenário nacional e internacional, outras instituições de ensino ampliaram o campo, considerando a crescente demanda por profissionais de comunicação para trabalhos tanto em órgãos públicos quanto em periódicos, emissoras de rádio e televisão, agências de publicidade e agências de notícias. Dez anos depois da criação do curso de jornalismo em Brasília, o Centro Universitário de Brasília(Ceub), autorizado em 1972, instala, em 1973 o curso de Comunicação Social, nas habilitações Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas. Com o fim do Regime Militar e a volta da democracia, em 1985, aumenta a demanda por profissionais de comunicação com formação Superior, o que leva à ampliação de mais cursos de Comunicação Social no Distrito Federal. Em 1996 começa a funcionar o curso de Comunicação Social na Universidade Católica de Brasília(UCB), nas habilitações de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Dois anos depois, em 1998, O Instituto de Educação Superior de Brasília(Iesb) inicia, também, dois novos cursos, um de Jornalismo e outro de Publicidade e Propaganda. Um exemplo de como a demanda por cursos de comunicação em Brasília acentuouse é a criação, a partir dos anos 2000, de mais de uma dezena de novos cursos, sobretudo de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, muitos deles já extintos. Se a demanda por profissionais em Brasília motivou a criação do primeiro curso de jornalismo em 1963, pela UnB, além dos dez cursos instituídos até a década de 1990, nos anos seguintes Brasília recebeu mais 16 novos cursos na iniciativa privada, sendo sete de Jornalismo, sete de Publicidade e Propaganda, um de Rádio e TV e outro de Relações Públicas. Alguns desses cursos já estão extintos ou em fase de extinção, ou 15 foram unificados, como na UnB, que teve cursos de Rádio e TV e Cinema, mudando para o curso de Audiovisual. O mesmo procedimento ocorreu na UFMT. É certo que a instalação de 26 cursos de comunicação no Distrito Federal mostra como a comunicação impôs-se como área do conhecimento vital. O mesmo ocorreu em Goiás e, embora tardiamente, nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em Goiás o campo da comunicação teve o Jornalismo como curso inaugural da área da comunicação no Estado; um processo também verificado em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. A criação do curso de Jornalismo, pela Universidade Federal de Goiás, ocorreu em 1966, três anos após a fundação do curso de jornalismo em Brasília. Ao longo dos anos, após a instalação do curso de jornalismo, funcionam no Estado de Goiás cinco cursos de Jornalismo, seis de Publicidade e Propaganda, dois de Relações Públicas e dois de Cinema e Audiovisual. Os cursos estão distribuídos em oito instituições de ensino, sendo três públicas e cinco particulares. Assim como ocorreu em Brasília, porém em menor escala, os cursos de comunicação, especialmente nas habilitações em Jornalismo e em Publicidade e Propaganda, foram ganhando espaços no Estado de Goiás. Em 1997 a Universidade Federal de Goiás instala o seu curso de Publicidade e Propaganda. O Centro Universitário Sul-Americana(Unifasam) efetivou o curso de Jornalismo em 2001 e, no mesmo ano, o curso de Publicidades e Propaganda. A Pontifícia Universidade Católica de Goiás(PUC-GO) também começou com o Jornalismo e depois com Propaganda e Publicidade. Em Goiás, mais duas instituições introduziram cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda: Centro Universitário Alves Farias (Unialfa) e Unievangélica. Já a Unigoiás oferta exclusivamente o curso de Publicidade e Propaganda. A Graduação em Relações Públicas é, hoje, ofertada em Goiás somente pela UFG. O Unifasam anunciou o encerramento do curso em 2023, ou seja, não abre vagas para novas matrículas. O curso continua até a conclusão de todos os alunos anteriormente matriculados. Já o curso de Audiovisual e Cinema é ofertado por duas instituições públicas: o Instituto Federal de Goiás(IFG) e a Universidade Estadual de Goiás(UFG). Em Mato Grosso do Sul o primeiro curso foi também de Jornalismo, oferecido a partir de 1989 pela UFMS. Em 1994 surgiu no Estado o primeiro curso de Publicidade e Propaganda, ofertado pela Universidade Católica Dom Bosco(UCDB). Neste mesmo ano a UCDB abre matrículas para o curso de Relações Públicas. A criação do primeiro curso de Audiovisual em Mato Grosso do Sul ocorreu em 2019, na UFMS. É importante destacar como a extensão da Região Centro-Oeste e a precariedade do sistema informacional atrasaram, em pelo menos 25 anos, as discussões sobre a ampliação do campo da Comunicação nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Se em Brasília e Goiás tudo começou nos anos 1960, nos dois Estados irmãos 16 CENTRO-OESTE: HISTÓRICO DO CAMPO REGIONAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO somente depois de 1985. Sob forte pressão do sindicato dos jornalistas, então, os cursos da área de comunicação começaram a ganhar corpo. Daniela Cristiane Ota destaca, nesse mesmo volume, sobre o campo em Mato Grosso do Sul, o período de expansão, fenômeno comum também em Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal. Já a partir da década de 2010, mais acentuadamente, tem início a fase de retração, com o fechamento de cursos. De fato, além da UFMS e da UCDB, ofertaram cursos da área de comunicação a Uniderp/Anhanguera e a Estácio de Sá, em Campo Grande, capital do Estado; na cidade de Dourados, a Universidade Federal da Grande Dourados(UFGD); e em Três Lagoas, a Faculdades Integradas(Associação de Ensino e Cultura de Mato Grosso do Sul – Faculdades Integradas – AEMS). Assim como em Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, em Mato Grosso as pesquisas e os cursos no campo da comunicação são impulsionados pelas instituições públicas. O Estado conta com duas universidades federais – a Universidade Federal de Rondonópolis(UFR) e a Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT) –, uma universidade estadual – Universidade do Estado de Mato Grosso(Unemat) –, e o Instituto Federal de Mato Grosso(IFMT). A instalação de cursos de comunicação em Mato Grosso começou a ser discutida em 1983, mas essa somente materializou-se em 1990, com a criação dos cursos de Jornalismo, Radialismo e Publicidade e Propaganda. O primeiro vestibular ocorreu em março de 1991. Como dito anteriormente, o Sindicato de Jornalistas do Estado de Mato Grosso(Sindjor/MT) teve um papel decisivo na criação do campo da comunicação no Estado. Com um campus instalado na Cidade de Alto Araguaia, distante 550 km de Cuiabá, a Unemat iniciou, em 2006, o curso de Comunicação na habilitação de Jornalismo. Dois anos depois, em 2008, o campus avançado da UFMT na região do Rio Araguaia, na cidade de Barra do Garças, distante 500 km de Cuiabá, instala o curso de Comunicação na habilitação em Jornalismo. A exemplo de outras regiões do Centro-Oeste, a iniciativa privada também contribui com a expansão do campo da comunicação, uma vez que as demandas por profissionais de Jornalismo e Publicidade e Propaganda aumentam no Estado com o avanço das regiões ocupadas pelo Agronegócio. Em Cuiabá quatro instituições particulares instalaram cursos de comunicação nas habilitações de Jornalismo e Publicidade e Propaganda: Universidade de Cuiabá (Unic), Centro Universitário Várzea Grande(Univag), Centro Universitário Cândido Rondon(Unirondon) e o Instituto Varzeagrandense de Educação(IVE). Depois de um período de forte concentração de cursos de Comunicação Social no Estado, na década 2010 são verificadas transformações no campo decorrentes tanto das novas demandas técnicas quanto da retração da demanda de profissionais. Na 17 UFMT, no Campus de Cuiabá, os cursos ganham autonomia, ocorre a reformulação do Plano Pedagógico do curso de Publicidade e Propaganda, o curso de jornalismo deixa de pertencer à habilitação de Comunicação Social e o de Radialismo entra em processo de extinção, sendo substituído pelo curso de Cinema e Audiovisual. Ainda nesta década, o curso de jornalismo da Unemat, do Campus de Alto Araguaia, foi encerrado e transferido para uma das cidades do Agronegócio: Tangará da Serra. Na cidade de Rondonópolis a Unemat oferece um curso de Jornalismo, assim como na região Oeste do Estado, no Campus de Cáceres, e no Médio Norte, no Campus de Tangará da Serra. Na área privada, a Unic, pertencente ao Grupo Kroton, compra a Unirondon e, por já ofertar o curso de Publicidade e Propaganda, extingue o da Unirondon. A Universidade mantém, no grupo educacional em Cuiabá, além do curso de Publicidade e Propaganda, o de Jornalismo, e vários outros cursos afins ao campo da comunicação, ofertados nas modalidades híbrido, presencial e on-line. O curso de jornalismo do IVE foi extinto e o de Publicidade e Propaganda da Univaf segue. Permanece em funcionamento, também, o curso de Jornalismo da Unifasipe, em Sinop, já no Norte do Estado. Estão igualmente extintos dois outros cursos: de Publicidade e Propaganda, no Instituto Cuiabá de Ensino e Cultura; e o de Jornalismo, da Faculdade Cenecista de Rondonópolis. Vale destacar aqui a relevância das mulheres na criação e na consolidação do campo da Comunicação em todo o Centro-Oeste, especialmente na luta pela criação dos cursos, como mostram as bionotas das mulheres fundadoras e consolidadoras do campo da Comunicação, escritas pelas professoras que estão conduzindo os cursos para a sua terceira etapa: a do ajuste das disciplinas às novas demandas de comunicação em tempos de redes sociais, algoritmos e inteligência artificial. PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO NA REGIÃO CENTRO-OESTE Neste breve histórico, alguns aspectos característicos do perfil da efetivação da PósGraduação nesta área do conhecimento no Centro-Oeste serão destacados, relativos aos fatores que impactaram o desenvolvimento dessa etapa de formação acadêmica. Entre esses pontos estão as habilitações e os cursos introduzidos na região como fonte de demanda qualificada para o fomento desse nível de qualificação. Outro aspecto de relevo é a contribuição das instituições de ensino públicas e particulares para a configuração dos projetos pedagógicos dos programas de Pós-Graduação stricto sensu que se estabeleceram na região, desde suas áreas de concentração e linhas de pesquisa. São mencionadas, também, as iniciativas interinstitucionais de formação para a docência e a pesquisa empreendidas, algumas vezes, dentro das mesmas instituições de ensino, com os Minters e Dinters, que foram iniciados nessa área de 18 CENTRO-OESTE: HISTÓRICO DO CAMPO REGIONAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO formação. Por último, há, ainda, os programas de Pós-Graduação lato sensu, que conferem variedade à formação dos profissionais da região. Desses aspectos, em primeiro lugar cabe ressaltar a importância da oferta de Graduação local para o desenvolvimento da Pós-Graduação stricto sensu em nível de Mestrado e Doutorado, e seu impacto nas linhas de pesquisa dos Programas e nos temas dos trabalhos desenvolvidos por seus discentes. Os candidatos à Pós-Graduação são, com frequência, egressos dos cursos locais, razão pela qual tem relevância o perfil da formação de Ensino Superior em comunicação que se configurou na região até o momento. Nesse sentido, a Pós-Graduação em Comunicação da UnB diferencia-se por atrair estudantes de todo o Brasil. De modo geral, observa-se o predomínio numérico da formação em Jornalismo, seguido pela Publicidade e Propaganda e, em menor medida, pelos cursos focados nas mídias audiovisuais, como Rádio e TV, Radiodifusão, Audiovisual ou Cinema. Esse perfil de oferta repercute na formação e nos interesses de pesquisa dos docentes que atuam na Pós-Graduação, posto que, geralmente, nas universidades brasileiras, os docentes estão vinculados primeiramente aos cursos de Graduação. A configuração da oferta reflete-se adicionalmente nas áreas de concentração e linhas de pesquisa desenvolvidas nos cursos stricto sensu, estabelecidas nos projetos pedagógicos elaborados nas instituições pelos seus respectivos corpos docentes. A expressão do volume numérico e da longevidade da formação em Jornalismo expressa-se, por exemplo, nos temas de pesquisa observados nas teses e dissertações. A partir de consulta ao Repositório Institucional de teses e dissertações da Universidade de Brasília, exemplificando, com relação ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação, sobre os 578 títulos 13 (422 dissertações e 156 teses) disponíveis, o Jornalismo aparece 3 vezes entre os 10 assuntos mais recorrentes: em primeiro lugar Jornalismo(49 vezes), em quinto e sexto lugares Jornalismo(aspectos políticos, 18 vezes) e Jornalismo eletrônico(18 vezes). Esse perfil de formação aparece 10 vezes na lista dos 30 temas mais recorrentes nas teses e dissertações da UnB, desde suas subáreas, subtópicos ou especialidades, tais como: Jornalismo – aspectos sociais(12), Telejornalismo(12), Jornalistas(9), Narrativas jornalísticas(9), Imprensa(8), Jornalismo – Brasil(8) e Lei de acesso à informação(8). Além do jornalismo, a lista de assuntos frequentes nos estudos desenvolvidos no Programa de Pós-Graduação da UnB, disponíveis nesse repositório, também é indicativa da presença e da longevidade de oferta de Graduação dos cursos de Audiovisual/Cinema e Publicidade e Propaganda, a partir dos assuntos mais recorrente nas teses e dissertação, como: o Cinema Brasileiro(21) e Cinema(15), em 4º e 8º 13 Disponível em: https://repositorio.unb.br/jspui/simple-search?query=Comunica% C3%A7%C3%A3o&sort_by=score&order=desc&rpp=10&etal=0&filtername=description Ppg&filterquery=Programa+de+P%C3%B3s-Gradua%C3%A7%C3%A3o+em+Comunica%C 3%A7%C3%A3o&filtertype=equals Acesso em: 20 set. 2024. 19 lugares entre os 10 temas mais frequentes, e Publicidade(12) e Radiodifusão(11), que aparecem em 16º e 18º lugares. Mesmo no caso da UnB, que recebe estudantes de várias procedências e tem uma oferta diversificada de cursos de Graduação em comunicação há décadas, o jornalismo destaca-se entre os assuntos mais frequentes nas pesquisas dos discentes de Pós-Graduação. A longevidade da oferta em Cinema e Publicidade e Propaganda, no entanto, que se manifesta seja na maturidade do campo seja no perfil docente dessa instituição de ensino, também se faz notar nos trabalhos desenvolvidos, como observa-se a partir das frequências de assuntos nas teses e dissertações dos egressos desse Programa. Em segundo lugar está a importância das Instituições de Ensino Superior(IES) públicas e, particularmente, das Instituições Federais de Ensino(IFEs) para o desenvolvimento da Pós-Graduação na região. A abertura de cursos stricto sensu têm sido levada a cabo, principalmente, por esse segmento institucional, como percebe-se na criação de programas de Mestrado e Doutorado nos três Estados e no Distrito Federal (DF). Um fator determinante, nesse sentido, é a composição do corpo docente dessas instituições, formado primeiro com o fomento à qualificação dos docentes concursados, como se pôde notar nos históricos estaduais, depois com a contratação de docentes com titulação para o exercício profissional em Pós-Graduação. A qualificação em nível de Pós-Graduação do corpo docente das Instituições de Ensino Superior constitui um quesito fundamental para o desenvolvimento da pesquisa teórica e aplicada na região, e foi indispensável para a criação e oferta de cursos de Pós-Graduação stricto sensu no Centro-Oeste. Como observa-se nas bionotas das mulheres que participaram da formação e da consolidação do campo, os cursos de Graduação foram abertos, inicialmente, com professores que, em sua maioria, eram pós-graduados em áreas afins e que haviam estudado em outras regiões do país ou no exterior. Em muitos casos, também, os docentes eram profissionais que atuavam no mercado e começaram sua atividade acadêmica sem formação de Pós-Graduação. Uma das estratégias adotadas pelas instituições de ensino, que possibilitaram a qualificação necessária para abrir Pós-Graduação stricto sensu, foi a introdução de cursos de Mestrado e Doutorado interinstitucionais – Minter e Dinter – para nivelar o corpo docente local. Nota-se, neste caso em específico no Estado de Mato Grosso, três iniciativas identificadas nesse sentido: a primeira delas o Minter entre a UFMT e a USP(1998-2000), depois o Dinter da UFMT com a Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG(2010-2014) e, recentemente, o Dinter entre a Unemat e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro(Uerj), que se iniciou em 2019. No caso da UnB, no Programa criado em 1974, o qual foi um dos primeiros da área no país, há uma dinâmica distinta de formação do corpo docente dos demais programas do Centro-Oeste. Rezam os registros que a fundação da Pós-Graduação em Comunicação da UnB foi uma sugestão do professor Juan Diaz Bordenave ao professor 20 CENTRO-OESTE: HISTÓRICO DO CAMPO REGIONAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO Salomão David Amorim, no contexto em que ambos atuavam como pensadores influentes da comunicação latino-americana. Entre os docentes fundadores do PPGCom da FAC-UnB havia dois doutores(um pela USP e outro pela Universidade do Estado de Michigan, EUA); os demais eram mestres e iniciaram o Doutoramento nos anos 1970 e 1980, no exterior, em instituições como a Universidade de MissouriColumbia, MU, Estados Unidos, a Universidade de McGill, Canadá, a Universidade de Wisconsin, EUA e a Universidade Paris VII, França. São as Instituições Federais de Ensino que, principalmente, têm mantido certa constância no direcionamento de recursos humanos e de estrutura física para o desenvolvimento da pesquisa teórica ou aplicada nesse campo de conhecimento na região. Essas instituições de ensino contribuíram significativamente, também, para a demanda qualificada de candidatos aos programas de Pós-Graduação, pois um fator decisivo para a consolidação Da Pós-Graduação stricto sensu foi a continuidade, ao longo das últimas décadas, do oferecimento de formação específica de vários cursos da área para a população local. Essa sorte de atuação possibilitou tanto a qualificação para a docência universitária, como se pode notar na profícua relação estabelecida nesse sentido entre as universidades de Goiás e a UnB nas bionotas das professoras dessas duas localidades, quanto a manutenção da demanda discente qualificada por formação em nível de Pós-Graduação. O Centro-Oeste conta com quatro Mestrados Acadêmicos, três cursos de Doutorado Acadêmico e um curso de Doutorado Profissional. Também em nível de PósGraduação o pioneirismo na região manteve-se com a Universidade de Brasília, com a criação do Mestrado em 1974. Conforme mencionado no histórico do DF, esse foi um dos primeiros Mestrados na área no país e o primeiro fora do eixo Rio-São Paulo. Em 2024 o Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da UnB completa 50 anos e, até 2022, titulou cerca de 550 mestres. A UnB manteve-se, ainda, como precursora na abertura de Doutorado na região, criado em 2003. Com mais de 20 anos de atuação, até 2022 esse curso contava com, aproximadamente, 130 doutores formados. Com relação à Pós-Graduação stricto sensu, a Universidade Federal de Goiás(UFG) igualmente oferece cursos em âmbito de Mestrado e Doutorado em comunicação. Nessa universidade a primeira turma do Mestrado Acadêmico em Comunicação ingressou em 2007 e, um pouco mais de dez anos depois, em 2019, teve início o curso de Doutorado dessa instituição de ensino. Com quase 20 anos de funcionamento, até 2020, o PPGCOM da UFG contava com 206 mestres em Comunicação titulados. No Mato Grosso do Sul, por sua vez, o Mestrado em Comunicação teve a sua primeira turma de ingressantes em 2011, chegando a quase 15 anos de funcionamento. Em 2023 o PPGCOM da UFMS contava com 103 mestres em Comunicação formados. Sendo o terceiro na região, em 2023 o Doutorado em Comunicação da UFMS foi 21 aprovado, e sua primeira turma de doutorandos ingressou em 2024. O Programa de Pós-Graduação do Mato Grosso é mais recente. O Mestrado em Comunicação da UFMT foi aprovado em 2019 e teve a sua primeira turma de ingressantes em 2020. Até meados de 2023 esse Mestrado contava com 16 mestres diplomados. No Mato Grosso, até a criação do Mestrado em Comunicação, o campo contou e ainda conta com uma linha de pesquisa em Comunicação nos cursos de Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO):“Comunicação e Mediações Culturais”. Com dezenas de teses e dissertações defendidas, conta, em seu quadro de docentes, com nove professores doutores oriundos do campo da comunicação, que também se fez presente no Programa de Pós-Graduação em Educação, notadamente no grupo de Pesquisa da professora Michele Sato(1960-2023). Ainda no Mato Grosso do Sul observa-se dinâmica similar desde a primeira década do século 21, antes da criação de cursos stricto sensu na área, com a atuação de professores oriundos da área da comunicação nas linhas de pesquisa“Poéticas modernas e contemporâneas” e“Estudos Transdisciplinares”, do Programa de PósGraduação em Estudos de Linguagens da área de Letras. A abordagem interdisciplinar, nesse caso, deu lugar a dezenas de dissertações e algumas teses defendidas sobre assuntos do campo da comunicação, tais como cinema, jornalismo, publicidade e ficção seriada televisiva. À medida que foram sendo criados cursos na área no Estado, nos níveis de Mestrado e Doutorado, os docentes, a pesquisa sobre os tópicos da comunicação e a demanda por qualificação no campo, foram, paulatinamente, direcionando-se e se concentrando no Programa de Comunicação. Sobre as áreas de concentração que norteiam a formação nos Programas de Comunicação, o da UnB, num primeiro momento, baseava-se no binômio comunicação e desenvolvimento, a partir de sua área de concentração – Comunicação para o Desenvolvimento – e de duas linhas de pesquisa:“Comunicação Rural” e “Comunicação e Cultura”. Na área de concentração Comunicação e Sociedade o Programa conta com duas linhas de pesquisa:“Imagem, Estética e Cultura Contemporânea” e“Poder e Processos Comunicacionais”, essa última expressando a tradição dessa instituição no estudo sobre as políticas públicas e as políticas de comunicação. Manifesta, também, sua ênfase no tratamento do vínculo entre mídia, Estado e sociedade na relação entre Comunicação e Democracia, Poder e Sociedade e Direitos Humanos. Já no programa mais recente, o da UFMT, a área de concentração Comunicação e Poder é constituída por duas linhas de pesquisa: “Estéticas e Narrativas”;“Política e Cidadania”. A segunda das IFEs da região no oferecimento de Mestrado acadêmico e Doutorado em Comunicação, o PPGCOM da UFG, tem sua área de concentração – Comunicação, Cultura e Cidadania – organizada em três linhas de pesquisa:“Mídia e Cultura”, 22 CENTRO-OESTE: HISTÓRICO DO CAMPO REGIONAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO “Mídia e Cidadania” e“Mídia e Informação”. Tal como no Programa da UnB, a atenção à relação de poder entre sociedade, mídia e Estado se faz presente nas duas últimas linhas de pesquisa, uma com a atenção mais voltada à cidadania, aos movimentos sociais e às mídias, por um lado, e a outra com a ênfase na informação e na produção midiática, por outro. O Programa da UFMS, a terceira IFE da região a ofertar Pós-Graduação stricto sensu em âmbito de Mestrado e Doutorado, tem como área de concentração“Mídia e Representação” e duas linhas de pesquisa:“Linguagens, Processos e Produtos Midiáticos” e“Mídia, Identidade e Regionalidade”. Observa-se nos outros programas, na primeira linha desse Programa, que há um tratamento mais genérico e abrangente das mídias, com foco nos produtos dos meios de comunicação e nos processos culturais das mídias. Na segunda linha –“Mídia, Identidade e Regionalidade”, notase uma atenção específica em aspectos que marcam o território no qual o Programa se instala, nesse caso na oferta de mídia local e identidade, ou na produção de mídias nas fronteiras, pois o Estado de Mato Grosso do Sul tem fronteira seca com dois países e cinco Estados brasileiros. Como terceiro aspecto característico do desenvolvimento regional ligado à formação de Pós-Graduação em Comunicação, é importante apontar a contribuição das IESs privadas para a configuração e o desenvolvimento da Pós-Graduação em comunicação na região. Nos históricos de cada Estado e do DF há o registro da contribuição dada pelas instituições privadas para a ampliação da formação acadêmica em comunicação e para a diversificação da oferta de cursos e de perfis profissionais. Observa-se principalmente, nos três Estados e no DF, a oferta de cursos de Jornalismo e Publicidade nessas instituições e, ainda que em menor número, temse a oferta de Cinema e Mídias Digitais(UCB, Iesb). Além dos cursos que se mantêm em funcionamento, os outros tantos, já não mais ofertados por essas instituições de ensino, colaboraram para a variedade da formação profissional no setor, entre os quais pode-se mencionar: Relações Públicas, ofertado pela Faculdade Anhanguera de Brasília(de 2002 a 2020), pelo Iesb-DF(1999-2007) e pela Unifasam-GO(20012023), ou Rádio e TV, pela UCDB-MS(1999-2011). Além de cooperar para a demanda discente qualificada na área, a contribuição para a Pós-Graduação stricto sensu também se deu de forma direta, com a introdução do Mestrado Acadêmico em Comunicação na Universidade Católica de Brasília(UCB) em 2008, que funcionou até 2017, quando passou à oferta de Mestrado Profissional na área em Inovação em Comunicação e Economia Criativa, com ingresso a partir do ano de 2019. Em 2024 a UCB teve autorizada a abertura de um Doutorado Profissional. A contribuição das IESs particulares em nível de Pós-Graduação também se deu, com periodicidade intermitente a partir da oferta de cursos de formação lato sensu. Esse é o caso, por exemplo, da Universidade Católica de Brasília, com o Master in Business 23 Administration(MBA) em Gestão da Comunicação nas Organizações entre 2001 e 2009, ou a Especialização em TV Digital, que funcionou por quatro anos a partir de 2012. Essa modalidade de cursos também está presente na grade de oferta das Instituições de Ensino públicas, como a UFG, que oferece cursos de especialização com aderência às linhas de pesquisa e área de concentração de seu PPGCOM, como os cursos de especialização em Assessoria de Comunicação e Marketing e Letramento Informacional. Por último, o desenvolvimento da área da Comunicação no Centro-Oeste fez-se sentir, também, pela presença e contribuição de acadêmicos e pesquisadores da região nas associações de classe e de pesquisa, seja com a apresentação de trabalhos e a coordenação de Seminários Temáticos, de Grupos de Trabalho, Grupos Temáticos e Grupos de Pesquisa nos Congressos dessas entidades, seja na organização dos encontros regionais, nacionais e internacionais dessas instituições e associações. Como consta no histórico do DF, a UnB fez parte do consórcio de universidades responsáveis pela criação da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor). O corpo docente da UnB participou, ainda, do processo de criação da Associação Latino-Americana de Pesquisadores da Comunicação(Alaic), compondo inclusive sua primeira diretoria, e teve importante atuação na fundação da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós). A Universidade de Brasília sediou o Encontro Anual da Compós pela primeira vez em 1995, e o terceiro encontro dessa associação, e, desde então, esses encontros nacionais foram sediados diversas vezes em universidades da região: em 2001 novamente pela UnB; em 2015 ocorreu outra vez em Brasília; em 2016 foi sediado pela UFG-Goiânia; e em 2020 pela UFMS em Mato Grosso do Sul. A atuação e o envolvimento dos pesquisadores e docentes da região manifestam-se, ainda, em relação a outras importantes organizações da área no país, por exemplo, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), que teve dois de seus congressos nacionais sediados na região neste século: em Campo Grande, em 2001, e na UnB, em 2006. A Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual(Socine), outra importante entidade que promove o intercâmbio de conhecimento e de produção científica de profissionais e estudiosos da área, teve, por duas vezes, o seu encontro nacional sediado no Centro-Oeste na última década: em 2018, pela UFG-Goiás e em 2024 pela UFMS-Campo Grande. A inserção dos pesquisadores e profissionais da região nessas atividades potencializa a divulgação científica entre a população de modo geral, e promove o contato das novas gerações com as contribuições teóricas e as pesquisas realizadas nas várias partes do país, contribuindo para o fomento à ciência e a formação acadêmica em nível de Graduação e Pós-Graduação. 24 CENTRO-OESTE: HISTÓRICO DO CAMPO REGIONAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO DISTRITO FEDERAL 25 Dione Oliveira Moura 14 Fernanda Martinelli 15 Liziane Guazina 16 Mônica Peres 17 Cosette Castro 18 Luciane Agnez 19 Katrine Boaventura 20 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO DISTRITO FEDERAL: CELEIRO DE ASSOCIAÇÕES CIENTÍFICAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS 14 Professora titular e diretora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. Doutora em Ciências da Informação/UnB. Coordena o Projeto“Cartas para o Amanhã” e a pesquisa Mapa da Mídia Negra Brasileira. Relatora Cotas UnB. Diretora Centro-Oeste da ABEJ. 15 Professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Bolsista de pesquisa no Washington Brazil Office. Visiting Scholar na Brown University. 16 Doutora em Comunicação pela FAC-UnB, líder dos grupos de pesquisa Observatório do Populismo do Século XXI e Cultura, Mídia e Política. Professora visitante da Università degli Studi di Milano e da Università degli Studi di Torino. Pesquisadora da Red de Investigadores en Medios y Política de América Latina. 17 Doutora em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília, mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente e bacharel em Biblioteconomia e em Pedagogia. Bibliotecária e professora voluntária na mesma instituição. 18 Doutora em Comunicação pela Universidade Autônoma de Barcelona. PósDoutorado em Políticas Públicas de Comunicação na América Latina pela Cátedra da Unesco/Umesp. Pós-Doutorado no Instituto de Psicologia da UnB. 19 Doutora em Comunicação pela UnB e Mestre em Estudos da Mídia pela UFRN. Professora da Faculdade de Informação e Comunicação da UFG e diretora Regional Centro-Oeste da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo(2024-2026). 20 Professora titular dos cursos de jornalismo e publicidade do Centro Universitário de Brasília(Ceub). Doutora e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília(UnB). Produtora na TV Câmara. 26 DISTRITO FEDERAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO INTRODUÇÃO Neste projeto assumimos a honra e a responsabilidade de redigir um breve capítulo sobre a história do campo da Comunicação no Distrito Federal(DF) desde uma centralidade do campo acadêmico. A singularidade do campo da Comunicação na região Centro-Oeste está intimamente ligada à fundação da capital federal, Brasília. Esse fato histórico proporcionou o encontro de pesquisadoras e pesquisadores provenientes de diferentes partes do país e do exterior, criando um ambiente acadêmico diversificado, mas que também enfrentou desafios extraordinários, incluindo os impactos decorrentes das violências políticas ocorridas na capital do país, sobretudo durante o período da ditadura militar. A noção de território é essencial para compreender a dinâmica acadêmica na Região. Instituições como a Universidade de Brasília(UnB), o Centro Universitário de Brasília(Uniceub), a Universidade Católica de Brasília(UCB), o Instituto Superior de Brasília(IESB) e outras instituições do DF, estão imersas em territórios únicos, que compartilham desafios regionais em seus processos de ocupação, desenvolvimento, significação e dinamismo econômico, social e cultural que perpassam esses espaços acadêmicos socialmente constituídos. Foi nesse marco temporal dos anos 60 do século 20 que teve início o campo da Comunicação no DF, construído, inicialmente, enquanto campo de estudos em torno da Universidade de Brasília, trazendo nomes ímpares fundadores das subáreas na região, incluindo o cinema/audiovisual: Outro trabalho importante na filmografia de Brasília é o documentário de Nelson Pereira de Santos, Fala, Brasília, considerado por muitos como o embrião do cinema dessa cidade, realizado em 1966(Nunes, 2003, p. 229). O audiovisual nasceu de mãos dadas com o jornalismo, como alerta Nunes(2003). Teve uma forte vertente dos cinejornais na origem dos primeiros registros sobre a construção de Brasília, o que materializou, 50 anos adiante, o curso de Comunicação Organizacional da UnB, como falaremos mais à frente, e também se desdobrou no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, do qual a UnB foi cofundadora. PRIMEIRAS DÉCADAS DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO NO DF – ANOS 1960/1970/1980/1990 Universidade de Brasília – UnB(Graduação em Comunicação em 1971) A criação dos cursos de Graduação em Comunicação na Universidade de Brasília acompanhou a singularidade da história da cidade e da própria Universidade, um 27 centro efervescente por sua própria bandeira de transformação social e igualmente pela proximidade com os acontecimentos políticos e sociais da capital da República. Os cursos pioneiros foram Jornalismo, primeiro a ser criado, em 1963, e Cinema, que funcionou vinculado ao Instituto Central de Artes, primeiramente ligado ao curso de Arquitetura e Urbanismo e depois vinculado a outros departamentos. No final da década de 1960 foi criado, também, o curso de Publicidade e Propaganda, a partir dos esforços de vários professores, entre eles Maria de Lourdes Moraes. Na mesma época foi elaborado o curso de Rádio e TV, depois fechado nos anos 2000 em virtude da criação do curso de Audiovisual, numa união entre Cinema, Rádio e TV. Pompeu de Sousa, jornalista, professor, um dos fundadores da Universidade de Brasília e criador da Faculdade de Comunicação, sempre lembrava que, para Darcy Ribeiro, nosso idealizador e primeiro Reitor, a UnB tinha duas vocações fundamentais: a lealdade a valores internacionais do saber e a busca de soluções para os problemas nacionais. Ex-senador da República, pioneiro do Diário de Notícias do Rio de Janeiro e primeiro dirigente do curso de Jornalismo e da nova Faculdade de Comunicação da UnB, criada em 1963, ainda sob precárias condições estruturais, ele idealizou, à época, o projeto de uma faculdade de Comunicação de Massa com três escolas: Jornalismo, Publicidade e Propaganda; Rádio, TV e Cinema; e um centro destinado a práticas laboratoriais: o então Centro de Teledifusão Educativa da Universidade de Brasília – CETUnB. O projeto vislumbrava a ideia contemporânea de uma comunicação integrada e institucionalmente estruturada como um organismo vivo e dinâmico dentro da Universidade. O golpe civil-militar em março de 1964, no entanto, interrompeu o sonho de Pompeu de Sousa de estabelecimento definitivo de uma Faculdade de Comunicação de Massa nos moldes idealizados por ele e do funcionamento do projeto inovador de Universidade de Darcy Ribeiro. Com o golpe, a UnB foi invadida por tropas militares; o então reitor, Anísio Teixeira, foi demitido, e iniciaram-se as perseguições a professores e estudantes. Em outubro daquele ano, 15 professores da UnB foram demitidos arbitrariamente. Como resposta, 200 professores pediram demissão; entre eles, nomes conhecidos das artes, do cinema e do fotojornalismo que tinham sidos atraídos para Brasília para fazer parte do projeto pioneiro da UnB. Entre os professores estavam Athos Bulcão e Luiz Humberto Miranda Martins Pereira, e também nomes importantes da cinematografia nacional, como Lucilla Ribeiro Bernardet, Jean Claude Bernadet e Paulo Emílio Salles Gomes, este último o criador do curso de Cinema da UnB e do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Na década de 1970 as tensões políticas, decorrentes da intervenção militar na Universidade, levaram a uma diáspora de estudantes de vários cursos, inclusive dos de Graduação em Comunicação. No caso do Cinema, fechado em 1971, nomes como Tizuka Yamazaki deixaram o curso ou foram transferidos para outras universidades. 28 DISTRITO FEDERAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO Como forma de resistência à situação política, em 1974 foi criado o Programa de PósGraduação em Comunicação, um dos mais antigos do país, com a oferta de disciplinas em nível de Mestrado inspiradas no binômio comunicação e desenvolvimento, para atender à crescente necessidade de aperfeiçoamento do corpo de profissionais de Comunicação espalhados pelo poder público federal e distrital, nas empresas públicas e nas redações jornalísticas dos principais veículos da capital. Na mesma década, no entanto, a Faculdade passou a ter status de Departamento, e somente em 1989 foi novamente instituída uma Faculdade de Comunicação, iniciativa liderada pelo professor José Luiz Braga. Vinte anos depois, em 2009, no contexto do Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), promovido pela presidência do governo Lula, a Faculdade de Comunicação (FAC) criou, como curso noturno, o curso pioneiro de Comunicação Organizacional, primeiro deste tipo no Brasil, atendendo à emergente demanda por profissionais especializados em comunicação pública, institucional e do terceiro setor. Em 2024 a Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília conta com uma média de 1.300 de Graduação, distribuídos nos cursos de Jornalismo, Publicidade, Audiovisual e Comunicação Organizacional. Também possui um Programa de Pós-Graduação, sobre o qual falaremos mais adiante, uma extensa rede de Projetos de Extensão, laboratórios de pesquisa e um Centro de Documentação – o Cedoc-FAC. Centro Universitário de Brasília – UniCeub(Graduação em Comunicação em 1973) O curso de Ciências da Comunicação do Centro Universitário de Brasília(Ceub) recebeu autorização para funcionar por meio do Decreto nº 71.347, de 9 de novembro de 1972. No ano seguinte as atividades começaram, e o curso, já com o nome de Comunicação Social, foi reconhecido em 1974. O primeiro projeto pedagógico foi desenvolvido por Luiz Beltrán, que definiu três habilitações: jornalismo, publicidade e relações públicas. Beltrán também atuou como professor e pesquisador na instituição(Duarte, 2001). O Ceub foi pioneiro entre as IESs privadas do Distrito Federal, e foi criado em 1968 como alternativa para os estudantes que já trabalhavam e buscavam cursos noturnos. Esse fato refletiu no perfil do curso, como pode-se perceber pelo objetivo geral descrito no Projeto Pedagógico do curso de jornalismo: Formar profissionais com uma visão ética, humana, histórica e crítica e que ao mesmo tempo atenda às características do mundo do trabalho, acompanhando as evoluções sociais, econômicas e políticas da realidade nacional e internacional, com apoio das novas tecnologias(UniCEUB, 2022, p. 33). 29 Devido à Resolução CNE/CES nº 1 de 27 de setembro de 2013, os cursos, que eram habilitações e compartilhavam uma grade curricular comum nos primeiros semestres, separaram-se para atender às novas diretrizes curriculares para o jornalismo. O Jornal Laboratório Esquina, lançado em março de 1975, também é tradicional fonte de pautas para outros veículos da cidade. Inicialmente a cobertura era direcionada às atividades do próprio campus, o que foi alterado posteriormente. Segundo o Manual de Redação do Jornal Esquina,“Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o curso de comunicação social do UniCeub trabalha com a ideia que jornal-laboratório é diferente de house-organ da universidade”(Cláudio, 2008, p. 3). A“Carta de Princípios Editoriais dos Veículos de Comunicação do UniCEUB” define a abrangência da cobertura do Jornal Esquina e dos produtos laboratoriais de rádio e TV:“[...] pauta-se pela proximidade como fato(jornalismo regional), pela intensidade e alcance do acontecimento, a atualidade do ocorrido e a identificação social que abrange determinada notícia”(Cláudio, 2008, p. 10). No ano de 2017 um projeto de prática pedagógica interdisciplinar, desenvolvido por professores e estudantes do 6° semestre do curso, transformou o Esquina em uma publicação transmidiática, o que também atraiu estudantes de publicidade para o projeto. As turmas puderam experimentar as múltiplas possibilidades e os desafios da produção multimídia; testaram ferramentas disponíveis na web, para elaborar imagens, gráficos, animações; produziram vídeos e áudios integrados pelo texto web; exploraram diferentes aspectos da mesma pauta. Além disso, tiveram esse resultado exposto tanto na versão impressa, tradicional suporte da produção laboratorial, quanto na plataforma médium (Alves; Boaventura; Ferreira, 2018, p. 54) Desde 2020 o Esquina é publicado como livro reportagem. As turmas de jornalismo também podem participar da Agência de Notícias Ceub, projeto de extensão que recebe estudantes desde o primeiro semestre do curso. Os estudantes de publicidade têm a opção de participar do Bureau de Criação Publicitário, que também é um projeto de extensão. O Bureau atua como uma agência júnior e atende a clientes por meio de convênios com empresas, além de setores internos da instituição. Universidade Católica de Brasília – UCB(Graduação em Comunicação em 1996) Em 12 de março de 1974 foi fundada, no Distrito Federal, a Faculdade Católica de Ciências Humanas(FCCH). A então FCCH, conhecida como Universidade Católica de Brasília(UCB), ou simplesmente Católica, foi criada com três cursos de Graduação: Economia, Administração e Pedagogia. Há, pelo menos, três marcos históricos da 30 DISTRITO FEDERAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO UCB que valem a pena ser mencionados. Em 1980 a instituição transformou-se nas Faculdades Integradas da Católica de Brasília(FICB); em 1984, teve início as primeiras Pós-Graduações; e em 1994 foi aprovada como Universidade. A UCB tornou-se a primeira universidade privada do Distrito Federal 30 anos após a criação da primeira Universidade: a UnB. Em 2024 a instituição conta com 20 mil alunos que estudam na modalidade presencial e EaD. O curso de Comunicação Social da UCB teve início em fevereiro de 1996, sendo criado pelos professores José Salomão David Amorim e Luís Martins da Silva. Depois de coordenar o curso até 1998, o professor José Salomão passou a coordenação para a professora Maria Hanai, que permaneceu no cargo até abril de 1999. A UCB define as origens do curso como: (...) a razão mais profunda da UCB para a criação do novo Curso de Comunicação Social era“servir à comunidade em que se acha inserida[a Universidade] e formar profissionais tecnicamente capacitados e eticamente orientados”, considerando que a instituição não poderia omitir-se,“em se tratando de um campo profissional onde a competência e, sobretudo, a ética, se revestem de particular importância” e que“a imprensa nas suas diferentes formas, assim como os mecanismos da publicidade, são, sem dúvida, fatores de suma importância na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna”(UCB, 2023, p. 29). A primeira turma de formandos em Comunicação da UCB concluiu a Graduação no ano 2000. Em 2001 os cursos de Comunicação Social, Jornalismo e Publicidade e Propaganda foram reconhecidos pelo MEC. A Universidade Católica de Brasília oferece quatro cursos de bacharelado na área de Comunicação: Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Cinema e Mídias Digitais e Design Visual no Campus de Taguatinga. O Centro de Rádio e Televisão(CRTV) é o laboratório de audiovisual do curso de Jornalismo, sendo composto pelos laboratórios de Rádio e Televisão, e também funciona como laboratório experimental de audiovisual do Curso de Comunicação. Além disso, os quatro cursos contam com Laboratório de Produção Gráfica, Núcleo de Fotografia, Laboratório Digital, Agência Júnior de Assessoria de Imprensa, com a Agência Cajuí, Agência Júnior de Design e com a Matriz Comunicação, Agência Júnior do curso de Comunicação Social. A Matriz Comunicação funciona desde 1999, e os coordenadores da Graduação em Comunicação são a professora Eliane Muniz e o professor Robson Dias. Instituto de Educação Superior de Brasília(Iesb) O Instituto de Educação Superior de Brasília(Iesb) foi fundado em 1994, e em 1997 duas Comissões do Ministério da Educação autorizaram os dois primeiros cursos: 31 Administração e Ciência da Educação, ambos de Graduação Bacharelado. Em 2011, por meio da Portaria do Ministério da Educação nº 1.523, publicada em 20/10/2011, o Iesb foi credenciado como Centro Universitário, mantendo três unidades educacionais no Distrito Federal: na Asa Sul, na Asa Norte e em Ceilândia. Em agosto de 1998 a instituição iniciou o curso de Comunicação Social, com habilitações em Jornalismo e em Publicidade e Propaganda, sendo os cursos reconhecidos em 2003. O jornalista e professor aposentado da UnB, José Salomão David Amorim, foi o primeiro coordenador do curso de Comunicação, no qual seguiu lecionando por vários anos. Em 2019, ao tornar-se professor emérito da UnB, ele chegou a destacar em seu discurso:“Digo à professora Eda Machado de Souza, reitora do Iesb, que não pode estar aqui presente, que me orgulho de ter trabalhado com ela na construção do curso de Comunicação”(Amorim, 2019). No mesmo ano os professores João José Curvello e Elizabeth Brandão(1998) projetaram o curso de Comunicação Institucional e Relações Públicas, lançado no ano seguinte, e que esteve em funcionamento até 2007. Naquele momento, o curso buscou“formar um profissional consciente do significado da comunicação no espaço público e do seu papel de mediador entre a sociedade e os interesses de informação das instituições”(Curvello; Brandão, 1998, p. 4). A contribuição da professora Elizabeth Brandão no Iesb estendeu-se também para a Pós-Graduação, quando foi coordenadora e criadora da especialização em Assessoria em Comunicação Pública. Até 2006 os cursos de Jornalismo e Publicidade compartilhavam uma grade comum de disciplinas até o quarto semestre, quando os estudantes escolhiam suas habilitações. A partir daí o ingresso tornou-se independente, extinguindo o curso de “Comunicação Social”, e em 2007 foi lançado o Bacharelado em Cinema e Mídias Digitais. Em 2019 uma nova mudança de matriz curricular possibilitou que disciplinas fossem compartilhadas por alunos dos três cursos(Jornalismo, Publicidade e Cinema) nos semestres iniciais, porém mantendo grades independentes. Destaca-se, ainda, a criação do primeiro curso de Jornalismo 100% EaD do Distrito Federal e o curso de Publicidade Híbrido EaD, ambos em 2020. Os cursos do campo da Comunicação são ofertados no Campus da Asa Sul, onde encontra-se uma central multimídia que os estudantes compartilham, com suporte tecnológico de computadores, estúdios de fotografia, de televisão e de rádio, espaços para edição e editoração gráfica, além de disponibilização de equipamentos. Ademias dos cursos de Cinema, Publicidade e Jornalismo, a central atende, também, as atividades dos cursos tecnólogos em Fotografia e Design Gráfico. Algumas ações marcam a história desses cursos. Uma delas é a publicação semestral da Revista Laboratório Redemoinho, desde 2009, que faz parte da Cátedra Unesco-Iesb sobre Desafios Sociais Emergentes. Além disso, por dois anos o curso de Jornalismo, em parceria com a Secretaria de Cultura do Distrito Federal, produziu um jornal 32 DISTRITO FEDERAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO impresso sobre o Festival de Cinema de Brasília, o Moviola, que foi distribuído nos festivais de 2008 e 2009. Igualmente em parceria com a Rádio Cultura, da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, os alunos produziram reportagens para veiculação na emissora em 2009. O Portal de Jornalismo da instituição é o principal espaço que concentra a produção laboratorial, reunindo produções em múltiplas plataformas dos estudantes desde o primeiro semestre até o Trabalho de Conclusão de Curso. No curso de Publicidade e Propaganda destaca-se a realização do Projeto Integrador desde o primeiro semestre, quando os estudantes são estimulados a desenvolver todo o processo de criação de uma campanha para clientes reais e têm seus trabalhos premiados. Entre as organizações que já participaram, estão a Defensoria Pública da União, a Coca-Cola, a Arena Mané Garrincha, a BB Seguros, entre outras. Outras Faculdades de Comunicação no Distrito Federal A partir dos anos 2000 outras instituições de Ensino Superior particulares iniciaram a oferta de cursos na área da Comunicação, alguns já extintos e outros ainda em atividade. O Centro Universitário Projeção oferece o curso de Publicidade e Propaganda desde o ano 2000 no Campus de Taguatinga, numa Graduação Bacharelado em que os alunos contam com uma agência experimental, laboratórios de audiovisual e fotografia e podem participar do grupo de pesquisa sobre Novas Tecnologias e Sociedade. Em 2002 a então Faculdade de Ciências Sociais e Tecnológicas(Facitec) inaugurou os cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda no Campus de Taguatinga. Em 2013 a instituição foi adquirida pela Faculdade Estácio de Sá, tornando-se a Estácio Brasília. O curso de Publicidade e Propaganda também é ofertado pela Faculdade JK desde 2005. O Centro Universitário do Distrito Federal(UDF) lançou o curso de Publicidade e Propaganda em 2018 e o de Jornalismo em 2021, ambos ofertados presencialmente na Asa Sul. Também foi em 2021 que o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa de Brasília(IDP) criou os cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda. A Faculdade Anhanguera de Brasília ofertava, desde 2002, o curso de Publicidade e Propaganda, que está em fase de extinção, sem abertura de novas turmas. Já o curso de Jornalismo foi lançado em 2005. Entre 2002 e 2020 a instituição ofertou, em Brasília, o Bacharelado em Relações Públicas, mas já foi extinto. A Universidade Paulista(Unip) inaugurou o primeiro campus em Brasília em 2000, mas o curso de Jornalismo foi iniciado apenas em 2013. O curso de Publicidade e Propaganda foi ofertado pela unidade DF no período de 2006 a 2021. Outras três faculdades particulares tiverem cursos da área da Comunicação nas duas últimas décadas, mas já se encontram extintos: O Centro Universitário Icesp(Unicesp), 33 no Guará, que manteve os Bacharelados em Jornalismo e em Rádio, TV e Internet entre 2001 e 2021; o Centro Universitário Euro-Americano(Unieuro), na Asa Sul, que ofereceu Jornalismo entre 2004 e 2017; e o Centro Universitário Planalto do Distrito Federal(Uniplan), que contou com Publicidade e Propaganda entre 1999 e 2020. A CRIAÇÃO DA PRIMEIRA PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO NO DF(UnB-1974) O Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília(PPGFAC/UnB) foi fundado em agosto de 1974, sendo um dos cinco primeiros programas do gênero no Brasil e o primeiro fora do eixo Rio-São Paulo, segundo descreve o professor Sergio Porto em artigo que conta a história do PPG-FAC(Porto, 2011). Segundo ele, a ideia de criar o Programa de Comunicação da UnB partiu de Marco Antonio Rodrigues Dias e José Salomão David Amorim. O professor Salomão acrescenta que“dois professores tiveram papel chave na elaboração da proposta do Mestrado: Luiz Ramiro Beltran e Juan Diaz Bordenave”(Amorim, 2019, p. 5). Também historiciza o professor Murilo César Ramos(2024): Pode-se pensar em duas situações principais em que a Faculdade de Comunicação da UnB contribuiu sobremaneira para o pensamento comunicacional latino-americano, naquele campo em que ela sempre se destacou; o das políticas de comunicação. Primeiro, pelo legado de Marco Antônio Rodrigues Dias, José Salomão Amorim e Luiz Gonzaga Motta, esses principalmente, no âmbito dos debates e pesquisas sobre a Nova Ordem Mundial da Informação e Comunicação, ao longo dos anos 1970 e 1980. Legado posteriormente sustentado pelo Laboratório de Políticas de Comunicação(LaPCom), criado por mim, no início dos anos 1990; hoje coordenado por Fernando Paulino, atual presidente da ALAIC. Retomando o estudo de Porto(2011), trazemos que o autor conta, ainda, que, inicialmente, a área de concentração do Programa era Comunicação para o Desenvolvimento, com duas linhas de pesquisa: Comunicação Rural e Comunicação e Cultura. O enfoque no desenvolvimento agrícola era predominante e seguia a experiência de outros cursos de Pós-Graduação em Comunicação na América Latina e a tradição de programas do meio-oeste norte-americano(Porto, 2011). Salomão Amorim pondera que a influência de Luiz Ramiro Beltran e Juan Diaz Bordenave trouxe uma visão crítica ao Mestrado,“recusando seu caráter funcionalista, incapaz de fazer frente aos fatores estruturais do subdesenvolvimento(Amorim, 2019, p. 5). Democratizar as comunicações brasileiras sempre foi um desses problemas, à mercê, sobretudo, da nossa conturbada história de autoritarismo e ditaduras; história que, na UnB, desde quase a sua fundação até o fim da ditadura civil-militar em 1965, se 34 MULHERES DA COMUNICAÇÃO revelaria particularmente verdadeira. Em momento algum desse período, porém, extinta a Faculdade de Comunicação de Massa original e ressuscitada na forma de um Departamento de Comunicação da UnB nos anos 1970, a democratização das comunicações deixou de ser um valor essencial para uma parte significativa de seus docentes e alunos(as). Desde então, em disciplinas de Graduação e, sobretudo, em áreas de concentração do seu pioneiro Programa de Pós-Graduação, que veio à luz em 1974, a Faculdade de Comunicação da UnB nunca deixou de abrigar a área de Políticas de Comunicação e Cultura, sempre integrada a iniciativas de intervenção social. Ao longo de seus 50 anos, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília passou por muitas mudanças e desafios, acompanhando as transformações do país e de sua capital, dialogando com os territórios e comunidades da Região Centro-Oeste e do bioma cerrado. Na avaliação quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) em 2022, o programa alcançou um feito inédito: a nota 5, um reconhecimento significativo de sua excelência e projeção das pesquisas em âmbito nacional e internacional. A partir de 2012 a área de concentração do PPG-FAC passou a ser Comunicação e Sociedade(Plataforma Sucupira, 2024), e desde 2018 o Programa conta com duas linhas de pesquisa: Imagem, Estética e Cultura Contemporânea e Poder e Processos Comunicacionais. Dados de maio de 2024 mostram que 26 professoras e professores integram o PPG-FAC, desenvolvendo pesquisas que compreendem eixos temáticos, como Teorias da Comunicação, Políticas de Comunicação e de Cultura, Jornalismo, Mundo do Trabalho e Organizações, Consumo e Cultura Material, Comunicação, Democracia e Plataformização, Direitos Humanos, Gênero, Identidade ÉtnicoRacial e Orientação Sexual, Teoria e História da Imagem e do Som, Teorias do Contemporâneo, Estéticas e Narrativas da Comunicação. A Universidade de Brasília é a maior universidade do Centro-Oeste, com grande destaque nos rankings nacionais e internacionais, com mais de 50 mil estudantes de Graduação, quase 10 mil de Pós-Graduação, mais de 2,6 mil docentes e cerca de 2,8 mil servidores técnico administrativos, segundo o anuário estatístico de 2023 (UnB, 2023). Há mais de 20 anos a UnB foi a universidade federal brasileira pioneira na adoção do sistema de cotas para negros e ingresso de indígenas, tendo uma de suas docentes, eleita pelo Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão(Cepe), como relatora da política de ação afirmativa da UnB(Moura, 2004b). O PPG-FAC espelha e expande essa vocação, sendo, também, um dos primeiros programas a instituir processo seletivo com ações afirmativas para pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência, pessoas trans ou travestis e pessoas refugiadas. Embora o debate sobre ações afirmativas e sua efetivação na Pós-Graduação no país seja relativamente recente, os impactos dessas políticas são substanciais e significativos. 35 As ações afirmativas na Pós-Graduação brasileira, de maneira geral, e no PPG-FAC, em particular, desempenham um papel fundamental na construção de uma agenda de pesquisas mais diversa e socialmente referenciada, mobilizando a comunicação para a mudança social por meio da diversidade e da inclusão, e também como um espaço de convivência e compartilhamento de saberes, refletindo em sua estrutura e práticas a interdisciplinaridade, a integração com diferentes territórios e suas comunidades e a inovação social. Como expresso na Declaração de Diversidade e Inclusão do PPGFAC UnB(2021), aprovada pelo Colegiado do Programa em maio de 2021, O PPG-FAC UnB tem o compromisso de se posicionar, se fortalecer e se aprimorar continuamente como uma comunidade intelectual que reconhece, valoriza e incorpora a diversidade em suas mais variadas formas de expressão, sejam elas étnico-raciais, de origem regional e nacional, identidade de gênero, orientação sexual, classe e religião, entre outras. Queremos permanentemente construir um ambiente de ensino, de pesquisa e de convivência que incorpore e estimule também a diversidade de pensamentos, de perspectivas, de experiências e identidades.(...) Queremos construir, conviver e preservar um ambiente acadêmico em que todas e todos se sintam acolhidos/as, integrados/as e sejam capazes de se expressar, trabalhar, pesquisar e produzir conhecimento científico exercitando plenamente seu potencial. 50 anos do PPGCOM – UnB Em janeiro de 2024 o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília(PPG-FAC/UnB) celebra seu cinquentenário, marcando 50 anos desde a sua fundação, em 1974, com o curso de Mestrado. O Doutorado teve início em 2003, e, ao longo dessas cinco décadas de Mestrado e duas décadas de Doutorado, o Programa já formou centenas de profissionais, contribuindo significativamente para o avanço da pesquisa científica e a consolidação do campo da comunicação no Brasil. Desde a sua fundação o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília tem sido, simultaneamente, um espaço de produção de conhecimento, resistência política e defesa da democracia. A própria criação do PPG-FAC foi um ato de resistência à ditadura militar, e é emblemática desse compromisso. Em um período de repressão, censura e violência, a atuação do Programa foi, portanto, estratégica para a defesa da liberdade acadêmica no país. O mesmo deu-se no período de redemocratização na década de 1980, inclusive durante a Assembleia Nacional Constituinte. Já nos anos 2000, como durante o golpe de 2016, e os inúmeros ataques do governo Bolsonaro às universidades e à produção de conhecimento científico, o PPG-FAC manteve-se ativo e militante. 36 DISTRITO FEDERAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO As diferentes gerações de docentes, discentes e pessoal técnico administrativo constituem uma comunidade unida por esse sentido de articulação entre universidade pública e mudança social, sempre inspirando-nos no ideário da universidade necessária preconizada por Darcy Ribeiro(Camargo; Nogueira; Pilati, 2022). Esta comunidade amplia-se e se fortalece diante dos desafios contemporâneos e futuros, que são de naturezas diversas, sejam elas sociais, políticas, ambientais e de desenvolvimento, entre outras. Essa articulação entre cinco décadas de história e o compromisso contínuo com a resistência, é fundamental para lidar com os complexos desafios do futuro, reafirmando a importância da comunicação como ferramenta de transformação social. A comunicação, nesse contexto, é um mecanismo vital para o empoderamento comunitário, a construção de narrativas inclusivas e a promoção de políticas públicas equitativas. Esse compromisso histórico e contínuo fortalece a capacidade do Programa de contribuir para uma sociedade cada vez mais democrática e resiliente. A PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO DA CATÓLICA O Mestrado em Comunicação da Universidade Católica de Brasília(UCB) foi criado em 2008 sob a coordenação do professor fundador João Curvello, e foi composto por uma equipe com oito professoras e professores pesquisadores, sendo quatro mulheres e quatro homens. Em 2006 foi apresentado o primeiro Aplicativo para Propostas de Cursos Novos(APCN) à Capes. Para isso, houve uma preparação prévia, iniciada em 2002, com a participação dos docentes da Graduação nos editais de pesquisa internos e externos e na criação e consolidação de grupos de pesquisa credenciados pela Universidade e cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Em 2008 foi publicado o primeiro número da Revista Comunicologia. Em 2012 o PPG da UCB associou-se à UnB, à UFG e à UFMS para criarem a Revista Esferas. Em 2014 a professora Florence Dravet assumiu o quadriênio seguinte, de acordo com mudança de triênio para quadriênio da Capes, com o desafio de elevar o programa para nota 4, resultado obtido em 2017. Apesar da mudança para o nível 4, o Mestrado acadêmico em Comunicação funcionou até o final de 2017, quando o Programa foi fechado pela Universidade junto a outros cursos de Pós-Graduação e Graduação. Em meio a outras mudanças, em 2018 a reitoria da UCB criou o Mestrado Profissional em Inovação em Comunicação e Economia Criativa, e entrou com pedido na Capes de aproveitamento da nota 4 do Mestrado Acadêmico. Em 2019 o Mestrado Profissional, com a nota 4, recebeu sua primeira turma, e, segundo o professor Alexandre Kieling, na coordenação do curso, em 2024 foram 50 alunos inscritos. Em 2024, a CAPES aprovou o Doutorado Profissional na UCB. 37 Conforme a professora Florence Dravet(2024), o Mestrado Profissional Inovação em Comunicação e Economia Criativa Se caracteriza por centrar suas pesquisas na criação e no desenvolvimento de produtos com base em referenciais teóricos da área e que apresentem algum grau de inovação. Situa-se na articulação entre a gestão estratégica da comunicação e a produção audiovisual para mídias digitais. O PPG da UCB possui oito professores permanentes e dois colaboradores. Destes, sete são homens e três são pesquisadoras mulheres voltadas para a pesquisa aplicada. O Mestrado Profissional oferece duas chamadas para novos alunos por ano. A Universidade Católica de Brasília também tem uma história importante na oferta de cursos lato sensu. O MBA Gestão da Comunicação nas Organizações formou 10 turmas entre 2001 e 2009, com quase 400 especialistas formados. Já a Especialização em TV Digital funcionou entre 2012 e 2016 com duas turmas, formando 25 especialistas. CONSIDERAÇÕES FINAIS O campo da Comunicação no DF foi um dos espaços importantes para ecoar o pensamento comunicacional latino-americano, especialmente por meio da UnB, que teve pesquisadores latino-americanos em sua origem, como também registram os estudos de José Marques de Melo(1995): Os principais núcleos de produção desse conhecimento legitimado foram: Ciespal(Quito, Equador, anos 60 e 70), Ceren(Santiago, Chile, anos 70), Ilet(México, anos 70 e 80), Ininco(Caracas, Venezuela, anos 70 e 80), Intercom(São Paulo, Brasil, anos 80 e 90), Ipal(Lima, Peru, anos 80 e 90), Equipo Comunicación(Caracas, Venezuela, anos 80 e 90). A eles se somam alguns espaços universitários inovadores: USP, IMS e UnB (Brasil), Unam, UAM, UIA, Iteso e Universidad de Colima(Mexico) e Universidad de Cali (Colombia). Atuaram como instâncias decisivas de legitimação acadêmica e fortalecimento orgânico: Alaic e Felafacs, promovendo encontros, seminários e editando publicações que garantiram a disseminação dessas ideias em todo o continente e sua circulação no exterior(p. 7, grifo nosso). A Associação Latino-Americana de Pesquisadores da Comunicação(Alaic), o campo da comunicação do DF por meio da UnB, notadamente nas pessoas dos professores José Salomão David Amorim e Luiz Ramiro Beltrán, esteve presente no processo de criação. O professor Salomão participou das reuniões preparatórias para a fundação da Alaic, assim como Beltrán: A Associação Latino-Americana de Pesquisadores da Comunicação(ALAIC), criada em 1978, surgiu para reunir pesquisadores latino-americanos, 38 DISTRITO FEDERAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO tentando incluir a América Latina na comunidade mundial de pesquisadores das ciências da comunicação. Sob a liderança de Antonio Pasquali e Luis Ramiro Beltrán, um grupo de pesquisadores de diferentes países decidiu fundar uma associação que permitisse maior representatividade institucional da região perante a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(Unesco). Associação de Estudos da Comunicação Social (Aiecs)(Kunsch, 2004, grifo nosso). Por fim, o campo da Comunicação do Brasil, por meio da UnB, fez-se presente na primeira Diretoria da Alaic, eleita na Venezuela no ano de 1978: o professor Luiz Gonzaga Figueiredo Mota, da Faculdade de Comunicação da UnB, foi o representante brasileiro na Diretoria e ocupou o cargo de Secretário de Promoção e Organização (Gobbi, 2018, p. 48). No Conselho Diretivo da Alaic, eleito em 1979, registra a autora, o professor Motta prossegue na mesma Secretaria e o professor Salomão Amorim assume a suplência da mesma Secretaria, ambos da UnB, os dois únicos representantes brasileiros na diretoria Fundadora da Alaic. O campo da Comunicação no DF participou, também, dos momentos preparatórios que antecederam a fundação da Associação Nacional dos Programas de PósGraduação em Comunicação(Compós). Na lista de fundadores da Compós constam dez nomes, dois dos quais eram docentes da Faculdade de Comunicação da UnB à época – Edmilson Siqueira Neto e José Luiz Braga, que veio a ser o primeiro Diretor da Faculdade recriada em 1989. Em 30 de março de 1991, em uma reunião sediada na Universidade Federal de Goiás (UFG), aconteceu a criação do“Fórum dos Programas de Pesquisa e Pós-Graduação no Campo da Comunicação”. O Fórum foi precisamente o núcleo de planejamento do que viria a ser a Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós), fato que está registrado nas metas do Grupo de Trabalho do Fórum; grupo esse presidido pelo professor José Luiz W. Jardim Braga da UnB. A Ata de criação do Fórum determinou que“uma segunda reunião terá lugar entre os dias 14, 15 e 16 de junho de 1991, tendo como anfitriã a Universidade Federal de Minas Gerais”. Outra entidade nacional de pesquisa que teve seu berço acadêmico na UnB foi a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor): A realização do I Encontro[da SBPJor] foi possível graças à iniciativa de um consórcio entre as Universidade Federais de Pernambuco(UFPE), Santa Catarina(UFSC), Bahia(UFBA), São Paulo(USP), Rio Grande do Sul(UFRGS), Espírito Santo(UFES) e a Universidade de Brasília(UnB). (Moura, 2004a, p. 211, grifo nosso). Dentro desse panorama do Distrito Federal, tendo Brasília como capital, outras agendas importantes passam pelos seus cursos de Graduação e Pós-Graduação, muito 39 impulsionadas pela centralidade inerente à capital, mas também pelo espírito de transformação social que é fundador da UnB. Assim também o campo da Comunicação do DF tem ancorado outras agendas relevantes, além das supracitadas, por exemplo, a agenda da defesa do diploma do jornalismo, em parceria com a Federação Nacional de Jornalistas(Fenaj), com a Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo(Abej) e com a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor). No processo de redemocratização do Brasil, no final dos anos 1980, o professor Salomão Amorim(2019) recorda que os docentes do Departamento de Jornalismo da UnB entregaram, ao então PMDB, um documento(agora comprovado como um documento visionário) que alertava que“o processo de redemocratização no Brasil não se completará sem uma redemocratização de sua infraestrutura de telecomunicações e de seu sistema de comunicações”(p. 8). No mesmo documento o professor Amorim relata as parcerias da UnB com a Federação Nacional de Jornalistas(Fenaj) nas décadas de 80 e 90 do século 20, tendo a democratização da comunicação como pauta – tema ainda necessário no cenário brasileiro, passadas quatro décadas. Assim, concluímos este capítulo escrito por sete autoras, professoras e pesquisadoras, vinculadas às instituições de Comunicação do DF(seja tendo sido discentes/ mestrandas/doutorandas das instituições, seja como docentes e pesquisadoras das mesmas). Deixamos aqui um registro sumarizado do campo da Comunicação do DF enquanto celeiro de associações científicas nacionais(Abepec, Compós, SBPJor, Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, dentre outras) e internacionais(Alaic, Ciespal, dentre outras), campo antenado com as demandas emergentes, a exemplo do combate à desinformação e da promoção de educação midiática, e com o nosso propósito coletivo e histórico de valorizar o campo da Comunicação do DF como um campo que quer se fazer sempre mais como socialmente referenciado. Referências ALVES, Carolina Assunção E.; BOAVENTURA, Katrine Tokarski; FERREIRA, Luiz Claudio. Esquina: encontro multiplataforma no curso de jornalismo. In: CARVALHO, Renata Innecco Bittencourt de(org.). 50 anos de prática pedagógica: prêmio UniCEUB de mérito acadêmico. 1. ed. Brasília: UniCEUB: ICPD, 2018. p. 44-56. AMORIM, José Salomão David. Discurso proferido na Universidade de Brasília, 26 mar. 2019. Disponível em: http://cerimonial.unb.br/images/ProfesssorEmerito/Discurso_Professor_Jos_Salomo_Amorim.pdf. Acesso em: 21 maio 2024. CAMARGO, Murilo Silva de; NOGUEIRA, Mônica Celeida Rabelo; PILATI, Alexandre Simões. Darcy Ribeiro e a Universidade Necessária. Brasília: Editora UnB, 2022. Disponível em: https://livros.unb.br/ index.php/portal/catalog/book/298 CLÁUDIO, Luiz. Manual de redação do jornal Esquina. Brasília, UniCEUB, 2008, 42 p. Disponível em: https://repositorio.uniceub.br/jspui/handle/235/7414. Acesso em: 27 maio 2024. CURVELLO, João José A.; BRANDÃO, Elizabeth. Comunicação institucional: um novo curso para uma nova realidade profissional. In: XXI CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 21., 40 DISTRITO FEDERAL MULHERES DA COMUNICAÇÃO 1998, Recife. Anais[...] Recife, 1998. Disponível em: http://www.acaocomunicativa.pro.br/cirp.pdf. Acesso em: 21 maio 2024. DRAVET, Florence. Entrevista às autoras. Brasília, 2024. DUARTE, Jorge Antonio Menna. Relações públicas: a contribuição de Luiz Beltrán. In: INTERCOM SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES DA COMUNICAÇÃO. CONGRESSO BRASILEIRO DA COMUNICAÇÃO, 24., 2001, Campo Grande. Anais[...]. Campo Grande, MS, 2001. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2001/papers/np5duarte.pdf. Acesso em: 29 mai. 2024. GOBBI, Maria Cristina. Contribuições para uma memória institucional. 40 anos da ALAIC. Memórias do XIV Congreso de la Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación ALAIC. Costa Rica, 2018. Disponível em: https://www.alaic.org/wp-content/uploads/2022/03/GT-17-ALAIC-2018.pdf#page=58 KIELING, Alexandre. Entrevista às autoras. Brasília, 2024. KUNSCH, Margarida M. Krohling. A presença da ALAIC na comunidade latino-americana de Ciências da Comunicação. 2004. Disponível em: https://alaic.org/pt/historia/ MELO, José Marques de. Difusão dos paradigmas da escola latino-americana de comunicação nas universidades brasileiras. 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Disponível em: https://bdm.unb.br/ bitstream/10483/27944/1/2018_DeniseSantosDeOliveira_artigo.pdf PLATAFORMA SUCUPIRA. Cursos avaliados e reconhecidos: Programa de Pós-Graduação em Comunicação UnB. CÓDIGO – 53001010019P6. Disponível em: https://sucupira-v2.capes.gov.br/sucupira4/programas/ detalhamento/2074?regiao=Centro-Oeste&search=Comunica%C3%A7%C3%A3o&size=20&page=0. Acesso em: 29 maio 2024. PORTO, Sérgio Dayrell. Programa de Pós-Graduação em Comunicação na Universidade de Brasília(UnB), Brasil: uma formação teórico-prática e política do comunicador. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, n. 12, 2011. Disponível em: https://revista.pubalaic.org/index.php/alaic/article/view/52. Acesso em: 20 maio 2024. PPG-FAC UNB. Declaração de diversidade e inclusão. 2021. Disponível em: https://ppgcom.fac.unb.br/ diversidade-e-inclusao/ RAMOS, Murilo César Oliveira. Entrevista às autoras. Brasília, 2024. UCB. Universidade Católica de Brasília. Projeto pedagógico do curso: jornalismo 2023. Curso de Jornalismo. Brasília, DF: Universidade Católica de Brasília, 2023. Disponível em: https://ucb2.catolica.edu.br/portal/ wp-content/uploads/2021/02/PPC-Jornalismo.pdf UNB. Universidade de Brasília. Anuário Estatístico 2023 – Ano-Base 2022. Brasília, DF: Universidade de Brasília, 2023. Disponível em: https://anuario2023.netlify.app/ UNICEUB. Centro Universitário de Brasília. Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Jornalismo. Brasília, 2022. Disponível em: https://repositorio.uniceub.br/jspui/handle/prefix/16001?mode=full 41 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 42 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO MALLÚ MORAES Katrine Tokarski Boaventura Maria de Lourdes Torres nasceu em 31 de março de 1946 em Anápolis(GO). Ela foi Lourdinha até a adolescência, mais tarde Mallú Torres, e, por fim, Mallú Moraes, nome artístico que adota o sobrenome do companheiro, com quem se casou em 1971 e teve dois filhos: André e Bruno. Mallú mudou-se com a família ainda criança para a capital do país. O pai, Álvaro Gouvea Torres, foi pioneiro na nova capital. A mãe, Aniça Torres, é mineira da cidade de Barbacena. Mallú graduou-se em Jornalismo na Universidade de Brasília(UnB) e fez três especializações em publicidade e criação para o audiovisual no ano de 1968, na McCann-Erickson Publicity Agency, na Young and Rubicam Agency e também na Screen Gems Production, tanto em São Paulo quanto nas unidades de Nova York, nos Estados Unidos. Em 1970, aos 23 anos, tornou-se professora do Departamento de Audiovisuais e Publicidade da UnB, uma das fundadoras do curso. Além de professora, foi cantora, atriz, produtora e publicitária, exercendo múltiplas profissões relacionadas à Comunicação, destacando-se tanto diante das telas de cinema, como atriz, quanto por trás das telas. Gravou o compacto Chope no Escuro em 1980, incluindo composições de colegas da Universidade de Brasília. Na Faculdade de Comunicação(FAC) lecionou diversas disciplinas de cinema e publicidade, além de apoiar a administração. Em 1986, durante sua atuação como professora de Cinema na FAC, coordenou a edição do livro“Perspectivas Estéticas do Cinema Brasileiro”. 43 Mallú apoiou festivais de cinema a exemplo do workshop “Interpretação para atores de cinema e televisão”, no Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe, o Curta-SE, em 2004, e a oficina para atores experientes“O Ator e a Arte”, no Festival de Cinema de Brasília de 2012, além da participação de júris. Por sua trajetória no audiovisual, foi premiada no 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 2016, quando recebeu o Prêmio Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo. Colaborou com a fundação da Associação de Produtores e Realizadores de Cinema e Audiovisual de Brasília(Aprocine), assim como teve sua própria produtora: a Aquarela Produções Culturais Limitada, fundada em 1986, onde trabalhava com o marido e os filhos. No cinema Mallú atuou em diversas funções, como atriz, produtora, figurinista e diretora de arte. Entre eles,“A Difícil Viagem”(1983), “O Círculo de Fogo”(1989/1990),“Césio 137”(1990) e“A Noite por Testemunha”(2009). Fez minisséries televisivas para a extinta TV Manchete:“O Farol” e“Floradas na Serra”(1991). Em 1995 participou do elenco de“Carlota Joaquina”, de Carla Camurati. Em 2007 ela recebeu o prêmio de melhor atriz no Curta Canoa, no Ceará, por“Enciclopédia do Inusitado e do Irracional”, dirigido por Cibele Amaral. A partir de 2014, decidida a trabalhar apenas como atriz fez“Doce de Goiabada”(2014) e“Por que você não chora?(2021), sua última atuação. Mallú ainda assinou a produção jurídica do longametragem“A espera de Liz”, dirigido pelo filho Bruno Fatumbi Torres e lançado em 2022. Além da formação dos estudantes de cinema da UnB, para as mulheres do audiovisual do Distrito Federal e região a trajetória de Mallú é uma referência. Ela aposentou-se da UnB em 1991, mas a aposentadoria foi tornada sem efeito em abril de 2004. Alguns meses depois ela aposentou-se novamente, quando estava lotada no Centro de Produção Cultural e Educativa(CPCE) da UnB, do qual participou de sua fundação. Em 2019 ela recebeu o diagnóstico de Alzheimer. Mallú passou os últimos anos de sua vida em Brasília, com o filho Bruno e a companheira Lai Dantas. Faleceu no dia 8 de agosto de 2024, em Brasília, aos 78 anos. 44 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Ela recebeu uma homenagem ainda em vida: parte do Laboratório de Publicidade e Propaganda(LaPP) da FAC recebeu o nome de Espaço de Criatividade Mallú Moraes. Publicações MORAES, Malu(coord.). Perspectivas estéticas do cinema brasileiro. Brasília: Editora UnB, 1986.(Republicado em 1986). 45 LUIZA VENTURELLI Ana Carolina Roure Malta de Sá Luiza Venturelli nasceu em 22 de agosto de 1947 no município paulista de Auriflama. Filha de um comerciante e agricultor, Aurélio Dainesi, e de Mafalda Fabretti, Luiza foi uma das primeiras da família a ingressar na universidade. Cursou o primário em Auriflama e estudou na Escola Normal D. Pedro II, em São José do Rio Preto(SP). Já formada como professora normalista, mudou-se para São Paulo a fim de dar continuidade aos estudos. O primeiro contato com a fotografia foi na Faculdade de Belas Artes na Pinacoteca de São Paulo, curso que concluiu em 1970; entretanto, foi após casar-se e se mudar para Brasília que a fotografia se tornou um ofício. Ainda nos anos 1970 fez um curso com o fotógrafo Kim-Ir-Sem e, por volta de 1978, começou a trabalhar como fotojornalista no Jornal de Brasília, quando aprendeu a fotografar no cotidiano, cobrindo diversos assuntos e revelando seus próprios filmes. No mesmo ano participou da fundação da União dos Fotógrafos de Brasília(UFB). No final da década de 1970 fez uma maîtrise na França, onde conheceu a fotografia de Henri Cartier-Bresson e Robert Doisneau, que a influenciaram na busca pelo momento decisivo e inusitado; o foco no ser humano, a busca pela imagem única e a preferência pelo preto e branco. Nos anos 1990 publicou o jornal Em Foco, dedicado aos temas da fotografia em geral e em particular da profissão de fotojornalista. 46 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Além de uma das fundadoras, Luiza constituiu a primeira diretoria desta Associação e foi eleita vice-presidente em 1983/1984. Outra experiência profissional importante foi sua atuação como fotógrafa na Agência Imprensa Livre Fotojornalismo(Agil), compondo a equipe inicial e permanecendo por alguns anos. Ao longo de sua carreira como fotojornalista também atuou no Correio Braziliense, em uma sucursal do Jornal dos Sports, em Brasília, e como freelancer das revistas Veja e Exame. Foi a primeira mulher a fotografar partidas de futebol em estádios da capital federal. A trajetória profissional de Luiza Venturelli é marcada pela participação em importantes exposições coletivas; dentre elas, a I Mostra de Fotojornalismo de Brasília, em 1982, e a II Mostra de Fotojornalismo de Brasília, em 1984. Em 1986 participou da exposição Brasília: trilha aberta, uma homenagem a Juscelino Kubitschek no décimo aniversário de sua morte. Em 1982, ao retornar da França, tornou-se professora no Departamento de Comunicação da Universidade de Brasília(UnB), lecionando Introdução à Fotografia e Fotojornalismo, além de organizar e promover as atividades fotográficas de discentes para o jornal-laboratório Campus. Foi responsável também por reestruturar e fazer a gestão do laboratório de fotografia, praticamente desativado em decorrência da ditadura. Também aproximou a União dos Fotógrafos de Brasília da UnB, promovendo alguns encontros acadêmicos de fotografia. Foi editora de fotografia do Jornal Campus da Faculdade de Comunicação, sendo responsável por sua reformulação. Nessa época, realizou uma pesquisa sobre a fotografia preto e branco. Em 1989 Luiza retornou à França para fazer o Doutorado sobre a construção do discurso político na fotografia a partir de alguns periódicos brasileiros, mas não concluiu por problema grave de saúde. Voltou a lecionar na UnB, onde permaneceu até 2002, quando se aposentou. Ao longo de seu percurso, tanto no fotojornalismo quanto na docência, Luiza participou de algumas publicações, seja com autoria de fotografia ou de textos(de apresentação ou ensaios) seja com depoimentos ou entrevistas. Entre elas as seguintes: I Mostra de Fotojornalismo de Brasília; II Mostra de Fotojornalismo de Brasília; Brasília: trilha aberta; Chão de Flores; IV Semana Nacional da 47 Fotografia; Ensino universitário de fotografia; e Olhares refletidos: diálogo com 25 fotógrafos brasileiros. Luiza foi uma das primeiras mulheres a atuar como docente de fotografia UnB, onde lecionou por mais de 20 anos. Lutou pela criação de um Departamento de Fotografia, apesar de não ter se concretizado. A sua trajetória é um exemplo de engajamento, de dedicação e de contribuição para o ensino da fotografia na Universidade de Brasília e para o fotojornalismo na capital federal. Principais publicações ALVES, Maria Helena da Silva(org.). Brasília: trilha aberta. Brasília: Fundação Cultural do Distrito Federal, 1986. Disponível em: https:// livrosdefotografia.org/publicacao/1249/brasilia-trilha-aberta CARDOSO, Haydée Dourado de Faria(org.). Ensino universitário de fotografia. Campinas: Unicamp, 1984. Disponível em: https:// livrosdefotografia.org/publicacao/32656/ensino-universitariode-fotografia FUNARTE E INFOTO. IV Semana Nacional da Fotografia. Rio de Janeiro: Funarte: Infoto, 1985. Disponível em: https://livrosdefotografia.org/ publicacao/42462/iv-semana-nacional-da-fotografia-21-a-25-deoutubro-de-1985-belempara-sinopse-das-palestras PAIVA, Joaquim(org.). Olhares refletidos: diálogo com 25 fotógrafos brasileiros. Rio de Janeiro: Dazibao, 1989. Disponível em: https:// livrosdefotografia.org/publicacao/3300/olhares-refletidos-dialogocom-25-fotografos-brasileiros SOUZA, Zuleica de. Chão de flores. Brasília: CCBB, 2015 Disponível em: https://livrosdefotografia.org/publicacao/1079/chao-de-flores UNIÃO DOS FOTÓGRAFOS DE BRASÍLIA. I Mostra de Fotojornalismo de Brasília. Brasília: UFB, 1982. Disponível em: https://livrosdefotografia.org/publicacao/1488/i-mostra-defotojornalismo-de-brasilia 48 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO ANGÉLICA MADEIRA Luisa Günther Maria Angélica Brasil Gonçalves Madeira nasceu em Rosal, no pé da Serra do Caparaó(RJ), no dia 19 de agosto de 1950. É a filha do meio, entre três irmãos, de Nelsinho Gonçalves, músico, e de Zilá Brasil Gonçalves. Mais tarde seus pais mudam-se para uma cidade um pouco maior, Bom Jesus de Itabapoana(RJ), onde ela passa a infância. Aos 15 anos mudou-se para Niterói para estudar no curso de Letras, em uma escola experimental de horário integral: o Centro Educacional de Niterói(RJ). Estudou Linguística, Literatura Inglesa, Literatura Francesa, Alemão, Latim e Geometria Descritiva. Além das disciplinas, frequentava os ateliês de arte, o que a fez descobrir o Cinema. Participou de Cineclubes e fez Teatro. Nessa época, Angélica aventurou-se pela América Latina com um grupo de Bandeirantes. Conheceu o Chile e a Bolívia e pessoas de direita e de esquerda. Na volta, ingressou no Curso de Letras Português na UFRJ(19691972), em um momento de acirramento das condições políticas do país. Estudou Fundamentos da Cultura Ibérica, Fundamentos da Cultura Latina, Latim e Grego. Ao término da Graduação foi premiada com bolsa para cursar o Mestrado(1974-1976) em Letras Modernas na Universidade de Paris VIII – Vincennes. Sua pesquisa resultou em dissertação sobre a obra escolhida de João Guimarães Rosa(1908-1967), intitulada“ Face à máscara: sobre cara de bronze”. Seu orientador, Jean Claude Coquet(1928-2023), 49 havia sido discípulo de Algirdas Greimas(1917-1992) e comungava com as correntes teóricas vigentes do Estruturalismo rigoroso. Foi aluna dos intelectuais que viriam a ser expoentes do pósestruturalismo: Gilles Deleuze(1925-1995) e Chantal Mouffe(19432014). Como discente, ficou responsável por organizar a disciplina de Cultura Brasileira na Universidade de Nanterre, que se estendeu entre 1974 e 1979. Deste esforço resulta, a partir de textos canônicos que trabalhou, em seu livro, escrito anos mais tarde em coautoria com Mariza Veloso,“ Leituras brasileiras: itinerários no pensamento social e na literatura”(1999). Engajada na cena acadêmica francesa, prossegue com o Doutorado(1976-1979) em Ciências dos Textos e dos Documentos na Universidade de Paris VII – Jussieu. Orientada por Marc Soriano(1918-1994), defendeu a tese intitulada“ Ensaio sobre os contos maravilhosos”. Sua formação continuou sendo interdisciplinar, mediada por autores clássicos como: Karl Marx(1818-1883), Sigmund Freud(18561939), Émile Durkheim(1858-1917) e Marcel Mauss(1872-1950). Foi aluna de Julia Kristeva(1941-…), Émile Benveniste(1902-1976), Roland Barthes(1915-1980) e Michel Foucault(1926-1984). Na volta para o Brasil tornou-se docente do curso de Letras na Universidade Federal do Maranhão(Ufma), pois mudou-se para São Luís acompanhando o esposo, Fernando Madeira. Muda-se para Brasília e passa a integrar o quadro docente da Faculdade de Comunicação(FAC) da Universidade de Brasília (UnB), assumindo, entre 1983 e 1985, o cargo de coordenadora da Pós-Graduação em Comunicação, além de ser a única mulher na Pós-Graduação naquela época. Nesse cargo, construiu uma rede de parcerias institucionais junto as Embaixadas EstadoUnidense e Francesa, bem como cursos formativos cujo enfoque eram os sistemas de discurso, linguagem, signos, símbolos, textos e documentos. O curso técnico em montagem de cinema, que fez quando esteve na França, permitiu a realização de cursos em técnicas do cinema e do teatro. Sua permanência na Faculdade de Comunicação começou a ficar comprometida pelos novos interesses que surgiram no contexto. Em 1986 passa a integrar o corpo docente do Departamento de 50 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Sociologia, assume a coordenação da Pós-Graduação em Sociologia (1986-1989), a editoria da Revista do Programa e a Direção da Casa de Cultura da América Latina(2000-2003). Ao longo de sua trajetória intelectual, apesar da múltipla disparidade de objetos empíricos, a coerência epistêmica do método de estudo de documentos e a sistemática das investigações, possibilitada pela primazia da linguagem enquanto estrutura jungida de narrativa e discurso, enunciação e silêncio, conduziram seu reconhecimento como pesquisadora. Principais publicações MADEIRA, M. A. B. G. Itinerância dos artistas – a construção do campo das artes visuais em Brasília 1958-2008. 1. ed. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 2013. 283 p. MADEIRA, M. A. B. G.; VELOSO, Mariza Motta Santos. Um estudo sobre as feiras permanentes de Brasília. 15. ed. Brasília: IPHAN, 2007. 79 p. V. 1. MADEIRA, M. A. B. G. Livro dos naufrágios: ensaio sobre a história trágico-marítimo. Brasília: Editora da Universidade de Brasília/ EDUnB, 2005. MADEIRA, M. A. B. G.; VELOSO, M.; LIPPI, L.; VENTURA, R.; BOLLE, W.; PRIORE, M. Descobertas do Brasil. 1. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001. 329 p. V. 1. MADEIRA, M. A. B. G.; VELOSO, Mariza Motta Santos. Leituras brasileiras: itinerários no pensamento social e na literatura. São Paulo: Paz e Terra, 1999. V. 1. 51 MARIA RITA LEAL Ébida Santos Maria Rita Leal nasceu no Rio de Janeiro em 1946. É a terceira de sete filhos do casal Hildebrando Leal e Maria Rita de Lira Leal. Seu pai foi político, professor e colaborou com jornais como A Noite e O Globo. Sua mãe era enfermeira formada pela Escola Ana Néri de Enfermagem e trabalhou em hospitais cariocas. Fez sua formação escolar no Colégio Imaculado Coração de Maria, em sua cidade natal. No primeiro ano do ensino científico(equivalente ao Ensino Médio) Maria Rita, com colegas, fundou um grêmio e um jornal estudantil chamado Andança, censurado pela ditadura militar na primeira edição. Enquanto estudava, trabalhou como bancária e fez cursos de formação em jornais e revistas, estagiando em diversas empresas de comunicação. Em 1968 iniciou sua Graduação em Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, que concluiu pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Após formada, fez cursos complementares de direção teatral, diagramação e reportagem. Nos anos 1980 especializou-se em Filosofia pela UFRJ. A trajetória profissional de Maria Rita incluiu passagens como professora auxiliar na PUC-Rio, onde lecionou planejamento gráfico e supervisionou o Jornal Flor do Campus, e como professora na Universidade Estadual do Rio de Janeiro(Uerj), quando ministrou disciplinas de teorias da comunicação social. No começo da carreira também teve experiências como repórter na TV Tupi e na Revista Manchete e como diagramadora na Revista Fatos& Fotos da Bloch Editores e no Jornal O Globo. 52 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Em 1984, mudou-se para Brasília, quando assumiu o cargo de professora de diagramação na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília(UnB). Em 1989 passou a cursar o Mestrado em Comunicação Social na mesma instituição, sob orientação de José Luís Braga, defendendo a dissertação“Elifas Andreato – perspectiva de um olhar”. Em 1999 Maria Rita Leal iniciou o Doutorado no Instituto de História, também na UnB, sob orientação de Tania Navarro, resultando na tese“Mulher para toda obra: a representação do trabalho feminino na mídia dos anos 1980”. Durante os anos de trabalho na Universidade de Brasília dedicouse também à chefia administrativa do Departamento de Jornalismo, além de ter sido responsável pelas pesquisas e levantamento de maquinarias e produtos gráficos para a criação da gráfica da universidade. Aposentada, mudou-se para Miguel Pereira(RJ), onde passou pela pandemia do Coronavírus e desenvolve novas habilidades, incluindo cursos de artesanato pela internet. É leitora assídua de blogs alternativos e ainda assiste bons filmes. Principais publicações LEAL, Maria Rita. Elifas Andreato: perspectivas de um olhar. 1992, 199 p. Dissertação(Mestrado em Comunicação) – Universidade de Brasília, Faculdade de Comunicação, Brasília, 1992. LEAL, Maria Rita. A obra de Elifas Andreato. In: O Brasil na encruzilhada. Revista Princípios, n. 30, p. 57-61, 1993. LEAL, Maria Rita. Elifas Andreato: impressões. São Paulo: Editora Globo, 1994. LEAL, Maria Rita. Prefácio. In: ANDREATO, Elifas; ANDREATO, Bento; MIELLE, Linda(org.). Traços e cores do Brasil – Elifas Andreato 50 anos de carreira. Editora: Estúdio Elifas Andreato, 2018. 416 p. 53 CÉLIA LADEIRA Vinícius Pedreira Barbosa da Silva Célia Maria dos Santos Ladeira Mota nasceu no Rio de Janeiro (RJ) no ano de 1940. Filha de Isolina Ladeira e Osvaldo Soares Ladeira, teve como irmã Ana Maria Ladeira. Casou-se em 1968 com Leonardo Mota Neto e teve três filhos – Leonardo, Eduardo e Ana Luísa, ambos jornalistas. Passou a infância e fez o curso normal também no Rio de Janeiro, no Instituto de Educação, começando como professora primária em Parada de Lucas, Distrito de Duque de Caxias(RJ), e, ao mesmo tempo, fazendo a Faculdade de Jornalismo, Graduou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) em 1963. Ainda durante a Graduação começou a estagiar no jornal Tribuna da Imprensa, quando era a única mulher na redação do jornal. Mudou-se para Brasília em 1973, convidada a cobrir política pelo Jornal do Brasil(JB), quando começou fazendo matérias sobre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional durante a troca do governo militar do Médici para Geisel. Após a experiência no JB, voltou para o Rio de Janeiro, em 1976, a convite da TV Globo, onde atuou por cinco anos como editora do Jornal Hoje Em 1982 volta para Brasília, transferida pela Globo, acumulando brevemente com atuação na TV Manchete, que chegava à capital federal. Em 1985 era editora-chefe do Jornal da Globo quando recebeu convite para ser revisora de textos na Editora da Universidade de 54 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Brasília(UnB). Nesse período também trabalhou na Produtora Ema Vídeo, realizando documentários e programas políticos para todos os tipos de partidos. No ano de 1988 fez concurso e ingressou na carreira de docência no curso de Jornalismo da Universidade de Brasília(UnB), sendo uma das responsáveis pelo jornal experimental da Faculdade de Comunicação(FAC). Em meados de 1988 foi convidada para trabalhar no programa Diário da Constituinte, na Câmara dos Deputados, seguindo como professora da UnB em tempo parcial. Em 1991 passou no concurso do Senado Federal, quando ajudou a montar a TV Senado junto com a jornalista Marilena Chiarelli, produzindo, inicialmente, o programa Diário da Constituinte. Em 1992 defendeu o Mestrado em Comunicação pela FAC/UnB, com a dissertação intitulada A Produção de Sentidos no Telejornalismo, sob orientação de Isabel Magalhães. Entre 1995 e 1996 fez aperfeiçoamento em Linguagem e Poder no Departamento de Linguística da Universidade de Lancaster, Reino Unido, com a monografia A análise do discurso político, sob orientação de Norman Fairclough. Baseada nessa experiência desenvolveu sua pesquisa de Doutorado, iniciada na UnB em 2004 e defendida em 2008, com a tese Representações da Identidade Nacional na Notícia da TV, orientada por Luiz Gonzaga Figueiredo Motta. Teve uma atuação, ainda, como produtora de vídeos educativos e de programas de rádio ou TV em temas como meio ambiente: Os desafios da Bacia Amazônica, de 2007; O estatuto das cidades, de 2008; Florestas Tropicais, de 2008; O aquífero Guarani, de 2004; Taquari, um rio em agonia, de 2003, Sistema integrado de mobilidade, de 2011); e política( OAB, a luta pela Democracia, 2001). Durante 22 anos Célia Ladeira foi docente da FAC/UnB, ministrando disciplinas na Graduação e na Pós-Graduação, com participação na linha de pesquisa Jornalismo e Sociedade(atualmente Poder e Processos Comunicacionais), na qual contribuiu em diversos trabalhos sobre narrativas e discursos midiáticos. Atuou também nos grupos de pesquisa Jornalismo e a construção narrativa da história do presente e Cultura, mídia e política. Participou como pesquisadora de duas redes da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor): Rede Nacional de Telejornalismo e a Rede Nacional de Narrativas(Renami). 55 No campo de reflexões teóricas dedicou grande parte das suas pesquisas e análises ao papel do telejornalismo e estudos culturais, devotando-se tanto à produção telejornalística quanto à leitura crítica da função do jornalismo. Célia contribuiu com análises acerca das construções de sentido sobre as sociedades, nações e culturas, em um constante esforço de abordagem do potencial multidisciplinar da Comunicação, suas complexidades, paradoxos e relações de poder na sua consolidação como campo de conhecimento e de representações da vida cotidiana. Principais publicações MOTA, Célia Ladeira; MOTTA, Luiz Gonzaga; CAVALCANTICUNHA, Maria Jandyra(org.). Narrativas midiáticas. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2012. MOTA, Célia Ladeira; PORTO, Sérgio Dayrell(org.). Hermenêutica e análise dos discursos em jornalismo. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2017. MOTA, Célia Ladeira; BARBOSA DA SILVA, Vinícius Pedreira(org.). Jornalismo em quadrinhos: contextos, pesquisas e práticas. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2020. MOTA, Célia Ladeira; ALMEIDA, Paulo Henrique Soares(org.). Narrativas da identidade brasileira. Brasília: Editora Kiron, 2015. MOTA, Célia Ladeira.; MOTA, Leonardo. Crônica: a memória do cotidiano. In: MOURA, Dione Oliveira; GERALDES, Elen Cristina; PEREIRA, Fábio Henrique; OLIVEIRA, Madalena; ADGHIRNI, Zélia Leal(org.). Jornalismo e literatura: aventuras da memória. Braga, Portugal: Editora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, 2012. p. 29-42. V. 1. MOTA, Célia Ladeira. Jornalismo: discurso, narrativa e cultura. In: PEREIRA, Fábio Henrique; MOURA, Dione Oliveira; ADGHIRNI, Zélia Leal(org.). Jornalismo e sociedade: teorias e metodologias. Florianópolis: Insular, 2012. p. 205-219. MOTA, Célia Ladeira. Depoimento sobre a Assembleia Nacional Constituinte de 1987 e 1988 para o acervo de depoimentos do Núcleo de História Oral de Documentação e Informação – CEDI. Depoimento Número 006/17. Brasília: Câmara dos Deputados, 11 de agosto de 2017. 56 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO ARCELINA PÚBLIO Rafiza Varão Arcelina Helena Públio Dias nasceu em 25 de agosto de 1944 em São Paulo(SP). Filha de Maria José Públio Dias e Sebastião Públio Dias da Silva, foi incentivada pelo pai a se tornar uma profissional do jornalismo. Iniciou sua vida escolar na Vila Mariana, na escola Cristo Rei, onde estudou até o antigo 2º Grau. O último ano, entretanto, foi cursado na WW Samuel High School, escola secundária pública em Dallas, Texas, Estados Unidos. Aos 19 anos começou a estudar Jornalismo, quando ingressou na Faculdade Cásper Líbero, na cidade de São Paulo, cursada de 1964 a 1967. Na década de 1970 fez Mestrado em Paris, na Universidade de Sorbonne. Também fez uma série de cursos de Pós-Graduação lato sensu em várias cidades, como Paris, Brasília, São Paulo e cidade de Goiás. Arcelina trabalhou em jornais como Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo e no Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Nos anos 1980 foi assessora de imprensa do Senado Federal e do governo do Estado de São Paulo e coordenadora de Comunicação do Ministério do Trabalho. No final da década de 1980 assumiu como professora na Universidade de Brasília(UnB), onde lecionou as disciplinas Jornalismo Comunitário e Jornalismo Sindical, e produziu alguns materiais que se tornaram pequenos clássicos no ensino e no estudo do jornalismo, como o livro Crônica de um salário mínimo. 57 Nessa época, Arcelina coordenou um curso de Jornalismo Comunitário no Núcleo de Extensão da UnB em Ceilândia, sempre comprometida com a inclusão social por meio do jornalismo. Moradores da região produziram o tabloide Nós da Ceilândia, impresso em preto e branco e distribuído pelos próprios alunos em suas comunidades. O curso foi transformado em formação profissionalizante para a Secretaria do Trabalho do Governo do Distrito Federal, recebendo a reação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal. O fato rendeu, de sua autoria, um dos textos precursores na área:“O jornalismo comunitário como instrumento de mobilização social e gerador de renda para desempregados”(1998). Desde sua mudança para a cidade de Goiás, em 1998, após o falecimento de seu filho, Arcelina atuou em diversas frentes. Foi assessora de um grupo de mulheres, participou de Comunidades Eclesiais de Base, integrou a pastoral carcerária e colaborou com a Chácara de Recuperação de Adictos. Criou, também, um espaço chamado“Jardim da Transfiguração”, no qual promovia a preservação do bioma cerrado, onde eram oferecidas aulas de yoga e encontros com a comunidade local. O jornalismo permaneceu em seu cotidiano, aliado à espiritualidade, o que é perceptível em suas obras, testemunhado em seus livrosreportagem: Sinais de esperança: jornalista inicia peregrinação entre os pobres dos cinco continentes, Perdão África, perdão, Além do silêncio: peregrinação ecumênica por mosteiros da Europa, Memória e libertação e Cem dias na China... com os anjos. Arcelina recebeu vários prêmios ao longo dessa trajetória, entre eles a Medalha de Mérito Cultural – Premiação Jaburu 2016 –, concedida pelo Conselho Estadual de Cultura de Goiás, e o título de Cidadã Vilaboense(GO), da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Goiás. Aos 54 anos aposentou-se e iniciou uma vida de peregrinações e busca pelo sagrado, vivendo, então, na cidade de Goiás(GO), próximo ao Mosteiro da Anunciação do Senhor. Principais Publicações PÚBLIO, Arcelina. O jornalismo comunitário como instrumento de mobilização social e gerador de renda para desempregados. Brasília, 1998. Disponível em: https://web.archive.org/ 58 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO w e b/ 2 0 0 6 0 5 0 2 1 0 2 2 4 5/ h t t p:// w w w. e c a. u s p. b r/ n u c l e o s/ n c e/ pdf/019.pdf. Acesso em: 14 out. 2023. PÚBLIO, Arcelina. Sinais de esperança: jornalista inicia peregrinação entre os pobres dos cinco continentes. Petrópolis: Editora Vozes, 2001. PÚBLIO, Arcelina. Perdão África, perdão. Cidade de Goiás: Editora Rede da Paz, 2003. PÚBLIO, Arcelina. Além do silêncio: peregrinação ecumênica por mosteiros da Europa. São Paulo: Editora Ave Maria, 2008. PÚBLIO, Arcelina. Memória e libertação. São Paulo: Editora Ave Maria, 2014. PÚBLIO, Arcelina. Cem dias na China... com os anjos. São Paulo: Editora Lux, 2021. 59 RUTH MARIA SCAFF Cilene Alves Vieira Ruth Maria Scaff nasceu em Guarda Mor(SP), mas foi registrada em São José do Rio Preto. É filha de Tasso Pimentel Scaff e Ruth Sommerhalder Scaff. Única mulher entre cinco filhos, até o Ensino Médio morou no interior e estudou em escolas públicas. Viveu em São Paulo(SP), onde estudou na Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM), quando ainda não tinha reconhecimento do Ministério da Educação(MEC). Ruth Maria mudou-se para Brasília para acompanhar seu namorado, e depois marido, ocasião em que fez a prova para o Ceub, onde concluiu sua Graduação em 1973. Em 1986 participou de uma seleção simplificada para professor substituto no Departamento de Audiovisuais e Publicidade(DAP) da Faculdade de Comunicação(FAC) da Universidade de Brasília (UnB), dando início à sua experiência como professora universitária. Entrou no Mestrado em Comunicação em 1988 e, cerca de dois anos depois, foi aprovada no concurso do Departamento de Audiovisuais e Publicidade para dar aulas de marketing no curso de publicidade. Ficavam a seu cargo Planejamento Estratégico de Marketing, Planejamento de Comunicação, Planos de Publicidade e Propaganda, Planos de Mídia e Planejamento da Produção Audiovisual. Eventualmente, ministrou Criatividade, Linguagem Publicitária e Oficina de Texto. Também colaborou com o estágio na Agência Laboratório Criacom e na produção de programas e documentários no Laboratório de Audiovisual e Cinema. Até 2003 foi professora no DAP, onde também foi coordenadora do curso de Graduação em Comunicação Publicidade e Propaganda e membro 60 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO da Comissão Especial da Câmara de Ensino de Graduação do Decanato de Ensino de Graduação(DEG). Ministrou, ainda, Marketing Social aplicado numa Pós-Graduação oferecida pela UnB e parceiros internacionais, com a John Snow Brasil Consultoria. Ao mesmo tempo em que ministrava aulas na UnB, junto com Pierre Weil e Roberto Crema, participou da Secretaria Executiva do I Congresso Holístico Internacional, que resultou na criação e fundação da Universidade Holística Internacional da Paz(Unipaz), onde, a partir de 1989, atua como professora e pesquisadora de transdisciplinaridade aplicada nas áreas de educação de crianças, adolescentes e jovens, e também na de gestão participativa com abordagem transdisciplinar. Foi pró-reitora de Pesquisa e, em 2024, tornou-se coordenadora pedagógica. Também foi professora de publicidade no Centro Universitário de Brasília(Ceub) e na Faculdade Objetivo SPB. Ainda na área do marketing, deu aulas e proferiu palestras no MBA em Marketing na Fundação Getúlio Vargas – FGV. Ruth Maria fez duas especializações: na Universidade de Brasília (1988/1991) em Cultural Studies, com orientação de Venício A. Lima e coorientação de Sérgio Porto e Pierre Weil, com uma dissertação sobre“A Paz – uma manifestação transcultural ou alienação cultural?”(não publicada); e na NY University at Buffalo(2001 a 2007) – Creative Problem Solving Institute, com orientação de Ruth Noller e coorientação de Sidney Parnes e José Leão de Carvalho, com a dissertação“Cultura do Medo x Liberdade para Criar”(não publicada). Ambas mudaram o rumo de suas preocupações docentes. Entre uma vasta lista de atividades, cargos e funções que exerceu nas áreas de comunicação, além da publicidade, também atuou como membro de conselhos profissionais, membro de júri de prêmios na área de propaganda e consultora. Trabalhou também como sócia-gerente e diretora de atendimento da Agência Oficina de Comunicação, diretora de atendimento da Agência Propeg Brasil(DF) e foi representante na União Brasileira de Agências de Propaganda SA-União. No campo das Relações Públicas foi assessora da Presidência das Centrais Elétricas do Norte do Brasil(Eletronorte). Na área de Marketing de Relacionamento foi diretora da Sunset, Sistemas 61 Abertos de Marketing e Comunicação Dirigida de São Paulo (DF) e diretora da Animadata. Foi assessora de Marketing de Relacionamento do Gabinete do senador Cristovam Buarque e do Deputado Joe Valle. Foi fundadora, conselheira e facilitadora do Instituto Latino Americano de Criatividade e Estratégia – Ilace – e colaborou com eventos da Fundação Nacional de Saúde. Nos anos 1990 foi sócia-diretora de Marketing da Ema Vídeo, assumindo a Presidência da Fundação EMA no período de 1994 a 1995. Foi diretora de Produção do Programa Semanal Estação Ciência(Prêmio CNPq de Divulgação Científica e Margarida de Prata CNBB). Como diretora de vídeos fez os Programas TV Escola para o Ministério de Educação e Cultura; nove programas TV Cidade Livre; oficinas de vídeo com doentes mentais no Instituto de Saúde Mental de Brasília. Foi consultora em Marketing e Comunicação em saúde na área de Mobilização Social da Organização Pan-Americana de Saúde(Opas), ligada à Organização Mundial de Saúde(OMS), e consultora de comunicação e propaganda na área de Concorrências Públicas no Banco Central do Brasil. Desde 1993 atua como psicoterapeuta, sendo ativista e designer de modelos para Transição Regenerativa individual, ambiental e social e de Reconstrução do Projeto Humano, desde 2013. A partir de 2018 tornou-se psicoterapeuta e mentora em Medicina da Saúde Integral Regenerativa. É também terapeuta social e comunitária no Colégio Internacional dos Terapeutas – CIT. Ruth Scaff é ativista, empreendedora e conspiradora social em coletivos que lutam pela ruptura com os velhos modelos e padrões. Em termos publicitários têm reconhecido destaque na formação do mercado local, assim como trabalhou para a consolidação do curso de Publicidade da UnB. 62 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO LAVINA RIBEIRO Letícia Renault Lavina Madeira Ribeiro fez Graduação em Comunicação na Universidade de Brasília(UnB), e, entre 1984 e 1989, o Mestrado na mesma instituição, defendendo a dissertação“Imprensa e Esfera Pública”, sob orientação de Luiz Gonzaga Figueiredo Motta. O Doutorado foi em Ciências Sociais, na área de Cultura e Política, pela Universidade Estadual de Campinas(Unicamp) entre 1992 e 1998, sob orientação de Antônio Augusto Arantes, com tese aprovada com louvor:“A Institucionalização do Jornalismo no Brasil(1808-1960), um estudo aplicado sobre o conceito de esfera pública no jornalismo brasileiro”. A tese foi publicada em 2004. Fez, em seguida, Pós-Doutorado em Comunicação e Cultura pela Eco/UFRJ(2004 a 2005) e outro Pós-Doutorado em Análise Conceitual da Comunicação pela Eco/UFRJ(2015), ambos sob orientação de Raquel Paiva. Do resultado publicou, a convite de uma editora alemã, o livro Concepts of Communication and New Investigative Paths. Iniciou sua carreira profissional como professora no Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Piauí – Ufpi, (1986 a 1998), lecionando as disciplinas de Teoria e Método da Pesquisa em Comunicação, Comunicação Comparada e Sociologia da Comunicação, Projetos Especiais em Jornalismo. Foi uma experiência gratificante de Magistério numa região deslocada do eixo cultural das grandes cidades brasileiras. 63 Participou de atividades administrativas na Ufpi, como, em 1987, do Projeto de Elaboração da Nova Estrutura Curricular do Curso de Comunicação Social; em 1998 do Projeto de Mestrado em Ciências Humanas do Centro de Ciências Humanas e Letras; do Projeto de Curso de Especialização em Comunicação, Turismo e Desenvolvimento Sustentável, para o Departamento de Comunicação Social; e do Projeto de Curso de Especialização em Imagem e Publicidade para o Departamento de Comunicação Social. Coordenou cursos como o de Coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (1988); foi coordenadora operacional do Mestrado Interinstitucional em Comunicação e Cultura, Ufpi/UFRJ(1998 a 1999), de Projeto de Curso de Especialização em Imagem e Publicidade e do Mestrado Interinstitucional em Gestão Empresarial, ambos para o Departamento de Comunicação. Ainda na Ufpi elaborou vários projetos, como o de Elaboração da Nova Estrutura Curricular do Curso de Comunicação Social em 1987; o Projeto de Mestrado em Ciências Humanas do Centro de Ciências Humanas e Letras em 1988; o Projeto de Curso de Especialização em Comunicação, Turismo e Desenvolvimento Sustentável; e o Projeto de Curso de Especialização em Imagem e Publicidade do Departamento de Comunicação Social. Em 1999 foi transferida para a Faculdade de Comunicação(FAC) da UnB. Lecionou, de 1999 a 2016, na Graduação, os cursos de Teorias da Comunicação, Comunicação Comparada, Métodos e Técnicas de Pesquisa e Projetos Experimentais, e, na Pós-Graduação, no mesmo período, as disciplinas Metodologias da Comunicação e Sociologia da Comunicação. No âmbito dos cursos de especialização lato sensu, à época da privatização das telecomunicações no país, lecionou em três cursos de Regulação em Telecomunicações para alunos do alto escalão da Anatel e de outros órgãos do governo federal e representantes de governos da América Latina e África. Na Pós-Graduação em Comunicação da UnB foi coordenadora adjunta durante o período de outubro de 1999 a dezembro de 2002. Elaborou diversos projetos de cursos, tais como: em 1999 o Projeto de Reestruturação das Linhas de Pesquisa; em 2000 o Projeto“ Informação e Reflexividade”, com financiamento do CNPq; em 2001 o Projeto de Curso de Doutorado em Comunicação, 64 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO aprovado pela Capes em setembro de 2002; em 2002 o Projeto de Curso de Mestrado Interinstitucional em Comunicação e Sociedade, firmado entre o PPG//FAC/UnB e a Faculdade Faesa – ES; em 2002 o Projeto de Mestrado Interinstitucional em Comunicação e Novas Tecnologias para a Universidade Federal do Pará e o Projeto de Mestrado Interinstitucional em Comunicação e Sociedade para a Universidade Federal do Maranhão; em 2003 o Projeto de Curso de Especialização Lato Sensu em Comunicação e Política, em convênio com a Universidade de Curitiba – PR; e em 2004 o Projeto de “Rádio Digital – Aspectos Históricos e Sociais da Evolução do Rádio no Brasil”, para o Núcleo de Estudos de Comunicação e Novas Tecnologias, vinculado ao Convênio UIT – Anatel – Universidade de Brasília, e o Projeto“Imagens do Brasil na Televisão Fechada Brasileira”, como parte do curso de Pós-Doutoramento em Comunicação junto a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – ECO-UFRJ. Participou de 68 bancas de Mestrado e Doutorado na Faculdade de Comunicação da UnB e de outros Estados, como a Universidade de São Paulo – USP –, a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ –, a Universidade Metodista de São Paulo, entre outras. Do mesmo modo, fez parte de bancas de seleção para cursos de Mestrado e Doutorado de 2000 a 2016. Orientou 26 alunos em cursos de Mestrado e Doutorado e 14 alunos em cursos de Graduação. Sua extensa produção bibliográfica soma dezenas de artigos publicados em revistas de cursos de Pós-Graduação de universidades brasileiras e revistas e anais de seminários de congressos reconhecidos do país e do exterior. Foi consultora ad hoc da Capes e do CNPq(2003 a 2016) e membro dos conselhos consultivos de revistas de Programas de Pós-Graduação em Comunicação, por exemplo, da Revista Galáxia, da PUC-SP e Novos Olhares, da USP. Principais publicações RIBEIRO, L. M.; FERREIRA, Cláudio A. A dinâmica dos novos formatos na televisão aberta brasileira. Televisão, história e gêneros. 1. ed. Rio de Janeiro, RJ: Multifoco, 2014. RIBEIRO, L. M. A importância de Hipólito da Costa para o jornalismo brasileiro. In: RÊGO, Ana Regina; QUEIROZ, Teresinha; MIRANDA, 65 Marcela(org.). Narrativas do jornalismo& narrativas da história. 1. ed. Porto, Portugal: Media XXI, 2014. RIBEIRO, L. M.; CARDOZO, S. Contribuição do mundo virtual para a aprendizagem colaborativa. In: CASTRO, Cosette(org.). Conteúdos em multiplataformas: extensões das narrativas digitais. 1. ed. Porto Alegre, RS: Armazém Digital, 2012. RIBEIRO, L. M. Percepção dos gestores sobre a comunicação em saúde. In: BULCÃO, Armando; MONTORO, Tânia S.(org.). Gestão da comunicação aplicada à vigilância em saúde: a percepção dos gestores. 1. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2008. RIBEIRO, L. M. O processo de institucionalização do jornalismo no Brasil(1808-1960). In: BARROS, Antônio; DUARTE, Jorge; MARTINEZ, Regina(org.). Comunicação: discursos, práticas e tendências. 1. ed. São Paulo: Rideel, 2001. 66 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO ANA LUCIA NOVELLI Cristiane Brum Bernardes Ana Lucia Coelho Romero Novelli, nascida em Londrina(PR), em 14 de junho de 1966, é a caçula do casal Lourdes Coelho Romero e Alcides Romero. Casou-se com José Gaspar Nayme Novelli, com que teve duas filhas: Ana Beatriz e Isabelle. Foi matriculada na escola com apenas cinco anos, o que a tornou a aluna mais jovem de sua turma desde o primeiro ano do Fundamental até o Doutorado. Cursou Graduação em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas, na Universidade Estadual de Londrina(UEL), e formou-se com apenas 20 anos. Ana Lucia mudou-se para o Distrito Federal para acompanhar o marido e começou a trabalhar na maior agência de relações públicas de Brasília, a Labor Consultoria de Relações Públicas em 1987. Em 1998 ingressou no Senado Federal. Cursou Mestrado em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e o Doutorado na Escola de Comunicação e Artes(ECA) da Universidade de São Paulo(USP). No Mestrado, sob orientação de Murilo Ramos, participou com ele da criação do Laboratório de Políticas de Comunicação(LapCom). No Doutorado, iniciado em 1995, sob orientação de Heloiza Matos, aprofundou a pesquisa sobre o campo da comunicação pública, com a tese concluída em 1999. Em 2013 frequentou a Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, para estudar a participação cidadã no processo político institucional das sociedades democráticas, com supervisão de João Pissarra. 67 Em sua carreira no Senado atuou diretamente no projeto de criação e estabelecimento da Secretaria de Pesquisa e Opinião Pública(Sepop), exercendo, ainda, a função de diretora do órgão por oito anos. Em 2009 assumiu brevemente a Secretaria de Comunicação Social do Senado com a missão de iniciar o processo de integração entre o jornalismo e a comunicação institucional do Senado. Entre 2013 e 2014 foi assessora de imprensa do Conselho de Comunicação Social do Congresso. Em 2017 retornou para a Secretaria de Comunicação Social como assessora de imprensa institucional e, posteriormente, como coordenadora-geral da Secretaria de Comunicação. Em paralelo ao trabalho no Senado Federal, Ana Lucia realizou diferentes atividades nos órgãos colegiados profissionais, entre elas, foi conselheira do Conselho Federal dos Profissionais de Relações Públicas e Secretária-Geral. Filiou-se à Associação Brasileira dos Pesquisadores em Relações Públicas e Comunicação Organizacional desde sua fundação, tendo ocupado o cargo de Diretora Científica. Foi professora de Graduação nos extintos cursos de relações públicas do Centro Universitário de Brasília(Ceub) do Instituto de Ensino Superior de Brasília(Iesb), instituições brasilienses, e na PósGraduação da Universidade Católica de Brasília. No ensino legislativo foi coordenadora e docente das duas edições do curso de Pós-Graduação em Comunicação Legislativa, oferecido pelo Instituto Legislativo Brasileiro(ILB). Em sua carreira acadêmica dedicou-se à compreensão dos mecanismos de formação da opinião pública em sociedades democráticas e do papel dos meios de comunicação como espaço de troca de informações na esfera pública. Em 2007 colaborou com o capítulo“Relações Públicas Governamentais” no livro“Relações Públicas: história, teorias e estratégias nas organizações contemporâneas”, organizado por Margarida Kunsch. Em estudo de 2008,“Políticas de Comunicação legislativa: o estudo de casos do Alô Senado”, analisou o trabalho de comunicação realizado no Senado Federal para compreender seu papel como ferramenta pública institucional. Em 2018, publicou o artigo“A comunicação no Poder Legislativo e as novas interfaces com o cidadão”. 68 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Repensar o papel de comunicadores que atuam no Estado e estimular o debate sobre o campo da comunicação pública no Brasil estão entre as principais preocupações acadêmicas de Ana Lucia Novelli, diretora da Secretaria de Relações Públicas e Comunicação Organizacional do Senado Principais publicações NOVELLI, Ana Lucia Romero. Opinião pública, mídia e política: o Congresso Nacional e a sociedade brasileira no final dos anos 90. 2020. Disponível em: https://www.amazon.com.br/OpiniãoPública-Mídia-Política-brasileira-ebook/dp/B08K25NZB2 NOVELLI, Ana Lucia Romero. O Parlamento em busca do cidadão: como a comunicação digital pode contribuir para a representatividade legislativa. 2016. Disponível em: https:// www.academia.edu/29077278/O_Parlamento_em_busca_do_ cidadão_como_a_comunicação_digital_pode_contribuir_para_a_ representatividade_legislativa NOVELLI, Ana Lucia Romero. As sondagens de opinião como mecanismo de participação da sociedade. 2011. Disponível em: https://www.academia.edu/40440422/As_sondagens_de_opinião_ como_mecanismo_de_participação_da_sociedade NOVELLI, Ana Lucia Romero. Relações públicas governamentais. 2009. Disponível em: https://www.academia.edu/4594540/ Relações_Públicas_Governamentais NOVELLI, Ana Lucia Romero. O papel institucional da Comunicação Pública para o sucesso da governança. 2006. Disponível em: https://www.academia.edu/86705569/O_papel_institucional_da_ Comunicação_Pública_para_o_sucesso_da_governança 69 MÁRCIA FLAUSINO Fabíola Orlando Calazans Machado Márcia Coelho Flausino nasceu em Brasília no dia 21 de dezembro de 1961, cujos pais, Elza Coelho Flausino e Sebastião Flausino, foram morar em Brasília na esperança de um futuro melhor. Chegaram um mês depois da inauguração da cidade. Semianalfabetos, batalharam pela formação escolar de seu filho e suas três filhas. Os 1º e 2º Graus foram cursados no Colégio Marista de Brasília, com bolsa de estudo. Com o ingresso na Universidade de Brasília(UnB), concluiu, em 1984, as Graduações, em Publicidade e Propaganda e em Rádio, TV e Cinema. Márcia entrou para o Mestrado em Comunicação Social no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília(PPGCOM/FAC-UnB). Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e orientanda do professor José Luiz Braga, em 1996, Márcia defendeu a dissertação“As capas de Veja nas Eleições de 1989 e 1994. Uma interpretação hermenêutico-fenomenológica”. Cursou o Doutorado no Programa de Pós-Graduação em História da mesma Universidade com os auspícios do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Defendeu a tese“A Construção do Feminino: Representações do Feminino no Seriado Mulher”, sob orientação de Maria Therezinha Ferraz Negrão de Mello. Avançou os estudos em dois Pós-Doutorados, um na área do Jornalismo no PPGCOM/FAC-UnB, com o professor Luís Gonzaga Mota, e outro na área de Publicidade e Moda na Universidade da Beira Interior, em Covilhã, Portugal. Na ocasião do seu Pós70 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Doutoramento no PPGCOM/FAC-UnB, foi pesquisadora associada e atuou como docente na Graduação do curso de Comunicação Social da FAC. O primeiro trabalho em agência publicitária foi na Know How – Publicidade e Propaganda. Depois, foram 14 anos como funcionária da Ítalo Propaganda, sempre como redatora e, posteriormente, passou a integrar a área de Planejamento. Foi redatora sênior na Atitude Propaganda, agência brasiliense especializada em lançamentos imobiliários. Márcia iniciou, em 1987, um percurso como docente no curso de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário de Brasília (Ceub). Nessa instituição, ministrou aulas de Redação Publicitária e Criatividade em Propaganda. Foi encarregada pela renovação dos Trabalhos de Conclusão de Cursos e, ainda, atuou como coordenadora do curso de Comunicação Social, as habilitações de Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Jornalismo, saindo do Ceub em 2004. Em 2006 Márcia começou a ministrar aulas na Graduação de Publicidade e Propaganda da Universidade Católica de Brasília, para, posteriormente, pertencer ao grupo de professores que abriram o Mestrado em Comunicação da instituição, lá permanecendo até 2013. Em 2008 iniciou a docência em Comunicação Empresarial no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais(Ibmec/Brasília), onde retomou temas desenvolvidos no Mestrado e Doutorado para pesquisar sobre a força da Comunicação Empresarial, bem como a importância do personal branding para a construção de imagem. Em 2018, após diversos cursos de História da arte e História da Moda, bem como ter realizado curso de Cool Hunter e Consultoria de Imagem, decide pesquisar sobre consultoria de imagem em Portugal. Criou um projeto de pesquisa sobre o tema contemplando Brasil e Portugal, o que deu origem ao livro“Consultoria de imagem: relações humanas, inclusão e respeito. Histórias brasileiras e portuguesas”. O livro foi publicado no Brasil e lançado em Portugal e no Brasil em 2023. Márcia é referência para os estudos sobre mídia, moda, narrativas da imagem e da publicidade, com especial contribuição para os cursos de Publicidade do Centro Universitário de Brasília e para a constituição do curso de Mestrado em Comunicação da Universidade Católica de Brasília. É consultora nas áreas de estratégia da comunicação 71 e da imagem, atuando também em Lisboa, e pertence ao grupo de discussão do Projeto de Lei de regulamentação da profissão de Consultor de Imagem, sob a direção da Comissão de Direito da Moda da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional DF. Principais publicações FLAUSINO, Márcia Coelho. As dietas dos(des)prazeres: cultura da mídia e gastronomia da fome na construção de imagens do corpo feminino. Brasília: Casa das Musas, 2008. FLAUSINO, Márcia Coelho. Narrativas publicitárias – como a publicidade constrói nosso cotidiano na cultura da mídia. Brasília: Casa das Musas, 2012. FLAUSINO, Márcia Coelho. Consultoria de imagem: relações humanas, inclusão e respeito. Histórias brasileiras e portuguesas. Paraná: Editora Appris, 2023. FLAUSINO, Márcia Coelho; OLIVEIRA, Selma Nunes(org.). Fashion sapiens – o ser e o ser da moda. Brasília: Casa das Musas, 2014. 72 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO ELIZABETH BRANDÃO Luciane Fassarella Agnez Elizabeth Pazito Brandão nasceu no Rio de Janeiro em 9 de janeiro de 1953. É filha única de Hilton Brandão e Yvone Pazito Brandão. O casal de advogados mudou-se com a filha para Brasília em 1959. Estudou no Colégio Sagrado Coração de Maria, pertencente ao Instituto das Religiosas do Sacré-Coeur de Marie, com sede em Brasília. A partir de 1968 ela foi estudar no Elefante Branco, escola pública que, naquele momento, era a única a oferecer o Ensino Médio no Distrito Federal. Com os pais transferidos para o Rio de Janeiro, ela graduou-se em Comunicação Social, com habilitação em jornalismo e relações públicas, pela Escola de Comunicação(ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), em 1974. Retornou à Brasília depois da formatura por um curto período, quando trabalhou na Embaixada da França. Em 1977, já morando em Florianópolis, foi contratada pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural(Emater), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de Santa Catarina, experiência que a ajudou a desenvolver a área da comunicação rural, unindo suas formações de jornalista e relações públicas. Com sua experiência no setor, ajudou a promover o papel da comunicação na extensão rural. Além da atuação na Secretaria de Agricultura, ministrou cursos de curta duração e especialização em Comunicação Rural entre 1979 e 1982. Neste período tornou-se próxima de intelectuais e professores que articularam a fundação do curso de Jornalismo da Universidade 73 Federal de Santa Catarina(UFSC), que começou a funcionar em 1979. Com este grupo, participou do movimento de oposição aos que dirigiam o Sindicato dos Jornalistas do Estado, por defenderem interesses das empresas jornalísticas. Ela fez parte da primeira executiva do Movimento de Oposição Sindical(MOS), que se opunha aos proprietários dos veículos de comunicação. Isso a levou à demissão da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Estado. Em pouco tempo ela ingressou no Mestrado em Sociologia Política da UFSC, sob orientação do economista francês Rabah Benakouche, que passou a influenciar marcadamente sua produção acadêmica. A dissertação de Mestrado, intitulada“Processo Decisório de Inovação em uma Área Estratégica: o Código Nacional de Telecomunicações”, defendida em 1989, refletiu as influências que recebeu. Há como resultado uma transição de seus interesses, que tinham iniciado em torno da Comunicação e Desenvolvimento, para o incipiente das Tecnologias da Comunicação. Em 1986 passou a integrar a equipe de relações públicas do Grupo Labor, onde atuou por mais de dez anos. Chegou à Diretoria de Planejamento da empresa, supervisionando projetos e coordenando a área de pesquisa. A partir de 1988 tornou-se docente do Centro de Ensino Unificado de Brasília(Ceub), onde lecionou até 1996 disciplinas como Teorias da Opinião Pública, Técnicas de Comunicação Dirigida, Comunicação Comunitária e Planejamento de Relações Públicas. Ali atuou também no curso de especialização em Comunicação e Poder. Ingressou no Doutorado em Ciências da Informação, do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília(UNB), defendendo a tese“Da Ciência ao Mercado, a Informação em Tempo Real”, defendida em 1999 com a orientação de Jaime Robredona. Em 1998 ela assumiu dois novos desafios: presidência do Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas(Conrerp) da 6ª Região(Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e o Distrito Federal) e a colaboração no projeto acadêmico de um novo curso de“Comunicação Institucional e Relações Públicas” para o Instituto de Educação Superior de Brasília(Iesb). Foi convidada a assumir a coordenação do curso, além de ministrar diferentes disciplinas como Gestão da Informação; Introdução a Jornalismo, PP 74 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO e Relações Públicas; Teorias de Comunicação; Teorias de Opinião Pública; e Orientação de Agência de Comunicação. Em 2003, no Iesb, projetou e passou a coordenar a curso de PósGraduação lato sensu em“Assessoria em Comunicação Pública”, e entre 2006 e 2008 foi coordenadora geral da Pós-Graduação da instituição. Após sair do Iesb manteve-se como consultora em diferentes projetos e conselheira do Instituto Eda Coutinho, o braço de responsabilidade social que leva o nome da sua mantenedora. A experiência docente de Beth Brandão registrou ainda passagens por outras instituições, contribuindo com cursos de Graduação e Pós-Graduação, como na Universidade do Vale do Itajaí, no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais(IBMEC), na Universidade Católica de Brasília e na União Pioneira de Integração Social(Upis). Foi membro de várias Comissões de Avaliação Institucional e de Curso, na área de Comunicação Social, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(Inep). Entre 2008 e 2013 participou dos debates e das ações que levaram à formulação das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Graduação em Relações Públicas. Em 2009 compartilha com um grupo de professores da UNB a criação do curso de Comunicação Organizacional da Faculdade de Comunicação(FAC). No campo de pesquisa em Comunicação Pública e Organizacional, teve uma contribuições importantes ao traduzir La Communication Publique, de Pierre Zémor, publicada em 1995. Uma das principais referências é o artigo“Usos e significados do conceito comunicação pública”, apresentado em 2006 no Encontro dos Núcleos de Pesquisa da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), no qual analisou o estado da arte da área e apontou aquele que deveria ser um novo campo de estudos para a Comunicação Social. Em 2012 produziu o capítulo“Conceito de comunicação pública”, no livro“Comunicação Pública: Estado, mercado, sociedade e interesse público”, organizado por Jorge Duarte(Atlas, 2012). Atuou como integrante do Conselho de Ética da Associação Brasileira das Agências de Comunicação(Abracom) e em 2021, a jornalista, relações públicas, professora, pesquisadora e consultora, Beth Brandão, tornou-se uma das vítimas da pandemia da Covid-19, 75 falecendo em Brasília aos 68 anos e deixando sua mãe, então com 94 anos, de quem cuidava. No mesmo ano, a Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) a homenageou na abertura do I Congresso Brasileiro de Comunicação Pública, Cidadania e Informação. Em 2023 a entidade criou o Prêmio Beth Brandão de Comunicação Pública, entregue pela primeira vez para a professora e pesquisadora Heloísa Matos. Elizabeth Pazito Brandão é referência fundamental nos estudos sobre comunicação pública e organizacional na América Latina. Seu trabalho é exemplo de militância profissional, consciência crítica do papel social da Comunicação e intensa contribuição ao fazer científico e às comunidades acadêmicas. Principais publicações BRANDÃO, E. P.; CARVALHO, B. Imagem corporativa: o marketing da ilusão. In: DUARTE, Jorge(org.). Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010. p. 168183. BRANDÃO, E. P.; BUENO, W. da C.; MARTINS, L.; MATOS, H.; MONTEIRO, M. da G. de F.; NOVELLI, A. L. Conceito de comunicação pública. In: DUARTE, J.(org.). Comunicação pública: estado, mercado, sociedade e interesse público. São Paulo: Atlas, 2007. p. 1-33. BRANDÃO, E. P. Usos e significados do conceito de comunicação pública. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 29., 2006, Brasília. Anais[...]. Brasília: Intercom: Universidade de Brasília, 2006. BRANDÃO, E. P. Comunicação pública: alcances e limites do conceito. Estudos de Jornalismo e Relações Públicas, v. 8, p. 51-62, 2006. BRANDÃO, E. P. MATOS, H.; MARTINS, L. Algumas abordagens em comunicação pública. 3. ed. Brasília: Casa das Musas, 2003. BRANDÃO, E. P. Da ciência ao mercado, a informação em tempo real. 2000. Tese(Doutorado) – Universidade de Brasília, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Informação, Brasília, 2000. 76 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO SELMA OLIVEIRA Carina Ochi Flexor Selma Regina Nunes Oliveira nasceu em 23 de dezembro de 1962 no então Estado da Guanabara, e mudou-se com a família para Brasília aos 7 anos. Filha do sergipano Jethro Oliveira e da carioca Jurucema Nunes Oliveira, Selma é irmã mais velha de Cláudia. Grande parte da sua trajetória escolar se deu em escolas públicas, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Terminou seus estudos de Segundo Grau no Colégio Marista em Brasília. Ingressou no Curso de Graduação em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda da Universidade de Brasília (UnB), e cursou também Rádio, Cinema e TV, atual Graduação em Audiovisual, concluindo a dupla diplomação em 1984. Estagiou na Rádio Nacional da Amazônia, pela Radiobrás, e em outros veículos televisivos, e atuou, ainda, como estudante, na área de criação na Artplan(Rio de Janeiro) e na Norton(Brasília). Em 1988 teve sua primeira experiência como professora, passando a lecionar disciplinas na área de criação no curso de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário de Brasília(Ceub), o que a levou a fazer Pós-Graduação em Didática do Ensino Superior na Universidade Católica de Brasília(1989-1991). Começou Graduação em História, mas não concluiu, optando por ingressar na Pós-Graduação em Comunicação da UnB para fazer Mestrado com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Defendeu a dissertação“ Grafic Novel” (1990-1993), tendo como orientador Pedro Jorge Pinto de Castro. Nesse período passou a ministrar a disciplina“Histórias em Quadrinhos” na Faculdade de Comunicação(FAC) da UnB. Em 77 1992, como professora substituta do Departamento de Publicidade e Propaganda, criou uma série de disciplinas optativas. Em 1993 fez seu segundo concurso público, em que foi aprovada como docente efetiva do curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda da UnB. A partir daí, além de Histórias em Quadrinhos, ministrou Redação Publicitária, Criação Publicitária e Criatividade e também Laboratório em Publicidade e Propaganda, dividindo com colegas. Orientaram a“Campanha dos Cidadãos Especiais”, que ganhou o Prêmio Expocom 2004. Ainda sobre premiações, foi contemplada com o“Melhor Conto” no 2° Desafio dos Escritores, Núcleo de Literatura da Câmara dos Deputados, e foi vencedora do XVI Prêmio Colunistas Propaganda Centro-Leste(1992) na categoria melhor campanha(mídia jornal) e com a campanha impressa para uma marca de roupas. Seu Doutoramento, iniciado em 1996, foi realizado no Departamento de História da UnB, com orientação de Maria T. Negrão de Mello. Sua tese,“Mulher ao quadrado – representações femininas nos quadrinhos norte-americanos: permanências e ressonâncias”, ampliou as pesquisas que já desenvolvia. Realizou estágio pós-doutoral em Comunicação pela UnB em 2010, com parte realizado na Argentina. Em 2012 Selma ingressou como docente permanente no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UnB e teve a oportunidade de ministrar a disciplina“Quadrinho e Cultura Brasileira”. No Programa, com colegas, Selma trabalhou na reformulação da Linha de Pesquisa“Comunicação e Cultura”, que passou a ser denominada de“Imagem e Som”, e criaram a primeira disciplina de Comunicação e Gênero do Programa. Tendo orientado mais de 200 trabalhos entre Graduação e PósGraduação, Selma dedicou-se não apenas ao ensino, mas à pesquisa e à extensão. Desenvolveu projetos como“Enquadrinhos – I Encontro de Quadrinhos de Brasília”(2015),“ El espacio en el comic”, realizado pelo Instituto de Artes e Faculdade de Comunicação da UnB e pela Facultad de Artes da Universidade de Chile, entre 2003 e 2004, e “Imaginários gráficos e audiovisuais: comunicação e construções poéticas” desenvolvida entre 2012 e 2016. Liderou o Grupo de Estudos de História em Quadrinhos(Gibi), tratando do estudo sobre o imaginário e a cultura pop com ênfase 78 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO em histórias em quadrinhos, filmes de animação, vídeo game, narrativas gráficas, artes gráficas, narrativas sonoras e audiovisuais, arte urbana, artes do corpo e moda. Selma Oliveira(Xuxu) tornou-se uma importante referência para várias gerações de estudantes do curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda e para discentes da PósGraduação em Comunicação da Universidade de Brasília(UnB). Deixou a Capital Federal somente depois de sua aposentadoria, em 2021, quando voltou a morar com sua mãe em Natal/RN. Principais publicações OLIVEIRA, Selma. Mulher ao quadrado: as representações femininas nos quadrinhos norte-americanos: permanências e ressonâncias (1895-1990). Brasília: Editora Universidade de Brasília: Finatec, 2007. OLIVEIRA, Selma. Gaiman Clavis Catastrophae – l’enfer et l’envers d’autres royaumes imaginaires. In: SILVA, Alberto da; DAVRET, Florence; FREITAS, Gabriela de; CASTRO, Gustavo de(org.). L’Imaginaire de la catastrophe dans la communication et les arts. Paris: L’Harmattan, 2018. p. 229-246. OLIVEIRA, Selma. Imaginário e narrativa. In: SILVA, Gustavo Castro e (org.). Mídia e imaginário. Brasília: Casa das Musas, 2011. p. 23-32. OLIVEIRA, Selma. Bola, Gingado e prazer. In: ARAÚJO, Carlos Magno; LIMA, Samarone; CASTROS, Gustavo de(org.). A cabeça do futebol. Brasília: Casa das Musas, 2009. p. 37-39. V. 1. OLIVEIRA, Selma. O hábito e o véu. In: MONTORO, Tânia; CALDAS, Ricardo(org.). Imagem em Revista, Brasília: Editorial Abaré, v. 1, p. 121-133, 2007. OLIVEIRA, Selma. Ide(o)tipo – a plasticidade da ideia na composição do imaginário tipográfico. In: SILVA, Alberto da; FREITAS, Gabriela; CASTRO, Gustavo de; BERTHIER, Nancy(org.). Arte, literatura y sonido en la cultura de la imagen contemporánea. 1. ed. Paris: Éditions Hispaniques, 2022. p. 91-102. 79 SUSANA DOBAL Mariana Souto Susana Madeira Dobal Jordan nasceu no Rio de Janeiro(RJ) em 11 de dezembro de 1965, e é filha de Hindemburgo Dobal e Maria Creusa Madeira Dobal. Fez o Primário no Colégio Franco Brasileiro no Rio de Janeiro e o Ginásio e Científico no Colégio Marista, em Brasília. Graduou-se em Jornalismo(1988) e em Literatura Brasileira e Língua Portuguesa(1989) pela Universidade de Brasília(UnB), especializouse em Teoria da Literatura(UnB-1992), fez Mestrado em Fotografia (New York University/International Center of Photography-1994) e Doutorado em História da Arte/City University of New York/Graduate Center(2003), com a tese Peter Greenaway and the Baroque: writing puzzles with images, que foi posteriormente publicada como livro. Também realizou Pós-Doutorado na Université Paris 8(2009) e na Aix-Marseille Université(AMU-2014). Na FAC/ UnB foi voluntária no Jornal Campus e integrou o Ladrões de Alma, coletivo pioneiro de fotografia no Brasil, fundado em 1988 por jovens mobilizados pela linguagem fotográfica. Em 1989, ingressa como docente da FAC, lotada no Departamento de Audiovisuais e Publicidade, e a partir de 2003 atua também na Pós-Graduação. Desde então ministra a disciplina de Fotojornalismo. Susana organizou eventos como as duas edições do Colóquio Internacional de Fotografia e Imagem de Brasília(2013, 2021), os quais receberam pesquisadores e artistas das cinco regiões do país, além de convidados internacionais. Foi sua iniciativa também a outorga do título de Doutora Honoris Causa pela UnB à fotógrafa Cláudia Andujar, reconhecida pela causa 80 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO dos povos Yanomami. Nos anos 1980 fotografou personalidades importantes, como Luiz Inácio Lula da Silva, em um comício, e o músico Chico Buarque. Na produção acadêmica destacam-se, por exemplo, artigos ou capítulos de livro que tratam da relação da fotografia com o cinema, a literatura e a arte. É coorganizadora dos livros Fotografia contemporânea: fronteiras e transgressões. Escreveu“A Paisagem como narrativa: quando a imagem inventa o espaço; Fotografia Contemporânea: desafios e tendências”(2016),“Manoel de Barros: entre fotografias do idioma inconversável das pedras”(2018), “Marcos Bonisson: quase-fotografias no zigue-zague do percebido e do perceber”(2022) e“Da Land Art ao acampamento Terra Livre: paisagem em trânsito”(2022). Carta proibida para alguém do passado consta na Letra Magna de 2023 – assim como no site susanadobal.com, que reúne boa parte de sua produção. Ao todo, participou de mais de 30 exposições em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires, Nova York, Madrid e Nice. Destacam-se alguns de seus ensaios fotográficos: Mundo, Pequeno glossário para explicar um estranho fenômeno, Notícias de verão e O que o vento ainda não levou. Pequeno glossário para explicar um estranho fenômeno recebeu menção honrosa no Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger(2019) e foi publicado na revista AfterImage, da University of California(Ucla), em 2023. O primeiro dos citados, além de ter sido mote de exposição individual no Conjunto Cultural da Caixa, esteve no site zonezero, de relevância internacional. Algumas das fotografias desse ensaio marcaram presença no livro Abstrata Brasília Concreta, coletânea de Walter Hermuche(2003). A dimensão do corriqueiro está presente também em seu blog, espécie de diário, em que exercita as associações imprevistas entre fotografia e texto. Crônicas do cotidiano e legendas imaginativas também aparecem em um ambiente de narrativas breves. Susana Madeira Dobal Jordan tem expressiva trajetória interdisciplinar na área da comunicação, com foco em fotografia, mas em rica interlocução com o cinema, a literatura e as artes visuais. Vida acadêmica, interesses teóricos e prática da fotografia entrelaçaram-se em diversos momentos de seu percurso profissional. 81 Principais publicações DOBAL, Susana. Marcos Bonisson: quase-fotografias no zigue-zague do percebido e do perceber. In: MAGALHÃES, Angela; PEREGINO, Nadja; CARVALHO, Victa de; FATORELLI, Antonio(ed.). Coleção midiateca: escritos sobre fotografia contemporânea: 1979-2004. Rio de Janeiro, RJ:{Lp} Press, 2022. p. 155-170. Vol. 4. DOBAL, Susana. Da Land Art ao acampamento Terra Livre: paisagens em trânsito. In: DOBAL, Susana; CASTANHEIRA, Rafael (org.). A paisagem como narrativa: quando a imagem inventa o espaço. Brasília: Editora FAC Livros, 2022. p. 109-132. DOBAL, Susana; GONÇALVES, Osmar. Fotografia contemporânea: fronteiras e transgressões. Brasília: Casa das Musas, 2013. DOBAL, Susana. Manoel de Barros: entre fotografias do idioma inconversável das pedras. Revista Studium, Campinas, SP: Unicamp, n. 40, p. 188-210, 2018. DOBAL, Susana. Tempo fotográfico e tempo cinematográfico: reciprocidades. Revista Laika, USP, v. 1, n. 2, p. 1-17, 2012. DOBAL, Susana. Peter Greenaway and the Baroque: writing puzzles with images. Berlin, LAP, 2010. 82 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO TÂNIA MONTORO Bárbara de Pina Cabral Tânia Siqueira Montoro nasceu em 12 de setembro na Serra dos Pirineus(GO). É a primogênita de três irmãs. Sua ascendência materna era de origem libanesa, com raízes em Araguari(MG). Aos 20 anos se tornou mãe de Rafael, seu único filho. Concluiu Primário e Ginásio no Colégio Maria Auxiliadora e o Científico no Colégio Laser, ambos em Brasília(DF). Foi aprovada no vestibular da Universidade de Brasília(UnB) em 1977, tornando-se uma universitária-mãe. Esteve envolvida no movimento estudantil e participou ativamente da greve da UnB em 1977. Chegou a ser presa juntamente com outros estudantes, e foi transferida para o Rio de Janeiro. Durante sua Graduação em Ciências Humanas envolveu-se em trabalhos de iniciação científica. Aos 22 anos participou do Movimento de Educação de Base(MEB) da Conferência Nacional dos Bispos(CNBB). No MEB trabalhou em programas da rádio comunitária, que eram veiculados em rádios da Igreja Católica nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Mais tarde, passou em um concurso público para técnica em educação e extensão rural na Superintendência de Desenvolvimento Pesqueiro(Sudepe), que fazia parte do Ministério da Agricultura (atualmente Ibama). Lá trabalhou em parceria com a Fundação Roberto Marinho e introduziu cursos de alfabetização para pescadores artesanais nas colônias de pesca. Viajava alfabetizando pescadores fluminenses e fazendo trabalhos comunitários, principalmente com grupos de mulheres. 83 Em 1987 volta para Brasília e ocupa uma diretoria no Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Pesqueiro da Sudepe. Fez especialização em Políticas Sociais na UnB, cujo trabalho final incluiu uma etnografia com mais de 500 horas de entrevistas sobre o Movimento de Mulheres no Brasil e em Cuba. Passou 90 dias em Havana para realizar trabalho de campo, mesmo em uma época em que o Brasil ainda não havia reatado relações com Cuba. Participou de um concurso público na área de política social do Instituto de Ciências Sociais da UnB, no qual passou em primeiro lugar em 1988. Fez Mestrado em Comunicação quando já era professora da UnB. Durante esse período concorreu e ganhou uma bolsa da Fundação Fulbright, que lhe permitiu estagiar em centros de pesquisa e estações de televisão nos Estados Unidos: no Centro de Pesquisa em Estudos Culturais da Universidade de Illinois e no Centro de Pesquisa Latino-americana da Universidade de Chicago, onde aprendeu metodologias de aferição de recepção e audiência em produtos audiovisuais. Em 1992, após concluir seu Mestrado com a dissertação“A TV da Xuxa”, passou em outro concurso público e ingressou na Faculdade de Comunicação da UnB, e, enquanto ambientalista e feminista, trabalhou para a Conferência Internacional do Meio Ambiente – Rio 92. Ela foi uma das fundadoras do Centro de Produção Cultural e Educacional(CPCE), que hoje é conhecido como UNB/TV, e produziu documentários como resultado de pesquisas interdisciplinares com antropologia e sociologia, apoiados pelo Fundo das Nações Unidas para Mulheres(Unifem), abordando questões como mulheres e meio ambiente. Sua trilogia de curtas-metragens Mulher de Areia (sobre mulheres na pesca), Mulher de Borracha(sobre mulheres nos seringais da Amazônia) e Divinas Marias(sobre mulheres na festa do Divino Espírito Santo em Pirenópolis) foi premiada. Teve participação ativa na criação do Departamento de Audiovisual e Publicidade(DAP/UnB) e na reformulação do curso de cinema para incorporar as novas tecnologias. Montoro ministrou aulas, cursos e orientações em níveis de Graduação, Mestrado e Doutorado. Tânia foi uma das fundadoras da linha de pesquisa“Estudos da Imagem e do Som” no programa de Pós-Graduação, estabelecendo parcerias com centros de excelência, como o Crimic/Sorbonne e o Laboratório Lapcom da Universidade Autônoma de Barcelona. 84 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Delineou a disciplina“Comunicação e Gênero” nos currículos dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Audiovisual. Entre os grupos de pesquisa que ajudou a fundar, encontra-se o “Estudos do Audiovisual na Perspectiva dos Estudos Feministas e de Gênero”, certificado pelo CNPq. Ao longo de sua carreira também ocupou vários cargos administrativos e de representação docente em comissões e conselhos superiores, incluindo o Conselho Universitário(Consuni) por oito anos. Além de suas atividades acadêmicas, Montoro foi uma das fundadoras do Núcleo de Estudos e Pesquisa da Mulher(NepemCeam) na década de 1980, o qual realizou a primeira pesquisa sobre violência contra a mulher no Distrito Federal. Em 1989 foi nomeada para o primeiro mandato do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher do Ministério da Justiça. Durante esse período trabalhou para a fundação das delegacias da mulher em todo o Brasil e no Distrito Federal. Em 1992, assumiu o Decanato de Assuntos Comunitários da UnB. Nessa função ela trabalhou para restaurar o Auditório Dois Candangos para cinema de arte na Asa Norte, reativou o movimento de cineclubismo e realizou diversas mostras de cinema, incluindo a primeira Mostra de Cinema Negro do Distrito Federal. Tânia também codirigiu o filme Dois Candangos: A história passou por aqui(1997), que foi premiado no Festival de Cinema de Brasília do Cinema Brasileiro no mesmo ano. Em 1994 Tânia inscreveu-se em um edital do Unicef para disputar uma vaga em um novo curso de Mestrado profissional em Comunicação e Mobilização Social na Tulane University, em Nova Orleans, Louisiana. Após defender sua dissertação, trouxe o curso para a UnB, replicando o programa, com a participação de mobilizadores de todo o país, incluindo senadores, deputados e intelectuais. Esse curso foi considerado um divisor de águas e gerou projetos significativos em diversas áreas, como educação ambiental, saúde e cultura. Ela foi uma das fundadoras do Festival de Cinema Ambiental(Fica) em 1998, realizado na cidade de Goiás, e foi responsável pela internacionalização do festival desde sua primeira edição, atraindo dezenas de filmes estrangeiros. 85 Ela obteve um PhD em Comunicação Audiovisual e Publicidade na Universidade Autônoma de Barcelona, Espanha, com uma bolsa integral da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Sua tese A violência como notícia: uma análise dos telejornais de maior audiência no Brasil(2001), desenvolveu uma metodologia de mensuração da violência na programação de televisão brasileira. Em 2012 Tânia concluiu um Pós-Doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) e no Instituto de Cinema Alemão em Amsterdã, Holanda, com uma bolsa integral do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Ela também se destacou em sua produção cinematográfica. Um de seus projetos foi o longa-metragem Hollywood no Cerrado(2011), que contou a história de cineastas e atores norte-americanos que viveram em Anápolis nas décadas de 1940 e 1950. Esse filme contribuiu para criar o Festival de Cinema de Anápolis e inspirou uma série de trabalhos sobre o cinema em Goiás. Tânia recebeu vários prêmios e honrarias ao longo de sua carreira. Em 2006 conquistou o título de cidadã honorária de Brasília pela Câmara Legislativa do DF. Contribui com instituições internacionais, como Unicef, Unesco e PNUD, mesmo após sua aposentadoria em 2018. Fundadora do Festival de Cinema de Trancoso, também atua como membro do júri de premiação em festivais de cinema temáticos e cocuradora do Festival Internacional de Cinema e Arquitetura(Cine Urbana) no Distrito Federal. Em 2019 recebeu uma mostra de cinema em Barcelona com seu nome, promovida pelo Centro Cultural Brasil/Espanha do Consulado do Brasil em Barcelona e pela Associação de Pesquisadores Brasileiros da Catalunha. Em abril de 2023 Tânia Siqueira Montoro foi convidada a ocupar a cadeira de Assis Chateaubriand no Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal. Em 2024 ela começa a trabalhar como consultora da Unesco. Tânia Siqueira Montoro possui uma trajetória com dezenas de orientações em níveis de Doutorado, Mestrado e Especialização, além de ter publicado oito livros e diversos artigos no Brasil e no exterior. É uma pesquisadora que une o interesse pelo cinema à pesquisa acadêmica, promovendo o diálogo entre teoria e prática. 86 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Sua atuação internacional, produção audiovisual e esforços para democratizar o conhecimento a tornaram influente na área do cinema e dos estudos de gênero no Brasil. Principais publicações MONTORO, Tânia; CALDAS, Ricardo(org.). Imagem em revista. 1. ed. Brasília: Abaré: Fundação Astrojildo Pereira, 2007. V. 1. MONTORO, Tânia; CALDAS, Ricardo(org.). De olho na imagem. 1. ed. Brasília: Abaré: Fundação Astrojildo Pereira, 2006. V. 1 MONTORO, Tânia. Cinema e literatura no Brasil: da adaptação à ressignificação. In: SILVA, Alberto da; FREITAS, Gabriela; CASTRO, Gustavo de; BERTHIER, Nancy(dir.). Arte, literatura y sonido en la cultura de la imagen contemporánea. Florianópolis: Éditions Hispaniques, 2016. MONTORO, Tânia; CABRAL, Bárbara. Imagem e imaginários afetivos no cinema brasileiro do século XXI: uma análise de Aquarius e Como nossos pais. 1. ed. Curitiba: Imaginalis, 2018. p. 104-124. V. 1.(Imagens e Imaginários da Comunicação). 87 NÉLIA DEL BIANCO Ana Carolina Kalume Maranhão Nélia Rodrigues Del Bianco nasceu em Santos(SP) no dia 29 de abril de 1959. Filha mais velha de cinco irmãos de um casal de migrantes: o pai, entalhador, estudou na Escola de Belas Artes em São Paulo, e a mãe técnica de enfermagem. Durante a sua trajetória escolar sempre estudou em escola pública: o Ensino Fundamental na Escola Municipal de Anápolis e o Ensino Médio na Escola Estadual Professor Faustino, em Anápolis(GO). Entre 1979 e 1982 gradou-se em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás(UFG), onde defendeu monografia que versava sobre o radiojornalismo local, orientada por Venerando Ribeiro de Campos. A atividade como pesquisadora teve início em 1988 quando ingressa no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília(UnB). Sua dissertação intitulou-se“Rádio Populista – análise da atuação do rádio como mediador nas relações entre classes populares e o governo do Distrito Federal, sob orientação de Luiz Gonzaga Mota. Em 1993 ingressou como docente na UnB, após ter trabalhado por oito anos na UFG. Nessa instituição atuou na Rádio Universitária, onde, com colegas, enfrentou o desafio de manter cinco horas de programação diária. Na emissora foi veiculado o projeto experimental“Como vai o planeta”, tendo a equipe atuado na cobertura do Rio-92 – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, sob sua coordenação. Nesse período estagia na Rádio Clube de Goiânia. Em 1981 inicia sua jornada na Difusora como repórter e, posteriormente, como editora de radiojornais. 88 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Na UnB atuou nos cursos de Jornalismo e Audiovisual da Faculdade de Comunicação(FAC) até 2016, quando se aposenta, mas não se desliga do Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Foi responsável por uma pesquisa que mobilizou mais de 90 pesquisadores de todo país entre novembro de 2017 e abril de 2018, que versou sobre o impacto da migração do rádio AM para o FM, em conjunto com uma colega da Universidade Federal de Ouro Preto(Ufop). Na UnB foi vice-diretora da Faculdade de Comunicação(FAC) por duas ocasiões. Em 1994, juntamente com o diretor, trabalhou pela criação de laboratórios e melhoria das condições de ensino e, no segundo mandato atuou, com o outro diretor, na reconstrução interna do prédio da Faculdade, financiada com recursos do projeto Reuni do governo federal. Em 1994, ao assumir a coordenação do GT Rádio da Intercom, incentiva a realização de projetos de investigação coletivos que irão influenciar os rumos da pesquisa sobre rádio no Brasil. O primeiro projeto do GT Rádio foi um livro comemorativo, “Rádio e pânico: a Guerra dos Mundos, 60 anos depois”(1998). Em 2004 termina o Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo(USP), sob a supervisão de Elizabeth Saad Côrrea, com a tese“Radiojornalismo em mutação – a influência tecnológica e cultural da internet na transformação da noticiabilidade no rádio”. A partir de 2008, com apoio financeiro da Fundação Ford e seguindo a mesma linha de pesquisa que liderou dentro da Intercom, Nélia, com outros pesquisadores, empenha-se na realização de um levantamento das condições técnicas das rádios brasileiras. As mudanças na radiodifusão sonora diante das novas tecnologias também foram abordadas no seu Pós-Doutorado, realizado entre 2008 e 2009 na Universidade de Sevilha, na Espanha, sob a supervisão de Francisco Sierra Caballero. O projeto intitulado“Exame do processo de formulação de políticas públicas para introdução e avanço do rádio digital no Brasil e na Espanha”, constitui-se de um estudo comparativo que busca extrair a experiência ibérica com o Digital Audio Broadcasting Insights(DAB). Entre 2012 e 2013 foi representante do Grupo de Pesquisa em Rádio e Mídia Sonora da Intercom, no Conselho Consultivo do Rádio Digital, vinculado ao Ministério das Comunicações, para tratar do processo de transição do formato analógico para o digital. 89 Foi ganhadora do Prêmio Luiz Beltrán de Ciências da Comunicação em duas ocasiões: em 2009, na categoria de Liderança Emergente, e em 2023, na categoria Maturidade Acadêmica. Entre os anos de 2021 e 2024 integra o Centro de Políticas, Direito, Economia e Tecnologias das Comunicações(CCOM), núcleo com caráter multidisciplinar da UnB, que abriga pesquisadores do Direito, da Comunicação e das Engenharias. Os projetos versam sobre Modernização Político-Normativa da Radiofusão e do Serviço de Acesso Condicionado no Brasil. Seu trabalho ecoa e reflete-se nas pesquisas sobre o rádio, na orientação de teses e dissertações ou na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, onde atuou como vicepresidente da diretoria(2008-2011), e na Federação Brasileira de Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação, onde foi diretora por dois mandatos(2016-2020). É uma das precursoras dos estudos em rádio no Brasil. Ao lado das atividades de gestão na instituição, dedica-se por 23 anos à formação de jornalistas e profissionais do audiovisual. Principais publicações DEL BIANCO, Nélia Rodrigues. FM no Brasil 1970-79: crescimento incentivado pelo regime militar. Comunicação& Sociedade, São Bernardo do Campo: Instituto Metodista de Ensino Superior, ano 12, n. 20, p. 133-147, dez. 1993. DEL BIANCO, Nélia Rodrigues. A trajetória do GT Rádio da Intercom. São Paulo: Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2000. 8 p. DEL BIANCO, Nélia Rodrigues. A internet como fator de mudança no jornalismo. Revista Intercom, São Paulo: Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, v. 27, p. 133-147, 2004. DEL BIANCO, Nélia R.; MOREIRA, Sônia Virgínia(org.). Rádio no Brasil: tendências e perspectivas. Rio de Janeiro; Brasília: Editora da UERJ; Editora UnB, 1999. 238 p. MOREIRA, S. V.; BIANCO, N. R.; MARTINS, C. F. S. Mídia audiovisual no interior do Brasil e produção local de informação. Intercom, São Paulo, on-line, v. 44, p. 113-135, 2021. Disponível 90 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO em: https://revistas.intercom.org.br/index.php/revistaintercom/ article/view/3590 PRATA, N.; BIANCO, N. R.(org.). Migração do rádio AM para FM. Avaliação de impacto e desafios frente à convergência tecnológica. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2018. 349 p. V. 1. SOUTO, Ana Carolina de Melo; DEL BIANCO, Nelia Rodrigues. Política para a radiodifusão no governo Jair Bolsonaro: do discurso liberal aos indícios de captura do Estado. Rumores(USP), v. 16, p. 107-128, 2022. 91 DÁCIA IBIAPINA Denise Moraes Cavalcante Dácia Ibiapina da Silva nasceu em 30 de setembro de 1957, em São João do Piauí(PI). É filha de Elídio Barroso da Silva e Maria Ibiapina da Silva. Do Ensino Médio na cidade de Floriano à Graduação na Universidade Federal do Piauí(Ufpi), em Teresina, foi pioneira em ocupar espaços masculinos ao cursar Engenharia Civil. Durante sua Graduação, Dácia integrou o Cine Clube Teresinense, uma iniciativa promovida pelo Colégio Arquidiocesano São Francisco de Sales, onde surgiu o grupo“Mel de Abelha”, formado por jovens universitários. Foi nos anos 1980, junto ao grupo, que Dácia Ibiapina deu seus primeiros passos na direção cinematográfica, com o documentário“Pagode de Amarante”(1984). Após concluir sua Graduação em 1981, Dácia Ibiapina ingressou na Prefeitura da Ufpi como engenheira civil. Simultaneamente, manteve sua atuação no campo do cinema, desempenhando um papel ativo junto a Coordenação de Assuntos Culturais, na organização de mostras da cinematografia brasileira, como a Mostra Glauber Rocha, além de eventos dedicados a ícones do cinema mundial, como o diretor francês Jean-Luc Godard, entre outros. Sua entrada no ensino formal de cinema começou com a conquista de uma vaga na Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de Los Baños(EICTV), para a qual foi selecionada para a primeira turma do curso de Cinema, sob a direção do cineasta argentino Fernando Birri. Após concluir o curso básico em Cuba, Dácia voltou ao Piauí determinada a abandonar seu ofício de engenheira e prosseguir 92 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO seus estudos na área cinematográfica. Diante da inexistência de cursos no Piauí, optou por ingressar no curso de Jornalismo na Ufpi. A passagem pela nova Graduação foi breve, pois candidatou-se ao Mestrado na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília(FAC-UnB), sendo admitida no processo seletivo. Em 1992 Dácia concluiu o Mestrado, apresentando a dissertação “Os estudos acadêmicos sobre a televisão brasileira: décadas de 70 e 80”. No ano seguinte foi aprovada em primeiro lugar no concurso para o cargo de professora do curso de Cinema da UnB. Como professora recém-contratada, uma de suas contribuições mais significativas reside em sua ativa participação na defesa pela continuidade do curso de Cinema e na luta pela redemocratização da universidade. Dedicou-se à tarefa, juntamente com seus colegas, de viabilizar a reabertura do vestibular, no ano de 1996, possibilitando a admissão de novos alunos para a Graduação. Além disso, colaborou ativamente para a revitalização do curso, envolvendo-se no processo de reintegração de professores, incluindo o renomado cineasta Nelson Pereira dos Santos, que havia sido afastado da instituição durante o período do Regime Militar. Durante sua permanência como docente da Faculdade de Comunicação, o curso de Cinema experimentou mudanças curriculares substanciais, expandindo seu foco original voltado exclusivamente para a arte cinematográfica. Sua contribuição na criação e desenvolvimento do curso de Audiovisual da UnB em 2003, bem como na revisão de seu projeto político-pedagógico, que culminou na consolidação da área acadêmica e consequente reconhecimento do curso da UnB no cenário local e nacional, é destacável. Após a conclusão de sua tese“Memórias da Guerrilha do Araguaia: relatos de moradores de Palestina do Pará”, defendida no ano de 2002 na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro(UFRJ), ela pôde contribuir na linha de pesquisa“Imagem e Som” do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília(PPGCOMFAC), e, em seguida, na linha de“Políticas de Comunicação e da Cultura”. Criou, em parceria com colegas, o Festival de Cinema Universitário de Brasília(Festuni), com o intuito de celebrar a criatividade e a diversidade das produções das futuras gerações de cineastas. 93 Sua atuação como professora teve papel ativo na evolução histórica do curso de Cinema e Audiovisual da UnB, assim como seu ativismo e engajamento político exercitados por meio dos documentários que tem dirigido, os quais expõem as complexas questões sociais e políticas da realidade brasileira. Entre suas produções cinematográficas, no ano de 1998 dirigiu “Palestina do Norte: o Araguaia passa por aqui”, fruto de uma pesquisa de sete anos sobre as memórias da Guerrilha do Araguaia. Nos anos seguintes expandiu sua filmografia com a realização de documentários como:“O Chiclete e a rosa”(2001); DocTV “Vladimir Carvalho: conterrâneo velho de guerra”(2004), e “Cinema Engenho”(2007). Após esses projetos, Dácia Ibiapina dirigiu seu primeiro documentário de longa-metragem,“Entorno da Beleza”(2012). Sua filmografia inclui também os filmes de curta-metragem“O gigante nunca dorme”(2013) e“Carneiro de Ouro”(2017), bem como os longas-metragens“Ressurgentes: um filme de ação direta” (2014) e“Cadê Edson?”(2020). Seus filmes atuam como meios de conscientização política, estimulando debates vitais em torno de temas urgentes de nossa sociedade. A maioria das equipes técnicas de seus filmes vêm sendo composta por estudantes e egressos do curso de Cinema e Audiovisual da UnB. Nesse sentido, o caráter essencialmente militante e comprometido do cinema de Dácia Ibiapina não se limita apenas às temáticas abordadas em seus documentários, mas também em sua prática cotidiana como professora de cinema e em sua atuação como documentarista. Principais publicações IBIAPINA, Dácia. Memórias da guerrilha do Araguaia: relatos de moradores de Palestina do Pará. 2002. Tese(Doutorado) – UFRRJ, Rio de Janeiro, 2002. IBIAPINA, Dácia. Os estudos acadêmicos sobre a televisão brasileira: décadas de 70 e 80. 1992. Dissertação(Mestrado) – Brasília: UnB, 1992. ROCHA, Flávia; IBIAPINA, Dácia. Cinema brasileiro e coprodução internacional. Curitiba: Appris, 2016. 193 p. 94 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO ZÉLIA ADGHIRNI Fernanda Vasques Ferreira Zélia Leal Adghirni nasceu em Dom Feliciano(RS) em 28 de fevereiro de 1949, mas mudou-se com a família para Camaquã com 12 anos e lá passou sua infância e adolescência. Filha de Valdemar Leal e Genoveva Dambrowski, adotou, aos 30 anos, o sobrenome do marido marroquino, Adghirni, com o qual se casou em 1979. Com ele teve dois filhos: Samy e Nadia. O ensino primário fez na Escola Nossa Senhora Maria Santíssima, na cidade natal. Após, ingressou em uma escola mantida por religiosas, concluindo o curso ginasial e o normal na Escola São João Batista, em Camaquã. Zélia foi presidente do Grêmio Estudantil e fazia o jornal da escola com um grupo de colegas. De 1969 a 1971 dedicou-se aos estudos de jornalismo na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), onde graduou-se. Começou sua carreira no jornal Folha da Tarde, em Porto Alegre. Em 1972 ganhou uma bolsa de estudos da França para fazer um curso de Ciências Sociais Aplicadas na Faculdade Católica de Lyon, onde residiu durante dois anos. Em 1974 retornou ao Brasil e foi trabalhar no jornal Folha da Manhã, na época a mais importante empresa de mídia do Estado. Realizou reportagens pelas quais foi premiada, notadam ente sobre os índios Kayapó que viviam no sul do Pará. Neste período também exerceu as funções de professora convidada do curso de jornalismo da UFRGS. Permaneceu dois anos em Porto Alegre e, em 1976, retornou à França para completar seus estudos de Pós-Graduação, primeiramente no Institut Français de Presse de Paris(Université Pantheon-Assas) 95 e, posteriormente, em Grenoble, onde obteve seus diplomas de Mestrado e Doutorado(Universidade de Grenoble 3). Tendo concluído os estudos e defendido suas teses de Doutoramento, mudou-se para o Marrocos onde se instalou em Rabat, capital do reino, em 1983. Além de trabalhar na imprensa, lecionou dois semestres na Escola de Jornalismo de Rabat. Durante o período na França foi correspondente do Coojornal, que pertencia a uma cooperativa de jornalistas de Porto Alegre, o qual atuou como resistência ao regime militar. Sua reportagem sobre os Tupamaros teve grande repercussão, tendo sido considerada, equivocadamente, militante do grupo revolucionário, o que lhe rendeu um mandado de prisão. Na França trabalhou também como enviada especial do jornal O Estado de S. Paulo na área política e cultural. Cobriu o festival de Cinema de Cannes três vezes e acompanhou o processo de Klaus Barbie, oficial nazista que foi extraditado da Bolívia para a França. Em 1990 Zélia retornou ao Brasil com sua família em busca de um novo começo. Neste período trabalhou na sucursal do Estado de S. Paulo e no jornal gaúcho Zero Hora. Ingressou na FAC/UnB como professora recém-doutora e, finalmente, como docente em tempo integral após prestar concurso para o Departamento em 1994. Iniciou sua trajetória com o Jornal Campus, unindo nas aulas a experiência como repórter e os conhecimentos da academia. Foi chefe do Departamento de Jornalismo da FAC por dois períodos, e sua diretora, além de coordenadora da Pós-Graduação. Participou, ainda, como membro de comissões julgadoras de prêmios e bancas de concurso. Ela destacou-se pela experiência em Novas Tecnologias e Jornalismo on-line, atuando, principalmente, nos temas de jornalismo, novas tecnologias e jornalismo, produção jornalística, produção de notícias e análise de mídia. Zélia aposentou-se em 2014, mas seguiu atuando como membro do grupo de Pesquisa Internacional Rede de Estudos em Jornalismo (REJ), que reúne pesquisadores de cinco laboratórios da Europa, Canadá e América Latina. 96 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Principais Publicações ADGHIRNI, Z. L. Jornalismo on-line e identidade profissional do jornalista. In: MOTTA, Luiz Gonzaga(org.). Imprensa e poder. Brasília: Editora UnB, 2002. p. 151-166. MOURA, D. O.; PEREIRA, F. H.; ADGHIRNI, Z. L.(org.). Mudanças e permanências no jornalismo. Florianópolis: Insular, 2015. 348 p. V. 1. PEREIRA, F. H.; MOURA, D. O.; ADGHIRNI, Z. L.(org.). Jornalismo e sociedade. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2012. 264 p. V. 1. 97 DIONE MOURA Suzana Guedes Cardoso Dione Oliveira Moura é natural de Goiânia(GO), filha de família majoritariamente negra. Sua mãe Mouranizia Paz Moura Oliveira era baiana, costureira e empreendedora. Seu pai, Diocleciano de Souza Oliveira, piauiense, criador da Produtos Maravilha(fábrica de farinha e polvilho). O casal tinha como meta proporcionar o Ensino Superior para os filhos Francisca Egécia, Maria Luiza, Francisco, Cristina e Dione. A quase totalidade da formação escolar de Dione foi em escolas públicas, tendo feito somente o científico e um ano do Jardim da Infância em escola particular, sempre com bolsa de estudos. Cursou Jornalismo na Universidade Federal de Goiás(UFG), e graduouse em 1986, apresentando a monografia“A Obra da Artista Goiandira do Couto – Filme Super 8”, orientada pela doutora Ruth Rocha. Na Universidade de Brasília(UnB) concluiu a Especialização em Jornalismo Político, apresentando o trabalho intitulado“Cláudio Abramo: o Profeta Solitário”, em 1988, tendo Carlos Chagas como orientador. Na mesma instituição realizou a Especialização em Arteduca: Arte, Educação e Tecnologia Contemporânea, com a pesquisa“Arte-Educação e a construção da Cultura de Paz entre Jovens”, orientada por Leci Maria de Castro Augusto Costa. Ingressou no Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, na UnB, e defendeu, em 1990, a dissertação“A Construção da Memória e da Identidade em Filmes de Cineastas Negros Brasileiros, sob a orientação de Luiz Warren Jardim Braga. Na mesma instituição e linha de pesquisa, realizou o Doutorado, defendendo a tese“ Do Campo Científico ao Jornalismo Científico: o discurso sobre o valor da Floresta Amazônica”, no ano de 2001, com orientação de Suzana Pinheiro Machado Mueller. 98 MULHERES DA COMUNICAÇÃO A jornada de docência, entretanto, teve início em 1995 na Faculdade de Comunicação(FAC), Departamento de Jornalismo(JOR). Posteriormente torna-se docente no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Faculdade de Comunicação(PPGCOM), instância em que foi coordenadora do Programa e também integrou a comissão para redação da proposta de criação do Doutorado em Comunicação. No mesmo ano, participou, como sócio fundadora, da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor), entidade da qual foi a primeira presidenta(2011-2013), primeira diretora editorial e coautora do Projeto Editorial da Revista Brazilian Journalism Research(BJR). Sua trajetória acadêmica esteve sempre voltada para a inclusão social de grupos minorizados. Nesse sentido, também fundou, no ano de 2024, em conjunto com alunos e colegas, o Projeto Pertencer visando o desenvolvimento de objetos e espaços de descompressão para estudantes autistas e demais estudantes neurodiversos. Em 2024, também em parceria com colegas e equipe de estudantes, criou o Podcast RedesFAC, atividade vinculada a Projeto de Extensão. A atuação nas diretorias das Associações Científicas marca sua carreira profissional. Além da SBPJor, foi diretora da Socicom em 2012 e 2014; da Associação Brasileira de Ensino em Jornalismo (Abej, como diretora Regional Centro-Oeste). Atua, ainda, nas Comissões de C&T e Educação no Congresso Nacional e na Consultora ad hoc do CNPq, dentre tantas outras. Também tem participado, por diversas ocasiões, como consultora Capes(Revisão do Qualis Periódicos 2010, Avaliação de entrada/ APCN 2018, revisão do documento de Área e critérios de APCN 2018, Avaliação Quadrienal 2018, Avaliação Quadrienal 2021/2022). Foi reconduzida à Direção da FAC em 2023. No mandato anterior, 2019/2023, sua liderança na direção ultrapassou as fronteiras da faculdade ao instituir, em equipe, uma série de protocolos sanitários de combate à disseminação da Covid-19, e também atuou, durante todo o período da pandemia, no Grupo de Trabalho instituído pela Administração Superior da UnB, na campanha“Você não está sozinha, você não está sozinho”. Na gestão da FAC coordenou, ainda, a promoção de workshop para capacitação de professores no uso das tecnologias de aulas a distância, gravação de vídeo, iluminação, carga horária para ensino remoto, dentre outros assuntos. 99 No ensino tem orientado, na Graduação, centenas de alunos em Trabalho de Conclusão de Curso, na Iniciação Científica, em Monitorias e Estágios Obrigatórios, assim como participado de mais de 200 bancas de TCC. No ensino de Graduação e de PósGraduação nucleou atividades em torno de disciplinas como Oficina de Texto, Comunicação e Universidade, Revista Campus Repórter, Projeto Experimental em Jornalismo e Pré-Projeto em Jornalismo. Em 2009 Dione e demais docentes e equipe da Revista Campus Repórter, receberam o Prêmio Engenho de Comunicação, iniciativa acadêmica pelas reportagens produzidas por estudantes da Revista Campus Repórter. Desenvolveu a pesquisa“Cartas para o Amanhã – vigilância comemorativa Lélia Gonzalez”, em 2022. No mesmo ano, lançou, em coautoria, a obra“Vá no seu tempo e vá até o final: mulheres negras cotistas no marco dos 60 anos da UnB”, primeiro livro brasileiro a trazer depoimentos em primeira pessoa de estudantes negras cotistas, o qual foi aprovado no Edital de 60 anos da UnB/60 anos da Editora UnB(disponível para download gratuito). Em 2024 segue no desenvolvimento do Mapa da Mídia Negra Brasileira(MMNB), também em coautoria com colegas e alunos, assim como a pesquisa sobre podcaster s negras e indígenas das Regiões Centro-Oeste e Norte. Ainda em coautoria desenvolveu o Laboratório Sociologia da Comunicação e com uma Comissão Tripartite Local organiza o X Encontro Brasileiro de Educomunicação, evento da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação(ABPEducom). A temática ambiental tem destaque em toda a carreira de Dione. A partir de 2024 ela é a coordenadora do Projeto Associado 5(PA5) – chamado Engajamento Público com a Ciência – do Projeto de Pesquisa Rede Biota Cerrado, ligado ao Instituto de Biologia(IB) da UnB. Para o PA5 produziu, com a equipe interdisciplinar do projeto, o podcast Calangos da Ciência, assim como documentários, livros infantis, oficinas de ilustração e 3D, mídia trainging e afins. No Dia Nacional do Cerrado, a equipe do PA5, outros pesquisadores e representantes do Terceiro Setor, entregaram, no Supremo Tribunal Federal(STF), a Carta Brasília 2024 em Defesa do Cerrad o. Dione teve o reconhecimento como“ A Guardiã das cotas: a professora que transformou a vida de jovens negros no país”, em reportagem do Correio Braziliense, em 2023, na ocasião dos 20 100 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO anos das cotas na UnB, pelo papel como relatora das cotas na UnB. No mesmo ano também foi homenageada pelo Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão(Cepe) da UnB e pela SBPJor, durante sessão comemorativa aos 20 anos da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo. Em 2022 Dione Moura recebeu a Láurea do Prêmio Adelmo Genro Filho(PAGF), homenagem prestada pela SBPJor na Categoria Pesquisadora Sênior. Participou de toda a estruturação do Sistema de Cotas para Negros e Indígenas, que comemora, na UnB, 20 anos em 2023. No mesmo ano ela integra, enquanto Diretora da FAC e como pesquisadora do PPGCOM, a comissão organizadora exatamente dos 50 anos do PPGOM da UnB. É uma educadora vocacionada para políticas públicas inclusivas que assegurem um presente e futuro igualitário e socioambientalmente sustentável. Principais publicações MOURA, Dione Oliveira; ALMEIDA, Tânia Mara. Ancestralidade, interseccionalidade, feminismo afrolatinoamericano e outras memórias sobre Lélia Gonzalez. Revista Arquivos CMD, v. 8, n.2, 2020. MOURA, Dione Oliveira; SANTOS, Deborah Silva(org.). Vá no seu tempo e vá até o final: mulheres negras cotistas no marco dos 60 anos da UnB. 1. ed. Brasília: Editora UnB, 2022. MOURA, Dione Oliveira. 20 anos de SBPJor e 20 anos de cotas UnB: uma trajetória afrocentrada em defesa do jornalismo de qualidade e da inclusão. In: BACCIN, Alciane; XAVIER, Cíntia; VIEIRA, Lívia; BELLAN, Rafael; LIMA, Samuel. Entre crises e(Re)construções: a pesquisa em jornalismo 20 anos depois. Brasília: SBPJor, 2023. MOURA, Dione Oliveira; PEREIRA, Fábio Henrique; ADGHIRNI, Zélia Leal. Mudanças e permanências no jornalismo. Florianópolis: Insular, 2015. ROCHA, Paula Melani; WOITOWICZ, Karina Janz. A construção de uma epistemologia afrocentrada e as contribuições aos estudos de jornalismo. O percurso de Dione Oliveira Moura, jornalista negra relatora do projeto de ações afirmativas da UnB. Revista Pauta Geral, v. 10, n. 2, 2023. SANTANA, Luiza Rodrigues; OLIVEIRA, Jusef Felipe Pinto de; PINHEIRO, Elton Bruno Barbosa. Audiobiografia Dione Moura. EXPOCOM CENTRO-OESTE, INTERCOM, 2018. Anais[...]. Intercom, 2018. 101 MÁRCIA MARQUES Katia Maria Belisário Márcia Marques, Marcinha para seus pares, nasceu em Santos (SP), onde passou toda a infância e adolescência, em 22 de maio de 1957. É filha de Áurea Marques e Waldemar Marques, comerciantes. Sempre estudou em escolas públicas. Cursou o Ensino Fundamental no Colégio Municipal e o Ensino Médio no Instituto Estadual Canadá. Em 1976 saiu do interior de São Paulo para a capital com o objetivo de cursar Jornalismo na Escola de Comunicação e Artes(ECA) da Universidade de São Paulo(USP). Durante todo o curso envolveuse na produção de jornais sindicais e de grupos políticos, que eram clandestinos durante a ditadura militar. Formou-se em Jornalismo em 1980 e, a partir daí, foram 17 anos exercendo a profissão na reportagem em Curitiba, Cuiabá e Brasília. Trabalhou em sucursais ou como correspondente dos principais jornais de circulação nacional. Posteriormente atuou em assessorias de comunicação, como no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas(Sebrae) e no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária(Incra). No Sebrae elaborou a proposta de criação de uma agência de notícias com foco nos pequenos e microempresários. No Incra atuou no projeto de disseminação de notícias na rede do Instituto por meio do Fax da Terra. A entrada na academia aconteceu em 1997, quando ingressou na Faculdade de Comunicação(FAC) da Universidade de Brasília (UnB) por meio de concurso de provas e títulos para a carreira docente. Atuou como professora orientadora do“ Campus”, o jornal laboratório mais antigo do Brasil, criado em 1970, quando ainda não era obrigatória sua oferta curricular. 102 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO O Mestrado em Comunicação na UnB teve início em 2003 e envolveu o tema das agências de notícias a partir da consolidação da internet. A dissertação recebeu o título de As mudanças nas rotinas de produção das agências de notícias com a consolidação da internet no Brasil, defendida em 2005, sob a orientação de Zélia Leal Adghirni. Neste período, ensino e pesquisa foram complementados com projetos de extensão com o objetivo de promover a inclusão digital de mulheres da periferia de Brasília. Ingressou no Doutorado em 2012, na Faculdade de Ciência da Informação, também na UnB. Em 2013 recebeu uma bolsa Sanduíche para aprofundamento da pesquisa sobre informação e letramento para a cidadania na Universidade Complutense de Madrid, na Espanha, onde estudou por um período de seis meses. A defesa da tese aconteceu em 2015, a qual recebeu o título Modelo de Ação Comunicativa e de Informação para Redes Sociais em Ambientes Digitais, sob a orientação de Elmira Luzia Melo Soares Simeão. Em fevereiro de 2020, ano da pandemia da Covid-19, fez estágio pós-doutoral em Montevidéu, Uruguai, sob orientação de Pedro Russi e Délia La Dutra, pesquisando rede Feministas Brasileiras no Uruguai, criada após a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, assassinados em março de 2018. Como vice-líder do grupo Gênero, Comunicação e Sociabilidade – Gecoms – e integrante do Grupo de Pesquisa em Ciência da Informação – GPCI –, ambos do CNPq, pesquisa o campo de formação de competências para a informação e a comunicação em rede em ambientes digitais, com foco em comunicação, informação e a computação para a gestão da memória e para o processo de aprendizado em rede. Cocoordena o projeto de Extensão Comunicação para Gestão da Memória, da Informação e do Conhecimento desenvolvido no Centro de Documentação CeDoc/FAC. Na FAC também participa de projetos de Extensão para planejamento de comunicação para as redes; o Livro-Livre, em parceria com colegas bibliotecárias; protótipo de um diretório de confirmação de credenciamento de jornalistas brasileiros com uso de blockchain para a guarda de documentos, com colegas da Ciência da Informação; mapeamento e criação de base de dados dos cursos de biblioteconomia e ciência da informação, também em parceria com colegas, com o Ibict e a Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. 103 Márcia Marques é jornalista, assessora de comunicação, professora, pesquisadora, mãe e ativista brasileira engajada nos movimentos sociais do país. Desde os tempos de estudante da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, tem se destacado na luta dos movimentos sindicais e na defesa das causas feministas. Principais publicações BELISÁRIO, Katia M. Rede Mulheres e espaço de poder: ciberfeminismo, outros feminismos e a Lei de Acesso à Informação. Entrevista com Márcia Marques. In: GERALDES, Elen et al.(org.). 10 Anos da Lei de Acesso à Informação: limites, perspectivas e desafios. São Paulo: Intercom, 2022. CUEVAS CERVERÓ, Aurora; MARQUES, Márcia; PAIXÃO, Pablo Sales. A alfabetização que necessitamos: informação e comunicação para a cidadania. Informação& Sociedade, Universidade Federal da ParaíbaUFPB, v. 24, p. 35, 2014. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ ojs2/index.php/ies/article/view/16619. Acesso em: 14 mar. 2024. MARQUES, Márcia; REIS, Anna Carolina. O discurso do silêncio: análise da cobertura jornalística de um estupro coletivo pelo Portal G1. In: BELISÁRIO, Katia; MOURA, Dione; GUAZINA, Liziane (org.). Gênero em pauta: desconstruindo violências e construindo novos caminhos. Curitiba: Editora Appris, 2019. MARQUES, Márcia. Letramento em rede O Estado como indutor de uma sociedade-educação. In: JORGE, Thaís de Mendonça (org.). Desinformação: o mal do século. Brasília: Supremo Tribunal Federal: Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, 2023. Disponível em: http://desinformação.stf.jus.br/ MARQUES, Márcia. Um retrato das agências de notícias brasileiras com a consolidação da internet no país. ENCONTRO DE PESQUISADORES DE JORNALISMO, 11., 2013, Brasília. Anais[...]. Brasília, DF: Universidade de Brasília, 2013. 104 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO CLÁUDIA LEMOS Alessandra Lessa Cláudia Regina Fonseca Lemos, nascida em Belo Horizonte(MG), em 18 de dezembro de 1969, é a primogênita de uma família de quatro irmãs. Tem um filho chamado Felipe e uma filha de nome Mariana. Com educação básica em escolas católicas, estudou no Ensino Fundamental no Colégio Santa Marcelina e o Ensino Médio no Colégio Padre Eustáquio. Atuou em um grupo de jovens católicos e no movimento estudantil secundarista. Durante a Graduação, no curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), entre 1987 e 1990, envolveu-se em projetos de pesquisa, no movimento estudantil e participou de órgãos colegiados como representante discente. Na monografia apresentada como trabalho de conclusão abordou o ensino de telejornalismo, orientada pela professora Maria Céres Castro. O ingresso na vida profissional aconteceu em uma agência de comunicação integrada, a Ideia, de Belo Horizonte. Também trabalhou como assessora de comunicação em empresas e em órgãos públicos. Na década de 1990 atuou brevemente como repórter nas sucursais de Minas Gerais da TV Manchete, do Jornal do Brasil, da Revista Veja e no jornal O Tempo. No Mestrado, concluído em 1997, produziu a dissertação“Histórias sobre o trabalho. A narrativa: da literatura aos jornais de empresa”. No Doutorado, finalizado em 2001, elaborou a tese“Seis questões sobre o jornalismo: uma leitura da imprensa brasileira dos anos 1990 a partir de Italo Calvino”. Tanto o Mestrado quanto o Doutorado 105 foram desenvolvidos na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG). Ao mudar-se para Brasília, em 1999, ainda cursando o Doutorado na UFMG, Cláudia atuava em projeto de reformulação dos veículos internos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária(Embrapa). Nesse momento foi convidada a ministrar aulas no curso de Jornalismo do Centro Universitário de Brasília(Ceub). No mesmo período, ingressou como assessora de comunicação da Associação Nacional dos Procuradores da República(ANPR). Entre 2001 e 2002 trabalhou na Assessoria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal, onde foi responsável por gerenciar o projeto de criação da TV Justiça. Em 2003 trabalhou na Secretaria de Comunicação da Presidência da República e foi convidada para assumir a assessoria de comunicação da Procuradoria-Geral da República(PGR). Lá participou da criação de assessorias de comunicação em todas as unidades do Ministério Público Federal e da especialidade em comunicação no cargo de analista no Ministério Público da União. Nesse mesmo ano submeteu-se à seleção de servidores efetivos da Câmara dos Deputados e tomou posse no cargo de analista legislativo/técnico em Comunicação Social em novembro de 2004. Cláudia passou três meses nos Estados Unidos como bolsista da Comissão Fulbright, sendo pesquisadora visitante na Northwestern University, quando investigou as estratégias de comunicação da Justiça no Brasil e nos Estados Unidos. Entre 2007 e 2009 residiu com a família em Belo Horizonte, atuando nas assessorias de comunicação da Faculdade de Medicina da UFMG e do Ministério Público do Trabalho(MPT). Em 2010 foi convidada ao cargo de secretária de comunicação do Conselho Nacional do Ministério Público(CNMP), em Brasília. Em 2013 voltou à PGR como secretária de comunicação social. De volta à Câmara dos Deputados em 2015, atuou como editora na TV Câmara, na Agência Câmara, e como responsável pelo Escritório de Gestão da Diretoria-Executiva de Comunicação e Mídias Digitais da casa parlamentar. É também professora do Mestrado profissional oferecido pelo Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento(Cefor). Foi também professora no Centro Universitário Iesb durante um ano. 106 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Em 2021 começa a coordenar os trabalhos do grupo que investiga o sistema de comunicação da Câmara dos Deputados para avaliar e propor adequações às iniciativas desenvolvidas. É ainda integrante da pesquisa“Parlamento e sociedade: representação política, participação e controle social”. Colaborou na produção do livro sobre os 25 anos da TV na Câmara e como revisora da Revista e-legis, periódico científico sob a responsabilidade do Programa de Pós-Graduação da Câmara dos Deputados. Na esfera do terceiro setor, Cláudia participou da fundação da ABCPública em 2016, presidindo a entidade desde 2020. Neste ofício, exerce a liderança das diretorias regionais distribuídas por 19 Estados mais o Distrito Federal, com o objetivo de promover a interação entre comunicadores públicos por todo o país e incentivar a execução de políticas de comunicação a serviço do interesse público. Cláudia Lemos integra o corpo docente do Programa Avançado em Comunicação Pública, oferecido em parceria com a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial(Aberje), e lidera a realização do Congresso Brasileiro de Comunicação Pública, Cidadania e Informação. Ainda à frente da associação, participa na elaboração da Carta de Princípios de Comunicação Pública(2020) e do Projeto da Lei Geral da Comunicação Pública(PL 1202/2022), em tramitação no Congresso Nacional para estabelecer conceitos, diretrizes e princípios da atividade. Principais publicações BARROS, A. T.; BERNARDES, C. B.; LEMOS, Cláudia R. F. As mídias legislativas e a redefinição da noticiabilidade política no Brasil. Em Questão, UFRGS, v. 14, p. 11-24, 2008. BARROS, Antonio Teixeira de; LEMOS, Cláudia Regina Fonseca. Política, pânico moral e mídia: controvérsias sobre os embargos infringentes do escândalo do Mensalão. Opinião Pública, v. 24, p. 291-327, 2018. LEMOS, Cláudia R. F.; DEL GÁUDIO, Rozália. Publicações jornalísticas. In: DUARTE, Jorge(org.). Assessoria de imprensa e 107 relacionamento com a mídia: teoria e técnica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2018. p. 251-278. V. 1. LEMOS, Cláudia Regina Fonseca; BARROS, Antonio Teixeira de. Lutas simbólicas na arena midiática: o poder de agência do Ministério Público e as controvérsias sobre a PEC 37. Opinião Pública, v. 22, p. 702-738, 2016. 108 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO GRAÇA MONTEIRO Mariana Martins de Carvalho Maria da Graça Miranda de França Monteiro, filha única, nasceu no Rio de Janeiro, em 22 de abril 1952, e mudou-se aos oito anos de idade para Brasília para acompanhar seus pais, Arlindo e Núbia, que eram funcionários públicos. É mãe de Maíra e Iara. A família chegou à cidade no início da década de 1960, junto com a criação da nova capital federal, onde ela estudou no Colégio Sagrado Coração de Maria, à época chamado Sacré-Coeur de Marie, onde fez o que hoje é chamado Ensino Fundamental. Fez o Ensino Médio no Colégio Elefante Branco. Dez anos depois da chegada em Brasília, aos 18 anos, em 1970, ingressou na Universidade de Brasília(UnB) para se graduar, em 1974, como jornalista. Em 1975 iniciou a sua vida profissional como assessora do Gabinete do ministro das Comunicações, Euclides Quandt de Oliveira, durante o governo militar de Ernesto Geisel. Graça ficou no Ministério das Comunicações de 1975 a 1990. Trabalhou na divisão de relações públicas de 1977 a 1985, o que definiu sua volta para a UnB para graduar-se em Relações Públicas em 1987. Em 1990 Graça foi aprovada no concurso para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, e, logo em seguida chefiou a divisão de relações públicas do então Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento(Mapa) e lá ficou até 1992. De 1992 a 1995 voltou à Embrapa para, dessa vez, chefiar a assessoria de comunicação do órgão, e em 1995 retornou ao Mapa para ser assessora do então Secretário de Desenvolvimento Rural, participando diretamente da criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar(Pronaf). Graça ficou no Mapa até 1999. 109 Entre 1995 e 1998 Graça cursou o Mestrado em comunicação na UnB com a dissertação“A produção da notícia sobre Ciência e Tecnologia na Embrapa”, orientada pelo professor José Luiz Werren Jardim Gomes Braga. Em 2002 ela iniciou como professora de Comunicação Institucional e Relações Públicas, na disciplina de Assessoria de Imprensa, no Instituto de Ensino Superior de Brasília(Iebs) e entre 2002 e 2016, ministrou disciplinas como Comunicação Interna, Funções de Assessoria na Comunicação Pública, Agência Júnior de Comunicação, Assessoria e Consultoria em Comunicação Empresarial, Comunicação Organizacional e Planejamento em Comunicação Pública, tanto na Graduação quanto na Pós-Graduação. Graça foi, também, professora do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) de 2007 a 2019, na Universidade Católica de Brasília, entre 2008 e 2009 e no Instituto Euro-Americano de Educação, Ciência e Tecnologia(Euroam) de 2013 a 2016. Em 2013, quando se aposentou, seguiu na Embrapa. Entre 2005 e 2009 cursou o Doutorado em comunicação social, também na UnB. Foi orientada pelo professor Luiz Martins da Silva e defendeu a tese“Ciência e risco: a controvérsia como procedimento da comunicação pública no contexto democrático”. Sua construção acadêmica para o gerenciamento de crise bem como para a conceituação do que venha a ser comunicação pública, comunicação organizacional/institucional e comunicação política, é um legado evidente. Tem na inovação o combustível para o seu trabalho e é conhecida por ter uma visão diferenciada e uma leitura privilegiada de diferentes cenários. A paixão pelo conhecimento e pelo movimento não a permitiu ficar parada mesmo depois da sua aposentadoria. Graça estuda budismo, faz parte de um grupo de percussão(batubatê) e trabalha como voluntária do templo budista em Brasília. É avó de Miguel, Murilo e Sami e é uma importante referência no campo da comunicação pública institucional e organizacional. Principais publicações DUARTE, Jorge; MONTEIRO, Graça França. Pontencializando a comunicação nas organizações. In: KUNSCH, Maria Margarida 110 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Krohling(org.). Comunicação organizacional: linguagem, gestão e perspectivas. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 333-359. V. 2. MONTEIRO, Graça França. A notícia institucional. In: DUARTE, Jorge(org.). Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia. 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Atlas, 2010. p. 115-135. V. 1. MONTEIRO, Graça França. A singularidade da comunicação pública. In: DUARTE, Jorge(org.). Comunicação pública: Estado, mercado, sociedade e interesse público. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2007. p. 34-46. MONTEIRO, Maria da Graça Miranda de França. Marketing científico ou comunicação pública? Por que vale a pena estar na mídia? In: DUARTE, Jorge; RIBEIRO, Rosa Maria A.(org.). Comunicação, ciência e tecnologia: estudos da Embrapa. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2006. MONTEIRO, Maria da Graça Miranda de França. O cientista, a imprensa e a comunicação pública da ciência. In: CIMADEVILLA, Gustavo(org.). Comunicación, tecnología y desarrollo. 1. ed. Río Cuarto: Universidad Nacional de Río Cuarto, 2006. p. 3-230. V. 3. 111 FLORENCE MARIE DRAVET Liliane Machado Nascida em 1970, em Marseille e criada na região da Provence, na França, filha de Henri Dravet, professor de história e de Renée Dravet, dona de casa formada em artes plásticas, Florence Marie Dravet radicou-se no Brasil no final dos anos 1980, quando tinha 19 anos. Quando chegou ao Brasil foi residir em Natal(RN), já casada com o brasileiro Gleider Henrique de Souza Xavier, que havia conhecido na França. Teve dois filhos: Olivier e Margot. Deu aula na Aliança Francesa. Iniciou um curso de LetrasPortuguês, por correspondência, na Universidade Paul Valéry, em Montpellier, onde só comparecia presencialmente para os exames finais a cada ano. Voltou para a França para fazer Mestrado em Francês, em Lyon. Cursou as disciplinas de Antropologia e Comunicação Intercultural, área que lhe despertou mais interesse. Na sequência, foi cursar Doutorado no Departamento de Ciência da Linguagem, na Sorbonne III. Teve aulas magistrais e encerrou esse ciclo com tese sobre Comunicação Intercultural em Refeições de Negócios, após um extenso trabalho de campo. O trabalho resultou em um livro, publicado na França. Retornou para Natal com a família e começou a dar aulas de Comunicação e Cultura, bem como de Estética para os cursos de Jornalismo e Publicidade na Universidade Potiguar(UnP). Chegou a Brasília em 2004, e logo começou a dar aulas na Universidade Católica de Brasília(UCB), onde exerceu o cargo, entre 2014 a 2021, de coordenação do Mestrado Profissional Inovação em Comunicação e Economia Criativa. 112 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Vários de seus artigos são marcados pela presença de sereias, iaras, magos, analisados sob uma perspectiva interdisciplinar que abrange imaginário social, representações, teorias das mídias, filosofia e psicanálise junguiana para tratar de séries de TV, pinturas, etc. Além dos mitos gregos, também se interessa pela religiosidade brasileira de origem africana, particularmente a umbanda, tendo frequentado um terreiro por dois anos seguidos, até que decidiu fazer sua iniciação, tornando-se mãe de santo. Sua trajetória acadêmica na UCB é como professora dos cursos de Comunicação e membro do núcleo docente permanente do Mestrado Inovação em Comunicação e Economia Criativa e do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação. Fez dois Pós-Doutoramentos, o primeiro em Comunicação, pela Universidade de Brasília(2011), e o segundo pelo Centro de Investigação em Arte e Comunicação(CIAC) na Universidade de Algarve, em Portugal(2021). É fundadora e editora da Revista Esferas, publicação dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação no Centro-Oeste. Coordena o grupo de pesquisa Travessia- Transdisciplinaridade e Criatividade do DGP/CNPq, preside a Rede Latinoamericana de Mitocrítica Pachamama, dentre várias outras atividades acadêmicas. Entre seus planos futuros inclui-se a escrita de um livro sobre o Brasil a partir da Umbanda. Principais Publicações DRAVET, Florence Marie; DE OLIVEIRA, Alan Santos. Relações entre oralidade e escrita na comunicação. Sankofa um provérbio africano. Miscelânea: Revista de Literatura e Vida Social, v. 21, p. 11-30, 2017. DRAVET, Florence; CASTRO, Gustavo de. Aprendizagem, meios digitais e afeto: propostas para um novo paradigma na educação superior. Interface, n. 23, 2019. DRAVET, Florence; PASQUIER, Florent; COLLADO, Javier; CASTRO, Gustavo(org.). Transdisciplinaridad y Educación del Futuro. Brasília: Universidade Católica de Brasília, 2020. 113 DRAVET, Florence Marie. Tecnologia e saberes espirituais em“The Midnight Gospel” – hiperabstração digital e imaginação. Texto Digital Revista de Literatura, Linguística, Educação e Artes, Florianópolis, v. 16, n. 2, p. 75-92, ago./dez. 2020. DRAVET, Florence; SOUSA BRANDÃO, Thiago de. O mito das Sereias e as derivas do imaginário. Di á logos, v. 26, n. 3, p. 16-38, 2023. 114 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO COSETTE CASTRO Thaïs de Mendonça Jorge Cosette Espindola de Castro nasceu em Cruz Alta(RS). Filha de Mucio Castro de Castro e de Carmem Helena Espindola de Castro. A família mudou-se para Porto Alegre e depois para Pelotas, na década de 1960, ocasiões em que estudou em escolas públicas: Primário no Colégio Estadual Félix da Cunha e Ginásio no Colégio Estadual D. João Braga, ambos em Pelotas(RS). Fez o Científico no Instituto Estadual Cristóvão de Mendoza, Caxias do Sul(RS). Começou a Graduação em Comunicação aos 17 anos na Universidade do Vale dos Sinos(Unisinos), trancado para viajar pelo país. Em 1983, em Roraima, ajudou a criar e fundar o jornal Folha de Boa Vista. No ano seguinte retornou ao Sul e terminou Comunicação, dessa vez na Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Durante toda a faculdade, em Porto Alegre e em Pelotas, fazia estágio em veículos jornalísticos. Em 1985, trabalhou no Diário Catarinense(Grupo RBS/Santa Catarina) e passou a ser repórter da RBS TV, acumulando duas funções no mesmo dia. Retornando para Porto Alegre, um ano depois, foi contratada pela Gazeta Mercantil e pelo Diário do Sul, jornal do grupo Gazeta. Recebeu um prêmio da Associação Riograndense de Imprensa(ARI), em 1987, pela reportagem sobre a greve dos professores estaduais acampados em frente ao palácio do governo gaúcho. Entre 1994-1995 fez Especialização em Educação Popular na Unisinos, sob orientação de Renato Soethe, defendendo o trabalho “Comunicação Sindical: do mito à possibilidade de construção de um novo sujeito”. 115 Fez Mestrado em Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS), defendendo a dissertação “Tropeçando no espelho – um estudo sobre a Comunicação Sindical”, apresentada em 1997, sob orientação de Eliane Antonini. No final do Mestrado fez a seleção para dar aulas na Unisinos e foi convidada, no dia da defesa, a lecionar na PUC-RS, logo após receber um 10 pelo trabalho. De 1998 a 2003 fez o Doutorado em Jornalismo e Comunicação na Universitat Autònoma de Barcelona(UAB), obtendo o grau máximo( cum laude), com a tese“ Marcas multiculturales en Gran Hermano – los casos de España y Portugal”, orientado pela professora Teresa Velasquez. De 2009 a 2011 fez estágio pós-doutoral na Cátedra Unesco em Comunicação para o Desenvolvimento, da Universidade Metodista de São Paulo, sob orientação de José Marques de Melo; e em 2019 fez outro pós-doc no Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília(UnB), desenvolvendo um estudo sobre“Cuidado e autocuidado de mulheres ativistas no mundo digital”, com orientação de Valeska Zanello. De 2017 a 2018 dedicou-se aos estudos de psicanálise na Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Psicanálise(ABEPP), obtendo licença para atuar como psicanalista, aliando a experiência de pesquisadora, consultora e profissional na área de inclusão digital e social, gênero e cuidado. Trabalhou para o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia(Ibict), o Instituto Lula, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(Ipea), a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura(Unesco) e a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe(Cepal). Coordenou a comunicação do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre. Eleita secretária geral do Sindicato dos Jornalistas/RS, participou do lançamento do jornal Versão dos Jornalistas, e criou e coordenou uma comissão para tratar diretamente de assessorias em comunicação sindical e popular. Como diretora da Federação Nacional de Jornalistas(Fenaj), foi uma das coordenadoras do Congresso Nacional de Jornalismo em 1991/1992. Realizou pesquisa para a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe(Cepal) em 11 países para analisar a passagem do mundo analógico para o mundo digital na América Latina. Coordenou 116 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO o Grupo de Trabalho sobre Conteúdos Digitais do Plano e-LAC/ Unesco para inclusão digital na América Latina e Caribe. Foi coordenadora do Grupo de Pesquisa(GP) de Conteúdos Digitais da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), recebendo o Prêmio Luiz Beltrán de Liderança Emergente em 2008. Mais tarde foi cocoordenadora do GT Comunicação Digital, Redes e Processos da Associação LatinoAmericana de Investigadores em Comunicação(Alaic). Ao chegar em Brasília, em 2006, foi contratada pela Agência Nacional de Aviação Civil(Anac) para montar o Departamento de Comunicação da Agência(2006-2007), e criou o Departamento de Comunicação Integrada, onde coordenou 25 profissionais. Nos anos 2008-2010 atuou como professora convidada do Mestrado em TV Digital da Universidade Estadual Paulista(Unesp/Bauru). Em 2010 fez o processo seletivo para ser professora do Mestrado em Comunicação da Universidade Católica de Brasília(UCB), onde atuou até 2018, quando o Mestrado foi fechado. Nesse período criou o Observatório Latino-Americano da Indústria de Conteúdos Digitais(Olaicd), que funcionou até 2018. A atividade de Cosette no Magistério chega a 22 anos; na Universidade Católica de Brasília lecionou por oito anos(2010-2018), e ainda na Unisinos(10 anos), na PUC-RS, na Unesp/Bauru e como professora convidada na Universidad de la República(UR, Uruguai). Entre 2005 e 2006 coordenou uma pesquisa para o CNPq/Ministério da Cultura sobre a Cartografia do Audiovisual Brasileiro, um estudo de TV e Cinema no Brasil, voltado para a área do entretenimento. Em 2010-2011 coordenou um Grupo de Trabalho“Conteúdos, Aplicativos e Serviços do Programa Nacional de Banda Larga”, ligado ao Gabinete Pessoal da Presidência da República, e tornouse pesquisadora-bolsista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(Ipea) e do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia(Ibict) a partir de 2011. Em 2018 foi contratada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura(Unesco) para elaborar estudos sobre “os impactos da TV Digital no mundo do trabalho e o aparecimento de novas profissões”. Em 2019 cocriou o Coletivo Filhas da Mãe, destinado a apoiar o envelhecimento saudável e ativo e o trabalho das cuidadoras 117 familiares de pessoas idosas, defendendo políticas públicas para o setor, inspirada em sua vivência com a mãe que sofria Alzheimer. Esse tema orienta o projeto para o Ibict: a percepção do envelhecimento e sua relação com o uso das tecnologias digitais. Graças ao Coletivo, conseguiu aprovar, na Câmara Distrital do Distrito Federal, uma legislação(Projeto de Lei nº 1.265/2020) que dispõe sobre o tratamento de pessoas com demência, relacionada à prevenção de saúde das que cuidam dessa população. Com isto, ganhou o Prêmio Marielle Franco da CLDF além de uma menção honrosa. No Instituto de Psicologia da UnB desenvolveu o projeto“Mídias digitais, cuidado e autocuidado no movimento feminista: saúde mental, novas subjetividades e estratégias de participação da ONG CFêmea”. A partir de 2014 envolveu-se em duas outras pesquisas:“Levantamento das redes e infra-estrutura de internet na América Latina – um estudo de 12 países para construir a Rede Latino-Americana de Conteúdos Digitais em Ciência, Tecnologia, Comunicação e Inovação”; e “Mudanças nas rotinas de produção e as novas funções nas redações de televisão digitais e de jornais no DF”. Entre 2016 e 2018 foi coordenadora da pesquisa Ajuda Internacional ao Desenvolvimento – estudos e práticas jornalísticas na América Latina e na África, em conjunto com pesquisadores britânicos, espanhóis, sul-africanos, argentinos e ganeses. Os 18 livros e os artigos de Cosette Castro estão publicados em português, inglês e espanhol, pois os temas que aborda estendemse também a preocupações com a América Latina, dedicandose a prospectar e entrosar a comunicação, em especial a digital, o jornalismo, a assessoria sindical, o ativismo e as questões das mulheres, do envelhecimento e do cuidado na perspectiva da defesa dos direitos humanos. Principais publicações CASTRO, Cosette. Por que os Reality Shows conquistam as audiências? São Paulo: Paulus, 2006. CASTRO, Cosette; FILHO, André Barbosa; TOME, Takashi(org.). Mídias digitais, convergência tecnológica e inclusão social. São Paulo: Paulinas, 2005. 118 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO CASTRO, Cosette. Relatorio sobre Industrias de Contenidos en Latinoamérica. Informe Cepal/Unesco, 2008. CASTRO, Cosette; CASTRO, Daniel; MELO, José Marques(org.). Panorama da comunicação e das telecomunicações. São Paulo: Ipea, 2011-2012. 3 vols. CASTRO, Cosette; FILHO, André Barbosa. Digital television and digital convergence. New York: Hampton Press, 2014. CASTRO, Cosette. Cuidado e autocuidado entre mulheres ativistas no mundo on-line: estimulando(novas) subjetividades em tempos de pandemia e violência. Aveiro, Portugal: Ria Editorial, 2021. E-book. CASTRO, Cosette. Comparative study on digital inclusion among socially vulnerable activists and leaderships of organized social movements in Brazil. Explorations in Media Ecology, v. 22, issue 1, p. 5-14, Mar. 2023. DOI: https://doi.org/10.1386/eme_00147_1 119 ELEN GERALDES Luísa Guimarães Lima Elen Cristina Geraldes nasceu em 9 de fevereiro de 1968 em São Paulo(SP). Filha de Luiza Geraldes e de José Geraldes, aos quatro anos perdeu o pai. Do Primário ao Científico estudou no Colégio São Vicente de Paulo(SP). Aprendeu flauta desde criança e, por um tempo, sonhou em ser musicista. No final dos anos 1980, ocaso de um longo período de ditadura militar, ingressou no curso de jornalismo na Escola de Comunicação e Artes(ECA) da Universidade de São Paulo(USP). Iniciar a Graduação em jornalismo, com a perspectiva de trabalhar na área cultural, aparecia como caminho para conciliar seus interesses – e, além disso, uma chance de ajudar a resolver problemas mais urgentes da sociedade. Participou de projetos interdisciplinares, pesquisou, estagiou, cursou disciplinas em departamentos variados, acompanhou professores que a instigavam. Formou-se em 1990 com a monografia“Jornalista, sujeito singular”, sob orientação de Alice Mitiko Koshiyama. Após a Graduação conciliou uma carreira cheia de passagens por redações de grandes veículos nacionais com a vida acadêmica. Em 1993 voltou à USP para o Mestrado, quando vivenciou suas primeiras experiências docentes, substituindo professores do quadro. Defendeu, em 1995, a dissertação“Cláudio Abramo, sujeito possível”, também sob orientação de Alice Mitiko Koshiyama. A ida para Brasília deu-se no final dos anos 1990, quando assumiu um cargo no Ministério das Relações Exteriores para o qual foi aprovada em concurso público. Pediu exoneração após um ano para se dedicar a mais uma etapa de sua educação formal. 120 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Fez Doutorado no Departamento de Pós-Graduação em Sociologia da UnB com a tese“Além das três gotinhas: legitimação e risco na erradicação da poliomielite no Brasil”, defendida em 2000, apenas dois anos e meio depois de seu ingresso, sob orientação de Michelangelo Giotto Santoro Trigueiro. A pesquisa foi publicada em livro com o título“Comunicação científica e sociedade de risco”. Elen passou por várias instituições de ensino privadas da cidade, como o UniCeub e a Universidade Católica de Brasília – onde chegou a ser diretora do curso de Comunicação Social. Ainda no início dos anos 2000, participou de estudo, junto ao Movimento Nacional dos Direitos Humanos, sobre o desaparecimento civil, integrando-se ao projeto“Desaparecidos civis no Brasil: silêncio, violência e comunicação”. Em 2010 passou a integrar o quadro de professores do recém-criado curso de Comunicação Organizacional(ComOrg) da UnB. Ela foi uma das fundadoras do curso, no qual ministra diversas disciplinas, como Políticas de comunicação, sociedade e cidadania; Ética, legislação e responsabilidade social; e Introdução ao planejamento. Além do ensino, passou por diversas experiências de gestão. Foi coordenadora do curso de janeiro de 2017 a dezembro de 2019. Atuou como membro do Núcleo Docente Estruturante, como membro do Conselho da FAC e como representante no Colegiado de cursos de Graduação da Faculdade de Comunicação da UnB de 2017 a 2019. Na Pós-Graduação foi pesquisadora do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação até 2017. Coordenou a linha de Políticas de Comunicação e Cultura(2015 a 2017) e o Laboratório de Políticas de Comunicação da UnB(2016 a 2018). Em âmbito nacional, foi vice-coordenadora do GT Políticas e Estratégias de Comunicação da Intercom entre 2016 e 2018 e coordenadora do mesmo GT de 2019 a 2020. Atua também no debate de questões ligadas a gênero e raça. Em 2016 encabeçou e participou da organização do livro“Mídia, misoginia e golpe”. Elen também fez parte de diversas publicações que tentam refletir sobre a prática docente na comunicação. Foi integrante de diversos projetos de pesquisa cuja tônica passava pela discussão interseccional entre comunicação e transparência: “Lei de Acesso a Informações Públicas: o panorama das instituições 121 federais brasileiras”;“Ouvindo as ouvidorias do sistema prisional: Lei de acesso à informação, sociedade e cidadania”;“Paredes de Vidro – Transparência e Acesso à Informação pelos Direitos Animais”. Tornou-se referência na discussão sobre as relações entre Lei de Acesso à Informação(LAI) e a Comunicação. Publicou dezenas de artigos e livros sobre o assunto, além de ter orientado diversos trabalhos a respeito. Em 2018 desenvolveu pesquisa de Pós-Doutorado sobre a LAI, supervisionada pela professora Georgete Medleg. As discussões sobre o Direito à Comunicação, travadas de maneira direta ou indireta durante todo o seu percurso acadêmico, encontram como marco simbólico a publicação do oitavo volume da série“Direito achado na rua”, com o subtítulo“Introdução crítica ao direito à comunicação e à informação”, em 2016. Poucos anos depois, Elen deixa o Programa de Pós-Graduação da FAC e torna-se professora credenciada como membra efetiva do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania(PPGDH) do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares(CEAM/UnB), do qual é também coordenadora desde 2022. Coordenou o projeto “Representação midiática e invisibilidade social”. Em sua pesquisa sobre direitos humanos encontra a temática dos direitos animais, que amplia a leitura da dominação de uma espécie sobre a outra. O desejo de promover interações diretas entre a universidade e a sociedade é expresso na atuação de Elen Geraldes na extensão universitária. Alguns dos projetos dos quais participou:“Portal Ação Periferia Audiovisual e Comunicação Comunitária”;“Projeto de Integração de TICs ao Processo de Aprendizagem”;“Meditacom – Meditação, Ambiente Organizacional e Comunicação”. Elen Cristina Geraldes assina mais de uma centena de publicações, entre livros, capítulos e artigos. Trata-se de uma produção científica numerosa e profícua. Ao longo de quase três décadas ajudou a formar centenas, talvez milhares, de profissionais de comunicação que a têm como referência. Foi professora homenageada, paraninfa e patronesse de mais de 30 turmas, orientou cerca de 200 trabalhos de Graduação e ministrou mais de 40 disciplinas diferentes. 122 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Principais publicações GERALDES, E. C. Comunicação científica na sociedade de risco. Brasília: Editora Universa, 2008. 156 p. V. 1. GERALDES, E. C. et al. Dez anos da lei de acesso à informação: limites, perspectivas e desafios. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2022. 749 p. V. 1. GERALDES, E. C. et al.(org.). De mãos dadas: uma reflexão sobre orientações na pesquisa em Comunicação. 1. ed. Brasília: FAC Livros, 2018. 199 p. V. 1. NEGRINI, V.; GERALDES, E. C.; FIGUEIREDO, K. Sobre pandemias e os direitos(de todos) animais. Revista do Ceam, v. 7, p. 68, 2021. REIS, R. C.; GERALDES, E.; ZANETTI, D. Ainda invisíveis? Panorama dos estudos sobre mulher e feminismo em Congressos Brasileiros de Comunicação. InTexto, v. 53, p. 112962-1, 2022. 123 FERNANDA MARTINELLI Alice Roberte de Oliveira Fernanda Casagrande Martinelli Lima Granja Xavier da Silva nasceu em 20 de dezembro de 1976 em Vitória(ES). Mais velha de três filhos que os pais, de descendência italiana e alemã, Décio Martineli e Maria Angela Casagrande Martineli, tiveram. A mãe era professora do Ensino Fundamental; o pai administrador de empresas; e os avós agricultores e pequenos comerciantes do interior do Espírito Santo. Cursou edificações na antiga Escola Técnica Federal do Espírito Santo, a ETFES(Instituto Federal do Espírito Santo – Ifes). Cursou Comunicação Social na Universidade Federal do Espírito Santo(Ufes), iniciada em 1995, começando a trabalhar como redatora em uma agência publicitária durante a faculdade. Em 2004 iniciou o Mestrado em Comunicação e Cultura na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECOUFRJ). Lá também cursou o seu Doutorado, concluído em 2011, ambos sob a orientação de Liv Sovik, a qual a levou aos estudos culturais para pensar criticamente o consumo. Nos primeiros anos de atuação como professora, começando como substituta na ECO/UFRJ, onde atuou entre 2006 e 2007, com colegas e um grupo de estudantes de graduação, fundou o Laboratório Universitário de Publicidade Aplicada(Lupa), realizou parcerias com a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP) da COPPE/UFRJ e com o Clube de Criação Publicitária do Rio de Janeiro. Lançaram, ainda, o Fluxo, um ciclo de palestras com foco em comunicação e mudança social, que contou com a participação de intelectuais, movimentos sociais e organizações da sociedade civil. 124 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Em 2010 assumiu como professora assistente na Faculdade de Comunicação(FAC) da Universidade de Brasília(UnB), enquanto ainda estava finalizando o seu Doutorado na UFRJ, concluído em 2011. Professora associada, Fernanda ministrou uma série de disciplinas na Graduação e Pós-Graduação, além de envolver-se com todas as atividades atinentes à função, como comissões, coordenações, conselhos e grupos de trabalho. Foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPG-FAC) entre 2021e 2023, que, em sua gestão, alcançou, pela primeira vez, a nota 5 na Avaliação Quadrienal da Capes. Fernanda liderou os esforços para manter o funcionamento do Programa no contexto de emergência sanitária durante a Pandemia de Covid-19, conduziu a aprovação e publicação da primeira Declaração de Diversidade e Inclusão do PPG-FAC, além de um processo de credenciamento e recredenciamento de docentes que trouxe mais pluralidade e permitiu a ampliação da oferta de vagas em processos seletivos. Ainda em sua gestão, presidiu a Comissão de Redes Sociais do PPGFAC e passou a atuar como membro suplente na Câmara de Direitos Humanos da UnB(Consuni/CDH). Entre 2015 e 2017 Fernanda foi coordenadora da linha de pesquisa Jornalismo e Sociedade do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da FAC/UnB, e coordenadora de Extensão da Faculdade de Comunicação da UnB, também em 2015. Fernanda esteve à frente da coordenação de diversos projetos de pesquisa:“A cultura material da pandemia”;“A produção do bioma: ecopolítica, transformação social e consumo alimentar”;“ Territories of flavor: production of food and affection in the social construction of the terroir”;“As margens no centro: identidade, cultura e poder em representações midiáticas e práticas de consumo das minorias”; “Menos folclórico e mais hi-tech: identidade, cultura e consumo na construção do‘novo étnico’ pelo jornalismo de moda Brasileiro”; “Pirataria.edu: cultura, compartilhamento e propriedade intelectual na universidade”;“Consumir o outro: comunicação da diferença e valorização da identidade étnica na moda de vestuário e gastronomia”; e“Trabalho, Transfobia e Resistência: discriminação e empregabilidade trans no Distrito Federal e Entorno”. 125 Entre 2019 e 2020 foi Visiting Scholar na Brown University, nos Estados Unidos, ministrando aulas, realizando pesquisas e conferências em torno do projeto de Pós-Doutorado intitulado“ Territories of flavor: production of food and affection in the social construction of the terroir”, com supervisão de James Green e Leila Lehnen. Outras atuações complementam sua trajetória: membro do corpo editorial de diversos periódicos científicos nacionais e internacionais, participação na avaliação de projetos da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal(FAPDF), coordenadora e líder do Grupo de Pesquisa Consumo e Cultura Material(UnB/ CNPq), pesquisadora da Coordenação Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos(Ciec/UFRJ/CNPq), propositora, coordenadora por dois biênios(2019-2020) e vice-coordenadora também por dois anos(2017-2018) do Grupo de Trabalho Consumos e Processos de Comunicação, da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), Research Fellow no Washington Brazil Office e think-tank, que contribui para o pensamento sobre a defesa da democracia no Brasil em fóruns internacionais junto de outras pessoas brasileiras e brasilianistas. Em 2023 Fernanda Martinelli foi convidada a servir na Presidência da República, atuando como assessora na Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, com temas relacionados à educação midiática e informacional, aplicando e ampliando o repertório de ferramentas teóricas e de políticas públicas para concretizar a comunicação como ferramenta para a mudança social. Principais publicações BRANT, João; MARTINELLI, Fernanda. Os desafios da TV sob a ótica de direitos humanos e cidadania. In: ANSELMO, Alessandra; LEMOS, Cláudia; MACÁRIO, Lincoln(org.). O futuro da TV: 25 anos da TV Câmara. 1. ed. Brasília: Edições Câmara, 2023. p. 15-23. V. 1. MARTINELLI, Fernanda. From Hunger to Climate: Interlinked Priorities. WBO Bulletim, Washington, p. 1, 30 dez. 2022. MARTINELLI, Fernanda; Xavier da Silva, João Guilherme. Comida como afeto: identidades, emoções e alteridade na produção e no consumo alimentar. In: SIQUEIRA, Denise da Costa Oliveira; FORTUNA, Daniele Ribeiro(org.). Narrativas do eu: gênero, 126 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO emoções e produção de sentidos. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2019. p. 246-264. V. 1. MARTINELLI, Fernanda; QUEIROZ, Taya; ARARUNA, Maria Léo; MOTA, Bernardo. Entre o cisplay e a passabilidade: transfobia e regulação dos corpos trans no mercado de trabalho. Revista LatinoAmericana de Geografia e Gênero, v. 9, p. 348-364, 2018. MARTINELLI, Fernanda. Pirataria S.A. Circulação de bens, pessoas e informação nas práticas de consumo. Rio de Janeiro: UFRJ, 2011. XAVIER DA SILVA, João Guilherme; MARTINELLI, Fernanda. Rebuilding lives: itinerancies, life projects and field of possibilities of migrant youth in Brazil. In: PEREIRA, Cláudia(org.). Brazilian Youth: Global Trends and Local Perspectives. 1. ed. London: Routledge, 2020. p. 1-15. V. 1. 127 LIZIANE GUAZINA Ana Gabriela Guerreiro Liziane Soares Guazina nasceu em Santa Maria(RS) em 6 de fevereiro de 1973. Filha da artista plástica Jacira Soares Guazina e do gerente comercial Luiz Bruno Guazina, é a primogênita dos três filhos do casal e a primeira da família a graduar-se na Universidade. Liziane viveu a maior parte de sua vida em Brasília, para onde se mudou ainda na década de 1990 e onde nasceu sua filha Clara. Fez o Ensino Fundamental no Colégio Marista Santa Maria, em Santa Maria, e no colégio Santa Inês, em Porto Alegre. O Ensino Médio realizou na Escola Cilon Rosa, em Santa Maria. É graduada em Jornalismo pela Universidade de Brasília(1994-1997), iniciando sua jornada na área sob a orientação de Nélia Del Bianco, com o trabalho coletivo de conclusão de curso“Projeto Experimental Rádio Recanto – Rádio Comunitária no Recanto das Emas(DF)”. Liziane Guazina trabalha com Comunicação e Política e Jornalismo Político. Tem atuado ao longo da sua carreira na Universidade de Brasília (UnB), onde lidera os grupos de pesquisa Cultura, Mídia e Política e o Observatório do Populismo do Século 21, ambos certificados pelo CNPq. Foi cofundadora e, posteriormente, coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política, um dos pioneiros grupos de pesquisa em mídia e política no Brasil, criado em 1997. Fez Mestrado na UnB(1999-2001), orientada pelo professor Sérgio Euclides. Sua dissertação teve como título“Alinhados com o Poder: um estudo sobre a cobertura política do Jornal Nacional e do Jornal da Record”. 128 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Após um período no Doutorado em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), ingressou no Doutorado na UnB, em 2007, sob a orientação de Luiz Gonzaga Motta. No ano de 2011, para a conclusão do Doutorado, apresentou a tese “Jornalismo em busca de credibilidade: a cobertura adversária do Jornal Nacional no escândalo do mensalão”. Liziane começou a aproximar-se do universo da política, tornandose estudiosa do tema e referência nos estudos de Jornalismo Político não apenas na UnB, mas no Brasil e no exterior, realizando dois Pós-Doutorados na Itália. O primeiro na Università degli Studi di Milano(Unimi), em Milão(2019-2020), e o segundo na Università degli Studi di Torino(Unito), em Turim(2022-2023), atuando como professora visitante em ambas as instituições. Seu primeiro registro de trabalho é na Rádio Cultura de Brasília, onde foi repórter e produtora; em seguida, atuou por quatro anos na Câmara dos Deputados(1996-1999). Também trabalhou na Embrapa(1999-2001) e, posteriormente, na Companhia de Gás do Rio Grande do Sul, sempre na área de assessoria de imprensa e comunicação. Ainda atuou como professora voluntária na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(2003-2004). Foi quando retornou a Brasília e, novamente, voltou às salas de aula como docente do Instituto de Ensino Superior de Brasília(Iesb). Entre os anos de 2004 e 2010 exerceu as funções de subeditora chefe do programa“A Voz do Brasil”, transmitido na época pela então Radiobrás, hoje denominada Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Também ocupou outras funções como assessora da Diretoria de Jornalismo, e trabalhou na equipe do Porta Voz da Presidência da República, André Singer, entre os anos 2005 e 2006, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2010 tornou-se oficialmente professora da Faculdade de Comunicação da UnB. No início centralizou a sua atuação nos cursos de Graduação, ministrando disciplinas como Oficinas de Texto, Pesquisa em Comunicação, Técnicas de Jornalismo e Assessoria e Consultoria em Comunicação. No Programa de Pós-Graduação de Comunicação da UnB, ministrou disciplinas vinculadas ao Jornalismo Político, à Comunicação e Política e aos Estudos Culturais. Também participou da equipe de criação da 129 Escola de Verão Pesquisa em Comunicação na América Latina, iniciativa da Asociación Latino Americana de Investigadores de la Comunicación(Alaic), em parceria com a UnB e outras universidades nacionais e estrangeiras. Ao longo de sua carreira na UnB exerceu cargos de direção e administração na Faculdade de Comunicação, como vicecoordenadora do Programa de Pós-Graduação(2021-2022), vice-diretora da Faculdade de Comunicação da UnB(20152019), coordenadora da linha Jornalismo e Sociedade no mesmo Programa, e coordenadora de Extensão(2012-2013) da Faculdade de Comunicação. Liziane é pesquisadora permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UnB e pesquisadora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Mato Grosso. Também é pesquisadora e diretora de Educação e Formação de Recursos Humanos do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais(INCT/ DSI). Foi coordenadora(2018-2020) e vice-coordenadora(20162018) do GT Comunicação e Política da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), além de vice-coordenadora do GT de Jornalismo Político da Compolítica (2018-2019). É pesquisadora filiada a diferentes associações nacionais e internacionais, como a Rede Nacional de Observatórios da Imprensa (Renoi), a Asociación Latino Americana de Investigadores de la Comunicación(Alaic), International Association for Media and Communication Research(IAMCR), Brazilian Studies Association (Brasa), Associazione Italiana di Comunicazione Politica(Assocompol) e Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica). Foi orientadora de alunos de Graduação e Pós-Graduação – trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses –, alternando o interesse pela comunicação política com temáticas relativas à comunicação pública, gênero, movimentos sociais, entre outros, o que inclui alunos de Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado na UnB, UFMT e no INCT-DSI. Também coordena inúmeros projetos de pesquisa nacionais e internacionais. Entre eles destacam-se os projetos que investigam, 130 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO de maneira comparativa, a articulação entre mídia, populismo e corrupção, em Portugal, no Brasil, na Itália e na Argentina. Começou cedo, ao realizar sua primeira entrevista com o escritor Luis Fernando Verissimo, aos 11 anos de idade, para um jornal da escola. Mantém o hábito de escrever contos e crônicas desde a adolescência, publicando em coletâneas, revistas e blogs a partir de 2002. Principais publicações GUAZINA, Liziane; GAGLIARDI, J.; ARAUJO, B. Media, Corruption and far right-wing populism: notes on journalistic coverage of political scandals in Brazil. In: CUNHA, Isabel Ferin; GUAZINA, Liziane; CABRERA, Ana; MARTINS, Carla(org.). Media, populism and corruption. 1. ed. Lisboa: Icnova, 2023. p. 88-103. V. 1. GUAZINA, Liziane. Populismos de direita e autoritarismos: apontamentos teóricos para estudos sobre a comunicação populista. Mediapolis, v. 12, p. 49-65, 2021. GUAZINA, Liziane; SOARES, Ébida. Quality issues in news coverage of Dilma Rousseff’s impeachment: an analysis of six Brazilian newspapers. Brazilian Journalism Research, on-line, v. 16, p. 342367, 2020. GUAZINA, Liziane; PRIOR, H.; ARAÚJO, B.(org.). Desconstruindo uma queda: a mídia e o impeachment de Dilma Rousseff. Florianopolis: Sulina, 2019. 198 p. GUAZINA, Liziane; PRIOR, Hélder; ARAÚJO, Bruno. Framing of a Brazilian Crisis: Dilma Rousseff’s Impeachment in National and International Editorials. Journalism Practice, v. 13, p. 620-637, 2018. 131 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Ana Carolina Kalume Maranhão Professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Design da UnB. Doutora e mestre em Comunicação pela UnB, onde também realiza Pós-Doutorado. Professora do Departamento de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da UnB(FAC-UnB). ckalume@gmail.com Ana Carolina Roure Malta de Sá Doutora e mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília. Especialista em Filosofia da Arte pela Universidade Estadual de Goiás. Licenciada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás e em Artes Visuais pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci. Atua na Graduação a distância de Licenciatura em Artes Visuais do Programa Universidade Aberta do Brasil(UAB), na UnB. anacarolinaroure@gmail.com Alessandra Lessa Professora e gerente do Ensino Superior e Projetos Pedagógicos da Diretoria Executiva da Escola de Governo do Estado de Goiás. Doutora em Comunicação(FAC/UnB) e mestre em Comunicação(FIC/UFG). Analista de Comunicação da Agência Brasil Central. Integrante do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Comunicação Pública(ABCPublica). ale.lessa17@gmail.com Alice Roberte de Oliveira Doutoranda do PPGCom/UnB, com Sanduíche na University College London como fellow do Centro de Antropologia Digital. Mestre e bacharel em Comunicação pela UnB, onde foi professora voluntária e integra o grupo de pesquisa“Consumo e Cultura Material”. aliceroberte@gmail.com Ana Gabriela Guerreiro Doutora em Comunicação pela UnB e Université Libre de Bruxelles(ULB) e mestre em Comunicação pela UnB. Professora substituta do Departamento de Jornalismo 132 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO da Faculdade de Comunicação da UnB(FAC-UnB). Coordenadora de Imprensa do Supremo Tribunal Federal(STF). anagabiguerreiro@gmail.com Bárbara de Pina Cabral Doutoranda em Filosofia na Universidade de São Paulo. Mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília e graduada em Jornalismo e Cinema pela mesma instituição. barbara.pcabral@hotmail.com Carina Ochi Flexor Docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UnB. Doutora em Arte e Cultura Visual pela Universidade Federal de Goiás. Pesquisadora do MediaLab – Grupo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Mídias Interativas – e do MediaLab – Laboratório de Pesquisa em Arte Computacional. carina.flexor@fac.unb.br Cilene Alves Vieira Jornalista e mestre em Comunicação pelo PPGCOM da Faculdade de Comunicação (FAC) da Universidade de Brasília(UnB). Profissional de Marketing. Atua na área de Comunicação Institucional. cilenevieira@gmail.com Cristiane Brum Bernardes Professora e pesquisadora do Mestrado Profissional em Poder Legislativo da Câmara dos Deputados. Doutora em Ciência Política(Iesp/Uerj) e mestre em Comunicação e Informação(UFRGS). Pesquisadora do INCT em Democracia Digital. Assessora técnica do Observatório Nacional da Mulher na Política(ONMP) da Câmara dos Deputados. cris.brum@gmail.com Denise Moraes Cavalcante Professora associada da Faculdade de Comunicação(FAC/UnB). Graduada em Cinema pela Université Paris VIII. Mestre e doutora em Cinema(PPGCom/UnB – Université Paris-Sorbonne). Pós-doutorada em Arte e Cultura Visual(PPGACV/UFG). Pesquisadora do Núcleo de Práticas Artísticas Autobiográficas(NuPAA/FAV/UFG). denise.moraes@fac.unb.br Ébida Santos É professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Digital no Instituto Brasiliense de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa(IDP). Doutora em Comunicação pela UnB com período Sanduíche na Brunel University e pós-doutoranda pelo INCTDSI/UFF. Mestre em Jornalismo pela UFSC e jornalista pela UFSM. ebidasantos@ gmail.com 133 Fabíola Orlando Calazans Machado Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Departamento de Comunicação Organizacional da FAC-UnB. Doutora em Comunicação pela UnB. Mestre em Comunicação pela UFF. Pós-doutorada na Université Libre de Bruxelles. Coordenadora do Centro de Estudos sobre Tecnologias, Afetos e Subjetividade(CetasCNPq). fabiola.calazans@gmail.com Fernanda Vasques Ferreira Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT). Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília(UnB) e mestre pela mesma instituição. Professora do curso de Jornalismo da UnB. Pós-doutorado em Modelagem Computacional e Tecnologia Industrial pelo Senai/Cimatec/Salvador. fernanda.jornalista82@gmail.com Katia Maria Belisário Professora Associada da Faculdade de Comunicação(FAC/UnB) e do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos(PPGDH/UnB). Doutora em Comunicação (UnB), com pós-doutorado no Media, Communication and Sociology Department, Leicester University, Reino Unido, e na Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM/São Paulo. katia.belisario@gmail.com Katrine Tokarski Boaventura Professora titular dos cursos de jornalismo e publicidade do Centro Universitário de Brasília(Ceub). Doutora e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília(UnB). Produtora na TV Câmara. katrineboaventura@ gmail.com Letícia Renault Professora/pesquisadora de webtelejornalismo do curso de Jornalismo da FAC-UnB. Pós-doutorados no Centro de Análises e Pesquisas Interdisciplinares de Mídias da Universidade Panthéon-Assas em Paris e na Universidade Sorbonne Nouvelle Paris 3. Doutora pela UnB. Mestre e graduada pela UFMG. ml_renault@yahoo.com.br Liliane Machado Professora do PPGCOM/FAC da Universidade de Brasília e do Departamento de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da UnB. Doutora em História pela UnB e Pós-Doutorado em Comunicação pela UFG. Coordenadora do grupo de pesquisa Madalenas em Ação: estudos feministas e de gênero em comunicação do PPGCOM/ UnB. lilianemmm@gmail.com. 134 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Luciane Fassarella Agnez Doutora em Comunicação pela FAC-UnB, com estágio Sanduíche na Université Libre de Bruxelles. Mestre em Estudos da Mídia pela UFRN. Professora da Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal de Goiás(FIC-UFG). É diretora Regional no Centro-Oeste da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo(Abej). lucianeagnez@ufg.br Luísa Guimarães Lima Professora de jornalismo na Universidade do Distrito Federal(UnDF). Doutora e mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília(UnB). Pesquisadora da Rede de Pesquisa e Desenvolvimento da Região Centro-Oeste(Capes/FAAP-DF – UnB/ UFG/UnDF). luisa.lima@undf.edu.br Luisa Gunther Professora do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes(IdA) da Universidade de Brasília(UnB). Bacharel em Antropologia(2002) e Sociologia(2005) pela UnB. Licenciada em Artes Visuais(2005) pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Mestre(2007) e Doutora(2013) em Sociologia da Arte pela UnB. luisagunther@ gmail.com Mariana Martins de Carvalho Doutora em Comunicação pelo PPGCOM da Faculdade de Comunicação(FAC), Universidade de Brasília(UnB). Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco(Ufpe). Graduada em Comunicação Social/Jornalismo pela Ufpe. Pesquisadora do Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (LaPCom/UnB). Gestora em Comunicação da Empresa Brasil de Comunicação(EBC). marimartins.pe@gmail.com Mariana Souto Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e da Graduação em Audiovisual da FAC-UnB. Doutora pelo PPGCOM-UFMG da Universitat Pompeu Fabra(Barcelona) e Pós-Doutorado pela ECA-USP. No estágio Sanduíche produziu “Infiltrados e invasores: uma perspectiva comparada sobre relações de classe no cinema brasileiro”(Edufba, 2019). mariana.souto@fac.unb.br Rafiza Varão Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do Departamento de Jornalismo da FAC-UnB. Doutora e mestre em Comunicação pela UnB. Foi professora visitante na Universidade de Concordia, Canadá. Coordenadora do projeto SOS 135 Imprensa. Vice-presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). rafiza@unb.br Suzana Guedes Cardoso Professora da Faculdade Comunicação da Universidade de Brasília(UnB). PósDoutorado na Brunel University, Inglaterra e em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Doutora em Comunicação e Sociedade pelo PPGCOM da FAC-UnB e Doutorado-Sanduíche na Brunel University, Inglaterra. Mestre pela Pratt Communication, New York, EUA. suzanagc@gmail.com Thaïs de Mendonça Jorge Professora de Graduação do Departamento de Jornalismo, chefe do Departamento de Jornalismo da FAC-UnB. Doutora em Comunicação e mestre em Ciência Política pela UnB. Foi professora visitante da Universidade da Beira Interior, Portugal. PósGraduação na Universidade de Navarra(Espanha). Foi coordenadora da Secretaria de Comunicação da Universidade de Brasília. thais.mendonca@fac.unb.br Vinícius Pedreira Barbosa da Silva Professor adjunto do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). Doutor e mestre em Comunicação pelo PPGCom/UnB. Foi pesquisador visitante na City, University of London, com bolsa Sanduíche do PDSE/Capes. Atuou como professor visitante no Centro Universitário de Brasília(Uniceub) e professor voluntário na UnB. pedreirabarbosa.vinicius@gmail.com 136 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO GOIÁS 137 Luiz Signates 21 Luiz Eduardo Krüger 22 Ângela Teixeira de Moraes 23 Sabrina Moreira 24 Adriana Teixeira de Moraes 25 Murilo Luiz Ferreira 26 Patrícia Quitero 27 HISTÓRICO DOS CURSOS DE COMUNICAÇÃO NO ESTADO DE GOIÁS 21 Bolsista Produtividade do CNPq. Professor titular da Universidade Federal de Goiás e da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Doutor em Ciências da Comunicação (USP). Fundador e membro das Academias de Letras de Goiânia e de Aparecida de Goiânia. 22 Cursou Jornalismo na Universidade Federal de Goiás. Mestre em Educação Profissional e Tecnológica pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás. Professor de Jornalismo e Publicidade e Propaganda/Universidade Evangélica de Goiás. 23 Professora da Faculdade de Informação e Comunicação da UFG. Atua na Graduação em jornalismo e na Pós-Graduação em Comunicação. Organizadora de obras ligadas ao campo da comunicação em sua interface com a cidadania e a democracia. 24 Graduação em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás e Mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. Professora do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. 25 Doutoranda em Comunicação com bolsa da Capes, Especialização em Assessoria de Comunicação e Mestrado em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás. Jornalista, radialista e docente na Unifasam. 26 Mestre em Mídia, Cultura e Cidadania pela Universidade Federal de Goiás e especialista em Marketing e Gestão Educacional no Ensino Superior. Professor de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário de Goiás – UniGoiás. 27 Cursou Publicidade e Propaganda na PUCCAMP. Mestre e doutora em Arte e Cultura Visual FAV/UFG. Docente na Unialfa e PUC Goiás. Coordenou o curso de Graduação em Publicidade e Propaganda e Jornalismo da Unialfa de 2021 a 2024. 138 GOIÁS MULHERES DA COMUNICAÇÃO INTRODUÇÃO Com mais de meio século de existência, os cursos superiores na área de comunicação no Estado de Goiás apresentam-se, em 2024, em uma configuração diversa e complexa, revelando desafios e potencialidades que merecem ser analisados pormenorizadamente. Em uma tentativa de levantar sistematicamente as Graduações em comunicação em Goiás, foram contatados os coordenadores de diversos cursos em diferentes instituições que retornaram com textos sintéticos que, tratados analiticamente, compõem um esforço de categorização histórica dos cursos de comunicação neste Estado. Em razão da multiplicidade de habilitações 28 da área de comunicação, bem como da diversidade de opções de graus acadêmicos e modalidades de oferta, o esforço é, obviamente, limitado e não extensivo da totalidade da realidade goiana. Foi realizada, ainda, consulta no Sistema de Regulação do Ensino Superior do Ministério da Educação(e-Mec) 29 , no qual é possível buscar informações acerca dos cursos aqui elencados. Foram identificadas oito Instituições de Ensino Superior(IES) com oferta de cursos de Graduação na área de comunicação, sendo três universidades públicas e cinco privadas. As ofertas encontradas são de Jornalismo(5), Publicidade e Propaganda (6), Relações Públicas(2) e Cinema e Audiovisual(2). Foi observado, inclusive, um Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Comunicação. As ofertas são de cursos em andamento e não levam em conta os que foram descontinuados por diversas razões. O levantamento considerou, ainda, a possibilidade de incluir cursos que tangenciam a área de comunicação, como Design, mas, pela classificação de áreas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), optou-se por limitar o estudo aos cursos da área de comunicação per se. JORNALISMO As instituições que ofertam o curso de jornalismo são a Universidade Federal de Goiás(UFG), a Pontifícia Universidade Católica de Goiás(PUC-GO), o Centro Universitário Sul-Americana(Unifasam), o Centro Universitário Alves Faria(Unialfa) 28 Resolução CNE/CES 16, de 13 de março de 2002, que estabelece as Diretrizes Curriculares para os cursos de Comunicação Social, nomeia as habilitações como Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Cinema, Radialismo e Editoração e prevê outras habilitações. Desde então, novos pareceres e resoluções foram homologados pelo ministro da Educação, e a maioria dos cursos não são mais habilitações da comunicação social, mas cursos independentes. 29 Disponível em: https://emec.mec.gov.br/ 139 e a Universidade Evangélica de Goiás(Unievangélica). Destes, apenas o curso da Unievangélica é na modalidade a distância, sendo os demais presenciais e em Goiânia. O curso de jornalismo da UFG foi o primeiro curso de comunicação do Estado de Goiás, criado em 1966. O curso contou, neste início, com o concurso de professores do então Departamento de Comunicação da Universidade de Brasília(UnB). O principal desafio dessa época foi o reconhecimento do curso, que demandava um grande investimento em equipamentos e espaço físico. O curso de jornalismo foi reconhecido no dia 5 novembro de 1975. Nesse contexto, a Rádio Universitária da UFG(870 AM), outorgada em 1965, entrou como suporte para as atividades laboratoriais do curso, permitindo que os estudantes participassem de transmissões ao vivo. Depois, em 1966, veio a luta pela concessão de um canal de televisão com a criação da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural(RTVE). Tanto a TV UFG quanto a Rádio Universitária(em 2024 Rádio UFG FM) disponibilizam suas instalações para atividades pedagógicas dos cursos de comunicação, além de servirem como campos de estágio. A programação é fundamentada nos princípios da comunicação pública, e tem finalidades educativa, científica e cultural. O curso de jornalismo é vinculado à Faculdade de Informação e Comunicação(FIC) e é coordenado pela professora Solange Franco. O início do curso de jornalismo na PUC-Goiás deu-se em 2003, pela Faculdade Cambury, então sob responsabilidade do professor Luiz Signates, que coordenava o curso de Publicidade e Propaganda, compartilhando a dedicação a esta Faculdade com a docência na UFG. Em 2006 a PUC-Goiás adquiriu toda a Graduação da Faculdade Cambury, incluindo os cursos de Direito, Administração e Marketing, Publicidade e Jornalismo. O curso de jornalismo na PUC-Goiás já formou 1.179 jornalistas e integra a Escola de Direito, Negócios e Comunicação dentro da estrutura organizacional da universidade, sendo coordenado, em 2024, pela professora Sabrina Moreira de Morais Oliveira. O curso é oferecido em módulos e permite a produção integrada nas disciplinas ofertadas a cada semestre. Além das atividades de ensino, o curso conta com projetos de pesquisa e estudantes que atuam na Iniciação Científica e na Comissão de Comunicação da Coordenação de Extensão, proporcionando oficinas. Outro espaço laboratorial do curso é o Observatório de Mídia da PUC Goiás, que se configura como um espaço de pesquisa e debate, congregando projetos de investigação e estudo que percebam os materiais midiáticos de perspectivas mais aprofundadas. Com a participação efetiva dos estudantes, promove seminários, oficinas, conferências e workshops, eventos posteriormente sistematizados em publicações científicas. Em 18 anos o curso de Jornalismo participou das diversas edições da Jornada da Cidadania da PUC Goiás. No evento, estudantes orientados pelos professores realizam a cobertura das atividades de extensão oferecidas pela Universidade e acompanham a publicação de seus materiais jornalísticos em tempo real. O curso também atuou 140 GOIÁS MULHERES DA COMUNICAÇÃO em todas as edições do Congresso de Ciência e Tecnologia, oferecendo palestras e mesas-redondas. Durante cinco edições a Escola de Comunicação realizou evento próprio de divulgação científica: o Simpósio de Pesquisa em Comunicação. Na Unifasam o curso de jornalismo teve início em 2001, ano de inauguração da universidade, tendo formado 40 turmas. O curso obteve reconhecimento pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior(Seres) em 2005, e renovação do reconhecimento em 2013 e 2019, obtendo conceito 5. Segundo a avaliação do MEC, o curso destacou-se pelos seus laboratórios e corpo docente, com experiência no mercado de trabalho, e o desenvolvimento de uma prática acadêmica a partir da missão de formar cidadãos comprometidos com a ética profissional, oferecendo ensino de qualidade, disseminando o conhecimento e os valores da vida, que contribuam para o desenvolvimento sustentável. O Projeto Pedagógico do Curso(PPC) foi avaliado como inovador, com visão de mercado e alicerçado nas Diretrizes Curriculares Nacionais. Após o fechamento recente de alguns cursos de outras instituições, a Unifasam é uma das únicas que ainda mantém a Graduação de Jornalismo no período noturno, ainda que constatada a redução de alunos após a Pandemia da Covid-19, que impactou as IESs particulares. Na Unifasam estão matriculados 48 alunos do 1º ao 8º períodos. O corpo docente é integrado por 10 professores, posto que seis são jornalistas e quatro com formação em outras áreas. A coordenadora é a professora Adriana Teixeira de Moraes. A Unialfa é outra instituição que oferta o curso de jornalismo presencialmente em Goiânia. Em funcionamento desde 2001, o curso formou a sua primeira turma em 2005, quando teve o reconhecimento do curso. Desde então, o curso passou por mais duas renovações de reconhecimento, em 2017 e 2020. Na Unialfa o curso conta com sete professores no corpo docente, sendo dois doutores e cinco mestres. A coordenadora do curso é a professora Patrícia Quitero Rosenzweig. Por fim, há também a oferta do curso de Jornalismo na Unievangélica. Trata-se da única instituição goiana a ter a oferta do curso na modalidade a distância. O curso é ofertado em oito polos espalhados pelo Estado de Goiás e o Distrito Federal. A primeira turma ingressou no primeiro semestre de 2021, por meio de processo seletivo vestibular, e as atividades do curso tiveram início no mês de fevereiro. Ainda não há concluintes e o curso tem cerca de 15 alunos matriculados. O curso possui 13 docentes em seu quadro permanente. Destes, 5 são doutores, 5 mestres e 3 são especialistas. O coordenador é o professor Luiz Eduardo Krüger Dias. O curso de Jornalismo atua em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil por meio da Comissão Especial de Combate à Desinformação e Corrupção Eleitoral 141 (CECDCE) no projeto“UniChecking”, que funciona como uma agência de verificação de notícias durante o período eleitoral, recebendo denúncias e apurando a veracidade das informações. PUBLICIDADE E PROPAGANDA O curso de Publicidade e Propaganda é ofertado pelo maior número de instituições: seis ao total. São elas: UFG, PUC-GO, Unialfa, Unifasam, Unigoiás e Unievangélica. Na UFG é o mais novo curso de comunicação da faculdade, que começou a funcionar em março de 1997. A grande luta do curso foi também pela garantia do seu reconhecimento junto ao MEC, que precisaria liberar recursos para a aquisição de laboratórios e montar sua equipe docente. O curso já dispõe de um corpo docente específico, bem como toda sua estrutura de laboratórios e agência júnior. O curso foi reconhecido pelo MEC em 13 de agosto de 2004, e é coordenado pelo professor Marcilon A. Melo. Na PUC-GO o curso teve início em 2001, na Faculdade Cambury. Em 2006, com a aquisição da Graduação da Cambury pela PUC-Goiás, o curso passou a ser administrado por esta Universidade. O quadro docente conta com 16 professores e a coordenadora é a professora Luciana Ferreira Serenini Prado. Similarmente ao jornalismo, o curso de publicidade e propaganda está ligado à Escola de Direito, Negócios e Comunicação. Na Unifasam o curso existe desde 2001 e obteve nota 3 na última avaliação do MEC. Com cerca de 90 alunos matriculados, o curso possui 11 professores no corpo docente, sendo 5 publicitários, dos quais 1 é especialista, 3 são mestres e 1 é doutor. A coordenação fica a cargo da professora Adriana Teixeira de Moraes. A Unigoiás é a única instituição que oferta o curso de publicidade e propaganda sem oferecer também o curso de jornalismo. Em funcionamento desde 2004, o curso é ofertado no período noturno. Calcula-se que mais de 600 profissionais se formaram na instituição. O coordenador do curso é o professor Murilo Luiz Ferreira. Por fim, a única instituição que não oferta o curso de publicidade e propaganda na cidade de Goiânia é a Unievangélica, que tem sede em Anápolis. A primeira turma ingressou no segundo semestre de 2018 e, desde então, quatro turmas já colaram grau. O curso conta, em 2024, com 130 alunos e 13 docentes. O coordenador é o professor Luiz Eduardo Krüger Dias. RELAÇÕES PÚBLICAS Apenas duas instituições ofertam o curso de relações públicas em Goiás – a UFG e a Unifasam –, considerando que esta última cessou a oferta de vagas em 2023. Desta forma, em breve a UFG será a única instituição a oferecer o curso no Estado. 142 GOIÁS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Na UFG o curso de Relações Públicas teve seu início em 1975. O curso já nasceu com um grupo de professores com formação específica. As dificuldades enfrentadas pelo curso de jornalismo, para seu reconhecimento, terminaram estimulando professores e estudantes a organizarem uma pressão sistemática sobre o MEC. Aos poucos o curso foi se equipando, tendo estruturado seu laboratório específico. O curso foi reconhecido no dia 2 de agosto de 1978, ao formar sua primeira turma. Na Unifasam a oferta acontece desde 2001, e o curso tem apenas 14 alunos matriculados, em 2024, em cinco turmas. Uma vez que os alunos já matriculados concluam seus estudos, o curso será extinto. CINEMA E AUDIOVISUAL O curso de Cinema e Audiovisual é ofertado em Goiás pela Universidade Estadual de Goiás(UEG), em Goiânia, e pelo Instituto Federal de Goiás(IFG), na Cidade de Goiás. Nas duas instituições não há a oferta de outros cursos da área de comunicação. Na UEG o curso teve seu início em 2006, ainda com o nome de Comunicação Social – habilitação em Audiovisual – e passou a utilizar o nome Cinema e Audiovisual em 2014. O curso conta com dez professores e é coordenado pela professora Thaís Rodrigues Oliveira. Ele tem o objetivo de formar profissionais em Cinema e Audiovisual capazes de atuar no campo da produção de imagens e sons, em diversas mídias e suportes, por meio de uma formação teórico-prática, com estímulo à pesquisa, ao empreendedorismo e à inovação. No IFG, pela própria característica da instituição, o curso de Cinema e Audiovisual nasce da transformação do curso técnico em produção em áudio e vídeo. O curso é ofertado na cidade onde acontece o maior festival de cinema do Estado – o Festival Internacional de Cinema Ambiental(Fica). O coordenador é o professor Antonio Fabricio Evangelista Barbosa. PÓS-GRADUAÇÃO Existe em Goiás um Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Comunicação, que é o PPGCOM da UFG. Ofertado na modalidade acadêmica, contempla os níveis de Mestrado e Doutorado, e tem sido responsável pela formação da maioria dos docentes que atuam na UFG e em outras faculdades de Goiás e de outros Estados. Em 2003, com o objetivo de consolidar uma política de Pós-Graduação Stricto Sensu, o PPGCOM e a FIC apresentaram para a Capes um projeto de Mestrado Acadêmico em Comunicação, cuja primeira turma ingressou em 2007. No início, o Programa trabalhou com duas linhas de pesquisa: Mídia e Cidadania e Mídia e Cultura, e, mais tarde, acrescentou a linha Mídia e Informação. 143 Nesse sentido, o PPGCOM reúne docentes e pesquisadores das áreas de comunicação e informação, uma vez que a Faculdade de Informação e Comunicação(FIC) também abriga os cursos de Biblioteconomia e Gestão da Informação. Com a consolidação do Mestrado em Comunicação e a obtenção do conceito 4 na última avaliação quadrienal da Capes(2013-2016), o curso de Doutorado em Comunicação, também acadêmico, foi aprovado, e a primeira turma admitida em 2019. Desde então, além de Doutorandos, o Programa recebe pesquisadores da área de Comunicação em atividades de estágio Pós-Doutoral. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este levantamento histórico dos cursos de comunicação no Estado de Goiás revela a diversidade e a evolução das ofertas acadêmicas na área, evidenciando o papel da academia na formação de profissionais que atuam no campo da comunicação em nosso Estado. Desde o pioneirismo do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás, em 1966, até a criação de novos cursos em instituições públicas e privadas, observamos um desenvolvimento contínuo que busca refletir e dar vazão às demandas e transformações da área da comunicação. O estudo também revela, entretanto, desafios persistentes, como a concentração de ofertas em instituições localizadas na capital, o que aponta para a necessidade de descentralização dessas ofertas. Apenas a Unievangélica e o IFG oferecem Graduações na área de comunicação fora de Goiânia; mas, ainda assim, estão localizadas em Anápolis e Goiás, cidades dentro de um raio de 130 km da capital, em um eixo central do Estado, evidenciando a necessidade de interiorização. Outro desafio encontrado é a recente redução na área de Relações Públicas. Com a rápida transformação da sociedade, é necessário repensar a configuração das ofertas e as políticas de incentivo, bem como a adaptação às novas realidades tecnológicas e profissionais que se apresentam diante de nós. Apesar das limitações inerentes ao recorte deste estudo, as informações apresentadas oferecem um panorama significativo para compreendermos a evolução e a atual configuração dos cursos de comunicação em Goiás. Para estudos futuros recomendase o aprofundamento das trajetórias dos egressos e o impacto desses cursos na sociedade goiana. Este mapeamento não apenas documenta a história das formações em comunicação, mas também convida à reflexão sobre o futuro desses cursos, apontando caminhos para a ampliação e a inovação das ofertas educacionais no Estado. 144 GOIÁS MULHERES DA COMUNICAÇÃO FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 145 JANE SARQUES Fernanda Ribeiro Jane Jorge Sarques nasceu em Canápolis(MG) em 23 de outubro de 1940. Mudou-se para Uberlândia ainda criança e, adolescente, com apenas 17 anos, casou-se. O primeiro filho nasceu aos 18 anos, o segundo aos 20 e o terceiro aos 22. Para continuar a estudar mudou-se para Goiânia(GO). Cursou o científico em colégios tradicionais da capital goiana, o Liceu de Campinas e o Lyceu de Goiânia, ao mesmo tempo em que fez um curso de enfermagem. Foi caloura na terceira turma do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás(UFG), iniciado em 1970. Logo começou a trabalhar na Assessoria de Comunicação da Reitoria como estagiária e, em seguida, foi para o Departamento de Relações Públicas, e em muito pouco tempo já era a responsável por todos os eventos e ações de relacionamento da Universidade Federal de Goiás. Depois de formada continuou na UFG em cargos administrativos diversos, até ser aprovada em concurso como professora auxiliar de ensino. Em 1975 tornou-se professora do então Departamento de Comunicação no Instituto de Ciências Humanas e Letras(ICHL), onde atuava nos cursos de Jornalismo e Relações Públicas. Em 1980 fez Mestrado na Universidade de Brasília(UnB) com a dissertação“A Ideologia Sexual dos Gigantes – Estudos da Moral Sexual na Telenovela Brasileira”, orientada pelo professor Luiz Motta. Em 1986 a pesquisa foi publicada como livro. Em 1983 foi para a Université Catholique de Louvain, na cidade universitária de Louvain-le-Neuve na Bélgica, para fazer o Doutorado, dessa vez levando a discussão de gênero e comunicação ao universo infantil. A tese“L’écran Magique – L’Impact Culturel 146 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO des Emissions pour Enfant(Brésil)” foi publicada em livro em 1988, apenas em francês. Ao voltar para o Brasil fez uma prova de títulos e passou à professora titular do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia do Instituto de Ciências Humanas e Letras da UFG. Jane ministrava as disciplinas de Teorias da Comunicação, Pesquisa em Comunicação e Técnicas de Redação Jornalística, e dedicouse a muitos cargos de gestão, como a presidência do Colegiado dos cursos de comunicação e a coordenação da área básica do Departamento de Comunicação do então Instituto de Ciências Humanas e Letras. Em 1993 aposentou-se, mas em 1998 voltou como professora substituta da então Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia. Nessa segunda passagem de dois anos, além da sala de aula, ela esteve na coordenação do Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Informação. Em 2000 aposentou-se definitivamente do serviço público, mas não da docência nos cursos de comunicação, pois contribuiu com a efetivação de cursos de instituições privadas, como o de Publicidade e Propaganda da Faculdade Cambury e, em seguida, o de Jornalismo no Centro Universitário Alves Faria(Unialfa). Na Unialfa coordenou o curso que depois de quatro anos foi aprovado com nota máxima pelo MEC. Em 2006 encerrou definitivamente sua carreira acadêmica. Algum tempo depois, entretanto propôs ao Sindicato dos Docentes das Universidades Federais em Goiás o Grupo Travessia, com o objetivo de promover atividades culturais para a socialização e a divulgação de talentos musicais, literários e das artes plásticas dos professores aposentados. Jane Sarques foi pioneira em pesquisas sobre televisão e gênero, e foi a segunda pesquisadora no Brasil a estudar telenovelas e suas influências sobre o público brasileiro. Principais Publicações SARQUES, Jane Jorge. A ideologia sexual dos gigantes. Goiânia: Editora UFG, 1986. 147 SARQUES, Jane Jorge. L’ écran Magique – L’Impact Culturel des Emissions pour Enfant(Brésil). Louvain-le-Neuve: Ciaco, 1988. SARQUES, Jane Jorge. A Discriminação sexual na telenovela: sua influência sobre a mulher brasileira. In: MELO, José Marques de(org.). Teoria e pesquisa em comunicação – panorama latinoamericano. 1. ed. São Paulo: Editora Cortez, 1983. p. 219-227. SARQUES, Jane Jorge. A magia da publicidade nos programas infantis. In: GOMES, Pedro Gilberto; BULIK, Linda; PIVA, Márcia Cruz(org.). Comunicação, memória e resistência. São Paulo: Edições Paulinas, 1989. 148 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO SILVANA PEREIRA Ângela Teixeira de Moraes Silvana Coleta Santos Pereira nasceu em Pirajuí(SP) em 8 de fevereiro de 1962. É filha de Herber Ramos Santos e Ivanilde Dela Coleta Santos. Os avós maternos eram filhos de imigrantes italianos que vieram trabalhar nas fazendas de café. Com menos de dois anos muda-se com a família para Goiás por razões profissionais de seu pai. Estudou no Educandário Pio XII da educação infantil na primeira fase do Ensino Fundamental, no Instituto Maria Auxiliadora na segunda fase do Ensino Fundamental e no Colégio Objetivo o Ensino Médio, em Goiânia. O vestibular para jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) foi realizado em 1980, tendo colado grau em janeiro de 1984. No mesmo ano realizou um curso de aperfeiçoamento em Preparação e Revisão de provas e originais em Videotexto. Essa formação possibilitou que, em 1987, fosse aprovada em um concurso para professora substituta do curso de Jornalismo da UFG. Atuou, também, na Cooperativa dos Jornalistas do Estado de Goiás (Projornal). A aprovação em concurso para professor efetivo foi em 1989. Quatro anos depois fez o curso de Especialização em Metodologia do Ensino Superior na Faculdade de Educação da UFG. Em 1994 iniciou o Mestrado em Educação Brasileira na mesma Faculdade de Educação. O Doutorado foi concluído em 2015, com a tese “Educar em tempos de crise: os desafios e as possibilidades da formação em jornalismo”. Esteve à frente de vários cargos e funções de gestão acadêmica na UFG: coordenadora da área de Jornalismo de 1990 a 1994, 149 membro da Comissão de Política de Pós-Graduação latu sensu entre 2000 e 2001, coordenadora do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia(Facomb) entre 2001 e 2002 e coordenadora de estágio do curso de jornalismo. Foi editora do Jornal UFG de 2006 a 2013, como integrante da Assessoria de Comunicação da Universidade, coordenadora do Núcleo de Imprensa da Assessoria de Comunicação de 2008 a 2013, editora de sete edições da Revista UFG Afirmativa de 2008 a 2013, membro da Assessoria de Programação da TV UFG de 2009 a 2012, integrante do Grupo de Trabalho que coordenou a criação da Lei de Acesso à Informação em 2012, fez parte da comissão que elaborou a Proposta de Resolução para a outorga da medalha de Honra UFG e também da Resolução para reconhecimento da UFG a premiações recebidas pela comunidade acadêmica, integrante do Núcleo docente Estruturante do curso de Jornalismo em 2013, que atualizou o currículo de Jornalismo conforme as Novas Diretrizes Nacionais aprovadas pelo MEC. Em 2022 recebeu a Comenda Professor Colemar Natal e Silva da Câmara Municipal de Goiânia pelos serviços prestados à UFG. Em 2011 o Prêmio Expocom Regional Centro-Oeste, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Em 2008 foram dois prêmios: o Prêmio Expocom Nacional, no XV Simpósio de Pesquisa Experimental em Comunicação(Intercom), e o Prêmio Destaque Andifes de Jornalismo Universitário da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Em 2001 ficou em primeiro lugar na VII Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação, categoria Jornalismo Online – site Mundo Bom(Intercom). Sua expertise em gestão a levou, em cinco de fevereiro de 2018, à direção executiva da Fundação Rádio TV Educativa da UFG. Sua atuação na gestão, estruturando processos acadêmicos essenciais para o fortalecimento da Faculdade de Informação e Comunicação e para a relação entre a Universidade, a Comunidade e o Estado, é um de seus legados. Principais publicações PEREIRA, S. C. S.; MENEZES, K.; STASIAK, D.; COSTA, M. A implantação de uma assessoria de comunicação integrada na Secretaria de Saúde de Goiânia. In: TÊMER, Ana Carolina Rocha Pessoa; TUZZO, Simone Antoniaci(org.). Assessoria de comunicação 150 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO & marketing. 1. ed. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 2013. p. 189-211. V. 1. PEREIRA, S. C. S. Estágio em jornalismo: a experiência da Assessoria de Comunicação da UFG. In: MAIA, Juarez Ferraz de(org.). Jornalismo UFG. 1. ed. Goiânia: Funape/Facomb, 2010. p. 23-27. V. 1. PEREIRA, S. C. S. Formação do jornalista e leitura crítica de jornal. Comunicação& Informação, Goiânia: UFG, v. v.3, p. 27-39, 2000. 151 ANA CAROLINA TEMER Noêmia Félix da Silva Ana Carolina Rocha Pessôa Temer nasceu em Salvador em 24 de fevereiro de 1958, e mudou-se para o Rio de Janeiro(RJ) em 1975. É filha de Luiz de Lima Pessôa e Climene Rocha Pessôa, casada com Sergio Temer, e mãe de Rodrigo e Pedro. Cursou o Ginásio na Escola Nova em Salvador e o restante de sua formação escolar no Colégio Acadêmico no Rio de Janeiro. Na capital fluminense cursou a Graduação em Jornalismo pela Escola de Comunicação(ECO), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Após várias atuações no mercado do jornalismo privado, vai para o setor público como técnica administrativa de nível superior na Universidade Federal de Uberlândia(UFU), lotada na Fundação da Televisão Universitária. Em Minas atua, concomitantemente, como professora no curso de Comunicação Social da então Faculdades Integradas do Triângulo (Centro Universitário do Triângulo). Ana especializa-se em Sociologia pelo Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia. Em 1998 vai para São Paulo realizar sua dissertação de Mestrado e tese Doutoral em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo(Umesp) de 1998 a 2001, ambas sob a orientação de José Marques de Melo. Durante seus estudos na Metodista de São Paulo, produziu seu primeiro livro: Para entender as teorias da comunicação(2009). As pesquisas sobre o telejornalismo e seus processos aprofundaram-se no Doutorado, com a análise comparativa dos processos produtivos 152 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO de quatro telejornais da Rede Globo, que resultou no seu livro Notícias e Serviços nos telejornais da Rede Globo(2002). Por seus méritos acadêmicos e de pesquisa, em 2007 recebeu a Medalha Maria Imacolatta Vassalo Lopes – 30 anos da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Ana Carolina retorna para a ECO/UFRJ em 2018 para o seu primeiro Pós-Doutoramento, com a supervisão de Muniz Sodré, e no mesmo ano faz o seu segundo Pós-Doutoramento com o professor Alfredo Vizeu, na Universidade Federal de Pernambuco. Vai para Goiás para trabalhar como docente na Faculdade de Informação e Comunicação(FIC), da Universidade Federal de Goiás(UFG)(2006-2023), e ajudou, entre outras coisas, na criação e consolidação do Programa de Pós-Graduação(PPGCOM) da FIC (antiga Facomb). Coordenou o PPGCOM de 2010 a 2012 e depois de 2013 a 2017, além de algumas outras gestões acadêmicas. Ana Carolina Temer, ao longo destas duas décadas, produziu quatro livros, organizou outros dez, publicou 77 artigos em periódicos, 79 capítulos de livros, 117 trabalhos publicados em Anais de congressos, apresentou 126 trabalhos em eventos nacionais e internacionais e realizou dezenas de trabalhos e consultorias técnicas, além de centenas de orientações e participações em qualificações e avaliações de bancas de Graduação, Mestrado e Doutorado. Participou, ainda, de dezenas de comissões de avaliações de trabalhos para prêmios profissionais e acadêmicos na área. Faz parte de um grupo de pesquisadores em telejornalismo(Rede Telejor/Intercom). Foi eleita, em 2010, para a coordenação do Grupo de Trabalho de Jornalismo e o coordenou em quatro congressos consecutivos: Montevidéu/Uruguai(2012), Lima/Peru (2014), Ciudad do México/México(2016) e Cartagena/Colômbia (2018). A trajetória de Ana Carolina Temer no desenvolvimento de suas pesquisas, da sua atuação à frente do PPGCOM/ UFG e da atuação nas redes de pesquisa(Intercom, Telejor, Alaic), demonstra a sua contribuição na constituição de um campo comunicacional onde atua. Apesar da aposentadoria, faz parte do PPGCOM na orientação de doutorandos como professora visitante na linha de pesquisa Mídia e Cidadania. 153 Principais publicações TEMER, Ana Carolina Rocha Pessôa. Para entender as teorias da comunicação. Uberlândia(MG): Edufu, 2009. TEMER, Ana Carolina Rocha Pessôa; TONDATO, Marcia Perencin. A televisão em busca da interatividade – uma análise dos gêneros não ficcionais. Brasília: Casas das Musas, 2009. TEMER, Ana Carolina Rocha Pessôa. Notícias e serviços nos telejornais da Rede Globo. Rio de Janeiro: Sotese, 2002. TEMER, Ana Carolina Rocha Pessôa. Flertando com o caos: comunicação, jornalismo e televisão. Goiânia: FIC/UFG, 2014. 154 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO MARIA LUIZA MENDONÇA Janaína Jordão Maria Luiza Martins de Mendonça nasceu em 28 de dezembro de 1954 em Goiânia(GO). É filha de Luzia Martins de Mendonça e José João de Mendonça. A escola primária fez no Instituto Araguaia, o ginásio no Colégio Maria Auxiliadora e no Colégio Assunção e o clássico no Lyceu de Goiânia. Sua formação superior começou em 1972 na Universidade Federal de Goiás(UFG), onde ingressou no curso de História, mas costumava frequentar os cursos oferecidos na Comunicação. Antes de terminar o curso morou fora do país e depois se instalou em Brasília, continuando seus estudos na Universidade de Brasília (UnB), já no curso de Comunicação. Seguiu a opção Relações Públicas, que nunca exerceu. O Mestrado foi iniciado logo depois da Graduação. Em sua dissertação “Propaganda e legitimação do poder: Brasil 1970-1978”, sob orientação de Luiz Gonzaga Motta, analisou as peças publicitárias divulgadas pelas assessorias de relações públicas dos governos daquele período. Depois do Mestrado trabalhou alguns anos com marketing e voltou à área acadêmica como professora substituta na Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia(Facomb), em 1986, e em 1993 ingressou, de forma efetiva, no serviço público, no curso de Radialismo(RTV, descontinuado) da então Facomb(Faculdade de Informação e Comunicação(FIC) da UFG). Em 1996 começou o Doutorado na Escola de Comunicações e Artes(ECA) da Universidade de São Paulo(USP), orientada por Maria Nazareth Ferreira. Em sua tese, defendida em 1999, 155 com o título“Dançadores do Rosário: o caminho cultural dos sujeitos”, aprofundou-se nas questões teórico-metodológicas abordadas no Mestrado. Maria Luiza participou do projeto de criação do curso de publicidade e propaganda da UFG buscando subsídios nos cursos paulistas, enquanto vivia em São Paulo, o qual foi aprovado e teve seu início em 1996. Ao retornar à UFG criou o grupo de pesquisa Comunicação e Processos Culturais no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) junto com outros pesquisadores. Também assumiu, por oito anos, a editoria da revista da FIC, Comunicação& Informação, periódico científico semestral. Participou da elaboração do projeto de uma Pós-Graduação lato sensu, a especialização em“Assessoria em Comunicação”, da qual foi a primeira coordenadora, e que foi o embrião para a criação do curso de Mestrado e, posteriormente, do Doutorado. Maria Luiza realizou, em 2007, estágio Pós-Doutoral em Comunicação Audiovisual na Universidad Autónoma de Barcelona (Migracom), onde pesquisou a presença e a representação de migrantes latino-americanos na imprensa popular local. Com bolsa do governo do Canadá, participou do programa de intercâmbio de pesquisadores na Universidade do Quebec, em Montreal, em pesquisas que abordavam questões relativas à diversidade cultural e à interculturalidade. Participou, também, de dois estágios Pós-Doutorais nos laboratórios Laios(Laboratoire d’anthropologie des institutions et des organisations sociales) do Centre national de la recherche scientifique(CNRS), Paris, em 2012 e em 2013, nos quais deu sequência à pesquisa sobre envelhecimento feminino iniciada no Brasil alguns anos antes. Em 2014 realizou outro estágio Pós-Doutoral no Crimic/Sorbonne (Centre de Recherches Interdisciplinaires sur les Mondes Ibériques Contemporains), apresentando o trabalho“Le vieillissement féminin comme exil” no congresso“ Exilience s”(Crimic/Sorbonne) em 2015. Publicou vários artigos sobre representação midiática de migrantes, mulheres, sobre o envelhecer feminino. Participou de diversos congressos internacionais e também como membro de grupos de trabalho da Intercom(Grupo de Trabalho – Comunicação 156 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO para cidadania) e da Associação Nacional dos Programas de PósGraduação em Comunicação(Compós). Sua produção acadêmica pode parecer, ao primeiro olhar, um amplo leque de interesses e de temas. Essas produções, entretanto, têm em comum a preocupação com as desigualdades, as diferenças, os discursos hegemônicos, autoritários e, sobretudo, a identificação dos espaços possíveis de produção de novas falas, novos olhares capazes de compreender melhor, conviver melhor com as várias faces da diversidade presentes em todas as sociedades. Principais publicações MENDONÇA, Maria Luiza Martins de. Comunicação e cultura: um novo olhar. Novos Olhares(USP), São Paulo: ECA/USP, v. 1, n. 1, 1988. MENDONÇA, Maria Luiza Martins de. Processos comunicativos e subjetividade: desafios para o terceiro setor. Comunicação& Política, Rio de Janeiro, v. 22, p. 49-64, 2004. MENDONÇA, Maria Luiza Martins de. La presencia de los inmigantes y del proceso de inmigración en la prensa gratuita barcelonesa: un estudio exploratorio. Ámbitos, Sevilla, v. 17, p. 147-160, 2008. MENDONÇA, Maria Luiza Martins de. Velhice, velhices: entre(in) visibilidades, ativismos e transgressões. Revista Observatório, v. 3, p. 497-516, 2017. MENDONÇA, Maria Luiza Martins de. Mídia e diversidade cultural: experiências e reflexões. Brasília: Editora Casa das Musas, 2010. 157 LISA FRANÇA Ana Rita Vidica Maria Elisa França Rocha nasceu em Goiânia(GO) no dia 1º de abril de 1955. É filha de Ataulpho França e Alda Valadares de Castro, advogado e pedagoga, respectivamente. Fez o Ensino Médio no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Goiás(UFG). Após fez intercâmbio na Califórnia(USA), realizado na Junior College. Ao retornar ao Brasil prestou vestibular para Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Durante o curso participou de um projeto de extensão para a criação de um cineclube, o CineCult, onde teve contato com clássicos do cinema. Tornou-se uma cinéfila, o que abriu caminho para a sua atuação como produtora audiovisual, após formada, na TV Brasil Central, onde atuou no rádio e na televisão e, concomitantemente, no Jornal Diário da Manhã. Fez roteiros e dirigiu quatro documentários premiados:“Terra Caiapó” (1989) e“Jesco, minha vida, minha câmera”(1990), que receberam Prêmios de Melhor documentário pela Associação Goiana de Imprensa;“Egídio Turchi, mestre socrático”(2006), Prêmio de melhor documentário no Festival de Cinema de Goiânia, Prefeitura de Goiânia; e“Cidade Invisível”(2013), Prêmio de melhor roteiro DocTV, Ministério da Cultura e selecionado para o Festival Cine Eco em Portugal. Realizou, também, as seguintes produções audiovisuais:“Altamira, o grito do guerreiro”(1990),“Povo cantador: índios Krahô”(1991),“Vestibular para vestibulandos”(1996),“Bem no centro”(1997) e“Fantasias sexuais infantis”(2007). 158 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Participou seis vezes como presidente do júri do Festival de Cinema e Vídeo Ambiental(Fica), além de debates como o da mostra“O Feminino no Cinema”(2013) e“O Amor, a Morte e as Paixões”. Foi para Brasília ao ser contratada pelo O Globo na editoria de Economia. Não pôde permanecer por muito tempo por questões familiares. Retornou para Goiânia como correspondente do Jornal do Brasil(JB), ficando até ser contratada pela Gazeta Mercantil para o escritório em Goiânia até 1990. Em 1994 prestou o concurso para professora da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia(Facomb), hoje Faculdade de Informação e Comunicação(FIC) da UFG. Com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), fez Mestrado e Doutorado na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) de 1997 a 2001, ambos sob a orientação de Amparo Hertas. Fez o Mestrado em Cinema e Publicidade(1997-1999), tendo defendido a dissertação“Contribuciones de la televisión para la formación de la identidad en la adolescencia”. Fez o Doutorado em Audiovisual e Publicidade(1997-2001), com a tese“La Contribución de las series juveniles de televisión a la formación de la identidad en la adolescencia”. Junto com a orientadora, publicou o texto“El espectador adolescente. Una aproximación a como contribuye la televisión en la construcción del yo” em 2001. Atuou como professora dos cursos de Comunicação Social, com habilitações em Jornalismo, Rádio e TV e Publicidade e Propaganda, tendo participado da criação deste curso em 1996. No âmbito da gestão foi assessora de comunicação do reitor que atuou no período de 1994 e 1998. Organizou um encontro em Vitória(ES), que reuniu todos os assessores de comunicação das universidades e seus reitores. No ensino atuou em disciplinas como Radiojornalismo e Jornalismo Impresso e Teoria da Imagem. Fez formação em Psicanálise na Fazenda Freudiana de Goiânia em 2004, passando a atuar profissionalmente, desde 2006, com a leitura cinematográfica. Na extensão universitária colaborou com a Editora da UFG, tendo organizado uma equipe de cobertura de texto, rádio e TV para a Bienal do Livro por dois anos consecutivos. Colaborou na constituição do laboratório de rádio para transmissão de forma pública e gratuita. 159 Na pesquisa foi uma das fundadoras do Núcleo de Pesquisa em Teoria da Imagem, o primeiro núcleo de pesquisa da FIC/UFG, em 2002. Participou, ainda, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFG, de 2009-2011, quando criou uma linha de estudo de Cinema e Psicanálise. Finalizou a sua carreira como professora em 2011, ano em que se aposentou. Apesar disso, continua atuante profissionalmente como psicanalista e também como autora de textos e livros. Lisa França passou a escrever, ainda, livros infantis. Lisa França é jornalista, diretora e roteirista de documentários, psicanalista e docente aposentada. Seu percurso profissional iniciase no jornalismo, passa pelo cinema, pelo ensino e se entrecruza com a psicanálise, áreas que se encontram no ambiente educacional e cultural da cidade de Goiânia. Principais Publicações FRANÇA, Lisa. Joana e a pandemia. Ilustração Gilberto Miadaira. Goiânia: Cânone Editorial, 2022. FRANÇA, Lisa. Vereda: arte e psicanálise: reflexões pelas trilhas do cinema e da literatura. Belo Horizonte: C/Arte, 2020. FRANÇA, Lisa. As vias simbólicas para combater o mal-estar na infância e na adolescência. In: MARTHA, Alice Áurea Penteado; CECCANTINI, João Luís; AGUIAR, Vera Teixeira de(org.). Heróis contra a parede: estudos de literatura infantil e juvenil. 1. ed. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. FRANÇA, Lisa. Arte como revolução. Revista UFG, Goiânia: Universidade Federal de Goiás: Cegraf: Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, 1999. v. 1. FRANÇA, Lisa. A invenção da vida em Almodóvar. Revista Fragmentos da Cultura, Goiânia: Ifiteg, 1991. V. 1. ROCHA, M. E. F. El espectador adolescente. Una aproximación a como contribuye la televisión en la construcción del yo. ZER Revista de Estudos de Comunicación, Bilbao, Espanha, v. 1, n. 11, p. 331350, 2001. 160 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO ROSA MARIA BERARDO Ana Paula Silva Ladeira Costa Rosa Maria Berardo nasceu em Monte Aprazível(SP) em 18 de dezembro de 1961. É filha de Geraldo Berardo e Maria Rosa Berardo, e tem uma filha chamada Júlia. Aos oito anos sua família mudou-se para Goiânia. Lá Rosa finalizou o primário no Grupo Municipal São Judas Tadeu. Durante o ginásio, da 5ª a 8ª série, estudou no Colégio Santa Clara. Por fim, concluiu o Ensino Médio e preparou-se para o vestibular no Colégio Objetivo. Em 1978 iniciou a faculdade de Letras na Universidade Federal de Goiás(UFG), motivada pelo interesse pelas línguas estrangeiras. Também neste período inscreveu-se em um curso de fotografia na Universidade Católica de Goiás. Aos 19 anos, Rosa realizou a sua primeira exposição fotográfica, quando exibiu as imagens captadas numa viagem pelos países andinos. Após três anos no curso de Letras, fez novo vestibular na mesma Universidade, e, em 1981, ingressou na Faculdade de Comunicação Social, com habilitação em jornalismo. Durante o curso foi monitora na disciplina de fotografia e bolsista de Iniciação Científica de Rosary Esteves, quando teve seu primeiro contato com grupos de pesquisa e realizou registros fotográficos das festas folclóricas de Goiás. Durante a Graduação pôde realizar incursões ambientalistas, gerando registros fotográficos que resultaram em exposições por todo o país. A Embratel adquiriu parte de suas fotografias da natureza pantaneira e, anos mais tarde, imprimiu em cartões telefônicos. No período de faculdade Rosa realizou uma investigação jornalística sobre o uso do eletrochoque no Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, em Goiânia. A denúncia foi publicada no Jornal Folha de Goyaz, em 1984. Em 1985 foi estagiária do Museu de Antropologia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, onde organizou os registros 161 fotográficos que o antropólogo Jesco von Puttkamer realizou em suas expedições pelo interior do Brasil. Pouco antes de encerrar o curso de jornalismo, realizou sua primeira viagem ao Parque do Xingu, onde estabeleceu contato com as lideranças indígenas e, com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas(Funai), iniciou um registro fotográfico e memória visual dos povos que ali habitavam. O extenso acervo fotográfico produzido percorreu diversos países e foi doado ao Memorial Indígena de Brasília e ao Musée de l’Homme, em Paris. Suas fotografias de viagens também foram vendidas e publicadas em revistas, como National Geographic, Photo& Câmera, PHOTO e para o jornal O Popular, periódico de Goiânia. Em 1985 concluiu a Graduação em jornalismo e, no ano seguinte, iniciou o Mestrado em artes na Universidade de São Paulo (USP). Sua dissertação, intitulada“Xingu, um olhar fotográfico”, abordou a ideologia do olhar fotográfico. Em 1991, no Mestrado na Universidade Sorbonne Nouvelle, com orientação de Philippe Dubois, escreveu a dissertação“Les limites entre la rélité et la fiction dans la Photographie documentaire: analise des photos des indiens du haut Xingu”. O Doutorado, iniciado em 1994, também na Universidade Sorbonne Nouvelle, contou com a orientação de Philippe Dubois e coorientação de Ismail Xavier, professor da USP. Em 2000 defendeu a tese“Analise d’image de l’indien dans le cinéma de fiction brésilien des années 70”, com a análise de filmes ficcionais brasileiros da década de 1970 que tinham a representação de personagens indígenas. Em 1987 roteirizou e dirigiu André Louco, primeiro filme goiano dirigido por uma mulher; em 1989 atuou na produção e tradução de dois documentários, para a televisão francesa, sobre o impacto ambiental e cultural que a Usina de Belo Monte causaria nas comunidades indígenas e sobre o assassinato do ambientalista Chico Mendes. No ano 2000, para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas(Sebrae), realizou uma série de documentários sobre manifestações culturais dos povos do interior de Goiás. Em 2006 lançou o filme Entre afeições e afetos, curta-metragem inspirado no conto folclórico de Romãozinho. No ano seguinte realizou o documentário Cerrado: Quanto custa? Em 2013 lançou A infância de Aninha, filme de animação baseado nos poemas de 162 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Cora Coralina; em 2015 produziu A chegada de Aninha, sobre a vida de Cora Coralina, o qual recebeu o prêmio de melhor filme no festival italiano Asolo. Neste mesmo ano lançou Os meninos verdes, uma adaptação da obra homônima da escritora. Por fim, em 2020, produziu O carreiro Anselmo, última animação da série sobre vida e obra de Cora Coralina. Também realizou o documentário Marcas da ditadura na vida de um ator, de 2015, sobre as torturas sofridas pelo ator Almir de Amorim na época da ditadura militar. Em 2017 dirigiu o curta-metragem Alarme Falso. Em 2019 finalizou seu primeiro longa-metragem de ficção, Sem Retorno. Por fim, em 2022, coordenou, junto a sua filha Júlia, um projeto de ensino de vídeo para jovens Kamayurá. Como resultado, os jovens indígenas do Xingu produziram um documentário abordando o uso da mandioca na alimentação. Em 1996 Rosa atuou como professora substituta e coordenadora do curso de rádio e televisão da UFG. No ano seguinte foi aprovada no concurso para professora de fotografia na Faculdade de Artes. Em 2001 ganhou uma bolsa do governo Canadense para pesquisar os índios do cinema. Lá, estudou a cinemateca de Montreal. Nesse período, firmou um acordo entre a UFG e a Universidade de Quebec, onde atua como professora visitante. Em 2005, com bolsa de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), iniciou seu estágio de Pós-Doutorado na Université du Québec à Montreal. Rosa também atuou na Universidade Michel de Montaigne, Bordeaux 3, na França; na Université de Montréal, no Canadá; na Faculté Polydisciplinaire de Ouarzazate, em Marrocos; Universidade de Sinaloa, no México; e Universidade Nacional de Jujuy, na Argentina. Seu contato com atividades de intercâmbio e a coordenação do Núcleo de Estudos Canadenses da UFG culminaram na presidência da Associação Brasileira de Estudos Canadenses(Abecan) entre 2008 e 2009. Rosa também atuou no Conselho Estadual de Cultura, em Goiás. Nesse período foi condecorada com a Comenda da Ordem do Mérito Anhanguera. Em 2002 fundou a Primeira Escola de Cinema do Estado de Goiás, a Skópos. Em 2010 criou a Casa do Cinema(Maison Du Cinema), onde reuniu interessados em realizar cinema em Goiás. Foram desenvolvidos diversos curtas-metragens e muitos desses filmes 163 receberam premiações em festivais nacionais e estaduais, como o Goiânia Mostra Curtas, além de exibições no Festival Internacional de Cinema Ambiental(Fica). Rosa Berardo concilia suas atividades de realização cinematográfica com as pesquisas científicas desenvolvidas na UFG. Ela mantém como eixo central o estudo da identidade cultural e as representações da alteridade, a decolonização e as diversidades. Ela destaca-se como uma das precursoras na cinematografia goiana, com ênfase para a realização de documentários, animações e filmes de ficção. Principais publicações BERARDO, R. M.; KAMINSKY, R.; FRANCO, E.; MENDONCA, M. L.; VELOSO, S.; SANTOS, J. C.; PETRONILHO, P.; MONTORO, T. Cultura, identidade cultural e representação da alteridade. 9. ed. Goiânia: Editora UFG, 2016. 95 p. V. 1. BERARDO, R. M.; SANTOS, J. C. Entrelaçando gênero e diversidade: múltiplos olhares. 1. ed. Curitiba: UTFPR, 2016. 88 p. v. 3. MACHADO, F. P.; BERARDO, R. M. Cinema, arte y narrativas emergentes. 1. ed. Rosario, Argentina: Editorial de la Universidad Nacional de Rosario, 2016. 384-394 p. V. 1. ROSENZWEIG, P.; BERARDO, R. M. Personalidades construídas no cinema documentário. 1. ed. Curitiba: CRV, 2019. 132 p. V. 1. SILVA, N. R. D.; BERARDO, R. M. André Louco: um curta de Rosa Berardo, uma das pioneiras do cinema de ficção realizado por mulheres em Goiás. In: ANPAP – ORIGENS – ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISADORES EM ARTES PLÁSTICAS, 28., 2019, Cidade de Goiás. Anais[...]. Goiânia: Anpap, 2019. p. 2.728-2.742. 164 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO ANGELITA DE LIMA Lara Lima Satler Angelita Pereira de Lima nasceu em 21 de fevereiro de 1966 em Paranaíba(MS). Décima terceira filha de Eva Rodrigues Pereira e Jeronimo Martins Pereira, é a caçula das mulheres. Aos seis anos mudou-se com a família para Goiânia(GO). Sua formação fundamental ocorreu totalmente em escola pública e no Ensino Médio, parcialmente, nas seguintes instituições: Escola Municipal da Vila Canaã, Escola Estadual Arquilino de Brito, Colégio Anhanguera, Colégio Estadual Pedro Gomes e Colégio Carlos Chagas. A formação superior ocorreu na Universidade Federal de Goiás (UFG), sendo a Graduação em Comunicação Social – Jornalismo, Mestrado em Educação e Doutorado em Geografia, pois não havia Pós-Graduação em Comunicação na época. Tal multidisciplinaridade reflete-se na sua atuação como docente e pesquisadora no Programa Interdisciplinar em Direitos Humanos na UFG. Desde que começou a Graduação, em 1984, engajou-se em projetos sociais e políticos: presidente do Centro Acadêmico de Jornalismo, estagiária da Projornal – Cooperativa de Jornalistas de Goiás, militante do movimento feminista e, sobretudo, estagiária da Secretaria de Comunicação do Movimento dos Sem Terra. Estas atuações profissionais extracurriculares contribuíram para uma formação em comunicação popular, de 1985 a 1987. Envolveu-se, ainda, nas lutas das mulheres na Constituinte e na criação do Fórum Goiano de Mulheres, uma organização suprapartidária e de movimentos sociais. 165 Trabalhou em diversos meios de comunicação, como na Rádio Difusora e nos periódicos semanais de Goiânia, contudo sua atuação profissional prevalecente ocorreu em assessorias de comunicação. No Mestrado abordou a cobertura jornalística sobre violência contra a mulher, cuja dissertação foi defendida em 2001. Defendeu a tese de Doutorado em 2013, com o título Romancidade: sujeito e existência em leituras geográfico-literárias nos romances A Centopeia de Neon e Os Cordeiros do Abismo. Em 2002 ingressou como docente dos cursos de Jornalismo e do então curso de Radialismo(extinto em 2004). Em 2003 tornou-se coordenadora do curso de Jornalismo. É professora das disciplinas de Produção Textual em Jornalismo e titular da disciplina Jornalismo Literário, criada para a produção avançada em texto jornalístico. A literatura como prática jornalística foi tema na experiência de ensino remoto em razão da pandemia de Covid-19 no ano de 2020, resultando em crônicas produzidas por alunos de um curso em parceria entre os cursos de Jornalismo e Geografia na Faculdade de Informação e Comunicação. Ao final de 2016 Angelita é eleita diretora da Faculdade de Informação e Comunicação(FIC), e em 2020 é reeleita para o segundo mandato, o qual foi interrompido em 2022, ano em que é nomeada reitora da UFG, a partir da lista tríplice enviada para o Ministério da Educação e Cultura(MEC). Destacam-se as atividades de extensão voltadas para ações afirmativas, questões de gênero, direitos humanos, comunicação popular e comunitária. Nesta direção, atuou como coordenadora da ação Conexão de Saberes que, por sua vez, se vincula ao Programa Conexões de Saberes, uma rede socioeducacional interinstitucional. Em 2004 passa a coordenar o Programa Conexão de Saberes, uma ação de extensão da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação – Secad/ MEC –, em diálogo com a experiência do Observatório de Favelas. É membro-pesquisadora do Núcleo de Estudo: Espaço, Sujeito e Existência Dona Alzira, vinculado ao Laboratório de Estudos e Pesquisas das Dinâmicas Territoriais do Istituto de Estudos Socioambientais(Iesa)/UFG; do Núcleo Geografia, Literatura e Arte (Geoliterart); do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo(USP); e do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Jornalismo e Diferença – Pindoba, vinculado à FIC/UFG. 166 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Angelita Lima candidatou-se à deputada estadual, pelo Estado de Goiás, por duas vezes(2002 e 2014), pelo Partido dos Trabalhadores, ao qual é filiada. Principais publicações LIMA, A. P.; BORGES, L. S.; CHAVEIRO, E. F.; SILVA, R. E. Crônicas da cidade: o lugar das subjetividades e da existência na pandemia. Revista Sapiência: Sociedade, Saberes e Práticas Educacionais, v. 10, p. 1-19, 2021. LIMA, A. P.; HACK, A. Militância podcaster feminista: um exercício etnográfico. Revista Eco-Pós, on-line, v. 25, p. 1-430, 2022. LIMA, A. P.; ROCHA, M. J. P; JESUS, A. T. M. O.; OLIVEIRA, E. A.; ANTUNES, J. C. F.(org.). Fios de Aracnê: narrativas de resistência e epistemologia feminista. 1. ed. Goiânia: Editora da PUC Goiás, 2019. 223 p. NEVES, A. P. de C.; LIMA, A. P. de. A revitimização de mulheres em situação de violência pelas narrativas de jornais diários de Goiânia e dos Boletins de Ocorrências/Rais. Humanidades& Inovação, v. 8, n. 58, p. 165-182, 2022. NEVES, A. P. de C.; LIMA, A. P. de; CASTRO, L. R. O caminho da violência pelas narrativas jornalísticas: a patologização do machismo. Novos Olhares, v. 10, n. 2, p. 142-151, 24 nov. 2022. 167 ROSANA BORGES Tatiana Carilly Rosana Maria Ribeiro Borges nasceu em 6 de janeiro de 1976 em Goiânia(GO). É filha de Glória de Lourdes Ribeiro Borges e Vicente de Paulo Miranda Borges. Sua trajetória acadêmica deu-se toda em escola pública. No colégio de Aplicação da Universidade Federal de Goiás(UFG)(Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação – Cepae) fez o ensino básico, quando participou de um projeto de produção de vídeo sobre o acidente radiológico do césio 137. Quando cursava o 3º ano do Ensino Médio, tornou-se mãe. Em 1997 graduou-se em Comunicação Social com habilitação em Radialismo na UFG. Durante o curso fez estágio na Rádio Universitária da UFG, atuando como produtora e apresentadora. Em 2000 concluiu o Mestrado em Educação na Faculdade de Educação da UFG,) onde também fez seu estágio. Doutorou-se pela mesma instituição em 2013 no Programa de Pós-Graduação de Geografia, e, em 2019, concluiu o Pós-Doutorado em Comunicação e Cultura na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), sob supervisão de Marialva Carlos Barbosa. Dentre suas pesquisas destaca-se o programa de extensão financiado pelo PROEXT/MEC) e executado pela TV UFG, intitulado “Nossa história daria um filme”, uma série documental que conta a história de Goiânia a partir de seus pioneiros e de seus bairros representativos. Desde 2015 realiza a Pesquisa de História da Imprensa em Goiás, investigando os discursos jornalísticos sobre o Cerrado. Rosana é Líder do Grupo de Pesquisa História da Comunicação em Goiás e membro da Rede Latino-Americana de História da Mídia(RELAHM). 168 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Entre os anos de 2000 e 2005 foi docente no curso de Pedagogia da UFG, na Universidade Estadual de Goiás(UEG), na Pontifícia Universidade Católica(PUC), nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Turismo e Marketing, na Faculdade Cambury e coordenadora e docente nos cursos de Publicidade e Propaganda e Jornalismo da Uniaraguaia. Em 2005 ingressou como professora efetiva da UFG no curso de Jornalismo, e logo após na Pós-Graduação. Na gestão educacional foi coordenadora da Rede Ifes(2008-2013); criou a TV UFG (2008-2013); foi vice-presidente do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás(ADUFG Sindicato) e, em seguida, presidenta do mesmo(2009-2014); foi coordenadora do curso de Jornalismo da Faculdade de Informação e Comunicação(FIC) (2017-2018); e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM da FIC/UFG) por dois mandatos consecutivos(2020-2024). Ainda nessa instituição integrou o Conselho Editorial Executivo da Revista UFG; é parecerista da Revista Comunicação& Informação; e é membro da Câmara Superior de Pós-Graduação. No PPGCOM atua na linha Mídia e Cultura desde 2015. Comunicadora social e educadora apaixonada pelo ensino e comprometida com o desenvolvimento humano e científico, sempre acreditou no poder transformador e emancipatório da educação capaz de impactar gerações. Principais publicações BORGES, Rosana Maria Ribeiro. Pensamentos dispersos, hegemonias concentradoras: discursos jornalísticos e movimentos de territorialização no Cerrado. 2013. Tese(Doutorado em Geografia) – Universidade Federal de Goiás, Programa de PósGraduação em Geografia, Instituto de Estudos Socioambientais, Goiânia, 2013. Disponível em: https://repositorio.bc.ufg.br/tede/ handle/tede/3697. BORGES, Rosana Maria Ribeiro; PAVAN, Ricardo. O caipira que vos fala: a História do Rádio em Goiás – dos alto-falantes às emissoras profissionais(1920-1980). In: RADDATZ, Vera et al. Rádio no Brasil – 100 anos de história em(re)construção. 1. ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2020. p. 291-308. V. 1.(E-Book). Disponível em: https://www. editoraunijui.com.br/produto/2257 169 BORGES, Rosana Maria Ribeiro; BARBOSA, Marialva Carlos. Diálogos do“sexo débil”: significações das cartas de mulheres no jornal A Matutina Meiapontense(1830-1834). In: Galaxia, São Paulo, n. 44, p. 173-187, maio/ago. 2020. Disponível em: https:// revistas.pucsp.br/galaxia/article/download/44081/32492 BORGES, Rosana Maria Ribeiro; BARBOSA, Marialva Carlos. História cultural na imprensa goiana no século XIX. Goiânia: Cegraf UFG, 2023.[no prelo]. 170 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO JÔ LEVY Thais Rodrigues Oliveira Joanise Levy da Silva nasceu na cidade de Goiânia(GO) no dia 24 de junho de 1971. É filha mais nova de quatro irmãos de um casal inter-racial: seu pai, Amador Levy de Oliveira, era pintor letrista, branco, descendente de europeu, e sua mãe, Pifânia da Silva Oliveira, era costureira, negra, descendente de pessoas escravizadas. Seu bisavô paterno, Emile Levy, veio da França para Cristalina(GO) para trabalhar com mineração de cristais de rocha no final do século 19. Durante a sua trajetória escolar sempre estudou em escola pública: Instituto de Educação de Campinas Presidente Castello Branco, do sétimo ao terceiro ano do Ensino Médio, Educandário Campinas, no quinto e sexto ano, e Colégio Estadual Damiana da Cunha, primeiro ao quarto ano do Ensino Fundamental. É graduada em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás(UFG, 1989-1992), onde teve sua monografia orientada por Silvana Coleta, com o tema“Os meios a serviço dos fins religiosos”. Durante a Graduação participou da criação e da execução do projeto experimental“Como vai o planeta”, um programa de rádio veiculado à Rádio Universitária, coordenado por Nélia Del Bianco, cuja equipe atuou na cobertura do evento global Rio-92(Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento). Jô trabalhou como atriz em Goiânia durante alguns anos e foi para o Rio de Janeiro fazer oficina de atores na Rede Globo de Televisão. Ao voltar para Goiânia trabalhou como jornalista, primeiro com assessoria de comunicação e depois no jornalismo on-line da Organização Jaime Câmera, maior empresa de comunicação do Estado. 171 No ano de 2007 ingressou na Universidade Estadual de Goiás, assumindo a coordenação do recém-criado curso de audiovisual, à época uma habilitação do curso de Comunicação Social. Como docente e coordenadora do curso até 2010, contribuiu para a reelaboração do Projeto Pedagógico do Curso e sua reestruturação curricular. Também reuniu esforços para a construção do Laboratório de Imagem e Som, inaugurado em 2009. Contribuiu como membro do Núcleo Docente Estruturante do curso por vários anos e foi coordenadora de pesquisa e do desenvolvimento de conteúdo audiovisual(direção e roteiro) para educação a distância da universidade. Foi coordenadora pedagógica da Unidade Laranjeiras-Goiânia(sede do curso de Cinema e Audiovisual), e coordenadora pedagógica do projeto Telinha de Cinema, realizado pela Organização Não Governamental(ONG) Casa da Árvore, em parceria com a Universidade Estadual de Goiás. Ao longo dos anos de docência ministra as disciplinas de Introdução ao Roteiro e Roteiro para TV e Novas Mídias. Desde a pandemia assumiu, também, a disciplina de Edição e Montagem. Em 2023 coordenou o projeto de pesquisa“O ensino de roteiro: clichês, processo de criação e escrita fílmica”. Ainda coordena o projeto de extensão Trama – Narrativas Audiovisuais e Criação de Roteiros, que funciona como um núcleo criativo com foco no desenvolvimento de roteiros audiovisuais para cinema, TV e novas mídias. Foi produzido o podcast Estante de roteirista, leitura comentada de alguns dos principais livros de roteiro das bibliografias básicas dos cursos de Cinema e Audiovisual no Brasil. Também se destaca o projeto Mulheres Roteiristas, uma websérie veiculada no YouTube. Jô é cocriadora e foi editora da Revista Janela, publicação on-line pioneira no segmento do cinema feito em Goiás. É membro da Screenwriting Research Network e da Rede Docente de Roteiro do Forcine(Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual). Coordenou o Seminário Temático“Estudos de Roteiro e Escrita Audiovisual” da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual(Socine), no biênio 2023-2024. Tem experiência como consultora de roteiros e na curadoria de festivais de cinema. Como roteirista, é coautora do projeto da série para TV chamada Fim de Ano, contemplado pelo edital FSA/Prodav da Ancine e premiado no Florianópolis Audiovisual Mercosul(FAM) de 2022, com o passe livre para o Santiago Festival Internacional 172 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO de Cine(Sanfic), e em 2023 aprovado no edital do BRDE/FSA para a produção. Também é roteirista do curta-metragem Passagem (2015). Escreveu o conto Juízo Final(2021), publicado na coletânea Contos do Dia. Principais publicações LEVY, Joanise. Environmental storytelling: a articulação entre espaço e enredo. Revista Esferas, v. 1, p. 185, out. 2021. Disponível em: https://portalrevistas.ucb.br/index.php/esf/article/view/13119. Acesso em: 3 jun. 2023. LEVY, Joanise. O ensino de roteiro na graduação em cinema e audiovisual. Revista GEMInIS,[ S. l.], v. 12, n. 2, p. 209-226, 2021. DOI: 10.53450/2179-1465. Disponível em: https://www. revistageminis.ufscar.br/index.php/geminis/article/view/623. Acesso em: 3 jun. 2023. LEVY, Joanise; BRANDÃO, Ana Christina de Pina. As marcas do tempo em lavoura arcaica. Revista Água Viva, v. 5, n. 3, 2020. DOI: 10.26512/aguaviva.v5i3.29378. Disponível em: https://periodicos. unb.br/index.php/aguaviva/article/view/29378. Acesso em: 3 jun. 2023. LEVY, Joanise. Os desafios de um curso em construção. RUA – Revista Universitária do Audiovisual, v. 1, 2009. LEVY, Joanise. Juízo final. Goiás: Editora UBE, 2021.(Coletânea Contos do Dia). 173 SIMONE TUZZO Daiana Stasiak Simone Antoniaci Tuzzo nasceu em São Caetano do Sul(SP) em 17 de agosto de 1967. O pai, Nelson Antoniaci, foi vendedor, motorista e gerente. A mãe, Zoraide Leandro Antoniaci, foi operária. Simone tem uma irmã, Shirley. Tuzzo vem do casamento com Mateus, com quem teve os filhos Luca e Gabriel. Com apenas cinco anos frequentava o Educandário Nossa Senhora Aparecida, uma escola de freiras católicas em São Paulo. Aos 15 anos ingressa no curso profissionalizante em Publicidade e Propaganda. Aos 17 anos passou na Universidade Metodista (Umesp) de São Bernardo do Campo(SP) para o curso de Relações Públicas. Aos 21 anos concluiu o curso. Na sequência, até completar os 27 anos, cursa cinco especializações, todas como bolsista, na Umesp: Relações Públicas Governamentais, Comunicação e Cultura Urbana, Comunicação Educação e Sociedade, Diagnóstico da Comunicação de Massa no Brasil, Comunicação Poder e Eleições. Em 1997 obteve o título de mestre em Comunicação Social, na mesma universidade, com a dissertação“Políticas Culturais de São Caetano do Sul – 1988-1996 – Realidade e Perspectivas”, orientada por José Salvador Faro. Trabalhou com o professor José Marques de Melo, de quem tornou-se assessora de comunicação para a Cátedra Unesco de Comunicação, coordenada por ele. O Doutorado em Comunicação e Cultura, por sua vez, foi realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) e orientado por Mohammed El Hajji, com a tese“Televisão e Universidade: 174 MULHERES DA COMUNICAÇÃO a opinião pública in-formação”, obtida no ano de 2003, que se tornou livro em 2005. O Pós-Doutorado foi realizado em 2015, também na UFRJ, com período Sanduíche feito na Universidade Nova de Lisboa. Iniciou sua carreira na área em 1987, quando ainda cursava o segundo ano de Relações Públicas, assumindo atividades em duas instituições: assistente de Relações Públicas na Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São Caetano do Sul e na Fundação das Artes de São Caetano do Sul(SP), onde criou o Departamento de Comunicação. Em 1991 é convidada para assumir a Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Caetano do Sul(SP). Entre 1993 e 1995 retornou para a Fundação das Artes de São Caetano do Sul como assessora de Comunicação, dando continuidade ao trabalho como Secretária de Cultura do Município. Sua carreira no magistério começa em 1997 na própria Umesp, quando atuou como professora do curso de Jornalismo, com a disciplina de Teorias da Comunicação. Entre 1998 e 2009, atuou em Aracaju(SE), pois passou a lecionar na Universidade Tiradentes(Unit), onde foi professora nos cursos de Graduação em Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda e também nos cursos de Pós-Graduação. Neste período foi convidada para trabalhar na gestão da Unit, com a missão de reestruturar o Departamento de Comunicação. Em 11 anos foram diversos projetos, eventos, exercendo uma gestão da comunicação. Em 2006 estrutura o Departamento de Comunicação da Unit para atuar, também, no Centro Universitário Tiradentes, no Estado de Alagoas. Até 2009 esteve em diversos cargos e funções administrativas na área de Comunicação do Grupo Tiradentes, incluindo a chefia do Cerimonial Universitário e Assessoria de Comunicação para os projetos de Extensão e para o Instituto de Tecnologia e Pesquisa. Em meados de 2009 mudou-se com a família para Goiânia, após ser aprovada em concurso público, e ingressou como professora adjunta com dedicação exclusiva do curso de Relações Públicas da Faculdade de Informação e Comunicação(FIC) da Universidade Federal de Goiás(UFG), onde passou a atuar no ensino, pesquisa, extensão e atividades administrativas e de gestão. 175 Também foi membro do Núcleo Docente Estruturante(NDE) do curso de Relações Públicas, fez parte da presidência de comissões administrativas, foi vice-coordenadora do curso, foi coordenadora da Agência Experimental Simetria e participou da comissão organizadora de cerca de 65 eventos realizados na instituição. Paralelamente às atuações na área de Graduação da UFG, em 2010, Simone ingressa no Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM), onde foi responsável pelo projeto de criação do curso de Especialização em Assessoria de Comunicação e Marketing, no qual coordenou e organizou livros-textos produzidos pelos docentes do curso. Na UFG já orientou mais de 42 monografias de especialização, 43 trabalhos de final de curso de Graduação, realizou 54 orientações de outra natureza, como estágios e iniciação científica, dez dissertações de Mestrado e coorientação de três teses de Doutorado. Nas atividades de pesquisa também faz a coordenação do Laboratório de Leitura Crítica da Mídia(LLCM) e dos grupos de pesquisa“Bases epistemológicas para uma leitura crítica da mídia”, “Mídia, Imagem e Cidadania” e“Quando a mídia é notícia”, além de ser pesquisadora do CiCO – Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM) de São Paulo –“Comunicação, consumo e identidades socioculturais”. Entre 2015 e 2018 esteve na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, Intercom, como coordenadora da divisão do Intercom Junior, na modalidade Relações Públicas. Em 2021 mudou-se para Portugal com a família, e desde 2022 atua como coordenadora e professora do curso de Relações Públicas e Gestão da Comunicação da Universidade da Maia(Umaia), lecionando também no curso de Ciências da Comunicação. Na carreira acadêmica, assinou 18 prefácios/apresentações de livros, 70 artigos científicos em revistas nacionais e internacionais e 35 capítulos de livros. É autora, coautora e organizadora de 14 livros, além de ter recebido prêmios e condecorações, com destaque para o título de cidadã Aracajuana e a Medalha do Mérito Legislativo da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás. Como resultados de seus projetos de pesquisa, destacam-se a publicação das obras:“Deslumbramento Coletivo – Opinião Pública, Mídia e Universidade”, fruto de sua tese de doutorado. Na 176 MULHERES DA COMUNICAÇÃO linha de publicação de escritos em parceria está a obra,“Mulheres do sol e da lua: a televisão e a mulher no trabalho”. Por sua vez, o livro“Os sentidos do impresso” é proveniente de uma pesquisa publicada em 2016, que contou com o prefácio do renomado pesquisador Derrick de Kerkhove. Em termos de história de vida, a obra“O sabor da jaca” conta a história do diagnóstico e da superação de um câncer em sua vida. Principais publicações FIGUEIREDO, L. M. F.; TUZZO, Simone Antoniaci. Célebre sociedade. 1. ed. Goiânia: Kelps, 2011. 160 p. V. 1. TUZZO, Simone Antoniaci. Os sentidos do impresso. 1. ed. Goiânia: Cegraf: Cirgráfica, 2016. 240 p. V. 600. TUZZO, Simone Antoniaci. Deslumbramento coletivo: opinião pública, mídia e universidade. 1. ed. São Paulo: Annablume, 2004. 236 p. V. 1000. TUZZO, Simone Antoniaci; TEMER, Ana Carolina Rocha; TONDATO, Marcia Perencin. Mulheres do sol e da lua: a televisão e a mulher no trabalho. Goiânia, GO: Gráfica e Editora América, 2012. TUZZO, Simone Antoniaci. O sabor da jaca. Curitiba: Editora Appris, 2020. 177 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS 178 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Ana Paula Silva Ladeira Costa Professora de Cinema e Audiovisual na UEG. Doutora em Comunicação Social pela UFF, mestre em Comunicação Social pela Umesp e bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF). Pós-doutora em Comunicação Social pela Uerj. ana.costa@ueg.br Ana Rita Vidica Doutora em História pela UFG com Doutorado-Sanduíche na École des Hautes Études en Sciences Sociales(EHESS/Paris). Mestre em Cultura Visual(UFG) e graduada em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda(UFG). Docente e Pesquisadora na Universidade Federal de Goiás, atuando em disciplinas e pesquisas envolvendo imagens, fotografia e estudos decoloniais. ana_rita_vidica@ufg.br Ângela Teixeira de Moraes Doutora em Letras e Linguística pela UFG e pós-doutora em Comunicação pela UnB. Docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFG. Autora, coautora e organizadora de livros com destaque para Comunicação e Discursividade e Cidadania Comunicacional. Desenvolve atividades de Iniciação Científica na Graduação em jornalismo, e na pós vincula-se à linha mídia e cidadania. atmoraes@ufg.br Daiana Stasiak Professora do curso de Relações Públicas da Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal de Goiás. Doutora em Comunicação pelo Programa de PósGraduação em Comunicação da Universidade de Brasília. Mestre em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Midiática da Universidade Federal de Santa Maria, graduada em Relações Públicas pela mesma Universidade. stasiak@ufg.br Fernanda Ribeiro Doutora em Antropologia e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás. Graduação em Rádio e TV e Pós-Graduação em Assessoria em Comunicação e Marketing também pela UFG. Graduação em Jornalismo pela Faculdade SulAmericana, professora de comunicação organizacional e produção audiovisual em cursos de Graduação em comunicação em instituições particulares e federais. fernanda.ribeiro35@gmail.com Janaína Vieira de Paula Jordão Doutora em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás. Mestrado em Comunicação 179 pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Informação e Comunicação da UFG. Graduada em Comunicação Social pela FIC/UFG. Professora no curso de Publicidade e Propaganda da UFG. janainajordao@ufg.br Lara Lima Satler Bolsista Produtividade do CNPq. Doutorado em Arte e Cultura Visual pela Universidade Federal de Goiás, Docente e Pesquisadora na UFG, atuando em disciplinas e pesquisas envolvendo imagens, audiovisual e estudos de recepção no contexto da cultura digital. lara_lima_satler@ufg.br Noêmia Félix da Silva Doutora e mestre em Comunicação Social pela Universidade de Brasília. Especialista em História pela Universidade Federal de Goiás. Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal de Goiás/UFG. Professora no curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Líder-adjunta do Grupo de pesquisa do CNPq, COM.SENTIDO, da PUC Goiás. noemiafelix@terra.com.br Tatiana Carilly Oliveira Andrade Doutora em Educação(PUC-GO), mestre em Comunicação Social(FIC-UFG), graduada em Jornalismo(UFG) e em Pedagogia(Unip). Pós-doutora em Comunicação Social(FIC-UFG). Especialista em Metodologia do Ensino Superior(Faculdade de Educação – UFG) e Língua Portuguesa(Universidade Salgado de Oliveira). Atua na Educação Superior desde 2001. tatianacarilly@gmail.com Thais Rodrigues Oliveira Professora de Cinema e Audiovisual na UEG. Doutora em Performances Culturais pela UFG, mestre em Arte e Cultura Visual pela UFG, bacharel em Comunicação Social/audiovisual pela UEG. Pós-doutora em Comunicação Social pela Ufpe. thais. oliveira@ueg.br 180 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO MATO GROSSO 181 Thiago Cury Luiz 30 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM MATO GROSSO: A GÊNESE DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL E DO PENSAMENTO CIENTÍFICO NO ESTADO Para compreendermos as características do surgimento e do desenvolvimento do campo da Comunicação em Mato Grosso, é necessário, antes, investigar o contexto no qual se deu a sua gênese. No caso específico do Brasil – e o Estado mato-grossense não foge à regra –, a potência científica tem a sua pujança nas Instituições de Ensino Superior(IES), em especial as de natureza pública. Em Mato Grosso existem quatro IESs públicas: Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Universidade Federal de Rondonópolis(UFR), Universidade do Estado de Mato Grosso(Unemat) e a Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT). O foco de nossa atenção ficará sobre as duas últimas, as que possuem cursos de Graduação em Comunicação(Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Cinema e Audiovisual), além de ser da UFMT o único Programa de Pós-Graduação na área. A UFMT foi fundada em 10 de dezembro de 1970 pela Lei nº 5.647, originada da articulação entre a Faculdade de Direito, iniciada em 1934, e o Instituto de Ciências e Letras de Cuiabá, criado em 1966(UFMT, 2023). Atualmente possui 99 cursos de Graduação, 49 de Mestrado e 16 de Doutorado, distribuídos em quatro campi, quais sejam: Araguaia(Pontal do Araguaia e Barra do Garças), Sinop, Várzea Grande e Cuiabá(sede). Os cursos referentes ao Campus de Várzea Grande, em fase de finalização das obras, estão em funcionamento na sede(UFMT, 2023). Até 2018 Rondonópolis constituía um dos Campi da UFMT, desmembrando-se em universidade autônoma em 2018, por meio da Lei nº 13.637 (Reis, 2022). 30 Jornalista, mestre em Comunicação e doutor em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso. Professor do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso. Integra o Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte e o Grupo de Pesquisa em Mídia Política e Democracia. 182 MATO GROSSO MULHERES DA COMUNICAÇÃO A Unemat foi instituída em 15 de dezembro de 1993 por meio da Lei Complementar nº 30, cujo germe é o Instituto de Ensino Superior de Cáceres, criado em 1978. A instituição possui 13 campi: Alta Floresta, Alto Araguaia, Barra do Bugres, Cáceres (sede), Colíder, Diamantino, Juara, Médio Araguaia, Nova Mutum, Nova Xavantina, Pontes e Lacerda, Sinop e Tangará da Serra. Ao todo são 60 cursos de Graduação presenciais, 129 em outras modalidades, 4 Doutorados institucionais, outros 4 interinstitucionais, 3 Doutorados em rede, 11 Mestrados institucionais, 1 Mestrado interinstitucional e 5 Mestrados profissionais(Unemat, 2023). De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Mato Grosso ocupa uma área de mais de 903 mil km 2 , com população superior a 3,5 milhões de habitantes(IBGE, 2021-2022). O território está situado na região central da América do Sul, e, em âmbito brasileiro, abriga três dos seis biomas nacionais: Cerrado, Pantanal e Amazônia. Esse componente faz o Estado ser estratégico na questão socioambiental, ao considerar, também, as populações originárias, quilombolas, ribeirinhas e pantaneiras que aqui vivem com suas histórias, culturas e saberes tradicionais. OS CURSOS DE GRADUAÇÃO: UFMT E UNEMAT UFMT/Cuiabá O primeiro curso de Comunicação Social do Estado, nas habilitações de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Radialismo, nasceu na Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), Campus Cuiabá, criado pela Resolução do Conselho Diretor nº 141, de 5 de dezembro de 1990, durante a administração de Augusto Frederico Müller Júnior(Siqueira; Dourado; Ribeiro, 2011). O objetivo era“atender a uma demanda significativa de formação em nível superior nas áreas de Jornalismo, Radialismo e Publicidade e Propaganda, visando suprir um mercado de trabalho em crescente expansão”(Mattos et al., 2016, p. 6). A fundação do curso remonta a discussões originadas anos antes. Em 1º de junho de 1983, em celebração ao Dia da Imprensa, ocorrida no Palácio Paiaguás, sede do governo de Mato Grosso, o Sindicato dos Jornalistas reivindicou a criação do curso na UFMT, solicitação que contou com o apoio do então governador Júlio José de Campos(Siqueira; Dourado; Ribeiro, 2011). Depois do evento, um coletivo de jornalistas, formado por José Eduardo do Espírito Santo, Ronaldo de Arruda Castro, Benedito Alves de Holanda, Ivan Vidal Pedrosa, Afrânio Borga de Moura, Elarmin Miranda, Sílvio Arguelo, Romeu Roberto da Costa e Martha Arruda, entregou um documento que formalizava o pedido de criação do curso ao então reitor da UFMT, Benedito Pedro Dorileo(Siqueira; Dourado; Ribeiro, 2011). 183 Martha Arruda, única mulher a compor o grupo, dedicou-se ao Magistério na Universidade Federal de Mato Grosso, além de desempenhar atuação de destaque no meio profissional, trabalhando no jornal“Diário de Cuiabá”, no qual produzia e editava a coluna“Quebra Torto”; na revista“Gente que Acontece”, em que atuou como editora; e em assessorias de organizações importantes, como o Sesc e a Petrobras. Ela faleceu em 2017, na cidade do Rio de Janeiro(ABI, 2017; Bosquo; Cavalcanti, 2017). No encerramento da II Semana de Propaganda de Mato Grosso, evento ocorrido entre 12 e 16 de setembro de 1983, o dirigente da instituição anuncia a criação de um grupo de trabalho“incumbido de realizar exaustivo levantamento capaz de subsidiar as discussões sobre a criação de um curso de Comunicação Social na UFMT” (Siqueira; Dourado; Ribeiro, 2011, p. 102). Compuseram o grupo de trabalho Martha Arruda, José Eduardo do Espírito Santo, Mauro Cid Nunes da Cunha e os professores Duílio Mayolino Filho e Luzia Guimarães(Siqueira; Dourado; Ribeiro, 2011). O primeiro vestibular foi promovido entre 17 e 20 de março de 1991, com 45 vagas ofertadas a serem preenchidas semestre a semestre, seguindo determinação da Portaria do Gabinete da Reitoria nº 29/1991 e Resolução nº 01/1991 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão(Consepe)(Mattos et al., 2016). O reconhecimento do curso veio sete anos mais tarde: em 20 de agosto de 1998, por meio da Portaria nº 911 do Ministério da Educação e do Desporto, o curso de Comunicação Social da UFMT teve o seu reconhecimento definitivo, cuja publicação no Diário Oficial da União(DOU) saiu em 24 de agosto de 1998 (Marques Filho et al., 2017), sob a gestão de Fernando Nogueira de Lima(Siqueira; Dourado; Ribeiro, 2011). Eram 90 vagas anuais, distribuídas nas três habilitações: Jornalismo(30), Publicidade e Propaganda(30) e Radialismo(30). A primeira turma ingressou em março de 1991 (1º semestre), com 15 estudantes em cada habilitação. Até o primeiro relatório de reconhecimento emitido com ressalvas, os três cursos formaram, entre 1994/2 e 1997/2, 60 jornalistas, 69 publicitários e 37 radialistas(Ministério da Educação e do Desporto, 1998). O curso possuía 2.835 horas, que poderiam ser integralizadas entre 8(tempo mínimo) e 14 semestres(tempo máximo), com funcionamento no turno matutino. As disciplinas de 30, 60, 75, 90 e 270 horas(Projetos Experimentais) eram comuns às três habilitações até o 3º período do curso(tronco comum), especificando os componentes curriculares, e, portanto, dividindo as turmas a partir do 4º semestre do curso. O corpo docente possuía 1 doutor, 2 doutorandos, 3 mestres, 16 mestrandos, 11 especialistas e 6 graduados, totalizando 39 professoras e professores(Ministério da Educação e do Desporto, 1998). 184 MATO GROSSO MULHERES DA COMUNICAÇÃO Em 2017, com a reformulação do Projeto Pedagógico de Publicidade e Propaganda, o modelo do tronco comum começa a ser substituído pela autonomia dos cursos. Com base na Resolução CNE/CES nº 16/2002 e na Resolução CNE/CES nº 02/2007, a habilitação passa de 2.925 horas para 2.704 horas, com 40 vagas anuais, e não 30, como preconizava a Resolução Consepe nº 192/2009(Mattos et al., 2016). Em 2018 Jornalismo deixa de ser uma habilitação da Comunicação Social, em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais(DCN) para o curso de Graduação em Jornalismo, instituídas em 2013(Resolução CNE/CES nº 01/2013). O bacharelado sai de 2.925 horas para 3.136 horas, contemplando o mínimo exigido pela DCN: 3 mil horas, incluindo o estágio(240 horas) e as atividades de extensão(320 horas), de cunho obrigatório. O ingresso anual passou a ser para o preenchimento de 40 vagas (20 por semestre), 10 a mais que o ciclo anterior(Marques Filho et al., 2017). No mesmo ano, a habilitação de Radialismo dá lugar ao curso de Cinema e Audiovisual, restando à Comunicação Social, nas habilitações de Jornalismo e Radialismo, cujos ingressos seguiram até 2017/2, concluir a formação, processo ainda em andamento em 2024. Em conformidade com a Resolução CNE/CES nº 10/2006 e Resolução CNE/CES nº 02/2007, o curso tem 2.832 horas, com ingresso anual de 30 estudantes (Souza et al., 2017). Do ponto de vista do corpo docente, em 2023 o curso de Jornalismo possuía dez docentes efetivos, todos com doutorado; Publicidade e Propaganda também conta com dez docentes efetivos, sendo sete doutores, dois mestres e um mestrando (especialista); e Cinema e Audiovisual apresenta dez docentes efetivos, dos quais nove são doutores e uma está em processo de Doutoramento. Mesmo com a autonomia dos três cursos, o Departamento de Comunicação foi mantido no organograma da Faculdade de Comunicação e Artes(FCA), ficando o corpo técnico composto por três servidores(um deles vinculado a atividades laboratoriais: planejamento gráfico), responsáveis pelas questões administrativas ligadas à chefia. Desde 2012 cada curso possui um responsável pela coordenação, todas atendidas por uma servidora, somando-se aos outros três do Departamento, que se encarregam dos trâmites processuais de natureza pedagógica, além de um quinto servidor, a quem cabe secretariar o Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM). Os três cursos possuem regime de créditos, as aulas acontecem no período matutino, de segunda à sexta, das 7h30 às 11h30, e o ingresso é via Sisu/Enem, com tempo mínimo de oito e máximo de 12 semestres para a integralização total do fluxo curricular. UFMT/Araguaia A Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), no Campus Araguaia, em Barra do Garças, também possui um curso de Jornalismo. Criado em 30 de junho de 2008, 185 por meio da Resolução nº 55 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão(Consepe) na transição entre as gestões de Paulo Speller(2000-2008) e de Maria Lúcia Cavalli Neder(2008-2016), e obtido o reconhecimento em maio de 2012, foi resultado do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) na administração da reitora Maria Lúcia Cavalli Neder. As aulas ocorriam em espaços improvisados, e o primeiro docente com formação na área atuou no segundo semestre de 2009, ano de ingresso da primeira turma(Silva et al., 2022). No aspecto de recursos humanos, o curso possui oito docentes efetivos da área, sendo seis doutores e dois doutorandos. Em relação ao corpo técnico, são dois servidores destinados às produções laboratoriais do curso, sendo um deles para audiovisual e outro para as produções gráficas(Silva et al., 2022). O curso possui entrada anual de 49 estudantes, 3.056 horas e funciona no período noturno, com integralização de 8 semestres(tempo mínimo) e 12 semestres(tempo máximo). Unemat/Alto Araguaia Após registro da sua criação no Plano Plurianual do Campus de Alto Araguaia em outubro de 2001, o curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, Bacharelado, da Universidade do Estado de Mato Grosso(Unemat), foi aberto em 2006, criado pela Resolução nº 13/2005, por Ad Referendum do Conselho Universitário(Consuni), decisão homologada pela Resolução Consuni nº 22/2005 (Estado de Mato Grosso, 2013). O curso obteve reconhecimento para os três primeiros anos por meio da Portaria nº 15/2010/CEE-MT, publicada no Diário Oficial do Estado(DOE) em 10 de março de 2010, com validade até 9 de março de 2013. A Portaria nº 29/2012/GAB/CEE-MT, de 19 de setembro de 2012, prorrogou o reconhecimento por mais um ano, até 9 de março de 2014. Por fim, mais três anos de reconhecimento foram aprovados pela Câmara de Educação Profissional e de Educação Superior do Conselho Estadual de Educação de Mato Grosso que, em 30 de julho de 2013, aprovou o Parecer nº 30/2013, estendendo a validação do curso até 9 de março de 2017(Governo do Estado de Mato Grosso, 2017). O curso previa 3.390 horas de carga total, disponibilizando 80 vagas anuais no período noturno, definindo 8 semestres(tempo mínimo) e 14 semestres(tempo máximo) para integralização. Entre 2009/2, primeira turma a concluir o curso, e 2016/1 foram diplomados 159 formandos(Governo do Estado de Mato Grosso, 2017). No momento da fundação os docentes efetivos eram lotados nos dois outros cursos do campus: Letras e Computação. Os professores da área atuaram, por meio de contratação temporária, até 2013, ano em que a Unemat realizou o primeiro concurso 186 MATO GROSSO MULHERES DA COMUNICAÇÃO para provimento de cargo docente para o curso. Foram aprovados 12 docentes, sendo uma especialista, uma doutora e dez mestres. Em 2017 o corpo docente específico da área era composto por 13 docentes efetivos(Governo do Estado de Mato Grosso, 2017). O curso manteve-se ativo em Alto Araguaia até o primeiro semestre de 2017, a última turma a ingressar, finalizando a integralização do curso dos últimos graduandos em janeiro de 2021. Com isso, a transição da Graduação para a cidade de Tangará da Serra foi concluída(Governo do Estado de Mato Grosso, 2017). Unemat/Tangará da Serra A primeira turma do curso de Jornalismo da Unemat, Campus Tangará da Serra, ingressou em 2017/2, após a aprovação da Resolução Consuni 38/2016 nos dias 8, 9 e 10 de novembro de 2016(Estado de Mato Grosso, 2021a). O curso possui 3.300 horas, funciona no período noturno e prevê ingresso semestral de 40 estudantes. O tempo de integralização é de, no mínimo, oito semestres(Estado de Mato Grosso, 2021a). O quadro docente efetivo é o mesmo de Alto Araguaia, mudando apenas os nomes e a quantidade de docentes substitutos. Tendo em vista a qualificação do corpo docente com título de mestre, a Unemat firmou parceria com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro(Uerj) em torno do Doutorado Institucional(Dinter) em Comunicação, entre 2020 e 2024. Unemat/Rondonópolis Com tratativas iniciadas em 2015, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Conepe) da Universidade do Estado de Mato Grosso aprovou o Projeto Pedagógico do Curso(PPC) Turma Fora de Sede de Bacharelado em Jornalismo por meio da Resolução nº 18/2021, nos dias 29 e 30 de junho de 2021(Estado de Mato Grosso, 2021b), repetindo experiência anterior empreendida em Alta Floresta. O PPC previa o ingresso de 100 estudantes, sendo 50 para compor a turma do período matutino e a outra metade para integrar a turma do noturno, em um curso com 3.278 horas a serem integralizadas entre 8 e 12 semestres. Até o segundo semestre de 2023, a turma se encontrava em processo de formação. O CENÁRIO DA PÓS-GRADUAÇÃO E O FOMENTO À PESQUISA PPGCOM/UFMT: o primeiro Mestrado em Comunicação do Estado Mato Grosso foi o último Estado da região Centro-Oeste a possuir um programa de Pós-Graduação em Comunicação. Em 8 de agosto de 2019 o Conselho de Ensino, 187 Pesquisa e Extensão(Consepe) aprovou, por meio da Resolução nº 104/2019, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso(PPGCOM/UFMT)(PPGCOM,[2019?]). Pouco mais de três meses adiante, em 28 de novembro, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), responsável pela avaliação, expansão e consolidação da Pós-Graduação stricto sensu no país, recomendou a efetivação da proposta, cujo funcionamento ocorreria a partir de 2020, ano em que os cursos ligados à Comunicação Social completariam 30 anos e a UFMT meio século de existência. Em agosto, após aguardar a homologação do parecer do Conselho Nacional de Educação(CNE) pelo ministro da Educação, que ocorreu por intermédio da Portaria nº 540, de 15 de junho de 2020, a primeira turma iniciou as atividades. A criação do PPGCOM remonta ao início de 2019: o Colegiado do Departamento de Comunicação definiu uma Comissão que ficou responsável por construir a proposta. A Comissão, composta por docentes dos três cursos(Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Cinema e Audiovisual), mesclando pesquisadores recém-chegados à instituição e outros com trajetória de mais tempo em pesquisas na UFMT, elaborou a proposta. Bruno Bernardo de Araújo(responsável pelo encaminhamento da proposta e primeiro coordenador do Programa), Pâmela Saunders Uchôa Craveiro, Tamires Ferreira Coêlho, Luãn José Vaz Chagas, Letícia Xavier de Lemos Capanema, Cristóvão Domingos de Almeida, Andrea Ferraz Fernandez, Jociene Carla Bianchini Ferreira Pedrini, Vinicius Guedes Pereira de Souza e Liziane Soares Guazina, conceberam o Programa no Aplicativo para Propostas de Cursos Novos(APCN), aquele que seria o primeiro – e, por ora, único – Programa de Pós-Graduação em Comunicação de Mato Grosso. A área de concentração é Comunicação e Poder, que“agrega discussões políticas que ultrapassam a concepção partidária, articulando processos socioculturais, simbólicos e mediações comunicativas a partir de uma perspectiva cidadã, da comunicação como arena de debate público, das possibilidades de desenvolvimento democrático, de representação das diversidades e formatos comunicativos possíveis diante dos desafios impostos pela contemporaneidade”(PPGCOM,[2019?]). A partir disso, constituem-se duas linhas de pesquisa, quais sejam: Política e Cidadania e Estéticas e Narrativas, entre as quais se distribuem pesquisadoras e pesquisadores do Programa, sendo, também por meio delas, a vinculação de mestrandas e mestrandos. Enquanto a primeira“se concentra nas relações de sociabilidade, a partir de sujeitos e objetos imbricados em Relações de Poder e em devires cidadãos”(PPGCOM, [2019?]), a segunda“enfatiza as configurações da materialidade dos objetos midiáticos, principalmente quanto às questões estéticas e narrativas que refletem estruturas discursivas e produzem sentidos”(PPGCOM,[2019?]). 188 MATO GROSSO MULHERES DA COMUNICAÇÃO Em 2022 o PPGCOM foi contemplado com duas bolsas de Pós-Doutorado, com vigência de 24 meses cada uma, no âmbito do Programa Nacional de Pós-Doutorado e do Edital Capes nº 16/2022. Em fevereiro de 2023 a primeira bolsa foi instituída, estando a pesquisa em andamento no escopo do projeto“Comunicação e poder em tempo de crises: desinformação, populismos e reconfigurações da esfera pública”. Com duração entre 18 e 24 meses, o percurso no Mestrado pressupõe o cumprimento de 12 créditos em disciplinas obrigatórias, 8 em optativas e 4 em atividades curriculares. A estrutura curricular apresenta 11 componentes optativos, sendo 2 no formato de Tópico Especial, e 3 disciplinas obrigatórias: uma ligada à epistemologia (Comunicação e Poder: perspectivas teóricas e epistemológicas), uma relacionada à metodologia(Metodologias de Pesquisa em Comunicação) e outra dedicada a tencionar o projeto de pesquisa(Seminário de Pesquisa). Em setembro de 2023, após dois editais de credenciamento(2020 e 2022), o PPGCOM contava com 15 docentes em seu quadro, sendo 12 permanentes e 3 colaboradores. Houve o ingresso(anual) de quatro turmas(2020, 2021, 2022 e 2023): as 3 primeiras com 10 discentes em cada uma e a última, com a ampliação de vagas, apresenta-se com 13 ingressantes. Até 2023, 16 mestres foram diplomados pelo PPGCOM, havendo outros trabalhos aprovados no exame de qualificação em vias de proceder a defesa final entre o fim de 2023 e o início de 2024. A COMUNICAÇÃO NO RADAR DE OUTROS PROGRAMAS Outras iniciativas de pesquisa na área da Comunicação em Mato Grosso, vinculadas a programas de Pós-Graduação, são identificadas na UFMT. No Programa de PósGraduação em Estudos de Cultura Contemporânea(PPGECCO), criado em 2007, há três linhas de pesquisa em nível de Mestrado e Doutorado, sendo uma voltada à Comunicação: Comunicação e Mediações Culturais; as outras duas são Poéticas Contemporâneas e Epistemes Contemporâneas(ECCO, 2023). O Programa de Pós-Graduação em Educação(PPGE), fundado em 1988(PPGE, 2023), não possui linha de pesquisa que contemple o campo da Comunicação. No âmbito do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA), vinculado a uma das cinco linhas de pesquisa(Movimentos Sociais, Política e Educação Popular), no entanto, o PPGE já desenvolveu pesquisas de Mestrado e Doutorado na área, algo ocorrido de forma semelhante no Programa de PósGraduação em Ensino do Instituto Federal de Mato Grosso(IFMT), em cooperação com a Universidade de Cuiabá(Unic)(PPGEN, 2023), instituído em 2019(DOU, 2019), com pesquisas de Mestrado dedicadas à interface entre Comunicação e Educação em nível de Mestrado. 189 MESTRADO E DOUTORADO INSTITUCIONAIS Antes de completarem dez anos de existência e diante da inexistência de um Programa de Pós-Graduação na área, a parceria entre a Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT) e a Universidade de São Paulo(USP), entre 1998 e 2000, viabilizou o Mestrado Institucional(Minter) em Comunicação, permitindo a qualificação do corpo docente, sendo a maior parte proveniente do mercado profissional. Uma década mais tarde, entre 2010 e 2014, a UFMT e a Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG) criaram o Doutorado Institucional(Dinter), que ensejou o incremento da formação de professoras e professores no Departamento de Comunicação e nos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) e Estudos de Cultura Contemporânea(PPGECCO). Mais recentemente, em 2019, o convênio entre a Universidade do Estado de Mato Grosso(Unemat) e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro(Uerj) aprimorou a qualificação do quadro docente efetivo do curso de Jornalismo, Campus Tangará da Serra, por meio do Dinter em Comunicação. O FOMENTO À PESQUISA EM MATO GROSSO Em relação ao financiamento, além de editais específicos das IES, a contemplar pesquisadores dos diversos programas, há a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso(Fapemat), órgão responsável pelo financiamento da ciência no Estado. A Fapemat foi instituída pela Lei nº 6.612, de 21 de dezembro de 1994, com funcionamento a partir de setembro de 1997. A entidade é vinculada à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia(Secitec), sendo a sua finalidade o amparo à pesquisa básica, experimental, aplicada e tecnológica, visando a ampliar o conhecimento científico, tecnológico e suas aplicações no desenvolvimento econômico e social do Estado de Mato Grosso(Fapemat, 2021). Em 2024 a Fundação oferece 16 modalidades de bolsas, divididas em 62 categorias de valores(Governo do Estado de Mato Grosso, 2023). A FORMAÇÃO NAS INSTITUIÇÕES PRIVADAS DE ENSINO SUPERIOR DE MATO GROSSO Nos anos derradeiros do século 20 e nas duas primeiras décadas do século 21, algumas instituições particulares de Mato Grosso contribuíram(ou ainda contribuem) para a formação profissional na área da Comunicação, com destaque aos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. A Universidade de Cuiabá(Unic) e o Centro Universitário Cândido Rondon 190 MATO GROSSO MULHERES DA COMUNICAÇÃO (Unirondon) instituíram os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. O Centro Universitário Várzea Grande(Univag), o curso de Publicidade e Propaganda e o Instituto Varzeagrandense de Educação(IVE), o curso de Jornalismo. Em 2024 a Unic manteve a oferta dos dois cursos, sendo Jornalismo na modalidade on-line e Publicidade e Propaganda presencial ou EaD, além de Publicidade e Propaganda – Marketing – Bacharelado(modalidade on-line); Marketing – Tecnológico (modalidade híbrida ou on-line); Marketing Digital – Tecnológico(modalidade híbrida ou on-line); Produção Audiovisual – Tecnológico(modalidade on-line); e Superior de tecnologia em produção audiovisual(modalidade on-line)(Unic, 2023). Com a aquisição, em 2012, da Unirondon pelo Grupo Kroton Educacional, a instituição foi fundida à Unic(Freitas, 2012), fazendo com que os cursos fossem extintos anos depois. A Univag preserva Publicidade e Propaganda no formato presencial, além de Técnico em Marketing( on-line e ao vivo), enquanto o IVE teve o curso de Jornalismo extinto em 2011(Repórter MT, 2011). Outras instituições do Estado também ofertaram ou disponibilizam formação na área, tais como a Unifasipe(Sinop) com Jornalismo(Unifasipe); Instituto Cuiabá de Ensino e Cultura(Icec/Cuiabá), cujos cursos de Publicidade e Propaganda e Gestão em Marketing já foram extintos; e Faculdade Cenecista de Rondonópolis(Facer), que já ofertou o curso de Comunicação Social/Jornalismo, hoje extinto. PUBLICAÇÕES, EVENTOS, ASSOCIAÇÕES E PREMIAÇÕES A revista Comunicação, Cultura e Sociedade foi fundada em 2012 pelos professores Antonio Sardinha, Lawrenberg Advíncula da Silva e Marli Barboza. O periódico é vinculado ao curso de Jornalismo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), sendo a primeira publicação do Estado com escopo na Comunicação.“O seu objetivo é fomentar a pesquisa, bem como o diálogo entre os pares, a fim de amadurecer o campo de estudos entre as faculdades de Jornalismo, Publicidade e áreas afins da Comunicação”(Revista..., 2023). Entre 2013 e 2022 a revista teve 14 números publicados, e já publicou 166 manuscritos entre editoriais, artigos, ensaios, entrevistas e resenhas de cientistas de Mato Grosso e outros Estados. A produção bibliográfica publicada em livros tem, além de editoras privadas, dois centros importantes em Mato Grosso, vinculados às instituições públicas do Estado: EdUFMT e Editora Unemat. Estas e outras editoras mato-grossenses de localidades diversas já publicaram livros autorais ou organizados, além de capítulos de docentes vinculados aos cursos de Comunicação de Mato Grosso. Em relação aos eventos acadêmicos, a Unemat, enquanto tinha o curso sediado em Alto Araguaia, promovia duas atividades por ano: o simpósio, que contava com 191 convidados de outras instituições e locais, e o colóquio, ocasião reservada aos diálogos internos. Em Tangará da Serra o curso organiza, anualmente, a Semana de Jornalismo. A UFMT, sem periodicidade definida, promove a Semana da Comunicação, com iniciativa importante dos estudantes dos cursos na organização das atividades. Além disso, há os eventos regionais e nacionais, que, de forma itinerante, são organizados e sediados em Mato Grosso. A Universidade Federal de Mato Grosso promoveu o evento regional da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar) em 2014: 2º Encontro Centro-Oeste de História da Mídia. A 4ª edição do evento, em 2018, foi sediada pela Unemat, Campus Tangará da Serra. As últimas edições regionais da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), organizadas pela UFMT, foram em 2011, 2017 e 2022, sendo a mais recente coorganizada pelos cursos de Comunicação do Campus de Cuiabá e de Barra do Garças. Outro evento, em sua edição regional, foi promovido pela UFMT, Campus Araguaia, em 2023: 1º Encontro de Ensino de Jornalismo da Região Centro-Oeste(1º Erejor Centro-Oeste), da Associação de Ensino de Jornalismo(Abej). Dois eventos importantes de abrangência nacional foram sediados pela UFMT, Campus Cuiabá: a XVII Conferência Brasileira de Folkcomunicação(Folkcom), em 2015; e o IV Simpósio Nacional de Rádio, em 2021. Em termos internacionais, o campo da Comunicação em Mato Grosso promoveu o 1º Encontro Multimundos Brasil, em 2018, e o Seminário Internacional“Comunicar Ciência: Democracia, Comunicação e Audiovisual”, nos meses de maio e junho de 2022(PPGCOM, 2022). O Estado de Mato Grosso não conta com nenhuma associação ou entidade que represente o campo da pesquisa em Comunicação, cabendo aos cientistas a articulação em entidades e redes nacionais e internacionais. No campo profissional, a categoria dos jornalistas é representada pelo Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso(Sindjor-MT), fundado em 7 de junho de 1972. O órgão, por sua vez, possui delegados que o representam na Federação Nacional dos Jornalistas(Fenaj), além de ser filiado à Central Única dos Trabalhadores(CUT) (Sindjor/MT, 2014). Ademais, o Estado conta com o Sindicato das Agências de Propaganda do Estado de Mato Grosso(Sinapro-MT), de natureza patronal(Sinapro MT, 2023), e com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual(Sindcine), inaugurado em 11 de julho de 1963, que abarca sete Estados: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins(Sindcine, 2023). Os principais prêmios, também de abrangência nacional, são os seguintes: a Intercom promove a Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação(Expocom), 192 MATO GROSSO MULHERES DA COMUNICAÇÃO destinada aos trabalhos experimentais em Comunicação concretizados por graduandos ou recém-graduados; o Troféu Luiz Beltrán, cedido em quatro categorias: Liderança Emergente, Maturidade Acadêmica, Grupo Inovador e Instituição Paradigmática; Prêmios Estudantis, troféu destinado à melhor monografia(Graduação) do ano; e Troféu José Marques de Melo, concedido ao pesquisador de destaque da região que sedia o evento nacional. A Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) promove concurso anual de teses(Doutorado) e dissertações(Mestrado), enquanto a Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política(Compolítica) o faz por biênio. A Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor), oferece o Prêmio Adelmo Genro Filho, dividido em cinco categorias: Iniciação Científica; Mestrado; Doutorado; Pesquisa Aplicada; e Sênior, contemplando, portanto, Graduação e Pós-Graduação. A Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual(Socine) premia, todos os anos, as melhores teses e dissertações do campo interdisciplinar do Cinema e do Audiovisual. Do ponto de vista local, a única premiação científica é concedida pela Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), no âmbito da Mostra de Pós-Graduação, classificando as melhores pesquisas de cada Programa de Pós-Graduação. Acerca da produção comunicacional, a UFMT promove a Mostra de Audiovisual Universitário e Independente da América Latina(Maual), com 22 edições realizadas até 2023, premiando os melhores trabalhos. A partir da atuação do Cineclube Coxiponés – a UFMT, no Campus Araguaia, abriga outro cineclube, o Roncador –, a Maual congrega as produções selecionadas em duas categorias na Mostra Competitiva: Universitário(documentário, ficção e experimental) e Independente(com as mesmas subdivisões). Na Mostra Paralela as configurações repetem-se(Maual, 2023). Fora da universidade há o Prêmio Centro América de Criação Publicitária, com 26 edições realizadas, dividido em quatro categorias: TV, Rádio, Internet e Acadêmico, este último aberto a criações de estudantes regularmente matriculados nos cursos de Publicidade e Propaganda do Estado(Prêmio..., 2023). Em 2023 a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso(Aprosoja-MT) promoveu o 1º Prêmio Aprosoja de Jornalismo, com as seguintes categorias: Destaque Regional(baixada cuiabana, oeste, sul e norte); Internet/Web; TV; Rádio; e Impresso(PNB On-line, 2023). Entre os anos 1990 e as duas primeiras décadas do século seguinte, destacaram-se como pioneiros no cenário mato-grossense o Prêmio Gazeta de Comunicação e o Prêmio Jovem Talento. Enquanto o primeiro fomentava a disputa entre os profissionais, muitos deles egressos dos cursos da UFMT, o segundo abria espaço a estudantes de Comunicação da própria Universidade Federal de Mato Grosso, além da Universidade de Cuiabá(Unic) e do Centro Universitário Cândido Rondon(Unirondon). 193 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Desde 1983, quando se iniciavam as primeiras discussões sobre a efetivação do curso de Comunicação na UFMT, o primeiro do Estado, até 2023, quatro décadas transcorreram e muito se construiu: Jornalismo(Cuiabá, Barra do Garças e Tangará da Serra), Publicidade e Propaganda, Radialismo e Cinema e Audiovisual(os três sediados em Cuiabá) formam o cenário da Graduação no Estado. No âmbito da Pós-Graduação, o primeiro programa em Comunicação de Mato Grosso, inaugurado em 2020, veio para qualificar a mão de obra existente, além de potencializar as pesquisas no campo, antes apenas ocorridas na Graduação. O passo adiante almejado é o Doutorado em Comunicação pelo PPGCOM/UFMT, que poderá acontecer a partir de 2025. Para tanto, será preciso superar alguns obstáculos já dados de antemão: investimento em infraestrutura(criação e ampliação de espaços didáticos e laboratoriais), expansão de recursos humanos(sem superar o déficit docente na Graduação não há caminho possível à pós) e alocação mais distributiva do orçamento entre as diversas áreas e subáreas do conhecimento. Ao incrementar esses três pilares e apresentando três polos importantes de produção do conhecimento e reflexão – Cuiabá, Barra do Garças e Tangará da Serra –, com elevada presença de pesquisadoras e pesquisadores com Doutorado concluído ou em estágio de finalização, Mato Grosso desponta como um centro proeminente no campo da Comunicação. Referências ABI. Associação Brasileira de Imprensa. Morre no Rio aos 79 anos a jornalista Martha Arruda. 2017. Disponível em: https://www.abi.org.br/morre-no-rio-aos-78-anos-a-jornalista-martha-arruda/. Acesso em: 27 abr. 2024. BOSQUO, João; CAVALCANTI, Enock. A alegria contagiante de Martha Arruda nos deixou. 2017. Disponível em: https://www.diariodecuiaba.com.br/dc-ilustrado/a-alegria-contagiante-de-martha-arrudanos-deixou/505741. Acesso em: 27 abr. 2024. DOU. Portaria n º 609, de 14 de março de 2019. Disponível em: https://dpiex.cba.ifmt.edu.br/media/filer_ public/fc/68/fc68e2c2-efe7-44d1-ac3d-17b6382cbd9f/ppgen_unic_ifmt_reconhecimento_port_no_609_ de_18_03_2019.pdf. Acesso em: 14 set. 2023. ECCO. Estudos de Cultura Contemporânea. Apresentação. Disponível em: https://ecco.ufmt.br/ apresentacao/. Acesso em: 14 set. 2023. ESTADO DE MATO GROSSO. Relatório de visita in loco. Cuiabá: Conselho Estadual de Educação, 2013. (Arquivo em PDF). ESTADO DE MATO GROSSO. Resolução nº 032/2021 – Conepe, 2021a.(Arquivo em PDF). ESTADO DE MATO GROSSO. Resolução nº 018/2021 – Conepe 2021b.(Arquivo em PDF). FAPEMAT. Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso. Carta de Serviço. 2021. Disponível em: https://www.fapemat.mt.gov.br/documents/363786/18267334/Carta+de+Serviço/9f4d2762-70e5ff1c-cf85-c1ab9275a3a0. Acesso em: 16 jun. 2023. 194 MATO GROSSO MULHERES DA COMUNICAÇÃO FREITAS, Firas. Kroton adquire Unirondon por R$ 22 mi. 2012. 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É casada com José Meirelles Filho. Cursou o primário no colégio Marília Matoso e o ginásio e colegial no Colégio Plinio Leite, em Niterói(RJ). Graduou-se em Jornalismo e Editoração pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, em 1980. Na cidade natal fez estágio na Rede Globo, trabalhou no jornal O Fluminense e foi assessora de comunicação da Golden Cross. Em 1984 mudou-se para Cuiabá(MT) para acompanhar o marido. Ocupou a função de chefe de reportagem da TV Centro-América, afiliada da Rede Globo, e de chefe de reportagem do jornal A Gazeta de Cuiabá. Participou do primeiro concurso para professores do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), Campus Cuiabá, quando foi aprovada entre os cinco docentes nomeados, em 1992, para lecionar para as primeiras turmas de Jornalismo, Publicidade Propaganda e Radialismo. As disciplinas que inicialmente ministrou foram as de Introdução às Técnicas Fotográficas, Fotojornalismo e Planejamento Gráfico, todas do curso de Jornalismo. Kátia desempenhou importante papel na estruturação dos cursos de Comunicação Social da UFMT(Jornalismo, Radialismo e Publicidade e Propaganda), e exerceu a função de chefe de Departamento de Comunicação Social entre 1996 e 1998 e de 2006 a 2008, sempre com dedicação exclusiva. 198 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO No final da década de 1990 foi a interlocutora e responsável da UFMT, junto a Universidade de São Paulo(USP), para a criação de um Programa de Mestrado Interinstitucional(Minter) na área das Ciências da Comunicação. Cursou o Mestrado oferecido, junto com outros 17 professores, e defendeu em 2000 a dissertação Política de Comunicação para a Universidade Federal de Mato Grosso:“a Universidade da Selva”, fundação mantenedora da UFMT. Em 2001 participou de um curso de aperfeiçoamento em Novas Tecnologias em Marketing e Comunicação na Universidade da Flórida(EUA), onde expandiu conhecimentos nas áreas de relações públicas, comunicação e marketing, além do jornalismo empresarial. Na sequência, abraçou o projeto de criação da TV Universidade, que se tornou campo de estágio para estudantes do curso de Jornalismo e Radialismo, além de oferecer à comunidade mato-grossense uma programação de qualidade. No início dos anos 2000 – com o financiamento da Secretaria de Cultura do Estado e o apoio da Lei de Incentivo à Cultura –, idealizou e dirigiu o projeto Imagem da Terra, produzindo 14 documentários sobre a cultura mato-grossense e cuiabana. Entre os audiovisuais – que foram transmitidos na TV da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, apresentados em festivais e distribuídos em escolas da rede pública(https://www.youtube.com/@ katialuziabrandaocaldasmei3249/about) –, pode-se destacar o que conta a história da primeira capital mato-grossense( Vila Bela da Santíssima Trindade – a primeira Capital de Mato Grosso); alguns documentários que apresentam as festas regionais(a exemplo de Anji Ytambiely – Festa do Milho); outros que contam histórias de personalidades da região(como Professor Carlos Reiners – o último comunista convicto do Pantanal – e Dunga Rodrigues – ontem, hoje, por toda a vida); além do filme Arte Aqui é Mato, que fala do potencial artístico e cultural das artes-plásticas em Mato Grosso. Em 2010 Kátia ingressou no Programa de Doutorado Interinstitucional da UFMT e da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), mas, por problemas de saúde, não concluiu o curso, aposentando-se também das atividades de docência da Universidade no mesmo período. 199 MARIA HELENA ANTUNES Eveline dos Santos Teixeira Baptistella Maria Helena Antunes nasceu no dia 5 de janeiro de 1954 no município de Guaraçaí(SP), onde cursou os Ensinos Fundamental e Médio. É mãe de Leonardo, Mariana e Carolina, e filha de Joaquim Antunes, torneiro mecânico, e Mercedes Chagas Antunes, costureira. Entre 1972 e 1975 graduou-se Bacharel em Jornalismo pela Fundação Armando Álvares Penteado(FAAP). Logo em seguida mudou-se para a França e fez duas especializações: Jornalismo Econômico e Língua e Civilização Francesa, ambas na Universidade de Paris. No início da década de 1980 retornou ao Brasil, estabelecendo residência em São Paulo, onde trabalhou nos jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e Gazeta Mercantil. Na segunda metade dos anos 1980 mudou-se para Rondonópolis(MG), onde atuou como redatora-chefe do Jornal Novo Tempo e como correspondente do Diário de Cuiabá. Em 1991 especializou-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), quando defendeu o trabalho de conclusão de curso denominado“O Campo das Ciências Sociais”. No ano seguinte fez concurso para professor do recém-criado Departamento de Comunicação da UFMT e foi aprovada em primeiro lugar. Em 1992 assumiu o cargo e foi escolhida para ser a chefe do Departamento de Comunicação, que englobava os cursos de Jornalismo, Rádio e TV, e Publicidade e Propaganda. No posto, contribuiu para a introdução do primeiro plano de curso, bem como da estrutura de laboratórios das três habilitações oferecidas pelo Departamento de Comunicação. 200 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Em 1994 ingressou no Mestrado em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo. Em 1999 defendeu a dissertação “A utilização da informação jornalística no Ensino Médio”, em Cuiabá(MT). No mesmo ano consolidou a parceria que resultou no primeiro Programa de Mestrado Interinstitucional em Comunicação da UFMT. Entre 1998 e 1999 tornou-se colaboradora da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação e Cultura(MEC), prestando consultoria. No mesmo período foi consultora do governo de Mato Grosso, numa iniciativa inédita no Estado: a criação de um programa na TV aberta com uma metodologia de trabalho para a elaboração de programas que contemplavam a teoria e a vivência prática dos professores da rede pública. Em 1999 passa a colaborar com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial(Senac) em diferentes projetos que englobam o vínculo entre Educação e Comunicação. Em 2001, passou a residir na cidade de Santos(SP). Entre 2001 e 2004, passou a trabalhar como orientadora de projetos e consultora da Fundação de Apoio à Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Em 2016 ingressou no Doutorado em Educação na Universidade de São Paulo. A tese“Educação ambiental e metodologias ativas: caminhos e perspectivas”, foi defendida em 2020. Durante sua trajetória também se dedica à literatura, trabalhando como professora de escrita criativa e como mentora de futuros escritores. Entre as obras de destaque está o livro Mulheres voluntárias: experiências empreendedoras no Terceiro Setor. Publicou, ainda, Cartas de amor: para viver melhor o amor e saborear mais a vida, além de assinar artigos de divulgação científica sobre a área de comunicação escrita, com destaque para o trabalho“A importância da comunicação escrita na era das mensagens instantâneas.” Principais publicações ANTUNES, Maria Helena. Comunicação e educação: uma interrelação para a plena cidadania. Identidades e Saberes: Novas Perspectivas em Educação, Revista Trimestral, João Monlevade, MG: Secretaria Municipal de Educação, v. 1, n. 1, p. 22-24, 2003. ANTUNES, Maria Helena; RIBAS JÚNIOR, Fábio Barbosa. Avaliação: um imperativo metodológico e ético para a melhoria da educação 201 pública. Identidades e Saberes: Novas Perspectivas em Educação, Revista Trimestral, João Monlevade, MG: Secretaria Municipal de Educação, v. 1, n. 3, p. 6-11, 2003. ANTUNES, Maria Helena; RIBAS JÚNIOR, Fábio Barbosa. Mulheres voluntárias: experiências empreendedoras no terceiro setor. 1. ed. São Paulo: Prêmio, 2002. p. 131. V. 3.000. ANTUNES, Maria Helena. Estação de trabalho de comunicação – manual para desenvolvimento de comunicação oral e escrita para jovens adolescentes que querem ingressar no mercado de trabalho. In: SENAC-SP-CTG(org.). Série Competências para o Trabalho e a Cidadania. São Paulo: Senac, 2001. ANTUNES, Maria Helena. Planejando a utilização pedagógica de TV e Vídeo na Escola. In: SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA/ MEC(org.). TV na escola e os desafios de hoje: curso de extensão para professores do Ensino Fundamental e Médio da rede pública Unirede e Seed/MEC. 1. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2000. p. 85-110. V. 3. ANTUNES, Maria Helena. A importância da comunicação escrita na era das mensagens instantâneas. Disponível em: https://www.linkedin.com/pulse/import%25C3%25A2ncia-dacomunica%25C3%25A7%25C3%25A3o-escrita-na-era-das-helenaantunes/?trackingId=MGBiTiDDQcm2bK7zNBQWCQ%3D%3D% 3E. Acesso em: 12 nov. 2024. 202 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO SÔNIA ZARAMELLA Tamires Coêlho Sônia Maria Duarte Zaramella nasceu em Cuiabá(MT) em 19 de abril de 1953. Filha de Nelly de Almeida Duarte e Álvaro Benedito Duarte, mudou-se aos 16 anos para Brasília – recém-concluída e em plena ditadura militar – a fim de concluir o equivalente ao Ensino Médio. O avô materno, Félix Lopes de Almeida, foi editor do jornal católico mato-grossense A Cruz. Conhecido como“Álvaro Alfaiate”, foi vereador da União Democrática Nacional(UDN) por três legislaturas, além de ter sido presidente do Centro Operário de Cuiabá. Sônia integrou a primeira turma de Jornalismo do Centro Universitário de Brasília(Uniceub) em 1971, e concluiu a Graduação em 1974. Estagiou no Jornal do Brasil(JB) e no jornal O Globo em Brasília. Neste último periódico permaneceu por cinco anos até migrar para a Assessoria do Ministério da Saúde, onde trabalhou com campanhas públicas de combate a doenças, como poliomielite e sarampo. Viajou por vários Estados e regiões de difícil acesso, formando comunicadores para lidar com campanhas públicas. Após 12 anos radicada em Brasília, retornou a Cuiabá como funcionária da Empresa Brasileira de Notícias(EBN), atual Empresa Brasil de Comunicação(EBC). Chefiou a sucursal de jornalismo da EBN em Mato Grosso, onde trabalhou com locução para o programa “Voz do Brasil” e foi responsável pela primeira transmissão ao vivo do programa. Também trabalhou durante cinco anos como correspondente do jornal Correio Braziliense, e, dentre as coberturas históricas das quais participou, estiveram o enterro do presidente Juscelino Kubitschek e a ocupação da UnB em 1977. Sônia também atuou em organizações como a Secretaria de Comunicação do Estado de Mato Grosso e a assessoria do Ministério Público. 203 Docente fundadora do curso de Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), criado em 1990, ministrou disciplinas como“Realidade Regional em Comunicação” e“Redação e Expressão Oral”. Levou os desafios regionais para a pesquisa que iniciou em 1997 no Mestrado em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo(USP). A dissertação“A Comunicação em Mato Grosso – Um Panorama do Jornal, do Rádio e da Televisão Pós-Divisão do Estado”, foi defendida em 2000. Em mais de uma década vinculada à UFMT, assumiu disciplinas diversas, cargos administrativos, orientou dezenas de trabalhos de conclusão de curso e destacou-se também como parte do corpo docente engajado na luta por condições melhores de trabalho e laboratórios apropriados. O primeiro evento acadêmico que organizou na UFMT foi um Simpósio Regional de Pesquisa em Comunicação, em 1997, criado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Após a aposentadoria da Universidade Federal de Mato Grosso, em 2003, passou a ser docente do Centro Universitário Cândido Rondon(UniRondon), dando continuidade à pesquisa com ênfase na comunicação regional e ministrando disciplinas de “Redação Jornalística”,“Assessoria de Comunicação Integrada” e de “Realidade Regional em Comunicação”. Participou como consultora durante dez anos junto a Fundação Uniselva, entidade de apoio às instituições de Ensino Superior em Mato Grosso, além de atuar em revisões de relatórios de pesquisas eleitorais e de mercado. A ausência de informações concretas sobre o número de emissoras em Mato Grosso e a carência de publicações, renderam pesquisas e publicações, como o artigo“Realidade Regional em Comunicação” e o capítulo“Nas pesquisas dos mato-grossenses, a estreia e a investigação da comunicação local”, publicado em uma coletânea de José Marques de Melo e Jorge Duarte. Ressalta-se, também, o interesse pela participação popular nos processos comunicativos, como demonstrou no trabalho“No começo de tudo, a participação popular”. Sônia Zaramella tem o jornalismo como principal interesse em sua trajetória: uma prática social localizada e regionalmente comprometida. Principais publicações ZARAMELLA, Sônia. Nas pesquisas dos mato-grossenses, a estréia e a investigação da comunicação local. In: MELO, José Marques de; 204 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO DUARTE, Jorge(org.). Memórias das ciências da comunicação no Brasil – os grupos do Centro-Oeste. Brasília: Unesco, 2001. p. 315327. ZARAMELLA, Sônia. No começo de tudo, a participação popular. In: ENCONTRO NACIONAL DA REDE ALFREDO DE CARVALHO, 2., 2004, Florianópolis. Anais[...]. Florianópolis: Alcar, 2004. ZARAMELLA, Sônia. Realidade regional em comunicação. Revista de Educação Pública, v. 4, p. 67-72, 1995. 205 MARLUCE SCALOPPE Janaina Sarah Pedrotti Marluce de Oliveira Machado Scaloppe é natural de Alta Araguaia (MT). Nasceu em 15 de setembro de 1963, filha de pais imigrantes: Modesto Machado e Lily de Oliveira Machado. Recebeu educação de influência católica e chegou a morar em um internato de freiras. Aos 12 anos cursou o Ginásio em Goiânia(GO), na companhia apenas dos irmãos Cleverson e Cleverlan. Em 1980 iniciou Graduação em Jornalismo, em Uberaba(MG), na Sociedade Educacional Uberabense(Uniube). Já no primeiro ano integrou a Direção do Centro Acadêmico Estudantil e participou do Congresso da União Nacional dos Estudantes(UNE), experiência que contribuiu para a sua formação crítica. Concluiu a Graduação – em 1986 – na Cásper Líbero, primeira faculdade de Jornalismo do Brasil, em São Paulo(SP). Em 1989 conquistou seu primeiro emprego na área, atuando como repórter na TV Centro América(TVCA), emissora de televisão em Cuiabá, afiliada à TV Globo. Sua saída da empresa acabou atrelada ao movimento grevista. Naquele mesmo ano Marluce assumiu a direção estadual do Sindicato dos Jornalistas, na chapa presidida por Selma Alves e, depois, substituída por Regina Deliberai. A presença do movimento sindical na época foi relevante para a criação do curso de Jornalismo em Mato Grosso. Entre 1989 e 1993 atuou como repórter no telejornalismo na TV Brasil Oeste(TBO), afiliada da Rede Brasil. Em 1991 foi correspondente do jornal Folha de São Paulo no Centro-Oeste, quando era responsável pelos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Entrou para a docência em 1993, com atividades em sala de aula e laboratórios do curso de Jornalismo da Universidade Federal de 206 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Mato Grosso(UFMT), assim como estudos, pesquisa e constante diálogo com o mercado. Iniciou o Doutorado na Espanha, em 1996. Acabou voltando, entretanto, antes da conclusão do curso, e no retorno ao Brasil assumiu a chefia do Departamento de Comunicação da UFMT, instância que reunia os cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Rádio e TV(transformado em Cinema e Audiovisual). Ainda na função administrativa universitária, foi coordenadora do curso de Jornalismo em 2013. A vida acadêmica também está entremeada ao telejornalismo: Marluce assumiu a gerência da Televisão Universitária(TVU) no ano 2000, período em que a TVU passou a transmitir o sinal direto da antena recém-instalada no Campus Cuiabá da UFMT. Em 2003 abordou o papel da televisão pública no Brasil no âmbito acadêmico, na publicação“As potencialidades e responsabilidades da televisão pública no Brasil”. Marluce também atuou na regulamentação do estágio supervisionado em Jornalismo, que, na época, era proibido pelo Decreto de 1968. A proposição resultante foi aprovada no Congresso Nacional da Federação Nacional de Jornalistas(Fenaj), em 2000, como o estágio supervisionado. Entre 2001 e 2002 integrou a Associação Brasileira de Emissoras Públicas de Televisão do Brasil(Abepec), e, entre 2002 e 2004, colaborou na criação da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso(Sindjor MT). Também integrou a Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar) entre 2015 e 2019. Trabalhou com a disciplina de História da Imprensa na reformulação do curso de Jornalismo na UFMT em 2018, e contribuiu com a inserção das disciplinas de História do Brasil Contemporâneo por meio dos Jornais e de História da Imprensa e do jornalismo no Brasil e no mundo. Cursou Pós-Graduação em História e estudou o surgimento do Jornal Alvorada, órgão de divulgação da Prelazia de São Felix do Araguaia, entre 1970 e 1984. O estudo resultou na publicação de um livro, sendo, também, o seu segundo trabalho de Mestrado. A reflexão sobre a história da imprensa ainda proporcionou seu olhar sobre o ensino da área no contexto brasileiro, que resultou no artigo“Os novos PPCs e os processos de produções colaborativas 207 nos cursos de jornalismo Mato-Grossenses”, publicado em 2018 na Brazilian Applied Science Review, e apresentado no 17º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo. Também contribuiu com o Atlas da comunicação(2001) e o livro O mundo em comunicação, de Silvana Gontijo, com o artigo“A comunicação em Mato Grosso: o domínio da televisão”. Sua trajetória é tecida entre a experiência na comunicação mercadológica e a carreira acadêmica: a relação teoria e prática traz concretude, pois atua em ações relacionadas à regulamentação da profissão e de defesa da autorregulamentação, estágio supervisionado, reformulação de grades de conteúdo ou reformulação curricular nas atividades acadêmicas e experiências colaborativas na área. Principais publicações GONTIJO, S.; SCALOPPE, M. O. M. A comunicação em Mato Grosso: o domínio da televisão. In: GONTIJO, S.(org.). O mundo em comunicação. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001. p. 264-265. SCALOPPE, M. O. M. Práticas midiáticas e cidadania no Araguaia: o Jornal Alvorada. 1. ed. Cuiabá: Kcm Editora, 2012. 156 p. V. 1. SCALOPPE, Marluce. Os novos PPCs e os processos de produções colaborativas nos cursos de jornalismo Mato-Grossenses. Brazilian Applied Science Review, p 2018(17º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo). SCALOPPE, Marluce. A comunicação em Mato Grosso: o domínio da televisão. In: GONTIJO, Silvana. O mundo em comunicação. São Paulo: Editora Aeroplano, 2002. SCALOPPE, Marluce. Atlas da comunicação. 2001. SCALOPPE, Marluce. As potencialidades e responsabilidades da televisão pública no Brasil. 2003.(Apresentação de Trabalho/ Congresso). 208 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO LUCIANA BORGES Mirian Barreto Lellis Luciana de Arêa Leão Borges é natural de São Paulo(SP) e nasceu em 1964. É filha de Murilo Guimarães Borges, representante de vendas, e de Maria Aparecida de Arêa Leão Borges, professora, e é casada com Benedito Dielcio Moreira, com quem tem duas filhas: Amy e Ana Beatriz. Cursou o Ensino Fundamental em escola pública nas cidades de Piracicaba(SP) e Americana(SP), encerrado em 1975. Em 1976 passou a residir na capital paulista, onde concluiu o Ensino Médio em 1978. Em 1980 é aprovada em vestibular na Universidade Paulista(Unip) para cursar Psicologia. Em 1983 interrompe Psicologia para estudar Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda. Em 1988 concluiu a Graduação com o trabalho“Planejamento de Comunicação da marca de fraldas descartáveis Plin-Plin”. Em 1992 mudou-se para Cuiabá(MT). Em 1993 passou a atuar como professora substituta no curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT). Em 1995 foi aprovada em concurso público na mesma instituição e passou a integrar o corpo Docente do Departamento de Comunicação Social. Entre 1997-2000 cursou Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP), defendendo a dissertação “Projeto Viva o Seu Bairro: a vez e a voz das comunidades”. Em 2001 fez o curso de aperfeiçoamento em New Technologies in Marketing and Communications na University of Florida, nos Estados Unidos, com trabalho de conclusão intitulado“O Marketing e a Comunicação”. 209 Em 2011 foi titulada doutora em Educação pela Universität Siegen, na Alemanha, com a tese“O Transtorno de Déficit de Atenção, Hiperatividade e Dificuldades de Aprendizagem. Criança em Processo de Diagnóstico”. No ensino, Luciana atuou como docente do curso de Publicidade e Propaganda da UFMT de 1995 a 2015, período em que ministrou disciplinas ligadas à Psicologia do Consumidor, Redação Publicitária, Planejamento em Propaganda e Técnica de Planejamento de Campanha. Além disso, teve várias funções pedagógicas e cargos de chefia: Coordenação de ensino no curso de Comunicação Social de 1994-1998 e em 2009; Coordenação do curso de Publicidade e Propaganda 2010-2012; Presidente do Colegiado de Curso da Comunicação Social no período de 2009-2010. Idealizou e coordenou produtos comunicacionais e colaborou com pesquisas científicas e projetos no âmbito da UFMT, tais como:“A imagem da criança adultizada como apelo publicitário. Uma análise do mercado publicitário de Cuiabá”(2008-2009);“As imagens publicitárias de crianças nas propagandas impressas em Cuiabá. O que pensam os criativos da publicidade”(2009-2011); “As interações midiáticas de crianças e adolescentes em tratamento contra o Câncer. Um estudo com crianças e responsáveis, hóspedes da AACC – Associação de Amigos da Criança com Câncer de Mato Grosso”(2013-2014);“Educomunicação, Ciência e Outros Saberes: um estudo do trabalho colaborativo em narrativas transmídias” (2015-2016). Em 2015 passou a residir em São Paulo para fazer cooperação técnica com a Universidade Federal de São Paulo – Unifesp –, onde desenvolveu produtos em audiovisual para o Departamento de Comunicação Institucional da Unifesp e, mais tarde, na Universidade Aberta do Brasil – UAB(modalidade de ensino a distância das instituições de Ensino Superior públicas). Na Unifesp atuou na coordenação de ações de comunicação e humanização; na coordenação de programas da WebTv, produção e locução de podcast; e na coordenação e produção de campanhas sociais e institucionais. Também coordenou projetos de pesquisa voltados à comunicação organizacional e divulgação científica:“Narrativas Transmídias Colaborativas Como ferramenta multidisciplinar de interação nas atividades do curso de tecnologia em Design Educacional”(2017);“A presença da Unifesp nas comunidades: os reflexos da atividade extensionista na formação humanista e técnica 210 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO dos alunos e nas comunidades atendidas”(2017); e“Plano de comunicação – DCI Unifesp”(iniciado em 2016). Na extensão coordenou dois projetos na UFMT entre 2011 e 2012:“Comunicação, Infância e Juventude” e“A Propaganda e o Consumo”, e na Unifesp coordenou, em 2017, os projetos: “Extensão em Pauta” e“Técnicas de Vídeo”. Durante os 30 anos em que atuou no Ensino Superior, Luciana Área Leão Borges fez relevantes contribuições para o campo da comunicação, dirigindo seus esforços na compreensão das tensões cotidianas ligadas ao processo de ensino-aprendizagem e de bem-estar das crianças e jovens de Cuiabá, com atuação também no âmbito da divulgação científica e comunicação científica organizacional na Unifesp. Principais publicações BORGES, L. L. Schulkinder im Diagnoseprozes und Ihre Lernschwierigkeiten. Ein Licht am Ende des Tunnels Ein Licht am Ende des Tunnels. 1. ed. Saarbrücken: Sudwestdeutscher Verlag Fuer Hochschulschriffen, 2011. V. 1. BORGES, L. L. Crianças e publicidade: tema deixa redutos especializados. In: MOREIRA, Benedito Dielcio; SILVA, André Chaves de Melo(org.). Divulgação científica: debates, pesquisas e experiências. 1. ed. Cuiabá: Editora da Universidade Federal de Mato Grosso, 2017. p. 10-349. V. 1. BORGES, L. de A. L.; MOREIRA, B. D.; SILVA, M. S.; GIMENEZ, R. De volta ao coletivo: caminhos, desvios e obstáculos do conhecimento científico. Missões: Revista de Ciências Humanas e Sociais, v. 5, n. 1, 2018, p. 116-128. Disponível em: https://revistamissoeschs.com. br/missoes/article/view/142 BORGES, L. L. Educação e popularização da ciência. A experiência da Revista Entreteses e o podcast. In: MOREIRA, Benedito Dielcio; MATOS, Aclyse de(org.). Educomunicação e transmídia. Um encontro na Escola dos Medias, Ciência e Saberes Populares. 1. ed. Cuiabá: Editora da UFMT, 2019. p. 293-304. V. 1. MOREIRA, B. D.; BORGES, L. L. Aprendizagem para o consumo centrada no que é dado no ver: afeto e atenção! Revista Esferas, v. 4, 2014. Disponível em: DOI: https://doi.org/10.31501/esf.v0i4.5476 211 MARIA ROSÁRIO ORQUIZA Nealla Valentim Machado Maria Rosário Aparecida Orquiza é natural de São Bernardo do Campo(SP), onde nasceu no ano de 1961. Seus pais, Ruth Viana Orquiza e Alfredo Orquiza, eram filhos de imigrantes espanhóis e dedicavam-se às organizações sindicais dos metalúrgicos. Ela tem um irmão. Estudou em escola pública, na cidade de São Bernardo do Campo (SP), durante todo o Ensino Fundamental e Médio(antigo colegial). Maria Rosário é Graduada em Jornalismo, segunda turma da Universidade Metodista de São Bernardo do Campo(SP), em 1977. Tem Especialização em Metodologia do Ensino Superior pelo Centro Universitário de Brasília(Ceub) e Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Seu primeiro trabalho com carteira assinada foi em 1978 na Rádio Globo de São Paulo. Uma das primeiras entrevistas gravadas para a Rádio Globo, que marcou sua trajetória, foi com o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Luiz Inácio Lula da Silva(Lula), atual presidente da República em sua terceira gestão. Em São Paulo, além da Rádio Globo, trabalhou na área de reportagens em grandes empresas públicas e privadas, na área de construção civil e naval, aeronáutica, siderurgia e tecnologias industriais, e atuou na concessionária Mercedes-Benz como editora no setor de Marketing. Em 1982 casou-se e mudou-se para o Estado de Mato Grosso. Inicialmente foi para a região do Vale do Rio Araguaia. À época, fez serviços contratados para a Rádio e a TV local, entre eles a produção de um documentário histórico sobre os municípios de Barra do Garças e Nova Xavantina. 212 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Foi diretora da Faculdade de Barra do Garças(Univar) e obteve o reconhecimento de gestão acadêmica, pedagógica e de processos educacionais de reconhecimento de cursos pelo Ministério da Educação e Cultura(MEC). Com posse em dezembro de 1994, Maria Rosário passa a fazer parte do curso de Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT) e da formação da primeira turma na área de Radialismo em 1995. Inicialmente Maria Rosário ministrava aulas no curso de Radialismo e disciplinas em comum das grades dos cursos de Jornalismo, Publicidade Propaganda e Radialismo, como a disciplina Teorias da Comunicação. Também ministrou Produção de Telejornalismo e Jornalismo Científico, no curso de Jornalismo. No período que foi coordenadora do curso de Radialismo na UFMT, coordenou a elaboração de processos de reconhecimento dos cursos de Jornalismo, Radialismo e Publicidade e Propaganda do Departamento de Comunicação do Instituto de Linguagens da UFMT. Maria Rosário foi produtora executiva do filme Saringangá, dirigido por Márcio Moreira, ex-estudante de Radialismo. Fez consultorias e assessoria de imprensa na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso e trabalhou na elaboração de materiais de divulgação do governo estadual. Quando aposentada, em 2003, ocupou-se da coordenação do curso de Comunicação da Universidade de Cuiabá(Unic), elaborando os processos de criação dos cursos de Jornalismo e do primeiro Curso Tecnológico em Modas no Estado (2003 a 2006). De 2008 a 2010 ocupou o mandato da Ouvidoria Municipal de Cuiabá(indicada pela UFMT) como Ouvidora-Ombudsman, e trabalhou no governo estadual de Mato Grosso na Casa Civil, na Secretaria do Estado de Meio Ambiente(Sema) e na coordenação do curso de Jornalismo no Centro Universitário de Várzea Grande (Univag) de 2011 a 2014. A partir de 2014 Maria Rosário tornou-se servidora pública concursada no cargo de Analista em Ciência& Tecnologia em Comunicação, na assessoria de Comunicação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais(Cemaden), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação(MCTI) do governo federal. 213 Principais publicações ORQUIZA, M. R. A. Implantação de uma TV Transnacional para Intercâmbio Cultural Sul-Americano. São Paulo: USP, 2000. ORQUIZA, M. R. A. Perspectivas do mercado de radialismo em MT: as TVs por assinatura e as produções televisivas. Jornal“A Gazeta”. 1995/1996. 214 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO VERA LÚCIA LOPES Aline Wendpap Nunes de Siqueira Vera Lúcia Leite Lopes nasceu em 18 de fevereiro de 1955 em Três Lagoas(MS). Com seus dois irmãos, é filha de Augusto Leite e Therezinha de Jesus Leite. Seu pai era Engenheiro de Telecomunicações do Exército – fato que a levou a cursar a Educação Básica em vários lugares do território brasileiro. Em 1973 chegou ao Rio de Janeiro para prestar o vestibular e, em 1974, ingressou na terceira turma de Comunicação da Sociedade de Ensino Superior Augusto Mota. Fez estágio na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, e trabalhou na Rádio Tupi e na Rede Globo de televisão. No ano de 1978 formou-se em Jornalismo e cursou o Bacharelado em Radialismo pela mesma instituição. Na sequência obteve o registro em carteira das duas profissões. Em 1994 ingressou na carreira docente como efetiva no curso de Comunicação Social com Habilitação em Radialismo da Universidade Federal de Mato Grosso, onde permaneceu por 29 anos. Desde o momento inicial auxiliou na atualização do Projeto Pedagógico do Curso(PPC) e, no mesmo período, criou o Projeto“Rádio Corredor”, com transmissões amadoras feitas nas dependências do Instituto de Ciências Humanas e Sociais(ICHS), bloco que alojava o curso de Comunicação Social. No ano de 1995 esse Projeto tornou-se conhecido em toda a Universidade via alto falantes, e ganhou bases mais sólidas durante a 2ª Reunião Especial da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência(SBPC), realizada em Cuiabá(MT). De 1997 a 2000 cursou o Mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade de São Paulo como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). 215 Nessa oportunidade pesquisou o início, o desenvolvimento e a consolidação da rádio A Voz d’Oeste, primeira emissora do Estado de Mato Grosso, analisando as modificações que este meio de comunicação causou em Cuiabá. Essa expertise colaborou para a consolidação do Projeto“Rádio Corredor”, que se tornou um laboratório de rádio com sede fixa, aparelhagem adequada para transmissões e grade de programação. No ano de 2006 assumiu a coordenação de monitoria do laboratório de rádio, projeto que ajudou a formar grande parte dos profissionais egressos do curso de Comunicação Social com Habilitação em Radialismo. Atuou como chefe do Departamento de Comunicação Social em dois momentos da carreira, entre 1996 e 1998 e entre 2008 e 2010. Em 2011 iniciou o Doutorado em Comunicação na turma do Dinter(Doutorado Interinstitucional) estabelecido entre a UFMG e a UFMT. Não concluiu, porém, devido a problemas de saúde. Na pesquisa coordenou projetos como“Audiovisual – habilitação e mercado”(20082009) e integrou outros estudos, como“Comunicação e Cibercultura – ciberinfância e terceira-idade-ciber”(2009-2011). Sua contribuição como pensadora do rádio em Mato Grosso é significativa: pesquisou, escreveu e orientou dezenas de monografias e trabalhos de conclusão de curso sobre esse meio, além de evidenciar o meio radiofônico, formando muitos pesquisadores interessados nas peculiaridades sonoras e profissionais, capacitados para o mercado audiovisual. Principais publicações LOPES, V. L. L. Vargas, agosto de 54. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Garamond, 2004. p. 220. V. 2. LOPES, V. L. L. O rádio mato-grossense e a contribuição do boateiro. In: HAUSSEN, D. F.; CUNDA, M.(org.). Rádio brasileiro: episódios e personagens. 1. ed. Porto Alegre: Edipucrs, 2003. p. 15-291. V. 29. LOPES, V. L. L. Rádio brasileiro – episódios e personagens. In: INTERCOM 2003. Belo Horizonte, MG; Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003. V. 29.(Coleção comunicação). LOPES, V. L. L. A rádio comunitária Comunidade Participante Ativamente e a informação no grande CPA. Relatório de pesquisa, 2008. LOPES, V. L. L. Introdução a uma leitura criativa e crítica dos meios de comunicação social.[ S. l.]:[ s. n.], 2009. 216 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO CLÁUDIA MOREIRA Nealla Valentim Machado Cláudia da Consolação Moreira nasceu na cidade de Cajazeiras(PB) no dia 2 de março de 1970. É filha de Raimunda Moreira Lustoza e Joaquim Moreira, e tem outros quatro irmãos. Cláudia morou em Cajazeiras somente até os 6 meses de idade, pois em 1970 sua família foi obrigada a migrar para região de Guarulhos(SP) devido à seca, onde viveu até os 14 anos. Em 1984 mudou-se para Rondonópolis(MT) para continuar seus estudos e, no ano seguinte, começou a oitava série na Escola Estadual Major Otávio Pitaluga. Em 1986 iniciou o Colegial na Escola Estadual Adolfo Augusto de Moraes e o Técnico em Contabilidade na Escola Estadual Major Otávio Pitaluga. À tarde estagiava numa agência da Caixa Econômica Federal como operadora de Telex. Foi para João Pessoa(PB) cursar Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal da Paraíba(UFPB), entre 1992 e 1996, finalizado com o trabalho“Reformulação do Jornal Laboratório Questão de Ordem”, orientada por Carmélio Reynaldo. As primeiras atividades profissionais conjugaram rádio e marketing político no interior do Estado de Mato Grosso. Claudia é chamada para trabalhar como professora substituta no então nascente curso Rádio/TV da Universidade Federal do Mato Grosso(UFMT); logo é aprovada em concurso e torna-se, em 1996, professora efetiva da instituição. Claudia participou ativamente da consolidação e reconhecimento do curso de Rádio/TV da UMFT, montando e organizando documentos para apresentação do curso ao Ministério da Educação(MEC) nos anos 2000, ministrando as disciplinas práticas do radialismo. 217 Atuou na chefia de departamento do curso de Rádio/TV e da chefia do departamento de Comunicação. Em 2010 foi conselheira do governo de Mato Grosso no Plano de Ações Articuladas(PAR) do Ministério da Educação(MEC), quando vistoriou todas as escolas estaduais, colocando à disposição instrumentos eficazes de avaliação e introdução de políticas de melhoria da qualidade da educação, sobretudo da educação básica pública, o que rendeu um livro. Participou da organização do XVIII Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino(Endipe) – Didática e prática de ensino no contexto político contemporâneo: cenas da educação brasileira, no ano de 2016. Trabalhou em conjunto com a Secretaria de Tecnologia da Informação (Setec) da UFMT, onde desenvolveu projetos comunicacionais e de educação a distância, como o“Plataformas de Recursos Educacionais Abertos(REA) e Massive Open Online Courses(MOOC) no contexto de instituições públicas de educação superior”, sendo uma das pioneiras nessa área no Estado de Mato Grosso. Também coordenou a especialização em mídias digitais para educação(UAB/Capes/Setec/UFMT) durante quatro anos, fazendo o trabalho de ensino e pesquisa com professores da rede estadual de todo o Mato Grosso. Foi uma das responsáveis pela criação do Projeto Educom – Rádio Centro-Oeste(USP) no Estado de Mato Grosso. Claudia fez o Mestrado em Educação na Universidade Federal de Mato Grosso no ano de 2007, com a dissertação“EDUCOM. RÁDIO: Indícios e sinais”, orientada por Manoel Francisco de Vasconcelos Motta. Em 2023 Cláudia entra no Doutorado em Ciências da Comunicação na cidade do Porto, em Portugal, sob a orientação de Jorge Pedro Sousa e coorientada por Nair Prata Martins Moreira. Sua pesquisa é focada na temática“Preservação da memória na transição do rádio AM para FM: um estudo de história oral em três comunidades brasileiras”. Principais publicações MOREIRA, C. C. Educom.Rádio: indícios e sinais. Orientador: Manoel Francisco de Vasconcelos Motta. 2007. Dissertação 218 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Mato Grosso, Faculdade de Comunicação, Cuiabá, 2007. MOREIRA, C. C.; FELIX, V. C. Transgredindo. In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO CENTRO-OESTE, 17., 2015, Campo Grande. Anais[...]. Campo Grande, MT, 2015. MOREIRA, C. C.; MOTTA, M. F. V. Educom: a utilização do rádio como meio de ação pedagógica. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO DA REGIÃO CENTRO-OESTE, 8., 2008, Cuiabá. Anais[...]. Cuiabá, MT, 2008. 219 MARIÂNGELA LÓPEZ Sabrina Tenório Luna da Silva Mariângela Sólla López nasceu em 1956 em Corumbá(MT). É filha de Delza da Cunha Sólla e Antonio da Costa Sólla. Cursou o primário em Corumbá, na Escola Imaculada Conceição, e concluiu a 4ª série em Curitiba(PR), no Grupo Escolar Prieto Martinez, mudado para Colégio Estadual Pietro Martinez. Também em Curitiba cursou o ginásio no Colégio Estadual do Paraná, mudando-se para São Paulo(SP) para cursar o colegial no Colégio Estadual Marina Cintra. Em 1978 finalizou o curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Fundação Armando Álvares Penteado(FAAP) em São Paulo. Trabalhou em diversos veículos da área durante 20 anos, até que – em 1996 – ingressou no Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Mato Grosso(UFMT) como professora do curso de Jornalismo. Após viver alguns anos em São Paulo, seguiu para Londrina(PR), onde trabalhou como assessora do Conselho Londrinense de Assistência à Mulher, realizando programas de rádio que tinham como objetivo levar informações sobre problemas cotidianos enfrentados pela população rural do interior do Paraná. Produziu docudramas que apresentavam alternativas e possíveis soluções para os desafios vividos por este público. Residiu durante 13 anos em Montevidéu(UY), tendo escrito para algumas revistas e trabalhado como assessora do Instituto do Coração. Em 2000 terminou o Mestrado em Ciências da Comunicação na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), com a dissertação“Com a cara e a coragem: para ouvir as vozes da comunidade ribeirinha São Gonçalo, Mato Grosso”. 220 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Realizou análise do programa Crônica das Doze e Cinco, de Alves de Oliveira, líder de audiência em Cuiabá nos anos 1950, e estudos sobre a repercussão da morte de Vargas em Cuiabá, que mostra como os ouvintes receberam a notícia na Capital( Vozes de Cuiabá 50 anos após a morte de Vargas). Em 2014 tornou-se doutora em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG). Durante o Doutorado rastreou a rede de comunicação conformada pelo coletivo cultural Circuito Fora do Eixo, com o estudo Dentro ou Fora do Eixo? Cartografando redes e controvérsias acerca da produção cultural no Brasil. Em projetos de extensão, participou do Núcleo de Estudos Comunicação, Infância e Juventude, quando produziu programas de rádio para o público infantil, sendo responsável, também, pela produção e edição do Jornal Neco, destinado ao público jovem das escolas públicas de Cuiabá. Paralelo ao trabalho como professora na UFMT, atuou como assessora de imprensa em Cuiabá, tendo sido coordenadora da comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso(TJMT) entre os anos de 2005 e 2007. Após reestruturar o setor, permaneceu no Departamento de Assessoria de Imprensa do TJMT até 2018. Entre 2019 e 2020 dedicou-se exclusivamente à UFMT no cargo de coordenadora de Comunicação e Imprensa da Secretaria de Comunicação e Multimeios(SECOMM) da Universidade. A reformulação do portal eletrônico da Instituição e a nova grade de programação da TV Universidade foram alguns dos projetos desenvolvidos durante esse período. Em sua jornada, além das aulas na Graduação, destaca-se a sua atuação como coordenadora do curso de especialização lato sensu Mídias Digitais para a Educação, com o objetivo de formar professores da Educação Básica para atuarem, direta ou indiretamente, com o cenário midiático e digital dentro das salas de aula no Sistema Público de Educação. Principais publicações LOPEZ, M. S. A crônicas das doze e cinco de Alves de Oliveira. In: HAUSEN, D.; CUNHA, M.(org.). Rádio brasileiro: episódios e personagens. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003. p. 269-281. 221 LOPEZ, M. S. Vozes de Cuiabá 50 anos após a morte de Vargas. In: BAUM, A.(org.). Vargas, agosto de 54: a história contada pelas ondas do rádio. 1. ed. Rio de Janeiro: Garamond, 2004. p. 91-102. 222 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO LUCIA HELENA POSSARI Letícia Xavier de Lemos Capanema Natural de Ribeirão Preto(SP), Lucia Helena Vendrusculo Possari nasceu em 6 de março de 1954. Filha temporã de uma família de seis irmãos – com pai plantador de café e comerciante, e mãe dona de casa –, casou-se com Sebastião Gilberto Possari em 1977, com que teve dois filhos e quatro netas. As séries iniciais de sua formação escolar foram feitas em dois lugares: Grupo Escolar Cônego Barros e Colégio Auxiliadora, e o segundo grau, hoje Ensino Médio, no Colégio Otoniel Mota. Sua formação universitária inicia-se com a Graduação em Letras em 1975 pela Faculdade de Ciências e Letras de Barão de Mauá, tendo finalizado a Pós-Graduação lato sensu em Sintaxe e Semântica em 1976. No mesmo ano cursou disciplinas de Mestrado no Mosteiro de São Bento, em Ribeirão Preto(SP). Em seguida transferiu-se para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras(Fafil) em Bauru (SP) – transformado em Universidade do Sagrado Coração(USC) –, onde, em 1979, concluiu a pesquisa de Mestrado“A configuração da isotopia textual”. Lucia Helena chegou a Cuiabá aos 23 anos de idade em 1977, contratada pelo Centro de Letras e Ciências Humanas da UFMT para lecionar no curso de Letras como professora substituta. Em 1979 foi aprovada em concurso para professora assistente e, em 1983, para adjunta, lecionando nas áreas de Linguística, Língua Portuguesa, Semiótica e Semiologia. Nos seus mais de 20 anos no curso de Letras, explorou concepções de texto e de leitura para além da linguagem verbal: textos não verbais, músicas, textos da TV, do cinema, de quadrinhos, o que a levou a se aproximar da área de Comunicação. Esse trânsito a fez presente em momentos decisivos da criação do curso de Comunicação da UFMT, posto que, no início da década de 1990, como membro do Conselho de 223 Ensino e Pesquisa e Extensão da UFMT – Consepe –, participou da aprovação do curso de Comunicação Social que, a partir de 1991, passou a compor o Instituto de Linguagens. Em 1992 ajudou a criar o curso de especialização em Semiótica, no qual ministra o módulo“Códigos Verbais”. Em 1993 ingressou no Doutorado do Programa de Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC/ SP), quando optou pelos estudos nos campos do Percurso Genético do Texto, da Semiótica da Cultura, da Teoria Geral da Semiótica, da Semiótica e Estética e de Metodologias de Pesquisa. Em 1996 apresentou a tese“Ambivalência: prazer e utilidade nos processos de aquisição escrita”, trabalhando com a obra do poeta concretista cuiabano Silva Freire – propondo sua aplicação em escolas de Cuiabá por meio da leitura e da produção de textos verbais e não verbais a partir dos poemas. Aposentou-se pela primeira vez na década de 1990, contudo ingressou em 1997 no Instituto de Linguagens para o recém-criado Departamento de Comunicação Social da UFMT, integrando o corpo docente do Bacharelado em Radialismo, por mais de duas décadas, como professora das cadeiras de Jornalismo, Publicidade e Radialismo. Ministrou disciplinas como Teorias da Comunicação, Comunicação Comparada, Semiótica(s), Metodologias de Ciências e de Pesquisa, Elementos da Linguagem Musical, Linguagens Não Verbais, entre outras. A partir de 1999, no Mestrado em Educação do Instituto de Educação(IE) – área de Educação e Linguagens –, orientou diversos projetos e pesquisas que atravessam temáticas como manifestações da cultura local, mitos e lendas, imaginário e cibercultura. No início dos anos 2000 participou da criação do Mestrado em Estudos de Linguagens(MEEL), que, mais adiante, passou a ser denominado Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem(PPGEL). Em 2008, junto a integrantes do MEEL, iniciou um movimento para criação do Programa de Mestrado em Estudos de Cultura Contemporânea(PPGECCO). Posteriormente, em 2013, participou da abertura do Doutorado no mesmo Programa, onde lecionou disciplinas de Estudos Culturais, Módulo Linguagens, Semióticas: da Semiologia a Peirce; Semióticas: de Peirce a Baitello; e Flusser, Cibercultura: de Lévy/Lemos a Jenkins. 224 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Em 2020 aposentou-se pela segunda vez, ainda que permanecendo até 2022 no núcleo de Comunicação e Mediações do PPGECCO, com orientações de Mestrado e Doutorado. Lucia Helena desenvolveu importantes projetos de pesquisa que transitam pelas áreas de Comunicação, Cultura e Educação, integrando um grupo de estudos do Mestrado em Educação da Universidade de Cuiabá-Unic e da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – USP. De 1999 a 2002 concebeu e realizou o projeto“Serracima, rioabaixo: as novas tecnologias de Comunicação e o Imaginário em Chapada de Guimarães”. A partir de 2003 deu início ao projeto“Comunicação e Cultura: cartografia do Hip Hop em Cuiabá”, que abrigou diversas pesquisas da Graduação e da Pós-Graduação voltadas para o tema. Em especial, destaca-se sua pesquisa individual“As quatro faces do Hip Hop: MC, DJ, B-BOY, Basquete de rua”. Por isso, foi convidada a proferir a palestra“Comunicação e escola: Hip Hop – uma linguagem contra a violência”, na Universidade de Siegen(Alemanha), em 2005, além de participações em eventos acadêmicos nacionais e internacionais – como a VIII Jornadas Andinas de Literatura LatinoAmericana em 2008. A partir de 2006 empreendeu uma grande pesquisa no campo da cibercultura, inicialmente com o projeto“Terceira-idade-ciber e ciberinfância. Em 2010 iniciou a pesquisa“Comunicação pela web: educação, notícias e entretenimentos”, com desdobramentos no Mestrado do ECCO. Em 2014 foi ao Japão participar do“Seminário de Educação a distância da Faculdade de Educação da UFMT”, onde proferiu a palestra “Linguagens, Comunicação e Educação: transdisciplinaridade na formação de professores. Relatos de uma travessia: a formação de professores de crianças brasileiras no Japão”. Em continuidade à pesquisa anterior, em 2016 iniciou o projeto “Comunicação e Cibercultura: virtualidade e telepresencialidade em EaD”. A experiência deu origem, em 2019, à pesquisa“A cibercultura do ouvir: os podcasts”. Participou da 1ª Comissão Editorial da Imprensa Universitária nos anos 1980 – depois denominada Editora da Universidade Federal de Mato Grosso(EDUFMT) –, para onde foi reconduzida inúmeras vezes até 1992. De 2000 a 2002 foi coordenadora da comissão especial de vestibulares, tendo iniciado a discussão sobre cotas na Universidade. 225 De 2015 a 2017 foi coordenadora da Editora Universitária EDUFMT, viabilizando a publicação de mais de 70 obras. As contribuições de Lucia Helena também foram reconhecidas por órgãos externos à UFMT, com o recebimento da Menção de Louvor (2008) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura(Unesco) e pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso, e com a Moção de Aplausos(2019) promovida pela Câmara Municipal de Cuiabá. Principais publicações POSSARI, L. H. V.; NEDER, M. L. C. Múltiplas linguagens I. 14. ed. Cuiabá: EDUFMT, 2017. p. 109. V. 1. POSSARI, L. H. V.; NEDER, M. L. C. Múltiplas linguagens II. 3. ed. Cuiabá: EDUFMT, 2017. p. 116. V. 1. POSSARI, L. H. V.; COX, Inês; NEDER, M. L. C. Múltiplas linguagens III. 3. ed. Cuiabá: EDUFMT, 2017. 187 p. V. 1. POSSARI, L. H. V(org.). Semioses do cotidiano à cibercultura. Cuiabá: EDUFMT, 2014. POSSARI, L. H. V. Comunicação e educação: a avaliação como processo comunicativo em EaD. Curitiba: EDUFPR, 2006. 80 p. V. 1. POSSARI, L. H. V. Fundamentos de comunicação para a EaD. 1. ed. Curitiba: Editora do Ibpex, 2003. POSSARI, L. H. V. Educomunicação: recorte metodológico. 20. ed. Curitiba: Ibpex, 2002. p. 60. V. 7. 226 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO JANAINA CAPOBIANCO Mirian Barreto Lellis Janaina Capobianco nasceu em 1979 na cidade de José Bonifácio (SP). É filha de Lázaro Capobianco, funcionário administrativo da Rádio TV Bandeirantes da cidade, e de Maria da Penha Marques Capobianco, dona de casa e costureira em seu próprio ateliê. Concluiu o Ensino Médio em 1997 e, em 1998, mudou-se para Cuiabá(MT) para cursar a Graduação em Comunicação Social – Jornalismo – na Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT). De 2000 a 2002 foi bolsista de iniciação científica pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica(Pibic) e participou de projetos do Instituto de Educação, onde atuou em diversas frentes da pesquisa científica, como a Metodologia e os trabalhos de assessoria, com a divulgação dos eventos científicos da Universidade. Em 2002 concluiu o curso de Graduação, com o trabalho “Transgressão de Jovens dos Segmentos Sociais Favorecido e Desfavorecido no Jornalismo Impresso: um estudo comparativo”. Nesse mesmo ano foi aprovada no processo seletivo de Mestrado no PPG em Educação na UFMT, que concluiu em 2004, com a dissertação“Educação e Imprensa: Transgressão de Jovens de Classe Média no Jornalismo”. Em 2019 obteve o título de doutora em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo(Umesp), com a tese“O fazer jornalístico em transformação: a produção da notícia em mídias independentes digitais”. Entre 2004 e 2006 foi professora no Instituto Cuiabano de Educação(ICE) em cursos de Graduação em Administração, onde ministrou a disciplina de Metodologia do Trabalho Científico. Nessa instituição também foi coordenadora pedagógica no Departamento de Administração, atuando, paralelamente, como consultora no 227 Sebrae-MT(ministrando cursos e treinamentos no âmbito das relações comunicacionais empresa-imprensa) e como assessora de imprensa do Deputado Federal Carlos Abicalil. Em 2006 foi aprovada em concurso público na UFMT e passou a integrar o quadro de professores no curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, assumindo as disciplinas de Assessoria de Comunicação e Jornalismo on-line. Orientou Trabalhos de Conclusão de Curso e iniciação científica, publicou artigos científicos, idealizou e coordenou produtos comunicacionais, colaborou com projetos no âmbito da universidade e com pesquisas científicas, conduzidas entre 2008 e 2010, a exemplo de“Juventudes de Mato Grosso e o jornalismo on-line: retratos, fazeres e interações”,“Juventude e participação política” e“Comunicação Social e educação popular de jovens: um desafio para o SUS”. Foi coordenadora do projeto“JorOnline: jornal laboratório digital dos alunos de comunicação social da UFMT”(2007-2010) e do “Programa de Extensão – Construção e Manutenção do Site do Núcleo de Estudos Comunicação, Infância e Juventude – Necoij” (2008-2010), que analisou diferentes grupos de jovens de Mato Grosso e suas relações com o jornalismo on-line produzido no Estado. Em 2016 desligou-se da UFMT em virtude de novos projetos pessoais e profissionais e mudou-se para São Paulo, onde passou a se dedicar exclusivamente à Assessoria de Imprensa em sua empresa: Texto Contexto Comunicação Integrada. Janaina contribuiu para a consolidação do curso de Jornalismo da UFMT, tornando-se uma referência na Assessoria de Comunicação em Cuiabá, justamente pelo trânsito entre campo prático e teórico, mesclando – para a academia – conhecimentos e experiência da iniciativa privada no mercado de trabalho. Principais publicações CAPOBIANCO, J. C. M. O fazer jornalístico em transformação: a produção da notícia em mídias independentes digitais. 2019. 373 f. Tese(Doutorado em Comunicação Social) – Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2019. Disponível em: http://tede.metodista.br/jspui/handle/tede/1985 228 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO CAPOBIANCO, J. C. M. Atores da notícia: grupos de jovens na produção e recepção de conteúdos midiáticos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO – INTERCOM, 39., 2016, São Paulo. Anais[...]. São Paulo: Intercom, 2016. Disponível em: https://www.portalintercom.org.br/anais/nacional2016/ resumos/R11-3142-1.pdf CAPOBIANCO, J. C. M. et al. Educação e comunicação: o jovem no jornalismo impresso. In: MORGADO, M. A.; MOTTA, M. F. de V.(org.). Juventude de classe média e educação: cenário, cenas e sinais. 1. ed. Brasília: Líber Livro, 2006. p. 125-136. V. 1. 229 ANDREA FERNANDEZ Danielle Tavares Teixeira Natural de São Paulo(SP), Andréa Ferraz Fernandez foi criada em um agrupamento familiar estendido. Somam-se 11 irmãos, pais, avós, tios e agregados. Sua mãe foi uma das primeiras doutoras em Educação do país e o pai administrador contábil. Cursou o ensino primário na Escola Municipal Profa. Helena Lombardi Braga, o ginasial na Escola Municipal Prof. Derville Allegretti e o secundário no Colégio Objetivo Unidade Vergueiro, todos em São Paulo(SP). Aos 17 anos de idade, em 1987, entrou no curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Metodista de Piracicaba(Unimep), logo transferindo-se para São Bernardo do Campo(Umesp). Atuou como uma das primeiras bolsistas da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Assim que se formou, aos 21 anos, iniciou a carreira docente na Associação Educacional Nove de Julho(Uninove). Antes de ingressar no magistério público superior, onde esteve entre os anos de 1991 e 2008, atuou como jornalista nos meios impresso, radiofônico, televisivo e em agência de notícias. O seu primeiro trabalho foi na Rádio CBN, entre 1991 e 1993, passando para a Rádio Eldorado até 1996. Compatibilizou essas funções com outras atividades jornalísticas, como a redação do jornal O Estado de S. Paulo e da Agência Estado, além de trabalhos no Guia 4 Rodas da Editora Abril e em diversas revistas da Editora Três. Na área de TV teve passagens pelo SBT de Campo Grande(MS) e pela Bandeirantes de São Paulo. Fez Mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade de São Paulo(USP). Lá desenvolveu estudo de quantificação da informação, 230 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO na área de Ergonomia Cognitiva, denominado“Acessibilidade a jornais eletrônicos: uma possibilidade para cegos”, obtendo o título de mestre em 2000. Cursou Doutorado na Universidade Politécnica da Catalunha (UPC), obtendo o título em 2002 com a pesquisa“Ergonomia da Informação para Estudantes Universitários com Necessidades Adaptativas”, na área de Ergonomia da Informação. Em 2004, quando retornou ao Brasil para Campo Grande (MS), atuou na Faculdade Estácio de Sá, em 2004 e 2005, e na Universidade Uniderp – mudado para Anhanguera –, de 2004 a 2008, ano em que foi aprovada no concurso para docente na Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT). Na UFMT lecionou para alunos dos cursos de Cinema e Audiovisual e Radialismo e nos programas de Estudos da Cultura Contemporânea (ECCO) e de Pós-Graduação em Comunicação e Poder(PPGCOM), além de desenvolver pesquisa, extensão e gestão. Ao longo de sua trajetória nessa universidade, orientou 13 dissertações de Mestrado e três Teses de Doutorado, além de alunos de iniciação científica e de trabalhos de conclusão de curso. Em 2016 foi nomeada, pela direção da Faculdade de Comunicação e Artes(FCA), coordenadora da Pós-Graduação lato sensu em Mídias Digitais para a Educação, após haver aprovado, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), projeto para financiamento do referido curso. Atuou na pesquisa“Tendências profissionais e ocupacionais para a área de Comunicação no Brasil para o decênio 2010-2019” e no desenvolvimento do material didático da série“Promovendo a diversidade com mídias e ferramentas digitais para a Universidade Aberta do Brasil(UAB/UFMT)”. Foram criados cerca de 50 audiolivros e 4 livros foram impressos para a capacitação de docentes em cursos oferecidos no âmbito da Universidade Aberta do Brasil(UAB/UFMT). Também esteve à frente da pesquisa aplicada“Perspectiva para geração de trabalho e renda na economia criativa de Mato Grosso”, desenvolvida na UFMT, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Mato Grosso(Fapemat) e do projeto “Ausências e presenças da cultura material e imaterial autóctones nas produções audiovisuais contemporâneas de Mato Grosso”. 231 Ainda consta em sua trajetória a liderança do grupo de pesquisa “Mídias Interativas Digitais(MID)”, trabalhos vinculados ao Grupo de Pesquisa“Mídia e Mediações Comunicativas da Cultura(UFMS)” – ambos registrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) –, além da coordenação da pesquisa “Desastre e risco: arranjos midiáticos e construção de discursos em narrativas ficcionais e não ficcionais”. Em 2020 finalizou estudos de Pós-Doutorado em Comunicación Audiovisual na Universidade de Málaga(UMA-Espanha), pesquisando sobre a visibilidade dos elementos culturais endógenos brasileiros em curtas-metragens contemporâneas de produção local. Durante a pandemia de Covid-19 coordenou o projeto de extensão “ÁudioZap Povos da Terra”, destinado a povos indígenas aldeados em terras do Mato Grosso. A série inclui 80 produtos informativos em áudio, traduzidos para oito idiomas nativos indígenas, abordando temas como higienização das mãos, sintomas da Covid-19, cuidados com os idosos, uso de máscaras, vacinas, entre outros. Suas principais áreas de pesquisa focam a representação da cultura material e imaterial da região Centro-Oeste do Brasil, cinema e arte. Principais publicações FERNANDEZ, A. F.; PRADO, S. M.; FRONZA, G. C.; KAWAKAMI, R. M. I; MIYASHITA, V. N. Perspectivas e análises das tendências profissionais e ocupacionais para a área de comunicação no Brasil. In: CASTRO, D.; MELO, J. M. de(org.). Panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil 2011/2012. 1. ed. Brasília: Ipea, 2012. p. 273-314. V. 4. FERNANDEZ, A. F.; PRADO, S. M.; ESPÍNDOLA, M. R. M. Tendências ocupacionais e profissionais. In: CASTRO, C.; MELO, J. M. de; CASTRO, D.(org.). Panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil: colaborações para o debate sobre telecomunicações e comunicação. 1. ed. Brasília: Ipea; MPO, 2011. p. 63-172. V. 3. FERNANDEZ, A. F. et al. Diversidade viva para um mundo ativo. Cuiabá: Universidade Aberta do Brasil, 2012. 55 p. V. 350. FERNANDEZ, A. F.; FRONZA, G. C.; KAWAKAMI, R. M. I. Ferramentas digitais para a construção de um mundo contemporâneo. Cuiabá: Universidade Aberta do Brasil, 2012. 55 p. V. 350. 232 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO FERNANDEZ, A. F.; PRADO, S. M.; KAWAKAMI, R. M. I.; MIYASHITA, V. N. Práticas de construção e organização de informações digitais. Cuiabá: Universidade Aberta do Brasil, 2012. 58 p. V. 350. FERNANDEZ, A. F.; KAWAKAMI, R. M. I.; OTOMURA, F. T. Atuação digital: proposta de ações afirmativas para uma sociedade diversa. Cuiabá: Universidade Aberta do Brasil, 2012. 68 p. V. 350. 233 DÉBORA TAVARES Jociene Carla Bianchini Ferreira Pedrini Débora Cristina Tavares nasceu em Piracicaba(SP) em 11 de maio de 1976. É filha de Lázaro Tavares Filho e Maria Edine de Gáspari Tavares. Sua trajetória escolar iniciou-se na escola do Serviço Social da Indústria(Sesi), em Leme(SP), nos anos finais da ditadura militar, onde cursou até a 7ª série. Da 8ª até o 3° do Ensino Médio fez na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Sud Mennucci, em Piracicaba(SP). Em 1995 ingressou no curso de Publicidade e Propaganda na Universidade Metodista de São Paulo(Umesp) em Piracicaba. De 2000 a 2002 cursou Mestrado em Comunicação Social em São Bernardo do Campo pela mesma universidade, defendendo a dissertação“A internalização das Agências de Publicidade Brasileira”, sob a orientação de Anamaria Fadul. Na mesma instituição fez o Doutorado, concluído em 2006, com o tema“Estratégias Políticas para Campanhas Presidenciais – um estudo de doze dissertações de Mestrado da Umesp sobre marketing político”, com orientação de Adolpho Queiroz. Concomitante ao período doutoral, dedicou-se à docência entre o eixo São Bernardo do Campo e Piracicaba, e atuou na Faculdade Claretiano de Rio Claro, no Instituto de Ciências Aplicadas de Limeira, entre outros. Em 2008 ingressou como professora efetiva do curso de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), onde também atua como docente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea(ECCo). 234 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Na pesquisa desenvolveu projetos como“Narrativas Literárias nas comunidades quilombolas”;“História da Propaganda em Mato Grosso”;“Estudos de Mídia e Cultura”;“Cururu e Siriri como Fenômenos Folkcomunicacionais”. Na extensão atuou na“Agência Experimental de Comunicação(Toca);“Oficinas e Registros literários nas comunidades quilombolas”;“Concerto em homenagem ao início do jubileu da UFMT. Opus N1: Ode à publicidade” e“Curso EAD”. Como principais prêmios e títulos, Débora conquistou o 1º lugar – CC/03 – Publicidade e Propaganda – no Conselho Municipal do Idoso em 2005; Prêmio Pão de Açúcar de Incentivo à Pesquisa de Graduação por duas vezes, em 1997 e 1999, além de atuar como diretora Regional MT do Politicom em 2008. Principais publicações LANHI, C. S.; TAVARES, Débora Cristina. Tecnologias de Informação e Comunicação para transparência pública: limites e potencialidades. In: JORNADA INTERNACIONAL GEMInIS(JIG 2018), 3., 2019, São Paulo. 16/1/2019. ISSN 2358-8977, 2018. V. 3. LORENSONI, M. R.; TAVARES, Débora Cristina; JESUS, D. M. Miss Caipira Gay em Belém do Pará: estudos de gênero e folkcomunicação. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 40., 2017, Curitiba, 2017. SANTOS, A. T.; DEMARCO, M. A. C.; TAVARES, Débora Cristina. Facebook é de graça? Uma análise quanto aos aspectos comerciais do site de rede social. In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO CENTRO-OESTE, 19., 2017, Cuiabá: Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2017. TAVARES, Débora Cristina; SALGADO, K. T. A.; CRUZ, S. F. O.(org.). Comunicação: práticas e conexões culturais. 302. ed. Rio Branco: Stricto Sensu, 2023. 140 p. V. 1. Disponível em: https://sseditora. com.br/wp-content/uploads/Livro.-Comunicacao-Praticas-eConexoes-Culturais1.pdf. Acesso em: 4 jun. 2023. TAVARES, Débora Cristina; LORENSONI, M. R.; BERTOLOTO, J. S. O folk na moda contemporânea. In: NOBRE, I. M.; LIMA, M. E. O.(org.). Cartografia da folkcomunicação: o pensamento regional brasileiro e o itinerário da internacionalização. 1. ed. Campina Grande: Eduepb, 2019. p. 19-618. V. I. 235 HÉLIA VANNUCCHI Pâmela Saunders Uchôa Craveiro Hélia Vannucchi é natural de Araraquara, mas cresceu em Jales, ambas no interior de São Paulo. É filha de David Patrício de Almeida Santos e Maria Luiza Vannucchi de Almeida Santos, ambos professores da Educação Básica. Cursou o primário e ginásio na Escola Estadual de Primeiro Grau “Deputado Oswaldo de Carvalho”, e o segundo grau na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus“Dr. Euphly Jalles”, ambas em Jales. Em 1987 foi aprovada no vestibular para cursar Publicidade e Propaganda na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, concluindo o curso em 1990. Após formada atuou como publicitária por quase uma década, trabalhando em agências de publicidade de Campinas(SP) em variadas funções: produção, mídia e designer gráfico. Em 2001 concluiu o Mestrado em Multimeios, cursado com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), na Universidade Estadual de Campinas. Após, atuou profissionalmente na criação de jogos de tabuleiro, desenvolvendo mais de 40 jogos(quatro desses publicados). Em 2010 defendeu a tese“A importância das regras e do gameplay no envolvimento do jogador de videogame”, no Doutorado em Artes na Universidade de São Paulo. Em 2011 ingressou como professora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso, onde foi coordenadora do curso de Graduação em Publicidade e Propaganda entre 2012 e 2016. Em 2017 coordenou a Secretaria de Comunicação da Universidade. Em 2019 exerceu mais um 236 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO mandato de dois anos na coordenação de curso. Em 2023,tornouse chefe do Departamento de Comunicação. Durante sua trajetória ministrou uma infinidade de disciplinas: Criação, Estudos do Consumidor, Gamificação, Mídias Digitais, Fluxos e Dinâmicas Culturais, Produção para Web, Produção Publicitária em Mídia Eletrônica, Planejamento de Campanha, entre outras. Em 2013 passou a coordenar o projeto de extensão Tardes Lúdicas, um espaço interativo de prática de jogos tanto dentro quanto fora da comunidade acadêmica. Alinhando extensão e pesquisa, em 2021 criou o projeto Arena Lúdica, voltado para discussões teóricas sobre ludicidade e gamificação bem como para a criação de jogos de tabuleiro. Até dezembro de 2023 o projeto desenvolveu três jogos: Amota(finalista na categoria Boardgame do Festival de Jogos SBGames de 2022), P do quê? e Constelar(selecionado para a área de protótipos do Diversão Off-line de 2023). O compromisso de Hélia Vannucchi em promover o diálogo entre as áreas de Comunicação e Artes, por meio de práticas extensionistas e investigativas, destaca-se como uma contribuição significativa para a consolidação do campo da Comunicação na Região Centro-Oeste. Principais publicações VANNUCCHI, H.; LENÇO, P. Jogos de tabuleiro. Vamos Jogar online! In: OLIVEIRA, M. de; OGERA, A.; FRANÇA, T.(org.). Extensão Universitária na Região Centro-Oeste: conquistas e desafios no século XXI, 2022. VANNUCCHI, H.; CRAVEIRO, P.; LEITE, M.; BOTELHO, E. Jogos e estratégias de aprendizagem em Teorias da Comunicação. In: Periódico Acadêmico Temática, 2021. VANNUCCHI, H.; VERHALEN, A.; MACIEL, C.; TREVISAN, D. One profile, many memories: projecting memorials for Instagram via participatory design. In: Lecture Notes in Computer Science, 2021. 237 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS 238 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Aline Wendpap Nunes de Siqueira Doutora em Estudos de Cultura Contemporânea pela Universidade Federal de Mato Grosso. Professora colaboradora do PPGECCO UFMT. Substituta no curso de Cinema e Audiovisual. alinewendpap@gmail.com Danielle Tavares Teixeira Doutora em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo(Umesp). Professora da Universidade do Estado de Mato Grosso – Campus Tangará da Serra. daniellejornalismo@unemat.br Eveline dos Santos Teixeira Baptistella Professora efetiva da Universidade do Estado de Mato Grosso(Unemat) e doutora em Estudos de Cultura Contemporânea pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). evelbap@gmail.com Janaina Sarah Pedrotti Possui Graduação em Comunicação Social e Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso. Tem Doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUCSP. Professora permanente no curso de Jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso. janaina.pedrotti@ufmt.br Jociene Carla Bianchini Ferreira Pedrini Professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Poder/ UFMT. Professora do curso de Jornalismo da UFMT Campus Araguaia. Doutora em Educação, mestre em Comunicação, jornalista e licenciada em Letras – Português/ Inglês. jocienebf@gmail.com Letícia Xavier de Lemos Capanema Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora adjunta do curso de Graduação em Cinema& Audiovisual e do Mestrado em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso. Atua como pesquisadora, curadora e professora nos campos de estudos de cinema, televisão e audiovisual. capanemaleticia@gmail.com Leylianne Alves Professora do Departamento de Comunicação da UFMT e doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG). leylianne.av@gmail.com 239 Mirian Barreto Lellis Docente interina no curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), Campus Cuiabá. Doutora em Estudos de Cultura Contemporânea pela Universidade Federal de Mato Grosso. mirianlellis@gmail.com Nealla Valentim Machado Professora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Poder (PPGCOM/UFMT). Doutora em Estudos de Cultura Contemporânea(PPGECCO) pela Universidade Federal de Mato Grosso. neallamachado@gmail.com Pâmela Saunders Uchôa Craveiro Doutora em Comunicação(Uvigo-Espanha). Docente titular do Programa de PósGraduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso. Líder do OPSlab – Laboratório de Estudos e Observação em Publicidade, Comunicação e Sociedade. pamela_uchoa@yahoo.com.br Patrícia Kolling Doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Docente da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário do Araguaia. Docente e pesquisadora nas áreas de produção de texto, história do jornalismo, assessoria de comunicação, jornalismo ambiental e comunicação indígena. patikolling@gmail.com Sabrina Tenório Luna da Silva Mestre e doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco. Doutorado-Sanduíche na Universidade Livre de Berlim com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Realizadora, produtora e curadora de mostras e festivais de cinema e professora adjunta da graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso. sabrinahh7@gmail.com Tamires Coêlho Professora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT). Vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Poder(PPGCOM-UFMT). Doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG). tamires.coelho@ufmt.b 240 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO MATO GROSSO DO SUL 241 Daniela Cristiane Ota 31 EFETIVAÇÃO DOS CURSOS DE COMUNICAÇÃO EM MATO GROSSO DO SUL – BREVE RELATO SOBRE O DESENVOLVIMENTO E A CONSOLIDAÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO Em Mato Grosso do Sul o desenvolvimento do campo acadêmico na área da Comunicação consolida-se com a efetivação dos cursos de Graduação. Desta forma, neste texto o intuito é relatar brevemente a história de criação dos cursos de Comunicação no Estado, que começa no final da década de 1980, citando, também, as pioneiras que contribuíram para o seu crescimento. No início as várias habilitações da Comunicação eram contempladas pelas instituições de Ensino Superior públicas e privadas – Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Rádio e TV. Em 2024, em Mato Grosso do Sul, as instituições mantêm apenas as Graduações em Jornalismo e Publicidade e Propaganda. De acordo com dados coletados por meio da plataforma e-MEC 32 , buscados em 2023, na capital e no interior são ofertadas 444 vagas para o curso de Publicidade e Propaganda e 274 vagas para o curso de Jornalismo. A coleta de dados teve como base o livro Entre Tempos – 30 anos do curso de Jornalismo da UFMS, obra organizada pelos professores Mário Luiz Fernandes e Rafaella Lopes P. Peres, que registra a história dos cursos de Jornalismo pioneiros em Mato Grosso do Sul. Os sites institucionais das Graduações não foram úteis, pois contemplam apenas informações sobre o que é a profissão, a estrutura oferecida, o funcionamento do curso e como entrar em contato. Assim, alguns dados foram obtidos e/ou checados por meio da plataforma e-MEC e, após, foram confirmados e contextualizados diretamente por intermédio de mensagens e conversas com os atuais e ex-coordenadores dos cursos. Em Mato Grosso do Sul o primeiro foi o da Universidade Federal de Mato Grosso 31 Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Atua na área de Jornalismo, com ênfase em rádio: jornalismo, radiojornalismo, produção radiofônica, fronteiras e geografias da comunicação. 32 e-MEC.mec.gov.br. Acesso em: 26 maio 2023. 242 MATO GROSSO DO SUL MULHERES DA COMUNICAÇÃO do Sul(UFMS), em 1989; depois vieram os da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), da Uniderp-Anhanguera e da Universidade Estácio de Sá. No interior do Estado também existem cursos da Universidade Federal da Grande Dourados(UFGD) e da Faculdades Integradas de Três Lagoas(Associação de Ensino e Cultura de Mato Grosso do Sul – Faculdades Integradas – AEMS). Detalhada a forma como foi feita a coleta de dados, vamos iniciar a história pelo curso pioneiro, que nasce em uma universidade pública e é fruto da luta sindical. O curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo da UFMS – foi criado em outubro de 1985 pela Resolução nº 021 de 1985 e instituído em 1989. De acordo com Silva e Gonçalves 33 , a criação efetiva da Graduação ocorreu no dia 24 de outubro, após quase cinco anos de discussões, articulações e muitas mobilizações lideradas pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso do Sul(Sindjor-MS). Neste período o próprio sindicato estava articulando-se, formando e elegendo a sua primeira diretoria, mais especificamente em 12 de maio de 1984. Silva e Gonçalves (2020) afirmam que a criação do curso nasceu por demanda sociossindical e teve uma ligação umbilical com o Sindjor-MS. O intervalo de tempo entre a reivindicação e o atendimento do pedido pela UFMS extrapolou mais de uma gestão sindical, que era de três anos, e foi esta articulação sindical que permitiu, dentre várias demandas, abrir caminho para o desejo de se criar um curso de Jornalismo no Estado. A primeira diretoria tomou posse em junho de 1984, e entre as pautas registradas na ata da Assembleia Geral constavam a regularização profissional a partir da qualificação, o acordo coletivo com piso salarial, a jornada de trabalho conforme a legislação vigente, a integração da categoria e a criação do curso de Jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Silva e Gonçalves(2020) relatam que nesta mesma reunião foi criada a Comissão Pró-Faculdade de Comunicação, que elaborou um documento reivindicatório, finalizado em dezembro deste mesmo ano. Participaram da primeira diretoria do sindicato: Edson Silva(presidente); Edna Della Nina(vice-presidente); Flávio Teixeira(secretário); Marília Leite(tesoureira); Célia Maria Teixeira da Costa, Wanderley Aguiar, Lúcia Santos, Luiz Gonzaga Bezerra (suplentes). Conselho Fiscal: Hércules Farnesi Cunha, Sandra Meneses e Waldemar Hozano de Souza; e Hordonês Echeverria, Dante de Godoy Filho e Edson Moraes (suplentes). Delegados junto a Fenaj: Edson Silva e Lúcia Silva Santos; suplentes: Rosa Maria Félix Bezerra e Hércules Farnesi Cunha. Com a articulação desta diretoria, em 1985, é importante registrar que foi assinado o primeiro acordo salarial da categoria com as grandes empresas do Estado, como a TV Morena e os jornais Correio do Estado e Diário da Serra. 33 SILVA, Edson; GONÇALVES, Loraine França. Curso de Jornalismo da UFMS: 30 anos de história. In: FERNANDES, Mário Luiz; PERES, Rafaella Lopes P. Entre Tempos – 30 anos do curso de Jornalismo da UFMS. Campo Grande, MS: Editora UFMS, 2020. 243 Ao mencionar que a criação do curso provém de uma luta sindical, cabe destacar o engajamento de Margarida Marques, a Margot, a primeira presidenta eleita Sindjor/ MS, em 1987, a qual não apenas liderou a proposta, mas deu forte contribuição na construção de um jornalismo regional comprometido com a criatividade, a criticidade e os afetos revolucionários, conforme levantamento de Katarini Giroldo Miguel. Nascida em Bagé(RS), na década de 1940, veio para o então Estado de Mato Grosso na década de 70, acompanhando o marido militar, punido com o isolamento em Três Lagoas por não apoiar a ditadura militar, e mais cinco filhos: Patrícia, Márcia, Melina, Patrícia Graça e Urataú. A passagem de Margarida pelo jornalismo sul-mato-grossense foi potente e significativa. Dentre algumas atuações na área destacamos seu trabalho como editora de cultura do Jornal da Cidade, extinto em 1981, e como assessora de imprensa do Sindicato dos Bancários de Campo Grande e do Sindicato dos Servidores da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul(Sanesul), dando sua contribuição ao movimento sindical. Militou, também, no Partido dos Trabalhadores, discutindo a redemocratização no país, pautada pelo jornal“Voz da Unidade”, do então Partidão, e como diretora-presidente, de 1999 a 2001, da Fundação Estadual Jornalista Luiz Chagas de Rádio e Televisão Educativa de MS(Fertel/MS), atuando tanto na TV Brasil Pantanal quanto na rádio 104FM. Pesquisas e constantes levantamentos foram coordenados pelo Sindjor-MS quanto ao perfil dos profissionais que já atuavam na área e também quanto à oferta de qualificação. Na época, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre eram as unidades da federação onde não havia o ensino universitário na área da comunicação. Junto com a primeira diretoria do sindicato, em 1984, tomava posse como reitor na UFMS o professor Jair Madureira, que foi sensível à causa e estabeleceu uma comissão para a criação do novo curso, formada pelos professores Otaviano Gonçalves da Silveira Júnior(presidente), Edy Assis Amaral, Jorge Manhães e Edson Silva(Sindicato dos Jornalistas). As jornalistas Marília Leite e Célia Maria Teixeira atuavam na assessoria de imprensa da universidade e ajudaram no acompanhamento interno de todos os trâmites do projeto. Silva e Gonçalves(2020) relatam que a introdução do curso encontrou resistências internas no próprio Centro de Ciências Humanas e Sociais(CCHS) por diversos fatores, dentre eles a criação de uma demanda por espaço, que já era parco, e recursos que também eram escassos. Inicialmente a própria categoria resistiu à ideia, pois vislumbrava a possibilidade de mais profissionais para trabalharem em um mercado restrito, e até mesmo um parlamentar, Cecílio de Jesus Gaeta, que, na época, quis se apropriar indevidamente do projeto, entrando com requerimento na Assembleia Legislativa estadual solicitando a criação dos cursos de Jornalismo e Publicidade na UFMS. 244 MATO GROSSO DO SUL MULHERES DA COMUNICAÇÃO Tentativas como esta foram observadas ao longo de 1984 e 1985, ao ponto da diretoria ter que divulgar nota no Jabaculê(abril de 1995), intitulada “Curso de Comunicação é luta dos jornalistas”, informando que o pedido oficial de criação e implantação do curso de Comunicação Social, habilitação em jornalismo, na Universidade Federal, partiu única e exclusivamente do Sindicato dos Jornalistas, atendendo reivindicação da categoria manifestada em Assembleia Geral[...](Silva; Gonçalves, 2020, p. 26). Após muitas articulações e luta sindical, o curso de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo – foi criado em outubro de 1985. A aprovação final pelo CCHS ocorre em 1988 e, assim, o primeiro vestibular para o curso de Jornalismo e o ingresso da primeira turma aconteceu somente em 1989, uma vez que a efetivação da nova Graduação dependia, também, da contratação de docentes e da disponibilidade de instalações físicas. Na primeira fase a Graduação tinha duração de quatro anos e meio, e os últimos seis meses eram reservados ao desenvolvimento do Projeto Experimental. As aulas aconteciam no período noturno, das 19h às 22h40, visando a atender uma demanda de alunos trabalhadores e ainda a tentar resolver um problema de infraestrutura da universidade com relação à disponibilidade de salas de aulas. Concomitante ao ingresso da primeira turma, em maio de 1989 ocorreu o primeiro concurso para professor. Aprovados na lista de classificação constavam seis jornalistas: Edson Silva(trazia experiência no jornalismo impresso, tendo trabalhado no Diário Popular e no Diário de São Paulo), Júlia Torrecilha, Maria Francisca Marcelo(com experiência no rádio em São Paulo), Mário Ramirez(tendo trabalhado em agência de publicidade e na Revista Grifo), Mauro César Silveira(com experiência na Revista Veja e no jornalismo do Rio Grande do Sul) e Ecilda Stefanello(com experiência em televisão, com passagem pela TV Morena). Silva e Gonçalves(2020) registram que, Com número limitado de equipamentos o curso funcionava, como se dizia, na base do“cuspe e do giz”. Os docentes recém-contratados, com pouco ou nenhum perfil acadêmico, ensinavam aos alunos os ofícios da profissão e, ao mesmo tempo, aprendiam a didática e a metodologia do ensino. Os primeiros contratados não possuíam mestrado ou doutorado(p. 29). Dentre as práticas laboratoriais, podemos destacar dois produtos que marcaram o início e tem sobrevivido. O primeiro produto laboratorial do curso foi o jornal Projétil, tabloide cuja primeira edição foi publicada em setembro de 1990. O impresso é o primeiro e único jornal-laboratório da Graduação em Jornalismo e sobrevive mesmo em tempos do digital. O segundo produto laboratorial foi a Rádio Alternativa. A prática pedagógica no rádio teve início em 1992 como projeto de extensão, que, depois, se transformou em dissertação do professor Edson Silva. A veiculação dos programas era feita por meio de alto-falantes distribuídos pelos corredores da universidade e por ondas eletromagnéticas por intermédio de um transmissor do extinto Autocine, na 245 sintonia 105,5 FM, coordenado pela professora de rádio Maria Francisca Marcelo. Como não havia concessão para a emissora funcionar, foi lacrada diversas vezes pela Agência Nacional de Telecomunicações(Anatel). A Rádio Alternativa existe como Rádio Corredor, projeto de ensino e de extensão veiculado por meio de poucas caixas de som no corredor central da universidade e com transmissão pela rádio educativa da UFMS, 99.9. A universidade obteve a concessão de outorga para operar em frequência modulada(FM) em 2017. Além, destes, o curso de Jornalismo da UFMS conta com outros projetos pedagógicos, como o portal de notícias Primeira Notícia, a revista laboratório Ponto Livre, a criação de programas telejornalísticos exibidos pela TVU, o Textão Jornalístico e o laboratório fotográfico. O curso conta, também, com a Empresa Junior Brava. Em 1993 a UFMS forma a primeira turma de Jornalismo, diplomando 16 novos profissionais. Inicialmente o curso era ofertado no período noturno, posteriormente as aulas passaram a ser ministradas nos períodos vespertino e noturno e, a partir de 2010, nos períodos matutino e vespertino, com a oferta de 50 vagas/anuais. A Graduação ofertada pela UFMS foi pioneira e contribuiu para a formação e capacitação de jornalistas e de futuros docentes da área. Em 2024 completará 35 anos de existência, tendo graduado mais de 800 alunos. Em 2024 o curso de Jornalismo da UFMS é coordenado pela professora Laura Seligman, e conta com mais seis mulheres no seu quando docente – Márcia Gomes Marques, Daniela Cristiane Ota, Katarini Giroldo Miguel, Tais Marina Tellaroli Fenelon, Rafaella Lopes Pereira Peres e Daniela Giovana Siqueira. SURGEM NOVAS GRADUAÇÕES NO SETOR PRIVADO Podemos destacar que a década de 1990 é marcada pela criação de vários cursos de Comunicação na capital, Campo Grande. Um ano após a formatura da primeira turma de Jornalismo da UFMS, a Universidade Católica Dom Bosco(UCDB) abre, em 25 de abril de 1994, o curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda – o primeiro da área em Mato Grosso do Sul – ofertado no período matutino. Segundo o professor Gerson Luiz Martins, ainda em 1994 a UCDB amplia a Graduação em Comunicação e cria o curso de Relações Públicas, também o primeiro da área em Mato Grosso do Sul. As vagas eram ofertadas no período matutino. As novas Graduações ampliaram o campo e possibilitaram uma diversificação na formação profissional. A partir destas composições, a discussão sobre a profissionalização e o desenvolvimento de pesquisas na área também passa a ser pauta. As novas habilitações em Comunicação surgem logo após o reconhecimento da instituição como universidade, em 1993, pela Portaria MEC nº 1.547/93. A primeira 246 MATO GROSSO DO SUL MULHERES DA COMUNICAÇÃO coordenadora de ambos os cursos foi a professora Maria Angela Mirault Coelho. Em 2024 o curso pioneiro em Publicidade e Propaganda da UCDB completa 30 anos de existência. Dos docentes que iniciaram o curso, a professora Claudia Mara Stapani Ruas é a única em atividade desde o início do funcionamento, lecionando há 28 anos na instituição. Ela também cumpriu um longo mandato como coordenadora de Publicidade e Propaganda, sendo sete anos consecutivos. As primeiras professoras a lecionarem e a coordenarem o curso de Publicidade e Propaganda foram Maria Angela Mirault Coelho, Ana Cristina Martins, Leda Ribeiro (publicitária e jornalista e que, posteriormente, coordenou o curso de Jornalismo também) e Claudia Ruas. As professoras foram as pioneiras e cumpriram longos mandatos à frente da Graduação. O professor Elton Tamiozzo é o coordenador do curso em 2024. Já em Relações Públicas, após a primeira coordenadora, vieram nomes como Kátia Pecoraro e Mayra Franceschi – que continua a atuar na área, como gerente de Relações Públicas e Comunicação Corporativa na Rede Hemosul/MS. No mesmo ano de abertura de vagas para o curso de Publicidade nascia o embrião da agência pedagógica – a Agência Mais Comunicação –, que, de acordo com a Ruas, é o grande diferencial do curso e representa um espaço necessário de estrutura laboratorial com o Laboratório de Comunicação(Labcom), que serve como elemento de integração entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão e com as práticas do mercado. O laboratório conta com quatro docentes supervisores e funciona de segunda à sexta-feira, das 13 às 17 horas. Segundo Ruas, o aluno permanece no contraturno em contato com os professores do curso, com alunos de diferentes semestres e opera com metodologia semelhante à do mercado. Em 2022 foi considerada a melhor agência experimental da Região Centro-Oeste no Prêmio Expocom, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Após a UCDB instituir novos cursos, em 1998 a Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal(Uniderp) cria duas novas habilitações em Comunicação – Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Os cursos ainda são ofertados no período noturno. Em outubro de 2007 a Anhanguera Educacional S.A. assumiu o controle acionário do Centro de Ensino Superior de Campo Grande Ltda., mantenedor da Uniderp, que passou a fazer parte grupo Kroton Educacional. As Graduações foram introduzidas pelo professor Eron Brum, docente que, na época, era aposentado da UFMS. O corpo docente era composto por professoras no Jornalismo, como Daniela Cristiane Ota, Gladis Salete Linhares Toniazzo, Vanessa Amin, Liane dos Santos Pereira, Regina Frias e Claudia Regina de Brito. Pela universidade, no ano de 2000, as professoras Daniela Ota, Gladis Linhares e Cláudia Brito publicaram a Série Etnias, com a trilogia:“Rádio em Boa Sorte – uma comunidade negra”,“A televisão no imaginário do Terena” e“Escola de japoneses: educação e etnicidade em MS”, respectivamente. A professora Cláudia Brito não 247 reside mais em Mato Grosso do Sul, porém desenvolveu carreira acadêmica em outras localidades, sendo pró-reitora de Ensino e Extensão, em 2016, na Universidade Brasil, e de 2017 a 2018 reitora da Faculdade Dom Bosco, Campus Mercês, em Curitiba (PR). Gladis Toniazzo reside no interior de São Paulo, em Ribeirão Preto, e trabalha com educação. Vanessa Amin foi presidente do Sindijor/MS e é servidora na UFMS, na área da comunicação. Algumas permaneceram na docência, porém não mais em Mato Grosso do Sul, e as demais voltaram para o mercado de trabalho. Em 2024 Angélica Magalhães, Raquel Guimarães, Ângela Werdemberg fazem parte do corpo docente. O curso de Publicidade e Propaganda nascia com o intuito de manter uma forte interação com o mercado de trabalho. Participaram do processo de instalação e foram docentes as professoras Silvia Helena Schnaider Sarmento, Cintia Silveira, Camila Gazal, Fernanda Carvalho, Patrícia Souza Vaz e Fabiana Perin. Após a primeira coordenação conjunta dos dois cursos pelo professor Eron Brum, assumem a coordenação de Jornalismo Daniela Cristiane Ota e a de Publicidade e Propaganda Silvia Helena Schnaider Sarmento. Além da coordenação, a professora Silvia comandava, também, os trabalhos na agência experimental Unidéias. A Graduação em Jornalismo na Uniderp foi a primeira do setor privado e o curso de Publicidade e Propaganda o segundo do setor privado criado no Estado. As professoras Angélica Sigarini Magalhães e Raquel Caram Guimarães e o professor Clayton Sales, em seu artigo, publicado no livro Entre Tempos – 30 anos do curso de Jornalismo da UFMS(2020, p. 113), relatam que a espinha dorsal dos novos cursos “foi baseada na bem-sucedida experiência da universidade pública, com o professor Eron Brum coordenando e participando da construção da primeira grade curricular”. O currículo inicial incorporava três áreas do conhecimento: Ciências Sociais, Ciências da Comunicação e da Linguagem, Filosofia e Arte. Na instituição, o quadro docente era composto por profissionais com vivência e importantes passagens pelas áreas do Jornalismo e da Publicidade, que puderam compartilhar a experiência de mercado no campo acadêmico também. No nome da universidade a questão da regionalidade fica expressa e, portanto, as especificidades regionais foram incorporadas na Graduação, como as disciplinas Jornalismo Rural e Jornalismo Ambiental. Para as práticas laboratoriais o curso de Jornalismo da Uniderp-Anhanguera conta com a TV Pantanal; o jornal-laboratório Unifolha, que teve a primeira edição distribuída em 2001; a revista CoMtexto, que teve a primeira edição física e as demais no formato digital e o Unifolha On-line. Já a produção acadêmica em rádio teve várias etapas, inicialmente por arrendamento na Rádio Concórdia, e, após, o programa“Uniderp no Ar” era veiculado semanalmente, aos domingos, pela Rádio Cidade FM. No artigo “Curso de Jornalismo da UFMS: 30 anos de história”, do livro Entre Tempos – 30 anos do curso de Jornalismo da UFMS(2020, p. 114), os autores explicam que, a partir de 2005, a universidade passa a contar com a sua própria emissora – a Rádio Uniderp FM(103,7) – e produzem academicamente o programa“Uniderp Notícias”. 248 MATO GROSSO DO SUL MULHERES DA COMUNICAÇÃO Em 2001 os cursos de Comunicação da instituição sediaram o XXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), cujo tema foi“A mídia impressa, o livro e o desafio das novas tecnologias”. O CAMPO AMPLIA-SE E SE RETRAI Cinco anos após iniciar o bacharelado em Comunicação, no dia 8 de fevereiro de 1999, a UCDB instala o curso de Jornalismo. De acordo com o professor Gerson Luiz Martins, ainda em 1999 a Instituição cria o curso de Rádio e TV, ambos ofertados no período matutino. No livro Entre Tempos – 30 anos do curso de Jornalismo da UFMS (2020, p. 102), o professor Oswaldo Ribeiro relata que a história oficial do curso de Jornalismo da UCDB começa no dia 13 de agosto de 1998, sendo reconhecido pelo Ministério da Educação(MEC) em 2003. O docente registra, no entanto, que, em depoimento coletado com Gerson Martins, o mesmo narra que o processo de criação teve início em 1996, quando trabalhava na assessoria de comunicação da universidade, e começou a organização do projeto junto com Walter Demirdjian. A intenção era ter um curso específico para a área de Jornalismo desde o primeiro semestre. Ribeiro(2020, p. 103) conta que em 2002 nasce o terceiro jornal laboratório –“Em Foco” –, com tiragem de 3 mil exemplares. Cinco anos depois, em 2007, o impresso passa a ter tiragem praticamente semanal, depois é mensal. O primeiro do Estado foi o Proj é til da UFMS, com 34 anos de circulação, e depois o Unifolha, com 15 anos de publicação. Entre os anos de 2007 e 2008 tem início o projeto“Rádio Em Foco”, produção laboratorial veiculada pela FM Educativa UCDB, com duas horas de duração. Ao longo dos anos o programa passou por várias alterações com relação ao tempo de duração, data e horário de exibição, inclusive com transmissão via internet, como podcast. Em 2024 conta com 30 minutos de duração e é exibido gravado pela emissora da universidade, às 21 horas, todas as quartas-feiras. Em 2010 o curso de Jornalismo é um dos ganhadores do Prêmio Roquette-Pinto da Associação de Rádios Públicas do Brasil(ARPUB), com o radiodocumentário“Índio Urbano”. No ano de 2011 é criado o evento“72 Horas de Jornalismo”, que reúne anualmente, em média, 150 pessoas entre alunos, professores e profissionais da área. O objetivo é observar os jornalistas em ação e produzir jornais impressos, programas de televisão, programas de rádio e conteúdo para internet. No terceiro e último dia os profissionais vão até o Labcom e discutem os resultados obtidos. Em uma parceria entre as professoras Cristina Ramos da Silva Ribeiro e Inara Souza e Silva, quando ministravam as disciplinas de Gestão e Empreendedorismo em Comunicação e Comunicação e Multimídia, foi criado o programa“Deu Certo”, exibido na grade de programação da TV UCDB, e ainda pelo YouTube e Facebook, que compartilhava conteúdo sobre observação e pesquisa do mercado de trabalho, visitação às empresas, 249 entre outras atividades. Além deste, existiam outros programas, como o Televivo e o Joga na Roda. Segundo Ribeiro(2020, p. 105), entre agosto de 2016 e agosto de 2017 foram transmitidos pelos canais do YouTube e Facebook do Jornalismo da UCDB 52 programas laboratoriais. A professora Cristina Ribeiro tem atuado no mercado de trabalho na TV Morena (afiliada da Rede Globo) em Campo Grande. Na instituição havia tentativa de fortalecimento acadêmico para a criação de um curso de Pós-Graduação. Entre os anos de 2014 e 2017 o grupo de pesquisa em Jornalismo: Ensino Superior, Fator Humano e Tecnologia na Profissão e Mercado de Trabalho/Emprego, produziu, ao longo de três ciclos de pesquisa, 15 artigos que mapeavam ocorrências do jornalismo local. Além das docentes anteriormente mencionadas e que foram coordenadoras do curso de Jornalismo, citamos, também, Célia Franzoloso e Leda Ribeiro, que coordenaram e exerceram docência na Graduação. As professoras que fazem parte do corpo docente dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da UCDB são Claudia Ruas(publicitária), Inara Silva (jornalista), Maria Helena Benites(Design), Ângela Catônio(Letras) e Milena Wolf, a qual ministra uma disciplina institucional em ambos os cursos. Já em 2001, mais precisamente no dia 26 de março, a Faculdade Estácio de Sá inicia a oferta de cursos de Publicidade e Propaganda e Jornalismo no período noturno. O professor Gerson Luiz Martins conta que elaborou e instituiu o projeto do curso de Jornalismo da instituição. Dentre os projetos acadêmicos, destacamos o jornal laboratório“Folha Guaicuru”, que começou a circular no mesmo ano de criação do curso. Como coordenadora de Jornalismo atuou Juliana Feliz, que reside em Portugal, onde desenvolve projetos como escritora e faz Doutorado na Universidade Fernando Pessoa com o professor Jorge Pedro de Sousa. Trabalharam na Graduação, contribuindo com experiências do mercado de trabalho, Jessika Machado, Marcelli Salvaterra, Thaísa Bueno e Amani Jaber. Marcelli Salvaterra e Thaísa Bueno são docentes na Universidade Federal do Maranhão( Campus Imperatriz). Jessika atua no mercado de trabalho e Amani reside nos Estados Unidos. Como coordenadoras pioneiras a terem mandatos à frente do curso de Publicidade e Propaganda, estavam Sara Azevedo(que também coordenou o curso de Jornalismo e o curso de Pós-Graduação MBA em Mídias Digitais), Índia Flesichfresser e Camila Gazal. Índia atua no mercado publicitário de Curitiba(PR), Camila no mercado publicitário e Sara trabalha na área de redes sociais, ambas em Campo Grande(MS). Como o intertítulo anuncia, o campo se expande com a criação de novos cursos na década de 1990, porém, ainda no início da década de 2010, as universidades privadas anunciam o fim de algumas Graduações. A UCDB oferece dois cursos de Graduação em Comunicação, que são: Publicidade e Propaganda e Jornalismo. O curso de Rádio e TV foi fechado em 2011 e o de Relações Públicas também. Quanto 250 MATO GROSSO DO SUL MULHERES DA COMUNICAÇÃO ao curso de Jornalismo, paira uma situação de instabilidade, pois foi ofertado no vestibular de 2022/2023, porém não abriu turma. No vestibular 2023/2024 o curso não foi oferecido pela instituição. Já a Faculdade Estácio de Sá, em 2024, mantém apenas o curso de Publicidade e Propaganda em funcionamento. Na UniderpAnhanguera funcionam os cursos de Publicidade e Propaganda e de Jornalismo. AUDIOVISUAL No cenário de desenvolvimento do campo é importante relatar a criação do curso de Audiovisual pela UFMS na Faculdade de Artes, Letras e Comunicação(FAALC). A proposta inicial foi oficializada em 13 de dezembro de 2013 pela Associação de Cinema e Vídeo de Mato Grosso do Sul(ACV-MS), que encaminhou o ofício n° 22/2013 à Reitoria da UFMS, solicitando um curso de Audiovisual na Instituição, o primeiro do Estado de Mato Grosso do Sul. A solicitação foi encaminhada à direção do Centro de Ciências Humanas e Sociais(CCHS), que instituiu uma comissão provisória pela Instrução de Serviço n° 30, de 19 fevereiro de 2014, visando a elaborar proposta de criação. No mesmo ano o Conselho do CCHS aprovou o relatório e manifestouse favorável à proposta de criação do curso de Cinema e Audiovisual, conforme Resolução n° 947, de 4 de novembro de 2014. Em 2017 a UFMS cria a Faculdade de Artes, Letras e Comunicação(FAALC), que estimula o projeto de criação da Graduação, por entender que um curso de Audiovisual poderia fortalecer e integrar todas as áreas da Comunicação e da Expressão. Neste mesmo ano também teve início o projeto de extensão MovCine, coordenado pela professora Márcia Gomes Marques, que aconteceu até 2022; conjuntamente foram oferecidos cursos de curta duração sobre audiovisual, abertos à toda comunidade interna e externa. Todas estas ações incentivaram a efetivação, uma vez que registraram excelente acolhida do público. Assim, pela Instrução de Serviço n° 64, de 18 de maio de 2018, a Direção da FAALC constituiu, com aval da Administração Central da UFMS, uma nova comissão para realizar a revisão do relatório apresentado em 2014 e propor o Projeto Pedagógico para o Curso de Audiovisual. O primeiro ingresso de turma ocorreu em 2019, e, em 2023, acontece a primeira colação de grau da Graduação. A primeira coordenadora do curso foi Márcia Gomes Marques, que, após um ano, foi substituída por Julio Carlos Bezerra, e as duas primeiras professoras concursadas foram Suzana Lopes, transferida para Universidade Federal do Pará(Ufpa), e Daniela Giovana Siqueira, docente do curso de Audiovisual e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM). INTERIOR Já a expansão dos cursos de Comunicação para o interior do Estado só acontece na década de 2000, em municípios estratégicos e que apresentam maior desenvolvimento 251 em Mato Grosso do Sul – Dourados e Três Lagoas –, segundo e terceiro maiores municípios, respectivamente, com relação a número de habitantes. No dia 2 de fevereiro de 2002 a Faculdades Integradas de Três Lagoas(AEMS) cria os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, ambos oferecidos no período noturno. Três Lagoas faz divisa com o Estado de São Paulo e representa um polo educacional com um Campus da UFMS, com proximidade de cerca de 65km da cidade de Ilha Solteira(SP), que tem um Campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Os cursos são coordenados pelo professor Rafael Furlan Lo Giudice. No corpo docente citamos Icléia Caires Moreira, formada em Letras, que ministrou aula no curso de jornalismo da AEMS e é servidora(2024) da UFMS no Campus de Três Lagoas. Em 2004 o Centro Universitário da Grande Dourados(Unigran) institui o curso de Jornalismo no período noturno. Dourados também é considerado um polo de educação superior do Estado, contando com a Universidade Federal da Grande Dourados(UFGD), a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul(Uems), a Anhanguera Dourados e a Unigran. O curso de Jornalismo do Centro foi desativado com extinção voluntária, de acordo com dados da plataforma e-MEC. Na Unigran a última turma formou-se em 2015, e o curso de Jornalismo teve como primeira coordenadora a professora Gabriela Mangelardo. Em 2007, também no período noturno, a Unigran cria o curso de Publicidade e Propaganda, ampliando o número de vagas para os cursos de Comunicação. O curso está em funcionamento, tendo sido coordenado pela professora Lana Guedes. Também trabalharam como docentes de ambos os cursos Thaise Dias, Luciana Azambuja, Evelin Gomes, Amanda Brito e Renata Boeira. Amanda Brito, atua como servidora da Universidade Federal da Grande Dourados(UFGD). Professoras de outras áreas também contribuem com disciplinas interdisciplinares, como Gabriele Pagliusi (Economia), Tânia Rejane(Direito – ministra Direito Aplicado à Publicidade) e Márcia Bin(Farmácia – ministra Metodologia Científica). Em 2024 o curso de Publicidade é coordenado por Oseias Iapechino. Atualmente em Mato Grosso do Sul só existem os cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda. Com relação ao Jornalismo, na capital três instituições oferecem – UFMS, Uniderp e UCDB(porém há dois vestibulares sem abrir turma) – o curso. No interior apenas a AEMS de Três Lagoas mantém a oferta. Já para os cursos de Publicidade e Propaganda, na capital três instituições – UCDB, Estácio de Sá e Uniderp-, ofertam o curso. No interior duas instituições ofertam – AEMS e Unigran. PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO Após a consolidação da Graduação e o incremento no desenvolvimento de pesquisas, em 2011 o curso de Jornalismo da UFMS cria o Programa de Pós-Graduação em 252 MATO GROSSO DO SUL MULHERES DA COMUNICAÇÃO Comunicação(PPGCOM) da Faculdade de Artes, Letras e Comunicação(FAALC). Até 2023 o programa já titulou 103 mestres no Estado, sendo o quarto da região Centro-Oeste. O primeiro stricto sensu em Comunicação foi fundado em 1974 pela Universidade de Brasília(UnB). Após 33 anos, em 2007 tem início o programa na Universidade Federal de Goiás(UFG) e, no ano seguinte, em 2008, a Universidade Católica de Brasília(UCB) começa as atividades na Pós-Graduação em Comunicação. Em 2019 a região registra cursos de Pós-Graduação em todos os Estados, com a criação na Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT). A trajetória para a efetivação da Pós-Graduação na UFMS começa em 2010, quando foi realizada uma reunião com o representante de área da Capes, Marcius Freire, com o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dercir Pedro de Oliveira, e com os docentes Daniela Cristiane Ota, Greicy Mara França, Márcia Gomes Marques, Gerson Luiz Martins, Marcelo Câncio, Mario Ramires Marques e Mario Luiz Fernandes. O encontro visava à elaboração de uma proposta, e para coordenar todos os trabalhos foi indicado Mario Luiz Fernandes. Antes deste encontro, desde 2009 havia uma articulação entre a gestão da universidade e os professores para a criação da PósGraduação. Neste período as iniciativas foram lideradas pela professora Ruth Penha Alves Vianna, que veio transferida da UFMT e ingressou na Graduação da UFMS em 2000, sendo a primeira doutora do então Departamento de Jornalismo. Em menos de dez anos o número de professores doutores no Departamento cresceu significativamente, o que possibilitou pensar efetivamente em um curso de Mestrado. Para se ter uma ideia, em 2001 o professor Mauro César Silveira obteve o título de doutor em História pela Pontifícia Universidade Católica(PUC-RS). Márcia Gomes Marques, doutora pela Pontifícia Università Gregoriana(Roma) em 2002, ingressou na UFMS em 2004. No mesmo ano, Jorge Kanehide Ijuim doutorou-se pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(ECA/USP). Em 2004, Greicy Mara França, que atuava no Departamento de Informática, transferiu-se para o de Jornalismo, terminando o Doutorado pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), e em 2005 ingressou no Departamento Daniela Cristiane Ota, doutora pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(ECA/USP). Com a composição e titulação do corpo docente, era o momento de fortalecer a pesquisa e articular projetos de cooperação acadêmica. Desta forma, nos anos de 2007 a 2008 é firmado o projeto“Cooperação Internacional”, celebrado entre os Departamento de Jornalismo da UFMS e da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). A época é a mesma em que a professora Ruth Penha Alves Vianna realizou seu Pós-Doc na UAB e, por iniciativa da docente, foram efetivados dois convênios de cooperação internacional em 2008 – entre o Laboratório de Audiovisual e Comunicação(LAICOM), da UAB, e o curso de Jornalismo da UFMS; e o Projeto Cooperación científica entre España y Brasil para el desarrollo de um protocolo de control de calidad de los contenidos audiovisuales. Fernandes(2020, p. 77) explica 253 que o projeto foi avalizado pelo programa Capes-DGU(Brasil-Espanha) e tinha como objetivo o desenvolvimento de pesquisa, o intercâmbio de docentes, discentes e técnicos, a realização de estágio Pós-Doutoral, missões de trabalho, entre outras atividades. Após a formalização dos protocolos para o trabalho conjunto, em 2010 foi firmado o convênio de Cooperação Técnica e Científica e Interuniversitária entre a UAB e a UFMS, para efetivar as atividades. Fernandes(2020, p.78) relata que os projetos possibilitaram várias ações, como as I e II Jornadas Internacional sobre investigação e desenvolvimento da qualidade dos conteúdos audiovisuais televisivos e do jornalismo Brasil-Espanha, realizadas em 2009 e 2010; e a mobilidade de professores para missões de trabalho e Pós-Doc. Para exemplificar citamos, em 2010, a vinda dos docentes da UAB, Angel Rodriguez Bravo e Catalina Norminada Montoya Vilar, e do doutorando Lluis Más Manchon, para desenvolverem pesquisas. Em contrapartida, os professores Marcelo Câncio Vicente Soares, Mario Luis Fernandes e Daniela Cristiane Ota realizaram missões de trabalho na UAB. Já os docentes Márcia Gomes Marques e Gerson Luiz Martins fizeram um Pós-Doutoramento na UAB, em 2011 e 2012, respectivamente. Quando o Mestrado é efetivamente instituído, em 2011 é realizado o primeiro processo seletivo, que contou com a participação de 47 candidatos, dos quais 10 foram aprovados. O primeiro coordenador do curso foi o professor Mario Luiz Fernandes. O Mestrado da UFMS foi criado tendo como área de concentração “Mídia e Representação Social” e duas linhas de pesquisa:“Mídia, Identidade e Regionalidade” e“Linguagens, Processos e Produtos Midiáticos”, sendo um dos destaques a linha que contempla o estudo da comunicação regional. As parcerias sempre foram importantes para o crescimento da Pós-Graduação, assim como para a contratação de novos professores. Desta forma, outro projeto importante e que possibilitou o fortalecimento do início da Pós-Graduação, foi o“Comunicação e Mediações em Contextos Regionais: usos midiáticos, culturais e linguagens”, aprovado em 2014 pelo edital Procad. O objetivo era oportunizar intercâmbio de pesquisas, promover cooperação científica, realizar seminários e missões de estudos (Mestrado e Doutorado-Sanduíche). Fernandes(2020, p. 80) explica que em 2013 fez contato com o então coordenador do PPGCOM da USP, Adilson Citelli, visando a articular um projeto de cooperação acadêmica entre os programas:“Neste mesmo ano a Capes lançou o edital nº 71/2013/ Procad. O então coordenador do PPGCOM da USP acabara de ser substituído pelo professor Eneus Trindade, e formalizamos a proposta, incluindo também a UFRN”. No total, 15 subprojetos pertinentes à comunicação regional integraram o projeto “guarda-chuva”, aplicando como referencial teórico a perspectiva das mediações. Pela UFMS participaram os docentes Daniela Cristiane Ota, Greicy Mara França, Márcia Gomes Marques, Marcos Paulo da Silva e Mario Luis Fernandes. Um dado 254 MATO GROSSO DO SUL MULHERES DA COMUNICAÇÃO relevante nesta parceria diz respeito à mobilidade acadêmica. Dos 53 alunos de Mestrado que ingressaram no programa da UFMS entre 2014 e 2018, 11(20,7%) cursaram um semestre letivo assim divididos: na USP 10 e na UFRN 1. Como resultados parciais deste projeto, em 2019 foi publicado o livro“Entre comunicação e mediações: visões teóricas e empíricas”, organizado pelos professores Eneus Trindade, Juciano de Sousa Lacerda e Mario Luis Fernandes. Em 2020 foi disponibilizada mais uma produção:“Comunicação e mediações – novas perspectivas”, organizada por Eneus Trindade e Luciano Maluly(USP), Mario Luis Fernandes(UFMS) e Ângela Pavan(UFRN). Na fase inicial, em 2012, o programa da UFMS também foi convidado para uma cooperação acadêmica, que visava à produção de uma revista junto com os PPGCOMs da UnB, UCB e da UFG: a Esferas – Revista Interprogramas de Pós-Graduação em Comunicação do Centro-Oeste. O corpo docente do programa é composto por Márcia Gomes Marques, Daniela Cristiane Ota, Tais Marina Tellaroli Fenelon, Katarini Giroldo Miguel, Rose Mara Pinheiro, Daniela Giovana Siqueira, Gerson Luiz Martins, Hélder Prior, Julio Carlos Bezerra, Marcos Paulo da Silva, Mario Luiz Fernandes, Silvio da Costa Pereira, Marcio Blanco Chavez e Vitor Tomaz Zan. Com o corpo docente um pouco maior e com as linhas de pesquisa já consolidadas, em 2023, na divulgação dos resultados do quadriênio pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), o PPGCOM subiu de nota, o que possibilitou a efetivação do curso de Doutorado em Comunicação. O primeiro processo seletivo aconteceu no primeiro semestre de 2024. Em 35 anos de história, contada a partir do início dos cursos de Graduação na capital do Estado, o campo da Comunicação segue percurso similar a diversas Regiões do país. Passou por um período de significativo crescimento, estimulado pela abertura de novos cursos pelas instituições privadas de ensino, e, depois, como uma característica regional, assenta-se reduzindo o número de Graduações com o oferecimento somente dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Ainda assim, tanto na capital quanto no interior é possível observar uma forte tendência na manutenção dos cursos de Publicidade apenas pelas universidades privadas. Neste tempo, as mulheres participaram ativamente na construção da história e da consolidação destes cursos. Mesmo, no entanto, que nos últimos anos o número seja crescente de mulheres no universo acadêmico sul-mato-grossense, ainda é perceptível que somos poucas e que o número poderia ser ampliado. Referências FERNANDES, Mario Luis. Curso de Jornalismo da UFMS: 30 anos de história. In: FERNANDES, Mário Luiz; PERES, Rafaella Lopes P. Entre tempos – 30 anos do curso de Jornalismo da UFMS. Campo Grande, 255 MS: Editora UFMS, 2020. p. 70-85. Cap. 5. Disponível em: jornalismo-faalc.ufms.br/wp-content/ uploads/2020/08/entre-tempos-30-anos-do-curso-de-jornalismo-da-ufms.pdf MAGALHÃES, Angélica; SALES, Clayton; GUIMARÃES, Raquel. Curso de Jornalismo da UFMS: 30 anos de história. In: FERNANDES, Mário Luiz; PERES, Rafaella Lopes P. Entre tempos – 30 anos do curso de Jornalismo da UFMS. Campo Grande, MS: Editora UFMS, 2020. p. 110-123. Cap. 8. Disponível em: jornalismo-faalc.ufms.br/wp-content/uploads/2020/08/entre-tempos-30-anos-do-curso-de-jornalismo-daufms.pdf RIBEIRO, Oswaldo. Curso de Jornalismo da UFMS: 30 anos de história. In: FERNANDES, Mário Luiz; PERES, Rafaella Lopes P. Entre tempos – 30 anos do curso de Jornalismo da UFMS. Campo Grande, MS: Editora UFMS, 2020. p. 102-109. Cap. 7. Disponível em: jornalismo-faalc.ufms.br/wp-content/uploads/2020/08/ entre-tempos-30-anos-do-curso-de-jornalismo-da-ufms.pdf SILVA, Edson; GONÇALVEZ, Loraine. Curso de Jornalismo da UFMS: 30 anos de história. In: FERNANDES, Mário Luiz; PERES, Rafaella Lopes P. Entre tempos – 30 anos do curso de Jornalismo da UFMS. Campo Grande, MS: Editora UFMS, 2020. p. 20-35. Cap. 1. Disponível em: jornalismo-faalc.ufms.br/wp-content/ uploads/2020/08/entre-tempos-30-anos-do-curso-de-jornalismo-da-ufms.pdf 256 MATO GROSSO DO SUL MULHERES DA COMUNICAÇÃO FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 257 MARIA FRANCISCA MARCELLO Rafaella Lopes Pereira Peres Maria Francisca do Rosário Bueno Marcello, a Chica Marcello, nasceu no dia 5 de outubro de 1952 no Estado de São Paulo. Ela é mãe de Paulo Francisco, seu único filho. Foi bacharel e licenciada em História pela Universidade de São Paulo (USP), em 1974, bacharel em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, em 1977 e licenciada plena em Pedagogia na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de São Bernardo do Campo em 1980. Chica Marcello entrou na vida acadêmica após atuação no Ensino Fundamental e no jornalismo televisivo paulista e capixaba(em Vitória/ES como correspondente da Folha de S. Paulo). Ingressou na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul(UFMS) como professora assistente em maio de 1989, onde atuou como docente até 1997 no curso de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo. Foi a primeira jornalista na coordenação do curso de Comunicação Social, representante no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Coepe) e chefe de departamento do, então, Centro de Ciências Humanas e Sociais(CCHS). Envolveu-se ativamente para consolidar o curso na luta por equipamentos e espaços adequados de produção e aprendizagem, que permitiram seu reconhecimento em 1993. Foi, ainda, uma das responsáveis por manter a Rádio Alternativa UFMS em atividade, após um episódio de lacramento do espaço radiofônico do curso pelo Departamento Nacional de Telecomunicações(Dentel), órgão executivo do Ministério das Comunicações. 258 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Atuou também na pesquisa para mapear as concessões de rádio e TV em MS, e coordenou diversas semanas de comunicação, trazendo palestrantes nacionais renomados para os debates propostos, em especial na área de Radiojornalismo. Em 1994 era a docente responsável pelas disciplinas de“Redação e Expressão Oral III”,“Radiojornalismo I e II” e“Redação e Expressão Oral no Jornalismo III”. Realizou Mestrado, e defendeu a dissertação em julho de 1996, em Multimeios, pela Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), orientada por Haydée Dourado F. Cardoso e bolsista Capes. A dissertação teve como título“ Brasil do boi: análise dos meios, suas limitações e a busca de uma linguagem mais eficiente”, na qual discute a questão da comunicação no meio rural dos peões de gado de corte de MS. Ao longo de sua atuação no curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo – da UFMS, Maria Francisca Marcello contribuiu para a profissionalização de um mercado sul-mato-grossense, na época, ainda extremamente incipiente e amador. No Ensino Superior atuou por oito anos até ser acometida por uma doença degenerativa que a levou a diversos afastamentos para tratamento da saúde e ao falecimento em 2006. 259 ECILDA STEFANELLO Laura Seligman Ecilda Terezinha da Silva Stefanello nasceu em 30 de março de 1956 em Fortaleza dos Valos(RS). É filha de Miguel Stefanello e Guiomar da Silva Stefanello. Estudou em um colégio de freiras no município vizinho de Ibirubá (RS) e, mais tarde, fez o então chamado Segundo Grau em Cruz Alta, no Colégio Franciscano Santíssima Trindade, como interna. Mudou-se para Porto Alegre e cursou o Segundo Grau no Colégio Marista Champagnat, ligado à Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), e ainda fez um curso técnico em auxiliar de laboratório no Colégio do Rosário. Cursou Comunicação Social na PUCRS, com habilitação em Jornalismo. Formou-se em 1980 e decidiu viajar pelo Brasil, mas antes fez estágio no extinto jornal Folha da Tarde e no jornal Zero Hora, como pesquisadora para jornais. Em Campo Grande, durante a viagem para Manaus, ao visitar a TV Morena, foi convidada a trabalhar nela, onde ficou por nove anos. Foi editora, redatora, editora-chefe e até diretora de Jornalismo. Deixou a TV Morena e foi trabalhar como assessora de Comunicação Social no governo do Estado, passando por muitas unidades. Nesse período, também fez o curso de História nas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso(FUCMT), mudada para Universidade Católica Dom Bosco(UCDB). Em 1989 presta concurso para professora do curso de Jornalismo, criado em 1985, mas efetivado quatro anos depois. Passa em segundo lugar e é chamada, em 1991, para ministrar a disciplina de Telejornalismo. 260 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Em junho de 1992, com um grupo de alunos, foi cobrir a Eco92, Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Os alunos entrevistaram o oceanógrafo Jacques Cousteau e Luiz Inácio Lula da Silva. Pediu demissão em 1993, dois anos e meio após ingressar, e passou a dedicar-se à sua empresa de comunicação, a ACT, primeira agência de marketing político do MS. Em 2006 trabalhou na campanha da primeira mulher a governar o Rio Grande do Sul, Yeda Crusius. Permaneceu no setor de comunicação até o final de 2011. Dessa data em diante dedica-se a consultorias de comunicação e marketing político. Ecilda tem sua trajetória como jornalista, a qual foi marcada por um breve período como professora universitária. 261 RUTH VIANNA Rose Mara Pinheiro Ruth Penha Alves Vianna nasceu em 24 de novembro de 1955 em São Paulo(SP). Quinta filha, entre seis irmãos, de Maria Lucy de Oliveira Vianna e Adelino Alves Vianna; é mãe de Daniela. No início da década de 1960 Ruth fazia o primário no Grupo Escolar Estadual da Cidade Antônio Estevão de Carvalho. O Ensino Médio fez na Escola Estadual Professora Adalgisa Moreira Pires, na mesma cidade. Fez cursinho preparatório para o Vestibular no Colégio Objetivo da Avenida Paulista. Em 1976 entrou para o curso de jornalismo na Universidade Metodista de São Bernardo(Umesp) e, em 1980, após sua conclusão, fez Língua e Literatura Russa na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo(USP), ao mesmo tempo em que trabalhava como revisora no jornal Diário Popular. Em 1982 fez Especialização em Jornalismo Contemporâneo na Escola de Comunicações e Artes(ECA) da USP, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), nesse período trabalhando como revisora no jornal Folha da Manhã. No ano seguinte, em 1983, iniciou o Mestrado na ECA, com orientação de Anamaria Fadul para a dissertação“A informatização da Imprensa Brasileira”. Defendeu a dissertação em 1989, após percorrer o Brasil em busca de registros em vídeo sobre as transformações tecnológicas nas redações dos veículos impressos e de sindicatos de jornalistas. Trabalhou como copydesk na Revista Superhiper, da Associação Brasileira de Supermercados, e. em 1985 iniciou, na TV Manchete, em Fortaleza(CE), como editora e produtora dos telejornais e do 262 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Programa de Domingo. Entre o período de 1986 a 1988 foi repórter na Assessoria de Comunicação do Sindicato dos Bancários, editora de telejornais na TV Oeste Paulista, afiliada da Rede Globo em Bauru(SP), e na Gazeta Mercantil. Iniciou sua trajetória como professora de diversos cursos de Comunicação nas Faculdades Anhembi Morumbi, Escola Superior de Propaganda e Marketing e Universidade Brás Cubas, em Mogi das Cruzes(SP), até que, no final de 1991, foi convidada, pelo diretor do Centro de Economia e Administração da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), para ser professora visitante do recém-aprovado curso de Comunicação Social com habilitações em Jornalismo, Rádio e TV, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda. Sua missão era colocar o curso em funcionamento, com a organização dos laboratórios, a elaboração do projeto pedagógico alinhado à vocação do Estado de Mato Grosso e as principais linhas de pesquisa. Em 1992 fez o lançamento do seu livro A Informatização da Imprensa Brasileira, fruto da sua dissertação de Mestrado, com apoio do jornal de Novo Hamburgo(RS). Em outubro de 1992 foi aprovada em primeiro lugar no concurso público para docente da UFMT para a habilitação Rádio e TV. Foi nomeada coordenadora pedagógica das quatro habilitações, coordenadora do laboratório de Rádio e TV e professora de várias disciplinas teóricas e práticas. Nesse mesmo ano, junto ao Instituto de Linguagens da UFMT, contribuiu para a criação da primeira especialização em Semiótica Linguagens na Comunicação, aprovado pela Capes. Ainda em Cuiabá foi editora dos telejornais locais da TV Manchete e da TV Bandeirantes. No ano seguinte, em 1993, foi convidada a integrar o corpo docente do curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(UFMS) em Campo Grande. Em 4 de outubro de 1993 toma posse e entra em exercício na UFMS, no então Centro de Ciências Humanas e Sociais. Começou naquele ano sua atuação no ensino, pesquisa e extensão em 19 anos de servidora pública federal em Mato Grosso do Sul, inclusive com sua coordenação na comissão que elaborou o projeto do curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, primeiro do Estado. 263 Além das disciplinas como telejornalismo, história da imprensa e comunicação alternativa e da coordenação dos laboratórios de telejornalismo e radiojornalismo, ficou responsável pelo programa Um Minuto pelo Campus, para a Rede Universitária de TV, o que já havia feito na UFMT. A pesquisa, iniciada na UFMT, foi ampliada na UFMS para o Centro-Oeste, com o objetivo de investigar os jornais de Campo Grande e Cuiabá em relação ao avanço tecnológico dos meios de comunicação e suas implicações no cotidiano do trabalhador rural pantaneiro. Outro projeto desse período foi a elaboração da TV Universidade e do laboratório de telejornalismo, o qual foi aprovado pelo Ministério da Educação e Cultura(MEC) com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação(FNDE). Naquele período ajudou a criar o Projétil na TV, desdobramento do jornal-laboratório do curso de jornalismo, que era veiculado em vários horários na TV Morena, afiliada da Rede Globo. Ruth também atuou na extensão. Foi assim que a Base de Estudos do Pantanal, no Passo do Lontra, tornou-se um laboratório para a criação de projetos de comunicação coordenados por ela, como jornalismo comunitário e rural e a rádio comunitária de Passo do Lontra, para capacitar e alfabetizar os ribeirinhos para assumirem seu próprio veículo de comunicação. Em 1995 começou o Doutorado em Comunicação Audiovisual e Publicidade no Laboratório de Audiovisual e Comunicação da Universidade Autónoma de Barcelona(UAB), Espanha, com o projeto La palabra, la imagen y el sonido en los informativos televisivos de Brasil y Espa ñ a: estudio comparativo y an á lisis del lenguaje audiovisual, textual y narrativo, com orientação de Jose Luis Riva Amella. O resultado, em 2000, foi a defesa de uma tese de cinco volumes. Em 2002 voltou à ECA USP para realizar o estágio de PósDoutoramento, sob o título“O Telejornalismo brasileiro e espanhol como linguagem narrativa do drama humano(2002-2003)”, com supervisão de José Marques de Melo, com o qual colaborou como professora adjunta na disciplina Pensamento Jornalístico Brasileiro. Foi também editora da Revista Eletrônica Pensamento Jornalístico Brasileiro(PJ:Br) até 2005, quando continuou no estágio de Pós264 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO Doutoramento com uma segunda pesquisa, intitulada“Profissionais Correspondentes de Guerra na PJ:Br(2003-2005). Ruth também coordenou o núcleo de pesquisas avançadas das tecnologias audiovisuais no Pantanal(MS), em parceria com o professor Angel Rodriguez Bravo, da Universidade Autónoma de Barcelona. A parceria com a UAB, liderada por ela, culminou com o acordo de cooperação internacional celebrado entre as duas instituições e incentivou que outros professores do curso de Jornalismo realizassem seus Doutorados e Pós-Doutorados em Barcelona, assim como professores da UAB realizassem pesquisas na UFMS. Em 2007 Ruth realizou Pós-Doutoramento no Laboratório de Audiovisual e Comunicação da UAB, com o título“As condições de produção de informativos televisivos na Espanha e o tipo de recepção obtida pela comunidade de pescadores em Barcelona, em Vila Nova y Gertrú e Rosa, na Catalunha. Em 2010 foi firmado o convênio de Cooperação Técnica e Científica e Interuniversitária entre a UAB e a UFMS, tendo Ruth como coordenadora. Além disso, nesse período ela integrou o Conselho Superior da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul(Fundect MS) e foi consultora ad-hoc do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(Inep) e da Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação. Ruth é autora de vários artigos sobre o estudo da palavra, imagem e som; comunicação verbal e não verbal; tecnologia digital da TV; e história do Telejornalismo brasileiro e espanhol, com publicações no Brasil e Espanha em espanhol e catalão. Em 29 de março de 2012, após 20 anos de serviço público federal no Centro-Oeste, em duas das maiores instituições federais de Ensino Superior da região, Ruth pediu sua aposentadoria e encerrou formalmente sua carreira acadêmica na UFMS como Professora Associada 3. Principais publicações VIANNA, Ruth Penha Alves. A informatização da imprensa brasileira. São Paulo: Edições Loyola, 1992. 265 VIANNA, Ruth Penha Alves; BRAVO Angel Rodrigues; VILAR Norminanda Montoya; MANCHÓN Lluis Mas. El papel de la inclusión comunicativa sobre el potencial de desarrollo: análisis comparativo de las comunidades de pescadores del litoral catalán con las de la cuenca del Río Paraguay.[ S. l.]: Editorial Club Universitario, 2011. VIANNA, Ruth Penha Alves. Cal e canto: o papel da comunicação para a integração Ibero-Americana. In: PEREIRA, Clarissa Josgrilberg; ARAGÃO, Iury Parente; MORAIS, Osvando J. de; JACONI, Sônia (org.). José Marques de Melo – comunicação, universidade e sociedade. Intercom, 2013. V. 3.(Coleção fortuna crítica). VIANNA, Ruth Penha Alves. Informatização da imprensa: bandeirantes midiáticos. In: MELO, José Marques de; ADAMI, Antonio(org.). São Paulo na Idade Mídia. Assis, SP: Arte e Ciência Editora, 2004. 266 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO DANIELA OTA Taís Marina Tellaroli Fenelon Nascida em 1º de agosto de 1974 no município de Maringá(PR), Daniela Cristiane Ota é filha de Luiza Misae Ota e Fugio Ota. É a mais velha de três irmãos. Seus avós paternos e maternos migraram do Japão para o Brasil após a Segunda Guerra Mundial. Fez o ensino primário no Colégio Regina Mundi em Maringá e o Ginásio e o Ensino Médio na Moderna Associação CampoGrandense de ensino, ao mudar-se com a família para Campo Grande(MS). De 1992 a 1996 cursou Jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(UFMS). No último ano de Faculdade trabalhou no jornal Diário da Serra, atuando como repórter geral e editora de economia e agropecuária até o ano de 1997, quando foi trabalhar na Universidade para o Desenvolvimento do Estado da Região do Pantanal(Uniderp) como assessora de comunicação. Na mesma instituição ministrou a disciplina Introdução ao Jornalismo para alunos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda, começando, assim, sua carreira acadêmica. De 1998 a 2000 cursou o Mestrado em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo(Umesp). Desenvolveu a pesquisa“O rádio na comunidade Furnas de Boa Sorte”, orientada por Joseph Maria Luyten, realizando um estudo de recepção em uma comunidade remanescente de quilombo, localizada no município de Corguinho(MS). Assumiu a coordenação do curso de Comunicação da Uniderp em 2000, ficando à frente do cargo por dois anos. Em 2002 foi aprovada no curso de Doutorado na Escola de Comunicação e Artes 267 da Universidade de São Paulo(ECA/USP), onde realizou a pesquisa “A informação jornalística em rádios de fronteira: a questão da binacionalidade em Ponta Porã-Pedro Juan Caballero e CorumbáPuerto Quijarro”, com orientação de Gisela Swetlana Ortriwano. Em 2005 ingressou na UFMS como docente do curso de Jornalismo, onde realizou diversas pesquisas ligadas à mídia radiofônica, como “Rádio na fronteira de Mato Grosso do Sul”,“Mapeamento da mídia radiofônica em Campo Grande e na região da fronteira” e“O processo de migração das emissoras AM para FM em Mato Grosso do Sul: impactos e contextos regionais”. Em 2008 foi convidada a assumir a Coordenadoria de Comunicação da Instituição, ficando no cargo até 2016. Ao longo desse período dedicou-se à instalação da Rádio Educativa UFMS 99.9. Em 2015 realizou Pós-Doutorado na Universidade de São Paulo (USP), com enfoque nas rádios educativas no Brasil, contribuindo para desenhar o embrião da Rádio Educativa da UFMS. Também acompanhou a atuação da gerência e a rotina dos profissionais da rádio USP. Em 2012 realizou, na Universidade Autônoma de Barcelona, uma missão de cooperação científica entre Espanha e Brasil para o desenvolvimento de um protocolo de qualidade dos conteúdos audiovisuais. Na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) foi diretora do Centro-Oeste por dois mandatos(2014 a 2017 e de 2017 a 2020), com a função de articular os Congressos realizados na região. Ainda na Intercom exerceu o cargo de coordenadora do Grupo de Pesquisa Geografias da Comunicação por dois mandatos(2018 a 2020 e de 2020 a 2023). Foi membro do Conselho Administrativo da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor), no mandato de 2015 a 2017. Até 2026 exerce o mandato como diretora financeira da Intercom. Participou da comissão de execução do Programa de PósGraduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(PPGCOM/UFMS), autorizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) em 2011 e executado no mesmo ano. Em 2022 foi coordenadora do PPGCOM e orientou mais de 15 pesquisas nas áreas de Fronteira, Mídia Sonora e Geografias da Comunicação, reforçando a importância das temáticas para a região Centro-Oeste. Como docente do curso de Jornalismo da UFMS, ministra as 268 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO disciplinas do Laboratório de Jornalismo Sonoro I e II. Criou o projeto de ensino“Rádio Corredor”, com o objetivo de produzir um rádio jornal transmitido nos corredores da Universidade – e ao vivo na Rádio Educativa 99.9. Em Mato Grosso do Sul, a partir de sua atuação na Universidade, Daniela Ota é referência nas pesquisas de rádio e na produção com enfoque em questões fronteiriças, de territorialidade e regionalidade. Principais publicações CRISTOFARI, F.; OTA, D. C. Religiosidade e feminismo: uma análise sobre a abordagem da igualdade de gênero na rádio Gospel Hora. Tropos: Comunicação, Sociedade e Cultura, v. 10. p. 1-28, 2021. FLOR, R. A.; OTA, D. C. Feminicídio e fronteira: uma análise da cobertura jornalística em Ponta Porã(Mato Grosso, Brasil). Revista Trayectorias Humanas Transcontinentales, v. 14, p. 4.950-4.965, 2022. MOREIRA, S. V.; BALDESSAR, M. J.; OTA, D. C.; BRANDALISE, R. O percurso do Grupo de Pesquisa Geografias da Comunicação no Brasil. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2019. 236 p. V. 1. OTA, D. C.; FERNANDES, M. L.; FENELON, T. T.(org.). Regionalidade e discursos midiáticos: mapeamento e análise em Mato Grosso do Sul. 1. ed. Campo Grande: UFMS, 2020. V. 1. OTA, D. C.; SILVA, A. O. Tecnologia no campo: WhatsApp utilizado como ferramenta de comunicação entre produtores e extensionistas rurais em Mato Grosso do Sul. In: MÉDOLA, A. S.; SANTOS, C. R. G. dos; ALBINO, J. P.; PEDROSA, L.; RUÍZ, M. J.; CABRAL, R.; ANDRELO, R.; MARTÍNEZ-ROLÁN, X.; CUNHA, R.; COVALESKI, R.; VALENTE, V.(org.). Significações e estratégias midiáticas. 1. ed. Aveiro: Ria Editorial, 2019. p. 404-424. V. 1. 269 MÁRCIA GOMES Daniela Giovana Siqueira Márcia Gomes Marques nasceu em 26 de novembro de 1964 em Três Lagoas(MS). É filha de Lenir Dias Marques e da jornalista Margarida Marques. É casada com Milton Ernesto Romero e mãe de Sofia. Sua formação escolar é marcada por deslocamentos pelo território brasileiro, tendo sido iniciada na cidade de Uruguaiana(RS). Na capital, Porto Alegre, concluiu o Ensino Fundamental 1 e na cidade do Rio de Janeiro cursou parte do Fundamental 2. Em Campo Grande(MS) finalizou o Ensino Médio, em parte cursado no Colégio Dom Bosco(Salesiano). Os colégios onde estudou foram: Escola Menino Deus, Porto Alegre; Externato Cristo Redentor, Rio de Janeiro; Escola Dom Bosco, Campo Grande; Colégio Barão do Rio Branco, Campo Grande. Em 1984 é aprovada no vestibular para Sociologia e Ciência Política na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio), concluindo a Graduação cinco anos mais tarde, nas modalidades Bacharelado e Licenciatura. Cursa, em paralelo, cinco semestres de Pedagogia na mesma universidade, sem concluir. Em 1990 integra o curso de curta duração“O Marxismo Ocidental”, ministrado por Leandro Konder na PUC-Rio, e, no ano seguinte, participa de um segundo curso de curta duração:“Introdução ao uso da Informática na Educação”, desta vez na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Em 1992 inicia o Mestrado em Comunicación pela Pontificia Universidad Javeriana(PUJ), em Bogotá, Colômbia, sob orientação de Jesús Martín Barbero, defendendo, em 1995, a dissertação:“La Telenovela: Roles Sociales, Identidad Cultural y Socialización”. No 270 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO período, fez Mestrado-Sanduíche pela Universidad Iberoamericana, no México, com Guillermo Orozco Gómez. Na mesma universidade participa do seminário de pesquisa“Métodos de Investigación Cualitativa”, ministrado por Imelda Vega-Centeno. Em 1995 ingressa no Doutoramento na área de Ciências da Comunicação na Pontificia Università Gregoriana(PUG), em Roma, na Itália, obtendo o título de doutora, em 2002, com a tese“Recepção de telenovelas e socialização: as telenovelas e a construção da identidade social feminina”, tendo sido orientada por Robert White. Entre 2010 e 2011 realiza Pós-Doutorado também em Ciências da Comunicação, na área de Audiovisual, pela Universitat Autónoma de Barcelona(UAB), Espanha, participando da pesquisa“Protocolo de Qualidade de Produtos Audiovisuais”, coordenada por Ángel Rodríguez Bravo e Norminanda Montoya. No início de 2004 ela é aprovada no Concurso Público para Docentes na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(UFMS). Cargos de gestão passam a ser exercidos desde o primeiro ano de trabalho na universidade. De dezembro de 2004 a maio de 2007 coordena o curso de Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo do antigo Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCHS), mudado para a Faculdade de Artes, Letras e Comunicação (FAALC). Entre novembro de 2013 e fevereiro de 2017 responde pela coordenação do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens da FAALC. Em 2019 torna-se a primeira coordenadora do curso de Audiovisual da FAALC, instalado naquele ano. Sua atuação na gestão contribui para a efetivação da Pós-Graduação em Comunicação no início de 2011, até então inexistente na maior universidade do Estado. Contribuição também dedicada à criação da Graduação em Audiovisual, segundo curso da área de Comunicação instituído pela universidade, no ano de 2019. No curso de Audiovisual, além da primeira coordenação, participa da elaboração do projeto pedagógico e passa a atuar na docência. Propõe e coordena o Projeto de Extensão“MOVCINE: Linguagens e Cultura Midiática”, que, em 2017, foi aberto a um público mais amplo a partir de oficinas e seminários sobre Linguagem cinematográfica, Roteiro para cinema e produtos audiovisuais, Fotografia, Crítica cinematográfica, entre outros. No primeiro ano o projeto de extensão registrou o número de 500 inscritos. 271 A atividade extensionista ainda registra o projeto“O cinema na Escola”, que, no ano de 2018, discutiu com alunos do Ensino Médio da rede pública a presença dos meios de comunicação na sociedade. Também participa do âmbito acadêmico mais amplo, em órgãos colegiados da UFMS. Em 2016, indicada como representante dos cursos de Pós-Graduação da FAALC, faz parte do Conselho de Pesquisa e Pós-Graduação(COPP), integrando o Conselho até 2017. Em 2019 participa do Conselho Universitário(Coun) na condição de representante docente da Faculdade de Artes, Letras e Comunicação. Desempenha o trabalho de levantamento das demandas dos docentes dos cursos de Artes, Letras, Música, Jornalismo e Audiovisual, encaminhando-as para as decisões de planejamento e gestão ligadas ao Regimento Geral, ao estabelecimento das diretrizes acadêmicas e administrativas e ao supervisionamento da execução das atividades de ensino, de pesquisa e de extensão na UFMS. Em âmbito estadual colabora, nos anos de 2011 e 2012, como consultora Ad hoc em processos de seleção de projetos de pesquisa na Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul(FUNDECT). Suas contribuições para o campo da comunicação versam sobre seis áreas principais: Teorias da Comunicação; Estudos de Recepção; Audiovisual e Cinema Brasileiro; Cultura Midiática e Representação Social; Sociologia da Comunicação; e Metodologia de Pesquisa em Comunicação. No Programa de Pós-Graduação em Comunicação teve participação na concepção de sua estrutura, bem como na elaboração do projeto que criou o curso lançado em 2011. No âmbito da Graduação sua atuação abrange, principalmente, as disciplinas de Teoria da Comunicação e Cultura de Midiática, Metodologia de Pesquisa e Sociologia da Comunicação. A colaboração concretizada junto ao Osservatorio sulla Fiction Italiana, centro de pesquisa voltada para o estudo acadêmico da ficção televisiva produzida pelos conglomerados de comunicação italianos RAI e Mediaset, resulta em duas publicações:“Il programma dell’anno: Un posto al sole. Una duplice lettura della prima soap opera italiana”, em parceria com a professora doutora Milly Buonanno, da Università di Roma La Sapienza, publicado em 1999 no livro“Provando e riprovando. La fiction italiana. L’Italia 272 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO nella fiction”; em 2001 publica em parceria com a pesquisadora Felicita Gabellieri,“I piaceri di Incantesimo. Il punto di vista dell’audience”, no livro“Passaggio a Nordovest. La fiction italiana. L’Italia nella fiction”. Entre suas preocupações estão a intertextualidade e a hipertextualidade, investigando obras que partilham o fenômeno da transposição intermidiática – um mesmo texto gerando diferentes formatações dele derivadas. Os estudos sobre Teoria da Comunicação voltam-se para o mapeamento de tendências teóricas e correntes de estudos, sob a perspectiva de autores que marcaram a discussão na área. A trajetória acadêmica de Márcia Gomes é marcada por uma formação descentralizada em âmbito internacional e pelo trabalho de desenvolvimento da área de Comunicação na esfera nacional, configurada pelos diferentes esforços colaborativos para a efetivação de cursos de Graduação e Pós-Graduação no Estado do Mato Grosso do Sul. Principais publicações GOMES, Márcia. Televisión, telenovelas y la construcción del conocimiento en las sociedades contemporáneas. Novos Olhares, São Paulo, ano 3, n. 10, p. 27-41, jul./dez. 2002. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/novosolhares/article/view/51372. Acesso em: 3 maio 2023. GOMES, Márcia; BUONANNO, Milly. Il programma dell’anno: Un Posto al Sole. Una dúplice lettura dela prima soap opera italiana. In: BUONANNO, Milly(org.). Provando e riprovando. La fiction italiana. L’Italia nella fiction. Roma: RAI-ERI, 1999. p. 79-114. V. 162. GOMES, Márcia; GABELLIERI, Felicita. I piaceri di Incantesimo. Il punto di vista dell’audience. In: BUONANNO, Milly(org.). Passsaggio a Nordovest. La fiction italiana. L’Italia nella fiction. Roma: RAI-ERI, 2011. p. 109-142. V. 180. GOMES, Márcia. Itinerário para pensar a comunicação em contexto: apontamentos sobre os mapas das mediações, de Martín-Barbero. In: TRINDADE, Eneus; MALULY, Luciano; PAVAN, Maria Angela; FERNANDES, Mario(org.). Comunicação e mediações: novas perspectivas. 1. ed. São Paulo: ECA-USP, 2021. p. 41-53. 273 GOMES, M.; SILVA, J. V. P.; REIS, J. V. V. Juventude e consumo midiático: um estudo de caso dos usos sociais das mídias no CentroOeste do Brasil. In: FERNANDES, Mario; FENELON, Taís, PEREIRA, Silvio(org.). Mídia, discurso e linguagem em transformação. 1. ed. Campo Grande: Editora UFMS, 2022. p. 301-339. V. 1. GOMES, Márcia. Identificação e aproveitamento de conteúdos sociais na recepção de telenovelas. Revista Fronteiras, v. 13, n. 2, p. 121-129, maio-ago. 2011. Disponível em: https://revistas.unisinos. br/index.php/fronteiras/article/view/fem.2011.132.05. Acesso em: 3 maio 2023. 274 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS 275 Daniela Giovana Siqueira Professora do curso de Audiovisual e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Doutora em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA/USP e mestre em História e Culturas Políticas pela UFMG. Coordena o projeto de extensão“O cinema e o audiovisual na cidade: preservação e educação para as imagens e sons”. daniela.siqueira@ufms.br Laura Seligman Professora adjunta da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Líder do grupo de pesquisa Comunicação e Educação Midiática. É graduada em Comunicação Social – Jornalismo Gráfico e Audiovisual. É mestre em Educação e doutora em Comunicação e Linguagens. Atua na docência do Ensino Superior desde 2003. laura.s@ufms.br Rafaella Lopes Pereira Peres Docente no curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Doutora em Design pela Universidade Federal de Pernambuco e mestre em Comunicação Midiática pela Unesp. Coordenadora do Projeto“Visualidades possíveis: entre o Jornalismo e o Design da Informação”. Integrante do grupo executivo da Rede Brasileira de Mulheres Cientistas. rafaella.peres@ufms.br Rose Mara Pinheiro Professora do curso de jornalismo e do PPGCOM da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Doutora em Ciência da Comunicação pela ECA USP, com Pós-Doutorado na Faculdade Cásper Líbero. É diretora do Colégio de Gestores de Comunicação das Instituições Federais de Ensino Superior(2019-2022 e 2024) e da Agência de Comunicação Social e Científica da UFMS(desde 2018). rose.pinheiro@ ufms.br Taís Marina Tellaroli Fenelon Professora do curso de Pós-Graduação em Comunicação e Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(UFMS). Doutora em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo(Umesp). Coordena o Projeto“Combate à desinformação e fake news: agência regional de checagem de fatos e produção de jornalismo científico”, do Curso de Jornalismo da UFMS, com recursos da Fundect. tais.fenelon@ufms.br 276 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Centro-Oeste Este livro celebra a trajetória acadêmica das mulheres que ajudaram a construir o campo da Comunicação no Brasil. Organizado por regiões, os volumes resgatam as histórias de pesquisadoras que, como fundadoras e consolidadoras, desafiaram estruturas e deixaram sua marca na produção de conhecimento. A iniciativa dá visibilidade a essas mulheres, destacando suas contribuições para o ensino, a pesquisa e a extensão universitária, ao mesmo tempo em que preserva a memória de sua atuação no desenvolvimento da área. El Centro de Pensamiento en Comunicación de la Fundación Friedrich Ebert para América Latina conocido como FES Comunicación produce conocimiento sobre la comunicación como insumo y estrategia para el diálogo político y la profundización de la democracia social. Sus áreas de trabajo son: Comunicación Política y Libertad de expresión+ Medios de comunicación y Periodismo independiente+ Medios digitales y ciudadanos. www.fescomunica.fes.de/ @fescomunica 1