NILDA Jacks Diretor do Projeto OMAR Rincón Coordenação Nacional LÍRIAN Sifuentes GUILHERME Libardi Coordenação Regional VILSO Junior Santi JULIANA Lofego Graça Teixeira Juliana Lofego Aleta Dreves Luci Maria Teston Tatyana Lima Giselle Lucena Raquel Schorn Analydia Pinto Elisângela Andrade Roberta Scheibe Kelly Tork Luciana Macêdo Lylian Rodrigues Conceição Derzi Socorro Pereira Laura Jane Célia Carvalho Terezinha Soares Luiza Elayne Inara Costa Maria Emília Abbud Ítala Clay Ierecê Barbosa Ivânia Vieira Aline Lira Mirna Feitoza Graciene Silva Juana Bertha Regina Alves Lívia Lopes Barbosa Regina Lima Analaura Corradi Alda Costa Raimunda Monteiro Luciana Costa Netília Seixas Neusa Pressler Laide Martins Ana Prado Rosaly Brito Rosane Steinbrenner Vânia Costa Danila Cal Marina De Castro Célia Amorim Rosa Rodrigues MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Norte Manuela Corral Elisabeth Kitamura Sara Duque Estrada Maria Angela de Lima Evelyn Morales Lilian Coelho Goretti Leite Laurisa Moreira Sônia Padilha Schirley Luft Vângela Morais Mercês Cunha Antonia Costa Sandra Gomes Etiene Travassos Hênua Patrícia Loide da Costa Cyneida Correia Sheneville Araújo Anna Karinna Dantas Bevilaqua Leila Baptaglin Tatiane Hilgemberg Lisiane Aguiar Maria Dantas Jocyelma Santana Irenides Teixeira Fátima Caracristi Cássia da Silva Kyldes Vicente Liana Rocha Jocyleia dos Santos Kiara Maldaner Ana Daisy Zagallo Alessandra Lima Valquíria da Silva Marluce Zacariotti Adriana Tigre Darlene Teixeira Castro MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte OMAR Rincón Diretor do Projeto Nilda Jacks, Lírian Sifuentes, Guilherme Libardi Coordenação Nacional Vilso Junior Santi, Juliana Lofego Coordenação Regional MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Norte Friedrich Ebert Stiftung FES COMUNICACIÓN 1 Diretor do projeto: Omar Rincón Coordenação Nacional Nilda Jacks, Lírian Sifuentes, Guilherme Libardi Coordenação Regional Vilso Junior Santi, Juliana Lofego Autoras Regiãn Norte Graça Teixeira, Juliana Lofego, Aleta Dreves, Luci Maria Teston, Tatyana Lima, Giselle Lucena, Raquel Schorn, Analydia Pinto, Elisângela Andrade, Roberta Scheibe, Kelly Tork, Luciana Macêdo, Lylian Rodrigues, Conceição Derzi, Socorro Pereira, Laura Jane, Célia Carvalho, Terezinha Soares, Luiza Elayne, Inara Costa, Maria Emília Abbud, Ítala Clay, Ierecê Barbosa, Ivânia Vieira, Aline Lira, Mirna Feitoza, Graciene Silva, Juana Bertha, Regina Alves, Lívia Lopes Barbosa, Regina Lima, Analaura Corradi, Alda Costa, Raimunda Monteiro, Luciana Costa, Netília Seixas, Neusa Pressler, Laide Martins, Ana Prado, Rosaly Brito, Rosane Steinbrenner, Vânia Costa, Danila Cal, Marina De Castro, Célia Amorim, Rosa Rodrigues, Manuela Corral, Elisabeth Kitamura, Sara Duque Estrada, Maria Angela de Lima, Evelyn Morales, Lilian Coelho, Goretti Leite, Laurisa Moreira, Sônia Padilha, Schirley Luft, Vângela Morais, Mercês Cunha, Antonia Costa, Sandra Gomes, Etiene Travassos, Hênua Patrícia, Loide da Costa, Cyneida Correia, Sheneville Araújo, Anna Karinna Bevilaqua, Leila Baptaglin, Tatiane Hilgemberg, Lisiane Aguiar, Maria Dantas, Jocyelma Santana, Irenides Teixeira, Fátima Caracristi, Cássia da Silva, Kyldes Vicente, Liana Rocha, Jocyleia dos Santos, Kiara Maldaner, Ana Daisy Zagallo, Alessandra Lima, Valquíria da Silva, Marluce Zacariotti, Adriana Tigre, Darlene Teixeira Castro Revisão de estilo Denise Ana Basso Andrigheto Coordenação editorial Luisa Uribe Cidade: Bogotá, octubre de 2025 Design: Nelson Mora Murcia ISBN: 978-628-97097-2-8 As fotos que constam nas bionotas foram autorizadas pelas biografadas ou pelas autoras dos textos. © 2025 Friedrich–Ebert–Stiftung FES(Fundación Friedrich Ebert) La Fundación Friedrich Ebert no comparte necesariamente las opiniones vertidas por los autores y las autoras. Este texto puede ser reproducido con previa autorización de la Fundación Friedrich Ebert(FES) si es con un objetivo educativo y sin ánimo de lucro. 2 COORDENAÇÃO NACIONAL NILDA JACKS Mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/ USP. Pós-doutorados na Copenhague University e na Universidad Nacional da Colombia. Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS. Bolsista PQ do CNPq. njacks@gmail.com LÍRIAN SIFUENTES Doutora em Comunicação pela PUCRS, com estágio de doutorado na Texas A&M University. Mestre em Comunicação pela UFSM. Pós-doutorados na PUCRS e na UFRGS. Coordenadora de Comunicação do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER-RS). lisifuentes@yahoo.com.br GUILHERME LIBARDI Mestre e Doutor em Comunicação e Informação pelo PPGCOM/UFRGS. Pós-doutorado no PPG em Imagem e Som(PPGIS) da UFSCar. Professor Permanente do PPGIS. Autor do livro Diversidade, reconhecimento e identidade: notas teóricas a partir da Comunicação. gblibardi@gmail.com 3 COORDENAÇÃO REGIONAL JULIANA LOFEGO Professora associada do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre. Graduada em Jornalismo pela UNB (1994), mestre em Ciência da Informação pelo IBICT/UFRJ (1999), doutora pelo PPG em Informação, Comunicação e Saúde no ICICT/Fiocruz(2015), Pós-Doutorado na UFMG (2023), no Departamento de Comunicação Social. Pesquisa sobre comunicação e saúde, com foco no direito humano à comunicação e junto a povos indígenas no Acre. juliana.lofego@ufac.br VILSO JUNIOR SANTI Docente do curso de Comunicação Social – Jornalismo(CCJ-UFRR), vicecoordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM-UFRR) e pesquisador no Doutorado em Rede no Programa de Pós-Graduação em Educação na Amazônia(PGEDA). Coordena o Grupo de Pesquisa AMAZOOM – Observatório Cultural da Amazônia e do Caribe. vjrsanti@gmail.com 4 [ SUMÁRIO] TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS ........ 7 HISTÓRICO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NA REGIÃO NORTE .....................................12 ACRE....................................................................................................................................................20 A COMUNICAÇÃO NO ACRE: HISTÓRIA E MEMÓRIAS DE UM CAMPO EM CONSTRUÇÃO .........21 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS ...............................................................................................30 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS ...............................................................................................50 AMAPÁ................................................................................................................................................51 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NAS TERRAS TUCUJUS ..................................................................52 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS ...............................................................................................61 SOBRE O AUTOR DAS BIONOTAS .....................................................................................................84 AMAZONAS........................................................................................................................................85 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO AMAZONAS: ASPECTOS DO ÂMBITO ACADÊMICO ...86 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS .............................................................................................93 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS .......................................................................................... 129 PARÁ................................................................................................................................................. 130 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ ........................................................................................ 131 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS ........................................................................................... 169 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS ........................................................................................... 240 RONDÔNIA....................................................................................................................................... 244 HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO EM RONDÔNIA .............................................................................. 245 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS ........................................................................................... 262 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS ........................................................................................... 281 5 RORAIMA........................................................................................................................................ 282 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM RORAIMA ............................................................................... 283 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS ........................................................................................... 290 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS ........................................................................................... 341 TOCANTINS..................................................................................................................................... 342 MEMÓRIAS EM CONSTRUÇÃO: FORMAÇÃO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO TOCANTINS ............................................................................................................................... 343 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS ........................................................................................... 353 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS ........................................................................................... 400 6 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS Un día analizamos los textos asignados en los cursos de los estudios de la comunicación y la cultura y encontramos que la mayor parte de la bibliografía está compuesta por hombres, blancos, muy gringos y europeos. Nos dijimos que debíamos hacer algo al respecto. Y este es el primer intento: dar testimonio de que la comunicación en América Latina es un campo en mirada de mujeres. De eso es que va este proyecto. 1 “Mujeres de la comunicación” é uma grande empreitada capitaneada pelo pesquisador colombiano Omar Rincón, com apoio da Fundação Friedrich Ebert(FES), na qual ele exerce o cargo de diretor para a América Latina. Até o momento da escrita desta introdução foram publicados dois volumes que incluem mulheres de diversos países da América Latina, selecionadas conforme critérios da coordenação do projeto. Os textos contidos nesses volumes ora tratam de autoras escrevendo sobre sua própria produção, ora de entrevistas com algumas delas ou de análises feitas por outras acadêmicas sobre a obra de determinada pesquisadora. Nesse mesmo formato já foram publicados livros na Bolívia, no México, na Argentina e no Equador 2 . No caso brasileiro, decidimos tentar abranger o maior número possível de mulheres, empreendendo a publicação como memória de suas trajetórias para a configuração do campo. Além disso, organizamos em volumes dedicados a cada região do país para destacar suas atuações em contextos próprios e com idiossincrasias históricas, econômicas e culturais que as distinguem e que deixam suas marcas na formação dos campos estaduais e regionais. 1 “Um dia analisamos os textos nos cursos dos estudos da comunicação e cultura e notamos que a maior parte da bibliografia está composta por homens, brancos, gringos e europeus. Dissemos, então, que devíamos fazer algo a respeito. E este é o primeiro objetivo: dar testemunho de que a comunicação na América Latina é um campo sob o olhar das mulheres. É disso que trata esse projeto”. Disponível em: https://fescomunica.fes.de/mujeres-de-la-comunicacion.html 2 Todos os livros, bem como detalhes do projeto, podem ser conferidos em: https:// fescomunica.fes.de/mujeres-de-la-comunicacion.html. 7 Embora não discutamos teoricamente a categoria de gênero, tampouco tratamos a publicação como um manifesto do tipo“lute como uma garota” 3 , é impossível apartar este levantamento das questões sociais e políticas inerentes à presença das mulheres no campo científico. Haag et al.(2021), citando Maria Margaret Lopes(2006), afirmam que o prestígio de uma disciplina é inversamente proporcional ao número de mulheres que a praticam. Para Elizabete da Silva(2008, p. 3), este problema constitui-se historicamente, pois“[...] as mulheres não foram consideradas indivíduos dotados de razão, mas de emoção, as mulheres possuíam o contraponto da razão – o coração”. Tratando especificamente do campo da comunicação, o dado é curioso e incômodo, uma vez que, conforme observa-se, as mulheres são a maioria desde a Iniciação Científica até a Pós-Graduação, seja como alunas ou pesquisadoras. Esta publicação, portanto, mesmo não se caracterizando como uma“pesquisa de gênero”, quer contribuir para a questão, dando visibilidade a mulheres que subverteram, de um jeito ou de outro, as estruturas patriarcais e se colocaram como pioneiras, líderes ou partícipes em suas respectivas áreas de atuação. Dessa forma, as mulheres da comunicação, que atuam ou atuaram com destaque no ensino, pesquisa e extensão de universidades brasileiras, estarão presentes em cinco volumes, como este, para registrar sua presença na constituição do campo no país. Foram 27 equipes empenhadas em resgatar parte importante da atuação das mulheres do cenário diverso que constituiu o campo brasileiro, organizado por região para evitar invisibilidades impostas por zonas com presenças mais hegemônicas. As biografadas foram indicadas pelos pares, colegas que as reconheceram como fundadoras ou consolidadoras do campo da comunicação em cada Estado, incluindo o Distrito Federal. Por fundadoras 4 foram identificadas as mulheres que participaram dos primeiros tempos de criação das faculdades de comunicação, o que tem uma forte variação de Estado para Estado. As primeiras faculdades, ainda dedicadas apenas ao jornalismo, são das décadas de 1940 5 e 1950, em geral ligadas aos cursos de filosofia, como o caso da Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Rio 3 Segundo Clementine Ford, autora do livro Figth like a Girl (Editora Allen& Unwin, 2016), seu título parafraseia uma antiga expressão popular, a qual foi retomada em várias versões, desde slogans de movimentos populares(“Lute como Marielle Franco”,“Lute como uma professora”) até campanhas publicitárias de marca de absorvente( Always , em sua campanha#likeagirl), entre inúmeras outras apropriações. 4 José Marques de Melo(1997), em um esforço semelhante, propôs as seguintes classificações: desbravadores, sedimentadores, continuadores. 5 O primeiro curso de Jornalismo do Brasil, e da América Latina, é o da Cásper Líbero, fundado em 1947. 8 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Grande do Sul(UFRGS), inaugurada em 1952 6 , entre outras. Da década de 1970 são os primeiros Programas de Pós-Graduação em Comunicação. As consolidadoras, por outro lado, são mulheres que chegaram para reforçar o plantel inaugural, sendo uma situação também variável de Estado para Estado, o que, em alguns, representa várias gerações, como é o caso de cursos mais antigos, por exemplo o da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), da Universidade de São Paulo (USP) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP). Os pares consultados também indicaram as mulheres emergentes, as quais se dedicaram a escrever sobre suas antecessoras, cujo propósito é alcançar um tipo de reflexividade em suas atuações e, ao mesmo tempo, deixar registrada a presença de algumas delas na atual fase do campo. Há, entretanto, algumas exceções em que as bionotas das fundadoras e consolidadoras não foram escritas por emergentes, tampouco por mulheres, e em alguns casos por mais de uma pessoa ou uma pessoa escreveu várias bionotas, contrariando o protocolo da pesquisa, dadas as dificuldades ou peculiaridades encontradas pelos coordenadores em alguns Estados, por motivos diversos. A nominata inicial, que solicitava indicação de fundadoras, consolidadoras e emergentes, foi adquirida por meio de um formulário disponibilizado durante dois meses nas listas de e-mails da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) e da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Parte do resultado foi satisfatório, no entanto, diante da inconsistência da listagem de alguns Estados, da inexistência de indicações em muitos outros, além de sobreposições nas categorizações de alguns nomes, uma ampla revisão foi realizada por meio do envio da listagem para três pessoas de cada Estado para consolidarem as indicações ou para que as fizessem no caso de faltarem nomes relevantes. Mesmo assim, uma nova rodada, com duas outras pessoas de cada Estado, ocorreu antes de as listagens serem enviadas para coordenadoras e coordenadores regionais, que convidaram pesquisadoras de cada Estado da região para organizarem as bionotas junto as emergentes indicadas na etapa anterior. Ou seja, a listagem inicial passou por cinco pessoas antes de chegar às biógrafas, e poderia ainda ter nomes acrescentados pela coordenação estadual a seu critério e responsabilidade. Mesmo com todo o esforço realizado em várias etapas, não há garantia de que todas as mulheres fundadoras e consolidadoras de cada Estado estejam presentes nas publicações. Muitas dificuldades foram encontradas: indicadas que não quiseram conceder informações para a redação da bionota, ausência de emergentes dispostas a escrever sobre suas 6 Em 1970 é criada a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da junção do antigo curso de Jornalismo com a Escola de Biblioteconomia e Documentação (formada a partir do curso técnico em Biblioteconomia, surgido em 1947). 9 antecessoras, lacunas ou inexistência de informação sobre as mulheres que já saíram de cena do mundo acadêmico, entre muitos outros obstáculos, diferentes e diversos em cada Estado ou Região. Sugerimos, por essas razões, em especial sobre as fundadoras, que em qualquer dos casos elas fossem incluídas no texto sobre o histórico do campo estadual, uma vez que esses registros são muito importantes para não se perder a memória de suas participações na geração desse campo de conhecimento. Com relação às consolidadoras, em geral foram seguidas as indicações dos pares consultados, com a sugestão de que as coordenadoras e os coordenadores regionais e estaduais tivessem autonomia para complementar a listagem. As coordenações estaduais tiveram a tarefa de também convidar colegas para escrever os históricos dos respectivos campos, os quais serviram de base para a escritura dos históricos regionais a cargo de seus respectivos coordenadores. Ou seja, cada um dos cinco livros pretendeu abarcar o histórico dos campos estaduais que serviram de contexto para situar as bionotas das fundadoras e consolidadoras, além de dar subsídio para os coordenadores regionais escreverem o histórico de sua região. As bionotas são compostas por dados bastante sucintos a modo de um verbete 7 , por isso seguiram um roteiro para que a publicação funcione como uma espécie de dicionário sobre as mulheres que fundaram e consolidaram o campo brasileiro da comunicação. Tratam-se, portanto, de anotações sobre as trajetórias acadêmicas dessas mulheres, como o próprio termo indica. Não se configuram, por isso, como histórias de vida, narrativas ou relatos sobre elas. A ordem de apresentação segue a cronologia da trajetória acadêmica das mulheres, em uma sequência de fundadoras a consolidadoras. Para os históricos estaduais um roteiro para sua construção foi sugerido como uma forma de dar saliência para os mesmos dados 8 , com a finalidade de criar parâmetros que, porventura, precisem ser comparados em alguma situação de consulta e para a formulação dos históricos regionais. Assim, apresentamos, para leitura, o terceiro volume resultante dessa empreitada iniciada em fevereiro de 2022, quando ainda não tínhamos a real dimensão do 7 Dados biográficos, formação escolar, atuação profissional e principais publicações. 8 Ano, universidade e cidade de criação dos cursos de comunicação, opções ofertadas (jornalismo, RP, PP, rádio e TV, etc.), agentes e/ou instituições responsáveis pelas criações dos cursos(pessoas, sindicatos, associações, etc.), ano, universidade e cidade de criação dos cursos de Pós-Graduação, áreas de concentração, linhas de pesquisa; agentes e/ou instituições responsáveis pelas criações dos PPGs(pessoas, sindicatos, associações, etc.), revistas acadêmicas, associações de professores e pesquisadores da comunicação, realização de congressos, encontros, jornadas, seminários de abrangência estadual, etc.(em vigência e não), bibliotecas especializadas na área, agências estaduais de fomento à pesquisa, editais específicos para a área, prêmios instituídos, cooperação desenvolvida sistematicamente com outros Estados da região, outros dados relevantes. 10 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte trabalho que teríamos pela frente, seja pelas inúmeras demandas e desafios que encontramos, seja pela importância de registrar as contribuições dessas mulheres para nosso campo. O percurso das mulheres irá surpreender! Nilda JacksLírian Sifuentes Guilherme Libardi Referências HAAG, A. T.; PARISE, G.; PEREZ, J. L.; IRIGOYEN, M.; WOTTRICH, L.; OLIVEIRACRUZ, M. F. Lugar de mulher é na ciência: um estudo acerca da desigualdade de gênero na ciência da comunicação. In: PESSOA, S. C.; PRATA, N.; SANTANA, F. Um mundo e muitas vozes: da utopia à distopia? Olhares de jovens pesquisadores. São Paulo: Intercom, 2021. LOPES, M. M. Sobre convenções em torno de argumentos de autoridade. Cadernos Pagu, v. 27, p. 35-61, jul./dez. 2006. MELO, José Marques de(coord.). Memória das ciências da comunicação no Brasil: o grupo gaúcho. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1997. 286 p. SILVA, E. R. A.(In)visibilidade de mulheres no campo científico. Revista Travessias, v. 2, n. 2, p. 1-20, 2008. 11 HISTÓRICO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NA REGIÃO NORTE Vilso Junior Santi 9 Juliana Lofego 10 INTRODUÇÃO A Região Norte do Brasil, composta pelos Estados do Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá e Tocantins, ocupa, aproximadamente, 45% do território nacional e é marcada pela predominância do bioma amazônico, o qual desempenha um papel fundamental na regulação climática global e na preservação da biodiversidade mundial. Além de suas características naturais únicas, a região apresenta uma diversidade cultural significativa, incluindo uma expressiva presença de populações indígenas e comunidades tradicionais. Esse contexto geográfico e social cria desafios particulares para o campo da comunicação, e a institucionalização do ensino e da pesquisa desempenha um papel crucial na formação e atuação de profissionais capacitados. A estruturação do campo da comunicação social na região Norte é um fenômeno relativamente recente em comparação com outras regiões do Brasil. Enquanto Estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, já contavam com cursos de Graduação e Programas de Pós-Graduação na área desde meados do século 20, a institucionalização no Norte começou a ganhar forma apenas a partir do final dos anos 1960, com a criação do primeiro curso de Jornalismo na Universidade Federal do Amazonas(UFAM) em 1969. A criação de cursos de comunicação social nos demais Estados da região seguiu lentamente ao longo das décadas seguintes, com muitos deles inaugurando seus primeiros cursos apenas nos anos 1990 ou 2000. Essa institucionalização tardia traz consigo uma série de desafios. Sabemos, pois, que a formação de um campo científico consolidado depende de uma infraestrutura 9 Professor do curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Roraima. 10 Professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre. 12 HISTÓRICO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NA REGIÃO NORTE MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte acadêmica robusta, que inclui não apenas cursos de Graduação, mas, também, programas de Pós-Graduação stricto sensu, capazes de promover pesquisas avançadas e formar novos pesquisadores. Na Região Norte a criação dos primeiros Programas de Pós-Graduação em Comunicação é ainda mais recente. Os dados atuais evidenciam a disparidade na oferta de Programas de Pós-Graduação entre a Região Norte e o restante do país. Conforme o Programa de Governança Colaborativa de Informações da Pós-Graduação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(GOPG-Capes), em 2023 o Sistema Nacional de PósGraduação contava com 4.643 programas reconhecidos no Brasil. Desses, apenas 316(6,73% do total) eram da Região Norte. Essa região comportava 433 cursos de Pós-Graduação, representando apenas 5,98% do total nacional. Em termos de programas da Grande Área das Ciências Sociais Aplicadas, a Região Norte abriga 33 (5,11%) dos 645 programas do Brasil, posto que apenas seis desses pertencem à Área de Avaliação da Comunicação e Informação. Em 2022 a Região Norte titulou 4.397 pessoas(3.616 mestres e 781 doutores), representando 6,09% dos títulos de mestres e 3,39% dos títulos de doutores concedidos no Brasil naquele ano. Esses números mostram uma recuperação em relação aos impactos da pandemia de Covid-19 de 2020, mas ainda estão aquém da média nacional. A análise desses indicadores em proporção à população regional revela a persistente desigualdade na formação em nível de Pós-Graduação: enquanto a média nacional é de 30 mestres e 11 doutores por 100 mil habitantes, a Região Norte alcança apenas 20 mestres e 4 doutores referente ao mesmo número habitantes. A ausência de uma tradição mais longa e consolidada na área faz com que os pesquisadores e, em especial, as pesquisadoras da Região Norte, enfrentem dificuldades significativas em suas atividades acadêmicas. Entre esses desafios destacam-se a escassez de recursos, a falta de infraestrutura adequada e a necessidade constante de articulação com outras regiões para garantir a continuidade e a qualidade das pesquisas. Além disso, a distância dos principais centros acadêmicos do país impõe barreiras adicionais para o acesso aos editais de fomento, à colaboração e ao intercâmbio científico, frequentemente necessários para o desenvolvimento de pesquisas inovadoras e relevantes na e para a realidade amazônica. Esse quadro reflete as dificuldades enfrentadas na região para o desenvolvimento de um campo científico mais sólido e integrado, especialmente em uma área como a comunicação, que exige uma infraestrutura robusta de redes colaborativas para florescer. No Norte as oportunidades de formação em nível de Pós-Graduação ainda são limitadas, e os números indicam uma persistente carência de programas e cursos, com impactos diretos na qualificação de docentes e pesquisadores. Apesar desses desafios, houve progressos notáveis na última década. Por exemplo, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia(PPGCOM), 13 da Universidade Federal do Pará(UFPA), tornou-se o primeiro e único curso de Doutorado em Comunicação na Amazônia em 2019. Outro avanço importante foi a criação recente dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da Universidade Federal de Roraima(UFRR), em 2018, e em 2023 do Programas de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), que oferecem Mestrados com foco em comunicação e saberes tradicionais, refletindo as especificidades culturais da região. Em 2023 a Universidade Federal do Amazonas(UFAM) também retornou ao sistema com a criação do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação(PPGIC), após descontinuidade do Programa pioneiro da Pós-Graduação da área na região. Por outro lado, a fraca e recente institucionalização também oferece oportunidades únicas. O campo da comunicação na Região Norte, ainda em processo de consolidação, tem o potencial de ser moldado de forma a atender às especificidades locais, como a importância da sustentabilidade, as questões indígenas e a preservação do bioma amazônico. As pesquisadoras que atuam na Região têm desempenhado um papel fundamental na construção desse campo, muitas vezes liderando iniciativas pioneiras que buscam integrar saberes tradicionais e acadêmicos, promovendo uma abordagem de comunicação que dialogue diretamente com as necessidades e desafios regionais. Neste contexto, a participação das mulheres na estruturação dos cursos de Graduação e Pós-Graduação na Região Norte destaca-se não apenas como um fato histórico relevante, mas também como um reflexo das lutas e conquistas em um ambiente marcado por desafios tanto geográficos quanto institucionais. O texto que segue explora a trajetória da comunicação social nos Estados do Acre, do Amapá, do Amazonas, do Pará, de Rondônia, de Roraima e do Tocantins, destacando a criação dos cursos, a evolução dos Programas de Pós-Graduação e o papel central das mulheres nesse processo de construção do campo na região. DESENVOLVIMENTO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NOS ESTADOS O curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas(UFAM), criado em 1969 em Manaus, foi o primeiro da Região Norte e resultou de uma iniciativa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Amazonas(SJP-AM), que lutou pela regulamentação da profissão e pela formação de jornalistas locais. Inicialmente abrigado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, o curso passou por várias reformas curriculares ao longo dos anos, sendo a mais recente em 2022. A UFAM também foi pioneira na Pós-Graduação com a criação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação em 2008, que operou até 2021, sendo substituído 14 HISTÓRICO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NA REGIÃO NORTE MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte pelo Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação(PPGIC) em 2023. Além disso, a UFAM destaca-se pela forte presença feminina no corpo docente e pela criação de laboratórios e bibliotecas especializadas na atual Faculdade de Informação e Comunicação(FIC). No Estado há uma série de cursos na área da Comunicação, sendo, ao todo, 13 Bacharelados(desses, 7 em Jornalismo) e 14 cursos tecnológicos, ofertados por 3 instituições públicas e 8 privadas, em formatos presencial e de educação a distância(EaD). O Pará é outro Estado crucial na história do campo da comunicação na Região Norte. A criação do curso de Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA) em 1976, em Belém, marcou o início de uma trajetória significativa na área. A UFPA lidera também a oferta de Pós-Graduação com o Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia(PPGCOM), iniciado em 2010. Atualmente há 12 instituições de Ensino Superior no Pará, sendo duas públicas federais, com oferta de 17 cursos de Comunicação, a maior parte na capital e em outros dois municípios do interior. O curso de Publicidade e Propaganda da UFPA é o único da área em uma instituição federal de ensino na região amazônica. Na UFPA, ao longo dos anos, foi consolidada uma forte cultura científica na área de comunicação, estimulada por eventos de matiz local, investimentos em Pós-Graduações e publicações. Há, no Estado, três Fundações de Apoio à Pesquisa, Extensão e Atividades Acadêmicas: duas ligadas a instituições de ensino 11 e uma ao governo do Pará 12 . Eventos científicos de destaque regional, nacional e latino-americanos ganharam maior expressão em solo paraense a partir dos anos 2000. Em Roraima o curso de Comunicação Social – Jornalismo – foi criado na Universidade Federal de Roraima(UFRR) em 1991, em Boa Vista. Atualmente este é o único curso presencial da área no Estado. Maria Goretti Leite de Lima foi fundamental na estruturação desse curso em um Estado que recentemente havia se tornado autônomo em 1988. Os primeiros professores concursados na instituição eram todos de outros Estados do Brasil, principalmente do Nordeste, alguns graduados, mas com longa etapa de qualificação à frente. A variabilidade do corpo docente na UFRR é exemplo de outra das dificuldades de fixação de pesquisadores no Norte do país. Apesar disso, em 2018 a UFRR lançou o Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM), focado em“Comunicação, Territorialidades e Saberes Amazônicos”, com linhas de pesquisa voltadas para“Comunicação, Memória e Identidades” e“Estudos de Mídia, Território e Processos Comunicacionais”. A UFRR 11 Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa – FADESP –, Universidade Federal do Pará. Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia – FIDESA –, Universidade da Amazônia. 12 Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas – FAPESPA. 15 também se destaca pela cooperação 13 com outras instituições da região e do país e pela promoção de eventos científicos. Em Rondônia, a partir de 2002, foram criados oito cursos na área de Comunicação em três instituições privadas e uma pública federal. Isto exemplifica o desenvolvimento tardio da comunicação social na região, que, em seus primórdios, também teve incentivo do Sindicato dos Jornalistas – Sinjor/RO. O curso de Jornalismo na Universidade Federal de Rondônia(UNIR) foi criado em 2002 em Vilhena, no sul do Estado, estando hoje encerrado devido à transferência da oferta do interior para a capital Porto Velho. Iniciado em 2020, o curso de Jornalismo da Unir em Porto Velho contou com a transferência gradual dos professores e da infraestrutura. No cenário atual, a Unir é a única instituição a abrir novas turmas de Jornalismo no Estado, e nas instituições privadas percebe-se a extinção/desativação dos Bacharelados presenciais na área e o crescimento da oferta de cursos na modalidade a distância. Em 2023 a Unir foi autorizada a inaugurar o Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM), com as primeiras turmas de Mestrado iniciadas em 2024. Rondônia igualmente destaca-se pela promoção de eventos regionais, presença nos eventos científicos da área – com mais de 50 trabalhos de estudantes premiados regional e nacionalmente – e pela participação ativa em redes de pesquisas interinstitucionais na Amazônia. No Acre o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre(UFAC) foi criado em 2001, em Rio Branco, com apoio do Sindicato dos Jornalistas do Acre(Sinjac) e das áreas de Filosofia, Ciências Sociais e Letras da universidade. Em 2013 o curso passou por uma significativa reformulação. A UFAC ainda não possui um programa stricto sensu na área, tendo sido realizados dois cursos de Pós-Graduação lato sensu e uma turma de Graduação em Comunicação Social – Jornalismo – no município de Cruzeiro do Sul(2009-2015). A instituição tem se destacado em atividades de extensão e pesquisa, muitas delas registradas na Revista Tropos: Comunicação, Sociedade e Cultura, publicada de 2014 a 2021. Outros destaques são a Semana Acadêmica de Comunicação(Seacom) e a publicação do jornal laboratório“A Catraia”. Desde 2000 são realizadas premiações anuais de Jornalismo promovidas pelo governo do Estado do Acre, Ministério Público do Estado do Acre, Sinjac, Sebrae e Prefeitura de Rio Branco, com muitos estudantes 13 Com a Universidade Federal do Ceará(UFC) na fundação e estruturação curricular, com a Universidade de São Paulo em convênio para o Mestrado Interinstitucional (2001) e com a Universidade Federal do Amazonas(UFAM) em Pós-Doutoramentos e na participação de professores junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociedade(PPGCOM) da Universidade Federal de Roraima(UFRR), participação na Aturá – Revista Pan-Amazônica de Comunicação , da Universidade Federal de Tocantins. 16 HISTÓRICO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NA REGIÃO NORTE MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte e egressos vencedores nas categorias disputadas. No Acre alguns cursos da área foram criados e encerrados em instituições privadas, e atualmente há oferta de apenas um curso de Publicidade e Propaganda presencial. Em Tocantins o campo da comunicação foi estruturado com a criação do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual do Tocantins(Unitins) em 1997. Este curso foi uma resposta à demanda local por formação na área, com uma forte participação de mulheres na docência e gestão. Com a criação da Universidade Federal do Tocantins(UFT) em 2003, foi acordada a transferência daquele curso para esta instituição. Com relação às revistas acadêmicas, a Revista Observatório foi criada em 2015, e no ano seguinte foram criadas a Espaço e Tempos Midiáticos e a Aturá – Revista Pan-Amazônica de Comunicação, esta como uma proposta inovadora de gestão compartilhada por universidades da Amazônia. O Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociedade(PPGCOMS) da UFT, iniciado em 2016, possui duas linhas de pesquisa: Jornalismo, Mídias e Cultura e Comunicação, Poder e Identidades. A UFT tem se consolidado como um importante polo regional, promovendo eventos acadêmicos e cooperando com outras instituições da região. Já o Amapá, caracterizado por seu isolamento geográfico sendo acessível apenas por via aérea ou fluvial, apresenta uma história peculiar no campo da comunicação. Embora possua uma estrutura mais recente e menos consolidada em relação aos demais Estados da região Norte, vem investindo na promoção de eventos acadêmicos e na realização de pesquisas que abordem questões amazônicas. O primeiro curso de Comunicação Social no Estado foi inaugurado em 2001, com a oferta das habilitações Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas pela antiga Faculdade Seama (Estácio Seama) – esta também pioneira na realização de eventos como o Congresso de Comunicação do Amapá, iniciado em 2008. Os cursos e eventos foram importantes para a troca de experiências e a formação dos primeiros profissionais da área. Com o tempo, a Universidade Federal do Amapá(UNIFAP) se estabeleceu como a principal instituição a ofertar o curso de Jornalismo presencialmente, criado em 2010 e com as primeiras turmas iniciadas em 2011. Desde então o curso tem contribuído para a profissionalização da área e para consolidar o campo da Comunicação, promovendo eventos como o Congresso de Jornalismo da UNIFAP(Conju) e desenvolvendo projetos de pesquisa e extensão, como a Agência Experimental de Comunicação(AGCOM). COMPARATIVOS REGIONAIS E ASPECTOS DISTINTIVOS Como vimos, o Amazonas foi o primeiro Estado da região Norte a criar um curso de comunicação, seguido pelo Pará e por Roraima. O Pará lidera na criação de Programas de Pós-Graduação, sendo o primeiro a oferecer um Doutorado na área 17 em 2019. Tocantins e Roraima também criaram Programas de Pós-Graduação nos últimos anos, evidenciando uma crescente institucionalização do campo na região. O Amazonas e o Pará possuem o maior número de faculdades e cursos na área de comunicação, incluindo tanto instituições federais quanto particulares. Esses Estados também oferecem uma variedade maior de opções de cursos, com o Pará destacandose pelas ofertas diferenciadas na área de Comunicação Ambiental e Midiática. O Pará é o Estado com o maior número de revistas acadêmicas na área de comunicação, com quatro publicações relevantes. Em termos de associações estaduais de professores e pesquisadores de comunicação, o Amazonas e o Pará lideram, com organizações ativas que promovem a cooperação entre instituições e a realização de eventos científicos. Os Estados do Pará, Amazonas e Roraima são os mais ativos na realização de congressos, encontros, jornadas e seminários de abrangência estadual e regional. Esses Estados também lideram em termos de cooperação regional, promovendo parcerias entre universidades e Programas de Pós-Graduação, além de desenvolverem projetos interinstitucionais que fortalecem a pesquisa na Amazônia. A UFAM e a UFPA possuem bibliotecas especializadas em Comunicação que apoiam a pesquisa e a formação acadêmica. Em termos de agências estaduais de fomento à pesquisa, o Pará e o Amazonas destacam-se com um maior número de editais específicos para a área de Comunicação, embora a região ainda careça de um apoio mais robusto em comparação com outras partes do Brasil. Prêmios institucionais, como os criados no Acre e no Amazonas, têm desempenhado um papel importante na valorização dos profissionais e acadêmicos da área de Comunicação na Região Norte. Esses prêmios incentivam a produção de qualidade e o reconhecimento das contribuições regionais ao campo da Comunicação. Essa realidade expõe as limitações institucionais que afetam o desenvolvimento do campo da Comunicação na Região Norte. A necessidade de ampliar e fortalecer a institucionalidade do campo é urgente para assegurar que a região possa contribuir de forma mais efetiva para o cenário científico e cultural do país. A atuação das pesquisadoras e docentes na região é marcada por desafios, mas também por uma resiliência e compromisso em construir um campo de comunicação que reflita as particularidades e as demandas da Amazônia. CONSIDERAÇÕES FINAIS A trajetória de estruturação do campo da Comunicação na Região Norte do Brasil é marcada por desafios e conquistas que refletem as particularidades regionais. A introdução tardia e as dificuldades relacionadas à infraestrutura e à escassez de 18 HISTÓRICO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NA REGIÃO NORTE MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte recursos foram superadas, em grande parte, graças ao empenho de profissionais dedicados e à criação de redes de cooperação entre as instituições. Algumas questões cotidianas são compartilhadas por parte dos Estados da Região e atravessam as abordagens comunicacionais, como os contextos das fronteiras internacionais, a mobilidade de imigrantes ou refugiados, os tensionamentos entre modelos de desenvolvimento exploratórios ou sustentáveis e os interesses de grupos políticos e econômicos ante as pautas ambientais e indígenas. A falta de fixação de pesquisadoras e pesquisadores ainda é uma realidade e um desafio nos Estados do Norte, que conta com muitos professores concursados migrantes de outros Estados do Brasil. Nos últimos anos, na Região, outra tendência observada é a extinção ou diminuição da oferta de cursos presenciais e o aumento da oferta de cursos na modalidade educação a distância, especialmente nas instituições privadas. Nesse fluido cenário, o papel das mulheres aparece como fundamental. Desde a fundação dos cursos até a liderança em Programas de Pós-Graduação e iniciativas de pesquisa, muitas das mulheres aqui retratadas têm sido protagonistas na construção e consolidação do campo da Comunicação na região. Elas não apenas enfrentaram as barreiras impostas pela geografia e pela institucionalização recente, mas também moldaram um campo que reflete as especificidades e demandas locais, integrando saberes tradicionais e acadêmicos em prol de uma comunicação que dialogue diretamente com a realidade amazônica. O futuro da comunicação social na Região Norte dependerá da continuidade desse esforço coletivo, da expansão das oportunidades de formação e pesquisa e do reconhecimento contínuo das contribuições femininas para o desenvolvimento acadêmico e científico. Cremos, no entanto, que, com a crescente institucionalização e a consolidação dos Programas de Pós-Graduação, a Região Norte tem potencial de se tornar um polo de referência na comunicação social não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. 19 ACRE 20 Luci Maria Teston 14 Juliana Lofego 15 A COMUNICAÇÃO NO ACRE: HISTÓRIA E MEMÓRIAS DE UM CAMPO EM CONSTRUÇÃO 16 O curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre(UFAC) completa 25 anos de fundação em 2026. Considerado relativamente jovem, formou mais de 350 jornalistas que atuam na área em todo o Estado. A proposta de criação do curso partiu das áreas de Filosofia e Ciências Sociais e de Letras da UFAC, e visava a superar a ausência de formação específica ao“construir autonomia e conhecimento sobre a área e romper com a dependência de importação de comunicadores oriundos de outras regiões do país”(UFAC, 2001), segundo consta no projeto fundador. Buscava-se, portanto, atender a uma demanda dos setores de Comunicação Social do Estado, em especial do Sindicato dos Jornalistas do Acre (Sinjac), que vislumbrava melhorar a qualificação dos profissionais em atividade. A maior parte dos jornalistas, na época, não possuía formação na área e havia a compreensão de que profissionais oriundos de outras regiões do país nem sempre tinham compreensão adequada das questões regionais. O contexto e a dinâmica histórica desafiadora requeriam profissionais que viessem a colaborar qualitativa e criticamente para o aprimoramento dos processos socioeconômicos e culturais na Amazônia Ocidental, visando a fomentar a produção de informações, análises e a interpretação de problemas da realidade social para estimular o debate e a opinião pública. Ou seja, contribuir com qualidade para a execução das políticas públicas e a divulgação das manifestações da sociedade e dos atos do poder público. O primeiro projeto de constituição do curso foi elaborado no ano 2000, sendo instituída uma equipe de elaboração formada por profissionais de diferentes áreas do 14 Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo(USP). Professora Associada do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre(UFAC). 15 Doutora em Comunicação e Informação em Saúde pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz(ICICT/ Fiocruz). Professora Associada do Curso de Jornalismo da UFAC. 16 Agradecimentos pelas conversas, dados fornecidos e revisões ao texto: Evaldo Ribeiro, Grace Gotelip(Diretoria de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino – Diaden/ UFAC), Maria de Fátima Bandeira, Giselle Lucena, Lucineia Scramin Alves, Tatyana Lima, Vanessa Igami, Wagner Costa. 21 conhecimento relacionadas ao campo das Ciências Humanas e Letras. A equipe foi composta pelo professor doutor Jacó Cesar Piccoli, idealizador da criação do curso na instituição e presidente da comissão, pelo professor doutor Vicente Cruz Cerqueira, pelo professor mestre Henrique Silvestre Soares, pelo professor especialista Sergio Roberto dos Santos, pela professora doutora Laélia Maria Rodrigues da Silva e pela professora especialista Afra Maria Silva de Souza. As justificativas para a criação do curso em Rio Branco, capital do Acre, fundamentaramse na necessidade de formação e preparação de profissionais, ou seja, não apenas garantir o acesso de novos profissionais, mas prever condições para a formação e a qualificação dos que atuavam nos veículos de comunicação do Estado, a defesa do direito à crítica e da liberdade de expressão, bem como a valorização da especificidade regional, a partir da busca por soluções aos problemas decorrentes das estruturas de organização social e política regionais(UFAC, 2001). A Amazônia Ocidental constituía-se em uma região com inúmeras necessidades e demandas de formação na área de Jornalismo. Algumas preocupações, manifestadas pela equipe de elaboração do projeto, compreendiam as dificuldades que empresas jornalísticas enfrentavam, como a dependência de verbas públicas e a influência política nos meios de comunicação, o que afetava a independência ideológica dos conteúdos. Somava-se a isto o fato de parte dos profissionais que atuavam na área não possuírem formação específica ou adequada para o exercício da profissão. A criação do curso de Bacharelado em Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo, foi autorizada por meio da Resolução da Reitoria nº 30, de 24 de outubro de 2000, na gestão do reitor professor doutor Francisco Carlos da Silveira Cavalcanti. Naquela época Rio Branco possuía quatro jornais diários, cinco emissoras de rádio e quatro canais de TV. Havia poucas assessorias de comunicação profissionalizadas, a citar as existentes no governo estadual, na Prefeitura de Rio Branco e na própria UFAC, coordenada pelo servidor Francisco de Moura Pinheiro, conhecido como Francisco Dandão, escritor atuante na imprensa acreana e um apoiador da criação do curso. O primeiro curso no Estado do Acre voltado para a área da Comunicação foi iniciado em 2001, sendo reconhecido seis anos depois por meio da Portaria Sesu/MEC nº 608, de 28 de junho de 2007. Uma vez criado pelo Conselho Universitário, contou com a participação de docentes que integravam os antigos departamentos de Filosofia e Ciências Sociais e de Letras(Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Letras e Artes). Dentre os colaboradores no momento inicial de instalação do curso, podem ser citados os professores Jacó Cesar Piccoli, Enock da Silva Pessoa, Manoel Coracy Saboia Dias e Elane Andrade Correia Lima – esta, com formação em Ciências Sociais, foi a primeira coordenadora do curso. O primeiro concurso específico para a área ocorreu em 2002, com a contratação das professoras Juliana Lofego Encarnação 22 A COMUNICAÇÃO NO ACRE: HISTÓRIA E MEMÓRIAS DE UM CAMPO EM CONSTRUÇÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte e Mara Regina Aparecida Vidal, que assumiram os cargos de coordenadora e vice do curso, respectivamente. Em 2007, como resultado do relatório da visita do Ministério da Educação(MEC), foi aconselhada a redução da carga horária total do curso, sendo realizada a primeira adequação na estrutura curricular. Os ajustes se fixaram-se na reorganização das cargas horárias semestrais, sem promover, no entanto, alterações nas ementas das disciplinas. Como uma iniciativa visando a superar os problemas de formação e qualificação na área existentes no interior do Estado do Acre, foi criada uma turma especial do curso de Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo, em 2009, no município de Cruzeiro do Sul. Situado na região do Alto Juruá, oeste do Estado do Acre, o curso foi desenvolvido na modalidade presencial e modular, com entrada de uma única turma via Exame Nacional de Ensino Médio(Enem). Foram coordenadores a professora Aleta Tereza Dreves e o professor Jacó Piccoli, sendo formados 25 alunos. No decorrer dos anos os professores que atuavam no curso em Rio Branco percebiam a necessidade de serem realizadas mudanças na estrutura do projeto pedagógico. Desta forma, houve a primeira reformulação em 2013, seguindo as diretrizes recémpublicadas pelo MEC para a área. O nome do curso foi alterado para Bacharelado em Jornalismo, e em 2015 teve ingresso a primeira turma do Projeto Político-Pedagógico em vigência. A nova estrutura curricular do curso buscava fortalecer os processos de formação e qualificação existentes no âmbito regional, oferecendo novos desafios e possibilidades para a criatividade discente, objetivando formar profissionais atentos às carências e demandas da área de Jornalismo. Houve a reformulação dos critérios de trabalhos de conclusão de curso, acrescentando à tradicional monografia os projetos experimentais em diferentes formatos e modalidades jornalísticas(produtos como documentários, podcast, sites, livro-reportagem, reportagens em profundidade, entre outros). Também foi incorporada carga-horária destinada à realização de atividades complementares, que tornou obrigatória a participação em atividades técnicas, científicas, de pesquisa e extensão em interação com a comunidade externa. Em 2025, há uma comissão de professores envolvida em uma nova reformulação, seguindo um movimento de adequação às mudanças constantes observadas no campo. ESTRUTURA E DESENVOLVIMENTO O curso de Jornalismo da UFAC tem duração de quatro anos, sendo ministrado no horário noturno. Oferece 50 vagas anuais para os alunos via Exame Nacional de Ensino Médio(Enem). Vale ressaltar que, entre 2018 e 2024, a UFAC instituiu um bônus de 15% na pontuação do Enem para estudantes que cursaram o Ensino Médio 23 em instituições acreanas ou em cidades próximas à divisa com Amazonas e Rondônia, o chamado Bônus Regional. Desde o início das atividades o curso da UFAC contou com a infraestrutura física de um conjunto de salas de aulas do Bloco Acadêmico Walter Félix de Souza II. Em 2006 o bloco foi reformado para abrigar salas laboratoriais específicas para atender à área de Comunicação, constituindo-se, assim, os laboratórios de Telejornalismo, Radiojornalismo, Editoração Gráfica e Sala Ambiente para realização de eventos. Houve a contratação de dois técnicos em audiovisual para a operacionalização do espaço, Daniel Dias e Emanuelly Falqueto, egressa do curso, que se desligou posteriormente, sendo efetivado o cinegrafista Célio Roberto Maia. O curso teve o apoio de profissionais longevos e dedicados na Secretaria Acadêmica, como João Araújo Facundes Filho(2002-2015), e desde 2016 conta com a competência de Maria de Fátima Bandeira, aluna egressa do curso. O corpo docente do curso é composto(em 2025), por dez professores efetivos e dois substitutos, sendo a contratação via concurso público realizada ao longo dos anos segundo demandas. São docentes efetivos do curso, em ordem cronológica, conforme o ano de entrada na UFAC: doutora Juliana Lofêgo Encarnação(2002), doutor Wagner da Costa Silva(2004), doutor Maurício Pimentel Homem de Bittencourt(2005), doutora Aleta Tereza Dreves(2006), doutor Francisco Aquinei Timoteo Queirós (2008 – egresso), doutora Francielle Maria Modesto Mendes(2009), doutora Luci Maria Teston(2011), doutora Giselle Xavier D’Ávila Lucena(2013 – egressa), mestre Tatyana Sá de Lima(2013 – egressa), mestre Luan Correia Cunha Santos(2024) – esses dois últimos em doutoramento – e doutor Diogo Azoubel(2025). A maioria dos docentes efetivos é proveniente de outras regiões do país. Entre os docentes efetivos que se desligaram do curso, estão Mara Regina Aparecida Vidal(2002-2007, exonerada a pedido), Claudia Guerra Monteiro(2004-2005, remanejada para a Universidade Federal do Amazonas), Mauro César Rocha da Silva(2004-2015, lotado no curso de Ciências Sociais/UFAC), Graça Maria Teixeira da Silva(2005-2016, aposentada), Fernanda Ribeiro de Salvo(2019-2022, na Universidade Federal de Juiz de Fora) e especialista Gilberto Nunes de Ávila(20092025, aposentado). Como professores e professoras substitutos que contribuíram com o curso ao longo dos anos, estão Cleide Elizabeth Santos, Concita Cardoso, Clóvis Pereira, Edilene Silva, Vanessa Melo França, Mônica Cadéo Iurk, Thiago Roger, Talita Oliveira, Lisânia Ghisi Gomes, Emanuelly Falqueto, Priscila Cristina Miranda de Araújo, Lucas Silva de Sousa, Jaine Araújo, Paulo Henrique Santiago(os cinco últimos egressos do curso) e Francisco Adailson Claudio Oliveira. Diferentemente dos docentes efetivos, a maior parte dos professores substitutos são naturais do Estado do Acre, o que tem favorecido a troca de saberes e experiências no campo local. 24 A COMUNICAÇÃO NO ACRE: HISTÓRIA E MEMÓRIAS DE UM CAMPO EM CONSTRUÇÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Como pode-se observar, é grande a presença e, também, a participação de mulheres no processo de consolidação do curso de Jornalismo na UFAC. De uma forma geral, pode-se apontar como características locais um corpo docente de maioria feminina, a rotatividade de alguns profissionais concursados e a efetivação de ex-alunos como docentes. Em atividades de Pós-Graduação vinculadas ao curso, foi ofertada uma turma de Especialização lato sensu em Comunicação e Política, criada no ano 2014 e executada em 2015. Não há Pós-Graduação stricto sensu na área de Comunicação Social. Os professores do curso desenvolveram suas Pós-Graduações em programas de outros Estados ou em Mestrados ou Doutorados interinstitucionais ligados à UFAC nas áreas de Letras, História, Pedagogia e Desenvolvimento Regional. Alguns alunos formados têm optado pela continuidade dos estudos na Pós-Graduação em Letras – Linguagem e Identidade –, oferecida pelo Centro de Letras e Artes da UFAC, que conta com a participação, no quadro docente, de dois professores do curso de Jornalismo: Francielle Maria Modesto Mendes e Francisco Aquinei Timoteo Queirós, ambos egressos do Mestrado deste Programa de Pós-Graduação. Entre as peculiaridades do curso de Jornalismo da UFAC está a composição do corpo docente proveniente de diferentes regiões do país, o que possibilitou a perspectiva da incorporação, por parte dos estudantes, de diversas experiências acadêmicas e profissionais trazidas pelos professores em suas trajetórias no campo. A formação acadêmica de parte do corpo docente no âmbito scricto sensu envolve o diálogo com outros campos do conhecimento, em áreas como Letras, Ciência Política, Educação, Saúde, Meio Ambiente e História. Apesar de dificultar, em parte, uma unidade em termos de ações relacionadas a propostas de Pós-Graduação, este diálogo com campos interdisciplinares tem sido fundamental para agregar saberes e formar profissionais com compreensões ampliadas e diversificadas sobre os fenômenos comunicacionais na Amazônia envolvendo diferentes perspectivas e entrelaçamentos. Os grupos de pesquisa em que professores do Jornalismo são líderes ou gestores demonstram esta diversidade: Jornalismo, Cultura e Arte na Amazônia; Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal; Semiótica Peirciana; Comunidade, Sociedade e Cultura; Meio Ambiente, Direitos Humanos e Jornalismo na Amazônia; Mídias, Imaginário e Representação: Uma Cartografia das Amazônias(Mirca); Narrativa, Literatura e Jornalismo(Nalijor); Pensamento Comunicacional Latino-Americano, Grupo de Estudos e Pesquisa Professor, Escola e Tecnologias Educacionais(Geppete). A produção acadêmica e científica no âmbito do curso contou, por sete anos, com a Revista Tropos: Comunicação, Sociedade e Cultura, tendo como editores os professores Francielle Maria Modesto Mendes e Francisco Aquinei Timóteo Queirós. O periódico foi lançado em 2014, teve 16 edições e 342 artigos publicados até 2021 (classificação B2 – Qualis – Periódicos Capes 2017-2020). Ao longo dos anos foram lançados dossiês e artigos relevantes sobre a pesquisa local. 25 Em termos de eventos para reflexão e troca de conhecimentos em perspectiva regional, a UFAC sediou o IX Congresso de Ciências da Comunicação na Região Norte(Intercom Norte), em 2010, e o 4º Encontro de História da Mídia da Região Norte – Rede Alcar, em 2016, ambos coordenados pela professora Aleta Dreves. Professores e estudantes também vêm ampliando ao longo dos anos a participação em eventos científicos da área, como nos Congressos nacionais e regionais da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) e Congressos internacionais, como o da Associação Latino-Americana de Comunicação(Alaic). Para além dos eventos nacionais e regionais, há os eventos locais realizados pelo curso de forma continuada, a exemplo da Semana Acadêmica de Comunicação (Seacom), com periodicidade anual desde 2015, e a Mostra de Comunicação Visual, coordenada pelo professor Milton Chamarelli; ambos os eventos são atividades curriculares de Extensão e completaram a 12 a edição em 2024. Vale destacar eventos com engajamento e criatividade que aconteceram ao longo da história do curso em algumas edições, como os Encontros com a Imprensa Acreana, o Cineclube Batelão, cursos e participações no Festival Pachamama de Cinema, entre outros. Há um forte reconhecimento das produções do Jornalismo local em premiações, que acontecem atualmente com três iniciativas: o Prêmio de Jornalismo do Ministério Público do Estado do Acre(13ª edição em 2023), o Prêmio Sebrae de Jornalismo(11ª edição em 2024) e o Prêmio de Comunicação do governo do Estado do Acre(2023 e 2024). O Prêmio de Jornalismo José Chalub Leite foi realizado de 2000 a 2016 pelo Sindicato dos Jornalistas do Acre(Sinjac), e teve 15 edições até seu encerramento, contando com a parceria longeva do governo do Acre por meio da Secretaria de Comunicação, tendo como parceiros nos últimos anos o Ministério Público do Acre e a Assembleia Legislativa do Estado do Acre. Promovido pela Prefeitura de Rio Branco, o Prêmio Jorge Said de Comunicação foi criado em 2018 e teve três edições. A maior parte dos eventos conta com premiação específica para destaques de estudantes, e vários alunos e egressos do Jornalismo UFAC têm sido premiados ao longo dos anos. Na UFAC também foram criadas premiações para produtos jornalísticos dos alunos, com dois eventos realizados durante a Semana Acadêmica de Comunicação (Seacom): o Prêmio Chico Pop(3 edições, de 2016 a 2018) e o Prêmio Alcântara de Fotografia(iniciado em 2014, teve sua 5ª edição na Seacom 2023). O curso de Jornalismo da UFAC desenvolve diversos produtos a partir das disciplinas ministradas durante os oito semestres de formação. Entre radionovelas, revistas, artigos, documentários, sites, planos de comunicação e fotografias, vários trabalhos têm sido reconhecidos com premiações, especialmente na Exposição de Pesquisa e Produção Experimental em Comunicação(Expocom Norte e Nacional), realizada junto aos Congressos da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). 26 A COMUNICAÇÃO NO ACRE: HISTÓRIA E MEMÓRIAS DE UM CAMPO EM CONSTRUÇÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte O Jornal Laboratório A Catraia é produzido e editado nas disciplinas de Jornal Laboratorial I e II, nos formatos impresso, on-line e revista. Os alunos do quinto e sexto período são responsáveis por produzir os conteúdos do jornal. O nome A Catraia significa uma embarcação de pequeno porte, semelhante a uma canoa, que funciona como transporte entre as margens dos rios da região, e foi definido por meio de um concurso em que alunos e professores tiveram a oportunidade de contribuir com sugestões. A primeira edição do jornal foi realizada pelos alunos da primeira turma do curso e publicada em dezembro de 2004, com tiragem de 200 exemplares. A turma que entrou em 2001 foi responsável pelas primeiras edições, e, inicialmente, o jornal foi produzido como uma atividade de extensão. Toda a produção do jornal laboratório – da revisão das matérias à diagramação – costuma ser feita de forma coletiva pelos alunos(Silva; Silva, 2017). O Estágio Curricular Supervisionado em Jornalismo é uma disciplina obrigatória que faz parte da grade curricular do curso, ofertada a partir do 5º período, com carga horária de 225 horas e coordenada desde 2017 pela professora mestre Tatyana Sá de Lima. A mediação do processo de estágio se dá pela Diretoria de Apoio à Formação Acadêmica da UFAC e o gerenciamento é feito por meio da Plataforma de Gerenciamento de Estágios Supervisionados Obrigatórios, em funcionamento desde 2021. O estágio obrigatório complementa a prática técnico-pedagógica em variados campos de conhecimento do jornalismo, promovendo a ambientação profissional e a reflexão sobre o mercado de trabalho local. O Estágio Curricular é realizado em instituições e empresas que possuem convênio com a UFAC, com orientação de um profissional competente no local e do docente supervisor. Atualmente o curso possui convênio com as principais empresas de comunicação do Estado, assessorias das Secretarias institucionais do governo do Acre, bem como assessorias de iniciativas privadas. Destacam-se os convênios com: TV Acre, Rádio CBN Acre, Portal de Notícias G1 e GE, TV Gazeta, Rádio Aldeia, Rádio Difusora Acreana, Rádio Cidade, Assessoria de Comunicação da Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre), Assessoria de Comunicação da UFAC, Portal de Notícias ContilNet, Site Agência de Notícias do Acre, Jornal A Gazeta.Net, Jornal A Gazeta do Acre, entre outros. Ao término das atividades obrigatórias muitos alunos são contratados para estágios remunerados, o que torna a disciplina um importante banco de talentos para o mercado de trabalho local. Algumas mulheres jornalistas foram fundamentais na sedimentação dos campos de prática dos estágios supervisionados e também apoiadoras de parcerias institucionais em eventos acadêmicos realizados na UFAC, como Priscila Viúdes(chefe do Núcleo de Comunicação Organizacional da Embrapa), Andréa Zílio(secretária de Comunicação do governo do Acre entre 2012/2018), Socorro Camelo(então assessora de Comunicação do Ministério Público do Acre e da Prefeitura de Rio Branco), Nayara 27 Lessa(então secretária de Comunicação do governo do Acre) e Renata Brasileiro (editora-chefe da Agência de Notícias do governo do Acre). Durante os mais de 20 anos de existência, o curso de Jornalismo da UFAC coexistiu com cursos da área em Rio Branco, oferecidos por instituições particulares de Ensino Superior. Em 2025 há apenas um curso em funcionamento na modalidade presencial, o Bacharelado em Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Estácio Meta de Rio Branco(Estácio Unimeta), coordenado pela professora Lívia Benedetti, que foi iniciado no ano de 2017 e reconhecido em 2024. A instituição tem uma biblioteca especializada e oferece formações na modalidade Ensino a Distância em Graduações de Jornalismo, Marketing e Publicidade e Propaganda e Pós-Graduações. O curso de Jornalismo do Instituto de Ensino Superior do Acre(Iesacre) foi criado em Rio Branco em 2003 e encerrado em 2015. Em 2008 a instituição foi comprada pela Uninorte. Os cursos existentes mudaram de sede física, mas o Iesacre foi mantido como instituição formadora. A entrada da última turma de Jornalismo do Iesacre aconteceu em 2010. Foram coordenadores os professores Francisco de Moura Pinheiro (Dandão) e Evaldo Pereira Ribeiro. Entre as mulheres docentes podemos destacar: Cleide Elizabeth Santos, Iza Jucá, Janine Brasil, Luiza Lessa Kalberg, Concita Cardoso e Edilene Silva. O curso de Jornalismo do Iesacre produziu o Jornal Laboratório Fala Sério, o Programa Rádio Iesacre – veiculado na emissora Gazeta FM – além de duas Semanas de Comunicação(2007 e 2010). Outro curso da área no Estado foi o de Publicidade e Propaganda pela Uninorte, que teve início em 2002 e encerramento em 2015, contando com biblioteca especializada em comunicação, que foi acrescida, em 2008, com o acervo do curso de Comunicação Social do Iesacre. Entre os coordenadores do curso, podemos destacar três mulheres: Carmela Vale, Larissa Costa da Silva(posteriormente aluna/ egressa do Jornalismo/UFAC) e Vanessa Vogliotti Igami, que coordenou o curso entre 2004/2006 e foi pró-reitora acadêmica e diretora acadêmica do Grupo Educacional Uninorte. A instituição também ofereceu cursos de Pós-Graduação lato sensu, sendo eles Marketing e Comunicação(2004), Jornalismo Político(2005), Web Marketing (2008) e Assessoria de Imprensa e Marketing Político(2009). No decorrer da história do Jornalismo no Acre observa-se uma mudança no perfil dos ingressantes. Nos primeiros anos boa parte dos alunos iniciavam a formação enquanto já desempenhavam funções profissionais na área, e outra parte dos alunos buscava um curso noturno que pudesse ser compatível com um trabalho, uma vez que alguns entravam no Jornalismo por não conseguirem ser classificados em suas primeiras opções de cursos. Pode-se afirmar que os egressos mudaram o panorama profissional da área no Estado. Embora com diferentes trajetórias, vêm atuando em maior quantidade em assessorias de comunicação, na imprensa local – em emissoras de rádio e televisão, sites de 28 A COMUNICAÇÃO NO ACRE: HISTÓRIA E MEMÓRIAS DE UM CAMPO EM CONSTRUÇÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte notícias(tanto em empresas privadas quanto em órgãos governamentais) – no governo estadual e municipal, em órgãos da Justiça estadual e na própria Universidade Federal do Acre – muitos em posição de destaque. Em termos de desafios e perspectivas, ainda há um longo caminho a ser desbravado. Apesar dos avanços vivenciados nos últimos 20 anos, o curso carece de melhor adequação da estrutura física, com a necessidade de modernização tecnológica e ampliação dos laboratórios, especialmente do acervo de equipamentos de uso didático. Quanto ao futuro, coloca-se o desafio de promover cursos de Pós-Graduação stricto sensu, demanda que abre novas perspectivas nos campos da pesquisa e do ensino. Assim como ocorre no cenário mais amplo, no Acre ambientes profissionais foram gradualmente encerrando suas atividades e novas atuações no campo digital foram surgindo, ampliando a competitividade e a dinamicidade no meio jornalístico local, trazendo novos desafios e complexidades para o exercício da profissão. Essa trajetória reflete o esforço e a dedicação da universidade, seus gestores, docentes e servidores, e seus posicionamentos junto as transformações sociais do campo da comunicação de forma crítica e autônoma, além de estar atenta às especificidades da realidade local. Referências ALVES, Antoniete Buriti de Souza. Ensino em Jornalismo no Acre: um levantamento histórico das monografias defendidas no curso de Jornalismo da UFAC entre 2006 e 2018. Monografia(Curso de Bacharelado em Comunicação Social – habilitação Jornalismo) – Universidade Federal do Acre, Rio Branco, 2022. SEACOM. Site da Semana Acadêmica de Comunicação. Disponível em: https:// seacomufac.wordpress.com/. Acesso em: 12 maio 2024. SILVA, Larissa Costa da; SILVA, Wagner da Costa. O Jornal Laboratório como espaço de formação: a experiência da UFAC. CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORTE, 16., 2017, Manaus. Anais[...]. Manaus, AM, 24 a 26/5/2017. Disponível em: https://portalintercom.org.br/anais/norte2017/ resumos/R54-0454-1.pdf. Acesso em: 10 abr. 2024. UFAC. Universidade Federal do Acre. Projeto de criação do curso de Comunicação Social – Jornalismo. Rio Branco: UFAC, 2001. UFAC. Universidade Federal do Acre. Projeto Político Pedagógico do curso de Bacharelado em Jornalismo. Rio Branco: UFAC, 2013. Disponível em: http://www2. ufac.br/cfch/jornalismo/ppcjornalismo.pdf. Acesso em: 15 mar. 2024. UFAC. Universidade Federal do Acre. Revista Tropos. Disponível em: https:// periodicos.ufac.br/index.php/tropos/index. Acesso em: 11 abr. 2024. 29 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 30 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte GRAÇA TEIXEIRA Maria de Fátima Bandeira Graça Maria Teixeira da Silva nasceu em 29 de agosto de 1950 em Rio Branco(AC). É filha de Raimundo Pereira da Silva e Consuelo Teixeira da Silva. Sua trajetória escolar iniciou no Colégio Menino Jesus, em Rio Branco. O período de ginásio foi cursado no Colégio Acreano e no Instituto São José. Já o segundo grau foi cursado no Internato Santa Marcelina, no Rio de Janeiro. Ingressou na Graduação em Comunicação Social/Jornalismo em 1971 pelo Centro de Ensino Superior de Brasília. No mesmo período atuou como estagiária no jornal O Globo. Em 1981 cursou uma Especialização em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica de Pernambuco. O trabalho produzido intitulou-se“‘A poesia ideológica’ de Carlos Drummond de Andrade”. Já no período de 1986 a 1989 cursou o Mestrado em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Sua dissertação tratou de uma abordagem semiolinguística no discurso da publicidade. Em 1998 iniciou o Doutorado em Letras também pela UFRJ. Explorou seu interesse pela Amazônia literária em sua tese, intitulada “Historiografia e hegemonia na literatura brasileira: a perspectiva amazônica”. Tanto no Mestrado quanto no Doutorado foi orientada por Anazildo Vasconcelos. Graça ingressou como professora do Magistério superior em 1990 na Universidade Federal de Rondônia(UNIR), onde permaneceu até 2005. Dedicou-se, principalmente, às disciplinas de Teoria Literária, Literatura Brasileira, Literatura Regional(Amazônica) e Estudos de Problemas Brasileiros. Escreveu Publicidade: a pedagogia 31 do método(1991) e Leitura semiótica do conto popular Bicho de Palha(1993). Sua entrada na Universidade Federal do Acre(UFAC) ocorreu em 2006, tornando-se professora efetiva da Graduação em Jornalismo e ministrando as disciplinas Teoria da Comunicação, Comunicação Comparada, Redação Jornalística, Fundamentos de Cinema, Projeto de Pesquisa em Jornalismo e Fundamentos de Filosofia. Também se dedicou, em 2011, ao projeto de extensão Curso de Taquigrafia. O projeto formou cerca de 150 alunos, dos quais alguns atuaram na Assembleia Legislativa do Estado do Acre. Graça Teixeira aposentou-se em 2016, mas não deixou seu interesse pelos estudos: em 2017 iniciou a Pós-Graduação lato sensu em Filosofia: ontologia, conhecimento e linguagem, pela UFAC. Conjugando as áreas de Comunicação e Literatura, atuou por 15 anos como professora do Magistério superior da Unir e por 10 anos no mesmo cargo na UFAC. Principais publicações SILVA, Graça Maria Teixeira da. Leitura semiótica do conto popular Bicho de Palha. Revista Re-Unir Letras, v. 2, n. 2, p. 10-13, 1993. Disponível em: https://periodicos.unir.br/index.php/RE-UNIR/article/ view/2284. Acesso em: 15 out. 2023. SILVA, Graça Maria Teixeira da. Publicidade: a pedagogia do método. Revista Re-Unir Letras, v. 1, n. 2, p. 20-23, 1991. Disponível em: https://periodicos.unir.br/index.php/RE-UNIR/article/view/2210. Acesso em: 15 out. 2023. 32 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte JULIANA LOFEGO Emanuelly Silva Falqueto Juliana Lofego Encarnação nasceu em 16 de outubro de 1971 no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Genserico Encarnação Júnior e Mariana Lofego Encarnação e tem um único irmão, Flávio. Ela é mãe de dois filhos, Ian e Tom, e é casada com Rodrigo Silveira. Cursou o Ensino Fundamental no Colégio Sion e o Ensino Médio no Colégio São Vicente de Paulo, ambos no Rio de Janeiro. Graduou-se em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade de Brasília em 1994, com orientação de Nélia Del Bianco. Teve atuação profissional em 1996 como jornalista do jornal“O Dia”, do Rio de Janeiro. Entre os anos de 1998 e 1999 atuou como jornalista no Centro de Documentação da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz(Fiocruz). Cursou o Mestrado em Ciências da Informação(1999) pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, em convênio com a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(IBICT/UFRJ), e teve orientação de Regina Maria Marteleto. Em 2000 mudou-se para Rio Branco(AC) e começou a trabalhar na Secretaria de Estado de Saúde(Sesacre) nos projetos“Rede Nacional de Informações em Saúde” e“Experiências inovadoras no SUS”, ligados ao Ministério da Saúde. Em 2002 Lofego prestou concurso e tornou-se a primeira professora efetiva no curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal do Acre(UFAC). Realizou pesquisas e estudos multicêntricos abordando temáticas sobre comunicação e saúde, práticas formativas, tecnologias 33 avaliativas e saúde mental junto ao grupo de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e Laboratório de Pesquisas sobre Práticas de Integralidade em Saúde (Lappis), vinculado ao Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(IMS/UERJ), de 2006 a 2017. Em 2007 tirou licença da universidade para coordenar a primeira Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado de Saúde do Acre. Em 2015 finalizou o Doutorado pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz, com orientação de Roseni Pinheiro(Lappis/IMS/UERJ). No período também trabalhou na reformulação, desenvolvimento e manutenção do site do grupo de pesquisa Lappis. No âmbito das atividades acadêmicas, Juliana assumiu a coordenação do curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFAC de 2002 e 2004 e foi vice-coordenadora de 2014 a 2018. Participou como membro de órgãos colegiados, conselhos e comissões na UFAC, entre esses no Núcleo Docente Estruturante para a reformulação do projeto político-pedagógico do curso de Jornalismo em 2013. Empreendeu esforços, também, para sistematizar a produção de conhecimento local da área a partir da catalogação das monografias apresentadas ao longo da história do curso. No curso de Jornalismo ministra as disciplinas da área de Redação Jornalística, Legislação e Políticas de Comunicação, Pesquisa e Extensão em Comunicação, Trabalho de Conclusão de Curso e Jornal Laboratório. Atuou na Pós-Graduação lato sensu em Comunicação e Política da UFAC entre 2015 e 2016. Entre as produções técnicas, participou da realização dos documentários Arte de Ser(2016) e Sexualidade é mais que sexo: é afeto, segurança e carinho(2007), além das edições impressas e on-line do Jornal Laboratório A Catraia em diversas edições, entre 2004 e 2024. Em extensão, coordenou a primeira Semana Acadêmica de Comunicação(Seacom) em 2004, retomando a coordenação entre 2014 e 2018. Participou do projeto“Direitos sexuais reprodutivos: construindo possibilidades de escolhas com os/as adolescentes” (2017) e de projetos junto ao Centro de Convivência Arte de Ser, ligado à Rede de Apoio Psicossocial da Secretaria de Estado de Saúde. Desde 2022 desenvolve o curso de extensão Comunicadores Indígenas, com o objetivo de mobilizar jovens indígenas do Acre 34 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte a conhecer funções e conceitos básicos sobre comunicação e jornalismo, com participação de estudantes da UFAC. No ano de 2023 finalizou a residência Pós-Doutoral no Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), junto ao grupo de pesquisa Poéticas da Experiência e a Formação Transversal de Saberes Tradicionais, sob orientação de César Guimarães. Desenvolveu um levantamento da produção audiovisual indígena do Acre publicado no site da Comissão Pró-Indígenas do Acre(https://cpiacre.org.br/acervoaudiovisual/). É membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, participante do Grupo Temático Comunicação e Saúde, e no 9º Congresso de Ciências Sociais e Humanas em Saúde(2023) coordenou o Coletivo Temático Políticas de Emancipação e Saúde: epistemologias e práticas para integralidade do cuidado, e a Oficina Emancipação e Integralidade do Cuidado pelas Lentes do Cinema Indígena. Participa de pesquisas nacionais(CNPq) sobre saúde mental de populações indígenas. Juliana Lofego tem contribuído, com destaque, com pesquisas sobre saberes e práticas de comunicação e saúde. Principais publicações LOFEGO, J.; PINHEIRO, R. Comunicação e informação no controle do câncer de colo uterino no Brasil: uma análise sob perspectiva da integralidade em saúde. RECIIS – Revista Eletrônica de Comunicação, Informação& Inovação em Saúde, Edição em Português, on-line, v. 6, p. 150-159, 2013. DOI: 10.3395/reciis. v6i4.Sup1.742pt LOFEGO, J.; PINHEIRO, R. Itinerário terapêutico no controle do câncer de colo uterino: uma análise sob perspectiva da integralidade em saúde e do direito à comunicação. In: GERHARDT, T. E.; PINHEIRO, R.; RUIZ, E. N. F.; SILVA JUNIOR, A. G.(org.). Itinerários terapêuticos: integralidade no cuidado, avaliação e formação em saúde. 1. ed. Rio de Janeiro: Cepesc: IMS: UERJ: Abrasco, 2016. LOFEGO, J.; PINHEIRO, R. Diálogo e vínculo: as práticas comunicacionais de mediação na garantia do direito à saúde. In: SACRAMENTO, I.(org.). Mediações comunicativas da saúde. 1. ed. Rio de Janeiro: Multifoco, 2017. p. 191-215. V. 1. 35 PINHEIRO, R.; SILVEIRA, R. P.; LOFEGO, J.(org.). Integralidade sem fronteiras: itinerários de justiça, formativos e de gestão na busca por cuidado. 1. ed. Rio de Janeiro: Cepesc: IMS: UERJ: Abrasco, 2012. PINHEIRO, R.; SILVEIRA, R. P.; LOFEGO, J.; LEAL, O.; GUIZARDI, F. L.(org.). Apoiando a gestão do SUS em Rio Branco – Acre: a estratégia da incubadora de integralidade no desenvolvimento institucional local. 1. ed. Rio de Janeiro: Cepesc: IMS: UERJ: Abrasco, 2013. 338 p. V. 1. 36 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ALETA DREVES Veriana Ribeiro Alves Aleta Tereza Dreves nasceu em 5 de junho de 1977 em Pato Branco (PR). É filha de Teresa Costa e Hermes Maximino Dreves. Iniciou o Ensino Fundamental no Colégio Vicentino Nossa Senhora das Graças e terminou no Colégio Estadual La Salle, onde também cursou o Ensino Médio, ambos em Pato Branco-PR. Graduou-se em Comunicação Social pela Faculdade de Pato Branco-PR(Fadep), atual Centro Universitário de Pato Branco(Unidep), em 2004. Estagiou na Agência Experimental de Jornalismo na Fadep. Em 2005 Aleta foi aprovada para professora substituta da Universidade Federal do Acre(UFAC). No final do mesmo ano classificou-se em segundo lugar no concurso para professora efetiva, assumindo a posição em junho de 2006. Aleta fez Especialização em Informática em Educação pela Universidade Federal de Lavras(UFLA) em 2008. Em 2015 realizou o Mestrado profissional sob a orientação de Maria Cristina Gobbi, no Programa de Pós-Graduação em Televisão Digital da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho(UNESP). Em 2022 finalizou o Doutorado em Educação, cursado por meio de uma parceria interinstitucional da UFAC com a Universidade Federal do Paraná(UFPR), sob orientação de Glaucia Brito. Foi coordenadora do curso de Jornalismo(2007-2013) e, em 2015, vice-coordenadora. Foi membro de diversas Comissões no âmbito do Curso de Jornalismo: Colegiado, Atividades Complementares, Trabalho de Conclusão de Curso, Estágio Supervisionado, Núcleo Docente Estruturante(NDE), dentre outras. Também coordenou a 37 organização da 2ª e da 7ª Semana Acadêmica de Comunicação (Seacom, 2008, 2018), e colaborou na 10ª Seacom(2020). Entre as atividades administrativas desempenhadas na UFAC, foi assessora de Comunicação Social(2016-2019) e diretora da Editora da Universidade do Acre(Edufac) por diversos mandatos. Também foi presidente da Comissão de criação do curso de Comunicação Social no município de Cruzeiro do Sul(AC)(2007-2008) e coordenadora deste mesmo curso(2009-2013). Foi membro da Comissão de Ética no uso de animais(2013) no Centro de Ciências Biológicas e da Natureza, e da Comissão de Avaliação Docente do Centro de Filosofia e Ciências Humanas(2019-2023). Foi presidente desta última Comissão em 2023-2024 e membro da Comissão Permanente de Pessoal Docente em 2024. Associada da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom –, participa, desde 2015, como coordenadora da categoria de Produção Transdisciplinar da Exposição de Pesquisa e Produção Experimental em Comunicação (Expocom). Foi coordenadora geral do IX Congresso de Ciências da Comunicação Regional Norte: Comunicação, Cultura e Juventude em 2010, realizado na UFAC em Rio Branco. Participou das comissões organizadoras do Intercom Norte 2011, em Roraima, e do Intercom Sudeste 2013, em Bauru(SP). Em 2011 participou da comissão organizadora dos eventos conjuntos: 2ª Conferência Sul-Americana de Mídia Cidadã, 7ª Conferência Brasileira de Mídia Cidadã e 1º Seminário Regional da Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación(Alaic) em Belém(PA). Em 2016 coordenou o 4º Encontro Regional Norte de História da Mídia Alcar, realizado na UFAC em Rio Branco. Em atividades de pesquisa participou do Programa de Educação Tutorial(PET) Educação Física. Orientou o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(Pibic/CNPq) na pesquisa e projeto de extensão Iconografia da Cultura Lúdica de Rio Branco(AC). Coordenou o projeto de extensão Cineclube Batelão(2006-2007) e participou do projeto de extensão Jornal on-line“O Empate”. É pesquisadora no Grupo de Pesquisa do CNPq Pensamento Comunicacional Latino-Americano e Grupo de Estudos e Pesquisa Professor, Escola e Tecnologias Educacionais(Geppete). Tem interesse nas linhas de pesquisa em Comunicação digital e Interfaces 38 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Culturais na América Latina; Gestão da Informação e Comunicação para Televisão Digital; Comunicação, Tecnologias Digitais e Juventude; Práticas Pedagógicas Educomunicativas; Antropologia da Comunicação, Visual e Imagem e Mídia; e Currículo, Cultura Digital e Formação de Professores. Aleta foi orientadora de Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC) assim como membro de bancas, além de participar de bancas examinadoras de processos seletivos para professores. Foi vencedora na 1ª edição do Prêmio Professor Imprensa – Região Norte(2015) – e ficou em segundo lugar na 3ª edição do Prêmio Professor Imprensa – Região Norte(2017) –, premiação realizada pelo Portal Imprensa. A paranaense Aleta Dreves é pioneira no curso de Jornalismo da UFAC e foi fundamental na criação do curso na cidade de Cruzeiro do Sul(AC). Principais publicações BRITO, G. S.; DREVES, A. T.(org.). Tecnologias na educação presencial e a distância: conceitos e instrumentos. 1. ed. Rio de Janeiro: Curatoria Editora, 2020. 145 p. V. 1. DREVES, A. T.; BEIRUTH, L. J. V. Conceito de tecnologias de professores do Ensino Superior em tempos de cibercultura. In: BRITO, G. S.; DREVES, A. T.(org.). Conceito de tecnologias de professores do Ensino Superior em tempos de cibercultura. 1. ed. Rio de Janeiro: Curatoria Editora, 2020. p. 1-145. V. 1. DREVES, A. T.; ALBUQUERQUE, M. S. C.(org.). Estudos e pesquisas da cultura corporal e comunicação na Amazônia. 1. ed. Curitiba, PR: CRV, 2015. 176 p. V. 1. DREVES, A. T. Jovem universitário da UFAC e seu perfil digital. In: ATENA EDITORA(org.). Comunicação e educação – laces e desenlaces. 1. ed. Ponta Grossa: Editora Atena, 2018. p. 336-349. Vol. II. GOBBI, M. C.; MELO, J. M.; MORAIS, O. J.; DREVES, A. T. (org.). Geração 35 anos Intercom: novos artífices das ciências da comunicação. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2014. 180 p. V. 1. 39 LUCI TESTON Emanuelly Silva Falqueto Luci Maria Teston nasceu em novembro de 1979 em Xaxim(SC), e passou sua infância e adolescência no meio rural. É filha de Claudino Antônio Teston e Maria Catarina Teston, é a mais nova de três irmãos e mãe de Manuela e Mateus. Cursou os Ensinos Fundamental e Médio no Colégio Estadual Professora Neusa Massolini, em Xaxim(SC). Em 2002 concluiu a Graduação em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Comunitária na Região de Chapecó(Unochapecó). Como requisito para a conclusão do curso apresentou dois trabalhos: “O jornalismo na ótica dos acadêmicos de Comunicação Social da Unoesc – Campus de Chapecó, dos empresários e dos profissionais da imprensa local”, orientada por Jorge Arlan de Oliveira Pereira; e o projeto experimental em formato de ensaio fotográfico“Convívio dos Assentados do Movimento dos Sem Terra de Abelardo Luz-SC com a Comunidade Local”, orientado por Eliane Marta Fistarol. As suas atividades profissionais no jornalismo têm início com estágio na Unochapecó e, após formada, no Setor de Comunicação da cooperativa CooperAlfa. Atuou na Assessoria de Comunicação parlamentar na Câmara dos Deputados, em Brasília(DF), entre 2004 e 2006. Em 2007 passa a exercer suas atividades profissionais no Estado do Acre, como assessora de comunicação no Ministério Público Federal no Acre(MPF/AC). A partir de 2010 foi analista do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Acre(Sebrae/AC). Foi cedida para atuar como chefe de gabinete na Secretaria de Articulação Institucional do governo do Estado do Acre. 40 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Em 2005 concluiu, no Instituto de Ciência Política(IPOL) da Universidade de Brasília(UNB), o curso de Aperfeiçoamento em Mídia e Política com o estudo“Popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: uma análise de discurso nos jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo e O Globo”. A primeira Especialização em Docência do Ensino Superior foi finalizada em 2008 na Universidade Cândido Mendes(UCAM), e a segunda, em Direito Ambiental, foi concluída em 2010 na Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), orientada pelo procurador da Justiça do Ministério Público do Estado do Acre(MPAC), Danilo Lovisaro Nascimento, com a pesquisa “Desenvolvimento urbano e sustentabilidade: uma reflexão sobre as Áreas de Preservação Permanente situadas na cidade de Rio Branco/AC”. Em 2009 obtém o título de mestre em Ciência Política pelo antigo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro(Iuperj), com a dissertação“Maiorias e Minorias no Processo Governativo do Acre: relações Executivo e Legislativo entre 1999-2006”, orientada por Fabiano Guilherme Mendes Santos. A segunda Graduação foi obtida no ano de 2011, em Administração, pela Universidade de Brasília(UNB), na qual recebeu a homenagem de honra ao mérito como aluna destaque do curso. O trabalho de conclusão foi“Sala de Situação: instrumento de planejamento, monitoramento e avaliação das ações do governo do Estado do Acre”, sob orientação de Josias Rodrigues Alves. Defendeu sua Tese de Doutorado em Ciências em 2016 na Universidade de São Paulo(USP) com a pesquisa“Avaliação em saúde no SUS do Estado do Acre no contexto do capitalismo contemporâneo: limites e desafios para sua perspectiva emancipatória”, com a orientação de Áquilas Nogueira Mendes. Em 2017 formou-se em Direito pela Universidade Federal do Acre (UFAC), tendo como monografia“O processo legislativo no Acre: uma radiografia política das relações entre Executivo e Legislativo (2010-2014)”, orientada por Francisco Raimundo Alves Neto. Em 2011 ingressou no cargo de professora do Magistério superior na UFAC. Lecionou em diversos cursos, como Medicina e Engenharias (Florestal, Civil e Agronômica), e no Jornalismo ministrou as disciplinas 41 de Sociedade e Meio Ambiente, Análise de Realidade Brasileira Contemporânea, História da Comunicação e Legislação e Políticas de Comunicação. Tem atuado nas disciplinas de Teoria da Comunicação 1 e 2 e Trabalho de Conclusão de Curso(TCC1 e TCC2). As atividades administrativas no Centro de Filosofia e Ciências Humanas(CFCH), ao qual é vinculada, incluem a atuação como membro da Comissão Permanente de Pessoal Docente(CPPD) de 2018 a 2021, bem como do Comitê Institucional dos Programas de Iniciação Científica e Tecnológica, de 2018 a 2020. Foi membro do corpo editorial da Revista Líbero e atuou no primeiro periódico acadêmico do curso de Jornalismo da UFAC,“Tropos: Comunicação, Sociedade e Cultura”. No curso de Jornalismo foi coordenadora nos anos de 2021 e 2022. É membro do Núcleo Docente Estruturante(NDE), do Colegiado do Curso e de comissões, como a de Reformulação do Projeto Pedagógico Curricular, de Atividades Complementares, de Trabalho de Conclusão de Curso e de Estágio Supervisionado. Os principais temas de pesquisa são comunicação e política; estudos legislativos e comportamento político; temas regionais de políticas públicas e direitos humanos; política e gestão em saúde; relações internacionais contemporâneas bilaterais e multilaterais. Está integrada a três Grupos de Pesquisa cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq): Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal(Legal); Núcleo de Estudos Estratégicos e Relações Internacionais(Neerint); e Núcleo de Pesquisa Interdisciplinar em Saúde Pública e áreas afins(Nupisp). As pesquisas em andamento(2024) compreendem duas frentes: “Governança policêntrica, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável na Pan-Amazônia”, no âmbito da Amazônia Legal e do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(IESP/UERJ), e que visa à criação de um Monitor Político da Sustentabilidade na Amazônia(MoPSA) e a coordenação de pesquisas no âmbito do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal(Legal) no Acre. Abraçando sua experiência inter-regional e interdisciplinar, Luci Maria Teston, nascida e formada no sul, tem se dedicado a pesquisar a região da Amazônia, contribuindo para a consolidação do campo da comunicação no Acre. 42 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Principais publicações SANTOS, A. G. M.; TESTON, L. M. Ataques misóginos na internet pela perspectiva da performance de um personagem feminino: Haruno Sakura, do Universo de Naruto. Iniciacom: Revista Brasileira de Iniciação Científica em Comunicação Social, v. 12, p. 53, 2023. SILVA, I. H. M.; TESTON, L. M. Political Dynasties, Bolsonarismo, and the Environmental Agenda during the 2022 Elections in the Brazilian Legal Amazon. Brazilian Political Science Review, v. 17, p. 1-20, 2023. TESTON, L. M.; MENDES, A.; CARNUT, L.; LOUVISON, M. Desafios da avaliação em saúde no SUS na percepção dos trabalhadores do Estado do Acre. Physis – Revista de Saúde Coletiva, on-line, v. 31, p. 1-22, 2021. TESTON, L. M.; MENDES, A.; CARNUT, L.; LOUVISON, M. Desafios políticos e operacionais na percepção de gestores sobre a regionalização em saúde no Acre. Saúde em Debate, v. 43, p. 314328, 2019. TESTON, L. M.; MENDES, Á.; CARNUT, L.; JUNQUEIRA, V. Avaliação no SUS: uma crítica à ideologia do produtivismo no capitalismo contemporâneo. Saúde em Debate, v. 42, p. 226-239, 2018. TESTON, L. M. Legislação em saúde: um estudo sobre a iniciativa de projetos de lei no Estado do Acre. Revista de Direito Sanitário, v. 16, p. 19-38, 2015. 43 TATYANA LIMA Miriane Braga Teles Tatyana Sá de Lima nasceu em 30 de julho de 1984 em Rio Branco (AC). É filha de Paulo Sampaio e Nilzete Lima. É casada com Ezir Moura Junior e mãe de Victor Gabriel. Cursou o Ensino Fundamental na Escola Presbiteriana João Calvino e o Ensino Médio no Centro de Estudos Dom Pedro II. A partir de 2002 começou a lecionar na Escola de Idiomas Skill. No mesmo ano iniciou o curso de Comunicação Social/Jornalismo. Seu trabalho de conclusão foi apresentado em 2008: um estudo de caso sobre o local onde exerceu seu estágio supervisionado, com o título“Imprensa Acreana: um estudo sobre a importância do jornal A Tribuna para o Jornalismo do Acre”. Sua trajetória profissional, após o término da Graduação, mantevese com o ensino de inglês no CNA, onde deu aulas para crianças, jovens e adultos de 2008 a 2013. Neste local também atuou como coordenadora pedagógica. Participou e coordenou intercâmbios culturais em Língua Inglesa no Canadá e nos EUA, entre 2008 e 2012. Ao todo são 15 anos de experiência no ensino da língua inglesa em escolas públicas e particulares. Após a conclusão do curso de Jornalismo, iniciou a Pós-Graduação em Metodologia do Ensino Superior, ofertada pela União Educacional do Norte(Uninorte). A titulação foi alcançada em 2010 com o trabalho “Professor Reflexivo: conceitos, formação, alienação e crítica”. Desde 2013 é professora efetiva da Universidade Federal do Acre (UFAC), onde fez sua Graduação e sua Pós-Graduação. Entre as disciplinas ministradas estão Redação Jornalística, Produção e Difusão em Radiojornalismo, Fundamentos de Rádio e Televisão, 44 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Ética, Administração em Jornalismo, Linguagem de Vídeo, Assessoria de Imprensa, Cultura Brasileira, Pesquisa em Comunicação, Estágio Supervisionado e História da Comunicação Concluiu o Mestrado em Educação em 2018 na linha de pesquisa Formação de Professores e Trabalho Docente, com o tema“A docência universitária na Universidade Federal do Acre: um perfil da constituição identitária dos professores dos cursos de História e Geografia”. Em 2024 iniciou o Doutorado em Educação na Amazônia, na Universidade Federal do Pará – Rede Educanorte/ polo Universidade Federal do Acre – UFAC. Tatyana foi coordenadora do curso de Jornalismo entre 2020 e 2024 e também presidente do Núcleo Docente Estruturante, funções que permitem-lhe materializar as reflexões que construiu durante o Mestrado, assim como na vivência em sala de aula. Por quatro anos consecutivos coordenou a Semana Acadêmica de Comunicação(Seacom). As edições tiveram como tema: Jornalismo, ética e responsabilidade social; Ensino, pesquisa e extensão em jornalismo: resistência em tempos de crise; 20 anos da criação do curso de Jornalismo da UFAC; e Jornalismo na era da desinformação. Em tempos de pandemia desenvolveu o projeto de pesquisa“Podcast jornalístico: novas possibilidades e desafios para o radiojornalismo”, uma análise sobre as novas mídias, as abordagens e a semelhança com a produção de rádio. O resultado foi apresentado no 43º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação(Intercom 2020). Um destaque em suas produções acadêmicas foi o envolvimento com a revista“Tropos: comunicação, sociedade e cultura”, uma ferramenta de difusão de saberes do curso de Jornalismo, produzida entre 2014 e 2022. Desde a geração do periódico Tatyana compôs o Conselho Editorial da publicação. Também realizou a coordenação de eventos, integrou comissões, produções técnicas e participou de bancas examinadoras de processos seletivos para professores substitutos. Tatyana Lima, mulher, negra, acreana, especialista em Educação na Amazônia, é importante figura da Comunicação do Acre por sua atuação no ensino e seu comprometimento com o campo. Principais publicações LIMA, T. S.; MACHADO, T. M. R. A docência do Ensino Superior e a constituição identitária dos professores da Universidade Federal 45 do Acre. In: SANTOS, T. C.; SOUSA, A. M.(org.). Organização do trabalho pedagógico e formação de professores. 1. ed. São Carlos: Pedro& João Editores, 2023. p. 65-93. V. 1. LIMA, T. S. Formação de professores e trabalho docente no Brasil: impasses, continuidades, tendências, abordagem e perspectivas. Tropos: Comunicação, Sociedade e Cultura, v. 6, p. 1, 2017. LIMA, T. S. A experiência jornalística na UFAC Rádio Web: como a prática jornalística influencia na formação do jornalista. Tropos: Comunicação, Sociedade e Cultura, v. 1, p. 1, 2014. MAIA, P. C. M.; LIMA, T. S. Podcast e novas possibilidades para o radiojornalismo: uma análise de conteúdo do programa“O Assunto” do G1. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO – INTERCOM, 43., 2020, Salvador. Anais[...]. Salvador: Intercom, 2020. MENDES, F. M. M.; LIMA, T. S. VIII Semana Acadêmica de Comunicação: diálogos entre Universidade, comunidade e o processo de formação do jornalista. Interfaces – Revista de Extensão da UFMG, v. 8, p. 195-207, 2020. MENDES, F. M. M.; LIMA, T. S. Educação na pandemia: uma análise do questionário aplicado aos alunos do curso de Jornalismo/UFAC sobre o Ensino Remoto Emergencial. Jamaxi, v. 4, p. 32-43, 2021. 46 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte GISELLE LUCENA Maria de Fátima Bandeira Giselle Xavier D’Ávila Lucena nasceu em 27 de maio de 1987 em Rio Branco(AC). É filha de Francisco Airton D’Ávila e de Maria Xavier Lucena. É a mais nova de três irmãos. Fez o Ensino Fundamental no Instituto São José e o Ensino Médio no Colégio Meta, ambos em sua cidade natal. Após ingressar na Graduação em Jornalismo na Universidade Federal do Acre(UFAC) em 2005, os interesses por música, fotografia, design, cinema e produção textual tornaram-se cada vez mais interligados. Em 2006 atuou como repórter de cultura do Jornal Página 20. Também trabalhou nos jornais O Tabloide e Gabarito, sempre escrevendo sobre cultura. De 2005 a 2009 foi assessora de comunicação da Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil (FGB). Nesse intervalo atuou na Rádio Aldeia FM como produtora do programa Ao Vivo na Aldeia, quando ouviu falar de Chico Pop, tema de sua monografia do curso de Jornalismo, a qual foi publicada no livro“Do Chico ao Pop – Jornalismo e Cultura no Acre”, em 2013. Giselle morou em Belo Horizonte(MG) de 2010 a 2013, onde se especializou em Produção e Crítica Cultural pela PUC Minas e, posteriormente, fez Mestrado em Comunicação Social na mesma instituição, com orientação de José Márcio Pinto de Moura Barros. Sua pesquisa versou sobre as temáticas de identidade, memória e midiatização a partir da representação do Acre na internet, analisando o meme“o Acre não existe”. Durante o período em que permaneceu na capital mineira atuou na ONG Observatório da Diversidade Cultural. 47 Ainda em 2013 ingressou na carreira de professora do Magistério Superior da UFAC no curso de Jornalismo, ministrando disciplinas relacionadas à fotografia, redação jornalística, jornalismo gráfico, cultura brasileira e também às disciplinas de Estágio Supervisionado, Teoria da Comunicação, Fundamentos de Cinema, Projeto de Pesquisa em Jornalismo e Trabalho de Conclusão de Curso. Seu trabalho na Graduação, até 2020, compreendeu a participação em colegiados, no Núcleo Docente Estruturante, conselhos e comissões universitárias de gestão pedagógica, estágio supervisionado e atividades complementares. Foi coordenadora do curso no período de 2016 a 2019, participando da reestruturação do Projeto Político Pedagógico do curso. Dedicou-se a projetos de extensão, principalmente os ligados à música, cinema e fotografia. Entre os projetos, destacam-se a Mostra Fotográfica: Foto Pop(2013), I Mostra de Teorias da Comunicação (2016), I Semana do Cinema Possível(2017), I Ciclo de Formação em Jornalismo: jornalismo cultural, diagramação e fotografia(2019) e Grupo de Estudos Introdução à obra de Hans Rookmaaker(2019). Foi também coordenadora do projeto Comunicação, Libras e Artes: formação e laboratório por meio da série Mauani – O Silêncio de Maria, de 2016, que promoveu uma integração entre os cursos de Jornalismo, Letras, Libras e Artes Cênicas. Outro projeto de extensão de destaque foi o Festival Pachamama: Cinema de Fronteira, de fortalecimento e divulgação da produção audiovisual latino-americana. Ela coordenou as edições do projeto em 2014, 2015, 2016 e 2019. De 2020 a 2024 fez Doutorado em Comunicação na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho(UNESP). Dedica-se a pesquisar as interfaces de comunicação e religião a partir do heavy metal cristão, enfatizando o contexto acreano. Desde 2019 coordena o grupo de pesquisa Jornalismo, Culturas e Artes na Amazônia(Jocam), o qual originou alguns projetos, como o Cinema e Conexões: rodas de conversas quinzenais sobre cinema e afins, de 2020, e o Poéticas Visuais em Diálogo, de 2022, encontros abertos para conversas sobre audiovisual. A partir deste último projeto atuou na organização e publicação do livro“Estudos Identitários: ideias em imagens e textos”. Giselle Lucena tem consolidado sua trajetória profissional na comunicação por meio da pesquisa sobre expressões artísticas na Amazônia. 48 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Principais publicações LUCENA, Giselle Xavier D’Ávila; BARROS, Laan Mendes. Banda Antidemon: experiência estética e representação no combate do mal em Demonocídio. Tropos: Comunicação, Sociedade e Cultura, v. 10, p. 1-24, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufac.br/ index.php/tropos/article/view/5246. Acesso em: 15 ago. 2023. LUCENA, Giselle Xavier D’Ávila. Cartas em meio à pandemia do novo coronavírus: uma vivência no ensino de jornalismo impresso. In: PAULINO, Rita; RODRIGUEZ-HIDALGO, Claudia(org.). Jornalismo, sociedade e pandemia. 1. ed. Aveiro: Ria Editorial, 2020. p. 247-266. LUCENA, Giselle Xavier D’Ávila. Do Chico ao Pop: jornalismo e cultura no Acre. Belo Horizonte: Observatório da Diversidade Cultural, 2013. LUCENA, Giselle Xavier D’Ávila; CRUZ, Adrielle Farias da; ARAÚJO, Priscila Cristina Miranda de. Cinema é travessia: um ensaio sobre o contexto acreano. In: SILVA, Paulo Henrique(org.). Trajetória da crítica de cinema no Brasil. Belo Horizonte: Letramento, 2019. p. 13-21. V. 1. LUCENA, Giselle Xavier D’Ávila; BARROS, José Márcio Pinto de Moura. Identidade e memória em tempos de midiatização. In: LIMA, Cristiane; JÁUREGUI, Carlos; SILVA, Polyana Inácio R.; SALGADO, Tiago Barcelos P.(org.). Comunicação& Desafios Metodológicos. 1. ed. Belo Horizonte: V Ecomig, 2013. p. 275-291. LUCENA, G. X. A.; FALQUETO, E. S.; SOUZA, M. F. B.(org.). Estudos identitários: ideias em imagens e texto. 1. ed. Rio Branco: Jocam, 2021. 26 p. 49 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Emanuelly Silva Falqueto Analista Judiciária em Comunicação do Tribunal de Justiça do Estado do Acre. Mestre em Comunicação Midiática(Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP, 2016). Especialista em Comunicação e Semiótica(Universidade Estácio, 2014). Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo(Universidade Federal do Acre – UFAC, 2011). Trabalhou na UFAC como Técnica em Audiovisual(2012-2013) e professora substituta do curso de Jornalismo(2017-2019). manufalqueto@gmail.com Maria de Fátima Bandeira Assistente em Administração da Universidade Federal do Acre(UFAC), secretária do curso de Jornalismo. Mestranda em Planejamento e Governança Pública pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná(UTFPR). Especialista em Comunicação e Semiótica(Universidade Estácio, 2020). Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo (UFAC, 2016) e em Licenciatura em Letras Inglês(Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, 2017). maria.bandeira@ufac.br Miriane Braga Teles Analista Judiciária em Comunicação do Tribunal de Justiça do Estado do Acre. Mestre em Letras – Linguagem e Identidade(Universidade Federal do Acre – UFAC, 2023), especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing Político(União Educacional do Norte – Uninorte, 2015). Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo(UFAC, 2010) e em Administração Pública pela Universidade de Brasília(UNB, 2016). mirianeteles@gmail.com Veriana Ribeiro Alves Jornalista e escritora com 15 anos de experiência em Comunicação. Mestre em Meios e Processos Audiovisuais pela Universidade de São Paulo(USP, 2023). Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo(União Educacional do Norte – UFAC, 2014). veriana. ribeiro@gmail.com 50 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte AMAPÁ 51 Alan Milhomem da Silva 17 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NAS TERRAS TUCUJUS O Amapá é o Estado mais isolado do Brasil, sendo possível chegar ao seu território apenas por via aérea ou fluvial. A presença de não indígenas pelas Terras Tucujus data antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil. Segundo João Carvalho (1998), o território, que hoje é o Amapá, está vinculado aos ciclos da navegação espanhola no fim do século 15, e os navegadores Américo Vespúcio, em 1494, e Vicente Pinzón, em 1500, passaram pela costa leste do Estado, onde hoje são os municípios de Macapá, Santana e Mazagão, além de passarem pelo Rio Oiapoque, no extremo Norte, na divisa com a Guiana Francesa. A colonização europeia, porém, só começa, de fato, em 1637, quando o território é transformado em capitania e passa a se chamar Cabo Norte. Ao longo do tempo o território foi sendo ocupado por colonizadores e as primeiras povoações foram surgindo. Houve lutas com franceses, escravização de negros e índios e anexação ao Estado do Pará. Em setembro de 1943, por Decreto presidencial de Getúlio Vargas, tornou-se Território Federal. Com essa mudança houve mais independência e fortes investimentos em infraestrutura, como a construção de escolas, hospitais e prédios públicos. Com a Constituição de 1988 o Amapá foi transformado em Estado. Localizado no extremo norte do Brasil, o Estado do Amapá tem seus limites com a Guiana Francesa ao norte, a noroeste com a República do Suriname, a leste e nordeste com o Oceano Atlântico e, ao sul e a oeste, com o Estado do Pará. O território, de 142.470,762 km², é dividido em 16 municípios e conta com uma população estimada de 802.837 habitantes, posto que mais da metade vive na capital, Macapá (IBGE, 2024 18 ). A administração pública ainda representa a maior fonte de riquezas geradas no Estado. No site do e-MEC, base de dados oficial dos cursos e Instituições de 17 Professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá. 18 Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ap/panorama 52 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NAS TERRAS TUCUJUS(AMAPÁ) MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Educação Superior do Ministério da Educação, o Amapá possui 16 instituições de Ensino Superior, sendo 13 privadas com fins lucrativos, classificadas como faculdades, 1 universidade pública estadual, 1 universidade pública federal e 1 instituto federal. A maior parte está concentrada na capital, Macapá. No cenário midiático o primeiro jornal a circular nas Terras Tucujus foi o ‟O Democrata”, entre os anos de 1890 e 1895, por conta das motivações políticas da época. O primeiro jornal do Estado, no entanto, foi lançado em 1895 e chamava-se “Pinsonia”. Foi fundado pelo intelectual macapaense Joaquim Francisco de Mendonça Junior. Com o desmembramento do Amapá do Pará, a partir de 1943, os serviços de alto-falantes do governo do Território do Amapá deram origem a primeira estação de radiodifusão, a Rádio Difusora de Macapá, ainda em funcionamento. A primeira estação de TV, a TV Amapá, entrou no ar em 1975, transmitindo imagens da Rede Globo. A emissora pertence à Rede Amazônica de Televisão(Santos, 2019). Conforme a última atualização do Atlas da Notícia 19 , em 2023, o Estado conta com 61 veículos de comunicação ativos, entre rádios, canais de TVs, jornais impressos e sites. De acordo com Sardinha e Rodrigues(2020), além dos veículos de comunicação tradicionais, a presença de instituições e órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e movimentos sociais e a cultura digital, têm expandido o campo para atuação de profissionais de jornalismo no Estado. Isso possibilita trabalhos na área de assessoria de imprensa, consultoria em projetos e políticas de comunicação, social media, entre outras. Ao, porém, olhar para a formação de profissionais de comunicação no Estado, é possível perceber que as Graduações na área chegaram tardiamente, mais de meio século depois da criação do primeiro curso de Jornalismo do Brasil, em 1974, na Faculdade Cásper Líbero. No Amapá o primeiro curso só veio em 2001, com a antiga Faculdade Seama(Estácio), que depois também abriu as Graduações em Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. Danton(2024) relata uma situação inusitada na criação desses cursos: Por sorte, também estava abrindo uma outra faculdade, com cursos sequenciais de uma instituição do Rio de Janeiro e havia a pretensão de abrir cursos de graduação na área de Comunicação e me chamaram para ser coordenador e receber a comissão do MEC. A direção da faculdade tinha comprado um projeto de um“especialista de São Paulo” por uma fortuna: 7 mil reais na época. Em valores corrigidos seria mais de 50 mil reais hoje em dia. Era um projeto tão desatualizado que tinha até a disciplina“Revisão de originais tipográficos”(há pelo menos 20 anos que não se usava mais tipografia no jornalismo). Apesar de todos os meus avisos, eles insistiram no 19 Disponível em: https://www.atlas.jor.br/dados/app/ 53 projeto, afinal, tinha sido feito por“um especialista de São Paulo” e tinha custado uma fortuna. Quando chegou a comissão, disseram exatamente tudo que eu tinha dito, mas deram uma chance: se o projeto fosse refeito em três dias, eles aprovavam o curso. Surpreendentemente eu refiz o projeto em três dias e ainda introduzi inovações, como a disciplina Teoria do Jornalismo, que na época era uma novidade. Depois disso ainda montei os projetos de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. Também coordenei os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda por mais de um ano(p. 145-146). Ainda segundo Danton(2024)(que é o pseudônimo usado pelo professor doutor Ivan Carlo Andrade), depois que os cursos estavam estabelecidos o diretor da faculdade, um sulista, passou a contratar profissionais de outras regiões do país para atuar neles. Foi assim que boa parte das professoras biografadas neste livro chegaram ao Amapá, porém a maioria ficava pouco tempo(dois ou três anos) e voltava para suas regiões de origem. A Faculdade Seama também foi pioneira na promoção de eventos para discutir a comunicação no Amapá. As edições do Congresso de Comunicação do Amapá, que começou em 2008, foram oportunidades de trocas de aprendizados, experiências e fortalecimento do campo no Estado. Nomes consagrados das áreas de comunicação do Brasil participaram do evento, como o jornalista Marcelo Canellas, o pesquisador Felipe Pena, o jornalista e professor Oswaldo Coimbra, Ricardo Noblat, Roberto Toledo, os publicitários Lula Vieira e Karina Lima, o relações públicas Carlos Eduardo Mestieri, Celso Figueiredo, entre outros. As edições do evento foram fundamentais para um conhecimento mais amplo sobre a área de atuação do profissional de comunicação, pois a formação acadêmica na área era recente no Estado. Essas e outras ações da faculdade despertaram um sentimento de pertencimento e orgulho pela instituição entre os alunos e reverbera entre os agora profissionais que atuam em diversas áreas da comunicação no Amapá. Esses profissionais desbravaram o campo no Estado, empreenderam e atuam em várias instituições. Vale destacar que alguns ex-alunos, após concluírem o curso e alguma especialização, voltaram para ser professores na faculdade. Em fevereiro de 2012 a Estácio fechou acordo de compra com a Associação Educacional da Amazônia, controladora da Faculdade Seama, por R$ 21,72 milhões. Naquele período a Seama possuía cerca de 2.750 alunos, entre eles os dos cursos de Comunicação. Os discentes que estavam na instituição na época da venda da faculdade para a Estácio foram contra essa mudança. As reclamações sucederam-se após a venda, pois os estudantes temiam a precarização dos cursos e, consequentemente, da formação. O temor dos alunos aos poucos foi se concretizando, resultando na descontinuação 54 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NAS TERRAS TUCUJUS(AMAPÁ) MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte dos cursos de forma presencial. Conforme o e-MEC 20 , o curso de Relações Públicas foi extinto em 2013. Já o de Publicidade e Propaganda teve o último reconhecimento em 2017 e portaria de extinção voluntária publicada no início de 2024. O curso de Jornalismo já não oferece mais atividades de forma presencial. Apenas a Universidade Federal do Amapá, no Campus de Macapá, oferta o curso de Jornalismo de forma presencial no Estado. O curso foi aprovado em 2010, inicialmente como Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e dentro do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais(Reuni). Com o objetivo de formar profissionais com competências teóricas, técnicas, éticas, tecnológicas e estéticas aptas a refletir e atuar criticamente nos processos jornalísticos, o curso teve a primeira turma no ano de 2011, com o primeiro Projeto Pedagógico (PPC) criado em 2010. O curso começou a funcionar em 2011 após concurso e admissão dos primeiros professores. Ivan Carlo Andrade(Gian Danton) foi um dos aprovados como professor efetivo do curso. Os professores Roberta Scheibe, Cláudia Arantes, Elisângela Andrade e Jacks de Mello Andrade atuaram na Faculdade Seama ou Estácio Seama e depois passaram a integrar o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). Roberta foi a primeira mulher a ser professora no curso da UNIFAP. Em 2012, por conta das Novas Diretrizes Curriculares, o curso foi alterado para Bacharelado em Jornalismo. O primeiro PPC foi reformulado em 2013, e, conforme Sardinha e Rodrigues(2020), o documento foi atualizado pelo colegiado do curso a partir de uma metodologia que envolveu diagnósticos do mercado e a produção de conhecimento em Jornalismo no contexto local. Registra-se que, apesar de a formação profissional ser recente – com primeiro curso superior, na rede privada, em funcionamento, apenas a partir de 2001 –, o mercado de mídia local e os espaços de atuação para jornalistas estão em processo de profissionalização crescente. A gestão de empresas e a possibilidade de novos negócios, empreendimentos e coletivos independentes de comunicação ampliam os campos para atuação do profissional de Jornalismo, foco que identificamos ser o prioritário na gestão do novo Currículo. Identifica-se que a demanda por informação local, envolvendo concepção, criação e implementação de projetos em Jornalismo, é um campo a ser explorado e, por isso, exige perfil empreendedor, apto, enfim, a criar demanda por informação e supri-la com projetos sustentáveis (Sardinha; Rodrigues, 2020, p. 11). 20 Disponível em: https://emec.mec.gov.br/emec/consulta-cadastro/ detalhamento/d96957f455f6405d14c6542552b0f6eb/MTU5MQ==/ c1b85ea4d704f246bcced664fdaeddb6/Sk9STkFMSVNNTw==# 55 Com modalidade presencial e duração de quatro anos, o curso, desde o seu início, trabalha com valores como a democratização da informação e da comunicação, a promoção da cidadania, além da pluralidade e da democratização dos espaços públicos. O curso segue ativo e já formou várias turmas, tendo profissionais espalhados por diversas partes do país. Além disso, foi com a criação do curso na UNIFAP que se desenvolveu mais efetivamente os campos da pesquisa e extensão na área de comunicação no Estado. Anteriormente, na instituição particular, o foco era em ações pontuais de extensão e poucas atividades de pesquisa. Como exemplos dessas atividades que promovem a formação de pesquisadores no campo da Comunicação no curso de Jornalismo da UNIFAP, temos alguns eventos, projetos de pesquisa e de extensão. O congresso Aspas Norte é realizado pelo curso em parceria com a Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial(Aspas), além de outras instituições nacionais e internacionais. O evento proporciona a pesquisa e o desenvolvimento científico e pedagógico acerca da arte sequencial, com ênfase nas histórias em quadrinhos, além de ser um espaço para a divulgação de pesquisas e compartilhamento de experiências e publicações. Criado em 2018, o Aspas Norte surgiu com o objetivo de estimular a pesquisa sobre quadrinhos e cultura pop na região Amazônica. Ainda nessa seara da discussão da cultura pop, o Programa Rádio Pop, transmitido pela Rádio Universitária(96.9 FM) da UNIFAP, é desenvolvido desde 2013 e conta com alunos do curso de Jornalismo. Na prática, o projeto de extensão apresenta informações e conteúdos da cultura nerd, como cinema, quadrinhos e música, em uma linguagem alternativa, traduzida, acessível e que leva em consideração as técnicas jornalísticas. O infotenimento em que o programa se enquadra é algo inédito para o Estado do Amapá. Um dos quadros do programa, o Literapop, incentiva os ouvintes a consumirem os livros indicados pelos apresentadores do programa com o objetivo de estimular a prática da leitura entre o público do programa(Santos; Oliveira, 2023). Na primeira década de existência o curso de Jornalismo da UNIFAP também promoveu o Congresso de Jornalismo da UNIFAP(Conju), que contemplou debates sobre a profissão entre os profissionais e estudantes do curso. Além disso, o evento sempre contou com a participação de profissionais e pesquisadores de outras regiões do país. Minicursos, mostra de cinema, concurso de fotografia, apresentações de trabalhos e apresentações artístico-culturais fizeram parte das edições do evento. Outro evento de destaque que proporcionou o debate científico no âmbito comunicacional foi o Congresso Comunicação, Mercado e Tecnologia(Comertec), que, inicialmente, reunia pesquisadores locais e regionais, mas depois expandiu e contou com a participação de pesquisadores de renome nacional e internacional. Alunos e professores do curso de Jornalismo da UNIFAP puderam debater diversas temáticas relacionadas ao campo comunicacional local e nacional. O Grupo de 56 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NAS TERRAS TUCUJUS(AMAPÁ) MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Pesquisa Comertec foi criado em 2013 pela professora doutora Cláudia Arantes de Assis e seguiu com atividades por quase uma década, desenvolvendo projetos e pesquisas relacionados à comunicação, mercado e tecnologia, possuindo parcerias com universidades brasileiras e internacionais, além de produzir e-books e trabalhos acadêmicos envolvendo vários professores do curso. Houve, também, um incentivo à produção de pesquisas entre os professores e alunos. O Grupo de Pesquisa Cultura, Comunicação, Artes e Sociedade(Cucas), coordenado pela professora Isabel Regina Augusto, também teve contribuição importante no desenvolvimento de pesquisas no âmbito da Comunicação e suas intersecções com as Artes, Letras, História, Antropologia, Urbanismo, Educação e Ambiente, com estudos voltados para a cultura visual em sua relação com a oralidade, a escrita, a identidade e a memória. As temáticas investigadas foram centradas na realidade da Amazônia amapaense inserida no cenário brasileiro e internacional. O grupo organizou livro, participou de pesquisa nacional e realizou simpósios. Como atividades do grupo Cucas, houve o projeto de pesquisa sobre a história da Comunicação no Amapá, que resultou em um livro reunindo textos dos alunos das primeiras turmas do curso supervisionados por professores. Os alunos contaram a história de veículos locais, como o Amazon Sat, o Jornal Folha do Amapá, a Rádio Difusora, a TV Amapá, entre outros. Também foram elaborados perfis de profissionais da comunicação amapaense, entre eles Ana Girlene, Anderson Farias, Cátia Carvalho, Lorena Kubota e Seles Nafes. A produção é uma das poucas que conta a história de veículos e profissionais da comunicação amapaenses. No contexto dos estudos de gêneros e suas intersecções com a Comunicação, o Colóquio Comunicação e Artes: Políticas do Corpo, proporcionou aos participantes discussões sobre a produção audiovisual, experiências e ações performáticas, provocando, no âmbito acadêmico, conceitos e práticas de deslocamento. A partir do entendimento do corpo como plataforma, processo e produtor de arte e conhecimento, o evento transversalmente tonificou uma luta de direitos, de culturas e de mudanças para as liberdades. O evento fez parte do Projeto de Pesquisa Democratização da Comunicação. Voltado para ações mais práticas e elaboração de produtos midiáticos convergentes, foi criada a Agência Experimental de Comunicação(AGCOM). O projeto é um espaço importante de aprendizagem e prática jornalística para discentes do curso. A agência consiste na produção de notícias, vídeos e podcast sobre as mais diversas temáticas trabalhadas no curso e na universidade, além de ser uma articulação junto aos movimentos de minoria política da cidade. Os discentes podem, no âmbito do projeto, articular teoria e prática jornalística. Nessa pegada de produções práticas, os projetos UNIFAP Notícias e Repórter Universitário também proporcionaram aos alunos e alunas possibilidades de prática 57 profissional e relações com a comunidade interna e externa da universidade. Os projetos foram espaços para pensar e experimentar a produção jornalística em mídias sonoras, televisivas e digitais, além de ser um espaço para interação, formação e inovação da prática jornalística(Pires, 2020). O curso desenvolveu projetos ligados à tecnologia e ao jornalismo hiperlocal com foco em educomunicação e participação popular em políticas públicas. O Projeto Lupa NH desenvolveu oficinas de jornalismo com alunos de uma escola pública da Zona Norte de Macapá com o intuito de instrumentalizar a comunidade escolar para o levantamento de dados sobre o bairro. O objetivo foi coletar dados para alimentar um banco de dados úteis para subsidiar as demandas por serviços e políticas públicas necessárias em um dos bairros mais populosos da capital amapaense. Por meio do aplicativo Lupa NH, desenvolvido pelo projeto, a comunidade pode munir-se de informações e reivindicar, junto ao poder público e/ou à imprensa local, melhorias para o bairro. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Pará(UFPA) e a Universidade Federal de São Paulo(UNIFESP). Visando o bem-estar dos alunos, técnicos, professores e comunidade em geral, o Projeto de Pesquisa e Extensão“Não Pira, Respira!” proporciona o desenvolvimento de práticas de comunicação não violenta, autoconhecimento e comunicação assertiva à luz de conhecimentos milenares de meditação, de estudos específicos da comunicação e de técnicas pontuais de Psicologia. As práticas são desenvolvidas de forma interdisciplinar e em parceria com o Hospital Universitário da UNIFAP, além de Organizações Não Governamentais(ONG) de Macapá. O projeto nasceu diante da necessidade de atendimento aos alunos da instituição, em especial do curso de Jornalismo, que, em grande parte, são acometidos por transtornos psicológicos. Já o Projeto Cinema na Escola surgiu a partir da necessidade de democratizar o acesso à chamada“sétima arte” por parte de estudantes do Ensino Médio das escolas públicas de Macapá e Santana, especialmente aqueles que se encontram em vulnerabilidade social, por meio da exibição e debate de filmes, vídeos, curtametragens e documentários. Com as ações do projeto os alunos passam a ter conhecimento sobre cinema e discutem os aspectos narrativos bem como temáticos que envolvem os filmes, além de receberem incentivos para a produção de curta metragens no âmbito escolar e de suas comunidades. Esses exemplos mostram como o desenvolvimento do campo da comunicação no Amapá é recente e proporcionado, principalmente, pelo curso de Jornalismo da UNIFAP. O campo profissional do Jornalismo ainda é pouco investigado, mas já temos produções que documentam as dinâmicas, especificidades e lógicas que envolvem a produção da informação jornalística para além dos Trabalhos de Conclusão do Curso. Isso ocorre principalmente pelos projetos de pesquisa e extensão dos professores do curso, além de egressos que trilham o caminho da pesquisa e Pós-Graduação em 58 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NAS TERRAS TUCUJUS(AMAPÁ) MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte programas interdisciplinares na UNIFAP ou na área de Comunicação e Jornalismo no sul e sudeste do país. O tripé da educação superior – ensino, pesquisa e extensão – desenvolvido no âmbito do curso de Jornalismo, tem mostrado resultados que apontam para as transformações do campo comunicacional no cenário local e com miradas para a região, o país e o mundo, propondo diálogos interdisciplinares para dar conta das dinâmicas da Amazônia amapaense. Além disso, essa atuação tem sido pautada, desde 2011, pelos compromissos com a ética, a cidadania, os direitos humanos e o desenvolvimento local e sustentável. Por fim, é importante ressaltar que em 2017 foi criado o curso técnico de Publicidade no Instituto Federal do Amapá(IFAP), Campus Santana. O curso tem contribuído com a formação profissional nesta área específica da Comunicação. Os egressos deste curso são habilitados para auxiliar na criação, elaboração e planejamento de projetos de comunicação impressos e eletrônicos, além da concepção de marcas, produtos e serviços, bem como na realização de pesquisas de prospecção de imagens e de impactos de campanhas publicitárias. Eles atuam em agências de publicidade e propaganda, empresas do setor gráfico, produtoras e veículos de comunicação. O curso é ofertado na modalidade integrada com o Ensino Médio em regime integral, presencial e com duração de três anos. Este texto foi produzido a partir de conversas informais com as professoras Roberta Scheibe, Lylian Rodrigues e Elisângela Andrade, além dos professores Ivan Carlo Andrade e Jacks Mello, pois há pouca documentação sobre a história da formação acadêmica em Comunicação no Amapá. Inclusive há lacunas neste texto que esperamos serem preenchidas por outras produções acadêmicas sobre essa temática. Referências CARVALHO, João Renôr Ferreira de. Momentos de história da Amazônia. Imperatriz, MA: Ética, 1998. DANTON, Gian. A árvore das ideias: memórias de um roteirista de quadrinhos. João Pessoa, PB: Marca de Fantasia, 2024. Disponível em: https://www.marcadefantasia. com/livros/quiosque/a_arvore_das_ideias/a_arvore_das_ideias.pdf. Acesso em: 5 set. 2024. PIRES, Paulo Vitor Giraldi. Do office à home: a experiência discente na produção do radiojornalismo no Escritório Modelo da UNIFAP na Covid-19. Revista Comunicação, Cultura e Sociedade, v. 7, n. 2, p. 105-121, 2020. DOI: https://doi.org/10.30681/rccs. v7i2.5174. Acesso em: 10 jul. 2024. SANTOS, Luiz Felype dos; OLIVEIRA, Ivan Carlo Andrade de. Rádio pop: um programa radiofônico como meio de estímulo à leitura. Revista Cajueiro: Ciência da 59 Informação e Cultura da Leitura, v. 4, n. 2, p. 42-72, 2023. Disponível em: https:// periodicos.ufs.br/Cajueiro/article/view/19786. Acesso em: 10 jul. 2024. SANTOS, Abinoan Santiago dos. A formação da imprensa da Amazônia: o primeiro século do jornalismo do Amapá(1890-1990). 2019. 311 f. Dissertação(Mestrado em Jornalismo) – Universidade Estadual de Ponta Grossa, Programa de Pós-Graduação em Jornalismo, Ponta Grossa, 2019. Disponível em: https://tede2.uepg.br/jspui/ bitstream/prefix/2968/1/Abinoan%20Santiago%20dos%20Santos.pdf. Acesso em: 10 jul. 2024. SARDINHA, Antonio Carlos; RODRIGUES, Lylian Caroline Maciel. Apontamentos conceituais sobre o ensino de jornalismo no contexto das novas diretrizes curriculares e da formação superior na Amazônia. Revista Tropos: Comunicação, Sociedade e Cultura, v. 9, n. 2, p. 1-21, dez. 2020. Disponível em: https://periodicos.ufac.br/ index.php/tropos/article/view/4356. Acesso em: 10 jul. 2024. 60 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NAS TERRAS TUCUJUS(AMAPÁ) MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 61 RAQUEL SCHORN Alan Milhomem Raquel Schorn de Oliveira nasceu em 1º de agosto de 1973 em Cruz Alta(RS). É filha de Norma Aparecida Schorn de Oliveira e Odalgiro Figueiredo de Oliveira, e irmã de Adalgisa e Camila. Raquel iniciou na vida escolar no final dos anos 1970 em sua cidade natal, na Escola Municipal Carlos Gomes. Depois passou a estudar na Escola Estadual de 1° Grau Dr. Gabriel Álvaro de Miranda, onde frequentou todas as séries do Ensino Fundamental. Cursou o Ensino Médio na Escola Estadual de 2° Grau Prof. Annes Dias. Entre 1992 e 1993 foi aprovada nos Cursos de Direito(Universidade de Cruz Alta – Unicruz), Psicologia(Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijuí) e História (Universidade Federal de Santa Maria – UFSM). Optou por História, mas não concluiu o curso. Em 1995 novamente prestou vestibular na UFSM, desta vez para o curso de Comunicação Social – Habilitação Relações Públicas. Durante o curso fez estágio na Assessoria de Comunicação no Centro de Ciências Rurais da universidade, e ali aproximou-se do Grupo Turismo Rural e Desenvolvimento Sustentável, levando-a a fazer o Trabalho de Conclusão de Curso relacionando Comunicação e Marketing para o planejamento e criação de ações promocionais do turismo rural em pequenas propriedades na localidade de Três Barras, no município de Santa Maria(RS), orientada por Joaquim Anécio Almeida, que também foi seu orientador de Mestrado. Antes mesmo de colar grau, Raquel já havia passado na seleção de Mestrado em Extensão Rural na UFSM. Entre 1999 e 2001 62 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ela aprofundou-se nos estudos do turismo rural como uma forma alternativa de renda e geração de negócios às pequenas propriedades rurais. Em março de 2001 defendeu a dissertação intitulada“O produto do Roteiro de Turismo Rural, Colonial e Ecológico do Distrito de Rio Pardinho, Santa Cruz do Sul(RS), sob a perspectiva de grupos de diferentes interesses – diagnóstico e propostas”. Em 2002 ela foi aprovada para professora substituta do curso de Relações Públicas da UFSM, e trabalhou na universidade até o ano de 2004. Em fevereiro de 2005 desembarcou em Macapá contratada pela Sociedade Educacional da Amazônia(Faculdade Seama), após passar por uma seleção de docentes que foi realizada em Porto Alegre(RS). Na faculdade amapaense explorou, principalmente, a área de Comunicação Empresarial e Institucional. Na Seama também atuou como coordenadora de extensão, coordenadora e professora dos cursos de Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e Jornalismo, além de ser coordenadora e professora da Especialização em Comunicação e Marketing Político. Também foi uma das responsáveis pelo Projeto Político Pedagógico do curso de Relações Públicas, bem como do Regulamento de Atividades Complementares, Regulamento de Estágio em Relações Públicas e Regulamento do Trabalho de Conclusão de Curso. Raquel ainda atuou nos cursos de Turismo e Psicologia, além de ser membro e presidente da Comissão Própria de Avaliação(CPA). Dentre as disciplinas ministradas nos cursos de comunicação, Raquel trabalhou, principalmente, com Comunicação Comparada, Trabalho de Conclusão de Curso, História da Comunicação e da Imprensa, Metodologia Científica, Comunicação Integrada de Marketing, Cerimonial e Protocolo, Comunicação Organizacional Integrada e Projetos Experimentais. Ela permaneceu na faculdade até 2018, vivenciando, inclusive, a venda da faculdade para o grupo nacional Estácio. Entre setembro de 2019 e setembro de 2021 foi professora substituta do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá(UNIFAP), enfrentando a pandemia de Covid-19 e, por consequência, a de metodologias para o ensino remoto. Na universidade ela atuou especialmente com as disciplinas de Assessoria de Comunicação e Imprensa, Empreendedorismo e Negócios em Mídia, Comunicação Comparada, Gestão em Projetos de Mídia e Ética e Legislação em Jornalismo. 63 Raquel Schorn, ainda em Macapá, foi contratada para ser analista de marketing na empresa Una Consultoria Ltda., e, com menos de um mês de trabalho, passou a acumular o cargo de gerente geral da empresa. No final de 2022 mudou-se para Curitiba(PR) para atuar como autônoma. Principais publicações OLIVEIRA, Raquel Schorn de. O produto do roteiro de turismo rural, colonial e ecológico, sob a perspectiva de grupos de diferentes interesses – diagnósticos e propostas. 1. ed. Santa Maria, RS: UFSM, 2002. 138 p.(Série Dissertações, n. 2). OLIVEIRA, Raquel Schorn de. A legitimação das Assessorias de Comunicação e Relações Públicas: teoria e prática na UFSM. In: SILVEIRA, Ada Cristina Machado da(org.). Práticas, identidade e memória: 30 anos de Relações Públicas na UFSM. 1. ed. Santa Maria: Facos, 2003. p. 157-160. OLIVEIRA, Raquel Schorn de. Comunicação, Marketing e turismo no meio rural. Cadernos de Comunicação, Santa Maria, v. 9, p. 5372, 2003. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/ccomunicacao/ issue/view/267 OLIVEIRA, Raquel Schorn de. Turismo e meio ambiente: propostas para um turismo responsável. In: CONGRESSO INTERNACIONAL TURISMO RURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, 2., 2000, Santa Maria. Anais[…]. Santa Maria, RS: UFSM, 2000. Disponível em: https://www.ufrgs.br/mercados/sumarios/anais2.pdf 64 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ANALYDIA PINTO Alan Milhomem Analydia Leite Pereira Pinto nasceu em 27 de junho de 1959 em Natal(RN). É a única filha de Ronaldo Pereira Pinto e Diolita Leite Pereira Pinto entre quatro irmãos: Ronaldo, Alexandre e Fábio. Ela é mãe de Ana Carolina. Estudou todo o ensino básico no Colégio Nossa Senhora das Neves, pertencente à Congregação das Filhas do Amor Divino. Nesta escola começou a sua carreira docente, lecionando inglês por cerca de cinco anos após concluir o Ensino Médio no Colégio Estadual do Atheneu Norte-Riograndense. Analydia cursou Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), iniciado em 1981 e concluído em 1984. No ano seguinte foi aprovada em concurso público para atuar como professora na Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Norte como professora de Língua Portuguesa e Língua Inglesa, além de cargos de administração na educação estadual e no Programa Profuncionário. Entre 1987 e 1988 fez curso de aperfeiçoamento em Avaliação e Testes em Língua Inglesa para professores na UFRN. Retornou à universidade e cursou, entre 1997 e 2000, Publicidade e Propaganda na Universidade Potiguar(UNP). Nesse período foi uma das fundadoras e presidente da Empresa Júnior dos cursos de Comunicação da UNP. Após concluir a nova Graduação fez Especialização em Antropologia – Dinâmicas Culturais Contemporâneas na UFRN. No Trabalho de Conclusão aliou as duas formações no texto intitulado“Propaganda& Sexo – um olhar semiológico”, sob orientação de Alípio de Souza Filho. 65 Em 2004, no final da Especialização, recebeu uma proposta para atuar na Sociedade Educacional da Amazônia(Faculdade Seama), em Macapá(AP). Desembarcou em Macapá em março de 2004 para iniciar sua trajetória na docência no Ensino Superior, onde ficou até 2009. Ao ser nomeada coordenadora de Trabalho de Conclusão de Curso(TCC), começou a desenvolver essa área no curso, que foi um marco no Estado, além de projetos experimentais. Analydia lecionou nos cursos de Relações Públicas, Direito, Enfermagem, Psicologia, Fonoaudiologia, Redes de Computadores e Sistemas de Informação, além de atuar em várias disciplinas no curso de Publicidade e Propaganda na Faculdade Seama e ser coordenadora de TCC por quase todo período que ficou no Amapá. Nesse período Analydia também foi orientadora no Programa de Iniciação Científica. Entre 2005 e 2006 ministrou muitas oficinas e palestras e colaborou com a equipe pedagógica da faculdade, fazendo avaliação das atividades e organizando as demandas dos coordenadores. Dentre as atividades desenvolvidas em parceria com colegas está o Congresso Equinócio da Comunicação, o primeiro do Estado. Nessa época Analydia coordenou o projeto de pesquisa intitulado O sexual na publicidade: uma análise semiológica desse apelo no imaginário macapaense. Foi um trabalho que envolveu os alunos de publicidade e buscou relacionar a prática da publicidade com o imaginário local. Ela também coordenou a criação da Empresa Júnior de Comunicação Social na Faculdade Seama. Em 2008 recebeu a homenagem da Faculdade Seama como a profissional destaque do ano, foi homenageada diversas vezes pelas turmas de Graduação e foi paraninfa das turmas que se formaram quando estava na Instituição. Em cinco anos atuando na área de Comunicação no Amapá, Analydia contribuiu com a formação dos primeiros publicitários do Estado. Ela trabalhou em dez turmas de Graduação do curso, além de contribuir com as outras duas Graduações do curso de Comunicação da Faculdade Seama. Em 2009, devido à saúde da mãe, retornou para o Rio Grande do Norte. Lá atuou no curso de Publicidade e Propaganda e em outros cursos na Faculdade Estácio, onde ficou por 11 anos. Na mesma instituição, entre 2018 e 2022, fez Graduação em Psicologia. 66 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Entre 2013 e 2017 ela trabalhou como coordenadora de tutorial na Educação a Distância(EaD) do Instituto Federal do Rio Grande do Norte. Ingressou em um Mestrado na área de educação, mas não concluiu por problemas pessoais, e cursou disciplinas como aluna especial em outros Mestrados. Analydia Pinto é professora aposentada da Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Norte e psicóloga clínica em Natal. 67 ELISÂNGELA ANDRADE Alan Milhomem Elisângela Lima de Andrade nasceu em 1º de maio de 1973 em Santarém(PA). É filha de Floriano Galúcio de Andrade e María Euvanilda Lima de Andrade. Com meses de idade os pais mudaramse para Belém, onde cresceu e viveu boa parte de sua vida. No Ensino Médio estudou em três escolas: Colégio Amapaense, em Macapá, Colégio Santa Rosa e Colégio Moderno, em Belém. Passou no vestibular para Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Federal do Pará(UFPA) aos 17 anos, em 1991. Durante a universidade, entre 1991 e 1995, fez estágios em rádio e jornal impresso, mas o verdadeiro interesse dela era a televisão. Após formar-se mudou-se para o Amapá para trabalhar na TV Amapá, afiliada da Rede Globo em Macapá, no ano de 1996. Depois trabalhou na TV Cultura. Trabalhou no Jornal A Província do Pará e no SBT, onde atuou temporariamente na época da Copa do Mundo de 1998. Depois, trabalhou na TV Liberal, afiliada da Rede Globo, por 12 anos, sendo 9 anos como repórter e outros 3 como chefe de reportagem. Nesse intervalo, entre 1998 e 2010, além de estar na Liberal, trabalhou como assessora de imprensa na Delegacia Federal de Agricultura, Universidade Federal Rural da Amazônia e Centro Universitário do Pará(Cesupa). A partir de 2004 passou a atuar na docência do Ensino Superior, lecionando nos cursos de Jornalismo na Faculdade de Estudos Avançados do Pará(FEAPA) e na Faculdade do Pará(FAP Estácio). 68 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Entre 2004 e 2005 fez Especialização em Imagem e Sociedade na UFPA. Em 2006 retornou à UFPA como professora substituta no curso de Jornalismo, ministrando Oficina de Texto, Literatura e Comunicação, Telejornalismo, Novas Mídias e Jornalismo On-line. Em 2011 mudou-se com a família para Macapá, onde continuou atuando como professora, desta vez na Sociedade Educacional da Amazônia(Faculdade Seama), que se tornou Estácio, de 2011 a 2016. Foi professora substituta, em 2012/2013, no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá(UNIFAP). Em 2015 iniciou o Mestrado em Educação na Universidad de la Empresa(UDE) em Montevidéu, no Uruguai, defendendo a dissertação intitulada A docência na educação a distância: investigação sobre a mediação pedagógica do tutor da Universidade Federal do Amapá. O diploma foi revalidado no Brasil pela Universidade Estácio de Sá. Desde janeiro de 2017 trabalha como professora efetiva no curso de Jornalismo da UNIFAP, atuando principalmente nas disciplinas de Telejornalismo e de Convergência. Em 2022 e 2023 participou do projeto Lupa NH, que envolveu educomunicação, jornalismo hiperlocal e educação em direitos humanos numa escola da periferia da Zona Norte de Macapá. Em 2023 também participou como gestora de comunicação do Projeto Segurança Pública e Defesa Social no Amapá. Como professora efetiva do curso de jornalismo, orienta muitos Trabalhos de Conclusão de Curso que tratam de telejornalismo expandido, grandes reportagens de TV, documentários, telejornalismo durante e após a pandemia de Covid-19 e direitos humanos e jornalismo. Na extensão contribui com vários projetos, como a Agência Experimental em Comunicação(Agcom) e o Projeto Ijoma, que propicia assessoria de imprensa ao Instituto Joel Magalhães(Ijoma), Organização Não Governamental que atende à população amapaense com serviços de saúde e auxílio a tratamentos oncológicos. Elisângela Lima de Andrade, em 2025, cursa Doutorado em Educação na Amazônia pelo Programa EducaNorte, sob orientação de Helena Cristina Simões, desenvolvendo pesquisa sobre mídia e políticas públicas de Educação em Direitos Humanos. 69 Principais publicações ANDRADE, Elisângela Lima de; LIMA JUNIOR, Walter Teixeira. A educação em direitos humanos e a educomunicação no projeto Lupa NH 2.0. ECCOM, v. 14, n. 28, jul./dez. 2023. ANDRADE, Elisângela Lima de. Mediação pedagógica a partir da percepção de tutores de Educação a Distância da Universidade Federal do Amapá. TICs& EaD em Foco, v. 7, p. 84-99, 2021. ANDRADE, Elisângela; SAAR, Claudia Maria. Pandemia de Covid-19 e as mudanças no telejornalismo na cidade de Macapá. Revista Estudos de Jornalismo, v. 13, p. 152-172, 2021. ANDRADE, Elisângela Lima de; SAAR, Claudia; LEVY, Karollinne; ANDRADE, Jacks. Perspectivas midiáticas e de educação na contemporaneidade. 1. ed. São Paulo: Editora Emeritus, 2021. 349 p. ANDRADE, Elisângela Lima de; ANDRADE JUNIOR, Jacks de Mello; AGUIAR, Karollinne Levy Pontes de; MACEDO, Luciana; PIRES, Paulo Victor Giraldi; TEIXEIRA, Patrícia; SCHEIBE, Roberta(org.). Nativos digitais: como a geração z reflete a comunicação contemporânea. Macapá: UNIFAP, 2019. 70 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ROBERTA SCHEIBE Alan Milhomem Roberta Scheibe nasceu em 5 de junho de 1982 em Chapada(RS). É filha de Isolde Maria Ledur Scheibe e Eloy Milton Scheibe, irmã de Gabriela, casada com Jonatham Costa e mãe de Chloe. Começou sua trajetória educacional na Escola Estadual Julia Billiart na sua cidade natal, onde estudou do maternal ao sétimo ano. No Ensino Médio fez um curso técnico em Processamento de Dados na Escola Nossa Senhora Aparecida, em Carazinho(RS). Entre 2000 e 2003 cursou Jornalismo na Universidade de Passo Fundo (UPF), onde também fez Mestrado em Letras – Estudos Literários –, concluído em 2005, com a dissertação“A crônica e seus estilos nas obras de Humberto de Campos”, sob orientação de Márcia Helena Saldanha Barbosa. No Rio Grande do Sul, Roberta trabalhou em diversas áreas da comunicação, incluindo rádio, jornal impresso, agência de jornalismo e produtora de vídeo. Além disso, lecionou como professora substituta na UPF por dois anos. Na instituição atuou nas disciplinas de Jornalismo Experimental, Jornalismo Especializado e Redação Jornalística, além do trabalho na Agência de Jornalismo. Em 2008 mudou para o Amapá para coordenar os cursos de Comunicação da antiga Sociedade Educacional da Amazônia/ Faculdade Seama(Faculdade Estácio) de Macapá, que incluía as Graduações em Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. Nesta instituição atuou na sala de aula, nos serviços administrativos e desenvolveu um projeto de extensão, que consistia na exibições de filmes com debates após a projeção, com o objetivo de estimular a visão crítica do público. 71 Em 2010 passou no concurso para professora efetiva da Universidade Federal do Amapá(UNIFAP), lotada no curso de Jornalismo. Entre 2010 e 2012 coordenou o projeto de pesquisa intitulado Manual de Ensino de Redação Jornalística, que resultou na construção de um manual para ser utilizado na disciplina de Redação Jornalística e como obra de consulta para profissionais da área. Neste mesmo período também esteve à frente do projeto de pesquisa e extensão Contação de Histórias Amapaenses, que realizou o resgate de textos sobre lendas, crônicas, contos, poesias, entre outros, da cultura amapaense. No âmbito da extensão, os textos coletados foram adaptados para o meio radiofônico no estilo de radionovelas para veiculação na Rádio UNIFAP. No ano de 2013 iniciou o Doutorado em Sociologia de modo interinstitucional entre a Universidade Federal do Ceará(UFC) e a UNIFAP. Em 2016 defendeu a tese“Tempos de chorar e de sorrir no espaço da morada: um estudo sócio antropológico de mulheres resistentes marcadas pela tragédia em Macapá-AP”. Entre 2014 e 2017 coordenou o projeto de pesquisa intitulado Textos breves: experimentações de linguagens no relato de redes informais e formas de vida social em Macapá-AP, cujo objetivo foi produzir narrativas que evidenciaram as relações sociais e os traços da cultura amapaense. Na área de extensão, em 2018, coordenou juntamente com o Ministério Público do Amapá, projeto sobre educação e combate à corrupção nas escolas da rede pública de Macapá, que envolveu dez alunos da Graduação em jornalismo. De 2017 a 2020 coordenou o projeto Narrativas e memórias: a experiência da reconstrução de si no ato de narrar, cujo objetivo foi analisar narrativas já publicadas em formato impresso ou audiovisual com temáticas que envolvessem conflitos socioambientais, violências e o direito à cidade. Ela coordena, ainda, o projeto de pesquisa Comunicação e autoconhecimento: ferramentas de tecnologia interior na promoção das práticas de bem-estar, que combina estudos de memória, comunicação não violenta e práticas de bem-estar com o objetivo de explorar e promover as chamadas “tecnologias interiores” que contribuem para o bem-estar pessoal e coletivo. Em parceria com um colega, coordena o projeto de extensão Não Pira, Respira!, cujo objetivo é realizar práticas de yoga, meditação, rodas de conversa, dança circular e técnicas de hipnoterapia com alunos/as e professores/as da Universidade. 72 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Roberta Scheibe tem interesses de pesquisa que incluem comunicação e memória, comunicação não violenta e práticas de comunicação e bem-estar, e sua vinda para o Amapá supriu a carência de professores, materiais e laboratórios no Estado. Principais publicações SCHEIBE, Roberta; SAAR, Claudia Maria Arantes; ANDRADE, Elisângela Lima de. Televisão e memória: possibilidades de construção e reconstrução através de narrativas convergentes. In: SAAR, Cláudia Maria Arantes de Assis et al.(org.). Perspectivas midiáticas e de educação na contemporaneidade. 1. ed. São Paulo: Editora Emeritus, 2021. p. 265-294. SCHEIBE, Roberta; ASSIS, Cláudia Maria Arantes de. Como máquinas computacionais e softwares podem ajudar os meios de comunicação a salvar vidas. In: FERRARI, Pollyana(org.). Nós: tecnoconsequências sobre o humano. Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2020. SCHEIBE, Roberta; SÁ, Leonardo Damasceno de. Experiências de perda e ressignificação da moradia: sobre sofrimento social de mulheres macapaenses no contexto de uma tragédia urbana. Revista de Ciências Sociais, v. 49. n. 1, p. 498-534, 2018. SCHEIBE, Roberta; AUGUSTO, Isabel Regina(org.). No coração do meio do mundo: múltiplas redes periféricas em identidades, paisagens, migração e comunicação. 1. ed. Macapá: UNIFAP, 2018. 72 p. SCHEIBE, Roberta. Tempos de chorar e de sorrir no espaço da morada: um estudo socioantropológico de mulheres resistentes marcadas pela tragédia em Macapá-AP. 1. ed. Macapá: Editora UNIFAP, 2017. 402 p. 73 KELLY TORK Alan Milhomem Kelly Tathiane Tork Pantoja nasceu em Macapá(AP). É filha de Maria do Socorro Tork de Oliveira e José Pantoja Filho, e mãe do Kayke. Kelly estudou em escola pública até o primeiro ano do Ensino Médio. Quando estudante do Colégio Amapaense foi convidada a fazer parte da primeira turma do curso da Escola de Francês Danielle Mitterrand, que é coordenada pela Secretaria Estadual de Educação. No Ensino Médio estudou como bolsista no Núcleo Amapaense de Ensino(NAE) e optou pela área de ciências exatas. Passou no curso de Matemática na Universidade Federal do Amapá(UFAP) e no curso de Engenharia de Produção em uma universidade no Pará. Foi para Belém(PA) fazer um preparatório e prestar vestibular para o curso de Infraestrutura Aeronáutica. Em 2017 fez vestibular para integrar a segunda turma de Jornalismo do Amapá, na antiga Sociedade Educacional da Amazônia(Faculdade Seama), custeado por suas aulas de francês em escolas no Estado e de inglês em escolas particulares. Formou-se em 2005. Como estudante, participou de projetos de jornal laboratório, organização de festivais de vídeo e trabalhou no IV Simpósio Regional de Pesquisa em Comunicação(Sipec), realizado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação(Intercom) em 2002. Kelly também fez parte da equipe que colocou no ar um telejornal em TV aberta produzido por universitários, além de organizar um grupo de colegas para participar de congressos da área em outros Estados. Na metade do curso começou a estagiar na Rádio Difusora de Macapá, do governo do Estado. Em poucos meses passou de 74 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte estagiária à produtora e chefe de redação. No último semestre do curso ingressou na Especialização em Comunicação e Política. Na formatura da Graduação, em 2005, foi agraciada com a láurea acadêmica pelo desempenho ao longo do curso. Como Trabalho de Conclusão de Curso produziu, com um colega, um documentário biográfico sobre Humberto Moreira, um dos pioneiros do jornalismo amapaense. Em 2006 terminou a Pós-Graduação e foi convidada a ser docente da instituição onde se formou. Na Pós-Graduação analisou o desenvolvimento da cultura Hip Hop no Amapá, com a qual teve contato durante a atuação na Rádio Difusora por meio de um programa chamado Hip Hop na Veia. Na docência atuou em todas as disciplinas específicas da matriz do curso, como radiojornalismo, telejornalismo, redação jornalística, teoria do jornalismo, entre outras. Foi homenageada como paraninfa e nome de turma na Faculdade Seama, onde permaneceu como docente até 2013. Além do curso de Jornalismo, também atuou nos cursos de Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Sistemas de Informação. Participou do Projeto Rondon, acompanhando um grupo de alunos e coordenando atividades de prestação de serviços à comunidade da cidade de Piratini(RS). Em 2007 passou no concurso da Polícia Civil do Amapá. No ano seguinte foi convidada a assumir a assessoria de comunicação da instituição. Foram quase quatro anos nessa primeira passagem pela função, a qual voltaria a exercer. Nesse cargo fazia marketing, cerimonial, assessoria de imprensa e comunicação interna, e criou o perfil institucional da Polícia Civil do Amapá no Twitter. Na Polícia Civil também passou a compor o quadro de instrutores da academia de formação, e participou de cursos de formação e aperfeiçoamento ministrando disciplinas de comunicação, entre outras áreas. Em 2011 foi a primeira colocada no concurso público para analista dos Correios na área de Jornalismo, porém sua passagem pela instituição foi rápida. Em 2012 passou em primeiro lugar para professora de radiojornalismo do concurso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), sendo a primeira professora amapaense do curso de Jornalismo. Assumiu a coordenação do curso, posição que ocupava quando ocorreu a formatura da primeira turma de jornalismo da 75 Instituição em maio de 2015. No mesmo ano formou-se em Direito pela Faculdade Estácio de Macapá e recebeu, mais uma vez, a láurea acadêmica. No curso de Jornalismo da UNIFAP atuou, ainda, como coordenadora de estágio e membro de comissão de concurso, ministrou aulas em Especialização e coordenou projetos de pesquisa e extensão. Dentre os projetos que participou destaca-se o Projeto da Rede Brasil Conectado, que estudou o comportamento de jovens nas redes sociais. Finalizou a Especialização em Direito Público e voltou à Polícia Civil, onde começou a atuar na área de gestão em paralelo com a comunicação. Posteriormente passou na seleção para compor o quadro de facilitadores da Escola de Administração do Estado; então, além dos cursos que participava na polícia, começou a ministrar também disciplinas de comunicação e marketing para outras forças de segurança nas matrizes dos Cursos de Formação(CFO) e de Aperfeiçoamento(CAO) de oficiais bombeiros e policiais militares e no Curso Superior de Polícia. Em 2018 Kelly Tork foi homenageada pela Câmara de Vereadores de Macapá pela relevante atuação na comunicação amapaense. Desde 2019 exerce o cargo de chefe do Núcleo Setorial de Planejamento da Polícia Civil. Com certa frequência é convidada para participar de palestras na área. No ano de 2023 foi jurada do Prêmio Sebrae de Jornalismo. Principais publicações AUGUSTO, Isabel Regina; PANTOJA, Kelly Tork; SCHEIBE, Roberta; NUNES, Italo.“Amapá”. In: JACKS, Nilda; TOALDO, Mariangela (org.). Brasil em números: dados para pesquisas de comunicação e cultura em contextos regionais. Florianópolis: Editora Insular, 2014. p. 55-70. PANTOJA, Kelly Tathiane Tork et al. Radiodocumentário: morte nas águas – tristes memórias de um 6 de janeiro. Disponível em: https:// portalintercom.org.br/anais/norte2015/expocom/EX44-0121-1.pdf 76 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte LUCIANA MACÊDO Alan Milhomem Luciana Macêdo nasceu em 15 de julho de 1974 em Goiânia(GO). É filha de Susana Maria Macêdo e Iron Teixeira de Macêdo. Estudou no Colégio Agostiniano e no Disciplina, ambos em Goiânia. Mudou-se para a capital federal para cursar a Graduação em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda na Universidade de Brasília(UNB), entre os anos de 1992 e 1996. Logo após concluir a Graduação morou por sete meses na Europa, sendo quatro meses em Paris, França, e três em Nuremberg, Alemanha. Em Paris fez o curso de Civilização Francesa para Estrangeiros, na Sorbonne, e um curso de artes, preparatório para a Grand École D’Art. Assim que retornou para o Brasil trabalhou em uma agência de publicidade em Brasília, depois retornou para Goiânia, onde exerceu cargo, entre 1997 e 1998, no Departamento de Propaganda e Marketing da Organização Jaime Câmara, um conglomerado de comunicação que atua nos Estados do Goiás e Tocantins. Entre os anos de 1999 e 2000 atuou no Departamento de Criação da empresa Novagência Propaganda. Em 2001 começou a trabalhar na empresa Michelin, na área de trade marketing, e em 2002 foi para a matriz da Michelin no Rio de Janeiro(RJ), onde permaneceu por cinco anos atuando como trade marketing e analista de comércio exterior. Cursou Especialização em Marketing na Universidade Gama Filho (UGF) em 2003, e em seguida ingressou no Mestrado profissional em Administração na Universidade Federal Fluminense(UFF), no qual apresentou a dissertação“Uma análise sobre as dificuldades 77 para a criação do hábito da leitura infantil: o caso da comunidade da Ladeira dos Tabajaras”, em que analisou a realidade da população pobre do Rio de Janeiro e propôs algumas soluções para minimizar o problema. Após o Mestrado, em 2007, mudou-se para Macapá para atuar na mineradora MMX Mineração e Metálicos como analista de eventos comerciais. Entre 2008 e 2010 trabalhou na Anglo Ferrous Amapá Mineração Ltda. Nesse período fez Especialização em Didática do Ensino Superior na Faculdade de Macapá. Em 2011 passou para a carreira de docente no Ensino Superior. Primeiro atuou por dois anos no Centro de Ensino Superior do Amapá(Ceap) como professora da Graduação e Pós-Graduação no curso de Administração, com as disciplinas Sistemas de Informação Gerenciais e Marketing Global, e depois no curso de Design, com as disciplinas de Semiótica, Diagramação e Fotografia. Entre 2011 e 2013 passou a atuar na Faculdade Estácio de Macapá nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, com as disciplinas de Direção de Arte, História da Arte, Redação Publicitária, Cultura Brasileira, Prática Interdisciplinar, Fundamentos de Publicidade e Propaganda, Ética e Legislação Publicitária e Semiótica. Ela também integrou o Núcleo de Pesquisa da instituição. Em 2012 passou a empreender no Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Amapá(Sebrae-AP) como monitora terceirizada nas áreas de marketing, vendas e inovação. Em 2013 foi aprovada como professora efetiva na Universidade Federal do Amapá(UNIFAP) para lecionar no curso de Jornalismo, onde ministrou as disciplinas de fotografia, fotojornalismo e planejamento gráfico. Também já foi vice-coordenadora e membro do Núcleo Docente Estruturante(NDE) do curso. Luciana realizou várias exposições fotográficas individuais, e de 2013 a 2019 organizou diversas exposições coletivas com estudantes da UNIFAP. Além disso, tem mais de uma dezena de E-books fotográficos publicados pela Editora da universidade. As obras mostram cenários amapaense, brasileiro e internacional. Entre 2014 e 2019 fez parte do Grupo Cultura, Comunicação, Arte e Sociedade(Cucas), que desenvolveu pesquisas em torno da cultura, memória, linguagens, narrativas, identidades, imagem e paisagens, explorando as interfaces e conexões de saberes da Amazônia amapaense. Luciana também desenvolveu o Projeto Macapá em 78 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Foco entre os anos de 2013 e 2019, que tratou da relação da fotografia com a comunicação regional. Ainda coordenou o Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Arte Moderna e Contemporânea. Luciana cursou Doutorado em Urbanismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) entre 2016 e 2020, quando estudou as representações fotográficas da urbanização de Macapá(19441956). O estudo desenvolvido apresentou uma análise iconológica das fotografias da Macapá durante o período do governo de Janary Gentil Nunes(1944-1956). Com destaque no cenário fotográfico local, em 2016 participou da exposição Revoada das Cores, que reuniu obras de artistas da Amazônia. No ano de 2017 foi uma das profissionais da fotografia do Amapá homenageada no Dia do Fotógrafo pelo Conselho Estadual de Cultura, como reconhecimento também pelo trabalho coletivo realizado junto a fotógrafas locais. Em 2018 Luciana realizou um workshop sobre a história das mulheres na fotografia, quando, durante três dias, destacou trabalhos de mulheres fotógrafas. No ano seguinte realizou a exposição fotográfica Trabalho de Mulher, no prédio do Fórum da Comarca de Santana(AP). Em 2021 Luciana Macêdo foi requisitada, pelo governo federal, para atuar em Brasília no Instituto Brasileiro de Museus como chefe da Divisão de Sustentabilidade de Museus, no Departamento de Difusão, Fomento e Economia dos Museus. Principais publicações MACÊDO, Luciana. Amapá. Macapá: Editora UNIFAP, 2019. Disponível em: https://www2.unifap.br/editora/files/2019/07/ amapa.pdf MACÊDO, Luciana. O ensino da fotografia. In: NETTO, Joaquim (org.). Artes – escritos sobre ensino e aprendizagem. Macapá: UNIFAP Editora, 2017. Disponível em: https://www2.unifap. br/editora/files/2014/12/Livro-Artes-escritos-sobre-ensino-eaprendizagem-corrigido.pdf MACÊDO, Luciana. Relato sobre a fronteira. In: NETTO, Joaquim (org.). Visualidade nas artes: olhares e considerações. Macapá: UNIFAP Editora, 2016. Disponível em: https://www2.unifap.br/ e d i t o r a/ f i l e s/ 2 0 1 4/ 1 2/ N E T TO- J o a q u i m.-Vi s u a l i d a d e- n a s-A r t e s 79 olhares-e-considera%C3%A7%C3%B5es.-Macap%C3%A1UNIFAP-2016.pdf MACÊDO, Luciana et al.(org.). Nativos digitais: como a geração z reflete a comunicação contemporânea. 1. ed. Macapá: UNIFAP Editora, 2019. Disponível em: https://www2.unifap.br/editora/ files/2019/06/nativos-digitais.pdf MACÊDO, Lucina. Janarismo em foco: a representação fotográfica da cidade de Macapá durante a formação do Território do Amapá (1944-1956). PRACS: Revista Eletrônica de Humanidades do Curso de Ciências Sociais da UNIFAP, v. 12, p. 91-109, 2019. 80 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte LYLIAN RODRIGUES Alan Milhomem Lylian Caroline Maciel Rodrigues nasceu em 1º de junho de 1982 em Belém(PA). É filha de Alcides Jorge Rodrigues e Eliete Maciel Rodrigues, e mãe de Ravi e Íris. Fez parte do ensino básico na escola pública e parte na privada, permanecendo mais tempo no Colégio Ideal, em Belém. Em 2000 ingressou no curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Federal do Pará(UFPA). No segundo ano do curso começou a trabalhar na área: rádio e assessorias, tanto no setor privado quanto no público. Atuou também numa produtora independente como repórter de TV, na produção de programas que eram vendidos para a emissora RBA. Por um pouco tempo trabalhou em uma agência de publicidade e, posteriormente, chegou a fazer uma Especialização em marketing na Fundação Getúlio Vargas. Lylian concluiu a Graduação em 2004. No ano seguinte tentou o Mestrado tanto na Universidade de São Paulo(USP) quanto na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), no Rio Grande do Sul. Optou pela última e foi viver em São Leopoldo(RS), onde passou dois anos dedicando-se integralmente ao Mestrado graças a uma bolsa de estudos. Sob orientação de Jairo Getúlio Ferreira, apresentou, em 2007, a dissertação Construção do conhecimento em dispositivos midiáticos: investigação em escolas públicas. Após concluir o Mestrado trabalhou por dois anos em Porto Alegre e tentou o Doutorado. Foi aprovada no Programa de Pós-Graduação em Comunicação na Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), cursado com bolsa. Com orientação de Eduardo Duarte Gomes 81 da Silva, produziu e defendeu, em 2014, a tese Fenômeno da midiatização sobre a esfera social: reflexões acerca do vulnerável social e a cadeia de experiências. No último ano de Doutorado, ainda morando em Recife, prestou concurso para professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá(UNIFAP), onde foi aprovada e desembarcou em Macapá para atuar como professora efetiva em abril de 2013. Em 2014, já coordenou um evento com um grupo de professores no curso de Teatro e Artes – o Colóquio de Comunicação e Artes: Políticas do Corpo, que foi realizado em 2014, 2015 e 2016. O evento promoveu um encontro de ativistas da cidade e, a partir daí, iniciou sua atuação na articulação das redes de movimentos políticos e sociais de Macapá. Lylian também articula, com o Instituto de Mulheres Negras do Amapá(Imena) desde 2015, encontros para mobilizar a juventude de mulheres negras, assim como a organização política de mulheres candidatas às eleições. Ela também mobilizou ouvidorias feministas nas escolas secundárias com uma turma de professoras da rede pública estadual. É conselheira do Instituto Mapinguari, uma Organização Não Governamental da Amazônia que existe desde 2015, apoiando e executando ações de defesa, preservação e conservação do meio ambiente, bem como incentivando a promoção do desenvolvimento sustentável da região. Esteve na criação do Ciranda Materna, grupo de mulheres que atua na discussão e luta pelo parto humanizado. Ela também trabalhou como professora e pesquisadora na Especialização de Gênero para professores, criando uma metodologia de construir turmas que juntavam professores e militantes. Em 2019 começou a trabalhar na Rádio Universitária da UNIFAP, e com parceria de pesquisadora da Embrapa desenvolveu o projeto Fala Amazônia, dedicado às comunidades ribeirinhas que, durante a pandemia, transformou-se em podcast. Na extensão, em 2019, assumiu a Agência Experimental de Comunicação(AGCOM), do curso de Jornalismo da UNIFAP. Nesse projeto ela retornou à prática jornalística e especializou o portal em temáticas da comunicação política e comunitária. Trabalha, também, no Projeto Observatório Popular do Mar(Omara), em que tem supervisionado bolsistas e buscado dados sobre o uso das tecnologias em comunidades ribeirinhas, preocupando-se em dar a elas dispositivos de saber e poder. Atua, ainda, no Programa 82 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte de Pós-Graduação em Desenvolvimento da Amazônia Sustentável (PPGDAS), do qual é professora desde 2023, onde coordena o Observatório do Desenvolvimento Regional do Amapá. Lylian Caroline Maciel Rodrigues tem interesses, desde o Doutorado, em temas que partem de problemas que envolvem política, comunidade e comunicação; a política em seus aspectos sociológicos e estéticos, discutindo gênero, raça, classe social, comunidades rurais, periféricas, movimentos políticos e sociais urbanos ou do campo, meio ambiente e outras minorias; comunidade pensada a partir do território e coletividade, sem perder o debate da construção da subjetividade; e a comunicação nos seus aspectos relacionais e interacionais. Principais publicações RODRIGUES, Lylian; SANTOS, Bruno. O corpo negro na encruzilhada: construção identitária negra. Cadernos de Estudos Culturais, v. 1, p. 58-70, 2023. RODRIGUES, Lylian; SARDINHA, Antonio Carlos. Apontamentos conceituais sobre o ensino de jornalismo no contexto das novas diretrizes curriculares e da formação superior na Amazônia. Tropos: Comunicação, Sociedade e Cultura, v. 9, p. 1-15, 2020. RODRIGUES, Lylian. Relevância do audiovisual para a midiatização e a experiência: práticas de ensino e pesquisa. Revista Esferas, v. 1, p. 121-129, 2015. RODRIGUES, Lylian. Processos sociais e a tecnologia de difusão. In: SARDINHA, Antônio; MARTINS, Elaide(org.). Interfaces midiáticas na Amazônia: pesquisas, saberes e vivências. 1. ed. Rio de Janeiro: Autografia, 2015. p. 17-41. RODRIGUES, Lylian. Imagens marginais: maldita inclusão digital. In: SARDINHA, Antônio; SAAR, Cláudia Maria Arantes Assis; MARTINS, Elaide(org.). Convergência midiática e comunicação: cenários, atores e práticas. 1. ed. Macapá: EDUNIFAP, 2014. p. 172-189. 83 SOBRE O AUTOR DAS BIONOTAS Alan Milhomem da Silva Professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá(UNIFAP). Doutorando em Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Mestre em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal do Tocantins(UFT). Especialista em Assessoria de Comunicação Empresarial e Institucional e bacharel em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão(UFMA – Campus Imperatriz). Pesquisador do Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Multimídia (NEPJor/UFT). milhomemalan@gmail.com 84 SOBRE O AUTOR DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte AMAZONAS 85 Walmir de Albuquerque Barbosa 21 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO AMAZONAS: ASPECTOS DO ÂMBITO ACADÊMICO Como produto social, o Campo da Comunicação, no sentido a ele dado por Pierre Bourdieu, reclama um movimento teórico para reposicioná-lo diante do Campo da Sociologia e vice-versa, levando em conta as relações de poder, o ambiente político, os desenvolvimentos tecnológicos e as relações sociais, influindo e constituindo instituições formais e informais de comunicação na sociedade, e enfatiza a necessidade interdisciplinar para entendermos essas nossas novas realidades(Girardi Jr., 2007). Ao tomarmos o conceito de campo científico da comunicação, não é possível, portanto, deixar de lado tais recomendações. Almejando compreender como forma-se o Campo de Comunicação no Estado do Amazonas, portanto, é fundamental entender, primeiro, porque somos assim. O que nos trouxe até aqui? O que nos constitui e nem sempre percebemos como diferente? É usual, mas não é correto, generalizar o ambiente do Norte do Brasil apenas com o rótulo de Amazônia. Essa é a visão com a qual trabalha o“colonialismo cultural brasileiro”, desde quando o país começou a pensar sobre si mesmo apegado ao conceito de“regionalismo”, uma divisão cartesiana que pensa e constrói o mundo tendo um centro irradiador e uma periferia(a Região). O centro é detentor da hegemonia intelectual. Desse modo, a periferia aparece como um receptáculo de influências, de repetições dos movimentos das chamadas metrópoles, virando, assim, com o tempo, um espaço de reprodução da cultura hegemônica, mas isso não é tudo. Feito esse preâmbulo, vamos ao cerne da questão, isto é, à formação social, dentro da qual configuraremos o campo científico da comunicação no Amazonas e seus antecedentes, de onde tiramos alguns elementos consubstancias. O processo de colonização portuguesa gerou duas colônias diferentes: o Estado do Brasil(na costa brasileira) e o Estado do Grão-Pará e Maranhão, unificados com a 21 Professor aposentado do curso de Comunicação Social da UFAM. Foi tutor do Projeto Educação Tutorial de Comunicação(Petcom) e Reitor da UFAM.(Contribuíram com o texto as professoras Renata de Lima Sousa e Ivânia Maria Carneiro Vieira). 86 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO AMAZONAS: ASPECTOS DO ÂMBITO ACADÊMICO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte vinda da família imperial para a Brasil durante as guerras napoleônicas. A criação da Província do Amazonas ocorre somente em 1850, localizada na parte mais setentrional do Brasil, e serve muito mais aos interesses estratégicos do II Império, embora os amazonenses pugnassem por isso desde a Independências, em 1822. No âmbito da comunicação social, o primeiro jornal editado na Província do Amazonas é de 1851 – o“Cinco de Setembro” –, de propriedade de Manoel da Silva Ramos, paraense, vindo na comitiva do Primeiro Presidente da Província do Amazonas, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha. No ano seguinte muda a sua nominação para “Estrela do Amazonas”, e é considerado um marco formal do Jornalismo entre nós. Até no último quartel do século 19, foram inúmeros os veículos de imprensa que proliferaram e defenderam causas muito importantes, como: autonomia total da Província do Amazonas à Província do Pará, que sediava as representações do governo imperial para a região; a libertação dos escravos, mesmo antes da Lei Áurea; as ideias liberais circulantes à época; a República como forma de governo, culminando com a fundação do Clube Republicano de Manaus, em junho de 1889, tendo como veículo de comunicação o“Jornal do Amazonas”, sendo um dos líderes do clube Bernardo da Silva Ramos, filho do fundador do“Estrela do Amazonas”, antropólogo, linguista e especialista em Oriente. Os conservadores, já no início do século 20, têm como veículo de comunicação o “Jornal do Commercio”, fundado em janeiro de 1904, comprado, mais tarde, por Assis Chateaubriand, para integrar o Consórcio Nacional dos Diários Associados(1943), assim como a Rádio Voz da Baricéia, fundada em 1938 por Lizardo Rodrigues, e que passa a se denominar Rádio Baré, com novos proprietários. 22 Pode-se afirmar que no Amazonas, no final do século 19, já dispomos de todos os meios de comunicação disponíveis à época: telégrafo, imprensa escrita, estúdios de fotografia, serviços de telefonia, casas produtoras e contratantes de espetáculos que faziam funcionar a casa de ópera(Teatro Amazonas), e, nas primeiras décadas do século 20, chegam o Cinema 23 e as primeiras Emissoras de Rádios, posto que Manaus, a capital do Estado, foi uma das primeiras cidades brasileiras a dispor de energia elétrica 24 . 22 O Amazonas, como parte da federação, é um desmembramento do antigo Estado do Grão-Pará e Maranhão, tornados províncias, anexadas ao Império por ato de guerra, em 1823. 23 Nosso primeiro cineasta, Silvino Santos, nas comemorações do Centenário da Independência, exibe, no Rio de Janeiro e depois na Europa, um importante documentário sobre o Amazonas e a Amazônia. Assim, não há um hiato entre o que está disponível por aqui e o resto do país em termos de tecnologia de comunicação. 24 É nessa Rádio Baré que há a presença de mulheres como radialista e apresentadoras dos noticiários da rádio: a primeira foi Rosa Maria(que não temos registro do início de seu mister) e em 1955 esse posto passa a ser exercido por Jerusa Santos, ainda viva e atuante). 87 Esse desenho comunicacional, refletindo as diferenças e traços regionais, vai perdurar até os anos 1960, e influenciou, no país inteiro, o rádio e a TV, do nascimento de ambos até a transformação em indústria cultural, com todo o seu aparato tecnológico a dominar a esfera da comunicação no Brasil até os anos 1970, quando sofre a mais abrupta das transformações, atingindo a forma de fazer jornalismo, radialismo e TV, dentre outras coisas. A ditadura unificou o país sob censura e autoritarismo, agenda e pautas, com o fito de unificar nacionalmente o campo da comunicação, determinando e conformando tudo ao projeto de poder. Como consequência, nascem também as instituições da comunicação, que agregam os especialistas e os intelectuais produtores de ciências nacionais, todos em busca de proeminência. Ou seja, para formar os novos operadores desse novo sistema, agora verdadeiramente visto como sistema de comunicação, convocaram-se as Instituições de Ensino Superior do país. É nesse contexto que nasce, na Universidade Federal do Amazonas(UFAM), o Curso de Jornalismo em 1969. De“brinde” ganhamos a Regulamentação das Profissões ligadas a esse sistema, na forma de habilitações e ocupações profissionais reconhecidas: jornalistas, radialistas, editores, relações públicas, publicitários e propagandistas, todos seguindo um currículo único de formação, com agentes do Serviço Nacional de Informações(SNI) dentro das salas de aula, atentos às divergências ideológicas ao regime ditatorial em vigência(Ato Institucional n. 5 e Decreto 477) e censores dentro dos meios de comunicação de qualquer natureza. No bojo dessas transformações, em plena Ditadura, revivendo as políticas de “integração” ditadas pelo poder central, o Amazonas ganha uma banda de satélite, uma Rede Própria de TV(A Rede Amazônica de Televisão), com subida e descida de satélite, e Rádios de Grande Alcance para anular os efeitos das rádios internacionais “inconvenientes” para o sistema da guerra fria, cujos efeitos tardios nos atingiam em cheio(Rádio Havana, Rádio de Moscou, etc.). Ganhamos uma rede de mão única em troca, tornando-nos, agora sim, receptáculos eletrônicos dos oligopólios de comunicação, capitaneados pela Rede Globo e seguidos de outros. É nesse momento histórico que se desfazem todos os elementos que geraram um campo de comunicação anterior e com uma certa autonomia e afeitos a um sistema econômico correspondente que foi, também, autônomo ao do país(o ciclo da borracha), com suas lutas internas, suas encrencas e conquistas, para dar lugar à configuração do Campo de Comunicação que muito e pouco contém do anterior e vive as contingências do campo de Comunicação Nacional e Global. Acompanhamos, a partir do curso de Comunicação Social, nascido em 1969 na Universidade do Amazonas com a habilitação em Jornalismo, todas essas transformações. O curso constituiu-se, também, em movimento. Logramos alguns êxitos ao contribuir para a renovação das redações no jornalismo impresso. 88 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO AMAZONAS: ASPECTOS DO ÂMBITO ACADÊMICO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Participamos da criação dos departamentos de jornalismo das emissoras de rádio e televisão locais e, da mesma forma, das assessorias de comunicação, de jornalismo e Relações Públicas nas instituições públicas e privadas. Muitos de nossos egressos ocuparam nichos importantes em setores do mercado de comunicação, mesmo aqueles um pouco distantes de suas habilitações, como publicidade e propaganda, marketing político e postos de relevância na vida pública, como parlamentares e até titulares do Poder Executivo, além da docência e da pesquisa nas instituições de ensino da Comunicação, criadas pela iniciativa privada. A relação entre o pensar e o fazer foi agravando-se na medida em que os postos de trabalho foram sendo ocupados e as“janelas” estreitando-se cada vez mais, e empresas de comunicação ficavam mais precisadas de tarefeiros treinados, que atendessem às suas demandas com menor grau de exigência. A universidade, para isso, não é mais tão necessária. Pensa-se nela transformada em centro de treinamento e não mais como formadora de intelectuais. O Estado do Amazonas, com 62 municípios, abriga amplo espaço de formação na área da Comunicação Social, tanto em ofertas presenciais quanto a distância. A maior base de oferta em cursos está sediada em Manaus. Até 2024 o quadro de oferta era: • Curso Superior de Tecnologia em Produção Publicitária(Bacharelado), oferecido pelo Instituto Federal do Amazonas(IFAM), desenvolvido no polo de Manaus, com 40 vagas anuais, modular, duração de três anos; Bacharelado em Produção de Audiovisual(tecnólogo), ofertado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), criado em 2015; o curso funciona no prédio da Escola Superior de Artes e Turismo(ESAT), na rua Leonardo Malcher, Centro. • Centro Universitário Fametro, particular, oferece os cursos de Jornalismo (bacharelado), Design Gráfico(tecnólogo), Marketing(tecnólogo); curso de Marketing(Tecnólogo) presencial e Educação a Distância(EaD). • Faculdade Boas Novas de Ciências Teológicas, Sociais e Biotecnológicas(FBN), mantida pelo Instituto Bíblico da Assembleia de Deus no Amazonas(Ibadam), abarcado pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas(Ieadam), fundada em 1979; tem sede em Manaus e oferece Graduação em Comunicação Social/Jornalismo, Bacharelado; o curso é reconhecido pelo Ministério da Educação – MEC(Portaria nº 358/2011) e tem duração de quatro anos, funciona pela manhã e à noite. Carga horária: 3.760 horas; e também Especialização em Assessoria de Comunicação e Mídias Digitais, com 360 horas, presencial. • Universidade Nilton Lins – tem sede em Manaus e está instalada em um complexo educacional de área de 1.000.000 de m²; fundada em 1988, possui dois campi: Parque das Laranjeiras, na zona Centro-Sul, e Japiim, na zona Sul; na área da comunicação oferece os cursos de Comunicação Social/Jornalismo, presencial, noturno, duração de quatro anos, desenvolvido no Campus Parque das Laranjeiras; 89 Comunicação Social/Publicidade e Propaganda, duração de três anos, presencial, noturno, no Campus Parque das Laranjeiras, em Manaus; Tecnólogo em Marketing, dois anos, presencial, noturno, ofertado em quatro unidades da Nilton Lins, em Manaus, com aulas vespertinas e noturnas, e no município de Manacapuru, aulas noturnas; e de Tecnologia em Marketing, modalidade EaD, duração de dois anos; por meio da Portaria nº 575/2011, a universidade passou a chamar-se Centro Universitário Nilton Lins; as formas de ingressos aos seus cursos são: vestibular online, agendado, nota do Exame Nacional de Ensino Médio(Enem), transferência e portabilidade de diploma. • O Centro Universitário do Norte(Uninorte) iniciou suas atividades em 1994, em Manaus; oferece os cursos de graduação em Jornalismo, Publicidade e Propaganda, ambos com duração de quatro anos, nos turnos matutino e noturno; Tecnologia em Marketing Presencial e Tecnologia em Marketing Semipresencial, dois anos de duração, nos turnos matutino e noturno. • Faculdade Mauricio de Nassau – criada em 1993, como Bureau Jurídico – Complexo Educacional de Ensino e Pesquisa –, a Uninassau oferece, desde 2019, os cursos Superior de Tecnologia em Marketing e Superior de Tecnologia em Filmmaker, ambos em EaD; o grupo privado também disponibiliza, na modalidade EaD, uma série de cursos na área de comunicação de curta duração(de 10 horas a 18 horas), tais como Apuração da Notícia, Assessoria de Imprensa, Considerações Éticas do Jornalismo Investigativo, Estruturas Eficientes para Pautas e Textos de Revistas, Jornalismo de Dados, Mídia Training e Introdução ao Jornalismo Digital. • Faculdade Martha Falcão(Wyden) – oferece os cursos de Jornalismo, criado em 2009, Comunicação Institucional(Tecnólogo), presencial, semipresencial e EaD, de Publicidade e Propaganda(Bacharelado), desde 2009, presencial e EaD, de Marketing Digital(tecnólogo), presencial, semipresencial e EaD e, a partir de 2009, o de Marketing(tecnólogo), presencial, semipresencial e EaD, Design Gráfico(Tecnólogo) e Jornalismo(Bacharelado) presencialmente. • A Universidade La Salle oferta, desde janeiro de 2015, o curso Marketing (tecnólogo), de forma Presencial e EaD; pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), instalada em Manaus no ano de 1992, são oferecidos os cursos de Jornalismo(bacharelado) e Marketing com Ênfase em Mídias Digitais(tecnólogo), ambos em EaD, com duração de oito semestres. • A Universidade Federal do Amazonas, que criou o seu curso de Jornalismo em 1969(um ano depois passou a ser chamado curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo) e, em 2017, foi transformada em Faculdade de Informação e Comunicação(FIC), tem também a oferta da habilitação em Relações Públicas(RP), ao lado de outros cursos da área de saber, como biblioteconomia e arquivologia; foi formada na UFAM grande parte dos docentes que hoje atuam 90 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO AMAZONAS: ASPECTOS DO ÂMBITO ACADÊMICO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte nos diversos cursos criados depois e em outras faculdades; o campus universitário da UFAM em Manaus é um território de 6,7 milhões de metros quadrados, o terceiro maior fragmento verde em área urbana do mundo e o primeiro do país; no município de Parintins, a 360 quilômetros de Manaus, também é possível cursar jornalismo no Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia(ICSEZ), da UFAM, criado por meio das Resoluções Consuni/UFAM nº 022/2005 e Consuni/ UFAM nº 025/2006, e instalação oficial em 24 de setembro de 2007; o curso é presencial e tem duração de quatro anos. FAPEAM: A REDE ESTRATÉGICA DO FOMENTO Fruto de lutas e articulações entre professores, pesquisadores, instituições universitárias, governamentais e do Legislativo, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas(Fapeam) é a principal fonte de financiamento contínuo à pesquisa e inovação tecnológica do Amazonas. São R$ 20,3 milhões orçados para projetos de pesquisa no ano de 2025. Instituída pela lei nº 2.743, de 10 de julho de 2002, a Fapeam tem como finalidade exclusiva amparar a pesquisa científica básica e aplicada e o desenvolvimento tecnológico experimental no Estado do Amazonas. Atua nas áreas de Ciências Exatas e da Terra, Engenharias, Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Ciências Agrárias e Ciências Humanas e Sociais, com o objetivo de aumentar o estoque de conhecimentos científicos e tecnológicos, assim como sua aplicação, no interesse do desenvolvimento econômico e social do Estado do Amazonas. Por meio do Decreto nº 23.268, de 11 de março de 2003, a Fapeam ficou vinculada à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia. A Fapeam é fundamental para a promoção e apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico no Estado do Amazonas. A estrutura manejada pela agência permite a criação, o lançamento, a execução, o acompanhamento e a avaliação de Programas de Fomento à Pesquisa, tornando a Fundação uma das cinco mais relevantes do país. São mais de 40 programas de apoio e fomento que buscam dar conta desde a primeira fase de aprendizagem ao mais elevado grau da pesquisa e da produção científica, numa diversificada paleta de atuação e construção de redes e premiação. A comunicação/ jornalismo está contemplada tanto na pesquisa quanto no apoio por meio do prêmio de Jornalismo Científico. No Norte“fizemos tudo o que o mestre mandou”(neste caso o Estado Brasileiro), ao regulamentar a profissão de jornalista e entregar às Instituições de Ensino Superior (IES), públicas ou privadas, a responsabilidade de formá-los em curso superior: discutimos, mudamos e criamos currículos, várias vezes; corremos atrás de dinheiro para construir laboratórios ou fazer convênios com instituições para suprir lacunas na formação profissional dos alunos; fizemos pesquisa e extensão, tentando estimular 91 os alunos; participamos, desde a primeira hora, na criação de espaços, como os da Intercom e outros para animar a troca de experiências e estimular talentos; avançamos e criamos os cursos de Pós-Graduação para a educação continuada; e ajudamos a inscrever a Ciência da Comunicação. Isso não é pouco, porque conseguimos consenso nos diversos segmentos do exercício profissional e uma respeitabilidade às diversas tendências teóricas que pensam e se abrigam nas Ciências da Comunicação. Referência GIRARDI JR., Lúcio. Pierre Bourdieu: questões de sociologia e comunicação. São Paulo: Annablume: FAPESP, 2007. 92 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO AMAZONAS: ASPECTOS DO ÂMBITO ACADÊMICO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 93 CONCEIÇÃO DERZI Ivânia Maria Carneiro Vieira Maria da Conceição de Lima Derzi nasceu em 17 de julho de 1950 em Manaus(AM). É filha de Hilda de Lima Derzi e de Salomão Derzi. Como estudante, entre 1970 e 1980 participou de reuniões consideradas clandestinas pelo governo ditatorial, entre as quais a de reorganização do movimento estudantil do Amazonas. Ela atuou, a partir de 1980, como professora do curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, da Universidade Federal do Amazonas(UFAM), onde permaneceu até 2018. Ceiça, como era conhecida, foi cofundadora do Centro Universitário de Comunicação Social(Cucos), que reunia os cursos de Jornalismo e de Relações Públicas(Centro Acadêmico de Jornalismo/Cajor), e atuou no processo de luta pela reabertura da União Nacional dos Estudantes(UNE). Foi uma das primeiras mulheres jornalistas e professoras a assumir, no final dos anos 1970, a homossexualidade, criando espaços para pautar o debate sobre os direitos dos homossexuais, em tempo que sequer a“luta gay” era visível em Manaus. Não se dedicou às pesquisas acadêmicas, mas na área de extensão é possível afirmar que Ceiça fez, em seu percurso acadêmico, um laboratório extensionista inter e multidisciplinar, sem projetos assinados. Somou com as lutas do movimento pela redemocratização do Brasil, na defesa da universidade pública e de qualidade, dos direitos das mulheres e das trabalhadoras metalúrgicas de Manaus, do movimento LGBTQIA+ e, já aposentada, juntou-se aos que enfrentaram os atos do governo de Jair Bolsonaro. Ceiça aposentou-se em 2018, e, em 10 de fevereiro de 2022, faleceu em consequência de complicações pela Covid-19, aos 72 anos. 94 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte SOCORRO PEREIRA Ivânia Maria Carneiro Vieira Maria do Perpetuo Socorro de Oliveira Pereira nasceu em 16 de abril de 1954 em Manaus(AM). É viúva e mãe de uma filha. Estudou em três escolas: Grupo Escolar Nilo Peçanha; Colégio Márcio Nery; e Colégio Estadual do Amazonas. Concluiu seu Bacharelado no recém-criado curso de Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas na Universidade do Amazonas(UA/UFAM), e, em seguida, iniciou sua carreira universitária, em 1980. Trabalhou, durante dois anos, na Assessoria de Imprensa da Reitoria, e migrou para um setor que acabara de ser criado: a Assessoria de Cultura, instância vinculada à Reitoria, cuja missão era desenvolver, apoiar e estimular projetos culturais voltados para o público externo e estudantes universitários da instituição. Fez seleção para o Mestrado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo(USP) em 1989, tendo sido aprovada com a dissertação“A comunicação universitária: padrões de comunicação entre alunos, professores e funcionários na Universidade do Amazonas”, sob orientação de Fredric Michael Litto. Com o título foi a primeira professora do curso de RP a fazer Mestrado. Retorna à UA e passa a desenvolver atividades administrativas e acadêmicas, ministrando aulas como professora convidada. Em 1991 o Departamento de Comunicação Social (Decom) disponibilizou uma vaga de docência por meio de concurso público. Socorro foi aprovada, e, já portadora do diploma de mestra em Ciências da Comunicação, começava ali uma nova etapa no seu percurso. 95 Em 1992, no Centro de Artes da Universidade do Amazonas(Caua), Socorro dirigiu a Divisão de Produção de Eventos do Órgão, que abrigava projetos culturais comunitários e a Galeria de Artes da Universidade. Além da carreira docente, ela assumiu outros encargos, como chefe de Departamento e coordenadora de extensão, de pesquisa e de Pós-Graduação. Mais adiante, em convênio com a USP, criou o primeiro curso de Pós-Graduação lato sensu em Teoria e Pesquisa em Comunicação. Maria do Perpetuo Socorro de Oliveira Pereira, além de projetos acadêmicos e de trabalhos publicados em revista de ex-alunos da ECA, assumiu a direção pro-tempore do então Instituto de Ciências Humanas e Letras(ICHL) e funções acadêmicas junto aos Conselhos Universitário e de Pesquisa. 96 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte LAURA JANE Ivânia Maria Carneiro Vieira Laura Jane Vidal Bezerra nasceu em Manaus(AM). É filha de Joaninha Carmelita Vidal e de Bento Dias Bezerra. É mãe de um filho. Sua formação escolar ocorreu no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. É graduada em Relações Públicas em 1986 e em Administração em 1992. Ingressou na carreira do Magistério superior em 1992 na Universidade Federal do Amazonas(UFAM), onde atuou por 31 anos no curso de Relações Públicas até a aposentadoria, em dezembro de 2023, como professora adjunta IV. É especialista em Teoria e Métodos de Pesquisa em Comunicação Social e mestra em Ciências Ambientais (1999). Sua dissertação,“Relações e responsabilidade ambiental no contexto empresarial de Manaus”, foi orientada por Walmir Albuquerque Barbosa. Ambos os títulos se deram pela UFAM. Laura atuou como chefe de Departamento de Comunicação Social e coordenou o curso de Relações Públicas por inúmeras vezes. Orientou dezenas de Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC) e coordenou semanas de Comunicação e de Relações Públicas. Ministrou disciplinas como: Comunicação, Educação e Tecnologia; Legislação e Ética em Relações Públicas; Marketing Político; Metodologia da Pesquisa Científica em Comunicação Social; Percepção; Técnica de Administração em Jornalismo; Técnica de Comunicação Dirigida I e II; Técnica de Opinião Pública; Técnicas de Redação aplicadas a Relações Públicas I, II, III e IV; Teoria da Comunicação; e Teoria e Método de Pesquisa em Comunicação Social. A atividade de extensão sempre esteve no elenco de ações de Laura. No ano 2000 recebeu o prêmio Honra ao Mérito pela organização do 97 XXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Sociedade Brasileira de Estudo Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Ela também comandou a Agência Experimental de Comunicação de RP que, no ano de 2017, completou 40 anos. Organizou e dirigiu, ainda, projetos de pesquisa que focaram questões estratégicas e novas para a comunicação, além da preocupação em organizar a memória do curso. Laura Jane Vidal Bezerra tem trajetória de contribuição para o aperfeiçoamento do curso de Relações Públicas no Amazonas e do envolvimento deste em demandas das comunidades carentes e do movimento social de Manaus. Principais publicações BEZERRA, Laura Jane Vidal. O que RP tem a ver com ISSO? In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 25., 2002, Salvador, 2002. BEZERRA, Laura Jane Vidal. Relações Públicas: inquietações e indagações à luz da problemática do poder em Michel Foucault. In: COSTA, Inara Regina Batista da; GOMES JÚNIOR, Jonas da Silva (org.). Memória do curso de Relações Públicas da UFAM: 35 anos de trajetória. 1. ed. Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas – EDUA, 2012. p. 113-127. BEZERRA, Laura Jane Vidal. O discurso empresarial e o ambiente digital. In: Conexões: Revista de Relações Públicas e Comunicação Organizacional, v. 1, p. 3-16, 2019. BEZERRA, Laura Jane Vidal. 40 anos do curso de Relações Públicas na Universidade Federal do Amazonas. In: Conexões: Revista de Relações Públicas e Comunicação Organizacional, v. 1, p. 1-2, 2017. BEZERRA, Laura Jane Vidal. Desconstruindo as Relações Públicas: como as mídias sociais mudam o nosso fazer? In: Mediação, v. 10, p. 37-51, 2009. 98 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte CÉLIA CARVALHO Ivânia Maria Carneiro Vieira Célia Maria da Silva Carvalho nasceu em 16 de novembro de 1965 em Manaus(AM). É filha de Adair Donizeth de Carvalho e Odília da Silva Carvalho. É casada e mãe de um casal. Sua formação escolar foi realizada em duas escolas manauaras: Escola de Nossa Senhora da Divina Providência e Colégio Alberto Einstein. É graduada em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas(1992) e especialista em Marketing e Teoria do Conhecimento e Filosofia das Ciências. É mestra em Ciências Ambientais(2002). Sua dissertação intitulou-se“A responsabilidade ambiental das empresas do Polo Industrial de Manaus” e teve orientação de Lygia Fonseca. É doutora em Biotecnologia(2015) com a tese,“Análise da produção científica do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia” orientada por Maria do Perpétuo Chaves. Ambas as titulações foram pela Universidade Federal do Amazonas(UFAM). É professora associada do curso de Relações Públicas(RP) da Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal do Amazonas (FIC-UFAM). Nos anos de 1987 a 1993 trabalhou como professora no ensino público fundamental e como servidora da Secretaria de Educação do Estado do Amazonas(Seduc). Participa ou participou de projetos de pesquisa, entre os quais: Análise da Gestão da Comunicação e Organização da UFAM, Observatório Estadual de Economia do Estado do Amazonas – OBEC-AM, Região Norte –, e Parque Científico Tecnológico para Inclusão Social: Rede de Pesquisa, Extensão e Inovação Tecnológica/UFAM. 99 Célia ingressou no Magistério superior em 1994 e desde então atuou como coordenadora do curso de Relações Públicas, chefe do Departamento de Comunicação Social, assessora de comunicação da Reitoria da UFAM e tutora do PET Comunicação até julho de 2024. Supervisionou estágios de professores do curso de RP. Ministrou, entre outras disciplinas, as de Comunicação mercadológica, Comunicação institucional, Produção textual para meios impressos e Fundamentos de jornalismo. Orientou mais de 30 Trabalhos de Conclusão do Curso(TCC) na iniciação científica e tem uma trajetória em projetos de extensão. É de iniciativa de Célia o Blog Ateliê Amazônico(extensão); os tabloides Balaio do Norte e Estação Z; as Revistas Curvas do Rio, A Cápsula e RPlay; o Jornal-mural Expresso, o boletim semanal Diário Estudantil(ensino) e o livro Além do Marketing. No conjunto das ações que desenvolve, tem a prática de criar meios de aproximar e tornar mais conhecida a universidade para estudantes secundaristas, o que inclui conhecer o Campus da UFAM. Em 1998, pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), foi contemplada com Menção Honrosa – Publicidade e Propaganda – Spot – Bebida Energy. Mais adiante, em 1999, Célia Carvalho recebeu a Menção Honrosa da Intercom pelo trabalho Jornal Mural-Expresso, um dos experimentos mais antigos do curso de RP, criado por ela em 1997. Célia Maria da Silva Carvalho teve assim, duas formas de reconhecimento, pelos pares, de seu trabalho como docente e orientadora. Principais publicações CARVALHO, C. M. S. A essencialidade da profissão de Relações Públicas. Mercadizar, Manaus, AM, p. 35-35, 16 ago. 2019. CARVALHO, C. M. S.; OLIVEIRA, J. P. S. de. Impacto dos comentários dos usuários do Facebook na imagem organizacional: estudo de caso C&A – campanha“Misture, ouse, divirta-se”. In: INTERCOM NORTE. Manaus: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2017. CARVALHO, C. M. S.; MOREIRA, B. R. da C.; CORDEIRO, T. B. da S. A análise de Clipping como ferramenta estratégica de comunicação. In: INTERCOM NORTE. Manaus: Intercom – 100 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2017. CARVALHO, C. M. S.; SOUZA, K. B. de. A atividade de Relações Públicas no mercado de luxo. In: CONGRESSO DE CIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORTE, 16., 2017, Manaus: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2017. CARVALHO, C. M. S.; CORDEIRO, A. C. J. Influenciadores digitais: estudo sobre o perfil Thaynara OG. In: CONGRESSO DE CIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORTE, 16., 2017, Manaus: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2017. 101 TEREZINHA SOARES Ivânia Maria Carneiro Vieira Terezinha de Jesus Soares nasceu em 27 de agosto de 1953 em Manaus(AM). É filha de Terezinha de Jesus do Nascimento e de Raimundo Braulio Soares. É mãe de uma filha. O primário foi realizado na Escola Patronato Santa Terezinha; e o secundário no Colégio Amazonense D. Pedro II. Estudou jornalismo da Universidade do Armazonas(UFAM), concluído em 1980. É bacharel em Direito(1986), advogada e especialista em Divulgação Científica pela Universidade de Brasília(UNB-1992). É mestre em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia pela UFAM (2002) com a dissertação,“Efeito estufa – A Amazônia e os aspectos legais”, foi orientada por Niro Higuchi. O primeiro trabalho como repórter foi no jornal diário A Notícia e, no período de 1980 a 1986, assumiu a Assessoria de Imprensa do Instituto de Pesquisas da Amazônia(Inpa). Nesse posto ajudou a aproximar as instituições e cientistas dos jornalistas. A atividade acadêmica iniciou em 1996 no curso de Comunicação Social da Faculdade particular Nilton Lins. Nos anos de 1987 a 1999 foi professora substituta no curso de Comunicação Social da UFAM. De 2008 a 2011 atuou como professora de Comunicação na Faculdade particular Uninorte-Laureate. No jornalismo recebeu, entre 1977 e 1979, as seguintes premiações: Prêmio BEA de Reportagem(1977), Prêmio Esso de Reportagem Regional da Federação Nacional dos Jornalistas(1978), Melhor Repórter de Jornal da Câmara Municipal de Manaus – Comitê de Imprensa(1978) e Diploma de Honra ao Mérito por cooperação à 102 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte pesquisa científica na Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia(1978). Autora de dois livros:“Atlas dos cientistas do Estado do Amazonas” e“Efeito estufa – a Amazônia e os aspectos legais”, e uma série de artigos em jornais impressos e artigos acadêmicos. Terezinha de Jesus Soares organizou, em parcerias, três semanas de Ciência e Tecnologia, simpósios e seminários e fóruns voltados para o jornalismo ambiental na Amazônia. Ministrou diferentes disciplinas em Jornalismo e Relações Públicas. Principais publicações SOARES, Terezinha de Jesus; HIGUCHI, Niro. A convenção do clima e a legislação brasileira pertinente, com ênfase para a legislação ambiental no Amazonas. Acta Amazônica, v. 36, n. 4, p. 573-580, 2006. SOARES, Terezinha de Jesus. Efeito estufa – a Amazônia e os aspectos legais. Manaus: Editora do INPA/EDUA, 2007. 103 LUIZA ELAYNE Ivânia Maria Carneiro Vieira Luiza Elayne Correa Azevedo nasceu em 25 de agosto de 1955 em Tefé(AM). É filha de Túlio Azevedo e Esmeralda Correa Azevedo. Estudou na Escola Fundamental Nilo Peçanha e na Escola José Paranaguá. O Segundo Grau foi no Colégio Santa Dorotéia e no Instituto Christus. Luiza é bacharel em Jornalismo e Relações Pública(UFAM – 1976-1981) e fez Mestrado em Administração em Marketing na Universidade Federal da Paraíba(2000). Defendeu a dissertação“Boi Bumbá de Parintins: cenários na modernidade e sua inserção no marketing cultural”, orientada por Luiz Diaz Rodrigues. É especialista em Administração Pública e Marketing, ambos pela Fundação Getúlio Vargas(FGV). Em 2005 concluiu seu Doutorado em Ciências Socioambientais pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos(Naea/UFPA). Sua tese intitula-se“Ecoturismo de grupos indígenas. Experiências sustentáveis?”, e foi orientada por David Gibbs McGrath. Na história do curso de Relações Públicas da UFAM ela foi a primeira professora a receber o título de doutora. Entre 2012 e 2013 fez PósDoutorado em Comunicação, Arte e Cultura pela Universidade do Algarve, em Portugal, supervisionada por Miriam Nogueira. Durante 24 anos(de 1993 a 2017) Luiza trabalhou como docente nos cursos de Relações Públicas e Jornalismo. Liderou projetos de pesquisa e publicações em eventos e congressos regionais, nacionais e internacionais nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Seus interesses de pesquisa tratam sobre feminismo, etnoarte indígena, videoclipes e experimentações de linguagens, as festas 104 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte de santo e os rituais amazônicos, ecomarketing e videografias indígenas, interseções dos suportes digitais, entre outros. Ela trouxe suas vivências na região do Rio Solimões para a sala de aula em projetos de extensão, na coordenação do Projeto Educação Tutorial de Comunicação(Petcom), na iniciação científica e nas pesquisas na Pós-Graduação espaços de leitura, reflexão e produção científica, envolvendo os povos indígenas do Amazonas em muitas das temáticas de estudo. Luiza Elayne Correa Azevedo, autonominada Luíndia, cuja composição corporal identitária remetia a elementos das culturas indígenas, apresentava-se buscando imprimir outro discurso para naturalizar o que deveria ser natural na Amazônia e não exótico. No ano de 2017 a professora aposentou-se. Principais publicações AZEVEDO, L. E. C. Interseções dos suportes digitais – potencial estético, produção, acesso, circulação: ciberdocumentários em Manaus(AM – Brasil). BOCC. Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação, v. 1, p. 2-21, 2014. AZEVEDO, L. E. C. Cineclubes, convergência mediática e fluxos comunicacionais e culturais – o caso do Cine e Vídeo Tarumã(UFAM, Amazonas – Brasil). Avanca Cinema Edições, v. 1, p. 555-565, 2014. AZEVEDO, L. E. C. Videografias Indígenas:(des) construtivismo e performatividade. Labcom on-line, v. 1, p. 191-209, 2013. AZEVEDO, L. E. C. Da convergência midiática e as plataformas digitais ao cine periférico: contribuições para a visibilidade do Cine de Portugal. Avanca Cinema, v. 1, p. 506-516, 2013. AZEVEDO, L. E. C.; CORRADI, A. Uso de noticiabilidade e espetacularização: mudança climática – COP 15 E RIO+20. Razón y Palabra, v. 84, p. 1-26, 2013. AZEVEDO, L. E. C. Da“reinvenção do outro” – Terra Vermelha (Marco Bechis – 2008) à construção do“nós” – videografias indígenas:“A iniciação do jovem Xavante”(Cineastas Indígenas – 1999). Avanca Cinema, v. 1, p. 502, 2012. AZEVEDO, L. E. C.; CORRADI, A. Amazônia: publicidade turística em portais. Revista Memórias, Universidad Cooperativa da Colombia, v. 10, p. 45-56, 2012. 105 INARA COSTA Ivânia Maria Carneiro Vieira Inara Regina Batista da Costa nasceu em 13 de setembro de 1972 em Manaus(AM). É filha de Almir Garcia e Socorro Régis. Sua formação escolar se deu no Instituto Batista do Amazonas. Ingressou no curso de Comunicação Social, habilitação em Relações Públicas, da Universidade Federal do Amazonas(UFAM) em 1990. Teve a primeira experiência profissional como monitora bilíngue no Teatro Amazonas. Posteriormente estagiou na área de Comunicação do Grupo Simões. Concluiu a Graduação em 1994, apresentando como trabalho final a monografia intitulada“Relações Públicas e Marketing: eficácia na comunicação integrada”, orientada por Célia Maria da Silva Carvalho. Já formada, atuou no setor de Marketing da concessionária Murano Veículos; no setor de Recursos Humanos na Samsung Eletrônica; e no setor de Gestão e Comunicação na Multibrás da Amazônia. Entre 2006 e 2009 trabalhou como consultora dos sistemas de Gestão da Qualidade, Meio Ambiente e Segurança e Saúde Ocupacional na Petrobrás. Fez Especialização em Marketing Empresarial pela UFAM nos anos de 1998 a 1999 e MBA em Team Management pela Fundação Getúlio Vargas(FGV) entre 2000 e 2001. Ingressou no Mestrado em Engenharia de Produção da UFAM em 2003, concluído em 2005 com a defesa da dissertação“A comunicação interna como ferramenta gerencial do sistema de gestão socioambiental: um estudo de caso”, orientada por João Bosco Ladislau de Andrade. O Doutorado em Administração foi realizado na Universidade 106 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Federal de Minas Gerais(UFMG), no período de 2015 a 2019. A tese teve como título“A divulgação científica pelas universidades públicas brasileiras na perspectiva da lógica dominada por serviço”, orientada por Ricardo Teixeira Veiga. Inara foi professora do curso de Comunicação Social, habilitação em Relações Públicas, na Faculdade Nilton Lins entre 1997 e 1998, onde também ensinou Gestão e Análise Ambiental em 2005 e 2008. Em 2002 foi professora visitante na Especialização em Avaliação de Impacto Ambiental do Centro Universitário Luterano de Manaus. Entre 2006 e 2008 atuou como professora na Pós-Graduação lato sensu em Meio Ambiente, com ênfase em Indústria, da Fundação Centro de Análise Pesquisa e Inovação Tecnológica(Fucapi). Em 2010 ingressou como professora adjunta no curso de Relações Públicas da UFAM. Em 2012 foi cedida para a Secretaria Municipal de Finanças da Prefeitura de Manaus, onde atuou durante três anos coordenando projetos na área de relacionamento com o cidadão. Retornou à UFAM em 2019, após finalizar o Doutorado. Como docente na instituição, ministra disciplinas no campo teórico e prático, orienta projetos de iniciação científica e coordena projetos de pesquisa voltados ao estudo da divulgação científica nas universidades federais. Inara Regina Batista da Costa, entre 2023 e 2024 coordenou o projeto de pesquisa intitulado“Pesquisadoras e Empreendedoras Conectadas pela Ciência e Tecnologia na Amazônia” e coorganizou o livro“Memória do Curso de Relações Públicas da UFAM: 35 anos de trajetória”, que se trata da primeira publicação sobre a história das Relações Públicas no Amazonas. Principais publicações BATISTA DA COSTA, I. R.; BARBOSA, C. A divulgação científica como atividade de extensão universitária: um aporte das relações públicas. Cadernos de Comunicação,[ S. l.], v. 27, n. 1, 2023. DOI: 10.5902/2316882X75250 COSTA, I. R. B. da. A percepção de pesquisadores sobre o processo de divulgação científica. Animus. Revista Interamericana de Comunicação Midiática,[ S. l.], v. 21, n. 47, 2023. DOI: 10.5902/2175497772278 107 COSTA, Inara R. B.; GOMES JÚNIOR, Jonas S. Memória do curso de Relações Públicas da UFAM: 35 anos de trajetória. 1. ed. Manaus: EDUA – Editora da Universidade Federal do Amazonas, 2012. 156 p. V. 1.000. FERREIRA, V. E. P.; COSTA, Inara R. B. O papel estratégico das relações públicas como apoio às atividades extensionistas de divulgação científica. Temática – Revista Eletrônica de Publicação Mensal, v. 1, p. 62-77, 2024. 108 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte EMÍLIA ABBUD Renata de Lima Maria Emília de Oliveira Pereira Abbud nasceu em 9 de dezembro de 1963 em Barra do Piraí(RJ). É filha de Nelson Pereira e de Inéa de Oliveira Pereira. Realizou seus estudos do Ensino Infantil, Fundamental e Secundário no Colégio Estadual Nilo Peçanha em Barra do Piraí. Ingressou no curso de Comunicação Social em 1982 no Centro Universitário de Barra Mansa. Optou pela habilitação de Relações Públicas durante a realização de um estágio em uma agência da Caixa Econômica Federal. Finalizou o curso em 1985. Após a Graduação Maria Emília teve uma experiência profissional como servidora pública municipal, atuando como professora na pré-escola da Escola Municipal Professora Anna Casalli de Oliveira, em Barra do Piraí, durante o ano de 1986. Em 1987 mudou-se com o marido para Porto Velho, Rondônia. Na cidade, atuou como professora na escola de educação infantil Pequeno Céu, também dando aulas de reforço para filhos de autoridades locais durante o período 1987 a 1989. Em 1990 vai residir na capital amazônica e em 1994 matriculou-se na Especialização em Teoria e Pesquisa em Comunicação Social na Universidade Federal do Amazonas(UFAM). Terminou o curso em 1995, apresentando um trabalho final com o tema“A comunicação nas indústrias da construção civil: realidade da cidade de Manaus”, orientado por Walmir Albuquerque Barbosa. Maria Emília passou na seleção do Mestrado em Educação da UFAM em 1995. Sua dissertação, concluída em 2000, foi dedicada ao estudo da educação do trabalhador no Projeto Trabalhar-AM, sob orientação de Walmir Albuquerque Barbosa. De 1998 a 2000 109 Maria Emília atuou como professora substituta no Departamento de Comunicação Social da UFAM. Também trabalhou como docente do curso de Relações Públicas na Universidade Nilton Lins no período de 1999 a 2003. Em 2003 passou no concurso público para professor efetivo da UFAM para o curso de Relações Públicas. Fez Doutorado interinstitucional em Ciências(na área de Psicologia) pela Universidade de São Paulo(USP), no período de 2006 a 2010. Sua tese teve como título“A influência da televisão nos hábitos alimentares de uma população de adolescentes da Região Norte brasileira”, orientada por Sebastião de Sousa Almeida. Em 2017 fundou o Laboratório de Pesquisas Interdisciplinares em Comunicação(Labicom UFAM), onde orienta pesquisas de iniciação científica e trabalhos voltados a estudar redes sociais digitais, estratégias de comunicação publicitária e comunicação organizacional. É líder do Grupo de Pesquisa Comunicação Social: Estudos Interdisciplinares, que atua em três linhas de pesquisa: “Comunicação no Terceiro Setor: a utilização das mídias sociais”; “Cultura e comunicação organizacional: relações nas organizações contemporâneas”; e“A influência do Facebook nos hábitos alimentares da população”. Na extensão coordenou o projeto de extensão“Oficina Populares: construindo a cidadania”, entre 2003 e 2006, cujo objetivo era promover a noção de cidadania junto a crianças e adolescentes. Ela também atuou no projeto de extensão Cine Vídeo Tarumã no período de 1998 a 2000. Como professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da UFAM(PPGCCOM), de 2010 a 2020, orientou pesquisas de Mestrado relacionadas à Comunicação Organizacional e Publicidade/Publicização nas Mídias Sociais. No programa desenvolveu o projeto de pesquisa“Ecossistemas Comunicacionais: um inventário da produção acadêmica do Programa de PósGraduação em Ciências da Comunicação da UFAM”, no período de 2016 a 2017. Foi coordenadora do PPGCCOM/UFAM de 2017 a 2019. Inara Regina Batista da Costa integra o Comitê de Ética e Pesquisa da UFAM(CEP/UFAM) desde 2006, sendo a vice-coordenadora do comitê. 110 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Principais publicações ABBUD, M. E. O. P.; NASCIMENTO, A. S. Quanto vale um like? A publicidade de alimentos e a organização comunicada no Amazonas. Revista Observatório, v. 4, p. 733-755, 2018. ABBUD, M. E. O. P.; MONTEIRO, G. V.; Pereira, M.(org.). Estudos e perspectivas dos ecossistemas na comunicação. 1. ed. Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas – EDUA, 2011. 283 p. V. 1. BENTO, M. S.; ABBUD, M. E. O. P. Ecossistemas comunicacionais: um inventário da produção acadêmica do Programa de PósGraduação em Ciências da Comunicação da UFAM(PPGCCOM/ UFAM). In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORTE, 16., 2017, Manaus. Anais[...]. São Paulo: Intercom, 2017. LIMA, M. D. C.; ABBUD, M. E. O. P. Um olhar ecossistêmico sobre a comunicação organizacional. In: PINTO, R. F.; ABBUD, M. E. de O. P.; MARTINS, R. de C.; NOGUEIRA, W. de S.(org.). Ecossistemas comunicacionais: mídias na contemporaneidade. 1. ed. Manaus: EDUA, 2017. p. 155-175. V. 1. 111 ÍTALA CLAY Renata de Lima Sousa Ítala Clay de Oliveira Freitas nasceu em 3 de setembro de 1969 em Manaus(AM). É filha de Erodilson Roseno de Freitas e de Raimunda de Oliveira, que tiveram três filhos, sendo ela a primogênita. Estudou o Ensino Infantil, Fundamental e Médio no Colégio Preciosíssimo Sangue. Durante o então Ensino Secundário, optou pelo Magistério. Ao prestar vestibular, em 1987, escolheu cursar Filosofia no Centro de Estudos do Comportamento Humano, e Jornalismo na Universidade Federal do Amazonas(UFAM). Por um tempo conciliou as duas Graduações, mas finalizou somente o Jornalismo, o qual foi cursado de 1987 a 1992, tendo atuado na primeira turma do Programa de Educação Tutorial(PET) de Comunicação, sob a tutoria de Walmir de Albuquerque Barbosa. Durante a Graduação foi selecionada, em 1988, para participar do Núcleo Universitário de Dança Contemporânea(Nudac), onde permaneceu até 1991. Seu interesse era compreender a dança como forma de comunicação, tema que a levou para sua pesquisa de Mestrado. Sua monografia teve como título“O Império dos Sentidos”, e foi orientada por Walmir de Albuquerque Barbosa. Finalizou a Graduação em 1992 e trabalhou durante seis meses no jornal A Crítica, na editoria de política. Ítala ingressou no Mestrado em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP) em 1992. Sua dissertação teve como título“La sylphide: a semiose do etéreo”, sob orientação de Maria Lúcia Santaella Braga. Finalizou o Mestrado em 1995. Conciliou as atividades de pesquisa do Mestrado com o trabalho freelancer como jornalista cultural, produzindo textos 112 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte para blogs independentes sobre a área da dança. Trabalhou com pesquisa e jornalismo cultural no programa Rumos – Dança – do Instituto Itaú Cultural de São Paulo, nos anos 1990. Em 1995 deu continuidade às suas pesquisas no Doutorado em Comunicação e Semiótica da PUC-SP. Interrompeu, no entanto, o curso, e voltou a Manaus. Nesse período foi professora no curso de Comunicação Social no Centro Universitário Nilton Lins de 1999 a 2001, e professora substituta no Centro de Artes da UFAM(o Caua). Em 2001 foi convidada para montar a primeira grade do curso de Dança da Universidade do Estado do Amazonas(UEA), onde exerceu o cargo de coordenadora do curso no período de 2001 a 2007. Em 2007 retornou à PUC-SP para concluir, em 2010, sua pesquisa de Doutorado, que teve como título“Tramas Comunicativas da Cultura. A Dança no Jornalismo Impresso em Manaus(1980-2000)”, sob orientação de Christine Greiner. Tornou-se docente efetiva da UFAM em 2011, no curso de Jornalismo. Em sua trajetória na universidade foi tutora do PET Comunicação. Entre as atividades desenvolvidas à frente do PET, destacam-se a produção do livro“Cinema de animação: guia de referências”, que recebeu o Prêmio Expocom Nacional 2013 na categoria Transdisciplinar Modalidade Edição de Livro; o projeto Human Conection-Petcom, realizado em parceria, que produziu um documentário sobre a Vila de Paricatuba, o qual foi premiado no Seminário de Metodologia da Pesquisa em São Paulo; e o projeto de extensão“Paricatuba em Audiovisual”, que ofertou sessões de vídeos e oficinas de audiovisual à comunidade de Paricatuba. Na direção do Departamento de Cultura e Produção de Imagem (DCPI) da Pró-Reitoria de Extensão da UFAM, Ítala esteve à frente do Projeto de Revitalização da TV UFAM no período de 2015 a 2017, desenvolvendo marca e identidade próprias da emissora que dialogassem com a cultura amazônica. Na produção acadêmica, orienta trabalhos de iniciação científica, tendo recebido duas Menções Honrosas Pibic-UFAM 2021-2022 e uma Menção Honrosa Pibic-UFAM 2019-2020. Também integrou o corpo docente do Programa Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da UFAM(PPGCCOM), orientando dissertações na linha de pesquisa“Linguagens, representações e estéticas 113 comunicacionais”. É docente do recém-criado Programa de PósGraduação em Informação e Comunicação(PPGIC/FIC/UFAM). Ítala Clay de Oliveira Freitas coordena a linha de pesquisa Ambientes Narrativos Comunicacionais no Mediação: Grupo de Pesquisa em Comunicação, Complexidade e Culturas. Suas pesquisas desenvolvem estudos sobre narrativas contemporâneas, distopias e a cultura transmídia, visando o desenvolvimento de estratégias didáticas para a educação no Ensino Superior. Sua atuação na pesquisa científica destaca-se pela dedicação ao estudo das linguagens na comunicação a partir da perspectiva semiótica, em especial nas artes e no audiovisual na Amazônia. Principais publicações FREITAS, Ítala Clay de Oliveira; SILVA, D. F. L. Educação e comunicação: o uso da plataforma MIT App Inventor no desenvolvimento de um aplicativo na zona rural. In: BIANCHESSI, Cleber(org.). Diálogos sobre o ensino e a educação: diferentes olhares e contextos. 1. ed. Curitiba: Editora Bagai, 2023. p. 143152. V. 1. FREITAS, Ítala Clay de Oliveira. Metodologias no Ensino Superior: reflexões a partir da Escrita Criativa e produção de Podcast. In: BIANCHESSI, Cleber(org.). Debates em educação: superando limites, abrindo horizontes, construindo caminhos. 1. ed. Curitiba: Editora Bagai, 2022. p. 169-178. V. 1. FREITAS, Ítala Clay de Oliveira; PEREIRA, M. F.; NOGUEIRA, W. (org.). Linguagens e comunicação na Amazônia. 1. ed. Manaus: Editora Valer, 2021. 479 p. SILVA, I. R.; RESENDE, G. C.; FERREIRA, I. C. F.; FREITAS, Itala Clay de Oliveira; DANTAS, P. V. C.; SOUSA, A. L. Multimétodos de pesquisa qualitativa: experiências do grupo“Subjetividades e Processos de Desenvolvimento dos Povos Amazônicos”. In: LEMOS, Flávia Cristina Silveira; COLOMBIANI, Fabíola; SENHORAS, Elói Martins(org.). Humanidades: temas emergentes. 1. ed. Boa Vista: Editora Iole, 2024. p. 73-96. V. 1. 114 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte IERECÊ BARBOSA Ivânia Maria Carneiro Vieira Ierecê dos Santos Barbosa nasceu em 7 de fevereiro de 1950 em Belém(PA). É filha de Adilia Rodrigues Barbosa e de Edgar Rodrigues Barbosa. Formou-se em pedagogia pela Universidade Federal do Pará(UFPA) no ano de 1974. Na Universidade do Amazonas(UFAM) estudou Comunicação Social; primeiro formou-se em Jornalismo, no ano de 1982, e, em seguida, completou os estudos como Relações Públicas. É mestra em Comunicação e Educação pela UFAM. Sob orientação de Walmir Albuquerque Barbosa, defendeu sua dissertação“Comunicação e Educação” e doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), onde foi orientada por Armon Mascarenhas de Andrade e defendeu a tese“Ser mulher operário no polo industrial de Manaus”. Ierecê coordenou o curso de Comunicação Social(Jornalismo e Relações Públicas) e foi Pró-Reitora de Ensino e Graduação da UFAM e professora na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), onde ingressou em 2001. Ela trabalhava na Secretaria de Educação do Estado do Amazonas(Seduc) quando fez concurso para a UFAM, na qual atuou como professora no Instituto de Ciências Humanas e Letras(atual Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais – IFCHS). Foi filiada por 29 anos à Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas(Adua), e aposentou-se após 30 anos de serviço público, mas continuou na vida acadêmica, no Centro Universitário do Norte(Uninorte) e na Universidade do Estado do Amazonas(UEA). Publicou 16 livros, dezenas de artigos, poesias e 115 crônicas, e articulou espaços de debate e de produção de textos sobre as temáticas da educação, ensino-aprendizagem, cultura, ensino de ciências, neurociência e divulgação científica. Ierecê dos Santos Barbosa foi a primeira professora aposentada do curso de Relações Públicas a receber o título de doutora em 2003. Ela faleceu em 21 de março de 2018. Principais publicações BARBOSA, Ierecê. Os limites e possibilidades da formação do professor pesquisador-reflexivo no processo de estágio curricular I, na Escola Normal Superior(UEA). ENDIPE – ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO, 12., 2004, Curitiba. Anais[...]. Curitiba, PR: Endipe, 2004. p. 51-58. BARBOSA, Ierecê. Papagaios no varal: comunicação intra e interpessoal no processo educativo. 1. ed. Manaus, AM: UEA Edições, 2005. 170 p. v. 1.000. BARBOSA, Ierecê. A primeira chuva. 1. ed. Manaus: EDUA, 1999. 220 p. V. 1. BARBOSA, Ierecê. Favor transmitir ao destinatário. 1. ed. Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas, 1996. 128 p. V. 1. BARBOSA, Ierecê; COSTA, Y. G.; FERREIRA, M. M. Preventividade, aprendizagem e educação em ciências na Amazônia. Ethos& episteme(UFAM), v. XI, p. 63-84, 2010. BARBOSA, Ierecê; PEIXOTO, M. A. N.; MAIA. D. P. A comunicação intrapessoal e interpessoal na formação de professores: uma contribuição aos saberes docentes. Areté, Manaus, v. 5, p. 1-13, 2012. 116 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte IVÂNIA VIEIRA Camila Leite de Araújo Ivânia Maria Carneiro Vieira nasceu em 24 de abril de 1959 em Manaus(AM). É filha de Pedro Alexandrino Vieira e de Raimunda Carneiro. Todo o processo de formação, do Fundamental ao Médio e ao universitário foi cumprido em escolas públicas de Manaus. Estudou no Colégio Amazonense Dom Pedro I, na Escola Santa Terezinha e na Escola Técnica Federal do Amazonas. A carreira no Jornalismo iniciou em 1977, quando fez teste para ser repórter no jornal A Notícia. Repórter, antes de ingressar no curso de jornalismo da então Universidade do Amazonas/UA(Universidade Federal do Amazonas/UFAM. Ivânia concluiu o Bacharelado em Comunicação Social/Jornalismo no ano de 1982. Em 2002 ingressou, por meio de concurso público, no Magistério superior na Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal do Amazonas(FIC/UFAM). Ivânia é especialista em Teoria e Métodos de Pesquisa em Comunicação Social(1995/UFAM – Escola de Comunicações e Artes – ECA) e em Educação e Cultura(2022/ Faculdade Latino Americana de Comunicação Social – Flacso). Tem Mestrado em Linguística Aplicada(2002) e sua dissertação intitula-se“O discurso operário e o espaço de fala da mulher”, orientada por Odenildo Sena. É doutora em Processos Socioculturais da Amazônia(2017) e sua tese,“Lugar de mulher – a participação da indígena nos Movimentos Feministas e Indígenas no Estado do Amazonas”, foi orientada por Simone Eneida Baçal de Oliveira. Tem, ainda, Pós-Doutorado em Ciências Sociais 117 pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos-2022), tendo sido supervisionada por José Ivo Follmann. Ela trabalhou, por 37 anos, nos principais jornais de Manaus, onde exerceu diferentes funções: repórter, editora de Cidades, de Opinião, de Economia, de Política, de cadernos infantis e especiais, editorialista e como articulista semanal do jornal A Crítica. Desde 2013, coordena o Programa LigAção – Comunicação, Meio Ambiente e Cidadania na Amazônia, nascido dos projetos de extensão Maloca Digital, Universidade Livre de Manaós, Comunicadores Populares de Base e Paiol da Comunicação. Por meio de um projeto de Ação Curricular de Extensão(ACE), realizou as primeiras oficinas de formação de mulheres sobre a Lei 11.340/2006(“Lei Maria da Penha”) em bairros de Manaus, entre 2006 e 2007. Também sobre os direitos de crianças e adolescentes e o direito ao acesso à água potável e impactos da falta d’água na vida das mulheres. Ministrou diversas disciplinas do curso de Jornalismo – rádio, TV, legislação e ética, oficinas de leitura e produção de textos, assessoria de imprensa, planejamento gráfico, Introdução aos gêneros do discurso jornalístico, Metodologia e Pesquisa em Jornalismo, Jornalismo Político, Jornalismo Impresso, Laboratório de Jornalismo, Mídia e os Direitos Humanos, entre outras. É membro dos grupos de pesquisa Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ambientes Amazônicos(Nepam/ICSEZ/UFAM); Mediação – Grupo de Pesquisa em Comunicação, Complexidade e Culturas(UFAM); e Hermenêutica Comunicativa: Estudos da Mídia na Amazônia (UFPA). No âmbito dos movimentos sociais é cofundadora da organização Movimento de Mulheres Solidárias do Amazonas (Musas), do Fórum de Mulheres Afroameríndias e Caribenhas (FMAAC, criado em 2012) e da Frente Amazônica em Defesa dos Direitos Indígenas(FAMDDI, 2018). Também é membro do Fórum das Águas de Manaus. No Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Amazonas(SIP-AM), participou como estudante no movimento de retomada da entidade, para, em seguida, integrar a diretoria sindical como secretária geral. Ivânia Maria Carneiro Vieira possui experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Comunicação Social; atua em áreas da Informação Pública, Comunicação Comunitária, Comunicação e Educação, Jornalismo impresso, Jornalismo e Direitos Coletivos, 118 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Mulher e Mídia, Mídia e Povos Indígenas da Amazônia e Jogos de Linguagens. Principais publicações VIEIRA, Ivânia. O discurso operário e o espaço da fala da mulher. Manaus: Editora Valer, 2004. VIEIRA, Ivânia Maria Carneiro. Trazer à vida a pauta de 2002 como geração de democracia na Amazônia. Latin American Journal of Development, Curitiba, v. 3, n. 2, p. 606-617, Mar./Apr. 2021. ISSN 2674-9297 VIEIRA, Ivânia. Mensagens pintadas – viagens comunicacionais no grafismo de mulheres indígenas. Revista Conexão – Comunicação e Cultura, v. 19, n. 38, p. 63-77, jan./dez. 2020. DOI: 10.18226/21782687.V19. N38.04 VIEIRA, Ivânia; BAÇAL, Simone. Mulheres indígenas: do silenciamento à tecelagem dos atos políticos. In: TORRES, Diogo; NASCIMENTO, Celso. Escritos da margem. São Paulo, SP: Alexa Cultural; Manaus, AM: EDUA, 2022. 119 ALINE LIRA Ivânia Maria Carneiro Vieira Aline Ferreira Lira nasceu em 1º de abril de 1972 em Manaus(AM). É filha de Clenilda Ferreira Lira e de Francisco Milério Lira. É casada e tem duas filhas. Ela estudou em escolas públicas e privadas. Entre elas, Escola Estadual Carlos Gomes, Colégio Santa Terezinha e Colégio La Salle. Aline trabalhou, desde 1992, em várias empresas multinacionais do Polo Industrial de Manaus, desenvolvendo atividades como assessora de comunicação ou relações públicas, entre as quais: Whirlpool, Nokia, Philips, Grupo Simões e Coca-Cola. Formouse em Relações Públicas pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) em 1997. A atuação em empresas despertou-a para a causa ambiental e a motivou a fazer o Mestrado em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, na Universidade UFAM, com período sanduíche na Washington and Lee University (2004). Defendeu a dissertação intitulada“Da teoria à prática da Comunicação Ambiental proposta pela Norma ISO 14001”, sob orientação de Walmir Barbosa. O Doutorado na área de Linguística, na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), foi concluído em 2014, e teve como tema“O discurso sobre meio ambiente e sustentabilidade em relatórios de sustentabilidade de empresas do Polo Industrial de Manaus”, orientada por Rosângela Rodrigues. Desde 2005 é professora do curso de Relações Públicas da UFAM e seu tema de pesquisa é o estudo ligado a marcadores sociais de diversidade. Participa, anualmente, de eventos como o Colóquio Acadêmico e o Congresso Abrapcorp. É vice-coordenadora do Cine & Vídeo Tarumã, um dos mais antigos projetos de extensão do curso 120 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte de Jornalismo, e coordena o Grupo de Estudos em Relações Públicas – Gerp. É tutora do Programa de Educação em Comunicação(PET). Entre outras disciplinas, Aline Lira ministra aulas sobre Comunicação e Sustentabilidade, História da Comunicação e das Relações Públicas, Linguagens da Comunicação, Produção Audiovisual e Tópicos Especiais em Relações Públicas. Aline Ferreira Lira, no ano de 2019, recebeu Menção Honrosa concedida pelo Programa de Iniciação Científica(Pibic) na Universidade Federal do Amazonas. Principais publicações LIRA, Aline Ferreira. O que muda nessa história? A formação de leitores como ação social empresarial. Letra Magna, v. 8, p. 1-13, 2012. LIRA, Aline Ferreira. Produção textual em RP a partir da concepção de gêneros do discurso: um estudo inicial. Revista de Estudos da Comunicação, Impresso, v. 11, p. 108-113, 2010. LIRA, Aline Ferreira; SOUZA, L. M.; MELO, N. F. A variação no uso das formas de tratamento TU E VMCE/VOCÊ em Manaus na segunda metade do século XIX. Working Papers em Linguística, Impresso, v. 11, p. 108-120, 2010. LIRA, Aline Ferreira; BEZERRA, Laura Jane. Desconstruindo as Relações Públicas: como as mídias sociais mudam o nosso fazer? Mediação, v. 10, p. 37-51, 2009. LIRA, Aline Ferreira. O discurso sobre igualdade de gênero em relatórios de sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus... In: SARAIVA, Luiziane Silva; GONÇALVES JÚNIOR, Orlando Costa; SOARES, Paulo Henrique Leal; FREITAS, Ricardo Ferreira(org.). Relações públicas internacionais e mercados emergentes. 1. ed. São Luís: EDUFMA, 2021. p. 218. LIRA, Aline Ferreira. Considerações sobre análise de gêneros do discurso a partir de seu cronotopo. In: RODRIGUES, Rosângela Hammes; PEREIRA, Rodrigo Acosta(org.). Estudos dialógicos da linguagem e pesquisas em Linguística Aplicada. 1. ed. São Carlos: Pedro e João Editores, 2016. p. 1-338. V. 1. 121 MIRNA FEITOZA Ivânia Maria Carneiro Vieira Mirna Feitoza Pereira nasceu em 18 de novembro de 1969 em Manaus(AM). É filha de Maria Milza Feitoza Pereira e de Telfanes Marques Pereira. Cursou o Primeiro Grau na Escola Estadual Nathalia Uchoa e na Escola Estadual Ondina de Paula Ribeiro. O Segundo Grau foi cursado na Escola Estadual Sólon de Lucena. Mirna ingressou em 1989 no curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Concluiu o curso de Jornalismo em 1994, apresentando a monografia“A imagem do real: a transformação da realidade em espetáculo através do telejornalismo”, orientada por Walmir de Albuquerque Barbosa. Teve suas primeiras experiências profissionais na área da Publicidade. Trabalhou nas agências Grafite Publicidade e Saga Publicidade na década de 1980. De 1993 a 1995 estagiou como assistente de comunicação na empresa Gradiente Manaus Teve breve passagem no jornal diário Amazonas em Tempo. De 1994 a 1995 exerceu o cargo de editora de texto para televisão na TV Cultura do Amazonas, gerida pela Fundação Televisão e Rádio Cultura do Amazonas. De 2000 a 2001 foi coordenadora de projetos editoriais na Midiaclick Mídia Interativa e trabalhou no Portal IG. Foi redatora, repórter e editora do suplemento infantil Folhinha, no jornal Folha de São Paulo, da Folha da Manhã S.A., no período de 1997 a 2000. Na mesma empresa, de 2011 a 2014, atuou como jornalista freelancer, quando desenvolveu serviços técnicos especializados e reportagens para os cadernos Folhinha, Equilíbrio e Coluna de Games para o público infantil. 122 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Ingressou no Mestrado em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC/SP) em 1995. Finalizou o Mestrado em 1998, com a pesquisa“Erramos: a natureza semiótica da linguagem jornalística”, sob orientação de Arlindo Machado. Realizou o Doutorado em Comunicação e Semiótica também pela PUC/SP, no período de 2001 a 2005, com a tese intitulada“‘Porcarias’, inteligência, cultura: semioses da ecologia da comunicação da criança com as linguagens do entretenimento, com ênfase nos games e desenhos animados”, orientada por Irene de Araújo Machado. Na docência, atuou como professora dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Rádio e TV e Produção Editorial no Centro Universitário do Norte de 2006 a 2009. Ingressou em 2009 na carreira do Magistério superior da UFAM como professora da Faculdade Informação e Comunicação(FIC/UFAM). No curso de Jornalismo trabalha com disciplinas teóricas e técnicas, com ênfase em Teorias da Comunicação, Assessoria de Imprensa e Comunicação, Webjornalismo e Jornalismo Impresso. No período de 2012 a 2015 coordenou o Programa de PósGraduação em Ciências da Comunicação(PPGCCom). Atuou como chefe do Departamento de Difusão do Conhecimento e como coordenadora de divulgação científica na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas(Fapeam) no ano de 2009. Em 2015 iniciou o Festival de Assessoria de Imprensa e Comunicação (FestImprensa), evento acadêmico que apresenta à comunidade universitária as ações de comunicação desenvolvidas pelos estudantes para organizações da comunidade. Coordena, desde 2012, o Laboratório de Experimentação em Jornalismo em Rede da UFAM(LabF5), criado em 2011 por colegas. Em 2010 Mirna criou o Mediação – Grupo de Pesquisa em Semiótica da Comunicação, que passou a se chamar Mediação – Grupo de Pesquisa em Comunicação, Complexidade e Culturas, e apresenta três de linhas de pesquisa: Culturas e Produção de Linguagens e Comunicação; Ambientes Narrativos Comunicacionais; e Expressões Amazônicas, Imaginário e Comunicação. Também coordenou os seguintes projetos de pesquisa:“Espaços semióticos urbanos: palafitas como texto da cultura amazônica”(2008 a 2009), “Espaços semióticos urbanos: um estudo da comunicação a partir das interferências do espaço urbano na dinâmica dos sistemas de 123 signos”(2010 a 2013),“Ecossistemas comunicacionais em espaços semióticos cultura: relações entre natureza, cultura e sociedade no ambiente da semiosfera(2013 a 2016). Na extensão, coordenou, em 2011, o projeto“Ciclo de Debates Comunicação no Espaço Urbano”. Em 2022 institucionalizou na UFAM/FIC o projeto de extensão“Jornalismo indígena: oficinas de jornalismo para indígenas das diferentes etnias do Parque das Tribos”. O projeto recebeu menção honrosa no 22º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo, no GT Atividades de Extensão. Mirna é coorganizadora do livro“Mapa do Jogo, a diversidade cultural dos games”(2019). A obra foi vencedora do terceiro lugar do Prêmio Jabuti. Também coorganizou as obras“Estudos e perspectivas dos ecossistemas na comunicação”(2011), “Ecossistemas Comunicacionais: história, projetos e perspectivas” (2014) e“Linguagens e Comunicação na Amazônia”(2020). Em 2023 Mirna Feitoza Pereira iniciou estágio Pós-Doutoral no Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia(PPG-Casa/UFAM), quando desenvolve a pesquisa“Comunicação e jornalismo indígena: estratégias de resistência dos povos originários na Amazônia contemporânea”, sob supervisão de Therezinha de Jesus Pinto Fraxe. Principais publicações FEITOZA, M.; SANTAELLA Lúcia(org.). Mapa do jogo, a diversidade cultural dos games. São Paulo: Editora Cengage Learning, 2019. FEITOZA, M.; MONTEIRO, G.; NOGUEIRA, W. Ecossistemas comunicacionais: história, projetos e perspectivas. 1. ed. Manaus: Editora Valer, 2014. PEREIRA, M. F.; GONÇALVES MUNDURUKU, I. F.; CARNEIRO VIEIRA, I. M.; LEITE DE ARAÚJO, C.; DE LIMA SOUSA, R.; BARBOSA OLIVEIRA, C.; CLAY DE OLIVEIRA FREITAS, ÍTALA. Diálogo e escuta na construção do jornalismo indígena. Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo, v. 13, n. 32, p. 34-49, 26 fev. 2024. PEREIRA, M. F.; FREITAS, I. C. O.; NOGUEIRA, W. S.(org.). Linguagens e Comunicação na Amazônia. 1. ed. Manaus: Valer, 2020. 124 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte EREIRA, M. F.; SILVA, M. A. S.; BARROS, T. D. Palafitas de Manaus: relações entre natureza e cultura no espaço da cidade. Somanlu. Revista de Estudos Amazônicos do Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia da Universidade Federal do Amazonas, v. 11, p. 15-40, 2012. 125 GRACIENE SILVA Ivânia Maria Carneiro Vieira Graciene Silva de Siqueira nasceu em 10 de dezembro de 1972 em Manaus(AM). É filha de Raimundo Nonato Soares de Siqueira e Maria das Graças Silva de Siqueira. Ela tem uma filha. Em sua formação escolar estudou na Escola Estadual Marcio Nery e no Instituto Batista do Amazonas. Ingressou no curso de Comunicação Social na Universidade Federal do Amazonas(UFAM) em 1994, concluindo a Graduação em 2000, quando apresentou o trabalho final“Criação do Museu de Imprensa do Amazonas”, sob orientação de Deocleciano Bentes de Souza. Em 2009 ingressou no Mestrado em Ciências da Comunicação da UFAM, finalizando em 2011 com a dissertação intitulada“Vídeo digital: uma alternativa à produção cinematográfica em Manaus”, sob orientação de Luiza Elayne Correa Azevedo. O Doutorado em Letras foi realizado no período de 2015 a 2018 na Universidade Presbiteriana Mackenzie, com a tese“Na natureza selvagem: estudo da adaptação de livro-reportagem para o cinema”, sob orientação de Maria Luiza Guarnieri Atik. Tem Pós-Doutorado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), sob supervisão de José Moraes. No mercado da comunicação atuou na área de assessoria de comunicação parlamentar e de empresas. Foi assessora de comunicação do Instituto Batista do Amazonas no período de 1994 a 1998 e da Associação dos Servidores da Universidade Federal do Amazonas(Assua). Também atuou como assessora parlamentar na Câmara Municipal de Manaus. Tem passagens como repórter, subeditora e editora de redações dos principais veículos de 126 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte comunicação do Amazonas: Jornal do Commercio, 1998 a 2000; Jornal A Crítica, de 2001 a 2003; e Jornal O Estado do Amazonas. Colaborou como cronista no Portal CNA7(Central de Notícias do Amazonas). Foi diretora de Eventos do Sindicato dos Jornalistas Amazonas. É representante da Região Norte na Associação de Autores Roteiristas. Em 2020 recebeu o Prêmio Feliciano Lana(Lei Aldir Blanc) e o Prêmio Encontro das Artes(Lei Aldir Blanc), ambos concedidos pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa. No período de 2007 a 2009 foi professora do curso de Jornalismo no Centro Universitário Nilton Lins, onde coordenou o Laboratório de Rádio na produção dos programas Fala Universitário e Espaço Livre. Em 2009 ingressou como professora adjunta no curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, da UFAM, atuando no Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia(ICSEZ) em Parintins. Foi vicecoordenadora do curso durante 2022 e 2023, coordenou os trabalhos para elaboração do novo Projeto Político Pedagógico do Curso de Jornalismo e participou como membro de comissões de concurso público para professor substituto e professor titular. No campo da pesquisa, Graciene integra o Grupo de Estudos em Relações Públicas(GERP/FIC/UFAM) e o Grupo de Pesquisa Visualidades Amazônicas(VIA/UFAM/CNPq). Na extensão, coordenou, de 2019 a 2023, o Festival de Cinema Focaliza Parintins (Fopin), o único festival de audiovisual da cidade. Graciene Silva de Siqueira também foi coordenadora do projeto de extensão“Comunicação: ferramentas para uma melhor oratória, equilíbrio emocional e gestão do tempo e da carreira”, do Programa Papo Alternativo, veiculado entre 2010 e 2011 na Rádio Alvorada, em Parintins, e do projeto de extensão Cinema Parintins, e é representante na Câmara de Extensão da Pró-Reitoria de Extensão da UFAM. Principais publicações SILVA, Marcelo Rodrigo da; SIQUEIRA, G. S. II FOPIN: relato de experiência do 1º evento on-line do curso de Jornalismo do ICSEZ/ UFAM, em Parintins-AM. In: COSTA, Edwaldo(org.). Torre de Babel: créditos e poderes da comunicação. 1. ed. Ponta Grossa, Paraná: Atena, 2021. p. 318-332. SIQUEIRA, G. S.; SIMAS, H. C. P.; SILVA, Marcelo Rodrigo da(org.). Relatos da Pandemia. 1. ed. Parintins: Gráfica João XXIII, 2021. 127 SIQUEIRA, G. S.; SIMAS, H. C. P. Oficina de crônicas: relato sobre o Ensino Remoto no interior do Amazonas. In: RODRIGUES, João Victor Figueiredo Cardoso et al.(org.). Ensino de Graduação em tempos de pandemia: experiências e oportunidades para uma educação tecnológica na Universidade Federal do Amazonas. 1. ed. Manaus: EDUA, 2021. p. 101-114. V. 1. 128 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Camila Leite de Araújo Docente do curso de jornalismo da Universidade Federal do Amazonas(UFAM), doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará(UFC), especialista em Teorias da Comunicação e da Imagem e graduada em Comunicação Social pela Universidade de Fortaleza(UNIFOR). camilaleite@ufam.edu.br Ivânia Maria Carneiro Vieira Professora associada IV na Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal do Amazonas, doutora em Processos Socioculturais na Amazônia, mestra em Linguística, realizados no Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura da Amazônia(UFAM). Especialista em Teoria e Pesquisa em Comunicação Social(UFAM/ ECA) e em Educação e Cultura pela Faculdade Latino-Americana de Comunicação Social(Flacso). Pós-doutora em Ciências Sociais/ Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais/Unisinos. ivania.vieira@ufam.edu.br Renata de Lima Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade Federal do Amazonas, especialista em Assessoria de Comunicação pela Universidade de Fortaleza e graduada em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Foi professora substituta no curso de Jornalismo da Faculdade de Informação e Comunicação(FIC). É servidora técnico-administrativo em educação da UFAM, onde atua como jornalista na TV UFAM. Realiza pesquisas na área de jornalismo ambiental, práticas jornalísticas, comunicação da ciência e da tecnologia. renatalimas@ufam.edu. br 129 PARÁ 130 Netília Silva dos Anjos Seixas 25 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ O propósito deste texto é apresentar o campo da Comunicação no Pará 26 , buscando proporcionar um panorama de sua configuração com os cursos e sujeitos envolvidos no processo, entre outras informações. Com este texto busca-se contribuir, também, para a escrita da história do campo nessa porção do território amazônico, com a reunião de informações esparsas pelos documentos, vivências e memórias individuais e coletivas. Nas linhas a seguir serão apresentadas informações sobre os cursos de Graduação e da Pós-Graduação e eventos, entre outras informações que foram consideradas pertinentes. O texto possui um aspecto descritivo mais do que analítico, pois procura trazer parte das informações levantadas. OS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO SOCIAL NO PARÁ É possível afirmar que a área acadêmica de Comunicação começou a tomar forma no Pará com a criação do primeiro curso no Estado, em 1976, na Universidade Federal do Pará(UFPA)(instituição pública), nas habilitações de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda. Alguns anos mais tarde, em 1990, foi a vez da Universidade da Amazônia 25 Professora da Universidade Federal do Pará(UFPA) com atuação na Faculdade de Comunicação, no Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia e no Programa de Pós-Graduação Criatividade e Inovação em Metodologias de Ensino Superior. netiliaseixas@gmail.com. 26 Procedimentos: pesquisa bibliográfica e documental(arquivos do Instituto de Letras e disponíveis na Plataforma e-Mec, Plataforma Lattes, site da Secretaria Geral da UFPA, sites das demais instituições noticiosas, etc.); entrevistas com docentes e servidoras técnico-administrativas da Faculdade de Comunicação e do Instituto de Letras e Comunicação e por telefone e por WhatsApp com professores e coordenadores de curso de instituições de Ensino Superior envolvidas. As bionotas também foram baseadas na memória desta autora como aluna(1983-1986) e docente(desde 1997) do curso de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia/UFPA. 131 (UNAMA)(instituição privada) criar o seu curso, com habilitações em Relações Públicas e em Publicidade e Propaganda. Outros cursos de Comunicação foram criados, mas vários anos depois, já no século 21, por outras instituições, algumas das quais fecharam ou foram adquiridas por outras mantenedoras de caráter nacional. Assim, a partir de 2003 vários cursos entraram em funcionamento, quase um a cada ano até 2011, quando poucos cursos passaram a ser criados 27 . As informações apresentadas no Quadro 1(anexo 1) evidenciam 14 instituições de Ensino Superior no Pará com oferta de 20 cursos de Comunicação presenciais na capital Belém e em 2 municípios do interior, sendo a maioria na capital. Do total de cursos, nove são de Jornalismo, dez são de Publicidade e Propaganda e um de Relações Públicas. O total de cursos inclui os que estão em fechamento, os que já foram fechados e os que continuaram após atualização de registro para nova versão, com a publicação das Diretrizes Curriculares do Ministério da Educação(MEC), como no caso de Jornalismo. É possível perceber que a primeira e a segunda décadas do século 21 tiveram um número maior de cursos em funcionamento, número esse já menor no início da terceira década. Dos cursos que foram extintos ou estão em fase de extinção, quatro eram de Jornalismo, três de Publicidade e Propaganda e um de Relações Públicas(RP). O curso de RP, por sinal, foi o primeiro e único curso presencial no Pará, mas viu as turmas serem diminuídas em número de discentes ao longo do tempo, enquanto as turmas de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda ainda sustentavam um número mais expressivo de estudantes. O fenômeno de diminuição de alunos, no entanto, atingiu também os demais cursos, levando alguns ao fechamento, outros a permanecerem ativos sem conseguir fechar turmas para funcionar de fato e os demais a conviverem com turmas que vão de 20 a 50 integrantes, dependendo da instituição. Duas instituições federais de Ensino Superior no Pará(UFPA e Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará – Unifesspa) ofertam o curso de Jornalismo, enquanto o de Comunicação Social-Publicidade e Propaganda da UFPA é o único em uma instituição federal de ensino na região amazônica. Além de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, os demais cursos integrantes da área de Comunicação não foram ofertados como Bacharelado no Pará. Nas buscas realizadas na Plataforma e-Mec para o Estado do Pará e para Bacharelado em Comunicação – e, em seguida, nos próprios sites das instituições –, aparecem também dois cursos de Publicidade e Propaganda ofertados a distância por instituições de São Paulo e do Paraná e um de Jornalismo pela Estácio Belém. Mudando os descritores de busca, é possível localizar, ainda, cursos tecnólogos presenciais e, principalmente, a distância, para atividades que tangenciam o fazer profissional na comunicação. 27 Ver anexo 1. 132 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Quanto à natureza das instituições de ensino, das 12 encontradas com oferta presencial 2 são públicas federais, 6 são instituições privadas com fins comerciais e 4 são instituições privadas sem fins comerciais. Aquelas com ensino a distância encontram-se nas últimas modalidades(com e sem fins comerciais). Em síntese, a presença de instituições públicas é bem menor que as particulares, que estão em maior número. Nas particulares encontra-se, também, o maior número de vagas. Outras informações serão exploradas na apresentação de cada curso e instituição nas linhas seguintes. CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ A Universidade Federal do Pará(UFPA) é uma instituição pública federal criada em 1957, considerada, a maior universidade pública da Amazônia brasileira. O curso de Comunicação Social mais antigo do Estado começou a funcionar nos idos de 1976 na UFPA, no contexto da ditadura militar vigente no país. Tornou-se, assim, o segundo curso criado na Amazônia brasileira, o primeiro tendo sido o da Universidade Federal do Amazonas, em Manaus, em 1969. A autorização de funcionamento do curso paraense deu-se com a Resolução nº 323/1975, publicada em 28.2.1976, e a organização inicial do currículo aconteceu com a publicação das Resoluções número 399(UFPA, 1977a) e 400(UFPA, 1977b), ambas de 21 de janeiro de 1977 28 . A Resolução nº 399/1977 indicava que o currículo seria dividido em primeiro e segundo ciclos, com disciplinas chamadas básicas, optativas, eletivas, obrigatórias e profissionais, ofertadas pelos Centros de Letras e Artes em maior número, mas também de Filosofia e Ciências Humanas, de Exatas e Naturais e do Socioeconômico, além da obrigatoriedade de cursar Estudos de Problemas Brasileiros e Educação Física e Desportos. Indicava-se também a correspondência entre as matérias previstas no currículo mínimo e as disciplinas do currículo pleno, em número de 37, a vigorar a partir daquele mesmo ano letivo, totalizando 2.415 horas e 140 créditos. No início a dificuldade não era somente com o currículo. O curso não possuía infraestrutura própria, nem professores específicos, e ainda não havia sido reconhecido pelo Ministério da Educação e Cultura(MEC). A professora Regina Lima(2022), aluna da turma de 1978 e depois professora do curso, lembra que“era um curso sem as mínimas condições de funcionamento”. Pelo que as informações indicam, o curso foi aberto e, enquanto estava em andamento, as providências de efetivação foram 28 As Portarias e Resoluções dos diversos cursos apresentados no texto foram obtidas na plataforma e-Mec(https://emec.mec.gov.br/emec/nova#avancada) a partir da busca avançada por cursos de Graduação em Comunicação, no Pará, modalidade presencial(e depois a distância). Outras variações na busca foram realizadas na pesquisa a fim de obter outras informações. 133 sendo tomadas, até pela pressão feita pelos alunos, que percebiam as dificuldades e cobravam a administração a respeito. Assim, além de ações sobre o currículo, outras medidas foram aprovadas na época, como a realização de um curso de extensão em Jornalismo, em 1977(UFPA, 1977c), e um de Especialização em Comunicação, em 1980(1980b). Do ponto de vista administrativo, nesse ano foi feita a separação do Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras do Departamento de Artes e Comunicação do Centro de Letras e Artes, que, até aquele momento, funcionavam juntos(UFPA, 1980a). O curso de Extensão em Jornalismo teria carga horária de 60 horas e previsão de cem vagas, destinadas a jornalistas profissionais e alunos do curso de Comunicação da Universidade. O patrocínio era do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Pará e do Banco da Amazônia S. A., prevendo a participação, como ministrantes, dos jornalistas Carlos Castello Branco e Ricardo Kotscho e do professor José Marques de Melo(Universidade de São Paulo). A palestra final caberia a Aloysio Biondi ou Bernardo Kucinsky(UFPA, 1977c). A informação converge para uma fala do professor José Marques de Melo em conversa informal a esta autora em um intervalo do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação-Intercom, realizado em Foz do Iguaçu em 2014. Na ocasião, o professor Marques de Melo relatou ter sido convidado pela UFPA para contribuir com a criação do curso de Comunicação na instituição e efetivamente participou. A informação também foi confirmada pelo professor Edson Elias Berbary(2023, informação verbal) 29 , um dos docentes do curso, já aposentado. Quanto ao curso de Especialização em Comunicação, foi aprovado em agosto de 1980 com 420 horas e 30 vagas. Como justificativa, argumentava-se que o curso de Comunicação ainda não tinha sido reconhecido pelo Conselho Federal de Educação por falta de qualificação dos professores(a maioria só tinha a Graduação), além da carência de recursos humanos qualificados na área na região e a dificuldade em sair para a realização de tal formação. Assim, o objetivo era qualificar professores para o curso de Comunicação Social da UFPA. O curso deveria abranger“os módulos de Publicidade, Jornalismo, Mercadologia e Pesquisa de Opinião e Metodologia do Ensino em Comunicação” e ser ministrado por quatro professores(mestres e doutores em Comunicação) da Universidade de Brasília e da Universidade Federal Fluminense, que ainda seriam“contatados pela UFPA”(UFPA, 1980b). Esse curso foi mencionado no parecer que fundamentou o reconhecimento do curso, em 1981, sempre com a palavra“especialização” entre aspas. Seria um sinal de dúvida a respeito do curso? Sim ou não, o parecer acabou sendo favorável ao reconhecimento. No documento que aprova a separação do Departamento de Artes e Comunicação do de Línguas e Literaturas Estrangeiras(UFPA, 1980a) há a listagem dos professores 29 Berbary, Edson Elias. Entrevista concedida a Netília Silva dos Anjos Seixas, 4 set. 2023. Instituto de Letras e Comunicação da Universidade Federal do Pará, Belém, Pará. 134 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte lotados no setor, para a parte específica e profissional. Assim, é possível saber quem eram os de Comunicação naquele momento; na classe dos auxiliares: o mestre João de Jesus Paes Loureiro; e dos colaboradores(os adjuntos, assistentes e demais auxiliares eram de Artes): Afonso de Ligório Dias Klautau, Elizabeth Maria Medeiros Ferro Costa, Edgar Augusto Camarão Proença, Fátima das Graças Aragão Gondim, Luiz Roberto Vieira de Jesus, Milton Vaz de Carvalho Filho, Raimundo Sindebaldo de Medeiros Gondim, Ronaldo José Guerra de Oliveira e Paulo Roberto Chaves Fernandes. Eram graduados atuantes no mercado profissional, a maioria de Jornalismo. O reconhecimento do curso só aconteceu em 1981, com a Portaria MEC nº 196, de 23.02.1981(Brasil, 1981). No Parecer nº 47/1981(Brasil, 1981), do Conselho Federal de Educação sobre o reconhecimento do curso, há a informação de que a visita in loco do MEC havia considerado que o currículo, a infraestrutura física(incluindo salas de aula, laboratórios e biblioteca), o acervo bibliográfico e o corpo docente anteriormente existentes, eram insuficientes para o funcionamento do curso. Em seguida, o Parecer apresenta as novas condições do curso após os investimentos feitos pela Universidade para adequá-lo de modo a ter as condições para ser aprovado. No quesito equipamentos, o documento informa ter sido“providenciado substancial aumento, mediante novas compras e doações recebidas da Funarte e da Delegacia da Receita Federal(material apreendido pela Alfândega)”, podendo considerar que o curso estava“bastante bem equipado, possivelmente entre os que melhor o estão no país, conforme se pode ver da relação em Anexo I”(Brasil, 1981). Quanto ao acervo bibliográfico“nas áreas de interesse do curso”, após os investimentos, dos 1.800 títulos considerados 300 foram indicados como de Comunicação, depositados na Biblioteca Central da instituição. Afirmava ainda haver“coleções e assinaturas de jornais e revistas de interesse geral” da maneira exigida para a habilitação em Jornalismo. Sobre o currículo, o documento explica que obedecia a Resolução nº 11/69(UFPA, 1977a) nos três primeiros anos do curso, de 1976 a 1978, reformulado depois para seguir a nova Resolução, nº 03/1978, tendo sido“corrigidas as imperfeições apontadas”(Brasil, 1981). A carga horária total era de 2.455 horas para a habilitação em Jornalismo e de 2.470 horas para Publicidade e Propaganda. Do total, 1.590 horas eram para o tronco comum, 480 para as chamadas“matérias profissionalizantes específicas” de Jornalismo e 495 para as de Publicidade e Propaganda, 220 horas para projetos experimentais e 165 horas para estágio experimental. A integralização do curso era prevista para acontecer com o mínimo de 6 e o máximo de 12 semestres letivos(Brasil, 1981). Com relação ao corpo docente, há a listagem de 22 nomes, com as indicações de suas formações, dos quais apenas 9 são indicados para disciplinas específicas da área de Comunicação. Desses nove, seis permaneceram como professores efetivos do curso em anos seguintes. São eles: Elanir Gomes da Silva(chamada de Lana), Edson Elias 135 Andrade Berbary, Afonso de Ligório Dias Klautau, Paulo Roberto Chaves Fernandes, Juana Bertha Rojas Loayza e Milton Vaz de Camargo Filho. Os outros três professores eram Américo Pellegrini Filho, Maria Luiza Mendonça Galletti e Modesto Farina(Brasil, 1981). Pelegrini Filho e Farina tornaram-se professores da Universidade de São Paulo, posto que Pelegrini registra, em seu currículo Lattes, a passagem pela UFPA de 1981 a 1983 como professor visitante. Não há informação se Farina realmente veio para a UFPA. Os demais 13 professores eram de várias áreas, como Letras, Administração, Psicologia, Antropologia e outras, contemplando disciplinas do tronco comum. O novo corpo docente na parte específica continha três professores com título de mestre, uma das condições do MEC para o reconhecimento. Eles eram visitantes: Juana Bertha, Américo Pellegrini e Maria Luiza Mendonça(Lopes, 2011). Somente Juana Bertha acabou permanecendo no curso até a aposentadoria, sendo a primeira professora a possuir o título de mestre em Comunicação atuando no Pará e, possivelmente, na Amazônia brasileira. Berbary(2023) – ele, mesmo vindo de Letras, acabou permanecendo em Comunicação –, relembra o período do início da década de 1980, quando houve a contratação de profissionais do mercado de trabalho local e a busca por docentes em outras instituições que pudessem ir a Belém, como a professora Juana Bertha, que acabava de concluir o Mestrado na Universidade de Brasília. Elizabeth Ferro Costa e Fátima Aragão, depois de algum tempo, afastaram-se para cursar Mestrado na região Sudeste do país e não mais retornaram(Berbary, 2023). Os alunos entravam para a Comunicação Social e, depois de cursarem a parte comum, faziam opção para Jornalismo ou Publicidade e Propaganda. Eram 50 vagas ofertadas e, após a opção, Jornalismo costumava ser a escolha da maior parte dos estudantes. O curso seguia o modelo de créditos previsto na época e os alunos estudavam nos turnos vespertino e noturno, mas também no matutino. Por um lado, isso podia provocar a dispersão da turma, mas, por outro, acabava permitindo a ligação com discentes de turmas diferentes de outros anos. Regina Lima(2022), que foi discente da turma de 1978, observou, em seu memorial para docente titular, como esse conjunto acabou construindo“uma tradição de congregação estudantil manifesta na reivindicação constante por melhorias do curso”, conseguindo-se, assim, aos poucos,“laboratórios e mais professores”. Já na década de 1980 outros professores e professoras ingressariam no curso, como Regina de Fátima Mendonça Alves(jornalista com formação em Biblioteconomia), Ana Elizabeth da Costa Petruccelli(que havia se graduado em Comunicação na UNB em Brasília) e os(as) egressos(as) Rosaly de Seixas Brito, Otacílio Amaral Filho e Lívia Lopes Barbosa. Nesse processo, o curso começava a formar um corpo docente próprio e a diminuir a dependência de funcionamento em relação aos demais do Centro de Letras e Artes, onde foi designado a funcionar e permaneceu. Houve também a chegada de servidores técnicos administrativos, como Antônia Ferreira e Ivone Moraes(hoje aposentadas), que vieram de Letras para a Comunicação para atuarem 136 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte no Colegiado e no Departamento. Telma Ferreira(que, já aposentada, perdemos para a Covid-19) chegaria tempos mais tarde. A querida dona Antonia sabia os dados dos alunos de cor e era invariavelmente homenageada nas formaturas a cada ano. Com a entrada de outros docentes nas décadas seguintes, em substituição aos casos de aposentadoria ou como acréscimo, passou a ter um número mais expressivo de professores, chegando, em 2024, a 20 docentes permanentes, todos doutores, para ministrar as disciplinas dos dois cursos. Outros acontecimentos em destaque Em artigo publicado sobre a história do curso de Comunicação da UFPA, Suzana Cunha Lopes(2011, p. 7) cita a produção de um documento para o curso em 1986, quando foram elaboradas várias metas, como a implantação de um novo currículo, a promoção de uma Especialização em Comunicação e a aquisição de salas e equipamentos mais adequados às necessidades das aulas teóricas e práticas(no eixo Ensino); a criação de projetos de pesquisa, com bolsas de iniciação científica, e de uma Câmara de Pesquisa que coordenasse esse tipo de atividade no curso(no eixo Pesquisa); e a promoção de atividades extensionistas(no eixo Extensão); dentre outras proposições. Segundo Lopes(2011, p. 8), apenas algumas metas foram alcançadas, como a mudança do currículo e algumas experiências em termos de pesquisa e extensão a partir de 1989, quando a professora Juana Bertha coordenou uma série de pesquisas de opinião“que envolveu cerca de 30 alunos, dentre bolsistas e voluntários”. O desmembramento do Departamento de Comunicação do Departamento de Artes em 1988(UFPA, 1988), no entanto, também pode ser considerado um passo nesse esforço de melhoria do curso. A medida representou, de certa maneira, a conquista de espaço e o amadurecimento do curso de Comunicação. A Resolução lista os docentes que faziam parte do curso naquele momento, já mencionados neste texto, sendo 17 efetivos e 1 professor visitante, Wagner do Carmo Fernandes. O currículo aprovado em 1980 permaneceu em vigência até 1988, quando foi substituído por outro, cujas discussões começaram alguns anos antes. No total, havia 161 créditos a serem cumpridos, com 21 disciplinas de formação básica e geral, comum às duas habilitações, disciplinas da formação profissional específica à cada habilitação(Jornalismo ou Publicidade e Propaganda), mais Educação Física I e II (UFPA, 1988). Percebe-se, nesse currículo, a tentativa de equilibrar as disciplinas e aprofundar seus conteúdos, havendo uma maior valorização das partes teórica e profissional em relação aos anteriores. 137 Na virada para a década seguinte foi realizado o curso de Especialização em Teoria e Metodologia em Comunicação, entre 1990 e 1992, o que também pode ser creditado ao planejamento proposto anteriormente. O curso teve 360 horas e era coordenado pelo professor Edson Berbary. Continha disciplinas e seminários, sendo as primeiras relacionadas à Comunicação e os segundos a conteúdos de áreas afins, teóricos ou do contexto local. Assim, com as disciplinas, os discentes puderam ter contato com professores pesquisadores conhecidos nacionalmente na área, como Antônio Fausto Neto, Sérgio Porto, Venício Lima e Luís Martins, entre outros. Com os seminários puderam ampliar o conhecimento sobre conteúdos diversos. Esse curso de Especialização exerceu um papel importante para a Comunicação no Pará, pois, a partir dele, vários alunos seguiram a carreira acadêmica, continuando a formação no Mestrado e no Doutorado em Comunicação e em áreas próximas. Uma dessas discentes foi Regina Lúcia Alves de Lima, que concluiu Mestrado e Doutorado em Comunicação na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) e foi contratada pela UFPA em 2001. Pelo que as informações indicam, seria a primeira professora em Comunicação no Pará e, quiçá, na Amazônia brasileira. Outra egressa da Especialização é esta autora, aluna da turma de Graduação de 1983 e que realizou Mestrado e Doutorado em Letras/Linguística na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e também foi contratada pela UFPA em 2001. Em meados da década de 1990 foram realizados concursos para contratação de novos professores, sendo aprovados e nomeados Fábio Fonseca de Castro, Scarleth Yone O’Hara, Luciana Miranda Costa e Manuel José Sena Dutra. Em 1988 Fábio Castro e Luciana Miranda aprovaram projetos de pesquisa, sendo o dele intitulado “Identificação e estudo de fenômenos, dinâmicas e paisagens culturais híbridas na cidade de Belém”, com a participação da professora Rosaly Brito e sete alunos de Graduação. Já o de Luciana,“Os 70 anos do rádio em Belém”, teve o envolvimento de 22 discentes de Graduação e um de Especialização. Ainda na década de 1990 um acontecimento marcante para a história do curso foi o planejamento estratégico realizado pelos docentes e técnicos administrativos em 1997, com total envolvimento, o que possibilitou visualizar as dificuldades e as metas que gostariam de alcançar, em quanto tempo e como. Daí consolidariam-se as ideias de melhoria da infraestrutura física, do aumento do número de docentes, do investimento na sua formação acadêmica e na produção de pesquisa, com vistas à criação de um Programa de Pós-Graduação em Comunicação que viria a acontecer em 2010, na segunda tentativa de aprovação, a primeira tendo ocorrido alguns anos antes. A necessidade de qualificar o corpo docente do curso de Comunicação continuava presente e, também, a dificuldade de afastamento de parte dos professores para estudar integralmente em outros Estados. Assim, foi proposto o Mestrado Interinstitucional Universidade Federal do Pará/Universidade Federal da Bahia(UFPA/UFBA) em 138 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Comunicação e Culturas Contemporâneas, realizado pelas duas instituições entre 1999 e 2001. A coordenação operacional na UFPA ficou a cargo de Rosaly Brito. Na prática, o curso contemplou professores e servidores da UFPA e profissionais de Comunicação de outras instituições públicas de pesquisa no Estado paraense que ainda não possuíam o título de mestre. Em uma primeira parte, os professores da UFBA vieram a Belém para ministrar as aulas. Na segunda parte os alunos deslocaramse para Salvador, a fim de estarem com os orientadores e desenvolverem a pesquisa, a escrita e a defesa da dissertação. O curso teve efeito multiplicador. Posteriormente, parte dos egressos pôde realizar o doutoramento em outros cursos afins na UFPA. Por muito tempo o ensino de Comunicação na UFPA esteve centrado na Graduação, até a oferta dos cursos de Especialização lato sensu. Após o curso de Teoria e Metodologia da Pesquisa em Comunicação, iniciado em 1990, o próximo foi Ensino, Cultura e Midiologia das Sociedades Contemporâneas, começado em 1999, sob coordenação de Fábio Castro, com 25 vagas e 364 horas de carga horária(UFPA, 1999). Era destinado a não docentes, graduados em Comunicação e áreas afins de Letras, Artes, Ciências Sociais e Ciências Aplicadas. Mesmo com os planos e ações desenvolvidos, o curso viveu um momento difícil no final da década, quando foi mal avaliado pelo MEC e teve ameaça de descredenciamento. Os principais problemas eram ainda a infraestrutura física, o currículo e a falta de equipamentos adequados para a realização das aulas laboratoriais, uma dificuldade nunca superada por completo pela gestão ao longo do tempo. Para reverter a situação, já no alvorecer do novo século, houve investimento por parte da Universidade na reforma de laboratórios e salas de aula, na contratação de docentes(Regina Lima e Netília Seixas, em 2001), na obtenção de alguns equipamentos de fotografia, áudio e vídeo e na elaboração de um novo Projeto Pedagógico de Curso(PPC), concluído em 2002 e aprovado para execução em 2003. Nesse PPC de 2002 argumentava-se que o corpo docente do curso estava em processo de aperfeiçoamento, com sete professores em doutoramento e dois em fase de defesa de dissertação, o que possibilitou receber conceito Muito Bom na avaliação do MEC. O documento assinalava o contexto de mudança tecnológica vivido no mundo e o descompasso presente no curso de Comunicação, com sucateamento dos laboratórios, insuficientes,“anacrônicos e sem condições de funcionamento em alguns casos, comprometendo a qualidade do ensino”(Departamento..., 2002, p. 4). Esse quadro levou o curso a obter o conceito Insuficiente para laboratórios e currículo. No primeiro semestre de 2001 houve a reforma da infraestrutura física e compra de equipamentos, entre os quais uma ilha de edição não linear para televisão, mas o Projeto Pedagógico do Curso(Departamento..., 2002, p. 4) destacava haver ainda“deficiências notáveis”, como a insuficiência de computadores para atender as duas habilitações do curso. Assim, solicitava-se o apoio da administração da UFPA para urgente reforma curricular e melhoria laboratorial, que, somados ao programa 139 de formação docente em andamento, poderia garantir a sobrevivência do curso e a elevação da sua qualidade acadêmica, referido como o segundo curso mais concorrido da UFPA naquele período(Departamento..., 2002). O novo projeto pedagógico aprovado trazia alterações substantivas: divisão da entrada para as duas habilitações já na inscrição para o processo seletivo, com 30 vagas para Jornalismo e 20 vagas para Publicidade e Propaganda, cada habilitação com 2.700 horas de carga horária no total(UFPA, 2003); mudança de horário de funcionamento, saindo do vespertino/noturno para o matutino; montagem de grupo de disciplinas teóricas(obrigatórias e optativas) comuns as duas habilitações e grupo de disciplinas e laboratórios específicos de cada habilitação; organização de disciplinas teóricas e laboratórios começando juntos desde o início do curso, mudando a lógica de primeiro ver a teoria e só depois os conteúdos específicos; agrupamento de conteúdos em um mesmo laboratório com carga horária maior, a fim de que funcionassem de forma integrada, com mais de um professor; e inserção de disciplinas valorizando conteúdos sobre a realidade regional(Departamento..., 2002), matriz da ideia para o futuro Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia da UFPA. As mudanças na forma de entrada e no turno de oferta se mantiveram, inclusive com as alterações curriculares ocorridas posteriormente. Ainda em 2002 uma outra mudança foi introduzida no curso: a defesa pública do Trabalho de Conclusão de Curso(TCC) perante comissão avaliadora formada por dois docentes da área. A defesa já era indicada por uma resolução da Universidade de 1997, mas ainda não estava em prática em Comunicação, o que ocorreu na gestão de Netília Silva dos Anjos Seixas na Coordenação do curso a partir de 2002, quando elaborou e aprovou a Resolução interna, organizando e instituindo a defesa dos TCCs. No contexto regional a procura pelo curso de Comunicação era grande por parte dos candidatos a um curso universitário, tendo em vista, também, o aumento dos espaços que demandavam esses profissionais, como veículos de mídia e assessorias de comunicação na capital Belém e nos principais municípios do Estado, como Santarém e Marabá, entre outros menores. Ou seja, a ampliação do cenário midiático local/regional demandava a formação de mais profissionais, levando a solicitações de realização do curso em municípios fora da sede da UFPA. Assim é que os dirigentes do curso de Comunicação da UFPA receberam e aceitaram a solicitação da Prefeitura de Parauapebas-Pará para a oferta de um curso de Comunicação Social – Jornalismo naquele município, o que foi aprovado pela Resolução nº 3.185, de 28.6.2004 (UFPA, 2004b). O curso seguia a estrutura do que era ofertado na UFPA, também com 2.700 horas, e foi bancado pela Prefeitura de Parauapebas, com a coordenação do professor Otacílio Amaral Filho e a participação de vários professores do cursosede na Universidade e de outras instituições. A oferta das disciplinas ocorria no intervalo do que acontecia em Belém para facilitar o deslocamento dos professores. 140 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Ainda na sequência dos cursos lato sensu, foi ofertado mais um, Imagem e Sociedade: Estudos Sobre o Cinema, entre 2004 e 2005, sob coordenação inicial de Fábio Castro(UFPA, 2004a), repassada depois a Rosaly Brito. O curso tinha 360 horas e não obteve a mesma procura e resultado do anterior. Como os outros dois, não era gratuito, dependendo do pagamento das parcelas pelos alunos para se autofinanciar. Procurando observar as transformações tecnológicas e sua presença na realidade local, está sendo desenvolvido o curso de Especialização mais recente, em 2023 e 2024. É Jornalismo de Dados, Inteligência Artificial e Pesquisa Netnográfica, com carga horária de 360 horas e coordenado por Kalynka Cruz. Do ponto de vista do corpo docente, houve a aposentadoria de docentes e a obtenção de mais vagas, resultando na entrada de três professores na segunda metade da década: Maria Ataide Malcher, Rosane Maria Albino Steinbrenner e Kelly Kalynka Cruz. Na década de 2010, dez novos professores entraram: Célia Regina Trindade Chagas Amorim, Carolina Venturini, Alda Cristina Silva da Costa, Elaide Martins da Cunha, Manuela do Corral Vieira, Vânia Maria Torres Costa, Danila Gentil Rodriguez Cal, Ana Lúcia Prado, Marina Ramos Neves de Castro e Leandro Rodrigues Lage. Na década seguinte e, mais recentemente, foram contratados mais três professores: Fábio Hansen, Flavia Igliori Gonsales e Ana Paula Mendes Pereira de Vilhena. Embora o PPC 2002/2003 tenha representado grande atualização para o curso, sendo elogiado por professores de outras instituições, atualizações foram necessárias para adequações em relação às Diretrizes Curriculares Nacionais de Jornalismo de 2013, principalmente referente à extensão da carga horária, à obrigatoriedade do Estágio Supervisionado e à produção do TCC. Depois de um certo tempo de discussões, o novo PPC foi instituído em 2020, mas já passa por necessidade de outras modificações para acompanhar as transformações havidas na sociedade. Em 2024 Jornalismo possuía 3.205 horas de carga horária e Publicidade e Propaganda 2.700 horas. Nas últimas avaliações feitas pelo MEC, os dois cursos conseguiram melhorar suas notas. Em 2022 obtiveram nota quatro no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e no Conceito Preliminar de Curso(CPC), em Jornalismo e em Publicidade e Propaganda, mas a questão dos equipamentos continua a ser uma dificuldade para os cursos. A Direção da Faculdade de Comunicação está sendo exercida por Rosane Maria Albino Steinbrenner, e a Vice-Direção por Elaide Martins. Um feito de grande monta, obtido pela comunidade do curso, foi a aprovação do Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia(PPGCOM) em 2010. A aprovação foi resultado de esforço coletivo e buscado há algum tempo nos planejamentos feitos, inclusive com a contratação e capacitação docente, que ainda estava em processo. Em 2019 foi aprovado o curso de Doutorado. O PPGCOM será abordado mais adiante no texto, em item próprio sobre a Pós-Graduação stricto sensu. 141 A história do curso não poderá ser narrada em sua totalidade, mas procura-se, aqui, fazer uma passagem em torno do início, do Projeto Pedagógico do Curso, dos cursos de Pós-Graduação( lato e stricto sensu), da pesquisa, da extensão e dos eventos científicos, mesmo que nem todas as informações sejam descritas. Espaços além da sala de aula, como extensão A trajetória do curso de Comunicação da UFPA envolve atividades além do ensino na Graduação e na Pós-Graduação, como eventos e espaços de atuação por parte de discentes e docentes. Entre esses espaços de atuação do curso podem ser listados o projeto Academia Amazônia, a Rádio Web UFPA e a Oficina de Criação. A Academia Amazônia é uma produtora de audiovisual criada no início da década de 1990 como projeto apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos(Finep) como um espaço de divulgação científica para a produção de programas sobre a região com duração de 30 minutos, veiculados em canal de TV aberta. O financiamento cessou, mas a atividade do projeto Academia Amazônia continuou, com a produção do Minuto da Universidade, com divulgação da ciência realizada pela UFPA em TV aberta, e, posteriormente, vários outros programas sobre ciência e a região, formando um banco de imagens precioso. Além disso, o Academia também tem auxiliado as atividades curriculares referentes a telejornalismo no curso. Como docentes responsáveis estiveram Regina Alves, Maria Ataide Malcher e Alda Costa, entre outras. A Rádio Web UFPA, por sua vez, foi criada em 2009 na perspectiva da divulgação da ciência, atuando como extensão e banco de informações a partir dos programas realizados, tendo à frente, por vários anos, a professora Luciana Miranda Costa, depois substituída por Ana Lúcia Prado e Rosane Steinbrenner, entre outras. Com acesso exclusivo pela internet, a Rádio Web UFPA produziu e divulgou, até 2024, cerca de três mil programas de temáticas diversas(Rádio Web UFPA, 2024), inclusive de produções feitas pelos discentes nas atividades relacionadas ao rádio. Já a Oficina de Criação é a agência experimental da Faculdade de Comunicação da UFPA desde o início do século 21, tendo à frente as professoras Ana Petruccelli(já aposentada) e Lívia Lopes Barbosa. Realiza trabalhos de criação para a instituição e fora dela, com a participação de bolsistas de extensão do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, atuando diretamente na sua formação. Os eventos em Comunicação O passar do tempo significou também o crescimento do curso na realização de atividades de pesquisa e extensão, entre as quais podem se incluir, entre outras, os eventos científicos. Inicialmente os eventos tinham matiz mais local, embora sempre 142 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte com a participação de convidados de cunho nacional da área de Comunicação. Um dos mais antigos foi o 2º Simpósio de Pesquisa em Comunicação na Região Norte, em 1997, que teve a presença da professora Maria Margarida Krohling Kunsch, da Escola de Comunicações e Artes da USP. Mais tarde vieram os eventos internos comemorativos ao aniversário do curso, em datas mais cheias, e a Muvuca na Cumbuca, uma iniciativa dos alunos sempre com o apoio de professores do curso. A Muvuca era uma oportunidade criativa que envolvia sobremaneira os alunos e foi realizada até pouco antes da pandemia de Covid-19. Os eventos na área na UFPA e no Pará, entretanto, passaram a adquirir maior expressão a partir do VI Congresso de Ciências da Comunicação na Região Norte – Intercom Norte –, em 2007, sob organização geral da professora Maria Ataide Malcher. Vinda há pouco tempo de São Paulo, onde havia concluído o doutoramento na Universidade de São Paulo(USP), Maria Ataide esteve envolvida com movimentos importantes no ensino, pesquisa e extensão, como a realização de eventos científicos, a criação de projeto e grupo de pesquisa, a participação na criação do programa de Pós-Graduação, entre outras ações. A professora tornou-se representante da Região Norte junto a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), e, nesse papel, coordenou os eventos regionais por longo tempo nos Estados do Norte, contribuindo para a constituição de uma cultura científica na região. Assim, viriam, em outubro de 2011, a 2ª Conferência Sul-Americana e a 7ª Conferência Brasileira de Mídia Cidadã, organizada por Maria Ataide Malcher e promovida pela Rede Brasileira de Mídia Cidadã. Os eventos continham, ainda, o I Seminário Regional da Associação de Pesquisadores Latino-Americanos da Comunicação – Bacia Amazônica, coordenado por Thomas Hurtienne e moderado por Juana Bertha. Dos eventos participaram convidados locais, nacionais e internacionais(Ferreira, 2011). Em novembro de 2012 foi a vez do 2º Encontro Regional Norte de História da Mídia – Alcar Norte –, promovido pela Associação Brasileira de História da Mídia e coordenação de Netília Silva dos Anjos Seixas. Nesse mesmo ano o curso de Comunicação da UFPA recebeu, pela Intercom, o Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação como Grupo Inovador. A UFPA, no mês de maio de 2014, receberia dois eventos de Comunicação, no início e no final do mês. Assim, o Intercom Norte voltaria a ser realizado na Universidade de 1º a 3 de maio, enquanto o 23º Encontro Anual da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) ocorreria de 27 a 30 de maio. A coordenação geral dos dois eventos seria da professora Maria Ataide, com a colaboração de docentes e discentes de Comunicação e de outros cursos. Com relação ao evento da Compós, foi a primeira vez em que foi realizado fora dos grandes centros. Nesse momento, a UFPA recebeu pesquisadores em Comunicação de todo o país, tornando-se um momento importante de troca para a instituição e para a região. 143 A UFPA sediou novamente o Alcar Norte, em sua sétima versão, ainda no momento de transição da pandemia da Covid-19 em novembro de 2022. Por esse motivo, o evento foi realizado de forma presencial e on-line, o que possibilitou a participação de pesquisadores de outros Estados da região e do país. A coordenação foi da professora Netília. Em maio/junho de 2023 foi realizado, pela primeira vez em Belém, um evento nacional de publicidade: o 13º Encontro Nacional dos Pesquisadores em Publicidade e Propaganda-Propesq, com o tema“Publicidade, consumo e sustentabilidade”. A promoção foi da Associação Brasileira de Pesquisadores em Publicidade(ABP2) e do Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia(PPGCOM) da UFPA. Participaram do evento pesquisadores locais, nacionais e de países da América Latina. A coordenação foi do professor Luiz Cezar Santos(Cantão, 2023). O último evento abordado aqui é o 22º Encontro de Pesquisadores em Jornalismo, agendado para ocorrer em novembro de 2024 na UFPA. Com o tema“Jornalismo e territórios: fluxos, hegemonias e resistências”, é realizado pela primeira vez no Pará. A promoção é da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo e a coordenação é das professoras Ana Lúcia Prado e Elaide Martins. A realização dos eventos e a participação de discentes e docentes nesses espaços, tanto locais quanto nacionais, são a materialidade no investimento em pesquisa e extensão que está sendo feito, que, se não é o máximo, tem permitido o crescimento da produção do conhecimento local pelos pesquisadores locais. Nesse sentido, cabe observar que todos os professores de Comunicação da UFPA na atualidade coordenam ou integram projetos de pesquisa; quase todos estão em grupos de pesquisa, além de haver uma produção considerável de projetos de extensão. Pesquisa de Malcher, Lopes, Miranda, Carvalho e Reale(2012) sobre a memória da Comunicação no Norte, apontava, em 2012, o cenário na região quanto à pesquisa, eventos, publicações e outros dados, permitindo observar como, já naquela época, o cenário era outro em relação ao início do século. OS CURSOS DA UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA A segunda instituição a abrir cursos de Comunicação no Pará foi a Universidade da Amazônia(UNAMA), instituição privada com fins lucrativos que completou 50 anos em 2024 e, desde 2014, passou a integrar o grupo Ser Educacional, mantenedor das Faculdades Maurício de Nassau, Joaquim Nabuco e da Uninassau. Além da UNAMA, o grupo adquiriu também, na mesma ocasião, as Faculdades Integradas do Tapajós(FIT). O valor total da compra noticiado foi de R$ 151,2 milhões. Antes, a mantenedora da UNAMA era a União de Ensino Superior do Pará(UNESPA), sediada em Belém-PA, e a da FIT o Instituto Santareno de Educação Superior(ISES), com sede em Santarém-PA(Grupo Ser..., 2014). 144 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Segundo consta em texto no site da instituição(Assessoria..., 2024), a UNAMA oferece cursos de Graduação e Pós-Graduação na modalidade presencial e EaD, estando presente, ainda, nos outros seis Estados da região Norte. Os cursos de Comunicação abertos pela UNAMA foram as habilitações em Relações Públicas e em Publicidade e Propaganda, com início em 1º de fevereiro de 1990, e em Jornalismo, em 1º de janeiro de 2003. A habilitação de Relações Públicas foi autorizada pelo Decreto nº 98.907, de 31.1.1990; a de Publicidade e Propaganda pela Resolução nº 016, de 20.2.1995; e a de Jornalismo pela Resolução nº 022, publicada em 26.8.2002. Com autorização para até cem vagas nos turnos vespertino e noturno, o curso em Relações Públicas foi reconhecido com a Portaria nº 876, de 18.6.1993, e tinha 2.936 horas. Foi o único do Estado a funcionar presencialmente até formalizar a solicitação de extinção voluntária em 2021. Já o curso de Comunicação – Publicidade e Propaganda, embora conste no e-Mec como iniciando em 1990, recebeu autorização em 1995 e reconhecimento em 1999(Portaria nº 1.684, de 3.12.1999). Inicialmente as vagas autorizadas eram 300, depois aumentadas para 780. Pode funcionar em três turnos, mas, como depende de fechamento das turmas, atua no matutino. A carga horária do curso constava como sendo de 3.240 horas, depois de 3.000 horas no e-Mec, e de 2.700 horas no site da instituição(Publicidade e Propaganda, 2024), que indica ainda haver dez professores no curso, quase todos doutores. Uma das professoras atuantes nos dois cursos, desde o início, foi Analaura Corradi, hoje aposentada. Hans Cleyton Passos da Costa é o coordenador de Publicidade e Propaganda. Jornalismo, por sua vez, foi o terceiro curso aberto em Comunicação na UNAMA, com oferta prevista para os três turnos, mas atuando, na prática, no matutino, tal como Publicidade e Propaganda. Reconhecido pela primeira vez em 26.4.2007, tem carga horária de 3.000 horas. Inicialmente foram autorizadas cem vagas, depois aumentadas para 580 em 2014, vagas essas que não têm passado de 40 por turma, seja Jornalismo ou PP. O corpo docente é quase o mesmo listado para PP, com algumas poucas diferenças. A docente Ana Lúcia Prado Reis dos Santos atuou na criação do curso, mas, desde 2018, passou a integrar o corpo docente da UFPA. Há alguns anos a coordenação tem sido do professor Mario Camarão França Neto. Do ponto de vista da avaliação do MEC, em 2022 o curso de PP obteve nota 4 no CPC e 3 no Enade, e o de Jornalismo, nota 3 no CPC e no Enade. Em 2024 faziam parte do quadro docente dos dois cursos os professores Bruno Oliveira Carachesti, Danuta de Cassia Leite Leão, Dula Maria Bento de Lima, Elson Silva dos Santos, Ivana Claudia Guimarães de Oliveira, Jessé Andrade Santa Brígida, José Maria Tavares Guarani, Maira de Cassia Evangelista de Sousa, Maria Felicia Assmar Fernandes Correia Maia, Robson Arthur Sarmento Macedo, Rodolfo Silva Marques e 145 Thiago Barros, além dos coordenadores Mário Camarão e Hans Clayton e professores de outros cursos que atuam em determinadas disciplinas. Vários professores que atuaram em tempos anteriores na instituição passaram a fazer parte dos cursos de Comunicação da UFPA. Outros espaços de atuação, como extensão e pesquisa A Universidade da Amazônia também possui outros espaços de atuação extensivos ao curso de Comunicação, como a TV UNAMA, a Rádio UNAMA FM e a Agência de Comunicação(Agecom), criados em diferentes datas. A TV UNAMA foi fundada em 2002, sendo apresentada pela instituição como a primeira emissora universitária da Região Norte do Brasil, como parte dos seus cursos criativos, e com parceria com o canal Futura, da Fundação Roberto Marinho. A ideia é possibilitar aos alunos a prática em produção audiovisual(Como foi..., 2024). Alguns anos depois, em 2005, a UNAMA inaugurou a Rádio UNAMA FM(frequência 105,5 MHz), a segunda emissora educativa da Grande Belém, vinculada à Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia(Fidesa). O estúdio principal fica nas dependências da UNAMA Ananindeua e o parque de transmissão no município de Marituba. Como educativa, a programação varia entre música, educação, entretenimento e informação. É um espaço também para a prática docente e estudantil. Na TV e na rádio há funcionários profissionais e os discentes podem participar como estagiários bolsistas ou voluntários. A Agecom apresenta-se como um programa de extensão destinado aos chamados cursos criativos, entre eles, Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Traz o slogan “feitos por alunos, para alunos” e se propõe a cumprir tarefas institucionais e de interesses acadêmicos(Quem somos, 2024). Em 2024 o coordenador geral dos projetos era o professor Mario Camarão, que nomeia os coordenadores dos veículos. Assim, o próprio professor é coordenador da TV, Jessé Andrade Santa Brígida é coordenador da Rádio UNAMA FM e Filipe Laredo é coordenador da Agecom. Com relação à pesquisa, os docentes mais envolvidos são aqueles que integram o Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura(PPGCLC), entre os quais estão os professores Maíra Evangelista de Sousa, Thiago Barros e Ivana Oliveira, entre outros. O PPGCLC é um Programa multidisciplinar que traz a Comunicação no seu âmbito, inclusive os três professores supracitados possuem projetos e integram grupos de pesquisa. 146 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ/FACULDADE ESTÁCIO DO PARÁ-ESTÁCIO FAP A Universidade Estácio de Sá(UNESA), também conhecida como Faculdade Estácio do Pará – Estácio FAP, é uma instituição de ensino de natureza privada, com fins lucrativos, a mais antiga do grupo Estácio no Estado. Em Comunicação são ofertados dois cursos – Bacharelados, Jornalismo e Comunicação e Publicidade e Propaganda –, ambos com autorização pela Portaria nº 4.166 de 15.12.2004 e início de funcionamento em 4.3.2005. Nessa época era, ainda, a Faculdade do Pará(FAP), posteriormente adquirida pelo grupo Estácio Participações, quando passou a se chamar Faculdade Estácio do Pará – Estácio FAP. Mais tarde, em 2019, a Estácio Participações tornou-se Yduqs(Yduqs, 2021). Quanto à Comunicação, há informações comuns aos dois cursos, como o funcionamento nos turnos matutino e noturno e o número de 200 vagas autorizadas, sendo 50 por turma, com entrada semestral. A professora Marize Morbach esteve à frente dos cursos no início, mas, há alguns anos, a coordenação é da professora Arcângela Auxiliadora Guedes de Sena. Outra informação comum é a avaliação feita pelo MEC, que atribuiu nota 4 para o CPC e para o Enade aos cursos em 2022. O curso de Publicidade e Propaganda foi reconhecido, primeiro, com a Portaria nº 408, de 11.10.2011, e o de Jornalismo, com a Portaria nº 187 de 1º.10.2012. A carga horária de Jornalismo é maior, com 3.138 horas, enquanto a de Publicidade e Propaganda é de 2.788 horas. Com relação ao corpo docente, são 12 professores para os dois cursos, segundo informação da coordenadora Arcângela Auxiliadora Guedes de Sena(2024, informação verbal) 30 , que considera destaque no curso a“possibilidade de unir teorias e práticas de maneira efetiva”. A professora informa, ainda, haver cinco projetos de extensão em andamento, assim como projetos de pesquisa e a edição da Puçá: Revista de Comunicação e Cultura na Amazônia, classificada no Qualis Capes 2017-2020 como B1. FACULDADES INTEGRADAS DO TAPAJÓS, DEPOIS FACULDADE DA AMAZÔNIA E CENTRO UNIVERSITÁRIO DA AMAZÔNIA– SANTARÉM O segundo curso regular de Comunicação Social criado no Pará fora da capital Belém, encontra-se em Santarém, nas Faculdades Integradas do Tapajós(FIT), do Instituto Santareno de Educação Superior(ISES). A FIT ofertava os cursos de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – e Comunicação Social – Jornalismo –, autorizados 30 Sena, Arcângela Auxiliadora Guedes de. Informações concedidas a Netília Silva dos Anjos Seixas por telefone e WhatsApp. 20 out. 2024. Ponta de Pedras; Belém, Pará. 147 pela Portaria nº 407, de 25.7.2006, e iniciados em 1º.1.2007. O reconhecimento do curso de Publicidade e Propaganda deu-se alguns anos depois, oficializado na Portaria nº 363, de 23.8.2011, e o de Jornalismo na Portaria nº 480, de 25.11.2011. Em 19 de maio de 2014 o Grupo Ser Educacional adquiriu o ISES, mantenedor da FIT, em Santarém, e a União de Ensino Superior do Pará(UNESPA), mantenedor da UNAMA, em Belém, ao custo total de R$ 151,2 milhões(Grupo Ser..., 2014). Algum tempo depois, em 2017, a FIT mudaria de nome, passando a chamar-se UNAMA – Faculdade da Amazônia de Santarém, e, no ano seguinte, Centro Universitário da Amazônia – UNAMA Santarém, sendo a mantenedora o Instituto Campinense de Ensino Superior Ltda. Quando da comemoração de 50 anos da UNAMA Belém, informava-se que o Centro Universitário possuía, em 2018,“uma estrutura com salas de aula amplas e climatizadas, laboratórios multidisciplinares, estúdios de TV e Rádio e auditórios”(UNAMA Santarém..., 2024). Quanto à avaliação pelo MEC, a última registrada para Comunicação Social – Jornalismo – é de 2018, com as notas 4 no CPC e 3 no Enade. Já o de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – traz como últimas avaliações as de 2015, sendo a nota 2 para CPC e Enade, uma queda em relação às anteriores, que eram nota 4. Junto ao MEC os dois cursos têm 110 vagas autorizadas nos turnos vespertino e noturno, mas a sua ocupação tem sido diferente nos últimos anos. De acordo com o coordenador dos cursos, Genildo Sousa Delgado Júnior(2024, Informação verbal) 31 , o curso de Jornalismo está ativo, mas não ocorre demanda, então há alguns anos não conseguem número mínimo para abrir turma. Segundo o professor,“o curso de Publicidade está com três turmas, num total de 70 alunos matriculados, somente na modalidade presencial”(Delgado Júnior, 2024). O docente destaca ainda que são os únicos cursos presenciais com oferta em Santarém e região do Baixo-Amazonas. O corpo docente para Publicidade e Propaganda seria composto por Ailanda Ferreira Tavares, Aldo Melo Lucena Junior, Augusto Cezar Baia da Silva, Joelma Viana dos Santos, Julyana Paiva da Silva, Monica Cristina Correa Carvalho e o próprio coordenador, Genildo Sousa Delgado Júnior(Publicidade e Propaganda, 2004). Todos têm cursos de Especialização e três possuem também o título de mestre. Uma parte atuou, antes, no Instituto Esperança de Educação Superior(IESPES), na mesma cidade. Há registros de alguns projetos de pesquisa, já executados, e um maior número de projetos de extensão concluídos e em andamento. Parte dos docentes tem participação profissional local, inclusive na Rádio Rural de Santarém, um marco em mídia educativa no Estado desde a década de 1960. 31 Delgado Júnior, Genildo Sousa. Informações concedidas a Netília Silva dos Anjos Seixas por WhatsApp. 20 out. 2024. Santarém; Belém, Pará. 148 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte CENTRO UNIVERSITÁRIO DO ESTADO DO PARÁ O Centro Universitário do Estado do Pará(Cesupa) é uma instituição privada sem fins lucrativos localizada em Belém, tendo como mantenedora a Associação Cultural e Educacional do Pará(Acepa). É, portanto, uma instituição local que não faz parte de redes educacionais, como outras do Estado, que nasceram locais e depois foram adquiridas por outros grupos. No período de crescimento dos cursos de Comunicação no Estado, o Cesupa também criou o seu, o Bacharelado em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda –, autorizado pela Resolução nº 009/2010, de 23.9.2010 e com início de funcionamento em 2.2.2011. O reconhecimento aconteceu em 2015, com a Portaria nº 65, de 28.1.2015. Nas avaliações do MEC o curso tem sido bem avaliado. Na última, em 2022, obteve nota 4 no CPC e 5 no Enade, esta última a maior nota entre os cursos de Comunicação – Publicidade e Propaganda no Estado nesse ano. O curso tem autorização para cem vagas anuais para os turnos matutino e noturno, mas, na prática, tem de 25 a 30 vagas por turma, incluindo possíveis entradas no segundo semestre por meio de transferência ou Exame Nacional de Cursos(Enem), como explica a coordenadora do curso, Erika Oikawa(2024, informação verbal) 32 , que destaca o viés extensionista e de integração do curso do Cesupa e da própria instituição como um todo. Segundo a professora, o curso tem baixa evasão. Assim, houve alteração na matriz curricular: a que estava em vigor de 2018 a 2023, com carga horária de 2.799 horas, foi reduzida para 2.795 horas no novo currículo instituído em 2024. De acordo com a coordenadora, na matriz, até 2023, eram obrigatórias 200 horas de estágio supervisionado(a partir do 5º semestre), das quais 60 horas deveriam ser na Agência Escola Storm, do Cesupa. Na nova matriz curricular não há a carga horária de estágio supervisionado obrigatório, e a participação na agência passou a ser voluntária. Além disso, houve atualização de atividades curriculares, uma mudança para introduzir o viés tecnológico, como inteligência artificial, e a “necessidade de incluir horas para abarcar projetos integrados, com carga horária específica, chamados de laboratório de criação, cem por cento extensionista, como pede o MEC. Todo semestre tem horário para desenvolver os projetos, como uma disciplina, de 40 ou 60 horas”(Oikawa, informação verbal, 2024). O primeiro coordenador foi o professor Afonso Luiz Lhamas de Souza, da área de Administração e Marketing, o que acabou dando uma configuração mais próxima ao marketing no primeiro currículo. Em 2024 o corpo docente era composto por dez professores, sete com formação em Comunicação Social – Danilo Miranda Caetano, 32 Oikawa, Erika. Informações concedidas a Netília Silva dos Anjos Seixas por telefone, por WhatsApp e por escrito. 19 out. 2024. Belém, Pará. 149 Danuta de Cássia Leite Leão, Felipe Jailson Souza Oliveira Florencio, Mariana Menezes de Oliveira, Thatianne Silva Sousa e Yasmin Pires Ferreira – e três com formação em outros cursos, como Direito, Arquitetura e Ciência da Computação – Cynthia Fernanda Santos Pajeu Santana, Sue Anne Collares Maestri de Oliveira e Thais Zumero Toscano. Quanto à titulação, quatro professores possuem doutorado e os demais, mestrado, sendo que uma parte deles está em processo de doutoramento. Ações de integração, extensionistas e de pesquisa O caráter de integração e extensionista da Comunicação e do Cesupa, destacado pela professora Erika Oikawa(informação verbal, 2024), está presente nas ações que têm sido desenvolvidas no curso e na instituição. Nesse conjunto estão, além da Agência Escola Storm, o Núcleo de Inovação e Empreendedorismo Júnior(Niej), a Escola de Negócios, Tecnologia e Inovação do Cesupa(Argo) e o programa de formação Amazon Hacking. O Niej inclui vários cursos, entre os quais Comunicação, e tem vários projetos desenvolvidos, principalmente com comunidades ribeirinhas. A Escola Argo, por sua vez, foi criada em 2018, englobando sete cursos: Comunicação, Administração, Ciência da Computação, Engenharia da Computação, Engenharia da Produção, Engenharia Civil e Arquitetura. Os dois últimos entraram depois. Quanto ao programa de formação Amazon Hacking, foi desenvolvido em sua terceira edição em 2024 e integrou todos os cursos(Oikawa, informação verbal, 2024). Quanto a eventos na área de Comunicação, o Cesupa tem a Semana Acadêmica de Comunicação(Comuniquê), voltada para alunos de Graduação e aberta ao público, com oficinas, palestras e mesas-redondas organizadas pelos alunos e professores do curso. Há também a Mostra Acadêmica de Publicidade(MAP), apresentando projetos de extensão integrados, e o Festival Valdecannes, sobre fotografia e audiovisual. Os dois últimos são internos, mas abertos ao público. A Comuniquê acontece desde 2013; o MAP começou em 2023 e o Valdecannes em 2024(Oikawa, informação verbal, 2024). Discentes e docentes participam intensamente também do Prêmio Exposição de Pesquisa e Produção Experimental em Comunicação(Expocom) dos congressos da Intercom em âmbitos regional e nacional. Com isso, segundo a professora, já conquistaram 24 premiações regionais e seis nacionais, uma delas em 2021 na categoria Agência Escola, com a Agência Escola Storm. Do ponto de vista da pesquisa, a professora Erika Oikawa desenvolve projeto relacionado ao Mestrado Profissional em Inteligência Territorial e Sustentabilidade da instituição, do qual é parte do corpo docente. O projeto foi aprovado em edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), com qual tem obtido bolsas de iniciação científica nos três últimos anos. Erika Oikawa integra 150 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte o grupo de pesquisa Comunicação e Práticas Culturais coordenado por Nilda Jacks, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), e o Observatório IberoAmericano de Ficção Televisiva-Obitel. Danuta Leão, por sua vez, faz parte do grupo de pesquisa Comunicação, Consumo e Identidade-Consia, coordenado por Manuella do Corral, da UFPA, e de projetos de pesquisa já concluídos ou em andamento. Assim, embora a extensão seja o aspecto mais forte da Comunicação no Cesupa, a pesquisa também se encontra presente, embora em menor expressão. A instituição é a única que permanece com gestão local, sem propriedade de grupos de ensino nacionais. UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará(Unifesspa) é uma instituição pública federal criada em 2013 a partir do desmembramento do Campus Marabá da UFPA. A sede fica em Marabá, mas há campi em outros quatro municípios da região: Rondon do Pará, Santana do Araguaia, São Félix do Xingu e Xinguara(Histórico, 2013). Segundo a instituição, seu alcance envolve“os 39 municípios da mesorregião do Sul e Sudeste paraense, ainda com potencial impacto no norte do Tocantins, sul do Maranhão e norte do Mato Grosso”(Histórico, 2013). É no Campus de Rondon do Pará que o segundo curso de Jornalismo em instituição pública no Estado foi instalado, com a criação aprovada pela Portaria nº 25, de 11.9.2013, mas tendo iniciado somente em 13.8.2018. O reconhecimento veio recentemente, com a Portaria n° 229, de 18.6.2024. O curso tem funcionamento noturno, com 3.054 horas e 40 vagas autorizadas, mas, na prática, as turmas costumam ter em torno de 15 alunos. Na avaliação do MEC de 2022, obteve notas 4 no CPC e 3 no Enade. O corpo docente do curso é composto por nove professores, todos com Doutorado: Matheus Simões Mello(diretor da Faculdade de Comunicação), Dom AC Condeixa de Araújo(vice-diretor da Faculdade), Antônio Carlos Silva Ribeiro, Diego Frank Marques Cavalcante, Francisco Chagas, Ingrid Gomes, Jax Nildo Aragão Pinto, Karolina de Almeida Calado, Marcelo Leite Barbalho. A professora Janine de Kassia Rocha Bargas também integrava o curso, mas foi cedida para universidade do sul, devendo ser redistribuída. Há ainda um professor substituto, Jefferson Sousa, que é doutorando em Comunicação na UFPA. Segundo explica Condeixa de Araújo(2024, informação verbal) 33 , a professora Ingrid Gomes atua na comunicação comunitária e os professores participam dos congressos da Intercom, da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor) e da Associação Latino-Americana de Comunicação(Alaic). O fato de haver o Intercom 33 Condeixa de Araújo, Dom AC. Informações concedidas a Netília Silva dos Anjos Seixas por telefone. 18 out. 2024. Rondon do Pará; Belém, Pará. 151 on-line ajudou a participação dos alunos. Ainda de acordo com Condeixa de Araújo (2024), em 2023 três alunos participaram do Intercom Júnior. Além disso, os jornais experimentais participaram do Expocom Júnior e o veículo Rondon Notícias online ganhou o prêmio nacional. O jornal tem expressão local. A versão em papel é publicada uma vez ao ano, no Laboratório de Jornalismo Impresso, sendo impresso na turma de Rondon do Pará e em Canaã dos Carajás, município vizinho, onde há uma turma do curso pago pela Prefeitura do município. Nessa turma os professores são do Campus de Rondon do Pará e ofertam as disciplinas de forma intensiva. A matriz curricular é igual. Todos os professores estão envolvidos com projetos de pesquisa(Projetos de Pesquisa, 2023) como coordenadores ou integrantes, alguns deles em rede com pesquisadores de outras instituições. Parte dos professores desenvolve, também, projetos de extensão (Projetos de Extensão, 2023) com temáticas variadas. Entre as atividades de extensão encontra-se a Paiá – Agência Experimental de Jornalismo –, como um programa de extensão que abriga quatro projetos específicos: o portal Rondon Notícias, a Rádio Itinerante, o Cineclube e o Núcleo de Assessoria de Imprensa(NAI).“Com o objetivo de atuar em diversas frentes e formatos do jornalismo, alunos e professores atuam de forma conjunta, compartilhando pautas e ações”(Agência Paiá, 2023). CURSOS EM SITUAÇÕES DIVERSAS : ativo sem fechar turma, em extinção e extintos O quadro atual dos cursos de Comunicação no Pará não reflete o cenário de uma ou mesmo duas décadas atrás, quando a sua situação era outra, seja pelo número ou pelas instituições existentes. Assim, é possível registrar cursos que estão ativos no MEC, mas não conseguem alunos suficientes para abrir turma, como são os casos da Faculdade Pan-Amazônica(FAPAN) e da Faculdade Paraense de Ensino(FAPEN); aqueles que estão em extinção, como do Instituto Esperança de Ensino Superior(IESPES); e aqueles que foram extintos, como os cursos da Faculdade de Estudos Avançados do Pará (FEAPA) e das Faculdades Integradas Ipiranga|(Faintipi). Há, ainda, os casos de cursos que foram criados e as instituições foram adquiridas por grupos de ensino de outras regiões do país, casos do Instituto de Estudos Superiores da Amazônia(IESAM), da Faculdade Ideal(FACI) e da Faculdade de Tecnologia da Amazônia(FAZ). FACULDADE PAN AMAZÔNICA Criada com o nome de Instituto de Ensino Superior do Pará(IESP), em 2010 torna-se Faculdade Pan-Amazônica(FAPAN), ligada a Assobes Ensino Superior Ltda. Instituição privada com fins lucrativos, possui o curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda –, autorizado pela Portaria nº 3.382, de 17.11.2003, e iniciado em 08.3.2004. O reconhecimento do curso veio com a Portaria nº 905, de 15.7.2009. 152 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte O curso possui carga horária de 2.867 horas e autorização para 100 vagas no turno matutino. As turmas, no entanto, funcionaram com número menor de alunos, em torno de 25. A última turma a entrar foi em 2017, tendo concluído em 2021. Desde então os editais de seleção são abertos, mas não completam o número mínimo para constituir uma turma(Montenegro, 2024, informação verbal) 34 . Foi também o que ocorreu em 2024. A coordenação é feita pelo diretor da FAPAN, professor Fabrício Borges Santa Brígida. Além dele, os professores Will Montenegro e Danilo Miranda Caetano compõem o corpo decente, mas ministram aulas em outros cursos. A última avaliação pelo MEC foi em 2018, quando o curso obteve as notas 3 no CPC e no Enade. Quando as turmas estavam em atividade o curso possuía a Agência Efe2-Agência Experimental, que funcionou de 2014 a 2020 para o curso de Comunicação Social Publicidade e Propaganda da Faculdade Pan Amazônica(FAPAN) e da Faculdade Paraense de Ensino(FAPEN). Segundo o professor Montenegro(2024, informação verbal), na Agência trabalhavam com casos reais, começando por ações para os próprios cursos. Ainda de acordo com o professor, havia uma espécie de incubadora, criando identidade visual para pequenos empreendimentos. Além disso, faziam estudos semanais sobre determinadas temáticas da área de comunicação, com um grupo de estudo que se debruçava sobre temáticas de interesse para estudo. A Agência deixou de funcionar com a formação da última turma. Os alunos também apresentaram trabalhos nos eventos regionais da Intercom e chegaram a ir para o congresso brasileiro, mas sem receber a premiação nacional(Montenegro, 2024, informação verbal). Com relação à pesquisa, Will Montenegro realiza Pós-Doutorado com o professor José Ferreira na Universidade Federal do Maranhão(UFMA), no programa de PósGraduação profissional, sob sua coordenação, e integra o seu grupo de pesquisa Comunicação Organizacional e Mídia, aprovado em edital do CNPq de 2023. Já o professor Fabrício Borges Santa Brígida é vinculado ao grupo de pesquisa na UNAMA de Interfaces do Texto Amazônico, sob liderança de José Guilherme de Oliveira Castro(Montenegro, 2024, informação verbal). FACULDADE PARAENSE DE ENSINO Criada com o nome de Instituto Paraense de Ensino e Cultura(IPEC), tornou-se Faculdade Paraense de Ensino(FAPEN) em 2010, também ligada à mantenedora Assobes Ensino Superior Ltda.(grupo Objetivo), com sede em Goiânia. O curso 34 Montenegro, Will. Informações concedidas a Netília Silva dos Anjos Seixas por telefone. 18 out. 2024. Belém, Pará. 153 de Comunicação Social Publicidade e Propaganda da instituição foi autorizado a funcionar por meio da Portaria nº 896, de 22.10.2007, com início em 1º.2.2010. O curso foi reconhecido algum tempo depois, com a Portaria nº 1.034, de 23.12.2015. Com funcionamento à noite, o curso possui carga horária de 2.867 horas. O número de vagas autorizadas é cem, que, nos tempos iniciais, foram preenchidas (Montenegro, 2024, informação verbal). Mais recentemente viveu o mesmo cenário da FAPAN, com turmas menores, até não conseguir formar turma para funcionar. A última avaliação pelo MEC ocorreu em 2015, quando o curso recebeu as notas 3 no CPC e 2 no Enade. Ao longo do tempo, FAPAN e FAPEN passaram a compartilhar a mesma mantenedora, os endereços de funcionamento e a gestão, o mesmo ocorrendo com os cursos de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda das duas instituições. Compartilharam também a Agência Efe2, o corpo docente e igual cenário. INSTITUTO ESPERANÇA DE ENSINO SUPERIOR O Instituto Esperança de Ensino Superior(IESPES) é uma instituição privada, sem fins lucrativos, localizada no município de Santarém, importante centro econômico e cultural do oeste paraense. O IESPES tem como mantenedora a Fundação Esperança e possui o primeiro curso de Bacharelado em Comunicação – Jornalismo – do interior do Pará, com autorização pela Portaria nº 4.338, de 13.12.2005, e início em 30.1.2006. O reconhecimento do curso deu-se com a Portaria nº 193, de 24.6.2011. A carga horária era de 3.040 horas e a coordenação atual é da professora Ana Betânia Ferreira Araújo. A última avaliação do MEC ocorreu em 2022, quando o curso obteve as notas 2 no CPC e no Enade. O curso tinha autorização para funcionar com cem vagas e, no começo, eram quase cheias, diminuindo com o passar do tempo até ter de 20 a 25 alunos em média(Rodrigues, 2024) 35 , um cenário similar a outras instituições particulares, que viram as turmas diminuírem em número de alunos, dificultando a sua formação. Com isso, o curso teve a última turma com entrada em 2021 e com conclusão em 2024, com três ou quatro alunos. O Plano Acadêmico de 2022 ofertou o curso, mas não houve alunos suficientes para a formação da turma. INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES DA AMAZÔNIA O Instituto de Estudos Superiores da Amazônia(IESAM) foi uma instituição privada com fins lucrativos criada em 2000 em Belém. No período de crescimento dos cursos de Comunicação na capital paraense, o IESAM criou três cursos de Bacharelado 35 Rodrigues, Rosa. Informações concedidas a Netília Silva dos Anjos Seixas por telefone. 15 out. 2024. Santarém; Belém, Pará. 154 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte presencial em Comunicação, nas habilitações Jornalismo e Publicidade e Propaganda, autorizados pela Portaria nº 1.829, de 20.6.2002, com início em 3.2.2003 e reconhecimento pela Portaria nº 539, de 15.6.2007. O terceiro curso, Multimídia, teve autorização com a Portaria nº 3.553, de 26.11.2003, e início de funcionamento em 9.2.2004. O reconhecimento veio com a Portaria nº 505, de 15.7.2008. Os cursos funcionavam nos turnos matutino e noturno, até que, em 1º de julho de 2014, foi anunciada a compra do IESAM pela Estácio Participações S.A. pelo valor de 80 milhões de reais(Neves, 2014). O IESAM tornou-se, então, a Faculdade Estácio de Belém – Estácio Belém. Posteriormente, em 2020, os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda solicitaram extinção voluntária, e Multimídia o fez em 2024. A Estácio Belém oferecia o curso de Comunicação – Publicidade e Propaganda na modalidade EaD. FACULDADE DE ESTUDOS AVANÇADOS DO PARÁ A Faculdade de Estudos Avançados do Pará(FEAPA) foi criada em maio de 2000 como uma Instituição de Ensino Superior com fins lucrativos, mantida pelo Centro de Estudos Avançados do Pará(Ceapa). A FEAPA obteve autorização para os cursos de Comunicação Jornalismo e Comunicação Publicidade e Propaganda com a Portaria nº 4.119, de 13.12.2004, e o início de funcionamento deu-se em 1º.8.2005. O reconhecimento foi oficializado com a Portaria nº 189, de 1º.10.2012. Inicialmente eram 200 vagas autorizadas, diminuídas posteriormente para 100. Os cursos funcionavam no período noturno e a coordenação era do professor Nelson Duarte Faro Júnior. Os cursos não mais são ofertados, estando em situação de extinção junto ao MEC. FACULDADES INTEGRADAS IPIRANGA Na primeira década do século 21, as Faculdades Integradas Ipiranga(Faintipi) estavam em atividade, em Belém, como instituição privada sem fins lucrativos, tendo como mantenedora a Associação para o Desenvolvimento Educacional do Pará(Adepa). A Ipiranga, como era conhecida, criou os cursos de Comunicação Social em Jornalismo e em Publicidade e Propaganda em 2005 e começaram a funcionar em 2.2.2006 no período noturno, com 80 vagas autorizadas. O reconhecimento do curso de Jornalismo aconteceu com a Portaria Ceres nº 371, de 30.8.2011. A coordenação era de José de Arimatéia Rodrigues do Rego. Os cursos foram extintos em fevereiro de 2020, com descredenciamento a pedido. 155 Mais alguns cursos Encerrando a descrição dos cursos de Comunicação registrados no Pará, podem ser mencionados o curso de Comunicação – Publicidade e Propaganda – da Faculdade de Tecnologia da Amazônia(FAZ) e da Faculdade Ideal(FACI). O primeiro existiu por alguns anos, mas não foram encontradas outras informações a respeito, nem o registro no e-MEC. Já o curso da FACI foi aprovado em 2017, mas não chegou a funcionar, sendo extinto. A FACI foi adquirida pelo grupo Wyden, tornando-se Faculdade Ideal Wyden e, posteriormente, pelo Grupo Yduqs, em outubro de 2019, que assumiu, também, a antiga Estácio. Na ocasião da venda, em 2019, o jornalista Mauro Bonna(2019) assim publicou em sua coluna no jornal DOL:“Os grandes engolindo os pequenos, consolidação do mercado de ensino superior. O antigo Grupo Estácio incorporou a FAP, IESAM, FCAT[Faculdade de Castanhal, no Pará] e agora a FACI. O Grupo Ser Educacional chegou comprando a antiga Faculdade Universo(Maurício de Nassau) e em seguida a UNAMA, a única universidade privada no Norte”. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO COMUNICAÇÃO, CULTURA E AMAZÔNIA O Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia(PPGCOM) foi criado em 2010, na Universidade Federal do Pará(UFPA), em Belém, inicialmente com o curso de Mestrado. Possui duas linhas de pesquisa: Comunicação, Cultura e Socialidades na Amazônia, com sete professores, e Processos Comunicacionais e Midiatização na Amazônia, com oito professores, mais dois docentes colaboradores. A UFPA fez uma primeira tentativa de aprovação do Mestrado junto a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) sem sucesso, sob a coordenação do professor Fábio Fonseca de Castro. Alguns anos depois, em 2009, nova proposta foi feita, com a elaboração do projeto a cargo dos professores Maria Ataide Malcher, Netília Silva dos Anjos Seixas e Otacílio Amaral Filho, embora todos os professores do curso de Comunicação(Jornalismo e Publicidade e Propaganda) tenham participado do processo, em menor ou maior grau. A segunda proposta foi aprovada em maio de 2010 pela Capes, com a oferta de oito vagas iniciais, havendo o primeiro processo seletivo no segundo semestre do mesmo ano. Depois, as vagas foram aumentadas para 12 e, posteriormente, para o limite de 22. Nos últimos processos seletivos a oferta de vagas para o Mestrado tem variado conforme a capacidade de orientação do corpo docente do Programa. O número de professores, inicialmente com o mínimo exigido pela Capes(oito), teve aumento posteriormente, principalmente a partir de 2014. A primeira coordenação do curso foi composta pelas docentes Maria Ataide Malcher(coordenadora) e Netília 156 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Silva dos Anjos Seixas(vice-coordenadora), em dois mandatos sucessivos, encerrados em 2014, quando foram substituídas pelos docentes Fábio Fonseca de Castro (coordenador) e Alda Cristina Costa(vice-coordenadora). Na primeira avaliação trienal da Capes, em 2012, o Programa possuía uma turma concluída e outra em andamento. Mesmo assim esteve próximo de alcançar a nota 4, que só foi obtida na avaliação quadrienal de 2016, englobando as turmas de 2013, 2014, 2015 e 2016. Com isso, foi possível apresentar a proposta para o curso de Doutorado, aprovado pela Capes e tendo a primeira turma iniciada em 2019. Na avaliação quadrienal de 2022 o Programa obteve a nota 5(Muito Bom). O curso de Doutorado em Comunicação da UFPA era o único da Região Norte até 2024. Nessa trajetória outros acontecimentos ocorreram, como mudança de prédio e premiação da primeira tese em Comunicação defendida na UFPA em 2022, que obteve o Prêmio Capes de Teses na área Comunicação e Informação, primeiro lugar na categoria tese do Prêmio Intercom 2023 e menção honrosa no Prêmio Compolítica de Teses 2023 da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica). A premiada foi Lorena Esteves, que teve a orientação da professora Danila Gentil Rodriguez Cal. Embora este item acerca do PPGCOM esteja sucinto e não descreva uma série de outros acontecimentos, há que se considerar ter havido um crescimento gradual do ensino, da pesquisa e da extensão no curso de Comunicação da UFPA no Estado e na região. O ponto de partida foram os primeiros projetos de pesquisa e extensão, propiciando a inserção desses pesquisadores na cena acadêmica e científica do Estado e para além dele. As falas da professora Maria Ataide Malcher no início do PPGCOM eram constantes no sentido de lembrar que estávamos ainda constituindo uma cultura científica em Comunicação no Estado e na região, e que era preciso um certo tempo para isso acontecer. REVISTAS ACADÊMICAS PUBLICADAS NO ESTADO Do ponto de vista de revistas acadêmicas em Comunicação ou que publicam artigos da área, pode-se citar Puçá, Aturá, Asas da Palavra e Movendo Ideias. A Aturá – Revista Pan-Amazônica de Comunicação(ISSN nº 2526-8031) – foi criada em 2017 com a participação de Estados da região Amazônica, tendo como editores principais docentes de quatro Estados da região: Francisco Gilson Rebouças Porto Júnior(Universidade Federal do Tocantins – Unitins), Sandro Colferai(Universidade Federal de Rondônia – Unir), Vilso Júnior Santi(Universidade Federal de Roraima – UFRR) e Elaide Martins(Universidade Federal do Pará – UFPA). A Revista propunha-se a publicar“resultados de pesquisas e estimular debates sobre questões teórico-metodológicas da pesquisa em Comunicação, Jornalismo e 157 Educação”, procurando“contribuir para a criação e fortalecimento de uma rede de pesquisadores na confluência dessas áreas em nível nacional e internacional, tendo por base os grupos e núcleos de pesquisa no Brasil e no Exterior”(Aturá, 2021). A periodicidade era quadrimestral, tendo sido publicado o último número em 2021. Já a Revista Asas da Palavra(ISSN 1415-7950) é uma publicação iniciada em 1993 pelo curso de Letras da Universidade da Amazônia(UNAMA). Na edição de janeirojunho de 2020 mudou a linha editorial ao integrar-se ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura(PPGCLC) da UNAMA, de natureza interdisciplinar, passando a incorporar temáticas relativas também ao universo da Comunicação. Ainda, como uma publicação do PPGCLC da UNAMA, a Revista Movendo Ideias (e-ISSN 2675-3162) propõe-se a aceitar“trabalhos de diversas áreas do conhecimento, a fim de proporcionar aos seus leitores uma variedade temática sobre comunicação, linguagens e cultura, numa perspectiva interdisciplinar”(Editorial, 2015). Embora sendo interdisciplinar, da mesma forma que a revista anterior, publica artigos da área de Comunicação. A Puçá – Revista de Comunicação e Cultura na Amazônia(INSS 2526-4729) – é uma publicação da Faculdade Estácio FAP com escopo multidisciplinar, classificada no Qualis Capes 2017-2020 como B1. A Revista começou a circular em 2015 com a proposta de constituir uma“rede de contatos no Pará e em toda a Amazônia sobre as produções científicas em Jornalismo, Publicidade e outros campos da Comunicação, circulando o conteúdo científico produzido na região, abrangendo as práticas de cultura, de mercado e de pesquisa”(Sobre a Revista, 2024). OUTRAS INFORMAÇÕES RELEVANTES Associações estaduais de professores e pesquisadores da comunicação Não há associação de professores e pesquisadores específicos de Comunicação no Pará. Há, na UFPA, a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará (Adufpa), mas se constitui em associação de todos os professores, entre os quais se incluem os de Comunicação. Bibliotecas especializadas em Comunicação Quanto à parte bibliográfica em Comunicação, há as bibliotecas de cada instituição de ensino, com produções da área em seus acervos, mas não se pode afirmar serem especializadas propriamente. 158 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Agências estaduais de fomento à pesquisa Foram identificadas três fundações ligadas a instituições de ensino ou voltadas para financiamento da pesquisa no Pará. São a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa(FADESP), criada em 1977 para dar suporte a atividades de pesquisa, extensão e inovação da Universidade Federal do Pará(Quem somos?, 2019); a Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia(Fidesa), fundada em 1997 pela Universidade da Amazônia para apoiar atividades de pesquisa, extensão e capacitação de recursos humanos na região(Legislação, 2024); e a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas(FAPESPA), uma fundação do governo do Pará fundada em 2007 com o objetivo de“fomentar a pesquisa em ciência, tecnologia e inovação” no Estado(Sobre nós, 2024). Por ser do Estado, a FAPESPA é a mais abrangente, lançando editais para projetos e financiando bolsas de iniciação científica e de Pós-Graduação. Publica editais que contemplam pesquisas na área de Comunicação, mas não é algo regular. Prêmios instituídos Na UFPA há o Prêmio Pibic de Verão, designado anualmente, que contempla pesquisas por institutos na instituição, no qual se inclui o curso de Comunicação, com discentes e docentes premiados em várias ocasiões. Não se trata, no entanto, de uma premiação específica para a Comunicação, mas está incluída no processo. Cooperação desenvolvida sistematicamente com outros Estados da região A cooperação com pesquisadores de outros Estados da região de forma sistemática passou a ocorrer a partir de uma confluência de fatores, que contribuíram para o início e a constituição gradativa de uma cultura científica na área de Comunicação no Estado e na região. A criação dos projetos e dos grupos de pesquisa possibilitou a produção de conhecimento na região e sobre a região, e a realização de eventos permitiu a visibilização do que estava sendo feito e por quem, resultando em aproximações e afinidades. Desse modo, há projetos de pesquisa com a participação de pesquisadores de mais de um Estado da região, assim como a obtenção de dois editais do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica da Capes(Procad-Capes). Um deles teve a participação de pesquisadores da Comunicação da UFPA e de outras duas instituições, a Universidade Federal de Sergipe e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, esta a instituição líder do projeto. Um outro teve a participação da UNAMA, da Universidade Federal do Tocantins e da Universidade Federal de Minas Gerais, que liderou a proposta. São dois casos, mas há vários outros, que vão se somando ao processo de constituição 159 de um fazer pesquisa e extensão na região, resultando não somente nos eventos e parcerias em projetos, mas também em publicações. AO MODO DE CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos à parte do que deve ser o final do texto tendo abordado várias informações, mas percebendo, ainda, o quanto ficou por ser dito, principalmente sobre os grupos de pesquisa, os projetos de extensão e de pesquisa e as publicações científicas em forma de artigos ou livros, elementos que são fundamentais no cenário acadêmico contemporâneo. Além disso, percebemos a entrada e o domínio dos grupos educacionais nacionais sobre as instituições privadas de ensino locais, outrora dominantes e hoje reduzidas. Sucintamente, podemos relembrar o começo difícil dos cursos de Comunicação no Estado; o crescimento gradual e as aproximações e redes de contato e diálogos que permitem espraiamentos e visibilidades que oxigenam o fazer pesquisa, extensão e ensino. Algo já foi feito, mas muito mais há por fazer diante de uma região rica, diversa e complexa do ponto de vista da vida, da cultura e das suas vivências comunicacionais. Referências AGÊNCIA PAIÁ. 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Acesso em: 15 set. 2024. 162 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte UFPA. Universidade Federal do Pará. Conselho Superior de Ensino e Pesquisa. Resolução n º 399, de 21.1.1977. Define o Currículo Pleno do Curso de Graduação em Comunicação Social, na forma do Parecer nº 631/69 e Resolução nº 11/69 do Conselho Federal de Educação. Entrará em vigor a partir do ano letivo de 1977. Belém: Conselho Superior de Ensino e Pesquisa, 1977a. Disponível em: https://sege. ufpa.br/boletim_interno/downloads/resolucoes/consepe/1977/399%20Define%20 curriculo%20pleno%20do%20curso%20de%20Comunicacao%20Social.pdf. Acesso em: 20 set. 2024. UFPA. Universidade Federal do Pará. Conselho Superior de Ensino e Pesquisa. Resolução n º 400, de 21.1.1977. Constitui o Colegiado do Curso de Comunicação Social. Belém: Conselho Superior de Ensino e Pesquisa, 1977b. 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Disponível em: https://sege.ufpa. br/boletim_interno/downloads/resolucoes/consepe/1980/674%20Desincorpora%20 departamentos.pdf. Acesso em: 15 set. 2024. UFPA. Universidade Federal do Pará. Conselho Superior de Ensino e Pesquisa. Resolução n º 677, de 14 de agosto de 1980. Institui o curso de especialização em comunicação. Belém: Conselho Superior de Ensino e Pesquisa, 1980b. Disponível em: https://sege.ufpa.br/boletim_interno/downloads/resolucoes/consepe/1980/677%20 Institui%20curso%20de%20especializacao.pdf. Acesso em: 15 set. 2024. UFPA. Universidade Federal do Pará. Conselho Superior de Ensino e Pesquisa. Resolução n º 1.671, de 3.10.1988. Desmembra o Departamento de Artes e Comunicação, do Centro de Letras e Artes, em Departamento de Comunicação e Departamento de Artes. Belém: Conselho Superior de Ensino e Pesquisa, 1988a. Disponível em: https://sege.ufpa.br/boletim_interno/downloads/resolucoes/ consepe/1988/1671%20Desmembra%20o%20Departamento%20de%20Artes%20 e%20Comunicacao.pdf. 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Resolução n º 2.702, 5 de novembro de 1999. Aprova o Curso de Especialização“Cultura e Midiologia das Sociedades Contemporâneas”. Belém: Conselho Superior de Ensino e Pesquisa, 1999. Disponível em: https://sege.ufpa.br/boletim_interno/downloads/ resolucoes/consepe/1999/2702%20Aprova%20o%20curso%20de%20especializacao. pdf. Acesso em: 15 set. 2024. UFPA. Universidade Federal do Pará. Conselho Superior de Ensino e Pesquisa. Resolução n º 3.057, de 12 de junho de 2003. Homologa o Parecer nº 016/03-CEG, que define o currículo pleno do curso de Graduação em Comunicação Social. Belém: Conselho Superior de Ensino e Pesquisa, 2003. Disponível em: https://sege.ufpa.br/ boletim_interno/downloads/resolucoes/consepe/2003/Microsoft%20Word%20-%20 3057.pdf. Acesso em: 15 set. 2024. UFPA. Universidade Federal do Pará. Conselho Superior de Ensino e Pesquisa. Resolução n º 3.121, de 29 de janeiro de 2004. Homologa o Parecer nº 002/04-CPPG, que aprova o Curso de Especialização em Imagem e Sociedade – Estudo sobre o Cinema. Belém: Conselho Superior de Ensino e Pesquisa, 2004a. Disponível em: https://sege.ufpa.br/ boletim_interno/downloads/resolucoes/consepe/2004/Microsoft%20Word%20-%20 3121.pdf. Acesso em: 15 set. 2024. UFPA. Universidade Federal do Pará. Conselho Superior de Ensino e Pesquisa. Resolução n º 3.185, de 28 de junho de 2004. Conselho Superior de Ensino e Pesquisa. Aprova o Projeto Pedagógico do Curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, a ser ofertado em Parauapebas. Belém: Conselho Superior de Ensino e Pesquisa, 2004b. Disponível em: https://sege.ufpa.br/boletim_interno/downloads/resolucoes/ consepe/2004/Microsoft%20Word%20-%203185.pdf. Acesso em: 15 set. 2024. UFPA. Universidade Federal do Pará. Conselho Superior de Ensino e Pesquisa. Resolução n º 5.163, de 19 de março de 2019. Aprova o Regimento do Programa de 164 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia, em níveis de Mestrado e de Doutorado. Belém: Conselho Superior de Ensino e Pesquisa, 2019. Disponível em: https://sege.ufpa.br/boletim_interno/downloads/resolucoes/consepe/2019/5163%20 Aprova%20o%20Regimento%20do%20Programa%20de%20P%C3%B3s%20 Gradua%C3%A7%C3%A3o%20em%20Comunica%C3%A7%C3%A3o%20 Cultura%20e%20Amaz%C3%B4nia.pdf. Acesso em: 15 set. 2024. UFPA. Universidade Federal do Pará. Conselho Superior de Ensino e Pesquisa. Resolução n º 5.284, de 19 de fevereiro de 2020. Aprova o Projeto Pedagógico do Curso de Comunicação Social – Jornalismo, de interesse do Instituto de Letras e Comunicação(ILC). Belém: Conselho Superior de Ensino e Pesquisa, 2020. Disponível em: https://sege.ufpa.br/boletim_interno/downloads/resolucoes/ consepe/2020/5284%20Aprova%20o%20Projeto%20Pedag%C3%B3gico%20do%20 Curso%20de%20Comunica%C3%A7%C3%A3o%20Social%20-%20Jornalismo.pdf. Acesso em: 15 set. 2024. UFPA. Universidade Federal do Pará. Conselho Superior de Ensino e Pesquisa. Resolução n º 5.660, de 21 de maio de 2023. Aprova o Curso de Especialização em Jornalismo de Dados, Inteligência Artificial e Pesquisa Netnográfica, de interesse do Instituto de Letras e Comunicação(ILC). Belém: Conselho Superior de Ensino e Pesquisa, 2023. Disponível em: https://sege.ufpa.br/boletim_interno/downloads/resolucoes/consepe/2023/5660%20 Aprova%20o%20Curso%20de%20Especializa%C3%A7%C3%A3o%20em%20 Jornalismo%20de%20dados,%20inteligencia%20artificial%20e%20pesquisa%20 netnografica.pdf. Acesso em: 15 set. 2024. UNIFESSPA. Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. P ortaria nº 25/2013 –Reitoria/Unifesspa. Autoriza a criação e oferta do curso de Jornalismo. 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Cidade Belém Belém Belém Belém Belém Belém Situação Ativo Ativo Extinto Ativo Ativo Extinto como IESAM Ativo como Estácio Belém Tornou-se Faculdade Estácio de Comunicação Social Belém – Estácio – Publicidade e 3.2.2003 150 Belém Propaganda Faculdade Pan Amazônica/ FAPAN Comunicação Social 4 – Publicidade e 8.3.2004 100 Propaganda PCFL** Belém EaD Extinto como IESAM Belém Ativo(sem fechar turma) 166 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Faculdade Estácio do Pará Jornalismo 5 – Estácio FAP 4.3.2005 200 PCFL** Publicidade e Propaganda 4.3.2005 200 Faculdade de Comunicação Social Estudos – Publicidade e 5.8.2002 100 Avançados do Propaganda 6 Pará/FEAPA PCFL** Comunicação Social – Jornalismo 1º.8.2005 100 Instituto Esperança de Educação 7 Superior/IESPES Comunicação Social – Jornalismo 30.1.2006 100 PSFL*** Faculdades Integradas Ipiranga/ 8 Faintipi PSFL*** Comunicação Social – Jornalismo 2.2.2006 80 Comunicação Social – Publicidade e 2.2.2006 80 Propaganda Centro Universitário Comunicação Social da Amazônia/ – Jornalismo 1º.1.2007 110 9 UNAMA Santarém PCFL** Comunicação Social – Publicidade e 1º.1.2007 110 Propaganda Faculdade Paraense de Ensino/FAPEN Comunicação Social 10 – Publicidade e 1º.2.2010 100 Propaganda PCFL** Centro Universitário do Estado do Comunicação Social 11 Pará/Cesupa – Publicidade e 2.2.2011 100 Propaganda PSFL*** Belém Ativo Belém Ativo Belém Em extinção Belém Em extinção Santarém Em extinção Belém Extinto Belém Extinto Santarém Santarém Ativo (sem fechar turma) Ativo Belém Ativo (sem fechar turma) Belém Ativo 167 Universidade Federal do Sul e Sudeste do Jornalismo 12 Pará/Unifesspa 13.8.2018 40 Rondon do Pará Ativo PF* Centro Universitário Internacional/ Comunicação Social 13 Uninter – Publicidade e 6.2.2017 Propaganda 1.100 PCFL** Centro Universitário Adventista de São Paulo/ Comunicação Social 14 UNASP – Publicidade e 1º.2.2021 3.480 Propaganda PSFL*** EaD Sede em Curitiba / Paraná Ativo EaD Sede em São Paulo Ativo * PF: Pública federal;** PCFL: Privada com fins lucrativos;*** PSFL: Privada sem fins lucrativos; Fonte: Dados da pesquisa a partir de registros no e-Mec e nos sites das instituições. 168 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 169 JUANA BERTHA Rosane Steinbrenner Juana Bertha Rojas Loayza nasceu em 27 de dezembro de 1941 em Iquitos(Peru). É filha de Antero Lorenzo Rojas Melendez e Bertha Irene Loayza de Rojas, e tem quatro irmãos. Realizou Graduação na Escola de Jornalismo da Universidade Pontifícia Católica do Peru(PUCP) em 1970, em Lima. Sua monografia de conclusão da Licenciatura em Jornalismo levou o título“Flujo y direccionalidad de la Comunicación en una nova forma de empresa camponesa: sociedad agrícola de interes social”, sob orientação de Moisés Arroyo Huaniria. Trabalhou como assessora de comunicação em instituições de cooperação internacional sediadas no Peru. Durante seis anos, entre o final da década de 1960 e início da de 1970, ainda em Lima, trabalhou como assessora de Comunicação da Direção Andina do Instituto Interamericano de Ciências Agrícolas(IICCA), vinculado à Organização dos Estados Americanos(OEA). Nesse tempo desenvolveu atividades em comunicação e Informação científica e Relações Públicas. Atuou, também, na editoração de um Boletim Informativo Andino, em atividades de assessoria de imprensa(TV, Jornal, Rádio, Revistas) e na organização e participação de eventos nacionais, internacionais e mundiais. No Brasil, entre 1977 e 1979, realiza Mestrado em Comunicação na Universidade de Brasília(UNB) com bolsa do IICCA-OEA. Sua dissertação,“Opinião latente de professores universitários e Jornalistas da grande imprensa de Lima, Peru, sobre a Declaração de Princípios da Unesco” foi orientada por Lytton Guimarães. 170 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Juana Bertha torna-se professora visitante na Universidade Federal do Pará(UFPA) em 1981, assumindo as disciplinas de Teorias da Comunicação e Metodologia Científica, além de Ética e Políticas Públicas da Comunicação. Estas eram voltadas tanto às habilitações de Jornalismo quanto de Publicidade e Propaganda. Em 1983 passa a integrar o quadro efetivo dos professores do então Departamento de Comunicação(Decom) da Universidade Federal do Pará(UFPA), que fazia parte do chamado, à época, Centro de Letras e Artes(CLA). O Doutorado irá realizar entre 1999 e 2003 junto a Universidade Metodista de São Paulo(UMESP), sob orientação de Graça Caldas. O título da tese é“Os indicadores das relações entre a Mídia e as Representações Sociais das mulheres de baixa renda sobre a Aids”. Durante o período do Doutorado realizou, também, uma capacitação no Laboratório de Pesquisa Social e Desenvolvimento (Lapsis), do Programa de Pós-Graduação(PPG) do Instituto de Psicologia Social. A ênfase foi dada à“Imagem como elo de ligação entre a Comunicação e as Representações Sociais”. Seu estágio Pós-Doutoral foi realizado em 2010, como continuação ao curso de Capacitação em Representações Sociais, com o projeto de pesquisa“As representações sociais: sua abordagem no campo da Comunicação”, desenvolvido junto ao Lapsis da UNB, onde também atuou como professora colaboradora e orientou trabalhos acadêmicos na Especialização e na Graduação, entre os quais a pesquisa“A ditadura do Legal”(com ênfase no Cinema) pelo qual compartiu o prêmio Pão de Açúcar/Intercom(1996) de incentivo à Pesquisa de Graduação em Comunicação Social. Na região amazônica trabalhou durante os anos de 1990 como secretária executiva da Associação das Universidades Amazônicas (UNAMAZ), que faz parte dos organismos da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica(Otca), sediada na UFPA. Como coordenadora da Casa de Estudos Latino-americanos(1990-1993), da Associação de Relações Nacionais e Internacionais da UFPA (Arni), iniciou os contatos e diálogos com as Embaixadas da Espanha e o Instituto Cervantes de São Paulo e de vários países de América Latina para o estabelecimento da Casa de Estudos Ibero-Americanos, a qual coordenou em seu primeiro ano de funcionamento(1990). Na UFPA Juana atuou também na gestão como coordenadora do curso de Comunicação no final dos anos 1980. Ela participou, ainda, 171 da instalação de uma biblioteca especializada e uma hemeroteca, bem como da criação do Laboratório de Pesquisa Permanente em Comunicação e, como uma das suas principais metas, a introdução do curso de Mestrado em Comunicação. Em 1990 cria, no âmbito do Departamento de Comunicação da UFPA, a Especialização“Teoria e Metodologia da Comunicação”, coordenada por ela e colegas. Em 1989, sob sua coordenação, foi criado, em parceria com a então estatal Companhia Vale do Rio Doce(CVRD), o primeiro projeto de pesquisa do curso. Entre 1999 e 2000 participou da articulação junto a Reitoria da UFPA, ao MEC e a Universidade Federal da Bahia, para a criação do Mestrado Institucional em Comunicação com Ênfase em Comunicação e Cultura Contemporânea. Em 2005 participou da primeira proposta de curso de Mestrado em Comunicação da UFPA. Em 1994 coordenou duas atividades: o curso“Formulação de Projetos Interdisciplinares em Comunicação” e o seminário“Pesquisa em Comunicação no Estado do Pará: avanços, limitações e perspectivas”. Juana Bertha Rojas Loayza, no ano em que se aposentou, 2012, foi homenageada num evento que encerrava as comemorações dos 35 anos da Faculdade de Comunicação. Ela faleceu em 1º de dezembro de 2015, em Brasília. Principais publicações LOAYZA, Juana Bertha Rojas. Opinião estática de jornalistas e de estudantes de comunicação a respeito da declaração de princípios sobre os meios de comunicação de massa formulada pela Unesco em 1978: variáveis relacionadas com essa opinião. 1979. 110 f. Dissertação(Mestrado em Comunicação) – Universidade de Brasília, Brasília, 1979. LOAYZA, Juana Bertha Rojas. Informação, poder e desenvolvimento. In: ARAGÓN, Luis E.; IMBIRA, Maria de Nazaré Oliveira(org.). Informação e documentação na Amaz ô nia. Belém: Universidade Federal do Pará: Assessoria Especial de Relações Nacionais e Internacionais: Casa de Estudos Latinoamericanos, 1989. LOAYZA, Juana Bertha Rojas. A mídia e a construção das representações das mulheres sobre a Aids: relações e configurações. 2003. Tese(Doutorado em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional) – Universidade Metodista de São Paulo, 2003. 172 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte REGINA ALVES Avelina Castro Regina de Fátima Mendonça Alves nasceu em 20 de junho de 1951 em Belém(PA). É filha de mãe solteira. Ao fim do curso primário, no Colégio Santa Rosa, obteve uma bolsa de estudos que lhe custeou o antigo curso ginasial e depois o curso clássico(preparatório para a área de humanidades) no Colégio Moderno, misto e de ensino laico. Cursou Biblioteconomia na Universidade Federal do Pará(UFPA) entre 1969 e 1972, pois na década de 1960 ainda não havia curso de jornalismo em Belém. Foi voluntária como redatora e apresentadora do programa Ronda Estudantil, da Casa da Juventude(instituição católica de jovens), que ia ao ar na Rádio Marajoara. Jornalista sem diploma, Regina pôde exercer a profissão pelo provisionamento, autorização concedida nos lugares onde não havia curso de jornalismo até determinado período. Em 1968 foi aprovada num programa do governo norte-americano que lhe permitiria estudar um ano nos Estados Unidos, mas o esforço de guerra no Vietnã eliminou as bolsas e a família não podia pagar. Em 1969 começou a trabalhar como jornalista, convidada pelo editor do jornal O Alvi Azul, do time de futebol paraense Paissandu. Em fevereiro de 1970 foi contratada como repórter no jornal O Liberal. Logo depois foi setorizada na Auditoria Militar, onde acompanhou julgamentos de acusados de subversão, enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Depois de formada em Biblioteconomia(UFPA) em 1972, dividirse-ia entre as duas profissões, trabalhando na Biblioteca Central da UFPA e como repórter do jornal A Província do Pará, dos Diários Associados. Voltou como redatora do O Liberal, fez reportagens 173 para a Folha do Norte e, em 1978, foi para o Rio de Janeiro cursar Especialização em Documentação Científica, no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), e fez estudos sobre literatura e sociedade em Angola, no Instituto de Estudos Afro-Asiáticos da Faculdade Cândido Mendes. Não obteve licença para cursar a Pós e, por isso, pediu demissão da UFPA, abandonando a Biblioteconomia. De volta a Belém, continuou trabalhando no jornalismo diário e fez correspondência para a Revista Veja. Em 1981 assumiu a chefia do Departamento de Jornalismo da TV Liberal, afiliada à TV Globo, descobrindo a paixão pelo telejornalismo. De volta ao impresso em O Liberal, foi convidada para lecionar Técnica de Redação Jornalística no curso de Comunicação Social como professora visitante. Em 1983 fez concurso, passou em primeiro lugar e foi contratada, atuando na redação e em sala de aula. Na área administrativa seu último cargo foi o de assessora de comunicação do reitor da UFPA, de 2008 a 2016. Antes, coordenou o Colegiado do Curso de Comunicação Social e foi vice-chefe do Departamento de Comunicação. Ministrou as disciplinas de Ética e Comportamento Jornalístico, Jornalismo Comparado, Projetos Experimentais em Jornalismo, História da Imprensa, Telejornalismo e, no final da década de 1990, criou a disciplina Mídia e Direitos Humanos. Entre 1987 e 1988 assessorou o diretor da TV Cultura e participou da criação de programas locais, que também eram exibidos na grade nacional da TV Cultura. Em 1988 foi novamente para a TV Liberal chefiar o Núcleo de Rede da TV Globo, com a missão de cobrir todo o Pará – e, eventualmente, parte da Amazônia – para os jornalísticos nacionais. Voltou a O Liberal para trabalhar na editoria de Responsabilidade Social, onde permaneceu até maio de 1996, quando arrefecia a cobertura do massacre de Eldorado dos Carajás. Foi seu último trabalho em telejornalismo. Em 1998, a convite do então reitor da UFPA, assumiu a coordenação do Projeto Academia Amazônia, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão. Com apoio da Fundação de Pesquisa da UFPA(FADESP), a Academia ganhou sede e equipamentos digitais, passando a produzir o Minuto da Universidade. Regina transformou a iniciativa em um projeto de extensão do curso de Comunicação. Em 2001 deixou a coordenação para realizar o Mestrado em Comunicação e 174 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Cultura Contemporânea da Universidade Federal da Bahia(UFBA). A dissertação, intitulada“Círio de Nazaré: da taba marajoara à aldeia global”, foi orientada por Lindinalva Oliveira Rubim e coorientada por Heraldo Maués. Ela também integrou o grupo de pesquisa“Os espetáculos culturais na Amazônia”, coordenado por Otacílio Amaral Filho, da Faculdade de Comunicação da UFPA. No Doutorado sua tese foi orientada por Heraldo Maués e defendida em 2012 no curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFPA, área de concentração Antropologia. Chama-se“O manto, a mitra e o microfone: a midiatização do Círio de Nazaré em Belém do Pará”. Militou no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Pará e, na área da cultura popular, foi fundadora e carnavalesca da Escola de Samba Acadêmicos da Pedreira, onde assinou enredos sobre temas regionais e de sátira política e social durante a fase de redemocratização do país. Regina Alves atuou por quase 40 anos, até se aposentar em 2017, como professora na UFPA, quando passou a colaborar na mesma Instituição em temas que envolvem as áreas de Comunicação, Círio de Nazaré e Carnaval. Principais publicações ALVES, Regina; RUBIM, Lindinalva Silva Oliveira. C í rio de Nazaré: da taba marajoara à aldeia global. 2002. Dissertação(Mestrado) – Universidade Federal do Pará, Universidade Federal da Bahia, Programa de Mestrado Interinstitucional em Comunicação e Cultura Contemporâneas, Belém, 2002. ALVES, Regina. O manto, a mitra e o microfone: a midiatização do círio de Nazaré em Belém do Pará. 2012. Tese(Doutorado) – Universidade Federal do Pará, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Belém, 2012. ALVES, Regina. A procura da imagem perdida. In: PEREIRA, João Carlos(org.). Memória da televisão paraense e os 25 anos da TV Liberal. Belém: Secult: ORM, 2002. ALVES, Regina; AMARAL FILHO, O. Iludindo a vigilância: o sonho cabano no carnaval de Belém do Pará. In: COLÓQUIO SEMIÓTICA 175 DAS MÍDIAS, 4., 2015, Japaratinga. Anais[...]. Japaratinga, AL: UFAL, 2015. p. 1-10. V. 4. ALVES, Regina; AMARAL FILHO, O. Corpo peregrino e corpo imagem no Círio de Nazaré. In: COLÓQUIO SEMIÓTICA DAS MÍDIAS, 3., 2014, Japaratinga. Anais[...]. Japaratinga: UFAL, 2014. p. 1-16. V. 3. 176 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte LÍVIA BARBOSA Erika Oikawa Lívia Lopes Barbosa nasceu em 3 de fevereiro de 1958 em Belém (PA). É filha de Jonas da Costa Barbosa e de Aderlina Lopes Barbosa. A vida escolar de Lívia teve início na Escola do Basa. Depois os estudos tiveram continuidade no então Colégio Moderno. Ingressou na Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal do Pará(UFPA) em 1976. Por ter passado em primeiro lugar no vestibular, foi convidada para trabalhar no jornal O Liberal pelo proprietário do veículo. Nele atuou como repórter, cuja experiência na reportagem ajudou Lívia a decidir entre quais das habilitações do curso seguir, optando por Publicidade. Cursou a disciplina Teoria Literária no curso de Letras, e sua identificação com a disciplina foi tamanha que ela decidiu cursar uma segunda vez, atuando como monitora informal da disciplina. Posteriormente fez o nível dois da disciplina. Como aluna de Graduação, decidiu cursar francês na Aliança Francesa e, já no segundo ano do curso, foi convidada para lecionar as turmas iniciantes. Na mesma época recebeu, também, o convite para dar aulas de língua portuguesa e de educação artística no Colégio Moderno, onde atuou como professora por dois anos. Em sua trajetória profissional, passou pela Guerreiro Comunicação, agência na qual atuou como redatora e exerceu suas habilidades de design gráfico em uma fábrica de plásticos. O Colégio Moderno voltaria a cruzar o seu caminho logo após a sua Graduação, mas, dessa vez, para assumir o Departamento de Comunicação da instituição e das Faculdades Integradas Colégio Moderno(Ficom). Em 1986 participou do concurso público para 177 docência na área de Arte Publicitária, no qual passou em segundo lugar, sendo nomeada e dando início à trajetória na docência na UFPA. Já professora da Universidade, fez o Mestrado em Teoria Literária na Pós-Graduação em Letras da UFPA. Sua pesquisa de Mestrado resultou na dissertação“Faca de vários gumes: um estudo sobre o desejo erótico na poesia de Carlos Drummond de Andrade”, defendida em 1993, sob a orientação de Amarílis Tupiassú. O Doutorado, por sua vez, foi realizado na Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), também na área de Estudos Literários. A pesquisa foi intitulada“Imagens da pedra: uma tradução intersemiótica de poesia e design gráfico em Age de Carvalho”, orientada por Luiz Cláudio Vieira de Oliveira e defendida em 2004. A partir de seus trabalhos na interface entre Comunicação, Design e Literatura, Lívia sugeriu a criação da disciplina Literatura e Comunicação, uma das várias que ministrou no curso de Graduação em Comunicação da UFPA. Outra importante contribuição de Lívia no curso de Comunicação foi ajudar na reativação da Oficina de Criação, em meados da década de 2000. Sob a sua coordenação, a oficina consolidou-se como agência experimental de publicidade. No campo da pesquisa acadêmica integrou o Grupo de Pesquisa em Publicidade e Propaganda(GRUPPU), pelo qual participou do projeto de pesquisa“PubliCIDADE: as narrativas mitomidiatizadas da Amazônia pela Propaganda e pela Publicidade”(2014 a 2016). Passou a integrar a Associação Brasileira de Pesquisadores em Publicidade(ABP2), participando anualmente do Encontro Nacional dos Pesquisadores em Publicidade e Propaganda(Propesq-PP). Lívia Lopes Barbosa é uma das referências importantes no curso de Publicidade e Propaganda da UFPA, principalmente pelos trabalhos desenvolvidos na interface entre as áreas da Literatura e da Comunicação, sua marca registrada tanto na pesquisa quanto na docência. Principais publicações BARBOSA, Lívia L. A faca de vários gumes: um estudo sobre o desejo erótico na poesia de Carlos Drummond de Andrade. 1994. Dissertação(Mestrado em Linguística e Teoria Literária) – Programa de Pós-Graduação em Letras, Centro de Letras e Artes, Universidade Federal do Pará, Belém, 1994. 178 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte BARBOSA, Lívia L. Imagens da pedra: uma tradução intersemiótica de poesia e design gráfico em Age de Carvalho. 2004. Tese(Doutorado em Estudos Literários) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2004. LOPES BARBOSA, Lívia. Europa, França e Bahia. Moara, v. 25, p. 240, 2006. LOPES BARBOSA, Lívia. Néctar dos deuses: análise de anúncios de campanha publicitária para iogurte dietético. In: AMARAL FILHO, Otacílio; CASTRO, Fábio Fonseca de; SEIXAS, Netília Silva dos Anjos(org.). Pesquisa em comunicação na Amazônia. Belém: FADESP, 2010. p. 165-186. V. 1. 179 REGINA LIMA Fernanda Chocron Miranda Regina Lúcia Alves de Lima nasceu em 16 de março de 1958 em Belém(PA). É filha de Adélia e Raimundo Nonato de Lima. É casada com Durval de Souza Filho e mãe de Felipe e de Luiza. Estudou em Belém, no Colégio Estadual Deodoro de Mendonça (1º Grau), e no Colégio Estadual Magalhaes Barata(2º Grau). Cursou Graduação em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda(1978-1983) e em Jornalismo(1985) na Universidade Federal do Pará(UFPA). Regina teve importante papel na estruturação do Centro Acadêmico de Comunicação(Caco) e nas reinvindicações por melhorias e pelo reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação(MEC). Já formada, trabalhou como jornalista na Fundação de Telecomunicação do Pará(Funtelpa) e como assessora de imprensa na Secretaria de Educação do Estado do Pará(Seduc), no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas(Sebrae) e na Fundação Nacional de Saúde(Funasa). Em 1990 foi aprovada em concurso público de professor substituto para atuar na Graduação de Comunicação Social da UFPA. Ainda como professora substituta do curso, entre 1990 e 1992 ela especializou-se em Teoria e Metodologia da Comunicação. De 1992 a 2001 atuou como docente da Universidade da Amazônia(UNAMA) Em 1993 iniciou o Mestrado em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), tendo sido orientada por Antônio Fausto Neto. Enquanto residiu no Rio de Janeiro, também lecionou em diferentes Instituições de Ensino Superior (IES). Em 1996 iniciou o Doutoramento, também na UFRJ. A tese 180 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte de Doutorado, que virou livro anos depois, teve como título“Vozes em cena: as disputas simbólicas de sentido no espaço público mediatizado”, e foi defendida em 2001, ano em que foi nomeada professora efetiva do curso de Comunicação Social da UFPA após aprovação em concurso público em 1998. Regina esteve à frente de disciplinas teóricas e de laboratórios práticos na Graduação ou no período em que esteve credenciada no Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia (2010 a 2016), seja como orientadora de Trabalhos de Conclusão, de iniciação científica e de Mestrado ou, ainda, à frente de projetos e grupos de pesquisa, com destaque ao Laboratório de Mídia e Política(2005 e 2006) e ao Grupo de Pesquisa“Com Pública/ Amazônia”, mantido desde 2018. Também teve atuação relevante na gestão universitária como chefe do então Departamento de Comunicação(2002 a 2004), como vicecoordenadora de Colegiado do curso(2005) e como vice-diretora da Faculdade de Comunicação(2020 a 2022). Ela ainda colaborou nos processos de revisão e de realização do Projeto Pedagógico dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda da Faculdade de Comunicação(FACOM) da UFPA. De 2007 a 2010 Regina foi convidada pela então governadora do Estado a presidir a Fundação de Telecomunicação do Pará(Funtelpa). Apesar de ser a primeira experiência de gestão fora do ambiente acadêmico, o trabalho empreendido na presidência da Funtelpa ganhou reconhecimento nacional no campo da comunicação pública, e, em 2009, foi eleita presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas(Abepec). Ainda como presidente da Associação, coordenou o I Fórum Internacional para Conteúdo de TV Pública, ocorrido em 2010, na cidade de Belém, assim como, por convite do escritório da Fundação Ford no Brasil, realizou visitas técnicas em TVs públicas das cidades de Washington D.C. e de Boston, favorecendo a partilha de experiências de produção entre as emissoras públicas brasileiras vinculadas à Abepec. Em 2011 Regina retorna para a UFPA, contudo, no segundo semestre do mesmo ano, é convidada a assumir o cargo de Ouvidora Geral da Empresa Brasil de Comunicação(EBC), em Brasília, mantendo apenas disciplinas e orientações no âmbito do PPGCOM. Com a visibilidade alcançada como ouvidora da EBC, em 2014 é convidada a atuar, por um ano, no setor de participação 181 social da Secretaria-Geral da Presidência da República e, em seguida, assume a Ouvidoria do Ministério da Cultura(Minc). Estas experiências deram origem a estudos durante um Pós-Doutorado na Universidade de Brasília(UnB), entre 2017 e 2018. Regina retornou à UFPA no segundo semestre de 2018 e desde então tem direcionado- se aos cursos de Graduação e a coordenar projetos de extensão, sua principal ênfase. Entre as iniciativas, vale mencionar os projetos“Jambu Festival: Conexões Periferia” e o “Festival Paraense de Música e Artes Cênicas Jambu Live”(2020). Os referidos projetos foram propulsores da configuração do“Circuito Jambu Multicultural”, que promove oficinas sobre concepção e captação de recursos para projetos culturais, planos de carreira para artistas locais, curadoria de produções culturais e realização de um festival voltado a valorizar e visibilizar ações de cultura e arte de diferentes Estados da Amazônia Legal. Regina Lima também tem se dedicado a investigar desinformações e ao combate a fake news, por meio de projeto de pesquisa em rede nacional. É professora titular da Universidade Federal do Pará, tendo a interface Comunicação e Política como principal linha de investigação. Principais publicações LIMA, R. L. A. de. A política e seu funcionamento discursivo: estratégias, marcas e contratos. Comunicação& Sociedade, v. 26, p. 41-60, 1996. Disponível em: https://www.metodista.br/revistas/ revistas-metodista/index.php/CSO/article/view/8114 LIMA, R. L. A. de. Vozes em cena: análises das estratégias discursivas da mídia sobre os escândalos políticos. Belém: FADESP, 2010. 156 p. Disponível em: http://rosepepe.com.br/acquerello/wp-content/ uploads/2016/02/VOZES_EM_CENA.pdf LIMA, R. L. A. de. Em defesa da comunicação pública. In: RAMOS, M. C.; GERALDES, E. C.; SILVA, J. D. DA; SOUSA, J.; NEGRINI, V. Em defesa da Comunicação Pública. Brasília: FAC Livros, 2016. p. 217-228. V. 1. Disponível em: https:// faclivros.wordpress.com/wp-content/uploads/2017/03/faclivros_ emdefesacomunicacaopublica_0910171.pdf LIMA, R. L. A. de. Narrativas de si: histórias memoráveis da minha trajetória acadêmica e profissional. Memorial descritivo para 182 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte concurso de professora titular de Regina Lúcia Alves de Lima, 1978 a 2022. Belém, 2022. PINHO, U. N. S.; LIMA, R. L. A. de. Narrativas cinematográficas sobre Amazônia: vozes, modos e ênfases retóricas em documentários contemporâneos do Estado do Pará. Revista Visagem, v. 2, p. 242-264, 2016. Disponível em: https:// grupovisagem.org/revista/edicao_v2_n2/artigos/narrativas_ cinematograficas_sobre_a_amazania/11_narrativasetnograficas.pdf 183 ANALAURA CORRADI Camila de Andrade Simões Analaura Corradi nasceu em 12 de maio de 1958 em São Paulo(SP). É filha de Celso Corradi e Laura Scarparo Corradi. Morou em São Paulo até a adolescência, estudando no sistema público estadual de ensino. Mais tarde mudou-se para o Rio Grande do Sul, residindo nas cidades Rio Grande, Cruz Alta e Pelotas. Cursou o Primeiro Grau no Colégio Nossa Senhora da Paz, em São Paulo(SP) e no Colégio Estadual Lemos Junior em Rio Grande (RS). O Segundo Grau foi cursado no Colégio Estadual Zuleika de Barros Martins Ferreira, em São Paulo(SP). Analaura graduou-se em Comunicação Social com habilitações em Jornalismo e Relações Públicas na Universidade Católica de Pelotas(UCPel) em 1980. Atuou por vários anos no mercado de comunicação no Rio Grande do Sul, com destaque para a cidade de Cruz Alta, onde esteve ligada ao Grupo RBS. Mudou-se com os filhos para a cidade de Belém(PA) para se juntar aos pais, permanecendo por quatro décadas. Analaura trabalhou em organizações regionais de comunicação, como o jornal O Liberal e a Rádio Cultura, desempenhando atividades em várias regiões do Pará, além de trabalhar diretamente na Assessoria de Comunicação da Secretaria de Saúde do Estado. Fez o Mestrado em Letras na Universidade Federal do Pará(UFPA) entre 1995 e-1998, com a pesquisa intitulada“Estudantes entre apostilas e livros: questões de leitura”, orientada por Joaquim Nepomuceno de Oliveira Neto. O título de doutora foi obtido em 2009, em Ciências Agrárias, na Universidade Federal Rural da Amazônia(UFRA), com foco na compreensão dos processos 184 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte de comunicação em fazendas rurais no município do Marajó, por meio da tese“O turismo rural como oportunidade de negócios no Marajó Oriental – Soure e Salvaterra”, orientada por Antonio Cordeiro Santana. Ainda na década de 1990, na estruturação da Universidade da Amazônia(UNAMA), Analaura foi convidada para compor a equipe de elaboração do curso de Relações Públicas, tornandose sua coordenadora pelos dez anos seguintes. Na oportunidade, auxiliou na montagem das matrizes dos cursos de Jornalismo e de Publicidade. Em 2009 tornou-se docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura, assumindo a coordenação do programa de 2015 a 2017. Em 2014 também passou a integrar o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano. Em paralelo, atuou por 20 anos na Organização Não Governamental Forest Off Road, com o objetivo de realizar expedições off road no Estado do Pará no campo das ações sociais e da cidadania, além de dedicar trabalho voluntário à Cruz Vermelha por 10 anos. Como eixos de ação, entre ensino, pesquisa, extensão e ação social, buscou agregar a comunicação enquanto processo educacional às frentes de trabalho e de pesquisa interdisciplinares que atravessaram décadas de atuação. Entre os destaques dessa multifacetada atuação estão produções intelectuais publicadas no campo das religiosidades afrodescendentes no país; ou a extensa atuação em grupos acadêmicos, como o Grupo de Estudos de Capital Social e Cultural(UNAMA/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq), o Grupo de Estudos Interações e Tecnologia da Amazônia – ITA(UNAMA/UFPA), o Grupo de Estudos Batuques, Patrimônio Cultural e Representações do Lugar(UNAMA) e o Grupo de Estudos Narramazônia(UNAMA/UFPA). Analaura Corradi traz em sua trajetória a interdisciplinaridade, ajudando a consolidar discussões no campo do desenvolvimento, da sociedade, da interculturalidade, das religiosidades e das plataformas digitais. Ao todo foram 33 anos dedicados à UNAMA, cuja jornada como professora encerrou-se em 2022. Aposentada, e após 40 anos de morada no Norte do Brasil, Analaura Corradi retornou ao Rio Grande do Sul. 185 Principais publicações CORRADI, A.; PASSOS, C. M. M. V. Imagens e metáforas culturais amazônicas – ver-o-peso por entre rios, ruas, florestas e redes. Movendo Idéias, UNAMA, v. 22, p. 38-50, 2017. CORRADI, A.; MELO, H. F. S.; AZEVEDO, H. C. Literatura e cinema: as possibilidades metodológicas viáveis como elementos básicos de comparação entre aspectos do contar – contos clássicos – através da Literatura e da Cinematologia. Revista Internacional de Apoyo a la Inclusión, Logopedia, Sociedad y Multiculturalidad, v. 4, p. 100-114, 2018. CORRADI, A.; RIBEIRO, H. F. B. Imagens-histórias de Paula Sampaio: um processo semiótico, artístico e etnográfico. Movendo Idéias, UNAMA, v. 23, p. 5-10, 2018. CORRADI, A.; ASSUMPÇÃO, D. J. F.; LOPES, M. S. B.; CABRAL, A. C. L. C.; REIS, M. J. Democratizar o acesso à comunicação para construir a cidade sustentável. Brazilian Journal of Health Review, v. 3, p. 12.706, 2020. CORRADI, A.; ALVES, J. M. E. Vulnerabilidade das classes populares e a hermenêutica gadameriana sobre saúde. Brazilian Journal of Development, v. 8, p. 44.898-44.914, 2022. 186 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ALDA COSTA Rosane Steinbrenner Alda Cristina Silva da Costa nasceu em 1º de outubro de 1962 em Belém(PA). É filha de dona Alzenir. É a quarta filha de oito irmãos. Estudou na Escola Estadual Barão do Rio Branco, Escola Estadual Vilhena Alves e no Colégio Augusto Meira. Na Universidade Federal do Pará(UFPA), cursou Comunicação Social – Jornalismo(1986) –, defendendo a monografia“A televisão para o público infantil”, sob orientação de Fátima Aragão. Fez Especialização em Teorias e Metodologia da Comunicação(1992) e Mestrado em Sociologia(2004). A dissertação intitulou-se“A violência como espetáculo: um debate em torno do Programa Metendo Bronca”, orientada por Wilson Barp. Realizou Doutorado em Ciências Sociais(2010), novamente orientada por Wilson Barp, e defendeu a tese“Embate entre o visível e o invisível: a construção social da violência no jornalismo e na política”. Seu estágio Pós-Doutoral foi realizado em Comunicação, Linguagens e Cultura na Universidade da Amazônia(UNAMA) entre 2016 e 2017, instituição na qual iniciou sua trajetória como professora em 1994, para os cursos de Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Cocriou o grupo de pesquisa Hermenêutica e Comunicação – Hermenecom –, registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), assim como o projeto de pesquisa Hermenêutica Comunicativa: estudos da mídia na Amazônia. De 1986 a 1990 Alda foi repórter e depois editora na Fundação de Telecomunicações do Pará(Funtelpa). Em 1991 assumiu atividades de assessoria de imprensa no governo do Estado do Pará. Ao longo 187 de quatro anos executou atividades de planejamento da política de comunicação organizacional. Depois, de 1995 a 2011, atuou como assessora política na Assembleia Legislativa do Estado do Pará. Em 2011 ingressa como docente efetiva da Faculdade de Comunicação (FACOM) da UFPA. Em suas pesquisas segue trabalhando com o fenômeno social violência e as narrativas midiáticas, em parceria com os colegas da UNAMA e da Universidade do Estado do Pará (Uepa): o grupo de estudos e pesquisas Narrativas Contemporâneas na Amazônia, o NarrAmazônia. Alda apresenta, em seguida, o primeiro projeto denominado“Mídia e Violência: narrativas midiáticas na Amazônia Paraense”, aprovado no Edital Universal do CNPq e realizado de 2012 a 2015. Ao lado desse projeto de pesquisa, coordenou os projetos de extensão “Academia Amazônia” e“Minuto da Universidade: diálogos comunitários”, responsáveis pelo jornalismo e divulgação científica audiovisual da UFPA. Apresentou um segundo projeto –“Mídia e Violência: percepções e representações na Amazônia” –, aprovado também no Edital Universal/CNPq e realizado de 2015 a 2017, em parceria com a Universidade da Amazônia. Seu terceiro projeto chama-se“Mídia e Violência: sentidos e significados na Amazônia”, aprovado no Edital Universal/CNPq, realizado em parceria entre UFPA e UNAMA. Alda Cristina Silva da Costa, pelo arco do percurso como pesquisadora, desenvolveu sua produção no fenômeno da violência, narrativas, hermenêutica, comunicação, imaginário e medo. Principais publicações COSTA, A. C. S.; COSTA, V. M. T. Enunciações no jornalismo de TV: o repórter narrador em ação. Eikon – Journal on Semiotics and Culture, v. 11, p. 71-80, 2022. Disponível em: https://ojs.labcomifp.ubi.pt/eikon/article/view/1215 COSTA, A. C. S.; VENTURA, J. C. S.; OLIVEIRA, I. C. G.; VENTURA NETO, R. S. Apontamentos interpretativos e jornalísticos sobre a Amazônia: o discurso de Bolsonaro na ONU. Mídia e Cotidiano, v. 16, p. 259-282, 2022. Disponível em: https://periodicos.uff.br/ midiaecotidiano/article/view/52398 COSTA, A. C. S. O medo é a mensagem. In: COSTA, A. C. S. da. AMORIM, C, R. T. C.; OLIVEIRA, I. C. G. de(org.). O medo é a mensagem: narrativas midiáticas na Amazônia Paraense. 1. ed. 188 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Belém: Editora C2N, 2020. Disponível em: https://livroaberto.ufpa. br/jspui/handle/prefix/1046 COSTA, A. C. S. da. FERREIRA JUNIOR, S. E. S.; KABUENGE, N. N. Composição da intriga na narrativização de acontecimentos violentos. Contemporânea, UFBA, on-line, v. 18, p. 53-70, 2020. COSTA, A. C. S.; BRAGA, T. L. C. Amazônia em pedaços: discursos sobre a divisão do Pará no Jornal Correio do Tocantins. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 15, p. 1-19, 2020. COSTA, A. C. S. da; BRAGA, T. L. C.; PINHO, A. C. do N.; KABUENGE, N. N. A construção social da violência na Amazônia Paraense: relações discursivas do Jornal Correio do Tocantins. Revista Observatório, v. 4, p. 293-321, 2018. 189 RAIMUNDA MONTEIRO Rosa Luciana Pereira Rodrigues Raimunda Nonata Monteiro nasceu em 7 de novembro de 1959 em Santarém(PA). É filha de Maria Odila Monteiro e João Soares da Cruz, que tiveram nove filhos. Alfabetizou-se em casa e, depois, começou a frequentar escolas. Passou pela Escola São Francisco, em Santarém, e, depois, mudouse e frequentou escolas em Marabá(PA), Coroatá(MA), Belém(PA) e Goiânia(GO). De volta a Santarém concluiu o Ensino Médio na Escola Estadual Álvaro Adolfo da Silveira, em 1977, e estabeleceu seu engajamento social a partir do teatro, sindicatos, movimentos grevistas, comunicação popular e fundação do Partido dos Trabalhadores no município. Em 1987, quando morava em Belém e atuava como assessora parlamentar e militava como instrutora de comunicação junto a organizações populares da Transamazônica, ingressou no curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Pará(UFPA). Teve o Trabalho de Conclusão orientado por Juana Bertha Loayza sobre“A utilização Panfletária dos Jornais‘O Liberal’ e‘A Província do Pará’ nas eleições 90 no Estado do Pará”(1990), formando-se em Jornalismo. No âmbito da pesquisa, em 1991 fez um“Diagnóstico dos Meios de Comunicação na Amazônia”, realizando um levantamento extensivo com financiamento da Rádio Nederland(Holanda). Os resultados renderam projetos de comunicação que foram desenvolvidos na Rádio Rural de Santarém. No início dos anos 1990 foi coordenadora editorial do Jornal Meio, produzido pelo Fórum Amazônia Oriental(Faor). 190 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Defendeu o curso de Mestrado Internacional em Planejamento de Desenvolvimento Regional(1996), com a dissertação intitulada “Informação e Redes de Interação no Novo Ciclo de Mobilizações dos Pequenos Agricultores da Transamazônica”, sob orientação de Índio Campos. Realizou Doutorado em Ciências: Desenvolvimento Socioambiental(2003), com a pesquisa“Biodiversidade da Amazônia e Mercados Locais”, sob a orientação de Edna Maria Ramos de Castro. As pesquisas de Mestrado e Doutorado foram realizadas no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA(Naea). O Pós-Doutorado, concluído em 2020, foi realizado na Universidade de Coimbra/Portugal, orientado por Boaventura de Sousa Santos. Pesquisou sobre a integração da Amazônia a partir da rodovia Transamazônica, cujo trabalho resultou no livro“Amazônia: espaçoestoque, a negação da vida e esperanças teimosas”. Raimunda iniciou carreira como docente no Ensino Superior no ano de 1995, na Universidade da Amazônia(UNAMA), em Belém. Entre os anos 1996 e 1998 foi professora na Universidade de Brasília (UNB). Nas duas instituições atuou na formação de jornalistas, ministrando as disciplinas Teorias da Comunicação, Pesquisa de Opinião, Pesquisa em Comunicação e Comunicação Regional. Entre 1997 e 2000 trabalhou no Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal na coordenação do Subprograma Projetos Demonstrativos do Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil(PPG7), em apoio a projetos sustentáveis de comunidades e Organizações Não Governamentais da Amazônia e Mata Atlântica. Também coordenou a efetivação do Programa de Assistência Técnica para populações extrativistas na Amazônia, associada ao crédito de fomento às atividades extrativas da Amazônia Brasileira(Prodex). No Pará liderou a criação do Instituto de Desenvolvimento Florestal (Ideflor) e o primeiro Plano de Outorga de Florestas Estaduais no Brasil. Em 2004 ingressou na Universidade Federal Rural da Amazônia(UFRA), em Belém, e em 2005, retornou a Santarém, atuando no campus local. No ano de 2009, com a criação da Universidade Federal do Oeste do Pará(UFOPA), a partir da junção dos Campi da UFRA e da UFPA, passou a fazer parte do grupo de docentes da nova instituição, onde, entre 2009 e 2011, foi vice-reitora; em final de 2013 assumiu 191 o cargo de reitora pro tempore; e, em 2014, tornou-se a primeira reitora eleita da instituição, assumindo o mandato até abril de 2018. Como reitora da UFOPA, titulou a primeira turma de Especialização em Jornalismo Científico com apoio de docentes da Faculdade de Comunicação da UFPA. Em 2019 ministrou um curso especial no Centro de Estudios Brasileños na Universidade de Salamanca, que resultou na coordenação de dossiês sobre os Conflitos Socioterritoriais que se agravaram na Amazônia. Também participou na organização de um livro intitulado“Tensões e vivências afirmativas na Amazônia Brasileira”, publicado em 2024. Raimunda Monteiro é professora titular do Instituto de Ciências da Sociedade/UFOPA e, atua como secretária adjunta da Secretaria Executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável(CDESS) da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. Sua trajetória, tanto acadêmica quanto profissional e, principalmente, a de atuação nos movimentos populares e organizações governamentais no âmbito do meio ambiente, tornou-a referência como jornalista da região envolvida em discussões sobre a Amazônia. Como atuante da imprensa sindical e em processos de comunicação popular, incentivou a formação e a atuação de jovens comunicadores em regiões do interior do Pará. Principais publicações MONTEIRO, R. Os Wai Wai vão à Universidade. In: ANDRADE, E. O.(org.). Brasil: 200 anos de resistência e luta do povo trabalhador. São Paulo: Fundação Perseu Abramo: Editora Hucitec, 2023. MONTEIRO, R. Avelino Ribeiro: a busca da terra como liberdade. In: ALMEIDA, R. SACRAMENTO, E.(org.). A luta pela terra na Amazônia: mortos na luta pela terra, vivos na luta pela terra. Santarém: Editora dos Autores, 2022. p. 283-337. V. 1. E-book. Disponível em: https://livroaberto.ufpa.br/jspui/handle/prefix/1044 MONTEIRO, R. Amazônia: espaço-estoque, a negação da vida e esperanças teimosas. 1. ed. Belém: Editora Dalcídio Jurandir: Imprensa Oficial do Oeste do Pará, 2021. 280 p. V. 1. MONTEIRO, R.; GAMA, J. R. V. Política florestal e desenvolvimento regional: caminhos que precisam se cruzar. In: GAMA, João Ricardo Vasconcellos; ANDRADE, Dárlison Fernandes Carvalho de(org.). 192 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Ciência aplicada ao uso múltiplo da floresta no Baixo Amazonas. 1. ed. Curitiba: CRV, 2020. p. 13-328. V. 1. MONTEIRO, R.; GAMA, J. R. V. Conflitos socioambientais e ordenamento territorial em contexto de gestão florestal no Pará. In: ALMEIRA, R. et al.(org.). Caderno diálogos interdisciplinares: Baixo Amazonas em questão. 1. ed. Santarém, PA: Sistema Integrado de Bibliotecas/Universidade Federal do Oeste do Pará(SIBI/UFOPA), 2017. V. 1. Disponível em: Caderno diálogos. MONTEIRO, Raimunda N.; IADANZA, Enaile do Espírito Santo; LASTRES, Helena Maria Martins(coord.). Tensões e vivências afirmativas na Amazônia Brasileira. Salamanca: Centro de Estudos Brasileiros: Universidade de Salamanca(CEB/USAL), 2024. 193 LUCIANA COSTA Rosa Luciana Pereira Rodrigues Luciana Miranda Costa nasceu em 26 de março de 1966 em São Paulo(SP). É a primeira filha de Argeu Mendes Costa e de Maria Lúcia de Miranda Costa. Estudou na Escola Estadual Emygdio de Barros na capital paulista. Concluiu o curso de Jornalismo em 1987 na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP). Além das aulas, das experiências em laboratórios de mídia e dos estágios na imprensa, destaca-se sua atuação como repórter no jornal popular impresso Aqui/Agora. Ainda em São Paulo especializou-se em Radialismo e abriu uma microempresa para gravação de eventos com edição de vídeos. Entre 1989 e 1992 trabalhou como repórter nas rádios Eldorado e Cultura. Sua aproximação com o Estado do Pará começou a partir de pautas sobre conflitos no Estado na redação da Rádio Eldorado e na Rádio Cultura. As viagens e os contatos renderam diversas produções jornalísticas. Com essa experiência, ao final daquele mesmo ano decidiu morar e fazer a Pós-Graduação no Pará. Enquanto preparavase para começar o Mestrado, ainda teve experiências como freelance dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, como assessora de imprensa na Assembleia Legislativa do Pará e como jornalista na Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos(SPDDH). A partir de 1994 ingressou na vida acadêmica com o Mestrado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará(Naea/UFPA), com um período sanduíche no Woods Hole Research Center(EUA). Resultou na dissertação com o título“Fazendas Riachão, Montes Claros e Pintada: o estudo de um conflito agrário em Eldorado do 194 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Carajás – o discurso dos agentes sociais”(1996). Teve a orientação de Priscila Faulhaber Barbosa e a coorientação de Francisco de Assis Costa. A dissertação recebeu o segundo lugar do prêmio Naea de dissertações de Mestrado em 1996 e virou livro:“Discurso e conflito: dez anos de disputa pela terra em Eldorado do Carajás”. O Doutorado foi realizado no período de 2000 a 2004, também no Naea/UFPA. Orientada por Daniel Curtis Nepstad, Luciana defendeu a tese intitulada“Sob o fogo cruzado das campanhas: ambientalismo, comunicação e agricultura familiar na prevenção ao fogo acidental na Amazônia”. No período do Doutoramento realizou duas experiências sanduíche, uma na Indiana University/ Bloomington e a outra no Woods Hole Research Center, ambas nos Estados Unidos, sob a coorientação de Eduardo S. Brondízio. A tese teve reconhecimento nacional com o prêmio Sober 2005 como a“Melhor Tese de Doutorado em Sociologia”. Também foi uma das finalistas do Prêmio da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom 2005) e conquistou o segundo lugar no Prêmio Naea Teses 2004, sendo publicada em livro com o título“Comunicação e Meio Ambiente: análise das campanhas de prevenção a incêndios florestais na Amazônia”(2006). Realizou dois estágios de Pós-Doutoramento. O primeiro feito na Universidade Nova de Lisboa(UNL), em Portugal, entre 2012 e 2013, e o segundo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), de 2018 a 2020. A carreira docente de Luciana começou em 1997, quando foi aprovada em concurso do Departamento de Comunicação Social da UFPA para professora da disciplina de Radiojornalismo. Na Graduação, até o ano de 2015, também ministrou outras disciplinas: Comunicação e Ciência, Comunicação e Meio Ambiente, Estratégias Institucionais em Comunicação na Amazônia, Metodologia Científica, entre outras. Além da docência, também passou por experiências de gestão, sendo chefe do Departamento de Comunicação em dois mandatos(20002001 e 2004-2006) e coordenadora da Assessoria de Comunicação (2007-2009); ela ainda organizou uma série de eventos científicos. Desenvolveu diversas pesquisas, entre as quais“Os 70 Anos do Rádio em Belém”;“Universidade no ar: ensino, pesquisa e extensão com as ondas do rádio”; e“Amazônia em Chamas: análise discursiva da cobertura da imprensa sobre meio ambiente(1975-2002)”. 195 Um dos marcos em sua atuação na UFPA foi a criação da Rádio Web UFPA, em 2009, no âmbito de um projeto de extensão para divulgação radiofônica das atividades realizadas pela Universidade nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Luciana coordenou a rádio Web até 2015, com diversos reconhecimentos em premiações nacionais. Com a criação do Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia, em 2010, foi integrada como docente, ministrando a disciplina Estratégias Institucionais em Comunicação na Amazônia, e entre as dissertações que orientou no PPGCOM/UFPA, uma delas foi agraciada com o prêmio da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós-2022). Desde 2015, após a finalização do processo de redistribuição, ela desenvolve suas atividades no campo da comunicação vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), atuando na Graduação com disciplinas e projetos ligados ao rádio e no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia(PPGEM), tanto na docência quanto na gestão. Luciana Miranda Costa é reconhecida nacionalmente como referência em estudos de comunicação e meio ambiente, e também com destaque nas pesquisas sobre o rádio no Pará. Principais publicações COSTA, L. M. Discurso e conflito: dez anos de disputa pela terra em Eldorado do Carajás. 1. ed. Belém, PA: UFPA/Naea, 1999. 247 p. V. 1. COSTA, L. M. The Brazilian Press and the environmental issues at the beginning of the XXI century: the amazon deforestation in journalistic discourse. Revista General de Información y Documentación, v. 26, p. 697-712, 2016. COSTA, L. M. Entre o ambiental e o político: o discurso jornalístico sobre o novo e polêmico Código Florestal Brasileiro. In: ANJOS, Netília Silva dos Seixas; COSTA, Luciana Miranda; COSTA, Alda Cristina (org.). Comunicação: visualidades e diversidades na Amazônia. 1. ed. Belém: FADESP, 2013. p. 32-53. V. 1. COSTA, L. M. O boom ambiental na imprensa: uma análise das 196 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte notícias sobre desmatamentos e queimadas na Amazônia da década de 70 aos anos 2000. Desenvolvimento e Meio Ambiente, UFPR, v. 2, p. 47-68, 2008. COSTA, L. M. O esverdeamento da imprensa. Estudos em Jornalismo e Mídia, UFSC, v. 3, p. 41-54, 2006. COSTA, L. M. Comunicação e meio ambiente: análise das campanhas de prevenção a incêndios florestais na Amazônia. Belém, PA: Naea/ UFPA, 2006. 197 NETÍLIA SEIXAS Vanessa Brasil de Carvalho Netília Silva dos Anjos Seixas nasceu em 27 de julho de 1963 em Santa Maria da Vitória(BA). É a décima segunda filha de Timóteo Pereira dos Anjos e Maria Silva dos Anjos. É casada com Luiz Maurício e tem dois filhos: Bruno e Laura. Do 1º ao 3º ano primário estudou na Escola Paroquial de Santa Maria da Vitória,(BA). O 4º ano na Escola Nossa Senhora Aparecida, em Belém(PA). Do 5º ao 6º ano estudou no Colégio Santamariense, em Santa Maria da Vitória(BA). O 7º e o 8º anos do Primeiro Grau e o 1º ano do Segundo Grau foram cursados no Colégio Santa Cruz, em Araguaína(GO), hoje Tocantins. O 2º e o 3º anos na Escola Estadual de Segundo Grau Orlando Bitar e Centro Interescolar Maria da Silva Nunes, em Belém(PA). Em 1983 ingressou no curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Pará(UFPA). Como graduanda, estagiou na Pró-Reitoria de Extensão e na Assessoria de Comunicação da Universidade, tendo participado da criação do jornal institucional Beira do Rio. Para finalizar o curso, em 1986, produziu o Trabalho de Conclusão “A opinião latente de estudantes universitários sobre credibilidade política”, orientado por Juana Bertha Rojas Loayza. Após a formatura iniciou o trabalho como repórter no jornal impresso A Província do Pará, onde permaneceu por dois anos. Também atou profissionalmente como jornalista na Rádio Cultura, vinculada à Fundação de Telecomunicações do Pará(Funtelpa) a partir de 1988, e na Assessoria de Comunicação do Museu Paraense Emílio Goeldi, entre 1991 e início de 1992. 198 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Em 1992 finalizou o curso de Especialização em Teoria e Metodologia da Comunicação também pela UFPA – com a monografia“Argumentação, polifonia e orientação discursiva num texto jornalístico”, sob orientação de José Carlos Cunha – e, já no ano seguinte, ingressou no Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Letras(PPGL) da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), com orientação de Luiz Antonio Marcuschi. Em 1996 defendeu a dissertação intitulada“Representação discursiva da questão agrária na grande imprensa”. Retornando a Belém atuou como professora visitante no curso de Comunicação da UFPA por dois anos(1997-1999), e também desenvolveu atividade jornalística e de pesquisa na Assessoria de Comunicação Social do Museu Paraense Emílio Goeldi, por meio do Programa de Capacitação Institucional do Ministério da Ciência e Tecnologia, entre 1999 e início de 2000. Em dezembro de 2001 foi aprovada no curso de Doutorado, novamente no PPGL da UFPE, mantendo como orientador Luiz Antonio Marcuschi. O Doutorado foi realizado entre 2001 e 2006, e, a partir de 2005, com coorientação de Maria Virgínia Leal. A defesa da tese, intitulada“Jornalismo e ironia: produção de sentido em jornais impressos no Brasil”, ocorreu em 2006. Em janeiro de 2001 foi contratada como professora permanente no curso de Comunicação da UFPA. Atuou como coordenadora do curso(2002-2003) no período de renovação do currículo do curso de Comunicação Social. Integrou, por muitos anos, o Núcleo Docente Estruturante(NDE) do curso, e depois ocupou o cargo de chefe de Departamento(2006-2008) e de vice-diretora da Faculdade de Comunicação(2008-2010). Na Graduação lecionou “Comunicação e Teorias da Linguagem” e disciplinas relacionadas ao radiojornalismo e à produção de programas em rádio. Desenvolveu projetos de pesquisa sobre história e memória dos meios de comunicação regionais. O primeiro era chamado“Jornais Paraoaras: percurso da mídia impressa em Belém”, desenvolvido entre 2009 e 2011. Outros seis projetos seguiram com temáticas relacionadas ao estudo da imprensa e do jornalismo na região. O projeto“Meios de Comunicação no Pará em Perspectiva Histórica: entre memórias e sentidos”, iniciado em 2021 e renovado em 2024, recebeu apoio de estudantes de Graduação, Mestrado e Doutorado. De bolsistas de iniciação científica foram em torno de 40 orientandos 199 em todos esses anos. Faz parte, também, de“Worlds of Journalism Study-WJS3”, um projeto com matriz em Munique, na Alemanha. Em 1995 associou-se à Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), e, anos mais tarde, em 2013, à Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar), onde exerceu os cargos de Diretora Regional Norte e de presidente do Conselho Fiscal. O ano de 1995 marcou a fase inicial de participação em eventos da área, com apresentação de trabalhos no congresso da própria Intercom, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência(SBPC) e no GT Estudos do Discurso do Encontro Anual da Associação Nacional dos Programas de PósGraduação em Comunicação(Compós). Desde 2016 é uma das editoras da Revista Brasileira de História da Mídia(RBHM), publicada pela Alcar. Capitaneou a organização de eventos acadêmicos como parte da equipe ou na coordenação. Aqui destacam-se as duas edições do Encontro Regional Norte de História da Mídia, em 2012 e 2022. A partir da década de 2010 participou do processo de elaboração do projeto e de instituição do Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia da UFPA, exercendo a vicecoordenação por dois mandatos(2010-2014), e como docente orienta pesquisas na linha“Processos Comunicacionais e Midiatização na Amazônia”. No programa sua principal disciplina é “Metodologias de Pesquisa em Comunicação”. Desenvolveu pesquisa de Pós-Doutorado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), com temática relacionada ao projeto“Jovens e consumo midiático em tempos de convergência”, sob supervisão de Nilda Jacks. Netília Silva dos Anjos Seixas também atua no Programa de PósGraduação em Criatividade e Inovação em Metodologias de Ensino Superior(PPGCIMES) da UFPA e coordena o Grupo de Pesquisa Vestígios-Comunicação, Linguagens, Discursos e Memórias na Amazônia(CNPq). Assim, consolida-se como uma das mulheres referência para a Comunicação na Região Norte do Brasil. Principais publicações JACKS, Nilda; SEIXAS, Netília Silva dos Anjos; BRAGA, Vitor(org.). Jovens em redes sociotécnicas: aspectos múltiplos. São Paulo: Pimenta 200 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Cultural, 2021. Disponível em: https://www.pimentacultural.com/ livro/jovens-redes/. Acesso em: 25 maio 2024. SEIXAS, Netília Silva dos Anjos; RODRIGUES, Leonardo Santana dos Santos; SANTA BRIGIDA, Jessé Andrade. A imprensa em solo amazônico: momentos-chave da configuração dos impressos no Pará do século XIX. In: BARBOSA, Marialva Carlos; RIBEIRO, Ana Paula Goulart; HOHLFELDT, Antonio(org.). História da imprensa no Brasil do século XIX. Porto Alegre: EDIPUCRS; Rio de Janeiro: PUCRio, 2024. p. 33-79. SEIXAS, Netília Silva dos Anjos; RODRIGUES, Leonardo Santana dos Santos; SANTA BRIGIDA, Jessé Andrade. Panorama da história do rádio no Pará: um estudo exploratório das rádios AMs. In: RADDATZ, Vera Lucia Spacil; KISCHINHEVSKY, Marcelo; LOPEZ, Debora Cristina; ZUCULOTO, Valci(org.). Rádio no Brasil: 100 anos de história em(re)construção. 1. ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2020. p. 352-369. V. 1. Disponível em: https://www.editoraunijui.com.br/ produto/2257. Acesso em: 30 jun. 2024. SEIXAS, Netília Silva dos Anjos; SANTA BRIGIDA, Jessé Andrade; RODRIGUES JUNIOR, Marlon Galeno. Os jornais paraenses e a região: o Norte em debate na imprensa do século XIX. In: MUNARO, Luis Francisco(org.). Terra das letras mortas: a identidade da Amazônia nos jornais regionais. Porto Alegre: Editora FI, 2021. p. 27-50. V. 1. Disponível em: https://www.editorafi.org/419amazonia. Acesso em: 25 maio 2024. SEIXAS, Netília Silva dos Anjos; SIQUEIRA, Thaís Christina Coelho. Fotojornalismo na imprensa de Belém: 1900-1950. Brazilian Journalism Research, on-line, v. 11, p. 30-51, 2015. Disponível em: https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/article/view/690. Acesso em: 25 maio 2024. 201 NEUSA PRESSLER Ivana Cláudia Guimarães de Oliveira, Camila Valle Neusa Gonzaga de Santana Pressler nasceu em 4 de março de 1955 em São Paulo(SP). É filha de Maria Araújo Santana. O início da caminhada foi no curso de Comunicação Social nas Faculdades Integradas Alcântara Machado(FIAM/SP). Ao concluir a Graduação em 1985, ingressa no Curso de Especialização em Planejamento de Marketing na Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM/SP). A pesquisa nessa fase foi intitulada “Planejamento de Marketing de Medicamentos”, sob orientação de Luis Carlos Eduardo Potcht. Sua fluência em francês permite uma promoção no banco onde trabalhava na cidade de São Paulo, indo para a área de clientes internacionais. No Banco Real foi gerente de produto e instrutora nas áreas de planejamento, elaboração e lançamento de campanhas de marketing, comunicação e produção cultural(1987). No mesmo ano torna-se docente na faculdade onde se graduou, a Alcântara Machado, e no mesmo período formou-se na Aliança Francesa(SP). Em 1996 muda-se para Belém(PA), onde passa a atuar na área da Supervisão de Vendas e Consultoria de Comunicação e Marketing das empresas TV Filme/Mais TV, Antárctica e NBT-Norte Brasil Telecom(Vivo). Foi corresponsável pelo lançamento da telefonia digital no Pará, no Maranhão, em Manaus e em São Luís. Em 1998 foi lecionar como substituta na Universidade Federal do Pará(UFPA), nos cursos de Jornalismo e Publicidade(FACOM). Em 2000 usou a experiência do mercado para administrar os desafios do curso de Especialização em Comunicação. 202 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Realizou Especialização no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea/UFPA), concluído em 2002, com foco em Formação de Especialistas em Desenvolvimento de Áreas Amazônicas(FIPAM/ Naea/UFPA), com a monografia intitulada“Estudo do Pacto Social de Bragança”, sob orientação de Armin Mathis. Ao finalizar a Fipam passa a integrar o quadro de professores da Universidade da Amazônia(UNAMA), ministrando as disciplinas de“Planejamento de Comunicação”,“Comunicação Dirigida”,“Mídia” e“Orientação de Projetos Experimentais”, também para o curso de Relações Públicas. Na Graduação integrou os Núcleos Docente Estruturante (NDE) dos cursos de Relações Públicas, Publicidade e Jornalismo, orientou dezenas de Trabalhos de Conclusão de Curso e participou da organização de eventos acadêmicos. Em 2005 concluiu o Mestrado em Planejamento do Desenvolvimento (Plades), também no Naea/UFPA, como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), e recebeu apoio para pesquisa de campo da Ford Foundation. Teve a orientação novamente de Armin Mathis para a dissertação intitulada “Da relação social à ação social: estudo do complexo industrial de Barcarena”. Seguiu para o Doutorado em Desenvolvimento Socioambiental na mesma instituição(Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido), e defendeu a tese, em 2010,“Discursos e práticas de comunicação da cooperação técnica alemã relativos a projetos socioambientais na Amazônia”, sob a orientação de Rosa E. Acevedo Marin. Fez estágio de Doutoramento de um ano em Portugal e Berlim(Alemanha); na Universidade Nova de Lisboa – Departamento da Ciência da Comunicação –, sob a orientação de João Pissarra Esteves, e na Freie Univeristät(Berlin) como pesquisadora visitante no LateinamerikaInstitut. A tese foi transformada no livro“Comunicação e meio ambiente – agências de cooperação internacional e projetos socioambientais na Amazônia”(2012). Na área da extensão, na UNAMA, foi coordenadora(2009) do Projeto de Extensão“Agência UNAMA de Comunicação pelos Direitos da Infância e da Adolescência”, contando com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância(Unicef). Neusa também coordenou o Projeto de Extensão Sala de Situação da Criança e do Adolescente(2010). Nesse período passou a integrar, na UNAMA, o corpo docente interdisciplinar do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura(PPGCLC) como professora 203 titular. Em 2015 faz o Pós-Doutoramento na Universität Hamburg, na Alemanha. De 2011 a 2017 coordenou três grupos de pesquisa na PósGraduação com a certificação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq):“Mediação e Cooperação Internacional na Amazônia”;“Mediação e discursos das agências de cooperação internacional: análise da comunicação para o conhecimento da biodiversidade dos projetos socioambientais Promanejo e SPRN no Estado do Pará”; e“Agências Digitais na Amazônia Real: a inovação das práticas de comunicação na publicidade paraense”. Em sua trajetória de mais de duas décadas na região, destacava a necessidade do trabalho contínuo do ensino e pesquisa na/para a Amazônia, deixando, assim, um legado na educação superior da região, que soma humildade e compromisso com o saber amazônida. Neusa Gonzaga de Santana Pressler morreu em 4 de outubro de 2017, em Belém, aos 62 anos. Principais publicações LEÃO, D.; OLIVEIRA, I.; PRESSLER, N. G. S.; MACEDO, R. A CiberPublicidade infantil: experiência, linguagem e consumo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 39., 2016, São Paulo: Intercom Nacional, 2016. V. 1. PRESSLER, N. G. S.; LEÃO, D.; OLIVEIRA, I.; MACEDO, R. Mercado publicitário da Amazônia digital: a dinâmica e os desafios das agências paraenses. In: PRÓ-PESQ PP – ENCONTRO DE PESQUISADORES EM PUBLICIDADE E PROPAGANDA, 7., 2016, Rio de Janeiro. 2016. V. 1. PRESSLER, N. G. S.; ORLET, J. J. Brasil-Argentina: os hábitos de consumo de mídia e a experiência latino-americana. In: CONGRESO DE LA ASOCIACIÓN LATINOAMERICANA DE INVESTIGADORES DE LA COMUNICACIÓN, 13., 2016, México, 2016. p. 179-185. V. 1. PRESSLER, N. G. S. Comunicação e meio ambiente: agências de cooperação internacional e projetos socioambientais na Amazônia. Belém: Editora UNAMA, 2012. 204 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte E ELAIDE MARTINS Maíra Evangelista de Sousa Elaide Martins da Cunha nasceu em 19 de setembro de 1969 em Macapá(AP). É a terceira dos sete filhos de Elizete Martins da Cunha e Ernandes Macedo da Cunha. É casada com Ronaldo Silva do Nascimento e é mãe de Rodrigo. Todo o Ensino Fundamental e Médio foi cursado em escolas municipais e estaduais de Castanhal(PA). O primeiro grau na Escola Municipal de Ensino Fundamental Profa. Graziela Gabriel(1ª a 4ª séries) e na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio 28 de Janeiro(5ª a 8ª séries). O Ensino Médio foi na Escola Estadual de Ensino Médio Lameira Bittencourt com exceção do 3º ano que foi no Colégio Ideal, em Belém. Ela é graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará(UFPA) em 1993. Fez Mestrado em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo(UMESP, 1996-1998), defendendo a dissertação intitulada “Aspectos da Comunicação política em cidades de pequeno, médio e grande portes no Pará – configurações do marketing eleitoral”, sob orientação de Gino Giacomini Filho. Cursou o Doutorado em Ciências Socioambientais no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos – Naea/UFPA. Sua tese,“Discurso político, mídia e ação parlamentar: a Amazônia no Congresso Nacional”, teve orientação de Edna Castro. O Pós-Doutorado, já como docente efetiva, foi realizado na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) entre 2020 e 2021, onde estudou“Modos e sentidos da inovação no jornalismo: dimensões e implicações no jornalismo contemporâneo”, sob supervisão de Raquel Ritter Longhi. 205 Na área da Comunicação o primeiro estágio foi no Jornal Folha do Norte, em 1991. Estagiou, também, no Projeto de Extensão Academia Amazônia(Produtora de audiovisual da UFPA) e foi monitora de disciplinas de Telejornalismo, além de Projetos Experimentais do curso de Comunicação Social da UFPA. Integrou a primeira turma do PRÓ-TV(Programa de Estágio da TV Liberal) e, mais tarde, foi contratada como Repórter e Editora do jornal O Liberal(1991-1994). Chegou aos cargos de produtora, editora e editora-chefe na TV Cultura(1993-1999). A primeira experiência na docência foi como professora substituta na UFPA(2000-2002). Nos anos seguintes trabalhou com marketing eleitoral e com portais de notícias. Foi coordenadora de Jornalismo do portal Amazônia. Foi sócia da produtora Amazon Filmes(20022011) em Belém. Essa trajetória rendeu classificações e premiações de vídeos e documentários em eventos, como: o Festival de Vídeo de Gramado(2003), o I Festival de Belém do Cinema Brasileiro (2004), o Cine Amazônia(2006) e a Mostra Competitiva de Pilotos Brasileiros(2011). Em 2010 trabalhou como professora substituta da Universidade Federal do Ceará(UFC). Em 2013 foi aprovada como professora adjunta da Universidade Federal do Amapá(UNIFAP), lecionando no curso de Jornalismo. Em 2014 passou no concurso para a UFPA, atuando no tripé ensino, pesquisa e extensão, tanto na Faculdade de Comunicação(FACOM) quanto no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia. Na Graduação ministra: Comunicação e Processos de Convergência, Laboratório de Jornalismo Digital e Novas Mídias, Introdução ao Telejornalismo e Laboratório de Telejornalismo. Já para o Mestrado e o Doutorado ministra Comunicação, Interação e Tecnologias e Tópicos Especiais em Comunicação e Cultura: Transmídia e Inovação no Jornalismo. Dentre os trabalhos orientados por ela, obteve as seguintes premiações: Prêmio Destaque de Iniciação Científica e Tecnológica UFPA(2019) e Menção Honrosa do Prêmio Adelmo Genro Filho – Modalidade TCC(2016), além de Expocom Nacional, Expocom Regional Norte e Festival de Produção Experimental de Comunicação – FestCom. Quanto à pesquisa, coordena, desde 2021, o Projeto“Inovação, Transmídia e Ativismo nas reconfigurações do jornalismo contemporâneo”. Em 2022 coordenou o projeto“Fluência digital 206 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte de idosos na Amazônia urbana”, que resultou na produção de um aplicativo para acesso a informações sobre serviços de saúde e sociais gratuitos em Belém e Ananindeua(PA). Desde 2022 integra o projeto de pesquisa interinstitucional“#AcesseJOR: protocolo de inovação social para o jornalismo digital”, financiado por Edital Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) É coordenadora do Grupo de Pesquisa Inovação e Convergência na Comunicação – InovaCom(CNPq/UFPA) – e foi coordenadora do Grupo de Pesquisa Interações e Tecnologias na Amazônia – ITA (CNPq/UFPA/Universidade da Amazônia – UNAMA). Integra, ainda, a Rede de Pesquisa Aplicada em Jornalismo e Tecnologias Digitais – JorTec(credenciada à Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJor) e a Rede Nacional de Combate à Desinformação – RNCD. No que se relaciona à extensão, em 2022 desenvolveu o projeto “Inovação, Participação e Desinformação: oficinas sobre ferramentas digitais para coletivos de comunicação e/ou grupos alternativos em Belém”. Salienta-se, ainda, o projeto“Puxirum: Produção Coletiva em Narrativas Multiplataforma”(2015-2019), que visava à produção de conteúdos informativos(jornalísticos e publicitários) em multiplataforma voltada para as comunidades interna e externa da FACOM/UFPA. No âmbito da gestão, esteve à frente da coordenação do PPGCOM/ UFPA(2017-2019), como também da vice-coordenação(20162017 e 2021-2022). Ainda no que se refere à gestão, integrou o Conselho Administrativo da SBPJor(2017-2019) e a vicecoordenação da Faculdade de Comunicação(FACOM-UFPA). O percurso de Elaide Martins como profissional da comunicação atuante em jornais impressos, em telejornais, em portais de notícia e em produtoras de audiovisual, soma-se à prática de pesquisa sobre o tema no âmbito acadêmico. Principais publicações MARTINS, E. Ativismo e resistência em tempos de pandemia: as narrativas de coletivos jornalísticos sobre a Amazônia brasileira. In: SARDINHA, A.; LIMA, V.; LARA, E.; BELMONTE, V.(org.). Decolonialidade, comunicação e cultura. Macapá: UNIFAP, 2022. p. 90-129. E-book. Disponível em: https://bit.ly/3ZVPSMj 207 MARTINS, E. Intersecções entre jornalismo e plataformas digitais: as agências de checagem em foco. In: LONGHI, R.; SILVEIRA, S.; PAULINO, R.(org.). Jornalismo e plataformização: abordagens investigativas contemporâneas. Florianópolis: Insular, 2021. p. 5986. E-book. MARTINS, E. Modos e sentidos da inovação no jornalismo. Comunicação& Inovação, v. 19, p. 35-49, 2018. Disponível em: https://bit.ly/3RRqjKs MARTINS, E.; CASTRO, M.; VINAGRE, I. Transmídia e redes sociais: aspectos da inovação no telejornalismo. Revista Observatório, v. 4, n. 3, p. 571-600, 2018. Disponível em: https://bit.ly/3PXRLDw MARTINS, E.; PALACIOS, M.(org.). Ferramentas para análise de qualidade no ciberjornalismo. Volume 2: aplicações. Covilhã: Editora LabCom.IFP, 2016. E-book. Disponível em: https://bit. ly/3RZ8w3M MARTINS, E. Convergência e narrativa transmídia no jornalismo: transformações nas práticas e no perfil dos profissionais. Brazilian Journalism Research, v. 11, p. 168-187, 2015. Disponível em: https://bit.ly/3LUQMCO 208 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ANA PRADO Raissa Lennon Nascimento Sousa Ana Lúcia Prado nasceu em 7 de agosto de 1985 em Belém(PA). É filha de Júlia Prado Reis e de José de Souza Reis e mãe de um filho. Estudou na capital paraense na Escola de Ensino Fundamental Profa. Donatila Santana Lopes e Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. Justo Chermont. Também cursou Telecomunicações na Escola Técnica Federal do Pará(Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará-IFPA). Formou-se em 1996 em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal do Pará(UFPA). Em 1999 ingressou no Mestrado em Comunicação e Cultura Contemporâneas na Universidade Federal da Bahia(UFBA), obtendo o título em 2001. Sua dissertação intitula-se“Informação Fast-Food: um estudo de caso do jornal Último Segundo do portal IG”, orientada por Marcos Palácios. Começou o Doutorado em Ciências da Informação e Estudos Midiáticos, em 2010, pela Universidade Fernando Pessoa, na cidade do Porto(Portugal). Obteve bolsa da Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia(Fidesa/Brasil). Com a orientação de Jorge Pedro Almeida Silva e Sousa, defendeu a tese de Doutorado intitulada“Imprensa brasileira no ocaso da Belle Époque: a Primeira Guerra Mundial sob o olhar dos jornais paraenses”, obtendo o título de doutora em 2016. Entre 1996 e 2003 Ana Lúcia atuou como jornalista no jornal paraense“O Liberal”. Nesse período assumiu o cargo de editora e supervisora do Jornal em seu formato digital. No mesmo período atuou como jornalista do“Beira Rio”, da UFPA. 209 Entre 1983 e 2018 foi servidora pública técnica na UFPA, sendo responsável pela Assessoria de Comunicação e colaborando na gestão da informação científica divulgada pela instituição. Ainda fez parte da equipe de planejamento do novo portal da universidade, sendo uma das responsáveis pela primeira arquitetura da informação do referido portal. De 2012 a 2018 foi responsável pela difusão científica do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos(Naea). Ela também tem uma experiência como radialista. Entre 2005 e 2009 trabalhou na Rádio Universitária UNAMA, da Universidade da Amazônia, onde foi responsável pela criação e gerência da emissora educativa, que é vinculada à Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia(Fidesa). Sua experiência na rádio também contemplou a coordenação de equipes de jornalismo, produção musical e gestão administrativa de pessoal da Rádio, além de produção e apresentação de programas. Como professora universitária, consolidou-se na Universidade da Amazônia(UNAMA), onde contribuiu para o estabelecimento do curso de Comunicação Social – Jornalismo – e o coordenou de setembro de 2002 a fevereiro de 2014. Coordenava, igualmente, os cursos de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. Em 2004 foi responsável pela criação da Agência de Comunicação pelos Direitos de Crianças e Adolescentes – Agência UNAMA –, um monitor de mídia conectado em rede à Renoir, Rede de Observatórios de Mídias nas universidades. Neste período também ministrou disciplinas na Graduação, tais como Jornalismo Impresso, Jornalismo Digital, Metodologia de Pesquisa, Radiojornalismo, Jornalismo Especializado, Internet e Democracia, entre outras. Atuou no curso de História da UNAMA entre 2017 e 2018, ministrando disciplinas como Seminários e Formação Social e Econômica do Brasil. Na UNAMA foi frequentemente homenageada como paraninfa e nome de turmas de Jornalismo e Publicidade, cursos nos quais mais atuou. Em 2022 foi nome de turma de Publicidade e Propaganda. Como professora adjunta na Faculdade de Comunicação da UFPA, ministrou as disciplinas de Comunicação e Ciência, Laboratório de Planejamento de Mídias, Laboratório de Radiojornalismo, entre outras. Além disso, coordenou o curso de Pós-Graduação lato sensu“Comunicação Científica na Amazônia” (2017-2019), no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos. Coordenou 210 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte a Rádio Web da Faculdade de Comunicação entre 2018 e 2022, e entre 2020 e 2022 exerceu a função de diretora da FACOM. Foi coordenadora do projeto de pesquisa“Metodologia de análise de conteúdo jornalístico sobre infância e adolescência”(2004-2007). Integra o Projeto de Pesquisa:“Índice de Credibilidade Jornalística: formulação de indicadores de fortalecimento do jornalismo para o combate aos ecossistemas de desinformação”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq(Edital 2022). Coordenou os Projetos de Extensão“Rádio Web UFPA”(2018-2022) e“Nas Ondas do Conhecimento: a escola pública na RadioWeb”(2019-2020), e o Projeto de Ensino “Laboratório de Multimídia e Dados – Labmuds”, desde 2021. Em 2021 concorreu e foi contemplada no edital do Subprograma de Apoio à Infraestrutura de Laboratórios de Ensino de Graduação e da Educação Básica, Técnica e Tecnológica (Labinfra)/Pró-Reitoria de Ensino de Graduação para montar um quarto laboratório na FACOM com equipamentos mais atualizados para as disciplinas que demandam maior tecnologia. Foi coordenadora do“I Qualijor Amazônia: Simpósio Nacional sobre Qualidade Jornalística”, de 5 a 7 de dezembro de 2023, que reuniu pesquisadores, docentes, discentes e profissionais do campo do jornalismo de todo o Brasil. Ana Lúcia Prado é sindicalista e a docência e a pesquisa são suas bandeiras. Foi frequentemente homenageada como paraninfa e nome de turmas de Jornalismo e Publicidade, cursos nos quais mais atuou. Principais publicações LOURENÇO, Jordana; VIEIRA, Manuela; PRADO, Ana Lúcia. #RespeitaNossoCabelo: uma análise sobre a influência do Big Brother Brasil e sua repercussão nos debates raciais. Temática – Revista Eletrônica de Publicação Mensal, v. 18, p. 47-62, 2022. PRADO, Ana Lúcia; SOUZA, Kelvin. Desastre ambiental na Amazônia: a cobertura da imprensa paraense sobre o Caso Hydro. Âncora – Revista Latino-Americana de Jornalismo, v. 9, p. 1-20-20, 2022. 211 PRADO, Ana Lúcia. Herdeiros políticos em disputa: eleições para governo do Estado do Pará em 2018. In: TESSOROLI, Ricardo; CHAPAVALI, Pedro; AZEVEDO JUNIOR, Aryovaldo de Castro(org.). As eleições estaduais no Brasil: estratégias de campanha para TV. 1. ed. Campina Grande, PB: EDUEPB, 2019. p. 196-208. V. 1. PRADO, Ana Lúcia. A imprensa paraense“pós-belle époque”: um olhar amazônico sobre a Primeira Guerra. In: GABINETE DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS(org.). Research Days Proceedings. 2. ed. Porto: Edições UFP, 2015. p. 1-250. V. 1. PRADO, Ana Lúcia; TORRES, Vânia; CAL, Danila. A cobertura de infância e adolescência na Amazônia. In: CHRISTOFOLETTI, Rogério(org.). Observatório de mídia: olhares da cidadania. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2008. p. 35-42. V. 1. RODRIGUES, Lucas; PRADO, Ana Lúcia; LOBATO, Fábio Manoel. Pandemia de COVID-19 no Brasil – uma análise sobre notícias e comentários de usuários. Revista Culturas Midiáticas, v. 16, p. 1-2626, 2022. 212 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ROSALY BRITO Janine Bargas Rosaly de Seixas Brito nasceu em 21 de dezembro de 1959 em Belém(PA). É a quarta das cinco filhas de Ruth e Wilson Seixas. A formação escolar foi toda no Colégio Moderno, em Belém. Ingressou na Universidade Federal do Pará(UFPA), no curso de Comunicação Social, em 1978, época em que se tornou liderança estudantil no contexto de reconstrução dos espaços políticos das universidades, em plena ditadura. Foi presidenta da primeira gestão do Centro Acadêmico de Comunicação, o Caco. Ainda na Graduação, com seus colegas atuou no Nanico, jornal alternativo criado por um grupo de estudantes de Comunicação. Com outros nomes do jornalismo paraense também trabalhou no Jornal Resistência, que era mantido pela Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos(SDDH). Atuou no extinto Estado do Pará, onde ganhou o Prêmio Esso Regional de Jornalismo, e na Rádio Cultura, emissora pública do Estado. Rosaly foi também ligada ao Partido dos Trabalhadores(PT) e uma das fundadoras da Central Única dos Trabalhadores(CUT) do Pará, onde trabalhou como diretora de comunicação. Por cinco anos atuou como jornalista na grande imprensa e assessorias de comunicação, quando teve aprovação em concurso público para docente na UFPA, ingressando como docente da instituição em 1985. O Mestrado, desenvolvido na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP-1991-1997), deu origem à dissertação“Espelho Partido – cruzamentos entre mídia e política, imaginário e modernidade, entre a eleição presidencial de 1989 e o impeachment de Collor em 1992”, quando foi orientada por Luiz Roberto Alves. 213 Na docência trabalhou com as disciplinas Comunicação, Cultura e Sociedade; Teorias da Comunicação; Teorias da Cultura e do Contemporâneo; Estudo de Temas Contemporâneos; História e Teoria da Mídia; Comunicação e Política. Também teve ênfase em sua trajetória a gestão acadêmica em diferentes momentos: coordenadora do curso de Comunicação, chefe de departamento, coordenadora da Especialização Imagem e Sociedade e vice-diretora da Faculdade de Comunicação(FACOM). Entre 1999 e 2000 coordenou operacionalmente o Mestrado interinstitucional realizado em parceria com a Universidade Federal da Bahia(UFBA) em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Rosaly conquistou o título de doutora em 2014, em Ciências Sociais, com área de concentração em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia(PPGSA/UFPA), suas investigações deram origem à tese“Diferentes, desiguais e conectados(?) Vivências juvenis, representações midiáticas e negociação de sentidos na cena metropolitana”, orientada por Maria Angelica Motta Maués. Rosaly divide a coordenação do grupo de Pesquisa Comunicação, Política e Amazônia(Compoa) e o projeto de pesquisa“Tecendo sentidos entre ruas e redes: percepções, participação política e práticas comunicacionais de jovens na Amazônia”. Rosaly de Seixas Brito vem há décadas contribuindo para o cenário político, jornalístico, educacional e teórico da comunicação na Amazônia. Principais publicações BRITO, Rosaly de Seixas. Juventudes e comunicação na cena urbana: desigualdades, intersubjetividades e representações midiáticas. 1. ed. Campinas, São Paulo: Pontes, 2023. 297 p. V. 1. CAL, Danila Gentil Rodriguez; BRITO, Rosaly de Seixas(org.). Comunicação, gênero e trabalho doméstico: das reiterações coloniais à invenção de outros possíveis. 1. ed. Curitiba: CRV, 2020. CASTRO, Jetur L.; BRITO, Rosaly. Lives that matter: the sensitive and political dimension of self-representation in audiovisual. Contracampo, UFF, v. 41, p. 1-18, 2023. 214 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ESTEVES, Lorena; BRITO, Rosaly; CAL, Danila; FONSECA, Nathália; STEINBRENNER, Rosane.“Ocupar as telas e demarcar as redes”: juventudes indígenas e comunicação digital. Asas da Palavra, UNAMA, v. 20, p. 12-29, 2023. 215 ROSANE STEINBRENNER Camila de Andrade Simões Rosane Maria Albino Steinbrenner – ou Nanani – nasceu em 16 de março de 1963 em Curitiba(PR) e viveu até a adolescência na cidade de Cornélio Procópio(PR). É filha de Neusa Cordeiro Albino e Asdrubal Albino. Casada e mãe de duas filhas. Estudou no Grupo Escolar Zulmira Marchesi da Silva(Ensino Fundamental); Colégio Estadual Castro Alves; Colégio Nossa Senhora do Rocio(1º ano do 2º Grau) – todos em Cornélio Procópio (PR); e Colégio Positivo(2º e 3º ano do 2º Grau) em Londrina(PR). Graduou-se no curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal do Paraná(UFPR), formandose em 1985. Trabalhou na profissão por duas décadas nos meios de comunicação paranaenses, com atuação em rádio e TV, jornal impresso e produção audiovisual e documental. Atuou, no final dos anos 1980, no Jornal Correio de Notícias e Folha de Londrina, bem como freelancer nas sucursais do Estado de São Paulo e O Globo e, por um breve período, em São Paulo, na reportagem da TV Bandeirantes e na pauta de Economia da Globo no lançamento do Plano Verão. Ainda em TV, atuou em Curitiba como repórter do SBT e da extinta Rede Manchete. Em rádio trabalhou como repórter e coordenadora de jornalismo e apresentadora do programa QI no Rádio(1993-1997), da Rádio Independência, que depois levou para a Rádio Clube do Paraná, a pioneira PRB2(1998-2001), ambas emissoras AM. Foi sócia da produtora de vídeo independente Stúdios Unidos, participando da produção de vídeos-documentários. como“Elias, a Comunidade 216 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte do Profeta”. Na TV Independência, retransmissora da extinta TV Manchete no Paraná, coordenou e apresentou o programa de entrevistas intitulado QI na TV – Qualidade de Informação. Rosane chega à cidade de Belém na segunda metade de 2001, onde cursou Especialização em Gestão Pública, Planejamento e Meio Ambiente(2004), defendendo a monografia“No Balanço das Redes: uma discussão sobre a importância das Redes Sociais de Comunicação Interpessoal para o desenvolvimento de comunidades rurais amazônicas”. No Mestrado em Planejamento do Desenvolvimento(2006) no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos(Naea) da Universidade Federal do Pará(UFPA), apresentou a dissertação com o título“Para além da Informação: dilemas e desafios à participação”, orientada por Thomas Peter Hurtienne. No Doutorado em Desenvolvimento Socioambiental(2011), na mesma instituição, defendeu a tese “Comunicação e Desenvolvimento: midiatização periférica e rádios comunitárias na Transamazônica”, novamente orientada por Thomas Peter Hurtienne. Mais tarde seguiu para o Pós-Doutorado(2018) no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA), também da UFPA, com supervisão de Edna Castro. Em 2006 tornou-se professora substituta da Faculdade de Comunicação(FACOM) da UFPA e professora efetiva em 2009. Já o percurso na Pós-Graduação começa em 2017, quando entrou como colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia(PPGCOM/UFPA), no qual esteve à frente do segundo semestre de 2020 até outubro de 2022. Entre as contribuições relacionadas à gestão, é possível citar sua atuação na Direção da FACOM de 2014 a 2018, quando esteve na direção da organização das comemorações dos 40 anos da faculdade com o mote“Ganhando o mundo. Voando Juntos”. Esteve à frente de uma experiência de ação coletiva na forma de um projeto de extensão que recebeu o nome de Movimento de Inquietação Coletiva, com a realização de um conjunto de ações de comunicação integrada ao longo de todo o ano de 2011. Rosane criou e coordenou a Agência Cidadã de Comunicação(2010-2019), além de figurar na organização e promoção de eventos públicos e projetos de extensão de impacto para a comunidade acadêmica, como as edições anuais do evento“Caldeirada, Comunicação e Cultura”(2015-2018) e o Projeto de Extensão#Ocupa Belém 217 ComunicAção Coletiva(2015), desenvolvido por meio da ação integrada de professores, alunos e técnicos da faculdade, em parceria com coletivos e movimentos sociais de bairros periféricos de Belém. Rosane Maria Albino Steinbrenner, no âmbito da pesquisa, coordena o projeto“Conflitos socioambientais, comunicação e resistências na Amazônia brasileira”, e o Grupo de Pesquisa Comunicação& Resistências(Diretório do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq). Principais publicações CAL, D. G. R.; STEINBRENNER, R.; ESTEVES, L. C.; SEREJO, E.; BRITO, R. de S. Miguel, filho do Brasil: interseções entre colonialidade, desigualdades e trabalho doméstico no contexto da pandemia. In: CAL, D. G. R.; BRITO, R. de S.(org.). Comunicação, gênero e trabalho doméstico. Disponível em: https://ppgcom.ufpa. br/links/04pesquisa/04_livros/comunicacaodanila.pdf STEINBRENNER, R.; ESTEVES, L. C.; SANTOS, E.; CORRÊA, P.V. Comunicación y resistencia frente a conflictos socioambientales en la Amazonia paraense. Sphera Pública, v. 1, p. 159-184, 2021. Disponível em: https://sphera.ucam.edu/index.php/sphera-01/ article/view/424 STEINBRENNER, R. M. A.; GUERREIRO NETO, G.; BRAGANÇA, P. L. de; CASTRO, E. M. R. Desastre da mineração em Barcarena, Pará e cobertura midiática: diferenças de duração e direcionamentos de escuta. RECIIS – Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde, v. 14, p. 307-328, 2020. Disponível em: https://www.reciis.icict.fiocruz.br/index.php/reciis/article/view/2063 STEINBRENNER, R.; BRITO, R. de S. O circuito crítico da circulação de notícias sobre os acontecimentos políticos no Brasil entre jovens da periferia de Belém. Revista Observatório, v. 4, p. 382-410, 2018. Disponível em: https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/ observatorio/article/view/5341 STEINBRENNER, R.; VELLOSO, B. L. Mapeamento de rádios comunitárias na Amazônia como ferramenta ao desenvolvimento sustentável. Logos, UERJ, Impresso, v. 24, p. 78-92, 2017. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/logos/ article/view/28583 218 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte STEINBRENNER, R. Maracá emergência indígena: um acontecimentolevante midiático decolonial. In: LAGE, L. R.(org.). Imagens da resistência: dimensões estéticas e políticas. 1. ed. Salvador: EDUFBA, 2021. p. 159-200. V. 1. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ bitstream/ri/34654/5/imagens-da-resistencia_RI.pdf 219 VÂNIA COSTA Nair Santos Lima Vânia Maria Torres Costa nasceu em 29 de abril de 1968 em Belém (PA). É filha de Oscar Augusto de Amorim Costa e de Maria de Nazaré Torres Costa. Estudou no Colégio São Paulo, Colégio Santa Catarina de Sena e no Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré(1º Grau); e no Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré e Colégio Ideal(2º Grau). Fez Graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo entre 1986 e 1991. Quando trabalhou no Museu Emílio Goeldi participou do projeto “O Museu vai à praia”, no qual se fazia o compartilhamento dos conhecimentos produzidos na instituição junto a comunidade. Sua atuação profissional começa no ano de 1987 como repórter no jornal O Liberal. No ano seguinte migrou para a televisão com a criação da Rede Brasil Amazônia de Comunicação(RBA), atuando, a seguir, em outras emissoras de TV, como a TV Cultura do Pará. Em 1991, ano em que concluiu o curso de Jornalismo, Vânia ingressou na TV Liberal – afiliada da TV Globo. No Mestrado em Planejamento do Desenvolvimento(Plades) do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos(Naea) da Universidade Federal do Pará(UFPA)(2000-2002), defendeu a dissertação intitulada“Os movimentos sociais em Belém e a visibilidade da TV: os atores da educação em cena”, com a orientação de Rosa Acevedo. No Doutorado(2007-2011) em Comunicação, feito na Universidade Federal Fluminense(UFF), construiu a tese“À sombra da floresta: os sujeitos amazônicos entre estereótipo, invisibilidade e colonialidade no telejornalismo da Rede Globo”, orientada por Ana Lucia Silva Enne. 220 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Seu caminho na docência começou como professora convidada para ministrar aula na Universidade da Amazônia – UNAMA – em 2002, e até 2004 concilia a atividade de jornalista de TV com a docência. A atividade jornalística, entretanto, a faz retornar à TV, e volta, então, à TV Cultura em 2006. Além disso, Vânia chega ao Sindicato dos Jornalistas, e, em meio às atividades profissionais, integra a Comissão de Ética e participa de congressos estaduais e nacionais. Na UNAMA lecionou, inicialmente, a disciplina“Criação e Direção para Meios Eletrônicos” do currículo de Publicidade, e no ano seguinte“Técnicas de Comunicação Dirigida”, do curso de Relações Públicas. Em 2004 leciona“Jornalismo Impresso I”. Entre os anos de 2004 e 2006 ela passou a coordenar o projeto de extensão Sala de Situação da Criança e do Adolescente, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância e a Adolescência(Unicef), e tornou-se responsável pela criação e efetivação da Agência UNAMA de Comunicação pelos Direitos da Criança e do Adolescente, com apoio do Unicef. Fez Doutorado da Universidade Federal Fluminense(UFF), mudando-se para o Rio de Janeiro entre 2007 e 2011. Em meados de 2008 retorna à UNAMA e, em 2010, assume a coordenação adjunta do curso de Comunicação Social. No ano seguinte, Vânia voltou a morar e lecionar no Rio de Janeiro, mas, após dois anos, ela retornou à UNAMA. Nesse mesmo período prossegue com as aulas na Estácio de Sá do Pará(Faculdade à qual se vinculou, no Rio) e na Faculdade Ipiranga, como também na Pós-Graduação lato sensu, no curso“Jornalismo, Cidadania e Políticas Públicas”, da UNAMA, do qual passou a ser coordenadora. A partir daí ela chega à turma do Mestrado com a disciplina Mídia e Violência do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura(PPGCLC), da mesma instituição. Os projetos de pesquisa começaram a fazer parte mais efetivamente da vida acadêmica da pesquisadora, como o“Entre viajantes e jornalistas: um olhar sobre os saberes tecidos na escrita do‘outro’ amazônico”. Em 2015 ela concebe, junto com colegas, o grupo de pesquisa Narramazônia, parceria entre UNAMA e UFPA. No ano seguinte inicia um novo projeto, denominado“Academia do Peixe Frito: rebeldia e negritude no Norte do Brasil”. Desde o ano de 2017 é professora da UFPA, para onde migrou após aprovação em concurso público. Passou a participar como membro 221 da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor). É docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia(PPGCOM) e da Faculdade de Comunicação, em que coordena o projeto de pesquisa“Narrativas,(de)colonialidade e interculturalidade na Amazônia Paraense”. Como resultado da pesquisa de Doutorado, Vânia lançou, em março de 2023, o livro À sombra da floresta: a Amazônia no jornalismo de televisão. Também em 2023 realizou seu estágio Pós-Doutoral na Universidade da Amazônia(UNAMA). Vânia vem construindo conhecimentos por meio de publicações científicas que discutem a linguagem audiovisual e suas tessituras constituintes de sujeitos amazônicos. Vânia Torres também é documentarista, produzindo vídeos a partir de suas pesquisas para uso didático. Vânia Maria Torres Costa, com mais de 35 anos de experiência na área do jornalismo e há mais de 20 anos atuando na docência do Ensino Superior, construiu uma carreira acadêmica com práticas e pesquisas observando narrativas sobre a Amazônia, especialmente no campo midiático, a partir das suas observações quanto às construções discursivas produzidas sobre a região e, principalmente, sobre as populações locais. Principais publicações COSTA, Vânia Maria Torres. À sombra da floresta: a Amazônia no jornalismo de televisão. Belém: Editora Paka-Tatu, 2022. COSTA, Vânia Maria Torres; COSTA, Alda Cristina. Enunciações no jornalismo de TV: o repórter narrador em ação. Eikon, v. 1, p. 7380, 2022. Disponível em: https://ojs.labcom-ifp.ubi.pt/eikon/article/ view/1215/888 COSTA, Alda Cristina; NUNES, Paulo; COSTA, Vânia Maria Torres. Narr’amazônia: modos de ser e estar no mundo. Belém: Folheando, 2022. 548 p. E-book. Disponível em: https://livroaberto.ufpa.br/ jspui/handle/prefix/1045 COSTA, Vânia Maria Torres. A Amazônia“nossa” de cada dia no jornalismo de TV. InTexto, v. 1, p. 1-22, 2021. COSTA, Vânia Maria Torres. Quando a imagem fala e o texto grita: reflexões sobre modos de narrar no jornalismo televisivo. Cultura Midiática, João Pessoa, v. 8, n. 2, jul./dez 2015. 222 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte DANILA CAL Lorena Cruz Esteves Danila Gentil Rodriguez Cal nasceu em 23 de setembro de 1982 em Belém(PA). É filha de Elem Naura Gentil Cal e de Carlos Alberto Rodrigues Cal. Estudou na Escola São Jerônimo e na Escola Santa Catarina de Sena, ambas na capital paraense. Graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará(UFPA) em 2004, apresentou a monografia intitulada “Comunicação e Mobilização Social: o caso do enfrentamento do trabalho infantil doméstico em Soure, no Pará”, sob orientação de Rosaly Brito em parceria com Thayana Araújo. Fez Mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG). A dissertação foi orientada por Rousiley Maia, intitulada“Entre o privado e o público: contextos comunicativos, deliberação e trabalho infantil doméstico”(2005-2007/Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes). Integrou o grupo de Pesquisa em Mídia e Esfera Pública(EME/UFMG). No Doutorado defendeu a tese“Configuração Política e Relações de Poder no Trabalho Infantil Doméstico: tensões nos discursos dos media e de trabalhadoras”(2010-2014/Fidesa) na UFMG, também sob a orientação de Rousiley Maia. Também na UFMG, em 2015 Danila realizou estágio Pós-Doutoral no Grupo de Pesquisa em Mídia e Esfera Pública, com bolsa de Pós-Doutorado Júnior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), fruto de sua participação na pesquisa“A negociação de conflitos em sociedades divididas: uma investigação dos Momentos Transformativos na Deliberação”, que faz parte de uma cooperação 223 internacional com o grupo de pesquisa liderado por Jürg Steiner (University of Bern/Suíça e University of South Carolina/EUA). A atuação profissional de Danila iniciou em 2000 com o estágio na área de Comunicação do Escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância(Unicef), localizado em Belém(PA). Contribuiu na organização do Seminário“Infância e Adolescência na Pauta da Mídia”, que originou o“Comunicadores pela Infância e Adolescência” (Cria), projeto que reunia jornalistas e radialistas em defesa dos direitos do segmento infantojuvenil. A iniciativa possibilitou a construção do projeto de uma Agência de Comunicação pelos Direitos da Criança e do Adolescente, que seria introduzida, em 2004, como atividade de laboratório e de extensão do curso de Comunicação Social da Universidade da Amazônia – UNAMA. Em 2007 começou a trabalhar como substituta nos cursos de Jornalismo e Publicidade da UNAMA. Em 2014 ingressou no quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura da instituição(UNAMA). Ministrou disciplinas diversas, com um foco tanto na perspectiva metodológica quanto no campo da comunicação e política. Na Graduação lecionou Estudos de Mídia e Política, Comunicação, Cultura e Cidadania, Estudos de Formação da Opinião Pública, assim como Metodologia do Trabalho Científico para Jornalismo e para Publicidade e Propaganda. Na PósGraduação lato sensu lecionou Mídia e Direitos Humanos e Mídia e Deliberação, e no curso de Mestrado e Doutorado, Metodologia de Pesquisa e Seminário de Projetos e Estudos Avançados em Comunicação, Linguagens e Cultura, respectivamente. Em 2015 ingressou como professora efetiva no quadro de docentes da UFPA, na Faculdade de Comunicação, e em seguida no quadro do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia. Em 2017 ajudou a criar o grupo de estudos e pesquisas Comunicação, Política e Amazônia(Compoa), que produziu a obra “Comunicação, Gênero e Trabalho Doméstico: das reiterações coloniais à invenção de outros possíveis”(2020). Integra três projetos de pesquisa:“Mídia, debate público e negociação de sentidos sobre o trabalho doméstico”(2017-2020), financiado pelo Edital Universal 2016 do CNPq;“Comunicação, política e gênero: configurações discursivas das mulheres como sujeitos políticos em diferentes âmbitos comunicacionais”(20172020), financiado pelo Edital ProDoutor da UFPA; e“Comunicação, 224 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Democracia e Modos de(R)Existência de Mulheres na Amazônia”, apelidado de“Projeto Ecoaras – Mulheres e Resistências na Amazônia”, financiado pelo Edital Universal 2021 do CNPq. Danila atuou como pesquisadora convidada do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia(INCT) de Democracia e da Democratização da Comunicação. Coordenou uma equipe local, associada ao Projeto “Sistema deliberativo e media interconectada”, em parceria com a UFMG, Universidade de Bern(Suíça) e do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), denominado “Deliberação em Escolas Públicas: construindo capacidades deliberativas”, em Belém. Ela tem inserção em redes de pesquisa internacionais, como a participação como integrante da Red de Investigación sobre Trabajo del Hogar en América Latina(Rithal), bem como do Projeto de Cooperação Internacional University of North Carolina at Chapel Hill(2013-2018); do Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação(desde 2016); e do Observatório de Comunicação, Culturas e Resistências na Pan-Amazônia, projeto entre a UFPA e o Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação e Linguagem da Pontifícia Universidade Javeriana da Colômbia. Em 2023 integrou o projeto interinstitucional“Obstáculos à comunicação de risco na pandemia de Covid-19: infodemia, desinformação, algoritmos e desconfiança em contextos de polarização política e de crise dos sistemas peritos”. Entre as instituições está a Fiocruz, onde realizou um Pós-Doutorado. Danila ocupou diversos cargos de gestão científica e acadêmica, como sócia-fundadora da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política(Compolítica) desde 2006, e vicepresidente da Compolítica(2017-2019). Foi também coordenadora do PPGCLC/UNAMA, vice-coordenadora do PPGCOM/UFPA, e respondeu pela coordenação da Comissão de Elaboração da Proposta de Avaliação de Propostas de Cursos Novos(APCN) de Doutorado em Comunicação, Cultura e Amazônia(2017-2018). Recebeu importantes premiações e outras distinções. A dissertação de Mestrado conquistou o primeiro lugar na categoria Mestrado no Concurso Nacional de Teses, Dissertações e Monografias sobre Direitos da Criança(de 1990 a 2007), promovido pelo Programa Informação, da Agência de Notícias dos Direitos da Infância(Andi – Comunicação e Direitos). A tese de Doutorado ganhou o Prêmio 225 UFMG de Teses na Área da Comunicação(2015); conquistou, também, o Prêmio Compós de Teses Eduardo Peñuela(2015), da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), e recebeu menção honrosa no Prêmio Compolítica(2013-2014), da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política(Compolítica). Em 2015 recebeu o Prêmio Reconhecimento do Mérito Docente – melhor professora do Centro de Ciências Sociais e Humanas da Universidade da Amazônia(UNAMA). Danila Gentil Rodriguez Cal, em 2016, por ocasião dos 40 anos da Faculdade de Comunicação, recebeu distinção pela trajetória destacada como aluna de jornalismo e como profissional e pesquisadora do campo da Comunicação na Amazônia. Principais publicações CAL, D.; BRITO, R.(org.). Comunicação, gênero e trabalho doméstico: das reiterações coloniais à invenção de outros possíveis. 1. ed. Curitiba: CRV, 2020. CAL, D. Comunicação e trabalho infantil doméstico: política, poder, resistências. 1. ed. Salvador: EDUFBA – Editora da Universidade Federal da Bahia, 2016. 362 p. V. 1. CAL, D.; ESTEVES, L. Da incomunicação à comunicação decolonial: mulheres indígenas contra invisibilidades e estereótipos. Revista Latinoamericana de Ciencias de La Comunicación, v. 22 n. 42, 2023. CAL, D.; SEREJO, E.; LAGE, L. Ação coletiva política e luta por reconhecimento: a atuação da Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas(Abrafh) na defesa de outras modalidades de famílias”. Revista Logeion, v. 6, n. 1, 2019. CAL, D. Elisabeth Noelle-Neumann. In: AGUIAR, L.; BARSOTTI, A. (org.). Clássicos da comunicação – os teóricos de Peirce A Canclini. 1. ed. Rio de Janeiro: Vozes: PUC-RJ, 2017. p. 198-210. V. 1. MAIA, Rousiley C. M.; CAL, D. Recognition and Ideology. In: MAIA, R.(org.). Recognition and the Media. 1. ed. Londres: Palgrave Macmillan, 2014. p. 73-100. 226 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte MARINA DE CASTRO Jússia Carvalho da Silva Ventura Marina Ramos Neves de Castro nasceu em 29 de abril de 1968 em Belém(PA). É filha de Marina Alves Ramos e Valdir Albuquerque das Neves e casada com Fábio Fonseca de Castro. Estudou na Escola de Ensino Fundamental Forluz, Escola Nossa Senhora de Nazaré e na Escola Graus Tenente Rego Barros. A Graduação foi feita em Ciências Contábeis na Faculdade Moderno – União das Escolas Superiores do Pará(UNESPA). Logo atuou na Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, o que a aproximou da Cultura e da Comunicação. Foi a atuação no Museu da Imagem e do Som, entretanto, que permitiu o contato com a cultura visual. Em 1999 Marina ingressou no curso de Mestrado em Planejamento do Desenvolvimento no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea) da Universidade Federal do Pará(UFPA), mas, por conta de mudança de país, o Mestrado não foi concluído. Na França teve uma aproximação com a arte por meio de cursos no Museu Louvre. Ingressou no segundo Mestrado(2000-2002) no Institut d’Hautes Études de l’Amérique Latine – IHEAL –, sediado na Universidade de Paris 3(Sorbonne-Nouvelle). Nessa instituição deu prosseguimento ao trabalho iniciado no Naea/UFPA. O título de mestra em“Estudo das Sociedades Latino-Americanas, opção Comunicação”, foi validado pela UFPA com a dissertação“A política pública para a cultura nos anos de Paes Loureiro”, sob orientação de Helène Riviere D’Ard. Foi na França que o processo de Doutoramento iniciou, com orientação de Michel Maffesoli, no Centre sur l’Actuel et le Quotidien – CEAQ –, vinculado à Universidade de Paris 5 (Université Sorbonne-Descartes). 227 Com o retorno ao Brasil ingressou em uma nova turma de Mestrado, no Programa de Pós-Graduação em Artes da UFPA, sob orientação de Joel Cardoso e coorientação de Afonso Medeiros, defendendo a dissertação intitulada“A arte na sua quotidianidade”. O Doutorado foi desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPA, orientado por Fabiano de Souza Gontijo. Sua tese foi defendida em abril de 2018, intitulada:“Socialidades e sensibilidades no quotidiano da Feira do Guamá: uma etnografia das formas sociais do gosto”. Em 2017 realizou estágio-sanduíche, com bolsa Capes, em Londres, no Departamento de Antropologia da University College London, instituição vinculada à Universidade de Londres. O estágio foi supervisionado pelo antropólogo Daniel Miller. Em 2018 realizou estágio Pós-Doutoral no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia da UFPA. Desde 2018 compõe o corpo docente da Faculdade de Comunicação (FACOM) e o Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia(UFPA), onde coordena o Grupo de Pesquisa Socialidades, Intersubjetividades e Sensorialidades Amazônicas (Sisa) e o projeto de pesquisa“Imagem e Cultura na Amazônia: o movimento fotográfico de Belém”. Marina também coordena o projeto de pesquisa“Comunicação e antropologia: etnografia do uso de smartphones e redes sociais pela população ribeirinha da região insular de Belém” e integra o projeto de extensão“Documentário bibliográfico da Amazônia – DocBio”. Desde 2004 foi responsável por coordenar o curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade de Tecnologia da Amazônia(FAZ), e professora no curso de Especialização Imagem e Sociedade da UFPA, ministrando disciplinas como Estética da Comunicação, Teorias da Comunicação, Cultura Visual, Sociologia da Imagem, Sociologia da Comunicação e História da Arte. Marina de Castro tem formação interdisciplinar que permite uma inserção instigante no campo das Ciências da Comunicação, particularmente na relação entre imagem, imaginário, visibilidade e visualidade, tendo em vista o desdobramento do intercâmbio entre Ciências Sociais e Comunicação. 228 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Principais publicações CASTRO, Fábio Fonseca de; CASTRO, Marina Ramos Neves de. Terra da liberdade e a construção do protocolo da consulta: a comunicação política quilombola na transformação do mundo. Logos, v. 30, p. 95-109, 2023. CASTRO, Marina Ramos Neves de; VIEIRA, Lucas dos Anjos; NAVEGANTES, Carlos Jordan; DIAS, Amanda Negrão. Imagéticas identitárias amazônicas: a fotografia de Walda Marques no Instagram. Revista Movendo Ideias, v. 27, p. 32-44, 2022. CASTRO, Marina Ramos Neves de; VIEIRA, Lucas dos Anjos. Fotografia e sensorialidade: os métodos sensoriais de Chikaoka. Asas da Palavra, UNAMA, v. 19, p. 21-40, 2022. CASTRO, Marina Ramos Neves de. A antropologia dos sentidos e a etnografia sensorial: dissonâncias, assonâncias e ressonâncias. Revista de Antropologia, v. 64, p. 1-20, 2021. CASTRO, Marina Ramos Neves de; COSTA, Hans Cleyton Passos da; CASTRO, Fábio Fonseca de. Consumo e socialidade nas festas de aparelhagem de Belém, Brasil. Estudios Sobre las Culturas Contemporáneas, v. 27, p. 137-161, 2021. CASTRO, Marina Ramos Neves de. Etnografia sensorial e experiência sensível: experienciando a carne do mundo. Amazônica: Revista de Antropologia, on-line, v. 13, p. 289-310, 2021. 229 CÉLIA AMORIM Raissa Lennon Nascimento Sousa Célia Regina Trindade Chagas Amorim nasceu em 1969 em Belém (PA). É filha de Maria Trindade Chagas e Reginaldo Gomes Chagas. É a oitava de uma família com nove irmãos e irmãs. Estudou na Escola Estadual de Ensino Fundamental Santo Afonso, no Colégio Estadual Visconde de Souza Franco e no Colégio Cearense. Ingressou, em 1988, no curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal do Pará(UFPA). Formou-se como jornalista em 1992 e começou a trabalhar na área de 1990 até meados de 1999. Um dos seus trabalhos foi como repórter dos cadernos de Cidades e de Política do Jornal Diário do Pará. Entre 2000 e 2002 fez Mestrado em Comunicação e Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), orientada por Amálio Pinheiro. Sua dissertação teve o título“Oralidade e riso na primeira página do Jornal Pessoal: um recorte cultural da Amazônia”, orientado por José Amálio de Branco Pinheiro. Tornou-se doutora em Comunicação e Semiótica em 2008 na mesma Universidade, onde também obteve bolsa CNPq. Sua tese, intitulada“Jornal Pessoal: uma metalinguagem jornalística na Amazônia”, também orientada por José Amálio. Célia também é pós-doutora pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal, Núcleo Democracia, Cidadania e Direito(2018-2019). É coeditora do projeto e revista digital“Alice News – conteúdos insurgentes e interculturais” – do Centro de Estudos Sociais – Universidade de Coimbra(Portugal). Em 2022 230 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte assumiu a função de vice-coordenadora do Programa de PósGraduação em Comunicação da UFPA. Faz parte da Associação Brasileira de Pesquisadores e Pesquisadoras e Comunicadores em Comunicação Popular, Comunitária e Cidadã (ABPCOM), e coordenou, nos últimos quatro anos(2020-2023), o Grupo de Trabalho Nacional de História da Mídia Alternativa da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia, a Rede Alcar. Tem participado ativamente com produção científica da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) no grupo de trabalho Comunicação e Cidadania. Lidera o Coletivo e Grupo de estudo e pesquisa“Cidadania Comunicativa e Educação: lutas por direitos na Amazônia, Interfase: Mídias Alternativas na Amazônia”(CNPq-UFPA), e coordena dois projetos:“Cidadania comunicativa: lutas por direitos nas periferias da/na Amazônia” e“Mídias Alternativas na Amazônia”. Com atuação na pesquisa, extensão e gestão, desde 2010, quando passou no concurso público para a Faculdade de Comunicação, no ensino, entre as disciplinas que ministra estão: Laboratório de Telejornalismo, Introdução ao Telejornalismo, Comunicação Popular, Jornalismo, Ética e Cidadania, Estudos Latinos em Comunicação e Estudos de Temas Contemporâneos. Em 2015 tornou-se docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia(PPGCOM/UFPA), em que atua na linha de pesquisa“Comunicação, cultura e sociabilidades na Amazônia”, e ministra a disciplina“Comunicação e Cidadania na Amazônia”. Entre os principais projetos de extensão, já coordenou a Academia Amazônia da Universidade Federal do Pará(2016-2018), projeto com mais de 25 anos de existência, voltado à divulgação da Ciência produzida na Universidade. No âmbito da Academia, liderou a coordenação do projeto Documentários Biográficos da Amazônia (2015-2023). Em 2022 recebeu premiação e certificado do Instituto Vladimir Herzog de Direitos Humanos na qualidade de orientadora do documentário jornalístico“Vozes Amazônidas, Barcarena Resiste!”, produzido por alunas e alunos da Faculdade de Comunicação (FACOM/UFPA), premiados com a 14ª edição do Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão. Nesta mesma linha, junto com a turma 231 de Jornalismo 2013, na condição de orientadora, foi premiada no Expocom Nacional pelo telejornal“Cuíra”. Célia Regina Trindade Chagas Amorim desenvolve de forma inter-relacionada sua atuação docente com as lutas das periferias amazônicas e suas comunicações alternativas. Como não separa militância da academia, seus trabalhos são destinados à compreensão das lutas anti-heteropatriarcal, anticapitalista, antirracista etc. e suas formas de rupturas com a dominação/opressão nas Amazônias. Principais publicações AMORIM, Célia; COSTA, Alda. Paulo Freire e o direito à palavra dos oprimidos e das oprimidas na contemporaneidade. Extraprensa: Cultura e Comunicação na América Latina, v. 15, n. 1, p. 7-29, 2022. AMORIM, Célia; CASTRO, Mariana; COSTA, Alda. Visualidades sociopolíticas de resistência na Amazônia: uma etnografia on foot das lutas das mulheres e feministas nas ruas de Belém do Pará. In: COELHO, Zara Pinto; BRANDÃO RIBEIRO, Ana Maria; MOTA, Silvana(org.). Do poder político e discursivo das imagens de protestos feministas. 1. ed. Portugal: Universidade do Minho, 2021. p. 87-115. V. 1. PESSOA, Nara; AMORIM, Célia. Mulheres em situação de prisão e a colonialidade de gênero, raça e classe. Gênero na Amazônia, v. 1, p. 273-287, 2021. SANTOS, Larissa; FONSECA DE CASTRO, Fábio; AMORIM, Célia. Estratégias discursivas da Vale S.A. e a construção do pensamento sobre o desenvolvimento da Amazônia. Comunicação& Sociedade ( on-line), v. 43, p. 99-128, 2021. SOUSA, Raissa Lennon; AMORIM, Célia. Entre racismo estrutural e pandemia: eu sou porque elas são – práticas emancipatórias de mulheres negras da Amazônia. In: Seminário Internacional América Latina: conflitos e políticas contemporâneos, 3., SIALAT – Democracia, natureza e epistemologias para pensar o amanhã, 3., 2021. Belém: UFP-Naea, 2021. 232 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ROSA RODRIGUES Raissa Lennon Nascimento Sousa Rosa Luciana Pereira Rodrigues nasceu em 26 de julho de 1975 em Santarém(PA). É filha de Luiz da Silva Rodrigues e Rosária Pereira Rodrigues e é a primogênita de seis irmãos. É mãe solo de seu único filho, Luiz Paulo. No Ensino Fundamental estudou na Escola Municipal Maria Amália Queiroz de Sousa e na Escola Estadual Pedro Álvares Cabral. O Ensino Médio foi cursado na Escola Estadual Álvaro Adolfo da Silveira. Antes da Graduação em Jornalismo, formou-se em Licenciatura Plena em Letras(1996-2003) pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Campus Santarém. Cursou Jornalismo(2006-2009) no Instituto Esperança de Ensino Superior(IESPES). Seu Trabalho de Conclusão de Curso intitulouse“Comunicação Comunitária: a experiência da rádio comunitária FM do Lago Grande do Curuai”. No Ensino Fundamental, por meio de um concurso, teve a oportunidade de estagiar na redação da Rádio Ponta Negra, pela qual foi contratada como redatora e noticiarista. Depois trabalhou em departamentos de jornalismo de outras emissoras de rádio e televisão da cidade. Entre 1994 e 2015 atuou na Rádio Rural de Santarém como produtora, editora, repórter, coordenadora de programa educativo, entre outras funções. Trabalhou também no setor de comunicação na Diocese de Santarém(2000 a 2005) e na assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Educação (2005 a 2010 e 2012). Em 2015 ingressou na Universidade Federal do Oeste do Pará(UFOPA) como assessora especial da reitoria, e, no ano seguinte, tomou posse como jornalista concursada. 233 Tem Especialização em Língua Portuguesa pela UFPA, Campus Santarém(2004-2005), em que desenvolveu o TCC“Clube de Leitura: um incentivo à expressão oral e escrita”. É mestra em Ciências da Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Cultura e Amazônia(UFPA), fazendo parte da primeira turma(20102012), no qual defendeu a dissertação“Rádio e a educação popular na Amazônia: o processo comunicacional do Projeto Rádio pela Educação”, sob a orientação de Manuel José Sena Dutra. Iniciou sua carreira docente na mesma instituição em que se formou, o IESPES, entre os anos 2010 e 2020, onde exerceu a função de coordenadora de dois cursos: Comunicação Social/Jornalismo e Gestão Ambiental(2018-2020). Em 2012 ingressou nas Faculdades Integradas do Tapajós(FIT), UNAMA Santarém, em que trabalhou até 2015. Coordenou projetos de extensão e pesquisa que contribuíram para o desenvolvimento da área da comunicação no município de Santarém e Amazônia paraense:“A produção radiofônica no processo educativo” – acompanhamento da experiência do projeto Rádio pela Educação (2010-2011);“Comunicação em podcasts: divulgando informações de interesse público com as novas técnicas de radiojornalismo” (2019-2020) e“TV IESPES: Um canal de comunicação jornalística com a comunidade”(2020). Entre os Projetos de Pesquisa estão: “A Educomunicação em Escolas Públicas de Santarém”(2013); “A Educomunicação nos Processos Comunicativos de Rádios Comunitárias”(2014) e“Mapeamento de Rádios Comunitárias nos Municípios de Santarém e Belterra”(2015). As orientações de projetos de iniciação científica e Trabalhos de Conclusão deram-se no IESPES, nas Faculdades Integradas do Tapajós e no Instituto Filosófico São Pio X(2018 e 2019). Entre 2016 e 2021, de forma voluntária, coordenou a Pastoral da Comunicação da Igreja Católica em Santarém, na qual é assessora no campo da formação. Na atuação sindical foi presidente do Sindicato dos Radialistas de Santarém(1998 a 2001), e fez parte da primeira diretoria regional na região do Tapajós do Sindicato dos Jornalistas do Pará(2010 a 2013). Em 2021 foi aprovada no Doutorado em Ciências da Comunicação pelo PPGCOM/UFPA. Sua pesquisa intitulou-se“O Radiojornalismo na Rede de Notícias da Amazônia(RNA) frente aos conflitos socioambientais na Amazônia Legal: uma análise a partir dos estudos 234 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte decoloniais”, orientada por Rosane Maria Albino Steinbrenner e coorientada por Luciana Miranda Costa. Rosa também integra o Grupo de Pesquisa em Comunicação, Ciência e Meio Ambiente – Preserv-Ação(UFRN/UFPA) e o Grupo de Pesquisa Conflitos Socioambientais, Comunicação e Resistências(UFPA). É associada à Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) e sócia-fundadora da Associação Brasileira de Pesquisadores em Educomunicação – ABPEducom. Rosa Rodrigues, por conta de sua contribuição ao radiojornalismo no município de Santarém, foi homenageada, em 2018, pela Câmara Municipal de Santarém na comemoração“Homenagem Legislativa pelos 70 anos do Rádio em Santarém-Pará”. Um reconhecimento pelo trabalho teórico e prático que vem desenvolvendo no campo da comunicação santarena, com evidente destaque para o radiojornalismo desenvolvido na Amazônia. Principais publicações RODRIGUES, Rosa L.; COSTA, Luciana. Vozes da resistência: a rede de notícias da Amazônia e o protagonismo indígena. Revista Esferas, v. 1, p. 262-278, 2022. Disponível em: https:// portalrevistas.ucb.br/index.php/esf/article/view/13624 RODRIGUES, Rosa L.; COSTA, Luciana. Rádios na rede da cidade: a experiência da Rede de Notícias da Amazônia. Memórias do Congresso Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Comunicação – Alaic, 2022. Disponível em: https://alaic2022.ar/ memorias/index.php/2022/article/view/429 RODRIGUES, Rosa L.; PESSOA, Adrian et al.(org.). Recortes da pesquisa em jornalismo na Região Oeste do Pará: 10 anos do curso no IESPES. Santarém, PA: Fundação Esperança, 2019. RODRIGUES, Rosa L. Rádio e educação popular na Amazônia: o processo comunicacional do Projeto Rádio pela Educação. 2012. 178 f. Dissertação(Mestrado) – Universidade Federal do Pará, Instituto de Letras e Comunicação, Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia, Belém, 2012. Disponível em: http://www.repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/5496 235 RODRIGUES, Rosa L.; DUTRA, Manuel S. A comunicação radiofônica e a educação popular em um ambiente amazônico. In: MONTEIRO, Gilson V.; ABBUD, M. E. O. P.; PEREIRA, Mirna F. (org.). Estudos e perspectivas dos ecossistemas na comunicação. 1. ed. Manaus: EDUA, 2011. 236 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte MANUELA CORRAL Jússia Carvalho da Silva Ventura Manuela do Corral Vieira nasceu em 5 de novembro de 1984 em Belém(PA). É filha de Maria Filomena Brito do Corral e de Manuel José Menezes Vieira. Estudou no Colégio Santa Catarina de Sena e Grupo Educacional Ideal. Graduada em Publicidade e Propaganda pela Universidade da Amazônia(UNAMA), desenvolveu pesquisa intitulada“Kitsh ou Arte Publicitária?”, orientada por Luiz Cezar Silva dos Santos, defendida em 2006. Durante o Mestrado, em 2007, recebeu bolsa do Programa de Bolsas de Alto Nível da União Europeia para a América Latina/ European Region Action Scheme for the Mobility of University Students(Alban/Erasmus) para realizar o curso de Pós-Graduação em Marketing na Universidad Autónoma de Madrid, na Espanha, com a pesquisa“Denominación de Origen: Amazonia Brasileña”, orientada por Alejandro Gómez. No mercado publicitário teve experiências na Inglaterra, onde atuou na Global Communication and Television. Na Espanha esteve vinculada à ACNielsen e na Bufete de Marketing. No retorno a Belém, passou a ministrar aulas para a Graduação em diversas instituições particulares tanto de Belém quanto da região metropolitana, como em Ananindeua e Castanhal. Durante o Doutorado, no Programa de Pós-Graduação em Antropologia na Universidade Federal do Pará(UFPA), desenvolveu o estudo com o título de“O jovem flanêur.com. A construção e a liquidez da identidade no espaço das redes sociais entre os jovens”, e foi orientada por Cristina Donza Cancela, no ano de 2013. Em 237 2014 produziu a pesquisa“Cibercultura, identidade e consumo”. Em 2015 codesenvolveu o Projeto de Pesquisa“Agências digitais na Amazônia real: a inovação das práticas de comunicação na publicidade paraense”. Em 2016 Manuela passou a integrar o corpo docente da Faculdade de Comunicação da UFPA, onde desenvolveu o projeto“Consumo, Identidade e Amazônia: relações de sociabilidade e interação através da comunicação”. Em 2018 o projeto foi renovado e aprofundou nas questões interdisciplinares, e, em 2020, trabalhou na pesquisa “Consumo, Cultura Material e Práticas de Sociabilidade na Comunicação”. Desde 2022 participa da pesquisa“Comunicação, Democracia e Modos de®Existência de Mulheres na Amazônia”. É líder do grupo de pesquisa Comunicação, Consumo e Identidade, bem como professora permanente do Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia, na linha de pesquisa Processos Comunicacionais e Midiatização na Amazônia. Na Graduação ministra disciplinas de estudos do comportamento do consumidor, branding, planejamento de campanha, mercadologia e propaganda, bem como metodologia e elaboração de projetos. Na Pós-Graduação, desde 2016, leciona disciplinas como comunicação e consumo, cibercultura e processos comunicacionais e comunicação e gênero. Manuela Corral traz, em suas pesquisas e orientações, o marcador teórico da Amazônia, independentemente de estar atrelada ao Consumo, à Cultura Material, à Performance ou ao Gênero, tendo em vista que a Amazônia transborda em possibilidades e ambientalidades. Principais publicações FERREIRA, G. M.; VIEIRA, M. do C. The consumption of the Círio de Nazarés rope in the covid-19 pandemic: symbolic experiences in the(im)material senses. Comunicação, Mídia e Consumo, v. 19, p. 290, 2022. VIEIRA, M. do C.; CIRINO, A. C. S. B. Do estilo de vida às telas: as narrativas de consumo na série“A magia do dia a dia” com Marie Kondo. Revista Fronteiras, on-line, v. 25, p. 1-13, 2023. 238 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte VIEIRA, M. do C.; CIRINO, A. C. S. B. Consumo e performance: a máscara como item de cultura material na pandemia. Animus, Santa Maria, on-line, v. 22, p. 218, 2023. VIEIRA, M. do C.; FERREIRA, G. M. O consumo da corda do Círio de Nazaré na pandemia da Covid-19: experiências simbólicas nos sentidos(i)materiais. Comunica çã o, M í dia e Consumo, on-line, v. 19, p. 290-311, 2022. VIEIRA, M. do C.; GALVÃO, V. M. Objetos que atravessam, ações que silenciam: apontamentos sobre as narrativas de sustentabilidade no consumo. Líbero, v. 1, p. 162-176, 2022. 239 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Avelina Castro Jornalista com Mestrado em Ciências da Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia(UFPA) e Doutorado em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFPA. Possui o título de Jornalista Amiga da Criança(2015). Foi agraciada com três Prêmios Tim Lopes de Investigação Jornalística, além de dois Prêmios Jovem Jornalista(2017 e 2018). É servidora pública da Fundação Paraense de Radiodifusão. Integra o Grupo de Pesquisa Vestígios – Comunicação, Linguagens, Discursos e Memórias na Amazônia(UFPA-CNPq). Camila de Andrade Simões Doutora em Ciências da Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará(2023). Mestre em Ciências da Comunicação(UFPA, 2019) e graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo(Estácio FAP, 2016). Membro dos grupos de pesquisa: Tecnologia, Comunicação e Ciência Cognitiva da Universidade Federal do Amapá e Information and Media Lab(InfoMedia) da Universidade Federal do Paraná(UFPR). camilasimoescontato@gmail.com Camila Valle Professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Graduação em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora, mestrado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pós-doutorado em Literatura Comparada pela Universidade do Porto, Portugal. Pesquisadora visitante em várias instituições – Museu de Astronomia e Ciências afins – MAST, Universidade do Porto, Portugal, Universidade de Lisboa e Università di Bologna. 240 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Erika Oikawa Publicitária. Mestre em Comunicação e Informação pelo PPGCOM/UFRGS. Doutora em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, com estágio sanduíche no Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura da Universidade de Coimbra. Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa Comunicação e Práticas Culturais(UFRGS) e do Observatório Ibero-Americano de Ficção Televisiva(Obitel-Brasil). É professora e coordenadora do curso de Comunicação – Publicidade e Propaganda do Centro Universitário do Estado do Pará. erikaoikawa@gmail.com Fernanda Chocron Miranda Graduada em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação da UFPA e mestre em Ciências da Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia da mesma instituição. Doutora em Comunicação pela UFRGS, em cotutela com KU Leuven(Bélgica). Professora adjunta do Núcleo de Inovação e Tecnologias Aplicadas a Ensino e Extensão da UFPA, onde coordena o Programa de PósGraduação em Criatividade e Inovação em Metodologias de Ensino Superior. É líder do Grupo de Pesquisa em Ensino, Tecnologias e Competências. nandachocron@ gmail.com Ivana Claudia Guimarães de Oliveira Doutora em Ciências do Desenvolvimento Socioambiental/Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido, mestra em Planejamento do Desenvolvimento Sustentável/UFPA. Graduada em Comunicação Social/UFAM, professora do Pós-graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura, de Jornalismo e Publicidade/ Universidade da Amazônia. Grupos de Pesquisas: Mídia e Violência: percepções e representações na Amazônia/CNPq e Narrativas Contemporâneas na Amazônia Paraense/UFPA/UNAMA; Capital Social e Cultural no Contexto Midiático Contemporâneo/UNAMA. ivana.professora2020@gmail.com Janine Bargas Paraense de Belém. Jornalista e mestra em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará(UFPA). Doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG). Professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre(UFCSPA). ninebargas@gmail.com Jússia Carvalho da Silva Ventura Doutora em Sociologia e Antropologia pela Universidade Federal do Pará. Mestra em Ciências da Comunicação(PPGCOM/UFPA). Professora substituta da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal do Pará. jussiac@gmail.com 241 Lorena Cruz Esteves Doutora e mestre em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia e pós-doutoranda em Comunicação(UFPA). 1º lugar no Prêmio Intercom de Teses e 1º lugar no Prêmio Capes de Teses na área da Comunicação(2022-2023), Menção Honrosa no Prêmio Compolítica de Teses (2022-2023). Substituta da Faculdade de Comunicação da UFPA(2016-2018). É servidora pública na Secretaria de Comunicação do Estado do Pará(Secom/PA). estevesjornalismo@gmail.com Maíra Evangelista de Sousa Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura (PPGCLC) e dos cursos de Comunicação Social da Universidade da Amazônia (UNAMA). Doutora em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Coordenadora do Grupo de Pesquisa Ubiquidade da Comunicação(UbiCom/UNAMA/CNPq) e vice-coordenadora da Rede de Pesquisa Aplicada em Jornalismo e Tecnologia(JorTec/SBPJor). maira.evangelistadesousa@ gmail.com Nair Santos Lima Jornalista, especialista em Didática do Ensino Superior em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará, em Comunicação Social e Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba e em Gestão no Ensino Superior pela Universidade da Amazônia. Mestra em Ciências da Comunicação pela Universidade Federal do Amazonas e doutora em Ciências da Comunicação pelo Programa de PósGraduação em Comunicação, Cultura e Amazônia(UFPA). É membro do grupo de pesquisa Laboratório de Pesquisa em Mídia, Cultura e Povos da Amazônia(Lapam). nslima1405@gmail.com Raissa Lennon Nascimento Sousa Jornalista com Mestrado e Doutorado em Ciências da Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará. Especialista em Produção Audiovisual(Estácio/Instituto de Estudos Superiores da Amazônia – IESAM). Participa dos Grupos de Pesquisa: Conflitos Socioambientais, Comunicação e Resistências(UFPA); Cidadania Comunicativa e Educação: Lutas por Direitos na Amazônia(UFPA) e do Gênero e Interseccionalidades na Comunicação – Geni(Universidade Federal de Sergipe – UFS). É pós-doutoranda do PPGCOM-UFS. raissalennoncomunique@gmail.com Rosa Luciana Pereira Rodrigues Especialização em Língua Portuguesa, mestra e doutoranda em Ciências da Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia/ UFPA. Jornalista da Assessoria de Comunicação da Universidade Federal do 242 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Oeste do Pará. Sócia fundadora da Associação Brasileira de Pesquisadores em Educomunicação. Membro dos Grupos de Pesquisa em Comunicação, Ciência e Meio Ambiente – Preserv-Ação(UFRN/UFPA), Conflitos socioambientais, Comunicação e Resistências(UFPA) e Educomunicação Ambiental e Ciência Cidadã na Amazônia(UFOPA). rosalu29@gmail.com Rosane Steinbrenner Jornalista, professora associada da Faculdade de Comunicação(FACOM) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM) da Universidade Federal do Pará(UFPA). Doutora em Desenvolvimento Socioambiental pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos(Naea) e pós-doutora na área da Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA – UFPA. Coordena o Grupo de Pesquisa“Conflitos Socioambientais, Comunicação e Resistências”. steinbrenner@ufpa.br Vanessa Brasil de Carvalho Mestrado em Comunicação, Cultura e Amazônia/UFPA e Doutorado pelo Programa de Educação, Gestão e Difusão em Biociências/UFRJ. Pós-Doutorado pela Fiocruz, no Programa de Pós-Graduação em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde e no programa Capes-Cofecub na Universidade de Paris VIII. Doutoranda, bolsista PDJ/ CNPq, e pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, colabora no Núcleo de Estudos de Divulgação Científica do Museu da Vida/ Fiocruz. Atua nos Grupos de Pesquisa Processos de Comunicação e do Comunicação, Linguagens, Discursos e Memórias na Amazônia(UFPA) e Ciência, Comunicação& Sociedade (Fiocruz) vanessabrasilcarvalho@gmail.com 243 RONDÔNIA 244 Maria Angela de Lima 36 Evelyn Iris Leite Morales Conde 37 HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO EM RONDÔNIA Para contar a história da comunicação em Rondônia, que inicialmente era denominado de Território Federal do Guaporé, é preciso, antes de tudo, entender a história de formação do Estado. De acordo com Barbosa e Menezes(2022, p. 268), [...] por força do Decreto-Lei 5.024[de 15 de janeiro de 1873], a navegação do rio Madeira foi aberta a navios mercantes de todas as nacionalidades, e para ensejar tal movimentação, um novo porto foi edificado em Santo Antônio do Madeira: o Porto dos Vapores, também denominado Porto Novo, em contraposição ao cais antigo. O Madeira é um dos principais afluentes do Rio Amazonas, com mais de 1.450 quilômetros de extensão, sendo 700 quilômetros cortando o Estado de Rondônia e o restante no Estado do Amazonas(Horbe et al., 2013), evidenciando, assim, a importância da localização estratégica de Rondônia que é banhada por este rio. Nasce na Cordilheira dos Andes sob o nome de Rio Beni, onde faz fronteira entre Brasil e Bolívia até alcançar Porto Velho, dando início à hidrovia do Madeira. Assim, com condições geopolíticas favoráveis, situado na fronteira oeste do país e inserido no bioma amazônico, o crescimento de Rondônia deu-se a partir de ciclos econômicos(da borracha – extração de látex, da cassiterita, do ouro e a agricultura) que geraram, cada um a seu tempo, diferentes fluxos migratórios marcando profundamente a população local(Amaral, 2012). Dessa forma, o Estado passou por profundas transformações até os dias atuais. De acordo com o site oficial do governo de Rondônia, o primeiro jornal a circular na região foi“O Humaythaense”, que era editado no município de Humaitá(AM) em 1891 e circulou até 1917(Governo..., 2024b). Nessa época as terras, que um dia seriam chamadas de Porto Velho, pertenciam ao município amazonense de Humaitá. Porto Velho foi fundada em julho de 1907 em decorrência da construção da Estrada de 36 Mestre em Estudos Literários e Culturais, especialista em MBA – Marketing – publicitária e graduada em Letras. 37 Doutora em Educação, mestre em Meio Ambiente e graduada em Comunicação Social – habilitação Jornalismo. 245 Ferro Madeira-Mamoré – empreendimento da empresa americana Madeira Mamoré Railway Company – idealizada como principal meio de transporte para mercadorias, principalmente a borracha. Uma grande curiosidade local, porém, é o fato de que, conforme relata Góis(2008, p. 19), alguns dos jornais impressos a circularem no Estado eram editados em Língua Inglesa. A explicação, conforme descreve o jornalista Júlio Sérgio Aires de Almeida, citado por Góis(2008), é que as publicações tinham como público os trabalhadores que atuavam na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, uma vez que a empresa construtora era americana. Em 1909 circulavam na região os jornais“The Porto Velho Times”,“Porto Velho Courier” e“Marconigran”, todos em língua inglesa. Almeida( apud Góis, 2008, p. 19) relata, ainda, que em 1912 existiam, em Língua Portuguesa, os jornais“O Extremo Norte” e o Bilontra, sendo este último colado em muros e tapumes. Em outubro de 1914 Porto Velho foi desmembrado do município de Humaitá/AM e legalmente elevado a município do Amazonas. Transformou-se em capital do Território Federal do Guaporé em 1943, quando o mesmo foi criado a partir de áreas retiradas do Estado do Amazonas e Mato Grosso(Amaral, 2012). Sobre o primeiro jornal publicado em Língua Portuguesa em Porto Velho, o site oficial do governo do Estado declara que“a primeira publicação foi o jornal‘O Município’, em 1915”(Governo..., 2024b). Em abril de 1917, de acordo com Gorayeb(2017), um importante jornal impresso foi criado em Porto Velho: o jornal“Alto Madeira”, fundado pelo tenente médico Joaquim Augusto Tanajura. Este foi, sem dúvidas, o meio de comunicação mais longevo do Estado, encerrando suas atividades em 2017 ao completar cem anos. Euro Tourinho, que iniciou suas atividades no jornal em 1950, na sessão solene em homenagem aos cem anos do jornal, o resumiu:“o Alto Madeira foi a faculdade de muitos jornalistas de Rondônia”, isto porque o primeiro curso de Graduação em jornalismo da Região surgiria apenas 85 anos depois da fundação desse histórico jornal. Desde o início dos anos 1970 o Alto Madeira era dirigido pela família Tourinho. Sobre a participação feminina na comunicação em Rondônia, o jornalista Júlio Almeida, citado por Góis(2008, p. 20), resgata informações expressivas sobre o jornal Alto Madeira: [...] em 14 de fevereiro de 1918, o jornal publica um poema intitulado Ausência, assinado por Marion, que se torna a primeira mulher a escrever na imprensa rondoniense.(...). Maria Isa Machado de Lima foi a primeira mulher a assinar uma coluna no jornal(a primeira do estado). Assim, a mídia local passou por transformações que acompanharam o desenvolvimento da comunicação no país, tendo o jornalismo impresso dominado o mercado nas 246 HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO EM RONDÔNIA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte primeiras décadas. Importa destacar que, para além do jornal impresso, Rondônia teve como aliados na comunicação popular os rádios de poste. Esse fenômeno, que ainda existe em diferentes municípios do Estado, foi importante instrumento de divulgação informativa desde os anos 1950, como analisam Conde, Barbosa e Silva(2011). A primeira emissora de rádio em Rondônia foi a Rádio Difusora do Guaporé, que entrou no ar em 1945, em Porto Velho(Albuquerque, 2009). Em 1956, de acordo com Machado(2023), ocorre uma mudança no nome da região, passando de “Território Federal do Guaporé” para“Território Federal de Rondônia”. Seu novo nome, Rondônia, já indicaria a forte relação com a comunicação, uma vez que é uma homenagem ao Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, que interligou a região Norte do Brasil aos demais Estados por meio de linhas telegráficas, tirando a região do isolamento. Nesse período o Estado e o mercado da comunicação entram em uma nova fase na região. Após o declínio dos ciclos da borracha e minerais, a região entrou no seu atual ciclo econômico: a agricultura, dando início, na década de 1970, às lavouras de café e à formação de pastagens com a ocupação dos imigrantes vindos do centro-sul brasileiro, incentivados pelo governo federal a povoarem o então Território Federal de Rondônia. Os anos 1970 e 1980 deram vez à televisão em Rondônia com as primeiras transmissões da Rede Amazônia, afiliada à Rede Globo, como relatam Conde e Silva (2012, p. 53), Em Rondônia, a Rede Amazônica instalou seus equipamentos em 13 de setembro de 1974, com apoio de investimentos que partiram também do Governo do Estado. Com satélites ligados ao mundo(BAZE, 2002) seria improvável que as redes não progredissem no contexto de transmissões simultâneas e longínquas, logo, qualquer fato de uma determinada cidade poderia ser transmitido e conferido no interior de Rondônia, Roraima, Amapá, Amazonas ou Acre. Ainda na década de 80, do século 20, o fato de extrema relevância que marcou a época e transformou o rumo da história da região aconteceu em 22 de dezembro de 1981, quando o então Território Federal de Rondônia passa a ser Estado. A instalação do Estado de Rondônia aconteceu em 4 de janeiro de 1982 e, economicamente, as oportunidades que se abriam com as inúmeras possibilidades de investimentos em infraestrutura no Estado atraíam cada vez mais pessoas ao longo dos anos. Tal cenário levou à necessidade de novos arranjos produtivos, culturais e sociais, evidenciando a lacuna entre a oferta de serviços e a demanda da população, carente de todo tipo de serviços, principalmente de educação. Era um desafio e tanto. Foi nesse mesmo ano, em 8 de julho, que foi criada a única universidade pública de Rondônia: a Universidade Federal de Rondônia(UNIR). As atividades foram iniciadas com três 247 cursos de Bacharelado – Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas. Era o princípio de um esforço para sanar a deficiência de qualificação na região. O crescimento acelerado da população até a segunda metade da década de 1980 levou ao surgimento rápido de várias cidades no interior do Estado, sendo necessário, para isso, a abertura de estradas e atração de indústrias voltadas para o setor madeireiro, e, posteriormente, voltadas para a agricultura e a agropecuária. Toda essa dinâmica econômica impactou as populações originárias, os indígenas e também ribeirinhos e moradores que iniciaram a formação do Estado nos municípios mais antigos. O Estado passou por muitas mudanças ao longo do tempo – sociais, políticas, econômicas e culturais –, contando, com uma grande diversidade sociocultural (Amaral, 2012; Rezende, 2013). Por conseguinte, o mercado de comunicação continuou sua expansão, acompanhando a transformação do Estado, do país e do mundo. Dos anos 1980 aos anos 2000, os principais destaques na área, de acordo com Góis(2008), estão expostos no Quadro 1, anexo 1. OS CURSOS DE COMUNICAÇÃO NO ESTADO No início da década de 2000 surgem os primeiros cursos de Ensino Superior no campo da Comunicação. Com a chegada de novos veículos de comunicação, a demanda por profissionais aumentou, com a necessidade de contratação de força de trabalho qualificada na área de comunicação, principalmente em Jornalismo, uma vez que o exercício da profissão na região tinha como proteção o Decreto nº 83.284, de 13 de março de 1979, que permitia um registro temporário(de até três anos) para o exercício das funções de repórteres, redatores e repórteres-fotográficos nos municípios onde não existisse curso de Jornalismo reconhecido legalmente e, comprovadamente, não houvesse jornalista disponível para contratação que fosse associado ao sindicato da categoria. A profissão de jornalista era regulamentada pelo Decreto Lei nº 972/69. Atendendo, portanto, ao anseio do mercado local, surgiram os cursos de comunicação em Rondônia nesse período, mais precisamente em 2002, ano em que a Faculdade de Ciências Humanas, Exatas e Letras de Rondônia(FARO), a Faculdade Interamericana de Porto Velho(UNIRON) e a Universidade de Rondônia(UNIR) deram início aos seus cursos de comunicação. A Faro começou com as habilitações em Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, e seu primeiro coordenador(que também atuou na instalação dos cursos) foi o professor Júlio Aires. Já a UNIRON começou com o curso de Publicidade e Propaganda e, posteriormente, em 2006, com o curso de Jornalismo. Ambos foram coordenados, inicialmente, pelo publicitário e jornalista Geovani Berno. 248 HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO EM RONDÔNIA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte A Unir iniciou seu curso de Jornalismo no Campus de Vilhena, a 700 quilômetros da capital Porto Velho, tendo como primeira coordenadora do curso, a professora Aparecida Zuin, que, depois de ser removida para a capital, passou a integrar o corpo docente do curso de Direito, não mais tendo vínculo com o curso de Jornalismo. Em 2003 a Universidade Luterana do Brasil(Ulbra) deu início à oferta das habilitações Jornalismo e Publicidade e Propaganda, instaladas no município de Ji-Paraná, a 400 quilômetros de Porto Velho, tendo como primeiro coordenador dos cursos o professor Santiago Roa( in memoriam). OS CAMINHOS DE CADA INSTITUIÇÃO Apesar de todas as instituições terem lançado seus cursos em um mesmo período, o destino de cada um foi bem diferente. Embora estejamos falando sobre o campo da Comunicação, a trajetória desses cursos ofertados no Estado não está registrada de modo sistematizado. Dessa forma, foi necessário buscar informações a partir de uma pesquisa exploratória no Projeto Pedagógico do Curso(PPC) das instituições, dados do Sistema de Regulação do Ensino Superior, via portal e-MEC, ou por entrevistas com alguns dos profissionais pioneiros que vivenciaram os momentos importantes de cada curso em suas respectivas instituições de ensino. As questões em aberto foram enviadas aos ex-professores e coordenadores das instituições de ensino por meio de aplicativo de mensagens. Começaremos pelas faculdades que já extinguiram os cursos de comunicação. FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS, EXATAS E LETRAS DE RONDÔNIA O jornalista e publicitário Solano Ferreira descreve, com muita tristeza, o encerramento dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda na Faculdade Faro. Em 2005 a Faro formou a primeira turma de Comunicação Social de Rondônia. No mesmo ano o curso de Relações Públicas foi encerrado, formando uma única turma de acadêmicos. O curso, de acordo com Solano Ferreira, proposto como uma inovação ao mercado, não foi compreendido pela sociedade local a despeito das visitas técnicas a órgãos públicos, instituições e escolas, mostrando o que era a profissão. Foi, então, consequentemente, extinto quase tão logo quando nasceu por não ter demanda. A professora Sara Duque Estrada, um dos destaques femininos no universo acadêmico na Faro, explica que os cursos de Jornalismo e Publicidade encerraram os vestibulares por volta de 2008 e 2009. Ainda assim permaneceram com suas portarias de autorização, caso surgissem demandas futuras que justificassem a reativação, conforme relata o professor Solano Ferreira. Em 2012 foram realizadas as orientações finais dos Trabalhos de Conclusão de Curso para encaminhamento dos últimos acadêmicos ao mercado de trabalho. Naquele período, Solano Ferreira foi o último 249 professor e orientador do curso, ministrando as últimas disciplinas, na modalidade de acompanhamento especial. Sobre as mulheres comunicadoras que participaram de alguma maneira da trajetória dos cursos na faculdade Faro, Solano Ferreira relata os principais nomes: Sara Duque Estrada, Simone Norberto e Jacinta Castelo Branco Correia – única doutora do curso naquela época. UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL Assim como os cursos de comunicação da Faculdade Faro, os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Universidade Luterana do Brasil(Ulbra), em Ji-Paraná/ RO, também não tiveram uma vida longa. De acordo com os egressos Luciane Machado e Fábio Trescher de Souza, os dois cursos da Ulbra começaram em 2003 com cem acadêmicos matriculados(sendo 50 em cada curso) tendo como primeiro coordenador o professor Santiago Roa( in memoriam). Essa primeira turma formou-se em 2006 com sete alunos. Fábio Trescher era o coordenador dos cursos no momento do encerramento, que se deu em 2009, “logo após decisão do STF de não haver necessidade de diploma para exercício da profissão”. As atividades acadêmicas foram encerradas com a integralização do curso dos últimos acadêmicos por volta de 2012. FACULDADE INTERAMERICANA DE PORTO VELHO Paralelamente ao encerramento dos cursos de comunicação da Faculdade Faro, conforme relata o jornalista e professor Benedito Teles, os cursos de Publicidade e Jornalismo da Uniron passam a receber cada vez mais alunos. Muitos acadêmicos e professores migraram para a Uniron em um movimento sequencial de fechamento dos cursos na Faro. A primeira turma de formandos em Publicidade e Propaganda da Uniron foi em 2005, e os primeiros formandos em Jornalismo integralizaram o curso em 2009, de acordo com informações do então coordenador Geovani Berno. O período entre 2008 e meados de 2011 teve um expressivo número de alunos matriculados na Uniron, chegando a ter 16 turmas abertas ao mesmo tempo(8 semestres em cada curso). Importa destacar que com os cursos superiores disponíveis, a partir de 2002, o sindicato dos Jornalistas de Rondônia(Sinjor/RO), fundado em janeiro de 1990, passou a incentivar a formação daqueles que tinham carteiras provisórias para atuação no mercado do Jornalismo, conforme relata Marcos Grützmacher, então presidente do sindicato em 2008(Góis, 2008). Uma das ações realizadas foi a formalização de uma parceria com a Faculdade Uniron para que os jornalistas que atuavam na área, sem o curso superior, se matriculassem em Jornalismo, com auxílio de bolsas de estudo com descontos nas mensalidades. A atuação do Sindicato foi 250 HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO EM RONDÔNIA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte preponderante na defesa do diploma obrigatório de jornalista e por exigir registro profissional daqueles que exerciam a profissão de jornalista provisionado até 2009. Ao analisar o movimento desta e de outras instituições de ensino privadas neste período, além da participação do Sindicato, infere-se que o crescimento em número de alunos também foi motivado por dois fatores macroeconômicos: um deles foram as mudanças, em 2010, nas regras do Fundo de Financiamento Estudantil(Fies), criado pelo Ministério da Educação(MEC). Proposto em 1999, o Fies tem o objetivo de subsidiar, para estudantes de baixa renda, as mensalidades em cursos de Graduação em instituições privadas de educação superior. Em 2010 houve redução nas taxas de juros e os prazos de carência e quitação das mensalidades aumentaram. Essas mudanças possibilitaram e facilitaram o acesso de muitos estudantes que, antes, apenas sonhavam com o Ensino Superior. Outro motivo possível para a elevada procura pelos cursos de Graduação no Estado foi o“boom” populacional com a construção das usinas hidrelétricas Santo Antônio e Jirau. As obras aqueceram o mercado de Porto Velho entre 2009 a meados de 2011, e chegaram a contratar, juntas, mais de 40 mil trabalhadores. Com a atração de mais pessoas e empresas para a região, houve um crescimento na demanda de profissionais qualificados em todas as áreas e, com isso, as instituições de ensino privadas e públicas passaram por um aumento na procura dos seus cursos. Quando questionado sobre a participação feminina na condução dos cursos de comunicação da Uniron, Geovani Berno destaca a participação da professora Sara Duque Estrada, que também migrou da Faro para a Uniron e, conforme ela relata, chegou a ser coordenadora substituta dos cursos de Publicidade e Jornalismo da Uniron entre 2006 e 2007. Foi nessa instituição que a jornalista encerrou sua carreira docente em 2010. Evidencia-se também as coordenadoras Aline Néto, que coordenou os cursos de Publicidade e Jornalismo de 2009 até 2011, e Evelyn Iris Leite Morales Conde, que coordenou as ações de extensão e pesquisa dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda de 2008 a 2010. A partir do retorno da professora Aline Néto para seu Estado de origem, assumiram os cursos as professoras Maria Ângela e Andreia Gonzalez, coordenadoras de Publicidade e Propaganda e Jornalismo, respectivamente. Gonzalez permaneceu no cargo até 2018, quando, a partir daquele ano, a professora Maria Ângela de Lima assumiu a coordenação dos dois cursos. Lima continuou na instituição até 2022, completando 13 anos de participação direta nos cursos de Comunicação da Uniron. Aqui é importante detalhar a participação da professora Evelyn Iris Leite Morales Conde nas formações em Comunicação da Uniron, lecionando nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda de 2008 a 2010. A professora saiu da Uniron em agosto de 2010, quando foi aprovada no concurso público para o Magistério Superior na Universidade Federal de Rondônia(UNIR). Evelyn Morales incentivou e inspirou 251 muitos acadêmicos e acadêmicas a participarem de ações extensionistas e produção de conteúdo de comunicação alternativa, especialmente na mídia sonora, o que rendeu publicações científicas e premiações de algumas produções em congressos regionais e nacionais de Comunicação. Na Uniron também foi coordenadora de pesquisa e de projetos experimentais em radiojornalismo, como o programa sonoro semanal“Sinapse! Uniron”, elaborado por estudantes de Jornalismo e Publicidade e Propaganda e veiculado na Rádio Cultura FM. Sinapse era o nome dado à então Agência Júnior formada pelos acadêmicos e acadêmicas da instituição. Embora tenha tido muito êxito na formação de excelentes profissionais, jornalistas e publicitários, a Faculdade Uniron encontrava-se, nos últimos anos, na mesma situação de evasão e falta de novos alunos pela qual passou a Faculdade Faro. O número de inscritos nos cursos começou a reduzir gradativamente desde 2012, levando ao não fechamento de novas turmas a partir de 2020. Com relação à gestão, em agosto de 2022 foi anunciada a fusão entre a Uniron, Grupo Sapiens e Centro Universitário do Norte(Uninorte). As três unidades de Ensino Superior passaram a formar, em 2023, um hub de educação e muitas mudanças ocorreram nos cursos oferecidos. No campo da Comunicação, a última turma do curso de Publicidade e Propaganda, formada pela então Uniron, ingressou no segundo semestre de 2019 e formou-se em 2023. No curso de Jornalismo a última turma ingressante é do primeiro semestre de 2020, formando-se no segundo semestre de 2023. Até junho de 2024 o curso de Jornalismo contou com os últimos acadêmicos finalizando disciplinas pendentes e Trabalhos de Conclusão de Curso. UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA A Unir iniciou seu curso de jornalismo no Campus de Vilhena/RO, tendo como primeira coordenadora do curso a professora Aparecida Zuim, que, poucos anos depois foi removida para Porto Velho, onde foi lotada no Departamento de Ciências Jurídicas e não mais tendo vínculo com a Comunicação. Apesar de ter iniciado em 2002, conforme Projeto Político Pedagógico(PPP) do curso, a primeira turma formouse em agosto de 2009 devido a problemas estruturais no curso. De 2002 a 2006 o curso tinha sua estrutura de Departamento junto ao curso de Ciências Contábeis, até a criação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais(Programa Reuni), do governo federal, em 2006, que deu origem ao Departamento de Jornalismo, quando a professora Aparecida Zuim assumiu a chefia seguida do professor Marcus Fiori. Sobre a participação feminina na criação e condução do curso de jornalismo da Unir, tem-se as docentes Araci Weiber Córdova e Ana Maria Horta de Lima Marquezini, que participaram, juntamente com o docente Agripino José Freire da Fonseca, da comissão composta para a elaboração do primeiro PPC do curso(que foi aprovado em 252 HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO EM RONDÔNIA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte 1997). Já as professoras Maria da Graça Bernardes e Silva, Patrícia da Veiga Borges e Andréa Aparecida Cattaneo de Melo, participaram da reformulação do segundo PPC do curso, aprovado em 2010, enquanto Elisabeth Kimie Kitamura e Leoní Teresinha Vieira Serpa, integrantes do Núcleo Docente Estruturante(NDE) do curso em 2015, junto a outros docentes, participaram da nova reformulação. No histórico do curso participaram do corpo docente feminino a professora Samara Kalil, permanecendo poucos meses do ano de 2010, a professora Daiani Barth, redistribuída para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2021, e a professora Deise Araújo Rocha( in memoriam), que foi redistribuída do Amazonas para Rondônia, vindo a falecer no ano de 2020. A docente Maíra Bittencourt também teve papel importante na instituição. No Departamento de Jornalismo na Universidade Federal de Rondônia(UNIR), onde ficou de 2016 a 2019, dentre outras atividades, foi membro do Núcleo Docente Estruturante(NDE) e coordenadora de estágio e desenvolvimento de pesquisa em Linguagens e Práticas Jornalísticas. Apesar de não estar mais residindo no Estado, as contribuições da professora Maíra Bittencourt para o desenvolvimento da área de pesquisa em Comunicação foram muito importantes para o curso de jornalismo da Unir. Ela saiu da Unir em 2019, após aprovada em concurso público na Universidade Federal de Sergipe(UFS). Em Sergipe Maíra assumiu o cargo de Diretora-Geral da Empresa Brasil de Comunicação(EBC). Destaca-se, também, a participação da professora Andréa Aparecida Cattaneo de Melo na comissão elaboradora do atual Projeto Político Pedagógico do curso, e a atuação da professora Evelyn Íris Leite Morales Conde, desde 2010, na instituição, somando esforços na condução do curso de Jornalismo da Unir. Ainda em Vilhena, Morales coordenou, junto com a professora Lilian Reichert Coelho, o primeiro projeto de pesquisa financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) do curso. Após 16 anos de atuação atendendo às demandas dos veículos de comunicação e empresas no interior do Estado, o Departamento de Jornalismo da Unir, considerando a evasão de acadêmicos do curso no campus em Vilhena/RO, encerrou suas atividades naquele município, conforme Resolução nº 555/Consea, de 7 de novembro de 2018, que extinguiu o curso. Com a Resolução nº 116/Consea, de 29 de agosto de 2019, o curso de Jornalismo passa a existir no campus da Unir em Porto Velho, com início de suas atividades em 2020 na capital, enquanto os últimos acadêmicos, em Vilhena, finalizavam o curso de Jornalismo no segundo semestre de 2022. Foram, então, 20 anos de atividades do curso naquele município. Atualmente coordenado pelo professor Francisco Carlos Guerra Júnior, o curso de Graduação em Jornalismo da Unir Porto Velho possui 198 discentes matriculados em cinco turmas em andamento e, conforme relata Evelyn Morales, a mudança de 253 campus na oferta do curso foi importante para a sua sobrevivência na Unir. A cada processo seletivo anua, o número de concorrentes tem aumentado. A Unir também é a única instituição de ensino que oferece, a partir de 2024, o curso de Pós-Graduação em Comunicação no Estado. O Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Comunicação(PPGCOM/Unir) tem a duração de 24 meses e foi aprovado em 2023. A primeira turma do Mestrado Acadêmico em Comunicação da Unir está com aulas em andamento, sendo as vagas na área de concentração: “Comunicação, Processos e Subjetividades na Amazônia”, distribuídas pelas linhas de pesquisa“Processos Regionais de Comunicação” e“Sujeitos Comunicacionais”. A docente Evelyn Morales é a única mulher que compõe o corpo docente de dez professores, tendo participado do processo de estruturação do curso e integralmente do primeiro processo seletivo do programa em Rondônia. Sua primeira orientanda no curso também é uma mulher, profissional jornalista concursada do Ministério Público do Estado de Rondônia(MPE/RO), Juliane Bandeira. INCENTIVO À PESQUISA EM COMUNICAÇÃO NO ESTADO Sobre congressos, encontros, jornadas e seminários de abrangência estadual na área da comunicação, os cursos de Graduação então vigentes sempre foram muito ativos. Comprometida com a pesquisa e a extensão, em junho de 2009 Rondônia foi sede do VIII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Norte promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). O evento, realizado no Campus da Uniron, foi resultado do comprometimento de coordenadores e professores contando com o apoio da Sinapse Pesquisa, sendo coordenado pelas professoras Evelyn Morales, Andréa Cattaneo e o professor Marco Bonito, coordenador dos cursos à época. Em maio de 2018 foi a vez de a UNIR sediar o evento regional em Vilhena/RO. Participaram da organização deste último evento de porte regional, os professores Sandro Colferai, Allysson Viana Martins, Cadidja Cunha, Luciano Soares e Maíra Bittencourt Maia. Antes mesmo da realização desses congressos, os acadêmicos de Comunicação Social sempre foram motivados pelo corpo docente e coordenadores dos cursos a apresentarem seus projetos interdisciplinares ou Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) na Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação(Expocom), que ocorre nos congressos regionais e nacionais organizados pela Intercom. A Uniron obteve um grande número de premiações regionais e nacionais no período de 2009 a 2019. Foram 45 prêmios, sendo 38 regionais e sete nacionais, acumulados na Expocom. A maioria dos trabalhos premiados oriunda de TCCs e de produções acadêmicas realizadas durante as aulas práticas dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Já o curso de Jornalismo da Unir também participa da Expocom desde 2009 e conquistou 11 prêmios regionais de 2014 a 2024. 254 HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO EM RONDÔNIA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Com relação a eventos locais, apesar de a maioria dos eventos já organizados não estar mais ocorrendo, os acadêmicos e acadêmicas puderam interagir com muitos profissionais e compartilhar conhecimento em diferentes momentos muito ricos para a formação em Comunicação; eventos como a Semana Acadêmica dos cursos de Comunicação(Semacom), da Uniron, que propiciava a conexão dos acadêmicos com profissionais e tendências do mercado da comunicação; a Semana Acadêmica dos cursos iniciou já com as primeiras turmas de Publicidade, em 2002; de 2015 a 2022 a coordenadora Maria Ângela de Lima organizou a Mostra Científica dos cursos de Comunicação da Uniron, realizada semestralmente, dentro da programação da Semacom da Uniron. Na Unir há registro no Campus Vilhena do evento“Dejor Debate”, com edições em 2011 e 2012, com apresentação e debate sobre tendências do mundo do trabalho no campo da Comunicação em Rondônia, sendo coordenado pelas professoras Evelyn Morales, Andréa Cattaneo e Lilian Reichert. Já com o curso em Porto Velho, o Departamento de Comunicação(Dacom) iniciou o Colóquio de Comunicação e Cultura da Amazônia Rondoniense(Canoar), realizado pelos professores e professoras do Dacom, em edições anuais desde 2022. O primeiro Canoar, com o tema“Jornalismo e Democracia”, foi organizado por uma comissão composta pelos docentes do Dacom, tendo como representantes femininas as professoras Andréa Cattaneo e Evelyn Morales. A segunda edição, realizada em novembro de 2023, teve como tema“Investigação Jornalística e Meio Ambiente”, ocasião em que o Mestrado em Comunicação da Unir foi apresentado à comunidade acadêmica, com a realização de uma mesa sobre a Pesquisa em Comunicação na Amazônia Ocidental, com os pesquisadores em Comunicação Aquinei Queirós, da Universidade Federal do Acre(UFAC), e Vilso Santi, da Universidade Federal de Roraima(UFRR), e Allysson Martins, coordenador do PPGCOM/Unir. Rondônia não possui agências estaduais de fomento à pesquisa específica para a área da Comunicação, porém existe a Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia(Fapero), que, de acordo com o site do governo estadual(Governo..., 2024b), foi criada pela Lei nº 2.528, de 25 de julho de 2011. A Fundação apoia a ciência, a tecnologia e a inovação, visando o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado, abrangendo, também, projetos em comunicação desde que os mesmos estejam voltados para os objetivos da instituição. É importante salientar que o órgão instituiu o Prêmio Fapero de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de Rondônia, que alcança os profissionais de comunicação. Outros dois prêmios instituídos na área de Comunicação no Estado são o“Prêmio MPRO de Jornalismo”, que também teve Evelyn Morales como premiada na segunda edição, e o recém-lançado“Prêmio Judiciário Rondoniense de Comunicação”, do Tribunal de Justiça de Rondônia(TJRO). O primeiro, em 2023, realizou sua 12ª 255 edição. O“Prêmio MPRO” de Jornalismo é voltado para jornalistas e estudantes que envolvam o Ministério Público de Rondônia em seus trabalhos jornalísticos, contribuindo, dessa forma, com a divulgação e esclarecimento sobre a importância do Ministério Público do Estado de Rondônia(MPRO) para a sociedade. Seguindo essa mesma linha, o“Prêmio Judiciário Rondoniense de Comunicação”, do TJRO, incluiu quatro categorias profissionais para a premiação, além de uma categoria acadêmica para alunos de Jornalismo e Direito, com trabalhos interdisciplinares. Os profissionais de Jornalismo no Estado também passaram a contar, a partir de 2024, com o Prêmio Sebrae de Jornalismo, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas(Sebrae). A premiação, realizada em etapas estadual, regional e nacional, contempla os melhores trabalhos com conteúdo voltado ao empreendedorismo e pequenos negócios. O Estado ainda contou, de 2004 a 2009, com o“Prêmio Sinjor de Jornalismo”, que foi instituído pelo Sindicato dos Jornalistas de Rondônia para reconhecer os melhores trabalhos publicados na mídia impressa e eletrônica. Este foi o primeiro prêmio criado para a área e, sem dúvidas, estimulou outras instituições na valorização do profissional da comunicação rondoniense. Nas duas últimas edições desse prêmio, em 2008 e 2009, Evelyn Morales que, à época, atuava como docente na Uniron e era, também, chefe de reportagem na Rede Amazônica de Rádio e Televisão, afiliada da Rede Globo, foi vencedora na categoria mídia sonora. De modo geral, fica evidente que, em se falando de pesquisa em Comunicação, Rondônia precisa avançar mais. Com apenas uma instituição de ensino ofertando o curso de Jornalismo no Estado, entretanto, o desenvolvimento da área fica ainda mais complexo. Nesse cenário, atualmente não se tem cooperação instituída na área de Comunicação no Estado; não se tem revista acadêmica institucionalizada em Comunicação; não se tem editais especiais ou específicos na região; não existe biblioteca especializada para acadêmicos, docentes e profissionais do mercado (apenas a seção de Comunicação dentro da biblioteca setorial da Unir); e não existe associação local de professores e pesquisadores da área. Não obstante, o curso de Jornalismo da Unir é o polo científico de toda a região, contando, em 2024, com 12 professores que dividem sua carga horária com a docência, projetos de pesquisa e extensão e atividades administrativas no curso. DESAQUECIMENTO E EXTINÇÃO DOS CURSOS DE COMUNICAÇÃO DO ESTADO Quais motivos levaram ao aparente“desinteresse” de novos estudantes pelos cursos de Comunicação em Rondônia? Esse era, e ainda é, um questionamento comum entre os profissionais da área que viam, semestre a semestre, o não fechamento de 256 HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO EM RONDÔNIA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte novas turmas nas instituições privadas. Responder a essa questão não seria possível sem uma análise ampla e com resgate histórico. Góis(2008, p. 24) destaca que, em 2008, de acordo com o Sindicato dos Jornalistas do Estado de Rondônia, existiam“400 jornalistas sindicalizados, sendo 360 sem graduação e apenas 40 graduados”, o público-alvo ideal para as faculdades. Algumas mudanças no cenário nacional e estadual, porém, culminaram na redução progressiva da procura de novos alunos pelo curso de jornalismo nas instituições privadas de ensino. A decisão do Supremo Tribunal Federal(STF), em junho de 2009, pelo fim da exigência de diploma para atuar como profissional jornalista no Brasil, sem dúvidas, foi o grande divisor. Essa decisão pode ter sido fator importante no esvaziamento das salas de aula das instituições de ensino. Consequentemente, também impactou a atuação do Sindicato dos Jornalistas em todo o país. Além do fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista, novas mudanças das regras no Fies aconteceram em 2015, o que deixou de ser atrativo para muitos estudantes. Somado a esses dois fatores, infere-se que o aumento na oferta de cursos a distância no Brasil, a partir dos anos 2000, igualmente contribuiu, em certa medida, para a redução na procura por cursos presenciais anos depois. De acordo com informações do Censo da Educação Superior publicados em 2023 pelo MEC, o número de cursos na modalidade EaD aumentou 700% nos últimos dez anos no Brasil: de 1.148 em 2012 para 9.186 em 2022(MEC, 2023). O número de alunos matriculados nos cursos a distância cresceu 289% entre 2012 e 2022. O fator econômico(mensalidades com valores menores) e a praticidade oferecida pela modalidade EaD, conceito fortalecido pelo ensino remoto promovido a partir de 2020 por causa da pandemia do coronavírus, pesaram na decisão do público-alvo. Por fim, Rondônia apresenta desaquecimento da economia com o processo de desmobilização a partir do fim da construção das usinas hidrelétricas desde 2011, deixando o Estado com muitos problemas de infraestrutura, desempregados oriundos da força de trabalho empregada na época de construção das usinas e uma economia que abrange, essencialmente, o ciclo da agricultura e do serviço público. Por conseguinte, depois de toda essa conjuntura local e nacional no campo acadêmico da Comunicação, restam os cursos de Jornalismo da Unir, atualmente no Campus de Porto Velho, e uma única turma do curso de Jornalismo da Uniron, também na capital, que está em fase de encerramento, não restando nenhuma oferta em outros municípios do Estado. Ao apreender o movimento do mercado profissional e sindical, iniciado antes da constituição acadêmica dos cursos de comunicação, Rondônia tem uma atuação de mais de 50 anos no campo da Comunicação. Ao analisar o contexto de criação dos primeiros cursos de Comunicação no Estado, no entanto, é adequado inferir que este 257 seja um setor muito incipiente, com menos de 20 anos da primeira turma formada. Esta é parte do movimento da história da Comunicação em Rondônia: uma explosão de veículos de comunicação oriundos antes mesmo da formação do Estado, abrindo caminho e avançando, a cada ciclo migratório, sem profissionais com formação acadêmica. A academia, por sua vez, apesar de ter surgido com plena força, composta por cursos de Comunicação concomitantes em quatro instituições, veio tardiamente após décadas de atuação dos profissionais“práticos”. Antes mesmo que se pudesse estruturar e consolidar o campo da Comunicação rondoniense, embora tenha avançado na primeira década de sua atuação, se arrefeceu a partir do momento em que as instituições privadas se viram“atropeladas” por diversos fatores, principalmente o econômico, sucumbindo no caminho. Em uma análise mais de perto, nos deparamos com apenas um curso plenamente em andamento em 2024 de oito iniciados a partir de 2002. Antes de encerrar este capítulo, expressam-se, de modo respeitoso e afetuoso, os agradecimentos às professoras que colaboraram com informações sobre seus movimentos nos cursos de Comunicação em Rondônia 38 . 38 Para registro das bionotas os critérios foram a contribuição à pesquisa e extensão; o tempo de atuação nos cursos, considerando transferência de setores ou área, redistribuições e remoções. Algumas bionotas não foram feitas em acolhimento a pedidos de professoras indicadas. Em respeito a esses pedidos e critérios, destacamos a importância da atuação das professoras Patrícia Veiga, Samara Kalil, Deise Araújo Rocha, Aparecida Zuim, Andréa Aparecida de Cattaneo de Melo, Leoní Terezinha Serpa e Daiani Barth, que passaram pelo curso de Jornalismo da Universidade Federal de Rondônia(UNIR), seja em Vilhena ou em Porto Velho, e Simone Norberto, Adriana Zanki Cordenonsi, Cristiane Paião, Viviane Camelo e Iule Vargas nos cursos de Comunicação da Faculdade Interamericana de Porto Velho(UNIRON). 258 HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO EM RONDÔNIA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Referências AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS. Debatedores defendem diploma de jornalismo como remédio contra notícias falsas. 26 out. 2023. Disponível em: https://www. camara.leg.br/noticias/1011386-debatedores-defendem-diploma-de-jornalismocomo-remedio-contra-noticias-falsas/ Acesso em: 20 jun. 2024. AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS. Sebrae RO anuncia prorrogação das inscrições para o Prêmio de Jornalismo – PSJ. 26 out. 2023. Disponível em: https://ro.agenciasebrae. com.br/cultura-empreendedora/sebrae-ro-anuncia-prorrogacao-das-inscricoes-parao-premio-de-jornalismo-psj/ Acesso em: 20 jun. 2024. ALBUQUERQUE, Lúcio. Da caixa francesa à internet: 100 anos de imprensa em Rondônia. Porto Velho:[ s. n.], 2009. AMARAL, N. F. G. Processos migratórios em Rondônia e sua influência na língua e na cultura. Porto Velho:[ s. n.], 2012. AMERON. TJRO lança Prêmio Judiciário Rondoniense de Comunicação. 19 set. 2023. Disponível em: https://bit.ly/45DZ8Yn Acesso em: 10/06/2024. BARBOSA, X. de C.; MENEZES, Nilza. Infância e privação social em Santo Antônio do Madeira, 1910-1920. Revista Territórios e Fronteiras, v. 15, n. 2, p. 258-280, 2022. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/territoriosefronteiras/index.php/ v03n02/article/view/1185/352352596. Acesso em: 27 jun. 2024. BRASIL. 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Acesso em: 5 maio 2024. 260 HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO EM RONDÔNIA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Anexo 1 Quadro 1 – Mercado de comunicação Rondoniense nas décadas de 1980 a 2000 Década de 1980 Década de 1990 Anos 2000 – Lançamento do jornal O Parceleiro, em Ariquemes; – Início das atividades das emissoras radiofônicas: Rádio Ji-Paraná(1983); Rádio Progresso(de propriedade do governo do Estado); Rádio Planalto AM; Rádio Boas Novas(antes, Rádio Eldorado que mudou de novo ao ser vendida para a igreja Assembleia de Deus); – Início das atividades dos jornais: Tribuna Popular e Jornal Última Hora; – O Grupo Rondovisão lança sua primeira emissora de rádio, a Rádio Educadora de Rolim de Moura. Foi o início do conglomerado que, historicamente, compreendeu o maior número de veículos em Rondônia. Chegou a abranger, de acordo com Góis(2008), 11 emissoras de rádio e 5 canais de televisão. – Fundado o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Rondônia(Sinjor); – Início das atividades dos jornais: Correio Popular(Ji-Paraná); Diário da Amazônia; e Folha de Rondônia; – Início das atividades televisivas: TV Candelária de Porto Velho; TV Maira(primeira em sistema VHF); TV Candelária de Ji-Paraná; Canal Rede Vida de Televisão, em Porto Velho e em outros municípios. – No meio radiofônico Rondônia ganha sua primeira rádio comunitária, a Rádio Transamazônica FM(Porto Velho). A Rádio Itapirema(Ji-Paraná) também inicia suas atividades; Surgem os primeiros sites de notícias em Rondônia. O jornalismo de Rondônia assume seu novo papel na era digital com o webjornalismo. Uma explosão de novos sites marca a década. Também entraram em atividade, nesse período, os seguintes veículos de comunicação: Rádio 95,5; Rádio Vitória Régia FM; jornal Diário do Povo; Rede TV de Porto Velho; e Record News. Fonte: Elaborado pelas autoras 39 . 39 Fonte para elaboração do quadro: Góis, Fabíola Cristhina de Lima e. Jornalismo digital : a relação entre a mídia privada de Rondônia e a Agência Senado. 2008. Monografia(Especialização) – Universidade do Legislativo Brasileiro – Unilegis – e Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS. Brasília, DF, 2008. 80 p. 261 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 262 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ELISABETH KITAMURA Maria Angela de Lima Elisabeth Kimie Kitamura nasceu em 16 de março de 1959 em Presidente Prudente(SP). É filha dos imigrantes japoneses Nobuko Nakamura Kitamura e Sakae Kitamura. Estudou no Grupo Escolar Alayde Tortorella de Faria Motta de 1966 a 1969, e na Escola Estadual de 1º e 2º Graus Fernando Costa, de 1970 a 1976, todos em sua terra natal. Elisabeth é graduada em Publicidade e propaganda pela Fundação Cásper Líbero(1981); em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(1985); tem Especialização em Discurso Fotográfico pela Universidade Estadual de Londrina (1998); fez Mestrado em Comunicação e Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(2003); e Doutorado em Educação Escolar(2011) na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho(UNESP) – Campus Araraquara. Sua dissertação chama-se“Central do Brasil: redescobrir o Brasil pela alteridade”, e a tese tem o título“Cinema e Educação: o conflito socioambiental na representação fílmica de Adrian Cowell”, a qual e foi publicada em 2017. Com a tese teve a oportunidade de conhecer o cineasta Vicente Rios(1954-2022) e ser entrevistada para compor o seu filme Adrian Cowell: 50 anos no Brasil(2023). Antes de atuar como professora do Departamento de Jornalismo em Rondônia, Elisabeth exerceu a função de redatora, tradutora e fotógrafa no caderno cultural do jornal International Press Corporation(IPC) no Japão, impresso dedicado ao público latinoamericano do mesmo grupo que operou de 1996 a 2019 como afiliado à TV Globo Internacional( IPC World Inc). Em 1996 foi 263 consultora da Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social (SMSAS) de Progresso, Curitiba(PR). Em 1997 Kitamura iniciou sua carreira acadêmica como docente na Universidade do Oeste Paulista – Unoeste. Foram quase 30 anos dedicados ao ensino e pesquisa em Comunicação. Em 2004 fez concurso para docente no curso de Jornalismo da Universidade Federal de Rondônia(UNIR) para atuar no curso de Comunicação em Vilhena(RO), oportunidade para aliar a formação em publicidade e em ciência social para tratar de educação ambiental e comunicação. É atuante também na linguagem fotográfica em filmes, sociologia geral e visual e cinema ambiental. Como projetos de pesquisa e extensão principais, podem ser citados: “KM7. Ponto final. Uma proposta participativa de comunicação social”(2000); Central do Brasil: redescobrir o Brasil pela alteridade (de 2000 a 2003); e o projeto de extensão Centro de Comunicação Digital da Amazônia – de 2007 a 2009. Em 2010 promoveu o curso“Cinema e Meio Ambiente: os conflitos socioambientais nos documentários de Adrian Cowell”, voltado para professores do ensino público municipal e estadual da cidade de Vilhena. Em 2015 foram realizados encontros a partir do projeto“Cine Unir: Cineclube do Campus de Vilhena”, do qual ela era participante. Além disso, também elaborou o projeto de extensão“Corumbiara: 20 anos de silêncio”, evento realizado no auditório da Universidade Federal de Rondônia(UNIR) em referência ao massacre ocorrido no Estado em 1995; o projeto de extensão“Comunicação e Educação”, desenvolvido de 2016 a 2020, vinculado ao Grupo de Pesquisa e Extensão em Audiovisual(GPEA) do Departamento de Jornalismo da Unir; e, por fim, o projeto“Cinema e Educação: o conflito socioambiental na representação fílmica de Adrian Cowell” (projeto desenvolvido de 2007 a 2011). A prática docente no curso de Jornalismo em Rondônia permitiu à Elisabeth o contato com uma realidade regional distante do estereótipo que ainda habita o imaginário social sobre a Amazônia: o da natureza abundante e exótica. Elisabeth Kimie Kitamura, antes de aposentar-se, atuou como professora associada II na Universidade de Rondônia – Unir(2004 a 2022); também exerceu a função de chefe de Departamento da mesma instituição(2005 a 2006), período em que participou ativamente da elaboração do Projeto de Laboratórios do Curso 264 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte de Comunicação Social. Foi integrante do Grupo de Pesquisa e Extensão em Audiovisual(GPEA) e associada à International Visual Sociology Association(IVSA). Principais publicações KITAMURA, E. K. A obra de Adrian Cowell: a representação fílmica na fronteira onde nasce o brasileiro. In: TRUBILIANO, Carlos Alexandre Barros(org.). Debates indígenas na contemporaneidade. 1. ed. Ji-Paraná: Edinter, 2018. p. 160-188. KITAMURA, E. K. Cinema e educação: o conflito socioambiental na representação fílmica de Adrian Cowell. 1. ed. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2017. 270 p. V. 1. KITAMURA, E. K. A mãe de Gorki. A mediação do panfleto para a ação social. Interdisciplinar: Revista de Estudos em Língua e Literatura, v. 11, p. 10-25, 2010. KITAMURA, E. K.; CARNEIRO, A.; VERPA, C.; BARROS, C.; FREIRE, D. N.; BEDUSQUE, G. M.; CONTE, J.; CUSTODIO, J. A. C. Oriente(se): viagem e fotografia. In: KITAMURA, Elisabeth Kimie; CONTE, Jaqueline; CUSTÓDIO, José de Arimathéia Cordeiro; SOUZA, Maria Irene Pellegrino de Oliveira(org.). O discurso fotográfico. 1. ed. Londrina: Editora da Universidade Estadual de Londrina(UEL), 1999. p. 13-319. V. 1. 265 SARA DUQUE ESTRADA Maria Angela de Lima Sara Duque Estrada nasceu em 12 de novembro de 1958 em Campina da Lagoa(PR). É filha de Oziel dos Santos e Messias Xavier dos Santos, e irmã de Eponina e Divina. Fez o Ensino Fundamental no Grupo Escolar Roberto Brzezinski e na Escola Santos Dumont, ambos em sua cidade natal, terminando no Colégio Estadual Marechal Rondon, em Campo Mourão(PR). Nessa cidade iniciou o Ensino Médio no Colégio Estadual Marechal Rondon e terminou de cursar no Colégio Estadual de Campina da Lagoa e no Colégio Estadual João de Oliveira Gomes, em Ubiratã(PR). Aos 17 anos entrou na Universidade Estadual de Londrina(UEL) para cursar jornalismo, formando-se em 1981, e tem Especialização em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Federal de Rondônia(UNIR-2001). No ano seguinte foi para Rondônia, onde começou a atuar como assessora de imprensa da Prefeitura de Jaru(RO). Além da assessoria de imprensa, Sara adquiriu vasta experiência tanto em jornal impresso quanto em TV e rádio. Em 1990 muda-se para Porto Velho(RO), onde seu próximo trabalho é no governo do Estado de Rondônia. Como assessora de comunicação atuou por mais de 20 anos no Instituto Nacional da Previdência Social(INSS), também em Porto Velho(RO). Nos anos 1990 também foi colunista do jornal O Estadão do Norte, teve participação em um quadro na TV Rondônia e trabalhou como produtora da Rádio Nacional de Brasília no Estado. Pelos serviços prestados à comunidade, ela ganhou uma homenagem de Honra ao 266 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Mérito da Rádio Nacional da Amazônia. Em 1997 ganhou o Prêmio Nacional de Ideias Inovadoras do governo federal por sua atuação na Rádio Nacional. A carreira na docência começou em 2002, na Faculdade Faro, onde atuou como docente nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. Também foi coordenadora substituta dos cursos de Publicidade e Jornalismo da Faculdade Interamericana de Porto Velho(UNIRON) entre 2006 e 2007. Permaneceu na docência até 2010. Sua carreira docente nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas das Faculdades Faro e Uniron em Porto Velho, contribuiu, diretamente, com o ensino e a pesquisa em comunicação. Em 2011 Sara aposentou-se da profissão de jornalista. Em 2018, contudo, foi eleita a primeira mulher presidente do Sindicato dos Jornalistas de Rondônia(Sinjor), quando foi responsável por regularizar questões burocráticas e por legalizar o sindicato, reativando-o junto ao Ministério do Trabalho e à Federação Nacional de Jornalistas(Fenaj), além de atrair novos filiados e resgatar a credibilidade da instituição Sinjor na sociedade. Em 7 de abril de 2019, dia do jornalista, a Câmara Municipal de Porto Velho homenageou-a pela colaboração da profissão de comunicação aliada à sociedade. Em agosto de 2020, por questões de saúde, Sara renuncia à presidência do Sinjor. Sara Duque Estrada, também conhecida como Sara Xavier, reside há mais de 40 anos em Rondônia. Fazendo parte da primeira turma do curso de jornalismo no Estado, na Faculdade Faro, participou da construção do campo e ainda mantém conexão com o mercado de comunicação rondoniense. Principal publicação OLIVEIRA, Sara Xavier Duque Estrada. Saberes, desafios e perspectivas no jornalismo em Porto Velho: uma análise das entrevistas. In: SANTOS, A. D.; GADELHA, J. G. S.; SOUSA, L. F. Saber amazônico na mídia: produção científica em Porto Velho. Porto Velho, RO: Editora Temática, 2018. 267 MARIA ANGELA DE LIMA Evelyn Iris Leite Morales Conde Maria Angela de Lima nasceu em 15 de novembro de 1976 em São Simão(GO). É a sétima filha de Maria Ferreira de Lima, que teve oito filhos. Para a mãe trabalhar, aos cinco anos foi matriculada na primeira série na Escola Estadual Presidente Costa e Silva, onde também fez o Ensino Médio. Saiu de São Simão e foi trabalhar como babá e doméstica em Cuiabá(MT) para poder fazer faculdade. Formou-se em Publicidade e Propaganda aos 23 anos, em 1999, na Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT). Em 2002 tornou-se Especialista em MBA – Estratégia e Marketing – pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(UFMS) e em 2006 concluiu o Mestrado em Estudos de Linguagem na Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), com a dissertação intitulada“Mídia e Elementos Culturais na Política Brasileira: o caso da expulsão dos parlamentares do Partido dos Trabalhadores”. Em 2022 decidiu fazer outra Graduação aos 45 anos e, assim, formou-se, também, em Letras pela Unicesumar de Maringá(PR). No início da carreira conquistou o Prêmio Gazeta de Comunicação Jovem Talento(Ouro/99) com o Trabalho de Conclusão de Curso da Graduação. Atuou como gerente de marketing, diretora de planejamento, coordenação de call center, instrutoria em atendimento, prática e acompanhamento de pós-vendas, criação e redação de campanhas publicitárias, pesquisa(planejamento e coordenação), organização de eventos e criação de projetos e programas de responsabilidade social. Foi facilitadora em cursos de atendimento, vendas, criatividade e marketing. 268 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte No setor de pesquisas, foi analista no Instituto de Pesquisas Vetor e coordenadora de pesquisas no Instituto Datamarket, ambos em Cuiabá. Em assessoria de comunicação trabalhou na Central Cooperativa de Crédito – Sicredi MT. Na área de marketing foi gerente, por cinco anos, da Farmácia Nossa Senhora de Fátima de Cuiabá, e assistente de marketing na Unimed Cooperativa Médica, também em Cuiabá. Foi consultora do Programa de Capacitação Empresarial promovido pelo Instituto Euvaldo Lodi(IEL) de Cuiabá. Maria Angela também atuou em agências de publicidade em Mato Grosso, como Casa D’Ideias Marketing e Propaganda, e em Rondônia, como Minhagencia Publicidade, em ambas atendendo contas governamentais. Sua primeira experiência como docente universitária foi no Centro Universitário de Várzea Grande/Mato Grosso(Univag) de 2003 a 2008, ministrando as disciplinas Criatividade, Comportamento do Consumidor, Redação Publicitária, Marketing, Marketing Político, Projeto Experimental em Publicidade e Propaganda, Comunicação Comparada e Teoria da Comunicação. Na Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), como professora substituta entre 2005 e 2006, ministrou, ainda, as disciplinas Pesquisa em publicidade, Composto promocional e Criação Publicitária. Em 2009 mudou-se de Cuiabá para Porto Velho(RO). Na capital rondoniense assumiu como docente, no mesmo ano, no curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Interamericana de Porto Velho – Uniron. Nesta função foi responsável pela orientação dos Trabalhos de Conclusão de Curso e coordenadora dos Projetos Experimentais. Na mesma instituição foi professora no curso de Pós-Graduação MBA( lato sensu) em Gestão e Planejamento Estratégico de Comunicação, e, a partir de 2011, assumiu, também, a coordenação do curso. Em 2018 assumiu a coordenação do curso de Jornalismo na mesma instituição. À frente dos cursos até o ano de 2022, dentre outras atividades, criou a Mostra Científica dos Cursos de Comunicação, realizada semestralmente, quando os discentes apresentavam projetos interdisciplinares. Sob sua coordenação muitos prêmios foram recebidos por alunos do curso: até 2019 foram 45 prêmios, sendo 38 regionais e 7 nacionais na Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação(Expocom). 269 Durante sua gestão, os acadêmicos ainda foram motivados a movimentar a Agência Júnior de Comunicação Social da Faculdade Interamericana de Porto Velho – UCOM –, associação civil, sem fins lucrativos e com finalidades educacionais. Maria Angela também foi jurada do Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça organizado pelo Fórum Nacional de Comunicação& Justiça (FNCJ), de 2018 a 2022, nas seguintes categorias: Comunicação Interna(2018); Relacionamento com a mídia(2019); Campanha Institucional de Interesse Público(2020); e Projeto/Campanha Institucional de Interesse Público(2022). No fim de 2020 passou a dedicar-se ao tema carreira e maternidade, escrevendo e falando sobre rede de apoio. No período de outubro de 2020 a julho de 2022 usou sua coluna semanal na rádio CBN Amazônia, de Porto Velho, para falar sobre o assunto. A coluna deu origem a um podcast e a uma página na rede social Instagram com o mesmo nome. Maria Angela de Lima vive no município de Ariquemes desde 2022, e em 2023 foi aprovada como substituta para o Ensino Médio, ministrando a disciplina Língua Portuguesa no Instituto Federal de Rondônia(IFRO), Campus Ariquemes. Além de continuar na área de marketing empresarial, também atua como consultora em Comunicação Social, com planejamento e redação de textos. Como professora e coordenadora dos cursos de Comunicação da Uniron de 2009 a 2022, participou da formação de cerca de 50 turmas nos 13 anos de sua atuação como professora da instituição. Principais publicações DUMMEL LIMA, M. A. Breve história da publicidade brasileira. In: MOSTRA CIENTÍFICA DO CURSO DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA UNIRON, Comunicação, arte e sociedade, 3., 2016, Porto Velho: VDS – Vinícius Dantas Silveira(ed.), 2016. DUMMEL LIMA, M. A.(org.). MOSTRA CIENTÍFICA DO CURSO DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA UNIRON, Comunicação, arte e sociedade, 1., Porto Velho. 1. ed. Porto Velho: VDS – Vinícius Dantas Silveira(ed.), 2015. 33 p. V. 1. 270 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte DUMMEL LIMA, M. A. Anúncio Azeite Gallo: racismo ou apenas comparação?- resumo. In: CONGRESSO DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO NORTE, 11., 2012, Palmas, TO: Congresso de Comunicação da Região Norte, 2012. GODOI Marcos Roberto; SÁ, Roberto Boaventura da Silva; DUMMEL LIMA, M. A. Marketing esportivo, cultura hip hop e consumo: uma análise da campanha“É POSSÍVEL!” Movimento, v. 22, p. 431-442, 2016. LIMA, M. A. A violência doméstica e a importância da educação. In: BELLÉ, Janaína; LEMES, Rogério Fernandes(org.). Antologia almas cativas. 1. ed. Dourados: Biblio Editora, 2021. p. 282-288. 271 EVELYN MORALES Maria Angela de Lima Evelyn Iris Leite Morales Conde nasceu em 20 de agosto de 1980 em Brasília(DF). É a segunda das três filhas do casal Oswaldo Morales e Neusa Maria Leite Morales. É companheira de Fábio Mamoré Conde e mãe de Íris. Viveu a infância em várias capitais e chegou à capital rondoniense em 1987, onde estudou o Ensino Fundamental no Instituto Laura Vicuña e o Médio no Instituto Maria Auxiliadora. Aos 18 anos passou no vestibular para o curso de Letras na Universidade Federal de Rondônia(UNIR), mas não chegou a cursar. Com apoio do Centro Comunitário de uma Organização Não Governamental(ONG) foi para Cuiabá(MT), onde passou para o curso Jornalismo em 1999. Através da ONG onde trabalhava, no Departamento de Relações Públicas, foi transferida para Campo Grande em 2001. Passou a cursar Jornalismo na Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal(UNIDERP), onde formou-se em 2005. Concomitante à Graduação, formou-se no curso técnico de Rádio e TV. Fez Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional na Uniderp. Na mesma universidade foi contratada como jornalista do laboratório de radiojornalismo, onde atuou de 2004 a 2008 com projetos de extensão e atividades pedagógicas. Entre 1999 e 2001 foi assessora de comunicação popular do Centro Comunitário e Educacional de uma ONG em que atuou como voluntária; estagiou nas emissoras de rádio Central Brasileira de Notícias – CBN Pantanal –, Rádio Cidade FM e Rádio Educativa FM, entre 2001 e 2004; conduziu um programa de comunicação popular na rádio comunitária Segredo FM, em Campo Grande, de 2002 a 2004; foi 272 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte produtora e repórter da TV MS, emissora afiliada à Rede Record, entre 2003 e 2006; atuou como repórter e apoio pedagógico no laboratório de radiojornalismo da UNIDERP e na Rádio UNIDERP FM entre os anos de 2004 e 2008; coordenou a Assessoria de Comunicação do Centro Universitário de Campo Grande(UNAES) de 2006 a 2008. Em 2008 retornou para Rondônia para lecionar no curso de Jornalismo da Faculdade Interamericana de Porto Velho(UNIRON) e para coordenar as equipes de reportagem da TV Rondônia, emissora afiliada à Rede Globo, onde atuou até 2010, quando foi aprovada no concurso para o Magistério superior na Universidade Federal de Rondônia(UNIR). Como jornalista foi finalista de prêmios nacionais, como na categoria radiojornalismo do GP Ayrton Senna de Jornalismo, em 2005 e 2010; premiada em edições regionais na categoria radiojornalismo, no Prêmio de Jornalismo do Sindicato dos Jornalistas de Rondônia (Sinjor), por dois anos consecutivos, em 2008 e 2009; vencedora da categoria radiojornalismo do III Prêmio Ministério Público de Jornalismo, em 2013; e homenageada pela Associação Nacional de Radialistas(Anradio), em 2013. Como docente começou ministrando aulas de Laboratório de Comunicação para cursos de Ciências Sociais Aplicadas do Centro Universitário de Campo Grande(UNAES), entre 2006 e 2008, e como apoio pedagógico em radiojornalismo no laboratório didático da Rádio UNIDERP FM, em Campo Grande, até 2008. Em Rondônia lecionou na Faculdade Interamericana de Porto Velho(UNIRON) por dois anos, de 2008 a 2010, onde também foi coordenadora de pesquisa e de projetos experimentais em radiojornalismo, como o programa sonoro semanal“Sinapse! Uniron”, elaborado por estudantes de Jornalismo e Publicidade e Propaganda e veiculado à Rádio Cultura FM. O programa recebeu dois prêmios na Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação(Expocom) na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(VIII Intercom), em 2009, nas categorias spot publicitário e programa laboratorial de radiojornalismo. No ano seguinte mais duas produções vencedoras, desta vez nas categorias documentário jornalístico interpretativo e livro-reportagem. 273 Antes de ser docente da Unir, lecionou no Programa de Formação Continuada Mídias na Educação, em nível de Pós-Graduação lato sensu, com atuação nos módulos Mídia Sonora e Impresso de 2009 a 2012, orientando projetos de intervenção midiática em escolas de diferentes polos no Estado. No curso de Jornalismo da Unir, concursada em 2010, com lotação no Campus Vilhena, cocoordenou o primeiro projeto de pesquisa financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) do curso: comunicação para a cidadania com mulheres de assentamentos rurais na região centro-sul do Estado de Rondônia. Também foi vice-líder do Hibiscus – Grupo de Pesquisa e Extensão em Comunicação, Discurso e Gênero e bolsista de extensão do CNPq, com projeto de pesquisa e intervenção em comunicação sonora para a cidadania com jovens de assentamentos na região da Fazenda Santa Elina, local de conflitos agrários. Participou de projetos de pesquisa em rede, com publicações regionais e nacionais no âmbito do Grupo de Pesquisa Mídia Sonora, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e da Educomunicação, com a Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação(ABPEducom); no campo da Educação, com o Grupo de Trabalho Estado e Políticas Públicas Educacionais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação(Anped), da Associação Nacional de Política e Administração da Educação(Anpae) e da Rede de Estudos e Pesquisas em Planejamento e Gestão Educacional(Replag). Em 2017, ao ingressar no Doutorado, na Universidade Católica Dom Bosco(UCDB) em Campo Grande(MS), investigou a forma de participação e postura política de representantes da sociedade civil, integrantes de um Conselho Municipal de Educação, em pautas relacionadas à gestão democrática da educação no município de Campo Grande. Desde 2022 lidera o Grupo de Pesquisa e Extensão Rádio Educação Cidadania(REC), com ênfase na comunicação para a cidadania e intervenções educomunicativas, com apoio de bolsas de extensão e de iniciação científica do CNPq e da Unir. Em 2023 três produções foram premiadas no Expocom, do Intercom Norte 2023, nas categorias projeto de extensão, reportagem de áudio e documentário de áudio, com temas relacionados à representação 274 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte das mulheres na cultura do samba em Rondônia e às políticas de saúde mental em Porto Velho. Em 2022 passou a integrar a equipe de extensionistas da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Unir(ITCP/Unir), programa que atende empreendimentos populares. Ela atua como coordenadora de Comunicação e facilitadora do eixo Comunicação Popular. No campo da inter-relação comunicação e educação, coordena o Programa de Extensão Educomunicação Rondônia da Unir(PEducom/RO), desenvolvendo atividades em escolas públicas do Estado e com coletivos populares, com participação de estudantes de Jornalismo, cursos de Licenciaturas da Unir e bolsistas da ITCP/Unir. Evelyn Morales, desde 2023, é professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unir, com atuação na linha de pesquisa sujeitos comunicacionais, com estudo e publicações sobre comunicação para a cidadania, educomunicação e experimentos sonoros. É, ainda, diretora de Comunicação da Rede de Rádios Universitárias do Brasil(Rubra), na gestão 2024-2026. Principais publicações CONDE, E. I. L. M.; PEDRO, E. T. Gestão democrática na rede pública estadual de ensino de Rondônia: contradições e resistências (2013-2020). Jornal de Políticas Educacionais, Universidade Federal de Paraná, v. 18, p. 1-17, 2024. CONDE, E. I. L. M.; MELO, A. A. C. 3, 2, 1 REC: estudo e produção coletiva de comunicação sonora para a cidadania. In: SOARES, I. O.; VIANA, C. E.; ALMEIDA, L. B. C.; ALMEIDA, R. M. V.(org.). Educomunicação e educação midiática nas práticas sociais e tecnológicas pelos direitos humanos e direitos da terra. 1. ed. São Paulo: Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação, 2023. p. 999-1.014. V. 1. CONDE, E. I. L. M.; MELO, A. A. C. Elementos da interface educação e comunicação no Plano Estadual de Educação de Rondônia(2015-2024). In: OLIVEIRA, A. D.; SOUZA E SILVA, C. M. C.(org.). Políticas educacionais em perspectiva. 1. ed. Campo Grande: Vez e Voz, 2023. p. 163-182. V. 1. 275 CONDE, E. I. L. M. Movimentos do Conselho Municipal de Educação no processo de materialização da Meta 19 do Plano Municipal de Educação de Campo Grande/MS(2014/2018). In: SCAFF, E.; AGUIAR, M. A.; MARTINS, A. M.(org.). Relações federativas e as metas e estratégias dos planos municipais de Educação. 1. ed. Brasília, DF: Anpae, 2023. p. 112-134. V. 1. MORALES, E. I. L.; SILVA, J. B. F.; MAIA, M. C. B. Rádio Escolar Genival Nunes: possibilidades educomunicativas em Vilhena, Rondônia. In: FERREIRA, B. O.; HASLINGER, E.; XAVIER, J. B.(org.). Práticas educomunicativas. 1. ed. São Paulo, SP: ABPEducom, 2020. CONDE, E. I. L. M. Migração do AM para o FM em rádios rondonienses: a busca por maior audiência. In: PRATA, N.; DEL BIANCO, N. R.(org.). Migração do rádio AM para o FM: avaliação de impacto e desafios frente à convergência tecnológica. 1. ed. Florianópolis, SC: Insular, 2018. p. 316-330. V. 1. 276 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte LILIAN COELHO Maria Angela de Lima Lilian Reichert Coelho nasceu em 4 de outubro de 1977 em Londrina(PR). É filha de Edson Coelho e Cleymari Reichert Netto e mãe de Consuelo. Fez o Ensino Fundamental 1 no Colégio Estadual Nossa Senhora de Lourdes e parte do 2 no Instituto Estadual de Educação. O Ensino Médio foi cursado no Colégio de Aplicação da Universidade Estadual de Londrina(PR). É graduada em Comunicação Social/ Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina(UEL, 1998); mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista (UNESP-Araraquara, 2000), sob orientação de Arnaldo Cortina, e doutora em Letras(Literatura Contemporânea) pela Universidade Federal da Bahia(UFB-2009), quando desenvolveu uma pesquisa sobre audiovisual e cultura pop(2002-2005). Da tese derivaram vária publicações e participações em eventos. Ao concluir o Mestrado iniciou o percurso como professora universitária numa instituição privada e como substituta na UEL (2001). Ali participou do Projeto de Pesquisa“Mídia-Educação: um diálogo mídia-escola-universidade”. No ano de 2010 Lilian ingressou na Universidade Federal de Rondônia(UNIR), onde criou o Hibiscus – Grupo de Pesquisa e Extensão em Comunicação, Discurso e Gênero – com foco nos estudos sobre a participação política de mulheres do campo, sobretudo em programas federais de recorte territorial. Como líder do Hibiscus coordenou cinco projetos de pesquisa com financiamento de Editais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq)(2010 a 2017), um deles da Residência Agrária, com bolsas de Iniciação 277 Científica(IC), bolsas EXP para docentes e para os/as participantes da comunidade. Também coordenou e/ou participou de atividades de extensão, projetos, cursos e eventos, como a I Conferência Livre de Mulheres de Vilhena/RO, a I Marcha das Vadias de Vilhena, o I Fórum de Ações Afirmativas de Rondônia(parceria com o Grupo Estratégico de Análise da Educação Superior/Faculdade Latino Americana de Comunicação Social – GEA/Flacso) e o I Seminário Cidadania, Diversidade e Territorialidades: caminhos teóricos e práticos da diferença. Na Unir integrou o Grupo de Pesquisa em Poética Brasileira Contemporânea(Gepoec), no qual participou anualmente da organização do Simpósio de Literatura Contemporânea, o Silic, no Portal da Amazônia. Nesses anos, 2012-2016, participou como docente e orientadora dos Programas de Pós-Graduação(PPG) em Estudos Literários da Unir e da Universidade do Estado de Mato Grosso(Unemat). Foi representante da Unir no Conselho Municipal do Idoso de Vilhena(2013-2014), atuou como formadora e orientadora no Programa Federal Mídias na Educação(2011-2012), como supervisora no Programa Nacional pela Alfabetização na Idade Certa(2013-2014) e foi formadora no Plano Nacional de Formação de Professores(Parfor) na área de Linguagens(2024). Em 2015 passou a atuar na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), inicialmente no Campus Paulo Freire, em Teixeira de Freitas(BA), depois no Campus Jorge Amado, em Itabuna(BA). Permaneceu com interesse pelas políticas territoriais, passando a estudar e a participar da política territorial do Estado da Bahia como representante institucional. Participou dos momentos iniciais do Programa de Pós-Graduação em Estado e Sociedade. Desde 2013 orienta pesquisas sobre literatura e memória em situações de opressão, impulsionada pelas ocupações de escolas e universidades por estudantes em 2016. Com uma colega criou o projeto de extensão“ Respeite minha história”, com perfis de ocupantes produzidos no calor da hora. A partir de 2016 participou de: Saberes Vagalumes: apropriações literárias para a constituição de práticas de leitura interdisciplinares e Partilhas Literárias para a elaboração de práticas de leitura interdisciplinares: proposta de mediação em escolas públicas da Bahia e de Rondônia, este com financiamento do CNPq. 278 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte No início de 2018 passou a colaborar com a juventude do Movimento Sem Terra da Regional Extremo Sul, com um curso de extensão sobre comunicação popular e jornalismo informativo. Desde 2021 está envolvida em uma ação de extensão com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Itabuna(BA). Entre 2015 e 2018 conduziu três projetos de pesquisa: dois sobre juventudes periféricas de Teixeira de Freitas e outro sobre mulheres do campo na perspectiva da memória, este último com financiamento do CNPq. A partir de diálogos com colegas do Comum – Grupo de Pesquisa e Extensão em Comunicação, Mídia e Narrativas de Mudança Cultural e da Linha de Pesquisa Comunicação e Memória do PPG em Comunicação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, propôs o projeto“Está o céu a arder e há tanto que fazer antes que chegue a noite: potenciais desestabilizadores em narrativas midiáticas e literárias contemporâneas(2022-2024)”. Por sua vez, o projeto coletivo de docentes do PPGCOM/UFRB, intitulado Muito além da narrativa: comunicação e a construção de um mundo comum, do qual participa, foi contemplado pelo Edital Universal 2021(2022-2025). Participa da institucionalização do Grupo de Pesquisa, Extensão e Experimentação com narrativas,(contra) memórias e(auto)biografias em tom menor – o Telúricas. Lilian Coelho também atuou como assessora de comunicação (2018-2019) e gestora de extensão da UFSB(2019-2022). Até o ano de 2024 foram 10 projetos de pesquisa coordenados, 12 projetos de extensão, 11 orientações de Mestrado, 4 de Doutorado, 24 monografias de Especialização, 37 Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação e 24 orientandos/as de Iniciação Científica. Principais publicações COELHO, L. R.“Era Najati quem eu buscava nas páginas”: o eu e o outro em A ocupação, de Julián Fuks. Nau Literária, v. 17, p. 54-74, 2021. Disponível em: https://www.seer.ufrgs.br/NauLiteraria/article/ view/114139 COELHO, L. R. De pacifista a terrorista: um escritor contra o Leviatã. Revista Scripta, v. 19, p. 182-198, 2021. Disponível em: https://revista.uniandrade.br/index.php/ScriptaUniandrade/article/ view/2209 279 COELHO, L. R. Compaixão e responsabilidade moral em Enterre seus mortos, de Ana Paula Maia. Revista Todas as Letras, Mackenzie, on-line, v. 23, p. 1-11, 2021. Disponível em: http://editorarevistas. mackenzie.br/index.php/tl/article/view/14827 COELHO, L. R. Quando os mortos convocam os vivos: a memória como compromisso ético. Revista Letras Raras, v. 9, p. 136-160, 2020. Disponível em: https://revistas.editora.ufcg.edu.br/index.php/ RLR/article/view/1177 COELHO, L. R. Uma“poética das intermitências” na literatura de Patrick Modiano. Contexto – Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras, v. 1, p. 219-238, 2019. Disponível em: https:// periodicos.ufes.br/contexto/article/view/23024 COELHO, L. R. Deslocamentos como“imperativos da sobrevivência” em O engate, de Nadine Gordimer. Aletria: Revista de Estudos de Literatura, v. 28, p. 51-68, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/aletria/article/ view/18795/15746 280 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Evelyn Morales Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Rondônia(UNIR). Graduada em Comunicação Social e doutora em Educação pela UCDB. Coordenadora do Programa Educomunicação Rondônia (PEducom/Unir) e do Grupo de Pesquisa e Extensão Rádio, Educação e Cidadania (REC/Unir). evelyn.morales@unir.br Maria Angela de Lima Graduada em Letras – Português/Inglês(2022). Mestre em Estudos de Linguagem na área de concentração“Estudos Literários e Culturais” pela Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT-2006). Especialista(MBA) em estratégia e marketing pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(2002). Graduada em Comunicação Social – habilitação Publicidade e Propaganda pela UFMT(1999). m.angelalima2@ gmail.com 281 RORAIMA 282 Vângela Maria Isidoro de Morais 40 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM RORAIMA Duas instituições educacionais aparecem no cenário histórico de construção do campo científico da comunicação em Roraima: a Universidade Federal de Roraima (UFRR) e o Centro Universitário Estácio da Amazônia. É em torno desses espaços que se abrigam as iniciativas de formação pública e privada, respectivamente, que passam a desenvolver algumas ideias sobre a trajetória no meio acadêmico da comunicação no macrocampo chamado Roraima. O“capital científico” da comunicação, especialmente observado pela contribuição de professoras e pesquisadoras, constrói-se nas três últimas décadas no interior de um Estado que também se transforma quase que em igual período. Roraima possui uma longa herança política sob condição de território federal, status somente modificado com a Constituição de 1988. É o Estado menos populoso do país e o mais indígena em termos proporcionais ao número de habitantes. Com duas fronteiras internacionais, Guiana e Venezuela, Roraima é historicamente formado por vários ciclos migratórios internos. Essa composição, todavia, vem se transformando significativamente desde 2015, por meio da mobilidade transnacional de imigrantes e refugiados venezuelanos que acessam o Brasil pela cidade fronteira de Pacaraima. De modo geral, os tensionamentos que se enredam no cotidiano são provocados por interesses de grupos políticos e econômicos e a pauta da sustentabilidade dos recursos ambientais, especialmente alavancada pelas demandas territoriais indígenas. A evidência recente da longeva crise humanitária provocada pelo garimpo em terras Yanomami, expõe uma dessas faces conflituosas. Assim, o compartilhamento dessa realidade desestabiliza, desafia e potencializa a natureza da comunicação e suas especificidades no campo acadêmico e científico local. Os cursos na área da comunicação no Estado são decorrentes, inicialmente, da UFRR, que foi criada pelo Decreto 98.127, de 8 de setembro de 1989, e do Centro] 40 Professora-pesquisadora do curso de Comunicação Social – Jornalismo – e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Roraima (UFRR). 283 Universitário Estácio da Amazônia(quando ainda se denominava Faculdade Atual da Amazônia), com início de suas atividades 12 anos após à UFRR, em 2001. A UFRR divisa realidades na oferta de Ensino Superior em Roraima. Sua presença retirou a condição de obrigatoriedade da migração estudantil antes existente para aqueles interessados em seguir em formação. As marcas históricas de sua instalação remetem sumariamente à artesania do conhecimento, quando improvisação e persistência vão nos anos iniciais fazendo a modelagem desse projeto. De modo físico, a UFRR nasce com a cessão pelo Estado de um terreno e três pavilhões inacabados e vazios no alagado chão do que hoje se conhece como Campus Paricarana, em Boa Vista, capital do Estado. Paralelo à ocupação desses espaços, a UFRR – por intermédio da liderança pro tempore do primeiro reitor e um pequeno grupo de servidores – criou cursos e abriu vestibular e concursos públicos para técnicos e professores. Na insuficiência de signos educacionais básicos, como carteiras para os estudantes, quadros e mesas para professores, o curso de Bacharelado em Comunicação Social institui-se no dia 26 de novembro de 1991, por meio da Resolução 25/91 do Conselho Universitário. O curso, com oferta exclusiva na capital Boa Vista, recebeu a denominação plena. A fisionomia do Jornalismo e sua autonomia curricular somente passam a revelar-se com a elaboração de seu projeto pedagógico. Na UFRR o curso de Jornalismo caracteriza-se como única opção na área da Comunicação Social. Recentemente a alteração da nomenclatura para Graduação específica em Jornalismo foi validada junto ao Ministério da Educação. No início de 1991 já havia ocorrido o primeiro vestibular(sendo a Comunicação Social o quarto curso mais concorrido, com 67 inscritos para 15 vagas ofertadas) e o primeiro concurso para professor auxiliar na área. O edital do concurso docente trazia a informação de que o candidato aprovado somente poderia pedir transferência após dois anos de efetivo exercício. Na diacronia desse detalhe estão implícitos os sentidos de uma realidade adversa encontrada pelos recém-professores da UFRR, que, em sua quase totalidade, eram migrantes de outros Estados do Brasil, principalmente do Nordeste, além de transferir uma significação ainda atual sobre os desafios de fixação de pesquisadores no Norte do país. A artífice da comunicação na UFRR foi Maria Goretti Leite de Lima, primeira professora e gestora do curso, formada pela Universidade Federal do Ceará(UFC). Refletir sobre esse pioneirismo e seu intrínseco recorte de gênero na emergência desse campo em Roraima, leva-nos a considerar algumas qualidades demandadas naquele cenário: a coragem, a diligência aplicada para a concretização de uma proposta de curso superior e a indispensável capacidade de tomar decisões, considerando que a professora Goretti Leite foi a única pessoa do curso naquele primeiro ano de sua história. Além disso, destaca-se o seu potencial em articular relações, uma vez que o 284 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM RORAIMA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte campo da comunicação se ergueu, inicialmente, com a cooperação de professores de áreas afins, colaborando diretamente junto as disciplinas ministradas para a primeira turma de acadêmicos. A emergência do campo científico da comunicação em Roraima respondeu a uma demanda de pessoas que, de longa data, realizavam o trabalho na imprensa local, mas sem a oportunidade da formação superior. Sobre as contribuições na fase de criação do curso, é importante destacar que não havia, naquele contexto, representação coletiva dos trabalhadores e trabalhadoras que atuavam na comunicação e no jornalismo em Roraima. Assim, as principais colaborações na etapa inicial de configuração do campo da comunicação como espaço de conhecimento científico foram importadas, especialmente, da Universidade Federal do Ceará, uma das instituições públicas no Brasil que mais orientou e acompanhou os processos locais de fundação da própria UFRR. Na esteira dessas contribuições, o curso de Comunicação Social da UFRR obteve incentivos diretos de seu homônimo na UFC, a exemplo de consultoria de alguns de seus professores e da proposta de estruturação curricular inicial. Essa construção histórica auxilia na compreensão de outros processos diferenciados e vivenciados no interior do próprio curso. Especialmente nos primeiros dez anos de existência, os professores ingressavam com o título de graduados, com uma longa etapa de qualificação a cumprir. Outro aspecto que particularizou aquela experiência inicial dos docentes do curso foi a necessária construção da universidade, seus ritos institucionais básicos, sua estrutura operacional e, consequentemente, a elevada demanda de docentes para o desenvolvimento de atividades administrativas. Logo, considerando o investimento na pesquisa como um dos mais profundos alicerces do campo científico, a comunicação em Roraima consolidou-se em ritmo mais lento do que o alcançado por outras instituições. O quadro predominante de professores/pesquisadores somente formou-se cerca de duas décadas depois da criação do curso, com o ciclo completo de qualificação dos primeiros docentes(Mestrado e Doutorado) e a realização de novos concursos que passaram a exigir dos candidatos o título de doutor. Parte desse processo foi acelerado pela celebração de convênio entre a UFRR e Universidade de São Paulo (USP) em 2001, por meio da oferta do Mestrado Interinstitucional em Ciências da Comunicação, quando três professoras efetivas do curso de Comunicação da UFRR foram tituladas. Na virada dos anos 2000 ergue-se, no cenário local, a Faculdade Atual da Amazônia (Estácio Amazônia), credenciada pela Portaria MEC nº 583, de 28 de março de 2001. Assim, por meio da educação privada, na área da comunicação o primeiro curso criado foi o de Bacharelado em Publicidade e Propaganda, no formato presencial, também em 2001. O curso de Publicidade e Propaganda atende somente ao formato 285 de educação a distância. A oferta do curso de Jornalismo ocorreu em 2006 e durante seis anos as duas Instituições de Ensino Superior no Estado contribuíram na formação de novos profissionais da imprensa em Roraima. Em 2012 o curso de Jornalismo da Estácio Amazônia deixou de oferecer vagas para novas turmas, voltando para a UFRR a exclusividade dessa oferta desde então. O curso de Jornalismo da UFRR possui um regime escolar composto por oito semestres, cujo processo de formação volta-se, de um lado, à produção e à gestão de informação jornalística e, de outro, ao domínio científico; ambos atinentes às exigências contemporâneas de atuação profissional. Pode-se afirmar que a oferta do curso acolhe, transforma e amplia a rede de comunicação em Roraima. Nesse ínterim, a universidade e o curso criaram e fortaleceram algumas experiências que foram alterando significativamente a atmosfera da pesquisa regional. Como exemplo citamos: Grupo de Pesquisa Processos Comunicacionais, Epistemologia, Midiatização, Mediações e Recepção(2002), Núcleo de Pesquisa Semiótica da Amazônia(2003), lançamento do projeto editorial Revista do Núcleo Histórico Socioambiental(2004), criação do Grupo de Pesquisa e Estudo Interdisciplinar sobre Fronteiras(2006), lançamento do projeto editorial Revista Olhares Amazônicos (2007), criação do Grupo de Pesquisa Observatório Cultural da Amazônia e Caribe (2011) e Criação do Grupo de Pesquisa Mídia, Conhecimento e Meio Ambiente: olhares da Amazônia(2014). Também são instituídos no período o Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais/Mestrado e Doutorado(2004/2013), o Programa de Pós-Graduação em Agronomia/Mestrado e Doutorado(2006/2014), o Doutorado Interinstitucional em Relações Internacionais e Desenvolvimento Regional(2007), o Programa de PósGraduação em Letras da Universidade Federal de Roraima(2010), o Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Fronteiras(2011), o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Amazônia(2012) e o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social(2015), dentre outros. Tomando parte nesses processos no interior da UFRR, o curso de Comunicação Social – Jornalismo – tem, a partir de 2015, o ambiente propício para amadurecimento da proposta de oferta de um curso de Pós-Graduação stricto sensu na área, voltado à necessidade de prover um programa continuado de formação capaz de refletir sobre mudanças mais substantivas na lógica produtiva inerente aos meios de comunicação, à gestão de informações e aos desafios amazônicos. Em 5 de outubro de 2018 o curso obteve, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), a aprovação do seu Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM), com a oferta de seu Mestrado acadêmico. Naquele momento, o Norte, que é a maior região do país em extensão territorial e que envolve 286 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM RORAIMA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte sete Estados brasileiros e sete fronteiras internacionais, só contava com três programas de Pós-Graduação em Comunicação stricto sensu, e o da UFRR era um deles. A atividade de Pós-Graduação constitui um passo importante e necessário para a consolidação do campo da comunicação em contexto de profundas desigualdades regionais, ao mesmo tempo em que contribui para indexar temas imprescindíveis ao país e ao mundo, pela ótica dos desafios ambientais, cosmovisões e conhecimentos regionais. Como forma de evidenciar os ricos cruzamentos socioculturais da região, por meio do intenso trânsito étnico e fronteiriço, a área de concentração do PPGCOM denominase Comunicação, Territorialidades e Saberes Amazônicos. Essa proposta de articular saberes populares, tradicionais e acadêmicos circulantes na Amazônia, estrutura-se em duas linhas de pesquisa: a primeira linha“Comunicação, memórias e identidades” volta-se a pesquisar as relações entre a comunicação e as memórias sociais, políticas e culturais atuantes na constituição das múltiplas identidades amazônicas. Seus estudos abrangem as diferentes concepções teóricas, históricas e identitárias vinculadas à construção das memórias e saberes tradicionais amazônicos; a segunda linha de pesquisa“Estudos de mídia, territórios e processos comunicacionais” aborda temas relativos à estreita vinculação dos processos comunicacionais midiáticos, especialmente os jornalísticos, com as reconfigurações culturais atuais da Amazônia. Adentra no estudo dos processos de comunicação midiatizados, atores, rotinas, ritualidades, dispositivos, digitalização, convergências, materialidades, linguagens, produtos, circulação e estratégias de interação, legitimadores da reconstrução da cultura local, regional, nacional e global. O programa de Mestrado em Comunicação titulou, até agosto de 2023, o total de 26 mestres em suas 4 turmas iniciais. As pesquisas têm no binômio mídia e Amazônia a sua centralidade. As investigações científicas, nesse acervo inicial, tanto investem na construção de uma memória regional sobre aspectos vinculados ao próprio trabalho da imprensa, à arquitetura e aos símbolos culturais que auxiliam na interpretação da história, quanto refletem criticamente as narrativas jornalísticas contemporâneas, os desafios da imprensa em contexto de pandemia da Covid-19 e as múltiplas perspectivas em torno da territorialidade, do movimento indígena e da comunicação. A política de cotas afirmativas, desde a Graduação, é uma das estratégias responsáveis pela pluralidade cultural que ativa o debate sobre a formação do campo da comunicação regional, criando possibilidades para que os próprios atores sociais, contemplados por essa forma de acesso, produzam conhecimentos e intensifiquem a interface entre a comunidade científica e os saberes tradicionais amazônicos. Até o momento duas alunas indígenas da etnia Wapichana, egressas do curso de Jornalismo da UFRR, contribuem diretamente com a pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM). 287 Os povos indígenas da região utilizam com frequência a simbologia do feixe de varas como forma de representar união e força diante de condições adversas por eles enfrentadas. Os sentidos remetem à fragilidade de uma vara, quebrável, e à resistência oferecida por varas reunidas em feixe. A lógica dessa analogia perpassa também as estratégias de fortalecimento do campo da comunicação em Roraima no quesito publicações. Sem dispor até 2022 de uma agência estadual de fomento à pesquisa, as publicações no campo da comunicação no Estado ocorrem pela via do Núcleo de Pesquisa Semiótica da Amazônia da UFRR, com a coleção Comunicação e Políticas Públicas, além de associações em contextos editoriais já existentes. Na região Norte o feixe de publicação vem sendo organizado com a Aturá – Revista Pan-Amazônica de Comunicação, da Universidade Federal de Tocantins. Na Região Sul a parceria entre a Editora da UFRR(Boa Vista) e a Editora Fi(Porto Alegre) promove a Media Effectos: Ensaios sobre Teorias da Comunicação e do Jornalismo. Esses são exemplos da cooperação desenvolvida sistematicamente com outros Estados da região e do país. Lista-se, nesse contexto, ainda, a parceria com a Universidade Federal do Amazonas(UFAM) em, pelo menos, duas frentes mais recentes: por meio da participação de professores doutores do curso de Jornalismo da UFAM junto ao PPGCOM da UFRR, ampliando a reflexão sobre os discursos produzidos na e para a Amazônia, além dos benefícios proporcionados pela experiência de PósDoutoramento que contemplou dois professores do quadro local da comunicação. De modo oportuno para o revigoramento do campo científico da comunicação em Roraima, alguns eventos vêm sendo cumpridos ao longo da trajetória do curso de Comunicação –Jornalismo– da UFRR. Até 2023 foram sediados no Estado quatro encontros regionais da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), sendo uma edição a cargo do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Estácio Amazônia e três edições a cargo do curso de Jornalismo da UFRR. Em 2019 teve lugar, na capital roraimense, o XIII Seminário Internacional da Rede Amlat, Rede de Cooperação Científica e Acadêmica: Comunicação, Cidadania e Integração Latino-Americana, reunindo, a partir do curso de Comunicação –Jornalismo– da UFRR, pesquisadores e especialistas de seis países, que promoveram debates sobre comunicação, migração e saberes da Amazônia, com ênfase nas experiências metodológicas em pesquisas no campo da comunicação. Essas são, em linhas gerais, algumas particularidades que circunscrevem o arranjo entre sujeitos, contextos e práticas envolvidos na tarefa de construir e consolidar o campo da comunicação em Roraima. Essas singularidades atestam, em conformidade com a letra da canção do poeta Eliakim Rufino, que“Quem é filho do Norte... É neto do Nordeste”. 288 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM RORAIMA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Veremos, nas notas biográficas que seguem, que o edifício comunicacional no Estado de Roraima tem um pé no Ceará, outro no Maranhão e uma parte no Piauí, Rio Grande do Norte e Pernambuco, etc. Ao sistematizar esses elementos confirma-se a relevância e a necessidade de fortalecimento dos campos da formação e da discussão científica da comunicação como um construto humano situado em relações sociais amplas, no interior de um Estado de cariz conservador como Roraima. Que alguns aspectos dessa história e dessa existência, brevemente delineadas, sejam, eles mesmos, recursos epistemológicos de enfrentamento aos desafios de se fazer ciência no Norte do Brasil. 289 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 290 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte GORETTI LEITE Rebeca Lopes Silva Maria Goretti Leite de Lima nasceu em 29 de junho de 1955 em Aracoiaba(CE). É filha de José Leite de Lima e Leopoldina Feitosa de Lima. Descendente de escravos, é a sétima entre os 11 filhos do casal. Aos dois anos de idade foi morar na capital Fortaleza, onde fixou residência. Iniciou sua alfabetização aos cinco anos de idade. Fez as séries iniciais no Grupo Municipal Presidente Kennedy. Concluiu o Ensino de 1° e 2° Graus no Colégio Estadual Justiniano de Serpa, com formação profissionalizante em recepcionista. Em 1981 foi aprovada no vestibular da Universidade Federal do Ceará(UFC), no curso de Comunicação Social – Jornalismo –, e chegou a presidir o Centro Acadêmico do Curso. Concluiu a Graduação em 1985 e tem formação profissional em Radiodifusão Sonora e por Imagens, com Especialização em Produção Executiva, iniciada em 1983. No ano de 1987 foi contratada pelo Jornal Tribuna do Ceará na função de repórter, elaborando notícia para o jornal“Fort News” e produzindo o caderno especial“Forças Vivas do Ceará”. No mesmo ano atuou como assessora de comunicação em uma empresa com atuação em todo o país. Em 1988 fez parte da equipe da Secretaria de Imprensa da Prefeitura de Fortaleza. Também foi repórter de setor na editoria de cidade do jornal Diário do Nordeste e redatora da Rádio Verdes Mares AM – afiliada da Rede Globo em Fortaleza. Foi enviada especial da rádio AM“O Povo” para a cobertura das eleições de 1985 nas localidades de Paraipaba(CE). Trabalhou com radioescuta pela TV Manchete durante as eleições de 1986 e no radiojornalismo da emissora Rádio FM Casablanca(CE). 291 Sua atuação profissional rendeu um convite para iniciar a carreira do Magistério pela diretora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Roraima(UFRR). Chegou a Boa Vista em março de 1991 para conhecer o projeto do recém-criado curso de Comunicação Social – Jornalismo. A história do curso de Comunicação Social mistura-se com a da sua carreira. Foi a primeira professora a entrar na sala aula quando, não apenas o curso, mas o Campus Paricarana, estavam em fase de reconhecimento e estruturação. Em abril de 1991 prestou concurso público para a primeira contratação de professor para atuar na área de Radiojornalismo. Foi aprovada em primeiro lugar com banca de professores oriundos das Universidades do Ceará, Rio de Janeiro e Amazonas. Durante a criação do curso foi professora, coordenadora e faxineira, posto que não havia serviço de limpeza. Tornou-se mestre em Multimeios em 2003 pela Universidade Estadual de Campinas(Unicamp) e doutora em Ciências pelo Programa Geografia da Universidade de São Paulo(USP) no ano de 2011. Foi a primeira coordenadora do curso de jornalismo, chefe de Departamento e assessora de Comunicação Social da instituição. Como representante dos docentes, atuou como membro no Conselho Departamental do Curso de Comunicação Social(DCS); no Centro de Comunicação, Educação, Letras e Secretariado Executivo(Cencel) no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe); e no Conselho do Centro de Comunicação Social, Letras e Artes Visuais(CCLA). Possui registro no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Roraima (Sinjoperr), onde é uma das sócias-fundadoras, no Sindicato dos Jornalistas do Ceará e na Associação Cearense de Imprensa(ACI). É sindicalizada na Secção Sindical dos Docentes da UFRR(SESDUFRR), desde sua criação, onde, em duas gestões, pertenceu à diretoria de Comunicação. Docente aposentada, associada I da UFRR, lecionou por 27 anos na instituição, ministrando mais de 90 disciplinas. É autora do livro O índio na mídia impressa em Roraima, fruto de sua dissertação e de vários artigos sobre o tema. A tese“As transformações da paisagem do sítio histórico urbano de Boa Vista: um olhar a partir de fotografias” recebeu recomendação para publicação. A cearense Goretti Leite é“Cidadã Boavistense”, título concedido pela Câmara de Boa Vista, em 2012, por sua atuação na área de 292 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte comunicação e imprensa roraimense. Com mais de um quarto de século em sala de aula e pelos importantes serviços dedicados à educação superior em Roraima, recebeu cartas de agradecimentos por sua contribuição e dedicação de dois ex-reitores. Recebeu placas de“Honra ao Mérito” nos 25 anos do curso, como homenagem dos colegas e homenagens dos alunos. Depois de aposentada retornou para seu estado natal. Principais publicações LIMA, M. G. L. Gênese e evolução da paisagem do sítio original de Boa Vista a partir do século XIX. 1. ed. Boa Vista, RR: Editora da Universidade Federal de Roraima, 2011. 197 p. V. 1. LIMA, M. G. L. O índio na mídia impressa em Roraima. 1. ed. Boa Vista, RR: Editora da Universidade Federal de Roraima, 2009. 177 p. V. 1. LIMA, M. G. L. A imagem do índio: de Colombo até os dias atuais. In: ENCONTRO DE PESQUISA E INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFRR, 1., 2002, Boa Vista. Anais[...]. Boa Vista, RR: UFRR, 2002. V. 1. LIMA, M. G. L. Maracatu: uma tradição no carnaval cearense. Jornal Fort News, Fortaleza Ceará, 14 fev. 1998. LIMA, M. G. L.; LIMA, M. G. L. O idoso: um problema que ninguém quer vê. Jornal Fort News, Fortaleza Ceará, 27 set. 1997. 293 L LAURISA MOREIRA Rebeca Lopes Silva Laurisa Maria Farias Moreira nasceu em 6 de novembro de 1961 em Pacoti(CE). É filha de Paulo Maria Viana Moreira e Francisca Rocilda Farias Moreira. É a quinta de seis filhos do casal. Laurisa estudou, da alfabetização ao científico, no Colégio 7 de Setembro em Fortaleza(CE). Em 1980 iniciou sua vida universitária no curso de Letras e de Comunicação Social – Jornalismo –, mas não concluiu o de Letras porque queria trabalhar. Participou de duas edições do Projeto Rondon e suas experiências no projeto foram em Redenção(CE) e em Codajás(AM), no alto do Rio Solimões. Teve o primeiro emprego, no segundo semestre da faculdade, como auxiliar de professora de alfabetização no mesmo Colégio onde estudou. Depois começou a trabalhar na sua área, estagiando em assessorias de comunicação e trabalhando como repórter em diversos veículos no Ceará: no jornal O Estado e na sucursal da revista Fatos da Editora Bloch. Também trabalhou na sucursal da então maior agência de publicidade do Brasil, a MPM, e teve uma rápida passagem pela agência Terraço. Tão logo formou-se saiu do Ceará e foi para São Paulo. Na capital paulista trabalhou em veículos segmentados, especialmente na área de moda e publicidade, como a revista Meio& Mensagem. Em 1991 foi para Israel morar em comunidades agrícolas chamadas kibutzim. De lá seguiu para a Inglaterra. Em 1992 retorna ao Brasil e aceita convite para trabalhar na Universidade Federal de Roraima(UFRR), onde ficou até outubro de 1993. Laurisa foi a segunda professora do curso de Comunicação Social – Jornalismo – da UFRR, instituído em 1991. Posteriormente foi coordenadora do curso e chefe de Departamento. 294 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte No início de 1994 voltou para a Inglaterra, onde passaria cinco anos, retornando para o Brasil em 1999. Na Inglaterra trabalhou como cozinheira em um pub e foi faxineira de um centro social, onde começou como voluntária. Depois trabalhou como assistente de coordenação de um fundo europeu, o Single Regeneration Budget, que apoiava o aumento da empregabilidade de pessoas. De volta à Fortaleza, foi trabalhar no jornal O Povo, no departamento de marketing, onde desenvolvia cadernos temáticos para atrair pequenos anunciantes. Também escrevia uma página dominical voltada para o mercado publicitário. Em 2003 trabalhou como coordenadora editorial do braço de educação a distância da Fundação Demócrito Rocha, que oferecia cursos de educação continuada. Neste período fez uma Especialização em Teorias da Comunicação e Imagem, na Universidade Federal do Ceará(UFC). Lançou, em 2009, o livro“Quem quer ser bicho?”, produzido inteiramente por voluntários. A renda foi revertida em prol da Sol Nascente, uma instituição que abrigava crianças órfãs de pais vitimados pela Aids. Em 2012 integrou a Assessoria de Imprensa da Universidade Estadual do Ceará, e, aos poucos, migrou do jornalismo para a publicidade. Na Advance Comunicação trabalhou como assessora de imprensa e integrou a equipe de planejamento dos clientes. Também fez parte da Secretaria Executiva da XV Bienal do Livro do Ceará. Laurisa Maria Farias Moreira mudou-se para Portugal em 2017. Fez Mestrado em Antropologia Social e Cultural(2020) pela Universidade de Coimbra. Neste período foi tutora do curso on-line Los Retos a las Democracias en el Siglo XXI, do Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales(Clacso). Também trabalhou como coordenadora de Comunicação da Care-All Foundation, sediada na Catalunha, Espanha. É repórter de uma revista eletrônica: a Coimbra Coolectiva. Principais publicações MOREIRA, L. M. F. Quem quer ser bicho? Fortaleza: FB Editora, 2009. 56 p. V. 1000. MOREIRA, L. M. F. Debates do povo – grandes nomes 2008. 397. ed. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 2008. 188 p. V. 1000. MOREIRA, L. M. F. The legacy of Rabi Abraham Senor. Fortaleza: Fundação Ana Lima, 2008.(Tradução/Livro). 295 MOREIRA, L. M. F. The crime of Simoes Colaco. Fortaleza: Fundação Ana Lima, 2007.(Tradução/Livro). MOREIRA, L. M. F. Lunas. Fortaleza: Fundação Ana Lima, 2007. (Tradução/Livro). 296 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte SÔNIA PADILHA Rebeca Lopes Silva Sônia Costa Padilha nasceu em 18 de agosto de 1961 em Natal(RN). É filha de Bertilia Costa Padilha e Vitor Padilha e mãe de Bruno. Cursou o primário no Instituto Brasil e na Escola Estadual Sebastião Fernandes. O ginasial fez na escola Estadual Winston Churchill e no Colégio Imaculada Conceição CIC. Graduou-se em Comunicação Social, em 1984, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e concluiu Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP) em 2003. O título da dissertação foi“O local na era do global”. Entre 2007-2011 fez o Doutorado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), com período sanduíche na Universidade da Beira Interior (Portugal). A tese foi sobre“O webjornalismo mediado pela cultura social local. Estudo comparativo: Brasil e Portugal”. Na década de 1980 atuou no jornal Tribuna do Norte(Natal-RN) como repórter; na Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Natal; e na Assessoria de Imprensa da Secretaria de Educação do governo do RN, período concomitante com o trabalho de repórter na TV Universitária. Passou pelas emissoras de TV Cabugi(Natal-RN), afiliada da Rede Globo, como repórter, no final da década de 1980, e TV Potengi(Natal-RN), afiliada da Rede Bandeirantes, como repórter e depois como chefe de reportagem. No início dos anos de 1990 mudou-se para Roraima, onde trabalhou na Assessoria de Comunicação do Governo do Estado e na Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Boa Vista. Depois de passar por redações e assessorias, tornou-se professora do Curso de Comunicação Social 297 – Jornalismo – da Universidade Federal de Roraima(UFRR) no período entre 1992 e 2017, quando se aposentou. Em 2002 ganhou o primeiro lugar no prêmio Sesi/RR de Jornalismo, na categoria impresso. Durante o tempo em que esteve como professora na UFRR, foi diretora do Centro de Comunicação, Letras e Artes(CCLA) de 2012 a 2016. Foi presidente da Comissão de Elaboração do Novo Projeto Político Pedagógico(PPP) do Curso de Comunicação Social e membro do Conselho Editorial da coleção de livros“Comunicação e Políticas Públicas”, do Núcleo de Pesquisa em Semiótica da Amazônia(NUPS). Sônia presidiu as Comissões de análise e propostas para as diretrizes curriculares do curso de Comunicação(1998) e de elaboração e efetivação do projeto experimental do Jornal Laboratório local (1994). Ela assinava a publicação bimestral da Fundação Ajuri no jornal Folha de Boa Vista(2005). Liderou a criação do site do jornal laboratório do curso de Comunicação Social – Jornalismo –, denominado CriAtivo, no ano de 2003. No período de 2012 a 2014 participou da realização e organização de três edições do“Expressão e Representações Culturais e suas Linguagens” e produziu o Guia de orientação para o aluno de Monografia(2006). Sônia Costa Padilha publicou a pesquisa do seu Doutorado no livro O webjornalismo mediado pela cultura social local. Estudo comparativo: Brasil e Portugal em 2012. Como capítulos de livros, os seguintes estudos: Os valores notícia no webjornalismo, publicado no livro Jornalismo Convergente: Reflexões, apropriações, experiências (2012). No livro Jornalismo Investigativo, Sônia escreveu Uma visão além do pragmatismo(2003). Principais publicações PADILHA, Sônia Costa. O webjornalismo mediado pela cultura social local. Estudo comparativo: Brasil e Portugal. 1. ed. Covilhã: LabCom Books, 2012. 327 p. PADILHA, Sônia Costa. Os valores-notícia no webjornalismo. In: LONGHI, Raquel; D’ANDRÉA, Carlos(org.). Jornalismo convergente: reflexões, apropriações, experiências. 1. ed. Curitiba: Insular, 2012, p. 199-217. V. 1. 298 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte PADILHA, Sônia Costa. Uma visão além do pragmatismo. In: LOPES, Dirceu Fernandes; PROENÇA, José Luiz(org.). Jornalismo investigativo. São Paulo: Publisher, 2003. p. 61-70. V. 034369. PADILHA, Sônia Costa. Las nuevas directrices curriculares y el cambio de comunicación para periodismo: una experiencia del curso de comunicatión social de la Universidad Federal de Roraima(Brasil). Memorias del XV Encuentro Latinoamericano de Facultades de Comunicación Social – Felafacs 2015. p. 753-763. V. 1. PADILHA, Sônia Costa. A cibercultura manifesta na prática do webjornalismo. Comunicação& Sociedade, v. 50, p. 103, 2008. 299 SCHIRLEY LUFT Cyneida Menezes Correia Maria Schirley Luft nasceu em abril de 1956 em Venâncio Aires (RS). É filha de Antônio Luft e de Maria Aniza Luft. Fez o Primário na Escola Municipal Visconde de Mauá, segundo distrito de sua terra natal. O Ginásio foi feito em três instituições: Colégio Prof. José de Oliveira Castilhos em Venâncio Aires, Escola Normal Rural Murilo Braga de Carvalho e Colégio Estadual Ernesto Alves de Oliveira em Santa Cruz do Sul, com ênfase em Português e Linguística. Formou-se em Relações Públicas e Jornalismo na Faculdade de Comunicação, Artes e Design(Famecos) na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS), em 1983 e 1987, respectivamente. Em seguida começou a exercer o jornalismo na Assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual de Indústria e Comércio do Rio Grande do Sul. Na mesma Secretaria atuou como Relações Públicas. Durante o estágio de Jornalismo, ainda na década de 1980, participou do Projeto Solimões, mantido pela PUC-RS em Benjamin Constant (AM), o que despertou seu interesse em conhecer e trabalhar com o meio ambiente amazônico. Isso só veio a ocorrer em 1992, quando chegou em Roraima com o objetivo de trabalhar na imprensa. Mais tarde passou a desenvolver pesquisas em jornalismo e meio ambiente na UFRR, temática que norteou sua carreira. Começou a trabalhar no jornal Estado de Roraima em 1992, assumindo, em 1993, as editorias Geral e de Polícia, oportunidade de conhecer todo o Estado de Roraima e suas potencialidades, seus 300 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte problemas e desafios, um conhecimento que contribuiria, mais tarde, para o exercício da atividade docente. Schirley ingressou na Universidade Federal de Roraima(UFRR) em 1993, nos anos iniciais do curso de Jornalismo, quando havia apenas três professores. Ela aposentou-se em 2018, após atuar por 25 anos na instituição. Ao longo dos anos ministrou, ao menos, 23 disciplinas diferentes, teóricas e práticas. Em 2018 ministrou Jornalismo Político quando constatou que quase 100% dos candidatos majoritários estavam envolvidos com processos judiciais, fato que a levou, após a aposentadoria, a atuar como produtora de conteúdo na web com foco na política e meio ambiente. Schirley terminou o Doutorado em Ciências da Comunicação na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos) em 2010, e o Mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade de São Paulo(USP) em 2003. Sua dissertação e tese resultaram na publicação de dois livros:“Jornalismo, Meio ambiente e Amazônia: os desmatamentos nos jornais O Liberal do Pará e A Crítica do Amazonas”, publicado em 2005 com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(FAPESP), e“Jornalismo Ambiental na Amazônia: as fontes de informação na cobertura dos desmatamentos no Jornal O Liberal do Pará”(2015). Outras publicações envolvem avanços nos estudos do Jornalismo e Meio Ambiente, como“A cobertura da imprensa sobre a Cúpula do clima em Nova York(2014): a Amazônia e Acordo Global para a redução dos desmatamentos”, publicado em 2015, e“O ensino do Jornalismo e a Amazônia: problemas e desafios da interdisciplinaridade”, publicados na revista portuguesa Estudos do Jornalismo. Maria Schirley Luft, com sua experiência contribuiu para a criação da disciplina Jornalismo Ambiental, Jornalismo e Sustentabilidade na grade do curso de Comunicação Social da UFRR. Ela foi uma das pioneiras no estudo da preservação da Amazônia, abrindo caminho para o ensino e novas pesquisas nas áreas de Jornalismo e meio ambiente amazônicos. Principais publicações LUFT, M. S. Jornalismo ambiental na Amazônia: as fontes de informação na cobertura dos desmatamentos no jornal O Liberal do Pará. 1. ed. Curitiba: CRV, 2015. 128 p. V. 1. 301 LUFT, M. S. Jornalismo, meio ambiente e Amazônia: os desmatamentos nos jornais O Liberal do Pará e A Crítica do Amazonas. 1. ed. São Paulo: Annablume, 2005. 120 p. V. 500. LUFT, M. S. O ensino do jornalismo e a Amazônia: problemas e desafios da interdisciplinaridade. Revista Estudos de Jornalismo, v. 2, p. 7-20, 2017. LUFT, M. S.; COSTA, L. M. A cobertura da imprensa sobre a Cúpula do Clima de Nova York(2014): a Amazônia e o Acordo Global para redução dos desmatamentos. Revista Estudos de Jornalismo, v. 3, p. 20-32, 2014. LUFT, M. S. Os efeitos espaço-temporais da globalização sobre as práticas jornalísticas e a influência das redes mundiais no processo de capacitação das fontes de informação. Textos e Debates, UFRR, v. 1, p. 7-20, 2010. 302 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte VÂNGELA MORAIS Ariene dos Santos Lima(Ariene Susui) Vângela Maria Isidoro de Morais nasceu em 22 de fevereiro de 1967 em Piquet Carneiro(CE). É filha de Luiz Isidoro de Morais e Maria do Carmo de Morais. É a sexta entre sete filhos do casal. Em sua cidade natal, entre 1974 e 1981, realizou o Primeiro Grau em duas instituições: Escola Estadual Azarias Fernandes e a Escola Estadual Marechal Castelo Branco. Lá também cursou o Técnico em Contabilidade no Ginásio Sagrado Coração de Jesus. Em Iguatu(CE) fez o curso de Economia Doméstica na então Escola Agrotécnica Federal de Iguatu(1985-1986). Teve experiência, quando adolescente, junto a Pastoral de Juventude do Meio Popular(PJMP), ligada à Igreja Católica, que focava em iniciativas de comunicação e transformação em contextos locais. A vida profissional começou bem antes de seu ingresso na universidade. Trabalhou no comércio, foi vendedora volante de plano de saúde e, a partir do ingresso no Jornalismo, foi contratada por algumas emissoras de televisão como repórter. No final do curso, em 1993, atuou numa produtora ligada ao governo do Estado do Ceará. Em 1989 ingressou no curso de Sociologia da Universidade Federal do Ceará(UFC). No ano seguinte prestou novo vestibular para o curso de Comunicação Social – Jornalismo –, na mesma instituição. Foi bolsista de extensão e de iniciação científica e participou do Conselho de Residentes Universitários. Fez curso preparatório com bolsa oriunda da PJMP e formação política no Partido dos Trabalhadores. 303 Em 1994 migrou para Boa Vista(RR). No mesmo ano foi aprovada no concurso para jornalista na Universidade Federal de Roraima (UFRR). Permaneceu na função até 1996, quando realizou novo concurso para docente do curso de Comunicação Social – Jornalismo. Na UFRR desempenhou uma diversidade de funções de natureza docente e administrativa; foi chefe de cerimonial, assessora de imprensa, chefe de gabinete, assessora da administração superior, chefe de departamento de comunicação social, coordenadora do curso de Comunicação Social e Pró-Reitora de Gestão de Pessoas. Entrou no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRR em 2019. Em 2003 tornou-se mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP) com pesquisa sobre jornalismo regional e meio ambiente; em 2013 concluiu seu Doutorado em Sociologia pela UFC, com pesquisa sobre religião e religiosidades em comunidades indígenas; e em 2023 concluiu o Pós-Doutorado em Antropologia Social na Universidade Federal do Amazonas(UFAM), com pesquisa sobre comunicação, afetos e vínculos a partir de narrativas de imigrantes venezuelanos em Roraima e no Amazonas. Publicou“Filhos de Deus e Netos de Makunaima: apropriações do catolicismo em Terras Makuxi”, fruto de sua tese de Doutorado, estudo realizado na comunidade Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. O contato com a cultura e lideranças indígenas reencaminharam suas atividades acadêmicas e a tornaram orientadora de alunos e alunas indígenas no curso de Jornalismo da UFRR, assim como no Mestrado, quando orientou a primeira mestre indígena na área da Comunicação no país. Suas pesquisas transitam pelos estudos do midiativismo, jornalismo comunitário, religião e processos migratórios transnacionais, fenômeno gerado pelo deslocamento de imigrantes venezuelanos para o Brasil. Estudou comunicadores indígenas da Rede Wakywaa e suas produções de conteúdo na internet. Lidera a pesquisa Comunicadores indígenas e territorialidades amazônicas: o protagonismo na criação de conteúdo para as mídias digitais em Roraima; participa do Observatório Cultural da Amazônia e do Caribe(AMAZOOM); do grupo de pesquisa mídia, conhecimento e meio ambiente: olhares da Amazônia; do Núcleo de Pesquisa Semiótica da Amazônia; e do Grupo de Estudo Interdisciplinar sobre Fronteiras(Geifron). 304 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Vângela Maria Isidoro de Morais começou em 2018 o projeto de extensão denominado Somos Migrantes, elaborando conteúdos sobre formas mais humanizadas para apoiar os imigrantes, notadamente em Roraima. Principais publicações MORAIS, V. M. I.; CAMARGO, J. F.; BRANDAO, I. F.; GIOCONDI, A. A.; OLIVEIRA, R. G.; SANTOS, L. C. C.(org.). Universidade Federal de Roraima – 30 anos Unidos pela diversidade 1989-2019, mudando vidas, construindo conhecimento. 1. ed. Boa Vista: Editora da UFRR, 2019. 179 p. v. 1. MORAIS, V. M. I. Filhos de Deus e netos de Makunaima: apropriações do catolicismo em terras Macuxi. 1. ed. Curitiba: CRV, 2018. 172 p. V. 1. MORAIS, V. M. I.; BEZERRA, G. N.; MORAIS, J. L. P. O projeto Somos Migrantes e a cocriação comunicativa de imigrantes venezuelanos em Roraima. In: OTA, Daniela Cristiane; SILVA, Marcos Paulo da (org.). Fronteiras culturais e práticas comunicativas. 1. ed. Campo Grande: Editora da UFMS, 2023. p. 316-334. MORAIS, V. M. I.; LIMA, A. S.; FERNANDES, M. E. Um lugar de enunciação: a rede Wakywai de comunicação indígena em Roraima e o garimpo ilegal no contexto de pandemia. In: MILHOMENS, Lucas(org.). Comunicação, questão indígena e movimentos sociais: reflexões necessárias. 1. ed. São Paulo; Manaus: Alexa Cultural: EDUA, 2022. p. 103-130. V. 1. RODRIGUES, F. S.; PEREIRA, M. C.; MORAIS, V. M. I.; STAEVIE, P. M. (org.). Estudos transdisciplinares em regiões de fronteira: migração, violência e direitos humanos em tempos de pandemia. 1. ed. Boa Vista: UFRR, 2020. 363 p. 305 MERCÊS CUNHA Cyneida Menezes Correia Maria Mercês Cunha Alves nasceu em 4 de março de 1968 em Paraú(RN). É filha de Antônio Alves Gondim e Francisca Francinete Cunha Alves, e é a terceira entre cinco irmãos. Fez o Ensino Fundamental na Escola Municipal Padre Amaro em sua cidade natal, e o Magistério na Escola estadual Presidente Kennedy em Natal(RN). Para realizar o terceiro grau mudou-se para Taubaté (SP), onde cursou Jornalismo na Universidade de Taubaté(Unitau) de 1992 a 1996. Durante sua formação como jornalista trabalhou no jornal da faculdade, para o qual entrevistou Luiza Erundina, em campanha em Pindamonhangaba(SP). Estagiou na Assessoria de Comunicação Social do Centro Técnico Aeroespacial(CTA) no jornal CTA. Ao retornar para Natal atuou como repórter no jornal Diário de Natal, passando por diversas editorias. Quando se mudou para Roraima trabalhou no jornal“Folha de Boa Vista”. No mesmo ano recebeu um convite para assumir a Coordenadoria da Comunicação Social da Universidade Federal de Roraima(UFRR). Em 2000 foi aprovada no processo de seleção para a coordenação de Comunicação Social da instituição, onde permaneceu por quatro anos. A partir do ano seguinte atuou como professora substituta em diversas disciplinas do curso de Jornalismo. No contexto da reitoria da UFRR, organizou o“I Encontro de Gestão Estratégica das Universidades Federais da Amazônia Legal”, cuja experiência consolidou seu compromisso com a educação. Dedicou-se, também, a um projeto coletivo com a criação de uma coluna semanal no jornal de maior circulação na cidade, A Folha de 306 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Boa Vista, intitulada“Folha no Campus”. Essa iniciativa tinha como objetivo melhorar a imagem da UFRR perante a sociedade local. Em 2001 participou da publicação da coletânea nominada “Jornalismo Investigativo”(organizada por docentes da ECS/ USP), cuja contribuição foi um texto intitulado“Entre o Desafio e a Coragem”, resultado de uma entrevista com o jornalista investigativo pernambucano Jamildo Melo. Em 2004 decidiu desvincular-se provisoriamente da UFRR para assumir novos desafios profissionais, atuando na coordenação do Sistema Fecomércio do S erviço Social do Comércio(Sesc) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial(Senac) do Estado de Roraima, dando uma reviravolta em sua carreira. Maria Mercês Cunha Alves, no final de 2008, mudou-se para Macapá em busca de novos projetos de vida com inserção na Região Norte. Principais publicações ALVES, M. M. C. Jornalismo investigativo. In: LOPES, Dirceu Fernandes; PROENÇA, José Luiz(org.). Jornalismo investigativo. 1. ed. São Paulo: By Publisher Brasil, 2003. p. 131-139. V. 1. ALVES, M. M. C. Comportamento do consumidor em Macapá. 2010. (Apresentação de Trabalho/Outra). ALVES, M. M. C. Marketing profissional e empresarial. 2010. (Apresentação de Trabalho/Outra). ALVES, M. M. C. I Seminário de Inovação Organizacional do Sistema Fecom é rcio. 2007.(Apresentação de Trabalho/Seminário) 307 ANTONIA COSTA Cyneida Menezes Correia Antonia Costa da Silva nasceu em 29 de janeiro de 1964 em Zé Doca(MA). É filha de Félix Alves da Silva e Francisca Araújo Costa da Silva. Morou com os irmãos dentro da Amazônia Legal Brasileira. É mãe de Alysson e Ayanara. Fez as séries iniciais na Escola Rural do Núcleo do BB em sua terra natal e frequentou o Ginásio Estadual de Campo Maior(PI). Aos dez anos foi viver com uma tia em Fortaleza para continuar seus estudos. Aos 15 anos optou por seguir a vida religiosa, na qual permaneceu até 1995. Após os primeiros votos religiosos foi morar em uma escola dirigida por irmãs, onde estudou por três anos preparando-se para o Magistério. Na sequência, foi transferida para a cidade de Tauá(CE), onde morava e estudava no Colégio Antônio Araripe, onde cursou o Magistério. Pela manhã estudava e à tarde auxiliava na pré-escola. Antes de terminar o curso assumiu uma turma de alfabetização. No final do curso, em 1986, fez vestibular para Licenciatura em Teologia na Universidade do Vale do Aracau(UVA) em Sobral (CE). Após a conclusão fez concurso público no Piauí e assumiu a coordenação do ensino religioso em um complexo de ensino que abrangia, na época, 15 escolas públicas da rede estadual em Teresina. Em 1990 a Congregação transferiu-a para Ribeirão Preto (SP), cuja missão era a administração de um abrigo para idosos, dedicando-se, também, à área social e à de ensino. Cursou Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade de Ribeirão Preto(Unaerp), e, paralelamente, frequentou o curso de locução e apresentação para radialista no Serviço Nacional de Aprendizagem(Senac). Em 1994 fez uma 308 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Especialização em Comunicação Social na Universidade São Francisco em São Paulo(SP), cuja monografia foi“A Democratização da Comunicação na Rádio Pioneira de Teresina, Piauí”. Paralelo a isso, retornou ao Piauí, trabalhando com educação especial. No turno da manhã era repórter no jornal impresso“O Dia”, onde escrevia matérias para as editorias“Cidade” e“Geral”. Em julho de 1996 conheceu Boa Vista(RR) e Manaus(AM), tomando ciência da realidade da Amazônia, o que a fez decidir morar em Boa Vista, chegando em 13 de agosto de 1996. Em Roraima ministrou aulas para a rede estadual de ensino no nível Médio. Ao mesmo tempo foi contratada como jornalista na Rede Amazônica(TV Roraima), filial da Rede Globo, onde exerceu as funções de chefe de reportagem, redatora, repórter e produtora entre 1996 e 2003. No período de 2001 a 2002 lecionou no curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Roraima(UFRR) como professora substituta. No ano de 2002 prestou concurso na rede estadual para a área de Magistério. Em 2004 fez concurso público para professora efetiva do curso de Comunicação Social da UFRR com habilitação em Jornalismo, onde, entre outros encargos, exerceu a chefia do departamento. Em 2003 deixou a TV Roraima e assumiu o Departamento de Jornalismo da FM Monte Roraima, Rádio da Fundação Educativa José Allamano, ligada à Diocese de Roraima. Além do Radiojornal, também produzia e apresentava um programa de variedades: “Monte Roraima Show”. Pela FM Monte Roraima participou de duas oficinas que discutiam a criação da Rede de Notícias da Amazônia (RNA). Uma delas foi realizada na Rádio Rural, em Santarém(PA), e a outra na Rádio Rio Mar, em Manaus(AM). Engajou-se com a causa indígena no apogeu das discussões sobre a homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, produzindo matérias para o site do Conselho Indígena de Roraima(CIR). Quando a RNA foi efetivada, em maio de 2008, estava cursando o Mestrado na Universidade Federal do Amazonas(UFAM), e em maio de 2014 ministrou uma oficina de capacitação para os repórteres da Rede em Manaus. Produziu o programa Rede Terecom – Comunicação e Cidadania na Comunidade do Bairro Santa Teresa (Boa Vista, RR), o qual envolvia, em média, 70 jovens da periferia e acadêmicos/bolsistas do curso de Jornalismo. 309 Em 2007 começa a cursar o Mestrado em Educação na Universidade Federal do Amazonas(UFAM), dedicando-se à área de“Educomunicação”, com a dissertação“A educação indígena Makuxi pelas ondas da FM Monte Roraima”. A dissertação foi transformada em livro em 2015, traduzido em cinco idiomas: além do português, inglês, francês, espanhol e alemão. Publicou também “Belo Monte: vozes que clamam” e“Vamos Aprender Macuxi pelas Ondas da FM Monte Roraima”, além de ter outros artigos científicos apresentados em congressos e participações em outros e-books e livros organizados. Antonia fez Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos) formando-se em 2015. A tese teve como tema“Jornalismo ambiental na rede de notícias da Amazônia: estudo da cobertura jornalística sobre a Hidrelétrica de Belo Monte(2008-2013)”. Nos anos de 2009 a 2010 ocupou o cargo de diretora de Relações Sindicais da Seção Sindical dos Docentes da Universidade de Roraima(SESDUF). Recebeu o título de cidadã boa-vistense em 2012. Disputou as eleições de 2018 e 2022 para o cargo de Deputada Federal por Roraima. Ocupa a cadeira de número 156 da Academia de Literatura, Artes e Cultura da Amazônia(Alaca). Em 2024 começa a fazer parte da equipe de editorialistas da Rede de Notícias da Amazônia(RNA). Antonia Costa da Silva atua na Pastoral da Comunicação e na Pastoral Universitária da Diocese de Roraima, além do Magistério Superior. Em 2025 realiza Pós-Doutorado na Universidade Fernando Pessoa (UFP) em Porto, Portugal Principais publicações SILVA, A. C. Jornalismo ambiental na Rede de Notícias da Amazônia: estudo da cobertura jornalística sobre a hidrelétrica de Belo Monte (2008-2013). 2015. Tese(Doutorado em Ciências da Comunicação) – Universidade do Vale do Rio dos Sinos. SILVA, A. C. Roraima a Rádio Folha no Contexto da Migração AM-FM em Roraima. In: PRATA, Nair; BIANCO, Nélia R. Del(org.). Migração do Rádio Am Para o Fm. 1. ed. Florianópolis, SC: Insular Livros, 2018. p. 13-394. V. 1. 310 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte SILVA, A. C. Belo Monte: vozes que clamam. 1. ed. Boa Vista: EDUFRR, 2023. 297 p. SILVA, A. C. Educação indígena Makuxi pelas ondas da FM Monte Roraima(2003-2008). Um estudo de caso. 1. ed. London: Novas Edições Acadêmicas, 2015. SILVA, A. C.; HORTA, J. S. B. Educação indígena Macuxi pelas Ondas FM Monte Roraima. In: SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO, 9., 2008, Manaus. Anais[...]. Manaus: Faced/PPGE/UFAM, 2008. p. 7-7. V. I. 311 SANDRA GOMES Cyneida Menezes Correia Sandra Maria de Morais Gomes nasceu em 7 de agosto de 1968 em Natal(RN). É filha de Jocele Gomes e Sânzia Medeiros. Fez o Ensino Fundamental 2 no Colégio Municipal Pelotense na cidade de Pelotas (RS) e o Ensino Médio no Colégio Estadual Winston Churchill, em sua cidade natal. Fez Graduação em Comunicação Social, habilitação Jornalismo, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), MBA Marketing na Faculdade Atual do Amazonas, em Boa Vista(RR), Mestrado na Universidade Federal do Amazonas(UFAM), assim como o Doutorado, no Programa de Pós-Graduação em Educação na Amazônia(PGEDA). Ao longo de sua carreira teve a oportunidade de trabalhar em diversas áreas, incluindo rádio, jornal impresso, telejornalismo e assessoria de imprensa. Trabalhou em diversas regiões do Brasil, e em Roraima atuou na equipe de comunicação institucional do governo do Estado. Nessa fase ela também se envolveu em campanhas políticas, trazendo sua expertise em comunicação para o cenário eleitoral. Posteriormente, Sandra mudou-se para Natal e continuou a sua carreira jornalística, incluindo um período como repórter no programa de televisão“TV Cooperativa”. Em 2003 tornou-se professora no Curso de Comunicação Social – Jornalismo – da Universidade Federal de Roraima(UFRR), cujos projetos de extensão foram fundamentais para a sua atuação no ensino, no qual integrou, ainda, a questão da inovação. Nos anos de docência aprimorou a criação de produtos de comunicação e ministrou a disciplina de Assessoria de Imprensa/ 312 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Comunicação Organizacional, atuando também nas áreas de Publicidade e Relações Públicas. Nesse contexto, lançou o projeto Comunica CCOS, encarregado da comunicação institucional do curso, com conteúdo diário nas redes sociais. Em 2020 ele evoluiu para um projeto de extensão, desempenhando um papel importante no estágio supervisionado, que é uma exigência do Projeto Político Pedagógico(PPC) do curso de jornalismo. Sandra Maria de Morais Gomes, em todos os âmbitos onde atua e atuou, tem interesse pela inovação, e, para tal, foi essencial criar ambientes que a estimulem, um dos maiores desafios do Ensino Superior, no qual ainda explorou as relações entre comunicação e educação. Concentrou sua pesquisa nas transformações tecnológicas no Ensino Superior e na integração da educação e da comunicação, especialmente em relação à educomunicação e inovação. Principais publicações ALVES, A. P. L.; CELLA, R. R. D.; GOMES, S. M. M. Projeto experimental de uma revista para fomentar o turismo em Roraima. In: XV Congresso de Ciências da Comunicação na Região Norte, 2016, Boa Vista, RR. GOMES, S. M. M.; ANDRADE, A. N.; MEDEIROS, J. C.; COSTA JUNIOR, W. R.; BAPTAGLIN, L. A.; GONCALVES, C. B. Alunos e professores com tecnologia digital: desafios e perspectivas da educação na/da Amazônia brasileira em tempos de Covid-19. International Journal of Development Research, v. 11, p. 44.24544.249, 2021. GOMES, S. M. M. A primeira experiência em Educação a Distância no Ensino Superior em Roraima: curso de Licenciatura em Pedagogia da Fares. 2010.(Apresentação de Trabalho/Outra). SILVA, A. C.; GOMES, S. M. M. Festa dos filhos de Makunaimî: presença e cobertura da mídia na festa de homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol. 2010.(Apresentação de Trabalho/Outra). SILVA, Elenize C. O.; RAMOS, E.; GOMES, S. M. M. Educação e desenvolvimento em Roraima: gestão, Educação a Distância e avaliação. 2010.(Apresentação de Trabalho/Outra). SILVA, A. C.; GOMES, S. M. M. O jornalismo em território indígena: breves considerações sobre a presença da mídia na festa de homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol. 2010. (Apresentação de Trabalho/Seminário). 313 ETIENE TRAVASSOS Cyneida Menezes Correia Etiene Travassos Barbosa nasceu em 19 de novembro de 1969 em Boqueirão(PB). É a décima terceira filha de 16 irmãos, filhos de Abdias Cordeiro de Melo e Carmelita Travassos de Melo. Assim como seus irmãos, cursou os estudos secundários no Grupo Escolar Municipal João Travassos, ainda no interior. Por volta de 1981, seguindo o exemplo das irmãs mais velhas, migrou para Campina Grande. Etiene passou por pequenas experiências no comércio, mas foi trabalhando em uma livraria que a levou ao vestibular, em 1992, para o curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo – na Universidade Estadual da Paraíba(UEPB). Nesta época trabalhava em um laboratório de análises clínicas. A televisão e o rádio foram os objetos de seu interesse como acadêmica de jornalismo, cuja formatura foi em dezembro de 1996. Logo após a formatura conseguiu um pequeno estágio na Globo Nordeste, em Olinda(PE). Depois dessa experiência, seguiu para Roraima, chegando em fevereiro de 1997 para realizar o desejo de trabalhar nas redações de rádio, jornal e TV. A primeira experiência foi na TV Roraima, onde atuou em diversas áreas: produção, apresentação e redação, mas firmou-se como repórter de jornalismo comunitário e social. Após alguns anos trabalhando na emissora atuou em outras instituições como assessora de imprensa, produtora e apresentadora de programas de radiojornalismo, com uma experiência rápida como editora chefe do Jornal Impresso Monte Roraima. Paralelo 314 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte a isso, surgiu a oportunidade de ingressar como docente no Curso Superior de Secretariado da Universidade Federal de Roraima (UFRR) como professora substituta, onde permaneceu por três semestres. Já com uma Pós-Graduação em Comunicação e Novas Tecnologias, no ano de 2004 deu início à Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Estácio Atual. Esta formação foi fundamental quando ingressou como docente na Universidade Federal de Roraima(UFRR), em 2004, como professora substituta, tendo seu contrato renovado várias vezes. Etiene, além de disciplinas de jornalismo na UFRR, também ministrou aulas no curso Superior de Jornalismo e Publicidade da Faculdade Estácio Atual. Ela coordenou diversos projetos com seus alunos, como uma loja de roupas para determinado segmento social, o programa de rádio“Alô Contag”, voltado ao homem do campo, apoiado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais(Contag), e a publicação da Revista Eco Roraima Etiene Travassos produziu publicações específicas nas assessorias de comunicação institucionais, como a de uma revista voltada para o meio ambiente e as práticas para economizar energia elétrica, e do livreto informativo“A informação que fala”, um projeto do Conselho Tutelar de Boa Vista, entre outros. Principais publicações BARDAL, C.; MELO, E. T.; SANTOS, S. R. História do telejornalismo em Boa Vista. 2010.(Apresentação de Trabalho/Outra). BARDAL, C.; MELO, E. T.; OLIVEIRA, A. R.; AGUIAR, D. F.; SILVA, F. C.; OLIVEIRA, J. E. P. Os impactos das queimadas na zona rural de Boa Vista. 2010.(Apresentação de Trabalho/Outra). BARDAL, C.; MELO, E. T.; SANTOS, R. G. O rádio e a política social roraimense: uma conscientização para a população sobre as perspectivas da comunicação. 2010.(Apresentação de Trabalho/ Outra). BARDAL, C.; MELO, E. T.; PRATA, W.; RIOS, A.; SANTOS, A. Identidade cultural em Boa Vista. 2010.(Apresentação de Trabalho/ Outra). 315 HÊNUA PATRÍCIA Cyneida Menezes Correia Hênua Patricia Lima Andrade nasceu em 28 de fevereiro de 1972 em Boa Vista(RR). É filha de Maria das Graças Lima Andrade e Sebastião Andrade, que tiveram mais seis filhos. Fez toda sua formação escolar em sua terra natal. Estudou na Escola Pré-Escolar Princesa Izabel, e fez Ensino Fundamental na Escola Santos Dumont e na Escola São José. O Ensino Médio foi na Escola Gonçalves Dias. Sua experiência profissional iniciou aos 18 anos, quando concorreu a uma vaga de secretária, mesmo sem ter experiência prévia. Ao longo dos anos Hênua trabalhou em diferentes áreas, desde o comércio até como analista de crédito em um banco. Cursou dois anos de Engenharia de Alimentos na Universidade Federal da Paraíba(UFPB), mas trancou para trabalhar na agência GCA Propaganda, ao mesmo tempo em que ingressou no curso de Comunicação Social, opção em Relações Públicas. Na agência começou secretariando a diretoria de atendimento e, após, foi convidada a assumir a gerência de mídia da Agência, função até então inexistente. Em 1998 mudou-se para Brasília, onde atuou por pouco tempo no departamento comercial de um jornal e trabalhou alguns meses no serviço público antes de retornar para concluir seu curso de Graduação, que ocorreu em 2001. Em outubro do mesmo ano voltou a desenvolver suas atividades no serviço público, contratada pela Secretaria de Planejamento, na qual fazia atendimento ao Projeto Rainha, onde permaneceu até janeiro de 2003. Nesse ano concluiu a Pós-Graduação em Comércio Exterior com ênfase em 316 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte marketing para pequenas empresas pela Universidade Católica de Brasília(UCB), quando foi convidada para assumir a assessoria de eventos da Secretaria de Segurança Pública de Roraima, onde permaneceu até 2015. Como assessora, ela representou a Secretaria em alguns setores, como o Conselho de Diversidade Social, o Conselho de Assistência Social, o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente, e outras instâncias. Essa experiência a auxiliou a idealizar os projetos desenvolvidos no curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Atual da Amazônia(FAA), atualmente Faculdade Estácio, onde, em 2006, ingressou como professora e, no final desse ano, assumiu a Coordenação. Na docência, em parceria com a Secretaria de Estado da Segurança Pública(SESP/RR), coordenou a criação de anúncios sobre prevenção à violência. Lançou, em conjunto com os cursos de Publicidade e Jornalismo, o Jornal União, com anúncios produzidos pela equipe da Agência Experimental. Organizou o Congresso Brasileiro de Comunicação Social – Intercom –, que, em âmbito local, reuniu duas Instituições de Ensino Superior: a Faculdade Atual da Amazônia(FAA) e a Universidade Federal de Roraima(UFRR). Hênua Andrade permaneceu em sala de aula até janeiro de 2013, quando pediu seu desligamento. Principais publicações ANDRADE, H. P. L.; REGO, Andrea. Panorama do Rádio no Brasil. 1. ed. Santa Catarina: Insular, 2011. 592 p. V. 1. ANDRADE, H. P. L. Como conquistar a Classe C: o cliente emergente. 2013.(Apresentação de Trabalho/Conferência ou palestra). ANDRADE, H. P. L.; FAGUNDES, Pollyana Rodrigues; LIMA, Maria Luthielle Bezerra; MAGALHÃES, Ricardo da Silva; SALES, Ramayane Nascimento; SILVA, Fabiano Vieira Cristo da. Parima Distribuidora – Unindo Fronteiras. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE COMUNICAÇÃO, 2011, Boa Vista. XVIII Prêmio Expocom 2011 – Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação, 2011. ANDRADE, H. P. L.; REIS, C. S.; SOUZA, A. M. A.; NASCIMENTO, C.; MATOS, Antônia Euzinete; ENCARNAÇÃO, D. N da. Melhor idade – oportunidades de grandes negócios. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 10., 2011, Boa Vista, RR: 317 Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 1º a 3 de junho de 2011. COELHO, C. A. A.; ANDRADE, H. P. L. Revista: Duruna, o protetor – uma aventura das profundezas. In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORTE, 7., 2007, Boa Vista, RR. Anais[...]. São Paulo: Intercom Norte, 2008. Disponível em: http:// www.intercom.org.br/papers/regionais/norte2008/expocom/EX130290-1.pdf 318 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte LOIDE DA COSTA Cyneida Menezes Correia Loide Gomes da Costa nasceu em 25 de dezembro de 1976 em Rurópolis(PA). Filha de Bonifácio Costa e Maria José Gomes da Costa. Inicialmente moraram em Mucajaí(RR), onde Loide terminou o Ensino Fundamental, e depois foram para Boa Vista, onde cursou o Ensino Médio na Escola Estadual Major Alcides. Aprovada em nono lugar para o Bacharelado em Ciências Biológicas, abandonou a área da saúde quando foi trabalhar no jornal O Estado de Roraima. Tinha 17 anos quando entrou pela primeira vez numa redação, começando seu aprendizado pela prática. Seguiu por quase dois anos conciliando as aulas de biologia com a prática do jornalismo, até decidir migrar para Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo na Universidade Federal de Roraima (UFRR), o qual foi trancado por um período e retomado cerca de dois anos depois, culminando com a formatura. A faculdade e a atuação profissional em redação de jornal impresso sempre caminharam juntas. Loide passou por todos os jornais impressos de Roraima, nas editorias de cidades e política. A mais longa experiência foi na Folha de Boa Vista, como repórter, editora e editora-chefe. Foi professora substituta do curso de Comunicação Social – Jornalismo – na UFRR no período de 2006 a 2008. Embora o exercício da docência tenha ocorrido por um breve período, foi homenageada como paraninfa da turma para a qual ministrou aulas. Especializou-se em assessoria de imprensa e novas tecnologias. Foi assessora de imprensa da Companhia Energética de Roraima (CER), secretária-adjunta de Comunicação do governo de Roraima 319 e é jornalista concursada do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária(Incra). Tem, ainda, formação em Direito, que, complementada pela atuação no jornalismo, tem sido uma combinação importante como assessora de imprensa também na área política. Loide Gomes da Costa é oficialmente cidadã boa-vistense, título que recebeu da Câmara Municipal de Boa Vista. 320 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte CYNEIDA CORREIA Ariene dos Santos Lima(Ariene Susui) Cyneida Menezes Correia nasceu em 2 de julho de 1971 em Santarém(PA). É a primeira filha, entre quatro irmãos, de Rita Menezes Correia e Paulo Cezar Correia. Cursou o primário em Santarém na Escola São Francisco, e o Ensino Médio em Belém, nas escolas Ruthenford e Cearense. Cyneida começou no jornalismo em 1998 na Universidade Federal de Roraima(UFRR). Seu caminho profissional começou na Rádio e TV Santarém, onde trabalhou como repórter, ganhando prêmio de repórter do ano pelo Sindicato dos Jornalistas. Mais tarde ingressou na equipe do Jornal O Impacto, quando assumiu o cargo de editora chefe. Mudou-se para Roraima em 2000 e tornou-se a primeira mulher em Roraima a apresentar um programa policial, o Roda Viva, atuação que a tornou uma figura reconhecida pelos telespectadores. No campo do jornalismo impresso trabalhou por 21 anos no Jornal Folha de Boa Vista, onde ocupou várias posições. Começou como repórter de cidade e polícia, variedades e repórter de web, sendo promovida a editora chefe. Ao longo da carreira desempenhou funções diversas, como gerente acadêmica da Escola Superior da Defensoria Pública de Roraima, participando da concretização de projetos de cursos e eventos. Além disso, ocupou o cargo de secretária adjunta de Comunicação do governo de Roraima. Trabalhou, também, em diversas assessorias de imprensa, como a da Secretaria de Saúde(Sesau), da Câmara Municipal, da Assembleia Legislativa, do Palácio do governo, da Secretaria de Planejamento, da Secretaria de Gestão Estratégica e 321 Administração(Segad) e da Casa Civil, além do Instituto de Terras e Colonização do Estado de Roraima(Iteraima). Transcendendo as fronteiras de Roraima, Cyneida tornou-se correspondente do jornal Estado de São Paulo(Estadão) e freelancer do Wall Street Journal. Foi correspondente do Portal Terra e do Jornal Folha de São Paulo, consolidando sua presença no cenário jornalístico brasileiro. Teve artigos publicados em jornais como O Globo, abordando temas como a situação dos indígenas na região, a crise migratória causada pela Venezuela e os desafios enfrentados pelo sistema prisional em Roraima. Fez Mestrado em Comunicação Social no Programa de PósGraduação em Comunicação da Universidade Federal de Roraima (UFRR), com dissertação publicada, na qual estudou a memória do jornalismo impresso e sua ligação com o poder político local. Cyneida também possui Especialização em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará(UFPA), na qual estudou a comunicação no Oeste do Estado, e Licenciatura em Letras pela mesma Universidade. Foi professora na Faculdade Atual da Amazônia de 2009 a 2011, lecionando disciplinas como Agência de Notícias e Assessoria de Imprensa. Tornou-se professora substituta na UFRR em 2024. Seus estudos exploraram temas como a construção de um repositório virtual com a produção jornalística dos alunos de comunicação da UFRR. Em suas publicações aborda temas como a construção de uma microesfera pública em Roraima por meio de jornais manuscritos e impressos, as representações do governador Ottomar Pinto nos jornais do Território Federal de Roraima e as transformações na atividade política estadual a partir dos jornais impressos. Cyneida Menezes Correia explora, ainda, a política e memória pós-1988 por meio das capas dos jornais impressos de Roraima e questões como a política e visualidades nos jornais manuscritos de Roraima, além dos jogos da política nos jornais impressos do Território Federal de Roraima. Principais publicações CORREIA, C. M.; MUNARO, L. F. Política e memória pós 1988: as chamadas de capa dos jornais impressos do Estado de Roraima. In: PORTO JR., Gilson et al.(org.). Media Effects: ensaios sobre teorias 322 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte da Comunicação e do Jornalismo. 1. ed. Porto Alegre: Editora Fi, 2020. p. 133-146. V. 8. CORREIA, C. M.; MUNARO, L. F.; SILVA, Y. C. W. Os jornais impressos de Roraima e atividade política estadual(1914-1989). In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORTE, 18., 2019, Parintins. Anais[...]. Parintins, AM, 2019. CORREIA, C.; MUNARO, L. F.; CORREIA, C. M. O cetro daqueles que sofrem a opressão dos potentados: jornais manuscritos e impressos na construção de uma microesfera pública em Roraima. Canoa do Tempo – Revista do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Amazonas(UFAM), v. 14, p. 1-14-15, 2021. CORREIA, C. M.; MUNARO, L. F. Representações do governador Ottomar Pinto nos jornais do Território Federal de Roraima(19791983). Aturá – Revista Pan-Amazônica de Comunicação, v. 4, p. 1-201, 2020. MUNARO, L. F.; CORREIA, C. M. Os jornais impressos de Roraima e as transformações na atividade política estadual(1914-1989). Aturá Revista Pan-Amazônica de Comunicação, v. 3, p. 33-55-55, 2019. 323 SHENEVILLE ARAÚJO Ariene dos Santos Lima(Ariene Susui) Sheneville Cunha de Araújo nasceu em 1979 em Rio Branco (AC). Com um ano de idade seus pais, Marlita Gomes da Cunha e Reginaldo Ferreira de Araújo, mudaram-se para Manaus(AM), onde viveu quase toda a primeira infância. Em 1988, a família, acrescida da irmã Tamille e do irmão Shalom, foi para Roraima. Fez as duas primeiras séries do primário na escola Dom Bosco em Manaus(AM), a terceira, já em Boa Vista(RR), na escola Idarlene Severino da Silva, e a 4ª série na Lobo D’Almada. Da 5ª a 8ª séries fez na escola São José. O Ensino Médio foi feito em duas escolas: Ayrton Senna e Oswaldo Cruz. Ingressou no Jornalismo da Universidade Federal de Roraima(UFRR) em 1998 e começou a trabalhar em jornal antes da formatura, que ocorreu em 2003. Em 2001 teve o primeiro estágio como repórter no maior e mais antigo jornal impresso do estado, a Folha de Boa Vista. Teve experiências anteriores na Assessoria de Comunicação da UFRR e, em meados de 2000, no jornal Correio do Norte, onde desenvolveu a primeira pauta. Na Folha de Boa Vista, com parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas(Sebrae-RR), editou o livro Conquistando sonhos e realizando vitórias, que relatava casos de sucesso de empreendedores de Roraima, em que ela foi responsável pelas entrevistas e produção de textos. Em 2006, ano em que cursava Especialização em Assessoria de Imprensa, foi convidada para acumular o cargo de editora-chefe de fim de semana. Criou a página“Conviver”, na qual veiculava informações utilitárias, como 324 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte mudanças climáticas, processo eleitoral, saúde mental, entre outras. A página teve, inicialmente, versão impressa da Folha de Boa Vista, e, depois, digital, ganhando dois prêmios de jornalismo pelo Sebrae e um pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial(Senac), por matérias que abordavam o tema da sustentabilidade ambiental. Entrou para a docência do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio Atual em 2009, quando foi responsável pela criação da disciplina Jornalismo Ambiental. Foi professora da Graduação até 2011 e retornou à faculdade para dar aulas na Pós-Graduação em Assessoria de Comunicação nos anos de 2014 e 2016. O exercício do Magistério começou praticamente ao mesmo tempo da experiência em TV, pois permaneceu dois anos na TV Roraima, afiliada local da rede Globo. Como assessora de comunicação trabalhou no Sebrae-RR e no Senac-RR. Foi diretora de Jornalismo da Secretaria de governo do Estado de Roraima até 2016, quando assumiu o cargo, por concurso público, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima(IFRR), de jornalista do serviço público, sendo cedida, mais tarde, ao Tribunal de Justiça de Roraima(TJRR), de 2019 a 2021. Enquanto coordenou a Comunicação do Judiciário estadual, onde produziu o livro Tribunal de Justiça de Roraima – 30 anos de evolução em fatos e fotos, concluiu o Mestrado em Antropologia Social pela UFRR. A dissertação Entre a ressignificação e a resignação: o jornalismo on-line e a construção da imagem do imigrante venezuelano em Roraima, trata da responsabilidade social na formação de profissionais de Jornalismo. Os resultados da pesquisa foram apresentados no painel“Migração: alterização, marginalização e aceitando sua presença”, do 18th Iuaes World Congress, evento internacional de Antropologia realizado em 2018 em Santa Catarina; no GT“Migrações Contemporâneas na Pan-Amazônia”, do II Colóquio Regional Sociedade e Fronteiras; na VI Semana de Ciências Sociais promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Fronteiras da UFRR; e na mesaredonda“Mobilidades, Redes e Economias Alternativas na Crise Venezuelana”, promovida pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRR, ambos em 2019. Sheneville Cunha de Araújo iniciou, em 2024, o Doutorado em Comunicação Social pela Universidad Nacional de Rosário (Argentina), onde foi aceita em novembro de 2022. 325 Principais publicações ARAÚJO, Sheneville Cunha de(ed.). Conquistando sonhos e realizando vitórias. Roraima: Editora Boa Vista, 2005. ARAÚJO, Sheneville Cunha de. Tribunal de Justiça de Roraima – 30 anos de evolução em fatos e fotos.[ S. l.]:[ s. n.], 2020. 326 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ANNA KARINNA BEVILAQUA Ariene dos Santos Lima(Ariene Susui) Anna Karinna Dantas Bevilaqua nasceu em 1978 em Pícos(PI). É filha de José Gilson Leal Santos e Arlete Maria Leal Santos. Passou sua infância e adolescência residindo entre os Estados do Norte e Nordeste. Sua formação acadêmica teve início no Rio Grande do Norte (RN) em 1997, e, devido a transferências familiares, concluiu a Graduação em Comunicação Social na Universidade Federal de Roraima(UFRR) em 2003. Anna Karinna iniciou sua carreira profissional no Jornal Tribuna do Estado de Roraima e na TV Caburaí, afiliada da rede Bandeirantes de Televisão, na cidade de Boa Vista(RR). Retornou aos estudos em 2009 para uma Especialização em Gestão Estratégica de Comunicação Empresarial na Universidade Potiguar, em Natal(RN). Em 2010 foi aprovada no Mestrado acadêmico do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), concluindo-o em 2012 com a dissertação“Práticas Discursivas em Blogs Políticos: uma observação sobre a participação política e as transformações que acompanham o espaço público.” Sua trajetória como docente teve início em 2012, quando ingressou na Sociedade Educacional Estácio Atual em Roraima, onde exerceu os cargos de professora e coordenadora dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. No mesmo ano começou a trabalhar na Assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima, onde desempenhou funções na gestão da comunicação 327 institucional. Em 2014 assumiu a função de Superintendente de Comunicação da referida instituição. Em 2016 retornou à área de assessoria de comunicação, atuando na Câmara dos Deputados em Brasília. Anna Karinna Dantas Bevilaqua publicou os artigos“Práticas discursivas em blogs políticos: uma investigação sobre a transformação do espaço público” e“Redes de interação e colaboração em blogs políticos: uma análise sobre os aspectos afetivos e políticos”, ambos em 2011, e em 2012“Mapas de percepciones de una gran promesa: el debate en blogs políticos y la ampliación de la esfera pública plural”. Principais publicações BEVILAQUA, A. K. D.; BARBOSA, C. C. Twitter enquanto esfera pública virtual. Prometeu, Natal, v. 3, p. http://www.prom, 2010. BEVILAQUA, A. K. D. Práticas discursivas em blogs políticos: uma investigação sobre a transformação do espaço público. In: CONFIBERCOM 2011, São Paulo. Sessão Temática 2 Cibercultura, 2011. BEVILAQUA, A. K. D. Redes de interação e colaboração em blogs políticos: uma análise sobre os aspectos afetivos e políticos. In: INTERCOM 2011, Recife. Anais[...]. Recife, 2011. BEVILAQUA, A. K. D.; COELHO, M. G. P. Internet e cidadania: uma reflexão sobre as novas práticas sociais. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE COMUNICAÇÃO, CULTURA E CIDADANIA, 2010, Fortaleza, 2010. COELHO, M. G. P.; BEVILAQUA, A. K. D. Mapas de percepciones de una gran promesa: el debate en blogs políticos y la ampliación de la esfera pública plural. In: CARLÓN, Mario; FAUSTO NETO, Antonio. Las políticas de los internautas. 1. ed. Buenos Aires: La Crujía, 2012. p. 61-79. 328 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte LEILA BAPTAGLIN Ariene dos Santos Lima(Ariene Susui) Leila Adriana Baptaglin nasceu em 25 de outubro de 1984 em Vila Cruz, interior de Nova Palma(RS). É filha de Jandira Dominga Garlet Baptaglin e Ataíde Vicente Vendrame Baptaglin. Tem um irmão mais velho que se dedica à pecuária. Estudou até a oitava série na Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre João Zanella em Vila Cruz, e o Ensino Médio na Escola Estadual de 1º e 2º Graus Tiradentes em Nova Palma. Em 2001 mudou-se para Santa Maria(RS) para cursar o Bacharelado em Desenho e Plástica na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), concluindo em 2004, tendo, em 2003, ingressado na Licenciatura em Desenho e Plástica, concluído em 2006. Ainda na UFSM, no ano de 2007 ingressou no curso de Especialização em Gestão Escolar, quando começou a trabalhar na Educação a distância, e em 2008, no Mestrado acadêmico em Educação e no Mestrado profissionalizante em Patrimônio Cultural. Também na UFSM começou, em 2011 o Doutorado em Educação e a atuação como professora substituta no Colégio Técnico Industrial (CTISM), além de dar aulas na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai(URI Santiago). Em 2013 fez Doutorado-Sanduíche na Universidade de Lisboa – Portugal –, e logo foi chamada para assumir o cargo de professora efetiva do curso de Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal de Roraima(UFRR). Em 2015 ingressou como professora do Mestrado em Letras atuando até 2019. Neste período estreitou as articulações entre Arte, Comunicação e Educação e realizou Pós-Doutorado na Universidade Experimental Simón Rodrigues na Venezuela, entre 329 2017-2018. Começou investigações sobre Educomunicação e estudos nas áreas de Arte, Comunicação e Educação. Esta expertise auxiliou sua colaboração no encaminhamento das propostas de Mestrado em Educação(PPGED) e do Mestrado em Comunicação (PPGCOM). No mesmo ano foi indicada pela UFRR para participar da proposta de Doutorado em Educação na Amazônia, também aprovada em 2019. Atuou entre 2019 e 2021 no PPGCOM, na linha Comunicação, Memória e Identidades e no PPGED, na Formação de Professores e Práticas Educativas. No Doutorado em Educação na Amazônia (PGEDA) vinculou-se ao Polo Manaus entre os anos de 2019 e 2022 e, no ano de 2023, ao Polo do Doutorado na UFRR. Na pesquisa desenvolveu projetos como; Cocriando aprendizagens em sala de aula: a influência da migração venezuelana nas experiências de educação de crianças brasileiras e venezuelanas em Boa Vista/RR; A Pós-Graduação stricto sensu na região norte do Brasil: contextos e desafios; e Revisão bibliográfica interdisciplinar: educomunicação, análise musical, apreciação musical e educação musical. Na extensão coordenou um coletivo de Arte Urbana, PLAC: os carimbadores malucos, que tem atuado na interlocução da Arte, Comunicação e Educação oferecendo ações de Arte Urbana na cidade de Boa Vista/RR. Faz parte, também, do Amazoom: Observatório Cultural da Amazônia e do Caribe que tem missão de criar oportunidades e proporcionar espaço para experimentação comunicacional, cultural e jornalística nos territórios configurados pelas regiões da Amazônia e do Caribe, e da“Rede Internacional de Pesquisadores sobre Povos Originários e Comunidades Tradicionais – Rede CT” – em parceria com professores de diferentes Estados brasileiros e distintos países, mobilizando várias publicações na coleção Povos Originários e Comunidades Tradicionais, sendo uma das responsáveis pela organização e vinculação das produções da Editora da UFRR. Leila Adriana Baptaglin participa da Rede Temática de Cooperação, Comunicação, Cidadania, Educação e Integração da América Latina(Amlat), e tem publicações na Coleção“Povos Originários e Comunidades Tradicionais” e“Media Effects”, colocando o campo da comunicação roraimense em destaque. 330 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Principais publicações BAPTAGLIN, L. A.; SANTI, V. J. C.; PORTO JUNIOR, F. G. R.; BAPTISTA, R. D.(org.). Povos originários e comunidades tradicionais: Trabalhos de pesquisa e de extensão universitária. 1. ed. Porto Alegre: Editora Fi, 2021. 332 p. V. 8. BAPTAGLIN, L. A. Aprendizagem da docência: um olhar para os cursos técnicos de Ensino Médio integrado. 1. ed. Curitiba-Paraná: Appris, 2017. 238 p. V. 1. BAPTAGLIN, L. A.; SANTI, V. J. C. Docência universitária: formação docente dos professores do curso de Comunicação Social e do PPGCOM da UFRR. Teias, Rio de Janeiro, Impresso, v. 22, p. 283298, 2021. PORTO JUNIOR, F. G. R.; MORAES, N. R.; SANTI, V. J. C.; BAPTAGLIN, L. A.(org.). Media Effects: ensaios sobre teorias da Comunicação e do Jornalismo. Agenda-Setting, enquadramentos e narrativas. 1. ed. Boa Vista, RR; Porto Alegre, RS: Editora da UFRR: Editora Fi, 2020. 181 p. V. 6. SILVA, M. V. F.; BAPTAGLIN, L. A.(org.). Vivências, perspectivas e trajetória das condicionalidades à educação, pobreza e desigualdade social em Roraima. 1. ed. Boa Vista, RR: Editora da UFRR, 2018. 217 p. V. 1. 331 TATIANE HILGEMBERG Cyneida Menezes Correia Tatiane Hilgemberg Figueiredo nasceu em 18 de junho de 1984 em Juiz de Fora(MG). É a filha mais velha de Gerson Figueiredo e Rosemari Miriam Hilgemberg Figueiredo, e tem dois irmãos, Diego e Diogo. Estudou do maternal até a sexta série no Colégio Santa Catarina e, da sétima série ao terceiro ano do Ensino Médio na Escola Estadual Sebastião Patrus de Souza, em sua cidade natal. Ingressou no curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF) em 2004. Já no primeiro período juntou-se à equipe do programa Resumo Esportivo da Rádio Universitária. Como bolsista de iniciação científica pesquisou a cobertura dos Jogos Paralímpicos, resultando na publicação de cinco artigos em anais de congressos nacionais. Fez Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto em Portugal, onde há tradição de estudos sobre Olimpíadas. Analisou, na dissertação, a cobertura dos Jogos Paralímpicos de 1996 a 2008 em jornais impressos brasileiros e portugueses, cujo título é“Os Atletas Paraolímpicos na mídia impressa. Comparação da cobertura midiática dos Jogos Paraolímpicos no Brasil e em Portugal”. Durante seu período em Portugal publicou e apresentou sua pesquisa em eventos internacionais, recebeu prêmio por um artigo e, em 2009, conquistou sua primeira bolsa para participar da Conferência Bianual Internacional do Play the Game, e voltou a participar nas edições de 2011 e 2013 também com bolsa. Fez parte do projeto de mapeamento do jornalismo esportivo global, o International Sports Press Survey 2011, cujos resultados foram publicados em um livro em 2013. 332 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Tatiane retornou ao Brasil em 2010, quando começou a lecionar em faculdades particulares e atuou como assessora de comunicação na Coordenação de Acessibilidade(Caefi) e no Núcleo do Grupo de Pesquisa em Inclusão, Movimento e Ensino a Distância(NGime), ambos na UFJF, além da Confederação Brasileira de Dança em Cadeira de Rodas. Em 2015 o trabalho que apresentou no VII Congresso de Estudantes de Pós-graduação em Comunicação foi premiado e publicado em livro. Obteve Especialização em Gestão do Esporte pela UFJF enquanto se preparava para ingressar no Doutorado, realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ) com uma bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), concluído em 2017, com a tese“Atleta real x atleta de papel: a perspectiva individual dos atletas paralímpicos e sua representação na mídia impressa”. Fez Doutorado-Sanduíche na Austrália, na Curtin University, com bolsa da Capes, resultando em publicações coletivas:“Routledge Companion to Disability and Media” e “Routledge Interdisciplinary Approaches to Disability”. Em 2018 ingressou no corpo docente do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Roraima(UFRR). Com a aprovação do Mestrado em Comunicação pela Capes em 2019, foi a primeira coordenadora do programa e, no ano seguinte, atuou como vice-coordenadora. Foi eleita vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa Comunicação e Esporte da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom – em 2020. No mesmo ano foi convidada a integrar a gestão 2020/2023 dessa mesma instituição, assumindo o papel de diretora regional Norte. Além disso, na Intercom foi eleita coordenadora do GP de Comunicação e Esporte em 2022. No início de 2023 rumou para os Estados Unidos, com o objetivo de desenvolver a pesquisa intitulada“Who am I? To who am I? – Paralympic athlete representation through social media” na Universidade do Texas, em Arlington, sob a supervisão de Beth Haller e com bolsa da Fulbright, concedida pelo programa Junior Faculty Member Award. Participou do livro“Interdisciplinary Approaches to Disability: Looking towards the future”, publicado em 2019 pela Routledge, com o capítulo“The Brazilian way: Media coverage of the London 2012 Paralympic Games”, assim como do publicado em 2020, 333 “Routledge Companion to Disability and Media”, em coautoria com o título“The spectacularization of disability sport: Brazilian and Australian newspaper photographs of 2012 London Paralympic athletes”. Publicou dois artigos destacados pelo Google Scholar que são frutos de sua pesquisa de Mestrado:“A visão bipolar do pódio: olímpicos versus paraolímpicos na mídia on-line do Brasil e de Portugal” e “Do coitadinho ao super-herói: representação social dos atletas paraolímpicos na mídia brasileira e portuguesa”. Tatiane Hilgemberg faz de sua pesquisa material e ferramenta que a auxiliam no processo de ensino/aprendizagem no que diz respeito às formas narrativas usadas na construção das notícias, destacando a importância da linguagem e do respeito pela diversidade, explorando o conceito de minorias. Principais publicações FERREIRA, J.; Hilgemberg, T. Movimento indígena e descaso da saúde Yanomami na Amazônia: análise sobre a falta de assistência do governo federal e as consequências do garimpo em reportagem do G1 Roraima. Trayectorias Humanas Trascontinentales, v. 9, p. 3, 2022. HILGEMBERG, T. The Paralympic Games a second-class event? In: JACKSON, Daniel; BERNSTEIN, Alina; BUTTERWORTH, Michael; CHO, Younghan; COOMBS, Danielle Sarver; DEVLIN Michael; ONWUMECHILI, Chuka(org.). Olympic and Paralympic Analysis 2020: Mega events, media, and the politics of sport. 1. ed. Poole, England: The Centre for Comparative Politics and Media Research Bournemouth University, 2021. p. 60-60. V. 1. HILGEMBERG, T.; ELLIS, K.; MAGLADRY, M. The spectacularization of disability sport: Brazilian and Australian newspaper photographs of 2012 London Paralympic athletes. In: ELLIS, Katie; GOGGIN, Gerard; HALLER, Beth; CURTIS, Rosemary(org.). The Routledge Companion to Disability and Media. 1. ed. Nova York: Routledge, 2020. p. 101-112. V. 1. HILGEMBERG, T.; FERREIRA, J. A Identidade do jornalismo e do jornalista: análise da Campanha Fatos e Pessoas da Rede Globo. Ambivalências, v. 10, p. 140, 2023. HILGEMBERG, T. Os estudos feministas da deficiência e suas 334 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte aproximações com a cobertura midiática dos Jogos Paralímpicos Tóquio/2020. Cambiassu: Estudos em Comunicação( on-line), v. 17, p. 255-271, 202. 335 LISIANE AGUIAR Ariene dos Santos Lima(Ariene Susui) Lisiane Machado Aguiar nasceu em 30 de agosto de 1985 em São Leopoldo(RS). É filha única de Célia e Nirceu Aguiar e mãe de Sui. Fez o Ensino Fundamental e Médio no Colégio Sagrado, antigo Coração de Jesus, em sua cidade natal. Possui Graduação em Comunicação Social com Habilitação Jornalismo e em Publicidade e Propaganda pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), com bolsa de Iniciação Científica. Realizou intercâmbio de jornalismo na Universidade de Sevilha/Espanha e na Universidade ORT/Uruguai. Tem Mestrado em Ciências da Comunicação pela Unisinos com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e Doutorado em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS) com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Atuando na linha de pesquisa Cultura e Significação, obteve bolsa-sanduíche no Departamento de Comunicação Audiovisual da Universidade Autônoma de Barcelona(UAB – Espanha), integrando, durante o estágio, o Observatório e Grupo de Pesquisa de Migração e Comunicação(Migracom) e o Grupo de Pesquisa em Antropologia Fundamental e Orientada(Grafo). Tem pós-doutorado com bolsa PNPD/Capes na Universidade Federal de Roraima(UFRR). Obteve licença-capacitação na Universidade de Köln e no Coletivo Lautaro na Alemanha. É professora efetiva do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Roraima(UFRR) desde março de 2018 e docente no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRR, com 336 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte área de concentração em Comunicação, Territorialidades e Saberes Amazônicos. Faz a coordenação do Projeto Cooperação Científica Internacional na Amazônia: Fronteiras, Territorialidades e Diversidades Socioambientais, do Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação da Amazônia-Legal e coordenação-adjunta do projeto do Edital Universal do CNPq: sofrimento psíquico, estratégias de produção de saúde e invenção do bem viver por mulheres migrantes. É membro do Grupo de pesquisa Mídia, Conhecimento e Meio Ambiente, do grupo Processocom, Amazoom e da Rede Temática de Cooperação, Comunicação, Cidadania, Educação e Integração da América Latina (Amlat) e tem participação no projeto de extensão Somos Migrantes e coordenação-adjunta do projeto de pesquisa sobre Comunicadores Indígenas em Roraima, ambos da UFRR. Quando chegou na UFRR, em 2018, colaborou na construção da proposta para o Mestrado e cocoordenou o Aplicativo para Propostas de Cursos Novos(APCN) com o objetivo de desenvolver o Doutorado interdisciplinar na UFRR. Também ocupou a função de chefe de Gabinete da UFRR na gestão de Jefferson Fernandes, que foi o primeiro reitor indígena do Brasil. Lisiane Machado Aguiar foi a primeira coordenadora do Mestrado em Comunicação da UFRR que abriu em 2019, o qual era, até 2023, um dos três Programas de Mestrado em Comunicação da Região Norte do Brasil. Principais publicações AGUIAR, Lisiane M. Pode o subalterno falar? Desterritorializações críticas no jornalismo. In: PATRÍCIO, Edgar(org.). Transformações no mundo do trabalho do jornalismo. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2022. p. 475-518. V. 1. AGUIAR, Lisiane M.*descolonizaREterritorializar* as metodologias: micropolíticas críticas e problematização da experiência na investigação com comunicadores indígenas. In: ROSÁRIO, Nísia Martins do; Wottrich, Laura(org.). Experiências metodológicas na comunicação. 1. ed. São Paulo: Pimenta Cultural, 2022. p. 371389. V. 1. AGUIAR, Lisiane Machado; SANTOS, Luan Correia Cunha. Podcast Macunaíma: estética antropofágica na experiência de adaptação. Pensares em Revista, v. 3, p. 106-125, 2020. 337 SANTOS, L. C. C.; AGUIAR, Lisiane M. Investigação crítica em comunicação: construções epistêmicas, teóricas e metodológicas. 1. ed. São Paulo: Pimenta Cultural, 2022. 548 p. ZANETTI, D.; AGUIAR, Lisiane M.; PATRICIO, E.; ROVINDA, M.; ROCHA, P. M.; SCHOENHERR, R.; COELHO, T. Comunicação e experiências multiterritoriais: integração na cooperação da PósGraduação durante a pandemia. Comunicação& Educação, v. 27, p. 215-229, 2022. 338 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte MARIA DANTAS Cyneida Menezes Correia Maria Dantas nasceu em 13 de maio de 1967 em Campina Grande (PB). É filha de Odete Dantas Nóbrega e Euclides de Sá Nóbrega. É mãe de Márcia e Luis Felipe e avó de Maria Clara e Melina. Fez toda sua formação em sua cidade natal. O ensino básico na Escola Estadual de Bodocongó e o Segundo Grau na Escola Estadual da Prata e no Colégio Alfredo Dantas. Formou-se em Comunicação Social pela Universidade Estadual da Paraíba(UEPB) em 1992, e iniciou sua carreira como repórter tendo se dedicado, também, à assessoria de imprensa. Chega a Roraima em 1993 e, no período de 1994 a 2004, foi assessora de comunicação na Federação de Agricultura do Estado de Roraima. Tal experiência abriu caminho para a atuação como professora no curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Roraima(UFRR) como substituta. Trabalhou como professora e vice-diretora em escola de educação básica, contratada pela Secretaria do Estado de Educação e Desportos de Roraima, durante mais de 25 anos. No Serviço Nacional de Aprendizagem Rural trabalhou como Superintendente da Administração Regional no período de 2004 a 2008. Neste período cursou a Especialização em gestão em Agronegócio pela UFRR, com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Roraima(Senar/RR), onde era uma das duas mulheres ocupantes deste cargo estratégico no Senar. Na Casa do Cidadão desempenhou o cargo de diretora, fomentando o desenvolvimento institucional. A atuação como diretora deste órgão estadual foi entre 2008 e 2009, quando desenvolveu um 339 trabalho de aprimoramento dos serviços de emissão de documentos e demais serviços demandados pelo cidadão roraimense. Entre os anos de 2010 e 2011 atuou como secretária estadual na Secretaria de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social, uma oportunidade possibilitada pelo trabalho realizado na casa do Cidadão e nas demais instituições no Estado de Roraima. A partir desta experiência assumiu o cargo de diretora de Habitação, Planejamento e Desenvolvimento Urbano pela Companhia de Desenvolvimento de Roraima, entre 2012 e 2014. Neste período cursou Direito na Faculdade Cathedral de Ensino Superior, estimulada pela experiência nas diversas organizações privadas e na administração pública em que atuou. O Trabalho de Conclusão do Curso de Direito foi sobre a efetividade da Lei Maria da Penha. Cursou, também, Licenciatura em História, realizado entre 2019 e 2022, quando voltou a aliar seus conhecimentos à área da comunicação. É Licenciada em História pela Universidade Paulista (Unip), tem Pós-Graduação em Docência em Ensino Superior e Pós-Graduação lato sensu em História e Cultura Afrobrasileira. No período de 2015 a 2021 desempenhou o cargo de assessora na Prefeitura de Boa Vista e na Fundação Universidade Virtual de Roraima(Univirr). As experiências de gestão e de comunicação mantiveram apoiando o desenvolvimento do seu trabalho profissional nas instituições. Além dos cargos citados, destacamse a vice-presidência no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Roraima, membro do Fórum de Erradicação e Combate ao Trabalho Infantil, membro da Comissão de Emprego e Renda do Estado, gerenciada pela Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes), secretária executiva da Agenda Criança – Fundo das Nações Unidas para a Infância(Unicef) – além de outros conselhos do Estado. Maria Dantas, em 2024, era diretora presidente da Companhia de Desenvolvimento de Roraima. 340 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Ariene Susui dos Santos Lima Jornalista e ativista indígena do povo Wapichana. É graduada em Comunicação Social – Jornalismo – e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Roraima(UFRR). É cofundadora da Rede de Comunicadores Indígenas Wakywai e foi assessora de comunicação do Conselho Indígena de Roraima(CIR) e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira(Coiab). Atualmente atua como jornalista independente com foco na Amazônia. arienesusui@gmail.com Cyneida Menezes Correia É jornalista, professora e escritora. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Roraima(UFRR). É autora do livro“Entre as páginas do tempo: a trajetória do jornalismo e a construção da política nos jornais de Roraima(1907-1988)”. Foi secretária adjunta de Comunicação do governo de Roraima e integrou equipes de Comunicação da Assembleia Legislativa, Ministério Público de Contas, Câmara Municipal, Defensoria Pública, etc. Também foi professora na Faculdade Estácio Atual e, é professora substituta no curso de Jornalismo da UFRR. cyneida@gmail.com Rebeca Lopes Silva Mestre em Comunicação e graduada em Jornalismo e em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Roraima. É jornalista na Assessoria de Comunicação da Reitoria do Instituto Federal de Roraima(IFRR). Desde 1998 tem atuado nas Assessorias de Comunicação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas(Sebrae/RR), do governo de Roraima e da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima. Trabalhou também como repórter no jornal Folha de Boa Vista e foi correspondente do Portal Terra. rebecalopess@gmail.com 341 TOCANTINS 342 Cynthia Mara Miranda 41 José Lauro Martins 42 Gizeli Costa Bertollo Menezes 43 MEMÓRIAS EM CONSTRUÇÃO: FORMAÇÃO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO TOCANTINS A criação do Estado do Tocantins, com a Constituição de 1988, abre um campo imenso para investimentos de toda natureza em diferentes áreas. A capital do Estado, Palmas, foi inaugurada em 1991 com quase 25 mil habitantes, e 10 anos mais tarde já contava com mais de 130 habitantes. Segundo Porto Junior e Bucar(2020), a história da imprensa tocantinense tem suas raízes no norte goiano, onde foi identificada a existência de veículos ainda no século 19. O registro de curso de formação para profissionais da área da comunicação, contudo, é datado da criação do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual do Tocantins(Unitins) em 1997. O campo da comunicação no Tocantins, tomando a criação do primeiro curso da área na capital do Estado como seu marco fundador, é recente, com menos de 30 anos. Paralelamente à criação do curso, a área foi avançando no âmbito profissional, sindical e social, e aqui o destaque será dado ao papel das mulheres que contribuíram nessas diferentes frentes para a consolidação do referido campo. Identificar todas as mulheres que atuaram nessa construção, seja como fundadoras(docentes dos primeiros cursos da área no Tocantins) ou como consolidadoras(mulheres que passaram a contribuir depois da estruturação inicial dos cursos), mesmo em seus estágios iniciais, é uma tarefa desafiadora, dada a dinâmica e constante mudança do ambiente. Assim, ao reconhecer explicitamente a contribuição de mulheres, nossa intenção é estender nossos agradecimentos a todas, honrando o importante papel que cada uma desempenhou em um tempo particular da história. 41 Doutora em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília(UNB). Professora associada do curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociedade da Universidade Federal do Tocantins(UFT). Primeira bolsista produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) da área da Comunicação e Informação no Estado do Tocantins. 42 Doutor em Ciência da Educação pela Universidade do Minho. Professor associado do curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação Ensino de Ciências e Saúde. 43 Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior(UBI, Covilhã, Portugal) e produtora de conteúdo das emissoras de televisão e rádio da Universidade Estadual do Tocantins(Unitins). 343 Nos primeiros anos de funcionamento do curso de Comunicação Social da Unitins, o quadro docente contou com a presença predominante de mulheres como: Celi Camargo, Elizabeth Costa, Irenides Teixeira, Jocyelma Santana, Jocyleia Santana, Juciene Apolinari, Kátia Abrão, Kiara Lubick, Lana Gonçalves, Maria de Fátima Caracristi, Mara Souza, Maria Eloísa Almeida, Maria Valéria Damas, Rosa Berardo, Sueli de Souza, Temis Parente, Valdirene Cássia da Silva, entre outras. Em 2001 foi criado o curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Universidade Luterana do Brasil(Ulbra), e foi notável o protagonismo das mulheres no ensino, e entre elas destacam-se, nos primeiros anos do curso: Irenides Teixeira, Jocyelma Santana, Juciene Apolinário, Kiara Lubick, Maria de Fátima Caracristi, Maria de Fátima Medina, Valdirene Cássia da Silva e Wanja Nóbrega Cavalcante Gonçalves. Também, no ano de 2001, a Faculdade Filosofia e Ciências Humanas de Gurupi (FAFICH), tornada Universidade de Gurupi(UNIRG), localizada na região sul do Estado, criou seu curso na área da comunicação. As mulheres tiveram grande protagonismo desde a estruturação à luta pela manutenção do curso de Comunicação, habilitação em Jornalismo, o único da região sul do Tocantins, que, após a queda da obrigatoriedade da exigência do diploma para o exercício da profissão em 2009, como na maioria das instituições de ensino, sofreu forte redução na demanda por vagas. Destacamos aqui professoras que atuaram nos primeiros anos do curso: Valéria Cristina Vilela(primeira coordenadora), Maria de Fátima Caracristi, Sônia Pinheiro, Adriana Tigre, Ana Daisy Zagallo e Alessandra Gomes. Em seu primeiro vestibular a Universidade de Gurupi ofereceu 50 vagas, das quais todas foram preenchidas. Na primeira turma formada destacaram-se jornalistas que já eram conhecidos na cidade pela atuação na área de comunicação, como Giseli Raffi na televisão e Gilberto Correa e Paulo Albuquerque no jornal impresso. Ainda no ano de 2001, a Ulbra criou o curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda e aqui destacamos algumas professoras que contribuíram para a formação das primeiras turmas: Flaviana Xavier, Irenides Teixeira, Janina Sanchez, Juciene Apolinário, Luciana dos Santos, Maria de Fátima Medina e Valdirene Cássia da Silva. No ano de 2003, em Palmas, duas instituições, o Instituto de Ensino e Pesquisa Objetivo(IEPO) e a Faculdade de Palmas(FAPAL), criaram o curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda e, assim como nos demais cursos da área, várias mulheres participaram ativamente da sua construção a partir da docência, e aqui destacamos algumas: Valéria Cristina Vilena, Marluce Zacariotti, Adriana Nascimento, Lúcia Cordula, Flaviana Xavier, Karin Dias, Luciélia Ramos, Albertina Oliveira, entre outras. Ainda cabe destacar a criação do Curso de Tecnologia em Fotografia(1º curso do Estado) em 2005 pela Ulbra que, embora tenha tido uma breve permanência até 2008, formou profissionais para atuação no Tocantins e também contou com a presença de mulheres em seu quadro docente, como Irenides Teixeira, Flaviana Xavier e Luciana Santos. 344 MEMÓRIAS EM CONSTRUÇÃO: FORMAÇÃO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO TOCANTINS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Os cursos da área da Comunicação Social surgem da necessidade de formação de profissionais da área para contribuir com a construção do novo Estado. Para Marques (2008), em termos gerais uma esfera pública forma-se por meio da atividade comunicacional, quando diferentes públicos se organizam em redes comunicativas articuladas para discutirem temas ou causas de interesse comum, e a criação dos cursos acadêmicos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda e o tecnológico em Fotografia, oportunizou a formação de profissionais qualificados para participar da emergente atividade comunicacional no Tocantins. O primeiro governador do Tocantins, Siqueira Campos, teve um papel relevante para a criação do primeiro curso da área no Estado, quando determinou ao reitor da Unitins, Osvaldo Della Giustina, que viabilizasse a criação do curso de Comunicação Social. O reitor designou a professora Sueli Maria de Souza para dar andamento nas ações com vistas à execução, e a docente atuou durante um ano nessa função. Não houve qualquer estudo que indicasse a necessidade da criação desse curso, até porque toda a estrutura administrativa do Estado estava sendo criada e, segundo a praxe política da época, bastava a vontade dos gestores para que a decisão fosse tomada. O que podemos afirmar é que havia a necessidade, tanto que teve intensa demanda para ingresso no curso da Unitins desde o primeiro processo seletivo. Assim, cabe destacar que o curso de Comunicação Social teve início sem qualquer autorização legal, nem mesmo havia o projeto pedagógico. Somente a partir do segundo ano começou o processo de construção do Projeto Pedagógico do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e de sua autorização junto ao Conselho Estadual de Educação, coordenado pela professora Valdirene Cássia da Silva e pelo professor José Lauro Martins, que participa da coautoria do presente texto. Em 23 de outubro de 2000 foi criada a Fundação Universidade Federal do Tocantins (UFT), porém as atividades da nova universidade tiveram início a partir de maio de 2003 com a posse dos primeiros professores efetivos e a transferência dos cursos de Graduação regulares da Unitins para a UFT, inclusive o próprio curso de Comunicação Social. Em 2014 o colegiado trabalhou na alteração da proposta do curso, e em 2015 publicou e instituiu o curso de Graduação em Jornalismo, atendendo às Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Jornalismo, conforme Portaria 203/2009, de 12 de fevereiro de 2009(Brasil, 2009) do Ministério da Educação. O primeiro concurso para docentes da Universidade Federal do Tocantins foi realizado em 2003, ocasião em que foram aprovados e empossados os professores para o curso recém-transferido da Unitins para a UFT. As primeiras mulheres empossadas no curso foram: Maria de Fátima Caracristi, Maria Alice Descardeci e Verônica Dantas Meneses. Atualmente o curso é composto por 24 docentes efetivos, sendo 13 vagas ocupadas por mulheres: Adriana Tigre, Alice Agnes Mota, Ana Daisy Zagallo, Celene Ferreira, Cynthia Mara Miranda, Daniela Pereira, Ingrid Assis, Liana Vidigal, Lúcia 345 Helena Pereira, Maria de Fátima Caracristi, Maria José de Pinho, Marluce Zacariotti e Valquíria da Silva. A criação dos cursos no Estado, sem dúvida, possibilitou a oferta de profissionalização, e as primeiras turmas formadas foram rapidamente absorvidas tanto na gestão pública quanto no mercado de trabalho, quando jornalistas com formação passaram a atuar tanto na gestão como na produção de conteúdos para os veículos de comunicação e em assessorias. No campo sindical, com o desmembramento do norte goiano para a criação do Estado do Tocantins, a classe jornalística que residia no Estado precisou se reestruturar. Assim, no dia 18 de abril de 1989 foi realizada a primeira reunião, que levou à fundação do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Tocantins(Sindjor) em 19 de dezembro de 1989, quando foi eleito o primeiro presidente do sindicato, o jornalista Gilson Cavalcante. A segunda gestão do sindicato foi presidida por uma mulher, a jornalista Ivonete Motta, que assumiu a presidência no dia 21 de maio de 1991. No ano de 2024 temos na condução do Sindjor outra mulher, a jornalista e egressa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociedade, Alessandra Bacelar. Os meios de comunicação pioneiros estabeleceram-se nos primeiros anos da criação do Tocantins com a participação intensa de mulheres. Aqui destacamos a Companhia de Comunicação do Estado do Tocantins – a Comunicatins –, criada em 1989 pelo governo do Estado. Com sede em Miracema, capital provisória do Tocantins, foi o embrião do sistema de radiodifusão pública do Estado. Nasceu como empresa de direito privado, de economia mista, com a transmissão do canal privado Bandeirantes, o mesmo canal transmitido pela TV Brasil Central(TBC), a Companhia de Comunicação do Estado de Goiás, de quem a Comunicatins herdou as estações repetidoras de Araguaína, Gurupi e Miracema em razão da criação do Estado do Tocantins. Em 1990 a Comunicatins foi transferida para a nova capital, tornando-se a primeira emissora de televisão de Palmas. Antes de migrar para a transmissão de um canal público, em 1996, quando se afilia à TV Cultura, a Comunicatins transmitiu também a extinta emissora Manchete por quatro anos. Em 1996 foi transformada em Instituto Dom Alano Marie Du Noday, uma entidade de direito público sob a forma de autarquia, vinculada à Universidade do Tocantins – Unitins. No ano seguinte foi criado o Instituto de Radiodifusão Educativa, dando origem à TV Palmas e à Rádio Palmas FM. No final de 2007 deixou a Rede Cultura para se filiar à TVE(TV Brasil). Em 2011, por meio da Lei Complementar nº 77, de 17 de novembro, deixou de ser Instituto, transformando-se em uma Fundação de Direito Público. A Fundação Radiodifusão Educativa do Estado do Tocantins(Redesat) passou, assim, a ter orçamento próprio e autonomia de gestão. Em março de 2019, porém, apesar de forte comoção dos profissionais da comunicação, a Redesat foi extinta por meio da Lei Complementar nº 114, de 6 de março, tendo o seu patrimônio e outorgas de rádio e 346 MEMÓRIAS EM CONSTRUÇÃO: FORMAÇÃO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO TOCANTINS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte televisão repassados à Universidade Estadual do Tocantins(Unitins). No mesmo mês deixou de operar com a TV Brasil, passando a retransmitir o sinal da TV Cultura. Em toda a sua história, marcada por avanços e retrocessos, o sistema público de rádio e televisão do Estado do Tocantins desempenhou importante papel na valorização e divulgação da cultura tocantinense, na democratização da informação e na formação de profissionais. Muitos profissionais, recém-formados, deslocaram-se ao novo Estado para iniciar suas carreiras, como também as novas e os novos jornalistas forjados pelos primeiros cursos da região. Com programas de entretenimento e informação, as emissoras públicas de televisão e rádio destacavam-se pelo volume da produção local. A partir da criação da TV Brasil, que permitiu maior abertura para a exibição de produções regionais, o Tocantins se fez mais presente na grade nacional da emissora. Além de maior espaço nos telejornais e radiojornais da Empresa Brasil de Comunicação(EBC), a Redesat manteve por cinco anos, na grade nacional, um programa semanal voltado para o setor rural. A produção e apresentação do Vitrine do Campo, que deixou de ser produzido com a extinção da emissora, teve à frente três mulheres: as jornalistas Maryellen Araújo, Andressa Santos e Luzêne Neres. Outra produção local que ganhou espaço na grade nacional foi a série Prosa e História, que nasceu com a missão de registrar audiovisualmente a história e a cultura das comunidades tradicionais do Tocantins. Também sob a responsabilidade de uma mulher, Gizeli Costa Bertollo Menezes, coautora do presente texto, a série foi a primeira da emissora exibida nacionalmente. Em seu quadro de servidoras e servidores, a Rede Pública de Radiodifusão do Tocantins sempre contou com uma expressiva participação feminina nas diferentes frentes de trabalho, como exibição, produção, reportagem, apresentação, planejamento, administrativo e financeiro. Durante sua trajetória, contou com três mulheres no comando geral, tendo como presidentas as profissionais Kassandra Valduga, Valéria Kurovski e Gizeli Bertollo. No campo privado da comunicação, o destaque é dado para uma mulher, Fátima Roriz, que, durante os anos de 1996 a 2014, presidiu o Grupo Jaime Câmara, empresa afiliada da Rede Globo no Tocantins. A partir de retransmissoras de televisão e rádio nos municípios de Gurupi e Araguaína, boa parte da população tocantinense recebia o sinal da emissora, instalada em Goiânia. Com a divisão do Estado de Goiás as retransmissoras foram, aos poucos, se estruturando para iniciar sua produção de conteúdos locais. Fonseca(2021) relata, em sua dissertação de Mestrado, que, no início da década de 1980, a TV Anhanguera de Araguaína e a TV Rio Formoso de Gurupi deixaram de ser repetidoras e passaram a ser geradoras, ampliando e melhorando o seu sinal. Em 1992, a partir da geradora de Gurupi, foram ao ar os primeiros telejornais produzidos no Tocantins. Até então as fitas com as reportagens, brutas, eram encaminhadas para 347 Goiânia, onde eram editadas e de lá exibidas para Goiás e Tocantins. Como as fitas eram enviadas de ônibus, que percorriam de 600 a 1.200 quilômetros(quando saiam de Araguaína), a factualidade dos fatos ficava comprometida, o que mudou com a exibição dos telejornais locais. A estreia do telejornalismo da TV Anhanguera no Tocantins foi com o Jornal 2ª Edição, apresentado pelo comunicador Pedro Veleda. Suas primeiras edições eram gravadas, pouco antes da exibição. Um mês depois a emissora lançou o seu segundo telejornal, o 1ª Edição, dessa vez com transmissão ao vivo e apresentado por uma mulher, Gizeli Costa Bertollo Menezes, coautora deste conteúdo. O terceiro a ir ao ar, o Bom dia Tocantins, também tinha à frente uma mulher. A jornalista Maria Heloisa Almeida era responsável pela produção e pela apresentação do telejornal. Dentre as várias mulheres que contribuíram com o telejornalismo da TV Anhanguera, vale destacar algumas jornalistas pioneiras na missão de registrar os acontecimentos no Estado, como Eleusa Menezes, Olga Cavalcante, Zelma Coelho, Valéria Kurovski, Adriana Borges, Silésia Jaqueline, Vanusa Bastos e Jocyelma Santana. Assim como aconteceu na televisão, o veículo impresso do grupo Jaime Câmara, o Jornal do Tocantins, era produzido e impresso inicialmente em Goiânia e despachado em malotes para o Tocantins. Em 1989, ano de criação do Estado do Tocantins, o Jornal montou sua primeira sucursal em Gurupi, com uma mulher à frente. A Jornalista Ivonete Motta foi a primeira correspondente do Jornal do Tocantins no Estado. No jornalismo impresso tocantinense destacamos, também, a atuação da jornalista Sandra Miranda na fundação do Jornal Primeira Página, que nasceu como O Regional, em 1985, em Araguaína, norte do Tocantins. O veículo é considerado o jornal mais antigo, com circulação ininterrupta, no Estado. Em sua primeira edição encampou a luta pela criação do Estado do Tocantins, conforme relatou Sandra Miranda, única mulher a integrar o Comitê Central Pró-Criação do Estado do Tocantins, instalado em Goiânia e composto por 13 membros. Em 1989 mudou-se para Miracema, a capital provisória, e, posteriormente, para Palmas. Após 18 anos da criação do primeiro curso de Comunicação Social na Unitins, em 2015 foi solicitada a criação do primeiro Mestrado na área da Comunicação e Informação para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Com a aprovação da proposta, foi criado o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociedade(PPGCOM) da Universidade Federal do Tocantins(UFT), e a primeira turma iniciou no ano de 2016. A composição do quadro docente que participou da proposta aprovada pela Capes foi composta por dez professores, sendo a maioria mulheres: Cynthia Mara Miranda, Edna Silva, Liana Vidigal, Liliam Ghizoni, Marina Ertzogue e Verônica Dantas Meneses, esta sendo a primeira coordenadora do programa, a qual rendemos homenagens póstumas pelo seu falecimento no ano de 2021. 348 MEMÓRIAS EM CONSTRUÇÃO: FORMAÇÃO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO TOCANTINS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte No que se refere ao campo da pesquisa em comunicação no Tocantins, grupos de estudo registrados no Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), emergem ainda nos anos 2000 e destacam-se por ordem cronológica da sua criação: Jornalismo e Multimídia (2009), Observatório de Pesquisas Aplicadas ao Jornalismo e ao Ensino(Opaje)(2013), Comunicação, Imagem e Diversidade Cultural(CID)(2015), Mídias e Territorialidades Ameaçadas(2016) e Comunicação, Sociedade e Meio Ambiente(2017). O campo novo e pujante das pesquisas na área da Comunicação cria as condições necessárias para a edição das primeiras revistas acadêmicas.“Ensaios Comunicação em Revista” foi a primeira revista acadêmica da área no Estado, criada em 2000. A revista nasceu como projeto experimental da jornalista Aurielly Queiroz Painkow e do jornalista Lailton Alves da Costa, na ocasião em que eram alunos do curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo da Unitins. O periódico, embora descontinuado depois de sua terceira edição no ano de 2003, destacou-se como espaço de divulgação científica local e estadual. Em 2015 foi criada a segunda revista acadêmica da área no Estado, a Revista Observatório, pelo professor doutor Gilson Porto Junior, da UFT, que conta com a segunda melhor classificação(A2) no Qualis Periódicos, que é uma das ferramentas utilizadas para a avaliação dos programas de Pós-Graduação pela Capes. No ano seguinte, em 2016, a terceira revista da área foi criada pela professora doutora Maria de Fátima Caracristi, nomeada“Espaço e Tempos Midiáticos”, e o quarto periódico do Estado,“Aturá – Revista Pan-Amazônica de Comunicação”, surgiu a partir de uma proposta inovadora do professor doutor Gilson Porto Junior de possibilitar a gestão compartilhada das edições da revista pelas universidades da Amazônia. ALGUNS EVENTOS MARCARAM A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO ESTADO. O Seminário Nacional de Arte, Comunicação e Cidadania de Natividade, com várias edições realizadas entre os anos 2005 e 2014, surgiu a partir de uma articulação de docentes do curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo da UFT. O Seminário foi um projeto de extensão realizado no município de Natividade(TO), cidade mais antiga do Estado, com o objetivo de trabalhar a cultura, a arte popular e a comunicação por meio dos intercâmbios entre a comunidade acadêmica e a comunidade local, em forma de apresentações artísticas, debates, cursos e outras atividades que fomentem o intercâmbio entre a universidade e a comunidade, celebrando a arte popular, a história e a identidade cultural tocantinense e brasileira. Ao todo foram realizadas dez edições do seminário dos anos de 2005 até 2014. Uma 349 das idealizadoras do Seminário foi a professora doutora Verônica Dantas, que não media esforços para mobilizar e integrar a comunidade universitária e a comunidade nativitana durante o evento. Além do Seminário de Natividade, outro evento que se destaca pela importância para a área da comunicação é a realização do XI Congresso de Ciências da Comunicação na Região Norte(Intercom Norte) em 2012, organizado pela primeira vez no Tocantins. O evento tem vinculação com uma das sociedades científicas mais importantes da área, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), fundada em 1977. O Congresso foi realizado na Universidade Federal do Tocantins e organizado por docentes do curso de Jornalismo da UFT: doutora Liana Vidigal, doutora Edna Silva e doutor Sérgio Farias. Em 2022, ainda sofrendo os assombros da pandemia de Coronavírus, o XIX Congresso de Ciências da Comunicação na Região Norte voltou a ser realizado na UFT em formato on-line, agora coordenado pelos professores doutores Gilson Porto Junior e José Lauro Martins da UFT. No campo cultural destacamos outro evento de grande relevância para a área: o Festival de Cinema Chico. O festival começou em outubro de 1999, quando estudantes da segunda turma de Comunicação Social, da então Unitins, idealizaram o festival com o objetivo de mostrar para a sociedade tocantinense os trabalhos produzidos na universidade. A idealizadora do festival, uma mulher, Tatiane Fagundes, juntou-se com seus colegas Auro Giuliano e Raquel Oliveira e, assim, surgiu o Chico, que, durante o período em que foi realizado, se consagrou como um espaço para a produção audiovisual do Tocantins e fora dele, uma vez que a cada nova edição recebia inscrições de outros Estados. Por fim destacamos a Jornada Interdisciplinar de Comunicação do Programa de PósGraduação em Comunicação e Sociedade da UFT, evento consolidado que atrai a participação de público local, regional e externo ao Estado. Com sete edições realizadas desde a criação do Mestrado em 2016, a Jornada PPGCOM é destaque no campo da comunicação no Estado do Tocantins como local para interlocuções acadêmicas e para a divulgação científica que une discentes da Pós-Graduação e Graduação, docentes e pesquisadoras e pesquisadores. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES O presente relato sobre a formação do campo da Comunicação Social no Tocantins, como o próprio título descreve,“memórias em construção”, teve como ponto de partida para a escrita as memórias das autoras e do autor deste texto, que residem no Estado desde os primeiros anos de sua fundação e estiveram envolvidas e envolvido no fluxo das transformações da comunicação em posições de observação distintas: docente, aluna e profissional da comunicação. A primeira autora do texto ingressou no primeiro curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, da Unitins 350 MEMÓRIAS EM CONSTRUÇÃO: FORMAÇÃO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO TOCANTINS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte no ano 2000, o segundo autor esteve presente na formulação e criação do primeiro curso no Tocantins e a terceira autora foi pioneira como jornalista e gestora da área da comunicação pública no Estado. Os olhares distintos de observação do campo com suas memórias particulares, permitiram dar visibilidade para as mulheres pioneiras da área da comunicação do Estado do Tocantins. Muitas delas integram a presente coletânea como fundadoras e consolidadoras do campo com suas bionotas descritas. Reconhecemos, contudo, que o relato está longe de alcançar uma reconstrução histórica completa do campo, o que não foi nossa intenção. A reconstrução do campo da Comunicação Social, com foco no protagonismo das mulheres, longe de ser uma tarefa conclusiva, é uma missão que deve ser contínua e realizada pelas gerações futuras, até porque pouco sabemos das mulheres que formaram os bastidores da Comunicação Social do Tocantins. Há um campo promissor para a pesquisa acadêmica e para a história oral para que se possa resgatar os bastidores que, como sabemos, são os que decidem. O resgate evoca memórias que, segundo Portelli(1997), tornam-se concretas quando verbalizadas. Trata-se de um processo individual, mas que ocorre em um meio social. É preciso reconhecer que nem todas as mulheres que contribuíram para a formação do campo foram mencionadas. Foi um exercício preliminar de levantamento do campo e, portanto, sujeito a limitações em razão da ausência de documentações oficiais para a identificação de todas as mulheres. Cursos foram fechados, como os da Ulbra e IEPO, revistas e eventos da área foram descontinuados, falecimentos e mudanças de Estado de mulheres que contribuíram para a formação do campo ocorreram, e mais de uma dezena de cursos a distância são oferecidos no Estado e, provavelmente, muitas mulheres estão na docência dos mesmos. Ao destacar o papel de parte das mulheres do campo da comunicação – as que foram mencionadas neste texto e nas bionotas – esperamos alcançar e agradecer a todas as que contribuíram direta ou indiretamente para estabelecer as bases da comunicação social, seja na academia, no movimento sindical ou nas assessorias, em todos os postos de trabalho em que a mulher comunicadora pode atuar e contribuir com a sociedade tocantinense. Por fim, queremos dedicar este texto à memória de três mulheres protagonistas da Comunicação Social no Estado do Tocantins que não estão mais nesse plano, mas que exerceram grande contribuição em suas áreas de atuação: Maria Eloísa de Oliveira Almeida, Sônia de Jesus Pinheiro Silva e Verônica Dantas Meneses. Referências BRASIL. Ministério da Educação. Portaria 203/2009, de 12 de fevereiro de 2009. Brasília: MEC, 2009. 351 FONSECA, Adriano Nogueira da. Telejornalismo regional: o percurso histórico do telejornal Bom Dia Tocantins. 2021. 131 f. Dissertação(Mestrado em Comunicação e Sociedade) – Universidade Federal do Tocantins, Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociedade, Palmas, 2021. MARQUES, A. C. S. Os meios de comunicação na esfera pública: novas perspectivas para as articulações entre diferentes arenas e atores. In: Líbero, v. 21, p. 23-36, 2008. PORTELLI, Alessandro. Tentando aprender um pouquinho: algumas reflexões sobre a ética na história oral. In: Projeto História, São Paulo: PUC, n. 15. p. 13-33, 1997. PORTO JUNIOR, F. G. R.; BUCAR, R. A. P. Jornais do Norte de Goiás: leituras do passado e possibilidades de escrita da história. In: Humanidades& Inovação, v. 7, p. 59-76, 2020. 352 MEMÓRIAS EM CONSTRUÇÃO: FORMAÇÃO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NO TOCANTINS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 353 JOCYELMA SANTANA Kyldes Vicente Jocyelma Santana dos Santos Guilhardi nasceu em 12 de agosto de 1972 em Marabá(PA). É filha de José Batista Freitas Santos e de Josefa Santana dos Santos e irmã de Jocyléia. Frequentou a Escola Pequeno Príncipe em Marabá(PA). Realizou todo o Ensino Fundamental e o primeiro ano colegial em escola pública: Escola Estadual Nossa Senhora da Providência em Miranorte(1980-1982), Colégio Estadual de Itacajá no município de mesmo nome(1983), Escola Estadual de 1° Grau Osvaldo Franco em Araguatins(1976-1979) e Colégio Objetivo em Goiânia(GO). Em Goiânia graduou-se em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal de Goiás(UFG) em 1994 e em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Em Palmas atuou como docente nos cursos de Jornalismo e Publicidade/Propaganda, tanto na Universidade Estadual do Tocantins/Universidade Federal do Tocantins(Unitins/UFT) quanto no Centro Universitário Luterano de Palmas/Universidade Luterana do Brasil(CEULP/Ulbra), entre os anos de 1998 e 2015, ministrando várias disciplinas, com destaque para o acompanhamento de atividades práticas junto a diferentes comunidades(urbana e rural) na área da comunicação. Para realizar o Mestrado retorna à UFG por intermédio do Minter, realizando o Mestrado em Educação com a dissertação“O vídeo na educação escolar: um estudo sobre as relações de mediação professor/aluno e as novas tecnologias na sala de aula”, sob a orientação de Mirza Seabra Toschi, defendida em 2003. 354 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte A partir de pesquisa iniciada para Doutorado em Ciências do Ambiente, Jocyelma produziu, com outros pesquisadores, artigos sobre a riqueza de significados da produção do artesanato de capim dourado na Comunidade Quilombola de Mumbuca, no Jalapão. Também lançou um livro-reportagem sobre a história da Medicina no Tocantins, publicado em 2013, além de artigos com outros autores sobre a influência das alterações do entorno do Parque Cesamar, em Palmas, e durante vínculo ao Programa de Doutorado em Ciências do Ambiente(UFT/CIAMB), o qual não foi finalizado. Na área da educação publicou o livro que compõe kit do Programa Viver de Cara Limpa, distribuído em escolas públicas e particulares para promover orientação e prevenção ao uso de drogas, que foi adotado na rede estadual do Tocantins e em várias cidades, na rede municipal, também em outros Estados. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Tópicos Específicos de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: comunicação, educação, novas tecnologias, história e formação docente. Jocyelma Santana é conhecida por sua dedicação ao jornalismo e pela capacidade de contar histórias cativantes. É atuante na comunicação no Tocantins há mais de 20 anos e ocupava, em 2025, o cargo de editora-chefe/apresentadora do Bom Dia TO na TV Anhanguera/Globo. Principais publicações GONÇALVES, C. H. C.; GUILHARDI, J. S. S. Do jornal impresso ao webjornalismo: técnicas de produção e edição na era da interatividade e convergências das mídias. In: COUTO, E.; SILVA, V. C.; TEIXEIRA, I.; SANTOS, J. S.; GONÇALVES, C. H. de C.(org.). Cultura e comunicação visual. 1. ed. Canoas: Editora Ulbra, 2012. p. 1-230. V. 1. GUILHARDI, J. S. S. Salve, doutor! A medicina do(no) Tocantins em livro-reportagem. 1. ed. Palmas; Goiânia: Kelps, 2013. 192 p. V. 1. GUILHARDI, J. S. S.; SANTO, J. F. S.; CUNHA, J. F. Influência das alterações do entorno sobre um parque urbano na cidade de Palmas-TO. In: SEABRA, Giovanni.(org.). Influência das alterações do entorno sobre um parque urbano na cidade de Palmas-TO. 1. ed. Ituiutaba: Barlavento, 2020. p. 362-373. V. 1. 355 GUILHARDI, J. S. S. Viver de cara limpa: uma escolha. 1. ed. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 2008. 90 p. V. 1. SANTOS, J. S.; GUILHARDI, J. S. S. O ouro do cerrado: o capim do Jalapão. Revista Querubim( on-line), v. 4, p. 90-98, 2019. 356 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte IRENIDES TEIXEIRA Darlene Teixeira Castro Irenides Teixeira nasceu em 28 de fevereiro de 1972 em Paraíso do Tocantins(TO), no então Estado de Goiás 44 . É filha de Alcides Alves Teixeira e Maria Rosa Pimenta Teixeira. Terminou o Ensino Médio em 1988 no Colégio São Geraldo, onde também cursou o Ensino Fundamental. Sua primeira experiência profissional, entre os anos de 1985 e 1989, foi na Rádio Independência do Tocantins, em Paraíso, em que trabalhava como locutora num programa infantil. Na mesma cidade Irenides cursou, na primeira turma, Tecnologia em Processamento de Dados, quando a Universidade do Tocantins(Unitins) instituiu alguns cursos, formando-se em 1995. Sua trajetória acadêmica conta, também, com as Graduações em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda(2009) – e Psicologia(2008) pelo Centro Universitário Luterano de Palmas (CEULP/Ulbra), e ainda Ciências Sociais(2020) pela Universidade Luterana do Brasil(Ulbra). Irenides cursou seu Doutorado em Educação(2014) na Universidade Federal da Bahia(UFBA), Mestrado em Comunicação e Mercado (2003) na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, em São Paulo, onde também cursou Fotografia, e em Fotojornalismo(1996 a 1998) no Centro de Comunicação e Artes do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial(Senac). Com seu retorno ao Tocantins em 1998, trabalhou como fotógrafa de reportagens sociais, o que a permitiu conhecer o mercado nessa 44 O Estado do Tocantins foi criado em 1988. 357 área. Devido à formação em Fotografia e a Especialização em Teorias da Comunicação, Irenides foi convidada a ingressar, como docente, na Unitins, que iniciou, em Palmas, o primeiro curso de Jornalismo do Tocantins. Assim, começou como professora no Ensino Superior ministrando Introdução à Fotografia, Teoria da Comunicação I, Fotojornalismo e Estética e Cultura de Massa. Além disso, trabalhou na construção do Laboratório Fotográfico da Universidade, fazendo parte da equipe que criou o curso de Jornalismo no Estado. No ano de 1999 iniciou pesquisas com o projeto“A cidade e a fotografia: um depoimento histórico da cidade de Palmas – 1989 e 1990”. Em 2000 foi convidada para fazer parte da equipe de criação do Centro de Pesquisa Histórico-Cultural do Estado do Tocantins, o qual iniciou em 2001. No mesmo ano Irenides desligou-se da Unitins devido à aprovação no Programa da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, iniciando, assim, os créditos do Mestrado com o projeto“O Jornal do Tocantins de 1988 a 1991: o texto, o contexto e a imagem fotojornalística na formação do Estado do Tocantins”. Os resultados da pesquisa foram apresentados em diversos eventos: I Congresso Luso-Brasileiro de Estudos Jornalísticos em Porto – Portugal; Felafacs 2003 – XI Encontro Latino-Americano de Faculdades de Comunicação Social em San Juan – Porto Rico; II Congreso Latinoamericano de Estudios del Discurso em Puebla PUE – México; e no I Colóquio Brasil-Estados Unidos em Austin, EUA. No ano de 2004 o trabalho apresentado em Portugal foi selecionado para fazer parte do livro Jornalismo de Referência, editado pela Universidade Fernando Pessoa. Em 2002 ela integrou o corpo docente da congregação de Comunicação Social do CEULP/Ulbra, ministrando a disciplina de Fotografia I para o curso de Publicidade e Propaganda. No mesmo ano elaborou o projeto e criou o Laboratório Fotográfico da instituição e foi convidada para exercer a Curadoria da Mostra Fotográfica 30 anos da Ulbra/Canoas e 10 anos Ulbra/Palmas. Além dos cursos de Comunicação Social, integrou o corpo docente dos cursos de Turismo e Tecnologia em Fotografia, ministrando disciplinas como Fotografia, Arte e História, Fotografia Documental, Laboratório em Preto e Branco, Fotografia em Cores e Fotojornalismo. No CEULP/Ulbra assumiu a Coordenação dos cursos de Comunicação Social – Jornalismo(2003 a 2015) e Publicidade e Propaganda(2010 a 2018). Junto ao colegiado uma das primeiras providências foi instituir as linhas de pesquisa do curso: Mídia, 358 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Cultura e Identidade e Estudos de Recepção da Mídia. Na mesma instituição foi a responsável pela criação e do curso de Tecnologia em Fotografia, da qual foi coordenadora de 2004 até 2008. Coordenou, nesse período, o Projeto de Extensão: Caminhada Fotográfica, e de 2004 a 2005 trabalhou com o projeto“Mídia e Eleições: a cobertura midiática das eleições municipais em Palmas (TO) 2004”. Entre os projetos de 2004 a 2006 realizou“O discurso fotográfico como mídia inclusiva na construção social do sujeito”, a partir do registro do cotidiano de jovens da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Palmas(Apae). Em 2006 foi eleita representante da Câmara de Fotografia no Conselho Municipal de Cultura de Palmas. Irenides realizou diversas exposições fotográficas, como“Olhares Descerrados”, que percorreu espaços como o Aeroporto de Palmas, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas(Sebrae/ TO) e o Palmas Shopping. Parte do acervo da exposição ganhou destaque no 2º Salão do Livro do Tocantins, e, no fim daquele ano, surgiu o convite para expor as fotografias na Assembleia Legislativa do Tocantins, na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. A convite de pesquisadores do CEULP/Ulbra, fotografou o Jalapão, cujo resultado configurou-se, em 2007, na exposição“Jalapão: contrastes de uma terra dourada”, que esteve no Palácio Araguaia, no Aeroporto de Palmas e no Tribunal de Justiça do Tocantins; exposição essa que teve destaque nacional, levando-a à indicação como“Mérito Acadêmico” no programa Globo Universidade. Participou como avaliadora de concursos como“Imagens do Tocantins”(2005), promovido pela Fundação Cultural do Tocantins. Pelo Sebrae/TO esteve na banca, como avaliadora, das 1ª e 3ª Edição do Prêmio Sebrae Jornalismo Empreendedor(2006 e 2009). Participou, ainda, da banca avaliadora do Primeiro Concurso de Curta-Metragem da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia(2008) promovido pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Tocantins. Irenides proferiu palestras e ministrou oficinas a convite de Instituições, como Organização Jaime Câmara(na 2ª Edição do Congresso Pensar), Unitins(na Pós-Graduação lato sensu em Metodologia e Linguagens em Educação a Distância), Universidade Federal do Tocantins(UFT)(para o curso de Filosofia e Artes) e Fundação Cultural do Tocantins, que trataram da temática Fotografia, Linguagem e Representação. 359 Tornou-se professora representante da Região Norte na Comissão Assessora do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), no ciclo avaliativo do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior(Sinaes), da Área de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, nos anos de 2015, 2018 e 2022. Ademais, é uma das fundadoras do Portal EnCena, que, desde 2011, é referência nacional em conteúdos a partir da interface entre Comunicação Social e Saúde Mental, tendo sido reconhecido pelo Ministério da Saúde, com citações em programas de alcance nacional, como o Observatório da Imprensa(TV Cultura). O design do portal, desenvolvido por acadêmicos de Publicidade e Propaganda do CEULP/Ulbra, com a orientação de Irenides, foi premiado em 2012 com o 1º lugar na categoria“Produção Editorial e Produção Transdisciplinar em Comunicação: Portal”, nos eventos da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom Norte e Intercom Nacional. Em 2013 o portal também ficou em 1º lugar na categoria“Rádio, TV e Internet – Website”, na Intercom Norte. Irenides Teixeira é professora e coordenadora do curso de Psicologia da Ulbra Palmas e continua pesquisando e orientando na interface entre Comunicação e Psicologia; é também uma das pioneiras no ensino da Comunicação Social da Região Norte, em especial no emergente Estado do Tocantins. Principais Publicações CECCHIN, H. F. G.; TEIXEIRA, Irenides. A poluição visual e seus impactos no espaço urbano em Palmas-TO: uma década de transformação. In: Roberto Ari Guindani(org.). Cultura e sociedade voltadas para as ciências sociais. 1. ed. São José dos Pinhais: Latin American Publicações, 2022. p. 21-39. V. 1. CASTRO, D. T.; VICENTE, K. B.; TEIXEIRA, Irenides.; SILVA, V. C. da; ZACARIOTTI, M. E. C.; DANTAS, V. Tocantins. In: JACKS, Nilda A.; TOALDO, Mariângela M.(org.). Brasil em números: dados para pesquisas de comunicação e cultura em contextos regionais. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2014. p. 95-102. V. 1. GOMES, R C. A.; TEIXEIRA, Irenides. Vida e morte na fotografia: a perpetuação da memória na imortalidade fotográfica. In: COUTO, Edvaldo Souza; SILVA, Valdirene Cássia da; TEIXEIRA, Irenides 360 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte (org.). Cultura e comunicação visual. 1. ed. Canoas: Editora Ulbra, 2013. p. 101-114. V. 1. SILVA, V. C. da; TEIXEIRA, I.; COUTO, E. S.; VIDIGAL, L.; SOUSA, K. A.; MORAES, N. R. de; PORTO JUNIOR, F. G. R. Tecnologias ciberculturais e educação empreendedora: caminhos em construção. Revista Observatório, v. 5, p. 26-45, 2019. TEIXEIRA, I.; COUTO, E S. Fotografias pessoais no Facebook: corpos e subjetividades em narrativas visuais compartilhadas. Revista Observatório, v. 3, p. 364-386, 2017. TEIXEIRA, I.; YASUI, S; MENEZES, M. P. O olhar fotográfico como proposta de cuidado em saúde mental. Arquivos Brasileiros de Psicologia, v. 60, p. 23-31, 2008. 361 FÁTIMA CARACRISTI Marluce Zacariotti Maria de Fátima de Albuquerque Caracristi nasceu em 13 de setembro do 1963 em Recife(PE). É a primeira filha de Antônio Câmara de Albuquerque e Ivanise Lima de Albuquerque, ambos livreiros. Tem duas irmãs e dois irmãos e é mãe de dois filhos. Em 1972 a família partiu para Fortaleza(CE), onde, aos 9 anos, foi matriculada na Escola Estadual Maria Thomázia, finalizando os estudos básicos nessa escola pública. O Ensino Médio foi cursado no Colégio Juvenal de Carvalho, administrado pelas irmãs Salesianas. No ano de 1980 Fátima passou no vestibular para o curso de jornalismo na Universidade Federal do Ceará(UFC). Quatro anos depois transferiu-se para Natal(RN). O curso de jornalismo foi concluído na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN) em1986. Ainda estudante, foi estagiária da assessoria de imprensa da Secretaria de Educação e Cultura do Estado, sendo efetivada após finalizar a Graduação. Nessa época foi freelancer da Revista RN Econômico e Jornal Tribuna do Norte e estagiária na Rádio Poty e Natal. Quando concluiu o curso foi contratada como repórter de Cidades, além de também ocupar o cargo de revisora no Diário de Natal. A atuação em pesquisa teve início no ano de 1994, após participar do projeto de criação da Via Costeira de Natal, quando trabalhou na Empresa de Promoção e Turismo do Rio Grande do Norte, participando da fundação da Primeira Escola de Hotelaria do Nordeste/Hotel Barreira Roxa. A partir da observação da transformação paisagística, social e econômica de Natal(RN), começou a pesquisar os impactos da atividade turística na economia 362 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte do Estado. A pesquisa foi premiada pelo concurso realizado pelo Banco do Nordeste, o que a motivou a submeter projeto à seleção de Mestrado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA/USP). O Mestrado foi concluído no ano de 1994, sob a orientação de Wilson Abrahão Rabahy, da Faculdade de Economia e Administração e da Escola de Comunicação e Artes, com o tema“Hotéis e Barracas de Praia: o fenômeno do Turismo na Cidade de Natal-RN”. Em 1995 inicia um curso de Especialização na Universidade Federal do Mato Grosso(UFMT) e é convidada a ser professora substituta dos cursos de jornalismo do Instituto Várzeagrandense de Educação(IVE). Trabalhou no jornal Diário de Cuiabá, no caderno de Turismo e Cidade. Foi editora do jornal Folha do Estado e permaneceu no Mato Grosso até o ano de 1999, quando decidiu retornar a São Paulo para iniciar o Doutorado na Escola de Comunicação e Artes da USP, sob a orientação de Adilson Citelli. Em São Paulo amplia a experiência docente nos cursos de Comunicação Social da Universidade Cásper Líbero, Uninove, Metodista de São Paulo e Unoeste, em Presidente Prudente. Em 2000 ela chega à cidade de Palmas(TO), convidada para lecionar na Unitins, que transferiria parte de sua estrutura para a fundação da Universidade Federal do Tocantins(UFT). Nessa instituição tornou-se a primeira coordenadora do curso durante o processo de instituição administrativa, e, posteriormente, da UNIRG, em Gurupi(TO). Seguiu aprofundando as pesquisas sobre Comunicação e Educação, com apoio para o Projeto“Rádio Transfronteira: possibilidades das Mídias na Educação”, selecionado nacionalmente com a Premiação da Rede Andi de Comunicadores e Save the Children, da Suécia, o qual envolveu inúmeros alunos do curso de jornalismo. No ano de 2003 foi aprovada no Concurso para professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins(UFT). A partir daí passou a se dedicar exclusivamente à universidade, onde também ajudou a instituir o curso de Especialização lato sensu“Comunicação, Sociedade e Meio Ambiente”. Retorna ao Doutorado, que fora abandonado, dez anos depois. Em 2016 defendeu a tese“Poder e Legitimidade na Disputa pelo Jalapão”, sob a orientação de Eguimar Felício Chaveiro, do Instituto de Ensino Socioambientais(Iesa) da Universidade Federal de Goiás(UFG). 363 Ao longo da atuação no curso de Jornalismo pela UFT, ministrou várias disciplinas, com foco, principalmente, na atuação prática do jornalista. Dentre as disciplinas destacam-se“Produção em Jornalismo”,“Assessoria de Imprensa”,“Técnica de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística”,“História do Jornalismo” e“Teoria da Comunicação”. Assumiu, desde 2021, a coordenação do Projeto Institucional de Inovação Pedagógica(PIIP-Inovajor), que, por meio de monitorias de estudantes bolsistas, auxilia outros estudantes com dificuldades pedagógicas, pertencentes aos grupos denominados vulneráveis: cotistas(raciais, sociais), com deficiência(PCDs), indígenas e quilombolas. No Núcleo de Pesquisa, Extensão e Práticas Jornalísticas(Nujor/ UFT) tem desenvolvido outros projetos: ações comunicativas para a população carcerária, com apoio da Defensoria Pública; reportagens audiovisuais de alunos(as) de jornalismo em parceria com a Idearte Audiovisual. Também coordena o Projeto CalangoPress, site de produção de conteúdo para os estudantes do quarto período em diante. Foi criadora da Revista Científica“Espaço e Tempo Midiáticos”, ligada ao grupo de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq):“Mídias e Territorialidades Ameaçadas”. Fátima Caracristi é uma pernambucana que se apaixonou pelo estado mais jovem do país, fincando suas raízes. Em Tocantins nasceu seu último filho e vivem suas netinhas, Ana Luz e Manuella. Principais publicações ARAUJO, J. R.; CARACRISTI, Maria de Fátima Albuquerque; CARVALHO, K. A. S.; GUERRA, K. B. N. S.; AMORIM, M. D. K.; MIRANDA, A. L. D.; SILVA, K. A.; AYRES, N. M. G. Aplicativos como promoção do processo de aprendizagem de portadores de deficiência. Revista Capim Dourado, v. 4, p. 76-98, 2021. CARACRISTI, Maria de Fátima Albuquerque; FEGER, J. E.; MARYNOWSKI, J. E.; MINASI, S. M. A demanda turística do Parque do Jalapão(PEJ), Tocantins, Brasil. Revista Brasileira de Ecoturismo, v. 14, p. 291-314, 2021. 364 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte CARACRISTI, Maria de Fátima Albuquerque; A. C. J. Entre dois mundos: turismo de base local na comunidade de Ponta GrossaIcapuí-Ceará. Revista da Casa da Geografia de Sobral, v. 17, p. 112127, 2015. KAIZER, E. F.; CARACRISTI, Maria de Fátima Albuquerque; FEGER, J. E.; MARYNOWSKI, J. E.; SILVA, T. M. Análise da experiência relatada pelos turistas ao visitar o Parque Estadual do Jalapão(PEJ)TO, Brasil. Ateliê do Turismo, v. 5, p. 183-204, 2021. MIRANDA, A. L. D.; AIRES JUNIOR, A. A.; FRANCO, C. F.; ARAUJO, J. R.; CARVALHO, K. A. S.; GUERRA, K. B. N. S.; SILVA, K. A.; AMORIM, M. D. K.; CARACRISTI, Maria de Fátima Albuquerque; AYRES, N. M. G.#Projeto Inovajor: jornalismo afirmando a acessibilidade e a diversidade étnica na UFT. Revista Capim Dourado, v. 5, p. 76-92, 2022. 365 CÁSSIA DA SILVA Liana Vidigal Rocha Valdirene Cássia da Silva, mais conhecida como Cássia, nasceu em 20 de outubro de 1968 em Bocaiúva(MG). É filha de José Geraldo da Silva e Maria Juraci Ferreira Silva. Fez a pré-escola na Escolinha Infantil Dona Zinha Meira, o Ensino Fundamental na Escola Estadual Antonico Soares de Sá e o Ensino Médio na Escola Estadual Prof. Gastão Valle. Cursou Relações Públicas nos anos de 1990 no Centro Universitário Newton Paiva e, ainda no segundo período do curso, surgiu uma vaga de estágio na Superintendência de Desenvolvimento da Capital(Sudecap) em Belo Horizonte(MG). O estágio seguinte foi na Fundação de Cultura de Belo Horizonte, na qual foi efetivada a partir de sua formatura, como Relações Públicas, permanecendo por quase oito anos. Realizou Especialização em Comunicação, Estratégias e Linguagens na Unimontes em Montes Claros(MG), Pós-Graduação lato sensu em Língua Portuguesa na Faculdade São Luiz em São Paulo(SP), Mestrado em Educação na Universidade Federal da Bahia em Salvador(BA) e Doutorado em Educação na mesma universidade. Em 2001 fez concurso para a Universidade do Tocantins(Unitins) e começou imediatamente a dar aulas. Além de professora, Cássia desempenhou a função de coordenadora do curso de Jornalismo e de pesquisadora. Durante o seu tempo na instituição foi convidada a ministrar uma palestra no Centro Universitário Luterano de Palmas(CEULP/Ulbra) sobre Relações Públicas, evento que rendeu o convite para o preenchimento de uma vaga na Instituição. Assim, por oito anos, dedicou-se à Unitins e, paralelamente, atuava na Ulbra, onde trabalhou até 2020, ou seja, por 19 anos. Em 2024 366 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Cássia coordenou o Núcleo de Apoio Didático-metodológico (Nadime) e foi docente no Centro Universitário Católica do Tocantins (UniCatólica), além de coordenadora do Núcleo de Educação a Distância da Escola Superior da Magistratura Tocantinense(Esmat). No UniCatólica passou a coordenar os Trabalhos de Conclusão de Curso dos alunos da instituição. Os primeiros projetos de pesquisa foram iniciados na época em que estava na Unitins e na Ulbra por meio de editais. A primeira pesquisa foi sobre a mulher negra na publicidade. A segunda investigação foi para a dissertação do Mestrado em Educação(UFBA), concluída em 2007, cujo tema dizia respeito às juventudes e suas interações com as tecnologias digitais, orientada por Edvaldo Couto. Cássia fez novo processo seletivo e ingressou na Educação, voltando a trabalhar com seu orientador de Mestrado para dar continuidade à linha de pesquisa que havia escolhido. Valdirene Cássia da Silva, em parceria com uma amiga, também profissional da área de Comunicação, montou uma empresa, a iContexto, na qual atua como diretora de comunicação e marketing. Principais publicações SILVA, Valdirene. C.; SILVA, L. S.; SILVA, O. R.; ROSA, R. S.; MARTINS, S.(org.). Processo educacionais inovadores: reflexões sobre práticas docentes. 1. ed. Pará de Minas: Virtual Books, 2021. 111 p. V. 1. SILVA, Valdirene. C.; WANDERLEY, T. P. S. P.; BATISTA, M. H. J.; DUTRA JUNIOR, L. S. Docência em saúde: tempo de novas tecnologias da informação e comunicação. RECIIS – Revista Eletrônica de Comunicação, Informação& Inovação em Saúde, v. 12, p. 488501, 2018. SILVA, Valdirene. C. As tribos urbanas no cenário escolar de Palmas e suas interações com as tecnologias da informação e da comunicação. In: II Colóquio Internacional Saberes Práticas: difusão do conhecimento científico e tecnológico na sociedade da aprendizagem, 2005, Salvador. 367 KYLDES VICENTE Ingrid Pereira de Assis Kyldes Vicente nasceu em 9 de julho de 1975 em Ipameri(GO). É filha de João Batista Vicente e Enedina Pereira Batista e tem dois irmãos: Keides e João Filho. Viveu a maior parte de sua vida em Urutaí(GO), onde fez o Ensino Fundamental I na Escola Estadual Dr. Vasco dos Reis Gonçalves, Ensino Fundamental II no Colégio Estadual Maria Paula Junqueira Uchoa, o Ensino Médio no Colégio Estadual Ângela Maria Nascente (Técnico em Magistério) e no Colégio Estadual Castro Alves(Técnico em Contabilidade). Graduou-se em Letras e tornou-se mestre, em 2002, em Letras e Linguística, ambas pela Universidade Federal de Goiás(UFG). Sua dissertação chamou-se“História e Revisão Crítica no Universo Ficcional de Almeida Faria: duas perspectivas teóricas”. Fez Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com a tese intitulada“Os episódios da vida romântica: Maria Adelaide Amaral e Eça de Queirós na minissérie‘Os Maias’”, publicada posteriormente. Tanto no Mestrado quanto no Doutorado foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Na UFG realizou seu estudo de PósDoutoramento em Letras e Linguística, intitulado“Maria Adelaide Amaral: discursividades literárias transversais entre a escrita, o palco e a tela”. É professora da Universidade Estadual do Tocantins(Unitins), onde iniciou suas atividades em 2000, e do Centro Universitário Itop (Unitop). É editora das revistas Humanidades Inovação e Extensão, 368 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ambas da Unitins, e da Revista Multidebates, vinculada à Unitop. Além disso, tem integrado o projeto Figuras da Ficção, colaborando no Dicionário de Personagens da Ficção Portuguesa do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. Ao longo de sua trajetória seus interesses de pesquisa perpassam a ficção e sua relação de transversalidade com a escrita, os palcos e as telas, tendo enveredado por estudos de acessibilidade em audiolivros. Dentre os projetos de extensão atuou em: Projeto RedEduca Unitins FM, Saúde Virtual: a prevenção dentro da sua casa, Memória Institucional da Unitins, Desperta mulher! Campanha de acesso à informação às mulheres em situação de violência no Estado do Tocantins, Cultura em Movimento Conexão Unitins, Cinema e Literatura em Debate, dentre outros. O vínculo com a extensão levou-a a tornar-se pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários e presidente da Câmara de Extensão, ambas na Unitins, com sede em Palmas. Na instituição também é membro titular do Comitê de Negócios e Transferência de Tecnologia, integra o colegiado do curso de Engenharia Agronômica e participa de três grupos de pesquisa:“Literatura, Arte e Mídia”; “Design de Materiais Instrucionais”; e“Educação e Conflitos Sociais”. Kyldes chegou ao Tocantins nos anos 2000 e, mesmo em um estado recém-criado e ainda com muitos aspectos em desenvolvimento, conseguiu construir uma trajetória vasta e consistente, dedicada ao ensino, pesquisa, extensão e gestão, figurando entre os grandes nomes da comunicação no Estado. Principais publicações CASTRO, D. T.; DANTAS, V.; TEIXEIRA, I.; VICENTE, K. B.; ZACARIOTTI, M. E. C.; SILVA, V. C. Palmas. In: SILVESTRIN, Celsi B.; NOLL, Gisele; JACKS, Nilda(org.). Capitais brasileiras: dados históricos, demográficos, culturais e midiáticos. 1. ed. Curitiba, PR: Appris, 2016. p. 85-94. V. 1. SOUZA, F. D.; VICENTE, K. B. Somos todos fotógrafos agora? In: LOPES, Maria Immacolata Vassallo de Lopes et al.(org.). XV Congresso Ibercom 2017: comunicação, diversidade e tolerância. 1. ed. São Paulo; Lisboa: ECA-USP: FCH-UCP, 2018.p. 3.244-3.256. V. 1. 369 SOUZA, M. C. J.; VICENTE, K. B. Autoria na minissérie Os Maias e a recriação da lusofonia: o caso de Maria Adelaide Amaral. In: CUNHA, Isabel Ferin Cunha; CASTILHO, Fernanda Castilho; GUEDES, Ana Paula Guedes(org.). Ficção seriada televisiva no espaço lusófono. 1. ed. Covilhã, Portugal: LABCOM.IFP, 2017. p. 133-153. VICENTE, K. B. Episódios da vida romântica: Maria Adelaide Amaral e Eça de Queirós na minissérie Os Maias. 1. ed. Curitiba: Appris, 2018. 310 p. V. 1. VICENTE, K. B. Tradução de textos literários para o audiovisual: reflexões teóricas. In: WARD, Rodolfo Ward(org.). Narrativas e representatividades: a interdisciplinaridade na comunicação. 1. ed. Palmas, TO: EDUFT, 2017. p. 111-138. VICENTE, K. B. Maria Adelaide Amaral: biografias, literatura e histórias de resistência. In: ALMEIDA, Carlos Henrique Lopes de; SARMENTO-PANTOJA, Augusto(org.). Literaturas: diálogos e resistências. 1. ed. Belém, PA: UFPA, 2016. p. 183-196. 370 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte LIANA ROCHA Alice Agnes Spíndola Mota Liana Vidigal Rocha nasceu em 15 de junho de 1974 em Vitória (ES). É filha de Liéte Vidigal Rocha e Antonio Jorge Rocha. Estudou no Colégio Marista Nossa Senhora da Penha. Graduou-se em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, pela Universidade Federal do Espírito Santo(UFES) em 1996. Seu percurso profissional começou no jornalismo impresso, passando por experiências diversas em jornais de bairro, produtoras de vídeo e assessorias de comunicação. Fez Mestrado em 2001 e Doutorado em 2006 em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Entre 2000 e 2008 desempenhou papéis relevantes na Universidade do Grande ABC(UniABC) e na Universidade Anhembi Morumbi (UAM), ambas localizadas em São Paulo. Em 2015 lançou o projeto “Mapa da Mídia do Tocantins”, que se tornou referência para estudos sobre o jornalismo regional. Tem contribuído, também, nas áreas do webjornalismo, jornalismo multimídia e jornalismo especializado. Liana ocupa o cargo de professora associada na Universidade Federal do Tocantins(UFT), instituição em que trabalha desde 2008. Suas contribuições no curso de Jornalismo vão desde a participação no Núcleo Docente Estruturante(NDE), em 2015, à composição da comissão responsável pela primeira atualização do Projeto Político Pedagógico do curso, que aconteceu também nesse ano. Em 2017 concluiu seu Pós-Doutorado em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes(ECA) da USP, com a pesquisa 371 “Webjornalismo esportivo na era da convergência: aspectos do modelo brasileiro Lancenet”. No ano seguinte, em 2018, alcançou um marco significativo ao orientar seu centésimo trabalho discente, número que até 2024 compreendia 105 trabalhos de conclusão de curso, 19 orientações em dissertações, 5 trabalhos de Especialização e 6 Projetos de Iniciação Científica. Sua atuação estende-se ao Mestrado em Comunicação e Sociedade(PPGCOM-UFT), onde ministra a disciplina Cibercultura e Tendências do Jornalismo. Lidera o Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Multimídia, reconhecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Coordena os projetos“Narrativa e acontecimentos midiáticos: desafios metodológicos para apreensão das experiências glocais amazônicas” (Programa Nacional de Cooperação Acadêmica da Amazônia – Procad-AM), financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), e“Comunicação e cartografia: mapa das iniciativas de comunicação do Tocantins em um contexto geoeconômico”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Tocantins(FAPT). Dentre as diversas contribuições para o campo da comunicação tocantinense, destacam-se, além dos projetos já mencionados, suas pesquisas em“Hiperlocalidade e webjornalismo: percurso histórico dos veículos on-line tocantinenses”(2017),“Redes sociais e webjornalismo hiperlocal: identificação e análise de perfis dos veículos on-line tocantinenses”(2019) e“Jornalismo Colaborativo: a participação do público em sites de notícias do Tocantins”(2020). Seus trabalhos não se limitaram ao ensino e à pesquisa, mas estenderam-se à extensão:“Imagens da Cidade – memória, representação e imaginário na produção audiovisual de Palmas” (2013),“Podcast Norte da Ciência”(2021) e“Na Trilha da Mídia” (2019). Liana Vidigal Rocha ao longo de sua carreira a paixão por esportes esteve presente em suas pesquisas voltadas ao jornalismo esportivo, com grande relevância no cenário local e nacional. Principais publicações ROCHA, L. V.; SOUZA, S. M. B. A desinfodemia na região amazônica: tipificação e aspectos da desinformação sobre a Covid-19. In: JÁCOME, P.; VIDIGAL, L.; CHAGAS JUNIOR, E.; 372 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte PORTO, Gilson(org.). Narrativas midiáticas, experiências e pesquisas amazônicas. 1. ed. Belo Horizonte: Selo PPGCOM/UFMG, 2021. p. 135-164. V. 1. ROCHA, L. V.; SOUZA, S. M. B.; ALVES, Y. M. Mapa da mídia no Tocantins: levantamento dos veículos entre 2016 e 2020. Anuário Internacional de Comunicação Lusófona, v. 1, p. 127-147, 2020. ROCHA, L. V. Futebol e desinformação: aspectos de conteúdos presentes no ambiente virtual. In: MALULY, L. V. B.; LONGO, G. de A.; VENÂNCIO, R. D. O.(org.). Jornalismo esportivo no Brasil. 1. ed. São Paulo: Amazon, 2020. p. 135-172. V. 2. ROCHA, L. V.; LOPES, K. G.; REIS, L. A.; CARNEIRO, M. T. L.; SOUZA, S. M. B.; ALVES, Y. M. A presença e a representação de mulheres no webjornalismo brasileiro: análise do Portal R7. In: NORONHA, E. C. de C.; LAGO, C.; TERENZZO, K.(org.). Gênero na mídia: o GMMP no Brasil. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2023. p. 2-17. V. 1. ROCHA, L. V.; SOARES, S. R.(org.). Comunicação, jornalismo e transformações convergentes. 1. ed. Palmas: EDUFT, 2019. 136 p. V. 1. ROCHA, L. V. Rafael Bullara – webjornalismo esportivo: processo de produção e narrativas presentes no Lancenet. Revista Alterjor, v. 16, p. 15-21, 2017. 373 JOCYLEIA DOS SANTOS Maria Tereza Lemes Moreira Carneiro Jocyleia Santana dos Santos nasceu em 18 de novembro de 1970 em Itacajá(TO). Ela é a mais velha dos três filhos de José Batista Freitas Santos e Josefa Santana dos Santos. Estudou as séries iniciais em escola pública na cidade de Araguatins (TO), no Bico do Papagaio. Com a mudança dos pais para Miranorte(TO) cursou o ginásio na Escola Estadual Nossa Senhora da Providência(1980-1982). O Ensino Médio foi cursado em três municípios em razão de novas mudança da família: Colégio Estadual de Itacajá no município de mesmo nome, depois Colégio Batista de Tocantínia e o no Colégio Objetivo de Goiânia(GO), onde finalizou o terceiro ano do Ensino Médio. Fez vestibular para o curso de Direito, mas não obteve êxito. Prestou vestibular na Universidade Católica de Goiás no curso de História e foi aprovada aos 17 anos, em 1987. No último ano do curso participou da pesquisa sobre os 30 anos do Movimento Estudantil em Goiás como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Após a finalização da Graduação, ainda nos anos 1990, retornou para a cidade de Miracema, onde começou a dar aulas de história no Colégio Tocantins. Um ano depois passou no concurso público do Estado e tornou-se professora efetiva. Fez a Especialização em Administração Educacional pela Associação Salgado de Oliveira Filho(1992), uma parceria do governo do Estado e da Fundação Universo do Rio de Janeiro. Em 1993 assumiu uma vaga como professora do Magistério superior no curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Tocantins(Unitins) na cidade de Guaraí, região central do Estado. No ano de 1994 entrou para o 374 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Mestrado em História, concluído em 1996 na Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), que fez uma parceria com a Unitins. Jocyleia assumiu cargos importantes na gestão da Unitins: foi coordenadora do Curso de Direito em Colinas do Tocantins(1999); coordenadora de Pesquisa da Unitins(2000); ministrou aulas nos cursos de História, Pedagogia, Jornalismo e Direito; e tornou-se representante da Região Norte na Sociedade Brasileira de História da Educação(2007-2023). No curso de Jornalismo da Unitins(2001) ministrou aulas de História da Mídia, que envolvia a história do rádio, da televisão e do jornal impresso, lecionando também no curso de Especialização sobre os meios de comunicação na cultura local. No ano de 2002 cursou o Doutorado em História pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), concluído em 2006, tornandose um dos três professores da Unitins com Doutorado. A tese A sedução da imagem: a televisão no limiar do Tocantins foi publicada em 2015. Durante o Doutorado passou no concurso para professor da Universidade Federal do Tocantins(UFT) e foi pioneira em ministrar a disciplina de História, Memória e Educação. Ainda sobre Doutorado, um dos projetos coordenados por Jocyleia, em 2017, foi uma parceria entre a Universidade Federal do Pará(UFP) e a UFT, o que possibilitou que 13 professores do Tocantins cursassem o Doutorado em rede. Ela foi membro da Associação Brasileira de História Oral(2012); do Fórum Municipal de Educação de Palmas(2014-2015); do Comitê Estadual de Acompanhamento e Supervisão da Educação Superior (2015-2016); presidente da Rede Inter-Regional Docência, Ensino Superior e Educação Básica(Rides)(2015); vice-presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped)(2016); membro da International Oral History Association (2022); coordenadora do Polo Tocantins do Doutorado em Educação na Amazônia – Rede Educanorte/PGDEA; do Mestrado Acadêmico em Educação – PPGE/UFT; coordenadora local do Procad/Amazônia; e pesquisadora do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica na Amazônia(Procad): Universidade do Estado do Pará(Uepa), Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN) e UFT. Paralelo a isso, cursou o Aperfeiçoamento de Tutores em Educação pela Unitins(2001), e concluiu uma segunda Graduação em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana(FTSA) em 2015. É também avaliadora ad-hoc da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, da 375 Revista Histedbr On Line e da Revista Opsis – Universidade Federal de Goiás(UFG-Catalão-GO), sendo, ainda, líder do grupo de pesquisa História, Historiografia e Fontes de Pesquisa em Educação pelo CNPq(2004). Jocyleia Santana, em 30 anos como pesquisadora, não pensa em parar. Para o futuro quer ampliar os programas de intercâmbio, aventurar-se na história digital e continuar encantando-se pelo mundo da pesquisa. Principais publicações SANTOS, J. S. A sedução da imagem: a televisão no limiar do Tocantins. 1. ed. Palmas: Editora da Universidade Federal do Tocantins, 2015. 159 p. V. 1. SANTOS, J. S.; SILVA, E. H. G.; PEREIRA, I. C. A. TDICS e games no Ensino Médio. In: Revista Observatório, v. 4, p. 1, 2018. SILVA NETO, L. S.; MACEDO, M. L. L.; SECHIM, W. Z.; SANTOS, J. S. Narrativas de mulheres: as perdas e o luto. In: Revista Observatório, v. 4, p. 5, 2018. 376 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte KIARA MALDANER Luana Fernanda Rosa Martins Kiara Lubick Silva Maldaner nasceu em 16 de maio de 1971 em Campina Grande(PA). É filha de Euclides Quirino da Silva e Maria da Guia Silva. Estudou no Colégio Estadual de Aplicação durante todo o Ensino Fundamental, e na Escola Estadual Hortêncio de Souza Ribeiro o Ensino Médio, ambos em Campina Grande(PB). Em 1994, aos 22 anos e recém-diplomada em Comunicação Social e Artes, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual da Paraíba(UFPb), foi em busca de emprego no recém-criado Estado de Tocantins. Fez uma segunda Graduação em Fisioterapia nas Faculdades Objetivo em 2018. Quatro dias após chegar em Palmas já estava empregada como revisora de texto de um dos primeiros jornais da cidade – o Correio Tocantinense –, migrando, em seguida, para o Tribuna do Estado, no qual atuou como repórter e editora. Em 2001 trabalhou como pauteira no jornal Folha Popular. Foi editora de texto da TV estatal Comunicatins(1996/1998), produtora do programa A Voz do Tocantins na Palmas FM(2000) e atuou na função de repórter e assessora de imprensa da Secretaria de Estado da Comunicação. Trabalhou, também, como freelancer na agência de publicidade TV 3 Assessoria e Marketing. Kiara trabalhou, ainda, na Pastoral da Criança nos anos de 1996 a 2002. No ofício voluntário ela coordenava oficinas de capacitação em comunicação popular, especialmente em rádio. No início dos anos 2000 ela integrou a assessoria do Programa de Alimentação para a Vida – Provida. 377 No campo acadêmico lecionou na primeira turma de formação de jornalistas do Tocantins, contribuindo na elaboração do Projeto Pedagógico e de reconhecimento do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual do Tocantins pelo Conselho Estadual de Educação em 1999. Kiara também lecionou a disciplina de Radiojornalismo na Universidade Luterana do Brasil – Ulbra(2007/2008), em Palmas. Foi professora substituta no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins em diferentes períodos. A complementação de sua formação acadêmica viria com o título de mestre em Ciências do Ambiente pela Universidade Federal do Tocantins(2014), com a dissertação“Análise do conteúdo midiático referente aos impactos socioambientais das Usinas Hidrelétricas Santo Antônio e Jirau: um confronto silencioso”, e, em seguida, concluindo o Doutorado(2019) no mesmo Programa de PósGraduação, com a tese“As UHEs Peixe Angical e São Salvador e o desenvolvimento socioeconômico dos municípios de Paranã, Peixe e São Salvador do Tocantins: perspectivas X realidades”. Em ambas as pesquisas foi orientada por Alberto Akama. Kiara Mardaner, após quase três décadas fazendo história na comunicação do Tocantins, foi traçar novos rumos em outras bandas do Brasil: é servidora efetiva no Instituto Federal de Santa Catarina, no Campus de São Lourenço do Oeste. Principais publicações MALDANER, K. L. S.; AKAMA, A. A compensação financeira e o desenvolvimento de municípios impactados por hidrelétricas: os indicadores sociais de Paranã e São Salvador do Tocantins. Revista Ibero-americana de Ciências Ambientais, v. 10, p. 271-283, 2019. MALDANER, K. L. S.; AKAMA, A. Os atingidos por barragens do Rio Tocantins: perdas simbólicas e materiais dos afetados pela UHE Peixe Angical. Delos: Desarrollo Local Sostenible, v. 12, p. 2, 2019. MALDANER, K. L. S.; AKAMA, A. Análise do conteúdo midiático sobre os impactos das usinas hidrelétricas do Rio Madeira: um conflito silencioso. Revista Interface, v. 14, p. 19, 2017. 378 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ANA ZAGALLO Luciélia de Aquino Ramos Ana Daisy Araújo Zagallo nasceu em 15 de março de 1967 em Santana do Ipanema(AL). É filha de Vilma Lúcia Araújo Santos e de Benildo dos Santos. É casada com Carlos Eduardo Zagallo da Silva com quem tem dois filhos: Leonardo e Pedro. Do jardim de infância à Graduação, estudou em escola pública, e o Ensino Fundamental no Centro Educacional de Pesquisas Aplicadas (Antigo CEAGB), em Maceió(AL). No Ensino Médio, 1° e 2° anos na Escola Estadual Professor José Quintela Cavalcanti Arapiraca(AL) e o 3° Ano no Colégio Lyceu Alagoano em Maceió. Prestou vestibular para Direito, mas foi aprovada em segunda opção para Comunicação Social na Universidade Federal de Alagoas(UFAL), adquirindo o título de bacharel em Relações Públicas em 1993. Atuou por mais de 20 anos como sócia-mãe na La Leche League de Maceió, associada à La Leche League International(LLLI), uma Organização Não Governamental(ONG) internacional que promove o aleitamento materno com informações e apoio mútuo entre mães. Em Gurupi(TO) criou o Grupo de Apoio a Mães que Amamentam(Gama), que funcionou ativamente até seu ingresso na Secretaria Municipal de Saúde de Gurupi, quando assumiu o Programa de Controle da Dengue, contratada pelo Ministério da Saúde, para coordenar as ações de comunicação e de mobilização social do Programa. O compromisso social de Ana Daisy continuou, e nesse período também colaborou nas ações de Educação em Saúde com palestras nas escolas sobre a dengue e aleitamento materno em postos de saúde. 379 A primeira experiência em sala de aula deu-se em 2001, na Escola Conveniada Bezerra de Menezes(EEBM), em Gurupi(TO), como professora contratada para ministrar aulas de Língua Portuguesa e Redação no Ensino Fundamental. Em 2002 participou do processo seletivo para a disciplina de Jornalismo Científico na Universidade de Gurupi(UNIRG), e assumiu a cadeira de professora no curso de Comunicação Social, com habilitações em Jornalismo e Publicidade e Propaganda. De 2002 a 2008 ministrou as disciplinas de Jornalismo Científico, Jornalismo e Saúde, Legislação e Ética no Jornalismo, Leitura e Produção de Textos e Monografia. Em 2003 concluiu Especialização em Turismo – Planejamento, Gestão e Marketing – pela Universidade Católica de Brasília(UCB/ DF). Seu projeto desenvolveu a pesquisa com o título A contribuição da mídia para o turismo sustentável. Assumiu a Coordenação do Curso de Comunicação Social da UNIRG em duas ocasiões, de 2005 a 2006 e de 2008 a 2009. Ministrou disciplinas de Jornalismo de 2002 a 2008, e ainda coordenou os Projetos Experimentais do Curso de Comunicação Social. No mesmo período atuou na habilitação em Publicidade e Propaganda do Curso de Comunicação Social, ministrando as disciplinas de Comunicação Organizacional e Política, Teoria das Relações Públicas e Leitura e Produção de Textos, além de assumir os Projetos Experimentais em Publicidade e Propaganda. Entre os anos de 2004 e 2006 concluiu Mestrado Acadêmico em Comunicação com a dissertação Sob o signo da saúde, a ciência em revista, adquirindo o título de mestre pela Universidade de Marília (Unimar), no Estado de São Paulo. No livro Processos midiáticos em construção: Brasil 200 anos(2008), publicou capítulo baseado na sua dissertação, intitulado A divulgação da ciência na Revista Cláudia. Durante o Mestrado Ana Daisy integrou o corpo editorial da Revista Cereus da UNIRG. No ano de 2009 ingressou na Universidade Federal do Tocantins (UFT) como professora assistente no Campus de Araguaína. Com dedicação exclusiva, desenvolveu os projetos pedagógicos dos cursos superiores de Tecnologia em Gestão de Cooperativas, Gestão de Turismo e em Logística, nos quais ministrou as disciplinas Comunicação Organizacional, Marketing, Marketing do Turismo, Atividades Interdisciplinares Orientadas I e III e Seminários Interdisciplinares II. 380 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Ainda na UFT, Campus Araguaína, ministrou aulas de Leitura e Produção de Texto, Prática de Produção Textual e Leitura e Prática de Produção de Texto para os cursos de História, Geografia, Letras e Pedagogia no Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica(Parfor). Em 2014 ingressou no Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente(PPGCIAMB) da UFT, obtendo o título de doutora em Ciências do Ambiente, com a tese intitulada No banzeiro do lago: a(in) sustentabilidade do turismo na representação dos barqueiros atingidos pela UHE Estreito em Babaçulândia-TO, em 2018. Ana Daisy Araújo Zagallo tornou-se professora adjunta da Universidade Federal do Tocantins, Campus Palmas, e ministra a disciplina Trabalho de Conclusão II no Curso de Jornalismo. Como integrante da equipe de dois Projetos de Extensão em audiovisual, o“Cinema Refletido” e o Projeto de Extensão“Entretela 2.0: Reflexos e Reflexões”, entrelaça o audiovisual com outras áreas do conhecimento, articulação de interfaces que reverberam no campo da comunicação. Principais publicações ZAGALLO, A. D. A.; ERTIZOGUE, M. H. Barragem e turismo na representação dos barqueiros atingidos pela UHE Estreito em Babaçulândia – Tocantins. Caderno Virtual de Turismo, UFRJ, v. 19, p. 14-29, 2019. ZAGALLO, A. D. A.; ERTZOGUE, M. H. Os sentimentos eles nunca vão indenizar: tecendo memórias de mulheres ribeirinhas atingidas por barragens. Interthesis, Florianópolis, v. 15, p. 91-108, 2018. ZAGALLO, A. D. A. Vulgarização científica na imprensa feminina. Ciência& Comunicação, v. 3, p. 1, 2006. ZAGALLO, A. D. A.; MELO, M. A.; PACÍFICO FILHO, M. Projeto Pedagógico do Curso de Tecnologia em Gestão de Cooperativas. 2009. ZAGALLO, A. D. A.; MELO, M. A.; PACÍFICO FILHO, M. Projeto Pedagógico do Curso de Tecnologia em Gestão de Turismo. 2009. ZAGALLO, A. D. A.; MELO, M. A.; PACÍFICO FILHO, M. Projeto Pedagógico do Curso de Tecnologia em Logística. 2009. 381 ZAGALLO, A. D. A. A divulgação da ciência na Revista Cláudia. In: GUIRADO, Maria Cecília(Ciça)(org.). Processos midiáticos em construção: Brasil 200 anos. Marília: Unimar; São Paulo: Arte& Ciência, 2008. 382 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ALESSANDRA LIMA Anette Maria R. S. Bento Oliveira Alessandra Gomes Duarte Lima nasceu em 3 de maio de 1972 em Goiás(GO). É filha de Veraci Gomes de Oliveira Bueno e de Waldivino Duarte Bueno, única mulher entre os dois irmãos mais novos. Alessandra estudou a primeira etapa da trajetória escolar como bolsista no Instituto Rainha da Paz e no Instituto Sagrado Coração de Maria em Goiânia(GO). No Ensino Médio fez o Magistério no Instituto de Educação de Goiás. Em 1995 ela graduou-se em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas pela Universidade Federal do Goiás(UFG), e em 2002 realizou uma Especialização em Gestão de Marketing pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Nesse intervalo trabalhou na área de formação em diversas empresas privadas em Goiânia, com destaque para o jornal O Popular, onde, durante sete anos, atuou como supervisora de Comunicação e Marketing. Alessandra chegou ao Tocantins em 2003, quando o curso de Comunicação Social do então Centro Universitário de Gurupi (Universidade de Gurupi/UNIRG) estava iniciando o segundo ano, sendo ela contratada como professora dos cursos de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Em 2006 ela foi efetivada por meio de concurso público. Durante os anos de 2004, 2009 e 2010 foi coordenadora de curso, e entre 2005 e 2008 foi também coordenadora da extinta Agência Experimental de Jornalismo e Publicidade(Ajope), setor vinculado ao curso de Comunicação Social que dava apoio aos acadêmicos nas produções experimentais em áudio, audiovisual e impresso. 383 Em 2012 tornou-se mestra em Gestão e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Taubaté(Unitau). Em 2015 assumiu a coordenação de estágio do curso de Jornalismo da UNIRG, permanecendo no cargo até 2016. Durante a pandemia(entre 2020 e 2021) assumiu novamente a coordenação de curso. Participou da reformulação de nomenclatura do curso de Comunicação Social para bacharel em Jornalismo a partir das Novas Diretrizes Curriculares(DCNs), da extinção do curso com habilitação em Publicidade e Propaganda(2009) e da criação do Curso de Jornalismo, com ênfase em Jornalismo de Dados. Ainda esteve à frente da criação de Projetos Pedagógicos de Curso, contribuindo como membro do Núcleo Docente Estruturante por vários anos. Foi membro do Conselho Superior da UNIRG e assessora institucional da reitoria. Desde 2021 é coordenadora do projeto de extensão“Rum, conversa!” e realiza oficinas em escolas públicas da rede municipal de Gurupi com foco na educação midiática e no combate à desinformação. Além disso, coordenou, de 2022 até 2023, o projeto de pesquisa do curso de Jornalismo“Diagnóstico das dinâmicas na ecologia midiática da região sul do Tocantins: veículos, redes,(des) informação e infodemia”. Ela traçou o perfil dos egressos do curso de Jornalismo da UNIRG e buscou entender o panorama do cenário profissional jornalístico na região sul do Estado tocantinense. Buscando o diálogo entre cursos da instituição, participou, de 2014 até 2019, do Comitê de Bacias Hidrográficas dos Rios Santo Antônio e Santa Tereza e Revitalização das Bacias Urbanizadas de Gurupi, planejando e instituindo o plano de comunicação, e em 2017 do projeto Boquinha do Bebê, um programa de saúde da criança em Unidades Básicas de Saúde(UBS) de Gurupi. Como docente, ministrou disciplinas de Marketing e Empreendedorismo, Gestão da Comunicação Corporativa, Fundamentos de Relações Públicas, Marketing Político e Eleitoral, Assessoria de Imprensa e Media Training, Pesquisa de Mercado e de Opinião, além de assumir Estágio Supervisionado e Pesquisa em Comunicação. Diante das mudanças no cenário tecnológico e as novas necessidades do ambiente educacional, Alessandra reuniu esforços com outros servidores da UNIRG para a criação do Núcleo de Ensino a Distância, setor que coordenou desde 2019. 384 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Alessandra Gomes Duarte Lima, em 2025, é a única docente efetiva do curso de Jornalismo da UNIRG, e ao longo dos 21 anos na instituição contribuiu com a formação profissional de aproximadamente 230 pessoas. Principais publicações FERNANDES, A. M.; LIMA, A. G. D.; LIMA, P. R. A. Boa sorte: o cineteatro que influenciou a juventude gurupiense por quase duas décadas. 1. ed. Curitiba, PR: CRV, 2021. LIMA, A. G. D.; OLIVEIRA, A. M. R. S. B.; SANTOS, N. T. O mercado de trabalho jornalístico tocantinense: análise do perfil dos egressos da Universidade de Gurupi – UNIRG. Cuadernos de Educación y Desarrollo, v. 16, p. 762-777, 2024. LIMA, A. G. D.; ALMEIDA, A. R.; MUNIZ, C. T. C.; LIMA, P. R. A. Arquitetura curricular circular: experiência no curso de Graduação em jornalismo do Centro Universitário UNIRG. Rebej, Brasília, v. 9, p. 99, 2019. LIMA, A. G. D.; CARNIELLO, M. F. Capital social e Ensino Superior: um diagnóstico do capital social entre os docentes do Centro Universitário UNIRG e suas implicações para o contexto local e regional. Revista Cereus, v. 10, p. 85-97, 2018. LIMA, A. G. D.; CARNIELLO, M. F.; SANTOS, M. J. Um panorama do Ensino Superior no Estado brasileiro do Tocantins. Revista Cereus, v. 4, p. 1-12, 2012. 385 VALQUÍRIA DA SILVA Alessandra Bacelar Valquíria Guimarães da Silva nasceu em 5 de abril de 1977 em Recife(PE). É filha de Valéria Maria Guimarães e de João Gomes da Silva. Ela tem quatro irmãos. Da primeira a sétima série estudou na Escola Estadual Professor Moacyr de Albuquerque; a oitava série e o Segundo Grau estudou na Fundação Bradesco. O seu Segundo Grau foi de técnico em Administração de Empresas. Dos 15 aos 18 anos estagiou na Agência Central dos Correios de Pernambuco, trabalhando na recepção e faturamento do Serviço Médico oferecido aos funcionários e, posteriormente, na gerência financeira. Em 1996 foi morar em João Pessoa(PB) em razão da separação de seus pais. Neste mesmo ano ingressa na Universidade Federal da Paraíba(UFPB) no curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, e três anos depois ganha o Concurso Radiofônico Mulher e Políticas Públicas, do Centro da Mulher 8 de Março. Logo depois de finalizar a Graduação ingressou, no ano de 2001, no Mestrado em Educação na mesma Universidade e foi contratada para trabalhar como repórter no Jornal A União, conciliando as duas atividades. No jornal atuou no Caderno de Cidades e no Caderno Você. Em 2002, recém-casada, muda-se para Palmas(TO). Em fevereiro de 2003 começa a lecionar nos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Luterano de Palmas. Logo em seguida também é contratada para ministrar aulas no curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Tocantins(Unitins). Em 2004 conclui o Mestrado em Educação com a dissertação “Pedagogia da Submissão nas Relações de Gênero: um olhar sobre 386 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte sexualidade, corpo e saúde entre mulheres de uma comunidade do município de Cabedelo-PB”. Ainda em 2004 é aprovada no concurso público para professora efetiva do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins(UFT). No ano de 2005 foi professora na Pós-Graduação MBA Gestão da Comunicação e Marketing, ministrando a disciplina Pesquisa de Marketing e Opinião Pública na Faculdade Católica do Tocantins. Durante seus 21 anos de sala de aula ministrou diversas disciplinas: Introdução ao Jornalismo, Introdução ao Rádio, TV e Cinema, Sociologia Geral e da Comunicação, Técnicas de Reportagem e Entrevista Jornalística, Jornalismo Interpretativo, Comunicação Comparada, Técnicas de Rádio, Fundamentos Teóricos da Produção de Rádio, Teorias da Comunicação, Estágio Supervisionado, dentre outras. Radiojornalismo, ministrada desde 2004, leva ao ar o programa experimental dos estudantes de jornalismo, o Repórter Calango, que vai ao ar semanalmente na Rádio UFT FM(96,9) Em 2015 concluiu seu Doutorado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa – Portugal –, com a tese:“A contribuição da Rádio para o desenvolvimento da cidadania: um estudo comparado da atuação de rádios do Brasil e de Portugal(2011-2012)”. Também em 2015 assume pela primeira vez a coordenação do curso de Jornalismo da UFT, ficando no cargo até setembro de 2016. Volta a assumir a coordenação, pela segunda vez, para o biênio 2019/2021, sendo reconduzida ao cargo em 2021, ficando na coordenação até novembro de 2022. Esteve na coordenação do curso no período da pandemia da Covid-19, conseguindo que Jornalismo fosse um dos cursos da UFT com menor taxa de redução de matrículas. Foi membro do Núcleo Docente Estruturante do Curso de Jornalismo por quatro anos, tendo participado ativamente das atividades pedagógicas e da nova matriz curricular do curso, que foi instituída em 2023. Vice-coordena o Núcleo de Pesquisa, Extensão e Práticas Jornalística(Nujor) e foi diretora regional Norte da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo(Abej) no biênio 2020-2022. Assumiu como primeira tesoureira da Abej no biênio 2022-2024, sendo reconduzida ao cargo para o biênio 2024-2026. Em 2022 foi nomeada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(Inep) para integrar a Comissão Assessora de Área do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes(Enade 387 – 2022), como membro da Comissão de Assessoramento à área de Comunicação Social – Jornalismo. Em 2024 desenvolveu seu projeto de pesquisa de Pós-Doutorado “Perfil e atuação de jornalista/radialistas/ podcasters negras e indígenas das regiões Centro-Oeste e Norte”, na Universidade de Brasília(UNB), com a supervisão de Dione Oliveira Moura. Também foi a professora homenageada da turma de formandos do Curso de jornalismo, uma das maiores, com 34 alunos. Valquíria Guimarães da Silva chegou ao Tocantins aos 25 anos e consolidou sua atuação no ensino e pesquisa, participando da formação de muitos jornalistas que estão no mercado. Principais publicações GUIMARÃES DA SILVA, V. O radiojornalismo na cidade de Palmas: uma análise da atuação de seis rádios sobre suas contribuições para cidadania. Âncora – Revista Latino-Americana de Jornalismo, v. 7, p. 174-195, 2020. SILVA, V. G. da. Rádio e cidadania: análise comparada entre Brasil e Portugal. 1. ed. Palmas: EDUFT, 2020. 139 p. SILVA, V. G. da. Rádio e cidadania: um estudo comparado da atuação de rádios de Lisboa e de Brasília. Revista Observatório, v. 3, p. 603-638, 2017. SILVA, V. G. da; NEVES, F. J. F. O rádio e seu potencial para a promoção da cidadania das mulheres de Palmas-TO. Ensaios: Comunicação em Revista, v. 1, p. 65-81, 2008. ZACARIOTTI, M. E. C.; SILVA, V. G.; MAIA, I. S. Podcast Fala Calango: experienciando o fazer jornalístico na pandemia do coronavírus. Rebej, Brasília, v. 11, p. 102-116, 2021. 388 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte MARLUCE ZACARIOTTI Albertina Vieira de Melo Gomes Oliveira Marluce Evangelista Carvalho Zacariotti nasceu em 24 de setembro de 1966 em Goiânia(GO). Filha de Manoel Carvalho Pires e Neusa Evangelista Carvalho, é a caçula de três irmãos e de uma irmã do segundo casamento de seu pai. É casada com Krumaré Zacariotti e mãe de dois filhos. Fez o Ensino primário no Instituto Betânia e o secundário na Escola Estadual Hugo de Carvalho Ramos e na Escola Anglo. Foi em sua cidade natal que cursou Comunicação Social – Jornalismo – na Universidade Federal de Goiás(UFG), e onde iniciou a vida profissional. Ainda estudante, foi estagiária no Jornal O Popular. Após formar-se, em 1991, foi contratada pelo Jornal O popular, seguindo na editoria do Caderno Dois até sua saída da empresa para se mudar para São Paulo. Na capital paulista trabalhou um tempo como correspondente do jornal O Popular, mas logo decidiu fazer Pós-Graduação lato sensu em Gestão de Processos Comunicacionais na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(ECA/USP), iniciando sua carreira acadêmica. Durante o curso, graças à sua experiência com assessoria de imprensa, como repórter e editora, foi contratada para assumir a gestão de comunicação do curso de Pós-Graduação da ECA. Em paralelo, foi aprovada em um concurso da Caixa Econômica Federal, onde trabalhou por dois anos. Ela também trabalhou com pesquisa e redação sobre a história da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base(Abdib), com assessoria para empresas de moda em São Paulo e como assistente editorial da Revista Comunicação e Educação(ECA). 389 Marluce passou para o Mestrado na ECA sob orientação de Maria Aparecidas Baccega, e, em 2004, defendeu sua dissertação: “O poder dos signos e os signos do poder: discursos e recepção nos telejornais”. A esta altura já tinha voltado para Goiás(2002), dividindo o tempo entre a pesquisa do Mestrado e os trabalhos na Caixa Econômica Federal e na assessoria de imprensa na Agência Goiana de Habitação, em Goiás. Um ano depois mudou-se para em Palmas(TO). Foi aprovada no processo seletivo para ser professora do curso de administração de empresas no Instituto de Ensino e Pesquisa Objetivo (IEPO), ministrando a disciplina Comunicação Empresarial. Em seguida tornou-se coordenadora do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – na instituição, o que lhe deu segurança e acrescentou experiência na docência. Na mesma época foi professora substituta do curso de Jornalismo na Universidade Estadual do Tocantins(Unitins), e no ano de 2004 foi aprovada no concurso para atuar como professora efetiva de Jornalismo na Universidade Federal do Tocantins(UFT), assumindo o cargo em 2005. Cursou o Doutorado em Educação na Pontifícia Universidade Católica (PUC) em Goiânia e, em 2015, defendeu sua tese“(In)visibilidades das juventudes pós-modernas: trilhas estéticas na cibercultura”, orientada por Glacy Roure. Fez Pós-Doutoramento na Universidade Fernando Pessoa(UFP), em Portugal, no período de 2022 a 2023. Sua pesquisa intitulou-se“Mapeamento de novos arranjos jornalísticos alternativos às corporações de mídia em Portugal: características e modos de produção”, supervisionada por Jorge Pedro Sousa, baseada em pesquisa similar da qual participou, realizada pelo Centro de Pesquisa Comunicação e Trabalho(CPCT/ECA). Na UFT Marluce também atuou em vários cargos de gestão: representante de turma, presidente de Centro Acadêmico e participou de Diretórios Centrais de Estudantes(DCE) enquanto estudante. Como docente foi coordenadora do curso de Jornalismo (2007/2008); atuou como pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários(2008/2012), tendo desenvolvido projetos como o Programa de Acesso Democrático à Universidade(Padu). Em 2015 foi convidada para assumir a Diretoria de Comunicação da UFT e teve um desafio a mais: a instalação da Rádio Universitária. Na condução da rádio propôs um modelo similar à Empresa Brasil de Comunicação(EBC) e criou um Conselho Curador com participação de representantes da sociedade. Nesse período(entre 390 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte 2015/2016) comandou um programa de grande repercussão: o “Expressões”, que debatia temas políticos, econômicos, sociais e culturais com convidados. Participou do Mestrado Profissional em Educação(PPPGE/UFT) como docente e vice-coordenadora do curso, quando também desenvolveu pesquisas abrangendo temas como juventudes, tecnologias na educação e educação midiática. Marluce participou de uma pesquisa capitaneada pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) sobre o perfil do jornalista brasileiro, expondo o retrato profissional e promovendo reflexões acerca da atuação desse(a) profissional no mercado de trabalho. Ela foi responsável por coordenar a Região Norte. Marluce foi presidenta das Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo(Abej) e foi indicada a compor o Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência(SBPC), representando, junto com outra pesquisadora, a área das Ciências Humanas e afins. Compõe, também, o Conselho da Federação Brasileira de Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação(Socicom) e a Rede de Pesquisa Trabalho e Identidade do Jornalista(RETIJ/ SBPjor). Marluce Evangelista Carvalho Zacariotti, por estar presente no contexto da disseminação educacional, cultural e social, é destaque dentro e fora do âmbito educacional, registrando e divulgando o Tocantins em suas pesquisas e atuando em conjunto com pesquisadores e pesquisadoras do Brasil. Principais publicações ZACARIOTTI, M. Mapeamento de novos arranjos jornalísticos alternativos às corporações de mídia em Portugal: características e modos de produção. Relatório técnico de pesquisa, Porto, Portugal, 2023. Disponível em: https://bdigital.ufp.pt/handle/10284/11984 ZACARIOTTI, M. E. C; MARQUES, R. S. A.; LIMA, S. P. Perfil do jornalista do norte 2023: características sociodemográficas, políticas, de saúde e do trabalho. In: LIMA, Samuel Pantoja; MICK, J.; NICOLETTI, J.; BARROS, J. V.; HENRIQUES, R. P.; MOLIANI, J. A.; PATRÍCIO, E.; PEREIRA, F. H; ZACARIOTTI, M.(org.). Perfil do jornalista brasileiro: características sociodemográficas, políticas, de saúde e do trabalho. 1. ed. Florianópolis: Quórum Comunicação, 2022. 391 ZACARIOTTI, M.; ASSIS, I.; SILVA, V. G. Novos arranjos jornalísticos alternativos: uma investigação em duas capitais do Centro-Norte brasileiro. In: FÍGARO, R.; NONATO, C. (org.). Arranjos jornalísticos alternativos e independentes no Brasil: organização, sustentação e rotinas produtivas. 1. ed. São Paulo: ECA/USP, 2021. p. 96-126. V. 1. ZACARIOTTI, M.; CORONHEIRA, R. C. Quando as juventudes falam: percepções sobre o Ensino Médio e o protagonismo juvenil. 1. ed. Palmas: EDUFT, 2020. 89 p. V. 1. ZACARIOTTI, M. E. C. O discurso verdade da mídia na consolidação do império da tecnologia. In: ARAÚJO, A. dos S. de; ZACARIOTTI, M.; ANDRADE, T. C. O. TERNES, J. (org.). Filosofia e educação: diálogos epistemológicos. 1. ed. Goiânia: Kelps, 2013. p. 77-103. V. 1. 392 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte ADRIANA TIGRE Daniela Soares Pereira Adriana Tigre Lacerda Nilo nasceu em 30 de dezembro de 1963 em Recife(PE). É filha de Luiz Lacerda e de Sylvia Tigre, e mãe de Vinícius Vicenzo. O Ensino Fundamental foi cursado no Instituto Pedro Augusto e o nível médio no Colégio Contato, ambos em Recife. Graduada em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco em 1986, atuou por nove anos como repórter no jornalismo impresso e no telejornalismo. Dentre as muitas experiências consta a colaboração na TV Comunitária em Olinda(PE) pela TV Viva e passagens pelo jornalismo sindical, científico e especializado em Educação. Por reportagens para a Revista Nova Escola, da Fundação Victor Civita, foi contemplada duas vezes(1990 e 1991) com o Prêmio Abril na área de Educação e Cultura. Tornou-se mestre em Linguística pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) em 1994, tendo sido bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) com a pesquisa A retórica e a razão no discurso político: a argumentação nas eleições presidenciais de 1989, trabalho que lhe rendeu o Prêmio da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) de conclusão de Mestrado em 1995. Obteve o título de doutora, também em Linguística, pela Universidade Estadual de Campinas(Unicamp) em 2008, quando desenvolveu a pesquisa A intertextualidade e polifonia nas televisões pública e privada: análise textual-discursiva dos telejornais Cultura Noite(TV Cultura) e Jornal Nacional(TV Globo), tese que consta na bibliografia da Ouvidoria da Empresa Brasil de Comunicação(EBC). 393 Finalizou Pós-Doutoramento(2017) junto ao Programa de PósGraduação em Comunicação/Universidade Federal de Juiz de Fora(PPGCOM/UFJF) com pesquisa sobre a cobertura da temática Indígena na TVE-TO e a relação desta televisão pública com os seguintes Conselhos: Conselho Indigenista Missionário(Cimi), Projeto-Conselho de políticas públicas indígenas estaduais(Conpit) e Conselho curador(TVE-TO). Lecionou na Pontifícia Universidade Católica de Campinas(PUC Campinas) de 1996 a 2003 e em terras tocantinenses no Centro Universitário Luterano de Palmas(CEULP/Ulbra), na Universidade de Gurupi(Fundação UNIRG – Gurupi-TO) e, desde 2005, é do corpo docente do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins(Unitins), tendo sido coordenadora por um ano e coordenadora substituta ao longo de dois anos. Crítica da Mídia, Sociologia da Comunicação e Telejornalismo estão entre as principais disciplinas que ministrou. Participou ativamente das dez edições do Seminário Nacional de Arte, Comunicação e Cidadania de Natividade, realizado entre os anos de 2006 e 2016, projeto extensionista ligado ao curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins(UFT). Paralelamente à docência, voltou-se para a pesquisa sobre a relação mídia e cultura entre indígenas da etnia Akwe Xerente, na aldeia Porteira do Tocantins, o que a permitiu realizar uma Mostra fotográfica itinerante sobre o Ethos Akwe Xerente, que percorreu quatro universidades públicas do país: Universidade Federal da Integração Latino-Americana(Unila), Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF), Universidade Federal do Amazonas(UFAM) e Universidade Federal do Tocantins(UFT). Além disso, orientou a produção do documentário de uma aluna indígena intitulado Velhas raízes, novos tempos: cultura e tradição do povo Akw-Xerente, que foi selecionado e exibido na IV Jornada de Estudos do Documentário, realizada pelo PPGCOM da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) em 2023. Em sala de aula, Adriana manteve o destaque às questões indígenas, o que permitiu aos alunos a imersão no ethos destes povos para destacar a diferença entre a lógica capitalista da sociedade envolvente e o princípio da cooperação inerente ao buen vivir indígena. Formou-se, ainda, em Serviço Social(2022) com pesquisa sobre controle social e participação indígena nos Conselhos Estaduais de 394 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte Políticas Públicas do Estado. Desde então analisa a relação Jornalismo e Políticas Públicas, tema que veio a se tornar disciplina dentro do Projeto Político Pedagógico do curso de Jornalismo da UFT. Adriana Tigre Lacerda Nilo, antes mesmo de iniciar os estudos indigenistas que marcaram sua trajetória acadêmica, sempre esteve atenta a questões ligadas à ancestralidade. Principais publicações NILO, Adriana Tigre Lacerda. Princípios do ethos do Buen Vivir indígena na enunciação de discursos contra hegemônicos em territórios da Amazônia Legal: reflexões a partir do documentário Vozes Akwe Xerente do povo indígena do Tocantins/Brasil. In: CONFERÊNCIA INTERNACIONAL COMUNICACIÓN Y CULTURA POPULAR EN LA AMÉRICA LATINA E EL CARIBE, Santiago do Chile, 3 a 5 set. 2019. NILO, Adriana Tigre Lacerda. The forms of participation of indigenous peoples in public policies and the interethnic impasses in the implementation of the public policy council for indigenous peoples of Tocantins. In: PEREIRA, Denise; ESPÍRITO SANTO, Janaína de Paula do(org.). Culturas e história dos povos indígenas. Ponta Grossa, PR: Editora Atena, 2020. NILO, Adriana Tigre Lacerda. An incursion into ethnophotography as metalanguage: from the documentation of field research to the social visibility of an indigenous ethos of the akwe-xerente do tocantins people. In: COSTA, Edwaldo(org.). Communicare: a atividade de partilhar informações como alicerce da vida em sociedade. Ponta Grossa, PR: Editora Atena, 2021. NILO, Adriana Tigre Lacerda. A abordagem genérica das vozes indígenas nas narrativas da TVE-TO: incoerências da comunicação pública no reconhecimento da cultura regional. In: MARQUES, Clarissa; ALBANO, Maria Luiza(org.). Cultura e desenvolvimento: perspectivas críticas em notas para o século XXI. Ouro Preto, MG: Editora Decoloniza, 2022. NILO, Adriana Tigre Lacerda. Os direitos indígenas mediante os princípios do telejornalismo público: análise de reportagens da TVE-TO. In: BARBOSA, Frederico Celestino. Comunicação: transformação e interação. Piracanjuba, GO: Editora Conhecimento Livre, 2022. Vol. II. 395 NILO, Adriana Tigre Lacerda. Narrativas de indígenas Akwe Xerente do Tocantins sobre a preservação das suas tradições mediante à midiatização e à defesa dos seus direitos renegados nas agendas governamentais. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL COMUNICACIÓN, CULTURA – APROXIMACIONES CON MEMORIA Y HISTÓRIA ORAL, 4., 2022, Ensenada, Baja California, México: 3 a 5 nov. 2022. 396 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte DARLENE CASTRO Ingrid Pereira de Assis Darlene Teixeira Castro nasceu em 20 de abril de 1978 em Gurupi (TO). É filha de Alcides Alves Teixeira e Maria Rosa Pimenta Teixeira. Estudou parte do Ensino Fundamental na Escola Estadual Amâncio de Moraes, e o Ensino médio no Colégio São Geraldo, ambos na cidade de Paraíso do Tocantins(TO). Depois de graduada em Jornalismo(2008) e em Letras(2001) pelo Centro Universitário Luterano de Palmas(CEULP/Ulbra ) , foi para Campinas(SP) fazer Mestrado em Ciência da Informação na Pontifícia Universidade Católica(PUC). O Doutorado foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Culturas Contemporâneas na Universidade Federal da Bahia(UFBA), sob orientação de André Lemos, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Durante o Mestrado foi bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). De volta a Palmas, Darlene desenvolveu um projeto de Educação a Distância já na Universidade Estadual do Tocantins(Unitins), atuando com inovações promovidas por meio de videoaulas ao vivo, quando coordenou uma equipe de profissionais entre os anos de 2012 e 2015. Tornou-se professora titular da Unitins no ano de 2005. Em 2024 foi vice-reitora desta universidade, professora permanente do Mestrado Profissional em Administração Pública em Rede Nacional(Profiap) e colaboradora do Programa de PósGraduação em Gestão de Políticas Públicas da Universidade Federal do Tocantins(UFT). No âmbito do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociedade(PPGCOM) da UFT, realizou a 397 sua pesquisa de Pós-Doutoramento. Durante o Pós-Doc teve a oportunidade de lecionar neste programa. Por sua atuação na gestão da Unitins, tornou-se integrante da Câmara de EaD da Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais(Abruem) e membro da Comissão de Avaliação de Cursos de Graduação do Conselho Estadual de Educação do Tocantins(CEE-TO). Faz parte de vários grupos de pesquisa, dentre os quais: de Design de Materiais Instrucionais, de Comunicação e Tecnologias Contemporâneas e do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Saúde Pública(Niepesp). É professora colaboradora do Núcleo de Pesquisa e Extensão e do Observatório de Pesquisas aplicadas ao Jornalismo e ao Ensino (Opaje), coordenado pelo professor doutor Gilson Porto, na UFT. No âmbito da extensão, atuou em vários projetos, dentre eles: o RedEduca Unitins FM, a Rede Internacional de Extensão Universitária, o Saúde Virtual: a prevenção dentro da sua casa, o projeto Formação para Produção e Circulação de Conhecimento em Revistas Periódicas e o Memória Institucional da Unitins. Além de ser editora assistente da Revista Humanidades e Inovação, foi avaliadora do Congresso da Intercom e orientou um projeto de Iniciação Científica intitulado“Consumo midiático, acesso e usos da internet realizados pelos jovens da cidade de Araguatins-TO”, apresentado na XXIV Jornada de Iniciação Científica da Unitins, que recebeu uma menção honrosa. Com a criação do Estado, em 1988, e da Universidade Estadual do Tocantins(Unitins), em 1990, Darlene Teixeira Castro pôde contribuir, diretamente, no fortalecimento dessa instituição e ampliação do acesso de outros tocantinenses ao Ensino Superior. Principais publicações CASTRO, D. T.; PORTO JUNIOR, F. G. R. A hipótese da agendasetting: introduzindo conceitos. In: PÔRTO JR., Gilson; MORAES, Nelson Russo de; OLIVEIRA, Daniela Barbosa de; SANTI, Vilso Junior (org.). Media effects: ensaios sobre teorias da comunicação e do jornalismo. 1. ed. Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2018. p. 21-35. V. 1. CASTRO, D. T. Sociedade da informação e a inclusão digital em Palmas-TO. In: WARD, Rodolfo(org.). Narrativas e 398 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte representatividades: a interdisciplinaridade na comunicação. 1. ed. Palmas, TO: EDUFT, 2017. p. 15-32. v. 1. CASTRO, D. T.; DANTAS, V.; TEIXEIRA, I.; VICENTE, K. B.; ZACARIOTTI, M. E. C.; SILVA, V. C. Palmas. In: SILVESTRIN, Celsi B.; NOLL, Gisele; JACKS, Nilda(org.). Capitais brasileiras: dados históricos, demográficos, culturais e midiáticos. 1. ed. Curitiba, PR: Appris, 2016. p. 85-94. V. 1. CASTRO, D. T. O emprego de recursos da internet: reforço ou correção da democracia. In: CASTRO, D. T.; PÔRTO JUNIOR, F. G. R.; MELO, G. P.; BACELAR, A.(org.). Comunicação e sociedade: discussões sobre práticas e impactos da comunicação e do cotidiano. 1. ed. Porto Alegre: Editora Fi, 2017. p. 151-162. V. 1. CASTRO, D. T. Sociedade da informação, inovação, tecnologia e cibercultura. In: CASTRO, D. T.; PÔRTO JUNIOR, F. G. R.; MELO, G. P.; BACELAR, A.(org.). Comunicação, ensino e tecnologia: experiências e discussões pertinentes à formação profissional. 1. ed. Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2017. p. 65-89. V. 1. 399 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Albertina Vieira de Melo Gomes Oliveira Graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Tocantins, mestre em Comunicação e Sociedade pela mesma instituição e doutorado em Comunicação, Cultura e Amazônia pela Universidade Federal do Pará. É pesquisadora no Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal e integrante do Conselho Consultivo da Rede Brasileira de Jornalistas Comunicadoras com Visão de Gênero e Raça. Atua como pesquisadora nos grupos Compoa(UFPA), Codig(UFT) e Ecoaras(UFPA). tina. vieirademelo@gmail.com Alice Agnes Spindola Mota Professora do curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociedade da Universidade Federal do Tocantins(UFT). Doutorado em Antropologia pelo Instituto Universitário de Lisboa, Portugal. Mestra em Desenvolvimento Regional e Agronegócio pela UFT. Pós-doutorada pela Universidade de Aveiro, Portugal. aliceagnes@uft.edu.br Alessandra Bacelar Jornalista da Defensoria Pública do Tocantins. Presidenta do Sindicato de Jornalistas do Tocantins. Mestra em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal do Tocantins(UFT). Graduada em Comunicação Social com habilitação em jornalismo pela Universidade Federal do Ceará(UFC). alessandrabacelar@gmail.com Anette Maria R. S. Bento Oliveira Graduada em Comunicação Social – habilitação Jornalismo em Multimeios – pela Universidade do Estado da Bahia(UNEB), Mestrado em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal do Tocantins(UFT). É produtora cultural do Instituto Federal 400 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins(IFTO). Membro do grupo de pesquisa Observatório de Povos Tradicionais do Tocantins(UNIRG) e vice-coordenadora do grupo de pesquisa Coletivo 50 Graus: pesquisa e prática fotográfica(UFT). bentoanette@ gmail.com Daniela Soares Pereira Professora do curso de Jornalismo da UFT. Doutora em Ciências do Ambiente pela UFT. Mestra em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP. danielasoares@uft.edu.br Darlene Teixeira Castro Professora da Universidade Estadual do Tocantins. Graduada em Comunicação Social pelo Centro Universitário Luterano de Palmas/Universidade Luterana do Brasil, Mestrado em Ciência da Informação pela Pontifícia Universidade Católica, Doutorado em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia e PósDoutorado em Comunicação pela Universidade Federal do Tocantins. É vice-reitora da Unitins, professora permanente no Mestrado Profissional em Administração Pública pela UFT e líder do grupo de pesquisa Comunicação e Tecnologias Contemporâneas. darlene.tc@unitins.br Ingrid Pereira de Assis Professora do curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociedade da Universidade Federal do Tocantins(UFT). Doutora em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), com Doutorado-Sanduíche na Universidade de Aveiro; mestra em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão(UFMA) e bacharel em Comunicação Social – habilitação Jornalismo –, também pela UFMA. É líder do grupo de Pesquisa Aplicada em Jornalismo(PAJor). ingrid.assis@uft.edu.br Kyldes Vicente Professora da Universidade Estadual do Tocantins. Doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia. Graduada em Letras e mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás. Pós-Doutoramento em Letras e Linguística. Atualmente é pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários da Unitins; atua na Secretaria Estadual de Educação(Seduc-TO) e no Centro Universitário Itop. Integra o projeto Figuras da Ficção, colaborando no Dicionário de Personagens da Ficção Portuguesa(Universidade de Coimbra). kyldesv@gmail.com 401 Liana Vidigal Rocha Professora do curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociedade da Universidade Federal do Tocantins(UFT). Doutora e mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Líder do grupo de pesquisa em Jornalismo e Multimídia(Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq/UFT). lianavidigal@mail.uft.edu.br Luana Fernanda Rosa Martins Assessora de Imprensa do Sebrae Tocantins. Mestra em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal do Tocantins(UFT). luanafernanda1@gmail.com Luciélia de Aquino Ramos Coordenadora Metodológica do Comitê de Cultura no Tocantins – FETAC/TO (Programa Nacional dos Comitês, MINC/SCC). Mestra em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal do Tocantins(UFT). luaraquino@gmail.com Maria Tereza Lemes Moreira Carneiro Jornalista da Universidade Federal do Tocantins(UFT). Mestre em Comunicação e Sociedade pela UFT. mariatlmoreira@uft.edu.br Marluce Evangelista Carvalho Zacariotti Doutora em Educação/Pontifícia Universidade Católica de Goiás, pós-doutora em Ciências da Comunicação/Universidade Fernando Pessoa – Portugal. Mestre em Ciências da Comunicação/Universidade de São Paulo. Professora do curso de jornalismo/UFT e vice-coordenadora do Mestrado Profissional em Educação. Coordena o Núcleo de Pesquisa, Extensão e Práticas Jornalísticas e a Pegadas – Agência de Comunicação. Presidenta da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo e pesquisadora da Rede de Pesquisa Trabalho e Identidade do Jornalista/Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo. marluce@uft.edu.br 402 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Norte MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Norte Este livro celebra a trajetória acadêmica das mulheres que ajudaram a construir o campo da Comunicação na Região Norte. Organizado por regiões, os volumes resgatam as histórias de pesquisadoras que, como fundadoras e consolidadoras, desafiaram estruturas e deixaram sua marca na produção de conhecimento. A iniciativa dá visibilidade a essas mulheres, destacando suas contribuições para o ensino, a pesquisa e a extensão universitária, ao mesmo tempo em que preserva a memória de sua atuação no desenvolvimento da área. El Centro de Pensamiento en Comunicación de la Fundación Friedrich Ebert para América Latina conocido como FES Comunicación produce conocimiento sobre la comunicación como insumo y estrategia para el diálogo político y la profundización de la democracia social. Sus áreas de trabajo son: Comunicación Política y Libertad de expresión+ Medios de comunicación y Periodismo independiente+ Medios digitales y ciudadanos. www.fescomunica.fes.de/ @fescomunica 1