Diretor Do Projeto OMAR Rincón NILDA Jacks Coordenação Nacional LÍRIAN Sifuentes GUILHERME Libardi LESLIE Sedrez Chaves Coordenação Regional MILENA Freire De Oliveira-Cruz SÉRGIO Luiz Gadini Lúcia Camargo Luzia Yamashita Elizabeth Vasconcelos Carly De Aguiar Maria Rosa Abelin Linda Bulik Regina Benitez Celsi Silvestrin Celina Alvetti Sandra Fischer Vanessa Zappia Irvana Branco Zeneida De Assumpção Flora Neves Anely Ribeiro Dinah Pinheiro Myrian Del Vecchio Kati Caetano Kelly Prudêncio Denise Guimarães Elza De Oliveira Filha Flávia Bespalhok Ana Maria Melech Claudia Quadros Paula Melani Regiane Ribeiro Luciana Panke Carmen Rial Gilka Girardello Valci Zuculoto Sônia Maluf Regina Carvalho Anamaria Kovács Maria Luiza Belloni Ilka Goldschmidt Ediene Ferreira Maria José Baldessar Maria Isabel Orofino Lígia Najdzion Fabrícia Zucco Tattiana Teixeira Raquel Loth MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Sul Giovanna Flores Gislene Silva Daisi Vogel Raquel Longhi Roseméri Laurindo Cárlida Emerim Rhéa Sylvia Gärtner Vera Ferreira Iára Bendati Ione Bentz Martha D’azevedo Neusa Demartini Doris Haussen Elizabeth Duarte Maria Helena Weber Maria Lília De Castro Ilza Girardi Christa Berger Susana Gastal Nilda Jacks Cláudia Peixoto Veneza Ronsini Ana Carolina Escosteguy Mágda Da Cunha Ivete Fossá Suzana Kilpp Janea Kessler Ada Silveira Beatriz Dornelles Suely Fragoso Cristiane Finger Eugenia Barichello Márcia Amaral Ana Gruszynski Miriam Rossini Karla Müller Marcia Benetti Alessandra Primo Maria Berenice Machado Sandra De Deus Cleusa Scroferneker Jiani Bonin Raquel Recuero Adriana Amaral MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul OMAR Rincón Diretor d o Projeto Nilda Jacks, Lírian Sifuentes, Guilherme Libardi Coordenação Nacional Leslie Sedrez Chaves, Milena Freire De Oliveira-Cruz, Sérgio Luiz Gadini Coordenação Regional MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Sul Friedrich Ebert Stiftung FES COMUNICACIÓN 1 Diretor do projeto: Omar Rincón Coordenação Nacional Nilda Jacks, Lírian Sifuentes, Guilherme Libardi Coordenação Regional Leslie Sedrez Chaves, Milena Freire De Oliveira-Cruz, Sérgio Luiz Gadini Autoras Región Sur Leslie Chaves, Milena Freire de Oliveira-Cruz, Sérgio Gadini, José Carlos Fernandes, Maura Oliveira Martins, Flora Neves, Ana Maria de Souza Melech, Aline Louize Deliberali Rosso, Angela Maria Farah, Elaine Schmitt, Renata Caleffi, Cíntia Xavier, Karina Janz Woitowicz, Elaine Javorski, Cândida de Oliveira, Cicélia Pincer Batista, Ariane Pereira, Aline Louize Deliberali Rosso, Criselli Montipó, Paula Melani Rocha, Claudia Irene de Quadros, Elaine Javorski, Criselli Montipó, Marcia Boroski, Maura Oliveira Martins, Michele Goulart Massuchin, Carla Rizzotto, Valquíria Michela John, Aline Vaz, Tattiana Teixeira, Flávia Garcia Guidotti, Janaíne Kronbauer, Daiane Bertasso, Fernanda Nascimento, Cristiane Fontinha Miranda, Magali Moser, Terezinha Silva, Ana Paula Bourscheid, Maryana Schmidt Pinto, Cristiane Fontinha Miranda, Isabel Colucci Coelho, Marcia Peixe Vargas, Cynthia Morgana Boos de Quadros, Rita de Cássia Romeiro Paulino, Jessica Gustafson, Fabiana Piccinin, Kérley Winques, Magali Moser, Kérley Winques, Janaíne Karonbauer, Daiane Bertasso, Cláudia Peixoto Moura, Milena Freire de OliveiraCruz, Fernanda Kieling Pedrazzi, Ilza Maria Tourinho Girardi, Cláudia Peixoto de Moura, Nísia Martins do Rosário, Karla Maria Müller, Mariângela Machado Toaldo, Luciana Fagundes Haussen, Cristiane Mafacioli Carvalho, Janaína Gomes, Fernanda Sagrilo Andres, Cláudia Herte de Moraes, Márcia Veiga, Ana Isaia Barretto, Elisa Reinhardt Piedras, Ana Luisa Baseggio, Glaíse Bohrer Palma, Laura Wottrich, Cristiane Mafacioli Carvalho, Jaqueline Quincozes Kegler, Ana Paula da Rosa, Juliana Petermann, Aline Roes Dalmolin, Camila Garcia Kieling, Maria Clara Aquino, Michele Negrini, Elisangela Lasta, Viviane Borelli, Elizete de Azevedo Kreutz, Ana Maria Acker, Denise Avancini Alves, Thaís Helena Furtado, Luciana Menezes Carvalho, Janaína Gomes, Fabiana da Costa Pereira, Francielle Benett Falavigna, Ana Paula da Rosa, Ana Cecília Bisso Nunes, Sandra Depexe Revisão de estilo Denise Ana Basso Andrigheto Coordenação editorial Luisa Uribe Cidade: Bogotá, julio de 2025 Design: Nelson Mora Murcia ISBN: 978-628-97067-9-7 As fotos que constam nas bionotas foram autorizadas pelas biografadas ou pelas autoras dos textos. © 2024 Friedrich–Ebert–Stiftung FES(Fundación Friedrich Ebert) La Fundación Friedrich Ebert no comparte necesariamente las opiniones vertidas por los autores y las autoras. Este texto puede ser reproducido con previa autorización de la Fundación Friedrich Ebert(FES) si es con un objetivo educativo y sin ánimo de lucro. 2 COORDENAÇÃO NACIONAL NILDA JACKS Mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/USP. Pósdoutorados na Copenhague University e na Universidad Nacional da Colombia. Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS. Bolsista PQ do CNPq. njacks@gmail.com LÍRIAN SIFUENTES Doutora em Comunicação pela PUCRS, com estágio de doutorado na Texas A&M University. Mestre em Comunicação pela UFSM. Pós-doutorados na PUCRS e na UFRGS. Coordenadora de Comunicação do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER-RS). lisifuentes@yahoo.com.br GUILHERME LIBARDI Mestre e Doutor em Comunicação e Informação pelo PPGCOM/UFRGS. Pós-doutorado no PPG em Imagem e Som(PPGIS) da UFSCar. Professor Permanente do PPGIS. Autor do livro Diversidade, reconhecimento e identidade: notas teóricas a partir da Comunicação. gblibardi@gmail.com 3 COORDENAÇÃO REGIONAL LESLIE SEDREZ CHAVES Professora do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, onde é Pró-Reitora de Ações Afirmativas e Equidade (gestão 2022-2026). Graduada em Jornalismo, mestra em Comunicação e Informação e doutora em Ciências da Comunicação com DoutoradoSanduíche na Cátedra Unesco de Investigação em Comunicação e África, com sede na Universidad Rey Juan Carlos(Madrid, Espanha). leslieschaves@gmail.com MILENA FREIRE DE OLIVEIRA-CRUZ Doutora em Comunicação, professora do Departamento de Ciências da Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Comunicação, Gênero e Desigualdades(UFSM/CNPq). milena.freire@ufsm.br SÉRGIO LUIZ GADINI Tem Pós-Doutorado pela Universidad Complutense de Madrid, graduação em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria e Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Desde 1996 é professor associado da Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde trabalha com o ensino, pesquisa e extensão na área do jornalismo. Participa de movimentos sociais e sindicais. Integra o grupo gestor da TV Comunitária de Ponta Grossa. slgadini@uepg.br 4 [ SUMÁRIO] TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS...............................................................................................................7 BREVE HISTÓRIA DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO SUL DO BRASIL.................................. 12 PARANÁ.......................................................................................................................................... 20 À SOMBRA DA MODERNIDADE: PERCURSOS POSSÍVEIS PARA PESQUISAR O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARANÁ...........................................................21 Referências................................................................................................................................28 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS.........................................................................................30 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS..................................................................................... 105 RIO GRANDE DO SUL..................................................................................................................110 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL....................................................... 111 Referências..............................................................................................................................117 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS...................................................................................... 119 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS..................................................................................... 261 SANTA CATARINA........................................................................................................................269 COMUNICAÇÃO EM SANTA CATARINA:45 ANOS DE HISTÓRIA.............................................. 270 Referências..............................................................................................................................277 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS...................................................................................... 278 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS..................................................................................... 351 5 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS Un día analizamos los textos asignados en los cursos de los estudios de la comunicación y la cultura y encontramos que la mayor parte de la bibliografía está compuesta por hombres, blancos, muy gringos y europeos. Nos dijimos que debíamos hacer algo al respecto. Y este es el primer intento: dar testimonio de que la comunicación en América Latina es un campo en mirada de mujeres. De eso es que va este proyecto. 1 “Mujeres de la comunicación” é uma grande empreitada capitaneada pelo pesquisador colombiano Omar Rincón, com apoio da Fundação Friedrich Ebert(FES), na qual ele exerce o cargo de diretor para a América Latina. Até o momento da escrita desta introdução foram publicados dois volumes que incluem mulheres de diversos países da América Latina, selecionadas conforme critérios da coordenação do projeto. Os textos contidos nesses volumes ora tratam de autoras escrevendo sobre sua própria produção, ora de entrevistas com algumas delas ou de análises feitas por outras acadêmicas sobre a obra de determinada pesquisadora. Nesse mesmo formato já foram publicados livros na Bolívia, no México, na Argentina e no Equador 2 . No caso brasileiro decidimos tentar abranger o maior número possível de mulheres, empreendendo a publicação como memória de suas trajetórias para a configuração do campo. Além disso, organizamos em volumes dedicados a cada região do país para destacar suas atuações em contextos próprios e com idiossincrasias históricas, 1 “Um dia analisamos os textos nos cursos dos estudos da comunicação e cultura e notamos que a maior parte da bibliografia está composta por homens, brancos, gringos e europeus. Dissemos, então, que devíamos fazer algo a respeito. E este é o primeiro objetivo: dar testemunho de que a comunicação na América Latina é um campo sob o olhar das mulheres. É disso que trata este projeto”. Disponível em: https://fescomunica.fes.de/mujeres-de-la-comunicacion.html 2 Todos os livros, bem como detalhes do projeto, podem ser conferidos em: https:// fescomunica.fes.de/mujeres-de-la-comunicacion.html 7 econômicas e culturais que as distinguem e que deixam suas marcas na formação dos campos estaduais e regionais. Embora não discutamos teoricamente a categoria de gênero, tampouco tratamos a publicação como um manifesto do tipo“lute como uma garota” 3 , é impossível apartar este levantamento das questões sociais e políticas inerentes à presença das mulheres no campo científico. Haag et al.(2021), citando Maria Margaret Lopes (2006), afirmam que o prestígio de uma disciplina é inversamente proporcional ao número de mulheres que a praticam. Para Elizabete da Silva(2008, p. 3), este problema constitui-se historicamente, pois“[...] as mulheres não foram consideradas indivíduos dotados de razão, mas de emoção, as mulheres possuíam o contraponto da razão – o coração”. Tratando-se, especificamente, do campo da comunicação, o dado é curioso e incômodo, uma vez que, conforme observa-se, as mulheres são a maioria desde a iniciação científica até a Pós-Graduação, seja como alunas ou pesquisadoras. Esta publicação, portanto, mesmo não se caracterizando como uma “pesquisa de gênero”, quer contribuir para a questão, dando visibilidade a mulheres que subverteram, de um jeito ou de outro, as estruturas patriarcais e se colocaram como pioneiras, líderes ou partícipes em suas respectivas áreas de atuação. Dessa forma, as mulheres da comunicação, que atuam ou atuaram com destaque no ensino, pesquisa e extensão de universidades brasileiras, estarão presentes em cinco volumes, como este, para registrar sua presença na constituição do campo no país. Foram 27 equipes empenhadas em resgatar parte importante da atuação das mulheres do cenário diverso que constituiu o campo brasileiro, organizado por região, para evitar invisibilidades impostas por zonas com presenças mais hegemônicas. As biografadas foram indicadas pelos pares, colegas que as reconheceram como fundadoras ou consolidadoras do campo da comunicação em cada Estado, incluindo o Distrito Federal. Por fundadoras 4 foram identificadas as mulheres que participaram dos primeiros tempos de criação das faculdades de comunicação, o que tem uma forte variação de Estado para Estado. As primeiras faculdades, ainda dedicadas apenas ao jornalismo, são das décadas de 1940 5 e 1950, em geral ligadas aos cursos de filosofia, como o caso da Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Rio 3 Segundo Clementine Ford, autora do livro Figth like a Girl (Editora Allen& Unwin, 2016), seu título parafraseia uma antiga expressão popular, a qual foi retomada em várias versões, desde slogans de movimentos populares(“Lute como Marielle Franco”,“Lute como uma professora”) até campanhas publicitárias de marca de absorvente( Always , em sua campanha#likeagirl), entre inúmeras outras apropriações. 4 José Marques de Melo(1997), em um esforço semelhante, propôs as seguintes classificações: desbravadores, sedimentadores, continuadores. 5 O primeiro curso de Jornalismo do Brasil, e da América Latina, é o da Cásper Líbero, fundado em 1947. 8 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Grande do Sul(UFRGS), inaugurada em 1952 6 , entre outras. Da década de 1970 são os primeiros Programas de Pós-Graduação em Comunicação. As consolidadoras, por outro lado, são mulheres que chegaram para reforçar o plantel inaugural, sendo uma situação também variável de Estado para Estado, o que, em alguns, representa várias gerações, como é o caso de cursos mais antigos, por exemplo o da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), da Universidade de São Paulo (USP) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP). Os pares consultados também indicaram as mulheres emergentes, as quais se dedicaram a escrever sobre suas antecessoras, cujo propósito é alcançar um tipo de reflexividade em suas atuações e, ao mesmo tempo, deixar registrada a presença de algumas delas na atual fase do campo. Há, entretanto, raríssimas exceções em que as bionotas das fundadoras e consolidadoras não foram escritas por emergentes, tampouco por mulheres, contrariando o protocolo da pesquisa, dadas as dificuldades ou peculiaridades encontradas em alguns Estados por motivos diversos. A nominata inicial, que solicitava indicação de fundadoras, consolidadoras e emergentes, foi adquirida por meio de um formulário disponibilizado durante dois meses nas listas de e-mails da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós) e da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Parte do resultado foi satisfatório, no entanto, diante da inconsistência da listagem de alguns Estados, da inexistência de indicações em muitos outros, além de sobreposições nas categorizações de alguns nomes, uma ampla revisão foi realizada por meio do envio da listagem para três pessoas de cada Estado para consolidarem as indicações ou para que as fizessem no caso de faltarem nomes relevantes. Mesmo assim, uma nova rodada, com duas outras pessoas de cada Estado, ocorreu antes de as listagens serem enviadas para coordenadoras e coordenadores regionais, que convidaram pesquisadoras de cada Estado da região para organizarem as bionotas junto as emergentes indicadas na etapa anterior. Ou seja, a listagem inicial passou por cinco pessoas antes de chegar às biógrafas, e poderia ainda ter nomes acrescentados pela coordenação estadual a seu critério e responsabilidade. Mesmo com todo o esforço realizado em várias etapas, não há garantia de que todas as mulheres fundadoras e consolidadoras de cada Estado estejam presentes nas publicações. Muitas dificuldades foram encontradas: indicadas que não quiseram conceder informações para a redação da bionota, ausência de emergentes dispostas a escrever sobre suas antecessoras, lacunas ou inexistência de informação sobre as mulheres que já saíram de cena do mundo acadêmico, entre muitos outros obstáculos, diferentes e diversos em cada Estado ou Região. Sugerimos, por essas razões, em especial sobre as 6 Em 1970 é criada a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da junção do antigo curso de Jornalismo com a Escola de Biblioteconomia e Documentação (formada a partir do curso técnico em Biblioteconomia, surgido em 1947). 9 fundadoras, que em qualquer dos casos elas fossem incluídas no texto sobre o histórico do campo estadual, uma vez que esses registros são muito importantes para não se perder a memória de suas participações na geração desse campo de conhecimento. Com relação às consolidadoras, em geral foram seguidas as indicações dos pares consultados, com a sugestão de que as coordenadoras e os coordenadores regionais e estaduais tivessem autonomia para complementar a listagem. As coordenações estaduais tiveram a tarefa de também convidar colegas para escrever os históricos dos respectivos campos, os quais serviram de base para a escritura dos históricos regionais a cargo de seus respectivos coordenadores. Ou seja, cada um dos cinco livros pretendeu abarcar o histórico dos campos estaduais que serviram de contexto para situar as bionotas das fundadoras e consolidadoras, além de dar subsídio para os coordenadores regionais escreverem o histórico de sua região. As bionotas são compostas por dados bastante sucintos a modo de um verbete 7 , por isso seguiram um roteiro para que a publicação funcione como uma espécie de dicionário sobre as mulheres que fundaram e consolidaram o campo brasileiro da comunicação. Tratam-se, portanto, de anotações sobre as trajetórias acadêmicas dessas mulheres, como o próprio termo indica. Não se configuram, por isso, como histórias de vida, narrativas ou relatos sobre elas. A ordem de apresentação segue a cronologia da trajetória acadêmica das mulheres, em uma sequência de fundadoras a consolidadoras. Para os históricos estaduais, um roteiro para sua construção foi sugerido como uma maneira que dar saliência para os mesmos dados 8 , com a finalidade de criar parâmetros que, porventura, precisem ser comparados em alguma situação de consulta e para a formulação dos históricos regionais. Assim, apresentamos para leitura o segundo volume resultante dessa empreitada, iniciada em fevereiro de 2022, quando ainda não tínhamos a real dimensão do trabalho que teríamos pela frente, seja pelas inúmeras demandas e desafios que encontramos, seja pela importância de registrar as contribuições dessas mulheres para nosso campo. 7 Dados biográficos, formação escolar, atuação profissional e principais publicações. 8 Ano, universidade e cidade de criação dos cursos de comunicação, opções ofertadas (jornalismo, RP, PP, rádio e TV, etc.), agentes e/ou instituições responsáveis pelas criações dos cursos(pessoas, sindicatos, associações, etc.), ano, universidade e cidade de criação dos cursos de Pós-Graduação, áreas de concentração, linhas de pesquisa; agentes e/ou instituições responsáveis pelas criações dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – PPGs(pessoas, sindicatos, associações, etc.), revistas acadêmicas, associações de professores e pesquisadores da comunicação, realização de congressos, encontros, jornadas, seminários de abrangência estadual, etc.(em vigência e não), bibliotecas especializadas na área, agências estaduais de fomento à pesquisa, editais específicos para a área, prêmios instituídos, cooperação desenvolvida sistematicamente com outros Estados da região, outros dados relevantes. 10 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul O percurso das mulheres irá surpreender! Nilda Jacks Lírian Sifuentes Guilherme Libardi Referências HAAG, A. T.; PARISE, G.; PEREZ, J. L.; IRIGOYEN, M.; WOTTRICH, L.; OLIVEIRA-CRUZ, M. F. Lugar de mulher é na ciência: um estudo acerca da desigualdade de gênero na ciência da comunicação. In: PESSOA, S. C.; PRATA, N.; SANTANA, F. Um mundo e muitas vozes: da utopia à distopia? Olhares de jovens pesquisadores. São Paulo: Intercom, 2021. LOPES, M. M. Sobre convenções em torno de argumentos de autoridade. Cadernos Pagu, v. 27, p. 35-61, jul./dez. 2006. MELO, J. M. de(coord.). Memória das ciências da comunicação no Brasil: o grupo gaúcho. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1997. 286 p. SILVA, E. R. A.(In)visibilidade de mulheres no campo científico. Revista Travessias, v. 2, n. 2, p. 1-20, 2008. 11 Leslie Chaves 9 Milena Freire de Oliveira-Cruz 10 Sérgio Gadini 11 BREVE HISTÓRIA DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO SUL DO BRASIL Entre os três Estados da região, o Rio Grande do Sul foi o primeiro a fundar um curso de Graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Em Porto Alegre, no ano 1950 a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul instituiu o curso, que entrou em funcionamento a partir de 1952, o qual além de ser o primeiro da região Sul é o terceiro do Brasil. Ainda é importante ressaltar que junto com a PUCRS, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul criou seu curso de Jornalismo igualmente no ano de 1952. Esse cenário denota o pioneirismo da capital do Rio Grande do Sul na criação dos cursos de Comunicação, pois somente a partir da década de 1970 e depois mais tarde na década de 1990 outros cursos de Jornalismo são criados em diferentes cidades do Estado. Em seguida de Porto Alegre, na segunda metade da década de 1950, mais precisamente no ano de 1956, Paraná inaugura sua oferta de formação profissional acadêmica em Jornalismo com a fundação do primeiro curso do Estado, na cidade de Curitiba. Em um contexto de modernização impulsionado por diferentes fatores sócio-históricos e econômicos à época, o primeiro curso de Jornalismo paranaense foi instituído pela Faculdade Católica de Filosofia, que funcionava junto ao colégio Marista. Conjuntura que contrasta com o momento de criação do primeiro curso de 9 Doutora em Ciências da Comunicação, mestra em Comunicação e Informação, jornalista e professora do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade da UFSC(gestão 2022-2026). 10 Doutora em Comunicação, professora do Departamento de Ciências da Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Coordenadora do Grupo de Pesquisa Comunicação, Gênero e Desigualdades(UFSM/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq). 11 Jornalista, doutor em Comunicação, professor da Graduação e da Pós-Graduação em Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG), Paraná. 12 BREVE HISTÓRIA DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO SUL DO BRASIL MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Comunicação com Habilitação em Jornalismo da Universidade Federal do Paraná em 1964, envolto pelas tensões do período em que conflitavam a repressão do golpe civil-militar e o ímpeto progressista até então vivido pelo Estado e por Curitiba em especial, onde grupos constituídos por uma elite econômica cafeeira buscavam dar traços cosmopolitas à cidade. Dentro desse clima de recente instalação do período ditatorial no Brasil, datam do ano de 1967 as primeiras solicitações oficiais feitas à Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina com pedidos de criação de um curso de Jornalismo em Florianópolis. Porém, só no final da década de 1970 que o curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo foi implantado na universidade, o primeiro de Santa Catarina. No período, já havia um cenário sólido quanto ao estabelecimento de meios de comunicação no Estado, que contava com um número significativo de jornais impressos, emissoras de rádio e de televisão distribuídas por diferentes regiões catarinenses. Todavia, o desejo e o entendimento da necessidade de criação de um curso de Graduação em Jornalismo no Estado não foram unanimidade. O processo de implantação do curso foi marcado por divergências em relação às discussões sobre as condições necessárias para colocar em prática a proposta, tanto em relação às estruturas da universidade que abrigaria o curso, quanto ao contexto do mercado local. Assim, só após a criação, em três momentos diferentes, de grupos de trabalho com profissionais e professores da área com o objetivo de elaborar um projeto indicando as condições essenciais e motivações para a criação do curso, nos anos 1973, 1975 e 1978, é que se concretizou a criação do curso de Jornalismo. A partir de 1978, data da fundação do curso, e durante os 12 anos que se seguiram, a UFSC foi a única a ofertar um curso de Comunicação no Estado de Santa Catarina. Só na década de 1990, que outros cursos de Comunicação com habilitação em Jornalismo, mas também em Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, começaram a surgir em outras cidades do Estado. O CENÁRIO ATUAL DA OFERTA DE FORMAÇÃO ACADÊMICA NA ÁREA DE COMUNICAÇÃO Partindo de um levantamento que considera os cursos de graduação presenciais e em funcionamento, Santa Catarina é o Estado que tem o maior número de cursos na área de Comunicação na Região Sul. No total, são ofertados 47 cursos de graduação, sendo distribuídos entre 19 instituições de Ensino Superior, entre as quais uma federal, a Universidade Federal de Santa Catarina e uma municipal, a Universidade Regional de Blumenau. Entre as habilitações, existem 20 cursos de jornalismo, 20 de Publicidade e Propaganda, 2 de Relações Públicas e 5 da área de Cinema e Audiovisual. No Rio Grande do Sul, ao todo são 22 instituições que têm cursos presenciais de graduação em Comunicação, dentre elas apenas quatro são Públicas: Universidade 13 Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal de Santa Maria e Universidade Federal do Pampa. A distribuição dos cursos se dá da seguinte forma: são 17 cursos de jornalismo, 17 de PP, 8 de RP, 4 de cinema e audiovisual e 1 de Produção editorial. No Paraná, 31 instituições de ensino superior oferecem 49 cursos de graduação presenciais em Comunicação. O Estado tem o maior número de instituições públicas ofertando cursos na área, entre as quais três federais(Universidade Federal do Paraná, Universidade Federal Tecnológica do Paraná e Universidade Federal de Integração Latino-Americana) e cinco estaduais(Universidade Estadual de Londrina, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Universidade Estadual do Centro Oeste, Universidade Estadual de Maringá e Universidade Estadual do Paraná). O curso com maior predominância é Publicidade e Propaganda, com 20 opções, seguido de Jornalismo, com 15 cursos, 4 de Cinema, 3 de Relações Públicas, 2 de Multimeios, 1 de Comunicação Organizacional e um curso superior de tecnologia em Comunicação Institucional. O DESENVOLVIMENTO MAIS RECENTE DE NOVAS ÁREAS NA GRADUAÇÃO Os cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas são predominantes entre os bacharelados ofertados e, durante quase 50 anos, compuseram o cenário de formação acadêmica e profissional da Região Sul. Após os anos 2000, novos cursos têm sido desenvolvidos, contemplando especialmente as áreas de Audiovisual, Digital Editoração. No Paraná, a Universidade Estadual do Paraná(Unespar) cria um curso de graduação de bacharelado em Cinema e Vídeo no campus II(antiga Faculdade de Artes do Paraná/ FAP) de Curitiba em 2005 e renomeia para bacharelado em Cinema e Audiovisual em 2016. Em 2009, a UFPR cria o curso superior em tecnologia em Comunicação Institucional. Em 2012, A Universidade Federal de Integração Latino Americana (UNILA), inaugurou na cidade de Foz do Iguaçu, o curso de Cinema e Audiovisual. Já a Universidade Federal Tecnológica do Paraná(UTFPR) abre um curso de bacharelado em Comunicação Organizacional no campus de Curitiba em 2014, renomeado a partir de uma experiência anterior como curso superior de Tecnologia em Comunicação Institucional, lançado em 2004 no mesmo campus, centro de Curitiba. E, em 2010, a Universidade Estadual de Maringá(UEM) cria um curso de bacharelado em Comunicação e Multimeios. No Rio Grande do Sul, destacam-se como áreas recentes de cursos, o Cinema/ Audiovisual e a Editoração, em instituições públicas e privadas. Na Universidade Federal de Pelotas, em 2010, foi inaugurado o curso de Cinema de Animação. No ano seguinte, iniciaram as aulas do curso de Cinema e Audiovisual. Nas Universidades 14 BREVE HISTÓRIA DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO SUL DO BRASIL MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul privadas no RS existem os cursos de Produção em Mídia Audiovisual(UNISC 2017) e Cinema e Audiovisual(UniRitter, 2022). Já no campo da Editoração, o curso de Produção Editorial da UFSM, iniciado em 2010, é o único em funcionamento nessa área na região. Em Santa Catarina, a área de Cinema tem maior proeminência em toda a região. Iniciou com a fundação do curso da Universidade Federal de Santa Catarina, em 2005. Quatro anos após, a Universidade do Sul de Santa Catarina(Unisul), passou a ofertar o curso de Cinema e Audiovisual da Cidade de Palhoça(tendo inaugurado a mesma habilitação, em 2021, na cidade de Tubarão). Em Joinville, desde 2016, a UniSociesc(Sociedade Educacional de Santa Catarina) oferta turmas de graduação em Cinema e Audiovisual. Já na segunda década dos anos 2000, tem início um curso da área com novas ênfases: Cinema e mídias digitais, na Unochapecó. DESENVOLVIMENTO DO CAMPO ACADÊMICO E DA PESQUISA EM COMUNICAÇÃO A Pós-Graduação em Comunicação na Região Sul iniciou no RS, em 1994, com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), sendo este o sexto curso de mestrado em comunicação do país e o primeiro da Região Sul. Outros dois PPGs foram inaugurados na sequência, em 1995, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS e o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos. Estas foram também as instituições que inauguraram o doutoramento em Comunicação no RS, a PUCRS em 1999, a UFRGS e a Unisinos em 2000. Além destes, o RS conta com mais dois Programas de Pós-Graduação na área: na Universidade Federal de Santa Maria(com mestrado desde 2006 e doutorado desde 2012) e na Universidade Federal do Pampa(Campus São Borja), cujo curso de mestrado profissional iniciou em 2016. O RS conta com 5 PPGs em instituições públicas e dois em instituições privadas, sendo um deles(Unisinos), em processo de encerramento de atividades desde 2023. Entre os eventos realizados no RS, o Seminário Internacional da Comunicação(Seicom), organizado pelo PPGCOM da PUC/RS, é um dos importantes eventos de projeção mantidos na região. Lançado em 1996, o evento acontece a cada dois anos e em 2023 registrou a 15ª edição. A Jornada Gaúcha de Pesquisadores em Recepção é um dos eventos da área capitaneados por pesquisadoras do PPGCOM da UFRGS, com a sexta edição anual em 2023. A primeira década de 2000 foi também o período de abertura de Programas de PósGraduação em Comunicação nos Estados do Paraná e Santa Catarina. Em Curitiba, a Universidade Tuiuti Paraná, instituição privada, iniciou no ano 2000 o seu Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens, com cursos de Mestrado e Doutorado. Ainda no Paraná, outros dois Programas foram abertos, desta vez em instituições 15 públicas: A Universidade Estadual de Londrina, em 2008, com o curso de Mestrado em Comunicação. Já a Universidade Estadual de Ponta Grossa, oferta desde 2013 o curso de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo. No Paraná um dos mais antigos eventos em comunicação é o Seminário de Estudos em Comunicação (Seminário de Inverno), que acontece na UEPG de forma ininterrupta desde junho de 1998. Em 2024, o evento registrou a 27ª no inverno. A UFPR mantém o Encontro de Pesquisa em Comunicação(ENPECOM), que realizou a 12ª edição em 2023. A especificidade da área de um Programa de Pós-Graduação em Jornalismo foi protagonizada no país pela Universidade Federal de Santa Catarina, que inaugurou o curso de mestrado em 2007 e desde 2014 oferta o curso de Doutorado. Santa Catarina conta ainda com mais um programa de Pós-Graduação, a Universidade Regional de Joinville, que oferta desde 2022 o Mestrado Profissional em Comunicação e Mediações Contemporâneas. Atualmente, dos 11 programas de pós-graduação na área em atividade na região Sul do Brasil 4 são de instituições particulares(um destes encerrou as atividades em 2023) e 7 são de universidades públicas. Entre as áreas de concentração dos PPGs destaca-se o foco em comunicação(seja como processo, prática ou ênfase midiática) em diálogo com o eixo cultural, mediações tecnológicas e indústria criativa, além de dois disciplinares centrados em Jornalismo. Todos os Programas integram a subárea de Ciência da Informação/Comunicação junto à Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoas de Nível Superior(Capes), que autoriza e avalia a pósgraduação a cada quatro anos no País, a partir do Ministério da Educação. A LONGEVIDADE E DIVERSIDADE DOS PERIÓDICOS CIENTÍFICOS As revistas acadêmicas são importantes instrumentos de comunicação científica e na região Sul do país estão presentes desde o início da década de 1990. Uma das primeiras revistas criadas na região é a Pauta Geral, lançada em 1993 e vinculada à Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG, no Paraná. É considerada uma das referências mais importantes em termos de publicação científica e grande impulsionadora do desenvolvimento da pesquisa em Comunicação no Estado, tendo surgido antes da fundação dos programas de pós-graduação da área nas universidades paranaenses. Dez anos depois, a UEPG lança também a Revista Internacional de Folkcomunicação, de 2003, sendo esta publicação vinculada Programa de Pós-Graduação em Jornalismo e à Editora da Universidade, à Rede de Estudos e Pesquisas em Folkcomunicação e à Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação para o Desenvolvimento Regional. Neste período do início dos anos dois mil, foram lançadas diversas revistas acadêmicas em diferentes universidades e cidades do Paraná, entre as quais podem ser citadas: a Revista Discursos Fotográficos, do ano 2005 e ligada ao Programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade Estadual de Londrina – UEL; Revista Interin, 16 BREVE HISTÓRIA DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO SUL DO BRASIL MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul lançada em 2006 e pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná – UTP; Revista Ação midiática, de 2011, publicação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Paraná – UFPR; e ainda destaca-se a Revista Uninter de Comunicação, publicada desde 2013 pelo Centro Universitário Internacional- UNINTER, embora a instituição não ofereça um curso de pós-graduação em Comunicação. Também no princípio dos anos dois mil, Santa Catarina desponta no cenário dos periódicos científicos, lançando em 2004 a Revista Estudos em Jornalismo e Mídia. Inicialmente a publicação era ligada ao Curso de Especialização em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina- UFSC, porém, após a fundação do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo na instituição, que passou a oferecer os cursos de Mestrado e Doutorado na área, a edição da revista foi assumida pelo programa de pós. Entre outras qualidades, a Revista Estudos em Jornalismo e Mídia também tem relevância por ser o primeiro periódico científico da área da Comunicação no Brasil a adotar o sistema DOI, o Digital Object Identifier. O Rio Grande do Sul igualmente se evidencia pela qualidade, mas também pela quantidade significativa de periódicos científicos publicados, tanto por instituições públicas quanto privadas, sendo o Estado que mais tem publicações entre os três da região Sul. Assim como o Paraná, as universidades gaúchas lançam suas primeiras publicações já no começo da década de 1990. Neste período podem ser destacadas: a Revista Famecos, de 1994, editada pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS; A Revista Cadernos de Comunicação, lançada em 1996 pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; a Revista Intexto, de 1997, gerida pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS; e a Revista Fronteiras, publicada desde 1999 pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Vale dos Sinos- Unisinos, que embora tenha anunciado em 2022 a desativação gradual do programa, ainda mantém o periódico. Ao longo dos anos 2000, no Estado continuam sendo instituídos novos periódicos científicos, grande parte deles com longevidade, como os lançados nos anos 1990. Entre as universidades públicas é possível elencar a Ânimus- Revista Interamericana de Comunicação Midiática, mantida desde 2002 pelo Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria- UFSM, por meio de seu Núcleo de Publicação Multimídia – NedMídia, e atualmente em conjunto com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da instituição; e a Revista Comunicação e Indústria Criativa: Pesquisa, Desenvolvimento& Inovação, que desde 2018 é editada pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Indústria Criativa da Universidade Federal do Pampa – Unipampa. Em relação às universidades privadas, também há variedade de periódicos, entre alguns dos mais relevantes estão 17 a Revista Rizoma, lançada em 2013 e atualmente editada pelo Departamento de Gestão de Negócios e Comunicação e pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Santa Cruz do Sul – Unisc; a Revista Questões Transversais lançada no mesmo ano pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos; e a Revista iCom+D, periódico de 2018 concebido pelos cursos de graduação em Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Design das Faculdades Integradas de Taquara – Faccat. FUNDAÇÕES DE APOIO IMPULSIONAM PESQUISA NO REGIÃO SUL Os três estados do Sul do Brasil contam com fundações de apoio à pesquisa, criadas em diferentes momentos da história recente, que atuam em sintonia com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul(FAPERGS) foi a segunda entidade de apoio criada no Brasil, depois apenas da Fundação de SP(Fapesp), que é de 23/05/1962. A Fapergs surgiu em 31/12/1964, ironicamente no final do primeiro ano do golpe militar de março/64. “Induzir e fomentar a pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação nas instituições de pesquisa e no setor produtivo, buscando a articulação junto aos diferentes setores de CT&I”, é a missão da Fapergs 12 , de acordo com o site institucional. A segunda entidade de apoio criada no Sul do Brasil é a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina(FAPESC), que surgiu em 09/01/1997. Mas a história do apoio à pesquisa no Estado em um momento anterior, em 1990, quando foi criado o Fundo Rotativo de Fomento à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina(Funcitec). E poucos anos depois surge oficialmente a Fapesc 13 . A Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná(FA), que é a mais recente da região Sul, criada em 6 de janeiro de 2000, se coloca como impulso ao“desenvolvimento social, econômico e ambiental do Estado do Paraná, por meio de investimentos em ciência, tecnologia e inovação”. A FA opera, assim, como uma das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa do Brasil e faz parte do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa(Confap). “As ações são operacionalizadas por meio de Chamadas Públicas de Projetos(CP’s) e Processo de Inexigibilidade de Chamamento Público(PI’s) com avaliação de mérito científico feita por pares. Esse trabalho se dá mediante estreita relação com as instituições de ensino superior federais, estaduais, municipais e privadas sem fins lucrativos e com institutos de pesquisa do Paraná”, informa o site institucional 14 da fundação paranaense. 12 https://fapergs.rs.gov.br/inicial 13 https://fapesc.sc.gov.br/ 14 https://www.fappr.pr.gov.br/ 18 BREVE HISTÓRIA DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO SUL DO BRASIL MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul O campo da Comunicação na Região Sul é rico e diverso e se construiu com a atuação de um grande número de mulheres que se dedicaram à área. Assim, as bionotas aqui presentes são de mulheres marcantes na estruturação dos cursos de graduação, nos projetos dos Programas de Pós-Graduação, na editoria de revistas, organização de eventos, na formação e orientação de centenas de profissionais que atuam em veículos de comunicação, instituições públicas e privadas, além de professores e pesquisadores que dão continuidade ao trabalho por elas iniciado. Contudo, embora tenha nascido de um levantamento cuidadoso junto à comunidade acadêmica, como já foi mencionado na introdução desse volume, a presente obra não tem a pretensão de oferecer uma lista absoluta, ou reducionista, podendo haver outras profissionais igualmente importantes que não tenham sido mencionadas. Por outro lado, destacamos que a ausência de alguns nomes se reflete em um processo de pesquisa e escrita colaborativa em que nem todas as mulheres indicadas puderam participar deste projeto, por diferentes motivos, pessoais ou institucionais. As bionotas aqui apresentadas são fruto de uma grande rede coletiva de pesquisadoras do campo(a quem desde já agradecemos imensamente), que se dispuseram a pesquisar, entrevistar e buscar dados para que fosse possível registrar parte da história daquelas que abriram vários dos caminhos que hoje percorremos. Situar seus nomes e suas trajetórias é, também, conhecer um pouco da nossa história. Desejamos uma boa leitura. 19 PARANÁ 20 José Carlos Fernandes 15 À SOMBRA DA MODERNIDADE: PERCURSOS POSSÍVEIS PARA PESQUISAR O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARANÁ Em 1956 Curitiba – e, por extensão, o Estado do Paraná – vê surgir sua primeira faculdade de Jornalismo. O curso, criado pela Faculdade Católica de Filosofia, com autorização de funcionamento pelo Decreto 37.691(de 4/8/1955) e reconhecimento pelo Decreto 45.341(de 27/1/1959)(Souza; Stancki, 2021) 16 , funcionava junto ao tradicional Colégio Marista para alunos das classes médias e altas, então no centro da capital paranaense. O primeiro vestibular atraiu 61 jovens na disputa por 40 vagas (Cominetti; Araki; Bittencourt, 2021). A cidade, à época, vivia um período de modernização, provocado por múltiplos fatores: o eco das reformas trazidas pelo programa“50 anos em 5”, anunciadas pelo presidente Juscelino Kubitschek(Santos, 1998); os avanços na urbanização da capital, em razão do Centenário da Emancipação Política do Paraná – a exemplo da criação do Centro Cívico e do novo Teatro Guaíra(Castro; Posse, 2017); e as exigências de lazer e cultura impostas pelo auge da economia cafeeira, tendo Curitiba como lugar de passagem para negociantes de todas as partes do país e do mundo(Sá Jr., 2017). O cosmopolitismo e o conservadorismo entraram em zona de conflito e de disputas (Sevcenko, 2009). Não foi o primeiro impasse do gênero na cidade. As elites econômicas, formadas no período da exportação de erva-mate, na parte final do século 19, eram anticlericais, dadas a costumes europeus na indumentária e na alimentação e liberais na educação das mulheres que, não raro, participavam da gestão dos negócios(Trindade, 1996). A arquitetura curitibana ainda hoje reflete os avanços da cultura ervateira e sua pródiga Belle Époque. A partir da década de 1930, essa cidade solar passa por uma guinada conservadora na política e, por extensão, nos costumes(Sutil, 2009). Torna-se sede de um sem-número de conventos – internatos para as chamadas“moças da sociedade”. 15 Jornalista profissional. Doutor e mestre em Estudos Literários, professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Paraná(UFPR) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM-UFPR). 16 O curso de Jornalismo da Faculdade católica esteve em atividade de 1956 a 1983, ou seja, por 17 anos, quando foi descontinuado. Retornou em 1988. 21 Nos anos 1950, quando novas ondas de modernização se instalam, torna-se flagrante a tensão entre a Curitiba descrita pelo escritor Dalton Trevisan(1992) como positivista e integralista, e a Curitiba dos teatros, cafés, clubes de jazz, boates, a primeira escola de samba(Freitas, 2009) e jornais – a exemplo do carioca Zero Hora, cuja sucursal funciona na capital de 1959 a 1964(Côrtes, 2000; Sá Jr., 2017). Mesmo que o lugar das mulheres nas redações paranaenses não seja o tema deste texto, é importante informar que – ainda que esses estudos sejam inconclusos – um dos primeiros registros sobre a atuação de uma repórter data de 25 de agosto de 1938. Em nota, o jornal Gazeta do Povo, já, então, tradicional na capital paranaense, informa a contratação da jornalista Carmen Lour. Não há evidências de que Carmen tenha frequentado a redação de fato, posto que as mulheres ocupavam o papel de colaboradoras. Para elas, a regra era deixar um envelope na redação do jornal, à Praça Carlos Gomes, com o texto e a assinatura com pseudônimo(Fernandes, 2016). A prática imperou mesmo para a primeira mulher a ter registro profissional como jornalista no Paraná, Rosy de Sá Cardoso, contratada pelo jornal O Dia em 1948 (Fernandes, 2002). Outras“reportisas” 17 confirmaram o estigma sofrido por mulheres caso frequentassem o ambiente masculino, esfumaçado e boêmio das redações, a exemplo da intelectual Leonor Demeterco(Fernandes, 2015). As primeiras mulheres a frequentar, de fato, as redações, lado a lado com os homens, chegaram no início da década de 1960, oriundas do curso de Jornalismo da“Católica”, como a faculdade era chamada, e trazidas por editores de jornal que atuavam como professores da instituição, a exemplo de Mussa José de Assis 18 . A abertura do primeiro curso de Jornalismo no Paraná, em 1956, está distante mais de uma década do modelo urbanístico de Jaime Lerner – que projetaria a capital em escala planetária –, mas o período tem lá seu fascínio. Para comemorar o centenário de Emancipação Política do Paraná, como citado, Curitiba – então com 180 mil habitantes – ganhou ruas alargadas, um Centro Cívico, o Teatro Guaíra e a Biblioteca Pública, todas obras sobre a égide modernista. Não poderia haver berço melhor para um curso dessa natureza, uma vez que os jornais são sinônimo de civilidade (Mattelart; Mattelart, 1999). De acordo com Souza e Stancki(2021), o nascimento do curso foi saudado com uma reportagem no jornal Diário do Paraná, do grupo Diários Associados, de 15 de janeiro 17 O termo“reportisa” teria sido usado, pela primeira vez, no Brasil, numa referência a Eugênia Brandão, autora de reportagem para o jornal A Rua , em 1914, sobre jovens enclausuradas(Werneck, 2000). 18 O projeto de pesquisa“Jornalismo e Ditadura Militar no Paraná”, coordenado pelo autor deste texto, tem, em seu acervo de gravações, depoimentos sobre essa extensão entre faculdade e redações de jornais, a exemplo do dado por Teresinha Cardoso, Noemi Osna, Vania Mara Welte, Adélia Maria Lopes, Dinah Pinheiro Ribas, Teresa Urban, entre outras. 22 À SOMBRA DA MODERNIDADE: PERCURSOS POSSÍVEIS PARA PESQUISAR O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARANÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul de 1956. Na publicação o diretor da então Faculdade Católica do Paraná, Ligarú do Espírito Santo, destaca a importância do curso para Curitiba. Cidades e jornais sempre andaram juntas – o que se refletia no número de jornais. Para um diminuto público alfabetizado – até meados dos anos 1960 o Paraná tinha mais de 40% da população sem exposição ao saber escolar – havia muitos jornais em circulação para poucos leitores. Além dos já veteranos Gazeta do Povo, O Dia e Diário da Tarde, some-se O Estado do Paraná, de 1951 o Diário do Paraná, da rede Diários Associados, criado, em 1955, e o Tribuna do Paraná, de 1956. Em 1956, ao mesmo tempo em que a“Católica” abria seu curso de Jornalismo, nascia a Tribuna do Paraná, do grupo de O Estado do Paraná, presidido, então, por Afonso Alves de Camargo Neto e Aristides Merhy, ligados ao clã político dos Munhoz da Rocha, sobrenome carregado por uma dezena de dirigentes no Estado, entre prefeitos e governadores. A falta de nexo entre oferta e procura explica-se pelas lógicas do mercado de classificados e pela influência que os donos de jornal alcançavam nas altas esferas. Bastava olhar por qualquer janela de Curitiba para confirmar que a capital se desvinculava, aos poucos, de seu“complexo de província de São Paulo”. Os movimentos em torno do Instituto Brasileiro do Café eram uma prova disso. Para os negociantes que passavam a trabalho pela capital paranaense havia clubes de jazz pelas esquinas do Centro e um sem-número de boates, dominadas pelo lendário Paulo Wendt, chamado de“O Rei da Noite” na obra de Dalton Trevisan. É natural que esse microcosmo em expansão tivesse uma faculdade voltada à comunicação e que as mulheres acabassem passando de alunas a professoras – o que se deu a passos largos. Em uma década, por exemplo, Lúcia Glück Camargo – elencada aqui na categoria de “fundadoras” do campo da Comunicação no Paraná –, saltou de recém-formada na “Católica” para professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), assim como na própria faculdade em que se graduou(Fernandes, 2020). Afirmar que os saltos profissionais de Camargo tenham inspirado uma geração de mulheres, exigiria uma investigação mais precisa, mas é notável que, apesar do número diminuto, as professoras de Comunicação seguiram encontrando seus postos do final dos anos 1950 em diante, em especial porque no divisor de águas político, chamado 1964, a UFPR criou seu curso de Jornalismo. A portaria que liberou o funcionamento do curso coincide com os dias do golpe. No corpo de professores que se agregam em torno da Graduação recém-criada, emerge toda sorte de contradições: há entre eles apoiadores da ditadura e, não muito tempo depois, militares deslocados para atuar no ensino. Somaram-se, em seguida, professores remanejados dos cursos de Estudos Sociais criados para“esvaziar” o ensino da História e da Geografia e nos quais o golpe era chamado de“Revolução de 1964”(Gonçalves; Ranzi, 2012). ** 23 No campo da Comunicação o Paraná seguia uma tendência nacional. No final da década de 1950(Jobim, 1960 apud Souza; Stancki, 2021) nove cursos de Jornalismo estavam em funcionamento no Brasil, sendo dois no Rio de Janeiro, dois em São Paulo, dois no Rio Grande do Sul, um na Bahia, um em Minas Gerais e um no Paraná. Em 1964 – quando o curso da Faculdade Católica já tinha formado sua primeira turma – a Universidade Federal do Paraná(UFPR) dá início a seu próprio curso de Jornalismo. “Fruto de um projeto feito no governo de João Goulart, o documento que tornava oficial a existência do curso foi assinado apenas no dia 1º de abril de 1964, pelo então ministro da educação e cultura Pedro Aleixo”(Messagi Jr., 2014). A coincidência desta data com a do golpe civil-militar de 1964 e as hordas de professores da instituição favoráveis ao regime militar, é até hoje fonte de equívocos e especulações. Nos mesmos moldes da“Católica”, em uma década vão ser agregados à estrutura da UFPR os cursos de Relações Públicas e Publicidade e Propaganda, debaixo dos quais consolida-se o curso de Comunicação Social com três habilitações 19 . A fase de introdução do curso de Jornalismo da UFPR é marcada pelas tensões próprias da época. Os idealizadores do projeto eram oriundos de jornais relativamente progressistas para o momento, como O Estado do Paraná – criado em 1951 e cuja trajetória gráfica e editorial aproximava-se da experiência do jornal Última Hora, de Samuel Wainer(Abdalla, 2010) – e o jornal Diário do Paraná, que pertencia ao conglomerado Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Na cidade que vivia de forma aguda as tensões entre o conservadorismo dos grupos dirigentes e os apelos cosmopolitas, próprios do local que abrigava o Instituto Brasileiro do Café, o progressismo desses jornais, emprego principal dos criadores do curso de Jornalismo da UFPR e mesmo da PUCPR, não se refletia nas posições políticas. Seis décadas depois a adesão dos professores ao golpe de 1964 – justo no ano da fundação da graduação em Jornalismo – e um suposto colaboracionismo na perseguição a estudantes ligados a centros acadêmicos e à União Nacional dos Estudantes(UNE), causa mal-estar e pede esclarecimentos que iniciativas como a Comissão da Verdade não foram capazes de realizar. Estudantes de Jornalismo das duas instituições recém-nascidas – com acento maior da UFPR – foram protagonistas em episódios como a ocupação da Reitoria e a retirada do busto do reitor Flávio Suplicy de Lacerda, que viria a ser ministro do governo militar de Castelo Branco, entre 1964 e 1966, e o congresso clandestino da UNE na Chácara do Alemão no final de 1968(Urban, 2008; Fernandes, 2018). Nos jornais da cidade apenas o Última Hora será identificado como um diário contrário ao novo regime, posto que sua sede foi apedrejada em março de 1964 por 19 O curso de Comunicação Social da UFPR foi autorizado pelo Conselho Universitário no dia 26 de setembro de 1963 e iniciou suas atividades em abril de 1964, sendo, então, integrado ao Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes. 24 À SOMBRA DA MODERNIDADE: PERCURSOS POSSÍVEIS PARA PESQUISAR O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARANÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul estudantes secundaristas e uns poucos graduandos do curso de Jornalismo da UFPR. O ato levou ao fechamento da sucursal e, posteriormente, à abertura de processo por subversão contra os jornalistas do Última Hora, com base na Lei de Segurança Nacional(Fernandes, 2014; Dotti, 2014). Dribladas as intempéries iniciais, próprias dos anos 1960 e 1970, a redemocratização ou a“miragem democrática” dos anos 1970-1980 fizeram da Comunicação uma boa ideia para um país que, em tese, se redemocratizava. A resolução 202, de 15/1/1973, cria o curso de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade Estadual de Londrina, com turmas de diurno e noturno, passando a funcionar em 1974(UEL, 2023) – sendo, muitas vezes, apontados entre os melhores do país. A UEL foi seguida, em 1985, pela Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG), mas apenas com o curso de Jornalismo. Em 2002 – com aprovação em 2004 – os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda começam a funcionar na Universidade do Centro do Paraná(UniCentro), em Guarapuava, no Centro-Sul do Estado. A tendência das instituições públicas reflete-se nas instituições particulares. Ainda em 1988 a PUC reabre seu curso de Jornalismo, descontinuado em 1983, e avança rumo às Graduações de Relações Públicas e Publicidade e Propaganda, de acordo as diretrizes do chamado curso de Comunicação Social, expressas no Decreto 631/1969 (Souza; Stancki, 2021). Nos anos 1990 e 2000 entram no cenário da comunicação a Universidade Tuiuti do Paraná(UTP-2000), a Universidade Positivo(1999), a Escola Profissionalizante Essei Ltda., o Centro Universitário Autônomo do Brasil(UniBrasil) e Organização Paranaense de Ensino Técnico Ltda(Opet) – estas duas últimas também com Publicidade e Propaganda. A Comunicação vai estar nas mais diversas siglas, como Unicesumar e Univel, dentre outras. O campo cresce num processo iniciado em meados dos anos 1990 até meados dos anos 2010, seguindo uma tendência nacional. Em 2023 o número de cursos chega a 18, com ofertas em Curitiba, Ponta Grossa, Guarapuava, Cascavel, Foz do Iguaçu, Toledo, União da Vitória, Londrina e Maringá, além dos cursos a distância da Uninter, aprovados em 2015, com início em 2017 20 . Há muitas questões em aberto passíveis de serem estudadas. Uma delas refere-se a uma oferta de vagas maior do que o mercado, à revelia de haver indícios, já nos anos 1990, da incapacidade de expansão do mercado para Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas, saturação de oferta de profissionais e redução de quadros ou remodelação de funções trazidas pela internet, o que exigia competências nem sempre acompanhadas pelas instituições de ensino(Gandour, 2020). A rede particular, notadamente a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Universidade Tuiuti e a Universidade Positivo, no início dos anos 2000 passa a oferecer 20 A Uninter, instituição que passou por várias denominações até se tornar universidade, teve uma Graduação em Jornalismo, presencial, entre 2007 e 2019. 25 cursos diurnos e noturnos e não raro turmas de verão, mantendo, em alguns casos, 180 vagas iniciais, com taxa de conclusão de curso na casa dos 50%. A elasticidade nos turnos e número de vagas forma uma espécie de missão impossível com tantas mudanças que ocorreram nessas grades de ofertas de turnos e turmas. Em um compasso diferente, as instituições públicas – federais e estaduais – vão engajar-se no sistema de cotas, que começa a ser introduzido ainda em 2005 na UFPR, e nos projetos de expansão de vagas criados no período chamado de lulopetismo. A contrapartida para abrigar mais alunos em programas como o Reuni era a melhoria da infraestrutura, o que aconteceu em parte. Paralelo à sobrecarga de oferta de vagas, em movimentos distintos a rede particular notabilizou-se em oferecer cursos de Comunicação mais voltados para o mercado, não raro com um marketing agressivo em torno de laboratórios e equipamentos. Tuiuti, PUC, UniBrasil, UniCuritiba(apenas Publicidade) Opet e Positivo disputavam os mesmos alunos de classe média e/ou melhores alunos das escolas públicas, com a promessa de ensino técnico de alta performance. As públicas, por sua vez, engajaram-se na afirmação da Comunicação como espaço de pesquisa, tendo pela frente a tarefa de vencer o estigma do nascimento do próprio curso de Jornalismo da UFPR: um campo de batalha no qual transitavam estudantes insatisfeitos e uma parcela de professores afinados com a ditadura militar, com a repressão e com um ensino disciplinador, imposto num espaço caótico, sem infraestrutura e, o pior, destituído de ambiente de pesquisa. Aqui cabe uma observação: numa classificação grosseira, mas que colabora para uma reflexão inicial, PUC, UniBrasil, Tuiuti e Positivo, em escalas diferentes, mesclaram em suas atuações marcas das universidades voltadas para a pesquisa e as ocupadas do mercado, o que sugere a marca da mentalidade mais acadêmica das instituições públicas. Não raro, era do setor público que saía parte do professorado das particulares. Nesse cenário de oscilação de personalidade, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) vai destacar-se como um espaço de excelência, seguida pelas demais instituições estaduais, em especial a Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG). O curso de Comunicação da UFPR – que sempre contou com o prestígio da instituição no Paraná e fora dele – somente vai se firmar como espaço de pesquisa, organização e alguma resposta ao mercado e à academia de meados dos anos 1990 em diante, quando passa a contar, em seus quadros, com professoras pesquisadoras, a exemplo de Rosa Maria Cardoso Dalla Costa, Celsi Bronstrup Silvestrin(vinculada alguns anos antes) e Myrian Regina Del Vecchio de Lima, para citar três. O cenário que se forma a partir desse naipe de instituições estabelecidas é bastante irregular, caso leve-se em conta itens como produção laboratorial(jornais, revistas e programas de rádio e televisão), organização de Trabalhos de Conclusão de Curso 26 À SOMBRA DA MODERNIDADE: PERCURSOS POSSÍVEIS PARA PESQUISAR O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PARANÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul (TCC), agências juniores e criação de Mestrados e Doutorados, com suas derivas, a exemplo de revistas acadêmicas. Escassez de registros tornam um desafio encontrar os rastros das produções laboratoriais dos diversos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas do Estado – uma tarefa que os próprios cursos fazem, de maneira líquida, em comemorações de datas cheias, como os 20 ou 50 anos de alguma Graduação. Nessas ocasiões documentos tendem a ser digitalizados, permitindo o acesso a informações internas dos cursos. Um exemplo são os jornais laboratórios. Devem ser citados, de forma aleatória, o Lona, da Universidade Positivo, criado em 1999, diário por um período e com a marca de mil exemplares, algo raro nos periódicos de cursos de Jornalismo, que permanece em circulação, transformado em digital; também longevo é o Comunicare da PUCPR, que, na retomada do curso, no final dos anos 1990, atendia por Voz do Bairro, Voz da Comunidade, até se firmar como um periódico sólido, vencedor de premiações importantes, como o Prêmio Ayrton Senna, de 1998, entre outros; também é da PUC a revista CDM(“corpo da matéria”), em edição bilíngue, hors concours no Expocom Sul. Merece destaque o jornal Marco Zero, da Uninter, em sua fase presencial(2007-2019), e, a partir de 2017, na fase EaD, na forma de uma agência múltipla de comunicação, com a liderança de um dos jornalistas mais premiados do país, o paranaense Mauri König. O jornal laboratório da UFPR ganhou, ainda nos anos 1990, o nome de Jornal Comunicação; irregular na versão impressa, tem circulação on-line. Nas universidades estaduais o jornal Foca Livre, da UEPG, criado em 1992, ultrapassa 230 edições bimestrais. Na UniCentro o site Colmeia reúne a produção de 20 anos do curso e os jornais laboratório Expresso(2017-2018), Porta Voz(2022) e Opine(2021). ** Não se pode afirmar com todas as letras, mas a revista Pauta Geral, da UEPG, é um dos marcos para o avanço da pesquisa acadêmica das instituições de ensino de Comunicação no Paraná. Ela surgiu em 1993 com edição de Elias Machado e Sérgio Gadini, sendo anterior aos programas de especialização, Mestrado e Doutorado para esse campo no Paraná. Os candidatos a professores e pesquisadores inscreviam-se em Programas de Pós-Graduação em Letras da UFPR ou faziam seus estudos na UFSC, UFRGS, Unisinos, Unesp, USP e Faculdade Cásper Líbero 21 . Em 2007, por iniciativa da professora Celina do Rocio Paz Alvetti – formada na UFPR, com Mestrado na USP –, surge o curso de especialização“Comunicação, Cultura e 21 Impressões recolhidas pelo autor. 27 Arte”, oferecido pela PUCPR. O lato sensu seguiu até 2012, quando foi descontinuado. Apesar da boa procura, a instituição passa a apostar em especializações voltadas para vídeo. No ano seguinte, 2013, por iniciativa do publicitário André Tezza, a Universidade Positivo passa a oferecer a especialização“Comunicação e Cultura”, paulatinamente substituída por cursos de comunicação e marketing. É importante informar que a compra da Universidade Positivo pela Cruzeiro do Sul Educacional, em 2019, mudou o perfil da instituição com origem no Paraná, o que incluiu o encolhimento da equipe de professores. Foi durante o decênio 2000 e 2010 que surgiu o Mestrado em Comunicação da Universidade Tuiuti do Paraná(2000), UEL(2008) e UFPR(2010), e o Mestrado em Jornalismo da UEPG(2013). Em 2010 a Universidade Tuiuti do Paraná(UTP) passa a oferecer também o Doutorado. Com aprovação em 2018, em 2019 o PPGCom da UFPR passa a oferecer curso de Doutorado. Além da citada Pauta Geral de 1993, os programas de Comunicação do Estado publicam as revistas Discursos fotográficos (UEL-2005) e Ação midiática(UFPR-2011). Ainda que não tenha uma Pós-Graduação em Comunicação, a Uninter publica, desde 2013, a Revista Uninter de Comunicação. Referências ABDALLA, Sharon Jeanine. Lead e pirâmide invertida: a influência do modelo americano sobre o jornalismo paranaense. 2010. Trabalho(Conclusão de Curso) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2010. Disponível em: https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/61821 CASTRO, Elizabeth Amorim de; POSSE, Zulmara Clara Sauner. Morar nas alturas: a verticalização de Curitiba entre 1930 e 1960. Curitiba: Do Autor, 2017. COMINETTI, Bruna; ARAKI, Guilherme; BITTENCOURT, Vinícius. Prestígio e limitações marcam o início do curso de Jornalismo no Paraná. Comunicare, Curitiba, 2 jul. 2021. Disponível em: https://www. portalcomunicare.com.br/prestigio-e-limitacoes-marcam-o-inicio-do-curso-de-jornalismo-no-parana/ CÔRTES, Danilo Costa. O Diário do Paraná na imprensa e sociedade paranaenses. Curitiba: Do Autor, 2000. DOTTI, René Ariel. Da ditadura militar à democracia civil – a liberdade de não ter medo. Curitiba: Instituto Memória, 2014. FERNANDES, José Carlos. Antes e depois da filha de Xaguana. Gazeta do Povo, Curitiba, 3 fev. 2002. Disponível em: https://casapino.com.br/viver-bem/jose-carlos-fernandes/antes-e-depois-da-filha-dexaguana-rosy-de-sa-cardoso/ FERNANDES, José Carlos. Carmen, Iverly e todas as outras. Gazeta do Povo, Curitiba, 15 abr. 2016. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/colunistas/jose-carlos-fernandes/ carmen-iverly-e-todas-as-outras-9a2cvfmjt9fhzbdk0ev965vkn/ FERNANDES, José Carlos. Leonor, gênero vivedoura. 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Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/colunistas/jose-carlos-fernandes/ pedras-no-ultima-hora-que-pecado-8oqwsrivwe8yp12evgkis500e/ FREITAS, João Carlos de. Colorado: a primeira escola de samba de Curitiba. Curitiba: Do Autor, 2009. GANDOUR, Ricardo. Jornalismo em retração, poder em expansão: a segunda morte da opinião pública. São Paulo: Summus, 2020. GONÇALVES, Nadia G.; RANZI, Serlei M. F(org.). Educação na ditadura civil-militar: políticas, ideários e práticas(Paraná, 1964-1985). Curitiba: Editora UFPR, 2012. JOBIM, Danton. Espírito do jornalismo. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1960. MARQUES DE MELO, José. Maldição de Sísifo: retrato sem retoque de uma instituição sexagenária, periodicamente desafiada a se reinventar. Comunicação e Informação, Goiânia, v. 10, n. 2, p. 11-20, jul./ dez. 2007. Disponível em: https://revistas.ufg.br/ci/article/view/10788 MATTELART, Armand; MATTELART, Michèle. História das teorias da comunicação. 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Casouse com Francisco Camargo, com quem teve três filhos. Fez sua formação básica no Colégio São José e formou-se em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná(PUCPR) em 1965. Em 1973 graduou-se em Pedagogia pela Universidade Federal do Paraná(UFPR), e foi ativa no movimento estudantil durante o período. Fez, também, dois cursos de Pós-Graduação: Produção para Televisão Educativa, pelo Centro Brasileiro de Televisão Educativa da BBC, em 1970, e História Social do Brasil Meridional, em 1977. Recém-formada, esteve entre as mulheres pioneiras que atuaram nas redações de veículos diários de Curitiba, tendo trabalhado como repórter no jornal O Estado do Paraná. A carreira como professora iniciou na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, entre 1968 e 1975, onde instalou uma rádio aberta. Em 1975 tornou-se docente adjunta da Universidade Federal do Paraná, onde permaneceu vinculada até 1993. Nessa instituição criou um circuito fechado de rádio e televisão, além de coordenar o curso de Jornalismo. Passou a fomentar as artes em praticamente todas as modalidades a partir de 1972, quando foi conselheira da Fundação Teatro Guaíra. Em 1979 tornou-se diretora executiva da Fundação Cultural de Curitiba, cargo que a levou à direção regional da Fundação Nacional 31 de Arte(Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura. Entre 1983 e 1987 foi responsável por coordenar uma política de integração de ações culturais para a Região Sul, com foco em Artes Visuais, Música e Folclore. Na mesma função atuou como assessora técnica da Funarte e consultora de projetos de ação cultural integrada. Em 1987 retornou à Fundação Teatro Guaíra, onde foi responsável pela direção artística e de programação do teatro até 1989, mesmo ano em que cria uma política de artes cênicas para o jornal O Estado do Paraná. Ainda em 1989 assume o cargo de secretária municipal de Cultura e a presidência da Fundação Cultural de Curitiba. Durante o período, que se estendeu até 1992, Lúcia liderou a criação e o desenvolvimento da política cultural da capital, que envolvia a descentralização das atividades, a exemplo da criação do projeto Cinema nos Bairros. Organizou, ainda, a Oficina de Música de Curitiba, a Feira do Poeta, o Museu Nacional da Gravura e diversos programas de incentivo ao Teatro, Cinema, Literatura, Música Popular e Clássica, Dança e Artes Circenses. Em 1993 mudou-se para a capital paulista, onde foi diretora administrativa da Universidade Livre da Música até 1994, integrou a coordenação executiva do Festival de Inverno de Campos do Jordão e, até 1995, coordenou a divisão das casas de espetáculo da Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo, responsável por nove salas. De volta a Curitiba em 1995, assumiu como secretária de projetos especiais da Prefeitura. Nessa mesma fase, entre 1996 e 1998, foi presidente da Rádio e TV Educativa do Paraná. Ainda em 1995 tornou-se curadora do Festival de Teatro de Curitiba. Entre 1998 e 2000 foi titular da Secretaria de Cultura do Estado do Paraná, quando criou projetos como o Comboio Cultural – que percorreu o Estado, levando shows de música popular e clássica aos 399 municípios – e o Projeto Coros – com oferta de cursos de leitura e partituras para maestros e cantores, Inaugurou, ainda, a sala de exposições Andrade Muricy, criou o Canal da Música e a escola livre para ensino de música e os salões de Artes Plásticas, com cem polos. Retornou à capital paulista em 2001, onde foi diretora artística do Theatro Municipal de São Paulo até 2004. Lá organizou o calendário artístico das produções próprias dos Corpos Estáveis do Departamento do Theatro Municipal, incluindo a Orquestra Sinfônica Municipal, Balé da Cidade de São Paulo, Orquestra 32 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Experimental de Repertório, Quarteto da Cidade de São Paulo, Coral Lírico e Coral Paulistano. Em sua gestão ainda criou o projeto Theatro Municipal Visita, com apresentações na periferia de São Paulo. Entre 2005 e 2006 foi diretora-adjunta da Associação Paulista dos Amigos da Arte(APAA). Entre 2006 e 2010 residiu no Estado de Minas Gerais, onde foi presidente do Instituto Cultural Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, presidente da Fundação Clóvis Salgado e diretora do Centro de Referência Audiovisual da Fundação Municipal de Cultura em Belo Horizonte. Em 2011 retorna para São Paulo como coordenadora de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro, função que exerceu até 2020, tendo se afastado entre 2016 e 2018 para ocupar o cargo de secretária adjunta de Cultura do Estado. Lúcia Camargo faleceu no dia 20 de julho de 2020. Nos anos seguintes várias homenagens foram feitas à jornalista, professora, gestora e produtora cultural, cujo trabalho marcou várias gerações. Em 2022 a seção principal do Festival de Teatro de Curitiba passou a chamar-se“Mostra Lúcia Camargo”. Já a Associação dos Artistas Amigos da Praça(ADAAP) lançou o selo Lucias – no plural – para referenciar as múltiplas mulheres que habitaram nessa pioneira das artes e da cultura no Paraná e no Brasil. 33 LUZIA YAMASHITA Flora Neves Luzia Mitsue Yamashita nasceu em 13 de setembro de 1951 em Uraí (PR). Terceira de sete filhos do casal Marina e Kentaro Yamashita. O pai veio do Japão em 1925. A família sempre morou na zona rural, em Uraí e, depois, em Cambé, onde ela cursou o primário na Escola Municipal D. Pedro II. Ginásio e Colegial foram cursados no Colégio Londrinense, de Londrina. Única mulher da família com permissão para estudar fora, graduouse em Economia Doméstica na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz(Esalq) em Piracicaba(SP). Terminou a faculdade em 1972 e, dois anos depois, ingressou no Mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade de São Paulo(USP). Em 1974 montou o curso de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina(UEL) e iniciou a carreira docente enfrentando desafios por ser Nikkei, mulher e estar à frente de um curso com habilitação em Jornalismo em plena época de censura. De 1975 até 1979 atuou, de forma revezada, na chefia do Departamento e do Colegiado das habilitações em Jornalismo e Relações Públicas. Na mesma época foi representante de professores em várias instâncias e conselhos da UEL. Em 1982 apresentou a dissertação Papel da comunicação interpessoal na difusão de inovações: caso dos produtores de soja no município de Cambé, orientada por Hiroshi Saito e defendida na USP. Pioneira na área de Comunicação e na extensão rural, criou jornais e movimentos relacionados, estimulando o pensamento crítico 34 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul entre os produtores – o que gerou censuras e desafetos na Reitoria da Universidade, pois o país vivia a ditadura militar. Dentre os muitos periódicos em cooperativas, associações e instituições rurais que produziu, estava o jornal Terra e Gente. A produção desses veículos e o estímulo à leitura de Paulo Freire levaram-na à acusação de ser a responsável pela“iniciação do comunismo rural”; suas aulas, então, eram gravadas e submetidas à arguição policial. Entre o final da década de 1970 e início dos anos 1980, Luzia organizou dois Congressos Nacionais de Comunicação Rural em parceria entre a Universidade e órgãos de pesquisa da área rural. Em 1986 tornou-se Coordenadoria de Extensão da Comunidade e iniciou um movimento envolvendo cursos e departamentos. Em 1987 participou da criação do Fórum Nacional dos Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas, que lhe rendeu o convite do Conselho de Pró-Reitores para ser a representante do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras(Crub) no Ministério da Educação(MEC), onde, durante um ano, foram elaboradas novas diretrizes para o ensino, pesquisa e extensão no Brasil. Naquele período recebeu por duas vezes o prêmio Destaque de extensão no Brasil, maior reconhecimento concedido na área no país. Em 1990 tornou- se a primeira mulher na Reitoria de uma universidade estadual no Paraná e a primeira Nikkei a ocupar o cargo de vice-reitora, o qual desempenhou até 1994, ano em que intermediou a assinatura de um convênio entre a UEL e a Universidade do Meio em Okinawa, que viabilizou inúmeros intercâmbios, cooperações e contatos interculturais. No mesmo ano foi uma das encarregadas pelo governo do Paraná para fundar a Universidade Estadual do Oeste do Paraná(Unioeste), em Cascavel, trabalhando para a Instituição até o reconhecimento pelo MEC. Ainda em 1994 começou o Doutorado, cuja tese, Imigrantes japoneses: empresários no Brasil, histórias de vida e de luta, foi defendida em 2000 e orientada por Virgílio Noya Pinto na USP. Na área de Comunicação Comunitária da UEL desenvolveu o Projeto Triálogos(1999) – um debate entre professores do Ensino Fundamental, profissionais e estudiosos da Comunicação de Massa –, que atingiu mais de 500 professores em 310 escolas. 35 As pesquisas na área de Comunicação Comunitária e Educomunicação prosseguiram, apesar de Luzia aposentar-se da Universidade em 2005. Dedicou-se por mais de 20 anos ao Núcleo de Pesquisa em Comunicação Comunitária e Local (Comuni) no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), que reúne pesquisadores de todo o Brasil, e em 2021 assumiu como vice-presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores e Comunicadores em Comunicação Popular, Comunitária e Cidadã(Abpecom). Desenvolveu projetos com a colônia japonesa do Norte do Paraná desde a década de 1998, entre os quais a coordenação de um grupo de idosos da Associação Cultural e Esportiva de Londrina(Acel), que motivou a criação da Secretaria do Idoso no município. Assumiu a presidência da Acel, que divulga a cultura japonesa e conecta descendentes de imigrantes e o Japão, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo. Em 2001 publicou, com cardiologistas, um livro sobre a saúde do idoso de Londrina, e, em 2021, produziu o livro sobre a história das escolas rurais em todo o Paraná, desta vez em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Cambé. Em 2005, com um grupo de professores, criou o Centro Universitário Cidade Verde em Maringá(UNICV), no qual, além de administrar 60 mil alunos – mais de 50 mil em Ensino a Distância –, ainda tornou-se diretora de extensão. Recebeu seis prêmios Selos Sociais – concedidos pelo Conselho do Selo Social aos trabalhos que promovem o compromisso social e de sustentabilidade. Com os estudantes da UEL e das Faculdades Maringá, onde também atuou, conquistou seis prêmios no Intercom e dois no Sangue Novo(premiação dada pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná). Principais publicações ARAUJO, B. P.; YAMASHITA, L. M. Mídia-educação e formação cidadã: quando as crianças produzem o próprio jornal. In: PERUZZO, C. M. K.; GABRIOTI, R.; BERTI, O. M. C.(org.). Trilha e impactos da comunicação popular, comunitária e alternativa no Brasil. 1. ed. Teresina, PI: Editora da Universidade Estadual do Piauí (Eduespi), 2022. p. 309-323. V. 1. 36 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul YAMASHITA, L. M.; ONISHI, I.; SIQUEIRA, J. E.; MIGUITA, L. C. A saúde do idoso de Londrina. 1. ed. Londrina:[ s. n.], 2001. 72 p. YAMASHITA, L. M. A educação para a cidadania em experiências de mídia-educação na perspectiva da Comunicação Comunitária. Práticas educativas e interatividade em Comunicação e Educação. 1. ed. Ilhéus, BA: Editus, 2016. p. 125-140. V. 1. YAMASHITA, L. M.; LOPES, M. F.; COUTINHO, N. C. Mídiaeducação construindo cidadania: a experiência das oficinas de rádio da Escola Municipal Olavo Soares. In: PERUZZO, C. M. K.; OTRE, M. A.(org.). Comunicação popular, comunitária e alternativa no Brasil: sinais de resistência e de construção da cidadania. 1. ed. São Bernardo do Campo: Editora da Universidade Metodista de São Paulo, 2015. p. 657-666. YAMASHITA, L. M. A comunicação comunitária, mídia-educação e cidadania. In: FANTIN, M.; RIVOLTELLA, P. C.(org.). Cultura digital e escola: pesquisa e formação de professores. 1. ed. Campinas: Papirus, 2012. p. 283-307. V. 2. 37 ELIZABETH VASCONCELOS Ana Maria de Souza Melech Elizabeth Vasconcelos nasceu em 5 de agosto de 1943 no Rio de Janeiro(RJ), mas logo mudou-se para Curitiba(PR) por conta da carreira de seu pai, Osny Vasconcelos, que era militar. Sua mãe chamava-se Arlette Vasconcelos. Cursou o Instituto de Educação do Paraná e, em 1968, formouse em Jornalismo na Universidade Federal do Paraná(UFPR). Em 1975 fez Pós-Graduação em História Geral da Arte na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio), e – no ano seguinte – cursou uma especialização na UFPR em“Transformações da Sociedade Brasileira numa Perspectiva da Sociedade Rural e Urbana”. Em 1977, também na UFPR, fez uma Pós( lato sensu) em Antropologia Cultural. Elizabeth fez outros cursos de formação: História da Arte, Língua e Civilização Americana e História da Arte Contemporânea, na Universidade de Georgetown, em Washington(USA); Museologia, no Museu do Louvre, e Língua e Civilização Francesa, na Universidade de Sorbone, ambos em Paris; e Arquitetura Comparada, na Regensburg-Kunstakademie, na Alemanha. Iniciou a vida docente em 1976 no curso de Comunicação da Universidade Federal do Paraná(UFPR), trabalhando com as disciplinas de Fotografia, Ciência da Inteligência Criativa, História Geral da Arte, Relações Públicas e Introdução aos Meios de Comunicação. Nas áreas ligadas à Cultura, foi diretora de Assuntos Culturais na Secretaria de Educação e Cultura de Curitiba, de 1977 a 1978, e membro da Comissão Organizadora do XXXV Salão Paranaense de Arte em 1978. Lecionou na UFPR até 1990, quando se aposentou. 38 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Faleceu no dia 6 de dezembro de 2017, deixando um legado ao cenário da cultura e do ensino da comunicação paranaense. 39 CARLY DE AGUIAR Aline Louize Deliberali Rosso Carly Batista de Aguiar nasceu em 10 de novembro de 1946 em Alegre (ES). É filha de Zulmira Batista de Aguiar e Nicodemos Alves de Aguiar. Fez a formação básica em Cachoeiro do Itapemirim. Cursou o primário no Grupo Escolar Bernardino Monteiro e o Ginásio e o Curso Técnico de Contabilidade no Ateneu Cachoeirense. Carly iniciou Licenciatura em Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Brasília(UNB) em 1969 e, antes de finalizá-lo, em 1973, também começou a cursar Comunicação pela mesma instituição. A partir de 1970 atuou como revisora no Correio Brasiliense e, em seguida, passou a repórter no Diário do Brasil(1972-1973). Também foi repórter(1975-1976) e noticiarista(1976-1978) na Gazeta Mercantil, exercendo a mesma função na Companhia Jornalística Caldas Júnior(1976-1978). Sua carreira docente iniciou em 1978 no Departamento de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina(UEL), onde se aposentou em 2008. Carly obteve o título de mestre em Comunicação pela UNB em 1985, com a pesquisa“A comunicação em busca do sentido e da transformação”, revelando o contexto em que surgiram as Comunidades Eclesiais de Base(CEBs) em praticamente todo o Brasil. Em 1993 concluiu o Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP), orientada por Dulcília Buitoni, com a tese“Eleições 1989: a razão e a sedução das elites”, analisando o debate promovido pelas elites por meio da imprensa de prestígio nacional na primeira eleição presidencial depois do regime militar. Ao longo de sua trajetória acadêmica na linha Comunicação e Política, ainda pesquisou sobre o período da Ditadura Militar no 40 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Brasil e, após realizar um estágio de Pós-Doutorado na Universitat Autònoma de Barcelona(UAB), na Espanha, em 1998, desenvolveu trabalho voltado à temática sobre violência política. Foi pesquisadora no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Marília(Unimar), onde dedicou-se à área da Comunicação com os temas Ensino da Comunicação, Ensino do Jornalismo, Comunicação e Política e Comunicação Educativa. Um de seus artigos do período discute o papel do Ensino Superior em Jornalismo em um contexto de mudança profissional. Também pesquisou o uso do rádio para disseminar materiais educativos sobre os meios de comunicação e sobre a relação entre a mídia e a Educação no contexto da formação universitária em Jornalismo. Analisou 40 programas das principais redes de TV do Brasil e conduziu um exercício prático de leitura crítica com 20 estudantes de Licenciatura da UEL, para avaliar a percepção dos receptores sobre os produtos midiáticos, entre outros objetivos. Em três décadas de exercício docente, entre 1978 e 2008, Carly Batista de Aguiar é uma das primeiras mulheres integrantes do quadro efetivo de professores e professoras no curso de Comunicação (Jornalismo e Relações Públicas) da Universidade Estadual de Londrina(UEL) – o terceiro a entrar em funcionamento no Estado depois dos cursos da PUC/PR, em 1956, e da UFPR, em 1964. Principais publicações AGUIAR, C. B. de. CEBs: a comunicação em busca do sentido e da transformação. 1985. Disponível em: http://icts.unb.br/jspui/ handle/10482/37732 AGUIAR, C. B. de. Comunicação e política: atores, momentos e estratégias. 2006. Disponível em: https://www.unimar.br/biblioteca/ publicacoes/ftp/miolo_comunicacao_politica.pdf AGUIAR, C. B. de. Jornalismo e cidadania: um confronto na sala de máquinas. 2002. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/animus AGUIAR, C. B. de. O rádio, a universidade e o“seguir além” na mídia-educação. 2005. Disponível em: https://www.unimar.br/ biblioteca/publicacoes/comunicacao04.pdf AGUIAR, C. B. de. Jornalismo X entretenimento: uma questão para mídia-educação. 2003. Disponível em: http://www.portcom.intercom. org.br/pdfs/165120751830938331113174272709191746943.pdf 41 MARIA ROSA ABELIN Flora Neves Maria Rosa Wanovich Estevão Abelin nasceu em 6 de junho de 1952 em Cruz Alta(RS). É a segunda de seis filhos de Jorge Wanovich Estevão e Lídia Miguel Estevão. Estudou nos colégios Annes Dias e Antônio Sepp. Em 1972, com apoio dos pais, desafiou a cultura e a tradição da família: foi para Santa Maria, com o irmão mais velho, estudar Jornalismo na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Paralelamente ao Jornalismo cursou Fonaudiologia na mesma instituição. Pouco antes de se formar, em 1976, já trabalhava na TV Imembuí, de Santa Maria – hoje RBS, afiliada à Rede Globo. Lá, foi produtora, editora e, além de assumir a redação e o estúdio, apresentava o telejornal, inédito para uma mulher naquela época no Rio Grande do Sul. Em 1977 mudou-se para Londrina(PR) e, naquela cidade, começou a trabalhar na área de Fonoaudiologia. Em agosto de 1978 ingressou no corpo docente do recém-criado curso de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina(UEL). Neste período mantinha e conciliava as duas profissões, até migrar totalmente para a vida acadêmica naquela instituição de ensino, onde permaneceu por mais de 30 anos, aposentando-se em 2011. Embora tenha assumido cargos administrativos, Maria Rosa sempre ministrou disciplinas nos cursos de Jornalismo e Relações Públicas. Foi representante no colegiado e na coordenação de curso, chefe de departamento, vice-diretora de centro e representou estudantes, cursos e professores de diversas Graduações em todos os órgãos administrativos da Universidade. Os maiores desafios, porém, estavam na criação e estruturação da Assessoria da Universidade, Rádio e TV UEL. 42 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Em 1986 foi convidada a estruturar a Assessoria de Relações Universitárias(ARU), onde permaneceu por quatro anos. Entre suas atividades produziu, editou e dirigiu quase uma centena de jornais semanais, nos quais divulgava toda a produção de pesquisa, ensino e extensão. Lançou, pela ARU, o boletim Notícia e a revista Eureka, com informações das pesquisas em todos os âmbitos da Instituição com a linguagem jornalística. No mesmo ano presidiu a recém-criada Política de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina. Em 1987 trabalhou para a concessão da rádio da Universidade e na montagem do embrião da emissora, que foi a primeira rádio educativa ligada a uma universidade pública: a UEL FM. Em 1990 encara outro desafio: a criação da emissora de TV, cuja concessão foi em VHF. Com o projeto adormecido em 1994, afasta-se da administração. Nesse período participou da chefia do departamento e compôs a equipe que administraria o Centro de Educação, Comunicação e Artes(Ceca), quando foi eleita vice-diretora. No início dos anos 2000 a organização da TV UEL foi retomada e Maria Rosa Abelin dispôs-se a sistematizar e estruturar a emissora, que, em 2008, foi colocada no ar em parceria com a TV Educativa do Estado. No final de 2009 houve a consolidação e instalação da emissora, ampliando os projetos de atuação dos estudantes da Instituição. Ela também esteve envolvida em projetos culturais na cidade e, em 1995, como parte do Conselho Municipal de Cultura, foi convidada a ativar o Museu de Arte de Londrina – onde respondeu pela reestruturação da parte administrativa e atraiu para a cidade várias exposições de arte. No final da década de 1990 também trabalhou na efetivação e assessoria de cursos em universidades privadas da região e foi autora do documento“Diretrizes para a implantação de uma política de Comunicação e Marketing para a Universidade Norte do Paraná”. Entre as atividades de ensino e administrativas na UEL, em 1996 escreveu um E-book sobre o dialeto cigano Kalderash – denominação de seu clã cigano – que foi citado em outros trabalhos no campo da ciganologia. Ainda na carreira acumulou prêmios com os alunos em eventos e recebeu várias homenagens de estudantes e profissionais que com ela trabalharam. Principal publicação ABELIN, M. R. W. E. Romanês: registro do dialeto cigano Kalderash. 1996. Disponível em: http://www.inbrapenet.com.br 43 LINDA BULIK Angela Maria Farah Linda Bulik nasceu em 10 de fevereiro de 1950 em Rio Bom(PR). É filha de Paulo Bulik e Suzana Ganem Bulik. Cursou o primário na Escola Carmela Dutra, de Santo Antônio do Palmital, à época distrito de Borrazópolis(PR). No Ginásio Estadual de Aplicação de Ponta-Grossa(PR) cursou o primeiro ano, e, com a mudança para Londrina em 1964, continuou os estudos no Ginásio Estadual anexo ao Instituto de Educação Estadual de Londrina(IEEL). O 2º Ciclo do Ensino Médio, ou Curso Colegial opção Ciências Sociais, fez no Colégio Estadual Vicente Rijo(1967-1969). Entre 1970 e 1973 cursou Licenciatura em Letras Franco-Portuguesas pela Universidade Estadual de Londrina(UEL) e, em 1974, recémgraduada, entrou na primeira turma de Jornalismo da Instituição. Durante o período em que frequentou a UEL, participou ativamente do movimento estudantil, colaborando com o Diretório Acadêmico Rocha Pombo como diretora cultural, além de representar o curso de Jornalismo nos festivais de teatro da época. Em seguida obteve uma bolsa para estudar na Escola Superior de Jornalismo, na França, associada à Universidade. Ao mesmo tempo fez o Mestrado – equivalente a um Diploma de Estudos Aprofundados(DEA) – para, na sequência, entrar no Doutorado, que concluiu em 1978 pela Universidade de Paris II(Sorbonne), com a tese“As doutrinas da informação no mundo de hoje”. Logo que retornou ao Brasil trabalhou como colunista e participou da criação do Caderno 3, um suplemento cultural dominical na Folha de Londrina, que circulou entre 1977 e 1979. Linda sempre demonstrou interesse na conexão entre a prática da comunicação e as artes. No início da carreira, na década de 1970 44 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul a 1980, ela destacou-se no exercício da crítica teatral na Folha de Londrina. Antes, foi produtora e apresentadora do programa radiofônico“Arte e Cultura” da Rádio Londrina, entre 1966 e 1969 – mesmo período em que foi repórter do jornal O Estado do Paraná. Entre 1969 e 1974 trabalhou como redatora do noticiário internacional da Folha de Londrina e foi editora de Arte do mesmo jornal, entre 1972 e 1974. Fez parte do Círculo de Mulheres Brasileiras em Paris, e já no início dos anos 1980 participou da Frente Democrática da Mulher Brasileira de Londrina. Publicou, então, vários artigos sobre a condição da mulher, tanto no Brasil quanto no mundo, e chegou a propor em Congressos Acadêmicos – e também na União Cristã Brasileira de Comunicação Social(UCBC) – o surgimento de um movimento feminista em larga escala nacional. Posteriormente, como professora efetiva na Universidade Estadual de Londrina – onde ingressou como concursada em 1979 –, seu foco de interesse voltou-se para as Teorias da Comunicação, com ênfase em Semiótica e Estética da Comunicação. No mesmo ano em que entrou para o corpo docente da UEL foi eleita para liderar o Departamento de Comunicação e Artes. Ao longo de sua trajetória desempenhou diversas funções na Universidade, incluindo a chefia do Departamento de Comunicação no biênio 1987-1989, além de coordenar o curso de Graduação em diferentes momentos. Também teve um papel ativo na elaboração do Projeto de Criação e Efetivação do Curso de Graduação em Artes Cênicas, assim como liderou o desenvolvimento do Projeto de Mestrado em Comunicação em 2008. No campo acadêmico contribuiu com pesquisas sobre liberdade de expressão, direito à informação e acesso aos meios de comunicação, além de se debruçar sobre os estudos de mídia usando a análise de conteúdo sob uma perspectiva semiótica. Sua formação completa-se com o Pós-Doutorado em Comunicação na Universidade de Paris VIII, onde realizou uma pesquisa intitulada “A comunicação do homem em situação de representação(por uma semiótica do Odin Teatret)”, no Nordisk Theatre Laboratorium, localizado na Dinamarca. Mesmo aposentada, continua escrevendo artigos científicos e técnicos, publicados em revistas acadêmicas e periódicos da área de Comunicação. 45 Principais publicações BULIK, L. Doutrinas da informação no mundo de hoje. 1. ed. São Paulo, SP: Edições Loyola, 1990. 200 p. V. 1. BULIK, L. Comunicação e teatro. 1. ed. São Paulo, SP: Editora Arte & Ciência-Villipress, 2001. 188 p. V. 1. BULIK, L.; GOMES, P. G.; PIVA, M. Comunicação, memória& resistência. 1. ed. São Paulo, SP: Edições Paulinas, 1989. 260 p. V. 1. 46 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul REGINA BENITEZ Elaine Schmitt Regina Benitez nasceu em 1934 em Curitiba(PR). É filha de Plínio Santos e Maria da Conceição Andrade Santos, recebeu educação em casa e, depois, no Instituto de Educação, além de ter também passado pela Escola Israelita. Em 1962 graduou-se em Jornalismo, aos 28 anos, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná(PUC-PR). Durante sua trajetória profissional trabalhou em diversos jornais da capital paranaense, como O Dia, Diário da Tarde, Diário do Paraná, Estado do Paraná e no suplemento de cultura de O Estado de São Paulo. Foi professora do curso de Comunicação da PUC-PR entre o final da década de 1970 e meados dos anos 1980, e coordenou o mesmo curso entre o início de 1980 até 1981. Ganhou notoriedade pela escrita de contos que foram publicados em mais de uma centena de antologias brasileiras e em produções internacionais, além de um livro de contos individual, lançado em 1965, com o título A moça do corpo indiferente. Entre os temas que abordava estavam questões que envolvem a condição feminina, tanto do Brasil quanto do mundo, ainda que marcadas pelo contexto da época. Em 1973 foi apontada como a melhor participante paranaense no Concurso Nacional de Contos, evento promovido pelo Governo do Estado do Paraná por meio da Fundação Educacional do Estado do Paraná(Fundepar). Em 1986 recebeu a primeira colocação no XXI Festival de Música e Poesia de Paranavaí(Femup), com o conto“Apenas um presente para o aptº 301”, e no I Concurso Nacional de Contos de Maringá, 47 em 1987, com a obra Época de Descobertas. Dois anos mais tarde recebeu o prêmio Josué Guimarães e o troféu Vasco Prado pela primeira colocação no Concurso do Instituto Estadual do Livro de Porto Alegre e Universidade de Passo Fundo. Em 1990 Regina conquistou o primeiro lugar na Femup com o conto “Menina Solidão”, e também o primeiro lugar na Associação dos Servidores da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná(Asalep) com o trabalho“Especialista em Orquídeas”. Em 1995 recebeu o troféu Macunaíma, na cidade de Imperatriz( MA) , com o conto “Um dia, lá longe”. Ainda foi premiada, em 2002, pela Academia Literária de Letras, de Belo Horizonte, com o conto“Somos Todos Mentirosos”; além dos Jogos Florais de Pouso Alegre, de Minas Gerais, com“Flores e Homens”; da Via Sette Editora de Itapetininga, com o conto “Mágicas”; e no concurso da Maturidade do Banco Real, com “Mulher com Avestruz”. Ao falecer, em 2006, Regina deixou um livro inédito que recebeu o mesmo título: Mulher como avestruz. Principais publicações BENITEZ, R. Entrevista. Disponível em: http://www.germinaliteratura. com.br/pcruzadas_rb_mai2006.htm. Acesso em: jul. 2023. BENITEZ, R. Entrevista. Disponível em: https://www. folhadelondrina.com.br/folha-2/uma-poeta-a-caminho-doreconhecimento-154380.html?d=1. Acesso em: jul. 2023. VALÉRIO, M. S. Faces da feiura na escrita de autoria paranaense. 2014. 106 f. Dissertação(Mestrado em inglês e Literatura Correspondente) – Universidade Estadual do Centro Oeste(Unicentro), Guarapuava, 2014. Disponível em: http://tede.unicentro.br:8080/jspui/bitstream/ tede/55/1/PR%20MARISTELA%20SCREMIN%20VALERIO.pdf. Acesso em: jul. 2023. UEM. Universidade Estadual de Maringá. Centro de Documentação de Literatura de Autoria Feminina Paranaense(CEDOC-LAFEP). 2021. Disponível em: http://sites.uem.br/cedoc-lafep/indice-deescritoras/letra-r/regina-benitez. Acesso em: jul. 2023. 48 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul CELSI SILVESTRIN Renata Caleffi Celsi Brönstrup Silvestrin nasceu em 25 de fevereiro de 1956 em Estrela(RS). É filha de Hedi Millarch Brönstrup e Marno Brönstrup, e irmã de Celso Brönstrup. É mãe de Guilherme e Leonardo. Cursou do primeiro ao quarto ano do primário na Escola Rural Boa Esperança, no interior de Taquari(RS). O quinto ano foi concluído no Colégio Evangélico Alberto Torres, em Lajeado(RS), onde também fez o ginásio e o científico. Graduou-se em Comunicação Social – Relações Públicas – na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), especializou-se em Marketing Empresarial na Universidade Federal do Paraná(UFPR), seguiu a carreira acadêmica com Mestrado em Metodologia em Comunicação(1989) no então Instituto Metodista de Ensino Superior (IMS) em São Bernardo do Campo(SP) e fez Doutorado em Ciências da Comunicação(2000) na Universidade de São Paulo(USP). Realizou estágios profissionalizantes e participou de palestras com profissionais, visitas a departamentos, atividades internas e projetos experimentais. Já formada em Comunicação Social, começa a trabalhar em uma associação na cidade em que residia. Foi também nesse período que teve o primeiro contato com a docência, como professora colaboradora do Departamento de Comunicação Social da UFSM. Em seguida, em concurso público, foi efetivada na função de Auxiliar de Ensino(1980) naquela instituição. No tempo em que permaneceu na UFSM, fortaleceu e reestruturou a área de Relações Públicas, auxiliou nos ajustes curriculares de conteúdo, no funcionamento da agência experimental, nos estágios supervisionados e em ações que promoviam a participação de discentes em atividades de monitoria e iniciação científica. 49 Sete anos depois de ingressar na carreira de docente, foi transferida para a Universidade Federal do Paraná((UFPR-1987). Em Curitiba pode colocar em prática, além do ensino, também atividades administrativas na Universidade, integrando comissões, comitês e outras representações junto ao Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes no Colegiado de Estágios da Pró-Reitoria de Graduação. Foi vice-coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero e da comissão de instalação da Pós-Graduação em Comunicação, ocupando, ainda, a vice-coordenação e a coordenação do curso de Comunicação Social(2006-2009). Em 2010 aposentou-se, tendo orientado mais de 60 trabalhos de Conclusão de Curso, mas não se afastou das atividades acadêmicas, pois colaborou com a criação do Mestrado em Comunicação da UFPR(Programa de Pós-Graduação em Comunicação – PPGCOM). Como docente atuou na Linha Comunicação, Política e Atores Coletivos, ministrando disciplinas(Mobilização na Opinião Pública e Seminário de Pesquisa) e orientando oito alunos de Mestrado, inclusive da vencedora(Thaís Mocelin) de melhor dissertação de Mestrado do Prêmio Abrapcorp de 2015. Entre os anos de 2013 e 2015 editou a Revista Ação Midiática: Estudos em Comunicação, Sociedade e Cultura, publicação vinculada ao Programa, encerrando sua participação em 2015, quando se afastou da Universidade. Celsi também exerceu atividades em associações e redes de pesquisa, tendo participado por mais de 25 anos da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) – entidade que, em 2012, lhe concedeu o Jubileu de Prata por efetiva filiação e participação na vida acadêmica. Também integrou a Associação Latino-Americana de Pesquisadores da Comunicação(Alaic). Membro da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas(Abrapcorp), integrou a primeira Diretoria Executiva(2006 a 2008) da entidade e foi diretora de Relações Públicas, além de colaborar como parecerista e avaliadora de trabalhos e prêmios. Foi coordenadora de diversos projetos de pesquisa, a exemplo de: “A prática da comunicação na universidade e no mercado(1992/93), “Mulher e processo eleitoral(1994/95),“Questões de gênero em Comunicação”(2000 a 2003),“Investimentos sociais das empresas como práticas cidadãs”(2005 a 2009) e“O espaço público nas 50 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul organizações: prática política em busca da cidadania”(2010 a 2014). Desde antes da tese de Doutorado(“Gênero, Política e Eleições”) trabalha com as questões de gênero nas Relações Públicas com participação ativa no Núcleo de Estudos de Gênero da UFPR, auxiliando na produção de livros e artigos, como a coletânea Gênero plural: um debate interdisciplinar e Política e condição feminina: representações na mídia impressa brasileira(período 1994-1999), ambos publicados pela editora da UFPR, em 2002. Também foi integrante de outros projetos de pesquisa, dos quais destaca-se a“Comunicação no processo de produção e recepção em Associação de bairros e/ou de moradores do município de Curitiba e/ou Região Metropolitana”(1994/95),“Mercado de trabalho aos egressos dos cursos de comunicação no Brasil”(1997/98) e “Uma abordagem paranaense sobre o consumo cultural juvenil e convergência midiática”(2012 a 2014). Com mais de 30 publicações entre capítulos de livros, artigos em periódicos e em eventos, seu foco principal foi a comunicação organizacional, com implicações na consolidação da área de Relações Públicas no Brasil. Principais publicações SILVESTRIN, C. B. Gênero nos meios de comunicação. Intercom – Revista Brasileira de Comunicação, São Paulo, v. 22, n. 1, p. 163-167, 1999. SILVESTRIN, C. B. Política e condição feminina: representações na mídia impressa brasileira(período 1994-1999). In: ADELMAN, M.; SILVESTRIN, C. B.(org.). Gênero Plural: um debate interdisciplinar. Curitiba: Editora da UFPR, 2002. p. 153-173. SILVESTRIN, C. B. Relações-públicas e jornalistas nas organizações: questões e tensões. In: LOPES, B.; VIEIRA, R. F. Jornalismo e relações públicas: ação e reação. Rio de Janeiro: Mauad, 2004. p. 147-151. SILVESTRIN, C. B. Relações públicas e comunicação organizacional em discussão. Organicom – Revista Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, ano 6, n. 10/11, Edição Especial, 2009. SILVESTRIN, C. B.; SCROFERNEKER, C. M. A. Comunicação pública e comunicação organizacional: quando o interesse público prevalece. In: SCROFERNEKER, C. M. A.; AMORIM, L. R. de(org.). (Re)leituras contemporâneas sobre comunicação organizacional e relações públicas. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2017. p. 41-52. 51 CELINA ALVETTI Cíntia Xavier Celina do Rocio Paz Alvetti nasceu em Rio Negro(PR). É filha de Jacila de Paz Alvetti e Vitório Alvetti. Residiu na cidade natal até próximo de iniciar o Ensino Superior, onde fez o Ensino Fundamental e secundário no Colégio São José. Cursou Administração a partir de 1974 pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná(Fesp) e, em 1975, iniciou o curso de Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná(UFPR), concluindo a Graduação no ano de 1981. A carreira na docência começou em 1985 na própria Universidade Federal do Paraná, nos cursos de Jornalismo, Design e Educação Artística, estendendo-se, a partir de 1990, nas mais diversas disciplinas – principalmente de Cinema, Análise Crítica da Comunicação, e Teorias do Jornalismo – na Pontifícia Universidade Católica do Paraná(PUC-PR). Na PUCPR Celina foi diretora do curso de Comunicação Social, coordenadora dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e, ao longo de 15 anos, criou e coordenou vários cursos de Especialização, entre os quais o de Comunicação Audiovisual e o de Comunicação, Cultura e Arte. Entre os projetos desenvolvidos na Universidade está o Urbanidad, com cinco espetáculos hipermídia sobre cidade e questões contemporâneas, realizados em forma colaborativa com os estudantes entre 2004 e 2013. Pesquisadora do Grupo de Estudos Comunicacionais, cadastrado no diretório do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), foi professora adjunta III até 2023, quando foi desligada da Instituição. 52 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul O Mestrado em Artes-Cinema pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(USP) foi concluído em 1988, com a dissertação“O cinema brasileiro na crônica paranaense dos anos trinta”. Especialista em Gestão Cultural, Cultura, Desenvolvimento e Mercado pelo Centro Universitário Senac de São Paulo, Celina Alvetti também cursou especialização em Mídias Digitais Interativas pela Unoeste(SP) e possui registro profissional como diretora de produção, pesquisadora cinematográfica e como dramaturgista. Em 1997 recebeu um dos primeiros reconhecimentos como pioneira e promotora da comunicação paranaense pelo Conselho Estadual da Mulher/Secretaria da Justiça e da Cidadania/Federação das Indústrias do Paraná(Fiep). Como pesquisadora, dedicou parte dos estudos a formular sínteses sobre o cinema paranaense e fez o exercício de tentar formular uma história desse em paralelo com as fases do cinema nacional. Ao longo de sua trajetória profissional está o trabalho na extensão dentro do Núcleo Imagem em Movimento, criado em 1996 – e que virou projeto de extensão em 2001 a partir de uma reforma curricular da PUC-PR. Junto desse projeto destaca-se a realização de peças de teatro e programas e atividades paralelas que foram organizadas ainda no decorrer do desenvolvimento do projeto Urbanidad. A jornalista, mestre e professora Celina Alvetti tem inúmeras contribuições – inclusive como fundadora – no cenário da formação superior em Comunicação no Paraná, não somente pelo seu tempo de atuação pelas escolas de Comunicação em que atuou e ajudou a consolidar, mas também pela preocupação com aspectos da própria produção audiovisual do Estado. Qualquer busca de registros sobre a historiografia do cinema paranaense vai encontrar marcas de sua autoria. Principais publicações ALVETTI, C. Cinema do Paraná – elementos para uma história. 2004. Disponível em: https://www.bocc.ubi.pt/pag/alvetti-celinacinema-do-parana.pdf. Acesso em: 24 mar. 2024. ALVETTI, C. R. P. A filosofia do sujeito? Vida e morte da consciência. In: Ciência& Opinião, v. 1, p. 243-256, 2003. 53 ALVETTI, C. R. P. História e cinema. In: Revista de Estudos da Comunicação, Curitiba, v. 1, p. 67-70, 2000. ALVETTI, C. R. P. Apontamentos sobre televisão – a televisão da realidade em fragmentos e contradições para uma pedagogia. In: Revista de Estudos da Comunicação, Curitiba, v. 1, p. 43-48, 2000. ALVETTI, C. R. P.; CKANO, C. R. P. A. S. S. E. Memória do cinema paranaense. In: Boletim do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, Belo Horizonte, 1984. ALVETTI, C.; HUMMELL, R. Imaginários urbanos – percurso de um projeto. 2008. Disponível em: https://www.academia.edu/3721765/ Imagin%C3%A1rios_urbanos_percurso_de_um_projeto&nav_ from=40a7f22b-8336-4854-8b64-66730d72bef4&rw_pos=0. Acesso em: 24 mar. 2024. 54 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul SANDRA FISCHER Karina Janz Woitowicz Sandra Fischer nasceu em 27 de abril de 1960 em Curitiba(PR). É filha de Edson Fischer e Nilma Pereira Fischer. Cursou o primário no Colégio Nossa Senhora de Sion, o ginasial no Colégio Estadual do Paraná e o secundário no Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná. Graduada em Letras/Inglês pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1986, formou-se também como tecnóloga em Desenho Industrial pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) em 1979, e em 1997 especializou-se em Planejamento e Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas(FGV). No Mestrado em Literatura da UFPR – concluído em 1989, orientada por Brunilda Tempel Reichmann – investigou a obra O apanhador no campo de centeio, na perspectiva do marginal na Literatura. No Doutorado em Ciências pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP) – concluído em 2002, orientada por Eduardo Peñuela Cañizal –, desenvolveu tese sobre a família no cinema de Carlos Saura e de Pedro Almodóvar. Em 2009 cursou Pós-Doutorado em Cinema Brasileiro pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO/UFRJ). Antes de ingressar no ensino trabalhou, entre os anos de 1980 e 2013, como servidora concursada na Prefeitura de Curitiba. Neste período atuou na Fundação Cultural de Curitiba(FCC), primeiramente no Ateliê Infantil do Centro de Criatividade de Curitiba(CCC) e depois como coordenadora de Literatura na Coordenadoria de Literatura da FCC, quando criou o Projeto Poetas na Praça/Feira do Poeta. Mais tarde, vinculada ao Gabinete do Prefeito, trabalhou na Assessoria de Planejamento do Instituto Municipal de Administração Pública 55 (Imap), em seguida, na Assessoria de Planejamento da Secretaria Municipal de Urbanismo(SMU) e, por último, na Assessoria de Planejamento da Secretaria Municipal de Administração(Smad). Sandra foi, também, assessora da Diretoria de Artes da Fundação Teatro Guaíra(FTG). Sua atuação como professora começa com o ensino de História da Arte no Colégio Nossa Senhora de Sion, em Curitiba, e de Língua Inglesa na Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa. Entre 1988 e 2000 trabalhou com disciplinas de Literatura de Língua Inglesa no curso de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná(PUC/ PR). Participou de outras instituições de Ensino Superior no Paraná, ministrando cursos de especialização em Literatura na Universidade Estadual de Londrina(UEL) e disciplinas de Literatura na Faculdade de Artes do Paraná(FAP), onde foi professora substituta. Em 1985 vincula-se à Universidade Tuiuti do Paraná(UTP), atuando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens, no qual foi coordenadora por três gestões(2013, 2015 e 2017). Na mesma instituição ministrou disciplinas nos cursos de Graduação em Letras, Rádio e Televisão e Design de Moda, e nos cursos de Especialização em Cinema e Especialização em Rádio e Televisão. Em 2014 passou a integrar o Núcleo Docente Estruturante(NDES) da UTP. Entre os anos de 1999 e 2005 foi coordenadora editorial da Significação – Revista Brasileira de Semiótica, editada pela UTP, e da revista Tuiuti Ciência& Cultura, sendo responsável por criar a Coordenadoria de Editoração Científica na Instituição. Torna-se vice-líder do Grupo de Pesquisa Telas: cinema, televisão, streaming, experiência estética(UTP/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq) e membro do Grupo de Pesquisa Grudes: Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais(UTP/CNPq), assim como do Centro de Pesquisas Sociossemióticas da Pontifícia Universidade de São Paulo(PUC/SP) e do Grupo de Pesquisa Eikos: Imagem e Experiência Estética(PPG CineAv da Universidade Estadual do Paraná – Unespar/CNPq). Integra o Conselho Editorial de diversos periódicos científicos da área e trabalha como assessora ad hoc(parecerista) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp). 56 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Coordenou as pesquisas“Prisões físicas e afetivas na telenovela brasileira: no verso e inverno da lei”,“Experiências políticas como apropriações estéticas: lugares, imaginários e modos de se dar a ver”, e“Poética do deslugar no cinema contemporâneo de ficção: duplo vínculo, desvios comunicacionais e incomunicabilidades afetivas”. Na extensão desenvolve projetos voltados à formação de olhares críticos e analíticos sobre cinema, com o propósito de popularização do conhecimento sobre comunicação visual. Entre 2016 e 2019 coordenou o projeto Cinegrudes, a partir do Grupo de Pesquisa Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais(Grudes – PPGCom/UTP). Integra a equipe dos projetos extensionistas“Asian Telas”,“ConTelas” e“CineDelas” e atua na organização das Jornadas de Cinema e Ficção Audiovisual e das oficinas de cinema e audiovisual e mostras ligadas ao projeto Cinegrudes. Com ampla trajetória no ensino e na pesquisa nas áreas de Comunicação e Artes, com ênfase na área do Cinema, Sandra Fischer figura como uma profissional considerada pioneira, que contribuiu para a fundação do campo comunicacional no Paraná, colaborando em diversas frentes para o desenvolvimento de pesquisas em cinema e comunicação visual. Principais publicações FISCHER, S. Clausura e compartilhamento: a representação da família no cinema de Saura e de Almodóvar. São Paulo: Annablume, 2006. FISCHER, S. Cotidianos no cinema brasileiro contemporâneo: imagens da família, da casa e da rua. Porto Alegre: Editora Plus Org., 2009. FISCHER, S.; VAZ, A. Imagens de amor de mãe: quadriculamentos e escapatórias. Matrizes, v. 16, p. 217-238, 2022. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/matrizes/article/view/185398 TEIXEIRA, R. T.; FISCHER, S.(org.). Espacialidades e narrativas audiovisuais. Curitiba: Editora Appris, 2020. VAZ, A.; FISCHER, S. Telenovela e campo do sintoma: Nos Tempos do Imperador. Revista Famecos, v. 30, p. 1-21, 2023. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/ article/view/43461 57 VANESSA ZAPPIA Elaine Javorski Vanessa Saboia Zappia nasceu em 13 de abril de 1959 em Mallet (PR). É filha de Oswaldo de Oliveira Zappia e Elcy Saboia Zappia. Mudou-se com a família para Curitiba aos três anos de idade. Na capital estudou Magistério da 1ª a 4ª série no Instituto de Educação do Paraná, entre 1975 e 1977. Entre 1978 e 1981 cursou bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas na Pontifícia Universidade Católica do Paraná(PUC-PR). Trabalhou nas assessorias de comunicação da Secretaria de Estado da Cultura(1981), do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional – Fundepar(1983) – e da Prefeitura de Marechal Cândido Rondon(1985). Também integrou a equipe do Jornal de Toledo no interior do Estado. Em Ponta Grossa iniciou a carreira acadêmica, colaborando com a abertura do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG) no ano de 1986. Um ano depois pediu demissão e foi para Santo Antônio do Sudoeste, onde atuou na assessoria da Prefeitura local e conduziu um programa de rádio. Voltou em 1988 para a UEPG, mas sem deixar de atuar no mercado de trabalho. Nos anos 1990 foi pesquisadora para a edição comemorativa dos cinco anos do jornal Diário da Manhã e aceitou a chefia de redação. Voltou-se mais para a extensão do que para a pesquisa, com trabalhos em conjunto com as disciplinas práticas, atuando junto a comunidade em projetos como: Rádio Universitária, a partir do sistema interno de som; Multimídia na Educação; Jornal Impresso Contratexto; Jornal Uati, impresso especializado para a terceira idade; e Direito, Comunicação e Cidadania, em parceria com o Departamento de Direito da UEPG. 58 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Integrou o grupo de Alfabetização e Cidadania a partir de 1993, inclusive no projeto Alfabetização Solidária, de âmbito nacional. Em 1998 participou dos Fóruns de Cidadania, em parceria com a Universidade Estadual de Londrina(UEL), integrado à Rede LatinoAmericana para a Democracia, realizando estágio nos Estados Unidos com apoio da Kettering Foundation, em Ohio. Esse foi o primeiro passo para a formação da Agenda Cidadã no Paraná, com pautas voltadas para a promoção da cidadania no jornalismo, o chamado Jornalismo Cívico/Cidadão. Entre 1999 e 2002 cursou o Mestrado em Educação na UEPG, na linha de pesquisa Ensino Superior/Educomunicação, com a dissertação“Utilizando a programação televisiva em sala de aula”, orientada por Teresa Jussara Luporini. Foi coordenadora do Curso de Comunicação – Jornalismo – e chefe do Departamento por quatro gestões, em ambos os casos. Também atuou como assessora de comunicação(em 1986, em 1994 e em 2002), integrou o Conselho Editorial da Revista Publication e foi representante da Universidade no Conselho de Curadores da TV Educativa de Ponta Grossa(TVE PG), quando fez a adaptação e revisão da Revista Tema para os fóruns de cidadania Cidadãos e Política: Quem deve governar? e Qualidade de ensino e escola pública, além de integrar projetos como Vamos ao Cinema e Educação Solidária. No início dos anos 2000 coordenou a criação do Curso de Jornalismo da Faculdade Unisecal(Ce ntro Universitário Santa Amélia), instituição de ensino privado em Ponta Grossa, onde, anos mais tarde, assumiu novamente a coordenação. Em 2010 Vanessa torna-se ombudsman do Jornal da Manhã. Permaneceu na UEPG até 2014, quando se aposentou. Desde então passou a realizar trabalhos de revisão de obras literárias e científicas para a Editora Estúdio Texto e Editora ABC Projetos Culturais, ambas sediadas em Ponta Grossa. Dentre as obras revisadas estão Nossa História, de Josué Correia Fernandes(2021); Ínfimo Colossal, de Renata Régis Florisbelo(2021); Perrengas Princesinas II, de Mário Sérgio de Melo(2020); Bolso – onde a vida cabe, de Renata Régis Florisbelo(2020); Nunca Vencidos – 13º Batalhão de Infantaria Blindado, de Edson Lopes e Daniel Moreira Marques(2019); Aneleh nos Campos Gerai s, de Neusa Helena Postiglioni Mansani(2018); Emboscada na escuridão, de José Gaspar Chemin(2018); e A melhor janela, de Renata Régis Florisbelo(2018). 59 IRVANA BRANCO Cândida de Oliveira Irvana Chemin Branco nasceu em 1960 em Curitiba(PR). É filha de Ivone Margarida Chemin e de Banerjo Branco. Fez as séries iniciais em três instituições: Grupo Escolar Dom Pedro I, Escola Estadual Nossa Senhora Aparecida e concluindo o primário no Grupo Escolar Paula Gomes. Na sequência estudou no Ginásio Dom Oriene, terminando o ciclo no Instituto de Educação do Paraná. O Ensino Médio foi realizado no Colégio Positivo com bolsa de estudos. Em 1978 ingressou no Bacharelado em Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná(UFPR). Durante os cinco anos de Graduação viveu o clima político da época, marcado por conhecidas práticas de censura do regime militar. Trabalhou nas editorias de variedades, cidades e outras do dia a dia em breve passagem por alguns jornais em Curitiba. Depois de formada trabalhou como assessora de imprensa e foi uma das fundadoras do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG), criado em 1985. Seu ingresso na carreira docente ocorreu em março de 1988, inicialmente como colaboradora, e, no semestre seguinte, como professora do quadro efetivo da Universidade, por admissão em concurso público, ministrando as disciplinas de História da Imprensa e História do Rádio e TV, Introdução ao Cinema e História da Comunicação. Em seguida assumiu as cadeiras de Técnicas de Redação e Técnicas de Reportagem, e, ao longo dos anos, participou da consolidação da faculdade, atuando, durante toda sua trajetória, em várias frentes do ensino, gestão e extensão. 60 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Nas funções administrativas foi vice- coordenadora, em 1989, e, a partir de 1991, chefe do Departamento de Comunicação e coordenadora de colegiado da Graduação – cargos que ocupou por diversas situações em mais de duas décadas enquanto esteve atuante no curso. Entre 1992 e 1994 Irvana frequentou a Pós-Graduação em Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo(Umesp). No retorno assumiu a coordenação de projetos de extensão da UEPG, período em que surgiu o projeto do jornal João de Barro, um periódico realizado por estudantes em parceria com o Núcleo do Meio Ambiente da Instituição(Nucleam), que já discutia problemas e impactos da gestão ambiental na cidade. Em 1996 reassume o colegiado do curso de Jornalismo. Em 2005, atuando ainda na extensão, coordena a produção audiovisual do projeto“Construção visivelmente sustentável: um salto no futuro”, em parceria com o Núcleo Regional de Educação. Em 2006 Irvana Chemin assume a Assessoria de Comunicação da UEPG. Em 2013 presta serviços à Assessoria de Comunicação da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado do Paraná (Seti). Desde então já exerceu diversas funções e atividades na área, atuando na Ouvidoria Geral da Secretaria de Comunicação do Estado e na supervisão, coordenação e representação da Seti em conselhos universitários, comissões ou equipes de trabalho junto as Universidades Públicas do Estado do Paraná. Em março de 2023, no exercício da função de gestão pública de assessora, passou a coordenar o Núcleo de Comunicação Setorial da Seti. 61 ZENEIDA DE ASSUMPÇÃO Cicélia Pincer Batista Zeneida Alves de Assumpção nasceu em 24 de janeiro de 1952 em Curitiba(PR). É filha de Júlio Alves de Assumpção e Antônia Jacon de Assumpção. Cursou Jornalismo na Universidade Federal do Paraná(UFPR) entre o final dos anos 1970 e início dos 1980. Liderou, em escolas, atividades de produção e recepção em jornais, rádio e televisão sobre Educação e Meio Ambiente até o final da década de 1980. Trabalhou como profissional da Educação na Prefeitura de Curitiba antes de concluir o curso de Comunicação na função de pedagoga em escolas públicas da Capital e no município de Castro. Em seguida passou a integrar o grupo dos docentes que consolidaram o curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), onde trabalhou de 1988 a 2015. Nessa instituição assumiu funções dirigentes: tornou-se a primeira chefe do Departamento de Comunicação, criado no final de 1988, e liderou a chefia administrativa do curso de Jornalismo entre 1989 e 1991. Ministrou as disciplinas de Comunicação Comunitária e Comunicação Rural, e atuou também na radiodifusão, onde construiu a identidade autoral acadêmica que marcou sua trajetória como docente e pesquisadora. De 1985 a 1988 trabalhou como assessora de imprensa do Sindicato dos Técnicos Agrícolas do Paraná(Sintepar) e, entre 1995 e 1996, foi coordenadora do Programa Rádio-Aluno da Rádio Educativa do Paraná. Em 1991 ingressou no Mestrado em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo(Umesp), onde desenvolveu a pesquisa“Rádio Escola: Uma Proposta para o Ensino de Primeiro Grau” – concluída em 1994 –, que teve como objeto a programação 62 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul de cunho pedagógico e cultural produzida pelo e para o aluno nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Em 1997 ingressou no Doutorado da PUC-SP, quando defendeu a tese“Rádio Universitária: vetor de comunicação científica entre o especialista e o rádio ouvinte”. No decorrer de sua trajetória suas publicações e participações em projetos de pesquisa e extensão aglutinaram-se em torno de temas como comunicação-educação, linguagens midiáticas, produção em radiojornalismo e divulgação tecnocientíficas de cunho educativo. Aposentou-se em 2015, e, desde então, voltou a residir em Curitiba com a família. Principais publicações DE ASSUMPÇÃO. Z. A. Radioescola: uma proposta para o ensino de Primeiro Grau. 1. ed. São Paulo: AnnaBlume, 1999. DE ASSUMPÇÃO. Z. A. A rádio no espaço escolar – para falar e escrever melhor. São Paulo: AnnaBlume, 2009. DE ASSUMPÇÃO, Z. A. Rádio universitária: vetor de comunicação científica entre o especialista e o radiouvinte. Publicatio UEPG: Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes-Atividades Encerradas, v. 11, n. 1, 2003. 63 FLORA NEVES Ariane Pereira Florentina das Neves nasceu em Bela Vista do Paraíso(PR). Filha de agricultores – Emídio das Neves e Santina Calabrio das Neves – ficou órfã ainda criança e cresceu ao lado dos irmãos, que se tornaram professores, bancário, costureira, vendedor e secretária. Fez o primário no Grupo Escolar“Brasilio de Araújo” e o ginásio no Colégio Estadual“César Lattes”. Terminou a formação média nos colégios Jayme Canet e José Aloísio Aragão – colégio de aplicação da Universidade Estadual de Londrina –, onde formou-se em jornalismo. Em 1989 fez parte da primeira equipe da TV Cidade, trabalhando como produtora, editora e apresentadora do TJ Esportes. A falta de investimentos levou os jornalistas da emissora – Flora entre eles – a pedir demissão em massa. Ingressou na Universidade Estadual de Londrina(UEL) em processo seletivo para contratar docentes temporários. Sem dedicação exclusiva, dividia o tempo atuando também na reportagem da TV Coroados(agora RPC TV Londrina), afiliada da Rede Globo. Em 1990, por concurso público, foi admitida como professora do curso de Comunicação Social – Jornalismo da UEL, onde começou a ministrar cadeiras de Telejornalismo, trabalhando também como produtora dos telejornais da TV Coroados em períodos eleitorais. Em 1995 pausou a docência para retomar a atuação como jornalista na sucursal de Cascavel da TV Cataratas(agpra RPC TV Foz). Trabalhou, ainda, na TV Fronteira, afiliada Rede Globo de Presidente Prudente(SP), onde atuou como editora dos jornais locais e de rede. No mesmo período reassumiu a vaga na UEL. 64 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul O retorno à docência a levou à Universidade de São Paulo(USP) para cursar o Mestrado em Ciências da Comunicação, e, em 2000, defendeu a dissertação“Alguns Momentos dos 50 anos do Telejornalismo no Brasil”, orientada por Sebastião Squirra. No mesmo Programa de Pós-Graduação, a partir de 2004, cursou o Doutorado, concluído no final de 2007 com a tese“O Jornal Nacional e as eleições presidenciais de 2002 e 2006”, orientada por Laurindo Leal Filho – que, em 1998, foi publicada com o título Telejornalismo e poder nas eleições presidenciais. Foi a primeira da família a ter o título de doutora. Ainda em 2007 passou a integrar o corpo docente do Programa de Pós-Graduação da UEL, onde orientou 11 dissertações, a maior parte delas tendo como objeto privilegiado o telejornalismo. Em 2000 entrou para a Rede de Pesquisadores em Telejornalismo (TeleJor), participando dos encontros da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor), dos Congressos da Associação Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação(Intercom) e, principalmente, das pesquisas em rede promovidas pela TeleJor. Ao longo da carreira acadêmica na UEL Flora Neves ainda ocupou posições de gestão, como a coordenação do Programa de PósGraduação e Comunicação, a coordenação do Colegiado de Comunicação, a coordenação do curso de Jornalismo e a vicechefia do Departamento de Comunicação. Dentre as obras que assina, em 2024 redigiu, juntamente com estudantes de Mestrado, um livro que fala da história e pioneirismo do telejornal no norte do Paraná. Principais publicações SOUZA, F. N. Telejornalismo e poder nas eleições presidenciais. 1. ed. São Paulo: Summus, 2008. p. 232. V. 1. SOUZA, F. N. Percurso das reportagens nos 70 anos de telejornalismo – de Saulo Gomes aos usuários repórteres. In: EMERIM, C.; PEREIRA, A.; COUTINHO, I.(org.). Telejornalismo 70 anos: o sentido das e nas telas. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2020. p. 180-196. V. 9. SOUZA, F. N. Os mitos no telejornalismo. In: EMERIM, C.; COUTINHO, I.; FINGER, C.(org.). Epistemologias do telejornalismo brasileiro. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2018. p. 263-274. V. 7. 65 SOUZA, F. N. Telejornalismo e eleições: o retrato do governo pelos telejornais. In: VIZEU, A.; MELLO, E.; PORCELLO, F.; COUTINHO, I.(org.). Telejornalismo em Questão. Porto Alegre: Insular, 2014. p. 153-174. V. 3. SOUZA, F. N. Telejornalismo nos primeiros tempos: história de desafios. In: PORCELLO, F.; VIZEU, A.; COUTINHO, I.; MELLO, E. (org.). Telejornal e praça pública: 65 anos de telejornalismo. Porto Alegre: Insular, 2015. SOUZA, F. N. Batendo o ponto – interatividade repórter telespectador no jornalismo local da Globo. In: EMERIM, C.; COUTINHO, I.(org.). Telejornalismo local: teorias e conceitos. Florianópolis: Insular, 2019. p. 211-224. 66 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul ANELY RIBEIRO Aline Louize Deliberali Rosso Anely Ribeiro nasceu em 1º de junho de 1961 em Roca Sales(RS). É filha de Agnor e Maria Ribeiro. Estudou o Primeiro e o Segundo Graus no Colégio São José. Formou-se, em 1982, em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Especializou-se em Metodologia da Ciência, em 1994, pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais de Curitiba(FCHSC). Em 2002 concluiu o Mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade de São Paulo(USP), com a dissertação“Análise retórica situacional e a comunicação integrada nas organizações – uma contribuição à área das relações públicas”. Concluiu o Doutorado em Letras da Universidade Federal do Paraná(UFPR) em 2010, com a tese“Análise de situação na crise organizacional: espaço para teoria da polidez linguística na relação de complexidade?” Atuou como relações públicas do Hospital das Clínicas da UFPR(HCUFPR) entre 1987 e 1992, ano em que assumiu como professora da Graduação em Relações Públicas da mesma Universidade. Trabalhou como professora universitária entre 1992 e 2012, quando se aposentou. Na carreira docente focou em linhas de pesquisas que contemplam a área da Comunicação e da Linguística: Comunicação organizacional e Análise retórica; Produção e linha editorial de jornais alternativos vinculados às associações; e Análise retórica comparativa de campanhas impressas sobre responsabilidade social empresarial na Região Sul, no Brasil e na Argentina, além de manter a Comunicação Organizacional como fio condutor. 67 Nos 20 anos em que trabalhou como professora, em sintonia com 10 anos de atuação profissional no serviço federal como relações públicas, Anely Ribeiro manteve o foco na compreensão das funções e desafios da comunicação organizacional em uma trajetória que envolve exercício da profissão, interesse investigativo na formação acadêmica e a prática da docência que, sem dúvida, contribuem na consolidação do curso de Relações Públicas da UFPR. Principais publicações RIBEIRO, A. A contribuição das ciências da linguagem para o estudo da comunicação organizacional. In: KUNSCH, M. M. K.(org.). Comunicação organizacional: linguagem, gestão e perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2009. V. 2. RIBEIRO, A. Visão da polidez linguística na Comunicação Organizacional em situação de crise. Revista Latinoamericana de Ciências da Comunicação, 2006. Disponível em: http://revista. pubalaic.org/index.php/alaic/article/view/311/314 RIBEIRO, A. Aspectos sobre relações públicas internacionais, cultura e linguagem. 2004. Disponível em: http://www.portcom.intercom. org.br/pdfs/1281607315837897938447385324800578701.pdf RIBEIRO, A. Teoria da polidez linguística no discurso da comunicação organizacional em situação de crise: caso TAM 2007. 2011. Disponível em: https://abrapcorp2.org.br/anais2011/trabalhos/ trabalho_anely.pdf 68 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul DINAH PINHEIRO Criselli Montipó Dinah Ribas Pinheiro nasceu em 13 de julho de 1945 no Rio de Janeiro(RJ). Quando tinha um ano e nove meses mudou-se com a família para Urussanga(SC), onde morou com os pais, Dinah e Almir, e os irmãos, Irene e Wilson, até os 15 anos de idade. Cursou o Ensino Médio como interna – ao lado da irmã – no Colégio São José em Tubarão(SC), e fez Magistério em Criciúma(SC), no Colégio Madre Tereza Michel. Formou-se em 1963 e logo começou a carreira de professora em Urussanga, trabalhando com crianças e adolescentes em aulas de História e Língua Portuguesa, graças a uma habilitação cursada em Florianópolis. Também atuou na alfabetização de adultos durante cinco anos. Mudou-se para Curitiba em 1969, onde cursou Jornalismo na Universidade Federal do Paraná(UFPR), tendo residido na Casa da Estudante Universitária de Curitiba(Ceuc). Neste período fez estágio no Diário do Paraná e no Canal 12 e foi redatora, com carteira assinada, no semanário Voz do Paraná. Formou-se em 1972. Em 1974 ingressou na assessoria de imprensa da Fundação Cultural de Curitiba(FCC), sendo uma das primeiras atuantes na área das artes daquele município. Permaneceu no cargo por 27 anos, desempenhando diversas funções, como ciceronear artistas e acompanhar entrevistas, escrever reportagens e cobrir espetáculos. Lá também foi editora e depois fez parte do Conselho Editorial do Jornal Mural(JM), informativo oficial da FCC, que circulou entre abril de 1983 e outubro de 1992. Entre outubro e novembro de 1978 cursou a Especialização Planejamento em Comunicação pelo Centro Internacional de 69 Estudios Superiores de Comunicación para América Latina(Ciespal) em Quito, Equador. Em 1995 cursou Especialização em Planejamento e Qualidade em Comunicação Social na Pontifícia Universidade Católica do Paraná(PUCPR), com a monografia“Jornal Mural, duas políticas, duas leituras”. Ainda na FCC, Dinah coorganizou uma mostra de filmes realizados por cineastas mulheres em 1981 na Cinemateca do Museu Guido Viaro. Também integrou a equipe de jurados do Concurso Paranaense de Textos de Teatro da Fundação Teatro Guaíra, em 1986; compôs o júri do Troféu Gralha Azul(melhores espetáculos paranaenses) da Fundação Teatro Guaíra, de 1985 a 2003; e foi jurada do Concurso da Fiat de Estímulo às Artes, em São Paulo, em 1989 e do Troféu Elis – Melhores Intérpretes de Música Popular Brasileira, promovido em 1990 pela Revista Coro de Cordas, em Curitiba. Em 1999 integrou a Comissão julgadora da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Fundação Cultural de Curitiba. De 1997 a 2003 atuou na coordenação de comunicação do Festival de Cinema Vídeo e DCine de Curitiba. Participou de diversos projetos na FCC até 2001, quando se aposentou. A atuação de Dinah como jornalista freelancer conta também com contribuições às Revistas Quem e Panorama e à coluna Programe-se, do jornal Correio de Notícias. Na carreira docente trabalhou como professora de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná(UTP) desde a criação do curso, em 1994, até 2004. À frente da disciplina de assessoria de comunicação, orientou a execução do Jornal da Maioridade, desenvolvido por acadêmicos com um grupo de idosos do Bairro Campo Comprido, em Curitiba, e que inspirou outros projetos e Trabalhos de Conclusão de Curso na Universidade. Foi assessora para assuntos internacionais do Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba, e, em 2000, divulgou o estabelecimento e a inauguração da Escola do Teatro Bolshoi, em Joinville(SC). Entre 2004 e 2008 integrou a assessoria de imprensa do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul(BRDE), com a tarefa de organizar uma programação de palestras, lançamento de livros, 70 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul exposições e mostras de cinema no espaço cultural da instituição, chamado de Palacete dos Leões. Durante sua trajetória também atuou como curadora de arte, assinando produções como a mostra coletiva Os significadores do insignificante, que, entre 2022 e 2023, reuniu obras do acervo de Efigênia Rolim e Hélio Leites numa das salas do Museu de Arte Contemporânea do Paraná(MAC-PR), temporariamente abrigado no Museu Oscar Niemeyer(MON). Principais publicações PINHEIRO, D. R. A viagem de Efigênia Rolim nas asas do peixe voador. Curitiba: Edição do Autor, 2012. PINHEIRO, D. R. Teatro de Bonecos Dadá: memória e resistência. Curitiba: Edição do Autor, 2019. PINHEIRO, D. R.; JUSTINO, M. J. Os significadores do insignificante – de Efigênia Rolim e Hélio Leites. Tradução Thais Scharfenberg. Curitiba: Edição do Autor, 2023. PINHEIRO, D. R. Efigênia Rolim e Teatro de Bonecos Dadá, artistas e mágicos In: BRÍGIDO, E.; GULARTE, J. Semana de Arte Moderna: 100 anos depois. São Carlos: Pedro e João Editores, 2022. PINHEIRO, D. R.; JUSTINO, M. J. Os significadores do insignificante – de Efigênia Rolim e Hélio Leites. In: Guia para educadores. Curitiba: Museu de Arte Contemporânea do Paraná(MACPR). 2023. Disponível em https://www.mac.pr.gov.br/sites/mac/ arquivos_restritos/files/documento/2023-04/guia_do_educador_-_ significadores_do_insignificante.pdf 71 MYRIAN DEL VECCHIO Paula Melani Rocha Myrian Regina Del Vecchio Lima nasceu em 24 de março de 1964 em Londrina(PR). É filha de Alice Gomes e Luiz Del Vecchio. Casada com José Antônio de Lima, teve quatro filhos: Annalice, Andrey, Marcellus e Caroline. Em Londrina estudou no colégio de freiras Mãe de Deus, onde só estudavam meninas. No último ano foi para o Colégio Estadual Professor Vicente Rijo e prestou vestibular ainda no segundo ano do então colegial, mas não se matriculou. Fez vestibular para Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL) quando terminou o Ensino Médio. À noite cursou Direito. Apaixonada pelo Jornalismo, aderiu à luta estudantil e desiludiu-se com o de Direito, frequentado por estudantes alinhados a ideais conservadores. Mesmo assim, cumpriu com os estágios e graduouse em Direito na Universidade Estadual de Maringá(UEM). Em 1979, recém-formada em Jornalismo, prestou concurso para a Assessoria de Comunicação, na regional de Maringá, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural(Emater-PR-atual Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná). Passou em primeiro lugar, mas não assumiu a vaga. Mesmo assim, mudou-se para Maringá para acompanhar o marido, que fez o mesmo concurso. Lá passou pela afiliada da Rede Globo, realizou freelas e trabalhou como assessora de imprensa da reitoria na Universidade Estadual de Maringá(UEM), ajudando a lançar a revista Universidade& Sociedade que, posteriormente, passou a ser patrocinada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 72 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Na assessoria produzia matérias de divulgação científica que eram publicadas nos três maiores jornais do Estado: O Estado do Paraná, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. As pautas de ciência também foram veiculadas em programas como o Fantástico, da Rede Globo. Uma das reportagens foi premiada pelo governo do Estado do Paraná. Trabalhou na equipe de Comunicação da Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior(Seti), em Curitiba, para onde se mudou com a família. Cobriu eventos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) como jornalista, quando foi contratada para trabalhar na Revista Ciência Hoje, editada pela SBPC. Em 2009 foi convidada para escrever a memória da Bioquímica no Paraná. Foram três anos de apuração e pesquisa para coletar reportagens com o auxílio de alunas de Iniciação Científica. Em 2012 foi lançada a obra Memória da Bioquímica no Paraná – a criação de uma escola de pesquisa, durante as comemorações dos cem anos da Universidade, com o apoio da Fundação Araucária. Ciência, Comunicação e Jornalismo também estruturam a dissertação de Mestrado – Ciência Hoje nas bancas – desenvolvida na linha Ciência e Comunicação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo(Umesp), defendida em 1992, orientada por Wilson da Costa Bueno. Ela também foi professora colaboradora no curso de Comunicação Social – Jornalismo – da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Após o Mestrado trabalhou na TV Educativa(TVE PR) na produção de programas, cobertura de concertos no Teatro Guaira, programas de debates, etc. Simultaneamente, prestou assessoria de imprensa para a empresa Canova do Brasil. Fez concurso para professora na Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde trabalhou durante 20 anos, de 1994 a 2014. Além das aulas, era a jornalista responsável pela produção periódica de jornais de sindicatos. Editou, por um período de dez anos, uma revista de educação dos diretores de escolas públicas brasileiras e trabalhou, por quatro anos, como terceirizada na Secretaria de Educação no governo de Jaime Lerner(PFL). 73 Participou como jornalista do projeto Faxinal do Céu, criado por Jaime Lerner entre 1995 e 1998, que reunia professores do Brasil inteiro. A equipe era responsável pela produção de três jornais mensais – um voltado para professores, outro para diretores de escolas e o terceiro para membros da Associação de Pais e Mestres, além de produzir um jornal mural e releases periódicos. Ingressou no Doutorado do Programa de Meio Ambiente e Desenvolvimento da UFPR em 2002, e defendeu a tese “Comunicação, Ambiente Urbano e Desenvolvimento: elementos para a compreensão do papel da informação na gestão do lixo em Curitiba”, sob a orientação de Francisco de Assis Mendonça. Em seguida passou a integrar o corpo docente do Programa de PósGraduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento(PPGMade) da UFPR. Esteve na coordenação do Programa por um período. A partir de 2010 foi professora colaboradora do Programa de PósGraduação em Comunicação. Desligou-se do governo estadual em 2016 e iniciou o Pós-Doutorado em jornalismo digital na Université Lumière Lyon 2, em Lyon, na França, onde participava de pesquisa com a professora Rosa Maria Cardoso Dalla Costa, também do PPGCom/UFPR. Organizou um grupo com pesquisas voltadas para a Comunicação Ambiental, objeto de estudo incipiente nas investigações científicas no Paraná. Orientou uma tese no PPGMade que recebeu o prêmio Capes de melhor tese na área de Meio Ambiente em 2017. Myrian é pesquisadora do grupo Urbanização, Cidade e Meio Ambiente; é uma das líderes do grupo de pesquisa Comunicação e Cultura Ciber – Click do CNPq, participa do GT da Intercom Comunicação, Ciência, Saúde e Meio Ambiente, é associada fundadora da International Environmental Communication Association(Ieca) e integra a diretoria(2023-2027) da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade (Anppas). Participa, ainda, do Grupo Internacional de Pesquisa Journalisme à I’Heure de Numérique(JADN), em parceria com o Instituto de Comunicação(Icom) da Universidade de Lyon2, França. Após o Pós-Doc, em 2018, assumiu a disciplina Jornalismo de Dados no curso de Jornalismo e ministra a disciplina Cultura Digital no PPGCom. 74 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Desde 2022 participa do projeto interinstitucional Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação e Tecnologia/Emergências Climáticas(Napi), com apoio da Fundação Araucária. É uma das responsáveis pelo eixo 5 na área de Comunicação e Educação das Mudanças Climáticas, voltada, especialmente, para a sensibilização de jovens às questões do clima, dentre outros projetos. As interfaces entre Comunicação, Meio Ambiente, Jornalismo, Ciência e Educação atravessam a trajetória profissional de Myrian Regina Del Vecchio, do mercado à academia, resultando em pesquisas e no ensino. Principais publicações AUBRUN, F.; VECCHIO-LIMA, Myrian Del. La Stratégie de Plubicitarisation dans les Éditions Française et Brésilienne du Huffpost: une tension symbolique et éthique. Communication& Management, v. 18, p. 59-73, 2021. CONCEICAO, Cintia S.; VECCHIO-LIMA, Myrian Del. Hybrid Gender in Metamorphosis: analysis of literary journalism characteristics in online editions of the UOL TAB platform(20142018). BJR – Brazilian Journalism Research, on-line, v. 17, p. 306335, 2021. DOI: https://doi.org/10.25200/BJR.v17n2.2021.1371 DEL VECCHIO DE LIMA, Myrian Regina; COLATUSSO, V. W.; COLATUSSO, R. Risco socioambiental urbano e barragens de contenção de minérios em jornais digitais no Brasil. Revista Latinoamericana Comunicación-Chasqui, v. 144, p. 81-96, 2020. DOI: https://doi.org/10.16921/chasqui.v0i144 DEL VECCHIO DE LIMA, Myrian Regina; CAETANO, Kati Eliane. Implicações epistemológicas da pesquisa sobre novas práticas jornalísticas: por onde começar? Revista Famecos, online, v. 22, p. 61-76, 2015. DOI: https://doi.org/10.15448/19803729.2015.3.19898 LIMA, Myrian Del Vecchio. Memória da bioquímica no Paraná: a criação de uma escola de pesquisa. 1. ed. Curitiba: Editora da UFPR, 2012. 351 p. V. 500. 75 KATI CAETANO Claudia Irene de Quadros Kati Caetano nasceu em Cedral(SP). É filha de Germano Caetano e Georgina Kfouri Caetano. Estudou o primário e o ginásio na mesma cidade, no Grupo Escolar de Cedral e na Escola Estadual“Voluntário Carmo Turano”, respectivamente. Fez o colegial no Colégio Estadual e Escola Normal“Dr. Miguel Couto” em Uchoa(SP). Graduou-se em Letras Inglês, Espanhol e Português pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Preto(1969-1972), onde foi professora de língua portuguesa em três colégios estaduais. Em 1973 mudou-se para Corumbá(MS), então município do Estado de Mato Grosso, para trabalhar como professora. Em meados da década 1970 passou a analisar os jornais da época do Estado Novo encontrados nos porões de uma ex-intendência de Corumbá. O resultado da pesquisa foi a dissertação“História, Sociedade e Discurso Jornalístico: análise de alguns jornais veiculados em Corumbá durante o Estado Novo”, defendida no Mestrado em Linguística realizado na Universidade de São Paulo (USP) entre 1975 e 1982. De 1986 a 1991 cursou o Doutorado em Linguística, também na USP, com ênfase em Literatura, História e Sociedade. Em ambas as Pós-Graduações foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), e ainda contou com uma bolsa sanduíche de Doutorado pelo BID-USP(1990-1991) para a École des Hautes Études en Sciences Sociales(EHESC) em Paris. Mais tarde fez seu primeiro Pós-Doutorado na Universidade de Limoges(França), também financiado pela Capes. Permaneceu como professora das disciplinas de Análise de Discursos, Linguística e Teorias da Linguagem da Universidade 76 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Federal do Mato Grosso do Sul(UFMS) por 23 anos, até que se aposentou em 1996. Na Instituição, na qual ingressou em 1973, também assumiu cargos de direção, como coordenadora de curso e chefe de departamento. Quando se aposentou na UFMS mudou-se para Curitiba, onde iniciou um novo trabalho na Universidade Tuiuti do Paraná(UTP). Foi responsável pela criação do primeiro Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens do Paraná, onde trabalhou – de 1999 a 2002 – como coordenadora do Mestrado em Comunicação e Linguagens da UTP. Na Instituição Kati foi coordenadora do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão de 1996 a 1997 e diretora do Centro de PósGraduação, Pesquisa e Extensão em 1997. Mesmo aposentada, seguiu como professora permanente, trabalhando para consolidar a internacionalização do Programa, além de avaliar cursos na área de Comunicação junto a Capes em âmbito nacional. De 2002 a 2003 realizou um segundo Pós-Doutorado com o apoio da Capes em Lyon, França. Em 2011 cursou o terceiro PósDoutorado na Universidade Federal da Bahia(Ufba), por intermédio do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica(Procad). Como orientadora, foi responsável pela condução de 34 dissertações de Mestrado e 11 teses de Doutorado até 2023. Bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), tem registrado no Currículo Lattes 12 projetos de investigação. Entre os temas de pesquisa estão comunicação e experiência estética; comunicação visual; estética das mídias, jornalismo digital; práticas interacionais; sociedade técnica; e cultura digital. Na perspectiva da semiótica discursiva e enunciativa, desenvolveu o projeto“Afetos indóceis frente à ruinação dos corpos e espaços: mediações jornalísticas e de redes sociais”, sobre a violência contra a mulher. No decorrer de sua jornada, Kati Caetano ainda produziu, ao menos, 50 artigos científicos publicados em periódicos nacionais e internacionais, em autoria ou coautoria com orientandos e pesquisadores de diferentes instituições. Também conta com um livro publicado, quatro organizados e 30 capítulos de livros como autora e/ou coautora. 77 Principais publicações CAETANO, K. A prática da análise de discursos: literatura e sociedade. 1. ed. Campo Grande: Editora da UFMS, 1997. p. 212. V. 1. CAETANO, K.; CAIZAL, E. P.(org.). O olhar à deriva: mídia, significação e cultura. 1. ed. São Paulo: Annablume, 2003. p. 299. V. 1. CAETANO, K.; QUADROS, C.; LARANJEIRA, A.(org.). Jornalismo e convergência: ensino e práticas profissionais. Portugal: LabCom Books, 2011. p. 199. CAETANO, K.; DUARTE, F.(org.). Curitiba: do modelo à modelagem. São Paulo; Curitiba: Annablume: Champagnat, 2007. p. 259. V. 1. CAETANO, K. Des données au sens dans le discours de l’information: la rhétoricité de l’infographie. Interfaces Numériques, v. 9, 2020. Disponível em: https://www.unilim.fr/interfaces-numeriques/4399 CAETANO, K. Conflitos velados e desvelados na articulação da política com a estética. Razón y Palabra, v. 23, p. 282-322, 2019. Disponível em https://www.revistarazonypalabra.org/index.php/ ryp/article/view/1578/1407 LONGHI, R. R.; CAETANO, K. Valor-experiência no contexto do jornalismo experiencial. Galáxia, v. 42, p. 82-95, 2019. DOI: https:// doi.org/10.1590/1982-25532019340116 78 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul KELLY PRUDÊNCIO Elaine Javorski Kelly Prudêncio nasceu em 23 de julho de 1973 em Borrazópolis (PR). É filha de Ana Maria de Souza e Mauricio Vargas Prudêncio. Cursou os Ensinos Fundamental e Médio em Campo Mourão (PR) e prestou vestibular para o curso de Comunicação Social na Universidade Federal do Paraná(UFPR) em 1990. Fez vários cursos de extensão em áreas de Filosofia, Direito e Ciências Sociais para entender as discussões da década de 1990, e, depois de formada, enquanto trabalhava como professora de inglês, cursou especialização em Filosofia Política, também na UFPR, finalizada em 1996. No final da década de 1990 iniciou o Mestrado em Ciências Sociais Aplicadas na Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG), onde defendeu a dissertação, em 2000, intitulada“A produção da informação nas ONGs ambientalistas: estratégias de visibilidade”. Cursou Doutorado em Sociologia Política na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), onde defendeu, em 2006, a tese“Mídia ativista: a comunicação dos movimentos por justiça global na internet”. Iniciou a carreira docente em 1997, com atuação em Jornalismo na UEPG. Ministrou aulas também na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Itajaí(SC), e na UFSC por um período, retornando para a UEPG, de onde seguiu para a UFPR, após passar em concurso público no ano de 2008. Tem participação do grupo de pesquisa em Comunicação e Participação Política criado em 2011 que discute sobre democracia. 79 Durante sua jornada na docência conciliou pesquisa, ensino, extensão e questões administrativas, a exemplo da coordenação de cursos de Graduação e Pós-Graduação, além de integrar o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPR por dois mandatos(entre 2019 e 2023). No biênio 2015-2017 foi secretária geral da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Comunicação e Política(Compolítica), e de 2017 a 2019 atuou como editora da Revista E-Compós. Entre outras produções bibliográficas, Kelly Prudêncio é autora de diversos artigos publicados em periódicos, como E-Compós, Revista Compolítica, Comunicação e Sociedade, Comunicação Midiática, Contracampo, Eco-Pós, e outros. Principais publicações PRUDÊNCIO, K.; MAIA, R.; VIMIEIRO, A. C.(org.). Democracia em ambientes digitais: eleições, esfera pública e ativismo. Bahia: Edufba, 2018. p. 342. PRUDÊNCIO, K.; RIZZOTTO, C.; SAMPAIO, R. C.(org.). Atores coletivos em tensão: uma década de pesquisa em Comunicação e Participação Política. Curitiba: CRV, 2022. p. 330. PRUDÊNCIO, K. Liberais ao estilo populista. A argumentação do MBL no YouTube. Disponível em: https://impactum-journals.uc.pt/ mj/article/view/10258 PRUDÊNCIO, K. ¡Aquí Estamos Las Mujeres! A figura feminina nos protestos políticos sul-americanos de 2019 a partir de uma análise de imagens do Instagram. Disponível em: http://compolitica.org/ revista/index.php/revista/article/view/521 PRUDÊNCIO, K. Atores coletivos em tensão: uma década de pesquisa em Comunicação e Política. Disponível em: https://www. editoracrv.com.br/produtos/detalhes/37086-crv 80 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul DENISE GUIMARÃES Criselli Montipó Denise Azevedo Duarte Guimarães nasceu no dia 14 de outubro de 1943 em Santa Rita do Sapucaí(MG). Filha de Marisa Azevedo Duarte e Saul de Barros Duarte, Denise herdou o gosto pelas artes. Fez o curso Normal e iniciou a carreira de professora na cidade onde nasceu em 1962. Em 1970 ingressou na Graduação em Letras/ Português-Inglês na Universidade Federal do Paraná(UFPR). Formada em 1973, prestou concurso no ano seguinte na UFPR, onde atuou como docente até a aposentadoria em 1994. A partir de 1975 passou a atuar na editoração de periódicos acadêmicos. Na UFPR fundou e editou a Revista Estudos Brasileiros, com 16 volumes impressos publicados entre 1976 e 1982. Na Universidade Tuiuti do Paraná(UTP) criou e editou a Revista on-line E-Letras, com 20 volumes publicados entre 2000 e 2010. Em 1976 cursou especialização em Literatura Brasileira e dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros de 1976 a 1984, ambos na UFPR, e foi colaboradora do Jornal Nicolau entre as décadas de 1980 e 1990. Tornou-se mestre em Letras, em 1980, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná(PUC/PR), com a pesquisa A Poesia CríticoInventiva. É doutora em Estudos Literários pela UFPR, com a tese Poesia visual e movimento: da página impressa aos multimeios, defendida em 2004, com foco na linguagem híbrida da poesia multimídia. Depois da aposentadoria passou a trabalhar na Universidade Tuiuti do Paraná(UTP), após uma rápida passagem pelo Centro Universitário Positivo, de 1998 a 1999. 81 Ocupou inúmeros cargos de gestão durante a carreira acadêmica: coordenou o curso de Letras até 2003 e os cursos de especialização em Literatura de 1998 a 2010, além de ser docente fundadora e vice-coordenadora do curso de Especialização em Cinema da mesma instituição de 1998 a 2012. Criou(em parceria com Denize Correa Araújo) o Projeto Denis/zes, que realizava palestras, debates e cursos ligados às artes audiovisuais, com foco nas adaptações do romance para o cinema. Mudou para a área de Comunicação em 2004. Entre 2007 e 2010 integrou o corpo docente e foi vice-coordenadora do Programa de Mestrado em Linguagens, recém-criado na UTP, coordenadora da linha de pesquisa Estudos de Cinema e Audiovisual do Doutorado em Comunicação e Linguagens e editora da Revista Interin. Foi membro da Associação Brasileira de Editores Científicos (Abec), integrando os grupos de pesquisa Comunicação, Imagem e Contemporaneidade e Representações Simbólicas do Espaço Urbano em Narrativas Ficcionais. Após 30 anos de atuação na UTP assumiu o campo de estudos da tecnoestética dos processos comunicativos, com enfoque nas interfaces do cinema com as novas tecnologias. Recebeu muitos prêmios e títulos de reconhecimento: Melhor Ensaio, em âmbito nacional, da Secretaria de Cultura do Paraná em 1981; Membro Fundador e do Conselho da Associação de Semiótica, Regional Paraná(1984); voto de louvor da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais(1985); certificado Personalidade do Ano pela Prefeitura de Santa Rita do Sapucaí(1986); e Melhor Ensaio – nível estadual – pela Secretaria de Cultura do Paraná(1995). Em seu currículo ainda consta integrar a Academia de Letras de Santa Rita do Sapucaí; o Centro de Letras do Paraná; o Centro Feminino de Cultura de Curitiba; o Instituto Histórico e Geográfico do Paraná e, igualmente, ocupar a cadeira número 3 da Academia Feminina de Letras do Paraná. Com mais de 200 artigos e capítulos publicados, também integra a lista de pesquisadores brasileiros que mais aparecem em periódicos de Ciências da Comunicação, apresentada na tese defendida na Escola de Comunicação e Artes(ECA) da Universidade de São Paulo (USP) por Renata Carvalho da Costa. 82 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Principais publicações GUIMARÃES, D. A. D. A poesia crítico-inventiva. Curitiba: Biblioteca Pública do Paraná, 1985. GUIMARÃES, D. A. D. Comunicação tecnoestética nas mídias audiovisuais. Porto Alegre: Sulina, 2007. GUIMARÃES, D. A. D. Histórias em quadrinhos& cinema. Adaptações Alan Moore e Frank Miller. Curitiba: UTP, 2012. GUIMARÃES, D. A. D. Tipo/icono/grafia poética em cartazes de cinema. Curitiba: Editora Appris, 2018. GUIMARÃES, D. A. D. The Spirit de Will Eisner ressignificado por Frank Miller nos espaços iníquos das dark cities ficcionais/Will Eisner’s The Spirit re-signified by Frank Miller in the iniquitous spaces of fictional dark cities. Revista Intercom(artigo bilingue), v. 45, 2022. Disponível em: https://revistas.intercom.org.br/index. php/revistaintercom/article/view/3575 GUIMARÃES, D. A. D. A emergência de uma“terceira mulher” no videoclipe Wide Awake. Revista Temática, v. 17, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/tematica/article/ view/57636/32848 83 ELZA DE OLIVEIRA FILHA Angela Maria Farah Elza Aparecida de Oliveira Filha nasceu em 11 de julho de 1955 em Bom Sucesso(PR). É a caçula de João de Oliveira Vermelho e Elza Aparecida de Oliveira. Aos dez anos mudou-se com a família para Londrina(PR), após terminar o primário no Grupo Escolar Rocha Pombo. O ginasial cursou no Colégio Estadual Vicente Rijo, já em Londrina, onde começou o científico, como se falava na época, terminado no Colégio Estadual do Paraná em Curitiba. Em 1976 concluiu o Bacharelado em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, na Universidade Federal do Paraná(UFPR). Iniciou a carreira ainda durante o quarto ano de faculdade, trabalhando em jornais locais. Entre 1974 e 1976 fez parte da equipe do jornal O Estado do Paraná, onde foi repórter de setor, além de atuar como subeditora do Suplemento Agrícola; entre junho e agosto de 1976 integrou a equipe do Jornal Indústria e Comércio do Paraná, atuando nos Cadernos de Agricultura e Abastecimento; e de outubro de 1976 a maio de 1977 fez parte da sucursal de Curitiba do jornal O Estado de S. Paulo, no qual atuou como repórter. No período de outubro a dezembro de 1977 trabalhou na Folha de Londrina, onde foi repórter da sucursal de Curitiba. Em 1978 integrou a sucursal do jornal O Globo, no qual permaneceu por 20 anos. Ali iniciou como correspondente, na cobertura dos acontecimentos locais, e, depois, assumiu a coordenação da redação. Após a desativação da sucursal, voltou a atuar como repórter correspondente, cobrindo os Estados da Região Sul do Brasil(Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). 84 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Entre 1987 e 1988 trabalhou na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná como jornalista na assessoria de imprensa de um gabinete parlamentar. De 1995 a 1997 Elza contribuiu com o jornal Folha Popular, participando do Conselho Editorial e do corpo de redatores da publicação editada por uma cooperativa composta por entidades sindicais e populares. Com a aposentadoria no jornalismo, ingressou no campo acadêmico, entre 1998 e 2003, atuando como professora substituta na Universidade Federal do Paraná(UFPR), onde, mais tarde, participou de conselhos e comissões relacionadas ao ensino, pesquisa e extensão. Em 2001 aperfeiçoou-se no Curso de Metodologia de Ensino Superior pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná(Fesp). De 2000 a 2002 fez o Mestrado em Sociologia com a dissertação“O Papel do Jornal Sem Terra na Organização do MST”, orientada por Ângela Duarte Damasceno Ferreira, sendo bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Entre 2003 e 2006 cursou Doutorado em Ciências da Comunicação, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), resultando na tese“Olhares sobre uma cobertura: as eleições de 2002 para o governo do Paraná em três jornais locais”, orientada por Antonio Fausto Neto, com o apoio de bolsa de estudos do Fundo Loyola de Apoio Acadêmico(FLAA). A tese foi publicada em livro em 2007. No período de 2001 a 2003 participou de conselhos, comissões e consultorias na UFPR como membro representante da comunidade no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. Em 2002 também desempenhou a função de membro da comissão responsável pelos cursos de especialização na UFPR. Além das atividades acadêmicas, Elza também teve envolvimento em extensão universitária. É autora do projeto de extensão intitulado“Letramento e educação midiática: abordagens a respeito de fake news em escolas públicas de Curitiba”. Elza Aparecida de Oliveira Filha tem uma trajetória sólida e diversificada, acumulando experiência tanto no campo do jornalismo quanto no acadêmico. 85 Principais publicações FILHA, E. A. de O. O papel do Jornal Sem Terra na organização do MST em 2002. Disponível em: https://acervodigital.ufpr.br/ handle/1884/79687 FILHA, E. A. de O. Olhares sobre uma cobertura: a eleição de 2002 para o governo do Paraná em três jornais locais. 2006. Disponível em: http://www.repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/2502 FILHA, E. A. de O.; RUGGI, L.O. News values and feminisms: a campaign for gender equality in Irish higher education. Revista Comunicación y Género, v. 3, n. 1, 2020. Disponível em: https:// revistas.ucm.es/index.php/CGEN/article/view/67502 FILHA, E. A. Educação midiática e organizações: é possível combater a desinformação e as fake news em ambientes organizacionais? CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO (INTERCOM), 44., 2021, Recife, 2021. Disponível em: https://www. portalintercom.org.br/anais/nacional2021/resumos/ij03/franciscocamolezi-melo.pdf FILHA, E. A. Olhares sobre uma cobertura: a eleição de 2002 para o governo do Paraná em três jornais locais. Curitiba: Pós-Escrito, 2007. 86 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul FLÁVIA BESPALHOK Marcia Boroski Flávia Lúcia Bazan Bespalhok nasceu em 28 de fevereiro de 1965 em Pontal(SP). É filha de Ângelo Florivaldo Bazan e Zenaide Schiavetto Bazan. Casou-se com João Carlos Bespalhok Filho, com quem teve dois filhos: Mateus e Nicolas. É avó de Laura. Até a 8ª série estudou na cidade natal. Para cursar o Ensino Médio (antigo 2º Grau), mudou-se para Ribeirão Preto(SP). Em 1983 ingressou no curso de Comunicação Social Habilitação Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina(UEL), formando-se em 1987. Sua primeira experiência prática na comunicação interna foi para uma rede de supermercados em Ribeirão Preto, entre 1987 e 1988. Em 1999 tornou-se especialista em Práxis e Discurso Fotográfico pela mesma Universidade. Cursou o Mestrado no Programa de PósGraduação em Comunicação Midiática na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho(Unesp), no Campus de Bauru, com a dissertação, em 2006,“A Prática da Reportagem Radiofônica na Emissora Continental do Rio de Janeiro”. Já a tese foi defendida em 2015, sob o título“As interações no rádio expandido: a experiência das emissoras curitibanas Massa FM, Caiobá FM e 98 FM”, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná(UTP) em Curitiba. Entre 1989 e 1990 auxiliou na estruturação do projeto da Rádio Pontal FM, sendo responsável pelo jornalismo e atuando com produção de notícias e no restante da programação. Mudou-se para Londrina, onde, de 1990 a 1991, encarregou-se da pauta e da reportagem do programa Destaque, na TV Cidade, 87 pertencente à Rede Massa. Entre 1990 e 1994 foi jornalista concursada da Rádio Universidade FM da UEL. Flávia morou durante três anos no Japão, na cidade de Nagoia. Nesse período fez transcrições e digitações, e, paralelamente, contribuiu com jornais em língua portuguesa que circulavam nacionalmente no país. No retorno ao Brasil atuou como assessora de imprensa nos anos de 1997 e 1998 na Secretaria Municipal de Ação Social de Londrina. Sua trajetória como docente começou em 1998 na Universidade Estadual de Londrina, onde tornou-se professora assistente. Na instituição também atuou como representante do Departamento de Comunicação, no Conselho Consultivo da Rádio Educativa Universidade FM, entre 2005 e 2009, e foi vice-chefe do Departamento de Comunicação nos anos de 2008 e 2009. No Colegiado do curso de Jornalismo foi vice-coordenadora nos anos de 2006 e 2007. Entre 2002 e 2004 ainda atuou no Ensino Superior de Jornalismo em instituições privadas, como o Centro de Estudos Superiores de Maringá(Cesumar) e a Faculdade Metropolitana Londrinense Iesb (UMP-Iesb). Em 2009 ingressou como concursada na Universidade Federal do Paraná(Curitiba), onde iniciou no Setor de Educação Profissional e Tecnológica(SEPT). Na instituição coordenou o Curso Superior de Tecnologia em Comunicação Institucional de 2010 a 2012 e de 2015 a 2018, e foi presidente do Núcleo Estruturante do Curso Superior de Tecnologia em Comunicação Institucional entre os anos de 2015 e 2018. Também fez parte do Conselho Universitário e do Conselho de Planejamento e Administração da Universidade Federal do Paraná(UFPR), entre 2018 e 2022, e, posteriormente, passou a integrar o Núcleo Docente Estruturante do curso de Tecnologia em Comunicação Institucional da Universidade. Em 2016 entrou para a Agência Experimental de Comunicação Institucional ZiiP(um projeto de extensão do curso de Comunicação Institucional), e, em 2019, assumiu a coordenação do projeto Produção sonora nas práticas de comunicação das organizações em tempos de convergência e rádio expandido. Ao longo de 25 anos de trabalho recebeu uma série de prêmios: Sangue Novo(conferido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná), Expocom Sul e Expocom Nacional(conferidos pela 88 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Intercom), como menções honrosas e primeiros, segundos e terceiros lugares nos concursos. Dentre esses consta, ainda, o 1º lugar recebido com o radiojornal laboratório“Estação Notícia”, no Sangue Novo de 2009. O prêmio foi fruto do último programa de rádio produzido na Universidade Estadual de Londrina antes de sua saída. Na trajetória de Flávia outro destaque são as honrarias recebidas anualmente das turmas de estudantes por meio de convites para ser paraninfa, patronesse ou nome de turma, tanto na UEL quanto na UFPR. Principais publicações BESPALHOK, F. O legado de Carlos Palut ao ensino do Radiojornalismo. CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO (INTERCOM), 30., 2007, Santos: Intercom, 2007. BESPALHOK, F. Surgimento e desenvolvimento da reportagem na Emissora Continental do Rio de Janeiro(1948-1964). In: MOREIRA, S. V.(org.). 70 anos de radiojornalismo no Brasil 1941-2011. Rio de Janeiro: Eduerj, 2011. BESPALHOK, F.; QUADROS, C.; LOPEZ, D. Panorama do rádio em Curitiba. In: PRATA, N.(org.). Panorama do rádio no Brasil. Florianópolis: Editora Insular, 2011. BESPALHOK, F.; QUADROS, C. I. de; BIANCHI, G. S.; KASEKER, M. P. Perfis de ouvintes: perspectivas e desafios no panorama radiofônico, Matrizes, v. 11, 2017. 89 ANA MARIA MELECH Maura Oliveira Martins Ana Maria de Souza Melech nasceu em 21 de agosto de 1962 em Curitiba(PR). É filha de Ismael de Souza e Irene Prosdócimo de Souza. Cursou o Primeiro Grau na Escola Estadual Amâncio Moro e o Segundo Grau no Colégio Estadual Victor Ferreira do Amaral, todos em Curitiba. Ingressou no curso em 1987, na Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG), quando tinha 25 anos. Nesse período deu aulas em Palmeira e em Ponta Grossa, aproximando-se, pela primeira vez, da docência. O curso de Graduação foi concluído em 1993. Ao longo de 15 anos trabalhou como repórter, fotógrafa e editora em jornais, como Tribuna do Povo e Gazeta do Povo, além de atuar na assessoria de imprensa na área política e em grandes empresas. Em 1999 ingressou no Mestrado em Engenharia de Produção na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), desenvolvendo o trabalho“Ensino de Jornalismo na era da competitividade: a realidade de Curitiba”, relacionando tecnologia e Jornalismo. Em 1999 passa a integrar o corpo docente da Universidade Tuiuti do Paraná(UTP), instituição à qual esteve vinculada até 2022. Durante esse período também integrou o corpo de professores da Universidade Estadual do Centro-Oeste(Unicentro) em 2012; do Centro Universitário UniBrasil entre 2008 e 2010; e do Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão(Ibpex) entre 2002 e 2009. Em 25 anos de carreira, vivenciou muitas mudanças na profissão e atuou em disciplinas diversas, como Teorias da Comunicação, Jornal Laboratório, Trabalho de Conclusão de Curso, Redação Jornalística e Fotografia. Ainda orientou cerca de 50 Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação e esteve à frente de, pelo menos, seis projetos 90 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul reconhecidos pelo Prêmio Sangue Novo, concedido anualmente pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná. Entre 2012 e 2016 foi estudante da Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná, concluindo com a tese“A Imagem como Enunciação: o Ethos político do estadista Getúlio Vargas através das fotografias expostas na Revista da Semana”, orientada por Alvaro Larangeira. Outros de seus projetos de maior destaque são: o podcast Fala Tuiuti, feito em parceria com a Comissão de Pesquisa da Universidade Tuiuti do Paraná, voltado à divulgação da pesquisa científica desenvolvida na instituição; o podcast Conta Aí Tuiuti, executado por estudantes de Jornalismo e Publicidade e Propaganda; e o programa Curitiba Mais Cultura, veiculado à TV Comunitária e TV Evangelizar. Principais publicações MELECH, A. M. de S. A simbologia da devoção: o retrato da fé demonstrado pelos ex-votos e a relação com a Igreja midiatizada. Revista Internacional de Folkcomunicação, 2015. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/folkcom/article/view/18979 MELECH, A. M. de S. A ideologização da imagem como elemento constitutivo do poder político: como a narrativa fotográfica influenciou na construção/representação do estadista Getúlio Vargas nas páginas da Revista da Semana. CONFERÊNCIA DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE COMUNICAÇÃO(ICA) NA AMÉRICA LATINA, 4., 2014. MELECH, A. M. de S. A narrativa fotojornalística da Revista da Semana e a construção do ideário da Revolução de 1930. Revista Litteris, 2016. Disponível em: https://www.revistalitteris.com.br/ revista16 91 CLAUDIA QUADROS Michele Goulart Massuchin Claudia Irene de Quadros nasceu em 29 de janeiro de 1968 em Curitiba(PR). É filha de José Fernandes da Silva e Cacilda Fernandes da Silva. Casou-se com Itanel Bastos de Quadros Junior, com quem tem um filho: Iago. Da 5ª a 8ª série estudou na Escola Nossa Senhora da Salete e o Ensino Médio no Colégio Estadual do Paraná, em sua cidade natal. Graduou-se em Jornalismo(1992) e Relações Públicas(1993) na UFPR. Desde o início da faculdade trabalhou em diversos meios de comunicação de Curitiba, como Rádio 98 FM, TV Independência, Gazeta do Povo, TV Paranaense(agora RPC) e CBN. Em 1996 iniciou o Doutorado em Ciências da Comunicação na Universidade de La Laguna, em Tenerife(Espanha), com bolsa do governo espanhol. Em 1999 defendeu a tese Los periodistas y diarios electrónicos: las exigencias profesionales en la Red, na qual estudou os jornais El País Digital, El Mundo del Siglo XXI, NetEstado e O Globo On. Sua tese foi publicada no formato de livro em 2005. Cursou, ainda, dois Pós-Doutorados; o primeiro na Universidade Pompeu Fabra, Espanha, com bolsa da Capes, entre 2009 e 2010; o segundo em 2023, na Universidade Beira Interior(UBI), em Portugal. Trabalhou em agências de comunicação integrada e foi bolsista do Centro Internacional de Tecnologia de Software(Cits) e do Instituto de Tecnologia do Paraná(Tecpar). Foi docente do Centro Universitário Central Paulista(Unicep) e, no segundo semestre de 2000, entrou na Universidade Tuiuti do Paraná(UTP) como professora e coordenadora dos cursos de Jornalismo e Relações Públicas(2000 a 2004). Foi docente permanente no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens, no qual também 92 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul contribuiu na gestão do curso, especialmente como coordenadora entre 2010 e 2013. Após 13 anos na UTP foi aprovada em concurso público na Universidade Federal de Ouro Preto(Ufop), permanecendo na instituição por cerca de um ano. Em 2014 começou a trabalhar como professora da UFPR, atuando no Departamento de Comunicação, mais especificamente no curso de Relações Públicas e na PósGraduação, quando assumiu a coordenação. Na mesma Universidade foi coordenadora do Programa de PósGraduação em Comunicação(PPGCOM), entre 2016 e 2018, e uma das responsáveis pela Avaliação de Propostas de Cursos Novos (APCN), quando, ainda em 2018, o PPGCOM da UFPR solicitou a abertura do curso de Doutorado. Entre 2021 e 2023 foi vice-chefe do Departamento de Comunicação. Na pesquisa dedica-se aos estudos sobre jornalismo digital e no campo das organizações e da Comunicação Pública da Ciência. Em 2015 assumiu a coordenação do grupo de pesquisa COMXXI, além de integrar a Rede de Pesquisa Aplicada Jornalismo e Tecnologias Digitais(JorTec). Coordenou diversos projetos de pesquisa ao longo dos mais de 20 anos de trajetória em pesquisa, a exemplo de“Arquitetura Web: a estrutura da notícia no jornal”;“O processo comunicacional nos sites jornalísticos paranaenses”,“Mapeamento de metodologias em Comunicação Digital”,“A comunicação organizacional na Era da Convergência Tecnológica: do ensino ao mercado” e“O diálogo com o(s) público(s) sobre ciência nas plataformas de redes sociais”. Também atuou em projetos de pesquisadores parceiros de diversas universidades brasileiras, como o#AcesseJOR: protocolo de inovação social para o jornalismo digital(financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq). De 2014 a 2022 coordenou o projeto de extensão Prattica – Agência Experimental de Relações Públicas. Em 2018 passou a trabalhar na Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica da UFPR como responsável pela subárea de pesquisa e escrita acadêmica. Em meados dos anos 2000 passou a atuar na Compós, onde coordenou e vice-coordenou o GT de Estudos em Jornalismo entre 2017 e 2020. Na Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor) Claudia foi vice-presidente, diretora científica 93 e coordenadora do Prêmio Adelmo Genro Filho. Entre os anos de 2007 e 2009 foi editora executiva da Brazilian Journalism Research(BJR). Desde a sua atuação na UTP, no início dos anos 2000 até 2024, orientou 30 dissertações e 3 teses, além de mais de 80 projetos de Iniciação Científica(IC) e Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). Três pesquisas orientadas pela docente foram premiadas pela Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas(Abrapcorp) – duas receberam menção honrosa: uma tese de Doutorado(2013) e uma monografia (2020), além de uma dissertação com o primeiro lugar(2023). Principais publicações QUADROS, C. I. de. A participação do público no webjornalismo. Brasília: E-Compós, v. 4, p. 1-17, dez. 2005. QUADROS, C. I. de. Metodologias de pesquisa em jornalismo participativo no Brasil. Brazilian Journalism Research, 2008. QUADROS, C. I. de. Uma breve visão histórica do jornalismo on-line. In: HOHLFELDT, Antonio; BARBOSA, Marialva(org.). Jornalismo no século XXI: a cidadania. 1. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 2002. p. 239-259. QUADROS, C. I. de. Jornalismo para tecnologias móveis: o consumo entre jovens. QUADROS, C. I. de; RASÊRA, M.; MOSCHETTA, A. Jornalismo e tecnologias móveis. Covilhã: LabCom, 2013.(E-book). QUADROS, C. I. de; CAETANO, K.; LARANJEIRA, A.(org.). Jornalismo e convergência: ensino e práticas profissionais. Covilhã: LabCom Book, 2011. 94 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul PAULA MELANI Carla Rizzotto Paula Melani Rocha nasceu em 22 de junho de 1969 em Três Lagoas (MS). É filha de Gutemberg de Melo Rocha e Semiramis Melani de Melo Rocha, e irmã de Eduardo. Passou parte de sua infância e adolescência em Ribeirão Preto(SP). Foi casada com Rubens Volpe Filho e é mãe de Lucas. Frequentou escola infantil em Ilha Solteira(SP) dos 2 aos 4 anos, e em Ribeirão Preto(SP) a Escola Estadual Fernandes Palma, do Jardim a 8ª série, e o Colégio Oswaldo Cruz, do 1º ao 3º colegial. Em 1990 formou-se em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Paralelamente, entre 1987 e 1991, completou o curso de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo(USP). Em 1997 concluiu o Mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos(Ufscar), com a dissertação “A profissionalização no jornal popular: concepção da notícia e a representação social sobre leitores no Notícias Populares”. Entre 1996 e 1997 realizou dois cursos de especialização na Harvard University, nos Estados Unidos: Understanding and Developing Multimedia(Compreendendo e Desenvolvendo Multimídia) e Document Image Processing(Processamento de Imagem de Documento). Paula alcançou seu Doutorado em Ciências Sociais também pela Ufscar, concluído em 2004 com a tese intitulada“As mulheres jornalistas no Estado de São Paulo: processo de profissionalização e feminização da carreira”. Entre 2007 e 2008 realizou um Pós-doutorado na Universidade Fernando Pessoa, em Portugal, com foco na história do jornalismo. 95 Iniciou sua carreira jornalística ainda no período em que cursava as Graduações, trabalhando como freelancer para o DataFolha e Folha de S. Paulo. Após formar-se, trabalhou no Diário Popular em São Paulo. Em Ribeirão Preto trabalhou na Folha de S. Paulo e como assessora de imprensa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. De 1997 a 2002 trabalhou em Varginha, São Carlos e Ribeirão Preto. Enquanto trabalhava na EPTV, afiliada da Rede Globo, cursou Mestrado e Doutorado. No final da década de 1990 atuou como assessora de imprensa no Hemocentro/USP e no Colégio Brasileiro de Hematologia, além de cofundar uma produtora de audiovisual e lecionar Jornalismo na Universidade de Ribeirão Preto(Unaerp). Em 2002 deixou a televisão para coordenar o curso de Jornalismo das Faculdades COC, em Ribeirão Preto. Em 2010 migrou para a Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG), onde coordenou o Programa de Pós-Graduação em Jornalismo, sendo membro ativo em diversas comissões e conselhos. A partir de 2012 tornou-se membro do Núcleo Docente Estruturante do Curso de Jornalismo, e no ano seguinte passou a participar do Comitê Científico de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação(Propes), e também se tornou integrante do Colegiado do Curso de Graduação em Jornalismo, do Curso de Pós-Graduação em Jornalismo e da Comissão Permanente de Acompanhamento e Avaliação de Política de Cotas da Universidade. Na área de extensão universitária Paula coordenou o projeto “Agência de Jornalismo” e liderou o Núcleo de Documentarismo e o projeto de extensão cultural“ADE!”, programa veiculado à TV Comunitária de Ponta Grossa. Entre 2021 e 2023 foi conselheira na Fundação Educacional de Ponta Grossa(Funepo), representando a Universidade em questões estratégicas e decisórias. Também participou da diretoria da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJOR), na gestão 2012/2013. Em sua trajetória consta, ainda, o cargo de Diretora Institucional da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo(Abej), além da coordenação dos grupos de pesquisa“O Conhecimento no Jornalismo” e“Jornalismo e Gênero”, ambos cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Foi pesquisadora-colaboradora do Laboratório de Estudos 96 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Avançados em Jornalismo(LABJor) da Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), com projeto aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp); bolsista produtividade pela Fundação Araucária, entre 2019 e 2021, com o projeto“Inovação tecnológica, profissão e mercado de trabalho em jornalismo”, e de produtividade pelo CNPq. Além de seu trabalho acadêmico, é conhecida por seu engajamento em políticas afirmativas e direitos das mulheres junto a Comissão de Políticas Afirmativas da UEPG e o Conselho Municipal das Mulheres. Principais publicações AMARAL, M. E. P. do; ROCHA, P. M.; CLARO, P. C. Um vírus e duas guerras: por uma cobertura jornalística feminista e decolonial. Discurso& Sociedad, v. 15, p. 143-165, 2021. CABRAL, L. S. C.; WOITOWICZ, K. J.; ROCHA, P. M.; AMARAL, M. E. P. do. Para pensar um jornalismo interseccional: propostas epistemológicas. Âncora – Revista Latino-Americana de Jornalismo, v. 8, p. 40-59, 2022. COLUSSI, J.; ROCHA, P. M. Examining the journalistic genres hybridisation in content published by newspapers on Facebook Live. The Journal of International Communication, v. 26, p. 1-16, 2020. DANCOSKI, A. K.; MICK, J.; ROCHA, P. M. Masculização e desfeminilização no jornalismo em crise no Brasil(2012-2017). Revista Estudos Feministas, v. 2, p. 1-16, 2022. PEREIRA, F. H.; ROCHA, P. M.; GROHMANN, R.; LIMA, S. P.(org.). Novos olhares sobre o trabalho no jornalismo brasileiro. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2020. 214 p. V. 7. ROCHA, P. M.; KONDLATSCH, R.; CASTILLO, A. ¿No es solo una crisis sanitaria? Los periodistas brasileños enfrentan importantes riesgos profesionales y personales mientras denuncian la pandemia. Estudios sobre el Mensaje Periodístico, v. 29, p. 347-355, 2023. 97 REGIANE RIBEIRO Valquíria Michela John Regiane Regina Ribeiro nasceu em 1º de outubro de 1973 em Londrina(PR). Filha de Tereza Ribeiro e Antonio Gilberto Ribeiro, é mãe de João e Luisa. Cursou a Educação Infantil e o Ensino Fundamental na Escola Mãe do Divino Amor, em Arapongas(PR), e na Escola Estadual Elias Abrahão, em Curitiba(PR), respectivamente. O Ensino Médio, cursou no Colégio Canadá e no Colégio Universitário, em Londrina(PR). Em 1995 graduou-se em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Londrina(UEL/PR). É mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC/ SP), onde desenvolveu a tese intitulada“A utilização de processos midiáticos na construção de competências: os efeitos do programa Veja na Sala de Aula”, defendida em 2007. De 2003 a 2010 atuou como docente na Universidade Estadual de Londrina. No período de 2006 a 2010 foi coordenadora do Programa Stricto Sensu – Tecnologia da Informação e Comunicação na Formação em EaD da Universidade Norte do Paraná(Unopar). Em 2010 tornou-se professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde, anos mais tarde, passou a atuar como professora associada, ministrando aulas para o curso de Relações Públicas do Departamento de Comunicação e como professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM/UFPR), na linha de Comunicação e Cultura. Fundou e passou a liderar o Grupo de Pesquisa Nefics – Núcleo de Estudos em Ficção Seriada e Audiovisualidades – certificado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) desde 2013 e vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Paraná(PPGCOM/ 98 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul UFPR). Ali coordenou os projetos“A representação da mulher latina no audiovisual: estereótipos, limitações e ressignificações”(20162017);“Representação, representatividade e interseccionalidades: um mapeamento das categorias em articulação nas narrativas audiovisuais”(2018-2024); e atuou como integrante dos projetos “Ficção seriada e aplicativos de streaming: representação de gênero e fluxo narrativo na Globo Play”(2019-2020) e“Narrativa televisiva ficcional contemporânea: intersecções entre pandemia, inovação e tradição a partir das telenovelas”(Observatório Ibero-Americano da Ficção Televisiva – Obitel UFPR, 2020-2022). Passou a participar também do grupo Obitel UFPR que integra a Rede Obitel Brasil – Observatório Ibero Americano de Ficção Televisiva. No período de 2016 a 2020 integrou a Rede Brasil Conectado, que desenvolveu a pesquisa“Jovem e consumo cultural em tempos de convergência”, coordenando a equipe paranaense da pesquisa de abrangência nacional. Em 2018 assumiu a direção do Setor de Artes, Comunicação e Design da UFPR, cargo para o qual foi reeleita em 2022. Em 2022 também assumiu a coordenação da disciplina transversal de Divulgação Científica e Popularização da Ciência, da PRPPG da UFPR, criada naquele ano. Em 2024 deu início ao projeto“Representações midiáticas e a percepção pública da ciência no contexto de uma cultura científica”, articulando suas atividades como pesquisadora de audiovisualidades às atividades que passou a desenvolver desde 2018 na UFPR com foco na Comunicação Pública da Ciência. Além das atividades de pesquisa e da docência, Regiane desde 2018 faz a coordenação geral da Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica da UFPR, projeto de extensão e inovação com o objetivo central de criar e fortalecer relações acessíveis e informativas entre as pessoas e a ciência, produzindo conteúdo para diversos públicos, formatos e mídias. A partir da Agência Escola sua atuação voltou-se para os processos que envolvem a divulgação e a popularização da ciência. Entre eles, o Paraná Faz Ciência(PrFC), que integra os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação(Napi), que articula diversas ações e projetos de divulgação científica do Estado do Paraná e coordena o Linha 5 – Disseminação social e subsídios a Políticas do Instituto Nacional de Ciência Cidadã(INCC), que reúne as principais instituições, 99 grupos de pesquisa e pesquisadores atuantes na área da Ciência Cidadã no Brasil. Principais publicações RIBEIRO, Regiane; COSTA, Leonardo. O destino da heroína refugiada: animação e instrumentalização da violência e morte em corpos migrantes. Revista Comunicação Midiática, on-line, v. 18, p. 129-148, 2024. RIBEIRO, Regiane Regina; JOHN, Valquíria M. Estar no lugar de alguém: um processo de negociação entre espectador e personagem a partir da“experiencialidade”. Rumores, USP, v. 14, p. 223-244, 2020. RIBEIRO, Regiane Regina; SILVA, Anderson Lopes da. Comunicando diferenças: os processos de hibridização a partir da leitura de la différance nos Estudos Culturais. E-Compós, Brasília, v. 18, p. 1-18, 2014. RIBEIRO, Regiane Regina. Jovens, consumo e convergência midiática. 1. ed. Curitiba: Editora UFPR, 2016. 183 p. V. 1. RIBEIRO, Regiane; COSTA, Felipe da; MATHEUS NETO, Romão. Ficção televisiva: um lugar que hoje transita entre as telenovelas e as séries. In: JACKS, Nilda; LIBARDI, Guilherme; SIFUENTES, Lirian (org.). Meios e audiências IV: continuidades e novos desafios frente à convergência midiática. 1. ed. São Paulo: Pimenta Cultural, 2024. p. 176-205. V. IV. 100 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul LUCIANA PANKE Aline Vaz Luciana Panke nasceu em 7 de dezembro de 1972 em Passo Fundo (RS). É filha de Arlindo Panke e Noemia Hepp Panke e mãe de Gabriela. Realizou o Ensino Fundamental entre dois colégios: Martinus em Curitiba e Incomar em Toledo, cidade onde cursou o Ensino Médio também, no Colégio Willy Barth. Graduada em 1994 em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná(PUC/PR), cursou Mestrado em Letras na Universidade Federal do Paraná(UFPR) e Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), com tese que gerou o livro Lula, do sindicalismo à reeleição, publicado no Brasil, na Argentina e no México. Fez estágio Pós-Doutoral, em 2014, na Universidad Autónoma Metropolitana – sede Cuajimalpa(UAM-México), onde realizou pesquisa sobre propaganda eleitoral de mulheres na América Latina com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). O estudo resultou no livro Campañas electorales para mujeres, indicado pela Asociación Latinoamericana de Consultores Políticos(Alacop) como um dos melhores livros de 2016, finalista do melhor livro político de 2018 pela Wapas(EUA) e publicado em três países(Brasil, México e Argentina). Em 2006 tornou-se professora titular do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Paraná(UFPR). No Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCom/ UFPR) passou a integrar a linha de pesquisa Comunicação, Política e Atores Coletivos. Atuou como professora convidada em instituições como Universidad Austral, Universidad Católica Argentina(UCA), Universidad Nacional de Córdoba(Argentina), 101 Universidad Internacional de Ecuador, Universidad Camilo Jose Cela(Espanha), Universidad Autónoma de Querétaro, Universitad Autónoma de Puebla e Universidad Autónoma Metropolitana (México). Trabalhou na União Dinâmica de Faculdades Cataratas (UDC), atuando, no início da carreira, em outras universidades privadas e agências de comunicação. Durante sua trajetória, Luciana tornou-se fundadora e líder do Grupo de Pesquisa Comunicação Eleitoral(CEL), certificado pelo CNPq desde 2011 e vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Paraná(PPGCom/UFPR), com a participação do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFPR, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora(MG), da Universidade Federal de São João Del Rey(MG), da Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos-São Leopoldo/RS), Unochapecó(SC) e Universidad Autónoma Metropolitana – UAM-México, sede Cuajimalpa. Também assumiu como consultora externa na Câmara dos Deputados e no Tribunal Superior Eleitoral, além de atuar como consultora convidada por partidos políticos no Brasil e na América Latina e ser eleita vice-presidenta da Asociación Latinoamericana de Investigadores en Campañas Electorales(Alice). Luciana associou-se à Associação Brasileira de Ciência Política(ABCP). Na UFPR, além de trabalhar como coordenadora do curso de Graduação em Publicidade e Propaganda(2019-2021), foi coordenadora do GT Propaganda e Comunicação Eleitoral da Compolítica – Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política(2020-2022), diretora de Comunicação Institucional e Marketing(2018-2019) e superintendente de Comunicação e Marketing(2017-2018). Ainda integrou o Conselho Fiscal da Gestão Compolítica(2015-2017), foi membro da Associação Brasileira de Profissionais e Pesquisadores de Publicidade e Propaganda(ABP2), vice-presidente da Politicom – Sociedade Brasileira de Profissionais e Pesquisadores de Comunicação e Marketing Político(2011-2015), diretora Sul da Politicom(20082011) e fundadora do Projeto Ponto Pasta – UFPR – Anuário de Criatividade(2008-2021). Foi, ainda, membro de comitê de assessoramento de agências de fomento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e Fundación Ciencias de la Documentación; 102 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul foi parecerista de diversas revistas acadêmicas, nacionais e internacionais, assim como integrante de Conselhos Editoriais em periódicos científicos, como Revista Alaic, Revista Pangea, Observatório Nacional de Participação de Mulheres na Política, Revista Interfaces, Revista de Comunicación Política, Resenha Eleitoral e Revista Uninter de Comunicação. Luciana também foi premiada em diversas ocasiões, a exemplo de 2016, quando foi escolhida como uma das 12 mulheres mais influentes da comunicação política pela The Washington Academy of Political Arts Sciences(EUA), e em 2020, quando foi intitulada Excelência no Ensino na Comunicação Política. Outras premiações foram: recomendação para Personalidade de Comunicação do Ano – Paraná, Ric Mais – Top View; Elas Nos Inspiraram em 2022 – Mulheridades que entusiasmam e constroem o feminismo no Brasil, Portal Catarinas; Compol 100 – Los 100 profesionales más influyentes de la Compol – Revista Washington Compol, MPR Group USA; Investigación Relevante en Comunicación Política, Asociación Latinoamericana de Investigadores en Campañas Electorales; Mérito a la Exceléncia en la Enseñanza en la Comunicación Política, The Washington Academy of Political Arts& Sciences; finalista como melhor livro político de 2018 – Campañas Electorales para Mujeres, Napolitans Awards USA. Durante sua jornada conduziu os projetos de pesquisa“Tipologias arquetípicas das candidatas às Prefeituras das capitais brasileiras em 2024 um estudo comparado”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq);“Comunicação e política: a Gramática do Discurso Político e Eleitoral – Análise das eleições 2024”; e“SEMIPI: história e trajetória da Secretaria da Mulher do Estado do Paraná”, com cooperação da Secretaria da Mulher. Também conduziu os projetos de pesquisa“Gênero, Gestão Pública e Desenvolvimento Sustentável: a influência do gênero de prefeitos e prefeitas nos índices de avaliação dos ODS no Brasil”;“Comunicação eleitoral: análise das candidatas às Prefeituras das capitais brasileiras em 2020”;“Protagonismo feminino; Comunicação e Política: análise da campanha eleitoral dos principais candidatos à Presidência da República no Brasil em 2014”; entre outros. Com mais de 60 artigos publicados em periódicos e 80 capítulos de livros no Brasil e no exterior, Luciana já apresentou mais de 103 70 trabalhos em eventos científicos. Ocupando espaços como conferencista internacional em mais de dez países na América Latina e na Europa, a professora sempre abordou temáticas da comunicação política e eleitoral, principalmente sobre a participação da mulher na política e o protagonismo feminino. Principais publicações PANKE, L. Política e entretenimento: cruzamento e/ou interferência na construção de sentidos. Santa Maria: Animus, 2010. p. 13-30. V. 18. PANKE, L. O Dia Internacional da Mulher na perspectiva discursiva do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Cuestiones de Género: de la Igualdad y la Diferencia, v. 4, p. 383-412, 2009. PANKE, L.; BESPALHOK, F. B. O potencial educativo do rádio? A experiência do NCEP. Curitiba: Extensão em Foco, 2009. p. 27-35. V. 1. PANKE, L. A questão“emprego” no discurso político do presidente do Brasil durante a campanha para reeleição presidencial. Observatorio, v. 2, p. 14, 2008. PANKE, L. Lula, de sindicalista a presidente da República: as mudanças nos discursos políticos sob a perspectiva da temática emprego. BOCC. Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação, v. 020508, p. 1, 2008. 104 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS 105 Aline Louize Deliberali Rosso Doutora(2017) e mestre(2011) em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Jornalista(2008) formada pela Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG) e pesquisadora do Grupo de Pesquisa Jornalismo, política, comunicação política e pública(governos) na sociedade contemporânea(UFSC). Pesquisa identidade profissional, jornalismo, política e assessoria de comunicação. aldrosso@hotmail.com Aline Vaz É docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná(PPGCom/UTP). Colaboradora no Programa de PósGraduação em Educação da Universidade Tuiuti do Paraná(PPGED/UTP). Doutora e mestra com estágio Pós-Doutoral pelo PPGCom/UTP. Líder do Grupo de Pesquisa Telas: cinema, televisão, streaming, experiência estética(PPGCom/UTP/CNPq). alinevaz@gmail.com Ana Maria de Souza Melech Jornalista, mestre em gestão da qualidade pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutora pelo Programa Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná(PPGCOM). Foi editora e repórter fotográfica em jornais no Paraná e repórter na Gazeta do Povo. Trabalhou com assessoria de imprensa em entidades sindicais, ONGs e mídia corporativa. Professora de fotografia, publicidade, propaganda e marketing. melechprof@gmail.com Angela Maria Farah Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP) em 2018, mestre em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), professora do Centro Universitário de União da Vitória(UNIUV), no Paraná, e cofundadora da Rede de Pesquisa em Comunicação, Infâncias e Adolescências (Recria). farah.angela@gmail.com Ariane Pereira Jornalista formada pela UEL e doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) em 2014. É professora de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual do Centro-Oeste(Unicentro) e também no Mestrado em Problemáticas Contemporâneas da Comunicação, da Universidade Nacional de Jujuy(UNJu), na Argentina. No ensino, pesquisa e extensão, trabalha com telejornalismo e gênero. ariane_carla@uol.com.br 106 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Cândida de Oliveira Doutora em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC, 2020). Professora colaboradora no Departamento de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG), e trabalha com produção jornalística, gestão editorial multimídia e transmídia, teoria e epistemologia da comunicação/do jornalismo, fotojornalismo e teoria decolonial em interface com a história, estética, psicanálise e/ ou artes. candida.oliveira07@gmail.com Carla Rizzotto Professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Paraná e pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital(INCT-DD). Coordenadora do Grupo de Pesquisa Comunicação e Participação Política(Compa). carlarizzotto84@gmail Cicélia Pincer Batista Doutora em Comunicação pela Universidade de São Paulo(2014), graduada em Comunicação Social/Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1991) e mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia(1995). Professora de Jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo(ESPM/SP). cicelia.batista@espm.br Cíntia Xavier Jornalista e doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos) em 2011, é professora na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), onde coordena o Programa de Pós-Graduação em Jornalismo e também trabalha na Graduação em Jornalismo. cintia_xavierpg@yahoo.com.br Claudia Irene de Quadros Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de La Laguna(1999). Professora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Paraná. Também faz parte do corpo permanente do PPGOM UFPR. Os temas abordados em suas pesquisas são jornalismo e comunicação digital, comunicação pública da ciência e interações comunicacionais. clauquadros@gmail.com Criselli Montipó Doutora e mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Jornalista formada pelo Centro Universitário de União da Vitória(Uniuv) e realiza Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Paraná(UFPR). criselli@gmail.com 107 Elaine Javorski Doutora em Ciências da Comunicação e dos Media pela Universidade de Coimbra (2016) e docente adjunta da Universidade Federal do Maranhão. Tem como principais temáticas de investigação: mídias, identidades e processos socioculturais; rotinas produtivas do jornalismo; comunicação e desenvolvimento. elainejavorski@ hotmail.com Elaine Schmitt Jornalista, mestre em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG), doutora em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina(USFM), pós-doutoranda junto ao Instituto de Estudos de Gênero na UFSC. elaine.schmitt@ gmail.com Flora Neves Jornalista graduada pela Universidade Estadual de Londrina(UEL) em 1986, mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP) em 2000 e doutora também pela USP em 2007. Foi professora de Jornalismo da UEL desde 1990, onde também trabalhou e coordenou a Pós-Graduação em Comunicação. floranevessouza@gmail.com Karina Janz Woitowicz Doutora em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina na área de Estudos de Gênero. Professora do curso de Jornalismo e do Programa de PósGraduação em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa. É uma das coordenadoras do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Gênero e atua em projetos de extensão em cultura, direitos humanos e direitos das mulheres. karinajw@uepg.br Marcia Boroski Doutora em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná(2022). Docente e pesquisadora no Centro Universitário Internacional Uninter. Atua com fotografia, fotojornalismo, imagem, redação, comunicação institucional e assessoria de imprensa. boroskimarcia@gmail.com Maura Oliveira Martins Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(2016), docente do Centro Universitário Tecnológico de Curitiba(UniFatec), jornalista e editora do portal Escotilha. Pesquisa telejornalismo, crítica jornalística em TV, reconfigurações jornalísticas e estratégias de representação do real nos produtos midiáticos contemporâneos, especialmente no jornalismo. mauramartins@gmail.com 108 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Michele Goulart Massuchin Professora dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) e em Ciência Política(PPGCP) da Universidade Federal do Paraná(UFPR). É vicecoordenadora do Grupo de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública (CPOP-UFPR). Pesquisadora associada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital(INCT.DD) e ao Instituto de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais(INCT-DSI). mimassuchin@gmail.com Paula Melani Rocha Doutora em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos/2004. Professora do Departamento de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Atua no curso de Jornalismo e no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo(Mestrado-UEPG), e integra o grupo de pesquisa Jornalismo e Gênero e Jornalismo, Conhecimento e Profissionalização. Bolsista de Produtividade em Pesquisa(CNPq). paulamelani@ gmail.com Renata Caleffi Jornalista graduada pela Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro), mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Paraná(UFPR), professora de Jornalismo e Publicidade na Unicentro e pós-doutoranda junto ao PPGCom UFPR. recaleffi88@gmail.com Valquíria Michela John Doutora em Comunicação e Informação/UFRGS. Professora do PPGCOM e da Graduação em Comunicação/UFPR, onde atua na Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica, além do Instituto Nacional de Ciência Cidadã (INCC). É vice-líder do grupo de pesquisa do Núcleo de Estudos em Ficção Seriada e Audiovisualidades(Nefics) e coordena o grupo Obitel UFPR da Rede Obitel Brasil. É bolsista PQE/CNPq e vice-presidente da Compós(2023-2025). vmichela@gmail.com 109 RIO GRANDE DO SUL 110 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Cláudia Peixoto Moura 36 Milena Freire de Oliveira-Cruz 37 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL 38 A área de Comunicação no Rio Grande do Sul é representada por diversas instituições que promovem o crescimento do Estado em termos de conhecimento e de qualificação. Ela envolve o Ensino Superior, que apresenta dois níveis de formação acadêmica: um de Graduação e outro de Pós-Graduação. Na esteira dos programas de Pós-Graduação as instituições de ensino também criaram periódicos científicos que divulgam pesquisas e estudos desenvolvidos, abordando teorias, técnicas e práticas de Comunicação. A agência de fomento do Estado contribui para a consolidação da pesquisa na área. Além disso, há associações científicas de caráter nacional que possuem representantes na Região Sul, possibilitando a organização de eventos de abrangência regional, com a participação efetiva de gaúchos, como pesquisadores, professores e alunos de Graduação e de Pós-Graduação. Também há associações profissionais de caráter estadual que organizam eventos e premiações, fortalecendo as profissões da área de Comunicação. O Ensino Superior representa um espaço acadêmico fundamental na estrutura das áreas de conhecimento. O Rio Grande do Sul oferece cinco Graduações distintas com o grau de Bacharelado, observando a história do ensino em Comunicação, que começou com especializações/habilitações e passou a ter cursos específicos para as atividades profissionais de Jornalismo, de Publicidade e Propaganda, de Relações Públicas, de Cinema e de Editoração. Assim, os Bacharelados presenciais foram 36 Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Pós-Doutora pela Universidade de Coimbra, Portugal, e pela ECA-USP. Pesquisadora do Centro de Estudos de Telenovela(ECA-USP) e do Observatório Ibero-Americano da Ficção Televisiva(Obitel). 37 Doutora em Comunicação, professora do Departamento de Ciências da Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Comunicação, Gênero e Desigualdades(UFSM/CNPq). 38 Agradecemos a coleta de dados feita por Carolina Alegretti e Amanda Pies, bolsistas Pibic/CNPq, vinculadas ao GP Comunicação Gênero e Desigualdades(UFSM/CNPq). 111 adotados para mapear a situação do ensino de Comunicação Social no Estado, considerando os cursos historicamente envolvidos. Há 21 instituições de Ensino Superior com, pelo menos, um curso de Graduação em Comunicação funcionando. Os cursos de Bacharelado estão distribuídos, no Rio Grande do Sul, de modo presencial e a distância(EaD). Ao todo são 17 cursos de Jornalismo presenciais e 5 em EaD. Na área de Publicidade e Propaganda também funcionam 17 cursos presenciais e 2 a distância. A formação em Relações Públicas está contemplada com 8 cursos presenciais e 3 em EaD. Já os cursos de Cinema e Audiovisual(4) e Produção Editorial(1) são ofertados apenas de modo presencial. Considerando a abrangência geográfica, é interessante pontuar a existência de cursos de caráter presencial em 12 cidades, o que mostra uma demanda por profissionalização na área bem expressiva em todo o Estado. Além da capital, Porto Alegre, foram mapeados cursos de Graduação em Comunicação nas cidades de Bagé, Caxias do Sul, Frederico Westphalen, Ijuí, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Santa Maria, São Borja, São Leopoldo e Taquara. Em uma chave histórica 39 destacamos os cursos que inauguraram a formação profissional no Estado. A primeira habilitação em Comunicação introduzida nas instituições de Ensino Superior do RS foi a de Jornalismo, seguindo a mesma tendência em âmbito nacional. Ainda na década de 1950 a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul criou o primeiro curso de Jornalismo da Região Sul, especificamente em 1950, e executou em 1952, ano em que também iniciaram as atividades do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Fora da capital os cursos de Jornalismo foram criados a partir da década de 1970: na Universidade Federal de Santa Maria em 1972 e na Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos-São Leopoldo) em 1973. Os demais cursos de Jornalismo espalhados pelo Estado foram instituídos somente a partir da década de 1990. Os cursos de Relações Públicas foram inaugurados no Rio Grande do Sul no fim da década de 1960 e início de 1970, sendo protagonistas a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS) em 1967 e a UFRGS em 1970. A habilitação teve um avanço mais rápido na institucionalização, sendo criados quatro cursos no interior no mesmo período: Centro Universitário Feevale(Feevale-1970); Universidade de Caxias do Sul(UCS-1971), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM-1972) e Unisinos(1972). 39 Para fins de registro metodológico, importa pontuar que, de acordo com os dados do e-MEC, há os anos do ato de criação e do início de funcionamento dos cursos, além de documentos com as datas de autorização, de reconhecimento e de renovação de reconhecimento de cursos. Também apresenta registros oficiais para abertura e funcionamento de cursos no Estado que ainda não foram oferecidos nos portais/ sites das Instituições de Ensino Superior(IES). Deste modo, é possível localizar nos documentos datas diversas para o início de funcionamento ou término de cursos. 112 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul O primeiro curso de Publicidade e Propaganda do país foi criado no Rio Grande do Sul, em 1965, na PUCRS. Na sequência foram criados os cursos da UFRGS(1970), da UFSM(1972) e da Unisinos(1973). Nesta área houve um hiato maior até a abertura de novos cursos, que foram registrados somente a partir da década de 1990, com destaque para a Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí-Ijuí) em 1995; a Universidade Feevale(Novo Hamburgo) em 1998; e a Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM-Porto Alegre) em 1999. Os cursos de Graduação em Cinema e Audiovisual presenciais são mais recentes no Rio Grande do Sul, tendo sido inaugurados na segunda década dos anos 2000, sendo três deles no interior e um na capital: na Universidade Federal de Pelotas são ofertados os cursos de Cinema de Animação em 2010 e Cinema e Audiovisual em 2011. Na Universidade de Santa Cruz do Sul há o curso de Produção em Mídia Audiovisual desde 2017, e na UniRitter, em Porto Alegre, o curso de Cinema e Audiovisual, criado recentemente, em 2022. Já a área de Editoração tem apenas um curso de Graduação presencial no Rio Grande do Sul, instalado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em 2010. O Rio Grande do Sul também possui Instituições de Ensino Superior que oferecem cursos de Pós-Graduação stricto sensu na área de Comunicação. Mestrados e Doutorados foram firmados como consequência de cursos de Graduação consolidados. Igualmente, os programas de Pós-Graduação contribuem para uma Graduação de qualidade, refletindo em um aprimoramento das atividades profissionais. Além disso, em algumas instituições de ensino há cursos de Pós-Graduação lato sensu que oportunizaram o retorno de profissionais do mercado aos bancos escolares ou, ainda, representaram sementes para a criação de Mestrados acadêmicos e profissionais. A história da Pós-Graduação em Comunicação no Rio Grande do Sul tem início nos anos 1990 com o Programa de Pós-Graduação(PPG) em Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS) em 1994 – sendo este o sexto curso de Mestrado em comunicação do país e o primeiro da Região Sul. No ano seguinte, 1995, outros dois PPGs foram inaugurados no Estado: o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS e o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos(em processo de encerramento de atividades desde 2023). Outras instituições também inauguraram o Doutoramento em Comunicação no RS, como a PUCRS em 1999 e a UFRGS e a Unisinos em 2000. Até o ano de criação do primeiro Programa de Pós-Graduação havia seis cursos de Mestrado no país, a maior parte criada na década de 1970(PUC-SP – 1970, UFRJ e USP – 1972; UnB – 1974, Metodista – 1978 e UFBA – 1989). Os cursos de Doutorado ofertados no país eram apenas três(PUC-SP – 1978, USP – 1980 e UFRJ – 1983). Assim, a criação dos primeiros PPGs em Comunicação do Rio Grande do Sul, já na década de 1990, deu-se a partir de uma demanda crescente de expansão 113 da pesquisa e qualificação do corpo docente dos cursos de Comunicação no RS, que precisavam viajar ou se mudar para outras regiões ou para o exterior para obter o título de mestre(a) ou doutor(a) em Comunicação. Com 31 anos de existência, o PPGCOM da PUCRS tem, em 2024, 14 professores em seu quadro permanente, atuando em três linhas de pesquisa: Imaginários, indústria criativa e tecnologias emergentes; Processos comunicacionais, políticas dos corpos e interseccionalidade; e Práticas nas mídias, organizações e poder. Ao longo desse período o Programa tem sido reconhecido por sua excelência, sendo avaliado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) com conceito 6. A Revista Famecos, criada no ano de fundação do Programa, em 1994, é avaliada com conceito A2 no sistema de avaliação Capes Qualis. Entre os anos de 1996 e 2017 o PPGCOM da PUCRS também manteve o periódico Sessões do Imaginário – Cinema, Cibercultura e Tecnologias da Imagem. Desde sua criação, em 1995, até o ano de 2017, o PPGCOM/UFRGS era o único programa brasileiro que estabelecia a interlocução das áreas da Comunicação e da Informação. Em 2018 houve o desmembramento e foi criado o Programa de PósGraduação em Ciência da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que congrega as áreas de Ciência da Informação, Comunicação e Museologia. Assim, desde 2018 o PPGCOM da UFRGS passou a chamar-se Programa de PósGraduação em Comunicação, tendo seus pesquisadores atuando em duas linhas de pesquisa – Linguagens e tecnologias da comunicação e Relações de poder e práticas culturais –, em que estão vinculados 24 professores do seu quadro permanente atual, entre os quais 10 pesquisadoras citadas neste livro. O Programa foi avaliado com conceito muito bom(5) pela Capes na última quadrienal. A Intexto, revista científica vinculada ao Programa, foi criada em 1997 e tem conceito Qualis A3. O Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos) foi o primeiro instalado fora da capital, na cidade de São Leopoldo, em 1995, no mesmo período dos Programas da PUC-RS e UFRGS. Ao longo de 29 anos o PPGCOM da Unisinos manteve-se entre os Programas de referência na área, sendo o único avaliado com conceito 7(Excelente) pela Capes na Região Sul. Em 2022 a Unisinos anunciou a desativação gradual do Programa, que, não abriu novas vagas de ingresso. O Programa mantinha dois periódicos científicos, a revista Questões Transversais, que funcionou de 2013 a 2022 e a Fronteiras: Estudos Midiáticos, iniciada em 1999, com conceito A3. Retomando a linha histórica, após os anos 2000 foram criados dois Programas de Pós-Graduação na área no interior do Estado: na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM) e na Universidade Federal do Pampa(Unipampa – Campus São Borja). O programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM iniciou suas atividades 114 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul no ano de 2006 com o curso de Mestrado, e a turma de Doutorado ingressou em 2012. O Programa tem, as seguintes linhas de pesquisa:“Mídias e Identidades Contemporâneas”,“Mídias e Estratégias Comunicacionais” e“Mídias, mutações sociossimbólicas e sociotécnicas”. São 19 professores permanentes credenciados, dos quais nove pesquisadoras aqui biografadas têm ou tiveram suas trajetórias no Programa de Pós-Graduação em Comunicação(Poscom). O Programa tem dois periódicos vinculados às suas atividades: a Revista Animus – Revista Interamericana de Comunicação Midiática, criada em 2002(avaliada com Qualis B1), e Cadernos de Comunicação, criada em 1996(Qualis B2). O Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Indústria Criativa(PPGCIC) na Universidade Federal do Pampa é o mais recente da área no RS e o único com Mestrado profissional em 2016, com a seguinte interface interdisciplinar: Comunicação e Indústria Criativa. São duas as linhas de pesquisa do PPGCIC:“Comunicação e Indústria Criativa: arte produção audiovisual e convergência das mídias” e“Comunicação para Indústria Criativa: educação, memória, política e economia”. O Programa é avaliado com nota 4 pela Capes e tem 11 docentes permanentes credenciados. A Revista Comunicação e Indústria Criativa: Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, é vinculada ao PPGCIC e está em funcionamento desde 2018. Os periódicos científicos publicados no Rio Grande do Sul estão ligados às Instituições de Ensino Superior, principalmente aos programas de Pós-Graduação. Além dos oito periódicos citados anteriormente, outros dois são mantidos por Instituições de Ensino Superior privadas, que não têm Programas de Pós-Graduação na Área. Trata-se da revista iCom+D, dos cursos de Graduação de Publicidade e Propaganda, de Relações Públicas e de Design da Faculdade Integrada de Taquara(FACCAT), criada em 2018 e avaliada com Qualis B3. O segundo periódico ligado aos cursos de Graduação em Comunicação é a Revista Rizoma, da Universidade de Santa Cruz do Sul(Unisc), criada em 2013 e avaliada na última quadrienal com Qualis B2. Os eventos científicos e acadêmicos acontecem anualmente nas Instituições de Ensino Superior pelo fato de congregarem os públicos envolvidos na formação de pesquisadores e de profissionais de Comunicação. Cada instituição com cursos de Graduação e de Pós-Graduação na área organiza jornadas, seminários, simpósios, encontros, semanas acadêmicas, painéis e congressos visando o debate de temas relevantes e a qualificação discente. Isso contribui para a avaliação dos cursos de Graduação e dos programas de Pós-Graduação em âmbito nacional. Considerando os eventos de maior abrangência que têm ou tiveram uma periodicidade regular, destacam-se aqueles que são organizados pelas Instituições de Ensino ou pelas associações científicas. Entre os mais longínquos está o Seminário Internacional da Comunicação, organizado pelo PPGCOM da UFRGS, que, em 2023, completou sua 15ª edição. A Jornada Gaúcha de Pesquisadores em Recepção é um dos eventos 115 da área capitaneados por pesquisadoras do PPGCOM da UFRGS, tendo sua 5ª edição no ano de 2023. O Rio Grande do Sul foi protagonista na criação de grupos de pesquisadores vinculados às associações científicas, como a Rede Alfredo de Carvalho(Rede Alcar), criada em 2001, posteriormente denominada Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia. O Núcleo Gaúcho de História da Mídia(Alcar-RS) passou a realizar eventos estaduais em 2007 e, em 2012, a rede gaúcha transformou-se em Alcar Sul, integrando pesquisadores dos três Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Também merece registro a representação regional da Intercom, que foi instituída na gestão 2002-2005. Em 1988 foram criados os Simpósios Regionais de Pesquisa em Comunicação(Sipecs) e os Congressos de Ciências da Comunicação da Região Sul do Intercom, que já foram realizados na UFRGS(1996), na UFSM(1997), na Feevale (2001 e 2010), na Universidade de Passo Fundo(UPF-2007), na Universidade de Caxias do Sul(UCS-2017) e na UniRitter, em Porto Alegre, em 2019. Em relação a agências estaduais de fomento à pesquisa, há a Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul(Fapergs), que foi a segunda a ser criada no país 40 por iniciativa de pesquisadores vinculados à UFRGS em 1965. Conforme descrição no site da Fundação, seu objetivo é fomentar a pesquisa considerando todas as áreas do conhecimento, o que se reflete em uma formação mais qualificada em termos científicos, mas também artísticos, culturais e tecnológicos, que são dimensões relevantes para a Comunicação. Há, entretanto, 13 Eixos Estratégicos propostos pela Fapergs. O de número 8, relacionado à Tecnologias de Informação e Comunicação, possui áreas temáticas prioritárias voltadas à Educação, envolvendo a questão da cidadania. A Comunicação, com suas teorias, técnicas e práticas, não está contemplada como uma área específica de pesquisa, sendo uma temática transversal. A Fapergs possui o Prêmio Pesquisador Gaúcho, que é uma distinção anual para projetos desenvolvidos em prol do desenvolvimento da sociedade. As indicações abrangem categorias, entre as quais a de pesquisador destaque em Ciências Sociais e Humanas e a de um profissional de Comunicação Científica. Também apoia instituições de ensino, públicas e privadas, e de saúde nas diversas regiões do Rio Grande do Sul. Além das associações científicas, há associações profissionais que possuem prêmios relevantes. A Associação Riograndense de Imprensa(ARI), fundada em 1935, é conhecida como a casa dos jornalistas gaúchos. Desde 1941 está localizada no mesmo endereço, no Centro Histórico de Porto Alegre. Possui diversas premiações e homenagens que ocorrem todos os anos, mas o Prêmio ARI de Jornalismo é o mais 40 A primeira foi a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp), em 1962. 116 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul tradicional e o mais antigo do Brasil, criado em 1958. Um ano após sua criação, a jornalista Lygia Nunes foi a primeira mulher premiada como cronista, revelando a participação feminina desde o início. A gestão da ARI, porém, teve maior presença de homens ao longo do tempo. O Prêmio ARI é o reconhecimento ao trabalho de profissionais de Comunicação do Estado em 14 categorias. A ARI é parceira institucional do Prêmio Themis de Jornalismo, criado em 2021 pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, que ocorre anualmente para distinguir produções jornalísticas de boas práticas judiciárias, juntamente com outras entidades gaúchas da área de Jornalismo. Entre elas está o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul(SindJoRS), que promove dois eventos bianuais – o Congresso Estadual dos Jornalistas e o Encontro Estadual de Jornalistas em Assessoria de Imprensa. Outra entidade é a Associação Riograndense de Propaganda(ARP), criada em 1956, sendo presidida por homens em 26 gestões. Somente uma mulher, Liana Bazanela, ocupou o cargo por duas gestões(2018/2019 e 2020/2021). Possui um evento dedicado ao debate de temas da área desde 2004, denominado Semana ARP da Comunicação, que foi modificado para Innovation Week na gestão de Liana. Já o Salão ARP premia anualmente os destaques da indústria criativa do Rio Grande do Sul, entre profissionais e empresas de Publicidade e Propaganda, em 23 categorias. Há premiações dedicadas a ações de Comunicação, organizadas por instituições de outras áreas, que não serão aqui registradas, mas revelam o interesse pelas atividades profissionais. Um exemplo é o Prêmio Inovação Sinepe/RS, promovido pelo Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul, que possui a categoria Comunicação e Marketing, a qual contempla estratégias institucionais. Projetos, processos e práticas são premiados por contribuírem para a sociedade gaúcha. Para finalizar, é importante salientar que a área de Comunicação no Rio Grande do Sul tem uma história de formação superior qualificada, tanto em nível de Graduação quanto de Pós-Graduação, com a pesquisa científica, com os periódicos e eventos científicos e com as premiações que reconhecem pesquisadores e profissionais gaúchos. Valor, constância e liberdade são algumas palavras que reforçam“nossas façanhas” no território dos pampas. As gaúchas apresentadas nesta obra trilharam caminhos que garantiram a“aurora precursora”, sendo consideradas pioneiras na área de Comunicação. Referências ALCAR. Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia. Disponível em: https://redealcar.org/ ARI. Associação Riograndense de Imprensa. Disponível em: www.ari.org.br ARP. Associação Riograndense de Propaganda. Disponível em: https://www.arpnet.com.br/ 117 CAPES. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Plataforma Sucupira. Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/ COMPÓS. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Disponível em: https:// compos.org.br/ FAPERGS Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul. Disponível em: https://fapergs.rs.gov.br/ INEP. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Manual para classificação dos cursos de Graduação e sequenciais: CINE Brasil. Brasília: Inep. 2019. Disponível em: https://www. gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/acervo-linha-editorial/publicacoes-institucionais/estatisticas-eindicadores-educacionais/manual-para-classificacao-dos-cursos-de-graduacao-e-sequenciais-cine-brasil INTERCOM. Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Disponível em: https:// portalintercom.org.br/ MEC. Ministério da Educação. Cadastro Nacional de Cursos e Instituições de Educação Superior(e-MEC). Disponível em: https://emec.mec.gov.br/emec/nova SINDJORS. Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul. Disponível em: https://jornalistas-rs. org.br/ SINEPE/RS. Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul. Disponível em: https://premios.sinepe-rs. org.br/ TJRS. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Diponível em: https://www.tjrs.jus.br/novo/ comunicacao/premio-themis-de-jornalismo/ 118 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 119 RHÉA SYLVIA GÄRTNER Fernanda Kieling Pedrazzi Rhéa Sylvia de Lourdes Frasca Gärtner nasceu em 29 de julho de 1935 em Porto Alegre(RS). É filha de Otto Octavio Frasca e Syria Achutti Frasca e irmã de Rubens. Iniciou seus estudos em Santa Maria(RS). Foi aluna do Instituto de Educação Olavo Bilac, terminando o Primário com 12 anos. Após mudança de volta para a capital gaúcha, foi aluna do Colégio Sèvigné, cursando o Secundário entre 1948 e 1951, e o Curso Clássico entre 1952 e 1954. Fez sua Graduação em Comunicação Social na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) entre os anos de 1955 e 1959, tonando-se bacharel em Jornalismo. Neste meio tempo, em 1958 cursou Arte Dramática também na UFRGS, onde obteve menção honrosa. A partir de 1961 participou de vários cursos de formação e extensão universitária, como o de Alto Nível Cultural para Jornalistas na UFRGS e o curso de Relações Públicas e Propaganda da Associação Riograndense de Propaganda de Porto Alegre(ARP). Fez um estágio com bolsa no curso de Turismo no segundo semestre de 1964 e um curso de Arte, Interpretação e Crítica no primeiro semestre de 1965. Em 1966, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS), fez um curso de extensão sobre Rádio, Imprensa e Televisão e, depois, um curso de Técnicas e Chefia para Coordenadores de Rádio e TV Educativa, pela Rádio e TVE do Rio Grande do Sul. Foi aluna do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade de Brasília(UnB) entre 1967 e 1969. Em 1978, após iniciar um trabalho com a Nação Cabinda de Porto Alegre(religião de matriz africana), passou a trabalhar com o tema África em uma 120 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul tese em Antropologia Cultural e Social na Escola de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo(FESPSP), deslocando-se, em julho de 1982, para a Guiné-Bissau a fim de estudar a etnia Bijagó. Apesar, no entanto, do retorno ao Brasil em 1983 e os estudos empreendidos, não houve defesa do trabalho final. O primeiro registro profissional de Rhéa é de 13 de janeiro de 1959, trabalhando como jornalista do Diário de Notícias. A partir daí publica em jornais diversos, inclusive do interior, e em revistas ao longo da sua vida. Foi assessora administrativa da Casa Civil do governo Ildo Meneghetti no Estado do Rio Grande do Sul em seu segundo mandato como governador, em 1963. No início da Ditadura Civil Militar brasileira, de 1964 a 1966, mudou-se para a Espanha e exerceu a função de correspondente para o Jornal do Dia de Porto Alegre, ligado à religião Católica. Em 1964 fez parte da delegação brasileira que participou do III Congresso Mundial de Ex-alunos La Salle em Barcelona como representante da Imprensa Católica do Brasil na Espanha. Em 1966 passou a trabalhar na Universidade Federal de Brasília (UnB) como professora de Jornalismo, sendo admitida na Faculdade de Comunicação para lecionar Técnica Jornalística Aplicada à Televisão. No mesmo ano foi assessora técnica do I Seminário Universitário de Estudos da Faculdade de Comunicação da UnB. Em 1971 foi para São Paulo para integrar a equipe organizadora do curso de Turismo da Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo(USP). Foi orientadora convidada no Turismo e ministrou a disciplina de Teoria e Técnica do Turismo, de 1972 a 1974. Neste mesmo período trabalhou como coordenadora do Departamento de Estudos Turísticos, de março de 1973 a março de 1974. Ainda na USP, auxiliou no processo de criação da Faculdade Ibero-americana de Letras e Ciências Humanas(FIA). Em 1975 ingressou na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), assumindo, incialmente, as disciplinas de Turismo e de Introdução à Publicidade e Propaganda e a função de auxiliar de ensino, junto ao Departamento de Comunicação Social. Posteriormente, como docente da UFSM, deu aulas relacionadas à comunicação, arte, turismo e cultura em vários cursos da Instituição – no Centro de Ciências Sociais e Humanas e no Centro de Artes e Letras –, até aposentar-se em fevereiro de 1995. 121 Pouco antes de sair da UFSM, Rhéa coordenou projetos como a Mostra Experimental de Teatro(1992/1993), o“Movimento Negro em Santa Maria de 1970 em diante”(1992/1993), a Mostra de Vídeo das Universidades do Cone Sul(1993), a“Democracia e Cidadania”(1993),“Os Meios de Comunicação de Massas para o público infantil”(1993/1994) e um último anteprojeto, que seria desenvolvido até 1999, de estabelecimento da Casa de Cultura e Pesquisa do Viver Afro-Brasileiro Maria Ivete Nunes Ennes do RS. Também esteve envolvida com o projeto“Reconhecimento do legado do povo negro brasileiro através do rádio”. Recebeu condecoração de seus alunos como homenageada de diversas turmas, e, em 1982, um Certificado de Cidadã Honorária do município de Alegrete(RS). Recebeu, ainda, uma homenagem especial com uma Placa de Prata do Curso de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), por ter se envolvido em sua organização. Depois de aposentada passou a ministrar cursos sobre a cultura Africana baseada em seus estudos, mas, principalmente, devido à experiência de ter morado na Guiné-Bissau no início da década de 1980, observando o grupo étnico Bijante, culminando na publicação de seu último livro, passados quase 30 anos de sua pesquisa original: Uma jornalista conhecendo os ensinamentos da ancestralidade e convivendo com a sabedoria da Etnia Bijagó(2010). Rhéa Sylvia Gärtner faleceu no dia 1º de maio de 2012, com 76 anos. Principais publicações GÄRTNER, R. S. de L. F. Uma jornalista conhecendo os ensinamentos da ancestralidade e convivendo com a sabedoria da Etnia Bijagó: Tabanca Bijante, Ilha de Bubaque, Arquipélogo dos Bijagós, GuinéBissau, África Ocidental. Santa Maria: Prograd/UFSM, 2010. GÄRTNER, R. S. de L. F. A busca da verdade através da nossa afrodescendência. Santa Maria: Associação Afro-Brasileira Riograndense de Pesquisadores de Cultura e Língua Africana, 2008. GÄRTNER, R. S. de L. F. Uma cultura africana, preservando suas origens. Revista do Centro de Ciências Sociais e Humanas, v. 7, n. 1, jan./jun. 1984. 122 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul VERA FERREIRA Ilza Maria Tourinho Girardi Vera Ferreira nasceu em 9 de fevereiro de 1938 em Nova Prata (RS). É filha mais nova de Mário Gomes Ferreira e de Alcina Kersting Ferreira; teve nove irmãos. Foi alfabetizada pela irmã mais velha, Sara, que era professora no Grupo Escolar Tiradentes, onde fez o Primário. Mais tarde a família foi morar em Carazinho(RS), e lá concluiu o Ginásio no Colégio Nossa Senhora da Aparecida. Depois foi para Passo Fundo(RS), onde cursou a Escola Normal Osvaldo Cruz. Formou-se em Pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS) em 1961. Em 1963 fez Licenciatura em Didática na Faculdade de Filosofia da mesma universidade. Também realizou o curso de especialização em Métodos e Técnicas de Ensino na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS). Aprovada em concurso público para o Magistério no Ensino Primário, foi lecionar em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, atuando de 1957 a 1962. Nesse meio tempo passou a atuar como copy desk da Revista do Globo. Para tanto, precisou registrarse como jornalista, permanecendo na função de 1961 a 1967. Quando já era professora do Ensino Médio foi trabalhar no Centro de Pesquisas e Orientação Educacional e de Execução Especializada (CPOE) da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul(SEC). Em seguida foi para o Rio de Janeiro(RJ) para fazer o I Curso de TV Educativa do Brasil. Ao retornar passou a trabalhar no Serviço de TV Educativa da recém-criada Divisão de Telecomunicação Educativa do CPOE, com a incumbência de treinar professores e criar uma emissora de televisão educativa. Na emissora desempenhou várias funções: 123 chefe do Setor de Avaliação, chefe do Setor de Pedagogia e assessora da presidência. Na carreira dedicada à televisão educativa, participou de trabalhos que instruíram o processo de solicitação de um canal de televisão para a Secretaria de Educação e Cultura do RS. Também foi membro da Comissão Julgadora da Concorrência Administrativa de Aquisição do Equipamento Eletrônico da TV Educativa(TVE), Canal 7, no ano de 1969. Entre 1967 e 1968 lecionou a disciplina TV Educativa, no Curso de Pedagogia da UFRGS. Antes, em 1966, realizou o planejamento da cadeira de Técnicas de TV na PUCRS, a qual passou a lecionar. Foi responsável por Projeto de Monografia I e coordenou o Projeto Monografia II. Orientou mais de 50 Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC) e participou de mais de 50 bancas de TCC. Em sua passagem pela PUCRS, além de elaborar o projeto para o estúdio de TV na Famecos, foi responsável pela elaboração, execução e coordenação do Projeto de Circuito Fechado para treinamento dos alunos na área de televisão. Foi professora na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da UFRGS de 1975 a 1991, e chefiou o Departamento de Comunicação nos anos 1986 e 1987. Além de ministrar as disciplinas Técnicas de TV I, Técnicas de TV II, Técnicas de TV III, Técnicas de Telejornalismo, Produção e Difusão Telejornalismo II, elaborou o projeto para a construção do estúdio de TV. Também foi responsável pelo projeto de aquisição e instalação do equipamento de TV em cores para circuito fechado da Faculdade. Em 1981 coordenou o projeto de extensão TV e Novas Técnicas de Produção. Também participou de dezenas cursos, seminários e muitas viagens de estudos e estágios em televisões educativas, indicada pela Secretaria de Educação. Entre eles destacam-se: Produção de Programas de TV Educativa e Cultural e Telejornal na Radio Television Scolaire e no Office de Radiodiffusion Télévision Française, promovidos pelo governo francês; Salon Internacional du Materiél Audiovisuél et des Moyens d’Enseigment, em Nice(França); III Seminario Latinoamericano para Profesores de Teleducación, no México; estágio para conhecer o sistema de televisão de educação de adultos na Alemanha. Visitou a RAI em Roma, a TV Espanhola em Madrid, a televisão educativa de Portugal em Lisboa e a BBC 124 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul em Londres. Em 1972 foi para El Salvador, na América Central, para conhecer o modelo em TV Educativa do país. Coordenou e/ou ministrou diversos cursos de formação em TV Educativa dirigido a professores: I Curso de Preparação à TV Educativa, promovido pelo CPOE da SEC, em 1966; Curso de Preparação à TV Educativa para professores do interior do Estado, promovido pelo CPOE, em 1967; Técnicas Audiovisuais no Curso de Aperfeiçoamento para Professores do Ensino Primário, em 1968; Curso de Iniciação à TV Educativa, promovido pela SEC, em 1970; Curso Básico de Direção e Produção de Programas para Televisão Educativa, promovido pela SEC, em 1970; Preparação de Recursos Humanos para a Utilização da TV Educativa, promovido pela SEC, em 1974. Em 1975 também ministrou TV Educativa e Produção de Programas Educativos no Curso de Tecnologia Educacional, promovido pela PUCRS em nível de Pós-Graduação. Em 1966 coordenou, produziu e apresentou as séries dos programas educativos Em Dia com a Educação e Vestibular em Foco, que ocorriam ao vivo na TV Piratini. Além disso, em 1975 produziu diversos programas sobre literatura, intitulados Livros e imagens, na TVE. Naquele mesmo ano elaborou e coordenou a execução do projeto Estudos Rio-Grandenses, uma série de 60 programas de televisão para alunos de 2º Grau e público em geral, abordando folclore, história, geografia, artes e literatura do Rio Grande do Sul, que foi ao ar na TVE entre 1976 e 1977. Dentre suas realizações, coordenou a comissão para elaborar o Projeto de Atividade Conjunta Fabico e Dentel/RS para a análise da programação das emissoras de rádio e TV no RS, de 1979 a 1980. Teve participação no Projeto e Avaliação dos Programas de Ensino de Ciências pela Televisão em nível de 1º grau, desenvolvido pela Unidade de Tecnologia Educacional, em 1979. Foi sócia-fundadora da Asociación Latinoamericana de Teleducación, com sede em Lima(Peru), sócia da Associação Brasileira de Teleducação e da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa da Comunicação. A trajetória de Vera é marcada pela dedicação à causa da televisão educativa no Rio Grande do Sul e ao ensino de TV na Famecos e na Fabico, contribuindo com a formação de dezenas de jornalistas, muitos dos quais ainda se destacam no cenário nacional. 125 Ao aposentar-se recebeu uma Portaria de Louvor pelos seus trabalhos prestados. Principais publicações FERREIRA, V. Televisão educativa. Revista do Globo, abr. 1966. FERREIRA, V. Problemas da educação. Revista do Globo, dez. 1966. FERREIRA, V. Aspectos históricos da televisão. In: DORNELLES, B. (org.). PUCRS – 50 anos formando jornalistas. Porto Alegre: Edipucrs, 2002. 126 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul IÁRA BENDATI Cláudia Peixoto de Moura Iára de Almeida Bendati nasceu em 6 de fevereiro de 1933 em Porto Alegre(RS). É filha de Reinaldo de Almeida e de Mercedes de Almeida. Casou-se com Anibal Carlos Bendati, com quem tem duas filhas: Maria Mercedes e Lucia. Cursou o Ginásio e o Normal no Instituto de Educação General Flores da Cunha, finalizado em dezembro de 1952. Ingressou na segunda turma do Curso de Jornalismo, vinculado à Faculdade de Filosofia da então denominada Universidade do Rio Grande do Sul (URGS – que ainda não era federal). Graduou-se em 1956 e foi oradora da turma. Dez anos depois concluiu uma segunda formação superior no curso de Licenciatura em Ciências Sociais, também vinculado à Faculdade de Filosofia, já na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), com colação de grau em dezembro de 1966. Iniciou a vida profissional no Magistério da rede estadual com aprovação em concurso público, sendo designada para uma escola primária na Barra do Ribeiro(RS). Posteriormente, no Ensino Superior, lecionou na Universidade de Caxias do Sul(UCS) de 1972 a 1975. Por 23 anos foi professora na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS): de 1968 a 1991. Foi admitida como docente da Faculdade dos Meios de Comunicação Social(Famecos), da PUCRS, em março de 1968, ministrando a disciplina Fundamentos Científicos da Informação. A partir do início de 1970 ficou responsável pela Coordenação do Departamento de Ciências da Comunicação, onde permaneceu até 1987. Em 1973 começou a lecionar as disciplinas Teoria da Comunicação e Técnica de Jornal e Periódico. Ao longo de sua carreira universitária 127 realizou várias atividades administrativas. Foi membro do Conselho Fiscal do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Porto Alegre, na gestão de 1966-1968, e suplente da Diretoria da mesma entidade na gestão seguinte(1968-1970). Ainda em 1968, no Congresso Nacional de Jornalistas em Porto Alegre, participou da Comissão Organizadora como representante do Sindicato. Na Associação Brasileira de Pesquisa e Ensino da Comunicação(Abepec) integrou a Diretoria no biênio 1976-1978, na condição de 2ª Tesoureira. Em 1976, durante o III Congresso Brasileiro de Ensino e Pesquisa da Comunicação, em Caxias do Sul(RS), participou da Mesa-Redonda “Teorias e Práticas Pedagógicas no Ensino da Comunicação”, e, em 1978, apresentou uma pesquisa em desenvolvimento sobre o jornal A Federação, durante o IV Congresso Brasileiro de Ensino e Pesquisa da Comunicação, ocorrido no Rio de Janeiro(RJ). Foi editora da quarta edição da Revista Abepec(1978). No período entre 1979 e 1981 realizou pesquisas sobre a “Propaganda nos Jornais do Rio Grande do Sul – 1827-1877” e“Os anos 30 no Jornal A Federação”. Na qualidade de coordenadora de Departamento, Iára promoveu palestras, cursos de curta duração, seminários, semana universitária e a elaborou o novo currículo do curso de Comunicação Social. Fez estágio no curso do Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina(Ciespal), em Quito, Equador (1971), e participou de vários eventos acadêmicos: Congresso Nacional de Comunicação, em São Paulo-SP(1972); II Semana de Comunicação, promovida pela Universidade Federal de Pelotas-RS, como palestrante(Ufpel-1978); IV Congresso Ibero-Americano de Comunicação Científica, em São Paulo-SP(1982); e XII Congresso Brasileiro de Pesquisadores da Comunicação(Intercom), em Florianópolis-SC(1989). Sua atividade como jornalista foi igualmente diversificada, atuando na Rádio da Universidade, onde foi admitida em 1957, e em jornais impressos. Em equipe, produziu noticiários e crônicas jornalísticas diárias, trabalhando com resenhas matutinas e vespertinas baseadas em notícias de jornais, além de fatos ocorridos na própria Universidade a respeito de atividades acadêmicas, de extensão e de pesquisa das diversas áreas. Foram 25 anos de trabalho contínuo até 1982. 128 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Paralelamente às atividades na rádio, em 1957 passou a atuar como jornalista no Jornal A Hora, escrevendo sobre a área de ensino e de política até 1959. No ano de 1960 foi trabalhar no jornal Última Hora como chefe da seção Magistério e Estudantes, além de cobrir notícias de política e do interior do Estado, permanecendo até o fechamento da filial em Porto Alegre, ocorrido em 1964. No período de 1965 a 1967 trabalhou no Jornal do Dia. Era servidora pública à disposição da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio Grande do Sul(SEC), quando foi criado um Museu da Imprensa, tendo ela como coordenadora da comissão que o consolidou em setembro de 1974. Nascia o Museu da Comunicação Social Hipólito José da Costa, vinculado ao Departamento de Assuntos Culturais da SEC. Após, ela trabalhou no Museu como redatora e coordenadora de equipes de pesquisa e supervisionou o programa“Memória da Comunicação Social”, que foi veiculado pela Rádio da Universidade, da UFRGS, no segundo domingo de cada mês. Recebeu o Título Honorífico de Cidadã Emérita de Porto Alegre pela Câmara Municipal em 1988, por sua contribuição à sociedade e à formação de gerações de jornalistas. Também foi agraciada com títulos de reconhecimento por mais de duas décadas de atividades nas instituições de ensino da UFRGS, em 1982, e da PUCRS, em 1988. Iára Bendati foi uma das protagonistas de um período caracterizado pelo ingresso das mulheres no Jornalismo e no mercado de trabalho, sendo jornalista e professora universitária em um tempo de construção da área de Comunicação. Ela faleceu no dia 8 de dezembro de 1998 aos 65 anos. Principais publicações BENDATI, I. de A.(ed.). Pesquisa sobre televisão brasileira. Abepec – Revista da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa da Comunicação, Brasília, n. 4, jun. 1978. BENDATI, I. de A. Queridos e inolvidáveis estagiários. In: Memórias da Fabico: 40 anos. Porto Alegre, 2010. Disponível na Biblioteca da Fabico/UFRGS. BENDATI, I. de A. Teoria. Ensino da comunicação. Abepec – Revista da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa da Comunicação. Brasília, n. 3, p. 24-27, jun. 1977. 129 IONE BENTZ Nísia Martins do Rosário Ione Maria Ghislene Bentz nasceu em 16 de maio de 1940 em Lajeado(RS). É filha de Agostinho Ghislene e Cirene Ghislene, e irmã de Cecy Terezinha. Ione e sua família viveram em diferentes regiões do RS. Foi aluna da Escola Normal Madre Barbara em Lajeado, onde obteve habilitação pedagógica ao Magistério da primeira à quinta série, no então Ensino Fundamental. O nível colegial fez no Colégio Sagrado Coração de Jesus em Santa Cruz do Sul. Lecionou por 64 anos de forma ininterrupta; no princípio com crianças das séries iniciais e, no decorrer dos anos, estendendose para adolescentes, jovens e adultos em disciplinas e funções diversas. Em 1963 entrou para a Faculdade de Letras, Habilitação Português/ Inglês, da Fundação Universidade de Bagé(FUB) – graduação que lhe deu acesso ao Magistério dos Ensinos Fundamental e Médio da época, permitindo ampliar sua atuação como professora. O passo seguinte foi o concurso público para o Magistério estadual e a prática docente no Ginásio, no Normal e no Científico/Clássico. Em 1972 ingressou no Mestrado em Linguística e Arte pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS) para estudar escritura, actancialidade e poética. No mesmo ano em que defendeu a dissertação(1974), seguiu para uma Especialização em Literatura Portuguesa na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa(Portugal). Em 1975 publicou seu primeiro livro, O rastro instituído, e ingressou no Doutorado em Linguística e Semiótica na Universidade de São Paulo(USP), defendendo a tese“Linguagem: a ilusão do referencial. Proposta de análise do discurso”. Em 1980, realizou Estágio PósDoutoral na Universidade Sorbonne-Paris, na França. 130 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Durante sua carreira profissional Ione atuou no Grupo Escolar Vidal de Negreiros e no Ginásio Industrial, ambos em Estrela (RS). Posteriormente voltou-se para o Magistério Estadual do Rio Grande do Sul, no qual ingressou por meio de concurso público e, igualmente, em 1970, prestou concurso público para o Magistério Superior na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Nessa instituição atuou no Instituto de Letras e na Faculdade de Comunicação – Fabico. Antes, trabalhou como docente na Fundação Alto Taquari de Ensino Superior – Fates(Universidade do Vale do Taquari – Univates), da qual foi uma das fundadoras. Ingressou na Universidade do Vale do Rio do Sinos(Unisinos) em 1994 para participar da criação do Mestrado em Semiótica, logo a seguir transformado em Mestrado em Comunicação. Em pouco tempo colaborou, também, com a criação do curso de Doutorado deste programa, com reconhecimento em âmbito nacional. Permaneceu na Unisinos dedicando-se à Pós-Graduação em Design, ainda ligada à área de comunicação por meio de grupo de pesquisa, de participação em eventos e de produção intelectual. No campo da pesquisa orientou tanto Teses e Dissertações quanto Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação. Nesse percurso, em 2010, foi uma das fundadoras do Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação(GPESC), atuando, desde então, como colíder. Além disso, coordenou o Grupo de Pesquisa Processos Midiáticos e Produção de Sentido no Espaço Urbano Contemporâneo. Como gestora, já no início do seu trabalho na Graduação na Fates, exerceu as funções de diretora do curso de Letras e de presidenta da Fundação. Na Unisinos foi diretora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, diretora do Centro de Ciências da Comunicação, diretora da Unidade Acadêmica de Pesquisa e Pós-Graduação e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Design. Sua atuação na área estendeu-se nacionalmente nas tratativas com órgãos de fomento, com outras instituições de ensino e na diretoria da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós). Em sua trajetória profissional Ione Bentz teve experiência em três instituições de figura jurídica distintas: a universidade pública, a comunitária e a confessional. Tornou-se, também, uma referência 131 importante no campo científico do Brasil, sobretudo na área de Semiótica e na esfera das ciências Sociais e Humanas. Principais publicações BENTZ, I. M. G. A cartografia como expressão da sensibilidade: abdução, rizoma e criação. Revista InTexto, v. 54, p. 1-11, 2022. BENTZ, I. M. G. Os processos de projeto: as mediações na construção dos efeitos de sentidos. In: BENTZ, I. M. G.; PARODE, F.(org.). Design: matrizes interpretativas. 1. ed. Porto Alegre: Entremeios Editora, 2015. p. 13-27. V. 1. BENTZ, I. M. G.; LEITES, B. P. L. A concepção de imagem em Deleuze e Bergson. In: AZAVEDO, A. B. et al.(org.). Deleuze hoje. 1. ed. São Paulo: Editor Fap-Unifesp, 2014. p. 261-280. BENTZ, I. M. G. Fragmentos de sentidos: retratos, discursos e referências. In: PARODE, F.; OLIVEIRA, L. D. de(org.). Semiótica e cultura da comunicação. São Paulo: Kazuá, 2015. p. 35-56. V. 1. BENTZ, I. M. G. Semiótica y comunicación: ensayo de síntesis. Signa – Revista de la Asociación Espanhola de Semiótica, Espanha, v. 10, p. 53-66, 2001. BENTZ, I. M. G. O rastro instituído. 1. ed. Porto Alegre: Emma, 1975. 160 p. 132 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul MARTHA D’AZEVEDO Karla Maria Müller Martha Geralda Alves D’Azevedo nasceu no dia 10 de fevereiro de 1928 em Porto Alegre(RS). É a terceira filha(entre sete irmãos) do casal Almir Alves e Ludovina Martins Costa Alves. Casou-se com Marcello Casado D’Azevedo e teve sete filhos: Roberto, Zulmira, José Carlos, Helena, Marcelo, Pedro e Marta. Durante o período escolar, no Colégio Bom Jesus Sévigné em Porto Alegre, fez parte do grupo que criou o Grêmio Estudantil. Em 1966 ingressou no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Logo após ingressar no mercado de trabalho, com pioneirismo para a época, e com formação no curso de Jornalismo, recebeu o título de profissional de Relações Públicas como provisionada, pois a profissão ainda não era regulamentada nem havia curso de formação universitária. Seu primeiro emprego como profissional de Comunicação foi no antigo Banco da Província, instituição que pertencia à família de seu marido, e onde, em 1971, estruturou o Departamento de Relações Públicas para melhor atender às demandas de comunicação da Instituição. Em paralelo ela exercia a atividade de Relações Públicas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Região Sul/3 (1965-1971). Em 1971 publicou o livro Relações Públicas – teoria e processo, que, por muitos anos, foi uma referência teórica para a formação de novos profissionais e acadêmicos e que ainda traz importantes conceitos sobre a atividade desta profissão. Após o período de atuação no Banco da Província, passou a trabalhar nas Organizações Renner – que, na época, era composta por 16 empresas – como assessora da Presidência, orientando em decisões que envolviam o trabalho de Comunicação, especialmente de Relações Públicas. 133 Em 1973 passou a ministrar disciplinas no curso de Comunicação na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico) da UFRGS. Antes disso lecionou na Faculdade dos Meios de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica(Famecos – PUC/RS) e na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), posto que para essa retornou por um curto espaço de tempo após sua aposentadoria como servidora federal. Dentro da UFRGS também desempenhou atividades na Assessoria de Imprensa da Universidade, sendo uma das responsáveis pelo Jornal 3X4, produzido por alunos da Fabico com orientação de professores do curso, enfrentando as práticas de censura durante a ditadura. Fez Mestrado no curso de Pós-Graduação em Ciência Política da UFRGS, defendendo a dissertação“O controle externo da informação como forma de dominação”(1980), com forte influência dos movimentos sociais dos quais participava, em especial os liderados por alas da igreja católica. Em seguida foi para Quito(Equador) realizar Especialização em Planejamento e Investigação da Comunicação no Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para a América Latina(Ciespal). De lá trouxe material de jornais publicados naquele país, que serviu para fazer uma análise sobre “Liberdade de imprensa: realidade e utopia”, o que resultou na sua tese de Doutorado – realizado no curso de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de São Paulo(USP) –, defendida em 1985, e que a tornou a primeira doutora em comunicação do Rio Grande do Sul. Dando prosseguimento a seus estudos, passou a analisar jornais internacionais publicados na Argentina, Chile, México, Venezuela e Uruguai, além de periódicos brasileiros, ampliando seu olhar sobre o que é noticiado em relação à América Latina. Durante sua trajetória acadêmica participou de eventos científicos e profissionais, levando seus estudos a diversos fóruns de discussão e partilhando conhecimentos com colegas do campo da Comunicação, das Relações Públicas e áreas afins em âmbitos nacional e internacional. Além de realizar estudos sobre Jornalismo, colaborou para a criação de cursos de Relações Públicas em várias universidades brasileiras e defendeu a profissão em diversos campos empresariais. Também participou de gestões do Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas – 4ª Região – RS/SC, chegando a presidir 134 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul a entidade no período de 1982 a 1986. Nesse mesmo período estimulou as atividades da Associação Brasileira de Relações Públicas/RS, que organizava eventos nos quais os profissionais da área trocavam experiências. Mesmo dedicando-se às Relações Públicas, Martha sempre esteve vinculada ao jornalismo. Na Associação Riograndense de Imprensa(ARI) participou de várias gestões da Diretoria. Dentro da ARI, e em parceria com outros participantes, em 1999 criou o Instituto de Comunicação, Cultura, Educação e Formação Política Alberto André(IAA), do qual fez parte da Diretoria por diversos anos. Ali participou do planejamento e execução de várias ações, especialmente de integração de jornalistas gaúchos e entidades da área com profissionais da imprensa uruguaia. Estimulou intercâmbios e participou de comitivas em visita ao país vizinho, especialmente a Colônia do Sacramento(cidade natal do patrono da imprensa brasileira – Hipólito José da Costa) e a Montevideu, ambas no Uruguai. Ainda fez parte da organização de eventos nas cidades fronteiriças de Santana do Livramento(BR)-Rivera/UY. Participou da comitiva que visitou a sede da Associação Latino-Americana de Integração(Aladi), juntamente com representantes da ARI e do IAA. Após sua aposentadoria da UFRGS, ocorrida em 1997, Martha seguiu colaborando com a Universidade e presidiu a Associação dos Antigos Alunos(AAA/UFRGS). No ano de 1998 relatou suas memórias de infância no livro A chácara da cascata e a casa da Rua Duque, no qual destaca sua vivência na área rural de Porto Alegre e no centro da cidade. Em 2006, em parceria com uma sobrinha, dedicou-se a recuperar a história de seu avô, o que resultou na obra: Protásio Alves e seu tempo(2006). Em 2014, criou o blog Política na América Latina, que alimentou por longo tempo e no qual trazia análises sobre o desenrolar político nos países vizinhos ao Brasil, tendo como fonte de observação jornais que retratavam o momento em países Latino-Americanos. Martha Geralda Alves D’Azevedo em 2013 completou 94 anos e segue sendo uma referência dada sua trajetória, marcada pelo pioneirismo feminino no mercado de trabalho e por ter sido a primeira doutora em Comunicação no Estado do Rio Grande do Sul. 135 Principais publicações CAMPOS, M. do C.; D’AZEVEDO, M. G. A. Protásio Alves e seu tempo, 1859-1933. Porto Alegre: Já Editores, 2006. D’AZEVEDO, M. G. A. Relações públicas: teoria e processo. Porto Alegre: Sulina, 1971. D’AZEVEDO, M. G. A. Liberdade de imprensa: realidade e utopia – a notícia internacional em jornais da América Latina. 1985. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, Escola de Comunicações e Artes, Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo, São Paulo, 1985. D’AZEVEDO, M. G. A. A notícia internacional no jornal O Estado de S. Paulo. Revista de Biblioteconomia& Comunicação, Porto Alegre, v. 7, p. 177-193, jan./dez. 1996. D’AZEVEDO, M. G. A. Assessoria de comunicação na aldeia global. Produção intelectual/UFRGS. Porto Alegre, 1997. Apostila. D’AZEVEDO, M. G. A. A chácara da cascata e a casa da Rua Duque. Porto Alegre: Mapa Múndi, 1998. 136 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul NEUSA DEMARTINI Mariângela Machado Toaldo Neusa Demartini nasceu em 1º de outubro de 1946 em Porto Alegre (RS). É filha de Célia Daudt Demartini e de Humberto Kwieczinski Demartini. É mãe de Manuela e Talita, e avó de Pedro. Foi casada com Luiz Gonzaga Mello Gomes. Neusa fez toda sua formação escolar no Instituto de Educação Flores da Cunha. Seu primeiro emprego foi aos 18 anos em uma agência de publicidade. Formada em Jornalismo, em 1970, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), sua atuação profissional, no entanto, seguiu como publicitária, exercendo a função de redatora na Agência Prisma Publicidade(1967-1968) e na Rede Brasil Sul de Televisão/RBS(1969-1970). Nas agências Standard& Ogilvy and Mather Co.(1970-1972) e MPM Propaganda(1972-1973) foi diretora de Relações Públicas. Em 1973 mudou-se para Santa Maria após o casamento. Passou em concurso para professores do recém-aberto curso de Comunicação Social na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM) e, logo ao ingressar como docente, foi eleita a primeira chefe do Departamento de Comunicação. No início da sua atuação docente enfrentou o contexto da ditadura civil-militar, situação que a levou a se dedicar à comunicação política tanto na pesquisa quanto na formação dos jornalistas. Em 1978 foi fazer o Mestrado na Escuela Superior de Estudios de Marketing em Madrid(Espanha), com enfoque no marketing político, recebendo uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Em 1991 cursou o Doutorado na Universidad Complutense de Madrid, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal 137 de Nível Superior(Capes). Estudou os volantes como ferramenta de comunicação política. A vida pessoal e profissional em Santa Maria estendeu-se até 1985, quando voltou para Porto Alegre para atuar na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico/UFRGS), onde se aposentou em 1996. No mesmo ano ingressou no curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade de Comunicação(Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), atuando, também, como professora titular do PPGCOM por 14 anos(1996-2010). Ao longo de sua trajetória acadêmica dedicou-se a trabalhar em disciplinas e pesquisas sobre os temas: comunicação política, publicidade eleitoral, propaganda política e práticas de comunicação persuasiva. Em 1995 recebeu o Prêmio Intercom – Destaque de Tese na área de Publicidade e Propaganda, com seus estudos e pesquisas sobre a Comunicação Persuasiva baseados nos conceitos de Marketing, Merchandising, Publicidade e Propaganda, os quais ganharam mais precisão para os estudos da área. No campo da comunicação política explorou a teoria e as técnicas para desenvolver campanhas eleitorais e as influências das campanhas publicitárias no comportamento eleitoral. Seus trabalhos sempre incluem as perspectivas técnico-estratégicas e educativas da comunicação persuasiva. Com sua produção, Neusa ainda contribuiu para estruturar e desenvolver o conhecimento na área da comunicação persuasiva e no âmbito comercial e político. Além da atuação como professora, participou ativamente como pesquisadora e coordenadora em vários grupos acadêmicos, tais como Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), Federação Lusófona de Ciências da Comunicação(Lusocom), Congresso Ibero-Americano de Comunicação(Ibercom), Associação Latino-Americana de Pesquisadores da Comunicação(Alaic), Federación Latinoamericana de Facultades de Comunicación Social(Felafacs) e International Association for Media and Communication Research(IAMCR). Contribuiu, também, na avaliação de possibilidades de criação e reconhecimento de cursos superiores, atuando como Membro da 138 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Comissão de Avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(Inep), vinculado ao Ministério da Educação(MEC). Após aposentar-se na academia, passou a escrever novelas e contos, tendo as mulheres e suas vivências, permeadas pelos desafios que enfrentam desde tempos atrás até a contemporaneidade, como fontes de inspiração. Principais publicações GOMES, N. D. Publicidade: comunicação persuasiva. 2. ed. Porto Alegre: Editora Sulina, 2008. GOMES, N. D. Formas persuasivas de comunicação política. 2. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001 GOMES, N. D.(org.). Fronteiras da publicidade: faces e disfarces da linguagem persuasiva. 1. ed. Porto Alegre: Editora Sulina, 2006. DEMARTINI, N. Vozes da ancestralidade. Porto Alegre: Editora Metamorfose, 2019. DEMARTINI, N. O enigma por trás do muro. Porto Alegre: Editora Bestiário, 2022 139 DORIS HAUSSEN Luciana Fagundes Haussen Doris Fagundes Haussen nasceu em 1942 em Porto Alegre(RS). É filha de Ramão Vieira Fagundes e Genny de Souza Fagundes. É casada com Flávio Haussen, mãe de Leonardo e Luciana e avó de Luiza e Guilherme. Fez o primário no Colégio Bom Conselho e a Escola Normal no Instituto de Educação General Flores da Cunha de Porto Alegre. Ainda em 1962 começou as atividades profissionais como professora primária da Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul(SEC) – vínculo que manteve até 1993. A Graduação em Jornalismo, na Faculdade dos Meios de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(Famecos/ PUCRS), ocorreu entre 1971 e 1974. Em 1975, já com a titulação de jornalista, realizou uma especialização para professores de 2º Grau na PUCRS, e, em 1976, passou a lecionar a disciplina Redação de Rádio no curso de Jornalismo da mesma instituição. Ali iniciou uma carreira de 41 anos e uma extensa produção, que resultou em 15 livros, mais de 40 artigos publicados, 58 trabalhos apresentados em Congressos nacionais e internacionais e mais de 90 participações em bancas de Mestrado e Doutorado, entre outras atividades. Entre 1978 e 1979 cursou uma Especialização em Comunicação Social na PUCRS – que culminou, em 1978, com um estágio na emissora estatal alemã Deutsche Welle(DW). Nesta experiência conheceu o sistema público de radiodifusão da Alemanha. Também estagiou no grande prédio da Deutsche Welle, com jornalistas de várias partes do mundo. 140 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Em 1984 realizou, em Quito(Equador), a Especialização de três meses em Producción de Radio, no Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación Para America Latina(Ciespal). Entre 1986 e 1989 cursou o Mestrado em Ciências da Comunicação na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), onde também fez o Doutorado na mesma área, entre 1989 e 1993, também com bolsa da Capes – e cuja pesquisa da tese resultou no livro Rádio e política: tempos de Vargas e Peron(2017). Estas atividades eram conjugadas com os períodos de administração e vice-direção do Departamento de Jornalismo da Famecos(1984 a 1986) e de vice-direção da mesma Faculdade(1989 a 1992), com as aulas nas disciplinas de Rádio na Graduação de Jornalismo e, ainda, com as aulas na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(Fabico/UFRGS), onde lecionou de 1993 a 2003. Os trabalhos para a viabilização da Pós-Graduação na Famecos/ PUCRS tiveram início em 1993, e coube à Doris a primeira coordenação do recém-criado Programa de Pós-Graduação(PPG), pelo período de 1994 a 1998 e, posteriormente, no ano de 2014. Em 1991 participou da criação do Grupo de Pesquisa(GP) Rádio e Mídia Sonora, na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Depois, em 2007, participou da criação do Colóquio Brasil-Argentina de Ciências da Comunicação da Intercom. O Pós-Doutoramento aconteceu entre 1996 e 1997 na Universitat Autònoma de Barcelona(UAB), na Espanha, como bolsista da Capes. O tema foi Rádio nos países do Mercosul e União Europeia. Desta estadia e pesquisa na capital Catalã vieram os contatos internacionais que permitiram a ampliação das colaborações internacionais entre o Brasil, Espanha e Portugal, abrindo caminhos para os alunos de comunicação para a realização de pesquisas de Pós-Graduação nestes países. Em 2005 Doris deu início às pesquisas financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico(CNPq), entre as quais, O Rádio no Cinema Brasileiro(2005-2008); O Radiojornalismo no Brasil, na Argentina e no Uruguai(2008-2011); Lusofonia, 141 Interatividade e Interculturalidade(2009-2011), coordenado pela Universidade de Santiago de Compostela e com participação da Universidade de Covilhã, em Portugal, Universidade Lusófona de Guiné Bissau, na África e da Universidade Federal da Bahia(Ufba); Rádio e Literatura no Brasil do século XX(2011-2014); A pesquisa sobre rádio no Brasil: teses, dissertações e artigos(2002-2012); Conteúdos e metodologias(2014-2017); Periódicos científicos latino-americanos: a Comunicação e o Rádio(2010-2015)-(20172020); e O rádio na obra de Érico Veríssimo: sociedade, imaginários, identidades(2020-2023). Em 1998 ela foi finalista do Prêmio Luiz Beltrão, da Intercom, na categoria Liderança Emergente. Em 2014 recebeu o Troféu Marques de Mello, da Intercom. Em 2017, ano em que se aposentou, recebeu o Prêmio Luiz Beltrão, também da Intercom, na categoria Maturidade Acadêmica. Em 2023 foi agraciada com o título de Professora Emérita da PUCRS. Ao longo de mais de 50 anos de pesquisa, docência e direção, Doris orientou 20 dissertações de Mestrado e 15 teses de Doutorado, e participou de 61 bancas de Mestrado e de 37 bancas de Doutorado, além de mais de 70 bancas de Graduação. Principais publicações HAUSSEN, D. F. Rádio e política. Tempos de Vargas e Peron. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2017. HAUSSEN, D. F.; CUNHA, M.(org.). Rádio brasileiro. Episódios e personagens. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003. HAUSSEN, D. F. Mídia, imagem e cultura. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2000. HAUSSEN, D. F. Sistemas de comunicação e identidades na América Latina. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1993. 142 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul ELIZABETH DUARTE Cristiane Mafacioli Carvalho Elizabeth Bastos Duarte nasceu em 15 de novembro de 1946 em Porto Alegre(RS). Bebeth é filha de Letty Torelly Bastos e João Baptista Vieira Bastos, nascida no casarão que foi de seu avô, a Casa Torelly. É mãe de três filhos: Liza, Felipe e Fernando. Teve uma segunda união com o português João Pedro Begonha Santos. Realizou o 1º e 2º Graus no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, em Porto Alegre, e graduou-se em Letras(português e francês), em 1968, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Logo mais, em 1973, ingressou como docente na UFRGS, atuando no ensino de Graduação, especialmente nas disciplinas de Língua Portuguesa. Em 1982 concluiu seu Mestrado em Letras, pela UFRGS, com a dissertação“Regência Verbal: condicionamento semântico de construções sintáticas”, sob orientação de Celso Pedro Luft. Fez Doutorado em Linguística e Semiótica, realizado entre os anos 1984 e 1989 na Universidade de São Paulo(USP), com a tese “Significação: o percurso das transposições no discurso legislativo”, orientada por Cidmar Teodoro Pais. Entre 1985 e 1986, com bolsa do CNPq realizou DoutoradoSanduíche na École dês Hautes Études em Sciences Sociales, orientada por Algirdas Julien Greimas, sua maior referência em semiótica. Em 1989 ingressou como docente na Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras da UFRGS. Entre 1989 e 1994 ministrou as disciplinas O Texto e as Transposições de Sentido, Linguística e Análise Textual e Discursiva. Ainda na UFRGS teve uma experiência de gestão, exercendo a função de chefe do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, entre 1992 e 1994. 143 Em março de 1994 aposentou-se como professora adjunta da UFRGS, e no ano de 1995 ingressou como professora titular no Centro de Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos). Na Unisinos atuou no ensino de Graduação, ministrando as disciplinas de Semiótica e Mídia& Cultura, como docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação(PPGCC). No Mestrado esteve à frente das disciplinas Comunicação& Cultura; Imagem, Retórica, Comunicação; Mídia & Cultura; Mídia, Sentido, Significação; Processo Intersemiótico: Palavra e Imagem; Semiótica Geral; e Semiótica e Pragmática da Comunicação. No Doutorado atuou em Seminário Avançado em Comunicação I e II, Seminário de Pesquisa em Comunicação I e II; Seminário de Tese I e II; e Tópicos para compreender a Televisão. Ainda, no PPGCC teve atuação como presidente do Comitê Científico do Centro de Ciências da Comunicação e como membro da Comissão Coordenadora do Programa de Pós-Graduação(PPG). Detentora da bolsa de produtividade 1C pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), desde 1995 desenvolveu um importante conjunto de pesquisas acadêmicas fundamentadas pela teoria semiótica, com especial interesse pela significação e sentidos das narrativas mediadas pela imagem, pelo audiovisual e pela televisão. Entre 1995 e 2003 liderou muitos projetos:“Transposição de sentido: as diferentes relações entre palavra e imagem”, o qual teve segunda fase:“Transposição de sentido: apropriação intersemiótica e intermediática de mecanismos expressivos”;“Ensaios metodológicos: a análise do texto televisivo”, uma continuidade da pesquisa anterior, com bolsa da Capes para realização de Pós-Doutoramento em Televisão na Université de Paris III, sob a supervisão de François Jost, e de Pós-Doutoramento em Audiovisual pelo Centre des Hautes Études en Sciences Sociales, com supervisão de Jacques Fontanille. Entre os anos de 2004 e 2007 aprofundou suas pesquisas sobre a significação e sentidos no texto televisivo, a partir do projeto “Televisão: diferentes percursos discursivos de operação sobre o real”. Em âmbito internacional, entre 2005 e 2006 foi líder da equipe brasileira no Projeto de Cooperação Mútua Capes/Cofecub, intitulado“Comunicação visual: gêneros e formatos”, com 144 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul intercâmbio de pesquisadores entre o Centre d´Études sur l´Image et le Son Médiatiques(Ceisme), Universidade de Paris III, e a Linha de Pesquisa Mídias e Processos de Significação do PPGCC – Unisinos. No ano de 2007, ao sair da Unisinos, imediatamente passou a atuar na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), junto ao Programa de Pós-Graduação de Comunicação, atividade que exerceu até o ano de 2020. Na UFSM esteve à frente do projeto intitulado “Subgêneros televisuais: entre formatos e tons”, desenvolvido entre 2007 e 2010, e entre 2010 e 2013 propõe a pesquisa“Gauchidade como tom e identidade: a produção da RBS TV(2010-2013)”, além da pesquisa“Telejornais: entre diferentes espaços, atores, tempos e suas formas de expressão”, realizada entre 2018 e 2022. Como coordenadora de grupos de pesquisa, desempenhou um importante papel junto ao Grupo de Pesquisa Processos de Significação Televisual(GPTV) na Unisinos, e com o Grupo de Pesquisa Comunicação Televisual(ComTV) na UFSM, em parceria com colegas, além de participação no Projeto de Cooperação Mútua Patrimoines-Images-Médias-Identités(Pimi), desde 2015. Coordena a Coleção Estudos sobre o Audiovisual na Editora Sulina desde 2004. No total, foram dez livros publicados nesta coleção. Em 2022, após encerrar suas atividades na UFSM, Bebeth lança o livro“Ajustando temporalidades, afinando conceitos, atualizando roteiros: um estudo sobre a televisão 2021-2022”. Em 14 de novembro de 2023, às vésperas de completar seus 77 anos, lançou mais um livro. Desta vez, é sobre memórias, intitulado “A Casa da Saudade”, remetendo à Casa Torelly, tomada pelo patrimônio municipal, onde ela nasceu. Ao todo, em sua carreira como professora e pesquisadora Bebeth foi orientadora de mais de 30 estudos entre dissertações de Mestrado e teses de Doutorado, disseminando seu conhecimento e sua perspectiva teórica sobre a significação e o sentido dos textos televisivos. Principais publicações DUARTE, E. B. Ajustando temporalidades, afinando conceitos, atualizando roteiros: um estudo sobre a televisão 2021-2022. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2022. 145 DUARTE, E. B. Televisão: ensaios metodológicos. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2004. 158 p.(Coleção Estudos sobre o audiovisual, 1). DUARTE, E. B. A casa da saudade. Porto Alegre: Editora Sulina, 2023. DUARTE, E. B.; CASTRO, M. L. D.(org.). Televisão: entre o mercado e a academia. Porto Alegre: Sulina, 2006. 159 p.(Coleção Estudos sobre o audiovisual, 1). DUARTE, E. B.; CASTRO, M. L. D.(org.). Comunicação audiovisual: gêneros e formatos. Porto Alegre: Sulina, 2007. 207 p.(Coleção Estudos sobre o audiovisual). DUARTE, E. B.; CASTRO, M. L. D.(org.). Em torno das mídias: práticas e ambiências. Porto Alegre: Sulina, 2008. 146 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul MARIA HELENA WEBER Janaína Gomes Maria Helena, a Milena, nasceu em maio de 1951 em Caxias do Sul(RS). Filha de Orlando Pedro Weber e de Zoila Maria Negrini Weber, é a primogênita de três irmãs e dois irmãos. Estudou no Colégio São Carlos, onde aos 13 anos iniciou seu ativismo político. Redigiu e apresentou o programa de rádio Gente, em Caxias. Fez o curso Clássico no Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendoza Aos 18 anos fez vestibular para Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS) e na Pontifícia Universidade Católica(PUCRS), onde foi aprovada. Entrou para a UFRGS quando a universidade abriu mais cinco vagas, alcançada por meio de atestado de idoneidade ideológica, posto que ela fazia parte de uma lista de jovens subversivos. Como alternativa, a exigência era que três professores considerados ideologicamente idôneos atestassem a idoneidade da jovem de 18 anos. Maria Helena fez parte da primeira turma do curso de Comunicação Social da UFRGS, em plena reforma universitária instituída pelo regime militar e no auge da repressão da ditadura, pós 1968. Fez um estágio na sucursal do jornal O Estado de São Paulo e foi divulgadora na Agência Símbolo Propaganda. Na metade do curso optou pela habilitação Propaganda e Relações Públicas. Em 1974, recém-graduada, ingressou como professora na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos) no Curso de Relações Públicas(RP). Lecionou até 1983 e foi chefe do Departamento de Propaganda, Publicidade e Relações Públicas de 1977 a 1980. Em 1976 ingressou como professora colaboradora na 147 Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico/UFRGS) e ali construiu sua carreira, pois não havia concurso público na época. Fez Mestrado em Sociologia na UFRGS(1984-1994), orientada por Maria Suzana Arrosa Soares, com a dissertação“Ditadura e Sedução – Redes de comunicação e coerção no Brasil(1969/1973)”. De 1984 a 1990 atuou em diversas comissões da gestão universitária e representação em Conselhos na UFRGS, e na Fabico coordenou o Curso de Comunicação de 1982 a 1990. No campo do ativismo político, Maria Helena integrou a Coordenação de Comunicação da Prefeitura de Porto Alegre(1989-1991) no governo de Olívio Dutra e Tarso Genro. Em 1993 ingressou no Doutorado em Comunicação e Cultura na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Neste período publicou dois capítulos de livros na área da política:“Delitos Estéticos – a política na televisão”(1994) e“Mídia e Eleições: relações(mal)ditas”(1996). Em 1996 participou, pela primeira vez, do Congresso da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação(Compós), e em 1999 defendeu a tese:“Consumo de Paixões e Poderes Nacionais – Hibridação e Permanência em espetáculos político-mediáticos”, orientada por Antônio Fausto Neto. De 1997 a 1998, após retornar para Porto Alegre, assumiu a coordenação da Assessoria de Comunicação da UFRGS. Neste período coordenou o projeto de comunicação, que incluiu a criação da marca para a UFRGS e o Jornal da Universidade(1997). Em 1999 ingressou como docente no Programa de PósGraduação em Comunicação e Informação(PPGCOM) e assumiu a coordenação até 2002, retomando-a de 2009 a 2010, coordenando a efetivação do Doutorado. Está vinculada à linha de pesquisa Cultura, Políticas e Significação. Entre 2012 e 2022 várias teses e dissertações orientadas por ela foram premiadas por diversas instituições: Associação Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas(Abracorp), Prêmio Capes de Tese, Associação Nacional do Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política(Compolítica) e a Associação Brasileira de Jornalismo. Em 2007 foi agraciada com o 148 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Prêmio do Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (Confrerp) na categoria academia. No PPGCOM supervisionou Pós-Doutoramentos e um DoutoradoSanduíche internacional. Também colaborou em bancas de professores titulares e concursos públicos, e bancas de Mestrado e Doutorado em diversos PPGs pelo país. Em 2002 conquistou a Bolsa de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), desenvolvendo, de 2003 a 2007, a pesquisa “Representações de Porto Alegre nos espaços midiático, político e acadêmico(1989/2004)”, relacionado à sua experiência na Prefeitura de Porto Alegre. Contribuiu para a criação da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação(Compós), e, em 2003, assumiu a vice-presidência. Ainda participou da criação do Grupo de Trabalho Comunicação e Política, que coordenou de 2005 a 2006. Em 2009 fez parte da diretoria da Compolítica, e na Abracorp coordenou o Grupo de Trabalho Comunicação Pública, Governamental e Política(2009). De 2004 a 2005 trabalhou no Ministério da Educação com o ministro Tarso Genro(PT). Em 2007, motivada pela experiência no Ministério, desenvolveu o projeto de pesquisa(Bolsa Pq/CNPq)“A comunicação pública dos poderes e o poder da mídia no Brasil”, e dedicou-se a analisar estruturas e estratégias de comunicação dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, gerando acervos importantes para a pesquisa em comunicação política. Em 2008 registrou o Núcleo de Comunicação Pública e Política (Nucop) no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq. Em 2010 iniciou a pesquisa(Bolsa Pq/CNPq)“Sistemas e Estratégias de Comunicação do Estado brasileiro, entre a visibilidade e o interesse público”, dando continuidade à temática da comunicação produzida pelo Estado e a comparação entre os sistemas de comunicação em diferentes regimes políticos. Entre 2014 e 2015 coordenou a pesquisa sobre a TV Brasil decorrente de convênio entre a Empresa Brasileira de Comunicação(EBC) e a UFRGS. Em 2015, com o Edital Universal/CNPq, criou o Observatório de Comunicação Pública(Obcomp). Em 2022 o espaço foi ampliado institucionalmente a partir do registro do Obcomp como projeto de extensão, reunindo pesquisadores, professores e alunos de 149 Graduação e de Pós-Graduação da UFRGS, Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal de Pelotas(UFPel) e a Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3. Em 2016 iniciou a pesquisa“Constituição da comunicação pública no Brasil”(Bolsa Pq/CNPq), e introduziu questões sobre o conceito de paradoxo da visibilidade. Maria Helena foi eleita para a função de representação dos Programas de Pós-Graduação de Comunicação, Ciências da Informação e Museologia e coordenação da Área de Ciências Sociais Aplicadas do Sistema Nacional de Pós-Graduação da Capes, onde ocupou, também, o cargo titular no Conselho Técnico-Científico da Capes (CTC/Capes), de 2011 a 2014. Desde 2010 tornou-se parecerista de projetos de fomento pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). De 2017 a 2021 a pesquisa desenvolvida(Bolsa Pq/CNPq) foi intitulada“Visibilidades e credibilidades do processo de impeachment de Dilma Rousseff: disputas de poder e opinião em redes de comunicação pública”. Do financiamento desta pesquisa foi publicada a obra“Pactos e disputas político-comunicacionais sobre a presidenta Dilma”. Desde 2018 coordena estudos relacionados à pesquisa denominada “Democracia Digital: comunicação e debate público”. Essa pesquisa está vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital(INCTDD), por meio do Nucop, no qual integra o comitê gestor. Em 2012 foi aprovada no Concurso à professora titular da UFRGS e se aposentou na Graduação em 2019, permanecendo como professora convidada e orientadora no Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM). Maria Helena Weber é escritora, professora e pesquisadora. Uma das responsáveis pela estruturação da área de Comunicação Pública e Política no Brasil. Sua bibliografia é composta por obras que transitam pelo campo da Comunicação Social, do Jornalismo, da Política e da Literatura. 150 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Principais publicações WEBER, Maria Helena. Comunicação e espetáculos da política. 1. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2000. WEBER, Maria Helena(org.). Pactos e disputas políticocomunicacionais sobre a presidenta Dilma. 1. ed. Porto Alegre: Figura de Linguagem, 2022. WEBER, Maria Helena; COELHO, Marja Pfeifer; LOCATELLI, Carlos (org.). Comunicação pública e política: pesquisa e práticas. 1. ed. Florianópolis: Editora Insular, 2017. WEBER, Maria Helena; LOCATELLI, Carlos. A comunicação pública e a qualidade da democracia. In: MENDONÇA, Ricardo Fabrino; SARMENTO, Raysa(org.). Crises da democracia e esfera pública – debates contemporâneos. Belo Horizonte: Incipit, 2023. WEBER, Maria Helena. Balizas do campo comunicação e política. Tríade: Comunicação, Cultura e Mídia, v. 8, p. 6-48, 2020. WEBER, Maria Helena. Na língua delas(contos). Osasco, SP: Editora Belas Letras, 2018. 151 MARIA LÍLIA DE CASTRO Fernanda Sagrilo Andres Maria Lília Dias de Castro nasceu em 3 de novembro de 1946 em Porto Alegre(RS) e é conhecida como Lilica. É filha de Leda Assumpção Dias e Fernando Camargo Dias. Mãe de Cláudio e Gabriel e avó de Miguel, Martina, Camila, Júlia e Geórgia. Fez o primário e ginásio no Colégio Maria Imaculada e o clássico no Colégio Estadual Júlio de Castilhos. Sua formação acadêmica contempla Graduação em Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS)(1965-1968), Especialização em DEA, na Universidade de Limoges, na França(1993), Mestrado em Letras na UFRGS(1975-1981) e Doutorado em Letras na Universidade de São Paulo(USP)(1985-1990). A atuação profissional iniciou nos Ensinos Fundamental e Médio em escolas da rede particular e pública, no período de 1967 a 1985. A atividade acadêmica foi iniciada em 1975, na UFRGS. Em concomitância, ocorreram atividades de gestão: coordenadora da Comissão de Carreira(Comcar) do Curso de Letras da UFRGS(19901995); presidente da 4ª Câmara da UFRGS – Área de Letras e Artes (1994-1995); secretária da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística(ANPOLL), na gestão 1991-1992; membro fundador da Regional Sul da Associação Brasileira de Semiótica(ABS/RS), em 1986, responsável pela realização de cursos sobre semiótica, pela coordenação do Congresso Internacional de Semiótica(1990) e pela publicação da Revista Linguagens, de 1986 a 1990. Com sua aposentadoria da UFRGS(1995) atuou por dois anos (1995-1996) como coordenadora acadêmica do curso de Jornalismo Aplicado da Rede Brasil Sul de Comunicação(RBS) para profissionais do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 152 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul No ano seguinte passou a atuar na área de comunicação, desenvolvendo atividades acadêmicas na Universidade do Vale dos Sinos(Unisinos-1997-2007) e na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM-2007-2022). Essa mudança concorreu para sua investigação de Pós-Doutorado em Comunicação(Televisão e Publicidade), realizada na Universidade de Paris 3(Sorbonne Nouvelle), em Paris(2005-2006), quando foi orientada por François Jost. Em Paris, além das atividades junto ao Centre d’Etudes sur l’Images et le Son Médiatiques(Ceisme), participou dos seminários do Centre Analyse du Discours, ministrou aulas no Curso de Cinema e Audiovisual e integrou banca de Doutorado de Fábio Pezzi Perode( L’art et les nouvelles technologies: une réflexion sur les enjeux de domination sociale), sob a orientação de Marc Jimenez, na Universidade de Paris 1. No período 2015-2017 integrou o acordo internacional PatrimoinesImages-Médias-Identités(PIMI), aprovado na França, que envolveu a cooperação entre quatro universidades francesas(Paris, Lyon, Grenoble e Aix-en-Provence) e quatro universidades federais brasileiras(Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Maria), com vistas à investigação do patrimônio televisual. Lilica dedicou-se ao aprofundamento da noção de texto publicitário e ao reconhecimento do transbordamento nele presente, o que redundou no conceito de promocionalidade, construindo um aparato teórico-metodológico capaz de dar conta da variedade de produções promocionais e de explicar o que tais textos dizem e como fazem para dizer o que dizem. Na pesquisa Estratégias de promocionalidade: da televisão às outras plataformas midiáticas, atualizou as noções de função, ação e manifestação promocionais já desenvolvidas em projetos anteriores, e buscou alargar a discussão para o âmbito da transmidialidade. Desenvolveu atividades de pesquisa e de gestão: integrante do grupo de pesquisa Significação Televisual: gêneros e formatos – GPTV – da Unisinos; criadora e coordenadora de Língua Portuguesa para os cursos de Graduação em Comunicação da Unisinos; fundadora do grupo de pesquisa ComTV na UFSM; coordenadora do Grupo de Trabalho Publicidade e Propaganda da Intercom nos biênios 2011-2012 e 2013-2014; membro fundadora da Associação Brasileira de Pesquisadores em Publicidade(ABP2); membro fundadora da Associação Internacional de Investigadores em Branding(Observatório de Marcas); membro do Conselho 153 Científico da Federación Latinoamericana de Semiótica(Fels); membro da Associação Brasileira de Semiótica(Abes) e do Centro de Pesquisas Sociossemióticas; diretora editorial da Associação Brasileira de Pesquisadores em Publicidade(ABP2); membro do Conselho técnico-executivo da ABP2. No que se refere às publicações, participou da coordenação da Coleção Estudos sobre o Audiovisual, no período de 2004 a 2010, editada pela Editora Sulina, que contempla a publicação de nove livros. Em 2019, em comemoração aos 20 anos do GT Publicidade e Propaganda da Intercom, organizou a obra Ontologia publicitária: epistemologia, práxis e linguagem, que reúne as pesquisas mais emblemáticas do campo publicitário da atualidade. Maria Lília colaborou decisivamente com o fortalecimento da bibliografia da área de publicidade, sobretudo pela proposta de articulação com a televisão e a semiótica. Principais publicações CASTRO, Maria Lília Dias de. Fenômeno da transmidialidade: conceituação, estratégias e encaminhamento teórico-metodológico. In: SOUSA, Silvia Maria de; AZEVEDO, Sandro Torres de(org.). Diálogos transmídia. Uberlândia: Pangeia Editora, 2022. p. 46-58. CASTRO, Maria Lília Dias de; RABAIOLLI, Janderle. Production télévisuelle:“promotionnalité” et temps. In: CHAMBAT-HOUILLON, Marie France; GOETSCHEL, Pascale. Le temps à épreuve des médias Brésil-France(XX e – XXI e siècles). Paris: L’Harmattan, 2023. p. 273-289. CASTRO, Maria Lília Dias de. Fernando Camargo Dias: o legado de vida. Porto Alegre: Acesso Popular, 2022. DUARTE, Elizabeth; CASTRO, Maria Lília Dias de(org.). Convergências midiáticas: produção ficcional RBS TV. Porto Alegre: Sulina, 2010. DUARTE, Elizabeth; CASTRO, Maria Lília Dias de(org.). Em torno das mídias: práticas e ambiências. Porto Alegre: Sulina, 2008. PEREZ, Clotilde; CASTRO, Maria Lília Dias de; POMPEU, Bruno; SANTOS, Goiamérico(org.). Ontologia publicitária: epistemologia, práxis e linguagem. São Paulo: Intercom, 2019. 154 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul ILZA GIRARDI Cláudia Herte de Moraes Ilza Maria Tourinho Girardi nasceu em 24 de março de 1951 em Porto Alegre(RS). É filha de Octaviano Girardi e de Lucia Tourinho Girardi. Estudou no Grupo Escolar Euclides da Cunha, em Porto Alegre, até o 5º ano, e no Colégio Sévigné o restante de sua formação escolar. Ilza possui Graduação em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1975, Mestrado em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo(Umesp), com orientação de Wilson da Costa Bueno(1988) e Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP), orientada por Luiz Roberto Alves (2001). Durante o Doutorado realizou estudos na Universidade Autônoma de Barcelona. Quando estudante, em 1974, começou sua atuação em veículos de comunicação e, no início dos anos 1980, atuou na assessoria de comunicação da Secretaria de Agricultura do Estado. Desde aquela época trabalha junto a Organizações Não Governamentais(ONG), como a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e cooperativas e movimentos socioambientalistas em Porto Alegre e região. Nesta trajetória contribuiu como assessora de imprensa da Sociedade de Agronomia do Rio Grande do Sul diante da luta contra os agrotóxicos e em prol da criação da chamada Lei dos Agrotóxicos. Aposentada da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da UFRGS desde 2 de junho de 2021 como titular, é professora convidada no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da mesma Universidade. Sua atuação na UFRGS iniciou-se em 1979 como professora colaboradora. Desde então a 155 experiência na pesquisa e na extensão, com a temática ambiental, levou-a a propor a primeira disciplina especializada em Jornalismo Ambiental num curso de Comunicação, no Brasil, no ano de 2004. É líder do grupo de pesquisa em Jornalismo Ambiental CNPq/ UFRGS. Ministrou, também, disciplinas nos Cursos de Museologia e Arquivologia no Departamento de Ciências da Informação. Como gestora na universidade, foi coordenadora da Comissão de Pesquisa da Fabico e membro da Câmara de Pesquisa da UFRGS. É membro do Comitê Assessor de Popularização da Ciência da UFRGS. Foi vice-diretora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação no período de 24/12/2016 a 23/12/2020. No campo da extensão coordena o Projeto Observatório do Jornalismo Ambiental, que traz análises semanais com a cobertura de temas socioambientais. Desenvolveu projetos de educomunicação socioambiental voltados para estudantes e professores de escolas públicas, bem como para associações comunitárias. Ilza coordena o Núcleo de Ecojornalistas do RS(NEJ-RS), criado em 1990, e neste espaço alia a pesquisa acadêmica, o ensino e a extensão com as atividades militantes, especialmente na luta contra os agrotóxicos nos alimentos, pelas feiras ecológicas e pela alimentação saudável. Ilza recebeu duas vezes o Prêmio Henrique Luiz Roessler de uma série de entidades, entre elas o Sindicato dos Jornalistas e Governo do Estado do Rio Grande do Sul como jornalista(2005), e na Categoria Personalidade pela Contribuição Especial à Defesa do Meio Ambiente(2006). Em 2010, representando o NEJ-RS, recebeu a Medalha Cidade de Porto Alegre pela Prefeitura. Em 2015 foi condecorada com o Prêmio Pioneiras da Ecologia, da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em reconhecimento ao trabalho voltado para a formação ambiental de estudantes da Graduação e da Pós-Graduação. Em 2000 Ilza também participou ativamente da criação da Rede de Comunicação Ambiental da América Latina e do Caribe(2000). Atuando como professora da UFRGS e militante do NEJ-RS, liderou mais de 20 eventos, cursos, congressos de Jornalismo e de Comunicação, além de constantes apresentações no Salão de Iniciação Científica da Universidade. Palestrou em mais de 30 ocasiões, atendendo à formação complementar em universidades e associações profissionais de jornalismo e multidisciplinares, além 156 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul de conceder entrevistas, como à Globonews na reportagem“A caminho da Rio+20”, do programa Cidades e Soluções, realizada por André Trigueiro. Em 2022 participou do Programa Capital Natural, da Band News, apresentado pelo jornalista Pablo Ribeiro. Tem 34 artigos científicos publicados em periódicos do Brasil e do Exterior em revistas de relevo, como Razón y Palabra(México), Comunicação& Sociedade(Universidade Metodista de São Paulo), Em Questão(UFRGS) e Revista Latinoamericana de Comunicación Chasqui(Equador). Entre os livros mais recentes destacam-se a coorganização de Comunicación y Cambio Climático. Contribuciones Actuales(2020), de Minimanual para a cobertura jornalística das mudanças climáticas e de Jornalismo Ambiental – teoria e prática(2018). Direcionada pela atuação comunitária, destaca-se a organização da cartilha Para Fazer Rádio Comunitária Com“c” Maiúsculo, também em parceria(2009. Militante, ativista ambiental, pesquisadora e professora, são muitas as facetas da sua trajetória com experiência na área de Comunicação e Jornalismo, com ênfase em Jornalismo Ambiental, Comunicação e Educação Ambiental, Comunicação e Cidadania e Teorias da Comunicação. Principais publicações AMARAL, Márcia Franz; LOOSE, Eloísa Beling; GIRARDI, Ilza Maria Tourinho(org.). Minimanual para a cobertura jornalística das mudanças climáticas. Santa Maria/RS: Facos-UFSM, 2020. GIRARDI, Ilza Maria Tourinho. Ecojornalismo e educação ambiental: a experiência de implantação da disciplina de Jornalismo Ambiental na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS. Em Questão, v. 10, n. 1, p. 203-213, 2004. GIRARDI, Ilza Maria Tourinho; SCHWAAB, Reges Toni. Jornalismo ambiental: desafios e reflexões. Porto Alegre: Dom Quixote, 2008. GIRARDI, Ilza Maria Tourinho et al. Caminhos e descaminhos do jornalismo ambiental. Comunicação& Sociedade, v. 34, n. 1, p. 131-152, 2012. GIRARDI, Ilza Maria Tourinho et al. Discursos e vozes na cobertura jornalística das COP15 e 16. Em Questão, v. 19, n. 2, p. 176-194, 2013. 157 GIRARDI, Ilza Maria Tourinho et al. Jornalismo ambiental: teoria e prática. Porto Alegre: Editora Metamorfose, 2018. GIRARDI, Ilza Maria Tourinho; FERNÁNDEZ-REYES, Rogelio; RODRIGO-CANO, Daniel(coord.). Comunicación y cambio climático. Contribuciones actuales. Sevilha, Espanha: Egregius de 2020. 158 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul CHRISTA BERGER Márcia Veiga Christa Liselote Berger Ramos Kuschic nasceu em 16 de setembro de 1950 em Ijuí(RS). É a primogênita do casal Florêncio Luiz Henrique Berger e de Anália Vontobel Berger. Fez o Ensino Fundamental e parte do Ensino Médio no Colégio Evangélico Augusto Pestana, em sua cidade natal. Concluiu o Ensino Médio na escola Júlio de Castilhos (Julinho), em Porto Alegre(RS), cidade para qual migrou em 1967. Ingressou no curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS), formando-se em 1974. Sua trajetória profissional na área iniciou já no segundo ano da faculdade. A primeira experiência foi no arquivo do jornal Zero Hora, que estava sendo construído no veículo naquele exato momento. Como jornalista, trabalhou também no Jornal do Brasil, no Diário de Notícias e na Folha da Manhã. Em 1972 fez vestibular para Ciências Sociais na UFRGS, cursou disciplinas afins com o contexto político, mas não chegou a se formar. Em 1976 muda-se com o marido e os dois filhos para o México, onde ele fez Mestrado, afastando-se do cenário da ditadura. Lá Christa fez Mestrado em Ciências Políticas na Universidade Nacional Autônoma do México(Unam), ocasião em que conviveu com exilados dos países sob ditaduras e participou do movimento feminista latino-americano. 159 A vida acadêmica, como docente e pesquisadora, iniciou na volta ao Brasil em 1980, dando aulas de Jornalismo na então Faculdade de Comunicação Social(PUCRS), atuando, também, no primeiro curso de Especialização em Jornalismo na mesma instituição. Pouco tempo depois passou a lecionar na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), primeiro como professora substituta e, após aprovação em concurso, como professora efetiva. Nessa época iniciou o Doutorado em Ciências da Comunicação na Universidade de São Paulo(USP), sob orientação de Maria Immacolata Vassallo de Lopes. Integrou a equipe docente do Programa de Pós-Graduação na Fabico, inicialmente um Mestrado que reunia professores das áreas de comunicação e de informação, participando, em especial, da criação do Doutorado, com a mesma área de concentração. Orientou dissertações e teses, ministrou disciplinas de teoria e metodologia e foi coordenadora e vice-coordenadora do Programa. Na mesma época fez Pós-Doutorado com pesquisa em Jornalismo na Universidade Autônoma de Barcelona, sob orientação de Miquel Rodrigo Alsina. Em 2004 Christa aposentou-se e aceitou o convite para fazer parte do Programa de Pós-Graduação da Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos). Lá participou da criação de uma linha de pesquisa em jornalismo. Com seus colegas de linha concorreu a um edital para pesquisa nacional em parceria com os Programas da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG) e da UFRGS, tendo como tema“Acontecimento”, conceito norteador da publicação de quatro livros. Na Unisinos também coordenou o Programa de Pós-Graduação. Como gestora participou de diferentes etapas e processos de avaliação junto as Agências de Fomento Científico. No Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) foi representante da área e fez parte de processos de avaliação de cursos na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Também participou de associações de pesquisadores em comunicação: Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPjor) e Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação(Compós). 160 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Em 2017 desligou-se das atividades acadêmicas, quando saiu da Unisinos. Entre algumas de suas publicações mais recentes estão quatro volumes resultantes de pesquisas: Jornalismo e acontecimento – mapeamentos críticos(2010), Jornalismo e acontecimento – percursos metodológicos(2011), Jornalismo e acontecimento – diante da morte(2012) e Tramas conceituais(2013). Publicou, em 2022, a biografia Jurema Finamour: a jornalista silenciada, que é autora do livro“Vais bem Fidel”, que lera na década de 1960 e que constatou, anos mais tarde, não haver referências sobre ela, motivo para resgatar sua importância no jornalismo, a qual foi apagada. A obra venceu o Prêmio Açorianos de Literatura de 2023. Principais publicações BERGER, C. O jornalismo no cinema. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2002. 295 p. BERGER, C. Jurema Finamour: a jornalista silenciada. Porto Alegre: Editora Libretos, 2022. BERGER, C.; MAROCCO, B.(org.). A era glacial do jornalismo – teorias sociais da imprensa 2. Porto Alegre: Sulina, 2008. 220 p. V. 2. BERGER, C. Trajetória de vida e acontecimento: Simonal na ditadura. In: LEAL, B. S.; ANTUNES, E.; VAZ, P. B.(org.). Jornalismo e acontecimento – percursos metodológicos. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2011. p. 145-165. V. 2. BERGER, C.; TAVARES, F. M. B. Tipologias do acontecimento jornalístico. In: BENETTI, M.; FONSECA, V. P. da S.(org.). Jornalismo e acontecimento – mapeamentos críticos. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2010. p. 121-142. MAROCCO, B.; BERGER, C.(org.). A era glacial do jornalismo – teorias sociais da imprensa. 70. ed. Porto Alegre: Sulina, 2006. 309 p. V. 1. MAROCCO, B.; BERGER, C.; HENN, R. C.(org.). Jornalismo e acontecimento – diante da morte. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2012. 247 p. 161 SUSANA GASTAL Ana Isaia Barretto Susana de Araújo Gastal nasceu em 21 de outubro de 1951 em Porto Alegre(RS). É filha de Edy Przybylski e Jecy Przybylski. Tem dois irmãos, Flavio e Inês, o filho Rodrigo e um neto. Foi casada com o jornalista Ney Gastal. Iniciou sua escolaridade no Colégio Dom Pedro II(agora Pastor Dohms). Na sequência frequentou o Colégio Sévigné, ambos em Porto Alegre. Fez o Clássico, que enfatizava disciplinas da área de Ciências Humanas, em uma turma exclusiva de meninas. Cursou as Faculdades de Letras e Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), mas não chegou a concluir nenhuma delas. Em 1974 formou-se em Jornalismo na Faculdade de Meios de Comunicação Social(Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), complementado, na sequência imediata, pela Especialização em Relações Públicas. Iniciou sua trajetória profissional, como estagiária, na Editora José Olympio no ano de 1975 em Porto Alegre. Como jornalista, trabalhou no jornal Correio do Povo, entre 1971 e 1974, nas editorias de Cultura e página infantil, na qual escreveu alguns contos para crianças. De 1974 até 1976, como técnica contratada da Companhia Riograndense de Turismo(CRTUR), foi cedida para a Secretaria Estadual do Turismo, então recém-criada. Atuou na Revista Caminhos do Turismo como redatora. Em 1976 passou a trabalhar na Secretaria Municipal do Meio Ambiente(SMAM), onde fez parte da equipe que a efetivou, atuando na Assessoria de Comunicação. Após sete anos na SMAM, trabalhou na Secretaria Municipal da Indústria e Comércio, onde coordenou, por dois anos, o Brique da Redenção, feira de artesanato em Porto Alegre. 162 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Em 1983 ingressou na Divisão de Cultura, depois transformada em Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, onde coordenou a área de Comunicação por 20 anos, além de criar e editar a revista Porto&Vírgula e iniciar e coordenar a Unidade Editorial, tendo sido editora da pasta, que produziu cerca de 50 títulos. Nesse período deu continuidade aos estudos, cursando Especialização em Artes Plásticas – Suportes Científicos e Práxis (PUCRS), a qual tornou-se Mestrado de Artes Visuais(UFRGS), fazendo parte da primeira turma. Sua banca de defesa aconteceu em 1995, com a Dissertação“Imagens e Identidade Visual: a pintura em Porto Alegre: 1891-1930”, sob orientação de Maria Amélia Bulhões Garcia. Na vida acadêmica, desde os anos 1980 lecionou a disciplina Comunicação no Curso de Nutrição do Instituto Metodista de Educação e Cultura(Imec) em Porto Alegre. Em 1995, até 2012, passa a atuar na PUCRS no curso de Turismo, com inserções nos cursos de Jornalismo e Relações Públicas. No curso de Relações Públicas, tanto na PUCRS quanto na Universidade de Caxias do Sul(UCS), a partir de 2002, lecionou Redação Jornalística, Teoria da Comunicação e orientação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). No curso de Publicidade, a partir de 2005, ministrou Origem e Tecnologia das Mídias. Na Faculdade de Educação ministrou a disciplina Tecnologias Audiovisuais, abordagens Pedagógicas. Na Graduação em Turismo, além das duas instituições citadas, lecionou, também, na Universidade Franciscana em Santa Maria(RS). No Programa de Pós-Graduação em Turismo e Hospitalidade – Mestrado e Doutorado, atua nas disciplinas de pesquisas e orientações de dissertações e teses. Foi coordenadora do Programa, onde, em 2009, criou a revista Rosa dos Ventos – Turismo e Hospitalidade, sendo sua editora científica desde então. Junto com a docência continuou a trabalhar na Secretaria Municipal da Cultura, dedicando-se a ela após aposentar-se da Prefeitura de Porto Alegre. Entre 1998 e 2002 fez o Doutorado em Comunicação Social na PUCRS, com a tese“Alegorias urbanas: o passado como subterfúgio. Tempo, espaço e visualidade na pós-modernidade”, sob orientação de Eliana Pibernat Antonini. Em 2012 fez Pós-Doutoramento na Universidade Católica Portuguesa, na cidade do Porto, com a supervisão de Isabel Baptista. 163 Orientou e coorientou Doutoramentos na Universidade de Lisboa e no Instituto Universitário de Lisboa. Foi diretora científica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo(Anptur) nos biênios 2009-2011 e 2017-2019, e representante de área no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) entre 2017 e 2021. Ainda, tornou-se bolsista CNPq Produtividade em Pesquisa 1D. No ano de 2019 recebeu o Prêmio Nacional de Turismo, promovido pelo Ministério do Turismo, como Profissional Destaque do Turismo na categoria Academia. Em 2013 foi eleita Destaque em Pesquisa Anptur. Susana tem 16 livros publicados, como autora e/ou organizadora, e cerca de 70 artigos em revistas acadêmicas do Brasil e do exterior. Seu currículo aponta, ainda, 81 capítulos de livros, 90 trabalhos registrados em anais de eventos e apresentação de cerca de 40 palestras no Brasil e no exterior. Em sua trajetória, Susana Gastal atuou em diversificados segmentos da Comunicação Social, explorando as inter-relações com a área do turismo. Junto com a docência nas áreas de Comunicação, Cultura e Turismo, atua como escritora, editora, curadora e produtora. Principais publicações GASTAL, S. Salas de cinema: cenários porto-alegrense. 1 ed. Porto Alegre: Unidade Editorial/SMC, 2000. GASTAL, S. Verbete Cartão Postal. In: SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES DA COMUNICAÇÃO(org.). Enciclopédia Intercom de Comunicação – Dicionário Brasileiro do Conhecimento Comunicacional – Conceitos. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2010. p. 164-165. V. 1. GASTAL, S. Verbete Cinema e Turismo. In: SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES DA COMUNICAÇÃO(org.). Enciclopédia Intercom de Comunicação – Dicionario Brasileiro do Conhecimento Comunicacional – Conceitos. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2010. p. 201-202. V. 1. GASTAL, S. Verbete Jornalismo Turístico. In: SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES DA COMUNICAÇÃO(org.). 164 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Enciclopédia Intercom de Comunicação – Dicionario Brasileiro do Conhecimento Comunicacional – Conceitos. 1. ed. São Paulo: São Paulo, 2010. SA, F. Z.; GASTAL, S. A. Cultura, memoria y comunicación: enlaces con el souvenir. In: RODRIGUES SOARES, J. R.; BAPTISTA, M. L. C. (org.). Las fuentes de información turísticas em foco. 1. ed. Navarra: Thomson Reuters Aranzadi, 2018. 165 NILDA JACKS Elisa Reinhardt Piedras Nilda Aparecida Jacks nasceu em 8 de setembro de 1954 em Pindamonhangaba(SP). Filha mais velha de três irmãos gerados pelo casal Nildo Valdo Jacks e Gladir Ramos Jacks. Realizou seus estudos básicos em várias cidades e colégios devido à profissão do pai. O ensino“primário” foi cursado em quatro cidades do Estado do Rio Grande do Sul: Cachoeira do Sul(Escola Metodista), Garibaldi (Escola Municipal Mal. Cândido Rondon), interior de Veranópolis (escola rural) e Bento Gonçalves(Grupo Escolar Ge. Amaro Bittencourt). Depois, em outros quatro municípios cursou o ensino “ginasial”: Bento Gonçalves(Escola Estadual Mestre Santa Bárbara), Roca Sales(Ginásio São José), São Pedro do Sul(Ginásio Estadual Tito Ferrari) e Santa Maria(Colégio Industrial Cilon Rosa), nesse com formação técnica em arte decorativa entre 1970-1972. A formação superior de Nilda inicia-se em 1973 com o ingresso em dois cursos na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM): Licenciatura Plena em Artes Plásticas e Bacharelado em Arte Decorativa, concluídos em 1975 e 1978, respectivamente. Ainda neste ano realizou sua primeira incursão na Pós-Graduação de nível de Especialização em Design de Estamparia na UFSM. Sua relação com as artes visuais manteve-se perene após esse período, sendo retomada com intensidade após a sua aposentadoria nas atividades docentes na Graduação em 2019. A aproximação com a área à qual dedicou-se na maior parte de sua trajetória profissional aconteceu em 1975, quando ingressou no Curso de Comunicação Social, habilitação em Publicidade e Propaganda, também na UFSM. Foi nessa área que Nilda investiu maiores esforços na Pós-Graduação, em 1985, para cursar o Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo(USP), sob orientação 166 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul de Wilson da Costa Bueno. A dissertação, intitulada“Mídia Nativa. Um estudo sobre a cultura regional do RS e sua relação com a indústria cultural”, foi concluída em 1987. Logo após concluir o Mestrado ingressou no Doutorado no mesmo Programa(USP), realizado entre 1988 e 1993, sob orientação de Maria Nazareth Ferreira.“A recepção na Querência – estudo da audiência e da identidade cultural como mediação simbólica”, é o título da tese, a qual deu continuidade à abordagem da cultura regional, agora em relação à identidade cultural e desde a perspectiva da recepção, que se tornaria uma marca da sua trajetória. Nesse período, foi aluna de Cremilda Medina, Anamaria Fadul e, principalmente, Maria Immacolata Vassallo Lopes, que contribuiu, de forma definitiva, na tese e inserção no campo dos estudos de recepção. Durante o Doutorado realizou Estágio Supervisionado no exterior, período sanduíche, na Universidad Iberoamericana Ciudad de México, sob orientação de Guillermo Orozco Gomez. Entre o final dos anos 1990 e primeira metade dos anos 2000, teve duas experiências de Pós-Doutorado no exterior: na University of Copenhagen(KUA), Dinamarca(1998-1999), com a supervisão de Klaus Jensen, e na Universidad Nacional de Colombia(Unal/ Bogotá), Colômbia(2006), supervisionada por Jesús Martín-Barbero. Ao longo dessa formação e, posteriormente, na atuação profissional, desenvolveu pesquisas com o apoio de agências de fomento nacionais: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes(Mestrado, Doutorado, Estágio de Doutorado no exterior e um Pós-Doutorado no exterior) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq(um PósDoutorado no exterior e projetos de pesquisa financiados pela Bolsa de Produtividade PQ). Nos anos 1970 sua atuação profissional começou como professora de Artes nos Ensinos Fundamental e Médio de escolas públicas de Santa Maria(colégios Metodista Centenário, Cilon Rosa e Manoel Ribas). Na mesma cidade, entre os anos 1980 e 1990, atuou como publicitária em agências(SAB Propaganda, Somos Propaganda e Art&Meio, cofundada por ela). Sua trajetória como professora universitária teve início na UFSM, onde atuou entre 1982 e 1993. Em 1994, após concluir o Doutorado, passou por um processo de transferência para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), onde atuou 167 como docente da área de Publicidade e Propaganda até sua aposentadoria em 2019. A mobilidade em direção à UFRGS atendia a um convite para colaborar na fundação do curso de Mestrado em Comunicação, iniciado em 1996 e futuramente consolidado como o atual Programa de Pós-Graduação em Comunicação, onde, após aposentada, seguiu atuando. Nos anos 1990 Nilda fundou o Núcleo de Pesquisa“Cultura e Recepção Midiática”(na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação – Fabico/UFRGS), que, junto do Grupo de Pesquisa “Comunicação e práticas culturais”(Diretório do CNPq), constituiria um espaço institucional precursor ao propor pesquisas sobre comunicação, cultura regional e estudos de recepção. Nesse contexto, desenvolveram-se as atividades lideradas por ela que se traduzem nas principais publicações de sua produção, que reúnem mais de 75 artigos em periódicos, 20 livros e 70 capítulos de livro. Ainda no ano de 1996, publicou o artigo“Tendências latino-americanas nos estudos da recepção”, que se tornaria uma referência para estudiosos de todo o Continente. Depois, a iniciativa tangibilizada nos livros“Meios e Audiências”, edições I, II, III, IV, mapeou o estado da arte dos estudos de recepção e de consumo midiático produzidos no Brasil desde os anos 1990. A abordagem desenvolvida no contexto brasileiro transbordou fronteiras e repercutiu, nos anos 2000, no projeto sobre os estudos de recepção América Latina, liderado por ela no Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina(Ciespal) e Universidad Simón Bolivar, reunindo dezenas de pesquisadores do Continente e culminando no livro“ Análisis de recepción en América Latina: un recuento histórico con perspectivas al futuro”. No cenário nacional, Nilda publicou, em 2005, em coautoria, o livro“Comunicação e recepção”, que se tornaria referência para investigadores da comunicação interessados na perspectiva do público e no olhar processual sobre tais fenômenos. Por sua iniciativa foi criada a“Jornada de Pesquisadores de Recepção”, que está consolidada como importante espaço de interlocução e reflexão sobre os desafios da pesquisa. As atividades de pesquisa desenvolvidas por Nilda e pesquisadores no Núcleo e no Grupo de Pesquisa, também têm natureza colaborativa com outros projetos nacionais e internacionais liderados por outras instituições, por 168 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul exemplo o Observatório Ibero-Americano da Ficção Televisiva (Obitel), repercutindo em publicações no Brasil e na América Latina. A partir dos anos 2010, coordenou dois projetos de amplitude nacional:“Jovens brasileiros e uso de tecnologias” e“Jovem e Práticas Midiáticas em Tempo de Convergência: o‘Brasil Profundo’”, este último desenvolvido por 27 equipes estaduais(incluindo o Distrito Federal), que compuseram a Rede Brasil Conectado. Entre inúmeras publicações de artigos, destaca-se como resultado desse processo o livro“Jovens em redes sociotécnicas: aspectos múltiplos”. Este último projeto foi contemplado em edital do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica(Procad-Capes), constituindose um espaço de fomento nas políticas de redução de iniquidades regionais na Pós-Graduação, ao reunir, com a UFRGS, os Programas de Pós-Graduação(PPGs) das regiões do nordeste(Universidade Federal de Sergipe – UFS) e do norte(Universidade Federal do Pará – Ufpa) do Brasil. No Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM/ UFRGS) orientou mais de 30 estudantes de Pós-Graduação, formando 21 mestres e 10 doutores, além de supervisionar 7 PósDoutorados. Além disso, proferiu cursos, seminários e palestras em, pelo menos, nove Estados do Brasil(Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Pará, Rondônia e Rio de Janeiro) e seis países da América Latina(Argentina, Bolívia, Colômbia, El Salvador, Equador e Uruguai). Nilda atuou na Comissão Coordenadora do Programa de PósGraduação durante nove anos e, também, como coordenadora por uma gestão. Em virtude de sua interlocução internacional com pesquisadores de referência para os estudos latino-americanos de recepção e consumo, como Jesús Martín-Barbero e Néstor García Canclini, atuou como mediadora de interlocuções entre eles e as instituições de ensino brasileiras, o que oportunizou o espraiamento de suas contribuições em cursos, seminários e publicações dedicados ao mapeamento e à revisitação das obras destes autores. Entre estes, destaca-se o Colóquio comemorativo dos 30 anos de Dos medios a las mediaciones(no PPGCOM/UFRGS), a edição de dossiê da Revista Intexto, em 2018, além do livro“ Un nuevo mapa para investigar la mutación cultural. Diálogo con la propuesta de Jesús Martín-Barbero”. 169 Sua contribuição no debate sobre identidade cultural, em um momento em que as regionalidades eram vistas como ameaçadas pela indústria cultural, foi precursora ao revelar a dialética entre os agentes, numa relação que não podia ser reduzida à determinação. No campo dos estudos de recepção e consumo midiático, Nilda liderou a definição desse território investigativo nos âmbitos conceitual e metodológico, em diálogo com as tradições internacionais, privilegiando a produção latino-americana. Nilda Jacks é reconhecida pelo legado na área da metodologia dos estudos de comunicação, com ênfase na abordagem qualitativa, buscando sempre reduzir as fragilidades metodológicas. Sua atuação na construção de pesquisas coletivas, e o estabelecimento de interlocuções interinstitucionais e internacionais, situam a posição ocupada por ela no campo da pesquisa em comunicação. Principais publicações JACKS, Nilda. Tendências latino-americanas nos estudos da recepção. Revista Famecos: Mídia, Cultura e Tecnologia, Porto Alegre, n. 5, p. 44-49, dez. 1996. JACKS, N.; ESCOSTEGUY, A. Comunicação e recepção. 1. ed. São Paulo: Hacker, 2005. JACKS, N. et al.(coord.). Análisis de recepción en América Latina: un recuento histórico con perspectivas al futuro. Quito: Ciespal, 2011. JACKS, N.; PIEDRAS, E.; PIENIZ, M.; JOHN, V.(org.). Meios e audiências III: reconfigurações dos estudos de recepção e consumo midiático no Brasil. Porto Alegre: Sulina, 2017. JACKS, N.; SCHMITZ, D.; WOTTRICH, L.(org.). Un nuevo mapa para investigar la mutación cultural. Diálogo con la propuesta de Jesús Martín-Barbero. 1. ed. Quito: Ediciones Ciespal, 2019. JACKS, N.; SEIXAS, N. S. A.; BRAGA, V.(org.). Jovens em redes sociotécnicas: aspectos múltiplos. São Paulo: Pimenta Cultural, 2021. 170 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul CLÁUDIA PEIXOTO Ana Luisa Baseggio Cláudia Peixoto de Moura nasceu em março de 1957 em Porto Alegre(RS). É filha de Dóra Peixoto de Moura e de Roberto de Carvalho Moura. Aos três anos de idade mudou-se com a família para Santa Cruz do Sul(RS). Juntamente com seus dois irmãos, viveu na cidade até 1971, quando a família retornou para Porto Alegre. Em Santa Cruz do Sul iniciou sua formação escolar no Colégio Sagrado Coração de Jesus, realizando parte do curso primário; seguindo para o Colégio Mauá até a proximidade da conclusão em nível ginasial. De volta a Porto Alegre, concluiu o ginasial no Colégio Batista(Rede Batista de Educação) e fez o Científico(Ensino Médio) no Colégio Anchieta. Ingressou na Faculdade de Meios de Comunicação Social(Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS) na década de 1970, formando-se nas habilitações Publicidade e Propaganda(1979), Jornalismo(1980) e Relações Públicas(1984). Fez três cursos de Especialização – Administração em Publicidade e Propaganda(1981), Estilo Jornalístico(1982) e Administração em Relações Públicas(1986), pela mesma Universidade. Em 1984 iniciou como docente nos cursos de Graduação da Famecos (agora Escola de Comunicação, Artes e Design), ministrando Pesquisa de Comunicação Social e Metodologia Científica da Comunicação. Cursou o Mestrado em Sociologia na área da Sociedade Industrial (1990) pela PUCRS, seguido do Doutorado em Ciências da Comunicação, na área de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (2000), pela Escola de Comunicações e Artes(ECA) da Universidade de São Paulo(USP). Realizou dois Pós-Doutoramentos: no Departamento de Filosofia, Artes e Comunicação(FAC), da Faculdade de Letras da Universidade 171 de Coimbra(UC), em 2009, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul(FAPERGS); e no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação, da ECA/USP (2015), com o apoio da PUCRS. Cláudia atuou, também, como coordenadora do Departamento de Ciências da Comunicação de 1988 a 1994, em 1997 e de 2005 a 2010. Na coordenação do Departamento criou o Núcleo de Pesquisa em Ciências da Comunicação(NUPECC) em 1997, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM), para abrigar produções docentes e discentes. De 2010 a 2014 coordenou o curso de Relações Públicas da Faculdade. Participou, ainda, da criação do PPGCOM/PUCRS e da efetivação dos cursos de Mestrado(1994) e Doutorado(1999) como integrante de sua Comissão Coordenadora, em 1994, depois de 1999 a 2004, e, mais tarde, de 2015 a 2017. Fez parte de diferentes conselhos, comissões e comitês da Faculdade e da Universidade, entre eles o de atualizações de currículos e projetos pedagógicos e do Comitê de Ética em Pesquisa(CEP-PUCRS), no período 2017 a 2020. Foi membro da Comissão do Projeto Reflexões – ação institucional que se propõe a revisitar a história, inspiração que deu origem ao Instituto Marista. Em 2010 integrou a Comissão de especialistas para formular as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Graduação em Relações Públicas. Cláudia foi responsável pela supervisão e pela orientação de 16 teses, 29 dissertações e 23 projetos de Iniciação Científica, além de Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC) de Graduação, estágios internos e externos. Contribuiu, ainda, para entidades representativas do setor. Na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) foi diretora cultural(gestão 1995-1997), coordenadora do Núcleo de Pesquisa Relações Públicas e Comunicação Organizacional(2001-2003), conselheira consultiva(gestão 20202023) e membro da equipe do Fórum Ensicom – Seminário sobre Ensino de Graduação em Comunicação Social(desde 2016). Na Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar) atuou como coordenadora do Grupo Temático História das Relações Públicas(de 2004 a 2008), colaborou na fundação do Núcleo Gaúcho, foi Diretora Regional Sul(gestão 2015-2019) e editora da Revista Brasileira de História da Mídia(desde 2021), 172 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul onde permaneceu colaborando nos anos seguintes. Na Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas(Abrapcorp), atuou na sua fundação, foi diretora científica(de 2006 a 2010), presidente(gestão 2012-2014) e conselheira consultiva(2010-2012 e a partir de 2014), seguindo igualmente como vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa Teorias, Metodologias e Práticas no Ensino das Relações Públicas e Comunicação Organizacional, denominado GT 7 – Comunicação, Ensino e Estratégias Docentes. Em 2023 passou a integrar a Diretoria Administrativa/Financeira da Alcar(gestão 2023-2027) e o Conselho Fiscal da Intercom(gestão 2023-2026). Entre os projetos que desenvolveu com fomento(Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul – Fapergs), estão Ensino da Comunicação: práticas acadêmicas e novas profissões (2019-2022); Comunicação e Memória Institucional: um panorama da produção acadêmica brasileira(2017-2019); Metodologia da Pesquisa em Comunicação: práticas acadêmicas nas disciplinas de Pós-Graduação(2013-2017); A pesquisa em Relações Públicas: práticas acadêmicas e capital cultural(2010-2013); Memória e Comunicação Institucional: a construção de relacionamentos com base em acervos(2009-2011); O processo de Bolonha e a formação de comunicadores: as diretrizes curriculares para os cursos no Brasil e em Portugal(2008-2009); A pesquisa empírica em portais corporativos: a prática na mídia digital(2006-2008); A pesquisa em Comunicação: técnicas aplicadas(2003-2006); A pesquisa em Relações Públicas: métodos e técnicas que orientam a investigação na área(2001-2003). São produções vinculadas ao Grupo de Pesquisa Ensino e Prática de Comunicação(GPEPCom) e que também geraram a criação do Núcleo de Comunicação e Memória Institucional da Famecos, espaço laboratorial para prática de ensino, que operou de 2012 a 2018. Além desses, teve projeto desenvolvido junto ao Delfos – Espaço de Documentação e Memória Cultural/PUCRS, intitulado“Organização do acervo de Reynaldo Moura”, que ocorreu de 2007 a 2022. Também colaborou com entidades representativas do setor das Relações Públicas, como Sindicato dos Profissionais de Relações Públicas do RS(Sinprorp-RS), Associação Brasileira de Relações Públicas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina(ABRP-RS/SC) – integrando as diretorias nacional e regional –, Conselho Regional 173 de Relações Públicas – 4ª região(Conrerp-RS/SC) – integrando a diretoria –, e Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (Conferp), como delegada. Mesmo aposentada, em 2023 formou a Comissão de Notáveis do Conferp para avaliar e emitir parecer para reconhecimento de curso superior de Graduação análogo à atividade profissional. No mesmo ano participou da Diretoria Acadêmica do Conferp como convidada para assuntos relativos à formação superior. Principais publicações MOURA, C. P. de; LOPES, M. I. V. de(org.). Pesquisa em comunicação: metodologias e práticas acadêmicas. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2016. 327 p. MOURA, C. P. de; FERRARI, M. A.(org.). A pesquisa em comunicação organizacional e em relações públicas: metodologias entre a tradição e a inovação. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2014. 203 p. MOURA, C. P. de; FOSSATTI, N. C.(org.). Práticas acadêmicas em relações públicas: processos, pesquisas e aplicações. Porto Alegre: Sulina, 2011. 238 p. MOURA, C. P. de(org.). História das relações públicas: fragmentos da memória de uma área. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008. 701 p. MOURA, C. P. de. O curso de comunicação social no Brasil: do currículo mínimo às novas diretrizes curriculares. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. 344 p. TEZZA, A.; MOURA, C. P. de; ALMEIDA, F. F.; BASTOS, R.(org.). Ensicom: perspectivas sobre o ensino de comunicação no Brasil. São Paulo: Intercom, 2019. 135 p. V. 4. 174 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul VENEZA RONSINI Glaíse Bohrer Palma Veneza Veloso Mayora Ronsini nasceu em 25 de dezembro de 1960 em Caçapava do Sul(RS). O pai era comerciante e a mãe professora. É mãe de Marina e Martim. Veneza estudou o Ensino Fundamental em uma escola privada em Caçapava do Sul. No Ensino Médio passou para uma escola pública na mesma cidade. Foi morar em Santa Maria para cursar Jornalismo na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Finalizou sua Graduação no fim de 1983. Logo que se formou trabalhou como repórter na RBS TV em Santa Maria, afiliada da Rede Globo. Ingressou como docente na UFSM em 1985, onde atuou até 2023, ano em que foi transferida para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), onde é professora titular do Departamento de Comunicação e professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, assim como do Programa da Universidade Federal de Santa Maria. É pesquisadora PQ2 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Fez Mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade de São Paulo(USP), tendo obtido o título de mestre em 1993 com a pesquisa“Cotidiano Rural e Recepção da Televisão: o Caso Três Barras”, orientada por Maria Immacolata Vassallo de Lopes. A pesquisa recebeu o prêmio de melhor dissertação na área de Comunicação pela Intercom. Finalizou o Doutorado em Sociologia, em 2000, com o trabalho “Entre a Capela e a Caixa de Abelhas(Identidade de Gringos e Gaúchos)”, sob orientação de Sérgio Miceli Pessôa de Barros, também na USP. Durante o Doutorado cursou um período sanduíche 175 na Universidade da Califórnia, contando com a orientação de Randal Johnson. Em 2014 e 2015 fez Pós-Doutorado na Nottingham Trent University (NTU), Inglaterra, como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Também realizou Estágio Sênior na Loughborough University London, com financiamento do projeto Capes/PrInt, sob a supervisão de Thomas Tufte. Veneza Ronsini ministrou na Graduação disciplinas como Metodologia da Pesquisa, Sociologia da Comunicação, Projeto Experimental, Telejornalismo, Mídia e Práticas de Consumo, entre outras. Já na Pós-Graduação foi responsável por disciplinas como Mídia, Cultura e Identidades, Mídia e Consumo Cultural e Pesquisa Orientada. Em cargos de gestão foi vice-coordenadora do Programa de PósGraduação em Comunicação Midiática, diretora do Departamento de Ciências da Informação do Centro de Ciências Sociais e Humanas da UFSM, coordenadora do curso de Jornalismo, membro do comitê assessor da Coordenadoria de Iniciação Científica e membro da Comissão responsável pela elaboração do Projeto de Doutorado em Comunicação da UFSM. É líder do Grupo de Pesquisa Usos Sociais da Mídia, voltando-se para a linha de pesquisa em Processos de Recepção e Consumo dos Meios de Comunicação Tecnológicos Sua pesquisa em 2023, com bolsa produtividade do CNPq, investiga os usos das tecnologias da informação e comunicação na constituição de comunidades intencionais no Brasil com vistas a compreender a nova formação da classe média neorural e sua preocupação com a sustentabilidade econômica e ambiental. Em seu percurso na Pós-Graduação, em 2004 e 2005, foi professora colaboradora do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Práticas Culturais no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS. Desde 2007 é integrante do Observatório Brasileiro de Ficção Televisiva. De 2013 a 2017 coordenou o Acordo de Cooperação entre UFSM e Karlstad University(Suécia), tendo organizado seminário e workshop em Karlstad e seminário na Universidade de Estocolmo. Coordenou Grupos de Trabalho(GTs), como o Estudios de Recepción da Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Comunicação(Alaic), de 2009 a 2012, e o Grupo de Recepção, Usos e Consumo Midiáticos da Associação Nacional 176 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), de 2008 a 2009. De 2017 a 2022 integrou o grupo Capes-PrInt, como membro do projeto Informação e Tecnologias. É membro do corpo editorial de várias revistas, entre elas Studies in Media and Communication, Parágrafo, Politiques de Communication, E-Compós e Comunicação, Midia e Consumo. Em quase quatro décadas de trabalho dedicadas ao estudo da comunicação, permeado pela sociologia e pela antropologia, Veneza contribui para a pesquisa na área da Recepção em Comunicação. Principais publicações RONSINI, Veneza Mayora. Consumo e estilo de vida: anotações para o estudo das identidades de classe. Revista Famecos, on-line, v. 30, p. 1-13, 2023. RONSINI, Veneza Mayora. Usos da mídia e reconhecimento social da classe média das ecovilas. E-Compós, Brasília, v. 25, p. 1-20, 2021. RONSINI, Veneza Mayora. A crença no mérito e a desigualdade. A recepção da telenovela do horário nobre. 774. ed. Porto Alegre: Sulina, 2012. 335 p. V. 1.000. RONSINI, Veneza Mayora. Mercadores de sentido: consumo de mídia e identidades juvenis. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2007. 184 p. V. 1.000. RONSINI, Veneza Mayora. Entre a capela e a caixa de abelhas (identidade cultural de gringos e gaúchos). 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004. 179 p. 177 ANA CAROLINA ESCOSTEGUY Laura Wottrich Ana Carolina Damboriarena Escosteguy nasceu em 24 de agosto de 1962 em Santana do Livramento(RS). É a terceira dos cinco filhos da uruguaia Teresa Damboriarena e do brasileiro Zeferino Duarte Escosteguy. É mãe de Elisa. Fez a formação básica na cidade natal: no Colégio Professor Chaves até a 5ª série e no Colégio Estadual Prof. Liberato Salzano Vieira da Cunha a partir da 6ª série e o Segundo Grau. Aos 16 anos mudouse para Pelotas(RS) para cursar Comunicação Social com ênfase em Jornalismo na Universidade Católica(UCPel), curso que finalizou em 1983. Durante o período da Graduação exerceu a profissão de jornalista, dando seguimento também após a formatura, já morando na capital, Porto Alegre. Foi lá que cursou a Especialização em Comunicação e Estilo Jornalístico pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS), em 1984. Dos bancos da Pós-Graduação à docência foi um curto período. Logo, tornou-se professora da Instituição, onde permaneceu por 30 anos. Em 1988 ingressou como aluna no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(USP), onde desenvolveu a investigação“A pesquisa do popular na comunicação: uma análise metodológica”, defendida em 1993, com orientação de Maria Immacolata Vassalo Lopes. O interesse pelos debates teóricos na pesquisa em Comunicação e a aproximação com autores latino-americanos impulsionaram a candidatura ao Doutorado, iniciado em 1995, também com orientação de Maria Immacolata Lopes, na USP. A tese“Cartografias dos estudos culturais: Stuart Hall, Jesús Martín-Barbero e Néstor García Canclini”, foi defendida no ano 2000. 178 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Ana Carolina mudou-se por um período com sua família para a Inglaterra, para desenvolver estágio doutoral com bolsa de Doutorado-Sanduíche pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes-1998/1999), realizada no Department of Cultural Studies and Sociology da University of Birmingham(UK). Após a finalização da tese, em 2001, foi contemplada com a Bolsa Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Em 2011 realizou estágio de Pós-Doutorado no Communication and Media Research Institute(Camri), associado ao Department of Journalism and Mass Communication da School of Media, Art and Design da University of Westminster(UK). Em 1993 contribuiu para a fundação do Programa de PósGraduação em Comunicação da PUC-RS, aprovado naquele ano e iniciado em 1994. Ali também atuou como docente por alguns anos. Foi editora da Revista Famecos(1994-1996) e integrou a equipe da Coordenadoria de Pós-Graduação da Instituição(2012) e do Comitê de Ética em Pesquisa(2015), entre outras atividades na Universidade. Além da atuação como docente e pesquisadora na PUCRS(até 2017), foi professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM2017-2020) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS-a partir de 2021), além de atuar como professora visitante da Universidade Católica do Uruguai(UCU). Entre 2009 e 2012 foi secretária da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós). Ainda integrou o corpo editorial de diversos periódicos do campo científico da Comunicação, nacionais e internacionais. Sua trajetória intelectual contribuiu para o reconhecimento dos estudos culturais latino-americanos no Brasil, perspectiva que Ana Carolina Escosteguy explorou em projetos, publicações e interlocuções com os pares e que ancorou, desde o Doutorado, seu programa de pesquisa. Seus projetos de investigação exploraram a problemática da recepção nos estudos culturais(2001-2003), as contribuições teórico-metodológicas dos estudos culturais para o campo da Comunicação(2003-2005), a visibilidade da vida ordinária das classes destituídas na mídia(2011-2014), a interação cotidiana de 179 mulheres com as tecnologias de comunicação(2013-2015) e os estudos culturais feministas(2022-2025). A problemática de gênero pode ser tomada como um segundo eixo de preocupações, que passou a acompanhar Ana Carolina na sala de aula e na pesquisa desde o final dos anos 1990. Seu primeiro livro, Cartografia dos estudos culturais: uma versão latinoamericana, foi publicado em 2001, fruto de sua tese de Doutorado. Também organizou, participou e escreveu outras obras, com parcerias intelectuais, a exemplo de O que é, afinal, estudos culturais?(2007) e Comunicação e gênero: a aventura da pesquisa(2008). Ao acompanhar o desenvolvimento dos estudos culturais em chave latino-americana, Ana Carolina Escosteguy tornou-se importante partícipe e fomentou o interesse de pesquisadoras e pesquisadores em torno do tema, contribuindo para a configuração de culturas científicas situadas e conectadas com as demandas epistemológicas, teóricas e políticas do tempo presente. Principais publicações ESCOSTEGUY, A. C. D. Cartografia dos estudos culturais – uma versão latino-americana. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. 240 p. (Coleção Estudos culturais, v. 8). ESCOSTEGUY, A. C. D. Os estudos de recepção e as relações de gênero: algumas anotações provisórias. C-Legenda – Revista do Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual, v. 7, 2002. ESCOSTEGUY, A. C. D.(org.). Comunicação e gênero: a aventura da pesquisa. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008. ESCOSTEGUY, A. C. D.; SCHULMAN, N.; JOHNSON, R. O que é, afinal, estudos culturais? Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2007. ESCOSTEGUY, A. C. D. Circuitos de cultura/circuitos de comunicação: um protocolo analítico de integração da produção e da recepção. Comunicação Mídia e Consumo, v. 4, n. 11, p. 115135, 2007. ESCOSTEGUY, A. C. D. Melodrama e heroização: a mídia no relato biográfico. Matrizes, v. 7, n. 2, p. 143-159, 2013. 180 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul MÁGDA DA CUNHA Cristiane Mafacioli Carvalho Mágda Rodrigues da Cunha nasceu em 19 de novembro de 1963 em Porto Alegre(RS). É filha de Carmen Duarte Rodrigues da Cunha e Clóvis Carneiro da Cunha. É casada com Eduardo Campos Pellanda. Estudou no Colégio Sevigné durante toda sua formação escolar. Em 1980 ingressou no curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social(Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS). Durante a Graduação teve início a experiência profissional, com seu primeiro estágio na equipe de produção da Rádio Guaíba e, após concluir o curso, em 1984, começou a atuar na Folha da Tarde. No ano seguinte passou a fazer parte da Rádio Pampa, atuando como redatora até o ano de 1986. Nessa época recebeu o convite da Rádio Gaúcha para trabalhar durante a cobertura dos preparativos da Assembleia Nacional Constituinte, à frente da produção do programa Jornal das Eleições. No mesmo ano de 1986 retornou à Famecos, desta vez como professora. Aos 23 anos iniciava sua carreira acadêmica ministrando disciplinas de radiojornalismo, ao mesmo tempo em que seguia atuando na Rádio Gaúcha. Fez a produção para importantes jornalistas gaúchos do meio radiofônico, como José Antônio Daudt, Flávio Alcaraz Gomes, Rogério Mendelski e Lauro Quadros. Na PUCRS trabalhou, ainda, na Assessoria de Comunicação da Reitoria, de 1989 até 1997, experiência que lhe proporcionou uma ampla visão institucional da universidade. Entre 1991 e 1992 cursou a Especialização em Teoria do Jornalismo e Comunicação de Massa, realizada na mesma instituição. 181 Em 1995, após quase dez anos na Rádio Gaúcha, decidiu dedicarse com exclusividade à carreira acadêmica. Nesse ano ingressou no curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS, sob a orientação de Doris Fagundes Haussen. Concluiu o curso em 1997, com a dissertação intitulada “O receptor idealizado pelo discurso radiofônico – uma análise do emissor em Gaúcha Hoje e Flávio Alcaraz Gomes Repórter”. O ingresso no Doutorado viria em 1998, no Programa de PósGraduação em Linguística e Letras, também da PUCRS. A tese“O valor de permanência do rádio – um estudo dos efeitos pela estética da recepção”, orientada por Solange Medina Ketzer, foi defendida no ano de 2002. Em agosto de 1999 assumiu a coordenação do então Departamento de Jornalismo da Famecos. Um ano antes já tinha coordenado um curso de Especialização, mas foi na coordenação do curso de Jornalismo, que exerceu por mais de cinco anos, que teve a oportunidade de correlacionar a vivência profissional no mercado do jornalismo e a ambiência acadêmica. Assumiu, em dezembro de 2004, a vice-direção da Famecos e, no ano seguinte, em 2005, tomou posse da direção, permanecendo por sete anos, sendo a primeira mulher a ocupar o referido cargo. Em dezembro de 2012 assumiu como assessora-chefe para Assuntos Internacionais e Interinstitucionais, e em dezembro de 2013 foi convidada a fazer parte da gestão superior da universidade. Permaneceu no cargo de pró-reitora acadêmica até dezembro de 2017, quando atuou diretamente com o planejamento e a gestão de acadêmicos da Graduação e da Pós-Graduação stricto sensu. Em 2018 retornou para a Famecos em tempo completo. No mesmo ano, além da sala de aula, orientações e pesquisa, assumiu, também, a Coordenação de Pesquisa da agora Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos. É líder do Grupo de Pesquisa Comunicação, Tecnologia e o Sujeito Conectado/CNPq. Desde 2002, até 2022, conduziu a disciplina Linguagens e Tecnologias da Comunicação no Programa de PósGraduação em Comunicação da PUCRS. Em 2003 atuou no projeto de pesquisa“Rádio no Brasil: episódios e personagens.” A pesquisa foi publicada em um livro com o mesmo título, reunindo artigos de pesquisadores de todo o Brasil. Sobre esse 182 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul tema escreveu“Os estudos de rádio e a relação com o ecossistema de mídia: história, consolidação e expansão”, publicado em 2021 no periódico Radiofonias – Revista de Estudos em Mídia Sonora. Ainda no âmbito da pesquisa, coordenou projetos voltados para a perspectiva da apropriação e uso dos meios por parte do receptor: entre 2004 e 2007,“Tecnologias de comunicação: um estudo da apropriação dos meios pela recepção”, que resultou em projeto específico de pesquisa aplicada, atendendo a uma proposta ligada a portais corporativos por intermédio de empresa conveniada ao Tecnopuc;“Apropriação tecnológica dos jovens. Uma investigação sobre tendências de uso das mídias”, desenvolvido entre 2008 e 2010, que se volta para o público jovem; outro tema é a relação entre a memória e a complexidade do cenário atual, pesquisa desenvolvida entre 2011 e 2013:“Memória, conexão e esquecimento: a reconfiguração do tempo presente pelas redes sociais na internet”. Entre 2014 e 2017 coordenou o projeto“Cidade e memória nas redes sociais na internet”, investigando a memória da cidade narrada a partir das percepções e experiências individuais e coletivas dos sujeitos; entre 2018 e 2020 o tema é aprofundado em “A cidade narrada nas redes sociais na internet”, em que observa a narração da cidade evidenciada na rede social Instagram; entre 2019 e 2022 coordenou o projeto“Comunicação e as cidades: espaços e dinâmicas de trocas sócio-tecnológicas”, selecionado no edital Capes PrInt, no tema institucional“Mundo em Movimento: indivíduos e sociedade”, dentro do Projeto de Cooperação Tecnologia e Sociedade num Mundo Globalizado e em Crise. A partir de 2020 sua pesquisa trata sobre“As dinâmicas e estratégias da vida nas cidades: um estudo da apropriação tecnológica para comunicação nos centros urbanos”, investigando as estratégias de comunicação construídas pelos sujeitos para viver nas cidades. Em 5 de abril de 2023 recebeu a Medalha Alberto André, prêmio da Associação Riograndense de Imprensa(ARI). Em 2024 Mágda mantém-se como professora convidada da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, Universidade com quem estabeleceu parceria científica. Jornalista, pesquisadora e professora titular da Famecos, Mágda Cunha concluiu sua carreira na PUCRS em julho de 2022 após 36 anos. Durante todo este período, mesmo dedicando boa parte de 183 suas atividades à gestão acadêmica, realizou mais de 40 orientações de estudos de Graduação, 16 orientações de bolsistas de Iniciação Científica, 20 orientações de dissertações de Mestrado e 12 orientações de teses de Doutorado. Principais publicações CUNHA, M. R. O valor de permanência do rádio: um estudo a partir da estética da recepção. Conexão, Caxias do Sul, v.2, p. 5977, 2003. CUNHA, M. R. Possibilidades tecnológicas apontam para mudanças em conceitos da comunicação. Razón y Palabra, v. 53, p. 1, 2006. CUNHA, M. R. A memória na era da reconexão e do esquecimento. Em Questão, UFRGS, Impresso, v. 17, p. 103-117, 2011. CUNHA, M. R. Cidades narradas na pandemia: as imagens do Instagram em 2020. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, v. 37, p. 17-26, 2021. CUNHA, M. R.; BARREDO IBANEZ, D.; HIDALGO TOLEDO, J. Os desafios da pesquisa em comunicação na“covidianidade”: transformações na cultura digital, na vida social e nas democracias. In: FINGER, C.; SILVA, J. M. da(org.). Conhecimento em rede. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2022. p. 65-94. V. 1. 184 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul IVETE FOSSÁ Jaqueline Quincozes Kegler Maria Ivete Trevisan Fossá nasceu em 18 de dezembro de 1956 em Ivorá(RS). É a quinta filha de uma família de seis irmãos, construída pelo casal Otávio José Trevisan e Virginia Cargnelutti Trevisan. É casada com Aldo Alberto Fossá e é mãe do Otávio Augusto. Têm dois netos: Davi e Noah. Sua trajetória escolar delineou-se nas escolas públicas, sendo docente no Colégio Estadual“Padre Pedro Copetti”, em Ivorá(RS), e Colégio Estadual“Dom Antônio Reis”, em Faxinal do Soturno(RS). A formação superior iniciou na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), onde graduou-se em Comunicação Social – Relações Públicas(1978) – e em Administração(1980). A Pós-Graduação teve início com a Especialização em Formação de Professores de Disciplinas Especializadas na UFSM em 1981. No ano de 1987 ingressa na UFSM como professora auxiliar. Dez anos depois conquista o título de mestre em Comunicação Social, com a dissertação“Os novos desafios da comunicação empresarial na era da qualidade: o caso Xerox”, orientada por Wilson da Costa Bueno, na Universidade Metodista de São Paulo(Umesp-1997). No Doutorado em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), defendeu a tese“A cultura de devoção nas empresas familiares e visionárias: uma definição teórica e operacional”(2003), orientada por Cláudio Pinho Mazzilli. Seu estágio Pós-Doutoral foi realizado junto ao Centro de Estudos da Argentina Rural da Universidade Nacional de Quilmes(Argentina), Programa Capes/Mincity Brasil-Argentina, em 2015. Ao ingressar na UFSM Ivete foi chefe de Departamento em 1988, e passou a integrar o Conselho do Centro de Ciências Sociais e 185 Humanas(CCSH)(1988-1993) e sua coordenação na Comissão de Eventos(1988-1989). Entre 1990 e 1993 assumiu a direção da Facos e a presidência do Conselho da Faculdade, além de presidir Comissões de Ensino e Extensão, integrando, também, a Comissão destinada a estudar e a determinar o sistema de adaptação ao novo currículo de Comunicação Social. A participação em cargos de gestão e em comissões ocorre para além da Facos e do CCSH, posto que atuou como assessora de Relações Públicas na Administração Superior da UFSM(1994-1995). Participou, ainda, como membro do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFSM e da Comissão de Legislação e Normas do mesmo Conselho. Na década de 1990 a docente já investia esforços em atividades extensionistas que integravam universidade e sociedade, característica marcante em sua trajetória. Em 1991 integrou a Organização do IV Encontro Regional de Relações Públicas e I Encontro de Relações Públicas dos Países do Cone Sul. No ano de 1993 coordenou o Projeto de Extensão“Desenvolvimento da Região Centro-Oeste do Rio Grande do Sul”. Entre 1993 e 1995 realizou as atividades de extensão“Conselho da Comunidade junto ao Presídio Regional de Santa Maria”,“Educação Ecológica para o Meio Rural”,“Assessoria de Relações Públicas aos Pequenos Produtores Rurais de Santa Maria”,“Assessoria de Relações Públicas para as Comunidades que integram os Municípios da Região Centro-Oeste do RS”,“Assessoria de Comunicação para a Prefeitura de Santiago/RS” e“Cidade dos Meninos – comunicação e relações públicas da instituição com a comunidade”. Entre 2003 e 2006 coordenou o Projeto de Extensão“Atendimento às demandas sociais pela prática do voluntariado”, e desde 2006 é coordenadora do Programa de Extensão“Inclusão Social dos catadores de materiais recicláveis do município de Santa Maria/RS/ Brasil, pela geração de trabalho e renda em economia solidária”. Entre 2002 e 2004 coordenou o projeto“Relações Públicas em ONGs – o caso da Parceiros Voluntários”. Em 2006 coordenou o projeto“A Preservação Ambiental de Microbacias Hidrográficas através da difusão comunicacional do Centro Internacional de Projetos Ambientais – Cipam”. Entre 2003 e 2006 participou do Volver: Programa UFSM de ex-alunos. Em 2006 foi coordenadora do“Encontro de Comunicação da Região Sul – Comunicação e Cultura: um panorama contemporâneo. Por fim, entre os projetos que merecem destaque em sua biografia, está a coordenação 186 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul do“Núcleo de Relações Públicas: inserção dos estudantes de comunicação na prática profissional”(2004-2010), iniciativa que estimulou a integração e o vínculo de estudantes e egressos com o mercado profissional. Atuou em parcerias com a comunidade e com instituições para a organização de eventos internacionais e regionais e a qualificação de servidores públicos e profissionais de variados setores de atuação: organização do I Encontro de Reitores das Universidades do Cone Sul(1990); organização do Seminário de Desenvolvimento Regional, promovido pela Pró-Reitoria de Extensão da UFSM (1991); coordenação do III Curso de Ciência e Tecnologia para Comunicadores, promovido pela Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia do Estado do RS e UFSM(1991); curso de Desenvolvimento de Secretários, promovido pelo Centro de Ciências Sociais e Humanas, 9ª Delegacia da Secretaria da Justiça, Trabalho e Cidadania e União das Associações Comunitárias de Santa Maria/ RS(1993); curso de Relações Humanas no Trabalho(UFSM-1993); Cerimonial e Protocolo(Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – Emater/RS, 1997, 1988); Relações Humanas no Trabalho e Atendimento ao Público(Emater/RS, 1998); curso de Comunicação Organizacional no curso de Especialização e Gestão Estratégica de Organizações( Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI-1998);“Responsabilidade social e o surgimento do terceiro setor(Emater, 1999); Os processos de comunicação e a formação de culturas organizacionais(UFRGS-2000); curso Mobilizando Equipes promovido pela Escola Nacional de Administração Pública e Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos do Rio Grande do Sul(FDRH-2003); Gestão de Processos em Comunicação Empresarial no curso de Especialização de Gestão de Comunicação(Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijuí-2004); e Endomarketing para o curso de Especialização em Marketing de Serviços(URI-2005). Ivete foi protagonista nos processos de reforma curricular ao participar da gestão como coordenadora do curso de Comunicação Social, do curso de Comunicação Social – Relações Públicas – e também do curso de Comunicação Social – Produção Editorial –, coordenadora substituta, membro do Núcleo Docente Estruturante, presidente do Colegiado de Curso e presidente da Comissão de Projetos Experimentais. Além disso, em 2006 participou da criação e elaboração do Projeto Político Pedagógico do curso de 187 Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – e do Projeto Político Pedagógico do curso de Comunicação Social – Jornalismo – para a Universidade Federal do Pampa(Unipampa), e foi tutora do Programa de Educação Tutorial em Ciências Sociais Aplicadas – PETCisa/UFSM. Em 2006 Maria Ivete estava entre os primeiros docentes credenciados para atuar no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM, o qual iniciou suas atividades com o Mestrado. Em 2011 vive a conquista do curso de Doutorado do Programa de PósGraduação em Comunicação(Poscom), o primeiro na área a ser criado em uma cidade interiorana da Região Sul. As disciplinas ministradas são: Metodologia da Pesquisa, Tópicos Especiais em Comunicação, Seminários de Pesquisa e Estratégias de Comunicação Midiática. Ela é docente permanente da Linha Mídias e Estratégias Comunicacionais. Faz parte do Grupo de Pesquisa Comunicação Institucional e Organizacional. Em 2024 coordenou três projetos de pesquisa:“Estratégias de Comunicação Midiática em Contextos de Movimentos Sociais, organizações comunitárias, públicas e privadas, startups e inovação com foco no local, regional, comunitário, cívico, cidadão”, “Comunicação e Trabalho: novos arranjos e novos sentidos nas atividades de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Produção Editorial” e“A mediação de conflitos e Relações Públicas – cultura de paz nas organizações”. Em números, sua história acadêmica é caracterizada por 80 artigos publicados em periódicos científicos, 8 livros, 48 capítulos, 164 trabalhos completos publicados em Anais de Eventos Científicos, 39 bancas de Mestrado, 17 bancas de Doutorado, 92 orientações de Trabalho de Conclusão de Curso, 21 orientações de dissertações e 9 orientações de tese concluídas. Maria Ivete Trevisan Fossá é importante personalidade na área de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, pois, desde a década de 1980, atua nesse contexto de ensino, pesquisa e extensão. Principais publicações FOSSÁ, M. I. T. Das ruas à mídia: representação das manifestações sociais. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2015. 203 p. V. 1. 188 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul FOSSÁ, M. I. T.; VALLE, T. F. D.; PREDIGER, S.; SANTOS, M. C.; FRICK, A.; MÜLLER, K. A.; CAPORAL, G. L. S. Retratos de uma década de pesquisa no POSCOM/UFSM: um olhar sobre a produção científica da linha Mídia e Estratégias Comunicacionais. Animus, Santa Maria, v. 19, p. 1-15, 2020. FOSSÁ, M. I. T. Práticas culturais, comunicativas e administrativas na preservação de valores organizacionais. In: FOSSÁ, M. I. T.; FERNANDES, F. F.; SOARES, G. L. C.(org.). Estratégias de comunicação e relações públicas em contextos organizacionais emergentes. 1. ed. Belo Horizonte, MG: Editora Poisson, 2024. p. 296-332. V. 1. FOSSÁ, M. I. T.; MÜLLER, K. A. Estratégias das organizações de factchecking brasileiras no contexto de desautorização da mediação jornalística. Líbero, v. 24, p. 141-154, 2021. PEREIRA, F. da C.; FOSSÁ, M. I. T. Pedagogias de Paulo Freire: educando para a cidadania com protagonismo na comunicação. Comunicação& Educação, v. 26, p. 29-42, 2021. 189 SUZANA KILPP Ana Paula da Rosa Suzana Kilpp nasceu em 20 de março de 1948 em Estrela(RS). É filha de Willy e Erna Kilpp. Suzana estudou no Colégio Martin Luther, em sua cidade natal, entidade mantida pela Sociedade Evangélica Educacional de Estrela. Com uma formação interdisciplinar, Suzana graduou-se em Farmácia e Bioquímica pela Universidade do Rio Grande do Sul(UFRGS-1966-1969). Em 1973 iniciou a Graduação em Administração, também pela UFRGS, mas sem concluir. Na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS) cursou especialização em História da Cultura Brasileira(1978-1982) e, em paralelo, o Mestrado em História na mesma instituição. Com a dissertação Os cacos do teatro: Porto Alegre, anos 70. Apontamentos para a História, concluiu o Mestrado em 1987 sob a orientação de Icléa Maria Cattani. Ingressou no Doutorado em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos) em 1999, na primeira turma do curso. A tese, intitulada Ethicidades televisivas. Sentidos identitários na TV: moldurações homológicas e tensionamentos, foi a primeira a ser defendida no referido Programa em 2002, sob a orientação de Pedro Gilberto Gomes. Profissionalmente, Suzana atuou por diversos anos na área da saúde, inclusive na docência. Em 1971 ministrou disciplinas da área de nutrição no Instituto Metodista de Educação e Cultura (Imec). Em 1975 ingressou na PUC-RS em cargos de gestão, dirigindo o Centro Esportivo Vila Floresta, e, posteriormente, o Centro de Estudos, Lazer e Recreação. Nesta instituição trabalhou como professora na disciplina de Cultura Brasileira. A virada para 190 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul a área da Comunicação ocorreu em 1988, quando ingressou na Unisinos. Como docente atuou tanto na Graduação quanto na PósGraduação, inicialmente em disciplinas mais voltadas para a arte e a cultura, tendo ministrado por mais de uma década História da Arte e Estéticas e Cultura de Massa. Na Unisinos sua trajetória passou por todas as instâncias da Graduação, da extensão à Pós-Graduação lato e stricto sensu. Na gestão coordenou cursos de Especialização em Design Gráfico e em Cinevídeo, o Departamento de Jornalismo e o Programa de PósGraduação(PPG) em Ciências da Comunicação. À frente do PPG permaneceu por quatro anos, entre 2011 e 2015, e neste período desenvolveu importante planejamento estratégico do Programa, com nota 6 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), transformando o Programa em um dos mais reconhecidos do país. A partir de seu Doutoramento e de seu ingresso como docente no PPG, foi constituindo um campo de investigação em torno da imagem e das audiovisualidades, introduzindo debates e coordenando eventos sobre produtos audiovisuais e as transformações éticas, sociais e estéticas propiciadas pela tecnocultura. Suzana participou da proposta de criação do Curso de Comunicação Digital(Comdig), bem como de seu núcleo docente estruturante. Esteve à frente de diferentes projetos de pesquisa, dentre os quais destacam-se:“O voyeurismo televisivo: molduras, moldurações, emolduramentos”, desenvolvido entre 2003 e 2005, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul(Fapergs);“A traição das imagens: espelhos, câmeras e imagens especulares”, entre 2005 e 2007;“Devires de imagem-duração”, entre 2007 e 2010; “Audiovisualidades Digitais”, de 2009 a 2012,“Audiovisualidades de web TVs – dissecação e experimentação”, de 2012 a 2015, e“Interfaces contemporâneas da TV: paradigmas durantes em telas de dispositivos móveis”, todos com subsídios do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Em termos de formação de pesquisadores, Suzana Kilpp desenvolveu a orientação de 16 dissertações e 15 teses, além de, aproximadamente, 40 Trabalhos de Conclusão de Curso e 30 projetos de Iniciação Científica. 191 Tanto na Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) quanto na coordenação do GT Estudos de Televisão e Televisualidades do Intercom e na organização de eventos, como a Semana da Imagem, teve seu papel. Também foi fundadora do grupo de pesquisa TCAV – Audiovisualidades e tecnocultura: design, comunicação e memória. Dentre suas obras destacam-se: Apontamentos para uma história da televisão no Rio Grande do Sul; a tese de Doutorado que foi publicada no livro Ethicidades televisivas. Sentidos identitários na TV: moldurações homológicas e tensionamentos; Audiovisualidades do voyeurismo televisivo: apontamentos sobre a televisão e A traição das imagens: espelhos, câmeras e imagens especulares em reality shows. Com os colegas de linha de pesquisa organizou os livros Impactos das novas mídias no estatuto da imagem e Para entender as imagens: como ver o que nos olha? e em 2018 publicou, estudo iniciado em 1996, sobre o pensamento de Henri Bergson: Imagem-duração e teleaudiovisualidades na Internet. Suzana também dedica-se à literatura, como em O livro dos neuróticos: ou um livro de ajuda a mim mesma e em Era uma vez Ana Quaresma. Suzanna Kilpp é vinculada ao grupo de Pesquisa TCAV na Unisinos, responsável por abrir um eixo sobre as audiovisualidades contemporâneas, desde a televisão até a internet. É uma das pioneiras na área, tendo sido uma desbravadora no debate complexo da televisão e das transformações da imagem, contribuindo fortemente para a consolidação das pesquisas na área. Principais publicações KILPP, Suzana. Tele-visões em interfaces contemporâneas. In: MARQUIONI, Carlos; FISCHER, Gustavo(org.). Da televisão às televisualidades: continuidades e rupturas em tempos de múltiplas plataformas. Belo Horizonte, MG: Selo PPGCOM/UFMG, 2020. Disponível em: https://seloppgcomufmg.com.br/wp-content/ uploads/2021/04/Da-televisao-as-televisualidades-Selo-PPGCOMUFMG.pdf. Acesso em: 31 out. 2023. KILPP, Suzana. Audiovisualidades do voyeurismo televisivo: apontamentos sobre a televisão. Porto Alegre: Editora Zouk, 2008. 192 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul KILPP, Suzana. A traição das imagens: espelhos, câmeras e imagens especulares em reality shows. Porto Alegre: Entremeios, 2010. KILPP, Suzana; MONTAÑO, Sônia(org.). Impactos das novas mídias no estatuto da imagem. Porto Alegre: Sulina, 2012. KILPP, Suzana. Imagem-duração e teleaudiovisualidades na Internet. Curitiba: Appris, 2018. KILPP, Suzana; LUERSEN, Eduardo. Anachronic sonorities of technoculture in digital games: a preliminary questioning. Networking Knowledge: Journal of the Media Communications& Cultural Studies Association, 2020. 193 JANEA KESSLER Juliana Petermann Janea Kessler nasceu em 25 de janeiro de 1954 em Formigueiro (RS). Foi a sétima filha de Luiz e de Luiza Kessler. Mudou-se com a família para Santa Maria(RS), onde cursou os Ensinos Fundamental e Médio na Escola Estadual Professora Maria Rocha, concluindo essa fase em 1972. No início da década de 1970 foi chefe de arte da Editora Rainha. Em 1976 graduou-se em Desenho e Plástica pela Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), e de 1979 a 1987 lecionou História da Arte e Educação Artística em escolas daquele município: Colégio Estadual Cilon Rosa e Colégio Riachuelo. Também atuou em escola pública em São Borja(RS) durante o período em que viveu naquele município. Em 1978 concluiu o Curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – também na UFSM. Como artista plástica, participou da organização de diversas exposições, entre elas: Mostra Coletiva em 2003; Mostra do Núcleo de Produtores Visuais de Santa Maria em 2004; Exposição Anual de Artes Plásticas da Associação Italiana de Santa Maria(AISM) em 2004; e Exposição Anual de Artes Plásticas Casario, na Sala Iberê Camargo, em Santa Maria, no ano de 2005. Como publicitária, cofundou uma Agência do ramo em Santa Maria, ainda na década de 1980. Durante a Graduação em Publicidade e Propaganda passou a atuar na Somos Propaganda. Depois de formada, trabalhou na agência Rocha Lobato Propaganda, até fundar a Art& Meio Assessoria de Comunicação, agência da qual foi sócia-proprietária. Nestas agências atuou como diretora de arte. Foi professora do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – da UFSM de 1991 até 2003, e professora no mesmo 194 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul curso de Graduação na Universidade Franciscana(UFN) de 2004 a 2015. Na UFSM dedicou-se às disciplinas de Criação e Produção Gráfica em Publicidade, Ética e Legislação Publicitária, Produção Gráfica, Programação Visual Gráfica, Agência – Comunicação em Prática, Fundamentos da Comunicação Social, Projetos Experimentais em Publicidade e Propaganda, Planejamento Publicitário, Oficina de Criação em Publicidade, Técnica de Produção Gráfica em Publicidade e Propaganda I, Técnica de Produção Gráfica em Publicidade e Propaganda II, Prática de Produção Gráfica em Publicidade e Propaganda e Técnica de Produção e Difusão em Relações Públicas III. Já na UFN ministrou as disciplinas de Produção Gráfica, Introdução à Publicidade e Propaganda, Direção de Arte, Laboratório de Produção Gráfica I, Laboratório de Produção Gráfica II, Introdução à Publicidade e Propaganda, Criatividade Aplicada, História da Publicidade e da Propaganda e Projeto de Extensão em Comunicação Comunitária II. Foi coordenadora dos laboratórios Facos Agência, na UFSM, e Gema, na UFN. Foi numerosas vezes professora homenageada, patronesse, paraninfa e orientadora, tendo acompanhado mais de 60 Trabalhos de Conclusão de Curso durante os anos de docência na UFSM e na UFN, e fez parte da banca avaliadora de mais de 130 Trabalhos de Conclusão. Além de artista, publicitária, diretora de arte e professora, foi também pesquisadora. Em 1997 tornou-se mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo(Umesp), com a dissertação“Mais do que feijão com arroz: publicidade, cultura e consumo no meio rural”, tendo como orientador Wilson Bueno. A pesquisa de Janea é considerada um marco nos estudos no campo da publicidade, com ênfase no consumo. Entre 2005 e 2006 coordenou a pesquisa“Mercado Publicitário em Santa Maria: as agências”, quando procurou resgatar a formação do mercado publicitário local com ênfase na identificação das agências de publicidade locais entre as décadas de 1950-1970. Nos anos de 2006 e 2007 desenvolveu a pesquisa“Publicidade em Santa Maria: a profissionalização”, que visava à identificação das agências de publicidade locais criadas e conduzidas por publicitários com formação em nível superior, assim como o cenário no qual estas 195 empresas atuaram(principais clientes, fornecedores e veículos de comunicação) no período compreendido entre 1980 e 2000. Nos anos de 2009 e 2010 coordenou a pesquisa“O empoderamento social da mulher pela via do Ensino Superior: o caso das Faculdades Franciscanas de Santa Maria”, que teve como objetivo estabelecer relações entre o cotidiano de mulheres santa-marienses graduadas em cursos superiores a partir da década de 1950 até a de 1970 – que exerciam ou não suas profissões –, e os apelos publicitários para o consumo de produtos e serviços veiculados em jornal local. Sua última pesquisa, desenvolvida em meados de 2012, com o título“Consumo cultural e juventude: um estudo comparativo”, teve por objetivo conhecer as realidades de Santa Maria e Nova Palma(RS) no que diz respeito ao uso e apropriação dos recursos multimidiáticos por parte de jovens. Janea Kessler faleceu no dia 30 de março de 2020, deixando parte da história da publicidade em Santa Maria desenhada por suas talentosas mãos. Lecionando tanto na UFSM, quanto na UFN, formou profissionais da publicidade por quase 25 anos. Principais publicações KESSLER, J.; JACKS, N. Resgate histórico da publicidade em Santa Maria/RS e sua relação com a economia local. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISADORES DA COMUNICAÇÃO, 18., 1995, Piracicaba, SP. Disponível em: http://www.portcom.intercom. org.br/pdfs/d4a94247eaa87a6ce48c0f44da6518c5.pdf. Acesso em: 15 out. 2023. KESSLER, J.; SILVA, D. R. P. da. O mercado publicitário em Santa Maria, RS: profissão de publicitário no Brasil – dos pioneiros à profissionalização. In: CONGRESSO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MÍDIA, 5., 2007, São Paulo. Disponível em: http://www.intercom. org.br/papers/outros/hmidia2007/resumos/r0159-1.pdf. Acesso em: 15 out. 2023. KESSLER, J.; COIRO, A. L. Profissão mulher: a publicidade entre os diplomas, o ofício e os cabelos femininos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 32., 2009, Curitiba. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/ nacionais/2009/resumos/R4-3463-1.pdf. Acesso em: 15 out. 2023. 196 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul ADA SILVEIRA Aline Roes Dalmolin Ada Cristina Machado Silveira nasceu em 24 de outubro de 1961 em Bagé(RS). É a mais velha das duas filhas do casal João Augusto Silveira e Maria Zebina Machado Silveira. Fez o 1º Grau nos colégios Silveira Martins e Espírito Santo, e no Auxiliadora o 2º Grau, ambos de Bagé(RS), onde também realizou curso técnico profissionalizante no Instituto Municipal de Belas Artes Rita Jobim Vasconcellos. Em 1979 começou a cursar a Graduação em Jornalismo na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), em São Leopoldo. Formou-se em 1982 e, durante a década de 1980, atuou como assessora de imprensa e jornalista em diversos veículos do meio impresso, rádio e televisão, além de outras organizações. Dedicou-se ao jornalismo especializado do meio rural, tendo atuado por dois anos na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Também trabalhou como repórter na TV Difusora(Band) e na RBS TV. Em 1988 iniciou seu percurso junto a Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), tornando-se aluna do Mestrado em Extensão Rural, que concluiu em 1992, com a dissertação intitulada“A comunicação rural na perspectiva extensionista: crítica epistemológica – possibilidades metodológicas”, sob orientação de João Eduardo Pinto Bastos Lupi. No mesmo ano de conclusão do Mestrado foi empossada como professora da UFSM, passando a atuar no Departamento de Ciências da Comunicação, onde desenvolveu suas atividades no decorrer de sua carreira. Foi chefe de Departamento durante várias gestões, acumulando mais de uma década de experiência no cargo. Na 197 Graduação as disciplinas para os cursos de Comunicação abrangem Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e Produção Editorial. Já na Pós-Graduação sua atuação deu-se, inicialmente, junto ao Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural e, logo após, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Em 2017 passa a atuar, também, no Mestrado profissional em Comunicação e Indústria Criativa da Unipampa. Entre 1996 e 2000 Ada afasta-se da UFSM para realizar PósGraduação em Barcelona(Espanha). Lá obtém os títulos de Magister en Periodismo(1998) e Doctorado en Periodismo(2000) na Universitat Autònoma de Barcelona(UAB), sob orientação de Lorenzo Vilches Manterola; desenvolve a dissertação de Mestrado intitulada“Representación, identidades y virtualidad. Consideraciones acerca de los más recientes fenómenos de la industria cultural”, e também a tese de Doutorado“El espíritu de la caballería y sus representaciones mediáticas. intertextualidad, memoria y estereotipo en la identidad gaúcha”. Retornando a Santa Maria atua como coordenadora substituta do Programa de Pós-Graduação(PPG) Extensão Rural de 2003 a 2005, e em 2006 inicia o trabalho para a criação do PPG em Comunicação da UFSM – o primeiro Programa em Comunicação em uma universidade pública do interior na Região Sul. De 2005 a 2007 foi a primeira coordenadora do recém-criado PPG. Em 2012 trabalhou para a abertura do curso de Doutorado, também pioneiro em uma cidade do interior dos Estados da Região Sul. Após a consolidação do Programa de Pós-Graduação, Ada assume a missão de criar um novo curso de Graduação em Comunicação, que se somaria às já tradicionais habilitações em Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda. A proposta do curso de Produção Editorial nasce em 2008, com a perspectiva de atuação profissional multiplataforma, e, em 2012, começa a primeira turma. No que se refere às revistas acadêmicas, Ada criou, em 2002, a Animus – Revista Interamericana de Comunicação Midiática, assumindo sua coordenação. Também foi diretora da revista Cadernos de Comunicação de 2001 a 2008. Em 2004 passou a dirigir a Editora Facos, selo editorial com foco principal em obras do campo da comunicação. No decorrer de sua jornada também atuou como membro de corpo editorial e revisora de diversos periódicos nacionais e internacionais. 198 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Como pesquisadora, soma atividades de consultoria para diversas agências(CNPq, Fapergs, Fapema, Fapeal, Fape e Fapemig), como consultora ad hoc(Ibict, Fapeal, Facepe, Fapego, Fapema), e universidades(Ufpa, Unopar, UCB, Uniderpe, Univille, Unisinos, Mackenzie, Unicruz, PUCRS, Unipampa, Unijuí, UFJF, UFMS, Uniceub e UFSM), além de Organizações Não Governamentais, empresas(Editora Abril) e sociedades científicas(SBPC, Alaic, Felafacs e Intercom). Sua atuação internacional inclui a realização de estágio pósdoutoral na França em 2008(Sorbonne III – La Nouvelle) e estadias como professora visitante em sete universidades internacionais: na Suécia, entre 2022 e 2023(Södertörn University); na Argentina, em 2013(Universidad Nacional de Quilmes e Universidad Nacional de San Luis) e em 2019(Universidad Nacional de La Plata); no Paraguai, em 2016(Universidad Nacional del Este) e no México, também em 2016(Benemérita Universidad de Puebla e Universidad Autónoma de Tlaxcala). Além disso, participou, como apresentadora, coordenadora de mesas e/ou convidada, em mais de 50 eventos no exterior(EUA, Canadá, Escócia, Suécia, China, Rússia, Porto Rico, México, Espanha, Portugal, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai) e mais de uma centena no Brasil. Sua atividade de pesquisa em mais de três décadas refletese em mais de uma centena de projetos de pesquisa, ensino e extensão. Destes, resulta uma produção bibliográfica em diversos idiomas, com mais de 20 livros publicados como autora principal ou organizadora, mais de 100 capítulos de livro, outra centena de artigos em periódicos especializados e quase 300 trabalhos publicados em anais de congressos. Coordenou o convênio Capes-Mincyt(2013-2015) e o Programa Novos Talentos da Capes na UFSM(2011-2014). Também foi coordenadora do Grupo de Pesquisa de Políticas e Estratégias de Comunicação da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) de 2007 a 2010. Como pesquisadora, recebe recursos para projetos e bolsas de agências de fomento, como Capes, CNPq, Fapergs, Financiadora de Estudos e Projetos(Finep) e Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO-ONU). Lidera o grupo de pesquisa do CNPq Comunicação, Identidades e Fronteiras e participa do grupo de pesquisa Comunicação e Desenvolvimento Conectado. Em 2020, na UFSM, tornou-se coordenadora do projeto internacional Mediatização: 199 Inferências Empíricas, Epistemológicas e Metodológicas da Pesquisa de Mídia no Brasil e na Suécia, no âmbito do Programa Capes Stint. No mesmo âmbito assumiu, também, a coordenação do convênio da UFSM com a universidade sueca Södertörn University. No decorrer de sua carreira Ada Silveira recebeu mais de 20 prêmios e homenagens dentre os diversos reconhecimentos por seu trabalho como orientadora de trabalhos acadêmicos, além do convite para paraninfa, patronesse e professora homenageada de diversas turmas de Comunicação na UFSM. Principais publicações SILVEIRA, A. C. M. Midiatização da tragédia de Santa Maria. A catástrofe biopolítica. 2. ed. Santa Maria, RS: Facos-UFSM, 2018. V. 1. SILVEIRA, A. C. M.; GUIMARÃES, I. P.; SCHWARTZ, C.(org.). Jornalismo na linha de fogo. Coberturas em segurança pública. 1. ed. Porto Alegre, RS: Homo Plasticus, 2017. SILVEIRA, A. C. M.; GUIMARÃES, I. P.(org.). Conexões(trans) fronteiriças. Mídia, noticiabilidade e ambivalência. Foz do Iguaçu, PR: EdUnila, 2016. SILVEIRA, A. C. M. Asombros identitarios. Representación y virtualización en los medios. 1. ed. Madri; Berlim: Editorial Académica Española: OmniScriptum GmbH& Co. KG, 2015. SILVEIRA, A. C.; BARICHELLO, E. M. M. da R.; LISBOA FILHO, F. F.; FOSSÁ, M. I. T.(org.). Identidades midiáticas. Santa Maria, RS: Facos-UFSM, 2012. SILVEIRA, A. C. M. O espírito da cavalaria e suas representações midiáticas. 1. ed. Ijuí, RS: Editora Unijuí, 2003. p. 256. 200 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul BEATRIZ DORNELLES Camila Garcia Kieling Beatriz Corrêa Pires Dornelles nasceu em 19 de fevereiro de 1960 em Alegrete(RS). É filha de Paulino Leães Dornelles e de Nora Regina Corrêa Pires Dornelles. É a segunda filha entre cinco irmãos. Com dois anos de idade mudou-se com a família para Garibaldi (RS); com cinco, morou com a avó materna no Rio de Janeiro para tratar um problema de saúde, onde foi formalmente alfabetizada; com nove a família mudou-se para Montenegro(RS). Retornou para Alegrete em 1971. Na vida adulta morou em Porto Alegre, Brasília, Maryland(Estados Unidos), Trieste(Itália), São José dos Campos(SP) e na capital paulista, São Paulo. Após cursar o primeiro ano da escola primária no Rio de Janeiro, retornou para Garibaldi e lá estudou no Convento da Congregação das Irmãs de São José. Em Montenegro estudou no Instituto Flores da Cunha e, de volta a Alegrete, foi admitida no Ginásio Divino Coração(Colégio Divino Coração). Deu continuidade aos estudos no Instituto de Educação Oswaldo Aranha, onde cursou Oficial de Farmácia no Ensino Médio. Mudou-se para Porto Alegre no final de 1977 para cursar o Ensino Superior. Graduou-se em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS) em 1982. Iniciou a vida profissional ainda no início do curso como revisora do jornal Correio do Povo, quando desempenhou outras funções em diferentes editoriais e veículos da empresa, como redatora da central do interior e da rádio Guaíba e repórter e correspondente política em Brasília, de 1982 a 1984. No ano seguinte, ainda em Brasília, passou a atuar como repórter para a Rede Gaúcha Zero Hora de Comunicações Ltda., a RBS, empresa para a qual trabalhou até 1994. 201 Na capital federal, Beatriz realizou coberturas importantes, incluindo a Assembleia Nacional Constituinte e a promulgação da Constituição de 1988. Trabalhava na sucursal da Zero Hora, onde apenas mulheres atuavam. Recebeu o Prêmio Esso de jornalismo na categoria Jornalismo em Equipe em 1987, sendo responsável pelo texto que traçou o perfil dos deputados constituintes, publicado no jornal Zero Hora. Entre 1988 e 1990 atuou como assessora de imprensa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(Inpe). Neste momento passou a cursar o Mestrado na Universidade de São Paulo(USP), sob orientação de Wilson da Costa Bueno, quando escreveu a dissertação“O mito da imagem de satélite e sua manipulação”, que teve como tema o jornalismo científico sobre meio ambiente. Em seguida morou um ano em Washington/DC, nos Estados Unidos e, por seis meses, em Trieste, na Itália. Retornou para Porto Alegre em 1992, quando voltou a trabalhar no jornal Zero Hora, no Caderno Vida. Logo em seguida passou a atuar como professora na então Faculdade dos Meios de Comunicação Social(Famecos) da PUCRS. Em 1996 retornou à USP para fazer o Doutorado, com a tese intitulada“A prática do Jornalismo interiorano no Rio Grande do Sul – potencial mercado de trabalho para o próximo milênio”, sob orientação de Jair Borin. Entre meados dos anos 1990 e o começo dos anos 2000, editou oito jornais de bairro de Porto Alegre, na empresa Gabinete de Comunicação Integrada(GCI), da qual foi sócia. A partir de 1994 passou a atuar como pesquisadora e docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Escola de Comunicação, Artes e Design/Famecos da PUCRS, dedicandose aos temas do jornalismo do interior, jornalismo local, história e teorias do jornalismo, metodologias de pesquisa e folkcomunicação. Realizou Pós-Doutorado em 2009 na Universidade Fernando Pessoa, em Portugal, dando sequência aos estudos sobre jornalismo no interior. Em 2014 Beatriz Dornelles tornou-se editora executiva da Revista Famecos, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUCRS. Para além da atuação nesse periódico, foi membro do Comitê Editorial e atuou como parecerista para diversas revistas da 202 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul área da Comunicação. Recebeu, em 2018, o Prêmio Adelmo Genro Filho da SBPJor. Ao longo de sua trajetória vinculou-se a entidades da área da Comunicação como membro do Conselho Fiscal da Associação Brasileira de Pesquisadores e Comunicadores em Comunicação Popular, Comunitária e Cidadã(ABPCom); associada da Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Comunicação(Alaic), da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar); diretora para a Região Sul da Rede de Estudos e Pesquisa em Folkcomunicação(Rede Folkcom); membro da Associação Nacional dos Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor), membro da International Association for Media and Communication Research(IAMCR) e membro da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Participou de várias gestões, em diferentes funções, da Associação Riograndense de Imprensa(ARI), entre elas de diretora do Departamento Universitário, e em 2024 exerceu a diretoria dos Jornais do Interior até o seu falecimento em 12 de novembro de 2024. Principais publicações DORNELLES, B. C. P. A influência da variável familiar na ampliação da imprensa interiorana no Rio Grande do Sul: o caso Prunes. Comunicação& Inovação, v. 18, p. 95-113, 2017. Disponível em: https://repositorio.pucrs.br/dspace/handle/10923/22225. Acesso em: 15 nov. 2023. DORNELLES, B. C. P. Características da produção da Coluna Social ao longo do século XX: dos Estados Unidos ao Rio Grande do Sul. ENCONTRO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MÍDIA, ALCAR, 10., 2015, Porto Alegre. Anais[...]. Porto Alegre, RS: Alcar, 2015. Disponível em: https://repositorio.pucrs.br/dspace/ handle/10923/22342. Acesso em: 15 nov. 2023. DORNELLES, B. C. P. Jornalismo comunitário em cidades do interior. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2004. DORNELLES, B. C. P. O futuro dos jornais do interior. Revista Intratextos, v. 4, p. 21-36, 2012. Disponível em: https://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/intratextos/article/view/2171/pdf. Acesso em: 15 nov. 2023. 203 DORNELLES, B. C. P.; BIFFIGNANDI, F. A trajetória de Giuseppe Garibaldi na Revolução Farroupilha através da folkcomunicação: um líder de opinião nato. Brazilian Journal of Development, v. 8, p. 38.489-38.506, 2022. Disponível em: https://hdl.handle. net/10923/23957. Acesso em: 15 nov. 2023. DORNELLES, B. C. P.(org.). Porto Alegre em destaque: história e cultura. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004. 204 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul SUELY FRAGOSO Maria Clara Aquino Suely Dadalti Fragoso nasceu em 15 de fevereiro de 1963 em São Paulo(SP). É filha de Raul Orique Fragoso e Therezinha Dadalti Fragoso. Até o quinto ano estudou no Colégio São José dos Padres de Sion, em São Paulo. Os sexto e sétimo anos foram cursados na Escolástica Rosa em Santos. A instituição era pública. Do oitavo ano em diante Suely cursou no Colégio do Carmo. Em 1981 ingressou na Faculdade de Biologia Santa Cecília, mas trancou o curso, decidindo fazer Arquitetura, mas não foi aprovada no primeiro vestibular. Em 1982 investiu em cursos de desenho e cursinho pré-vestibular, e entre 1983 e 1987 cursou a Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo(USP), morando permanentemente na capital. Para se manter em São Paulo fazia estágio remunerado desde o terceiro ano da faculdade. Quando se formou trabalhou na produtora gráfica da Editora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(Educ-PUC-SP). Fez Mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC-SP, sob a orientação de Arlindo Machado, entre 1988 e 1992, com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O trabalho na Editora continuou durante a Pós-Graduação. Naquela época Suely criou o logo da Educ. Iniciou na docência durante o Mestrado, dando aulas na Faculdade de Comunicação da Fundação Armando Alvares Penteado(FAAP) e na Anhembi-Morumbi(1992-1994). Para o Doutorado levou dois anos e 14 seleções para conseguir uma bolsa. Em 1994 mudou-se para Leeds, na Inglaterra, para 205 cursar o Doutorado em Communications Studies na The University of Leeds(1994-1998). Lá, foi professora assistente do Institute of Communications of Studies entre 1996 e 1997. Ao retornar ao Brasil foi trabalhar na Universidade de Caxias do Sul (UCS), no Rio Grande do Sul(RS), nas Faculdades de Arquitetura e de Computação no primeiro semestre de 1998 e nas Faculdades de Comunicação e de Moda no segundo semestre de 1998. Em 1999 ingressou na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo(RS). Durante o período na Unisinos fez parte do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação. No Programa participou de comissões de avaliação de projetos na universidade, comitê de iniciação científica, foi membro do Comitê de Ética em Pesquisa e coordenadora do Programa entre 2005 e 2006. Além disso, atuou na criação da Revista Fronteiras, periódico do Programa. Trabalhou na Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação (Compós), assumindo a coordenação do Grupo de Trabalho(GT) Tecnologias Informacionais de Comunicação(2004-2005) e a vicecoordenação do GT Cibercultura(2009). De 2009 a 2010 fez parte da diretoria da Association of Internet Researchers(Aoir). Em 2009 Suely prestou concurso para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), no Curso de Design Visual, Departamento de Design – Faculdade de Arquitetura, onde permaneceu até 2016. Em 2015 foi aprovada para a vaga de professor titular-livre na Faculdade de Biblioteconomia(Fabico), tendo assumido em 2017, quando passou a integrar o Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM). No PPGCOM da UFRGS ampliou suas pesquisas sobre games, tema que sempre foi de seu interesse. De 2017 a 2019 foi vicecoordenadora do Grupo de Trabalho de Games da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Em 2018 foi track chair do SBGames, e em 2021 fundou a Digra Brasil, divisão oficial da Digital Games Research Association (Digra) no país. Em 2019 foi para a Cracóvia, na Polônia, como professora visitante na Jagiellonian University, para a realização do Pós-Doutorado com bolsa do CNPq. 206 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Principais publicações FRAGOSO, Suely. Understanding links: Web Science and hyperlink studies at macro, meso and micro-levels. New Review of Hypermedia and Multimedia, v. 17, p. 163-198, 2011. DOI: https://www. tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13614568.2011.587030 FRAGOSO, Suely. Meet the HUEHUEs. International Journal of Sociotechnology and Knowledge Development, v. 6, p. 26-44, 2014. Disponível em: https://www.igi-global.com/gateway/article/125637 FRAGOSO, Suely; AMARO, Mariana. Introdução aos estudos dos jogos. 1. ed. Salvador: EDUFBa, 2018. V. 1. Disponível em: https:// repositorio.ufba.br/bitstream/ri/27659/4/EstudoDeJogosPDF.pdf FRAGOSO, Suely. Os modos de existência do gameplay. Matrizes, on-line, v. 12, p. 33-51, 2018. Disponível em: https://www.revistas. usp.br/matrizes/article/view/133774 FRAGOSO, Suely; AMARO, Mariana; FREITAS, Fabiana. Imagens de mundos de jogo e práticas espaciais. Significação – Revista de Cultura Audiovisual, v. 48, p. 250-272, 2021. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/significacao/article/view/168642 FRAGOSO, Suely; RECUERO, Raquel; AMARAL Adriana. Métodos de pesquisa para internet. Porto Alegre: Sulina, 2011. 239 p. 207 CRISTIANE FINGER Michele Negrini Cristiane Finger Costa nasceu em 1º de março de 1964 em Caxias do Sul(RS). É filha de Diena Finger Costa e Horácio Costa e tem dois irmãos: Andréa e Henry. Estudou no Colégio São Carlos no 1° Grau e na Escola Nossa Senhora do Carmo no 2° Grau, ambos em Caxias do Sul(RS). Aos 17 anos mudou-se para Porto Alegre com a finalidade de ingressar na faculdade de Jornalismo. Concluiu a Graduação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS) no ano de 1985, com Especialização em jornalismo pela mesma instituição em 1989, Mestrado em 1997 e Doutorado em 2002, ambos em Comunicação Social pela PUCRS. Com o término da faculdade foi trabalhar como repórter na TV Guaíba, permanecendo de 1986 a 1987. Na emissora ela atuou em diversas editorias, começando na cultura, passando pela polícia e, no final, como setorista de política. Atuou, também, no Sistema Brasileiro de Televisão(SBT) em três períodos diferentes: entre 1988 e 1990; entre 1992 e 1996; e, por fim, de 2002 até 2010. No SBT exerceu as mais diversas funções: repórter, repórter de rede, âncora e editora regional no Rio Grande do Sul. Trabalhou, ainda, na Rede Riograndense de Emissoras, a Rede Pampa, de 1990 a 1992, onde exerceu a função de chefe de jornalismo local da TV Manchete, da qual a Pampa era afiliada. Entre 1998 e 2002 trabalhou como repórter concursada da TVE RS, cobrindo política, sendo responsável pelas entradas ao vivo e pelas reportagens de rede para a TV Cultura. O título do Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo foi “Televisão e educação”, e na Especialização em Estilos Jornalísticos 208 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul aventurou-se em formatos como crônica, conto e jornalismo interpretativo e de opinião. Em 1994 Cristiane ingressou no Mestrado em Comunicação Social da PUCRS, sob orientação de Luiza Carravetta, defendendo a dissertação“A Violência na Agenda do Telejornalismo Brasileiro”. Ingressou no curso de Doutorado em 1998, defendendo a tese em 2002, sob orientação de Maria Beatriz Rahde, com o título“TVs Públicas& TVs Privadas – Ética e Ideologia no Controle dos Meios de Comunicação”. Em relação à docência, deu aulas na Universidade de Caxias do Sul(UCS) no período de 1993 a 2002, e na Universidade Luterana Brasileira(Ulbra) entre 1994 e 1995. No ano de 1995 começou a lecionar na PUCRS, na qual permaneceu como professora titular. Também foi coordenadora do curso de Jornalismo no período de 2004 a 2010. Em 2003 começou a dar aulas no Programa de Pós-Graduação em Comunicação como membro permanente, sendo coordenadora no período de dois anos e meio, entre 2020 e 2022. No Programa integra a Linha de pesquisa“Processos comunicacionais, políticas dos corpos e interseccionalidades”. De 2003 a 2009 produziu reflexões acerca da“História da Televisão Regional no Rio Grande do Sul” e, na sequência, dedicou-se ao telejornalismo regional:“Telejornalismo Regional: o jornalismo participativo com o advento da TV Digital”. De 2011 a 2012 trabalhou no projeto“Jornalismo na TV digital: novos conteúdos, novas linguagens e novos formatos de notícias para os dispositivos móveis e portáteis”. De 2012 a 2013 os dispositivos móveis no âmbito da recepção audiovisual foram contemplados na pesquisa“A televisão que cabe no bolso: um estudo de recepção dos conteúdos jornalísticos nos dispositivos móveis e portáteis”. De 2014 a 2015 desenvolveu dois projetos:“TVE-RS: desafios da televisão pública na cultura da convergência digital” e“Televisão Digital: indicativos para o telejornalismo mobile”. Posteriormente, de 2016 a 2017, trabalhou em“O telejornal agora está no Facebook: uma narrativa da reportagem de televisão para as redes sociais”. Atuou no projeto“Telejornalismo em outras telas: os canais de notícias brasileiros no YouTube”, de 2018 a 2019, e, a partir de então, pesquisa o“Telejornalismo em outras telas: as informações hiperlocais num APP colaborativo de notícias”. 209 Cristiane participa da Rede de Pesquisadores em Telejornalismo (Rede Telejor), ligada à Associação Nacional dos Pesquisadores em Jornalismo(SBPJOR), da qual é membro ativo desde a sua criação em 2005. Foi vice-coordenadora em 2014 e 2015 e coordenadora em 2016 e 2017; desde então faz parte do Conselho Consultivo da Telejor. Cristiane foi coorganizadora, pela Rede, de seis edições da coleção Jornalismo Audiovisual, publicada pela Editora Insular. Além da Rede Telejor, foi membro da Associação Riograndense de Imprensa de 2017 a 2021, ocupando cargos de conselheira e de vicepresidente. De 2010 a 2018 foi membro do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, atuando como conselheira. Desde 2017 é diretora regional Sul da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), e desde 2020 é coordenadora do Grupo de Pesquisa de Telejornalismo. No decorrer de sua carreira recebeu diversos prêmios, tanto em âmbito profissional quanto acadêmico. Cabe destacar o Prêmio Esso de Jornalismo, em 2004; o XXVII Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, em 2010; e o Prêmio Luiz Beltrão(Grupo Inovador, Intercom), em 2021. Principais publicações FINGER, Cristiane. Telejornalismo mobile: um estudo sobre a recepção das notícias no celular pelo público adultos/idosos. Comunicação, Mídia e Consumo, on-line, v. 12, p. 30, 2015. FINGER, Cristiane. Crossmedia e transmedia: desafios do telejornalismo na era da convergência digital. Revista Educação em Questão, on-line, v. 18, p. 121-132, 2012. FINGER, Cristiane. A televisão pública na cultura da convergência digital: uma análise do jornalismo na programação da TVERS. In: MOURA, Cláudia; FINGER, Cristiane.(org.). Mídia e processos sociopolíticos: estudos e práticas de pesquisa. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2016. p. 67-86. V. 1. FINGER, Cristiane. Crossmedia e transmedia: desafios do telejornalismo na era da convergência digital. In: STRELOW, Aline; COUTINHO, Iluska; ASSIS, Francisco de; OLIVERIA FILHA, Elza de; PENA, Felipe(org.). Jornalismo: histórias, teorias, gêneros e práticas. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2012. p. 253-266. V. 4. 210 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul FINGER, Cristiane. Jornalismo na TV digital: novos conteúdos, novas linguagens e novos formatos de notícias para os dispositivos móveis e portáteis. In: ADAMI, Antônio; HOHLFELDT, Antônio (org.). Lusofonia e interculturalidade. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2012. p. 346-361. V. 1. 211 EUGENIA BARICHELLO Elisangela Lasta Eugenia Maria Mariano da Rocha Barichello nasceu em 12 de abril de 1954 em Santa Maria(RS). Foi a décima filha entre os 12 de José Mariano da Rocha Filho e Maria Samira Dias da Rocha. Ele foi o fundador da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Eugênia é casada com Cesar Augusto Barichello e mãe de Stefania e Bruno. Aos cinco anos ingressou no primeiro ano no Colégio Franciscano Sant’Anna, no qual cursou toda a sua formação. Sua primeira Graduação foi em Comunicação Social, em 1975, na primeira turma da UFSM. Cursou Artes Visuais, sem finalizar, e formou-se em Medicina Veterinária em 1980, na mesma universidade. Foi nessa última Graduação que ela pôde exercer atividades de monitoria e de bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), o que a incentivou a fazer Mestrado em Medicina Veterinária pela UFSM em 1992. Em 2000 terminou o Doutorado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), com orientação de Muniz Sodré, e fez estágio Pós-Doutoral Sênior na University College of London (UCL-UK), em 2014. Fez três concursos públicos e passou no segundo, ingressando como professora no curso de Comunicação Social na UFSM em 1994, coincidindo com o novo currículo. Seus primeiros passos enquanto docente foram marcados pela inserção na pesquisa, com orientações de iniciação científica e de trabalhos de conclusão de curso. Também ministrou as disciplinas de Teoria e Método da Pesquisa em Comunicação para os três cursos da área da Comunicação. Em 1996 criou o grupo de pesquisa em Comunicação Institucional e Organizacional, que foi registrado na base do CNPq em 2000. Em 2006, com o início do Programa de Pós-Graduação em 212 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Comunicação da UFSM – que ela ajudou a fundar –, passou a ser responsável pelas disciplinas Metodologia da Pesquisa, Seminários de Pesquisa – I e II – e Pesquisa Orientada. Na sua gestão atuou em diversos cargos, como diretora e vice-diretora da Faculdade de Comunicação Social; chefe do Departamento de Ciências da Comunicação; coordenadora do Programa de PósGraduação em Comunicação entre 2007 e 2013; professora titular e permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação; e professora do curso de Graduação em Relações Públicas. Esteve à frente da Coordenadoria de Comunicação da UFSM de 14 de agosto de 2018 a 11 de dezembro de 2019, assim como da coordenação do Grupo de Trabalho Comunicação em contextos organizacionais, de 2013 a 2014, na Associação Nacional de Programas de PósGraduação em Comunicação(Compós), sendo vice-coordenadora de 2011 a 2012. Tornou-se ocupante da cadeira de número 21 – Patrono João Belém –, na Academia Santa-Mariense de Letras em 2011. Suas principais publicações e contribuições ao campo da comunicação estão interseccionadas nas áreas das relações públicas, do jornalismo e da publicidade e propaganda, na conjuntura da sociedade midiatizada. Desenvolveu muitos projetos de pesquisa entre 2001 e 2024: “Modelos e práticas comunicativas utilizados na construção da identidade, demarcação da territorialidade e busca de legitimação da instituição universitária”;“30 anos de ensino de Comunicação Social na UFSM: trajetórias e contornos identitários”;“Estratégias comunicacionais utilizadas na construção de visibilidade midiática e legitimidade institucional”;“Tecnologias de comunicação, visibilidade e lógicas de legitimação interativas na sociedade midiatizada”;“Estratégias de comunicação, visibilidade e lógicas de legitimação na sociedade midiatizada”;“Midiatização, visibilidade e legitimação: estratégias de Comunicação Organizacional e Relações Públicas em ambiências digitais”. Em 2014, no estágio sênior no exterior, propôs o projeto“Etnografia em ambiências on-line e off-line como aporte teórico-metodológico para investigar as relações entre os indivíduos e as organizações”. Outros projetos foram:“O processo de midiatização como matriz de práticas comunicacionais: estratégias em Comunicação Organizacional e Relações Públicas à luz da Media Ecology” e 213 “Estratégias e práticas de comunicação: visibilidade e legitimação das organizações no contexto da atual ecologia midiática”. Ter vivenciado o desenvolver da UFSM a fez adentrar pelos poros da instituição universitária, que, intuitivamente, a encaminhou às pesquisas no âmbito institucional e organizacional no campo da comunicação. Principais publicações BARICHELLO, Eugenia Mariano da Rocha. Comunicação pública e institucional: desafios postos aos processos de visibilidade e legitimidade institucional em tempos de midiatização e ambiências digitais. In: MAGALHÃES, Anita Cardoso(org.). 50 anos de histórias das Relações Públicas em Minas Gerais e Espírito Santo. 1. ed. Divinópolis, MG: Gulliver, 2021. p. 97-107. V. 1. BARICHELLO, Eugenia Mariano da Rocha. A autoria na elaboração de uma tese. In: MOURA, Claudia Peixoto de; LOPES, Maria Immacolata Vassalo(org.). Pesquisa em comunicação: metodologias e práticas acadêmicas. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2016. p. 129-150. V. 1. BARICHELLO, Eugenia Mariano da Rocha. Midiatização e cultura nas organizações da contemporaneidade: o processo de midiatização como matriz de práticas sociais. In: MARCHIORI, Marlene(org.). Contexto organizacional midiatizado. 1. ed. São Paulo; Rio de Janeiro: Difusão: Senac, 2014. p. 37-43. V. 8. BARICHELLO, E Eugenia Mariano da Rocha. Apontamentos sobre as estratégias de comunicação mediadas por computador nas organizações contemporâneas. In: KUNSCH, Margarida M. Krohling (org.). Comunicação organizacional. Histórico, fundamentos e processos. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 337-353. V. 1. BARICHELLO, Eugenia Mariano da Rocha. Visibilidade midiática, legitimação e responsabilidade social: dez estudos sobre a comunicação na universidade. 1. ed. Porto Alegre: Pallotti, 2005. 180 p. V. 1. 214 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul MÁRCIA AMARAL Viviane Borelli Márcia Franz Amaral nasceu em 28 de fevereiro de 1967 em Santa Maria(RS). É filha de Hugo e Marilia, mãe do Heitor e da Manuela e companheira do Regis. Com exceção do Ensino Fundamental, fez o Médio e a Graduação em instituições públicas de Santa Maria: Colégio Estadual Olavo Bilac; do 1º ao 3º ano no Colégio Centenário; do 4º ao 8º ano no Colégio Santa Maria e o Ensino Médio no Colégio Estadual Maria Rocha. Ingressou no curso de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM) em 1984 e graduou-se em 1988. Durante a Graduação inseriu-se no setor de Imprensa e de Cultura do Diretório Central de Estudantes(DCE) e foi uma das organizadoras do Festival Nossas Expressões. Participou da produção e apresentação do programa radiofônico Gente da Noite, veiculado na Rádio Universidade AM. Durante a Graduação também foi bolsista de iniciação científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), cuja pesquisa de sua autoria rendeu sua primeira publicação de artigo científico em 1990. Márcia foi agraciada com o Prêmio da Associação Rio Grande de Imprensa de Melhor Reportagem de 1986, com a matéria “Psiquiátrico: a realidade ao alcance da mão”, publicada no jornal laboratório do curso em coautoria com duas colegas. Em 1987 trabalhou no jornal O Expresso e, em 1991, trabalhou em A Razão. Fez Mestrado em Extensão Rural pela UFSM, pois não havia Pós- Graduação em Comunicação à época no Estado. Em 1993 defendeu a dissertação“ A comunicação rural na obra de Juan Diaz Bordenave”, sob orientação de Ricardo Rossato. 215 Como freelancer, nos anos 1990 editou o jornal Comunitário e Intersindical Peleia, de Santa Cruz do Sul(RS), e criou o jornal Primeira Classe, do Sindicato dos Professores Municipais de Santa Maria. Foi concursada para o cargo de assessora de Comunicação da Emater/RS, atuando no escritório Regional de Santa Maria, que abrangia, na época, 41 municípios. A experiência docente iniciou em 1994, quando deu aulas na Graduação e na Especialização em Comunicação da Universidade Católica de Pelotas(UCPel-RS). Fez seleção para professor substituto do curso de Comunicação Social – Jornalismo – da UFSM em 1997, passando no concurso público seguinte para professor auxiliar. Doutorou-se, em 2004, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), com a tese“O lugar de fala do leitor no Diário Gaúcho”, orientada por Christa Berger. A tese foi finalista do Prêmio da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) na categoria melhor tese em Jornalismo (2005). Desde 2008, quando a base de dados da UFRGS foi criada, sua tese teve mais de 2 mil acessos e parte dela foi editada no livro “Jornalismo Popular”(2006). O livro teve uma nova edição em 2019 e já vendeu mais de 2,5 mil exemplares. Após a publicação do livro “Jornalismo Popular”, desenvolveu o projeto“A segmentação dos jornais populares: representações e valores-notícia”(2007-2009). Em setembro de 2020 Márcia defendeu o memorial em banca para professor titular da UFSM. Como docente, atuou, desde 1998, junto ao curso de Jornalismo, ministrando disciplinas fundamentais na formação discente, como“Teorias do Jornalismo”,“Introdução ao Jornalismo” e“Teorias Aplicadas em Comunicação”. De 2006 a 2011 foi tutora do Programa de Educação Tutorial(PET) em Comunicação, quando, além de orientar os 12 alunos e outros voluntários, organizou uma abundante programação semanal que previa encontros de formação, eventos e atuação em projetos de ensino, pesquisa e extensão. No âmbito da extensão, coordenou projetos como o Volver(projeto institucional que visa à manutenção de vínculos entre a UFSM e seus egressos); o Ecolândia(programa radiofônico sobre ecologia e qualidade de vida, produzido e apresentado por integrantes do PET na Rádio comunitária Caraí, no Bairro Urlândia, Santa Maria, RS); e o Gritos do Silêncio(programa radiofônico veiculado na Rádio Uni FM e que trata de temas e dá visibilidade a assuntos e 216 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul pessoas consideradas“esquecidas” pelos veículos de comunicação comerciais). É integrante do projeto“Rumos do Jornalismo: inovações para a qualificação de um campo em transformação”. Fez parte, durante mais de uma década, do Colegiado e do Núcleo Estruturante do curso de Jornalismo. Foi avaliadora do Ministério da Educação(MEC) de cursos de Graduação em Jornalismo entre 1999 e 2005. Integrou, de 2005 a 2010, a equipe que liderou o projeto de Desenvolvimento institucional Expansão do Ensino Superior no interior do Estado do Rio Grande do Sul, que resultou na criação dos cursos de Comunicação Social – Jornalismo – do Centro de Educação Superior Norte e da Unipampa. Márcia também colaborou em cargos de gestão: coordenadora substituta no curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação de 2013 a 2015; e equipe de criação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, em 2006, integrando a linha de pesquisa“Mídia e Identidades Contemporâneas”. Em 2023 completou 25 anos de UFSM, tendo orientado 60 monografias e projetos experimentais e 7 alunos na iniciação científica, além de ser tutora do PET durante 4 anos. Na PósGraduação formou 14 mestres e 7 doutores, além de supervisionar um Pós-Doutorado. Criou, em 2000, o Grupo de Pesquisa Estudos de Jornalismo e, desde então, desenvolve atividades coletivas com a participação de discentes da Graduação e da Pós-Graduação. Foi contemplada com o edital universal de 2010/2011 com o projeto“Testemunhos e experts nos acontecimentos das catástrofes ambientais – uma análise de Veja, Época, Isto é e Carta Capital”. Dele decorreu um subprojeto como proposta de estágio PósDoutoral, de outubro de 2011 a março de 2012, na Universitat Pompeu Fabra, Barcelona(Espanha), sob a supervisão de Miquel Rodrigo Alsina. Com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), desenvolveu o projeto “Acontecimento e catástrofe: a construção da notícia pelas fontes jornalísticas no maior desastre climático brasileiro”. Foi contemplada, em três oportunidades, com bolsas produtividade do CNPq. Entre 2012 e 2015:“Especificidades da cobertura das catástrofes ambientais nas revistas semanais brasileiras”; entre 2016 e 2018 estudou as produções científico-normativas e de matérias jornalísticas sobre as consequências e configurações das vítimas 217 em narrativas sobre acontecimentos ambientais catastróficos; em 2019“Narrativas jornalísticas sobre desastres: regularidades e proposições”. Em 2022 começou outra pesquisa:“Da climatologia à antropologia: questões sobre a cobertura jornalística de eventos extremos e desastres relacionados às mudanças climáticas”. Fez mobilidade acadêmica na Universidad de Cádiz, na Espanha, pela Fundación Carolina, no início de 2019. Pelo Capes/Print realizou missão em outubro do mesmo ano na mesma universidade. Foi professora visitante, pelo Capes/Print, na Universidad Rey Juan Carlos, em Madrid, de dezembro de 2023 até março de 2024, com atuação no Observatorio de La Comunicación del Cambio Climático. Márcia Franz Amaral foi uma das fundadoras do Programa de PósGraduação em Comunicação da UFSM. É referência nos estudos da área de jornalismo, sobre coberturas jornalísticas de desastres e análises de narrativas acerca das mudanças climáticas. A tragédia da Boate Kiss, em 2013, foi um dos fatores que fez com que decidisse estudar distintas abordagens e especificidades de coberturas jornalísticas de catástrofes. Principais publicações AMARAL, M. F.; LOZANO ASCENCIO, C.; CRISTOBAL, E. P. Las catástrofes y los desastres en las noticias sobre el cambio climático en España de 2019 a 2021. Estudios sobre el Mensaje Periodístico, v. 28, p. 537-548, 2022. AMARAL, M. F. Periodismo: de los desastres a las vulnerabilidades y los riesgos. In: LOZANO ASCENCIO, C.(org.). Periodismo y desastres: múltiples miradas. 1. ed. Barcelona: Editorial UOC, 2019. p. 23-42. V. 1. LOZANO ASCENCIO, C.; AMARAL, M. F. Comunicar riesgos en la sociedad de la incertidumbre. InTexto, UFRGS, on-line, p. 21, 2017. AMARAL, M. F. Las catastrofes en las revistas semanales brasileñas: evidencias y silenciamientos. In: LOZANO ASCENCIO, C.(org.). La construcción del acontecer de riesgos y de catástrofes. 1. ed. La Laguna: Sociedad Latina de Comunicación Social, 2015. p. 33-54. V. 82. 218 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul AMARAL, M. F. Fontes testemunhais, autorizadas e experts na construção jornalística das catástrofes. In: KÜNSCH, D.; COELHO, C.; MENEZES, J. E.(org.). Jornalismo e contemporaneidade: um olhar crítico. 1. ed. São Paulo: Editora Casper Líbero, 2015. p. 221223. AMARAL, M. F. Jornalismo popular. São Paulo: Editora Contexto, 2006. 219 ANA GRUSZYNSKI Elizete de Azevedo Kreutz Ana Cláudia Gruszynski nasceu em 4 de maio de 1966 em Porto Alegre(RS). É filha de Alexandre Henrique Gruszynski e Cecy Becker Gruszynski. Fez o Ensino Fundamental e o Médio no Colégio Sévigné em Porto Alegre. Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), em 1987, iniciou suas atividades no mercado gráfico e publicitário no final da década de 1980. Ao longo de sua carreira atuou com foco especial em Comunicação Visual. Em 1999 concluiu o Mestrado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), com a dissertação“Design gráfico& mediação”. Naquela Instituição cursou, também, o Doutorado, finalizado em 2003, com a tese “A imagem da palavra: retórica tipográfica na pós-modernidade”. Ambas as pesquisas foram publicadas em livro. Realizou seu Pós-Doutorado em Produção Editorial no Instituto de Letras da UFRGS em 2013. Entre 2012 e 2016 buscou aperfeiçoamento no Centro Knight para o Jornalismo das Américas (CKJA), nos Estados Unidos, nos cursos Introduction to News Design, Introdução ao Jornalismo Móvel e Técnicas Básicas do Jornalismo de Dados. Em 1996 começou sua trajetória na academia, lecionando no curso de Publicidade e Propaganda da Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos). Em 1997 tornou-se professora-pesquisadora no campo da Comunicação na UFRGS, onde foi professora titular vinculada ao Departamento de Comunicação da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico) até se aposentar em 2023. 220 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul De 2000 a 2022 dedicou-se à liderança no Grupo de Pesquisa Laboratório de Edição, Cultura Design/Lead(UFRGS/CNPq). De 2006 a 2021 orientou 9 teses e 13 dissertações no Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM/UFRGS), bem como orientou 45 monografias e 11 Iniciações Científicas. Também coordenou o Grupo de Pesquisa Produção Editorial da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação(Intercom), de 2010 a 2013. Um breve levantamento de sua produção até 2023 aponta cerca de 49 artigos, 7 livros, 30 capítulos de livros e 53 textos publicados, oriundos de 54 apresentações em eventos acadêmicos de âmbitos nacional e internacional. Entre consultorias e trabalhos técnicos são mais de 116(nesses estão incluídos os pareceres ad hoc para o CNPq), além de outras produções artísticas e culturais. Também atuou em projetos de pesquisa, como o de“Design de jornais multiplataforma: dispositivos no cenário de convergência”. Ana Cláudia recebeu diversos prêmios e títulos. Sua influência estende-se à formação de novos profissionais, com participação ativa em bancas de Mestrado(20), Doutorado(14) e Graduação (66), bem como orientações em projetos de extensão e cursos de curta duração e de comissões julgadoras(36). Jornalista, designer, ilustradora, professora-pesquisadora, bolsista produtividade nível 2 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), orientadora, parecerista, Ana Cláudia é figura proeminente na academia, cujo legado abrange não apenas o ensino e a pesquisa, mas também a formação de novas gerações de profissionais comprometidos com a excelência na Comunicação Visual. Principais publicações GRUSZYNSKI, A. C. A imagem da palavra: retórica tipográfica na pós-modernidade. Teresópolis: Novas Ideias, 2007. GRUSZYNSKI, A. C. Design gráfico: do invisível ao ilegível. 2. ed. São Paulo: Rosari, 2008. CAPPARELLI, S.; GRUSZYNSKI, A. C. Poesia visual. São Paulo: Global, 2001. GRUSZYNSKI, A. C. Design editorial e publicação multiplataforma. In: Texto, UFRGS, on-line, v. 1, p. 571-588, 2015. 221 GRUSZYNSKI, A. C.; GOLIN, C.; LUCCHESE, A. F. Desafios para a comunicação das ciências: um estudo sobre os periódicos científicos impressos e eletrônicos da UFRGS. In: MORAES, O. de J.(org.). Tendências atuais de pesquisa em comunicação no Brasil. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2008. p. 233-251. V. 3. 222 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul MIRIAM ROSSINI Ana Maria Acker Miriam de Souza Rossini nasceu em 29 de junho de 1965 em Porto Alegre(RS). Filha de pais catarinenses, Aldo João de Souza e Adenir Corrêa de Souza, é a mais velha de quatro irmãos(Marcelo, Alan e Aline). Em 1993 casou-se com Elton Gimenez Rossini. Estudou sempre em escolas públicas, com exceção do período em Lages(SC). As demais foram em Porto Alegre. Do ensino infantil a 3ª série na Escola Estadual Martins Costa Jr.; 4ª série na Escola Ensino Básico Melvin Jones, em Lages(SC); 5ª série na Escola Estadual Oscar Tollens; da 6ª a 8ª série na Escola Estadual Padre Rambo; e Ensino Médio na Escola Técnica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Fez jornalismo na Faculdade de Meios de Comunicação(Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), onde formou-se em 1988 com a monografia“O filme gaúcho de longa-metragem”, sob orientação de Anibal Damasceno Ferreira. Em 1984 ingressou na UFRGS, no curso de Licenciatura em Música, mas não concluiu, transferindo-se para a História em 1987, quando começou a estudar História Cultural e em como os meios tecnológicos poderiam contribuir para este campo. A conclusão desta Graduação ocorreu apenas em 1995, pois Miriam cursou Mestrado em Artes – Cinema – na Universidade de São Paulo(USP), com a dissertação“Teixeirinha e o Cinema Gaúcho”, defendida em 1994 e publicada em 1996 com financiamento do Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre(Fumproarte). A orientação foi de Maria Rita Eliezer Galvão. Enquanto fazia o Mestrado continuava com a faculdade de História, cujo Trabalho de Conclusão de Curso foi o mapeamento dos filmes de reconstituição histórica brasileiros. 223 Miriam fez Doutorado em História na UFRGS com a orientação de Sandra Jatahy Pesavento, que foi desenvolvido de 1995 a 1999. A tese, que teve um período de estágio sanduíche na École des Hautes Etudes en Sciences Sociales de Paris, com a orientação de Jacques Leenhardt, analisou três longas-metragens produzidos nos anos 1970 sobre a Inconfidência Mineira: Os Inconfidentes(1972), de Joaquim Pedro de Andrade, Tiradentes – o mártir da Inconfidência (1976), de Geraldo Vietri, e Ladrões de Cinema(1977), de Fernando Coni Campos. Durante alguns anos atuou no Jornalismo, mas desde o Doutorado voltou-se para a docência. Em 1996 teve uma rápida passagem pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), mas foi a partir de 1999 que passou a atuar integralmente como professora e pesquisadora nos cursos de Comunicação, de História e no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da instituição. Também ministrou disciplinas em cursos de Especialização de Cinema e de História na Universidade Franciscana(Unifra), em Santa Maria. Em 2006 foi aprovada em primeiro lugar no concurso para Teorias da Imagem, na UFRGS, junto ao Departamento de Comunicação da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), como docente dos cursos de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Na UFRGS assumiu várias atividades de coordenação na Graduação e na Pós-Graduação. Coordenou o PPGCOM em duas gestões consecutivas, de 2011 a 2014. Em 2022, após defesa pública da sua produção, foi aprovada como professora titular. A partir dos anos 2000 abordou o Cinema da Retomada e os filmes de reconstituição histórica a partir da segunda metade dos anos 1990; as construções discursivas sobre a identidade nacional no cinema brasileiro nos filmes das décadas de 1960 e 1990; as interfaces entre cinema, televisão e os meios digitais em“Linguagens híbridas: cruzamentos entre cinema e tevê”;“Convergência tecnológica e tradução intersemiótica entre imagens audiovisuais: as aproximações entre cinema e tevê”, analisou o lugar da Rede Globo nesse processo intersemiótico; de 2009 a 2012, com “Convergência entre imagens audiovisuais: marcas narrativas, estéticas e mercadológicas no cinema gaúcho”, analisa produtores gaúchos e o Núcleo de Especiais da RBS TV; atualizou os estudos sobre o cinema popular e sobre filmes brasileiros considerados de grandes bilheterias e orçamentos. 224 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Em 2015 produz“Cinema dos novos tempos: experimentação de formatos audiovisuais narrativos e sua circulação em múltiplas telas”. A dimensão de consumo permitiu que integrasse o Dinter“Jovem e o consumo midiático em tempos de convergência”, que reuniu UFRGS, Universidade Federal do Pará(Ufpa) e Universidade Federal de Sergipe(UFS), pelo edital do Procad/Capes. Por sua vez, o projeto “Cinema Brasileiro e economia da dádiva: o baixo orçamento como projeto político-estético”, analisa o autopatrocínio, as permutas e os apoios institucionais como forma de financiamento de filmes de diferentes formatos, incluindo o longa-metragem ficcional. Nas atividades institucionais vice-coordenou o Núcleo de Ensino e Produção de Vídeo(NEPTV) e coordenou o Núcleo de Comunicação e Cinema(Nucine), além da ação de extensão CineF da Fabico/ UFRGS. Coordenou o Artis – Grupo de Pesquisa em Estética e Processos Audiovisuais, registrado junto ao CNPq. Tem atuado como editora de revistas acadêmicas desde 2002, como Fronteiras (Unisinos), InTexto(UFRGS) e E-Compós(Compós) e integrou a Comissão Editorial da Rebeca – Revista Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Televisão(Socine). É sócia da Socine desde a criação da entidade, como membro do Conselho Fiscal(gestões 20192021, 2021-2023) e como coordenadora do Seminário Temático Televisão: Formas Audiovisuais de Cinema e Documentário. No âmbito da História Cultural, duas vezes coordenou o GT de História Cultural – seção RS –, participando da organização de duas publicações: Representações e visibilidades na história cultural: imagens, imaginários, memórias e Narrativas, imagens e práticas sociais: percursos em história cultural. Orientou mais de 200 alunos entre Graduação e Pós-Graduação, inspirando o gosto pela reflexão, pelas lacunas de conhecimentos e pelo levantamento de fontes que ajudam a criar novos conhecimentos. Destaca-se o olhar para o cinema brasileiro e gaúcho, passando pelas produções populares, pela relação entre Cinema e História, as representações do brasileiro nas telas, até os processos de produção e as conexões entre audiovisual, televisão e internet. Principais publicações PESAVENTO, Sandra Jatahy; SANTOS, Nádia Maria Weber; ROSSINI, Miriam de Souza.(org.). Narrativas, imagens e práticas 225 sociais: percursos em história cultural. 1. ed. Porto Alegre, RS: Asterisco, 2008. 254 p. V. 1. ROSSINI, Miriam de Souza; HOFF, Rafael Sbeghen. O profissional e o amador no cinema de baixo orçamento: atualizações pela economia da dádiva. In: LUSVARGHI, Luiza(org.). Resistência, exclusão e novos realismos nas telas. 1. ed. São Paulo: Editora Polytheama, 2022. p. 29-44. V. 1. ROSSINI, Miriam de Souza; MACHADO JÚNIOR, Cláudio de Sá; SANTOS, Nádia Maria Weber(org.). Representações e visibilidades na história cultural: imagens, imaginários, memórias. 1. ed. Porto Alegre: Edipucrs, 2015. 238 p. V. 1. ROSSINI, Miriam de Souza. Teixeirinha e o cinema gaúcho. 1. ed. Porto Alegre: Fumproarte, 1996. 214 p. V. 1. SILVA, Alexandre Rocha; ROSSINI, Miriam de Souza(org.). Do audiovisual às audiovisualidades – convergências e dispersão nas mídias. 1. ed. Porto Alegre, RS: Asterisco, 2009. 159 p. V. 1. 226 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul KARLA MÜLLER Denise Avancini Alves Karla Maria Müller nasceu no dia 5 de maio de 1961 em Porto Alegre(RS), numa família com mais quatro irmãs Marias. Ela é filha de Paulo Vargas de Lima e de Elcy Vargas de Lima. Karla tem três filhas. É casada com Michel Heberle, seu segundo marido. Tem duas enteadas e é avó da Catarina. Em sua trajetória escolar sempre estudou em escola pública: Colégio Estadual Dom João Becker(Ensino Médio/Auxiliar de Técnico em Publicidade e Propaganda); Escola Estadual Normal 1° de Maio (pré-escola e a partir da 4ª série até o final do Ensino Fundamental), ambas em Porto Alegre; Instituto Estadual de Educação João Neves da Fontoura, em Cachoeira do Sul(2ª e 3ª séries do Ensino Fundamental); Escola Estadual de Ensino Fundamental Ruy Barbosa em Ijuí(1ª série). Graduou-se em Relações Públicas, Publicidade e Propaganda (1982) e Jornalismo(1986) pela Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Durante a Graduação, Karla participou do Diretório Acadêmico de Comunicação(Dacom) da Fabico, sendo um espaço de diálogo e discussões frutíferas em pleno período da ditadura. Fez Especialização em Educação de Adultos pela Faculdade Porto-Alegrense(Fapa) em 1987. Foi professora substituta(1990) na UFRGS e tornou-se professora efetiva(1997), tendo também passado pelo Magistério Público Estadual do Rio Grande do Sul e em outras instituições de Ensino Superior. Finalizou o Mestrado em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS)(1997) e o Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos)(2003). 227 Atuou na cocoordenação do Núcleo de Avaliação da Unidade(NAU) e cocriou o Núcleo Experimental em Relações Públicas(Nerp) e o Projeto Comunicação e Atendimento ao Cidadão(Procac), que atendeu primeiramente na Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária(Infraero) e, posteriormente, na Prefeitura de Canoas. No âmbito de Graduação, diversas disciplinas foram ministradas por Karla desde a sua nomeação até sua aposentadoria como professora titular: Administração em Relações Públicas II, Agência de Comunicação I, Agência de Comunicação III, Análise e Avaliação de Resultados em Comunicação, Laboratório de Estágio, Laboratório de Pesquisa, Planejamento em Relações Públicas II, Projeto Experimental em Relações Públicas V(Agência), Redação e Expressão em Relações Públicas II, Redação e Expressão em Relações Públicas III, Redação e Expressão em Relações Públicas IV, Seminário Avançado em Comunicação, Seminário Avançado em Relações Públicas, Seminário de Cultura e Comunicação, Seminário em Educação e Comunicação, Técnicas de Comunicação Dirigida, Teoria de Relações Públicas, Teoria e Prática das Relações Públicas e Teoria e Prática de Relações Públicas. Na Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM/UFRGS) ingressou como docente em meados de 2003, onde, ao longo de seus 15 anos, ministrou as seguintes disciplinas: Estudos Avançados I – Comunicação, Representações e Práticas Culturais: Cultura e Imaginário, Laboratório de Pesquisa I, Seminário Comunicação, Culturas Urbanas e Indústrias Criativas, Seminário Cultura, Ideologia e Mídia Impressa, Seminário de Comunicação e Práticas Culturais, Seminário de Comunicação e Práticas Socioculturais, Seminário de Pesquisa em Mediações e Representações Culturais e Políticas e Seminário Metodologias da Pesquisa em Comunicação. Algumas foram desenvolvidas em parceria com colegas da Linha de Pesquisa. O foco nas Fronteiras Culturais e as Fronteiras Nacionais nortearam as investigações científicas por ela desenvolvidas, sempre vinculadas aos fenômenos comunicacionais. Mídias e Fronteiras: veículos de comunicação, fronteiras nacionais e culturais, práticas socioculturais, tendo como enfoque primário as regiões limítrofes do Brasil com os países vizinhos, são suas questões norteadoras. Na gestão, Karla também percorreu diversas funções: coordenadora do Núcleo de Avaliação da Unidade NAU/Fabico(2004-2005); editora da Revista Intexto do PPGCOM/UFRGS(2005-2007), 228 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul membro da Comissão Coordenadora do PPGCOM/UFRGS (2007-2008), membro do Núcleo Docente Estruturante do curso de Comunicação(2012-2013), chefe do Departamento de Comunicação(2013-2015), coordenadora do Núcleo Docente Estruturante do curso de Relações Públicas(2017-2021) e diretora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(2017-2021). Candidatou-se à reitoria em 2021, sendo a mais votada, e teria se tornado reitora da UFRGS se a eleição fosse paritária. Seus estudos reverberaram em participações em eventos acadêmicos, científicos e premiações: Sociedade Brasileira de Ciências da Comunicação(Intercom) – regionais e nacionais; Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação(Expocom) – regional e nacional; SET Universitário; Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós); Associação Brasileira de Relações Públicas e Comunicação Organizacional(Abrapcorp); Associação Latino-Americana de Comunicação(Alaic); Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor); Rede Alfredo de Carvalho para o resgate da memória da imprensa e a consolidação da História da Mídia no Brasil(Rede Alcar); Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura(Enecult); Colóquio Unbral Fronteiras: Portal de acesso aberto das universidades brasileiras sobre limites e fronteiras(Unbral); Associação Universidade em Rede(UniRede); Seminário Internacional América Platina(Siap); Associação Universidades Grupo Montevidéu(AUGM), etc. Ao longo de seus 24 anos de atuação acadêmica vinculada à UFRGS, Karla produziu diversos artigos científicos publicados em periódicos de reconhecimento nacional e internacional na área da Comunicação ou afins. Desde o período do Mestrado foram mais de 20 capítulos de livros publicados, cuja organização ou coordenação foi feita por colegas. Outros livros foram produzidos pelo Grupo de Pesquisa História da Comunicação – Fabico/UFRGS:“Perfis da Comunicação: trajetórias profissionais no Rio Grande do Sul”(2018),“Comunicação e redemocratização no Rio Grande do Sul: uma abordagem histórica” (2014), além do“Anuário Unbral Fronteiras”(2014). Karla aposentou-se de forma plena e titular em 2021, mantendo seu vínculo e atividade como docente convidada do Programa de Pós-Graduação até 2024. Karla Maria Müller tem uma relevante atuação em sua trajetória acadêmica junto ao curso de Relações Públicas da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). 229 Principais publicações JACKS, N.; MACHADO, Marcia Benetti; MÜLLER, K. M. Hermanos pero no mucho: el periodismo narra la paradoja de la fraternidade y rivalidade entre Brasil y Argentina. Buenos Aires: Editora La Crujía, 2004. MÜLLER, K. M. Práticas culturais e espaços fronteiriços: os casos de Brasil-Argentina e Brasil-Uruguai. In: MARTINS, M. H.(org.). Fronteiras culturais: Brasil, Uruguai, Argentina. 1. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002. p. 219-232. MÜLLER, K. M. Os desbravadores – Martha Alves D’Azevedo. In: RAHDE, Maria Beatriz(org.). Memórias da Ciências da Comunicação no Brasil. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1997. p. 63-74. MÜLLER, K. M. Jornais locais como espaço de representação das manifestações de povos fronteiriços. In: CONGRESO LATINOAMERICANO DE INVESTIGADORES DE LA COMUNICACIÓN, 6., 2002, Santa Cruz de la Sierra. Ciencias de la comunicación y sociedad: un dialogo para la era digital. Santa Cruz de la Sierra: Universidad Privada de Santa Cruz de la Sierra: Alaic, 2002. MÜLLER, K. M.; LEOBETH, T.; MAZER, D. H. Reflexões sobre os resultados e a publicização do estudo Mídia e Fronteiras: cartografia dos estudos no Brasil. Trajetórias de pesquisa em comunicação: temas, heurísticas, objetos. 1. ed. São Paulo, SP: Pimenta Cultural, 2021, p. 209-224. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/ handle/10183/220226/001124334.pdf?sequence=1 RADDATZ, Vera L. S.; MÜLLER, K. M.(org.). Comunicação, cultura e fronteiras. 1. ed. Ijuí, RS: Editora Unijuí, 2015. 221 p. Disponível parcialmente em: https://www.editoraunijui.com.br/produto/ amostra/2029 230 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul MARCIA BENETTI Thaís Helena Furtado Marcia Benetti Machado nasceu no dia 25 de julho de 1964 em Santa Maria(RS). É filha de Ruben e Emiliana e a caçula de três irmãos. Fez o Ensino Fundamental no Colégio Centenário e o Ensino Médio no Colégio Santa Maria, em sua cidade natal. Cursou dois anos de Odontologia, carreira do pai e do irmão; fez vestibular para Jornalismo e Letras, mas a Licenciatura foi abandonada. Formou-se em Jornalismo na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM) em 1988. Ainda na faculdade de Jornalismo Marcia conquistou, em 1986, o Prêmio ARI de Jornalismo Universitário da Associação Rio Grandense de Imprensa, na categoria reportagem, com o texto “Psiquiátrico: a realidade ao alcance da mão”, publicado no jornal laboratório do curso em coautoria com uma colega. Foi também bolsista de iniciação científica. Ingressou no Mestrado em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo(Umesp) em 1989, com a dissertação“A linguagem do jornal Notícias Populares: uma análise de discurso”, orientada por Onésimo Cardoso e defendida em 1994. O Doutorado em Comunicação e Semiótica foi realizado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUCSP) a partir de 1995. Enquanto estudava, trabalhou na Folha de S. Paulo. Em 2000 defendeu a tese“Deus vence o Diabo: o discurso dos testemunhos da Igreja Universal do Reino de Deus”, orientada por Olga de Sá. Na Folha de S. Paulo começou o curso de treinamento e, ao concluí-lo, foi chamada para cobrir férias de jornalistas na Agência Folha, até ser contratada como secretária da gráfica do jornal. Na 231 sequência, tornou-se redatora de Política, ficando responsável por “fechar” as matérias enviadas pelas sucursais e pela Agência Folha. Ainda no jornal assumiu a edição do Painel do Leitor e, por fim, exerceu a função de redatora da Primeira Página. Marcia ingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS) em março de 1998, depois de ter conquistado o primeiro lugar em um concurso para docente. Na Graduação ela já foi responsável tanto por disciplinas práticas – como Jornalismo Impresso e Jornalismo Opinativo – quanto teóricas – como Teoria da Comunicação e Teoria do Jornalismo. Em 2000 entrou para o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação(PPGCOM) – que, em 2018, transformou-se em Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Na maior parte do tempo Márcia foi associada à Linha de Pesquisa “Jornalismo e Processos Editoriais”. Em 2019 passou a fazer parte da Linha de Pesquisa“Redes, Interações e Sociabilidade”. Permaneceu no Programa por 21 anos, ministrando diferentes disciplinas, como Metodologia da Pesquisa, Teorias do Jornalismo e Jornalismo e Discurso. Nesse período, orientou 1 pós-doutor, 13 doutores e 14 mestres. Foi também coordenadora do PPGCOM. Os cargos de gestão foram desempenhados desde seu ingresso na UFRGS: chefia do Departamento de Comunicação(Decom), e de 2001 a 2004 foi diretora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico). Foi também vice-coordenadora da Comissão de Graduação em Jornalismo em duas gestões. Em 2007 coorganizou o livro“Metodologia de Pesquisa em Jornalismo”. O capítulo escrito por ela,“Análise do Discurso em Jornalismo: estudo de vozes e sentidos”, virou referência. Anos mais tarde voltou a escrever sobre o viés metodológico no livro “Pesquisa em Comunicação: metodologias e práticas acadêmicas”. No capítulo de sua autoria,“Análise de Discurso como método de pesquisa em Comunicação”, apresenta sua visão mais ampliada sobre o tema. De 2008 a 2012 participou do projeto“Tecer: jornalismo e acontecimento”, feito a partir de uma cooperação interinstitucional entre os programas de Pós-Graduação da UFRGS, Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG) e Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). 232 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul O projeto foi apoiado com recursos da Capes e Marcia coordenou a equipe da UFRGS. Para desenvolver a pesquisa“O jornalismo como gênero discursivo”, Marcia foi contemplada, em 2009, com uma bolsa produtividade PQ-2 do CNPq, que manteve até 2021, quando concluiu a pesquisa “Jornalismo, empatia e compaixão: o discurso dos leitores nas redes sociais”. Na sequência, tratou do“Jornalismo de revista e leitores: emoção e credibilidade no contrato de comunicação”, de 2012 a 2015, e do“Os vínculos dos leitores com o jornalismo: emoção, ethos e leitura como prática discursiva”, de 2015 a 2018, que evidenciou os leitores como produtores de discursos relevantes. O Núcleo de Pesquisa em Jornalismo(Nupejor), grupo de pesquisa criado em 2004 e certificado pelo CNPq, é liderado por ela, e é composto por três linhas de pesquisa: Jornalismo e Discurso, Jornalismo e Estudos de Televisão e Sociologia do Jornalismo. Ao longo de sua carreira – até 2023 – organizou 5 livros, publicou 28 artigos em periódicos, 13 capítulos de livros e 1 livro em coautoria. Além de toda a produção acadêmica, Marcia integrou a Comissão de Avaliação Trienal da Capes em 2010 e 2013 para avaliação dos PPGs de Comunicação e Informação nos triênios 2007-2009 e 2010-2012, foi revisora técnica de livros do Grupo A e membro do Conselho Editorial de 12 revistas científicas. Márcia foi uma das idealizadoras da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor) a partir da formação do Grupo de Trabalho(GT) de jornalismo na Compós em 2000. Em 2004 e 2005 foi vice-coordenadora do GT Estudos de Jornalismo da Compós e, entre 2006 e 2007, assumiu a coordenação do grupo. Na SBPJor foi diretora científica em duas gestões, entre 2006 e 2009. A professora titular da UFRGS, posição alcançada em 2019, que aos 16 anos ganhou o prêmio de melhor crônica estudantil no Concurso Literário de Santa Maria e aos nove escrevia versos ouvindo o barulho da máquina de costura de sua mãe, volta-se outra vez para essa prática. Principais publicações BENETTI, Marcia; LAGO, Cláudia(org.). Metodologia de pesquisa em jornalismo. Petrópolis: Editora Vozes, 2007. 233 BENETTI, Marcia. Análise de discurso como método de pesquisa em Comunicação. In: MOURA, Cláudia Peixoto de; LOPES, Maria Immacolata Vassallo de(org.). Pesquisa em comunicação: metodologias e práticas acadêmicas. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2016. BENETTI, Marcia. Revista e jornalismo: conceitos e particularidades”. In: TAVARES, Frederico de Mello Brandão; SCHWAAB, Reges(org.). A revista e seu jornalismo. Porto Alegre: Penso, 2013. BENETTI, Marcia; LISBOA, Silvia. O jornalismo como crença verdadeira justificada. Brazilian Journalism Research, v. 11, 2015. BENETTI, Marcia; BALDISSERA, Rudimar. Pesquisa e perspectivas de comunicação e informação. Porto Alegre: Sulina, 2018. JACKS, Nilda; MACHADO, Marcia Benetti; MÜLLER Karla. Hermanos, pero no mucho: el periodismo narra la paradoja de la fraternidad y rivalidad entre Brasil y Argentina”. Buenos Aires, Argentina: Editora La Crujía, 2004. 234 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul ALESSANDRA PRIMO Luciana Menezes Carvalho Alessandra Teixeira Primo nasceu em 8 de novembro de 1969 em São Gabriel(RS). É filha de Armando Teixeira Primo e Rosa Maria Teixeira Primo. Tem uma filha chamada Cibelle. Fez sua Formação Fundamental e Média no Colégio Dom Bosco em Brasília. Formou-se em Comunicação Social – Habilitação Publicidade e Propaganda – na Universidade Católica de Pelotas (UCPel) em 1991. Logo depois cursou o Mestrado em Jornalismo na Ball State University(B.S.U), nos Estados Unidos, onde defendeu a dissertação“Accounting for individual infomation filtering: The development of a contextual communication model”, em 1993. De volta ao Brasil, acrescentou à sua formação a Graduação em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo –, também na UCPel, universidade em que atuou por quatro anos na docência antes de ingressar na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Seu ingresso na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da UFRGS, em 1998, deu-se ao mesmo tempo em que foi aprovada para cursar Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação(PGIE) na mesma instituição. A obtenção do título de doutora veio em 2003, com a tese“Interação mediada pelo computador: a comunicação e a educação a distância segundo uma perspectiva sistêmico- relacional”, premiada pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) e pela Sociedade Brasileira de Informática na Educação(SBIE). O tema da cibercultura tornou-se central em sua trajetória, abarcando objetos de pesquisa, como a interação mediada por computador, relacionamentos on-line, blogs, podcasts e mídias sociais. Seus primeiros passos na carreira docente foram em uma Especialização e nos cursos da área da Comunicação da UCPEL, 235 em Pelotas, quando começou a trabalhar com CD-ROMs, materiais interativos em disquete e, depois, na criação de sites e blogs. Já na UFRGS criou e ministrou disciplinas alinhadas aos seus interesses de pesquisa, como Design de Interface, Marketing Digital, Laboratório de Web e Seminário de Informática e Comunicação. Em algumas delas trabalhou projetos experimentais com os estudantes, como o Portal Viés. Já atuando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação(PPGCOM) da UFRGS, criou a disciplina Interação Mediada por Computador, ofertada atualmente com a nomenclatura de Comunicação e Interações: Relacionamentos e Negócios nas Mídias Sociais. Quando começou a estudar inteligência artificial desenvolveu a primeiro robô de conversação em língua portuguesa da Web – a Cybelle –, lançada em 1999. Em 2004 criou um projeto experimental de realidade virtual que consistia em um passeio on-line pelo Parque da Redenção em Porto Alegre. Foi membro fundadora da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura(ABCiber), criada em 2006; integrou a diretoria da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), entre 2005 e 2007; foi vice-coordenadora do PPGCOM/UFRGS e editora dos periódicos e-Compós e Intexto, e foi chefe substituta do Departamento de Ciências da Comunicação da UFRGS, além de coordenar o Laboratório de Interação Mediada por Computador(Limc) e o grupo de pesquisa em Interação Mediada por Computador. Uma de suas mais importantes contribuições para o campo da Comunicação é o livro Interação mediada por computador: comunicação, cibercultura, cognição, de 2007. Na obra critica as perspectivas transmissionistas, tecnicistas e meramente mercadológicas da interatividade, propondo uma abordagem sistêmico-relacional. Em 2018 realizou estágio Pós-Doutoral na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Publicou mais de 40 artigos em periódicos científicos da área, desde 1993, além de 27 capítulos de livros desde 1999 e 32 trabalhos completos em eventos científicos, afora todas as atividades inerentes ao labor acadêmico. 236 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Com trajetória de mais de 30 anos na Comunicação, Alessandra está entre as principais referências da pesquisa em Cibercultura no país, tendo sido uma das desbravadoras na área. Principais publicações PRIMO, A.; MATOS, L.; MONTEIRO, M. C. Dimensões para o estudo dos influenciadores digitais. 1. ed. Salvador: Edufba, 2021. 100 p. V. 1. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/34395 PRIMO, A.; VALIATI, V.; LUPINACCI, L.; BARROS, L. Conversações fluidas na cibercultura. Revista Famecos, v. 24, p. 24.597, 2017. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/ revistafamecos/article/view/24597 PRIMO, A.; RECUERO, R. da C. Hipertexto cooperativo: uma análise da escrita coletiva a partir dos blogs e da wikipédia. Revista Famecos, Porto Alegre, n. 22, p. 54-65, 2003. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/ article/view/3235 PRIMO, A. A chatterbot Cybelle: experiência pioneira no Brasil. In: RAMOS, R.(org.). Mídia, Textos& Contextos, Porto Alegre: EDIPUCRS, v. 14, p. 259-276, 2001. Disponível em: https:// www.academia.edu/4271811/Comunica%C3%A7%C3%A3o_e_ Intelig%C3%AAncia_Artificial_interagindo_com_a_rob%C3%B4_ de_conversa%C3%A7%C3%A3o_Cybelle PRIMO, A. Interação mútua e reativa: uma proposta de estudo. Revista Famecos, Porto Alegre, n. 12, p. 81-92, 2000. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/ article/view/3068 PRIMO, A. Interação mediada por computador: comunicação, cibercultura, cognição. Porto Alegre: Sulina, 2007. 237 MARIA BERENICE MACHADO Janaína Gomes Maria Berenice da Costa Machado nasceu em 12 de agosto de 1959 em Rio Grande(RS). É filha de João Borges Machado e Maria Lizete da Costa Machado. Iniciou os estudos no Instituto Estadual de Educação Juvenal Miller, em sua cidade natal. Ao mudar-se para Porto Alegre(RS), aos nove anos, estudou sempre em escolas públicas. O 2º Grau, após a reforma do Ensino, realizou no Centro Universitário Metodista – Instituto Porto Alegre(IPA) Em 1978 iniciou a Graduação em Engenharia Civil em Pelotas(RS) e depois cursou Matemática na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS) De volta à Capital, na década de 1980, trabalhou na área comercial, com vendas e promoções. Em 1982 atuou na empresa Multipromoções Representações& Lançamentos Ltda. Em 1985 trabalhou na Zero Hora Editora Jornalística como assistente e chefe de publicidade, decidindo-se por essa a área de atuação profissional. No mesmo ano ingressou no curso de Comunicação Social – habilitação Publicidade e Propaganda – da UFRGS, concluído em 1991, com a monografia“Duelo Final: Collor x Lula – um estudo da eficácia do confronto político na televisão durante as eleições presidenciais de 1989 no Brasil”, orientada por Maria Helena Weber. Em 1986, trabalhou no Grêmio Náutico União(GNU) como gerente de marketing e criou o setor de Comunicação e Marketing. Em 1989 abriu sua própria empresa de assessoria e consultoria em comunicação, atendendo empresas de diversos setores. Em 1998 ingressou no Mestrado em Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), orientada por Neusa Demartini Gomes. Nesse mesmo ano foi contratada 238 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul como professora do Centro Universitário Feevale(Feevale), localizado no município de Novo Hamburgo(RS), onde assumiu como coordenadora de instalação até 2003, quando o mesmo foi reconhecido pelo Ministério da Educação(MEC). Ali permaneceu por 12 anos. Em 1999 ingressou como professora na Fundação Educacional Encosta Inferior Nordeste(FACCAT), no município de Taquara (RS), no recém-aberto curso de Publicidade e Propaganda, permanecendo na Instituição por oito anos. De 1999 a 2000 também trabalhou como professora substituta da área básica da Comunicação Social na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico), na UFRGS. Nesse período, atuou como professora de Pós-Graduação lato sensu. Ministrou disciplinas na área de Comunicação para a Feevale, a Universidade Franciscana (Unifra), a Universidade de Passo Fundo(UPF) e a Universidade do Vale do Taquari(Univates). Em setembro de 2004, Maria Berenice defendeu a tese intitulada: “Estratégias híbridas de ação política e mercadológica: estudo dos discursos normativos, jornalístico e publicitário do Jornal Zero Hora, no período 1998-2004”, tendo sido encaminhada, durante o Mestrado, diretamente para o Doutorado. As atividades de extensão universitária iniciaram em 2000, com a Agência Experimental de Comunicação(Agecom) da Feevale e a colaboração no Projeto Nosso Bairro em Pauta(2001), desenvolvido com estudantes da rede municipal de Novo Hamburgo. A pesquisa institucionalizada iniciou na Feevale, com o projeto “História e Memória da Publicidade e Propaganda de Novo Hamburgo”. Em 2005 começou a frequentar o Grupo de Trabalho (GT) de História da Publicidade e da Propaganda da Rede, assumindo, em 2007 a coordenação do GT. Em 2007 foi fundado o Núcleo Gaúcho de História da Mídia, tendo sido cocoordenado por Maria Berenice. Em 2008 assumiu a vice-presidência da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar) – sucessora da Rede Alcar. A gestão durou até 2011. Nesse período publicou o livro Publicidade e Propaganda: 200 anos de história no Brasil(2009), e um capítulo do livro“Debates nas campanhas presidenciais: Brasil 1989-2010”. 239 Em 2011 assumiu a presidência da Diretoria Executiva da Alcar e ali permaneceu até 2015, ano em que migrou para a Diretoria Administrativa(onde ficou até 2019). Ao todo, atuou na entidade durante 12 anos, tendo formalizado a Associação como sociedade científica e com personalidade jurídica. Em 2009 ingressou como docente da Fabico/UFRGS, tendo reativado o Clube de Criação que chamava Caixola, que, posteriormente, se tornou o Centro Integrado de Comunicação da Fabico(Cicom/ Fabico). Nele atuou durante três anos. De 2009 a 2011 foi vice-editora da revista Em Questão da Fabico. No mesmo período iniciou a pesquisa“Propaganda e Democracia: campanhas vencedoras para o governo do Rio Grande do Sul entre 1982 e 2014”, constituindo um banco de dados com dez mil peças sobre as campanhas políticas do Estado no período da redemocratização(Jair Soares a José Ivo Sartori). De 2013 a 2016 assumiu o cargo de coordenadora da Comissão de Graduação dos cursos de Comunicação Social, quando houve a transição no Ensino fomentada pelas novas Diretrizes Curriculares Nacionais nos cursos de Graduação. Em 2017 assumiu a chefia do Departamento de Comunicação, onde permaneceu até 2019. Em 2014 vinculou-se ao Grupo de Pesquisa em História da Comunicação – Fabico/UFRGS, registrado no CNPq desde 2012, com o qual publicou três livros: Comunicação e redemocratização no Rio Grande do Sul: uma abordagem histórica(2014), Perfis da comunicação: trajetórias profissionais no Rio Grande do Sul(2018) e Os primórdios da comunicação midiática no Rio Grande do Sul. Em 2024, com o mesmo grupo, produziu um quarto livro: Os primórdios da comunicação midiática no Rio Grande do Sul – Parte II. Em 2019 fez um Estágio Qualificação na Universidade de Vigo, em Pontevedra(Espanha). Naquele mesmo ano passou a participar do Observatório de Comunicação Pública e Política(Obcomp), que, em 2022, foi registrado formalmente no Portal de Extensão da UFRGS como Projeto de Extensão. Maria Berenice aposentou-se em 2023, mas segue trabalhando no projeto sobre a história da Propaganda Abolicionista no Rio Grande do Sul com o Grupo de Pesquisa História da Comunicação. 240 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Principais publicações CAMPOS, D. M. C.; MACHADO, M. B. da C. A campanha abolicionista na Província do Rio Grande do Sul: política, contradições e silenciamentos no jornal O Século. In: STRELOW, A. do A. G.; GRUSZYNSK, A. C.; RODRIGUES, A. I.; BRÄCHER, A.; GOLIN, C.; MÜLLER, K. M.; MACHADO, M. B. da C.; TOALDO, M. M.; PEREIRA, S. M. L.(org.). Primórdios da comunicação midiática no Rio Grande do Sul. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2021. p. 93-150. V. 1. MACHADO, M. B. da C. Estratégias da comunicação mercadológica e o discurso híbrido das mídias. In: PEREZ, C.; CASTRO, M. L. D.; POMPEU, B.; SANTOS, G.(org.). Ontologia publicitária: epistemologia, práxis e linguagem, 20 anos do GP de publicidade na Intercom. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2019. p. 229-250. V. 1. STRELOW, A. do A. G.; GRUSZYNSK, A. C.; RODRIGUES, A. I.; BRÄCHER, A.; BARTHS, C.; GOLIN, C.; PITHAN, F. A.; PORCELLO, F. A. C.; MÜLLER, K. M.; FERRARETTO, L. A.; MACHADO, M. B. da C.; MÜLLER, M.; TOALDO, M. M.; COSTA, S. O. da.(org.). Comunicação e redemocratização no Rio Grande do Sul – uma abordagem histórica. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2014. V. 1. STRELOW, A. do A. G.; BRÄCHER, A.; RODRIGUES, A. I.; GOLIN, C.; PITHAN, F. A.; PORCELLO, F. A. C.; MÜLLER, K. M.; FERRARETTO, L. A.; MACHADO, M. B. da C.; TOALDO, M. M.; GONÇALVES, S. M. L. P.(org.). Perfis da Comunicação – trajetórias profissionais no Rio Grande do Sul. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2018. 298 p. V. 1. MACHADO, M. B. da C. Publicidade e propaganda: 200 anos de história no Brasil. Novo Hamburgo, RS: Editora da Feevale, 2009. MACHADO, M. B. C. Debates nas campanhas presidenciais: Brasil 1989-2010. In: PEREIRA, A.; TOMITA, I.; NASCIMENTO, L.; FERNANDES, M.(org.). Fatos do passado na mídia do presente: rastros históricos e restos memoráveis. 1. ed. São Paulo: Intercom e-livros, 2011. p. 367-397. 241 SANDRA DE DEUS Fabiana da Costa Pereira Sandra de Fatima Batista de Deus nasceu em 30 de janeiro de 1957 em São Vicente do Sul(RS). Filha de Ibanes de Deus e Marília Batista de Deus, é a irmã mais velha de seis filhos. É viúva de Marco Aurélio Genro e tem uma filha: Raíssa. O estudo ginasial foi realizado no Ginásio Estadual Padre Caetano, em Santa Maria, assim como o secundário na Escola Estadual de Ensino Médio Profª Maria Rocha, durante os anos de 1974 a 1976. Aprovada no vestibular do ano de 1977, dava início ao curso de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Durante a Graduação foi militante política, participando ativamente do Movimento Estudantil. Ainda estudante, trabalhou no Jornal“O Expresso” e formou-se em dezembro de 1980. Ao longo do curso trabalhou na Rádio Imembuí, onde começou sua atuação como jornalista. Nessa Rádio permaneceu no período de 1981 a 1997, quando atuou como repórter, redatora, produtora e ocupou o cargo de coordenadora de Jornalismo. Nos anos 80 também trabalhou na Sucursal da Empresa Jornalística Caldas Júnior como repórter política no jornal diário A Razão, com uma rápida passagem pela Rádio Santamariense. No ano de 1985 recebeu um prêmio no Concurso de Reportagem“O legislativo e sua comunidade”, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Em 1986 entrou no Mestrado em Extensão Rural na UFSM, sendo bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Defendeu a dissertação“Camponeses e comunicação: relações de liberdade e opressão” no ano de 1989, orientada por Ênio Tonini. 242 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Nesse mesmo período, no ano de 1990, formou-se especialista em Pensamento Político Brasileiro, curso ofertado pelo Departamento de Sociologia e Política da UFSM. Ao final do curso defendeu a monografia“O reformismo possível – a esquerda brasileira na Constituição de 88”, trabalho orientado por Tarcísio Anacleto Moro. Durante o período de 1990 a 1993 foi professora na Universidade da Região da Campanha(Urcamp) da Fundação Átila Taborda. Em 1994 foi eleita diretora-presidente da Cooperativa do Estudante de Santa Maria(Cesma), onde permaneceu até o ano de 1996. Em 1998 tornou-se chefe de reportagem na Rádio Gaúcha, em Porto Alegre, onde ficou até fevereiro de 1999. Aprovada em concurso público, assumiu no mesmo ano como professora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico), onde é professora titular. Na UFRGS assumiu as cadeiras de rádio, e, no período de novembro de 1999 a setembro de 2008, foi coordenadora do Laboratório de Rádio. A partir dos anos 2000 passou a atuar como voluntária na Organização Não Governamental(ONG) Parceiros Voluntários/RS junto ao Albergue João Paulo II em Porto Alegre. Em 2003 recebeu o seu segundo prêmio, o 2º lugar no Prêmio ARI de Jornalismo em produção de rádio, da Associação Rio Grandense de Imprensa. Ainda no mês de outubro do ano 2000, assumiu como coordenadora da área de jornalismo, ficando no cargo até o mês de maio de 2002. Concomitante, entre os meses de maio de 2001 a junho de 2002, assumiu como chefe de Departamento da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Desde 2002 integra a diretoria da Associação Brasileira em Ensino de Jornalismo(Abej), ano em que organizou o 5º Fórum Nacional de Professores de Jornalismo. No ano de 2001 entrou para o Doutorado em Comunicação e Informação(PPGCOM/UFRGS), formando-se no ano de 2005. Defendeu a tese“O rádio como espaço de visibilidade política (Governo da Frente Popular em Porto Alegre 1989/1990)”, tendo como orientadora Maria Helena Weber. Em outubro de 2004 assumiu como secretária de Comunicação da UFRGS, ficando no cargo até o mês de setembro de 2008. 243 Entre os anos de 2005 e 2009 desenvolveu o projeto de pesquisa “Rádios das universidades federais: Onde estão e qual o futuro?” sobre o perfil e condições estruturais das rádios universitárias nas instituições federais, estaduais e privadas. Nessa mesma temática, no ano de 2007, organizou o III Encontro de Rádios e TVs das Universidade Federais. Nos anos de 2005 a 2008 foi membro do Corpo Editorial do Periódico Jornal da Universidade. Entre 2007 e 2010 foi membro do Corpo Editorial do Periódico Rádio em Revista. No ano de 2007 organizou o 10º Encontro do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, e no ano seguinte, em 2008, o XI Encontro do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo. Como projeto de extensão, em 2008 desenvolveu o trabalho “Radialistas Mirins”, cujas atividades eram realizadas com a participação das crianças da Escola Infantil do Instituto de Educação General Flores da Cunha. O projeto teve andamento até o ano de 2017. Em 2008 Sandra tomou posse como Pró-Reitora de Extensão da UFRGS, cargo que ocupou até o mês de setembro de 2020. No cargo foi presidente do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras(Forproex) durante os anos de 2012 e 2013. Em 2015 organizou o XXXVII Encontro Nacional de Pró-reitores de Extensão das Universidades Públicas e, no ano seguinte, assumiu como coordenadora da Comissão Permanente de Extensão da Associação das Universidades do Grupo Montevidéu, cargo em que permaneceu no período de 2016 a 2018. Seu projeto de pesquisa, durante os anos de 2009 a 2019, teve como título“A relação entre jornalistas e fontes no jornalismo”, e na extensão, durante os anos de 2012 a 2014, desenvolveu o“Festival de Inverno Maré da Arte”, programa anual, durante os meses de julho a agosto, no Litoral Norte do RS. No mesmo período assumiu como membro do Corpo Editorial da Revista de Extensión+ E e no Corpo Editorial da Revista Participação, cuja atividade encerrou no ano de 2015. Nesse mesmo ano iniciou sua participação como membro do Corpo Editorial do Periódico Experiência – Revista Científica de Extensão –, e membro do Corpo Editorial da Revista Eletrônica Udesc em Ação. Em 2019 atuou com membro do Corpo Editorial da Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo, e iniciou sua participação como membro do Corpo Editorial da Revista Conexão da Universidade 244 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Estadual de Ponta Grossa(UEPG) e Revista Observatório. É líder do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Esportivo e integra o Grupo de Trabalho Extensão Crítica: teorias e práticas na América Latina e no Caribe do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais e do Kairós – equipe para a transformação e educação sustentável. Foi destaque na noite de 20 de novembro de 2019, Dia da Consciência Negra, por receber o título de Patronesse da Semana da Consciência Negra – UFSM/Observatório dos Direitos Humanos da UFSM, escolhida pela liderança e representatividade na luta pelo movimento negro e por seu trabalho de acolhimento das demandas da população negra nas universidades. É, em 2024, a única docente negra no Departamento de Comunicação da UFRGS, até que novos concursos mudem essa representação. No ano de 2022 recebeu o Título de Cidadã de Porto Alegre, concedido no dia 23 de junho de 2022, em Sessão Solene realizada no Plenário Otávio Rocha da Câmara Municipal de Porto Alegre. No dia 8 de março de 2023, Dia das Mulheres, recebeu o Troféu Cidadã da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, indicada na categoria educação. Também em 2023 recebeu o Prêmio Personalidade de Destaque no ensino de Jornalismo da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo(Abej). A premiação aconteceu durante o 22º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo e III Congresso de Jornalismo da Amazônia, realizado entre os dias 25 e 28 de abril na Universidade Federal do Amazonas(Ufam). O prêmio é concedido a professores que têm se destacado na contribuição significativa no ensino de jornalismo durante a carreira docente. Principais publicações DEUS, S. F. B. Extensão universitária: trajetórias e desafios. 1. ed. Santa Maria: PRE-UFSM, 2020. DEUS, S. F. B. A universidade brasileira e sua inserção social. In: TOMMASINO, H.; CASTRO, J.(org.). Los caminos de la extensión en América Latina y el Caribe. 1. ed. La Pampa: EdUNLPam, 2017. DEUS, S. F. B.; WEBER, M. H. A disputa por um projeto político do rádio. In: WEBER, M. H.; PFEIFER, Marja(org.). Comunicação pública e políticas: pesquisas e práticas. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2017. 245 DEUS, S. F. B.; REZENDE, E. G.; VALE, A. R. Sobre“Latinoamericanização” das universidades latino-americanas. In: DEUS, S. F. B.; REZENDE, E. G.; VALE, A. R.(org.). Extensão universitária: diálogos e possiblidades. 1. ed. Alfenas: Editora Unifal, 2017. 246 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul CLEUSA SCROFERNEKER Francielle Benett Falavigna Cleusa Maria Andrade Scroferneker nasceu em 11 de maio de 1952 em Novo Hamburgo(RS). É filha de Agenor Andrade e de Therezinha Petry Andrade. Cursou os Ensinos Fundamental e Médio no Colégio Santa Catarina e no Colégio Estadual 25 de Julho, ambos em sua cidade natal. Mudou-se com a família para Porto Alegre, onde cursou – entre 1970 e 1973 – as faculdades de Licenciatura em Geografia, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), e de Comunicação Social, com Habilitação Polivalente, na Faculdade de Comunicação Social(Famecos), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS). Logo após a conclusão das duas Graduações, em 1974, passou a ministrar aulas no curso de Turismo da PUCRS. Paralelamente, iniciou sua jornada como professora de Geografia no Colégio Estadual Protásio Alves no Ensino Médio(2º Grau, à época). Em 1976 ingressou no Mestrado em Planejamento Urbano e Regional na Faculdade de Arquitetura da UFRGS, sob a orientação de Gervásio Neves. Concluiu tanto o Mestrado quanto o Bacharelado em Geografia no mesmo ano. Em 1995 ingressou na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(USP) para cursar o Doutorado em Comunicação, defendendo sua tese em abril de 2000, com orientação de Margarida Maria K. Kunsch. Na mesma instituição realizou um Pós-Doutorado, supervisionado por Margarida Maria K. Kunsch, finalizado em 2017. Em 2000 passou a ministrar as disciplinas de Comunicação 247 Organizacional para estudantes da Pós-Graduação e da Graduação, além de orientar dissertações, teses e monografias e coordenar o Grupo de Estudos Avançados em Comunicação Organizacional. Entre dezembro de 2000 e dezembro de 2004, ocupou o cargo de vice-diretora da Famecos/PUCRS, além de coordenar o Programa de Extensão da Faculdade, a organização do XXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação e o Grupo de Trabalho em Comunicação Organizacional do V Seminário Internacional de Comunicação. Em 2009 ainda assumiu a coordenação do Setor de Iniciação Científica da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da PUCRS. Tornou-se professora titular na PUCRS, mantendo um vínculo celetista com carga horária de 40 horas semanais e regime de dedicação exclusiva. Além de sua atuação na Universidade, Cleusa contribui com a Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas(Abrapcorp), onde ocupou o cargo de vice-presidente no período de 2016 a 2018, e passou a atuar como presidente a partir de 2024. Ao longo de sua carreira também se comprometeu com a pesquisa e a produção de conhecimento inovador. Sua cunhagem do termo “Ouvidorias Virtuais”, em 2007, é um exemplo de sua contribuição para o campo da Comunicação Organizacional, identificando e explorando novas fronteiras conceituais, reflexivas dos movimentos contemporâneos da sociedade e da própria comunicação. Principais publicações SCROFERNEKER, C. M. A.; HOFELDT, A.; PAGNUSSATT, D.; SILVA, D. W. da(org.). Impactos e aprendizados da pandemia de Covid-19 na perspectiva dos relacionamentos organizacionais. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2021. 277 p. V. 1. SCROFERNEKER, C. M. A.; BALDISSERA, R.; SOSTER, A. R. de M.; WELS, A. M. C.; RECH, J.(org.). O diálogo possível: comunicação organizacional e paradigma da complexidade. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008. 146 p. V. 1. SCROFERNEKER, C. M. A. Comunicação organizacional e relações públicas(re)visitando os caminhos percorridos: os novos encontros possíveis. In: KUNSCH, M. M. K.; LIMA, F. P.; SAMPAIO, S.(org.). 248 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Comunicação organizacional e relações públicas: 15 anos da Abrapcorp. 1. ed. Salvador: Edufba, 2022. p. 9-192. V. 1. SCROFERNEKER, C. M. A. Fragmentos retecidos sobre a comunicação estratégica: desafios da comunicação organizacional para inovação. In: SAMPAIO, A.; SILVA, D. R.; PORÉM, M. E.(org.). Comunicação, inovação e organização. 1. ed. Salvador: Edufba: ABRAPCORP, 2021-2022. p. 5-221. V. 1. SCROFERNEKER, C. M. A.; LEMOS, F. C. Reflexões sobre o papel da educação corporativa no processo de aprendizagem das lideranças sobre comunicação. In: SCROFERNEKER, C. M. A.; PELLANDA, E.; SILVA, J. M. da(org.). Metamorfoses sociais: tecnologias, práticas, identidades, imaginários. 1. ed. Porto Alegre: Editora Sulina, 2024. p. 10-407. V. 1. SCROFERNEKER, C. M. A. Método e metodologia: reflexões necessárias. In: SILVA, J. M. da; TIETZMANN, R.; HOHLFELDT, A.; GUTFREIND, C. F.(org.). Redes de pesquisa: comunicação em perspectiva. 1. ed. Porto Alegre: Editora Sulina, 2023. p. 9-406. V. 1. 249 JIANI BONIN Ana Paula da Rosa Jiani Adriana Bonin nasceu em Urubici(SC) em 8 de julho de 1967. É filha de João Bonin Sobrinho e Célia Borguezan Bonin. Estudou o Primeiro e Segundo Graus no Colégio Santa Clara, em sua cidade natal. Formou-se em Agronomia, em 1989, pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Durante a Graduação atuou como bolsista do projeto“Universidade na Roça”, cuja função era a produção e apresentação do programa de rádio“Universidade na Roça”, destinado às comunidades do município de Tijucas-SC, na Rádio Vale. Mudou-se para Viçosa(MG), em 1992, para cursar Fisiologia Vegetal, mas desistiu ao descobrir um Mestrado em Extensão Rural no qual poderia articular seu conhecimento sobre o campo com a comunicação. Defendeu a dissertação Mediações na recepção de TV: o programa Campo e Lavoura em Rio Fortuna(SC). Foi no Doutorado em Ciências da Comunicação, cursado na Universidade de São Paulo(USP), onde consolidou a aproximação entre as mediações do universo rural e a telenovela. Sob a orientação de Maria Immacolata Vassallo Lopes, defendeu, em 2001, a tese intitulada Identidade étnica, cotidiano rural e telenovela, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp). Desde então seu percurso tem sido orientado para os estudos de recepção, enfatizando o lugar dos sujeitos e da cultura. Realizou Pós-Doutorado no Centro de Estudios Avanzados na Universidad Nacional de Córdoba(CEA-UNC), Argentina, em 2009. Em 2001 passou a atuar como professora na Universidade Norte do Paraná(Unopar) em cursos de comunicação e marketing nas disciplinas de Metodologia e Pesquisa. Também atuou no Centro 250 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul de Ensino Superior de Maringá(Cesumar) nas disciplinas voltadas para metodologia e estatística para os cursos de Jornalismo e Publicidade. Em 2002 também conciliou atividades como docente na Universidade Estadual de Londrina(UEL). Em 2003 ingressou na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). No âmbito da Graduação, ministra disciplinas de Metodologia, Iniciação ao Conhecimento Científico, Teorias da Comunicação, Cultura e Sociedade, Comunicação, Diversidade Cultural e Cidadania e Projeto Integrador para os cursos de Jornalismo, Publicidade e Fotografia. Na esfera da educação continuada, coordenou Especialização em Comunicação em Saúde e o curso sequencial de complementação de Estudos em Televisão e Construção da Realidade. Já no stricto sensu tem ministrado diversas cadeiras, dentre as quais Mídia, Identidades Culturais e Cidadania; Pesquisa em Comunicação; e Seminário de Tese e Transmetodologia. Com preocupação não somente científica, mas também de transformação social, surgiu o grupo de Pesquisa Processocom, um trabalho em parceria com colegas e com sua liderança. Jiani tem desempenhado diversas atividades vinculadas à gestão: membro do Comitê de Ética e de Iniciação Científica da Universidade e da Comissão de Processo Seletivo do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação(PPGCC), comissão Capes-Proex e da Comissão Própria de Autoavaliação(CPAA) do Programa. Em 2022 esteve à frente da coordenação do Programa. No âmbito da pesquisa vem propondo e participando de diversos projetos nacionais e internacionais: entre 2005 e 2007 integrou a equipe do Programa Acadêmico de Cooperação Internacional Brasil-Espanha(Unisinos-UAB) sobre mídia, interculturalidade de migrações transnacionais, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes)(Brasil) e Ministerio de Educación y Ciencia(Espanha), quando foi professora visitante da Universidade Autônoma de Barcelona(UAB-Espanha), no Departamento de Publicidad y Comunicación Audiovisual; a partir de 2020 desenvolve pesquisa sobre o cibercontrole e os usos e apropriações digitais. É pesquisadora participante da Rede Temática Amlat, Comunicação, Cidadania, Educação e Integração na América Latina, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e 251 Tecnológico(CNPq), e cocoordenadora do GT 7 da Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Comunicação(Alaic), intitulado Estudios de Recepción/Estudos de Recepção. A sua contribuição à pesquisa contempla as problemáticas relacionadas aos processos midiáticos, especialmente pensando na recepção midiática, nas identidades culturais e no exercício da cidadania comunicativa, além de investigações sobre metodologias inventivas e artesanais. Principais publicações BONIN, Jiani; LACERDA, Juciano, MALDONADO, Efendy. Educomunicación, cibercontrol y cidadania comunicativa. Chasqui: Revista Latinoamericana de Comunicación, Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina (Ciespal), 2023. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/ articulo?codigo=9140135 BONIN, Jiani Adriana; SAGGIN, Lívia Freo. Investigação crítica em comunicação: construções epistêmicas, teóricas e metodológicas. 1. ed. São Paulo: Pimenta Cultural, 2022. E-book. Disponível em: https://www.pimentacultural.com/livro/investigacao-critica BONIN, Jiani Adriana. Aportes da obra De Orwell al cibercontrol para entender o Cibercontrole. Matrizes, on-line, v. 14, p. 197, 2020. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/matrizes/article/ view/175308 BONIN, Jiani. Revisitando os bastidores da pesquisa: práticas metodológicas na construção de um projeto de investigação. In: MALDONADO, Alberto Efendy. Metodologias de pesquisa em comunicação: olhares, trilhas e processos. Porto Alegre: Sulina, 2011. BONIN, Jiani Adriana. Processos e percursos de construção de pesquisas em recepção: algumas reflexões epistêmicometodológicas. Conexão: Comunicação e Cultura, v. Dossiê, p. 4765, 2018. Disponível em: http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/ conexao/article/view/6568 252 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul RAQUEL RECUERO Ana Cecília Bisso Nunes Raquel da Cunha Recuero nasceu em 6 de setembro de 1977 em Pelotas(RS). É a mais velha dentre os cinco filhos de Carlos e Lyl Recuero. Tem duas filhas. Estudou no Instituto Estadual de Educação Assis Brasil(Ensino Fundamental e Médio) e na Escola São Francisco de Assis (Ensino Infantil), ambos em Pelotas(RS). Raquel estudou Direito e Jornalismo concomitantemente, entre 1995 e 1999, na Universidade Federal de Pelotas(UFPel) e na Universidade Católica de Pelotas(UCPel), respectivamente. Quando estava na metade do curso de Comunicação começou a se interessar por informática, aproximando-se dos estudantes desta área. Realizou dois processos seletivos para o Mestrado: no Direito e na Comunicação. Optou por cursas o segundo. O período de estudos (2000 a 2002) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) resultou na dissertação“Comunidades virtuais no IRC: o caso do#Pelotas – um estudo sobre a comunicação mediada por computador e a estruturação de comunidades virtuais”, orientada por Marília Levacov. Logo depois do Mestrado seguiu para o Doutorado em Comunicação. Entre 2003 e 2006 foi orientada por Alê Primo, na tese“Comunidades em Redes Sociais na Internet: Proposta de tipologia baseada no Fotolog.com”. Raquel realizou estágios tanto na área da Comunicação quanto na da Informática. Atuou como assessora de imprensa, atendendo diversas organizações. Quando iniciou na docência, continuou trabalhando no mercado corporativo, conciliando as duas atuações com serviços de assessoria, consultoria para empresas de mídia social e marketing digital, áreas emergentes na época. 253 Entre os anos 2000 e 2010 teve uma vasta e diversa atuação na área digital, prestando serviço como consultora, a partir de sua própria empresa, para organizações como Google, MySpace, Lolapps, AG2, ESPM Media Lab, dentre outras. Nesta época trabalhou na Índia, por dois meses, com uma pesquisa de mercado para o Google. Foi no momento que Orkut, Friendster e Facebook estavam estabelecendo-se, com uma competição acirrada. Em uma primeira etapa, Raquel liderou esta investigação no Brasil, reconstituindo a história do Orkut em contexto nacional. Ela também realizou consultorias para o MySpace e para a ONU, entre outras empresas e startups. Neste sentido, o trabalho acadêmico e corporativo retroalimentava-se e se complementava. Como professora, iniciou na Universidade Católica de Pelotas (UCPel) em 2002, onde atuou até 2017, ministrando disciplinas como Comunicação e Multimídia; Publicidade e Novas Tecnologias; Jornalismo Digital; e Linguagens da Comunicação. Foi também professora de Especialização em Comunicação do Programa de PósGraduação em Comunicação e professora titular do Programa de Pós-Graduação em Letras. Em 2015 passou a lecionar na UFRGS, como professora vinculada a outra instituição, no Programa de PósGraduação em Comunicação e Informação, na linha de pesquisa Informação, Redes Sociais e Tecnologias. No ano de 2017 realizou concurso público e ingressou como servidora no cargo de professora adjunta na Universidade Federal de Pelotas(UFPel). Na UFPel Raquel é professora e pesquisadora do Centro de Letras e Comunicação na área de Jornalismo e professora do Programa de Pós-Graduação em Letras, ministrando disciplinas como Comunicação e Sociedade, Fundamentos da Comunicação Digital, Jornalismo de Dados, Jornalismo e Mídia Social na Graduação, e Estudos de Discurso Mediado por Computador na Pós-Graduação Stricto Sensu para estudantes de Mestrado e Doutorado. Tem experiências como pesquisadora visitante ou projetos de pesquisas permanentes em instituições como University of Duisburg Essen (Alemanha, a partir de 2019), Ryerson University(Canadá, de 2019 a 2020, também realizou Pós-Doutorado na instituição em 2018) e Loughborough University(Inglaterra, 2019 a 2022). No Brasil, atua também como professora na Universidade Federal Fluminense(UFF, a partir de 2023). Foi coordenadora e vice-coordenadora do GT de Cibercultura da Compós(de 2018 a 2020), vice-presidente da 254 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Compós(de 2021 a 2022) e Open Seat da Executiva da Association of Internet Researchers(AIR, de 2021 a 2023). Raquel é cofundadora do Laboratório Midiars da UFPel, sediado no Centro de Letras e Comunicação(sede física) e no Programa de Pós-Graduação da UFRGS(PPGCOM/UFRGS). Criado em 2013, o laboratório tem como proposta unir Ciência da Computação, o Design, a Ciência Política, a Linguística Aplicada e a Comunicação dentro de uma mesma perspectiva interdisciplinar de estudos de redes. Em 2023 o laboratório passou a fazer parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais(INCT-DSI), sediado na UFF. No Midiars há um trabalho junto ao Ministérios Público e outros órgãos no sentido de propor estratégias e pensar modos de lidar com a desinformação no âmbito da saúde pública. Uma de suas publicações expoentes foi o artigo Communities in Social Networks: A Case Study of Brazilian Fotolog, como resultado da conferência Internet Research 8.0: Let’s Play em 2007, ocorrida na cidade de Vancouver e promovida pela AIR. Sua publicação mais citada, Redes Sociais na Internet(2009), tornouse uma referência no entendimento dos sites de redes sociais e suas características. Mais tarde, em coautoria, Recuero produziu a obra Métodos de pesquisa para internet(2011). Outra publicação relevante é A conversação em rede: a comunicação mediada pelo computador e as redes sociais na internet, de 2012, e Análise de redes para mídia social, realizada em coautoria em 2015. Raquel está, desde 2016, interessada na temática da desinformação, de discursos violentos, da violência simbólica, dos discursos de ódio. O contexto político nacional e a pandemia da Covid-19 também catalisaram investigações mais focadas nestas temáticas. Como resultado, ela publicou artigos científicos, como Using Social Network Analysis and Social Capital to Identify User Roles on Polarized Political Conversations on Twitter, em coautoria(2019), e Hiperpartidarismo e câmaras de eco: como circula a desinformação sobre Covid-19 no Twitter, também em coautoria. Raquel tem experiência nas áreas de Comunicação e Linguística Aplicada, com foco em Mídia Social, Discurso e Métodos Digitais. 255 Principais publicações DE ALBUQUERQUE, Afonso; RECUERO, Raquel; ALVES DOS SANTOS JUNIOR, Marcelo. Online communication studies in Brazil: origins and state of the art. Online Media and Global Communication, v. 2, n. 1, p. 100-121, 2023. DOI: https://www. degruyter.com/document/doi/10.1515/omgc-2022-0068/html FRAGOSO, Suely; RECUERO, Raquel; AMARAL, Adriana. Métodos de pesquisa para internet. Porto Alegre: Sulina, 2011. 239 p. (Coleção cibercultura). RECUERO, Raquel; SOARES, Felipe B.; ZAGO, Gabriela. Polarização, hiperpartidarismo e câmaras de eco: como circula a desinformação sobre Covid-19 no Twitter. Contracampo, v. 40, n. 1, 2021. DOI: https://doi.org/10.22409/contracampo.v40i1.45611 RECUERO, R.; BASTOS, M. T.; ZAGO, G. S. Análise de redes para mídia social. 1. ed. Porto Alegre: Editora Sulina, 2015. 182 p. V. 1. Disponível em: https://www.editorasulina.com.br/detalhes. php?id=670 RECUERO, Raquel. A conversação em rede: a comunicação mediada pelo computador e as redes sociais na internet. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2012. 238 p. V. 1. Disponível em: https://www.editorasulina. com.br/detalhes.php?id=574 RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2009. 191 p. Disponível em: https://www.editorasulina. com.br/detalhes.php?id=464 256 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul ADRIANA AMARAL Sandra Depexe Adriana da Rosa Amaral nasceu em 8 de agosto de 1975 em Porto Alegre(RS). É irmã caçula de cinco filhos do casal Ivon Lima Amaral e Elcy da Rosa Amaral. Seus irmãos são: Paulo Renato, Paulo Roberto, Rogério e Mauro Sergio. Durante o ensino básico estudou a maior parte do tempo em escolas públicas em Porto Alegre. De 1981 a 1987 na Escola Estadual Roque Gonzales, em 1988 no Colégio João XXIII, em 1989 na Escola Estadual de Ensino Fundamental Três de Outubro e de 1990 a 1992 na Escola Estadual de Ensino Médio Padre Reus. Em 1998 obteve o Bacharelado em Comunicação Social – Jornalismo – pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), com a monografia“Alguns dias são melhores do que outros: uma análise da trajetória do U2, da modernidade à pós-modernidade”, sob orientação de Susana de Araújo Gastal. Durante a Graduação foi bolsista de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e na Pós-Graduação – toda na área de Comunicação Social e cursada também na PUCRS – recebeu bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Entre 2000 e 2002 cursou o Mestrado focada na cibercultura, com a dissertação“Tão longe, tão perto: uma análise da imagem do U2 e dos laços de socialidade dos seus fãs gaúchos”, com orientação de Francisco Eduardo Menezes Martins. O Doutorado, novamente com orientação de Francisco Eduardo Menezes Martins, contou com período sanduíche em Sociologia da Comunicação no Boston College(Estados Unidos), onde foi orientada por Stephen Pfol, e resultou, em 2005, na tese“Visões perigosas: uma arque-genealogia do cyberpunk. Do romantismo gótico às subculturas. Comunicação e cibercultura em Philip K. Dick”. 257 Após experiências profissionais na área da Comunicação e como docente em cursos de Graduação de diferentes instituições, em 2005 vinculou-se ao Programa de Pós-Graduação Comunicação e Linguagens na Universidade Tuiuti do Paraná. Permaneceu na Instituição até 2010, tendo sido editora do periódico Interin e uma das responsáveis pelo blog dos docentes e discentes do Programa, além de atuar no ensino de Graduação em disciplinas dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Design de Produto e Design Gráfico. Ainda em 2010 retornou ao Rio Grande do Sul, desta vez como docente da Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), onde consolidou a atuação no ensino e na pesquisa, sobretudo relacionada à cultura digital e à cultura pop. Ampliou o horizonte internacional como professora visitante na University of Salford (Reino Unido, 2012) e na Universität of Duisburg-Essen(Alemanha, 2016). No intervalo, entre 2015 e 2016, realizou Estágio Sênior, Pós-Doutorado, em Youth Media Cultures, na University of Surrey (Reino Unido) com bolsa Capes. Em 2024 foi professora visitante na Universität Potsdam, Alemanha. Nos 12 anos em que esteve na Unisinos contribuiu com os cursos de Graduação e Pós-Graduação, tanto em sala de aula quanto nas ações de gestão, como membro de Núcleos Docente Estruturantes e da Comissão de PPP de vários cursos de Graduação; membro do Comitê de Avaliação e Concessão de Bolsas de Iniciação Tecnológica; membro do Planejamento Estratégico da Escola de Comunicação, Design e Indústrias Criativas; membro de diversas comissões relacionadas ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação; e coordenadora do curso de Especialização em Cultura Digital e Redes Sociais(2012 a 2017). Também foi editora da Revista Fronteiras – Estudos Midiáticos(2014 a 2019), e no ensino atuou na Graduação em Jornalismo, Moda, Produção Fonográfica, Publicidade e Propaganda, além de cursos de Especialização, Mestrado e Doutorado nas áreas da Comunicação. Em 2022 passou a compor o corpo docente da Universidade Paulista(Unip), principalmente no Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Foi coautora do livro Métodos de pesquisa para internet, lançado em 2011. No mesmo ano fundou o Laboratório de Pesquisa em Cultura Pop, Comunicação e Tecnologias(Cultpop), grupo de 258 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul pesquisa dedicado às investigações dessa cultura e suas interfaces com a cultura digital. Em 2006 Adriana participou da fundação da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Cibercultura(ABCiber), e depois fez parte da Diretoria de Comunicação da entidade, entre 2011 e 2015. Na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) foi vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa Cibercultura (2011 a 2012), tendo assumido a coordenação de 2013 a 2015. Na Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) foi vice-coordenadora do Grupo de Trabalho(GT) Estudos de Som e Música entre 2016 e 2018, e coordenadora do mesmo GT no biênio seguinte. Em 2021 assumiu a coordenadoria do GT Moda e Cultura Pop do Colóquio Moda da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Moda(Abepem). Desde 2010 atua como bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, sendo, desde 2019, pesquisadora associada ao projeto Rise – Social Media Analytics, financiado pela União Europeia. Desde 2021 é membro do Key Regional Leader for Brazil and South America do TikTok Cultures Research Network(Austrália), contribuindo com as iniciativas de tradução e divulgação de pesquisas fora do eixo norte. Também é membro da Association of Internet Researchers(AoIR), da Fan Studies Network(Rede de Pesquisa em Estudos de Fãs) e da Rede Nacional de Pesquisa em Comunicação e Música, além de editora da Popular Culture and World Politics Book Series, da Routledge(Reino Unido) e integrante do corpo editorial do International Journal of Communication e do Popular Communication Journal, dentre outros periódicos. No viés da popularização da ciência, conta com participação na websérie documental Vida de Fã, do portal Terra, e criou o blog/newsletter, em que combina aspectos cotidianos com a vida acadêmica. A bagagem de mais de duas décadas no estudo da cibercultura, fãs, audiências on-line e cultura pop, a torna uma das principais referências acadêmicas no Brasil nestes temas. Da internet discada até as redes sociais digitais, sua trajetória é consolidada em investigações que se dedicam àquilo que é efervescente e, portanto, lugar de disputa de sentidos com perspectivas e objetos considerados mais tradicionais. Adriana da Rosa Amaral é uma das pioneiras no campo da Comunicação Digital no Brasil e pesquisadora referência no estudo de fãs e cultura pop. 259 Principais publicações AMARAL, A. R. TikTok-Doomerismus: Ein Algorithmus und die Wiederbelebung des Post-Punk durch transkulturelles Fandom. In: DIEDERICHSEN, D.; RAFFEINER, A. (org.). Die Macht der Kanäle. 1. ed. Leipzig: Spector Books, 2022. p. 5-15. V. 18. AMARAL, A. R.; BLANCO, B.; GOVARI, C.; CORDOVA, J.; TABASNIK, R.; CAETANO, S.; LARRUBIA, T.; BECKO, L. Cultpop: estratégias e experiências para a popularização da ciência e da cultura pop. Comunicação& Educação, v. 28, p. 165-184, 2023. AMARAL, A. R.; JUNG, A.; BRAUN, L.; BLANCO, B. Narratives of Anti Vaccination Movements in the German and Brazilian Twittersphere: A Grounded Theory Approach. Media and Communication, v. 10, p. 144-156, 2022. AMARAL, A. R.; SOUZA, R.; MONTEIRO, C.“De westeros no#vemprarua à shippagemdo beijo gay na TV brasileira”. Ativismo de fãs: conceitos, resistências e práticas na cultura digital. Galáxia, São Paulo, on-line, p. 141-154, 2015. FRAGOSO, S.; RECUERO, R.; AMARAL, A. R. Métodos de pesquisa para internet. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2011. 239 p. V. 1. MARX, J.; BLANCO, B.; AMARAL, A. R.; STIEGLITZ, S.; AQUINO, M. C. Combating Misinformation with Internet Culture – The Case of Brazilian Health Organizations during the Covid-19 Vaccination Campaign. Internet Research, v. 1, p. 1-23, 2023. 260 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS 261 Aline Roes Dalmolin Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Doutora e mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Possui estágio Pós-Doutoral na Universidad Nacional de Rosario(UNR) e na UFSM, e foi professora visitante na Södertörn University(Suécia). aline.dalmolin@ ufsm.br Ana Cecília Bisso Nunes Professora de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Design na Famecos. Doutora, mestre e graduada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Coordenadora do Laboratório Interdisciplinar de Inovação e Empreendedorismo. Membro do grupo de pesquisa Ubiquidade e Convergências Tecnológicas na Comunicação e pesquisadora do iNOVA Media Lab/Universidade Nova de Lisboa e do Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta de Portugal. ana.nunes@pucrs.br Ana Isaia Barretto Doutora em Comunicação Midiática pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/2018). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS/2011). Especialista em Comunicação Estratégica (Faculdades Senac-RS/2009) e Relações Públicas(PUCRS/2007). Professora do curso de Relações Públicas da Universidade do Vale do Rio do Sinos(Unisinos/RS). Diretora Fundadora da“AIB Comunicação& Turismo”. anaisaiabarretto@gmail.com Ana Luisa Baseggio Doutora e mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS). Professora e coordenadora de curso na Escola de Comunicação/PUCRS(1990-2022), com atuação no Gabinete da Reitoria e na Assessoria de Comunicação Social da Universidade. Consultora em comunicação, reputação e gestão de relacionamentos. baseggio.ana@gmail.com Ana Maria Acker Professora dos cursos de Comunicação Social do Centro Universitário Ritter dos Reis. Tutora na Especialização em Mídia e Educação da UAB/Universidade Federal do Pampa-Unipampa. Doutora em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS) e mestra pela mesma instituição. É bacharela em Comunicação Social – Jornalismo –, especialista em Cinema e graduanda em Filosofia – Licenciatura –, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos). ana_acker@yahoo.com.br 262 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Ana Paula da Rosa Professora do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS. Graduada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo, mestre em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná e doutora em Ciências da Comunicação pela Unisinos. Pós-doutorado em Comunicação pela UFF. Membro dos grupos de Pesquisa Midiatização e Processos Sociais e da rede internacional de Pesquisa em Midiatização. anarosa208@yahoo.com.br Camila Garcia Kieling Jornalista, professora, pesquisadora e editora. Diretora Regional Sul da Intercom (2023-2026). Coordenadora do GT Comunicação e Sustentabilidade: ambiente, organizações e sociedade da Intercom Sul. Doutora em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS-2017) mestre em Comunicação Social(2010) e Bacharel em Jornalismo(2003) pela mesma Universidade. camila.kieling@gmail.com Cláudia Herte de Moraes Professora do Departamento de Ciências da Comunicação na Universidade Federal de Santa Maria, Campus Frederico Westphalen. Doutora em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Pesquisadora membro do Grupo de Pesquisa(GP) Jornalismo Ambiental(CNPq/UFRGS) e líder do GP Mão na Mídia: educomunicação e cidadania(CNPq/UFSM). claudia.moraes@ufsm.br Cristiane Finger Costa Graduação em Jornalismo, Mestrado e Doutorado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS). Professora titular do curso de Jornalismo da Escola de Comunicação, Artes e Design(Famecos/PUCRS). Membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Famecos/PUCRS. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Televisão e Audiência(GPTV). cristiane.finger@pucrs.br Cláudia Peixoto de Moura Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Pós-doutora pela Universidade de Coimbra, Portugal, e pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Pesquisadora do Centro de Estudos de Telenovela(ECA-USP) e do Observatório Ibero-Americano da Ficção Televisiva(Obitel). Membro do Fórum Ensicom-Intercom. Editora da Revista Brasileira de História da Midia(RBHM-Alcar). claudiapeixoto.moura@gmail.com 263 Cristiane Mafacioli Carvalho Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS). Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos) e mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Coordenadora do grupo de pesquisa Inovação nas Práticas Publicitárias(INOVAPP). cristiane.carvalho@pucrs.br Denise Avancini Alves Professora do Departamento de Comunicação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Doutora em Comunicação e Informação pelo Programa de PósGraduação(PPGCOM/UFRGS) e mestre em Administração, ênfase em Marketing, pelo Programa de Pós-Graduação em Administração(PPGA/UFRGS). Pós-graduada em Net Economy pela Università di Trento(UNITN-Itália). Integrante do grupo de pesquisa Obitel/UFRGS. denise.avancini@ufrgs.br Elisa Reinhardt Piedras Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Doutora em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e mestre em Comunicação e Informação pela UFRGS. Líder do Grupo de Pesquisa Comunicação e Práticas Culturais/CNPq. Coordenadora do Projeto de Pesquisa“Rumos da pesquisa em publicidade e propaganda: mapeamento da produção acadêmica” e do Projeto de Extensão“Rumos Mais Pretos”. elisapiedras@gmail.com Elisangela Lasta Doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Docente do Departamento de Comunicação na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Líder do Grupo de Pesquisa“Práxis das relações públicas ética-política-estética no contexto digital”(UFRGS/CNPq). elisangela.lasta@ufrgs.br Elizete de Azevedo Kreutz Professora da Universidade do Vale do Taquari. Graduada em Letras – Português/ Inglês – pela Faculdade de Educação Ciências e Letras do Alto Taquari, Mestrado e Doutorado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS). Pós-doutorados na Universidade de Brasília/UnB, na University of West London, Reino Unido/UWL, na Universidad de Alicante, Espanha (UAlicante) e na Pontifícia Universidad Católica de Chile(2019). elizete.kreutz@ hotmail.com 264 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Fabiana da Costa Pereira Professora do curso de Relações Públicas – Bacharelado – na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), Campus Frederico Westphalen(UFSM-FW). Doutora e mestre em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação pela Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). fabiana.pereira@ufsm.br Fernanda Kieling Pedrazzi Professora da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), vinculada ao Departamento de Arquivologia. Graduada em Jornalismo e em Arquivologia, mestrado em Engenharia de Produção e doutorado em Letras. Responsável pelo Laboratório de Paleografia Profa. Eneida Izabel Schirmer Richter, o LaPPEI. Orientadora no Mestrado Profissional em Patrimônio Cultural e no Mestrado Profissional em Gestão de Organizações Públicas. fernanda.k.pedrazzi@ufsm.br Fernanda Sagrilo Andres Professora do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Pós-doutora, doutora e mestra em Comunicação pela UFSM (Poscom/UFSM). Líder do Grupo Telas Pesquisa Colaborativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Fernanda.andres@ufsm.br Francielle Benett Falavigna Professora na Escola de Comunicação, Artes e Design(Famecos/Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS). Doutora e mestra pelo Programa de PósGraduação em Comunicação Social da PUCRS e relações-públicas pela mesma instituição. Atua como pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Estudos Avançados em Comunicação Organizacional(Geacor/CNPq). francielle.falavigna@pucrs.br Glaíse Bohrer Palma Professora da Universidade Franciscana(UFN). Possui Graduação em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria(UFSM-1995), Especialização em Teorias e Estratégias da Comunicação(UFSM-1998), Mestrado em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ-1999) e Doutorado em Comunicação Midiática pela UFSM(2017). glaisepalma@gmail.com Ilza Maria Tourinho Girardi Professora titular aposentada e convidada no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Líder do grupo de pesquisa em Jornalismo Ambiental CNPq/UFRGS. Graduada em Jornalismo pela UFRGS, mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo 265 (Umesp) e doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP-2001). ilza.girardi@ufrgs.br Janaína Gomes Jornalista. Professora Associada do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), Campus Frederico Westphalen. Pesquisadora do Núcleo de Comunicação Pública e Política(Nucop) e coordenadora do Observatório de Comunicação Pública(Obcomp) da UFRGS. jgomes@ufsm.br Jaqueline Quincozes Kegler Professora do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Doutora em Extensão Rural(UFSM) e mestre em Comunicação (UFSM). Atualmente lidera o Grupo de Pesquisa Comunicação e Desenvolvimento (CNPq). jaqueline.kegler@ufsm.br Juliana Petermann Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM) e professora do Departamento de Ciências da Comunicação da mesma universidade. Doutora em Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos) e mestre em Linguística Aplicada pela UFSM. Coordenadora do grupo Nós Pesquisa Criativa. petermann@ufsm.br Karla Maria Müller Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), mestre em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), relações públicas, publicitária e jornalista pela Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico/UFRGS), vice-coordenadora do Portal de Acesso Aberto das Universidades Brasileiras sobre limites e fronteiras(Unbral/ Fronteiras) e vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa Espaço, Fronteira, Informação, Tecnologia(Grefit/CNPq). kmmuller.2009@gmail.com Laura Wottrich Professora do Departamento de Ciências da Comunicação da UFSM, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação na UFRGS. Mestra e doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS. Coordena o Laboratório de Experiências Metodológicas na Comunicação(UFSM/CNPq) e integra os grupos de pesquisa Comunicação e Práticas Culturais/UFRGS/CNPq e a Rede Temática de cooperação, comunicação, cidadania, educação e integração da América Latina(Rede AmLat). laura.wottrich@ufsm.br 266 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Luciana Fagundes Haussen Jornalista e pesquisadora autônoma. Doutora em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS) com bolsa sanduíche na Freie Universität Berlin, Alemanha, mestre em Comunicação Social pela PUCRS e especialista em Produção Audiovisual Digital pelo SAE Institut Berlin, Alemanha. luciana.haussen@gmx.de Luciana Menezes Carvalho Professora do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Indústria Criativa da Universidade Federal do Pampa(Unipampa). Doutora em Comunicação pela UFSM. Líder do Grupo de Pesquisa Desinfomídia (UFSM/CNPq). Integrante da Rede Nacional de Combate à Desinformação(RNCD). luciana.carvalho@ufsm.br Maria Clara Aquino Professora na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos) nos Programas de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação e Design. Doutora e mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Bolsista Produtividade do CNPq. jaquino@unisinos.br Mariângela Machado Toaldo Professora do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico/UFRGS). Doutora e mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS). Pós-doutorada em comunicação na Universidade de São Paulo(USP) e na Universidade Federal do Pará (Ufpa). Líder do Grupo de Pesquisa Observatório de Publicidade e Ética no Consumo (Opetic), registrado no CNPQ. mariangela.toaldo@ufrgs.br Márcia Veiga Pesquisadora Pós-Doc no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Pós-Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos). Doutora e mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Integrante do Grupo de Pesquisa Transverso – Jornalismo, Interesse Público e Crítica do PPGJOR (UFSC/CNPq). Autora do livro“Masculino, o gênero do jornalismo: modos de produção das notícias”(Insular, 2014). marciaveiga2005@gmail.com 267 Michele Negrini Professora de Jornalismo da Universidade Federal de Pelotas. Jornalista pela Universidade Federal de Santa Maria, mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutora em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do RS. Pós-Doutorado no Programa de PósGraduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBA. Integrante o Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Telejornalismo(GIPTele). mmnegrini@ yahoo.com.br. Nísia Martins do Rosário Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Doutora em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do RS(PUCRS) e mestre em Semiótica pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos). Pós-doutorada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUCSP). Bolsista de produtividade do CNPq. Coordenadora do Grupo de Pesquisa em Semiótica e Culturas da Comunicação(GPESC). nisiamartins@gmail. com Sandra Depexe Professora do Departamento de Ciências da Comunicação e do Programa de PósGraduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Doutora e mestre em Comunicação pela UFSM. Coordenadora do grupo Obitel/ UFSM-Unila, integrante da Rede Obitel Brasil. sandra.depexe@ufsm.br Thaís Helena Furtado Professora do curso de Jornalismo do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Professora permanente do Programa de PósGraduação em Comunicação da UFRGS. Doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS e mestre em Letras/Análise do Discurso pela mesma universidade. Jornalista, líder do Núcleo de Pesquisa em Jornalismo(Nupejor), grupo UFRGS/ CNPq. thaisfurtado93@gmail.com Viviane Borelli Professora associada do Departamento de Ciências da Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Mestra e bacharela em Jornalismo pela UFSM. É diretora acadêmica do Centro Internacional de Semiótica e Comunicação(Ciseco). viviane.borelli@ufsm.br. 268 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul SANTA CATARINA 269 Tattiana Teixeira 25 COMUNICAÇÃO EM SANTA CATARINA: 45 ANOS DE HISTÓRIA Há 50 anos foi criado o primeiro grupo de trabalho encarregado de introduzir um curso de Jornalismo em Santa Catarina. Naquela época o Estado já contava com veículos de comunicação sediados em diferentes regiões, mas ainda não tinha um curso superior dedicado à formação de profissionais da área. De acordo com dados disponibilizados pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais e pelo Sindicato dos Radialistas, em 1973 Santa Catarina tinha 59 estações de rádio, 2 estações de televisão, 830 profissionais no setor de rádio e televisão – nenhum deles com formação superior em jornalismo –, 4 jornais diários em Florianópolis, 2 em Blumenau e 2 em Joinville, 2 revistas de circulação mensal e 25 jornais, entre semanários e bissemanários, com circulação no interior(Pereira, 2012, p. 58). Ainda em 1973, aconteceria, em Belo Horizonte, o I Congresso Brasileiro de Ensino e Pesquisa em Comunicação, organizado pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa da Comunicação(Abepec), fundada em 1972. Seria natural, portanto, defender a criação, em Santa Catarina, de um curso superior em Comunicação Social/habilitação em Jornalismo, ainda mais porque esta já era uma realidade em quase todo o país – sempre é bom lembrar que o curso de Jornalismo, com esta denominação, foi instituído no Ensino Superior brasileiro em 1943, a partir do Decreto-Lei nº 5.480, de 13 de maio de 1943, assinado por Getúlio Vargas, mas não foi bem assim. De acordo com Pereira(2012, p. 30),“o processo não foi consensual e muito menos pacífico. Se alguns jornalistas eram favoráveis à criação do novo curso, outros adotaram uma posição contrária, alguns até com uma certa hostilidade”. A primeira tentativa de criação do curso na Universidade Federal de Santa Catarina ocorreu em 1973, com a organização de um grupo de trabalho(GT) pela então Subreitoria de Ensino e Pesquisa, mas as solicitações oficiais à Reitoria já aconteciam desde 1967(Pereira, 2012, p. 106). O GT, que contava com professores da universidade além de representantes da Casa do Jornalista, Sindicato dos Jornalistas, Sindicato dos 25 Doutora em Comunicação e Cultura(Universidade Federal da Bahia – Ufba), jornalista, pesquisadora e professora do Departamento de Jornalismo da UFSC. Membro do comitê gestor do INCT«National Institute of Science and Technology in Public Communication of Science and Technology»(INCT-CPCT). 270 COMUNICAÇÃO EM SANTA CATARINA: 45 ANOS DE HISTÓRIA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Radialistas e do Clube de Repórteres Políticos, produziu seu relatório em 20 dias de trabalho, mas o processo foi arquivado pela Comissão de Ensino e Pesquisa,“sob alegação de falta de condições materiais e inexistência de espaço físico”(Pereira, 2012, p. 52). A segunda tentativa, capitaneada pelo jornalista Adolfo Zigelli e com a participação do jornalista Ayrton Kanitz, resultou em um relatório entregue à Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) em 1975. Mais uma vez o processo foi arquivado após a análise prévia do Departamento de Ensino e Pesquisa, que“identificou falhas na proposta, falta de espaço físico, inexistência de professores da área de comunicação e restrições no mercado de trabalho”(Pereira, 2012, p. 65). Foi apenas em 1978 que, enfim, tornou-se possível a realização do primeiro curso de Comunicação Social em Santa Catarina. Um novo grupo de trabalho foi instituído pela UFSC para elaborar o projeto, desta vez liderado pelo jornalista Moacir Pereira, então professor do Departamento de Geociências da Universidade e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. Moacir Pereira já havia participado do primeiro grupo de trabalho, atuando como secretário ad hoc. Além dele, o novo GT era integrado pelos professores Celestino Sachet e Aurora Goulart (que também participara do GT de 1973) e pelos jornalistas César Valente e Paulo Brito, ambos graduados pela Faculdade de Comunicação Social(Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS). O projeto de curso, entregue pela comissão à Reitoria ainda em 1978, assim explicava no item Análise Ocupacional: O Estado de Santa Catarina é o único, dentre as unidades federadas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que não possui sequer um curso de Comunicação Social. Esta constatação agrava-se com um dado adicional, que abrange todo o território brasileiro: o estado é um dos últimos a oferecer a oportunidade de habilitação universitária nesta importante área de atuação profissional(Pereira, 2012, p. 108) Ao tratar do mercado de trabalho, a comissão destacava a existência, em 1977, de 62 estações de rádio, 2 estações de televisão – e mais 4 em instalação –, 7 jornais diários, 30 semanários, 3 revistas mensais e 18 agências de publicidade em todo o Estado. Dos jornalistas, 320 tinham registro na Delegacia Regional do Trabalho, mas apenas 12 deles“com título universitário”(Pereira, 2012, p. 112-113). Desta vez o pleito foi atendido e o curso de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo – o primeiro de Santa Catarina – foi finalmente criado pela UFSC em 30 de junho de 1978, a partir de portaria assinada pelo reitor Caspar Erich Stemmer, que fixava em 40 o número de vagas anuais. As aulas da primeira turma começaram em março do ano seguinte, sob a coordenação de Moacir Pereira, e o primeiro reconhecimento foi aprovado pelo MEC em 1984. No documento enviado ao Ministério em 1983 constava o nome dos que compunham o primeiro corpo docente, entre eles, além de Moacir Pereira, Daniel Herz, Paulo Brito, Maria Elena 271 Hermosilla, Carmen Rial, Ayrton Kanitz, José Gatti, Cesar Valente, Luiz Ricardo Lanzetta, Orlando Tambosi e Sérgio Ferreira de Mattos. Ainda no início dos anos 1980 outros se juntariam ao grupo, como Adelmo Genro Filho, Eduardo Meditsch, Francisco Karam, Luis Alberto Scotto, Hélio Ademar Schuch, Gilka Girardello e Sônia Maluf. A primeira turma formou-se em 1982. Em 2023, dos 24 professores efetivos da Graduação em Jornalismo da UFSC, 11 são egressos do Jornalismo UFSC(JOR-UFSC), sete deles formados entre 1983 e 1988 26 . Ao longo da trajetória do curso, tanto ex-alunos quanto professores se destacaram ao ocupar cargos importantes em diferentes instituições, desde entidades de classe, como a Fenaj, até as de pesquisa, a exemplo da Intercom, da Alcar e da SBPJor. Muitos/as dos/as profissionais graduados/as na universidade são reconhecidos/as pela excelência de seus trabalhos, ganhando prêmios nacionais e internacionais ao longo das últimas décadas. Não por acaso, o Jornalismo UFSC costuma figurar entre os melhores do país em rankings elaborados por entidades públicas e privadas, atraindo estudantes de diferentes regiões do Brasil. Em 2004, ao completar 25 anos, o JORUFSC recebeu o Prêmio Luiz Beltrão, categoria Instituição Paradigmática, sobre o qual falaremos mais adiante. Sempre que se conta a história do curso, quem participou dela desde o início destaca como o projeto foi construído a partir de uma perspectiva que privilegiava a formação profissional de qualidade aliada a discussões políticas consistentes em plena Ditadura Cívico-Militar, algo presente tanto no dia a dia do curso – que contava com um Conselho Paritário, instância bastante inovadora em termos de gestão universitária –, quanto na organização de eventos, como o Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação(Enecom), em 1982, e o Encontro da Federação Latino-Americana de Faculdades de Comunicação Social(Felafacs), em 1983 27 . A terceira turma, formada em março de 1984, chamava-se Diretas Já. Outro destaque foi o movimento pelas políticas democráticas e públicas de comunicação, iniciado pelo professor Daniel Herz, também em 1984, na UFSC. Se havia união para se opor ao regime ditatorial em vigor no país e clamar por democracia, outras lutas não foram construídas de forma consensual nem no âmbito do próprio Departamento de Comunicação, criado em 1983, e provocaram rupturas, tanto em âmbito local quanto nacional. Quando a UFSC sediou o Congresso Nacional da Intercom, em 1989, o f ô lder de boas-vindas não deixou dúvidas ao reforçar que o curso se orgulhava de ser“só de jornalismo”.“O folheto resumia as diretrizes do 26 São eles Ivan Giacomelli, Maria José Baldessar, Daisi Vogel, Valentina Nunes, Aureo Mafra de Moraes, Fernando Crocomo e Samuel Pantoja de Lima 27 Ver TEIXEIRA, Tattiana. Jornalismo como forma de conhecimento. In: MELO, Marques de; DALLA COSTA, Rosa Maria; FONSECA, Jovina(org.). Paradigmas brasileiros em ciência da comunicação. São Paulo: Intercom, 2012. p. 195-210. (Coleção Memórias da Intercom, vol. 5). 272 COMUNICAÇÃO EM SANTA CATARINA: 45 ANOS DE HISTÓRIA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Projeto Ano 10, posto em execução naquele ano que efetivava a ruptura da UFSC como o modelo dominante de ensino de comunicação vigente no país”(Meditsch, 2003, p. 245). A crítica desenvolvida no curso de Jornalismo da UFSC ao modelo teórico do Ciespal(Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina) – hegemônico, na época, tanto na produção científica latino-americana na área das Ciências da Comunicação quanto no Currículo Mínimo obrigatório em vigor no Brasil – conduziu a um enfrentamento da dicotomia entre crítica teórica e competência técnica, chamando a atenção, por um lado, para o fato da capacidade crítica ser o elemento mais valorizado na competência profissional do jornalista e, por outro, da possibilidade de exercitá-la na prática ser diretamente proporcional ao domínio das técnicas profissionais(Meditsch; Ayres; Betti, 2017, p. 76). Ainda que não se possa fazer uma associação direta de causa e efeito, é importante observar que após a abertura da primeira Graduação em Jornalismo do Estado, sucedeu, nos anos seguintes, a fundação de importantes entidades da área. Em 1979 foi criada a Associação Profissional das Agências de Propaganda do Estado de Santa Catarina, e, em 1981, o Sindicato das Agências de Propaganda de Santa Catarina (Sinapro). Em 1980 a Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acaert) iniciou suas atividades e hoje tem, em seus quadros,“260 emissoras de rádio e 24 emissoras de televisão associadas, congregando 100% das emissoras comerciais e educativas de Santa Catarina” 28 . Em 1981 foi criada a Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina – Adjori/SC –, que, em 2023, agregava 92 empresas jornalísticas associadas com jornal impresso e 87 sites noticiosos 29 . O Estado tem 295 municípios e na capital circula apenas um jornal impresso diário. Apesar desta movimentação institucional, durante 12 anos a UFSC foi a única a ofertar um curso de Comunicação no Estado. O quadro começou a mudar quando, em 1991, a Universidade do Vale do Itajaí(Univali) instituiu uma Graduação em Jornalismo e a Universidade Regional de Blumenau(Furb) a de Publicidade e Propaganda. Em 1997 foi a vez da criação do curso de Relações Públicas(RP) na Univali – o primeiro curso superior de RP do Brasil foi criado 30 anos antes, em 1967, na ECA/USP. No ano de 2025, em Santa Catarina, há 20 cursos de Publicidade e Propaganda, 1 de Relações Públicas e 14 de Jornalismo 30 . Ao longo dos anos alguns destes cursos também 28 Informação retirada do site da entidade. Disponível em: https://www.acaert. com.br/institucional/quem-somos. Acesso em: 27 set. 2023. 29 Dados do site da entidade. Disponível em: https://institucional.adjorisc.com.br/ conteudo/25/a-adjori-sc-hoje. Acesso em: 26 set. 2023. 30 Dados coletados na plataforma e-MEC, do Ministério da Educação, em setembro de 2023, relativos aos cursos oferecidos na modalidade presencial. 273 foram se tornando referência, conquistando prêmios regionais e nacionais, como o Expocom, e boas avaliações junto ao MEC. À medida que a oferta crescia e se consolidava a comunidade de estudantes, professores e pesquisadores da área de Comunicação, Santa Catarina passou a sediar importantes eventos. O primeiro deles, ainda em 1981, foi o Congresso da União Cristã Brasileira de Comunicação Social(UCBC). Em 1989, também na UFSC, como já citado, aconteceu o XII Congresso Brasileiro de Pesquisadores da Comunicação, com o tema“Indústrias Culturais e os Desafios da Integração Latino-americana”.“O encontro superou o número de participantes dos eventos anteriores, reunindo cerca de 700 pesquisadores em Florianópolis”, de acordo com a Intercom 31 . Em 2018 o Congresso Nacional da entidade voltou a ocorrer em terras catarinenses, desta vez na Universidade da Região de Joinville(Univille), reunindo mais de 2.300 estudantes, pesquisadores, professores e profissionais da comunicação. À época, em entrevista ao Portal da Intercom, o professor Silvio Simão, então coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Univille e da organização do evento, destacou:“Para nós, da Univille e da faculdade Ielusc, tem sido um grande desafio organizar um evento desse porte, mas trabalhamos bastante, com carinho e dedicação, para receber os congressistas”. Além do Congresso Nacional da Intercom, o Estado sediou algumas das suas edições regionais na Furb(2009), na Universidade Comunitária Regional de Chapecó(Unochapecó- 2012), Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul – Campus Palhoça-2014), Univille(2015) e na Univali( Campus Balneário Camboriú-2022). Em 2004 a UFSC organizou o II Encontro Nacional de História da Mídia, promovido pela rede Alcar(Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia), e o VII Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, agora Associação Brasileira de Ensino em Jornalismo(Abej). Em 2005 a Federal recebeu os pesquisadores da área de Jornalismo para o 3º Encontro Nacional da SBPJor que, em sua 14 a edição, em 2016, aconteceu na Unisul-Palhoça, na Grande Florianópolis. A constância na realização de Congressos de médio e grande porte em Santa Catarina não é um acaso. Desde os anos 1980 os professores que atuavam/atuam no Estado foram ganhando espaço e reconhecimento como pesquisadores, em especial na área de Jornalismo. Um deles foi Adelmo Genro Filho, que faleceu em 1988, mas deixou um legado que se perpetua até hoje, sendo, inclusive, o nome do prêmio concedido anualmente pela SBPJor a pesquisadores de todo o Brasil. Ainda na década de 1980, o Departamento de Comunicação da UFSC foi um dos pioneiros na criação e difusão da disciplina de Teoria do Jornalismo, a partir do trabalho do seu professor Adelmo Genro Filho nesta área. No final dos anos 80, o Curso de graduação em Comunicação Social/Jornalismo aperfeiçoou seu 31 Informação do Portal da Intercom. Disponível em: https://www.portalintercom. org.br/memoria/linha_do_tempo. Acesso em: 22 set. 2023. 274 COMUNICAÇÃO EM SANTA CATARINA: 45 ANOS DE HISTÓRIA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul projeto pedagógico colocando maior ênfase na ligação entre teoria e prática em todos os momentos do currículo – do primeiro ao oitavo semestre – a partir da concepção do jornalismo como forma social de produção de conhecimento proposta por Genro Filho(Meditsch; Ayres; Betti, 2017, p. 76). Criado em 2004, o Prêmio Adelmo Genro Filho(PAGF)“se destina a reconhecer a qualidade do trabalho acadêmico realizado nas universidades ou nos centros/ institutos de pesquisa, valorizando a atuação individual dos pesquisadores” 32 . Desde então já premiou, na categoria sênior, dois pesquisadores que atuam/atuaram na UFSC, Eduardo Meditsch(2015) e Nilson Lage(2021, in memoriam). Além deles, foram agraciadas, até 2022, uma pesquisadora na categoria Doutorado, seis na categoria Mestrado e duas na categoria Iniciação Científica, todas vinculadas à UFSC. Na Intercom dezenas de estudantes de instituições do Estado foram premiados na Expocom, tanto nas edições regionais quanto nacionais – só em 2023, estudantes de Publicidade e Propaganda da Universidade do Oeste de Santa Catarina(Unoesc Joaçaba) e da Unochapecó e de Jornalismo da UFSC, ganharam em diferentes categorias, concorrendo com acadêmicos de todo país. Também no Prêmio Luiz Beltrão, criado em 1998, pessoas que atuam no Estado mereceram destaque. Depois de Moacir Pereira, em 1998, que recebeu a láurea de Maturidade Acadêmica, o professor Eduardo Meditsch foi premiado, em 2003, na categoria Liderança Emergente e, em 2019, como Maturidade Acadêmica. Elias Machado(2006), Rogério Christofoletti(2010), Valci Zuculoto(2017), docentes da UFSC, e Roseméri Laurindo(2014), da Universidade Regional de Blumenau(Furb), foram reconhecidos como Liderança Emergente. Não é difícil perceber que o“grupo de Santa Catarina” não passou incólume pela história da Comunicação no país. Quando o curso ganhou o Luiz Beltrão como Entidade Paradigmática, Victor Gentilli, professor da Universidade Federal do Espírito Santo(Ufes) e um dos principais pesquisadores em Jornalismo no Brasil, assim escreveu no Observatório da Imprensa, então uma referência obrigatória para quem atuava no campo: O“grupo de Santa Catarina” é bom de briga e sabe o que quer. A expressão “grupo de Santa Catarina” já foi vista como pejorativa, não faz muito tempo. Eles batalhavam pela graduação em Jornalismo. Continuam batalhando. Jamais pensaram em abrir outra habilitação no curso de graduação. Nada contra, apenas não é a praia deles. Mas insistem e persistem na criação de um mestrado. A“baiúca”, agora paradigmática, sabe o que quer. 33 A persistência deu certo. Inicialmente os docentes da UFSC criaram a Especialização em Jornalismo, em 2000. Na sequência, em 2004, lançaram a revista Estudos em 32 Informação disponível no site da entidade. 33 GENTILLI, Victor. Reconhecimento aos 25 anos. In: Observatória da Imprensa , ed. 282, 22 de junho de 2004. Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com. br/diretorio-academico/reconhecimento-aos-25-anos/. Acesso em: 10 set. 2023. 275 Jornalismo e Mídia, classificada como B1(Ciências Sociais Aplicadas), o primeiro periódico científico da área da Comunicação no Brasil a adotar o Digital Object Identifier(DOI). Ao longo dos anos 2000, com a reabertura dos concursos públicos, o Departamento de Jornalismo pode contratar professores com Doutorado e bons índices de produção, exigências fundamentais para, enfim, encaminhar à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) o projeto do primeiro Mestrado em Jornalismo do país, mas, ainda assim, o processo não foi fácil. Em 2005, é esboçado o primeiro projeto de Mestrado Acadêmico, contudo consultores externos apontam fragilidades no plano, e a submissão à Capes é adiada para o ano seguinte. Até aquele momento, a Área de Comunicação resistia em aceitar um mestrado especializado numa sub-área do campo, ainda mais sendo a de Jornalismo, considerada“separatista” pela visão então dominante. Todos os programas existentes no país eram de“Comunicação” ou “Ciências da Comunicação” desde a reforma do Programa da USP, que extinguiu e incorporou o Programa de Jornalismo que lá estava em desenvolvimento no final dos anos 90. A Comunicação buscava sua legitimação como disciplina acadêmica, e a reivindicação do Jornalismo pelo reconhecimento de uma teoria própria era vista como uma ameaça àquela expectativa hegemônica na pós-graduação da área. Tendo em vista a resistência que seria enfrentada na Comissão da Área na Capes, o envio do projeto do Mestrado da UFSC foi adiado para que todas as fragilidades apontadas pelos consultores externos fossem corrigidas. Em 2006, finalmente, o Projeto do Mestrado em Jornalismo da UFSC é encaminhado à Capes(Meditsch; Ayres; Betti, 2017, p. 77). A proposta aprovada em 2007 indicava Estudos em Jornalismo como área de concentração, com duas linhas de pesquisa: Fundamentos do Jornalismo e Produtos e Processos Jornalísticos. O corpo docente era formado por oito professores: Eduardo Meditsch(doutor em Ciências da Comunicação), Elias Machado(doutor em Jornalismo), Francisco Karam(doutor em Comunicação e Semiótica), Gislene Silva(doutora em Ciências Sociais), Heloísa Herscovitz(doutora em Comunicação) 34 , Nilson Lage(doutor em Linguística e Filologia), Orlando Tambosi(doutor em Filosofia) e Tattiana Teixeira(doutora em Comunicação e Cultura), todos jornalistas com experiência profissional e trajetória de pesquisa no campo. Meditsch e Teixeira assumiram a coordenação do curso 35 . No segundo semestre daquele ano começou a funcionar o primeiro Mestrado em Jornalismo do país. 34 Antes de o curso começar a professora Heloísa mudou-se para os EUA e foi substituída pela professora Daisi Vogel(jornalista egressa da UFSC, doutora em Literatura). 35 Em abril de 2008 Teixeira deixou a subcoordenação do Mestrado para assumir, após eleição direta, a chefia do Departamento de Jornalismo da UFSC. Orlando Tambosi assumiu a subcoordenação. 276 COMUNICAÇÃO EM SANTA CATARINA: 45 ANOS DE HISTÓRIA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Em 2014 foi criado o Doutorado – o projeto encaminhado à Capes em 2013 “propunha um doutorado em Jornalismo que seria o único dessa especialidade em toda a América Latina”(Meditsch; Ayres; Betti, 2017, p. 78). O Programa de PósGraduação em Jornalismo, único do país a oferecer Mestrado e Doutorado, conta com três linhas de pesquisa – Cultura e Sociedade, Tecnologias, Linguagens e Inovação e Conhecimento e Profissão – e um corpo docente formado por 14 professores permanentes e 2 colaboradores. Quase uma década depois, Santa Catarina assiste à criação de um novo programa. Em 26 de maio de 2023 a Capes aprovou, com nota A, a criação do Mestrado profissional em Comunicação e Mediações Contemporâneas, oferecido pela Univille. O curso, coordenado por Silvio Simão de Matos, conta com sete professores permanentes: Alena Jahn(doutora em Artes Visuais), Eduardo Silva(doutor em Comunicação e Cultura), Henrique Arins(doutor em Patrimônio Cultural e Sociedade), José Isaías Venera(doutor em Ciências da Linguagem), Silvio Simão de Matos(doutor em Comunicação e Cultura), Sirlei de Souza(doutora em Comunicação e Cultura) e Yona da Silva Dalonso(doutora em Geografia) – e duas colaboradoras, Isadora Burmeister Dickie(doutora em Design) e Patrícia de Oliveira Areas(doutora em Direito). São duas linhas de pesquisa, uma para investigar estratégias e tecnologias comunicacionais e outra que visa a analisar as relações entre a comunicação, a mediação e a cidadania na contemporaneidade. A primeira turma, com 20 vagas, iniciou em março de 2024, em Joinville, a cidade mais populosa do Estado. Também em 2024 a Graduação em Jornalismo da UFSC completou 45 anos de funcionamento. Como se vê, não faltarão motivos para celebrar a área de Comunicação em Santa Catarina. Ainda bem. Referências GENTILLI, Victor. Reconhecimento aos 25 anos. Observatório da Imprensa, ed. 282, 22 de junho de 2004. Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/diretorio-academico/reconhecimento-aos25-anos/. Acesso em: 10 set. 2023. MEDITSCH, Eduardo; AYRES, Melina de La Barrera; BETTI, Juliana Gobbi. Dez anos do POSJOR UFSC: relato do percurso e perfil da produção. Estudos em Jornalismo e Mídia, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), v. 14, n. 2, p. 75-88, dez. 2017. DOI: http://dx.doi.org/10.5007/1984-6924.2017v14n2p75 MEDITSCH, Eduardo. A questão da prática em Paulo Freire e o projeto Universidade Aberta do curso de Jornalismo da UFSC. In: PERUZZO, Cicília; SILVA, Robson Bastos da(org.). Retrato do ensino de comunicação no Brasil. São Paulo: Intercom; Taubaté: Unitau, 2003. PEREIRA, Moacir. A comunicação em Santa Catarina – ensino, profissão e modernização. Florianópolis: Insular, 2012. TEIXEIRA, Tattiana. Jornalismo como forma de conhecimento. In: MELO, Marques de; DALLA COSTA, Rosa Maria; FONSECA, Jovina(org.). Paradigmas brasileiros em ciência da comunicação. São Paulo: Intercom, 2012.(Coleção Memórias da Intercom, vol. 5). 277 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 278 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul CARMEN RIAL Flávia Garcia Guidotti Carmen Silvia de Moraes Rial nasceu em 21 de dezembro de 1954 em Porto Alegre(RS). É a primogênita de uma família de três filhos de José Garcia Rial e Vera Cruz Rial. Carmen teve uma infância e uma juventude itinerantes. Estudou em escolas de Passo Fundo, São Paulo, Campinas e Porto Alegre. Fez o Científico(Ensino Médio) no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, e no último ano fez um intercâmbio nos Estados Unidos, concluindo seus estudos na New Shrewsbury High School, em New Jersey. Lá, em 1974, foi laureada com o Community Service Award do Kiwanis Club de New Shrewsbury, pelo seu compromisso com o serviço comunitário. Prestou vestibular para os cursos de Biologia e Comunicação Social, trocando o primeiro por Ciências Sociais em vista de ter se aproximado do Diretório Acadêmico do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Além de ocupar um cargo na diretoria do Diretório de Estudantes de Ciências Sociais, também foi uma das editoras de um dos jornais do movimento estudantil de Porto Alegre, o Olha a Pinta do Pinto, onde eram publicadas análises de conjuntura e artigos sobre economia, política e cultura em plena ditadura. Concluiu sua formação acadêmica nas áreas de Ciências Sociais e Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1980 e 1981, respectivamente. Sua trajetória profissional teve início na Rádio Gaúcha – da Rede Brasil Sul de Telecomunicações(RBS) –, sediada em Porto Alegre, 279 onde atuou entre os anos de 1978 e 1982 como redatora, editora e coordenadora no Departamento de Esportes. Em seguida realizou um concurso para docente do Curso de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), quando obteve aprovação com nota máxima. Pouco antes de prestar concurso na UFSC havia ingressado no Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia, Ciências Políticas e Sociologia, com ênfase em Antropologia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Seu primeiro cenário de pesquisa foi a periferia de Porto Alegre, no entanto, com a entrada no Curso de Jornalismo em 1982 e a necessidade de mudança para Florianópolis, reformulou seu projeto. Foi nessa época que orientou um dos primeiros Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC) sobre homossexualidade defendidos na UFSC. Em seguida tirou uma licença não remunerada para concluir o Mestrado na França entre 1983 e 1984, em Paris. Concluiu o curso em Anthropologie et Sociologie, na Université de Paris V – Sorbonne, com a dissertação“Manger-Show: les fast-foods à Paris”, orientada por Louis-Vincent Thomas. Ao retornar ao Brasil e já matriculada no programa de Doutorado em Paris V, enfrentou a recusa do Departamento de Jornalismo em reconhecer seu Mestrado, o que a levou a retornar ao programa da UFRGS e concluir um segundo Mestrado em 1988, com a dissertação“Mar-de-dentro: a transformação do espaço social na Lagoa da Conceição”, orientada por Claudia Lee Fonseca. No mesmo ano da defesa pediu a validação de seu primeiro Mestrado, que foi reconhecido. Entre 1988 e 1992 realizou o Doutorado na Université de Paris V, com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), defendendo a tese“Ca se passe comme ca chez les fast-foods: etude anthropologique de la restauration rapide”, pela qual recebeu a mais alta distinção“très honorable”. Durante o período de 1996 a 1998, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), fez seu primeiro estágio Pós-Doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales, onde desenvolveu uma pesquisa sobre os cineastas Dziga Vertov e Robert Flaherty, e outra que resultou em filmes e documentários sobre mulheres antropólogas. 280 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Em 1999 solicitou uma transferência interna e passou do curso de Jornalismo para o Departamento de Antropologia, onde atuou no decorrer de sua trajetória desde então. Entre os anos de 2009 e 2010 realizou o segundo Pós-Doutorado com financiamento do CNPq, com uma investigação multissituada iniciada na Université de Toulouse II, com continuidade no Laboratoire d’Anthropologie Sociale(Collège de France/CNRS) e concluída na University of California Berkeley. Durante esse período dedicou-se à escrita de diversos verbetes que integraram uma Enciclopédia publicada pela Press Universitaire de France e o Dictionnaire des Femmes Créatrices. Posteriormente, entre 2016 e 2017, com o apoio financeiro da Capes, realizou o seu terceiro Pós-Doutorado, com Estágio Sênior na City University of New York, onde conduziu uma pesquisa etnográfica com futebolistas brasileiros nos Estados Unidos, com ênfase em suas práticas religiosas. Ao longo de sua carreira estabeleceu uma série de convênios que lhe proporcionaram a oportunidade de trabalhar como professora em diversas instituições no Brasil e no exterior. Entre essas colaborações, destacam-se sua atuação na City University of New York(Cuny), nos Estados Unidos, de 2016 a 2017; no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa(ISCTE), em Portugal, onde lecionou de 2009 a 2010; na Univerzita Hradec Králové(UHK), na República Tcheca, em 2022; na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2005; na Universidad de la Republica(Udelar), no Uruguai, em 2005; e na Universidade de Brasília(UnB), em 2003. A partir de 2015 passou a atuar como professora titular no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e no Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas, ambos da UFSC, os quais coordenou em diferentes ocasiões. Já orientou mais de 100 trabalhos, incluindo 44 teses de Doutorado, das quais 7 receberam prêmios de melhor tese. Sua atuação na Pós-Graduação e suas pesquisas foram amparadas por bolsa de produtividade em pesquisa 1D do CNPq. Carmen Rial participou da criação das revistas Ilha, ViBrAnt, Novos Debates e da TV ABA, sendo editora associada responsável pelas Ciências Humanas nos Anais da Academia Brasileira de Ciências e editora internacional de ViBrAnt. 281 Na UFSC coordena o Instituto de Estudos do Futebol Brasileiro, integra o Instituto de Estudos de Gênero(IEG) e coordena o Núcleo de Antropologia Audiovisual e Estudos da Imagem(NAVI) e o Grupo de Antropologia Urbana e Marítima. Foi presidente da Associação Brasileira de Antropologia(ABA – 2013-2015), do World Council of Anthropological Associations (WCAA – 2018-2021) e cocoordenou a World Anthropological Union(WAU – 2019-2021), além de integrar o Advisory Board da Wenner Gren Foundation, do dicionário Anthropen e do Open Anthropology Research Repository da American Anthropological Association. Foi honrada com dois prêmios da Associação Brasileira de Antropologia(ABA): Medalha Roque Pinto de Contribuição à Antropologia Brasileira, em 2016, e Prêmio Pierre Verger de Vídeo Etnográfico, em 2002. Em Santa Catarina, no ano de 2003, recebeu uma Moção de Aplauso pela Câmara Municipal de Florianópolis. Em 2005 ganhou o prêmio de Melhor Pesquisa Antropológica no I Festival Alagoano de Fotografia e Filme Etnográfico, promovido pela Universidade Federal de Alagoas. Em 2007 foi contemplada com a Bolsa de Pesquisa Faculty Enrichment, concedida pela Embaixada do Canadá. Em 2013 foi agraciada com a Comenda Egon Schaden da Câmara de Vereadores do município de São Bonifácio em reconhecimento ao seu trabalho. Em 2017 recebeu o Prêmio da Assembleia Legislativa como homenagem ao Núcleo de Antropologia Audiovisual e Estudos da Imagem(Navi), coordenado por ela. Principais publicações RIAL, C. S. Rodar: a circulação dos jogadores de futebol brasileiros no exterior. Horizontes Antropológicos, UFRGS, Impresso, v. 14, p. 21, 2008. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-71832008000200002. Acesso em: 14 jun. 2023. RIAL, C. S. Guerra de imagens e imagens da guerra: estupro e sacrifício na guerra do Iraque. Revista Estudos Feministas, v. 15, p. 14-49, 2007. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2007000100009. Acesso em: 14 jun. 2023. RIAL, C. S.; GROSSI, M. P. Through Thick and Thin: Brazilian 282 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Anthropology’s Political Epochs. American Anthropologist, v. 119, p. 534-538, 2017. Disponível em: https://anthrosource.onlinelibrary. wiley.com/doi/full/10.1111/aman.12920. Acesso em: 29 jun. 2023. RIAL, C. S. Jogadores brasileiros na Espanha: emigrantes porém… Revista de Dialectología y Tradiciones Populare, v. 61. n. 2, p. 163-190, 2006. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/ c880/059be99bc81175db921a6f4d5a4fc500ff94.pdf. Acesso em: 29 jun. 2023. RIAL, C. S. McDonaldisation – Dictionnaire des cultures alimentaires. In: POULAIN, J-P.(org.). Dictionnaire des cultures alimentaires. 1. ed. v. 1, p. 56-62, Paris: Press Universitaire de France, 2012. Disponível em: https://www.lemangeur-ocha.com/wp-content/ uploads/2012/10/Dictionnaire-cultures-alimentaires.pdf. Acesso em: 29 jun. 2023. 283 GILKA GIRARDELLO Janaíne Kronbauer Gilka Elvira Ponzi Girardello nasceu em 25 de dezembro de 1956 em Getúlio Vargas(RS). É filha de Firmino Girardello e Gilka Isabel Ponzi Girardello. Cresceu na capital gaúcha, Porto Alegre. Fez o primário no Grupo Escolar Paula Soares e o ginásio e o colegial no Colégio da Aplicação da UFRGS, ou seja, foi estudante de escola pública. Cursou Jornalismo na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS) entre 1975 e 1979, quando se formou. Já no primeiro ano da faculdade teve uma breve experiência de estágio em uma agência de propaganda, que interrompeu para cuidar de crianças que residiam em uma área de acentuada vulnerabilidade social na capital do RS: a Ilha dos Marinheiros. A iniciativa estava vinculada ao projeto assistencial de uma instituição religiosa e o trabalho que realizou teve como base a contação de histórias. Ainda naquele período fez um curso de formação com uma contadora de histórias vinda da Argentina, por meio da Biblioteca Infantil Municipal de Porto Alegre. Em seguida prestou vestibular para Letras, cursando todas as disciplinas relacionadas à Literatura, desde a literatura infantil até o teatro, mas não concluiu a Graduação. Durante o curso de Letras passou a dar aulas no Ensino Médio no Colégio Anchieta. Como jornalista, em 1979, trabalhou em algumas emissoras de rádio no Rio Grande do Sul com redação de notícias. Também atuou na televisão educativa do Estado – a TVE –, com a produção e apresentação de um programa infantil denominado Contando histórias, e ainda participou da gravação de contações de histórias para crianças na rádio da UFRGS, emissora universitária de perfil educativo. 284 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Em 1984 foi aprovada em concurso público para o cargo de professor assistente junto ao curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) que, na época, não necessitava de título de Mestrado e Doutorado. Desde então foram 20 anos ministrando, com maior ênfase, as disciplinas da área de redação. Em 1988 ingressou no Mestrado na New School for Social Research, em Nova York, junto a um programa interdisciplinar em Ciências Sociais, para o qual foi contemplada com uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Defendeu sua dissertação, em 1990, sob o título“The Language of Journalism for Childrenand Teenagers”, que, em português, recebeu a tradução de“A linguagem do jornalismo para crianças e jovens”. De 1994 a 1998 cursou Doutorado, desta vez junto a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP), na linha de pesquisa Jornalismo e Linguagem, também com estudos dedicados à infância, mas, desta vez, atrelados à televisão. O título de sua tese é“Televisão e imaginação infantil: histórias da Costa da Lagoa”. Durante a pesquisa fez um estágio sanduíche em Nova York, na mesma universidade de realização do Mestrado. Com uma equipe de bolsistas de iniciação científica, criou o site Ateliê da Aurora, para tratar das relações entre criança e mídia, inicialmente como projeto de extensão e depois como projeto de pesquisa, que figurou como repositório relacionado à temática. Do final da década de 1990 até o início dos anos 2000 esteve envolvida com a iniciação científica no curso de Graduação em Jornalismo. Após finalizar o curso de Doutorado, passou a atuar junto a Pós-Graduação da Educação da UFSC, na linha Comunicação e Educação. Em 2005 Gilka migra do curso de Jornalismo da UFSC para a área de Educação da Universidade. Com essa mudança passa a fazer o movimento oposto ao que vinha fazendo: o de levar para a área da educação a discussão sobre os meios de comunicação. Segue participando de eventos e atividades da área da comunicação. Deriva desse período, inclusive, as primeiras assessorias por ela prestadas para a Educação Infantil da Prefeitura de Florianópolis, sendo chamada para falar sobre mídia e criança. Entre 2010 e 2011 realiza seu estágio de Pós-Doutorado na City University of New York, com uma bolsa da Comissão Fulbright/ Capes. Também neste período atua como professora visitante naquela instituição de ensino. 285 Ao longo de sua trajetória acadêmica, Gilka Girardello também se envolveu com rotinas administrativas e de gestão. Entre 2007 e 2008 foi vice-chefe do Departamento de Metodologia de Ensino; em 2008 assumiu a presidência da Comissão de Análise do Plano Departamental de Atividades; e em 2015 exerceu – na condição pró tempore – a coordenação do curso de Pedagogia pelo período de dois meses. Também em caráter temporário, entre os meses de julho e setembro de 2017 atuou na função de vice-diretora do Centro de Ciências de Educação da UFSC(CED). Ainda coordenou o Núcleo Infância, Comunicação e Arte da UFSC e ingressou como membro da Comissão Editorial do Núcleo de Publicações do CED. Em sua trajetória soma mais de 40 de artigos completos publicados em periódicos científicos, 7 livros publicados e/ou organizados e 43 capítulos publicados em obras coletivas. Aposentada desde 2017, seguiu atuando como professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSC, mas de forma voluntária, orientando trabalhos e, ainda, produzindo pesquisa na intersecção entre as áreas de Jornalismo, Letras e Pedagogia. Principais publicações FANTIN, M.; GIRARDELLO, G.(org.). Liga, roda, clica: estudos em mídia, cultura e infância. 1. ed. Campinas: Papirus, 2008. p. 171. V. 1. FANTIN, M.; GIRARDELLO, G.(org.). Trajetórias inventivas de pesquisa em educação contemporânea: infância, comunicação, cultura e arte. São Paulo: Pimenta Cultural, 2020. GIRARDELLO, G.(org.). Ateliê da Aurora: criança, mídia e imaginação. 1999. Disponível em: www.aurora.ufsc.br. Acesso em: 19 maio 2023. GIRARDELLO, G.; FANTIN M.; PEREIRA, R. S.(org.). Crianças e mídias: três polêmicas e desafios contemporâneos. Caderno Cedes, Universidade Estadual de Campinas, 2022. GIRARDELLO, G. Crianças inventando mundos e a si mesmas: ideias para pensar a autoria narrativa infantil. Childhood& Philosophy. Rio de Janeiro: Uerj, 2018. GIRARDELLO, G. Imaginação: arte e ciência na infância. ProPosições, Campinas: Unicamp, v. 22, n. 2, p. 75-92, 2011. 286 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul VALCI ZUCULOTO Daiane Bertasso Valci Regina Mousquer Zuculoto nasceu em 16 de março de 1958 em Santo Ângelo(RS). É filha de Dorival Zuculoto e Alcy Mousquer da Costa. Desde os dois ou três anos de idade frequentava a escola juntamente com sua mãe, que lecionava em tempo integral no Colégio Teresa Verzeri em Santo Ângelo. Lá fez alguns anos de Jardim de Infância(Educação Infantil) e o primeiro e segundo anos do Ensino Fundamental. Aos sete anos a família mudou-se para Porto Alegre e todo o restante da sua formação foi lá. Antes mesmo de iniciar a Graduação, já atuava no Jornalismo, pois inscrevia-se para trabalhar na cobertura de eleições, uma vez que os veículos chamavam estudantes para realizar uma espécie de estágio. Prestou vestibular para Jornalismo como primeira opção e para História como segunda opção na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), tendo sido aprovada em ambos. Chegou a fazer uns três semestres de História, junto com Jornalismo, mas precisou desistir porque era difícil conciliar duas Graduações, pois já trabalhava no jornal Zero Hora no final de 1976. Em 1977 passou a trabalhar na Rádio Gaúcha. Em 1981 Valci formou-se em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo – na UFRGS. Quando saiu da Rádio Gaúcha, em razão da greve, trabalhou um tempo na revista IstoÉ, seguindo para um programa do governo do Estado na Rádio Gaúcha, e em seguida foi trabalhar no jornal O 287 Globo, onde permaneceu por dez anos, ainda que tenha continuado fazendo trabalhos em rádios como freelancer e projetos alternativos. Em 1989, época em que era desnecessário os títulos de mestre e doutora, foi aprovada no concurso para professora de Graduação na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Logo que entrou para a Universidade participou, no Rio Grande do Sul, de um projeto extensivo de alfabetização pelo método Paulo Freire. De 1996 a 1998 cursou o Mestrado em Comunicação Social na Pontifícia Universidade Católica(PUCRS), onde defendeu a dissertação“A Notícia no Radiojornalismo Brasileiro: transformações históricas e técnicas”, orientada por Doris Fagundes Haussen. Em 1999 foi convidada para dirigir a rádio FM Cultura, em Porto Alegre, e entrou em licença do trabalho na Universidade. Durante os quatro anos que permaneceu no cargo criou o projeto do programa Café Cultura, que era constituído de uma rede com emissoras de rádio do Rio Grande do Sul. Neste contexto, viajava com a equipe para transmitir o programa nas emissoras parceiras. Parte dessa experiência na rádio FM Cultura serviu de inspiração para o Projeto da Rádio Ponto UFSC, que passou a coordenar, anos mais tarde, na Universidade. Ao retornar para a UFSC atuou mais quatro anos na docência. De 2007 a 2010 tirou nova licença para fazer o Doutorado, também em Comunicação Social, na Pontifícia Universidade Católica(PUCRS). Concluiu o curso em 2010 com a tese“A construção histórica da programação de rádios públicas brasileira”, novamente com a orientação de Doris Fagundes Haussen. Depois disso voltou para a UFSC para atuar no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPGJor) da Instituição. Em 2014 realizou o Pós-Doutorado na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO-PÓS-UFRJ), com foco em pesquisas sobre a história da comunicação, do jornalismo e do rádio. Durante sua trajetória esteve na direção da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo(Abej), onde depois tornou-se conselheira. Entrou para a Associação Brasileira de Pesquisadores em História da Mídia(Alcar) inicialmente como sócia, e passou para a coordenação 288 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul de grupo temático de História da Mídia Sonora, seguindo para a diretoria científica e depois para o cargo de presidente. Na Intercom atuou na coordenação do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora durante oito anos. Foi coordenadora nacional do Prêmio Expocom – primeiro da categoria Jornalismo – e depois coordenadora geral nacional. Em 2017 recebeu o Prêmio Luiz Beltrão da Intercom – categoria liderança emergente. Também se tornou secretária de Educação da Federação Nacional dos Jornalistas(Fenaj); diretora do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina(SJSC); coordenadora adjunta da Rede de Pesquisa em Radiojornalismo(RadioJor) da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor); e integrante da coordenação da Rede de Rádios Universitárias do Brasil(Rubra), além de coordenadora da web emissora Rádio Ponto UFSC. Na atuação política esteve em diversas funções no Sindicato dos Jornalistas e na Federação Nacional dos Jornalistas, tanto no Rio Grande do Sul quanto em Santa Catarina. Por meio da participação no movimento sindical, esteve no congresso que fundou a Central Única dos Trabalhadores(CUT) e depois ajudou a organizar e fundar o Partido dos Trabalhadores(PT) no Rio Grande do Sul. Mais tarde filiou-se ao Partido Socialismo e Liberdade(PSOL). Principais publicações BETTI, J. G.; ZUCULOTO, V. R. M. A história(das mulheres) do rádio no Brasil: uma proposta de revisão do relato histórico. In: ENCONTRO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MÍDIA, 1., 2021, Juiz de Fora. Remoto. Anais[...]. Juiz de Fora: Alcar, 2021. p. 1-12. Disponível em: https://redealcar.org/anais-eventos-nacionais-13oencontro-2021/ EMERIM, C.; KLOCKNER, L.; ZUCULOTO, V. R. M.; PAULINO, R. C. R.; RADDATZ, V. L. S. Comunicação e a historicidade das crises na história da mídia no sul do Brasil. Florianópolis: Insular, 2021. p. 1.450. FERRO, R. X. O.; GOMES, J.; ZUCULOTO, V. R. M. A voz como marcador de exclusão de gênero no radiojornalismo brasileiro. Radiofonias Revista de Estudos em Mídia Sonora, v. 14, p. 91-112, 2023. 289 RADDATZ, V. L. S.; KISCHINHEVSKY, M.; LOPEZ, D. C.; ZUCULOTO, V. R. M.(org.). Rádio no Brasil: 100 anos de história em(re)construção. 1. ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2020. Disponível em: https://www. editoraunijui.com.br/produto/2257. Acesso em: 9 mar. 2024. ZUCULOTO, V. R. M. A programação de rádios públicas brasileiras. Florianópolis: Insular, 2012. ZUCULOTO, V. R. M. No ar – a história da notícia de rádio no Brasil. Florianópolis: Insular, 2012. 290 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul SÔNIA MALUF Fernanda Nascimento Sônia Weidner Maluf nasceu em 3 de outubro de 1960 em Santana do Livramento(RS). Oitava filha, de uma família com 11 filhos, de Wally Weidner Maluf e Rage Maluf. Em 1967 a família mudou-se para Porto Alegre. Desde a infância estudou em instituições públicas. Primeiramente no Grupo Escolar Rio Branco e depois no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), onde teve o primeiro contato com o movimento estudantil, cuja participação rendeu-lhe a expulsão do colégio, logo revista em termos condicionais. Em 1978 ingressou na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da UFRGS para cursar Comunicação Social – habilitação em Jornalismo Gráfico e Audiovisual. Formou-se sete anos depois. Enquanto estudava trabalhou como jornalista do Em Tempo e revisora do Correio do Povo. Também atuou como jornalista e assessora junto a movimentos sociais e sindicais, como o Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas. No mesmo período trabalhou como freelancer no Coojornal, uma experiência pioneira de cooperativa de jornalistas. Em 1985 foi aprovada na seleção para o Mestrado em Ciências Sociais na área de concentração de Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Recebeu bolsa integral de estudos e mudou-se para Florianópolis. Em 1989 defendeu a dissertação “Encontros perigosos: análise antropológica de narrativas de bruxas e bruxarias na Lagoa da Conceição”, trabalho que rendeu publicações e premiações. Um dos artigos relacionados à pesquisa recebeu Menção Honrosa da Associação Internacional de Sociologia (ISA) e foi apresentado em congressos na Europa. A dissertação 291 também foi publicada em livro, com o título Encontros noturnos: bruxas e bruxarias na Lagoa da Conceição, em 1993. O trabalho também foi referência para a produção do curta-metragem Bruxa Viva(Lena Bastos, Brasil, 1998) e o longa-metragem A antropóloga (Zeca Pires, Brasil, 2010). Em 1986, enquanto ainda cursava o Mestrado, foi aprovada em concurso para professor auxiliar do Departamento de Comunicação da UFSC. A área do concurso era Redação Jornalística, mas em 1990 criou a disciplina Tópicos Especiais em Comunicação: Feminino e Masculino – Imagens e Narrativas, e em 1997 Tópicos Especiais em Comunicação: Comunicação e Relações de Gênero. Em 1991 começou o Doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris(França). Com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), iniciou um estudo sobre culturas espirituais e terapêuticas com um período de pesquisa de campo em Porto Alegre. A tese“Les enfants du Verseau au pays des terreiros. Les cultures thérapeutiques et spirituelles alternatives au Sud du Brésil” foi defendida em dezembro de 1996, e, além de artigos sobre as discussões empreendidas, também foi publicada integralmente em livro, na França, em 1998. No retorno ao Departamento de Comunicação da UFSC, integrou a equipe de professores do curso de Especialização em Estudos Culturais no Centro de Comunicação e Expressão(CCE). Também participou da organização do Laboratório de Estudos Culturais do Departamento de Comunicação e participou da elaboração do projeto de Mestrado em Comunicação, que seria submetido à Capes. Credenciada no Programa de Pós-Graduação em Antropologia desde 1997, acabou transferindo-se de maneira definitiva para o Departamento de Antropologia em 1999. Lá lecionou disciplinas na Graduação e Pós-Graduação e a disciplina de Introdução à Antropologia para universitários de outros cursos. Na Pós-Graduação trabalhou no campo da Antropologia do Sujeito, ofertando disciplinas como: Pessoa e Sujeitos Contemporâneos, Antropologia do Sujeito, Pessoa e Corporalidade e Corpo, Sujeito e Poder. Ainda atuou no Programa de Pós-graduação em Literatura e no Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC, ambos reconhecidos pela produção de conhecimento no campo dos estudos de gênero. 292 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Integrou a equipe de organização e coordenação do Seminário Internacional Fazendo Gênero, principal congresso do campo na América Latina, realizado desde 1994 na UFSC, além de ter sido uma das coordenadoras editoriais da Revista Estudos Feministas. Entre 2004 e 2005 desenvolveu o projeto“Por uma antropologia do sujeito: tópicos para um diálogo entre as teorias feministas do sujeito e a antropologia da pessoa”, no Gender Institute(GI), na London School of Economics and Political Science(LSE) e no Theory Culture and Society Centre(TCS), na Nottingham Trent University (NTU), ambos na Inglaterra. Mais tarde, entre 2011 e 2012, realizou estágio Pós-Doutoral no Institut de Recherche Interdisciplinaire sur les Enjeux Sociaux (Sciences Sociales, Politiques, Santé), da École des Hautes Études en Sciences Sociales, com o projeto“Antropologia do sujeito e políticas da vida: uma reflexão sobre biopolítica, experiências sociais e modos de subjetivação no contexto das políticas de saúde mental no Brasil”. Como gestora acadêmica na UFSC, foi vice-coordenadora de curso do departamento de Jornalismo; subchefe e chefe de departamento na Antropologia(atuando também como coordenadora da PósGraduação do curso); e, entre 2012 e 2016, foi vice-diretora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas(CFH). Na mesma Instituição ainda foi diretora do Museu de Arqueologia e Etnologia Oswaldo Rodrigues Cabral. Pesquisadora B1 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), Sônia Maluf aposentou-se como professora titular da UFSC, mas seguiu trabalhando como voluntária na Pós-Graduação em Antropologia. Também atuou como professora titular visitante da Universidade Federal da Paraíba. Principais publicações MALUF, S. W. Corporalidade e desejo: tudo sobre minha mãe e o gênero na margem. Revista Estudos Feministas, UFSC, Impresso, v. 10, p. 143-153, 2002. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/ index.php/ref/article/view/S0104-026X2002000100008/8769 MALUF, S. W. Janelas sobre a cidade pandêmica: desigualdades, políticas e resistências. Tomo, UFS, v. 38, p. 251-285, 2021. Disponível em: https://seer.ufs.br/index.php/tomo/article/ view/14280/11314 293 MALUF, S. W. O golpe de 2016, as mulheres e o futuro da democracia: neoliberalismo, desigualdade e misoginia. Saeculum, UFPB, v. 26, p. 140-158, 2021. Disponível em: https://periodicos. ufpb.br/index.php/srh/article/view/59101/34864 294 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul REGINA CARVALHO Cristiane Fontinha Miranda Regina Carvalho nasceu em 31 de julho de 1946 em Florianópolis (SC). É filha de Ney Bonjoane Carvalho e Maria do Carmo Carvalho. Graduada em Letras – Português –, fez especialização em Linguística e Mestrado em Literatura(1994) pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), finalizando esse último com a dissertação“O amor e o amendoim, características poéticas da obra-solo de João Bosco”. Atuou por 28 anos no Departamento de Línguas Vernáculas(LLV) da UFSC e, em 1999, transferiu-se para o Departamento de Jornalismo da Instituição, inicialmente como professora de Português, com ênfase em texto jornalístico nas fases iniciais, e, posteriormente, nas disciplinas mais avançadas. Lá também foi coordenadora de curso e chefe de departamento. Entre os anos de 1984 e 1987 foi membro do Conselho Universitário e trabalhou em comissões diversas. Ocupou o mesmo posto em um segundo período: de 1990 a 1992. De 1979 a 1999 trabalhou como professora no curso de Literatura, ministrando as disciplinas de Experiência de Criação Literária, Teoria da Literatura I, Língua Portuguesa II(Produção Textual) e Língua Portuguesa I(Produção Textual). No Jornalismo, de 1999 a 2007, ministrou as disciplinas de Redação VI, Redação VII, Leitura de Poesia(Tópicos Especiais), Oficina de Crônicas(Tópicos Especiais) e Oficina de Contos(I e II) como Tópicos Especiais. Em 2005, na Especialização, ministrou o curso Literatura e Jornalismo: o Caso da Crônica. Dedicou-se a uma coletânea de livros voltada para o público infantil e, por dois anos, foi cronista do jornal A Notícia, de Joinville(SC), onde tinha uma coluna semanal. Aposentou-se em maio de 2007. 295 Principais publicações CARVALHO, R. João Bosco: um caramujo musical. Maringá, PR: Editora Viseu, 2023. E-Book. Kindle. Disponível em: https://www. amazon.com.br/Joa%CC%83o-Bosco-Um-Caramujo-Musicalebook/dp/B0C123W52M/ref=mp_s_a_1_2?crid=3S0YACJUY9UQ V&keywords=regina+carvalho&qid=1683110274&s=digital-text &sprefix=regina+carvalho%2Caps%2C192&sr=1-2 CARVALHO, R. O novo conto Catarina. Florianópolis: Editora da UFSC, 2008. 166 p. V. 1. CARVALHO, R. A sapinha meiga. Jaraguá do Sul: Design Editora, 2007. CARVALHO, R. O sapo azul. Il. José Alvim. Florianópolis, SC: Edição da Autora, 2000. CARVALHO, R. O sim da poesia. Florianópolis: EdUFSC, 1994. 296 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul ANAMARIA KOVÁCS Magali Moser Anamaria Kovács nasceu em 23 de dezembro de 1948 no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Tibor Kovács, que emigrou para o Brasil fugindo do nazismo, e de Eliza Argus. Na cidade natal estudou no Colégio Cruzeiro e fez o Ensino Médio no Colégio Bennett, além de frequentar o Conservatório Brasileiro de Música para aprender a tocar piano. Em 1966, em plena ditadura militar, ingressou, aos 18 anos, na primeira turma do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Eleita oradora da turma, teve seu discurso previamente censurado. Como forma de protesto, subiu ao púlpito e disse que não haveria discurso, uma vez que seria inaceitável esse tipo de profissional ser cerceado daquela forma. Toda a sua formação foi na UFRJ: Graduação, Mestrado em Comunicação Social e Doutorado em Letras. Sua dissertação, orientada por Liba Beider, intitula-se“Coluna social: linguagem e montagem” e foi apresentada na Escola de Comunicação Social da UFRJ em 1975. Na tese de Doutorado, na área de Linguística – defendida em 1978 –, discute“A função e o significado da coluna social”, tendo sido orientada por Mônica Rector. A primeira experiência como docente ocorreu logo depois de formada na Universidade Federal Fluminense(UFF), onde permaneceu por três anos como professora no Instituto de Artes e Comunicação Social(Iacs). Logo foi convidada para assumir a disciplina de Técnicas de Reportagem nas duas primeiras fases do curso. As aulas eram acompanhadas por um espião do governo militar. 297 Teve passagem temporária em um jornal experimental chamado O Sol, com Zuenir Ventura e Reinaldo Jardim, por isso foi chamada para prestar depoimento no Departamento de Ordem Política e Social(Dops). Logo que concluiu a Graduação, Anamaria começou a trabalhar no Jornal do Brasil, onde ingressou na“categoria E”(referência à faixa salarial de cada profissional), sendo promovida – ao longo dos três anos em que atuou na redação – à“categoria B”. Atuou, também, no Correio da Manhã, que era um jornal de esquerda. Em 1977 mudou-se com a família para Blumenau(SC), onde ingressou no quadro da Universidade Regional de Blumenau(Furb) como professora de francês. Após seis meses tornou-se editora do Jornal de Santa Catarina, inicialmente como responsável por cinco páginas, entre elas Internacional, Nacional, Economia e Política, além de escrever editoriais. Permaneceu no Jornal de Santa Catarina por três anos, conciliando com o trabalho na Furb, onde seguiu carreira. Foi naquele jornal(com sede em Blumenau) que iniciou a carreira literária, tendo alguns de seus poemas publicados no Caderno Literário, que – à época – saía aos domingos. Começou com ficção científica e poesia e depois passou a publicar literatura infantil. Em 1990, com a proposta de trabalhar na editora Nova Safra, mudou-se para Belo Horizonte(MG), onde ficou por um ano. Em BH ainda lecionou no Instituto Izabela Hendrix, no curso de Letras. Para organizar o curso de Publicidade e Propaganda do Centro de Comunicação da Universidade Regional de Blumenau(Furb), como primeira coordenadora do projeto, retornou a Blumenau, onde também voltou a trabalhar para o Jornal de Santa Catarina, desta vez como cronista, assinando uma coluna semanal entre 2004 e 2012. Na cidade catarinense ainda participou da equipe de fundação e da direção da Revista de Divulgação Cultural(RDC) da Furb; da revista de divulgação científica Dynamis(Furb); e do jornal comunitário O Caminho, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, onde trabalhou como jornalista responsável e editora. Em setembro de 2004 passou a integrar a Academia de Letras Blumenauense, ocupando a cadeira Emma Deeke. Como escritora somou 13 livros publicados voltados ao público infantojuvenil, abordando temas diversos, como timidez, perdas, drogas e ciúmes com a chegada de um irmão. 298 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Principais publicações KOVÁCS, A. Ficção-científica: o conto. Revista de Divulgação Cultural, v. 10, p. 27-36, 1987. KOVÁCS, A.; ERN, A. B. Tecendo memórias. 1. ed. Blumenau: Edição do Autor, 2008. p. 168. V. 1. KOVÁCS, A. As três casas. 1. ed. Juiz de Fora: Franco Editora, 2005. p. 168. V. 1. KOVÁCS, A. Viajando com Dona Poesia. 1. ed. Blumenau: Gráfica e Editora Otto Kuhr, 2005. p. 150. v. 10. KOVÁCS, A. O monstro atômico. 1. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1998. p. 84. KOVÁCS, A. O pinguim que procurava o sol. 1. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1998. p. 20. V. 1. KOVÁCS, A. O burrinho que calculava. 1. ed. Blumenau: Hemisfério Sul, 1998. p. 18. V. 1. KOVÁCS, A. O canto da sereia. 1. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1996. p. 74. V. 3. 299 MARIA LUIZA BELLONI Terezinha Silva Maria Luiza Belloni nasceu em 25 de março de 1947 em Taquara (RS). É filha de Ângelo Belloni e Zina Araújo, e irmã de Isaura Belloni. Fez o curso de Magistério na Escola Normal Santa Terezinha, em Santo Antônio da Patrulha(RS), entre os anos de 1962 e 1965, e teve sua primeira experiência profissional como professora primária, entre 1965 e 1968, na escola comunitária da Vila Maria da Conceição, na periferia de Porto Alegre, onde aplicou os ensinamentos de Paulo Freire. Eram os anos de chumbo quando se graduou em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entre 1967 e 1970. Entre 1969 e 1970 participou da fase de tratamento dos dados e análise de uma pesquisa sobre comportamento político no Rio Grande do Sul, financiada pela Fundação Ford. Cursou Especialização em Métodos e Técnicas de Pesquisa em Ciências Sociais na Fundação Getúlio Vargas(FGV), com análise sobre a imprensa do Rio de Janeiro, feita entre 1971 e 1973, que resultou em um trabalho sobre a censura na imprensa em plena ditadura, realizado com duas colegas – selecionado, financiado, realizado e publicado pela FGV. O clima sombrio dos anos de chumbo da ditadura militar no Brasil levaram-na a abandonar, duas vezes, no primeiro semestre, o Mestrado em Ciência Política do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro(Iuperj), ligado à Universidade Cândido Mendes no Rio de Janeiro, financiado pela Fundação Ford. A saída foi emigrar para a França, onde inscreveu-se no curso de Estudos Interdisciplinares sobre a América Latina. Lá estudou a história, a geografia, a sociologia, a política e a literatura latino-americanas. 300 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul No Mestrado, realizado entre 1974 e 1976, no Institut de Hautes Études de L’Amérique Latine, da Université Paris III, investigou“La politique économique du Brésil selon la presse de Rio de Janeiro”, título da dissertação defendida em 1976. Ainda na França fez um ano de Doutorado em Sociologia das Religiões, e se inscreveu no Doutorado em Sociologia da Educação, na Faculté René Descartes da Université Paris V, onde estudou o uso pedagógico das mídias, com a tese“Technologie et Education: Le Système National de TV Educative”, defendida em 1984. De volta ao Brasil, trabalhou na coordenação de uma equipe de planejamento da educação da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, entre 1980 e 1982. Na Universidade Federal da Bahia(Ufba), entre 1982 e 1985, atuou com ensino e pesquisa no curso de Ciências Sociais, participou da reformulação do currículo, fez a primeira pesquisa sobre adolescentes e televisão, em 1984, e participou da criação do primeiro núcleo de pesquisas sobre a mulher no Brasil, o Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher(Neim/Ufba), que completou 40 anos em maio de 2023. Ainda nos anos 1980 começou a estudar as relações entre crianças e televisão. Da Bahia foi para Brasília, onde viveu sua segunda experiência tecnocrática no âmbito da Educação, coordenando, em 1985 e 1986, a equipe de Estudos de Planejamento da Secretaria de Planejamento no Ministério da Educação. Ainda em Brasília, no período de 1986 a 1992, Maria Luiza voltou à universidade atuando no ensino e na pesquisa na Universidade de Brasília(UnB) como coordenadora do ensino de Graduação em Ciências Sociais e participando da reformação do currículo. Também continuou, entre 1986 e 1992, suas pesquisas sobre a relação de crianças e adolescentes com a televisão, que culminaram com a produção do Programa“Formação do Telespectador”, um kit de materiais pedagógicos multimídia com vídeos e manuais impressos que se tornaram referência na área. Entre os anos de 1989 e 1990 realizou seu primeiro Pós-Doutorado no Laboratoire de Communication Politique do Centre National de la Recherche Scientifique(CNRS), em Paris, analisando o marketing da campanha da primeira eleição presidencial direta após a redemocratização. 301 No período de 1990 a 1992 produziu o material pedagógico multimídia“Programa Formação do Telespectador”, na UnB. Em 1993 foi para a Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) atuar no ensino de tecnologia educacional, EaD e na intervenção mídia-educativa das atividades desenvolvidas como professora e pesquisadora do Centro de Ciências da Educação(CED/UFSC). Ali deu prosseguimento às pesquisas sobre crianças e mídias – tanto os usos e apropriações da televisão quanto de computadores e novas tecnologias que se expandiam naquele contexto, desta vez com uma ênfase nova: o uso pedagógico destas mídias. No mesmo ano esteve à frente da criação da Oficina Pedagógica de Multimídia, um grupo de estudos e pesquisa no Centro de Ciências da Educação da UFSC – origem do Laboratório de Novas Tecnologias(Lantec), criado em 1995, e do grupo de pesquisa Comunic, em 1999, de estudos sobre a inter-relação entre educação e comunicação. Também participou da construção da linha de pesquisa“Educação e Comunicação” do Programa de Pós-Graduação em Educação(PPGE/CED/UFSC). No segundo Pós-Doutorado, realizado na Universidade Aberta de Portugal, em Lisboa, entre 1997 e 1998, dedicou-se aos estudos sobre Educação a Distância, que resultou em um dos primeiros livros teóricos e críticos sobre o tema. Além de ensino na Graduação e na Pós-Graduação, orientações de dissertações e teses na UFSC, Maria Luiza deu continuidade a atividades de extensão, com a formação de professores das redes de educação estaduais e municipais até o ano de 2005, quando se aposentou. Voltou a atuar na UFSC como voluntária em 2010 e 2011. Neste período trabalhou em pesquisa sobre redes sociais digitais com adolescentes estudantes do Instituto Estadual de Educação, e na formação de professores da UFSC e das redes de educação estadual e municipais, entre 2010 e 2011, para a aplicação das diretrizes do Ministério da Educação(MEC) de educação integral. Na sua concepção e na sua trajetória, pesquisa e intervenção mesclam-se, o que se evidencia nas experiências desenvolvidas: o Programa Formação do Telespectador e EaD para a formação de professores; a formação presencial de professores das redes de ensino; o laboratório de informática das licenciaturas(Lantec); e a participação na comissão de criação da TV educativa de Santa Catarina(UFSC e Universidade do Estado de Santa Catarina – Udesc). 302 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Principais publicações BELLONI, M. L. O que é mídia-educação. 3. ed. Campinas: Autores Associados, 2001. 102 p. BELLONI, M. L. O que é sociologia da infância. Campinas: Autores Associados, 2009. 150 p. BELLONI, M. L. Crianças e mídias no Brasil – cenários de mudança. Campinas: Papirus, 2010. 352 p. BELLONI, M. L. Mídia-educação: contextos, história e interrogações. In: FANTIN, M.; RIVOLTELLA, P. C. Cultura digital e escola: pesquisa e formação de professores. Campinas: Papirus, 2013. 368 p. BELLONI, M. L. Formação do telespectador. In: BECKER, M. et al. (org.). Escola Básica. Campinas: Papirus, 1992. 260 p. BELLONI, M. L. Educação a distância. 2. ed. Campinas: Autores Associados, 2001. 115 p. 303 ILKA GOLDSCHMIDT Ana Paula Bourscheid Ilka Margot Goldschmidt Vitorino nasceu em 30 de novembro de 1969 em Coronel Freitas(SC), porém viveu sua infância e adolescência em Chapecó(SC). É a filha caçula de Ruth Rosa Goldschmidt e Horst Guilherme Goldschmidt. É casada com Cassemiro Vitorino e mãe de Nicoly e Rodrigo. Cursou os ensinos Básico, Fundamental e Médio na Escola de Educação Básica Bom Pastor em Chapecó. Em 1986 prestou vestibular para o curso de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), concluído em 1991 com o trabalho final: o documentário“Minha criança é especial”, sob orientação de Eduardo Meditsch. Em 1996 concluiu o curso de Especialização em Metodologia do Ensino Superior em Comunicação Social, ofertada pelo Instituto Metodista de São Bernardo do Campo(IMSB), agora Universidade Metodista de São Paulo(Umesp). Em 1998 concluiu o Mestrado em Comunicação Social pela Umesp, com a dissertação“O fluxo da informação na televisão em Chapecó”, orientada por Anamaria Fadul. Sua primeira experiência no jornalismo iniciou durante a Graduação, a partir do estágio na Assessoria de Comunicação da UFSC, realizado entre 1987 e 1989. Em 1989 foi contratada pela TV Barriga Verde para atuar como editora e produtora. Em 1991 passou a exercer a função de repórter no jornal O Estado – ambos com sede em Florianópolis. Após concluir a formação em Jornalismo, retornou para Chapecó em 1992 e passou a atuar como assessora de imprensa na 304 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Cooperativa Central Oeste Catarinense Ltda. – Cooper Central (Aurora Alimentos). Ainda em 1992 foi contratada pela Rede Brasil Sul de Televisão – RBS TV Chapecó(agora NSC TV Chapecó) – para exercer a função de coordenadora de Telejornalismo. Permaneceu na emissora até 1994, quando migrou para a Universidade do Oeste de Santa Catarina(Unoesc – Campus Chapecó, agora Unochapecó) para elaborar a carta consulta e o projeto para criação do primeiro curso de Graduação em Jornalismo do Oeste de Santa Catarina. Em 1995, além de iniciar o trabalho desse projeto, Ilka Goldschmidt passou a atuar, também, como assessora de imprensa do Campus, atividade que exerceu até 1997. Ainda no Campus Chapecó, foi responsável pela criação de uma especialização para docência e o ensino do Jornalismo: Metodologia do Ensino Superior em Comunicação Social – voltada para qualificar profissionais graduados para o ensino do Jornalismo, e que ocorreu entre 1995 e 1996. Entre 1998 e 2000 foi a primeira coordenadora da Graduação em Jornalismo da Unoesc – Campus Chapecó, quando ingressou a primeira turma de estudantes. Ilka acompanhou as transformações que geraram a criação da Universidade Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó – e seguiu atuando como professora, pesquisadora e extensionista nessa instituição até dezembro de 2019. Entre 2007 e 2013 ela também coordenou o projeto de extensão Documentário e Comunidade – uma história que vai virar filme –, iniciativa que, em 2011, recebeu o Prêmio Cidadania Sem Fronteiras, classificado como um dos dois melhores projetos de extensão em Comunicação do país. De 2009 a 2015 esteve à frente do Núcleo de Iniciação Científica em Mídia Cidadã, e em 2016 conduziu o projeto de cinema itinerante pelo curso Tecnólogo em Produção Audiovisual(Cinema e Vídeo) – o Cine Uno Itinerante. Ainda, respondeu pelos cursos de Graduação em Jornalismo, entre 1998 e 2000 e 2013 e 2014, e Tecnólogo em Produção Audiovisual(Cinema e Vídeo), de 2014 a 2016, além de coordenar o Laboratório de TV e Cinema e a Acin Jornalismo – Agência de Comunicação Integrada. 305 Ilka integrou as comissões organizadoras do X Colóquio Internacional de Comunicação para o Desenvolvimento Regional(Regiocom), promovido pela Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação, realizado na Unochapecó em 2005, e do 13º Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sul(Intercom Sul), sediado na Unochapecó em 2012. Também fez parte dos colegiados e Núcleos Docentes Estruturantes(NDE) dos cursos de Jornalismo e Produção Audiovisual. Alguns dos inúmeros trabalhos orientados por ela receberam prêmios regionais e nacionais – a exemplo do documentário Casamento de Índio(prêmio Expocom Sul), do artigo“As técnicas de entrevistas de Eduardo Coutinho: um estudo sobre as possibilidades de aproximação entre o modo de entrevistar do documentarista e dos jornalistas de televisão”(premiado no 15º Congresso Nacional de Iniciação Científica – Conic-Semesp –) e do roteiro do documentário Acampamento Marcelino Chiarello: a terra que alimenta a resistência (prêmio Expocom Sul e Expocom Nacional). Além de atuar como professora nas instituições Unoesc – Campus Chapecó – e Unochapecó, Ilka também colaborou com o curso de Jornalismo da Universidade do Contestado(UnC) – Campus Concórdia –, e com a Unoesc – Campus Xanxerê. Na pesquisa e na extensão, ela participou da fundação, em 1994, da TV Clipagem – Migraj Gravações –, empresa de monitoramento de informação em televisão que permaneceu ativa até 2006, quando foi inaugurada a produtora audiovisual Margot Produções (Margot Filmes). Ainda consta em sua trajetória a dedicação de 17 anos à produção de filmes documentários que abordam pautas sociais, políticas e culturais, que envolvem, especialmente, o Oeste de Santa Catarina. Em 2006 tornou-se sócia-proprietária e passou a atuar como diretora, produtora, pesquisadora, roteirista e montadora na Margot Filmes, especializada na produção de conteúdo audiovisual independente, que, entre uma série de realizações audiovisuais, criou o Cinema na Linha, projeto itinerante que exibe filmes catarinenses nas comunidades rurais, ao ar livre, e oferece oficinas de produção audiovisual com o uso do smartphone para jovens destas comunidades. Pela Margot Filmes teve dois projetos selecionados no Prêmio Catarinense de Cinema de 2021 e 2022: o Pedra Vermelha e Os Curiós. 306 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Principais publicações CELIBATO no campo.(Audiovisual) Direção: Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt. Produção: Margot Filmes. Chapecó: Margot Filmes, 2010. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=97-HqOUtoNI&ab_channel=margotfilmes GOLDSCHMIDT, I.; AUDIBERT, G. As possibilidades de aproximação entre o modo de entrevistar de Eduardo Coutinho e dos jornalistas de televisão. In: SILVA, M. C. C.; MARTINEZ, M.; AZOUBEL, D.(org.). Eduardo Coutinho em narrativas. Votorantim: Provocare, 2016. p. 209-222. Disponível em: https://www.academia.edu/35759769/ Eduardo_Coutinho_em_Narrativas GOLDSCHMIDT, I.; TORRESCASANA, M.(org.). Mídia e cidadania: complexidade, impasses e desafios. Chapecó: Argos, 2018. Disponível em: https://www.editoraargos.com.br/e-books-gratuitos/ midia-e-cidadania-complexidade-impasses-e-desafios--ilkagoldschmidt-mariangela-torrescasana MAGNÉTICO. Audiovisual. Direção: Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt. Produção: Margot Filmes. Chapecó: Margot Filmes, 2021. Disponível em: https://www.margotfilmes.com.br/magnetico O POETA de cordel. Audiovisual. Direção: Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt. Produção: Margot Filmes. Chapecó: Margot Filmes, 2019. Disponível em: https://www.margotfilmes.com.br/ opoetadecordel 307 EDIENE FERREIRA Maryana Schmidt Pinto Ediene do Amaral Ferreira nasceu em 8 de fevereiro de 1972 em Bagé(RS). Filha mais nova de Ary Marques Ferreira e de Eneide do Amaral Ferreira, é irmã de Carlos Ferreira. Fez toda a formação escolar em Bagé: do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental na Escola Cirandinha, e do 3º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Formada em História Natural pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC/RS), graduou-se, também, em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas, no ano de 1992 na Universidade de Pelotas(UFPel). Durante a faculdade de Comunicação Social atuou como estagiária na TV, na assessoria da Reitoria e em outros Departamentos da UFPel, e foi bolsista de monitoria na Hemeroteca da Instituição, sendo responsável pela organização e manutenção do arquivo de periódicos. Em 1993 ingressou na Especialização em Teoria do Jornalismo e Comunicação de Massa na PUC/RS, e em 2001 passou a ministrar a disciplina de Teorias da Comunicação nessa mesma Especialização. Em sua carreira na docência, nos mais variados níveis de ensino, sempre esteve atrelada às disciplinas que envolvem as Teorias, por abarcar a Sociologia e a Filosofia, ciências de seu interesse. Além dos estágios e monitorias que realizou na Graduação, o primeiro emprego de Ediene foi como Relações Públicas da Refinadora Catarinense Açúcar Portobello(1994-1996), atuando como assistente de comunicação. Em 1994 foi selecionada 308 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul para o cargo de professora na Universidade do Vale do Itajaí (Univali) para lecionar nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, à frente das disciplinas de Teorias da Comunicação e Sociedade e Cultura. Em julho de 1997 ajudou a instituir o primeiro curso de Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas do Estado de Santa Catarina, na cidade de Itajaí, sendo oficializado o reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação(MEC) em 18 de junho de 2002. Além de lecionar na Universidade do Vale do Itajaí(Univali), Ediene assumiu também na Universidade Regional de Blumenau(Furb), ministrando as disciplinas de Teoria da Comunicação I e II entre 1997 e 1998. Com a oportunidade de realizar o Mestrado, pediu exoneração da Furb para se dedicar à Especialização stricto sensu e à docência na Univali. Fez o Mestrado em Comunicação Social(2000-2001) na PUC/ RS, pesquisando“a atividade de Relações Públicas sob o enfoque ecológico”, com orientação de Roberto Porto Simões. Na Univali participou ativamente da realização de diversos projetos, como a Feira Solidária, a fim de estimular o empreendedorismo, a ideia de troca de mercadorias e a economia circular nos acadêmicos, trazendo o viés comunitário para a formação social do aluno. Outro projeto encabeçado por ela foi o Olhares Universitários, programa que apresentava as ações da Universidade para a comunidade, transmitido no Sistema de Rádio e TV Educativos da Univali, e depois pela NSC TV, afiliada da Rede Globo, com o nome Olhares Múltiplos. No ano de 2013 iniciou o Doutorado em Educação na Univali orientado por Verônica Gesser, finalizando-o em 2017, com a defesa da tese intitulada“As diretrizes curriculares de 2013 no curso de Jornalismo: o discurso e o perfil dos experts da Comissão de Especialistas”, publicada na Revista espanhola Educación, Política y Sociedad. Em 2019, após assumir a coordenação do curso de Relações Públicas por uma década e a gestão de diversos projetos na Universidade, criou e passou a coordenar todos os mais de 50 cursos de PósGraduação lato sensu na modalidade a distância da Universidade do Vale do Itajaí, além de ocupar o cargo de professora titular do 309 Programa de Pós-Graduação em Educação na Instituição e atuar no Grupo de Pesquisa em Políticas e Práticas de Currículo e Gestão. Como docente, orientou mais de 150 trabalhos de Conclusão de Curso, além de integrar mais de 400 bancas de avaliação de trabalhos acadêmicos nas universidades que atuou como docente. Principais publicações FERREIRA, E. do A. As diretrizes curriculares de 2013 do curso de Jornalismo: o discurso e o perfil dos experts da Comissão de Especialistas. 2017, 204 f. Tese(Doutorado em Educação) – Universidade do Vale do Itajaí, Itajaí, 2017. FERREIRA, E. do A.; GESSER, V. Políticas públicas, Ensino Superior e mercado: redes de influência e neoliberalismo. Revista Educación, Política y Sociedad,[ S. l.], v. 7, n. 1, p. 56-77, 2022. DOI: 10.15366/ reps2022.7.1.003. Disponível em: https://revistas.uam.es/reps/ article/view/14065. Acesso em: 12 dez. 2023. FERREIRA, E. do A. O ensino das Relações Públicas em Santa Catarina. In: MOURA, C. P de(org.). História das relações públicas: fragmentos da memória de uma área. Porto Alegre: Edipucrs, 2008. p. 640-654. FERREIRA, E. do A. A atividade de Relações Públicas sob enfoque ecológico. 2002. 97 f. Dissertação(Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Programa de PósGraduação em Comunicação Social, Porto Alegre, 2002. FERREIRA, E. do A. O ensino das Relações Públicas em Santa Catarina. In: MOURA, C. P de(org.). História das Relações Públicas: fragmentos da memória de uma área. Porto Alegre: Edipucrs, 2008. FERREIRA, E. do A.; CARISSIMI, J. A trajetória dos projetos experimentais – estágio do curso Relações Públicas da Universidade do Vale do Itajaí/SC. In: MOURA, C. P. de(org.). História das Relações Públicas: fragmentos da memória de uma área. Porto Alegre: Edipucrs, 2008. 310 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul MARIA JOSÉ BALDESSAR Cristiane Fontinha Miranda Maria José Baldessar nasceu em 15 de maio de 1962 em Urubici (SC). É filha de Avelina Kruger Baldessar e Osvaldo Baldessar. Do 1º ao 3º ano primário estudou na Escola Básica Manoel Dutra Bessa(Urubici/SC); o 4º ano fez na EEB Professor Laércio Caldeira de Andrada(São José/SC); do 5º ao 8º ano no Educandário Imaculada Conceição(Florianópolis/SC); o Segundo Grau no Instituto Estadual de Educação(Florianópolis/SC). Em 1980 entrou na Graduação do curso de Comunicação Social/ Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Recém-formada, iniciou a carreira na TV Barriga Verde(1984) como repórter. Depois, transferiu-se para a TV Cultura, desempenhando a função de pauteira e secretária de redação. Na prefeitura de Florianópolis trabalhou(de 1987 a 1992) na comunicação de projetos especiais, como a coleta seletiva da Companhia Melhoramentos da Capital(Comcap) e o Horto Florestal. Deixou o mercado para dedicar-se à academia, em 1992, quando ingressou no curso de Jornalismo como professora substituta. Em 27 de dezembro de 1994 foi nomeada professora do Grupo Magistério Superior, classe auxiliar nível I, dedicação exclusiva 40 horas/DE. Começou a lecionar em 1995, ministrando disciplinas relacionadas ao radiojornalismo. Ao longo da carreira de professora universitária também ministrou outras cadeiras, como Redação para Internet, Jornalismo On-line, Laboratório de Narrativas Digitais e Técnicas de Projeto em Comunicação. 311 Um dos projetos desenvolvidos por ela foi o Universidade Aberta, que iniciou em 1991 como um programa de rádio feito por alunos bolsistas supervisionados pelos professores. Primeiro, os alunos cobriam notícias relacionadas ao campus e à produção científica da UFSC. Mais tarde o projeto cresceu e chegou a ter 35 bolsistas em 4 áreas diferentes: rádio, televisão, internet e impresso. Maria José orientou mais de dez alunos no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica(Pibic), de 2006 a 2009. Ainda orientou alunos de Mestrado e Doutorado em dois Programas de Pós-Graduação da UFSC. Em 2010 passou a integrar o Programa de Pós-Graduação em Design na área de interatividade e acessibilidade. No programa, participou de uma série de bancas e orientou duas dissertações de Mestrado – uma na área de fotografia e design e a outra na área de acessibilidade com foco em Libras. Em 2013 ingressou como professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento(EGC), vinculada à linha de pesquisa Mídias do Conhecimento, ministrando a disciplina Economia da Mídia. A partir de 2016 passou a integrar o Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução como professora permanente, ministrando a disciplina Tópicos Especiais I – Jornalismo e Estudos da Tradução. Também assumiu como coordenadora do Grupo de Pesquisa MidiaCon – Mídia e convergência – certificado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Ao longo de sua trajetória coordenou diversos projetos de pesquisa e extensão da UFSC, que tinham demandas específicas de produção de conteúdo para aplicação em cursos de Graduação e Pós-Graduação, desenvolvidos no Núcleo de Televisão Digital Interativa(NTDI). Maria José também ocupou diversos postos de chefia na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC): de julho de 1996 a maio de 1998, foi subchefe do Departamento de Comunicação Social; entre maio de 1998 e julho de 1998 foi chefe do mesmo Departamento, posto ocupado no período de julho de 2016 a abril de 2019; de novembro de 2006 a março de 2008 foi coordenadora do curso de Jornalismo; e entre abril de 2019 e maio de 2023 foi nomeada presidente da Comissão Permanente do Vestibular(Coperve), responsável por todos os processos seletivos de ingresso na UFSC, desde professores do Ensino Superior(primeira fase do processo) até a ocupação de quase sete mil vagas/ano oferecidas na Graduação. 312 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Principais publicações BALDESSAR, M. J.; MIRANDA, C. F. Convergência e interatividade na Internet. 1. ed.[ S. l.]: Novas Edições Acadêmicas, 2015. p. 64. V. 1. BALDESSAR, M. J.; GIGLIO, K. Cibercultura y convergencia: contribuiciones de Kerkhove. 1. ed. Saarbrucken: Editorial Académica Española, 2012. p. 57. V. 1. BALDESSAR, M. J. A mudança anunciada – o cotidiano dos jornalistas com o computador na redação. 1. ed. Florianópolis: Editora da Universidade Federal de Santa Catarina, 2003. p. 103. v. 1.000. BALDESSAR, M. J.; CHRISTOFOLETTI, R.(org.). Jornalismo em perspectiva. 1. ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2005. p. 288. V. 1. GOLFETTO, I. F.; BALDESSAR, M. J. Grupos focais? Técnica de pesquisa para Ciências Sociais Aplicadas, 1. ed. Florianópolis: Independente, 2018. p. 96. V. 1. 313 MARIA ISABEL OROFINO Isabel Colucci Coelho Maria Isabel Rodrigues Orofino, a Bebel, nasceu em 5 de julho de 1963 em Florianópolis(SC). É filha de Miguel Espera em Deus Manganelli Orofino e de Dilma Rodrigues Orofino. Fez o ensino primário no Colégio Coração de Jesus e Colégio Menino Jesus. O secundário foi cursado no Colégio Catarinense. Ainda na Graduação, cursada na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), realizou seu trabalho de conclusão em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo – sobre Franklin Cascaes(pesquisador da cultura da Ilha de Santa Catarina e região), com o documentário Santo de Casa, em 1986. Sua formação inclui Mestrado em Educação na Universidade Federal de Santa Catarina(1997); Doutorado em Ciências da Comunicação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP-2002), com pesquisa complementar na London School of Economics and Political Sciences/LSE, em Londres(Inglaterra); e Pós-Doutorado junto a Rede Clacso de Posgrados/Conselho LatinoAmericano de Ciências Sociais na área de Mídias e Direitos das Crianças(2014). Em sua jornada acadêmica atuou como professora no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo na Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM(20102015), no Programa de Pós-Graduação em Teatro e no curso de Graduação em Moda da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc-2006-2009). Foi professora, também, na Universidade do Sul de Santa Catarina(Unisul-2005; 2015-2016) e na Universidade do Vale do Itajaí(1993-1994). Entre as disciplinas que ministrou estão: Estudos Culturais e Processos de Recepção e Consumo e Estética; Consumo Midiático e 314 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Dinâmicas Socioculturais; Comunicação e Moda; Expressão Visual da Moda; Metodologia de Pesquisa; Fundamentos da Educação; Educação Intercultural: Questões Emergentes na Pesquisa em Educação(Seminário); Educação Intercultural: Identidades Múltiplas e Complexidade(Seminário); Filosofia da Linguagem; Estudos de Linguagem Audiovisual; entre outras. Integrou diversos projetos de pesquisa, entre eles os desenvolvidos no Observatório Internacional de Ficção Televisiva – Obitel(20092015) e no Núcleo Infância, Comunicação, Cultura e Arte – Nica (2002-2010), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina(PPGE/UFSC). Bebel Orofino, como é conhecida, também atuou na tradução para o português de obras para o campo da comunicação, como Multiculturalismo crítico, de Peter McLaren, e Crescer na era das mídias eletrônicas, de David Buckingham. Entre suas contribuições para o campo, também se destaca a organização das edições de 2013 e 2012 do Congresso Internacional Comunicação e Consumo(Comunicom) e do Grupo de Trabalho Comunicação, Consumo e Infância, do mesmo Congresso. Foi roteirista e produziu peças publicitárias, videoaulas, campanhas institucionais, documentários, videoarte e teatro. Trabalhou em produtoras de audiovisual, emissoras de televisão, fundações e institutos culturais e educacionais, como o Instituto Paulo Freire – como consultora(2004-2010) – e a Fundação Franklin Cascaes (1988-1992). Fundou o jornal local e comunitário Folha da Lagoa, no Bairro da Lagoa da Conceição(Florianópolis/SC), na década de 1990. Bebel Orofino envolveu-se, ainda, com a produção do 3 o Baile Místico, um movimento cultural gerido pelo Museu da Escola Catarinense(Mesc/Udesc) e a Associação FloripAmanhã – iniciativa que parte de um desfile alegórico, realizado pela primeira vez em 2019: o Cortejo Grande Baile Místico, onde se revive as lendas das Festas de Bruxas em uma tarrafa de pescaria, de Franklin Cascaes, e o Baile de bruxas em Itaguaçu, de Gelci José Coelho(Peninha). Até 2024 o movimento deu origem a dois livros e um documentário. Bebel também é autora, coautora e organizadora de mais de 15 livros, em que registra suas pesquisas de mais de 30 anos sobre o fantástico na ilha de Santa Catarina e seus estudos acadêmicos sobre a comunicação em seus diálogos com a cultura, processos 315 de mediação, consumo, infância e educação. À frente da Ondina Editora, ainda publicou uma série de pesquisas que realizou ao longo de toda sua carreira sobre o universo místico de sua cidade natal. Principais publicações OROFINO, M. I. R.; LORENZ, J. Palavras mágicas: aventuras e mistérios na Ilha de Santa Catarina para crianças. 1. ed. Florianópolis: Ondina Editora, 2023. 96 p. V. 1. OROFINO, M. I. R.; COELHO, G. J. Lendas da Ilha de Santa Catarina. 1. ed. Florianópolis: Ondina Editora, 2021. 193 p. V. 1. COELHO, G. J.; OROFINO, M. I. R. Narrativas absurdas: verdades contadas por um mentiroso. 1. ed. Florianópolis: Santa Editora, 2019. 200 p. V. 1. BACCEGA, M. A.; OROFINO, M. I. R.(org.). Consumindo e vivendo a vida: telenovela. consumo e seus discursos. 1. ed. São Paulo: Intermeios, 2012. 210 p. OROFINO, M. I. R. Mídias e mediação escolar: pedagogia dos meios, participação e visibilidade. 1. ed. São Paulo: Cortez Editora, 2012. 316 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul LÍGIA NAJDZION Marcia Peixe Vargas Lígia Najdzion nasceu em 16 de julho de 1964 em Santa Cruz do Sul(RS). É filha de Inês Pinto de Souza e Mieczyslaw Najdzion, mecânico, natural de Terebi(Polônia), agora território da Bielorrússia. É irmã de Sandra e Isabel. Iniciou sua formação educacional no Grupo Escolar Santa Cruz (1970-1974), colégio onde sua mãe trabalhava. Cursou os anos finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio(1975-1981) no Colégio Mauá. Entre 1982 e 1985 graduou-se em Comunicação Social/Relações Públicas pela Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), com a realização e defesa do“Relatório de Estágio Supervisionado em Relações Públicas”, realizado na R. J. Reynolds Tabacos do Brasil Ltda., orientada por Zenir Forgiarini Cechin. Ao término do curso foi admitida pela multinacional. Na R. J. Reynolds foi assistente e analista de comunicação, reportando-se diretamente à vice-presidência de comunicação da empresa no Brasil, sendo responsável pela comunicação interna e externa – com destaque para os eventos institucionais Tobacco Tennis Bowl e Contribution Plan –, apoio a marketing e relacionamento com a imprensa. Entre os anos de 1989 e 1992 Lígia atuou na Eliane Revestimentos Cerâmicos, em Cocal do Sul(SC), onde trabalhou em projetos internos, como o Jornal Eliane, as Olimpíadas Eliane e a Convenção Nacional de Vendas“50 anos em 5”, além da Campanha do Esporte Clube Criciúma por ocasião da conquista da Taça Brasil em 1991. Em 1992 tornou-se uma das primeiras franqueadas da marca catarinense de surf Mormaii, com lojas nas cidades catarinenses de Itapema, Porto Belo e na gaúcha Santa Cruz do Sul. 317 Em 1995 passou a coordenar o departamento de comunicação da R. J. Reynolds, recém-incorporada pela concorrente Philip Morris Marketing S.A. Entre seus principais trabalhos destacam-se a multiplicação da cultura do Empowerment, a comunicação interna e externa e o apoio ao marketing, com atuação em Santa Cruz do Sul e suporte à unidade de Curitiba(PR). Em junho de 1997 ingressou numa Especialização em Marketing pela Universidade do Vale do Itajaí, cujo trabalho de conclusão foi o “Planejamento Estratégico de Marketing para a empresa Caribbean Turismo Náutico”. O ingresso na docência ocorreu em fevereiro de 1998, na Universidade do Vale do Itajaí(Univali), no recém-criado e primeiro curso de Relações Públicas de Santa Catarina. No mesmo ano passou a lecionar também no curso de Jornalismo(Realidade Regional em Comunicação e Realidade Sócio-Política e Econômica Brasileira) e a responder pela Hemeroteca do Centro de Ciências Humanas e da Comunicação. Na sequência, passou a integrar o corpo docente dos cursos de Publicidade e Propaganda(Marketing I e II) e Gestão do Lazer e Eventos(Desenvolvimento de Eventos I e II). Em 1999 assumiu a coordenação da Agência Experimental de Relações Públicas(Agerp), atuando na I Semana de Relações Públicas de Santa Catarina, em junho de 2000, evento que reuniu mais de 400 participantes de 26 universidades brasileiras e uma internacional, o qual recebeu o prêmio Expocom, promovido pelo Intercom, na categoria Organização de Eventos. No ano seguinte foi convidada pelo Instituto Superior e Centro Educacional Luterano Bom Jesus(Ielusc), de Joinville(SC), para assumir disciplinas nas Graduações em Turismo e Meio Ambiente (Marketing de Serviços; Organização de Eventos) e Publicidade e Propaganda(Marketing, Assessoria de Comunicação), onde permaneceu até o final de 2002. Foi corresponsável pela Agência Experimental de Publicidade e Propaganda, e também pela organização da I Semana Acadêmica de Turismo e Meio Ambiente. Ainda em 2000 ingressou no Programa de Pós-Graduação strictu sensu – Mestrado em Turismo e Hotelaria da Univali – Campus Balneário Camboriú –, cuja pesquisa intitulada“Oferta turística de passeio de barco: um inventário do litoral centro catarinense”, orientada por Cássia Ferri, foi defendida em dezembro de 2002. 318 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Naquele ano assumiu o setor de Relações Públicas, Cerimonial e Protocolo da Universidade, junto com a nova gestão da Reitoria. No ano seguinte ocupou interinamente a Coordenação de Comunicação e Marketing Institucional, mais tarde denominada Gerência de Comunicação e Marketing. Nesta função realizou, entre outras atividades, a coordenação da comunicação interna e externa da organização, o desenvolvimento e aplicação de estratégias de relacionamento com os alunos, além do acompanhamento e avaliação das campanhas de vestibular e processo seletivo; a responsabilidade técnica pelas publicações dirigidas; a criação e efetivação da Central de Atendimento Univali(2005) e do programa de relacionamento com o egresso(2006); o evento Orientação Profissional por Área(OPA), institucionalizado em 2004; e o evento Desafio Univali(2004). Durante o período também representou a Universidade no Conselho de Marketing da Associação Catarinense das Fundações Educacionais(Acafe), e foi responsável pela adesão da Universidade à Associação Brasileira de Comunicação Empresarial(Aberje). Como membro, a Instituição conquistou os Prêmios Aberje Sul: Boletim Informativo Conta Gotas(2004), Hot Site Formas de Ingresso (2006), Campanha de Comunicação e Marketing Pós-Graduação Univali(2006) e Relacionamento com a imprensa: Guia de Fontes Univali(2008). Nas edições do Prêmio Aberje(2005 e 2007) Lígia foi jurada de quatro categorias. Por três vezes foi membro de comissões de avaliação e reconhecimento ou renovação de reconhecimento de cursos de Graduação em Turismo e Hotelaria em Santa Catarina, nomeada pelo Conselho Estadual de Educação. Permaneceu na Gerência de Comunicação e Marketing da Universidade até 2010. Em 2011 retornou à sala de aula, além de assumir atividades externas na área de comunicação em empresas como a Leardini Pescados, em Navegantes(SC), e a Tatticas Publicidade e Propaganda, em Itajaí(SC). Em 2018 ingressou oficialmente no Programa de Pós-Graduação em Turismo e Hotelaria Univali(PPGTH). Sua tese, intitulada“Modelo de mensuração da imagem projetada e percebida por meio da identidade organizacional do evento esportivo Volvo Ocean Race Stopover Itajaí”, orientada por Sara dos Anjos, foi defendida em 2021. Em junho de 2022 a pesquisa foi apresentada na 9ª Bienal 319 ITSA& Gran Canaria – SSTD 2022 Conference, em Alicante (Espanha). O mesmo trabalho foi publicado em abril de 2023 pelo International Journal Of Event And Festival Management. Entre março e abril de 2023 Lígia respondeu pela vice-coordenação do programa que envolveu 900 voluntários na parada brasileira da The Ocean Race 2023, em Itajaí(SC), por meio da Extensão da Univali. Ainda em 2023 passou a fazer parte da equipe no acompanhamento dos mais de 50 programas e projetos institucionais e nas atividades desenvolvidas pela área, com ênfase na Curricularização e na Internacionalização da Extensão. Desde o início da docência Lígia orientou e avaliou Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação, estágios supervisionados e projetos experimentais, com destaque para as áreas de Relações Públicas(RP), Publicidade e Propaganda(PP) e Jornalismo, além de Administração de Marketing; Marketing, Gestão de Eventos, Turismo e Meio Ambiente; e Design de Moda. Na Pós-Graduação também avaliou e orientou trabalhos nos cursos de Gestão da Comunicação Empresarial(do qual foi uma das coordenadoras) no MBA em Marketing Estratégico, MBA em Marketing Criativo, MBA em Branding, Especialização em Gestão Universitária e nos MBAs em Gestão Empresarial, em Finanças Empresariais e em Gestão Estratégica de Pessoas. A proximidade com os acadêmicos aconteceu por meio da Agência Integrada de Comunicação, que reunia os cursos de Graduação em PP, RP e Jornalismo, da qual fez parte por 14 anos como uma das professoras responsáveis. Os eventos acadêmicos dos cursos da Univali continuaram vinculando-se ao seu trabalho extraclasse como atividades de ensino e extensão, a exemplo da organização de duas edições do Prêmio Profissionais da Imprensa (com Jornalismo, em 2003 e 2004), do Granja 09(com PP, em 2009), das comemorações dos 15 anos dos cursos de RP e PP, respectivamente(anos 2012 e 2013), da criação e organização do Prêmio Chaplin de Comunicação(com os cursos de comunicação, em 2012, 2013 e 2014) e da criação e realização dos Prêmios Galo de Ouro(com PP, em 2019, 2021 e 2022) e RP Contest(com RP, em 2021 e 2022). Soma-se, ainda, a participação efetiva em eventos, como as edições do Olhares Múltiplos, promovido pelo Centro de Comunicação(2007 a 2020) e o apoio na realização do Intercom Região Sul, em junho 2022, realizado na Univali – 320 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Campus Balneário Camboriú – e os preparativos para o Intercom Nacional em 2024, novamente na Instituição. No decorrer de 38 anos de atividades e 24 de docência, Lígia Najdzion integrou os Núcleos Docentes Estruturantes(NDE) dos cursos de Relações Públicas presencial e EaD da Univali. Também contribuiu com mais de 200 orientações e projetos/pesquisas. Principais publicações BORGES, J. C.; NAJDZION, L. Assessorias de Comunicação, Assessorias de Imprensa e Agências de Publicidade do Vale do Itajaí: O que elas têm em comum? In: CONGRESSO BRASILEIRO CIENTÍFICO DE COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL E DE RELAÇÕES PÚBLICAS – ABRAPCORP, 15., 2021, São Paulo. Anais [...]. São Paulo, SP: Abrapcorp, 2022.( on-line). Disponível em: https://abrapcorp.org.br/anais2021gts/. Acesso em: 19 fev. 2024. NAJDZION, L.; ANJOS, S. J. G. D.; KUHN, V. R.; ANJOS, F. A. D. Measurement model of the projected and perceived image through the organizational identity of the Volvo Ocean Race Brazil event. International Journal of Event and Festival Management, v. 14, n. 4, p. 398-422, 2023. DOI: https://doi.org/10.1108/IJEFM-10-2022-0081 NAJDZION, L.; CORREA, R.; PROVESI, A. J. Relato de experiência: programa de voluntários da The Ocean Race – 2023 – Stopover Itajaí. In: ENCONTRO NACIONAL DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, 3., 2023, João Pessoa. Anais[...]. João Pessoa, 2023, v. 1. Disponível em: https://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2023/anais/ arquivos/0660_0964_01.pdf NAJDZION, L. FERRI, C. Oferta turística de passeio de barco: um inventário do litoral centro catarinense. Revista de Turismo – Visão e Ação, v. 5, p. 195-196, 2003. Disponível em: https://periodicos. univali.br/index.php/rtva/article/view/1142 NEDEFF, M. S.; NAJDZION, L. Sinta-se Mormaii: slogan ou estilo de vida? Um estudo da filosofia junto aos franqueados da marca. In: SEMANA CIENTÍFICA E DE EXTENSÃO DO CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS – GESTÃO, 2016, Balneário Camboriú. Anais [...]. Itajaí: Univali Editora, 2016. V. 2. Disponível em: https:// periodicos.univali.br/index.php/SCE/article/download/10021/5596 321 FABRÍCIA ZUCCO Cynthia Morgana Boos de Quadros Fabrícia Durieux Zucco nasceu em 20 de junho de 1973 em Florianópolis(SC). É filha de Odorico Durieux e Olga Durieux. Sua formação escolar começa no Educandário Imaculada Conceição e segue no Colégio Catarinense, em Florianópolis. Na década de 1990 muda-se para Blumenau(SC), onde realiza os estudos de Graduação no curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Regional de Blumenau(Furb). Nessa Instituição foi bolsista da Pró-Reitoria de Pesquisa(à época Superintendência), aliando a área de comunicação às atividades de pesquisa da Universidade. Ainda no período de faculdade fez intercâmbio estudantil, primeiramente na França(em Reims) e depois na Inglaterra(Margate), realizando cursos complementares e adquirindo experiência profissional na realização de eventos. Em seu Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado em 1994, fez uma análise dos logotipos que as empresas têxteis da região de Blumenau empregavam na linha de produtos destinados a adolescentes. Em 1997 cursou Especialização em Gerenciamento de Marketing e, em 2000, realizou o Mestrado em Administração(2000). No stricto sensu analisou as estratégias que as instituições de Ensino Superior empregavam para a seleção de alunos. Logo após a formatura na Graduação começou a carreira na área de comunicação interna de empresas têxteis da região, e, em seguida, trabalhou na Coordenadoria de Comunicação e Marketing da Furb. Ainda prestou consultoria para empresas na área de marketing e participou da primeira de uma série de campanhas eleitorais que se tornaram frequentes ao longo da trajetória. 322 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul A estreia como professora ocorreu em 1998, no Curso de Publicidade e Propaganda da Universidade do Vale do Itajaí(Univali), onde – desde então –, ao longo de sua trajetória, permaneceu vinculada no âmbito da Pós-Graduação. Em 1999 iniciou as atividades no curso de Publicidade e Propaganda da Furb, exercendo diferentes cargos administrativos. Na sua gestão à frente do colegiado de professores introduziu melhorias na estrutura de ensino, pesquisa e extensão, alçando o curso a um novo patamar em termos de reconhecimento interno e externo. Em 2005 licenciou-se da Universidade para assumir a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Blumenau, onde liderou uma numerosa equipe de publicitários, relações públicas e jornalistas encarregados de facilitar o diálogo entre o governo e a população. Neste período esteve à frente da divulgação de um festival chamado Oktoberfest, realizado há quase quatro décadas no município, e que constitui a maior festa do gênero fora da Alemanha. Em 2009 ingressou no Doutorado na Furb, e desenvolveu a tese intitulada“Relações entre as dimensões – motivação para viajar, fontes de informação e qualidade dos serviços percebida por turistas de festivais: um estudo sobre a Oktoberfest em Blumenau (Brasil) e Munique(Alemanha)”, sob a orientação de Sergio Luiz do Amaral Moretti. A repercussão do trabalho ganhou o reconhecimento da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo(Anptur) em 2013, figurando como um dos finalistas do concurso que anualmente premia os trabalhos de maior destaque na área. Um artigo de 2022 do Journal of Policy Research in Tourism, Leisure and Events, dedicado ao mapeamento da literatura internacional sobre a gestão de eventos, refere-se a Fabrícia como uma das autoras mais influentes deste campo do conhecimento no Brasil. Tais resultados situam-na entre os principais pesquisadores da Furb no AD Scientific Index. Em 2024 leciona no Programa de Mestrado e Doutorado em Turismo da Univali, e também no curso de Graduação em Publicidade e Propaganda e no Programa de Mestrado em Administração da Furb, além de coordenar um projeto de extensão que, desde 2006, oferece capacitação técnica em comunicação a entidades do terceiro setor. Paralelamente, integra o grupo de trabalho nacional Lab Academia, que reúne diversas universidades do país, incluindo instituições como Universidade de São Paulo(USP) e Escola 323 Superior de Propaganda e Marketing(ESPM), além de diferentes entidades de classe, como Anptur, Academia Brasileira de Eventos e Turismo e Rede Brasileira de Observatórios de Turismo. O grupo busca diminuir a distância entre o mercado e a produção científica das universidades. Principais publicações ZUCCO, F. D. et al. The relationship of subjective well-being in residents’ perceptions of the impacts of overtourism in the city of Blumenau, Santa Catarina, Brazil. Sustainability, v. 12, n. 5, p. 1.957, 2020. ZUCCO, F. D. et al. Destination image in virtual social networks. Anagramas: Rumbos y Sentidos de la Comunicación, v. 17, n. 34, p. 27-43, 2019. ZUCCO, F. D. et al. Imagem e identidade turísticas relacionadas às práticas e bens culturais percebidas pelos residentes: perspectivas a partir da cidade de Blumenau, Santa Catarina, Brasil. Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, v. 11, p. 320-346, 2017. ZUCCO, F. D.; MORETTI, S. L. do A.; LENZI, F. C. Superando la estacionalidad turística: planificación y gerenciamiento de eventos y comunicación integrada de marketing. Estudios y Perspectivas en Turismo, v. 22, n. 6, p. 1.214-1.231, 2013. ZUCCO, F. D.; MAGALHÃES, M. dos R. A.; MORETTI, S. L. do A. Análise do nível de satisfação dos participantes: evidências das últimas três edições da Oktoberfest em Blumenau(2006, 2007 e 2008). Turismo: Visão e Ação, v. 12, n. 3, p. 331-347, 2010. 324 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul TATTIANA TEIXEIRA Rita de Cássia Romeiro Paulino Tattiana Teixeira nasceu em Petrolina(PE). É filha de Leo Rodrigues Teixeira e Marta Gonçalves Teixeira. É casada com Elias Machado e mãe de Júlia e Lucas. Quando tinha oito meses de idade a família mudou-se para Salvador(BA). Até a terceira série do Ensino Fundamental fez na Escola Pequenópolis, e o restante da formação, até entrar na universidade, na Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. Formada em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia(1996), possui Mestrado(1998) e Doutorado (2003) em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia(Ufba). Além disso, realizou um Pós-Doutorado no Departamento de Lógica, História y Filosofía de la Ciencia da Universidad Nacional de Educacion a Distancia em Madrid(2017-2018). Ao longo de sua carreira vem tratando do tema da infografia jornalística por meio de pesquisas de campo realizadas desde 2004, utilizando estudos de caso e entrevistas com profissionais, o que resultou em artigos e no livro Infografia e Jornalismo – conceitos, análises e perspectivas, considerado uma referência na área, lançado em 2010. Também assumiu um projeto que analisa a história da infografia no Brasil a partir dos anos 1990. Ocupou a coordenação do Núcleo de Pesquisa em Jornalismo Científico, Infografia e Visualização de Dados(Nupejoc) e integrou o comitê gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia e a equipe do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração – Biodiversidade de Santa Catarina(Peld-Bisc), com foco na área de comunicação pública da ciência. 325 Em 2007 participou da equipe que estruturou a Pós-Graduação em Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), tendo sido vice-coordenadora do curso por um período. Entre 2008 e 2012 foi chefe do Departamento de Jornalismo na UFSC(dois mandatos consecutivos, via eleição direta). Foi diretora-geral de Comunicação da UFSC(2013 a 2016), cargo que unificou a gestão dos órgãos de comunicação da Universidade. Nessa nova estrutura trabalhou para integrar as atividades da Agência de Comunicação(Agecom), da TV UFSC, da Assessoria de Imprensa do Gabinete da Reitoria(AI/GR) e da Coordenadoria de Design e Programação Visual, além de gerir a publicação UFSC Ciência, revista que tem como objetivo propagar a variedade de pesquisas em desenvolvimento na Universidade. Em 2020 a UFSC criou o Comitê de Combate à Pandemia da Covid-19, no qual Tattiana fez parte do subcomitê de Comunicação, que teve como principal atribuição a elaboração de um plano estratégico para a crise sanitária. Em junho de 2020, foi entregue um relatório preliminar contendo todas as recomendações e diretrizes definidas. Na área literária fez oficinas com os escritores João Carrascoza(2020), J. P. Cuenca(2021) e Afonso Cruz(2023). Em 2022 participou do livro Pandemia em contos, lançado pela Editora da UFSC(EdUFSC), que reúne os contos premiados no Concurso Franklin Cascaes – Contos. Além disso, em 2022 um conto e uma crônica seus foram selecionados no Prêmio Off Flip de Literatura, e ficou entre os autores finalistas na categoria crônica. Na área artística dedica-se à música. Principais publicações MACHADO, E.; TEIXEIRA, T. Innovation as an essential part of journalism education in contemporary societies. Journalism Research & Education Section(JRE- On-line), v. 5, p. 103-116, 2016. TEIXEIRA, T. Infografia e Jornalismo – conceitos, análises e perspectivas. Salvador: Edufba, 2010. TEIXEIRA, T.; CAJUEIRO-WARREN, M. A comunicação pública da ciência e as ações da Agecom/UFSC na pandemia. In: GERALDES, E.; PIMENTA, G.; BELISÁRIO, K.; PINTO, R.; REIS, R.(org.). Comunicação e ciência na era Covid-19. São Paulo: Intercom, 2021. p. 164-175. 326 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul TEIXEIRA, T. A formação de divulgadores da ciência em um cenário em transformação: novas tecnologias e novos atores. In: PORTO, C.; OLIVEIRA, K. E.; ROSA, F.(org.). Produção e difusão de ciência na cibercultura: narrativas em múltiplos olhares. Ilhéus: Editus, 2018. p. 227-242. TEIXEIRA, T. Infografia e visualização de dados: apontamentos sobre caminhos inovadores no jornalismo de revista praticado no Brasil. In: TAVARES, F. de Mello B.; SCHWAAB, R.(org.). A revista e seu jornalismo. Porto Alegre: Penso, 2013. p. 249-260. 327 RAQUEL LOTH Jessica Gustafson Raquel Wandelli Loth nasceu em 7 de março de 1965 em Florianópolis(SC). É filha de Ondina Doin Vieira Wandelli e de Álvaro Wandelli Filho. É casada com Moacir Loth, mãe de Luara e Maitã e avó de Serena. Cursou o ensino básico em diferentes cidades do interior de Santa Catarina: Escola de Educação Básica Presidente Artur Costa e Silva, em Xanxerê, Colégio Divina Providência, em Jaraguá do Sul e Colégio São José, em Tubarão. Fez Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) entre os anos de 1982 e 1985, e atuou como repórter na editoria de Cultura e Geral dos jornais O Estado, Jornal de Santa Catarina e Jornal A Notícia. Em 1995 foi aprovada como jornalista do Instituto Nacional do Seguro Social(INSS), onde produziu matérias de cunho social, como a indenização paga pelo INSS aos ex-internos da Colônia Santa Tereza, antigo leprosário localizado na cidade de São Pedro de Alcântara(SC). Em 1996 recebeu o título de especialista em Estudos Culturais pelo Departamento de Jornalismo da UFSC, com a monografia “Literatura dos excluídos”, com orientação de Sônia Maluf. No ano 2000 concluiu o Mestrado em Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), orientada por Alckmar Luiz dos Santos, com a dissertação“A reconstituição do corpo-livro nas narrativas hipertextuais”, posteriormente publicada em livro: Leituras do Hipertexto: viagem ao Dicionário Kazar(2003). No mesmo ano ingressou como professora do Ensino Superior na Universidade do Sul de Santa Catarina(Unisul), ministrando 328 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul disciplinas como Literatura, Cinema e Jornalismo. Posteriormente ministrou Teoria da Comunicação, Comunicação Comparada, Redação, Jornalismo de Autor, Monografia, Projeto Impresso e Jornal-Laboratório. Entre 2003 e 2006 atuou como chefe da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina. Entre 2009 e 2013 foi cedida novamente pelo INSS para trabalhar como chefe da Coordenadoria de Comunicação Social da Secretaria de Cultura e Arte/Editora da UFSC. O Doutorado na área de Teoria Literária, sob orientação de Sérgio Luiz Rodrigues Medeiros, foi cursado também na UFSC, com estágio realizado na Université de Paris 3, época em que integrou a Associação de Pesquisadores e Estudiosos Brasileiros na França como diretora de pesquisa. Em 2014 defendeu a tese“Ver, pensar e escrever como um animal: devires do inumano na arte-literatura”, publicada três anos depois com 0 título“Existe, logo escreve – o inumano na arte-literatura”(2017). Durante a pandemia da Covid-19 produziu artigos sobre o contexto que o país vivia, a exemplo de“No coração do Brasil: arte-notícia contra a incomunicabilidade do ódio”(2020). Além das produções acadêmicas, venceu diversos concursos literários. Em 2020 publicou, na antologia Pandemias, o conto“A vacina”, selecionado pelo I Concurso de Contos da Editora Noveland; “Antes da escuridão”, conto baseado na morte do jornalista Renan Antunes, publicado no livro Entre tantos nós, do Curso Escrita Criativa; e“Memórias do boi”, na revista Gueto. Foi vencedora, também, do I Concurso de Crônicas da Fundação Franklin Cascaes, recebeu menção honrosa do Concurso de contos Paulo Leminski, do Paraná e foi vencedora do Prêmio Ensaios Borges y sus amigos, da Associação de Professores de Espanhol da UFSC. Além dos concursos de Crônicas e de Novos Contistas da UFSC, foi duas vezes selecionada para o Concurso Conto& Poesia, o Expoletra, do Sindicato dos Eletricitários de Santa Catarina, participações que resultaram na publicação de coletâneas. Em 2015 Raquel passou a atuar voluntariamente para a Rede de Mídia Independente Jornalistas Livres, realizando reportagens e investigações, como sobre a morte do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, sobre ataques a populações indígenas de Santa Catarina, ascensão do neonazismo e neofascismo e violência de gênero, entre 329 outras pautas sobre violação de Direitos Humanos. Para o mesmo veículo, em 2023, realizou a cobertura de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília. A partir de sua experiência passa a produzir diversas lives narrando jornalisticamente os acontecimentos sociais de maneira instantânea. Depois de duas décadas de trabalho aliando docência, pesquisa e extensão, em 2020 desvincula-se da Unisul e ingressa no Grupo Artes e Mestiçagens Poéticas da Universidade Federal de Santa Catarina/ PGET e inicia um Pós-Doutorado na Universidade Estadual Paulista a partir do Grupo E-LABORE(si) – práticas corporais e tecnologias –, desenvolvendo estudos sobre narrativas insurgentes e a categoria de arte-notícia na resistência, dando sequência, também, à sua atuação jornalística e ensaística. Principais publicações LOTH, Raquel Wandelli. Leituras do hipertexto: viagem ao Dicionário Kazar. Florianópolis: Edufsc, 2003. LOTH, Raquel Wandelli. Existe, logo escreve – o inumano na arteliteratura. Blumenau: Edifurb, 2017. LOTH, Raquel Wandelli. No coração do Brasil: arte-notícia contra a incomunicabilidade do ódio. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM JORNALISMO – SBPJOR, 18., 2020, São Paulo. Anais[...]. São Paulo: SBPJOR, 2020. p. 1-16. Disponível em: https://sbpjor.org.br/congresso/index.php/sbpjor/ sbpjor2020/paper/view/2700/1564 LOTH, Raquel Wandelli. Crítica ao elogio do jornalismo humanizado: o repórter vai ao zoológico. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM JORNALISMO – SBPJOR., 16., 2018, São Paulo. Anais[...]. São Paulo: SBPJOR, 2018. p. 1-16. Disponível em: https://sbpjor.org.br/congresso/index.php/sbpjor/ sbpjor2018/paper/viewFile/1237/914 LOTH, Raquel Wandelli. Sganzerla, o cineasta cinéfilo; amor à vanguarda, guerra ao conformismo. Revista Filme e Cultura, Brasília: SAv/MinC, n. 53, p. 33-37, 2011. Disponível em: http://revista. cultura.gov.br/wp-content/uploads/2017/06/Filme-Cultura-n.53. pdf#page=35 330 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul GIOVANNA FLORES Fabiana Piccinin Giovanna Benedetto Flores nasceu em 23 março de 1959 em Porto Alegre(RS). É uma das três filhas de Ery Aiete Flores e de Adelina Benedetto Flores. Fez o Ensino Fundamental em Caxias do Sul, no Colégio Estadual Imigrante, e iniciou o Ensino Médio no Colégio Estadual Cristóvão de Mendonza, finalizado em Porto Alegre no Colégio Estadual Pio XII. Trabalhou em vários veículos de comunicação até 1985, quando se formou em Publicidade e Propaganda pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos). Começou na Rádio Panorama, da cidade de Taquara(RS). Depois trabalhou em diversas funções no Jornal Gazeta em Dia, de Bento Gonçalves – do qual virou uma das sócias –, ao mesmo tempo em que mantinha o emprego como diagramadora de anúncios do jornal O Pioneiro em Caxias do Sul. Logo depois de obter o diploma abandonou os empregos simultâneos, bem como a terra natal, e foi trabalhar em televisão em Campo Grande(MS). Na TV Morena, afiliada da Rede Globo, foi editora de texto e pauteira. Dois anos depois voltou ao Sul para assumir o cargo de chefe de reportagem/editora-chefe nas emissoras do interior – Bagé e Pelotas – da RBS TV, também afiliada da Rede Globo, onde trabalhou entre os anos de 1987 e 1988. Em 1988 mudou-se para Florianópolis(SC) para ocupar o cargo de editora-chefe dos telejornais da RBS TV nas praças do interior de Santa Catarina. Posteriormente assumiu a chefia de reportagem e foi também editora-chefe dos telejornais da rede, onde ficou por 12 anos. Ao sair da emissora abriu o próprio negócio e montou a Apoio Assessoria de Comunicação. 331 Em 2001 foi trabalhar como professora do curso de Comunicação Social da Universidade Comunitária do Sul de Santa Catarina (Unisul), e, paralelamente, iniciou o curso de Mestrado no Programa Ciências da Linguagem, então recém-criado pela Instituição. Sua dissertação investigou as relações e construções textuais entre o repórter, na redação, e o assessor de imprensa. Dois anos depois da defesa, em 2006, prestou seleção para o Doutorado na Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), em São Paulo, quando estudou os jornais da época colonial do Brasil, concentrando-se em cinco periódicos que cobriram os movimentos da Independência. Paralelamente ao Doutorado, criou o Grupo de Pesquisa Discurso, Cultura e Mídia, hoje consolidado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPQ), posto que a tese, defendida em 2011, virou o livro Os sentidos de nação, liberdade e independência na imprensa brasileira(18211822) e a fundação do discurso jornalístico brasileiro, pela qual também recebeu Menção Honrosa no Prêmio Adelmo Genro Filho, na edição da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) de 2012. A partir dali Giovanna passou a ser professora do corpo permanente do Programa de Pós-Graduação(PPG) Ciências da Linguagem, no qual havia feito seu Mestrado, intensificando a pesquisa, publicando e orientando trabalhos na Linha de Pesquisa Texto e Discurso, que se ocupa da Análise de Discurso. Foi orientadora de 13 dissertações de Mestrado, 6 de Doutorado, 33 Trabalhos de Conclusão de Curso e de 11 bolsistas de Iniciação Científica. Nesses 11 anos como professora e pesquisadora do PPG e professora da Graduação, organizou o Intercom Sul em 2014, a SBPJor em 2016, além de seis edições do Seminário Discurso, Cultura e Mídia e duas edições do Seminário Marcas da Memória. Em 2018 partiu para Portugal para fazer seu Pós-Doutoramento na Universidade Fernando Pessoa, na cidade de Porto. Durante sua estância Pós-Doutoral, estudou a cobertura dos jornais portugueses e seu olhar discursivo sobre o evento da Independência do Brasil e os desdobramentos do rompimento entre a colônia brasileira e Portugal. Mesmo depois de aposentada, manteve-se ativa na pesquisa junto aos grupos Discurso, Cultura e Mídia – como vice-líder – e Mídia e(m) Discurso, da Universidade Federal Fluminense(UFF). 332 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Nesta última instituição também ingressou em seu segundo PósDoc, no PPG Estudos de Linguagem, para investigar os conceitos de neutralidade e imparcialidade e sua relação com a censura, tomando como objeto os jornais feministas da época da ditadura militar no Brasil. Ao longo desses mais de 20 anos de atuação, Giovanna apresentou trabalhos em eventos, publicou 12 artigos, participou da organização de 15 livros e da publicação de 25 capítulos. Principais publicações FLORES, G. B. Entre ossos e restos: uma imposição do discurso neoliberal no Brasil desgovernado. In: DELA-SILVA, S.; LUNKES, F. (org.). Mídia e(m)discurso. Percursos de pesquisa. Campinas: Pontes Editores, 2022. FLORES, G. B. Feminismo lésbico na ditadura civil-militar: a resistência do/no jornal ChanacomChana. In: DALTOÉ, A.; FLORES, G. B.; SILVEIRA, J. da(org.). Marcas da memória: O que resta da ditadura na educação brasileira? Campinas: Pontes Editores, 2022. FLORES, G. B. Os Corpos vulneráveis e o discurso da/na mídia. In: FLORES, G. B. et al.(org.). Análise de discurso em rede: cultura e mídia. Campinas: Pontes Editores, 2021. V. 5. FLORES, G. B.“A história que a história não conta”. O dizer do colonizador sobre o brasileiro. In: FARIA, J. P. de; SANTANA, J. de C.; NOGUEIRA, L.(org.). Linguagem, arte e o político. Campinas: Pontes Editores, 2020. FLORES, G. B. Os sentidos de nação, liberdade e independências na imprensa brasileira(1821-1822) e a fundação do discurso jornalístico brasileiro. Porto Alegre: EdiPucrs; Palhoça: Unisul, 2014. FLORES, G. B. Os sentidos de nação e independência do Brasil e a imprensa portuguesa do séc. XIX(1820-1823). In: SOUSA, J. P. (org.). Imprensa e mudança: Portugal e Brasil no primeiro quartel de oitocentos. Lisboa: Icnova – Instituto de Comunicação da Nova, 2020. 333 GISLENE SILVA Kérley Winques Gislene Silva nasceu em 16 de março de 1962 em São Geraldo (MG). É filha de Elza Bernardina da Silva e de João Francisco da Silva. Fez os Ensinos Fundamental e Médio em sua cidade natal, respectivamente na Escola Primária Dr. Oswaldo de Oliveira Duarte e no Colégio Santo Antônio. Em 1981 ingressou no curso de Jornalismo da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF). No segundo ano na faculdade obteve a primeira colocação em um concurso público para agente administrativo na UFJF, exercendo sua função na Biblioteca Central da Instituição. Em 1986, participou do processo seletivo para o Mestrado em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), situada em São Bernardo do Campo(SP). Obtendo bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), desligou-se do cargo na UFJF e mudou-se para a cidade paulista. Defendeu a dissertação em 1989 intitulada“Do detalhe ao talhe: dissertações/teses em Comunicação Rural – década 1978-1988”, sob a orientação de Wilson Bueno da Costa. Iniciou sua carreira como jornalista em 1989, na revista Saúde, publicada pela Editora Azul/Abril. Durante esse período também atuou como freelancer na revista Guia Rural, da mesma Editora. Após um ano na Editora Abril foi trabalhar na Revista Globo Rural, da Editora Globo, onde permaneceu de 1990 a 2002. Ingressou no Doutorado em 1996, no Programa de Pós-Graduação 334 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC/SP), defendendo a tese“O imaginário rural do leitor urbano: o sonho mítico da casa no campo”, em 2000, orientada por Teresinha Bernardo. O estudo recebeu financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Gislene iniciou sua carreira como docente no Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), em Florianópolis(SC), em 2003, após ser aprovada em concurso público. Além de lecionar na Graduação, fez parte do grupo de docentes envolvido na criação e efetivação do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo(PPGJOR), em 2007. Durante os 17 anos de atuação – de 2003 até sua aposentadoria em 2020–, contribuiu em quatro áreas principais: estudos metodológicos, estudos teóricoepistemológicos e Teoria do Jornalismo, estudos do imaginário e crítica de mídia. Ao longo de sua carreira orientou cerca de 40 trabalhos na Graduação. Em 2015 propôs e coordenou o projeto de digitalização de toda a produção do curso de Jornalismo, iniciado em 1979. Até sua aposentadoria foi responsável por supervisionar o acervo e os bolsistas que trabalhavam nessa tarefa no Repositório Digital da Universidade. No que se refere aos estudos metodológicos, entre 2008 e 2010 conduziu o projeto intitulado“Opções metodológicas nas dissertações e teses de Jornalismo dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação do Brasil”, que recebeu apoio financeiro do CNPq. Dentre as principais produções resultantes desse projeto, destacamse o artigo“Problemática metodológica em jornalismo impresso”, publicado na revista Rumores em 2008. Em coautoria o artigo “Percursos metodológicos e teóricos da pesquisa em história do jornalismo nas teses dos programas de comunicação do Brasil”, publicado na revista Brazilian Journalism Research, em 2010; o capítulo“Mídia noticiosa como material de pesquisa: recursos para o estudo de produtos jornalísticos”, publicado no livro Pesquisa em Ciências Sociais: interfaces, debates e metodologias, em 2012; e o artigo“Análise de cobertura jornalística: um protocolo metodológico”, em 2011. Durante a Pós-Graduação, orientou 12 dissertações e 2 teses, sendo uma delas a dissertação“Contribuições do pensamento complexo para o campo epistêmico do Jornalismo”, vencedora do Prêmio Adelmo Genro Filho em 2014. 335 Gislene também abordou a questão da noticiabilidade em seus estudos teórico-epistemológicos, tema publicado em diversos artigos. Em 2014 coorganizou o livro Critérios de noticiabilidade: problemas conceituais e aplicações, que reuniu trabalhos dispersos em produções acadêmicas brasileiras da década anterior. Os estudos do imaginário foram abordados em sua tese de Doutorado, e, posteriormente, durante seu Pós-Doutorado na Universidade de São Paulo(USP) em 2008. Nesse período trabalhou no projeto“Proposta metodológica para estudos de imaginário no Jornalismo: imagens de natureza na imprensa escrita”. Entre 2013 e 2016 coordenou o projeto de pesquisa“Jornalismo, imaginário e natureza: estudo das imagens de natureza na imprensa”, financiado pelo CNPq. Realizou seu segundo estágio Pós-Doutoral na Universidad Complutense de Madrid, entre 2015 e 2016. Seus projetos de pesquisa como bolsista de produtividade do CNPq também estão relacionados a essa área:“Aportes teóricos e técnicos para uma crítica cultural da notícia”(2016-2018) e“Crítica de cobertura jornalística: questões de método e ações de contrahegemonia em contexto de grande desigualdade social”(20192021). Ainda dentro da temática de crítica da mídia, participa da Rede de Pesquisa em Cultura Midiática(Metacrítica) em colaboração com pesquisadores da Escola de Comunicações e Artes(ECA/USP) e da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais(PUC/MG). Como integrante da rede, contribuiu na organização de três simpósios e na produção de três dossiês em periódicos. Em 2017 auxiliou na organização do 1º Simpósio de Crítica de Mídia – como criticam os que criticam? na UFSC. Em 2018 ocorreu o 2º Simpósio de Crítica de Mídia – como fazer para criticar? na USP, resultando em dois dossiês publicados em 2019:“Apreciações culturais e políticas na crítica de mídia”, na revista Estudos em Jornalismo e Mídia, e“Políticas da crítica: formação e circulação em práticas midiáticas”, na Rumores. Em 2019 lançou o livro“Pesquisa da pesquisa: crítica de teses e dissertações em Comunicação Rural(1978-1988)”. Ao longo de sua trajetória, além ter sido bolsista produtividade do CNPq até 2021 e ter publicado e/ou organizado oito livros, também ocupou cargos de coordenação no curso de Especialização Estudos em Jornalismo(de 2004 a 2005) e no curso de Graduação 336 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul em Jornalismo(de 2005 a 2006), além de ter sido chefe do Departamento de Jornalismo(de 2005 a 2006) e do PPGJOR(de 2010 a 2012). Gislene foi líder, até 2021, do Grupo de Pesquisa Crítica de Mídia e Práticas Culturais e do Grupo de Pesquisa Transverso Estudos em Jornalismo, Interesse Público e Crítica. Entre 2006 e 2008 atuou como editora da revista Estudos em Jornalismo e Mídia(EJM/UFSC). Fora da UFSC, trabalhou como secretária-geral da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) no biênio 2013-2015, e foi integrante, por três vezes, de comissões da Capes para avaliação dos programas de Pós-Graduação – Avaliação Trienal 2013, Qualis Livros 2017 e Avaliação Quadrienal 2017. Principais publicações SILVA, G. Para pensar critérios de noticiabilidade. Estudos em Jornalismo e Mídia, v. 2, n. 1, 2005. SILVA, G. De que campo do jornalismo estamos falando? Matrizes, v. 3, n. 1, 2009. SILVA, G. O sonho da casa no campo: jornalismo e imaginário de leitores urbanos. Florianópolis: Insular, 2009. SILVA, G.; MAIA, F. D. Análise de cobertura jornalística: um protocolo metodológico. Rumores, v. 5, n. 10, 2011. SILVA, G. Pesquisa da pesquisa: crítica de teses e dissertações em comunicação rural(1978-1988). São Paulo: Selo Kritikos, 2019. 337 DAISI VOGEL Magali Moser Daisi Irmgard Vogel nasceu em 14 de fevereiro de 1965 na Vila Itoupava, Distrito de Blumenau(SC). É caçula de uma família de três filhos de Olaf Vogel e de Irmgard Kunze Vogel. Toda a escolarização de Daisi foi em escola pública. O Ensino Fundamental(então Primeiro Grau) cursou na Escola Básica Estadual Coronel Pedro Feddersen, na Vila Itoupava, e na Escola Isolada Municipal Euclides da Cunha. O Ensino Médio(na época Segundo Grau) fez no Colégio Dom Pedro II, em Blumenau(SC). Como lia desde os quatro anos, quando entrou na escola aos seis anos lhe passaram para a segunda série. Assim, com 15 anos terminou o segundo grau e prestou vestibular para Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) em 1981. Trancou o curso por um ano e o concluiu em 1985, com reconhecimento de mérito acadêmico. No ano de conclusão no curso teve sua primeira carteira de trabalho assinada como redatora na Rádio Atlântida, o que lhe rendeu registro de radialista. Pouco tempo depois passou por uma agência de publicidade, onde produzia um jornal para um cliente. Em maio de 1986, recémformada, ingressou na editoria Geral do Jornal Diário Catarinense, que começara a circular naquele mesmo mês. Depois passou para a editoria de Economia, e em agosto de 1987 assumiu como a primeira repórter da sucursal em Santa Catarina da Gazeta Mercantil. Em 1990 pediu demissão e passou um ano viajando por países europeus. Em 1991, já de volta, foi freelancer da revista Veja, da Editora Abril, o que fez pelos seis anos seguintes. A Veja criou cadernos por Estado – em Santa Catarina era a VejaSC, que 338 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul coordenou enquanto existiam. Em 1993 trabalhou nos cadernos regionais da Veja na Abril em São Paulo. Daisi também produziu pautas em muitas revistas da Editora nos anos seguintes, como Veja, Capricho e a Nova Escola, editada pela Fundação Victor Civita. Em 1997 foi editora e repórter da Revista GenteSC, criada em Florianópolis. Continuava fazendo freelancer para a Abril, além da IstoÉ, IstoÉ Dinheiro e outras revistas. Em março de 1998 voltou para a Gazeta Mercantil para participar da criação do caderno regional, um encarte produzido por uma pequena equipe na capital catarinense. Lá foi editora executiva, pauteira e chefe de reportagem. Saiu em agosto de 1999 para se dedicar ao Doutorado, começado no ano anterior. Foi seu último emprego formal como jornalista. Ingressou no Mestrado em Teoria Literária da UFSC em 1993, terminando em 1997, orientada por Walter Carlos Costa. A dissertação foi publicada em formato de livro em 2012, com o título “Fábulas do Gol: As crônicas esportivas de Nelson Rodrigues em Manchete Esportiva”. Em seguida, em 1998, entrou para o Doutorado em Literatura, também na UFSC, novamente sob orientação de Walter Carlos Costa. Defendeu a tese em 2002, sobre as entrevistas dadas pelo escritor argentino Jorge Luis Borges publicadas por jornais e revistas de diversos países, a qual foi publicada em livro em 2009, intitulado “Borges e a entrevista: Performances do escritor e da literatura na cena midiatizada”. Fez dois estágios Pós-Doutorais na área de comunicação. O primeiro junto a Universidade Federal Fluminense(UFF), de 2009 a 2010. O segundo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), de 2015 a 2016. Sua estreia na docência foi no curso de Jornalismo da Unisul, Campus Pedra Branca, onde trabalhou de março de 2003 a dezembro de 2004. No segundo semestre de 2004 entrou como professora substituta no Jornalismo UFSC, e, em março de 2005, foi efetivada na UFSC após concurso público. Além das aulas na Graduação, deu aulas no curso de Especialização em Jornalismo em 2005, e, em 2007, participou da criação do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo(PPGJOR). 339 Paralelamente, entre 2002 e 2008, fez parte de projetos da Editora Tempo Editorial, com livros ilustrados sobre Santa Catarina. Na vida acadêmica um projeto importante foi o Tecer: Jornalismo e Acontecimento. Era um Programa Nacional de Cooperação Acadêmica(Procad-Capes), aprovado para desenvolvimento de 2009 a 2012, com a participação de 12 pesquisadores de quatro Programas de Pós-Graduação em Comunicação: Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e UFSC. Na Graduação da UFSC trabalhou com as disciplinas de reportagem e texto jornalístico, e em 2019 passou a ministrar aulas de Estética e Cultura da Mídia. Por três anos, de 2018 a 2021, esteve à frente da Coordenação do Curso de Graduação de Jornalismo da UFSC. O tema da Estética é sua pesquisa registrada na UFSC e no PPGJOR. Orientou mais de 50 Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC), 3 especialistas, 17 mestrandos e 4 doutorandos. Principais publicações VOGEL, D. I.; SILVA, G.; SILVA, T.(org.). Apuração, redação e edição jornalística. 1. ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2022. V. 1. VOGEL, D. I. Morte e narrativa. Galáxia, São Paulo, on-line, v. 1, p. 186-195, 2017. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/ galaxia/article/view/25834. Acesso em: maio 2023. VOGEL, D. I. A sobrevida do fait divers. Contracampo, UFF, v. 18, p. 135-148, 2008. Disponível em: https://periodicos.uff.br/ contracampo/article/view/17466. Acesso em: maio 2023. VOGEL, D. I. Bom jornalismo, histórias bem contadas. Estudos em Jornalismo e Mídia, v. 8, n. 2. p. 298-305, 2011. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/article/view/19846924.2011v8n2p298 Acesso em: maio 2023. VOGEL, D. I.; SILVA, G. O acontecimento e a ficção no jornalismo. Comunicação& Sociedade, on-line, v. 32, p. 33-50, 2010. Disponível em: https://biblat.unam.mx/hevila/Comunicacao&sociedade/2010/ vol32/no54/2.pdf Acesso em: maio 2023. VOGEL, D. I. Borges e a entrevista: performances do escritor e da literatura na cena midiatizada. Florianópolis, SC: Editora Insular, 2009. 340 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul RAQUEL LONGHI Kérley Winques Raquel Ritter Longhi nasceu em 26 de janeiro de 1963 em Canoas (RS). É filha de Ivone Eliza Ritter Longhi e Octavio José Longhi. Da pré-escola até a terceira série estudou no Grupo Escolar Canoas, e o restante de sua formação, até entrar na Universidade, foi no Colégio Maria Auxiliadora. Ingressou na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), em São Leopoldo(RS), em 1981, no curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Já no primeiro semestre de faculdade começou a trabalhar na redação do jornal O Timoneiro – inicialmente como estagiária e depois como funcionária. Ali tinha a tarefa de decifrar notas comunitárias. Após a conclusão de sua Graduação, em 1985, embarcou em uma experiência autônoma na produção de conteúdo audiovisual, gravando eventos sociais e culturais com uma câmera de vídeo VHS. Mais tarde, no final dos anos 1980, iniciou seu trabalho na Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(ADUFRGS). Sua função como jornalista da entidade incluía a edição da revista ADverso, que apresentava trabalhos de pesquisa e reflexão dos docentes e pesquisadores do meio acadêmico, além de contar com matérias e reportagens. Em 1991 candidatou-se a uma bolsa no programa Master en Historia y Estética del Cine para o período de 1992-1993, em Madri-Espanha. Após ser selecionada, realizou o curso oferecido pela Fundación Viridiana em parceria com o Ministério da Cultura, Comunidade Autônoma de Madri e Universidade Autônoma de Madri. Seu trabalho final foi“Breve comentário acerca de‘Extraños en un tren’”. 341 Após retornar ao Rio Grande do Sul começou a trabalhar como freelancer para o Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre. Em 1996 ingressou no Mestrado em Comunicação e Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), com dissertação defendida em 1998 e nomeada“Metáforas e labirintos: a narrativa em hipertexto na internet”, orientada por Marília Levacov e Sérgio Caparelli. Em 1999 começou o Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC/SP), quando se dedicou ao aprofundamento do software de escrita em hipertexto já utilizado durante o Mestrado – o Storyspace. Em meio ao curso, Raquel recebeu uma bolsa de DoutoradoSanduíche da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) em 2001, e embarcou para Singapura(Ásia) para uma jornada de estudos na National University of Singapore, onde permaneceu de 2001 a janeiro de 2002. Após retornar ao Brasil, em 2004, defendeu sua tese intitulada “Escrita em hipertexto: uma abordagem do Storyspace”, orientada por Arlindo Ribeiro Machado Neto. Em 2003 foi professora da disciplina de Introdução à Semiótica no Curso de Comunicação da Faculdades de Ciências Contábeis de Taquara(FACCAT) pelo período de um semestre. Posteriormente, ingressou na Faculdade de Comunicação da Universidade Luterana do Brasil(Ulbra), localizada em Canoas, onde, ainda como doutoranda na PUC-SP, ministrou disciplinas em dois cursos: Comunicação Social e Produção Audiovisual e Cinema. Em 2006, após acumular três anos de experiência no ensino privado, participou de um concurso público para a área de Jornalismo Gráfico na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Iniciou sua trajetória na instituição em fevereiro de 2007, inicialmente com disciplinas na Graduação, período em que orientou 12 Trabalhos de Conclusão de Curso. Em 2008 ingressou no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPGJOR), ampliando sua atuação para disciplinas como Teorias das Linguagens Jornalísticas, Gêneros e Formatos do Ciberjornalismo e Narrativas Ciberjornalísticas. Durante esse período orientou 13 dissertações e 5 teses – entre elas a primeira tese defendida no PPGJOR – e 1 dissertação com menção honrosa no Prêmio Adelmo 342 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Genro Filho em 2017. Foi coordenadora do curso de Graduação em Jornalismo(de 2010 a 2012) e na Pós-Graduação(de 2016 a 2018). No Departamento de Jornalismo da UFSC fundou o Núcleo de Estudos e Produção Hipermídia Aplicados ao Jornalismo(Nephi/ Jor) e o Grupo de Pesquisa Hipermídia e Linguagem, em 2007. Em 2008 entrou para a Rede de Pesquisa Aplicada Jornalismo e Tecnologias Digitais(JorTec), um grupo vinculado à Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor). Dentro da JorTec, mais tarde, ocupou o cargo de vice-coordenadora de(2018 a 2020) e coordenadora de(2020 a 2022). Entre 2007 e 2008 coordenou o projeto“O texto na tela: a linguagem da hipermídia”, seguido do“Formatos de linguagem no Jornalismo on-line”, conduzido entre 2008 e 2012, e do“Webnotícia e reconfiguração de gêneros: a manifestação do jornalismo on-line”, desenvolvido entre 2012 e 2015. Em 2012 lançou e coorganizou o livro intitulado Jornalismo convergente: reflexões, apropriações e experiências, no qual foram reunidos trabalhos de pesquisadores da rede JorTec. Realizou seu primeiro Pós-Doutorado(entre 2013 e 2014) na Universidade Nova de Lisboa, junto ao Centro de Estudos em Mídia e Jornalismo(CIMJ), onde dedicou-se à investigação dos especiais multimídia e à convergência editorial e de linguagens em meios de comunicação portugueses. O projeto“Narrativas imersivas no ciberjornalismo: estudo e aplicabilidade”, foi realizado entre 2016 e 2018, além da pesquisa desenvolvida em colaboração com os alunos do curso de Jornalismo da UFSC, parte do projeto de extensão Fotolivre 360 e do Nephi-Jor. Após a conclusão do projeto, em 2019 Raquel ingressou em seu segundo Pós-Doutorado – realizado na Universidad Autónoma de Barcelona –, desenvolvendo a pesquisa“Interface e Imagens Complexas nas narrativas imersivas ciberjornalísticas”. Durante esse período ministrou oficinas de Imagens em 360 graus e aulas sobre o tema na Graduação e Pós-Graduação da Universidad Autónoma de Barcelona, e desenvolveu a ideia de narrativas complexas no ciberjornalismo. Uma das contribuições dessa concepção foi a organização e edição – em coautoria – do livro Narrativas complexas(2020). Na obra, ela 343 ainda assina o capítulo“Narrativas complexas no ciberjornalismo: interface, imagem, imersão”. Por fim, o projeto de pesquisa(2020-2025) aborda as“Narrativas complexas no ciberjornalismo – plataformização e narratividades. Principais publicações LONGHI, R. R. Infografia online: narrativa intermídia. Estudos em Jornalismo e Mídia, v. 6, p. 187-196, 2009. LONGHI, R. R. Os nomes das coisas: em busca do especial multimídia. Estudos em Comunicação, v. 2, p. 149-161, 2010. LONGHI, R. R. O turning point da grande reportagem multimídia. Revista Famecos, v. 21, p. 897-917, 2015. LONGHI, R. R. Immersive narratives in web journalism. Between interfaces and Virtual Reality. Estudos em Comunicação, v. 1, p. 145, 2017. LONGHI, R. R.; SILVEIRA, S. C.; PAULINO, R.(org.). Jornalismo e plataformização – abordagens investigativas contemporâneas. Florianópolis: Insular, 2021. LONGHI, R. R. Narrativas complexas no ciberjornalismo: interface, imagem, imersão. LONGHI, R. R.; LOVATO, A.; GIFREU, A.(org.). Narrativas complexas. São Paulo: Ria Editorial, 2020. 344 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul ROSEMÉRI LAURINDO Janaíne Kronbauer Roseméri Laurindo nasceu em 12 de março de 1966 em Blumenau (SC). É filha de Ereracy Erondina Laurindo e Avelino José Laurindo. Cursou o Ensino Médio, cujo perfil era técnico, no Conjunto Educacional Pedro II, em sua cidade natal, obtendo a formação em “redator auxiliar”. Sua primeira inserção profissional foi na agência de publicidade Clarín Comunicação – em 1983. Ainda atuou como repórter no Jornal de Santa Catarina(Blumenau) e na assessoria de imprensa da Universidade Regional de Blumenau(Furb). Foi transferida pelo jornal para Florianópolis para que pudesse fazer a Graduação, continuando sua atuação como repórter. No“ Santa” foram aproximadamente nove anos como jornalista. Além disso, naquele período ela também se envolveu diretamente com o movimento sindical dos jornalistas em Florianópolis. Começou o curso de Letras, matriculando-se nas disciplinas que depois poderiam ser aproveitadas no curso de Jornalismo, iniciado, logo depois, na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Em seu Trabalho de Conclusão produziu o livro-reportagem Luci Choinaski, a primeira camponesa no Congresso Nacional, orientada por Gilka Girardello. Entre 1990 e 1994 trabalhou como assessora no Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina(Sinte). Naquele período, de forma voluntária, auxiliou nas campanhas políticas do Partido dos Trabalhadores. Participou, também, da criação do Núcleo Organizado da Imprensa Sindical, contribuindo na elaboração de um jornal voltado a questões trabalhistas que reunia grupos sindicais de bancários, eletricitários, educadores, servidores públicos, entre outros. 345 Mudou-se para Maceió em 1994, onde trabalhou na assessoria de comunicação da Unimed. Entre 1994 e 1995 foi editora d’O Jornal. Em 1996 transferiu-se para Salvador para fazer Mestrado na Universidade Federal da Bahia(Ufba), onde, com outros colegas, criou o grupo de pesquisa Teorias de Quinta, que se reunia semanalmente para estudar a obra de Adelmo Genro Filho e o entendimento do jornalismo como forma social de conhecimento. Na capital baiana trabalhou por um tempo como repórter no jornal Correio da Bahia. Após sair do periódico foi contemplada com uma bolsa de estudos. Entre 1996 e 1998 cursou o Mestrado, defendendo a dissertação intitulada“O jornalismo político sob a perspectiva profissional – estudo de caso revela um Bob no Collorgate, tal qual no Watergate”, orientada por Sérgio Mato. Entre 1999 e 2005, cursou o Doutorado na Universidade Nova de Lisboa, orientada por Tito Cardoso e coorientada por seu antigo professor na UFSC, Eduardo Meditsch, sendo contemplada com uma bolsa do Ministério de Ciência de Tecnologia de Portugal. Antes de defender sua tese, Roseméri prestou concurso para docente do curso de Publicidade e Propaganda da Furb(onde permaneceu por 20 anos), retornando a Portugal para defender a tese intitulada “As três dimensões(singular, particular e universal) da função autor na construção de tipologias do jornalismo: autor-jornalista e autor-marca”. Com sua inserção na área de Publicidade e Propaganda, passou a desenvolver pesquisas relacionadas à publicidade na infância e à questão do consumo. Orientou projetos de Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC) que receberam financiamento da Agência de Notícias dos Direitos da Infância(Andi). Entre 2012 e 2013 realizou o Pós-Doutorado em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo(Umesp), sendo contemplada com uma bolsa de Pós-Doc Júnior, concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), resultando no livro O Jornalismo Diversional de Fátima Bernardes, publicado em 2015. No período de Pós-Doutorado estruturou o curso de Graduação em Jornalismo da Furb, aprovado em setembro de 2013. Ainda em 2013 assumiu a coordenação do Grupo de Pesquisa (GP) de Gêneros Jornalísticos da Sociedade Brasileira de Estudos 346 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), função na qual permaneceu por seis anos, para, depois, se tornar diretora editorial da Instituição. Além da Intercom, participou da diretoria da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo(Abej), assumindo, por alguns mandatos, a coordenação do Grupo de Trabalho de Metodologia do Ensino de Jornalismo. Quanto às suas publicações, além da produção derivada do PósDoc, Roseméri também investiu em estudos sobre a ditadura militar brasileira, com a obra AI-5 na Academia – manual do lead usado em 1964 para punir o Jornalismo, publicado em 2014, e, anteriormente, a obra Jornalismo em três dimensões – singular, particular e universal”, derivada de sua pesquisa de Doutorado. Em relação a produções coletivas, apresenta contribuições múltiplas, e sua trajetória já foi reconhecida em 2014, quando foi agraciada com o Prêmio Luiz Beltrão na categoria Liderança Emergente. Depois de aposentada passou a residir na cidade de Navegantes(SC). Principais publicações LAURINDO, R.; LEONI, M. F. Pioneiros do jornalismo – o primeiro curso do Brasil sob novas DCNs. 1. ed. Blumenau: Edifurb, 2019. V. 1. LAURINDO, R.; VAILATTI, G. Folkcomunicação de autopromoção e resistência pelos pichadores em Blumenau. In: NOBRE, I. de M.; LIMA, M. E. de O.(org.). Folkcomunicação de autopromoção e resistência pelos pichadores em Blumenau. 1. ed. Campina Grande: EUEPB, 2019. p. 293-315. V. 1. LAURINDO, R. Os estudos sobre gêneros jornalísticos em Portugal. Salvador: Pauta Geral, 2003. p. 65-80. V. 10. LAURINDO, R. O jornalismo diversional de Fátima Bernardes. 1. ed. São Paulo: Primavera Editorial, 2015. p. 128. V. 1. LAURINDO, R.; BONA, R. 50 anos da Comunicação no Brasil – para onde vai o cinema. In: GONÇALVES, E.(org.). El pensamiento comunicacional a través del cine. 1. ed. Quito: Quipus-Ciepal, 2014. p. 19-32. V. 1. 347 CÁRLIDA EMERIM Daiane Bertasso Cárlida Emerim nasceu em 2 de junho de 1967 em Porto Alegre (RS). Primogênita de Carlos Emerim e Élida Almira Emerim, é irmã de Fábio e mãe de Carlos e Ana Clara. Estudou em diversos colégios durante sua formação básica: Jardim e primeiro ano do Fundamental na Escola Estadual de Ensino Médio Antão de Faria, e do segundo ao quarto na Escola Estadual de Ensino Fundamental Marechal Mallet, as duas em Porto Alegre. Do quinto ao oitavo ano do Ensino Médio estudou no Colégio Santa Doroteia, e do primeiro ao terceiro ano na Escola Estadual de Educação de Base Padre Benjamim Copetti, ambas em Brasília. Atuou precocemente na área de comunicação, pois aos 14 anos começou a trabalhar em jornais do interior do Rio Grande do Sul, uma vez que a família morou em várias cidades. Entre outras experiências, foi colaboradora do antigo Jornal da Serra de Sobradinho(RS), assinando uma coluna de variedades, assim como produzindo fotos. Atuou, também, na Rádio Sociedade Sobradinho AM, como comentarista da área de Cultura. Em 1986 voltou para Porto Alegre para cursar Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), mas, antes mesmo de ingressar na Universidade, fez cursos de Fotografia Experimental; Introdução ao fazer Cinema; Iluminação para Cinema, Vídeo e Televisão; Maquiagem Temática; Introdução a Técnicas de Interpretação; Teatro Amador, entre outros. Iniciou a Graduação em Publicidade e Propaganda em 1988, mas a experiência em Sobradinho e em Osório(RS), no Jornal O Momento, no A Semana e na Rádio Osório, fizeram-na migrar para o curso de Jornalismo em 1989. 348 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Durante a Graduação trabalhou como freelancer para a TV do grupo RBS e cursou Introdução ao Cinema na Casa de Cinema de Porto Alegre. A experiência gerou sua participação na produção do curta-metragem A coisa mais importante da vida, premiado em Gramado. Seu Trabalho de Conclusão de Curso, intitulado“Quase nada é verdade: uma reflexão sobre os documentários gaúchos dos anos 80”, teve orientação de Carlos Gerbase. Entre 1988 e 1994 trabalhou como correspondente de vários veículos impressos do interior do Rio Grande do Sul, atuou na RBS TV de Santana do Livramento e, a seguir, na RBS TV de Bagé(RS), na qual foi repórter geral, produzindo na área de Esporte, Variedades, Política, Economia e Saúde nas cidades de Santana do Livramento (RS) e Dom Pedrito(RS) e nas cidades fronteiriças, como Rivera, Melo e Vichadero, no Uruguai. Em Bagé ancorou e produziu o Bom Dia Rio Grande; produziu, editou e apresentou o Jornal do Almoço local, o JA Notícia, o Rede Regional de Notícias e o RBS Notícias. Conduziu, também, o RBS Comunidade. Em 1995 cursou Especialização em Ensino de Artes Visuais na Universidade da Região da Campanha(Urcamp), e em 1997 ingressou na mesma Universidade como professora, onde montou os Laboratórios Experimentais de Fotografia, Rádio e Televisão, dos cursos de Comunicação Social e ministrou as disciplinas práticas de Cinema e de Televisão. Fez Mestrado em Semiótica(1998-2000) no Programa de PósGraduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), com a dissertação“Muvuca: ensaios sobre o texto televisivo”, sob a orientação de Elizabeth Bastos Duarte; e entre 2001 e 2004 o Doutorado, com a tese foi “Produção televisiva: as diferentes funções estratégicas da entrevista na configuração discursiva da notícia”, também orientada por Elizabeth Bastos Duarte. Em 2005 Cárlida foi aprovada no concurso para a área de Comunicação na Universidade Federal do Pampa(Unipampa), que estava sendo criada naquela época, passando a atuar na unidade de São Borja. Lá foi a primeira diretora, responsável pela primeira fase de instituição das habilitações em Jornalismo, Publicidade e Propaganda e do Serviço Social da Universidade. 349 Em 2008 volta-se para projetos de pesquisa e extensão, e em 2009 funda o Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Telejornalismo, o GPTele, com foco nos estudos do telejornalismo, reunindo pesquisadores da Unipampa, da Universidade de Santa Cruz do Sul(Unisc) e da Centro Universitário Feevale(Feevale). Em 2011 saiu da Unipampa para assumir uma vaga na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), atuando em disciplinas voltadas para a imagem, não somente de telejornalismo, mas de fotografia e de produção em audiovisual. Em 2012 construiu, com outros professores, o Projeto de extensão do TJ UFSC, telejornal diário ao vivo que desafiava estudantes a trabalhar o factual para a TV, com várias premiações no Expocom da Intercom. No mesmo ano começou a atuar no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo(PPGJor da UFSC). De 2016 a 2017 realizou Pós-Doutorado na Universidade do Estado de Santa Catarina(Udesc) em Semiótica da Arte Televisual. A trajetória de Cárlida Emerin busca conceituar o telejornalismo e o jornalismo para telas, aposta em uma metodologia de análise para o telejornalismo e na história de transformações do telejornalismo em diferentes plataformas, buscando restabelecer essa evolução histórica. Principais publicações EMERIM, C. As entrevistas na notícia de televisão. Florianópolis: Insular, 2012. EMERIM, C. Telejornalismo e semiótica discursiva. In: VIZEU, A.; MELLO, E.; PORCELLO, F.(org.). Telejornalismo em questão. Florianópolis: Insular, 2014. p. 93119. EMERIM, C. Telejornalismo ou jornalismo para telas: a proposta de um campo de estudos. Estudos em Jornalismo e Mídia(EJM), v. 14, n. 2, p. 113-126, 2017. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/article/view/19846924.2017v14n2p113.I EMERIM, C. O conceito de telejornalismo contemporâneo à luz da tradição e da inovação. In: EMERIM, C.; PEREIRA, A.; COUTINHO, I.(org.). Telejornalismo 70 anos: o sentido das e nas telas. Florianópolis: Insular, 2020. p. 99-116. EMERIM, C.(org.). Metodologias de pesquisa em telejornalismo: o jornalismo para telas. Florianópolis: Insular, 2020. 350 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Ana Paula Bourscheid Doutora em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) e professora no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá(Ifap – Campus Santana). bourscheidana@ gmail.com Cynthia Morgana Boos de Quadros Doutora em Desenvolvimento Regional pela Universidade Regional de Blumenau (Furb), professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGAD) e professora efetiva do Departamento de Comunicação, ambos na Furb. cynthia@furb.br Cristiane Fontinha Miranda Doutora em Engenharia e Gestão do Conhecimento e mestra em Design e Expressão Gráfica, ambos os cursos pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). crisfontinha@gmail.com Daiane Bertasso Professora adjunta do curso de Jornalismo e professora permanente no Programa de PósGraduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS) e mestra em Comunicação Midiática pela Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). daianebertasso@gmail.com 351 Fabiana Piccinin Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS), professora no Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) e bolsista de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). fabianaquatrinpiccinin@gmail.com Flávia Garcia Guidott Doutora em Educação pela Universidade Federal de Pelotas(Ufpel), com estágio sanduíche na Universidade de Barcelona(UB-2013), e professora adjunta na Graduação e no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) desde 2014, onde pesquisa nas áreas de fotografia e cinema. flaviagguidotti@gmail.com Fernanda Nascimento Doutora em Ciências Humanas – área de Estudos de Gênero – pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) e professora substituta no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul(IFRS). fn.imprensa@gmail.com Isabel Colucci Coelho Doutora e mestra em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação e professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). isabelcolucci@gmail.com Janaíne Kronbauer Doutora em Jornalismo e professora substituta no curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Mestra em Comunicação e Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). ksjanaine@gmail.com Jessica Gustafson Doutora e mestra em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). je.g.costa@gmail.com Kérley Winques Doutora e mestra em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) e professora na Faculdade de Comunicação e no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF). ker.winques@gmail.com 352 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sul Magali Moser Doutora e mestra em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), professora substituta no curso de Jornalismo da Universidade Regional de Blumenau(Furb) e pós-doutoranda no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital(INCT.DD) na Universidade Federal da Bahia(Ufba). magali. moser@gmail.com Marcia Peixe Vargas Jornalista especialista em marketing criativo pela Univali e mestra em história pela Universidade do Estado de Santa Catarina(Udesc). mahpeixe@gmail.com Maryana Schmidt Pinto Jornalista e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Vale do Itajaí(Univali). maryana.schmidt@univali.br Rita de Cássia Romeiro Paulino Doutora pelo Programa de Pós-Graduação Engenharia e Gestão do Conhecimento da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), pós-doutorada e ex-bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico no Social Media Lab na Universidade de Ryerson, Toronto e professora do Departamento de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC. rcpauli@gmail.com Terezinha Silva Doutora em Comunicação pela Universidade Paris Nanterre La Defense e Universidade Federal de Minas Gerais(convênio internacional de cotutela) e professora do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). terezinhasilva@yahoo.com 353 MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Sul Este livro celebra a trajetória acadêmica das mulheres que ajudaram a construir o campo da Comunicação na Região Sul. Organizado por regiões, os volumes resgatam as histórias de pesquisadoras que, como fundadoras e consolidadoras, desafaram estruturas e deixaram sua marca na produção de conhecimento. A iniciativa dá visibilidade a essas mulheres, destacando suas contribuições para o ensino, a pesquisa e a extensão universitária, ao mesmo tempo em que preserva a memória de sua atuação no desenvolvimento da área. El Centro de Pensamiento en Comunicación de la Fundación Friedrich Ebert para América Latina conocido como FES Comunicación produce conocimiento sobre la comunicación como insumo y estrategia para el diálogo político y la profundización de la democracia social. Sus áreas de trabajo son: Comunicación Política y Libertad de expresión+ Medios de comunicación y Periodismo independiente+ Medios digitales y ciudadanos. www.fescomunica.fes.de/ @fescomunica