FACTSHEET CRISE CLIMÁTICA: Perceções Públicas e Prioridades em Portugal Os resultados do inquérito da Friedrich-Ebert-Stiftung(FES) sobre a transição socioecológica realizado em 19 países mostram que os portugueses são muito favoráveis à proteção do ambiente e do clima e que vastas maiorias apoiam a transição no sentido das energias renováveis. No entanto, a maioria dos portugueses também considera que as políticas governamentais não são suficientes, nem claras, e entendem que existem outros temas muito importantes com os quais os políticos deviam preocupar-se. Apoio à proteção do ambiente e do clima Ao destruir a natureza, a humanidade está a pôr em perigo a base da própria existência Uma maior proteção do ambiente também signi ca mais qualidade de vida e saúde para todos Todos nós temos a responsabilidade de deixar às gerações futuras um ambiente digno de ser vivido A proteção do ambiente é uma questão de decência e dever cívico Todos deveríamos estar dispostos a mudar o nosso estilo de vida em prol do ambiente A nossa economia terá de ser mais respeitadora do clima, sob pena de existirem prejuízos de ordem económica Uma política consistente de proteção do ambiente terá um efeito futuro positivo na competitividade do sector económico Sinto-me pessoalmente responsável pela preservação da natureza e do ambiente 76 21 2 1 71 26 2 1 71 26 2 1 68 29 3 0 53 41 4 2 44 47 81 42 50 71 37 49 11 3 Concorda totalmente Tende a concordar Fonte: SINUS, para a Friedrich-Ebert-Stiftung(FES). 0 25 50 75 100 Tende a discordar Discorda totalmente Uma vasta maioria de inquiridos portugueses entende que é necessário proteger o ambiente e o clima por diversas razões, seja por dever moral relativamente às gerações futuras, seja pela qualidade de vida e saúde de todos, seja ainda para evitar futuros problemas económicos. Consequentemente, 94% dos portugueses concordam que o país precisa de uma mudança fundamental na forma como realizamos negócios e como vivemos. No entanto, para 66% dos inquiridos há problemas mais importantes em Portugal do que as alterações climáticas. Para a maioria(65%), é o Governo quem pode dar o maior contributo para superar a crise climática e ambiental, mas apenas 23% consideram que os governos nacionais estão a fazer bem ou o suficiente. As alterações climáticas como catalisador ▴ 66% dos portugueses consideram que as alterações climáticas são um tema com uma relevância entre 8 e 10, numa escala(0 – 10) em que 10 significa absolutamente importante. ▴ 93% dos portugueses mostram-se receosos quanto às consequências das alterações climáticas. ▴ 73% receiam escassez de água no dia a dia. ▴ 71% receiam um aumento de eventos climáticos extremos(ondas de calor, secas, tempestades, inundações, etc.). ▴ 60% receiam os incêndios florestais e a extinção das florestas. ▴ Apenas 22% acreditam que há um grande exagero no que diz respeito às alterações climáticas. A manutenção do nível de vida como travão ▾ 66% receiam que uma mudança fundamental na forma como realizamos negócios e vivemos acarrete custos elevados para si. ▾ 35% dos portugueses apenas estão disponíveis para tomar medidas para proteger o ambiente se isso não afetar o seu nível de vida. ▾ 39% consideram difícil fazer com que a sua vida seja mais respeitadora do ambiente e do clima. ▾ 70% dizem que a falta de infraestruturas não lhes permite prescindir do automóvel. ▾ 50% entendem que, antes de eles próprios darem o seu contributo para a proteção do clima, outras pessoas deveriam dar o primeiro passo. Apoio às energias renováveis Deveria ser obrigatória a instalação de painéis solares em edifícios públicos e novos edifícios privados Os agregados familiares que pretendam utilizar energias renováveis devem ser apoiados financeiramente O Governo deve apoiar o desenvolvimento de comunidades de energia Precisamos de uma mudança mais consistente no que diz respeito às energias renováveis concorda totalmente tende a concordar tende a discordar 0 discorda totalmente 61 60 58 52 25 31 62 34 51 39 33 0 43 41 50 75 100 Fonte: SINUS, para a Friedrich-Ebert-Stiftung(FES). Temas prioritários Clareza das políticas Na sua opinião, quais dos seguintes temas são os mais importantes e aqueles com os quais se deveriam preocupar os políticos em Portugal?* Assistência médica/cuidados de saúde Habitação suficiente e acessível Ofertas de emprego e salários justos Inflação, quebra do poder de compra Educação, escolas e universidades Mais justiça social Proteção do ambiente, da natureza e do clima 62 50 47 46 42 41 33 * Os inquiridos puderam selecionar até 5 de um total de 15 temas. Fonte: SINUS, para a Friedrich-Ebert-Stiftung(FES). 0 20 40 60 Na sua opinião, as medidas políticas com vista a uma transição para uma economia mais respeitadora do ambiente e do clima são suficientemente apresentadas e explicadas? 2 Sim, são suficientemente apresentadas Creio que sim 25 e explicadas Creio que não 57 Não são suficientemente apresentadas 16 e explicadas Fonte: SINUS, para a Friedrich-Ebert-Stiftung(FES). Recomendações Julho 30, 2025 · CC BY-SA 4.0 1. Capitalizar a forte favorabilidade dos portugueses relativamente à proteção do ambiente e do clima desenhando políticas que associem a saúde, a habitação, o emprego e a economia a metas ambientais, claramente apresentadas, em domínios como a eficiência do uso da água e da energia, a renovação de edifícios de modo a torná-los sustentáveis e resilientes face ao clima, as infraestruturas de transportes públicos, e a gestão sustentável de florestas. 2. Transmitir claramente a ideia de que as mudanças para combater as alterações climáticas e proteger a natureza podem traduzir-se em benefícios que melhorem o nível de vida da população(p. ex. mais conforto térmico, mais soluções baseadas na natureza), bem como a saúde pública. 3. Apoiar a instalação de tecnologias de produção de energia renovável, seja por famílias, seja por empresas, seja por outras entidades, individualmente ou organizados em comunidades de energia renovável (CER) e de autoconsumo coletivo(AAC), aproveitando a grande adesão manifesta pelos portugueses face às ER, facilitando a sua instalação, clarificando os ganhos e democratizando o acesso à energia. AMOSTRA Inquérito realizado online em 19 países (Portugal: de junho a julho de 2023) pelo Instituto SINUS para a Friedrich-Ebert-Stiftung(FES) População inquirida: dos 18 aos 69 anos. A base total é de 22 823 casos, 1200 inquiridos em Portugal. O estudo completo, realizado por Profa. Dra. Luisa Schmidt, Dra. Ana Horta e Dr. João Guerra para a FES Portugal está disponível no nosso site portugal.fes.de Julho 30, 2025 · CC BY-SA 4.0 Friedrich-Ebert-Stiftung Representação em Portugal Av. Sidónio Pais 16 1º Dto 1050-215 Lisboa Contacto: Fabian Schmiedel Diretor FES Portugal fabian.schmiedel@fes.de