NILDA Jacks Diretor M d U o LH P E ro R j E e S to DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste OMAR Rincón Coordenação Nacional LÍRIAN Sifuentes GUILHERME Libardi Gisela Castro Coordenação Regional Gabriela Santos Alves Vanessa Veiga de Oliveira Adriana Braga Alice Mitika Ana Arruda Callado Ana Claudia de Oliveira Ana Paula Goulart Ana Silvia Médola Anamaria Fadul Ângela Marques Anna Maria Balogh Beatriz Becker Beatriz Jaguaribe Bia Bretas Brasilina Passarelli Carla Barros Céres Pimenta Christina Musse Cicilia Peruzzo Cida Moura Claudia Lago Cláudia Pereira Cláudia Thomé Clotilde Perez Consuelo Lins Cremilda Medina Cristina Costa Cristina Mungioli Daniela Zanetti Dedé Mattos Denise Cogo Denise Tavares Dora Mourão Dulcília Buitoni Elianne Ivo Elizabeth Saad Esther Hamburger Fátima Regis Fernanda Bruno Flávia Mayer Gabriela Alves Gabriela Borges Gisela Castro Gisela Ortriwano Glecy Coutinho Heloisa Teixeira Heloiza Matos Ieda Tucherman Iluska Coutinho MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Sudeste Irene Machado Ivana Bentes Ivone de Lourdes Janaina Leite, Janice Caiafa Jeanne Marie Jerusa Ferreira Liv Sovik, Lucia Leão Lucia Santaella Lucrécia Ferrara Malena Contrera Margarida Kunsch Maria Aparecida Ferrari Maria Baccega Maria Cristina Ferraz Maria Cristina Gobbi Maria Immacolata Maria Lucia da Silva Maria Nazareth Marialva Barbosa Marilene Lemos Marli dos Santos Mayra Gomes, Mirna Tonus Nair Prata Nazareth Pirola Nelly de Camargo Nizia Villaça Patrícia Saldanha Paula Sibilia Raquel Paiva Rosana Soares Rosane Zanotti Rose de Melo Rocha Roseli Figaro Rousiley Maia Ruth Reis Simone Pereira Simone Pereira De Sá Simone Rocha Sonia Luyten Sonia Virginia Soraya Vieira Suzy Dos Santos Tânia Hoff Vanessa Maia Vanessa Paiva Vera Follain, Vera França 1 OMAR Rincón Diretor do Projeto Nilda Jacks, Lírian Sifuentes, Guilherme Libardi Coordenação Nacional Gisela Castro, Gabriela Santos Alves, Vanessa Veiga de Oliveira Coordenação Regional MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Sudeste Friedrich Ebert Stiftung FES COMUNICACIÓN 1 Diretor do projeto: Omar Rincón Coordenação Nacional Nilda Jacks, Lírian Sifuentes, Guilherme Libardi Coordenação Regional Gisela Castro, Gabriela Santos Alves, Vanessa Veiga de Oliveira Autoras Região Sudeste Adriana Braga, Alice Mitika, Ana Arruda Callado, Ana Claudia De Oliveira, Ana Paula Goulart, Ana Silvia Médola, Anamaria Fadul, Ângela Marques, Anna Maria Balogh, Beatriz Becker, Beatriz Jaguaribe, Bia Bretas, Brasilina Passarelli, Carla Barros, Céres Pimenta, Christina Musse, Cicilia Peruzzo, Cida Moura, Claudia Lago, Cláudia Pereira, Cláudia Thomé, Clotilde Perez, Consuelo Lins, Cremilda Medina, Cristina Costa, Cristina Mungioli, Daniela Zanetti, Dedé Mattos, Denise Cogo, Denise Tavares, Dora Mourão, Dulcília Buitoni, Elianne Ivo, Elizabeth Saad, Esther Hamburger, Fátima Regis, Fernanda Bruno, Flávia Mayer, Gabriela Alves, Gabriela Borges, Gisela Castro, Gisela Ortriwano, Glecy Coutinho, Heloisa Teixeira, Heloiza Matos, Ieda Tucherman, Iluska Coutinho, Irene Machado, Ivana Bentes, Ivone De, Lourdes, Janaina Leite, Janice Caiafa, Jeanne Marie, Jerusa Ferreira, Liv Sovik, Lucia Leão,, LuciaSantaella, Lucrécia Ferrara, Malena Contrera, Margarida Kunsch, Maria Aparecida Ferrari, Maria Baccega, Maria Cristina Ferraz, Maria Cristina Gobbi, Maria Immacolata, Maria Lucia Da Silva, Maria Nazareth, Marialva Barbosa, Marilene Lemos, Marli Dos Santos, Mayra Gomes, Mirna Tonus, Nair Prata, Nazareth Pirola, Nelly De Camargo, Nizia Villaça, Patrícia Saldanha, Paula Sibilia, Raquel Paiva, Rosana Soares, Rosane Zanotti, Rose De Melo Rocha, Roseli Figaro, Rousiley Maia, Ruth Reis, Simone Pereira, Simone Pereira De Sá, Simone Rocha, Sonia Luyten, Sonia Virginia, Soraya Vieira, Suzy Dos Santos, Tânia Hoff, Vanessa Maia, Vanessa Paiva, Vera Follain, Vera França Revisão de estilo Denise Ana Basso Andrigheto Coordenação editorial Luisa Uribe Cidade: Bogotá, dezembro de 2025 Design: Nelson Mora Murcia ISBN: 978-628-97097-9-7 As fotos que constam nas bionotas foram autorizadas pelas biografadas ou pelas autoras dos textos. © 2025 Friedrich–Ebert–Stiftung FES(Fundación Friedrich Ebert) La Fundación Friedrich Ebert no comparte necesariamente las opiniones vertidas por los autores y las autoras. Este texto puede ser reproducido con previa autorización de la Fundación Friedrich Ebert(FES) si es con un objetivo educativo y sin ánimo de lucro. 2 COORDENAÇÃO NACIONAL NILDA JACKS Mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/ USP. Pós-doutorados na Copenhague University e na Universidad Nacional da Colombia. Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS. Bolsista PQ do CNPq. njacks@gmail.com LÍRIAN SIFUENTES Doutora em Comunicação pela PUCRS, com estágio de doutorado na Texas A&M University. Mestre em Comunicação pela UFSM. Pós-doutorados na PUCRS e na UFRGS. Coordenadora de Comunicação do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER-RS). lisifuentes@yahoo.com.br GUILHERME LIBARDI Mestre e Doutor em Comunicação e Informação pelo PPGCOM/UFRGS. Pós-doutorado no PPG em Imagem e Som(PPGIS) da UFSCar. Professor Permanente do PPGIS. Autor do livro Diversidade, reconhecimento e identidade: notas teóricas a partir da Comunicação. gblibardi@gmail.com 3 COORDENAÇÃO REGIONAL GISELA GRANGEIRO DA SILVA CASTRO GABRIELA SANTOS ALVES Doutora e mestre em Comunicação e Cultura, Graduação em Psicologia, ambas na UFRJ, PósDoutorado em Sociologia (Goldsmiths, Londres). Titular do PPGCOM da ESPM/SP. Coordena o Comitê ESPM de Direitos Humanos e o Conex. lab – Grupo CNPq/ESPM de Pesquisa em Comunicação, Consumo, Subjetividade e Sociabilidade. castro.gisela@gmail.com Professora associada do Departamento de Comunicação Social e do Programa de PósGraduação em Comunicação e Territorialidades da UFES. Pesquisadora da Fapes/ ES, Edital Mulheres na Ciência. Integra o Laboratório de Pesquisas sobre enfrentamento à Violência contra Mulheres no ES e o grupo Comunicação, imagem e afeto(CIA)(UFES/CNPq). Realizadora audiovisual. gabriela.alves@ufes.br VANESSA VEIGA DE OLIVEIRA Professora adjunta do Departamento de Comunicação Social e do Programa de PósGraduação em Comunicação Social da UFMG. Doutora e mestre em Comunicação Social na UFMG, onde fez Jornalismo. Pós-Doc com bolsa Fulbright na University of North Carolina at Chapel Hill(UNC). Cocoordena o Aurora: Grupo de Pesquisa em Comunicação, Organizações e Lutas Sociais. vanessaveiga@ufmg.br 4 [ SUMÁRIO] TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS .............................................................................................................7 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO SUDESTE ................................................................ 12 ESPÍRITO SANTO ......................................................................................................................... 20 COMUNICAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO: 50 ANOS DE UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA E CORAJOSA ........................................................21 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS.......................................................................................... 33 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS......................................................................................... 77 MINAS GERAIS ............................................................................................................................ 78 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM MINAS GERAIS .................................................................... 79 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS........................................................................................... 89 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS...................................................................................... 152 RIO DE JANEIRO ........................................................................................................................ 156 POR ENTRE TESTEMUNHOS E DOCUMENTOS, UMA HISTÓRIA DE MAIS DE MEIO SÉCULO ............................................................................. 157 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS......................................................................................... 170 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS....................................................................................... 270 SÃO PAULO .................................................................................................................................276 ENSINO E PESQUISA EM COMUNICAÇÃO: DA SEMANA DE 22 ÀS MÍDIAS QUE NOS CONSOMEM ........................................................... 277 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS......................................................................................... 293 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS....................................................................................... 451 5 6 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS Un día analizamos los textos asignados en los cursos de los estudios de la comunicación y la cultura y encontramos que la mayor parte de la bibliografía está compuesta por hombres, blancos, muy gringos y europeos. Nos dijimos que debíamos hacer algo al respecto. Y este es el primer intento: dar testimonio de que la comunicación en América Latina es un campo en mirada de mujeres. De eso es que va este proyecto. 1 “Mujeres de la comunicación” é uma grande empreitada capitaneada pelo pesquisador colombiano Omar Rincón, com apoio da Fundação Friedrich Ebert(FES), na qual ele exerce o cargo de diretor para a América Latina. Até o momento da escrita desta introdução foram publicados dois volumes que incluem mulheres de diversos países da América Latina, selecionadas conforme critérios da coordenação do projeto. Os textos contidos nesses volumes ora tratam de autoras escrevendo sobre sua própria produção, ora de entrevistas com algumas delas ou de análises feitas por outras acadêmicas sobre a obra de determinada pesquisadora. Nesse mesmo formato já foram publicados livros na Bolívia, no México, na Argentina e no Equador 2 . No caso brasileiro, decidimos tentar abranger o maior número possível de mulheres, empreendendo a publicação como memória de suas trajetórias para a configuração do campo. Além disso, organizamos em volumes dedicados a cada região do país para destacar suas atuações em contextos próprios e com idiossincrasias históricas, econômicas e culturais que as distinguem e que deixam suas marcas na formação dos campos estaduais e regionais. 1 “Um dia analisamos os textos nos cursos dos estudos da comunicação e cultura e notamos que a maior parte da bibliografia está composta por homens, brancos, gringos e europeus. Dissemos, então, que devíamos fazer algo a respeito. E este é o primeiro objetivo: dar testemunho de que a comunicação na América Latina é um campo sob o olhar das mulheres. É disso que trata esse projeto”. Disponível em: https://fescomunica.fes.de/mujeres-de-la-comunicacion.html 2 Todos os livros, bem como detalhes do projeto, podem ser conferidos em: https:// fescomunica.fes.de/mujeres-de-la-comunicacion.html. 7 Embora não discutamos teoricamente a categoria de gênero, tampouco tratamos a publicação como um manifesto do tipo“lute como uma garota” 3 , é impossível apartar este levantamento das questões sociais e políticas inerentes à presença das mulheres no campo científico. Haag et al.(2021), citando Maria Margaret Lopes(2006), afirmam que o prestígio de uma disciplina é inversamente proporcional ao número de mulheres que a praticam. Para Elizabete da Silva(2008, p. 3), este problema constitui-se historicamente, pois“[...] as mulheres não foram consideradas indivíduos dotados de razão, mas de emoção, as mulheres possuíam o contraponto da razão – o coração”. Tratando especificamente do campo da Comunicação, o dado é curioso e incômodo, uma vez que, conforme observam, as mulheres são a maioria desde a iniciação científica até a Pós-Graduação, seja como alunas ou pesquisadoras. Esta publicação, portanto, mesmo não se caracterizando como uma“pesquisa de gênero”, quer contribuir para a questão, dando visibilidade a mulheres que subverteram, de um jeito ou de outro, as estruturas patriarcais e se colocaram como pioneiras, líderes ou partícipes em suas respectivas áreas de atuação. Dessa forma, as mulheres da Comunicação, que atuam ou atuaram, com destaque, no ensino, pesquisa e extensão de universidades brasileiras, estarão presentes em cinco volumes, como este, para registrar sua presença na constituição do campo no país. Foram 27 equipes empenhadas em resgatar parte importante da atuação das mulheres do cenário diverso que constituiu o campo brasileiro, organizado por região para evitar invisibilidades impostas por zonas com presenças mais hegemônicas. As biografadas foram indicadas pelos pares, colegas que as reconheceram como fundadoras ou consolidadoras do campo da Comunicação em cada Estado, incluindo o Distrito Federal. Por fundadoras 4 foram identificadas as mulheres que participaram dos primeiros tempos de criação das faculdades de Comunicação, o que tem uma forte variação de Estado para Estado. As primeiras faculdades, ainda dedicadas apenas ao jornalismo, são das décadas de 1940 5 e 1950, em geral ligadas aos cursos de filosofia, como é o caso da Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), inaugurada em 1952 6 , entre outras. Da década de 1970 advêm os primeiros Programas de Pós-Graduação em Comunicação. 3 Segundo Clementine Ford, autora do livro Figth like a Girl (Editora Allen& Unwin, 2016), seu título parafraseia uma antiga expressão popular, a qual foi retomada em várias versões, desde slogans de movimentos populares(“Lute como Marielle Franco”, “Lute como uma professora”) até campanhas publicitárias de marca de absorvente ( Always , em sua campanha#likeagirl), entre inúmeras outras apropriações. 4 José Marques de Melo(1997), em um esforço semelhante, propôs as seguintes classificações: desbravadores, sedimentadores, continuadores. 5 O primeiro curso de Jornalismo do Brasil, e da América Latina, é o da Cásper Líbero, fundado em 1947. 6 Em 1970 é criada a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da junção do antigo curso de Jornalismo com a Escola de Biblioteconomia e Documentação (formada a partir do curso técnico em Biblioteconomia, surgido em 1947). 8 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS As consolidadoras, por outro lado, são mulheres que chegaram para reforçar o plantel inaugural, sendo uma situação também variável de Estado para Estado, o que, em alguns, representa várias gerações, como é o caso de cursos mais antigos, por exemplo o da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), da Universidade de São Paulo (USP) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP). No projeto para a realização dos cinco livros, os pares consultados também indicaram as mulheres emergentes em cada Estado, as quais se dedicariam a escrever sobre suas antecessoras, cujo objetivo seria alcançar um tipo de reflexividade em suas atuações e, ao mesmo tempo, deixar registrada a presença delas na atual fase do campo. De região para região houve variações de encaminhamento, resultando na parcialidade no alcance desse objetivo. Na maior parte dos Estados houve raríssimas exceções na condução do protocolo estabelecido, entretanto, em alguns deles, nem tanto. Nesse caso, as bionotas das fundadoras e consolidadoras não foram escritas por mulheres emergentes, tampouco por mulheres, em alguns casos não só por uma pessoa, e em outros casos uma pessoa escreveu várias bionotas, contrariando o protocolo e objetivos da pesquisa. A nominata inicial, que solicitava indicação de fundadoras, consolidadoras e emergentes, foi adquirida por meio de um formulário disponibilizado durante dois meses nas listas de e-mails da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós) e da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Parte do resultado foi satisfatório, no entanto, diante da inconsistência da listagem de alguns Estados, da inexistência de indicações em muitos outros, além de sobreposições nas categorizações de alguns nomes, uma ampla revisão foi realizada por meio do envio da listagem para três pessoas de cada Estado para consolidarem as indicações ou para que as fizessem no caso de faltarem nomes relevantes. Assim mesmo, uma nova rodada, com duas outras pessoas de cada Estado, ocorreu antes de as listagens serem enviadas para coordenadoras e coordenadores regionais, que, por sua vez, convidaram pesquisadoras de cada Estado da região para organizarem as bionotas junto as emergentes indicadas na etapa anterior. Ou seja, a listagem inicial passou por cinco pessoas antes de chegar às biógrafas, e poderia ainda ter nomes acrescentados pela coordenação estadual a seu critério e responsabilidade. Mesmo com todo o esforço realizado em várias etapas, não há garantia de que todas as mulheres fundadoras e consolidadoras de cada Estado estejam presentes nas publicações, muito menos que as emergentes tenham sido as redatoras das bionotas. Muitas dificuldades foram encontradas: indicadas que não permitiram sua inclusão no livro, ausência de emergentes dispostas a escrever sobre suas antecessoras ou falta de convite a elas, lacunas ou inexistência de informação sobre as mulheres que já saíram de cena do mundo acadêmico, entre muitos outros obstáculos, diferentes e diversos em cada Estado ou região. 9 Sugerimos, por essas razões, em especial sobre as fundadoras, que em qualquer dos casos elas fossem incluídas no texto sobre o histórico do campo estadual, uma vez que esses registros são muito importantes para não se perder a memória de suas participações na geração desse campo de conhecimento. Com relação às consolidadoras, em geral foram seguidas as indicações dos pares consultados, com a sugestão de que as coordenadoras e os coordenadores regionais e estaduais tivessem autonomia para complementar a listagem. As coordenações estaduais tiveram a tarefa de também convidar colegas para escrever os históricos dos respectivos campos, os quais serviram de base para a escritura dos históricos regionais a cargo de seus respectivos coordenadores. Isto é, cada um dos cinco livros pretendeu abarcar o histórico dos campos estaduais que serviram de contexto para situar as bionotas das fundadoras e consolidadoras, além de dar subsídio para os coordenadores regionais escreverem o histórico de sua região, aqui escrito por uma convidada. As bionotas são compostas por dados bastante sucintos a modo de um verbete 7 , por isso seguiram um roteiro para que a publicação funcione como uma espécie de dicionário sobre as mulheres que fundaram e consolidaram o campo brasileiro da Comunicação. Tratam-se, portanto, de anotações sobre as trajetórias acadêmicas dessas mulheres, como o próprio termo indica. Não se configuram, por isso, como histórias de vida, memórias, narrativas ou relatos sobre elas. A ordem de apresentação segue a cronologia da trajetória acadêmica das mulheres, em uma sequência de fundadoras a consolidadoras. Para os históricos estaduais um roteiro para sua construção foi sugerido como uma maneira que dar saliência para os mesmos dados 8 , com a finalidade de criar parâmetros que, porventura, precisem ser comparados em alguma situação de consulta e para a formulação dos históricos regionais. Assim, apresentamos para leitura o quarto volume resultante dessa empreitada iniciada em fevereiro de 2022, quando ainda não tínhamos a real dimensão do trabalho que 7 Dados biográficos, formação escolar, atuação profissional e principais publicações. 8 Ano, universidade e cidade de criação dos cursos de comunicação, opções ofertadas(Jornalismo, Relações Públicas(RP), Publicidade e Propaganda(PP), rádio e TV, etc.), agentes e/ou instituições responsáveis pelas criações dos cursos (pessoas, sindicatos, associações, etc.), ano, universidade e cidade de criação dos Programas de Pós-Graduação(PPG), áreas de concentração, linhas de pesquisa; agentes e/ou instituições responsáveis pelas criações dos PPGs(pessoas, sindicatos, associações, etc.), revistas acadêmicas, associações de professores e pesquisadores da comunicação, realização de congressos, encontros, jornadas, seminários de abrangência estadual, etc.(em vigência e não), bibliotecas especializadas na área, agências estaduais de fomento à pesquisa, editais específicos para a área, prêmios instituídos, cooperação desenvolvida sistematicamente com outros Estados da região e outros dados relevantes. 10 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS teríamos pela frente, seja pelas inúmeras demandas e desafios que encontramos, seja pela importância de registrar as contribuições dessas mulheres para nosso campo. O percurso das mulheres irá surpreender! Nilda Jacks Lírian Sifuentes Guilherme Libardi Referências HAAG, A. T.; PARISE, G.; PEREZ, J. L.; IRIGOYEN, M.; WOTTRICH, L.; OLIVEIRA-CRUZ, M. F. Lugar de mulher é na ciência: um estudo acerca da desigualdade de gênero na ciência da Comunicação. In: PESSOA, S. C.; PRATA, N.; SANTANA, F. Um mundo e muitas vozes: da utopia à distopia? Olhares de jovens pesquisadores. São Paulo, SP: Intercom, 2021. LOPES, M. M. Sobre convenções em torno de argumentos de autoridade. Cadernos Pagu, v. 27, p. 35-61, jul./dez. 2006. MELO, José Marques de(coord.). Memória das ciências da Comunicação no Brasil: o grupo gaúcho. Porto Alegre, RS: EDIPUCRS, 1997. 286 p. SILVA, E. R. A.(In)visibilidade de mulheres no campo científico. Revista Travessias, v. 2, n. 2, p. 1-20, 2008. 11 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO SUDESTE Marialva Barbosa 9 A história do campo da Comunicação no Brasil é marcada por uma espécie de início primordial que, invariavelmente, começa descrevendo a formação dos primeiros cursos de Graduação da área, especificamente de jornalismo. Na região, o primeiro foi em São Paulo e, depois, no Rio de Janeiro. Na sequência, o pioneirismo dos três primeiros programas, inicialmente com o nível Mestrado(Universidade de São Paulo – USP e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, em São Paulo, e Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, no Rio de Janeiro), é, também, referenciado. Outra marca que podemos destacar, em relação ao Sudeste, é o predomínio dos saberes que se disseminam, desde o início, para o restante do país e que se refletem no fato de o maior número de pesquisadores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) serem da região; o maior número de Pós-Graduações estarem concentradas, sobretudo, no eixo Rio-São Paulo; o maior número de publicações serem também aí editadas; e a própria institucionalização do predomínio do Sudeste por meio de um discurso fundador, permanentemente atualizado. Tudo isso mostra, também, não podemos deixar de remarcar, a face da dominação epistemológica e a instauração de diferenças entre um Norte indistinto(que inclui numa territorialidade que toma várias regiões sob esta designação da diferença, o Norte Norte; o Norte Nordeste; o Norte Centro-Oeste). Esta diferença produz este Outro construído como menor e menos importante, contra um Sul que trilhou outros caminhos, sempre marcados de maneira positiva(pensado, sobretudo, como o eixo Rio-São Paulo). Revela, ainda, a marca da desigualdade, que constrói mais uma vez o eu versus eles. 9 Professora titular de Jornalismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) e professora titular de jornalismo aposentada da Universidade Federal Fluminense (UFF). Possui Graduação em Comunicação Social(1976), Mestrado em História (1992) e Doutorado em História(1996), todos pela UFF. Possui Pós-Doutorado em comunicação(1999) pelo LAIOS-CNRS, Paris – França. É bolsista Produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). marialva. barbosa@eco.ufrj.br 12 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO SUDESTE Claro que não podemos negar que a Região Sudeste é responsável por 55,2% do Produto Interno Bruto(PIB) brasileiro; que São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais lideram o chamado PIB Nominal; que possui a maior renda per capita do país; que estão na região os municípios mais populosos; e que é a mais importante área industrial, comercial e financeira, o que se reflete, por exemplo, no uso de 85% do total da energia elétrica consumida no Brasil(IBGE, 2022). Se, por um lado, os dados mostram uma história de sucesso, por outro evidenciam a construção do território do Brasil marcado pelas diferenças e pelas desigualdades. Pode parecer estranho, num texto que tem como objetivo mapear e fornecer um nexo interpretativo sobre o campo da Comunicação exatamente no Sudeste, dando destaque às mulheres que participam e participaram da sua institucionalização, não fornecer os números que, mais uma vez, comprovam a marca do sucesso(em todas as áreas) da região. O Sudeste possui maior número de cursos no nível Graduação, o maior número de cursos na Pós-Graduação, o maior número de teses e dissertações defendidas, o maior número de universidades(públicas, privadas e confessionais), entre dezenas de outros índices que provam a supremacia. Os dados decorrentes de uma história longínqua apontam, também, para um discurso fundador que marca o início primordial, como já enfatizado: o primeiro curso da área foi criado no Sudeste, especificamente em São Paulo, e o segundo no Rio de Janeiro. Além disso, as primeiras Pós-Graduações surgiram no Rio de Janeiro e em São Paulo. Tudo é sabido quase de antemão. Este discurso tem amparo no contexto histórico. O domínio da região, inclusive epistemológico, é produto de reais condições históricas do Rio de Janeiro, desde os tempos da Colônia, tornando-se, depois, Cidade Capital, e de São Paulo, desde o século 20, sobretudo após a República Velha, que ganha o título de Estado mais rico da Federação. Feito este preâmbulo, os dados que iremos condensar para construir uma história(e como tal, sempre sujeita a muitas interpretações) da institucionalização do campo da Comunicação no Brasil, mostram o predomínio da região, mas também evidenciam diferenças institucionais entre os Estados que, hoje, compõem o Sudeste(Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo) 10 . Ainda que sejamos todos Sudeste, há diferenças na formação do campo da Comunicação de um Estado para outro. É um pouco dessa história, marcada por aproximações, diálogos e também por diferenças, que iremos contar agora. 10 Há que se remarcar que nem sempre o Sudeste foi assim denominado. Ele foi chamado, por exemplo, Região Leste, e incluía Estados que hoje pertencem ao Nordeste, como a Bahia; enquanto São Paulo pertencia à Região Sul. A configuração do Sudeste tal como conhecemos hoje, composta pelos Estados de Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, passou a existir a partir de 1970 no contexto da ditadura civil-militar brasileira. 13 NÚMEROS SUPERLATIVOS Historicamente a Região Sudeste sempre foi a que concentrou, na área de Comunicação, o maior número de cursos de Graduação bem como de Pós-Graduação. O pioneirismo na formação pós-graduada, com a criação dos primeiros cursos de nível Mestrado ainda na década de 1970(USP, UFRJ e PUC-SP), seguidos, na década seguinte, pelo início do funcionamento do nível Doutorado, faz com que hoje a sua supremacia em termos de formação pós-graduada na área de Comunicação ofereça números superlativos. Os dados consolidados na Plataforma Sucupira dos Programas de Pós-Graduação de Comunicação, em funcionamento em 2025, mostram a existência de 106 cursos de Pós-Graduação em Comunicação(em 65 programas), posto que, destes, 51 são Mestrados acadêmicos, 41 Doutorados, 13 cursos de Mestrado profissional e 1 Doutorado profissional. Destes, pertencem à Região Sudeste 55 cursos, sendo 25 com o nível Mestrado acadêmico, 24 Doutorados acadêmicos, além de 6 Mestrados profissionais, não havendo registros de Doutorados profissionais(ver Quadro 1). Ou seja, mais de 50% dos cursos de Pós-Graduação na área de Comunicação estão concentrados no Sudeste(Capes, 2025). Observa-se, entretanto, disparidade de ofertas mesmo entre os Estados da região: enquanto São Paulo concentra 14 Programas, com 25 cursos(11 Mestrados e 11 Doutorados acadêmicos e 3 Mestrados profissionais), o Rio de Janeiro possui 8 Programas, com 14 cursos(6 Mestrados e 6 Doutorados acadêmicos e 2 Mestrados profissionais). Já Minas Gerais, mesmo com uma extensão territorial maior do que São Paulo, possui 7 Programas, totalizando 15 cursos(7 Mestrados acadêmicos, 7 Doutorados acadêmicos e 1 Mestrado profissional). A disparidade é maior ainda, porém, quando se voltam os olhares para o Espírito Santo, que possui apenas 1 Mestrado Acadêmico em Comunicação 11 (ver Quadro 1). 11 Em 2023 o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades, da Universidade Federal do Espírito Santo(UFES), apresentou à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) o projeto de Doutorado em Comunicação. Na Tabela de Cursos em Funcionamento, em 2025, o Doutorado já aparecia como efetivamente aprovado(Capes, 2025). 14 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO SUDESTE Quadro 1 – Programas de Pós-Graduação da Região Sudeste São Paulo 14 M D MP DP 11 11 3 Rio de Janeiro 8 M D MP DP 662 Minas Gerais 7 M D MP DP 7 71 Espírito Santo 1 M D MP DP 1-- Total 30 M D MP DP 25 19 6 Fonte: Capes(2025). A expansão da Comunicação, no período de 2009 a 2018(Capes, 2018), mostra o exponencial crescimento, passando de 39 cursos, em 2009, para 89 dez anos depois, isto é, um acréscimo de mais de 65%. Ainda que tenha havido no período, segundo o mesmo documento, significativo crescimento em todas as regiões do país, os números superlativos dizem respeito, sobretudo, ao Sudeste. Também no que diz respeito às condições materiais, representadas exclusivamente pelo número de docentes que participam dos programas, observa-se que a maior quantidade se localiza em São Paulo(175), o que é, em parte, justificado pela supremacia numérica em termos de Programas de Pós-Graduação no Estado(14). Na sequência, vem o Rio de Janeiro, que, apesar do menor número de docentes atuando proporcionalmente, tem cifra maior do que a de São Paulo: para 8 Programas de Pós-Graduação há o registro, no Rio de Janeiro, de 166 docentes. Minas Gerais, com apenas um programa a menos que o Rio de Janeiro(7), possui 114 docentes atuando nas Pós-Graduações, enquanto o Espírito Santo, com um único Mestrado, registra 16 docentes(ver Quadro 2). Quadro 2 – Docentes dos PPGs da Comunicação por Estado da Região Sudeste Estado São Paulo Rio de Janeiro Minas Gerais Espírito Santo Total Geral Total de Docentes 175 166 114 16 471 Fonte: Páginas web dos Programas do Sudeste. Ainda que a supremacia da Região Sudeste seja decorrente de muitos fatores, entre os quais as desigualdades de oportunidades, resultantes da concentração de renda 15 em regiões dominantes em termos políticos e econômicos, ela deve-se igualmente ao desenho teórico e educacional dos estudos de Comunicação. O pioneirismo dos primeiros cursos de Graduação, a maior expressividade do mercado midiático, desde o surgimento da imprensa, no início do século 19 e durante todo o século 19, com maior destaque a partir da constituição da mídia de massa no país no século 20, a concentração do mercado midiático, em razão de uma“modernização conservadora” (Ortiz, 1988) do país, são alguns dos fatores que podem, ainda hoje, explicar o contexto que materializa estas cifras. Interpretando, rapidamente, os textos sínteses produzidos sobre cada um dos Estados da região(São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais), observamos que, apesar de serem de diversos autores, seguiram caminhos mais ou menos uniformes, destacando a criação dos cursos de Graduação seguida da instituição das Pós-Graduações. Alguns citam nomes de muitos pesquisadores que se tornaram referência na área, entre eles diversas pesquisadoras, mostrando a presença feminina na Comunicação(objetivo final desta obra) e na produção de pesquisas fundadoras, permanentemente atualizadas. Depois de sete décadas da criação dos primeiros cursos de Graduação de Comunicação, inicialmente representados pelos cursos de jornalismo, as mulheres continuam fazendo a história do campo comunicacional na região, produzindo textos importantes, pesquisas de ponta, adensando reflexões e participando ativamente dos processos de criação e institucionalização da área. Procurando, através de um olhar interpretativo, identificar aproximações e distanciamentos entre os textos que traçam uma radiografia do campo nos Estados do Sudeste, observamos, ainda, muitos outros pontos comuns além da descrição pormenorizada do que os autores identificam como início de constituição do campo, já referida anteriormente: o destaque ao papel central exercido pela Graduação neste contexto; a importância do nível Pós-Graduação para o adensamento teóricoreflexivo e para a própria expansão de novas Pós-Graduações por todo o país; e o esforço de muitos pesquisadores em institucionalizar a área por meio de diversas ações: da criação das sociedades científicas à constituição de grupos de pesquisa, e da promoção de intercâmbios em redes de pesquisa à organização de eventos para o exercício de trocas permanentemente renovadas. Destacam-se, igualmente, em todos os textos, trabalhos da memória, procurando mediante muitos testemunhos construir a história do campo da Comunicação. Ao invés de sintetizar estes cenários, que estão descritos de maneira pormenorizada nos textos que constroem, por Estado, uma espécie de radiografia do campo da Comunicação na região, optamos por fazer o esforço de dar rosto e voz às mulheres pesquisadoras da Comunicação que atuaram e atuam no Sudeste desde a criação dos primeiros cursos até sua presença marcante em todas os Programas de Pós-Graduação. 16 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO SUDESTE MULHERES NA COMUNICAÇÃO Nos textos que vão descrevendo, de maneira sucinta, a história do campo da Comunicação no Brasil, a presença feminina aparece em muitas descrições: seja assumindo posições-chave na construção dos projetos pioneiros dos cursos, seja produzindo textos fundadores da área, ou, ainda, atuando como docentes dos cursos de Graduação e Pós-Graduação. A radiografia dos cursos, com o objetivo de mapear a participação das mulheres nos processos de constituição do campo da Comunicação, mostra que, ainda que nos primórdios, nos cursos de Graduação, suas participações eram raras. À medida que as décadas avançam, no entanto, elas vão ganhando cada vez mais protagonismo; isso em todos os Estados. Assim, muitas vozes testemunhais dos personagens femininos que participaram decisivamente da institucionalização da Comunicação por meio das suas atuações, tendo sido dirigentes das duas primeiras associações científicas da área(Sociedade de Estudos Interdisciplinares de Comunicação –Intercom–, criada em 1977, e Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação –Compós, em 1991) e das que se seguiram(Secretaria da Associação Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –Socine–, Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo –SBPJor–, Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia –Alcar–, entre outras), aparecem referenciando estes momentos, mostrando a participação decisiva das mulheres na institucionalização do campo no Sudeste 12 . 12 Apenas a título de exemplo, citamos: Ana Maria Fadul, docente da Universidade de São Paulo(USP), participante do grupo que fundou a primeira sociedade científica da área, a Sociedade de Estudos Interdisciplinares de Comunicação(Intercom), em 1977, em São Paulo, e que foi a segunda presidente da entidade. Outras mulheres ocuparam diversos cargos de liderança na Intercom, com destaque para o cargo de presidente exercido também por Margarida Kunsch(USP); Maria Immacolata Vassalo de Lopes(USP); Cicilia Peruzzo(naquele momento docente da Universidade Metodista de São Paulo – UMESP); Sonia Virgínia Moreira(Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ) e Marialva Barbosa(Universidade Federal Fluminense/ Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFF/UFRJ). No que diz respeito à segunda associação científica criada no país, a Associação Nacional de Programas de PósGraduação em Comunicação(Compós), pesquisadores da região estiveram na diretoria da Associação desde a sua constituição em 1991: Lúcia Santaella(Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP); Maria Ceres Pimenta Spínola Castro (Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG); Vera Regina Veiga França(UFMG); Raquel Paiva de Araújo Soares(UFRJ); Simone Pereira de Sá(UFF); Ana Silvia Lopes Davi Médola(Universidade Estadual Paulista“Júlio de Mesquita Filho” – UNESP/ Bauru); Gisela Castro(Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM) e Roseli Fígaro(USP). A presidência da Compós foi exercida, ainda, por duas pesquisadores do Sudeste: Roseli Fígaro(2021-2023) e Vera Regina Veiga França(2001-2003). 17 Na sequência vamos apresentar alguns dados recentes que mostram a expressiva presença feminina nos cursos de Pós-Graduação da área, destacando sua importância por ocuparem lugar central na pesquisa, no ensino e nas atividades de extensão e de gestão nos cursos. Assim, apresentamos uma síntese da atuação das mulheres nos programas de Pós-Graduação, mapeando as suas inserções nos 55 cursos de Comunicação da região. Quadro 3 – Docentes dos PPGs da Comunicação e presença feminina Estado São Paulo Rio de Janeiro Minas Gerais Espírito Santo Total Geral Total de Docentes 175 166 114 16 471 Mulheres 85 91 57 6 239 % 48,57 54,81 50 37,5 50,74 Fonte: Páginas web dos Programas do Sudeste. A síntese expressa no Quadro 3, que expõe o total de docentes do Programas de Pós-Graduação em Comunicação, particularizando a presença feminina entre os pesquisadores, mostra, na atualidade, a expressiva participação das mulheres na Comunicação na região. Dos 471 docentes destes Programas, 239 são mulheres, o que representa mais de 50% em termos de participação feminina em relação ao total. O Estado que registra o maior número de mulheres como docentes das PósGraduações é o Rio de Janeiro, com 91, ou seja, 54,81% em relação ao total de docentes(166). Em segundo lugar, considerando a proporcionalidade de docentes mulheres em relação ao total de professores, vem Minas Gerais, com a presença de 57 pesquisadoras em relação ao total de 114 docentes(50%). São Paulo ocupa a terceira posição, com 48,57% de docentes mulheres, ou 85 de um total de 175 professores. Por último, o Espírito Santo, com a menor proporcionalidade: dos 16 docentes do Mestrado em Comunicação e Territorialidades da Universidade Federal do Espírito Santo(UFES), 6 são mulheres, ou seja, 37,5%(ver Quadro 3). O que podemos aferir, todavia, a partir destas cifras? Em primeiro lugar a evidente participação das mulheres como pesquisadoras importantes nos estudos em Comunicação, uma vez que é nas Pós-Graduações que se concentram a maior produção acadêmica da área; as pesquisas de ponta; a institucionalização de redes de pesquisa nacionais e internacionais; os intercâmbios entre países de vários continentes; e a reflexão que redunda em centenas de livros publicados, artigos, capítulos, numa 18 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO SUDESTE produção que mostra a face visível das pesquisadoras de Comunicação e a sua importância na constituição do campo e dessa história. Em segundo lugar, há que se destacar o papel das mulheres na formação de quadros para Pós-Graduações de todo o país, posto que os egressos dos programas do Sudeste ocupam postos de liderança e de docentes em várias Universidades do país. Sua presença é decisiva na formação de quadros, por exemplo como orientadoras de Mestrado e de Doutorado. Por último, e não menos importante, as mulheres contribuem para o adensamento teórico e reflexivo da área, considerando-se que muitos destes nomes que figuram como docentes dos programas da Região Sudeste, são pesquisadoras de reconhecida importância nacional e internacional. Das suas reflexões emerge uma“literatura de ideias” que, pelas dificuldades inerentes à produção deste inventário, tornouse impossível de ser feita. Fica o convite para que este mapeamento seja realizado, mostrando a importância das mulheres na Comunicação e o papel-chave que tiveram na produção teórica do campo. Apesar desta lacuna, quem atua há muitas décadas na área saberá identificar nas Marias, nas Lúcias, nas Veras, nas Sonias, nas Anas, entre diversas outras, não apenas o nome de muitas pioneiras, mas também daquelas que, passados mais de 50 anos da criação da primeira Pós-Graduação em Comunicação, continuam esforçando-se para produzir reflexões, deixando seus legados para um futuro que invariavelmente começa no passado e no presente. Referências CAPES. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Documento de área. Comunicação e Informação, 2018. CAPES. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Tabela de Cursos em Funcionamento, 2025. COMPÓS. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Diretorias anteriores. Disponível em: https://compos.org.br/diretorias-anteriores/. Acesso em: 14 mar. 2025. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo 2022. 2022. INTERCOM. Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Portal Intercom. Disponível em: https://portalintercom.org.br/conselho/. Acesso em: 14 mar. 2025. ORTIZ, Renato. Moderna tradição brasileira. São Paulo, SP: Brasiliense, 1988. 19 ESPÍRITO SANTO 20 Ruth Reis 13 COMUNICAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO: 50 ANOS DE UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA E CORAJOSA Grande é a responsabilidade de reproduzir aqui o que se pode chamar de campo da Comunicação no Espírito Santo(ES). Não apenas pelo fato de não se colocar muito clara a missão, mas, principalmente, pelo risco de deixar de contemplar ações e pessoas que se mobilizaram para construir o caminho que podemos visualizar ao olhar para trás e encontrar vestígios do percurso já realizado. Aceitei, no entanto, o desafio, deixando aqui a ressalva de que não se pretende esgotar essa tarefa dentro deste curto tempo e espaço que restringem a possibilidade de uma pesquisa rigorosa, e que me deixa como alternativas metodológicas a confiança na minha memória, na dos que comigo partilharam essa experiência, na pesquisa em velhos documentos guardados desde meus tempos de estudante de Graduação e alguns poucos livros e notícias sobre o tema. Para deslindar parte do desafio que me foi proposto, tomo como referência a noção de campo de Pierre Bourdieu(1989), que o define como um universo composto de múltiplas forças que se articulam entre si e gravitam em torno de um núcleo de poder que se transmuta na forma de uma especialidade. Esta materializa-se em competências sociais realizadas por um arranjo formado por agentes diversos, que tanto disputam internamente a formulação de sua identidade como campo quanto as posições de poder dentro dele. Nesse conjunto de elementos que constituem um campo, entrelaçam-se dimensões tecnológicas, filosóficas, culturais, poderes simbólicos e materiais, pessoas e ideias. O assim entendido campo da Comunicação forma-se com mais ênfase a partir do século 20, sob a égide da mídia de massa, materializada por tecnologias de Comunicação que nos legaram como produtos principais o jornal, o rádio e a televisão, e que foi formatada no contexto de uma economia política do período 13 Professora permanente do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo(UFES) no curso de Jornalismo, e do Programa de PósGraduação em Comunicação e Territorialidades. Doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), com estágio de Pós-Doutorado em Comunicação pelo Instituto Universitário de Lisboa e mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Coordenadora do grupo de estudos em Comunicação, Cultura e Discurso(UFES). 21 moderno hegemonizada pela indústria. Desde o final do século 20 passamos a caminhar para outra fase, em que o sistema de mídia muda seu rumo empurrado pelas tecnologias digitais, pela Internet e pela virada econômica e social que se registra no contemporâneo, deslocando-se para um mundo mais globalizado, veloz e dominado por grandes corporações, também conhecidas como big techs. BREVE HISTÓRICO DA COMUNICAÇÃO REGIONAL O segmento de Comunicação no Espírito Santo desenrola-se de forma semelhante ao que vemos em âmbito nacional, embora com atrasos e em proporções diferentes. O Espírito Santo, que teve seu primeiro jornal em 1840(Correio da Victória), terminou o século 20 abrigando os principais players de Comunicação brasileiros instalados em seu território. Desse modo, o desenho da concentração de mídia encontrado no Brasil reproduz-se, também, em terra capixaba, pelo fato de os grupos locais de Comunicação articularem-se em torno das emissoras de radiodifusão nacionais, com forte domínio da Rede Globo. No jornalismo, quatro empresas de Comunicação destacam-se: A Gazeta, afiliada da Globo; A Tribuna, afiliada do SBT; Vitória, da Record; e Capixaba, da Band. Além da radiodifusão(televisão e rádio), essas empresas investem em portais de notícias na Internet. Apenas uma, A Tribuna, mantém um jornal impresso já com baixa circulação. Com a chegada da Internet e das redes sociais, os grupos de Comunicação sofreram o abalo das mudanças comportamentais dos consumidores de informação e entretenimento com o ingresso e/ou crescimento das plataformas de mídias digitais (Google, Meta e X(ex-Twitter), principalmente) que afetaram diretamente o mercado do jornalismo e da publicidade. A Comunicação também viceja em inúmeras instituições públicas e privadas do Espírito Santo ou junto a personalidades que compõem assessorias próprias de Comunicação e oportunizam empreendimentos de pequeno porte para prestar serviços dessa natureza. Ainda devemos considerar as demandas de Comunicação geradas pelo novo ecossistema, que tem nas mídias digitais a sua principal e mais destacada expressão. Estas exigem presença permanente e contínua com produção intensiva de conteúdos informativos, diversionais e promocionais. Se a virada digital trouxe uma simplificação e facilitação da produção, proporcionando um volume alto de produção amadora, também tem trazido a necessidade de uma profissionalização mais dedicada a essas alternativas transmidiáticas. ENSINO DE COMUNICAÇÃO Não seria razoável se, junto com o processo de constituição e consolidação do segmento de Comunicação no Espírito Santo, não chegassem também demandas 22 COMUNICAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO: 50 ANOS DE UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA E CORAJOSA pela formação profissional e pelo pensamento da Comunicação. Se no Brasil elas aparecem no final dos anos 1940, no Espírito Santo surgem apenas nos anos 1970. Foi a exigência do diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista, prevista pelo Decreto-lei 972/1969, que impulsionou a formação superior em Comunicação. Em 2009, por decisão do Superior Tribunal Federal(STF), caiu a exigência do diploma, mas ainda assim os cursos continuaram a ser procurados. A Associação dos Jornalistas(entidade que precedeu o Sindicato dos Jornalistas, criado somente em 1979) e a maior rede de Comunicação do ES, a Gazeta, foram os primeiros a mobilizarem-se para a constituição de cursos de Comunicação, o que foi reivindicado à Universidade Federal do Espírito Santo(UFES).“Todos nós éramos jornalistas sem preparo universitário. Eu, como jornalista, comecei a fazer uma campanha na minha coluna, para a criação do curso de Jornalismo na Universidade. Não se justificava que, com tantos jornais em Vitória, revistas e tudo, não se tivesse nenhum jornalista diplomado, formado”(Dórea, H. apud Martinuzzo; Mantovaneli, 2015, p. 9). Dórea era colunista social do jornal A Gazeta e, à época, exercia a presidência da Associação dos Jornalistas do ES. Criado pela UFES em caráter provisório em 1974, apenas com habilitação em jornalismo, duração prevista para três anos e prevendo formar 240 profissionais de jornalismo no período, o curso de Comunicação Social recebeu sua primeira turma em 1975. Em 1977 foi solicitada ao Ministério da Educação e Cultura(MEC) a sua continuidade, mas uma comissão enviada pelo Ministério atestou que não havia as condições necessárias para mantê-lo(Possebom, 2003 apud Martinuzzo; Mantovaneli, 2015). A UFES recebeu, então, do Conselho Federal de Educação, um prazo de 90 dias para se adequar aos requisitos mínimos de infraestrutura, o que foi feito por meio de um convênio com a – já extinta – Fundação Cultural do Espírito Santo(FCES), para que as disciplinas que utilizassem equipamentos de audiovisual e de rádio fossem realizadas nos estúdios da TVE e da Rádio Espírito Santo. As mobilizações dos estudantes foram fundamentais para que tudo se arranjasse e o curso, finalmente, em 1979, fosse autorizado a funcionar. Naquele momento foi adotado um novo currículo na UFES, seguindo as diretrizes de 1978 do Conselho Federal de Educação, que previa a criação das habilitações em Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. O projeto, elaborado pelos professores Maria Elizabeth Rondelli e Aurélio Jaques Batista, foi aprovado pelo Conselho de Ensino e Pesquisa da UFES em 1979, e iniciado no primeiro semestre de 1980. A partir de então, além de Jornalismo, passou a ser oferecida a habilitação de Publicidade e Propaganda. A de Relações Públicas nunca foi concretizada. Depois disso, o Projeto Político-Pedagógico do curso de Jornalismo recebeu mais duas versões: uma em 2004, proposta por uma comissão que coordenei, com participação expressiva de Cleber Carminati(falecido em 2022) e de outros colegas, e a última em 2023, elaborada pelo Núcleo Docente Estruturante(NDE) e coordenada pelo professores 23 Rafael Paes e Rafael Bellan. O de Publicidade e Propaganda permanece na versão de 2004 e está com nova proposta em fase de análise, elaborada pelo NDE do curso, sob liderança da professora Rosane Zanotti e com a participação de outros docentes. Em 2009 foi criado o curso de Cinema e Audiovisual, quando o governo federal investiu na expansão das universidades por meio do projeto Reuni(Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais). Os estudos de cinema e vídeo fizeram-se presentes, em boa parte da existência do curso de Comunicação da UFES, por incentivo de alguns professores, com destaque para Arlindo Castro(falecido em 1997), que obteve doutorado pela New York University e foi um dos primeiros do Brasil no campo da Comunicação. Também é“um dos primeiros teóricos brasileiros a pensar a televisão com um olhar que não se reduzisse a certos maniqueísmos então bastante comuns”(Vieira, 2021, p. 39). Nos anos 1990 e início dos 2000, também se dedicavam aos estudos da produção audiovisual os professores Alexandre Curtiss e Cleber Carminati; ambos foram fundamentais para a criação do curso de Cinema e Audiovisual, elaborando o projeto que também contou com a autoria do então recém-contratado professor Erly Vieira Junior. Em 2013 um momento traumático: o Curso de Comunicação da UFES foi suspenso pelo MEC devido à baixa avaliação nas provas prestadas pelos estudantes egressos. Estes, em protesto contra o modo de avaliação que havia sido adotado pelo MEC a partir de 1995(Lei nº 9.131/1995, que resultou no Exame Nacional de Cursos, apelidado de Provão, e hoje reformulado para Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – Enade), mobilizaram-se sistematicamente para boicotar as provas, entregando-as sem respostas às questões. O acúmulo de notas baixas que os egressos legaram ao curso de Comunicação da UFES nos anos de 2009 e 2012, resultou na suspensão do ingresso de alunos por três semestres(2014/1 e 2 e 2015/1) para as habilitações de Jornalismo e de Publicidade. Atualmente o Departamento de Comunicação da UFES reúne 28 professores e 5 técnicos administrativos, oferece os 3 cursos de Graduação já mencionados e tem cerca de 550 alunos mATRICULADOS. PARTE DOS SEUS INTEGRANTES ASSEGURA, TAMBÉM, A OFERTA DO MESTRADO Em Comunicação e Territorialidades, criado em 2014. As atividades acadêmicas da UFES na área de Comunicação têm prestado importante contribuição à introdução e desenvolvimento de outros cursos de Graduação em Comunicação no Espírito Santo, em faculdades e universidades privadas. A segunda instituição a investir nessa formação no Espírito Santo foi o Centro Universitário Faesa, que, em 1994, criou o curso de Jornalismo e, em 2000, o de Publicidade e Propaganda. A Universidade de Vila Velha(UVV) foi a terceira a instalar o curso de Publicidade e Propaganda em 1998 e o de Jornalismo em 2000. Em 2003 a Faculdade Novo Milênio abriu seu curso de Publicidade e Propaganda, e a Faculdade Estácio de Sá, em Vitória, passou a oferecer os cursos de Jornalismo 24 COMUNICAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO: 50 ANOS DE UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA E CORAJOSA e Publicidade. A Estácio é a primeira instituição com sede fora do Espírito Santo a ingressar no mercado educacional de Comunicação capixaba. O Cadastro Nacional de Cursos e Instituições de Educação Superior do Ministério da Educação(E-Mec, 2024) registra 22 cursos presenciais na área de Comunicação criados a partir de 1974 no ES, totalizando 2.462 vagas. A maior parte(77%) foi criada entre 1994 e 2008. Dos 22 cursos, 4 já foram extintos; 1 está em fase de extinção; 2 informam que estão com oferta indisponível e 1 não informa em seu site na web se está funcionando na atualidade. Os dois cursos mais recentemente aprovados datam de 2017 e 2022. Em 2017 surge o de Publicidade e Propaganda da Multivix; em 2022 foram autorizados os cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda para o Centro Universitário Castelo Branco, localizado no município de Colatina, norte do ES. Segundo o E-Mec(2024), estes ainda não foram iniciados, mas o site da instituição informa que há vagas oferecidas. A educação a distância na área de Comunicação passa a despontar principalmente a partir da pandemia de Covid-19 em 2020. Duas instituições capixabas estão registradas no E-Mec com oferta de curso nessa modalidade: a Multivix-Serra, com capacidade para 16 mil vagas(não somente para o ES, mas para todo o território nacional) e a Universidade de Vila Velha(UVV), que oferece 9 mil vagas. Outras instituições brasileiras destinam vagas de EaD/Comunicação ao ES, segundo o E-Mec, 801 são em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – e 16 em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda e Mídias Digitais. Há também numerosos cursos tecnológicos EaD na área de Comunicação. O PENSAMENTO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO ES Os cursos na área de Comunicação Social da UFES foram e continuam sendo referência para a constituição da dimensão acadêmica do campo da Comunicação no Espírito Santo. Nos seus quase 50 anos de existência, foi responsável pela formação de grande parte dos profissionais que produzem Comunicação, seja no mercado de empresas jornalísticas e agências de publicidade, nas empresas de assessoria em Comunicação, no serviço público e em instituições sociais diversas que demandam esse conhecimento e formam suas próprias equipes. Com a agregação do curso de Cinema e Audiovisual, o único nessa modalidade no Espírito Santo, a Universidade passou a formar profissionais nas diversas competências do Cinema e do Audiovisual, que têm obtido projeção nas artes e na cultura. Também tem sido responsável pela formação em nível de Pós-Graduação de professores que atuam nas diversas instituições de ensino que mantêm cursos na área de Comunicação. Alguns dos seus ex-alunos desenvolvem trajetórias nacionais e internacionais. No seu nascimento, o curso da UFES adotava um currículo unificado em torno da área de conhecimento Comunicação Social, composto por disciplinas de especialidades 25 como Publicidade e Propaganda, Cinema e Relações Públicas, mas sua maior ênfase era para o Jornalismo, habilitação única até então oferecida. Naquele caminhar para o final dos anos 1970, ainda sob o regime militar, o campo da Comunicação no Brasil e no ES formava-se, lentamente, como um espaço crítico e vigilante em relação aos usos que se faziam dos meios de Comunicação. Os estudos de Comunicação que começaram a ganhar corpo foram e têm sido fundamentais para a formação de um pensamento crítico em relação a esse campo tão importante para o desenvolvimento social, cultural e econômico, sempre tão marcado pela concentração de poder. A exemplo dos cursos de Comunicação Brasil afora, o da UFES foi substancialmente influenciado pelo pensamento desenvolvido no Rio de Janeiro e em São Paulo, alimentado por autores de referência europeus e norte-americanos. Na bibliografia das disciplinas teóricas daqueles primeiros tempos, figuravam nomes como os de Octavio Ianni, Florestan Fernandes, José Marques de Melo, Boris Fausto, Muniz Sodré, entre outros. Um dos mais influentes naqueles primeiros momentos para o pensamento da Comunicação era o sociólogo Gabriel Cohn(USP), com sua importante coletânea Comunicação e Indústria Cultural(Cohn, 1971), transformada no livro eixo da formação dos primeiros estudantes de Comunicação. Têm especial ênfase os estudos sobre a sociedade de massa e a indústria cultural, que Cohn traz para o contexto dos estudos de Comunicação por meio do pensamento de Theodor Adorno, Walter Benjamin e Max Horkheimer, ícones da Escola de Frankfurt. Entre os grandes nomes que marcaram o processo de formação naqueles anos iniciais, estava o de Marshall McLuhan, com seus“Meios de Comunicação como Extensões do homem”(McLuhan, 1974) e seus conceitos – ainda tão contemporâneos – de aldeia global e do meio como mensagem. Nos anos posteriores outras perspectivas passaram a ser incorporadas, à medida que se renovava o corpo docente e novas questões comunicacionais e sociais iam se desenrolando. O curso de Comunicação Social da UFES e seu núcleo de pensamento foi estruturado com professores de áreas diversas, em especial da Sociologia, da Antropologia e da Psicologia, que se voltavam para a Comunicação como objeto de estudos. O restante das disciplinas era oferecido pelo Departamento de Comunicação, criado em 1980, depois de ter conseguido deixar de ser um apêndice do Departamento de Administração, pelo empenho das professoras Tânia Mara Ferreira e Elizabeth Rondelli, tornando-se esta a primeira chefe do Departamento. Nessa unidade, atuavam os professores que ministravam as chamadas disciplinas práticas. A primeira a ser contratada com formação superior em Jornalismo foi a professora Sybila Baeski. Os primeiros professores foram contratados como colaboradores, pois, na época, eram raros os concursos públicos. Aquele era também um momento de reorganização do movimento estudantil, ainda sob a ditadura militar. Os estudantes atravessavam as passarelas, às vezes lamacentas, 26 COMUNICAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO: 50 ANOS DE UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA E CORAJOSA do manguezal que circunda a área onde se localiza o Campus de Goiabeiras, em Vitória (ES), com seus panfletos mimeografados convocando para assembleias e votações, bradando contra os decretos da ditadura(477/69 e o 228/67, entre outros) que cerceavam o direito de organização e manifestação e definiam infrações disciplinares eventualmente praticadas por professores, outros servidores e estudantes. Em 1978 foi reaberto o Diretório Central dos Estudantes(DCE) e, entre 1979 e 1980, foi criado o Centro Acadêmico Livre de Comunicação. Fora da Universidade igualmente se reestruturavam os sindicatos, tendo o Sindicato dos Jornalistas surgido em 1979, entidade que teve papel importante na organização do mercado de trabalho e foi parceiro permanente do curso de Comunicação, sempre defendendo a importância do diploma de nível superior para o exercício da profissão. Raros eram os professores das disciplinas específicas de Comunicação que tinham Mestrado ou Doutorado na área. Os primeiros a buscarem essa formação em nível de Pós-Graduação foram os que ingressaram no final dos anos de 1970 a 1990, ainda sem a exigência de titulação acima da Graduação para se habilitarem ao cargo de professor nas universidades. Muitas vezes essa busca era feita com sacrifício pessoal, pois eram necessários deslocamentos para outros Estados para alcançar os poucos Programas de Pós-Graduação em Comunicação que existiam no Brasil. Pela proximidade, as instituições mais procuradas eram as do Rio de Janeiro e de São Paulo(USP, PUC-SP, Universidade Estadual de Campinas – Unicamp – e UFRJ). A primeira doutora no Departamento de Comunicação da UFES foi a professora Cicilia Maria Krohling Peruzzo, titulando-se em 1991. Ela atuou no curso da UFES de 1977 a 1996, e teve um papel de destaque naqueles momentos iniciais de formação do campo da Comunicação no Brasil e no ES, incentivando a pesquisa em âmbito regional, com o olhar voltado principalmente para os estudos de Comunicação popular e comunitária, e também contribuindo para a organização dos pesquisadores de Comunicação na esfera nacional, a exemplo da contribuição para a organização da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), entidade que presidiu de 1999 a 2002, logo depois de se aposentar pela UFES. Ainda em atividade em várias universidades, Cicilia tem atuado nos últimos anos como professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PósCom) da UFES. Enquanto não havia integrantes do Departamento de Comunicação com título de doutor em número suficiente para projetos mais ousados, durante a década de 1990 e nos primeiros anos da década de 2000, embarcamos no incentivo da UFES à oferta de cursos de Especialização lato sensu, o que, de certo modo, supria a demanda por qualificação acadêmico-profissional visivelmente existente no Espírito Santo e comprovada pelas turmas sempre cheias desses cursos. A maioria dessas experiências voltava-se para o campo da Comunicação Organizacional e Estratégica, o que é um índice importante de como a Comunicação passou a ser apropriada pela sociedade. Outras instituições, como Faesa e Universidade Cândido Mendes, igualmente 27 passaram a oferecer esse tipo de formação no Espírito Santo no final dos anos 1990 e início dos 2000. PESQUISA E EXTENSÃO Foi na Graduação da UFES, ainda na década de 1990, que começaram a ser desenvolvidos os primeiros projetos de pesquisa na área de Comunicação, nos trabalhos de final de curso, nos de Mestrado e de Doutorado dos professores de então, e, mais tarde, também em grupos de pesquisa e extensão e por professores individualmente, com o ingresso de novos docentes ou com a Pós-Graduação stricto sensu dos já existentes. Os primeiros grupos foram o Núcleo de Pesquisa e Extensão em Comunicação(Nexo), criado no início dos anos 1990 sob liderança de Cicilia Krohling, e o Percursos Culturais em Comunicação, que criei em 2002(em 2018 o renomeei para Grupo de Pesquisa em Comunicação, Cultura e Discurso – Grudi). Registram-se, ainda, pesquisas desenvolvidas pelos professores Victor Gentilli, na área de Jornalismo, de Silvia Chiabai, em telejornalismo, na década de 1990, e de Juçara Brittes sobre a história da imprensa/Comitê Capixaba da Rede Alfredo de Carvalho, a partir de 2001. Outra iniciativa foi a criação do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Artes(GPECA), ainda em 2002, que propus a professores do Centro de Artes da UFES e, depois de muitos debates para elaboração do projeto, conseguimos tê-lo aprovado num edital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) voltado para a formação de novos grupos de pesquisa e titulação de professores e de novos Programas de Pós-Graduação. Nesse momento eu ocupava a chefia do Departamento de Comunicação e buscávamos reposicionar o curso de Comunicação, migrando-o do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas para o Centro de Artes, o que se concretizou a partir de 2004. A mudança ocorreu na perspectiva de obter uma condição mais apropriada de funcionamento, tanto para a Graduação quanto para avançar no amadurecimento do campo da Comunicação ao enveredar para a Pós-Graduação stricto sensu, em articulação com saberes de áreas mais próximas. Em 2003 foi criado o Grupo de Estudos Audiovisuais(GRAV), de pesquisa e extensão, coordenado pelo professor Alexandre Curtiss, voltado ao debate de filmes e que fez história ao abrigar o projeto de um grupo de estudantes denominado Cine Falcatrua, movimento cineclubista dos primeiros tempos da Internet(Rádio Universitária, 2013). Também merece destaque o Laboratório de Internet e Cultura(Labic), liderado pelos professores Fábio Malini e Fábio Gouveia, que ganhou projeção nacional e internacional nos estudos de internet e redes sociais. Esse momento pós anos 2000 coincide com um incentivo maior da Universidade à pesquisa por meio de programas de bolsas para estudantes(Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – Pibic). Hoje existem diversos grupos de pesquisa, como o Ateliê de Sonoridades 28 COMUNICAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO: 50 ANOS DE UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA E CORAJOSA Urbanas, o Baile(sobre o papel das práticas de Comunicação e a arte contemporânea), o Cultura Audiovisual e Tecnologia(CAT), o Comunicação, Imagem e Afeto(CIA), o Observatório da Mídia e o Kaos Marx. EVENTOS O ano que marca o início dos eventos acadêmicos de Comunicação é 1980. Esses eventos complementavam e enriqueciam a formação dos estudantes ao proporcionar a divulgação de experiências e de estudos mais recentes e debates sobre a organização do campo da Comunicação, seja no plano profissional ou acadêmico. Alguns desses eventos foram realizados em parceria com o Sindicato dos Jornalistas. A partir dos anos 2000 outras instituições, como Faesa e UVV, também promovem atividades dessa natureza, o que contribui para a circulação do conhecimento específico na área de Comunicação no Espírito Santo. Alguns eventos nacionais e regionais de Comunicação foram marcantes, entre esses citamos: o I Simpósio de Pesquisa em Comunicação da Região Sudeste do Intercom (I Sipec, correspondente ao atual Intercom Regional) em 1988; o 16º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação em 1993; o VIII Sipec em 2003, no qual foi lançada a Rede Alfredo de Carvalho; o XV e o XXIV Congressos da Intercom Sudeste, realizados em 2010 e 2019, respectivamente; o Colóquio Brasil-China de Ciências da Comunicação, promovido pela Intercom, UFES e China International Media Research Centre(IMRC) em 2010; e o 2º Encontro Regional Sudeste de História da Mídia em 2012. Exceto este último, que foi organizado pelo Curso de Comunicação da Universidade de Vila Velha, os demais foram organizados pelo Departamento de Comunicação da UFES com parceria e apoio de outras instituições. A partir de 2014, com a criação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades na UFES, são realizados, anualmente, os seminários de Comunicação e Territorialidades de caráter regional. O programa também já promoveu eventos internacionais, como o Beside the screen, entre 2014 a 2020, dedicado às várias formas de cinema que não são filmes. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO E TERRITORIALIDADES Apesar do já longo histórico de constituição do campo acadêmico da Comunicação, somente em 2013 foi aprovado pela Capes o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades da UFES. Esse início tardio foi devido principalmente às deficiências acumuladas historicamente por fatores que transcendem a vontade de parte dos professores. A própria Universidade alimentava sua vocação apenas para a Graduação, pois somente a partir de meados da primeira década dos anos 2000, com o aumento do número de professores doutores, é que houve um incremento 29 dos seus Programas de Pós-Graduação stricto sensu, passando de apenas 19 cursos de Pós-Graduação para quase 100. Quase chegando aos seus 40 anos, o Departamento de Comunicação ainda não reunia o número de docentes com titulação exigido pela Capes. Os esforços para chegar ao nível da Pós-Graduação remontam ao início dos anos 2000, quando se buscou, de forma mais concreta, instituir um programa de Pós mesmo com os poucos recursos disponíveis. O PósCom UFES nasceu após quatro tentativas de aprovação junto a Capes, a primeira das quais apontou para um programa interdisciplinar, na tentativa de contornar a escassez de docentes titulados no campo da Comunicação. Coube a mim redigir os fundamentos da primeira proposta(Reis, 2005), construída com professores de Artes e Arquitetura, que também padeciam dessa carência e dividiam conosco um projeto de titulação de docentes em parceria com a PUC-SP a partir do GPECA, grupo de pesquisa mencionado anteriormente. A área de concentração proposta era Imagem e Cultura, tendo como linhas de pesquisa Imagem e produção de sentidos e Imagem, mediações e territorialidades. Foi apresentado à área Interdisciplinar da Capes em 2005, mas não foi aprovado. À medida que conseguíamos aumentar o número de professores titulados, mantínhamos nossa mobilização para formar o Mestrado em Comunicação. Em 2007 foi feita uma nova tentativa, propondo um programa na área de concentração apenas em Comunicação, também frustrada. Reelaboramos o projeto e o apresentamos em 2011, tendo como área de concentração Comunicação e Territorialidades, que foi aprovado com restrições. Mais uma vez esbarrávamos na composição do corpo docente – ora muito jovem, ora muito uniforme; nunca conseguíamos nos encaixar nos parâmetros da Capes. Ainda assim, teríamos aí a chance de buscar, em mais uma rodada, a aprovação da Capes caso conseguíssemos superar os entraves que eram apontados pelos pareceristas. Com o empenho, a dedicação e a vontade de colaboração de outros professores próximos da nossa área de concentração, conseguimos a aprovação da proposta após fazermos ajustes e esperarmos mais um ano pela nova chamada da Capes, ocorrida em 2012. Somente em 2013 recebemos a aceitação da Capes, e, em 2014, foi iniciado o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades, sob coordenação da professora Daniela Zanetti. Passados dez anos e outros cinco coordenadores(Fábio Malini, Edgard Rebouças, Flávia Mayer, Rafael Paes e Gabriela Alves), o Mestrado em Comunicação e Territorialidades já acumula 80 defesas de dissertação, contemplando temas que trazem como objetos de estudos mais frequentes as abordagens sobre os conteúdos apresentados pela mídia, com predominância do jornalismo e das mídias digitais. As metodologias mais recorrentes são as relacionadas aos estudos de discurso, à análise de conteúdo e a outras que contribuem para dar conta da compreensão das produções midiáticas. 30 COMUNICAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO: 50 ANOS DE UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA E CORAJOSA Despontam, ainda, como questões importantes, nos anos mais recentes, os estudos sobre segmentos minorizados, como os relacionados às questões de gênero e étnicoraciais. Também se encontram no centro dos debates as mídias digitais e as novas formas de sociabilidade promovidas pelo atual ecossistema de Comunicação, com as megaestruturas transnacionais e seus processos de vigilância e controle, além de todas as transformações ocorridas a partir delas, sobretudo o fenômeno da desinformação que impacta nossas vidas e nossa cidadania de várias formas. O surgimento do PósCom tem oportunizado a publicação de livros de professores e estudantes que dele participam, de artigos em periódicos brasileiros e internacionais e de participação em eventos diversos promovidos por instituições de pesquisa. No ano de 2023 o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades apresentou à Capes um projeto para a criação de um Doutorado, para o qual aguarda resultado de avaliação. CONSIDERAÇÕES FINAIS É difícil imaginar como seria a compreensão que temos hoje das dinâmicas de Comunicação sem a atuação do campo acadêmico e da construção que promove com as ideias e ações de muitos que se dedicam a decifrar o mundo em que vivemos, além de formar as competências daqueles que vão atuar na produção. Podemos sentir-nos privilegiados por estar compartilhando um momento de grandes transformações que ocorrem nesses primeiros anos do atual século, em que a Comunicação transita de um segmento de peritos para outro manejado por multidões. Por outro lado, é preciso que estejamos cientes do tamanho do desafio que nos é colocado no campo acadêmico para nos permitir superar dificuldades de todas as ordens e encontrar caminhos para dar conta de construir chaves interpretativas, conceitos e metodologias para lidarmos com os novos fenômenos da Comunicação. É importante sempre revisitar o caminho já trilhado e encontrar o legado deixado pelos que nos precederam, construindo as condições materiais e imateriais para promover o conhecimento sistemático do campo, sem o qual é impossível desenvolver práticas na área que sejam socialmente relevantes, éticas, responsáveis e voltadas para o bem maior da sociedade. Referências BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico.[ S. l.]: Difel, 1989. COHN, Gabriel. Comunicação e indústria cultural. São Paulo, SP: Editora Nacional, 1971. E-MEC. Sistema de Regulação do Ensino Superior. Disponível em: https://emec.mec. gov.br/emec/nova. Acesso em: 5 jun. 2024. 31 MARTINUZZO, Jose Antonio; MANTOVANELI, Wagner. Balzaquiano+ 10 – 40 anos do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo(1975-2015). [ S. l.]: Projeto Coca, 2015.(PDF Free Download). Disponível em: https://docplayer. com.br/58704868-Balzaquiano-anos-do-curso-de-comunicacao-social-da-universidade-federal-do-espirito-santo.html. Acesso em: 22 abr. 2020. MCLUHAN, Marshall. Os meios de Comunicação: como extensões do homem. São Paulo, SP: Editora Cultrix, 1974. RÁDIO UNIVERSITÁRIA. Cine Falcatrua completa 10 anos de criação. Programa rádio universitária. Vitória, ES, 2013. REIS, Ruth. O julgamento da imagem e alguns desafios para a cultura contemporânea. Revista Farol, n. 6, p. 100-108, 2005. Disponível em: http://www.periodicos.ufes.br/ farol/article/view/11540. Acesso em: 23 abr. 2020. VIEIRA, Erly. Rasuras. 1. ed. Vitória-ES: Editora Cousa, 2021. Disponível em: https:// digitalizabrasil.com.br/e-books/rasuras. Acesso em: 5 jun. 2024. 32 COMUNICAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO: 50 ANOS DE UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA E CORAJOSA FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 33 CICILIA PERUZZO Dyone Arruda Cypriano Cicilia Maria Krohling Peruzzo nasceu em 6 de junho de 1950 em Domingos Martins(ES). É filha de João Pedro Krohling e Maria Margarida Thomas Krohling. O ensino básico foi cursado na Escola Municipal do Rio da Prata, em Guarapari(MG). O ginásio foi realizado no Colégio Imaculado Coração de Maria no Rio de Janeiro(RJ); no Colégio Nossa Senhora da Piedade, em Encantado(RJ); e no Colégio São José, em Vila Velha(ES). No Ensino Médio fez Curso Técnico de Secretariado no Colégio Comercial Aliança em São Paulo(SP). Concluiu a Graduação em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas, na então Faculdade de Comunicação Social Anhembi. Obteve o Mestrado em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo, em 1981, com a dissertação “Relações públicas no modo de produção capitalista”, sob orientação de José Marques de Melo, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Em 1991 concluiu o Doutorado em Ciências da Comunicação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA/USP-SP), com a tese“A participação na Comunicação popular”, com orientação de Anamaria Fadul, também com bolsa da Capes. Realizou Pós-Doutorado no Centro de Investigações Interdisciplinares em Ciencias y Humanidades(CEIICH), na Universidad Nacional Autónoma de México(Unam), em 2009. Em 2024 recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Lusófona de Portugal. Cicilia começou sua carreira acadêmica na Universidade Federal do Espírito Santo(UFES) em 1977, onde atuou como docente 34 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS até 1996. Coordenou a parte acadêmica do curso durante um mandato e participou de várias comissões internas. Liderou a criação do Núcleo de Estudos de Comunicação(Nexo), do qual foi coordenadora. Após desligar-se da UFES, atuou, de 1997 a 1998, na Associação Educacional de Vitória(Faesa), na qual trabalhou como docente e como consultora de qualidade do curso de Comunicação Social. Já em São Paulo, de 1998 a 2017, trabalhou na Universidade Metodista – tanto em cursos de Graduação quanto em cursos de Pós-Graduação lato sensu e stricto sensu – no Programa de PósGraduação em Comunicação Social. Coordenou o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica(Pibic). Na mesma Universidade coordenou, entre 2011 e 2017, o Programa de Pós-Doutorado em Comunicação, Cidadania e Região da Cátedra da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – Unesco-Metodista de Comunicação para o Desenvolvimento Regional e da Cátedra Gestão de Cidades(São Bernardo do Campo – SP), e também o Mestrado Interinstitucional na Universidade de Passo Fundo(RS), de 1998 a 2001. Participou, no México, como colaboradora no Programa Interinstitucional de Doctorado en Ciencias y Humanidades para el Desarrollo Interdisciplinário – Universidad Nacional Autónoma(CEIICH) e na Universidad Nacional Autónoma de Cohauila, de 2014 a 2016. Entre 2018 e 2019 atuou nos cursos de Graduação em Relações Públicas e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo. É investigadora colaboradora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, em Braga, Portugal, e docente convidada da Universidad Pontifícia Bolivariana de Medellín. A partir de 2019 passou a atuar como visitante nos Programas de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ), da Universidade Federal do Espírito Santo(UFES) e da Universidade Federal da Bahia(UFBA). Na extensão universitária desenvolveu vários projetos enquanto trabalhou no Departamento de Comunicação da UFES, como projetos de Comunicação popular e comunitária, desenvolvidos junto ao Movimento de Escola Família Agrícola do Espírito Santo(Mepes), em Anchieta(ES); no Centro de Defesa dos Direitos Humanos(CDDH) da Serra(ES); com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de São Mateus(ES); Curso de Formação de Seminaristas do SVD; cursos junto a algumas Paróquias da Arquidiocese de Vitória 35 (ES); e assessoria para organização comunitária quando da formação da Cidade Continental, em Serra(ES). Em São Paulo desenvolveu projetos de extensão, via Universidade Metodista de São Paulo, nas escolas municipais do município de Mauá – projeto de rádio nas escolas; e, junto a Rádio Comunitária de Heliópolis, projetos de formação de lideranças para atuação na emissora comunitária. Cicilia também contribuiu com associações científicas, grupos de pesquisa e agências de fomento. Coordenou o GT Comunicação e Culturas Populares, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), de 1990 a 1994; o GT Comunicación Popular, Comunitaria y Ciudadana da Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación(Alaic), de 1995 a 2010. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), de 1999 a 2002, e, faz parte do Conselho Curador da mesma entidade. Foi vice-presidente da Federação Lusófona de Ciências da Comunicação(Lusocom), de 2001 a 2003; e criou e coordenou o Núcleo de Estudos de Comunicação Comunitária e Local(Comuni), de 2004 a 2017 ligado ao PósComMetodista. Atua como coordenadora do Comuni, ligado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UERJ; coordenou a Rede Confibercom de Revistas Científicas de Comunicação(Reviscom), de 2011 a 2016; de 2012 a 2016, o Fórum de Publicações e Difusão do Conhecimento da Confederação de Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação(Confibercom); o Grupo de Trabalho (GT) Comunicação e Cidadania da Associação Brasileira de Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), de 2013 a 2014; e de 2014 a 2017 o Grupo de Pesquisa Comunicação, Responsabilidade Social e Cidadania da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas(Abrapcorp). Foi coordenadora do GT Comunicação e Culturas Populares da Intercom; membro do Comitê Acadêmico da Cátedra Luis Ramiro Beltrán de Comunicación para el Bien Vivir(Ciespal), Quito, Equador; do GT Democratização da Mídia da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência(SBPC), de 2017 a 2021; é associada-fundadora e presidiu, de 2017 a 2019, a Associação Brasileira de Pesquisadores e Comunicadores Populares em Comunicação Comunitária e Cidadã(ABPCom); é membro e cofundadora da Red Internacional de Programas de Posgrado en Comunicación para el Cambio Social (Redecambio); foi coordenadora executiva e membro da equipe de coordenação do GP Comunicação e Cidadania da Associação IberoAmericana de Comunicação(Assibercom), de 2011 a 2019; presidiu 36 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS a Associação Ibero-Americana de Investigadores da Comunicação (Assibercom), de 2019 a 2023; e foi membro do Comitê de Assessoramento de Artes, Ciências da Informação e Comunicação(AC) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de 2016 a 2019. Entre outras atuações, foi editora do Anuário Internacional de Comunicação Lusófona da Lusocom, de 2003 a 2005; editora da Intercom-Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, de 2007 a 2016; consultora ad hoc da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp), Capes e CNPq. Além disso, colaborou no projeto Media Fellow Erasmus+ – Pesquisa sobre Metodologias de Participação nos Meios Comunitários na Europa em comparação com a América Latina; e pesquisa conjuntamente com Jorge A. González Sánchez, do CEIICH, Universidad Nacional Autónoma do México, desde 2012. Seu primeiro livro foi Relações públicas no modo de produção capitalista(1982). Cicilia Maria Krohling Peruzzo, em seus estudos, tem buscado ultrapassar os limites das aparências dos fenômenos, além de acompanhar as transformações nas expressões comunicacionais, procurando perceber as novas feições de Comunicação forjadas pelos segmentos subalternos organizados da sociedade. Principais publicações PERUZZO, C. M. K. Relações públicas no modo de produção capitalista. São Paulo: Summus Editorial, 1982. 141 p. PERUZZO, C. M. K. Comunicação nos movimentos populares: a participação da construção da cidadania. Petrópolis: Vozes, 1998. 342 p. V. 1. PERUZZO, C. M. K. Televisão comunitária: dimensão pública e participação cidadã na mídia local. Rio de Janeiro: Mauad X, 2027. 205 p. V. 1. PERUZZO, C. M. K. Pedagogia da Comunicação popular e comunitária nos movimentos sociais. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2022. 167 p. V. 1. PERUZZO, C. M. K. Fundamentos teóricos da Comunicação popular, comunitária e alternativa. 1. ed. Vitória, ES: Edufes, 2024. 266 p. PERUZZO, C. M. K.(org.). Arte y oficio de la investigación científica: cuestiones epistemológicas y metodológica. Quito: Editora do Ciespal, 2019. 37 GLECY COUTINHO Claudia Garcia Glecy Helena Coutinho da Silva nasceu em 13 de fevereiro de 1934 em Aimorés(MG). É a filha mais velha de seis irmãos de Ermínia Avancini e Aristeu Coutinho. Ela tem três filhos – Luisa Maria, Marco Antônio e Ludmila – e cinco netos. Mudou-se para João Neiva(ES) e cursou o primário no Grupo Escolar Barão de Monjardim, onde, mais tarde, viria a ser professora e diretora. Concluiu o curso de normalista na Escola Normal Maria Mattos, na cidade de Anchieta(ES), em 1951. Já atuando no Magistério, em 1958 passou um ano em São Paulo(SP) com uma bolsa de estudos do Ministério da Educação(MEC) para fazer um curso de artes. Em 1959 passou a morar em Vitória(ES) e a dar aulas no Pavilhão de Artes, anexo ao atual Vasco Coutinho, em Vila Velha(ES). Formou-se nas primeiras turmas do curso de Administração do Centro Universitário Faesa e do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo(UFES), em 1978, quando já atuava como jornalista há mais de dez anos. Em 1964 foi a primeira mulher contratada como repórter pelo jornal A Gazeta, onde trabalhou durante 20 anos. Atuou no caderno A Gazetinha, voltado para crianças, e, depois, no Caderno Dois, que se dedicava a escrever sobre as mulheres, entre outros assuntos. Participou de reportagens de repercussão nacional sobre o Caso Argolas, denunciando abusos e violência praticados contra crianças e adolescentes em uma delegacia do Bairro de Argolas, em Vila Velha (ES) em 1978. Além da mídia impressa, Glecy também trabalhou no rádio e como repórter na TV Gazeta, ao mesmo tempo em que atuava no jornal impresso. 38 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Em 1979, logo após formar-se, passou a dar aulas de rádio e TV, tornando-se professora do curso de Comunicação Social da UFES até se aposentar em 1995. Foi de um projeto de extensão para a disciplina de Radiojornalismo, ministrada por ela, que surgiu a Rádio Universitária FM(104.7), no ar desde 1989. Glecy também atuou como atriz entre os anos 1960 e 1980, fazendo parte do grupo de teatro Praça Oito, tendo participado de peças, como“Só Porque Você Quer”, com direção de Flávio Rangel;“O Exercício”, de Lewis John Carlino; e“Mamãe Desce ao Inferno”, de Amylton de Almeida e direção de Renato Saudino. Trabalhou também como roteirista e diretora de cinema. No início dos anos 1980, durante as gravações do filme“Corpo a Corpo”, de Iberê Cavalcanti, conseguiu um trabalho de atriz e de continuísta do longa, lançado em 1984. A partir daí passou a atuar como continuísta, produtora e atriz de filmes capixabas. Em 1997, como diretora e roteirista, lançou o curta de ficção“Eu sou Buck Jones”, e, em 2006,“A Passageira”, ambos premiados em festivais locais. Além disso, ainda produziu dois documentários. A contribuição para a gestão pública, de 1983 a 1987, foi como diretora do Departamento Estadual de Cultura(DEC). De 1987 a 1991 foi diretora do Diário Oficial do Estado. Também atuou na Escola de Serviço Público do Espírito Santo(Esesp), foi chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Cultura e, de 2007 a 2012, foi secretária municipal de Cultura e Turismo de João Neiva, onde desenvolveu projetos como o Cine Teatro Luminoso e a festa italiana de Demétrio Ribeiro“Mostra Cultural Itália Mia”. Pesquisadora da Imigração Italiana no Espírito Santo, é coautora do livro“Lembranças Camponesas: a tradição oral dos descendentes de italianos em Venda Nova do Imigrante”, 1992. Em 2023, aos 90 anos de idade, lançou o livro“Nada Duas Vezes Nem Acontecerá”, uma autobiografia, em formato de crônicas. Glecy Coutinho viveu grande parte de sua carreira profissional tanto como professora e jornalista quanto como atriz e diretora no contexto de repressão do Regime Militar(1964-1985). Ela firma-se em um ambiente dominado por homens e numa época em que a busca da mulher por mais espaço era vista como um ato subversivo, enfrentando uma dupla censura: a de gênero e a política. 39 Principais publicações COUTINHO, Glecy Avancini. Nada duas vezes nem acontecerá. Vitória, ES: Editora Maré, 2023. LAZZARO, Agostino; COUTINHO, Glecy Avancini; FRANCDESCHETTO, Gilmar. Lembranças camponesas: a tradição oral dos descendentes de italianos em Venda Nova do Imigrante. Vitória, ES: Projeto Recies, 1992. 280 p. 40 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS RUTH REIS Gabriela Santos Alves Ruth de Cássia dos Reis nasceu em 14 de julho de 1958 em São Roque do Canaã(ES). É filha de Osmila Roldi dos Reis e Elson Francisco dos Reis. Com formação majoritariamente em escolas públicas, fez o Ensino Fundamental na Escola Alberto Nepomuceno, no antigo Estado da Guanabara(1965 a 1968) e no Ginásio São Roque(1969 a 1973) no Espírito Santo. No Ensino Médio cursou a Escola Normal Teresense, onde concluiu o curso Normal(1974 a 1976), habilitando-se a ser professora de Ensino Fundamental. A Graduação foi realizada na Universidade Federal do Espírito Santo(UFES) em Comunicação Social – habilitação Jornalismo –, entre 1978 e 1981. O Mestrado foi realizado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA/USP) a partir de 1993, sob orientação de Cremilda Medina. Em fevereiro de 1996 defendeu a dissertação“A Verdade dos Fatos: o papel das assessorias de Comunicação na mediação dos discursos sociais”. Em 1998 ingressou no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), para o Doutorado, orientada por Márcio Tavares d’Amaral. Em fevereiro de 2002 defendeu a tese“Local e global, o jornalismo no tempo das trocas”. Realizou estágio Pós-Doutoral entre 2016 e 2017 no Centro de Investigações e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa, sob supervisão de Gustavo Cardoso, resultando no texto “A rede, o jornalismo e a construção do presente, contribuições para pensar o campo do jornalismo”. 41 Ainda estudante atuou, de 1978 a 1989, em diversas empresas jornalísticas, como A Tribuna, A Gazeta, TV Educativa e como correspondente da Folha de São Paulo. Fez freelancer para as extintas revistas regionais Agora e Espírito Santo, além do Jornal da Vale. Desenvolveu publicações de jornais de Sindicatos(dos Engenheiros, das Nutricionistas e dos Professores) e de empresas (como Aracruz Celulose, hoje Suzano Celulose). Atuou em Assessoria de Imprensa em diversas instituições, como a Secretaria de Estado da Agricultura(1985 a 1987), o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia(Crea) e a primeira bancada do Partidos dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa(1988 a 1989). Ingressou na UFES como docente em 1989, tendo sido aprovada em primeiro lugar em concurso público para a área de Jornalismo impresso. Ao longo de 33 anos ministrou diversas disciplinas, abarcando as que tratam da produção textual para impresso e online, design em jornalismo, assessoria de imprensa e disciplinas do arco teórico. O trabalho em atividades laboratoriais também marca sua atuação, tendo criado, com estudantes, o jornal Primeira Mão (1990) e o jornal on-line Universo UFES(2002). Ruth ainda participou em cursos de Especialização, como Comunicação, Discurso e Imagem Institucional, e no de Aperfeiçoamento de Oficiais (1998); Assessoria de Comunicação, no curso de Comunicação Empresarial Avançada(1998); Comunicação Empresarial, no curso de Gestão Empresarial Avançada(2000); e Mídia e Segurança Pública, no curso de Aperfeiçoamento de Oficiais da Polícia Militar, em 2001, 2002 e 2006. Organizou, em 2006, o curso de Especialização em Comunicação Estratégica e Gestão da Imagem. Participou das iniciativas para a constituição do Programa de PósGraduação em Comunicação na UFES, ocorrida em 2014. Em 2015 começou a atuar como professora colaboradora no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades. Em 2017 passou para professora permanente, enquadrando-se na linha de pesquisa Comunicação e Poder. De 2016 a 2019 ministrou as disciplinas de Comunicação e Territorialidades, Questões Teóricas em Jornalismo e Tópicos Especiais em Comunicação e Territorialidades e Metodologia. Desde 2002 tem desenvolvido com regularidade projetos de pesquisa, tais como: Trajetória do Jornalismo no Espírito Santo”(20022005); A produção discursiva do imaginário na reconfiguração local/ 42 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS global(2005/2006); A organização dos Jornalistas”(2006/2006); Eleições e mediações: recursos e estratégias na produção de imagens e discursos eleitorais(2006/2007); Comunicação pública e política(2011/2012); participação no Projeto Cartografar as controvérsias na internet: os novos modos de protestos sociais e o uso de redes sociais da internet como novo território da prática política(2012/2017); Informação em bases de dados, jornalismo e narrativas(2013/2015); Análise de discurso em redes sociais na internet, desafios teórico-metodológicos(2015/2017), entre outros. Criou e coordenou o grupo de pesquisa Percursos Culturais em Comunicação, que, depois, foi renomeado para Grupo de Pesquisa em Comunicação, Cultura e Discurso(Grudi). Também participou da criação do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Artes(GPECA) em 2002, que foi contemplado em um edital da Capes(Programa de Qualificação Interinstitucional – PQI). Suas atividades de extensão iniciam-se nos anos 2000 com a realização de eventos. Coordenou e organizou o I, II e III Fórum de Comunicação(Foco), em 2003, 2004 e 2005, e coordenou os projetos de extensão em Comunicação Integrada UFES; Cultura e Artes UFES; Comunicação da UFES nas redes sociais e Teatro Universitário: Ambiente de Formação em Gestão e Produção Cultural. Em 2020 organizou o V Seminário de Comunicação e Territorialidades, o primeiro a ser realizado de forma remota devido à pandemia da Covid-19. Na gestão foi chefe do Departamento de Comunicação de 1996 a 1997 e de 2002 a 2003. Destacam-se as seguintes ações: inclusão do Departamento de Comunicação no“Programa de Modernização e Consolidação da Infraestrutura Acadêmica” do governo federal; concepção do Núcleo Integrado de Audiovisual em Comunicação e Artes, em 2002, e da primeira etapa de verbas para a construção do prédio que o abriga; e diálogo com o Centro de Artes para a transferência do curso de Comunicação para esta unidade entre 2003 e 2004. Ocupou, ainda, o cargo de secretária de Comunicação da Prefeitura de Vitória(2007 a 2011), quando foi cedida para o município. Em 2012 assumiu a Superintendência de Cultura e Comunicação (Supec) da UFES. Em 2013 criou a Revista Universidade, voltada à divulgação científica, e outras publicações institucionais. Na área de Cultura, respondia pela Editora da UFES(Edufes), na qual presidiu o Conselho Editorial, Livraria Universitária, Teatro Universitário, Cine 43 Metrópolis, Galeria de Artes Espaço Universitário(Gaeu) e Coral da UFES. Em junho de 2020 assumiu novamente a Superintendência de Comunicação. Ruth de Cássia dos Reis tem publicações de destaque, como o livro Comunicação e Territorialidades, poder e cultura, redes e mídias, e os artigos“Feminismo e resistência: três décadas de construção discursiva pelo jornalismo” e“Ainda invisíveis?”, além do capítulo do livro Amazônia em chamas: a soberania como discurso nas disputas políticas em rede. Principais publicações REIS, Ruth; MACHADO, V. R. Feminismo e resistência: três décadas de construção discursiva pelo jornalismo. ECCOM – Educação, Cultura e Comunicação, v. 13, p. 212-226, 2022. REIS, Ruth; GERALDES, Elen; ZANETTI, Daniela. Ainda invisíveis? InTexto, p. 112.962, 2022. REIS, Ruth; ZANETTI, Daniela; FRIZZERA, Luciano. A conveniência dos algoritmos. Revista Compolítica, v. 10, p. 35-58, 2020. REIS, Ruth; ZANETTI, Daniela; COSER, Igor Zandonadi; BRUNORO, Túlio. Amazônia em chamas: a soberania como discurso nas disputas políticas em rede. In: HIGUITA, Lida Ximena Tabares; HENRÍQUEZ, Ana María Valencia; VERA, Edwin Alexander Amaya(org.). Discursos y contenidos en el entorno digital. Análisis desde América Latina. 1. ed. Medellín, Colômbia: Editorial Universidad Pontificia Bolivariana, 2022. p. 9-32. V. 1. ZANETTI, Daniela; REIS, Ruth(org.). Comunicação e territorialidade: poder e cultura, redes e mídias. 1. ed. Vitória: Edufes, 2017. REIS, Ruth, Desafios para um programa de estudos sobre Comunicação e territorialidades. In: ZANETTI, Daniela; REIS, Ruth.(org.). Comunicação e territorialidade: poder e cultura, redes e mídias. 1. ed. Vitória: Edufes, 2017. p. 22-34. V. 1. 44 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste MARIA LUCIA DA SILVA Raabe Bastos Maria Lucia da Silva nasceu em 14 de dezembro de 1959 em Vitória (ES). É filha de Benedita Percilia da Conceição Silva e Arnóbio Silva. É irmã de Robson, Lucimara e André. Durante os cursos primário e ginasial estudou na Escola Estadual Florentino Avidos, e depois do curso de admissão foi para o Colégio Dr. João dos Santos Neves, ambos em Vila Velha(ES). Fez curso técnico de Secretariado no Colégio Brasileiro de Vitória. Em 1985 foi aprovada no curso de Comunicação Social – Jornalismo – da Universidade Federal do Espírito Santo(UFES), concluído em 1990. Durante o curso participou do encontro da União Nacional dos Estudantes(UNE) na cidade de Piracicaba(SP), onde entendeu a força e a dimensão dos movimentos estudantis. Professores de Sociologia e Antropologia a aproximaram do movimento dos trabalhadores, como na criação da Central Única dos Trabalhadores(CUT), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos(Dieese) e da fundação do Partido dos Trabalhadores, assim como da participação na Constituinte no Espírito Santo. Em 1989 produziu, na Rádio Universitária FM 104,7, o programa Música Pop Nacional, sobre a vida e a obra de músicos negros brasileiros que não tocavam em outras emissoras. Durante a apresentação de um dos episódios foi alvo de racismo. O diretor da Rádio pediu para suspender o programa, alegando que na Rádio dele não tocava música de preto. Ela fez denúncia junto a Universidade, boletim de ocorrência e a justiça lhe deu ganho de causa. Esse projeto tornou-se tema do seu Trabalho de Conclusão 45 de Curso, intitulado Estação 104.7 – produção de documentários para rádio, orientado por Hésio Pessali e Domingos de Freitas Filho. Fez Mestrado em Comunicação e Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), sob orientação de Elisabeth Saporiti, com a dissertação Voz e voto – análise da linguagem radiofônica dos programas eleitores de rádio dos candidatos Lula e FHC na campanha de 94, em 1998. Depois da qualificação da dissertação, voltou ao Espírito Santo e atuou como freelancer. Trabalhou também na Assessoria de Imprensa do governador e na Coordenação da Agência de Notícias do Governo do Estado. Ao terminar o Mestrado foi professora voluntária na UFES no curso de Comunicação e depois como substituta. Concomitantemente, trabalhou nas Faculdades Integradas Espírito-Santenses – Faesa(de 1995 a 2000), lecionando no curso de Jornalismo. Foi professora de Ética e Legislação e História da Comunicação. Trabalhou, ainda, no curso de Serviço Social com a disciplina Comunicação Comunitária, e com colegas participou dos Núcleos de Pesquisa dos dois cursos: Nexus(Projeto Rádio Líder e UFES no Fórum) e Nemps(Projeto Girassol). Foi coordenadora de cursos de Comunicação na Faculdade JSimões(2001), em Guarapari (ES) e na Associação Vitoriana de Ensino Superior(Favi)(2002). Depois de 12 anos retornou a São Paulo para participar de seleções para Doutorado. Primeiro na PUC-SP, onde frequentou Ciências Sociais, sob orientação de Teresinha Bernardo, trancado devido à falta de bolsa de estudos. Em 2012 foi selecionada na Universidade Nove de Julho, com bolsa integral, para o Doutorado em Educação, defendendo a tese Memória dos professores negros e negras da Unilab: tecendo saberes e práxis antirracista, sob a orientação de Mauricio Pedro da Silva(2016). No Doutorado aprofundou o estudo sobre a educação para as relações raciais, conteúdo que trabalhou de 2004 a 2011 na consultoria Unesco/MEC/Secadi e governo do Estado do Espírito Santo, com projetos educacionais, como Escola Aberta e Mais Educação. Desde 2012 morando em São Paulo, trabalha como professora em cursos de jornalismo no Centro Universitário e na Universidade Nove de Julho(FIAMFAAM)(2012 a 2016). Após defender a tese, criou o Núcleo de Estudos Étnico-Raciais(Nera) a convite da instituição. No âmbito do núcleo, foi criada a revista Dumela. 46 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Seu primeiro emprego foi no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial(Senac), onde começou como estagiária e tornou-se funcionária na Assessoria de Comunicação, no período de 1981 a 1986. Na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Espírito Santo(Emater-ES), atuou no setor de Comunicação interna de 1987 a 1991, depois como repórter da TV Educativa do Espírito Santo, e, posteriormente, na equipe de assessoria do governador, de 1991 a 1994, no Escritório do governo do Estado do Espírito Santo em São Paulo. Participou do livro Escritos de Vitória, com o texto O Dial Capixaba, publicado em 1996. Em 2014 publicou Educação Superior e a Lei 10.639/03: memória da experiência da Universidade Nove de Julho, no livro Tempo Memória na Educação. Em 2015, A Rede-Instalação Pedagógica e o Círculo de Cultura Virtual Paulo Freire(2015). Maria Lucia da Silva, no âmbito dos estudos raciais, organizou a obra Educação e o empoderamento da Mulher Negra, e foi coautora do texto Virgínia Leone Bicudo e Neusa Santos Souza: professoras negras e suas valiosas trajetórias na educação(2017); com o título Nera: experiência de permanência para alunos e professores negros no Ensino Superior, relatou a experiência de ter construído o núcleo de estudos étnico-raciais em uma Instituição de ensino privada, e coorganizou Permanência e pós-permanência de jovens negras e negros no Ensino Superior: caminhos para equidade étnico-racial(2022). Principais publicações AGUERRE, Pedro; BOMFIM, M. V.; CRUZ, M. T. D. S.; SILVA, M. L. Nera: Experiência de permanência para alunos e professores negros no Ensino Superior. In: AGUERRE, P.; CRUZ, M. T. de S.; BOMFIM, M. V.(org.). Permanência e pós permanência de jovens negras e negros no Ensino Superior: caminhos para equidade étnico-racial. 1. ed. São Paulo: Editora da PUC-SP, 2022. p. 1-322. V. 1. NOGUEIRA, A.; GOMES, M.; SILVA, M. L. A Rede-Instalação Pedagógica e o Círculo de Cultura Virtual Paulo Freire. In: BIOTO-CAVALCANTI, P. A.; TEIXEIRA, R. A.(org.). A experiência do Mestrado Profissional em Gestão e Práticas Educativas: narrativas e resultados preliminares. 1. ed. São Paulo: BT Acadêmica, 2015. p. 108-143. V. 1. 47 SILVA, M. L. da. O Dial Capixaba. In: SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA E TURISMO DA PREFEITURA DE VITÓRIA. Escritos de Vitória – Imprensa. 17. ed. Vitória: Secretaria Municipal de Cultura e Turismo da PMV, 1996. p. 77-82. SILVA, M. L.; SILVA, Mauricio. Educação Superior e a Lei 10.639/03: memória das experiências da Universidade Nove de Julho. In: BAPTISTA, A. M. H.; ROGGERO, R.(org.). Tempo memória na educação. 1. ed. São Paulo: BT Acadêmica, 2014. p. 213-228. SILVA, N. C. da; LIMA, F. M. R. de; SILVA, M. L. da(org.). Educação e o empoderamento da mulher negra. São Paulo: Editora Casa Flutuante, 2017. SILVA, M.; NOBREGA, C. Virgínia Leone Bicudo e Neusa Santos Souza: professoras negras e suas valiosas trajetórias na educação. In: SILVA, N. C. da; LIMA, F. M. R. de; SILVA, M. L. da(org.). Educação e o empoderamento da mulher negra. São Paulo: Casa Flutuante, 2017. p. 91-107. 48 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste MARILENE LEMOS Claudia Garcia Marilene Lemos Mattos Salles nasceu em 23 de julho de 1971 em Vitória(ES). É filha de João Teixeira Mattos e Magnólia Lemos de Mattos. Casada com Anderson Ferreira Salles, é mãe de Luísa e Helena. Parte de sua formação escolar foi em escolas públicas do município de Serra(ES), entretanto cursou o Ensino Médio no Colégio Salesiano em Vitória(ES). Entre 1991 e 1995 fez a Graduação em Comunicação Social – Jornalismo – na Universidade Federal do Espírito Santo(UFES), onde também fez Pós-Graduação em Comunicação Organizacional em 1998. Mais tarde, em 2003, concluiu o Mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com a dissertação“Telejornais e organizações textuais: construção de identidade”, sob a orientação de Ana Claudia Mei de Oliveira. Nesse período contou com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Em 2012 obteve o Doutorado em Educação, com a tese“A Gazeta na sala de aula – valores em circulação”, com orientação de Moema Lúcia Martins Rebouças, pela UFES. A carreira profissional de Marilene começou como jornalista no mercado capixaba. Foi repórter da TV Tribuna, em Vitória, no período de 1995 a 1999, e prestou serviços temporários para emissoras de rádio, além de desenvolver projetos na área de Comunicação organizacional. No campo acadêmico, Marilene é professora do Centro Universitário Faesa desde 1999, onde atua como coordenadora dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Design Gráfico e como docente nas áreas de Teorias da Comunicação, Teorias do 49 Jornalismo, Mídia e Sociedade, Estudos Contemporâneos e Projetos de Conclusão de Curso. Ao longo de sua carreira participou de projetos de pesquisa, como: “A educação da arte no Espírito Santo: de professores a aluno”, de 2010 a 2012, e“Currículo, cultura e formação de professores: conhecimentos sobre o aprender e o ensinar”, de 2012 a 2013. Coordena o projeto Laboratório Interdisciplinar de Inovação e Comunicação Social(Lacos/MOV.IE), que tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo(Fapes). Com início em 2022, desenvolve projetos de pesquisa em Comunicação Comunitária e Publicidade Social. Na área de pesquisa e extensão coordenou projetos como: “Jacarezinho”, que ganhou o prêmio Ecologia 2010 – Troféu Roberto Anselmo Kautsky, concedido pelo governo do Estado do Espírito Santo – 1 o lugar na subcategoria Educação Ambiental, em 2008; “Produção audiovisual”, em parceria com instituições públicas e privadas, de 2009 a 2012; e“TV Climatempo”, que produziu reportagens para o canal Climatempo de 2012 a 2014. Marilene Lemos Mattos Salles também participa, desde 2022, do projeto Sincades Tech, que é a primeira iniciativa de inovação aberta setorial focada no comércio atacadista e distribuidor do Brasil. O Sincades Tech tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo(Fapes). Principais publicações SALLES, Marilene Lemos Mattos; MESQUITA, Letícia Nassar Matos. O recreio virtual – interações arriscadas. Caderno de Discussão do Centro de Pesquisas Sociossemióticas, CD-ROM, v. 1, p. 16, 2010. SALLES, Marilene Lemos Mattos. Oficinas pedagógicas em A Gazeta na Sala de Aula. Caderno de Discussão do Centro de Pesquisas Sociossemióticas, CD-ROM, v. 18, 2012. SALLES, Marilene Lemos Mattos; GONCALVES, G. P. Ocupação social: análise do VT pela perspectiva da montagem audiovisual enquanto mecanismo de enunciação. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 42., 2019, Belém, 2019. SOUZA JUNIOR, Darly Gonçalves de; SALLES, Marilene Lemos Mattos. O agendamento da MTV na prevenção e combate à Aids. CON50 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS GRESSO DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO SUDESTE, 16., 2019, Vitória. Anais[...]. Vitória, ES: Intercom, 2019. SOUZA, Kennedy Anderson Cupertino de; SALLES, Marilene Lemos Mattos. Ecossistema da desinformação: tipos de conteúdos fraudulentos nas eleições presidenciais de 2018. CONGRESSO DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO SUDESTE, 16., Vitória. Anais[...]. Vitória, ES: Intercom, 2019. 51 VANESSA MAIA Raabe Bastos Vanessa Maia Barbosa de Paiva nasceu em junho de 1971 em Vitória(ES). É a filha mais nova de José Maia Barbosa de Paiva e Ana Teresa Retonde de Paiva. Cursou o ensino primário na Escola Cerqueira Lima e o ginásio na Escola Afonso Schwab, ambos em Cariacica(ES). O Segundo Grau foi realizado no Colégio Estadual do Espírito Santo, em Vitória(ES). Estudou Jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo(UFES) no período de 1990 a 1994. Em 1998 especializou-se, na mesma universidade, em Políticas de Comunicação Organizacional. Nesse curso estudou, sob orientação de Cicilia Peruzzo, a aproximação do jornalismo com os problemas da população, que resultou na monografia de título“Coluna Linha Direta na construção da cidadania dos capixabas”. Dois anos mais tarde foi aprovada no Mestrado em Comunicação, Imagem e Informação da Universidade Federal Fluminense(UFFRJ), com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Sob a orientação de Marialva Barbosa, concluiu a dissertação“Contrato de Leitura e a multiplicidade de vozes do jornal A Gazeta do ES”. Em 2006 retornou à UFES para cursar o Doutorado em Educação na linha de pesquisa Currículos, Cultura e Formação de Educadores. Com a orientação de Carlos Eduardo Ferraço, defendeu a tese “Estéticas de vídeo e existência: Currículos, Cotidianos e Mídia – uma intrincada rede de pixels na produção de conhecimentos em tevês universitárias”. 52 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Em 2018 cursou Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), na linha de pesquisa Currículos, Redes Educativas e Processos Culturais, com o tema“Territórios, telas, subjetividades e protagonismos juvenis: audiovisualidades produzidas nas ocupações das escolas públicas do Rio de Janeiro”, e em 2023 realizou outro Pós-Doutorado, no Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(Eco-Pós), na linha de Mídia e Mediações Socioculturais, sob a orientação de Marialva Barbosa. Como jornalista, trabalhou nas editorias de Polícia e Cidades do jornal A Tribuna(ES). Posteriormente, na Rede Gazeta de Comunicações – onde exerceu a maior parte de sua carreira como repórter e colunista do jornal impresso A Gazeta e editora de telejornal da TV Gazeta – cobriu eventos das cidades e do campo. Foi repórter das editorias de Polícia e Cidades de 1997 a 2009. Também atuou como jornalista nos noticiários de política, economia, comportamento e conflitos agrários. Participou de coberturas locais e nacionais, como eleições majoritárias para o município de Vitória(ES), o Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Vitória(ES), o julgamento do então líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Júnior, em Pedro Canário(ES), dentre outras. Em 1999 passou a fazer parte do corpo docente das Faculdades Faesa, iniciando sua carreira como docente das disciplinas de Teorias da Comunicação e Legislação e Ética em Comunicação. Nesta faculdade, atuou ainda nas disciplinas de Metodologia da Pesquisa, Teorias do Jornalismo, Teorias Aplicadas e Redação Jornalística. Na mesma instituição foi coordenadora da TV Faesa, de 2009 a 2010, projeto de extensão que produzia semanalmente telejornais, programas educativos e de cultura. Na mesma instituição foi docente dos cursos de Especialização, ensinando Metodologia da Pesquisa. Em 2010 desvinculou-se da Faesa após aprovação em concurso público para o cargo de professora da Universidade Federal de São João Del-Rei(UFSJ). Ingressou na UFSJ como professora do curso de Comunicação Social – Jornalismo –, onde exerceu o cargo de coordenadora de curso entre 2011 e 2014. Ainda na UFSJ iniciou docência e orientação de monografias e produtos do curso de Especialização Mídias na Educação do Núcleo de Educação a Distância(NE@D), que tem como objetivo principal formar professores das escolas do interior do país. 53 Vanessa foi eleita por dois mandatos, em 2012 e em 2015, como Conselheira Relatora do Conselho e Ensino, Pesquisa e Extensão (Conep) da UFSJ. No período de 2015 a 2017 foi coordenadora do IJ8 Estudos Interdisciplinares de Comunicação(Intercom Júnior), evento integrante do Congresso Brasileiro de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Foi a primeira chefe do Departamento de Comunicação da UFSJ(DCOMS) no período de 2018 a 2021. É membro do colegiado de curso e do núcleo docente estruturante(NDE) da Graduação. É coordenadora do Laboratório de Televisão, onde desenvolve a interface das áreas de ensino e pesquisa com a realização de documentários. Foi coordenadora do projeto de extensão Muda! – Mostra Universitária Audiovisual –, de 2016 a 2017, que reuniu trabalhos audiovisuais de instituições de ensino de todo o país. Orientou o programa de extensão Faz Teu Livro – Oficina de Autonomia Literária, com o objetivo de democratizar o acesso a escritas com alunos de escolas públicas e pessoas privadas de liberdade, a partir da produção de livros escritos e encadernados pelos participantes do programa de extensão, de 2020 a 2022. Em 2023 foi credenciada no Programa de Pós-Graduação em Letras(Promel) da UFSJ como professora permanente, na linha de Literatura e Memória Cultural, com o projeto de pesquisa“Literatura e Mídias: memórias do cotidiano em uma sociedade conectada”, que se ocupa da compreensão dos modos de ler e ver, de contar e saber, focada na literatura transmídia por meio dos serviços de streaming. Vanessa Maia Barbosa de Paiva orienta pesquisas discentes que possuem em comum o direito à Comunicação, porta de entrada para os direitos humanos. Desde a Graduação teve como interesse principal a falta de acesso das pessoas às políticas públicas e os problemas enfrentados pela população para obter alimentação, segurança pública, educação e o direito à informação e à Comunicação. Principais publicações PAIVA, Vanessa Maia Barbosa de. Escritas audiovisuais, currículos e educação – apontamentos sobre juventudes, sexualidades, corpos padronizados, mídias hegemônicas e acontecimentos audiovisuais ou da sobrevivência de alguns vaga-lumes. Momento – Diálogos em Educação, v. 25 n. 1, p. 221-232, 2016. Disponível em: https://periodicos.furg.br/momento/article/view/6120 54 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS PAIVA, Vanessa Maia Barbosa de. Escolas em devir: fabulações com vídeos em ocupações compartilhados na internet e criação de outros currículos. Currículo sem Fronteiras, v. 19, n. 3, p. 1.059-1.073, set./ dez. 2019. Disponível em: https://www.curriculosemfronteiras.org/ vol19iss3articles/soares- paiva-silva.pdf PAIVA, Vanessa Maia Barbosa de. Uma sorte que é sempre a do outro: a cobertura dos temas de feministas nas páginas do Projeto Celina, do Jornal O Globo. In: OLIVEIRA, Luiz Ademir de; GOMES, Arthur Raposo; FERNANDES, Carla Montuori; BOTELHO, Marina Alvarenga; CARVALHO, Willian José de(org.). A natureza transdisciplinar da Comunicação: estudos de caso sobre a relação mídia, sociedade e cultura. 1. ed. Pereira Barreto, SP: A Arte da Palavra, 2023. 55 FLÁVIA MAYER Claudia Garcia Flávia Mayer dos Santos Souza nasceu em 13 de maio de 1975 em Vitória(ES). É filha de Fernando Lordêllo dos Santos Souza e Maria da Penha Mayer dos Santos Souza, irmã de Fernanda e Paula e mãe de Amanda. É casada com Alexandre Feltmann. Estudou na Escola Les Petits e no Colégio Sagrado Coração de Maria, ambos em Vitória, no Colégio Rio Branco, em São Paulo(SP) e, novamente em Vitória, no Centro Educacional Leonardo da Vinci. Flávia formou-se em Comunicação Social em 1997, com habilitação em Publicidade e Propaganda. Durante a Graduação aproximou-se da área de criação publicitária. Foi contratada pela agência onde estagiava logo depois de formada. Em agosto de 2000 iniciou a docência no Centro Superior de Ciências Sociais de Vila Velha(Universidade Vila Velha – UVV), atividade desenvolvida em paralelo com a atuação em agências, onde ocupava o cargo de diretora de criação e reunia prêmios locais e nacionais de publicidade. Em 2002 fez a opção pela docência, assumindo, ao longo da atuação na UVV, diversas atividades, entre elas: coordenação da agência experimental do curso Núcleo Avançado de Comunicação(Nacom), coordenação da Graduação em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda, reformulação dos projetos pedagógicos, participação nos primeiros grupos de pesquisa e orientações de iniciação científica(IC) ligadas à publicidade. No período em que atuou na UVV também participou da organização de eventos da área: em 2004 o 1º Brainstorm de Publicidade: cultura, 56 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS um diferencial para a marca, quando trouxe Ariano Suassuna ao Espírito Santo; em 2012 o II Encontro Regional Sudeste de História da Mídia, organizado junto a Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar); em 2014 trouxe para Vila Velha(ES) o XIX Intercom Sudeste, Congresso Regional da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Em 2005 Flávia ingressou no Mestrado em Educação da UFES, tendo desenvolvido o estudo“A leitura da imagem publicitária: reflexões sobre a formação em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda”, sob orientação de Gerda Foerste, concluído em 2007. Com orientação de Moema Rebouças, iniciou o Doutorado em Educação em 2011, com a tese“A publicidade em outdoor nas ruas de Vitória: a cidade como espaço de educação”. No final de 2015 e início de 2016 foi aprovada em primeiro lugar em dois concursos realizados na Universidade Federal do Espírito Santo(UFES), sendo um para Redação Publicitária e outro para Direção de Arte. Em abril de 2016 passou a integrar o corpo docente do Departamento de Comunicação da UFES e logo seguiu o caminho da extensão, orientando as atividades da Empresa de Comunicação Social Júnior(ECOS-JR), e da pesquisa, com o Grupo de Pesquisa Comunicação, Consumo e Semiótica, depois chamado Comunicação e Consumo. No mesmo ano solicitou o credenciamento no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades(PósCom/UFES). Em 2017 passou a compor o corpo docente do PósCom como professora permanente, orientando, já no ano seguinte, os primeiros estudos em publicidade e consumo. Entre março de 2018 e março de 2020 atuou como coordenadora adjunta do Programa, e entre março de 2020 e março de 2022 assumiu a coordenação. Participou da organização de eventos, como: XI Conferência Brasileira de Mídia Cidadã, em 2016; XXIV Intercom Sudeste, em 2019; 7° Seminário Comunicação e Territorialidades: Perspectivas e Desafios, em 2021. Prêmios estudantis foram conquistados sob sua orientação, como na XXV Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação(Expocom) – Regional Sudeste, modalidade charge/ caricatura/ilustração, em 2018; 1º e 2º lugares no Prêmio Colibri – Categoria Estudante e 2º lugar no Prêmio ECOS Mostra, em 2019; pesquisa de IC selecionada entre os três melhores trabalhos da área de Ciências Sociais Aplicadas da UFES, em 2019; Menção Honrosa 57 na Semana do Conhecimento da UFES, com pesquisa de IC entre os cinco trabalhos da Área de Ciências Sociais Aplicadas, em 2020; 1º e 2º lugares no Prêmio Colibri – Categoria Estudante, em 2020; 3º lugar no Prêmio Colibri – Categoria Estudante, em 2021; 1º, 2º e 3º lugares no Prêmio Colibri – Categoria Estudante, em 2022; e projeto vencedor na Expocom – Regional Sudeste, na categoria Publicidade e Propaganda, modalidade Outdoor, em 2023. Entre suas publicações destacam-se: o capítulo de livro“O encontro da teoria semiótica com a publicidade”, escrito em coautoria. Voltou-se também para a temática da publicidade antirracista, o que resultou no capítulo“Crespos e cachos, Comunicação e consumo: fios entrelaçados em pesquisas realizadas no Brasil entre 2013 e 2018”, também em coautoria, assim como o artigo“De Lola para Loletes: a mulher negra nas embalagens de cosméticos capilares” e a organização do livro“Comunicação e produção de sentido: perspectivas e reflexões sobre processo, práticas e produtos comunicacionais”. Flávia Mayer dos Santos Souza é mestre e doutora em Educação, na linha de Educação e Linguagens, e tem sua formação realizada integralmente na Universidade Federal do Espírito Santo(UFES). Principais publicações SOUZA, F. M. S.; PIROLA, M. N. B. O encontro da teoria semiótica com a publicidade. In: ZANETTI, D.; REIS, R.(org.). Comunicação e territorialidades: poder e cultura, redes e mídias. 1. ed. Vitória: Edufes, 2018. p. 219-231. V. 1. SOUZA, F. M. S.; BRAGA, J. B. Crespos e cachos, Comunicação e consumo: fios entrelaçados em pesquisas realizadas no Brasil entre 2013 e 2018. In: LEITE, F.; BATISTA, L. L.(org.). Publicidade antirracista: reflexões, caminhos e desafios. 1. ed. São Paulo: ECA-USP, 2019. p. 171-192. V. 1. SOUZA, F. M. S.; BRAGA, J. B.; PIROLA, M. N. B. De Lola para Loletes: a mulher negra nas embalagens de cosméticos capilares. Animus, Santa Maria, on-line, v. 19, p. 179-198, 2020. SOUZA, F. M. S.; PIROLA, M. N. B; HENRIQUES, R. P. Comunicação e produção de sentido: perspectivas e reflexões sobre processo, práticas e produtos comunicacionais(org.). Vitória: Edufes, 2023. 58 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste NAZARETH PIROLA Dyone Arruda Cypriano Maria Nazareth Bis Pirola nasceu em 23 de julho de 1970 em Linhares(ES). É filha de Alina Bis Pirola e Francisco de Assis Daher Pirola. Na infância e na adolescência estudou na Escola Roberto Moreira, no Colégio Cristo Rei, no Colégio Estadual, no Colégio Polivalente e no Colégio Bartouvino Costa. Em Vitória, no Ensino Médio, estudou no Colégio Nacional. Graduada em Publicidade e Propaganda, em 1993, pela Universidade Federal do Espírito Santo(UFES), especializou-se em Administração Estratégica em Marketing em 1997 na Universidade Vila Velha(UVV). Em 2006 concluiu o Mestrado em Educação, com a dissertação “Televisão, criança e educação: as estratégias enunciativas de desenhos animados”, sob orientação de Moema Lúcia Martins Rebouças. Em 2015 finalizou o Doutorado, também em Educação, com a tese“As interações da cultura midiática na escola”, com a mesma orientação. Ambos os títulos foram obtidos pela UFES. Em 2023 iniciou o Pós-Doutorado do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia(UFBA). A trajetória de Maria Nazareth mescla experiências no mercado publicitário capixaba, onde atuou em agências de propaganda, anunciantes, veículos de Comunicação e em instituições de Ensino Superior, como professora, pesquisadora e em atividades de extensão. Em 1990 trabalhou na Agência Criativa Propaganda, no departamento de mídia. No ano seguinte ingressou no departamento 59 comercial das rádios da Rede Gazeta de Comunicações, em Vitória (ES), na função de atendimento. Realizou atividades de criação e produção, projetos, patrocínios e ações promocionais. Em 1997 assumiu a gerência comercial da TV Gazeta Norte, afiliada à Globo, nos municípios de Linhares e Colatina(ES). Acompanhou o processo de desenvolvimento da TV nos municípios do norte do Estado. Em 2001, de volta à Rede Gazeta, em Vitória, atuou no Núcleo de Projetos Especiais para Grandes Anunciantes. Participou da criação do Portal Gazeta On-line. Destacam-se, também, a sua atuação como sócia na empresa Nova Comunicação Ltda. De 2000 a 2006 e de 2010 a 2016, atuou como docente da Universidade Vila Velha(UVV) nos cursos de Publicidade, Jornalismo, Marketing e Comunicação Empresarial. Coordenou a Agência Experimental de Publicidade e Propaganda(Nacom) e, no período entre 2010 e 2016, esteve à frente da Coordenação do curso de Publicidade e Propaganda daquela instituição. Desde 2016 integra o quadro de docentes de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo(UFES), nos cursos de Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Foi subchefe do Departamento de Comunicação Social(Depcom) e conselheira do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão(Cepe), onde integrou o Colegiado e o Núcleo Docente Estruturante do curso de Publicidade e Propaganda. Além disso, coordenou projetos de extensão, materiais técnicos e didáticos e organizou eventos como História da Mídia Regional Sudeste 2012, Intercom Sudeste 2014 e Intercom Sudeste 2019. Maria Nazareth Bis Pirola também foi professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades da UFES entre 2017 e 2021. É líder do Grupo de Pesquisa Comunicação e Consumo/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq/UFES e pesquisadora no Grupo de Pesquisa Corpo e Cultura/CNPq/UFBA. Suas áreas de pesquisa estão concentradas em moda e Comunicação, moda e corpo, moda decolonial, interações e práticas discursivas na Comunicação, publicidade, luxo e influenciadores digitais. Principais publicações PIROLA, M. N. B.; SOUZA, F. M. S.; HENRIQUES, R. S. P.(org.). Comunicação e produção de sentido: perspectivas e reflexões sobre processos, práticas e produtos comunicacionais. 1. ed. Vitória: Edufes, 2023. 339 p. V. 1. 60 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS PIROLA, M. N. B.; HENRIQUES, R. S. P.(org.). Comunicação e produção de sentido. 1. ed. Vitória: Edufes, 2020. 265 p. V. 1. PIROLA, M. N. B.; SOUZA, F. M. S. O encontro da teoria semiótica com a publicidade e o consumo. In: REIS, Ruth; ZANETTI, Daniela (org.). Comunicação e territorialidades: poder e cultura, redes e mídias. 1. ed. Vitória: Edufes, 2017. p. 206-218. V. 1. PIROLA, M. N. B.; SOUZA, F. M. S. Marcas de um tempo: entre paisagens, cidades, publicidade e consumo. In: GONÇALVES, Maria Gorete Dadalto; REBOUÇAS, Moema Martins(org.). Modos de ser professor de arte na contemporaneidade. 1. ed. Vitória: Edufes, 2017. p. 1-341. PIROLA, M. N. B.; SOUZA, F. M. S.; REBOUCAS, M. L. M. A celebração do luxo nas capas de cadernos escolares. Comunicação, Mídia e Consumo, on-line, v. 12, p. 11-33, 2015. 61 JANAINA LEITE Raabe Bastos Janaina Frechiani Lara Leite nasceu em 20 de agosto de 1973 em Colatina(ES). É filha de Maria Magdalena Frechiani e Guilherme Lara Leite. É mãe de Cora e Nina. Na infância estudou na Escola Monteiro Lobato. Cursou o Ensino Médio na Escola Técnica Federal do Espírito Santo. Formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Espírito Santo(UFES) em 1995, fez Especialização em Comunicação e Marketing Político em Portugal, na Universidade Independente (UNI), entre os anos 2000 e 2001. Em 2006 concluiu o Mestrado em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro(Unirio), com a dissertação “O palco eletrônico na disputa presidencial: teledebate como performance”, sob orientação de José Luiz Ligiéro Coelho. Em 2018, de volta a Portugal, concentrou-se nos estudos sobre mulheres. Assim, em 2023 concluiu o Doutorado na Universidade do Minho(UMinho), com a tese“Publicidade, substantivo feminino: uma visão feminina e feminista sobre o fazer publicitário”, que versa sobre publicitárias na área de criação, com a orientação de Silvana Mota-Ribeiro. Antes de seguir a carreira acadêmica, entre os anos de 1993 e 1999, Janaina trabalhou como redatora nas agências de publicidade Multi Comunicação e HRD Publicidade, em Vitória(ES). A partir de 2002 passou a atuar como professora nas Faculdades Integradas de Vitória(FDV), Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais 62 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS (PUC-Minas), Faculdades Associadas do Espírito Santo(Faesa) e Universidade do Vale do Itajaí(Univali-SC). Janaina também teve atuação na área de marketing político. Foi subsecretária de Marketing da Prefeitura de Vitória entre 2013 e 2016, quando a política de Comunicação on-line foi reformulada, com iniciativas como o Gabinete on-line e a intensificação do relacionamento com os cidadãos por meio de redes sociais. Esteve ainda envolvida com campanhas eleitorais para cargos Executivos e Legislativos no Espírito Santo e na Bahia, entre as quais destacam-se as campanhas para a prefeitura de Vitória(ES) e para a prefeitura de Cariacica(ES), ambas em 2004, além das campanhas para o governo do Estado do Espírito Santo em 2006 e para a prefeitura de Vitória(ES) em 2012. Janaina atuou como consultora para o governo capixaba em 2017, quando a Polícia Militar do Estado permaneceu em greve por 21 dias. Janaina Frechiani Lara Leite é docente da UFES desde 2009. Lá coordenou projetos de extensão, como o programa de rádio Bandejão, produzido e apresentado diariamente por alunos na Rádio Universitária, assim como a Semana de Comunicação, que organizou debates entre candidatos ao governo do Estado em 2018. Ocupou, ainda, a chefia do Departamento de Comunicação Social (DCS) entre os anos de 2017 e 2018. Principais publicações LEITE, Janaina; ZANOTTI, Rosane.#escutaasminas: femvertising e cerveja. ENCONTRO DE PESQUISADORES EM PUBLICIDADE E PROPAGANDA – PRÓ-PESQ PP, 9., 2018, São Paulo, SP, 2018. LEITE, Janaina. Quando a mulher é objeto: uma análise sobre a representação feminina na publicidade. ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISADORES EM PUBLICIDADE E PROPAGANDA – PRÓ-PESq PP, 11., 2021, São Paulo, SP, 2021. 63 DANIELA ZANETTI Dyone Arruda Cypriano Daniela Zanetti nasceu em 27 de dezembro de 1973 em Vitória (ES). É filha de Maria Largura Zanetti e Daniel Zanetti. É mãe de Benjamin, que nasceu em 2010. Entre 1989 e 1992 cursou o Ensino Médio e Técnico no Instituto Federal do Espírito Santo(IFES), Campus Vitória, concluindo o curso técnico de Eletrotécnica. Ingressou, em 1992, na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), inicialmente no curso de Artes Plásticas, por um ano e meio. Realizou outro vestibular e, no ano seguinte, iniciou o curso de Comunicação Social – Jornalismo –, concluindo a Graduação em 1997. Durante a Graduação atuou no movimento estudantil, vinculada ao Centro Acadêmico, atividade que fez parte de sua formação social e política. Nesse período participou do Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação Social(Enecom), do Congresso Brasileiro de Estudantes de Comunicação Social (Cobrecos) e do Congresso da União Nacional dos Estudantes(UNE). O Trabalho de Conclusão de Curso, intitulado“Terra à Vista”, consistiu em uma pesquisa etnográfica e um ensaio fotográfico em acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra(MST) no norte do Espírito Santo. Entre 2003 e 2004 cursou o Mestrado em Letras na Universidade Mackenzie, em São Paulo(SP), sob a orientação de Neusa Maria Oliveira Barbosa Bastos, defendendo a dissertação“Andar de cima, andar de baixo: uma análise do discurso em artigos da coluna Elio Gaspari”. Durante o Mestrado foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). 64 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Em 2007 ingressou no Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporânea da Universidade Federal da Bahia(UFBA), e, em 2010, defendeu a tese“O cinema da periferia: narrativas do cotidiano, visibilidade e reconhecimento social”, tendo como orientadora Maria Carmem Jacob de Souza. Cursou com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Em 2016 realizou estudos de Pós-Doutoramento na Universidade Aberta de Lisboa(UAB), em Lisboa, Portugal, com supervisão de Maria Natália Ramos. De 1996 a 2006 Daniela atuou como jornalista e assessora de Comunicação em diversas instituições públicas e privadas, como empresas de mídia e agências de Comunicação, no Espírito Santo e em São Paulo, além de ter realizado trabalhos de consultoria nas áreas de Comunicação e Cultura. Entre 2005 e 2006 foi coordenadora de Comunicação da Câmara Municipal de Vitória (CMV). No campo da docência atuou, entre 2004 e 2006, como professora em cursos de Graduação em Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade) em faculdades privadas, em São Paulo e no Espírito Santo, ministrando, especialmente, disciplinas teóricas. É professora efetiva do Departamento de Comunicação Social da UFES desde 2010, tendo sido aprovada para o curso de Cinema e Audiovisual na área de audiovisual e novas mídias. Atua nas três habilitações: Jornalismo, Publicidade e Audiovisual, ministrando as disciplinas de Ateliê de Audiovisual para Mídias Interativas, Cibercultura, Estética e Linguagem Audiovisual, Metodologia de Pesquisa em Comunicação, Teorias da Comunicação, entre outras. Entre 2013 e 2015 foi a primeira coordenadora do Programa de PósGraduação em Comunicação e Territorialidades da UFES(PósCom), dando continuidade ao trabalho de efetivação do curso como vicecoordenadora nos dois anos seguintes. No âmbito das funções administrativas, também trabalhou como subchefe do Departamento de Comunicação Social e como coordenadora do Núcleo Docente Estruturante(NDE) do curso de Cinema e Audiovisual. Em 2011 criou o grupo de pesquisas Cultura Audiovisual e Tecnologia(CAT), registrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil do CNPq, com foco nas seguintes linhas: análise de produtos audiovisuais, cultura audiovisual contemporânea, materialidades da imagem, cibercultura, plataformas e redes digitais. Como coordenadora do 65 CAT, desenvolveu os seguintes projetos de pesquisa:“Comunicação e divulgação científica: pesquisa-criação para o desenvolvimento de obras interativas imersivas e colaborativas”, de 2021 a 2023, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Espírito Santo(Fapes);“Modelos metodológicos para estudo dos discursos e das narrativas em processos de Comunicação contemporâneos no contexto da cibercultura”, de 2019 a 2021, com financiamento da Fapes;“A cultura do audiovisual em rede: sociabilidades e territórios simbólicos em disputa”, de 2017 a 2022;“Desiguais e conectados: narrativas audiovisuais da América Latina na interface TV e Web”, de 2015 a 2017;“O campo audiovisual e a interface com as novas mídias”, de 2014 a 2015;“Produtos audiovisuais na Internet: narrativas contemporâneas”, de 2013 a 2014;“Audiovisual e convergência: narrativas contemporâneas e práticas de consumo”, de 2012 a 2013; e“Audiovisual e convergência: linguagem e narrativa em plataformas hipermidiáticas”, de 2011 a 2012. A partir de suas pesquisas apresentou trabalhos nos principais congressos nacionais e internacionais do campo da Comunicação, tais como os encontros anuais da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual(Socine), Associação Brasileira dos Pesquisadores em Cibercultura(ABCiber), Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Comunicação (Alaic), Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política(Compolítica), International Association for Media and Communication Research(IAMCR), Federação Lusófona de Ciências da Comunicação(Lusocom), Associação Ibero-Americana de Investigadores da Comunicação(Assibercom), entre outros. No que se refere à extensão, realizou diversas ações e atividades abertas ao público, como seminários e debates, mostras de audiovisual, programas de rádio, produção de audiovisuais, colaboração em projetos de pesquisa e extensão de outros departamentos, entre outras. Destaque para a organização e coorganização de várias edições dos seminários anuais do PósCom (Seminário de Pesquisa em Comunicação e Territorialidades); do VI Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Música (Musicom) na UFES, em 2015; e dos seminários:“Deixe seu Like – Comunicação e Política nas Plataformas de Vídeo”, em 2023; “Estéticas e Tecnologias Audiovisuais”, em 2020;“Os Futuros da 66 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Comunicação”, em 2019; e“Entretenimento pós-industrial: novas subjetividades em rede”, em 2018. Dentre outras atividades, atua em bancas de júri de festivais de cinema e audiovisual, e participa como pesquisadora em dois projetos do Departamento de Ciências Sociais:“Áreas protegidas e grandes projetos de desenvolvimento no horizonte de vivências das comunidades locais: os impactos socioambientais e seus desdobramentos”, de 2016 a 2017, e“Formação de Banco de dados de imagens e áudio ligado ao Grupo de Estudos e Pesquisa em Populações Pesqueiras e Desenvolvimento no Espírito Santo”, de 2012 a 2014. Como parte desses projetos, conduziu a produção dos seguintes documentários: Tomaram nossas águas(2018), Rio de Conflitos(2018), Mulheres e o mar(2016), Últimos dias em Regência (2015) e Tradições à Deriva: pesca artesanal e desenvolvimento no Espírito Santo(2013), todos disponíveis no YouTube. Desenvolveu diversos produtos de Comunicação a partir de projetos de pesquisa e extensão: a plataforma digital Territórios do Presente – conflitos, mediações, interações, que engloba um site de divulgação científica, um perfil no Instagram e um audiovisual imersivo de realidade virtual, voltados para questões socioambientais; o programa musical Clandestino, veiculado semanalmente na Rádio Universitária FM 104.7, entre 2012 e 2013; debates on-line( lives), com a participação de convidadas e convidados, transmitidos pelo canal do YouTube do grupo de pesquisas CAT ao longo de 2020, durante a pandemia de Covid-19; a Revista Sala 206, dedicada a artigos sobre cinema e audiovisual, entre 2013 e 2017. Uma de suas principais produções é o livro resultante de sua tese:“O cinema da periferia: narrativas do cotidiano, visibilidade e reconhecimento social”, a qual foi selecionada para a coleção E-Livros pelo edital lançado pela Editora da UFBA. Daniela Zanetti participou, ainda, da autoria dos seguintes capítulos de livro:“Comunicação e movimentos sociais: disputas por visibilidade na esfera midiática”;“Visibilidade e reconhecimento do cinema das periferias e o campo do audiovisual”; e“Histórias de um autor-diretor: caleidoscópio de autorreferências”, além de organização e coorganização dos livros:“Audiovisualidades contemporâneas: estéticas, política, tecnologia”(2023);“Minorias midiatizadas: gêneros, etnias e territórios”(2021);“Pesquisas em Comunicação: desafios do presente nas mediações digitais”; 67 “Comunicação e territorialidades: poder e cultura, redes e mídias”. São e-books de acesso gratuito, que reúnem artigos de pesquisadoras e pesquisadores de diversas universidades brasileiras. Principais publicações ZANETTI, Daniela. O cinema da periferia: narrativas do cotidiano, visibilidade e reconhecimento social. 1. ed. Salvador, BA: Edufba, 2015. 293 p. V. 1. ZANETTI, Daniela; SALLES, Julia; MARRA, Pedro; REIS, Ruth. Between Physical and Virtual Territories. Interactive Film& Media Journal, v. 2, p. 49-56, 2022. ZANETTI, Daniela. A cultura do compartilhamento e a reprodutibilidade dos conteúdos. Ciberlegenda, UFF, on-line, v. 2, p. 60-70, 2011. ZANETTI, Daniela. Repetição, serialização, narrativa popular e melodrama. Matrizes, USP, Impresso, v. 2, p. 181-194, 2009. ZANETTI, Daniela. Comunicação e movimentos sociais: disputas por visibilidade na esfera midiática. In: GARCIA, Maria Lúcia Teixeira; BERNARDES, Franciani(org.). Contrarreformas ou revolução: respostas ao capitalismo em crise. 1. ed. São Paulo, SP: Cortez Editora, 2020. V. 1. ZANETTI, Daniela. Histórias de um autor-diretor: caleidoscópio de autorreferências. In: SERAFIM, José Francisco(org.). Godard, imagens e memórias – reflexões sobre história(s) do cinema. 1. ed. Salvador: Edufba, 2011. p. 91-111. V. 1. 68 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste GABRIELA ALVES Claudia Garcia Gabriela Santos Alves nasceu em 2 de fevereiro de 1978 em Vitória (ES). É filha caçula de Nadir Santos Alves e de Luiz Alves Filho, entre os irmãos Luiz Wagner e Maria da Penha. É casada com Marcus Neves. Fez seus estudos básicos na Escola Ludovico Pavoni, em Vitória(ES). Gabriela é professora desde os 18 anos e foi a primeira de sua família a ingressar na universidade pública. É formada em Licenciatura em História pela Universidade Federal do Espírito Santo(UFES), tendo cursado, também, Comunicação Social – Rádio e TV pela Faesa(2000). Fez Especialização em História Política e em Filosofia, ambas na UFES. O Mestrado em Estudos Literários foi concluído em 2005, também pela UFES, com a pesquisa“Lugares de fronteira: literatura e história em‘Agosto’”, orientada por Sérgio da Fonseca Amaral. Cursou Doutorado em Comunicação e Cultura na Universidade Federal do Rio de Janeiro(Eco/UFRJ) em 2010, com a pesquisa “O imaginário fotográfico de Monteiro Lobato”, sob orientação de Mauricio Lissovsky. Na Eco/UFRJ concluiu seu primeiro Estágio Pós-Doutoral, em 2018, sobre estudos de roteiro audiovisual. Em 2023 finalizou o segundo Estágio Pós-Doutoral junto ao Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFES, em que se dedicou aos estudos da obra da teórica feminista Silvia Federici. Suas áreas de interesse acadêmico e artístico são: cultura audiovisual e identidades femininas; representatividade no audiovisual; teoria e crítica feministas contemporâneas; gênero e racialidades. Atua, 69 também, como realizadora audiovisual, nas funções de diretora, roteirista, curadora e consultora de mostras e festivais de cinema. Desde 2004 é professora de Ensino Superior, com experiência nos Ensinos Fundamental e Médio, dada sua formação de Licenciatura em História. Nesses anos de atuação na docência de Ensino Superior trabalhou em algumas instituições privadas da Grande Vitória(ES), como Faculdade J Simões, em Guarapari(ES), Faculdade Novo Milênio e Universidade de Vila Velha, ambas em Vila Velha(ES). Desde seu ingresso na UFES como professora efetiva em 2010, dedica-se ao desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão e à política acadêmica. Está lotada no Departamento de Comunicação Social(DepCom), onde leciona para os cursos de Cinema e Audiovisual, Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Além disso, é professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades(PósCom/UFES). Ministrou e ministra disciplinas de Teorias da Comunicação, Metodologia de Pesquisa em Comunicação e Elaboração de Projetos em Audiovisual, além de Teoria Feminista e Cultura Audiovisual e de Realização em Documentário. Na Pós-Graduação tem atuado como docente nas disciplinas de Corpo e Territorialidades, Questões Teóricas em Comunicação e Seminários de Pesquisa. No âmbito da pesquisa coordena, desde 2016, o projeto“Clausuras: territórios e sentidos dos claustros femininos”, vinculado ao Laboratório de Pesquisas sobre enfrentamento à Violência contra Mulheres no Espírito Santo(Lapvim-ES), e ao grupo de pesquisa Comunicação, Imagem e Afeto(CIA/UFES/CNPq). Paralelamente à produção acadêmica, os projetos também englobam produção artística por meio da realização de filmes, como o curtametragem“C(elas)”(2017), dirigido e roteirizado por Gabriela, e“Riscadas”(2019), em que atuou como produtora associada e pesquisadora. Já no âmbito da extensão, participou, em parcerias, dos seguintes projetos, entre outros:“Programa de Extensão Próximos Olhares”, desenvolvido entre 2013 e 2017;“Cineclube e Mostra de Cinema Teresa de Benguela”; desenvolvido entre 2016 e 2018; “Documentário‘Refúgio’”, desenvolvido entre 2017 e 2018 Em relação à sua atuação na gestão e política universitária, entre 2011 e 2013 foi coordenadora dos cursos do Departamento de Comunicação Social(DepCom): Jornalismo, Publicidade e 70 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Propaganda e Cinema e Audiovisual. Entre 2018 e 2020 foi novamente coordenadora, dessa vez do Curso de Cinema e Audiovisual. Em 2020 foi presidenta da Comissão de Revisão das Ações Afirmativas do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades(PósCom/UFES). Em 2023 compôs a Comissão da UFES para elaboração de proposta de resolução de reserva de vagas na Pós-Graduação. Também em 2023 assumiu a Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades. Sobre suas principais produções artísticas: curadoria da Mostra de Cinema“Feministas de Quinta”(2017); Consultoria da Mostra de Cinema“Teresa de Benguela”(2017 e 2018); roteiro de longa metragem documental“Arredores”(2018); roteiro e direção do documentário“Refúgio”(2018), que fez em parceria; curadoria da “3ª Mostra Mulheres no Cinema” do 25º Festival de Cinema de Vitória (2018); mediadora das rodas de bate-papo com realizadoras do“1º Cine Marias”: Mostra competitiva nacional e Mostra competitiva capixaba(2022); curadoria da“12ª Mostra de Cinema e Audiovisual UEG(XII MAU)”(2022); curadoria da Mostra de Cinema“1º Cine Marias”(2022); Mediadora das rodas de bate-papo com realizadoras do“Cine Marias 2023”, edição Corpos(In) visíveis: Mostra competitiva nacional, Mostra competitiva capixaba e Sessão Cine Marias(2023), na qual fez curadoria e Consultoria de programação. Em relação aos principais prêmios e títulos, em 2022 recebeu “Honra ao Mérito” – Homenagem da Câmara Municipal de Vitória, em Sessão solene em homenagem à Cultura na Câmara Municipal de Vitória(ES); em 2019 o filme“C(elas)” recebeu prêmio de Melhor Filme – Prêmio“Dentro dos olhos dela” –, no 12º Entretodos: Festival de Filmes Curtos e Direitos Humanos, em São Paulo(SP); em 2019 o filme“Refúgio” recebeu Prêmio Destaque, na 14ª Mostra Produção Independente ABD Capixaba, Vitória(ES); em 2017 o filme“C(elas)” recebeu prêmio de Melhor Filme(Juri Técnico) da Mostra Foco Capixaba, integrante do 24º Festival de Cinema de Vitória. Gabriela Santos Alves já tem 11 orientações de Mestrado concluídas na condição de orientadora, duas orientações de Mestrado como coorientadora, 18 orientações de monografias de conclusão de curso de aperfeiçoamento/especialização concluídas, 76 orientações de Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação, 30 orientações de trabalhos de iniciação científica e 1 supervisão de Pós-Doutorado. 71 Principais publicações SANTOS ALVES, Gabriela; MENDES, Karol; ZANOTTI, Rosane. Women, Cities and Harassment: Representativeness in Brazilian Documentary Cinema. Revista Mediaciones, v. 19, n. 31, jul./dez. 2023. SANTOS ALVES, Gabriela; MOZER, Thiago Scarpat. Gênero e vigilância na construção da territorialidade digital. In: SOUZA, Flávia Mayer dos Santos; PIROLA, Maria Nazareth Bis; HENRIQUES, Rafael Paes (org.). Comunicação, produção e sentido: perspectivas e reflexões sobre processos, práticas e produtos. Vitória, ES: EDUFES 2023. 339 p. SANTOS ALVES, Gabriela; BASTOS, Raabe Cesar Moreira. O contradiscurso ao claustro da histeria: mídia independente AzMina. In: PASE, André; KIELING, Camila; CAMPOS, Deivison(org.). Diversidade, raça e gênero na Comunicação. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2023. p. 29-46. V. 1. SANTOS ALVES, Gabriela; SANTOS, Matheus Effgen. Amor de mãe: mulheres negras e territórios redesenhados. In: LEMOS, Ligia Prezia; ROCHA, Larissa Leda F.(org.). Ficção seriada: estudos e pesquisas. 1. ed. Alumínio, SP; São Luís, MA: Jogo de Palavras: EDUFMA, 2022. p. 165-180. V. 1. SANTOS ALVES, Gabriela. Maternidade e sistema prisional: cárceres femininos e representações da maternidade no cinema contemporâneo. In: LEMOS Adriana Falqueto; QUINTELA, Hugo Felipe(org.). Representações maternais no cinema. 1. ed. Vitória: EDIFES – Editora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do ES, 2019. p. 46-61. 72 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste ROSANE ZANOTTI Raabe Bastos Rosane Vasconcelos Zanotti nasceu em 28 de dezembro de 1972 em Vitória(ES). É a primeira das três filhas de Wilson Mário Zanotti e Beatriz Vasconcelos Zanotti. É casada com Renan Teixeira de Souza. Estudou na Escola São Domingos, em Vitória. Rosane graduou-se em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda –, em 1994, na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Concluiu o Mestrado em Design, em 2005, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-RIO), com orientação de Vera Lúcia Moreira dos Santos Nojima. A dissertação –“A construção do significado nas imagens da campanha antitabagista: um estudo de caso das embalagens de cigarro disponíveis no mercado nacional a partir de fevereiro de 2002” – já trazia os traços de suas preocupações e responsabilidades sociais que envolviam a atividade publicitária. O Doutorado em Design foi defendido em 2013 na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUCRIO), sob a mesma orientação, resultando na tese“O Cotidiano pelas Lentes do Celular”. Durante o Doutorado, recebeu bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por um ano, para a realização do Doutorado-Sanduíche em Portugal, junto ao Laboratório de Antropologia Visual da Universidade Aberta(UAB), sob orientação de José Maria Gonçalves da Silva Ribeiro. Em 2023 concluiu o estágio Pós-Doutoral junto ao Programa de Pós-Graduação em Geografia na UFES, com a apresentação da pesquisa“Portos que comunicam: estratégias de construção de uma metodologia de inovação social”, sob a supervisão de Antônio Carlos 73 Queiróz do Ó Filho. Atuou como profissional de publicidade e propaganda entre 1992 e 2005, principalmente em direção de arte, produção gráfica, fotografia publicitária, mídia e planejamento de campanhas. Iniciou na docência em fevereiro de 2004 no curso de Graduação em Publicidade e Propaganda da Faculdade Novo Milênio, em Vila Velha (ES), onde ficou até julho de 2005. Neste breve período ministrou as disciplinas de Direção de Arte, Planejamento de Comunicação, Produção Gráfica, Computação Gráfica e Gestão de Produto e Marca. Em setembro de 2005 foi nomeada professora do Magistério Superior na UFES, após ter sido aprovada em primeiro lugar no concurso público. Desde seu ingresso ministrou as seguintes disciplinas: Técnicas do Anúncio Gráfico, Pesquisa de Opinião e Mercadológica, Teorias e Práticas Publicitárias para Meios Eletrônicos – Rádio, Planejamento Gráfico, Produção Gráfica, Fotografia Publicitária 1 e 2, Mídia, Teorias e Práticas de Linguagem Visual – Design para Mídia Digital, Teorias e Práticas Publicitárias e Novas Tecnologias, Projeto Especial em Publicidade, Tendências e Inovação em Publicidade e Propaganda, Design Editorial e Cidade Contemporânea e Comunicação. Já foi responsável pela orientação de mais de 70 Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação(TCC) e quatro monografias de Especialização, além de ter participado de mais de 200 bancas de TCCs e 18 bancas de Trabalhos de Conclusão de Curso de Especialização. Foi membro de banca de concurso público em diversos cursos e universidades. Rosane atua, ainda, no campo da extensão. Recém-chegada à UFES, assumiu a orientação do Bandejão 104,7, programa da Rádio Universitária FM, conduzido por estudantes do curso de Comunicação Social, e, no período que coordenou o projeto, de 2006 a 2009, instituiu o Prato da Casa, ação para a divulgação do trabalho de artistas capixabas. Em 2008 foi contemplada no edital Proext MEC/Cultura, o que transformou a terceira edição do Festival Prato da Casa em um marco que consolidou o evento. Ela coordenou, ainda, os seguintes projetos: Sociecos, de 2011 a 2015; Comunicação Holística, de 2015 a 2018; Núcleo de Publicidade e Propaganda (NUPP), de 2014 a 2018; Comunicação Estratégica, de 2014 a 2019; Audieventos, de 2014 a 2019; e Projeto Três em 74 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Um, de 2017 a 2023. Ainda no campo da extensão universitária, teve atuação como professora orientadora da Empresa Júnior de Comunicação Social da UFES(ECOS-JR), entre 2014 e 2022. Nesse período coordenou mudanças estruturais, tendo participado da criação e desenvolvimento da“Imersão”, evento interno vital para o funcionamento do projeto, acompanhou o fortalecimento da ECOS-JR na Federação das Empresas Juniores do Espírito Santo e coordenou a transformação e a consolidação do projeto interno Ecos Mostra, uma premiação de referência entre a comunidade acadêmica e o mercado de Comunicação do Espírito Santo. No campo da pesquisa, Rosane tem atuação em três grupos: Laboratório de Comunicação e Cotidiano(COMC), Laboratório de Pesquisa em Tecnologias Criativas e Observatório Cidade e Porto. Entre os principais projetos de pesquisa destacam-se:“A captura e difusão de imagens via dispositivos digitais: paradoxos, motivações e usos”(2013 a 2022);“Histórias da Minha Rua”(2015); “Metodologias e ferramentas de pesquisa em territorialidades on-line: o Estado da arte de métodos aplicáveis à etnografia em redes sociais digitais”(2017 e 2018);“Publicidade e narrativas da diversidade”(2019 a 2022); e“Aspectos comunicacionais das interfaces cidade-porto”(desde 2022). Ela também é, desde 2012, membro da Comissão Científica da Conferência Internacional de Cinema de Viana(Viana do Castelo/Portugal) e desde 2006, tem contribuído nas funções de gestão na UFES: foi coordenadora do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda –, entre 2006 e 2008, e voltou a ocupar o cargo a partir de agosto de 2023. Foi chefe do Departamento de Comunicação Social em 2008 e subcoordenadora do curso entre 2018 e 2021. Publicou alguns livros e atuou na condição de coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Tecnologias Criativas como consultora, revisora e orientadora de livros. Rosane Vasconcelos Zanotti, com formação acadêmica interdisciplinar, é uma publicitária que transita com propriedade pelos campos do design, da geografia, da gestão e da educação. Principais publicações RABELO, Cláudio. A estratégia do cafezinho: como transformar produtos em marcas imbatíveis. Revisão e orientação Rosane Vasconcelos Zanotti. Rio de Janeiro: Alta Books, 2023. 75 RABELO, Cláudio. Faixa preta em publicidade e propaganda: conceitos, contextos e ferramentas em 63 lições. Revisão e orientação Rosane Vasconcelos Zanotti. Vitória: GSA, 2018. ZANOTTI, Rosane Vasconcelos. Representações da cidade de Vitória no Instagram. In: VASCONCELOS, F. N.; BLANC, M. V.(org.). Reflexões sobre o urbano no Espírito Santo: desenvolvimento, expansão e experiências urbanas. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2016. p. 75-91. V. 2. ZANOTTI, Rosane Vasconcelos. A existência em streaming: narrativas audiovisuais na midiatização da vida. In: VALENTE, António Costa; CAPUCHO, Rita(org.). Avanca Cinema – International Conference. 1. ed. Avanca: Edições Cine-Clube de Avanca, 2014. p. 28-33. V. 1. ZANOTTI, Rosane Vasconcelos. Telefone celular: ferramenta do cotidiano audiovisual. In: CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE CINEMA DE VIANA DO CASTELO, 2., ENCONTROS DE CINEMA – CONFERÊNCIA INTERNACIONAL, 2013, Viana do Castelo, Portugal: Ao Norte – Associação de Produção e Animação Audiovisual, 2013. p. 105-111. V. 1. ZANOTTI, Rosane Vasconcelos. O prato da casa do Bandejão 104,7. In: ONÇA, Luciano A.; CAMARGO, Eder dos Santos; PIERO, Alexandre(org.). Economia da cultura e extensão universitária. 1. ed. São João Del-Rei: Malta, 2010. p. 44-51. V. 1. 76 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS Claudia Garcia Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades(PósCom) da Universidade Federal do Espírito Santo(UFES); bolsista Capes. Graduada em Administração pela UFES. claumoda2011@gmail.com Dyone Arruda Cypriano Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades(PósCom/UFES); bolsista Fapes/ES; bacharel em Música pela UFES. dyocypriano@gmail. com Gabriela Santos Alves Professora Associada do Departamento de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades/UFES. Pesquisadora da Fapes, Edital Mulheres na Ciência e do Laboratório de Pesquisas sobre enfrentamento à Violência contra Mulheres no Espírito Santo e do grupo Comunicação, imagem e afeto(UFES/ CNPq). gabriela.alves@ufes.br Raabe Bastos Mestranda no Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Minas Gerais(PPGCOM/UFMG); graduada em jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo(UFES); bolsista de Apoio Técnico da Fapes/ES, Edital Mulheres na Ciência. raabebastos19@gmail.com 77 MINAS GERAIS 78 Geane C. Alzamora 14 Sônia Caldas Pessoa 15 Natália M. P. Cortez 16 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM MINAS GERAIS Introdução Trata-se de um grande desafio falar sobre o campo da Comunicação em Minas Gerais e, em especial, mapear a participação das mulheres nos processos de constituição deste campo. A nossa visada é, neste momento, cotejar a presença feminina em campos institucionais, simbolizados aqui pelos cursos de Graduação, os Programas de Pós-Graduação, eventos e periódicos científicos vinculados às instituições sediadas em Minas Gerais. Podemos afirmar que o campo da Comunicação Social em Minas Gerais teve início quase simultâneo em Juiz de Fora e em Belo Horizonte. Em 1957 foi criado, em Juiz de Fora, o curso de Jornalismo na antiga Faculdade de Filosofia e Letras, o qual foi transferido, em 1960, para a então recém-criada Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) 17 . Em 1958 a Cúria Metropolitana de Belo Horizonte criou um curso de três meses sobre prática jornalística, em salas cedidas pela então Universidade de Minas Gerais. Conforme informações do Boletim da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 2022) 18 , o sucesso desta iniciativa levou à criação, em 1961, do curso de 14 Professora associada da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), Departamento de Comunicação Social, bolsista de produtividade em pesquisa(CNPq, 312279/2022-5) e pesquisadora Fapemig(APQ-02853-24). geanealzamora@ufmg.br 15 Professora do PPGCOM/UFMG. Cocoordenadora do Afetos: Grupo de Pesquisa em Comunicação, Discursos e Experiências, da Rádio Terceiro Andar e do Laboratório de Experimentações Sonoras. Bolsista PQ do CNPq e Capes-Print como visitante no Institut Mines-Télécom 2023/2024. soniacaldaspessoa@gmail.com 16 Professora adjunta do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto(UFOP). Pesquisadora permanente do PPGCOM da UFOP. natalia.cortez@ ufop.edu.br 17 Disponível em: https://www2.ufjf.br/facom/facom-fac-de-comunicacao/sobrea -facom/. Acesso em: 9 out. 2024. 18 Disponível em: https://www.ufmg.br/boletim/bol1340/sexta.shtml. Acesso em: 9 out. 2024. 79 Jornalismo na UFMG. A comissão responsável pela proposição do curso foi composta por professores da Universidade de Minas Gerais e representantes do Sindicato de Jornalistas, todos homens. Dez anos depois, em 1971, também em Belo Horizonte, foi criado o curso de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais(PUC Minas), com as habilitações em Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, como já era comum naquela época. Em 1973 foi criado o curso de Comunicação Social com as mesmas habilitações na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Belo Horizonte(FAFI-BH), transformada em Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) em 1999, conforme informações do Projeto Pedagógico do Curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte(2023). Nessa época já havia vários cursos de Graduação em Comunicação Social em funcionamento no Estado, ofertados por universidades públicas, filantrópicas e particulares, além de cursos de Especialização lato sensu e de Pós-Graduação stricto sensu. GRADUAÇÃO Neste tópico buscamos mapear a distribuição geográfica de oferta de cursos de Graduação em Comunicação Social no Estado, com a finalidade de aferir sua abrangência regional, sua capilaridade, seu alcance social e a participação feminina nesses cursos. Para isso, consultamos os dados do resultado do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes(Enade-2022), último realizado pelos estudantes de Comunicação. As universidades federais UFMG, UFOP, UFV, UFSJ e UFU, a Universidade Estadual de Minas Gerais(UEMG), e as universidades, faculdades e os centros universitários PUC Minas, UniBH, Newton Paiva, UNA, Fumec, Faculdade Pitágoras, Unileste, Univale, UNIS, Funorte, Fadminas, Faessa, Faculdade Esamc, Uniube, Faculdade Promove, Unipam, Unifip-Moc, UniAdemia, Centro Universitário Estácio Juiz de Fora, Unifeg e Univale, ofertam cursos de Graduação em Jornalismo e/ou Publicidade e Propaganda. As seguintes instituições participaram do Enade 2022 do curso de Jornalismo em Belo Horizonte: Centro Universitário de Belo Horizonte, Centro Universitário UNA, Centro Universitário Estácio de Sá Belo Horizonte, Faculdade Pitágoras de Belo Horizonte, Faculdade Promove de Minas Gerais, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Fumec. Em Juiz de Fora três instituições participaram: Centro Universitário Academia, Centro Universitário Estácio de Sá Juiz de Fora e Universidade Federal de Juiz de Fora. A UEMG oferece o curso de Jornalismo em três cidades: Divinópolis, Frutal e Passos. Uberlândia registrou duas instituições que ofertam cursos de jornalismo avaliadas no Enade 2022: Faculdade ESAMC de Uberlândia e Universidade Federal de Uberlândia. Coronel Fabriciano, Montes Claros, São João del Rei, Varginha, Viçosa, Leopoldina e Mariana, são municípios que participaram do Enade 2022 com a oferta de um curso de Jornalismo pelas instituições Centro Universitário Católica do Leste, 80 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM MINAS GERAIS Centro Universitário Funorte, Universidade Federal de São João del Rei, Centro Universitário do Sul de Minas, Universidade Federal de Viçosa, Universidade de Franca e Universidade Federal de Ouro Preto. Em Belo Horizonte o curso de Publicidade e Propaganda é ofertado pelo Centro Universitário Presidente Antônio Carlos, Centro Universitário de Belo Horizonte, Centro Universitário Una, Centro Universitário Estácio de Sá, Faculdade Pitágoras de Belo Horizonte, Faculdade Promove de Minas Gerais, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Fumec; e em Contagem pelo Centro Universitário Una de Contagem. Há ofertas em Barbacena, pelo Centro Universitário Presidente Antônio Carlos; Coronel Fabriciano, pelo Centro Universitário Católica do Leste; Divinópolis, pela Faculdade Pitágoras e pela UEMG; em Frutal pela UEMG; em Governador Valadares pela Universidade Vale do Rio Doce; em Guaxupé pelo Centro Universitário da Fundação Educacional de Guaxupé; em Juiz de Fora pelo Centro Universitário Estácio de Santa Catarina, pelo Centro Universitário Estácio Juiz de Fora e pelo Centro Universitário Academia. Lavras, Montes Claros, Passos, Patos de Minas, Pouso Alegre, Poços de Caldas, Sete Lagoas, Uberaba, Uberlândia, Varginha e Viçosa são municípios que têm instituições que ofertam a formação em Publicidade: Faculdades Integradas Adventistas de Minas Gerais, Centro Universitário Fip-Moc, UEMG, Centro Universitário de Patos de Minas, Universidade do Vale do Sapucaí, PUC Minas, Faculdade Promove de Sete Lagoas, Universidade de Uberaba, Faculdade ESAMC Uberlândia, Faculdade Uberlandense de Núcleos Integrados de Ensino, Serviço Social e Aprendizagem, Centro Universitário do Sul de Minas e Faculdade de Viçosa. O relatório síntese do Enade 2022 constatou que estudantes participantes da área de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda eram, em sua maior parte, do sexo feminino na modalidade presencial, com 59,3% e 56,8% do total de avaliados no país, respectivamente. Embora tenhamos buscado os dados do Enade 2022 para indicar um panorama atual da distribuição dos cursos de Graduação no Estado, observamos, também, as contribuições de instituições que não realizaram o Enade 2022, bem como das outras habilitações da Comunicação, extintas pela promulgação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Jornalismo e de Relações Públicas 19 , que criaram os cursos autônomos. O primeiro Enade, que avaliou cursos indicando as áreas de Jornalismo e Publicidade e Propaganda no âmbito da Comunicação Social, foi realizado em 2012, e o último Enade, que avaliou os estudantes a partir das habilitações da Comunicação Social, foi realizado em 2009, e incluiu, além de Jornalismo e Publicidade, Cinema, Editoração, Radialismo e Relações Públicas. 19 Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/documento_final_ cursos_jornalismo.pdf e http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_ docman&view=download&alias=14243-rces002-13&category_slug=setembro-2013pdf&Itemid=30192 81 Participaram do Enade 2022 20 66 cursos na área de Comunicação Social – Jornalismo – e Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – em Minas Gerais. Esses cursos estão espalhados por cidades como Belo Horizonte, Juiz de Fora, Mariana, Viçosa, Uberlândia, Poços de Caldas, Montes Claros, Divinópolis, Sete Lagoas, Lavras, Barbacena, Passos, Frutal, Guaxupé, Varginha, entre outras. PÓS-GRADUAÇÃO O nosso primeiro passo para mapear os programas de Pós-Graduação em Comunicação Social(PPGCOM) em Minas Gerais foi o acesso à Plataforma Sucupira, que reúne um conjunto de dados sobre Mestrados e Doutorados e é responsável por manter relatórios e informações que asseguram a qualidade dos cursos no país. Uma busca realizada na grande área de conhecimento das Ciências Sociais Aplicadas, tendo como área de avaliação Comunicação e Informação, e como localização a Região Sudeste do país, retornou 28 cursos de Pós-Graduação. Desse total, cinco estão localizados em Minas Gerais, sendo quatro acadêmicos e um profissional. Dois estão localizados em Belo Horizonte. O PPGCOM/UFMG mantém os cursos de Mestrado e Doutorado, com nota seis da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Já a PUC Minas mantém o Mestrado ativo, com nota quatro da Capes, e teve o Doutorado aprovado em 2024. A Universidade Federal de Juiz Fora(UFJF), que também oferta Mestrado e Doutorado, tem nota cinco da Capes, enquanto a Universidade Federal de Ouro Preto(UFOP), com Mestrado ativo e Doutorado aprovado em 2024 para início em 2025, é avaliada com nota quatro, a mesma nota da Universidade Federal de Uberlândia(UFU), cujo Programa de Pós-Graduação em Tecnologias, Comunicação e Educação oferece Mestrado profissional. Em 2024 a Universidade Federal de Viçosa (UFV) teve aprovação para a criação do Mestrado. Ao realizarmos uma busca exploratória nos sites dos programas de Pós-Graduação em Comunicação no Estado, identificamos lacunas sobre informações que nos indicassem pistas da história de cada um e a presença das mulheres em suas constituições. Entramos em contato com as coordenações dos programas e solicitamos mais informações e documentos oficiais que pudessem colaborar para recuperar parte desta história e, em especial, a presença de mulheres na criação, execução e no quadro atual de corpo docente e de coordenação. Além disso, entramos em contato com professoras que participaram dos processos de criação dos programas. O PPGCOM/UFMG iniciou suas atividades em 1995, com o curso de Mestrado.. O Colegiado provisório do PPGCOM realizou a primeira reunião em 20 de maio de 1994, conforme ata datilografada, e contou com a participação de quatro docentes, dois homens, Júlio Pinto, que era o coordenador, e Paulo Bernardo, e 20 Disponível em: https://enade.inep.gov.br/enade/#!/relatoriosPublicos 82 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM MINAS GERAIS duas mulheres, Maria Ceres Pimenta Spínola de Castro e Maria do Carmo de Souza Reis. A professora Vera Veiga França, que atuou no Departamento de Comunicação Social da UFMG de 1981 a 2016, e depois como voluntária até 2024, lembra que Maria Ceres foi uma liderança dinâmica e importante não somente para a aprovação da pós na UFMG, mas também para fomentar o campo em articulação com colegas de outros Estados.“A primeira proposta que apresentamos não foi aprovada e foi preciso trabalhar em vários ajustes. A Ceres já trabalhava em parceria com outras universidades desde os anos 1980. A participação na Associação Brasileira de Pesquisa em Comunicação(ABPEC) consolidava uma perspectiva crítica para a pesquisa e pode ser considerada o embrião da futura Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(COMPÓS)”, lembra a professora, que participou da criação do Doutorado em 2003, conforme a Resolução n. 06/03, de 21/8/2003. Atualmente, o PPGCOM UFMG tem 35 docentes entre permanentes e colaboradores 21 . Deste total, 57,15% são mulheres. Dos 32 docentes listados como professores permanentes no PPGCOM/UFMG, 19 são mulheres. Entre três colaboradores, uma é mulher. A coordenação atual está a cargo de um coordenador e uma vice-coordenadora. O Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUC Minas foi criado em 7/8/2006, e suas atividades acadêmicas foram iniciadas em 2007 com o Mestrado, tendo como corpo docente cinco professoras doutoras: Ana Luísa de Almeida Castro, Geane Alzamora, Ivone de Lourdes Oliveira, Maria Ângela Matos e Terezinha M. Cruz Pires de Carvalho; e três professores doutores; Júlio Pinto, José Márcio de Barros e Márcio Serelle. O primeiro Colegiado de Coordenação Didática era composto por Júlio Pinto(coordenador), que havia coordenado o Colegiado provisório do PPGCOM/ UFMG anos antes, como mencionamos, e Márcio Serelle como vice-coordenador, além de Ivone de Lourdes Oliveira e Terezinha de Cruz Pires. Ao longo dos anos foram designados seis Colegiados até 2024. Em 2013, em atendimento à portaria da Reitoria, a composição do Colegiado passou a ser de três professores, sendo um deles responsável pela coordenação. Em todos eles, a composição deu-se de modo semelhante no que diz respeito ao gênero: sempre dois homens e uma mulher. O colegiado atual é coordenado por um homem. No Programa de Pós-Graduação Comunicação Social da PUC-Minas 22 constam os nomes de 11 docentes, sendo 6 homens e 5 mulheres. A professora Ivone de Lourdes Oliveira, com mais de 40 anos de atuação na área de Comunicação na PUC Minas, afirma que“o início do programa foi muito rico, com participação e integração intensas, com uma equipe movida pelo afeto e pela construção conjunta do projeto de Mestrado. A humanização e as relações interpessoais que não estão centradas nas disputas são muito importantes. Houve momentos de muita luta e mobilização, quando o Mestrado caiu de nota 21 Disponível em: http://www.ppgcom.fafich.ufmg.br/corpodocquadroatual.php 22 Disponível em: https://www.pucminas.br/pos/fca/Paginas/Docentes.aspx 83 quatro para três, e depois foi avaliado novamente com quatro. Um momento muito interessante é a conquista da aprovação do Doutorado em 2024”, considera. Na UFJF o PPGCOM firmou-se como o primeiro Mestrado em Comunicação no interior de Minas Gerais, e, até 2024, foi o único Doutorado oferecido fora da capital do Estado. Dos 20 docentes listados no site, nove são mulheres. O Mestrado foi autorizado pela Capes em 2006 e iniciou suas atividades letivas em março de 2007, mesmo período de início do PPGCOM na PUC-Minas. Na primeira turma, 73% dos 15 ingressantes eram mulheres. Já na lista de 22 ingressantes no Mestrado em 2024, 14 são mulheres. No Doutorado, as mulheres também são maioria, totalizando 10 em 16 ingressantes na última turma. A coordenação atual é exercida por duas mulheres: as professoras Cláudia de Albuquerque Thomé e Telma Sueli Pinto Johnson. A proposta de criação de um Mestrado em Comunicação na UFOP nasceu a partir do bom desempenho do curso de Jornalismo da instituição, ativo desde 2008. De acordo com a professora Marta Maia, o projeto foi aprovado em sua primeira tentativa, com uma comissão composta por quatro membros, sendo dois homens e duas mulheres. Para a professora Nair Prata, que integrou a comissão de criação do PPGCOM, a formação de uma comissão com participação equilibrada entre homens e mulheres foi fundamental para garantir a diversidade de perspectivas e equidade nas tomadas de decisão.“Essa composição refletiu um compromisso com a valorização de todo o corpo docente, independentemente de gênero, e contribuiu para o combate a desigualdades estruturais, fortalecendo o ambiente democrático e colaborativo”. Em 2024 a UFOP teve a proposta para o Doutorado aprovado pela Capes. Na Universidade Federal de Uberlândia(UFU) a opção foi a criação do Mestrado Profissional em Tecnologias, Comunicação e Educação, vinculado à Faculdade de Educação, em 2012, devido a um corpo reduzido de docentes na área específica da Comunicação. A primeira aprovação foi para a área da Educação e depois de um triênio foi solicitada a transferência para a área da Comunicação e da Informação. “A decisão pelo Mestrado profissional foi acertada porque a produção originária é essencialmente dialógica com o mundo do trabalho e o corpo discente traz situaçõesproblema do mercado”, avalia Adriana Omena, que integrou a comissão fundadora do programa.“A equipe inicial foi composta essencialmente por mulheres, três da Comunicação, Mirna Tonus, Ângela Grossi e eu, com contribuições de Selva Guimarães. A diretora da Faculdade de Educação, Rúbia Marques, abraçou a causa e lutou pela aprovação”, conclui Adriana. O Mestrado da Universidade Federal de Viçosa(UFV), aprovado em 2024 pela Capes, ainda depende da aprovação do Conselho Nacional de Educação(CNE). A expectativa é que o primeiro processo seletivo seja realizado no segundo semestre de 2025. De acordo com Rennan Lanna Martins Mafra, que fez a submissão do projeto em nome do coletivo, as mulheres sempre estiveram presentes na comissão 84 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM MINAS GERAIS de instalação do Programa. A primeira comissão, que data de 7 de abril de 2016, foi formada por sete integrantes, sendo quatro homens e três mulheres. Em 2023 a comissão foi composta por 12 pessoas, sendo 6 homens e 6 mulheres. Além disso, segundo ele, dos 4 pareceres recebidos internamente na Universidade, 3 foram elaborados por professoras. ATIVIDADES ACADÊMICAS EM EXPANSÃO O amadurecimento do campo da Comunicação em Minas Gerais pode ser também mensurado pela expansão das atividades científicas na área, como a realização regular de eventos científicos no Estado, o crescimento das pesquisas financiadas e o aprimoramento das revistas acadêmicas, em vínculo estreito com os Programas de Pós-Graduação. Ainda que os periódicos científicos da área não sejam muitos, apresentam contribuições relevantes, sobretudo no que se refere à divulgação científica e às possibilidades de parceria interinstitucional que promovem. Optamos por mencionar alguns dos periódicos ativos da área vinculados a programas de PósGraduação que se mantêm ativos em Minas Gerais. Uma das mais antigas revistas acadêmicas da área em circulação é a Lumina, Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFJF, em circulação desde 1998 23 . Inicialmente semestral e impressa, desde 2016 Lumina tem edições quadrimestrais e, mais recentemente, passou a ser exclusivamente on-line. Dos sete membros da equipe editorial atual, três são mulheres. Em circulação desde 2001, a Revista Mediação 24 esteve inicialmente vinculada aos cursos de Graduação em Jornalismo e Publicidade da Fumec, mas, desde 2024, passou a se vincular ao Programa de Mestrado e Doutorado em Tecnologia da Informação e Comunicação e Gestão do Conhecimento, da mesma faculdade. Na comissão editorial atual, dos dez membros quatro são mulheres e a editora é Nair Prata. Radiofonias – Revista de Estudos em Mídia Sonora, editada desde 2010, inicialmente esteve vinculada à Universidade de Santa Maria, mas, desde 2015, passou a ser vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFOP. A equipe editorial é composta por quatro mulheres, com coordenação de Débora Cristina Lopez. Já a revista acadêmica Dispositiva 25 foi criada em 2012 na Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, e, desde 2022, passou a ser editada em parceria interinstitucional 23 Disponível em: em: 10 out. 2024. 24 Disponível em: out. 2024. 25 Disponível em: em: 9 out. 2024 https://www2.ufjf.br/ppgcom/lumina/revista-lumina/. https://revista.fumec.br/index.php/mediacao. Acesso https://periodicos.pucminas.br/index.php/dispositiva. Acesso em: 17 Acesso 85 pelos Programas de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUC Minas e UFMG. Na equipe editorial, em 2024, estavam dois professores e duas professoras. A revista funciona com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapemig), a principal agência de fomento no Estado. A atuação da Fapemig no incentivo à pesquisa no Estado é digna de nota. Dentre seus editais regulares, destacam-se os editais Universal e o Programa Pesquisador Mineiro (PPM), além das chamadas eventuais para pesquisas em rede no Estado. Dentre elas, destaca-se a Rede Mineira de Comunicação Científica 26 , a mais longeva em operação no Estado. Criada em 2015 por iniciativa da Fapemig, essa rede reúne as estruturas de Comunicação pública da ciência e divulgação científica de 23 instituições públicas e privadas de ciência, tecnologia e inovação em Minas Gerais. Dentre os resultados, destacam-se duas chamadas públicas da Fapemig na área da rede, apoio à realização de eventos, como o Pint of Science, cursos de Comunicação pública e cobertura colaborativa de eventos científicos. Em relação aos eventos científicos que acontecem regularmente no Estado, destacase o Intercom Sudeste. Fundada em 1977, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) é uma das mais antigas e tradicionais associações da área no país 27 . Conforme documento da Intercom, preparado para esta pesquisa por Carmo Barbosa e Gênio Nascimento, desde 1990 a entidade realiza congressos regionais, sendo o Intercom Sudeste importante polo de estímulo à produção científica regional, sobretudo em Minas Gerais. Em todos eles registra-se a presença feminina nas comissões organizadoras e científicas. De 1978 a 2023, 23 congressos nacionais da entidade foram sedidados em Minas Gerais. Eventualmente, instituições acadêmicas de Minas Gerais sediam, também, o encontro regional sudeste da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar), como aconteceu em 2018, por ocasião do 5º Encontro Regional Sudeste de História da Mídia, sediado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte 28 , e em 2024, quando a UFMG sediou o 8º Encontro Regional Sudeste de História da Mídia 29 . Por iniciativa dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação Social do Estado, foi realizado, em 2008, na PUC Minas, em Belo Horizonte, o primeiro Encontro dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação de Minas Gerais(Ecomig). O evento interinstitucional aconteceu anualmente entre 2008 e 2019, constituindo espaço relevante de interlocução acadêmica para docentes e discentes da área no Estado. 26 Disponível em: https://redemineiradecomunicacaocientifica.wordpress.com/. Acesso em: 17 out. 2014. 27 Disponível em: https://portalintercom.org.br/memoria/linha_do_tempo. Acesso em:9 out. 2024. 28 Disponível em: https://redealcar.org/anais-encontros-regionais/. Acesso em: 17 out. 2024. 29 Disponível em: https://alcarsudeste2024.fafich.ufmg.br/. Acesso em: 17 out. 2024. 86 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM MINAS GERAIS É também indicativo da relevância dos eventos científicos para a área, a realização, em Minas Gerais, de quatro edições dos encontros anuais da Associação de PósGraduação em Comunicação Social(Compós): em 1999 na UFMG; em 2009 na PUCMinas; em 2012 na UFJF; e em 2018 na PUC-Minas. A Compós é o mais importante evento científico da área no país, e sua realização eventual em Minas Gerais facilita a participação de docentes e discentes. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo buscamos apresentar um panorama do campo da Comunicação Social em Minas Gerais, com foco na participação feminina nesse processo. Ressaltamos que não houve a pretensão de apresentar um relato que abranja a totalidade desse percurso histórico, que é tão amplo quanto variado. A ausência de dados quantitativos e qualitativos sobre a participação feminina na constituição do campo em Minas Gerais dificulta a reconstrução histórica por esse prisma, mas é possível concluir que nos primórdios da área no Estado a presença masculina era predominante, sobretudo nas esferas de coordenação. A partir, entretanto, da criação de novos cursos nos anos 1980, a presença feminina foi se tornando cada vez mais persistente e consistente na área. Com a proliferação de cursos Pós-Graduação lato sensu desde os anos 1990 e stricto sensu a partir dos anos 2000, as mulheres tornaram-se presença marcante na área, assumindo cada vez mais cargos de liderança. Se, por um lado, não foi possível contemplar, em detalhes, a participação das mulheres na constituição do campo da Comunicação Social em Minas Gerais, por outro consideramos que este capítulo sinaliza um passo inicial necessário nesse sentido. A ausência de dados a esse respeito, sobretudo em documentos oficiais e em sites institucionais, é um indicativo que este é um trabalho que precisa ainda ser coletivamente construído. Este capítulo pode também ser lido como um convite à área de Comunicação Social em Minas Gerais para a construção coletiva desta tarefa. Referências BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(Inep). Relatório síntese de área: Jornalismo. Brasília: Inep, 2022a. Disponível em: https:// download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/relatorio_sintese/2022/relatorio_sintese_jornalismo.pdf. Acesso em: 21 nov. 2024. BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(Inep). Relatório síntese de área: Publicidade e Propaganda. Brasília: Inep, 2022b. Disponível em: https://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/relatorio_sintese/2018/ Comunicacao_Social_Publicidade_e_Propaganda.pdf. Acesso em: 21 nov. 2024. 87 BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Jornalismo. Relatório da Comissão de Especialistas instituída pelo Ministério da Educação. Portaria n. 203/2009, 12 de fev. de 2009. Brasília, 2009. Disponível em: http:// portal.mec.gov.br/dmdocuments/documento_final_cursos_jornalismo.pdf. Acesso em: 21 nov. 2024. BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso Relações Públicas. Parecer aprovado pelo CNE em 14 de março de 2013 e Resolução n. 2 de 27 de setembro de 2013. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=14243-rces002-13&category_slug=setembro-2013-pdf&Itemid=30192 Acesso em: 21 nov. 2024. PROJETO Pedagógico do Curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte. Grupo Ânima, 2023. 88 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO EM MINAS GERAIS FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 89 VANESSA PAIVA Cláudia Fonseca Vanessa Padrão de Vasconcelos Paiva nasceu em 1946 em Sete Lagoas(MG). Filha de Hélio Abreu Paiva e de Marina Padrão de Vasconcelos Paiva, é a quarta de oito irmãos. Fez o curso primário e o antigo ginásio em escola particular de Sete Lagoas e, em 1960, mudou-se para Belo Horizonte aos 14 anos, onde fez o curso normal no Colégio Imaculada Conceição. Em 1964 iniciou a Graduação em Serviço Social pela Universidade Católica de Minas Gerais(PUC-Minas), concluído em 1968. Atuou como estagiária de uma professora do curso e, ao se formar, foi convidada para continuar como auxiliar do corpo docente, onde atuou até 1972. Em 1975 ingressou no Mestrado em Educação na Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG) e, nessa mesma época, passou a integrar a equipe do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino Superior(Pades). Candidatou-se e foi admitida na Universidade de Paris V(René Descartes) para cursar o Mestrado em Ciências da Educação, sob a orientação de Viviane IsambertJamati. No ano de 1978 concluiu o Mestrado com a pesquisa“La Politique Universitaire au Brésil”. De volta ao Brasil e na condição de docente da UFMG, foi alocada no Departamento de Comunicação Social. Atuou nos cursos de Comunicação Social, Arquitetura e Ciências da Informação, lecionando disciplinas nas áreas da Teoria da Comunicação, Planejamento e Comunicação, Metodologia Científica, Cultura e Comunicação, entre outras. Nos primeiros anos participou com outros colegas da constituição e fortalecimento da pesquisa 90 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS em Comunicação no âmbito da UFMG. Também se destacou na ampliação dos trabalhos de extensão na área. Nesta mesma época integrou a Comissão de Reforma Curricular do curso de Comunicação Social. No final da década de 1980 voltou para a França para realizar o Doutorado, num movimento conjunto para qualificar e fortalecer a pesquisa no Departamento e com vistas à criação do futuro Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Em 1993 tornouse doutora em Sociologia pela mesma universidade onde fez o Mestrado, com a tese“La Radio en chaire e et en voix”, orientada por Michel Maffesoli. Ao retornar da França participou da construção do projeto e criação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociabilidade Contemporânea, quando lecionou para e orientou inúmeros discentes. Além do trabalho na Pós-Graduação, ao longo da década de 1990 chefiou o Departamento de Comunicação Social, e teve atuação nas áreas da extensão e pesquisa. Na extensão destaca-se a realização de trabalhos no âmbito da área da saúde, quando, sob a sua coordenação, uma equipe de profissionais, docentes e alunos realizou assessoria de Comunicação do Projeto Horizonte da Faculdade de Medicina, referência no combate às DSTs/AIDS. Tornou-se Coordenadora Nacional do Projeto“Aprendendo a conviver com as DST/AIDS”, iniciativa que visou a identificar o conhecimento de adolescentes sobre a prevenção de DSTs. O trabalho integrava uma série de ações e estudos coordenados pelo Ministério da Saúde para o combate às DSTs/AIDS. Em 1998,aposentou-se da UFMG e iniciou uma série de trabalhos na área do planejamento, criação e avaliação de cursos de Ensino Superior. Primeiramente participa da fundação e efetivação do curso de Comunicação da Sociedade Presbiteriana de Ensino e Pesquisa, em Caratinga(MG). A partir de 1999 passou a integrar o corpo docente das Faculdades de Sete Lagoas, mantida pela Fundação Educacional Monsenhor Messias. Nesta instituição ocupou o cargo de Pró-Reitora Acadêmica de 2006 a 2008 e, posteriormente, de 2008 a 2012, foi coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação. No exercício destas funções coordenou o processo de transformação das faculdades em Centro Universitário Unifemm – Centro Universitário de Sete Lagoas. Também participou da criação do Mestrado em 91 Biotecnologia e Gestão da Inovação em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária( Embrapa). A partir de 2013 foi pesquisadora voluntária da Comissão da Verdade de Minas Gerais(Covemg), e participou da redação do Relatório Final entregue ao governador de Minas Gerais, em 2017. Vanessa direcionou seus trabalhos, em especial, para as relações sociais nos espaços urbanos, destacando-se a pesquisa e ação junto as populações que foram retiradas do seu espaço de moradia quando da construção da fábrica Fiat, em Betim. Outro projeto que se desdobrou em produção acadêmica foi o desenvolvido em parceria com o Ministério da Saúde. Em 2018 Vanessa Padrão de Vasconcelos Paiva encerrou suas atividades profissionais, deixando um legado importante para os campos da Comunicação e da Educação Superior, com foco, principalmente, nas seguintes temáticas: memória, cultura e política, sociabilidade e espaço urbano, redes comunicacionais, mídia, imaginário social e gestão da inovação. Principais publicações CASTRO, M. C.; FRANCA, V. R. V.; PAIVA, V. P. V. A proposta curricular do curso de Comunicação Social da UFMG. Comunicação e Educação, São Paulo: USP, v. 1, p. 234-246, 1986. PAIVA, V. P. V. A mensagem radiofônica: o acontecimento(re)significado. In: MOUILLAUD, Maurice; DAYREL, Sérgio Porto(org.). O Jornal: da forma ao sentido. 1. ed. Brasília, DF: Paralelo 15 Editores, 1998. p. 576-587. PAIVA, V. P. V. Communication Sociale Et Sante. In: TESSIER, Stéphane(org.). L’enfant des rues et son univers. Paris: Syros, 1995, p. 165-180. PAIVA, V. P. V. Voir l’enfant et etre vu par lui. In: TESSIER, Stéphane (org.). Langages et cultures des enfants. Paris: Karth, 1995. PAIVA, V. P. V. Rádio: a voz e a projeção dos desejos. Belo Horizonte e a Itatiaia. In: Novos Registros, Belo Horizonte: UFMG, 1994. PAIVA, V. P. V. A construção de um lugar: o cotidiano no Ribeiro de Abreu. In: BRAGA, José Luiz(org.). A encenação dos sentidos. Rio de Janeiro: Diadorim, 1995. p. 329-338. 92 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste CÉRES PIMENTA Teresinha Maria de Carvalho Cruz Pires Maria Céres Pimenta Spínola Castro nasceu em 20 de maio de 1949 em Capelinha(MG). Quinta entre nove irmãos, viveu sua infância nas cidades de Capelinha e Bocaiúva. É filha de Vicente de Paulo Pimenta e Ana Lúcia Barbosa. Iniciou os estudos secundários no Ginásio do Senhor do Bonfim, em Bocaiuva(MG), em 1960, transferindo-se, em 1961, para a 2ª série do Colégio Imaculada Conceição em Montes Claros(MG). Terminou o curso ginasial e iniciou os cursos de formação e científico em 1963, recebendo o diploma de normalista em dezembro de 1966. Em dezembro desse ano mudou-se para Belo Horizonte. Em fevereiro de 1967, aos 17 anos, iniciou o curso de Serviço Social na então Universidade Católica de Minas(UCMG), e, ao mesmo tempo, começou a dar aulas no Grupo Escolar Maria Salomé Pena, em Belo Horizonte. Ao fim desse ano foi efetivada na rede estadual de ensino por meio de concurso público. Logo ingressou no Movimento Estudantil e liderou passeatas. Concluiu a Graduação em 1970 e, no fim de 1971, foi presa em uma operação conhecida como Operação Soraia. Após alguns dias foi solta e reintegrada às suas funções, respondendo a processo judicial na Justiça Militar em Juiz de Fora. Foi absolvida em primeira instância, e o processo foi encaminhado ao Superior Tribunal Militar. Em março de 1975 foi aprovada no concurso para professora adjunta da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), no Departamento de Comunicação Social. Ministrou as disciplinas: Teoria da Opinião Pública, Metodologia e Pesquisa em Comunicação e Comunicação e Cultura. Na década de 1980 participou da Comissão de Reforma 93 Curricular, com outros quatro colegas, para propor novas diretrizes no ensino da Comunicação e alterações na grade curricular. De março de 1979 a novembro de 1984 coordenou a equipe do Projeto de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino Superior(Pades), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Em fevereiro de 1984 até dezembro de 1986, assumiu a Coordenação do curso de Comunicação da UFMG. Cursou o Mestrado em Educação pela UFMG entre os anos de 1980 e 1982. Fez a defesa de sua pesquisa“O planejamento da educação que(nos) convém: um estudo da transfiguração do Ensino Superior no Brasil”, aprovada com louvor. Iniciou seu Doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas(Unicamp) em 1990, e em abril de 1994 defendeu a tese“Longe é um lugar que não existe mais: um estudo sobre as relações entre Comunicação, sociabilidade e política, em Belo Horizonte, nos anos 70”, sob a orientação de Evelina Dagnino. Foi aprovada com distinção e louvor. Durante a fase de sua elaboração foi contemplada com uma bolsa de estudos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), em Paris, sob a orientação de Marion Aubrée, na École des Hautes Études en Sciences Sociales. Entre janeiro de 1994 e dezembro de 1996, foi uma das coordenadoras do projeto de extensão“TV Sala de Espera”, realizado de 1993 a 1996, pelo Departamento de Comunicação Social da UFMG. Um grupo de professores e estudantes, em parceria com os moradores dos Bairros Paulo VI, Ribeiro de Abreu e redondezas, criou uma TV comunitária que tratava de temas relacionados à saúde e à cidadania. Foi uma das experiências pioneiras de audiovisual comunitário do país, além de um importante laboratório de democratização da mídia, ao conjugar a prática da TV comunitária a um amplo conjunto de reflexões e produções acadêmicas sobre o tema. Em agosto de 1995 tomou posse como vice-presidente da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós). De fevereiro de 1995 a novembro de 1997, chefiou o Departamento de Comunicação Social da UFMG, quando se aposentou como professora adjunta IV. No período de 1997 a 2000, à frente da Secretaria Municipal de Educação(SMED), instituiu a proposta pedagógica Escola Plural, que condensou, à época, as diretrizes de política educacional de Belo Horizonte para fortalecer a autonomia das escolas. Em sua 94 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS gestão foi desenvolvido o programa Bolsa Escola Municipal – BEMBH. Entre 2001 e 2002 foi assessora especial de Gabinete do Prefeito de BH. Em 2006 recebeu o Prêmio Paulo Freire“Educadora da Esperança”, concedido pela Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de Belo Horizonte. De março de 2002 a fevereiro de 2009 foi diretora do Centro de Comunicação da UFMG(Cedecom), e, nesse período, criou a TV UFMG. Em 2004 foi a responsável pela parceria entre a Empresa Brasileira de Comunicação(à época, Radiobrás) e a UFMG, que deu origem à Rádio UFMG Educativa, canal 104,5 para a EBC. Em 2008 foi consultora para Assuntos de Comunicação do Instituto Cultural Inhotim – museu de arte contemporânea e Jardim Botânico –, situado em Brumadinho(MG). Em 2009 assumiu a Diretoria de Comunicação Social deste Instituto. Em 2009, ainda, tornou-se diretora de Divulgação e Comunicação Social da UFMG. Em 2010 ocupou o cargo de subsecretária de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social. Em 2013 foi nomeada, por ato do governador do Estado, coordenadora adjunta da Comissão da Verdade em Minas Gerais (Covemg), criada e regulamentada em 2013. Como conselheira integrou a equipe de redação do Relatório Final, publicado em agosto de 2017, no qual foram apresentadas as violações de direitos humanos no período entre 1946 e 1988. Em 2018 retornou à UFMG como diretora de Divulgação e Comunicação Social e lá encerrou suas atividades profissionais. A reconhecida atuação de Maria Céres Pimenta Spínola Castro como professora, pesquisadora e estrategista nas áreas de Comunicação e educação, não pode ser dissociada de seu exercício como cidadã em busca da construção de uma sociedade democrática, igualitária e justa. Principais publicações CASTRO, Maria Céres Pimenta Spínola. Na tessitura da cena, a vida: Comunicação, sociabilidade e política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1997. 308 p. V. 1. CASTRO, Maria Céres Pimenta Spínola; VAZ, Paulo Bernardo(org.). Folhas do tempo: imprensa e cotidiano em Belo Horizonte – 18951926. Belo Horizonte: Editora UFMG: AMI: PBH, 1997. 238 p. V. 1. 95 CASTRO, Maria Céres Pimenta Spínola. Itinerário da imprensa de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Editora UFMG: Fundação João Pinheiro, 1995. 587 p. V. 1. CASTRO, Maria Céres Pimenta Spínola. Minas: a tessitura imaginária. Análise& Conjuntura, Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, v. 6, n. 1, p. 116-123, jan./abr. 1991. CASTRO, Maria Céres Pimenta Spínola. Mídia e política: controversas relações. In: IGNÁCIO, Magna; NOVAIS, Raquel; ANASTASIA, Fátima(org.). Democracia e referendo no Brasil. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006. p. 157-179. 96 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste BIA BRETAS Rafaela Pereira Lima Maria Beatriz Almeida Sathler Bretas nasceu em 5 de abril de 1955 em Belo Horizonte(MG). Casada com Martinho, teve as filhas Alice e Elisa e os netos João, Luísa e Antonio. Fez o Ensino Fundamental no Colégio Imaculada Conceição e o Ensino Médio no Colégio Pitágoras, ambos em Belo Horizonte. Cursou Comunicação Social na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), integrando a primeira turma, que teve início em 1973. Ainda estudante, coordenou o Laboratório de Relações Públicas(RP), que realizava consultorias e assessorias. Foi assim que se envolveu num projeto encomendado pela Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor(Febem – já extinta). Durante o curso também participou de dois veículos alternativos criados por estudantes da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas(Fafich): Revista Silêncio(de arte e literatura) e o Jornal“Gol a Gol se pega com o pé e dribla”. Em ambos passou por intimidação de policiais a serviço da ditadura militar. Atuou em assessorias de Comunicação; foi freelancer de agências em projetos de diagnóstico, planejamento e assessoria; trabalhou em vários jornais como ilustradora e diagramadora. Iniciou Graduação em Artes, mas não concluiu porque foi aprovada no concurso para professora do Curso de Comunicação Social da UFMG em 1978. Em 1982 Bia foi uma das participantes de um curso precursor na consolidação do campo: Especialização em Pesquisa e Planejamento da Comunicação, promovido pelo Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina(Ciespal), no Equador. 97 Em 1985 envolveu-se na construção de uma nova proposta curricular para o curso. Nesse mesmo período passou a ter projetos extensionistas voltados ao terceiro setor, a grupos populares e a populações em situação de vulnerabilidade. A partir de 1982 trabalhou em campanhas de Comunicação de prevenção à dengue, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Junto com colegas recém-contratadas, trabalhou na construção de um novo projeto de ensino para o curso de RP, resultando na descrição, à época, pelo Guia do Estudante da Editora Abril como o mais arrojado curso de Relações Públicas do Brasil. Ainda na década de 1980, Bia fez disciplinas do Mestrado em Filosofia, estudando pragmática da Comunicação e da linguagem, que se tornaram pilares conceituais do curso de Comunicação Social da UFMG. Depois cursou o Mestrado na Escola de Biblioteconomia da UFMG. Em sua dissertação discutiu a emergente tecnologia do vídeo, cuja pesquisa chamou-se“O Videocassete na Biblioteca Pública: perspectivas para a leitura crítica da televisão”. No ano seguinte à conclusão do Mestrado(1990), com colegas de RP criou o Laboratório de Relações Públicas Plínio Carneiro(LARP). Data dessa época o Projeto Expressão e Comunicação(PEC), realizado pelo LARP em parceria com as Secretarias Municipais de Educação de Pará de Minas e Itabira. O projeto reuniu equipe que realizou, nas escolas públicas das duas cidades, inúmeras oficinas junto a professores e estudantes. Também integrou as equipes de coordenação de outros importantes projetos iniciados nos anos 1990: TV Sala de Espera(1993-1997) e o Projeto Horizonte(parceria entre o Hospital das Clínicas da UFMG, o Ministério da Saúde e a Organização das Nações Unidas – ONU), iniciado em 1994. Bia participou, desde 1995, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social(PPGCOM-UFMG), do qual foi docente até 2011. Também fez parte do Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade(GRIS). Em 2000 concluiu o Doutorado em Ciência da Informação, também cursado na UFMG, no qual discutiu as interações em curso no contexto da emergente tecnologia da Internet, na tese“Interações Telemáticas: estudo sobre jovens internautas de Belo Horizonte”. 98 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Ela coordenou a área de Relações Públicas do curso, foi chefe do Departamento de Comunicação Social e responsável pela Coordenadoria Acadêmica da Fafich. Aposentou-se em 2003, mas não parou. Continuou na docência no PPGCOM como voluntária. De 2004 a 2006 foi uma das coordenadoras da Rede Lê – Rede de Letramento e Inclusão Digital da UFMG. Nos anos 2010 coordenou projetos de educação midiática na Agência de Iniciativas Cidadãs – AIC(organização da sociedade civil criada por membros do projeto TV Sala de Espera, fundada em 1997). Nunca abandonou a atividade de criação artística, a exemplo de sua participação no projeto Arte no Escadão da Pampulha, coordenado pelo videoartista Eder Santos, no qual foi criada uma exposição de arte para o metaverso do Planetário de Bogotá(Colômbia). Maria Beatriz Almeida Sathler Bretas é uma das pioneiras do ensino de Comunicação Social, em especial de Relações Públicas(RP), no país. Artista, sempre envolvida em experimentações que cruzam criatividade, dialogicidade e compromisso social, foi uma das primeiras professoras de RP da UFMG. Principais publicações BRETAS, Maria Beatriz Almeida. Narrativas telemáticas. 1. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. BRETAS, Maria Beatriz Almeida. Comunicação comunitária e inclusão digital. In: LIMA, Rafaela(org.). Mídias comunitárias, juventude e cidadania. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. BRETAS, Maria Beatriz Almeida. Deveras Vera. In: GUIMARÃES, Paula et al.(org.). Vera França: uma trajetória de saberes e afetos. Belo Horizonte: Selo PPGCOM: UFMG, 2023. 99 IVONE DE LOURDES Fábia Lima Ivone de Lourdes Oliveira nasceu em 7 de novembro de 1946 em Gouveia(MG). É filha de Elgita Guerra de Oliveira e de Francisco Xavier de Oliveira, uma família de sete irmãos. Sua formação escolar deu-se no Grupo Escolar Aurélio Pires, em Gouveia, e no Colégio Nossa Senhora das Dores, em Diamantina. É casada com Eduardo Tolentino e mãe de Júlia. Foi“normalista” em Matozinhos(MG), no chamado Curso Normal (Magistério de Primeiro Grau). Com cerca de 16 anos começou a lecionar em Monjolos(MG), sendo, depois, transferida para Curvelo. Com o falecimento do pai a família mudou-se para Belo Horizonte, quando ingressou no curso de Comunicação Social, Relações Públicas, na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais(PUC-Minas), com 27 anos. Graduou-se em 1978. Em 1979 realizou aperfeiçoamento em planejamento de Comunicação, em Quito(Equador), no Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina(Ciespal), e no final dos anos de 1980 em Comunicação Integrada pela PUCMinas, e ainda em Comunicação Rural, pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Formada, foi convidada a ingressar como docente na PUC-Minas e, depois, a ser diretora do Centro de Ciências Humanas. Em 1989 prestou concurso e foi admitida como docente no Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), período no qual fez seu Mestrado na Universidade de São Paulo (USP-1993). 100 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Ivone aposentou-se na UFMG em 1994, quando retornou à PUCMinas como docente da Graduação. Foi diretora da Faculdade de Comunicação, onde ficou por 13 anos, além de coordenadora do curso de Pós-Graduação lato sensu“Comunicação e Gestão Empresarial”. Nesse período fez seu Doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ-2002). A atuação na área da Comunicação Organizacional é o norte de sua carreira em diversas frentes, no esforço de consolidação do campo. Atua, desde o início, em 2005, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social – Interações Midiáticas, onde assumiu a coordenação do grupo de pesquisa Dialorg – Comunicação no Contexto Organizacional: aspectos teóricos e conceituais. É também uma das pesquisadoras que fundou e compôs a primeira gestão da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas(Abrapcorp), onde atuou como vice-presidente de 2006 a 2010, e como presidente de 2010 a 2012. Em 2011 atuou como professora visitante na Universidade de Toulouse, na França, para onde retornou em 2013 para fazer um Pós-Doutorado. Em 2019 foi professora visitante na Universidade do Minho, em Portugal. A partir do Dialorg, integra a Rede Hologramas – Estudos em Comunicação, Organizações e Complexidade. Tem especial interesse pelos aspectos epistemológicos e metodológicos que cercam os estudos em Comunicação Organizacional. Além da realização de mais de uma centena de eventos da área e de inúmeros artigos publicados em periódicos, capítulos de livros e anais de eventos, suas obras em coautoria, são:“O que é Comunicação estratégica nas organizações?”(2007);“Interfaces e tendências da Comunicação no contexto das organizações” (2008); Propostas conceituais para a Comunicação no contexto organizacional(2012); Redes sociais, Comunicação, organizações (2012); e Discurso, comunicação, organização(2013). A linha de pesquisa na qual atua gira em torno dos processos interacionais e de construção de sentidos no contexto das organizações. Tem desenvolvido trabalhos, junto ao Dialorg, voltados ao escopo da mineração e da sustentabilidade. Ivone de Lourdes Oliveira, ao longo de toda a sua carreira, tem protagonismo na área da Comunicação Organizacional e das Relações Públicas, com importantes articulações internacionais. 101 Principais publicações KUNSCH, Margarida Maria K.; OLIVEIRA, Ivone de Lourdes(org.). A Comunicação na gestão da sustentabilidade das organizações. 1. ed. São Caetano do Sul: Difusão, 2009. v. 1. 262 p. V. 1. OLIVEIRA, Ivone de Lourdes. Comunicação organizacional: dimensões epistemológicas e discursivas. 1. ed. Belo Horizonte: Fafich: UFMG, 2015. 244 p. V. 1. OLIVEIRA, Ivone de Lourdes; LIMA, F. P.(org.). Propostas conceituais para Comunicação no contexto organizacional. 1. ed. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2012. 168 p. V. 3000. OLIVEIRA, Ivone de Lourdes; SOARES, A. T. N.(org.). Interfaces e tendências da Comunicação no contexto das organizações. 1. ed. São Caetano do Sul: Difusão, 2008. 208 p. V. 1. OLIVEIRA, Ivone de Lourdes; PAULA, M. A. O que é Comunicação estratégica nas organizações? 1. ed. São Paulo: Paulus, 2007. 80 p. 102 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste VERA FRANÇA Paula Guimarães Simões Vera França nasceu em 25 de novembro de 1951 em Nepomuceno (MG). É filha de Vera Lima Reis Veiga e João Custódio da Veiga. Durante a educação básica estudou no Grupo Escolar Coronel Joaquim Ribeiro, no Ginásio São José, na Escola Estadual Dr. Ernane Vilela Lima e no Colégio Isabela Hendrix. A mudança para Belo Horizonte aconteceu em 1968 para cursar o segundo grau no internato do Colégio Izabela Hendrix. Aprovada em Letras na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em Comunicação Social na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais(PUC-Minas), optou pelo segundo curso. Na Graduação em Comunicação Social(1971-1974) escolheu a habilitação Jornalismo. No final do curso envolveu-se com a Comunicação alternativa em comunidades rurais de baixa renda no Vale do Jequitinhonha, o que despertou seu interesse pela área de Comunicação e Desenvolvimento. Aprovada em primeiro lugar no Mestrado da Universidade de Brasília (Unb), desenvolveu a dissertação“Comunicação e InComunicação no Desenvolvimento de Pequenos Agricultores”, orientada por Litton Guimarães, apresentada em 1978. Nela defendia a dialogicidade e a bilateralidade do processo comunicativo e criticava a verticalidade das relações que encontrara no assentamento analisado. Terminado o Mestrado, retorna a Belo Horizonte e inicia sua trajetória docente no Instituto Cultural Newton Paiva Ferreira (Centro Universitário Newton Paiva) em março de 1979, lecionando disciplinas como Comunicação Comparada, História da Cultura e dos Meios de Comunicação. FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 103 Foi aprovada em concurso docente na UFMG em 1981, na área de Teorias da Comunicação, na qual ela construiu toda a sua carreira até sua aposentadoria em 2016(continuou como voluntária, associada à Pós-Graduação). Vinculada ao Departamento de Comunicação Social(DCS), tem atuação na reformulação do curso e na realização da reforma curricular em 1985. Mudou-se com a família para a França em 1989 para estudar na Université René Descartes, Paris V, orientada por Michel Maffesoli. Sua tese foi publicada com o título“Jornalismo e Vida Social: a história amena de um jornal mineiro”, no qual analisa o Estado de Minas Gerais a partir do eixo teórico da sociabilidade, o qual marcaria a área de Concentração do Programa de Pós-Graduação e o nome do grupo de pesquisa que ela fundaria posteriormente. Em outra licença para capacitação, entre 2005 e 2006, com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), retorna à França para realizar seu pós-Doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales(EHESS), sob supervisão de Louis Quéré. Vera teve um papel importante na criação do Mestrado em Comunicação da UFMG em 1995 e do Doutorado em 2003. No Programa atuou como coordenadora(1996-1999), vicecoordenadora(2006-2008) e representante docente junto ao colegiado em vários momentos. Ajudou a fundar o grupo de pesquisa, em 1994, Imagem e Sociabilidade(GRIS). Além disso, conquistou uma bolsa de produtividade em pesquisa do CNPq desde 1994, e ocupou o cargo de presidenta da Associação Nacional dos Programas de PósGraduação em Comunicação(Compós) entre 2001 e 2003. Foi membro do Comitê Assessor da Área Comunicação e Artes do CNPq entre 2010 e 2013, e membro da comissão da Avaliação Trienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) em 2010. Na Compós tem atuação constante no Grupo de Trabalho(GT) Comunicação e Sociabilidade, sendo coordenadora entre 1994 e 1996. Também foi coordenadora do GT Cultura das Mídias entre 2004 e 2005, além de participar de outros grupos com apresentação de trabalhos, como os GTs Comunicação e Política e Epistemologias da Comunicação. Sua produção acadêmica pode ser apresentada a partir de três grandes eixos: Epistemologia da Comunicação; Interações 104 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Midiáticas; e Celebridades e Acontecimentos. Grande parte dos artigos e capítulos de livro discute epistemologia da Comunicação, ou seja, o modo como o campo foi construindo sua especificidade, consolidando seu objeto de conhecimento(em distinção aos objetos empíricos) e solidificando um olhar comunicacional que o diferencia de outros campos disciplinares. No primeiro eixo destaca-se o “Curso básico de teorias da Comunicação”(2016), assim como“O modelo praxiológico e os desafios da pesquisa em Comunicação” (2018), ambos em coautoria. Ainda, a coorganização do“Dicionário de Comunicação: escolas, teorias e autores”(2014). O segundo eixo refere-se ao estudo das interações midiáticas, particularmente aquelas realizadas via programas televisivos, e destaca-se o livro “Narrativas televisivas. Programas populares na TV”(2006). O terceiro eixo diz respeito aos seus trabalhos mais contemporâneos e articula os conceitos de celebridade e acontecimento. Destaca-se o livro“Acontecimento: reverberações”(2012), o qual teve uma coorganização, e o“Diário da quarentena: a pandemia de Covid-19 como acontecimento”(2020), coorganizado por outros membros do Laboratório de Análise de Acontecimento(GRIS). O aprofundamento nesses eixos impulsionou a criação da Rede Interinstitucional de Acontecimentos e Figuras Públicas em 2019. Como idealizadora e fundadora do projeto, teve papel na articulação entre pesquisadores/as de 11 instituições de todas as regiões do país(UFMG, PUC Minas, UEMG, UFJF, UFMT, UFOP, UFPA, UFPB, UFPI, UFSC, UFV). Em 2024 Vera França encerrou sua atuação como docente permanente junto ao PPGCOM/UFMG, mas permaneceu nas atividades junto ao GRIS. Sua trajetória foi abordada em um livro em sua homenagem com o título“Vera França: uma trajetória de saberes e afetos”, com relatos de colegas, parceiros/as, orientandos/as e exorientandos/as que(re)constroem seu percurso acadêmico(e afetivo), constituído de orientação de 15 teses de Doutorado, 38 dissertações de Mestrado, 26 Trabalhos de Conclusão de Curso e 32 pesquisas de iniciação científica. Vários textos destacam o didatismo de sua forma de ensinar, a generosidade na construção de suas relações, além da sagacidade de seu pensamento, que a projetaram não apenas como professora e pesquisadora, mas como uma referência de destaque para o campo da Comunicação no Brasil. 105 Principais publicações FRANÇA, V. R. V.; SIMÕES, P. G.(org.). O modelo praxiológico e os desafios da pesquisa em Comunicação. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2018. FRANÇA, V. R. V.; SIMÕES, P. G. Curso Básico de Teorias da Comunicação. 1. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2016. FRANÇA, V. R. V.; FREIRE FILHO, J. B. M.; LANA, L. C. C.; SIMÕES, P. G.. Celebridades no século XXI: transformações no estatuto da fama. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2014. FRANÇA, V. R. V. O acontecimento e a mídia. Galáxia, São Paulo, on-line, v. 12, p. 1-12, 2012. FRANÇA, V. R. V.; OLIVEIRA, Luciana(org.). Acontecimento: reverberações. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2012. FRANÇA, V. R. V.; SIMÕES, Paulo; SILVA, Terezinha; SOUZA, Fabíola; SILVEIRA, Samuel(org.). Diário da quarentena: a pandemia de Covid-19 como acontecimento. Belo Horizonte: PPGCOM/UFMG, 2020. 106 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste DEDÉ MATTOS Polyana Inácio Rezende Silva Maria Ângela Mattos nasceu em 19 de abril de 1954 em Caratinga (MG). É filha mais nova de uma família de sete irmãos, cujos pais são Moacyr de Mattos e Joaquina Gomes de Mattos. Estudou no Colégio Nossa Senhora do Carmo(ginasial) e no Colégio Estadual José Augusto Ferreira(curso científico). É Graduada em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Católica de Minas Gerais(PUC-Minas, 1973-1977), onde teve sua monografia orientada por José Milton Santos, com o título “A Comunicação e a educação cooperativista em Minas Gerais”. Ela especializou-se em Comunicação Integrada pela PUC-Minas em 1986, sendo orientada por Fausto Neto em uma monografia que analisou o filme“Viver na União”, produzido por ela e uma equipe de Comunicação da Superintendência de Cooperativismo da Secretaria de Estado da Agricultura de Minas Gerais. Dedé defendeu sua dissertação de Mestrado em Comunicação Social no Instituto Metodista de Ensino Superior de São Bernardo do Campo no ano de 1992, com a pesquisa“O popular no Ensino de Comunicação: a trajetória no curso de Comunicação Social da PUC-Minas”. Ingressou no Doutorado em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) em 1998, sob orientação de Raquel Paiva Araújo Soares. A tese“A formação teórica em Comunicação Social no contexto da Universidade Operacional” foi defendida em 2002. O Pós-Doutorado em Comunicação foi realizado na Universidad Jesuíta de Guadalajara(Iteso), no México. Com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), foi realizada a pesquisa“Capital 107 teórico da interação comunicacional e/ou midiatizada – reflexões sobre as contribuições e limitações dos artigos publicados no Brasil e no México na primeira década de 2000”, com a supervisão de Raúl Fuentes Navarro. Entre 1977 e 1996 atuou como servidora pública da Secretaria de Estado da Agricultura de Minas Gerais, na Superintendência de Cooperativismo(Sudecoop). Neste período foi educadora e comunicadora cooperativista junto as Cooperativas e Associações de pequenos produtores rurais da microrregião de Ponte Nova (MG). A partir de 1980 atuou na Assessoria de Comunicação da Sudecoop, e foi responsável pela pesquisa, criação e produção de materiais educativos e jornalísticos acerca do cooperativismo e associativismo no Estado de Minas Gerais na área da agricultura. Na Secretaria de Estado do Trabalho e Assistência Social da Criança e do Adolescente, trabalhou na Superintendência de Cooperativismo, entre os anos de 1997-2003, no cargo de analista de Comunicação. Nessa época foi produtora do programa de cooperativismo na Rádio Inconfidência, em Belo Horizonte(MG). Como docente e supervisora de Projetos Experimentais e Trabalhos de Conclusão de Curso no Centro de Pesquisa em Comunicação do curso de Graduação em Comunicação Social da PUC-Minas, trabalhou entre 1993 e 2021. Suas disciplinas na Graduação dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas abordavam“Comunicação Comunitária”,“Elaboração de Projeto Experimental”,“Teoria e Pesquisa em Comunicação”. Contribuiu para a elaboração do projeto pedagógico do curso de Comunicação Social em 2001, assim como para o Mestrado e Doutorado do Programa da Pós-Graduação em Comunicação. Atuou como membro do Colegiado do Mestrado entre os anos de 2010 e 2013, e ministrou a disciplina“Pensamento Comunicacional Contemporâneo”, na linha de pesquisa“Processos midiatizados de interação social”, do Mestrado, entre os anos de 2007-2021. Como coordenadora do grupo de pesquisa“Campo Comunicacional e suas Interfaces”, criado em 2004, desenvolveu pesquisas e reflexões sobre questões teóricas e epistemológicas do campo da Comunicação: seus fundamentos, conceitos e métodos de investigação. O projeto “Construção do capital teórico dos processos de interação midiatizada nos artigos apresentados à Compós durante a primeira década de 2000”, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais(Fapemig-2011), e a pesquisa“Indícios de 108 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS colonialidade na produção de Pós-Graduação em Comunicação no Brasil: metapesquisa de anais da Compós entre 2000 e 2019”, financiados pelo Fundo de Incentivo à Pesquisa(FIP) da PUC-Minas (2020-2021), são alguns exemplos de trabalhos realizados. É integrante dos grupos de pesquisa Mídia, Interação& Sentido da PUC-Minas e Rede de Pesquisa em Semiótica, Interações e Materialidades Midiáticas(SIMM), que reúne pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), PUC-Minas e Universidade Federal de Ouro Preto(UFOP). Com fomento do Fundo de Apoio à Pesquisa(FIP) da PUC-Minas e da Fapemig, nestes grupos interinstitucionais, contribuiu para a pesquisa sobre a desinformação e desafios teóricos e metodológicos da perspectiva pragmática no contexto da pandemia de Covid-10, além de pesquisa sobre a dinâmica transmídia de notícias falsas acerca do coronavírus e nas eleições presidenciais do Brasil em 2022. De sua obra é possível destacar duas de suas principais contribuições para o campo da Comunicação:“Metapesquisa dos conceitos de desinformação e termos congêneres em artigos indexados pelo Portal de Periódicos da Capes entre 2020-2022 no contexto pandêmico: abordagem quantitativa”, publicada na revista Eco-Pós, em 2023, e o capítulo“Da informação à desinformação: conceitos e abordagens das teorias acerca da Comunicação”, de 2021. Dedé participou da organização de dois livros:“Mediação& Midiatização”(2012) e“Metapesquisa em Comunicação – o interacional e seu capital teórico nos textos da Compós”(2018). Diante do legado profissional e acadêmico e do esforço de mapear e desvelar o campo, Dedé Mattos tem construído um legado para compreender a Comunicação como um campo em interface com áreas de conhecimentos sociais e humanas. Principais publicações MATTOS, M. A.; JANOTTI JUNIOR, J.; JACKS, N.(org.). Mediação & midiatização. Salvador: EDUFBA, 2012; Brasília: Compós, 2012. 328 p. Disponível em: https://books.scielo.org/id/k64dr. Acesso em: 15 maio 2024. MATTOS, M. A.; BARROS, E. J. M, J.; EMILIANO, Max.(org.). Metapesquisa em Comunicação: o interacional e seu capital teórico nos textos da Compós. Porto Alegre: Editora Sulina, 2018. 422 p. 109 MOREIRA MENDES, C.; MATTOS, M. Ângela; OLIVEIRA DOS SANTOS, A. Metapesquisa dos conceitos de desinformação e termos congêneres em artigos publicados no Portal de Periódicos Capes entre 2020-2022 no contexto pandêmico: abordagem quantitativa. Revista Eco-Pós, v. 26, n. 1, p. 237-267, 2023. DOI: https://doi. org/10.29146/eco-ps.v26i01.28029 SALGADO, T. B. P.; MATTOS, M. Ângela. Da informação à desinformação: conceitos e abordagens das teorias acerca da Comunicação. In: ALZAMORA, Geane; MENDES, Conrado Moreira; RIBEIRO, Daniel Melo(org.). Sociedade da desinformação e infodemia. 1. ed. Belo Horizonte: FAFICH: Selo PPGCOM/UFMG, 2021. p. 39-62. Disponível em: https://seloppgcomufmg.com.br/publicacao/sociedade-da-desinformacao-e-infodemia/. Acesso em: 15 maio 2024. SALGADO, T. B. P.; MATTOS, M. A. De volta à Comunicação: um percurso histórico-etimológico. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, v. 18, p. 48-58, 2019. DOI: https://doi. org/10.55738/alaic.v18i32.575. Acesso em: 15 maio 2024. 110 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste CHRISTINA MUSSE Talita Souza Magnolo Christina Ferraz Musse nasceu em 21 de janeiro de 1957 no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Armando José de Oliveira Ferraz e de Margarida Maria Assis de Oliveira Ferraz. Tem quatro irmãos. Casou-se com Carlos Salomão Musse, com quem tem três filhos: Mariana, Isabel e Bernardo. É avó de Nara, Flora, Zoe e Oliver. Na sua formação escolar frequentou o colégio Assunção, e, depois, estudou no Colégio Sion. Antes de fazer jornalismo, prestou vestibular para Engenharia Química na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), em 1973. Em 1975 trancou a matrícula e prestou novos vestibulares, sendo aprovada para Economia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro(UERJ) e Comunicação na Faculdade Hélio Alonso de Comunicação e Turismo, iniciando ambos, mas logo decidindo-se pelo Jornalismo. Depois de formar-se, em dezembro de 1980, mudou-se para Juiz de Fora, onde, em 1981, foi contratada como auxiliar de produção na TV Globo daquela cidade. Durante sua atuação profissional foi presidente da Comissão de Ética e vice-presidente do Sindicato de Jornalistas de Juiz de Fora, o primeiro de Minas Gerais. Permaneceu na emissora até final de agosto de 1994, exercendo, primordialmente, a função de repórter. Depois disso, em 2006, Christina comandou, por quatro anos, um programa de entrevistas chamado “Panorama Entrevista”, que era veiculado aos domingos, após o“Fantástico”, já na TV Panorama, também em Juiz de Fora. 111 Christina inicia sua carreira na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em julho de 1987, mas seguiu trabalhando na TV Globo. Em 1994 assume a Assessoria de Comunicação da instituição e começa a se dedicar exclusivamente à Universidade. Com a mudança de reitor torna-se assessora de comunicação do Gabinete. Neste período, de 1998 a 2002, dedicou-se ao projeto institucional das cooperativas populares e da economia solidária. Entre os anos de 2010 e 2014 voltou à Reitoria para um trabalho de assessoramento. Nesta época foi idealizadora e editora-chefe da revista“A3” de jornalismo científico e cultural. Entre 1998 e 2001 fez Mestrado em Comunicação e Cultura pela UFRJ, orientada por Geraldo Luiz dos Reis Nunes, com a dissertação “A construção da identidade institucional na era da globalização: o caso da UFJF”. Entre os anos de 2002 e 2006 realizou Doutorado, na mesma instituição, orientada por Heloísa Buarque de Hollanda, defendendo a tese“Imprensa, cultura e imaginário urbano: exercício de memória sobre os anos 60/70 em Juiz de Fora”. Durante este período foi bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq Brasil), e no Doutorado realizou estágio na França, na Universidade Paris 8 Saint Denis, onde, alguns anos depois, lecionou na Pós-Graduação como convidada e trabalhou com a pesquisadora Anne-Marie Autissier. Em 2017 realizou Pós-Doutorado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), sob orientação de Juremir Machado da Silva, com o projeto“Ruínas narrativas: a construção midiática dos imaginários sobre a ditadura militar em Minas Gerais”, e, em 2025, dedica-se a novo Pós-Doutorado na UFRJ, sob supervisão de Marialva Barbosa, com o projeto“Tempo, memória e subjetividade: a representação de crianças em situação de conflito no telejornalismo e no documentário jornalístico televisivo”. Christina foi uma das pioneiras do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da UFJF, iniciado em 2007. Em 2013 criou o Grupo de Pesquisa Comunicação, Cidade e Memória (Comcime), que tem como foco a memória, o espaço público, a história oral, a construção de narrativas e a representação de temas contemporâneos pela mídia. Ao longo dos anos o Comcime desenvolveu importantes pesquisas voltadas para a preservação da memória de Juiz de Fora, como foi o caso do projeto“Memórias Possíveis” e“Memórias da Imprensa”. 112 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Além disso, em 2021, em parceria com a Universidade de Brown, nos Estados Unidos, o Comcime criou o projeto“Tropical Delights: o Brasil pelo olhar estrangeiro”. Christina firmou parcerias com a Rede de Pesquisadores de Telejornalismo(Telejor), com a Rede Jornalismo, Imaginário e Memória(JIM), a Rede de Pesquisa em Comunicação, Infâncias e Adolescências(Recria), a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), a Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar), a Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPjor) e a Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Comunicação(Alaic). Dentre muitas participações, Christina foi coordenadora do então Grupo de Pesquisa em Telejornalismo da Intercom, do Grupo de Trabalho de História da Mídia Visual e Audiovisual da Alcar e do Grupo Temático de Estudos de Jornalismo da Alaic. Durante os anos de 2019 e 2023 foi presidente da Alcar e exerceu o cargo de diretora de Relações Internacionais(2023-2027). Entre os trabalhos acadêmicos, podem ser citados: o livro resultado de sua tese de Doutorado,“Imprensa, cultura e imaginário urbano: exercícios de memória sobre os anos 60/70 em Juiz de Fora”; em coautoria,“Memórias possíveis: personagens da televisão em Juiz de Fora”; além da organização do livro“Comunicação e Universidade: reflexões críticas”. Christina sempre atuou em Projetos de Extensão, como é o caso de“Memórias possíveis: os depoimentos da Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora”, e“Memórias do golpe: o trabalho da Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora”, entre outros. Na pesquisa, idealizou vários projetos:“Televisão e imaginário urbano: as narrativas da cidade nos espaços dos telejornais”, “Cidade e Memória: a construção da identidade urbana pela narrativa audiovisual”,“Memórias da Imprensa de Juiz de Fora”, “Ruínas do passado: a imprensa, a memória e os depoimentos da Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora” e“Ruínas narrativas: a construção midiática dos imaginários sobre a ditadura militar em Minas Gerais”. Em coordena os projetos de pesquisa: “A experiência da ida ao cinema: subjetividade, memória e Comunicação” e“Jornalismo de Subjetividade: a representação de crianças em situação de conflito no telejornalismo e no documentário jornalístico”.Christina Ferraz Musse, após décadas de 113 carreira universitária, atingiu a mais alta patente de professora titular, com trajetória dedicada à pesquisa, extensão e docência. Principais publicações MUSSE, Christina Ferraz; REIS, Susana Azevedo. A trajetória de duas décadas da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar). In: Revista Latinoamericana de Ciencias de La Comunicación, v. 22, 2023. MUSSE, Christina Ferraz; THOMÉ, Claudia; MAGNOLO, Talita; SANÁBIO, Laura. A memória e o testemunho como ferramentas potencializadoras para o jornalismo narrativo na HQ“Meninas em Jogo”. In: Revista Textos Híbridos – Revista de Estudios sobre Crónica y Periodismo Narrativo, v. 8, 2021. MUSSE, Christina Ferraz; AZEVEDO, Suzana. A infância perdida: a dor que(não) aparece no telejornal. In: MELLO, Edna, ANDRADE, Ana Paula Goulart de, PEREIRA, Ariane, COUTINHO, Iluska, FINGER, Cristiane. Telejornalismos possíveis: emergências e interseccionalidades. Florianópolis, SC: Editora Insular, 2024. 394 p. MUSSE, Christina Ferraz; THOMÉ, Claudia. O trabalho da CMV-JF disponível ao público. In: COIMBRA Ana Lívia de Souza; SOUSA Fernanda Cunha. A extensão que fizemos, a extensão que faremos: um novo tempo para a Universidade Pública na sociedade brasileira? Juiz de Fora: Editora UFJF, 2024. MUSSE, Christina Ferraz; MEDEIROS, Theresa. O Brasil e a TV Globo: o projeto de nação nas séries do Jornal Nacional. In: SANTOS, Marli dos; MUSSE, Christina Ferraz; TAVARES, Frederico de Mello Brandão(org.). Práticas e representações jornalísticas em contextos latino-americanos. Belo Horizonte, MG: FAFICH/Selo PPGCOM/ UFMG, 2024. 114 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste ROUSILEY MAIA Gabriella Hauber Pimentel Rousiley Celi Moreira Maia nasceu em 10 de julho de 1965 em Belo Horizonte(MG). É filha de Remi Marques de Souza Maia e Januaria Moreira de Morais Maia e a caçula de três irmãos. Estudou em instituições públicas de ensino, entre elas o Instituto de Educação de Minas Gerais, onde cursou o Ensino Fundamental. Ingressou no Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais(Coltec/ UFMG), onde realizou o Ensino Médio. Na Graduação optou pelo curso de Jornalismo, cursado na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas(FAFICH/UFMG), onde realizou iniciação científica orientada por Maria Ceres Castro, pesquisando sobre a interferência de grupos políticos na linha editorial de jornais. Graduou-se(1983-1986) e logo surgiu a oportunidade de uma bolsa de Mestrado na Inglaterra(1987-1989), onde seu marido tinha iniciado o Doutorado na área de Física. Embora planejasse na área de Comunicação, ingressou no Mestrado em Ciência Política na University of Nottingham, sob orientação de Peter Morris e John McClelland. Na sequência emendou o Doutorado(1989-1992) na mesma universidade, sob orientação de John McClelland. Retornou ao Brasil em 1992 e atuou como pesquisadora de PósDoutorado no Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMG durante três anos, com bolsa de recém-doutora concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Na transição entre pesquisadora de Pós-Doutorado e professora efetiva do Departamento de Comunicação Social da UFMG, participou da reunião que resultaria na criação da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, a Compós. 115 Tornou-se professora efetiva do Departamento de Comunicação Social da UFMG em 1996. Seu interesse pela interface entre Comunicação e política conduziu-a para discussões mais específicas sobre subjetivação, socialização e as fronteiras entre público/privado, e para os temas: teoria democrática, conflitos sociais e problemas da esfera pública e como o sistema midiático faz parte da produção e reprodução da vida social e de ideais democráticos, como liberdade, autonomia e direitos. Todas eles fazem parte das pesquisas, cooperações e projetos do Grupo de Pesquisa CNPq em Mídia e Esfera Pública(Grupo EME/UFMG), que coordena desde 1998. Entre 2001 e 2004 foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG, e durante esse período produziu o projeto para a criação do curso de Doutorado em Comunicação, aprovado pela Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) em dezembro de 2003. Dentre outros cargos administrativos, também foi chefe do Departamento de Comunicação Social entre fevereiro de 2007 e maio de 2009. Além de atividades administrativas, participou de diversas comissões na Capes, no Ministério da Ciência e Tecnologia e no Ministério da Educação. Dentre elas, as comissões de Avaliação Trienal dos Programas de Pós-Graduação e Elaboração do Qualis da área Comunicação e Ciências da Informação da Capes. No âmbito da interface entre Comunicação e Política, participou da criação da Associação Nacional dos Pesquisadores em Comunicação Política (Compolítica) em 2006. De maneira geral, suas pesquisas podem ser divididas em três temáticas: Modernidade e Comunicação; Deliberação e Sistema Deliberativo; e Reconhecimento. Elas renderam publicações e cooperações internacionais. Vale destacar Deliberation, Media e Political Talk, primeiro livro internacional de sua autoria, publicado em 2012, escrito durante o estágio Pós-Doutoral que desenvolveu no Boston College(USA), com bolsa de Estágio Sênior no Exterior, concedida pela Capes. Posteriormente publicou Recognition and the Media(2014) e The Deliberative System and Inter-Connected Media in Times of Uncertainty(2023). No âmbito nacional, publicou obras importantes para a consolidação da área de Comunicação e política e das discussões sobre deliberação e esfera pública no Brasil. Dentre elas, Mídia e deliberação(2008), e com coautoria Comunicação e democracia – problemas e perspectivas. Além disso, contribuiu como editora 116 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS de periódicos, como Journal of Communication, The International Journal of Press/Politics, Information, Communication& Society, E-Compós e Contemporânea. Durante sua trajetória estabeleceu importantes cooperações com pesquisadores de instituições nacionais e internacionais, entre elas: Universidade de Estocolmo(Suécia), com Jan Ekecrantz, realizando a pesquisa“Democracia e complexidade: mídia e espaço público em sociedades civis do pós-autoritarismo”(2003); Universidade Federal da Bahia(Procad/Capes), em parceria com Wilson Gomes, desenvolvendo o projeto de pesquisa“Comunicação, Democracia e Deliberação”, que se desdobrou por seis anos(de 2005 a 2010); Universidade da Beira Interior, Portugal(Capes/FCT), em parceria com João Carlos Correia, com o projeto de pesquisa conjunto intitulado“Comunicação e Deliberação Democrática no Brasil e em Portugal”; Universidade de Mannheim, Alemanha(CNPq/ DFG), desenvolvido entre 2012 e 2017, em conjunto com Hartmut Wessler, o projeto“Eventos midiáticos sustentáveis? Produção e impacto discursivo de eventos midiáticos encenados no caso das mudanças climáticas”; Universidade da Carolina do Norte – Chapel Hill(EUA) e Universidade de Berna(Suíça), com o projeto“O potencial da deliberação em sociedade divididas”, com Jürg Steiner, entre 2013 e 2016. Rousiley faz parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia e Democratização da Comunicação(INCT-IDDC) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais,(INCT-DSI). Os projetos de pesquisa e extensão em desenvolvimento estão inseridos nos INCTs e têm como eixos teóricos e empíricos democracia deliberativa, a teoria do reconhecimento e os desafios contemporâneos da esfera pública: “Inovações para aprendizagem de capacidades deliberativas em escolas – Projeto Compartilha” e“Sistema Interconectado de Media e Esfera Pública no Brasil: retrocessos e construção democrática”. Ambos são financiados pelo CNPq. Tanto os projetos de pesquisa e extensão quanto as orientações de iniciação científica, Mestrado e Doutorado, receberam diversos prêmios, como o Prêmio Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos, e os prêmios de melhores teses e dissertações da UFMG, Compós e Capes. 117 Rousiley Maia traz contribuição na construção e consolidação do campo de Comunicação e Política no Brasil. Ela é uma das principais responsáveis por abrir espaço para as discussões de esfera pública e deliberação. Principais publicações GOMES Wilson; MAIA, Rousiley. Comunicação e democracia – problemas e perspectivas. São Paulo: Paulus, 2008. MAIA, Rousiley. Deliberation, the Media and Political Talk. Nova York, NY: Hampton Press, 2012. Disponível em: https://iamcr.org/publications/hampton/hampton-maia-2012 MAIA, Rousiley. Recognition and the media. Nova York, NY: Palgrave MacMillan, 2014. Disponível em: https://link.springer.com/ book/10.1057/9781137310439 MAIA, Rousiley C. M. Deliberative media. In: BÄCHTIGER, André et al.(ed.). The Oxford handbook of deliberative democracy. Oxford: University Press, 2018, p. 348-364. DOI: https://doi.org/10.1093/ oxfordhb/9780198747369.001.0001 MAIA, Rousiley C. M.; HAUBER, Gabriella; CHOUCAIR, Tariq. The Deliberative System and Inter-Connected Media in Times of Uncertainty. Londres: Palgrave Macmillan, 2023. Disponível em: https:// link.springer.com/book/10.1007/978-3-031-23466-8 MAIA, Rousiley. Mídia e deliberação Rio de Janeiro: FGV, 2008. STEINER, Jürg; JARAMILLO, Maria Clara; MAIA, Rousiley; MAMELI, Simone. Deliberation across deeply divided societies. Cambridge: Cambridge University Press, 2017. DOI: https://doi. org/10.1017/9781316941591 118 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste CIDA MOURA Joana Ziller Maria Aparecida Moura nasceu em 25 de julho de 1965 em Governador Valadares(MG). É filha de Terezinha dos Reis Moura. No Ensino Fundamental estudou na Escola Municipal Virgílio de Mello Franco, e a oitava série foi cursada na Educação para Jovens e Adultos(EJA) do Colégio Loyola. O Ensino Médio foi realizado no Instituto de Educação. Ainda na época da sua formação escolar, Cida Moura começou a frequentar as reuniões da Associação de Moradores, que, no contexto da Ditadura Cívico-Militar, lutavam por direitos básicos. Nesse período teve contato com a Juventude Católica Operária e participou das lutas empreendidas pela Associação das Domésticas. Anos depois cursou o ensino técnico em Magistério. Em 1982 foi convidada a trabalhar como recepcionista na Associação dos Professores Públicos de Minas Gerais. Dois anos depois tornouse auxiliar de pesquisa de Mestrado no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional(Cedeplar) da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG). Entre 1989 e 1993 cursou Biblioteconomia e, no ano seguinte, ingressou no Mestrado em Educação, ambos na UFMG. Entre 1986 e 1996 foi documentalista em instituições, como o Grupo de Estudos e Trabalho em Educação Comunitária e a Rede Minas – emissora estadual de TV de caráter cultural e educativo de Minas Gerais. Em 1996 defendeu sua dissertação com o título “Tecnologias da Informação e Capacitação de Trabalhadores em Telecomunicações”, orientada por Lucília Regina de Souza Machado”. Durante o Mestrado tornou-se professora substituta na 119 Graduação em Biblioteconomia na UFMG. Em 1997 iniciou como professora efetiva do curso. Cursou Doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), sob orientação de Arlindo Machado, com pesquisa intitulada“Semiótica e Mediações Digitais”, defendida em 2002. No ano seguinte, Cida Moura ingressou como professora na Pós-Graduação na área de Ciência da Informação da UFMG. Realizou uma pesquisa Pós-Doutoral em Semiótica Cognitiva e Novas Mídias pela Maison de Sciences de l’ Homme(2006-2007). No mesmo ano em que começou tal estudo, tornou-se bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), e, atualmente, encontra-se na categoria 1D. Um segundo Pós-Doutorado, voltado ao tema“A Construção e a Expressão de Modos de Existência Éticos: transversalidade, relações de poder e conhecimento em Foucault”, teve espaço na Université Paris-Est Créteil Val-de-Marne(2019-2020). Em 2001 passou a compor o projeto Ações Afirmativas na UFMG, voltado à inclusão de pessoas negras na Universidade. Formalizouse, então, os debates e lutas relacionados às questões étnico-raciais. Cida fundou, em 2010, o UFMG Tube, que registra trajetórias de pesquisadoras e pesquisadores em diálogo com a divulgação científica e a diversificação de fontes de pesquisa. Em 2012 tornouse a primeira professora titular negra da história da UFMG. Atuou em atividades administrativas, tendo sido coordenadora de Políticas de Inclusão Informacional da UFMG(2010-2014); diretora de governança informacional da UFMG(2014-2018); diretora da Universidade de Direitos Humanos(2020-2022); e diretora de Gestão de Documentos e Arquivos do Arquivo Nacional no Ministério de Gestão e Inovação do Serviço Público(2023-2024). Em 2023 também passou a compor o Comitê Assessor da área de Comunicação e Informação no CNPq. Cida atua, desde 2015, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG. Tanto no âmbito administrativo quanto na pesquisa, na extensão e no ensino, a busca por equidade de direitos de pessoas negras é uma temática constante em sua atuação. A trajetória acadêmica de Cida Moura não pode ser apartada de seu estar no mundo. O racismo enfrentado pela professora durante toda a vida contribuiu para a 120 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS constituição de uma trajetória acadêmica marcada pelo debate sobre a própria ciência, a produção de visibilidades e invisibilidades e o apagamento das trajetórias. Principais publicações CORREA, Laura Guimarães, FERNANDES, Pablo Moreno Fernandes, MOURA, Maria Aparecida, FURTADO, Lucianna Furtado, BERNARDES, Mayra. Vozes negras em Comunicação II[livro eletrônico]: interseções, diálogos e caminhos. Belo Horizonte, MG: Autêntica Editora, 2024.(Coleção cultura negra e identidades). MOURA, M. A. Para além da fabulação colonial: racismo epistêmico, conforto ontológico e lugares de fala. In: SILVEIRA, Fabrício Nascimento da; FROTA, Maria Guiomar da Cunha; MARQUES, Rodrigo Moreno Marques(org.). Informação, mediação e cultura: teorias, métodos e pesquisas. 1. ed. Belo Horizonte: Letramento: PPGCI, 2022. p. 122-149. V. 1. MOURA, M. A. Racismo estrutural, epistemologia da ignorância e a produtividade do discurso colonial: cartografia de controvérsias sobre a tentativa de desfazimento do acervo bibliográfico da Fundação Cultural Palmares. Liinc em Revista, v. 17, p. 1-22, 2021 MOURA, M. A.; PAULA, L. T. Cognitive authority, accountability and the anatomy of a lie: experiments for detecting fake news in digital traces. In: DALKIR, Kimiz; KATZ, Rebecca(org.). Navigating Fake News, Alternative Facts, and Misinformation in a Post-truth World. 1. ed. Toronto: IGI Global, 2020. p. 259-272. V. 1. MOURA, M. A. Semioses decoloniais: afrofuturismo, performance e o colapso do privilégio branco. In: CORRÊA, Laura Guimarães(org.). Vozes negras em Comunicação: mídias, racismos e resistências. 1. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2019. p. 53-74. MOURA, M. A.(org.). A construção social do acesso público à informação no Brasil: contexto, historicidade e repercussões. 1. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014. 283p. 121 ILUSKA COUTINHO Lara Linhalis Guimarães Iluska Maria da Silva Coutinho nasceu em 30 de dezembro de 1972 em Vitória(ES). É filha de João Amorim Coutinho e Laura Maria da Silva Coutinho. É mãe de Laura e casada com Jorge Felz. No Ensino Fundamental estudou na Escola Monteiro Lobato, colégio Salesiano, e realizou o Ensino Médio integrado com o técnico na Escola Técnica Federal do Espírito Santo, atual Instituto Federal do Espírito Santo(IFES). Em 1993 formou-se jornalista pela Universidade Federal do Espírito Santo(UFES). Tornou-se mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade de Brasília(UnB) em 1999, sob orientação de Carlos Chagas, com a dissertação“Colunas jornalísticas de notas: representação na imprensa”. Em 2003 concluiu o Doutorado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), com orientação de Sandra Reimão, defendendo a tese “Dramaturgia do telejornalismo brasileiro: a estrutura narrativa das notícias em TV”. Teve um período de estudos na Columbia University, em Nova York. Concluiu o primeiro pós-Doutorado pela Universidade Nova de Lisboa em 2015, e o segundo na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Foi repórter, editora e apresentadora de TV, com atuação no Espírito Santo e em Brasília(TV Tribuna ES e TV Tribuna PE). Atuou como assessora de Comunicação de empresas públicas e privadas no Espírito Santo, e, como freelancer, produziu material informativo para associações e empresas. No Jornal A Tribuna(ES) trabalhou como repórter cobrindo a bancada de Brasília. Foi para a capital do país com o objetivo de instituir o projeto“Brasília na Tribuna – Espírito Santo”. 122 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Em 1997 começa a dar aula no Centro Universitário Faesa, em Vitória. Em 2004 tomou posse como docente da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF). Atualmente é professora titular na UFJF. Iluska fez parte do grupo que trabalhou para a criação do Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação( PPGCOM) da UFJF. Entre as disciplinas que ministrou na Graduação, estão: Técnica de Produção Jornalística em TV; Políticas Públicas de Comunicação; Técnica de Jornalismo Audiovisual; Telejornalismo; Edição em Jornalismo Audiovisual; Laboratório de Telejornalismo; Redação Jornalística II; Processo de Informação I, II, III e IV; Técnica de Produção Jornalística em Impresso; e Técnica de Produção Jornalística em Hipermídia. Iluska participa da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor), da Rede de Pesquisadores Brasileiros em Telejornalismo(Rede Telejor) e da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Dentre muitos cargos que ocupou, foi coordenadora de Pós-Graduação da UFJF entre 2015 e 2016 e também coordenou o PPGCOM em dois períodos, de 2010 a 2012 e de 2019 a 2022. Esteve à frente dos cursos de Especialização em“Arte, Cultura Visual e Comunicação” (2005-2007),“Televisão, Cinema e Mídias Digitais”(2007-2012) e “Jornalismo Multiplataforma”(2013-2014). Faz parte do Conselho Consultivo da Rede Telejor e coordenou o grupo entre 2018 e 2019. Além disso, foi diretora científica da Intercom(2014-2017) e diretora editorial da SBPJor(2011-2013). Ela faz parte do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFJF. Desde 2010 ela coordena o Núcleo de Jornalismo e Audiovisual (NJA), Grupo de Pesquisa vinculado ao PPGCOM-UFJF, onde desenvolve pesquisas sobre jornalismo, audiovisual e direitos humanos. É autora do livro“Dramaturgia do telejornalismo”(2012), organizou as coletâneas“A informação na TV Pública“(2013), “O Brasil(é)ditado”(2012) e“Epistemologias do telejornalismo brasileiro”(2018). Em 2016 desenvolveu uma proposta de método específico para pesquisar na área do audiovisual: a Análise da Materialidade Audiovisual(AMA). Iluska Maria da Silva Coutinho é uma pesquisadora que acredita, e, por acreditar, costuma disparar um olhar esperançoso – não menos crítico por isso – em direção ao jornalismo e sua potência como lugar de transformação social. 123 Principais publicações COUTINHO, Iluska. Compreender a estrutura e experimentar o audiovisual – da dramaturgia do telejornalismo à análise da materialidade. In: EMERIM, Cárlida; COUTINHO, Iluska; FINGER, Cristiane (org.). Epistemologias do telejornalismo brasileiro. Florianópolis: Insular, 2018.(Coleção jornalismo audiovisual, v. 7). COUTINHO, I. M. S. A informação na TV pública. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2013. 320 p. V. 1. COUTINHO, I. M. S.; PORCELLO, F. VIZEU, A.(org.). O Brasil(é) ditado. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2012. 312 p. V. 1. COUTINHO, I. M. S. Dramaturgia do telejornalismo: a narrativa da informação em rede e nas emissoras de televisão de Juiz de Fora-MG. 1. ed. Rio de Janeiro: Mauad-X, 2012. 211 p. V. 1. COUTINHO, I. M. S. Colunismo e poder: representação nas páginas de jornal. Rio de Janeiro: Sotese, 2005. 124 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste GABRIELA BORGES Julia Gonçalves Declié Fagioli Gabriela Borges Martins Caravela nasceu em 21 de julho de 1971 em Macaé(RJ). Em seguida mudou-se com a família para o Rio de Janeiro e depois para Passa-Quatro(MG), cidade natal de seus pais, Márcio Martins e Joana Amélia Borges da Silva Martins, onde viveu até os 15 anos. De uma família de 6 irmãos, precisou trabalhar desde cedo. Nos primeiros anos do Ensino Fundamental estudou na Escola Estadual Presidente Roosevelt, e nos anos finais na Escola Nossa Senhora Aparecida, ambas em Passa-Quatro. O Ensino Médio cursou no Colégio São Joaquim, em Lorena(SP). Ingressou na Graduação em Publicidade e Propaganda em 1990, na Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), concluída em 1993, e no ano seguinte mudou-se para São Paulo(SP) para cursar Mestrado em Comunicação e Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP). O trabalho, intitulado“O espetáculo do grotesco nos filmes de Almodóvar”, foi orientado por Philadelpho Menezes Neto e defendido em 1997. Nesse intervalo realizou um estágio de investigação na Universidade Autónoma de Barcelona, com orientação de José Manuel Perez Tornero. Em 1999 ingressou no Doutorado em Comunicação e Semiótica, também na PUC-SP, sob orientação de Arlindo Machado. Entre setembro de 2000 e março de 2002 passou um período na University of Dublin Trinity College, na Irlanda, com orientação de Anna McMullan. Em 2004 defendeu o trabalho intitulado“A poética televisual de Samuel Beckett”. 125 Gabriela iniciou sua carreira como docente na Universidade Paulista (UNIP) em 1997. Lecionou, no mesmo período, na Universidade Sant’Anna e na Universidade Bandeirante de São Paulo. Nos anos de 2000 e 2001 foi professora assistente na University of Dublin Trinity College. Após seu retorno, em 2002, passou a lecionar na Universidade Presbiteriana Mackenzie e na Faculdade Armando Álvares Penteado(FAAP). Em 2005 desenvolveu estágio pós-doutoral com investigação sobre a qualidade sob a perspectiva dos estudos das teorias da Comunicação, com ênfase nos estudos culturais. Entre 2005 e 2008, no Centro de Investigações em Artes e Comunicação(CIAC), na Universidade do Algarve, em Portugal, realizou pesquisas sobre a televisão pública de qualidade. No CIAC atuou também como pesquisadora e professora do Mestrado e Doutorado em Comunicação, Cultura e Artes(2005-2012). Nesse período desenvolveu a pesquisa“A 2: em cena: Estudo de Parâmetros de Qualidade para a Análise de Programas”, com supervisão de Vítor Reia-Baptista. Em 2012 foi aprovada em concurso para professor adjunto no Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF), onde atuou como professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e foi coordenadora entre 2016 e 2019. Ainda no âmbito do PPGCOM-UFJF, lidera o grupo de pesquisa Comunicação, Arte e Literacia Midiática, ao qual se vincula o Observatório da Qualidade no Audiovisual, grupo criado em 2013. Depois de uma década, em 2019 Gabriela retornou à Universidade do Algarve para outro estágio Pós-Doutoral. Sob supervisão de Mirian Estela Nogueira Tavares, desenvolveu a pesquisa intitulada “Estudo sobre as relações entre a qualidade audiovisual e a literacia midiática na ficção seriada iberoamericana(2010/2020)”. Ainda durante o Pós-Doutorado, realizou estágio na Universidade de Huelva, na Espanha, com supervisão de José Ignacio Aguaded. Desde 2012 Gabriela é professora do Doutorado em Média-Arte Digital e Colaboradora do CIAC. Na mesma universidade, a partir de 2022, passou a lecionar como professora adjunta na Escola Superior de Educação e Comunicação. Em 2023 assumiu a subdireção da Licenciatura em Ciências da Comunicação. Ao longo de sua carreira vem se engajando em diversas funções voltadas à pesquisa, como: coordenação do Grupo de Trabalho 126 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Estudos de Televisão da Compós de 2016 a 2018 e vice-coordenação do mesmo grupo, entre 2018 e 2019. Além disso, foi conselheira da Compós no mesmo período. Na Sociedade Brasileira de Estudos em Cinema e Audiovisual(Socine), atuou como coordenadora do Seminário Temático“Televisão: formas audiovisuais de ficção e de documentário”, nos biênios 2010-2011 e 2014-2015. No campo da pesquisa sobre ficção, participa do Obitel Brasil – Rede Brasileira de Pesquisadores da Ficção Televisiva –, coordenado por Maria Immacolata Vassalo Lopes. Coordenou, ainda, a equipe da UFJF vinculada ao Obitel entre 2016 e 2021. Já no campo da Literacia Midiática, é membro da Rede Interinstitucional Euroamericana sobre Competências Midiáticas(Alfamed), na qual atua como membro internacional e coordenadora da equipe brasileira desde 2014. No contexto da Alfamed participou de todos os congressos organizados pela rede na condição de convidada e organizou o segundo congresso na UFJF. Desenvolveu o projeto Competências midiáticas em cenários brasileiros e euroamericanos, com financiamento do governo brasileiro. Participa dos seguintes projetos espanhóis: Youtubers e Instagrammers: la competencia mediática en los prosumidores emergentes; Competencias mediáticas de la ciudadanía en medios digitales emergentes(smartphones y tablets): prácticas innovadoras y estrategias educomunicativas en contextos múltiples; e Red de excelencia en educación mediática(Edumed). Publicou os livros“A qualidade e a competência midiática na ficção seriada contemporânea no Brasil e em Portugal”,“Qualidade na TV pública portuguesa. Análise dos programas do Canal 2:(2014)”,“A poética televisual de Samuel Beckett”(2009), organizou a coletânea “Nas margens. Ensaios sobre teatro, cinema e meios digitais”(2010) e coorganizou os livros“Competência Midiática em cenários brasileiros: interfaces entre Comunicação, educação e artes”(2019); “Estudos Televisivos: Diálogos Brasil-Portugal”(2011),“Televisão: formas audiovisuais de ficção e de documentário” Vol. I(2011), Vol. II(2012) e Vol. IV(2015) e“Discursos e Práticas de Qualidade na TV” (2008), publicou, ainda, em diversos periódicos científicos. Gabriela Borges Martins Caravela, com ampla experiência no campo de pesquisa sobre televisão, cinema e mídias digitais, tem uma trajetória de pesquisa e engajamento nos estudos sobre as relações entre Comunicação e educação, fundamental não apenas no âmbito acadêmico, mas para o desenvolvimento humano e 127 social. Segue em sua atuação como pesquisadora e professora tanto no Brasil quanto em Portugal. Principais publicações BORGES, Gabriela. Qualidade na TV pública portuguesa. Análise dos programas do canal 2. Juiz de Fora: Editora da UFJF, 2014. p. 262. V. 500. BORGES, Gabriela. A poética televisual de Samuel Beckett. São Paulo: Annablume, 2009. BORGES, G.; SILVA, M. B.(org.). Competências midiáticas em cenários brasileiros. Interfaces entre Comunicação, educação e artes. Juiz de Fora: Editora da UFJF, 2019. p. 414. BORGES, G. Retos de la formación en competencia mediática en el Observatorio de la Calidad Audiovisual. Revista Latinoamericana Comunicación Chasqui, v. 1, p. 217-234, 2021. BORGES, G.;SIGILIANO, D.; TAVARES, M. Cultura de fãs em Portugal – estudos culturais no campo dos media. In: BAPTISTA, Maria Manuel; Almeida, Alexandre Rodolfo Alves de; GRÁCIO, Rui Alexandre (org.). Estudos culturais em Portugal: cartografias, desafios e possibilidades. 1. ed. Coimbra: Grácio Editor, 2022. p. 117-130. V. 1. BORGES, G.; SIGILIANO, D.; RAMOS, E.; GARCIA, J.; VIEIRA, L.; FURTUOSO, G.; SOARES, M.; SANTOS, N. A qualidade e a competência midiática na ficção seriada contemporânea no Brasil e em Portugal. 1. ed. Coimbra: Gracio Editor, 2022. 256 p. V. 1. 128 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste SORAYA VIEIRA Mariana Ramalho Procópio Soraya Maria Ferreira Vieira nasceu em 23 de fevereiro de 1964 em Juiz de Fora(MG). Filha de Antônio de Souza Vieira e Luciola Rabelo Vieira, tem cinco irmãs e é mãe de Bárbara. Soraya estudou no Colégio Magister tanto no Primeiro quanto no Segundo Graus. Ingressou no Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF) em 1982. Durante a Graduação(1982-1987) dedicou-se a trabalhos de monitoria, nos quais pôde vivenciar uma aproximação com a atividade docente e estágios de atuação jornalística de vertentes variadas, desde a produção de jornais especializados à assessoria de imprensa para entidades sindicais. A vinculação de Soraya à grande área da Semiótica tem início ainda na Graduação. Sob a orientação de Gilvan Procópio Ribeiro, ela realizou o trabalho de conclusão de curso“Tribuna de Minas: o signo icônico-utilitário”. Após o término da Graduação, Soraya inicia o Mestrado em Comunicação e Semiótica, em 1987, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), com orientação de Arlindo Machado, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), e escreve a dissertação“As sequências jornalísticas: estudo descritivo do Jornal Nacional”, defendida em 1992. O Doutorado foi realizado entre os anos de 1993 e 1997, com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no Programa de Pós-Graduação e Semiótica da PUC-SP. Dessa vez, sob a orientação de Lúcia Santaella, desenvolveu a tese 129 “O poder apelativo da Coca-Cola: estudo da semiose das peças televisivas Sempre Coca-Cola”. Em 1995 Soraya integrou a Comissão Organizadora do III Congresso Internacional e Latino-Americano de Semiótica e IV Congresso Brasileiro: Caos e Ordem? Uma Abordagem Semiótica. Após o término do Doutorado, em 1998, Soraya inicia sua atuação como professora de Pós-Graduação( lato e stricto sensu) na Faculdade Cásper Líbero. Durante oito anos ela ministrou as disciplinas Teorias Semióticas, Telejornal e sua Linguagem e Propaganda e Significação, orientou diversos trabalhos acadêmicos (dentre os quais 11 dissertações de Mestrado) e compôs o Conselho Editorial da Revista Líbero. Ainda na mesma instituição ministrou o Curso de Extensão – Televisão e Sociedade – Reflexões Sobre o Eixo do Mal. No ano de 2005 Soraya é aprovada em concurso público para docente na Universidade Federal de Viçosa(UFV), instituição na qual permaneceu até o ano de 2012 e cuja atividade docente foi direcionada à Graduação. Durante seu período de dedicação à instituição orientou mais de 40 Trabalhos de Conclusão de Curso, ministrou disciplinas nas áreas de Telejornalismo, Semiótica e Pesquisa da Comunicação, desenvolveu projetos de pesquisa e extensão, entre os quais destaca-se o Café com Papo: Comunicação e Cultura para a Cidadania, projeto que contou com o financiamento da Petrobras e obteve premiações de cunho regional e nacional. Atuou como coordenadora do curso de Graduação em Comunicação Social – Jornalismo –, sendo uma das responsáveis pelo desenvolvimento do projeto pedagógico do curso entre os anos de 2008 e 2009. Foi chefe do Departamento de Comunicação e responsável por diversas comissões de infraestrutura, de assessoria técnica aos laboratórios e pela elaboração do Termo de Cooperação Acadêmica entre o curso de Comunicação Social e a Divisão de Rádio e TV da Universidade. Em 2012 Soraya passa a atuar como docente efetiva da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF). Na Faculdade de Comunicação (Facom), desde então, leciona disciplinas nas áreas de Teorias da Comunicação, Semiótica e Pesquisa da Comunicação. Foi chefe do Departamento de Fundamentos, Teorias e Contextos, compôs a Comissão de Pesquisa e Extensão, o Núcleo Docente Estruturante 130 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS do Curso de Jornalismo(noturno) e integrou a equipe responsável pela criação do curso de Graduação em Rádio, TV e Internet. Desde 2014 integra o corpo docente do Programa de PósGraduação em Comunicação(PPGCOM), tendo sido responsável pela orientação de 15 dissertações, duas teses, além das orientações em andamento. É também no âmbito da Facom/UFJF e do PPGCOM/ UFJF que coordena o grupo de pesquisa Conexões Expandidas, que investiga os fenômenos comunicacionais sob a perspectiva de um ecossistema habitado a partir da convergência digital e das linguagens emergentes. A professora realizou, ainda, dois Pós-Doutorados: o primeiro, entre 2017 e 2018, sob a supervisão de Lúcia Santaella, na PUCSP; o segundo, em 2022, com a supervisão de Almir Almas, na Universidade de São Paulo(USP). Sua produção acadêmica é resultado da atuação no ensino, na pesquisa e na extensão, cujas temáticas versam sobre a televisão, a linguagem audiovisual, as redes sociais digitais e os ecossistemas midiáticos, amparada em fundamentos da semiótica e da discussão em torno da convergência e da reconfiguração estética das mídias. Neste sentido, destaca-se o livro“A televisão em tempos de convergência”, de 2014, constituído pelas pesquisas da autora acerca da passagem do sistema analógico de produção televisiva ao sistema digital e suas consequências. Ressaltam-se, também, os capítulos“Reconfiguração, repetição e estética das narrativas em portais de emissoras com tradição televisiva” e“Fluxos semióticos e suas consequências ontológicas nas redes”. A trajetória de Soraya posiciona-a como uma das consolidadoras do Campo da Comunicação no Brasil, com destaque para sua atuação em Minas Gerais e São Paulo. Cumpre afirmar, ainda, que sua trajetória merece ser destacada pelo compromisso ético com a educação e com a ciência e pela conduta respeitosa e afetiva no tratamento com os estudantes e colegas. Principais publicações VIEIRA, Soraya Maria Ferreira. A televisão em tempos de convergência. Juiz de Fora, MG: Editora UFJF, 2014. 160 p. VIEIRA, Soraya Maria Ferreira. Reconfiguração, repetição e estética das narrativas em portais de emissoras com tradição televisiva. In: 131 BORGES, Gabriela; GOSCIOLA, Vicente; VIEIRA, Marcel(org.). Televisão: formas audiovisuais de ficção e de documentário. São Paulo: Socine: CIAC, 2015. VIEIRA, Soraya Maria Ferreira; PIMENTA, Francisco José Paoliello. Fluxos semióticos e suas consequências ontológicas nas redes. In: SANTAELLA, Lúcia(org.). Desafios humanos no contemporâneo. São Paulo: Estação das Letras e das Cores, 2019. 132 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste SIMONE ROCHA Mariana de Almeida Ferreira Simone Maria Rocha nasceu em 21 de agosto de 1972 em Belo Horizonte(MG). É filha de Nylza Fonseca Rocha e Herculano Soares Rocha, e caçula de 13 irmãos. Estudou o Primeiro Grau em várias instituições: Escola Estadual Sérgia Caldeira Alkimin, Escola Estadual Laudieme Vaz de Melo e Escola Estadual Técnico Industrial Professor Fontes. O Segundo Grau foi cursado na Escola Estadual Professor Milton Campos. Iniciou a Graduação em Física, mas decidiu-se pelo curso de Relações Públicas na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais(PUC-MG). A disciplina de Sociologia da Comunicação fê-la decidir cursar Sociologia na Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG) (1995-1997). Tornou-se bolsista de iniciação científica por dois anos e defendeu a monografia“Natureza e sociedade na era da indústria cultural: uma visão da Escola de Frankfurt”. Fez Mestrado em Sociologia na UFMG e durante esse período cursou disciplinas optativas na Comunicação. Com a proposta de articular os dois campos, defendeu a dissertação“Os meios de Comunicação como organizadores da cultura”, orientada por Ronaldo Noronha, em 1999. Neste mesmo ano iniciou como docente nos cursos de Licenciatura em Geografia e História, da Faculdade Pedro Leopoldo(MG), onde até 2004 lecionou disciplinas como Política, Antropologia e Sociologia. Em 2001 ingressou no Doutorado em Comunicação e Cultura na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), sob orientação de Muniz Sodré. Em um ano voltava a Minas Gerais para dar aulas em Pedro Leopoldo, e passou meses viajando para o Vale do 133 Jequitinhonha, Zona da Mata, Região Sul, Triângulo Mineiro e Região Central, regiões culturais de Minas Gerais, em busca dos processos de construção de sentido a partir da recepção televisivas sobre mineiridade. Em 2003, após dois anos e oito meses de curso, concluiu a tese“A mineiridade em questão: do discurso mítico ao discurso midiático”, a qual foi enviada à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) como representante do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ. No ano de 2004 passou a integrar, como voluntária, o Grupo de Pesquisa Mídia e Esfera Pública(EME), coordenado por Rousiley Maia. Em 2005 realizou estágio de Pós-Doutorado com o projeto “Da periferia à esfera pública: a construção de identidade coletiva de pobres e favelados(e suas comunidades) na série Cidade dos Homens e a contribuição para o debate público”, sob a supervisão de Rousiley Maia. Nesse ano foi aprovada como professora adjunta da UFMG na área de Teorias da Comunicação do Departamento de Comunicação Social. Em 2006 passa a integrar o quadro permanente de professores do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, na linha de pesquisa Processos Comunicativos e Práticas Sociais. Em 2005 lecionou sua primeira disciplina de Pós-Graduação e assumiu sua primeira orientação de Mestrado, assumindo a representação docente na Câmara Departamental. Em 2006 integrou a diretoria científica da Compolítica durante o primeiro congresso realizado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, e participou da criação da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política, instituída naquele ano. Em 2007 tornou-se subchefa do Departamento de Comunicação Social e, em 2008, foi nomeada membro do comitê assessor da área de Ciências Humanas da Câmara de Pesquisa, função que exerceu até 2010. Na Graduação e Pós-Graduação lecionou disciplinas como Comunicação e Política, Laboratório de Pesquisa em Comunicação, Teorias da Comunicação, entre outras. Foi lecionando Comunicação e Cultura e Comunicação e Interações Sociais que se aproximou da obra de Jesús Martín-Barbero e da América Latina como território fértil de estudos. Em 2008, junto aos seus mestrandos, fundou o grupo de pesquisa: Comunicação e Cultura em Televisualidades(Comcult). Por volta de 2011, com a emergência dos remakes de O Astro 134 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS (2011) e Gabriela(2012), passou a investir nos estudos sobre gêneros e formatos televisivos e, principalmente, nas questões formais e estéticas da televisão. Fazendo dialogar a teoria crítica contemporânea e a teoria estilística, o projeto“O estilo televisivo e sua pertinência para a TV como prática cultural”(2012-2015) tornou-se um marco. Tal projeto foi aprovado pelo Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico(CNPq) e recebeu apoio financeiro na forma do Edital Universal 2012. No ano seguinte passou a ofertar Estéticas da Televisão, com programa focado nas discussões sobre narrativa e estilo. Ainda em 2013 foi membro titular do Núcleo Docente Estruturante, o qual propôs diretrizes e conduziu o trabalho de avaliação da criação do currículo Reuni. Nesse ano foi contemplada em edital do Programa Pesquisador Mineiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), e, com uma colega, foi contemplada com financiamento para o Seminário América Latina de Comunicação e Cultura(I Selaccult), com o tema América Latina e os caminhos da diversidade na Comunicação midiática, realizado pelo Centro de Estudos Latinoamericanos(Cela), ligado à Diretoria de Relações Internacionais da UFMG. O I Selaccult foi o impulso que viria a consolidar dois grandes interesses de pesquisa: o audiovisual latino-americano, sobretudo o televisivo, e a análise poética desses materiais. A partir de 2014, já como associada, desenvolveu parcerias com investigadores latino-americanos, entre os quais alguns que trabalharam diretamente com Jesús Martín-Barbero. A iniciativa precursora foi a I Jornada Estilos, Narrativas y Memorias en la Información y la Ficción Latino-Americanas en Cine y Televisión, realizada em maio de 2014 na Universidade Nacional da Colômbia, em Bogotá, e na Universidad del Valle, em Cali, ambas a partir da articulação entre o Comcult e o Grupo de Pesquisa Comunicação, Cultura e Cidadania, coordenado por Fabio López de la Roche, da Universidade Nacional da Colômbia. A cooperação com a Universidade Nacional da Colômbia nasceu nesse período e estendeu-se até 2021, com o lançamento do livro Los desafíos a las televisiones en América Latina. Além desta, outros projetos, parcerias e cooperações internacionais com diversas universidades latino-americanas emergiram: Universidad Del Valle (Colômbia), Universidad de Chile, Pontificia Universidad Católica del Perú, Universidad Externado de Colombia, Universidad de La 135 Sabana(Colômbia), Universidad Jesuita de Guadalajara(México), Universidad Santiago de Chile, além das brasileiras Universidade Anhembi Morumbi, Universidade Federal de Juiz de Fora, Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal da Paraíba. O diálogo entre teoria latino-americana e teoria do estilo foi consolidado no livro O estilo televisivo e sua pertinência para a TV como prática cultural(2016), que fez emergir a noção de televisualidade como um desdobramento do conceito de visualidade. Em 2016 coorganizou o livro Televisão: entre a metodologia analítica e o contexto cultural, e coordenou, na UFMG, o I PesqTV – Seminário de Metodologias de Análises de Produtos Televisuais, evento que contou com duas edições. No ano de 2018 as parcerias internacionais foram fortalecidas por meio de eventos e missões acadêmicas dentro e fora do Brasil. Nesse ano foi criado o projeto de extensão do Comcult, a Revista BemTe-Vi – TV, América Latina e Contemporaneidade, com publicações mensais na plataforma Medium. A partir de 2019 o Comcult passou a dedicar-se à investigação sobre seriados originais produzidos pelas emergentes plataformas de streaming. Simone articulou-se com os pesquisadores Enrique Uribe-Jongbloed, da Colômbia, e Lorena Antezana, do Chile, para criar o projeto de pesquisa Selo América Latina de exportação da ficção televisual: mercado, Comunicação e experiência na era do streaming(2020-2025), que contou com equipes do Brasil, Colômbia, Chile, México e Peru. Em 2023 ganhou edital do CNPq voltado a Projetos de Comprovada Articulação Internacional, e internamente firmou parcerias para o projeto“EnRedo: Rede e Laboratório Integrados de Formação e Assessoria de Conteúdos em Ficção Seriada Televisiva”. Desde 2020, junto aos orientandos, oferta o Laboratório de Criação e Roteiro de Obras Seriadas da Televisão Contemporânea. Os projetos também viabilizaram a realização de duas edições do evento EnRedo, em 2023, em Bogotá, na Universidad Externado de Colombia, e, em 2024, em Belo Horizonte, na UFMG. Simone Maria Rocha tornou-se professora titular da UFMG em 2021. Sua marca é um trabalho essencialmente coletivo, realizado junto ao grupo de pesquisa que coordena, o que tem se mostrado cada vez mais profícuo ao longo dos últimos anos. 136 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Principais publicações ROCHA, Simone Maria. O estilo televisivo e sua pertinência para a TV como prática cultural. 1. ed. Florianópolis: Insular Livros, 2016. 280 p. ROCHA, Simone Maria; PUCCI JUNIOR, R. L.(org.). Televisão: entre a metodologia analítica e o contexto cultural. 1. ed. São Paulo: A Lápis, 2016. 180 p. V. 1. ROCHA, Simone Maria; FERRARAZ, R.(org.). Análise da ficção televisiva: metodologias e práticas. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2019. 250 p. V. 1. ROCHA, Simone Maria; ROCHE, F. E. L. L. Los desafíos a las televisiones en América Latina: cultura política, comunicación pública e innovación. 1. ed. Bogotá: Ediciones Uniandes: Editora do IEPRI: Universidad Nacional da Colômbia, 2021. 404 p. V. 1. ROCHA, Simone Maria. Martín-Barbero: o semeador de perguntas. In: ESCOSTEGUY, Ana Carolina. Matrizes – Testemunhos Brasileiros que Fazem Memória de Jesús Martín-Barbero, v. 15, n. 2., p. 147-153, maio/ago. 2021. ROCHA, Simone Maria; ARANTES, L. M. C. Girls from Ipanema and Netflix’s Deviations from Brazilian Serial Storytelling Norms. In: LOTZ, Amanda D.; LOBATO, Ramon(org.). Streaming Video – Storytelling Across Borders. 1. ed. New York: New York University Press, 2023. p. 127-140. V. 1. 137 MIRNA TONUS Nicoli Tassis Mirna Tonus nasceu em 14 de novembro de 1968 em São Caetano do Sul(SP). É filha de Neusa Pasqualina Locatelli Tonus e Juvenal Tonus. É mãe de Caio e Pedro. Nos primeiros anos do Ensino Fundamental estudou na Escola Estadual Profa. Ordânia Janone Crespo. Na 7ª e 8ª séries estudou na Escola Estadual Prof. Antonio de Campos Gonçalves. No Ensino Médio cursou o Técnico em Processamento de Dados no Colégio Pentágono. Toda sua educação básica foi feita na cidade de Santo André(SP) e a maior parte de seus estudos foi em escolas públicas. Matriculou-se em um curso de secretariado, mas logo começou a trabalhar no comércio dos pais e depois em um consultório odontológico. Passou a estudar processamento de dados e durante a adolescência estudou vários idiomas: italiano, inglês, além do espanhol e francês. Não foi aprovada no primeiro vestibular para jornalismo e insistiu no ano seguinte, ingressando na Universidade Metodista de Piracicaba(Unimep) em 1988, onde se formou em 1991. Começou a trabalhar na área no final do primeiro ano de curso, tendo passado por diversos veículos de Comunicação, agências de publicidade e assessorias em instituições variadas, atuando desde a área política até o segmento agrícola. No jornal Diário viveu suas primeiras experiências como repórter, especialmente no caderno de Cidades, mas foi demitida no ano seguinte por participar de uma greve. Durante os dez meses seguintes atuou no Sindicato de Professores de Campinas. 138 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Mirna dedicou-se a muitos projetos como ação comunitária na própria faculdade, desenvolvendo programas de rádio sobre a América Latina e um jornal em parceria com comunidades periféricas de Piracicaba(SP). Também atuou com radiojornalismo em veículos regionais, bem como em assessoria de Comunicação nas áreas esportiva, política, cultural, educacional e rural, tendo essa última se tornado uma de suas especialidades. Após a formatura seguiu como bolsista de Iniciação Científica, num edital voltado para profissionais com até dois anos de formados, quando se debruçou sobre a história do jornalismo em Piracicaba. Com o término da bolsa, passou a trabalhar no Jornal de Piracicaba, onde atuou como repórter e subeditora de Cidade, editora de Turismo, além de contribuir para o caderno especial de Domingo. Cursou o Mestrado em Educação(Unimep), quando estudou o uso da linguagem jornalística por TVs educativas no Brasil, entre 1996 e 1998. No início dos anos 2000 aceitou o desafio de ser professora do curso de Comunicação Social da Universidade Vale do Rio Doce(Univale), localizada em Governador Valadares(MG), como substituta. Em 2003 foi aprovada no Doutorado em Comunicação e Multimeios da Universidade de Campinas(Unicamp), quando lecionava, no curso de Jornalismo da Universidade de Sorocaba, SP(Uniso), a disciplina Novas Tecnologias da Comunicação e de Radiojornalismo. Ao longo do Doutorado, com o estágio docência no LabJor Oficina de Multimeios, aproxima-se do jornalismo científico, uma das suas áreas de interesse. Durante esse período trabalhou como diretora de jornalismo na rádio, contribuindo na edição digital, roteirização de programas especiais e locução. No início de 2007, um ano antes de concluir o Doutorado, recebeu convite para ser professora na Universidade de Uberaba(Uniube), localizada no Triângulo Mineiro, onde, além de atuar no curso de Jornalismo, contribuiu para a reestruturação da Pós-Graduação em Educação. No final de 2008 foi aprovada em primeiro lugar na Universidade Federal de Uberlândia(UFU) para lecionar na área de Comunicação. Em 2009 começou a sua trajetória nessa instituição, estando entre as primeiras professoras do curso de Jornalismo da UFU. Ao longo dos anos ajudou a construir os laboratórios e regulamentos de projeto de conclusão de curso e estágio, tendo sido coordenadora substituta por dois mandatos. 139 Desde então ela tem contribuído em várias frentes na UFU e instituições representativas para a área da Comunicação e Educação. Entre 2008 e 2016 foi membro da diretoria do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo(FNPJ), atuando como vice-diretora de Comunicação(2008-2010); vice-presidente(2010-2012); e presidente(2012-2016). Em 2010 participou da elaboração do projeto do curso de Especialização em Educação a Distância (EaD) em Mídias na Educação da Faculdade de Educação(UFU), tornando-se coordenadora entre 2011 e 2019. Também é membro da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo(Abej) desde 2016, tendo atuado no Conselho Consultivo por dois mandatos(20182020 e 2022-2024) e em um como diretora Sudeste I(2020-2022). Participou do Grupo de Trabalho(GT) Campanha em Defesa da Profissão/Regulamentação do Jornalismo(2008-2012). Foi membro titular do Conselho da Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação(Socicom) entre 2010 e 2012 e do Conselho Fiscal de 2014 a 2016. Ainda atuou como membro da Comissão Técnica de Jornalismo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(Inep)(20152016). Foi coordenadora de Jornalismo da Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação(Expocom) entre 2014 e 2022. Desde 2012 é membro da Rede de Pesquisa Aplicada em Jornalismo e Tecnologias Digitais(Jortec). Entre agosto de 2019 e julho de 2020, dedicou-se ao Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), estudando a relação entre a comunicação científica, engajamento e mídias sociais. Foi coordenadora do Setor de Comunicação e membro do Conselho Curador do Museu Universitário de Arte(MUnA) da UFU, entre 2020 e 2024. É membro da Red Clacso GT Apropiación de tecnologías digitales e interseccionalidades(2023-2025). No final de 2021 torna-se coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias, Comunicação e Educação da Faculdade de Educação(FACED/UFU), Mestrado profissional. Colidera o Grupo de Pesquisa CPCiente, dedicado às investigações em torno da Comunicação pública, divulgação científica e tecnologias sociais, entre temas afins. Mirna Tonus tem uma trajetória pessoal e profissional marcada pela interface entre tecnologias, educação e Comunicação. No campo do ensino e da pesquisa, destaca-se por investigações de caráter 140 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS aplicado e experimental, sempre em busca de metodologias novas e contatos comunitários. Principais publicações SOSTER, D. A.; TONUS, M.(org.). Jornalismo-laboratório: impressos. 1. ed. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2013. 319p. V. 1. SOSTER, D. A.; TONUS, M.(org.). Jornalismo-laboratório: rádio. 1. ed. Santa Cruz do Sul, RS: Edunisc, 2014. 294 p. SOSTER, D. A.; TONUS, M.(org.). Jornalismo-laboratório: práticas digitais. 1. ed. Santa Cruz do Sul: Catarse, 2022. 89 p. V. 1. SOSTER, D. A.; TONUS, M.(org.). Jornalismo-laboratório: televisão. 1. ed. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2015. 320 p. V. 1. TONUS, M.; CASTELFRANCHI, Y. Engajamento no âmbito do jornalismo científico: reflexões a partir da Força Tarefa Amerek. In: PAULINO, Rita; RODRÍGUEZ-HIDALGO, Claudia(org.). Jornalismo, sociedade e pandemia. 1. ed. Aveiro, Portugal: Ria Editorial, 2020. p. 267-289. V. 1. TONUS, M. O potencial do monitoramento de mídias sociais para o exercício do jornalismo. In: TRASEL, Marcelo; LONGHI, Raquel Ritter; FRANCISCO, Rodrigo Eduardo Botelho; LIMA JUNIOR, Walter Teixeira(org.). Pensar em rede: pesquisa aplicada em jornalismo e tecnologias digitais. 1. ed. Macapá: Unifap, 2017. p. 135-158. V. 1. 141 ÂNGELA MARQUES Ana Karina Oliveira Ângela Cristina Salgueiro Marques nasceu em 2 de julho de 1977 em Belo Horizonte(MG). É filha de Ângela Maria Salgueiro Marques e João Calixto Marques. No primeiro grau estudou no Colégio Nossa Senhora das Dores e, depois, na Escola Municipal Professor Lourenço de Oliveira(1992), onde também realizou o Segundo Grau. É casada com Ângelo Malachias de Souza e tem dois filhos – Fernando e Cristiano. Entre 1997 e 2000 cursou Comunicação Social na Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG). Nesse período foi bolsista de iniciação científica no grupo Mídias Digitais e Linguagens Contemporâneas, orientada por César Guimarães. Sua monografia “Poesia Digital: passagens entre o tecno-poético e o tecno-lógico” rendeu-lhe as primeiras publicações e participações em eventos acadêmicos. Em seguida foi bolsista do Programa de Iniciação à Docência/Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico(PID/CNPq) e atuou como monitora de Teoria da Opinião Pública, ministrada por Rousiley Maia. No Grupo de Pesquisa em Mídia e Esfera Pública(EME), interessa-se pelas interseções entre Comunicação e política. Em 2001 foi aprovada para o Mestrado no Programa de PósGraduação em Comunicação Social(PPGCOM-UFMG), orientada por Rousiley Maia, seguindo vinculada ao grupo EME. Em 2003 defendeu a dissertação“Da Esfera Cultural à Esfera Política: representações de grupos de sexualidade estigmatizada nas telenovelas e a busca por reconhecimento”. 142 Após sete meses na França, onde fez um curso na Université Stendhal – Grenoble III, retornou ao PPGCOM, tendo sido aprovada para a primeira turma de Doutorado do Programa em 2004. Novamente sob a orientação de Rousiley Maia, voltou-se ao estudo das políticas sociais do governo Lula em suas relações com práticas deliberativas e midiáticas. Em 2007 defendeu sua tese intitulada“O processo deliberativo a partir das margens: o programa Bolsa-Família na mídia e na fala das beneficiárias”. As reverberações de sua tese estão presentes nas pesquisas desenvolvidas entre 2007 e 2008, em dois pós-Doutorados paralelos e complementares: no Groupe de Recherche sur les Enjeux de la Communication(Gresec), da Université Stendhal – Grenoble III – e junto ao Groupe de Recherches en Sciences Sociales sur l’Amérique Latine(Gresal), da Université Pierre-Mendès-France – Grenoble II. Durante esse período, aproximou-se da Associação Groupement Activités Locales Libres Ouvertes(Gallo), voltada a auxiliar pessoas em situações prolongadas de desemprego. Ao retornar ao Brasil, entre 2008 e 2009, foi professora do curso de Pós-Graduação lato sensu em Comunicação Empresarial e Institucional na Universidade Nove de Julho(Uninove). Entre 2009 e 2011 atuou nos cursos de Graduação e Pós-Graduação da Faculdade Cásper Líbero, onde integrou os grupos de pesquisa “Capital Social, Redes e Processos Políticos” e“Teorias e Processos da Comunicação”. Neste último, estabeleceu parceria com Luís Mauro de Sá Martino, com quem assina numerosas publicações. Desde 2011 é professora do Departamento de Comunicação Social(DCS) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social(PPGCOM) da UFMG, vinculada à linha de pesquisa em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades. Em 2018 e 2022 esteve no Institut Mines-Télécom(França) como professora visitante. Em cargos de gestão na UFMG e junto a associações da área, em 2012 foi subcoordenadora da Pós-Graduação lato sensu em Comunicação: Imagens e Culturas Mediáticas. Entre 2014 e 2015 ocupou a subcoordenação do PPGCOM. Entre 2014 e 2016 foi vice-presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas(Abrapcorp). No mesmo período foi subcoordenadora do Selo PPGCOM, tendo assumido a coordenação editorial entre os anos de 2016 e 2018. No período entre 2018 e 2020 assumiu a Coordenação do PPGCOM. 143 As contribuições de Ângela para o campo estão ligadas a quatro eixos principais em que se desenvolvem seus trabalhos de pesquisa/ orientação e produção: Comunicação Organizacional e Relações Públicas; Comunicação e Experiência Estética; Comunicação, Política e Democracia; e Epistemologias da Comunicação. Ângela Marques é bolsista de Produtividade do CNPq, Nível 1D. Sua produção bibliográfica e mais de 150 orientações concluídas nos níveis de Pós-Graduação(Pós-Doutorado, Doutorado e Mestrado) e Graduação(em Trabalhos de Conclusão de Curso e de iniciação científica) testemunham sua atuação no campo até aqui. Principais publicações MARQUES, Â. C. S. Montar a cena pela escrita intervalar e pelo aparecimento emancipatório: o método estético-político de Jacques Rancière. Kriterion, UFMG, Impresso, v. 64, p. 213-245, 2023. MARQUES, Angela; MAFRA, R. L. M.; MARTINO, L. M. S. Les Relations Publiques au carrefour des tensions démocratiques de reconnaissance et justice. ESSACHESS – Journal for Communication Studies, v. 14, p. 37-64, 2021. MARQUES, A. C. S.; OLIVEIRA, A. K. C.; MORICEAU, J. A política da escrita e a performatividade da palavra do homem ordinário no método da igualdade de Jacques Rancière. Questões Transversais – Revista de Epistemologias da Comunicação, v. 6, n. 12, p. 92-103, 2018. MARQUES, A. C. S.; SOUZA, F. C. V. O dizer do rosto na paisagem vestigial do holocausto e o gesto político do olhar na montagem fotográfica. Devires, UFMG, v. 13, p. 14-49, 2017. MARQUES, A. C. S. Vulnerabilidades, justiça e resistências nas interações comunicativas. 1. ed. Belo Horizonte: SELO PPGCOM, 2018. 246 p. V. 1. 144 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste CLÁUDIA THOMÉ Janaina Nunes Cláudia de Albuquerque Thomé nasceu no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Sonia Maria de Albuquerque Thomé e Zieli Dutra Thomé Filho. É mãe de Clara, Felipe e Arthur. Sua vida escolar iniciou no Colégio de Integração Comunitária(Cinco) e depois no Colégio Marista São José. Ainda jovem experimentou as exatas, cursando Faculdade de Física e depois de Matemática, movida pela admiração pela trajetória do pai(que era físico nuclear), mas foi no Jornalismo que encontrou sua verdadeira vocação. Na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) viveu intensamente os anos de Graduação, entre 1989 e 1995: foi monitora do jornal Ecos da Praia Vermelha (sob orientação da professora Raquel Paiva); bolsista do Jornal da Organização das Nações Unidas – ONU(com produções para a Rádio MEC e para a TVE); e começou a fazer pesquisa sobre telejornalismo com a professora Beatriz Becker. Por meio da escrita encontrou sua forma de atuação no mundo. A experiência no mercado foi vasta e diversa: atuou em rádio, televisão, jornal impresso e assessoria de Comunicação por mais de uma década, mas a inquietação de pensar o jornalismo para além da rotina da redação levou-a de volta à universidade. Em 2003 ingressou no Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social(PPGCOM) da UFRJ. Com orientação de Ivana Bentes, sua pesquisa foi sobre a novelização do noticiário. Cláudia iniciou sua experiência em 2004 como professora na 145 Faculdade Estácio do Rio e também coordenadora nos cursos de Jornalismo e Publicidade da Estácio de Petrópolis(RJ). Em 2008 iniciou o Doutorado em Ciência da Literatura na UFRJ, onde, sob orientação de Frederico Góes, pesquisou as crônicas radiofônicas das décadas de 1950 e 1960, resgatando a memória de nomes como Dinah Silveira de Queiroz e Giuseppe Guiaroni. Seu trabalho de pesquisa, realizado em acervos do Museu da Imagem e do Som (MIS/RJ) da Rádio MEC e da Rádio Nacional, além de entrevistas, resultou na recuperação de preciosos manuscritos e roteiros, inspirando uma exposição organizada pela Academia Brasileira de Letras(ABL). A tese foi intitulada Literatura de Ouvido, quando trabalhou a intersecção entre o jornalismo, a literatura e a memória. Em 2013 Cláudia foi aprovada no concurso para a Universidade Federal de Juiz de Fora e mudou-se com a família para Minas Gerais. O desafio de recomeçar em outro Estado foi a oportunidade de aprofundar sua atuação docente e expandir sua carreira na pesquisa. Na Faculdade de Comunicação passou a ministrar a disciplina de Laboratório de Telejornalismo, assumindo, também, o compromisso com a orientação de novos pesquisadores. Inicialmente integrou o grupo de pesquisa Comunicação, Cidade e Memória, da professora Christina Musse, com quem mantém importantes parcerias. Depois iniciou um projeto de estudo das crônicas de Cosette de Alencar (1918-1973), escritora e cronista radicada em Juiz de Fora, buscando ambientar-se e conhecer um pouco mais da cultura mineira. Líder do grupo de pesquisa Narrativas Midiáticas e Dialogias, registrado no CNPq em 2016, vem dedicando-se a estudos sobre crônica, telejornalismo, narrativas em mutação e feminino – temas que atravessam sua trajetória e aprofundam-se com as orientações de Mestrado e Doutorado que acompanha. Outro marco importante de sua trajetória foi a entrada no Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF), estando na coordenação do programa de 2022 a 2025. Ampliando o alcance de suas pesquisas, buscou conexões com redes nacionais, como a Rede Telejor e a Rede Jornalismo, Imaginário e Memória(JIM), abrindo oportunidades de trocas de saberes com colegas de todo o país, com participação em bancas, eventos e dossiês. Nos estudos sobre audiovisual e telejornalismo, destacam-se, ainda, parcerias com a professora Iluska Coutinho da UFJF. 146 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Dedica-se a investigar estratégias de subjetivação no jornalismo audiovisual, tema de seu pós-Doutorado realizado entre 2021 e 2022 na UFRJ, sob supervisão da professora Beatriz Becker. Seu projeto atual, Narrativas em Mutação, analisa as reconfigurações narrativas e os formatos autorais que ganham espaço no contemporâneo, com especial atenção às vozes femininas e à maternidade como campo simbólico. Esses estudos têm se desdobrado em publicações, artigos, projetos de extensão e orientações que entrelaçam o jornalismo, a subjetividade e o imaginário. Sua contribuição para o campo da Comunicação também se reflete em sua atuação na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Foi vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa Telejornalismo, e coordena o grupo, rebatizado de Jornalismo Audiovisual – uma mudança que amplia as possibilidades de análise para além da televisão tradicional. Cláudia integra a Associação Brasileira de Pesquisadores da História da Mídia(Alcar). Mais que uma pesquisadora de destaque, Cláudia é uma professora que escuta, acolhe e constrói com afeto, tendo sido homenageada em algumas turmas na Graduação. Sua trajetória, tecida entre a escrita, a sala de aula, a pesquisa, a extensão e a maternidade, é uma expressão viva de como os vínculos e os relacionamentos também são importantes no fazer ciência. Principais publicações BECKER, Beatriz; THOMÉ, Cláudia. Subjetivação como estratégia do telejornalismo na defesa da ciência. Animus, Santa Maria, on-line, v. 21, p. 1-18, 2023. THOME, Claudia de Albuquerque. Literatura de ouvido: crônicas do cotidiano pelas ondas do rádio. 1. ed. Curitiba: Editora Appris, 2015. 189 p. V. 1. THOMÉ, Cláudia; PICCININ, F.; REIS, Marco Aurélio. Anatomias narrativas do Telejornalismo contemporâneo e seus elementos certificadores. In: EMERIM, Cárlida; PEREIRA, Ariane; COUTINHO, Iluska (org.). Telejornalismo 70 anos: o sentido das e nas telas. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2020. p. 159-196. V. 9. THOMÉ, Cláudia; REIS, M. A. Videoteratura como estratégia do telejornalismo: um olhar epistemológico sobre produtos das emissoras TV Globo e Globonews. In: MAIA, Marta; PASSOS, Mateus Yuri(org.). 147 Narrativas midiáticas contemporâneas: epistemologias dissidentes. 1. ed. Santa Cruz do Sul: Catarse, 2020. p. 226-239. THOMÉ, Cláudia. Voz autoral e vínculos emocionais: da crônica jornalística audiovisual ao noticiário contemporâneo. In: THOMÉ, Cláudia; REIS, Marco Aurélio(org.). Subjetivação na narrativa midiática: estratégias, linguagens e memórias. 1. ed. Juiz de Fora, MG: Provérbio Editora, 2024. p. 11-34. Disponível em: https://www2.ufjf.br/ narrativasmidiaticas/wp-content/uploads/sites/555/2025/03/E-book-Subjetiva%C3%A7%C3%A3o-na-narrativa-midi%C3%A1tica-2024. pdf. Acesso em: 14 jul. 2025. 148 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste NAIR PRATA Sônia Caldas Pessoa Nair Prata Moreira Martins nasceu em 2 de outubro de 1958 em Belo Horizonte(MG). É a filha mais velha de uma família de cinco irmãos, frutos do casal Wander e Delisete. É casada há 36 anos com Henrique Cordeiro Martins e mãe da Yasmim e da Sofia. Estudou no Colégio Municipal de Belo Horizonte(Ensino Fundamental) e no Colégio Municipal Marconi(Ensino Médio). Nair cursou Jornalismo(1979-1982) na Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG). Fez Mestrado em Educação, Administração e Comunicação na Universidade de São Marco(1998-2000) e Doutorado em Linguística Aplicada(2004-2008) na UFMG, com estágio“sanduíche” na Universidade do Minho, em Braga, Portugal e Pós-Doutoramento na Universidad de Navarra(2015-2016), em Pamplona, Espanha. Trabalhou na Rádio Tiradentes, antiga emissora do Sistema Globo de Rádio, na Rádio Cultura e na Rádio Itatiaia, onde permaneceu por 14 anos. A carreira acadêmica reuniu o desejo de retomar os estudos, investir em pesquisa e realizar projetos coletivos. O trabalho na Pós-Graduação foi reconhecido em três principais premiações concedidas pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom): Prêmio Luiz Beltrão 2013, categoria Liderança Emergente, Prêmio Intercom Freitas Nobre de Doutorado 2008 – 3º lugar, com o trabalho“Webradio: novos gêneros, novas formas de interação”, e Prêmio 2001 de Melhor Dissertação de Mestrado do Ano – Categoria Rádio e TV, com o trabalho“A fidelidade do ouvinte de rádio: um estudo dos principais fatores determinantes da audiência fiel”. 149 Em 2010 ingressou como professora da Universidade Federal de Ouro Preto(UFOP). Participou da comissão que elaborou o projeto do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da universidade em 2014 e, desde então, após a aposentadoria da universidade pública, continua como professora credenciada ao PPGCOM. Atua também na Fundação Mineira de Educação e Cultura(Fumec), credenciada no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Informação e Comunicação e Gestão do Conhecimento(com Mestrado e Doutorado). Trabalha na Editora da revista científica Mediação e é coordenadora da Rádio Fumec. A experiência em edição de periódicos vem do período 2018-2023, quando foi editora responsável pela Revista Brasileira de Iniciação Científica (Iniciacom). A equipe coordenada por ela regularizou o fluxo de publicações, obtendo o Qualis B3 pela primeira vez em 2022. Desde 2011 participa de entidades do campo: trabalhou como diretora científica da Intercom por dois mandatos(2017-2020; 2020-2023), foi coordenadora do GI Radio y Medios Sonoros da Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Comunicação (Alaic)(desde 2022), membro da equipe de coordenação da Cátedra em Comunicação e Informação Intercom José Marques de Melo(2019-2023), diretora Regional Sudeste da Intercom(20142017), coordenadora do GP Rádio e Mídia Sonora da Intercom por dois mandatos(2011-2012; 2013-2014), vice-presidente da Alcar (2015-2019) e diretora administrativa da Alcar(2011-2015). Entre os eventos científicos que já organizou, destacam-se: 45º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação(2022), na Universidade Federal da Paraíba; e IX Conferência do Pensamento Comunicacional Brasileiro(2022), no SESC-SP. Coordenou 4 temporadas da série de Lives Cátedra Intercom,(2020-2022); organizou o 2° Encontro da Rede Latino-Americana de Cátedras e Observatórios de Comunicação e Informação, Cultura e Desenvolvimento Social(2022, virtual); 1° Encontro da Rede Latino-Americana de Cátedras e Observatórios de Comunicação e Informação, Cultura e Desenvolvimento Social(2021, virtual); e o 9º Encontro Nacional de História da Mídia(2013), na UFOP. Para além das atividades de organização e articulação institucional, a produção científica é sólida. Coordenou, sozinha ou com parcerias, a organização de pesquisas coletivas e de coletâneas que foram publicadas em 29 livros, sendo o último em espanhol. 150 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Nair Prata é uma referência nos Estudos Radiofônicos latinoamericanos nos últimos 20 anos, tanto pela contribuição no pensamento e escrita científica quanto pela articulação institucional na área. Principais publicações MARQUES DE MELO, J.; PRATA, Nair. Radialismo no Brasil – cartografia do campo acadêmico(itinerário de Zita, a pioneira). Florianópolis: Editora Insular, 2015. 415 p. PRATA, Nair. O rádio entre as montanhas – histórias, teorias e afetos da radiofonia mineira. Belo Horizonte: Fundac, 2010. 240 p. PRATA, Nair. Panorama do rádio no Brasil. Florianópolis: Editora Insular, 2011. 590 p. PRATA, Nair. Webradio: novos gêneros, novas formas de interação. Florianópolis: Insular, 2009, 2012. 256 p. PRATA, Nair; PESSOA, Sônia Caldas. Desigualdades, gêneros e Comunicação. São Paulo: Intercom, 2019, 168 p. PRATA, Nair; DEL BIANCO, Nélia; BALLESTEROS, Tito. La radio AM en el ecosistema mediático de América Latina y el Caribe. Florianópolis: Insular, 2023. 453 p. 151 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS Ana Karina Oliveira Professora do Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas/UFMG. Doutora e mestra em Comunicação e Sociabilidade pela UFMG. Cocoordenadora da Frente de Trabalho Educação e Comunicação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Gestrado – Política Educacional e Trabalho Docente. Membro do Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade. Editora da Revista Interinstitucional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUCMinas e da UFMG. anakarina.akco@gmail.com Cláudia Graça da Fonseca Doutora em Comunicação pela Pós-Graduação em Comunicação e Sociabilidade Contemporânea da UFMG. Jornalista aposentada pela UFMG. Docente dos cursos de Graduação e Especialização em Comunicação Social e Gestão da Informação. Pesquisa na área de Comunicação e Experiência Urbana. Trabalhou na Comissão da Verdade em Minas Gerais – Covemg. Formação em Psicanálise pelo Núcleo de Psicanálise e Práticas Institucionais. claudiag40@yahoo.com.br Fábia Lima Professora associada do Departamento de Comunicação Social. Pesquisadora Permanente no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social – linha de pesquisa Comunicação, territorialidades e vulnerabilidades, e Diretora de Comunicação na Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG). Doutora em Ciências da Comunicação pela USP, mestre em Comunicação Social e especialista em Gestão Estratégica de Marketing pela PUC-Minas. fabialima@ufmg.br Gabriella Hauber Pimentel Professora adjunta do curso de Comunicação Organizacional do Departamento de Linguagem e Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade da Universidade Tecnológica Federal do Paraná(UTFPR). Mestra e 152 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS doutora em Comunicação e Sociabilidade pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com período sanduíche na Univeraität Mannheim(Alemanha/DAAD). gabriella.hauber@gmail.com Janaina Nunes Professora associada da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF), atuando nos cursos de Graduação em Jornalismo e em Rádio, TV e Internet. Doutora em Educação, mestre em Comunicação, ambos pela UFJF, e especialista em Moda, Arte e Cultura, também pela UFJF. Coordenadora da Especialização em Mídias na Educação oferecida pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), por meio do Centro de Educação a Distância e da Faculdade de Comunicação (CEAD/Facom/UFJF). janaina.nunes@ufjf.br Joana Ziller Professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG e dos cursos de Graduação da área da Comunicação. Doutora e mestre em Ciência da Informação pela UFMG. Compõe a equipe coordenadora da Formação Transversal em Gênero e Sexualidades: perspectivas LGBTQIA+ da UFMG e do GEL(Grupo de Estudos em Lesbianidades da UFMG). É vice-coordenadora do GT Comunicação, Gêneros e Sexualidades da Compós. joana.ziller@gmail.com Julia Gonçalves Declié Fagioli Professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFJF. Professora temporária do curso de Cinema e Audiovisual da PUC-Minas. Estágio Pós-Doutoral em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFJF. Doutora em Comunicação Social pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG. Mestre em Comunicação Social pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG. julia.fagioli@gmail.com Lara Linhalis Guimarães Professora adjunta do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto. Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre em Comunicação e Sociedade pela UFJF. Graduada em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal de Viçosa(UFV-MG). Cofundadora e coordenadora do Grupo de Pesquisa Emergências: coletivo de extensão, pesquisa e ativismo em Comunicação. lara.guimaraes@ufop.edu.br Mariana de Almeida Ferreira Professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais na linha de Processos Comunicativos e Práticas 153 Sociais. Bolsista Conhecimento Brasil(CNPq). Doutora em Comunicação Social pela UFMG. Mestre em Comunicação, Linguagens e Cultura pela Universidade da Amazônia (Unama). Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal do Pará. Integrante do grupo de pesquisa Comunicação e Cultura em Televisualidades (COMCULT/UFMG). marianalmeida13@gmail.com Mariana Ramalho Procópio Professora do Departamento de Comunicação, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Regionalidades e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Viçosa. Mestre e doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais, com estágio de Doutorado-sanduíche na Université Paris Est-Créteil. Pós-Doutorado pelo Centro de Estudos de Gênero e da Mulher(CGWS) da Lancaster University. Colíder do Diz – Grupo de Pesquisa em Discursos e Estéticas da Diferença. mariana.procopio@ufv.br Nicoli Tassis Professora permanente da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia(UFU) no curso de Jornalismo, no Programa de Pós-Graduação em Tecnologias, Comunicação e Educação(PPGCE) e no Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários(PPGELIT). Doutora e mestre em Comunicação e Sociabilidade Contemporânea pela UFMG. Coordenadora do grupo de pesquisa em Narrativa, Cultura e Temporalidade(Narra). nicolitassis@gmail.com Paula Guimarães Simões Professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), do qual foi coordenadora entre agosto de 2022 e agosto de 2024. Doutora em Comunicação Social pela UFMG e pesquisadora visitante na University of California, Irvine(2019-2020), com bolsa Capes/Print. Líder do Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade(GRIS/UFMG) e bolsista de Produtividade do CNPq. paulaguimaraessimoes@yahoo.com.br Polyana Inácio Rezende Silva Professora adjunta do Departamento de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais nos cursos de Relações Públicas e Publicidade e Propaganda. Doutora em Comunicação e Sociabilidade pela Universidade Federal de Minas Gerais, Pós-Doutorado em Comunicação no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUC-Minas. Mestre em Comunicação Social pela PUC-Minas. Membro do Grupo de Pesquisa Comunicação no contexto organizacional: aspectos teóricoconceituais. polyanainacio@gmail.com, polyana@pucminas.br 154 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Rafaela Pereira Lima Graduação, Mestrado e Doutorado em Comunicação Social pela UFMG. Integrante dos grupos de Pesquisa“Instituições, Públicos e Experiências Coletivas”(UFMG) e Laboratório de Estudos e Aprontos Multimídia: relações étnico-raciais na cultura digital(UFF). Cofundadora e diretora da Agência de Iniciativas Cidadãs. rafaperalima@gmail.com Sônia Caldas Pessoa Professora do Departamento de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social(PPGCOM) da UFMG. Bolsista de Produtividade do CNPq. Professora visitante no Institut Mines-Télécom, França(Bolsa Capes-Print, 2023/2024). Líder do Afetos: Grupo de Pesquisa em Comunicação, Discursos e Experiências, Cocoordenadora do Laboratório de Experimentações Sonoras(LES) e da Rádio Terceiro Andar. soniacaldaspessoa@gmail.com Talita Souza Magnolo Pesquisadora Associada no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF). Mestre e doutora pelo PPGCOM/UFJF. Visiting Research na Universidade de Brown, Estados Unidos. Vice-líder do Grupo de Pesquisa(CNPq) Comunicação, Cidade e Memória. Coordenadora do Grupo MemórIA. talita.magnolo@yahoo.com.br Teresinha Maria de Carvalho Cruz Pires Professora adjunta IV do Departamento de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais(PUC-Minas), nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Mestre em Sociologia pela UFMG. pires@pucminas.br 155 RIO DE JANEIRO 156 Marialva Barbosa POR ENTRE TESTEMUNHOS E DOCUMENTOS, UMA HISTÓRIA DE MAIS DE MEIO SÉCULO Como começar a resumir e significar uma história do campo da Comunicação no Rio de Janeiro, elegendo aspectos que se tornam dominantes pela escolha sempre arbitrária, por mais que se valha de procedimentos metodológicos e com as intermitentes interferências da minha própria memória? O desafio que a página em branco de um pequeno texto, que intento fazer, coloca na minha frente, é, de modo paradoxal, gigantesco. Como contar uma história que não seja apenas governada pela linearidade dos tempos ou pelos eventos que irrompem, produzindo mitos de origem e momentos axiais em que determinados processos são eleitos já na condição de disruptivos? Processos construídos no passado e que, muitas vezes, são buscados pelas teias da memória para reafirmar uma intencionalidade prévia. São, portanto, muitas as questões que emergem como dúvida em relação aos caminhos a serem seguidos por qualquer historiador que se arvora no papel de contar histórias. As escolhas que surgirão nos parágrafos que se seguem foram, portanto, antes de tudo, governadas pelo aleatório de um pesquisador que, antes mesmo de estar no mundo, já se coloca no papel de intérprete deste mesmo mundo, mesmo que seja o pequeno mundo sobre o qual nos debruçamos agora, ante ao sempre grande mundo da história. O que agrava ainda mais este cenário é que da história que vou contar vivi dela, ou seja, estive imersa no que hoje podemos sintetizar como campo comunicacional no Rio de Janeiro, pelo menos 50 anos. Se fosse afeita a dividir o tempo nas histórias que produzo a partir das linearidades das épocas, seria mais fácil. Por outro lado, se buscasse apenas as rupturas nas transformações retumbantes da história, mesmo das mais particulares, como é o caso agora, também seria mais simples. Resolvi, porém, seguir outro caminho: aquele que elege, conectando os documentos das épocas às interferências da minha 157 própria memória, uma temporalidade governada por uma lógica espiralada, em que o passado possui ao mesmo tempo espessura e fluidez, o que o faz divergente do presente onde nos movemos, mas que aí também encontra conexões. O presente, como lugar da possibilidade do memorável, por outro lado, vai fornecendo os fios tecidos sob forma de linhas espiraladas que captam determinados momentos e fulguram outros no mais absoluto silêncio. É a partir desta perspectiva, todavia, que uma peculiar história do campo comunicacional do Rio de Janeiro se constituirá, sempre governada pelo arbitrário. UM INÍCIO COMO GÊNESE A Comunicação como saber em instituições de reconhecimento e validação deste mesmo saber de forma orgânica, apesar de outras tentativas anteriores, começa efetivamente com a criação do Curso de Jornalismo, ministrado na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) 30 . Apesar de ter sido instituído pelo Decreto-Lei 5.480, de 1943, o curso não começou a funcionar imediatamente, sendo efetivamente inaugurado em abril de 1948. Percorrendo rapidamente os jornais da chamada grande imprensa da época, podemos observar não apenas a cronologia de instalação oficial do curso(abertura de inscrições; provas realizadas para ingresso; cerimônia de instalação solene no mês seguinte ao da abertura, com aula inaugural de Josué de Castro 31 ), mas também as questões que acirraram os ânimos dos 380 alunos matriculados na primeira turma 32 . Destes, 126 iriam formar-se, em dezembro de 1950, com direito à transmissão da solenidade de colação de grau, diretamente do Teatro Municipal, pela Rádio Ministério de Educação 30 O Decreto-Lei 5.480, de 1943, institui o curso de jornalismo, que, segundo o seu artigo 3º deveria ser ministrado pela Faculdade Nacional de Filosofia com a cooperação da Associação Brasileira de Imprensa, dos sindicatos representativos das categorias de empregados e empregadores das empresas jornalísticas(Lopes, 2012, p. 50). 31 Geógrafo de grande reconhecimento e ativista de combate à fome, escreveu o clássico Geografia da Fome , publicado em 1946. Na época era professor de Geografia Humana na mesma Faculdade de Filosofia(Castro, 2008). 32 Eram muitas estas questões que, certamente, não cabem no escopo desta escrita, mas, apenas a título de ilustração, alinhamos: as reclamações constantes de que o curso era teórico, não tendo relação direta com a prática jornalística; a reivindicação para inclusão de disciplinas“tecnológicas” fundamentais para o funcionamento do curso, por exemplo, taquigrafia; a pressão para que o“radialismo” fizesse parte da grade curricular; a ação política dos alunos para participarem das atividades discentes do Centro Acadêmico e as disputas que se sucederam com os discentes de Filosofia; entre outras(Cf. Diário de Notícias, 3 mar. 1948, p. 2; 10 abr. 1948, p. 2; 24 abr. 1948, p. 2; entre outros. 158 POR ENTRE TESTEMUNHOS E DOCUMENTOS, UMA HISTÓRIA DE MAIS DE MEIO SÉCULO e Cultura 33 . A cerimônia contou, ainda, com a presença do professor da Escola de Jornalismo e primeiro reitor da Universidade de Columbia, Carl W. Ackerman(Jornal do Commercio, 1950, p. 7). Esses dados factuais que particularizam o início primordial, governado pela ideia de gênese, remarca algumas características simbólicas em torno da instituição dos primeiros cursos, que, posteriormente, perderam sua autonomização e seriam, num outro contexto histórico, como ainda veremos no decorrer deste texto, englobados sobre a égide da Comunicação Social. A primeira delas diz respeito à afirmação do jornalismo, neste primeiro momento, como legitimador do seu discurso público, na medida em que passa a ser vinculado a um saber universitário distinguido, no sentido que Pierre Bourdieu atribui ao termo. O primeiro curso do Rio de Janeiro faz-se na mais prestigiada instituição de Ensino Superior do país, e as cerimônias de iniciação estão revestidas de inúmeros elementos simbólicos que afirmam a consagração dos profissionais do jornalismo, agora portadores de saberes e reconhecimento universitários. A transmissão da cerimônia por uma emissora de rádio e o discurso do reitor da Universidade de Columbia, a mais prestigiosa instituição de ensino de jornalismo no mundo, são marcas dos ritos de consagração que imprimem suas digitais na formação do campo no Rio de Janeiro. Cabe acrescentar que a instituição da primeira escola insere-se no contexto do complexo processo de modernização da imprensa carioca(Ribeiro, 2007), no qual o fortalecimento identitário e a profissionalização dos jornalistas tiveram papel-chave. Três anos depois do curso da então Universidade do Brasil, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-RJ) inaugura o seu curso de Jornalismo(1952) 34 , o quarto do Brasil e o segundo do Rio de Janeiro. O terceiro curso da área, já com o nome de Comunicação Social, e com as habilitações Cinema, Jornalismo e Publicidade, foi 33 Quanto ao número de formandos na primeira turma, há divergências. Enquanto os jornais que noticiam a formatura dizem ser 126, em matéria publicada em O Globo e transcrita no Boletim da Associação Brasileira de Imprensa(ABI), o diretor da Faculdade afirma terem sido 123. Em 1951 foram 56 formandos; em 1952, 109, caindo para 19 em 1953; e 23 nos dois anos subsequentes, 1954 e 1955. Em 1956 foram 26 e no ano seguinte apenas 15. Assim, de 1950 a 1958 foram 395 os bacharéis em jornalismo formados pela Escola de Filosofia da Universidade do Brasil(ABI, 1958, p. 8). 34 Na época, o Boletim da Associação Brasileira de Imprensa(ABI, 1959, p. 2) já assinalava com espanto:“Curso da PUC ensina moças a fazer jornal”.“Mulheres são maioria no curso de Jornalismo da Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica, predominando em todas as turmas”. 159 criado em março de 1968 na Universidade Federal Fluminense(UFF-Niterói) 35 . A lógica das habilitações, que institui o Curso de Comunicação Social como um campo que reunia no seu interior o Jornalismo, a Publicidade, as Relações Públicas, cinema e a editoração, por exemplo, instituída a partir da 1969, já estava presente no curso da UFF antes mesmo de sua obrigatoriedade. Um ano antes, em 1967, a própria UFRJ criara a sua Escola de Comunicações, e, assim, preparava-se para o novo cenário do ensino, que emergia de um contexto que aglutinava os ditames do período ditatorial em que a Comunicação era estratégica para o modelo de segurança nacional, fundamentado na chamada“integração nacional” e na diversificação e crescimento dos processos midiáticos 36 . Convém fazer mais um parêntesis para que este processo possa ser compreendido na sua dimensão política. Com a instalação do regime autoritário no Brasil houve profundas mudanças na concepção de educação, que assumiu uma face ideológica pautada pelo princípio da racionalidade técnica. Assim, passou a ser entendida como instrumento de trabalho e, em consequência, os saberes universitários deveriam pautar-se pelos ditames norteadores da produção capitalista. Este momento, portanto, de primeira expansão dos cursos, agora de Comunicação Social, deve ser compreendido em relação ao contexto histórico de expansão do mercado midiático do país dos anos 1960/1970, que, no caso do Rio de Janeiro, foi central, tendo em vista que estava concentrado no eixo Rio-São Paulo e, notadamente, na antiga capital da República. Era necessário, então, fornecer mão de obra para este mercado em franca expansão. Assim, a consolidação do mercado de bens simbólicos midiáticos, nas décadas de 1960/1970, atrelada a uma“moderna tradição brasileira”, usando aqui a expressão de Renato Ortiz, cuja égide é o conservadorismo sob a ditadura civil-militar brasileira, fazia do Rio de Janeiro lugar privilegiado para o crescimento do mercado profissional e, com ele, as chamadas novas configurações das profissões de Comunicação 37 . 35 Decreto n. 62.414, de 15 de março de 1968, que dispõe sobre a reestruturação da Universidade Federal Fluminense(UFF), criada através da Lei 3.848 de 16 de dezembro de 1960, ainda com o nome de Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro(UFERJ). O curso de Comunicação Social da UFF tem sua origem na proposta de Nelson Pereira dos Santos, após sua saída compulsória da Universidade de Brasília (UnB), efetivada pelo regime ditatorial brasileiro(1964-1985), que o fez propor ao então reitor da UFF, Manoel Barreto Neto, a criação de um Centro de Artes e um Curso de Cinema, que efetivamente se inicia em 1968, funcionando originalmente no prédio da Reitoria da Universidade em Icaraí 36 Segundo Cláudia Moura(2002, p. 77), desde 1962 havia sido homologado pelo Conselho Federal de Educação o ensino de Comunicação Social em nível de graduação. 37 Cabe ressaltar que a Faculdade de Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ), após regulamentação do MEC, é criada no início da década seguinte(1983). 160 POR ENTRE TESTEMUNHOS E DOCUMENTOS, UMA HISTÓRIA DE MAIS DE MEIO SÉCULO A emergência, entretanto, de reflexões em torno dos saberes profissionais, foi criando condições para os dizeres científicos: há paulatinamente uma preocupação, cada vez mais recorrente, em estudar os fenômenos comunicacionais. Mais uma vez o ensino nas primeiras escolas de Comunicação do Rio de Janeiro seria decisivo para este movimento. A criação da Escola de Comunicações da UFRJ, em 1967, apontava, portanto, para a Comunicação como um campo específico de saber, e não apenas um campo profissional(Ribeiro; Sacramento, 2012, p. 139). UMA NOVA GÊNESE: A COMUNICAÇÃO COMO“ATIVIDADE DE PENSAMENTO” Cinco anos depois da constituição da Escola de Comunicações da UFRJ, teve início o primeiro curso de Comunicação do Rio de Janeiro de nível de Pós-Graduação, com a criação do Mestrado em Comunicação e Cultura em 1972. Antes mesmo do funcionamento do nível Mestrado, o saber reflexivo disseminava-se nos cursos de Comunicação com a divulgação de textos básicos de Comunicação e cultura, possibilitando interpretações de autores estrangeiros que constituíam a vanguarda do pensamento internacional em torno dos problemas teóricos da área. Fazem parte deste movimento a coleção da editora Vozes“Novas Perspectivas em Comunicação”, que publicava seleção de textos da Revue Communications, e cujo primeiro número, de 1971, é dedicado à análise estrutural da narrativa. O segundo número, de 1972, denominava-se Semiologia e Linguística, ambos editados sob a égide de professores dos cursos de Comunicação da UFRJ e da UFF 38 . Concomitante ao movimento de divulgação de reflexões produzidas na Europa, pesquisadores do Rio de Janeiro começam a publicar estudos específicos sobre a indústria cultural. Exemplo, neste sentido, é a publicação de Comunicação do grotesco, em 1972, de Muniz Sodré, um dos fundadores do Programa de Pós-Graduação da UFRJ, e Fotonovela e indústria cultural, em 1974, de Angeluccia Bernardes Habert, professora da PUC do Rio de Janeiro. Cabe ressaltar o papel importante na divulgação do pensamento reflexivo dos professores de Comunicação, sobretudo aqueles que atuavam nas Pós-Graduação, realizado em duas revistas que se constituem, hoje, numa espécie de emblema reflexivo do pensamento circulante em torno das questões intelectuais das décadas 38 O primeiro livro tinha o artigo introdutório do professor da UFRJ, Milton José Pinto; já o segundo fora orientado por Antônio Sérgio Mendonça, então professor da UFRJ e da UFF, e Luiz Felipe Baeta Neves. Esse movimento intensificar-se-ia ainda mais com a institucionalização da Pós-Graduação no Rio de Janeiro: Luiz Costa Lima, por exemplo, organiza o clássico Teoria da cultura de massa , em 1978, e é publicado, pela Tempo Brasileiro, o livro Comunicação e Cultura de massa , que reúne autores que são docentes das Escolas de Comunicação, como Luiz Costa Lima, da PUC, e Francisco Dória, da UFRJ(Barbosa, 2020). 161 de 1970/1980: Tempo Brasileiro e Revista de Cultura Vozes, ambas editadas no Estado. Seja pela proximidade com os editores das publicações, no caso da Tempo Brasileiro, seja pela opção de produzir números temáticos sobre temas da chamada vanguarda cultural ou abrindo espaço à literatura, entre outros, havia a recorrência da publicação de reflexões dos professores de Comunicação nessas duas publicações 39 . Ainda que o Sistema Nacional de Pós-Graduação no Brasil tenha se instituído em meados da década de 1960 40 , passando a distinguir as Pós-Graduações stricto sensu e as Especializações e aperfeiçoamentos e vinculado as Pós-Graduações com a pesquisa científica e tecnológica, a criação do nível Mestrado na Comunicação do Rio de Janeiro somente ocorreria na década de 1970, e os primeiros cursos do nível Doutorado seriam formados apenas na década seguinte. Assim, junto com os cursos pioneiros de São Paulo, também a Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ criaria o seu Doutorado em Comunicação e Cultura em 1983 41 . Muniz Sodré, um dos fundadores do curso junto com Emmanoel Carneiro Leão, em depoimento em que testemunha este início, particulariza o que se entendia por Comunicação nos cursos de Pós-Graduação da UFRJ. Abrindo sua fala com uma pergunta, que ele mesmo responderia, sintetiza que, já naquele momento, a Comunicação era entendida como“um pensar”,“como uma atividade do pensamento”. Como se entendia a Comunicação aqui? Se entendia como um pensar, pensar essa coisa do jornal, do rádio, da revista, esses dispositivos técnicos que estavam surgindo com a mudança, com a mutação em cima do jornalismo, a televisão... Então, a Comunicação como uma atividade de pensamento. Olha, essa posição de pensar a Comunicação como uma atividade era uma posição de Wittgenstein. Wittgenstein concebia a filosofia como uma atividade de elucidação das questões que a linguagem traz para qualquer pessoa, seja para o cientista, seja para o filósofo, seja para o homem 39 A revista Tempo Brasileiro , publicada desde 1962, sob a direção de Eduardo Portela, incluiu, durante a década, textos de Emmanoel Carneiro Leão(UFRJ), Muniz Sodré(UFRJ/UFF), Moacir Cirne(UFF), Márcio Tavares d’Amaral(UFRJ) e Antônio Sérgio Lima Mendonça(UFRJ/UFF), apenas para citar os mais frequentes (Cominetti, 1996). Cabe ressaltar que até o final da década de 1980 eram exíguas, ou praticamente inexistentes em todo o Brasil, as revistas científicas publicadas pelas Pós-Graduações ou por sociedades científicas(a primeira foi a revista da Intercom, no final da década de 1970, que começou com o formato de um Boletim Informativo, somente constituindo-se como revista acadêmica em 1984). Disponível em: https:// revistas.intercom.org.br/index.php/revistaintercom. Acesso em: 21 maio 2023. 40 O Parecer n. 977/65(CFE, 2005) apresenta o conceito de Pós-Graduação stricto sensu :“o ciclo de cursos regulares em segmento à graduação, sistematicamente organizados, visando desenvolver e aprofundar a formação adquirida no âmbito da graduação e conduzindo à obtenção de grau acadêmico”(p. 166). 41 Os três primeiros Doutorados em Comunicação do Brasil foram o da PUC-SP, iniciado em 1978, o da USP, em 1980, em São Paulo, e o da UFRJ, no Rio de Janeiro, em 1983(Barbosa, 2020). 162 POR ENTRE TESTEMUNHOS E DOCUMENTOS, UMA HISTÓRIA DE MAIS DE MEIO SÉCULO comum, uma atividade de elucidação, não um corpo doutrinário, não, digamos, um conjunto sistemático de conhecimento como a ciência, mas filosofia é uma outra coisa, essa atividade de esclarecimento, de elucidação, de resolução das questões difíceis (Sodré, 2014) 42 . O funcionamento do primeiro Doutorado em Comunicação e Cultura no Rio de Janeiro criou condições indispensáveis não apenas para a formação de pesquisadores, mas permitiu a ampliação do escopo das pesquisas. A consequência mais importante, no entanto, seria a de possibilitar a própria expansão das Pós-Graduações em Comunicação em outras instituições do Estado do Rio de Janeiro. Assim, a segunda geração de pesquisadores, a maioria egressa do Doutorado da UFRJ, seria responsável pela criação de outras Pós-Graduações a partir do final da década de 1990 e pelo redesenho das pesquisas na área. Quando foi comemorado os 40 anos da Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ, em um número da revista do Programa, a marca de pioneirismo da sua PósGraduação foi mais uma vez destacada. Tomando, desde o início,“a Comunicação e suas tecnologias como centrais para a reflexão acerca da cultura, da arte, do sujeito, da linguagem, da verdade e da realidade”, foi instituído um curso com forte caráter interdisciplinar, tendo a Filosofia, a Psicanálise, a Semiologia e a Literatura, nos primeiros tempos, como constituintes de diálogos intensos. Assim, o Programa caracterizava-se pelo forte viés filosófico, razão pela qual o dossiê comemorativo ostentava a temática Comunicação e Filosofia, marcando a origem imemorial de um curso que se reordena permanentemente como“atividade de pensamento” (PPGCOM da UFRJ, 2013, p. 1-4). “EU ESTAVA LÁ: POR FAVOR ACREDITEM EM MIM” A frase síntese de uma das argumentações sobre o testemunho, anunciada por Paul Ricoeur(2007), serve como uma espécie de epígrafe ao movimento memorável que constituirá o âmago da construção deste item. O nível testemunhal, presente na história que será narrada na sequência, sintetiza o valor da presença do autor do texto, que participou ativamente do processo de criação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense(UFF). Daí o apelo:“eu estava lá, por favor acreditem em mim”. A renovação do quadro docente da UFF, que incluiu, entre os seus professores, egressos oriundos do Doutorado em Comunicação e Cultura da UFRJ, foi determinante para a criação da segunda Pós-Graduação na área no Estado, já no final da década de 1990, 42 Disponível em: http://www.pos.eco.ufrj.br/site/memoria_interna.php?id=44. Acesso em: 20 maio 2023. 163 na conjuntura da expansão dos cursos de Pós-Graduação ocorrida no país naquele momento 43 . O Mestrado em Comunicação, Imagem e Informação da UFF começou a ser desenhado em 1995, quando foi constituída uma comissão composta por alguns docentes(a maioria recém-ingressados na instituição) para produzir o projeto do curso. Anteriormente já havia ocorrido algumas tentativas que não foram adiante. Participaram ativamente da formulação do Mestrado em Comunicação, Imagem e Informação da UFF, a então chefe do Departamento de Comunicação, Marialva Barbosa, e os docentes Tania Conceição Clemente Souza(primeira coordenadora do curso), Afonso de Albuquerque(egresso da UFRJ e que havia sido orientado por Muniz Sodré) 44 , Luís Carlos Lopes, do curso de Arquivologia e Biblioteconomia, que também fazia parte do Instituto de Artes e Comunicação Social desde a sua criação, e João Luiz Vieira, do pioneiro curso de Cinema. O desenho do Mestrado para, no primeiro momento, atender ao número mínimo de professores, incluiu, assim, docentes dos Departamentos de Artes, Documentação e de Comunicação, incluindo, além dos docentes do Ciclo Básico, os das habilitações, como Jornalismo e Cinema. Em consequência, as linhas de pesquisa concebidas para uma área de concentração, que se denominava Comunicação, Imagem e Informação, distribuíam-se com três eixos não necessariamente convergentes: Comunicação e Tecnologias; Análise da Imagem e do Som; e uma improvável linha de Arquivística e Ciências da Informação. Apesar dos problemas iniciais, o curso só seria reformulado em sua estrutura curricular quando da criação do nível Doutorado, em 2002, com as novas linhas de pesquisa Comunicação e Mediação, Tecnologias da Comunicação e da Informação e Análise da Imagem e do Som. Somente então passou a denominarse Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Desde o início de seu funcionamento, passou a editar revistas de caráter científico: a primeira, Contracampo, surgiu ainda em 1997, no primeiro ano do curso e, no ano seguinte, Ciberlegenda. O editorial de apresentação do primeiro número da Contracampo, assinado por Maria Cristina Franco Ferraz, igualmente docente do curso desde o início, enfatizava o espírito do Programa naquele momento que via surgir o“limiar do século XXI”. No texto destacava o propósito do Mestrado: criar um 43 Na década de 1990 foram criados os Programas de Pós-Graduação em Comunicação da UFBA(1990), PUC/RS(1994), Unisinos(1994), UFMG(1995), UFRGS(1995), Unimar (1997), UNIP(1997), UFF(1997) e UTP/PR(1999), num total de 9 novos cursos de Mestrado. Na mesma década, a UMESP, cujo Mestrado fora criado em 1978, instituiu o nível Doutorado(1995), assim como a UFBA(1995), a Unicamp(1998), a PUC/RS (1999) e a Unisinos(1999)(Gomes; Pinto; Escosteguy, 2010). 44 Além de Afonso de Albuquerque, o corpo docente contava, neste primeiro momento, com mais cinco professores egressos do Doutorado da UFRJ(Ronaldo Rosas Reis, Afonso Henriques de Guimarães Neto, Simone Pereira de Sá, Fernando Ribeiro e Dênis de Moraes). 164 POR ENTRE TESTEMUNHOS E DOCUMENTOS, UMA HISTÓRIA DE MAIS DE MEIO SÉCULO campo de pesquisa que incluísse temáticas diretamente relacionadas às“mudanças dos paradigmas que governavam as percepções de mundo e as relações de poder das sociedades pós-industriais”. Assim, era urgente repensar“as novas tecnologias, reexaminar o estatuto da imagem na contemporaneidade, revitalizar, em suma, os estudos sobre os meios de Comunicação e informação”, que era também o propósito da revista, que homenageava no título uma invenção do cinema(Ferraz, 1997). As duas outras instituições em termos de oferecimento de cursos de Comunicação no Estado, a PUC e a UERJ, irão constituir seus cursos de Pós-Graduação em Comunicação no início do novo século, respectivamente em 2002 e 2003, com o nível Mestrado, no contexto da nova expansão da área de Pós-Graduação em Comunicação no Brasil ocorrida na primeira década do século 21. O nível Doutorado da UERJ foi aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) em 2012 e o da PUC-Rio no ano seguinte. UM TEMPO ESPIRALADO Na primeira década do século 21 uma série de ações conjuntas dos quatro Programas de Pós-Graduação do Rio de Janeiro, após um acordo institucional que estabeleceu a colaboração entre eles, constituiu o início de uma troca acadêmica de várias décadas. Na época, os Programas de Pós-Graduação coordenados por Raquel Paiva (UFRJ), Marialva Barbosa(UFF), Renato Cordeiro Gomes(PUC) e Ronaldo Helal (UERJ), passaram a promover cursos conjuntos, incentivar a troca das atividades discentes entre as instituições e promover eventos em parcerias, efetivando diversas ações de pesquisa e ensino entre os pesquisadores de Comunicação do Estado do Rio de Janeiro. A realização do 1º Congresso dos Estudantes de Pós-Graduação do Rio de Janeiro (Coneco), estimulado pela cooperação entre os Programas do Rio, realizado durante três dias de novembro de 2006, dois anos após o início do acordo institucional, e organizado pelas quatro instituições, constitui-se como marco celebratório da inédita parceria entre instituições diferentes, mas não divergentes. Na ocasião, um número especial da revista Ciberlegenda foi dedicado à publicação dos trabalhos considerados os melhores apresentados durante o Congresso e escolhidos por comissão constituída por docentes dos quatro programas(Revista Ciberlegenda, 2006) 45 . 45 Foram seis os Grupos de Trabalhos constituídos para aquele Congresso: Comunicação, cultura e poder; Comunicação e música popular massiva; Rumos da imprensa; Experiências urbanas, comunicação e sociabilidade; Tecnologias e estéticas da comunicação; e Entre imagens: cinema, vídeo, fotografia, mídias digitais(Revista Ciberlegenda, 2006). 165 As articulações dos programas do Rio, a partir dos papéis centrais que seus docentes passaram a ter nas sociedades científicas da área, ocupando cargos dirigentes e participando ativamente das discussões sobre a construção dos parâmetros de avaliação, marcam também a presença dos pesquisadores do Rio de Janeiro na consolidação do Sistema Nacional de Pós-Graduação em Comunicação no país. Na primeira década do século 21 o Rio de Janeiro sediou diversos congressos dessas sociedades científicas, e seus docentes assumiram a centralidade nas discussões mais candentes na definição dos parâmetros científicos da própria Comunicação. A Associação dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) foi institucionalizada no primeiro Congresso da Associação, realizado nas dependências da UFRJ em 1992. Ainda na primeira década do século 21, Sonia Virgínia Moreira, da UERJ, assumiu a presidência da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) e o Congresso Nacional de 2005 foi realizado no Rio de Janeiro. O Congresso anual da Compós voltaria no ano seguinte a ser realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF. Em relação aos pesquisadores que congregam os estudos de Cinema, a participação da UFRJ foi expressiva desde o início. Consuelo Lins, que assumiria a vice-presidência da Sociedade Brasileira de Estudos em Cinema e Audiovisual(Socine) em 2005, organizou, em 1998, o II Encontro da entidade, consolidando definitivamente a sociedade científica(Ramos, 2010). A institucionalização da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar) ocorreu durante o congresso da então Rede de Pesquisadores de História da Mídia, em 2008, na Universidade Federal Fluminense. Já na segunda década do século 21, Marialva Barbosa, que fora diretora científica e vice-presidente da Intercom anteriormente, assumiu a presidência da sociedade científica(20142017). Esses são apenas alguns exemplos da presença dos pesquisadores do Rio de Janeiro em algumas das associações científicas da área. No final da primeira década do século 21, um novo Programa de Pós-Graduação em Comunicação é criado na UFF: o de Mídia e Cotidiano. Aprovado pela Capes em 2012, iniciou sua primeira turma de Mestrado no ano seguinte. Em 2019, com a aprovação do Doutorado, teve início a primeira turma deste nível. Mais recentemente a Universidade Federal Fluminense criou o Programa de PósGraduação em Cinema e Audiovisual, aprovado pela Capes em 2017, nos dois níveis – Mestrado e Doutorado. No âmbito da Escola de Comunicação da UFRJ foi criado o primeiro Mestrado profissionalizante da área no Rio de Janeiro, com o início da Pós-Graduação em Mídias Criativas(anteriormente denominado Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Linguagem e Comunicação), aprovado pela Capes em 2015. O avanço e a consolidação dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação no Rio iriam se refletir no reconhecimento da área à complexidade e à importância das 166 POR ENTRE TESTEMUNHOS E DOCUMENTOS, UMA HISTÓRIA DE MAIS DE MEIO SÉCULO atividades de pesquisa e das ações que produzem na transformação da sociedade e em seu entorno, bem como da solidariedade em relação a outros espaços geográficos do país. O programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ foi o primeiro da área a receber nota máxima na avaliação quadrienal da Capes(20132017), tendo referendada a nota na avaliação do quadriênio seguinte(2018-2021). Nesta última avaliação outro Programa do Estado, o de Comunicação, da Universidade Federal Fluminense, também recebeu a nota máxima(sete). Se num primeiro momento o Programa da UFRJ foi indispensável para a criação de novos Programas da área(além, é claro, dos outros pioneiros de São Paulo, já referidos anteriormente), nos anos seguintes o mesmo movimento continuou sendo observado. De 2006 a 2020, apenas no nível Doutorado da UFRJ, foram formados 192 pesquisadores, e, destes, 82 tornaram-se professores de universidades públicas e 49 passaram a fazer parte de programas de Pós-Graduação em todo o país. Os egressos do Doutorado do Programa de 1996 a 2020, atuavam, em 2020, em 28 Programas de Comunicação do país 46 . A atuação dos egressos em instituições e organizações relacionadas ao desenvolvimento, visando o interesse público, é expressiva tanto em organismos internacionais(Organização das Nações Unidas – ONU; ONU-Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – Acnur; Anistia Internacional; Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – Unesco, entre outras) quanto nacionais(Organização Não Governamental – ONGs diversas; Fundos independentes; Ministérios; Prefeituras; Secretarias de Governo, entre outras) 47 . Nestes programas de Pós-Graduação foram gestadas, desde os primeiros tempos, reflexões inovadoras e importantes, sendo produzidos diversos estudos sínteses a partir das pesquisas realizadas desde o primeiro momento: de Comunicação do Grotesco (1972) ao Fascismo da Cor(2023), ambos de autoria de Muniz Sodré, 51 anos passaramse em torno de reflexões deste autor, central no pensamento contemporâneo sobre a Comunicação. Ao lado destas, poderíamos citar outras importantes obras que se originaram dos docentes dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação do Rio de Janeiro: dos pioneiros, daqueles que atravessaram os estudos numa época em que a ênfase recaía sobre a perspectiva sociológica, passando pelas aproximações com os estudos culturais, dos meios, incluindo, por exemplo, pesquisas em torno do rádio e do jornalismo, da televisão, do cinema, das culturas juvenis, da música, da política, dos processos de subjetivações, das tecnologias de Comunicação que avançam na direção das inteligências artificiais e de um mundo marcado pelas incertezas do 46 São eles: PPGCOM UFF; PPGMC, UFF; PPC CINE, UFF; UFES; UFRJ; UFMG; UFRGS; UERJ; PUC-Rio; USP, Meios Audiovisuais: UFJF; UFSM; UFC; Fiocruz; UnB; UFPE; PUC-Minas; UFPI; UFG; UNESP; UMESP; UFRB; UFOP; Unisinos; UFPE; UFPA; UFMA e UFRN). 47 Ficha Proposta do Programa – Formação. Avaliação Quadrienal – 2017-2020. Plataforma Sucupira/CAPES. 167 porvir 48 . Este arcabouço, afinal, permitiu à própria autora deste texto construir uma narrativa que navegou entre documentos e memórias particulares para fazer emergir o tempo já longo de cinco décadas. Numa temporalidade de natureza espiralada, que objetiva promover síntese, redirecionando tempos em que um processo se conecta ao outro e, por sua vez, no subsequente, numa perspectiva cambiante e transfiguradora, seria importante fazer referência ao que podemos denominar de formação de uma literatura de ideias oriundas dos pesquisadores da Comunicação a partir das instituições localizadas no Estado do Rio de Janeiro. Este estudo, entretanto, ante a complexidade necessária, não caberia no escopo deste trabalho: fica o convite para alguém que queira continuar seguindo esta história. Referências ABI. Associação Brasileira de Imprensa. Quatro anos para o curso de Jornalismo. Boletim da Associação Brasileira de Imprensa, p. 8, abr. 1958. ABI. Associação Brasileira de Imprensa. Boletim da Associação Brasileira de Imprensa, abr. 1958. ABI. Associação Brasileira de Imprensa. Boletim da Associação Brasileira de Imprensa, p. 2, out. 1959. BARBOSA, Marialva. Comunicação e método. Cenários e práticas de pesquisa. Rio de Janeiro, RJ: MAUADX, 2020. BRASIL. Decreto n. 62.414, de 15 de março de 1968. Brasília: Câmara dos Deputados. Coleção de Leis do Brasil – 1968, p. 498. Vol. 2(Publicação Original. Legislação Informatizada). CASTRO, Josué de. Uma vida contra a fome. Brasília, DF: Senado Federal, 2008. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/178268. Acesso em: 21 maio 2023. COMINETTI, Rosa Maria. Dez anos em Revista: Tempo Brasileiro e Novos Estudos. 1996. Dissertação(Mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, Estudos Literários, 1996. CFE. Conselho Federal de Educação. Parecer CFE n. 977/65, aprovado em 3 dez. 1935. Revista Brasileira de Educação, n. 30, p. 162-173, set./out./nov./dez. 2005. DIÁRIO DE NOTÍCIAS, mar./abr. 1958. 48 Para uma síntese importante dessa história, em que o contexto se faz com a produção de livros até a primeira década do século XXI(cf. Ribeiro; Sacramento, 2012). 168 POR ENTRE TESTEMUNHOS E DOCUMENTOS, UMA HISTÓRIA DE MAIS DE MEIO SÉCULO FERRAZ, Maria Cristina Franco. Apresentação. Contracampo, n. 1, 1997. GOMES, Itania Maria Mota; PINTO, Julio; ESCOSTEGUY, Ana Carolina. Antecedentes, tendências e perspectivas da Pós-Graduação em Comunicação. In: CASTRO, Daniel; MELO, José Marques de; CASTRO, Cosette(org.). Panorama da Comunicação e das telecomunicações no Brasil. Brasília, DF: IPEA, 2010. V. 2. HABERT, Angelúcia. Fotonovela e indústria cultural. Petrópolis, RJ: Vozes, 1974. JORNAL DO COMMERCIO, 16 dez. 1950. LOPES, Fernanda Lima. Jornalista por canudo. O diploma e o curso superior na construção da identidade jornalística. 2012. Tese(Doutorado em Comunicação) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, PPGCOM-UFRJ, Rio de Janeiro, 2012. MENDONÇA, Antônio Sérgio. Por uma teoria geral das ideologias. In: Semiologia e linguística. Novas Perspectivas em Comunicação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1972. Vol. 2. MOURA, Claudia Peixoto. O curso de Comunicação Social no Brasil: do currículo mínimo às novas diretrizes curriculares. 1. ed. Porto Alegre, RS: EDIPUCRS, 2002. PINTO, Milton José. Introdução: a mensagem narrativa. In: Análise estrutural da narrativa. Novas Perspectivas em Comunicação: Petrópolis, RJ: Vozes, 1973. Vol. 1. PPGCOM da UFRJ. Uma trajetória de 40 anos. Revista ECO-Pós, v. 16, n. 1, p. 1-4, jan./abr. 2013. RAMOS, Fernão Pessoa. Breve relato sobre a fundação da SOCINE. In: CASTRO, Daniel; MELO, José Marques de; CASTRO, Cosette(org.). Paronama da Comunicação e das telecomunicações no Brasil. Brasília, DF: IPEA, 2010. V. 2. REVISTA CIBERLEGENDA. Universidade Federal Fluminense(UFF). Dossiê I CONECO, dez. 2006. RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor. História contextual. In: CASTRO, Daniel; MELO, José Marques de; CASTRO, Cosette(org.). Paronama da Comunicação e das telecomunicações no Brasil. Brasília, DF: Ipea, 2012. V. 3. RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50. Rio de Janeiro, RJ: E-Papers, 2007. RICOEUR, Paul. A história, a memória e o esquecimento. Campinas, SP: Ed. Unicamp, 2007. SODRÉ, Muniz(entrevista). Memória PPGCOM-UFRJ. 2014. Disponível em: http:// www.pos.eco.ufrj.br/site/memoria_interna.php?id=44. Acesso em: 20 maio 2023. SODRÉ, Muniz. Comunicação do grotesco. Petrópolis, RJ: Vozes, 1972. SODRÉ, Muniz. O fascismo da cor. Uma radiografia do racismo nacional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2023. 169 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 170 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste NIZIA VILLAÇA Larissa Grandi Vaitsman Bastos Nizia Maria Souza Villaça nasceu em 10 de fevereiro de 1947 no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Francisco Rocha Villaça e Ilka Pereira de Souza Villaça, a única mulher entre quatro filhos. Estudou no Sacre Coeur de Marie, colégio particular do Rio de Janeiro, quando só aceitava meninas. Inicia sua formação superior cursando Letras Neolatinas na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-RJ), tendo cogitado arquitetura, direito e jornalismo. Na década de 1960, após formarse, lecionou português, francês e latim em colégios ou em aulas particulares. Realizou Mestrado em Literatura Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) entre 1970 e 1974, desenvolvendo a Dissertação“Terra sem música: um discurso gerador de ficção”, sob orientação de Cleonice S. Motta Berardinelli. Foi aprovada com a menção de“Excelente”. O Doutorado foi realizado no mesmo Programa, entre 1976 e 1982, dando sequência à área de formação de sua Graduação e Mestrado. A tese foi intitulada“Cemitério de mitos: uma leitura de Dalton Trevisan”, sob a orientação de Emmanuel Carneiro Leão, também aprovada como“Excelente”. Realizou Pós-Doutorado em Antropologia Cultural na Sorbonne, Paris V, sob a orientação de Michel Maffesoli, com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), entre 1984 e 1985. Foi neste período que conheceu grandes referências, como Abraham Moles, Gilbert Durand, Edgar Morin, Paolo Fabri e Louis Vincent Thomas, surgindo aproximação acerca do mito e as 171 questões do imaginário e o início de sua ligação com o“Centre de Recherche sur l’Imaginarie”, por intermédio do“Centre d’Études sur l’Actuel et le Quotidien”(CEAQ), de Michel Maffesoli. Sua atuação profissional é desenvolvida, na maior parte de sua trajetória, na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO/UFRJ). Em 1975 foi convidada para ministrar um curso de Pós-Graduação, para onde foi transferida com sua aprovação como professora assistente de Teoria Literária na Faculdade de Letras da UFRJ em 1977. Foi roteirista e avaliadora pedagógica na Televisão Educativa – antigo Canal 2 –, guiada por seu interesse pela semiologia e exercício da linguagem em sua abrangência enunciativa. Neste período participou da criação de programas e da elaboração de roteiros cômicos para a Turma do Lambe-Lambe, de Daniel Azulay. Nizia também foi membro do corpo editorial de periódicos nacionais e internacionais, destacando-se as revistas: Contemporânea, Lumina, Modapalavra E-periódicos, Lugar Comum, Esprit Critique, Matières à Penser: Quêtes Philosophiques, Sociétales et Littéraires, Arte Palavra, além da coordenação do grupo Ethos: Comportamento e Estratégias Corporais, que tem caráter transdisciplinar e interinstitucional, composto por professores dos Departamentos de Comunicação e Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro(UERJ) e da Faculdade de Letras da UFRJ. Ela é, ainda, membro do Conselho Diretor do Programa Avançado de Cultura Contemporânea(PACC), orientadora do Pós-Doutorado em Estudos Culturais, assessora de Coordenação da Pós-Graduação para convênios em instituições no exterior e atua na direção e administração da Escola de Comunicação no Departamento de Expressões e Linguagens. Entre as principais parcerias internacionais ressalta-se, na França: Centre d’Études sur l’Actuel et le Quotidien(CEAQ), Cercle d’Etudes Nouvelles d’Anthropologie, Cena; Groupe d’Étude sur la Mode, Gemode; e, na Romênia, Centre de Recherches Internationales Sur L’Imaginaire(CRI). Dentre as pesquisas de Nizia destaca-se o projeto“Imaginário contemporâneo: corpo, moda, consumo e novas tecnologias”, no Instituto de Psicologia Social do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, que traz a multiplicidade de uma atividade integradora e multidisciplinar. Salientam-se, nesta trajetória, 172 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS projetos de pesquisa desenvolvidos com financiamento:“A pauta contemporânea”,“Estratagemas do riso”,“Identidade, marca e globalização”,“Os novos heróis do contemporâneo: entre o anonimato e a fama”,“Rio de Janeiro: corpo, moda e espaços periféricos”,“Entre o épico e o dramático: identidades em tempos globais”,“Estéticas periféricas/espaços midiáticos: negociações”,“A construção do corpo na mídia: texto e imagem”,“Reconfiguração das fronteiras corporais na moda, arte e na ética”,“Uma visão interacionista do corpo em tempos de Comunicação global”, “Comunicação e a nova ordem corporal na virada do milênio” e “Os paradoxos do contemporâneo; uma crítica da cultura”. O reconhecimento de sua obra como referência reflete-se nos inúmeros prêmios e títulos, tanto nacionais quanto internacionais: foi primeira colocada em premiação promovida pelo Jornal do Brasil – Caderno Ideias –, em 1989, na categoria de ensaios sobre ficção contemporânea, sendo premiada com uma viagem à Alemanha. Em 2006 recebeu o título de Sócio Emérito do PEN Clube do Brasil, tendo como entidade promotora a Costume Society of America Annual Symposium, com o reconhecimento no The Latin American Fashion Reader For Best Book 2004-2005, Published by a Member of the Middle Atlantic Council of Latin American Studies. Com promoção da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro(Faperj), em 2009 recebeu“Bolsa Cientista do Nosso Estado”, e em 2018 tornou-se coordenadora geral da Área de Comunicação, promovida pela Faperj. O título de Professora Emérita da Escola de Comunicação da UFRJ veio no ano de 2012. Os livros da autora figuram como importantes obras da área, a exemplo de“O consumo da cultura: comunicação e performance”; “Em nome do corpo”,“A periferia pop na idade mídia”;“A edição do corpo: tecnociência, artes e moda”;“Mixologias: Comunicação e o consumo da cultura” e“Paradoxos do pós-moderno: sujeito& ficção”. Pesquisadora de produtividade 1B do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), é também consultora ad hoc da Faperj, da Capes, do CNPq e do Programa Iberoamericano de Ciência y Tecnologia para el Desarrollo(Cyted). Dentre as principais áreas de pesquisa estão a epistemologia da Comunicação, corpo, moda, antropologia do consumo e artes, com olhar para as questões do feminino, sempre ancoradas em 173 seu conhecimento de Literatura. Direciona-se para o estatuto da representação, os processos de subjetivação e a questão identitária. As implicações individuais, sociais e suas mitologias nos diferentes períodos e áreas do conhecimento compõem a costura deste tecido composto por intenso conjunto de contribuições para a área de Comunicação. Nizia faleceu no dia 5 de novembro de 2025. Principais publicações VILLAÇA, Nizia. A periferia pop na idade mídia. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011. 175 p. VILLAÇA, Nizia. A edição do corpo: tecnociência, artes e moda, 2. ed. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011. 272 p. VILLAÇA, Nizia. Paradoxos do pós-moderno: sujeito& ficção. Rio de Janeiro: UFRJ, 1996. 225 p. VILLAÇA, Nizia. O consumo da cultura: Comunicação e performance. 1. ed. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2018. VILLAÇA, Nizia. Mixologias: Comunicação e o consumo da cultura. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2010. 174 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste IEDA TUCHERMAN Fátima Regis Ieda Tucherman nasceu em 13 de janeiro no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Gregório Vaisberg e Clara Vaisberg. Ieda cursou os anos iniciais do Ensino Fundamental, antigo primário, no Ginásio Israelita Brasileiro A. Liessin. Os anos finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio foram cursados no Colégio de Aplicação(CAP) da Universidade Federal do Rio de Janeiro(então Universidade do Brasil). Sua formação incluiu atividades de arte, cultura e idiomas estrangeiros(francês e latim). Graduou-se em Comunicação em 1973 pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), de onde nunca mais se afastou. Em 1979 concluiu o Mestrado em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação(ECO-UFRJ), apresentando a dissertação “Sobre o Discurso Literário”, orientada por Emmanuel Carneiro Leão, fundador do Programa. O Doutorado, feito no mesmo Programa, foi orientado por Márcio Tavares D’Amaral e concluído em 1991, com a tese“Ética e Modernidade: Diário de Bordo ou Contos da Amizade”, na qual já se vislumbram as articulações entre Comunicação, subjetividade, ética e corpo, que dão o tom das questões que marcam sua pesquisa acadêmica. Em 2002-2003 realizou Pós-Doutorado no Institute for Research and Coordination in Acoustics/Music(IRCAM), no Centre George Pompidou, em Paris, com bolsa de pesquisa da Coordenação para Aperfeiçoamento de Estudos de Ensino Superior(Capes), sob a supervisão de Bernard Stiegler. 175 Ieda começou a lecionar na Graduação em Comunicação da ECOUFRJ em 1980 e na Pós-Graduação em 1991, imediatamente após a conclusão de seu Doutorado. Em 1981 integrou o grupo de pesquisa Idea, do Laboratório de História dos Sistemas de Pensamento, cadastrado no diretório do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Foi chefe do Departamento de Fundamentos da Comunicação nos períodos de 1996-1997 e 1997-1998. Em seu segundo mandato, de 1997 a 1998, liderou a reforma do currículo dos cursos de Graduação. Os cursos na Pós-Graduação,“Comunicação e Sujeito”, “Comunicação e Sistemas Simbólicos”,“Comunicação e Sistemas de Pensamento” e, posteriormente,“Imaginário Tecnológico”, propiciaram a articulação do campo da Comunicação com o sujeito, o sentido, o tempo, o discurso e o imaginário tecnológico. Ela também criou o Grupo de Pesquisa Imaginário Tecnológico, cadastrado no diretório do CNPq, e até 2023 orientou 36 mestres e 17 doutores em Comunicação e Cultura. Ieda teve presença constante na Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação(Compós), ajudando a criar e participando do Grupo de Trabalho Comunicação e Cultura. Foi sua coordenadora no biênio 2007-2008 e sua vice-coordenadora no período 2013-2014. Participou, também, do extinto Grupo de Trabalho Comunicação e Análise do Discurso, tendo sido sua coordenadora no biênio 1998-1999. Ela atuou como avaliadora de cursos de Pós-Graduação em Comunicação para a Capes e em redes de pesquisa com pesquisadores franceses, portugueses e ibero-americanos. Em 1993 foi mediadora de uma conferência de Alain Badiou, o qual a convidou para mediar suas próximas palestras no Rio de Janeiro, e em 1996 ficou corresponsável pela revisão técnica de seu livro“O ser e o evento”, publicado pelas editoras Zahar e UFRJ. Em abril de 1997 Ieda foi convidada para ser Keynote speaker do primeiro Congresso Lusófono de Comunicação, originando as trocas com o Departamento de Comunicação do Centro de Ciências Sociais na Universidade Nova de Lisboa, em Portugal. Em 1998 ela retornou a Lisboa para ministrar cursos de verão na Fundação do Oriente, ocasião que resultou no convite para escrever a obra “Breve história do corpo e de seus monstros”, publicada em 1999. 176 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Na Universidade Nova de Lisboa ela participou de bancas, ministrou um minicurso, proferiu palestras e participou de um Congresso na Universidade do Minho em Braga. Em 1999 foi convidada para o I Encontro Lusófono de Ciências da Comunicação, em Lisboa, que gerou um capítulo do livro“Tempo e Perplexidade”, publicado nas Actas do Encontro. Em 2000 participou de um Congresso sobre Biodança em São Lourenço, Portugal. As articulações entre corpo, história do corpo e violência doméstica renderam um convite para uma palestra no Colégio do México, em 2001. Ieda dedicou sua vida ao magistério e à Escola de Comunicação da UFRJ, atuando como professora titular até o final de sua vida, em 5 de julho de 2024. Principais publicações TUCHERMAN, Ieda. A arqueologia do discurso amoroso. Rio de Janeiro: Mauad, 2019. TUCHERMAN, Ieda; CAVALCANTI, Cecília C. B.; OITICICA, Luiza Trindade. Revistas científicas, mediações e retóricas: encontros e desencontros entre a mídia e o biopoder. In: BRAGA, José Luiz, LOPES, Maria Immacolata Vassalo de; MARTINO, Luiz Cláudio(org.). Pesquisa empírica em Comunicação. São Paulo: Paulus, 2010. p. 271-292. TUCHERMAN, Ieda. Uma breve história do corpo e seus monstros. 2. ed. Lisboa, Portugal: Vega, 2004. TUCHERMAN, Ieda. Notes for a future anthropotechnology. In: MENDES, Cândido; LARRETA, Enrique Rodriguez(org.). Simulacrum. Artificial: Ontologies of Postmodernity. Rio de Janeiro: Editora da Unesco, 2003. p. 237-253. V. 1.(Coletânea Real). TUCHERMAN, Ieda. Uma breve história do corpo e seus monstros. Lisboa, Portugal: Vega, 1999.(Coleção Passagens). TUCHERMAN, Ieda. Voando no inesperado. In: NETO, Antonio Fausto; PINTO, Milton José(org.). O indivíduo e as mídias. Rio de Janeiro: Diadorim, 1996. p. 141-146. TUCHERMAN, Ieda. O homem de papel: corpo e limite. Cadernos de Psicanálise, v. 12, n. 15, p. 8-17, 1995. 177 MARIALVA BARBOSA Leticia Cantarela Matheus Marialva Carlos Barbosa nasceu em 19 de junho de 1954 no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Álvaro Pereira Barbosa e Maria Carlos Barbosa. Não teve filhos, mas adotou os enteados Bruno e Maria Lívia. Foi casada com Nélio Rodrigues. Sua formação básica foi na Escola Goiás, em Piedade, e o ginásio na Escola José do Patrocínio, em Del Castilho, onde se encantou pelas aulas de História. Em seguida cursou a Escola Normal Carmela Dutra, em Madureira. Passou em terceiro lugar no vestibular unificado do Centro de Seleção de Candidatos ao Ensino Superior do Grande Rio(Cesgranrio). Trabalhou, desde os 12 anos, como explicadora infantil e vendedora de tricô e crochê feitos por ela. Foi morar sozinha aos 17 anos e começou a trabalhar como auxiliar de pesquisa em um escritório. Em 1973 Marialva entrou para o recém-criado curso de Jornalismo, então Bacharelado em Comunicação Social, na Universidade Federal Fluminense(UFF), em Niterói(RJ). A carreira jornalística começou na Rádio Tupi e depois na TV Tupi, exercendo a função de repórter, e, finalmente, no jornal Última Hora. Tornou-se gerente de Comunicação da Sul América Seguros e passou pelo mesmo cargo em outras grandes empresas, como Odebrecht, Esso e a antiga estatal Telerj, onde gerenciou um setor com mais de 40 profissionais. Começou a dar aulas práticas de jornalismo como professora colaboradora na UFF em 1979, ano em que se graduou. Foi convidada para cobrir as disciplinas de dois professores em licença. Ao final do contrato de um ano entrou para o quadro docente 178 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS efetivo graças ao Decreto do ministro da Educação e Cultura do governo João Batista Figueiredo, que incorporava os colaboradores ao serviço público. Ela tinha 25 anos e se aposentaria da UFF 31 anos depois. Nesse percurso ministrou quase todas as disciplinas práticas de Jornalismo: Técnica de Reportagem, Redação Jornalística, Edição Jornalística, Ética e Legislação, Rádio, Assessoria de Imprensa e, por fim, História do Jornalismo. Nessa época ocupava vaga de 20 horas, o que lhe permitia continuar no mercado profissional durante o dia. Em 1991 pediu Dedicação Exclusiva. Em 1989 entra para o Mestrado em História na UFF e foi orientada por Rachel Soihet, defendendo a dissertação“Operários do Pensamento: Visões de Mundo dos Tipógrafos do Rio de Janeiro (1880-1920)”, em 1992. Emenda no mesmo ano o Doutorado, no mesmo Programa, desta vez com orientação de Sônia Mendonça. Recebeu o título de doutora em 1995, com a defesa da tese “Imprensa, Poder e Público: os diários do Rio de Janeiro(18801920)”, tendo analisado a trajetória biográfica e intelectual de cerca de 100 jornalistas que atuaram na virada do século. A obra recebeu o Prêmio de Melhor Tese de Jornalismo pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Marialva produziu duas teses simultaneamente, pois no ano seguinte defendeu sua tese para titular da cadeira de Jornalismo, com o título “Senhores da Memória”, sobre a cobertura jornalística da chacina de Vigário Geral e a perspectiva de um jornalismo de sensações, conceito que seria um dos seus legados. Fez Pós-Doutorado na França, no Centre National des Recherches Scientifiques, LaiosCNRS, entre 1998 e 1999. Ao aposentar-se da UFF, em 2010, tinha passado por diferentes cargos no Instituto de Arte e Comunicação Social(IACS) e participado da fundação do Mestrado(1997), do Doutorado em Comunicação (2002) e do Bacharelado em Estudos de Mídia, que começou a funcionar em 2004. Marialva teve uma passagem de dois anos pela Universidade Tuiuti do Paraná(UTP), até prestar concurso para a Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Foi aprovada na Escola de Comunicação (ECO-UFRJ) em 2012, como titular. Na ECO foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura. Ao longo da carreira foi diretora científica(2009-2011), vicepresidente(2011-2014) e presidente da Intercom(2014-2017), 179 tendo começado como coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Jornalismo e depois como coordenadora geral dos núcleos, até ocupar interinamente a Diretoria Científica em 2005. Recebeu o Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, na categoria Maturidade Acadêmica, em 2008. Foi a primeira“Cientista do Nosso Estado” da área de Comunicação pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro(Faperj). Atuou como professora visitante sênior na Universidade Nova de Lisboa (2021/22) e na Universidade Fernando Pessoa(2021/22), com bolsa do projeto Capes/PrInt. É pesquisadora PQ do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) desde 2004. Ajudou a fundar, em 2001, a Rede Alfredo de Carvalho(Alcar), dedicada à pesquisa em História da Imprensa, e que se tornaria, em 2008, a Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia, da qual foi a primeira presidente(2008-2011). Depois que publicou sua tese, no ano 2000, sob o título“Os donos do Rio – imprensa, poder e público”, sua primeira obra individual foi “Percursos do olhar: comunicação, narrativa e memória”, em 2007, livro com contribuições metodológicas sobre aproximações entre Comunicação e História. No mesmo ano lança o primeiro volume de“História Cultural da Imprensa”, cujo segundo volume saiu em 2020. Marialva editou uma sequência de publicações relevantes para a área, entre elas“Os Manuscritos do Brasil. Uma rede de textos no longo século XIX”, em 2018, e“História da Comunicação no Brasil”, de 2013. Também publicou“Escravos e o mundo da Comunicação: oralidade, leitura e escrita no século XIX”, lançado em 2016. Publicou, ainda, uma centena de artigos científicos e contribuições com capítulos em coletâneas, especialmente voltados para o Jornalismo, a História do Jornalismo e, de maneira mais ampla, sobre os mútuos atravessamentos entre Comunicação e história. Entre as inúmeras contribuições teóricas e de desenho de campo dadas por Marialva Barbosa, a principal foi ter complementado a área da Comunicação com a interdisciplinaridade junto a História. A aproximação epistemológica que ela promoveu ao propor que nossos objetos sejam historicizados, isto é, sempre inscritos no tempo, ensinou-nos que certas dimensões somente podem ser desvendadas pelos movimentos profundos, e que o sentido é sempre único e irreversível, tal qual a flecha impiedosa e renovadora do tempo. 180 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Principais publicações BARBOSA, Marialva Carlos. Comunicação e método: cenários e práticas de pesquisa. 1. ed. Rio de Janeiro: Mauad-X, 2020. 164 p. V. 1. BARBOSA, Marialva Carlos. Escravos e o mundo da Comunicação: oralidade, leitura e escrita no século XIX. 1. ed. Rio de Janeiro: Mauad-X, 2016. 176 p. V. 1. BARBOSA, Marialva Carlos. História da Comunicação no Brasil. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2013. 392 p. V. 1. BARBOSA, Marialva Carlos. História cultural da imprensa – Brasil 1800-1900. 1. ed. Rio de Janeiro: Mauad-X, 2010. 266 p. V. 1. BARBOSA, Marialva Carlos. História cultural da imprensa – Brasil 1900-2000. 1. ed. Rio de Janeiro: Mauad-X, 2007. 262 p. V. 1. 181 VERA FOLLAIN Tatiana Oliveira Siciliano Vera Lúcia Follain de Figueiredo nasceu em 13 de novembro de 1948 no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Maria de Lourdes Follain de Figueiredo e Oswaldo Cruz de Figueiredo. É mãe de Sílvia e avó de Luís Henrique e Vinícius. Foi casada com Cláudio Mello Sobrinho (falecido). Estudou na Escola Normal Instituto de Educação, no Rio de Janeiro, no segundo segmento do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Teve formação em letras e literatura desde a Graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ-1972), passando pelo Mestrado(1980) e o Doutorado(1993) em Literatura comparada na Pontifícia Universidade Católica(PUC-Rio), mesclada com sua atuação como docente e pesquisadora do Departamento de Comunicação da PUC-Rio. Sua dissertação“Quarup: ruína e utopia”, orientada por Luís Costa Lima, é sobre Antônio Callado. No Doutorado, sob orientação de Affonso Romano de Sant’Anna, discutiu as imagens da história na ficção latino-americana. No campo da literatura foi professora adjunta de 1980 a 1997 no Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde coordenou(1994-1997) o Centro de Estudos LatinoAmericanos. Também trabalhou na Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro como professora de Literatura brasileira no Ensino Médio(1974-1991) e na Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro – Diretoria da Divisão Editorial(1987-1988), onde editou a Revista do Brasil. 182 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Integra o Departamento de Comunicação da PUC desde 1981, e de 2003 a 2005 atuou como vice-coordenadora do recém-lançado Programa de Pós-Graduação. A partir de 2009 passa a colaborar com a Pós-Graduação do Departamento de Letras, ministrando disciplinas que integram o pensamento literário e comunicacional. É pesquisadora 1B do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Vera Lúcia vem desenvolvendo projetos transdisciplinares com apoio do CNPq, como“Narrativas ficcionais na era da convergência de mídias”,“Ficção e cotidiano: regimes de visibilidade na literatura e no cinema brasileiro contemporâneo”,“Narrativa e crise da representação: cinema e literatura na virada do século”,“Narrativa ficcional e mercado: convenções e transgressões”. É editora da Revista Alceu do Programa Pós-Graduação de Comunicação da PUC-Rio desde 2020, e membro do corpo editorial de diversos periódicos acadêmicos. É consultora ad-hoc do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro(Faperj). Publicou diversos capítulos de livros e artigos, além de várias obras autorais, como“Os Crimes do texto: Rubem Fonseca e a ficção contemporânea”(2003),“Narrativas Migrantes: Literatura, Roteiro e Cinema”(2010) e“A Ficção equilibrista: Narrativa, cotidiano e política”(2020). Em“Narrativas migrantes: literatura, roteiro e cinema”, uma compilação de textos dos anos 2000, tratou da questão da narrativa e seus deslizamentos em diversas mídias e diferentes suportes, sublinhando a potência migratória das narrativas, e em“A Ficção equilibrista: narrativa, cotidiano e política”, lançado em 2020, reuniu artigos que discutem a relação entre o ficcional e o documental. Coorganizou a coletânea“Comunicação, representações e práticas Sociais”(2004). Ao estabelecer pontes entre as áreas de Literatura Brasileira, História e Comunicação, Vera Lúcia Follain de Figueiredo construiu uma teoria com o conceito“narrativas migrantes” – expressão híbrida que propõe pensar a potência migratória das narrativas audiovisuais e da escrita, bem como seus diálogos intertextuais. Os complexos entrelaçamentos e deslocamentos entre cinema, livros e televisão 183 são questões centrais nos trabalhos acadêmicos da pesquisadora e atravessam a discussão da cultura das mídias e a fluidez do campo comunicacional, como as fronteiras pouco demarcadas entre“alta cultura” e“cultura midiática de mercado”,“ficção” e“não ficção”. Ela contribuiu com um alargamento do olhar para uma área de intersecção entre literatura, Comunicação e história: a narrativa. Principais publicações FIGUEIREDO, Vera Lúcia Follain. O corpo e o passado insepulto na ficção latino-americana do século XXI. Contracampo, Niterói, v. 41, n. 1, p. 1-11, mar./abr. 2022. DOI: https://doi.org/10.22409/contracampo.v41i1.52912. Disponível em: https://periodicos.uff.br/contracampo/article/view/52912. Acesso em: 25 jun. 2023. FIGUEIREDO, Vera Lúcia Follain. A ficção equilibrista: narrativa, cotidiano e política. Rio de Janeiro: PUC-Rio; Belo Horizonte: Relicário, 2020. FIGUEIREDO, Vera Lúcia Follain. Narrativas migrantes: literatura, roteiro e cinema. Rio de Janeiro: PUC-Rio: 7 Letras, 2010. FIGUEIREDO, Vera Lúcia Follain. Encenação da realidade: fim ou apogeu da ficção? MATRIZes, v. 3, n. 1, p. 131-143, 2009. ISSN 1982-2073. Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo. oa?id=143012785008 FIGUEIREDO, Vera Lúcia Follain. Os crimes do texto: Rubem Fonseca e a ficção contemporânea. Belo Horizonte, MG: Editora UFMG, 2003. PEREIRA, Miguel; GOMES, Renato Cordeiro; FIGUEIREDO, Vera Lúcia Follain(org.). Representações e práticas sociais. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; Aparecida, SP Ideias& Letras, 2004. 184 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste HELOISA TEIXEIRA Liv Sovik Heloisa Helena Oliveira nasceu em 26 de julho de 1939 em Ribeirão Preto(SP). É a primeira filha de Alberto de Souza e Nair Teixeira de Souza. A família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ela estudou no Colégio Sion e entrou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio) em 1956, formando-se, em 1961, em Letras Clássicas. Casou-se, em 1963, com Luiz Buarque de Hollanda, e viveram, entre 1963 e 1964, em Cambridge, Massachussetts, por ele ser mestrando em Harvard. Durante esse período Heloisa trabalhou como assistente de pesquisa no Instituto de Estudos Latino-Americanos da mesma universidade. Teve três filhos: Luiz, André e Pedro. Em 1969 separase e, no início dos anos 1970, casa-se com João Horto. Voltou ao Brasil em 1964 e, em 1965, tornou-se assistente não remunerada do professor de literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), Afrânio Coutinho, que orienta sua dissertação de Mestrado e tese de Doutorado. Findo o primeiro ano, é contratada como auxiliar de ensino da Faculdade de Letras. Suas primeiras aulas de Comunicação foram na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio) em 1965, e, em 1970, continua o ofício na recém-criada Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ, lecionando estética do cinema e prática de fotografia. Lá permanece durante quatro décadas, sendo nomeada emérita em 2010. Durante parte desse tempo lecionou também na Faculdade de Letras da UFRJ. Heloisa defendeu, em 1974, sua dissertação de Mestrado, Heróis de nossa gente, sobre dois Macunaímas: o de Mário de Andrade e 185 o fílmico de Joaquim Pedro de Andrade. Em 1978 ela desmembra, recorta e remonta a dissertação e, com o reforço de imagens e novos textos(seus e de Alexandre Eulálio), publica Macunaíma da literatura ao cinema. Sua publicação mais importante nessa década, entretanto, é 26 poetas hoje(1976), coletânea vendida como folheto nas ruas. Ao reconhecer o que estava acontecendo com a poesia fora da indústria editorial e do sistema educacional, a antologia enfrentou os defensores do cânone. Em 1979 publica sua tese de Doutorado, Impressões de viagem, que, como 26 poetas hoje, fecha o foco sobre a cultura contemporânea. Heloisa é iconoclasta na temática e metodologicamente, pois parte de sua vivência, escrevendo em primeira pessoa e se relacionando com o que chama de cultura “em processo”. Em Impressões de viagem examina a presença e as transformações da literatura, entre a“de permanência” e a“jovem”, a partir de três movimentos culturais dos anos 1960 e 1970: Centros Populares de Cultura(CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE), tropicália e cultura marginal ou o“desbunde”. Em 1981 torna-se professora concursada da Escola de Comunicação da UFRJ. Com seu método experimental de produção, atua em diversas frentes na universidade. Passa a produzir conteúdo para os meios de Comunicação, articulando produção acadêmica e midiática. Três obras são frutos dessa articulação: os documentários “Joaquim Cardozo”(1977), responsável pelas formas curvas da arquitetura de Oscar Niemeyer; o documentário“Dr. Alceu”(1981), com cinematografia de João Horta, sobre Alceu Amoroso Lima; e um especial de televisão sobre o poeta Raul Bopp. Realizou, também, um terceiro documentário, Xarabovalha(1979), sobre o espetáculo teatral“Trate-me leão”, do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone. Em 1978 e 1979 dirige e apresenta(com Ronaldo Santos), na Rádio MEC, o programa Café com Letra. De 1980 a 1984 passa a escrever uma coluna no segundo caderno do Jornal do Brasil, no qual já tinha publicado artigos em meados dos anos 1960. Atenta à cena cultural, publica Literatura anos 70(1979) e Patrulhas ideológicas(1980), com depoimentos sobre a controvérsia entre setores de esquerda, das artes e da mídia, no momento da distensão e promessa de abertura política. Publica, ainda, Poesia jovem anos 70(1982) e, em coautoria, o livro Cultura e participação nos anos 60(1982). 186 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Entre 1983 e 1984 é nomeada, pelo então vice-governador do Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro, ao cargo de diretora do Museu da Imagem e do Som, interrompido para estudar Sociologia da Cultura na Columbia University em Nova York, sob a supervisão do latino-americanista Jean Franco. Lá, estuda Arts Administration, na Business School e, como pesquisadora Pós-Doc, ministra aulas em Columbia e em Stanford University, na Califórnia. No retorno ao Brasil, em 1986, voltou a trabalhar como professora visitante por períodos curtos na Universidade da Califórnia(1988), Brown University(1991) e na New York University(1998). Na volta de Nova York funda, na ECO/UFRJ, o Centro Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos(CIEC), onde publica, em parceria com diversas entidades, uma coleção de relatórios de pesquisa chamada Quase Catálogo, focando em temas da arte, cultura e mídia brasileiras:“Realizadoras de cinema no Brasil 1930-1988” (1989),“Artistas plásticas no Rio de Janeiro, 1975-1985”(1993) e “Visões da Abolição”(1997), sobre as comemorações do centenário da Abolição em 1988. Publica Pós-modernismo e política(1991), uma coletânea de traduções de textos de Andreas Huyssen, Fredric Jameson, Homi Bhabha, Henry Louis Gates Jr., Edward Said e outros. Em 1994 lança Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura, textos traduzidos do inglês, de Donna Haraway, Doris Sommer, Mary Louise Pratt, Jean Franco, Gayatri Spivak, entre outros. Heloisa foi nomeada diretora da Editora UFRJ por dois mandatos, entre 1990 e 1998. Lá ela publica documentos históricos, como a correspondência entre Hélio Oiticica e Ligia Clark, e outras novidades, como Mídia e mediações, de Jesús Martín-Barbero, e Seduzidos pela memória, de Andreas Huyssen; também coloca em circulação livros esgotados de importantes autores brasileiros, como Alberto Guerreiro Ramos. Nos anos 1990 é pioneira ao trabalhar com os Estudos Culturais e seus interlocutores, na discussão dos Estudos Culturais latinoamericanos. São Beatriz Sarlo, George Yúdice, Hugo Achúgar, Jesús Martín-Barbero, Josephina Ludmer e Nestor García Canclini, bem como Fredric Jameson. Nesta fase o projeto“O modernismo e seus outros”, realizado entre 1995 e 1997, é emblemático do interesse entrelaçado de cultura e política por meio do estudo de alteridades. 187 Em 1993 prestou concurso para professora titular da ECO/UFRJ, aberto pelo reitor para dar segurança aos presentes dada a tensão estabelecida. Ela conquista o primeiro lugar, mas dirige-se para fora da ECO. Seu projeto seguinte, o Programa Avançado em Cultura Contemporânea(PACC), será vinculado ao Fórum de Ciência e Cultura, instância da UFRJ dedicada à difusão da ciência e cultura. O PACC foi fundado em 1994 para trocas e diálogo entre pesquisadores e intelectuais de todo o país e para desenvolver projetos como o Lab Feminista, o Lab da Palavra, o Laboratório de Estudos Negros, a Revista Z Cultural e a Universidade das Quebradas. Com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e do Laboratório Nacional de Ciência da Computação, nasce a Biblioteca Virtual dos Estudos Culturais, onde foram experimentados modelos de recuperação e inserção de informação, critérios para inclusão de material, sites e pessoas. A Biblioteca Virtual ficou on-line por dez anos. Em 2003 criou o site Portal Literal para hospedar o debate em torno de cultura, literatura e o digital. Foi cocuradora da exposição “Blooks”(2007), no Oi Futuro, sobre o uso de tecnologias digitais na poesia. Interessada pela literatura e pelo conhecimento produzido nas periferias das cidades brasileiras, organiza duas exposições sobre a“Estética da Periferia”(2005 e 2007). A partir de 2007 publica, por sua editora Aeroplano, fundada em 1997, Tramas Urbanas, coleção de 31 livros de jovens pensadores, artistas e lideranças de favelas. Em 2009 lança Enter: antologia digital, com 37 autores de poemas on-line em formato textual e audiovisual, onde inclui autores de periferias. A partir de 2009 seu grande projeto é a Universidade das Quebradas, em que institucionaliza seu interesse pela cultura das periferias urbanas. Seguindo o modelo criado no Pós-Doc do PACC, cria e ativa espaços de troca de saberes entre artistas e ativistas culturais da periferia e estudantes e professores universitários. No livro Onde é que eu estou?(2019) Heloisa relembra o objetivo deste trabalho. Em 1992, com quatro professoras, fundou a Revista Estudos Feministas, e 25 anos mais tarde, ante a nova geração feminista, produz muitos livros, entre eles Explosão feminista: arte, cultura, política e universidade(2018), com textos de uma multiplicidade de coautoras e autoras. Recupera o pensamento de feministas brasileiras e estrangeiras e o faz circular em quatro volumes, sob o título geral Pensamento feminista hoje, e os subtítulos“Conceitos fundamentais”(2019), que retoma e expande Tendências e impasses 188 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS (1994);“Pensamento feminista brasileiro – formação e contexto” (2019);“Perspectivas decoloniais”(2020); e“Sexualidades no sul global”(2020). Heloisa ainda acrescenta um pequeno livro, Feminista, eu? Literatura, cinema novo e MPB(2022), apresentando o contexto cultural cotidiano do feminismo em que participou nos anos 1960 e 1970. Ao conquistar, em 2023, a cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras(ABL), anteriormente ocupada por Nélida Piñon, Heloisa Teixeira, conhecida por seu nome de casada, adotou o matronímico. O gesto de desfazer-se de um sobrenome de peso na cultura letrada do país faz aparecer, ao mesmo tempo, o questionamento de cânones e a dimensão feminista de sua trajetória de intelectual, editora, curadora, realizadora audiovisual e professora de Letras e de Comunicação da UFRJ. Anunciou, ao entrar, o projeto de comunicar e circular conhecimentos e perspectivas desconsiderados pela ABL – conhecimentos “periféricos”. Seguiu ligada às inovações e singularidades do espaçotempo presente e a instituições de peso, mobilizando seu método experimental“tentativa-e-erro”, comunicacional por excelência. Heloisa Teixeira morreu aos 85 anos, em 28 de março de 2025, e foi velada pela família e por centenas de amigas, amigos e fãs na sede da ABL. Principais publicações HOLLANDA, H. H. O. B. Macunaíma: da literatura ao cinema. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Pós-modernismo e política(org.). Rio de Janeiro: Rocco, 1991. HOLLANDA, Heloisa Buarque de. 26 poetas hoje. 2. ed. Rio de Janeiro: Aeroplano, 1998. 272 p. HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Impressões de viagem: CPC, vanguarda e desbunde – 1960/70. 5. . ed. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2004[1979]. HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019. HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Feminista, Eu? Literatura, cinema novo, MPB. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2022. 189 ANA ARRUDA CALLADO Denise Tavares Ana Arruda Callado nasceu em 19 de maio de 1937 em Recife(PE). É filha de José de Arruda de Albuquerque e Heloísa Araújo. Ana é a décima segunda, de 15 filhos. Casou-se em 1977 com o escritor Antônio Callado. Fez o primário no Instituto Recife. A família mudou-se para o Rio de Janeiro quando tinha sete anos. Quando chegou ao Rio, preparouse em casa para o exame de admissão ao ginásio. Cursou o ginásio no Colégio Santo Amaro de Freitas, no Rio. O Ensino Médio foi no Colégio de Aplicação da Universidade do Brasil. Em 1952, quando militava na Ação Católica, Ana trabalhou como repórter do jornal Roteiro da Juventude. Pouco depois, aos 17 anos, ingressou na Faculdade Nacional de Filosofia, curso que lhe permitiria atuar como jornalista. Formada, aos 20 anos, começou a atuar no Jornal do Brasil como estagiária. A proximidade da Semana Santa foi um espaço favorável, pois acabou fazendo diversas matérias sobre o Lava-pés, Missa de Aleluia e Páscoa, pois tinha conhecimento do catolicismo. Foi contemplada com o Prêmio Herbert Moses, em 1958, por reportagens sobre os desafios da reforma agrária no país e, no ano seguinte, com a Menção Honrosa do Prêmio Esso, desta vez por ter se debruçado sobre a infância abandonada. Demitida do Jornal do Brasil por ter aderido a uma grave, trabalhou na Tribuna da Imprensa. Após, no Diário de Carioca e, em 1966, torna-se chefe de reportagem, a primeira mulher a ocupar esse posto no Brasil. 190 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Depois de ter sido editora-chefe do jornal alternativo“Sol”, publicado entre 1967 e 1968, foi para a televisão, integrando a equipe do Jornal de Vanguarda. Foi vítima do AI-5 quando trabalhava na Editora Delta, ficando 42 dias presas no Departamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna(DOI-CODI) e 8 dias em um quartel. Em 1982 inicia na docência, ingressando na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-RJ), onde ficou até 1984. Também atuou como professora, de 1983 a 1984, na Universidade Federal Fluminense(UFF). Neste mesmo ano ingressou como docente na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), onde tornou-se mestre em 1989 com a dissertação“Os Editoriais da Abolição: um momento-chave para a Linguagem Jornalística no Brasil”, e depois doutora, em 1995, com a tese“Amazonas, Valquíria e VitóriaRégia”, orientada por Heloisa Buarque de Hollanda. Três anos depois encerrou seu ciclo como professora universitária. Fora das redações e da universidade, continuou sua trajetória profissional escrevendo biografias de mulheres, participando e criando projetos sobre Antônio Callado para apresentar às novas gerações. Um deles foi o documentário de 57 minutos,“A Paixão Segundo Callado”, concluído em 2007. Outro trabalho baseado na obra e vida dele foi a publicação, em 2013,“Antônio Callado – Fotobiografia”, livro encomendado pelo governo de Pernambuco. Ana Arruda Callado, aos 88 anos, prepara a biografia de Bárbara Eliodora, casada com Alvarenga Peixoto, considerado um dos principais articuladores da Inconfidência Mineira. O objetivo é provar que foi a primeira poeta do Brasil, além de ter uma atuação revolucionária tão relevante quanto a do marido. Principais publicações CALLADO, Ana Arruda. Adalgisa Nery. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.(Coleção Perfis do Rio). CALLADO, Ana Arruda. Maria Martins, uma biografia. Rio de Janeiro: Gryphus; Brasília, DF: Ministério da Cultura; Belo Horizonte: Cemig, 2004. CALLADO, Ana Arruda. Darcy, a outra face de Vargas. Rio de Janeiro: Editora Batel, 2011. 191 CALLADO, Ana Arruda. Berta Ribeiro – aos índios, com amor. Rio de Janeiro: Editora Batel, 2016. CALLADO, Ana Arruda. Meninos, eu ouvi. Rio de Janeiro: Editora Batel, 2018. CALLADO, Ana Arruda. Meninos, eu falei. Rio de Janeiro: Editora Batel, 2019. CALLADO, Ana Arruda. Meninos, eu trabalhei. Rio de Janeiro: Editora Batel, 2020. 192 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste RAQUEL PAIVA Ana Paula Goulart Ribeiro Raquel Paiva de Araújo Soares nasceu em 19 de maio de 1960 em Juazeiro(BA). É a primogênita de Dirceu Soares e Ivanoska Paiva de Araújo Soares. Tem três irmãos: Ilka, Wagner e Junior. Com pai militar, morou em muitos lugares durante sua infância e adolescência: Petrolina(PE), Catolé do Rocha(PB), Pindamonhangaba(SP), Pires do Rio(GO), Recife(PE), Natal(RN) e Boa Vista(RR). Sempre estudou em colégio de freiras. Em Juiz de Fora, no Stella Matutina, em Recife, no Rosa Gattorno, e em Natal, no Maria Auxiliadora. Aos 15 anos estabeleceu-se em Juiz de Fora(MG), onde terminou o Ensino Médio e, em 1981, formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF). Seu primeiro emprego foi no jornal Tribuna de Minas em Juiz de Fora, onde trabalhou na editoria de Geral e Cidade e, após, no Segundo Caderno. Um tempo depois, foi assessora de Comunicação na Secretaria de Saúde, como responsável pela região da Zona da Mata. Foi, ainda, da diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais. Em 1984 foi aprovada em concurso público para docente na Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF). No ano seguinte foi selecionada para uma Especialização no Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina(Ciespal) no Equador. Cinco meses depois, foi para a Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, estudar rádio comunitária. Iniciava ali seu interesse por aquele que seria seu principal campo de atuação profissional. 193 Em 1988 mudou-se para o Rio de Janeiro para fazer Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Nesse momento, o estudo de autores da Filosofia e da Psicanálise, em especial Jean Baudrillard e Sigmund Freud, abriram novos horizontes de reflexão. Na sequência, pediu transferência da UFJF e começou a lecionar na UFRJ em 1992. Nesse mesmo ano iniciou o Doutorado na instituição, sob a orientação de Muniz Sodré, que, mais tarde, seria seu companheiro. Em 1995 ganhou uma bolsa sanduíche e ficou um ano na Università Degli Studi di Torino, estudando com o filósofo Gianni Vattimo. De volta ao Brasil, em 1997, defendeu sua tese de Doutorado e criou o Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária(LECC), que tem o objetivo de investigar a Comunicação comunitária com os atores sociais que desenvolvem ações diretas nesse campo. Em 1998 publica seu primeiro livro,“O espírito comum: comunidade, mídia e globalismo”, resultante de sua tese de Doutorado. Em seguida publicou sua dissertação de Mestrado“Histeria na mídia: a simulação da sexualidade na era digital”, na qual chama atenção para a espetacularização neurotizada, uma reflexão na interface entre Comunicação e psicanálise. Em 2003 assumiu a coordenação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ, ajudando a reformulá-lo. Dois anos depois coorganizou“Comunicação e Cultura das Minorias”, coletânea sobre questões como cidadania, identidade, tradição e marginalização. Logo, publicou“Política: palavra feminina”, sobre o modo como a imprensa brasileira representa as candidaturas de mulheres a postos do Legislativo e do Executivo. Em 2007 organizou a coletânea“O retorno da comunidade: os novos caminhos do social”, sobre os significados de comunidade e seus usos na Comunicação. Em parceria com Muniz Sodré, publicou dois livros:“O império do grotesco”, em 2002, e“Cidade dos artistas: cartografia da televisão e da fama no Rio de Janeiro”, em 2009. Raquel atuou em entidades científicas da área, coordenando núcleos de pesquisa dedicados aos estudos das minorias, em especial na Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) e na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Nesta última foi diretora Cultural e diretora Científica, cargos que ocupou por mais 194 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS de dez anos. Foi, também, representante de área no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Em 2011 assumiu a coordenação brasileira do projeto BricsJornalismo, financiado pela Academia de Pesquisa da Finlândia, conduzido por Kaarle Nordenstreng, com foco na atuação dos jornalistas no Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Participou, ainda, de um projeto sobre cidades inclusivas, financiado pela Fundação Sueca para Cooperação Internacional em Pesquisa(o STINT). Em março de 2020, uma semana antes do início da pandemia de Covid-19, recebeu o título de Professora Emérita da UFRJ. Em 2020 e 2021 foi professora visitante na Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ), atuando tanto na Graduação quanto na PósGraduação. Raquel Paiva de Araújo Soares é uma das principais referências dos estudos sobre Comunicação comunitária no Brasil. Há mais de duas décadas a professora da Escola de Comunicação(ECO) da UFRJ tem desenvolvido investigações sobre o assunto e formado diversos pesquisadores nessa área. Ajudou, com suas publicações e inúmeros projetos teóricos e práticos, a consolidar esse campo de estudos de uma forma criativa e engajada. Principais publicações PAIVA, Raquel. O espírito comum: comunidade, mídia e globalismo. Petrópolis: Vozes, 1998. PAIVA, Raquel; SODRÉ, Muniz. O império do grotesco. Rio de Janeiro: Editora Mauad X, 2002. PAIVA, Raquel; BARBALHO, Alexandre. Comunicação e cultura das minorias. São Paulo: Paulus, 2005. PAIVA, Raquel. Histeria na mídia: a simulação da sexualidade na era digital. Rio de Janeiro: Mauad X, 2009. PAIVA, Raquel. Política: palavra feminina. Rio de Janeiro: Mauad X, 2009. PAIVA, Raquel(org.). O retorno da comunidade: os novos caminhos do social. Rio de Janeiro: Mauad X, 2009. 195 SONIA VIRGINIA Cíntia Sanmartin Fernandes Sonia Virgínia Moreira nasceu em 26 de agosto de 1954 em Campo Grande(MS). É filha de Virginia Moreira e Antônio Moreira. Na educação básica estudou no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, e, no Ensino Médio, no Colégio de Aplicação da Faculdade Dom Aquino de Filosofia, Ciências e Letras, ambos em Campo Grande. Muda-se para o Rio de Janeiro(RJ) em 1973 para cursar Comunicação Social na Universidade Gama Filho, graduando-se em 1977. Logo iniciou a sua carreira profissional na área da radiodifusão. Seu desempenho como jornalista na Rádio Jornal do Brasil contribuiu para que, em 1979, pudesse concorrer a uma bolsa para cursar um Master Of Arts in Journalism, na University of Colorado, UC, Estados Unidos, sob orientação de Ardyth B Sohn. Em 1981 obtém o título de mestre com a dissertação“South American Correspondents in Washington, DC and New York: a Survey”. O Doutorado em Ciências da Comunicação, entre 1995 e 1999, cursado na Universidade de São Paulo(USP), com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), foi orientado por Anamaria Fadul. Obteve o título de doutora defendendo a tese“O Rádio chega ao século XXI: tecnologias e leis nos Estados Unidos e no Brasil”. Em 1984 publica, em coautoria, o livro“Rádio Nacional: o Brasil em Sintonia”, resultado do projeto apresentado para a Fundação Nacional de Artes(Funarte). Ainda em 1984, a Universidade Gama Filho convida-a para proferir uma palestra sobre a Rádio Nacional, e, em seguida, é chamada a integrar o corpo docente da Universidade. 196 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Em 1986 passou a integrar o corpo docente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ), onde tornou-se professora titular. Entre os anos de 1987 e 1989, 1992 e 1994, foi chefe do Departamento de Jornalismo; de 2000 a 2001 assumiu a Diretoria Executiva da Sub-Reitoria de Extensão e Cultura, Centro de Tecnologia Educacional; e entre 2010 e 2015 foi Diretora da Faculdade de Comunicação Social. Com outros docentes, em 2002, funda a Especialização em Jornalismo Cultural, e em 2006 passa a integrar o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social(PPGCom/ UERJ). Com a aposentadoria, entre 2018 e 2020, assumiu como professora visitante-titular no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF), mas manteve seu vínculo com a UERJ no Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Em 2018 participou do primeiro Projeto de Doutorado Interinstitucional(Dinter) do PPGCom-UERJ, além de assumir a coordenação-adjunta do projeto, aprovado pela Capes, com início em 2019. Em 2021 retorna sua dedicação à UERJ como professora voluntária. Entre 2007 e 2009 atuou como pesquisadora convidada na University of Zurich(UZ), Suíça, e, na sequência, entre 2009 e 2016, iniciou parceria como pesquisadora na Universidade de Columbia, Nova York (UCNY), Estados Unidos. Em 2011 foi convidada a integrar o Conselho Interdisciplinar de Pesquisa e Editoração da Fundação Biblioteca Nacional, área de Comunicação, cargo que findou em 2013. Sonia, ao longo de quatro décadas, dedicou-se aos estudos de rádio e Comunicação, criando e tecendo redes de pesquisa. Desde a década de 1980 lidera grupos e pesquisas na área das Ciências da Comunicação e Informação, explorando temas como ensino e pesquisa em jornalismo, inclusão e exclusão digital e audiovisual, infraestrutura de Telecom, sistemas públicos de radiodifusão, mídia audiovisual local e regional e geografias da Comunicação, tendo o Brasil como referência comparativa com países da América Latina, Europa e África especificamente. Foi na década de 1980 que iniciou sua aproximação com a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Fez parte do grupo de rádio, editou a Revista Intercom e foi diretora de Relações Internacionais, até tomar posse, em 2002, como presidente da entidade. Em sua gestão foi criado o Intercom Júnior, 197 que permitiu uma maior participação dos alunos de Graduação nos eventos. Nessa época acumulava a presidência com o cargo de assessora-chefe da Comunicação social da Controladoria-Geral da Prefeitura do Rio, onde ficou até 2008. Foi, depois, diretora de Relações Internacionais. Integra o Conselho Curador da entidade. Desde 2005 é membro da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor), atuando tanto como Conselheira quanto em cargos administrativos e de Presidência. Representa a América Latina no comitê gestor do World Journalism Education Council (WJEC), e é pesquisadora sênior das redes internacionais de pesquisa The Worlds of Journalism Study(LMU-Munique) e The International Media Concentration Research Project(Universidade de Columbia, NY). A partir de 2008 lidera o Grupo de Pesquisa Geografias da Comunicação, registrado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Integram o grupo investigadores e estudantes das seguintes instituições: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade Federal de Sergipe, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Universidade Federal do ABC, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade de Sorocaba, University do Texas em Austin e da California State University – Long Beach. Entre 2006 e 2009, período que inicia sua atuação no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UERJ, desenvolveu a pesquisa“Comunicação internacional& sociedade da informação e do conhecimento”, e entre 2009 e 2013 o projeto“Radiodifusão pública nos países da União das Nações Sul Americanas(Unasul)”. Desde 2014 desenvolve pesquisas de escopo internacional em parceria com pesquisadores de diversos países. Naquele ano iniciou o projeto“Concentração, Dinâmica de Mercado e Pluralismo de Mídia – Brasil e Portugal”; em 2018 realizou o“Estudo comparado sobre risco, estresse ocupacional e resiliência em redações brasileiras e mexicanas”; em 2020 e 2021 dá continuidade à pesquisa“Worlds of Journalism Study – WJS3”, precedida de duas fases anteriores de estudo(WJS1 e WJS2), realizadas entre 2007 e 2011 e entre 2012 e 2016. Nesta terceira fase participam pesquisadores de mais de cem países, sendo dez investigadores brasileiros representantes de diferentes universidades públicas. 198 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Conquista diversos prêmios. Em 2020, Categoria Pesquisadora Sênior – Prêmio Adelmo Genro Filho, atribuído pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo; Orientação Categoria Doutorado – Prêmio Adelmo Genro Filho, conferido em 2019 pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo; Orientação Pibiti, Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação – 1º lugar – área Ciências Sociais Aplicadas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro/CNPq. Em 2011 recebeu três prêmios: Diploma Jubileu de Prata, Prêmio pela Contribuição 20 anos do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora pela Intercom e o Diploma 25 Anos de UERJ. Em 2012 foi finalista do Prêmio Jabuti – Área de Comunicação da Câmara Brasileira do Livro, e do Prêmio Orientação de Iniciação Científica – 1º lugar na área Ciências Sociais Aplicadas, na UERJ. Em 2006 foi agraciada com o Honra ao Mérito, Cátedra Unesco/Metodista de Comunicação. Em 1999 recebeu o prêmio Professor Unesco, Cátedra Unesco/Brasil. Também se destaca o convite realizado pelo Ministério da Educação para compor a Comissão de Especialistas em Formação Superior de Jornalismo, em 2009, cuja tarefa foi subsidiar a revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Jornalismo. Sonia Virgínia Moreira tem contribuição teórica-metodológica ampla que pode ser acessada em artigos, bem como em livros e capítulos de livros publicados em editoras brasileiras e estrangeiras. Suas produções são o resultado de uma rede de pesquisa que segue refletindo coletivamente, cartografando os dilemas atuais de territórios midiáticos locais, regionais e internacionais. Principais publicações MOREIRA, S. V.; PEREIRA, A. A. Jornalismo educomunicativo: questões de formação e decolonialidade. Chasqui – Revista Latinoamericana de Comunicaci ó n, v. 152, p. 137, 2023. MOREIRA, Sonia Virgínia; DEL BIANCO, Nélia Rodrigues; MARTINS, Cézar Franco dos Santos. Mídia audiovisual no interior do Brasil e produção local de informação. Intercom, São Paulo, Impresso, v. 44, p. 113-135, 2021. MOREIRA, S. V.; ALMEIDA, V. P.; RIOS, R. M. A. Produção de cinema nos países de língua portuguesa: o Cineport como guardião da história e da memória nacionais. Temática – Revista Eletrônica de Publicação Mensal, v. 16, p. 1-17, 2020. 199 MOREIRA, S. V.; DEOLINDO, J. S.(org.). Leituras da geografia na Comunicação – lugar, região, território, escala e cartografias. 1. ed. Cáceres, MT: Unemat Editora, 2022. 229 p. V. 1. MOREIRA, S. V.; BALDESSAR, M. J.; OTA, D. C.; BRANDALISE, R. (org.). O percurso do grupo de pesquisa Geografias da Comunicação no Brasil. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2019. 236 p. V. 1. PESSOA, Luiz Carlos Saroldi; MOREIRA, Sonia Virginia. Rádio Nacional: o Brasil em Sintonia. Rio de Janeiro, RJ: Editora Funarte: Instituto Nacional de Música: Divisão de Música Popular, 1984. 200 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste BEATRIZ JAGUARIBE Paula Sibilia Beatriz Jaguaribe de Mattos nasceu em 8 de agosto de 1959 no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Maria Lucia e Helio Jaguaribe. Ela teve três irmãs, Anna Maria, Claudia e Izabel, e um irmão, Roberto. Em 1964 mudou-se para os Estados Unidos com a família, assistindo à escola pública primeiramente em Boston e, depois, em Palo Alto, na Califórnia. Em 1969 voltou ao Brasil, onde continuou seus estudos na Escola Americana do Rio de Janeiro. Em 1974 foi matriculada no Colégio São Vicente de Paula, instituição na qual graduou-se em 1977. No mesmo ano ingressou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio), onde cursou a Graduação em Literatura. Terminou o curso no início de 1980 e, no mesmo ano, ingressou no Doutorado no Programa de Literatura Comparada da Universidade Stanford, na Califórnia, com bolsa integral. Em 1985 Beatriz finalizou a sua tese, que levou o título“The Totalizing Narrative: Four Latin American Case Studies”, realizada sob a orientação de Mary L. Pratt. Em 1986 foi contratada pelo Dartmouth College, universidade pertencente à Ivy League dos Estados Unidos. Em 1987, porém, optou por regressar ao Brasil, tendo obtido uma bolsa de recémdoutora concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Após vários anos como professora visitante na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO-UFRJ) e um ano com o mesmo cargo na Universidade Federal Fluminense(UFF), em 1994 fez um concurso 201 público e foi contratada pela ECO-UFRJ, instituição na qual trabalhou ao longo de três décadas, até se aposentar em 2023. Durante esse extenso período trabalhando como docente e pesquisadora, Beatriz contribuiu para a dinamização dos Estudos Culturais na área da Comunicação no país. Inicialmente, ela atuou junto ao Centro de Estudos Contemporâneos(CIEC). Em seguida, nos anos 2000, juntou-se ao grupo Idea(Programa de Estudos Avançados ECO-UFRJ). Em 2021 criou o site Arquivos Abertos das Cidades Latino-Americanas, em parceria com colegas da UFRJ, da PUC-Rio e da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais(Flacso). Entre os anos de 2004 e 2018 Beatriz foi bolsista de produtividade em pesquisa pelo CNPq. Ela realizou vários estágios de Pós-Doutoramento no exterior, em alguns casos com bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), sediando-se em instituições da Argentina, da Espanha e da França. Sua produção escrita é ampla e variada, plasmada em artigos, capítulos e livros integrais que foram publicados em diversos países e em línguas como o português, inglês e espanhol. Entre suas principais obras, cabe destacar os livros Fins de século: cidade e cultura no Rio de Janeiro(1998), O choque do real(2007), e Rio de Janeiro: Urban Life Through the Eyes of the City(2014). Beatriz ministrou inúmeras conferências em instituições tanto do Brasil quanto do exterior, e foi professora visitante nas universidades de Harvard, Princeton, New York University, New School of Social Research, Stanford, Dartmouth e University of Texas, todas nos Estados Unidos, além de Université de Cergy-Pontois, na França, e Flacso, no Equador. Em 2004 ganhou a Bolsa Guggenheim para realizar uma pesquisa sobre os ideários de modernidade e nação na produção fotográfica da Era Vargas. Além de ter sido bolsista de produtividade do CNPq e de estágio pós-doutoral no exterior pela Capes, Beatriz também recebeu outras bolsas internacionais e várias premiações acadêmicas, tais como a Robert F. Kennedy Fellowship do David Rockefeller Center for Latin American Studies, da Universidade de Harvard(2020), a Bolsa PLAS, do Program in Latin American Studies da Princeton University(2008), a Cátedra Andrés Bello da New York University(2012), a Bolsa Tinker da Universidade do Texas em Austin(2024), entre outras. 202 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS A pesquisa realizada por Beatriz Jaguaribe de Mattos caracterizase pela problemática dos imaginários culturais como produtores de subjetividades individuais e coletivas. Seu interesse na literatura e nas artes visuais, seu engajamento com as culturas urbanas da América Latina, sua crítica aos ideários de modernidade, sua preocupação com expressões midiáticas e com as novas tecnologias sociais, foram pautados pela busca da imaginação crítica e estética em contextos contemporâneos permeados pelo consumo, pela fragmentação, pela desigualdade social e pela devastação ambiental. Principais publicações JAGUARIBE, Beatriz. Desmemória e cartografia: uma crônica da Carta do Mato Grosso. Serrote, Rio de Janeiro; São Paulo: Instituto Moreira Salles, v. 41, p. 4-25, 2022. JAGUARIBE, Beatriz. Nambiquaras in Paris: Archival Images, Appearances and Disappearances. In: MIZRUCHI, Susan. Libraries and Archives in the Digital Age. Londres; Shanghai: Palgrave Macmillan, 2020. p. 111-140. JAGUARIBE, Beatriz. Rio de Janeiro: urban life through the eyes of the city. Londres; New York: Routledge, 2014. JAGUARIBE, Beatriz. O choque do real. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. JAGUARIBE, Beatriz. Fins de século: cidade e cultura no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. 203 SIMONE PEREIRA DE SÁ Beatriz Brandão Polivanov Simone Maria Andrade Pereira de Sá nasceu em Coronel Fabriciano (MG), em 29 de julho de 1961. É filha de Herberto Pereira e Maria de Lourdes Andrade Pereira. É irmã de Marcelo, Vinicius, Viviane e Aline. Realizou a formação escolar inicial em Volta Redonda(RJ). O primário foi cursado na Escola Nossa Senhora de Fátima e O Ensino Médio, na Escola Nossa Senhora do Rosário e no Colégio Macedo Soares. Foi criada em Volta Redonda até os 17 anos, quando se mudou para o Rio de Janeiro(RJ) para ingressar na universidade. Fez seu primeiro vestibular para biologia, mas cursou só um semestre e seguiu para um intercâmbio nos Estados Unidos; lá descobriu as Ciências Sociais ao fazer um curso de Sociologia. No retorno dos Estados Unidos ingressou, em 1980, no curso de Ciências Sociais no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais(IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Em 1984 concluiu sua Graduação e três anos após ingressou no curso de Mestrado em Comunicação da UFRJ. Defendeu, em 1991, a dissertação“Os Anos Dourados – Copacabana e o imaginário urbano dos anos 50”, orientada por Beatriz Jaguaribe. No ano seguinte ingressou no Doutorado no mesmo Programa, tendo defendido sua tese“Baiana Internacional – o Brasil de Carmen Miranda e as lentes de Hollywood”, sob orientação de Heloisa Buarque de Hollanda, em 1997. A tese foi posteriormente publicada em forma de livro. Simone foi estagiária no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil(CPDOC), onde realizou seus primeiros trabalhos como pesquisadora após sua Graduação. 204 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Em 1992, no ano seguinte à defesa de sua dissertação, tornou-se professora horista da Faculdade Pinheiro Guimarães, ministrando disciplinas sobre Estética e Cultura de Massa e Métodos de Pesquisa. Três anos depois tornou-se professora horista da Faculdade Carioca, ministrando disciplinas como Comunicação e Novas Tecnologias e Comunicação Comparada, e a de Cultura Brasileira, que lecionava em ambas as instituições. Em 1997 tornou-se diretora acadêmica da Faculdade de Jornalismo da Faculdade Pinheiro Guimarães. Em 1999 tomou posse como professora concursada da Universidade Federal Fluminense(UFF), em Niterói, no Instituto de Artes e Comunicação Social. Já como docente da UFF, atuou, de 2000 a 2005, como editora-chefe da Revista Contracampo, Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM). Concomitantemente, exerceu o cargo de vice-coordenadora do PPGCOM, de 2001 a 2005. Entre 2004 e 2006 ocupou o cargo de chefe do Departamento de Estudos Culturais e Mídia. No ano de 2008 teve seu primeiro afastamento para realização de Pós-Doutorado, na Universidade de McGill, no Canadá, sob supervisão de Jonathan Sterne, no Departamento de Art History& Communication Studies. De 2009 a 2013 foi coordenadora do PPGCOM da UFF, à época com nota máxima(7) na avaliação quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). De 2015 a 2016 Simone realizou seu segundo Pós-Doutoramento na Universidade de King’s College London, na Inglaterra, no Departamento de Etnomusicologia, sob supervisão de Frederick Moehn. No ano de 2017 tornou-se professora titular da UFF. Em 2023 finaliza seu terceiro Pós-Doutoramento na Universidade do Porto, em Portugal, sob supervisão de Paula Guerra. Além desses cargos, atividades e funções, destaca-se que Simone foi, entre 2003 e 2005, parte da Diretoria da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós). Foi também uma das fundadoras da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura(ABCiber), no ano de 2006. Neste mesmo ano criou o Laboratório de Pesquisa em Culturas Urbanas e Tecnologias(LabCult), centro de estudos e produções culturais sobre Comunicação, música, culturas urbanas, identidades e cultura digital. Simone foi, ainda, uma das criadoras e fundadoras, em 2012, do Grupo de Pesquisa(GP)“Comunicação, Música e Entretenimento” da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares 205 da Comunicação(Intercom), e do Grupo de Trabalho(GT) de “Estudos de Som e Música” da Compós, no ano de 2014. Simone tem bolsa de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) desde 2012, de maneira ininterrupta. Dentre os vários projetos criados e coordenados por ela, destacam-se:“Clube do Vinil”(2012);“Cartografia Musical do Estado do Rio de Janeiro”(2013-2015); e“Cartografias do Urbano na Cultura Musical e Audiovisual: Som, Imagem, Lugares e Territorialidades em perspectiva comparada”(2014-2020). O primeiro é um projeto de extensão da UFF cujo objetivo é produzir eventos de escuta e debate de álbuns fonográficos, envolvendo aspectos como gêneros musicais, memórias da música massiva, crítica e aspectos ligados à materialidade gráfica e sonora, entre outros. O segundo teve como objetivo principal identificar territórios criativos na área musical no Estado do Rio de Janeiro por meio de um mapeamento dos integrantes da cadeia produtiva da música da região. O terceiro, de âmbito nacional e interinstitucional, tratou-se de projeto com financiamento do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica(Procad) da Capes, envolvendo equipes da UFF, Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) e Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), cujo objetivo foi problematizar, tensionar e avançar na reflexão entre as diversas articulações entre música, audiovisual, espaço e territorialidades. A profícua trajetória acadêmica de Simone traz como marca as articulações contínuas entre dois grandes temas de pesquisa, que são a cultura digital e a música, a partir de um olhar para as múltiplas expressões da cultura brasileira e do Rio de Janeiro e da música pop como lugar de embate e visibilidade para artistas e fãs de culturas periféricas. Sua atuação de pesquisa, junto a outros colegas, trouxe a música enquanto objeto midiático para a Comunicação por meio da formação de uma rede nacional de pesquisadores, sendo, assim, relevante enquanto consolidadora dos estudos de música popular, cultura digital e suas materialidades. Principais publicações SÁ, Simone Pereira de. Baiana internacional – as mediações culturais de Carmen Miranda. no Rio de Janeiro: MIS Editorial, 2002. SÁ, Simone Pereira de. O samba em rede – comunidades virtuais, 206 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS dinâmicas identitárias e carnaval carioca. Rio de Janeiro: Editora E-Papers, 2005 SÁ, Simone Pereira de. Música pop-periférica brasileira: videoclipes, performances e tretas na cultura digital. Curitiba: Editora Appris, 2021. SÁ, Simone Pereira de; CARRERA, Rodrigo; FERRARAZ, Rogério (org.). Cultura pop. Salvador: Edufba, 2015. SÁ, Simone Pereira de. The Performative Negotiations of Beyoncé in Brazilian Bodies and the Construction of the Pop diva in Ludmilla’s Funk Carioca and Gaby Amaranto’s Tecnobrega. In: BAAD, Cristina; MCGEE, Krisntin(org.). Beyoncé in the world: Making meaning with queen bey in troubled times. Middletown, EUA: Wesleyan University Press, 2021. SÁ, Simone Pereira de; GUTMANN, Juliana; EVANGELISTA, Simone. Musical Performances in Digital Audiovisualities. Journal of Popular Music Studies, v. 25, n. 2, p. 66-87, jun. 2023. 207 CONSUELO LINS Patrícia Rebello Consuelo da Luz Lins nasceu em Florianópolis(SC). É filha de Eduardo Santos Lins e Olga Maria da Luz, irmã de Maria, Luísa, Teresa e Francisco, e casada com Benjamim Picado. Estudou, inicialmente, no Colégio São José Itajahy. Aos nove anos mudouse com a família para o Rio de Janeiro. Lá concluiu sua formação inicial no Colégio São Paulo e no Colégio Andrews. Em 1978 ingressa na Faculdade de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-RJ), e, desde cedo, começa a estagiar na redação de jornais, acompanhando pautas e escrevendo matérias para diferentes editorias. Ela trabalhou, entre outros, na Tribuna da Imprensa e nas redações de jornal impresso. Migra para o telejornalismo em 1982, quando aparece a oportunidade de um estágio na TV Globo. Com a conclusão do curso de jornalismo, no mesmo ano ela é contratada como repórter, onde permanece por cerca de dois anos. À experiência na TV Globo seguem-se trabalhos na TV Bandeirantes e, em 1986, na TV Manchete, no Programa de Domingo(uma revista eletrônica). Em 1986, ainda trabalhando como jornalista, entra para o Mestrado na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO/UFRJ). Sob orientação de Heloísa Buarque de Hollanda, ela escreve uma dissertação intitulada“Blade Runner e Brazil: um corte no cinema de ficção científica”. Três anos depois começou o Doutorado na França, na Nova Sorbonne – Paris III – graças a uma bolsa da Capes, sob a orientação de Roger Odin. Em 1994 defende a tese intitulada“Deux voyages à travers l’Amérique: une approche kaleidoscopique du documentaire”. 208 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Recém-chegada da França, ela presta concurso para a faculdade de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), onde permanece por dois anos(1993-1995). Em 1995 o retorno ao Rio de Janeiro dá-se com a aprovação em concurso para a ECO/UFRJ, instituição à qual permanece vinculada, e da qual é, desde 2016, professora titular. Os primeiros dez anos na ECO são marcados por uma intensa atividade de ensino na Graduação e em iniciativas de extensão, como a coordenação do Laboratório de TV que, entre os anos de 1996 e 1998, se torna espaço para o desenvolvimento de projetos práticos de experimentações na produção do audiovisual. Entre as atividades estão suas primeiras incursões como diretora de documentários: Chapéu Mangueira e Babilônia, histórias do morro (1999) e Julliu’s Bar(2001). Ambos contaram com apoio de editais e bolsas de auxílio para estudantes, bolsistas de iniciação científica, pesquisadores e circularam por festivais e circuitos culturais. São estes filmes que promovem o encontro com Eduardo Coutinho, surgindo o convite para participar da pesquisa e filmagem de Babilônia 2000. A parceria durou até o falecimento do cineasta, tendo participado da pesquisa de“Edifício Master” e muitos outros projetos, e publicado o livro O documentário de Eduardo Coutinho: televisão, cinema e vídeo(2004). Em 1996 é integrada como membro permanente do Programa de Pós-Graduação da ECO/UFRJ, onde começa a desenvolver uma pesquisa em torno do cinema documentário. Foi vice-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual(Socine) e atuou na Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), trabalhando na produção, organização e coordenação de Grupos de Trabalho(GT). Ampliou redes de pesquisa, que tomariam dimensões internacionais com o primeiro Pós-Doutorado na França em 2005, quando a pesquisa foi direcionada para o“documentário subjetivo”, realizada sob supervisão de Roger Odin. A produção técnica também ganharia um impulso renovador com a produção de um ciclo de filmes: em 2005, Lectures, filmado em um celular; em 2009, Leituras Cariocas atualiza a ideia do curta francês na versão carioca do transporte, circulando por festivais; e Babás, de 2010, um filme-sintoma dessa trajetória. 209 A experiência com a produção cinematográfica amplia o escopo de sua atuação. Integrou comissões de editais da Petrobrás, do Ministério da Cultura, DocTV/TV Brasil, Itaú Cultural, assim como júris e comitês de seleção de filmes para os festivais de documentário. Em 2008, em coautoria, publica Filmar o real; entre os anos de 2012 e 2015, seu projeto de pesquisa sobre a apropriação de imagens de arquivo é aprovado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Em 2014 realizou o segundo PósDoutorado no Departamento de Filme, Mídia e Estudos Culturais of Film, do Birbeck College/Universidade de Londres, sob orientação de Laura Mulvey. Essa experiência resulta no terceiro livro de Consuelo, Cao Guimarães: arte documentário ficção(2019). Desde 2020 ela faz parte do coletivo Núcleo de Investigação Poética“Anáguas” – cujo primeiro livro, Sol talvez seja uma palavra, foi lançado no começo de 2023. Consuelo Lins segue dando aulas na ECO como professora emérita desde 2020, e coordena a Pós-Graduação em Cinema Documentário da Fundação Getúlio Vargas(FGV). Principais publicações LINS, C. L.; MESQUITA, C. Filmar o real. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2011. 96 p. LINS, C. L. O documentário de Eduardo Coutinho: televisão, cinema e vídeo. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2012. LINS, C. L. Cao Guimarães: arte documentário ficção. 1. ed. Rio de Janeiro: 7Letras, 2019. 182 p. V. 1. 210 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste JANICE CAIAFA Talitha Ferraz Janice Caiafa nasceu em 13 de abril de 1958 no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Eunyce Caiafa e Hersio Pereira e Silva. Cursou os Ensinos Fundamental e Médio no Instituto Padre Leonardo Carrescia, local onde funciona o Colégio de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ). Formada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1980, logo ingressou no Mestrado em Antropologia Social do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social(PPGAS) do Museu Nacional da UFRJ, onde obteve o título de mestra em 1985 com a dissertação“Movimento Punk na cidade: a invasão dos bandos sub”, orientada por Eduardo Viveiros de Castro. O Doutorado, também em Antropologia, fez em Nova York, Ithaca, e na Cornell University, terminado em 1991 com a tese“Fast Tribs ands foreignnesses: an anthropological study of Hispanics woman as other in American society”, sob a orientação de James Siegel. Foi professora titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO-UFRJ), onde lecionou, entre 1993 e 2022, as disciplinas Teoria Antropológica, Teoria da Comunicação e Política da Comunicação. Iniciou sua atuação na ECO como bolsista recém-doutora antes de realizar o concurso público para docente. Mesmo após o afastamento de suas funções na Graduação em virtude da aposentadoria, que ocorreu em 2022, sua ligação com a ECO segue por meio do vínculo com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Escola, como docente da linha Mídia e Mediações Socioculturais. 211 Desde 2024 atua como pesquisadora visitante no Programa de PósGraduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ) no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa(PADDPesquisa), onde participa do Grupo de Pesquisa Comunicação, Arte e Redes Sociotécnicas(CNPq/FCS-UERJ). Também é pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq-Bolsa PQ Sênior) e coordenadora do Grupo de Estudos da Cidade e da Comunicação(CNPq/UFRJ), credenciado desde 2001. Janice ocupou posições em diversas esferas de instituições de ensino e pesquisa no Brasil e no exterior. Ministrou cursos no Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da Universidade Federal da Bahia(UFBA)e no PPGCOM da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM) em 1997, e no Mestrado em Psicologia da Fundação Getúlio Vargas em 1986. Foi pesquisadora convidada do PhD Program in Anthropology da City University of New York(Cuny) durante o ano de 1999, no âmbito de um estágio Pós-Doutoral com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) e da Fundação Fulbright. Trabalhou como pesquisadora convidada do Centre de Sociologie de l’Innovation (CSI) da École Nationale Supérieure des Mines de Paris durante o ano de 2014, com Bolsa Estágio Sênior da Capes. Sua carreira igualmente inclui relevantes experiências na Coordenação Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos(CIEC), núcleo de pesquisa do PPGCOM da ECO, entre 2008 e 2015, e do Grupo de Trabalho Comunicação e Sociabilidade da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), em 2006 e 2007, além de seu trabalho como coeditora da Revista EcoPós do PPGCOM da ECO entre 2017 e 2018. No âmbito do aperfeiçoamento profissional-acadêmico, teve trocas com professores e estudantes de diferentes culturas, acessando outros modos de fazer e pensar dinâmicas investigativas e perspectivas teóricas. Em Cornell concentrou-se na observação de grupos de mulheres hispânicas pobres de Nova York, numa perspectiva comunicativa. Nos dois Pós-Doutorados realizados com apoio da Capes, estudou o tema do transporte coletivo nos EUA com foco no metrô nova-iorquino, e depois examinou o contexto do metrô de Paris. Viagem e contato com a alteridade perpassam essas experiências. É importante ressaltar a ligação entre seu trabalho acadêmico e seu fazer poético. Escreve poemas desde menina e estabeleceu um 212 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS diálogo entre essas duas atuações profissionais, transferindo o ritmo poético para o seu texto acadêmico. Janice é autora de 13 livros, entre obras acadêmicas e de poesia. Podemos mencionar os seguintes títulos:“Jornadas Urbanas: exclusão, trabalho e subjetividade nas viagens de ônibus na cidade do Rio de Janeiro”,“Aventura das cidades: ensaios e etnografias”, “Trilhos da cidade: viajar no metrô do Rio de Janeiro”,“Noite de Ela no Céu”,“Fôlego”,“Estúdio” e“Patchwork”. Também traduziu e prefaciou“As Rosas”, dos poemas franceses de Rainer Maria Rilke, e cotraduziu, com Tania Stolze Lima,“Crônica dos índios Guayaki: o que sabem os Aché, caçadores nômades do Paraguai”, de Pierre Clastres. Entre suas principais contribuições para o campo da Comunicação está o desenvolvimento, nas pesquisas e nos cursos ministrados na Graduação e na Pós-Graduação, de uma problemática comunicacional nas análises das dinâmicas urbanas e dos modais de transporte(sobretudo dos metrôs, conjuntos de circuitos comunicativos híbridos de humanos e maquinismos). Como antropóloga e etnógrafa(desde a dissertação de Mestrado editada pela Jorge Zahar, em 1985), ela tem contribuído com a produção de textos e a condução de cursos em torno da etnografia, explorando sua relevância no campo das pesquisas em Comunicação. No âmbito da epistemologia da Comunicação, têm examinado uma definição mais abrangente do conceito de Comunicação que o reinstitua como questão filosófica e sociocultural complexa e multifacetada. Além disso, nas pesquisas acerca de modais de transporte coletivo urbano, sobretudo nas etnografias dos metrôs do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Paris, vem trabalhando um campo problemático que envolve o advento e o impacto das tecnologias de informação e Comunicação(TICs) nas cidades, nas organizações e nos equipamentos coletivos de transporte, a difusão de inovações como fenômeno comunicativo e os processos de rede nos contextos de rede materiais de infraestruturas urbanas e de redes semióticas de Comunicação e informação. A trajetória de Janice Caiafa, em sua abordagem interdisciplinar, traz perspectivas inovadoras para a compreensão das dinâmicas socioculturais, comunicacionais e informacionais contemporâneas. Seu fôlego acadêmico e sua sensibilidade poética permitem-na olhar de forma singular e inspirada para os fenômenos urbanos 213 e comunicacionais, especialmente no que diz respeito às experiências de alteridade, às produções de subjetividade e aos processos de sociabilidade. Principais publicações CAIAFA, Janice. Trilhos da cidade: viajar no metrô do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2013. CAIAFA, Janice. Aventura das cidades: ensaios e etnografias. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. CAIAFA, Janice. Jornadas urbanas: exclusão, trabalho e subjetividade nas viagens de ônibus na cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2002. CAIAFA, Janice. Patchwork. Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2016. CAIAFA, Janice. Scintilla. Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2024. CAIAFA, Janice. Noite de Ela no céu. 1. ed. Teresópolis: Impressões do Brasil, 1997. 57 p. CAIAFA, Janice. Estudio. 1. ed. Rio de Janeiro: 7Letras, 2009. 80 p. 214 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste BEATRIZ BECKER Claudia Thomé Beatriz Becker nasceu em 4 de janeiro de 1961 no Rio de Janeiro (RJ). É filha caçula de Bertha Becker e de Fábio Becker. Tem dois irmãos, Paulo e Lídia, e é mãe de Alessandra e Isadora. Estudou na Escola Israelita Brasileira Eliezer Steinbarg(Primeiro Grau) e no Colégio São Vicente de Paulo(Segundo Grau). Formou-se em Jornalismo em 1982 na Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Dedicou à arte e à dança e chegou a receber bolsa para estudar no exterior, o que a levou a atuar como colunista de dança no jornal Tribuna da Imprensa. Em 1984 fez parte do elenco no musical Chorus Line, no Teatro Tereza Raquel, no Rio de Janeiro. Logo assumiu novos desafios no jornalismo, atuando no jornal O Globo, nas revistas Manchete e Fatos& Fotos e na TVE, entre outros veículos de Comunicação. No mercado jornalístico atuou como repórter, produtora, apresentadora, editora e diretora de programas televisivos. Na televisão estreou no setor de chamadas do Departamento de Programação da Rede Globo. Trabalhou na extinta Rede Manchete de Televisão. Em 1986 foi convidada a retornar à Rede Globo, desta vez como repórter. Atuou também como apresentadora de telejornal local da Praça Rio e de telejornal de rede na Globosat/GNT. No fim dos anos 1980 ingressou no Mestrado em Comunicação e Cultura na ECO/UFRJ, concluído em 1992 com a dissertação“O Sucesso da Novela Pantanal: um fenômeno de mídia”, orientada por Heloisa Buarque de Hollanda e Carlos Alberto Messeder Pereira. A pesquisa foi indicada pela coordenação do Programa de PósGraduação em Comunicação(PPGCOM/UFRJ) para representar o 215 programa naquele ano junto a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Nesse momento retornou à Rede Manchete como repórter do Programa de Domingo, assumindo a direção e a edição de programas jornalísticos especiais. Em 1993 foi aprovada em primeiro lugar no concurso público para o ensino do audiovisual no Departamento de Expressão e Linguagens da ECO, dando início à trajetória como professora da mesma escola onde se formou. Assumiu disciplinas relacionadas à televisão e ao telejornalismo, com projetos e ações para incrementar o ensino do audiovisual, e coordenou dois laboratórios. O primeiro laboratório foi o de Televisão da Escola de Comunicação. O laboratório, e o site, TJUFRJ, foi o segundo laboratório que coordenou na Escola de Comunicação, de 2006 a 2012. Este projeto foi contemplado com menções honrosas nas Jornadas de Iniciação Científica, Tecnológica e Cultural da UFRJ e por dois editais da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro(Faperj). Beatriz Ingressou no Doutorado em 1995. Em 2002 assumiu a coordenação do Curso de Jornalismo da ECO, no mesmo ano em que concluía seu Doutorado também no PPGCOM da UFRJ. A tese“Brasil 2000: 500 Anos do Descobrimento do Brasil nos noticiários da tevê”, sob a orientação de Aluizio Ramos Trinta, recebeu o título de melhor Tese de Doutorado na modalidade Jornalismo no XXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) em 2002. Dois anos depois, foi agraciada pelo Programa de Apoio à Docente Recém Doutor Antonio Luís Vianna-ALV, em razão do projeto“Metamorfose: um jeito diferente de contar histórias das ciências”, voltado para a divulgação científica da UFRJ em vídeo. Beatriz integrou o grupo fundador da Associação Nacional dos Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor) em 2003. Atuou como membro do Conselho Científico em quatro gestões, foi vicepresidente da entidade entre 2009 e 2011 e editora executiva da Revista Brazilian Journalism Research(BJR). Foi atuante, ainda, na criação do 1º Encontro de Jovens Pesquisadores da SBPJor em 2009 (JPJor), que ocorreu no 11º Encontro anual da Associação, sediado na ECO com sua coordenação local. Em 2004 teve seu projeto de estágio Pós-Doutoral acolhido pela Coordenação do Programa de Comunicação e Semiótica 216 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), com supervisão de Arlindo Machado. Estreou na docência da PósGraduação com a disciplina“Televisão de Qualidade: análise de narrativas ficcionais e não ficcionais televisivas”. Um ano depois publicou seu primeiro livro,“A linguagem do telejornal: 500 anos do descobrimento nos noticiários da tevê”. Foi credenciada como docente permanente do PPGCOM em 2007 e começou a ministrar disciplinas no ano seguinte. Em 2008 publicou, em coautoria, seu segundo livro,“Pantanal: a reinvenção da telenovela”, baseado em sua Dissertação de Mestrado. Dois anos depois foi contemplada como bolsista de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Compôs o comitê de Regionalização dos Associados da International Association of Media and Communication Research(IAMCR-2013). A metodologia da Análise Televisual(AT), desenvolvida por ela, foi consolidada em 2005 em seu primeiro livro. A metodologia da Análise Televisual Convergente(ATC) nasceu depois, ante a necessidade de ampliar a compreensão dos processos comunicativos e das narrativas audiovisuais em um novo ecossistema midiático. Contribuiu também em espaços de gestão na UFRJ. Foi representante do Centro de Filosofia e Ciências Humanas(CFCH) em duas gestões da PR2 do Conselho de Pós-Graduação(CEPG) da UFRJ, e atuou como coordenadora de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ, realizando, com a comissão discente, o Conexão Pós, o 1º Encontro de pesquisas de Pós-Graduação, um evento inserido nas comemorações dos 50 anos da instituição, integrando alunos e professores dos quatro Programas da Escola. A experiência no TJUFRJ, o telejornal on-line da ECO, foi materializada no terceiro livro,“Pensando e Fazendo o Jornalismo Audiovisual”, publicado em coautoria em 2012. Em 2015 criou o Grupo de Pesquisa Mídia, Jornalismo Audiovisual e Educação(MJAE), certificado pelo CNPq e vinculado ao PPGCOM/UFRJ. Liderou o grupo durante cinco anos e, com a participação e a colaboração de bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica(Pibic) e de alunos de Graduação e de Pós-Graduação, realizou um trabalho de integração entre a Graduação e a Pós-Graduação na ECO, com eventos como o seminário nacional Mídia e Educação na Casa da Ciência. Dez anos após seu primeiro estágio pós-doutoral, fez o segundo, desta vez no Department of Media and Communication na 217 Goldsmiths, University of London, durante seis meses, no Reino Unido. Em 2016 publicou seu quarto livro,“Televisão e telejornalismo: transições”, com prefácio de James Curran, seu então supervisor deste Pós-Doutoramento. Foi coordenadora e vice-coordenadora do Grupo de Trabalho Estudos de Jornalismo na Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), entre os anos de 2014 e 2018. Em 2019 tornou-se professora titular da ECO, quando apresentou e submeteu à avaliação da Banca a metodologia da Análise Televisual Convergente(ATC). Três anos depois foi contemplada no edital do PPGCOM/UFRJ para publicação de resultados de sua pesquisa em seu quinto livro,“A construção audiovisual da realidade: uma historiografia das narrativas jornalísticas em áudio e vídeo”. Em 8 de setembro de 2022 Beatriz Becker recebeu o título de professora emérita pela trajetória de relevantes contribuições, permanecendo vinculada ao PPGCOM da UFRJ como professora permanente e pesquisadora, e atuando como bolsista de produtividade do CNPq. Segue buscando inovação e diálogos com outras áreas de ensino e pesquisa em prol do compartilhamento de conhecimentos, da ampliação de contribuições da academia para a sociedade e colaborando para a transformação de vidas por meio da educação. Principais publicações BECKER, B. A construção audiovisual da realidade: uma historiografia das narrativas jornalísticas em áudio e vídeo. 1. ed. Rio de Janeiro: Mauad X, 2022. 160 p. V. 1. BECKER, B. Televisão e telejornalismo: transições. 1. ed. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2016. 252 p. V. 1. BECKER, B. A linguagem do telejornal: um estudo da cobertura dos 500 anos do descobrimento do Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: E-Papers Serviços Editoriais, 2005. 180 p. V. 1. BECKER, B.; TEIXEIRA, J. F.; MATEUS, L. S. Pensando e fazendo jornalismo audiovisual: a experiência do TJUFRJ. 1. ed. Rio de Janeiro: E-Papers, 2012. 122 p. V. 1. MACHADO, A.; BECKER, B. Pantanal: a reinvenção da telenovela. 1. ed. São Paulo: EDUC-PUC-SP, 2008. 146 p. V. 1. 218 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste IVANA BENTES Consuelo Lins Ivana Bentes nasceu em 29 de julho de 1964 em Parintins(AM). É filha de Maria do Espírito Santo Bentes Oliveira e Ricardo Farias de Oliveira. A família mudou para Rio Branco(AC), onde viveu até os 16 anos, realizando o Primeiro Grau no Instituto São José e parte do Segundo Grau no Colégio Meta. Em 1980 mudou-se para o Rio de Janeiro para concluir o Ensino Médio no Colégio Santa Marcelina. Ingressou na Escola de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) para cursar jornalismo em 1982. O Mestrado e Doutorado foram cursados na mesma instituição. Sua dissertação levou o título“Percepção e verdade: da filosofia ao cinema”(1991), orientada por Márcio Tavares D’Amaral; e sua tese de Doutorado,“Teoria e biografia na obra de Glauber Rocha” (1997), foi orientada pelo mesmo professor. Entre 1985 e 1990, durante sua formação, participou dos cursos livres de Cláudio Ulpiano, um filósofo-formador autodidata, que reunia, semanalmente, inúmeros pesquisadores, estudantes, artistas e ativistas no Rio de Janeiro. A experiência de ver e escrever a partir de filmes para um público não acadêmico, como aconteceu na Revista Tabu, foi aprofundada no Caderno Ideias do Jornal do Brasil, onde passou a trabalhar em 1990, escrevendo semanalmente até 1994. Atuou também no JBOn-line, onde acompanhou o início do jornalismo digital. O encontro com o fotógrafo e cineasta Arthur Omar, em 1992 – e o casamento alguns anos depois –, foi decisivo para expandir seus interesses para o campo do cinema experimental e das artes. Ivana 219 organizou exposições e textos para catálogos dentro e fora do Brasil em torno de sua produção artística(MoMa-NY, CCBB, Itaú Cultural). Em 1994 é aprovada em concurso público para o Departamento de Fundamentos da Comunicação da Escola de Comunicação(ECO) da UFRJ. Ministrou, durante anos, disciplinas de teoria e história da Comunicação, e, a partir dos anos 2000, disciplinas ligadas ao cinema e às produções audiovisuais. Na ECO associou-se ao Centro Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos(Ciec), dirigido por Heloisa Buarque de Hollanda, que a incluiu em uma coletânea organizada em 1993, sob o título Ensaístas Brasileiras: mulheres que escreveram sobre literatura e artes de 1860/1991. O livro, que coloca Ivana como pensadora do cinema brasileiro, é Cartas ao Mundo, de 1997, contendo um longo ensaio sobre Glauber Rocha e uma correspondência inédita do cineasta. Na Pós-Graduação da ECO os cursos posteriores ao ano 2000 tiveram como tema as teorias dos dispositivos e da imagem, imaginários tecnológicos, problemas teóricos da Comunicação, cultura de redes, capitalismo cognitivo e a noção de Commons, entre outros. Foi diretora da ECO em dois momentos: 2006 a 2013 e de 2018 a 2019. Durante a primeira gestão criou e foi coordenadora do Pontão de Cultura Digital da Escola de Comunicação(2009), que integrava o Programa Cultura Viva do MinC – um laboratório de pesquisa e extensão em Cultura Digital que continua em atividade e tem contribuído para a formação de lideranças de movimentos sociais e culturais de jovens das periferias, grupos vulneráveis e grupos de cultura de matriz africana. A extensão universitária tem sua atenção desde seu primeiro mandato como diretora da ECO, pois ela tem organizado atividades que apostam na inteligência coletiva e em uma produção de conhecimento que possa ser apropriada pelos estudantes. O protagonismo do Pontão de Cultura da ECO em ações de apoio à gestão pública e aos Pontos de Cultura do Estado, contribuiu para que ela assumisse, em 2015, a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, a convite do então ministro, Juca Ferreira. Sua segunda gestão encerra-se em 2019 para atuar como pró-reitora de extensão. Foi reconduzida ao cargo pelo reitor eleito em 2023. Seus textos têm sido publicados fora do Brasil desde o final dos anos 1990:“Sertões e Favelas no Cinema Brasileiro Contemporâneo: 220 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS da Estética à Cosmética da Fome”, nos EUA em 1999 e na Itália em 2003;“Romantisme, Marxisme et Messianisme” na Collecion da Cinématheque Française, em 2005;“Das Copyright des Elends und das Bild als Kapital”, na Alemanha em 2004;“The Aesthetics of Violence in Brazilian Film”, na Inglaterra em 2005; “5 X Favela, now by ourselves” nos EUA em 2013; o ensaio Global Periphery: Aesthetic and Cultural Margins in Brazilian Audiovisual Forms, publicado nos EUA e na Argentina em 2013; e, ainda, MultiTropicalism, cinematic sensation, and theoretical devices, publicado na coletânea Tropicalia: A Revolution in Brazilian Culture, organizada pelo curador espanhol Carlos Basualdo, livro que acompanhou a exposição de mesmo nome no Museu de Artes Contemporâneas de Chicago, entre outros. Mais especificamente sobre cinema, publicou, além de Cartas ao mundo – Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade: a revolução intimista(1996), uma cinebiografia sobre o diretor de Macunaíma; Canudos: 100 anos, lançado em 1997; e organizou Ecos do Cinema: de Lumiere ao Digital, em 2007. Escreve na Revista Cult desde 2016 sobre os mais diversos temas. Entre os assuntos abordados estão a rapper Karol Koncá, a pósverdade, o filme Barbie, o Estado-milícia, Gilberto Braga, feminismo e Marielle. A trajetória de Ivana Bentes contribuiu para a consolidação de novos temas para a área de Comunicação e de modos inéditos de atuação no ensino, na pesquisa e na gestão pública. Suas ações intensificaram as parcerias entre a Escola de Comunicação com movimentos sociais e culturais, integrando a universidade com a vida da cidade e de suas periferias. Principais publicações BENTES, Ivana. Cartas ao mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. BENTES, Ivana. Cidade de Deus promove turismo no inferno”. O Estado de São Paulo, 31, 2002. BENTES, Ivana. Joaquim Pedro de Andrade: a revolução intimista. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1996. 192 p. BENTES, Ivana. Canudos: 100 anos. Rio de Janeiro: Editora Textual: Ministério da Cultura, 1997. 221 BENTES, Ivana(org.). Ecos do cinema: de Lumiere ao Digital. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2007. BENTES, Ivana. Mídia-multidão: estéticas da Comunicação e biopolíticas. Rio de Janeiro: Maud, 2015. BENTES, Ivana; FELINTO, Erick. Avatar: o futuro do cinema e a ecologia das imagens digitais. Porto Alegre: Sulina, 2010. 222 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste MARIA CRISTINA FERRAZ Ericson Saint Clair Maria Cristina Franco Ferraz nasceu em 25 de outubro de 1954 no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Pedro Junqueira Ferraz e Maria de Lourdes Serra Franco Ferraz. Sua formação educacional inicia-se em escolas públicas(Escola Soares Pereira e Instituto de Educação). Estudou por seis anos no Instituto Brasil Estados Unidos(IBEU), além do Teacher’s Training Course, que propiciou seu primeiro trabalho como auxiliar de ensino, antes mesmo de completar 19 anos. Na Aliança Francesa estudou por cinco anos a língua, além de quatro anos de estudos em literatura francesa. Trabalhou como atriz: aos 16 anos fez Medeia e aos 18 Madre Joana dos Anjos, no Museu de Arte Moderna(MAM) do Rio. Fez dança durante 30 anos. Outra formação relevante, especialmente para sua iniciação política, ocorreu dos 12 aos 15 anos, quando fez parte do grupo de jovens que se reunia na Igreja Nossa Senhora da Conceição, na Tijuca, para estudar literatura e teoria. Estudou na Universidade I Sorbonne, desenvolvendo monografia sobre David Hume. O Mestrado em Letras na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-RJ), cursado com bolsa Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), teve orientação de Silviano Santiago, e tratou das obras de Clarice Lispector e de Julio Cortázar. Concluído o Mestrado, integrou o grupo de estudos de filosofia com Cláudio Ulpiano, entre 1983 e 1984. Logo na sequência, candidatou-se à bolsa de Doutorado integral na França pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Assim, entre 1985 e 1992, em Paris I, fez sua tese sobre Nietzsche, a autobiografia, orientada por Sarah Kofman. 223 Nesse período, assistiu cursos de Deleuze, bem como aulas com Derrida, Michel Serres e outros. Para vivenciar a obra de Nietzsche, iniciou seus estudos de alemão no Instituto Goethe de Paris, com bolsa do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico(DAAD) em 1988, para finalizar os estudos no Instituto Goethe de Berlim. Já como professora titular da Universidade Federal Fluminense, obteve mais três bolsas de pesquisa em Berlim(em 2004, 2007 e 2010), no Instituto Max-Planck de História da Ciência e no Centro de Pesquisa em Literatura e Cultura. O ponto de partida de sua atuação no campo da Comunicação coincide com seu ingresso na Universidade Federal Fluminense (UFF), no ano de 1994. Desde sua entrada na UFF até sua aposentadoria, em 2011, realizou inúmeras atividades: docência de uma série de disciplinas sobre as relações entre Comunicação e Filosofia; participação na criação do Mestrado e do Doutorado em Comunicação; coordenação do Programa de Doutorado Internacional Erasmus Mundus“Cultural Studies in Literary Interzones”, com chancela da Comissão Europeia em parceria com a Universidade de Bérgamo, na Itália, Perpignan, na França, Tübigen, na Alemanha, e Jawarahal Nehru, na Índia; criação e coordenação do Projeto Editorial“Coleções Conexões”, lançado em dezembro de 1999 pela Editora Relume Dumará. Além disso, destacam-se seus projetos financiados por agências de fomento, como Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro(Faperj) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), a exemplo de:“A invenção da mimesis na filosofia platônica”, que gerou o livro“Platão e as artimanhas do fingimento”;“Da Cultura Letrada à Hiperconectividade Digital: percepção, atenção e afeto”(2016 a 2018) e“Modulações da atenção e dos afetos na cultura digital”, iniciado em 2019. Em 2012, já aposentada, foi aprovada em concurso para professora titular no curso de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Foi professora convidada em Richmond(EUA), Paris 8 e Perpignan(França), Saint Andrews(Escócia) e Nova de Lisboa (Portugal). Em 2023 foi Visiting Scholar Senior na Universidade de Paris 8. Maria Cristina busca intercessores variados para atuar no campo da Comunicação em processo de produção. Em cada trabalho 224 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS coabitam, em um plano de imanência, filosofia, literatura, artes, cinema, dança, mass media, cultura digital e outros. Propõe uma leitura original do método genealógico nietzschiano no campo da Comunicação: os objetos não existem previamente, de modo neutro, mas são construídos a partir da desnaturalização de suas aparentes evidências, e assim mostram-se forças divergentes, complexas, que contribuíram para sua suposta naturalidade. Seus estudos inevitavelmente revelam interpretações fortes e originais tanto de obras consagradas quanto de produtos midiáticos recentes. Seu leitor(e o aluno) poderá afirmar sua própria força ao aceitar o desafio de ruminação que o trabalho da pesquisadora propõe. Maria Cristina Franco Ferraz vem traçando, há algumas décadas, uma consistente e inventiva trajetória no campo da Comunicação. Do ensino à pesquisa, seu trabalho instala-se na porosidade das fronteiras dos saberes, notadamente a Comunicação, a Filosofia, a Literatura e as diversas Artes. As pesquisas da autora na área, assim como os trabalhos por ela orientados, suas participações em congressos e artigos publicados, não se furtam a pensar e repensar as próprias condições de possibilidade de um pensamento comunicacional. Ao aliar rigor conceitual e criatividade, sua produção textual, suas aulas e orientações marcam gerações de discentes, pesquisadores e pesquisadoras. Principais publicações FERRAZ, Maria Cristina Franco. Nietzsche, o bufão dos deuses. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1994. FERRAZ, Maria Cristina Franco. Platão: as artimanhas do fingimento. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1999. FERRAZ, Maria Cristina Franco. Platão: as artimanhas do fingimento. Lisboa: Nova Vega, 2010. FERRAZ, Maria Cristina Franco. Homo deletabilis – corpo, percepção, esquecimento: do século XIX ao XXI. Rio de Janeiro: Garamond: Faperj, 2010. FERRAZ, Maria Cristina Franco. Ruminações: cultura letrada e dispersão hiperconectada. Rio de Janeiro: Garamond: Faperj, 2015. FERRAZ, Maria Cristina Franco; SAINT CLAIR, Ericson. Para além de Black Mirror: estilhaços distópicos do presente. São Paulo: Editora n-1, 2020. 225 FÁTIMA REGIS Alessandra Maia, Letícia Perani, Raquel Timponi Fátima Cristina Regis Martins de Oliveira nasceu em 2 de agosto de 1969 no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Paulo Martins Lucas e Dinah Regis do Amaral Martins. É casada com Sylvio Gonçalves de Oliveira Junior e mãe de Luísa. O primário foi realizado na Escola Nossa Senhora de Fátima e o Ensino Médio na escola Nossa Senhora do Rosário e no Colégio Macedo Soares. Em seu Ensino Médio teve formação técnica em Eletrônica no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca(Cefet/RJ). Fátima graduou-se em Relações Públicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ) em 1991. No ano seguinte realizou, na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), Especialização em Tecnologia Educacional Para Saúde. Dois anos depois ingressou no Mestrado na Escola de Comunicação da UFRJ(ECO-UFRJ). Seu percurso na Pós-Graduação, realizada no âmbito da ECO, contou com a orientação de Ieda Tucherman. A partir de 1994 desenvolveu a pesquisa A literatura e o Mal no Ocidente: implicações éticas e estéticas, dissertação defendida em 1996. Em 1997 iniciou o Doutorado, quando trabalhou na tese Nós, ciborgues: a ficção científica como narrativa da subjetividade homem-máquina, defendida em 2002. Essa pesquisa foi publicada em formato de livro em 2012, com o título Nós, ciborgues: tecnologias da Comunicação e subjetividade homem-máquina, e a segunda edição foi lançada em 2022, contemplando perspectivas e temas contemporâneos, como metaverso e inteligência artificial. Sua atuação profissional de comunicadora começou na área de Saúde como estagiária no Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente(Nesa/ 226 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS UERJ), de junho de 1990 a dezembro de 1991. Em 1992 conquistou a premiação do IX Concurso Universitário Nacional de Monografias e Projetos Experimentais de Relações Públicas, Associação Brasileira de Relações Públicas – Seção São Paulo – ficando em 1º lugar na Categoria Atividades Comunitárias. Além de estágio, o Nesa também foi o local de seu primeiro emprego, no qual atuou entre 1992 e 1998. Realizou, ainda, atividades de extensão no Morro dos Macacos, localizado em Vila Isabel, em articulação entre Comunicação e Educação. No campo da docência, em 1996 foi professora substituta da UERJ. No ano seguinte, na mesma universidade, passou no concurso para docente efetiva do curso de Graduação em Comunicação Social da Faculdade de Comunicação Social(FCS), no Departamento de Relações Públicas. Suas duas principais cadeiras são Fundamentos de Relações Públicas e Narrativas Transmidiáticas. Em 2002 fez parte do grupo de pesquisadores que fundaram o Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCom) na FCS/UERJ. Foi coordenadora adjunta do PPGCom(2006-2008) e coordenadora do PPGCom(2008-2010), sendo a primeira mulher a coordenar o Programa. É bolsista Prociência da UERJ desde 2008 e consultora Ad hoc do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro(Faperj), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais(Fapemig). Foi secretária de Finanças na Diretoria da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura(ABCiber) entre 2011 e 2015 e membro do Conselho Científico Deliberativo da mesma Associação entre 2007-2011. Foi coordenadora do GP Cibercultura do Intercom (2010-2013) e coordenadora do GT Comunicação e Cibercultura da Compós(2015-2017). Em 2007 criou o Grupo de Pesquisa(GP) em Comunicação, Entretenimento e Cognição, atual GP em Comunicação, Lúdico e Cognição(CiberCog), registrado pelo Diretório do CNPq, com foco nas competências cognitivas desenvolvidas nas vinculações com mídias digitais e produtos culturais. 227 Em 2012 realizou o seu Pós-Doutorado no Programa de PósGraduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), sob supervisão de Suely Fragoso. Em 2014 forma o Laboratório de Mídias Digitais(LMD), pertencente ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGComUERJ), e conquista a bolsa de Inovação Tecnológica(INOVUERJ). O LMD é uma Unidade de Desenvolvimento Tecnológico(UDT), um laboratório de ensino, pesquisa e extensão que acolhe dois grupos de pesquisa da Faculdade de Comunicação Social da UERJ: o CiberCog e o Comunicação, Arte e Redes Sociotécnicas(Trama) da Faculdade de Comunicação Social. Sob a sua liderança, desde que se tornou uma UDT em 2015, o LMD tem se empenhado em desenvolver uma metodologia de aprendizagem inovadora, aplicada em oficinas de um projeto de extensão e de inovação por meio do projeto Mídias Digitais e Desenvolvimento Cognitivo no Ensino Formal. Ao longo de sua carreira de pesquisadora foram conquistados diversos editais, obtidos junto as principais agências de fomento à pesquisa no país. Desses recursos, destacam-se os projetos do Laboratório de Mídias Digitais(Faperj), os editais diretamente relacionados à produtividade na pesquisa acadêmica(Faperj APQ1, bolsa de Produtividade em Pesquisa pelo CNPq, editais Pró-Ciência conquistados), além de outros editais em parceria de pesquisa, como a Rede de Combate ao Zika, Chikungunya e Dengue(Faperj). Em 2019 atuou como professora visitante sênior, com bolsa Capes Print, na University of Wisconsin, Milwaukee. Foi Visiting Scholar na University of California, San Diego, de fevereiro a julho de 2020, no Department of Communications. Em 2021 a Rede de Pesquisa em Comunicação, Lúdico, Afetos e Cognição(CLAC) surgiu para a consolidação e multiplicação de parcerias em pesquisas e produções em Comunicação sobre Competências e Habilidades Cognitivas. O grupo já produziu artigos, duas oficinas de extensão e lecionou disciplinas conjuntas no PPGCom da UERJ e da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Desenvolve o Projeto de Pesquisa“ New Media Literacies”: aprendizagem participativa, multimodal e lúdica na cultura digital, financiado pelo CNPq Universal, Faperj APQ1/2021 e pelo Prociência/UERJ. 228 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Em relação à sua produção bibliográfica, evidencia-se: Tecnologias de Comunicação, entretenimento e competências cognitivas na cibercultura(2008); Comunicação e entretenimento na cibercultura: repensando as articulações entre lúdico, cognição e tecnologia; Letramentos e mídias: sintonizando com corpo, tecnologia e afetos (2020); Unveiling Radical Mediation: Navigating Body-Mind, Affect, and Technology in Media Literacy(2023), entre outros livros e artigos publicados no Brasil e no exterior. Pela sua integração a projetos sobre Educação Midiática, passou a integrar, em 2022, a Rede de Educação e Cultura Digital da MultiRio – Prefeitura do Rio de Janeiro. Em 2023 recebeu o convite para representar a UERJ em debate sobre Fake News em audiência pública da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro(ALERJ), que discutiu sobre Escolas no Combate às Fake News e ao discurso de ódio. Destaca-se o papel de Fátima na orientação de pesquisas dos mais variados temas, como: videogames, cinema, seriados, história em quadrinhos, produtos de plataformas e mídias digitais, multiletramentos, audiobooks, livros, projetos de educação midiática, gambiarra, narrativa em diferentes ambientes e plataformas digitais, lúdico, entre outros. A densa produção acadêmica e o caminho biográfico traçado por Fátima Regis, demonstram sua propensão para a pesquisa científica, para a vertente extensionista e seu papel relevante na formação acadêmica, um exemplo de aplicação prática na academia da cognição pela via do corpo e do afeto, pilares fundamentais que resumem a essência dessa pesquisadora. Principais publicações OLIVEIRA, F. C. R. M.; SOARES, Letícia Perani. Comunicação e entretenimento na cibercultura: repensando as articulações entre lúdico, cognição e tecnologia. E-Compós, Brasília, v. 13, p. 8-16, 2011. OLIVEIRA, F. C. R. M. Cognição e afeto na Comunicação: conectando corpo, mente, meio e tecnologia. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2022. 144 p. V. 1 OLIVEIRA, F. C. R. M. Games. In: CITELLI, Adilson; BERGER, Christa; BACCEGA, Maria Aparecida; LOPES, Maria Immacolata Vassalo; FRANÇA, Vera(org.). Dicionário de Comunicação: escolas, teorias, 229 autores. 1. ed. São Paulo: Contexto, 2014. p. 251-258. V. 1. OLIVEIRA, F. C. R. M.; SOARES, Letícia Perani. Games and science fiction. Contributing to define hybrid spaces in location-aware games. G|A|M|E – Games as Arts, Media, Entertainment, v. 1, p. 8, 2012. REGIS, Fátima. Unveiling Radical Mediation: Navigating Body-Mind, Affect, and Technology in Media Literacy. Global Journal of Human Social Science G – Linguistics& Education, v. 23, p. 37-46, 2023. REGIS, Fátima. Literacies and Media Tuning in with Body Technology and Affects. Contracampo, Brazilian Journal of Communication, Niterói v. 39, n. 2, Aug./Nov. 2020. 230 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste LIV SOVIK Fernanda Carrera Liv Rebecca Sovik nasceu em 6 de outubro de 1955 em Genebra (Suíça). É a terceira de quatro irmãos. A mãe chamava-se Ruth Johnson Sovik e o pai Arne Sovik, ambos marcados pela cultura protestante. Frequentou os primeiros anos em escola pública, mas, da terceira à sexta séries estudou na École Internationale de Genève, Ecolint. A partir do 7º ano, em 1967, viveu por quatro anos em Montclair, New Jersey, área metropolitana de Nova Iorque. Em 1971 voltou à Suíça e terminou seus estudos novamente na Ecolint. Assim que finalizou o Ensino Médio, em 1973, voltou aos EUA para estudar em Yale University, onde cursou Língua e Letras Inglesas. O Mestrado, depois de ter passado uma temporada no México, realizou no Instituto de Estudos Latino-Americanos(ILAS) da Universidade do Texas, em Austin, com o objetivo de estudar como as narrativas existem socialmente, mas mudou o seu tema para a economia política da Comunicação, apresentando o trabalho“ The Bankers of the Poor: International church funding of communication in Latin America”, orientada por Emile McAnany Migrou para o Brasil onde depara-se não somente com uma nova dimensão de sua vivência de estrangeira, mas com dimensões de opressão de gênero, quando trabalha no Departamento de Estudo Socioeconômicos e Políticos e no Departamento de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores(CUT). Aproxima-se do Doutorado como ouvinte na Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo(USP), mas retorna à área da Comunicação. Foi orientanda de Ciro Marcondes Filho na Escola 231 de Comunicação e Artes(ECA) da USP, apresentando a tese Vaca profana: teoria pós-moderna e Tropicália, em 1994. Em 1996 entra na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia como bolsista recém-doutora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), e logo tornase professora adjunta, assim como professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Em Salvador teve experiências importantes sobre a música popular brasileira e o debate racial e cultural que a atravessa. Durante o período em Salvador, de janeiro de 1996 a agosto de 2000, Liv foi pesquisadora associada do Centro de Estudos de Migrações Internacionais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a partir do Programa de Apoio a Grupos de Excelência (Pronex)/Financiadora de Estudos e Projetos(Finep)“Identidades: reconfigurações de cultura e política”, e foi membro da diretoria da Associação Brasileira de Literatura Comparada(Abralic) de 1998 a 2000, e, como tal, participou da organização do Congresso da entidade em Salvador, iniciando sua duradoura correspondência com Stuart Hall. Em 2000 muda-se para o Rio de Janeiro e ingressa na Escola de Comunicação(ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, onde se consolida como professora titular. Na ECO ministra, no Departamento de Fundamentos da Comunicação, as disciplinas“Como a Música Negra Mexe Conosco”,“Stuart Hall: Contribuições de Pensamento” e“Música Popular, Experiência e Conhecimento”. Na Pós-Graduação ministra disciplinas como“Comunicação e Estudos Culturais”, “Comunicação, Identidades e Representações” e“Comunicação e Cultura de Massa”. No âmbito dos cargos administrativos, foi chefe do Departamento de Fundamentos da Comunicação; membro da Comissão de Avaliação Continuada dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais Aplicadas nos anos 2005 e 2006 e membro da Comissão de Avaliação do triênio 2007-2009 das Ciências Sociais Aplicadas I da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Foi Coordenadora do Grupo de Trabalho Cultura das Mídias do evento anual da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós). 232 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS No domínio da sua produção intelectual, coorganiza o livro “Lugar Global e Lugar Nenhum: ensaios sobre a democracia e a globalização”, de 2001. Nele, escreve o capítulo“Lembrando o Sujeito Pós-Moderno, ou, viva o fim da razão instrumental”. Em 2003 organiza, junto a sua principal referência – Stuart Hall – o livro Da Diáspora: identidades e mediações culturais. Embora já discutisse os processos de racialização no seu debate sobre identidade e cultura, estabeleceu o seu lugar nos estudos sobre branquitude com a publicação do livro Aqui Ninguém é Branco, em 2009, projeto de pesquisa financiado pelo CNPq de 2003 a 2005. A partir daí coordenou projetos de pesquisa, sempre sob este duplo interesse entre música e raça. Destacam-se os projetos“Identidade e gênero na música popular”,“Representações de gênero na cultura midiática”,“Comunicação e corpo: o caso da beleza brasileira”, “Chica da Silva, raça e gênero: um olhar sobre o Brasil diaspórico na mídia e em práticas de Comunicação” e“Saberes do Som”, tendo também integrado o projeto Sonic Street Technologies, financiado pelo Conselho Europeu de Pesquisa. Em 2018 publica o livro Tropicália Rex: música popular e cultura brasileira. Tem participação no projeto Arquivos Abertos das Cidades Latino-Americanas e é pesquisadora do Programa Avançado em Cultura Contemporânea da UFRJ. Liv fez Pós-Doutorado em Goldsmiths, University of London, entre 2007 e 2008, financiada pela Capes, na Columbia University, Nova York, entre 2017 e 2018, e novamente em Goldsmiths, University of London, entre fevereiro e agosto de 2022, estas duas últimas vezes também como bolsista Capes. Como professora titular da ECO/UFRJ e do Programa de PósGraduação em Comunicação e Cultura da mesma universidade, segue inspirando jovens pesquisadores com competência e doçura, duas características que não são excludentes. Liv Sovik, com a sua potência intelectual, sua gentileza e capacidade de construir conhecimento a partir da sua história e das suas narrativas, faz da sua trajetória pessoal e profissional um processo resumido na palavra coerência, entendendo palavra como“âncora da experiência”. Principais publicações HALL, Stuart; SOVIK, Liv(org.). Da Diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG em coedição com Unesco, 2003. 233 SOVIK, Liv. Tropicália Rex: música popular e cultura brasileira. 1. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 2018. 165 p. SOVIK, Liv. Aqui ninguém é branco. Rio de Janeiro: Aeroplano Editora, 2009. 176 p. SOVIK, Liv; PRADO, J. L. A.(org.). Lugar global e lugar nenhum: ensaios sobre a democracia e a globalização. São Paulo: Hacker Editores, 2001. 142 p. V. 1. SOVIK, Liv. Chica da Silva as“Vulto Histórico”: Brazilian imaginaries and gender violence. Letterature D’America, v. XXXVII, p. 5-22, 2017. SOVIK, Liv. Lembrando o sujeito pós-moderno, ou, viva o fim da razão instrumental. In: PRADO, José Luiz Aidar; SOVIK, Liv.(org.). Lugar global e lugar nenhum: ensaios sobre a democracia e a globalização. São Paulo: Hacker Editores, 2001. p. 87-96. V. 1. 234 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste ELIANNE IVO Patrícia Saldanha Elianne Ivo Barroso nasceu em 2 de setembro de 1963 em Belém (PA). É filha de Wilton Barroso Filho e de Ely Ivo Barroso. Tem um irmão mais velho. Estudou em colégios tradicionais e católicos, tanto no Rio de Janeiro – Colégio Sagrado Coração de Maria – o Sacré-Coeur de Marie –, quanto em Porto Alegre – no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho. Em 1981 ingressou na Graduação em Comunicação Social, habilitação Jornalismo, da Escola de Comunicação Social(ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Logo após a Graduação começou como estagiária numa produtora para fazer produção audiovisual e organização de arquivo. Esta foi a elipse que a levou a Paris em 1987, onde permaneceu durante sete anos. Em 1988 ingressa no Mestrado no Département des Étude en Cinéma et Art du Spectacles(Dercav), que se tornou Recherches Cinématographiques Et Audiovisuelles, na Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3. Começa sob orientação de Michel Colin, que foi substituído por Roger Odin, e defende sua dissertação intitulada “L’analyse du Brazil de T. Gilliam: une contribution à l’étude l’Autre au cinéma”, defendida em 1990. Na sequência, em 1991, inicia estudos focados em prática em montagem no Conservatoire Libre du Cinéma Français(CLCF). Em 1994 volta para o Brasil e recebe convite para trabalhar na “Caliban Produções Cinematográficas”, de Silvio Tendler, com produção e pesquisa de imagem, como o média-metragem“Castro Alves, retrato falado de um poeta”(1998), documentário sobre 235 o diplomata Paulo Carneiro, para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(Unesco-2003), e para o institucional“Oswaldo Cruz, o médico do Brasil”, para a Fundação Oswaldo Cruz(Fiocruz-2003). No caso do documentário “Antonietta”(1996), também atuou na assistência de direção. Teve sua própria produtora, a Documental Produções(1999-2002), além de desenvolver trabalhos na Giro Produções(2004-2005). Entre as produtoras em que atuou, está o Museu da Pessoa(2001), onde desenvolveu pesquisa de imagem e de conteúdo para o projeto de “Memória oral do Clube de Regatas do Flamengo” e“Vale Memória” em comemoração aos 60 anos da Cia. Vale do Rio Doce. Paralelamente ao mercado cinematográfico, em 1997 é convidada para dar aula como visitante no Instituto Nutes de Educação em Ciências da Saúde(Nutes) da UFRJ. Em 1999 começa a trabalhar no Núcleo N-imagem. É contemplada com uma bolsa de apoio técnico da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro(Faperj) e participa da pesquisa para a construção de protótipo de dispositivo de realidade virtual, o que a leva às investigações que desenvolverá mais à frente. No fim de 1999 inicia o Doutorado na ECO, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), sob a orientação de Consuelo Luz Lins. Defende sua tese intitulada“Máquinas de agenciamento de imagens: uma contribuição para o estudo da técnica audiovisual” em 2003. Logo que termina o Doutorado é contratada como professora do curso de Comunicação da Universidade Estácio de Sá por um semestre. Em 2004 é convidada para compor o corpo docente do curso de Cinema para dar aula de montagem, onde permanece até 2006. Em 2007 toma posse como professora adjunta do curso de Cinema e Audiovisual. Em 2015 vai para o Canadá, na Université du Québec Abitibi-Témiscamingue(UQAT), fazer seu Pós-Doutorado sobre Ética e Montagem de Cartografias Audiovisuais. Elianne tem atuação em três projetos de extensão com colaboração dos alunos de Graduação e de Pós-Graduação:“O cômico e o riso no cinema alemão – ciclo de filmes e debates”,“Araci – Incubadora de Projetos de Cinema e Audiovisual” e o“Observatório de Cinema e Audiovisual – OCA”, um desdobramento do Araci Periferia, que destaca a Ilha de Edição Remota(IER), desenvolvida em conjunto com a Superintendência de Tecnologia da Informação(STI) da 236 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Universidade Federal Fluminense(UFF) e um grupo de professores do Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual (PPGCCINE). Também faz a coordenação de dois projetos de pesquisa:“Estética e montagem de cartografias audiovisuais” e “Montadores brasileiros”. Foi vice-coordenadora(2017-2023) do PPGCINE da UFF, tendo participado do projeto de criação do Program. Em 2018 começa a participar do Programa de Pós-Graduação em Mídias Criativas (PPGMC) da UFRJ. Elianne é uma das referências nas pesquisas em Cinema e Audiovisual, com destaque para a práxis da montagem. Sua trajetória constrói-se em diferentes espaços, pelo entrelaçamento de experiências pessoais e formação acadêmica, e, por isso, a importância de relacionar a pesquisa com as práticas e a produção de sentido. Elianne Ivo é uma montadora genuína que reflete sobre a reinvenção das técnicas de montagem em razão dos novos espaços de exibição que se desdobram em telas com novas narrativas e compressão do tempo de produção. Principais publicações BARROSO, E.; TELES, N. Montadoras brasileiras entre 1900 e 1980. In: TEDESCO, M.(org.). Trabalhadoras do cinema brasileiro: muito além da direção. Rio de Janeiro: Nau Editora, 2022. BARROSO, E. I. João Paulo de Carvalho e a temporalidade da TV brasileira. In: LUSVARGUI, L.(org.). Som, montagem e fotografia: colonialidades e regionalismos. São Paulo: Polytheama, 2022. BARROSO, E. Joana Collier e seus gestos de montagem: lapsos, música e síntese. CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO – VIRTUAL, 43., 2020. Anais[...]. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 1º a 10/12/2020. Disponível em: https://www.portalintercom.org.br/ anais/nacional2020/resumos/R15-1114-1.pdf BARROSO, E. I. Francisco Sérgio Moreira: restauração de filmes, entre a paixão e o conhecimento. Revista Mercosul Audiovisual. Tema Patrimônio Audiovisual, 2018. Disponível em: https://issuu.com/recam/docs/revista_recam_portugues_12-06-2018 237 MIGLIORIN, C.; BARROSO, E. I. Pedagogias do cinema: montagem. Significação: Revista de Cultura Audiovisual, v. 43, n. 46, p. 15-28, 2016. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2316-7114. sig.2016.115323 238 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste FERNANDA BRUNO Anna Bentes Fernanda Glória Bruno nasceu em 10 de novembro de 1969 em Campos dos Goytacazes(RJ). É filha de Margarida Helena Glória e de Bruno Marcos Bruno. Cursou o Primeiro Grau no Externato João XXIII e no Instituto Dom Bosco – Colégio Salesiano. O Segundo Grau foi realizado no Centro Educacional Nossa Senhora Auxiliadora e Colégio PA. Em 1987 mudou-se para Niterói(RJ), onde morou nos primeiros anos da Graduação em Psicologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Interessada em Produção de Subjetividade, Psicanálise e Cognição, os temas da Psicologia seguiram relevantes no campo da Comunicação. Entre 1994 e 1996 realizou o Mestrado em Comunicação na Escola de Comunicação da UFRJ(ECO/UFRJ), sob a orientação de Márcio Tavares D’Amaral. Sua dissertação,“Do sexual ao virtual”, foi publicada no ano seguinte. Em 1997 ingressou no Doutorado no mesmo Programa de Pós-Graduação, orientada novamente por Márcio Tavares. A tese“Fronteiras do humano: a questão da técnica na sociedade comunicacional contemporânea”, foi defendida em 2001, com passagem por Doutorado-Sanduíche na Université Paris Descartes, Paris V, França, sob orientação de Michel Maffesoli. Foi ainda em 1997 que ingressou como professora da Graduação no Instituto de Psicologia da UFRJ, onde ministrou disciplinas ligadas ao Departamento de Psicologia Geral e Experimental, como Psicologia da Percepção e Psicologia e Produção de Subjetividade. Foi também chefe do Departamento de Psicologia Geral e Experimental da UFRJ entre 2017 e 2019. 239 Em 1998 formou, junto com colegas, o CiberIDEA/UFRJ, Núcleo de Pesquisa em Tecnologias da Comunicação, Cultura e Subjetividade, com pesquisas voltadas para novas tecnologias de Comunicação e sua relação com processos de subjetivação e transformações cognitivas, articulando temas da Psicologia, Comunicação e Filosofia. Desde 2004 atua como professora do corpo permanente no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ, onde coordenou a Linha de Pesquisa Tecnologias da Comunicação e Estéticas de 2006 a 2009. É membro fundadora da Associação Brasileira de Cibercultura(ABCibe-2006), na qual foi da Diretoria de Comunicação(2010 e 2011) e Diretoria Cultural(2012 e 2013). Junto com pares, em 2009 fundou a Rede Latino-Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade(Lavits), espaço de articulação e intercâmbio entre pesquisadores, ativistas e artistas interessados nas conexões entre vigilância, tecnologia e sociedade. Liderou uma série de projetos ligados à Lavits, que reforçam as intersecções entre pesquisa e ação social, realizando um conjunto de atividades desde edições dos Simpósios Internacionais em cidades na América Latina até publicações, pesquisas, relatórios e ações civis com grupos nacionais e internacionais. Entre 2010 e 2011 atuou como pesquisadora visitante no Médialab, fundado e dirigido por Bruno Latour, e colaborou com o Centro de Relações Internacionais coordenado por Didier Bigo. Em 2012 fundou o Medialab.UFRJ, laboratório experimental sediado na ECO/UFRJ, consolidando uma série de pesquisas transdisciplinares voltadas para os cruzamentos entre tecnopolíticas, subjetividades e visibilidades. Coordenado por ela, o Medialab.UFRJ explora mídias e métodos digitais para a produção e a divulgação de conhecimento em humanidades. No livro Máquinas de ver, modos de ser: vigilância, tecnologia e subjetividade, publicado em 2013, sintetiza uma série de reflexões sobre o papel das tecnologias nas sociedades contemporâneas. Entre 2014 e 2015 foi coordenadora do Grupo de Trabalho de Comunicação e Cibercultura da Compós. Com um grupo de feministas, fundou a Revista DR em 2015, que trata de política e cultura feita por mulheres. Em 2019 passou uma temporada como pesquisadora visitante no Departamento de Humanidades Digitais do King’s College London (KCL), Inglaterra. Desde 2019 é pesquisadora colaboradora do 240 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Surveillance Studies Centre na Queen’s University at Kingston, Queens, Canadá, e integra, também, a rede Tierra Común, que reúne pesquisadores do Sul Global e a coalizão feminista Alliance for Inclusive Algorithms. Em 2023 tornou-se professora titular do corpo docente da UFRJ e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ. Com trajetória multidisciplinar, Fernanda Bruno contribui para a consolidação de debates sobre vigilância, cultura digital, tecnopolíticas e subjetividade no campo da Comunicação. Com iniciativas nacionais e internacionais, suas articulações em redes de pesquisadores, ativistas, artistas e outros profissionais fomentam diálogos entre a pesquisa acadêmica e o impacto social a partir de questões relevantes para o presente. Principais publicações BRUNO, F.; BENTES, A. C.; FALTAY, P. Economia psíquica dos algoritmos e laboratório de plataforma: mercado, ciência e modulação do comportamento. Revista Famecos, on-line, v. 26, BRUNO, F.; CARDOSO, B.; KANASHIRO, M.; ALBUQUERQUE, L. S. GILHON(org.). Tecnopolíticas da vigilância: perspectivas da margem. 1. ed. São Paulo: Boitempo Editorial, 2018. 422 p. V. 1.(Coleção Estado de sítio). BRUNO, F. Máquinas de ver, modos de ser: vigilância, tecnologia, subjetividade. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2013. 450 p. V. 1. BRUNO, F. Contra-manual para câmeras inteligentes: vigilância, tecnologia e percepção. Galáxia, São Paulo, on-line, v. 12, p. 47-63, 2012. BRUNO, F. Rastros digitais sob a perspectiva da teoria ator-rede. Revista Famecos, On-line, v. 19, p. 681, 2012. BRUNO, F. Surveillance and Participation on the Web 2.0. In: BALL, Kirstie; HAGGERTY, Kevin; LYON, David(org.). Routledge Handbook of Surveillance Studies. 1. ed. Londres: Routledge, 2012. p. 343-351. V. 1. 241 CARLA BARROS Fernanda Guedes Carla Fernanda Pereira Barros nasceu em 26 de maio de 1961 no Rio de Janeiro(RJ). É filha única de Luiz Carlos Santos Barros e Ivonne Pereira Barros. Cursou o Primeiro e Segundo Graus no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CAp-UFRJ). Fez Graduação em Ciências Sociais, com concentração em Antropologia Social, pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), entre os anos de 1979 e 1982. Durante o curso, com bolsa de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), realizou pesquisa de campo em um bairro popular de Nova Iguaçu(RJ), na Baixada Fluminense, cujo tema era a representação social da infância naquele contexto social. Entre 1983 e 1985 especializou-se em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ, orientada por Luiz Fernando Dias Duarte. O Doutorado foi em Administração, realizado a partir de 2002 no Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (COPPEAD) da UFRJ, sob orientação de Everardo Rocha. Em 2003 foi contemplada com a bolsa do Programa de Doutorado no país com Estágio no Exterior(PDEE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), para fazer um Doutorado-sanduíche durante cinco meses em Londres. Na University College London(UCL) teve supervisão de Daniel Miller, conduzindo o projeto“Os significados do consumo popular: uma análise da relação consumo e modernidade”. Em 2007 defendeu sua tese,“Trocas, hierarquia e mediação: as dimensões culturais 242 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS do consumo em um grupo de empregadas domésticas”. O texto “Televisão e significados na recepção: notas sobre uma etnografia com empregadas domésticas”, um desdobramento dessa pesquisa, foi incluído na coletânea“Mídia e recepção: televisão, cinema e publicidade”, publicada em 2006. Entre abril de 2017 e março de 2018 realizou outro Pós-Doutorado, novamente com a supervisão de Daniel Miller, na UCL, com bolsa Capes de Estágio Sênior. O projeto intitulava-se“Novas dinâmicas na‘emergência’ social dos pobres: articulações entre Comunicação, consumo e mobilidade no Brasil e Índia”, o que a fez realizar uma viagem à Índia para proferir uma palestra no Shriram Venkatraman, do Indraprastha Institute of Information Technology/New Delhi. Como professora, ministrou as disciplinas de Antropologia e Antropologia do Consumo nas seguintes instituições: Faculdade de Comunicação Pinheiro Guimarães, no curso de Graduação de Jornalismo; Sociedade Educacional São Paulo Apóstolo (UniverCidade-2001-2003), nos cursos de Graduação de Administração e Comunicação Social; Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio-2004-2012), no curso de Comunicação Social; e Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM-Rio-2002-2012), nos cursos de Graduação de Comunicação, Administração e Design, além de cursos de PósGraduação. Na ESPM, além das atividades de ensino, fez parte do Núcleo de Pesquisa. Entre os anos de 2005 e 2010 foi professora convidada do Instituto COPPEAD de Administração da UFRJ, ministrando a disciplina Antropologia do Consumo em diversos cursos de Especialização, como“MBA-Saúde” e“MBA-Marinha”, entre outros. No final de 2009 foi aprovada em concurso público para a Universidade Federal Fluminense(UFF), no Departamento de Estudos Culturais e Mídia, inicialmente com carga horária de 20 horas. Iniciou suas atividades na Universidade ministrando aulas no curso de Estudos de Mídia desde o primeiro semestre de 2010, e no Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) a partir de 2011. Entre 2018 e 2020 foi chefe do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da UFF. É colíder do grupo de pesquisa Núcleo de Estudos em Mídias Digitais e Consumo(Nemacs), cadastrado no CNPq. Entre as atividades realizadas, destaca-se a organização do Seminário Internacional 243 Etnografia e Consumo Midiático: Novas Tendências e Desafios Metodológicos, ocorrido na UFF, em 2015. Por meio de uma parceria entre a UFF e a PUC-Rio, integrou, de 2011 a 2014, o Programa de Estudos em Comunicação e Consumo Academia Infoglobo/PUC-Rio(PECC). Desde 2014 atua como membro do Grupo de Pesquisa Núcleo de Estudos sobre Tecnologia, Subjetivação e Sociabilidade(NETSS). Em 2015, por convite do Instituto Henrich Boll da Alemanha, viajou à Índia para participar de um evento em Nova Delhi, intitulado “Green perspectives on the New Middle Class”, que tinha como tema as novas classes médias no Brasil e na Índia. Apresentou, na ocasião, um trabalho sobre as representações da“nova classe média” em telenovelas brasileiras. Em 2018 desenvolveu uma parceria internacional a partir da UCL para participar do projeto“ Extreme Citizen Science: Analysis and Visualisation(ECSAnVis)”, tendo sido contemplada pela Chamada European Research Council(ERC) – Confap- CNPq 2018 – Research opportunities in Europe for active PhD researches from Brazil. Entre 2019 e 2020 desenvolveu o estudo“ Extreme Citizen Science(ECSAnVis) Project in Brazil: Social networks and visual communication practices among low income groups in urban context”, contextualizando para o cenário brasileiro a pesquisa desenvolvida na UCL. Em paralelo, no ano 2017, publicou o trabalho“ Collective uses of mobile phones in the Global South: Cultural diversity among lowincome groups in Brazil and in South Africa”. Nessa época outra produção de destaque nos veículos acadêmicos internacionais foi“ The‘New Middle Class’ in Brazilian Telenovelas: Cultural and Symbolical Aspects”, publicado em 2018. Em 2022 foi contemplada na chamada CNPq/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI/Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico FNDCT Pró-Humanidades, categoria individual, com o projeto“Cenários de inclusão digital e mobilidade social entre adolescentes e jovens de classes populares do Estado do Rio de Janeiro: trajetórias e futuros possíveis”. O projeto tem como proposta analisar trajetórias de vida e vivências de inclusão digital entre influenciadores e estudantes. Em 2023 participou da criação do“Laboratório de Estudos sobre Inclusão Digital, Mobilidade Social e Consumo Midiático” 244 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS (Labmobi), que é aberto à comunidade acadêmica, gestores públicos e membros da sociedade civil que atuam no campo da Educação. O Laboratório estabelece parceria com o poder público – Secretaria da Juventude(JUVRio), da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro – visando a estimular o debate acerca de capacitações na esfera midiática e futuras trajetórias profissionais. Ainda em 2023 participou do desenvolvimento do projeto de extensão “Laboratório de Estudos sobre Inclusão Digital, Mobilidade Social e Consumo Midiático: a perspectiva de alunos de escola pública do Estado do Rio de Janeiro”. O projeto de extensão e a criação do Laboratório dão-se no âmbito do projeto do Pró-Humanidades do CNPq, descrito anteriormente. Para além das obras já citadas, incluem-se, entre os principais artigos produzidos pela pesquisadora,“ Representations of poverty and digital inclusion: Clashes over alterity in the field of technology and the virtual universe e Juvenile Sociability”, e“ Cultural Classifications and Tastes: A Study on the Universe of Games and Social Networks in Lower Class LAN Houses”, ambos em 2012, entre outros textos. Carla Fernanda Pereira Barros tem a maior parte dos trabalhos voltada para o contexto das classes populares, com interesse especial nas temáticas de consumo, marcadores sociais da diferença, inclusão digital e mobilidade social. Também nas atividades de ensino e pesquisa procura estimular a discussão metodológica em torno da aplicação da etnografia digital no campo da Comunicação. Principais publicações BARROS, Carla. Televisão e significados na recepção: notas sobre uma etnografia com empregadas domésticas. JACKS, Nilda; SOUZA, Maria Carmem Jacob de. Mídia e recepção: televisão, cinema e publicidade. Salvador: Edufba, 2006. BARROS, Carla. Representations of poverty and digital inclusion: Clashes over alterity in the field of technology and the virtual universe. Journal of Latin American Communication Research, v. 2, n. 1, 2012. BARROS, Carla. Collective uses of mobile phones in the Global South: Cultural diversity among low-income groups in Brazil and in South Africa. A bingdon: Editora Routledge 2017.(Coletânea Smartphone cultures). 245 BARROS, Carla. The“New Middle Class” in Brazilian Telenovelas: Cultural and Symbolical Aspects. Berlim: Academic Foundation de Berlim, 2018. BARROS, Carla. Not even the sky is the limit: the meanings of consumption and the dynamics of social mobility on the@blogueiradebaixarenda profile on Instagram and Youtube. Revista Sociologia & Antropologia, v. 10, n. 3 set./dez. 2020. CAMPANELLA, Bruno; BARROS, Carla. Etnografia e consumo midiático: novas tendências e desafios metodológicos. Rio de Janeiro: E-papers, 2016. 246 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste S SUZY DOS SANTOS Janaine Aires Suzy dos Santos nasceu em 2 de abril de 1970 em Cascavel(PR). É filha de Eunice Sonego e mãe de Pedro e Alisson. Estudou no Colégio Nossa Senhora. Auxiliadora. Iniciou a Graduação no curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS) em 1987, e, em 1992, transferiu-se para o curso de Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas. Neste período foi bolsista do projeto de extensão da Agência Experimental de Relações Públicas, sob a orientação de Ana Maria Eiroa da Fonseca, atuando na promoção da Comunicação institucional da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação(Fabico). Em 1995, sob orientação de Sérgio Capparelli, elaborou a monografia “A implantação da TV a cabo no Brasil”. Em 1996 o Trabalho de Conclusão de Curso recebeu Menção Honrosa no Prêmio Intercom, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, na modalidade Rádio e Televisão, categoria Graduação. Foi bolsista de aperfeiçoamento pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) no Núcleo de Estudos em Mídia no Cone Sul. Coliderou o Grupo de Pesquisa em Políticas e Economia da Informação e da Comunicação(PEIC), que reunia pesquisadores de diversas instituições. A participação nesta rede fortaleceu o desenvolvimento da dissertação de Mestrado intitulada“RBS: convergência das teles e da TV a cabo”, defendida em 1999, sob orientação de Sérgio Capparelli. Com os pesquisadores da Rede foi organizado o livro“Enfim só: a nova televisão no Cone Sul”, 247 publicado no Brasil e na Argentina. A rede proporcionou também a expansão das investigações no Doutorado, que foi realizado na Universidade Federal da Bahia(UFBA), no Programa de PósGraduação em Comunicação e Culturas Contemporâneas, sob orientação de Othon Jambeiro. Sua tese“Uma convergência divergente: a centralidade da TV aberta no setor audiovisual brasileiro”, em 2005, ganhou o Prêmio Intercom de melhor tese na categoria Doutorado. Foi publicada como um e-book em 2015, sob o título“Convergência divergente: a televisão aberta brasileira na contramão global”. Entre 2002 e 2005 vinculou-se a faculdades particulares de Salvador e adjacências e teve suas primeiras experiências como docente. Em 2005 mudou-se para Brasília na condição de pesquisadora associada residente, para consolidar a linha de pesquisa em Políticas de Comunicação do Laboratório de Pesquisa em Política de Comunicação(Lapcom/UnB). Ministrou, nesta época, a disciplina “Estudos Econômicos e Políticos da Comunicação” na PósGraduação. A passagem pela UnB resultou no livro coorganizado por ela, intitulado“Políticas de Comunicação: buscas teóricas e práticas”. Suzy publicou diversos textos em coautoria, como“Crescei e multiplicai-vos: a explosão religiosa na televisão brasileira”; e, em 2005,“Coronelismo, radiodifusão e voto: a nova face de um velho conceito”, publicado no livro“Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia”. Em 2006 escreveu o artigo“Televisão aberta alavancando o cinema: parceria entre o conteúdo nacional e a distribuição estrangeira”; e, influenciada pelo contexto da maternidade,“99 perguntas sobre TV e criança”. Nas reflexões relacionadas à maternidade, destaca-se“Mídia e gourmetização da alimentação infantil: saúde o caramba! Meu nome é‘classismo’”, e“A recém-nascida já nasce mulher: cultura do estupro, cultura da pedofilia e ausência de responsabilidade social da mídia brasileira”, publicados no Livro“Com você ando melhor”(2016). Tornou-se professora da Escola de Comunicação(ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) em 2007. Vinculada ao Departamento de Métodos e Áreas conexas, ministra“Comunicação, cidadania e política IV”,“Comunicação e Realidade Brasileira”, “História dos Suportes da Informação”,“Sistemas e Tecnologias da Comunicação” e“Políticas de Comunicação”. Também ministrou 248 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS “Legislação e Ética em Jornalismo e em Publicidade” e“Projeto Experimental I – Produção Editorial”, e disciplinas eletivas que se dedicam a discussões sobre diversidade, relações étnico-raciais, música, alimentação e apresentação de resultados de suas pesquisas. Suas atividades de extensão dedicam-se, sobretudo, à democratização da Comunicação. Entre 2016 e 2019 coordenou o projeto de extensão“Mídias na Escola”, que desenvolveu oficinas em escolas públicas no Rio de Janeiro. Em 2013 coordenou o Curso de Extensão“Mulher, Mídia e Violência”, como resultado de uma parceria com o Núcleo de Pesquisa, Estudos e Formação (Nupef) e com a Organização Não Governamental(ONG) Criola, para promover capacitação no uso de tecnologias da Comunicação para líderes comunitárias. Em 2008 realizou o projeto de extensão “Convergência das Comunicações: economia, política e tecnologia” e um curso de extensão com a temática. No Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura vincula-se à linha de pesquisa“Mídia e Mediações Socioculturais”. Desde 2007 ministra disciplinas dedicadas às relações entre Comunicação, Economia e Política, como:“Comunicação e Estruturas Socioculturais”,“Comunicação e Política”, “Comunicação, Economia e Política” e“Seminários Avançados”. Em 2010 coordenou um projeto de cooperação com a“Maestria en Industria Culturales” da Universidade de Quilmes, na Argentina, onde ministrou o curso“Poder e negociação nas formulações de políticas de comunicações nos contextos pós-ditatoriais: relações espaciais, clientelismo, patrimonialismo e mandonismo”. Em 2013 lecionou a disciplina“Comunicação Sociedade” junto a Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília(UnB). Em 2014 fez Pós-Doutorado na UFBA e iniciou o desenvolvimento do projeto de pesquisa“Clientelismo e Patrimonialismo nas Políticas de Comunicação brasileiras: dinâmicas assimétricas de poder e de negociação”, com financiamento do CNPq e da Fundação Ford. Suzy coordenou uma rede de cooperação para a coleta de dados que envolveu várias instituições de pesquisa e de Programas de Pós-Graduação. Parte dos resultados da pesquisa foi apresentada em três exposições itinerantes:“Coronelismo Eletrônico: as concessões na história política do Brasil”(2015), realizada na UFRJ, na Universidade Federal do Piauí(UFPI- Campus Teresina e Bom Jesus), na Universidade 249 Federal de Juiz de Fora(UFJF), na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC) e na UFRGS;“O SNI e a Comunicação” e“Discurso(de ódio) e muitas vozes”, ambas realizadas na UFRJ e UFJF, e a última na UFBA, durante o Fórum Social Mundial de 2018. Junto as exposições foram realizados cursos, palestras e aulas inaugurais em que os resultados da pesquisa foram apresentados. Em 2016 Suzy ministrou o curso “Clientelismo e patrimonialismo nas políticas de Comunicação: um relato metodológico” na Pós-Graduação em Comunicação da UFPI. Em 2019 ministrou a aula inaugural“Um discurso de ódio e muitas vozes”, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFJF, e desenvolveu a disciplina“Tópicos em Comunicação Midiática III – Políticas de Comunicação nos Tempos do Cólera”, e o minicurso“Um discurso(de ódio) e muitas vozes: privilégio, prestígio e a nova economia política da Comunicação em tempos de desdemocratização global”, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). Em 2022 ministrou o curso“Desinformação no Brasil: do coronelismo eletrônico às milícias digitais”, resultado da parceria do Grupo de Pesquisa em Políticas e Economia da Informação e da Comunicação(PEIC/UFRJ) com o Laboratório de Estudos em Internet e Redes Sociais(NetLab-UFRJ) e o Grupo de Pesquisa em Economia Política do Audiovisual(EPA! – UFRN). Suzy tem significativas contribuições nas atividades de gestão interna e nas redes de pesquisa, a exemplo do Capítulo Brasil da União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura(ULEPICC – Brasil). Na gestão acadêmica da UFRJ atuou como coordenadora do ciclo básico(2017-2017), coordenadora da linha de pesquisa na Pós-Graduação(2011-2013 e 2015-2017) e vice-diretora(2018-2019). Foi diretora da Escola de Comunicação entre 2019 e 2022. Destaques em diferentes etapas da trajetória acadêmica: 2020, o artigo“Nós, as economistas políticas da Comunicação: um conto de sub-representações e apagamentos em busca de um final feliz no reino encantado da EPC brasileira”; 2017, o livro“Sempre foi pela família: mídias e política no Brasil”, do qual foi coautora; 2015, “Convergência divergente: a televisão aberta brasileira na contramão global”; 2006, o artigo“E-sucupira: o coronelismo eletrônico como herança do coronelismo nas comunicações brasileiras”; 2000, o artigo“Aqui tem café no bule: a fala mítica de Ratinho”, um dos 250 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS seus primeiros trabalhos acadêmicos elaborado ainda na Graduação e resultado das reflexões da disciplina de Semiologia Suzy dos Santos é destaque na área da Economia Política da Comunicação e lidera um grupo de pesquisa inovador no campo há décadas. Sua atuação sustenta-se, em todas as áreas acadêmicas, sempre articuladas à defesa do direito humano à Comunicação e à transformação social. Ela fortalece a produção do conhecimento alimentando uma rede nacional de pesquisadores e fomentando a inclusão, a acessibilidade e a formação de novos quadros profissionais. Principais publicações CAPARELLI, Sérgio; SANTOS, Suzy. Televisão aberta alavancando o cinema: parceria entre conteúdo nacional e distribuição estrangeira. Revista de Economía Política de las Tecnologías de la Información y Comunicación. Dossiê Especial Cultura e Pensamento, v. I – Espaço e Identidades, nov. 2006. CAPARELLI, Sérgio; SANTOS, Suzy dos; RAMOS, Murilo César; ALBORNOZ, Luis Alfonso; HERNÁNDEZ, Pablo; MASTRINI, Guillermo; POSTOLSKI, Glenn; RUBIO, Carlos García. Enfim, sós: a nova televisão no Cone Sul. Porto Alegre, RS: L&PM, 1999. RAMOS, Murilo; SANTOS, Suzy dos. Políticas de Comunicação: buscas teóricas e práticas. São Paulo: Paulus, 2007. 406 p. SANTOS, Suzy dos; BAHIA, Silvana; GONÇALVEZ, Márcia; AIRES, Janaine; SCHRAMM, Luanda; TORQUATO, Chalini. Nós, as economistas políticas da Comunicação: um conto de sub-representações e apagamentos em busca de um final feliz no reino encantado da EPC brasileira. Eptic, v. 22, n. 3, set./dez. 2020. SANTOS, S. dos. A recém-nascida já nasce mulher – Cultura do estupro, cultura da pedofilia e a ausência de responsabilidade social da mídia brasileira. In: SENA, Ligia Moreiras Sena(org.). Com você ando melhor: coletânea 2016 – Plataforma Cientista que Virou Mãe. 1. ed. Florianópolis: Instituto Alana e Plataforma Cientista que Virou Mãe, 2016. SANTOS, Suzy dos; AIRES, Janaine. Sempre foi pela família: mídias e política no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Mauad, 2017. 251 ANA PAULA GOULART Igor Sacramento Ana Paula Goulart Ribeiro nasceu em 3 de outubro de 1967 em Niterói(RJ). É filha de Odair de Lucas Ribeiro e Clair Goulart Ribeiro. Lá realizou seus estudos do Ensino Básico ao Superior: Primeiro Grau no Externato São José e no Colégio Joaquim Távora; Segundo Grau no Liceu Nilo Peçanha e no Colégio Santa Bernadete. Em 1986 ingressou no curso de Jornalismo da Universidade Federal Fluminense(UFF). No ano seguinte, em novo vestibular, iniciou o curso de História na mesma universidade, cuja segunda Graduação lhe ofereceria maior embasamento em política, economia, cultura e sociedade. Nos primeiros semestres foi auxiliar de pesquisa das teses de Doutoramento de Manolo Garcia Florentino, da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) – de quem foi bolsista de Iniciação Científica –, e João Luiz Fragoso. Sua monografia de Graduação em Jornalismo realizou um encontro entre a Comunicação e a História para refletir sobre a história nos meios de Comunicação, orientada por Marialva Barbosa. Desde essa época vem estudando a participação das mídias na produção do sentido histórico. O tema despertou-lhe o desejo de fazer Mestrado. Foi para a Escola de Comunicação(ECO) da UFRJ, sob orientação de Milton José Pinto, defendendo a dissertação“A história do seu tempo: a imprensa e a produção do sentido histórico”, em 1995. Ana Paula defendeu sua tese de Doutorado em 2000, sob a mesma orientação e instituição, com o título“Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50”. Em 1999 iniciou colaboração com o Grupo Globo para a constituição de um programa de história oral: o Memória 252 Globo. Atuou realizando entrevistas e pesquisas para obtenção, preservação e circulação de informações sobre a história da TV Globo e de seus profissionais. Escreveu Jornal Nacional: a notícia faz história, publicado em 2004, e Autores: Histórias da Teledramaturgia, que, em dois volumes, traz entrevistas extensas e ilustradas com 16 autores de novelas da TV Globo. Como professora da ECO, a partir de 2003 Ana Paula integra o Departamento de Fundamentos da Comunicação. Oferece diversas disciplinas sobre história do jornalismo, história da Comunicação, história da televisão, teorias da Comunicação, estética e cultura de massa. Dedica-se à coordenação do projeto“Responsabilidade de empresas sobre violações de direitos durante a Ditadura: o caso Folha de S. Paulo”. Esta pesquisa analisa o quanto o jornal foi institucional e implicado com os militares. Ana Paula Goulart, em seus projetos de pesquisa, contempla a história do jornalismo e da Comunicação no Brasil, mas também sobre as relações entre mídia, memória e história. Tem orientado inúmeros trabalhos(monografias, dissertações e teses) dentro desse universo temático, formando um amplo conjunto de pesquisadores. Principais publicações RIBEIRO, Ana Paula Goulart. A mídia e o lugar da história. In: HERSCHMANN, Micael Herschmann; PEREIRA, Carlos Alberto Messeder (org.). Mídia, memória e celebridades: estratégias narrativas em contextos de alta visibilidade. Rio de Janeiro: E-papers, 2003. RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50. Rio de Janeiro: E-papers, 2006. RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Jornal Nacional, a notícia faz história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais. E-COMPÓS, v. 21, 2018. RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Uma pedagogia da memória: nostalgia e história em Os Dias Eram Assim. In: MARQUIONI, Carlos Eduardo; FISCHER, Gustavo Daudt(org.). Da televisão às televisualidades: continuidades e rupturas em tempos de múltiplas plataformas. Belo Horizonte: UFMG, 2020. RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor. Televisão e memória: entre testemunhos e confissões. Rio de Janeiro: Mauad X, 2020. 253 PATRÍCIA SALDANHA Carla Baiense Felix Patrícia Gonçalves Saldanha nasceu em 19 de novembro de 1968 no Rio de Janeiro(RJ). É a filha mais velha de Raymundo Jorge Ruas Saldanha e Maria das Graças Gonçalves Saldanha, e irmã de Raquel. É casada com Josir Cardoso Gomes, com quem teve Bruna, Carolina e João Pedro. Estudou em instituições públicas na zona sul do Rio: Escola Municipal Pedro Barreto, onde fez até o 4º ano, e na Escola Municipal George Pfisterer. O Ensino Médio foi cursado em uma escola particular, com bolsa. Aos 18 anos iniciou o curso de Publicidade e Propaganda nas Faculdades Integradas Hélio Alonso(Facha). Interrompeu a Graduação em 1989 para fazer um curso de inglês, em Minessota, Estados Unidos. Os três meses iniciais do curso tornaram-se cinco anos, durante os quais estudou, trabalhou e tornou-se mãe. Entre os anos de 1993 e 1994 fez diversas Especializações de curta duração no Baruch College – Effective Management, Advertising Techniques, Human Resource Mgt e How To Prepare a Business Plan. Em 1994 voltou ao Brasil para concluir a faculdade. Em 2000 prestou a seleção para o Mestrado em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO/UFRJ), ingressando no ano seguinte. Em 2003 apresentou a dissertação“A Publicidade Comunitária: uma nova possibilidade de ser publicitário”, sob orientação de Raquel Paiva, da qual recebeu o convite para integrar o Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária(LECC/UFRJ), assumindo a viceliderança. Em 2004 ingressou no curso de Doutorado no mesmo programa, e defendeu, em 2008, sua tese intitulada“Telecentro 254 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Comunitário: dispositivo que viabiliza a inclusão humanista no social”, orientada por Mohammed ElHajji. Fez um Pós-Doc na mesma universidade, em 2020, supervisionada por Muniz Sodré. Patrícia passou por diversas agências de publicidade, estreando na JWThompson, onde começou como estagiária em 1988 nos setores de tráfego, mídia, atendimento e planejamento. Depois de um ano foi contratada pela Agência Brasileira de Arte e Comunicação (Ábaco), onde trabalhou com atendimento entre os anos de 1989 e 1990. Em fevereiro de 1990, em Minessota, estudou na Hamline University durante três meses, ao fim dos quais mudou-se para Nova Jersey. Lá trabalhou na Lista Telefónica Luso Americana no atendimento e prospecção de clientes, em contato com empresários brasileiros de pequeno, médio e grande portes em Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Pennsylvania. De volta ao Brasil, em 1994, atuou como assessora de Marketing da Marko Construções até 1995, ano em que concluiu a Graduação. Naquele mesmo ano foi contratada pela Multinational Marketing como executiva de contas, permanecendo na agência por dois anos. Foi durante esse período que conquistou uma Medalha de Prata no Prêmio Colunistas, com o Projeto“O Céu é o Limite”, em 1995. Sua última experiência no mercado foi entre 1997 e 1999, quando fundou e dirigiu a agência PS3. Como docente, sua primeira experiência foi na Universidade Estácio de Sá, onde lecionou entre 2003 e 2009. No mesmo período atuou na Universidade Gama Filho(UGF-2005-2008), na Universidade Estadual do Rio de Janeiro(UERJ-2006-2007) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ-2008-2009). Em 2009 ingressou no Departamento de Comunicação da Universidade Federal Fluminense(UFF), onde ocupa o cargo de professora associada. Assumiu, no curso de Publicidade, as disciplinas ligadas às áreas de planejamento e atendimento. Criou a Aê!UFF!, agência experimental, associada à disciplina de Realização de Campanha, na qual foi desenvolvida a ação que obteve 50 mil assinaturas para impedir o fechamento do Instituto Benjamin Constant, que atende à população com deficiência visual. Em 2013 começou a sistematizar o conceito de publicidade social. Naquele mesmo ano vinculou-se ao Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano(PPGMC/UFF) e, no ano seguinte, criou 255 o Laboratório de Investigação de Comunicação Comunitária e Publicidade Social(LACCOPS), com participantes de todo o país. Como desdobramento do LACCOPS, realizou, em 2016, o primeiro Mobilize-se, evento que integra a universidade e a sociedade civil por meio de cursos, palestras e debates. Além dele, o LACCOPS mantém o Grupo de Estudos(Gecops). Outro projeto de destaque, iniciado em 2018, reafirma o seu principal interesse de pesquisa, “Publicidade Social, questões epistemológicas, comunicacionais e políticas”, o qual busca sistematizar e propor um mapa com as diferentes tipificações da publicidade social(comunitária, afirmativa, de interesse público, de causa e transversal). Em 2017 e 2022 participou da Comissão Julgadora do Prêmio Amaerj Patrícia Acioli de Direitos Humanos, que premia profissionais na defesa dos Direitos Humanos e é promovido pela Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro(Amaerj). Entre 2021 e 2023 ocupou o cargo de coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda. Também ocupou cargos de assessoramento em instituições científicas: foi vice-coordenadora do Grupo de Trabalho (GT) de Cidadania da Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Comunicação(Alaic)(2012-2016), Coordenadora do GT de Cidadania do Alaic(2016-2018), Coordenadora do Intercom Jr. Publicidade(2015) e coordenadora do Intercom Jr.(2016-2018). Em 2021 publicou“Publicidade Social e sua tipificação”; antes dele antecipou algumas de suas reflexões em“A ciência do comum” e em“Publicidade Social”. Destacam-se ainda, os artigos“Conexões históricas entre a Comunicação publicitária e as relações capitalistas a partir do‘comum’” e“Publicidade Social de Causa como tática de resgate do direito à vida”; e o capítulo Publicidade Social X Publicidade Sensorial: a disputa pelo‘comum’ no tempo e no espaço, publicado no livro“Mídia e Cotidiano: novos diálogos e investigações”, de cuja organização também fez parte. Patrícia Saldanha destaca-se por ser precursora em tratar da Publicidade Social. Durante a pandemia de Covid-19 aprofundouse no conceito de Publicidade de Interesse Público. Enfrenta uma doença rara e tem transformado essa experiência em aprendizado para realizar uma pesquisa engajada na superação das opressões. 256 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Principais publicações SALDANHA, Patrícia. A ciência do comum: a transcendência do bios midiático que reordena as vinculações cotidianas. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, v. 19, p. 191-195, 2017. Disponível em: http://revista.pubalaic.org/index.php/alaic/article/ view/400/403 SALDANHA, Patrícia. Publicidade Social: uma posição brasileira inicial sobre as possibilidades contra-hegemônicas da Comunicação publicitária a partir da apropriação das tecnologias móveis. Correspondencias& Análisis, p. 147-163, 2018. DOI: https://doi.org/10.24265/ cian.2018.n8.07) SALDANHA, Patrícia. Conexões históricas entre a Comunicação publicitária e as relações capitalistas a partir do“comum”. Revista Brasileira de História da Mídia, v. 11, p. 146-163, 2022. DOI: https://doi. org/10.26664/issn.2238-5126.111202211782 SALDANHA, Patrícia. Publicidade Social de Causa como tática de resgate do direito à vida: refugiados e imigrantes reintegrados no cotidiano da cidade reinventada. Questões Transversais – Revista de Epistemologias da Comunicação, v. 8, p. 73-84, 2020. Disponível em: https://revistas.unisinos.br/index.php/questoes/article/view/20777/ PDF SALDANHA, Patrícia. Publicidade Social X Publicidade Sensorial: a disputa pelo“comum” no tempo e no espaço. In: FARBIARZ, Alexandre; SOUZA, Flávia Clemente de; SALDANHA, Patrícia; BERTOL, Rachel(org.). Mídia e cotidiano: novos diálogos e investigações. 1. ed. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2021. p. 285-308. V. 1. Disponível em: http://www.ppgmidiaecotidiano.uff.br/site/wp-content/ uploads/2022/06/M%C3%Addia-e-Cotidiano-novos-di%C3%A1logos-e-investiga%C3%A7%C3%B5es.pdf SALDANHA, Patrícia. Midiatização Latina: uma perspectiva crítica sobre os impactos sociais da Comunicação digital no cenário popular, comunitário e cidadão. In: URANGA, Washington; MELÉNDEZ-LABRADOR, Sandra(org.). Reivindicar el cambio: comunicación popular, comunitaria y ciudadanía en América Latina. 1. ed. Buenos Aires: Huvaití Ediciones, 2022. p. 79-96. V. 1. Disponível em: https:// www.alaic.org/wp-content/uploads/2022/09/reivindicar_el_cambio-GT8-ALAIC-2022-1.pdf 257 CLÁUDIA PEREIRA Bruna Aucar Cláudia da Silva Pereira nasceu em 9 de outubro de 1966 no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Sônia Maria da Silva Pereira e João Pereira. É casada com Alexandre Torquato da Silva, com quem tem três filhas: Lara, Paula e Bruna. Estudou no Colégio Sagrado Coração de Maria, em Copacabana(Primeiro e Segundo Graus). É publicitária formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) em 1988. Trabalhou no mundo corporativo e com assessoria de Comunicação, e em 1994 abre a sua própria agência, a“Mais Comunicação”. Após um curso de Especialização realizado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro(UERJ), volta para a academia em 2001, quando inicia o Mestrado no Programa de PósGraduação em Sociologia e Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ(IFCS/UFRJ), orientada por Mirian Goldenberg. Sua dissertação,“Patricinhas da Zona Sul: um estudo sobre adolescência nas camadas médias cariocas”, foi defendida em 2003. Ingressou no Doutorado, na mesma instituição, também sob a supervisão de Goldenberg, em 2004, defendendo a tese“Gisele da Favela: uma análise antropológica sobre a carreira de modelo”. A partir de 2006 começa a sua atividade docente no Departamento de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio). Ao longo de quase duas décadas ministrou diferentes disciplinas, dedicadas às culturas juvenis, sobretudo por intermédio de mensagens midiáticas e práticas de consumo. Em 2009 passou a integrar o quadro docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da PUC-Rio, onde atuou como coordenadora entre 2015 e 2018. Em sua gestão foi 258 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS consolidado o Doutorado em Comunicação(inaugurado em 2012) e ampliada a internacionalização do Programa. De 2016 a 2018 esteve à frente do Grupo de Trabalho Consumos e Processos de Comunicação, da Associação Nacional dos Programas de PósGraduação em Comunicação(Compós). Em 2014 ganha o primeiro edital de pesquisa com o projeto“Os jovens dos anos 1970”, com bolsa Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). A iniciativa promoveu uma parceria com o King’s College London. No ano seguinte torna-se Jovem Cientista do Nosso Estado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro(Faperj), e desenvolve análises sobre as representações midiáticas das juventudes na publicidade. Realizou, com a supervisão de José Machado Pais, o Pós-Doutorado, e permaneceu como investigadora visitante no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, em Portugal, de agosto de 2018 a janeiro de 2019. De volta ao Brasil, ajudou a concretizar mudanças curriculares no Departamento de Comunicação da PUCRio, inaugurando, em 2012, a Graduação em Estudos de Mídia, da qual foi coordenadora. Em 2022 é agraciada com as bolsas dos programas Cientista do Nosso Estado e Auxílio à Pesquisa(APQ1), ambas da Faperj, bolsa Universal e bolsa PQ nível 2, ambas do CNPq. Com isso, cria o Laboratório de Culturas Midiáticas das Juventudes(LabJuX), um projeto de extensão do Departamento de Comunicação da PUC-Rio, ao qual integramse alunos de Graduação e Pós-Graduação, egressos do PPGCOM, professores, pesquisadores externos e profissionais do mercado. O centro interdisciplinar é uma ampliação do Grupo de Pesquisa do CNPq JuX – Juventudes Cariocas, suas culturas e representações midiáticas, liderado por Cláudia desde 2016. O LabJuX envolve-se com projetos sociais de comunidades e favelas, como o Projeto Rede de Organizações, Doadores e Ações Sociais de Skatistas(Rodas), que busca estratégias de Comunicação e visibilidade para projetos ligados à cultura do Skate, como o CDD Skate Arte e a iniciativa do Instituto Ademafia de Cultura e Esporte. O LabJuX está em vias de efetivação do Museu das Juventudes Cariocas: histórias de vida e do Rio de Janeiro. Em 2022 funda um novo GT na Compós:“Processos Comunicacionais, Infâncias e Juventudes”. Também atuou como consultora Ad 259 Hoc na avaliação quadrienal 2017-2022 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), junto ao grupo de impacto. Entre suas principais publicações destaca-se a coletânea“Brazilian Youth: global trends and local perspectives”, e o livro“Skate 360º – rolés teóricos pelas ruas da cidade”. Os artigos“Disputas e impasses nas representações midiáticas da skatista Rayssa Leal” e“Culturas midiáticas das juventudes”, foram publicados em importantes revistas do campo da Comunicação. A atuação de Cláudia Pereira em várias frentes do campo acadêmico e seu trabalho no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio), tornaram-no um centro de referência em investigações sobre consumo, juventude e cultura no Rio de Janeiro. Principais publicações PEREIRA, C. da S. Disputas e impasses nas representações midiáticas da skatista Rayssa Leal. MATRIZes, v. 17, n. 1, p. 223-249, 2023. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v17i1p223-249. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/matrizes/article/view/195389. Acesso em: 14 ago. 2023. PEREIRA, C. da S. Culturas midiáticas das juventudes. E-Compós, v. 26, p. 1-24, 2023. DOI: https://doi.org/10.30962/ec.2691. Disponível em: https://www.e-compos.org.br/e-compos/article/view/2691. Acesso em: 14 ago. 2023. PEREIRA, C. da S. Brazilian Youth: Global Trends and Local Perspectives. Abington; New York: Routledge, 2020. PEREIRA, C. et al. Skate 360º: rolés teóricos pelas ruas da cidade. Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio, 2020. PEREIRA, C. da S. Ainda somos os mesmos? Representações midiáticas da juventude em movimentos sociais, ontem e hoje. Revista Famecos, v. 23, n. 3, ID22285, 2016. DOI: https://doi. org/10.15448/1980-3729.2016.3.22285. Disponível em: https:// revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/ view/22285. Acesso em: 14 ago. 2023. PEREIRA, C. da S. Juventude como conceito estratégico para a publicidade. Comunicação Mídia e Consumo, v. 7, n.18, p. 37-54, 2010. DOI: https://doi.org/10.18568/cmc.v7i18.184. Disponível: https://revistacmc.espm.br/revistacmc/article/view/184. Acesso em: 14 ago. 2023. 260 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste PAULA SIBILIA Mayka Castellano Paula Sibilia nasceu em 8 de outubro de 1967 em Buenos Aires (AR). É filha de Maria Cesarina Trovati de Sibilia e de Alberto Victor Sibilia. Sua formação inicial foi na Escola Nacional Rafael Ruiz de los Llanos(Ensino Fundamental) e na Escola Superior Carlos Pellegrini (Ensino Médio). Cursou Graduação em Comunicação, concluído em 1992, e em Antropologia na Universidade de Buenos Aires(UBA), na Argentina. Já no Brasil, cursou Mestrado em Comunicação na Universidade Federal Fluminense(UFF), finalizado em 2002 com a dissertação“O homem pós-orgânico. A reformatação dos corpos e das almas à luz das tecnologias digitais”. O trabalho foi orientado por Maria Cristina Franco Ferraz e recebeu bolsa da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do RJ(Faperj). Paula foi discente de dois cursos de Doutorado ao mesmo tempo: em Saúde Coletiva no Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(IMS-UERJ) e em Comunicação e Cultura na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO-UFRJ). No da UERJ, finalizado em 2006, defendeu a tese“O pavor da carne: riscos da pureza e do sacrifício no corpoimagem contemporâneo”, sob orientação de Benilton Bezerra Junior. Na ECO-UFRJ defendeu, em 2007, a tese“O show do eu: subjetividade nos gêneros confessionais da Internet”, orientada por Beatriz Jaguaribe. Para essa pesquisa recebeu apoio da Faperj. Em 2012 realizou Pós-Doutorado na Université Paris VIII, na França, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal 261 de Nível Superior(Capes). Em 2019 dedicou-se a outro estágio de Pós-Doutorado na Universidad de Buenos Aires(UBA). Desde 2006 é professora do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense(UFF), onde ocupa o cargo de vice-chefe de Departamento. Atua, também, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da mesma instituição, do qual foi coordenadora entre 2013 e 2016. Desde 2005 é professora visitante em várias universidades latinoamericanas, como na Pontificia Universidad Javeriana, de Bogotá, na Colômbia, onde participou de atividades docentes na Universidad Del Cauca(2019) e na Universidad Tecnológica de Pereira(UTP2019); no Chile trabalhou na Universidad de Chile(Uchile-2017) e na Universidad de Concepción(UDEC-2018); no México na Universidad Autónoma Metropolitana – Xochimilco(UAM-X-2016); no Peru na Pontificia Universidad Católica(PUCP-2022); e no Uruguai na Universidad de la Republica(UDELAR-2023). Em seu país natal já atuou na Universidad Nacional de La Plata (UNLP-2015), no Consejo Latino-Americano de Ciencias Sociales (2021 e 2022), na Universidad Nacional de Entre Ríos(Uner-2019), na Universidad Nacional de las Artes(UNA-2020, 2021 e 2023) e na Universidad Nacional del Comahue(UNCOMA-2019). Começou a participar como professora visitante em cursos na Universidad Nacional de Rosario(UNR), e, a partir de 2021, no Programa de Pós-Graduação e atualização“Cuerpo, comunicación, estética y política: perspectivas situadas y feministas”, da Universidad de Buenos Aires(UBA). Na Europa foi professora visitante na Universidad de Santiago de Compostela – Campus Santiago(USC), na Espanha, em 2021. Paula dedica-se ao estudo de diversos temas contemporâneos sob a perspectiva genealógica, contemplando as relações entre corpos, subjetividades, tecnologias e manifestações midiáticas ou artísticas. Seu trabalho conta com o apoio das agências do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq(Bolsa de Produtividade em Pesquisa, desde 2009) e Faperj(Programa Jovem Cientista do Nosso Estado, 2010-2016 e Cientista do Nosso Estado, 2018-2021). Além de 70 artigos em periódicos e mais de 60 capítulos de livros, publicou livros autorais. Em 2002 publicou“O Homem Pós262 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Orgânico: corpo, subjetividade e tecnologias digitais”, que recebeu uma segunda edição, revista e atualizada, em 2015, e foi publicado, também, na Argentina, em 2005, sob o título“El Hombre PostOrgánico: cuerpo, subjetividad y tecnologías digitales”. Em 2008 lançou“O show do eu: a intimidade como espetáculo”, fruto de uma de suas pesquisas de Doutorado, referência para pesquisas sobre a exposição pública da intimidade por meio de dispositivos como os reality-shows e as webcams, os blogs e as plataformas de redes sociais. O livro teve uma nova edição em 2016 e uma edição em espanhol. Em 2012 foi lançado a obra“Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão”, na qual aborda o impacto das novas tecnologias da Comunicação nas já antiquadas instalações escolares. O livro ainda foi publicado em espanhol, na Argentina, em 2012. Paula Sibilia também é ensaísta e frequentemente convidada para escrever para a imprensa sobre temas contemporâneos, assim como para participar de programas de rádio e TV, quando consegue levar para um público mais amplo as questões que aborda em seus trabalhos acadêmicos. Principais publicações SIBILIA, Paula. O homem pós-orgânico: corpo, subjetividade e tecnologias digitais. Rio de Janeiro: Editora Relume Dumará, 2002.(Coleção Conexões). SIBILIA, Paula. O homem pós-orgânico: corpo, subjetividade e tecnologias digitais. 2. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Editora Contraponto, 2015.(Coleção Conexões). SIBILIA, Paula. El hombre post-orgánico: cuerpo, subjetividad y tecnologías digitales. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2005. SIBILIA, Paula. O show do eu: a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2008. SIBILIA, Paula. O show do eu: a intimidade como espetáculo. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Contraponto, 2016. SIBILIA, Paula. La intimidad como espectáculo. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2008. SIBILIA, Paula. Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão. Rio de Janeiro: Editora Contraponto, 2012. 263 ADRIANA BRAGA Claudia Montenegro Adriana Andrade Braga nasceu em 19 de agosto de 1965 em Belo Horizonte(MG). Filha de Eugênio e Maura, tinha três irmãos. Casada com Édison Gastaldo, é mãe de Alice e Rodrigo. Cursou o Primeiro Grau no Colégio Tiradentes da PMMG, e o Segundo Grau no Centro Federal de Educação Tecnológica(Cefet-MG). Após o curso técnico em edificações no Cefet, em 1983, ingressou na Fundação Mineira de Educação e Cultura(Fumec), onde cursou psicologia até 1988. Após, realizou formação psicanalítica no Simpósio do Campo Freudiano de Belo Horizonte. Durante alguns anos manteve seu consultório enquanto fazia locução para publicidade, o que a levou a trabalhar como locutora da Rádio Geraes FM. Em 1995 mudou-se para Porto Alegre(RS) em virtude do casamento. Foi a prática de radialista que motivou o convite da Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), em São Leopoldo(RS), para desenvolver a primeira rádio universitária. Ela montou a grade de programação, criou a revista cultural eletrônica Almanaque e coordenou a rádio. Em 2001 iniciou o Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação(PPGCOM) da Unisinos. Sua dissertação, “Corpo-Verão: estratégias discursivas e agendamento corporal na imprensa feminina”(2003), teve orientação de Antonio Fausto Neto. A dissertação foi finalista do Prêmio Intercom 2003, vencedora na categoria“Produção Editorial”. Os resultados desta pesquisa foram consolidados no livro Corpo-Verão – jornalismo e discurso na imprensa feminina(2016). 264 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS O Doutorado(2003-2006) também foi realizado na Unisinos, orientada por José Luiz Braga. Realizou período de Doutoradosanduíche em Portugal na Universidade da Beira Interior(UBI), com orientação de António Fidalgo, e na Inglaterra nas Universidades de Manchester e Salford, orientada por Rod Watson(2005). Lá, organizou Jornadas em Comunicação da UBI, cujos debates foram registrados no livro“CMC, Identidade e Género”(2005). Foi também nesta época sua entrada na Media Ecology Association(MEA). De volta ao Brasil, defendeu a tese“Feminilidade mediada por computador: interação social no circuito-blogue”, a qual foi vencedora dos prêmios Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) de Tese(MEC/Brasil) e Harold Innis Award(Media Ecology Association/EUA). Em 2008 publica Personas materno-eletrônicas: feminilidade e interação no blog Mothern. No contexto do MEA publicou o artigo“The Emperor of Strong AI Has No Clothes: Limits to Artificial Intelligence”(2017) e o livro“Introdução à Ecologia das Mídias”(2019). É professora associada no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), filiada à linha de pesquisa Comunicação e Experiência, onde ministra, entre outras, as disciplinas Metodologia da Pesquisa em Comunicação, Teorias da Comunicação, Ecologia das Mídias, A Escola de Chicago e a Comunicação, e Cibercultura e Interações Digitais. Além das atividades pertinentes à docência, supervisiona estudantes do Programa Institucional de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), os quais contribuem na Audioteca Brasil: Comunicação, literatura e letramento digital, projeto de pesquisa e extensão universitária produzido, a partir de 2018, pelo Grupo de Pesquisa em Interações Digitais(GRID). Criado em 2017, o Laboratório de Mídias Digitais(LabMiD): usos sociais das Tecnologias da Informação e Comunicação, é outra frente de qualificação de alunos(as) da Graduação, Mestrado e Doutorado, constituindo-se como um núcleo de ensino, pesquisa e extensão. Adriana é professora visitante junto a Universidade Nova de Lisboa (UNL), Portugal, Universidad Iberoamericana Ciudad de México (UIA), México, University of Macau(UM), China e University of Toronto(Utoronto), Canadá. Possui atuação dinâmica na MEA. Em 2021 organizou o 22º Congresso Internacional da Media Ecology 265 Association, em parceria com a PUC-Rio. Um ano depois foi eleita a primeira presidenta latino-americana da Associação. Em 2022 trouxe, pela primeira vez, um congresso presencial da Media Ecology Association ao Hemisfério Sul. Participaram pesquisadores(as) de 22 países, incluindo artistas e cientistas. Neste evento recebeu o prêmio The Louis Forsdale Award for Outstanding Educator in the field of Media Ecology. Adriana possui Pós-Doutorados pela University of Macau, China (2018-2019), pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG2013-2015) e pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-2007-2008). Como resultado do Pós-Doutorado pela UFMG, produziu e dirigiu o documentário“Howie& Os Outsiders” (Brasil/França/EUA/Portugal, 2020). O filme foi premiado na Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais(Anpocs) em 2022. Como Cientista do Nosso Estado/Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro(Faperj) e bolsista de Pós-Doutorado Sênior(PDS/CNPq) na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), a partir de 2022 está dedicada ao projeto “Novas subjetividades digitais e a mulher pós-binária: uma análise de categorizações de pertencimento”. Adriana Braga tem sua produção acadêmica em torno da dinâmica interacional no ambiente digital e vem antecipando questões relacionadas à cidadania, direitos humanos e concentração de poder, contribuindo significativamente para um diálogo mais equilibrado e reflexivo sobre o papel da tecnologia na sociedade contemporânea. Principais publicações BRAGA, Adriana Andrade. Corpo-verão – jornalismo e discurso na imprensa feminina. Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio, 2016. BRAGA, Adriana Andrade. Personas materno-eletrônicas: feminilidade e interação no blog Mothern. Porto Alegre: Editora Sulina, 2008. BRAGA, Adriana Andrade(org.). CMC, identidades e género. Covilhã, Portugal: Editora UBI, 2005. BRAGA, Adriana Andrade; LEVINSON, Paul; STRATE, Lance. Introdução à ecologia das mídias. São Paulo: Editora Loyola, 2019. 266 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste DENISE TAVARES Thaiane Oliveira Denise Tavares nasceu em 30 de julho de 1959 em Paranavaí(PR). É a segunda de seis filhos de Nilson Ferreira da Silva e Mary Neusa Tavares da Silva. O Primeiro Grau foi realizado na Escola Estadual Newton Prado, em Leme(SP), e o Segundo Grau na Escola Estadual Aníbal de Freitas, em Campinas(SP). Acompanhou seu pai na criação do jornal da Associação Atlética Banco do Brasil(AABB) em várias agências bancárias, encontrando sua vocação no Jornalismo após trabalhar como freelancer para jornais alternativos. Antes de concluir sua Graduação na Pontifícia Universidade Católica(PUC) de Campinas em 1988, ingressou no jornal Diário do Povo. Trabalhou na Secretaria de Educação e essa experiência levou-a ao Mestrado em Multimeios na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entre 1995 e 1999, onde ingressou como aluna especial e logo foi aceita como aluna regular, sendo orientada por Adilson José Ruiz, defendendo a dissertação“Vida longa ao curta”. Ingressou no Doutorado em Comunicação na Universidade de São Paulo(USP)(2006-2009), defendendo a tese“As Viagens de Salles, Solanas e Sarquis: identidade em travessias”, orientada por Afrânio Mendes Catani. Após anos como professora em universidades particulares, ingressou na Universidade Federal Fluminense(UFF) em fevereiro de 2010, participando de editais e contribuindo para o crescimento do Departamento e do Programa de Pós-Graduação. Foi coordenadora do Programa, culminando na conquista do aumento de conceito na avaliação e na aprovação do Doutorado. 267 Na área de pesquisa, concentra seus estudos no campo do audiovisual, com um enfoque especial no documentário. Tem desenvolvido pesquisas relacionadas à temática da luta pela vida: abordagem da Comunicação das questões ambientais e o tema do suicídio entre jovens. Em ambas têm o foco na linguagem, criatividade, reinvenções e transformações promovidas pelos produtos midiáticos. É autora dos livros“Documentário biográfico: recriar uma vida nas telas” e“Suicídio de jovens na mídia: a dor irreversível nas telas”. Denise possui interesse na divulgação científica, que remonta à sua Graduação, quando, junto com três colegas, criou um suplemento especial sobre Ciência e Religião como seu Trabalho de Conclusão de Curso, publicado pelo jornal Diário do Povo. Denise Tavares tem desempenhado um papel significativo como editora que se dedica à melhoria da qualidade editorial e à promoção da Comunicação da ciência, com o compromisso de uma Comunicação crítica e engajada, que busca compreender e transformar a realidade social. Principais publicações TAVARES, Denise. Documentário biográfico e protagonismo feminino. In: HOLANDA, Karla; TEDESCO, Marina Cavalcanti (org.). Feminino e plural – mulheres no cinema brasileiro. 1. ed. Campinas: Papirus, 2018. p. 199-212. V. 1.(e-Book). TAVARES, Denise. Subjetividades transbordantes: apontamentos sobre o documentário biográfico, memória e história. Doc On-Line: Revista Digital de Cinema Documentário, v. 15, p. 111-142, 2013. Disponível em: https://doc.ubi.pt/15/dossier_denise_tavares.pdf TAVARES, Denise. Solanas: documentário e militância em meio ao nuevo cine argentino. Doc On-Line: Revista Digital de Cinema Documentário, v. 8, p. 1-17, 2010. TAVARES, Denise. Nem perdão, nem esquecimento: o aparato repressivo no Equador e Paraguai a partir de Con mi corazón en Yambo e Cuchillo de Palo. In: ABREU, Nuno Cesar ( in memoriam); SUPPIA, Alfredo; FREIRE, Marcius; TEIXEIRA, Francisco Elinaldo(org.). Golpe de vista – cinema e ditadura 268 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS militar na América Latina. 1. ed. São Paulo: Alameda, 2018. p. 421-438. V. 1. TAVARES, Denise; REZENDE, R.(org.). Mídias e divulgação científica – desafios e experimentações em meio à popularização da ciência. Rio de Janeiro: Ciências e Cognição, 2014. 186 p. V. 1. 269 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS Alessandra Maia Doutora em Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo e Relações Públicas pela UERJ. Professora da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getulio Vargas(FGVECMI) e professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Estadual Paulista(UNESP). alessandra.maia@fgv.br Ana Paula Goulart Ribeiro Titular na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutora e mestre em Comunicação e Cultura/UFRJ. Pós-Doc na Universidade de Lyon e na Universidade de Grenoble. Coordena o grupo Mídia Memória e Temporalidades. Membro fundadora da Rede Brasileira de Pesquisadores em Memória e Comunicação, Rede Latino-Americana de História da Mídia e Rede Historicidades dos Processos Comunicacionais. Bolsista de produtividade/CNPq. goulartap@gmail.com Anna Bentes Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduada em Psicologia pela UFRJ. Professora da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getulio Vargas(FGV-ECMI). annacbentes@gmail.com Beatriz Brandão Polivanov Doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense(UFF). Graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF. beatriz.polivanov@gmail.com Bruna Aucar Doutora em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Graduada em Comunicação Social. Professora do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUC-Rio. brunaaucar@gmail.com 270 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Carla Baiense Felix Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal Fluminense(UFF). Professora do Departamento de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da UFF. carlabaiense@id.uff.br Cíntia Sanmartin Fernandes Professora associada da Faculdade de Comunicação Social e do Programa de PósGraduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Doutora e mestre em Sociologia Política/UFSC, pós-Doutorado em Comunicação/UFRJ e PUC/SP e em Sociologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales e Université PaulValèry Montpellier – França. É coordenadora do grupo Comunicação, Arte e Cidade. cintiasan90@gmail.com Claudia Montenegro Mestra em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUCRio). Graduada em Ciências Sociais pela PUC-Rio e em Jornalismo pela Faculdade da Cidade. Professora do MBA em Gestão Cultural da Universidade Cândido Mendes (UCAM). claudiammontenegro@gmail.com Claudia Thomé Doutora em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Graduada em Jornalismo pela UFRJ. Professora da Faculdade de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF). cthomereis@gmail.com Consuelo Lins Doutora em Cinema e Audiovisual pela Universidade de Paris 3 – Sorbonne Nouvelle. Graduada em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Professora Emérita da Escola de Comunicação e do Programa de PósGraduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). consuelolins@gmail.com Denise Tavares Professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense e do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano. Doutora em Integração Latino-americana/ USP e Pós-Doutorado em Comunicação e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica. Mestre em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas. Colíder do Núcleo de Estudos e Experimentações do Audiovisual e Multimídia – MULTIS(UFF). denisetavares@id.uff.br 271 Ericson Saint Clair Professor associado do Departamento de Artes e Estudos Culturais e da Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades/Universidade Federal Fluminense. Doutor em Comunicação/Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pós-Doutorado em Psicologia Clínica/Pontifícia Universidade Católica. Mestre em Comunicação. É coordenador dos grupos“Inteligência Artificial, Discurso Midiático e Subjetividade” e“Zen budismo no Brasil: Comunicação e territorialidades”. ericsonclair@id.uff.br Fátima Cristina Regis Martins de Oliveira Professora do Departamento de Relações Públicas e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação/UERJ. Mestre e doutora em Comunicação e Cultura/UFRJ. PósDoutorado em Comunicação/Universidade da Califórnia, San Diego, pela Universidade de Wisconsin, Milwaukee e pela UFRGS. É coordenadora do grupo Comunicação, Lúdico e Cognição e do Laboratório de Mídias Digitais. fatima.oliveira@uerj.br Fernanda Carrera Doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense(UFF). Graduada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Católica do Salvador(UCSAL). Professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ e da UFF. fernanda.carrera@eco.ufrj Fernanda Guedes Mestrado em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense(UFF). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo – pela UFF. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF e gerente de Projetos na Secretaria Nacional do Consumidor(Senacon) do Ministério da Justiça e Segurança Pública. fcguedes@gmail.com Igor Sacramento Doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Graduado em Comunicação Social(UFRJ). Professor e pesquisador no Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde na Fundação Oswaldo Cruz(Fiocruz). Janaine Aires Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal da Paraíba(UFPB). Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). janaineaires@gmail.com 272 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Larissa Grandi Vaitsman Bastos Professora da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde da Universidade de Brasília, no curso de Saúde Coletiva, no eixo Informação, Educação e Comunicação. Doutora e mestre em Comunicação pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Coordenadora do Laboratório de Práticas Integradas em Saúde(Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde – FCTS/UnB). laragrandi@gmail.com Leticia Cantarela Matheus Procientista e professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro no Departamento de Relações Públicas, e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Bacharel, mestre e doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense. Líder do grupo de pesquisa Visualidades e Imagem Pública (VIP), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). leticia.matheus@uerj.br Letícia Perani Doutora em Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF). Professora do Instituto de Artes e Design da UFJF. leticia.perani@ufjf.br Liv Sovik Professora titular da Escola de Comunicação e da Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ. Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Mestre em Latin American Studies pela Universidade do Texas, em Austin. Fez pesquisas pós-doutorais junto a Goldsmiths, University of London(2007-2008 e 2020-2021) e Columbia University(2017-2018), com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). lsovik@gmail.com Mayka Castellano Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduada em Comunicação Social. Professora do Departamento de Estudos Culturais e Mídia e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense(UFF). maykacastellano@gmail.com Patrícia Rebello Doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Graduada em Jornalismo e em Relações Públicas pela Universidade do Estado do 273 Rio de Janeiro(UERJ). Professora do curso de Relações Públicas da Faculdade de Comunicação Social da UERJ. patirebello21@gmail.com Patrícia Saldanha Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Graduada em Comunicação Social. Professora do Departamento de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense(UFF). patsaldanhappgmc@gmail.com Paula Sibilia Doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) e em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro(UERJ). Graduada em Ciências da Comunicação pela Universidad de Buenos Aires(UBA). Professora do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF). paulasibilia@gmail.com Raquel Timponi Doutora em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF). Professora do curso de Comunicação Social do Centro de Estudos e Pessoal da Fundação Dom Cintra(CEP/FDC-RJ) e docente colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias, Comunicação e Educação da Universidade Federal de Uberlândia(UFU). raquel.timponi@gmail.com Talitha Ferraz Doutora em Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa(UNL) e em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo – pela Pontifícia Universidade Católica(PUC-Rio). Professora na Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM-Rio) e no Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense(PPGCine-UFF). talitha. ferraz@gmail.com Tatiana Oliveira Siciliano Professora do Departamento de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica. Doutora em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ. Pós-Doutorado em Sociologia da Cultura/Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Mestre em História, Política e Bens Culturais/Fundação Getulio Vargas. Graduada em Publicidade e Propaganda/PUC-Rio. Coordenadora do grupo Narrativas Ficcionais da Vida Moderna(NarFic). tatiana.sicilianopuc@gmail.com 274 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Thaiane Oliveira Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense(UFF). Doutora em Comunicação pela UFF. Graduada em Comunicação Social. Coordenadora do Laboratório de Investigação em Ciência, Inovação, Tecnologia e Educação(Cite-Lab). Fundadora da Rede Latmétricas. Membro da Academia Brasileira de Ciências(ABC). thaianeoliveira@id.uff.br 275 SÃO PAULO 276 Dulcília Buitoni 49 ENSINO E PESQUISA EM COMUNICAÇÃO: DA SEMANA DE 22 ÀS MÍDIAS QUE NOS CONSOMEM Primeiramente, uma área de matriz multidisciplinar. É possível remontar a raízes nas faculdades de Letras, berço de vários dos primeiros cursos de Jornalismo, Biblioteconomia, Publicidade e Cinema no Brasil. Letras era a proximidade natural. Todas essas habilitações trabalham com a escrita, o discurso, o visual, enfim, com linguagens. Nesse sentido, as nascentes faculdades de Comunicação surgiam relacionadas aos cursos de Letras e Literatura, quando não já nasciam pertencendo às faculdades de Letras. É importante apontar, ainda, a necessária relação com todas as Artes: Comunicação e cultura mantêm inter-relações viscerais. A Comunicação potencializa a cultura e a cultura vive dessa disseminação. Estamos no universo das humanidades. Sociologia, antropologia, filosofia, psicologia e história também contribuem para entender e construir o campo da Comunicação. A presença das artes, porém, talvez seja uma condição de princípio: há um casamento indissolúvel entre a Comunicação e as artes. Existem dezenas de faculdades de Comunicação no Estado de São Paulo. É impossível mencionar todas neste texto. Passaremos, então, a historiar os principais construtores – instituições e pessoas –, desse campo. Assim, uma primeira semente surgindo em 1930 entre livros – guarda e circulação pública –, para passar à Comunicação jornalística da Faculdade Cásper Líbero(FCL-1947), à criação da Escola de Comunicações Culturais(ECC-1966) na Universidade de São Paulo(USP), à Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), à Universidade Estadual Paulista“Júlio de Mesquita Filho”(UNESP) e às instituições particulares: Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e Universidade Metodista. Ainda, a Pós-Graduação pioneira da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP-1972), seguida pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP-1978), Metodista(1978) e a grande expansão a partir dos anos 1990, a exemplo da Universidade Paulista(UNIP) 49 Professora titular de Jornalismo da ECA-USP. Livre-docente em Jornalismo pela USP. Doutora e mestre em Letras, graduada em Jornalismo e em Direito(USP). dbuitoni@uol.com.br. 277 (Mestrado 1997 e Doutorado 2012) e a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM – Mestrado 2006 e Doutorado 2012). Será necessário dedicar um grande espaço à Escola de Comunicações e Artes ECA-USP, que teve um papel pioneiro na proposição e na consolidação de habilitações, bem como o protagonismo na criação de Mestrado e Doutorado em Comunicação – PósGraduação – que, durante muitos anos, formou a maioria dos mestres e doutores, muitos procedentes de outros Estados, que foram fazer carreira universitária em suas regiões. A PUC-SP também teve uma importante presença disseminadora na área, ao articular Comunicação e semiótica. Mesmo sem ter uma Pós-Graduação nesses primeiros anos, os cursos de Comunicação na FAAP, que nasceram estreitamente vinculados à arte, alma mater da instituição, tiveram a colaboração de grandes professores e a presença de Vilém Flusser na formulação de currículos e como docente. Voltemos para alguns primórdios. Em abril de 1915 foi aberto, junto a Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, o primeiro curso relacionado à área de biblioteconomia no Brasil, depois incorporado à Universidade Federal. Em São Paulo, em 1930, o bibliófilo e intelectual Rubens Borba de Moraes iniciou e foi professor de um curso de Biblioteconomia no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, que, em 1939, foi instalado no Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo. Em 1940 o curso passou para a Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Rubens Borba de Moraes foi um grande agitador cultural; ele participou da organização da Semana de Arte Moderna em 1922. Tendo estudado na Europa, trouxe livros e ideias que compartilhou com seus amigos Mario de Andrade e Oswald de Andrade. Trabalhou com Mario na criação do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, quando começaram uma política de instalação de bibliotecas públicas. Foi diretor da Biblioteca Municipal Mario de Andrade, da Biblioteca Nacional no Rio e da Biblioteca da Organização das Nações Unidas(ONU) em Nova York. Além de professor de biblioteconomia em São Paulo, deu aulas na Universidade de Brasília(UnB). Rubens pensava a cultura como política pública, e sua concepção de organização de acervos bibliográficos, incluindo a preocupação com espaços de leitura e convivência, deixaram marcas até hoje. Outra herança importante é a doação de obras do seu acervo para o bibliófilo José Mindlin, material que faz parte da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na USP. Inspirado em modelos americanos, Cásper Líbero(1889-1943), jornalista e dono de jornal, que havia criado projetos inovadores, como um jornal diário sobre esportes – Gazeta Esportiva – e um suplemento infantil – Gazetinha –, dispôs, em seu testamento, a criação de uma faculdade de jornalismo. A Faculdade Cásper Líbero foi construída após sua morte, e o curso de jornalismo, com três anos de duração, foi iniciado em 1947, sendo o primeiro no Brasil. Apresentava disciplinas de português, história, filosofia e matérias práticas do fazer jornalístico, inclusive aulas de taquigrafia. Durante a década de 1960 a faculdade estava vinculada à PUC-SP. Em 1967, José Marques de Melo, vindo do Recife, formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) 278 ENSINO E PESQUISA EM COMUNICAÇÃO: DA SEMANA DE 22 ÀS MÍDIAS QUE NOS CONSOMEM e em Jornalismo(curso criado em 1961) pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), tendo sido discípulo de Luis Beltrão, pioneiro em pesquisas de Comunicação, fundou, na Cásper Líbero, o Centro de Pesquisa de Comunicação Social. No ano seguinte começou a dar aula na mais nova faculdade da USP: Escola de Comunicações Culturais(ECC). Depois, a Faculdade Cásper Líbero separou-se da PUC e tornou-se uma instituição ligada apenas à Fundação Cásper Líbero. Em 2006 iniciou o Mestrado em Comunicação, com ênfase nos processos jornalísticos. A Faculdade de Comunicação na USP nasceu formalmente em 1966, com o nome de Escola de Comunicações Culturais(ECC), por Decreto assinado pelo governador Laudo Natel. Seu projeto foi feito em 1965 por uma comissão nomeada pelo então reitor Luís Antônio da Gama e Silva, que, em 1968, já ministro da Justiça, redigiu o AI-5. O primeiro vestibular aconteceu em fevereiro de 1967: 1.247 inscritos concorreram as 200 vagas oferecidas. As aulas da ECC começaram em abril do mesmo ano, com turmas da manhã e da tarde para cursos de jornalismo, rádio e TV, cinema, teatro e biblioteconomia, em um anexo junto ao estacionamento da Reitoria: o espaço foi adaptado para uma espécie de auditório. Todos os alunos cursavam as mesmas disciplinas, com exceção de uma específica para a habilitação escolhida e outra de língua estrangeira; assim, havia muita interação entre os diferentes cursos. Nesse estacionamento os alunos faziam manifestações contra o reitor, afinal, além da ditadura, era época de discussão de reforma universitária. A proposta era bastante multidisciplinar, apesar da grande presença das letras, com Língua Portuguesa, Linguística, Literatura Hispano-Americana Contemporânea(ministrada pelo professor Eduardo Peñuela, que, depois, se tornaria um dos mais importantes professores da escola e seria seu diretor na década de 1990), entre outras. No primeiro ano já existia a matéria Teoria da Comunicação, com a professora Nelly de Camargo, que trazia muitos autores estrangeiros, principalmente norte-americanos. Depois de uma breve passagem de uma professora argentina, a disciplina de Estética foi ministrada por Lupe Cotrim, poeta e filósofa, que discutia autores como Merleau-Ponty, Michel Foucault e Herbert Marcuse, com Eros e Civilização e O Homem Unidimensional. Foi professora da primeira e da segunda turma e faleceu muito jovem, em fevereiro de 1970, e sua presença marcante fez com que o centro acadêmico que estava sendo criado na faculdade tivesse o seu nome. Também em 1970 houve a Reforma Universitária e a jovem escola foi dividida em departamentos. Foram instalados os cursos de Artes Plásticas e Música, e a Escola de Comunicações Culturais(ECC) passou a ser nomeada Escola de Comunicações e Artes(ECA). Em 1972 iniciou-se o curso de Editoração, vinculado ao Departamento de Jornalismo e, em 1973, começou o curso de Turismo. Era um período de grande movimentação política; 1968 foi o ano da assinatura do acordo do Ministério da Educação e Cultura do Brasil e a United States Agency for International Development(MEC-USAID). Seguindo outras ocupações de unidades da USP, como a Faculdade de Direito e a Maria Antonia, em 1968, os alunos da ECA 279 também tomaram o prédio onde estava funcionando o segundo ano, uma espécie de barracão chamado B9. Depois, deixaram a ocupação na cidade universitária e uniramse ao grupo da Maria Antonia. A jovem ECA, todavia, já promovia atividades culturais e artísticas inovadoras. Izidoro Blikstein, professor de Comunicação Linguística, levou os estudantes para assistirem no Cine(hoje Belas Artes) o documentário Nuit et Brouillard, de Alain Resnais, que filmou uma visita a um campo de concentração. Também em 1968 houve a estreia do primeiro filme produzido pela mais nova faculdade da USP: o curta A João Guimarães Rosa, uma animação de fotos de Maureen Bisiliat, feita por Marcelo Tassara. As novas áreas que estavam se formando na USP eram um atrativo para professores e realizadores de arte e cultura. Convidados por Paulo Emílio Sales Gomes, profissionais de cinema vinham dar palestras, e os alunos tiveram aulas com Abraham Moles, estudioso francês de Comunicação e cultura. Alguns estudantes de jornalismo que faziam a Agência Universitária de Notícias(AUN), criada por Freitas Nobre, jornalista e político, um dia tiveram de entrevistar, sem nenhuma pesquisa prévia, Roberto Rosselini, famoso diretor do cinema neorrealista italiano que viera visitar a ECA. As décadas de 1960 e 1970 foram de grande turbulência para a jovem escola, que reunia comunicadores, artistas e pesquisadores de ciências humanas. Como ainda não havia professores com o cargo de titular(cargo de final da carreira, obtido por concurso, correspondente ao antigo catedrático), os primeiros diretores da ECA eram de outras áreas, principalmente da Faculdade de Filosofia e Letras. O curso de PósGraduação começaria a ser instalado nos anos 1970. Nessa época a USP não estava realizando concursos para o ingresso de professores na nova escola; os docentes eram admitidos por contratos de duração de dois ou três anos, que podiam ser renovados ou não. Assim, bons professores, como Thomas Farkas, José Marques de Melo, Freitas Nobre e Paulo Emílio Sales Gomes, não foram cassados ou demitidos; apenas não tiveram seus contratos renovados. Houve diretor que chamava os docentes para questionar indicações de bibliografia nos programas fornecidos aos alunos. Em 1975 o professor Sinval Medina, do Departamento de Jornalismo, foi injustamente reprovado no exame de qualificação na pós da ECA, sendo, então, demitido. Essa demissão gerou manifestações que chegaram até o Conselho Universitário da USP, e professores demitiram-se em protesto. Nesse mesmo ano de 1975, em outubro, Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura, que havia começado a dar aulas de jornalismo na ECA há poucos meses, morreu após tortura no DoiCod(Departamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), onde tinha ido apenas para prestar um depoimento. Houve greve na faculdade – os alunos perderam o ano letivo – e repercussões que ultrapassaram a USP, inclusive com cerimônia ecumênica promovida pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Somente no final da década, com a anistia, foi possível a volta de professores cujos contratos não tinham sido renovados, depois de uma movimentação realizada por professoras do Departamento de Jornalismo. Foi então que o professor José Marques de Melo 280 ENSINO E PESQUISA EM COMUNICAÇÃO: DA SEMANA DE 22 ÀS MÍDIAS QUE NOS CONSOMEM retornou à ECA, elegendo-se diretor em 1989. Durante seu mandato aconteceu uma reorganização na Pós-Graduação. A primeira turma das habilitações de Comunicação da ECA formou-se em 1970. Em 1972 surgia o primeiro curso de Pós-Graduação da ECA, o curso de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação, em nível de Mestrado, assim como a Pós-Graduação em Artes. No início os professores e orientadores eram de outras áreas conexas, como sociologia, antropologia e letras, pois não havia docentes titulados como doutores em Comunicação. Assim, havia raras disciplinas sobre temas diretamente relacionados ao universo comunicacional. Com Doutorado em Letras Neolatinas pela Universidade de São Paulo, Eduardo Peñuela Cañizal, que já dava aulas na Graduação da ECA, foi um dos fundadores do primeiro Programa de Ciências da Comunicação do país em 1973, tendo sido seu coordenador por vários anos. Também foi diretor da ECA-USP na década de 1990. Professor titular aposentado da USP, foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Paulista – UNIP. Peñuela, que começara com semiótica da literatura, passou a pesquisar semiótica visual e cinema – temas nos quais se destacou como docente e pesquisador. Por isso, foi vice-presidente da International Association for Visual Semiotics e professor credenciado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Educação da Universidade Autônoma de Barcelona. Ainda foi eleito, em três oportunidades, para representante da área de Comunicação junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Com o Doutorado começando em 1980, surgiram os primeiros doutores da área, que passaram, então, a ser credenciados para a Pós. Nesse período alguns orientadores eram credenciados para orientar alunos nos dois cursos: Ciências da Comunicação e Artes. Mais tarde houve a separação; cada orientador só podia orientar em um dos dois cursos. Pioneiro na área de Comunicação no Brasil, o Programa de PósGraduação em Comunicação(PPGCOM) da ECA foi responsável pela formação de grande parte dos mestres e doutores em Comunicação do país, principalmente nas décadas de 1980 e 1990. Um evento na área de Artes da ECA merece ser descrito aqui por sua relação visceral com todas as habilitações de Comunicação, por sua construção coletiva e democrática e pelas suas influências decisivas no ensino da arte na universidade brasileira, inclusive com modificações nas estruturas curriculares no MEC. Com boa repercussão na mídia, a Semana de Arte e Ensino, realizada de 15 a 19 de setembro de 1980, promoção colaborativa organizada pela arte-educadora Ana Mae Barbosa, acabou sendo também um marco na luta pela redemocratização do país. Numa época sem internet, a preparação foi feita em vários Estados brasileiros por professores e/ou artistas que vieram em delegações, reunindo, aproximadamente, três mil participantes no Campus da Cidade Universitária da USP. Professores de universidades públicas e privadas, professores de arte de todos os níveis, da Educação 281 Infantil ao Ensino Superior, estudantes de arte, de Comunicação e áreas afins, artistas, representantes de bibliotecas, museus e outras instituições culturais, circulavam, auxiliados por monitores e voluntários, entre os diferentes espaços da USP – as atividades aconteciam na ECA, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo(FAU), na Psicologia e na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas(FFLCH). A conferência de abertura foi feita por Paulo Freire, que estava retornando do exílio no exterior. Sua presença foi mantida em sigilo, porque a organização da Semana não desejava que viesse público apenas curioso por ver o educador recém-chegado. Assim, as pessoas que estavam no auditório da Faculdade de Arquitetura(FAU-USP) somente souberam quem era quando o educador foi apresentado no início da abertura. Durante a semana houve conferências com Noemia Varela, Aloisio Magalhães, Hans J. Koellreuter, Yan Michalski, Mario Barata, Aracy Amaral e Walter Zanini. A programação reunia, de modo interdisciplinar, palestras, debates, comunicações, painéis, cursos e ateliês, oferecidos nas áreas de Artes Visuais, Artes Cênicas, Dança, Música, Cinema e Televisão. A inclusão de televisão gerou críticas, por alguns não considerarem a televisão arte. A oficina feita por Tadeu Jungle e Walter Silveira, porém, resultou na criação do TVDO(TV Tudo), com estudantes da ECA, já numa ideia de pesquisa de videoarte. Na parte da tarde, além de comunicações, painéis e oficinas, também havia visitas a museus, galerias e ateliês. Alunos do Departamento de Jornalismo da ECA-USP produziram materiais para a imprensa e publicaram pequenos jornais sobre a Semana. Toda essa movimentação, em clima de redemocratização e de reforço da importância e necessidade da arte em todos os níveis, do ensino básico ao universitário, resultou, entre outros ganhos políticos e institucionais, na inserção da área de Arte-educação no sistema de Pós-Graduação brasileiro. No começo dos anos 1990 houve uma reestruturação no curso de Ciências da Comunicação, posto que cada habilitação correspondia a uma linha de pesquisa: jornalismo, publicidade, rádio e TV e cinema. Cada Departamento criou núcleos de pesquisa. A professora Anamaria Fadul criou o Núcleo de Pesquisa em Telenovela em 1991, assunto com que já trabalhava desde os anos 1970. Foram realizadas pesquisas com demógrafos e cientistas políticos brasileiros e norte-americanos que relacionaram a mudança do perfil demográfico brasileiro com as telenovelas. Mais tarde esse núcleo foi renomeado de Centro de Estudos de Telenovela – CETVN-ECA/ USP –, que foi um dos idealizadores do Observatório Ibero-americano de Ficção Televisiva(Obitel), criado em 2005. O Obitel nasceu do interesse de pesquisadores de países ibéricos e latino-americanos por analisar a oferta e a recepção de programas de ficção na televisão, que constituem o mais representativo objeto de consumo cultural nessas regiões. A professora Jeanne Marie de Freitas, do Departamento de Jornalismo, foi a criadora do Núcleo de Jornalismo e Linguagem em 1991, que, além de projetos integrados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), produziu a revista Caligrama. Mais tarde conceituou e nomeou Ciências da 282 ENSINO E PESQUISA EM COMUNICAÇÃO: DA SEMANA DE 22 ÀS MÍDIAS QUE NOS CONSOMEM Linguagem e Mídia como uma importante subárea nos cursos de Comunicação. Após a morte de Jeanne Marie de Freitas, participantes do Grupo de Pesquisa de Linguagem organizaram o Grupo de Estudos de Linguagem: práticas midiáticas – MidiAto –, que trabalha com estudos de linguagem aplicados às produções midiáticas focadas no jornalismo e nas mídias em seus diferentes produtos e formatos verbais, visuais e audiovisuais. Seus membros são compostos por docentes e discentes do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da USP, inseridos nas áreas de pesquisa em teoria, metodologia e linguagem. Há uma interdisciplinaridade entre antropologia, filosofia, história, linguística, psicanálise e semiótica, além de outras áreas. O MidiAto desenvolve projetos que expandem o espectro do trabalho com a Graduação, com a Pós-Graduação, ou mesmo com as respectivas pesquisas individuais: realizam-se atividades voltadas à divulgação de conhecimento, como publicações, blogs e sites interativos em plataforma wiki. O grupo possui duas publicações principais: RuMoRes(www.rumores.usp.br), revista semestral on-line voltada para a divulgação de estudos científicos que contribuam para o debate sobre Comunicação, cultura, mídias e linguagem, editada também com a colaboração da Metracrítica – Rede de Pesquisa em Cultura Midiática; e Anagrama(www.usp.br/ anagrama), publicação trimestral voltada para a produção acadêmica de graduandos. O MidiAto é liderado pela professora Mayra Rodrigues Gomes, docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação, e pela professora Rosana de Lima Soares, docente do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais, ambos da ECA-USP. Outros professores da ECA destacaram-se como docentes e pensadores: Ciro Marcondes, com muitas reflexões sobre teoria da Comunicação; Cremilda Medina, com trabalho sobre narrativa jornalística; Ismail Xavier, teoria e história do cinema; Dora Mourão, que, além de pesquisar sobre montagem fílmica, criou o CINUSP, um cinema dentro da USP, e desempenha um grande papel no conjunto das escolas de cinema e em associações cinematográficas. O Núcleo Comunicação e Educação(NCE) foi instituído em 1996, sob coordenação de Ismar de Oliveira Soares, professor do Departamento de Comunicações e Artes da ECA-USP, pesquisador que vinha trabalhando com a aproximação entre Comunicação e educação há alguns anos. O termo“eduComunicação” surgiu com o radialista uruguaio Mario Kaplún. A partir de uma grande pesquisa na América Latina, inspirada nas ideias de Paulo Freire e Freinet, a ECA começou a oferecer um curso lato sensu sobre EduComunicação. Essa experiência forneceu as bases para ser criada uma Licenciatura em EduComunicação que começou a funcionar em 2011, sendo o primeiro curso dessa habilitação no Brasil. Quando a presença e a importância do digital na sociedade tornam-se cada vez maiores, é preciso formar pessoas que não somente façam uma leitura crítica da mídia, mas que também sejam capazes de se expressar e se posicionar por meio das ferramentas comunicativas. Assim, 283 a Licenciatura em EduComunicação busca formar um profissional capaz de atuar como gestor de processos comunicacionais em espaços educativos e em espaços públicos, por meio de um aprofundamento teórico e prático nas áreas de Educação e Comunicação Social. No século 21 surge um novo arranjo na Pós-Graduação em Ciências da Comunicação para se concentrar na denominação articuladora Comunicação. Hoje a ECA apresenta Mestrado e Doutorado em Artes cênicas, Artes visuais, Ciência da informação, Ciências da comunicação, Meios e processos audiovisuais e Música. O PPGCOM está organizado em três linhas de pesquisa: Comunicação, redes e linguagens: objetos teóricos e empíricos; Processos comunicacionais: tecnologias, produção e consumos; Comunicação: interfaces e institucionalidades. Lançada em 2007, MATRIZes é a revista científica do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação. Acolhe pesquisas teóricas e empíricas sobre fenômenos comunicacionais, meios de Comunicação e mediações comunicativas nas interações sociais. MATRIZes incentiva o horizonte transdisciplinar do pensamento comunicacional e objetiva redimensionar conhecimentos e práticas que contribuam para definir, mapear e explorar os novos cenários comunicacionais da contemporaneidade. Em 12 de dezembro de 1977, José Marques de Melo, que ainda não havia voltado à ECA, fundou a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), numa sala de professores da Faculdade Cásper Líbero; depois teve sua sede na ECA e, finalmente, a sede em edifício próprio. Nascida sob o signo da interdisciplinaridade, a Intercom seria a grande aglutinadora e disseminadora da área de Comunicação. Promoveu ciclos de estudos e congressos nacionais e internacionais, e participou de discussões decisivas em órgãos federais, marcando a presença da comunidade universitária em diferentes espaços no Brasil e no mundo. Mesmo após a morte de seu fundador, em 2018, a Intercom continua a cumprir importante papel no cenário da Comunicação e das mídias. A Fundação Armando Alvares Penteado(FAAP) nasceu a partir de uma destinação no testamento do conde Armando Alvares Penteado, que morreu em 1947 e desejava criar uma instituição que promovesse a arte e a cultura. O primeiro curso, que formava professores de desenho, começou em 1953. Em 1960 foi instituído o Museu de Arte Brasileira(MAB-FAAP). Em 1967 houve a criação da Faculdade de Artes Plásticas e Comunicações e da Faculdade de Engenharia. As Artes Plásticas abrangiam os cursos de Comunicação Visual, Desenho Industrial(primeiro curso em São Paulo e primeiro do Brasil em instituição particular) e Licenciatura em Desenho. Comunicações ofereciam habilitações em Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Cinema e Rádio e Televisão. Nesse sentido, a FAAP iniciava graduações em Comunicação no mesmo ano em que a USP começava com sua Escola de Comunicações. O funcionamento dos cursos de artes, do Museu de Arte Brasileira, que promove excelentes exposições, e a abertura do Teatro FAAP, muito contribuíram para a interdisciplinaridade com a área de Comunicação. 284 ENSINO E PESQUISA EM COMUNICAÇÃO: DA SEMANA DE 22 ÀS MÍDIAS QUE NOS CONSOMEM Vilém Flusser(1920-1991), filósofo tcheco-brasileiro, estudou filosofia em Praga, fez cursos na London School of Economics e mudou-se para o Brasil durante a Segunda Guerra, fugindo do nazismo. Trabalhou como jornalista e professor de filosofia. Nos anos 1950 colaborou com a Revista Brasileira de Filosofia e aproximou-se de Miguel Reale, fundador da revista, e de intelectuais brasileiros de formação liberal. Escrevia para o Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo e participou de atividades na Bienal de São Paulo. Na década de 1960 Flusser lecionava Filosofia da Ciência na Escola Politécnica da USP e Filosofia da Comunicação na Escola de Arte Dramática – EAD. Ajudou a fundar a Faculdade de Comunicações na FAAP, participando da elaboração de currículos e da estruturação de Departamentos. Suas aulas na FAAP eram muito concorridas, chegando a lotar o teatro lá existente. Em 1970 uma reforma universitária na USP veio interromper a docência de Vilém Flusser na Politécnica. A reforma agregou todos os professores de filosofia da USP ao novo Departamento de Filosofia da FFLCH. A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras(FCL) da USP teve suas áreas científicas separadas, ficando apenas com as Letras e Ciências Humanas. Flusser, que era professor da Politécnica, não foi recontratado. Em 1972 Flusser volta à Europa, vivendo inicialmente na Itália e depois na França e na Alemanha. Viajava sazonalmente para o Brasil quando então dava aulas de Teoria da Comunicação na Fundação Armando Alvares Penteado. Flusser deixou suas digitais nos estudos de Comunicação no Brasil. Escreveu, entre outros, as obras Língua e realidade(São Paulo, 1963), O mundo codificado(Paris, 1972) e A filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia(São Paulo, 1983), todos livros fundantes para as teorias da Comunicação no Brasil e que também tiveram grande influência na Europa. A PUC-SP foi pioneira na criação de curso de Pós-Graduação na área de Comunicação no Brasil. Em 1970 criou o Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica, que foi credenciado pelo Parecer CFE 383/73. Fundado por Lucrécia Ferrara, com formação em Letras, teve como primeiros professores Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Leyla Perrone-Moisés, Willi Bolle e, como convidados, Boris Schnaiderman e Hans-Joaquim Koellreutter. Houve uma ampliação temática em 1978, quando foi reforçada a articulação entre Comunicação e semiótica, numa visão interdisciplinar de literatura, meios de Comunicação, artes e música. Nesse ano o programa já contava com os professores José Segolin e Lucia Santaella. A partir da década de 1980, novos professores foram somando-se para atender às demandas crescentes do universo comunicacional. O PEPGCOS/PUC-SP vem funcionando como nucleador e incentivador de pesquisas sobre processos comunicacionais a partir de teorias semióticas e discursivas. Assim, investiga processos comunicativos realizados por intermédio de mediações codificadas, tecnológicas ou não, que produzem dinâmicas culturais e interativas – individuais, coletivas ou massivas. O programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP lançou a revista Galáxia em 2000. Com epicentro na área de Comunicação, em interface com as demais áreas 285 das Ciências Humanas e Sociais, a proposta editorial do periódico abriga confluências e conexões disciplinares, procurando compreender a produção, a circulação e a recepção dos sentidos/signos comunicacionais e discutir as aproximações metodológicas dos objetos comunicacionais a partir de enfoques ligados às teorias da linguagem, significação e interpretação dos sentidos. A revista continua a ser publicada e tornou-se uma das principais revistas brasileiras da área. O crescimento das novas tecnologias fez com que Lucia Santaella criasse o projeto de uma nova Pós-Graduação para atender aos avanços das ciências físicas e biológicas. Enquanto a física e a eletrônica levaram ao desenvolvimento da informática e das técnicas de teleComunicação, a biologia levou à biotecnologia e à bioindústria. A robótica, as nanotecnologias, a vida artificial, as redes neurais, a realidade virtual, aumentada e misturada, e as redes planetárias de intercâmbio de informações, estão colocando-nos no cerne de uma cultura nova e global. Foi instituído o Programa de Pós-Graduação Tecnologias da Inteligência e Design Digital(TIDD), no século 21, com as seguintes linhas de pesquisa: Aprendizagem e Semiótica Cognitiva; Design em inteligência coletiva; Inovação em sistemas e Inteligência Artificial e Gestão. Do mesmo modo que a ECA, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP tem contribuído para a formação de pesquisadores e docentes na área de Comunicação, que se distribuíram por Estados brasileiros e até no exterior. Ambos atuaram e atuam produzindo conhecimento, reflexão teórico-epistemológica e novas práticas de ensino e orientação, bem como desenvolvimento de práticas profissionais que assimilam as inovações tecnológicas. Assim como o Programa de Pós-Graduação da ECA, a PUC também incentivou a criação de grupos de pesquisa. Na década de 1990 os principais programas de Pós-Graduação(ECA-USP e PUCSP) ampliaram atividades visando a mais intercâmbios internacionais, trabalhando no sentido de produzir convênios e intercâmbios científicos. O convênio USP/Universidad Autònoma de Barcelona(UAB), entre a Escola de Comunicações e Artes(ECA) e a Facultat de Ciencias de la Comunicación(UAB), iniciou-se em 1992, quando José Marques de Melo era diretor da ECA. As tratativas deste convênio haviam sido feitas pelo professor Eduardo Peñuela, importante pesquisador sobre imagem e cinema. Nos dias de hoje o Programa de Comunicação e Semiótica da PUC tem convênios internacionais vigentes: França – CNRS, Universitè de Limoges, CeRes; Itália – Università la Sapienza di Roma, Università di Cagliari, Università di Bologna; Espanha – Universidad Castilla de la Mancha(Madrid) e Japão – Sophia University(Toquio). No século 21 a Universidade Paulista(UNIP) estabeleceu convênios e pesquisas com importantes universidades, como a Complutense de Madrid e a Universidade de Valência. Muitos dos pesquisadores paulistas participavam de congressos de associações internacionais, como a International Association for Media and Communication Research(IAMCR) e a International Communication Association(ICA). A Intercom 286 ENSINO E PESQUISA EM COMUNICAÇÃO: DA SEMANA DE 22 ÀS MÍDIAS QUE NOS CONSOMEM também começou a promover reuniões científicas na América Latina e no cenário ibero-americano. Um dos mais importantes nomes em trocas científicas e discussão sobre Comunicação na América Latina é Jesus Martín-Barbero, espanhol, mas com longa carreira na Colômbia. A Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), fundada em 16 de junho de 1991 em Belo Horizonte, com o apoio da Capes e do CNPq, a partir da iniciativa de alguns pesquisadores e representantes como dos cursos de Pós-Graduação da PUC-SP, Universidade Federal da Bahia(UFBA), Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), UnB, Unicamp, Universidade Metodista de São Paulo(UMESP), tornou-se um dos principais fóruns da área de Comunicação. A Compós promove encontros anuais, com presença crescente de pesquisadores de Comunicação. Os pesquisadores brasileiros de jornalismo criaram, em novembro de 2003, a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor). O I Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, realizado na Universidade de Brasília(UnB), contou com a presença de mais de 100 pesquisadores, tendo sido apresentados 60 trabalhos científicos. Durante o encontro os 94 sócios fundadores aprovaram os estatutos da SBPJor e foi eleita a primeira diretoria. A diretoria da SBPJor estabeleceu uma série de projetos para institucionalizar a pesquisa no campo do jornalismo: realização de congressos anuais, lançamento da Brazilian Journalism Research – revista científica em inglês para divulgação internacional de nossos pesquisadores –, a criação da Bibliografia On-line de Jornalismo, o SBPJor Notícias, jornal mensal distribuído aos sócios e assinantes, e a Journalism Brazil Conference, congresso internacional bianual em cooperação com o Grupo de Estudos em Jornalismo da International Communication Association(ICA). A Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual(Socine) foi criada em São Paulo, em novembro de 1996, com o objetivo de promover a realização e o intercâmbio de pesquisas e estudos de cinema em suas mais diferentes manifestações, incentivando, assim, a reflexão e a troca de ideias sobre cinema e audiovisual no Brasil. A Socine conta com mais de mil sócios, a grande maioria professores e alunos de Pós-Graduação. A entidade também promove o debate sobre a educação do audiovisual no Brasil, estando associada, nessa tarefa, ao Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual(Forcine). Ao lado da Compós, Socine e Forcine têm participado da definição de políticas no campo do ensino do audiovisual junto as agências de fomento à pesquisa, como Capes e CNPq. A pesquisa em Comunicação foi institucionalizando-se em faculdades e universidades da Grande São Paulo e no interior. Alguns Mestrados começaram na década de 1970, mas a maioria dos Doutorados foram iniciados nos anos 1990. As trocas comunicacionais contemporâneas sofrem o impacto das tecnologias da informação, que vem provocando transformações na vida social, alterando a produção de conteúdos, as trocas econômicas, as atividades industriais e de serviços, as relações 287 de consumo, a produção cultural, o funcionamento da política e das eleições e as atividades de ensino e pesquisa, tudo isso sob o controle das grandes plataformas midiáticas. Esses temas pedem reflexão, pesquisa e ações dos programas de PósGraduação em Comunicação, pois a Comunicação está sendo o principal vetor de todas essas profundas modificações que estão alterando a vida humana neste planeta. Em 1970 foi criado o Instituto Metodista de Ensino Superior(IMS), quando a faculdade de Teologia se expandiu para novos cursos. Jornalistas formados pela ECA a partir de 1970 tornaram-se professores da Graduação em Jornalismo: Ciro Marcondes, Wilson Bueno e José Marques de Melo(durante o período em que não havia voltado para a ECA-USP). A Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo, iniciou a Pós-Graduação em Comunicação Social com a abertura do Mestrado em 1978; o Doutorado foi iniciado em 1995. O programa está em sintonia com as demandas da emergente Sociedade da Informação, que desafia a academia a produzir conhecimento em um contexto em que se articula globalização e regionalização. A Universidade Paulista(UNIP) iniciou o Mestrado em Comunicação em 1997 e o Doutorado em 2012. Seu Programa de Pós-Graduação stricto sensu tem a área de concentração em Comunicação e Cultura Midiática, que visa a aprofundar o conhecimento acerca da produção de bens simbólicos na complementaridade entre a perspectiva dos meios associados à produção jornalística, radiofônica, audiovisual ou musical(Linha 1), e a relacionada às transformações culturais e sociais por elas proporcionadas, gerando impactos nos valores sob os quais assenta-se a sociedade globalizada, transformando o imaginário, as relações de poder e hegemonia, as formas de resistência, a associação e constituição de grupos, etc.(Linha 2). O Programa de Pós-Graduação em Comunicação está situado na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista(FAAC/UNESP), Campus de Bauru. Em Bauru a Graduação em Jornalismo começou em 1985, numa faculdade que, em 1988, foi incorporada à UNESP; o curso de Rádio e TV foi iniciado em 1989. O Mestrado foi recomendado em 2002 pela Capes e o Doutorado funciona desde setembro de 2014. Esse programa de Bauru é o único dos Programas de Pós-Graduação mantidos pela UNESP voltado para a área de Comunicação Social. Instalado na região central do Estado, recebe alunos tanto do interior quanto da capital, além de alunos oriundos de outros Estados do país. Na área de concentração em Comunicação Midiática trabalha com três linhas de pesquisa: Processos midiáticos e práticas socioculturais; Produção de sentido na Comunicação midiática; Gestão e políticas da informação e da Comunicação midiática. O Departamento de Multimeios, Mídia e Comunicação, do Instituto de Artes da Unicamp(Campinas-SP), é responsável pela Graduação em Midialogia, entre outras, e pelos Programas de Pós-Graduação em Artes Visuais e Multimeios. A Graduação de Midialogia estrutura-se em três eixos: formação humanística, saberes instrumentais e 288 ENSINO E PESQUISA EM COMUNICAÇÃO: DA SEMANA DE 22 ÀS MÍDIAS QUE NOS CONSOMEM pesquisa acadêmica. O curso é centrado nas mídias audiovisuais: fotografia, cinema, rádio e áudio, TV, vídeo e novas mídias, estudados em suas características específicas e em suas inter-relações do ponto de vista da história, da linguagem, da tecnologia, dos usos, dos funcionamentos e dos processos de recepção. Esse Departamento atua como espaço de contato relacionado ao pensamento crítico e à produção em disciplinas relacionadas com os meios e sistemas de Comunicação, sustentando, entretanto, uma íntima conexão com as artes e humanidades, pois considera-se que há uma interdisciplinaridade sistêmica nessas áreas de contato. Para entendermos essa interdisciplinaridade e o estreito relacionamento entre a Comunicação e as artes, temos que relembrar a formação do Instituto das Artes dentro da Unicamp, que foi constituído ao mesmo tempo em que desenvolvia uma série de atividades de extensão, com grande impacto no público universitário e no público em geral da cidade de Campinas. O Instituto de Artes da Unicamp teve sua célula mater como Escola de Música no início da década de 1970. Foram acrescentadas artes plásticas ao mesmo tempo em que eram realizados concertos e exposições. Com o oferecimento do curso de Música no ano de 1979, o Instituto de Artes da Unicamp foi finalmente oficializado como unidade de ensino e pesquisa. As atividades de artes cênicas iniciaram no campus em 1978, também como extensão cultural; em 1983 o Curso de Artes Cênicas foi oficialmente criado. O professor Celso Nunes foi um dos responsáveis pela comissão de estudos de instalação do curso e nomeado chefe do Departamento de Artes Cênicas. Em 1985 foi criado o Departamento de Artes Corporais, com a introdução do curso de Graduação em Dança. Em 21 de agosto de 1985, o Conselho Diretor da Unicamp aprovou a criação e o estabelecimento do Departamento de Artes Corporais. Finalmente, em 1985, foi aprovada a criação e funcionamento do Departamento de Multimeios. Em 1986 teve início o projeto de criação do curso de Música Popular do Departamento de Música do Instituto de Artes. Em 1988 o Conselho Universitário manifestou-se favorável à criação da Habilitação em Música Popular, primeiro curso do gênero no Brasil, no Curso de Graduação em Música do Instituto de Artes da Unicamp. Hoje o Instituto de Artes conta, na sua estrutura administrativo-acadêmica, com os Departamentos de Artes Plásticas, Artes Cênicas, Artes Corporais, Música e Multimeios, Mídia e Comunicação, Galeria de Arte(GAIA), Biblioteca, além de distintos Laboratórios Interdisciplinares. Na Graduação oferece os cursos de Artes Visuais, Artes Cênicas, Dança, Música e Comunicação Social – Midialogia. Referência nacional, a Pós-Graduação do Instituto de Artes desponta igualmente no cenário internacional, oferecendo os cursos de Artes visuais, Artes da cena, Multimeios e Música. O Programa de Pós-Graduação em Multimeios(PPGMM) reformulou, em 2021, sua linha de pesquisa para se adequar ao novo perfil do curso. História, estética, práticas e processos midiáticos do cinema e do audiovisual é uma linha de pesquisa que se abre para os estudos do cinema e do audiovisual, 289 em suas vertentes historiográfica, teórica e crítico-analítica. Parte-se do cinema e do audiovisual em suas dimensões práticas e poéticas bem como nas suas relações com a sociedade, a cultura e a Comunicação. Nesse âmbito, a imagem fotográfica também é de interesse de investigação, dada sua importância no conjunto das imagens técnicas. O programa está atento aos cenários tecnológicos e às transformações na paisagem social, em que se instauram processos midiáticos complexos, que modificam a cadeia da produção e da recepção do cinema e do audiovisual, gerando novas demandas de investigação em um contexto de inovação constante. Desse modo, atenta-se para o campo da imagem em movimento em suas singularidades e aberturas para o vasto repertório de relações possíveis, seja no desenvolvimento e singularidades de gêneros e formatos audiovisuais, narrativos e não narrativos, no documentário, na ficção, nas poéticas experimentais, nas políticas de produção e circulação ou nas relações de consumo e de mercado. Cinema e audiovisual são, portanto, tratados em sua dimensão expandida do ponto de vista da linguagem e dos processos midiáticos, e das relações sociopolíticas e econômicas, que estão na base da sua produção, circulação e recepção. O campo conceitual e analítico inclui as teorias do cinema, das comunicações e das imagens articuladas ao campo ampliado das ciências da linguagem(teorias da literatura e relações intersemióticas), das ciências humanas (história, ciências sociais, economia, filosofia, estudos culturais, raça e representação; teorias feministas e estudos queer) e o estudo comparado das relações entre os campos artísticos(fotografia, teatro, artes visuais, música, dança, performance). As linhas de força das pesquisas do PPGMM abrangem: o recorte histórico, a análise estética, reflexões sobre a práxis do cinema e do audiovisual, interfaces entre cinema e audiovisual e outros campos. Desse modo, os/as pesquisadores/as do programa, ao mesmo tempo, alinham-se à tradição dos estudos do cinema e do audiovisual e abrem-se para os processos midiáticos e comunicacionais inerentes ao contexto de convergências, redes e interfaces acelerados pelas mídias digitais, que nos últimos anos tem impactado modos de observação e análise da imagem e seus processos. Após um primeiro programa de Pós-Graduação stricto sensu mais relacionado com publicidade, iniciado na segunda metade dos anos 1990, a Faculdade Cásper Líbero partiu para um novo projeto de Mestrado em Comunicação, que começou a funcionar em 2006 com a área de concentração Comunicação na Contemporaneidade, e duas linhas de pesquisa: Processos Midiáticos, Tecnologia e Mercado; e Produtos Midiáticos: Jornalismo e Entretenimento. Esse Mestrado logo ocupou um importante espaço entre as Pós-Graduações de São Paulo, atraindo, inclusive, alunos de outros Estados. Promovia seminários, encontro de mestrandos de diferentes instituições e palestras de pesquisadores estrangeiros. Em 1997 surgia a revista Líbero, destinada a publicar artigos de pesquisadores de Comunicação. Com o novo programa, iniciado em 2006, a publicação ganhou mais presença e força, tornando-se uma reconhecida revista da área, atraindo textos de autores nacionais e estrangeiros. Teve boa produção até o final de 2022, quando chegou ao seu último número. 290 ENSINO E PESQUISA EM COMUNICAÇÃO: DA SEMANA DE 22 ÀS MÍDIAS QUE NOS CONSOMEM A Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM-SP) iniciou, em 2006, seu Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo; o Doutorado foi instituído em 2012. A professora Maria Aparecida Baccega, livre-docente em Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(USP), que atuava na Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA-USP, ao se aposentar foi colaborar na efetivação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM em São Paulo. Tornou-se decana, atuando por 15 anos nessa Pós. Por sua atuação, o programa a homenageou, criando a Cátedra Maria Aparecida Baccega. Desde 2015 a cátedra constitui-se numa instância de produção qualificada de pesquisas científicas, debates acadêmicos e extensão universitária sobre as inter-relações Comunicação, Educação e Consumo. Em 2018 teve início a parceria entre o Instituto Palavra Aberta e a Cátedra Maria Aparecida Baccega, quando se inaugurou um diálogo a partir de atividades como seminários, jornadas de formação e conferências. As atividades desenvolvidas no âmbito da Cátedra aglutinam-se em torno dos processos comunicacionais midiáticos e de consumo da contemporânea sociedade brasileira, visando o desenvolvimento de educação para os meios e para o consumo, junto a professores do Ensino Básico e a sociedade em geral. O Programa de Pós-Graduação em Comunicação da ESPM tem duas linhas de pesquisa: Comunicação, consumo e contextos de recepção; e Comunicação, consumo e lógicas de produção. Outras universidades também oferecem programas de Mestrado e Doutorado em Comunicação ou áreas conexas. A Universidade Anhembi Morumbi iniciou o Mestrado em 2006 e o Doutorado em 2014, com a área de concentração Comunicação Audiovisual. Suas linhas de pesquisa são Análises de Produtos Audiovisuais e Processos Midiáticos na Cultura Audiovisual. A Universidade Mackenzie, em São Paulo, tem Mestrado e Doutorado em Educação, Arte e História da Cultura, pertencente ao Centro de Educação, Filosofia e Teologia. Muitos programas de Pós-Graduação sofreram durante o período da pandemia – aliás, todo o sistema universitário. Os anos 1990, com o início da internet, já enunciavam as profundas transformações que a evolução tecnológica causaria nas comunicações e nas mídias – e estas em todas as esferas da vida humana. Assim, as pesquisas teóricas e aplicadas, em torno da Comunicação, tiveram e têm de se debruçar sobre as insurgências temáticas e concretas dos fluxos midiáticos pessoais, grupais, nacionais, continentais e globais. Nesse sentido, perseguimos as Epistemologias do Sul para abordar espaços da diferença, espaços da desigualdade, espaços da democracia e, então, uma constelação de questões: diversidade, relações de gênero, inclusão, ancestralidades, reflexões decoloniais, culturas indígenas, culturas afro, consumismo, discriminação, produção audiovisual, plataformas, governabilidade algorítmica, violência, discursos de ódio, populismo, autoritarismo – enfim, as necessidades são imensas. 291 Todas as nossas ações comunicativas – de quem usa internet, redes sociais, televisão, streaming – e todo o imaginário audiovisual nos ensina, mas também nos consome. Tema é que não falta para estudos e pesquisas de Comunicação. Criticar é preciso. Necessitamos refletir, analisar, desenvolver produtos e educação, projetar novos formatos de Comunicação, mais formas de consciência e ação. No temor da controladoria e do direcionamento dos algoritmos, na urgência da crise climática, em meio a redes sociais polarizadoras, precisamos descobrir caminhos de solidariedade e de mudança. É fundamental ter um olhar multidisciplinar, interdisciplinar, transdisciplinar, com interseccionalidade como ferramenta de análise e modo de enfrentamento de desigualdades. Se a Semana de Arte Moderna de 22 já trazia uma visão decolonial, o universo(diverso) comunicativo, social e cultural do século 21 pede pesquisas abrangentes que busquem alternativas de igualdade e fraternidade. 292 ENSINO E PESQUISA EM COMUNICAÇÃO: DA SEMANA DE 22 ÀS MÍDIAS QUE NOS CONSOMEM FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 293 CREMILDA MEDINA Liana Milanez Cremilda Celeste de Araújo Medina nasceu em 16 de março de 1942 na cidade do Porto(Portugal). É filha de José Pereira de Araújo e de Joaquina Celeste e irmã de Dina. Casada com Sinval Medina, tem dois filhos: Ana Flávia e Daniel. Cremilda iniciou os estudos em Vila Nova de Gaia, na escola de Dona Emilinha. Depois, cursou o Liceu no Colégio Nossa Senhora da Bonança. A continuidade dos estudos deu-se no Brasil, quando, aos 11 anos, fez a viagem com a mãe e a irmã ao encontro do pai, já instalado em Porto Alegre(RS). Ingressa, em 1954, no Colégio Farroupilha, onde conclui o ginásio e começa a cursar o clássico no Colégio Júlio de Castilhos. Em 1960 é aprovada no vestibular para Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Na mesma universidade é também aprovada em Letras Clássicas, passando a frequentar os dois cursos e concluindo-os em 1964 e 1965, respectivamente Entre 1967 e 1970 conquista sua primeira experiência como docente no curso de Jornalismo na UFRGS, com a disciplina Técnica de Jornal e Periódico. Trabalha à tarde na revista e na Editora Globo de Porto Alegre. Em 1970, ao tomar conhecimento do projeto para criação do Pós-Graduação na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo(USP), deixou Porto Alegre em busca do aperfeiçoamento. Em 1971, a convite de José Marques de Mello, chefe do Departamento de Jornalismo, ingressou como auxiliar de ensino na ECA. Em 1972 começa a cursar o Mestrado no Programa de PósGraduação em Ciências da Comunicação da ECA, além de 294 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS trabalhar como auxiliar de ensino no Departamento de Jornalismo e Editoração. Em 1975 defende a dissertação“A Estrutura da Mensagem Jornalística”, orientada por Julio Garcia Morejón, sendo a primeira mestre formada na ECA. Entre 1975 e 1985 ausenta-se da Universidade em virtude da força repressiva da ditadura militar, dedicando-se à atividade profissional como repórter e editora em veículos como o jornal O Estado de S. Paulo, a TV Cultura e a TV Bandeirantes. Em 1978 publica sua dissertação,“Notícia, um Produto à venda – Jornalismo na Sociedade Urbana e Industrial”, com várias edições. Entre 1984 e 1986 realizou o Doutorado na ECA/USP, defendendo a tese“Modo de Ser, Mo’Dizer”, orientada por Lea Vinocur Freitag. Em 1986 vincula-se à USP como professora titular, mesmo aposentada em 2011, dedicando-se exclusivamente às atividades de pesquisa e ensino. Em 1987 inicia a série São Paulo de Perfil, 27 livros-reportagem com os alunos de Graduação de Jornalismo do programa pioneiro da terceira idade na USP, e colaboradores ou alunos da Pós-Graduação. Essa coleção desenvolveu, até a primeira década do século 21, itinerários que desbravam, na reportagemensaio, histórias de vida, marcas de identidade cultural e contextos de São Paulo. Além da Pós-Graduação na ECA, atua no Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina(Prolam/USP). É líder do grupo de pesquisa Epistemologia do Diálogo Social, cujo foco é contribuir para a quebra de fronteiras disciplinares. A partir do primeiro seminário transdisciplinar que promoveu em 1990, cria a série Novo Pacto da Ciência, com 11 exemplares em livro e o 12º título em e-book no Portal Livros Abertos da USP, que celebra 30 anos do projeto transdisciplinar, sob o título Nas trilhas do Saber Plural. No final dos anos 1990 Cremilda lidera o projeto interdisciplinar o Signo da Relação, que se configurou uma política abrangente para as mídias universitárias, refletindo em novas dimensões a relação entre ciência e sociedade. Foi quando assumiu a Coordenadoria de Comunicação Social da USP(entre 1999 e 2006). Cremilda organizou, em cinco décadas, 60 coletâneas que registram debates em universidades brasileiras e internacionais, produção coletiva de alunos de Graduação e Pós-Graduação e ensaios de pesquisadores de Comunicação social e de outras áreas de conhecimento, volumes escritos por colaboradores das oficinas 295 para idosos. O diálogo social e a autoria ética, técnica e estética nas mediações jornalísticas constituem os principais eixos temáticos de sua obra. Destacam-se, entre seus livros,“A arte de tecer o presente”(em coautoria);“Ciência e jornalismo – da herança positivista ao diálogo dos afetos”; e, ainda“El rol del periodista”;“Profissão Jornalista, Responsabilidade Social”;“Viagem à literatura portuguesa contemporânea”;“A posse da terra – escritor brasileiro hoje”, entre outros. Numa perspectiva interdisciplinar, sua obra colhe os desafios paradigmáticos do saber plural e traz para a comunicação social e o jornalismo a teoria-prática que registra em seu título“Atravessagem, reflexos e reflexões na memória de repórter”. Cremilda Medina contribui com um acervo relevante para esse momento em que o Jornalismo se depara com profundas transformações no campo técnico, com a convergência digital e de sustentabilidade financeira das empresas jornalísticas, além das condições de trabalho dos profissionais. A resistência, uma constante na vida dessa pioneira dos estudos da Comunicação, seguirá sua parceira em busca de respostas para as questões da contemporaneidade. Principais publicações MEDINA, Cremilda. A arte de tecer o presente – narrativa e cotidiano. São Paulo: Summus, 2003. MEDINA, Cremilda. Entrevista – o diálogo possível. São Paulo: Ática, 1986. MEDINA, Cremilda. Notícia, um produto à venda. São Paulo: Alfa-Omega, 1978. MEDINA, Cremilda. Profissão jornalista: responsabilidade social. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1982. MEDINA, Cremilda. Ciência e jornalismo – da herança positivista ao diálogo dos afetos. São Paulo: Summus, 2008. MEDINA, Cremilda. Atravessagem. Reflexos e reflexões na memória de repórter. São Paulo: Summus Editorial, 2014. 296 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste LUCIA SANTAELLA Clotilde Perez Maria Lucia Santaella Braga nasceu em 13 de agosto de 1944 em Catanduva(SP). Filha de Luzia Dísparo Santaella e João Santaella, tem uma irmã e dois irmãos. Mudou-se para a cidade de São Paulo e ingressou no Colégio Sedes Sapientae. Graduou-se em Letras Português e Inglês na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP) no ano de 1966. Tem Doutoramento em Teoria Literária na mesma universidade, obtido em 1973, sob a orientação de Lucrécia D’Alessio Ferrara, com a pesquisa intitulada “Manuel Bandeira e a Poética do Elemento Lexical”. Fez sua LivreDocência em Ciências da Comunicação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 1993, com a tese intitulada “Metodologia Semiótica”. Desde 1967 é docente da PUC-SP, sendo professora titular do Departamento de Arte da então Faculdade de Filosofia, Comunicação Letras e Artes(Confil), atual Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes(Faficla). No início de sua trajetória ministrou as disciplinas Teoria Literária, Semiótica e Teoria da Comunicação, nos cursos de Letras e de Comunicação. Em 1978 ingressou como docente na Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica(COS). No Programa, ministrou as disciplinas Conceitos de Literatura, Semiótica Geral, Semiótica Peirciana, Estética e Percepção e Metodologia da Pesquisa Científica. Santaella, junto com um grupo de pesquisadores, esteve à frente de dois projetos: em 1998, a criação do curso de Graduação Interdisciplinar em Tecnologia e Mídias Digitais; e em 2006, o desenvolvimento do Programa de Pós-Graduação Tecnologias 297 da Inteligência e Design Digital(TIDD). Manifesta, assim, sua característica empreendedora e inovadora na pesquisa e na formação de novos pesquisadores, em campos ainda inexplorados. Foi professora convidada pelo Deutscher Akademischer Austauschdienst(DAAD) na Universidade Livre de Berlin em 1987, na Universidade de Valencia em 2004, na Universidade de Kassel em 2009, na Universidade de Évora em 2010, na Universidad Nacional de las Artes, Buenos Aires, em 2014, na Universidade Michoacana de San Hidalgo, México, em 2015 e na Universidade de Caldas, Colômbia, a partir de 2018. Foi, ainda, pesquisadora associada no Research Center for Language and Semiotic Studies em Bloomington, Universidade de Indiana, em estágios de pesquisa, especialmente em 1988, com bolsa da Fulbright. Nessa mesma universidade fez Pós-Doutorado em 1993, com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Desde 1996 tem feito estágios de Pós-Doutorado em Kassel, Berlin e Dagstuhl, Alemanha, sob os auspícios do DAAD e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). É presidente honorária da Federação Latino-Americana de Semiótica e membro executivo da Asociación Mundial de Semiótica Masmediática y Comunicación Global, sediada no México, desde 2004. É correspondente brasileira da Academia Argentina de Belas Artes, eleita em 2002. Foi eleita presidente para o ano de 2007 da Charles Sanders Peirce Society, EUA. É também um dos membros do Advisory Board do Peirce Edition Project em Indianapolis, EUA, e um dos membros do Bureau de Coordenadores Regionais do International Communicology Institute. Foi membro associado do Interdisziplinäre Arbeitsgruppe für Kulturforschung(Centro de Pesquisa Interdisciplinar em Cultura), da Universidade de Kassel, de 1999 até 2009. São mais de 230 artigos publicados em periódicos qualificados no Brasil e no exterior. Mais de 80 livros publicados com autoria individual, em coautoria ou organizados. São 270 capítulos de livros, 500 apresentações em congressos e mais de 60 textos publicados em mídias diversas ao longo de sua carreira como pesquisadora. Em sua trajetória de professora e orientadora na Pós-Graduação da PUC-SP, orientou e levou à defesa aproximadamente 300 mestres e doutores. Da sua vasta produção, destacam-se, ainda nos anos 1990, os livros “Estética: de Platão a Peirce”(1994) e“Teoria Geral dos Signos: 298 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS semiose e autogeração”(1995), reeditado em 2000. No primeiro, a autora explora os meandros do entendimento inovador de Peirce sobre a estética, confrontando a tradição grega ligada à perfeição, e apresenta a concepção de admirável, o sumum bonum, nas palavras do autor. Em“Teoria Geral do Signos: semiose e autogeração”, trata do eixo estruturante do pensamento de Charles Peirce, dando sustentação ao método semiótico, adotado por centenas de semioticistas nos mais variados campos, das humanidades às ciências básicas. Já no novo milênio, a obra“Matrizes da Linguagem e Pensamento: sonora, visual, verbal”(2001), demonstra a maturidade da pesquisadora, o que possibilitou aprofundamento nos meandros das linguagens híbridas do nosso tempo, com desdobramentos para a compreensão da Inteligência Artificial e seus impactos no desenvolvimento cognitivo humano, reflexão destacada no livro “Neo-humano. A sétima revolução cognitiva do Sapiens”(2022). Um reconhecimento destacável é a sequência de indicações ao prêmio Jabuti recebidas em 2002, 2009, 2011 e 2014, além do Prêmio Sergio Motta, Liber, em Arte e Tecnologia, recebido em 2005, e o prêmio Luiz Beltrão-maturidade acadêmica, em 2010, conferido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Outro destaque foi a indicação para ocupar a Cátedra Oscar Sala, no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, a qual assumiu em 2021, instaurando o Grupo de Estudos Simbioses Humano-Tecnologias. Um dos produtos da cátedra foi o livro Simbioses do Humano& Tecnologias: impasses, dilemas e desafios, organizado por ela em 2022, com textos de convidados que ministraram conferências e seminários durante a vigência da gestão da catedrática, encerrada em abril de 2022. Santaella é professora emérita da PUC-SP e pesquisadora 1A do CNPq, condição de reconhecimento pela maturidade na pesquisa e formação de novos pesquisadores no campo da Comunicação, e se mantém inovadora e inspiradora para gerações atuais e futuras. É uma destacada professora e pesquisadora da área da Comunicação e Semiótica, em diálogos e atuações de pesquisa e formação com as Tecnologias Digitais, Estéticas Tecnológicas, Inteligência Artificial e Metodologia da Ciência. 299 Principais publicações SANTAELLA, Lucia. A inteligência artificial é inteligente? 1. ed. São Paulo: Edições 70: Almedina, 2023. SANTAELLA, Lucia. Simbioses do humano e tecnologias. 1. ed. São Paulo: Edusp: IEA, 2022. SANTAELLA, Lucia. Estética: de Platão a Peirce. São Paulo: Experimento, 1994. SANTAELLA, Lucia. Teoria geral dos signos: semiose e autogeração. São Paulo: Ática, 1995. SANTAELLA, Lucia. Matrizes da linguagem e pensamento: sonora, visual, verbal. São Paulo: Editora Iluminuras, 2001. SANTAELLA, Lucia(org.). Simbioses do humano& tecnologias: impasses, dilemas e desafios. São Paulo: Edusp, 2022. 300 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste LUCRÉCIA FERRARA Camila Escudero Lucrécia D’Alessio Ferrara nasceu em 12 de setembro de 1936 em Lins(SP). É filha de Filomena Frugis D’Alessio e Vito D’Alessio. Cursou o primário nos Colégios Santa Inês e São José, continuando o Ensino Médio no Colégio São José. Iniciou seus estudos de nível superior em 1956, no curso de Graduação em Letras Neo Latinas, na Faculdade Sedes Sapientiae, na capital paulista. Em 1959 sua carreira acadêmica foi se moldando com o Doutorado em Letras, concluído em 1964 na Pontifícia Universidade de São Paulo(PUC-SP), com a tese“Introdução ao estudo do regionalismo de Valdomiro Silveira”, orientada por Massaud Moisés. A livre-docência ocorreu em 1980, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo(FAU) da Universidade de São Paulo(USP). Sua trajetória profissional teve início em 1967, quando começou a trabalhar como professora de Teoria Literária e Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento, criada na PUC-SP. A partir disso ocupou outros cargos na instituição, entre eles o de coordenadora do Departamento de Artes e Técnicas da Comunicação, e foi responsável pela criação do setor de PósGraduação da PUC-SP e do Programa de Pós-Graduação em Teoria Literária, posteriormente denominado Comunicação e Semiótica. Em 1974 Lucrécia ingressou no Departamento de Projeto/Núcleo de Disciplinas em Desenho Industrial da FAU-USP, onde atuou por mais de 20 anos, até 1998. Lá criou e solidificou o Programa de Pós-Graduação em Estruturas Ambientais Urbanas, o qual ainda coordenou entre 1988 e 1990. 301 Entre 1998 e 2005 teve uma passagem pela Universidade Tuiuti do Paraná(UTP) como professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação. A conexão da área de Letras com a Comunicação deu-se a partir de atividades de orientação nos níveis de Mestrado e Doutorado, que a estimularam a estudar, comparativamente, a literatura em contato com outras produções, levando-a a investigar as relações entre a linguagem verbal e as não verbais, o que resultou no livro Leitura sem Palavras(2007). Disciplinas voltadas para a elaboração de projetos de dissertações e teses também consolidaram essa definição, norteando inúmeras publicações entre artigos, capítulos de livros, obras coletivas e individuais. Seu interesse prioritário voltou-se, então, para a Epistemologia da Comunicação. Assim, tratou de alguns núcleos básicos, entre eles: relações entre a Comunicação e as ciências sociais aplicadas; Comunicação como ciência empírica; o uso das teorias críticas da Comunicação para a área enquanto ciência; o papel das teorias para além de instrumento aplicativo/ explicativo em uma investigação; a interdisciplinaridade(ou não) da Comunicação; entre outros. A docência, a pesquisa e outras experiências – como representante nacional da área da Comunicação junto a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), entre 1985 e 1987 –, fizeram-na observar a sedimentação da área da Comunicação como domínio científico. Lidera o Grupo de Pesquisa Espaço-Visualidade/ComunicaçãoCultura(ESPACC), além de ter sido bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) entre 2009 e 2022. Lucrécia D’Alessio Ferrara, com a obra Comunicação, mediações e interações(2015), venceu o Prêmio Jabuti de 2016. Tem trajetória reconhecida tornando-se professora titular emérita da PUC-SP e professora titular aposentada da FAU-USP. É considerada uma das maiores teóricas da área de Comunicação no Brasil. Principais publicações FERRARA, Lucrécia D’Alessio. A estratégia dos signos. São Paulo: Editora Perspectiva, 2009. 302 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS FERRARA, Lucrécia D’Alessio. Olhar periférico. São Paulo: EDUSP: Fapesp, 1998. FERRARA, Lucrécia D’Alessio. Os nomes da Comunicação. São Paulo: Editora Annablume, 2012. FERRARA, Lucrécia D’Alessio. A Comunicação que não vemos. São Paulo: Editora Paulus, 2018. FERRARA, Lucrécia D’Alessio. Comunicação, mediações e interações. São Paulo: Editora Paulus, 2015. FERRARA, Lucrécia D’Alessio. Leitura sem palavras. São Paulo: Editora Ática, 2007. 303 NELLY DE CAMARGO Nádia da Cruz Senna, Pollyana Notargiacomo Nelly de Camargo nasceu em 12 de fevereiro de1930 em Itatinga (SP). É filha de Miretta de Almeida Camargo e Luís Florippes Bueno de Camargo. Foi alfabetizada em francês por uma freira aos 4 anos e, aos 7, foi matriculada na escola pública. Aos 17 anos terminou o curso normal. Concluiu a Graduação em Pedagogia na Universidade de São Paulo (USP) em 1957 e passou a lecionar nos cursos de formação de professores. Seu aprimoramento incluiu o curso de Especialização em Filosofia e Psicologia, realizado na US, em 1959. A ampliação de seus conhecimentos em educação e Comunicação deu-se por meio de um projeto do Ministério da Educação, uma parceria Brasil-EUA, para instalar em São Paulo um Instituto de Recursos Audiovisuais e de Desenvolvimento da Educação. Ela foi selecionada para fazer o curso em Bloomington, Indiana(EUA), que, naquela época, já investigava a TV como recurso educativo. O intercâmbio com a Universidade de Indiana ampliou-se por meio do seu ingresso no Mestrado em Education-Communication Technology Leadership, sob orientação de B. J. Knowles, resultando na dissertação“Leadership in Communication: a Study in Public Opinion”, defendida em 1961. De volta ao Brasil, atendeu às demandas do Instituto, participando de encontros com profissionais de diversos países interessados na formação de recursos humanos para promover o desenvolvimento científico, literário, artístico e filosófico. A acolhida do projeto na USP deu início à Escola de Comunicações Culturais, atualmente Escola de Comunicação e Artes(ECA). Lá, Nelly ingressa como 304 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS professora concursada em 1967, sendo responsável pela cátedra de Teoria da Comunicação e pela chefia do futuro Departamento de Comunicações. Nelly participou do primeiro Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação(USP) em nível de Doutorado, produzindo a tese“A TV e o Quadro de Referência Sócio-Cultural: o Público dos Telepostos de São Luiz do Maranhão”, sob orientação de Egon Schaden, defendida em 1972. Atuou como professora na USP até 1983, e na Universidade Estadual de Campinas(Unicamp) de 1984 a 2000. Nessas duas Instituições ministrou aulas na Graduação e na Pós-Graduação, foi chefe do Departamento de Comunicações e Artes(USP) e do Departamento de Multimeios(Unicamp). Integrou comissões pedagógicas e núcleos de pesquisa em prol da melhoria do ensino e qualificação da formação. Coordenou projetos e foi contemplada com recursos de agências de fomentos para instalação e modernização de laboratórios de imagem e som. Conduziu projetos de extensão reunindo profissionais e estudantes de áreas diversas em busca de soluções para problemas específicos, com destaque para a campanha de educação ambiental referente ao problema do lixo na cidade de São Paulo. Ela foi consultora de agências e associações. Atuou, de 1972 a 2000, como vice-presidente da International Association for Media and Communication Research(IAMCR), assim como desenvolveu atividades como consultora sênior da Center for Transdisciplinary Studies in Communication(CETCO). Ao longo de sua trajetória estabeleceu parcerias, nacionais e internacionais, para a produção de conhecimento em Comunicação, nas suas inter-relações com tecnologias da informação, cultura e cidadania. Foi conselheira Regional de Comunicação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(Unesco) para a América Latina e Caribe, promovendo o intercâmbio com programas científicos e acordos de cooperação internacionais. Contribuiu para a criação dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação da USP e da Unicamp. Sua contribuição é reconhecida, tendo sido premiada por diferentes instituições e entidades, com destaque para o título de professora emérita, que lhe foi outorgado pela USP em 2013. 305 Em 1981 realiza investigação junto a Universidade de Standford (EUA), intitulada“Theory and research methods of communication for purpose of developing graduate curriculum”. Ela ativou o intercâmbio com o Institute for Communication Research, ministrando cursos, realizando palestras e pesquisas por meio do Programa Fulbright para Professores Visitantes. Outro aspecto a ser destacado é sua participação na Comissão de Redação da Revista da Escola de Comunicações Culturais nos anos de 1967 e 1968, assim como sua atuação no Conselho Editorial da Revista de Comunicações e Artes de 1970 a 2000. Dentre as publicações destacam-se:“Comunicação: uma nova perspectiva no campo das ciências do comportamento”(1967) e “A busca de uma filosofia para o ensino da Comunicação”(1971), as quais abordam perspectivas para a pesquisa em Comunicação, situando fundamentos e epistemologias baseadas no diálogo com diferentes saberes. Sobre educação publicou:“Problemas da educação e Comunicação no Brasil contemporâneo”(1970) e“Um comunicador/educador sob medida: o profissional da cultura” (1995), esse último constitui-se como referência ao apontar para a necessidade de formar um profissional atento à superação das desigualdades; e ainda o artigo“The Formation of Cultural Workers: Considerations on Latin American Experiencies(1994). Também publicou trabalhos que compartilham resultados de pesquisas e experiências sobre comportamento e suas interrelações com mídias.“Televisão na praça: redefinição cultural e nova sintaxe do lazer”(1980),“Indústria cultural: o caso brasileiro” (1993) e“Indústria cultural, educacional e formação estética numa abordagem holística: música, literatura e identidade cultural” (1996), são alguns exemplos. Uma característica marcante de sua atuação é a abordagem interdisciplinar para dar conta dos processos da Comunicação, seja em sala de aula, na orientação de pesquisas ou na condução de projetos que reuniram profissionais e estudantes de diferentes áreas de formação. Nelly de Camargo foi uma das fundadoras dos estudos sobre a Comunicação em nosso país, tendo reconhecido o potencial da Comunicação como campo de conhecimento, evidenciando interfaces possíveis em prol de uma formação humanista, ética e criativa. 306 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Principais publicações CAMARGO, Nelly de. Comunicação: uma nova perspectiva no campo das ciências do comportamento. Revista da Escola de Comunicações Culturais, São Paulo, USP, v. 1, n. 1, p. 153, 1967. CAMARGO, Nelly de. Problemas da educação e Comunicação no Brasil contemporâneo. São Paulo: USP: ECA, 1970. CAMARGO, Nelly de. A busca de uma filosofia para o ensino da Comunicação. Revista de Comunicação e Artes, n. 6, 1971. CAMARGO, Nelly de. Televisão na praça: redefinição cultural e nova sintaxe do lazer. Comunicações e Artes, n. 9, 1980. CAMARGO, Nelly de. The formation of Cultural Workers: Considerations on Latin American Experiencies. In Part V – On Communication and Development. Mass Communication Research: On problems and polices – The art of asking the right questions. Norwood, New Jersey: Ablex Publishing Company, 1994. p. 291-305. CAMARGO, Nelly de. Um comunicador/educador sob medida: o profissional da cultura. Logos, v. 2, n. 2, p. 23-28, 1995. 307 ANAMARIA FADUL Eula Dantas Taveira Cabral Anamaria Fadul, também chamada de Fadul, nasceu em 16 de junho de 1943 em Assis(SP). É filha de José Fadul Júnior e Dativa Lutti Fadul. Sua formação começou em Assis, onde estudou até completar o Ensino Fundamental, o antigo ginasial, no Ginásio Santa Maria, indo, posteriormente, para Campinas, onde cursou o Ensino Médio. Foi para São Paulo e lá fez Graduação na Universidade de São Paulo(USP) no curso de Filosofia(1963-1967), época em que o Brasil entrou na Ditadura Militar. Em 1965, após concurso para dar aula no cursinho do Grêmio da USP, foi aprovada e, durante dois anos(1966 a 1967), ministrou aulas para candidatos ao curso de Filosofia. Ali iniciava sua vida acadêmica na USP. Em 1968 entrou no Mestrado em Filosofia, terminado em 1972, desenvolvendo a dissertação“Categorias econômicas e políticas do segundo Tratado sobre o Governo Civil de John Locke”, sob orientação de Maria Sylvia de Carvalho Franco. Em 1969 é convidada para entrar no Departamento de Filosofia da USP como professora, sendo designada para a Escola de Comunicação e Artes(ECA). Lá começa a participar das atividades e pesquisas na área de Comunicação. Seu interesse pela pesquisa sobre telenovela dá-se no final dos anos 1960, criando, em 1992, o Núcleo de Pesquisa de Telenovela(NPTN), após chamado de Centro de Estudos de Telenovela(CETVN), que coordenou até 1996, quando se aposentou na USP. Em 1973 iniciou seu Doutorado em Filosofia na USP, propondo como tema de pesquisa a área comunicacional. Neste mesmo ano ganhou 308 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS uma bolsa da Fulbright para fazer o Doutoramento na Universidade de Nova York, mas desistiu por problemas de saúde. Terminou o Doutorado em 1980, sob orientação de Maria Sylvia de Carvalho Franco, com a tese“O futuro no presente: perspectiva para uma Teoria da Comunicação”. Com seu envolvimento na área de Comunicação, em 1986 faz a Livre-Docência na USP, defendendo a pesquisa“Os meios de Comunicação de massa: um desafio à Igreja(O São Paulo – 19791985)”. Dois anos depois, em 1988, vai para Roma, ficando até 1990, onde faz seu Pós-Doutorado na Università Degli Studi Roma Tre(Uniroma). Com sua aposentadoria na USP em 1996, vai para a Universidade Metodista de São Paulo(UMESP) atuar no Programa de PósGraduação em Comunicação Social nas áreas de Comunicação internacional, mídia global e mídia regional. Durante o período que lá atuou(1996 a 2008) contabilizou 21 orientandos de Mestrado e 10 orientandos de Doutorado. Fadul também orientou pesquisas de alunos de Graduação, com os quais passou a ter grande contato após a abertura da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) para os jovens iniciando o Ensino Superior. Isso aconteceu em 1984, época em que ela era presidente(1983-1985) da Intercom. Anteriormente ela já havia sido membro do Conselho Fiscal(19791981), tornando-se vice-presidente na segunda diretoria(1981-1983). Com uma carreira científica marcante na área de Comunicação, Fadul registra, em sua produção bibliográfica, 20 artigos completos publicados em periódicos; 3 livros; 10 capítulos de livros; 5 textos em jornais; 3 trabalhos completos publicados em anais de congressos; e 51 apresentações de trabalhos em eventos científicos. Destes, destaca-se“Serial fiction in TV: the latin american telenovelas with an annotated bibliography of brazilian telenovelas” (1992), marco nas pesquisas sobre o gênero. Reúne no livro autores do México, Estados Unidos, Brasil, Argentina e Peru que analisam as telenovelas a partir da recepção, entretenimento e educação. Sobre ficção televisiva também se destaca com“Telenovela e família no Brasil”(2000), quando ela apresenta os resultados da pesquisa“O impacto social da televisão sobre o comportamento reprodutivo no Brasil e nos Estados Unidos”, resultado da parceria de instituições de pesquisa dos dois países. 309 No campo da análise sobre os conglomerados de mídia no Brasil e suas estratégias de atuação, dentre os artigos publicados em periódicos científicos ressalta-se a contribuição de“A internacionalização dos grupos de mídia no Brasil nos anos 90”(1998). No campo midiático destaca-se, ainda, a obra coorganizada por ela, intitulada“Mídia e região na era digital: diversidade cultural, convergência midiática”, resultado do XI Colóquio Internacional de Comunicação para o Desenvolvimento Regional(Regiocom 2006). Anamaria Fadul é uma pesquisadora marcante na área científica. Filósofa de formação, depositou todo o seu conhecimento para somar com o campo da Comunicação. Não hesitou em ir além. Acreditou nos pares, fez parte da fundação da Intercom e trouxe pesquisadores de várias partes do Brasil e de outros países para investigar a mídia brasileira, entendendo, a partir dos ângulos cultural, social, econômico, político e tecnológico, suas estratégias e influência sobre a sociedade. Principais publicações FADUL, Anamaria. Serial fiction in TV: the latin american telenovelas with an annotated bibliography of brazilian telenovelas. São Paulo: USP. 1992. FADUL, Anamaria. Telenovela e família no Brasil. Revista Comunicação& Sociedade, n. 34, 2000. FADUL, Anamaria. A internacionalização dos grupos de mídia no Brasil nos anos 90. Revista Comunicação& Sociedade, n. 29, 1998. FADUL, Anamaria; GOBBI, Maria Cristina(org.). Mídia e região na era digital: diversidade cultural, convergência midiática. São Paulo: Editora Arte& Ciência, 2006. 310 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste DORA MOURÃO Gabriela Machado Ramos de Almeida Maria Dora Genis Mourão nasceu em 30 de abril de 1947cem Montevidéu(Uruguai). É filha de Abraham Genis e Pola Grostein de Genis. Estudou nos Colégio Bandeirantes e Colégio Paes Leme, em São Paulo(SP). Sua trajetória acadêmica e intelectual teve início em 1967, quando ingressou na segunda turma do curso de Cinema da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(ECA/USP). Concluiu a Graduação em 1971 e obteve o título de mestre em 1980, com pesquisa sobre o papel da montagem em filmes policiais, sob orientação de Eduardo Peñuela Cañizal. Em 1988 obteve o título de doutora com a tese“Que viva Eisenstein”, referência ao cineasta soviético Sergei Eisenstein e seu filme ¡Qué Viva México!, orientada por Eduardo Leone. Seu percurso profissional e intelectual mistura-se à própria história do curso de Cinema da ECA. Ainda em 1972 iniciou na docência, na área de montagem cinematográfica, à qual se dedicou como pesquisadora e como montadora de filmes. Desde a década de 1970, então, esteve envolvida com a docência em nível de Graduação e, posteriormente, de Pós-Graduação, além da gestão universitária, exercendo também importante liderança política na universidade. Foi chefe de Departamento em três mandatos, bem como vice-diretora da ECA, entre 2009 e 2013. Foi responsável, ainda, pela criação do Cinema da USP Paulo Emílio(Cinusp Paulo Emílio), do qual foi diretora, com sessões regulares e gratuitas em duas salas: Campus da USP e no Centro Cultural Maria Antônia. Entre os anos de 1993 e 2007 Dora Mourão esteve envolvida na 311 gestão do Cinusp, uma das atividades de extensão mais bemsucedidas da área cultural na USP. A atuação docente de Dora acompanhou as mudanças sociais e tecnológicas do cinema e da Comunicação. Ministrou disciplinas de Montagem Cinematográfica; Técnicas de Edição; Edição Não Linear; Cinema Documentário; Teoria da Fotografia; Novas Tecnologias e Linguagem Cinematográfica; Teoria das Mídias e do Audiovisual e, de forma pioneira, ainda nos anos 1990, Inteligência Artificial. Em 1997 obteve Pós-Doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales(EHESS), em Paris, na França, período no qual também consolidou sua atuação internacional junto a entidades de ensino e audiovisual. Entre 1992 e 2000 exerceu os cargos de vicepresidente e presidente da Federação de Escolas de Imagem e Som da América Latina(Feisal), sediada na Argentina, e em 1993 passou a atuar, também, no Centre International de Liaison des Écoles de Cinéma et Télévision(CILECT), da França, que reúne mais de 150 escolas de cinema de todo o mundo, e do qual foi eleita presidente em 2011. Da pesquisa sobre impactos das novas tecnologias no audiovisual, desenvolvida no Pós-Doutorado, teve origem sua tese de livredocência, defendida em 1998 e intitulada“Reflexões sobre o cinema e o movimento das novas tecnologias”. Em 2005 tornou-se professora titular do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA e, em 2023, pouco depois de sua aposentadoria, após 50 anos de dedicação à universidade e de 55 anos de vida vinculados à instituição, recebeu o título de professora emérita da ECA, tendo sido a 21ª docente da Escola a obter a distinção. Como articuladora e líder em instituições públicas e entidades de ensino, pesquisa e preservação em cinema e audiovisual, Dora esteve à frente do Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual(Forcine), do qual foi presidente entre 2001 e 2007, e da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine), tendo sido presidente nas gestões 2009-2011 e 20112013. Integrou os conselhos deliberativos da Associação de Amigos do Centro Cultural São Paulo(2001-2003) e da Sociedade Amigos do Museu da Imagem e do Som(2004-2006). Na Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo foi nomeada membro da Comissão de Artes Visuais, cargo ocupado entre 2003 e 2005. Posteriormente desenvolveu atividades no Ministério da 312 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Cultura, tendo sido integrante do Conselho Consultivo da Secretaria do Audiovisual de 2003 a 2008. Ainda em 2022, ao aposentar-se da USP, assumiu a Diretoria Geral da Cinemateca Brasileira, passando a atuar diretamente na preservação da memória do cinema e do audiovisual nacionais. Além de exibições regulares, mostras especiais e sessões de filmes de importantes festivais, a Cinemateca é responsável pela memória do cinema brasileiro, uma vez que todas as obras produzidas com financiamento público no país precisam ter uma cópia entregue à instituição. Um dos projetos desenvolvidos na gestão de Dora é o Viva Cinemateca, patrocinado por instituições privadas, cujo objetivo é recuperar, duplicar e exibir o acervo de filmes produzidos até a década de 1940 em nitrato de celulose, composto químico inflamável e explosivo. A dedicação de Dora ao cinema estende-se, também, à prática profissional. Entre os projetos que montou, como filmes, vídeos e materiais de pesquisa, destacam-se os documentários São Paulo, Sinfonia e Cacofonia, dirigido pelo cineasta e professor Jean Claude Bernardet, seu colega no curso de Cinema da USP, e São Paulo Cinemacidade, dirigido por Aloysio Raulino. No campo do pensamento sobre cinema e audiovisual, suas contribuições incluem o livro O cinema do real(2005), coorganizado em parceria com Amir Labaki. Editado como resultado da Conferência Internacional de Documentários É Tudo Verdade – Cinusp –, promovida durante as edições anuais do Festival É Tudo Verdade, o livro conta com ensaios e transcrições de conferências de cineastas e pesquisadores. Durante a década de 2000, quando os livros dedicados ao cinema documentário publicados no Brasil eram raros, O cinema do real foi uma das contribuições mais relevantes para o pensamento cinematográfico nacional. O volume ganhou tradução para espanhol e publicação na Argentina, com o título El Cine de lo Real. Dora Mourão também foi coorganizadora do livro Jean Claude Bernardet: uma homenagem(2007). Assim, Dora Mourão é uma figura central no desenvolvimento do ensino e da gestão em cinema e audiovisual no Brasil, com uma trajetória que abrange mais de cinco décadas dedicadas ao Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA/USP, bem como a diversas instituições culturais e eventos. Prestes a completar 60 anos de dedicação ao estudo, ensino, prática e preservação do 313 cinema, Maria Dora Mourão atuou em diversas instituições públicas e sociedades científicas, todas elas comprometidas com o interesse público, a soberania cultural do Brasil e a democracia. Principais publicações MOURÃO, Maria Dora; LABAKI, Amir(org.). O cinema do real. São Paulo: Cosac Naify, 2005. MOURÃO, Maria Dora; DENNISON, Stephanie; RAMOS, Fernão (org.). World cinema: as novas cartografias do cinema mundial. Campinas: Papirus Editora, 2013. MOURÃO, Maria Dora; AMADO, Ana. Images from the South: Contemporary Documentary in Argentina and Brazil. In: WINSTON, Brian(org.). The Documentary Film Book. Londres: Palgrave Macmillan, 2013. MOURÃO, Maria Dora; CAETANO, Maria do Rosário; BACQUE, Laura(org.). Jean Claude Bernardet: uma homenagem. São Paulo: Cinemateca Brasileira e Imprensa Oficial, 2007. 314 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste GISELA ORTRIWANO Lourival da Cruz Galvão Júnior, Luciano Victor Barros Maluly Gisela Swetlana Ortriwano nasceu em 7 de junho de 1948 em Füssen(Alemanha). É primogênita de Wassili Ortriwano e Barbara Dominika Maria Stampfel. Em 1949 emigraram para o Brasil e se estabeleceram em São Paulo. Cursou o Primeiro e Segundo Graus no Ginásio Estadual de São Miguel Paulista, posteriormente chamado Ginásio Estadual Professor Francisco Roswell Freire. No início de 1968 ingressou na Universidade de São Paulo(USP) para cursar Licenciatura e Bacharelado em Sociologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras(FFLCH). Gisela fez, de forma concomitante, a faculdade de Jornalismo na Escola de Comunicação e Artes(ECA), concluindo os dois cursos em 1972. Em 1973 atuou como auxiliar de ensino voluntária no Departamento de Jornalismo e Editoração(CJE), apoiando as atividades da disciplina de Radiojornalismo. A contratação foi em regime parcial em 1974, mantida até 1982. Tornou-se professora assistente com a obtenção do título de mestre na ECA em 1982. A dedicação exclusiva foi efetivada em 1990, após a obtenção do Doutorado. O título de mestre foi obtido com a dissertação“Informação no rádio: critérios de seleção de notícias”, orientada por André Casquel Madrid. A titulação de doutora foi com a tese“Os(des)caminhos do radiojornalismo”, com a orientação de Ciro Marcondes Filho, no mesmo Programa. Entre as décadas de 1970 e 1980 Gisela dividiu o exercício da docência com a carreira profissional nas TVs Globo e Cultura, em São Paulo, onde atuou na criação dos centros de documentação e pesquisa para telejornais em ambas as emissoras. Trabalhou como produtora de 315 reportagens e na edição de programas especiais, como o Fantástico, da TV Globo, e na organização de coberturas jornalísticas, como a visita do Papa João Paulo II ao Brasil, em 1980, pela TV Cultura. Entre 1974 e o fim da década de 1980, também integrou o corpo docente de outras Instituições de Ensino Superior, como a fundação Karnig Bazarian em Itapetininga(SP), o Instituto Metodista de Ensino Superior em São Bernardo do Campo, o Centro Universitário Braz Cubas em Mogi das Cruzes e as Faculdades Integradas Alcântara Machado(FIAM) em São Paulo. Dentre os assuntos que pesquisou ou orientou destacam-se a história, as teorias, as programações, a dramaturgia, o esporte, a política, o ensino e o mercado de trabalho, a Comunicação popular e regional, a emissão e a recepção, a publicidade e, por fim, a internet. Ela ainda dedicou-se ao estudo do rádio público, educativo e comercial, às interfaces com outras mídias, aos processos de produção de notícias e à interatividade. Na Graduação desenvolveu diversos projetos, como o“Clipe Mulher”, boletim divulgado duas vezes ao dia pela Rádio USP a partir de 2000. O programa é originário do projeto“Rádio: Mediação de Informações para a Mulher” do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero(Nemge), e permitiu a formação complementar de alunos de Radiojornalismo. Na extensão sua última iniciativa foi o programa“Cantores Bons de Bico”, transmitido pela Rádio USP durante 14 meses, entre 2002 e 2003. O programa foi resultado do trabalho final da disciplina de rádio ministrada em 2002 aos alunos do curso de Especialização em Divulgação Científica do Núcleo José Reis(NJR). Gisela publicou dois livros, sendo o primeiro deles“A Informação no rádio: os grupos de poder e a determinação dos conteúdos”(1985), originado de sua dissertação de Mestrado e com várias edições; e o segundo foi“Radiojornalismo no Brasil: dez estudos regionais” (1987). Trata-se de uma coletânea de trabalhos apresentados no“II Curso para Professores de Jornalismo”, realizado em 1986, sendo pioneiro ao tratar prioritariamente da regionalidade do Rádio e do Radiojornalismo. Gisela deixou ainda uma vasta produção de textos – artigos e capítulos de livros –, como“Ok marcianos: vocês venceram!”, capítulo publicado em 1998 no 1º volume de“Rádio e Pânico – a guerra do mundos 60 anos depois”;“Rádio: interatividade entre 316 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS rosas e espinhos”(1998), no qual estrutura uma análise sobre os atributos e imperfeições do rádio contemporâneo a partir dos textos que compõem a Teoria do Rádio; seu último artigo publicado foi “Radiojornalismo no Brasil: fragmentos de história”(2003). A obra aborda, de forma descritiva e analítica, o desenvolvimento da rádio até o início deste século. A construção de um marco teórico sobre o rádio é um dos legados de Gisela Swetlana Ortriwano, que se soma ao incentivo às atividades práticas baseadas nos conteúdos debatidos em sala de aula. Apesar de seu falecimento ter ocorrido há 20 anos, ela incita a compreensão do caminho que a levou a se transformar na principal referência nos estudos sobre rádio e radiojornalismo no Brasil. Parte dessa trajetória foi detalhada, em 2021, no audiolivro“O rádio de Gisela”(disponível no YouTube e no Portal de Livros Abertos da USP). Principais publicações ORTRIWANO, Gisela Swetlana. A informação no rádio: os grupos de poder e a determinação dos conteúdos. São Paulo: Summus Editorial, 1985. ORTRIWANO, Gisela Swetlana. Radiojornalismo no Brasil: dez estudos regionais. São Paulo: Editora Com-Arte, 1987. ORTRIWANO, Gisela Swetlana. Ok marcianos: vocês venceram! In: MEDITSCH, Eduardo. Rádio e pânico – a guerra dos mundos 60 anos depois. São Paulo: Editora Insular, 1998. Vol. 1. ORTRIWANO, Gisela Swetlana. Rádio: interatividade entre rosas e espinhos. Revista Novos Olhares, São Paulo: ECA-USP, ano 1, n. 2, p. 13-30, 1998. ORTRIWANO, Gisela Swetlana. Radiojornalismo no Brasil: fragmentos de história. Revista Comunicação& Educação, São Paulo: ECA-USP, n. 56, p. 66-85, 2003. 317 HELOIZA MATOS Simone Alves de Carvalho Heloiza Helena Matos e Nobre nasceu em 27 de novembro de 1939 em Caratinga(MG). É filha de Moacir de Matos e Joaquina Gomes de Matos. Foi casada algumas vezes e teve três filhas: Celina, Thais e Júlia. Cursou do primário até o terceiro ano do segundo grau no colégio Nossa senhora do Carmo. Após o término dos cursos primário, ginasial e normal em sua terra natal, ingressou no curso de Jornalismo na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF), finalizado em 1966. Iniciou sua carreira profissional na área pública como supervisora do Movimento de Educação de Base(1964) e seguiu para o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária do Ministério da Agricultura (Incra) em 1967 para gerenciar as relações com o público interno e modernizar o relatório anual, o que viria a se chamar de Relações Públicas Governamentais, além de fazer a assessoria de imprensa de diversos órgãos. Entre 1980 e 1988 foi assessora de imprensa da Secretaria de Planejamento da Presidência da República, técnica em assuntos educacionais da Delegacia Regional do Ministério da Educação em São Paulo e assessora de imprensa adjunta da Secretaria de Planejamento(Seplan). A docência universitária foi iniciada em 1971 no Centro Unificado de Brasília(então CEUB), com as disciplinas Teoria da Opinião Pública e Informação e Pesquisa de Opinião Pública. A partir de 1975 ministrou a disciplina Pesquisa de Opinião Pública na então Faculdade de Comunicação Social Anhembi, e a mesma disciplina no ano seguinte nas Faculdades Integradas Alcântara Machado 318 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS (FIAM). Ainda em 1975 atuou na Pontifícia Universidade Católica de Campinas(PUC-Campinas) com a disciplina Relações Públicas Governamentais. Estas atividades profissionais e docentes levaram ao convite para chefiar o Departamento de Relações Públicas da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero(SP) em 1981, além de ministrar Introdução às Relações Públicas, Relações Públicas Governamentais e Teoria de Opinião Pública. Em 1989 ministrou Propaganda Ideológica e Sociologia Geral e da Comunicação na Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM). Durante este período Heloiza manteve os estudos e pesquisas continuamente. Em 1982 obteve o título de mestre com a dissertação “Processos de Comunicação dos migrantes na formação de uma nova sociedade: o caso de Brasília”, orientada por Virgílio B. Noya Pinto, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP). Doutorou-se pela mesma instituição e com o mesmo orientador em 1989, com a tese“Modos de olhar o discurso autoritário no Brasil(1969-1974): o noticiário de primeira página na imprensa e a propaganda governamental na televisão”. Atuou como docente na ECA entre 1990 e 2002, ministrando Teoria da Comunicação II; Língua Portuguesa V: Criação e Redação de Mensagens Institucionais; Língua Portuguesa VI: Linguagem na Comunicação de Massa; e Relações Públicas Governamentais; enquanto na Pós-Graduação ofertou a disciplina Modelos de Comunicação Política no Estado e o Imaginário Popular. Em 1995 realizou estágio pós-doutoral no Groupe de Recherche sur les Enjeux de la Communication(Gresec), Université Stendhal, Grenoble III(França), com pesquisa sobre o processo eleitoral francês, e em 2007 pesquisou sobre capital social e Comunicação. Sua Livre-Docência ocorreu em 1996, com a pesquisa“Abordagens da Comunicação Política no Brasil e na França: Mudanças Sociopolíticas e Formas de Obtenção”, pela ECA. Até 2010 foi docente do Programa de Pós-Graduação da Faculdade Cásper Líbero e, nesse ano, retornou para a ECA para fazer parte do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) como pesquisadora sênior. Ministrou, na PósGraduação, lato e stricto sensu, as disciplinas Comunicação Pública, Capital Social e Comunicação Política: da Mídia de Massa às Redes Sociais; Comunicação Pública e Política: Perspectivas Teóricas e 319 Metodológicas; Media Training; Comunicação e Poder Executivo, É bolsista por produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), e durante sua carreira foi agraciada com o Prêmio Intercom 2000 – honra ao mérito pela orientação de tese de Doutorado; Mulher de Ouro pelo Rotary Club em 1992; e professora homenageada pelos formandos do curso de Relações Públicas da ECA em 1991. Heloiza idealizou o Grupo de Pesquisa em Comunicação Pública e Política(Compol) e integra a Associação Brasileira de Comunicação Pública(ABCPública) como sócia-honorária. É parecerista ad hoc do CNPq, consultora de avaliação do Ministério da Educação(MEC)/ Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior(Sinaes), parecerista ad hoc da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) e parecerista de revistas e congressos científicos e acadêmicos. Suas pesquisas dissecaram vários temas da Comunicação pública e política, sempre com a preocupação de integrar estudantes da Graduação e da Pós-Graduação. Entre 1992 e 1994 realizou a pesquisa“Liturgias políticas na transição brasileira: uma abordagem de Comunicação e cultura”. Entre 1996 e 1998 pesquisou sobre“Comunicação Pública e Comunicação Política: trajetória e perspectiva no processo de redemocratização brasileira”. Finda esta pesquisa, debruçou-se sobre a“Imagem pública do empresariado brasileiro: interfaces com a imprensa e o governo 1985-1999”. O ano de 2003 marca o início da pesquisa realizada, até 2006, sobre“A Comunicação Empresarial dos Grupos de Mídia Brasileiros”, com o objetivo de estudar como os Grupos de Mídia Brasileiros comunicam a si mesmos por meio do próprio canal/suporte. A pesquisa sobre“Capital Social, Redes e Processos Políticos” vai de 2007 a 2010. Esta pesquisa evoluiu entre 2010 e 2013 para“Comunicação pública, capital social e Comunicação política: espaços institucionais e midiáticos”. Entre 2013 e 2018, as“Perspectivas políticas e sociais da Comunicação pública e política como princípio de inclusão social, engajamento cívico e de deliberação” foram analisadas a partir da intersecção entre três variáveis: Comunicação pública; redes sociais e internet; e Comunicação política. Finalmente, a pesquisa entre 2014 e 2021 foi sobre“A Comunicação como vetor para a Cidadania e Democracia: a capacitação de comunicadores públicos e comunicadores políticos”. 320 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Suas pesquisas originaram mais de 30 artigos publicados em periódicos, 9 livros editados, mais de 30 capítulos de livros, 7 prefácios de livros, quase 40 trabalhos completos publicados em anais de congressos e mais de 50 apresentações em congressos. Seu livro de 2009,“Capital social e Comunicação: interfaces e articulações”, trouxe o conceito de capital social, um conjunto articulado que propicia a circulação de informações que facilitam a articulação das ações coletivas. Ainda sobre o tema, em 2011, ela organizou uma coletânea sobre“Comunicação e política: capital social, reconhecimento e deliberação pública”, em que vários autores discorrem sobre os temas, acrescentando na construção do arcabouço teórico do campo. O grupo de pesquisa que ela capitaneava, o Compol, teve três publicações, todas disponíveis on-line gratuitamente. O primeiro, de 2013, foi“Comunicação pública: interlocuções, interlocutores e perspectivas”; o segundo, de 2016, foi“Pesquisas em Comunicação pública e política: vertentes teóricas e metodológicas”; e em 2019 foi publicado“Comunicação, políticas públicas e discursos em conflito”. Heloiza Helena Matos e Nobre teve suas primeiras atividades como docente na alfabetização de alunos na roça do município em que morava, antes de iniciar a Graduação. O desejo deles de receber conhecimentos era tão grande quanto o seu de disponibilizá-los. Principais publicações MARQUES, A. C. S.; MATOS, Heloiza(org.). Comunicação e política: capital social, reconhecimento e deliberação pública. 1. ed. São Paulo: Summus, 2011. 367 p. MATOS, Heloiza. Capital social e Comunicação: interfaces e articulações. 1. ed. São Paulo: Summus, 2009. 277 p. MATOS, Heloiza. Pesquisas em Comunicação pública e política: vertentes teóricas e metodológicas. 1. ed. São Paulo: ECA-USP, 2016. 415 p. MATOS, Heloiza. Comunicação pública: interlocuções, interlocutores e perspectivas. 1. ed. São Paulo: ECA-USP, 2013. 288 p. NOBRE, H. H. M.; GIL, P. G.(org.). Comunicação, políticas públicas e discursos em conflito. 1. ed. São Paulo: ECA-USP, 2019. 543 p. 321 ALICE MITIKA Cristiane Oliveira Reimberg Alice Mitika Koshiyama nasceu em 26 de fevereiro de 1948 em São Paulo(SP). Filha de imigrantes japoneses, seu pai, Asako Koshiyama, chegou ao Brasil em 1929, vindo de Hokkaido. Sua mãe, Matijilo Koshiyama, veio de Tottori em 1933. Grande parte da infância e da adolescência ela viveu na Zona Leste da cidade, onde teve sua formação educacional: o primário no Educandário São Francisco de Assis, nas escolas estaduais Infante Dom Henrique e Domingos Sarmiento. Estudou no Colégio Estadual da Penha buscando preparar-se para o vestibular. Ao concluir o Clássico ingressou, em 1967, na primeira turma de Jornalismo da então Escola de Comunicações Culturais(ECC) da Universidade de São Paulo(USP), que, em 1969, tornou-se Escola de Comunicações e Artes(ECA). Em 1968 também iniciou o curso de História na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras(FFCL), rebatizada de Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas ( FFLCH ) , também na USP. Alice cursava Jornalismo de dia e História à noite e morava no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo(CRUSP). Fazia redação de textos, pesquisas de mercado e frilas para sobreviver. No final de 1968 deixou o CRUSP, esvaziado pela ditadura militar, e, por isso, em 1969 interrompeu o Jornalismo para se organizar financeiramente. Em 1970 voltou para a ECA e formou-se na segunda turma do curso de Jornalismo em 1971. Estagiou no jornal Última Hora, trabalhou na Agência Folha e foi monitora de José Marques de Melo por um ano. 322 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Em 1972 começou a dar aula no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA. A primeira disciplina que ministrou foi História da Editoração, a qual motivou-a a estudar Monteiro Lobato durante o Mestrado em Ciências da Comunicação, que iniciou nesse mesmo ano e era a primeira turma do curso. No mesmo ano concluiu o Bacharelado e a Licenciatura em História. A dissertação de Mestrado –“Monteiro Lobato: empresário, trabalhador, intelectual e ideólogo da indústria do livro no Brasil” –, sob orientação de Virgílio Benjamin Noya Pinto, foi concluída em 1978 e deu origem ao livro“Monteiro Lobato – intelectual, empresário, editor”(2006). Alice substituiu Ciro Marcondes, quando este saiu para o Doutorado na Alemanha, na disciplina de Jornalismo Comparado. Acompanhou o início da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), da qual é a sócia número sete. Em 1980 ingressou no Doutorado em Literatura Brasileira na FFLCH-USP. A tese“O tempo de Levindo: ficção e história no romance de Quarup”, sob orientação de Alfredo Bosi, foi defendida em 1987. Na década seguinte defendeu sua Livre-Docência, que obteve em 1993, com o título“Histórias do jornalismo: das práticas jornalísticas às práticas pedagógicas”. História do jornalismo foi o tema ao qual dedicou-se ao longo de sua carreira dando aula para a Graduação, apesar de ter sido aprovada em concurso para Jornalismo Opinativo. Instituiu disciplinas como Fundamentos Teóricos da História, História do Jornalismo I e História do Jornalismo II. De auxiliar de ensino em 1972, no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA, chegou a associada livre-docente, cargo em que se aposentou em 1998. Mesmo aposentada, continuou atuando como docente na Graduação de Jornalismo. Após afastamento das salas de aulas durante a pandemia de Covid-19, voltou à universidade em 2023 para oferecer disciplina optativa. No Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) atuou como professora-orientadora de 1988 a 2017, ministrando Jornalismo e história: a construção da cidadania, e Jornalismo, história e cidadania: política e estratégias de Comunicação na sociedade capitalista. Também coordenou o Grupo de Pesquisa Jornalismo e a Construção da Cidadania. 323 As pesquisas que realizou ou orientou abordam temas como Comunicação e cidadania, Comunicação e história, história do jornalismo, jornalismo brasileiro, Comunicação dos nikkeis, estudos feministas, história das mulheres jornalistas e censura. Ao longo de sua carreira orientou 23 dissertações de Mestrado e 15 Teses de Doutorado. Na Graduação há o registro de orientação de 79 Trabalhos de Conclusão de Curso. Das publicações que marcaram sua carreira, os principais trabalhos são: o artigo“Técnicas de mascarar interesses”(1996); o livro“Mulheres jornalistas: opções profissionais para a construção da cidadania”(2000); e os capítulos:“Mario Kaplún: como educar o comunicador?”(2013), no livro“Pensar e Comunicar a América Latina”;“Antonio Callado, jornalismo para a cidadania”(2009), no livro“Imprensa brasileira: personagens que fizeram história”; e“Imprensa Nikkey em língua portuguesa: o fenômeno da globalização e o caso da revista Made in Japan”(2008), no livro“A língua portuguesa no Japão”. Alice Mitika Koshiyama recebeu, em 2019, o Prêmio Personalidade Destaque no Ensino de Jornalismo da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo(Abej). Ela dedicou mais de 50 anos ao ensino de Jornalismo na ECA-USP. Principais publicações KOSHIYAMA, A. M. Ensino de jornalismo para os direitos humanos: a aprendizagem com a experiência dos jornalistas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO – INTERCOM, 39., 2016, São Paulo. Anais[...]. São Paulo: Intercom, 2016. KOSHIYAMA, A. M. Mario Kaplún: como educar o comunicador? In: MELO, José Marques de; GOBBI, Maria Cristina; VENTURA, Mauro de Souza(org.). Pensar e comunicar a América Latina. 406. ed. São Paulo: Intercom, 2013. p. 229-248. KOSHIYAMA, A. M. Antonio Callado, jornalismo para a cidadania. In: MELO, José Marques de(org.). Imprensa brasileira: personagens que fizeram história. São Paulo; São Bernardo do Campo, SP: Imprensa Oficial do Estado; Universidade Metodista, 2009. p. 1-288. Vol. 4. KOSHIYAMA, A. M. Imprensa nikkey em língua portuguesa: o fenômeno da globalização e o caso da Revista Made in Japan. In: ARAÚ324 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS JO, Gabriel Antunes de; Pedro Aires(org.). A língua portuguesa no Japão. São Paulo: Paulistana, 2008. p. 1-89. KOSHIYAMA, A. M. Monteiro Lobato – intelectual, empresário, editor. 2. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo – Edusp, 2006. 228 p. V. 1. KOSHIYAMA, A. M. Mulheres jornalistas: opções profissionais para a construção da cidadania. São Paulo: COM-ART, 2000. 78 p. KOSHIYAMA, A. M. Técnicas de mascarar interesses. Revista de Comunicações e Artes, v. 12, n. 15, p. 113-137, 1986. 325 DULCÍLIA BUITONI Rose Mara Pinheiro Dulcília Helena Schroeder Buitoni nasceu em 5 de agosto de 1947 em São Paulo(SP). É filha mais velha de Ricardo Brasilico Paes de Barros Schroeder e de Sylvia Helena Schroeder. É casada com Ademir Buitoni, com quem tem três filhos: Cássia, Lucas e Gláucia. Estudou do jardim de infância ao terceiro colegial no Colégio Notre Dame. Começou a cursar Direito na Universidade de São Paulo(USP) em 1966. Um ano depois iniciou a Graduação em Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes(ECA). Concluiu a Graduação em Direito e em Jornalismo no mesmo ano: 1970. Um ano depois iniciou o Mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas(FFLCH), também na USP, sob orientação de João Alexandre Barbosa. Sua dissertação foi intitulada“O quadrado amoroso. Algumas considerações sobre a narrativa de fotonovela”. Em 1972 iniciou sua carreira docente na Escola de Comunicação e Artes(ECA-USP). Nas décadas de 1970 e 1980, entre inúmeras atividades profissionais, destacam-se suas passagens pelas revistas da Editora Abril, como Capricho, Intervalo, Ilusão, Contigo, Noturno, Carícia, Casa Cláudia e Cláudia, entre outros veículos de Comunicação. Em 1980 avançou na sua pesquisa focando na representação feminina. Defendeu a tese de Doutorado, também com a orientação de João Alexandre Barbosa, com o título“Mulher de papel – a representação da mulher na imprensa feminina brasileira”, e em 1986 a Livre-Docência, com o trabalho“Texto-documentário: espaço e sentidos”. É membro 326 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero (NEMGE), da USP, desde 1985. No âmbito da gestão fez parte da Comissão de Pós-Graduação da ECA, sendo vice-presidente por dois mandatos entre os anos de 1985 e 1989, quando ajudou a ampliar o número de membros e a representatividade de todos os cursos. Em 1993 e 2000 foi professora visitante na Facultad de Ciencias de la Comunicación da Universidad Autónoma de Barcelona(UAB). Em 1994 passou a coordenar o convênio USP/UAB, que realizava intercâmbio de professores. Foi chefe do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECAUSP de 1994 a 1998. De 2009 a 2012 foi coordenadora do Grupo de Pesquisa Fotografia da Sociedade Brasileira para os Estudos da Comunicação(Intercom) e editora da revista Líbero, do Programa de Pós-Graduação da Faculdade Cásper Líbero. Foi professora permanente do Mestrado em Comunicação na Contemporaneidade da Faculdade Cásper Líbero de 2006 a 2015, quando criou e coordenou o grupo de pesquisa Comunicação e Cultura Visual. Em 2016 recebeu o Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo como pesquisadora sênior, conferido pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor). De 2017 a 2018 foi professora do Mestrado Profissional em Produção Jornalística e Mercado da Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM). A partir de 2020 é professora sênior do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, onde ministra a disciplina Estudos Visuais: elementos para análise de visualidades brasileiras em jornais, revistas e livros. Ao longo de mais de 30 anos na ECA, onde desenvolveu a sua carreira acadêmica, desempenhou inúmeras atividades tanto administrativas quanto de ensino, pesquisa e extensão, tendo orientado e participado de mais de cem teses e dissertações. Foi coordenadora de diversos projetos e atuou como representante nos conselhos superiores e membro dos colegiados e direção de Departamentos da ECA. Sua contribuição acadêmica sobre a imprensa feminina resultou em duas edições do livro“Mulher de papel: a representação da mulher pela imprensa feminina brasileira”(1981 e 2009). Esse tema também fundamentou suas primeiras disciplinas na Pós-Graduação da ECA. 327 Outra referência é fruto de suas pesquisas sobre as pedagogias da educação infantil a partir da tese de livre-docência, marcando sua contribuição para a relação Comunicação e Educação, com as publicações de“Quintal mágico: educação arte na pré-escola” (1988) e“De volta ao quintal mágico: a educação infantil na TeArte”(2006). Por fim, o livro“Fotografia e jornalismo: informação pela imagem”(2011), é resultado de suas pesquisas sobre fotografia, imagens jornalísticas e documentário, que ocupam grande espaço em suas produções acadêmicas Os estudos e análises sobre a imagens e suas narrativas compõem suas mais recentes contribuições, como a construção de conceito do embrião narrativo, que permite interpretar a imagem relacionando passado e futuro, e a discussão sobre a imagem complexa, sua relação com a arte e com a subjetividade. A inquietação e a generosidade são características que marcam a trajetória de Dulcília Buitoni, aberta para aprender e compartilhar conhecimento, num movimento dinâmico e coletivo, com a crença perene na educação e no jornalismo como elementos de transformação da sociedade. Principais publicações BUITONI, Dulcília Helena Schroeder. Mulher de papel: a representação da mulher pela imprensa feminina brasileira. São Paulo: Edições Loyola, 1981. BUITONI, Dulcília Helena Schroeder. Mulher de papel: a representação da mulher pela imprensa feminina brasileira. São Paulo: Summus Editorial, 2009. BUITONI, Dulcília Helena Schroeder. Quintal mágico: educação arte na pré-escola. São Paulo: Brasiliense, 1988. BUITONI, Dulcília Helena Schroeder. De volta ao quintal mágico: a educação infantil na Te-Arte. São Paulo: Ágora, 2006. BUITONI, Dulcília Helena Schroeder. Fotografia e jornalismo: informação pela imagem. São Paulo: Saraiva, 2011. 328 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste SONIA LUYTEN Waldomiro Vergueiro Sonia Maria Bibe Luyten nasceu em 1948 em São Paulo(SP). É filha de Maria Di Monaco Bibe e de David Bibe. Casou-se com Joseph Luyten e tem três filhas. Estudou na Escola Estadual Rodrigues Alves, onde completou o curso primário. O Ginásio e o Colegial foram cursados no Colégio Nossa Senhora do Rosário. Fez Jornalismo na Faculdade Casper Líbero, em São Paulo, de 1967 a 1971. Ainda na Graduação, começou a trabalhar, em 1967, na Associated Press. Em seguida entrou para o Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo para ser tradutora de quadrinhos. Para o primeiro jornal traduziu as tiras de Peanuts, AC e Wizard of Id e Andy Capp( Zé do Boné, no Brasil); para o segundo jornal traduziu, entre outras, as histórias de Tintin. Com o trabalho de tradutora, surgiu a oportunidade de traduzir quadrinhos para outras editoras, incluindo as histórias de Robert Crumb para a revista Grilo. Terminado o curso de Jornalismo em 1971, no ano seguinte começou a atuar na docência, inicialmente nas Faculdade Integradas Alcântara Machado(FIAM), onde ministrou Introdução à Editoração, Fundamentos Científicos da Comunicação e Introdução ao Jornalismo e Editoração. Permaneceu na FIAM até 1975. Em 1972 recebeu um convite para ministrar uma disciplina de histórias em quadrinhos na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA/USP). Foi seu ingresso como docente na Escola, onde permaneceu até 1984. A disciplina segue ativa. Também atuou em outras Instituições durante esse período, como a Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM, 1975329 1977), Universidade Paulista(UNIP, 1976), Fundação Armando Álvares Penteado(FAAP, 1977), Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero(1978), Escola de Artes Rian(1982-1983), além de ter atuado na Assessoria de Imprensa da Glasslite S.A. Indústria de Plásticos(1981-1982). Juntamente ao ingresso na ECA, Sonia iniciou seus estudos de PósGraduação. Foi orientada no Mestrado por Freitas Nobre no curso de Direito Autoral, mas, com seu afastamento por motivos políticos, ingressou no Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação, sendo orientada por Egon Schaden. Concluiu sua dissertação, intitulada“O papel da Comunicação na aculturação dos holandeses no Paraná” em 1979. A partir do curso de Pós-Graduação e das diversas atividades na ECA – participação em comissões, editoria do Jornal do Campus, coordenação do curso de Editoração, entre outras –, Sonia enfronhase cada vez mais no campo científico das histórias em quadrinhos. Foi nesse período que, em 1977, engendrou a revista experimental Quadreca, que compunha junto com os alunos da disciplina de Editoração de Histórias em Quadrinhos. Sonia fundou, também, uma gibiteca, o primeiro museu de quadrinhos do Brasil, chamado Júlio de Mesquita Filho, devido à doação realizada por ele, cujo acervo foi, posteriormente, repassado à biblioteca da Escola. Participou de eventos de quadrinhos como o Congresso de HQ de Avaré, onde apresentou seu primeiro paper referente aos mangás. Além disso, elaborou e publicou a Coleção Primeiros Passos no volume O que é história em quadrinhos(1993). Em 1980 ingressou no Doutorado na ECA, orientada, inicialmente, por Hiroshi Saito, mas, com seu falecimento, passou a ser orientada por Virgílio Noya Pinto. Sua tese foi concluída em 1988 e teve como título“O poder de difusão das histórias em quadrinhos japonesas como reflexo da sociedade nipônica”. Recebeu o Prêmio Romano Calisi de melhor tese acadêmica sobre histórias em quadrinhos no Festival Internacional de Quadrinhos de Lucca, Itália. A tese, publicada em livro em 1990 com o título Mangá: o poder dos quadrinhos japoneses, recebeu, no ano seguinte, o prêmio HQ-Mix de“Melhor Livro Teórico” sobre quadrinhos. Teve, posteriormente, mais duas edições, em 2002 e 2012. Em 1984 aceitou o convite da Osaka Gaidai – Universidade de Estudos Estrangeiros de Osaka, Japão – para atuar como visitante, 330 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS lecionando disciplinas como Cultura e Literatura Brasileira, Redação e Português como segunda língua. Ali permaneceu até o final de 1987, transferindo-se, no ano seguinte, para a Tokyo Gaidai – Universidade de Estudos Estrangeiros, onde continuou lecionando as mesmas disciplinas até 1990. Nesse ano esteve ligada à Universidade de Tsukuba, onde ministrou disciplina de Cultura Comparada por meio das Histórias em Quadrinhos. Em 1985 lançou o livro Histórias em quadrinhos: leitura crítica, que organizou a partir das colaborações de alunos e colegas na disciplina de Pós-Graduação que ministrou sobre quadrinhos na ECA-USP. De 1991 a 1996 trabalhou na Holanda, na Teikyo University Holland, em Maastricht(1991-1992), onde ministrou Seminários em Comunicação e Cultura Comparada, e depois na Universidade Real de Utrecht(1993-1996), onde dedicou-se a disciplinas como Cultura Brasileira(1993/96), Negros e Mulatos na Literatura Brasileira (1994/96) e Índios e Caboclos na Literatura Brasileira(1994/96). De 1998 a 1999, ainda residindo na Holanda, foi professora visitante na Universidade de Poitiers, França, onde ministrou Literatura Oral e Vínculos entre a literatura popular e as histórias em quadrinhos. A convite do Festival de Haarlem, ministrou palestra no museu de Artes e Ciências Tylers Museum, abordando o tema“Os quadrinhos como a forma de arte mais importante do século XX”. Na Holanda foi uma das curadoras, na Embaixada Brasileira em Haia, da mostra do artista ítalo-brasileiro Angelo Agostini. Fez várias curadorias no Festival de Quadrinhos de Amadora, Portugal, ao qual se manteve ligada desde então. No ano 2000 retornou definitivamente ao Brasil. Depois de rápida passagem pela Universidade Dinâmica Cataratas, em Foz do Iguaçu, foi contratada pela Universidade Católica de Santos(Unisantos) em 2001, onde permaneceu até 2005. No Brasil intensificou suas atividades na área de histórias em quadrinhos, organizando livros como Cultura Pop e mangá(2003) e Cultura Pop japonesa: mangá e animê(2005), elaborando capítulos de livros e produzindo muitos artigos, além de assumir a coordenação da Comissão de Teses do Prêmio HQ-Mix e participar ou presidir júris de festivais de quadrinhos. O reconhecimento de sua contribuição à área foi expresso por meio de diversos prêmios, como o de“Apoio ao Mangá, o quadrinho japonês”, da Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Animê(Abrademi), em 2001; 331 “Atuação relevante em prol do Humor Gráfico”, da Associação dos Cartunistas de Pernambuco(Acape), em 2004; Prêmio Ângelo Agostini como“Mestre do Quadrinho Nacional”, da Associação dos Cartunistas do Brasil, em 2006; Honra ao Mérito, como“Pioneira pelos Estudos Acadêmicos Cultura Pop japonesa”, do Ministério de Negócios Estrangeiros do Japão; o Troféu HQ Mix, da Associação dos Cartunistas do Brasil, ambos em 2008; e o prêmio por“Trabalho, empenho e estudos dedicados à área de Histórias em quadrinhos”, concedido pela Prefeitura de Santos em 2018. Sonia Maria Bibe Luyten representa um marco nos estudos de histórias em quadrinhos no Brasil sob o ponto de vista do campo científico da Comunicação; não apenas porque esteve entre os primeiros pesquisadores da área, mas também por ter optado por um enfoque muito específico do tema – o dos quadrinhos japoneses. Foi uma pioneira nos estudos da área, colaborando substancialmente para o reconhecimento e a afirmação dos estudos de quadrinhos( comics studies) no país. Principais publicações LUYTEN, Sonia. Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses. São Paulo: Editora Estação Liberdade, 1990. LUYTEN, Sonia. O que é história em quadrinhos. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1993. LUYTEN, Sonia. Histórias em quadrinhos: leitura crítica. 3. ed. São Paulo: Editora Paulinas, 1989. LUYTEN, Sonia et al. Cultura Pop japonesa: mangá e animê. São Paulo: Hedra, 2005. LUYTEN, Sonia et al. Cultura Pop e mangá. 1. ed. São Paulo: Prancheta, 2003. LUYTEN, Sonia. Comunicação e Aculturação. São Paulo: Editora Loyola, 1981. 332 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste MARIA NAZARETH Gabriela Cleveston Gelain Maria Nazareth Ferreira nasceu em 9 de janeiro de 1936 em Lambari(MG). Realizou os cursos ginasial e colegial no Ginásio Olegário de Barros. Chegou a São Paulo em 1962, onde trabalhou como vendedora e em 1966 passou a atuar na biblioteca da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas. Em meados de 1966 foi aprovada nos cursos de Biblioteconomia e Documentação e de História na Universidade de São Paulo(USP), cursando o primeiro pela manhã, na Escola de Comunicações e Artes(ECA), e o segundo à tarde. Concluiu a Graduação em Biblioteconomia em 1970 e em 1972 finalizou o curso de História. Ainda em 1970 assumiu o projeto e criação de um centro de documentação sobre América Latina no recém-criado Centro Brasileiro de Análise e Planejamento(Cebrap), fundado em 1969 por professores aposentados compulsoriamente pela ditadura. No Cebrap criou uma editora e a revista Estudos Cebrap, coordenando, também, uma rede de intercâmbio cultural com diversos países. Permaneceu no Cebrap até ser admitida como docente no Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa(RDIDP) na ECAUSP. A partir de 1973 atuou como assistente do professor Virgílio Benjamin Noya Pinto. No mesmo período do Cebrap lecionou Teoria da Comunicação por três anos na Faculdade I.D.E.A.L, além de dar aulas na Faculdade de Arquitetura de São José dos Campos. Em 1978 foi aprovada no curso de Pós-Graduação em Ciência Política na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, sob orientação 333 de Lúcio Kowarick. Antes de concluir a pesquisa foi convidada a compor um grupo de 19 professores de 10 países para um curso de Especialização em Pesquisa e Planejamento da Comunicação no Equador, como representante da ECA. Durante sua estada no Equador, em 1982, foi convidada a lecionar na recém-criada Escola de Ciências da Informação da Universidad Central del Ecuador. No mesmo ano concluiu uma Especialização em Comunicação na Facultad de Economía da Pontificia Universidad Católica del Ecuador, após já ter feito, em 1981, uma Especialização em Comunicação no Ciespal. Concluiu o Mestrado em Ciências da Comunicação na ECA em 1976, com a dissertação Imprensa e Sociedade: o trabalhador gráfico, orientada por Virgílio B. Noya Pinto. Seu Doutorado, no mesmo Programa, foi defendido em 1987 com a tese Manabí: história e Comunicação através de sua literatura, sob a mesma orientação. Ainda em 1987 realizou outra Especialização em Comunicação na Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños, em Cuba, como bolsista. Em 1996 fundou o Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação(CELACC-USP), núcleo de pesquisa sobre Meios de Comunicação, Produção Cultural e Sociedade; Metodologias de Pesquisa em Comunicação e Artes; Comunicação Sindical; Cultura e Comunicação na América Latina; Teorias e Epistemologias da Comunicação; Festas Populares; e Comunicação Subalterna. Os desdobramentos dessas pesquisas impulsionaram a criação dos cursos de Pós-Graduação do CELACC: Gestão de Projetos Culturais, Mídia, Informação e Cultura e Cultura, Educação e Relações Étnico-Raciais. Entre 1987 e 1988 foi professora colaboradora na Universitè Cheik Anta Diop(UCAD), no Senegal. Posteriormente, em 1994, também ministrou aulas na Universidad Iberoamericana do México como professora colaboradora. Em 1995 foi professora pesquisadora na Associazione Macondo, na Itália, com a disciplina Cultura Subalterna e Globalizzazione en América Latina. Também esteve em estágio pós-doutoral na Università degli Studio la Sapienza di Roma, na Itália, entre 1995 e 1998, e na USP, no mesmo ano. Em 2003 foi professora colaboradora na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio), onde ministrou disciplinas no curso de Pós-Graduação em Comunicação e Imagem, com 334 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS destaque para Metodologia da Pesquisa. Foi, ainda, professora visitante na Universidad de Cuenca(Equador, 1998), Universidad Iberoamericana(México, 1994) e na Escuela Internacional de Cine y TV de Cuba(1988). No Brasil atuou como conferencista e colaboradora em diversas instituições, como a Universidade Estadual de Londrina(UEL), a Universidade Federal de Goiás(UFG), a Faculdade Anhembi Morumbi e no Serviço à Pastoral da Comunicação(Sepac), entre os anos 1990 e 2000. Entre 2006 e 2009 coordenou o projeto de pesquisa Festas Populares, Resistência e Cidadania, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que investigou festas populares brasileiras como expressões culturais capazes de fortalecer identidades, vínculos comunitários e práticas de cidadania entre classes subalternas. Maria Nazareth Ferreira faleceu em 11 de abril de 2016 na cidade do Rio de Janeiro, deixando um legado marcado pela sensibilidade política, pelo rigor acadêmico e pelo compromisso com as culturas subalternas latino-americanas. Principais publicações FERREIRA, M. N. A imprensa operária no Brasil: 1880 a 1920. Petrópolis: Vozes, 1978. FERREIRA, M. N. Comunicação, resistência e cidadania: as festas populares. Comunicação& Política, v. 24, p. 61-71, 2006. FERREIRA, M. N. Assessorias especializadas sobre movimentos sociais e sindicais. Revista do Sindicato de Jornalista de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2005. FERREIRA, M. N. Globalizar a luta para globalizar a esperança. Comunicação& Política, Rio de Janeiro, RJ, v. 23, n. 3, 2005. FERREIRA, M. N. A cultura como instrumento de integração latino-americana.. Comunicação& Política, Rio de Janeiro, v. VII, n.3, p. 85-90, 2001. FERREIRA, M. N. A festa como objeto de estudo: uma introdução. Extraprensa, São Paulo: Celacc: ECA-USP, v. 8, p. 14-22, out. 2000. 335 ANNA MARIA BALOGH Maria Amélia Paiva Abrão Anna Maria Balogh nasceu em 4 de julho de 1945 em Bad Reichenhall-Alemanha, mas mudou-se ainda criança para o Brasil e naturalizou-se brasileira. É filha de Theresia Anna Balogh e Peter Janos Balogh. Cursou o Ensino Fundamental no Colégio Juvenal Müller no Rio Grande do Sul e, já no Ensino Médio, mudou-se para São Paulo (SP), onde estudou nos colégios Liceu Eduardo Prado e Mackenzie. Em 1966 inicia o Bacharelado e Licenciatura em Letras(Português e Espanhol) na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo(USP). Finalizada a Graduação, muda-se para Madrid, Espanha, para realizar o curso Hispano-Brasileiro no Instituto de Cultura Hispânica(ICH), que lhe garante o diploma de PrGraduação, mudagía Española em 1971. Em junho desse ano cursou os Estudos de Literatura Infantil Iberoamericana no Instituto de Cultura Hispânica-Madrid(ICHM). Começa o Doutorado em Literaturas Estrangeiras Modernas na Universidad Complutense de Madrid(UCM) com bolsa do ICHM. Regressa ao Brasil e permanece com a pesquisa de Doutoramento a distância, cuja tese,“El Concepto de Poesia en la Obra de Octavio Paz”, foi defendida em 1979. Realiza Mestrado em Ciências da Comunicação em concomitância com o Doutorado. Dessa forma, em 1975 inicia seus estudos na Escola de Comunicações e Artes(ECA-USP), sob orientação do Eduardo Peñuela Cañizal e defende a dissertação, intitulada“Vidas Secas” em 1980. Antes disso, em 1973 passa a lecionar no Curso Superior de Letras, Tradutores e Intérpretes da Faculdade Iberoamericana de Letras 336 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS e Ciências Humanas. Em maio de 1974 inicia como professora assistente no Departamento Cinema, Televisão e Rádio(CTR) da ECA, além de lecionar na Universidade Mackenzie nos cursos de Comunicação e Artes e no de Desenho Industrial e Arquitetura no ano de 1978. Em 1980 é aprovada no concurso do CTR para a disciplina “Semiologia da Imagem”, e passa a lecionar em Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa. Dentre as disciplinas ministradas estão: Linguagem de TV, Direção e Produção e Redação em TV. Ademais, a docente ministrou a disciplina Semiótica da Narrativa para Cinema e TV na Escuela Internacional de Cine y Television de San Antonio de Banos, Cuba, em 1987. Orientou alunos em uma pesquisa requerida pela Revista Veja para monitorar e contabilizar, ao longo de uma semana, cenas de nudez, erotismo e violência mostradas na televisão brasileira. O resultado da pesquisa foi apresentado no artigo“Sexo, socos e babás”, na edição de 4 de julho de 1990. Dedicou-se aos estudos de Linguagens da Ficção televisiva seriada e do Cinema. Sua pesquisa para a Livre-Docência,“Adaptações, Conjunções, Disjunções, Transmutações: do literário ao fílmico”, foi contemplada com bolsa Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes-1989) e publicada no formato de livro. Sua linha de atuação era a“Configuração de Linguagens e produtos audiovisuais na cultura midiática”. Em 1994 foi para a França para realizar o Pós-Doutorado na Université Stendhal em Grenoble. Ao longo de sua trajetória foi chefe do CTR e vice-chefe da RTV em 1989, tendo atuado na Graduação e Pós-Graduação entre 1974 e 1999. Em 2000 tornou-se professora titular do Programa de PósGraduação em Comunicação(PPGCOM) da Universidade Paulista (UNIP), ministrando as disciplinas“Tempo e Espaço na Expressão Mediática” e“Intertextualidade na Cultura Midiática”. Reconhecida por suas pesquisas sobre ficção seriada, Balogh é convidada a integrar a Rede de Pesquisadores em Ficção Televisiva (Obitel Brasil), coordenada por Maria Immacolata Vassallo de Lopes. No ano seguinte criou a equipe Obitel UNIP, cujo trabalho resultou no capítulo“As astúcias da linguagem na narrativa seriada” do Anuário do Obitel. Dentre as atividades realizadas na UNIP, destacam-se o apoio à reestruturação do PPGCOM em 2002 e a contribuição à redação 337 da proposta de Doutorado em 2007. Deixou o PPGCOM da UNIP em meados da década de 2010. Balogh foi membro do Centro de Estudos Semióticos, responsável pela criação da revista Significação – Revista Brasileira de Semiótica, da Associação Brasileira de Semiótica(ABS) e do Grupo de Estudos sobre o Tempo – equipe interdisciplinar que reunia professores de diversas áreas da USP – pertencente ao Grupo de Estudos Avançados(GEA). Balogh possui vasta produção bibliográfica voltada para a televisão e para o cinema, o que evidencia o caráter interdisciplinar do Campo da Comunicação, que se aproxima da linguística para uma visão mais ampla sobre a produção audiovisual brasileira, percorrendo os componentes verbais e visuais de um texto. O livro publicado em 1996 e reeditado em 2005, intitulado “Conjunções, disjunções, transmutações: da literatura ao cinema e a TV”, trata das narrativas adaptadas e transformadas ao migrarem da literatura para o cinema e/ou televisão. O livro“O discurso ficcional na TV: sedução e sonho em doses homeopáticas”, lançado em 2002, é o resultado de suas atividades de pesquisa e ensino. Dentre os artigos destaca-se:“O Perfume de Mulher nas Minisséries Brasileiras” publicado em 2005;“Televisão: ficção seriada e intertextualidade” publicado em 2007; e“Poética da imagem e TV: vinhetas de abertura e encerramento em programas ficcionais brasileiros”, publicado em 2015. Anna Maria Balogh foi uma das precursoras ao investigar a ficção televisiva seriada e o cinema, objetos considerados irrelevantes quando adentrara ao campo. Sua produção investiga os sentidos dos textos e das imagens por meio da inter-relação entre linguagem, semiótica, narratologia e Comunicação. Principais publicações BALOGH, Anna Maria. Conjunções, disjunções, transmutações: da literatura ao cinema e a TV. São Paulo: Editora USP, 1996. BALOGH, Anna Maria. O discurso ficcional na TV: sedução e sonho em doses homeopáticas. São Paulo: Editora USP, 2002. BALOGH, Anna Maria. Entrevista: Anna Maria Balogh analisa séries e minisséries brasileiras. Entrevista concedida à Globo Universidade em 22 nov. 2011. Disponível em: https://www.eca.usp.br/acervo/ producao-academica/002247204.pdf 338 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS BALOGH, Anna Maria. O perfume de mulher nas minisséries brasileiras. Significação, v. 32, n. 24, p. 9-21, 2005. Disponível em: https://revistas.usp.br/significacao/article/view/90547 BALOGH, Anna Maria. Poética da imagem e TV: vinhetas de abertura e encerramento em programas ficcionais brasileiros. Rumores, v. 9 n. 17, p. 44-64, 2015. Disponível em: https://revistas.usp.br/ Rumores/article/view/88630 BALOGH, Anna Maria. Televisão: ficção seriada e intertextualidade. Comunicação& Educação, ano XII, n. 3, p. 43-49, 2007. Disponível em: https://revistas.usp.br/comueduc/article/view/37657 339 MARIA BACCEGA Roseli Figaro Maria Aparecida Baccega nasceu em 14 de abril de 1943 em Ribeirão Preto(SP). É filha de Graziella Fazio e Gaetano Baccega, imigrantes italianos. Frequentou o grupo escolar Instituto de Educação Otoniel Mota e depois estudou no Ginásio Estadual da cidade. Fez o Curso Normal e depois a Graduação em Direito na Faculdade de Direito Laudo de Camargo, em Ribeirão Preto. Entre 1963 e 1964, enquanto cursava Direito, trabalhou, em Brasília, com Paulo Freire, na organização dos círculos de cultura, o que foi interrompido pelo Golpe Civil-Militar. Ainda neste período foi professora de escola de fazenda e também atuou na Escola do Serviço Social da Indústria(Sesi) em Ribeirão Preto. Terminada a faculdade, foi para São Paulo fazer Pós-Graduação em Direito, mas desistiu. Faz vestibular para Letras e entra no curso na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas(FFLCH) da Universidade de São Paulo(USP), no entanto não pode cursar: o AI-5 leva-a, com seu companheiro Granville, à prisão. Baccega, como era conhecida, foi professora no Sesi e no Colégio e Escola Normal Antônio Raposo Tavares(Ceneart), ambas em Osasco. Lecionava para atender à demanda por qualificação dos operários, entre os quais jovens em idade escolar. Teve destacada participação na luta operária. Voltou à USP para cursar Letras em 1972. Dois anos depois transferese para o recém-criado curso de Linguística e também atua como professora de Português em outras instituições de ensino da cidade de São Paulo. Entre 1976 e 1977 foi professora assistente voluntária no curso de Linguística da FFLCH. 340 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Em 1978 Baccega presta concurso interno para cargo de professora de Comunicação Linguística na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Na ECA ela apaixona-se pela Comunicação e trabalha com Comunicação e Linguagem até sua aposentadoria em 2003. O Mestrado e o Doutorado foram feitos nos anos de 1980. Em 1981 a dissertação trata das“Redações de vestibulandos: valores inculcados e desempenho linguístico”, orientada por Maria Aparecida Barbosa. No Doutorado, concluído em 1986, a tese trata do romance angolano“Mayombe: ficção e história(uma leitura em movimento)”, orientada por Benjamin Abdala Júnior. A LivreDocência foi obtida em 1991, com o trabalho“Comunicação, ficção e história: a construção da literatura angolana”. No Departamento de Comunicações e Artes(CCA) foi professora e chefe de Departamento durante duas gestões(1992-1996). Em 1993 fundou o curso de Especialização lato sensu Gestão de Processos Comunicacionais, e, em 1994, a Revista Comunicação& Educação. A pesquisa esteve presente na sua vida acadêmica desde as aulas de Graduação, cujos alunos entrevistaram pessoas sobre os sentidos que aprendiam dos meios de Comunicação a que tinham acesso. Praticava com os alunos os estudos de recepção ao estudar todo o processo comunicacional – do veículo, do produto aos sentidos apreendidos pelos cidadãos. Foi a primeira a discutir o signo ideológico ensinado por Volochinov/Bakhtin, trazendo para a PósGraduação a concepção da relevância da filosofia da linguagem e da análise do discurso. Contribuiu decisivamente para a criação do Centro de Estudos em Telenovela na ECA-USP. A Revista Veja publicou entrevista com Baccega, nas“páginas amarelas”, sobre a telenovela ser estudada na USP. À época, defendeu seu estudo afirmando que“novela é cultura”. Permaneceu como pesquisadora do Observatório de telenovela, que ajudou a fundar, até sua morte em 2020. O tema da Comunicação/educação foi o que mais recebeu contribuições de Baccega. Atuou como uma das lideranças do que veio, posteriormente, a ser denominado de curso de Licenciatura em EduComunicação, instituído no CCA em 2011. Foi convidada a contribuir com a organização do curso de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo(ESPM). Depois de aposentada na USP, em 2003 transferiu-se para a ESPM, onde permaneceu até 2019. 341 Na ESPM, além de contribuir decisivamente para a aprovação do Mestrado, também ajudou a fundar a Revista Comunicação, Mídia e Consumo e, posteriormente, o grupo de pesquisa Comunicação, Educação e Consumo, o qual estrutura a Cátedra Maria Aparecida Baccega. Ela foi homenageada na cerimônia dos 50 anos do CCA em 2016 e pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) com dois prêmios: Luiz Beltrão de Grupo Inovador de Pesquisa em 1999 e de Maturidade Acadêmica em 2013. Ela também recebeu homenagens, em 2015, por ocasião do Jubileu de Prata de associação à entidade. Em 2010 o Núcleo de Comunicação e Educação(NCE) da USP outorgou à professora Baccega o prêmio“Mariazinha Fusari de EduComunicação”. Em 2018 o mesmo núcleo outorgou outra comenda a ela, celebrando os mais de 20 anos de contribuição da Revista Comunicação& Educação ao campo da EduComunicação. Maria Aparecida Baccega formou 29 mestres, 18 doutores, 35 especialistas, entre outras orientações. Publicou mais de 70 artigos científicos, 29 livros, 61 capítulos de livros e outras publicações em anais de eventos científicos, artigos em jornais e revistas de divulgação. Sua contribuição para o campo da Comunicação é muito expressiva. Principais publicações BACCEGA, M. A. Palavra e discurso: história e literatura. São Paulo: Editora Ática, 1995. 90 p. BACCEGA, M. A. Comunicação e linguagem: discursos e ciência. São Paulo: Editora Moderna, 1998. 127 p. V. 1. BACCEGA, M. A. Gestão de processos comunicacionais. São Paulo: Editora Atlas, 2002. 179 p. V. 1. BACCEGA, M. A. Comunicação e culturas do consumo. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008. 229 p. V. 1. BACCEGA, M. A. Estudos de Comunicação e análise do discurso: teoria e prática. 1. ed. São Paulo: Intermeios, 2015. BACCEGA, Maria Aparecida. Do mundo editado à edição do mundo. Comunicação& Educação, v. 24, n. 2, p. 7-11, 2019. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2316-9125.v24i2p7-11 342 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste JEANNE MARIE Mayra Rodrigues Gomes Jeanne Marie Machado de Freitas nasceu em 12 de maio de 1931 em Jaraguá(GO). É filha de Clotário de Freitas e de Graciema Machado de Freitas. Esteve sob tutoria de dominicanas, de salesianas e, mais tarde, completou seus estudos no Colégio Santa Marcelina em São Paulo. Formou-se e voltou para Goiás onde atuou no ensino básico e introduziu melhorias em várias escolas rurais, trabalhando por melhores condições de ensino. Retornou a São Paulo para prosseguir seus estudos, quando conheceu Sebastião Interlandi, na Universidade de São Paulo(USP), com o qual teve quatro filhos: Saulo, Sebastião, Silvio e Antônio, e três netos: Gerônimo, Maria e Maria Julia. Na USP, em 1951, completou a Graduação em Farmácia e Bioquímica. Posteriormente, em 1970, obteve a Graduação em Jornalismo e, concomitantemente, em 1971, o Bacharelado em Ciências Sociais. No ano seguinte realizou formação em psicanálise e, mais tarde, integrou o grupo fundador do Centro de Estudos Freudianos. Depois da diplomação nesses cursos, dedicou-se ao campo da Comunicação, com o Mestrado em 1979 e o Doutorado em 1986, ambos em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes(ECA/USP). Foi nesse período que participou de levantes contra a ditadura militar. Em 1978 começou a lecionar como professora assistente junto ao Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA, e no mesmo período foi funcionária da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, de 1983 a 1989. Esteve como Visiting 343 Scholar na Graduate School of Journalism, da Columbia University, na cidade de New York, com Bolsa de Pós-Doutorado Fulbrigh/ Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em 1992. Tornou-se professora livre-docente da ECA, junto ao Departamento de Jornalismo de Editoração, em 1989, e professora titular em 1992, contribuindo no campo das Ciências da Linguagem na interface com a Comunicação. No âmbito do Programa de PósGraduação em Comunicação(PPGCOM/ ECA) coordenou o grupo de Estudos em Ciências da Linguagem, que congregava professoras do Departamento, alunos de Pós-Graduação e orientandos. Jeanne Marie deixou várias publicações que são representativas de seus estudos, de suas pesquisas, das aulas que ministrava e dos aportes teóricos em que se firmava. Entre eles destacam-se:“Jornalismo, a busca de um destino”(1992);“Discurso jornalístico e discurso republicano”(1993);“Ciências da linguagem: contribuição para o estudo dos mídias”(1996). Dentre seus livros podem ser citados: “Os primeiro de maio(política, ideologia inconsciente)”(1988); “Bemaldivida”(1992); e“Comunicação e Psicanálise”(1992). Jeanne Marie Machado de Freitas deixou um exemplo bemsucedido da árdua tarefa de cruzar conceitos de diferentes campos de saber com o objetivo de obter captações e análises mais refinadas. Ainda assim pesa positivamente na balança o fato de ter fundado uma linha de pesquisa inovadora que tem a psicanálise como eixo fundante. Jeanne Marie faleceu em São Paulo em 12 de junho de 2009. Principais publicações FREITAS, J. M. M. Os primeiro de maio(política, ideologia inconsciente). 1. ed. São Paulo: USP, 1988. 192 p. V. 1. FREITAS, J. M. M. Bemaldivida. 1. ed. São Paulo: Edusp, 1992. 114 p. V. 1. FREITAS, J. M. M. Comunicação e psicanálise. 1. ed. São Paulo: Escuta, 1992. 136 p. FREITAS, J. M. M. Jornalismo, a busca de um destino. Anuário Brasileiro de Pesquisa em Jornalismo, São Paulo, v. 1, p. 153-165, 1993. 344 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS FREITAS, J. M. M. Discurso jornalístico e discurso republicano. Anuário Brasileiro de Pesquisa em Jornalismo, São Paulo, v. 2, p. 7-12, 1993. FREITAS, J. M. M. Ciências da linguagem: contribuição para o estudo dos mídias. Revista Comunicações e Artes, São Paulo, v. 29, p. 11-23, 1996. 345 MARGARIDA KUNSCH Maria Aparecida Ferrari Margarida Maria Krohling Kunsch nasceu em 5 de janeiro de 1947 em Domingos Martins(ES). É uma dos nove filhos do casal João Pedro Krohling e Maria Margarida Thomas. Sua educação básica foi realizada no Ginásio Jesus Cristo Rei, e seguiu seus estudos na Escola Normal Nossa Senhora Rainha, ambas as instituições em Cachoeiro do Itapemirim(ES). Aos 23 anos foi morar em São Paulo(SP), onde trabalhou como auxiliar de Relações Públicas para o Hospital Albert Einstein, e, em seguida, como contato de Publicidade na Albeisa do Brasil, editora do Cadastro Delta/Anuário. Em 1973 passou no vestibular para cursar Relações Públicas, da, à época, chamada Faculdade de Comunicação Social Anhembi. A partir de 1974 trabalhou na Cia. Pereira Barreto de Automóveis como auxiliar de Relações Públicas. Ao finalizar o curso de Relações Públicas, passou a trabalhar como docente em várias instituições de ensino, como a Organização Mogiana de Educação e Cultura, em Mogi das Cruzes, entre 1977 e 1979. Em 1978 começou a lecionar na Faculdade de Turismo de Santo Amaro, chegando ao cargo de coordenadora de curso. Neste mesmo ano inicia sua trajetória na Universidade Metodista de São Paulo, permanecendo por 11 anos como professora e, mais tarde, assumindo a coordenação do curso de Relações Públicas (1981-1984). Também lecionou no curso de Relações Públicas da Faculdade Casper Líbero entre 1984 e 1988. Em 1979, aprovada em concurso público, passou a ser docente em tempo integral na Escola de Comunicações e Artes(ECA) da Universidade de São Paulo(USP). 346 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Na ECA realizou seu Mestrado em Ciências da Comunicação sob a orientação de Cândido Teobaldo de Souza Andrade, com a dissertação“Planejamento de relações públicas: em função da Comunicação integrada nas organizações sociais”(1979-1985). O título de Doutorado veio em 1991, no mesmo Programa de Ciências da Comunicação, com a tese“Universidade e Comunicação na edificação da sociedade”, orientada por Sarah Chucid Da Viá. Em 1996 defendeu sua Livre-Docência na ECA com o projeto“As relações públicas e suas interfaces com a Comunicação organizacional no Brasil”. Obteve o título de professora titular da instituição em 2005, com a apresentação do trabalho“Relações públicas e Comunicação organizacional: interfaces e perspectivas como campos acadêmicos de estudos?” Em 22 de novembro de 2022 foi homenageada com o título de professora emérita por sua trajetória profissional e acadêmica e notável produção científica, principalmente na área das Relações Públicas. Na Graduação orientou 55 Trabalhos de Conclusão de Cursos e 47 projetos de iniciação científica até 2022. Com 16 projetos de pesquisa já concluídos, tem desenvolvido cinco projetos de pesquisa e cinco de extensão. Produziu seu primeiro livro em 1986, “Planejamento de relações públicas na Comunicação integrada”, obra em que apresenta o conceito de Comunicação integrada. Passou a fazer parte do programa de Pós-Graduação da ECA a partir de 1994, no qual já orientou 33 Teses de Doutorados, 28 dissertações de Mestrado, 12 supervisões de Pós-Doc e 147 monografias de Especialização. Sua dedicação ao ensino, pesquisa e extensão fez com que assumisse funções relevantes na área de gestão, como entre 2022 e 2027, que atuou como coordenadora do eixo temático de Comunicação e Difusão Científica – a ciência cidadã para educação alimentar do Programa Institutos Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (INCT-CNPq) – no projeto“Combate à Fome: estratégias e políticas públicas para a realização do direito humano à alimentação adequada – abordagem transdisciplinar de sistemas alimentares com apoio de Inteligência Artificial”. Em 1999 Margarida criou o curso de Especialização lato sensu Gestão Estratégica da Comunicação Organizacional e Relações Públicas(Gestcorp). 347 Entre 2021 e 2023 foi coordenadora de Comunicação do Grupo de Trabalho“Políticas Públicas de Combate à Fome e à Insegurança Alimentar”. Nos anos de 2018 a 2021 foi pró-reitora adjunta de Cultura e Extensão, e entre 2013 e 2017 diretora da ECA. De 2010 a 2013 foi chefe do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo. Nos anos 2009 e 2010 atuou como presidente da Comissão de Pós-Graduação. Entre 2006 e 2010 foi vice-presidente da Comissão de Pós-Graduação. Entre 2003 e 2009 foi coordenadora do curso de Relações Públicas, e de 1994 a 2000 assessora da Coordenadoria de Comunicação Social. Margarida também se dedicou às entidades da categoria, engajandose nas causas da atividade de Relações Públicas e Comunicação Organizacional. Entre 1987 e 1989 e, depois, entre 1991 e 1993, foi presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Entre 2002 e 2008 foi presidente da Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación (Alaic). Foi vice-presidente da Associação Ibero-Americana de Comunicação(Assibercom) entre 2008 e 2019, e presidente do Conselho Fiscal entre 2000 e 2004. Atuou como presidente da Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação(Socicom) entre 2010 e 2014, ocupando o cargo de presidente do Conselho Deliberativo entre 2014 e 2016 e, numa segunda vez, entre 2018 e 2020. Desde 2018 é conselheira no Latin American Communication Monitor. Atuou nas entidades da categoria, como o Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas(Conrerp) – SP/PR – e a Associação Brasileira de Relações Públicas(ABRP) – SP/PR –, assumindo funções na promoção da profissão. Foi criadora e diretora das revistas científicas“Organicom – Revista Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas” em 2004 e da“Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación”. Em 2006 fundou a Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas(Abrapcorp). Foi presidente nas gestões 2006 a 2010 e 2018 a 2020, e é membro do Conselho Consultivo. Seu comprometimento deu-se, também, junto as entidades de fomento à pesquisa no Brasil. Participou do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e representou a área de Comunicação e Informação no Comitê Assessor(CA-AC) do CNPq entre 2019 e 2022. É consultora ad hoc da Fundação de 348 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp) e do CNPq. É membro do Conselho Consultivo da Aberje. Na Fundação Casper Líbero ocupou a função de membro do Conselho Curador de 2006 a 2023. É membro do Conselho de Ética da Associação Brasileira das Agências de Comunicação(Abracom). Margarida Kunsch já publicou 44 livros, 42 publicações em periódicos de alto impacto e 98 capítulos em livros. Seu legado é incontestável, sua trajetória mostra o dinamismo e a excelência em tudo o que se propôs a fazer. Sua atuação tem estimulado alunos e comunicadores a conquistar sonhos e a legitimar a prática das Relações Públicas e da Comunicação Organizacional no Brasil e no exterior. Principais publicações KUNSCH, M. M. K. Universidade e Comunicação na edificação da sociedade. 1. ed. São Paulo, SP: Edições Loyola, 1992. KUNSCH, M. M. K. Planejamento de relações públicas na Comunicação integrada. 4. ed. São Paulo: Summus Editorial, 2003. 424 p. Citações: 2767. V. 1. KUNSCH, M. M. K. Relações públicas e modernidade: novos paradigmas na Comunicação organizacional. 4. ed. São Paulo, SP: Summus Editorial, 2006. KUNSCH, M. M. K.; KUNSCH, W. L. Relações públicas comunitárias: a Comunicação numa perspectiva dialógica e transformadora. São Paulo: Summus Editorial, 2007. KUNSCH, M. M. K.(org.). Relações públicas: história, teorias e estratégias nas organizações contemporâneas. 1. ed. São Paulo, SP: Editora Saraiva, 2009. KUNSCH, M. M. K.(org.). Comunicação organizacional estratégica: aportes conceituais e aplicados. São Paulo: Summus Editorial, 2016. 349 ELIZABETH SAAD Issaaf Karhawi Elizabeth Nicolau Saad Corrêa nasceu em 24 de janeiro de 1954 em São Paulo(SP). É filha única de Nicolau Michael Kyriakos e Latifa Saad Kyriakos, imigrantes libaneses. Estudou no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, durante o Ensino Médio. Iniciou o curso de Administração de Empresas na Universidade de São Paulo(USP) em 1972, com o sonho de se tornar uma executiva, mas, em um estágio no Instituto de Pesquisas Tecnológicas(IPT), conheceu o caminho da gestão de projetos em tecnologia. Concluiu o curso de Administração de Empresas em 1975, e a carreira na área tecnológica transitou entre a iniciativa pública e privada na execução de projetos de inovação. O retorno ao espaço acadêmico deu-se em 1980 em uma entrada dupla: na pesquisa, por meio do Mestrado em Administração de Empresas na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária(FEA) da USP, e na docência, na Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM). A relação com a Escola de Comunicações e Artes(ECA) da USP iniciou-se com um convite para atuar como professora substituta no curso de jornalismo, originando a necessidade de uma formação na Comunicação. Mais adiante, outro convite: trabalhar como consultora autônoma de gestão tecnológica na então Agência Estado, o que reforçou a necessidade. Assim, em 1989 iniciou o Doutorado em Ciências da Comunicação sob orientação de José Marques de Melo, com a tese“Tecnologia, jornalismo e competitividade: o caso da Agência Estado”, e passou a ocupar o cargo de professora em tempo integral na ECA. A tese já dava pistas do papel inovador do tema. Em 2003 a tese seria lançada em formato de livro pela 350 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Editora Senac, sob o título“Estratégias para a mídia digital: internet, informação e Comunicação”, publicação que receberia duas novas edições em 2008 e 2012. Sua atuação como docente no Departamento de Jornalismo e Editoração(CJE) da ECA baseou-se, desde o princípio, em discussões que endereçaram noções como a de web centric business, um modelo de negócio jornalístico centrado na internet – que ainda engatinhava no Brasil. À docência na Graduação somouse, também, a Pós-Graduação em Ciências da Comunicação em 1997. Desde 2006 coordena o COM+, Grupo de Pesquisa em Comunicação, Mídia e Jornalismo Digitais registrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e na Comissão de Pesquisa da ECA-USP. Entre 2007 e 2010 coordenou o Grupo de Pesquisa Comunicação Digital da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas(Abrapcorp). Entre 2009 e 2010 foi coordenadora do Grupo de Trabalho Economia Política da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), além de ter presidido o prêmio Adelmo Genro Filho, da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor), entre 2017 e 2018. Em nenhum momento de sua carreira Beth distanciou-se do mercado. Sua relevância foi consagrada com o prêmio“Os 50 mais inovadores do mercado brasileiro de Comunicação e marketing”, conferido pela ProXXima, do Grupo Editorial Meio& Mensagem, em 2013. Em 2023 passou a integrar o conselho do Grupo de Trabalho de Gênero do Observatório da Violência Contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, capitaneado pelo Ministério das Mulheres como parte da agenda do governo federal. A atuação está relacionada a outro projeto, o Safety Matters, financiado pelo Norwegian Research Council, em que atua em uma nova frente de pesquisa: a investigação e proposição de saídas para a violência contra jornalistas em países como Brasil, Estados Unidos e África do Sul. A relação com pesquisadores noruegueses iniciou-se em 2018, em período como professora visitante na Oslo Metropolitan University. Em 2016, pela Cátedra da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(Unesco) de Comunicação Internacional, foi professora visitante na Université Grenoble-Alpes, na França. Antes disso, em 1998, também foi professora visitante na Universitat Autònoma de Barcelona, além de ter mantido um longo diálogo com a Universidade do Minho, em Portugal. 351 Elizabeth Saad é professora titular sênior do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA-USP. Do campo da Comunicação Digital e das Tecnologias, ela é comumente associada à inovação. Principais publicações SAAD, Beth. Estratégias 2.0 para a mídia digital: internet, informação e Comunicação. São Paulo: Editora Senac, 2012. SAAD, Beth; SILVEIRA, Stefanie(org.). Tendências em Comunicação digital. São Paulo: ECA-USP, 2016. SAAD, Beth; SILVEIRA, Stefanie(org.). Tendências em Comunicação digital. São Paulo: ECA-USP, 2017. Vol. 2. SAAD, Beth(org.). Caminhos da Comunicação: tendências e reflexões sobre o digital. Curitiba: Appris, 2020. 352 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste MARIA IMMACOLATA Clarice Greco Maria Immacolata Vassallo de Lopes nasceu em Laurito(Itália). É a caçula entre os filhos de Francesco Vassallo e Caterina Pannullo Vassallo. Tem duas filhas: Maira e Nadia. Imigra para o Brasil em 1952, passando a residir na cidade de São Paulo(SP). Cursou o secundário no Colégio Frederico Ozanan, instituição na qual, anos mais tarde, lecionou suas primeiras aulas de sociologia. Formou-se em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas(FFLCH) da Universidade de São Paulo(USP). Ao longo da Graduação continuou sua atuação como professora no Colégio Frederico Ozanan, onde criou um cineclube. Nele conheceu o professor de filosofia que se tornaria seu marido, João Aloisio Lopes. Sua inserção na Comunicação inicia-se pelo Mestrado. O plano era seguir com a Pós-Graduação em sociologia com orientação de Octavio Ianni, mas ele foi demitido compulsoriamente do Departamento de Sociologia nos anos 1970 pela ditadura militar. Immacolata vai para a Escola de Comunicação e Artes(ECA), estimulada pelo gosto pela Sociologia da Comunicação. Na ECA desenvolveu seu Mestrado sob orientação de Nelly de Camargo com a pesquisa que gerou sua obra“O Rádio dos Pobres. Comunicação de Massa, Ideologia e Marginalidade Social”, defendida em 1983. No ano anterior já havia começado a trabalhar como docente na ECA no cargo de professora assistente. Fez Doutorado, também na ECA, sob orientação de Sarah Chucid da Viá. Sua tese, defendida em 1988, torna-se um dos livros mais 353 utilizados no campo da Comunicação: Pesquisa em Comunicação: formulação de um modelo metodológico, lançado em 1990. Immacolata passa a integrar um grupo de pesquisa que se dedicava a mapear alunos egressos dos cursos de Comunicação social. A pesquisa torna-se sua tese de Livre-Docência, concluída em 1998 e intitulada Mercado de Trabalho dos Egressos dos Cursos de Comunicação Social no Brasil. Paralelamente, seguindo seu interesse pelo popular, começa a se aproximar dos estudos de televisão e da telenovela. Passou a coordenar o Centro de Estudos de Telenovela (CETVN), antigo Núcleo de Estudos de Telenovela(NPTN). No contexto da valorização da telenovela como objeto de estudo, surge o livro Vivendo com a telenovela: mediações, recepção, teleficcionalidade, de 2002, desenvolvido de forma interdisciplinar. Por meio da ficção televisiva, reuniu inúmeros pesquisadores em diálogos nacionais e internacionais, especialmente a partir da criação do Observatório Iberoamericano de Ficção Televisiva(Obitel). O Observatório deriva de seu Pós-Doutorado na Universidade de Florença, Itália, onde foi buscar inspiração no grupo de pesquisa Eurofiction, coordenado por Milly Buonanno. Em 2005 fundou a rede Obitel Brasil, braço nacional do Obitel. As duas redes publicaram mais de 20 livros – 16 da rede internacional, com pesquisadores de países da América Latina, além de Estados Unidos (hispânico), Portugal e Espanha, e 7 da rede nacional, com grupos de pesquisa de universidades brasileiras de diferentes regiões. Em relação à gestão, foi presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), de 1995 a 1997, e Representante da Área de Comunicação no Comitê Assessor CA-AC do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), de 2004 a 2007. No plano interno da USP, coordenou o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo(PPGCOM-USP) de 2001 a 2012. Dirige por anos a Revista MATRIZes(Revista do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da USP). Também foi presidente da Associação Ibero-Americana de Investigadores da Comunicação(Assibercom) de 2015 a 2019. Na esteira dos projetos colaborativos que marcam o CETVN, Immacolata dedica-se a dois projetos. O primeiro, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba, propõe o mapeamento, a exploração empírica e o debate sobre a produção 354 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS audiovisual independente no Brasil. O segundo, conectado às pesquisas desenvolvidas pelo Obitel Brasil, pretende apontar e explorar a longa conexão da telenovela como recurso para a construção da cidadania. Em sua robusta trajetória, Maria Immacolata Vassallo de Lopes transparece vários excertos de si: pesquisadora, professora, socióloga, orientadora, epistemóloga. Mais do que isso, ela é uma observadora curiosa, uma pensadora inquieta, uma imigrante, uma noveleira e uma aca-fã. A atuação de Immacolata é fortemente pautada no estímulo ao pensamento inovador, crítico, original e criterioso, mantendo-se permanentemente vigilante sobre temas correntes e instigantes. Principais publicações LOPES, M. I. V. de. O rádio dos pobres: Comunicação de massa, ideologia e marginalidade social. São Paulo: Loyola, 1988. LOPES, M. I. V. de. Pesquisa em Comunicação: formulação de um modelo metodológico. 1. ed. São Paulo: Loyola, 1990. LOPES, M. I. V. de; BORELLI, S. H. S.; RESENDE, V. R. Vivendo com a telenovela: medições, recepção, teleficionalidade. São Paulo: Summus, 2002. LOPES, M. I. V. de. A telenovela brasileira: uma narrativa sobre a nação. Comunicação& Educação, São Paulo, v. 26, p. 17-34, jan./abr. 2003. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/comueduc/article/ view/37469. Acesso em: 14 ago. 2023. LOPES, M. I. V. de. Telenovela como recurso comunicativo. MATRIZes, v. 3, n. 1, p. 21-47, 2011. DOI: https://doi.org/10.11606/ issn.1982-8160.v3il. Acesso em: 21 jul. 2023. LOPES, M. I. V. A teoria barberiana da Comunicação. MATRIZes, v. 12, n. 1 jan./abr. 2018. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ matrizes/article/view/145750. Acesso em: 14 ago. 2023. 355 JERUSA FERREIRA Mônica Nunes Jerusa de Carvalho Pires Ferreira nasceu em 1º de fevereiro de 1938 em Feira de Santana(BA). Primeira filha de Celso Freitas de Carvalho e de Cesarina Castro Lima de Carvalho, passou a infância e adolescência em Salvador, onde concluiu o Ginásio no Instituto Feminino da Bahia. Casou-se com Ruy Pires Ferreira e tiveram três filhos: Rubens, Ricardo e Inácio. Fez a Graduação em Letras Vernáculas na Universidade Federal da Bahia(UFBA), formando-se em 1967. A seguir foi bolsista do Instituto de Alta Cultura em Lisboa(1970/1971), desenvolvendo estudos sobre a Novela de Cavalaria, e realiza formação em Semiótica no Centro Internacional de Semiótica, Urbino/Itália(1975 e 1976). Interessase pela Semiótica, em especial pela Escola Russa de Iúri Lotman e Uspenskii, aprofundando conhecimentos em Etnografia e Etnologia. Conclui o Mestrado em História pela UFBA(1977), orientada por José Calasans Brandão da Silva. Recebe o título de mestre com o trabalho“O passo das águas mortas: cavalaria em cordel”. No final da década de 1970 mudou-se para São Paulo. Conhece Paul Zumthor e dirige um projeto de tradução dos livros A letra e a voz(1993); Introdução à poesia oral(1997), Escritura e Nomadismo (2005), Performance, recepção e leitura(2007), além de organizar uma coletânea, em homenagem ao autor, intitulada Oralidade em tempo e espaço(1999), resultado de um colóquio na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP, 1997). Em 1980 concluiu o Doutorado em Ciências Sociais(Sociologia da Literatura) pela Universidade de São Paulo(USP), sob orientação 356 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS de Ruy Galvão de Andrada Coelho. Recebeu o título de doutora em Ciências Sociais com o trabalho“No metal da fala”. Em 1983 inicia suas atividades como professora nos cursos de Jornalismo e Editoração e nos cursos de Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECAUSP), onde ministrou disciplinas sobre livros e edições populares, cultura popular e memória editorial brasileira; aulas que relacionam cultura e edição, memória e identidade. Também na USP dirigiu e coordenou a Coleção Editando o editor, da Editora da USP(EDUSP). Realiza a Livre-Docência em Ciências da Comunicação(ECA-USP) em 1988, e o Pós-Doutorado em Erlangen-Nürnberg, na Alemanha, sobre o tema do Fausto(1988/1989), com bolsa do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico(Deutscher Akademischer Austauschdienst – DAAD) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). De seu estágio de Pós-Doutorado nasceu“O livro de São Cipriano: uma legenda de massas”(1992). A obra ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Estudos Literários(Ensaios) em 1993. Naquele ano inicia atividade docente na PUC-SP, no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica, quando cria o Núcleo de Estudos da Oralidade e depois o Centro de Estudos da Oralidade(CEO), reunindo pesquisadores internos à PUC, seus orientandos e alunos, e externos, como artistas, poetas e acadêmicos de outras instituições. Na PUC-SP organizou mais de dez colóquios e seminários internacionais. Ministrou as disciplinas: Cultura é Memória; De Escutas, Espaços, Territórios – os sons migrantes; Memória do Futuro em Atos Comunicacionais; Oralidades Hipertextuais; Oralidade, Corpo, Mídia; O Riso e suas Interdições na Cultura; Poéticas do Oral, Ritmo, Velocidades; Estudos Russos de Cultura Popular; entre outras. Igualmente cocoordenou o Núcleo de Estudos do Livro e da Edição da ECA(Nele). Desde 1999 ministrava cursos regularmente na Universidade de Limoges, na França, onde desenvolveu um trabalho sobre Cultura e Memória e sobre o Livro Popular. Conferencista convidada em diversas instituições de pesquisa no Brasil e no exterior, a exemplo de Limoges e da Universidade Autônoma de Barcelona, Jerusa também poetava. Em 2004 recebe a Comenda Áureo de Oliveira, Câmara Municipal de Feira de Santana(BA). Tem mais de 20 livros publicados, 72 357 capítulos, produções de artigos e participações em seminários nacionais e internacionais, orientou 56 dissertações de Mestrado e 51 teses de Doutorado, além de supervisões de Pós-Doutoramento. Funda um campo teórico desenvolvendo o conceito de“cultura das bordas”, abordando sobreposições, esmaecimentos de conceitos estanques, como erudito, popular ou massivo, a exemplo de sua dedicação ao entendimento das relações múltiplas entre o mundo medieval, o conto popular e os ciclos narrativos que sobrevivem no nordeste brasileiro, ampliando as conexões entre oralidade e escritura. Sua obra supera inúmeras dualidades, como centro-periferia, erudito-popular, vanguarda-massivo, percebendo a complexidade do tecido cultural em seus trânsitos, camadas, bordas criativas e comunicacionais. Jerusa de Carvalho Pires Ferreira faleceu dia 21 de abril de 2019 em Salvador. Principais publicações FERREIRA, J. C. P. Armadilhas da memória. Salvador: Fundação Casa Jorge Amado, 1991. 100 p. FERREIRA, J. C. P. Tereza Batista: texto e imagem – um livro de exemplos. 1. ed. Salvador: Fundação Casa Jorge Amado, 2006. 67 p. FERREIRA, J. C. P.; BERNARDINI, Aurora Fornoni(org.). Mitopoéticas – da Rússia às Américas. São Paulo: Humanitas, 2006. 194 p. FERREIRA, J. C. P. Cultura das bordas: edição, Comunicação, leitura. 1. ed. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2010. 186 p. V. 1. FERREIRA, J. C. P. Matrizes impressas do oral: conto russo no sertão. 1. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2014. 218 p. V. 1. FERREIRA, Jerusa C. P. Leituras imediatas. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2019.(Livro póstumo). 358 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste MARIA APARECIDA FERRARI Raquel Cabral Maria Aparecida Ferrari nasceu em 3 de janeiro de 1952 em São Paulo(SP). É a irmã mais velha de uma família de três irmãs. Ela teve sua formação, na infância e adolescência, inicialmente no Colégio Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos e, depois, no Colégio Dante Alighieri, ambos na cidade de São Paulo. Em 1972, aos 20 anos de idade, em pleno cenário político conturbado do regime militar, ingressa na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo(FFLCHUSP) para cursar Ciências Sociais. Esta formação, pautada na Ciência Política, Sociologia e Antropologia, foi fundamental para uma visão crítica de sociedade. Na metade do curso inicia sua vida profissional como professora da rede pública da cidade de São Paulo. Ao término da universidade decide fazer intercâmbio por seis meses na cidade de Fairfield, em Illinois, nos Estados Unidos. Essa experiência intercultural ampliou sua visão sobre a educação e a desigualdade social. De volta ao Brasil, tornou-se monitora no Museu do Telefone, à época pertencente a Telecomunicações de São Paulo(Telesp), onde teve seu primeiro contato com a área de Relações Públicas(RP). Em 1978 ingressa no curso de Relações Públicas da Faculdade de Comunicação Social Anhembi em São Paulo, renuncia às suas atividades como docente e se aproxima da Associação Brasileira de Relações Públicas(ABRP-SP/PR), na qual torna-se estagiária, oportunidade que a levou a atuar em agências, tais como a ADS de Relações Públicas, além da multinacional General Motors(GM), cujo estágio foi concluído em 1981. 359 Em abril de 1982 é contratada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial(Senai) de São Paulo para atuar no Departamento de Comunicação Social, onde permaneceu vinculada por dez anos, promovendo a imagem e a reputação institucional. Nesse mesmo período continuou atuando junto a ABRP-SP e registrou-se no Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas(Conrerp SP/PR). Em 1987 é convidada para assumir algumas disciplinas no curso de RP do Instituto Metodista de Ensino Superior. Em 1989 inicia o Mestrado na Escola de Comunicações e Artes(ECA) da USP, sob orientação de Cândido Teobaldo de Souza Andrade, tendo o SenaiSP como objeto de estudo, e finaliza-o em 1993. Em janeiro de 1992 afasta-se do Senai-SP e do Instituto Metodista de Ensino Superior, no qual lecionava há cinco anos, e passa a viver em Santiago, no Chile. Em abril daquele ano é contratada pelo primeiro curso universitário da Universidad de Viña del Mar, tornando-se a primeira professora com formação em RP no país. A vivência de 1992 a 1996 no Chile fê-la conhecer as relações sociopolíticas e culturais desta sociedade, sensíveis à longa ditadura militar de Pinochet. No Chile trabalhou na Agência Santa Bárbara Relaciones Públicas y Publicidad, realizando diversos eventos internacionais, envolvendo os presidentes do Chile e da Argentina, e encontros comerciais com embaixadores e cônsules de vários países. Trabalhou no Centro de Extensión de la Pontifícia Universidad Católica de Chile, no qual organizava cursos de extensão na área de RP para executivos do mercado. Coorganizou um seminário internacional para executivos e pesquisadores de RP em 1993, do qual participou Otto Lerbinger, Ph.D. da Boston University, Estados Unidos. No ano seguinte coorganiza um novo seminário internacional contando com a presença do professor Melvin Sharpe, Ph.D. da Ball State University. Entre 1994 e 1996 continua a atuar na Universidad de Viña del Mar, na Pontificia Universidad Católica de Chile, e inicia aulas no curso de RP da Universidad del Pacífico, em Santiago. A aproximação com os trabalhos de James Grunig da Universidade de Maryland, os quais conheceu em um dos seminários que coorganizou, levou-a a pensar em fazer Doutorado, motivando o retorno ao Brasil em 1996, uma vez que no Chile não havia curso nessa área. 360 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Maria Aparecida participa do processo seletivo no Programa de PósGraduação em Ciências da Comunicação da ECA e é aprovada para ser orientanda de Margarida Kunsch, em 1997. Concomitantemente passa a colaborar em algumas disciplinas da Graduação no curso de RP da ECA. Durante os quatro anos de Doutorado foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp). O tema partiu do referencial de James Grunig em torno das tipologias dos modelos de práticas de RP. Em maio de 1998 vai aos Estados Unidos para conhecê-lo e para discutir com ele questões relacionadas à tese. Logo, passou um mês no Chile para entrevistar executivos, e em 1999 realizou entrevistas com executivos brasileiros. Após a qualificação retorna aos Estados Unidos para ser acompanhada nas análises das entrevistas pelo professor James Grunig. Em 1999 é convidada a participar do corpo docente da primeira turma do curso de Pós-Graduação Lato Sensu de Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas(Gestcorp), ligado à ECA, onde permanece como professora e orientadora. Em 2000 defende sua tese e, simultaneamente, presta concurso para professora assistente na ECA e é aprovada. Naquele mesmo ano foi convidada a coordenar o curso de RP da Universidade Metodista de São Paulo. Em 2003 passa a compor a nova gestão do Conrerp SP/PR. Entre 2001 e 2008 foi diretora da Faculdade de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade Metodista de São Paulo. Entre 2005 e 2010 é convidada a fazer parte do corpo docente do Programa de Doutorado Virtual da Universidad San Martín de Porres, em Lima, Peru. Em 2010 começa a ministrar a disciplina Seminario de Relaciones Públicas no curso de Especialização na Pontifícia Universidad Javeriana de Bogotá, Colômbia. Entre 2011 e 2013 ministrou vários seminários de Relações Públicas na Universidad Técnica Profesional de Loja, no Equador. A partir de 2014 participou, como professora convidada, no Mestrado em Comunicación Estratégica da Universidad de La Sabana e, desde 2020, integra o quadro docente do Mestrado em Relações Públicas da Universidad del Norte, Barranquilla, ambas na Colômbia. Além disso, tem ministrado cursos e participado de eventos internacionais, como o que se realizou em Bled, na Eslovênia, em 2002, 2008 e 2011. Em 2013 e 2015 participou do Congresso Internacional de Responsabilidade Social Corporativa na Eslovênia, Dinamarca e Holanda. Também em bancas de Mestrado ou Doutorado em 361 países como Chile, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, entre outros. Em janeiro de 2010, desliga-se da Universidade Metodista de São Paulo e torna-se professora em regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa na USP, momento em que passa a integrar o Programa de Pós-Graduação da ECA. Já concluiu a orientação de 18 dissertações de Mestrado, sendo 3 no Equador e 2 na Colômbia, e 7 teses de Doutorado, sendo 1 no Peru e outra na Argentina. Em 2011 publica, em coautoria, um livro em espanhol:“Relaciones Públicas: naturaleza, función y gestión de las organizaciones contemporáneas”. Em seguida, em 2012, foi publicado o livro “Gestión de Relaciones Públicas para el éxito de las organizaciones”, também em coautoria. Além disso, organizou dossiês temáticos de periódicos, como a Revista Organicom, tais como:“Comunicação e Saúde” em 2012 e“Interculturalidade e Organizações” em 2014. Coorganizou“Comunicação, Violência Organizacional e Estudos para Paz” em 2018;“Formação de professores e práticas pedagógicas emergentes na área da Comunicação” em 2020, e “Mulheres e Feminismos” em 2022 e 2023. Entre 2008 e 2014 ocupou cargos na Diretoria da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação Organizacional e Relações Públicas(Abrapcorp), e a partir de 2019 é cocoordenadora do Grupo de Trabalho 5 – Comunicação Intercultural e Interseccionalidades do Congresso Abrapcorp. Desde 2019 é coordenadora do Colóquio Acadêmico da Abrapcorp. Nos VII e VIII Congressos da Abrapcorp, foi responsável pela cocoordenação de dois livros:“A Pesquisa em Comunicação Organizacional e Relações Públicas: metodologias entre a tradição e a inovação” (2014) e“Comunicação, interculturalidade e organizações: faces e dimensões da contemporaneidade”(2015). De 2009 a 2014, com o financiamento da IABC Foundation – Fundação da Associação Internacional de Comunicadores de Empresas –, participou do projeto“Study on communication department design and effectiveness”, do qual fazem parte pesquisadores de países como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. Em 2017 tornou-se livre-docente em“Relações Públicas: pressupostos teóricos e históricos” pela USP. Tem liderado o grupo de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq)“Diversidades, interculturalidade, Comunicação e linguagens culturais(Dicult)”. 362 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Maria Aparecida Ferrari tem se dedicado à pesquisa e produção de livros e artigos relacionados a temas como: o ensino-aprendizagem em RP, Comunicação intercultural, a gestão da diversidade nas organizações, entre outros. Atua, no Brasil e América Latina, contribuindo com pesquisas relacionadas à área na intersecção entre culturas, modelos de gestão nas organizações e interseccionalidades. Um legado para pensar as Relações Públicas a partir das distintas culturas de nossa região. Principais publicações FERRARI, Maria Aparecida. Overview of Public Relations in South America. In: SRIRAMESH, Krishnamurthy, VERČIČ, Dejan. The Global Public Relations Handbook – theory, research and practice. Estados Unidos: Erlbaum, 2009. FERRARI, Maria Aparecida; GRUNIG, James; FRANÇA, Fábio. Relações públicas: teoria, contexto e relacionamento. São Caetano do Sul: Editora Difusão, 2009. FERRARI, Maria Aparecida; FRANÇA, Fábio. Relaciones Públicas: naturaleza, función y gestión de las organizaciones contemporâneas. Buenos Aires, Argentina: La Crujía, 2001. FERRARI, Maria Aparecida; FRANÇA, Fábio. Gestión de Relaciones Públicas para el éxito de las organizaciones. Lima, Peru: Editora da Universidad San Martín de Porres, 2012. FERRARI, Maria Aparecida; MOURA, Claudia Peixoto. A pesquisa em Comunicação organizacional e relações públicas: metodologias entre a tradição e a inovação. São Paulo: Editora EDIPUCRS, 2014 FERRARI, Maria Aparecida; MOURA, Claudia Peixoto. Comunicação, interculturalidade e organizações: faces e dimensões da contemporaneidade. São Paulo: Editora EDIPUCRS, 2015. 363 MALENA CONTRERA Priscila Gonçalves Magossi Malena Segura Contrera nasceu em 13 de junho de 1964 em São Paulo(SP). É filha de José Contrera Toro e Maria Segura Contrera. Tem uma filha, Maria Eduarda. Na Educação Básica estudou na Escola Estadual Júlio Pestana nos primeiros anos do Ensino Fundamental. Da quinta série até o final do Ensino Médio estudou na Escola Estadual Professor Eurico Figueiredo. Sua trajetória acadêmica iniciou-se em 1983, ao ingressar no curso de Língua e Literatura na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP). Ao formar-se, em 1988, foi convidada para ser professora substituta de Teoria Literária, Literatura e Análise do Discurso no curso de Tradutor-Intérprete da Faculdade IberoAmericana. Iniciou seus estudos em Mitologia Grega por meio de cursos livres entre 1988 e 1991, e simultaneamente começou a estudar Astrologia. Nesse mesmo período encantou-se por Jung. A partir de então iniciou seus estudos sobre psicologia analítica. Ocorre, assim, a união entre Comunicação e Jung em seus estudos da área. Em 1991 ingressou no Mestrado em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, com a dissertação“O mito na mídia”, uma reflexão sobre os elementos arcaicos na mídia de massa, sob orientação de Norval Baitello Jr. Em 1992 esteve presente na reunião de fundação do Centro Interdisciplinar de Comunicação e Semiótica(CISC), tendo participado na organização dos congressos e reuniões científicas e ocupou cargos de diretoria entre 1992 e 2018. É membro da comissão científica do grupo de pesquisa. 364 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Ingressou no Doutorado em 1997 no mesmo Programa com o mesmo orientador. Entre os anos de 1997 e 2001 sua tese tratou do fenômeno do pânico na mídia. Durante esse período realizou estágios de pesquisas internacionais em Viena, Áustria, sobre “Multiculturalismo e Mídia”(1998), e em Sevilha, Espanha, sobre “Política da Comunicação”(2000). Sua tese resultou na obra“O pânico na mídia”, estudo da saturação da informação, violência e crise cultural na mídia. Em 1995 ingressou no Mackenzie como professora de Graduação. Em 1999, o curso de Jornalismo foi criado com sua participação e o apoio do diretor da Faculdade de Comunicação e Artes, e a primeira turma foi aberta no ano seguinte, em 2000. Foi coordenadora do curso até 2004. Durante o mesmo período ela foi professora da Faculdade de Comunicação, Letras e Filosofia da PUC-SP. Realizou estágios de pesquisa e cursos no exterior, parcerias internacionais e publicações científicas em Sevilla(Espanha), Berlim(Alemanha) e São Petersburgo(Rússia). Em 2005 iniciou sua trajetória no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Comunicação da Universidade Paulista(PPGCOMUNIP), desligando-se do Programa de Comunicação do Mackenzie. É professora titular dos cursos de Mestrado e Doutorado em Comunicação da UNIP com as disciplinas Teorias da Comunicação, Teorias do Imaginário e Teorias da Mídia. Foi vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação. Em 2007 criou o Grupo de Pesquisa em Mídia e Estudos do Imaginário, dedicado às pesquisas com foco no imaginário cultural. Entre os anos de 2007 e 2008 realizou Pós-Doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob supervisão de Muniz Sodré(bolsa Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, 2007-2008) e estágio de pesquisa em Berlim, Alemanha, sobre Mimese e Rituais Midiáticos(2010) com Christoph Wulf. Em 2013 especializou-se em Psicologia Junguiana(FACIS-IJEP) e um novo capítulo da sua vida começou: a clínica junguiana. Após mais de 30 anos de estudos da obra de Jung e 10 anos de experiência clínica, fundou o Instituto do Imaginário em 2023, espaço dedicado à reflexão sobre a relação homem e mundo em busca de ferramentas que construam uma ação mais consciente. Assim, desdobrou-se para construir pontes entre os campos da Comunicação, das teorias do imaginário e da psicologia analítica, 365 inspirada na Teoria da Complexidade proposta por Edgar Morin. Fora o vínculo acadêmico, em 2022 lançou seu primeiro livro de poesias,“Naufrágio”, que traz aquarelas de sua filha. Além disso, é astróloga, atendendo há mais de 30 anos. Malena Segura Contrera, sobretudo no que diz respeito à abertura de caminhos para pesquisas que versam sobre a relação entre Comunicação e Culturas Arcaicas, Teorias do Imaginário, Mitologia e Psicologia Junguiana, construiu seu legado, registrado em“O Mito na Mídia”(1996),“Mídia e Pânico”(2002),“Jornalismo e Realidade”(2004),“Mediosfera”(2010) e inúmeros outros artigos e capítulos de livros publicados em coletâneas e revistas científicas, com destaque para Brasil, América Latina e Europa. Principais publicações CONTRERA, Malena Segura. Naufrágio: poemas. São Paulo: Edição da Autora, 2022. CONTRERA, Malena Segura. Mediosfera: medios, imaginario y desencantamiento del mundo. Sevilla: ArCiBel, 2013. CONTRERA, Malena Segura. Jornalismo e realidade: a crise de representação do real e a construção simbólica da realidade. São Paulo: Editora Mackenzie, 2004. CONTRERA, Malena Segura. Mídia e pânico: saturação da informação, violência e crise cultural na mídia. São Paulo: Annablume, 2002. CONTRERA, Malena Segura. O mito na mídia: a presença de conteúdos arcaicos nos textos da mídia. São Paulo: Annablume, 1996. 366 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste LUCIA LEÃO Nara Lya Cabral Scabin Lucia Isaltina Clemente Leão nasceu em 21 de novembro de 1963 em São Paulo(SP). É filha de Lucia Dutra Clemente e Adalberto Diniz Guedes Clemente. Estudou em escolas tradicionais da capital paulista, como o Colégio Santa Cruz, situado no Bairro de Alto de Pinheiros. Em 1982 ingressou no Bacharelado em Artes Plásticas na Faculdade Santa Marcelina(FASM), em São Paulo, formando-se em 1985. Em seguida iniciou um curso de Especialização em Ação Cultural pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), concluído em 1988. Em 1993 iniciou o Mestrado junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PPGCOS-PUC-SP), onde defendeu, em 1997, a dissertação “Labirinto 1. A arquitetura da hipermídia”, sob orientação de Arlindo Machado, com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Ainda em 1997 ingressou no Doutorado na mesma Instituição e Programa. Em 2001 defendeu a tese“A estética do labirinto”(publicada em livro em 2002), realizada com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp), sob orientação do mesmo professor. Em 2002 editou a coletânea“InterLab: labirintos do pensamento contemporâneo”, indicada ao Prêmio Jabuti 2003, concedido pela Câmara Brasileira do Livro, na categoria“Ciências Exatas, Tecnologia e Informática”. No mesmo ano iniciou pesquisa de Pós-Doutorado junto ao Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (IA-Unicamp), concluída em 2004. 367 Lucia lecionou em diferentes instituições de Ensino Superior em São Paulo. Em 1989, antes de iniciar o Mestrado, tornou-se professora na Faculdade Santa Marcelina(FASM), onde trabalhou até 1997. Na instituição esteve à frente de disciplinas de vídeo e multimídia ministradas para os cursos de Bacharelado em Desenho de Moda e Artes Plásticas, além de ter sido responsável pela criação e coordenação do Centro de Arte e Tecnologia(CAT) e pela coordenação do curso de Bacharelado em Artes Plásticas. Já cursando o Doutorado, ingressou como docente nas Faculdades do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial(Senac), lecionando no curso de Graduação em Design em Multimídia e na Pós-Graduação lato sensu em Design. Em 2003 tornou-se professora titular do Mestrado em Moda, Cultura e Arte do, agora, Centro Universitário Senac, passando a ministrar as disciplinas“Laboratório de Criação”,“Processos Investigativos na Arte Contemporânea” e “Seminário temático: moda e arte”. É professora na PUC-SP e, desde 2002, ministra diversas disciplinas em cursos de Graduação, com destaque para o curso de Comunicação e Multimeios, cujo Núcleo Docente Estruturante(NDE) integra desde 2010. Na Pós-Graduação stricto sensu atuou como docente, entre 2006 e 2009, do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, vinculado à Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia. Desde 2009 atua como docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica(PPGCOS), vinculado à Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes, tendo assumido a coordenação desse Programa em 2020. No PPGCOS insere-se na linha de pesquisa“Processos de criação na Comunicação e na cultura”, ministrando, entre outras, as disciplinas “Teorias da Complexidade na Comunicação: métodos de pesquisa, colaboração e transdisciplinaridade” e“Processos de mediação da cultura: Comunicação e transformação social”. Lidera o Grupo de Pesquisa em Comunicação e Criação nas Mídias – InterLab21CCM –, vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), que desenvolve pesquisas no campo da Comunicação em interface com a cultura, a educação, a política, a divulgação científica, a saúde e as artes. Em relação às associações de pesquisa da área da Comunicação, passou a integrar, em 2020, o Conselho da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), e desempenhou, no biênio 2021-2023, a função de diretora científica 368 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura(Abciber). Também atua como parecerista ad hoc de periódicos científicos qualificados – como a revista Galáxia, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP – e de órgãos públicos de fomento, como Fapesp e CNPq. Como artista expôs em importantes centros culturais de diversos países, como é o caso do 10th International Symposium on Electronic Art – Isea 2000 –, realizado no Forum des Images, em Paris, em dezembro de 2000; o Festival Internacional da Linguagem Eletrônica(File), em sua edição de 2002, realizada no Paço das Artes, em São Paulo; a XV Bienal de São Paulo e a II Bienal Internacional de Artes Plásticas de Buenos Aires, ambas realizadas em 2002; e a Mostra Cinético Digital, realizada pelo Itaú Cultural em 2005. Seu trabalho artístico encontra-se catalogado no Rhizome Art Database, base de dados internacional sobre cultura e arte digital. Vem dedicando-se à pesquisa sobre processos de criação em mídias e redes digitais, tema transversal aos diversos projetos desenvolvidos na última década, como o projeto“Processos de criação nas mídias digitais: o imaginário nas passagens entre linguagens”, conduzido entre 2012 e 2014, com apoio do CNPq e“Audiovisualidades: um estudo dos processos de criação em cinema, TV e vídeo na cultura das redes”, conduzido entre 2018 e 2021. Desde 2021 dedica-se ao Projeto Temático com apoio do CNPq“Inovação e convergências tecnológicas em tempos de hipermídia: perspectivas da produção de conhecimento nos processos comunicacionais”, desenvolvido no PPGCOS. Tem projeto artístico e de extensão que articula estudos relacionados à neurobiologia das plantas ao campo da Comunicação, percorrendo aspectos educacionais, de consciência ecológica e divulgação científica. Entre as principais publicações incluem-se as obras autorais“O labirinto da hipermídia: arquitetura e navegação no ciberespaço”(1999) e“A estética do labirinto”(2002). Também destacam-se as coletâneas organizadas por ela:“InterLab: labirintos do pensamento contemporâneo”(2002);“Cibercultura 2.0”(2003); “O chip e o caleidoscópio: reflexões sobre as novas mídias”(2005); “Derivas: cartografias do ciberespaço”(2004); e“Processos do Imaginário”(2016). Lucia Leão tem destaque pela proposição do método de investigação baseado em“cartografias de imaginários”, perspectiva que articula, 369 de modo transdisciplinar, a semiótica de Peirce, o conceito de cartografia em Deleuze e Guattari e os estudos do imaginário de Bachelard, Durand e Maffesoli. Principais publicações LEÃO, Lucia. O labirinto da hipermídia: arquitetura e navegação no ciberespaço. São Paulo: Fapesp: Iluminuras, 1999. LEÃO, Lucia. A estética do labirinto. São Paulo: Editora da Universidade Anhembi Morumbi, 2002. LEÃO, Lucia. InterLab: labirintos do pensamento contemporâneo. São Paulo: Iluminuras: Fapesp, 2002. LEÃO, Lucia. Cibercultura 2.0. São Paulo: U.N. Nojosa, 2003. LEÃO, Lucia. Derivas: cartografias do ciberespaço. São Paulo: Annablume, 2004. LEÃO, Lucia. O chip e o caleidoscópio: reflexões sobre as novas mídias. São Paulo: Editora Senac, 2005. 370 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste TÂNIA HOFF Aliana Barbosa Aires Tânia Márcia Cezar Hoff nasceu em 20 de maio de 1962 em Taubaté (SP). É a primeira de quatro filhos de Adolpho José Moreira Hoff e de Maria Izabel Cezar Hof, e primeira neta dos avós paternos. Tânia foi morar com os avós paternos dos 6 aos 14 anos de idade para cursar o primário na Escola Estadual Dom Pereira de Barros, o ginásio na Escola Municipal e o colegial na escola particular técnica Alfredo Balbi. Mais tarde, aos 17 anos, foi fazer faculdade na cidade de São Paulo(SP), onde conheceu Francisco Carlos Camargo, com quem se casou. Em 1983 formou-se bacharel em Tradutor e Intérprete e Licenciatura Plena pela Faculdade Iberoamericana. Desde o segundo ano de faculdade já atuava como professora de português e literatura no segundo grau e supletivo. Iniciou o curso de Letras Clássicas e Vernáculas(grego e latim) na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas(FFLCH) da Universidade de São Paulo(USP) em 1985. Em 1987, ao ser aprovada no processo seletivo do Mestrado em Artes Dramáticas na Escola de Comunicações e Artes(ECAUSP), interrompeu o curso para se dedicar à Pós-Graduação. A defesa da dissertação“Duas Electras brasileiras”, desenvolvida sob a orientação de Célia Berretini, ocorreu em 1992. Ao longo do Mestrado também lecionava na rede estadual de ensino e na rede particular da cidade de São Paulo, em colégios tradicionais como Bandeirantes e Bialik. Em 1994 ingressou no Doutorado na FFLCH e, em 1999, defendeu a tese“O argumento emocional na publicidade”, orientada por Elisa Guimarães. Nos anos de 2013 a 2015 cursou Pós-Doutorado em Comunicação e 371 Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC), orientada por Aidar Prado. Com atuação na área de Comunicação em faculdades renomadas de São Paulo, como PUC, Fundação Armando Álvares Penteado(FAAP) e Universidade Paulista(UNIP), iniciou suas atividades na Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM) em 1999, no curso de Graduação, habilitação em Comunicação Social, ministrando disciplinas como Língua Portuguesa/Redação Publicitária e Teoria da Comunicação. Em 2003 foi convidada para integrar o núcleo de pesquisa em Comunicação e Práticas de Consumo. Em 2006 inicia atuação como docente do Mestrado Acadêmico em Comunicação e Práticas de Consumo. No Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM-ESPM) atuou como vice-coordenadora no período de 2011 a 2014 e como coordenadora de 2015 a 2019. Foi editora da Revista Comunicação, Mídia e Consumo de 2006 a 2014, tendo retornado a esta função em 2023. Em 2012, juntamente com colegas, contribuiu para a concepção do Congresso Internacional em Comunicação e Consumo(Comunicon), do qual faz parte do comitê científico e coordena o Grupo de Trabalho(GT)“Comunicação, diversidade e biopolíticas do consumo” desde a primeira edição. Também coordenou o Comitê de Ética em Pesquisa da ESPM no período de 2019 a 2021, e em 2019 começa a coordenar a Cátedra Maria Aparecida Baccega em Comunicação, Educação e Consumo. Em 2015 fundou o Grupo de pesquisa, certificado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), “Comunicação, Discursos e Biopolíticas do Consumo(Biocon)”, do qual é coordenadora. No âmbito do grupo de pesquisa, idealizou e organizou, desde 2017, dois eventos regulares: o Colóquio Mundos Possíveis e o Encontro Cara a Cara Biocon. Neste período, no âmbito dos trabalhos do Grupo de Pesquisa, tem construído parcerias com pesquisadores internacionais que resultaram em seminários, pesquisas e produção acadêmica, e contribuíram para a internacionalização do PPGCOM. Desde 2007 é avaliadora do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior(Sinaes) do Ministério da Educação(MEC). É membro do corpo editorial de alguns periódicos do campo da Comunicação, tendo participado da comissão editorial da Revista E-Compós de agosto a dezembro de 2022. Em 2016 também 372 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS participou, juntamente com pesquisadores da área, da criação do GT Consumos e Processos de Comunicação na Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), que coordenou no período de 2016-2017. Em 2018 organizou o pré-evento do Comunicon II“Fórum+Fashion”, e desde 2021 coordena o GT em Moda, Diversidade e Consumo no Colóquio Internacional de Moda. Tânia tem publicado sobre temas que circundam imaginários de corpo e de consumo na mídia; regimes de visibilidade de corpos diferentes; transformações do discurso publicitário; constituição dos discursos do consumo; desenvolvimento das culturas do consumo no Brasil; e biopolíticas e biossociabilidades do consumo. É organizadora das coletâneas“Comunicação publicitária: dos regimes de visibilidade do corpo diferente às biossociabilidades do consumo”(2016);“O que é consumo: Comunicação, dinâmicas produtivas e constituição de subjetividades”(2016); e“Discursos mediáticos sobre la diferencia en América Latina y el Caribe” (2017), dentre outras. Publicou, em coautoria com Francisco Camargo,“Erotismo e Mídia”(2002), e com Lourdes Gabrielli, “Redação Publicitária”(2004 e 2017). Nas últimas décadas ela tem sido contemplada em alguns editais de agências de fomento, como CNPq e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), tendo recebido, em 2023, bolsa de produtividade em pesquisa CNPq nível 2. Tânia Márcia Cezar Hoff, ao longo de sua atuação no PPG em Comunicação e Práticas de Consumo, tem contribuído para os estudos sobre Comunicação e consumo, especialmente no que diz respeito ao corpo, biopolítica, diversidade e análise de discurso. Principais publicações HOFF, T. M. C. Entrelaçamentos: moda plus size e biopolíticas do consumo para o corpo gordo. Revista D’Obras, on-line, v. 33, p. 5674, 2021. HOFF, T. M. C.; VIZCARONTO, D. M.(org.). Discursos mediáticos sobre la diferencia en América Latina y el Caribe. 1. ed. Barcelona: UOC, 2017. 214 p. V. 1. HOFF, T. M. C. Corpos discursivos: dos regimes de visibilidade às biossociabilidades do consumo. 1. ed. Recife: Editora UFPE, 2016. 200 p. V. 1. 373 HOFF, T. M. C.; GABRIELLI, L. Redação publicitária. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. 123 p. V. 1.000. HOFF, T. M. C.; CAMARGO, Francisco Carlos. Erotismo e mídia. 1. ed. São Paulo: Expressão e Arte, 2002. 126 p. V. 1300. 374 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste ANA SILVIA MÉDOLA Kellyanne Carvalho Alves Ana Silvia Lopes Davi Médola nasceu em 3 de junho de 1964 em Cornélio Procópio(PR). É filha de Aldemar de Souza Davi e Maria Rosa Lopes Davi e irmã de Dayse. É casada com Oger Luiz Soares Médola, com quem tem duas filhas: Laís e Beatriz. Na cidade natal cursou o primário no Grupo Escolar Lourenço Filho e no Grupo Escolar André Seugling. Fez o ginásio na Escola Estadual Castro Alves, onde também fez os dois primeiros anos do Ensino Médio. Concluiu o Ensino Médio no Colégio Canadá. Em 1984 graduou-se em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina(UEL) e, em 1992, concluiu a Graduação em Licenciatura em História na Universidade do Sagrado Coração(Bauru, SP). Em sua trajetória no mercado, trabalhou na emissora da Rede Globo e afiliada da extinta Rede Manchete. Em 1991 ingressa como professora do magistério superior no Departamento de Comunicação da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design(FAAC) na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”(UNESP), Campus de Bauru. Em 1993 começou o Mestrado em Projeto, Arte e Sociedade pela UNESP, na área de concentração em Comunicação e Poéticas Visuais, desenvolvendo, sob a orientação de Maria Teresa Miceli Kerbauy, a dissertação“A produção comercial de vídeo em Bauru”. Seu principal objeto de análise é o texto televisual. No Mestrado investigou questões relativas à linguagem audiovisual a partir da análise de textos videográficos sob o ponto de vista da Retórica Nova, da Teoria da Informação e da Semiótica. No período 375 do Doutorado em Comunicação e Semiótica, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), tornou-se membro do Centro de Pesquisas Sociossemióticas – CPS(PUC-SP, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas/Universidade de São Paulo (USP-FFLCH) e Centro Nacional de Pesquisa Científica(CNRS) de Paris), centro interinstitucional que reúne pesquisadores nacionais e internacionais interessados nos estudos da semiótica de linha francesa. Participou de atividades de formação oferecidas pelo CPS. Sua abordagem centra-se no problema do sincretismo de linguagens no texto audiovisual e os métodos e técnicas usados nas suas pesquisas desenvolvidas tanto no CPS quanto em projetos conduzidos na Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação(FAAC-UNESP). Foi membro do ateliê de Semiótica Visual e do ateliê Semiótica Sincrética, chegando a ser coordenadora deste último no ano 2000. Coordenou, ainda, os trabalhos do ateliê Sincretismo e Mídia(2001) e do ateliê Sincretismo e Televisão(2002). Em 2001 defendeu a tese “Novela das oito e suas estratégias de textualização. Terra Nostra: a saga ressemantizadora”, sob a orientação de Ana Claudia Mei Alves de Oliveira. Em 2010 aprovou sua Livre-Docência na UNESP, com o título“Televisão: linguagem e significação”. Além de participações em livros, periódicos, congressos e palestras, tem coordenado diversos projetos de pesquisa e extensão na Graduação. No ensino, ministrou disciplinas direcionadas à televisão, estética televisual, teoria da imagem e som, roteiros de TV, direção de programas de TV, narrativa televisual, semióticas das mídias e teoria da Comunicação. Em 2006 organizou o Grupo de Estudos Audiovisuais(GEA), com a participação de discentes da Graduação e da Pós-Graduação, que reúne pesquisadores com interesse nos estudos da linguagem, estética e os modos de produção audiovisual, notadamente no processo de convergência tecnológica nas mídias digitais(especialmente a televisão) e plataformas digitais, bem como suas implicações na forma de produção e circulação de conteúdo. Na Pós-Graduação está vinculada à linha de pesquisa“Produção de Sentido na Comunicação Midiática” do Programa de PósGraduação em Comunicação da FAAC-UNESP. Ana também foi coordenadora do referido programa no período de 2004 a 2007. Integrou, ainda, o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Televisão Digital: formação e conhecimento da UNESP, durante o período de 2007 a 2014. 376 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Coordenou diversos projetos de pesquisas, dentre eles:“A TV Digital no Brasil: linguagem e perspectivas para a inclusão digital”;“Projeto integrado de pesquisa em TV Digital: interatividade, conteúdo e estética”;“TV UNESP: produção e circulação de conteúdos audiovisuais em plataforma convergente”;“Televisão interativa: estratégias enunciativas e interações sociais”;“Televisão: linguagem e significação”; e“Regimes de interação e sentido na Comunicação audiovisual em conteúdos autônomos: o papel actancial da IA na enunciação”. Na extensão universitária seu interesse é pelas atividades de ação social em parcerias com órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Participa das discussões sobre protocolo para o enfrentamento ao desaparecimento de crianças no âmbito do projeto“Rede Estratégica e de Enfrentamento ao Desaparecimento de Crianças Redesparc”. Também desenvolveu projetos junto a equipe da TV UNESP, como“A Apae Bauru e o que ela tem de melhor: gente”, que criou produtos educativos com a TV UNESP. Também tem ocupado espaços na administração e gestão, desempenhando o papel de diretora da TV UNESP(2010-2017) e do Centro de Rádio e Televisão Cultural e Educativa da UNESP (1993-1998). Foi diretora de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Televisões Universitárias(ABTU – 2014-2017). Ocupou o cargo de vice-presidente em instituições como a Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós – 2007-2009), a Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação(Socicom – 20082012) e a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom – 2014-2017). É líder do Grupo de Estudos Audiovisuais(GEA), da UNESP, e membro do Centro de Pesquisas Sociossemióticas(PUC-SP, USP-FFLCH, CNRS-Paris). Entre as principais publicações está o livro“Televisão: linguagem e significação”(2019), coletânea de textos produzidos após seu Doutorado. Ana Silvia também colaborou na organização de livros: 2020: coorganizou o e-book“Produção de sentido na cultura midiática”; 2019: organizou o e-book“A nova Televisão – do YouTube ao Netflix” e em 2007: coorganizou“Imagem, visibilidade e cultura midiática: Livro da XV Compós”. Em periódicos e anais de congressos, destaca-se a coautoria do artigo“The Effect of Sense of Movement in Audiovisual Media: A Study on Kineticism as a Formant of Expression in Globo News’ Institutional Motion 377 Sequence Intolerância”, de 2021; e também o artigo“Terra Nostra: estratégias de textualização na novela das oito”, publicado no ano de 2002. Entre trabalhos completos em anais de congresso, está o artigo“Da TV analógica para a digital: elementos para a compreensão da práxis enunciativa”, de 2006. Capítulos de livros que ilustram sua trajetória:“Globo Media Center: televisão e internet em processo de convergência midiática”, que integra o “Livro XIV da Compós” publicado em 2006;“Televisão digital, mídia expandida por linguagens em expansão”, que integra o Livro da Compós, publicado em 2009;“Lógicas de articulação de linguagens no audiovisual”, que compõe o livro“Linguagens na Comunicação: desenvolvimentos de semióticas sincréticas”, de 2009. Ana Silvia Lopes Davi Médola consolidou-se como um dos nomes femininos atentos às questões de linguagem, estética e significação audiovisual. Ela firmou seu percurso nos estudos da semiótica discursiva de linha francesa desenvolvidos no Brasil sobre os textos televisuais, que acompanharam o processo de transformação tecnológica, cultural e social da produção e consumo de conteúdo televisual brasileiro. Principais publicações BARROS, Laan Mendes de; MARQUES José Carlos; MÉDOLA, Ana Silvia Lopes Davi. Produção de sentido na cultura midiática coleção. Belo Horizonte: PPGCOM/UFMG, 2020.(Coleção Olhares transversais). CAMINOS, Alfredo; MÉDOLA, Ana Sílvia; SUING, Abel(org.). A nova televisão – do YouTube ao Netflix. 2. ed. Aveiro: RIA Editorial, 2019. 313 p. MÉDOLA, Ana Silvia Lopes Davi. Globo Media Center: televisão e internet em processo de convergência midiática. In: LEMOS, André; BERGER, Christa; BARBOSA, Marialva(org.). XIV COMPÓS – narrativas midiáticas contemporânea. Porto Alegre: Sulina, 2006. MÉDOLA, Ana Silvia Lopes Davi. Televisão digital, mídia expandida por linguagens em expansão. In: SQUIRRA, Sebastião; FECHINE, Yvana(org.). Televisão digital: desafios para a Comunicação. Porto Alegre: Sulina, 2009. MÉDOLA, Ana Silvia Lopes Davi. Televisão: linguagem e significação. Curitiba, PR: Editora Appris, 2019. 378 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MÉDOLA, Ana Silvia Lopes Davi; PEREIRA, Henrique da Silva. The Effect of Sense of Movement in Audiovisual Media: A Study on Kineticism as a Formant of Expression in Globo News’ Institutional Motion Sequence Intolerância. Revista Comunicación y Sociedad, Universidad de Guadalajara, 2021. 379 IRENE MACHADO Regiane Miranda de Oliveira Nakagawa Irene de Araújo Machado nasceu em 13 de março de 1954 em São Paulo(SP). É filha de Clarício de Araújo e Clarice Noale de Araújo. Na Educação Básica estudou no Grupo Escolar Gabriela Mistral, na Escola Estadual Johannes Gutenberg e no Instituto de Educação Estadual Padre Anchieta. Em 1972 ingressou no curso de Letras Orientais Russo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas(FFLCH) da Universidade de São Paulo(USP), em pleno regime militar. Nas primeiras semanas do curso engajou-se no comitê local dos presos políticos, quando ocorreu o assassinato do estudante Alexandre Vannucchi Leme. Durante a Graduação participou do“Grupo de Teatro das Letras” e realizou traduções e adaptações de obras clássicas. Finalizou a Graduação em Letras Vernáculas em 1977, opção oferecida pela universidade para os estudantes de russo da época devido às frequentes interferências que o curso sofria. Ingressou no Mestrado em Comunicação e Semiótica(COS) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP) em 1979, para estudar semiótica pela perspectiva russa. Foi orientada por Haroldo de Campos e sua dissertação,“Analogia do dissimilar. Bakhtin e o Formalismo Russo”, foi contemplada no II Concurso de Teses Universitárias no campo das Ciências Humanas, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo em 1986, que resultou na sua publicação em 2011. Retornou à USP para a realização do Doutorado em Letras, onde desenvolveu a tese“O romance e a voz. A poética dialógica de Mikhail Bakhtin”, defendida em 1993 e orientada por João Alexandre Costa Barbosa. 380 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Desde o término de sua Graduação atuou como professora de Ensino Médio em escolas privadas da cidade de São Paulo, como Móbile, Palmares, Logos, Mater Dei e Pinheiros. Ainda durante o Doutorado foi convidada para redigir um livro sobre literatura e redação para professores de Ensino Médio e Fundamental, que resultou na obra “Literatura e redação. Gêneros literários e tradição oral”, publicada em 1994. Em virtude desse trabalho e a convite da editora, viajou por diferentes cidades do país para ministrar palestras e cursos. No final do Doutorado foi aprovada no concurso da então Escola Técnica Federal e passou a lecionar na cidade de Cubatão(SP), e, como consequência dessa experiência, realizou, em parceria, o documentário de curta metragem“Cubatão transfigurada”, sobre uma invasão de punks nas siderúrgicas, que foi contemplado pela Lei do Curta e exibido nas salas de cinema de São Paulo. Após dois anos e meio, conseguiu sua transferência para a Escola Técnica Federal de São Paulo. Ainda durante o Mestrado começou a lecionar na Graduação em Letras da Universidade Paulista(Unip), onde ministrou a disciplina Literatura Portuguesa durante oito anos. Atuou em cursos oferecidos pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, quando desenvolveu cadernos e apostilas para o órgão. Logo após a defesa do Doutorado, foi convidada como professora visitante do Departamento de Linguística da USP, onde permaneceu até começar a atuar como docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, em 1998. Lá assumiu a disciplina Semiótica da Cultura e desenvolveu trabalho de difusão da obra de Iúri M. Lotman e de formação de pesquisadores na área. Constituiu o grupo de pesquisa Oktiabr, vinculado ao Diretório de Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), e, em 2005, foi a responsável pela organização do I Encontro Internacional para o Estudo da Semiosfera, que contou com pesquisadores tanto do Brasil quanto do exterior, cujos trabalhos foram publicados em 2007 no livro “Semiótica da Cultura e Semiosfera”. Em 2003 publica o livro “Escola de Semiótica. A experiência de Tártu-Moscou para o Estudo da Cultura”, obra de referência e relevante para a afirmação do campo da Semiótica da Cultura no Brasil. Irene fundou a Associação Brasileira de Estudos Semióticos(Abes) em 2001 e foi sua presidente nos dois primeiros anos, tendo sido 381 uma das responsáveis pela organização, naquele mesmo ano, do V Congresso Brasileiro de Semiótica e do I Congresso Internacional de Estudos Semióticos, realizado na Faculdade de Ciências e Letras (FCL) da Universidade Estadual Paulista“Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Campus Araraquara, em 2003. Também coordenou o Núcleo de Pesquisa(NP) de Semiótica da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) de 2000 a 2008. Foi a idealizadora do projeto editorial e editora científica dos sete primeiros números(2001-2004) da Galáxia: Revista Transdisciplinar de Comunicação, Semiótica e Cultura, vinculada ao COS PUC-SP. Em 2005 foi aprovada para a vaga de Linguagem Verbal I, II, III, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP). Logo foi convidada para compor a comissão responsável pela concepção da revista MATRIZes, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação(PPGCOM), onde atuou como editora científica dos três primeiros números, de 2007 a 2009. Posteriormente exerceu a mesma função na Significação: Revista de Cultura Audiovisual, de 2012 a 2020. Também foi presidente da Comissão de Pesquisa da ECA de 2018 a 2023. Em 2011 defendeu sua Livre-Docência, com o trabalho intitulado “Língua entre linguagens: a argumentação gráfica na Comunicação da ciência”. Foi professora permanente no PPGCOM/USP de 2007 a 2012, onde também ofereceu a disciplina Semiótica da Cultura e criou o Grupo de Pesquisa Semiótica da Comunicação, vinculado ao Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. Em seguida foi credenciada no PPG Meios e Processos Audiovisuais, tendo sido sua coordenadora de 2017 a 2019, e ministrando a disciplina Tradução Intersemiótica. Passou a atuar no PPG em Artes Visuais na ECA em disciplinas voltadas à discussão da experiência estética. É bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, Nível 1C. É vinculada à Associação Nacional dos Programas de PósGraduação em Comunicação(Compós), na qual foi coordenadora dos Grupos de Trabalho Comunicação e Cultura, Epistemologia da Comunicação e Comunicação e Experiência Estética. Também fez parte da comissão editorial da Revista E-Compós de 2013 a 2016. Foi a responsável pela organização, edição e tradução do livro“Mecanismos imprevisíveis da cultura”, obra de Iúri M. Lotman 382 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS (2022), cuja versão em inglês foi editada pela Biblioteca Lotmaniana da Universidade de Tallin, na Estônia, em 2013. Irene de Araújo Machado trabalha com a perspectiva que vai de encontro à visão da semiótica como mero instrumento de análise, situando-a como um modo de raciocínio que, antes de tudo, deve servir de base para a formulação de problemas e questionamentos voltados à apreensão dos processos de semiose em diferentes fenômenos de linguagem. Ela desenvolve pesquisas voltadas à promoção do diálogo entre tal abordagem e os campos da Comunicação, do Cinema e das Artes. Principais publicações LOTMAN, Iúri. Mecanismos imprevisíveis da cultura. Organização, edição, tradução e notas Irene Machado. 1. ed. São Paulo: Hucitec, 2021. 341 p. MACHADO, Irene. Literatura e redação. Gêneros literários e tradição oral. São Paulo: Editora Scipione, 1994. MACHADO, Irene. Semiótica como teoria da Comunicação. In: WEBER, Maria Helena; BENTZ, Ione; HOHLFELDT, Antonio. Tensões e objetos da pesquisa em Comunicação. Porto Alegre: Sulina, 2002. MACHADO, Irene. Escola de Semiótica. A experiência de Tártu-Moscou para o estudo da cultura. Cotia: Ateliê Editorial, 2003. MACHADO. Irene. Vieses da Comunicação: explorações de Marshall McLuhan. São Paulo: Annablume, 2014. MACHADO. Irene(org.). Semiótica da cultura e semiosfera. São Paulo: Editora Annablume, 2007. MACHADO, Irene. Analogia do dissimilar. Bakhtin e o formalismo russo. São Paulo: Perspectiva, 2011. 383 ANA CLAUDIA DE OLIVEIRA Alessandra Barros Marassi Ana Claudia Mei de Oliveira nasceu em 3 de janeiro de 1954 em Ribeirão Preto(SP). É filha de Luzia Mei de Oliveira e de Saulo Alves de Oliveira. Estudou no Ginásio Estadual Geraldo Rodrigues, em Orlândia, e depois transferiu-se para o Ginásio Keller, em Rio Claro. Terminou o Ginásio na Associação de Ensino de Ribeirão Preto. Na sequência fez o primeiro e o segundo anos do Curso Científico no Colégio Marista, concluindo-o na Associação de Ensino de Ribeirão Preto. Fez Graduação em Língua e Literatura Portuguesa na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP)(1972-1975). Em 1976 concluiu sua segunda Graduação em Publicidade e Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM) em São Paulo, a qual cursou simultaneamente. Em seguida iniciou um estágio na área de propaganda, cujo trabalho envolveu a criação de uma nova disciplina no currículo do Ensino Básico da PUC-SP. Em 1983 defendeu o Mestrado no Programa de Estudos PósGraduados em Comunicação e Semiótica na PUC-SP, com a dissertação“Regressão/progressão: neolítico/arte moderna”, sob a orientação de Décio Pignatari. Em 1995 recebeu o Prêmio de Melhor Dissertação da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Iniciou seu Doutorado no mesmo Programa, onde desenvolveu a tese“A fala gestual”, sob orientação de Fernando Segolin, defendida em 1989. As pesquisas, tanto no Mestrado quanto no Doutorado, receberam apoio do Conselho de Ensino e Pesquisa(Cepe) da PUC-SP. Em sua trajetória como pesquisadora, realizou dois estágios PósDoutorais na École des Hautes Études en Sciences Sociales(EHESS), 384 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS na França, sendo o primeiro entre os anos de 1990-1991 e o segundo entre os anos de 1992-1994, ambos com Bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo(Fapesp), com pesquisas vinculadas à área de Linguística, Letras e Artes. Sua atividade na área acadêmica foi majoritariamente construída na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), quando começou a atuar como professora titular na Graduação em 1994. Nesta instituição desenvolveu diversas outras atividades também na Pós-Graduação, quando foi coordenadora do Programa de PósGraduação em Comunicação e Semiótica(PPGCOS) de 2005 a 2009 e vice coordenadora de 2009 a 2011. Participou da Comissão de Bolsas do PPGCOS e, desde 2014, é coordenadora da Linha de Pesquisa 1 – Regimes de Sentidos nos Processos Comunicacionais, fundamentada em teorias semióticas, dos dispositivos e de suas linguagens específicas. Desde 2009 participa das comissões de avaliação de dissertações e teses e da seleção de novos alunos. Sua atividade como orientadora de Mestrado e Doutorado no PPGCOS já formou mais de 160 pesquisadores. Na sua atuação como membro de diferentes conselhos, comissões e associações, destaca-se o vínculo com a Associação Brasileira de Estudos Semióticos(Abes), engajando-se na organização do III Congresso Internacional da Abes em 2007. Também é membro do Conselho de Ex-Presidentes da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas(Anpap). Desde 1995 atua como consultora ad hoc para instituições como a Fapesp, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Plano de Incentivo à Pesquisa(Pipeq), uma iniciativa da PUC-SP. Entre os anos de 1999 e 2021 foi coordenadora do Grupo de Pesquisa Com Semiótica, da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós). Dos anos 1999 a 2024 foi membro da Diretoria da Associação Ibero-americana de Comunicação(Assibercom), em que cocoordena a DTI 7: Estética dos discursos mediáticos. Desde 2018 é vice-presidente da Federazione Romanza di Semiotica(Fedros), faz parte do Conselho Científico da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Moda (Abepem) e cocoordena o GT3:“Corpo, moda e Comunicação” no Colóquio de Moda. 385 Ana Claudia também é líder do Centro de Pesquisas Sociossemióticas (CPS), que codirige com pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique(CNRS), da França, e está envolvida em diversos acordos nacionais e internacionais para o desenvolvimento da pesquisa semiótica. Além disso, atua como diretora da Revista Acta Semiótica e como parecerista de vários periódicos acadêmicos. Nas áreas da Comunicação, Letras e Linguística possui uma vasta produção bibliográfica composta por artigos científicos bem como pela publicação de aproximadamente 60 livros. Entre eles,“As interações Sensíveis. Ensaios de sociossemiótica a partir da obra de Eric Landowski”(2013), uma coletânea que reúne artigos de pesquisadores de diversas partes do mundo com o objetivo de abordar a trajetória do semioticista Eric Landowski e sua contribuição para a compreensão da semiótica como um agente social que transcende a linguística. Com a Coleção Sociossemiótica ela oferece uma contribuição valiosa a partir da série de obras publicadas:“Sociossemiótica I. Moda, consumo e construção da imagem”(2021),“Sociossemiótica II. Sentido, estesia, gosto”(2021),“Sociossemiótica III. Interação, mídia e cultura participativa”(2021), e“Sociossemiótica IV. Mídia e Política”(2021). Essa publicação comemora os 25 anos do CPS. Vale destacar, também, sua obra Sentidos da cultura paulistana(2022), em que aborda os modos de estar no mundo e como as interações e práticas sociais são(re)significadas na constituição do sentido. Ana Claudia Mei de Oliveira tem uma carreira marcada por sua dedicação à pesquisa em Semiótica e à promoção do estudo interdisciplinar da Comunicação e da estética. Sua carreira acadêmica destaca-se por seu trabalho contínuo no ensino, pesquisa e na extensão, que envolve acordos com centros de investigação nacionais e internacionais. Principais publicações OLIVEIRA, Ana Claudia de. As interações sensíveis. Ensaios de sociossemiótica a partir da obra de Eric Landowski. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2013. OLIVEIRA. Ana Claudia de. Sociossemiótica I. Moda, consumo e construção da imagem. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2021. 386 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS OLIVEIRA. Ana Claudia de. Sociossemiótica II. Sentido, estesia, gosto. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2021. OLIVEIRA. Ana Claudia de. Sociossemiótica III. Interação, mídia e cultura participativa. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2021. OLIVEIRA. Ana Claudia de. Sociossemiótica IV. Mídia e política. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2021. OLIVEIRA, Ana Claudia de; JUNQUEIRA, Maria Aparecida. Sentidos da cultura paulistana. São Paulo: Estação das Cores e Letras, 2022. 387 CLOTILDE PEREZ Daniela Osvald Ramos Maria Clotilde Perez Rodrigues nasceu em 30 de abril de 1970 em São Paulo(SP). É filha de Agustin Perez Magariños e Carmen Rodriguez, imigrantes espanhóis. Aluna de escolas públicas, ela formou-se em Magistério no Colégio Derville Allegretti, mas não se via dando aulas para crianças. Ingressou no curso de Administração da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP) em 1990, mesmo ano em que entrou em seu primeiro emprego no Banco Francês. Permaneceu por dez anos neste emprego, e sua área de atuação era o Marketing. Em 1995, no primeiro ano do Mestrado em Administração, com foco em Publicidade e Propaganda(PP) e Marketing, iniciou sua carreira na PUC-SP como professora auxiliar, com aulas de Marketing para os cursos de PP e Administração. No Doutorado dedicou-se à semiótica, sendo orientada por Lucia Santaella. A defesa da tese foi em novembro de 2001, e em setembro de 2002 ingressou por concurso público na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo(USP), no Departamento de Publicidade, Relações Públicas e Turismo. Em 2003 enviou projeto de pesquisa para o Programa de PósGraduação em Ciências da Comunicação(PPGCOM) da ECA intitulado“Desenvolvimento de metodologias para análise das expressões de Marca”, assim como a oferta do primeiro curso, “Semiótica das expressividades da marca”, em 2004, iniciando a fundação do estudo de Publicidade, Marca e Consumo a partir da semiótica peirciana. 388 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Coordenadora deste mesmo PPGCOM a partir de 2021, Clotilde passou por diversos cargos de gestão na ECA, como membro, vice-presidente e presidente de comissões, tendo sido, também, chefe de Departamento de 2017 a 2021. Ainda em 2023 foi renovada sua Bolsa de Produtividade 2 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Em 2007 fez o concurso interno para a Livre-Docência e em 2017 para professora titular em Publicidade e Semiótica. Nos anos seguintes à LivreDocência fez três Pós-Doutorados: de 2008 a 2009 na Universidad de Murcia, Espanha, com bolsa da Fundacion Carolina, em Ciências Sociais Aplicadas e Publicidade; em 2010 e 2011 na Universidade Católica Portuguesa, Porto, também nestas áreas; e em 2013 na Stanford University, nos Estados Unidos, em Design Thinking. Os resultados e o processo do(s) Pós-Doc(s) articularam parcerias com uma rede de pesquisadores ibéricos que se consolidou ao longo destes anos, resultando em convênios de mobilidade internacional para alunos de Graduação e Pós-Graduação da ECA, a criação de um Master en Tendencias Socioculturales, na Espanha, e a participação em projetos de formação da Universidade Católica Portuguesa(UCP). A atuação desta rede, aliada a universidades e pesquisadores do Chile, Peru e Argentina, culminou em publicações e pesquisas e na criação do Observatorio de la Pandemia em 2020. Participou da criação e da coordenação do Grupo de Pesquisa Publicidade e Propaganda no Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação(Intercom), e na criação e coordenação do Grupo de Trabalho Consumos e Processos de Comunicação da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós). Ajudou a fundar, em 2007, a Associação Brasileira dos Pesquisadores em Publicidade e Propaganda(ABP2), o Grupo de Estudos em Semióticos em Comunicação, Cultura e Consumo (GESC3) e a Revista Signos do Consumo, uma estratégica triádica de produção e circulação de pesquisa. Foi fundadora da Casa Semio em 2015, que aplica a Semiótica às relações entre marcas e pessoas, com clientes de diferentes segmentos, como o automobilístico, supermercados, empresas de mídia, entre outros; uma inovação de mercado e também acadêmica, pois promove o intercâmbio entre as duas esferas. Foi na Casa Semio que iniciou uma formação em Psicanálise em conjunto com o grupo Associação Livre SP. Transitando pela Comunicação e PP, Consumo, Semiótica, Antropologia e Psicanálise, sua pesquisa 389 desenvolveu-se para o entendimento dos rituais de consumo, como estão registrados nos artigos“A mediação algorítmica nos rituais de consumo e a criatividade programada na cultura sneaker”(2022) e “Os rituais do brincar midiatizado: uma reflexão sobre a articulação de sentidos na produção e no consumo no brincar online da criança conectada”(2021), e no livro“Há limites para o consumo?”(2020). Outros temas de consumo, como a moda e a publicidade de causas sociais, permeiam os artigos publicados em periódicos e no livro “Charles Sanders Peirce – a fixação da crença”(2023), que contribui para o entendimento de fenômenos contemporâneos que vão da desinformação às teorias da conspiração. Na área de extensão da USP destacam-se a criação, coordenação e docência de dois cursos de Especialização: MBA Negócios e Estética, na modalidade Ensino a Distância, e Cultura Material& Consumo, Perspectivas Semiopsicanalíticas. Maria Clotilde Perez Rodrigues é consolidadora em um campo inovador da Comunicação brasileira: o da pesquisa em Consumo na área de Publicidade e Propaganda, com articulações teóricas fundamentadas na Semiótica de Charles Sanders Peirce, na Antropologia e, mais recentemente, na Psicanálise. Principais publicações PEREZ, C. Mascotes, semiótica da vida imaginária. 1. ed. São Paulo: Cengage, 2011. 144 p. V. 1. PEREZ, C. Signos da marca – expressividade e sensorialidade. 2. ed. São Paulo: Thomson Learning, 2017. 184 p. PEREZ, C. Há limites para o consumo? São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2020. HELLÍN, Pedro; CONTRERAS, Fernando; PEREZ, Clotilde; ROMERA, César. Cultura global publicitária. Una epistemologia visual sobre estética y consumo en la era digital. Salamanca: Comunicación Social Ediciones, 2023. PEREZ, Clotilde. Charles Sanders Peirce: a fixação da crença. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2023. 155 p. 390 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste CRISTINA COSTA Carla de Araujo Risso Maria Cristina Castilho Costa nasceu em 19 de dezembro de 1949 em São Paulo(SP). É filha de Oswaldo Mariano da Costa e de Elza Mariano da Costa. Cursou o Primeiro Grau no Colégio Dês Oiseaux e o segundo grau no Dante Alighieri. Em 1973 graduou-se em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP). Iniciou a Pós-Graduação nessa mesma universidade, mas transferiu-se para a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas(FFLCH) da Universidade de São Paulo(USP), antiga FFCL. É psicanalista formada pelo Instituto Brasileiro de Ciência e Psicanálise e atua em clínica psicanalítica. Na FFLCH concluiu o Mestrado em Antropologia com a dissertação “O retrato feminino na Pintura Brasileira – do realismo ao romantismo – análise estética e sociológica”, em 1985, orientada por Liana Maria Sálvia Trinidade. O Doutorado foi defendido no mesmo programa, em 1990, com a tese“A pintura do Barroco Mineiro – mitos e história”, sob orientação da mesma professora. A dedicação à pintura, desenho, cerâmica e gravura, quando jovem, percorreu intensamente suas pesquisas. Durante o período da Pós-Graduação fez parte do Centro de Estudos de Sociologia da Arte na mesma faculdade, onde atuou em inúmeros seminários e cursos com professores. A convivência com nomes emblemáticos da pesquisa voltada à cultura brasileira, acabou por pavimentar o caminho que Cristina trilharia. Fora da vida acadêmica, trabalhou por cinco anos no então Instituto Cultural Itaú, tornando-se Superintendente Cultural – a primeira mulher a ocupar esse cargo no grupo Itaúsa. Entre 1994 e 1995 foi 391 assessora especial da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, sendo a responsável por auxiliar na municipalização dos museus do Estado. Em 1996 foi aprovada em concurso público para lecionar na Escola de Comunicações e Artes(ECA) da USP, em Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa(RDIDP). Lá logo passou a fazer parte do Centro de Estudos de Telenovela, tendo defendido sua Livre-Docência –“O gancho da telenovela – análise estética e sociológica” –, em 1997. Na ECA foi, diversas vezes, vice-chefe de Departamento, editora da revista Comunicação e Educação, coordenadora da Pós-Graduação lato sensu Gestão de Processos Comunicacionais e presidente da Comissão de Pesquisa da unidade. No ano 2000, como presidente da Comissão de Biblioteca da ECA, tornou-se responsável pelo arquivo composto por 6.137 processos de censura prévia ao teatro em São Paulo, originados do Serviço de Censura do Departamento de Diversões Públicas do Estado de São Paulo(DDP-SP). A partir deste material surgiu o Projeto Temático Comunicação e censura: análise teórica e documental de processos censórios a partir do Arquivo Miroel Silveira da biblioteca da ECA/ USP, iniciado em 2009 com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp). Cristina formou um grupo de estudos que trabalhou com essa documentação até 2020. Em reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelos pesquisadores do Arquivo Miroel Silveira, o Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura(NPCC) foi institucionalizado em agosto de 2009. Resultado de dez anos de pesquisa do antigo NPCC, o Núcleo de Apoio à Pesquisa Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura(OBCOM-USP) foi fundado por Cristina em agosto de 2012, com a intenção de mapear as formas de censura existentes na sociedade. Cristina fez dois Pós-Doutoramentos: na Universidade de Coimbra e no Centro de Investigação Media e Jornalismo – CIMJ – de Lisboa (Portugal), sediado na Universidade Nova de Lisboa, analisando comparativamente os documentos de processos censórios criados no período ditatorial de Getúlio Vargas no Brasil e Antonio de Oliveira Salazar em Portugal. Maria Cristina Castilho Costa aposentou-se em 2020 e é professora sênior do Departamento de Comunicações e Artes desde 2021. Tem Bolsa de Produtividade em Pesquisa desde 2008 e pesquisa sobre “EduComunicação – a arte e o saber – estudo das manifestações da ciência sobre a arte e da arte sobre a educação”. 392 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Principais publicações COSTA, Cristina. Arte: resistências e rupturas. São Paulo: Moderna, 1998. 103 p. COSTA, Cristina(org.). Censura, repressão e resistência no teatro brasileiro. São Paulo: Annablume: Fapesp, 2008. 145 p. COSTA, Cristina; BACCEGA, Maria Aparecida(org.). Gestão da Comunicação. São Paulo: Paulinas, 2009. 222 p. COSTA, Cristina(org.). Comunicação, mídias e liberdade de expressão. São Paulo: Intercom, 2013. 471 p. COSTA, Cristina. Sociologia. Introdução à ciência da sociedade. 5. ed. São Paulo: Moderna, 2016. 544 p. COSTA, Cristina(org.). Privacidade, sigilo e compartilhamento. São Paulo: Instituto Palavra Aberta, 2017. 207 p. 393 BRASILINA PASSARELLI Antonio Hélio Junqueira, Rodrigo Eduardo Botelho-Francisco Brasilina Passarelli nasceu em 26 de setembro de 1955 em São Paulo(SP). É filha de Miguel Passarelli e Izabel Lopes Passarelli, filha única de uma família de imigrantes italianos. Teve os estudos iniciais no Colégio Nossa Senhora das Dores, escola feminina de freiras católicas, de onde saiu para fazer o preparatório para o vestibular. Queria cursar Arquitetura ou Cinema, mas ingressou na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP) no curso de Biblioteconomia e Documentação, concluído em 1976. Da universidade para o mercado, seu primeiro emprego foi como chefe da Biblioteca Central da Themag Engenharia Ltda., uma empresa de consultoria em engenharia sediada no Largo do Arouche, em São Paulo. Voltou à ECA para o Mestrado em Ciências da Comunicação, oportunidade em que conheceu o professor Frederic Litto, reconhecido por estudar os sistemas de informação automatizados, influenciando sua trajetória. Seduzida pelas possibilidades de atuação na academia, deixou o emprego como executiva e ingressou no Doutorado em Ciências da Comunicação(ECA) em 1993, com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Sob orientação do professor Litto, defendeu sua tese intitulada“Hipermídia na aprendizagem-construção de um protótipo interativo: a escravidão no Brasil”. Tratava-se de uma monografia impressa acompanhada de uma interface multimídia utilizando o software Hypercard, propiciando acesso a cenas de filmes e entrevistas que realizou. Nos anos de 1992 e 1993 esteve em estágio sanduíche na Michigan State University, sob orientação de Carrie Heeter. Mais tarde, em 394 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 2008, realizou Pós-Doutorado em Madri, na Universidad Carlos III, como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Tratou-se de um desdobramento do período em que foi professora visitante do curso de Doutorado intitulado “Análise Documental de Conteúdo e Organização do Conhecimento em Educação” daquela universidade, a convite de Miguel Ángel Marzal, diretor do Programa de Doutorado em Documentação. Já com o Doutorado concluído, em 1995 foi convidada a assumir a Diretoria de Desenvolvimento de Negócios para Educação da Apple Computer Brasil Ltda. Iniciou, então, uma série de viagens, visitas técnicas e intercâmbios, que incluíam os EUA e o Canadá. Entre suas atribuições estava tanto a concepção e supervisão da criação de campanhas publicitárias quanto o desenvolvimento de projetos educacionais estratégicos em todos os níveis de educação. Na ECA já tinha colaborado com a criação de seu orientador, Frederic Litto, a Escola do Futuro, onde desenvolveu uma série de projetos voltados especialmente para uma perspectiva multimídia, hipertextual e interativa, envolvendo desenvolvimento de jogos, sites e outros instrumentos voltados para estudantes de diferentes níveis e com objetivos, em linhas gerais, de introdução ao universo da informática. Em 1998, enquanto coordenava o Laboratório de Interfaces em Educação da Escola do Futuro, prestou concurso público para professora assistente no Departamento de Biblioteconomia e Documentação. De volta à casa onde formou-se e no cargo de docente, continuou o trabalho na Escola do Futuro, coordenando o desenvolvimento de projetos e pesquisas com o objetivo de construir comunidades virtuais de aprendizagem e de prática. Em 2003 prestou o concurso de Livre-Docência na ECA, com a tese “Interfaces digitais na educação:@lucin[ações] consentidas”, que veio, em 2007, a ser publicada pela Escola do Futuro. Quatro anos depois, novamente por meio de concurso público, foi aprovada para o cargo de professora titular do Departamento de Informação e Cultura, também da ECA. Atuou como vice-chefe do Departamento no biênio 2006-2007 e como chefe do Departamento nos períodos de 2010-2012 e de 2012-2014. Entre 2017-2021 foi vice-diretora da ECA e, em 2021, foi eleita sua diretora, com cargo que se estende até 2025. Atuou, 395 ainda, como vice-presidente da Aguia – Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica –, no período de 2020 a 2022. Ao longo de sua carreira acadêmica, além da Ciência da Informação, dedicou-se também às Ciências da Comunicação, onde formou-se na Pós-Graduação. Desde 2002, como docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação(ECA), transita entre interesses de pesquisa no entorno da cultura digital, das perspectivas netnográficas sobre consumo de informação e produção do conhecimento pelos atores em rede, das literacias de mídia e informação de professores do Ensino Fundamental e Médio, bem como de ingressantes no terceiro grau, da cultura maker e da transformação digital, discutindo impactos da Inteligência Artificial, Internet das Coisas e Big Data, entre outros fenômenos da ecologia midiática contemporânea. As Comunidades Virtuais de Aprendizagem e de Prática, que outrora eram alvo de projetos da Escola do Futuro, vieram a constituirse como uma linha de pesquisa, abrigando diferentes projetos e intervenções. Da agregação e confluência de toda essa atuação, nasceu, em 2008, o Observatório da Cultura Digital, funcionando como uma linha e, também, como um grupo de pesquisa certificado pelo CNPq, com objetivos de prover uma plataforma tecnológica e de referencial teórico para reflexão sobre os cenários mundiais e nacionais, envolvendo a educação presencial e a distância na sociedade da produção do conhecimento. Nesta trajetória podem ser citados os projetos“Ecossistema de Inovação na Educação Básica”(desde 2020);“O Futuro-Agora e os Desafios do Contemporâneo Hiperconectado nos Currículos da Graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação” (2018-2019);“Conectividade Contínua e Acesso Móvel à Informação Digital; jovens brasileiros em perspectiva”(20162017);“Coworking nos Postos do AcessaSP: Conexões Científicas do Programa de Inclusão Digital AcessaSP”(2016)”;“Educação& Tecnologia: Estado da Arte dos cursos livres disponíveis na Internet, com ênfase na aprendizagem de programação(Coding)(2015); “Juventude Conectada”(2013-2014);“Abordagens Comparativas sobre Inclusão Digital nas Américas: mapeamento, caracterização e sistematização dos programas e/ou projetos em diferentes geografias”(2013-2014);“Tecnologia Social e Empreendedorismo no Universo Web: proposta de narrativa transmídia”(2013);“O 396 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Estado da Arte no Uso da Internet sem Fio Onde Existem Postos do AcessaSP”(2012-2013);“Gerações Interativas Brasil: Crianças e Adolescentes Diante das Telas”(2011-2012);“TôLigado – o Jornal Interativo da sua Escola”(2001-2006);“Nexus – da informação ao conhecimento”(desde 2001) e“Criando Comunidades Virtuais de Aprendizagem e de Prática”(desde 2001). Até 2023 ela contava com 26 livros publicados, incluindo organizações e edições. Possui, ainda, 19 capítulos de livros publicados. Além disso, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento de programas de computador, produtos tecnológicos, processos e técnicas de avaliação para atividades de produção do conhecimento, bem como na supervisão e avaliação técnica do Programa Acessa São Paulo de Inclusão Digital( on-line). Brasilina uniu prática e teoria em projetos de pesquisa-ação, o que também atinge o pensamento comunicacional. É coordenadora científica do Nace Escola do Futuro. Concebeu e passou a promover os Seminários de Pesquisa e o Inventando Futuros. De 2013 a 2016 foram realizadas seis edições nacionais e uma internacional dos Seminários de Pesquisa. No âmbito da Comunicação mediada por dispositivos digitais e pelas literacias de mídia e informação(Media and Information Literacy – MIL), foi originado o Inventando Futuros, liderado por ela, no qual pesquisadores do Observatório da Cultura Digital foram responsáveis pelas duas edições do evento, realizadas em 2014 e 2015 na Universidade de São Paulo, sendo a primeira delas por ocasião da celebração dos 25 anos de criação da Escola do Futuro. No cenário internacional ela é coordenadora dos convênios de cooperação acadêmica entre o Novas Tecnologias de Comunicação Aplicadas à Educação da Escola do Futuro e Information Communication Technologies for Development(ICT4D Collective), órgão da Royal Holloway da Universidade de Londres. O ICT4D Collective, iniciado em 2004, foi premiado com o status de um Unesco Centre for ICT4D, Centro de Estudos de Tecnologias e Ciências da Comunicação(CETAC.media – Universidade do Porto). Ao longo de sua carreira, Brasilina Passarelli tem conduzido uma perspectiva de trabalho que combina projetos de intervenção(pesquisa-ação) sobre inclusão social e aquisições e desenvolvimento de literacias informacionais, com pesquisas destinadas a avaliar seus impactos e compreender as dimensões e 397 implicações dos seus resultados. Constrói um caminho que permite e estimula os pesquisadores a atuarem em um contexto histórico e socioeconômico amplo e contemporâneo. Principais publicações PASSARELLI, B.; ANGELUCCI, A. C. B. Media and Information Literacy Among Brazilian K-12 Teachers: A Case Study at Guarujá Municipal Education System. In: WORLD MULTICONFERENCE ON SYSTEMICS, CYBERNETICS AND INFORMATICS, 27., 2023, Orlando: International Institute of Informatics and Systemics, 2023. p. 152-156. PASSARELLI, B.; ANGELUCCI, A. C. B. The Hyperconnected Contemporary Society. In: ROBINSON, Laura; SCHULZ, Jeremy; WILLIAMS, Apryl(org.). Media from the Country of the Future. 13. ed. London, UK: Emerald Group, 2017. p. 343-362. PASSARELLI, B.; STRAUBHAAR, J.; CUEVAS-CERVERÓ, A.(org.). Comparative Approaches to Digital Age Revolution in Europe and the Americas. 1. ed. New York: Idea Group reference, 2015. 562 p. V. 1. PASSARELLI, B.; JUNQUEIRA, A. H. Juventude conectada Brasil. 1. ed. São Paulo: Fundação Telefônica, 2014. 200 p. V. 1. PASSARELLI, B.; JUNQUEIRA, A. H. Gerações interativas Brasil: crianças e jovens diante das telas. 1. ed. São Paulo: Escola do Futuro – USP, 2012. 352 p. V. 1. PASSARELLI, B.; AZEVEDO, J. M.(org.). Atores em rede: olhares luso-brasileiros. 1. ed. São Paulo: Editora Senac-SP, 2010. 254 p. V. 1. 398 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste MARIA CRISTINA GOBBI Ofelia Elisa Torres Morales Maria Cristina Gobbi nasceu em 7 de setembro de 1959 em São Paulo(SP). É filha de Eunice Ribeiro e José Gobbi, e mãe de Juliana. No Ensino Fundamental estudou no Grupo Escolar João Ramalho, e no Ensino Médio na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus Senador Filinto Muller. Tem Bacharelado e Licenciatura Plena em Matemática(1986) pelo Centro Universitário Fundação Santo André(CUFSA) em São Paulo. Finalizou o Mestrado em Comunicação Social(1999) pela Universidade Metodista de São Paulo(UMESP), com a dissertação “Na trilha juvenil da mídia impressa: identificação, perfil e análise dos suplementos para jovens veiculados nos jornais diários do Brasil”, sob orientação de José Marques de Melo. O Doutorado em Comunicação Social(2002) foi realizado na mesma instituição, com a tese“Escola Latino-Americana de Comunicação: o legado dos pioneiros”, também sob orientação de José Marques de Melo. Concluiu o Pós-Doutorado(2008) no Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (PROLAM/USP). É livre-docente em História da Comunicação e da Cultura Midiática na América Latina(2014) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho(UNESP). Iniciou sua carreira em 1987 nas cidades de Santo André e São Bernardo do Campo(SP), ministrando aulas de Processamento de Dados, Lógica e Linguagem de programação. A partir de 1998 inicia a docência na área da Comunicação Social, tendo ministrado disciplinas na Graduação, Especialização, Mestrado e Doutorado. 399 Na UMESP foi professora, entre 1998 e 2010, nas áreas do Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Comunicação mercadológica, ministrando as seguintes disciplinas: Estatística Aplicada; Metodologia da Pesquisa; Pesquisa de Mercado; Metodologia dos Projetos Experimentais; Pesquisa em Comunicação; Teorias da Comunicação; e Teoria da Opinião Pública. Foi coordenadora dos Projetos Experimentais do curso de Jornalismo, assim como das monografias de final de curso(20002005). Realizou atividades de extensão no Núcleo de Educação a Distância, cursos de Especialização em docência do Ensino Superior, treinamentos, entre outros. Foi docente em outras instituições particulares, como: Centro Universitário Alcântara Machado(Unifiam-2002), Faculdade Editora Nacional(Faenac-2003), Universidade Católica de Santos (Unisantos-2003), Centro Universitário Presidente Antônio Carlos (UNIPAC-2006) e na Universidade de Sorocaba(UNISO-2010). Na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho(UNESP), onde começou em 2008, e na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação do Campus Bauru-SP, ministra aulas na Graduação, Especialização e no Programa de Mestrado e Doutorado em Comunicação. As disciplinas que ministra são: Métodos de Pesquisa em Jornalismo; Pensamento Jornalístico na América Latina; História do Jornalismo; Teorias da Comunicação; Teorias do Jornalismo; Projeto Experimental e Estágio Curricular; História da Comunicação; Metodologia da Pesquisa em Comunicação; Teoria e Métodos da Pesquisa em Comunicação; e Planejamento de Projetos(turma de Relações Públicas). No Programa de Pós-Graduação em Comunicação/UNESP e no Programa de Pós-Graduação em Mídia e Tecnologia(PPGMiT/ UNESP), ministra disciplinas como Pesquisa em Mídia e Tecnologia: procedimentos e técnicas; Matrizes Comunicacionais LatinoAmericanas; Pesquisa Aplicada: aspectos críticos, quanti e qualitativos; Teorias da Comunicação; Metodologia da Pesquisa em Comunicação; Teorias da Comunicação; Conhecimento, Informação e Inovações Tecnológicas; além de desenvolver projetos de pesquisa. Supervisionou estágios de Pós-Doutorado no âmbito do Programa Nacional de Pós-Doutorado na Pós-Graduação em Comunicação da UNESP e na Cátedra Unesco de Comunicação Para o Desenvolvimento Regional(Cátedra Unesco/UMESP). 400 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Cristina desenvolveu atividades como chefe do Departamento de Comunicação Social da FAAC/UNESP(2017-2019), e foi vicecoordenadora(2009-2017) e professora do Mestrado profissional (2009-2019). É membro da Comissão Administrativa, representante docente do Conselho, representante do Programa de PósGraduação em Comunicação e integrante da Congregação, da Comissão Permanente de Ensino e do Comitê de Ética da Pesquisa da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação(FAAC). Na área de extensão coordena o acervo audiovisual do Centro de Pesquisa e Documentação(CPDOC) da FAAC-UNESP(2016), e participa da Empresa Júnior de Engenharia e Arquitetura da UNESP de Bauru – divisão de Comunicação(2019). Desenvolve projetos de pesquisa nas Ciências da Comunicação, especialmente nas áreas de História da Comunicação e da Cultura Midiática, História e Memória(Comunicação); Comunicação LatinoAmericana; Culturas Juvenis; Cultura Popular; Diversidade Cultural; Gênero; Perfis midiáticos-culturais(instituições e personalidades); Teorias da Comunicação e da Cultura na América Latina; Jornalismo e suas Nuances Sociais e Tecnológicas na América Latina. Atua em atividades de pesquisa na Rede Latino-Americana de Cátedras e Observatórios de Comunicação e Informação para a cidadania e para a cultura, começando em 2022 o projeto de pesquisa“Do silenciamento à palavra: a presença da mulher nos estudos em Comunicação na América Latina e a Agenda 2030”. Cristina é bolsista de Produtividade em Pesquisa – Nível 2 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), coordenadora do Grupo de Pesquisa sobre o Pensamento Comunicacional Latino-Americano(PCLA) do CNPq e é bolsista Fapesp(2023-2025), com o projeto Enciclopédia Digital do Pensamento Comunicacional Latino-Americano(PCLA) – Seção Mulheres na Comunicação. Também foi bolsista do Instituto de Pesquisa Aplicada(IPEA-2010-2013), sendo responsável pela pesquisa “Panorama das Comunicações e Telecomunicações no Brasil 2011”. Desde 2018 é avaliadora e consultora ad-hoc(institucional e dos cursos de Comunicação) do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação(INEP/MEC). Além disso, é membro de corpo editorial de diversas revistas brasileiras e latino-americanas, sendo sócia de associações 401 relacionadas à Comunicação social, como Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência(SBPC) e Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor). Em 2008 integrou-se à Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Foi diretora de Documentação(2008-2011) e membro do Conselho Fiscal(2017-2019) desta entidade, tendo coordenado grupos de trabalho temáticos e diversas ações de divulgação do campo científico da Comunicação. Foi diretora administrativa (gestão 2013-2016) da Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação(Socicom), e diretorasecretária e membro do Conselho Fiscal da Rede Folkcom(20122018). Entre 2019 e 2023, por duas gestões, foi presidenta da Associação Brasileira de Pesquisadores e Comunicadores em Comunicação Popular, Comunitária e Cidadã(ABPCom). É diretora administrativa e editora da Revista da Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación(Alaic – desde 2022), e integra a Red Iberoamericana de Investigadores en Cultura y conocimiento de los Sistemas Alimentarios(México). Na Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional(Cátedra Unesco/UMESP), desenvolveu atividades como diretora suplente, atuando na coordenação das Comissões e Consultorias, no Conselho Editorial da publicação do Anuário Unesco e foi coordenadora de Publicação e Documentação da Cátedra Unesco/UMESP(1998-2010). Cristina foi ganhadora do Prêmio Luiz Beltrão – Maturidade Acadêmica, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(2014). Suas principais publicações estão vinculadas ao desenvolvimento de pesquisas como“Escola Latino-Americana de Comunicação: o legado dos pioneiros”(2002),“Mídia Cidadã. Utopia brasileira” (2006),“A batalha pela hegemonia comunicacional na América Latina: 30 anos da Alaic”(2008),“Estudos de Comunicação e Identidades Midiático-Culturais na América Latina: condicionantes e perspectivas”(Pesquisa de Livre-Docência Faac/UNESP, 2014), entre outras. De 2005 em diante ela tem relevante contribuição no desenvolvimento da“Enciclopédia da Pensamento Comunicacional Latino-Americano(PCLA)” e a“Seção Mulheres na Comunicação”, atualizada em versão digital(2023). Maria Cristina Gobbi tem como eixo o fortalecimento do campo científico na Comunicação a partir da teoria e da pesquisa, construindo interfaces para a compreensão do mundo na perspectiva 402 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS da cidadania e dos laços de cooperação brasileira, principalmente na região latino-americana, da mídia regional e do resgate histórico da Comunicação, especialmente no estudo das vertentes latinoamericana e brasileira. Principais publicações ANGELUCI, Alan César Belo; CALIXTO, Gustavo Moreira; BEVILAQUA, Leire Mara; BERNARDINI, Gleice; GOBBI, Maria Cristina. QRcode, hashtag or audio watermark? A case study on second screening. Multimedia Tools and Applications, v. 1, p. 1-16, 2016. GOBBI, Maria Cristina; LARA, E. C. Voces insurgente del género en América Latina: otra comunicación es posible. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, v. 21, p. 23-25, 2022. GOBBI, Maria Cristina. Do silenciamento à palavra. Mulheres nos estudos em Comunicação na América Latina. 1. ed. Portugal: Ria Editorial, 2023. 202 p. MARQUES DE MELO, José; GOBBI, M. C. Da distopia à utopia Latino Americana: rompendo o silêncio e superando o reboquismo comunicativo: 40 anos da ALAIC. In: DRUETTA, Delia Crovi; CIMADEVILLA, Gustavo(org.). Del mimeógrafo a las redes digitales. Narrativas, testimonios y análisis del campo comunicacional en el 40 aniversario de ALAIC. 1. ed. México: Ediciones La Biblioteca, 2018. p. 151-160. PERUZZO, Cicilia K. Kunch; GOBBI, M. C. Associação Brasileira de Pesquisadores e Comunicadores em Comunicação Popular, Comunitária e Cidadã – Abpcom. In: DEL BIANCO, Nélia R.; LOPES, Ruy Sardinha(org.). O campo da Comunicação. Epistemologia e contribuições científicas. 1. ed. São Paulo: Socicom, 2020. p. 397-414. 403 CLAUDIA LAGO Monica Martinez Claudia Lago nasceu em 12 de julho de 1964 em Florianópolis (SC). É filha de Mara Coelho de Souza Lago e Paulo Fernando Lago. Fez até a 6ª série do Ensino Fundamental no Instituto Estadual de Educação. Completou o Ensino Fundamental e cursou o Ensino Médio na Escola de Aplicação da Universidade Federal em Santa Catarina. Ela concluiu sua Graduação em Comunicação Social pela Faculdade Cásper Líbero em 1989, já com interesse pela análise das representações jornalísticas. No Mestrado em Antropologia, defendido em 1995 pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), teve contato com a obra de Pierre Bourdieu, relacionando-a aos estudos de jornalismo. Posteriormente fez Doutorado em Ciências da Comunicação, concluído em 2002 pela Universidade de São Paulo(USP). Iniciou sua carreira como docente na Universidade Paulista(UNIP) em 1999, quando ainda cursava o Doutorado, tendo ministrado aulas em várias universidades privadas. Anteriormente sua trajetória como profissional deu-se em assessorias de imprensa e, especialmente, em assessorias políticas. Foi assessora de Comunicação da liderança do PT durante a constituinte paulista(1988-1989), foi diretora da então Radiobrás em São Paulo(1995) e, posteriormente, assessora do, à época, deputado estadual Pedro Dallari(1996-1999), entre outras experiências. Em 2004 passou a compor as equipes gestoras de projetos no Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA/USP), do qual tornou-se membro, 404 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS como o Educom.rádio, o Educom.centro-oeste e o Educom.saúde. Em 2005 foi professora da Universidade Anhembi Morumbi, onde coordenou grupos de pesquisa. Esteve na Anhembi até 2014, quando prestou concurso e, em 2015, passou a ser professora do Departamento de Comunicações e Artes da ECA. Claudia também participou de associações profissionais, especialmente junto a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPjor), tendo sido sócia-fundadora(2003), diretora administrativa(2005-2009) e, depois, presidente(2013-2017). Na SBPJor atuou para transformar a Brazilian Journalism Research(BJR), a revista científica da associação, em periódico nacional e internacional. Também faz parte de entidades internacionais, especialmente a International Association for Media and Communication Research (IAMCR), tendo sido vice-chair e, posteriormente, chair da Journalism Media and Education Section(JRE) de 2010 a 2016, e segue membro do International Council(desde 2020). Participa de vários projetos com equipes internacionais, como o Media System in Flux(2012-2016) e o WJS3(desde 2022). Na ECA, Cláudia passou a dedicar-se às pesquisas que aproximam o campo da Comunicação do campo de estudos de gênero em um enfoque multidisciplinar. Criou o grupo de pesquisa Alteridade, Estudos de Gênero e Performances nas Comunicações e Artes (AlterGen) e o projeto de extensão Diversidade na ECA, que, desde 2017, produzem conjuntamente o evento Fazendo e Desfazendo Gênero na ECA(FZDZ). Além disso, faz parte da Rede Não Cala USP de professoras e pesquisadoras contra a violência de gênero na universidade, em que as questões teórico-metodológicas não se dissociam da atuação política. Desde 2020 integra a equipe que realizou os levantamentos do Global Media Monitoring Project(GMMP), coordenando o grupo de São Paulo. Ampliou as redes com pesquisadores/as nacionais e internacionais, fazendo parte de equipe de pesquisa sobre a diversidade na Pós-Graduação, da Section de Gender Studies da Associação Internacional para Pesquisa em Mídia e Comunicação (IAMCR), bem como na formação de uma rede de Jornalismo e Gênero dentro da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor). Claudia Lago tem trabalhado na centralidade dos sistemas midiáticos na constituição das subjetividades, da vida contemporânea 405 e, portanto, na desconstrução dos estereótipos e lugares de gênero, sexualidades, raça/etnia. Isso é feito por meio de um olhar interseccional que percebe, sobretudo, os marcadores de sexualidade, raça/etnia e classe social. Principais publicações CRUZ, E. F.; ALMEIDA, H. B.; DOLIVEIRA, A. F.; LIMA, E. F. A.; LAGO, C.; MACHADO, A. M. Don’t stay silent: Network of female professors against gender violence at University of São Paulo(USP). Annual Review of Critical Psychology, v. 15, p. 223-245, 2018. LAGO, C. Anthropological Teachings – the possibility of apprehension of the Other in Journalism. Brazilian Journalism Research, online, v. 6, p. 156-170, 2010. LAGO, C.; BENETTI, M.(org.). Metodologia da pesquisa em jornalismo. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2010. 286 p. V. 1. LAGO, C. Educação, pesquisa e engajamento: uma trajetória imbricada. In: TRINDADE, E.; VASSALO DE LOPES, M. I.; OLHSON, M. P.(org.). PPGCOM-USP 50 anos: entre o passado e o futuro, nosso percurso. 1. ed. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2023. p. 237248. V. 1. MARTINEZ, M.; LAGO, C.; HEIDEMANN, V. Estudos de gênero na pesquisa em jornalismo no Brasil. Revista Famecos, v. 29, p. e 41919, 2022. SILVA, D. K. M.; LAGO, C.(org.). EduComunicação e outras epistemologias. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2023. 2493 p. V. 1. 406 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste MARLI DOS SANTOS Alexandra Fante Marli dos Santos nasceu em 17 de junho de 1958 em São Paulo (SP). É filha de Iveraldo dos Santos Oliveira e Helena Kinhel dos Santos. Foi aluna de escola pública em São Caetano do Sul: Grupo Escolar Padre Luiz Capra e, depois, no Estadual Vila Gerty. Cursou o colegial na Escola Estadual Bonifácio de Carvalho. A primeira Graduação foi em Publicidade e Propaganda, em 1979, na Universidade Metodista de São Paulo(UMESP), e depois em Jornalismo, em 1989. Passados 14 anos de atuação no jornalismo institucional, assessoria de imprensa e gerência de Comunicação, mudou a trajetória para a área acadêmica. Voltou à UMESP em 1996 para fazer o Mestrado em Comunicação Social, sob orientação de José Marques de Melo, como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A dissertação“O homem que mordeu o cão – um estudo exploratório sobre a linguagem sensacionalista nas reportagens do telejornal Aqui Agora”, foi defendida em 1998. O Doutorado foi pela Universidade de São Paulo(USP). Orientada por Manuel Carlos da Conceição Chaparro, a tese“Cenas e sentidos na tribo raver: a ordem da fusão” estudou a recepção de conteúdos jornalísticos sobre drogas ilícitas. Defendida em 2004, a tese ganhou distinção. O estágio Pós-Doutoral foi concluído em 2020 na Universidade Federal de Goiás(UFG), sob a supervisão de Ana Carolina Temer, com o título“Formas de participação no jornalismo contemporâneo”. Um dos desdobramentos, que dialogava com a educação midiática, gerou a publicação“Desinformação e 407 Fact-checking: reflexões sobre a credibilidade no jornalismo e as experiências de checagem no Brasil”(2021). De 1980 a 2007 trabalhou com planejamento e execução de eventos, redação de textos em Comunicação e treinamentos. Atuou como repórter, editora, assessora de imprensa, gerente de Comunicação, consultora em Comunicação interna, realizadora de audiovisual e cases para concursos, em empresas como a Cooperativa de Consumo da Volkswagen(Coopervolks), Interlocadora S.A., Cooperativa de Consumo da Mercedes-Benz, Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado(IPDM), Instituto Carrefour e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJPSP). A carreira acadêmica começou na UMESP em 1999, onde permaneceu até 2017. Neste período ministrou Teoria do Jornalismo, Oficina de Jornalismo, Planejamento Gráfico e Técnica de Reportagem, Entrevista e Pesquisa e Comunicação Empresarial na Pós-Graduação. Atuou como coordenadora do curso de Jornalismo, em atividades laboratoriais, como o Site Impressão Digital, a agência de notícias Metodista Ciência, a revista Jornalismo em ação, além do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. Pesquisou jornalismo com atenção nas novas práticas de produção e difusão; Jornalismo participativo e colaborativo; Jornalismo e narrativas; Jornalismo e gêneros. Entre as funções de membro e presidente, esteve no Comitê de Ética e Pesquisa de Pós-Graduação, de Ensino, de Tecnologia, na Comissão Setorial de Avaliação da Faculdade de Jornalismo e Relações Públicas e no Colegiado do curso de Jornalismo. De 2002 a 2010 ministrou, paralelamente, cursos na Pós-Graduação em Comunicação Jornalística na PUC-SP. Atuou, também, em cursos de formação no Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo de 2003 a 2008. Elaborou, de 2009 a 2010, para o Ministério da Educação e Cultura(MEC), entrevistas e textos para um dos volumes da coleção Explorando o Ensino, distribuído aos professores de Filosofia do Ensino Médio da rede pública de ensino. Na Faculdade Cásper Líbero(FCL), onde atua desde 2018 como professora do Mestrado, coordenou a Pós-Graduação stricto sensu (até 2023) e a Pós-Graduação lato sensu. É, ainda, coordenadora do Centro Interdisciplinar de Pesquisa(CIP) e pesquisadora nas linhas de Jornalismo, Imagem e Entretenimento. Também é docente consultora da Universidade do Estado de Minas Gerais(UEMG) 408 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS e pesquisadora na Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor). Entre os projetos, destacam-se a coordenação de Iniciação Científica (UMESP); a criação do Laboratório de Pesquisa em Comunicação (LabPósCom) com equipe multidisciplinar, composta por Graduação e Pós-Graduação; a produção da Revista Comunicação& Sociedade; o Laboratório de Jornalismo Interinstitucional, com intercâmbios nacionais e internacionais; e a participação no Conselho Editorial para a criação de um dicionário de Jornalismo no Brasil. Alguns dos projetos coordenados por ela:“A percepção da credibilidade do Jornalismo no contexto da desinformação”; “Jornalismo contemporâneo e fact-checking: estratégias para o combate da desinformação/fake news”;“A influência do público nas práticas jornalísticas”;“Produção e circulação de conteúdo no Jornalismo do século XXI”;“Práticas de investigação jornalística na contemporaneidade e relações de gênero”. Marli atuou como pesquisadora da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp) entre 2017 e 2019, o que resultou no livro“Práticas de Produção no Webjornalismo”(2020). Desde 2020 é coordenadora do Grupo de Pesquisa Gêneros jornalísticos da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e, desde 2018, do Grupo de Trabalho Estudos de Jornalismo da Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Comunicação(Alaic). Coordenou o Prêmio Adelmo Genro Filho em 2019 e 2020, promovido pela SBPJor. Antes, foi avaliadora de dissertações e teses do prêmio. Lidera o Grupo de Pesquisa EmancipaJor – Jornalismo Contemporâneo, práticas para a emancipação social na cultura tecnológica –, com a realização de inúmeros eventos, especialmente Seminários de Jornalismo na Cásper Líbero, em 2021 e 2022. Marli é também vice-presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores e Comunicadores em Comunicação Popular, Comunitária e Cidadã (ABPCOM), e tem se dedicado às pesquisas voltadas à credibilidade jornalística no contexto da desinformação e a interface com a educação midiática. Entre os periódicos, como membro do corpo editorial, estão o Líbero(2020-2023); Parágrafo: Revista Científica de Comunicação Social da FIAM-FAAM(2017-2019); E-Compós(2017-2022); Comunicação, Mídia e Consumo(2016-2021); Comunicação& 409 Sociedade(2014-2017); Comunicação, Mídia e Consumo(20122014); Jornal Brasileiro de Ciências da Comunicação – JBCC(20112016); e a Revista Altejor do Núcleo de Jornalismo e Editoração da USP(2009-2014). Marli dos Santos tem no currículo 21 prêmios acadêmicos, e entre artigos e resumos publicados, capítulos de livros, apresentações em congressos e produções técnicas, acumula 339 publicações. São estudos que contribuem para a formação de novos profissionais e para o avanço da ciência e da pesquisa em Comunicação. Principais publicações MARADEI, Anelise; SANTOS, Marli dos. Violência contra as mulheres: o caso do estupro coletivo na esfera pública digital. Intercom, São Paulo, impresso, v. 40, p. 143-168, 2017. SANTOS, M. Cenas e sentidos na tribo raver: a ordem da fusão. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, v. 1, p. 158167, 2004. SANTOS, M.; TEMER, Ana C. R. P.(org.). Mulheres no jornalismo, práticas e emancipação social. 1. ed. São Paulo e Goiânia: Selo Cásper Líbero: UFG, 2018. 218 p. V. 1. SANTOS, M.; CAPRINO, Monica. Covid-19 e desinformação: ações de fact checking e educação midiática. Comunicação& Inovação, on-line, v. 21, p. 39-62, 2020. SANTOS, M. Práticas de produção no webjornalismo: estudo sobre portais e sites jornalísticos da grande mídia e da mídia independente. 1. ed. São Paulo: Cásper Líbero, 2020. 92 p. V. 1. SANTOS, M.; TEMER, A. C. P(org.). Desinformação e fact-checking: reflexões sobre a credibilidade no jornalismo e as experiências de checagem no Brasil. 1. ed. Goiânia: Cegraf-UFG, 2021. 238 p. V. 1. 410 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste MAYRA GOMES Eliza Bachega Casadei Mayra Rodrigues Gomes nasceu em 20 de janeiro de 1947 em Ribeirão Preto(SP). É filha de Matheus Goulart Rodrigues e Irene Pereira Garcia. No primário, estudou na escola Nossa Senhora Auxiliadora, em Ribeirão Preto(SP), e, posteriormente, no Colégio Notre Dame, em São Paulo(SP). Mayra fez Graduação em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP) entre 1966 e 1971, e cursou, parcialmente, a Faculdade de Direito da USP entre 1967 e 1968. Foi também nessa época que iniciou suas primeiras experiências na docência, ao ministrar aulas de gramática no Cursinho do Grêmio da Faculdade de Filosofia. Aos 22 anos mudou-se para os Estados Unidos com a sua família e, lá, teve contato com a antropologia cultural, além de ter ministrado aulas particulares de filosofia para filhos de famílias europeias de imigrantes. No retorno ao Brasil ingressou no Mestrado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA/USP), que a introduziu ao campo da Comunicação. Sob uma abordagem hermenêutica, explorou as interseções entre linguagem e Comunicação na dissertação“Um texto icônico/verbal por semana: vendo/lendo as capas de Veja”, defendida em 1992 e orientada por Dulcília Buitoni. No Doutorado, também na ECA entre 1994 e 1997, as preocupações voltaram-se para o tema“Colóquio ou solilóquio? O imperativo da interatividade e as aporias da Comunicação”, também orientado por Dulcília. É nessa época que se aproxima do Núcleo de Jornalismo e Linguagem e do Centro de Estudos em Novas Tecnologias, Comunicação e Cultura(NTC), onde tem contato com interlocutores 411 sobre linguagem e psicanálise, bem como de discussões sobre Lyotard, Foucault, Deleuze, Lacan e Derrida. Mayra realizou um estágio de Pós-Doutorado na PUC-SP em 1997, também centrado em problemáticas da interface Comunicação e ciências da linguagem. Em maio de 1999 é aprovada em um concurso no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA. Dentre as várias disciplinas ministradas, destaca-se:“Ciências da Linguagem: fundamentos das práticas midiáticas”;“Ética e Jornalismo” e“Pensamento Filosófico”, gerando diálogos entre o campo da Comunicação e o das ciências humanas. Desempenhou papéis na gestão acadêmica. Foi chefe do Departamento(de 2012 a 2014), além de participar em comissões e conselhos. Atuou com membro do Conselho do Departamento, da Comissão de Pós-Graduação e da Congregação, da Comissão de Avaliação Setorial Letras e Linguística. Foi presidente da Comissão de Biblioteca, Vice-Presidente da Comissão de Pesquisa e cocoordenadora do Grupo de Pesquisa MidiAto Estudos de Linguagem: Práticas Midiáticas. Em 2007 fundou a Anagrama, revista científica interdisciplinar da Graduação, que é coeditada com uma colega e com seus orientandos, a qual já publicou mais de 450 artigos científicos de estudantes em formação. Outra iniciativa está no âmbito do Wiki, projeto experimental-didático, desenvolvido entre 2005 e 2015, com proposta de produção e divulgação colaborativa e hipertextual sobre ciências da linguagem. Os artigos e livros publicados por ela desde o início dos anos 2000 contribuem para a análise dos meios de Comunicação a partir dos discursos, narrativas e as formas de materialização dos imaginários sociais, destacando-se os artigos“Palavra de ordem/dispositivo disciplinar”;“As materialidades e seus discursos” e“Interdiscurso nas produções seriadas televisivas: um exercício demonstrativo”. A partir de 2005, com colegas, articula o Projeto Temático, com apoio da Fapesp,“A Cena Paulista”, um estudo da produção cultural de São Paulo de 1930 a 1970, a partir do Arquivo Miroel Silveira, acervo originado no Serviço de Censura do Departamento de Diversões Públicas do Estado de São Paulo(DDP-SP). Inicialmente ela coordenou o Eixo Temático“O Poder e a Fala na Cena Paulista”, que investigava as palavras censuradas, submetendo-as à Análise de Discurso e à conexão com as relações de poder. A partir de 2009 412 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS coordenou o eixo temático“Liberdade de Expressão: Manifestações no Jornalismo”, para análise documental de processos censórios e proposição do estudo em acervos jornalísticos a respeito da censura. Em 2012 inicia-se o projeto“Dimensões Sócio-Discursivas da Censura”, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e, a partir de 2015, a pesquisa “Discurso, Hegemonia e Classificação Indicativa”, também financiada pelo CNPq. Essas pesquisas geraram uma série de artigos em revistas e congressos, a exemplo de:“A colonização da cultura: ainda sobre Classificação Indicativa”;“Sobre supervisão e controle: um exercício em torno da classificação indicativa”; e“Palavras proibidas: conclusões de um estudo sobre expressões censuradas em peças teatrais”. De 1995 a 2023 publicou 66 artigos em periódicos científicos, 18 livros e 34 capítulos de livros. Além disso, orientou 23 dissertações de Mestrado, 26 teses de Doutorado, 50 pesquisas de conclusão de curso e 40 de iniciação científica. Conquistou Bolsa Produtividade em Pesquisa do CNPq bem como inúmeros apoios à pesquisa por parte das agências de fomento ao longo dos anos. Os livros são também indicativos de sua contribuição intelectual:“Comunicação e Identificação. Ressonâncias no jornalismo”(2008);“Ética e jornalismo”(2004);“Jornalismo e filosofia da Comunicação”(2004) e“Poder no Jornalismo”(2003). Mayra Rodrigues Gomes é reconhecida por seus trabalhos focados nas interseções entre Ciências da Linguagem e Estudos Comunicacionais, além das pesquisas sobre Censura e Liberdade de Expressão. É professora titular do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA-USP. Principais publicações GOMES, M. R. Ética e jornalismo. São Paulo: Escrituras, 2004. GOMES, M. R. Jornalismo e filosofia da Comunicação. São Paulo: Escrituras, 2004. GOMES, M. R. Palavras proibidas: conclusões de um estudo sobre expressões censuradas em peças teatrais. Media& Jornalismo, v. 12, p. 95-114, 2008. 413 GOMES, M. R. Comunicação e identificação. Ressonâncias no jornalismo. Cotia: Ateliê Editorial, 2008. GOMES, M. R. Coleção Bordando o manto do mundo(volumes 1, 2 e 3). São Paulo: ECA-USP, 2018. GOMES, M. R.“Interdiscurso nas produções seriadas televisivas: um exercício demonstrativo”. Matrizes, v. 15, p. 57-76, 2021. 414 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste ROSE DE MELO ROCHA Simone Luci Pereira Rose de Melo Rocha, batizada Rosamaria Luiza, nasceu em Belo Horizonte(MG). É filha de Vera Iolanda Luiza de Melo Rocha e de Osiris Rocha. Seus irmãos são Dinorah e Marcus. Em Belo Horizonte cursou, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Graduação em Comunicação Social, tendo realizado seu primeiro estágio de pesquisa sob orientação de Vera Regina Veiga França. Em São Paulo cursou o Mestrado em Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo(UMESP), sob a orientação de Wilson Bueno e coorientação informal de Ciro Marcondes Filho, tendo como tema as manifestações do grafite na cidade e as transformações da Comunicação, do espaço e do tempo urbanos. O Doutorado foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Escola de Comunicação e Artes(ECA) da Universidade de São Paulo(USP), sob orientação de Ciro Marcondes Filho, junto ao Centro de Estudos e Pesquisas em Novas Tecnologias, Comunicação e Cultura(NTC), do qual foi membro fundadora. Ali desenvolveu sua tese“Estética da violência: por uma arqueologia dos vestígios”, que articulou questões ligadas à violência, Comunicação, linguagens, cidade e estetização, tendo recebido o Prêmio Intercom de melhor tese de Doutorado em 1999. Rose realizou três Pós-Doutorados: no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais/Antropologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), junto ao Núcleo de Estudos da Complexidade e sob a supervisão de Edgar de Assis Carvalho, tendo contado com bolsa da Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp); no Programa Postdoctoral en Ciencias 415 Sociales, Niñez y Juventud, organizado e oferecido pelo Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales(Clacso) e Red de Posgrados en Infancias y Juventudes(Red Inju), efetivado entre os anos 2020 e 2021 com bolsa da Clacso e sob supervisão de Esperanza Paredes; e no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia(UFBA), um PósDoutorado sênior que contou com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), realizado junto a linha de pesquisa em Artes, Gêneros e Sexualidades do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Culturas, Gêneros e Sexualidades (NuCuS), sob supervisão de Leandro Colling. Os dois últimos estágios demarcam suas pesquisas para as questões de sexualidade e gênero, bem como consolidam o estudo de manifestações ativistas e estético-políticas no âmbito das culturas juvenis. Desempenhou atividades como jornalista, redatora e assessora de comunicação nos primeiros anos de formada. Trabalhou em jornais e na Associação Nacional do Solo Urbano(Ansur) em São Paulo. Como professora, iniciou sua carreira em 2000 na Faculdade do Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio(Senac), em São Paulo, onde ministrou“Antropologia Visual”,“Análise da Imagem” e“Metodologia” em cursos de Graduação e Especialização, nas áreas de Design e Fotografia, tendo sido, também, pesquisadora e coordenadora de linha de pesquisa. No mesmo ano ingressou como docente na PUC-SP nos cursos de Comunicação Social /Publicidade e Propaganda e Multimeios e cursos de Especialização, em disciplinas como“Publicidade e cenários urbanos”,“Publicidade e cinema”,“Novas tecnologias”, “Teoria da Mídia”,“Comunicação Comparada”,“Pós-Modernidade e as Novas Racionalidades Técnicas” e“Sociedade de Redes”. Na mesma instituição foi, ainda, membro e pesquisadora do Complexus – Núcleo de Pesquisa sobre Estudos da Complexidade, liderado por Edgard de Assis Carvalho, atuando, ainda, como pesquisadora na Linha de Pesquisa“Metrópole, consumo e culturas Juvenis”, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, no qual começou o compartilhamento de pesquisas e projetos com Silvia Helena Simões Borelli, cuja parceria gerou a fundação, em 2005, do Grupo de Pesquisa“Comunicação e Culturas Urbanas” na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Rose coordenou o grupo entre 2009 e 2012. 416 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Em 2003 ingressou na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM/SP), onde é titular e pesquisadora da Linha de Pesquisa “Comunicação, consumo e contextos de recepção” do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas do Consumo (PPGCOM-ESPM) desde a sua fundação. Além de ministrar aulas, coordena comissões e projetos de extensão. Foi coordenadora desse PPG entre 2012 e 2015 e coordenadora adjunta entre 2008 e 2011, e coordenou o Programa de Mestrado Interinstitucional em Comunicação e Consumo ESPM/Ielusc(Instituto Superior e Centro Educacional Luterano Bom Jesus)(2020-2022). Entre 2009 e 2019 foi professora colaboradora no PPG Estudos de Mídia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). Fundou e é líder do Grupo de Pesquisa(CNPq)“Juvenalia – questões estéticas, geracionais, raciais e de gênero na Comunicação e no consumo” desde 2015, espaço destacado que reúne investigadores de diversas instituições do Brasil e do exterior. No âmbito de suas atividades no PPG, vale destacar, ainda, a coordenação do Grupo de Trabalho(GT)“Comunicação, consumo e novos fluxos políticos: ativismos, cosmopolitismos, práticas contra hegemônicas”, dentro do Congresso Internacional de Comunicação e Consumo(Comunicon). No âmbito internacional, é integrante e pesquisadora, desde 2009, da rede de investigação constituída junto ao GT“Infancias y juventudes en América Latina” no Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales(Clacso), tendo sido uma de suas fundadoras e participando da equipe de Comunicação e da coordenação do eixo“Hegemonías, violencias y prácticas culturales y políticas de resistencia y re-existencia”. No âmbito do GT Clacso e da Red Inju, tem atuado como uma das coordenadoras do Obervatorio de Infancias y Juventudes e como professora no Diplomado Superior en Juventudes da Clacso. Entre os seus trabalhos de editoria, destaca-se a participação nos comitês editoriais de periódicos nacionais, como E-Compós, Contracampo, Significação, Rumores, Matrizes, Galáxia, entre outros, bem como na Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Niñez y Juventud, da Colômbia. Além disso, organizou diversos livros e coletâneas. Alguns focos temáticos e de investigação em seu trajeto acadêmico são destaque: as relações entre imagens e imaginários; estética, política, Comunicação e consumo; Comunicação e questões de gênero; e os a(r)tivismos musicais de gênero, tema sobre o qual publicou inúmeros artigos e livros. Soma417 se a este enfoque seu papel como uma das proponentes do GT “Comunicação, Gêneros e Sexualidades” da Compós, do qual foi coordenadora entre os anos de 2021 e 2022. Seus orientandos receberam importantes premiações: Prêmio Vera Giangrande de Iniciação Científica na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) em 2009, e Prêmio da Associação Brasileira dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) de Teses e Dissertações/Categoria Mestrado, em 2018. Sua produção faz-se sob três enfoques principais: 1) a relação entre ativismos, politicidades, audiovisibilidades e entretenimento, com ênfase em questões raciais, geracionais e de gênero; 2) o experimentalismo juvenil transfeminista; e 3) a articulação entre expressões estéticas, Comunicação e consumo, com destaque para as experiências e formas dissensuais e desviantes. Rose de Melo Rocha é pesquisadora, escritora e professora, cujo trabalho intelectual é profícuo no âmbito da reflexão teórica, da gestão acadêmica e liderança de grupos de pesquisa, em especial na articulação entre os campos da Comunicação, da estética e da política e na atuação como juvenóloga. Principais publicações ARAUJO, Denise; BARROS, Ana Thais; CONTRERA, Malena; ROCHA, Rose de Melo(org.). Imag(em)inário: imagens e imaginário na Comunicação. 1. ed. Porto Alegre: Imaginalis e Editora Council, 2018. 509 p. V. 1. ROCHA, Rose de Melo; BORELLI, Silvia; OLIVEIRA, Rita de Cassia; SILVA, Josimey; SOARES, Rosana; SILVA, Gislene da. Jovens na cena metropolitana: percepções, narrativas e modos de Comunicação. 1. ed. São Paulo: Paulinas, 2009. 184 p. V. 1. ROCHA, Rose de Melo. Comunicación y consumo: por una lectura politica de los modos de consumir. In: BACCEGA, Maria Aparecida (org.). Comunicación y culturas del consumo. 1. ed. Barcelona: Comunicación Social Ediciones, 2012. p. 145-158. V. 1. ROCHA, Rose de Melo. Artivismos musicais de gênero: bandivas, travestis, gays, drags, trans, não-bináries. 1. ed. Salvador: Devires, 2021. 164 p. V. 1. 418 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS ROCHA, Rose de Melo. Artivismos juveniles de género en São Paulo: flujos diaspóricos y modos de resistencia estético-políticas. In: ALVARADO, Sara Victoria; JARAMILLO, Oscar Armando(org.). Violencias, contra-hegemonías y re(ex)istencias en clave de niñeces y juventudes latinoamericanas. 1. ed. Buenos Aires: Clacso; Manizales: Cinde: Universidad de Manizales, 2023. p. 191-222. V. 1. 419 ESTHER HAMBURGER Karin Müller Esther Imperio Hamburger nasceu em 6 de fevereiro de 1960 em São Paulo(SP). É filha de Ernst e Amélia Hamburger e tem cinco irmãos mais novos. Foi alfabetizada em inglês e passou por diversas escolas, como a Escola do Jockey, Instituto Pirajussara de Ensino e Rainha da Paz, e o Ensino Médio cursou no tradicional Colégio Equipe. Cursou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo(USP) entre 1978 e 1982, e logo iniciou o Mestrado em Sociologia na mesma instituição, época em que o movimento estudantil lutava pela democracia, no qual era atuante. Fez parte da reconstrução da União Nacional dos Estudantes(UNE) e, na própria universidade, formou grupos de alunos para construir um centro de pesquisa no Departamento de Ciências Sociais. Durante a Graduação trabalhou como estagiária na Fundação Seade e na Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas(Fipe). No Mestrado trabalhou como assessora técnica na Secretaria de Planejamento e Finanças da Prefeitura de São Paulo. Este cargo levou-a a analisar o movimento autonomista de Santo Amaro em sua dissertação de Mestrado. Em 1985 iniciou no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) como assistente de pesquisa e coordenadora de campo da professora Ruth Cardoso, em uma pesquisa sobre a participação popular no governo da Prefeitura de São Paulo. Permaneceu lá por 15 anos, tornando-se bolsista em 1987 e interrompendo o período de bolsa para ingressar no Doutorado fora do país em 1988. Além disso, também coordenou um projeto sobre telenovelas e fecundidade durante seu Doutoramento como bolsista da 420 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) nos Estados Unidos. Na Universidade de Chicago decidiu analisar a televisão americana, mas acabou analisando as telenovelas brasileiras com a tese Politics and intimacy in Brazilian Telenovelas. Após seu Doutorado permaneceu no país para realizar o Pós-Doutorado na Universidade do Texas, em Austin, entre os anos de 1999 e 2000. De volta ao Brasil tornou-se livre-docente da USP, título obtido em 2008, e foi chefe do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicação e Artes(ECA-USP) entre os anos de 2006 e 2010. Logo depois, até 2014, presidiu o Cinema da USP(Cinusp) Paulo Emílio, sala de cinema gratuita e aberta ao público dentro do Campus, continuando na equipe gestora como vice-presidente. Entre 2009 e 2013 foi membro do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, mantenedora dos canais da TV Cultura, de São Paulo. Em 2019 atuou nos cursos de verão na Universidade de Zagreb, na Croácia. No ano seguinte, como convidada, ministrou disciplinas na Universidade de Columbia, nos EUA, com temas sobre a história do audiovisual e do audiovisual no Brasil. Esther é membro do Conselho da ECA-USP e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais. Ministra disciplinas como Expressões Audiovisuais de Desigualdades, A Evolução do Cinema Vérité, Off-Hollywood: uma História de Cinema Independente Americano, Noções Estéticas de um Cinema Radical, Representações da Pobreza e da Violência no Cinema e na Televisão, História do Audiovisual Brasileiro, Projeto Temático Orientado e Gênero, Literatura e Cinema. Também atua como líder no projeto de pesquisa Imagem e Vida na Metrópole, e coordena o Laboratório de Investigação e Crítica Audiovisual(Laica) da USP. Tem projeto de extensão desenvolvido na Cátedra Unesco Media Information Literacy and Intercultural Dialogue, o qual agrega cinco parceiros internacionais para realizar pesquisas sobre estudos midiáticos. É membro do corpo editorial de seis revistas acadêmicas, entre elas a Revista Laika, a Significação e a Revista Barca. Fora da USP exerce cargos como representante da USP na Rede Unitwin Unesco de Universidades em Letramento Midiático e Diálogo Intercultural, vinculada à Unesco. Ela também faz parte de comitês de assessoramento da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo(Fapesp) e do Centre International de Liaison des Ecoles 421 de Cinéma et de Télévision, da França. Além desses, é presidente da Associação Cultural Kinoforum, com sede em São Paulo, a qual é voltada para três dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Organizações das Nações Unidas(ONU): Educação de qualidade, Igualdade de gênero e Redução das desigualdades. Esther publicou uma única obra individual, fruto de sua tese de Doutorado:“Brasil antenado – a sociedade das novelas”, lançado em 2005, o qual reflete sobre a representação da nacionalidade em tramas como Vale Tudo e Roque Santeiro. Participou de outras três publicações como organizadora, duas delas pela Unesco e outra pela Universidade Autônoma de Barcelona:“Media and Information Literacy: Reinforcing Human Rights”(2016);” Media and information literacy in critical times: Re-imagining learning and information environments”(2019); e“Estudos de cinema SOCINE IX”(2008). Participou como autora de capítulos em mais de 40 obras nacionais e internacionais publicadas. Em 2023 produziu“Eduardo Coutinho: cinema de conversa”, um capítulo na obra“Cabra marcado para morrer”; em 2001“Representações sobre Reprodução nas Telenovelas Brasileiras”, na obra“Saúde Reprodutiva na Esfera Pública e Política”; e o capítulo“Wired Up to the World: Performance and Media in Contemporary Brazil”, na publicação “Brazil and the Americas”, edição alemã, de 2008. Suas publicações e, principalmente, sua atuação nos mais diversos cargos ligados ao cenário do audiovisual, tornam-na importante pesquisadora da área, levando os estudos midiáticos brasileiros a serem reconhecidos e reverberados também fora do país. Esther Imperio Hamburger figura na área da Antropologia, Ciências Sociais e Comunicação Social e é reconhecida por sua pesquisa sobre o contexto social na área do audiovisual, especialmente nas produções de telenovelas brasileiras. Principais publicações HAMBURGER, Esther. O Brasil antenado – a sociedade das novelas. São Paulo: Zahar Editores, 2005. HAMBURGER, E. I.; SOUZA, G.; MENDONCA, L.; AMANCIO, T. (org.). Estudos de cinema SOCINE, 9. 1. ed. São Paulo: Anablume, 2008. 390 p. 422 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS HAMBURGER, E. I. Wired Up to the World: Performance and Media in Contemporary Brazil. In: BIRLE, Peter; COSTA, Sérgio; NITSCHACK, Horst(org.). Brazil and the Americas. Frankfurt: Vervuert, 2008. HAMBURGER, E. I.; SINGH, Jagtar; KERR, P. A.(org.). Media and Information Literacy: Reinforcing Human Rights. 1. ed. Paris: United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization(Unesco), 2016. 299 p. HAMBURGER, E. I. Eduardo Coutinho: cinema de conversa. In: ALMEIDA, Rogério; SOUSA, Christiane Pereira de; MEDEIROS, Kamilla (org.). Cabra marcado para morrer. São Paulo: Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 2023. TORNERO, J. M.; OROZCO, G.; HAMBURGER, E. I.(org.). Media and information literacy in critical times: Re-imagining learning and information environments. 1. ed. Barcelona: Universidad Autónoma de Barcelona, 2019. 423 CRISTINA MUNGIOLI Ligia Prezia Lemos Maria Cristina Palma Mungioli nasceu em 11 de dezembro de 1958 em São Paulo(SP). É filha de Maria de Lourdes Garavello Palma e Ezequiel Palma Peres. É a quinta filha entre sete irmãos. Casou-se com Antônio Saverio Rincon Mungioli e com ele tem três filhos – Rafael, Daniela e Artur –, e quatro netos – Ruth, Cecilia, Julia e Martin. Nos primeiros anos do Ensino Fundamental estudou na Escola Estadual Chiquinha Rodrigues, em São Paulo. Nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio estudou na Escola Estadual Prof. João Solimeo, também em São Paulo. Cristina começou sua carreira docente ainda no 2º ano do curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo(USP). A primeira disciplina que ministrou foi Língua Portuguesa em um curso de Magistério na Rede Estadual de Ensino de São Paulo. Estava, então, com 19 anos. Concluiu o Bacharelado em Alemão e português em 1980 e a Licenciatura em português em 1981. A seguir passou três anos em Grenoble, na França, e, ao retornar, concluiu a Licenciatura de Língua Alemã, em 1986. Ainda em 1986 prestou concurso para o cargo de professor na Rede Estadual de Ensino, porém, no ano seguinte, pediu exoneração devido a problemas de saúde de um de seus filhos, retornando à atividade docente em 1990, mas na rede privada. Voltou a estudar em 1992, desta vez na Faculdade de Educação da USP, no curso de Pedagogia, concluído em 1994. Seu interesse por metodologia de ensino de língua portuguesa ampliou-se, quando começou a pensar 424 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS em fazer Mestrado com vistas ao estudo da linguagem a partir de uma perspectiva comunicacional. Realizou parte dos estágios obrigatórios da Licenciatura em Pedagogia no Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério(Cefam Butantã). Ao terminar os estágios obrigatórios foi convidada pela direção da escola a assumir as aulas de Língua Portuguesa e de Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa, fato que a fez prestar novamente concurso, em 1995, para professora da Secretaria de Estado da Educação e assumir o cargo no próprio Cefam Butantã. Devido à extinção do projeto, Cristina exonera-se do cargo em 1996. Em 1995 termina a habilitação em Administração Escolar. No ano seguinte começou o Mestrado em Educação pela Faculdade de Educação da USP, na área de Linguagem e Educação, orientada por Alice Vieira. As questões da Comunicação e sua interface com a educação adensam-se. Ainda em 1995 começou a trabalhar no Colégio Galileu Galilei e foi eleita para a função de organizadora da Área de Língua Portuguesa e Filosofia. Naquele ano passou a atuar no Ensino Superior privado. O título de mestre em Educação veio em 2000, com a dissertação“Narrativas e computador: diálogos entre mundos reais e mundos possíveis”. Em 2002 prestou o exame para Doutorado na Escola de Comunicação e Artes ECA/USP e, aprovada, passou a ser orientada por Maria Lourdes Motter. De 2001 a 2003 lecionou na Faculdade Integração Zona Oeste (Fizo), nos cursos de Publicidade e Propaganda, de Pedagogia e de Letras. Estagiou no Programa de Aperfeiçoamento de Ensino(PAE) na ECA, realizado de 2003 a 2005, quando acompanhou a disciplina Língua Portuguesa, Redação e Expressão Oral II; fez monitorias na disciplina de Pós-Graduação Ficção e História: Comunicação e Construção da Realidade, de 2004 e 2005. Sua tese de Doutorado,“Minissérie Grande Sertão Veredas: gêneros e temas construindo um sentido identitário de nação”, foi defendida em setembro de 2006, quando voltou a exercer a atividade docente na Faculdade Fizo no curso de Pedagogia e Letras. Em 2008 foi aprovada em concurso para professora no Departamento de Comunicações e Artes da ECA, onde leciona desde então. Nos cursos de Graduação ministra as disciplinas Linguagem Verbal nos Meios de Comunicação I e II; Metodologia do Ensino da Comunicação com Estágio Supervisionado; e atuou em Metodologia 425 do Ensino da EduComunicação com Estágio Supervisionado. Também orienta Trabalhos de Conclusão de Curso na Licenciatura em EduComunicação. No Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação ministrou Narrativas Televisuais e Identidades, de 2009 a 2016. Ministra, também, Narrativas Televisivas de Ficção: Discursos, Gêneros e Formatos, e Métodos; e Técnicas Aplicadas à Pesquisa em Comunicação, esta última em parceria com colegas. Como pesquisadora atuou de 2008 a 2015 no Centro de Estudos de Telenovela da ECA(CETVN), onde desenvolveu pesquisas sobre ficção televisiva seriada sob a perspectiva dos estudos de linguagem. Foi pesquisadora do Observatório Ibero-Americano de Ficção Televisiva(Obitel). No período de 2013 a 2015 foi vicecoordenadora do Obitel e do CETVN. Em 2015 criou e passou a liderar o Grupo de Pesquisa Linguagens e Discursos nos Meios de Comunicação(GELiDis), certificado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e pelo Programa de Pós-Graduação ECA. No âmbito da gestão universitária, Cristina foi coordenadora da Licenciatura em EduComunicação da ECA entre 2014 e 2016 e, entre 2015 e 2017, foi presidente da Comissão de Relações Internacionais. Em 2016 realizou estágio Pós-Doutoral, com bolsa parcial da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp), no Centre d’Étude sur les Images et les Sons Médiatiques(Ceisme) da Universidade Sorbonne Nouvelle, coordenado por François Jost. Em seu retorno, em 2016, foi eleita para a chefia do Departamento de Comunicações e Artes, onde permaneceu até 2020. Desde 2021 é vice-chefe do mesmo Departamento. Foi coordenadora do Grupo de Pesquisa Ficção Seriada da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) de 2011 a 2014, e na Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação(Alaic) atuou em diversas frentes como coordenadora do GI Ficção Televisiva e Narrativa Transmedia de 2014 a 2016 e como uma das coordenadoras do GI Culturas, comunicación y narrativas transmedia: ficcionalidades y prácticas de consumo no congresso da entidade em 2022. É editora adjunta da Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación e coordenadora do Grupo de Trabalho Estudios de Televisión y Streaming na mesma Associação. Cristina é professora livre-docente, título obtido em 2021 com a tese“Narrativas televisivas de ficção: discursos, gêneros e 426 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS formatos”, e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação. Seus projetos de pesquisa desde 2008 são:“Séries brasileiras no cenário da internacionalização e da transnacionalização: um estudo sobre a mediação local na constituição de formatos e gêneros ficcionais na plataforma Globoplay no período de 2016 a 2020”, com apoio de Bolsa Produtividade PQ2-CNPq;“Séries brasileiras de televisão: um estudo sobre a mediação local na constituição de formatos e gêneros ficcionais na plataforma Globoplay no período de 2016 a 2022”, com apoio de bolsa de IC do CNPq;“Um estudo das séries brasileiras originais na plataforma Netflix no cenário de internacionalização e transnacionalização de gêneros/formatos”; e“Um estudo das séries brasileiras originais na plataforma HBO Max no cenário de internacionalização e transnacionalização de gêneros/formatos”, os dois últimos com apoio do Programa Unificado de Bolsas da USP. Suas pesquisas estão relacionadas às temáticas da Comunicação, estudos de televisão, formatos e linguagem televisuais, teledramaturgia, narrativa transmídia e identidades; linguagem e cognição; cultura narrativa; e EduComunicação. Com algumas coautorias, seus trabalhos seguem contribuindo para o ensino e a pesquisa, como:“Adaptações e remakes: entrando no jardim dos caminhos que se cruzam”, de 2009;“Narrativa fantástica e identidade brasileira na minissérie A Cura”, de 2013; e“Cândido, ou o otimista multimidiático: da literatura francesa ao cinema e televisão brasileiros”, de 2017. Maria Cristina Palma Mungioli, como coordenadora do grupo GELiDis, tem exercitado articulações teóricas e manejo empírico de estudos de casos, especialmente com objetos de estudos complexos, como as plataformas de streaming ou questões relacionadas a gênero e raça. Principais publicações MUNGIOLI, M. C. P. Minisséries Brasileiras: um lugar de memória e de(re)escrita da nação. In: CASTRO, Gisela Grangeiro da Silva; BACCEGA, Maria Aparecida(org.). Comunicação e consumo nas culturas locais e global. São Paulo: ESPM, 2009. MUNGIOLI, M. C. P.; PELLEGRINI, C. Narrativas complexas na ficção televisiva. Contracampo, v. 1, p. 21-37, 2013. 427 MUNGIOLI, M. C. P. Poética das séries de televisão: elementos para conceituação e análise. In: PELEGRINI, Christian; MUANIS, Felipe (org.). Perspectivas do audiovisual contemporâneo: urgências, conteúdos e espaços. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2019. MUNGIOLI, M. C. P.; IKEDA, F. S. M. Um estudo do catálogo das séries originais Globoplay no período de 2018 a 2022. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, v. 21, p. 112-123, 2022. MUNGIOLI, M. C. P.(org.). Cronotopo, gêneros e discursos em ficções na TV e no streaming. São Carlos: Pedro& João Editores, 2023. 428 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste ROSELI FIGARO Cláudia Nonato Roseli Aparecida Figaro Paulino nasceu em 6 de março de 1959 em São Paulo(SP). É filha de Lourdes Marchetti Figaro e Antonio Figaro. Passou a maior parte da infância e adolescência na Vila Ema. Na educação básica, cursada toda em instituições localizadas na Zona Leste de São Paulo, estudou na Escola Dr. Joy Arruda durante o antigo primário. O antigo ginasial fez na Escola Estadual Jardim Independência e na Escola Estadual Stefan Zweig. O Ensino Médio, antigo colegial, fez na Escola Estadual Professor Américo de Moura. Graduou-se em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo – pela Faculdade de Comunicação Cásper Líbero(1981). Com a dissertação“Discurso da imprensa sindical: formas e usos”(1993), titulou-se mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP) e fez Doutorado em Ciências da Comunicação(1999) na mesma instituição, ambos sob orientação de Maria Aparecida Baccega. Sua tese“Comunicação e trabalho. Estudo de recepção: o mundo do trabalho como mediação da Comunicação”, publicada em 2001, definiu a sua jornada acadêmica. Realizou estágio Pós-Doutoral no Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para a América Latina(Ciespal)(2016) e Pós-Doutorado na Universidade Aix-Marseille, França(2007). Foi professora convidada da Celsa – Sorbonne Université(2018) e do Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Occidente(Iteso), México(2016). Em 2001 passou no concurso para professora na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP), 429 credenciando-se no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação(PPGCOM) em 2005. Desde então oferece disciplinas voltadas para o estudo do binômio Comunicação e Trabalho. É também nessa temática que tem desenvolvido pesquisas e orientações. Na Pós-Graduação já tem concluídas a orientação de 15 Mestrados e 10 Doutorados. Também supervisionou três Pós-Doutorados. Fundou e coordena, desde 2004, o Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho(CPCT), registrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), que abriga pesquisadores da iniciação científica ao Pós-Doutorado. À frente da gestão universitária deparou-se em dois momentos diferentes. Como chefe do Departamento de Comunicações e Artes(CCA) criou, ao lado da equipe de professores, a Licenciatura em EduComunicação, aprovada em 2009/2010. Além disso, atua desde 1995 na Revista Comunicação& Educação. Entre 2017 e 2021 coordenou e reestruturou o PPGCOM. Além de atuar no ensino, na pesquisa, na gestão e na extensão, Roseli contribui em entidades científicas da área e tem participação crescente na internacionalização das atividades de pesquisa e extensão. No âmbito internacional, é coordenadora de três convênios de intercâmbio de alunos de Graduação, professores e técnicos com as Universidades Carlos III, de Madri; Aix-Marseille, França; e Celsa-Sorbonne, França. Coordena Grupos de Pesquisa na Associação Latino-americana de Investigadores em Comunicação (Alaic), na Sociedade Ibero-Americana de Ciências da Comunicação (Assibercom) e na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Também foi coordenadora do convênio com a Universidade de Oxford para a investigação sobre condições de trabalho em empresas de plataformas, o projeto Fairwork Brasil (2023). Em relação à atuação nas entidades científicas, foi diretora de relações internacionais da Intercom no período de 2017-2020. É sócia dessa instituição há décadas. Também foi do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo no período de 2019 a 2021. Entre 2021 e 2023 foi presidenta da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), função que exigiu o acompanhamento das políticas de ensino e pesquisa e defesa da ciência e do ensino no país. Ao longo de mais de duas décadas de carreira acadêmica, os temas que têm estudado são em torno da formulação do binômio 430 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Comunicação e Trabalho para pensar as Ciências da Comunicação, o qual foi tema do seu Pós-Doutorado e do seu concurso de LivreDocência. Roseli Aparecida Figaro Paulino tem como cerne de suas pesquisas o mundo do trabalho dos comunicadores, os processos de recepção e usos culturais das mídias e a compreensão do que são as plataformas de trabalho. É professora titular de Comunicação da Universidade de São Paulo(ECA-USP). Principais publicações FIGARO, R. Relações de Comunicação no mundo do trabalho. 1. ed. São Paulo: Annablume, 2008. 160 p. V. I. FÍGARO, R.; NONATO, C.; GROHMANN, R. Los cambios en el mundo del trabajo del periodista. 1. ed. Barcelona: Atlántica – UOC, 2015. 280 p. V. 1. FIGARO, R. As relações de Comunicação e as condições de produção no trabalho de jornalistas em arranjos econômicos alternativos às corporações de mídias. 1. ed. São Paulo: Escola de Comunicações e Artes, 2018. 245 p. V. 1. FIGARO, R. et al. Como trabalham os comunicadores no contexto de um ano da pandemia de Covid-19. 1. ed. São Paulo: ECA-USP, 2021. 150 p. V. 2. FIGARO, R.; SILVA, A. F. M. et al. Discurso jornalístico e condições de produção em arranjos econômicos alternativos às corporações de mídia. 1. ed. São Paulo: ECA-USP, 2021. 465 p. V. 2. PAULINO, R. A. Figaro. Comunicação e trabalho – estudo de recepção o mundo do trabalho como mediação da Comunicação. 1. ed. São Paulo, SP: Anita Garibaldi: Fapesp, 2001. 330 p. V. 1. 431 DENISE COGO Liliane Dutra Brignol Denise Cogo nasceu em 18 de fevereiro de 1964 em Porto Alegre(RS), onde passou sua infância e parte de sua vida adulta e profissional. É a segunda filha de Helio e Sirley Cogo. Sua formação Fundamental e Média é feita em escolas públicas: Escola Estadual de Ensino Fundamental Ildefonso Gomes e no Colégio Estadual Inácio Montanha, ambos em Porto Alegre. Cursou Comunicação Social – Jornalismo(1981-1985) e Letras-TradutorIntérprete/Francês-Português-Francês(1982-1989) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), com Especialização em Estilos Jornalísticos na Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS) e Educação Popular na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos). Mudou-se para São Paulo, em 1991, para cursar o Mestrado na Universidade de São Paulo(USP), concluído em 1994, com a pesquisa“No ar... uma rádio popular – o uso dos alto-falantes como emissora comunitária na América Latina”, com bolsa Capes e sob orientação de José Carlos Rocha de Carvalho. Em 1998 a dissertação foi publicada como livro. O Doutorado foi realizado no mesmo Programa na Escola de Comunicação e Artes(ECA), entre 1996 e 2000, com a orientação de Ismar de Oliveira Soares e financiamento da Capes. Na tese“Multiculturalismo, comunicação e educação: possibilidades da comunicação intercultural em espaços educativos”, já estavam alguns temas que se destacam em sua produção intelectual, e que aparecem como preocupações de seus trabalhos posteriores. 432 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Denise realizou estágio de pesquisadora visitante(2018-2019, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – Fapesp) e Pós-Doutorado(2007-2008, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes) na Universidade Autónoma de Barcelona(UAB), onde trabalhou como professora visitante no Departamento de Publicidad y Comunicación(2003-2008) e como coorientadora de teses de Doutorado(2010-2013). Na UAB é pesquisadora associada do Instituto de la Comunicación(InCom-UAB), no qual atuou como cocoordenadora da linha editorial de comunicação no âmbito da Coleção Atlántica de Comunicación do editorial Universitat Oberta de Catalunya(UOC) e, integra a Cátedra Unesco de Comunicação. Morou em Barcelona, na Espanha, em estadas para a realização de estágio de Doutorado-Sanduíche, Pós-Doutorado e como pesquisadora visitante. Em 2014 foi aprovada em concurso para professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo(PPGCOM) da Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM-SP). Como aperfeiçoamento destacam-se o curso“ El Niño y la Imagen”, no Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica, em Havana, Cuba, além de um estágio residencial para jornalistas no Centro de Orientamento Educativo em Milão e Roma, na Itália. Iniciou sua trajetória como estagiária no setor de audiovisual da Faculdade de Odontologia da UFRGS, posteriormente foi contratada como funcionária e passou a atuar na Assessoria de Imprensa da Universidade, sendo transferida, mais tarde, para a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, onde atuou no Núcleo de Comunicação Popular. Na área do Jornalismo teve uma passagem pelo Jornal do Jockmann, além de ter feito alguns trabalhos como freelancer em jornais de empresa na mesma cidade. Desde 2021 é colunista do site Latinoamerica21, espaço jornalístico dedicado a questões políticas, econômicas e sociais sobre a América Latina. Ainda como funcionária da UFRGS, participou da Associação dos Funcionários da Universidade(ASSUFRGS). Também criou, com amigos, um jornal no Bairro Partenon, e desenvolveu projetos de oficinas de vídeo para jovens e crianças em comunidades da periferia de Porto Alegre. Alguns foram financiados pelo Centro de Orientamento Educativo(Itália) e Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre. Sua pesquisa sobre comunicação popular e cidadania levou-a a ministrar oficinas de rádio comunitária em uma 433 das Ilhas em Porto Alegre e, mais tarde, para migrantes bolivianos em São Paulo, além de uma oficina em São Paulo sobre Migrações Transnacionais e Diversidade Cultural para Comunicadores na USP. Durante o Doutorado coordenou projetos de Leitura Crítica da Comunicação na União Cristã Brasileira de Comunicação(UCBC). Na docência e na pesquisa começa na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), onde lecionou no PPG em Ciências da Comunicação de 2000 a 2013, ministrando Mídia e Recepção, Mídia, multiculturalismo e identidades culturais, Pesquisa Multimetodológica em Produção e Recepção das Mídias, Seminários de Pesquisa, entre outras. Durante esse período, foi coordenadora e editora da Revista RS-Negro, integrante do Projeto RS Negro – Educando para a Diversidade, da Secretaria da Justiça e Desenvolvimento Social do Rio Grande do Sul. Também foi representante da Universidade no Comitê de Atenção a Migrantes, Refugiados, Apátridas e Vítimas do Tráfico de Pessoas(Comirat-RS). Em 2012 foi coordenadora do Núcleo de Comunicação Cidadã da Agência da Boa Notícia Guajuviras, com apoio da Prefeitura de Canoas-RS, Ministério da Justiça-Pronasci e Unisinos. Ainda foi coordenadora adjunta do PPG(2002 a 2003) e editora da Revista Fronteiras – Estudos Midiáticos. Desde 2014 é professora titular e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo (PPGCOM) da ESPM-SP, onde coordena o grupo de pesquisa Deslocar – Interculturalidade, cidadania, comunicação e consumo. Como atividades de gestão e representação de área, destacamse a coordenação do PPGCOM ESPM-SP entre março de 2019 e março de 2021. Foi integrante do Comitê de Assessoramento de Artes, Ciência da Informação, Comunicação e Museologia(CA-AC), com mandato entre 1º/7/2022 e 30/6/2025. Entre agosto de 2014 e agosto de 2018 atuou como editora da Revista Comunicação Mídia e Consumo, do PPGCOM-ESPM. Integrou, como membro permanente, o Comitê Assessor da Área 5 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul(Fapergs) de 2005 a 2009, e de 2009 a 2013 como consultora ad-hoc. Compôs a comissão de avaliação de Cursos de Pós-Graduação em Comunicação da Área de Ciências Sociais Aplicadas da Capes no período 2001-2002. Foi coordenadora da Comissão do Prêmio de Teses da Capes de 2021 na área de Comunicação e Informação e orientadora de tese de Doutorado com menção honrosa no Prêmio Capes de Tese 2008 434 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS – Área de Ciências Sociais Aplicadas. É consultora da Capes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fapesp. Tem inserção em associações científicas da Comunicação, com ênfase nos estudos de comunicação cidadã e estudos de recepção. Nestes eixos, coordenou, entre 2001 e 2006, o Núcleo de Pesquisa em Comunicação para a Cidadania da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Foi uma das fundadoras e coordenadora(2011-2012) do GT Comunicação e Cidadania da Associação Nacional de Programas de PósGraduação em Comunicação(Compós). Também atuou como vice-coordenadora(2011-2014) e coordenadora(2015-2016) do GT Estudios de Recepción da Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación(ALAIC). Em projetos de internacionalização, foi coordenadora, entre 2004 e 2008, do Programa Acadêmico de Cooperação Internacional Brasil-Espanha(Unisinos-UAB) sobre mídia, interculturalidade de migrações transnacionais, financiado pela Capes(Brasil) e Ministerio de Educación y Ciencia(Espanha). Coordenou o projeto“Diálogo Brasil-Espanha para o ensino da inovação em comunicação inclusiva: diagnóstico e propostas de ação a partir da pesquisa-ação”, entre 2021 e 2023, com financiamento da Universidade Autónoma de Barcelona. Desde 2024 articula a cooperação internacional dedicado ao estudo do ativismo migrante em plataformas digitais em apoio a políticas de extrema direita e anti-imigração, aprovado no âmbito dos editais da Chamada Pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação(MCTI)/CNPq nº 16/2024 – Apoio a Projetos Internacionais de Pesquisa Científica, Tecnológica e de Inovação e Auxílio à Pesquisa Regular da Fapesp. Como parte dos resultados do Projeto de Cooperação Internacional Brasil-Espanha(Unisinos-UAB), coorganizou, o livro“ Migraciones transnacionales y médios de comunicación: Relatos desde Barcelona y Porto Alegre”(2008), que reúne análises decorrentes de 140 entrevistas com migrantes de 17 países, residentes em Porto Alegre e Barcelona. As inter-relações entre meios de comunicação e processos migratórios é tema que já estava presente em“Mídia, interculturalidade e migrações contemporâneas”(2006). Em parceira com outra autora lançou, em 2013, o Guia das Migrações Transnacionais e Diversidade Cultural para Comunicadores – 435 Migrantes no Brasil, para profissionais da área que procuram formação para atuar com respeito às alteridades e tratamento do tema em sua complexidade. Nesta trajetória, ganham força investigações que fazem interface entre questões comunicacionais e midiáticas, sobretudo desde a perspectiva da recepção e do consumo, com temas transversais que impactam os sentidos da cidadania no mundo contemporâneo. A aproximação às lutas e aos ativismos migrantes, revelam inquietações que problematizam as desigualdades estruturais atravessadas por questões de raça, classe e gênero, preocupações constantes em seus trabalhos. De modo geral, as investigações de Denise Cogo destacam a dimensão cidadã da comunicação, o que implica entender como grupos sociais subalternizados, incluindo coletivos migrantes, mulheres e jovens, apropriam-se das mídias como alternativa para a participação política, a resistência e a construção de narrativas próprias. Principais publicações COGO, Denise; GUTIÉRREZ, Maria; HUERTAS BAILÉN, Amparo (org.). Migraciones transnacionales y medios de comunicación: relatos desde Porto Alegre y Barcelona. 1. ed. Madrid: Los Libros de la Catarata, 2008. 168 p. V. 1. COGO, Denise. Mídia, interculturalidade e migrações contemporâneas. 1. ed. Rio de Janeiro; Brasília: E-Papers: CSEM, 2006. 224 p. V. 1. COGO, Denise; SOUZA, Maria Badet. Guia das migrações transnacionais e diversidade cultural para comunicadores – migrantes no Brasil. Bellaterra, Barcelona, Espanha: Instituto de la Comunicación de la UAB: Instituto Humanitas Unisinos, 2013. 110 p.(Coleção de Guias de Diversidade Cultural para Comunicadores, 1). COGO, Denise. Latino-americanos em diáspora: usos de mídias e cidadania das migrações transnacionais. 1. ed. Rio de Janeiro: Tríbia, 2012. 169 p. V. 1. ELHAJJI, Mohammed; COGO, Denise; HUERTAS, Amparo(org.). Migraciones transnacionales, interculturalidad, políticas y comunicación. 1. ed. Bellaterra, Barcelona, Espanha: Instituto de la Comunicación: Universitat Autónoma de Barcelona, 2020. 362 p. V. 1. 436 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS RONSINI, Veneza Mayora; COGO, Denise; REPOLL, Jeronimo (org.). Estudos de recepção latino-americanos: métodos e práticas. 1. ed. Bellaterra, Barcelona, Espanha: Institut de la Comunicación: Universitat Autònoma de Barcelona, 2014. 213 p. V. 1. 437 ROSANA SOARES Marcio Serelle Rosana de Lima Soares nasceu em 21 de julho de 1968 em São Bernardo do Campo(SP). Tem um irmão e uma irmã, sendo a filha mais velha de Sinclair Correa Soares e Zeni de Lima Soares. Cursou os primeiros anos do Ensino Fundamental no Liceu Camilo Castello Branco, em São Paulo(SP), e o restante do Ensino Fundamental na Escola Estadual Mauricio Antunes Ferraz, em São Bernardo do Campo. O Ensino Médio foi realizado na Escola Estadual Wallace Cochrane Simonsen, também em São Bernardo do Campo. Rosana é graduada em Comunicação, na habilitação de Jornalismo, pela Universidade Metodista de São Paulo(1986-1989), e em Filosofia(Bacharelado e Licenciatura, cursados entre 1989 e 1995). Entre os dois cursos de Graduação, Rosana começou a estagiar, como revisora, em uma Organização Não Governamental(ONG) chamada Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi). Foi nela que se formou profissionalmente, percorrendo todas as etapas do trabalho editorial, e permanecendo durante sete anos. O Cedi, como muitas outras ONGs na década de 1980, estava vinculado aos movimentos sociais da época e não possuía, ainda, o caráter institucional que, nos anos 1990, levaria as ONGs ao chamado“terceiro setor”. O Centro, dividido em áreas de pesquisa, atuava com educação popular, povos indígenas, mulheres, movimento operário, ecumenismo, questões ambientais, além de possuir uma revista mensal de debates. Lá passou a editar regularmente livros, fascículos, boletins, cadernos temáticos, material didático e anais de encontros por meio de seu setor de publicações, no qual continuou a trabalhar depois da formação em jornalismo e enquanto cursava filosofia. 438 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS O aprendizado foi intenso e reforçou escolhas anteriores: como jornalista, foi na área editorial que encontrou seu campo de trabalho, na qual atuaria por muitos anos colaborando com diversas editorias, associações ou instituições de ensino. Como jornalista, portanto, Rosana teve a oportunidade de desenvolver, por mais de uma década, inúmeras atividades: revisão, copidesque, preparação de originais, tradução, redação, edição, produção gráfica, diagramação, paginação, lidando com os mais diferentes tipos de textos e técnicas de produção editorial. Realizou Mestrado em Ciências da Comunicação na Escola de Comunicação e Artes(ECA-USP), com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), sob orientação de Jeanne Marie Machado de Freitas, entre 1995 e 1997. Sua dissertação,“Imagens veladas, imagens reveladas: narrativas da Aids nos escritos do jornal Folha de S. Paulo”, posteriormente publicada em livro, questiona o papel e a atuação do jornalismo como articulador de discursos e de uma narrativa sobre a doença. O Doutorado foi iniciado no ano seguinte, em 1998, no mesmo Programa, desta vez com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa(Fapesp). A tese“Margens da Comunicação: discurso e mídias”, também orientada por Jeanne Marie e publicada em livro, foi defendida em 2002. Em 2015, já atuando como docente da Universidade de São Paulo (USP) desde 2003, tornou-se professora livre-docente. Em sua formação ressaltam-se, ainda, os estágios Pós-Doutorais realizados no Programa de Pós-Graduação em Multimeios da Universidade de Campinas(2012), no King’s College de Londres, na Inglaterra(2014) e na Universidad de Manizales, na Colômbia(2019). Esse último estágio foi realizado com bolsa do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais(Clacso), a partir da Rede de Infâncias e Juventudes. Ela integra o Grupo de Trabalho Imagens, Metrópoles e Culturas Juvenis na Pontifícia Universidade Católica(PUC/SP), e o Grupo de Trabalho Juventudes e Infâncias da Clacso. Na ECA atua, desde seu ingresso, no Departamento de Jornalismo e Editoração, lecionando as disciplinas de Ciências de Linguagem e Práticas Midiáticas. Integrou o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação entre 2003 e 2009, e, em 2010, tornou-se pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais. É, desde 2009, bolsista em Produtividade em Pesquisa 439 (PQ) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico(CNPq). Coordena, desde 2006, o grupo de pesquisa MidiAto. Foi coordenadora do Grupo de Trabalho Cultura das Mídias da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação(Compós) de 2006 a 2008 e vice-coordenadora do mesmo grupo durante os biênios 2016-2017 e 2023-2024. Atuou entre 2007 e 2009 na Secretaria da Associação Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual(Socine). Além das pesquisas de caráter acadêmico, exerce papel como divulgadora científica. Edita, desde 2007, a RuMoRes: revista online de Comunicação, linguagem e mídias e o selo digital Kritikos, ebooks que reúnem pesquisas desenvolvidas no grupo Midiato e na Rede de Pesquisa em Cultura Midiática, Metacrítica. Integrou os projetos editoriais das revistas Caligrama, Anagrama, Matrizes e Significação. Atua, junto aos pesquisadores do Midiato, na produção de material didático para plataformas digitais com o intuito de ampliar o uso social das mídias e difundir pesquisas em forma de textos, vídeos e áudios para um público amplo. As pesquisas de Rosana Soares abordam as estéticas do cinema ficcional e documental e ampliam o escopo do audiovisual para reportagens televisivas e outras manifestações em circulação nas mídias digitais, pensadas a partir de questões que envolvem, principalmente, as representações sociais, seus estereótipos e estigmas. Desenvolve estudos sobre crítica e representações midiáticas na articulação entre Comunicação e filosofia. Principais publicações BORELLI, Sílvia Helena Simões; SOARES, Rosana de Lima. Trajetos metodológicos: experiências com coletivos juvenis na cidade de São Paulo(Brasil). In: BORELLI, Sílvia Helena Simões. Violencias, contra-hegemonías y re(ex)istencias en clave de niñeces y juventudes latinoamericanas. Buenos Aires, Argentina: Clacso; Manizales: Cinde, 2023. p. 333-367. SOARES, Rosana de Lima. Imagens veladas: Aids, imprensa e linguagem. São Paulo, SP: Annablume Editora, 2001. 208 p. SOARES, Rosana de Lima. Margens da Comunicação: discurso e mídias. São Paulo, SP: Annablume: Fapesp, 2009. 228 p. 440 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS SOARES, Rosana de Lima. Sutileza e grosseria da exclusão nas mídias. São Paulo, SP: Alameda Casa Editorial, 2020. 362 p. SOARES, Rosana de Lima; VICENTE, Eduardo. Radio Ambulante e a tradição do podcast narrativo no radiojornalismo norte-americano. Revista Estudos de Jornalismo e Mídia, v. 18, p. 257-269, 2021. 441 GISELA CASTRO Adriana Lima de Oliveira Gisela Grangeiro da Silva Castro nasceu em 21 de dezembro de 1958 no Rio de Janeiro(RJ). Sua mãe, Elza Regina Grangeiro da Silva Castro, e seu pai, Jelcias Baptista da Silva Castro, já tinham um filho, Guilherme. Depois de Gisela veio Claudia. Tem filhas gêmeas: Flávia e Paula. Em sua formação escolar frequentou colégios do ensino público cariocas. Com as mudanças da família terminou o primário e cursou parte do Ginásio em Natal(RN)(1968-69), e, mais tarde, na Middle School, em Rhode Island(1970-71), e parte da High School em New Jersey(1974-75), nos EUA. Bilíngue desde os 11 anos, cursou os dois últimos anos na Cultura Inglesa no Rio de Janeiro e obteve o Cambridge Certificate of Proficiency in English(CPE), ainda adolescente. Graduou-se em Psicologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ, 1980) e cursou Complementação Pedagógica em Língua Inglesa na Universidade Santa Úrsula(USU, 1984). Integrou os emblemáticos grupos de estudos em Filosofia ministrados por Claudio Ulpiano no Rio de Janeiro(1990-1996). Concluiu o Mestrado(1998) e o Doutorado(2003) em Comunicação e Cultura na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO-UFRJ). No Mestrado, como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e sob orientação de Ieda Tucherman, apresentou a dissertação“A Canção de Ariana”, sobre a concepção de som na música contemporânea e suas articulações com o pensamento filosófico. No Doutorado, como bolsista do Conselho Nacional 442 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e sob orientação de Liv Sovik, defendeu a tese“Música, Tecnologia, Escuta& Comunicação: as canções inumanas”, em que abordou as transformações na escuta musical proporcionadas por diversos tipos de associação entre música e tecnologia. O Pós-Doutorado (2014), sob supervisão de Mike Featherstone, contou com bolsa de fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp), o que possibilitou a sua estadia em Londres para estudos no Goldsmiths, University of London(UL), Inglaterra. Como professora recém-doutora, contemplada com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro(Faperj), atuou como docente(2004) da primeira turma do Programa de PósGraduação em Comunicação(PPGCOM) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio). Um ano depois, transferiuse para São Paulo após ter sido aprovada em primeiro lugar em concurso para integrar a equipe do primeiro programa stricto sensu da Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM). É professora titular do PPGCOM-ESPM, tendo exercido os cargos de vice-coordenadora(2006-2008) e coordenadora(2009-2011). Integrou a coordenação editorial da revista Comunicação, Mídia e Consumo(CMC) de 2006 até 2014. Em 2023 retorna à função de coordenadora editorial da CMC com a missão de promover a discussão da articulação dos estudos de mídia e do consumo, entendido como prática sociocultural. Sua atuação como docente na ESPM-SP estende-se aos alunos de Graduação, lecionando turmas, orientando projetos de Iniciação Científica e Trabalhos de Conclusão de Curso. É coordenadora do Conex.lab, Grupo de Pesquisa CNPq/ESPM em Comunicação, Consumo, Subjetividade e Sociabilidade, que reúne seus orientandos de iniciação científica, Mestrado e Doutorado, egressos e colegas em estágio de Pós-Doutoramento. Desde 2018 coordena também o Comitê ESPM de Direitos Humanos, projeto de extensão que envolve a instituição como um todo em torno de pautas sociais ligadas à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas(ONU). Tem dedicado-se a temas como a produção de subjetividades; os modos de sociabilidade; a cibercultura; as dinâmicas do entretenimento; e as figurações midiáticas do envelhecimento e da longevidade. Dentre as suas principais contribuições teóricas para o 443 campo, estão as reflexões sobre o papel ativo do consumidor-fã, o coaching midiático das subjetividades e o combate ao idadismo, ou etarismo( ageism), nas interações intergeracionais. Associada da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), tem atuado junto a coordenação do Grupo de Pesquisa Cultura e Tecnologias Digitais desde 2006. Sócia-fundadora e membro do Conselho Científico Deliberativo da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura (ABCiber), integrou a diretoria da Associação de 2009 a 2011. Foi vice-coordenadora da Rede Brasileira de Pesquisadores da Ficção Televisiva(Obitel Brasil), na gestão de 2016-2017. Nesta época(2016) tornou-se membro da Associação Latino-Americana de Investigadores em Comunicação(Alaic). Integrou a diretoria da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) na gestão 2017-2019, e da Associação Ibero-Americana de Investigadores em Comunicação(Assibercom) na gestão de 2015 a 2019. Integra a coordenação colegiada da DTI-5 Comunicação e Identidades Culturais do Congresso IberoAmericano de Comunicação(Ibercom) e do GT-3 Comunicação, Consumo e Subjetividade do Congresso Internacional de Comunicação e Consumo(Comunicon). Coorganizou publicações que se tornaram referência na área, tais como“Comunicação e consumo nas culturas locais e globais” (2009), além de artigos e capítulos de livro sobre teleficção, no âmbito dos estudos da rede Obitel Brasil. Um exemplo é o capítulo “Precisamos discutir sobre a velhice na telenovela brasileira”, publicado na coletânea“Comunicação, educação e consumo: as interfaces da teleficção”(2022). Gisela também é uma referência nos estudos de música e Comunicação, tema que suscitou a produção de seus primeiros projetos de investigação ainda no Mestrado, e que rendem sua participação em bancas e avaliações. Dois desses trabalhos são o artigo“Web Music: produção e consumo de música na cibercultura” (2004) e“Para pensar o consumo de música digital”(2005). Seus trabalhos sobre música foram reunidos no E-book“Música serve para pensar: Comunicação em rede, consumo e escuta musical”(2014). A preocupação com as subjetividades nas culturas midiáticas e do consumo e seu ativismo em prol da diversidade e da cultura da paz 444 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS no ambiente universitário, impulsionaram-na a fundar e dirigir o Comitê ESPM de Direitos Humanos. Publicou textos que versam sobre os fluxos comunicacionais que atravessam o espaço urbano ante os acontecimentos que afetaram de forma indelével o país e o planeta. É o caso do artigo“Cidades na pandemia – São Paulo e Rio de Janeiro: Comunicação, sociabilidade, vigilância e cidadania”, em coautoria(2020). Dentre outros mais recentes está“Desinformação, negacionismo e antidemocratização: glossário político no Brasil de 08 de janeiro de 2023”, também em coautoria, publicado no Journal of Latin American Communication Research(2023). Uma referência nos estudos que investigam a Comunicação à luz das lógicas do consumo, sua formação possibilitou a construção de pontes entre áreas como a psicologia, a Comunicação e a sociologia. Na virada do século 20 para o 21, seus primeiros projetos focalizam a formação de novas modalidades de escuta musical fomentada por apropriações sociais e comerciais de novas tecnologias informacionais de Comunicação. Na primeira década dos anos 2000 o foco recai sobre as articulações entre Comunicação, consumo e entretenimento, na então chamada“cibercultura”. Seu projeto de pesquisa Pós-Doutoral(2014) investigou, em caráter comparativo, as relações entre mídia, consumo e envelhecimento no Brasil e no Reino Unido. Os resultados deste estudo e seus primeiros desdobramentos estão no e-book“Os velhos na propaganda: atualizando o debate”(2018). Mais recentemente publicou o capítulo“Ageism and the promotion of agelessness in Brazilian advertising”, na coletânea internacional“Ageing and the Media: international perspectives”(2022). As investigações em andamento estão divididas em duas frentes complementares: envelhecimento e culturas digitais. Ao lado de seus orientandos e egressos nucleados no Conex.lab, estuda as transformações em andamento na cultura comunicacional e de consumo, que têm como pano de fundo os processos de datificação, algoritmização e plataformização dos ambientes on-line. Gisela Grangeiro da Silva Castro já soma mais de uma centena de produções e quase 70 orientações, com expressiva atuação na formação de novos quadros; um legado valioso para os estudos que estruturam e dão forma dinâmica ao campo da Comunicação no Brasil. 445 Principais publicações CASTRO, G.; BACCEGA, M. A.(org.). Comunicação e consumo nas culturas locais e global. 1. ed. São Paulo: RS Press, 2009. 761 p. V. 1. CASTRO Gisela. Música serve para pensar: Comunicação em rede, consumo e escuta musical. 1. ed. São Paulo: ESPM, 2014. CASTRO, Gisela G. S.; HOFF, Tania(org.). Comunicação, consumo e envelhecimento no contemporâneo: perspectivas multidisciplinares. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2018. p. 55-74. V. 1. CASTRO Gisela. Os velhos na propaganda: atualizando o debate. São Paulo: Pimenta Cultural, 2018. CASTRO, G. G. S.; ZAGALLO, R.; TERENZZO, K. R. Ella, John, Jeanne e Albert: amor, envelhecimento, finitude, desvelo e(des)razão. E-Compós, 24, 2021. DOI: https://doi.org/10.30962/ec.2404 PAIVA, Raquel; CASTRO, Gisela G. S.; OLIVEIRA, Adriana L. Cidades na pandemia – São Paulo e Rio de Janeiro: Comunicação, sociabilidade, vigilância e cidadania. RECIIS – Revista Eletrônica de Comunicação, Informação& Inovação em Saúde, v. 14, p. 1-11, 2020. 446 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste SIMONE PEREIRA Fernanda Elouise Budag, Thiago Tavares das Neves Simone Luci Pereira nasceu em São Paulo(SP) em 3 de março de 1973. É filha de Isac Pereira e Vanilde Pereira. Na educação básica estudou na Escola Municipal Comandante Garcia D’Ávila, em São Paulo. Cursou, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUCSP), a Graduação(Bacharelado e Licenciatura Plena) em História (1991-1994). Foi na Graduação que disciplinas de Antropologia despertaram seu interesse por este campo, assim como pela música. Orientanda por Heloiza Cruz, ainda durante o curso analisou canções e sua relação com o momento histórico, tornando-se seu tema de pesquisa. Na mesma instituição cursou o Mestrado, também em História (1995-1998), sob orientação de Maria Izilda Santos de Matos. Seu estudo“Bossa Nova é sal, é sol, é sul: música e experiências urbanas (Rio de Janeiro, 1954-1964)” versava sobre a relação entre a Bossa Nova e a dinâmica das cidades. Seu Doutorado foi realizado também na PUC-SP, mas em Ciências Sociais – Antropologia(1999-2004). Seu estudo“Escutas da memória: os ouvintes das canções da Bossa Nova(Rio de Janeiro, décadas de 1950 e 1960)”, deu sequência e aprofundamento às discussões iniciadas na Graduação e no Mestrado. O Doutorado estreitou o diálogo da Antropologia com a Comunicação, dado que sua orientadora, Silvia Helena Simões Borelli, trabalhava nessa articulação. Com ela, Simone elaborou projetos de pesquisa em espaços como o Grupo de Pesquisa CNPq Jovens Urbanos“Imagens, metrópoles e culturas juvenis”(PUC-SP) 447 e o Grupo de Pesquisa Comunicação e Culturas Urbanas, do qual viria a ser coordenadora entre os anos de 2017 e 2020. Finalizado o Doutorado, no período entre 2004 e 2011, dedicou-se à docência e realizou três estágios Pós-Doutorais. Ao participar do V Congresso da Seção Latino-Americana da Associação Internacional do Estudo da Música Popular(IASPM-LA), conheceu Martha Ulhôa, que viria a ser a supervisora de seu primeiro estágio Pós-Doutoral (2011-2013) na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), junto ao Grupo de Pesquisa Música Urbana no Brasil, quando estudou a escuta do bolero entre migrantes caribenhos. Da parceria com sua supervisora nesta pesquisa, resultou um livro sobre gêneros musicais latino-americanos:“Canção romântica: intimidade, mediação e identidade na América Latina”(2016). Posteriormente realizou um Pós-Doutorado internacional no Programa de Investigación Posdoctoral en Ciencias Sociales, Niñez y Juventud(Red Clacso de Posgrados e Red Inju), supervisionado por Manuel Valenzuela Arce(2014-2016), para aprofundar sobre práticas musicais-midiáticas de jovens migrantes“latinos” em São Paulo. Por fim, seu terceiro estágio Pós-Doutoral(2016-2017) deu-se no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), junto ao Grupo de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Núcleo de Estudos e Projetos em Comunicação(Nepcom), com supervisão de Micael Herschmann. Paralelamente Simone iniciou e foi avançando em sua carreira docente, primeiramente nos níveis Fundamental e Médio, com aulas de História. Depois teve passagens em cursos de Graduação na capital e no interior do Estado de São Paulo, respectivamente na Fundação Escola Alvares Penteado(Fecap) e na Escola Superior de Administração e Comunicação(ESAMC). Em seguida, desde 2013 torna-se docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(Mestrado e Doutorado) da Universidade Paulista (UNIP), inserida na Linha 2 – Papel das mídias na interação entre os grupos sociais, onde é bolsista de Produtividade em Pesquisa(PQ2) do CNPq e coordena o Grupo de Pesquisa(GP) CNPq Urbesom – Culturas Urbanas, Música e Comunicação. O GP Urbesom foi fundado por ela em 2019, formalizando um espaço de discussão em torno de suas pesquisas. Nesse espaço da pesquisa e da docência desenvolve atividades de ensino em 448 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS Graduação e Pós-Graduação; orientação de trabalhos de alunos em nível de Graduação e de Pós-Graduação; coordenação e participação em projetos de pesquisa(nacionais e internacionais); participação em redes internacionais de pesquisa; coordenação de grupo de pesquisa; organização de eventos acadêmicos; coordenação de Grupos de Trabalho em congressos e associações científicas; participação em bancas de avaliação/conclusão; atividades de extensão; parecerista/avaliadora; atividades editoriais; e demais trabalhos técnicos e bibliográficos. Complementarmente às suas investigações individuais, Simone vem participando de uma série de associações e redes de pesquisa nos diversos campos que tangencia. Em 2004 ingressou no GP CNPq Musimid(Centro de Estudos em Música e Mídia), ligado à Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP). É vice-presidente da Asociación internacional para el estudio de la musica popular – rama Latinoamericana(IASPM-LA); participa da rede internacional de investigação do Grupo de Trabalho Clacso Juventudes y Infancias en América Latina desde 2015; é pesquisadora do GP CNPq Jovens Urbanos(PUC-SP), ligado ao GT Clacso; editora associada do IASPM Journal(International Association for the Study of Popular Music)(2021-2025); e coordenadora do Grupo de Trabalho Estudos de Som e Música da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós, 2023-2024). Sua produção acadêmica é construída na intersecção entre três campos principais: Antropologia, Comunicação e Música, além da História, suas áreas de formação e de atuação. Esse olhar interdisciplinar pode ser destacado como uma de suas contribuições que agregam nuances e complexidades a seus achados de pesquisa na Comunicação. Essa confluência é a perspectiva de suas reflexões e pesquisas, versando sobre alguns eixos centrais, como: culturas urbanas/cidades; juventudes/culturas juvenis; práticas musicais e Comunicação/cultura midiática; a(r)tivismos; migrantes e práticas comunicacionais; e memória e identidades vinculadas às práticas musicais. Da gama de publicações, além da obra de 2016 já mencionada, destacam-se livros organizados em coautoria: fruto de seu último Pós-Doc,“Uma vereda tropical – a presença da canção hispânica no Brasil”(2020); e consolidando o seu período de coordenação do GP Comunicação e Culturas Urbanas,“Comunicação e culturas urbanas: temas, debates e perspectivas”(2021); e“A(r)tivismos urbanos: sobrevivendo em tempos de urgência”(2022). 449 Simone Luci Pereira tem trajetória de consistente enfrentamento de objetos de estudo da cultura musical-midiática em conexão com as culturas urbanas, com atenção às especificidades latinas, perseguindo, inclusive, uma perspectiva decolonial na construção do saber científico, o acompanhamento das mudanças socioculturais e o olhar sensível às nuances de seus achados de pesquisa. Principais publicações PEREIRA, Simone Luci; VALENTE, Heloisa; FARIAS, Raphael(org.). Uma vereda tropical – a presença da canção hispânica no Brasil. 1. ed. São Paulo: Letra e Voz, 2020. PEREIRA, Simone Luci; NEVES, Thiago Tavares das; BUDAG, Fernanda Elouise(org.). Comunicação e culturas urbanas: temas, debates e perspectivas. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2021. 583 p. PEREIRA, Simone Luci; FERNANDES, Cintia; HERSCHMANN, Micael; ROCHA, Rose de Melo. A(r)tivismos urbanos: sobrevivendo em tempos de urgência. Porto Alegre, RS: Sulina, 2022. 480 p. ULHOA, M.; PEREIRA, Simone Luci(org.). Canção romântica – intimidade, mediação e identidade na América Latina. 1. ed. Rio de Janeiro: Folio Digital: Letra e Imagem, 2016. 172 p. 450 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS Adriana Lima de Oliveira Professora do Instituto Presbiteriano Mackenzie nos MBA em Entretenimento e Mídia e Gestão do Design e Cultura da Inovação(FAU). Doutora e mestre em Comunicação e Práticas de Consumo/ESPM-SP, pós-doutoranda no Programa Municípios Sustentáveis do Centro de Síntese Cidades Globais(IEA-USP). Membro do grupo de pesquisa Conex.LAB PPGCOM-ESPM-SP. projetocidadefuturo@gmail.com Alessandra Barros Marassi Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP). Graduada em Relações Públicas pela Universidade Metodista de São Paulo. Professora do curso de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e da Pós-Graduação em Comunicação e Gestão de Mídias Digitais do Senac. alebarros8@gmail.com Alexandra Fante Diretora de Projetos e Comunicação na Secretaria de Estado do Planejamento do Paraná. Doutora em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e Universidade da Beira Interior de Portugal, com estágio de pós-Doutorado em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo. alexandrafante@gmail.com Aliana Barbosa Aires Professora do curso de Design de Moda/UFPI. Doutora e mestre em Comunicação e Práticas de Consumo/ESPM. Visiting Scholar na The New School em Nova York (2017-2018), com bolsa Capes-PDSE. Integrante do grupo Comunicação, Discursos e Biopolíticas do Consumo/ESPM, Coordena o projeto“Diversidade e Inclusão na Moda Piauiense”(UFPI). alianaires@gmail.com 451 Antonio Hélio Junqueira Pesquisador do Instituto de Estudos Avançados/USP, no Centro de Síntese Cidades Globais. Doutor em Ciências da Comunicação/ECA/USP, pós-Doutorado em Gestão da Informação/Universidade Federal do Paraná, pós-Doutorado e Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo/ESPM/SP. Engenheiro Agrônomo/ESALQ/USP. Pesquisador do Information& Media Lab – InfoMedia(UFPR). helio@hortica.com.br Camila Escudero Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo. camilaescudeiro@uol.com.br Carla de Araujo Risso Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Graduada em Filosofia pela USP e em Publicidade e Propaganda pela ECA-USP. Professora da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia(UFBA) e dos Programas de Pós-Graduação em Artes Visuais e em Design da UFBA. carlaarisso@gmail.com Clarice Greco Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Graduada em Publicidade e Propaganda pela PUC-Minas. Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Paulista(UNIP). claricegreco@gmail.com Cláudia Nonato Professora colaboradora do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação/ECA-USP, no curso Mídia, Informação e Cultura. Doutora e mestre em Ciências da Comunicação/ECA, pós-Doutorado na mesma instituição. Vice coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho. Coordenadora do GP Comunicação e Trabalho(Intercom). claudia.nonato@uol.com.br Clotilde Perez Professora titular de Publicidade e Semiótica da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo/USP. Livre-docente em Ciências da Comunicação(ECAUSP). Pós-doutora em Design Thinking pela Stanford University e em Comunicação pela Universidad de Murci, com bolsa da Fundación Carolina e pela Universidade Católica Portuguesa. cloperez@terra.com.br 452 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Cristiane Oliveira Reimberg Chefe do Serviço de Comunicação Institucional da Fundacentro. Doutora e mestre em Ciências da Comunicação pela USP. Especialista em Jornalismo Social pela PUC-SP. crisreim@yahoo.com.br Daniela Osvald Ramos Professora do Departamento de Comunicações e Artes/ECA-USP, no curso de EduComunicação e no Programa de Pós-Graduação Ciências da Comunicação. Doutora em Comunicação/ECA e estágio de Doutorado em Jornalismo Digital pela Universidade de Santiago de Compostela. Mestre em Ciências da Comunicação/ USP. Coordena o grupo Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura(OBCOM). dramos@usp.br Eliza Bachega Casadei Professora titular do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP. Coordenadora do Grupo de Pesquisa História, Comunicação e Consumo(PPGCOM ESPM). elizacasadei@yahoo.com.br Eula Dantas Taveira Cabral Doutora em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo(UMESP). Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas(UFAM). Professora do Programa de Pós-Graduação em Memória e Acervos da Fundação Casa de Rui Barbosa(FCRB). eulacabral@gmail.com Fernanda Elouise Budag Professora da Escola de Comércio Álvares Penteado, nos cursos de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, e da Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo/ESPM-SP. Mestre em Comunicação e Práticas de Consumo/ESPM-SP e coordenadora do Grupo Narratividade: narrativas, consumos e audiovisualidades (UFSM). fernanda.budag@gmail.com Gabriela Cleveston Gelain Doutora em Comunicação pela ESPM-SP. Graduada em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Professora pesquisadora em estágio pós-doutoral na Universidade Paulista(UNIP). gabrielagelain@gmail.com 453 Gabriela Machado Ramos de Almeida Doutora em Comunicação e Informação/UFRGS, com sanduíche na Universidad Autónoma de Barcelona/bolsa Capes. Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas/UFBA. Bacharel em Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo pela Faculdade Integrada da Bahia. Professora do Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo/ESPM. Líder no grupo de pesquisa Sense – Comunicação, consumo, imagem e experiência(CNPq/ESPM). gabriela.mralmeida@gmail.com Issaaf Karhawi Professora do Departamento de Comunicações e Artes da Escola de Comunicações e Artes/USP. Doutora e mestre em Ciências da Comunicação/ECA-USP e jornalista pela Universidade Federal de Mato Grosso. Escreveu“De blogueira à influenciadora: etapas de profissionalização da blogosfera de moda brasileira”, e coordena o Grupo Tecnologias e Culturas Digitais da Intercom. issaaf@usp.br Karin Müller Professora e coordenadora de cursos de Graduação e Pós-Graduação em Comunicação e Marketing na Universidade Metodista de São Paulo e na Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM). Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Metodista. Formada em Comunicação Mercadológica, mestre e doutora em Comunicação Social pela UMESP. karinkm@gmail.com Kellyanne Carvalho Alves Professora do Departamento de Comunicação e vice-coordenadora da Pós-Graduação em Jornalismo/UFPB. Doutora em Comunicação/UFPE, Pós-Doc Universitat Pompeu Fabra/Espanha. Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa Laboratório de Aplicações Digitais/UFPB. Líder do Grupo Políticas e Linguagens das Indústria de Mídias(CNPq). Coordena o projeto“TV 3.0: Aplicações Interativas e Inclusivas em Saúde e Educação na TV Pública”, financiado pela Inovatec-JP. kellyanne@lavid.ufpb.br Liana Milanez Doutora em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo(USP). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS). Professora colaboradora em cursos promovidos pelo Prolam/USP e Memorial da América Latina. limilanez@gmail.com Lígia Prezia Lemos Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Linguagens e Discursos nos Meios de Comunicação, GELiDis, USP e do Grupo de Pesquisa em Análise de Produtos Audiovisuais, GRUPA, 454 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS UNIP. Doutora em Ciências da Comunicação pela USP com Mestrado e estágio de Pós-Doutorado pela mesma instituição. ligia.lemos@gmail.com Liliane Dutra Brignol Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM. Doutora e mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Coordena o grupo de pesquisa Comunicação em Rede, Identidades e Cidadania(CNPq/ UFSM), integra o MIGRAIDH/ Cátedra Sergio Vieira de Mello da UFSM, colabora na Cátedra Unesco de Comunicação do InCom- Universidade Autônoma de Barcelona. Lourival da Cruz Galvão Júnior Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Graduado em Jornalismo pela Universidade de Taubaté(UNITAU). Professor do Departamento de Comunicação e Negócios e dos programas de Pós-Graduação da Universidade de Taubaté(UNITAU). galvao.junior@unitau.br Luciano Victor Barros Maluly Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Graduado em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Estadual de Londrina(UEL). Professor da Universidade de São Paulo(USP). lumaluly@usp.br Marcio Serelle Professor dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação Social e em Letras da PUC Minas. Doutor em Teoria e História Literária/Unicamp, estágio pós-doutoral na Universidade de Queensland, Austrália. Mestre em Literaturas de Língua Portuguesa/ PUC Minas. Bolsista de produtividade/CNPq. Coordenador do grupo Mídia e Narrativa. marcio.serelle@gmail.com. Maria Amélia Paiva Abrão Doutora e mestre em Comunicação e Práticas de Consumo pelo PPGCOM-ESPM, com Doutorado-Sanduíche no Boston College. Foi vice-coordenadora do Obitel Brasil (anos 2022, 2023) e do Obitel USP(biênio 2020-2021). mapa.abrao@gmail.com Maria Aparecida Ferrari Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Graduada em Ciências Sociais pela USP e em Relações Públicas pela Universidade Anhembi Morumbi. Professora associada da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP). maferrar@usp.br 455 Mayra Rodrigues Gomes Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Graduada em Filosofia pela Universidade de São Paulo(USP). Professora titular do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP). mayragomes@usp.br Monica Martinez Professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba. Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP), com pós-Doutorado em Comunicação pela UMESP e Universidade Fernando Pessoa. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP. Coordenadora dos grupos de pesquisa Jorlit e Jorlit d´Elas(UNISO). monica.martinez@prof.uniso.br Mônica Nunes Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP). Graduada em Língua e Literatura Portuguesa pela PUC-SP. Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM. monicarfnunes@espm.br Nádia da Cruz Senna Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande(FURG) e em Pintura pela Universidade Federal de Pelotas(UFPel). Professora do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas(UFPel), atuando na Graduação em Artes Visuais e na Pós-Graduação em Artes. nadiadacruzsenna@gmail.com Nara Lya Cabral Scabin Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Doutora em Ciências da Comunicação/USP, estágio de Pós-Doutorado em Comunicação e Práticas de Consumo/ESPM-SP. Mestre em Ciências da Comunicação/USP. Vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa Mídia e Narrativa(PUC Minas). naralyacabral@yahoo.com.br Ofelia Elisa Torres Morales Pesquisadora, professora e produtora audiovisual virtual e digital. Pós-Doutorado na Cátedra Unesco da Comunicação e Universidade Metodista de São Paulo. Doutorado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes e Mestrado em Rádio e TV. Habilitação em Meios Audiovisuais/Cinema na Faculdade de Ciências da Comunicação na Universidade de Lima, Peru. ofeliatm@gmail.com 456 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS Pollyana Notargiacomo Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo(USP). Graduada em Pedagogia pela USP. Professora da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie. pollyana.notargiacomo@mackenzie.br Priscila Gonçalves Magossi Diretora Editorial da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura. Pósdoutora em Comunicação e Semiótica/PUC-SP e em Comunicação e Cultura Midiática/UNIP. Mestre e doutora em Comunicação e Semiótica/PUC-SP. Jornalista (Mackenzie). Pesquisadora dos grupos CENCIB(PUC-SP) e Mídia e Imaginário(UNIP). pgmagossi@gmail.com Raquel Cabral Professora no Departamento de Audiovisual e Relações Públicas e no Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Estadual Paulista. Doutora em Comunicação e mestre em Estudos Internacionais em Paz, Conflito e Desenvolvimento pela Universitat Jaume I na Espanha. Pós-Doutorado em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes/ECA-USP. raquel.cabral@unesp.br Regiane Miranda de Oliveira Nakagawa Professora do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e da Pós-Graduação em Comunicação, além do Programa Multidisciplinar em Cultura e Sociedade/UFBA. Mestre e Doutora em Comunicação e Semiótica/PUC-SP, Pós-Doc na ECA-USP e na Universidade Complutense de Madrid. regianemo@ufrb.edu.br Rodrigo Eduardo Botelho-Francisco Professor adjunto no Departamento de Ciência e Gestão da Informação/ UFPR. Livre-docente em Informação e Tecnologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, USP/Ribeirão Preto. Doutor e mestre em Ciências da Comunicação/USP; Pós-Doutorado na Universidad Complutense de Madrid e na Universitat Autònoma de Barcelona. Líder do Grupo Information& Media Lab(ImnfoMedia). rodrigobotelho@ufpr.br Rose Mara Pinheiro Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP). Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF). Professora do curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). rose.pinheiro@ufms.br 457 Roseli Figaro Professora titular da Universidade de São Paulo. Doutora em Ciências da Comunicação/ USP. Graduada em Jornalismo/ Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho. Diretora editorial da Revista Comunicação e Educação. Pesquisadora do Brasil do Observatório Internacional de IA e Trabalho, Universidade de Essex e Organização Internacional do Trabalho(OIT). Bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq, Nível 2. roseli.figaro@gmail.com Simone Alves de Carvalho Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Graduada em Relações Públicas pela ECA-USP. Professora universitária na FIAM FAAM. tariana@gmail.com Simone Luci Pereira Professora titular do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Paulista. Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação/UERJ. Doutora em Ciências Sociais/Antropologia e Mestre em História pela PUC-SP. PósDocs em Música(Unirio), Comunicação(UFRJ) e em Ciencias Sociales, Niñez y Juventud(Clacso). Coordenadora do Grupo Urbesom- Culturas Urbanas, Música e Comunicação(UNIP). simonelp@uol.com.br Thiago Tavares das Neves Doutor e mestre em Ciências Sociais com Pós-Graduação em Ciências Sociais/UFRN. Pós-Doutorado em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo. Graduação em Rádio e TV, em Jornalismo/UFRN e em Letras – Inglês /Estácio/RN. Vice-coordenador do Grupo“Comunicação, Tecnicidades e Culturas Urbanas”/Intercom(2019-2020),(2021-2024). nevesthiago@hotmail.com Waldomiro Vergueiro Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Graduado em Biblioteconomia e Documentação pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Professor titular aposentado da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP). wdcsverg@usp.br 458 SOBRE AS AUTORAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Sudeste MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Sudeste Este livro celebra a trajetória acadêmica das mulheres que ajudaram a construir o campo da Comunicação na Região Sudeste. Organizado por regiões, os volumes resgatam as histórias de pesquisadoras que, como fundadoras e consolidadoras, desafiaram estruturas e deixaram sua marca na produção de conhecimento. A iniciativa dá visibilidade a essas mulheres, destacando suas contribuições para o ensino, a pesquisa e a extensão universitária, ao mesmo tempo em que preserva a memória de sua atuação no desenvolvimento da área. El Centro de Pensamiento en Comunicación de la Fundación Friedrich Ebert para América Latina conocido como FES Comunicación produce conocimiento sobre la comunicación como insumo y estrategia para el diálogo político y la profundización de la democracia social. Sus áreas de trabajo son: Comunicación Política y Libertad de expresión+ Medios de comunicación y Periodismo independiente+ Medios digitales y ciudadanos. www.fescomunica.fes.de/ @fescomunica 1