NILDA Jacks Diretor do Projeto MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste OMAR Rincón Coordenação Nacional LÍRIAN Sifuentes GUILHERME Libardi Coordenação Regional Gustavo Said Leila Sousa Adeilce de Azevedo Adelaide Gonçalves Adísia Sá Aline Grego Ana Ângela Farias Ana Leila Melônio Ana Maria Cocentino Angela Pavan Angela Prysthon Annamaria Jatobá Beatriz Colucci Beatriz Furtado Carla Paiva Catarina de Oliveira Cida de Sousa Cris Teixeira Cristiane Portela Cristina Brito Edite Malaquias Éllida Guedes Erotilde Silva Ester Marques Fabiana Moraes Flávia Moura Gabriela Reinaldo Gica Nussbaumer Gisa Sousa Glória Rabay Goretti Sampaio Graça Pinto Graça Targino Graciela Natansohn Inês Vitorino Irenilda Lima Isaltina Gomes Itania Gomes Ivonete Maia Jacqueline Dourado Joana Belarmino Joanita Mota Josimey Costa Júlia Miranda Karla Patriota Kátia Patrocínio Kelma Gallas Kênia Maia Larissa Leda Leneide Petta Letícia Cardoso Lilian França Linda Rubim Lúcia Noya Luciana Saraiva Luiza Nóbrega Madre Escobar Magnólia Santos Malu Fontes Marcelli Alves Márcia Vidal MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Nordeste Maria Carmen Jacob Maria do Carmo Araújo Maria do Carmo Prazeres Maria Érica Marília Gois Marilu Gusmão Mariluce Moura Melissa Rabelo Messiluce Hansen Mirian Moema Mirian Tavares Muna Kalil Nadja Miranda Nelly Carvalho Nerivanha Bezerra Neta Trigueiro Nina Velasco Norma Meireles Olga Tavares Otemia Propino Patrícia Azambuja Paula Reis Paula Saldanha Raija Almeida Regina Gomes Renata Cidreira Rita Argollo Roseane Pinheiro Rossana Gaia Salett Tauk Samantha Castelo Branco Sandra Nunes Sandra Raquew Selma Cavaignac, Silvia Belmino Simone Bortoliero Socorro Veloso Sofia Zanforlin Sonia Aguiar Sonia Serra Suelly Maux Suzana Barbosa Tanúzia Vieira Thaísa Bueno Val D’arce Valéria Bonini Valquíria Kneipp Vera Romariz Verlane Aragão Veruska Sayonara Wilma Morais Yvana Fechine Zefinha Bentivi Zenir Pontes Zulmira Nóbrega 1 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste OMAR Rincón Diretor do Projeto Nilda Jacks, Lírian Sifuentes, Guilherme Libardi Coordenação Nacional Gustavo Said, Leila Sousa Coordenação Regional MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Nordeste Friedrich Ebert Stiftung FES COMUNICACIÓN 1 Diretor do projeto: Omar Rincón Coordenação Nacional Nilda Jacks, Lírian Sifuentes, Guilherme Libardi Coordenação Regional Gustavo Said, Leila Sousa Autoras Região Nordeste Adeilce De Azevedo, Adelaide Gonçalves, Adísia Sá, Aline Grego, Ana Leila Melônio, Ana Maria Cocentino, Angela Pavan Angela Prysthon, Annamaria Jatobá, Beatriz Furtado, Carla Paiva, Catarina De Oliveira, Cida De Sousa, Cris Teixeira, Cristiane Portela, Cristina Brito, Edite Malaquias, Éllida Guedes, Erotilde Silva, Ester Marques, Fabiana Moraes, Flávia Moura, Gabriela Reinaldo, Gica Nussbaumer, Gisa Sousa, Glória Rabay, Goretti Sampaio, Graça Pinto, Graça Targino, Graciela Natansohn, Inês Vitorino, Irenilda Lima, Isaltina Gomes, Itania Gomes, Ivonete Maia, Jacqueline Dourado, Joana Belarmino, Joanita Mota, Josimey Costa, Júlia Miranda, Karla Patriota, Karla Patriota, Kátia Patrocínio, Kelma Gallas, Kênia Maia, Larissa Leda, Leneide Petta, Letícia Cardoso, Linda Rubim, Lúcia Noya, Luciana Saraiva, Luiza Nóbrega, Madre Escobar, Magnólia Santos, Malu Fontes, Marcelli Alves, Márcia Vidal, Marcilia Mendes, Maria Carmen Jacob, Maria Do Carmo Araújo, Maria Do Carmo Prazeres, Maria Érica, Marília Gois, Marilu Gusmão, Mariluce Moura, Melissa Rabelo, Mirian Moema, Muna Kalil, Nadja Miranda, Nelly Carvalho, Nerivanha Bezerra, Neta Trigueiro, Nina Velasco, Norma Meireles Olga Tavares, Otemia Propino, Patrícia Azambuja, Paula Saldanha, Raija Almeida, Regina Gomes, Renata Cidreira Rita Argollo, Roseane Pinheiro, Rossana Gaia, Salett Tauk, Samantha Castelo Branco Sandra Nunes, Sandra Raquew, Selma Cavaignac, Silvia Belmino, Simone Bortoliero Socorro Veloso, Sofia Zanforlin, Sonia Serra, Suelly Maux, Suzana Barbosa, Tanúzia Vieira, Thaísa Bueno, Valquíria Kneipp, Vera Romariz, Veruska Sayonara, Wilma Morais, Yvana Fechine, Zefinha Bentivi, Zenir Pontes, Zulmira Nóbrega Revisão de estilo Denise Ana Basso Andrigheto Coordenação editorial Luisa Uribe Cidade: Bogotá, dezembro de 2025 Design: Nelson Mora Murcia ISBN: 978-628-97095-2-8 As fotos que constam nas bionotas foram autorizadas pelas biografadas ou pelas autoras dos textos. © 2025 Friedrich–Ebert–Stiftung FES(Fundación Friedrich Ebert) La Fundación Friedrich Ebert no comparte necesariamente las opiniones vertidas por los autores y las autoras. Este texto puede ser reproducido con previa autorización de la Fundación Friedrich Ebert(FES) si es con un objetivo educativo y sin ánimo de lucro. 2 COORDENAÇÃO NACIONAL NILDA JACKS Mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/ USP. Pós-doutorados na Copenhague University e na Universidad Nacional da Colombia. Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS. Bolsista PQ do CNPq. jacks@ufrgs.br LÍRIAN SIFUENTES Doutora em Comunicação pela PUCRS, com estágio de doutorado na Texas A&M University. Mestre em Comunicação pela UFSM. Pós-doutorados na PUCRS e na UFRGS. Coordenadora de Comunicação do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER-RS). lisifuentes@yahoo.com.br GUILHERME LIBARDI Mestre e Doutor em Comunicação e Informação pelo PPGCOM/UFRGS. Pós-doutorado no PPG em Imagem e Som(PPGIS) da UFSCar. Professor Permanente do PPGIS. Autor do livro Diversidade, reconhecimento e identidade: notas teóricas a partir da Comunicação. gblibardi@gmail.com 3 COORDENAÇÃO REGIONAL GUSTAVO SAID Graduado em Comunicação Social/Jornalismo(UFPI-1992), Especialização em História do Piauí (1995), Mestrado em Comunicação (UFRJ-1998) e Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(2006). Professor titular da UFPI. Visitante nas universidades de Nebraska-Lincoln e Ole MissMississipi, nos Estados Unidos. Prêmio Donald Brenner Best Paper Award, conferido pela International Society for the Scientific Study of Subjectivity(ISSSS) no Congresso realizado por essa instituição em 2013, em Amsterdã. LEILA SOUSA Professora adjunta do curso de jornalismo da Universidade Federal do Maranhão/Campus Imperatriz e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação PPPGCOM/UFMA, do qual é subcoordenadora. Doutora em Ciências da Comunicação na Unisinos. Vice-coordenadora do Núcleo Maria Firmina dos Reis(Prêmio Luiz Beltrão, 2022, Grupo Inovador). Parte da diretoria Nordeste da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (ABEJ-2024-2026). Estágio de Doutorado-Sanduíche na Universitat Autònoma de Barcelona; e no grupo de pesquisa TransGang da Universidade Pompeu Fabra. 4 [ SUMÁRIO] TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS........7 APONTAMENTOS SOBRE O HISTÓRICO DO CAMPO CIENTÍFICO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORDESTE..................................................................................... 12 ALAGOAS ..................................................................................................................................... 22 COMUNICAÇÃO EM ALAGOAS: MARCAS FEMININAS NA FORMAÇÃO DE SABERES E PRÁTICAS ................................................................................ 23 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS........................................................................................... 32 SOBRE A AUTORIA DAS BIONOTAS.............................................................................................. 59 BAHIA ............................................................................................................................................61 A PESQUISA EM COMUNICAÇÃO NA BAHIA: TRAJETÓRIAS INSTITUCIONAIS E PROTAGONISMOS ....................................................................................... 62 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS........................................................................................... 72 SOBRE A AUTORIA DAS BIONOTAS............................................................................................ 142 CEARÁ ........................................................................................................................................ 146 O HISTÓRICO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO CEARÁ ...................................................... 147 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS......................................................................................... 156 SOBRE A AUTORIA DAS BIONOTAS............................................................................................ 200 MARANHÃO ............................................................................................................................... 203 DO ENSINO AO ENSINO/PESQUISA:ELEMENTOS PARA UM DEBATE SOBRE O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO MARANHÃO ............................................ 204 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS......................................................................................... 214 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS....................................................................................... 277 5 PARAÍBA .................................................................................................................................... 280 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA PARAÍBA ............................................................................ 281 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS......................................................................................... 292 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS....................................................................................... 330 PERNAMBUCO ........................................................................................................................... 332 COMUNICAÇÃO EM PERNAMBUCO: CONFIGURAÇÃO DO CAMPO E DINÂMICAS REGIONAIS ..................................................................................... 333 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS......................................................................................... 338 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS....................................................................................... 400 PIAUÍ .......................................................................................................................................... 404 A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO POR PESQUISADORAS EM COMUNICAÇÃO NO PIAUÍ.................................................................................................... 405 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS......................................................................................... 424 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS....................................................................................... 450 RIO GRANDE DO NORTE ........................................................................................................... 452 TRAJETÓRIA DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO POTIGUAR: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO ............................................................................................. 453 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS......................................................................................... 460 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS....................................................................................... 497 SERGIPE ..................................................................................................................................... 499 O DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE(UFS): UM BREVE PERCURSO HISTÓRICO .............. 500 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS......................................................................................... 511 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS....................................................................................... 548 6 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS Un día analizamos los textos asignados en los cursos de los estudios de la comunicación y la cultura y encontramos que la mayor parte de la bibliografía está compuesta por hombres, blancos, muy gringos y europeos. Nos dijimos que debíamos hacer algo al respecto. Y este es el primer intento: dar testimonio de que la comunicación en América Latina es un campo en mirada de mujeres. De eso es que va este proyecto. 1 “Mujeres de la comunicación” é uma grande empreitada capitaneada pelo pesquisador colombiano Omar Rincón, com apoio da Fundação Friedrich Ebert(FES), na qual ele exerce o cargo de diretor para a América Latina. Até o momento da escrita desta introdução foram publicados treis volumes que incluem mulheres de diversos países da América Latina, selecionadas conforme critérios da coordenação do projeto. Os textos contidos nesses volumes ora tratam de autoras escrevendo sobre sua própria produção, ora de entrevistas com algumas delas ou de análises feitas por outras acadêmicas sobre a obra de determinada pesquisadora. Nesse mesmo formato já foram publicados livros na Bolívia, no México, na Argentina e no Equador 2 . No caso brasileiro, decidimos tentar abranger o maior número possível de mulheres, empreendendo a publicação como memória de suas trajetórias para a configuração do campo. Além disso, organizamos em volumes dedicados a cada região do país para destacar suas atuações em contextos próprios e com idiossincrasias históricas, econômicas e culturais que as distinguem e que deixam suas marcas na formação dos campos estaduais e regionais. 1 “Um dia analisamos os textos nos cursos dos estudos da comunicação e cultura e notamos que a maior parte da bibliografia está composta por homens, brancos, gringos e europeus. Dissemos, então, que devíamos fazer algo a respeito. E este é o primeiro objetivo: dar testemunho de que a comunicação na América Latina é um campo sob o olhar das mulheres. É disso que trata esse projeto”. Disponível em: https://fescomunica.fes.de/mujeres-de-la-comunicacion.html 2 Todos os livros, bem como detalhes do projeto, podem ser conferidos em: https:// fescomunica.fes.de/mujeres-de-la-comunicacion.html 7 Embora não discutamos teoricamente a categoria de gênero, tampouco tratamos a publicação como um manifesto do tipo“lute como uma garota” 3 , é impossível apartar este levantamento das questões sociais e políticas inerentes à presença das mulheres no campo científico. Haag et al.(2021), citando Maria Margaret Lopes(2006), afirmam que o prestígio de uma disciplina é inversamente proporcional ao número de mulheres que a praticam. Para Elizabete da Silva(2008, p. 3), este problema constitui-se historicamente, pois“[...] as mulheres não foram consideradas indivíduos dotados de razão, mas de emoção, as mulheres possuíam o contraponto da razão – o coração”. Tratando especificamente do campo da Comunicação, o dado é curioso e incômodo, uma vez que, conforme observam, as mulheres são a maioria desde a iniciação científica até a Pós-Graduação, seja como alunas ou pesquisadoras. Esta publicação, portanto, mesmo não se caracterizando como uma“pesquisa de gênero”, quer contribuir para a questão, dando visibilidade a mulheres que subverteram, de um jeito ou de outro, as estruturas patriarcais e se colocaram como pioneiras, líderes ou partícipes em suas respectivas áreas de atuação. Dessa forma, as mulheres da Comunicação, que atuam ou atuaram, com destaque, no ensino, pesquisa e extensão de universidades brasileiras, estarão presentes em cinco volumes, como este, para registrar sua presença na constituição do campo no país. Foram 27 equipes empenhadas em resgatar parte importante da atuação das mulheres do cenário diverso que constituiu o campo brasileiro, organizado por região para evitar invisibilidades impostas por zonas com presenças mais hegemônicas. As biografadas foram indicadas pelos pares, colegas que as reconheceram como fundadoras ou consolidadoras do campo da Comunicação em cada Estado, incluindo o Distrito Federal. Por fundadoras 4 foram identificadas as mulheres que participaram dos primeiros tempos de criação das faculdades de Comunicação, o que tem uma forte variação de Estado para Estado. As primeiras faculdades, ainda dedicadas apenas ao jornalismo, são das décadas de 1940 5 e 1950, em geral ligadas aos cursos de filosofia, como é o caso da Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do 3 Segundo Clementine Ford, autora do livro Figth like a Girl (Editora Allen& Unwin, 2016), seu título parafraseia uma antiga expressão popular, a qual foi retomada em várias versões, desde slogans de movimentos populares(“Lute como Marielle Franco”,“Lute como uma professora”) até campanhas publicitárias de marca de absorvente( Always , em sua campanha#likeagirl), entre inúmeras outras apropriações. 4 José Marques de Melo(1997), em um esforço semelhante, propôs as seguintes classificações: desbravadores, sedimentadores, continuadores. 5 O primeiro curso de Jornalismo do Brasil, e da América Latina, é o da Cásper Líbero, fundado em 1947. 8 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Rio Grande do Sul(UFRGS), inaugurada em 1952 6 , entre outras. Da década de 1970 advêm os primeiros Programas de Pós-Graduação em Comunicação. As consolidadoras, por outro lado, são mulheres que chegaram para reforçar o plantel inaugural, sendo uma situação também variável de Estado para Estado, o que, em alguns, representa várias gerações, como é o caso de cursos mais antigos, por exemplo o da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), da Universidade de São Paulo (USP) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP). No projeto para a realização dos cinco livros, os pares consultados também indicaram as mulheres emergentes em cada Estado, as quais se dedicariam a escrever sobre suas antecessoras, cujo objetivo seria alcançar um tipo de reflexividade em suas atuações e, ao mesmo tempo, deixar registrada a presença delas na atual fase do campo. De região para região houve variações de encaminhamento, resultando na parcialidade no alcance desse objetivo. Na maior parte dos Estados houve raríssimas exceções na condução do protocolo estabelecido, entretanto, em alguns deles, nem tanto. Nesse caso, as bionotas das fundadoras e consolidadoras não foram escritas por mulheres emergentes, tampouco por mulheres, em alguns casos não só por uma pessoa, e, em outros, uma pessoa escreveu várias bionotas, não seguindo à risca o protocolo e objetivos da pesquisa. A nominata inicial, que solicitava indicação de fundadoras, consolidadoras e emergentes, foi adquirida por meio de um formulário disponibilizado durante dois meses nas listas de e-mails da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós) e da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Parte do resultado foi satisfatório, no entanto, diante da inconsistência da listagem de alguns Estados, da inexistência de indicações em muitos outros, além de sobreposições nas categorizações de alguns nomes, uma ampla revisão foi realizada por meio do envio da listagem para três pessoas de cada Estado para consolidarem as indicações ou para que as fizessem no caso de faltarem nomes relevantes. Assim mesmo, uma nova rodada, com duas outras pessoas de cada Estado, ocorreu antes de as listagens serem enviadas para coordenadoras e coordenadores regionais, que, por sua vez, convidaram pesquisadoras de cada Estado da região para organizarem as bionotas junto as emergentes indicadas na etapa anterior. Ou seja, a listagem inicial passou por cinco pessoas antes de chegar às biógrafas, e poderia ainda ter nomes acrescentados pela coordenação estadual a seu critério e responsabilidade. Mesmo com todo o esforço realizado em várias etapas, não há garantia de que todas as mulheres fundadoras e consolidadoras de cada Estado estejam presentes nas publicações, muito menos que as emergentes tenham sido as redatoras das bionotas. 6 Em 1970 é criada a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da junção do antigo curso de Jornalismo com a Escola de Biblioteconomia e Documentação (formada a partir do curso técnico em Biblioteconomia, surgido em 1947). 9 Muitas dificuldades foram encontradas: indicadas que não permitiram sua inclusão no livro 7 , ausência de emergentes dispostas a escrever sobre suas antecessoras ou falta de convite a elas, lacunas ou inexistência de informação sobre as mulheres que já saíram de cena do mundo acadêmico, entre muitos outros obstáculos, diferentes e diversos em cada Estado ou região. Sugerimos, por essas razões, em especial sobre as fundadoras, que em qualquer dos casos elas fossem incluídas no texto sobre o histórico do campo estadual, uma vez que esses registros são muito importantes para não se perder a memória de suas participações na geração desse campo de conhecimento. Com relação às consolidadoras, em geral foram seguidas as indicações dos pares consultados, com a sugestão de que as coordenadoras e os coordenadores regionais e estaduais tivessem autonomia para complementar a listagem. As coordenações estaduais tiveram a tarefa de também convidar colegas para escrever os históricos dos respectivos campos, os quais serviram de base para a escritura dos históricos regionais a cargo de seus respectivos coordenadores. Isto é, cada um dos cinco livros pretendeu abarcar o histórico dos campos estaduais que serviram de contexto para situar as bionotas das fundadoras e consolidadoras, além de dar subsídio para os coordenadores regionais escreverem o histórico de sua região. As bionotas são compostas por dados bastante sucintos a modo de um verbete 8 , por isso seguiram um roteiro para que a publicação funcione como uma espécie de dicionário sobre as mulheres que fundaram e consolidaram o campo brasileiro da Comunicação. Tratam-se, portanto, de anotações sobre as trajetórias acadêmicas dessas mulheres, como o próprio termo indica. Não se configuram, por isso, como histórias de vida, memórias, narrativas ou relatos sobre elas. A ordem de apresentação segue a cronologia da trajetória acadêmica das mulheres, em uma sequência de fundadoras a consolidadoras. Para os históricos estaduais um roteiro para sua construção foi sugerido como uma maneira de dar saliência para os mesmos dados 9 , com a finalidade de criar parâmetros 7 Houve um caso no Piauí. 8 Dados biográficos, formação escolar, atuação profissional e principais publicações. 9 Ano, universidade e cidade de criação dos cursos de comunicação, opções ofertadas(Jornalismo, Relações Públicas(RP), Publicidade e Propaganda(PP), rádio e TV, etc.), agentes e/ou instituições responsáveis pelas criações dos cursos (pessoas, sindicatos, associações, etc.), ano, universidade e cidade de criação dos Programas de Pós-Graduação(PPG), áreas de concentração, linhas de pesquisa; agentes e/ou instituições responsáveis pelas criações dos PPGs(pessoas, sindicatos, associações, etc.), revistas acadêmicas, associações de professores e pesquisadores da comunicação, realização de congressos, encontros, jornadas, seminários de abrangência estadual, etc.(em vigência e não), bibliotecas especializadas na área, agências estaduais de fomento à pesquisa, editais específicos para a área, prêmios instituídos, cooperação desenvolvida sistematicamente com outros Estados da região e outros dados relevantes. 10 TRAJETÓRIA ACADÊMICA DAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO: APONTAMENTOS INICIAIS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste que, porventura, precisem ser comparados em alguma situação de consulta e para a formulação dos históricos regionais. Assim, apresentamos para leitura o quinto e último volume resultante dessa empreitada iniciada em fevereiro de 2022, quando ainda não tínhamos a real dimensão do trabalho que teríamos pela frente, seja pelas inúmeras demandas e desafios que encontramos, seja pela importância de registrar as contribuições dessas mulheres para nosso campo. O percurso das mulheres irá surpreender! Nilda Jacks Lírian Sifuentes Guilherme Libardi Referências HAAG, A. T.; PARISE, G.; PEREZ, J. L.; IRIGOYEN, M.; WOTTRICH, L.; OLIVEIRACRUZ, M. F. Lugar de mulher é na ciência: um estudo acerca da desigualdade de gênero na ciência da Comunicação. In: PESSOA, S. C.; PRATA, N.; SANTANA, F. Um mundo e muitas vozes: da utopia à distopia? Olhares de jovens pesquisadores. São Paulo, SP: Intercom, 2021. LOPES, M. M. Sobre convenções em torno de argumentos de autoridade. Cadernos Pagu, v. 27, p. 35-61, jul./dez. 2006. MELO, José Marques de(coord.). Memória das ciências da Comunicação no Brasil: o grupo gaúcho. Porto Alegre, RS: EDIPUCRS, 1997. 286 p. SILVA, E. R. A.(In)visibilidade de mulheres no campo científico. Revista Travessias, v. 2, n. 2, p. 1-20, 2008. 11 Gustavo Said 10 Leila Sousa 11 APONTAMENTOS SOBRE O HISTÓRICO DO CAMPO CIENTÍFICO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORDESTE A modo de uma introdução aos capítulos que compõem este livro, o objetivo deste texto é traçar um quadro geral, numa perspectiva histórica, da formação do campo científico da comunicação no Nordeste do Brasil. Dois desafios aparecem de imediato, expostos respectivamente ao longo da redação do texto: o primeiro deles diz respeito ao fato de que não é possível descurar das questões teóricas mais evidentes, voltadas à discussão, ainda que breve e incipiente, do que os autores entendem como campo científico, à maneira de Bourdieu(1976), como sendo um campo social como outro qualquer; no segundo, a despeito das singularidades de cada Estado, faz-se necessário apresentar, mesmo que resumidamente, as condições históricas que orientaram, em linhas gerais, a formação do campo científico da Comunicação na Região, relacionando-as, sobretudo, ao contexto nacional. Feitos os esclarecimentos iniciais, no que se refere à discussão conceitual é importante destacar que, via de regra, no caso da comunicação, conforme explicam Krohling Kunsch e Gobbi(2016), a análise de sua conformação científico-acadêmica requer uma definição do que se considera seu objeto de estudo e seu status científico, uma vez que essa é a preocupação presente no trabalho de diversos pensadores e nos fóruns realizados pelas entidades ligadas à área. Neste sentido, segundo as autoras supracitadas, traçar um panorama do desenvolvimento do conhecimento científico em Comunicação no Brasil significa buscar aproximações com cenários muito diversificados e heterogêneos,“quer pelas correntes teóricas que serviram de referees para as investigações iniciais, quer pela diversidade na formação dos 10 Professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação(PPGCOM)/Universidade Federal do Piauí(UFPI). 11 Professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação(PPGCOM)/ Universidade Federal do Maranhão(UFMA) Imperatriz. 12 APONTAMENTOS SOBRE O HISTÓRICO DO CAMPO CIENTÍFICO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORDESTE MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste intelectuais que conduziam as primeiras iniciativas de abertura de novos cursos, bem como das produções pioneiras que foram sendo estabelecidas”. É exatamente nesse ponto que reside a dificuldade, dada a variedade de diretrizes – epistemológicas e também institucionais – que aponta para a utilização dos diversos aportes teóricos e metodológicos que constituíram e ainda constituem o objeto de estudo da Comunicação, dificultando sua formulação delimitada e sua definição consensual. Para além da conformação atinente às discussões de cunho epistemológico, é necessário considerar o que pode ser chamado de materialidade da organização do campo científico em termos institucionais, de infraestrutura, de políticas de financiamentos e de relações com outros campos sociais(precipuamente, o campo das práticas comunicacionais, sejam elas do jornalismo sejam da comunicação organizacional e da publicidade e propaganda). Uma vez que problemas teóricos se relacionam com problemas práticos, vínculos institucionais entre o campo científico e os demais campos sociais vão se constituindo, grupos de estudo e pesquisa vão sendo formados, pesquisas vão ganhando corpo, projetos pedagógicos e curriculares vão sendo introduzidos, seja sob demanda seja sob pressão exercida de um ou outro lado. Disso resulta que as disciplinas são conformadas também por questões que estão além da mera definição apriorística de um objeto de estudo e de conhecimento. Os objetos não são formados somente por uma ótica científica, carreada por bases epistemológicas e princípios ontológicos, muitas vezes diversos e até discordantes, mas também por uma adequação aos rigores institucionais, a financiamentos de pesquisa, a modelos pedagógicos, a práticas profissionais, a demandas de mercado, etc. Uma disciplina insere-se num campo científico, e, do ponto de vista histórico, a constituição da Comunicação deuse tanto em razão de certas condições teóricas e metodológicas em que os estudos foram realizados, como parte de ambientes intelectuais que vigoravam nos períodos e contextos em que os estudos foram produzidos, quanto por conta de necessidades e demandas do próprio mercado de bens simbólicos. Em um estudo até certo ponto pioneiro, Maria Immacolata Vassalo Lopes(1995) alertou para o fato de que, no Brasil,“...o campo da comunicação – seu estudo e seu ensino – foi conformado principalmente pela visão de uma particular prática profissional, condicionada por sua vez por um mercado de trabalho centrado nos meios de comunicação”. Neste sentido, a formação das disciplinas científicas não é motivada apenas por uma lógica constitutiva interna, de definição do objeto com base nos problemas formulados e nos métodos e teorias que utiliza para dar conta dessas questões; a disciplina resulta das práticas concretas no campo científico e este é também conformado por outros campos sociais. 12 Quais pressões emergem 12 Vale acrescentar o esclarecimento de Foucault(1996), que explica que as grandes mutações científicas são o resultado da necessidade de legitimação de determinado saber por meio de verdades estabelecidas discursivamente pela lógica constitutiva (os objetos, os métodos, as proposições, as regras e técnicas) de cada disciplina setorizada. Assim, Foucault(1996, p. 31) acredita que as disciplinas são princípios 13 do mercado de bens informativos, do meio social, das rotinas de produção de certas áreas do campo, como o jornalismo, a contribuir para a definição de projetos acadêmicos e perspectivas teórico-metodológicas que os definem? Como tratar da íntima e indissociável relação da constituição do campo da comunicação enquanto campo social e da sua configuração enquanto campo de conhecimento? Sobre isso, Adriano Rodrigues(1994) procurou analisar os percursos acadêmicos legitimadores do campo acadêmico da comunicação, argumentando que há uma simbiose entre esse último e uma racionalidade que se instaura, nas sociedades atuais, em razão da especialização dos saberes. Desta forma, o autor desvendou as formas e processos sociais que darão ordem às estratégias do campo de conhecimento pelas quais o campo social também se legitima. Sutil recurso tautológico: as formas sociais que originam o campo de conhecimento são igualmente legitimadas pelo universo de práticas acadêmicas que elas mesmas geraram. Para além dos imperativos do mercado de comunicação, cumpre, então, investir no esforço de traçar uma genealogia do saber comunicacional, destacando o papel desempenhado pelos“pais fundadores”, compreendendo-os tanto como autores nacionais e estrangeiros, que serviram de referência geral para a elaboração de currículos pedagógicos e para a nucleação das primeiras pesquisas, quanto aqueles que, de forma pioneira, iniciaram a prática docente em várias regiões do país, em situações infraestruturais e condições institucionais muitas vezes precárias, sob demandas de trabalho extenuantes. O pioneirismo dos dois casos citados faz desses docentes e pesquisadores grandes referências para a produção teórica inicial na Comunicação em qualquer Instituição de Ensino Superior pública ou privada. Por outro lado, é fundamental perceber ações institucionais também pioneiras na América Latina e no Brasil, a exemplo do trabalho desenvolvido pelo Centro Internacional de Estudios Superiores de Periodismo(Ciespal), e ainda a influência e a presença da doutrina e da pedagogia comunicacional de matriz cristã, via Conferência Nacional dos Bispos do Brasil(CNBB). Essas ações foram constituindo importantes núcleos de pesquisa e de propagação do conhecimento que influenciaram o projeto pedagógico de muitos cursos e a composição, em termos de área de concentração e de linhas de pesquisa, dos primeiros programas de Pós-Graduação em Comunicação no Brasil, controladores da produção discursiva:“uma disciplina não é a soma de tudo o que pode ser dito de verdadeiro sobre alguma coisa; não é nem mesmo o conjunto de tudo o que pode ser aceito, a propósito de um mesmo dado, em virtude de um princípio de coerência ou sistematicidade.” Formular verdades, portanto, para Foucault(1996), significa obedecer a regras de uma espécie de polícia discursiva que opera em cada discurso. A epistemologia seria, assim, um dado relevante, mas provisório; seria um epifenômeno da própria lógica de construção de uma disciplina. As disciplinas tanto controlam os dispositivos discursivos internos, inerentes a cada uma delas, quanto aqueles que dizem respeito à sua exterioridade, à relação que estabelecem com outras disciplinas, áreas e campos. 14 APONTAMENTOS SOBRE O HISTÓRICO DO CAMPO CIENTÍFICO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORDESTE MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste a realização dos primeiros congressos e a definição da ementa de muitos de seus Grupos de Trabalho(GT). Não por acaso, no caso brasileiro, em que pese o processo de constituição das redes de comunicação e o claro impulso dado às telecomunicações em âmbitos nacional e internacional(no Brasil, a Embratel foi criada em 1965 e a Telebrás em 1972), bem como a instalação de emissoras de televisão que, aos poucos, se aliaram ao projeto político de integração nacional, vão sendo criadas, nos anos 1960, as primeiras escolas de Comunicação(em 1963, na Universidade de Brasília – UnB, e, em 1966, na Universidade de São Paulo – USP). Antes, porém, na Faculdade Cásper Líbero, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), havia sido criado o primeiro curso de Jornalismo do país, seguido pelo da Universidade do Brasil (hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ). Krohling Kunsch e Gobbi(2016) afirmam que o primeiro curso superior de Relações Públicas foi criado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP) também naquela década, em 1967, enquanto em 1951 tinha sido criado o primeiro curso de Propaganda e Publicidade no Brasil, na atual Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM). Em relação à temática deste texto, destaca-se o pioneirismo da Bahia com o primeiro curso de comunicação oferecido ainda na década de 1950; em seguida, a Universidade Católica de Pernambuco(Unicap), em Recife, onde o curso existe desde 1960. Já em 1962, no Rio Grande do Norte, a Lei Estadual 2.783 criou a Faculdade de Jornalismo Eloy de Souza, inicialmente uma unidade independente que, depois de um ano, passou a ser administrada pela Fundação José Augusto. Doravante, as mudanças de ordem política e econômica – sobretudo da primeira metade dos anos 1980 – demarcam uma nova fase e denotam um aumento significativo no número de rádios e televisões, com ampliação do consumo de produtos culturais diversificados. Esse processo implicou um conjunto de ações voltadas à consolidação dos cursos já existentes e à formação acadêmica na área da comunicação, e, especialmente, do jornalismo, pelos menos em Estados que ainda não possuíam o Bacharelado. Foi também esse o momento em que se rediscutiu o papel dos cursos de Comunicação Social na tentativa de adequar a formação profissional em âmbito universitário no contexto de reabertura democrática e de aumento crescente e significativo no número de veículos de comunicação, sobretudo rádio e televisão, durante o governo do Presidente José Sarney(1985 a 1990). Por conseguinte, houve uma redefinição do papel político dos meios de comunicação ante o contexto político, que passou a vigorar desde então. Fazia-se necessário redefinir a atuação jornalística em virtude das mudanças no mercado de trabalho e nas práticas políticas. Nesse ínterim, foram realizadas consistentes discussões a respeito dos projetos pedagógicos na área da comunicação no Brasil e, de resto, no Nordeste. Como resultado, pode-se citar a reformulação dos currículos em alguns cursos ativos e, ainda, a criação de novos cursos, mormente na área do jornalismo. 15 Está claro, portanto, que a trajetória pedagógica da maior parte dos cursos de Comunicação Social não pode estar desvinculada de questões mais genéricas que dizem respeito à sua inserção na lógica operacional do mercado informativo e na conjuntura cultural, política e econômica nacional. A definição de uma proposta pedagógica por parte dos cursos de Comunicação Social tem estado atrelada a questões internas, que dizem respeito à própria estrutura de cada instituição, bem como às influências pedagógico-acadêmicas que, à época de criação de cada curso e durante boa parte do seu desenvolvimento, funcionaram como espécies de paradigmas científicos que importavam modelos teórico-metodológicos condicionantes da formação e, talvez, da prática jornalística. Cada projeto pedagógico, no entanto, somente pode ser entendido como resultado da conjunção de forças que integram a estrutura da sociedade local nos seus diversos níveis. Após a reformulação das bases da ação pedagógica em Comunicação nas Instituições de Ensino Superior(IES), o campo acadêmico de Comunicação teve nova mudança quantitativa e qualitativa a partir dos anos 1090, com a criação de cursos de Graduação em muitas universidades particulares e de Pós-Graduação( lato sensu e stricto sensu) nas universidades federais, pouco tempo depois da abertura democrática e do fim da censura aos meios de comunicação e produção cultural, com a consequente abertura de mercado e a efetivação sucessiva de práticas e políticas de privatização de matriz neoliberal. De lá para cá,“o número de universidades e instituições de ensino superior com o curso de Comunicação Social e suas respectivas subáreas cresceu intensamente. Isto se explica, em parte, pelo crescimento expressivo que a área tem experimentado, tanto no campo acadêmico quanto no mercado das indústrias das comunicações, da publicidade e da comunicação organizacional, além do acentuado crescimento da oferta do ensino superior em todas as áreas de conhecimento” (Krohling Kunsch; Gobbi, 2016). No caso nordestino, não obstante seja observada a tendência geral relacionada às características do contexto histórico nacional, as disparidades e as nuances da consolidação do campo científico da Comunicação em cada um dos Estados aparecem coadunadas às condições concretas em que se deu a formação dos primeiros pesquisadores e a criação e instalação dos primeiros cursos de comunicação. Tal disparidade talvez seja mais visível por ser esta a maior região em número de Estados, cada um com peculiaridades históricas, geográficas e culturais identificáveis, sendo composta por quatro sub-regiões distintas(Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte), nas quais se destacam vários biomas: Caatinga(grande parte da área central), Cerrado(Oeste da Bahia, Piauí e Leste do Maranhão), Mata Atlântica(Litoral Nordestino, até o Rio Grande do Norte) e Floresta Amazônia(Oeste do Maranhão). Com exceção do Estado da Bahia, os demais seguiram mais claramente a tendência nacional. Em quaisquer dos casos, contudo, as datas de criação dos cursos de 16 APONTAMENTOS SOBRE O HISTÓRICO DO CAMPO CIENTÍFICO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORDESTE MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste comunicação social em cada um dos nove Estados do Nordeste(UFBA – 1948; UFC – 1965; UFMA – 1970; UFPE – 1970; UFRN – 1973; UFPB – 1977; UFAL – 1978; UFPI – 1984; UFS – 1992) expressam, em diferentes períodos históricos, a influência das questões nacionais alinhadas às demandas por formação pedagógica em cada um dos contextos regionais(se olhado cada caso particular com minúcia e detalhe, os currículos iniciais em cada IES desvelam um pouco das exigências sociais que influenciavam a sua concepção pedagógica e curricular no período de sua criação e estabelecimento). Em razão das peculiaridades regionais e ainda a partir de perspectivas epistemológicas similares, cada estado tem consolidado importante tradição nos estudos de Comunicação, sobretudo no território de abrangência e influência de cada IES. Dos nove Estados, apenas Alagoas não conta com curso de Pós-Graduação em Comunicação, enquanto alguns Estados, como Bahia, Maranhão, Pernambuco e Paraíba, possuem mais de um curso stricto-sensu na área. Vistos a partir de um recorte cronológico atual, esses dados expressam a consolidação do campo científico da Comunicação na Região. A história dessa consolidação, como exposto anteriormente, é marcada por desafios e entraves e está relacionada ao desenvolvimento dos sistemas de comunicação e aos esforços pioneiros para introdução da Graduação em Comunicação Social em cada um dos Estados. A Bahia, como mencionado, foi o primeiro Estado a oferecer o curso de Jornalismo na região, ainda no início dos anos de 1950. Até então, apenas São Paulo e Rio de Janeiro contavam com o curso. A iniciativa representou um avanço importante para a formação na área, inclusive com a possibilidade de formar profissionais com vínculos com a região. Nesse processo, destaca-se o papel das docentes mulheres consideradas fundadoras do campo, nomes fundamentais para que a criação dos cursos de Graduação e de Pós-Graduação fosse possível. A necessidade do desenvolvimento do campo por intermédio da consolidação de cursos de Graduação e Pós-Graduação foi, também, uma realidade vivenciada no Maranhão. No Estado, até 2007, os docentes dos cursos de comunicação tinham apenas Graduação e Especialização. Importantes parcerias com Instituições do Sul e Sudeste foram relevantes para a formação docente por meio da qualificação em cursos de Mestrado e Doutorado. As parcerias com centros de ensino do Sul e Sudeste também foram cruciais para o desenvolvimento do campo no Piauí. Naquele Estado o curso de jornalismo nasceu como atividade de extensão em 1979, realizada em Teresina com parceria entre a PUC-Rio e a Fundação Universidade Federal do Piauí. O objetivo era capacitar os“jornalistas de batente”. Assim como em outros Estados nordestinos, a fundação do curso de Jornalismo no Piauí dá-se pelo trabalho docente de profissionais que possuíam formação em áreas afins, como Letras, Pedagogia e História. Até então poucos eram os docentes graduados em Comunicação Social. 17 Na Universidade Federal do Ceará(UFC) o curso de jornalismo começa a ser instituído a partir de atividades que foram denominadas“Cursos Livres de Jornalismo”. O primeiro“cursinho” aconteceu em janeiro de 1963 e formou 53 pessoas, algumas delas atuantes até hoje no mercado local. O curso da UFC foi criado oficialmente em 1964, em meio à ditadura militar, e contava com professores egressos do mercado e de outros departamentos, como Ciências Sociais, Psicologia e Economia. O diálogo com áreas afins, no restante do Nordeste, não se deu apenas pela formação inicial dos professores. Estabeleceu-se, também, pelo acolhimento de cursos de jornalismo em Departamentos, como o de Letras e o de Artes, por exemplo, realidade que foi identificada em diversos Estados. Em Sergipe essa dinâmica foi uma realidade durante 16 anos. Somente depois desse período o curso de Comunicação é efetivado em Departamento próprio. No Estado citado mais da metade das docentes dos cursos oferecidos na área de comunicação são mulheres. O mapeamento atual da oferta de cursos na Região indica mudanças qualitativas significativas, especialmente no que se refere ao projeto pedagógico e à formação docente, e revela, ainda, o contexto histórico em que, aos poucos, o campo científico foi se consolidando, sob influência das disparidades econômicas, políticas e culturais entre seus Estados constitutivos. Entre as mudanças mais significativas destaca-se o impacto das novas diretrizes curriculares para os cursos de jornalismo. No caso do Maranhão, após o ano de 2006 há uma importante mudança nos currículos. Os cursos passam a seguir as novas diretrizes e as habilitações são separadas. Além da reforma na grade curricular, o ano de 2007 marca a separação que havia entre tronco comum(teorias) e habilitações (técnicas), criando as condições necessárias para a transformação das habilitações em cursos. É também no ano de 2007 que as políticas de expansão do governo Lula criam o curso de Jornalismo em Imperatriz, segunda maior cidade do Maranhão. Trigueiro e Lins(2017, p. 2) expõem alguns dados sobre a oferta de cursos de Comunicação na Região Nordeste, que abrigava, até a data da publicação da pesquisa “...cerca de 250 cursos ativos da área da Comunicação, que vão desde os recentes cursos superiores tecnológicos, a exemplo de Fotografia e Jogos Digitais(design), até os tradicionais bacharelados de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Cinema e Relações Públicas. Os estados da Bahia, Pernambuco e Ceará respondem por 1/3 dos cursos de Comunicação na Região, enquanto o estado nordestino com menos oferta na área é o Piauí, com apenas oito cursos”(INEP/MEC, 2015). As autoras(Trigueiro; Lins, 2017, p. 2) prosseguem: Todos os nove estados do Nordeste ofertam os tradicionais bacharelados em Jornalismo e/ou Publicidade e Propaganda, que juntos totalizam 80 cursos, sendo, ainda, os cursos preponderantemente ofertados. São 41 de Jornalismo 18 APONTAMENTOS SOBRE O HISTÓRICO DO CAMPO CIENTÍFICO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORDESTE MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste e 39 de Publicidade. Esses cursos estão presentes na maioria das instituições públicas e em quase todas as comunitárias e privadas, e representam 32% do total de cursos de Comunicação na Região nordestina, segundo dados do MEC divulgados em 2015(INEP/MEC, 2015).(...) Vale destacar que outros bacharelados, a exemplo de Cinema, Artes Visuais e Design, concentram suas ofertas nos estados da Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. A maioria é ofertada por instituições públicas federais ou estaduais, sobretudo o bacharelado em Rádio e Televisão, considerado de alto custo para ser mantido pelas faculdades ou universidades privadas. Em todos os Estados nordestinos mais de um curso de formação na área é oferecido, seja em Instituições públicas ou privadas. Entre as formações disponíveis, podemos destacar as habilitações em Rádio e Televisão, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Comunicação e Marketing, Produção Multimídia, Produção em Comunicação e Cultura e Social Mídia. Pernambuco é um exemplo da afirmação supra. O Estado conta com 20 Graduações funcionando na área de Comunicação, com 7 cursos diferentes. O curso mais antigo em atividade no Estado é o de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no Recife. Já a Graduação em Publicidade e Propaganda começa a existir em 1972, na Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Em 2001 o curso passou a ser oferecido nas instituições particulares Centro Universitário do Vale do Ipojuca (UniFavip) e Centro Universitário AESO-Barros Melo(Uniaeso). A Unicap iniciou as atividades do curso em 2002, enquanto o Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau), em 2004. O desenvolvimento do campo da comunicação em Pernambuco também conta com a atuação de instituições como o Centro Universitário UNIFBV Wyden(UNIFBV), que começou a receber estudantes em 2005. O curso tecnológico em Produção Publicitária da Faculdade de Olinda(FOOCA) tem dois anos de duração, ofertado desde 2015. Além destes, destacamos, também, o curso de Cinema da UFPE, em funcionamento desde 2009, e o da Uniaeso, intitulado Cinema e Audiovisual, desde 2014. Em Caruaru existe uma Graduação em Comunicação Social, oferecida pela UFPE, sem habilitações, com ênfases em Produção Cultural e Mídias Sociais, oferecida desde 2015. Há, ainda, dois cursos de Pós-Graduação em funcionamento em Pernambuco: Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE(PPGCOM), Campus Recife, que funciona desde 1998; e Programa de Pós-Graduação em Indústrias Criativas (PPGIC), da Unicap, no Recife, aberto em 2017. Outro dado importante a ser mencionado é que, à medida que os cursos de formação em comunicação ganhavam espaço e passavam a ser mais ofertados, o que demandou a criação de departamentos específicos, também os docentes passaram a encontrar centros mais próximos para dar continuidade às suas formações profissionais. Um 19 exemplo importante dessa expansão deu-se em 2007, no Recôncavo da Bahia, quando a UFRB inaugurou a primeira Pós-Graduação em Comunicação fora da capital. Tal iniciativa mostra-se importante para lançar luz sobre o desenvolvimento de cursos de formação na área fora das capitais, ampliando as oportunidades de ensino e também de construção curricular que pudessem dialogar com outras realidades epistêmicometodológicas e contextuais. O avanço e a transformação do campo de jornalismo no decorrer das décadas precisam ser observados a partir da contribuição de mulheres como fundadoras, consolidadoras e emergentes nos trabalhos de ensino, pesquisa e extensão. Dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq, 2024) destacam que as mulheres são maioria com título de Mestrado e Doutorado no Brasil. Segundo relatório da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), publicado em 2022, as mulheres representavam 54,2% dos matriculados em programas de Pós-Graduação stricto sensu(Mestrado e Doutorado). Ainda assim, tal dado não reflete a ocupação de cargos de docência nas Universidades Brasileiras (Ribeiro, 2023). O silenciamento da atuação feminina é um ponto de destaque no histórico do campo do jornalismo em Alagoas. No Estado, as mulheres estiveram à frente do desenvolvimento do campo da comunicação e da formação profissional, protagonizando a formação em Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. Ainda que tenham desempenhado um papel crucial na fundação do campo, a presença feminina era bastante diminuta até pouco tempo, e muitas das conquistas femininas foram silenciadas ou atribuídas a nomes masculinos. O“olhar comunicacional” em Alagoas começa a ser desenvolvido na década de 1970, e tem na luta feminina uma forte aliada para o desenvolvimento da comunicação no Estado. São as mulheres organizadas que criam espaços midiáticos para levantar bandeiras de lutas e denunciar violências, por exemplo. Inicialmente o curso de comunicação em Alagoas contava com um corpo docente predominantemente masculino. Em 2009, 30 anos depois da criação, o curso ainda era quantitativamente masculino – 5mulheres entre 18 homens. Hoje a presença feminina é majoritária, com destaque para a pesquisa, a produção científica e a participação em Pós-Graduação. Elas desempenharam também um papel fundamental na formação acadêmica e no desenvolvimento da comunicação nas instituições particulares, atuando em cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Assim, além da Universidade Federal de Alagoas(UFAL) a Universidade Tiradentes(UNIT), o Centro de Estudos Superiores de Maceió(CESMAC), a Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (ESAMC), a Faculdade Alagoana de Administração(FAA) e a Faculdade da Cidade de 20 APONTAMENTOS SOBRE O HISTÓRICO DO CAMPO CIENTÍFICO DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORDESTE MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Maceió(FACIMA), foram muito importantes para o avanço do campo da comunicação no Estado, no desenvolvimento profissional e na formação acadêmica. Realidade parecida é apontada no histórico do campo do jornalismo no Estado do Piauí, no qual as mulheres são maioria no curso de jornalismo, mas não configuram a maioria nos cargos de poder nas empresas locais(Lopes; Gomes, 2023). Como parte do projeto de pesquisa e editorial“Mulheres na Comunicação no Brasil”, este texto pretende chamar a atenção para a atuação feminina na consolidação do campo acadêmico da Comunicação em todos os Estados da região Nordeste. Às docentes é atribuído o importante papel de fundação e consolidação dos cursos, a reconfiguração de currículos e grades de disciplinas, além da preservação e da manutenção da memória e da história do campo. Em Estados como Alagoas, Maranhão e Piauí, por exemplo, elas representam maioria entre as docentes dos cursos de Pós-Graduação. Nas próximas páginas, o legado das professoras na região Nordeste do Brasil será apresentado. Referências BOURDIEU, Pierre. Le champ scientifique. Actes de la Recherche en Sciences Sociales, v. 2, n. 2-3, p. 88-104, 1976. CAPES. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. PósGraduação brasileira tem maioria feminina. 1º de novembro de 2022. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/assuntos/noticias/pos-graduacao-brasileira-temmaioria-feminina. Acesso em: 5 fev. 2025. KROHLING KUNSCH, Margarida Maria; GOBBI, María Cristina. O campo acadêmicocientífico da Comunicação no Brasil: panorama, constituição e perspectivas. In: Anuario Electrónico de Estudios en Comunicación Social“Disertaciones”, v. 9, n. 2, p. 68-91, 2016. LOPES, Maria Immacolata Vassalo. A pesquisa nas escolas de Comunicação. In: Intercom: Rev. Bras. de Com., São Paulo, v. XVIII, n. 2, p. 54-67, jul./dez. 1995. LOPES, Paulo Fernando de Carvalho; GOMES, Mariana. Desigualdade de gênero em webrádios jornalísticas do Piauí. In: CARVALHO, Elizângela; LAGO, Claudia; TERENZZO, Kareen(org.). Gênero na mídia: o GMMP do Brasil. São Paulo: Paulus Editora, 2023. RIBEIRO, Fernanda Teixeira. Por que as mulheres são maioria na Pós-Graduação, mas ocupam menos da metade dos cargos de docência nas universidades? In: Jornal da UNESP, 3 de março de 2023. Disponível em: https://jornal.unesp.br/2023/03/03/porque-as-mulheres-sao-maioria-na-pos-graduacao-mas-ocupam-menos-da-metadedos-cargos-de-docencia-nas-universidades. Acesso em: 5 fev. 2025. 21 ALAGOAS 22 Sandra Nunes Leite 13 Vitor Braga 14 COMUNICAÇÃO EM ALAGOAS: MARCAS FEMININAS NA FORMAÇÃO DE SABERES E PRÁTICAS Como podemos discorrer sobre os delineamentos da comunicação em Alagoas? Em que cenários desponta no Estado o pensamento comunicacional? Como ele vai constituindo-se num universo povoado por distintas forças sociais num território cuja história assinala poder(de um lado) e elementos de resistência(do outro lado)? Este capítulo mapeia as marcas femininas na constituição do campo da Comunicação em Alagoas, articulando memória social, políticas de ensino e trajetórias docentes desde os anos 1970, com atenção à presença e às tentativas de silenciamentos. Essas questões marcaram nossa reflexão e produziram como propósito apresentar os traços que foram configurando o campo(e as mulheres) da comunicação em Alagoas, um dos Estados que compõem a região Nordeste da Nação brasileira. O olhar para a história do Estado captura as marcas inscritas que, de certa forma, provocaram o pensamento comunicacional alagoano, concentrando-se, especialmente, num período que se inicia na década de 1970. Pode-se afirmar que a efervescência dos acontecimentos nesses anos fechou a década com a criação do primeiro curso de Graduação em Comunicação Social nas terras alagoanas. Torna-se pertinente destacar, porém, que, apesar de marcante na memória social, o protagonismo feminino na história alagoana também enfrenta indicativos de silenciamento e apagamentos próprios de um universo conservador, no qual a presença masculina é sempre realçada. Como exemplo podemos citar o Quilombo dos Palmares com a figura proeminente de Zumbi dos Palmares, sabendo-se que a memória do local reverencia Aqualtune, Acotirene e Dandara, sendo as duas 13 Doutora em Ciências da Comunicação, professora do curso de Relações Públicas do Instituto de Ciências, Comunicação e Artes(ICHCA) da Universidade Federal de Alagoas(UFAL). Coordenou a finalização das bionotas no SE. snl@reitoria.ufal.br 14 Doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea. Professor do curso de Jornalismo do ICHCA-UFAL e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Sergipe. Coordenou a finalização das bionotas no SE. vitor. braga@ichca.ufal.br 23 primeiras guerreiras da resistência que carregaram importante protagonismo na história da construção e organização de um espaço de liberdade. Estas mulheres foram significativas lideranças do movimento negro no Quilombo dos Palmares do século 17. Outro exemplo também vem das terras em que estas mulheres marcaram o lugar de liberdade, da cidade de União dos Palmares, onde nasceu e tornou-se professora, jornalista e folclorista, a marcante desafiadora Maria Mariá(1917-1993). Sua luta em favor das liberdades femininas coloca-a como pioneira no movimento feminista no território alagoano, mas também lhe rendeu a expulsão de sua terra natal, tendo em vista seu comportamento transformador na educação escolar, na gestão da educação, nos direitos e no vestuário da Mulher. Longe de ser acanhada, tal presença, ao mesmo tempo que se estabelece, sofre com a prática conservadora da cidade, que lhe oferece punição; a mesma cidade que é conhecida como terra de Zumbi ou como terra de Jorge de Lima – poeta alagoano, autor de“O acendedor de lampiões” (1914) e“Essa nega Fulô”(1928), entre outros poemas. Tais observações podem encontrar no pensamento de Bergson – ao conceituar “memória-hábito” e“memória-lembrança” – os fundamentos de uma reflexão sobre os cenários que marcam as vivências da população nesse Estado e os modos de memória. Barone(2005, p. 190-181) compreende que Bergson[1946] denominou memória-hábito a resposta automática determinada pelo hábito social com seu desempenho repetido de performances mentais e corporais que envolvem atividades cotidianas, tais como nadar, andar de bicicleta e responder automaticamente a múltiplas solicitações do meio. Em oposição à memória-hábito, concebeu a noção de memória-lembrança, ou memória verdadeira, que atribui à memória humana a capacidade de suplantar as determinações do hábito, constituindo-se em fator de consciência e liberdade do sujeito ante o meio e a cultura envolventes. A este conceito estariam associadas as características temporais simultaneidade, unidade e continuidade exercitadas acerca, e a partir, da realidade tangível e opostas às da memória-hábito. É comum, então, que a configuração da história, seja do campo da comunicação, do campo dos movimentos sociais, políticos, científicos e culturais em Alagoas, esteja repleta de relatos que deixaram de destacar a presença feminina. Sobre essa assertiva, Schumaher(2004, p. 5) assevera que A participação das Mulheres na história do estado de Alagoas pode ser mais profundamente conhecida se acompanharmos o percurso de mulheres que, ao romper normas e desafiar preconceitos“abriram o gogó”, bradando ao mundo por autonomia, liberdade e igualdade. Elas deixaram suas marcas na 24 COMUNICAÇÃO EM ALAGOAS: MARCAS FEMININAS NA FORMAÇÃO DE SABERES E PRÁTICAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste História, qual o famoso Gogó da Ema, cartão-postal do estado. Contrariando a lei da gravidade, esse coqueiro, único no mundo, fez um percurso em curva com seu tronco, desenhando uma forma parecida com o pescoço da ema. Mesmo considerando o universo que sempre lhes impôs sérias restrições e limites, as“meninas” alagoanas, como o“Gogó da Ema”, assinaram um pioneirismo que rompeu o alinhamento e inaugurou a sinuosidade de suas ações. Ainda, no entanto, é preciso intensificar a inscrição de tais memórias nos elementos oficiais da história em todos os seus âmbitos. Fundamentado nestes elementos oficiais existentes, Marques de Melo(2013), ao discorrer sobre os“ícones emblemáticos de três gerações” do campo comunicacional em Alagoas, apresenta uma árvore de frutos exclusivamente masculinos, nascida de semente(masculina) e mudas plantadas por homens. Ao percorrermos os caminhos daquelas mulheres, todavia, identificamos significativos sinais por meio dos quais podemos afirmar que algo ficou escondido. Os sinais vão se intensificando, especialmente a partir da década de 1970, com o surgimento de movimentos sociais bastante expressivos na sociedade alagoana, dos quais destacamos a União das Mulheres de Maceió. Entre as ações desse movimento está a publicação do“Informativo” que discorria sobre a contundente luta das mulheres. O tema da violência passa a ser publicizado pelo movimento feminista que intenta convocar a mídia alagoana para a necessidade do debate público a ser organizado por pautas oferecidas pela União das Mulheres aos jornais locais, tendo em vista a urgente formulação e efetivação de políticas públicas. O“Informativo” pode, então, ser concebido como um recurso que as“meninas” organizadas usam para acessar outros recursos simbólicos para fazer circular nos sistemas sociais e políticos a bandeira de sua luta, e, assim, provocar a transformação necessária, tendo como ponto de partida a política pública. Poderia contar ainda com o telejornalismo, uma vez que fora instalada em Maceió(na década de 1970) a primeira emissora de televisão. Pode-se afirmar que Alagoas(sem perceber) presenciava o início dos processos de transformação a serem produzidos mais tarde pelas tecnologias da informação e comunicação(TIC). Desta forma, enquanto o mundo registrava o lançamento do primeiro microprocessador e do primeiro videogame, assim como a fundação da Apple(empresa de computação) e a disseminação da televisão em cores, Maceió vivia o primeiro conflito social motivado pela possibilidade de instalação de uma empresa mineradora para fins de exploração de sal-gema, abundante no subsolo da cidade. A Salgema Indústrias Químicas(hoje, Braskem) seria instalada entre o mar e a Lagoa Mundaú, na restinga do Pontal da Barra, e dedicar-se-ia à produção de cloro e soda cáustica. 25 Desenhava-se, então, um cenário de ameaças ao ambiente e à população; os riscos eram salientados pelos movimentos sociais nas ruas de Maceió. Esse time era composto por: Sociedade Alagoana de Direitos Humanos, Instituto dos Arquitetos do Brasil – Secção Alagoas –, Diretórios Centrais dos Estudantes do Cesmac e UFAL, União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas, União da Juventude Socialista, Sindicato dos Bancários de Alagoas e Federação das Associações de Moradores de Alagoas. Cabe ressaltar, especialmente, a participação e mais uma luta da União das Mulheres de Maceió nas reivindicações contrárias à construção e, mais tarde, à duplicação do complexo industrial. Essa voz, no entanto, não foi ouvida pelos tomadores de decisão no Estado. Maceió rendeu-se ao poder econômico, decidiu pela instalação e duplicação do empreendimento e acabou por se tornar cúmplice de um crime ambiental construído desde essa década, desaguando hoje no“afundamento de vários bairros” da cidade 15 . Na mesma década ocorre, na cidade de Penedo(às margens do Rio São Francisco) e em Maceió, o IV Congresso Brasileiro de Relações Públicas, o qual reuniu estudiosos do Brasil que renderam homenagens ao centenário de Eduardo Pinheiro Lobo, um alagoano de Penedo intitulado patrono das Relações Públicas no Brasil. Nesse ambiente surgem as demandas oriundas do Sindicato dos Jornalistas e da Associação Brasileira de Relações Públicas(ABRP), Seção de Alagoas, destinadas à Universidade Federal de Alagoas para a criação do curso de Graduação em Comunicação Social. Pouco tempo depois, ainda na década de 1970, o Conselho do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes(CHLA) 16 da Universidade Federal de Alagoas(UFAL), depois de discussões sobre a inexistência de quadro docente específico da área, deliberou recomendar ao Conselho Superior da Universidade a aprovação da proposta de criação do curso de Graduação em Comunicação Social, com habilitações em Jornalismo e Relações Públicas. Nascia, então, o primeiro curso para formação de bacharéis em Comunicação Social nas terras alagoanas. A professora Vera Romariz 17 assume o desafio de liderar a criação de um curso sem contar com um corpo docente específico na área. Logo depois assume a professora 15 Esse processo, documentado por órgãos técnicos e ações judiciais, converteu a pauta ambiental em eixo de cobertura e mobilização social no Estado mais recentemente – contexto em que comunicadoras e movimentos de mulheres também se engajaram. 16 O CHLA passou a ser o Instituto de Ciências, Comunicação e Artes(ICHCA) a partir da reestruturação da Universidade Federal de Alagoas(UFAL) em 2006. 17 Vera Romariz é importante nome da literatura alagoana. É poetisa, escritora, cronista e crítica literária. 26 COMUNICAÇÃO EM ALAGOAS: MARCAS FEMININAS NA FORMAÇÃO DE SABERES E PRÁTICAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Maria Luiza Gusmão(Marilú Gusmão) 18 . Elas prepararam os delineamentos acadêmicos que alicerçaram os caminhos da formação profissional em Alagoas nas áreas de Jornalismo e Relações Públicas. As professoras assumem a coordenação provisória do curso sem, no entanto, receber o reconhecimento de se constituírem como tal. Esse atributo é destinado, na história, a uma figura masculina. Contando com grandes problemas de infraestrutura e com um corpo de professores ainda sem formação específica, o curso tem como primeiros alunos formados a Jornalista Zélia Cavalcante(que constituiu, depois, uma bela trajetória no telejornalismo da TV Gazeta, afiliada à Rede Globo) e a Relações Públicas Sônia Calazans. Em 1986, com um corpo docente predominantemente masculino, o curso passou por seu primeiro reconhecimento por parte do Ministério da Educação, contando com a participação importante e ativa de estudantes, a exemplo de Leneide Petta(das Relações Públicas) e Raquel Rocha(de Jornalismo). Ambas tornaram-se professoras da UFAL, atuando, respectivamente, nos cursos de Relações Públicas e Ciências Sociais(Antropologia). NAS INSTITUIÇÕES PARTICULARES DE ENSINO As mulheres desempenharam um papel crucial na formação acadêmica e no desenvolvimento do campo da comunicação em Alagoas, especialmente em instituições particulares, que foram protagonistas na capacitação de profissionais nas áreas de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. A partir dos anos 2000 essas instituições não somente formaram muitos dos comunicadores do Estado, mas também abrigaram professoras que deixaram um legado importante no campo. Cabe destacar, aqui, a importância da Universidade Tiradentes(UNIT), do Centro de Estudos Superiores de Maceió(CESMAC), da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação(ESAMC), da Faculdade Alagoana de Administração(FAA) e da Faculdade da Cidade de Maceió(FACIMA). Na Universidade Tiradentes(UNIT), que ofereceu os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda entre 2007 e 2020, três professoras destacaram-se: Denise do Nascimento, Rosa Lucia Correia e Suzana Maria. As docentes contribuíram de maneira significativa para o fortalecimento da qualidade de ensino e a formação crítica dos estudantes. Denise do Nascimento, com sua ampla experiência no campo, tornou-se uma referência em estudos de mídia e comunicação, enquanto Rosa trouxe 18 Nascida em Alagoas, fez Mestrado em Antropologia Social na Universidade de Brasília(UnB). Foi integrante do corpo docente da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) como professora de Antropologia; era membro da Comissão Alagoana de Folclore. Publicou o livro“Artur Ramos: o homem e a obra”(Maceió: DAC/SENEC, 1974). Um de seus artigos compõe a coletânea“Arte Popular de Alagoas” com o título:“Umbanda e marginalidade”(р. 139-141). 27 uma abordagem interdisciplinar ao curso, integrando conhecimentos de sociologia e semiótica, ajudando os alunos a compreender a comunicação como um fenômeno social complexo, e Suzana conseguiu agregar um olhar mais acadêmico para o curso, ajudando, inclusive, na criação de uma Especialização na área da Comunicação. É importante mencionar, também, a participação de Cerize de Melo, Danielle Cândido, Janaína Galdino, Rachel Fiúza e Valná Dantas na formação desses cursos. O CESMAC, que ofertou os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda de 2002 a 2018, foi uma outra instituição que contou com a presença marcante de mulheres docentes, especialmente aquelas que atuavam no mercado profissional de Alagoas e tinham larga experiência – incluindo, aqui, docentes que logo após vieram a lecionar na UFAL: Lídia Ramires, na área do radiojornalismo; Janayna Ávila, na área da fotografia; e Rachel Fiúza, no telejornalismo. Entre elas, as professoras Sílvia Falcão, Rejane Mércia e Cristina Brito destacaram-se por suas contribuições acadêmicas e pedagógicas. Coordenadora do curso de jornalismo em sua abertura, Sílvia Falcão foi uma figura fundamental no desenvolvimento das habilidades práticas dos futuros jornalistas, com seu trabalho voltado para o jornalismo investigativo e ético. Rejane Mércia, por sua vez, trouxe uma sólida formação teórica para o curso de Publicidade e Propaganda, com foco em teorias da comunicação e da informação, tendo assumido a coordenação deste curso durante vários anos. Já Cristina Brito atuou como uma mediadora entre o saber acadêmico e as demandas do mercado, preparando os alunos para os desafios da profissão, acumulando, em alguns anos, a coordenação de curso. A Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação(ESAMC) – que em 2006 foi adquirida pela Faculdade Maurício de Nassau – ofereceu o curso de Publicidade e Propaganda de 2003 a 2018. Uma figura central foi a professora Mirtes Vitoriano, que assumiu a coordenação dos cursos durante vários anos – de 2006 a 2013, quando passou a integrar o quadro de docentes da UFAL. Após sua passagem, tivemos as professoras Maria Inês Silva(2014 a 2017) e Luciana Beserra(2017 a 2018), que igualmente assumiram a coordenação. De acordo com Mirtes, o curso de Publicidade e Propaganda assumiu um caráter específico, voltado para a prática do mercado alagoano.“Uma das características evidentes é sem sombra de dúvida a capacidade do curso em participar dos dois principais festivais de publicidade da cidade de Maceió. As grandes premiações giraram em torno do Festival Gazeta de Publicidade e o Prêmio Jovem Guerreiro, que foram criados no intuito de valorizar a produção de profissionais e estudantes. Por longos anos os alunos foram os vencedores das categorias de premiação no quesito relacionado à produção discente”, conta. Nesse período, cabe mencionar que as professoras Carol Gusmão, Renata Baldanza, Sarah Alves Coelho, Nataska Conrado e Renata Voss foram vozes ativas na formação 28 COMUNICAÇÃO EM ALAGOAS: MARCAS FEMININAS NA FORMAÇÃO DE SABERES E PRÁTICAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste de publicitários e comunicadores. Carol Gusmão, com sua abordagem inovadora e centrada na reflexão acerca das Teorias da Imagem e da História da Arte, e Renata Voss, com sua expertise em fotografia e fotografia publicitária, formaram uma dupla de relevância para aqueles interessados em direção de arte e fotografia. Sarah Alves assumiu o cargo de coordenadora acadêmica durante alguns anos, sendo um importante elo de ligação entre as atividades dos cursos e o mercado de trabalho. Nataska Conrado, por sua vez, trouxe a criatividade para o centro do processo de aprendizagem, e Renata Baldanza foi uma referência em planejamento estratégico de campanhas publicitárias. A FAA ofertou, de 2008 a 2016, o curso de Publicidade e Propaganda. Maria Inês Silva foi uma coordenadora do curso durante esse período, buscando, em sua liderança, aliar estratégias de comunicação, marketing e design. A professora Manoela Neves – que depois ingressou no curso de Relações Públicas da UFAL – também teve sua contribuição para o curso, liderando a agência de publicidade(empresa júnior) por alguns anos. Essas quatro instituições e suas docentes representam a força feminina na formação acadêmica em comunicação em Alagoas, deixando uma marca profunda nas carreiras de centenas de profissionais que passaram por suas salas de aula. É uma pena constatar, contudo, que nenhuma tenha dado continuidade na formação, encerrando nos últimos anos os cursos voltados para o campo da Comunicação. A Facima é a única que permanece aberta, com vagas para o curso de Publicidade e Propaganda. Tendo assumido recentemente a coordenação a professora Rose Cristine Damas – Relações Públicas formada na UFAL –, o curso teve por dez anos a coordenação de Laís Quintella, publicitária sergipana que conseguiu estabelecer uma proposta para o curso: voltar-se para uma formação conectada ao mercado profissional, com aulas práticas e estágios em agências de publicidade. NA INSTITUIÇÃO PÚBLICA DE ENSINO FEDERAL Ao completar 30 anos(2009) o curso de Comunicação da UFAL contava com um quadro docente feminino ainda quantitativamente diminuto. Eram 5 mulheres entre 18 homens. Aos poucos a presença feminina foi crescendo. Hoje, ela é majoritária, contribuindo nos processos de pesquisa e produção científica que podem conduzir à oferta da Pós-Graduação stricto sensu. A maior atuação de mulheres nos cursos de Comunicação da UFAL na última década é reflexo de uma série de políticas públicas de ampliação do acesso à universidade, considerando toda a diversidade da população e o fomento à produção científica multidisciplinar de múltiplos olhares sobre a sociedade e a comunicação que a atravessa e é sua própria natureza. Isso implica a produção de uma história a contrapelo, para 29 citar Walter Benjamin(1994), cuja reflexão ajuda-nos a pensar a necessidade de construir uma memória em contraposição àquela da classe hegemônica, formada, em sua maioria, por homens brancos de classe alta. Desse modo, ao produzir ciência no âmbito da Comunicação as mulheres têm tensionado a história hegemônica dos meios, das organizações e da comunicação, apresentando outras possibilidades para se pensar os processos comunicacionais. Suas experiências e seus olhares, por muito tempo silenciados, ganham voz por intermédio de narrativas que nos ajudam a construir uma outra memória sobre o que temos compreendido por comunicação. No contexto periférico, em que Estados como Alagoas se encontram na produção de conhecimento, esse trabalho mostra-se especialmente fundamental. A partir de 2014 o ensino de Comunicação Social na UFAL entra em uma nova fase de especificidade. Requer transformações para deixar de conter habilitações do Bacharelado em Comunicação Social. Relações Públicas e Jornalismo passam a configurar como cursos específicos, formando, a partir de então, bacharéis nestes campos. Neste novo cenário, os cursos propõem-se a alinhar pesquisa, teoria, ética, técnica e boa prática profissional, contribuindo para a qualificação desta área, hoje fundamental para o desenvolvimento humano, para a justiça social e para a garantia das liberdades políticas no mundo contemporâneo, especialmente no território alagoano. De acordo com o entendimento da Universidade(UFAL, 2014, p. 20), compreendemos a Comunicação em Alagoas não simplesmente como uma demanda de mercado, mas especialmente como uma resposta à expansão do conhecimento, às mutações sociais e à emergência de novas áreas para as quais se faz necessário um agir técnico e um pensamento crítico. De tal modo, a universidade não pode e não deve condicionar sua ação como mera provedora de mão-de-obra especializada para o mercado, pois mesmo estando comprometida com a formação de recursos humanos para esse ambiente – ao desenvolver os potenciais teóricotécnicos dos sujeitos – cabe a ela também atender às demandas ético políticas resultantes das transformações geradas no seio social mais amplo. Sendo assim, entendemos que o Campo da Comunicação em Alagoas, irmanado ao intuito da UFAL e demais instituições de ensino e pesquisa do Estado, assume a responsabilidade de povoar esse campo com profissionais e pesquisadores que provoquem debates e políticas de transformações em torno de situações que sacrificam a população alagoana, contribuindo, como campo científico, para reformulações e avanços requeridos pelos movimentos da sociedade. A maior presença de mulheres na docência e na pesquisa em Comunicação em Alagoas não é apenas correção de assimetrias numéricas: ela desloca os critérios 30 COMUNICAÇÃO EM ALAGOAS: MARCAS FEMININAS NA FORMAÇÃO DE SABERES E PRÁTICAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste de prestígio do campo, amplia repertórios curriculares e reorienta agendas de investigação e extensão. A incorporação de temas ligados a gênero, raça, cuidado, periferias e direitos informacionais, somada a práticas de memória e visibilização de trajetórias, produz efeitos concretos na formação e na circulação do conhecimento. Esse movimento redistribui capital simbólico entre instituições e atores, tensiona hierarquias consolidadas e reinterpreta a história local em uma narrativa centrada em poucos nomes para um quadro de coletivos e professoras que articulam ensino, pesquisa e extensão. Para consolidar essa redistribuição, é necessário transformá-lo em política institucional. Isso implica: instituir programas de memória – acervos organizados, história oral e bases abertas de egressas; construir séries históricas de indicadores com recortes interseccionais – composição docente, liderança, produção, financiamento; criar arranjos cooperativos entre IESs públicas e privadas –, coorientações, núcleos interinstitucionais e editais conjuntos; e ativar mecanismos de circulação e reconhecimento – dossiês temáticos, prêmios e exposições. Essa agenda, ao mesmo tempo pragmática e cumulativa, sustenta uma leitura mais plural da história e projeta condições para a continuidade das contribuições das mulheres na área no Estado. Referências BARROS, Francisco Reinaldo Amorim de. BC das Alagoas: dicionário bibliográfico, histórico e geográfico de Alagoas. Tomo II, G-Z. Brasília: Senado Federal, 2005. p. 51. BARONE, Fernando. Memória cotidiana e comunicação. In: Comunicação& Educação. Revista do Departamento de Comunicações e Artes da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo: CCA: ECA: USP, 2005, ano X, n. 2, p. 179-193, maio/ago. 2005. BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito da história. In: BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura(Obras escolhidas I). Tradução Sérgio Paulo Rouanet. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 222-236. MARQUES DE MELO, José. Pensamento comunicacional alagoano: ícones emblemáticos de três gerações. In: LIMA, João Cláudio Garcia R.; MARQUES DE MELO, José. Panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil: 2012/2013 – Memória. Brasília: Ipea, 2013. p. 401-412. 4 v. SCHUMAHER, Schuma. Gogó de Emas: a participação das mulheres na história do Estado do Alagoas. Rio de Janeiro: REDEH, 2004. UFAL. Projeto pedagógico do curso de Relações Públicas. 2014. Disponível em: https://ufal.br/estudante/graduacao/projetos-pedagogicos/campus-maceio/projetopedagogico-de-relacoes-publicas. Acesso em: 26 set. 2025. 31 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 32 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MARILU GUSMÃO Magnolia Rejane Andrade dos Santos Maria Luiza Gusmão de Moraes, mais conhecida como Marilu Gusmão, nasceu em 10 de junho de 1932 em Maceió(AL). É filha de Edward da Silva Moraes e Phrine Gusmão de Moraes. Ela teve um filho: José Rodrigues Gouveia Filho. Marilu foi admitida como docente na Universidade Federal de Alagoas(UFAL) em 10 de novembro de 1972. Ela foi educadora e antropóloga. Foi, também, membro da Comissão Alagoana de Folclore. Sua dissertação de Mestrado, intitulada“A sala de espera: um estudo de ideologia do velho asilado”, foi defendida na Universidade de Brasília(UnB) em 1977, sob a orientação de Julio Cezar Melotti. Em 1978 Marilu Gusmão foi a segunda coordenadora temporária do projeto de criação do curso de Comunicação Social na UFAL. A atuação da professora foi relevante para a comunicação devido à sua participação na equipe de professores do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e em Relações Públicas. Após seu falecimento ela foi homenageada pela Câmara Municipal de Maceió, que denominou uma rua do Bairro do Eustáquio Gomes como Rua Professora Maria Luiza Gusmão de Moraes. Marilu faleceu em 20 de julho de 1986. Principais publicações MORAES, Maria Luiza Gusmão de. Arthur Ramos: o homem e a obra. Maceió: DAC: SEMEC, 1974. 33 MORAES, Maria Luiza Gusmão de. Umbanda e marginalidade. In: PEDROSO, Tânia Maya(org.). Arte popular de Alagoas. Maceió: Grafitex Editora, 2000. p. 129-141. GUSMÃO, Marilu. A cura na Umbanda em Maceió. In: Revista Estudos Sociais. Caderno 2. Maceió: UFAL: ESO: CHLA, 1986.( in memoriam à professora Marilu). 34 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste VERA ROMARIZ Emanuelle Gonçalves Brandão Rodrigues Vera Lúcia Romariz Correia Araújo nasceu em 17 de setembro de 1950 em Maceió(AL). É filha de João Romariz e Salvelina Lopes Romariz e neta do poeta Sabino Romariz. Estudou na infância e juventude no Colégio São José, na capital alagoana. Começou a escrever crônicas para a imprensa ainda muito jovem, em 1963. Publicou no Jornal de Alagoas e Diários Associados, e, mais tarde, na década de 1970, escreveu para a Tribuna de Alagoas. Como poetisa e cronista, escreveu diversos poemas e contos, editando no gênero memorialista. Publicou“Na rua das árvores cortadas”, memórias de sua juventude vivida durante a ditadura. Sua primeira incursão na Universidade Federal de Alagoas(UFAL) foi em Medicina, curso que abandonou no terceiro ano para ingressar em Letras, graduando-se em 1977. Fez Especialização em Linguística e Comunicação, em 1982, e Mestrado em Letras e Linguística, ambos pela UFAL, defendendo a dissertação“Identidade e alteridade cultural no romance Luanda Beira Bahia de Adonias”, em 1989, sob orientação de Ana Luiza Britto César Andrade. O trabalho rendeu-lhe o Prêmio Nacional de Ensaio Literário Adonias Filho, em 1990. Obteve o título de doutora em Letras pela Universidade Federal da Paraíba(UFPB) em 1999, defendendo a tese“Palavra de deuses, memória de homens: diálogo de culturas na ficção de Adonias Filho”, sob orientação de Andrea Ciacchi. Sua pesquisa foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). 35 Vera foi efetivada na UFAL em 1980. Foi vice-diretora do então Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, tornado Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes(ICHCA). Também atuou como Pró-Reitora de Extensão Cultural no Centro Universitário CESMAC, tendo trabalhado em muitos projetos, a exemplo da Galeria de Arte, além da criação de bolsas e estímulo a projetos em várias áreas de conhecimento. Aposentada pela UFAL, orientou diversas dissertações de Mestrado e teses de Doutorado como professora do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística(PPGLL). É autora de vários livros, entre eles: Quase pássaro(1986), Campo minado(1986), Cacos(1977), Camões: o poliedro da poética portuguesa(1980), Quem é você, Manuel Bandeira?(1986), Campo minado, em coautoria com Edilma Bomfim(1986), Amor aos cinquenta(2004) e Película(2008). Em homenagem concedida pelo governo do Estado de Alagoas, Vera foi agraciada com a Comenda Nise da Silveira, direcionada para mulheres cujo trabalho é reconhecido pela importante contribuição ao Estado e ao país na luta pela cidadania em suas áreas de atuação. Sua trajetória reflete as profundas relações entre Comunicação e Linguística, seja como escritora, professora ou gestora. É notável sua contribuição para a fundação do campo da Comunicação em Alagoas, sobretudo em seus primeiros anos, quando a produção acadêmica na área ainda era muito incipiente. Além disso, sua atuação na Pós-Graduação foi fundamental para a formação de professores e pesquisadores não apenas de Linguística, mas também de Comunicação. Conhecida como Vera Romariz, é uma professora e escritora alagoana de renome, autora de diversos livros e uma figura importante no desenvolvimento das áreas de comunicação, linguística e literatura em Alagoas, tanto no mercado quanto na academia. Principais publicações ARAÚJO, V. L. R. C. Amor aos cinqüenta. Maceió: Catavento, 2004. ARAÚJO, V. L. R. C. Palavra de Deuses, memória de homens: diálogo de cultura na ficção de Adonias Filho. Maceió: EDUFAL, 1999. ARAÚJO, V. L. R. C. Só ou bem acompanhado? Reflexões sobre literatura e cultura. Maceió: EDUFAL, 2007. ARAÚJO, V. L. R. C. Toma lá, dá cá. Maceió: EDUFAL, 2011. 36 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MAGNÓLIA SANTOS Priscila Muniz de Medeiros Magnólia Rejane Andrade dos Santos nasceu em 25 de junho de 1959 em Recife(PE). É filha de Aristides Gomes dos Santos e de Olindina Andrade Barros, mãe de Emanuelle e avó de Lara. Estudou na Escola Barbosa Lima no primário e na Escola Estadual Martins Júnior o Fundamental e Médio. Possui duas Graduações, em Letras, pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), e em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco(Unicap). Realizou dois cursos de Especialização: um em Literatura Brasileira e o segundo em Jornalismo Político. Seu percurso na Pós-Graduação stricto sensu também foi marcado pela interface entre as áreas de Letras e Comunicação: no Mestrado realizado no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPE e no Doutorado obtido no Programa de Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC/SP). Tanto a dissertação de Mestrado quanto a tese de Doutorado concentraramse no campo da linguagem. A dissertação, defendida em 1988 e orientada por Claudius Armsbrüster, teve como título“Narciso: a poética do espelho”, e focou na obra poética do pernambucano Marcos Accioly; a tese de Doutorado, intitulada“Leituras de poéticas visuais: gênese, transformações e criação”, foi defendida em 1996 e orientada por Lúcia Santaella, e aplicou o conceito do interpretante de Charles Sanders Peirce para entender o processo de interpretação do leitor. Ambas foram publicadas em livros e estão entre as produções mais 37 relevantes da pesquisadora. A dissertação de Mestrado resultou na obra“A poética do espelho”(1995), e os resultados de sua tese de Doutorado em livro homônimo em 2009. Além dos dois trabalhos mencionados, ela publicou, nos anais da edição de 1994 do Congresso da Associação Internacional de Semióticas, um artigo intitulado“The evolutionary mystery: a dialogue between C. S. Peirce and Edgar Morin”, e em 2009 ela contribuiu com um capítulo para o livro“ Essays in Honor of Claus Clüver”, com o título“ Transgressive Visualities: reading Villari Herrmann’s Oxigenesis”. O alinhamento entre pesquisa e extensão na área de Divulgação Científica tem caracterizado sua atuação. Coordena, desde 2007, a Agência Ciência Alagoas, iniciativa de divulgação de conteúdo jornalístico sobre Ciência e Tecnologia. A maior parte do conteúdo da agência é produzido pelos estudantes de Graduação em jornalismo da UFAL. Atuou como membro do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), representando a região Nordeste durante a gestão de 2005 a 2008. Além disso, é uma das fundadoras da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor). Entre 2016 e 2020 coordenou o Grupo de Pesquisa Comunicação e Desenvolvimento Regional e Local da Intercom. Ela também liderou o Grupo de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/UFAL)“Comunicação e Significação” de 1990 a 2019. A partir de 2020 assumiu a liderança do Grupo de Pesquisa CNPq/ UFAL“Comunicação, Linguagens e Jornalismo Especializado”. Na área de gestão atuou como coordenadora do curso de Comunicação Social entre 1990 e 1991. De 1997 a 2000 foi coordenadora de pesquisa junto a Pró-Reitoria de Pesquisa e PósGraduação da UFAL, quando teve proximidade com questões relacionadas a políticas de Ciência e Tecnologia no Brasil. Ela também exerceu o cargo de assessora de comunicação da UFAL entre 2003 e 2006, e em 2009 atuou como coordenadora de extensão da UFAL. Para além das produções acadêmicas, Magnólia Santos publicou, em parceria, o livro“Tez de Florais – Poesia e Fotografia”(2019). A obra é resultado de um trabalho intersemiótico que reúne poemas e fotografias. 38 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Magnólia é professora da Universidade Federal de Alagoas desde 1989, sendo vinculada ao curso de Jornalismo. Ela também é membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação(PPGCI) da UFAL. Suas principais contribuições acadêmicas estão ligadas aos campos da Divulgação Científica, Semiótica e do Jornalismo Literário. Principais publicações SANTOS, M. R. A.; CUNHA, L. M. C. Tez de florais – poesia e fotografia. 1. ed. Maceió: Q-Gráfica, 2019. 56 p. v. 300. SANTOS, M. R. A. Transgressive Visualities: reading Villari Herrmann’s Oxigenesis. In: GLASER, S. A.(org.). Media inter media: Essays in Honor of Claus Clüver. 1. ed. Amsterdam; Nova York: Rodopi B. V., 2009. p. 439-448. V. 1. SANTOS, M. R. A. Leituras de poéticas visuais: gênese, transformações e criação. 1. ed. Maceió: EDUFAL, 2009. 223 p. V. 1. SANTOS, M. R. A. The evolutionary mystery: a dialogue between C. S. Peirce and Edgar Morin. In: CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE SEMIÓTICAS, 1., 1994, Beckley. Semiotics around the world: synthesis in diversity, 1994. p. 749-752. SANTOS, M. R. A. A poética do espelho. Curitiba: HD Livros, 1995. 104 p. V. 1. 39 LENEIDE PETTA Laura Nayara Pimenta Leneide Austrilino Petta nasceu em 2 de abril de 1956 em Maceió (AL). É filha de Lisbino Austrilino Silva e Josefa Austrilino Silva. Tem sete irmãos, é casada e tem duas filhas gêmeas: Laura e Beatriz. Estudou no Colégio Sagrada Família, do 1º ao 3° ano do primário. No Colégio de São José, de freiras, que atendia apenas meninas, fez do 4° ano até a 4ª série ginasial, indo depois para o Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas(CEPA), escola pública, que preparava para o vestibular, onde cursou do 1º ao 3° ano científico. Leneide graduou-se em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas(RP) pela Universidade Federal de Alagoas(UFAL) no ano de 1986, na primeira turma reconhecida de RP. Após graduar-se fez uma Especialização em Metodologia de Pesquisa na Universidade Nacional de Brasília(UnB), em 1987. Concomitantemente, cursou como aluna especial o Mestrado em Comunicação da UnB. No ano seguinte, 1988, foi aprovada no processo de seleção para o Mestrado em Comunicação da UnB, onde cursou por dois anos as disciplinas, sem ter concluído. Somente em 1999, por meio de um convênio entre a UFAL e a Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), retornou à Pós-Graduação e fez seu Mestrado. Sua dissertação, intitulada“Processo de midiatização e agendamento do turismo em Alagoas: estudo de caso na mídia impressa local”, foi orientada por Antônio Fausto Neto e defendida em 2001. Em novembro de 1990 tomou posse como professora do magistério superior do curso de Comunicação Social da UFAL. Em 2005 assumiu a coordenação do curso, na qual ficou durante um ano. Encerrado esse ano de gestão, foram chamadas novas eleições, em 40 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste 2006, em que ela se inscreveu e ganhou. Assim, ficou três anos como coordenadora de curso. Durante sua gestão ocorreu a criação do turno noturno do curso de Comunicação. Acompanhou a migração do analógico para o digital realizado na UFAL, trazendo inúmeros desafios de adaptação e infraestrutura. Além disso, foi iniciada a discussão sobre a regulamentação dos Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC) da área e estabelecido o anteprojeto de TCC como componente obrigatório. Leneide dedicou-se a diversas disciplinas, mas cabe destacar: “Introdução a Métodos e Técnicas da Pesquisa em Comunicação”, “Teoria e Métodos da Pesquisa em Comunicação para RP”, “Desenvolvimento Orientado de Projetos”,“Planejamento de Relações Públicas” e“Comunicação e Culturas Organizacionais”. Está à frente da Coordenação de TCC do curso de Relações Públicas e continua contribuindo para que os alunos finalizem a Graduação. Em 2018 ingressou no Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Ciências Jurídicas Políticas e de Comunicação da Universidade Autônoma de Assunção, Paraguai. Em 2020 a Universidade parou por conta da pandemia, o que atrasou a defesa da sua tese, entretanto inspirou-a para desenvolver o tema de tese, que analisou a experiência pedagógica no curso de RP da UFAL durante esse período. A tese foi defendida em 2023 com o título“Análise da experiência pedagógica no curso de Relações Públicas da Universidade Federal de Alagoas – Brasil”, orientada por Luiz Ortiz Jiménez, um dos 13 pesquisadores mais influentes do mundo, segundo o Ranking of The World Scientists. Leneide segue atuando no curso de RP da UFAL, colaborando para seu fortalecimento e para a formação de profissionais competentes e preparados para o mercado de trabalho de Alagoas e do Brasil. Principais publicações PETTA, Leneide Austrilino; AUSTRILINO Lenilda; MEDEIROS, Mércia; CAVALCANTE, Josenilda Almeida. A prática pedagógica no curso de Relações Públicas de uma universidade pública. In: New Trends in Qualitative Research, v. 12, e741, 2022. PETTA, Leneide Austrilino. A prática pedagógica do curso de relações pública de uma universidade pública. In: CONGRESSO IBERO AMERICANO DE INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA, 2022. 41 PETTA, Leneide Austrilino. Relações Públicas, docência e contemporaneidade. In: CONGRESSO INTERNACIONAL AVANCES DE LAS MUJERES EN LAS CIENCIAS, 7., México: UAM, 2021. PETTA, Leneide Austrilino; CAVALCANTE, Josenilda Almeida; SANTANA, Iolanda Pereira. O Ensino Superior brasileiro: os caminhos entre a expansão e a democratização. CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 42., 2019, Belém. Anais[...]. Belém, PA, 2019. 42 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste ANA PAULA SALDANHA Mirtes Vitoriano Torres Ana Paula de Siqueira Saldanha nasceu em 23 de outubro de 1961 em Maceió(AL). É filha de Maria José de Siqueira Souza e Octávio Bernadino de Souza Filho. Sua vida escolar foi conduzida integralmente pelo Colégio Santíssimo Sacramento na cidade de Maceió. Ingressou no curso de Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas(UFAL), onde, em 1987, defendeu o trabalho de conclusão com o título“Presença do Relações Públicas no Governo de Alagoas”, sob orientação de Luís Gonzaga Costa de Oliveira. Fez o Mestrado em Administração Rural e Comunicação Rural pela Universidade Federal Rural de Pernambuco(UFRPE) em 1994. Sua dissertação intitulou-se“A Comunicação entre dois mundos: o mundo do papel e o mundo da fala”, tendo como orientador Roberto Emerson Câmara Benjamim. Logo realizou o Doutorado em Ciências da Comunicação na Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos-2003), na Área de Concentração Processos Midiáticos, intitulada“Requalificação da política pela mídia: o papel dos telejornais nas eleições de 2022”. Seu orientador foi Antonio Fausto Neto. Ana Paula foi docente na Universidade Federal da Paraíba de 1991 a 1994 e na Universidade Federal de Alagoas entre 1994 e 2016. Foi coordenadora do projeto de extensão Agência Júnior de Comunicação na Universidade Federal da Paraíba(UFPB), Campus João Pessoa, em 1993; chefe do Departamento de Comunicação, entre 1995 e 1997; coordenadora da Especialização Comunicação e 43 Cultura Contemporânea de 1994 a 1996; coordenadora do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Informação da Comunicação(Nepec) entre 2005 e 2014; coordenadora do Projeto de Extensão“Similacro/ Simulação no Campo Eleitoral: a mídia em questão”, de 2010 a 2012; coordenadora do Projeto de Extensão – SigProj MEC/Sesu –“Metamorfose Social”; e vice-coordenadora da Especialização Modernidade e Cultura Contemporânea(COS/Nepec/UFAL) em 2012. Também atuou como secretária Municipal de Educação de Maceió(2002-2004). Tem formação em Psicanálise Clínica pelo Instituto ESPE(LondrinaPR-2019-2022) e atua em consultório e clínica especializada em atendimento às pessoas com Transtorno de Uso de Substâncias (TUS). Pós graduou-se em Dependência Química e Qualidade de Vida(2018-2020-Faveni-RS). Após aposentar-se como professora tornou-se sócia fundadora da Empresa Desmitificando Dependências, em 2019. Principais publicações SALDANHA, A. P. S.; ROCHA, A. C. O fluxo comunicacional é o agendamento na era digital: redefinição de paradigmas. Iniciacom: Revista Brasileira de Iniciação Científica em Comunicação Social, v. 2, p. 1-13, 2010. SALDANHA A. P. S. O protagonismo telejornalístico na requalificação da política. In: Revista Apontamentos Midiáticos, Edufal, Nepec, UFAL, v. 1, p. 11-29, 2006. SALDANHA, A. P. S. Telejornalismo e produção política. In: Revista Apontamento Midiático, v. 2, p. 11-2, 2007. SALDANHA, A. P. S.; CHAGAS, Dantas. As vitórias dos Cíceros em pleitos eleitorais. Apontamentos Midiáticos, Edufal, v. 1, p. 105-117, 2006. SALDANHA, A. P. S. Fabularizacão da realidade no campo da política In: JORNADA INTERNACIONAL DE JORNALISMO, 3., 2008, Porto. 2008. SALDANHA, A. P. S. Mídia e a Igreja Universal. In: CONGRESO LATINOAMERICANO SOBRE RELIGIÓN Y ETNICIDADE, 13., 2010. Granada, 2010. 44 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MARÍLIA GOIS Adriana Thiara Oliveira Marília Costa Gois nasceu em 19 de julho de 1963 em Maceió(AL). É a primeira dos seis filhos de Clovis de Gois Camarão e de Erice Costa Gois. É mãe de Rafael e Mariana e avó de Felipe. Iniciou seus estudos primários no Grupo Escolar Demócrito Gracindo, na cidade de Mata Grande(AL). Aos oito anos mudouse para a casa dos avós, em Maceió, onde estudou no Centro Educacional de Pesquisa Aplicada(CEPA), um dos maiores no setor público da América Latina à época. Nele estudou no Grupo Escolar Prof. José Vitorino da Rocha, na Escola Princesa Isabel e no Colégio Moreira e Silva. Concluiu o curso científico no final da década de 1970 no Colégio Sagrada Família. Ainda secundarista, participava de seminários e eventos de Comunicação promovidos pela Universidade Federal de Alagoas(UFAL) e Sindicatos de Radialistas e Jornalistas. Em 1983 ingressou no curso de Comunicação Social da UFAL, com ênfase em Jornalismo, optando dois anos depois por Relações Públicas, curso no qual graduou-se em 1989, com a defesa do Trabalho de Conclusão de Curso“Criação de um Assessoria de Relações Públicas no Hotel Ponta Verde – Maceió”, sob a orientação de Luiz Gonzaga Costa de Oliveira. Na UFAL fez Especialização na primeira turma do curso de Administração de Turismo, concluindo com a monografia“Perfil do empresário de Alimentos e Bebidas de Maceió”, orientada por Ângelo Antônio Cavalcante Martins. Cursou Gestão Pública pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) em Brasília no ano de 2011. Conquistou o título de mestre pela Universidade Estadual do Ceará(UECE), com a dissertação 45 “Turistificação e o reordenamento do bairro histórico do Jaraguá, em Maceió-AL: olhares múltiplos”, sob orientação de Luzia Neide Teixeira Coriolano em 2021. Aos 26 anos, em dezembro de 1989, presta concurso público para o cargo de comunicóloga, logrando o primeiro lugar, e assume, em janeiro de 1990, na então Escola Técnica Federal de Alagoas (ETFAL), como a primeira Relações Públicas concursada em âmbito federal em Alagoas. Fez estágio como assessora de Comunicação durante o ano de 1988 na Superintendência do Projeto Rondon/AL. Um ano após iniciar suas atividades como profissional de Relações Públicas, em março de 1990 assumiu a Coordenadoria de Comunicação Social da ETFAL, permanecendo até 1997. Nesta passagem como gestora de comunicação institucional, dirigiu o Sistema de Comunicação ETFAL, série de programas de rádio que eram veiculados nos intervalos das aulas por meio de serviço de som interno na década de 1990. Criou e foi editora do primeiro jornal institucional, o InformEtfal, cuja confecção era manual. Coordenou o projeto de criação do primeiro vídeo institucional da ETFAL, realizado com a participação de ex-alunos da instituição que atuavam profissionalmente na área técnica da TV Alagoas. Coordenou, pela ETFAL, o Curso Técnico em Radialismo, em convênio com o sindicato dos radialistas de Alagoas. Ainda na década de 1990 foi vice-presidente do Conselho Editorial e editora da revista Edutec. Em 1996 prestou novo concurso público, desta vez para professora de Comunicação Social na ETFAL, Unidade de Ensino Descentralizada em Marechal Deodoro. Lá lecionou 13 disciplinas nos cursos técnicos de Secretariado, Administração, Técnico em Turismo, Técnico em Guia de Turismo e nos Cursos Superiores Tecnológicos em Gestão de Turismo, Hotelaria e Gestão Ambiental. Viveu o desafio de lecionar no curso de Gestão Ambiental, ministrando a disciplina de comunicação na educação ambiental. A partir dos anos 2000 lecionou Comunicação Social para o curso de Turismo no Campus avançado de Xingó, em Piranhas/AL. Assumiu a coordenação, de 2008 a 2010, do curso Tecnológico de Hotelaria na Universidade Aberta do Brasil(UAB), com polos nas cidades de Maragogi(AL) e Mata de São João(BA). Participou da verticalização dos cursos de Gestão Ambiental(técnico, superior e Mestrado) e do 46 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste curso de Guia de Turismo e Gestão em Turismo(técnico e superior), no Campus Marechal Deodoro. Esteve presente na comissão que realizou a migração dos cursos Tecnológicos de Hotelaria e de Gestão em Turismo do Campus Marechal Deodoro para o Campus Maceió. Ao assumir como diretora-geral do Campus Marechal Deodoro, criou a comissão que reformulou o curso de técnico em Guia de Turismo para atender às novas demandas do setor, reabrindo a oferta um ano depois. Em agosto de 2010 foi eleita e assumiu a direção geral do Instituto Federal de Alagoas(IFAL), extinta ETFAL, no Campus Marechal Deodoro, sendo reeleita em 2014, com mandato concluído em 2019. Durante sua gestão o campus foi, por duas vezes, a melhor escola pública de Alagoas, avaliada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(INEP). Como professora, presidiu diversas comissões de elaboração de projetos pedagógicos na função de gestora, integrou o Colégio de Dirigentes do IFAL(2010 a 2019), cadeira ocupada por ser diretora de campus, além de ter sido eleita conselheira do Conselho Superior do IFAL(2010 a 2014). Atuou para melhoria da infraestrutura física do campus que dirigia, como a construção de um bloco de salas de aulas e a subestação de energia, a aquisição de ônibus escolar, a contratação por concurso de técnicos administrativos e docentes mestres e doutores/as e a reforma dos banheiros e refeitório. Destaca-se a construção do Espaço estudantil para convivência da comunidade acadêmica, além de salas para sediar o Grêmio e o Diretório Acadêmico. Poucos anos antes de encerrar a carreira de mais de 30 anos dedicados ao IFAL, em 2019 passa a lecionar no campus Maceió, por meio de uma cooperação técnica, e integrase ao Núcleo Prático de Relações Públicas e Eventos(Nurpe) do campus, onde colaborou com uma série de ações de ensino e extensão. Mesmo aposentada, tem contribuído com a formação de outros/as profissionais de comunicação com palestras. 47 ROSSANA GAIA Laís Falcão Rossana Viana Gaia nasceu em 19 de dezembro de 1964 em Pão de Açúcar(AL). É a quinta filha de Antonio Rodrigues Gaia e Maria Léa Viana Gaia. Tem quatro irmãos e uma irmã. Seus primeiros anos de educação foram no Instituto Sagrada Família, conhecido como Colégio das Freiras. Viveu com sua família em Santana do Ipanema(AL) até 1972, quando mudou-se para Maceió para cursar o Ensino Médio, prestar vestibular e entrar em uma universidade. Estudou no Centro Educacional de Pesquisa Aplicada(Cepa), um complexo educacional estadual e público, com diversas unidades escolares, e completou os dois últimos anos do Ensino Médio no Colégio Guido de Fontgalland. Estudou inglês na adolescência, e francês aprendeu por conta própria. A sua formação acadêmica iniciou-se na Graduação em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal de Alagoas(UFAL), de 1983 a 1986. Durante a Graduação teve suas primeiras experiências profissionais fazendo matérias para a própria universidade, apoiando a assessoria de imprensa no desenvolvimento de boletins informativos e na Rádio Educativa. No Trabalho de Conclusão do Curso escreveu, junto com um projeto experimental, sobre o processo de criação de jornal no ambiente de sala de aula, com a orientação de Antônio Mourão, realizado em coautoria. Assim, produziu um jornal na Escola Estadual Princesa Isabel, onde estudou, utilizando um mimeógrafo. O jornal era um instrumento de reivindicação de estudantes para a direção. Em seguida fez Especialização em Literatura Brasileira, também pela UFAL(1990-1992). 48 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Trabalhou na mídia impressa de Alagoas e em assessoria de comunicação de 1987 a 1999; escreveu e publicou textos nos jornais Tribuna de Alagoas, Gazeta de Alagoas e O Diário; assessorou políticos e foi chefe de redação da Secretaria de Comunicação do Estado de Alagoas entre 1988 e 1989. Trabalhou no jornal de Paulo César Farias, acusado de ser o caixa 2 da campanha de Collor, contribuindo na produção de jornais que foram impressos, mas que nunca circularam. Começou sua carreira como professora da educação profissional (Educação Básica, Técnica e Tecnológica), quando ingressou na então Escola Técnica Federal de Alagoas(ETFAL), posteriormente renomeada para Centro Federal de Educação Tecnológica de Alagoas(CEFET/AL), e depois para Instituto Federal de Alagoas (IFAL). Foi professora de Publicidade nos anos 2000 e, de 2018 a 2022, também na Pós-Graduação(Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica em Rede Nacional – ProfEPT). Rossana fez Mestrado em Educação na Universidade Federal da Paraíba(UFPB) de 1999 a 2001, orientada por Luis Paulo Leopoldo Mercado, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas(Fapeal), que resultou na dissertação“O jornal impresso na escola: possíveis caminhos para a cidadania”. A partir dos resultados da pesquisa publicou o livro Educomunicação& Mídias (2001), um dos primeiros com o termo“educomunicação” no Brasil. Seu Doutorado fez em Letras e Linguística na Universidade Federal de Alagoas(UFAL), com a tese intitulada“O discurso na imprensa alagoana nas eleições de 2002: entre o governo e o patrão”, em 2005, orientada por Belmira Rita da Costa Magalhães. Em 2006 teve câncer na tireoide, o que adiou o sonho de publicá-la, fazendo-o em 2011, intitulado A política na mídia e a mídia política. O livro encontra-se no acervo da Biblioteca do Senado Federal, no Palácio do Congresso, em Brasília. No IFAL também foi professora no curso superior tecnológico Design de Interiores durante uma década, de 2005 a 2015; liderou o Grupo de Pesquisa Design e Estudos Interdisciplinares; foi coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Design; entre outras atividades, seja em colegiado ou pesquisa. Organizou o livro IZP: comunicação a serviço do cidadão(2005), onde escreve sobre a história da comunicação pública de Alagoas. Também participou da publicação Imprensa Brasileira: personagens 49 que fizeram história(2005), organizada por Marques de Melo, com o texto“Arnon de Mello, o repórter que se tornou empresário”, em coautoria. Nessa mesma época escreveu também sobre o primeiro jornal de Alagoas, o Iris Alagoense. Anos depois coorganizou o livro Sertão glocal: um mar de ideias brota às margens do Ipanema (2010). Gaia assina a autoria do texto“Conquista santanenses: o progresso cognitivo do ginásio à universidade” nessa publicação. Fez a Especialização em Docência na Educação Profissional(20172018) no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas(IFAL). O Trabalho de Conclusão de Curso recebeu o título “Entre narrativas subjetivas e/ou técnicas: o complexo domínio de saberes na Educação Básica, Técnica e Tecnológica(EBTT)”, orientado por Ricardo Jorge de Souza Cavalcanti. De 2019 a 2022 foi pesquisadora voluntária no Mestrado Acadêmico do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (PPGCIn/UFPE) como integrante do projeto“Mídia educação na escola pública: desafios da informação na aprendizagem significativa”, supervisionada por Alex Sandro Gomes. Durante a segunda onda da pandemia de Covid-19, de 2021 a 2022, participou do projeto de extensão“Formação continuada docente em metodologias ativas: ferramentas digitais para sala de aula”, no qual estudantes da Graduação de Letras preparavam as aulas com sua coorientação de forma on-line. Desde 2023 é integrante no projeto de ensino“Um teto todo nosso: clube leitura de autoria feminina como estratégia de permanência e êxito no IFAL”, para estimular e formar leitores, além de refletir sobre a escrita feminina. Rossana Gaia é docente titular no IFAL desde 2016 e atua como professora de Análise do Discurso na Licenciatura em Letras bem como Metodologia Científica em diferentes cursos. É jornalista, educadora e pesquisadora relevante nas áreas de Comunicação, Educação, Letras e Design. Atuou em assessoria de comunicação e na mídia impressa alagoana e escreveu registros importantes sobre a história da comunicação em Alagoas. Principais publicações GAIA, Rossana; MELO, Mayara; SILVA, Valmir. Tecnologias digitais: as complexidades do cenário pandêmico no PROEJA e na EJA 50 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste durante o ensino remoto. Educitec – Revista de Estudos e Pesquisas sobre Ensino Tecnológico, Manaus, Brasil, v. 8, p. 1-21, 2022. GAIA, Rossana. A política na mídia e a mídia política. Maceió: Edufal, 2011. CAVALCANTE, Miquelina; GAIA, Rossana; LINS, Patrícia; RAPÔSO, Aurea. Signos do design de interiores: interfaces entre uso, consumo e arte. Signos do Consumo, v. 3, p. 108-127, 2010. GAIA, Rossana; MELO, José Marques(org.). Sertão glocal: um mar de ideias brota às margens do Ipanema. Maceió: Edufal, 2010. GAIA, Rossana; LOPES, Boanerges. Arnon de Mello, o repórter que se tornou empresário. In: MELO, José Marques(org.). Imprensa brasileira: personagens que fizeram história. São Paulo: Metodista: Imprensa Oficial de São Paulo, 2005. p. 187-197. V. 2. GAIA, Rossana. IZP: comunicação a serviço do cidadão. Maceió: IZP, 2005. GAIA, Rossana. Educomunicação& mídias. Maceió: Edufal, 2001. 51 CRISTINA BRITO Adriana Thiara Oliveira Ana Cristina Brito da Rocha Pereira nasceu em 3 de dezembro de 1972 em Maceió(AL). É filha de Eliane Brito da Rocha Pereira e de Jurandir da Rocha Pereira. Fez sua formação escolar em Maceió: até a 4ª série no Grupo Escolar Fernandes Lima, da 5ª até a 8ª série no Colégio de São José. O 1º e 2º anos do Ensino Médio no Colégio Marista de Maceió e o 3º ano no Colégio Objetivo. É jornalista formada em 1995 pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), mestre em Gestão de Empresas pela Universidade Autónoma de Lisboa/Portugal(2013) e possui Pós-Graduação em Marketing e em Comunicação Empresarial pelo Centro Universitário(CESMAC) e de Ensino Religioso(UFAL). Trabalhou nos principais em veículos de comunicação em Maceió, como a TV Gazeta de Alagoas, a TV Educativa, a Rádio Progresso e O Jornal, onde foi produtora, produtora de pauta, locutora, repórter e redatora. Na docência coordenou o curso de Jornalismo e o curso de Publicidade e Propaganda do CESMAC, de 2002 a 2016, bem como foi coordenadora da comissão que elaborou os Projetos Político Pedagógicos do curso de Comunicação Social – habilitações em Jornalismo e em Publicidade e Propaganda em 2006, e de suas atualizações/reformulações e efetivação em 2009, 2012, 2014 e 2015. Foi idealizadora e coautora do Projeto Pedagógico do curso de PósGraduação lato sensu em“Comunicação Social e Educação” em 52 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste 2004, assumindo sua coordenação. Foi, também, idealizadora e coautora do Projeto Pedagógico do curso de Pós-Graduação lato sensu em Comunicação Empresarial em 2006. Foi pioneira, em Alagoas, ao incluir na matriz curricular as disciplinas Assessoria de Comunicação/Imprensa e Aperfeiçoamento Vocal, que contavam com uma fonoaudióloga como professora. Em sua gestão o CESMAC foi considerado o melhor laboratório de revelação de fotografias no Estado de Alagoas. Foi idealizadora e coautora do Projeto Pedagógico do curso de Pós-Graduação lato sensu em“Assessoria de Comunicação e Marketing” entre 2010 e 2015, assumindo a coordenação das turmas. Interessa-se por áreas como Inteligência Artificial Generativa; Ética em Inteligência Artificial; Gestão em Ouvidoria; Lei de Acesso à Informação; Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais; Gestão Documental na Administração Pública; Prevenção e Combate ao Assédio Sexual e Moral; Employee experience(EX) – engajamento e produtividade no setor público; e Media Training, temas sobre os quais tem se dedicado a ministrar em palestras e cursos. Em sua trajetória foi coordenadora local do Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste(Intercom Nordeste) em 2011; membro do Conselho Estadual de Comunicação, entre 2011 e 2015; membro da 1ª Comissão Estadual de Jornalistas Assessores de Comunicação de Alagoas, entre 2008 e 2010; Parecerista do Guia do Estudante da Editora Abril, entre 2009 e 2016; membro da banca examinadora do processo seletivo para Contratação de Professor Substituto no Centro Federal de Educação Tecnológica de Alagoas(CEFET/AL), em 2006 e, por diversas ocasiões, integrante de Comissão Julgadora do Prêmio Banco do Brasil de Jornalismo/AL. Nos primeiros anos da pandemia de Covid-19 foi assessora de imprensa da Secretaria Municipal de Segurança Comunitária e Convívio Social em Maceió, órgão responsável pela fiscalização para cumprimento das regras e normas de combate à doença. Cristina Brito gerencia as rádios Difusora de Alagoas, Educativa FM Maceió(107,7) e Educativa FM em Arapiraca(106,9), emissoras do Sistema Público de Comunicação do Estado de Alagoas e integrantes do Instituto Zumbi dos Palmares(IZP/AL), e participou do processo de migração de uma das remanescentes do sistema de radiodifusão AM para FM: trata-se da Rádio Difusora de Alagoas, a pioneira no Estado, que se tornou escola e berço da maior parte dos nomes consagrados na história do rádio alagoano. 53 Principais publicações DEL BIANCO, Nélia Rodrigues; BARBOSA, Maria do Carmo Silva; PEREIRA, Ana Cristina Brito da Rocha. Quem tem medo da pesquisa empírica? CONGRESSO DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO NORDESTE, 13., 2011, São Paulo. Anais[...]. São Paulo: Intercom: CESMAC, 15 a 17 de junho de 2011. PEREIRA, A. Cristina. B. R. Marketing em Instituições de Ensino Superior: análise das condicionantes no acesso aos cursos de PósGraduação. Maceió, 2013. PEREIRA, A. Cristina. B. R. Assessoria de Comunicação: o relacionamento entre assessor e assessorado como importante ferramenta para o desenvolvimento do trabalho. Maceió, 2007. PEREIRA, A. Cristina. B. R. O Ensino Religioso na infância. Maceió, 2000. PEREIRA, A. Cristina. B. R.; PROCOPIO, S. L. F. www.infoca.com.br. 2014. Tema: site da disciplina Jornalismo Digital. 54 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste SANDRA NUNES Manuela Rau de A. Callou Sandra Nunes Leite nasceu em 31 de dezembro de 1963 em Maceió (AL). É filha de Aparício Leite e de Lindinalva Nunes. Começou seus estudos em Viçosa(AL), no Educandário Coração de Jesus. Aos oito anos, com a morte de seu pai, a família mudouse para Penedo(AL), onde passou a estudar no Grupo Escolar Clementino do Monte e no Colégio Estadual Comendador José da Silva Peixoto. Completou sua formação no Ensino Básico e Médio na cidade de Arapiraca(AL), nas escolas públicas Hugo Lima e Quintella Cavalcante. Nessa cidade participou de um grupo de teatro amador: Teatro Cultura de Arapiraca. A primeira experiência laboral teve início quando completou 18 anos, desenvolvida na cidade de Coruripe(AL), onde atuou como servidora pública municipal na função de professora e como assistente do gabinete do prefeito. Em 1985 mudou-se para Maceió e prestou vestibular na Universidade Federal de Alagoas(UFAL). Ingressou no curso de Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas, no primeiro semestre de 1986. Durante a Graduação foi monitora, além de ter cumprido estágio na Companhia de Saneamento e Abastecimento de Água de Alagoas, sendo a primeira estagiária de Relações Públicas nessa empresa. O Trabalho de Conclusão do Curso foi um projeto experimental para essa organização, no qual abordou as interações comunicativas. A trajetória profissional na UFAL iniciou-se antes de finalizar a Graduação em Comunicação Social: prestou concurso para o cargo de técnico administrativo, nível médio, a partir do ano de 1992. Em 1995 foi feito o primeiro concurso público para o cargo de Relações 55 Públicas e ela passou em primeiro lugar, embora nunca tenha sido nomeada para o cargo. Participou da elaboração do projeto da Pró-Reitoria de Recursos Humanos; da criação da primeira Incubadora de Empresas do Estado de Alagoas, sendo a primeira gerente; do credenciamento da Universidade no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Tecnológica e Inovação; e da colaboração na recém-criada Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, na definição e caracterização dos arranjos produtivos locais junto a Financiadora de Estudos e Projetos(Finep) e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação(MCTI). Atuou no cargo de técnico-administrativo no Departamento de Recursos Humanos, no Núcleo de Processamento de Dados e na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação(Propep). Participou, ainda, da efetivação do Núcleo de Inovação Tecnológica da Universidade, além de ministrar capacitações aos servidores da UFAL, envolvendo os aspectos comunicacionais nas relações de trabalho e nos serviços públicos. Fez dois cursos de Pós-Graduação lato sensu: Educação a Distância no Brasil, na Universidade Nacional de Brasília(UnB), intitulado “Especialização em Avaliação”, destinado às Instituições de Ensino Superior(1996-1998), e no período de 1999 a 2001 Especialização vinculado à Agência de Inovação e Propriedade Intelectual da Universidade Federal de Alagoas(APIPTI), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação(CNPq) e UFAL: o“Agentes de Inovação e Difusão Tecnológica(Agintec)”. Obteve o título de mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), sob orientação de Muniz Sodré, em 2001. Alcançou o título de doutora com a apresentação da tese“A ação comunicacional da quitosana: o percurso social da inovação”, no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), sob orientação de José Luiz Braga. Publicou o livro Lógica midiática da ação comunicacional da inovação em 2009, resultado da tese. Em janeiro desse mesmo ano tomou posse como docente do Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes na Universidade Federal de Alagoas, mediante concurso realizado em 2008. Enquanto exercia as funções de ensino, pesquisa e extensão, foi coordenadora de Pós-Graduação na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação(2009 a 2012). Nessa condição, apresentou projeto 56 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste de estabelecimento do Repositório Institucional da Universidade (Riufal), com o objetivo de organizar sistematicamente a produção científica e intelectual. Em 2013 atuou como diretora científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas(Fapeal), onde propôs a criação da“Fapeal em Revista”, destinada à divulgação científica. Tornouse membro da diretoria do Centro Internacional de Semiótica e Comunicação(Ciseco), tendo sido responsável pela coordenação local de seis edições do Pentálogo, realizado anualmente na cidade de Japaratinga(AL). Propôs para a entidade a articulação do evento com as escolas públicas daquela cidade. Em 2014 deixou a Fapeal, retornando às atividades de gestão na UFAL como coordenadora de Projetos Especiais da Assessoria de Intercâmbio Internacional da Universidade. Coordenou o curso de Graduação em Relações Públicas no período de 2014 até 2018, ao ser eleita diretora do Instituto de Ciências Humanas Comunicação e Artes(gestão 2018/2022) e reconduzida ao cargo para cumprir a gestão 2022/2026. Sandra Nunes realiza pesquisas envolvendo a Comunicação Organizacional e as Relações Públicas, tendo como perspectivas as interfaces comunicacionais com outras áreas do conhecimento. O livro A circulação discursiva: entre produção e conhecimento, publicado em 2017, contém um capítulo seu no qual tratou sobre “Os traços da política brasileira na literatura ambulante”. Durante o período de 2020 a 2022 contribuiu com a publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE),“Brasil em números”, escrevendo artigos que trataram da análise dos dados relativos às“Comunicações”. Apresentou trabalhos em eventos científicos tratando do“Universo nebuloso da comunicação”, da“Aplicação da lógica Fuzzy nos campos da comunicação organizacional”,“A pesquisa em relações públicas para os processos interacionais de acesso, acolhimento e vínculo na atenção básica à saúde”; as“Narrativas institucionais e controvérsias públicas: as disputas de sentido em torno da crise socioambiental da Braskem, em Maceió”; e“As feições organizacionais, a informação e os momentos negligenciados:“demandas dinâmicas” para as relações públicas”. Sandra é membro de importantes associações dedicadas ao estudo e à prática das relações públicas e da Comunicação, tais como: Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação 57 (Intercom) e Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas(Abrapcorp), além de ser membro do Conselho do Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes da UFAL e do Conselho Superior da Universidade(Consuni/UFAL). Em 2024 recebeu a incumbência de dirigir a TV UFAL em sua fase de iniciação. Sandra Nunes é uma profissional de Relações Públicas e docente de destaque acadêmico no campo da comunicação e das relações públicas no Estado de Alagoas, principalmente a partir da sua atuação no surgimento e consolidação do curso de Graduação em Relações Públicas da UFAL. Principais publicações LEITE, Sandra Nunes; RODRIGUES, Emanuelle. Narrativas institucionais e controvérsias públicas: as disputas de sentido em torno da crise socioambiental da Braskem, em Maceió. In: ENCONTRO ANUAL DA COMPÓS, 32., 2023, São Paulo. Anais [...]. Campinas, SP: Galoá, 2023. V. 32. LEITE, Sandra Nunes. Comunicações: as pessoas, as coisas e o mundo. Brasil em Números, v. 30, p. 361-375, 2022. LEITE, Sandra Nunes. As Relações Públicas e a Comunicação nas organizações. In: CARDOSO, Anita(org.). 50 anos de histórias de Relações Públicas em Minas Gerais e Espírito Santo. 1. ed. Divinópolis, MG: Gulliver, 2021. p. 341-354. V. 1. LEITE, Sandra Nunes. O universo nebuloso da comunicação organizacional. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE COMUNICAÇÃO, 43., 2020, Salvador. Anais[...]. São Paulo: Intercom, 1º a 10 de dezembro de 2020. LEITE, Sandra Nunes. Aplicação da Lógica Fuzzy nos campos comunicação organizacional e relações públicas. In: Congresso ABRAPCORP: Comunicação, Inovação e Organizações, 14., 2020, Bauru. Anais[...]. São Paulo: Abrapcorp, 2020. LEITE, Sandra Nunes. Os traços da política brasileira na literatura ambulante. In: CASTRO, Paulo César(org.). A circulação discursiva: entre produção e conhecimento. Maceió: Edufal, 2017. 58 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS SOBRE A AUTORIA DAS BIONOTAS Adriana Thiara Oliveira Professora do Instituto Federal de Alagoas nos Cursos Superiores Tecnológicos de Turismo e Hotelaria. Doutora em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas e mestra em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas. Coordenadora de Apoio à Pesquisa e Inovação do IFAL. Líder do Grupo de Pesquisa Estudos Interdisciplinares em Turismo e Hospitalidade de Alagoas. adriana.thiara@ifal.edu.br Emanuelle Gonçalves Brandão Rodrigues Professora e coordenadora do curso de Relações Públicas da Universidade Federal de Alagoas. Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFAL. Doutora em Comunicação e bacharela em Relações Públicas. manuelle. rodrigues@ichca.ufal.br Laís Falcão Mestre e doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco. Especialista em Gestão de Mídias Digitais na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Atua como pesquisadora, professora, jornalista, agente e parecerista cultural. lais_falcao@yahoo.com.br. Laura Nayara Pimenta Professora adjunta do curso de Relações Públicas e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Alagoas(UFAL). Doutora e mestre em Comunicação e Sociabilidade pela Universidade Federal de Minas Gerais. Vice-líder do Baleia – Laboratório de Estudos em Comunicação, Organizações e Narrativas do Capitalismo(UFAL). laura.pimenta@ichca.ufal.br Magnolia Rejane Andrade dos Santos Professora adjunta do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas. Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(1996) e mestre em Letras pela Universidade Federal de 59 Pernambuco(1988). Coordenadora da Agência de Notícias On-line Ciênci@lagoas/ CNPq/UFAL, que faz divulgação científica em Alagoas e na Região Nordestina. magnolia@reitoria.ufal.br Manuela Rau de A. Callou Professora da Graduação em Relações Públicas da Universidade Federal de Alagoas. Doutora em Jornalismo e Ciências da Comunicação pela Universitat Autónoma de Barcelona(Espanha), mestre em Comunicação pela mesma Universidade e bacharel em Relações Públicas pela Universidade Católica de Pernambuco. Integrante do Grupo de Estudos em Relações Públicas(GERP), do CNPq. manuela.callou@ichca. ufal.br Mirtes Vitoriano Torres Professora adjunta no curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Doutora e mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo(2005). Líder do grupo de Pesquisa CORPS/UFAL Comunicação e Relações Públicas da UFAL. mirtes.torres@ichca.ufal.br Priscila Muniz de Medeiros Professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da mesma instituição. Doutora em Comunicação pela UFPE, Pós-Doutorado na Université Paris IV (Sorbonne). Mestre em Comunicação pela UFPE. Coordenadora do Laboratório de Estudos em Tecnologia e Sociedade(Lets). priscila.medeiros@ichca.ufal.br 60 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS BAHIA 61 Washington José de Souza Filho 19 A PESQUISA EM COMUNICAÇÃO NA BAHIA: TRAJETÓRIAS INSTITUCIONAIS E PROTAGONISMOS A dimensão alcançada pela Pós-Graduação na área de Comunicação na Bahia, destacada pela atuação de pesquisadoras, apresentadas em três categorias – pioneiras, consolidadoras e emergentes –, está relacionada com a introdução, pela Universidade Federal da Bahia(UFBA), das atividades de formação em diferentes graus acadêmicos a partir da graduação em períodos distintos. A marca fundamental é a do pioneirismo. A instituição, pioneira no Nordeste em relação aos cursos de PósGraduação(Barbosa, 2020), foi a primeira da região a oferecer o curso de Jornalismo no início dos anos 1950, o terceiro do país, depois de São Paulo e do Rio de Janeiro (Nakagawa; Barbosa; Souza Filho, 2018). A importância dos dois processos – a Graduação e, posteriormente, a Pós-Graduação – merece ser considerada em relação à atuação de mulheres na pesquisa em Comunicação na Bahia, porque entre as quatro pesquisadoras destacadas como pioneiras apenas uma delas fez toda a Pós-Graduação na Bahia – os cursos de Mestrado e Doutorado, sem que fossem da área –, diferente das outras três – entre as quais duas que fizeram todos os cursos de Pós-Graduação fora do Estado. A formação em jornalismo na UFBA foi a base para o início da atuação das pesquisadoras da Bahia na área de Comunicação, consideradas pioneiras, uma condição refletida na maior parte de todas elas entre as que estão em categorias diferentes. O destaque da UFBA, inicialmente em relação à Graduação em Jornalismo, está vinculado ao surgimento da instituição, nos anos 1950, para atender a uma orientação do governo federal, o que permitiu a constituição das universidades brasileiras, em diferentes Estados, a partir da integração de cursos autônomos. 19 Professor da Universidade Federal da Bahia(UFBA). Graduado em Comunicação com habilitação em Jornalismo(UFBA). Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas(UFBA/Pós-Com); Doutor em Ciências da Comunicação(UBI. Portugal). washsfilho@gmail.com 62 A PESQUISA EM COMUNICAÇÃO NA BAHIA: TRAJETÓRIAS INSTITUCIONAIS E PROTAGONISMOS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste O pioneirismo da formação em Jornalismo da Universidade Federal da Bahia(UFBA), com a implantação do primeiro curso do Estado, com base no ato autorizativo do Decreto-Lei 27.358, publicado em 24 de outubro de 1949, tem uma importância maior pelo reconhecimento da dimensão alcançada pela graduação em todo o país (Barbosa et al., 2021, p. 46). O surgimento do curso de Jornalismo na Bahia ocorreu ao mesmo tempo que novas formações, como Teatro, Dança e Música, além da reestruturação de Artes Plásticas, oferecidas pela Universidade no contexto da sua constituição. A integração dos diferentes cursos na UFBA, com a inclusão de faculdades que atuavam de forma autônoma, entre elas Medicina e Direito, estabeleceu uma unidade. Os novos cursos contribuíram para uma nova perspectiva no Estado, principalmente no campo da cultura, pelo surgimento de movimentos como o Cinema Novo e a Tropicália(Souza Filho, 2022, p. 52). O ensino de Jornalismo na UFBA começou nos anos 1950, inicialmente vinculado à Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas(FFCH) 20 . O curso está marcado por diferentes fases, uma consequência de diversas condições, com reflexo no projeto pedagógico. Na primeira fase, com dois anos de duração, estava caracterizado como uma atividade de complementação profissional, sem uma estrutura curricular definida (Barbosa et al., 2021). Dez anos depois, nos anos 1960, o curso foi proposto de outra forma, com a duração de três anos(Martins; Guimarães, 2008) e um currículo mínimo, com a oferta de disciplinas, de uma maneira distinta da primeira etapa. A base da proposta anterior era a realização de seminários, conferências e debates. A partir de 1969 a formação em Jornalismo é realizada na UFBA por meio da Escola de Biblioteconomia e Comunicação(EBC), com uma tendência orientada pelo governo militar, instaurado em 1964, em consequência do golpe que afastou o presidente João Goulart. A orientação foi a de que os cursos de Comunicação tivessem uma formação generalista, distinguidos pelas habilitações. A mudança, de certa forma, indicou um novo percurso, sem o reconhecimento da especificidade da formação na área de Comunicação, como em relação ao Jornalismo. Apesar do caráter eminentemente técnico-habilitacional dos cursos de graduação, passou-se a ter maior preocupação com os fenômenos comunicacionais. A criação das primeiras faculdades e escolas de Comunicação em nível superior – a Faculdade de Comunicação de Massa da UnB, cujo projeto é de 1962; a Escola de Comunicações Culturais da 20 O Projeto Memórias da Faculdade de Comunicação(FACOM) registra o histórico do ensino de Jornalismo na UFBA, em especial multimídia, lançado por ocasião da comemoração dos 34 anos de criação da Faculdade de Comunicação como unidade acadêmica autônoma. Disponível em: https://www.memorias.facom.ufba.br/. Acesso em: 12 jun. 2023. 63 USP, criada em 1966; e a Escola de Comunicação da UFRJ, de 1967 – aponta para a comunicação como um campo específico do saber, e não apenas como profissional(Barbosa, 2020, p. 68). A vinculação à antiga EBC foi mantida por quase 20 anos, encerrada em 1987 com o surgimento da Faculdade de Comunicação(Facom) como unidade de ensino da UFBA. A autonomia da Facom contribuiu para a formação e a pesquisa em Comunicação na Bahia, porque representou uma atuação mais orientada para o campo, com a introdução da Pós-Graduação além da influência para o surgimento, progressivamente, de novos cursos de Graduação em diferentes instituições públicas e privadas. Em 2023, para atender às orientações estabelecidas pelas Diretrizes Nacionais Curriculares(DNC) do Ministério de Educação, dez anos depois da aprovação, ocorrida em 2013, a Faculdade de Comunicação da UFBA reestruturou o curso de Jornalismo, que deixou de ser uma habilitação em Comunicação. A realidade atual é diferente do início dos anos 2010, quando a Bahia era recordista na oferta de habilitações em Comunicação(Barbosa, 2012, p. 197-199), à frente de Pernambuco, o Estado da região com o segundo maior número de cursos. Eram 53 cursos, com 18 habilitações, oferecidos por 27 instituições, públicas e privadas, muitas delas além das propostas de formação que eram reconhecidas como da área. Uma diversidade em consequência de diferentes demandas, inclusive as transformações da tecnologia, simbolizada pelo ambiente digital. Em 2025 são 34 cursos, pela mudança em relação ao de Jornalismo, e habilitações em Comunicação – além da manutenção de propostas, mesmo que diferentes do período anterior –, oferecidos por 11 instituições, entre as quais 6 públicas, divididas entre federais e estaduais, em 11 cidades da Bahia, a maior parte concentrada em Salvador 21 . Jornalismo é o curso predominante, oferecido em 9 instituições, incluídas as privadas. Em uma delas, a Universidade do Estado da Bahia(UNEB), a formação é em Jornalismo Multimeios. Os cursos que são oferecidos nas diferentes instituições são, além de Jornalismo: Rádio e Televisão(2), Publicidade e Propaganda(9), Relações Públicas(2), Comunicação e Marketing(1), Produção Multimídia(1), Produção em Comunicação e Cultura(1), Social Media(1), Mídias Digitais(1), Produção de Conteúdo Digital(1) e Tecnólogo em Comunicação Institucional(1). A criação da Pós-Graduação pela Facom do Programa em Comunicação e Cultura Contemporâneas(Pós-Com), desenvolveu a possibilidade de formação docente, 21 A referência para o número de cursos da área de Comunicação na Bahia, em 2023, está baseada nas informações divulgadas pelas instituições públicas e privadas na internet, verificadas por meio de buscador, a partir da referência“cursos de comunicação na Bahia”, por meio de https://www.google.com/, atualizada em 2025. 64 A PESQUISA EM COMUNICAÇÃO NA BAHIA: TRAJETÓRIAS INSTITUCIONAIS E PROTAGONISMOS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste especialmente em relação à pesquisa, pela ampliação para regiões como a Nordeste. Uma alternativa que não existia fora de Estados como o Rio de Janeiro e São Paulo, onde estavam concentrados os programas de Pós-Graduação da área. É no Nordeste, especialmente, na Bahia, com a criação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporânea da UFBA, com o nível mestrado, em 1989, que se inicia o processo de constituição de programas de pós-graduação na área fora do eixo Rio-São Paulo. Cinco anos mais tarde seria criado o nível doutorado(Barbosa, 2012, p. 165). O movimento, iniciado na Bahia, cresceu pelo país com a instalação de mais cursos de Pós-Graduação a partir de 1990. Em menos de dez anos surgiram cursos no Rio Grande do Sul, em instituições públicas e privadas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, em Niterói, pela Universidade Federal Fluminense(UFF) e Paraná(Barbosa, 2012). O Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFBA, a partir de 1995, ampliou a formação com a criação do Doutorado. Na Região Nordeste o segundo curso de Pós-Graduação da área foi instituído pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) em 2019, inicialmente com o Mestrado (Barbosa, 2012). Na Bahia, a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia(UFRB) começou a Pós-Graduação em 2007, o primeiro Programa em uma cidade do interior, fora de uma capital. O Programa está instalado em Cachoeira, um dos campi da instituição, distante 120 quilômetros de Salvador. A cidade de Cachoeira simboliza a luta para a consolidação da Independência do Brasil de Portugal, alcançada em julho de 1823, quase um ano depois do Grito do Ipiranga, em Sete de Setembro de 1822, quando Dom Pedro I anunciou a separação entre os dois países. O curso de Pós-Graduação da UFRB, atualmente, é de Mestrado. Os dois programas – da UFBA e da UFRB –, entre os que estão em funcionamento na Bahia, são os únicos da área de Comunicação, o que não determina uma exclusividade em relação à Pós-Graduação. Programas como de Cultura e Sociedade(Pós-Cultura), vinculado ao Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos(IHAC), da Universidade Federal da Bahia, e de diferentes áreas da Universidade do Estado da Bahia(UNEB), têm contribuído para a realização de pesquisas e a formação de docentes. A Facom foi a origem do Pós-Cultura, em 2005, com cursos de Mestrado e Doutorado. A mudança para o IHAC ocorreu em 2010 pela natureza multidisciplinar. A Plataforma Sucupira 22 , em 2023, reconheceu e avaliou 208 cursos de Pós-Graduação na Bahia, entre diferentes modalidades: Mestrado e Doutorado acadêmicos; 22 A plataforma Sucupira reúne informações sobre a Pós-Graduação no Brasil, mediante um levantamento coordenado pela Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior(Capes). Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br/ sucupira/public/consultas/coleta/programa/quantitativos/quantitativoPrograma. Acesso em: 13 jun. 2023. 65 Mestrado e Doutorado profissionais. Os cursos de Pós-Graduação são oferecidos no Estado por 19 instituições de ensino, 14 públicas. A Pós-Graduação da Bahia tem o maior número de programas do Nordeste(208) entre os avaliados e reconhecidos, de um total de 960 na Região Nordeste, e de cursos(293), de 1.396. FORMAÇÃO EM DIFERENTES CICLOS A atuação das pesquisadoras em Comunicação na Bahia pode ser verificada por intermédio da avaliação das referências sobre a formação delas em diferentes graus, entre Graduação e a Pós-Graduação. A predominância inicial é da UFBA, inclusive quanto à opção de curso, porque a única habilitação era em Jornalismo. As pesquisadoras que estão relacionadas como pioneiras – quatro delas – realizaram a primeira fase da formação – Graduação, com habilitação em Jornalismo – na instituição, na EBC, a unidade que antecedeu a Facom. A atuação delas – as pioneiras – ocorreu em um contexto marcado pelo aumento do número de habilitações em relação aos cursos de Comunicação. Por meio da Facom a habilitação em Jornalismo deixou de ser uma oferta exclusiva, na Bahia, com a oferta da opção em Produção em Comunicação e Cultura em 1996 – nove anos depois da autonomia da Faculdade de Comunicação da UFBA. A mudança da tendência em relação à alternativa de formação e curso, permite uma percepção diferente a partir das pesquisadoras que estão relacionadas como consolidadoras e emergentes, pelo surgimento de outras habilitações. Ainda que a predominância seja a formação na UFBA, a proporção é distinta na comparação com as pioneiras a partir das consolidadoras e, posteriormente, as emergentes. A distinção é decorrente do surgimento de cursos de Comunicação em outras instituições da Bahia, entre públicas e privadas, e mais alternativas entre habilitações, mesmo com a predominância de Jornalismo, em boa parte, antes das mudanças promovidas pela Diretrizes Curriculares Nacionais. Da relação de 35 pesquisadoras, 22 delas formaram-se em instituições do Estado, nas habilitações de Jornalismo, Produção em Comunicação e Cultura, Relações Públicas e Rádio e Televisão. Uma realidade modificada a partir da formação das que estão relacionadas como consolidadoras, pela ampliação da oferta de habilitações, mesmo que a maior parte seja em Jornalismo. Entre as graduadas em outros Estados brasileiros, seis são formadas em Jornalismo, uma em Publicidade e Propaganda e uma em Rádio e Televisão. A única formada fora do Brasil é graduada em Jornalismo. Entre as pesquisadoras relacionadas, quatro não têm registro da instituição e a habilitação que cursaram(Gráfico 1). 66 A PESQUISA EM COMUNICAÇÃO NA BAHIA: TRAJETÓRIAS INSTITUCIONAIS E PROTAGONISMOS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Gráfico 1 – Graduação Fonte: Elaboração do autor. No caso da Pós-Graduação a formação pode ser considerada um processo que determina diferentes ciclos a partir da realidade das pioneiras, em que os cursos realizados na Bahia não eram de Comunicação pela inexistência de programas voltados para a área. A realização de cursos em outros Estados e até fora do Brasil estabelece um primeiro ciclo, modificado a partir das pesquisadoras relacionadas como consolidadoras. Em relação à categoria das consolidadoras, ocorre uma inversão, confirmada pela categoria seguinte – das emergentes. A opção de realizar a Pós-Graduação fora da Bahia, em muitos casos, representou a alternativa de quem estava fora do Estado por haver a opção sem a necessidade de deslocamento. A percepção da existência de diferentes ciclos, pelos quais pode ser observada a mudança da referência em relação à formação na Pós-Graduação, primeiramente pode ser constatada nos registros sobre a localização dos cursos de Mestrado das pesquisadoras, a partir das categorias que estão relacionadas(Gráfico 2). 67 Gráfico 2 – Mestrado Fonte: Elaboração do autor. A tendência, no caso dos cursos de Doutorado, mantém o mesmo sentido em comparação aos de Mestrado, com a manutenção da predominância da Bahia, mas que reflete outra condição. Em relação ao Doutorado oferecido pelo Pós-Com, surge a alternativa de realizar a formação fora do Brasil(Gráfico 3), observada nas informações sobre cada uma das pesquisadoras em consulta à Plataforma Lattes. Quanto a este grau de formação, entre as pesquisadoras uma das relacionadas entre as emergentes, em 2023, estava com o Doutorado em andamento em uma universidade de Portugal. Gráfico 3 – Doutorado Fonte: Elaboração do autor. 68 A PESQUISA EM COMUNICAÇÃO NA BAHIA: TRAJETÓRIAS INSTITUCIONAIS E PROTAGONISMOS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste As pesquisadoras de Comunicação da Bahia, entre as relacionadas nas três categorias, mantêm uma característica que é identificada como semelhante para todas elas, que é o vínculo institucional. Sem nenhuma exceção, elas fazem parte, no caso das que ainda estão em atividade, do quadro de docentes de instituições públicas da Bahia, ou faziam parte antes da aposentadoria. A vinculação é a três das instituições públicas em funcionamento no Estado: UFBA, a maior parte, UNEB e UFRB(Gráfico 4). Gráfico 4 – Vínculo pesquisadoras Fonte: Elaboração do autor. A identificação do vínculo institucional das pesquisadoras valoriza a função desempenhada pelas instituições públicas, no caso da Bahia, mantidas com recursos do Estado e da União, para a realização de pesquisas com diversas finalidades. As pesquisadoras desenvolvem, na atuação delas na área de Comunicação, estudos com diferentes finalidades, relacionados com temas a partir da natureza do campo. A pesquisa em Comunicação não está definida pelo desempenho das pesquisadoras, de uma forma monolítica, centrada na especificidade da área. A atuação de cada uma delas, nas distintas categorias, inclui a abordagem de temas que estão interrelacionados, em que são analisadas questões por diferentes perspectivas, relacionadas à sociedade, à cultura, às representações sociais, além de práticas e procedimentos dos meios de comunicação. 69 CONSIDERAÇÕES FINAIS A avaliação da forma de organização do campo de Comunicação da Bahia, em torno da atuação das pesquisadoras, considerada em uma perspectiva histórica, em torno do processo da formação delas, contribui para o reconhecimento do estágio da pesquisa no Estado relacionada à área. Ela permite o reconhecimento do papel desempenhado pela Universidade Federal da Bahia sem perder de vista a contribuição de outras instituições, notadamente públicas. As mudanças, de diferentes formas, permitem destacar a importância da descentralização do processo de formação a partir da constituição de Programas de Pós-Graduação no espaço geográfico da Bahia. A mesma conotação tem a reprodução da tendência para criar novas habilitações, mesmo que tenha sido mantida a valorização dos cursos de Jornalismo. Esta alternativa dá sentido para a ampliação dos temas e referências do campo da Comunicação, que está evidenciada pelo papel que desempenha na sociedade – neste tempo, o que passou e o que virá. O protagonismo que é evidenciado pela UFBA não é um mérito que deva ser creditado para a instituição. A trajetória desenvolvida para a formação na área de Comunicação deve ter como maior importância o crescimento em toda a Bahia, estendido para outras instituições, nas quais a atuação das pesquisadoras é fundamental, servindo como elo para a consolidação da pesquisa de temas do campo no Estado, marcada pela diversidade da abrangência, possível pelo esforço de cada uma das muitas pesquisadoras de Comunicação da Bahia. Referências BARBOSA, S.; NAKAGAWA. F. S.; ANDRADE, I.; COSTA, L. F.; SOUZA FILHO, W. J. O ensino de Jornalismo na UFBA: a integração como estratégia para reestruturação do curso. Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo, Brasília, v. 11, n. 29, p. 45-60, dez. 2021. Disponível em: http://rebej.abejor.org.br/index.php/rebej/article/view/468. Acesso em: 25 jun. 2023. BARBOSA, M. Pesquisas em Comunicação no Brasil: perspectivas históricas. In: DEL BIANCO. N. R.; LOPES, R. L.(org.). O campo da comunicação: epistemologia e contribuições científicas. São Paulo: Socicom Livros, 2020. p. 63-99. BARBOSA, M. C. Notas introdutórias: um passeio pelo campo de Comunicação no Nordeste. In: CASTRO, D.; MELO, J. M.(org.). Panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil 2011-2012. Brasília: Ipea, 2012. p. 191-200. Volume 3. MARTINS, P.; GUIMARÃES, M.“Todo jornal tem e sempre teve função política”. In: MATTOS, S. Memória da imprensa contemporânea da Bahia. Salvador: Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, 2008. p. 15-36. 70 A PESQUISA EM COMUNICAÇÃO NA BAHIA: TRAJETÓRIAS INSTITUCIONAIS E PROTAGONISMOS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste NAKAGAWA, F. S.; BARBOSA, S. O.; SOUZA FILHO, W. J. O ensino de Jornalismo e a convergência: integração das redações como proposta pedagógica. In: PINHEIRO, E. B.; VARÃO, R.; BARCELLOS, Z.(org.). Práticas e tensionamentos contemporâneos no ensino de Jornalismo. Brasília: Universidade de Brasília: Faculdade de Comunicação, 2018. p. 129-138. SOUZA FILHO, W. J. Telejornalismo no ambiente digital: as transformações da UFBA. In: SOSTER, D. A.; TONNUS, M. Jornalismo-laboratório: práticas digitais. Santa Cruz do Sul, RS: Catarse, 2022. p. 52-59. 71 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 72 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MARILUCE MOURA Graciela Natansohn Mariluce de Souza Moura nasceu em 3 de novembro de 1950 em Salvador(BA). É a quarta filha, de uma progênie de 11, de Laert de Souza Moura e Regina Nilza Moura. Ela tem três filhos. Entrou na escola já alfabetizada, aos 6 anos, em março de 1957, no Ginásio Bom Jesus, de freiras e só para meninas. Aos 11 anos, em 1962, passou no concorrido exame de admissão do ginásio do Colégio de Aplicação da Universidade Federal da Bahia(UFBA), onde estudou até o terceiro colegial em 1968. Em 1969 passou no vestibular e iniciou Jornalismo na UFBA, Graduação concluída em 1972. Apenas ingressou na faculdade e já começou a atuar como jornalista de economia por muitos anos, até se dedicar ao jornalismo científico a partir de 1988. A trajetória jornalística de Mariluce é extensa: foi repórter e editora no Jornal da Bahia, Tribuna da Bahia, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Revista Exame, Senhor e Isto É; morou no Rio de Janeiro, em Brasília, em Salvador e em São Paulo. Os estudos de Pós-Graduação e sua vida profissional estão cheios de percalços e interrupções. A vida dela foi marcada pela ditadura cívico-empresarial-militar, que irrompeu no país entre 1964 e 1985, que a arremessou para um lugar que jamais teria imaginado, o de sobrevivente da tortura, o de familiar desaparecido, o de perseguida política. Ela e Gildo Macedo Lacerda, 24 anos, seu marido, militantes do movimento estudantil, foram detidos e torturados nos porões militares em outubro de 1973, quando trabalhava no Jornal da Bahia. Gildo morreu em decorrência da tortura a que foi submetido ao longo de seis dias em quartéis, em Salvador, e 73 no Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna(DOI-CODI), em Recife. Grávida da primeira filha, sobreviveu à tortura, liberada meses mais tarde, mas o corpo de Gildo continua desaparecido 51 anos depois. Inscreveu-se na seleção do Mestrado em Comunicação na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) em 1973, mas não fez as provas porque estava presa. Retomou esse projeto anos depois, sob orientação de Muniz Sodré, concluindo a dissertação “Informação em OFF. Uma questão de poder”, concluída em 1987. Quando liberada, fez concurso de professora na UFBA em 1975, e foi demitida seis meses depois por ordem do Ministério de Educação, apesar de ter sido absolvida pela justiça militar um ano antes. Voltou à universidade em 1980 para trabalhar na então Câmara de Extensão, onde se publicava o Jornal da UFBA. Em 1982 publica o livro“ A revolta das vísceras”, cujo subtítulo era“Uma visão feminista da luta armada no Brasil. Uma história de paixão e morte”, reeditado em 2023 pela editora Aretê, de sua propriedade, quando o subtítulo é eliminado. Reiniciou na docência como professora colaboradora da Facom de 1981 até 1986, quando foi a Brasília trabalhar no Jornal do Brasil, na seção de economia, enquanto cursava Mestrado e criava seus três filhos. Fez Doutorado na UFRJ novamente sob orientação de Muniz Sodré, concluindo a tese“O encontro anunciado: a mídia na construção das imagens da tecnociência brasileira”, em 2006. O tema da tese é a relação entre ciência e mídia, instigado quando passou a trabalhar no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), na assessoria de imprensa e, quando assume o novo projeto editorial da então revista da entidade, a Revista Brasileira de Tecnologia, tendo sido editora chefe durante um breve período. Nessa seara, a da divulgação científica, atuou como assessora de comunicação da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico de São Paulo em 1990. Criou e foi diretora, de 1999 a 2014, da revista Pesquisa Fapesp, editada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo(Fapesp). Antes, deu início ao setor de comunicação da Fapesp. Em 2011 Mariluce abriu processo contra sua demissão da UFBA perante o Ministério da Justiça, e só em 2015 a Comissão de Anistia formalizou um pedido de desculpas em nome do governo brasileiro, 74 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste concedendo-lhe o direito de ser reintegrada à Universidade. Assim, em dezembro de 2015 ela voltou como docente à UFBA, 40 anos depois, em cerimônia na Sala dos Conselhos, presidida pelo reitor e rodeada dos amigos da época, concretizando um ato político afirmativo da necessidade de memória e justiça. Reintegrada à Faculdade, ministrou aulas e trabalhou como assessora de divulgação científica da universidade. Ali fundou, em 2016, o Edgardigital, boletim eletrônico multimídia de veiculação semanal voltado à divulgação científica, educativa e técnica da instituição e aos projetos de extensão universitária, à divulgação das políticas de ações afirmativas e às ações de planejamento e administração da Universidade, integrando a assessoria de imprensa com a TV UFBA. Na Bahia ela criou a revista Bahiaciencia, já extinta. A professora é diretora-presidente do Instituto Ciência na Rua, organização não governamental constituída em 2021 como desdobramento do projeto de jornalismo científico Ciência na Rua, lançado em janeiro de 2015 e voltado ao público jovem, e cujo mote é Jornalismo, Ciência e Humor. Foi presidenta da Associação Brasileira de Jornalismo Científico e realizou um Pós-doutoramento no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo(LabJor) na Universidade Estadual de Campinas(Unicamp) em 2019. Mariluce Moura, jornalista e professora titular aposentada da UFBA, participa de pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT Combate à Fome – Eixo de Comunicação e Difusão Científica, apoiado pela chamada INCT-CNPq n. 58/2022, na Universidade Federal de São Paulo – Unifesp). Sempre alternando entre a atividade jornalística e a academia, é consciente de que não possível nenhuma paz social sem trazer à luz a memória da história recente. Participou de uma obra coletiva em 2024, intitulada 60 anos do golpe: gerações em luta, sobre a conjuntura social e política brasileira a partir do golpe militar de 1964 que instalou a ditadura no Brasil. Principais publicações MOURA, Mariluce. UFBA, 2014-2022: a potência do pronome nós. Salvador: Fapex: Aretê: 2022. MOURA, Mariluce. A revolta das vísceras e outros textos. São Paulo: Aretê Editora, 2023. 75 MOURA, Mariluce. O Brasil precisa ouvir o surdo clamor dos mortos e desaparecidos políticos da ditadura. In: CALMON Francisco; TATIM, Denise Carvalho; ARAÚJO, Gisele Silva; JUNQUILHO, Roberto; MAYRINK VEIGA, Sandra(org.). 60 anos do golpe: gerações em luta. Rede Brasil, Memória Verdade e Justiça, Geração 68 Sempre na Luta, Canal Pororoca. Serra, ES: Formar, 2024. VOGT, Carlos; ESCOBAR, Herton; MOURA, Mariluce(org.). Fapesp 60 anos: ciência, cultura e desenvolvimento. São Paulo: Fapesp, 2022. 76 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste LINDA RUBIM Claudiane Carvalho Lindinalva Silva Oliveira nasceu em 29 de setembro de 1950 em Juazeiro(BA). É filha de Antônio de Oliveira Martins e Josefa Silva de Oliveira. Iniciou a vida escolar no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina(PE), atravessando a ponte que une Bahia e Pernambuco, onde estudou até o Ginásio. Na adolescência, em 1969, deixou a terra natal para cursar o Ensino Médio em Salvador(BA), no Colégio Sacramentinas e no Colégio Estadual Severino Vieira. Em 1972 foi aprovada no curso de Direito da Universidade Federal da Bahia(UFBA), mas abandonou para seguir o jornalismo, formando-se em Comunicação, em 1975, pela mesma instituição. Na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), realizou o Mestrado em Comunicação e Arte/Cinema, sob a orientação de Ismael Noberto Xavier. De 1979 a 1981 elaborou a dissertação As mulheres nos filmes de Glauber Rocha, cuja reflexão articula questões de gênero e cinema. Vale ressaltar que, entre o Mestrado e o Doutorado, investigou questões de gênero também no jornalismo. Sob orientação de José Marques de Melo, escreveu Imprensa de mulheres no Brasil como produto da Especialização em Jornalismo Brasileiro e Comparado, cursada na Faculdade Cásper Líbero, de 1980 a 1982. A obra do cineasta baiano voltou a ser a tônica do Doutorado em Comunicação desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Orientada por Rogério Luz, defendeu a tese O feminino no cinema de Glauber Rocha em 1999. No PósDoutorado, em 2006, reafirmou seu interesse pelo binômio gênero/ 77 audiovisual, produzindo pesquisas sobre cineastas mulheres latinoamericanas na Universidade Nacional de San Martin(Unisam) e na Universidade de Buenos Aires(UBA). Antes de iniciar a carreira acadêmica, trabalhou, na década de 1970, em redações jornalísticas de veículos baianos, a exemplo do Diário de Notícias(1975-1980), Jornal da Bahia(1958-1994) e Jornal A Tarde. O encanto pelo contrato narrativo entre elementos imagéticos e sonoros levou-a participar da III Jornada Brasileira de Curta-Metragem, realizada em Salvador(BA) em 1974. Na ocasião recebeu o Prêmio Walter da Silveira pelo documentário O jegue na paisagem nordestina, gravado em Super-8. A temporada nas redações e nos sets de filmagem foi curta. De 1976 a 1978 atuou como professora de Cinema e Televisão na UFBA. Ainda em 1978 desembarcou na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde permaneceu até 1984, e, no final da ditadura, retornou à Bahia para estabelecer-se na UFBA e contribuir nos processos de construção e consolidação de Programas de Pós-Graduação, cursos de Graduação, grupos e redes de pesquisa, projetos de extensão, entre outros. Na lista de atividades desenvolvidas por ela, destaca-se a atuação como professora-fundadora do Programa Multidisciplinar de PósGraduação em Cultura e Sociedade(PósCultura), de 2005 até início da década 2020; docente do Programa de Estudos sobre Mulheres, Gênero e Feminismo(PPGNEIM), de 2005 a 2012; e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Pós-Com), de 1990 ao início do decênio de 2000. Coordenou sete projetos de pesquisa que reuniram pesquisadores da Graduação e Pós-Graduação, buscando compreensão das questões de gênero e do feminino ao universo do cinema, televisão e outras formas de produção audiovisual. Vinculada ao curso de Graduação de Comunicação e Produção Cultural da Faculdade de Comunicação da UFBA, desde o final dos anos 1990, realizou também“Os estudos de cultura no Brasil: um mapa possível”(2015-2017) e coordenou o“Laboratório de Pesquisa, Criação e Produção Audiovisual – LPCPA”(2004-2005), além de ter traçado cartografias de diretoras de cinema na América Latina e se dedicado a compreender a história da televisão na Bahia, tanto pelos viés do agenciamento dos acontecimentos numa trama narrativa quanto pela vertente dos estudos da cultura na lente do contemporâneo. 78 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Linda coordenou, de 2008 a 2017, o Miradas – Grupo de Pesquisa que estuda a relação entre mídia, cultura e gênero, com foco particular na história social da mulher, possibilitando a concretização de projetos de iniciação científica e pesquisas de Mestrado e Doutorado no PósCultura e PPGNEIM. Parte das produções dessa iniciativa foi publicada no livro Miradas – gênero, cultura e mídia, publicado em 2014, organizado pela própria cientista. Foi fundadora e coordenadora do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura(Cult), que agrega cientistas de diferentes instituições de ensino do país e profissionais do campo da cultura, realizando projetos de pesquisa em rede com parcerias internacionais e a elaboração de propostas de políticas públicas para o campo da cultura. Ela coordenou a equipe fundadora do Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura – Enecult –, realizado em Salvador, na Bahia, anualmente, de forma ininterrupta desde 2005. O balanço dos dez primeiros anos desse evento está registrado no livro Enecult 10 anos(2014), que ela organizou com colegas. Na Graduação, além das disciplinas com foco em cinema e televisão, também dispensou atenção aos aspectos teóricos do campo. Organizou coletivos para estudar e produzir audiovisual em 2010; coordenou a Conferência Estadual de Cultura, em 2011; reuniu estudantes, nos anos de 2012 e 2013, para remontar a memória do Cine-Teatro Plataforma e sua importância na dinâmica sociocultural do Subúrbio Ferroviário de Salvador; e foi uma entusiasta da Atividade Curricular em Comunidade(ACC). Em seu currículo há mais de 50 tópicos que se referem à organização de encontros, congressos e seminários, demonstrando sua mobilização à partilha de conhecimentos e abordagem pluriepistêmica. A produção científica de Linda outorgou acesso a um dos primeiros estudos sobre Imprensa de mulheres no Brasil(1852-1982), publicado em 1984. Dos anos dedicados a observar as mulheres nos filmes de Glauber Rocha, destacam-se dois textos: As mulheres de Glauber Rocha: um estudo sobre as personagens femininas em seus filmes, no livro Idade Mídia(1995); e Jogos de vida e morte: o feminino em Deus e o Diabo na Terra do Sol, no livro Ritos, mitos e fatos. Mulher e gênero na Bahia(1997). Na Coleção Compós consta o texto Uma armadilha para Narciso: o que não reluz pode ser ouro! O olhar estético na comunicação(1999). Com uma colega escreveu o livro Estudos da Festa(2012). As parcerias foram uma constante 79 em sua trajetória. Em 2014 aparece no artigo Vivendo no Baile Perfumado: as relações de gênero presentes no filme Baile Perfumado (1997), e em Presidentas em declínio: a mídia e os estereótipos sobre a incapacidade das mulheres na política(2017), assim como no livro O golpe na perspectiva de gênero(2018). A vivência da universidade incluiu o tempo dedicado às atividades administrativas e de gestão: coordenação do PósCultura (2008-2009); participação nos colegiados do PósCultura e do PPGNEIM(2008-2012); a coordenação de Atividade Curricular em Comunidade(ACC) na Pró-Reitoria de extensão(2001); a assessoria de imprensa do gabinete do reitor(2002); a chefia do Departamento de Comunicação(2001-2003); e a coordenação do curso de Comunicação(1989-2001). No alvorecer dos anos 2000 Linda Rubin confirma sua marca no campo comunicacional como pesquisadora de cinema e gênero por meio de publicações; orientação de projeto de pesquisa; empenho à construção de PósCultura; inserção no PPGNEIM; concepção do Enecult, do Cult e do grupo de pesquisa Miradas. No que se refere aos esforços para consolidação do curso de Graduação em Comunicação e Produção Cultural, ela concebeu e organizou o livro Organização e produção da cultura(2005), umas das primeiras obras sobre a temática no Brasil. Linda Rubim marca o campo comunicacional como uma cientista que busca compreender as disputas de saber e poder que se materializam na construção social da mulher e como essas disputas são representadas em produções culturais do cinema e, também, do jornalismo. Principais publicações RUBIM, Lindinalva S. O. Imprensa de mulheres no Brasil(18521982). Revista Comunicação& Política, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1-2, p. 189-205, 1984. RUBIM, Lindinalva S. O. As mulheres de Glauber Rocha: um estudo sobre as personagens femininas em seus filmes. In: RUBIN, Albino A. C.(org.). Idade mídia. Salvador: EDUFBA, 1995. RUBIM, Lindinalva S. O. Uma armadilha para Narciso: o que não reluz pode ser ouro! O olhar estético na comunicação. Coleção Compós, Rio de Janeiro, v. 2, p. 87-99, 1999. 80 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste RUBIM, Linda; MIRANDA, Nadja Magalhães(org.). Estudos da festa. Salvador: EDUFBA, 2012. RUBIM, Lindinalva S. O.; VEIRA, M. P.; SOUZA, D. N.(org.). ENECULT 10 anos. Salvador: EDUFBA, 2014. RUBIM, Lindinalva S. O.; DANTAS, Fernanda Argolo. O golpe na perspectiva de gênero. Salvador: EDUFBA, 2018. 81 NADJA MIRANDA Lívia de Souza Vieira Nadja Magalhães Miranda nasceu em 3 de dezembro de 1948. É filha de Maria Magalhães Miranda e de Felipe Miranda, tem uma irmã e um irmão, e é mãe de Laila. Mudou-se para Salvador aos seis anos de idade, onde fez sua escolarização em colégios públicos: Colégio Estadual Severino Vieira e no Colégio Central. No final da década de 1960 iniciou, simultaneamente, a Graduação em Jornalismo e em Direito, ambas na Universidade Federal da Bahia. Optou por concluir apenas o curso de Jornalismo, em 1972. Desde a faculdade Nadja já estava imersa no mundo do trabalho. Começou estagiando e, logo depois, fez carreira como repórter nos quatro principais jornais da época: A Tarde, Correio, Jornal da Bahia e Tribuna da Bahia. Posteriormente sua experiência expandiu-se para a Editora Abril, atuando na sucursal da revista Veja em Salvador como repórter na editoria de cultura. Em meados dos anos 1970 Nadja licenciou-se da Veja para cursar Mestrado na França. Não chegou a concluir o curso, mas aproveitou a oportunidade para fazer um estágio na Agência France Press(AFP). Mais tarde retornou ao Brasil e, também, à revista Veja. Em 1980 ela começou a prestar serviços para a Universidade Federal da Bahia, atuando como assessora de Comunicação na Pró-Reitoria de Extensão. O Brasil vivia uma ditadura militar e, naquele momento, a universidade abriu uma oportunidade para que pessoas ligadas a algum setor pudessem pleitear uma vaga em seus departamentos, alinhada à sua formação e experiência. 82 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Como professora da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia(UFBA), dedicou-se principalmente às disciplinas práticas. Entre as disciplinas ministradas estão Prática de Pesquisa em Comunicação, Assessoria de Comunicação, Comunicação Comunitária, Comunicação e Cultura, Prática de Jornalismo em Pequenos Meios e Oficina de Planejamento e Gestão em Jornalismo. Foi orientadora de dezenas de Trabalhos de Conclusão de Curso. Também desenvolveu diversos projetos de extensão, entre eles o Programa de Qualificação Profissional em Jornalismo(Proquali-jor), o Circuito Herzog de Comunicação e a Agência de Notícias Ciência Press. Na área de gestão foi vice-diretora da FACOM/UFBA e do colegiado da Graduação, além de coordenadora do Laboratório de Assessoria de Comunicação. Entre 1997 e 2001 cursou o Mestrado em Artes Cênicas na UFBA. Sua dissertação, orientada por Antonio Albino Canelas Rubim, teve como título“Jornalistas em Cena, Artistas em Pauta: análise da cobertura jornalística dos espetáculos teatrais baianos realizada pelos jornais A Tarde e Correio da Bahia na década de 90”. A pesquisa analisou a cobertura jornalística dos espetáculos teatrais no período em que se consolidou a profissionalização do teatro baiano e a especialização temática dos cadernos culturais diários. Em 2004 iniciou o Doutorado em Artes Cênicas na UFBA, mais uma vez com orientação de Antonio Albino Canelas Rubim. O Doutorado-Sanduíche foi feito na Universidade de Paris X Nanterre, com supervisão de Idelette Muzart. A tese“Assessoria de Comunicação e Cultura: os espetáculos teatrais em Salvador(20032004)” foi defendida em 2007, e tem como um dos aspectos mais originais a metodologia de análise do processo de comunicação dos espetáculos teatrais. Nadja organizou dois livros em coautoria com a professora Linda Rubim.“Transversalidades da Cultura”(2008) é um registro das conferências do III Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura(Enecult), realizado em Salvador em 2007. A obra apresenta nove estudiosos de várias universidades do Brasil, da Venezuela, do Chile e de Portugal. Em 2012 foi lançado“Estudos da festa”, livro que aborda manifestações que integram o circuito das festas de diferentes cidades brasileiras, reunindo estudos multifacetados da identidade brasileira. Nadja também publicou artigos em periódicos, capítulos de livros e trabalhos em congressos acadêmicos. 83 A carreira de Nadja Magalhães Miranda congrega prática jornalística, ensino, extensão e dedicação à arte e à cultura. Nadja permaneceu na FACOM/UFBA por 30 anos e, em 2014, aposentou-se do serviço público, deixando um legado marcante de prática profissional, ensino, pesquisa e extensão. Principais publicações MIRANDA, Nadja Magalhães. A Noticiabilidade da encenação. Revista da Bahia, Salvador, v. 1, p. 35-40, 2003. MIRANDA, Nadja Magalhães. O Roberto Zucco de Nehle Franke: fidelidade a toda prova. Repertório Teatro& Dança, v. 6, p. 98-102, 2003. MIRANDA, Nadja Magalhães. O texto e a fala da Etnocenologia. Cadernos do Gipe Cit, Salvador, p. 16-21, 1998. MIRANDA, Nadja Magalhães; BIÃO, Armindo; FARIAS, Sérgio. O texto e a fala, o acadêmico e o praticante. In: BIÃO, Armindo (org.). Artes do corpo e do espetáculo: questões de etnocenologia. Salvador: P&A Editora, 2007. p. 85-90. MIRANDA, Nadja Magalhães; RUBIM, Lindinalva S. Oliveira; RUBIM, Antonio Albino Canelas; BRASIL, Umbelino; CARDOSO, Cláudio; SOBREIRA, Sérgio. Divulgação e jornalismo cultural. In: RUBIM, Lindinalva S. Oliveira(org.). Organização e produção da cultura. Salvador: Centro de Estudos Avançados em Cultura(CULT) e Editora da UFBA – EDUFBA, 2005. p. 79-98. MIRANDA, Nadja Magalhães; RUBIM, Lindinalva S. Oliveira(org.). Transversalidades da Cultura. Salvador: EDUFBA, 2008. MIRANDA, Nadja Magalhães; RUBIM, Lindinalva S. Oliveira(org.). Estudos da festa. Salvador: EDUFBA, 2012. 84 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste SONIA SERRA Suzana Barbosa Sonia de Alencar Serra nasceu em 14 de junho de 1953 em Salvador (BA). É filha de Aidil de Alencar Serra e Francisco dos Santos Serra, uma família com quatro irmãs e dois irmãos. Casada com Othon Jambeiro, teve dois filhos: Sol e Lua. Cursou o primário e parte do ginásio na Escola Nossa Senhora Auxiliadora. Foi no Colégio Marista, porém, que concluiu o Segundo Grau. Ingressou na então Escola de Biblioteconomia e Comunicação (EBC), da Universidade Federal da Bahia(UFBA), em 1972, e formou-se em jornalismo em 1975. Assumiu uma disciplina como professora colaboradora na mesma EBC em 1976 e pouco tempo depois foi aprovada em concurso para professora auxiliar naquela unidade, que deu origem à Faculdade de Comunicação(FACOM), criada em 1987. Foi no grupo criado em 1972 por Othon Jambeiro que realizou as primeiras investigações na EBC. Fez seleção para o Mestrado na Universidade de Essex(Reino Unido) e no Hunter College de Nova York(Estados Unidos), tendo sido aprovada em ambos, entretanto optou por fazer Mestrado em História na UFBA(1982), trabalhando com história do jornalismo, sob a orientação de Ubiratan Castro de Araújo. A dissertação“O Momento: história de um jornal militante” (1987) teve como objeto de estudo o jornal produzido por membros do Partido Comunista Brasileiro(PCB) da Bahia, entre os anos de 1945 a 1957. Obteve o título de mestre em 1988, passando a ser professora assistente. 85 Iniciou o Doutorado em 1991, quando era vice-diretora da FACOM, afastando-se do cargo assumido em 1989. A sua tese “The media, the international public sphere, and the killing of street children in Brazil”, realizada no Goldsmiths College da London University(Reino Unido), foi orientada por James Curran. Ela obteve o título de doutora em 1999. A tese teve indicação para ser publicada pela London University, mas não aconteceu, tendo sido apresentada em Congressos da International Association for Media and Communication Research(IAMCR), em Dublin. No meio do Doutorado precisou interromper o curso e a estadia em Londres devido a um problema de saúde, e teve recomendação médica para se aposentar precocemente. Pôde retomar o Doutorado como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e, logo depois, passou a colaborar nas atividades de ensino e pesquisa sem remuneração como professora auxiliar na Graduação, contribuindo com disciplinas teórico-práticas, e como professora colaboradora no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas(Pós-Com), tendo participado da primeira seleção de alunos para o Mestrado. No Pós-Com ministrou aulas, orientou e coordenou a então linha de pesquisa Comunicação e Política. Inseriu-se na Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), tendo sido eleita para coordenar o Grupo de Trabalho(GT) Estudos de Jornalismo no IX Encontro Nacional da Compós, realizado em 2000, em Porto Alegre. Integrou a Câmara de Assessoramento e Avaliação Técnico-Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia(Fapesb) na área de Comunicação, Cultura e Turismo(2006-2008), foi sócia da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política, participou da fundação da Associação Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor), de convênios, redes de pesquisa e teve forte participação em congressos de outras associações científicas no Brasil e no exterior. Foi coordenadora de curso, membro e presidente da então Câmara de Graduação e Extensão da UFBA e vice-diretora da FACOM. Teve, ainda, passagens por instituições particulares: coordenou o curso de Jornalismo da Faculdade de Tecnologia e Ciências(FTC, depois UniFTC), nos anos 2000, e foi professora nas Faculdades Integradas da Bahia(FIB, depois Centro Universitário Estácio da Bahia) e na Universidade Jorge Amado(depois Unijorge). Na FTC dedicou-se 86 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste à pesquisa. Fez pesquisas eleitorais no instituto criado por Othon Jambeiro – Escritório de Estudos de Opinião Pública(ESOP). Na disciplina de Jornalismo Científico colaborou com a criação de um produto inovador: o boletim Ciência Press, na FACOMUFBA. Posteriormente dedicou-se a estudos focados na Teoria do Gatekeeper, assim como na Economia Política da Comunicação e Jornalismo, tendo ainda se dedicado à comunicação digital. Ela afastou-se da Comunicação e do Jornalismo a partir de 2010, e desde 2011 decidiu direcionar as suas pesquisas para a história da Bahia, sendo os jornais uma de suas fontes documentais fundamentais. Sonia Serra tem três livros inéditos que pretende publicar, estruturados num formato de macro-histórias com foco em personagens reais e históricos, a partir dos quais trabalha todo o contexto da época, tendo seu pai como um eles. Com as macrohistórias transformadas em livros, espera cobrir algumas lacunas na historiografia da Bahia. Principais publicações SERRA, Sonia. A imprensa comunista no Brasil: retomando o caso do jornal O Momento”. In: BIENAL IBEROAMERICANA DE COMUNICACIÓN, 6., 2007, Córdoba. Actas[...]. Córdoba: Universidad Nacional de Córdoba, 2007. SERRA, Sonia. Jornalismo político dos comunistas no Brasil: diretrizes e experiências da“Imprensa Popular”. In: COMPOLÍTICA – CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS PESQUISADORES DE COMUNICAÇÃO E POLÍTICA, 2., 2007, Belo Horizonte: Compolítica, 2007. SERRA, Sonia. Multinacionals of Solidarity: International Civil Society and the Killing of Street Children in Brazil. In: BRAMAN, Sandra; SREBERNY-MOHAMMADI, Annabelle(org.). Globalization, Communication and Transnational Civil Society. Abingdon: Routledge, 1996. SERRA, Sonia. The killing of Brazilian street children and the rise of the international public sphere. In: CURRAN, James(org.). Media Organizations in Society. Arnold Publishers, 2000. 87 SERRA, Sonia. A produção de notícias e a esfera pública internacional. In: FAUSTO NETO, Antônio; HOHLFELDT, Antônio; PRADO, José Luiz Aidar; PORTO, Sérgio Dayrell(org.). Práticas midiáticas e espaço público. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001 SERRA, Sonia; JAMBEIRO, Othon. Municipal telecommunications policies and strategies: the case of Salvador. In: JAMBEIRO, O.; PALACIOS, M.(org.). Brazilian Perspectives in digital environments. Salvador: EDUFBA, 2010. p. 35-55. 88 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MARIA DO CARMO ARAÚJO Ana Rosa Marques Maria do Carmo Araújo nasceu em 16 de julho de 1950 em João Pessoa(PB). É filha de Hermínia Queiroz e Manoel Araújo. Ela tem três filhos. É viúva de Elenaldo Celso Teixeira. Foi com uma bolsa que entrou no primário do Colégio Pio XI. Depois passou no exame para o então famoso Colégio Estadual de Campina Grande. Ao completar o Segundo Grau, não seguiu de imediato para a universidade. Seguiu para Recife e, em 1971, foi a primeira da família a ingressar no Ensino Superior, no curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), concluído na Universidade Federal da Bahia(UFBA) em 1975. Logo foi convidada a atuar como professora na disciplina de Radiojornalismo, experiência que não durou muito devido à estrutura ainda precária do curso naquele período. Trabalhou como repórter do Jornal da Bahia por dois anos e, paralelamente, como pesquisadora nas periferias da capital baiana. Essa experiência foi fundamental para definir seu campo de estudo acadêmico: a sociologia. Em 1980 volta para João Pessoa para cursar Especialização em políticas sociais na UFPB, e em 1987 torna-se uma das primeiras professoras do curso de Comunicação Social da Universidade do Estado da Bahia(UNEB). Lá ministrava as disciplinas de comunicação comunitária, orientação de projetos e Tópicos Especiais em Relações Públicas, entre outras, como também desenvolveu projetos de pesquisa e extensão, como o I Seminário de Comunicação Comunitária promovido pela UNEB em parceria com a UFBA. Tal traço extensionista também sublinhou seu trabalho de 89 pesquisadora, a exemplo do projeto sobre as rádios comunitárias da Bahia, em 2001, pioneiro no Estado quando não havia informações mais detalhadas sobre essas organizações. O interesse pelos movimentos sociais ou culturais foram aprofundados tanto no Mestrado quanto no Doutorado, no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal da Paraíba(UFPB). Sua dissertação, defendida em 1996, sob orientação de Maria de Lourdes Siqueira e intitulada“Festa e Resistência negra: o carnaval no contexto dos blocos afro Ilê Ayê e Olodum em Salvador”, trata da trajetória dos negros na festa desde o Brasil Colônia à apropriação de outros tempos e lugares para suas manifestações culturais. Na tese, finalizada em 2007, sob orientação de Jacob Carlos Lima, com o título“Mobilizando os jovens de Lençóis, Bahia: possibilidades e limites de uma experiência”, volta-se para movimentos engendrados no interior da Bahia, mais especificamente no município de Lençóis, e que contribuíram para a construção de uma cultura cívica comunitária e de participação social na região. Entusiasmada com o encantamento e empenho dos cotistas nas universidades, engaja-se em atividades extensionistas e forma grupos de redação para incentivar o interesse e a permanência dos estudantes nas atividades acadêmicas. Maria do Carmo aposentou-se em 2016, revezando-se entre seus livros, seu quintal e as notícias do mundo. Essas não deixam nunca de inquietá-la, sempre inconformada com os retrocessos, mas confiante nas faíscas insurgentes que ainda inflamam aqui e ali. Principais publicações ARAÚJO, Maria do Carmo. Projeto e criação social no pensamento de Cornelius Castoriadis. Círculo, Salvador, v. 1, p. 65-78, 2003. ARAÚJO, Maria do Carmo. Tramas e redes, fios que tecem o social: um olhar sobre Lençóis, na Chapada Diamantina, Bahia. In: SIQUEIRA, Maria Lourdes(org.). Imagens negras: ancestralidade, diversidade e educação. 1. ed. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2006. p. 172-194. 90 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste ITANIA GOMES Fernanda Mauricio da Silva Itania Maria Mota Gomes nasceu em 23 de novembro de 1965 em Salvador(BA). É a mais velha dos três filhos de Sonia Carolina Mota Gomes e Itamar Araújo Gomes. Na década de 1970 mudou-se com a família para Maragogipe, no Recôncavo da Bahia, e estudou na Escola Pública Colégio Polivalente de Maragogipe. Em 1979, de volta a Salvador, estudou no Colégio 2 de Julho. No início dos anos 1980 ingressou no curso de Serviço Social pela Universidade Católica de Salvador(UCSal) e, dois anos após, começou a estudar Jornalismo na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em 1987 formou-se em Serviço Social e entrou num curso de Especialização em Comunicação Comunitária. Realizou estágio no Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia(IPAC), e entre 1989 e 1991 foi repórter do jornal Tribuna da Bahia nas editorias de cidades e economia. Durante três meses atuou na assessoria de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Empresas Petroquímicas e Químicas do Estado da Bahia(Sindiquimica), e em 1990 iniciou a carreira docente na Universidade do Estado da Bahia(UNEB) num concurso para Teorias da Comunicação para o curso de Relações Públicas. Em 1992 assumiu o cargo de professora na Faculdade de Comunicação da UFBA. Já no início da carreira foi coordenadora do colegiado do curso de Jornalismo e ofertou diversas disciplinas na área de teorias do jornalismo, comunicação comunitária, teorias da comunicação, comunicação e atualidades e projetos experimentais. A partir dos anos 2000 assumiu a disciplina Comunicação e Cultura 91 Contemporâneas, levando para a Graduação uma formação crítica para a compreensão dos processos culturais e comunicacionais. Do curso de Serviço Social veio uma formação política de esquerda, bastante influenciada pelas leituras de Gramsci e a perspectiva de transformações culturais, a qual influenciou sua formação em comunicação. Como aluna da Faculdade de Comunicação(Facom) envolveu-se na organização da Jornada de Cinema da Bahia, o que a levou, também, a uma aproximação com o audiovisual. Em 1991 ingressou no Mestrado em Comunicação e Cultura Contemporâneas(Pós-Com) da UFBA, interessada em compreender o processo comunicativo a partir das práticas de recepção das crianças na relação com a televisão. Foi nesse momento que os Estudos Culturais Latino-Americanos surgiram como possibilidade teórico-metodológica para compreender o processo receptivo como lugar de valorização do popular e dos sujeitos. Entre 1996 e 2000 realizou seu Doutorado, também na UFBA, aprofundando teoricamente as pesquisas de recepção na perspectiva dos Estudos Culturais em contraposição aos estudos dos efeitos, recorrentes na área de comunicação naquele momento. Desde 1993 foi participante do Grupo de Trabalho(GT) de Mídia e Audiência da Associação Nacional dos Programas de PósGraduação em Comunicação(Compós), do qual foi coordenadora no período 2002-2004. Sua formação no Doutorado foi marcada pela emergência do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas e, tão logo finalizou o curso, em 2000, foi credenciada como professora permanente do Pós-Com/UFBA. Entre 2003 e 2005 foi coordenadora do Pós-Com, e foi chefe de Departamento do curso de Comunicação entre 2000 e 2001. Esse engajamento ainda estende-se por cargos na congregação do curso, coordenação de linha de pesquisa e atuação no conselho da Compós. Em 2001 Itania fundou o Grupo de Pesquisa em Análise de Telejornais(GPAT), com o objetivo de construir e consolidar uma metodologia para análise de programas jornalísticos televisivos. Em 2015 reorientou os objetivos do grupo e atualizou o nome para Centro de Pesquisa em Estudos Culturais e Transformações na Comunicação(TRACC), ampliando o escopo para fluxos audiovisuais e comunicacionais. 92 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Entre 2009 e 2013 atuou na diretoria da Compós, ocupando a presidência e, após, a vice-presidência. Seu período na diretoria da Compós trouxe como desafio lidar com o avanço dos Programas de Pós-Graduação, pois era uma época em que as políticas do governo federal investiram na universidade pública. Em 2015 tornou-se membro titular do Comitê de Assessoramento de Artes(C.A), Ciências da Informação e Comunicação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), sendo coordenadora geral do C. A. entre 2017 e 2018. Itania Gomes realizou Doutorado-Sanduíche na Universidade de Lisboa/ Portugal; em 2006-2007 fez Pós-Doutorado na Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3, sob supervisão de François Jost, e em 2013-2014 realizou outro Pós-Doutorado na Universidade da Columbia, Nova York/EUA, sob supervisão de Michael Schudson. Desde os anos 2010 ela tem atuado na criação e consolidação de redes de pesquisa nacionais e internacionais. Cocoordena a Rede de Pesquisa Historicidades dos Processos Comunicacionais, cujas atividades tiveram início em 2015. É coordenadora da equipe brasileira da rede International Research Project/Archives-MédiasImages-Sociétés(IRP/AMIS), uma renovação da rede PIMI, que reúne pesquisadores brasileiros e franceses. O AMIS possui financiamento do Centre National de la Recherche Scientifique(CNRS-França). Em 2020 realizou mais um Pós-Doutorado, desta vez na Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), sob supervisão de Bruno Leal. Ao longo dessa trajetória foi orientadora da tese vencedora do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela(2013), e também da tese que recebeu menção honrosa nos prêmios Compós e Capes(2011). Aposentou-se em 2022 da UFBA, mas segue em atuação na PósGraduação e como professora visitante da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia(UFRB)(agosto de 2022 a agosto de 2024). Itania Gomes possui uma ampla trajetória na área da Comunicação, seja no ensino e pesquisa, seja na atuação política na diretoria da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) e no comitê de assessoramento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em mais de 30 anos de carreira acadêmica, estabeleceu-se como consolidadora da área de comunicação. 93 Principais publicações GOMES, Itania M. M. Efeito e recepção: a interpretação do processo receptivo em duas tradições de investigação sobre os media. In: GOMES, Itania Maria Mota; Maria Carmem Jacob de Souza(org.). Media e cultura. Salvador: EDUFBA, 2002. GOMES, Itania M. M.; JANOTTI JR., Jeder(org.). Comunicação e estudos culturais. Salvador: EDUFBA – Editora da Universidade Federal da Bahia, 2011 GOMES, Itania M. M. Gênero televisivo como categoria cultural: um lugar no centro do mapa das mediações de Jesús Martín-Barbero. Revista Famecos, on-line, v. 18, p. 111-130, 2011. GOMES, Itania M. M. Consciência afetiva, modificações de presença e fluxo: comunicação e experiência nos estudos culturais. In: LEAL, Bruno; MENDONÇA, Carlos. Teorias da Comunicação e experiência. Cachoeirinha: Fi, 2023. GOMES, Itania M. M. Les politiques publiques de conservation et d’accès aux collections télévisées au Brésil. Sociétés et Représentations, v. 35, p. 41-58, 2013. YU, Wendi; OLIVEIRA, Daniel; GOMES, Itania M. M.; LEAL, Bruno. Amar é suficiente? Afetos e gênero nas disputas por legitimidade e tradição em AmarElo – É tudo pra ontem. Revista Esferas, v. 1, n. 27, p. 1-30, 2023. 94 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste GICA NUSSBAUMER Nadja Vladi Gisele Marchiori Nussbaumer nasceu em 30 de março de 1967 em Ribeirão Preto(SP), mas com meses de idade foi com seus pais para Santa Maria(RS), onde residiam, junto com sua única irmã. É filha de Alda Marchiori Nussbaumer e Frederico Nussbaumer. Fez o Primeiro Grau no Colégio Marista e o Segundo Grau na Escola Estadual Maria Rocha. Fez Graduação em Relações Públicas na Faculdade de Comunicação (Facos) da Universidade Federal de Santa Maria(UFSM) entre 1985 e 1988. Lá estagiou no Centro de Artes e Letras(CAL), experiência fundamental para sua aproximação com o universo das artes. Trabalhou na Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, braço social da Rede Brasil Sul de Telecomunicações(RBS), afiliada à Rede Globo, na capital gaúcha. Em seguida atuou na Assessoria de Comunicação, onde coordenou as atividades culturais de duas edições da Feira do Livro de Porto Alegre. Em 1991 tornou-se docente na UFSM, onde lecionou até 2004. Na Facos ministrou disciplinas como Planejamento e Assessoria em Relações Públicas, e coordenou a Facos – Agência de Comunicação Integrada. Fez parte de uma equipe multidisciplinar para revitalizar o anfiteatro do Centro de Artes e Letras, o Caixa Preta. Esse trabalho foi reconhecido com o Prêmio Opinião Pública/POP(1995), conferido pelo Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas de São Paulo. Em 1995 iniciou seu Mestrado na Escola de Comunicações e Artes(ECA) da Universidade de São Paulo(USP) com a pesquisa “O mercado da cultura em tempos(pós) modernos: para além 95 dos cânones da cultura de massa”, orientada por Sidineia Gomes, defendida em 1997 e publicada em 2000. Em busca de uma formação fora do eixo Rio-São Paulo, em 2000 iniciou o Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia(Facom/UFBA), com período-sanduíche na Université René Descartes(Paris V, Sorbonne), sob a supervisão do francês Michel Maffesoli, tendo participado de atividades promovidas pelo Centre d’Etudes sur l’Actuel et le Quotidian (CEAQ). Defendeu a tese“Comunicação, sociabilidade e escrita de si: A comunidade GLS no ciberespaço”, orientada por André Lemos, em 2004, discutindo a apropriação social das tecnologias digitais de comunicação e o universo homossexual. Aprovada como professora adjunta na Facom/UFBA em 2004, assumiu a disciplina Oficina de Análise de Públicos e Práticas Culturais, propondo como atividade a realização de um mapeamento dos teatros de Salvador e um estudo dos seus públicos, cujos resultados foram publicados no capítulo“Equipamentos e públicos culturais: os teatros de Salvador” do livro Políticas culturais: um campo de estudo. Ainda em 2004 passou a integrar o recém-criado Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura(CULT), tendo participado da comissão organizadora das primeiras edições do Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura(Enecult) e sendo responsável pela organização do primeiro livro lançado pela Coleção Cult, Teorias e políticas da cultura: visões multidisciplinares(2007). No ano seguinte, com a criação do Programa Multidisciplinar de PósGraduação em Cultura e Sociedade/Pós-Cultura da UFBA, passou a fazer parte do seu corpo docente permanente, vinculada à linha de pesquisa Cultura e Desenvolvimento. Essa trajetória na UFBA foi interrompida com o afastamento para assumir um cargo no governo do Estado da Bahia por quatro anos. Recebeu convite para assumir a direção geral da Fundação Cultural do Estado da Bahia(FUNCEB), instituição responsável pelas políticas públicas para as linguagens artísticas, onde atuou entre 2007 e 2010, alinhando as políticas culturais do Estado às do Ministério da Cultura(MinC) na gestão de Gilberto Gil. Em sua gestão foram criados projetos como o Núcleo Estadual de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia(Neojiba), que, em 2009, 96 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste passou a ser gerido por uma Organização Social(OS), sendo a primeira experiência estadual de transferência da gestão de um projeto público na área cultural. Ao retornar à UFBA assumiu a disciplina Oficina de Gestão Cultural, coordenou projetos como“Gestão e Produção Cultural na Bahia”(2012-2015) e“Diálogos sobre Gestão Cultural”(desde 2017), seminário que está em sua 9ª edição, sendo a última com programação composta apenas por mulheres e realizada pelo grupo de pesquisa Coletivo Gestão Cultural do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Retomou também suas atividades no CULT e no Pós-Cultura, participando do Enecult e coorganizando o volume três da Coleção Cultura e Pensamento,“Políticas para as artes”(2018), com parceria do MinC. No Pós-Cultura integrou diversas gestões do Colegiado, sendo vice-coordenadora e ministrando, com regularidade, os componentes Seminários Temáticos e Políticas Culturais. Gisele fez parte da coordenação do projeto“Mapeamento da dança nas capitais brasileiras e no Distrito Federal” em 2015, realizado por meio de Cooperação Técnica entre a UFBA e a Fundação Nacional das Artes(Funarte/MinC), envolvendo 20 pesquisadores, 1 técnico e 33 alunos de Graduação, oriundos de 9 universidades. Realizou um Pós-Doutorado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio) em 2016 com o projeto“As políticas para as artes no Brasil e a Fundação Nacional das Artes/Funarte”, sob a supervisão de Eneida Leal Cunha. Os resultados da pesquisa foram publicados em artigo no periódico Políticas Culturais em Revista (Dossiê Políticas Culturais para as Artes), do Pós-Cultura/UFBA, e apresentados no“I Seminário de Políticas para as Artes: impasses e perspectivas”, realizado em Salvador. Desde 2024 divide-se entre duas atividades: estágio pós-doutoral no Programa Avançado de Cultura Contemporânea(PAAC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), com o projeto “Funarte Retomada e Política Nacional das Artes: protagonismo feminino e ações afirmativas”, sob a supervisão de Beatriz Resende, e o“Projeto Pesquisa-Ação Agentes Culturais Democráticos”, realizado pelo CULT em parceria com o MinC. Gisele Marchiori Nussbaumer é professora da Faculdade de Comunicação(Facom) e do Programa Multidisciplinar de PósGraduação em Cultura e Sociedade(Pós-Cultura) da UFBA. É 97 membro do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura(CULT) e coordenadora do grupo de pesquisa Coletivo Gestão Cultural (CNPq), que reúne docentes e discentes da UFBA e da Universidade Federal do Recôncavo Baiano(UFRB). Principais publicações NUSSBAUMER, Gisele Marchiori. Equipamentos e públicos culturais: os teatros de Salvador. In: CALABRE, Lia.(org.). Políticas culturais: um campo de estudo. Rio de Janeiro: Edições Casa de Rui Barbosa, 2008. NUSSBAUMER, Gisele Marchiori. Teorias& políticas da cultura: visões multidisciplinares. Salvador: EDUFBA, 2007. NUSSBAUMER, Gisele Marchiori; SIMIS, A.; FERREIRA, K. P.(org.). Políticas para as artes. Salvador: EDUFBA, 2018.(Coleção Cultura e Pensamento). NUSSBAUMER, G. M. As políticas para as artes e a Fundação Nacional de Artes: 2003-2016. Políticas Culturais em Revista, v. 10, p. 11-34, 2017. 98 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste ANNAMARIA JATOBÁ Carla de Araujo Risso Annamaria da Rocha Jatobá Palacios nasceu em 28 de dezembro de 1959 em Maceió(AL). É filha de Anna Mercês da Rocha Jatobá e de Caio de França Jatobá. Morou e estudou nas cidades alagoanas de Batalha, Pão de Açúcar e Santana do Ipanema. Fez o Ensino Fundamental no Grupo Escolar Adalberto Marroquim(Batalha), o Primeiro Grau no Ginásio Dom Antônio Brandão(Pão de Açúcar) e no Colégio Estadual Prof. Deraldo Campos(Santana do Ipanema). Aos 15 anos mudou-se para a cidade de Natal(RN), onde cursou os três anos correspondentes ao Ensino Médio na Escola Doméstica de Natal, em regime de internato. Em 1982 graduouse em Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). Na ocasião foi trabalhar como repórter e redatora da Revista RN Econômico. Em 1983, de volta a Alagoas, foi jornalista responsável pela produção e assistência de Direção do Programa Educativo-Cultural“Realidade Fantástica”, idealizado por uma equipe de profissionais de diferentes áreas, recém-formados. O programa ia ao ar, ao vivo, todas às sextasfeiras, pela TV Alagoas, canal 5, afiliada do Sistema Brasileiro de Televisão. Em 1984 foi repórter do jornal Tribuna de Alagoas. Mudou-se para São Paulo(SP) em 1985 para cursar o Mestrado em Ciências da Comunicação no Departamento de Jornalismo e Editoração da Universidade de São Paulo(USP), sob orientação de Carlos Eduardo Lins e Silva. A titulação foi obtida em 1990 com a dissertação Leituras Jornalística e Estética de Contexto. Em abril de 1992 ingressou, por meio de concurso público, como professora assistente de Introdução à Pesquisa em Comunicação 99 no Departamento de Comunicação Social da UFRN, onde lecionou até julho de 1994. Por meio de transferência pública, ingressou no Departamento de Comunicação da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia(Facom-UFBA), onde lecionou até aposentar-se em agosto de 2022. Na Graduação, a partir de 1998, coordenou, durante dez anos, a elaboração dos Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC). Elaborou, em 1999, o Manual do Projeto Experimental, distribuído para estudantes da faculdade, professores e pessoal técnico. Além da Graduação, atuou no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica(Pibic), orientando estudantes na execução de projetos de pesquisa, culminando com a participação deles no Seminário Estudantil de Pesquisa, promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. Em 2000 iniciou o Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da UFBA, sob orientação de Edvaldo Souza Couto e coorientação de Rosa Lídia Coimbra, docente do Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, Portugal, onde realizou Estágio Doutoral Sanduíche em 2002. A tese, intitulada Imagens do tempo, saúde perfeita e juventude eterna como marcas textuais da publicidade de cosméticos em revistas femininas brasileiras, durante a década de 90, foi defendida em 2004. Em 2005 ingressou como docente permanente no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências(IHAC) da UFBA, onde passou a lecionar no curso de Mestrado e, posteriormente, no Doutorado. Fez seu primeiro Pós-Doutorado em 2010, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no Programa de Doutoramento em Ciências da Comunicação na Faculdade de Artes de Letras da Universidade da Beira Interior(UBI) em Portugal, cuja tutoria ficou a cargo de António Fidalgo. O projeto concentrou-se na Análise de anúncios direcionados para pessoas com 60 anos ou mais, com o objetivo de examinar as estratégias discursivas empregadas pela propaganda de prevenção, veiculada no Brasil e em Portugal. Em 2013 criou o Núcleo 3, Grupo de Estudo e Pesquisa de Práticas e de Produtos Discursivos da Cultura Midiática, credenciado pelo 100 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e ligado ao Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC). Atuou como coordenadora desse Núcleo por um período de 11 anos. No mesmo ano deu início à Coordenação de Convênio de Cooperação Acadêmica, Científica e Cultural entre o Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade(IHAC) e o recém-criado Curso de Ciências da Cultura na Faculdade de Artes e Letras da UBI, Portugal. Dentre as atividades de cooperação destaca-se a realização, desde 2015, do Congresso Internacional sobre Culturas, realizado anualmente. Seu segundo Pós-Doutorado realizou-se de setembro de 2017 a agosto de 2018 no Programa de Doutoramento em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Artes e Letras da Universidade da Beira Interior(UBI) em Portugal, cuja tutoria ficou a cargo de Joaquim Mateus Paulo Serra. O Projeto concentrou-se nas Tensões e paradoxos em abordagens humorísticas sobre a velhice no Brasil e Portugal: Legitimação e/ou transgressão de paradigmas? Participou também de uma visita acadêmica pelo período de um mês à Facultad de Información y Comunicación(FIC) da Universidad de La Republica(Udelar), em Montevidéu, Uruguai, cuja tutoria ficou a cargo de Gabriel Kaplún. A visita objetivou a criação de cooperação acadêmica, científica e cultural entre a FIC-Udelar e demais instituições da UFBA(Facom e IHAC). Na UFBA exerceu atividades administrativas como membro do Colegiado de Graduação da Faculdade de Comunicação da Universidade(1995-2000), vice-diretoria da Faculdade de Comunicação da UFBA(2005-2009), membro titular do Conselho Acadêmico de Ensino – CAE – UFBA(2014-2021), membro do Colegiado de Pós-Graduação do Programa Multidisciplinar de PósGraduação em Cultura e Sociedade do IHAC-UFBA. Foi também consultora acadêmica na Comissão de Criação e Implementação da Universidade do Oeste da Bahia(UFOB) durante todo o ano de 2014. Annamaria Jatobá Palacios dedicou-se por três décadas ao Ensino Superior em seus mais diversos níveis, e deixou como importante legado a formação de centenas de estudantes. 101 Principais publicações PALACIOS, A. R. J.; MOLINA, L. Moda, mídia e velhice: considerações a partir do documentário Advanced Style. ModaPalavra, v. 12, n. 24, p. 23-55, 2019. PALACIOS, A. R. J.; LIMA, P. F. Breves considerações sobre processos de apropriação de traços identitários brasileiros em anúncios publicitários do Instituto Brasileiro de Turismo-Embratur. Revista da USP, v. 30, n. 1, jan./abr. 2019. PALACIOS, A. R. J.; SERRA, J. M. P. É possível consumir um filme, um telejornal e desfrutar de um sabonete? Empregos linguísticodiscursivos referentes ao ato de consumir. Revista Ponto-e-Vírgula, PUC-SP, n. 23, 1º semestre de 2018. PALACIOS, A. R. J. Estratégias linguístico-discursivas de tratamento humorístico da morte em comerciais televisivos. Revista Famecos, Porto Alegre: PUC-RS, v. 22, n. 1, p. 222-224, 2015. PALACIOS, A. R. J. Itinerario interlocutivo de la publicidad contemporánea y la complejidad de los conmutadores de persona. Algunas reflexiones. Revista Question, Universidad Nacional de La Plata, v. 1, n. 44, out./dez. 2014. PALACIOS, A. R. J. Os sentidos do tempo na contemporaneidade – aproximações e distanciamentos entre o pensamento de Anthony Giddens e David Harvey. Margem, São Paulo: PUCSP, v. 12, p. 203232, 2001. 102 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste REGINA GOMES Elva Valle Regina Lucia Gomes Souza e Silva nasceu em 26 de janeiro de 1963 em Salvador(BA). É filha de Neuza Gomes Souza e Silva e Mário Souza e Silva. No Primeiro Grau estudou na Escola Presciliano Silva, e, no Segundo Grau, no Colégio Estadual Luiz Tarquínio, ambos em Salvador. Concluiu o curso de História na Universidade Católica do Salvador (UCSal) em 1985. De 1986 a meados da década de 1990 dedicouse ao ensino, lecionando disciplinas de História Geral e História do Brasil no Ensino Médio em escolas públicas. Após especializar-se em História do Brasil na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), incorporou análises cinematográficas em suas aulas. Em 1990 entrou para o curso de Jornalismo na Universidade Federal da Bahia(UFBA), e, em 1994, ingressou no Mestrado no recém-criado Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas(UFBA). Em sua dissertação,“Elo Vital: a fruição do insólito nos filmes de David Cronenberg”, realizou uma análise das estruturas temáticas e estéticas de filmes que exploram o insólito e o estranho. No final da década de 1990 iniciou a carreira como docente de Ensino Superior no curso de Comunicação Social da UCSal, e, em 2001, foi convidada pelo coordenador para integrar o corpo docente da primeira Graduação em Cinema e Vídeo da Bahia da Faculdade de Tecnologia e Ciências(FTC). O início dos anos 2000 marcou seu retorno às pesquisas na área de recepção cinematográfica, com o Doutorado em Ciências da 103 Comunicação na Universidade Nova de Lisboa. A tese“O cinema Brasileiro em Portugal: contexto e análise da crítica acerca de filmes brasileiros publicada na imprensa lisboeta(1960-1999)”, investigou a crítica de cinema, considerando a recepção das obras cinematográficas, com foco nos filmes brasileiros apresentados em Lisboa. Em 2006, após retomar as atividades docentes na UCSal, fundou o Grupo de Pesquisa em Análise de Crítica de Cinema(GRACC), que se tornou o primeiro grupo de pesquisa em cinema daquela universidade. O grupo produziu um blog que desempenhou o papel de divulgação científica. Nesse período desenvolveu o projeto de criação de um curso de Especialização lato sensu em Cinema, em parceria com a Superintendência de Pesquisa e Pós-Graduação da UCSal, cuja primeira turma foi formada em 2007. Em 2009 realiza seu primeiro estágio de Pós-Doutoramento no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas(Pós-Com UFBA), sob a orientação de Maria Carmen Jacob de Souza, quando pesquisou críticas de televisão, com ênfase naquelas destinadas às narrativas seriadas. Em 2010 iniciou suas atividades como docente no curso de Comunicação Social da UFBA, atuando nos cursos de Jornalismo, Produção Cultural e, posteriormente, Cinema e Audiovisual, sendo responsável pelo ensino de disciplinas como Estética da Comunicação, Teorias da Comunicação, Narrativas Audiovisuais e Crítica Cinematográfica na Graduação. Em 2011 foi credenciada no Programa de PósGraduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas(Pós-Com UFBA), onde passou a ministrar a disciplina Teoria e Metodologias de Análise de Recepção, permanecendo no programa até 2020. Criou e coordenou o Grupo de Pesquisa Recepção e Crítica da Imagem(GRIM) junto com Mahomed Bamba em 2011, com o objetivo de investigar as instâncias de recepção presentes em textos sobre cinema e, também, a compreensão dos diferentes métodos de avaliação de obras artísticas e midiáticas empregados pela crítica de cinema. Publicou artigos, capítulos de livros e integrou o Seminário Temático de Recepção de Audiovisual da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual(Socine), sempre destinando seu olhar para a crítica como um lugar privilegiado de recepção histórica das obras audiovisuais. 104 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Entre 2012 e 2015 participou do projeto“Jovem e Consumo Midiático em Tempos de Convergência”, integrado à Rede Brasil, organizado por Nilda Jacks(Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS), cujo desdobramento gerou a pesquisa“Jovens em tempo de convergência: estudo sobre o consumo de audiovisual e as apropriações de recursos midiáticos por jovens de Salvador”. Em 2015 lançou sua obra mais proeminente, resultante de sua tese de Doutoramento:“O Cinema Brasileiro em Portugal: uma análise crítica de filmes brasileiros”. Desempenhou o cargo de chefe do Departamento do curso de Comunicação de 2013 a 2014. Adicionalmente, integra o Núcleo Docente Estruturante(NDE) do curso de Cinema e Audiovisual e participa do Laboratório de Análise Fílmica(LAF) desde 2021. Em setembro de 2020 passou a atuar como membro da Congregação da Faculdade de Comunicação(UFBA), representando os docentes. Além disso, esteve envolvida em projetos de extensão, como “Roteiros de Recepção”(2015-2020). Desenvolveu o projeto de Pós-Doutorado intitulado“Crítica e Cinema Brasileiro Contemporâneo”, realizado entre 2017 e 2018 no Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (PPGMA-ECA-USP). Durante esse período participou do grupo de pesquisa“História da experimentação no cinema e na crítica”, coordenado por Rubens Machado. Seu interesse de pesquisa concentra-se também em explorar a crítica dos filmes premiados em festivais de cinema brasileiros. Regina Gomes é docente e pesquisadora na área de Comunicação e Cinema. Sua trajetória é marcada por uma conduta acadêmica interdisciplinar e uma apreciação profunda pelo fenômeno cinematográfico, em específico de recepção e crítica audiovisual. As suas contribuições enriquecem o campo comunicacional, em específico nos estudos de recepção, crítica e cinema. Colaborou na finalização das bionostas do estado baiano. Principais publicações GOMES, Regina. Crítica de cinema: história e influência sobre o leitor. In: Revista Crítica Cultural. Florianópolis: Unisul, v. 1, n. 2, jul./dez. 2006. 105 GOMES, Regina. A crítica como vestígio de recepção: The West Wing e o real histórico. In: Revista Novos Olhares, São Paulo, v. 2, p. 17-25, 2013. GOMES, Regina. A recepção histórica: textos sobre o cinema novo brasileiro em Portugal. In: Revista Matrizes, São Paulo, v. 8, p. 191202, 2014. GOMES, Regina. Juventude em tempo de convergência: estudo sobre o consumo de audiovisual e as apropriações de recursos midiáticos por jovens de Salvador. In: Revista Vozes& Diálogos, p. 71-85, jul./dez. 2015. GOMES, Regina. O cinema brasileiro em Portugal(1960-1999): uma análise crítica de filmes brasileiros. Salvador: EDUFBA, 2015. GOMES, Regina. Dona Flor e seus dois maridos e a recepção histórica da crítica. In: Revista Significação, São Paulo, v. 45, n. 49, p. 231-246, jan./jun. 2018. 106 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MARIA MARIA CARMEN JACOB Maíra Bianchini Maria Carmen Jacob de Souza nasceu em 9 de junho de 1961 em Belo Horizonte(MG). É filha de Lindolpho Corrêa de Souza e Maria Esther Jacob de Souza. Morou na capital mineira até os 15 anos, quando os pais decidiram pela mudança para a cidade do Rio de Janeiro(RJ). Cursou o Primeiro Grau no Colégio Instituto Nossa Senhora do Carmo, em Belo Horizonte, e o Segundo Grau no Colégio Pitágoras, na capital mineira, e no Colégio Santo Agostinho, no Rio de Janeiro. Cursou a Graduação em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio) entre os anos de 1979 e 1982. Durante esse período atuou, por três anos, em grupos de pesquisa e de estudos do Movimento Universidade a Serviço do Povo(MUSP), prestando serviços para as comunidades mais vulneráveis e de movimentos sociais de resistência ao regime militar e das práticas políticas de diversos grupos das favelas cariocas. Inicialmente trabalhou como assistente social e auxiliar de pesquisa no Centro João XXIII de Investigação e Ação Social(CIAS/Instituto Brasileiro de Apoio ao Desenvolvimento Econômico e Social – Ibrades), no Rio de Janeiro, entre os anos de 1983 e 1988. Colaborou com a socióloga Ivete Ribeiro no estudo das mudanças dos valores das famílias na sociedade brasileira e atuou como gestora social e formuladora de projetos de apoio para as escolas da organização não governamental Ação Social Padre Anchieta(Aspa) na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. No Centro João XXIII Carmen teve acesso a diversos cursos e seminários temáticos nas ciências sociais e humanas ofertados pelo 107 Ibrades, bem como a recursos materiais e instalações favoráveis para a prática da pesquisa. Em 1985 fez Mestrado em Educação na Universidade Federal Fluminense(UFF). As disciplinas do Mestrado em Educação aproximaram Carmen de autores que se tornaram centrais em sua trajetória científica, especialmente Nestor Garcia Canclini e Pierre Bourdieu. Sua dissertação“O que pinta de novo pinta na tela do povo: o uso do vídeo na educação popular”, defendida em 1990 sob a orientação de Paulo Motta, abordou a gestão de duas instituições educacionais produtoras de vídeos populares: a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional(FASE) e o Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP). Ainda durante o Mestrado, em 1988, assumiu o cargo de professora pesquisadora C na Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio do Janeiro(UFRJ), onde também atuou como professora substituta durante o ano de 1991 e como professora assistente entre 1991 e 2000. Ao longo dos anos na Escola de Serviço Social da UFRJ, participou da pesquisa“Do desenvolvimento de comunidade aos movimentos sociais urbanos: natureza das lutas das associações no Rio de Janeiro – potencial político”, coordenado por Maria Helena Lima, e ministrou disciplinas de Graduação, como“Pesquisa participante e Serviço Social”,“Metodologia aplicada e Serviço Social” e“Pesquisa em Serviço Social”. A proximidade com as temáticas da comunicação foi por meio de dois projetos integrados de pesquisa coordenados por Marilena Jamur na Escola de Serviço Social da UFRJ, ambos apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) entre os anos de 1992 e 1996:“Representações sociais da pobreza e práticas de assistência na história do Rio de Janeiro”, no qual foi designada para a condução do subprojeto“Pobreza dá Ibope? O lugar dos pobres na imprensa carioca e nas telenovelas” entre os anos de 1992 e 1993 e“Pobreza e espaço urbano: a multiplicidade de representações sociais nos discursos e nas práticas”, liderando o subprojeto“Os tons da pobreza para além do Ibope: diversidade e drama”, entre os anos de 1994 e 1996. A partir de 1995, com o início do Doutorado em Ciências Sociais na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), sob a orientação de Maria de Lourdes Manzini-Covre, inaugurou o seu legado de contribuições como consolidadora do campo de estudos da teledramaturgia nacional. O Doutorado em Ciências Sociais 108 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste possibilitou a participação de Carmen no grupo de pesquisa liderado por Silvia Helena Simões Borelli, uma das principais referências no estudo de telenovelas no país. Sua tese foi defendida em 1999 e publicada em 2004 com o título“Telenovela e representação social: Benedito Rui Barbosa e a representação do popular na telenovela”. Concomitantemente, em fins dos anos 1990, passou a publicar em capítulos de livros e periódicos científicos e a circular em eventos de destaque na área da Comunicação, como nos Encontros Anuais da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós). Por fim, ainda na Escola de Serviço Social da UFRJ, deu início à pesquisa“Campo da telenovela e construção dos sentidos: o lugar dos diretores e escritores” em 2000, mesmo ano em que foi redistribuída para a atuação profissional na Faculdade de Comunicação da UFBA, em Salvador, na Bahia. Os anos 2000 representam sua consagração nos estudos da teledramaturgia brasileira, com a continuidade da sua participação nos Encontros Anuais da Compós e também nos Congressos Nacionais da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), a publicação dos resultados de suas investigações e o desenvolvimento de diversos projetos de pesquisa sobre as metodologias de análise da poética das telenovelas nacionais. Chegou à Faculdade de Comunicação da UFBA já credenciada como docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da instituição e contribuiu para o fortalecimento do programa e a reformulação das linhas de pesquisa ofertadas. Em 2001 passou a fazer parte da recém-criada Linha de Análise de Produtos e Linguagens da Cultura Mediática do Pós-Com/UFBA até 2018, quando passou a compor a linha Mediatização e Indústrias de Mídia. Ainda no ano 2000 criou o grupo de pesquisa Laboratório de Análise de Teleficção a-Tevê como espaço para investigar a poética da ficção no audiovisual, com ênfase no cinema e na ficção seriada televisiva, bem como para explorar os estudos comparativos da autoria e do estilo em outros produtos e linguagens, como peças audiovisuais publicitárias e histórias em quadrinhos. No âmbito do a-Tevê, Carmen também desenvolve pesquisas sobre as metodologias de análise da ficção seriada televisiva, particularmente das telenovelas, muitas delas com financiamento de bolsas de produtividade do CNPq:“Campo da telenovela e autoria: o lugar do escritor e do 109 diretor”(2000 a 2003);“Campo da telenovela e autoria: análise das telenovelas Renascer, O Rei do Gado e Esperança”(20052008);“Campo da teledramaturgia e autoria no Brasil: análise dos modos de narrar de diretores de telenovelas consagrados”(20082010);“Marcas autorais da direção de telenovelas: os casos de Waddington, Monjardim e Carvalho”(2010-2013);“Estilo do autor roteirista da telenovela brasileira: parâmetros de análise”(20152019); e,“Dimensões da serialidade e a questão da autoria e do estilo do autor-roteirista das telenovelas brasileiras”, desde o ano de 2020. Outra vertente do a-Tevê envolve a participação do grupo na Rede de Pesquisadores da Ficção Televisiva, braço nacional do Observatório Ibero-Americano de Ficção Televisiva(Obitel). Sob a coordenação de Maria Carmen, a equipe Obitel UFBA já conduziu seis projetos de pesquisa, sempre relacionados à temática escolhida pela Rede para cada biênio de investigação, com resultados publicados na Coleção Teledramaturgia(Editora Globo/Sulina). Uma das principais disciplinas ofertadas por Carmen na Faculdade de Comunicação é Elaboração de Projetos em Comunicação, na qual os alunos formulam seus anteprojetos para o Trabalho de Conclusão de Curso. Na Pós-Graduação é responsável pela condução da disciplina de Doutorado Seminário Avançado. Já nas disciplinas optativas explora uma série de temas, como estudos sobre a história da televisão, a teledramaturgia seriada, a produção brasileira de telenovelas, a análise da poética do audiovisual e as narrativas audiovisuais, entre outros. Maria Carmen também criou o projeto de extensão Estação do Drama: Programa de Formação de Roteiristas de Narrativas Seriadas para Televisão e Internet(Facom/UFBA) em 2014, iniciativa para estreitar as relações entre o grupo a-Tevê e os profissionais atuantes no mercado audiovisual brasileiro. Ao entrelaçar as áreas do ensino, da pesquisa e da extensão, Maria Carmen construiu uma posição significativa no campo de estudos da comunicação e, em particular, da ficção seriada televisiva. Maria Carmen Jacob de Souza é docente titular da Faculdade de Comunicação(Facom) e professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas(PósCom), ambos vinculados à UFBA. É coordenadora do grupo de pesquisa Laboratório de Análise de Teleficção a-Tevê(Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq), pesquisadora associada à Rede Brasileira de Pesquisadores da 110 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Ficção Televisiva, braço nacional do Observatório Ibero-Americano de Ficção Televisiva(Obitel), e coordenadora da equipe Obitel UFBA. Desde 2014 também lidera o projeto de extensão Estação do Drama: Programa de Formação de Roteiristas de Narrativas Seriadas para Televisão e Internet(Facom/UFBA). Principais publicações BRIGLIA, T.; SOUZA, M. C. J. O ofício do autor-roteirista de telenovelas da TV Globo no cenário midiático digital. 1. ed. Florianópolis: Insular, 2022. 271 p. V. 1. SOUZA, M. C. J.; BIANCHINI, M.(org.). Telenovela, transmidiação, autoria e ficção de fãs. 1. ed. Curitiba: Appris, 2024. 200 p. V. 1. SOUZA, M.C. J. O papel das redes de televisão na construção do lugar do autor nas telenovelas brasileiras: notas metodológicas. In: SOUZA, M. C. J.; BARRETO, R. R.(org.). Bourdieu e os estudos de mídia: campo, trajetória e autoria. 1. ed. Salvador: Edufba, 2014. p. 35-60. V. 1. SOUZA, M. C. J.; JACKS, N.(org.). Mídia e recepção: televisão, cinema e publicidade. 1. ed. Salvador: Edufba, 2006. 214 p. SOUZA, M. C. J. Telenovela e representação social. Benedito Rui Barbosa e a representação do popular na telenovela. 1. ed. Rio de Janeiro: E-Papers Editora, 2004. SOUZA, M. C. J. Reconhecimento e consagração: premissas para análise da autoria das telenovelas. In: GOMES, I. M. M.; ROMANO, Maria Carmem Jacob de Souza(org.). Media e cultura. 1. ed. Salvador: EDUFBA, 2002. p. 53-74. 111 RITA ARGOLLO Julianna Nascimento Torezani Rita Virginia Alves Santos Argollo nasceu em 16 de agosto de 1970 em Ilhéus(BA). É filha de Romulo Manoel dos Santos e Maria Alice Alves Santos; tem cinco irmãos: Romilda, Wilma, Maria Vanilda, Romilson e Rosa. É casada com Lahiri Lourenço Argollo e é mãe de Lis e Mel. Sua formação escolar e universitária foi toda em instituições públicas. Durante o Ensino Fundamental e Médio estudou no Instituto Municipal de Educação, em Ilhéus. Em 1989 ingressou na Universidade Federal da Bahia(UFBA), onde cursou Jornalismo. Voltando a Ilhéus, no ano de 2000, fez a Especialização em História Regional na Universidade Estadual de Santa Cruz(UESC), com a pesquisa orientada por Marli Geralda Teixeira, intitulada“A cultura dos coronéis: o cinema como o discreto charme da burguesia cacaueira”, em 2006. Retornando à UFBA, entre 2000 e 2002, fez o Mestrado em Educação, quando desenvolveu a dissertação“De Big Brother à Pokémon: uma proposta de aproveitamento da TV no processo de ensino-aprendizagem formal”, com orientação de Alda Muniz Pêpe. Na sequência fez o Doutorado em Educação, de 2008 a 2012, também na UFBA, quando desenvolveu a tese“A Televisão Universitária na Web: um estudo sobre a TV UESC”, sob orientação de Edvaldo Souza Couto. No campo profissional inicia sua experiência como assessora de imprensa da Unimed Ilhéus, de 1995 a 2000, depois de realizar os estágios nas seguintes empresas: Bahiatursa(1992-1993), 112 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Fundação Ondazul(1991) e Prefeitura de Santo Amaro(1991), durante o período da Graduação em Jornalismo. Tem atuação no Departamento de Jornalismo da TV Santa Cruz, em Itabuna(BA), de 1998 a 2007, com as seguintes atividades: produção para telejornalismo, reportagem, edição de texto, direção de programa e coordenação de equipe de reportagem, além de ter sido repórter no Jornal da Bahia em 1993. Como docente iniciou sua trajetória de ensino no Colégio Nossa Senhora da Vitória, em Ilhéus, no período de 1997 a 2000, ministrando as disciplinas de Produção de Texto, Elementos da Comunicação e Literatura Brasileira para turmas do Ensino Médio. De 2002 a 2005 foi docente do curso de Jornalismo na Faculdade de Ciências e Tecnologia(FCT), em Itabuna(BA), de Comunicação e Expressão, Comunicação Gerencial, Técnicas de Publicidade e Relações Públicas. Nessa faculdade criou o projeto do Curso em Rádio e TV em 2003 e coordenou e ministrou aulas no curso de Jornalismo da Faculdade do Sul(FACSUL) em 2006, com a disciplina de Teorias do Jornalismo. Para esta mesma instituição cocriou os projetos de duas Especializações em 2007: Comunicação Empresarial e Jornalismo e Mídia; nesta última foi docente da disciplina Jornalismo e Educomunicação. Na Universidade Estadual de Santa Cruz(UESC) atua como docente e pesquisadora do curso de Rádio, TV e Internet desde 2000, integrando a área de imagem, onde ministra disciplinas de Telejornalismo, Vídeo, Edição em TV, Redes Interativas, Oficina de Informática e Telemática, Gêneros e Estilos em Rádio e TV, Apresentação e Interpretação em TV, Televisão Infantil, Temas Selecionados em TV, Comunicação e Sociedade Contemporânea, Estética da Comunicação, Gêneros e Estilos em Rádio e TV, Publicidade e Propaganda e Produção e Direção em TV. No período de abril de 2004 a fevereiro de 2008 foi coordenadora do Colegiado do curso de Comunicação Social, com habilitação em Rádio e TV, e conselheira da Câmara de Extensão da UESC. Colaborou com a criação da TV Universitária, a TV UESC, importante espaço de formação dos alunos na área de produção audiovisual. Desde 2012 é diretora e membro do corpo editorial da Editus, editora da UESC. No período de 2015 a 2019 foi diretora da Regional Nordeste da Associação Brasileira das Editoras Universitárias(ABEU). Em 2019 tornou-se presidente nacional da 113 ABEU e, em 2023, vice-presidente dessa instituição, que promove o desenvolvimento das editoras das universidades brasileiras e fomenta a produção técnico-científica de autores em várias áreas. Já foi membro do corpo editorial dos seguintes periódicos: Percursos (2012), Perspectivas em Ciência da Informação(2010) e Linhas (2010). Com a experiência na área de editoração, organizou, junto com Flávia Goulart Rosa, o livro Editoras Universitárias: estratégias de gestão, lançado pela ABEU, em 2019. Coordenou, de 2014 a 2016, o projeto“Filosofia e Comunicação: uma investigação sobre os fundamentos da comunicação”. De 2020 a 2024 coordenou o projeto“Produção Jornalística em Redes Sociais Digitais”. É membro do Comitê de Assessoramento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo desde 2018. Na área de extensão universitária participa de quatro projetos: o“Circuito Interno da TV UESC”, voltado para a prática de televisão universitária, desde 2004; o projeto“Diálogos Avançados em Comunicação” foi criado em 2012 e trata-se de uma ação permanente do curso de Rádio, TV e Internet da UESC para criação de eventos sobre diferentes temas relacionados à comunicação; o projeto“Jovem Bom de Vida”, desde 2014, tem como objetivo acompanhar os discentes na produção midiática sobre a saúde do adolescente; no ano de 2023 criou o perfil do Instagram com cards e vídeos com informações das ações do projeto; e, além da atuação na extensão, este núcleo também possibilitou a criação de um projeto de ensino intitulado“Aprendendo a cuidar do adolescente: um processo de enfermagem criativo”, no período de 2014 a 2017. O projeto“Prisma – Educação para a Diversidade” foi cocriado em 2018, e tem a finalidade de favorecer as juventudes regionais na apropriação do potencial oferecido pelo audiovisual. Além da criação de produtos midiáticos como vídeos e podcasts, também oferta para docentes e discentes de escolas públicas e privadas oficinas de elaboração de conteúdo midiático, como fotografia, produção audiovisual e edição. Até 2024 já organizou mais de 50 eventos, destacando: 1ª Exposição do Prisma – Educação para Diversidade(2021), Festas Literárias de Ilhéus(2018 a 2023), Palestras virtuais do Projeto Pensar o Livro (2020), Prêmios Sosígenes Costa de Poesia, Encontros de Editores Científicos da UESC, Feiras Universitárias do Livro da UESC, Festivais Literários de Ilhéus, Encontros da ABEU Nordeste, Semanas 114 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste de Comunicação da UESC, Encontros de Fotografia e Exposições Fotográficas. Conquistou as seguintes premiações: Finalista Nacional da XXVII Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), em 2020; Prêmio da SBP de Imprensa, Sociedade Brasileira de Psiquiatria de Imprensa, em 2007; Prêmio OAB-BA de Jornalismo, Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia, em 2006; Préfinalista do prêmio Instituto Gestão Educacional(IGE) de Jornalismo – Pelo Direito dos Brasileiros à Educação de Qualidade, Fundação Lemann, ANDI e IGE, em 2005; I Prêmio de Imprensa SBD – Grand Prix, Sociedade Brasileira de Diabetes, em 2005; Pré-finalista do prêmio IGE de Jornalismo – Pelo Direito dos Brasileiros à Educação de Qualidade, Fundação Lemann, ANDI e IGE, em 2006. Em janeiro de 2024 foi aprovada, pela banca examinadora, a promoção de Rita Argollo da Classe de Professora Titular para a Classe de Professora Plena, em virtude de todos os anos de dedicação à docência, ensino, pesquisa e publicação de obras literárias na UESC. Principais publicações ARGOLLO, Rita Virginia Alves Santos; ROSA, Flávia Goulart(org.). Editoras universitárias: estratégias de gestão. São Paulo: ABEU, 2019. ARGOLLO, Rita Virgínia Alves Santos; CARVALHO NETO, José Pedro de. Mediações tecnológicas em desconstrução. Comunicação & Educação, v. 28, p. 7-19, 2023. ARGOLLO, Rita Virginia; BARRETO, Betânia Villas Boas. Considerações sobre identidades possíveis para uma televisão universitária. In: NAGAMINI, Eliana; GOMES, Ana Luisa Zaniboni (org.). Territórios migrantes, interfaces expandidas. 1. ed. Ilhéus, BA: Editus – Editora da UESC, 2018. p. 229-243.(Série comunicação e educação, 5). ARGOLLO, Rita Virginia; BARRETO, Betânia Villas Boas; ALMEIDA, Verbena Córdula. Uma proposta de metodologia interdisciplinar no ensino da Comunicação Social. In: NAGAMINI, Eliana; GOMES, Ana Luisa Zaniboni(org.). Dinâmicas e suportes para conhecer, reconhecer e integrar saberes em comunicação e educação. 1. ed. Ilhéus, BA: Editus, 2017. p. 71-86. V. 4. 115 ARGOLLO, Rita Virginia Alves Santos; BARRETO, Betânia Villas Boas; ALMEIDA, Verbena Córdula. Comunicação, educação, pandemia e trabalho docente. CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 43., 2020. Anais[...]. Intercom, 2020. ARGOLLO, Rita Virginia Alves Santos; TOREZANI, Julianna Nascimento; ARAGÃO, Mayllin Silva. Novos modos de produção jornalística: análise do Fake or for Real? do The Guardian, no Instagram Stories. CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 42., 2019. Anais[...]. Intercom, 2019. 116 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste SIMONE BORTOLIERO Mariana Rodrigues Sebastião de Almeida Simone Terezinha Bortoliero nasceu em 4 de setembro de 1961 em Cafelândia(SP). É filha de Zildo Bortoliero e Dirce Alves Bortoliero. Estudou na Escola de Cafelândia até a 4ª série do Primeiro Grau e no Colégio Waldomiro Silveira nas demais séries do Primeiro Grau, assim como do Segundo Grau. Estudou jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) na década de 1980. Durante esse período ela foi ativa no Movimento Estudantil, que lutava pelo fim do regime autoritário. Cursou Mestrado e Doutorado em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo(UMESP) entre os anos 1985 e 1999, ambos na linha de pesquisa Comunicação Científica e Tecnológica, orientada por Wilson Bueno em ambos os cursos, quando investigou as contribuições do vídeo para a divulgação científica brasileira, tomando como base os vídeos produzidos nas TVs das universidades. Enquanto estudava comunicação, foi jornalista de ciência da Unicamp por dez anos e da Universidade Federal de Uberlândia(UFU). Fez estágio Pós-Doutoral em 2008 no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), estudando as narrativas sobre biocombustíveis em vídeos na mídia brasileira. Em 2014 faz Pós-Doutorado na Universidade de Navarra, na Espanha, investigando a temática da poluição do ar em vídeos de plataformas on-line. Nos anos 1990 foi professora da PUC-Campinas, e, em 2001, ingressa no serviço público do Magistério Superior na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia(UFBA). 117 Ela contribui mais diretamente na pesquisa sobre Jornalismo Científico quando atua, por três vezes, entre os anos 2004 e 2010, como diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Científico. Sua trajetória de pesquisa nesse campo também inclui o trabalho como professora visitante no Laboratório de Pesquisa em Ensino de Química da Universidade de São Paulo(USP). Na UFBA teve participação na criação do Programa de PósGraduação em Cultura e Sociedade da Universidade. Integrou-se à Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências e em temas que resgatam a memória de Museus de Ciências, Saúde e Meio Ambiente nas Mídias Baianas, Políticas Públicas em Ciência e Tecnologia na Bahia e na relação entre Ciência, Juventude e mídias digitais. Coordenou pesquisas de percepção pública da juventude baiana sobre ciência. Foi orientadora de estudantes de Iniciação Científica Júnior no Programa de Pesquisas para Estudantes do Ensino Básico, na produção das séries“Um minuto para a ciência” e “Jovens Repórteres Científicos”, reunindo centenas de vídeos nas plataformas digitais. Em 2008 reuniu pesquisadores e profissionais de referência no campo e coordenou a primeira Especialização lato sensu em Jornalismo Científico no Estado da Bahia. A iniciativa capacitou jornalistas para atuarem em instituições de saúde de referência, como a Fundação Oswaldo Cruz(Fiocruz) e o Ministério da Saúde, e impulsionou uma página de divulgação científica em um dos maiores jornais de circulação local da época: o Jornal A Tarde. Em 2011 criou a Agência de Notícias Ciência e Cultura na UFBA, para dar visibilidade às pesquisas em desenvolvimento no Estado da Bahia, capacitando estudantes para o exercício do jornalismo científico. Mesmo após a sua aposentadoria, ela continua contribuindo em projetos de extensão da Universidade, reforçando o seu compromisso com a aproximação da ciência com a juventude e a formação de profissionais que valorizam o diálogo e a excelência em suas práticas. A jornalista Simone Bortoliero é uma pesquisadora fundamental na consolidação do campo de pesquisa em jornalismo científico e ambiental no Brasil. A sua grande contribuição está centrada, principalmente, nas interfaces desse campo com a educação científica, onde criou uma jornada de pesquisa e extensão capaz 118 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste de mostrar o impacto das práticas de comunicação na literacia científica dos brasileiros, principalmente da juventude. Tornouse professora titular da Universidade Federal da Bahia(UFBA) em 2018, pleiteando a sua aposentadoria formal um ano mais tarde. Principais publicações BORTOLIERO, S. T.; LEON, B. El rigor cientifico en el video online. La percepción de los expertos sobre los videos de contaminación del aire en Youtube. Observatorio(OBS*), v. 11, p. 106-119, 2017. BORTOLIERO, S. T. Comunicando a ciência no Youtube: a contaminação do ar se propaga online em velhas narrativas audiovisuais. Comunicação& Sociedade, on-line, v. 37, p. 127-152152, 2015. BORTOLIERO, S. T. A produção de vídeos educacionais e científicos nas universidades brasileiras. A experiência do Centro de Comunicação da Unicamp(1974-1989). Comunicarte, Campinas, SP, v. 21, n. 27, p. 85-99, 2003. BORTOLIERO, S. T.; SOUSA, Cidoval; FERREIRA, Jose Roberto (org.). Jornalismo científico e educação para as ciências. 1. ed. Taubaté: Editora Universitária Cabral, 2006. 587 p. V. 1. BORTOLIERO, S. T.; BEJARANO, N. R. R.; HINKLE, E. Das escavações à sociedade: a divulgação científica sob a ótica das crianças de Peirópolis. Comunicação e Educação, USP, São Paulo, ano X, p. 365-380, 2005. V. 3. BORTOLIERO, S. T. TV Cultura: a saúde como prioridade da TV Pública. Comunicarte, PUCCAMP, 2000. BORTOLIERO, S. T.; CALDAS, G.; VITOR, C.(org.). Jornalismo científico e desenvolvimento sustentável. 1. ed. Belo Horizonte: FAPEMIG, 2009. 311 p. V. 1. 119 RENATA CIDREIRA Renata Costa Leahy, Gina Rocha Reis Vieira Renata Pitombo Cidreira nasceu em 13 de janeiro de 1972 em Feira de Santana(BA). É filha de Maria do Socorro Pitombo Cristo. É a mais velha de três irmãos. Frequentou as Escolas Cinderela, Padre Ovídio e Anísio Teixeira em Feira de Santana, e foi para Salvador aos 16 anos para cursar o Ensino Superior. Cursou Comunicação, com habilitação em Jornalismo, na Faculdade de Comunicação(Facom), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), entre os anos de 1989 e 1992. No período da Graduação participou, entre 1991 e 1993, como bolsista, do Projeto de Pesquisa Signos do Tempo, coordenado por Benjamim Picado. O Trabalho de Conclusão de Curso intitulado A roupa e a moda foi orientado por Marcos Palacios. No Mestrado, realizado entre 1994 e 1997 no Programa de PósGraduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas(Pós-Com) da UFBA, pesquisou a moda na comunicação na cena baiana, com a dissertação A sagração da aparência: moda e imprensa. A pesquisa teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), sob orientação de Marcos Palácios. Boa parte foi publicada em A sagração da aparência: o jornalismo de moda na Bahia em 2011. Nesse período participou de cursos de extensão universitária em Comunicação na UFBA. Entre 1997 e 1998 foi bolsista recémmestre no Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Contemporaneidade, Imaginário e Teatralidade(GIPE-CIT) da Escola de Teatro da UFBA, liderado por Armindo Bião. 120 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste No Doutorado, também realizado no Pós-Com entre 1999 e 2003, continuou os estudos sobre a moda, relacionada à comunicação, expressão e estética, com a tese intitulada Moda e Significação: aparência e estilo nas cenas vestimentares, com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e orientação de Armindo Bião, cujos resultados foram publicados no livro Os sentidos da moda: vestuário, comunicação e cultura em 2005. Fez um período sanduíche com Michel Maffesoli na Universidade de Sorbonne(Université Rene Descartes – Paris V), na França. Lá integrou o Centro de Estudos sobre o Atual e o Cotidiano(CEAQ), que a vinculou com a Sorbonne(Paris V) e a Université Paul Valéry – Montpellier 3. Seu primeiro Pós-Doutorado, em 2010, foi sob a supervisão de Maffesoli, associando sua pesquisa, Expressão, gosto e estilo: uma abordagem sociológica e estética da moda, à sociologia. Nesse período, em 2011 realizou o curso Fashion Design& Creation na École Supérieure des Arts et Techniques de la Mode(ESMOD). Entre 2019 e 2021 realizou a pesquisa de Pós-Doutorado Outras belezas: o lugar do belo na moda, na Universidade da Beira Interior (UBI), em Covilhã, Portugal, sob a supervisão de Urbano Sidoncha. Na ocasião proferiu palestras e participou de eventos promovidos pela instituição portuguesa, em 2020, 2021 e 2022. No jornalismo assumiu a editoria da Revista Sarau, da FacomUFBA, no início dos anos 1990, e estagiou de 1991 a 1993 na Agência Editexto. Em 1993 integrou a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Feira de Santana(BA). Em 1995 trabalhou como repórter interina do Jornal Bahia Hoje, respondendo pelos editoriais do caderno Ela. Entre 2016 e 2018 foi colunista do Portal do jornal A Tarde, com a coluna mensal Pensando Moda. Na área da moda realizou atividades como assistente de figurino e figurinista, entre 1999 e 2000, nos espetáculos e eventos Tambor de Damasco(1999), Prêmio Copene de Teatro(1999) e Zaratustra e Nietzsche(2000). A partir do ano de 2010 produziu exposições sobre vitrinas de moda, expostas no Centro de Cultura e Arte (CUCA) da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Fundação Hansen Bahia, em Cachoeira, e na Escola Baiana de Arte e Moda (EBAM) e Casa Castro Alves, ambas em Salvador. Foi professora substituta na Facom/UFBA em 1998, ministrando Comunicação e Cultura Contemporâneas; Temas Especiais em Comunicação; e Elaboração de Projetos em Comunicação. De 2002 121 a 2006 foi coordenadora do recém-criado curso de Graduação em Comunicação e Produção de Moda da Faculdade de Tecnologia e Ciências(FTC) de Salvador. Além do cargo administrativo de coordenação, de membro do Conselho Superior Acadêmico(CSA) e da Comissão de Elaboração do Manual para TCC de Comunicação e Produção de Moda, ministrou disciplinas nos cursos de Moda e de Jornalismo: Comunicação, Vestuário e Moda; Semiótica; Oficina de Desenho Técnico de Moda; e Seminários Avançados. Ainda, passou a compor a TV FTC em 2004, dirigindo a equipe de produção de moda para TV e orientando programas que foram veiculados na extinta TV Salvador, como o MODA.COM. Desde 2006 é professora e pesquisadora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia(UFRB), no Centro de Artes, Humanidades e Letras(CAHL), Campus de Cachoeira(BA), onde leciona na Graduação em Comunicação com habilitação em Jornalismo, em Publicidade e Propaganda e em Cinema. Ministra disciplinas relacionadas à estética, expressão e cultura, e interfaces com a moda, como Estética da Comunicação; Comunicação, Cultura e Arte; Jornalismo de Moda; Oficina de Textos; Teorias da Comunicação; e Temas Especiais em Comunicação. Na UFRB participou da estruturação e acompanhamento dos cursos de Comunicação, também auxiliando na criação da Assessoria de Comunicação, produzindo o primeiro jornal institucional. Foi presidente da Comissão de Elaboração do Projeto Político Pedagógico(PPC) do curso de Comunicação Social – Jornalismo (2007) – e membro de seu Núcleo Docente Estruturante(NDE) (2009-2017). Também foi membro da Comissão responsável pela elaboração do Projeto Pedagógico do curso de Publicidade e Propaganda(2010). Foi membro do Colegiado de Comunicação (2006-2012) e do Colegiado de Publicidade e Propaganda(2016), dentre outras participações em comissões na universidade. Atuou na constituição do Mestrado em Comunicação – Mídia e Formatos Narrativos(2013-2016) – do recém-criado Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da UFRB(2017), no qual foi da Comissão de criação e sua primeira coordenadora (2017-2019). Desde então presidiu e foi membro de processos seletivos e de comissões de bolsas e de reformulação do regimento e confecção do PPC do PPGCOM-UFRB(2018-2019). Como docente do PPGCOM, orienta trabalhos de Mestrado e ministra as disciplinas Comunicação e Comportamento; Teorias da Sensibilidade e da 122 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Comunicação; Metodologias de Pesquisa em Mídia e Memória; e Projeto de Dissertação I e II. Desde 2007 é professora e orientadora de dissertações de Mestrado e teses de Doutorado no Programa Multidisciplinar de PósGraduação em Cultura e Sociedade(Pós-Cultura) do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos(IHAC) da UFBA. É membro permanente do Pós-Cultura, e já ministrou disciplinas como Cultura e Experiência Estética e Cultura e Modo de Vida. É filiada à Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Moda (ABEPEM), tendo participado desde 2015, organizado pela ABEPEM no Colóquio de Moda. Nele é do Comitê Científico e cocoordena, desde 2016, o Grupo de Trabalho(GT) 14 – A Dimensão Estética da Moda: aparência, arte e sensibilidade. Foi vice-presidente do evento (2018-2019). Em âmbito internacional, participa do Congresso Internacional de Moda e Design e das Journées d’Etudes: L’actuel et le quotidien, no CEAQ da Sorbonne(Paris V). Na Faculdade de Tecnologia e Ciências(FTC) de Salvador coordenou, entre 2004 e 2006, o grupo de pesquisa Moda Mídia(CNPq), no qual participou de dois projetos de pesquisa: A construção social do corpo e Jornalismo de Moda: um panorama da produção baiana, que contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia(Fapesb). Na UFRB fundou, em 2009, o Grupo de Pesquisa Corpo e Cultura (CNPq), no qual coordena a linha de pesquisa Corpo e Expressão. Entre 2007 e 2010 coordenou projeto de pesquisa envolvendo professores e estudantes da Graduação, intitulado A dimensão simbólica das vestes da Boa Morte, culminando no livro As vestes da Boa Morte, publicado, posteriormente, pela editora da UFRB em 2015. Destaque também para as pesquisas sobre jornalismo de moda: Jornalismo de Moda na Bahia: especificidades, protagonistas e diálogos com a cultura local(2012-2016) e A Moda no Jornalismo Cultural: entretenimento, crítica e arte(2016-2023). Para a comemoração dos dez anos do Grupo o tema das investigações foi Outras belezas: o lugar do belo na moda(2019-2021), culminando na publicação de O belo contemporâneo: moda, corpo e arte (2019). Dentre outros eventos organizados, promoveu três edições do Seminário de Moda da FTC(entre 2005 e 2006) e os Cine Teorias, Cine Artes e Cine Estética. 123 Em 2018 presidiu e organizou o IV Congresso Internacional sobre Culturas – Memória e sensibilidade: cenários da experiência cultural contemporânea, realizado pelo Centro de Artes, Humanidades e Letras(CAHL) da UFRB, em Cachoeira(BA). Renata ministrou cursos, realizou palestras e atividades de extensão relacionadas à moda e à comunicação, como A Moda e as suas Tribos(1995); Elaboração de Projetos Culturais e Moda e Expressão (ambos em 1999); Jornalismo de Moda(na FTC, em 2005); Os Sentidos da Moda(para a Associação Arte Naif de Salvador, em 2005); Manifestações Artísticas e Culturais Brasileiras – Moda Baiana (Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, em 2005). Recebeu premiações, como a homenagem do Shopping Iguatemi Salvador no Dia Internacional da Mulher, em 2004; Menção Honrosa da UFRB por mérito na elaboração do projeto Pedagógico do Curso de Comunicação Social-Jornalismo, em 2007; Menção de Destaque do artigo apresentado no evento da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), de 2008; e título M de Mulher de 2005 e 2011, evento promovido pelo jornalista Paulo Norberto em Feira de Santana(BA). Em 2022 tornou-se professora titular da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia(UFRB), com um percurso que a firma como referência para a área da moda no Brasil e como consolidadora do curso de comunicação da UFRB, desenvolvendo pesquisas na região e tendo estado à frente da estruturação e consolidação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação na instituição. Renata Pitombo Cidreira é pioneira na Bahia nos estudos sobre a moda relacionada às áreas da comunicação, da sociologia e da estética. Principais publicações CIDREIRA, Renata Pitombo. Os sentidos da moda: vestuário, comunicação e cultura. São Paulo: Annablume, 2005. CIDREIRA, Renata Pitombo. A moda numa perspectiva compreensiva. Cruz das Almas, BA: Editora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia(EDUFRB), 2014. CIDREIRA, R. P.; RIBEIRO, V.; ALMEIDA, M.; VITENA, J.; PIRES, A. As vestes da Boa Morte. Cruz das Almas: Editora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia(EDUFRB), 2015. 124 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste CIDREIRA, Renata Pitombo. O belo contemporâneo: moda, corpo e arte. Aracaju, SE: J. Andrade, 2019. CIDREIRA, Renata Pitombo. Moda e crítica: prazer, julgamento e avaliação. Salvador: EDUFBA, 2022. CIDREIRA, R. P.; LEAHY, R.; VIEIRA, G. R. R.(org.). Politeísmos corporais – aparência, arte e ativismo. Salvador: EDUFBA, 2024. 125 GRACIELA NATANSOHN Vivian Corneti Leonor Graciela Natansohn nasceu em 4 de março de 1961 em Buenos Aires, província de La Plata, Argentina. É filha de Elias Natansohn e de Delia Burasch. O Ensino Fundamental foi na Escola n. 45 de La Plata, Argentina. O Ensino Médio cursou na Escola Nacional Superior de Comércio(hoje, escola estadual). Cursou Jornalismo, de 1980 a 1984, na Universidad Nacional de La Plata, e logo deu continuidade ao curso de Licenciatura em Comunicação Social na mesma Universidade. Em sua formação como jornalista, em plena ditadura, seus interesses estudantis enveredaram-se mais para a questão dos Direitos Humanos do que para o Jornalismo em si. Já durante o curso de Licenciatura, iniciado em 1984, em pleno regime democrático, seu interesse foi mais profundo pelos estudos. Em 1983 ingressou como jornalista no Ministério da Saúde da Província de Buenos Aires, onde trabalhou cerca de dois anos, tendo, posteriormente, atuado com secretários de saúde em planos estaduais de atenção primária no planejamento da comunicação em saúde. Foi auxiliar docente na Cátedra Teorias da Comunicação em diversos períodos, com diferentes docentes, de 1987 até 1995. No ano de 1996, decepcionada com os rumos do país, encontrou no Brasil uma possibilidade de motivação, iniciando sua trajetória na Universidade Federal da Bahia(UFBA), em Salvador(BA), onde fez Mestrado e Doutorado. Sua dissertação de Mestrado, defendida em 1998, tinha como título“Educação e meios de comunicação: recepção e usos da TV não educativa na escola”. No Doutorado estudou a forma como os meios de comunicação, em especial a 126 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste televisão, abordavam questões sobre saúde e mulheres. Sua tese foi defendida no ano de 2003 com o título“Consultando médicos na televisão: meios de comunicação, mulheres, medicina”. Após a finalização do Doutorado, trabalhou em faculdades particulares da cidade de Salvador. Entre 2003 e 2006 atuou como docente na Faculdade Dois de Julho, na Faculdade de Tecnologia e Ciências e no Centro Universitário Jorge Amado. Em 2006 foi aprovada em concurso e assumiu a vaga de docente efetivo em Jornalismo na Faculdade de Comunicação(Facom) da UFBA. Em seus primeiros anos na docência do ensino público superior brasileiro, ministrou a disciplina Teoria da Comunicação e, posteriormente, Práticas, Oficina de Jornalismo Impresso e Introdução às Práticas Jornalísticas. Desde então também vem desempenhando atividades de pesquisa e extensão universitárias focadas em questões de saúde, gênero, feminismo e diversidade sexual. Na UFBA é coordenadora do grupo de Pesquisa em Gênero, Tecnologias Digitais e Cultura – o GIG@ –, que desenvolve pesquisas na interface entre a cultura, a comunicação e as tecnologias digitais, focando nas relações de gênero e em como estas modelam tanto os produtos digitais quanto os processos de produção, circulação, uso, consumo e transformação das inovações tecnológicas. É membro da Rede Latino-Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade(Lavits), da Rede de Investigadores en Apropiación de Tecnologías Digitales(RIAT), da Rede Orbicom, Rede Internacional de Cátedras da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(Unesco) e do Conselho Editorial da Coletânea“TIC, Governança da Internet, Gênero, Raça e Diversidade”, do CGI. Dentre suas principais contribuições para o campo da comunicação, tem destaque o livro Internet em Código Feminino, publicado na Argentina em 2013, com versões em espanhol e em português, de livre-circulação. A obra é uma coletânea com diversas autoras e foi um dos primeiros livros sobre o enfoque de gênero nas tecnologias da informação e comunicação. Para seu aperfeiçoamento profissional, Graciela fez dois PósDoutorados, o primeiro realizado entre 2012 e 2013 na Universidad Nacional de Buenos Aires(UBA)(Argentina) e o segundo na Universidad Nacional Autónoma de México(UNAM)(México, 2019-2020). 127 Leonor Graciela Natansohn é uma jornalista argentina cuja contribuição acadêmica nos estudos sobre gênero e tecnologias digitais fez dela uma importante figura no Brasil, especialmente no Estado da Bahia, onde atua profissionalmente desde 2006. Principais publicações NATANSOHN, Graciela; REIS, Josemira. Digitalizando o cuidado: mulheres e novas codificações para a ética hacker. Cadernos Pagu, p. 1-32, 2020. NATANSOHN, L. Graciela. Internet em código feminino. Teorias e práticas. Ed. em português revista e ampliada. 2. ed. Buenos Aires: La Crujía, 2013. 192 p. V. 1. E-Pub. NATANSOHN, Graciela et al. Against Internet Coloniality: Notes on Misogyno-Racist Violence on the Internet. In: Feminist Perspectives on Social Media, 2022. SILVA, G.; NEVES, Thianae; NATANSOHN, Graciela. Diálogos feministas sobre a violência digital de gênero no Brasil. Chile: Derechos Digitales, 2021. 128 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste SUZANA BARBOSA Luciellen Souza Lima Suzana Oliveira Barbosa nasceu em 6 de outubro de 1968 em Morro do Chapéu(BA). É filha de Eluiza Oliveira Barbosa e de Zuarte Neiva Barbosa. Cursou o Ensino Fundamental no Grupo Escolar Coronel Dias Coelho, e o Ensino Médio no Colégio Nossa Senhora da Graça, escola particular com subvenção pública. Ambos na cidade natal. Em 1987 foi morar em Salvador(BA) e foi aprovada no primeiro vestibular para Comunicação, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal da Bahia(UFBA), que cursou entre 1988 e 1993. Seu Trabalho de Conclusão teve como resultado o vídeo documentário“Essa tal música baiana”, e foi orientado por Maurício Nogueira Tavares(Facom) e Tom Tavares, da Escola de Música da UFBA. Entre 1992 e 1996 foi estagiária e, em seguida, contratada para a assessoria de comunicação do Teatro Castro Alves. Já na Empresa Baiana de Jornalismo atuou de 1990 a 1992 como revisora e, de 1996 a 2001, como repórter especial. Assumiu o caderno de Informática do Jornal Correio da Bahia, onde trabalhou diretamente com a edição de um jornal na web, entre 1998 e 1999. Iniciou uma Especialização em Crítica Cultural, que não concluiu. O Mestrado no Programa da UFBA foi realizado entre 2000 e 2002, quando foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Foi orientada por Marcos Palacios, que coordenava o Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-Line(GJOL), o qual ela passou a integrar. 129 Com foco no estudo do jornalismo em intersecção com as tecnologias, desenvolveu seu Mestrado, abordando o jornalismo de proximidade com a dissertação“Jornalismo digital e a informação de proximidade: o caso dos portais regionais, com estudo sobre o UAI e o iBAHIA”. Em 2002 publicou“A informação de proximidade no jornalismo on-line”, na Revista Contracampo, do PPGCOM da Universidade Federal Fluminense(UFF), onde, mais tarde, ela seria professora. Em 2001 Suzana participou do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Em 2003 estreou no GT Estudos de Jornalismo da 12ª edição do Encontro Anual da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós). Participou da primeira edição do Encontro Nacional da Sociedade Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo, que foi realizada na Universidade de Brasília(UnB) e marcou a criação da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo(SBPJor). Entrou no Doutorado em 2003, aprovada em primeiro lugar no PósCom-UFBA. Defendeu a tese“Jornalismo Digital em Base de Dados. Um paradigma para produtos jornalísticos digitais dinâmicos”. O trabalho recebeu o Prêmio Adelmo Genro Filho de melhor tese de Doutorado em Jornalismo em 2008, da SBPJor. No II Encontro de Pesquisadores em Jornalismo, em 2004, que aconteceu em Salvador, atuou na Comissão de Comunicação e integrou a Comunicação Coordenada sobre o uso de base de dados no jornalismo. Apresentou o trabalho“Identificando remediações e rupturas no uso de bancos de dados no jornalismo digital”. António Fidalgo foi o coorientador do Doutorado-Sanduíche realizado na Universidade da Beira Interior(UBI), na Covilhã, Portugal. Suzana foi organizadora do livro“Jornalismo Digital de Terceira Geração” (2007), no qual é autora do capítulo“Sistematizando conceitos e características sobre o jornalismo em base de dados”. Participou de diversos eventos no exterior, como a sexta e a sétima edições do Congreso Internacional de Comunicación Lusófona (Lusocom), que aconteceram, respectivamente, em 2004, na Covilhã, e em 2006, em Santiago de Compostela, Espanha, e o Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (Sopcom), do qual participou de três edições ao longo do Doutorado: 2004, 2005 e 2007. 130 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste De 2007 a 2008 atuou junto ao Grupo de Pesquisa Novos Medios, da Universidade de Santiago de Compostela, em um PósDoutorado com a supervisão de Xosé López-García e Xosé PereiraFariña, quando realizou a pesquisa“Ciberjornalismo em ambientes dinâmicos. Estudo comparativo das funcionalidades e categorias do Modelo JDBD em cibermeios espanhóis e brasileiros”, subprojeto da cooperação internacional entre Brasil e Espanha(Capes/DGU) denominado“Jornalismo na Internet: um estudo comparado dos cibermeios Brasil/Espanha”. Em 2009 foram publicados os artigos“Automatización de las bases de datos: potencialidades de herramientas básicas para outro periodismo posible”, no periódico Profesional de la Información, e“Modelos de convergência empresarial na indústria da informação: um mapeamento de casos no Brasil e na Espanha”, na Brazilian Journalism Research, ambos com coautorias. De 2003 a 2007 trabalhou como freelancer no jornal A Tarde e como docente da Faculdade Integrada da Bahia, da Faculdade 2 de Julho e da Faculdades Jorge Amado(Unijorge/Centro Universitário Jorge Amado). Após o Doutorado foi aprovada em primeiro lugar em concurso para professora adjunta do Instituto de Arte e Comunicação Social(IACS) da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde atuou de 2008 a 2010 na área de Jornalismo Hipermídia. Ministrou disciplinas como Reportagem Virtual, Linguagem Hipertextual e Laboratório de Jornalismo Hipermídia. Na UFF foi membro da comissão para constituição da Pós-Graduação ligada ao Departamento de Comunicação Social(Mestrado em Mídia e Cotidiano), e participou da comissão intersetorial para avaliação do currículo do curso de Jornalismo. Em 2010 passou em primeiro lugar no concurso para professor efetivo da Facom/UFBA na área de Jornalismo Digital. Dentre outras disciplinas ministrou Oficina de Jornalismo Digital, sendo nessa disciplina que cumpriu o tirocínio docente no Mestrado em 2002. No Pós-Com oferece disciplinas ligadas ao jornalismo digital e à metodologia científica. Com relação às atividades de extensão, coordenou o Programa Jornalismo de Futuro, resultado de uma parceria entre a Rede Bahia(Jornal Correio) e a UFBA(Facom). Desde 2020 coordena o“GJOL Cast. Conversas Digitais”, que promove, com especialistas e pesquisadores nacionais e internacionais, debates, cursos e oficinas produzindo conteúdos em multiformatos sobre as temáticas das pesquisas desenvolvidas pelo GJOL. 131 Foi diretora da Facom por dois mandatos consecutivos, de 2013 a 2021. Coordenou a comissão para reforma curricular do curso de Jornalismo de 2012 a 2013, tendo seguido como integrante do Núcleo Docente Estruturante(NDE) do mesmo curso. Em 2022 esteve na Universidade do Texas no Knight Center, pelo Programa Capes Print UFBA. Em contrapartida, foi tutora do professor da Universidade do Texas, Joseph Straubhaar, quando foi visitante no Pós-Com em 2023. Junto ao Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-Line, ela desenvolve pesquisas no âmbito do jornalismo em redes digitais e das novas tecnologias desde 1995. Dentre os trabalhos realizados pode-se citar“ Beyond Prophecies: A critique of New News Retrospective”, publicado em coautoria na Brazilian Journalism Research em 2006. Em coautoria com seus orientandos foi publicado, em 2013, “Extensões do paradigma JDBD no jornalismo contemporâneo: modos de narrar, formatos e visualizações para conteúdos”; em 2022 “ Professional profile of the contemporary digital journalist”, capítulo do livro“ Total Journalism: Models, Techniques and Challenges”, organizado pelo grupo Novos Medios da Universidade de Santiago de Compostela. Desde 2019 assumiu a coordenação do GJOL. De 2011 a 2014 cocoordenou o Projeto Laboratório de Jornalismo Convergente, financiado com recursos do Edital Programa Primeiros Projetos, resultado de um convênio entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia(Fapesb), com investigadores de várias universidades do Brasil, de Portugal e da Espanha. De 2014 a 2017 o projeto continuou com a coordenação de Suzana, com financiamento do Edital Universal do CNPq com foco em aprimorar o APP – o Academo. A produção gerou publicações como “Jornalismo convergente e continuum multimídia na quinta geração do jornalismo nas redes digitais”, que consta no livro“Notícias e Mobilidade. O jornalismo na era dos dispositivos móveis”, fruto do primeiro Congresso Internacional“Jornalismo e Dispositivos Móveis” (JDM), realizado pela Universidade da Beira Interior, na Covilhã, em 2012. Publicou em parceria, também:“Aplicativos jornalísticos vespertinos para tablets. Cartografia do fenômeno ante o desafio de uma produção original e inovadora”;“A atuação jornalística em plataformas móveis. Estudo sobre produtos autóctones e a mudança no estatuto do jornalista”;“Mobile Journalism and Innovation: A Study on Content Formats of Autochthonous News Apps for Tablets”. 132 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Com início em 2022, desenvolve o projeto“#AcesseJor: protocolo de inovação social para o jornalismo digital”, com financiamento do CNPq, com pesquisadores e consultores do Brasil, Espanha, Portugal e Estados Unidos. A equipe publicou um livro, em 2023, com o título“#AcesseJor. Por um jornalismo digital acessível, inclusivo e inovador”. Em 2023 realizou outro Pós-Doutorado, ligado à Escola de Comunicações e Artes(ECA) e ao PPGCOM da Universidade de São Paulo(USP), sob a supervisão de Elizabeth Saad Corrêa, com o projeto“Entre a Espada e a Parede. Jornalismo digital no contexto da plataformização”, com período na Universidad de Buenos Aires (Argentina), sob a supervisão de Lila Luchessi, e outro na Universidad Carlos III de Madrid(UC3M-Espanha), com financiamento do Programa Capes Print UFBA. Na UC3M contou com a supervisão de Maria Teresa Sandoval Martín. Suzana Barbosa foi testemunha do nascer do Jornalismo Digital na prática dentro das redações enquanto jornalista, e na pesquisa acompanhando os desdobramentos e atuando de forma ativa e contínua no avanço de sua formação. Principais publicações BARBOSA, Suzana Oliveira. Jornalismo digital de terceira geração. Livros LabCom: Editora da UBI, 2007. BARBOSA, Suzana Oliveira; LÓPEZ-GARCÍA, Xosé; TOURALBRAN, Carlos; PEREIRA-FARIÑA, Xosé. Automatización de las bases de datos: potencialidades de herramientas básicas para outro periodismo posible. Profesional de la Información, v. 18, n. 3, 2009. BARBOSA, Suzana Oliveira; MACHADO, Elias; PALACIOS, Marcos; MIELNICZUK Luciana. Beyond Prophecies: A critique of New News Retrospective. Brazilian Journalism Research, v. 2, n. 1, 2006. BARBOSA, Suzana Oliveira. Jornalismo convergente e continuum multimídia na quinta geração do jornalismo nas redes digitais. In: CANAVILHAS, João(org.). Notícias e mobilidade. O jornalismo na era dos dispositivos móveis. Covilhã: UBI: LabCom Livros, 2013. BARBOSA, Suzana Oliveira.#AcesseJor. Por um jornalismo digital acessível, inclusivo e inovador. Covilhã: Editora LabCom da UBI. 2023. 133 PALACIOS, M.; BARBOSA, S.; FIRMINO, F.; CUNHA, R. Aplicativos jornalísticos vespertinos para tablets. Cartografia do fenômeno ante o desafio de uma produção original e inovadora. Sur le Journalisme, About Journalism, Sobre Jornalismo,[ S. l.], v. 3, n. 2, p. 40-55, 2014. 134 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste CARLA PAIVA Lívia de Souza Vieira Carla Conceição da Silva Paiva nasceu em 9 de novembro de 1975 em Salvador(BA). É filha de Valmir Fernandes Paiva e de Maria da Conceição da Silva Paiva. Tem uma irmã mais nova e é mãe de Nina Isabel. Na infância estudou em colégios particulares da capital baiana: Escolinha São Luís, Colégio Nossa Senhora das Graças, Colégio São José e Colégio Sartre. Em 1994 começou a cursar Graduação em Relações Públicas na Universidade do Estado da Bahia(UNEB), envolvendo-se em projetos de pesquisa e extensão, além do movimento estudantil. Foi uma das primeiras alunas bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica(PIBIC) na universidade. Seu projeto investigou o impacto da programação da rádio Jovem Pan em Salvador. Ainda durante a Graduação, aos 19 anos, teve sua primeira experiência como professora substituta em uma escola pública, entre 1995 e 1996, onde lecionava Língua Portuguesa, Literatura e Redação para o segundo e terceiro anos do Ensino Médio. O início de sua carreira na Comunicação foi na própria UNEB, onde começou como estagiária na assessoria de comunicação. Assim que se formou foi convidada a trabalhar na Reitoria, tendo permanecido por oito anos na função de assessoramento. Simultaneamente continuou sua formação acadêmica. Especializou-se em Relações Públicas e, em seguida, cursou Mestrado em Educação e Contemporaneidade, ambos na própria UNEB. No Mestrado, concluído em 2006, estudou as representações do homem nordestino no cinema, sob orientação de Júlio Cesar Lobo. Nesta época deu aulas na Faculdade de Ciências Educacionais(FACE) em 135 Valença(BA) e, no último ano do Mestrado, em 2005, foi aprovada no concurso público para professora da UNEB, na área de Relações Públicas, no Campus de Juazeiro. Carla foi uma das primeiras professoras do curso de Jornalismo desta universidade, que havia sido autorizado em 2003 e tendo começado em julho de 2004. Suas disciplinas eram predominantemente da área teórica: Teoria da Comunicação, Sociologia da Comunicação, Teoria e Métodos de Pesquisa, TCC e a optativa Cinema Brasileiro, relacionada com sua pesquisa de Mestrado. Dada a necessidade de estruturação do curso, assumiu a função de primeira coordenadora do colegiado do curso. Em 2010 licenciou-se da UNEB para cursar o Doutorado em Multimeios na Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), em São Paulo. Sua pesquisa de Doutorado versou sobre as mulheres nordestinas no cinema brasileiro da década de 1980 e a relação com o movimento feminista, com orientação de Marcius Cesar Soares Freire. Em 2014, após a conclusão do Doutorado, retornou para a UNEB, onde atua como professora titular no curso de Jornalismo em Multimeios. Em 2019 sua tese de Doutorado foi publicada no livro“Feminismo no cinema brasileiro da década de 1980: a representação das mulheres nordestinas nas telas”, pela Editora da Universidade do Estado da Bahia(EDUNEB). Além do ensino, pesquisa e extensão, Carla tem experiência em gestão acadêmica, tendo ocupado funções como a coordenação do curso de Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Territórios Semiáridos. Um destaque na carreira de Carla Paiva é o projeto de pesquisa que desenvolveu durante dez anos(2006 a 2016) sobre signos de nordestinidade no cinema. O estudo envolveu a análise de filmes brasileiros de 1960 até 2010 que retratavam o Nordeste, mapeando e identificando 15 signos de nordestinidade. Por conta desse projeto, Carla orientou dezenas de alunos de iniciação científica, o que resultou, também, em textos publicados em periódicos e apresentados em congressos acadêmicos. Principais publicações PAIVA, Carla; SANTOS, Mariane. Violência contra as mulheres negras em“A vida depois do tombo”(2021). Pragmatizes – Revista Latino Americana de Estudos em Cultura, v. 13, p. 149-184, 2023. 136 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste PAIVA, Carla; DA SILVA BARBOSA, Patricia. Educomunicação contextualizada no Semiárido Brasileiro. Revista ComSertões, v. 11, p. 37-60, 2022. PAIVA, Carla; BARROS, E. R. Paradigma cultural II: gênero, educação, trabalho e etnias. 1. ed. Curitiba: CRV, 2017. 223 p. V. 1. PAIVA, Carla. C. S.; ARAUJO, J.; BARRETO, R. R.(org.). Cultura audiovisual: transformações estéticas, autorais e representacionais em multimeios. 1. ed. Campinas: Unicamp: Instituto de Artes, 2013. 528 p. V. 1. PAIVA, Carla. C. S.; ARAUJO, J.; BARRETO, R. R.(org.). Processos criativos em multimeios: tendências contemporâneas no audiovisual e na fotografia. 1. ed. Campinas: Unicamp: Instituto de Artes, 2012. 336 p. V. 1. PAIVA, Carla. C. S. Feminismo no cinema brasileiro da década de 1980: a representação das mulheres nordestinas nas telas. Salvador: Editora da Universidade do Estado da Bahia – EDUNEB –, 2019. 137 MALU FONTES Lívia de Souza Vieira Maria Lucineide Andrade Fontes nasceu em 8 de maio de 1965 em Paripiranga(BA). É filha de José Menezes Fontes e de Maria Isa Andrade. É a quarta de 15 irmãos, sendo oito homens e sete mulheres. Ela não frequentou escola formal nos primeiros anos de vida. Aprendeu a ler com a avó materna e, posteriormente, em um grupo escolar rural. Aos 17 anos mudou-se para uma cidade na fronteira do Pará com o Amapá com seu então companheiro. Teve dois filhos: Ludmilla e Luter. Mudou-se para Salvador em 1985 e, um ano depois, foi aprovada nos cursos de Medicina na Escola Bahiana de Medicina e de Jornalismo na Universidade Federal da Bahia(UFBA). Durante dois semestres conseguiu conciliar os dois cursos, mas decidiu optar por Jornalismo, que concluiu em 1989. A carreira jornalística começou ainda na faculdade, fazendo freelancer. Foi repórter no Jornal da Bahia na cobertura política. Também atuou como repórter no jornal A Tarde, onde trabalhou por três anos como“coringa”, cobrindo praticamente todas as editorias. Em 1993, a convite, trabalhou com assessoria de imprensa e relacionamento institucional na Rede Sarah de Hospitais, em Salvador. Por quase dez anos desempenhou várias funções na área da Saúde. Uma delas era contextualizar, a médicos de outros Estados e de outros países, a realidade em que viviam os pacientes baianos. Neste período ingressou no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBA. Suas pesquisas, tanto no Mestrado quanto no Doutorado, focaram na representação da deficiência nos meios de comunicação.“Um outro 138 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste corpo em cena: a deficiência física sob a lógica do espetáculo”, foi o título de sua dissertação, defendida em 1999, com orientação de Liv Rebecca Sovik. Sua tese de Doutorado,“Corpos canônicos e corpos dissonantes: uma abordagem do corpo feminino deficiente em oposição aos padrões corporais idealizados vigentes nos meios de comunicação de massa”, foi concluída em 2004, no mesmo Programa, e orientada por Edvaldo Souza Couto. Neste mesmo ano ingressou como professora na Faculdade de Tecnologia e Ciências(FTC), onde atuou, também, como coordenadora do curso de Relações Públicas. Em 2005 tornou-se professora dos cursos de Jornalismo e Publicidade das Faculdades Jorge Amado. Simultaneamente à docência, Malu trabalhou como colunista em diversos veículos jornalísticos de Salvador. No jornal A Tarde tinha uma coluna chamada“TeleAnálise”; nas rádios Metrópole FM e Band FM era comentarista; às sextas-feiras era colunista no programa“TVE Revista”, da emissora TVE Bahia; e ainda escrevia coluna semanal no jornal Correio. Em 2006 foi aprovada no concurso público para professora da Faculdade de Comunicação da UFBA, retornando à instituição que a formou como jornalista, mestra e doutora. Ministrou disciplinas como Teorias do Jornalismo, Oficina de Jornalismo Impresso, Gestão de Práticas e Processos Jornalísticos, e foi orientadora de dezenas de Trabalhos de Conclusão de Curso. Na área administrativa foi chefe do Departamento de Comunicação, vice-coordenadora do Colegiado de Comunicação e integrou o Núcleo Docente Estruturante do curso de Jornalismo. Atuou, ainda, como coordenadora de Comunicação da Reitoria da UFBA no período 2006-2007. Entre 2010 e 2017 foi docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, com orientações em nível de Mestrado. Foi pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-line(GJOL), onde integrou o Projeto PROCAD 1640/2008: “O Ensino do Jornalismo na Era da Convergência Tecnológica: Metodologias, Planos de estudo e demandas profissionais”. Integrou o Grupo de Pesquisa NJor – Núcleo de Estudos em Jornalismo, do Pós-Com/UFBA. Nesta trajetória atuou, pelo menos, em duas pesquisas, ambas com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq):“Aborto em pauta – fissuras no enquadramento do aborto na imprensa brasileira”, desenvolvido 139 entre 2010 e 2012 sob coordenação de uma colega. O projeto tratou da imprensa brasileira no enquadramento do aborto, analisando três fatos de repercussão nacional: anencefalia na Suprema Corte, indiciamento de dez mil mulheres no Mato Grosso do Sul e estupro de uma menina de nove anos em Pernambuco; de 2011 a 2012 coordenou“Os sentidos atribuídos aos papéis de gênero, à família, classe social e justiça na cobertura jornalística impressa e televisiva do caso Isabella Nardoni”, que tratou do agendamento e enquadramento dos papéis de gênero, família e classe social na cobertura da morte de Isabella Nardoni, ocorrida em 29 de março de 2008. Ambas as pesquisas renderam publicações em periódicos e capítulos de livros. Entre os textos destacam-se:“O enquadramento do aborto na mídia impressa brasileira nas eleições 2010: a exclusão da saúde pública do debate”(2012);“Das ruas às manchetes: o enquadramento da violência homofóbica”(2014); e“Mídia, ética e opinião pública no Brasil: análise da cobertura da fase inicial do caso Isabella Nardoni”(2013). Em 2017-2018 Malu fez seu primeiro Pós-Doutorado na Universidade da Beira Interior, em Portugal, sob supervisão de João Canavilhas, cuja pesquisa versou sobre fact-checking e os novos estatutos para a checagem jornalística no enfrentamento às Fake News. Em 2025-2026 cumpre seu segundo Pós-Doutorado na Universidade de São Paulo(USP), sob supervisão de Elizabeth Saad, com pesquisa sobre ataques à democracia, polarização e decisões editoriais: cenários do jornalismo brasileiro no debate sobre crise da imprensa e liberdade de expressão. A intersecção da docência com o mercado profissional continuou em sua trajetória: no Grupo Metrópole tem uma coluna semanal (no rádio e no impresso), além de atuar como comentarista em um programa semanal da Rádio Metrópole FM. Principais publicações FONTES, Maria Lucineide Andrade. Disable people are strangers in their own land. Media Development, United Kingdom, v. 45, n. 2, p. 25-26, 1998. FONTES, Maria Lucineide Andrade. Corpo deficiente: o estrangeiro e os simulacros midiáticos. In: GOMES, Itania Maria Mota; MIELNICZUK, Luciana; SANTOS, Suzy dos; SÁ, Augusto S. de. 140 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste (org.). Temas em comunicação e cultura contemporâneas. Salvador: EDUFBA, 2000. p. 159-180. V. 2. FONTES, Maria Lucineide Andrade. Ilustrações do silêncio e da negação: a ausência de imagens da diversidade sexual em livros didáticos. Revista Psicologia Política, v. 8, p. 363-378, 2008. FONTES, Maria Lucineide Andrade. Cinema e pesquisas com seres humanos: consensos e dissensos éticos. In: DINIZ, D.; GUILHEM, D.; ZICKER, F.(org.). Pelas lentes do cinema: bioética e ética em pesquisa. Brasília, DF: Letras Livres: Editora UnB, 2007, p. 51-63. FONTES, Maria Lucineide Andrade. A Casa dos Mortos, de Débora Diniz. RECIIS. Revista Eletrônica de Comunicação, Informação& Inovação em Saúde(edição em português. on-line), v. 3, p. 97-99, 2009. FONTES, Maria Lucineide Andrade. O enquadramento do aborto na mídia impressa brasileira nas eleições 2010: a exclusão da saúde pública do debate. Revista Ciência e Saúde Coletiva, 2012. 141 SOBRE A AUTORIA DAS BIONOTAS Ana Rosa Marques Professora de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Pós-doutora em Cinema pela Universidade Federal Fluminense. Doutora em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia, com Doutorado-Sanduíche na Université Paris 1 – Sorbonne. Mestre em Comunicação/ UFF. Bacharel em Comunicação/UFBA, com intercâmbio na Universidade Autônoma de Barcelona. arosamarques@ufrb.edu.br Carla de Araujo Risso Professora adjunta de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. PósDoutorado, Doutorado e Mestrado em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Graduação em Filosofia e em Publicidade e Propaganda/ USP. Integra os NÚCLEO 3/UFBA e OBCOM/USP – Núcleo de Apoio à Pesquisa Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura. carlaarisso@gmail.com Claudiane Carvalho Professora de Comunicação e da Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas/UFBA. Colabora na Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia/Universidade Federal do Pará. Doutora e mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas/ UFBA. Pós-Doutorado/ UFBA e no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares em Ecologia e Evolução. Pesquisadora do Centro de Estudo e Pesquisa em Discurso e Mídia. claudianecarvalho.29@gmail.com Elva Valle Doutora e mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia(UFBA). Bacharel em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Universidade Católica do Salvador(UCSal). Bacharel Interdisciplinar em Artes – Cinema pela UFBA. elvabr@gmail.com 142 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Fernanda Mauricio da Silva Professora de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais no curso de Jornalismo, e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG. Doutora em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia. Pós-doutora/UFBA. Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas/ UFBA. Coordenadora do grupo de pesquisa ACTO – Laboratório de Análise de Audiovisualidades, Cultura e Temporalidades(UFMG). fernandamauricio@gmail.com. Gina Rocha Reis Vieira Pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação e Participação Política da Universidade de São Paulo(USP). Doutora e mestre pelo Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Possui duas Graduações em Comunicação pela UFBA: Produção Cultural e Jornalismo. gicarr@gmail.com Graciela Natansohn Professora permanente de Comunicação da Universidade Federal da Bahia(UFBA), no curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Doutora em Comunicação pela UFBA. Pós-doutora pela Universidad de Buenos Aires(UBA), Argentina e Universidad Nacional Autónoma de México(UNAM), México. Coordenadora do grupo de Pesquisa em Gênero, Tecnologias Digitais e Cultura(UFBA). graciela@ufba.br Julianna Nascimento Torezani Professora do Departamento de Letras e Artes da Universidade Estadual de Santa Cruz(UESC) no curso de Comunicação Social – Rádio, TV e Internet. Doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Mestre em Cultura e Turismo pela UESC. Coordenadora do projeto de pesquisa Análise da Direção de Fotografia de Documentários Brasileiros(UESC). jntorezani@uesc.br Lívia de Souza Vieira – coordenou a fase final das bionotas Professora de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Doutora e mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, com DoutoradoSanduíche na Birmingham City University, Inglaterra. Vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-Line e pesquisadora associada do Observatório da Ética Jornalística. liviasvieira@gmail.com 143 Luciellen Souza Lima Jornalista da Universidade Estadual da Paraíba. Doutora pelo Programa de PósGraduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia(UFBA), com Doutorado-Sanduíche na Universidade Nova de Lisboa, Portugal. Mestre em Jornalismo pela UFPB. Graduação em Comunicação Social – Jornalismo – pela UEPB. Integrante do Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-line e do Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Mobilidade. luciellensouzalima@gmail.com Maíra Bianchini Professora e cocriadora do Estude Séries. Doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA. Pós-doutora pela mesma instituição. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Santa Maria(UFSM). Integrante do grupo de pesquisa Laboratório de Análise de Teleficção(A-Tevê/UFBA). mairabianchini@gmail.com Mariana Rodrigues Sebastião de Almeida Analista de comunicação do Núcleo de Comunicação e Disseminação do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde da Fiocruz Bahia. Doutora e mestre em Ensino de Ciências pela Universidade Federal da Bahia. Graduação em Jornalismo pela UFBA e pedagoga pela Universidade Salvador. Diretora de Redação da Revista Jovens Cientistas e integrante da Associação Brasileira de Profissionais e Pesquisadores em Educomunicação(ABPEDUCOM). marianasebastiao@gmail.com Nadja Vladi Professora associada da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Docente da Pós-Graduação em Comunicação/UFRB e do Programa Multidisciplinar de PósGraduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia. Doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas/UFBA. Pós-doutora em Comunicação e Arte na McGill University, Canadá, e em Comunicação na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas/UFBA. Coordenadora do grupo de pesquisa Música e Mediações Culturais. nadjavladi@ufrb.edu.br Renata Costa Leahy Doutora pelo Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia, em cotutela com a École Doctorale Lettres, Langues, Spectacles da Université Paris Nanterre(Paris 10). Mestre pelo Pós-Cultura/ UFBA. Bacharel em Artes/UFBA e em Comunicação Social pela Faculdade de Tecnologia e Ciências. Membro do grupo de pesquisa Corpo e Cultura. Membro da equipe editorial da revista Plural Pluriel – revue des cultures de langue portugaise. renatagrd@gmail.com 144 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Suzana Barbosa Professora associada de Comunicação no curso de Jornalismo, docente permanente e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia(UFBA). Doutora e mestre em Comunicação pela UFBA. Pós-doutora pela Universidade de Santiago de Compostela, Espanha, e pela Universidade de São Paulo(USP). Investigadora e atual líder do Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-Line(GJOL/UFBA). sobarbosa@ufba.br Vivian Corneti Professora adjunta na Universidade Federal do Sul da Bahia(UFSB). Doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com Doutorado-Sanduíche na Universidade de Stanford, Estados Unidos, com Bolsa Fulbright. Mestre em Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos). vivian.corneti@ufsb.edu.br 145 CEARÁ 146 Luís Sérgio Santos 23 Maria Érica de Oliveira Lima 24 O HISTÓRICO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO CEARÁ O curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará – UFC – foi germinado nos chamados Cursos Livres de Jornalismo, na Associação Cearense de Imprensa – ACI –, com aulas de J. C. Alencar Araripe, G. S. Nobre, Adísia Sá, Luis Campos, Heitor Faria Guilherme, Inácio de Almeida, Pádua Campos, dentre outros. Eles vinham na esteira de sete cursos, entre 1937 e 1963, em parceria com a Faculdade Católica de Filosofia. Os dois cursos livres na Associação Cearense de Imprensa – ACI – tiveram o apoio do Sindicato dos Jornalistas do Ceará(Sindjorce). Animado com a aceitação dos cursos livres, o então reitor da UFC, Antônio Martins Filho, encampou a causa da construção de um curso de Jornalismo na jovem Universidade 25 , mas não sem motivo: Martins Filho foi caixeiro viajante e trabalhava como tipógrafo, tanto que nos primórdios da UFC criou uma gráfica, a Imprensa Universitária. Era viciado em livros e já fora dono de jornal ao lado dos irmãos Claudio Martins e Fran Martins. O jornal era O Estado(CE), influente em Fortaleza nos anos 1950 com um suplemento literário semanal que fez história, de cuja equipe de colaboradores participaram: Carlos Drummond de Andrade, Durval Aires, Milton Dias, Jean-Pierre Chabloz, Carlyle Martins e Mário Pontes. Segundo Adísia Sá, em 1957“a ACI procurou a Universidade do Ceará, na pessoa de seu reitor, professor Antônio Martins Filho, buscando entendimentos e visando à criação da Escola de Jornalismo. Antônio Martins Filho empolga-se com a ideia.” Martins Filho, tipógrafo na juventude, era homem de imprensa com experiência na 23 Professor adjunto do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará(UFC). Prêmio Esso de Jornalismo em 1980. Especialização em Newspaper Design na School of Communication University of Miami (Coral Gables, FL). luis.santos@ufc.br 24 Professora titular do curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da Universidade Federal do Ceará(UFC). merical@uol.com.br 25 Em 16 de dezembro de 2024 a UFC comemorou seus 70 anos de existência. 147 produção de jornais e livros. O curso de Jornalismo ocupou o 5º andar do prédio da ACI e ali ficou até 1967, lembra Adísia Sá. Em janeiro de 1963 e janeiro de 1964 foram realizados três cursos pelo Sindicato dos Jornalistas, sendo dois para principiantes mais um Curso Livre, em julho de 1964, patrocinado pela Universidade. Adísia recorda que“o‘cursinho’ de janeiro de 1963 deu 53 concludentes, alguns deles, hoje, na atividade profissional. O de janeiro de 1964 apresentou um saldo de 40 concludentes, vários dos quais, desde então, se profissionalizaram, e finalmente o Curso Livre, com 48 concludentes, dentre os quais vários profissionais. Enquanto o Curso Livre contou com a presença de professores de outros Estados, como Hely Freire e Carlos Rizzini(São Paulo), Luiz Beltrão(Pernambuco), José Henrique de Carvalho(Rio de Janeiro), os dois primeiros contaram exclusivamente com o trabalho dos profissionais locais.” O curso na UFC foi criado em 1965, ainda com habilitação em Comunicação Social. Em 2025, portanto, 60 anos de curso de Jornalismo. Adísia Sá é a pioneira na construção de uma biografia do curso de Jornalismo da UFC, notadamente no Ensino de Jornalismo no Ceará(1981). Seguiram-se a ela Gilmar de Carvalho e João Vianney de Mesquita com Estudos de Comunicação no Ceará(1985). O professor Souto Paulino(1935-2023), graduado no curso e ex-presidente do Centro Acadêmico Tristão de Athayde(Alceu Amoroso Lima), afirma que“o Curso de Jornalismo nasceu sob a inspiração do Reitor de todos os reitores, Antônio Martins Filho, fundador da UFC, que assumiu nossa visão da necessidade da criação de um curso que firmasse os jornalistas no Ceará”. O curso de Comunicação é criado à sombra do movimento militar de 1964, com professores egressos do mercado e de outros departamentos com Ciências Sociais, Psicologia e Economia. Havia salas de aulas precárias, com a tecnologia das apostilas, da voz e do giz. Em 1967 Martins Filho, por sugestão de Adísia, convidou o professor Luiz Beltrão para orientar a construção pedagógica do curso.“Vai caber a este professor pernambucano, organizador dos cursos de Pernambuco e Brasília, estruturar também o do Ceará”, conta Adísia.“Luiz Beltrão, não apenas fez uma análise de nossa realidade em termos de curso, como sugeriu os nomes dos profissionais de Imprensa que deveriam ser aproveitados nas disciplinas técnicas, levando em consideração a Graduação dos candidatos e suas experiências profissionais. E foram os nomes sugeridos por Luiz Beltrão os que, na sua maioria, constituíram a equipe fundadora do curso”. Nos primeiros 12 anos a Comunicação não dispunha de laboratórios, apenas algumas máquinas de datilografia em uma sala onde se lia, na porta, em adesivo: Laboratório. Carvalho e Mesquita(1985) destacam“o grau de contribuição do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará para o aprimoramento do jornalismo nesta terra. O fato é que, ainda com o bom sangue antigo, se exerce um jornalismo maduro, medido e pesado, correto e ético, digno, mais moderno, mais 148 O HISTÓRICO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO CEARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste especializado, mais instrutivo, educativo, informativo e produzido, em cerca de 90%, por egressos da Universidade.” O paradigma curricular ocorreu no ano de 1969, quando o curso de Jornalismo passou a ser uma habilitação de um novo curso criado pelo Parecer CFE nº 631/69 e Resolução nº 11, de 6 de agosto – o de Comunicação Social. Além de Jornalismo 26 , outras habilitações foram organizadas: Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Editoração e Polivalente. Essa transformação acarreta várias consequências para o antigo curso de Jornalismo ao alterar seu perfil. A polivalência seria extinta em 1978. O curso viveu uma ruidosa greve dos estudantes em 1968. Eles queriam laboratórios e outros investimentos na infraestrutura. O Decreto nº 71.332, de 8 de novembro de 1972, assinado pelo presidente Emílio Garrastazu Médici e pelo ministro da Educação Jarbas Gonçalves Passarinho, concede reconhecimento ao curso de Comunicação Social(habilitação polivalente), da Universidade Federal do Ceará 27 . Nos anos iniciais o curso era totalmente analógico, com alguns poucos laboratórios, começando pelo de Redação, um conjunto de barulhentas máquinas de datilografia. A ele seguiram-se os laboratórios de fotografia e o de planejamento gráfico com suas pranchetas, e réguas Ts – ferramenta para traçar linhas paralelas e perpendiculares. A transição do analógico para o digital aconteceu lentamente a partir do início dos anos 1990, com a chegada de programas como o Adobe PageMaker(lançado nos EUA em 1985) e morosa introdução da fotografia digital. Em 2007 foi criado o Instituto de Cultura e Arte(ICA) da UFC, unidade acadêmica da qual o curso de Jornalismo faz parte. A ideia foi germinada no curso de Comunicação, conduzida, principalmente, pelos professores Silas de Paula e Márcia Vidal, mas com a participação de todo o Colegiado. A inspiração era a Escola de Comunicações e Artes(ECA) da Universidade de São Paulo(USP), com o seu projeto acadêmico 26 O Decreto-Lei nº 972, de 17 de outubro de 1969, é a legislação que dispõe sobre o exercício da profissão de jornalista no Brasil. Ele estabelece as condições e atividades que caracterizam a profissão, garantindo a liberdade do seu exercício no território nacional a quem atende os requisitos definidos na lei. 27 O Presidente da República, usando das atribuições que lhe confere o artigo 81, item III, da Constituição, de acordo com o artigo 47 da Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968, alterado pelo Decreto-Lei nº 842, de 9 de setembro de 1969, e tendo em vista o que consta do Processo nº 255.495-71 do Ministério da Educação e Cultura, decreta: Art. 1º. É concedido reconhecimento ao Curso de Comunicação Social(habilitação polivalente), ministrado pela Universidade Federal do Ceará, com sede na cidade de Fortaleza, Estado do Ceará. . Art. 2º. Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Brasília, 8 de novembro de 1972; 151º da Independência e 84º da República. EMÍLIO G. MÉDICI. Jarbas G. Passarinho. 149 focado em“comunicações e artes”. Também em 2007 foi criado o Mestrado em Comunicação. Em 2013 foram instituídas novas diretrizes curriculares pelo Ministério da Educação e uma nova matriz curricular ganha forma em 2020. No Ceará o curso de Jornalismo está presente, além da UFC, na Universidade de Fortaleza(UNIFOR), criado em 2000. A Unifor é da Fundação Edson Queiroz, nascida em 1970, que percebeu a vocação para o Ensino Superior. É uma instituição reconhecida tanto na Graduação quanto na Pós-Graduação, Especialização e MBAs. A Unifor foi instituída em 1973. A Universidade, além do curso de Jornalismo, possui Publicidade e Propaganda, criado em 1977, sendo o primeiro do Estado do Ceará. Na UFC o curso de Publicidade foi efetivado em 1999. Já o curso de Cinema e Audiovisual de 2008 também se destacou por ser o primeiro no Estado. Na UFC o curso de audiovisual, Bacharelado, foi criado em 2009. A Instituição de Ensino Superior mais nova do Estado do Ceará é a Universidade Federal do Cariri – UFCA – que teve sua criação na Lei 12.826, de 5 de junho de 2013. Integrava a UFC, que chegou introduzir, em 2001, um curso de Medicina na cidade de Barbalha, a 526 km da capital cearense, Fortaleza. Em 2006 a UFC instalou na região outros cinco cursos: Administração, Agronomia, Biblioteconomia, Engenharia Civil e Filosofia(Bacharelado e Licenciatura) – cujas aulas ocorriam nas cidades de Juazeiro do Norte e Crato, ambas no Cariri cearense. Em 20 de agosto de 2008, na cidade de Juazeiro do Norte, aconteceu a inauguração da estrutura física do então campus avançado da UFC no Cariri. Em 2009 foram criados os cursos de Jornalismo, Engenharia de Materiais e os antigos cursos de Educação Musical(atual Licenciatura em Música) e de Design de Produto(atual Bacharelado em Design). Em 2010 veio o curso de Administração Pública e, em 2011, foi inaugurado o campus na cidade do Crato. Desde 2010 o curso de Jornalismo oferece 50 vagas na modalidade Bacharelado, no turno da noite, no Campus de Juazeiro, profissionalizando essa importante região do Estado. Outra instituição que apresenta o curso de Jornalismo é a Estácio, Campus Fortaleza, nas condições Presencial, Semipresencial e Digital(Educação a Distância –EaD). Já a Uninassau disponibiliza o curso de Publicidade e Propaganda. Nos anos 2000, em Fortaleza, tivemos a presença da Universidade Gama Filho, com o curso de Jornalismo, que depois foi acampado pela Faculdade da Grande Fortaleza e retirou-se do mercado. Também já tivemos o curso de 150 O HISTÓRICO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO CEARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Jornalismo na Faculdade Nordeste – FANOR – que entrou na cidade em 2001, com 43 cursos de Graduação em diversas áreas. Posteriormente a instituição fez parte de grupos internacionais de ensino, como Adtalem Global Education, conhecida anteriormente como DeVry(corporação dos Estados Unidos, que opera diversas instituições de educação superior no mundo), e em 2020 foi adquirida pelo grupo YDUQS S.A./Adtalem Educacional do Brasil, controladora de instituições como a Universidade Estácio de Sá. Outra instituição privada do Ceará, o Centro Universitário 7 de Setembro – Uni7 – ainda possui Publicidade e Propaganda, e o curso de Jornalismo já encerrou suas atividades. Enfim, o contexto de formação e estabilidade de uma instituição de ensino privado e a permanência de um curso dependem de muitas variáveis. Reconhecemos, contudo, a importância da formação dos jornalistas locais nas diversas organizações, principalmente do corpo docente e pesquisadoras. Muitas das professoras e pesquisadoras do campo da Comunicação, em especial do Jornalismo e da Publicidade do Ceará que atuam nas Universidades públicas e privadas, estão retratadas nesta pesquisa inédita, mediante citação entre os pares, como pioneiras, consolidadoras e emergentes, demarcando a área e a evolução das habilitações que se apresentam e apresentaram no Estado. Não podemos esquecer, todavia, uma publicação muito relevante que contribuiu para a formação do campo da Comunicação: a Revista de Comunicação Social – RCS da UFC. UMA BREVE SÍNTESE DA RCS A Revista de Comunicação Social(ISSN 0101-4463) foi lançada em 1971, tendo como primeiros editores Heitor Faria Guilherme, J. C. Alencar Araripe e Adísia Sá. A RCS obteve excelente recepção nacional e ajudou a consolidar o recém-nascido curso de Comunicação Social da UFC, principalmente por abrigar artigos de luminares da comunicação, do jornalismo, das artes e da teoria estética. Além do meio de divulgação de ensaios e artigos acadêmicos, era também uma peça de marketing e intercâmbio. A RCS tinha o formato 15cm x 22cm, com acabamento em costura e lombada quadrada. Apresentamos, a seguir, uma breve síntese de algumas das centenas de artigos publicados na RCS. Faria Guilherme conta que logo no início de 1970 surgiu o Departamento de Comunicação Social, instituindo o primeiro curso de jornalismo no Ceará, à época, polivalente. Em 1975 o curso de Biblioteconomia fundiu-se com a Comunicação Social, então um curso polivalente envolvendo linhas de estudo em publicidade e propaganda, editoração, jornalismo, fotografia, relações públicas, rádio e até teatro. O grupo de professores fundador do Departamento era composto por JC Alencar Araripe, Francisco Teobaldo Mourão Landim, Maria Adísia Barros de Sá, Luiz de Queiroz Campos, Flávio Manoel de Barros da Ponte, José Alcides Pinto, Felizardo Mont’Alverne e Cid Sabóia de Carvalho. A este grupo somaram-se Gilberto Marques 151 do Vale, Maria Ivonete Moreira Maia, João Vianney Campos de Mesquita e Geraldo Jesuíno. Eleito primeiro chefe do Departamento, coube ao jornalista e professor Heitor Faria Guilherme“a tarefa, onerosa, por sinal, de estruturar o órgão incipiente, o que consegui, tais foram as colaborações recebidas dos colegas e a ajuda dispensada pelo reitor Fernando Leite”(Revista Promessa Cumprida, 1981). Escreve Faria Guilherme no editorial da Promessa Cumprida(1981): Iniciava-se o ano de 1970 e com ele surgia o Departamento de Comunicação Social, destinado a congregar os professores, em número de nove, recém-contratados, mediante concurso público, para as atividades de magistério naquele setor de estudos. Eu compunha o grupo, ao lado de J. C. Alencar Araripe, Teobaldo Landim, Adísia Sá, Luís Campos, Flávio Ponte, José Alcides Pinto, Felizardo Mont’Alverne e Cid Carvalho.[...] O tempo, no entanto, cedo veio comprovar quão acertado houvera sido o ato da departamentalização e não menos oportuna a iniciativa que redundou na criação da revista. Pode-se afirmar, sem contestação, tratar-se hoje do único periódico, no gênero, em todo o País, a manter regular periodicidade, com circulação efetiva nos meios acadêmicos brasileiros, atingindo, ainda, os centros de comunicações espalhados pelos mais diferentes pontos do mundo. A revista aí está vitoriosa. Em 1975 o Departamento de Biblioteconomia fundiu-se com o de Comunicação Social, nascendo aí o Departamento de Comunicação Social e Biblioteconomia. JC Alencar Araripe – então também editor do mais influente jornal do Ceará – O Povo –, atesta que a Revista surgiu quando o Departamento de Comunicação Social engatinhava, alvo da reserva de muitos. A Revista foi, estrategicamente, uma ação de marketing para dar visibilidade e consolidar o curso. Era composta na Linotipo – a genial invenção de Ottmar Mergenthaler – nas oficinas da Imprensa Universitária da UFC.“Tornava-se necessário que ocorressem demonstrações de capacidade empreendedora que aumentassem o grupo dirigente e favorecessem o trabalho pioneiro que afrontava mais receosos”, salientou JC Alencar Araripe. Em 1981, em uma publicação comemorativa aos dez anos do Curso de Comunicação Social, a editora da Revista, Adísia Sá, organizou uma edição com as ementas de todos os artigos publicados em todos os volumes desde a fundação. A Revista rapidamente é percebida como um sucesso editorial, circulando não somente no Brasil, mas também na América Latina. Dezenas de autores acreditados no meio acadêmico têm seus artigos acolhidos ali. Além de tudo, as ideias expostas nos diversos artigos decorrem de pesquisas imersivas e vanguardistas, muitas das quais à frente do seu tempo. 152 O HISTÓRICO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO CEARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Entre seus muitos colaboradores estavam J. C. Alencar Araripe(1971) enfocando o tema O Jornalista e o estudo da Língua Estrangeira.“Não se há dado, ao estudo das línguas, a ênfase necessária. Nem mesmo do Português nos ocupamos com a devida atenção.[...] Não há o entendimento de que uma língua a mais que se domina é um instrumento novo de pensamento”. Adísia Sá(1973) analisa Os Meios de Comunicação de Massa e a Sociedade Racionalizada, tendo dentre as referências o sociólogo e professor Alvin Toffler, em seu livro“O choque do futuro”(1970).“Toffler diz que vivemos num mundo tão impressionantemente marcado pela mudança e a imprevisibilidade, que é impossível julgarmos este tempo pela imagem do passado e que jamais poderemos fazer prospecções através deste mesmo processo, mas eu acredito que ainda seja possível ao homem, pela análise do passado e do presente, perquirir o futuro”. “A nossa idade pode ser considerada a idade da racionalização, assim como os séculos XVII e XVIII foram chamados de séculos da Razão e do Iluminismo, em contraposição à Idade Média”, afirmava Adísia Sá.“Eu não estou chamando a idade contemporânea de idade da razão e sim da racionalização. O Iluminismo era uma resposta, a antítese da Idade Média.” Geraldo da Silva Nobre(1974), historiador, escreve sobre a tipografia nacional no Ceará. Adísia Sá(1974) destaca Alvin Toffler e Marshall McLuhan, para quem os meios de comunicação são extensões do homem e formam o meio ambiente no qual ele se move. Blásio H. Hickmann(1974) tenta delimitar o objeto da disciplina de Editoração:“Editoração seria o conjunto das tarefas inerentes às funções do editor. No conceito tradicional compreenderia, entre outras, as seguintes: busca e seleção de originais; contratação de direitos autorais ou de tradução; estudo de layout; organização e adequação dos originais; marcação; revisões; supervisão gráfica, etc.”. Luiz Beltrão(1975) ensina que a comunicação é função vital do ser humano e o acompanha desde o estado fetal. José Ossian Lima(1975) escreve sobre cordel e jornalismo sendo aquele a rica manifestação da cultura popular nordestina. A pesquisa em comunicação do Brasil foi tema de Adísia Sá(1976).“Parece-me inexistente a pesquisa em comunicação do Brasil. Digo melhor, não temos pesquisa sistemática na área de comunicação”. Assim, ela contrapunha-se ao professor José Salomão Davi Amorim, para quem o Brasil é, na América Latina, um dos países em que as pesquisas em comunicação apresentam maior desenvolvimento. José Marques de Melo(1976) mostra tendências do ensino de comunicação nos Estados Unidos. Ele lembra que a década de 1960 marcou, naquele país, a transformação das antigas escolas e Departamentos de jornalismo em escolas e Departamentos de Comunicação, envolvendo um universo de conhecimentos bem mais amplo e o simples processo de captação, codificação e difusão da mensagem de atualidades. 153 Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes(1976) discorre sobre a formação em comunicação no âmbito da Pós-Graduação.“Meu ponto de vista é de que não existe uma ciência da comunicação e que isso seria o que os matemáticos definem como um conjunto vazio”, afirma.“Existe o fenômeno comunicação que é multifacetado e que, por isso mesmo, é examinado por tecnologias, por matemáticos, linguistas, biólogos, cientistas políticos, psicólogos, sociólogos etc.”. Ivonete Maia(1977) trata sobre“Sexualidade: ideias em confronto”, uma“tentativa de confronto entre pontos de vista de Michel Foucault e ideias expressas em teses de médicos brasileiros, no século XIX. A medicina como campo de exercício do poder, instância de poder e mecanismo de vigilância. Alusões e metáforas de um discurso autoritário”. Adísia Sá(1979) publica o artigo Subsídios a História do Curso de Comunicação do Ceará, quase um pré roteiro do seu livro“Ensino do Jornalismo no Ceará”(2011); ela, aqui, sujeito e objeto.“Estamos comemorando os dez anos da primeira turma do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará. Treze turmas já saíram do Curso; 247 jovens concluíram, e, destes, 138 estão em exercício profissional”, tabula. Adísia, pesquisadora minuciosa, lembra que“coube a Anísio Teixeira a iniciativa pró criação do primeiro curso superior de Jornalismo no Brasil, na então Universidade do Distrito Federal, em 1935. A tentativa de Anísio Teixeira foi abortada por Getúlio Vargas, quando extinguiu a Universidade do Distrito Federal, mas coube a Getúlio Vargas – pressionado pela ABI –, persistente na busca de seus propósitos – erigir em lei a criação de um curso superior para a formação de jornalistas profissionais, integrando-o na estrutura universitária como setor vinculado às Faculdades de Filosofia. Isto em 1943”.[...] O certo, entretanto, é que, legalmente previsto desde 1935 e instituído em 1943, o ensino de jornalismo só terá suas diretrizes pedagógicas estabelecidas em 1946, quando o então ministro Ernesto de Sousa Campos tomou a iniciativa de fixar uma estrutura curricular e definir outras providências de natureza didática[imagino que, pedagógicas].”“Mas vai ser um curso particular – não oficial –, como preconizava a ABI – o primeiro a funcionar no país – o da Fundação Cásper Líbero, de São Paulo, em 1947. Só em 1948 é instalado o Curso de Jornalismo da Faculdade Nacional de Filosofia(Universidade do Brasil). Este, como aquele, funcionando agregado à Faculdade de Filosofia.” A primeira alusão à criação de uma Escola de Jornalismo no Ceará ocorreu na sessão do dia 12 de janeiro de 1937, na Associação Cearense de Imprensa, quando foi aprovado um voto de congratulações com a Ação Integralista Brasileira pela iniciativa de promover a fundação de uma Escola de Jornalismo no Brasil. Em 1948 a ACI mantém troca de correspondência com a Universidade do Brasil e com a Escola de Jornalismo Cásper Líbero, solicitando dados sobre programas e bibliografias. 154 O HISTÓRICO DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO CEARÁ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Animado com a ideia, o reitor Martins Filho,“patrocina a ida de jornalistas a congresso da classe no Rio de Janeiro, em 1957, como credencia Antônio Girão Barroso, Mozart Soriano Aderaldo e Paulo Bonavides, professores e jornalistas, para tratarem, no sul do País, de colher material necessário ao projeto de criação do Curso de Jornalismo no Ceará.” Em 1986 a Revista era editada por João Vianney Campos de Mesquita. O time de professores do curso já havia se ampliado. Assim, o Conselho de Redação também ganhou nomes robustos: Heitor Faria Guilherme, Ivonete Maia, Luís Campos, Geraldo Jesuíno, Vianney Mesquita, Gilberto Marques do Vale, Erotilde Honório Silva, Júlia Miranda Canoco, Francisco Souto Paulino, Cid Carvalho, Gilmar de Carvalho, Luís Sérgio Santos, Márcia Vidal e Godofredo Pereira de Souza. A última edição da revista, de circulação regular semestral, foi em 1987. Ali, o então editor Luis Sérgio Santos discorria sobre a Estética de Marx e Engels na visão de György Lukács. Ângela Barros Leal Farias estuda a atividade publicitária e as responsabilidades potenciais em sua prática. Francisco Gilmar Cavalcante de Carvalho fazia uma de suas imersões seminais na editoração de folhetos populares do Ceará. Ricardo Jorge de Lucena Lucas trata da imprensa anarquista no Brasil. Liana Amaral coloca o seu olhar na imprensa operária do Ceará de 1920 a 1985. Antônio Albino Canelas Rubim analisa a democracia e a política de comunicação na Bahia. Geraldo Jesuíno da Costa era o subeditor e o conselho editorial era formado por Ana Maria Sá de Carvalho, Agostinho Gósson, Gilmar de Carvalho, Faria Guilherme, Pedro Alberto de Oliveira Silva. Na constituição deste texto, cujas memórias, personalidades, acontecimentos marcam, principalmente, o professor Luís Sérgio Santos, um dos autores que firmam essa escrita, por estar em atividade no curso de Jornalismo da UFC, e ser filho desta casa, faz-nos lembrar de uma frase metafórica do jornalista e pesquisador norte-americano Wilbur Schramm, quando assevera que“a Comunicação é uma encruzilhada pela qual muitos passam e poucos permanecem”( apud Braga, 2001). Pensando nesta obra que muito importa, as“poucas” que aqui permanecem são muitas e gigantes. Saudemos o campo da Comunicação! Referências SANTOS, Luís Sérgio. Parsifal: um intelectual na política. São Paulo: Escrituras, 2017. REVISTA PROMESSA CUMPRIDA. Revista de Comunicação Social, Fortaleza, v. 11, n. 2, p. 5-7, jul./dez. 1981. BRAGA, José Luiz. A constituição do campo da comunicação. In: FAUSTO NETO, Antonio; PRADO, José Luiz Aidar; PORTO, Sérgio Dayrrel(org.). Campo da Comunicação: caracterização, problematização e perspectivas. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2001. 155 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 156 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste ADÍSIA SÁ Naiana Rodrigues Adísia de Sá Barreto nasceu em 7 de novembro de 1929 em Cariré (CE). É filha de José Escolástico de Sá e de Hermínia Barros de Sá. Era a mais nova e tinha três irmãos: Maria Olivia, Orestes e Arlindo. Aos três anos, em 1932, a família deixou Cariré em direção a Sobral, e mais tarde foram para Fortaleza(CE). O primeiro ano primário fez no Colégio Sete de Setembro, depois foi para o Imaculada Conceição, colégio de freiras, onde fez uma parte do Segundo Grau, quando foi para o Colégio São João. No terceiro científico voltou para o Imaculada. Ela já escrevia no Jornal O Estado, na coluna“O julgamento de Eva”, quando, em 1951, passou no vestibular para Bacharelado em Filosofia Pura, na Faculdade Católica de Filosofia do Ceará(FCFCE), escolha inspirada pelas leituras de São Paulo e São Agostinho. Na faculdade passou a redigir e editar o jornal do Centro Acadêmico de Filosofia e também a escrever uma coluna universitária no Jornal Gazeta de Notícias, fundado em 1927. Em 1954, quando concluiu o curso, ensaiava seus primeiros passos no jornalismo e já era professora de história e filosofia nos Colégios Rui Barbosa, Santa Lúcia e Farias Brito. Em 1962 licenciou-se pela Faculdade Católica de Filosofia do Ceará. Em 1955 ocupou uma vaga na redação do jornal Gazeta de Notícias. Primeira mulher a ser contratada no Ceará, primeira repórter da editoria de polícia, primeira mulher a ser sindicalizada. Foi fundadora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará(UFC), que teve sua atuação em busca de apoio do Sindicato dos Jornalistas e de profissionais da área para a oferta de cursos que foram precursores da fundação da faculdade. 157 Em 1970 torna-se oficialmente professora assistente da UFC, no então chamado curso de Comunicação Social, exonerando-se da Gazeta de Notícias para atender às demandas do magistério, tendo em vista que, no ano anterior, já havia se tornado professora adjunta da Faculdade de Filosofia do Ceará(FAFICE). Não abriu mão, contudo, de um programa na TV Ceará e de seguir articulista dos jornais O Estado e o Unitário. Em 1973 lançou Fundamentos Científicos da Comunicação, fruto da disciplina homônima no então Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia da UFC. Foi nesse período que fez seu Doutorado na Universidade Federal Rural de Pernambuco(UFRPE), onde defendeu a tese refletindo sobre a filosofia da Comunicação. Em 1984 aposentou-se das universidades e recebeu convite para trabalhar no jornal O Povo. A partir de então assumiu dois novos desafios: trabalhou na rádio AM do Povo, no programa Debates do Povo, e, dez anos depois, tornou-se ombudsman do periódico, sendo a primeira mulher a assumir a função na imprensa nordestina. Exerceu o cargo ainda em 1997 e 2000, sendo nomeada, em 2014, ombudsman emérita do jornal. Na rádio foi diretora executiva e ombudsman nos anos de 1998 e 1999. Adísia é membro fundadora da Associação Brasileira de Ouvidores(ABO-Ceará). Além de rádio e jornal, Adísia também trabalhou em televisão. Foi comentarista da TV União, TV Jangadeiro, TV Com e TV Manchete. Teve forte atuação nas entidades de classe e na luta sindical, tendo ocupado diversos cargos de direção em entidades de classe: Associação Cearense de Imprensa(ACI), Sindicato dos Jornalistas do Ceará e Comissão Nacional de Ética da Federação Nacional dos Jornalistas(FENAJ). Em sua carreira ganhou vários prêmios pelo trabalho no jornalismo. Em 2004 a Faculdades Nordeste(FANOR), de Fortaleza, instalou a Cátedra Adísia Sá de Jornalismo, para colocar em pauta permanente a ética na Comunicação. Em 2005 foi homenageada com a publicação do livro“Adísia Sá – Uma biografia”, de Luiza Helena Amorim. Em 2006 foi homenageada no Intercom com o Prêmio Luiz Beltrão: Maturidade Acadêmica. Em 2013 Adísia Sá recebeu do governo do Estado do Ceará a Medalha da Abolição, por suas contribuições à sociedade cearense. 158 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Filosofia, jornalismo e magistério sempre estiveram de mãos dadas na vida de Adísia Sá. As três áreas, junto com literatura, integram os temas dos seus 13 livros publicados. Principais publicações SÁ, Adísia(coord.). Fundamentos científicos da comunicação. Petrópolis: Vozes, 1973. SÁ, Adísia. Biografia de um sindicato. Fortaleza: Editora UFC, 1981. SÁ, Adísia. O jornalista brasileiro. Fortaleza: Imprensa oficial do Ceará, 1985. SÁ, Adísia. Clube dos ingênuos. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 1998. SÁ, Adísia. Ensino de jornalismo no Ceará. Fortaleza: Editora UFC, 2011. 159 IVONETE MAIA Claudiene dos Santos Costa Maria Ivonete Moreira Maia nasceu em 4 de outubro de 1938 em Jaguaruana(CE). É a primeira filha de Maria Estelita Moreira Maia e de Francisco Carlos Maia, que tiveram mais 14 filhos, entre eles sete mulheres. Aos dois anos de vida sua família se estabeleceu na zona rural, no sítio Volta, e lá permaneceu até 1950, com os estudos primários feitos no Grupo Escolar Manuel Sátiro. Aos 12 anos foi estudar na cidade de Aracati, distante 50 quilômetros. Fortaleza passou a ser sua moradia a partir de 1954, até concluir o Curso Normal em 1958. Lá hospedou-se na casa de tios e encontrou emprego na Secretaria do Colégio Nossa Senhora das Graças, renda insuficiente para pagar os estudos também aos irmãos. Em 1961 passou a trabalhar como caixa no Banco de Crédito Comercial, como revisora no jornal impresso“O Nordeste” e locutora na Rádio Assunção, estes dois últimos pertencentes à Arquidiocese de Fortaleza. A carreira jornalística começou na prática antes da teoria. Ivonete decidiu cursar Letras Neolatinas na Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, tornando-se bacharela em 1965. Suas leituras destacam autores como Machado de Assis, Clarice Lispector e outros clássicos da literatura brasileira, além do sociólogo Darcy Ribeiro. Ela identificou-se com as lutas da Associação Cearense de Imprensa (ACI) para criar um curso de Graduação no Estado, cuja instalação veio em 1965 com a primeira edição do vestibular, tendo Ivonete sido aprovada para integrar a primeira turma de graduados, concluída em 1969. Essa seria a primeira entre muitas“primeiras vezes” que ela viria a protagonizar na vida. 160 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Durante o curso aproximou-se de professores e profissionais renomados, trabalhou na Gazeta de Notícias e utilizou seu destaque estudantil para chegar ao jornal O Povo, onde assinou coluna sobre a Educação no Estado, com reflexões e olhar crítico. Os editoriais d’O Povo seriam tema de um Mestrado que ela começou na cidade do Rio de Janeiro, mas, em 1975, o projeto foi interrompido para retornar à Fortaleza e assumir concurso de professora da Universidade Federal do Ceará(UFC). Na carreira universitária, além de professora, atuou na Assessoria de Imprensa da Reitoria da UFC entre 1971 e 1975 e na coordenação do Departamento de Comunicação Social e Biblioteconomia, de 1987 a 1991. Acumulou experiência com a gestão de vários reitores e deixou sua marca na busca de melhores equipamentos para a Rádio Universitária FM, que esteve sob sua direção de 1987 a 1991. No Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Ceará (Sindjorce), Ivonete protagonizou, em 1980, o feito de se tornar a primeira mulher a presidir um sindicato de jornalistas no país. Foram dois mandatos até 1986, e um dos marcos foi a conquista de uma sede. Em 1985 conduziu as negociações de uma greve de jornalistas e, mesmo sem mandato, seguiu incentivando as lutas e também seus registros, como“Biografia de um Sindicato”, de Adísia Sá(1981), e História e Memória do Jornalismo Cearense, de Sebastião Rogério Ponte(2004). Presidiu a Associação Cearense de Imprensa(ACI) de 1989 a 1992, e foi a primeira mulher a exercer o cargo. A eleição foi uma das mais acirradas da história da ACI. Passado o primeiro mandato, retornaria à presidência apenas em 2008. Ivonete aposentou-se do magistério na UFC em 1990, e seguiu com seu vai e volta à Jaguaruana. Manteve-se mais um tempo como articulista de educação no jornal O Povo, com espaço menor do que havia ocupado em seus 25 anos naquele veículo. Exerceu o cargo de secretária municipal de Educação de Jaguaruana em 1997 e 1998. Participou de associação de moradores e foi líder de sua localidade rural. Apesar da popularidade, não foi eleita vereadora de Jaguaruana quando se candidatou em 2004 e 2008. Assumiu, ainda, a Ouvidoria da UFC de 2007 a 2010. Faleceu aos 73 anos, em 14 de fevereiro de 2012. No mesmo ano, em 7 de março, a Câmara Municipal de Fortaleza inaugurou a“Sala de Imprensa jornalista Ivonete Maia”, homenageando sua 161 inestimável contribuição à categoria de jornalistas cearenses. Em Fortaleza funciona, desde 2014, o“Centro Educacional Infantil Jornalista Ivonete Maia”, no Bairro Boa Vista, gerido pela Prefeitura. Ivonete Maia acumulou conhecimento sobre a forma de pensar e agir do jornalista cearense, de suas alegrias e dramas, com sensibilidade para perceber as fragilidades das ameaças do setor. Desenvolveu um perfil conciliador, que lhe permitia a construção de uma credibilidade diante de correntes diversas de pensamentos. Primeira mulher em muitas esferas, marco na comunicação social do Ceará, seja na vida classista ou por sua atuação nas redações, na vida acadêmica e na assessoria institucional, viveu o prazer de exercer sua vida política. 162 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste EROTILDE SILVA Rosane Nunes Erotilde Honório Silva nasceu em 25 de maio de 1947 em Guassussê, no município de Orós(CE). É filha de Francisco Honório Silva e Maria Nogueira Rodrigues. Aprendeu as primeiras letras com sua mãe analfabeta. No Ensino Fundamental estudou no Grupo Escolar de Guassussê. O Ensino Médio cursou no Patronato Nossa Senhora Auxiliadora. Dos“dramas”, como eram chamadas as peças teatrais encenadas na escola do povoado, passou pelo curso de Arte Dramática(CAD) da Universidade Federal do Ceará(UFC), quando aperfeiçoou ainda mais o uso da voz. Como estudante de História, apresentou o programa“Ondas que enobrecem”, na rádio Uirapuru – essa experiência influenciou-a a decidir cursar Comunicação, antes mesmo de terminar o curso de História. Erotilde concluiu o curso de História(1972) e, três anos depois, graduou-se em Comunicação(1975). Pouco tempo depois foi convidada a compor o corpo docente do curso junto a outros pioneiros em 1977. Conciliou o magistério superior em Jornalismo com os estudos de Medicina, outro sonho. Formada médica, em 1980, continuou lecionando Comunicação e comandou um programa sobre saúde na rádio O Povo. Nesse ínterim, cursou Mestrado em Sociologia na UFC(de 1985 a 1990), debruçando-se sobre o estudo do teatro como forma de resistência à ditadura militar. No Doutorado, também em Sociologia pela UFC, voltou-se para o seu povoado, Guassussê, estudando a memória desse povo que, em 1960, viu sua cidade ser tomada pela construção da barragem do açude Orós. 163 A tese verificou o papel da comunicação na reconstrução das memórias da comunidade por intermédio da interação entre antigas e novas gerações. Por meio da pesquisa-ação criou, com jovens de Guassussê, um projeto que reunia linguagens do teatro, da música e da dança, além de pesquisas sobre ervas medicinais usadas por benzedeiras, pesquisa documental de títulos cartoriais e levantamento de objetos antigos, anteriores à construção do açude que arrasou a cidade e fez a população reconstruir todo o povoado em outro lugar. O resultado prático da tese foi uma peça de teatro contando a história da morte e ressurreição do povoado. A peça foi encenada defronte à Igreja Católica da cidade, em campo aberto, com atores da própria cidade: idosos, adolescentes e crianças foram os protagonistas e personagens de sua própria história em cena. Erotilde foi a primeira pesquisadora do Ceará a defender Doutorado com um roteiro de peça de teatro em 1999. Após aposentar-se na UFC, ingressou no curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza(Unifor), onde criou o grupo de pesquisa História e Memória da Radiodifusão Cearense, nas décadas de 1950 a 1960. Desse trabalho resultaram artigos científicos e cerca de 15 entrevistas com locutores e cantores da Era de Ouro do Rádio. Foi na Unifor que coordenou o curso de Jornalismo, dirigiu o Centro de Humanidades e foi, também, diretora de marketing. Erotilde Silva é comunicóloga, socióloga, teatróloga, historiadora e médica. Uma intelectual com olhar poético para a vida em todas as suas manifestações. Entre tantos feitos, foi uma das primeiras professoras do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará(UFC) e integrou a equipe fundadora da Rádio Universitária FM. Principais publicações SILVA, Erotilde Honório; GURGEL, Agnor(org.). Movimento Ceará de Paz: o que ele é e o que ele faz. Fortaleza: Karuá, 2002. SILVA, Erotilde Honório. O despertar da memória: as narrativas dos excluídos da terra na construção do açude Orós. Fortaleza: Secult, 2006. SILVA, Erotilde Honório; BARBALHO, A.(org.). História do teatro no Ceará: através de grupos e companhias, 1967 a 1997. 1. ed. Fortaleza: Documentos da Cultura, 2002. 93 p. V. 1. 164 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste SILVA, Erotilde Honório. O fazer teatral – forma de resistência. 1. ed. Fortaleza: UFC, 1992. 229 p. V. 1. 165 JÚLIA MIRANDA Kamila Bossato Fernandes Júlia Maria Pereira de Miranda Henriques nasceu em 27 de junho de 1947 em Fortaleza(CE). É filha de Pereira de Miranda e de Maria Marta Pereira de Miranda, e tem três filhos. Estudou em três colégios confessionais: Colégio Christus no Primário, o Colégio da Imaculada Conceição no Ginásio, e o Colégio Batista no Científico. Formada em 1971 na terceira turma do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará(UFC), onde ingressou em 1968, chegou a ter uma curta carreira como jornalista: como editora do caderno de educação e cultura no Jornal O Povo, e na Assessoria de Imprensa do governador da época. Fez Especialização em Jornalismo Científico e Educativo no Centro Internacional de Estudios Superiores de Periodismo(Ciespal), no Equador, com bolsa da Organização dos Estados Americanos(OEA). Após seu retorno, em 1977, recebeu o convite para ser professora do curso de Comunicação Social – Jornalismo –, onde deu aulas até o final de 2014, sendo a principal responsável pela disciplina de Metodologia de Pesquisa em Comunicação. No Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFC, sob a orientação de Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes, explorou o que se tornaria seu objeto de estudo ao longo da carreira: a relação entre religião e política. Defendeu a dissertação, em 1985, “Recatolização ou espaço político? Discurso e prática católicos no Ceará do início dos anos 30”. Depois, seguiu no Doutorado, realizado entre a Universidade de Brasília e a Universidade de 166 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Montreal, sob orientação de Ana Maria Fernandes e Jacques Grand’Maison, culminando com a tese, em 1994,“Horizontes de bruma – os limites questionados do religioso e do político”. Júlia teve dois estágios Pós-Doutorais: na França, na École des Hautes Études en Sciences Sociales(2001-2002), onde trabalhou com Michael Löwy, e o segundo na Bélgica, na Universidade Louvain la Neuve. Como seu interesse recaía sobre a intersecção entre religião e política, vinculou-se ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia(UFC). Buscou articular acordos internacionais, como o que envolvia universidades brasileiras e francesas, entre elas a Universidade de Lyon e a École des Hautes Études en Sciences Sociales. Ela também participou de projetos como o Programa de Apoio aos Núcleos de Excelência(Pronex), fomentado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) a partir de 1996. Ao longo de cinco anos ela atuou no Núcleo de Antropologia da Política(NUAP) e no Núcleo Expressões Culturais da Política, ambos vinculados ao Pronex. Entre 2005 e 2009 participou do Programa de Cooperação Acadêmica(PROCAD) entre a UFC e a Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). No Ceará, criou e coordenou o Núcleo de Estudos de Religião, Cultura e Política(NERPO) da UFC. Pelo NUAP lançou, em 1999, o livro“Carisma, sociedade e política – novas linguagens do religioso e do político”, no qual se debruçou sobre o movimento Renovação Carismática Católica. O interesse por pesquisar as relações entre religião e política levaram-na aos projetos de pesquisa“O novo cristianismo, a política e a cidade”(2014-2015) e“Os carismáticos e as eleições municipais de 2016”(2012-2016). Pouco antes, em 2003, publicou o artigo“A dimensão política do cristianismo contemporâneo no Brasil: o que dizem as eleições”, e“Estado laico no Brasil: entre sofismas e ambiguidades”(2013). Júlia Miranda, que se aposentou com 40 anos de carreira, é uma das precursoras da pesquisa em ciências sociais no Ceará, tendo sido responsável pela formação de gerações de jornalistas e cientistas sociais que passaram pela Universidade Federal do Ceará(UFC), sempre trafegando entre a Comunicação e a Sociologia. 167 Principais publicações MIRANDA, Júlia. Recatolização ou espaço político? Discurso e prática católicos no Ceará do início dos anos 30. 1985. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Ceará, Programa de PósGraduação em Sociologia, Fortaleza, 1985. MIRANDA, Júlia. Horizontes de bruma – os limites questionados do religioso e do político. 1994. Tese(Doutorado) – Universidade de Brasília, Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Brasília, 1994. MIRANDA, Júlia. Carisma, sociedade e política – novas linguagens do religioso e do político. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1999. MIRANDA, Júlia. A dimensão política do cristianismo contemporâneo no Brasil: o que dizem as eleições. Revista das Ciências Sociais, v. 34, n. 2, p. 88-98, 2003. MIRANDA, Júlia. Convivendo com o“diferente”: juventude carismática e tolerância religiosa. Religião e Sociedade, Rio de Janeiro, v. 30, n. 1, p. 117-142, 2010. MIRANDA, Júlia. Estado laico no Brasil: entre sofismas e ambiguidades. Cultura y Religión, v. 7, n. 2, p. 69-85, jun./dez. 2013. 168 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MÁRCIA VIDAL Helena Martins Márcia Vidal Nunes nasceu em 16 de fevereiro de 1962 em São Paulo(SP). É filha de Cleonice Vidal Nunes e Agenor Bezerra Nunes. Na educação básica estudou no Colégio Nossa Senhora das Graças em Fortaleza(CE). Márcia concluiu a Graduação em Comunicação Social – Jornalismo – em 1983 na Universidade Federal do Ceará(UFC), onde havia atuado no movimento estudantil. Logo depois, em agosto de 1984, tornou-se professora da mesma universidade. Fez, em Quito, um curso de Especialização em Produção de Programas Radiofônicos no Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para a América Latina(Ciespal). Márcia desenvolveu o projeto“Fala Cidadão”, iniciativa do governo federal que direcionava recursos aos municípios para criar projeto de comunicação entre a população e a Administração Pública Federal. Inspirada pelas ideias de Paulo Freire, Márcia partiu para a escuta da população, discutindo com representantes comunitários o projeto que poderia ser feito pela Prefeitura em parceria com a UFC e com as organizações. Para a capacitação dos envolvidos, no âmbito da UFC foi criado, em 1985, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Comunicação Alternativa(Nupoca), grupo que refletia sobre comunicação alternativa, depois transformado em Centro de Pesquisas e Produção em Comunicação Alternativa(Cepoca), e o projeto de extensão Programa de Assessoria Técnica e Sociocultural às Rádios Comunitárias do Ceará(PARC) em 1987, que Márcia conduziu até sua aposentadoria. 169 A ênfase nas atividades de extensão deu-se pelo encerramento das atividades da Arcos-Cepoca em 1999, um ano após a aprovação da lei sobre radiodifusão comunitária no Brasil, que fragilizou o movimento de rádios comunitárias. Um problema que foi tratado em sua primeira pesquisa de Pós-Doutorado,“Mídia e Política: Rádios Comunitárias nas Eleições 98: exercício da cidadania ou instrumentalização da participação popular”, desenvolvida na Escola de Comunicação e Artes de São Paulo, entre 2000 e 2001. Antes disso, a análise da mídia hegemônica ganhou corpo no Mestrado que Márcia desenvolveu em Sociologia na UFC, entre 1986 e 1991, que resultou na dissertação“Imprensa e Poder: o I e II Veterados(1963/1966 e 1979/1982) no Jornal O Povo”. Seguindo pela Sociologia e seus estudos sobre as relações de poder e o papel dos grupos hegemônicos, passou a estudar o uso da rádio em campanhas eleitorais, o que resultou em sua tese de Doutorado, desenvolvida entre 1994 e 1998, nomeada“Rádio e Política: do Microfone ao Palanque – os Radialistas Políticos em Fortaleza(1982-1996)”. A ela somaram-se outras pesquisas sobre rádio e política desenvolvidas a cada eleição ao longo de dez anos, que permitiram a visualização de fenômenos de forma diacrônica. Desenvolveu também a pesquisa(2005 e 2006)“Novas tecnologias e cidadania: a internet como fator de politização ou de adequação das comunidades excluídas ao sistema produtivo?”, voltada à análise de projetos de inclusão digital de jovens e adolescentes, realizados por Organizações Não Governamentais(ONG) no Ceará e no Rio de Janeiro, à qual se seguiram pesquisas sobre a participação política nas redes sociais. Tais pesquisas ainda envolvem um conjunto de estudantes articulados em torno do Grupo de Pesquisa Mídia, Cultura e Política, criado no início dos anos 2000. O objetivo de contribuir para a formação de sujeitos de comunicação contestadoras materializou-se com a constituição do curso de Graduação em Jornalismo da Terra em 2010, primeiro curso de Ensino Superior em Jornalismo para assentados e assentadas da reforma agrária, fruto de parceria entre o Programa Nacional de Ensino Superior para Reforma Agrária(Pronera), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária(Incra) e a UFC. Antes disso Márcia havia participado da criação do Instituto de Cultura e Artes(ICA) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFC. Não obstante a importância das demais iniciativas, o Jornalismo da Terra marcou sua trajetória por concretizar uma práxis 170 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste buscada por toda a vida em um ato coletivo de ruptura com a lógica de exclusão das maiorias sociais da universidade e da comunicação. Desde essa experiência, foram constituídas iniciativas como jornais, assessorias de imprensa e rádios comunitárias, contribuindo com o enfrentamento“do latifúndio do ar”. Atenta às questões trazidas por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST) e de outros movimentos participantes do curso, Márcia investigou a mística como parte da constituição da identidade sem-terra e da experiência política e cultural do MST. Outras pesquisas versaram sobre a cobertura das manifestações de junho de 2013 no Brasil, realizada pela Globo News e pela Mídia Ninja do eixo Rio-São Paulo, e sobre ativismo feminista e de outros grupos nas redes sociais. Trata-se, portanto, de um amplo programa de estudos que acompanha as transformações nas comunicações e na política, contribuindo de forma decisiva para a compreensão do tempo presente, em que a comunicação se apresenta como elemento constituinte da própria sociedade. Principais publicações NUNES, M. V. Teologia da libertação, mística e MST: o papel da comunicação grupal libertadora na organização política do Movimento. 2. ed. Fortaleza: Edições UFC, 2014. NUNES, M. V. Rádio, cidadania e campanhas eleitorais(1998-2008). 1. ed. Rio de Janeiro: E-Papers, 2010. 212 p. V. 1. NUNES, M. V. Rádio e política: do microfone ao palanque – os radialistas políticos em Fortaleza(1982-1996). 1. ed. São Paulo: Annablume, 2000. 362 p. V. 1. NUNES, M. V. Imprensa e poder: o I e o II veterados(1963-1966 e 1979-1982) no jornal O Povo. Fortaleza: Secretaria de Cultura e Desporto do Estado do Ceará, 1994. 150 p. 171 ADELAIDE GONÇALVES Bruna Castelo Branco Adelaide Gonçalves nasceu em 25 de fevereiro de 1958 em Tauá (CE). É filha de Vilanir Gonçalves Pereira e Cesídio Alves Pereira, a primeira de uma família de quatro irmãos. Aprendeu a ler aos cinco anos com o auxílio de um tio. Em Tauá estudou no Colégio Antônio Araripe, uma escola religiosa, durante o Primeiro Grau. O Segundo Grau cursou na Escola Justiniano de Serpa, em Fortaleza(CE). Trabalhou como auxiliar de biblioteca, quando despertou para a leitura. Menina letrada, decidiu dar aulas para adultos interioranos no intuito de ensinar-lhes a ler e a escrever. Partiu para Fortaleza a fim de concluir seus estudos escolares. Na capital cearense terminou o Segundo Grau e, em seguida, foi aprovada no vestibular para História na Universidade Federal do Ceará(UFC). Na Universidade teve envolvimento com movimentos sociais e políticos. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores(PT) na década de 1980, participou de diversos movimentos políticos e engajou-se na luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST). Nesse meio tempo concluiu a Graduação, cursando, depois, Doutorado em História Social na Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Concluída no ano 2000, o tema abordado em sua tese de Doutorado foi“A Imprensa dos Trabalhadores no Ceará: 1862-1920”. Cursou, em seguida, Pós-Doutorado no Instituto de História e Teoria das Ideias na Universidade de Coimbra, Portugal. Iniciou como docente concursada na UFC em 1987. Depois do PósDoutorado retornou de Portugal, em 2004, para suas funções como professora da UFC, desta vez no curso de Jornalismo, onde lecionou a disciplina de História do Jornalismo Brasileiro. Ingressou como 172 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste professora do curso de História e de Pós-Graduação no Mestrado profissional. Além disso, exerce a função de professora da Escola Nacional Florestan Fernandes do MST-Brasil. Ministrou disciplinas de História Social do Trabalho, Introdução aos Estudos Históricos, Métodos e Técnicas da Investigação Histórica, História Social da Pobreza, História Social das ideias, dentre outras, lecionando-as tanto na Graduação quanto na Pós-Graduação. A maioria de suas produções acadêmicas está vinculada à linha de pesquisa em Trabalho e Migrações, mas também possui trabalhos em História e Teoria das Ideias. Entre 2001 e 2003 foi chefe do Departamento de História da UFC. Na mesma época foi conselheira do Centro de Humanidades e do Conselho Superior da Universidade Federal do Ceará. Desde 2007 coordena o projeto de pesquisa“Os soldados da Borracha e o Arquivo de Jean Pierre Chabloz”, que aborda o acervo de imagens e outros documentos, encarregado de produzir o material visual da campanha pela borracha. Coordena o projeto “Rio Jaguaribe: história, memória e paisagem”. A partir do ano 2000 é membro de corpo editorial de diversas revistas científicas, tais como os periódicos Verve(PUC-SP), Trajetos (UFC), Documentos Revista do Arquivo Público do Ceará, Revista Brasileira de História(Impresso) e Conselho Consultivo e Editorial do TRT 7ª Região. Possui uma série de artigos científicos publicados em periódicos, bem como uma variedade de livros publicados e/ou por ela organizados, a exemplo de“História e Alimentação. Brasil séculos XVI-XXI”,“A vida por um rio e entre o impossível e o necessário” e“Esperança e rebeldia nos trajetos de Mulheres Sem Terra do Ceará”. Adelaide Gonçalves marca seu nome e importância no Estado do Ceará e na Universidade Federal do Ceará(UFC), onde foi professora titular do Departamento de História e professora do Mestrado Profissional em Ensino de História(ProfHistória). Aposentada, lecionou, também, a partir dos anos 2000, a disciplina de História do Jornalismo Brasileiro para estudantes de Graduação em Jornalismo. 173 Principais publicações GONÇALVES, Adelaide. A imprensa libertária no Ceará, 1908-1922. São Paulo: Editora Imaginário, 2000. GONÇALVES, Adelaide. As comunidades utópicas e os primórdios do socialismo no Brasil. E-topia: Revista Electrónica de Estudos sobre a Utopia, n. 2, 2004. GODINHO, Paula; GONÇALVES, Adelaide; VICENTE, Lourdes (org.). Entre o impossível e o necessário. Esperança e rebeldia nos trajetos de Mulheres Sem Terra no Ceará. 1. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2020. 174 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste CATARINA DE OLIVEIRA Naiana Rodrigues Catarina Tereza Farias de Oliveira nasceu em 30 de janeiro de 1967 em Fortaleza(CE). É filha de Judith Farias de Oliveira e de João Bernardino de Oliveira. É egressa do ensino público do Ceará. Iniciou na Escola Municipal de Primeiro Grau Antônio Sales, onde cursou até a terceira série. Continuou os estudos na Escola Polivalente Antônio Bezerra, uma escola estadual que oferecia ensino com metodologias tradicionais. Fez o Ensino Médio no Liceu do Ceará, referência educacional da capital. Cursou Comunicação Social na Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1986, passando em 28º lugar no vestibular. Sua vivência universitária prolongou-se para o Mestrado em Sociologia na Universidade Estadual do Ceará(UECE), concluído em 1994 com a dissertação“O Direito à palavra: comunicação, cultura e política”. Um ano depois ingressou nos quadros da instituição de ensino superior estadual como professora efetiva, onde atua há 28 anos. Em sua formação doutoral na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estudou as rádios comunitárias, defendendo a tese“Escuta sonora: educação não-formal, recepção e cultura popular nas ondas das rádios comunitárias” no ano de 2002. No estágio pós-doutoral, em 2012, retornou à área da Comunicação na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), onde desenvolveu pesquisa sobre a comunicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no assentamento de Itapuí, em Nova Santa Rita(RS). Desde 2018 é professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFC, vinculada à linha de pesquisa“Mídias e Práticas Socioculturais”. De 1996 a 1998 foi membro do Conselho 175 de Residência Universitária do Campus da UECE, em Quixadá(CE). No mesmo período atuou em projeto de alfabetização de adultos também pela UECE, onde ocupa o cargo de professora adjunta. O foco de suas pesquisas é na comunicação popular, na comunicação dos movimentos sociais e na comunicação como ferramenta para a educação popular. Com essa visão realizou, entre 2021 e 2022, o projeto“EDUCACOM – Pensar a utilização de audiovisual em aulas de Sociologia”; entre 2010 e 2011, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), o projeto“O visível e o invisível: apropriações da comunicação no assentamento do MST.” Publicou com uma colega“Comunicação da Terra: vivências e práticas comunicacionais do MST no Brasil”, em 2018, onde assinam ainda o artigo“Etnografia do assentamento Itapuí/RS e suas práticas comunicacionais: consciência do fazer etnográfico na pesquisa em Comunicação”. Catarina de Oliveira tornou-se educadora, encabeçando uma luta pela emancipação humana por meio da comunicação e da educação no século 20. Principais publicações OLIVEIRA, C. T. F. Escuta sonora – recepção e cultura popular nas ondas das rádios comunitárias. Rio de Janeiro: E-Papers, 2007. OLIVEIRA, C. T. F. Comunicação, recepção e memória no Movimento Sem Terra: etnografia do assentamento Itapuí, RS. 1. ed. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2014. OLIVEIRA, C. T. F.; COGO, Denise; LOPES, Daniel Barsi. Buen vivir e a crítica ao desenvolvimento: reposicionando a comunicação e a cidadania no pensamento latino-americano. ENCONTRO ANUAL DA COMPÓS, 22., 2023. Anais[...]. 2023. OLIVEIRA, C. T. F. A etnografia militante como método: intervenções com práticas comunicacionais na comunidade Guaribal/SerrinhaCE. CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 39., 2016. OLIVEIRA Catarina Tereza Farias de; VIDAL, Márcia Vidal. Comunicação da Terra: vivências e práticas comunicacionais do MST no Brasil. Fortaleza: Edições UFC, 2018. 176 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste OLIVEIRA Catarina Tereza Farias de; VIDAL, Márcia Vidal. Etnografia do assentamento Itapuí/RS e suas práticas comunicacionais: consciência do fazer etnográfico na pesquisa em Comunicação. In: OLIVEIRA Catarina Tereza Farias de; NUNES, Márcia Vidal. Comunicação da Terra: vivências e práticas comunicacionais do MST no Brasil. Fortaleza: Edições UFC, 2018. 177 KÁTIA PATROCÍNIO Juliana Lotif Kátia Regina Azevedo Patrocínio nasceu em 17 de junho de 1963 em Fortaleza(CE). É filha de Maria Algezira Azevedo Patrocínio, dona Nenén, e Manoel Patrocínio Filho,“seu” Manoel. É irmã de João e Cláudio, casada com Zé Filho e mãe de Iago e Lara. Para completar o Ensino Fundamental estudou em uma escolinha no Bairro Padre Andrade, depois em outras duas escolas públicas no Bairro Antônio Bezerra. Terminou o Ensino Médio, antigo Científico, no tradicional Colégio Júlia Jorge. Cursou, inicialmente, Engenharia Química na Universidade Federal do Ceará(UFC-1982), mas abandonou o curso. Enquanto esperava por novo vestibular foi vendedora de fardamentos em uma escola. Logo foi aprovada no curso de Letras da Universidade Estadual do Ceará(UECE), onde interessou-se pela área da Comunicação Social. Durante o curso de Jornalismo na Universidade Federal do Ceará (1986-1990) fez parte do Centro de Comunicação Popular e Alternativa(Cepoca), que prestava assessoria às rádios comunitárias da cidade de Fortaleza, iniciando sua trajetória nas áreas de Radiojornalismo e Comunicação Comunitária. Ainda na Graduação foi estagiária nos Jornais O Povo e Diário do Nordeste. Após a formatura passou no Mestrado em Comunicação Social do Instituto Metodista de São Bernardo do Campo, hoje Universidade Metodista de São Paulo(1991-1997). Quando retornou à Fortaleza, em 1992, foi selecionada para repórter na Assessoria de Comunicação do Sindicato dos Bancários do Ceará. Em seguida trabalhou para a Prefeitura de Icapuí, incentivando a população na realização de atividades ligadas à comunicação popular e comunitária. Antes de 178 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste ingressar na área acadêmica trabalhou na Associação de Rádios Comunitárias de Fortaleza, realizando ações sociais. Como professora universitária desde 1996, lecionou disciplinas relacionadas ao Rádio e à Comunicação Comunitária na Universidade Federal do Ceará(UFC), no Instituto Teológico e Pastoral do Ceará(ITEP), na Faculdade Integrada do Ceará(FIC/ Estácio), na Faculdades Nordeste(UniFanor/Wyden), na Faculdade Sete de Setembro(Uni7/Uninassau) e na Universidade de Fortaleza (Unifor), onde trabalha. Também foi coordenadora do curso de Graduação em Jornalismo e participou de diversas ações formativas no ensino, na extensão e na pesquisa universitária. Kátia Regina Azevedo Patrocínio é referência para quem atua no Radiojornalismo e na Comunicação Comunitária do Estado do Ceará. Sua história de vida, intimamente ligada às periferias da cidade de Fortaleza, moldou muitas de suas escolhas pessoais e profissionais, pois foi professora de centenas de jornalistas formados na cidade nestes quase 30 anos lecionando em cursos de Comunicação. Principal publicação AZEVEDO, Kátia. Mutirão – Jornal alternativo do Ceará(1977/1982). Museu do Ceará; Secretaria da Cultura e Deporto do Ceará, 2002. (Coleção outras histórias). 179 CIDA DE SOUSA Rosane Nunes Maria Aparecida de Sousa nasceu em 12 de janeiro de 1962 em Fortaleza(CE). É filha de José Raimundo de Sousa e Maria Lina de Sousa, e tem sete irmãos. No Primeiro Grau estudou no Centro Educacional Pe. João Piamarta. O Segundo Grau ela cursou na Escola de 2º Grau Gov. Adauto Bezerra. Ainda na Graduação em História começou a atuar na comunicação como radialista. Fez, também, televisão, e passou por algumas emissoras comerciais de Fortaleza e no Maranhão. Quando a Rádio Universitária FM foi criada, em 1981, concluiu um curso de formação de profissionais para aquela emissora, em parceria com a Universidade Federal do Ceará(UFC) e o Sindicato dos Radialistas. Formada a equipe, Cida foi trabalhar naquela emissora, onde permaneceu por mais de duas décadas. Cursou Pós-Graduação em Filosofia(1989) na Universidade Estadual do Ceará(UECE), com foco na filosofia política. Desde então a Filosofia influencia pesquisas e práticas de ensino em Comunicação. Ela tem formação em teatro no Curso de Arte Dramática(CAD/ UFC, 1992), experiência que influenciou sua pesquisa de Mestrado (1997) na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), quando encontrou na teoria do teatro uma pista para compreender a espetacularização da política. No Doutorado, também na UFRJ (2002), prosseguiu no campo da política e pesquisou estratégias de comunicação em eleições. Sua trajetória de pesquisadora começou ainda na Graduação em História, quando estudava a relação entre história e religião. Voltouse, depois, para o nexo entre Filosofia e Política. Na comunicação 180 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste pesquisou durante quase duas décadas Comunicação e Política – especialmente eleições, recorte do Mestrado e do Doutorado, com análise de discurso na perspectiva francesa. Concomitantemente, interessava-se por outros temas, entre eles as questões de gênero, tema de uma disciplina que cursou na Escola de Comunicação (ECO/UFRJ) e proporcionou a publicação de seu primeiro artigo acadêmico sobre o tema da homossexualidade na teledramaturgia. Coordena um projeto de extensão que desponta como um dos mais atuantes na UFC, o Neomarsha, sobre diversidade, que conjuga elaboração de produtos jornalísticos e leituras sobre a fluidez das identidades sexuais e de gênero. Além do diálogo da comunicação com história, religião, política e questões de gênero, Cida também construiu conhecimento no campo da imagem, quando coordenou, na UFC, o Grupo de Estudos sobre Identidade, Televisão e Cultura(GEITEC), criado em 2008, por onde passaram dezenas de estudantes. No magistério superior teve a primeira experiência em faculdades particulares nas cidades de Niterói e Rio de Janeiro, entre 1998 e 2000. Quando concluiu o Doutorado, de volta ao Ceará, passou a compor o quadro de docentes da Universidade de Fortaleza (Unifor), onde lecionava Economia Política da Comunicação e Radiojornalismo. Em 2003 torna-se professora do curso de Jornalismo da UFC, em regime de dedicação exclusiva, na área de Fundamentação Teórica. Conciliou sala de aula com cargos de gestão: vice coordenadora do curso de Graduação, coordenadora do curso de Especialização em Teorias da Comunicação e da Imagem, coordenadora do curso de Especialização em Jornalismo Científico, representou o curso no Conselho do Centro de Humanidades(CH), representou o CH no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFC(CEPE) e integrou a Câmara de Extensão da UFC. Cida de Sousa dedica-se a escrever um livro sobre metodologia da pesquisa, trabalho que surge do questionamento que a norteou na condução da disciplina Pesquisa e Epistemologia, no qual criou um método de construção do projeto de pesquisa compartilhado, demonstrando que é possível haver generosidade, partilha e coletividade na pesquisa acadêmica. Historiadora, especialista, mestre e doutora em Comunicação e Cultura, desenvolve pesquisas e projetos de extensão com claras interfaces entre jornalismo, política e filosofia. 181 Principais publicações SOUSA, Cida de. O discurso político-mediático-autorizado. 978-857113-406-5, v. 1, p. 65-78, 2012. SOUSA, Cida de. Políticas de comunicação e sociedade democrática: o papel da comunicação no desenvolvimento social. O Público e o Privado, UECE, v. 14, p. 25-34, 2009. SOUSA, Cida de. A disputa do discurso religioso no espaço dos media. Cadernos de Estudos e Pesquisas, São Gonçalo, RJ: Universidade Salgado Oliveira, p. 21-33, 1999. 182 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste INÊS VITORINO Claudiene dos Santos Costa Inês Sílvia Vitorino Sampaio nasceu em 8 de abril de 1963 em Fortaleza(CE). É filha de José Benício Sampaio e de Edile Vitorino Sampaio. O casal teve seis filhas. Inês é mãe de André e Bárbara e avó de Yami e Flor. Na vida escolar uma bolsa de estudos possibilitoulhe cursar o Ensino Fundamental no Instituto Monsenhor Luís Rocha, fundado em Fortaleza na década de 1950. O Ensino Médio foi cursado no Colégio Cearense. Foi aprovada em primeiro lugar no vestibular para o curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Ceará(UFC). Deu prosseguimento nesta área no Mestrado em Sociologia do Desenvolvimento, também na UFC, e no Doutorado em Ciências Sociais na Universidade de Campinas(Unicamp-1999). Aprovada em primeiro lugar na linha de pesquisa de Cultura e Política, ela realizou estágio-sanduíche na Westfälische WilhelmsUniversität(WWU) durante dois anos. Como bolsista do Deutscher Akademischer Austauschdienst, pesquisou junto a Joachim Westerbarkey, da Associação Germânica de Comunicação e pesquisador de Teorias da Comunicação e Ética das Mídias. Sua tese, defendida em 1999, foi intitulada“A tematização da infância nas esferas públicas mediáticas: uma análise da propaganda de televisão”, orientada por Antonio Augusto Arantes Neto, professor emérito do Departamento de Antropologia da Unicamp. Seguiramse ainda dois Pós-Doutorados: um na Université du Québec à Montréal(UQAM), em Montreal(Canadá), em 2008, e outro na Deakin University, em Melbourne(Austrália), em 2023. 183 No início da carreira, que culminou no cargo de professora titular na área de Comunicação da UFC e professora associada ao Berkman Klein Center da Universidade de Harvard(2020-2022), foi assessora parlamentar. Atuou entre 1985 e 1989 na Assembleia Legislativa do Ceará no assessoramento de parlamentares que atuavam na Comissão de Direitos Humanos e no Instituto de Estudos e Pesquisas Sobre o Desenvolvimento do Estado do Ceará(INESP). Na Prefeitura de Fortaleza foi oficial de gabinete e diretora de Departamento do Instituto de Previdência do Município(IPM). Iniciou na docência como professora de sociologia no Instituto Teológico Pastoral do Ceará(ITEP) entre 1990 e 1992. Após concluir o Doutorado tornou-se professora de Sociologia e de Comunicação na Universidade de Fortaleza, de 1999 a 2004. Também foi professora visitante na Universidade Estadual no Ceará(UECE), lecionando nos cursos de Ciências Sociais e no Programa de PósGraduação em Políticas Públicas, entre 2002 e 2007. Seu cargo de docente na UFC teve início em 2004 no curso de Comunicação Social. Lá foi coordenadora do curso, de 2005 a 2007, e da comissão de elaboração do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, tendo sido sua primeira coordenadora, em 2008. Foi vice-diretora e coordenadora acadêmica do Instituto de Cultura e Arte(ICA) da UFC, entre 2011 e 2015, período em que coordenou a comissão de elaboração do Projeto Político-Pedagógico do ICA. Na Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós) foi secretária geral de 2011 a 2013 e vicepresidente de 2011 a 2013. Outras experiências internacionais vieram a partir de 2020, quando atuou como professora associada ao Berkman Klein Center, da Universidade de Harvard(EUA), até 2023. Tornou-se investigadora associada ao Centro de Excelência Australiano para a Criança Digital em 2022, integrando a equipe de pesquisadores da Deakin University. Inês Vitorino fundou, na Comunicação da UFC, o Laboratório de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia(LabGRIM), no qual é vice-coordenadora. É autora do livro“Televisão, publicidade e infância”(2004) e coautora do livro“Qualidade na programação infantil na TV Brasil”(2012). Organizou as coletâneas“Mídia de chocolate: estudos sobre a relação infância, adolescência e comunicação”(2006) e“Comunicação, cultura e cidadania”(2012), tendo contribuído, ainda, com inúmeros capítulos de livros e/ou artigos em periódicos da área. Destacam-se as pesquisas do projeto 184 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste “TIC Kids On-line Brasil-Portugal”, desenvolvido de 2014 a 2016, cujos resultados foram publicados no site do Ministério da Justiça. Também, o livro“Criança e consumo: 10 anos de transformação”, que teve sua participação em capítulo sobre“Reconfigurações das culturas infantis sob a égide do consumo e da convergência midiática”(2016). Principais publicações MÁXIMO, T. M.; SAMPAIO, I. S. V. Uso compartilhado do celular por crianças e familiares: implicações para privacidade on-line e mediação parental. Mídia e Cotidiano, v. 14, n. 1, p. 55-73, 19 fev. 2020. SAMPAIO, Inês S. V.; COSTA, A. S. Brazilian BookTubers and the COVID-19 Pandemic. First Monday, on-line, v. 4, p. s/n-s/n, 2022. SAMPAIO, Inês S. V.; CAVALCANTE, A. P. P.; MÁXIMO, T. M. Curadoria de pares no compartilhamento on-line de fotos por crianças. Revista Cocar, on-line, v. 1, p. 109-130, 2019. SAMPAIO, Inês S. V. Reconfigurações das culturas infantis sob a égide do consumo e da convergência midiática. In: FONTENELLE, Laís(org.). Criança e consumo: 10 anos de transformação. 1. ed. São Paulo: Instituto Alana, 2016. SAMPAIO, Inês S. V. Televisão, publicidade e infância. São Paulo: Annablume, 2004. SAMPAIO, Inês S. V.; CAVALCANTE, Andrea P. C.; ACIOLY, Andrea; TORRES, Camila; PEREIRA, Nut; DOS ANJOS, Samaísa; COELHO, Sarah. Qualidade na programação infantil na TV Brasil. Florianópolis, SC: Editora Insular, 2012. 185 MARIA ÉRICA Cleide Luciane Antoniutti Maria Érica de Oliveira Lima nasceu em 25 de setembro de 1973 em Cedro(CE). É filha de José Ferreira Lima e Marta Maria Oliveira Lima; é a caçula, tendo uma irmã e um irmão mais velhos. Estudou em Juazeiro do Norte(CE) no Colégio Batista do Cariri, escola protestante, até a oitava série. Fez o 1º ano Científico no Colégio Salesiano Dom Bosco, mas, com reprovação em Física, foi para Fortaleza para concluir o Segundo Grau. No período de dois anos que ficou na capital cearense estudou alemão na Casa de Cultura Alemã da Universidade Federal do Ceará(UFC). Em 1993, juntamente com a família, decide mudar para Campinas (SP). Lá trabalha numa empresa automotiva, no departamento de comunicação interno, para ajudar nas despesas. Em 1994 entra no curso de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica(PUCCampinas), e, em 1997, com outros colegas, apresenta o Trabalho de Conclusão de Curso(TCC) sobre um jornal de bairro da cidade, “Jornal Impresso Ouro Verde”, ao mesmo tempo em que submete candidatura ao Mestrado em Comunicação na Universidade de São Paulo(USP) e na Universidade Metodista de São Paulo(UMESP). Não consegue a vaga na USP, e cursa o Mestrado sob orientação de José Marques de Melo na UMESP(1998-2000), na linha Teorias e Ensino da Comunicação, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), desenvolvendo pesquisa no campo da comunicação e política com a dissertação“Neocoronelismo na mídia nordestina: um perfil oligárquico do Correio da Bahia”. 186 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Em 2001, em Adamantina(SP), consegue seu primeiro emprego na docência no curso de Publicidade, no Centro Universitário Adamantina(UniFAI), passando, depois, por outras faculdades, como Faculdade Prudente de Morais(FPM) em Itu, Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino de São João da Boa Vista(UniFAE) em São João da Boa Vista e Universidade Paulista (UNIP) em Campinas, seu último emprego na iniciativa privada. No Doutorado(2002-2005), sob a supervisão de Anamaria Fadul, investiga o rádio e o forró eletrônico;“Somzoo Sat: Local ao Global”. Em 2004, no Porto, na Universidade Fernando Pessoa, com supervisão de Jorge Pedro Sousa, faz estágio-sanduíche e desenvolve pesquisa sobre a internacionalização do grupo RTP de Televisão como bolsista do Programa AlBan(Programa de Bolsas de Estudos de Nível Superior para a América Latina). Em 2006 é aprovada no concurso público na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN) para o curso de Jornalismo e Rádio TV, agora Audiovisual. Durante nove anos, além das aulas, participou como uma das docentes do núcleo estruturante de formação do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia(PPGEM), em que fica até 2015. Em 2007 recebe o Prêmio Pedro Ruta de Folkcomunicação da Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG) e da Cátedra Unesco. Nesse período ela ainda atua como conselheira da Rede de Estudos e Pesquisa em Folkcomunicação(Rede Folkcom), entidade em que foi diretora científica(2008-2011) e presidente(2013-2017). Esteve como coordenadora do Grupo de Pesquisa Folkcomunicação, Mídia e Interculturalidade da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom-2018-2020); na coordenação colegiada da Divisão Temática Ibercom(DTI) 13 – Folkcomunicação, Lisboa, Bogotá e Porto(2017, 2019, 2022); e como coordenadora de Grupo de Trabalho(GT) da XIII Conferência Brasileira de Folkcomunicação, Juiz de Fora(MG) em maio de 2011. É parecerista ad hoc e editora convidada de várias revistas científicas no Brasil, Portugal e Espanha. Parecerista ad hoc da Gerência de Pesquisa da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia(UESB) a partir de 2009, assim como do projeto de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). A partir de 2008 é parecerista externa de avaliação de Projeto de Pesquisa da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Departamento de Comunicação Social. 187 Em 2012 esteve como Visiting Scholar and Visiting Researcher The University of Texas at Austin, pelo Teresa Lozano Long Institute Latin America Studies, o que permitiu a publicação de vários artigos na área de cultura e mídia. No ano de 2022 a 2023 realiza o PósDoutorado na Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales (Flacso), Argentina, no Instituto de Pesquisa de Ciências Sociais da América Latina, na área de Estudos da América Latina(Adela), sob a supervisão de Fernando Fischman. Com a pandemia, em 2020 começa um novo hobby: pesquisa genealógica da família, que a leva a escrever um livro reportagem sobre o apagamento de cristão novos da história familiar. Desde então estuda a cultura judaica sefardita e inicia uma reconstrução espiritual de respeito, amor e memória. Maria Érica é professora e pesquisadora da área de Comunicação com ênfase no Jornalismo, Cultura Popular, Folkcomunicação e Estudos da Mídia. Saiu do seu Estado natal, Ceará, para aprender e ensinar em outras localidades: São Paulo e Rio Grande do Norte. Depois de 24 anos fora do seu torrão, ela retorna para recompor laços e carreira, e, sempre que possível, parte para seu peculiar cotidiano em Portugal. Desde 2015, por decisão judicial na condição de permuta, encontrase no curso de Jornalismo e no Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da UFC. Também é pesquisadora colaboradora na Universidade do Porto, no Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória(CITCEM). Principais publicações LIMA, Maria Érica de Oliveira. Mídia regional: indústria, mercado e cultura. 1. ed. Natal: EDUFRN, 2010. 180 p. MEIRA, E. S.; LIMA, Maria Erica de Oliveira(org.). Juazeiro das Candeias. 1. ed. Fortaleza: ALECE; INESP, 2022. v. 1. 257 p. MARQUES DE MELO, José; LIMA, Maria Érica de Oliveira; MACIEL, Betânia(org.). Território da folkcomunicação. Natal: UFRN: Departamento de Comunicação Social, 2011. 310 p. NOBRE, Itamar de Morais; LIMA, Maria Érica de Oliveira(org.). Cartografia da Folkcomunicação: o pensamento regional brasileiro e o itinerário da internacionalização. 1. ed. Campina Grande: EDUEPB, 2019. 618 p. V. 1.¿ 188 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste BEATRIZ FURTADO Cristiane Parente Sylvia Beatriz Bezerra Furtado nasceu em 20 de agosto de 1959 em Russas(CE). É filha de Maria Sylvia Bezerra Furtado e de Francisco de Assis Pordeus Furtado. Tem uma filha: Nana(Nadja Furtado Bortolotti). Beatriz viveu até os oito anos em Russas, quando se mudou para Fortaleza(CE). Lá estudou em colégios privados pagos com sua participação nas equipes de Handebol e Voleibol. Uma parte do Ensino Fundamental foi no Colégio Jenny Gomes, outra na Escola Nossa Senhora das Graças. O Ensino Médio cursou no Colégio São João. Aos 17 anos resolve morar em São Paulo para estudar Comunicação Social, onde iniciou sua militância estudantil no Centro Acadêmico. Também foi presidente da Casa do Estudante, na qual morou e viveu de forma plena a experiência da coletividade, conceito e estilo de vida. Retornou à Fortaleza em 1982 para concluir o curso de Comunicação Social na Universidade Federal do Ceará(UFC), em 1986. Após a Graduação faz o Mestrado em Jornalismo e Ciências da Comunicação(1999-2002) pela Universidade Autônoma de Barcelona, com a orientação de Josep Lluís Gomes Mompart, e publica“Imagens Eletrônicas e Paisagem Urbana”. No ano seguinte, em 2003, inicia o Doutorado em Ciências Sociais na UFC, com bolsa-estágio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) em Filosofia, na Universidade de Lisboa, com a tese“Imagens que resistem – o intensivo no cinema de Aleksander Sokurov”, com orientação de Carlos Couto Sequeira 189 Costa, da Universidade de Lisboa, e Daniel Soares Lins, da UFC. A formação foi concluída em 2007. Em 2011 realiza o primeiro Pós-doutorado em“Cinema e Arte Contemporânea” pela Université Paris III – Sorbonne Nouvelle – e, em 2020, o segundo, em“Práticas Artísticas e Curatoriais em Obras Fílmicas”, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (2020), com bolsa Capes. Tem realizado cursos de formação complementar e atualização, como“Problemáticas da Curadoria”, pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage(2021); Residência de Pesquisa em Curadoria, no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona(MACBA-2013) e Estética e Modernidade, pela Universidade Nova de Lisboa(UNL2004-2005). Desde 2006 Beatriz Furtado é professora associada – em regime de Dedicação Exclusiva – da Graduação em Cinema e Audiovisual do Instituto de Cultura e Arte(ICA) da Universidade Federal do Ceará(UFC), e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Coordena o Projeto de Extensão“Escola Pública do Audiovisual” da Vila das Artes, e o“Curso Técnico em Audiovisual” do Centro Cultural Bom Jardim, todos em Fortaleza. Participou da criação do Instituto de Cultura e Arte, do curso de Cinema e Audiovisual, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Artes. Coordena o curso de Cinema e Audiovisual e é membro da Comissão de Direitos Humanos da UFC. Em 2007 criou o Laboratório de Estudos e Experimentações em Audiovisual e Artes(LEEA), onde reúne pesquisadores, estudantes e professores da área. O LEEA trouxe a Fortaleza a cineasta Agnès Varda, e realizou o Encontro Internacional de Imagem Contemporânea, resultando nas publicações“Imagem Contemporânea, volumes I e II”,“Pós-Fotografia”,“Imagem e Liberdade” e“Pós-Cinema e o Devir das Imagens da Artes”. No ICA ela está vinculada a quatro projetos:“Políticas da terra: encontros da universidade com os saberes e fazeres afro-indígenas”, de 2023;“Retomar as imagens, retomar a história: cinema-processo e luta por direitos em filmes brasileiros contemporâneos”, de 2022;“A Cena no Cinema Contemporâneo”, de 2019, e“Sobre o documentário contemporâneo”, em parceria com a Universidade de Lisboa(Centro de Investigação em Belas Artes – Cieba), firmados em 2018. 190 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Entre 2002 e 2006, ano em que passou no concurso da Universidade Federal do Ceará, foi professora na Universidade de Fortaleza(Unifor). Sua relação com UFC, porém, começa bem antes, quando, ainda em 1995, é aprovada como professora substituta e assume por um ano as disciplinas de Teoria da Comunicação I e II. Também lecionou na Universidade Federal de Santa Maria(UFSM), entre janeiro de 1993 e dezembro de 1994, e na Pontifícia Universidade Católica de Campinas(PUCCampinas, SP), entre janeiro de 1991 e fevereiro de 1992. Para além de sua vida acadêmica, há toda uma atividade ligada à gestão cultural, ao jornalismo e à sua militância política. Em 1986, ainda estudante do curso de Comunicação, participou da campanha da candidata à Prefeitura de Fortaleza, Maria Luíza Fontenele. Com a vitória, torna-se secretária de imprensa, entre janeiro de 1987 e outubro de 1988. Dali é chamada para fazer a campanha da Prefeitura do PT em Santa Maria(RS). Realizou Mestrado na Universidade de Campinas(Unicamp-SP) e foi editora assistente da Folha de São Paulo, entre janeiro de 1990 e 1991. Foi diretora de Produção da TVC(TV Cultura do Ceará) entre fevereiro de 1994 e dezembro de 1995 e editora do suplemento cultural Sábado, do jornal O Povo, passando depois à editora do caderno cultural diário, Vida e Arte, onde permaneceu até 1998. Entre janeiro e dezembro de 1997 passa a coordenar a área de Cinema e Vídeo do Instituto Dragão do Mar de Arte e Cultura, e em novembro de 1999 fundou, com um grupo de amigos de várias áreas artísticas, o Alpendre – Casa de Arte, Pesquisa e Produção, que teve – até fechar em 2012 – um papel fundamental na formação de vários artistas cearenses, além de ter ampliado o acesso ao mercado cultural a jovens de bairros periféricos da cidade. Foi também Presidente da Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Fortaleza(Funcet) entre novembro de 2005 e outubro de 2006, e uma das idealizadoras da Vila das Artes, complexo cultural vinculado à Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza(Secultfor), espaço de formação, difusão, pesquisa, exposição, fruição e produção em diferentes linguagens artísticas. Teve papel fundamental em outros projetos, como a Revista Farol, publicação gratuita voltada à divulgação da vida cultural na/da periferia e demais bairros de Fortaleza, e na criação do Centro Cultural do Bom Jardim e do Porto das Artes. 191 Beatriz foi curadora ou jurada em exposições e festivais de vários órgãos, como o Centro Cultural Banco do Nordeste; Festival de Brasília; CachoeiraDoc; Cine Ceará; Noia; Bienal de Par em Par; Festival de Tiradentes e Festival do Curta de Belo Horizonte, entre outros. Também organizou e/ou esteve na equipe coordenadora de eventos nacionais e internacionais, como algumas edições do “Encontro Internacional de Imagem Contemporânea” e o“Simpósio Internacional Pós-Fotografia, Pós-Cinema – o devir das imagens contemporâneas nas artes”. Seus projetos futuros são terminar de escrever seu memorial de titular, montar um ateliê de trabalho, expor obras de arte em movimento, livros e um café para reunir pessoas e suas histórias. Antes, porém, vai criar o curso de Artes Visuais da UFC, junto com um grupo de professores do ICA e da Arquitetura, além de realizar algumas curadorias de arte. É impossível hoje falar sobre cultura e audiovisual no Nordeste e, mais especificamente no Ceará e em Fortaleza, sem citar o nome de Beatriz Furtado e todo o legado que ela tem deixado, semeado em espaços físicos, projetos culturais, reflexões, obras, pesquisas, eventos. Principais publicações FURTADO, Beatriz; DUBBOIS, Phillipe. Pós-fotografia, pós-cinema. 2. ed. São Paulo: Edições Sesc, 2023. FURTADO, Beatriz(org.). Imagem contemporânea. São Paulo: Hedra, 2009. Vols. 1 e 2. FURTADO, Beatriz; LINS, Daniel; PELBART, P. P.; Suely Rolnik; BRUNO, M.(org.). Fazendo rizoma. São Paulo: Hedra, 2008. FURTADO, Beatriz; BRASIL, Andre; PARENTE, André(org.). Imagem e exercício da liberdade: cinema, fotografia e artes – imagem contemporânea III. 1. ed. Fortaleza: Imprensa Universitária: Universidade Federal do Ceará, 2020. FURTADO. Beatriz. Imagens eletrônicas e paisagem urbana: intervenções espaço-temporais no mundo da vida cotidiana: comunicação e cidade. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2003. 192 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste SILVIA BELMINO Elane Abreu de Oliveira Silvia Helena Belmino Freitas nasceu em 19 de outubro de 1961 em Fortaleza(CE). É filha de Raimundo Belmino Chaves e de Maria Helena Campos Chaves. É a primogênita entre os seis filhos do casal. A família viveu em Pentecoste e Ubajara, municípios do interior do Estado, retornando para Fortaleza, onde Silvia estudou em escolas particulares: Colégio Redentorista, Colégio 7 de Setembro e Colégio Cearense(Marista). Ela ingressou no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará(UFC) em 1982, e, como estudante, teve experiências de trabalho nos Jornais Tribuna do Ceará e Diário do Nordeste. Finalizou o curso em 1987 e morou na Alemanha por quatro anos. Ao retornar ao Ceará fez três Especializações: Teorias da Comunicação e da Imagem na UFC, Publicidade e Propaganda na Universidade de Fortaleza(Unifor/Universidade de São Paulo – USP) e em Marketing na Universidade Estadual do Ceará(UECE). Cursou Mestrado em Administração na Unifor com foco em Marketing, direcionado à Imagem do Meio Ambiente na Construção Civil. Retornou ao campo da Comunicação no Doutorado em 2007, realizado na Universidade de Brasília(UnB), com a tese“A tradição na modernidade ou a(re)significação imagética do Ceará contemporâneo: a propaganda turística dos governos mudancistas (1987-1994)”, transformada em livro. A carreira no Ensino Superior iniciou-se em 1999 como professora da Faculdade Evolutivo, uma instituição privada, e, no mesmo período, exerceu a função de coordenadora no Instituto de Ensino Superior do Ceará(IESC), vinculada ao Grupo Objetivo de São 193 Paulo. Foi também professora substituta no curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – da UFC, onde, a partir de agosto de 2002, torna-se professora efetiva. Na UFC foi coordenadora do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – por dois mandatos; esteve nas funções de chefe de Departamento, tutora do Programa de Educação Tutorial(PET), coordenadora e vice-coordenadora da Pós-Graduação em Comunicação. Em 2013 fundou o Grupo de Pesquisa de Imagem, Consumo e Experiências Urbanas(GICEU), coordenado juntamente com um colega. O grupo reúne pesquisadores nacionais e internacionais em torno da linha de pesquisa“Narrativas de consumo, experiências e imaginários no espaço urbano em processos e produtos de comunicação”, atuando tanto em pesquisa quanto em extensão. Seu livro“Sinta na pele esta magia: a propaganda turística do Ceará (1987-1994)”, publicado em 2018, trata dos discursos de consumo em torno da imagem turística cearense. Os artigos“Entre dois mundos: visita turística ao jazigo de Pablo Escobar no cemitério Montesacro”(2020) e“Fortaleza ville hôte: le discours de la joie dans les guides touristiques des villes de la Coupe du monde FIFA 2014(2018), são também produções de destaque da pesquisadora. Um dos produtos derivados de suas pesquisas é o“Fortaleza em Música”, aplicativo lançado em 2021 que localiza, no mapa da cidade, locais mencionados nas composições musicais investigadas. Este aplicativo reúne 200 músicas de 92 artistas da cidade em diferentes gêneros, e oferece informações sobre compositoras, compositores e os espaços cartografados. Na pesquisa ou no ensino, bem como nas redes de pesquisa, dedica-se a estudar cidades, consumo, narrativas e representações midiáticas, especialmente a partir do território cearense. Silvia Belmino é professora e pesquisadora na Universidade Federal do Ceará(UFC) desde 2002, período em que testemunhou o início e a posterior consolidação do curso de Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, da instituição. Principais publicações BELMINO, Silvia. Sinta na pele esta magia: a propaganda turística do Ceará(1987-1994). 1. ed. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2018. BELMINO, Silvia; SILVA, Emylianny. Fortaleza ville hôte: le discours 194 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste de la joie dans les guides touristiques des villes de la Coupe du monde FIFA 2014. Sociétés, Paris, v. 140, p. 55-64, 2018. BELMINO, Silvia; FREITAS, Ricardo. Entre dois mundos: visita turística ao jazigo de Pablo Escobar no cemitério Montesacro. Visualidades, Goiânia, v. 20, p. 1-20, 2023. BELMINO, Silvia; FREITAS, Ricardo(org.). Intercidades: consumos e imaginários urbanos. 1. ed. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2020. GICEU. Fortaleza em música. Android. 2021. Aplicativo. 195 GABRIELA REINALDO Dayana Oliveira Gabriela Frota Reinaldo nasceu em 24 de agosto de 1971 em Fortaleza(CE). É filha de Noêmi Frota Reinaldo e Lourenço Humberto Portela Reinaldo. No Ensino Fundamental estudou no Colégio da Imaculada Conceição, no Ensino Médio no Colégio Santo Inácio, durante o primeiro e o segundo anos, e no Geo Studio no terceiro ano. Graduada em Comunicação Social na Universidade Federal do Ceará(UFC), fez Mestrado no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC/SP), com a dissertação“A mitopoiesis da canção de Siruiz de Grande Sertão: veredas”(como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq), sob a orientação de Olga de Sá, e, em seguida, com a mesma orientadora, fez Doutorado(como bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – Fapesp) e defendeu, em 2002, a tese“Uma cantiga de se fechar os olhos – mito e música em Guimarães Rosa”. No Doutorado fez um estágio de dois meses no Kings College de Londres, com a supervisão de David Treece, e, posteriormente, realizou Doutorado-Sanduíche na Université Paris X em 1998, onde estava ligada ao grupo de estudos luso-afrobrasileiros, coordenado por Idelete Muzart. Além da Graduação em Comunicação Social na UFC, chegou a cursar alguns semestres de Economia na Universidade de Fortaleza (Unifor), onde, mais tarde, iria lecionar, e Letras, na Universidade Estadual do Ceará(UECE). 196 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Ingressou como professora do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará(o ICA-UFC) no ano de 2009, e, no período de 2013 a 2014, fez um estágio Pós-Doutoral sênior no Departamento de História da Arte da Universidade de Cambridge (UK), onde investigou as representações do Brasil feitas pelos artistas cientistas do século 19, com projeto“O olhar naturalista e o seu legado para a ciência e para a ficção”, sob supervisão de Jean Michel Massing. Neste período pesquisou e participou de cursos e eventos no The Warburg Institute, ligado à Universidade de Londres. Gabriela ministra aulas na Graduação no ICA e coordena o Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCom-UFC). Além do PPGCom, faz parte do quadro de professores permanentes do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução(POET). Tem experiência na área de Semiótica, com ênfase em Comunicação Social, atuando, principalmente, nos seguintes temas: Semiótica Peirciana, Semiótica da Cultura(Lotman), Mito, Tradução Intersemiótica e Entre Culturas, Antropologia da Imagem, Literatura, Vilém Flusser e João Guimarães Rosa. Atuou no jornal Diário do Nordeste, estagiou no Jornal O Povo e na Rede Manchete de TV, e trabalhou como freelancer na área da comunicação no período em que morou em São Paulo. Iniciou suas atividades como professora titular na Universidade de Fortaleza(Unifor), onde lecionou por dez anos, de 1999 a 2009. Entre as disciplinas ministradas estão:“Imagens, Mitos e Discurso”, “Semiótica” e“Introdução ao Jornalismo”. Na Unifor coordenou as ações para a criação do curso de Jornalismo. Também participou do corpo docente da Faculdade Integrada do Ceará(FIC) no ano de 2003, ministrando duas disciplinas:“Estética, cultura e comunicação” e“Comunicação de Massa” para turmas da Graduação em Jornalismo. As disciplinas ministradas desde seu ingresso na UFC perpassam as seguintes temáticas: Semiótica, Teorias e Estéticas da Arte, Linguagens e Tradução Intersemiótica na Arte, na Comunicação e na Cultura, Estética e Comunicação de Massa, Teorias da Imagem, Pesquisa em Comunicação, Comunicação e Cultura, Tradução Intersemiótica e Estética e História da Arte. Em 2010 começou a ministrar aulas no Mestrado em Comunicação, com a disciplina Tópicos Especiais em Comunicação: fronteira, limite e tradução, e também lecionou Cultura Visual, Teorias da Imagem, Metodologia da Pesquisa em Comunicação e Tradução Intersígnica. 197 Na UFC coordena, juntamente com um colega do PPGCOM, o Imago – laboratório de estudos de estética e imagem, que abriga, entre outras pesquisas, os projetos“Tradução Intersemiótica: a relação palavra e imagem” e“As faces do rosto”. Na área da Comunicação e estudos da imagem destaca-se o artigo “As faces de Hans Belting: sobre os rostos na mídia e rostos como mídia”(2020), além de“A paixão segundo A. W.: notas sobre o ritual da serpente e as pathosformeln no pensamento de Aby Warburg” (E-Compós) e“Warburg e Benjamin: o inacabamento e a montagem como métodos de conhecimento”(E-Compós). Sobre o estudo das imagens do rosto a partir da semiótica, destaca-se:“Das cavernas às prateleiras: sobre pigmentos, maquiagens e filtros”(2021);“O rosto nu: sobre o disfarce da maquiagem/El rostro desnudo: sobre el maquillaje del maquillaje/The naked face: on the make-up of the make-up”(2021) e“Rosto na mídia e rosto como mídia: as contribuições de Hans Belting para o estudo do rosto”(Famecos). Gabriela publicou também“O retrato de Rosa em Bodenlos”(2018) e“Flusser e o ser do sertão: algumas notas sobre Guimarães Rosa” (2015),“Porque as árvores são objetos misteriosos – notas sobre Martius”,“Flusser e a natureza da natureza brasileira”(Revista EcoPós),“A natureza de Vilém Flusser: experiências limites”(Flusser Studies),“Estômago de ostra: notas sobre processos tradutores em Haroldo de Campos”,“Vilém Flusser e Guimarães Rosa”(GaláxiaPUCSP) e“O retrato de Rosa em Bodenlo”(Flusser Studies). Sobre Flusser, em 2012, coorganizou o encontro Internacional Flusser em Fluxo, que aconteceu na Casa Amarela – UFC –, que contou com 12 convidados e teve publicação posterior no número 15 da Revista Flusser Studies 15 – May 2013 – Proceedings of the symposium“Flusser em Fluxo“(May 24 and 25, 2012). Entre as principais publicações de seus estudos sobre Guimarães Rosa, destaca-se seu livro Uma cantiga de se fechar os olhos: mito e música em Guimarães Rosa, publicado em 2005, fruto de sua pesquisa de Doutorado, e em 2022 foi convidada do Colóquio Internacional Primeiras estórias – 60 anos –, onde proferiu palestra sobre o conto“A menina de lá”, ao lado de outros convidados. Destaca-se, ainda, a publicação do capítulo Escritura de luz vazada, na coletânea Bonito pra chover – ensaios sobre a cultura cearense, de 2003, referência obrigatória para se compreender o Ceará, pois traz diversos olhares dos autores sobre a cultura cearense. 198 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Gabriela Frota Reinaldo tem contribuído para a consolidação da área da Comunicação na formação de profissionais da área com seus estudos no campo da Comunicação, Semiótica, Cultura, Imagem e interfaces com literatura e outras artes. Principais publicações REINALDO, Gabriela. Uma cantiga de se fechar os olhos: mito e música em Guimarães Rosa. São Paulo: Annablume, 2005. 241 p. REINALDO, G. Das cavernas às prateleiras: sobre pigmentos, maquiagens e filtros. Galáxia, São Paulo, on-line, v. 46, p. 1-24, 2021. REINALDO, Gabriela. As faces de Hans Belting: sobre os rostos na mídia e rostos como mídia. In: BRASIL, André; PARENTE, André; FURTADO, Beatriz(org.). Imagem e exercício da liberdade: cinema, fotografia e artes – imagem contemporânea III. Fortaleza, CE: Imprensa Universitária, 2020. REINALDO, Gabriela. O retrato de Rosa em Bodenlos. In: GULDIN, Rainer; BERNARDO, Gustavo. Best of Flusser Studies. São Paulo: Editora Annablume, 2018. REINALDO, Gabriela. Flusser e o ser do sertão: algumas notas sobre Guimarães Rosa. In: BRAYNER, André. Vilém Flusser – filosofia do desenraizamento. Porto Alegre: Editora Clarinete, 2015. REINALDO, Gabriela. Escritura de luz vazada. In: CARVALHO, Gilmar de(org.). Bonito pra chover – ensaios sobre a cultura cearense. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 2003. 199 SOBRE A AUTORIA DAS BIONOTAS Bruna Castelo Branco Doutora e mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará(UFC). Possui Licenciatura e Bacharelado em Ciências Sociais pela UFC. Na Pós-Graduação realizou intercâmbio de estudos na Universidade de Vigo(Espanha) como bolsista do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior(PDSE) pela Capes. brunafranco19@gmail.com Claudiene dos Santos Costa Assessora de Comunicação Social do Instituto Nacional do Seguro Social(INSS) no Ceará. Doutora pela Universidade Federal do Ceará(UFC) em cotutela com a Universidade do Porto(Doutoramento em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais). Mestre em Comunicação e especialista em Teorias da Comunicação e da Imagem pela UFC. claudienecosta@gmail.com Cleide Luciane Antoniutti Professora adjunta de Jornalismo na Universidade Federal do Cariri. Pós-Doutorado em Comunicação na Universidade Federal do Paraná. Doutora em Ciência da Informação pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio do Janeiro. Mestre em Sociologia Política/UFPR. Membro do grupo de pesquisa Filosofia e Política da Informação(UFRJ) e do Grupo de Pesquisa Centro de Estudos e Pesquisa em Jornalismo(UFCA). luciane.antoniutti@ufca.edu.br Cristiane Parente Professora colaboradora na Universidade de Brasília(UnB) e no Centro Universitário IESB. Doutora em Comunicação pela Universidade do Minho, com bolsa Capes. Mestre em Educação pela UnB. Mestre em Comunicação pela Universidade Autônoma de Barcelona. Jornalista pela Universidade Federal do Ceará(UFC) e pedagoga pela Universidade Católica de Brasília(UCB). Bolsista DTI-A/CNPq. Diretora da Iandé Comunicação e Educação. cristianeparente.edu@gmail.com 200 SOBRE A AUTORIA DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Dayana Oliveira Produtora cultural na Pró-Reitoria de Cultura da Universidade Federal do Ceará (UFC). Doutora e mestre em Estudos da Mídia pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo – pela UFRN. Coordenadora do projeto de Extensão Nosso Palco, atua com projetos culturais na Universidade. dayanaoliveira@ufc.br Elane Abreu de Oliveira Professora na Universidade Federal do Cariri. Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Membro da Comissão Permanente de Heteroidentificação da Universidade Federal do Cariri(UFCA). Líder do grupo de pesquisa Limbo – Laboratório de Imagem e Estéticas Comunicacionais(CNPq-UFCA) e membro do Grupo de Pesquisa de Imagem, Consumo e Experiências Urbanas (CNPq-UFC). Foi estudante visitante na New York University(NYU). elane.abreu@ufca.edu.br. Helena Martins Professora do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – da Universidade Federal do Ceará(UFC) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFC. Editora da Revista EPTIC. Coordenadora do Telas – Laboratório de Pesquisa em Políticas, Tecnologia e Economia da Comunicação. Pós-doutoranda em Economia na Universidade Federal de Sergipe. Estágio na Universidade do Minho. helena.martins@ufc.br Juliana Lotif Professora da Universidade Federal do Cariri(UFCA) desde 2013. Doutora em Design pela Universidade de Lisboa em regime de cotutela com a Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Mestre em Design pela UFPE. Graduada em Comunicação Social – Publicidade e Propagada – pela Universidade de Fortaleza(Unifor). Pesquisa as relações entre jornalismo e design, especialmente no âmbito do Design da Informação Jornalística. juliana.lotif@ufca.edu.br Kamila Bossato Fernandes Professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará(UFC). Doutora em Estudos de Comunicação pela Universidade do Minho. Mestre em Sociologia pela UFC e Graduada em Comunicação Social – Jornalismo pela UFC. kamila.fernandes@ufc.br 201 Naiana Rodrigues Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará(UFC). Doutora em Ciências da Comunicação pela USP e mestre em Comunicação pela UFC. Pesquisadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho(CPCT-USP) e do Grupo Práxis no Jornalismo(PráxisJorUFC). naianarodrigues@ufc.br Rosane Nunes Professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará(UFC). Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela UFC. Pesquisadora do Grupo Práxis no Jornalismo(PráxisJor-UFC). rosane.nunes@ufc.br 202 SOBRE A AUTORIA DAS BIONOTAS MARANHÃO 203 Chico Gonçalves 28 DO ENSINO AO ENSINO/PESQUISA: ELEMENTOS PARA UM DEBATE SOBRE O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO MARANHÃO PUXANDO OS FIOS DA MEMÓRIA Embora o curso de Comunicação Social mais antigo em funcionamento no Maranhão tenha recentemente completado 50 anos, somente na última década consolidouse no Estado com uma base razoável de ensino e pesquisa. Isto só foi possível com uma articulação entre o esforço individual e o esforço institucional na formação de professores e professoras, com foco no ensino e na pesquisa. Este esforço traduziuse, entre outras coisas, numa base de doutores e doutoras, grupos de pesquisa com significativa produção e dois programas de Pós-Graduação em Comunicação Social, um em São Luís(profissional) e outro em Imperatriz(acadêmico). Atualmente, no Estado do Maranhão, estão em funcionamento nove cursos de Graduação em Comunicação Social, além dos dois programas de Pós-Graduação. A Universidade Federal do Maranhão(UFMA) oferece dois cursos de Jornalismo, um em São Luís e outro em Imperatriz, um de Relações Públicas e outro de Rádio e Televisão, e ainda um Mestrado profissional em São Luís e um Mestrado acadêmico em Imperatriz. O curso de Jornalismo também é oferecido pela Estácio, Universidade Ceuma(Uniceuma) e Instituto Maranhense de Educação e Cultura(IMESC), vinculado à Universidade Paulista(UNIP). Já o curso de Publicidade e Propaganda é oferecido nas três instituições particulares já citadas, Uniceuma, Estácio e IMESC. A formação destes cursos, no entanto, segue trajetórias distintas, por conta das mudanças políticas e tecnológicas nas últimas décadas e da própria história de cada instituição e dos seus vínculos sociais e econômicos. Como lembra Bourdieu(2004), o campo vive 28 Doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão(UFMA). francisco.goncalves@gmail.com 204 DO ENSINO AO ENSINO/PESQUISA: ELEMENTOS PARA UM DEBATE SOBRE O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO MARANHÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste seus próprios tensionamentos e relações de forças, que se alteram com as mudanças sociais, culturais e políticas. Como parte destas disputas, o Ensino Superior vive os efeitos das mudanças políticas e econômicas. Mais recentemente, as universidades sofreram os efeitos das mudanças políticas com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e a ascensão de um movimento autoritário, de caráter fascista. Com uma lógica negacionista, esse movimento impactou diretamente as universidades. Trata-se, agora, de refletir sobre as reconfigurações do campo da comunicação a partir de um outro cenário, marcado pela eleição de Lula para um terceiro mandato em 2022 e as suas implicações no enfrentamento das políticas de negação da ciência e do papel da universidade, reconstrução da base científica e tecnológica do país e retomada do crescimento econômico e seus possíveis impactos na economia popular, além das políticas de enfrentamentos às desigualdades, dentre elas as de gênero, a considerar a forte e expressiva presença de mulheres na vida universitária e em outros espaços socioeconômicos e culturais. Neste cenário, as universidades ocupam um lugar estratégico no enfrentamento das desigualdades econômicas e simbólicas. O ENSINO DE COMUNICAÇÃO O primeiro curso de Comunicação Social no Estado foi fundado tendo como referência curricular a Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP), mas não só a referência; professores da USP, como José Marques de Melo, contribuíram para a construção do curso, ministrando aulas para os alunos e professores do recémcriado curso da UFMA. Nas primeiras décadas de existência do curso, a presença de professores da USP foi constante, com a realização de palestras e cursos, inclusive de Especialização. As primeiras habilitações criadas – Jornalismo e Relações Públicas – seguiram o modelo curricular da USP. Somente 16 anos depois seria instituída uma terceira habilitação – Radialismo – em 1986, dois anos depois da primeira mudança curricular e já com a presença de egressos no quadro de professores. Após a reforma de 2007, que substituiria o currículo de 1984, a habilitação de Radialismo passa a chamar-se Rádio e Televisão. Na época não prosperou a ideia de transformação em Produção Audiovisual. Além de atualizar a grade curricular, a reforma de 2007 acabou definitivamente com a separação que havia entre tronco comum(teorias) e habilitações(técnicas), criando as condições necessárias para a transformação das habilitações em cursos. Esse modelo continua em vigor, com mudanças pontuais realizadas por exigência do MEC para atualização curricular dos cursos. Ou seja, desde os primeiros períodos os alunos dispõem de disciplinas teóricas e técnicas, tendo como norte orientador a transformação de conceitos em objetos e objetos em novos conceitos. Foi exatamente nesse momento de discussão da reforma curricular do curso de Comunicação Social do Campus do Bacanga, hoje Cidade Universitária Dom 205 Delgado, que o governo Lula anunciou as primeiras iniciativas de expansão da universidade pública. Um dos polos da UFMA beneficiado por esse programa foi o de Imperatriz, a segunda maior cidade do Estado, com a criação dos cursos de Comunicação, Enfermagem e Engenharia de Alimentos. Assim, os professores que estavam coordenando a revisão curricular do curso de Comunicação Social/ Jornalismo, assumiram a tarefa de propor o projeto pedagógico do futuro curso em Imperatriz, que, originalmente, por conta disso, se beneficiou do processo de avaliação da formação de profissionais de comunicação e do redesenho do projeto político-pedagógico. Antes mesmo dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva(2003-2010), durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso(1995-2002), foram criadas medidas pelo Ministério da Educação, sob a liderança de Paulo Renato Costa Souza, com o intuito de promover a expansão das instituições privadas de Ensino Superior. Posteriormente os governos de Lula(2003- 2010) e Dilma Rousseff(2011-2016) estabeleceram a meta de aumentar o número de estudantes universitários por meio da expansão das universidades públicas e do preenchimento das vagas ociosas nas instituições privadas, mediante programas de acesso ao Ensino Superior. Essas ações também contribuíram para o crescimento e a ampliação dessas instituições. No contexto específico do Maranhão, essas instituições concentram-se principalmente no ensino de Comunicação. Dentre aquelas que oferecem cursos de Comunicação, somente o Uniceuma possui um grupo de pesquisa e a Estácio um grupo de extensão. Já o foco da UFMA estava voltado para qualificar o ensino a partir da construção de uma base de pesquisa em Comunicação, sobretudo porque os centros de pesquisa existentes à época na área concentravam-se, majoritariamente, em outras regiões do país. A partir da formulação do novo projeto pedagógico, o Departamento de Comunicação Social(DCS) da UFMA, a exemplo de outras unidades acadêmicas, viu-se diante desse impasse. Não bastava mudar o currículo, era preciso também aproveitar a oportunidade para criar as condições de formação de um novo perfil de professor, que estivesse mais atento às inovações científicas e tecnológicas, às reconfigurações da sociedade brasileira e às transformações do mercado de comunicação no mundo. 206 DO ENSINO AO ENSINO/PESQUISA: ELEMENTOS PARA UM DEBATE SOBRE O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO MARANHÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste IES UFMA UNICEUMA Estácio (antiga Faculdade São Luís) IMESC(rede UNIP) Tabela 1 – Cursos de Comunicação no Estado CURSO INÍCIO Jornalismo – Campus São Luís 1970 Relações Públicas – Campus São Luís 1970 Rádio e Televisão – Campus São Luís 1986 Jornalismo – Campus Imperatriz 2007 Mestrado Acadêmico – Campus Imperatriz 2018 Mestrado Profissional – Campus São Luís 2019 Jornalismo 2013 Publicidade e Propaganda 1998 Jornalismo 2001 Publicidade e Propaganda 2001 Publicidade e Propaganda 2010 Fonte: Coordenação dos cursos de Comunicação e Pós-Graduação e DCS-UFMA, em maio de 2023. FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PROFESSORAS Na prática, a mudança curricular de 2007 e as transformações do ambiente universitário impuseram aos profissionais de ensino um dilema gramsciano(Gramsci, 1978), ou seja, a introdução do novo currículo exigia novas subjetividades, novos sujeitos no fazer/ ensinar, um sujeito que articulasse ensino e pesquisa. O Programa de Capacitação Docente(PCD), vigente à época, já não era suficiente para atender a essa demanda, por se basear, sobretudo, na iniciativa individual de cada docente. Esse dilema coincide, no entanto, com duas iniciativas institucionais criadas naquele período: primeiro, o esforço das universidades em atrair doutores e doutoras por intermédio de concursos públicos; segundo, a possibilidade aberta pelo Ministério da Educação(MEC), com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) para a articulação de programas interinstitucionais de Pós-Graduação. Para compreender o tamanho do desafio, é importante destacar que a maioria dos professores e professoras do curso de Comunicação Social da UFMA/São Luís, em 2007, tinha somente Graduação ou Especialização. Com a exigência do Doutorado 207 ou, no mínimo, Mestrado para ingresso na carreira do magistério superior, o núcleo de professores de Imperatriz já nasceria com uma base de mestres e doutores, embora com dificuldades de fixação, como ficaria evidente nos primeiros anos. Do núcleo original de sete professores, apenas três permanecem no quadro da instituição. Surge, assim, um segundo problema relacionado à construção do projeto acadêmico e à consolidação de base de doutores em comunicação no continente. Esse problema vai possibilitar uma maior parceria entre as duas unidades em busca de uma solução comum. A solução encontrada foi criar programas interinstitucionais, mantendo outras opções abertas de formação de professores em Mestrado e Doutorado. O primeiro resultado aconteceu logo em 2009, com o início do Mestrado Interinstitucional em Comunicação Social(Minter), numa parceria da UFMA com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense(UFF), que formou oito mestres em 2011. Após essa experiência exitosa, a UFMA fez outra parceria com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS) para ofertar Doutorado no modelo interinstitucional (Dinter), que formaria, entre 2012 e 2016, 19 doutores, sendo 6 de Comunicação/ Imperatriz, 12 de Comunicação/São Luís e 1 do curso de Artes. Com essas parcerias institucionais, o quadro de 2007, referente à formação docente, finalmente é revertido em 2016, mas alguns aspectos merecem atenção. Enquanto cresceu o número de professores nos últimos anos nas universidades públicas, ocorreu uma redução nas instituições privadas por razões que merecem ser estudadas. Por outro lado, a formação do quadro de professores no Campus de São Luís é marcada por forte endogenia, enquanto no quadro de professores de Imperatriz predomina uma exogenia. É uma diferença importante a considerar. Ou seja, em São Luís a maioria dos professores foi graduada pelo próprio curso; já em Imperatriz predomina diversidade da Graduação à Pós-Graduação. Outro aspecto diz respeito ao número de mulheres, hoje maioria entre os professores de Comunicação no Estado(Tabela 2). 208 DO ENSINO AO ENSINO/PESQUISA: ELEMENTOS PARA UM DEBATE SOBRE O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO MARANHÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Tabela 2 – Perfil docente por instituição e maior titulação 29 IES DOCENTES UFMA SLZ 42 UFMA ITZ 21 Uniceuma 9 Estácio 3 IMESC 4 TOTAL 79 GRADUAÇÃO 1 1 MESTRADO 8 1 6 2 3 20 30 DOUTORADO 34 20 3 1 58 PROF. 17 9 6 1 2 35 PROFa. 25 12 3 2 2 44 Fonte: Plataforma Lattes , coordenação dos cursos de Graduação e Pós-Graduação e DCS/UFMA em maio/2003. PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO Com essas mudanças no perfil do quadro docente da UFMA, foram dadas as condições para a criação de novos grupos de pesquisa e a formação de dois Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Com área de concentração em Comunicação Contemporânea, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação, em Imperatriz, tem como linhas de pesquisas Formas e Materialidades da Comunicação e Processos Sociopolíticos da Cultura Contemporânea. Já o Programa de Pós-Graduação/Mestrado Profissional, em São Luís, tem como área de concentração Processos e Produtos Midiáticos, também com duas linhas de pesquisa: Comunicação, Tecnologias e Dinâmicas Comunicacionais e Comunicação Digital e Inovação. Vinculados ao Mestrado Profissional e ao DCS, existem 12 grupos de pesquisa: Estudos em Tradição e Memória(ESTREMA); Núcleo de Pesquisa e Produção de Imagem (NUPPI); Estudos, Pesquisa em Linguagem, Interação e Estratégias de Comunicação (DIVERSUS); Comunicação Organizacional Mídia(G-COM); Economia, Tecnologia Comunicação(ETC); Laboratório Integrado de pesquisas e Práticas Jornalísticas Culturais(LABJOR); Estratégias de Comunicação(GPECOM); Observatório de Experiências Expandidas em Comunicação(OBEEC); Relações Públicas Internacionais e Mercados Emergentes(C3PR); Tecnologia e Narrativas Digitais(TECNd); Liga Acadêmica e Pesquisa e Planejamento em Relações Públicas(LAPPRP); e Ensino e Pesquisa em Telejornalismo e Práticas Inclusivas(GEPIN). 29 Para efeito de organização desta tabela, considerou-se todos os professores e professoras lotadas nas unidades acadêmicas, independente dos vínculos funcionais, a exemplo de efetivo, substituto e visitante. 30 Dos 20 mestres, 6 estão cursando Doutorado – Uniceuma, 2; Estácio, 1; UFMA/São Luís, 3. 209 Situação semelhante ocorre em Imperatriz. Vinculados à Graduação e PósGraduação encontram-se ativos dez grupos de pesquisa: Comunicação e Cibercultura(GCiber); Rádio e Política no Maranhão(RPM); Maria Firmina dos Reis – Estudo, Pesquisa e Extensão em Comunicação, Gênero e Feminismos; Jornalismo de Fôlego – Reportagem, Aprofundamento e Contexto; Laboratório de Comunicação Visual e Edição Criativa(LOVE); Laboratório de Pesquisa em Games, Gambiarras, Entretenimento e Mediações em Rede(GamerLab); Imaginarium – Comunicação, Cultura, Imaginário de Sociedade; Comunicação, Política e Sociedade(COPS); Jornalismo, Mídia e Memória(JOIMP); e Linguagem, Discurso, Mídia e Educação(LiDiME). Nessas diferentes iniciativas de ensino e pesquisas destaca-se a forte presença das professoras de Comunicação. Por exemplo, dos 12 grupos de pesquisas existentes no Campus São Luís, 9 são liderados por pesquisadoras. Do mesmo modo, em Imperatriz, dos 10 grupos de pesquisa, 8 são coordenados por professoras. Essa liderança não se restringe apenas à coordenação de grupos de pesquisa, mas também se reflete na produção acadêmica, embora esse dado específico não seja objeto de análise nesta obra. As mulheres constituem a maioria nos cursos de Graduação e Pós-Graduação no Estado. Em Imperatriz, dos dez professores credenciados no Mestrado acadêmico, sete são mulheres. Em São Luís, dos oito professores credenciados no Mestrado profissional, quatro são mulheres. Outro aspecto relevante, que merece análise mais apurada, diz respeito aos diversos Programas de Pós-Graduação existentes no país e à formação do quadro docente com atuação no Estado. Trata-se de analisar a influência desses programas na construção dos sistemas de conhecimentos hegemônicos nos cursos de Comunicação nessa quadra do século. Na falta de dados qualitativos, os dados quantitativos mostram os Programas de Pós-Graduação com o maior número de doutores egressos atuando na formação de comunicadores no Maranhão. Destacam-se, entre outros, os seguintes programas em comunicação: PUC-RS(20), pelas razões já analisadas 31 , Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ(6), Universidade Federal de Pernambuco – UFPE (3) e PUC-SP(3). Fora da área de comunicação, destacam-se os Programas de PósGraduação em Políticas Públicas da UFMA(4) e Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ(2). 31 Na articulação do Dinter, um personagem volta à cena, o professor José Marques de Melo, que, no ano anterior, à implantação do projeto, esteve em São Luís(MA) para receber o título de Doutor Honoris Causa, e, em conversa sobre essa possibilidade, prontamente sugeriu e mediou as tratativas com o programa da PUC-RS. 210 DO ENSINO AO ENSINO/PESQUISA: ELEMENTOS PARA UM DEBATE SOBRE O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO MARANHÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Tabela 3 – Programas de Pós-Graduação e formação docente 32 PROGRAMA ECA-USP – Ciências da Comunicação PUC-SP – Comunicação e Semiótica PUC-SP – Tecnologia da Inteligência e Design Digital UFRJ – Letras(Ciência e Literatura) UFRJ – Comunicação e Cultura UFMA – Políticas Públicas UFPE – Comunicação UFF – Comunicação UFT – Letras – Ensino de Línguas e Literatura PUC-RS – Comunicação Social(Dinter+Tradicional) UFSC – Antropologia Social UNISINOS – Ciências da Comunicação UNESP/Araraquara – Linguística e Língua Portuguesa UNESP – Mídia e Tecnologia UNB – Comunicação 1 UNB – Ciências Sociais – Centro de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas UMESP – Comunicação Social 1 UFMG – Comunicação Social UERJ – Comunicação UERJ – Psicologia Social(Dinter) Universidade Tecnológica Intercontinental(PT) – Ciência da Educação Universidade Fernando Pessoa(PT) – Ciências da Informação 1+ Universidade do Minho(PT) – Sociologia da Comunicação 1 Universidad del Pais Basco(ES) – Meios e Processos Audiovisuais 1 DOUTORADO 1 3 1 1 6 4 3 1 1 20 1 1 1 1 1 1 2 1 1 2 1 1 1 1 Fonte: Plataforma Lattes , maio/2023. 32 Entre as Tabelas 2 e 3 existe uma diferença numérica. A primeira apresenta o número de doutores em cada instituição e a segunda o número de títulos por programas de Pós-Graduação. No caso em questão, um professor com Doutorado em Políticas Públicas trabalha em duas instituições, IMESC e UFMA/São Luís. 211 PONTO DE PASSAGEM Os dados coletados para este texto, junto as coordenações de Graduação e PósGraduação, DCS/UFMA e Plataforma Lattes, evidenciam estatisticamente a forte e crescente presença das mulheres na liderança acadêmica, seja em grupos de pesquisa, em projetos de investigação científica, ou, ainda, na gestão. Para além dos números, que devem ser vistos como pontos de partida e não como pontos de chegada, a presença dessa“outra pessoa”(a mulher) tornou-se incômoda para estruturas universitárias e políticas de ciência e tecnologia apartadas de uma ideia de democracia construída a partir da redistribuição e do reconhecimento. Esta é uma questão polêmica. Por exemplo, em um livro de 2018, Vladimir Safatle afirmava categoricamente:“O espaço público não deve ser marcado pela afirmação da diferença, mas pela indiferença absoluta em relação a qualquer exigência identitária”(p. 31). A afirmação tomava como ponto de partida, para o autor, a transformação dos conflitos sociais em conflitos culturais, o que deslocava o foco da luta pela igualdade para a luta pela diferença. Embora a questão posta por Safatle seja pertinente do ponto de vista do risco da separação e do deslocamento, a sua ênfase exclusiva na igualdade não resolve a equação política. Crítica dessa separação, Nancy Fraser(2022) propõe abordar a questão a partir das concepções de injustiça. A primeira é a injustiça socioeconômica,“que está enraizada na estrutura político-econômica da sociedade”(p. 30); e a segunda é a injustiça cultural ou simbólica,“enraizada em padrões sociais de representação, interpretação e comunicação”(p. 31). Ela observa que essa distinção é analítica, uma vez que, na prática, essas duas formas de injustiça estão entrelaçadas na constituição das desigualdades. Diferente de Safatle(2018), ela propõe uma articulação entre diferença e igualdade, pois, para a autora, a justiça requer redistribuição e reconhecimento (2022, p. 28). Ora, se a questão diz respeito à articulação das lutas por diferença e igualdade, a forte presença das mulheres na vida universitária, seja como estudantes de Graduação e Pós-Graduação, professoras, pesquisadoras e técnicas, questiona os modelos institucionais e as políticas públicas de ciência e tecnologia, que precisam levar em conta, ainda, as questões de gênero. São demandas que envolvem a permanência das alunas na universidade, a linguagem adotada no ambiente acadêmico, a infraestrutura universitária, como creches, e políticas de fomento à Pós-Graduação e à pesquisa científica. Essas questões também têm gênero e precisam ser trazidas à baila num tempo em que se retomam discussões que foram solapadas por um governo negacionista. 212 DO ENSINO AO ENSINO/PESQUISA: ELEMENTOS PARA UM DEBATE SOBRE O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO MARANHÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Referências BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência. Por uma sociologia do campo científico. São Paulo: Editora UNESP, 2004. CONCEIÇÃO, Francisco Gonçalves. A pesquisa em jornalismo no Estado do Maranhão. In: CONCEIÇÃO, Francisco Gonçalves; ATAÍDE, Joanita Mota; PINHEIRO, Roseane Arcanjo(org.). Desafios da pesquisa em jornalismo. São Luís: EDUFMA, 2011. p. 233-245. CONCEIÇÃO, Francisco Gonçalves. O saber e o fazer: para além do currículo mínimo, uma agenda didático-pedagógica para os professores e estudantes de jornalismo. In: Cambiassu, São Luís, v. VII, n. 1, p. 114-131, jan./jun. 1997. GRAMSCI, Antonio. Obras escolhidas. São Paulo: Martins Fontes, 1978. NANCY, Fraser. Redistribuição e reconhecimento. In: NANCY, Fraser. Justiça interrompida. Reflexões críticas sobre a condição“pós-socialista”. São Paulo: Boitempo, 2022. p. 25-89. SAFATLE, Vladimir. A esquerda que não teme dizer o seu nome. São Paulo: Três Estrelas, 2018. 213 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 214 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste ADEILCE DE AZEVEDO Rakel de Castro Adeilce Gomes de Azevedo nasceu em 29 de novembro de 1945 em Caicó(RN). É filha de Saturnino Paulo Gomes e Maria Zilda Gomes, e tem 11 irmãos: 5 homens e 6 mulheres. É casada com Ítalo Gomes de Azevedo e mãe de Ítalo Fábio, Andrea Christina, Aline Vanessa e Ígor Fabiano, e avó de sete netos. Seus primeiros anos escolares foram em Caicó, onde fez o“Primário, Ginásio e Técnico em Contabilidade” no Colégio Santa Teresinha, entre a década de 1950 até o ano de 1964. Também é em terras potiguares que iniciou suas primeiras experiências profissionais com a docência e a comunicação. De maio de 1963 a maio de 1967 foi supervisora das Escolas Radiofônicas do Movimento de Educação de Base(MEB) do Sistema de Caicó, coordenado pela Diocese de Caicó, com aulas e programas educativos veiculados pela Rádio Rural da cidade. O MEB, organizado nacionalmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil(CNBB), era patrocinado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(Unesco), com objetivo a alfabetização de adultos utilizando o método Paulo Freire. Ingressou no curso de Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas na Universidade Federal do Maranhão(UFMA), realizado entre os anos de 1974 e 1977. Um ano depois, em 1978, foi assessora de Relações Públicas da Cerimonial S/C Ltda., primeira empresa de Relações Públicas do Maranhão. Entre 1979 e 1980 foi professora colaboradora da UFMA com lotação no Departamento de Comunicação Social do Centro de Ciências Sociais. A partir de 215 1981 passou a ser integrante da Carreira do Magistério Superior, selecionada por meio de concurso público, permanecendo no cargo até novembro de 2005, quando se aposentou. Adeilce fez seis cursos de Especialização, além de ter participado de cursos de Aperfeiçoamento, de Atualização, de Extensão, Seminários, Semanas Científicas e Congressos. Integrou comissões que discutiram propostas para a inclusão do Estágio Curricular obrigatório na grade curricular de todos os cursos da UFMA; para o estabelecimento da Monografia de Conclusão de Curso em todos os cursos da Universidade; para mudanças curriculares no curso de Comunicação(Jornalismo e Relações Públicas); e para a criação da habilitação de Radialismo. Compôs Comissões Examinadoras para Processo Seletivo de professor substituto(1982, 1984, 1993), Concurso Público para ingresso na carreira do magistério superior (1986, 1989, 1994, 1995) e Comissão verificadora para autorização de funcionamento do curso de Comunicação Social, Habilitação Relações Públicas, da União de Ensino Superior do Pará(UNESPA/ Belém-Pará). Por cerca de oito anos(de 1980 a 1983 e de 1987 a 1991) exerceu a função de supervisora de Estágio Curricular de Relações Públicas, provocando a abertura de campos para estagiários e espaços para atuação profissional. Em trabalhos monográficos orientou 37 alunos e esteve em 78 bancas examinadoras de Trabalho de Conclusão de Curso(TCC). Administrativamente, exerceu a função de coordenadora do curso de Comunicação Social e foi diretora do Centro de Ciências Sociais e diretora do Departamento de Organização Acadêmica(DEOAC) da Pró-Reitoria de Ensino. Ainda foi membro de Colegiados e Conselhos da Administração Superior em decorrência dos cargos que exerceu, com destaque para o Conselho de Administração (Consad), para o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão(Consepe) e para o Conselho Universitário(Consun). Adeilce exerceu duas vezes o cargo de presidente da Associação Brasileira de Relações Públicas(ABRP/MA) e o de presidente da Câmara Superior Permanente da ABRP/Nacional; foi presidente do Conselho da 7ª Região e membro do Conselho Federal(CONFERP) em duas gestões. Em 2005 a aposentadoria foi requerida aos 59 anos de idade e 31 de tempo de serviço. Após a aposentadoria retornou para os vínculos 216 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste com a Igreja Católica, integrando a Pastoral da Comunicação da Paróquia São Francisco de Assis, em São Luís. Lá ela produziu o Jornal “A Voz da Paróquia”, em circulação de julho/1998 a outubro/2018, e ajudou a escrever o livro“Memória dos 50 anos dos festejos de São Francisco de Assis: marco histórico do trabalho evangelizador da Paróquia São Francisco de Assis – 1968/2018”. Principais publicações AZEVEDO, Adeilce Gomes de. A necessidade de Relações Públicas nos órgãos governamentais. São Luís: UFMA. 1981, 28p. AZEVEDO, Adeilce Gomes de. Relações Públicas e comunidade. Cambiassu – Estudos de Comunicação, São Luís, DCS/UFMA, v. 2, n. 2, p. 5-12. 1º sem. 1984. AZEVEDO, Adeilce Gomes de. O ensino de Relações Públicas e as exigências dos novos tempos. Congresso de Relações Públicas, 8., 1984, Belo Horizonte. Anais[...]. Belo Horizonte, MG, 1984, p. 257-26, 1984. AZEVEDO, Adeilce Gomes de. Tendências pedagógicas e a prática docente no curso de Comunicação Social da UFMA. 1996.(Texto apresentado ao Curso Gestão da Comunicação). AZEVEDO, Adeilce Gomes de. Retrospectiva dos 20 anos da ABRP/ MA. Informativo Avaliação, ABRP/MA, n. 12, maio 1997. 217 ANA LEILA MELÔNIO Maria Gislene Carvalho Fonseca Ana Leila Melônio dos Santos nasceu em 27 de julho de 1951 em São Luís(MA). É filha de Elba Santos Melônio e José Nascimento Melônio. Casada com Fernando Antônio Pereira dos Santos, é mãe de Fernando Antônio e Leila Fernanda. Cursou o Ensino Fundamental na Escola Modelo Benedito Leite e no Instituto de Educação do Estado. O Ensino Médio foi realizado na Escola Normal do Instituto de Educação. Fez Relações Públicas(RP) pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em 1974, na segunda turma formada pelo curso. Como professora, ingressou na UFMA no cargo de substituta em 1982, e efetivou-se em 1986. Sua atuação sempre aconteceu entre a academia e o mercado de trabalho: montou o setor de comunicação de um hospital de São Luís e foi técnica em Comunicação Social na Secretaria de Planejamento do Estado do Maranhão. Neste trabalho entrou ainda estudante de RP e saiu depois de sua primeira aposentadoria, nos anos 1990. Em seguida permaneceu como professora com dedicação exclusiva na UFMA. Entre os anos 2000 e 2006 atuou na Associação Brasileira de Relações Públicas(ABRP), seção estadual do Maranhão. Na instituição ela foi vice-presidente, entre 2000 e 2002, delegada junto a Comissão Permanente e conselheira efetiva. Ministrou disciplinas práticas para compartilhar a experiência de mercado de trabalho de Relações Públicas, transitou por disciplinas de diferentes períodos e contribuiu com a formação de praticamente todo o corpo de profissionais de RP no Estado. Tem 218 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste trabalhado na Comissão de Estágios do curso de Relações Públicas, supervisionando o estágio obrigatório em diálogo com o mercado. Em 2009 ingressou no curso de Mestrado em Comunicação na Universidade Federal Fluminense(UFF), com orientação de Mariana Baltar Freire. Sua dissertação foi intitulada“A construção da identidade étnica brasileira através da telenovela”. Em 2012 inicia o Doutorado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, orientada por Dóris Fagundes Haussen, com a tese intitulada“A representação da mobilidade social como estratégia de persuasão na telenovela Avenida Brasil”, dando continuidade à pesquisa do Mestrado. Ana Leila Melônio tem trajetória mercadológica, acadêmica e docente com trânsito fundamental para os saberes que constituem uma área que está fundamentada no diálogo, na inter e na transdisciplinaridade. Principais publicações SANTOS, Ana Leila Melônio. A construção da identidade étnica brasileira através da telenovela. São Luís: EDUFMA, 2018. SANTOS, Ana Leila Melônio. A representação da mobilidade social como estratégia de persuasão na telenovela Avenida Brasil. 2016. Tese(Doutorado) – PUCRS, Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, Porto Alegre: PUC, 2016. SANTOS, Ana Leila Melônio. Duas novelas, múltiplas identidades e um denominador comum: a protagonista negra – leituras e releituras nas entrelinhas do silêncio. In: FERREIRA JÚNIOR, José Ribamar. Crítica de mídia e tessitura das mediações. São Luís: EDUFMA, 2018. 219 ZENIR PONTES Leila Sousa Zenir de Jesus Lins Pontes nasceu em 1º de agosto de 1954 em São Luís(MA). É filha de Walber Tinoco Lins e de Raimunda Marques Lins. Foi casada com Pedro Valney Pontes e é mãe de Walber e Ana Marília. Fez Primeiro e Segundo Graus nos colégios São Vicente de Paula e no Liceu Maranhense. Zenir é graduada em Comunicação Social(Relações Públicas e Radialista) pela Universidade Federal do Maranhão(UFMA). É especialista em Teoria e Prática das Relações Públicas, Metodologia do Ensino Superior e Gestão da Comunicação pela UFMA. Seu Trabalho de Conclusão de Curso em Gestão da Educação teve como tema“A análise da teoria geral da administração e sua inter-relação com o estudo das Relações Públicas”. É mestra em Administração de Empresas pela Universidade de Fortaleza(Unifor), com a dissertação“Formação dos diferenciais competitivos por meio das relações públicas nas indústrias maranhenses”. Realizou o Doutorado em Ciência da Educação pela Universidade Tecnológica Intercontinental do Paraguai(2011), revalidado pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE-Brasil) em 2015. No Doutorado desenvolveu a tese“Formação dos docentes dos cursos de Comunicação Social do Maranhão e as vertentes pedagógicas utilizadas nas suas práticas didáticas na academia”. Ingressou como docente na UFMA em 1982. Entre os anos de 1987 e 1990 foi coordenadora do curso de Relações Públicas. Entre os anos 1990 e 1996 dedicou-se à direção da Rádio Universidade FM, quando introduziu melhorias técnicas na emissora. Zenir também 220 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste atuou como radialista da Delegacia Regional do Trabalho(DRT/ MA), tendo iniciado a função no ano de 1997. Além da docência na UFMA, também contribuiu como docente em outras Instituições, como a Faculdade Atenas Maranhense(FAMA2005 a 2011) e a Faculdade Estácio de São Luís(2009 a 2019). Ministrou aulas não somente em cursos da Comunicação, mas também nos cursos de Administração, Secretariado e Ciências Contábeis na Faculdade São Luís. Na Faculdade Estácio ministrou aulas para os cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Administração, Ciências Contábeis e Direito. Também lecionou na Faculdade Brasileira de Estudos Avançados(FABEA) e na Polícia Militar. Ela ainda teve atuação no Núcleo Docente Estruturante do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Estácio de São Luís(2015-2019). Em 2003 aposentou-se pela UFMA, mas mesmo assim continuou nas atividades da docência com destaque para a atuação nos programas de Educação a Distância, hoje conhecido como Diretoria de Tecnologias na Educação(DTED-UFMA). Dentre os muitos prêmios e reconhecimentos com os quais foi agraciada, pode-se destacar“Palmas Universitárias”, em 2008, comenda ofertada pela UFMA. Em 2020 foi reconhecida como professora emérita da UFMA. Zenir foi fundadora do campo de estudos em comunicação no Maranhão pelas inúmeras contribuições como jornalista, docente e gestora. Desenvolveu trabalhos acadêmicos, orientações de TCCs, participou de inúmeras bancas de conclusão de curso e desenvolveu competências nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Atuou como coordenadora de curso e, mesmo depois de aposentada, continuou lecionando na iniciativa privada e construindo conhecimento na área da Comunicação no Estado do Maranhão. Zenir Pontes faleceu em 10 de maio de 2025. Principais publicações PONTES, Zenir de Jesus Lins. Principais obstáculos ao conhecimento em secretariado executivo. 1. ed. São Luis: edFAMA, 2015. PONTES, Zenir de Jesus Lins. O investimento no capital intelectual pela educação corporativa para formação de diferenciais competitivos em uma Instituição de Ensino Superior 2017. SIMPÓSIO INTERNACIONAL INTERDISCIPLINAR EM CULTURA E SOCIEDADE, 2., 2017. 221 JOANITA MOTA Leila Sousa Joanita Mota Ataide nasceu em 27 de setembro de 1945 em Barra do Corda(MA). É filha de Alindonesia Mota de Ataide e Marcal Silva Ataide. Estudou da primeira à quinta série no Grupo Escolar Frederico Figueira, em Barra do Corda(MA), na mesma cidade onde estudou nas escolas Nossa Senhora de Fátima, na Campanha Nacional de Escolas da Comunidade(CNEC), em Carolina(MA), e no Colégio Ateneu Teixeira Mendes, em São Luís(MA). Cursou o 2º Grau no Seminário de Educadoras Cristãs, em Recife(PE), onde realizou, entre 1964 e 1968, o curso Pedagógico-Religioso. Ela começou sua trajetória no Departamento de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão(UFMA), Campus São Luís, em 1986. Foi a primeira jornalista e professora de Jornalismo do Maranhão a obter o título de doutora nos anos de 1990. Possui Doutorado em Jornalismo e Editoração pela Universidade de São Paulo(USP-1998) e Pós-Doutorado em Jornalismo pela mesma Universidade(2005). Defendeu a tese“Discurso jornalístico: da Carta Ilegítima à Carta Cidadã, no entremeio da política e do jornalismo no Maranhão”. Brasil: 1985-1990”. Com ênfase em Jornalismo, os trabalhos desenvolvidos por ela destacam-se pela atuação nos seguintes campos: discurso jornalístico, telejornalismo, ciências da linguagem, mídia e cidadania. Suas contribuições incluem participação em importantes Comissões Departamentais, como Comissão de Pós-Graduação, Comissão de Estágio Probatório e Comissão de Avaliação Docente. Pela destacada experiência no tripé ensino, pesquisa e extensão, no ano de 2005 foi convidada para colaborar com o Projeto 222 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Político-Pedagógico do curso de Jornalismo da UFMA, Campus de Imperatriz, que começou no segundo semestre de 2005. Entre os anos de 2005 e 2006, além das tarefas docentes, foi membro do Colegiado do curso de Comunicação Social e da Comissão de Pós-Graduação. Participou, ainda, da Comissão Permanente Interna de Avaliação Docente de Comunicação Social em 2005 e 2006. Em 2006 também foi membro da Comissão de Avaliação Institucional junto a Pró-Reitoria de Ensino, e participou da Comissão de Elaboração do Programa de Processo Seletivo Simplificado para Professor Substituto na área de Radialismo. Colaborou, ainda em 2006, da Comissão de elaboração do Projeto Político-Pedagógico do curso de Comunicação Social: Jornalismo, Rádio e Televisão e de Relações Públicas. Neste ano desenvolveu iniciativas para a criação do Núcleo de Estudos e Pesquisas com colegas do Departamento de Sociologia e Antropologia, além do Departamento de Artes. Participaram alunos de Jornalismo e de Ciências Sociais. A partir de 2006 o Grupo passou a integrar o Grupo de Estudos em Linguagem e Mídia do Departamento de Jornalismo da Universidade de São Paulo(USP). Teve participação em Banca de Concurso Público para Ingresso na Carreira do Magistério Superior, na área de Jornalismo, para o corpo docente do Campus da UFMA em Imperatriz. Entre os anos 2006 e 2008 foi membro do Conselho de Representantes da Associação de Professores da Universidade Federal do Maranhão(Apruma). Como integrante do Conselho participou das atividades da Comissão Eleitoral para o pleito de diretor(a) de Centro, em 2006, e como debatedora da palestra“Mídia, espaço público e democracia”. Entre as diversas contribuições no campo da pesquisa, ressaltase a participação em Conselhos Editoriais e Consultivos de revistas científicas da área da Comunicação. Em 2004 atuou no Conselho Consultivo da Caligrama, Revista de Estudos e Pesquisa em Linguagem e Mídia, do Grupo de Estudos em Linguagem e Mídia do Departamento de Jornalismo da USP. No final de 2006 passou a integrar a Coordenação Editorial da Caligrama. No ano de 2000 iniciou os trabalhos como membro do Conselho Editorial da Cambiassu – Estudos em Comunicação, revista do Departamento de Comunicação Social da UFMA – São Luís. No ano de 2006 foi convidada para continuar na avaliação de artigos submetidos à 223 revista Cadernos de Pesquisa, da Pró-Reitoria de Pesquisa e PósGraduação da UFMA. Foi parecerista ad-hoc da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Maranhão(Fapema), de publicações científicas junto ao Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas, da Revista Cadernos de Pesquisa, da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, e do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica(Pibic) na Universidade Federal do Maranhão. Em 2005 Joanita Mota recebeu a honraria de ser Paraninfa dos formandos. Atua como líder do Grupo de Pesquisa“Discurso, Mídia e Inconsciente”, registrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), desde 2002. Principais publicações ATAIDE, J. M. de. Discurso jornalístico, política e jornalismo no Brasil (1985-1990). 1. ed. São Luís: EDUFMA, 2011. 160 p. V. 1. ATAIDE, J. M. de.(Des)construção da cena enunciativa: proposta de metodologia para o jornalismo. In: CONCEIÇÃO, Francisco Gonçalves da; ATAIDE, Joanita Mota de; PINHEIRO, Roseane Arcanjo(org.). Desafios da pesquisa em jornalismo. 1. ed. São Luís: EDUFMA, 2011. ATAIDE, J. M. de. Jornalismo, instituição e discurso: proposta de uma epistemologia para o jornalismo. In: CONCEIÇÃO, Francisco Gonçalves da(org.). Entrevozes: enredos institucionais e midiáticos. 1. ed. São Luís, MA: EDUFMA, 2008. p. 43-58. 224 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MARIA DO CARMO PRAZERES Maria Gislene Carvalho Fonseca Maria do Carmo Prazeres Silva nasceu em 15 de novembro de 1956 em São Luís(MA). É filha de Barnabé Fortunato da Silva e de Maria José Prazeres. É mãe de Rodolf Gabriel. Estudou no Colégio Zoé Cerveira e no Centro de Ensino do 2° Grau Liceu Maranhense. Quando entrou no curso de Comunicação da Universidade Federal do Maranhão(UFMA), em 1978, optou por Relações Públicas(RP), graduando-se em 1981. De 1988 a 1995 trabalhou na Secretaria Municipal de Administração (Semad) de São Luís. Foi RP e assessora de comunicação do órgão, além de ter ministrado cursos como“Relações Humanas e Técnicas de Atendimento ao Público”, promovido pelo Centro de Treinamento do município, e“Relações Humanas no Trabalho”, em parceria com a Secretaria de Educação do município. Em 1988 ingressou na carreira docente como professora pró-labore na UFMA, permanecendo um ano. Naquele momento ministrou as disciplinas de Teoria e Pesquisa de Opinião Pública, Redação em RP I e II e Administração Mercadológica. Nessa época ela conciliava o trabalho na universidade com a Prefeitura. Em 1993 ela retorna à UFMA como professora substituta do curso de Comunicação Social e continua trabalhando na Prefeitura. No ano seguinte, em 1994, passa a compor o quadro de professores efetivos do curso de Comunicação Social – Relações Públicas – da UFMA, e fica mais um ano conciliando o trabalho com a Semad. Em 1995 torna-se professora de Dedicação Exclusiva, ainda com o título de especialista. Em 1999 afasta-se para o Mestrado na Universidade 225 de São Paulo(USP). A dissertação, intitulada“Visibilidade das Relações Públicas por meio do curso de Graduação da Universidade Federal do Maranhão e Associação Brasileira de Relações Públicas”, foi orientada por Mauren Leni de Roque e defendida em 2002. No Doutorado, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS), pelo Doutorado Interinstitucional(Dinter), entre os anos de 2012 e 2016, sua pesquisa afunila-se para uma atividade específica e resulta na tese“Distinção social: o evento de premiação como uma prática de comunicação”. A tese tratou do Prêmio Universidade FM como modo de instituir distinção, entendendo que o evento organizacional se configura como prática de comunicação. É membro do Diversus – Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguagens, Interação e Estratégias de Comunicação – e integra a Comissão dos Trabalhos de Conclusão de Curso de Comunicação Social, representando a habilitação de Relações Públicas. Além disso, oferta disciplinas voltadas para a pesquisa de Opinião Pública, de Deontologia e Legislação, afinando-se, também, com a área das relações públicas comunitárias e as empresariais. Nos mais de 45 anos, desde que entrou na Graduação em Comunicação Social, Maria do Carmo Prazeres tem desenvolvido um trabalho que consolida a área das Relações Públicas olhando-a de dentro, buscando indicadores sociais que a constituem e de que forma elas retornam à sociedade, contribuindo com o desenvolvimento humano. Como uma mulher negra e mãe solo, aos poucos tornou-se uma das principais referências no Departamento de Comunicação Social da UFMA. Principais publicações PRAZERES, Maria do Carmo. Tríade de formação da comunicação nas relações públicas na perspectiva do modelo E- M- R. In: HOHFEDLT, Antônio. CONCEIÇÃO, Francisco Gonçalves. Teorias da comunicação: leituras e aplicações. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2015. PRAZERES, Maria do Carmo. Distinção social: o evento de premiação como prática de comunicação. 2016. Tese(Doutorado) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2016. 226 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste ZEFINHA BENTIVI Leila Sousa Josefa Melo e Sousa Bentivi Andrade nasceu em 5 de março de 1956 em Pedreiras(MA). É filha de José Chaves Ferreira Bentivi e Zima Melo e Sousa Bentivi. É casada com Carlos Augusto Andrade e mãe de Melyssa, Marina, Marília e Gabriel, e avó de Carlos, Davi, Fernanda e Luíza. No Ensino Fundamental estudou no Colégio Municipal Luís Viana, e no Ensino Médio no Colégio Estadual Gonçalves Dias. Ela é fruto das escolas públicas desde o início de sua formação até a Graduação na Universidade Federal do Maranhão(UFMA). Enquanto estudava, Zefinha também trabalhava: foi feirante das feiras do João Paulo e da Liberdade em São Luís(MA). Zefinha é jornalista, especialista em Jornalismo Cultural pela Universidade Federal do Maranhão(UFMA), mestra em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense(UFF) e doutora em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS) É professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão(UFMA) desde o ano de 1989, com atuação nos cursos de Jornalismo, Radialismo e Relações Públicas. Antes foi professora de Língua Portuguesa, Literatura e Redação para jovens que buscavam uma vaga na universidade. Em sua carreira já exerceu as funções de coordenadora de curso, chefe de Departamento e assessora, e em 2019 assumiu o cargo de Pró-Reitora de Extensão e Cultura(PROEC). Foi à frente desta Pró227 Reitoria que se tornou responsável por internacionalizar o Festival Guarnicê de Cinema, que conta com a participação de 52 países. Além de docente e gestora, atua como consultora nas áreas de Comunicação, Educação e Recursos Humanos. Já prestou serviço para a Assembleia Legislativa do Maranhão, Secretaria de Educação e Cultura do Estado e para diversos municípios maranhenses. Também atuou na criação, produção e apresentação de Programas televisivos em emissoras como TV São Luís e TV Canal 20, além de sua atuação no jornalismo impresso. Foi, inclusive, editora do semanário Literação. É membro-fundadora da Academia Atheniense de Letras e Artes(ATHEART). É pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), líder do Diversus – Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguagens, Interação e Estratégias de Comunicação da UFMA e atua como membro do Laboratório Integrado de Pesquisa e Prática Jornalística e Cultural da UFMA, do CTC Lab. – Communication and Technology Collection Lab – e do Laboratório de Experimentação e Pesquisa de Narrativas Midiáticas da UFF. Zefinha fez parte de inúmeras comissões para seleção de professores em concursos públicos e seletivos da UFMA, e atuou como avaliadora e como orientadora em diversas bancas de Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC), Mestrado e Doutorado. Sua tese de Doutorado, defendida no ano de 2016, chamouse“Modos de dizer do jornalismo impresso brasileiro: para além dos códigos, o regime de verdade nos dispositivos interacionais da notícia”, e a dissertação de Mestrado foi intitulada“As narrativas da Athenas Brasileira: modos de dizer e modos de ser no jornalismo maranhense”, defendida em 2011. Durante a pandemia da Covid-19 desenvolveu o projeto conhecido como“Máscaras pela Vida”, que ajudou mulheres no entorno da UFMA a confeccionarem mais de 15 mil máscaras que foram doadas para a população mais vulnerável. Sua participação na educação é reconhecida no livro Conhecendo estrelas(volume 1) – mulheres brilhantes. Também recebeu o Diploma de Honra ao Mérito da Associação Brasileira de Relações Públicas – Seção Estadual do Maranhão – pela valorização e apoio à profissão e pela docência no curso de Comunicação Social da UFMA. Ela também foi homenageada com Palmas Universitárias pela UFMA 228 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste e eleita Comendadora da Imprensa do Maranhão no evento de comemoração aos 200 anos da Imprensa no Maranhão. Com décadas dedicadas ao ensino, à pesquisa, à extensão, a consultorias e à gestão acadêmica, Zefinha Bentivi é um nome importante e fundador do campo da Comunicação no Estado do Maranhão, e tem atuado diretamente no fomento à cultura, à pluralidade, à inclusão, à humanização e ao respeito às diversidades e diferenças na Universidade e na sociedade. Principais publicações ANDRADE, Josefa Melo e Sousa Bentivi. A opinião pública duvida da opinião publicada: reflexões sobre a mídia e as eleições para o governo do Maranhão em 2018. Revista Compolítica, v. 9, p. 93118, 2019. ANDRADE, Josefa Melo e Sousa Bentivi. Jornalismo, narrativa e poder nas manchetes do jornal o Estado do Maranhão nos governos de Roseana Sarney e Flávio Dino. Revista Observatório, v. 4, p. 322346, 2018. ANDRADE, Josefa Melo e Sousa Bentivi. I Seminário Ciência Cine Guarnicê: imagem em movimento: intersecções da linguagem audiovisual. 1. ed. São Luís: EDUFMA, 2023. 95 p. V. 1. ANDRADE, Josefa Melo e Sousa Bentivi. Seminário Ciência Cine Guarnicê II. 1. ed. São Luís: EDUFMA, 2023. 140 p. V. 2. 229 ÉLLIDA GUEDES Melissa Moreira Rabêlo Éllida Neiva Guedes nasceu em 18 de dezembro de 1964 em São Luís(MA). É filha de Maria José Matos Neiva e Wilson Ramos Neiva. No Ensino Fundamental estudou no Colégio Santa Teresa, em São Luís, e no Ensino Médio no Colégio Marista, também em São Luís. Cursou Comunicação Social – Relações Públicas – na Universidade Federal do Maranhão(UFMA) de 1984 a 1987. Após a conclusão do curso trabalhou na Secretaria de Planejamento do Estado do Maranhão, de 1987 a 1992. Em 1992 foi aprovada no concurso público para docente do Departamento de Comunicação Social da UFMA, lecionando muitas disciplinas ao longo de 30 anos, dentre elas: Relações Públicas Comunitárias; Relações Públicas e Marketing; Legislação e Ética em Relações Públicas; Cerimonial e Organização de Eventos; Redação Jornalística e Relacionamento com a Mídia. Criou, em 1993, a Revista Laboratório de Relações Públicas“RP Alternativo”, publicação(hoje digital) que, em 2023, completou 30 anos, com edição bianual. Desenvolveu importante trabalho como assessora de Comunicação da UFMA de 1993 a 1995. Após essa experiência seguiu para a Diretoria Executiva da Rádio Universidade FM da UFMA, de 1998 a 2003. Em parceria com a equipe da rádio na época, deu continuidade ao Prêmio Universidade FM por cinco edições, premiação anual a artistas maranhenses dos vários campos da música, como compositor, cantor, produtor, músico, CD, show, etc. O Prêmio foi criado em 1997 e ocorreu até o ano de 2015. Seu Mestrado foi em Ciências da Comunicação, linha de pesquisa Políticas e Estratégias de Comunicação, área de concentração 230 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Interfaces Sociais da Comunicação, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP), de 2005 a 2007, defendido com a dissertação“Alinhamento estratégico: a comunicação interna e os objetivos organizacionais”, sob a orientação de Sidinéia Gomes Freitas. Seu Doutoramento em Letras, área científica Ciências da Comunicação e especialidade em Media e Sociedade, foi na Universidade de Coimbra(Portugal), de 2008 a 2013, onde defendeu a tese“A mediação dos relacionamentos institucionais nas práticas de inclusão social da Universidade Federal do Maranhão”, sob a orientação de Isabel Ferin Cunha e coorientação de Margarida Kunsch(ECA-USP). Éllida foi responsável pela organização de diversos eventos locais, além de participar de dezenas de congressos nacionais e internacionais, apresentando trabalhos, ministrando palestras e coordenando grupos de trabalho. Foi responsável pela publicação de dezenas de artigos científicos em revistas nacionais e internacionais, em especial nas áreas de Comunicação Organizacional Interna e Relações Públicas Comunitárias. Participou, como membro da diretoria, de diversas gestões da Associação Brasileira de Relações Públicas – Seção Maranhão –, e como conselheira do Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas(à época, 7ª região) e do Conselho Federal. Também compôs o primeiro corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação – Mestrado Profissional da UFMA, em 2019, desligando-se do mesmo em 2020. Em julho de 2022 aposentou-se. Principais publicações GUEDES, Éllida Neiva. A comunicação interna como reflexo dos valores contemporâneos. Anuário Unesco/Metodista de Comunicação Regional,(Impresso), v. 12, p. 43-54, 2008. GUEDES, Éllida Neiva. A comunicação interna alinhada aos objetivos organizacionais: o caso Vale. In: CONCEIÇÃO, Francisco Gonçalves da(org.). Entrevozes: enredos institucionais e midiáticos. São Luís: EDUFMA, 2008. p. 173-190. GUEDES, Éllida Neiva; SILVA, Marcelo da; SANTOS, Protásio. Diálogo: o alicerce para humanizar a comunicação organizacional 231 na sociedade contemporânea. Ação Midiática – Estudos em Comunicação, Sociedade e Cultura, v. 10, p. 245-259, 2015. GUEDES, Éllida Neiva; SILVA, Marcelo da; Santos, Protásio. Conscientização e participação: as relações públicas comunitárias na construção da cidadania. Revista Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, v. 14, p. 87-98, 2017. GUEDES, Éllida Neiva; Santos, Protásio; SILVA, Marcelo da. As relações públicas no processo de construção da cidadania – A ONG UNA.C e as demandas da saúde. In: FERREIRA NETO, Thaís Helena (org.). Comunicação e jornalismo: conceitos e tendências. 1. ed. Ponta Grossa: Atenta, 2018. p. 66-81. V. 2. GUEDES, Éllida Neiva; COSTA JÚNIOR, Orlando Gonçalves. Parcerias institucionais no contexto da pandemia de Covid-19: o discurso organizacional na perspectiva dos atores sociais. In: STASIAK, Daiana; CASAROLI, Lutiana; CARARETO, Mariana(org.). Perspectivas da pesquisa e dos pesquisadores em Relações Públicas na atualidade. 1. ed. Goiânia, GO: CEGRAF UFG, 2023. p. 1-294. 232 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste LUCIANA SARAIVA Kamila Mesquita Luciana Saraiva de Oliveira Jerônimo nasceu em 29 de janeiro de 1969 em São Luís(MA). É filha de Murillo Leonardo Castro Álvares de Oliveira e de Lucia Maria Saraiva de Oliveira. É a primogênita de uma família de três irmãos. Estudou na Escola D. Pedro II até a 4ª série do Ensino Fundamental. Depois estudou até o fim do Ensino Médio no Colégio Santa Teresa. Graduou-se no curso de Comunicação Social, habilitação Relações Públicas, na UFMA em 1993. Foi monitora da disciplina“Teoria da Comunicação”, o que inspirou em suas primeiras pesquisas na área de“Teorias e Ensino da Comunicação”. O Trabalho de Conclusão de Curso, orientado por Adeilce Gomes de Azevedo,“Técnicas de Comunicação Dirigida aplicada à monitoria”, apontaria o caminho das pesquisas dos próximos anos. Recém-formada, candidatou-se ao Mestrado em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo(UMESP), onde foi aprovada e tornou-se bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). A dissertação“Monitoria na Graduação de Comunicação: uma análise para a formação do comunicador social”, defendida em 1995, orientada por Onésimo de Oliveira Cardoso, tratou sobre técnicas utilizadas em Relações Públicas para aprimorar o processo da monitoria em comunicação. Em 1996 ingressou na carreira docente como professora substituta do Departamento de Comunicação Social da UFMA, ministrando disciplinas de tronco comum. Em 1998 foi aprovada no concurso para professor efetivo da Instituição, onde adquiriu dedicação exclusiva em 2001. Atualmente é professora associada IV. 233 Em 1997 foi convidada pelo Centro Universitário do Maranhão (Uniceuma) para elaborar o Projeto Político Pedagógico(PPP) e criar a estrutura física e de recursos humanos para os cursos de Graduação em Comunicação Social, os quais ficaram sob sua coordenação. No período que permaneceu na instituição atuou tanto como chefe de Departamento quanto como coordenadora de curso e docente. Ao dedicar-se integralmente à UFMA, lecionou para as turmas de Relações Públicas, e, entre 2003 e 2004, exerceu a função de coordenadora do curso de Comunicação Social. Foi uma das fundadoras, em 2000, do grupo de pesquisa Comunicação Organizacional e Mídia(G-COM), o primeiro do Departamento de Comunicação Social da UFMA com inscrição no CNPq. Em 2012 inicia o Doutorado interinstitucional em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). O foco das suas pesquisas passam a ser comunicação governamental, governo eletrônico, diálogo e participação cidadã. A tese“Diálogo temático on-line na consulta pública digital: um estudo sobre relações entre enunciados do governo e dos cidadãos”, foi defendida em 2016 sob a orientação de Carlos Gerbase. Em 2021 a tese foi publicada em formato de livro, sob o título“Diálogo temático on-line entre governo e cidadãos: contribuição ao estudo de consultas públicas no Brasil”. Tem pesquisado mídias sociais, buscando compreender como as Instituições de Educação Superior públicas, que atuam no Maranhão, materializam o diálogo com seus públicos por meio delas e qual sua possível índole comunicativa. Luciana ensina e pesquisa conteúdos relacionados à Comunicação Governamental, Comunicação Política, Teorias da Opinião Pública e Prática de Pesquisa em Relações Públicas. Seus principais temas de interesse são os relacionados à comunicação política, diálogo e participação cidadã; comunicação governamental e tecnologias da comunicação e da informação; inovações em Relações Públicas governamentais; comunicação externa, opinião pública e prática de pesquisa. Ao longo dos quase 30 anos de atuação como professora e pesquisadora, Luciana Jerônimo está não só à frente da criação de novos cursos de Comunicação no Estado, mas trabalhou para a consolidação do curso de Comunicação já existente na UFMA, principalmente na área de Relações Públicas. 234 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Principais publicações JERÔNIMO, Luciana Saraiva de Oliveira. Diálogo temático on-line entre governo e cidadãos: contribuição ao estudo de consultas públicas no Brasil. Curitiba, PR: Editora Appris, 2021. JERÔNIMO, Luciana Saraiva de Oliveira. As linguagens convergentes e líquidas do“Gabinete Digital”: estratégias que possibilitam a expansão da participação política civil. In: AL, E.; JERÔNIMO, Luciana Saraiva de Oliveira. Teorias e métodos de pesquisa em comunicação organizacional e Relações Públicas: entre a tradição e a inovação. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2013. JERÔNIMO, Luciana Saraiva de Oliveira. Dimensão argumentativa da participação cidadã no processo deliberativo: perspectiva habermasiana de racionalidade comunicativa na consulta pública online. Razón y Palabra, v. 86, p. 1, 2014. JERÔNIMO, Luciana Saraiva de Oliveira. O campo da comunicação e o conceito de diálogo em Bakhtin: contribuição à investigação sobre interação dialógica nos ambientes digitais na internet. In: HOHLFELDT, Antonio; GONÇALVES, Francisco(org.). Teorias da comunicação: leituras e aplicações. Porto Alegre, RS: EDIPUCRS, 2015. JERÔNIMO, Luciana Saraiva de Oliveira. Do ponto de vista da Relação Dialógica entre Enunciados: como podemos pensar o diálogo entre governo e cidadãos na consulta pública on-line. In: CONGRESSO BRASILEIRO CIENTÍFICO DE COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL E DE RELAÇÕES PÚBLICAS(ABRAPCORP), 9., 2015. Campinas, SP. Comunicação, Governança e Organizações. Porto Alegre, RS: EDIPUCRS, 2015. 235 PATRÍCIA AZAMBUJA Nayane Cristina Rodrigues de Brito Patrícia Kely Azambuja nasceu em 9 de outubro de 1969 em Teresina(PI). É filha de Maria do Socorro Nunes Sousa e Joaquim Azambuja de Sousa. Estudou no Colégio Sagrado Coração de Jesus o Ensino Fundamental, e no Colégio Objetivo o Ensino Médio, ambos em Brasília. Em 1995 concluiu a Graduação em Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão(UFMA) com a monografia intitulada “Diagramar: a arte de fazer jornal”. Na década de 1990 trabalhou em duas gráficas e em uma empresa de publicidade. Nessas empresas elaborou projetos gráficos editoriais, diagramação e discussões sobre o layout da página do Jornal O Estado do Maranhão, e foi responsável pela criação e diagramação de revistas, cartazes, fôlderes promocionais, rótulos e embalagens. Em 1996, com o objetivo de aprofundar o entendimento sobre identidade visual em jornais, ingressou no Mestrado em Artes Visuais no Instituto de Artes/Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquista Filho(UNESP). A dissertação, defendida no ano 2000, teve como título“Projeto gráfico: discurso de legitimação no jornalismo”, orientada por Flávio Mário de Alcântara Calazans. Seus estudos debruçaram-se, também, na compreensão dos aspectos cognitivos envolvidos na recepção de imagens, em pesquisa desenvolvida no Doutorado em Psicologia Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ). A tese, defendida em 2012, apresentou a“Cognição e mediação técnica: passagem analógico-digital da recepção de TV sob a ótica da teoria ator-rede”, 236 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste sob a orientação de Ronald João Jacques Arendt e coorientação de Márcia Oliveira Moraes. A carreira docente de Patrícia iniciou em 1998 no Centro Universitário do Maranhão(Uniceuma) no curso de Publicidade e Propaganda, com a disciplina de Produção Gráfica. Entre 2002 e 2007, integrou o quadro de docentes da Unidade de Ensino Superior de São Luís – Faculdade São Luís, no curso de Comunicação Social. Durante a sua atuação nessa instituição foi responsável pelas disciplinas de Jornalismo On-line, Linguagem e Tecnologia Eletrônica, Produção Gráfica e Laboratório de Gestão. Colaborou, em diferentes momentos, nos cargos de supervisora acadêmica de estágio curricular e assistente de coordenação. Ainda, foi integrante da Comissão de Monografia e do Conselho Editorial do Jornal Experimental do curso. Paralelamente às atividades na Faculdade São Luís, em 2004 ela foi contratada como professora substituta, por dois anos, no Departamento de Comunicação da UFMA. Foi aprovada em concurso público para professora da UFMA e assumiu o cargo de professora assistente em 2007. Ao longo de quase 20 anos na instituição federal, Patrícia foi chefe interina do Departamento em dois momentos distintos e ministrou diversas disciplinas, todas relacionadas com imagem, tais como Direção de Arte e Cenografia, Direção de Fotografia e Iluminação, Edição e Pós-Produção em Televisão, Narrativa Ficcional e Documentário, entre outras. Em 2020 tornou-se professora associada. Aliou ensino, pesquisa e extensão por meio dos trabalhos desenvolvidos nos grupos de pesquisa Observatório de Experiências Expandidas em Comunicação(ObEEC) e Núcleo de Pesquisa e Produção de Imagem (NUPPI). No âmbito da pesquisa, destaca-se o projeto“[Gênero] Audiovisual Distribuído: políticas do ver, do imaginar e regime híbrido de imagens”, iniciado em 2022 pelo ObEEC, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão(Fapema). Patrícia, em parceria com outros docentes e graduandos, averigua as aptidões do audiovisual incorporadas a múltiplas plataformas, ao sobrepujar os gêneros e formatos verificados em tecnologias específicas. Quanto à extensão, cita-se o“Banco de Imagens DCS/UFMA”, também conhecido como “Acervo Bem.te.vi”, do Departamento de Comunicação Social da Universidade, iniciado em 2022 pelo NUPPI. O projeto tem como objetivo compartilhar e dar visibilidade aos trabalhos de fotografia, vídeo e imagens em geral elaborados pelos discentes do curso de 237 Comunicação da UFMA, além de ser utilizado como suporte para verificar demandas sociais. No quesito publicações, Patrícia editou vários livros e ensaios, assinou posfácios e fotografias, assim como publicou artigos decorrentes dos projetos de pesquisa desenvolvidos em parcerias com colegas e alunos. Em seu percurso acadêmico orientou vários Trabalhos de Conclusão de Curso, pesquisas de iniciação científica e projetos de extensão. Patrícia Azambuja não se tornou artista como sonhou, mas seu engajamento apaixonado pelos estudos e criações no campo da imagem revela uma pesquisadora e docente perspicaz, que soube aproveitar as suas afinidades pessoais e habilidades profissionais em temas de pesquisa, levadas a cabo com rigor metodológico e teórico. Principais publicações AZAMBUJA, Patrícia K. Televisão híbrida: recepção de TV sob a perspectiva sociotécnica da teoria ator-rede. 1. ed. São Luís, MA: EDUFMA, 2017. 312 p. V. 1. AZAMBUJA, Patrícia K. Ensaio sobre o não dito com palavras (Posfácio). In: COSTA, Ramon Bezerra; ROCHA, Larissa Leda F. MCIC – Modelo para Criação de Iniciativas Contemporâneas. São Luís, MA: EDUFMA, 2022. AZAMBUJA, Patrícia K.; LEITE, J. P. C. Coleções audiovisuais e as sombras na estilística do noir nórdico: análise cultural da série O Homem das Castanhas. LIINC em Revista, v. 19, p. 1-19, 2023. AZAMBUJA, Patrícia K.; MOREIRA, M. S.(org.). Ensaios sobre experiências com os sujeitos da pesquisa. 1. ed. São Luís, MA: EDUFMA, 2023. 172 p. V. 1. AZAMBUJA, Patrícia K. Poética do agir: visualidades do microespaço. In: AZAMBUJA, Patrícia K.; RABÊLO, Melissa Moreira(org.). Ensaios sobre experiências com os sujeitos da pesquisa. 1. ed. São Luís, MA: EDUFMA, 2023. p. 153-167. V. 1. AZAMBUJA, Patrícia K.; BEZERRA, R. O corpo ficcional na moda: a emoção como estratégia diegética para o figurino. Modapalavra e-Periódico, v. 17, p. 1-29, 2024. 238 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste ESTER MARQUES Seane Alves Melo Francisca Ester de Sá Marques nasceu em 12 de outubro de 1963 em São Luís(MA). É filha de pai funcionário público e de Aliete Ribeiro de Sá, que tiveram outros sete filhos. Toda sua trajetória escolar foi em instituições públicas, passando pelos colégios Duque de Caxias e Luís Viana e pela Escola Técnica Federal do Maranhão(Instituto Federal do Maranhão) antes de ingressar, em 1983, no curso de Comunicação Social, com a habilitação em jornalismo, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Em 1986 Ester concluiu o curso com a defesa da monografia “Objetividade da informação: o caso do Padre Josimo”, sob orientação de Protásio César dos Santos. No Mestrado em Comunicação e Cultura, pela Universidade de Brasília(UnB), de 1994 a 1996, conciliou comunicação e cultura popular maranhense. O resultado foi a dissertação“Mídia e experiência estética na cultura popular: o caso do bumba meu boi”, orientada por José Luiz Braga. Ingressou no seu primeiro Doutorado em 1997, na Universidade Nova de Lisboa, que não foi concluído. Em 1998 e 1999 recebeu dois reconhecimentos por seus estudos: Prêmio de colaboração de produção de conhecimento, do Serviço Social do Comércio(SESC/MA), e Melhor ensaio científico, da Rádio Universidade FM. Em 2020 iniciou uma Especialização em Gestão Pública pela Escola de Governo do Maranhão, na qual apresentou o trabalho“Política de inclusão social: a organização do mercado de beneficiamento de mariscos no município de Araioses”. Em 2021 ingressou no segundo Doutorado em Comunicação Social 239 pela Universidade Metodista de São Paulo, onde obteve o título, em 2025, com a defesa da tese“A liberdade de imprensa e a liberdade de expressão na mídia contemporânea: agendamentos e reagendamentos entre a retórica bolsonarista e a imprensa de referência no Brasil”, orientada por Ivan Paganotti. O trabalho desenvolvido no Mestrado transformou-se no livro“Mídia e experiência estética na cultura popular: o caso do bumba meu boi no Maranhão”, publicado em 1999. Sua inserção na produção cultural regional também rendeu outros frutos, pois esteve à frente da idealização e/ou organização de importantes eventos, como a Conferência Municipal de Cultura(2005), Conferência Estadual de Cultura(2009 e 2013), Evento Ação Global(2012, 2013, 2014), I Encontro Luso-Maranhense sobre a memória açoriana no Maranhão (2006), Seminários Territoriais de Cultura(2009), entre outros. Seus conhecimentos também a levaram a ocupar cargos de destaque: integrou o Conselho Estadual de Cultura do Maranhão, é membro da Comissão Maranhense de Folclore e atuou, em 2015, como Secretária Estadual de Cultura. Além da gestão da cultura, Ester assumiu a função de assessora especial do governo responsável pelo Plano de Aceleração de Crescimento(PAC) Cidades Históricas, ainda em 2015, e até 2025 consta como integrante da Secretaria de Estado de Monitoramento de Ações Governamentais. Ela foi reconhecida com algumas premiações importantes, como a Medalha Simão Estácio da Silveira, da Câmara Municipal de São Luís, em 2007; a Medalha da Ordem Timbira, do governo do Estado do Maranhão, em 2012; e a Comenda Ordem dos Timbiras, da Universidade Federal do Maranhão, em 2014. Recorrendo a teorias e pensadores de diferentes áreas, Ester estudou a Comunicação a partir da Cultura, da Sociologia, da Filosofia, etc. Isto reflete-se na coordenação dos projetos de“Pesquisa quantitativa e qualitativa sobre o bumba meu boi” e“Autos e folguedos de Natal no Maranhão”, desenvolvidos de 2009 a 2012, com financiamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do projeto de extensão“Apoio à elaboração de Planos Estaduais de Cultura”, de 2013 a 2014. Também ecoa sua participação no Congresso Brasileiro de Folclore(2004) e no Congresso Internacional sobre as festas do Divino Espírito Santo(2008), bem como na sua contribuição para o livro“Noções básicas de folkcomunicação”, publicado em 2007 pela Editora da Universidade Estadual de Ponta Grossa(Paraná). Docente do curso de Comunicação Social da UFMA desde 1993, 240 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Ester desenvolveu pesquisas sobre direito à comunicação, liberdade de imprensa, liberdade de expressão e ética profissional. Com capítulos de livros e artigos sobre as contradições entre liberdade de expressão e liberdade de informação publicados a partir de 2002, retoma esses temas nos estudos do Doutorado a partir de 2021, ao integrar o projeto de pesquisa“Checar – Checagem, educação, comunicação, algoritmos e regulação”, coordenado por Ivan Paganotti. Sua tese trata da relação do então presidente Jair Bolsonaro com a imprensa de referência(A Folha, o Estadão e o Globo) e outros atores sociais. Outro tema de seu interesse foi a Comunicação Institucional e Pública, vinculado à sua atuação em cargos de gestão pública no governo do Maranhão, à função de diretora geral do Serviço Social do Comércio(SESC/MA), de 2006 a 2008, e também à atuação como assessora de Comunicação da UFMA. Ester contribuiu para o livro“Entrevozes: enredos institucionais e midiáticos”, organizado por Francisco Gonçalves da Conceição editado em 2008, e publicou artigos sobre Comunicação Governamental e Economia Criativa(2016 e 2022). A trajetória acadêmica e profissional de Ester Marques é um exemplo da articulação entre os saberes populares relacionados à cultura e manifestações folclóricas e os saberes institucionalizados na área da Comunicação. Ela não apenas garantiu à cultura popular do Maranhão um espaço de interesse científico na Comunicação, como também instrumentalizou seus saberes científicos na atuação como produtora cultural no Estado. É uma importante figura da área da Comunicação e Cultura no Estado do Maranhão, especialmente pelas suas contribuições para os estudos da cultura popular e do bumba meu boi, bem como para a área de políticas públicas. Principais publicações MARQUES, Francisca Ester de Sá. A liberdade de imprensa e a liberdade de expressão na mídia contemporânea: agendamentos e reagendamentos entre a retórica bolsonarista e a imprensa de referência no Brasil. 2025. 374 p. Tese(Doutorado em Ciência da Comunicação) – Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2025. MARQUES, Francisca Ester de Sá. Liberdade de informação no Brasil: o discurso negacionista de Jair Bolsonaro e as estratégias de desmobilização das agendas jornalísticas. Mediação, v. 23/24, p. 10-22, 2023. 241 MARQUES, Francisca Ester de Sá. O processo de televização do jornal. In: PORTO, Sérgio Dayrell; MOUILLAUD, Maurice(org.). O jornal: da forma ao sentido. 3. ed. Brasília: Editora da UnB, 2012. p. 800-830. V. 1. MARQUES, Francisca Ester de Sá. As interações entre os media e a cultura: a produção do fundo arcaico e as variações de sentido. In: FAUSTO NETTO, Antonio; HOHLFELDT PRADO, José Luiz A.; PORTO, Sérgio Dayrrel(org.). Comunicação e Corporeidades. 1. ed. João Pessoa: Editora da UFPB, 2000. p. 61-74. V. 1. MARQUES, Francisca Ester de Sá. Mídia e experiência estética na cultura popular: o caso do bumba meu boi no Maranhão. 1. ed. São Luís: Gráfica da UFMA – EDUFMA, 1999. 253 p. V. 1000. 242 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste GISA SOUSA Gabriela Gadelha Gisela Maria Santos Ferreira Sousa nasceu em 29 de fevereiro de 1964 em São Luís(MA). É filha de Maria Bernadette Alves Martini Santos e Raylton Martini Santos. A alfabetização ocorreu simultaneamente com a pedagoga Maria Antônia e no Colégio Batista“Daniel de La Touche”, onde permaneceu até o quarto ano. Posteriormente estudou no Colégio Marista, onde concluiu o Ensino Médio. O ingresso na Universidade Federal do Maranhão(UFMA) aconteceu em 1984 no curso de Comunicação Social, período marcado pelas Diretas Já e pela participação dos universitários pela redemocratização e pelo feminismo. Durante a Graduação participou da criação do Comunicarte, Mostra de Comunicação e Artes do curso de Comunicação e da Akademia dos Párias, grupo de poetas que atuava com a Revista Uns e Outros. Sua trajetória profissional tomou o rumo das Relações Públicas, influenciada pelo estágio realizado no Setor de Treinamento de Pessoal da Caixa Econômica Federal. Graduou-se em Comunicação Social – Relações Públicas –, especializou-se em Gestão da Comunicação em convênio com a Universidade de São Paulo(USP) e UFMA e concluiu o Mestrado em Ciências da Comunicação pela USP. Obteve o título de doutora em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS), onde defendeu a tese“Comunicação Organizacional Digital: dimensões de análise da produção científica”. A atuação profissional iniciou-se ainda na Graduação, quando fundou a Interpublic, Agência de Relações Públicas criada a partir da experiência de estágio e de sua monografia. A vivência no 243 mercado de trabalho ampliou-se com estágios em instituições como a Labor Consultoria, em Brasília, o que lhe proporcionou contato com profissionais de referência e redes que permanecem até hoje. Após a Graduação passou a lecionar como professora horista no curso de Comunicação Social da UFMA, acumulando, simultaneamente, atividades de empresária, pesquisadora e docente. Foi aprovada em concurso público e efetivada em 1996, consolidando-se como professora do Departamento de Comunicação da instituição. No magistério destacou-se principalmente na área de ensino, orientando Trabalhos de Conclusão de Curso e participando de pesquisas voltadas para a comunicação organizacional, a comunicação digital, as redes sociais e a influência digital. Foi pioneira na UFMA ao ministrar, a partir de 2006, a primeira disciplina voltada à comunicação digital. Sua carreira docente também foi marcada pelo envolvimento em projetos de extensão e por cargos de gestão acadêmica, como a coordenação do curso de Comunicação Social. No campo da pesquisa é instrutora do software Atlas.ti, adquirido como instrumento metodológico em sua tese de Doutorado e utilizado em projetos de investigação da área de comunicação organizacional. Integra a Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e Relações Públicas(Abrapcorp) desde 2011, ocupando a Diretoria Científica na gestão 2024-2026. Na edição de 2012 do congresso da entidade, realizado em São Luís, participou da organização da 1ª Mostra Científica Abrapcorp. Em sua trajetória acadêmica alia a atuação em sala de aula à participação em iniciativas que buscam ampliar o alcance da comunicação no contexto social. Destaca-se seu envolvimento no Projeto Turma Especial de Jornalismo Pronera, vinculado ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária. O projeto, desenvolvido em parceria com movimentos sociais, sindicatos, instituições de ensino e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária(Incra), promove a formação de jovens oriundos de áreas de reforma agrária e territórios quilombolas, com uma metodologia que articula ensino acadêmico e atuação comunitária, fortalecendo a educação do campo por meio da comunicação. A produção intelectual de Gisela Sousa é expressiva e contempla artigos, capítulos e trabalhos em anais de congressos. Entre suas publicações de maior impacto destacam-se“Avaliando a influência 244 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste organizacional digital usando um robô: experimento comparativo a partir de modelos de geração de linguagem natural e inteligência artificial generativa”(2023),“A contribuição brasileira para o estudo da comunicação das organizações em contextos digitais”(2017), “Relacionamentos organizacionais no contexto da pandemia da Covid-19: apontamentos sobre potencialidades e limitações” (2021),“Comunicação organizacional digital: abordagens teóricometodológicas da produção científica circulante no espaço de discussão científica da Abrapcorp”(2020) e“Comunicação institucional, imagem corporativa e identidade corporativa: a interrelação das categorias”(2006), este último amplamente citado e reconhecido em cursos de Graduação e Especialização. Sua trajetória é marcada pela defesa da educação como instrumento de transformação social, pela valorização do papel do comunicador como analista de cenários, produtor de conteúdos e pesquisador atento às dinâmicas digitais e organizacionais. Gisa Sousa mantém o compromisso com o aprendizado contínuo, reconhecendo a importância das experiências vividas ao longo da carreira, tanto com professores quanto com alunos, e reafirma a educação como eixo central na luta por transformação social. Principais publicações SOUSA, Gisela M. S. F.; SILVA, M. C. P.; JERÔNIMO, Luciana Saraiva de Oliveira. Relacionamentos organizacionais no contexto da pandemia da Covid-19: apontamentos sobre potencialidades e limitações. In: HOHLFELDT, Antônio Carlos; ANDRADE, Cleusa Maria Andrade; PAGNUSSATT, Denise; SILVA, Diego Wander da(org.). Impactos e aprendizados da pandemia de Covid-19 na perspectiva dos relacionamentos organizacionais. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2021, v. 27, p. 240-255. V. 27. SOUSA, Gisela Maria Santos Ferreira de; SILVA, Maria do Carmo Prazeres. Comunicação Organizacional Digital: abordagens teórico-metodológicas da produção científica circulante no espaço de discussão científica da Abrapcorp. In: SILVA, Marcelo Pereira da (org.). As Ciências da Comunicação e sua atuação plurifacetada 2. 1. ed. Ponta Grossa, PR: Atena Editora, 2020. p. 13-21. SOUSA, Gisela M. S. F. Comunicação institucional, imagem corporativa e identidade corporativa: a inter-relação das categorias. Revista Cambiassú, UFMA, v. XVI, p. 177-191, 2006. 245 TERRA, Carolina; SANTOS, Márcio Carneiro dos; SOUSA, Gisela. Avaliando a influência organizacional digital usando um robô: experimento comparativo a partir de modelos de geração de linguagem natural e inteligência artificial generativa. Revista Geminis, v. 14, p. 105-123, 2023. TERRA, Carolina, SOUSA, Gisela, MANIERI, Tiago. A contribuição brasileira para o estudo da comunicação das organizações em contextos digitais. In: RUÃO, Teresa; NEVES, Ronaldo; ZILMAR, José. A comunicação organizacional e os desafios tecnológicos: estudos sobre a influência tecnológica nos processos de comunicação nas organizações. Braga, Portugal: Editora: CECS – Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade: Universidade do Minho, 2017. 246 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste ROSEANE PINHEIRO Thaísa Bueno Roseane Arcanjo Pinheiro nasceu em 26 de setembro de 1973 em Monte Alegre(PA). É filha de Ivonete da Silva Arcanjo e de Manoel Basílio Dias Pinheiro, em uma família de três mulheres e um homem. Estudou no Ensino Fundamental em escolas públicas: Escola Estadual Santa Terezinha e Escola Estadual Simon Bolivar. O Ensino Médio foi feito em colégio particular, no Instituto Batista do Amazonas. A família mudou-se para Manaus(AM) no final dos anos 1970, e Roseane lá permaneceu até o Ensino Superior. Afinada à Área de Humanas, pensou, inicialmente, em cursar História, mas acabou optando pelo Jornalismo. Em 1997 formou-se em Comunicação Social – Jornalismo – na Universidade Federal do Amazonas(UFAM). Durante toda a sua Graduação foi bolsista no PET-Comunicação, participando de pesquisas e apresentando estudos em eventos. No Trabalho de Conclusão de Curso abordou a imprensa em Manaus nos anos 1960 e 1970, que recebeu o 2º lugar no Prêmio Vera Giangrande da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Concluída a Graduação, na mesma universidade ingressou na Especialização em Metodologia do Ensino Superior. Chegou a ministrar aulas na UFAM como professora substituta em 1999. Neste momento atuava na disciplina de Radiojornalismo, na qual segue em toda a sua carreira como docente. Chegou em São Luís(MA) no mesmo ano por conta das oportunidades no mercado de trabalho. Na cidade maranhense trabalhou como 247 jornalista: foi repórter, editora e chefe de reportagem no jornal O Imparcial. Também foi assessora de comunicação em instituições públicas e privadas. Em 2004 foi aprovada no Mestrado em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo(UMESP). Em seu projeto de pesquisa retoma o estudo iniciado na Graduação e, sob orientação de José Marques de Melo, investigou a chegada dos impressos nas regiões do Maranhão. A dissertação recebeu o título de“Gênese do Jornalismo no Maranhão nos Séculos XX e XXI”. O Doutorado foi cursado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS) entre 2012 e 2016, sob orientação de Antônio Holfeldt. A tese“Conciliador e o início do jornalismo maranhense no século XIX” desenvolveu uma análise sobre a produção da notícia e o discurso de O Conciliador do Maranhão (1821-1823), primeiro jornal impresso maranhense. Em 2023, no seu Pós-Doutoramento na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), pesquisa a trajetória das mulheres jornalistas de rádio e TV no Nordeste. Um projeto voltado para a história oral desses profissionais e que inclui os dois motes da sua trajetória: memória e radiojornalismo. Ingressou na Universidade Federal do Maranhão(UFMA), Campus de Imperatriz, em 2008, um ano depois de ter concluído o Mestrado. Foi aprovada no concurso para a cadeira de Radiojornalismo no curso de Comunicação Social que iniciava na instituição. Ali ajudou a organizar a grade do curso e foi coordenadora nesses primeiros anos, participando de bancas de concurso para selecionar novos docentes e da demanda por laboratórios e do prédio que abriga a faculdade. O Mestrado em Comunicação, aprovado em 2019, teve sua participação no corpo docente permanente até 2023, ano em que completou 15 anos de Magistério. Entre 2016 e 2018 esteve à frente da diretoria de interiorização da Seção Sindical do Maranhão e do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior(Andes-SN). Entre 2015 e 2017 foi conselheira fiscal da Associação Brasileira de Pesquisadores em História da Mídia(Alcar). Entre suas publicações já organizou, em parceria com colegas, obras que marcam sua carreira. Entre elas estão os livros“200 anos da imprensa no Maranhão – o campo histórico”(2022);“Jornalismo e Covid-19: os relatos de profissionais de Imperatriz-MA”(2021); 248 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste “Comunicação, jornalismo e memória”(2018);“Jornalismo, mídia e sociedade: as experiências na região tocantina”(2017) e “Desafios da Pesquisa em Jornalismo”(2012), todos pela Editora Universitária EDUFMA. Também marca sua trajetória na organização do acervo do curso de Jornalismo, no qual mantém livros temáticos, além de monografias e produtos elaborados pelos alunos no Trabalho de Conclusão de Curso. Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapema), coordena o projeto de digitalização de jornais locais para permitir o acesso da comunidade à memória da imprensa. Entre 2016 e 2017 os integrantes do Grupo de Pesquisa Jornalismo, Mídia e Memória(JOIMP), coordenado por ela, digitalizaram exemplares de dez jornais imperatrizenses dos anos 1970 a 1990. Em 2019, também com apoio da agência de fomento estadual, aprovou o projeto“Cartografia social de Piquiá de Baixo, em Açailândia-MA: trajetórias, memórias, política e ativismos midiáticos”, que resgata a memória dessa comunidade sobre as transformações da cidade de Imperatriz e região. Em 2023 Roseane Pinheiro assumiu a diretoria do recém-criado Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz(IHGI). A proposta é fazer parcerias, eventos culturais, participar de editais, lançar livros, promover capacitações e mobilizar a sociedade para a preservação da cultura e da memória locais. Principais publicações BARROSO, C.; FIGUEIREDO, C. A. S.; PINHEIRO, Roseane Arcanjo; FIGUEIREDO, J. P. S. V.; RODRIGUES, J. S. F. Vida, terra e minério: as histórias de vida dos moradores de Piquiá de Baixo em Açailândia-MA em rede. Revista Observatório, v. 6, p. 1-27, 2020. FREITAS, A. C. S.; PINHEIRO, Roseane Arcanjo(org.). Jornalismo e Covid-19: os relatos de profissionais de Imperatriz-MA. 1. ed. São Luís: EDUFMA, 2021. 64 p. FREITAS, A. C. S.; PINHEIRO, Roseane Arcanjo. Memória midiatizada: a circulação do audiovisual no YouTube. Rizoma, v. 8, p. 1-17, 2020. MATOS, M. F. B.; PINHEIRO, Roseane Arcanjo; ARAUJO, R. C. A. (org.). 200 anos da imprensa no Maranhão – o campo histórico. 1. ed. São Luís: EDUFMA, 2022. 354 p. 249 MORAES, L. A. S.; PINHEIRO, Roseane Arcanjo. Arca FM: trajetória de uma rádio comunitária na luta pelo direito à voz em AçailândiaMA. Logos, Rio de Janeiro, on-line, v. 24, p. 1, 2017. NASCIMENTO, G. S.; PINHEIRO, Roseane Arcanjo. A pesquisa sobre podcasting na perspectiva de gênero: um olhar para os trabalhos apresentados na Compós(2015-2020). Radiofonias – Revista de Estudos em Mídia Sonora, v. 13, p. 40-68, 2022. 250 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste LARISSA LEDA Lígia Regina Guimarães Clemente Larissa Leda nasceu em 26 de agosto de 1978 em São Luís(MA). É a segunda filha de Marco Polo Fonseca Rocha e de Silvia Leda Fonseca Rocha. Sua irmã chama-se Livia Janine. É casada com Kaiser Salgado Neves. Fez aulas de idiomas, dança e música ao longo da infância e adolescência. Nos primeiros anos do Ensino Fundamental estudou no Instituto Pindorama, e, nos últimos, no Colégio Pitágoras. Cursou o Ensino Médio na Escola Santa Teresa, sempre em São Luis. Iniciou a Graduação na Universidade Federal do Maranhão(UFMA) no curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, no ano de 1997. Concluiu o curso em 2001 com a defesa da monografia “O multiculturalismo e os programas infantis: análise comparativa entre Cocoricó e Bambuluá”, orientada por José de Ribamar Ferreira Júnior. O trabalho rendeu-lhe premiação no I Concurso Nacional de Monografias“Para o Brasil dar certo”, promovido pelo Ministério da Educação(MEC) em 2002. No ano de 2003 concluiu a Especialização em Docência do Ensino Superior na Pontifícia Universidade Católica(PUC) de Minas Gerais em Belo Horizonte(MG). Fez Mestrado em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense(UFF), com a dissertação “Diluindo fronteiras: hibridações entre o real e o ficcional na narrativa da telenovela”, sob orientação de Felipe Pena de Oliveira, defendida no ano de 2007. Em 2016 concluiu o Doutorado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, com a tese 251 “Má! Maravilhosa! Lindas, louras e poderosas, o embelezamento da vilania na telenovela brasileira”, sob a orientação de João Guilherme Barone Reis e Silva. Tanto no Mestrado quanto no Doutorado foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). Realizou, também, o Pós-Doutorado, em 2019, como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), no Centro de Estudos de Telenovela(CETVN), na Escola de Comunicações e Artes(ECA) da Universidade de São Paulo(USP), sob a supervisão de Maria Immacolata Vassallo de Lopes. Atuou como jornalista, assessora de comunicação e coordenadora de redação na Clara Comunicação e Editora. Foi gerente de comunicação na Escola Crescimento e participou como coordenadora do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – da Faculdade Pitágoras em São Luís, reconhecida pelo MEC em 2007. Larissa Leda foi professora substituta do curso de Comunicação da UFMA logo após sua Graduação, entre 2002 e 2004, e no ano de 2008 foi aprovada no concurso como professora efetiva. Entre 2003 e 2008 foi docente na extinta Faculdade São Luís, nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Como docente do curso de Comunicação da UFMA, tem ministrado disciplinas no curso de Rádio e TV, como Roteiro para Audiovisual, Narrativa Ficcional, Documentário, Teorias da Comunicação, História da Mídia, Direção de Arte e Cenografia e Direção de Programas de Televisão. Foi membro da Comissão Extraordinária para Reforma Curricular em 2008. É membro do Núcleo Docente Estruturante do curso de Rádio e TV. Tem desenvolvido projetos de pesquisa e de extensão. É orientadora de alunos em nível de Mestrado e avaliadora em bancas de Pós-Graduação. Compõe o quadro permanente de docentes do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) e do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas(PPGAC). Ela é coordenadora do Grupo de Pesquisa Observatório de Experiências Expandidas em Comunicação(ObEEC/UFMA/CNPq), com pesquisas financiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão(Fapema). O grupo é cadastrado no CNPq desde 2016 e atua nas três linhas de pesquisa: Comunicação e Práticas Culturais; Comunicação, Poder e Cidadania; e Narrativas Expandidas. O Grupo publicou a coletânea 252 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste “Observatório em Experiências Expandidas em Comunicação”, com três volumes. Também coordena o Grupo de Pesquisa(GP)“Ficção Televisiva Seriada”, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) e a Divisão Temática Internacional(DTI) “Estudos de Televisão e Cinema”, do Congresso Ibero-Americano de Comunicação(Ibercom). Foi uma das organizadoras de cinco volumes da coletânea“Ficção seriada: estudos e pesquisas”, frutos do GP“Ficção Televisiva Seriada”, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Foi membro do Observatório Ibero-Americano da Ficção Televisiva(OBITEL), que reúne centros de pesquisas de universidades de 12 países. Coordenou os seguintes projetos de pesquisa:“Documentário no Maranhão: realização, linguagem audiovisual e memória”(20102012);“Maldade em outra ótica: a feiura moral sob o véu da beleza na narrativa da telenovela”(2012-2014);“As heranças dos modos de contar: sobre matrizes culturais na conformação das narrativas das telenovelas brasileiras”(2015-2017);“Os contornos da maldade: a construção da vilania nas minisséries brasileiras” (2019-2020);“A encarnação do mau: a vilania a partir dos formatos narrativos na teledramaturgia brasileira(2021)”;“A maldade e suas encarnações: vilania, teledramaturgia e monstruosidades” (2022). Como integrante, tem participado dos seguintes projetos: “Mercado e notícia: jornal, interlocução e poder em São Luís” (2010-2012); TV privada de acesso amplo x TV pública de acesso restrito: contradições da política de comunicação no Brasil(20122014);“Metodologias de pesquisa em estudos culturais: um olhar comunicacional sobre as culturas populares no Maranhão”(20172022);“Mise-en-scène plástico: culturalmente construído ou pela imaginação subvertido?”(2018-2021);“Empreendedorismo e colaboração: as tecnologias digitais de comunicação e o estímulo à inovação em modelos de negócios”(2018-2021);“Mapa da mídia no Maranhão: disponibilização de dados para a superação da entropia” (2019-2022);“Cena musical LGBTQIA+ ludovicense: proposta de análise cultural”(2022);“Audiovisual distribuído: políticas do ver, do imaginar e regime híbrido de imagens”(2022);“Trajetórias de mulheres no contexto do trabalho escravo contemporâneo: das trabalhadoras escravizadas à rede de enfrentamento no Maranhão” (2022). Foi, durante 14 anos, editora da revista Cambiassu, do Departamento de Comunicação Social da UFMA. É revisora de 253 periódicos, como Matrizes On-line; Revista Latinoamericana de Ciências de la Comunicación On-line; Revista de Políticas Públicas (UFMA); Intercom: Revista Brasileira de Ciências da Comunicação; e do Lumina. O aporte de Larissa Leda Fonseca Rocha ao campo da Comunicação pode ser compreendido por uma dupla contribuição: tanto no fortalecimento da pesquisa na Universidade Federal do Maranhão quanto no cenário dos estudos da ficção televisiva seriada brasileira. Tem refletido e tensionado as questões comunicacionais, culturais, políticas e sociais que transitam nos estudos da teledramaturgia, acompanhando as transformações tecnológicas e sociais sem deixar de questionar o lugar da ética da cidadania na Comunicação. Principais publicações COSTA, R. B.; ROCHA, L. L. F. MCIC – Modelo para Criação de Iniciativas Contemporâneas. 1. ed. São Luís: EDUFMA, 2022. 60 p. ROCHA, L. L. F. Diluindo fronteiras: hibridizações entre o real e o ficcional na narrativa da telenovela. 1. ed. São Luís: EDUFMA, 2011. 176 p. ROCHA, L.; L. F.; LEMOS, Ligia Maria Prezia(org.). Ficção seriada: estudos e pesquisas. 1. ed. Alumínio, SP; Votorantim, SP: Jogo de Palavras: Provocare Editora, 2021. 386 p. Vol. 4. ROCHA, L. L. F.; LEMOS, Ligia Maria Prezia(org.). Ficção seriada: estudos e pesquisas. 1. ed. São Luís, MA; Alumínio, SP: EDUFMA: Jogo de Palavras, 2022. 411 p. Vol. 5. E-book. ROCHA, L. L. F.; LEMOS, Ligia Maria Prezia(org.). Ficção seriada: estudos e pesquisas. 1. ed. São Luís, MA; Alumínio, SP: EDUFMA: Jogo de Palavras, 2023. 306 p. Vol. 6. E-Book. ROCHA, L. L. F.; LEMOS, Ligia Maria Prezia(org.). Ficção seriada: estudos e pesquisas. 1. ed. São Luís, MA; Alumínio, SP: EDUFMA: Jogo de Palavras, 2024. 380 p. Vol. 7. E-Book. 254 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MARCELLI ALVES Izani Mustafá Marcelli Alves da Silva nasceu em 18 de janeiro de 1977 em Bela Vista(MS). É filha de Helio Pereira da Silva e Suzana Alves da Silva. É casada com Jorge Salvaterra e mãe de Iago Victor e Maria Victoria, e avó de Pedro Augusto. No Ensino Fundamental estudou na Escola Estadual Castelo Branco. O Ensino Médio cursou na Escola Estadual Joaquim Murtinho e na Escola Latino-Americano. Fez Comunicação Social – Jornalismo – na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(UFMS). Formou-se em 1998, e quando estava no segundo semestre do curso trabalhou na Vídeo Brasil Central (VBC), produtora que atuava do varejo ao marketing político. Em 1995 ela cobria as sessões da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Vereadores de Campo Grande(MS). Fez quatro campanhas políticas, tanto do Executivo quanto do Legislativo, entre 1995 e 1999, incluídas campanhas nacionais para candidatos do PMDB e do PT. Até 2003 esteve em atividades políticas de candidatos do PTB. Fez Especialização em Imagem e Som na UFMS, concluída em 2001. Foi contratada por um deputado estadual e começou a atuar como assessora de imprensa. Paralelamente, em 2003, foi chamada para dar aulas no curso de Jornalismo na Faculdade Estácio de Sá de Campo Grande(FESCG). Assumiu três disciplinas: Jornalismo Regional, Jornalismo Internacional e Jornalismo Ambiental. Posteriormente atuou na disciplina de Telejornalismo. Ministrou aula na Estácio de Sá de 2003 a 2010, na Universidade de Campo Grande(FCG) de 2007 a 2010 e no Centro Universitário da Grande Dourados(Unigran), Campus Dourados/MS, no ano de 2006. 255 Enquanto iniciava a carreira foi chamada para criar a TV da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, a TV ALMS, e assumir a direção da emissora. Ingressou no Mestrado em Produção e Gestão Agroindustrial na Anhanguera, em Campo Grande(MS), na linha de pesquisa de Comunicação voltada ao Agronegócio. Concluiu o curso em 2005, com a dissertação“Uma análise crítica da CPI do Leite em Mato Grosso do Sul”. Fez, a seguir, a Especialização( lato sensu) em Marketing Político na Unigran e Master of Business Administration (MBA) em gestão de Instituições de Ensino Superior(IES) na Universidade Estácio de Sá do Rio de Janeiro. Também mudou de atividade. Saiu da TV ALMS e assumiu como editora executiva no programa Manhã Notícias do SBT/MS e, posteriormente, como editora-chefe do Balanço Geral da Record/MS. Em 2010 foi aprovada em concurso na Universidade Federal do Maranhão(UFMA), Campus Imperatriz, e ingressou, em 2012, como professora adjunta com dedicação exclusiva. Em 2014 iniciou o Doutorado em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e, desde então, seu foco de estudo é a televisão. No ano de 2017 concluiu o Doutorado com a tese“O percurso do amador para integrar o mundo do telejornalista: uma análise dos vídeos colaborativos que participam da notícia televisiva”. Ministra as disciplinas de Telejornalismo e é vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Cibercultura(GCiber). Desenvolve vários projetos de pesquisa: de 2022 a 2023 Fake News nas eleições 2022 – análise da sessão Fato ou boato;“Que jornalismo é esse? identidades, práticas e desafios de uma profissão em crise” e “Novos e velhos suportes: títulos, conteúdos convergentes e novas narrativas no jornalismo”. Em sua trajetória profissional, Marcelli contabiliza vários prêmios e títulos: Pibic categoria pôsteres assíncronos, UFMA(2020); Programa Mérito Acadêmico 2013/2014, UFMA(2015); 1º Lugar no I Concurso Nacional de Curtas de Responsabilidade Social, Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior(2008); Mención de Honor, Universidad Privada de Santa Cruz de La Sierra(UPSA)(2006); 1º Lugar Agências de Notícias, Intercom(2005); Menção Honrosa – 12º Expocom, Intercom(2005); 2º Lugar Assessoria de Imprensa, Intercom(2004); e Menção Honrosa da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, Exército Brasileiro(2004). 256 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Principais publicações SILVA, Marcelli Alves da; CERETTA, Kellen. A participação da audiência no telejornalismo local: levantamento das produções nos programas de Pós-Graduação em comunicação nos anos de 2009 a 2019. E-com, Belo Horizonte, v. 13, p. 312-326, 2022. SILVA, Marcelli Alves da; BUENO, Thaísa; MOREIRA, Janaína. O papel das redes sociais nos casos de assédio sexual das jornalistas: estudo da realidade no interior do Maranhão. Razón y Palabra, v. 26, p. 89-105, 2022. SILVA, Marcelli Alves da; BUENO, Thaísa; LUZ, Mayra. Web TV Imperatriz on-line: um estudo da reconfiguração da rotina baseada no parâmetro da tétrade de McLuhan. Movendo Ideias, v. 27, p. 16-30, 2022. SILVA, Marcelli Alves da; BUENO, Thaísa; CARNEIRO, Taynara Freitas. Perfil do jornalista na Região Tocantina: a construção da identidade profissional no sul do Maranhão. Comunicação& Informação, v. 25, p. 914-939, 2022. SILVA, Marcelli Alves da; ROCHA, Ariel da; CERETTA, Kellen; SOUSA, Nayara de. Um olhar para a pesquisa em Jornalismo na Iniciação Científica: análise do Prêmio Adelmo Genro Filho(20102020). La Trama de la Comunicación, v. 26, p. 55-71, 2022. SILVA, Marcelli Alves da; BUENO, Thaísa; MENEZES, Stephanne Rufino. Entre jornalistas: o relacionamento do produtor de televisão com o assessor de imprensa. ECCOM – Educação, Cultura e Comunicação, v. 14, p. 43-58, 2023. 257 THAÍSA BUENO Letícia Conceição Martins Cardoso Thaísa Cristina Bueno nasceu em 10 de março de 1976 em Guaraniaçu(PR). É filha de Belardo Bueno e Edite Maria Zys Bueno. Estudou em escolas públicas, com período em colégio particular no Ensino Médio como bolsista. Nos primeiros anos do Ensino Fundamental estudou no Colégio Municipal Rocha Pombo e, nos últimos, no Colégio Estadual Waldemar Coelho. Cursou o Ensino Médio no Colégio Dom Bosco. Começou o curso de Psicologia na Universidade Federal do Paraná (UFPR), mas abandonou. Depois, iniciou Jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT), em Cuiabá(MT), e também desistiu, retomando o curso de Jornalismo na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(UFMS), em Campo Grande(MS). Formouse bacharel em 2000. Nesse período foi bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica(Pibic), trabalhando com a antropóloga Ana Lúcia Valente na pesquisa Comunicação e Comunidades Indígenas. Jornalista diplomada, atuou por dez anos em redação de jornais em Campo Grande(MS), concentrando-se no Caderno de Cultura. Também trabalhou como repórter de sites e portais de notícias. Recebeu convite para ministrar aula de Jornalismo Impresso na Faculdade Estácio de Sá(Unesa) em 2003, em um curso voltado para o mercado de trabalho. O projeto ganhou por anos seguidos prêmios na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Thaisa coordenou o jornal Folha Guaicuru, junto com a equipe da Unesa, vencendo diversas vezes na Exposição de Pesquisa 258 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Experimental em Comunicação(Expocom/Intercom). Essa experiência rendeu um convite para atuar na Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal(Uniderp) como coordenadora de projetos de extensão, ministrando aulas de Graduação e Pós-Graduação. Nesse período cursou Especialização em Imagem e Som na UFMS, concluída em 2004. Depois disso, em 2005, ingressou no Mestrado em Letras, com um projeto de pesquisa que buscava entender a lógica do tempo real nos sites de notícia, sob orientação de Rita de Cássia Limbert, na UFMS de Três Lagoas. Com esse título fez seu primeiro concurso público para professora na Universidade Federal do Maranhão(UFMA) de Imperatriz. Em 2010 foi convocada na vaga de redação jornalística. Fez Doutorado em Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS(concluído em 2015), sob orientação de Roberto Tietzmann, com uma investigação sobre o papel dos comentários de leitores na rotina dos veículos jornalísticos nacionais. Participou da criação da primeira Pós-Graduação lato sensu na UFMA, a Especialização em“Assessoria de Comunicação Empresarial e Institucional”, aprovada em dezembro de 2015. Esteve à frente da comissão que submeteu à Avaliação de Proposta de Curso Novo(APCN) o projeto de Mestrado em Comunicação na Universidade, onde permanece como professora. No âmbito administrativo do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM), foi coordenadora do Mestrado no primeiro biênio, entre 2019 e 2021, quando foram criados os regimentos, o site e dois eventos: Preparacom, de âmbito regional, e o Afirmação, que se configuraram em oficinas interprogramas de preparação para seleção de Programas de Pós-Graduação em Comunicação com Políticas de Ações Afirmativas, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) e Universidade Federal de Sergipe(UFS). Como docente do Mestrado ocupou o cargo de representante do Programa no Comitê de Ética da Universidade e no Conselho Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão(Fapema), na área das Ciências Sociais Aplicadas. A dissertação“O corpo está no contrato? Estudo sobre as ocorrências de assédio sexual contra mulheres jornalistas nas redações”, 259 primeira orientada por ela, ganhou, em 2021, o Prêmio Mulheres Cientistas: categoria melhor dissertação de Mestrado. Dentre os Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC), o estudo“O Progressinho – história e análise do suplemento infantil veiculado no jornal O Progresso(1986-1987)” concorreu ao Prêmio José Marques de Melo pelo Grupo de Trabalho(GT) de História da Mídia Impressa, na Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar) de 2021, e foi premiado como melhor TCC do ano no Simpósio de Comunicação(Simcom), evento promovido pela UFMA. Dos estudos de Iniciação Científica, quatro receberam premiações no âmbito da UFMA(Seminário de Iniciação Científica – Semic) na área de Ciências Sociais Aplicadas. Em 2020 Thaísa recebeu o Prêmio Mérito Acadêmico Maria Ozanira da Silva e Silva pela produção daquele ano, tendo o melhor desempenho entre os docentes da área em toda a universidade. Coordena diversos projetos de pesquisa. Desses, dois com financiamento contemplados em editais:“Assédio a professoras no Ensino Superior: um estudo sobre a realidade dos Programas de PósGraduação no Nordeste”, de 2022 a 2024, financiado pelo Edital Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq); e“Jornalismo e Tecnologia: práticas redefinidas em cidades do interior”, de 2018 a 2021, financiado pelo Edital Universal Fapema. Dentre as publicações de maior destaque está o livro coautoral, intitulado“Títulos Jornalísticos”. Das parcerias que o GCIBER fez com outros grupos e pesquisadores, três obras foram coorganizadas por ela:“Performance em Ciberjornalismo: Tecnologia, inovação e eficiência”(2017),“Comentários de leitores na Internet”(2015) e“Identidade, experiência e reflexão: formação de professores no contexto do Parfor”(2016). Na trajetória de Thaísa na UFMA, dentre muitas participações, coordena o Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Cibercultura (GCIBER) e integra o Grupo de Pesquisa em Ciberjornalismo, uma parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que, desde 2010, organiza do Simpósio Internacional de Ciberjornalimo. Principais publicações BUENO, Thaísa Cristina; REINO; Lucas. Títulos jornalísticos. São Luís, MA: EDUFMA, 2022. 192 p. 260 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste BUENO, Thaísa Cristina; REINO, Lucas(org.). Comentários de leitores na Internet. São Luís, MA: UFMA, 2015. E-book. BUENO, Thaísa Cristina; Lucas REINO; MOURA, Kessia(org.). Identidade, experiência e reflexão: formação de professores no contexto do Parfor. São Luís, MA: EDUFMA: CAPES, 2016. E-book. MARTINS, Gerson Luís; REINO, Lucas; BUENO, Thaísa Cristina. Performance em ciberjornalismo: tecnologia, inovação e eficiência. Campo Grande, MS: Editora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 2017. 261 FLÁVIA MOURA Leila Sousa Flávia de Almeida Moura nasceu em 29 de novembro de 1978 em Taubaté(SP). É filha de Claudete Maria Ronconi Silva Moura e Sebastião de Almeida Moura. Fez a educação básica em escolas públicas: os primeiros anos do Ensino Fundamental na Escola Estadual Urbano Alves e o restante do Ensino Fundamental e o Ensino Médio na Escola Municipal Ezequiel de Souza Pereira, ambas em Taubaté(SP). Fez Graduação em Jornalismo na Universidade de Taubaté(UnitauSP), onde também se especializou em Jornalismo Científico. De 2004 a 2006 fez Mestrado em Ciências Sociais na Universidade Federal do Maranhão(UFMA), com orientação de Marcelo Sampaio Carneiro. Na ocasião estudou a economia familiar e estratégias de sobrevivência de trabalhadores rurais de Codó, Maranhão. No Doutorado, defendido em 2015, fez parte de um programa de Doutorado Interinstitucional decorrente de parceria entre a UFMA e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUCRS). O título de sua tese foi“Representações do trabalho escravo a partir da mídia: olhares de trabalhadores rurais maranhenses”, com orientação de Juliana Tonin. Fez Pós-Doutoramento em Sociologia e Antropologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). A atuação de Flávia está diretamente ligada à sua formação em Ciências Sociais e Comunicação, sendo suas áreas de interesse a Comunicação, a Sociologia, a Antropologia, o Trabalho e os Direitos Humanos. Atuou na Faculdade São Luís entre os anos de 2008 e 2009, e acumula várias experiências como jornalista, que vão desde a 262 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste atuação como estagiária em Jornalismo na Universidade de Taubaté passando por atuações como freelancer em diversas revistas e jornais, como: Via Vale, National Geographic, Jornal o Estado de São Paulo – Estadão, correspondente do Maranhão e Jornal Vale Paraibano. Tem experiência como assessora de imprensa de órgãos como: Fórum de Erradicação do Trabalho Escravo no MA(FOREM); Sindicato dos Bancários do Maranhão e Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo. Flávia é professora do Departamento de Comunicação da UFMA/ São Luís desde o ano de 2009, e desde 2019 atua no Programa de Pós-Graduação em Comunicação/Mestrado Profissional da UFMA. Faz parte do Grupo de Estudos e Pesquisas Trabalho e Sociedade(GEPTS), do Observatório de Experiências Expandidas em Comunicação(OBEEC) e do Núcleo de Estudos em Estratégias de Comunicação(NEEC). Entre as disciplinas ministradas na Graduação e na Pós-Graduação destacam-se: Teorias da Comunicação e Metodologias de Pesquisa; Seminários Transdisciplinares – Relações Públicas; Metodologia de Pesquisa – Jornalismo; Elaboração de Projetos de Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC) – Jornalismo e Rádio e Televisão; e Comunicação e Direitos Humanos. Orienta trabalhos que dialogam com temáticas que atravessam os Direitos Humanos e a Cidadania e suas inter-relações com o jornalismo e a comunicação. Ressalta-se, também, a atuação como membro de Conselhos Editoriais e como revisora de periódicos, entre eles as Revistas Cambiassu, Matrizes, Revista Pós-Ciências Sociais UFMA e Revista Brasileira de Sociologia. Flávia desenvolve pesquisas e projetos relacionados ao trabalho escravo contemporâneo e coordena o Grupo de Estudos Trabalho Escravo e Comunicação(Getecom), participando da Comissão Estadual de Combate ao Trabalho Escravo do Maranhão(CoetraeMA). Coordenou, entre os anos de 2016 e 2020, o Observatório do trabalho escravo no Maranhão em parceria com a Secretaria de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho e Previdência Social(MTPS). Entre os projetos de pesquisa figuram: Trajetórias de mulheres no contexto do trabalho escravo contemporâneo: das trabalhadoras escravizadas à rede de enfrentamento no Maranhão; de 2019 a 2022: Comunicação, migração e trabalho escravo contemporâneo: 263 trajetórias de trabalhadores(as) rurais da Baixada Maranhense; de 2018 a 2019: Estudo comparativo sobre trabalho precarizado e suas representações midiáticas no contexto do Brasil e de Angola: análise de casos do Maranhão e da capital Luanda e províncias do Sul(Benguela, Humbo e Huíla). Flávia foi vencedora de alguns prêmios: em 2000 foi vencedora da Honra ao Mérito na Universidade de Taubaté(UNITAU); em 2006 foi escolhida como melhor apresentação em painel da Associação Nacional de Pós-Graduação em Pesquisa e Ciências Sociais(ANPOCS-2006); em 2017, com sua orientação, um trabalho ficou em 1º Lugar na categoria pôster na área de Ciências Sociais Aplicadas no Seminário de Iniciação Científica promovido pela UFMA. No mesmo ano de 2017 recebeu Menção Honrosa no Prêmio FAPEMA 2017/Categoria Jovem Cientista(orientação). Em 2022 recebeu a homenagem“Maria Firmina dos Reis para mulheres que lutam contra o trabalho escravo contemporâneo”, concedida pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular do Maranhão. É autora dos livros“Escravos da precisão: economia familiar e estratégias de sobrevivência de trabalhadores rurais em Codó”(MA) (2009) e“Trabalho escravo e mídia: olhares de trabalhadores rurais maranhenses”(2016). Também tem atuado como organizadora de coletâneas na área da Comunicação, Educação e Ciências Sociais. Flávia Moura possui, ainda, uma série de trabalhos publicados em congressos, revistas e livros, além de entrevistas concedidas a diversos meios de comunicação. Principais publicações MOURA, Flávia de Almeida. Escravos da precisão: economia familiar e estratégias de sobrevivência de trabalhadores rurais em Codó(MA). São Luís, MA: EDUFMA, 2009. 128 p. MOURA, Flávia de Almeida. Trabalho escravo e mídia: olhares de trabalhadores rurais maranhenses. São Luís, MA: EDUFMA, 2016. 268 p. MOURA, Flávia de Almeida; FIGUEIRA, R. R.; SUDANO, S.(org.). Trabalho escravo contemporâneo e resistência em tempos de pandemia. 1. ed. São Luís: EDUFMA, 2022. 508 p. V. 1. 264 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MOURA, Flávia de Almeida; FIGUEIRA, R. R.; SUDANO, S.(org.). Escravidão contemporânea no campo e na cidade: perspectivas teóricas e empíricas. 1. ed. Rio de Janeiro: Mauad X, 2022. 566 p. V. 1. MOURA, Flávia de Almeida; SANTOS, J. E. S.; PORTELA, R. Comunicação, migração e trabalho escravo contemporâneo: caminhos metodológicos para uma pesquisa em colaboração. Mídia e Cotidiano, v. 17, p. 1-17, 2023. MOURA, Flávia de Almeida; FERREIRA JR., José; SANTOS, J. E. S. Trabalho escravo contemporâneo e mídia: da institucionalização do tema ao cenário de retrocesso. Revista Brasileira de História da Mídia, v. 11, p. 182-199, 2022. 265 MELISSA RABELO Mariela Costa Carvalho Melissa Silva Moreira Rabelo nasceu em 18 de dezembro de 1976 em São Luís(MA). É filha de Raimunda Silva Moreira e de Luís Carlos Raposo Moreira. Ela estudou em escola particular desde o Jardim de Infância até o Ensino Médio. Morou com a família no Rio de Janeiro e, de volta ao Maranhão, fez faculdade de Relações Públicas na Universidade Federal do Maranhão(UFMA)(1995-2000). Em 2001 concluiu a Especialização em Comunicação Organizacional na mesma universidade. Também fez Mestrado e Doutorado na UFMA, ambos no Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas. No Mestrado defendeu, em 2011, a dissertação“A relação entre público e privado no campo público da comunicação: as experiências da TV Cultura e TV Brasil”. Em 2012 começou o Doutorado, no qual deu continuidade aos estudos sobre televisão na tese intitulada“TV privada de acesso amplo x TV pública de acesso restrito: contradições da política de comunicação no Brasil”. Parte dessa pesquisa foi desenvolvida no Doutorado-Sanduíche na Syracuse University, NY/USA(2013-2014). Após esse período de estudos nos Estados Unidos, o artigo“Public Broadcasting services in the United States and Brazil: history, funding and new Technologies”, em coautoria, foi publicado em 2017. A primeira experiência profissional de Melissa na área da comunicação foi na agência Open Door(2000-2003), onde ela atuou com o planejamento de mídia. Ela desempenhou a mesma função na agência VCR(2006-2007). Em 2001 iniciou no magistério, ministrando aulas no curso de Publicidade da Universidade Ceuma(Centro Universitário do Maranhão) até 2010. Ela também 266 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste foi docente na Faculdade São Luís(2004-2013) e atuou como professora substituta na UFMA(2011-2012). Ao assumir a vaga de docente efetiva na Universidade Federal do Maranhão em 2015, ela passou a dedicar-se às atividades de pesquisa e extensão. Seu primeiro projeto foi a criação da Liga Acadêmica de Pesquisa e Planejamento em Relações Públicas(LAPRP). Foi nesse momento que conheceu o trabalho de comunicação e saúde da Fundação Oswaldo Cruz(Fiocruz), onde fez cursos de atualização e teve contato com pesquisadoras relevantes nessa área. Entre os trabalhos realizados pela LAP-RP, destaca-se a criação do canal do YouTube que divulgava conteúdos produzidos para instituições como o Banco de Leite do Hospital Universitário Materno Infantil e a Fundação Antonio Dino, responsável pelo Hospital do Câncer Aldenora Belo e Casas de Apoio. Outro produto foi a série “Saúde Talks”, entrevistas com profissionais de destaque no âmbito nacional da comunicação e saúde, especialmente da Fiocruz. A Liga elaborou o projeto de extensão“Todos somos voluntários: o abc do câncer”, que foi realizado em duas etapas entre 2017 e 2023 na Fundação Antonio Dino. O objetivo foi desenvolver ações de comunicação para os voluntários que participavam de projetos de apoio da instituição. A LAP-RP funcionou até 2023. Desde 2017 é integrante do grupo de pesquisa Observatório de Experiências Expandidas em Comunicação(ObEEC), vinculado à UFMA, que se dedica à pesquisa de práticas culturais, narrativas expandidas, comunicação, poder e cidadania. Em 2025 coordena o projeto de extensão“Ferramentas e práticas comunicacionais para o Sistema Único de Saúde(SUS): sensibilização, orientação e conscientização de profissionais de saúde, gestores e públicos”. Também é responsável pelo projeto de pesquisa “Levantamento epidemiológico e estratégia comunicacional em benefício dos usuários do ambulatório de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial do Hospital Universitário da UFMA”. Ela é membro do Colegiado de Curso e do Núcleo Docente Estruturante(NDE) do curso de Comunicação Social – Relações Públicas. Na Graduação ela tem ministrado disciplinas como Planejamento de Mídia; Agência Experimental de Relações Públicas; Relações Públicas e Marketing; e Relações Públicas Comunitárias e Organizações Sociais. Desde 2022 é docente permanente do 267 Mestrado Profissional em Comunicação da UFMA, na linha de pesquisa Comunicação, tecnologia e dinâmicas organizacionais. Melissa Silva Moreira Rabelo é Relações Públicas com relevante atuação na área no Estado do Maranhão, sobretudo a partir de 2015, quando se tornou professora efetiva do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão(UFMA). Principais publicações CAMPOS, Amanda Leite; COSTA, Ramon Bezerra; RABELO, Melissa Silva Moreira. A comunicação comunitária como estratégia de fomento da política de conciliação. Observatorio de la Economía Latinoamericana, v. 21, p. 5.167-5.185, 2023. FERREIRA JUNIOR, J.; RABELO, Melissa Silva Moreira; TORRES, A. J. C. G. Curricularizar a extensão: ressignificar o legado do personagem Zé Gotinha perante o anticientificismo. Revista Extensão em Debate, v. 12, 2023. RABELO, Melissa Silva Moreira; AZAMBUJA, P. K.(org.). Ensaios sobre experiências com sujeitos da pesquisa. São Luís: EDUFMA, 2023. 172 p. V. 3. RABELO, Melissa Silva Moreira; RABELO, M. S. M.; RIBEIRO, R. C.; GUIMARÃES, R. B. F.; OLIVEIRA, L. C. B. Todos somos voluntários: ABC do Câncer?: guia rápido para o público de voluntários da Fundação Antonio Dino, São Luís/MA. Extensão PUC Minas: Novo Humanismo, Novas Perspectivas, p. 575-584, 2022. RABELO, Melissa Silva Moreira; SENA, P. R. C.; SILVA, P. S. A. A socioeducação na perspectiva da comunicação pública e comunitária aplicada ao Instagram. Revista de Políticas Públicas, UFMA, v. 26, p. 83-97, 2022. RABELO, Melissa Silva Moreira; MURILO, M. G.; COUTO, C. A. A. M. Public Broadcasting services in the Unided Sates and Brazil: history, funding and new technologies. Revista de Politicas Publicas, UFMA, v. 21, p. 469-494, 2017. 268 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste SELMA CAVAIGNAC Lourdes Ana Pereira Silva Selma Maria Gonçalves Cavaignac nasceu em 11 de abril de 1972 em São Luís(MA). É a terceira dos cinco filhos de Mario Balata Cavaignac e Raimunda Gonçalves Cavaignac, e a única mulher entre os irmãos. Desde os tempos do Colégio Meng, onde concluiu seus estudos básicos, demonstrava interesse pela escrita, que a conduziu ao curso de Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão (UFMA-1989-1993). Durante a Graduação descobriu a pesquisa em temáticas sociais, consolidada ao longo de três anos como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), vinculada a um projeto apoiado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância(Unicef). Sua participação culminou na elaboração de seu Trabalho de Conclusão, orientado por Vera Lúcia Rolim Sales, intitulado“A recepção dos programas de rádio A Saúde da Nossa Gente e Vida de Mulher entre as agentes de saúde do Bairro da Vila Palmeira”. Realizou três Especializações lato sensu na UFMA: Gestão da Comunicação(1996-1999), com o trabalho de conclusão“A intranet como instrumento de comunicação empresarial”, sob a orientação de Ana Akemi Ikeda; Comunicação Organizacional(2000-2001), com a pesquisa“A comunicação organizacional nas empresas – um estudo de caso da AMIL”, orientado por Zenir de Jesus Lins Pontes, e, em 2006, Especialização em Metodologia do Ensino Superior, com o trabalho“A importância do conhecimento pedagógico para a prática docente”, sob orientação de Antonio Paulino de Sousa. 269 Em 2008 obteve o Mestrado em Educação, orientada por Ilma Vieira do Nascimento, na qual abordou“A importância do conhecimento pedagógico na prática docente: um estudo voltado aos professores que atuam em uma instituição de Ensino Superior privada”. Uma década depois ingressou no Doutorado(2018-2023) em Ciências da Informação na Universidade Fernando Pessoa, em Portugal. Sua tese foi orientada por Luís Manuel Borges Gouveia, cujo título é“Jogos digitais como método de ensino: uma proposta de modelo de jogo para o ensino do jornalismo”. Ainda, no segundo período da Graduação em Comunicação Social iniciou sua trajetória no telejornalismo com atuação em emissoras locais e nacionais, onde desenvolveu atividades em reportagem, edição e produção de conteúdo audiovisual. Atuou na Assessoria de Comunicação na Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, no Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial do Maranhão (INMEQ) e na Universidade Ceuma(2001-2004), e esteve à frente da Assessoria de Comunicação, onde coordenou o projeto UniCeuma Notícias, veiculado semanalmente no jornal O Estado do Maranhão. Sua trajetória na docência foi iniciada em 2005. Desde então integrou o corpo docente de diversas instituições, como a Universidade do Vale do Acaraú(2005-2009), a Faculdade do Estado do Maranhão (FACEM-2007-2009) e a Faculdade Estácio de São Luís(2009-2012). Destaca-se, também, por ter contribuído para o Banco Nacional de Itens do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes(BNIEnade) em 2015, sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(INEP). A partir de 2007 passou a integrar o quadro de professores da Universidade Ceuma. Entre 2010 e 2017 coordenou os cursos de Jornalismo e Publicidade, participando de comissões de avaliação e liderando processos de reformulação curricular, avaliação institucional e articulação com o mercado. Um marco decisivo dessa trajetória foi sua iniciativa na fundação do curso de Jornalismo da Universidade Ceuma em 2013. Ela é membro do Núcleo Docente Estruturante(NDE), do Colegiado de Curso e do Núcleo de Pesquisas em Comunicação Social(NUPECS). Ao longo de sua carreira docente já ministrou mais de 20 disciplinas, incluindo Administração Mercadológica II, Assessoria de Comunicação e Imprensa, Comportamento do Consumidor, 270 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Empreendedorismo, Gestão da Comunicação, Gestão de Vendas, História do Jornalismo, Jornalismo de Revista, Jornalismo Especializado, Laboratório de Jornalismo Informativo, Laboratório de Jornalismo Investigativo, Laboratório de Jornalismo Opinativo, Metodologia da Pesquisa em Comunicação, Pesquisa de Mercado, Pesquisa de Marketing, Processos e Técnicas de Jornalismo, Projeto Experimental em Jornalismo Impresso, Teorias da Comunicação, Teorias do Jornalismo e Trabalho de Conclusão de Curso. Na pesquisa destacam-se dois projetos em que atuou como coorientadora: O discurso da violência e o(des)respeito aos direitos humanos: análise da cobertura policial no jornalismo maranhense (2022-2023), com ênfase na cobertura do jornal O Estado do Maranhão; e Crônica: a escrita do cotidiano(2016-2019), de caráter interdisciplinar. Na atividade de extensão coordena o Projeto de Educação Midiática Trilhas Digitais(desde 2023), para fornecer ferramentas para uma navegação informada, crítica e segura. Destaca-se, ainda, a coordenação editorial das revistas-laboratório Maracultural e Yebá, produzidas pelos alunos do curso de Jornalismo. Em 2019 publicou o capítulo Uso do Kahoot e de estratégia de gamificação no Ensino Superior, na coletânea The Convergence of Times(UFBA), onde explorou metodologias ativas e ensino híbrido. No mesmo ano apresentou trabalhos no I Simpósio Internacional de Tecnologias Digitais na Educação e na International Conference on Convergence in Information Science, Technology and Education (Salvador). Em 2020 produziu Jornalistando: jogo para o ensino do Jornalismo, publicado nos Anais do II Simpósio Internacional e V Nacional de Tecnologias Digitais na Educação, um protótipo do jogo digital desenvolvido em sua pesquisa de Doutorado. Participou, também, do III Congresso Amazônico EaD com a apresentação Socrative: aulas mais interativas, alunos mais engajados, discutindo o uso de plataformas digitais no ensino remoto. No ano de 2022 publicou dois capítulos: Jogo digital na sala de aula: avaliação do jogo Jornalistando e Jogo Jornalistando: uma proposta para o ensino do Jornalismo, ambos resultantes de pesquisas aplicadas em sala de aula. Apresentou trabalhos no IV Simpósio Internacional e VII Nacional de Tecnologias Digitais na Educação e no III Encontro da Rede Internacional de Educação OnLIFE. Em 2023 publicou o artigo Jogo“Jornalistando”: avaliação de um modelo de jogo digital 271 educacional para o ensino do jornalismo na Revista TICs& EaD em Foco, periódico especializado em tecnologias educacionais. Selma participou do III Congresso Amazonense de Educação e do II Simpósio Nacional de Metodologias Ativas na Educação Profissional e Tecnológica(SINMAEPT), destacando-se na pesquisa sobre jogos sérios e ensino híbrido. Selma Cavaignac vem abordando temas como jornalismo digital, Fake News, comunicação política, jornalismo cultural, assessoria de imprensa e feminismo na mídia. Sua orientação é pautada pela pesquisa aplicada, ética profissional e inovação metodológica. Ministra cursos de curta duração voltados à formação docente e à inovação pedagógica, como Educação Midiática, Planejamento com Tecnologias Digitais, Storytelling para Professores, Elaboração de Trilhas de Aprendizagem com Mural Digital e Combate à Desinformação na Sala de Aula. Principais publicações CAVAIGNAC, Selma Maria Gonçalves; GOUVEIA, L. B.; REIS, P. A. C. Uso do Kahoot e de estratégia de gamificação no Ensino Superior: relato de experiência da aplicação do Peer Instruction como metodologia de ensino. In: NEVES, Barbara Coelho(org.). The Convergence of Times. CONCITEC, 2. 1. ed. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2019. p. 1.136-1.179. V. 1. CAVAIGNAC, Selma Maria Gonçalves; GOUVEIA, L. B.; REIS, P. A. C. Uso do Kahoot e de estratégia de gamificação no Ensino Superior: relato de experiência da aplicação do Peer Instruction como metodologia de ensino. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON CONVERGENCE IN INFORMATION SCIENCE, TECHNOLOGY AND EDUCATION, 2019, Salvador, Bahia, 2019. CAVAIGNAC, Selma Maria Gonçalves; GOUVEIA, L. B. Jornalistando: jogo para o ensino do Jornalismo. In: BOTTENTUIT JUNIOR, João Batista(org.). Simpósio Internacional e Nacional de Tecnologias na Educação. 1. ed. São Luís: EDUFMA, 2020. p. 1.847-1.860. V. 1. CAVAIGNAC, Selma Maria Gonçalves; GOUVEIA, L. B. Jogo digital na sala de aula: avaliação do jogo Jornalistando. In: BOTTENTUIT JUNIOR, João Batista(org.). SIMPÓSIO INTERNACIONAL, 4., SIMPÓSIO NACIONAL DE TECNOLOGIAS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO, 6. 2022. São Luis. Anais[...]. 3. ed. São Luís: EDUFMA – Editora da Universidade Federal do Maranhão, 2022. p. 726-734. 272 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste CAVAIGNAC, Selma; GOUVEIA, L. B.; REIS, P. A. C. Jogo Jornalistando: uma proposta para o ensino do Jornalismo. In: GOUVEIA, Luís Borges(org.). Estudos sobre o digital e suas aplicações. 1. ed. Belo Horizonte: Conhecimento Editora, 2022. p. 1-340. V. 1. CAVAIGNAC, Selma Maria Gonçalves; GOUVEIA, Luís Borges. Jogo “Jornalistando”: avaliação de um modelo de jogo digital educacional para o ensino do jornalismo. TICs& EaD em Foco, v. 9, p. 74-86, 2023. 273 LETÍCIA CARDOSO Leila Sousa Letícia Conceição Martins Cardoso nasceu em 14 de novembro de 1980 em Vargem Grande(MA). É filha de Maria Gracinete Martins Cardozo e Ismar Raymundo Braga Cardozo. É mãe solo de Benjamim e Benício. Com um ano de idade mudou-se com os pais para São Luís(MA). Estudou nas escolas Instituto Divina Pastora (Ensino Fundamental) e Colégio Batista(Ensino Médio). Ingressou aos 18 anos no curso de Letras da Universidade Federal do Maranhão(UFMA) e de Jornalismo da mesma Universidade, formando-se nos dois cursos. Passou em concurso público da Secretaria Estadual de Educação em 2003 e foi nomeada professora do Estado, função que ocupou durante seis anos. Entrou para a carreira acadêmica em 2006, quando ingressou no Mestrado em Ciências Sociais. Em seguida, passou em Concurso Público para professora do curso de Comunicação da UFMA no Campus de Imperatriz(2009). Mais tarde, em novo concurso público, foi nomeada docente do curso de Comunicação no Campus de São Luís, desenvolvendo pesquisas e orientações que relacionam as áreas de cultura, política e comunicação. É membro do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da UFMA Imperatriz e coordenadora do Projeto de Pesquisa Metodologias de Pesquisa em Estudos Culturais: um olhar comunicacional sobre as culturas populares no Maranhão. Nesse contexto, destaca-se o projeto“Caminhos da Boiada”, que realiza o mapeamento cultural dos grupos de bumba meu boi no Maranhão, registrando e divulgando mais de cem territórios criativos. Também faz estudos sobre gênero, identidade, teorias 274 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste decolonialistas e direitos humanos, defendendo causas ligadas ao feminismo e às minorias sociais(movimento negro, movimento LGBTQIAPN+ e acessibilidade). É autora do livro O teatro do poder: cultura e política no Maranhão, publicado em 2013 e 2017, que trata da gestão da cultura nos governos de Roseana Sarney no Maranhão, analisando suas estratégias de apropriação da cultura e de encenação pública dos atos de poder da governante. Em 2016 concluiu o Doutorado em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS), desenvolvendo a tese“As mediações do bumba meu boi do Maranhão: uma proposta metodológica de estudo das culturas populares”. Tem formação em balé clássico pela Escola de Dança de Reynaldo Faray e é integrante(coureira) do Tambor de Crioula de Mestre Felipe desde 2016, apresentando-se com o grupo em eventos artísticos. Além de feminista e militante das lutas sociais, foi candidata a viceprefeita de São Luís nas eleições de 2020 pelo Partido Socialista Brasileiro(PSB). Com anos dedicados à educação no Maranhão, Leticia Cardoso destaca-se também na atuação direta com movimentos sociais e culturais e com a protagonização e visibilização dos mesmos. Principais publicações CARDOSO, Letícia Conceição Martins. O teatro do poder: cultura e política no Maranhão. São Luís: EDUFMA, 2013, 2017. CARDOSO, Letícia Conceição Martins. Tambor de Crioula como processo de comunicação: negociações contemporâneas. Cambiassu: Estudos em Comunicação, on-line, v. 14, p. 142-163, 2019. CARDOSO, Letícia Conceição Martins. Práticas de comunicação como forma de emancipação social: três possibilidades de encontro com a diversidade social. Revista de Políticas Públicas da UFMA, v. 24, p. 617-634, 2020. CARDOSO, Letícia Conceição Martins. O impacto do digital sobre a escrita no jornalismo de moda contemporâneo: O que pensam os jornalistas brasileiros? Animus, Santa Maria, on-line, v. 22, p. 301321, 2023. 275 CARDOSO, Letícia Conceição Martins. Caminhos da Boiada: uma possibilidade de pesquisa em colaboração no campo da Comunicação. In: AZAMBUJA, P.; RABELO, M.(org.). Ensaios sobre experiências com os sujeitos da pesquisa. 1. ed. São Luís: EDUFMA, 2023, v. 1, p. 59-72. CARDOSO, Letícia Conceição Martins. Gênero e liberdade: narrativas e práticas feministas no mundo do trabalho e da cultura popular. Revista de Políticas Públicas da UFMA, v. 28, p. 464-482, 2024. 276 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS Gabriela Gadelha Docente do departamento de Comunicação da UFMA. Doutora em Estudos da Mídia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). Mestre em Comunicação e Culturas Midiáticas pela Universidade Federal da Paraíba(UFPB). Especialista em Ciência da Linguagem com ênfase na Língua Portuguesa e graduada em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas pela UFPB. gadelha.gabriela@ufma.br Izani Mustafá Professora adjunta no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Campus Imperatriz, e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMA. Doutora em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS). Mestre em História do Tempo Presente pela Universidade do Estado de Santa Catarina(UESC). Coordenadora do Grupo de Pesquisa Rádio, Podcast e Mídia Sonora(UFMA-Imperatriz) e diretora de Comunicação da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(ALCAR). izani.mustafa@gmail.com Kamila Mesquita Professora substituta do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão(UFMA). Atua na Coordenação de Relações Públicas e Cerimonial da UFMA. É doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho. Foi bolsista da Fundação para a Ciência e a Tecnologia(FCT) de Portugal. É mestre em Políticas Públicas pela UFMA. kamila.mc@ufma.br Leila Sousa Professora adjunta de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão(UFMA), Campus Imperatriz, e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMA, do qual é subcoordenadora. Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos). Vice-coordenadora do Núcleo Maria Firmina dos Reis. sousa.leila@ufma.br 277 Letícia Conceição Martins Cardoso Professora adjunta de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Doutora em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul(PUC-RS). Mestre em Ciências Sociais. Graduou-se em Comunicação Social – Jornalismo – na UFMA e em Letras na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Coordena o Grupo de Estudos Culturais no Maranhão(GECULT-MA). leticia.cardoso@ufma.br Lígia Regina Guimarães Clemente Editora de Publicações da Universidade Federal do Maranhão(UFMA) no Centro de Ciências de Imperatriz. Doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás(UFG). Mestre em Comunicação e Cultura Midiática pela Universidade Paulista(UNIP). Graduada em Comunicação Social – Jornalismo – pela UFMA. ligia.guimaraes@ufma.br Lourdes Ana Pereira Silva Coordenou a execução das bionotas de São Luís(MA) Professora do curso de Comunicação – Publicidade e Propaganda – da Universidade Ceuma(Uniceuma) e do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente da Uniceuma. Professora na Universidade Estadual do Maranhão(UEMA). Doutora em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É pesquisadora da Rede Obitel Brasil/Universidade Federal do Paraná – UFPR. lourde_silva@hotmail.com Maria Gislene Carvalho Fonseca Professora de Comunicação da Universidade Federal do Maranhão(UFMA). Doutora em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG). Jornalista graduada pela Universidade Federal do Ceará(UFC). Como pesquisadora, interessa-se pela área da cultura, com ênfase nas reflexões sobre gênero, tradição e memória. maria.gcf@ufma.br Mariela Costa Carvalho Professora substituta de Comunicação na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Jornalista do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão. Doutora em Mídia e Tecnologia/Universidade Estadual Paulista, com Doutorado-Sanduíche na Universitat Autònoma de Barcelona/Espanha. Mestrado em Políticas Públicas/UFMA. Pesquisadora do Laboratório de Estudos de Comunicação, Tecnologia e Educação Cidadã(UNESP) e da Asociación Científica para la Evaluación y Medición de los Valores Humanos(AEVA). marielacarvalho@uol.com.br 278 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Melissa Moreira Rabêlo Professora adjunta de Comunicação da Universidade Federal do Maranhão(UFMA) e do Programa do Pós-Graduação em Comunicação(Mestrado Profissional) da mesma universidade. Mestre e doutora em Políticas Públicas pela UFMA, com Doutorado-Sanduíche na Syracuse University, NY/USA. Coordenada o Grupo de Pesquisa e Extensão em Comunicação e Saúde(GPECS/UFMA/CNPq). melissamoreira@yahoo.com Nayane Cristina Rodrigues de Brito Professora substituta do curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, da Universidade Federal do Maranhão(UFMA). Doutora em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). Mestre em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG). Integra o Grupo de Investigação em Rádio, Fonografia e Áudio(Girafa), Jornalismo, Mídia e Memória(JOIMP) e Rádio e Política no Maranhão (RPM). nayanebritojornalista@gmail.com Rakel de Castro Professora adjunta de Comunicação da Universidade Federal do Maranhão(UFMA), docente permanente e vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(Mestrado Profissional) da UFMA. Doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), com Doutorado-Sanduíche na Universidade da Beira Interior, Portugal. Mestre em Estudos de pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). patricia.rakel@ufma.br Seane Alves Melo Pós-doutoranda em Comunicação na Anhembi Morumbi. Doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense(UFF). Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Possui Graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal do Maranhão(UFMA). seanemelo@gmail.com Thaísa Bueno Professora associada do curso de Jornalismo da UFMA, Campus Imperatriz, e docente no Programa de Pós-Graduação na mesma instituição. Doutora em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e mestre em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul(UFMS). Integra o grupo de pesquisa em Ciberjornalismo, numa parceria entre UFMS e UFMA, e coordena, no Maranhão, o Grupo de Pesquisa em Comunicação e Cibercultura. thaisabu@gmail.com 279 PARAÍBA 280 Raija Almeida 33 Norma Meireles 34 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA PARAÍBA À medida que a sociedade evolui surgem novas necessidades e demandas de evolução e novos campos de atuação profissional. Diante disto, as Instituições de Ensino Superior vão adaptando-se e evoluindo para atender às demandas geradas por essas mudanças. Da mesma forma acontece com o campo da Comunicação, tanto no âmbito da sua prática quanto da sua formação. Para apresentar o cenário do campo de comunicação na Paraíba vamos seguir um caminho que passa um pouco pela história e pelas características culturais desta terra nordestina cheia de peculiaridades, baseando-se em memórias, documentos, livros, artigos e informações disponíveis na internet. Este texto busca contribuir para a construção da memória e história do campo da comunicação na Paraíba. Aqui vamos situar o leitor sobre esse Estado do Nordeste brasileiro e como a comunicação contribuiu para o seu desenvolvimento. Em seguida serão apresentadas informações sobre os cursos de Graduação e de Pós-Graduação existentes e outros já extintos, entre outras informações, histórias e memórias pertinentes, com o objetivo de compreender melhor o campo da comunicação na Paraíba. Um pouco sobre a Paraíba: é um dos nove Estados do Nordeste do Brasil, sendo dividido em 223 municípios num território de quase 56.500 km². O Estado faz divisa com Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, tendo seu litoral banhado pelo Oceano Atlântico. Na sua capital, João Pessoa, encontra-se a Ponta do Seixas, o ponto extremo leste das Américas. Com quase 4 milhões de habitantes de vários lugares do mundo, antes da colonização portuguesa, em 1534, era habitada por diversas tribos indígenas, como os Potiguaras, os Cariris e os Ariús, que chamavam o principal rio da 33 Professora do curso de Educomunicação da Universidade Federal de Campina Grande. Doutora em História pela Universidade de São Paulo(USP). raijaalmeida@gmail.com 34 Professora do curso de Radialismo e do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba. Doutora em Educação pela UFPB. norma.meireles@academico.ufpb.br 281 região de Paraíba, que, na língua Tupi, significa Rio Ruim – pará(rio),+ aíb(ruim) – no sentido de ser um rio ruim de navegar. Culturalmente a Paraíba é muito rica, sendo berço de inúmeras personalidades, como Augusto dos Anjos, Assis Chateaubriand, Pedro Américo, José Lins do Rêgo, José Américo de Almeida, Chico César, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Jackson do Pandeiro, Ariano Suassuna, Sivuca, entre tantos outros nomes de tantas outras artes. No campo da Comunicação podemos citar alguns dos principais veículos: Emissoras de TV: TV Cabo Branco(afiliada da Globo); TV Paraíba(afiliada da Globo); TV Tambaú(afiliada do SBT); TV Miramar(afiliada à TV Cultura); TV Arapuan(afiliada da RedeTV!); TV Itararé(afiliada da TV Cultura); TV Borborema(afiliada do SBT); TV Câmara; TV Correio; TV UFPB(afiliada à TV Brasil). Principais jornais e portais de notícias: Jornal A União; Jornal da Paraíba e Rede Campina(Campina Grande); Correio da Paraíba; Paraíba On-line, WSCom; PB News; Diário do Sertão(Cajazeiras); Alternativa Nordeste; Click PB; Folha da Paraíba(João Pessoa); Notícias do Cariri(Monteiro), entre outros. É importante ressaltar, também, que havia dois importantes jornais que saíram de circulação em 2012: o Diário da Borborema(Campina Grande) e O Norte(João Pessoa). Principais rádios: Tabajara FM; Correio AM e FM; 98 FM do Povo; Arapuan AM e FM; Band News FM; 101 FM; Jovem Pan FM; Campina Grande FM; Arapuan Campina Grande; Rádio Caturité; Panorâmica FM; Rádio Cajazeiras; Patamute FM; Alto Piranhas; Guarabira FM; Itabaiana FM; e Portal Paraíba, entre tantas outras do interior paraibano. Segundo o jornalista Rubens Nóbrega, no seu livro Memórias do batente(2025), a história do campo da Comunicação na Paraíba é cheia de avanços e retrocessos. Entre os avanços ele situa, entre meados dos anos 1970 e começo do decênio seguinte, o período em que houve uma grande melhoria na qualificação profissional e ética do meio, consequência direta dos nossos cursos superiores de jornalismo. Quanto aos recuos, estima-se que aconteceram na última década do século 20 e se intensificaram no começo do novo milênio, quando“os jornais progrediram em tecnologia, e seus donos, em fortuna pessoal. Mas nas relações de trabalho nas empresas de comunicação da Paraíba, pouca ou nenhuma evolução”(Nóbrega, 2025, p. 27). Rubens Nóbrega(2025) também ressalta o impacto que as tecnologias da informação e da comunicação(TIC) causaram no mundo do trabalho da Comunicação da Paraíba. Ainda mais lamentável, acompanhamos, nos últimos 30 anos, sucessivos fechamentos dos jornais privados. Um após o outro, diários e semanários sucumbiram diante do custo industrial pesado, agravado pela fuga de anunciantes e leitores impulsionada pela crescente perda de importância e qualidade da imprensa.(...) Não há como desconhecer – também o principalmente – o poder transformador da internet e 282 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA PARAÍBA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste sua força destruidora dos impressos em geral, produtos que velozmente perdem consumidores para blogs, sites, portais e outros canais de comunicação interação abertos na rede mundial de computadores(p. 27). O relato do jornalista vem mostrar-nos, de maneira clara, a evolução do campo de comunicação na Paraíba. Agora vamos conhecer um pouco da história dos cursos de Graduação e Pós-Graduação na área da Comunicação na Paraíba. OS CURSOS DE COMUNICAÇÃO Universidade Federal da Paraíba(UFPB) Jornalismo A Paraíba tem no seu histórico o legado do primeiro Bacharelado em Jornalismo na Região Nordeste. Idealizado por Luiz Beltrão, o curso foi iniciado em 1958 na Faculdade de Filosofia do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em João Pessoa (Meireles, 2015). A primeira turma de jornalistas graduados da Paraíba formou-se em 1961, com quatro diplomados: Arael Menezes da Costa, Clélia Lopes de Mendonça, Jaci Mendes Leite e Wills Leal(Costa, 2015, 2008). É também em 1961 que Beltrão cria o curso de Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco(Silva, 2008). O curso das Lourdinas é citado por alguns autores como uma experiência, no entanto tem a primazia de ser o pioneiro na região. Em 1966 a Universidade Federal da Paraíba criou o curso de Jornalismo na Faculdade de Filosofia, em regime especial, com autorização para começar a funcionar no mesmo ano. Uma década depois a UFPB formou um grupo de trabalho com vistas a instituir o curso de Comunicação Social. Uma década depois, em plena ditadura militar, durante o reitorado do professor Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque na Universidade Federal da Paraíba(UFPB), houve uma significativa expansão da UFPB, com a criação de novos cursos e contratação de novos professores entre os anos de 1976 e 1980. Foi criado o curso de Comunicação Social da Paraíba em 1977. O curso surgiu no antigo Departamento de Artes e Comunicação(DAC), passando por muitas modificações curriculares nos seus mais de 40 anos de existência. A Graduação de Comunicação Social surgiu com duas habilitações – Jornalismo e Relações Públicas –, preenchendo uma importante lacuna para a profissionalização dos profissionais de comunicação existentes no mercado de trabalho local, como veículos de comunicação e diversas organizações públicas e privadas da Paraíba.“Conjunturalmente, a criação do Curso de Comunicação Social na UFPB, situa-se no contexto de proliferação dos cursos de Jornalismo no País à lógica do“milagre econômico” e, neste entrecruzamento, o crescimento incontestável da UFPB sobre o espírito empreendedor do Reitor Lynaldo Cavalcanti(...)”. O curso de 283 Graduação em Jornalismo, criado pela Resolução 87/2011(Brasil, 2011), do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão(Consepe), é oriundo da habilitação Jornalismo do curso de Comunicação Social de 1977, pertencente ao antigo Departamento de Artes e Comunicação(DAC – CCHLA), conforme a Resolução 24/77, de 24 de março de 1977(Brasil, 1977), do Consepe. Circunstancialmente, a criação do curso de Comunicação Social na UFPB situa-se no contexto de proliferação dos cursos de Jornalismo no país à lógica do“milagre econômico”, e, neste entrecruzamento, encontra-se o crescimento incontestável da UFPB sob o espírito empreendedor do reitor Lynaldo Cavalcanti. O reconhecimento do curso ocorreu dois anos depois, com o Parecer 1.543/79 – CFE – e a portaria do MEC n° 68, de 15 de janeiro de 1980(PPC Jornalismo UFPB, 2016). Relações Públicas O curso de Relações Públicas da Universidade Federal da Paraíba(UFPB) é considerado um dos mais tradicionais das regiões Norte e Nordeste. Possui papel preponderante na formação de centenas de Profissionais de Relações Públicas, que, ao longo das últimas décadas, foram capazes de ocupar cargos e desenvolver atividades importantes em organizações de economia pública e/ou privada sediadas em diferentes regiões do país. A partir de 2011, de modo a atender às demandas específicas do campo de atuação profissional e do campo acadêmico da Comunicação Social, o curso de Relações Públicas da UFPB, assim como os demais cursos vinculados ao Departamento de Comunicação(DECOM)(Jornalismo, Rádio e TV, Cinema e Audiovisual), foi desmembrado do curso de Bacharelado em Comunicação Social. Consequentemente, o curso deixou de ser concebido na modalidade de Habilitação e passou a ser estruturado e ofertado como curso de Bacharelado em Relações Públicas. A iniciativa em conferir identidade às habilitações do curso de Comunicação Social em curso de Graduação, partiu da reunião pedagógica com a ex-coordenadora de Currículos e Programas, Milva Barreto Hernández Pereira, a respeito dos Projetos Pedagógicos dos cursos de Graduação no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, realizada em março de 2011, com a presença da ex-vice-diretora e atual diretora do Centro, Mônica Nóbrega, e dos coordenadores dos cursos de Comunicação Social, Filosofia, História, Ciências Sociais, Serviço Social e outros, cuja pauta constava com a seguinte temática:“Habilitações transformadas em áreas de aprofundamento, linhas de estudos, etc.;”(ponto 1.5) e“Discussões no MEC em relação às denominações dos cursos de Bacharelado e Licenciatura”(ponto 4), que, em seu relato, informou que as habilitações de cursos, como Comunicação Social(Relações Públicas, Radialismo, Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Editoração, Cinema, etc.), como tendência atual do MEC, estão transformando-se em cursos de Bacharelado. Essa tendência impõe-se como realidade em correção à inadequação que considera a Comunicação 284 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA PARAÍBA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Social uma profissão de novo tipo, e, consequentemente, um profissional híbrido: o comunicador polivalente, como bem percebeu José Marques de Melo em seu livro Contribuições para uma pedagogia da Comunicação”(1974)(PPC Jornalismo UFPB, 2016). Um recorte interessante observado durante esta pesquisa é em 1988: de 29 professores lotados no Departamento de Comunicação, 5 eram mulheres: Annelsina Trigueiro Gomes, Lúcia Cartaxo Pires de Sá(falecida), Maria Regina Saraiva Mendes, Sandra Maria Craveiro de Albuquerque e Verônica Ferreira Lima e Silva. Radialismo O curso de Radialismo da Universidade Federal da Paraíba UFPB) foi criado em 1997 como habilitação do curso de Comunicação Social. Em 2011 passou por uma reformulação e ganhou nova matriz curricular, tornando-se Bacharelado em Radialismo. O curso de Radialismo integra o campo da Comunicação Social, oferecendo aos estudantes formação teórica e prática em audiovisual aplicado a meios eletrônicos e digitais(rádio, televisão, internet). Os estudos incorporam desde o aspecto histórico até a técnica das oficinas ofertadas. O processo de formação para meios audiovisuais passa por disciplinas, tais como fotografia, roteiro, conteúdos para web e produção em áudio e vídeo. No curso de Radialismo os estudantes familiarizam-se com ambientes como estúdios de gravação de áudio e de vídeo e com equipamentos como câmeras, microfones e ilhas de edição audiovisual, para que suas habilidades sejam desenvolvidas ao longo do curso. Para além da produção audiovisual, como conjunto complementar, é ofertada aos alunos uma série de disciplinas de fundamentação ética e profissional, propiciando que idealizem produções que contribuam para a sua comunidade e para a sociedade em geral. O curso de Bacharelado em Jornalismo, Relações Públicas e Radialismo da UFPB está vinculado ao Departamento de Comunicação(DECOM) do Centro de Comunicação, Turismo e Artes(CCTA). Cinema e Audiovisual Criado em 2012 no Departamento de Comunicação da UFPB, o curso de Cinema e Audiovisual tem como finalidade formar profissionais para atuar nas diversas funções e áreas deste campo de trabalho. O curso é vespertino, dispõe de 15 vagas, com entrada anual no segundo período do ano letivo. Comunicação e Artes Digitais Criado em 2012, o curso de Bacharelado em Comunicação e Artes Digitais tinha como objetivo ir além das teorias e processos existentes na área de Comunicação Social, 285 integrando métodos, normas, práticas e softwares de diversas áreas da comunicação, como o Jornalismo(digital, on-line, multimídia), Rádio-TV, Editoração, Publicidade e Propaganda, Design Industrial, Psicologia Cognitiva, Educação a distância(EaD), Trabalho Colaborativo a Distância, dentre outras. Pós-Graduação A UFPB possui dois cursos de Pós-Graduação na área de Comunicação Social. O primeiro é o programa de Pós-Graduação em Jornalismo(PPJ), a nível de Mestrado, no Centro de Comunicação, Turismo e Artes(CCTA), que teve o início do seu funcionamento no ano de 2009. A Pós-Graduação de Jornalismo também é responsável pela edição da Revista Âncora, uma publicação acadêmica semestral. O PPJ também possui uma respeitável biblioteca especializada em comunicação e produz importantes seminário e eventos científicos ao longo do ano. O segundo é o Mestrado em Computação Aplicada à Comunicação e à Arte, dentro do Programa de Pós-Graduação em Computação, Comunicação e Artes(PPGCCA), que teve o início do seu funcionamento no ano de 2014. Universidade Estadual da Paraíba(UEPB) O curso de Jornalismo da Universidade Estadual da Paraíba(UEPB) foi originado a partir do curso de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo – criado em 1973, com mais de 40 anos de atuação. O novo curso de Jornalismo atende às recentes Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Graduação em Jornalismo (Resolução 1/CNE/CES/2013 do Ministério da Educação) e estabelece um novo perfil para os profissionais formados. A matriz curricular foi modernizada e atende a seis eixos de formação para o egresso: eixo de fundamentação humanística, eixo de fundamentação específica, eixo de fundamentação contextual, eixo de formação profissional, eixo de aplicação processual e eixo de prática laboratorial. No conjunto, esses eixos têm a perspectiva de oferecer uma formação sólida para os futuros jornalistas baseada em conhecimentos técnicos, teóricos e éticos. O curso tem duração de quatro anos para turmas com entrada no período da manhã ou da noite. Universidade Federal de Campina Grande(UFCG) A criação do Bacharelado em Comunicação Social, com linha de formação em Educomunicação, surgiu graças ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais(REUNI), resultando na ampliação da Unidade Acadêmica de Arte e Mídia(UAAMI), que passou a incorporar os Bacharelados em Música e Comunicação Social, além do curso de Arte e Mídia, sob a Resolução Nº 286 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA PARAÍBA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste 36/2009 – que aprova a criação do curso de Comunicação Social com habilitação em Educomunicação – modalidade Bacharelado, na Unidade Acadêmica de Artes do Centro de Humanidades do Campus de Campina Grande. A Graduação foi fundada em 2009, tornando-se um curso importante para a construção e consolidação de um novo campo, o da educomunicação, que se constitui a partir do intercampo entre a comunicação e a educação. Este foi o primeiro curso de Graduação na área de Educomunicação no Brasil, sendo seguido pela Licenciatura em educomunicação na Escola de Comunicação e Artes(ECA) da Universidade de São Paulo(USP). É importante frisar que as duas Graduações têm forte apoio da Associação Brasileira de Professores e Pesquisadores de Educomunicação(ABPEduom), fornecendo apoio de uma forte rede de pesquisadores e profissionais que dão grande apoio aos projetos, pesquisas, eventos e publicações científicas da área. Instituições Particulares de Ensino Superior O primeiro curso do Estado do campo da Comunicação na Paraíba, em uma Instituição de Ensino Superior particular, foi criado em 1998 pelo Centro Universitário UNIESP. Foi o curso de Graduação em Publicidade e Propaganda, vindo a preencher uma importante lacuna na formação superior do Campo da Comunicação na Paraíba, que, até aquele momento, oferecia apenas cursos superiores de Jornalismo e Relações Públicas. Em seguida surgiram mais duas Graduações em Publicidade e Propaganda, primeiro na Faculdade ASPER, em 2003, e, em seguida, na FAP, em 2004, ambas da rede Objetivo de Ensino. Estes dois cursos, no entanto, já não estão ativos há, pelo menos, 8 anos. O curso de Graduação em jornalismo também é ofertado na rede particular de Ensino Superior, na Faculdade Internacional de Parnaíba, localizada no sertão do Estado. Existe, ainda, a oferta de Bacharelados na modalidade EaD. Os cursos são oferecidos pelo Centro Universitário UNIPÊ e a Cruzeiro do Sul. São eles: Publicidade e Propaganda; Jornalismo; Fotografia; Relações Públicas; Produção Midiática; Produção Audiovisual; e Influenciador Digital. 287 Quadro 1 – Instituição Curso Início Situação Cidade UFPB – Universidade Federal da Paraíba(Pública) Graduação Jornalismo 1977 Ativo João Pessoa Relações Públicas 1977 Ativo João Pessoa Radialismo 1985 Ativo João Pessoa Cinema e Audiovisual 2012 Ativo João Pessoa Comunicação em Mídias Digitais 2009 Ativo João Pessoa Pós-] Graduação PPJ – Programa de Pós-Graduação em Jornalismo. Mestrado em Jornalismo 2009 Ativo João Pessoa PPGCCA – Programa de Pós-Graduação em Computação, Comunicação e Artes Mestrado em Computação Aplicada à Comunicação e à Arte 2014 Ativo João Pessoa UFCG – Universidade Federal de Campina Grande Universidade Pública Graduação Comunicação Social – Educomunicação 2010 Ativo Campina Grande UEPB – Universidade Estadual da Paraíba(Pública) Jornalismo 1973 Ativo Campina Grande Uninassau – Maurício de Nassau(Particular) Jornalismo 2010 Ativo João Pessoa Publicidade e Propaganda 2010 Ativo João Pessoa FIP – Faculdade Internacional da Paraíba(Particular) 288 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA PARAÍBA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Jornalismo Publicidade e Propaganda Publicidade e Propaganda Publicidade e Propaganda 2010 Uniesp(Particular) 1998 Asper(Particular) 2004 FAP(Particular) 2004 Ativo Ativo Inativo Inativo Patos João Pessoa João Pessoa João Pessoa Unipê (Particular) Centro Universitário de João Pessoa – EaD – Cruzeiro do Sul Virtual (Particular) Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Fotografia, Relações Públicas, Produção Midiática, Produção Audiovisual, Influenciador Digital. Fonte: Elaborado pelas autoras. Outras informações relevantes No passado a UFPB esteve vinculada à Rádio Universitária FM, frequência 107,7 MHz, de João Pessoa, integrando a Fundação Virgínius da Gama e Melo. Como escreve Meireles(2018, p. 126), a rádio“teve uma trajetória fugaz enquanto emissora educativa vinculada à Universidade Federal da Paraíba. Fundada em 1983 por meio de concessão pública, já em 1991, ou seja, menos de uma década depois do seu surgimento, a emissora foi fechada”. Sem o espaço laboratorial para rádio e radiojornalismo, a UFPB, por intermédio do Departamento de Comunicação, fez convênio técnico com a Rádio Tabajara para exibição de programas laboratoriais. A partir de 2008 surgiram as webemissoras; a primeira delas, a webrádio Intercampus, iniciativa discente da Graduação de radicalismo, foi institucionalizada como extensão, em 2009, pela professora Norma Meireles, e com o viés de pesquisa desenvolvido pela professora Olga Tavares; a seguinte foi a Rádio Porto do Capim, produto desenvolvido em 2013 no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo(PPJ) pela jornalista Edileide Vilaça, com orientação de Olga Tavares; e a terceira a Rádio REC, emissora desenvolvida por Norma Meireles, Olga Tavares e Sheila Accioly em 2018 a pedido da Pró-Reitoria de Extensão. 289 Quanto aos veículos de comunicação, a Universidade Federal da Paraíba mantém, como órgão suplementar da Reitoria, a TV UFPB, que integra a Superintendência de Comunicação Social(SCS) da instituição, sendo afiliada à Rede Nacional de Comunicação Pública – RNCP/TV. A TV também é um espaço de formação para estudantes de jornalismo e radialismo que atuam como estagiários em diversos setores e funções. Agências estaduais de fomento à pesquisa A Fundação de Apoio à Pesquisa(FAPESQ) do Estado da Paraíba foi criada pela Lei nº 5.624, em 6 de julho de 1992, durante o governo Ronaldo Cunha Lima, e é parte integrante do Sistema Estadual de Ciência e Tecnologia, órgão vinculado à Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior(SECTIES). A FAPESQ promove o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado da Paraíba mediante o fomento à ciência, tecnologia, empreendedorismo e inovação, administrando várias ações de incentivo à pesquisa no Estado, com bolsas de Iniciação Científica Júnior(ação do Ministério da Ciência e Tecnologia em convênio com o governo do Estado), entre outros. Entre os eventos na área de comunicação que foram(são) organizados pela UFPB, destacam-se: – I Simpósio Regional de Pesquisa em Comunicação do Nordeste, realizado em 1988, quando a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) cria seus eventos regionais. – I Simpósio Nacional do Rádio. Evento criado pela professora Norma Meireles em 2013 e que foi encampado logo em seguida pelo Grupo de Rádio e Mídia Sonora da Intercom. – XVI XI Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste em 2014, com o tema“Comunicação: guerra e paz”. – 45º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação em 2022. O primeiro congresso nacional da Intercom na modalidade presencial após a pandemia de Covid-19, que teve como tema“Ciências da Comunicação contra a Desinformação”. – X Colóquio de Cinema e Arte da América Latina(COCAAL) em 2024. – Fest Aruanda do Audiovisual Internacional da Paraíba, criado em 2005 e realizado anualmente em João Pessoa 290 O CAMPO DA COMUNICAÇÃO NA PARAÍBA MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Referências CONSELHO SUPERIOR DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. Resolução 004/66. 4 de janeiro de 1966. Cria o curso de jornalismo na Faculdade de Filosofia. João Pessoa: UFPB, 1966. COSTA, Arael Menezes da. Arael Menezes da Costa: depoimento(abr. 2015). Entrevistadora: Norma Meireles. João Pessoa: Meireles, 2015.(1 arquivo sonoro em mp3. Entrevista concedida para a produção do texto Zita bolsista do CIESPAL). COSTA, Arael Menezes da. Luiz Beltrão, o professor. In: MELO, Luiz Marques de; TRIGUEIRO, Osvaldo Meira(org.). Luiz Beltrão. Pioneiro das ciências da comunicação no Brasil. João Pessoa: Editora Universitária UFPB: Intercom, 2008. p. 177-180. FERNANDES, David. Comunicars. Teoria da Comunicação – Jornalismo – Relações Públicas. Manual da Coordenação do Curso de Comunicação Social. João Pessoa: UFPB: DECOM: CCHLA, 1991. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE). Área Territorial Oficial – Consulta por Unidade da Federação. JORNALISMO. Bacharelado. João Pessoa: Centro de Comunicação, Turismo e Artes – CCTA. Disponível em: https://sigaa.ufpb.br/sigaa/public/curso/portal.jsf?lc=pt_ BR&id=1626775 MEIRELES, Norma. Zita bolsista do CIESPAL. In: MARQUES DE MELO, José; PRATA, Nair. Radialismo no Brasil. Cartografia do Campo Acadêmico. Florianópolis: Insular, 2015. MEIRELES, Norma. Relatos e histórias da Rádio Universitária FM na UFPB. In: MEIRELES, Norma; PINHEIRO, Elton Bruno; BARROSO, Lívia. Rádio. Estudos contemporâneos. João Pessoa: Editora do CCTA, 2018. p. 126-151 MELO, José Marques. Contribuições para uma pedagogia da Comunicação. São Paulo: Paulinas, 1974. MELLO, José Octávio Arruda. História da Paraíba: lutas e resistência.[ S. l.]: Editora Universitária, 1977. NÓBREGA, Rubens. Memórias do batente. São Paulo: Giostri Editora, 2025. SILVA, Luiz Custódio da. As contribuições de Luiz Beltrão para o ensino e a prática do jornalismo. In: MELO, Luiz Marques de; TRIGUEIRO, Osvaldo Meira(org.). Luiz Beltrão. Pioneiro das ciências da comunicação no Brasil. João Pessoa: Editora Universitária UFPB: Intercom, 2008. p. 217-227. 291 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 292 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste NETA TRIGUEIRO Raija Almeida Annelsina Trigueiro de Lima Gomes nasceu em 5 de maio de 1957 em Sapé(PB). É filha de João Trigueiro Sobrinho e Antônia Patrício Trigueiro e tem cinco irmãos. Quando se mudou para João Pessoa (PB) foi estudar no Lyceu Paraibano. Com João de Lima, Neta teve dois filhos: Igor e Júnia. Após passar por outros cursos, decidiu-se pela Comunicação Social realizado na Universidade Federal da Paraíba(UFPB) e cursada entre 1979 e 1981, integrando a terceira turma do curso. Durante a Graduação, atuou como uma das fundadoras do primeiro Centro Acadêmico de Comunicação e do primeiro Diretório dos Estudantes(DCE) e participou, desde sua fundação, da Oficina de Comunicação. Desenvolveu Trabalho de Conclusão de Curso sobre o“Programa radiofônico – Universidade Viva”, orientada por Carmélio Reynaldo Ferreira. Passou no concurso para professora na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), cuja carreira docente teve início no Campus Macau, entre 1983 e 1984, quando foi transferida para o curso de Licenciatura em Letras da Universidade Federal da Paraíba(UFPB). Em 1988 iniciou sua pesquisa de Mestrado na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP), concluindo em 1991, intitulada“Imprensa e poder – o caso paraibano nas eleições presidenciais de 1989”, sob a orientação de Cremilda Medina. Após o Mestrado, enquanto lecionava no curso de Jornalismo na UFPB, começa novo ciclo de pesquisa, voltado 293 para os povos originários paraibanos, assunto gerado no Setor de Estudos e Assessoria a Movimentos Populares(Seampo), quando teve contato com um indígena potiguara. Entre 2001 e 2005 voltou para a ECA-USP para desenvolver sua tese de Doutorado, intitulada“Essa imagem é do meu povo!: o audiovisual e a reelaboração dos sentidos no processo cultural e de identificação étnica do povo indígena Xucuru do Ororubá – PE”, sob a orientação de Mário Guidi. Sua pesquisa, de mais de sete anos(antes e depois do Doutorado), teve o apoio do Seampo, do Núcleo de Documentação Cinematográfica(NUDOC, também da UFPB) e dos indígenas da etnia Xucuru que documentou, fotografou e com quem conviveu. Ao todo, sua pesquisa resultou no registro imagético-sonoro de 14 vídeos e cerca de 600 fotografias que documentam os Xucurus no seu cotidiano, rituais, manifestações culturais e religiosas e a memória dos mais velhos. Neta também analisou uma série de etnodocumentação e vídeos produzidos pelos jovens indígenas Xucurus, veiculadas no YouTube e no Facebook. Após terminar o Doutorado colaborou na construção do primeiro Mestrado em Comunicação da UFPB e ajudou a consolidar o projeto do Doutorado em Artes Visuais. Neta atuou como membro do Colegiado do DECOM(1984), na coordenação do curso de Comunicação, como conselheira do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes(CCHLA) entre 1994 e 1996, e participou da comissão do projeto pedagógico do Curso de Comunicação(2005-2010), da comissão de Pós-Graduação do DECOM e como assessora de Graduação e pesquisa no Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA), sendo, também, membro da Comissão Própria de Avaliação (CPA) entre 2013 e 2014. Coordenou diversos projetos de pesquisa e extensão, e, entre eles: Tradução Intersemiótica e Produção de Sentido: leituras sobre a Série Game of Thrones; O audiovisual, representação e produção de sentidos; Cinema intertextualidade e Produção de Sentido; Imagem, etnicidade, representação e produção do sentido nos registros audiovisuais dos povos indígenas do Nordeste; e Etnodocumentação do Povo Indígena Xucuru do Ororubá, entre 1995 e 1997. Podemos citar, ainda, suas contribuições nos projetos de extensão entre 1998 e 2001: Projeto Potiguara, Projeto Uma Nova Lição e Projeto Brasil 500 anos. Na Pós-Graduação leciona no Mestrado em Artes Visuais da UFPB 294 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste as disciplinas de Etnodocumentação da Cultura Visual e Tópicos Especiais em Processos de Criação em Artes Visuais e Tópicos Especiais em Ensino das Artes Visuais: leituras e imagens. No ano 2000 recebeu o Prêmio Elo Cidadão pela Universidade Federal da Paraíba. As contribuições de Neta Trigueiro para o campo da Comunicação trazem luz como pesquisadora preocupada com os movimentos sociais, por ter feito as pesquisas que fez, por documentar, mostrar, problematizar e fazer refletir sobre importantes movimentos de resistência dos povos originários, e por iluminar os caminhos dos alunos como educadora e pesquisadora, guiando-os pelos caminhos da pesquisa na Comunicação. Principais Publicações GOMES, A. T. L.; TRIGUEIRO, Annelsina. Imprensa e poder: o caso paraibano nas eleições de 1989. 1993. Dissertação(Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1993. GOMES, A. T. L.; TRIGUEIRO, Annelsina. Essa imagem é do meu povo!: o audiovisual e a reelaboração dos sentidos no processo cultural e de identificação étnica do povo indígena Xucuru do Ororubá-PE. 2005. Tese(Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. GOMES, A. T. L.; TRIGUEIRO, Annelsina. O audiovisual e o contexto da etnodocumentação. In: ZACCARA, Madalena; SILVA, Maria Betânia(org.). Encontros e conexões em artes visuais. 1. ed. Recife: Editora UFPE, 2013. p. 83-104. V. 1. GOMES, A. T. L.; TRIGUEIRO, Annelsina. Modos de ver: o audiovisual e a pesquisa etnológica. In: PAIVA, C.; BARRETO, E.; SÁ BARRETO, V.(org.). Mídia e culturalidade. Análise de produtos, interações e de fazeres. 1. ed. João Pessoa: Editora da UFPB, 2007. p. 197-220. V. 1. GOMES, A. T. L.; TRIGUEIRO, Annelsina; BARBOSA, F.; OLIVEIRA, E.; OLIVEIRA, K. Educação indígena – uma nova lição. In: GUERRA, Lúcia de Fátima; FERREIRA, Iraci Araújo(org.). Prêmio Elo Cidadão 1999. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2000. p. 105. VÍDEOS: A Série Xucuru do Orarubá. 1999. Uma Nova Lição. 1998. O Toré dos Potiguaras. 1997. 295 GORETTI SAMPAIO Verônica Almeida de Oliveira Lima Goretti Maria Sampaio de Freitas nasceu em 9 de agosto de 1959 em Campina Grande(PB). É filha de Ramiro Ferreira de Araújo e Francisca Sampaio de Araújo. Iniciou a Educação Infantil na Escola Sesi, onde também concluiu o Ensino Fundamental I até o 4º ano. No 5º ano conquistou uma bolsa de estudos e finalizou essa etapa na Escola Pequeno Príncipe. O que corresponde ao Ensino Fundamental II foi cursado no Colégio Estadual da Liberdade. Já o Ensino Médio foi realizado no Colégio Estadual da Prata. Fez Graduação em Comunicação Social na Universidade Regional do Nordeste(URNE-1977-1980). Com apenas seis meses de ingresso no curso ela iniciou um estágio na Rádio Borborema, realizado entre 1978 e 1980. Em 1982 realizou uma Especialização em Comunicação Educacional na Universidade Estadual da Paraíba(UEPB), com o trabalho de conclusão intitulado“O rádio como alternativa educacional”, orientado por Severino Gomes. Em 2003 ingressou no Mestrado em Ciências da Sociedade na UEPB. Sua dissertação,“Mídia e cultura: o papel do rádio na difusão da cultura de massa em Campina Grande”, foi orientada por Sudha Shuanakar. Em 2010 concluiu o Doutorado em Sociologia na Universidade Federal da Paraíba(UFPB), com orientação de Elizabeth Christina de Andrade Lima. A tese foi intitulada“Sob o signo da relação: a mídia e os sentidos culturais dos jovens residentes em assentamentos rurais do MST-PB”. Sua carreira docente consolidou-se em 1984 no Departamento de Comunicação Social(DECOM) da UEPB, embora seu envolvimento 296 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste na área date de 1982, quando ingressou no Serviço Técnico Especializado, ainda sob a designação de URNE. Ministrou disciplinas com foco especializado no campo do rádio, como Radiojornalismo I e Radiojornalismo II, História da Radiodifusão e História da Comunicação, além de disciplinas como Produção Jornalística e Estágio Supervisionado, com ênfase no universo radiofônico. Destaca-se sua participação no grupo de pesquisa em Rádio e Mídia Sonora, que figura como um dos maiores grupos da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). No âmbito do rádio atuou como jornalista, sendo concursada pela Câmara Municipal de Campina Grande(PB), inicialmente como taquígrafa, e, posteriormente, foi remanejada para o Departamento de Imprensa. Sob a perspectiva da extensão acadêmica, atuou no Departamento de Comunicação Social da UEPB, liderando, de 1980 a 1990, o projeto de produção radiofônica“Comunicação no Ar”. Suas atividades de extensão concentraram-se também no projeto“Gente Nossa: a construção de memória dos artistas paraibanos”, cuja última edição ocorreu em 2019, quando deu início ao seu processo de aposentadoria da UEPB. Aproximadamente 70 programas foram gravados entre os anos de 2011 e 2019, homenageando figuras artísticas e culturais notáveis da Paraíba. Atuou, ainda, em iniciativas colaborativas, como projetos e cursos de extensão dedicados à capacitação e produção de conteúdo radiofônico em todo o Estado. Em 2004 colaborou no desenvolvimento do projeto “Rádio comunitária e formação de recursos humanos”. Nos anos de 2011 e 2012 fez parte do programa de extensão“Uma proposta pedagógica à qualificação social dos jovens no Programa Projovem como oportunidade à Juventude Cidadã” e contribuiu no projeto“Núcleo de Produção Multimídia do Departamento de Comunicação Social da UEPB”, que, em colaboração com a Fundação Parque Tecnológico da Paraíba, possibilitou a aquisição de diversos equipamentos para o Departamento de Comunicação Social. Ela concentrou seus esforços na Pesquisa da Recepção e na Teoria da Pesquisa da Recepção. Em outra área, envolvendo projetos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica(PIBIC), concentrou-se na compreensão do conteúdo e da forma dos programas de rádio jornalísticos em contextos específicos. 297 Na esfera da política e gestão acadêmica, deixou um legado multifacetado. Em 2005 assumiu a função de coordenadora adjunta de curso e desempenhou o papel de coordenadora do Trabalho Acadêmico Orientado(TAO) no mesmo ano, especificamente no curso de Jornalismo da UEPB. Em 2016 integrou o Núcleo Docente Estruturante(NDE) do curso de Jornalismo da UEPB, e em 2017 fez parte da Câmara Departamental do DECOM. Adicionalmente, ocupou a posição de coordenadora do Laboratório de Rádio de 2014 a 2018. Em sua carreira profissional desempenhou o papel de representante do curso de Jornalismo junto a Associação dos Docentes da Universidade Estadual da Paraíba(ADUEPB), atuando como diretora de Comunicação. Além disso, ocupou cargo semelhante na Associação Campinense de Imprensa(ACI). Contribuiu para a criação dos cursos de Jornalismo nas Faculdades Integradas de Patos(FIP) em Patos(PB) e igualmente atuou na criação do curso de Publicidade e Propaganda no Centro de Educação Superior Reinaldo Ramos(CESREI) em Campina Grande (PB). Também se destaca por meio de suas publicações: História da mídia regional: o rádio em Campina Grande(2007), além do capítulo“O que é preciso ler para entender o rádio e compreender o radialismo”(2015), publicado no livro Radialismo no Brasil: cartografia do campo acadêmico(itinerário de Zita, a pioneira). Em 2017 publicou o artigo“A fé está no ar? Mediações religiosas na radiofonia de Campina Grande, PB”. No mesmo ano inovou ao lançar o audiobook“Oralidades literárias e as vozes da imaginação – audiolivro: obra de Lourdes Ramalho”. Goretti Maria Sampaio de Freitas deixa uma herança que transcende seu tempo. Sua paixão pelo rádio, seu compromisso com a pesquisa e seu papel como mentora e educadora, continuam a influenciar positivamente a radiodifusão na Paraíba. Seu trabalho inspirou uma nova geração de pesquisadores a explorar as complexidades desse meio de comunicação, contribuindo para o avanço do conhecimento na área. Principais publicações FREITAS, Goretti Maria Sampaio de; SOUZA, Antônio Clarindo Barbosa de; OLIVEIRA, Flavianny Guimarães de. História da Mídia 298 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Regional; o rádio em Campina Grande. Campina Grande: EDUFCG: EDUEP, 2007. FREITAS, Goretti Maria Sampaio de; COSTA, Antônio Roberto Faustino da; SILVA, Luiz Custódio da. O que é preciso ler para entender o rádio e compreender o radialismo. In: MELO, José Marques de; PRATA, Nair(org.). Radialismo no Brasil: cartografia do campo acadêmico(itinerário de Zita, a pioneira). Florianópolis: Insular, 2015. FREITAS, Goretti Maria Sampaio de; SOUZA, Everton David Santos de. Vozes da radiofonia campinense: protagonismo feminino. In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO – REGIÃO NORDESTE, 17., 2015, Natal, RN. Anais[...]. 2015. FREITAS, Goretti Maria Sampaio de; NASCIMENTO, Robéria Nádia Araújo. A fé está no ar? Mediações religiosas na radiofonia de Campina Grande, PB. Revista Temática, NAMID/UFPB, ano XIII, v. 13, n. 9, set. 2017. FREITAS, Goretti Maria Sampaio de; VIANA, Ana Geisa. Palco e protoganismo dos programas de auditório do rádio em Campina Grande. Revista Conviver, Edição 25, p. 66-68. 299 GLÓRIA RABAY Fabiana Siqueira Glória de Lourdes Freire Rabay nasceu em oito de outubro de 1960 em João Pessoa(PB). É filha de Cleomar Freire Rabay e Gualberto Campelo Rabay, que geraram seis filhos. Ela passou a infância na capital paraibana. Tem quatro filhos e duas netinhas, de oito e seis anos. Cursou o Primeiro e Segundo Graus no Colégio Arquidiocesano Pio XII. Formou-se em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal da Paraíba(UFPB) em 1982. No mesmo ano começou o Mestrado em Sociologia pela mesma universidade e foi por causa dessa formação na Pós-Graduação, ainda em curso, que as oportunidades de trabalho na área acadêmica logo surgiram. Isso auxiliou Glória a passar, em 1985, em um processo seletivo para ser professora na Universidade Federal de Alagoas(UFAL). Apesar da alegria de ter ingressado como docente, esse foi um momento delicado na vida pessoal. Ela tinha 24 anos e estava com uma filha pequena, que ainda amamentava e precisou trocar a capital paraibana por Maceió. Por conta das dificuldades, seguiu trabalhando na UFAL, mas deixou os estudos do Mestrado de lado. Em 1989 aproximou-se da UFPB ao fazer Especialização em Metodologias da Comunicação. Ao reativar esses laços surgiu a chance de trocar, em 1989, Maceió por João Pessoa para dar aulas de Comunicação Social na UFPB. Neste contexto, retomou o Mestrado na instituição, orientada por José Arlindo Soares, defendendo a dissertação intitulada“Organização de Moradores e Institucionalização” em 1992. 300 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Foi nesse retorno à universidade que Glória acabou se envolvendo com a criação do Centro da Mulher 8 de Março, uma Organização Não Governamental com sede em João Pessoa. Lá, passou a desenvolver trabalhos em escolas, nas periferias e ações de combate à violência contra a mulher, justiça social e equidade de gênero. Permaneceu atuando neste Centro por 14 anos, afastandose depois de ingressar no Doutorado. Em 2008 defendeu a tese“Mulheres na Política e Autonomia”, obtendo o título de doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), sob orientação de Norma Missae Takeuti. Ao longo do período de estudos, no Mestrado e no Doutorado, foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Na volta do Doutorado dedicou-se a pesquisas, coordenando projetos de extensão, organizando eventos e publicando artigos e livros voltados para questões de gênero, violência contra a mulher e direitos humanos. Foi dessa forma que ajudou a organizar eventos, como o“17º Encontro Nacional da Rede Feminista Norte e Nordeste de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher e Relações de Gênero”, em 2012. É professora na UFPB desde 1989, tendo atuado em diversos Departamentos e Centros de Ensino. Já foi chefe de Departamento e assumiu outras funções administrativas. É docente do Departamento de Jornalismo, onde atua como coordenadora da Graduação em Jornalismo. É, ainda, docente do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo(PPJ). É também docente da Pós-Graduação em Direitos Humanos, Cidadania e Políticas Públicas(PPGDH) na UFPB, orientando estudos dentro da linha de pesquisa Territórios, direitos humanos e diversidades socioculturais, já tendo sido vicecoordenadora do programa. Ao longo deste percurso participou de mais de cem bancas de Pós-Graduação e Graduação. Possui trabalhos relevantes na extensão universitária, integrando, duas atividades: Jornalismo com ciência feminista – podcast 20232024 e Com Ciência Feminista – Práticas de Jornalismo científico no podcast – interiorizando ações. Os trabalhos envolvem a produção do podcast Com Ciência Feminista, em que são feitas entrevistas com cientistas feministas e que pesquisam mulheres na perspectiva da equidade de gênero. Glória Rabay é autora de 12 livros. Entre 301 o mais recente está Direitos humanos, violências e diversidade, organizado por ela juntamente com outros pesquisadores em 2020. Outra obra publicada no mesmo ano, organizada por ela, é Vidas solidárias, que reúne cinco perfis jornalísticos de mulheres de diversas profissões que escolheram apoiar, de variadas formas, pacientes com câncer na Paraíba e em Pernambuco. Entre seus artigos de maior repercussão científica está“Usos e incompreensões do conceito de gênero no discurso educacional no Brasil”(2015). O artigo enfoca os usos e as incompreensões do conceito de gênero no campo da educação no Brasil e de que forma isso implica em políticas e também nas práticas educacionais. Outro estudo que cabe ser mencionado, realizado pela pesquisadora, é“As relações de gênero nas escolhas de cursos superiores”(2017). Entre as pesquisas que abordam gênero e política, pode-se destacar o artigo“Que cara tem uma deputada? A representação das deputadas negras no Congresso Nacional nas legislaturas de 2015/2018 e 2019/2022”, publicado em 2022. Dentro desta linha de gênero e política, outra obra que cabe ser destacada é o livro Mulher e política na Paraíba: histórias de vida e luta(2010). O trabalho foi lançado no auditório João Eudes, da Assembleia Legislativa da Paraíba, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Glória Rabay é editora da Âncora – Revista Latino-Americana de Jornalismo – e também do conselho editorial da Revista Gênero na Amazônia. É pesquisadora do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação sobre Mulher e Relações de Sexo e Gênero(NIPAM/UFPB) e do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos(NCDH/UFPB). Mantêm, pesquisas cujos títulos são: Produções de sentidos do termo“feminicídio” na mídia paraibana e nacional a partir da implementação da Lei do Feminicídio, e mulheres jornalistas: gênero, cultura profissional e rotinas produtivas discriminatórias. Pelo fato de Glória Rabay ser uma referência para quem pesquisa temáticas de jornalismo, gênero e direitos humanos, é convidada, frequentemente, como palestrante em eventos e também é entrevistada por meios de comunicação em pautas que tratam desses assuntos. Por seu trabalho acadêmico, recebeu, em 2016, o Prêmio Iniciação à Docência, da Pró-Reitoria de Graduação da UFPB. Em 2013 foi agraciada com a Comenda Margarida Maria Alves, e, em 302 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste 2012, recebeu o diploma Mulher Cidadã Ednalva Bezerra de Lima, ambos concedidos pela Câmara Municipal de Vereadores de João Pessoa. Foi um reconhecimento pelo trabalho que realiza em prol das mulheres, dos direitos humanos, do jornalismo e da ciência. Principais publicações CARVALHO, M. E. P.; RABAY, G. Usos e incompreensões do conceito de gênero no discurso educacional no Brasil. Revista Estudos Feministas, v. 23, p. 119-136, 2015. LACERDA, L.; MELO, R.; RABAY, G. Regularidades discursivas dos casos de feminicídio no Diário do Sertão. Pragmatizes – Revista Latino Americana de Estudos em Cultura, v. 13, p. 75-98, 2023. PINTO, E. J. S.; CARVALHO, M. E. P.; RABAY, G. As relações de gênero nas escolhas dos cursos superiores. Revista Tempos e Espaços em Educação, v. 10, p. 47-58, 2017. DOI: https://doi.org/10.20952/ revtee.v10i22.6173 RABAY, G.; CARVALHO, M. E. P. Mulher e política na Paraíba: histórias de vida e luta. João Pessoa: Editora Universitária, 2010. RABAY, Glória; BATISTA, G. B. M.; OLIVEIRA, H. C.; PEREIRA, J. A.; FRANCA, M. H. O.; IRELAND, T. D.(org.). Direitos humanos, violências e diversidade; João Pessoa: Editora do CCTA, 2020. 1.173 p. RABAY, Glória; VITAL, M. J. C.; ANDRADE, L. B.; JACINTO, G. A. D.; FREIRE, D. F. S.; SILVA, M. C. D.; SILVA, L. C.(org.). Vidas solidárias. João Pessoa: Editora do CCTA, 2020. V. 1. 303 OLGA TAVARES Adriana Simone da Costa Olga Maria Tavares da Silva nasceu em 8 de setembro de 1956 em São Luís(MA). É filha de José Alberto Neves Tavares da Silva e de Anna Maria Tavares da Silva. Foi a primeira aluna do Colégio São José, no Rio de Janeiro(RJ), e recebeu prêmio no Teatro Municipal de Niterói. Estudou no Colégio Santo Amaro, em Botafogo, dos 10 aos 17 anos. Cursou Jornalismo no Centro de Ensino Unificado de Brasília(CEUB) entre 1976 e 1980. Ainda estudante de Graduação, foi estagiária na Brasília Super Rádio FM. Em 1979 atuou como secretária do Adido Cultural e, posteriormente, do embaixador na Embaixada da Nigéria, cargo que assumiu ao voltar a morar no Brasil após passar uma temporada morando em Washington D.C.(EUA). Antes de dedicar-se exclusivamente à docência universitária, também trabalhou na Caixa Econômica Federal(CEF), no setor de Crédito Educativo(1975-76); foi estagiária da Secretaria de Comunicação da Presidência da República na Assessoria de Imprensa (1980); jornalista na Secretaria de Comunicação da Presidência da República na Assessoria de Imprensa(1981); jornalista e redatora na Empresa Brasileira de Notícias/Radiobrás(1982-88); e assessora de imprensa na Empresa Brasileira de Mercado de Capitais(ABAMECDF)(1985-1986). Fez cursos de Especialização lato sensu, como Introdução à Ciência Política e Introdução ao Pensamento Político Brasileiro, na Universidade de Brasília(UnB), ambos no ano de 1983, além de Metodologia do Ensino Superior, em 1990, na Fundação de Ensino e Pesquisa de Itajubá(FEPI). 304 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste No ano de 1995 fez Mestrado em Comunicação& Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), onde apresentou a dissertação:“Fernando Collor: o discurso messiânico no Horário Eleitoral Gratuito”. Na UnB fez Doutorado, em 1999, na mesma área, defendendo a tese:“Fernando Collor: ascensão e queda no discurso fotográfico da Revista Veja”. Entre os anos 2012 e 2013, na área da Comunicação, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), concluiu o Pós-Doutorado, apresentando a pesquisa:“TV Digital Interativa Pública no Brasil”. Olga contribuiu com inúmeras produções acadêmicas quando integrava o Grupo de Estudos de Divulgação Científica(GEDIC): Comunicação& Ciência(2009); Culturas midiáticas audiovisuais: estudos(2014); e Panorâmica semiótica, vertentes greimasianas (2016). Olga publicou artigos em parceria: A socialização do saber científico: Intercampus – a difusão científica nas ondas da webrádio; Conexão Ciência – a socialização do conhecimento científico na TV; Conhecimento Coletivo e Tecnologias da Informação e da Comunicação – possibilidades interacionais na Globalização Ecológica; e Comunicação Ambiental – projeto de sensibilidade ambiental para o Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da Universidade Federal da Paraíba(UFPB). Em 2016, colaborativamente, publicou textos sobre semiótica greimasiana: A cultura televisiva na narrativa literária: uma leitura semiótica de“A máquina”; A semiótica imagética do terror – queda dos mitos símbolos e do real aparente; Morte vs vida: a semiótica do eterno; Narrativa e mito: estudo semiótico do conto maravilhoso nordestino“A serpente negra”; A semiose de um conto: a natureza de pequena flor; e Bóson de Higgs – as relações do discurso científico e religioso. Iniciou na docência em 1989 na FEPI, lecionando as disciplinas Redação, Teoria da Literatura, Literatura Portuguesa e Literatura Brasileira até o ano 2000. Também foi professora de Pós-Graduação lato sensu das disciplinas Literatura Inglesa e Literatura Americana na Faculdade de Filosofia e Letras Eugenio Pacelli em Pouso Alegre (MG)(1995-1997). Entre 2000 e 2001 atuou como professora visitante na UFPB no curso de Pós-Graduação em Ciência da Informação. Em 2002 foi a primeira professora doutora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), trabalhando, 305 também, como coordenadora da primeira Base de Pesquisa DECOM: COMÍDIA(2002-2005); foi representante do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes(CCHLA) no Comitê Científico da UFRN(2003-2005); professora do curso de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem(PPGEL)(2002-2007) e do curso de PósGraduação em Jornalismo Econômico lato sensu(2005); diretora Geral do programa da TV UFRN – Por dentro do Campus(2004); supervisora dos Estágios da Comunica – complexo de Comunicação da UFRN(TV, rádio e Assessoria de Comunicação) –(2003-2004); e membro do Comitê Gestor do Meio Ambiente da UFRN(2004-5). Ao ingressar no quadro efetivo da UFPB em 2005, foi pioneira ao fundar, em 2008, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGC) e, em 2012, o Programa de Pós-Graduação em Jornalismo/ Centro de Comunicação, Turismo e Artes(PPJOR/CCTA). Também coordenou o Lab Rádio DECOM(2005-2010) e o Grupo de Estudos em Divulgação Científica(GEDIC-2006-2016); foi coordenadora do Grupo de Estudos em Culturas da Imagem e do Som(2017); diretora Geral do Programa da TV UFPB – Conexão Ciência(2006-2010); e supervisora Geral da Web rádio Porto do Capim(DECOM/CCTA) (2013). Ministrou aulas sobre: Teoria da Comunicação, Metodologia de Pesquisa em Comunicação, Semiótica, Assessoria de Imprensa, Publicidade e Propaganda, Comunicação Comunitária, Novas Tecnologias em Rádio e TV, Web rádio, entre outras. Olga Tavares contribui de forma expressiva para a inovação, a modernização, a atualização do campo e, principalmente, para a formação de milhares de alunos em mais de 40 anos de dedicação ao campo. Principais publicações SILVA, O. M. T. TV Digital Interativa e Redes Sociais: a midiatização do conhecimento na TV Universitária na transição tecnológica. Mídia e Cotidiano, v. 11, 2017. SILVA, O. M. T.; MANGABEIRA, Alan. Jornalismo e convergência – possibilidades transmidiáticas no jornalismo pós-massivo. Revista Famecos, on-line, v. 20, p. 193-210, 2013. TAVARES, O. Jornalismo contemporâneo: conversas com o futuro. Culturas Midiáticas,[ S. l.], v. 7, n. 1, 2014. Disponível em: https:// periodicos.ufpb.br/index.php/cm/article/view/19740. Acesso em: 12 out. 2023. 306 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste TAVARES, O.; PORTO, E.; MEIRELES, N.; PAIVA, C.(org.). Comunicação& ciênci a. Joao Pessoa: EDUFPB, 2009. 239 p. TAVARES, O.; MASCARENHAS, E.; PINHEIRO, E.(org.). Culturas midiáticas audiovisuais: estudos. 7. ed. João Pessoa: Editora Ideia, 2014. V. 43. TAVARES, O.; NICOLAU, R.(org.). Panorâmica semiótica: vertentes greimasianas. 1. ed. João Pessoa: Idea Editora, 2016. V. 1. 307 ZULMIRA NÓBREGA Ingrid Farias Fechine Zulmira Nóbrega Piva de Carvalho nasceu em 28 de junho de 1968 em Livramento(PB). É filha de Antônio Nobrega Portela e de Maria de Lourdes Silva Portela. É a irmã caçula entre sete mulheres. Estudou na Escola Estadual de Ensino Fundamental João Lélis e, depois, no Instituto Dom Adauto, em João Pessoa(PB). Nessa época Zulmira aprendia datilografia e brincava de ser jornalista. Fez o Científico no Lyceu Paraibano. Lá continuou sua vontade de ser jornalista, envolvendo-se, por exemplo, no movimento estudantil. No ano de 1987 Zulmira entrou na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) para fazer Jornalismo. Durante a Graduação entrevistou o cantor e compositor Sivuca, quando ele estava em João Pessoa para um tributo a Luiz Gonzaga. Em 1991 concluiu o curso, realizando um documentário etnográfico orientado por Vânia Perazzo e coorientado por Simone Maldonado. O trabalho foi intitulado “Para turista não ver: o impacto do Projeto Costa do Sol na vida dos pescadores da Penha”. Zulmira fez, ainda, estágio no Sindicato dos Bancários da Paraíba, produziu guias turísticos e a Revista Alternativa com três edições, a primeira revista em cores do Estado. Entre os anos de 1993 e 1996 mudou-se para São Paulo(SP), onde atuou como Jornalista no Instituto de Promoção Social(IPROS), na Assessoria de Imprensa do Sindicato dos Oficiais Marceneiros e Trabalhadores de São Paulo, Sindicato dos Comerciários do ABC e na captação, redação e edição do jornal“O Pica-Pau”, trabalhando no acompanhamento gráfico, elaboração de releases, confecção de sinopse e contato com a mídia. Abriu a empresa AZ Comunicações, que fazia guias turísticos, como o guia turístico da cidade de 308 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Presidente Epitácio, e cartilhas de saúde para Prefeituras de cidades do interior paulista, além da revista de turismo Ubatuba. De volta à Paraíba, entre os anos de 1997 e 2000 atuou na criação, redação e direção de campanhas publicitárias para TV, rádio, jornal e revistas; produziu o Guia Abrasel da Paraíba e o Guia Abrasel de Recife – Pernambuco; e trabalhou na Associação Paraibana de Profissionais da Beleza(Aprobel). Também fez parte da roteirização das reportagens e da produção do programa de sorteio eletrônico “Poupa Show”, que era exibido em 13 Estados do Brasil. Em 2001 prestou assessoria de Comunicação Social à Universidade Estadual da Paraíba(UEPB). Diante das dificuldades do mercado de trabalho, como baixos salários e instabilidade, Zulmira decidiu tentar a carreira acadêmica, opção solidificada com a realização de seu Mestrado e o apoio de seu marido, André Piva, também professor da área de jornalismo. Realizou, entre 1995 e 1998, o Mestrado em Comunicação e Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Concluiu o curso com a defesa da dissertação“A construção do discurso na Assessoria de Imprensa”, sob a orientação iniciada por Stella Senra e finalizada por Elizabeth Saporiti. Dedicou-se ao Doutorado em Cultura entre os anos de 2006 e 2010 na Universidade Federal da Bahia(UFBA), com o desenvolvimento da tese“O maior São João do mundo: as dimensões culturais da festa junina da cidade de Campina Grande”, orientada por Antônio Albino Canelas Rubim, contando com a bolsa de estudos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes). No ano de 1999 Zulmira inicia suas atividades como docente na Universidade Estadual da Paraíba(UEPB), ao ministrar as disciplinas Assessoria de Imprensa, Comunicação Comparada, Edição, Fotojornalismo e Planejamento Gráfico e Editoração Eletrônica. Em 2002, aprovada em concurso público, ingressa na Universidade Federal da Paraíba(UFPB), e, desde então, ministra diferentes disciplinas nas áreas de Comunicação, Jornalismo, Turismo e Rádio e Televisão, como: Jornalismo Multiplataforma; Oficina de Telejornalismo; Mercado de Trabalho e Empreendimentos em Jornalismo; Técnicas de Mercadologia em Rádio e TV; Estudos Culturais; Turismo e Cultura Popular; Marketing Promocional, entre outras. 309 Assim, ao longo de sua carreira Zulmira foi ampliando seus conhecimentos e compartilhando-os com seus alunos e orientandos por meio de suas aulas na Graduação e Pós-Graduação e nos projetos de pesquisa e de extensão. A professora impulsiona os estudos do campo jornalístico, com destaque para a pesquisa de sua tese e também o projeto“ A emergência de redação integrada no curso de Jornalismo da UFPB(2016-2017); e Telejornalismo e memória no Nordeste(2017-2018). Desde 2021 Zulmira desenvolve o projeto de pesquisa Memória do Jornalismo na Paraíba no contexto da preservação digital, com o objetivo de investigar, por intermédio de arquivos, bibliotecas e institutos históricos e de pesquisas no Nordeste, os jornais impressos publicados na Paraíba, de modo a contribuir com a memória do Jornalismo no Estado. Na extensão, campo em que atua desde 2002, Zulmira vem contribuindo com projetos na área de cultura, comunicação e turismo, com destaque para o Programa Paraíba Criativa, ação já com mais de dez anos de atuação, reconhecido como o maior do país em cultura e também com o maior portal eletrônico na área. A professora é atuante na organização de vários eventos nacionais no âmbito de Folkcomunicação, Cultura e Ensino, como o Simpósio Nacional de Jornalismo Profissional e o Ensino Universitário na Era da Convergência: Práticas, Processos e Produtos(SINJORP). Possui trabalhos apresentados no Congresso de Ciências da Comunicação, além de produção dos documentários etnográficos“A festa do Maior São João do Mundo” e“Produção e consumo da festa do Maior São João do Mundo”, ambos de 2010. Seu livro sobre o São João de Campina Grande recebeu uma Moção de Congratulações da Câmara Municipal de Campina Grande. Entre suas publicações destacam-se: Prévias carnavalescas como atrativo turístico em João Pessoa – PB(2017); O maior São João do mundo: multifaces de uma grande festa brasileira(2018); Cooperativa de jornalistas: um estudo sobre a Jorgraf – Maceió, AL(2018); Estágio supervisionado no curso de jornalismo da UFPB: análise dos três primeiros anos de implantação(2020); Ciberjornalismo: parâmetros para avaliação da qualidade da informação jornalística nos portais de notícias(2020), entre outras. A área administrativa universitária conta, também, com o profissionalismo de Zulmira. De 2002 a 2006 foi membro do 310 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Conselho do Centro de Ciências Humanas Letras e Artes da UFPB, como coordenadora do curso de Turismo e membro do Conselho do Departamento de Comunicação. Entre 2004 e 2006 esteve como vice-coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular na UFPB, realizando o Plano de revitalização do Museu da Cultura Popular. De 2011 a 2013 foi coordenadora do curso de Turismo, presidente do Colegiado do Curso de Turismo, vice-coordenadora da Pós-Graduação lato sensu em Turismo de Base Local e membro da Comissão de Reestruturação do Departamento de Comunicação e Turismo. Entre 2013 e 2015 foi coordenadora do curso de Jornalismo e, desde 2013, compõe o Colegiado do curso de Jornalismo. Zulmira também atua como professora associada da UFPB, como docente e pesquisadora no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo e no curso de Graduação em Jornalismo. É coordenadora do Mestrado em Jornalismo Profissional(PPJ/UFPB) desde 2017. É membro do Conselho Editorial da Revista LatinoAmericana de Jornalismo, líder do Grupo de Pesquisa CNPq: Teorias e Metodologias da Produção Jornalística na Mídia Regional e pesquisadora dos grupos Jornalismo audiovisual e expandido e Observatório do Jornalismo Paraibano. Zulmira é uma professora que sempre busca aprender, e ser jornalista é a sua maior vitória profissional. Zulmira Nóbrega é destaque por sua trajetória na docência, sua experiência na área jornalística e por suas reflexões sobre o desenvolvimento regional e a preocupação com a qualidade do jornalismo. Principais publicações NÓBREGA, Zulmira. A festa do maior São João do mundo. In: RUBIM, L.; MIRANDA, N.(org.). Estudos da festa. 1. ed. Salvador, Ba: EDUFBA, 2012. p. 217-243. V. 11.(Coleção Cult). NÓBREGA, Zulmira. O maior São João do Mundo: multifaces de uma grande festa brasileira. 1. ed. Curitiba: Appris, 2018. 235 p. V. 1. NÓBREGA, Zulmira; SILVA, G. A. Estágio supervisionado no curso de jornalismo da UFPB: análise dos três primeiros anos de implantação. Rebej, Brasília, v. 10, p. 69-84, 2020. 311 NÓBREGA, Zulmira; VASCONCELOS, V. B. N. Ensino de jornalismo: reformas curriculares, novas configurações e atuação de egressos da UFPB. Rebej, Brasília, v. 11, p. 14-30, 2021. NÓBREGA, Zulmira; LIMA, A. L. S. Jornalismo e comunicação como ato democrático: o papel da audiência nos processos de apuração e distribuição da informação. Âncora- Revista Latino-Americana de Jornalismo, v. 6, p. 91-116, 2019. NÓBREGA, Zulmira; ANDRADE, L. E. M. Ciberjornalismo: parâmetros para avaliação da qualidade da informação jornalística nos portais de notícias. In: ANTÓN, Rubén Ramos(org.). Ciberjornalismo: parâmetros para avaliação da qualidade da informação jornalística nos portais de notícias. 1. ed. Zaragoza: Egregius, 2020. p. 11-32. V. 1. 312 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste JOANA BELARMINO Agda Aquino Joana Belarmino de Souza nasceu em 23 de junho de 1956 em Itapetim(PE). É filha de Jessi Costa do Bonfim e Mariano Belarmino de Sousa. Joana nasceu cega, e, aos sete anos, com seus irmãos que também nasceram cegos, foram para o internato no Instituto dos Cegos da Paraíba, em João Pessoa(PB), onde permaneceram até completarem 15 anos. Lá, cursou a primeira parte do 1º Grau. Terminou o Ensino Fundamental e Médio, concluindo sua formação básica em 1976 na Escola Normal de Santa Rita(PB). Sua formação acadêmica iniciou em 1978, quando ingressou no curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, da Universidade Federal da Paraíba(UFPB), concluído em 1981. Cursou uma Especialização na UFPB sobre Metodologias da Comunicação, concluída em 1990. Já em 1991 ingressa como discente no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFPB e obtém o título de mestra em 1996, com a dissertação intitulada“A luta dos grupos estigmatizados pela cidadania plena: um estudo sobre o movimento associativista dos cegos na Paraíba”, orientada por Gilvandro de Sá Leitão Rios. De 2000 a 2004 cursou Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), desenvolvendo a tese“Aspectos comunicativos da percepção tátil: a escrita em relevo como mecanismo semiótico da cultura”, orientada por José Amálio Pinheiro. Em 2009 fez parte da equipe de representantes brasileiros no Congresso Comemorativo ao Bicentenário de Nascimento de Louis Braille, realizado na sede 313 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(Unesco), em Paris. Entre 2012 e 2013 fez o curso de Bioética Aplicada às pesquisas envolvendo humanos, na Fundação Oswaldo Cruz(Fiocruz), que tinha o objetivo de introduzir o funcionamento do sistema de pesquisa científica e sua regulamentação e das questões éticas da prática da pesquisa científica. Joana Belarmino atuou como jornalista no mercado de trabalho paraibano, e foi por nove anos repórter do Jornal O Norte, dos Diários Associados. Nos anos de 1992 e 1993 atuou no Jornal A União, o jornal do governo do Estado da Paraíba e, paralelamente, como assessora dos direitos das pessoas com deficiência na fundação“Centro Integrado da Pessoa com Deficiência”. Na mesma instituição em que se graduou assumiu como docente em 1994, tendo também atuado com a extensão universitária e na gestão. No ensino de Graduação ministrou disciplinas para os cursos de Jornalismo e Radialismo, a exemplo de Teorias da Comunicação 1 e 2, Comunicação Comparada, Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação, Técnicas de Reportagem e Investigação Jornalística, Pesquisa Aplicada à Comunicação e Pesquisa em Radialismo. Já na Pós-Graduação, no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo, lecionou Teorias do Jornalismo e Seminários de Trabalho Final I. Coordenou o projeto de extensão“Monitorando a Qualidade da acessibilidade nos portais de notícias paraibanos”, nos anos de 2021 e 2022, e é membro do Observatório Paraibano de Jornalismo. Também esteve à frente do“Ciência Aberta”, projeto com financiamento do Edital Proext 2013, com dez episódios produzidos e exibidos para a TV UFPB. Em 2020 ministrou um curso de extensão intitulado“Estratégias de Acessibilidade no Jornalismo e na Comunicação”. É coordenadora do Grupo de Estudos em Jornalismo, Mídia, Acessibilidade e Cidadania(JACC). Desde 2015 faz parte do Conselho Científico do periódico Âncora – Revista Latino-Americana de Jornalismo. Também é parecerista ad hoc em importantes revistas científicas nacionais, como a da Famecos e a Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo, vinculada à Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo(ABEJ). Ainda participa ativamente como parecerista ad hoc em diversos outros periódicos científicos nacionais. Na gestão na UFPB Joana contribuiu com a Graduação e com a Pós-Graduação. Foi vice-chefe do Departamento de Comunicação 314 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste (2009-2012) e, em seguida(2019 a 2021), atuou como vicecoordenadora do curso de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo. No período de 2014 e 2015 Joana Belarmino contribuiu para a criação do Bacharelado autônomo e do Departamento específico de Jornalismo na Instituição. Esteve à frente da criação do Mestrado Profissional em Jornalismo da UFPB, sendo a primeira coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo(PPJ) no período de 2012 a 2014. Posteriormente voltou à administração do Mestrado como vice-coordenadora, e, entre os anos de 2019 e 2021, como coordenadora da referida Pós-Graduação. Além da atuação no desenvolvimento de pesquisas nas áreas de acessibilidade à comunicação e ao jornalismo, ciberativismo, cegueira e percepção tátil, arte, literatura e comunicação, mantém um blog chamado“Barradosnobraille.net”, onde publica textos sobre crítica de mídia, variedades, política, literatura, entre outros temas. Desenvolve pesquisa sobre Jornalismo e Acessibilidade nas experiências no Consumo de Notícias por leitores especiais em dispositivos móveis e plataformas informáticas. O projeto acolhe as pesquisas desenvolvidas junto aos cursos de Graduação e PósGraduação da UFPB em Jornalismo, e os estudos desenvolvidos no Grupo de Pesquisas em Jornalismo, Mídia, Acessibilidade e Cidadania(GJAC). Suas principais publicações e/ou contribuições para o campo da comunicação incluem o livro“O que vê a cegueira? A escrita Braille e sua natureza semiótica”, de 2015, e participação na coletânea Mídias e culturalidades, com artigo cujo título é“Acessibilidade à comunicação: Será que você encontra?”, publicação do Mídia Cidadã, também de 2015, que trata dos hábitos de consumo de notícias jornalísticas por pessoas cegas. Joana venceu a 9ª edição do Concurso Literário Um Livro é um Amigo, da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal, ficando em primeiro lugar na categoria conto em 2006. Já em 2011 foi Patrona da Décima Edição do Prêmio AETC de Jornalismo, uma das principais premiações da imprensa paraibana, promovida pela Associação das Empresas de Transportes Coletivos(AETC) da Paraíba. Em 2022 tornou-se professora titular do curso de Jornalismo da UFPB como reconhecimento de toda a sua atuação, empenho e colaboração ao campo da Comunicação, à Instituição e à sociedade. 315 Principais publicações SOUSA, Joana Belarmino de; NUNES FILHO, P. Jornalismo, mídia e poder: o processo de impeachment e o contexto pós-Dilma. Âncora – Revista Latino-Americana de Jornalismo, v. 5, p. 9-16, 2018. SOUSA, Joana Belarmino de. Jornalismo profissional: processos, práticas e técnicas. Âncora – Revista Latino-Americana de Jornalismo, v. 5, p. 9-11, 2018. SOUSA, Joana Belarmino de. O que vê a Cegueira? A escrita Braille e sua natureza semiótica. 1. ed. João Pessoa: Editora UFPB, 2015. SOUSA, Joana Belarmino de; VIEIRA, J. L. Deficiência da cobertura da Aids: por um jornalismo mais cidadão e comunitário. Âncora – Revista Latino-Americana de Jornalismo, v. 2, p. 65-83, 2015. SOUSA, Joana Belarmino de. A acessibilidade como campo de pesquisa: um panorama e os desafios investigativos no século XXI. Benjamin Constant, Rio de Janeiro, v. 19, p. 20, 2013. SOUSA, Joana Belarmino de. Braille e semiótica: um diálogo relevante. BOCC. Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação, 2007. SOUSA, Joana Belarmino de. Cegueira e discurso: a reapropriação do estigma pela cultura midiática. Luís Braille, Acapo, Portugal, v. X, p. X, 1999. 316 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste RAIJA ALMEIDA Lígia Beatriz Carvalho de Almeida Raija Maria Vanderlei de Almeida nasceu em 26 de fevereiro de 1972 em Recife(PE). É filha de Ronaldo Monte de Almeida e Glória Maria Vanderlei de Almeida. Em 1979 mudou-se para João Pessoa(PB). Iniciou a Educação Infantil em escola pernambucana norteada por metodologia freiriana – Recanto Infantil. O Ensino Fundamental foi realizado no Colégio Pio XII, em João Pessoa, e o Ensino Médio no Colégio Objetivo, na mesma cidade. No começo de sua formação superior transitou entre dois cursos: Publicidade e Propaganda, na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Campinas), e Ciências Sociais, na Universidade Federal de São Carlos(UFSCAR), em São Carlos(SP). Concluído o primeiro ano, transferiu-se para o curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba(UFPB), onde graduou-se em 1996 com o Trabalho de Conclusão de Curso“A relação entre cliente e agência no mercado publicitário de João Pessoa na década de 90”, sob orientação de Davi Fernandes. Em 2004, no Mestrado, desenvolveu a dissertação“O papel da propaganda política como legitimadora do poder”, junto ao Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPB, tendo sido orientada por Lucio Flávio Vasconcelos. Sua tese de Doutorado,“O mito Pocahontas na Disney Renascente: das narrativas de um mito fundador aos dilemas identitários dos Estados Unidos na década de 1990”, foi defendida no Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade de São Paulo(USP) em 2020, sob orientação de Marcos Antonio da Silva e coorientação de Celso Gestermeier do Nascimento. 317 O início de sua trajetória profissional deu-se na área de publicidade e propaganda, principalmente com a produção de filmes publicitários, documentários e conteúdos para a TV e cinema. Inseriu-se, também, no marketing político, trabalhando como produtora de conteúdo para a empresa Duda Mendonça Marketing Político, entre 1997 e 1998. Raija iniciou sua carreira acadêmica no ano de 2000, acumulando experiência em atividades de ensino, pesquisa, orientação, extensão, organização de eventos, avaliação de publicações e trabalhos e gestão acadêmica. Em sua primeira experiência na UFPB foi professora substituta ministrando disciplinas ligadas à publicidade e propaganda para cursos da área de Comunicação Social – Jornalismo, RP, Radialismo e para o curso de Turismo. Em 2004, ao dedicar-se ao desenvolvimento de programas educativos para o Canal Futura de Televisão, teve seu interesse como pesquisadora despertado para a relação entre mídia-infância-educação. Já na Universidade Federal de Campina Grande(UFCG), junto a outros colegas, em 2010 participou da criação dos Bacharelados em Comunicação Social, com linha de formação em Educomunicação, tendo sido responsável pelas disciplinas de Mídia e Infância, Comunicação nos Espaços de Educação Formal e Linguagem Publicitária em Espaços Educativos. Considerando a gestão acadêmica, na UFCG coordenou os cursos de Comunicação Social e atuou como coordenadora administrativa da Unidade Acadêmica de Arte e Mídia. É líder do grupo de pesquisa Educomunicação e Cultura Audiovisual Infanto Juvenil(eCAiJ), certificado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Participa, como pesquisadora e colaboradora, do Núcleo de Comunicação e Educação(NCE) da USP, sendo, também, associada da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação. Coorganizou a obra Educomunicação e educação midiática nas práticas sociais e tecnológicas pelos direitos humanos e direitos da terra em 2023, atuou na edição do livro Protagonismo Infantojuvenil nos Processos Educomunicativos em 2021, e foi responsável pela autoria do prefácio nomeado“O esperançar do protagonismo juvenil na educomunicação”. Uniu-se ao esforço de vários pesquisadores brasileiros para a elaboração de estudo nacional sobre o consumo midiático entre 318 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste jovens brasileiros em tempo de convergência, mapeando o perfil dos jovens paraibanos. O resultado do trabalho foi apresentado em publicação chamada Brasil em Números: dados para pesquisas de comunicação e cultura em contextos regionais, publicada em 2014. Tem, ainda, diversos capítulos de livro publicados. Raija Almeida tem atuação pioneira como fundadora do campo da Educomunicação na região, promovendo a articulação entre práticas educativas e processos comunicacionais na formação de profissionais educomunicadores, assim como em escolas, nas comunidades e em instituições culturais da região. A relevância de sua trajetória insere-a como referência obrigatória nos estudos sobre comunicação, educação, infância e cidadania no contexto nordestino. Principais publicações ALMEIDA, Raija Maria Vanderlei de. O esperançar do protagonismo juvenil na educomunicação – prefácio. In: ALMEIDA, Raija Maria Vanderlei de; VIANA, Claudemir. Protagonismo infantojuvenil nos processos educomunicativos. São Paulo: Editora da ABPEducom, 2021. ALMEIDA, Raija Maria Vanderlei de. Direitos Humanos e Direitos da Terra no filme Pocahontas da Disney, de 1995. In: ALMEIDA, Raija Maria Vanderlei de; SOARES, Ismar de Oliveira; VIANA, Claudemir Edson; ALMEIDA, Ligia Beatriz Carvalho de(org.). Educomunicação e educação midiática nas práticas sociais e tecnológicas pelos direitos humanos e direitos da terra. São Paulo: Associação Brasileira dos Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação, 2023. p. 901. ALMEIDA, Raija Maria Vanderlei de. Pocahontas: o poder da imagem na história das américas pelo cinema da Disney. In: SILVA, Marcos Antonio; LIMA, Marinalva Vilar. Ver a cidade: imagens e a experiência social. São Paulo: Editora LCTE, 2021. p. 101-131. ALMEIDA, Raija Maria Vanderlei de. Panorama da formação em Educomunicação da UFCG. In: SOARES, Ismar de Oliveira; VIANA, Claudemir Edson(ed.). Trajetórias da educomunicação nas políticas públicas e a formação de seus profissionais. São Paulo: Abpeducom: Instituto Palavra Aberta, 2021. p. 550-565. SOARES, Ismar de Oliveira; VIANA, Claudemir Edson; ALMEIDA, Ligia Beatriz Carvalho de; ALMEIDA, Raija Maria Vanderlei de (org.). Educomunicação e educação midiática nas práticas sociais 319 e tecnológicas pelos direitos humanos e direitos da terra. São Paulo: Associação Brasileira dos Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação, 2023. TOALDO, Mariângela M.(org.).; JACKS, Nilda(coord.). Brasil em números: dados para pesquisas de comunicação e cultura em contextos regionais. Florianópolis, SC: Editora Insular, 2014. 320 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste NORMA MEIRELES Patrícia Monteiro Cruz Mendes Norma Maria Meireles Macêdo Mafaldo nasceu em 18 de fevereiro de 1970 em Parnaíba(PI). É filha de Vicença Viana Meireles Macêdo e de Raimundo Nonato Cunha Macêdo, tendo seis irmãos. O Primeiro Grau foi cursado na Escola Comercial e no Ginásio Clóvis Salgado. O Segundo Grau, na Unidade Escolar Alcenor Candeira. Norma é casada desde 1993 com João Batista Mafaldo Júnior, com quem mudou-se para o Estado da Paraíba. Juntos, geraram Ícaro, Ísis e Irla. Ícaro é pai de Dante, o primeiro neto de Norma. Uma apaixonada ouvinte de rádio desde criança, Norma Meireles teve as primeiras experiências na produção e locução de programas ainda no final do Ensino Médio, aos 15 anos, na cidade de Parnaíba, na Rádio Igaraçu AM, tendo passado também pela extinta Rádio Educadora de Parnaíba(AM), primeira emissora do Piauí. A já radialista conquistou o título de Bacharel em Comunicação Social – com habilitação em Jornalismo – pela Universidade Federal do Piauí(UFPI) em 1992, tendo como Trabalho de Conclusão de Curso a pesquisa“Uma Proposta de Radiojornalismo para a FM Verdes Mares”, orientada por Suelly Maux e Muna Kalil. No Piauí atuou de forma intensa em emissoras AM e FM, entre as quais Rádio Antares AM, Antena 10 FM e a Rádio Igaraçu AM. Norma também participou do Sindicato dos Radialistas no Piauí, ocupando-se com a luta dos radialistas e seus direitos. Ainda em Teresina, teve passagem pela TV Educativa, associando o trabalho como locutora no rádio e repórter na TV. 321 Na década de 1990, após a mudança de Estado, seguiu com as atividades de locução que tornaram sua voz conhecida por usuários da antiga Telpa, empresa operadora de telefonia do sistema Telebrás na Paraíba. Em 1995 passou a integrar a equipe de profissionais da Rádio Cabo Branco FM, emissora da Rede Paraíba de Comunicação, afiliada ao Grupo Globo, onde atuou até 2007. Como profissional e docente, produziu reportagens premiadas em duas edições(2003 e 2006) do Prêmio de Jornalismo da Associação das Empresas de Transporte Coletivo de João Pessoa(AETC), na categoria Radiojornalismo. Em mais de 30 anos de exercício profissional, foi locutora, produtora, redatora e operadora de áudio. Sua voz não se restringiu aos programas jornalísticos. Emprestou seu carisma e credibilidade para campanhas publicitárias de instituições governamentais e privadas, tendo participado de dublagens e também de gravações de comerciais de grandes empresas, como a Sadia. Norma ingressou no curso de Comunicação Social da Universidade Federal da Paraíba(UFPB) como professora substituta em 2001, contribuindo com a formação de profissionais nas habilitações de Jornalismo e Radialismo. Entre os anos de 2002 e 2003 fez Especialização em Jornalismo Cultural pela Faculdades Integradas de Patos(FIP), em que defendeu a monografia“Cultura e Meio Ambiente no Editorial do Suplemento JB Ecológico”, com orientação de Wellington Pereira. A pesquisa teve continuidade no Mestrado em Educação pela UFPB, concluído em 2008, com a dissertação“Educação, cultura e jornalismo opinativo no suplemento JB Ecológico”, orientada por Francisco José Pegado Abílio. Em 2018 tornou-se doutora em Educação pela UFPB, defendendo a tese“Profissão, currículo e Projeto Pedagógico de Curso: perfil do Bacharelado em Radialismo no Brasil”, com orientação de Fernando Cézar Bezerra de Andrade e coorientação de Nair Prata Moreira Martins. A pesquisa rendeu o livro“Radialismo no Brasil. Profissão, currículo e projeto pedagógico”, lançado em 2020. Antes disso, em 2008, ingressou como professora efetiva na UFPB, atuando no Departamento de Comunicação e lecionando disciplinas como Direção de programas de rádio, Elementos de linguagem musical e sonoplastia, Novas tecnologias em radicalismo, etc. 322 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste O estreitamento entre mercado de trabalho e academia dáse ao lecionar componentes como Estágio Supervisionado, em que coopera com a inserção profissional de futuros radialistas e jornalistas, tendo atuado como coordenadora de Estágio do curso de Radialismo. As atividades de ensino resultaram em projetos como os programas laboratoriais Espaço Experimental(2002 e 2003), do curso de Jornalismo, e Zona Livre(2006 a 2014), do curso de Radialismo, por meio dos quais os discentes atuavam da produção à apresentação de programas radiofônicos exibidos na emissora estatal Rádio Tabajara. A partir de 2018, ao retornar do Doutoramento, a produção laboratorial passa a chamar-se Mosaico, com veiculação pela Rádio Porto do Capim, emissora universitária. Projetos de monitoria, coordenados por Norma Meireles na orientação de discentes de Graduação, foram reconhecidos com o Prêmio de Iniciação à Docência, concedido pela Pró-Reitoria de Graduação da UFPB nos anos de 2007, 2008 e 2023. Ela atuou como coordenadora do Laboratório de Rádio do curso de Comunicação Social entre 2008 e 2014, função que retomou em 2023, empenhada em promover ações de extensão. Além das atividades de ensino, foi coordenadora do curso de Bacharelado em Radialismo da UFPB nos anos de 2019 a 2021. A atividade de extensão acadêmica sempre provocou esforços e interesses da professora Norma Meireles, cooperando, inclusive, com a formação de outros docentes. Em 2009 atuou na Coordenação de Tutoria do curso de Extensão/Aperfeiçoamento Gênero e Diversidade na Escola(GDE), auxiliando no desenvolvimento de professores de Educação Básica da rede pública, numa ação vinculada ao Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação sobre Mulher e Relações de Sexo e Gênero(NIPAM) do Centro de Educação da UFPB. Nos anos posteriores, no NIPAM, Norma esteve à frente do projeto de criação e da efetivação do GDE, com Especialização na UFPB, sendo coordenadora da Pós-Graduação no período inicial entre 2013 e 2014. No campo do rádio, entre as diversas ações de extensão que coordenou ou com as quais contribuiu na UFPB, destacam-se: a Web Rádio Intercampus(2009-2012), uma das ações do Grupo de Estudos de Divulgação Científica(GEDIC/PPGC-UFPB); Web rádio UFPB: Rede de Extensão Cultural(REC), entre os anos de 2018 a 2020; nos anos de 2019 a 2022 coordenou o projeto Web Rádio 323 Porto do Capim, produzindo podcasts de divulgação científica com foco na relação comunicação e saúde(Saúde em comunidades e Jornadas); colabora, desde 2022, com a produção e direção do podcast de gênero Com Ciência Feminista; em 2023 passou a coordenar o projeto de extensão Memória Sonora João Pessoa. Norma Meireles foi responsável pela idealização e organização do I Simpósio Nacional do Rádio, que ocorreu na UFPB em 2013, que se fortaleceu e chegou à sexta edição em 2024, permanecendo como um legado da professora, que foi homenageada como Diretora de Honra do Simpósio Nacional do Rádio na edição de 2022. Com um espírito colaborativo, participou da criação da Rede de Rádios Universitárias do Brasil(Rubra), na qual atuou como diretora Científica(2019-2020), diretora de Comunicação(2020-2022) e diretora de Relações Institucionais(2022-2024) sendo, também, presidenta(2024-2026). Exerceu, ainda, o cargo de diretora Regional Nordeste da Intercom no período 2020-2023, tendo sido uma liderança primordial para a realização do 45º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Em 2022 passou a integrar o corpo permanente do Programa de PósGraduação em Jornalismo(PPJ) da UFPB, sendo vice-coordenadora do Programa e participando de comissões e organizações que sedimentam o ensino de Pós-Graduação no país. A pesquisadora participa dos grupos de pesquisa Jornalismo Audiovisual e Expandido(JAE) e Grupo de Pesquisa Convergência e Jornalismo (ConJor). Desenvolveu estágio de pesquisa na Universidade Federal de Ouro Preto(UFOP), em 2023, tendo a tutoria de Débora Lopez. Articulado às ações de extensão e às atividades de ensino na Graduação e na Pós-Graduação, o projeto de pesquisa que desenvolve tem como título“Memória do Rádio e do Radiojornalismo na Paraíba”, temática que investiga há muitos anos, tendo lançado luz sobre outros enfoques, como reconstituir a história da extinta Rádio Universitária FM da UFPB. A produção científica de Norma Meireles reúne as experiências acumuladas nas práticas de ensino, pesquisa e extensão ao longo de mais de duas décadas de atividade docente. O resultado é a organização de obras coletivas que apontam para as diversidades e as singularidades do rádio nas universidades brasileiras, entre as quais está“Todos os Rádios do Brasil: novas frequências, sintonias e conexões”(2019). 324 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Norma Meireles é referência para quem se dispõe a desbravar, no mercado profissional ou na academia, as diversas ondas do rádio na atualidade. Principais publicações ALBUQUERQUE, Eliana; MEIRELES, Norma(org.). Rádios universitárias. Experiências e perspectivas. João Pessoa, PB: Editora do CCTA, 2019. MEIRELES, Norma. Radialismo no Brasil. Profissão, currículo e projeto pedagógico. Florianópolis, SC: Insular, 2020. MEIRELES, Norma; OLIVEIRA, Paulo Rogério Costa de; FERREIRA NETO, João Batista(org.). Todos os rádios do Brasil: novas frequências, sintonias e conexões. João Pessoa, PB: Editora do CCTA, 2019. MEIRELES, N. Tabajara AM: a migração da primeira rádio da Paraíba. Revista Latino-Americana de Ciencias de la Comunicación, v. 22, n. 44, 2023, p. 316-328. MEIRELES, Norma; PRATA, Nair; LOPES, Paulo Fernando. Radiojornalismo e os vários modos da experiência sonora: identidade, diversidade e pesquisa acadêmica nos novos contextos tecnológicos. Entrevista com Madalena Oliveira. Âncora – Revista Latino-Americana de Jornalismo, v. 7, p. 474-492, 2020. MEIRELES, Norma. Projeto Pedagógico de Curso e a identidade do radialista bacharel. Rádio-Leituras, v. 10, p. 5-28, 2019. 325 SANDRA RAQUEW Mabel Dias Sandra Raquew dos Santos Azevedo nasceu em 19 de julho de 1973 em Patos(PB). É filha de Francisca dos Santos Araújo e de Severino Ramos dos Santos. Estudou o 1º e 2º Graus no Colégio Estadual Pedro Aleixo. É graduada em Jornalismo, em 1997, pela Universidade Federal da Paraíba(UFPB). Pela mesma instituição tornou-se especialista em Educação Popular e Movimentos Sociais(1999-2000), fez Mestrado e Doutorado. Em 2002 ingressou no Mestrado em Educação e em 2004 defendeu a dissertação“Mulher em Ação: o programa radiofônico como prática educomunicativa”, orientada por Maria Eulina Pessoa de Carvalho. Em 2006 iniciou o Doutorado em Sociologia, sendo orientada por Loreley Gomes García, defendendo a tese“Violência contra Mulheres na Imprensa: uma análise sociológica do agendamento midiático”. Desde a Graduação vem atuando com projetos de intervenção social e pesquisas nas áreas de Educação Popular, Comunicação Comunitária e Popular, Gênero e Mídia e Jornalismo Cultural, e com Comunicação e Saúde. Atuou durante dez anos como docente junto aos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais na Universidade Federal de Campina Grande(UFCG), e de Comunicação e Culturas Midiáticas na UFPB. Sandra tem formação complementar nos Estudos de Gênero na Escuela de Espiritualidad y Ecofeminismo(Coletivo Conspirando, Chile), entre o período de 2000 a 2018. Participou da Rede de Educadores e Educadoras Populares do Nordeste, acompanhando a formação da Rede de Jovens do Nordeste. Entre 1994 e 2003 integrou 326 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste o Grupo Chimalmans – Mulheres de Teologia –, que mantinha articulação com grupos de mulheres e redes de enfrentamento à violência contra mulheres na Paraíba. No âmbito do Jornalismo, assessorou a Articulação do Semiárido Paraibano(ASA Paraíba) e o Instituto Federal do Mato Grosso(1997-1998). Entre 2003 e 2005 foi assessora de comunicação do Programa de Aplicação de Tecnologias Apropriadas às Comunidades(Patac), quando desenvolveu ações de comunicação comunitária e agroecologia. Começou sua trajetória acadêmica em 2001 na UFPB. Atuou, ainda, na Universidade Estadual da Paraíba(UEPB) e na UFCG, onde foi uma das fundadoras do curso de Bacharelado em Educomunicação. Como professora associada da UFPB, tem orientado e desenvolvido pesquisas nas áreas de Jornalismo; Gênero e Mídia; Comunicação e Saúde. Vem coordenando projetos de extensão com ênfase na cidadania ativa e participação social por meio da comunicação, a exemplo de ações de acolhimento a mulheres refugiadas venezuelanas; o Projeto Papo de Jornalista; e desenvolvendo a extensão no campo da Educomunicação nas escolas públicas da capital paraibana. Desde os anos 1990 tem se dedicado à agenda de pesquisa com ênfase nos estudos de Gênero e Mídia, o que resultou no lançamento do seu primeiro livro, em 2005, intitulado Gênero, rádio e educomunicação: caminhos entrelaçados, no qual reflete sobre a trajetória e o protagonismo das mulheres trabalhadoras rurais(MMTR). Publicou também o livro Mulheres em pauta: gênero e violência na agenda midiática(2011), além de artigos sobre a construção da agenda midiática no que diz respeito à divulgação de casos de feminicídio e violência contra mulheres. Ainda publicou os livros: Cartografias: escritos sobre mídia, cultura e sociedade (2008), Perfis em Jornalismo Cultural(2014), Comunicação, mídia e imaginário: diálogos contemporâneos(2007), A crônica feminina na imprensa paraibana: trajetórias, escritas de si e cotidiano (2020) e Comunicação no semiárido brasileiro(2021), e fez outras publicações como:“Trilhas e impactos da comunicação popular, comunitária e alternativa no Brasil”;“Espelhos de papel: a vida refletida nas crônicas publicadas nas páginas de A União, vols. 1 e 2”;“Isolamento social: relato de mulheres jornalistas”;“Trilhas do Imaginário:(re)visitando espaços e memórias”;“Comunicação Popular, Comunitária e Alternativa no Brasil: sinais de resistência e de construção da cidadania”, entre outras. 327 Desde 2010 coordena e desenvolve projetos de pesquisa com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico(CNPq), entre eles o“Observatório do Jornalismo no Semiárido paraibano: o discurso da convivência com a seca/semiárido e seu agendamento na imprensa e nas campanhas eleitorais nas eleições 2014(20132016)”. Fundou o Grupo de Pesquisa em Jornalismo, Gênero e Educomunicação, denominado, posteriormente, Observatório do Jornalismo no Semiárido(OBJOR), que tem se dedicado à formação de novos pesquisadores e pesquisadoras, com uma intensa agenda de pesquisa. Nesse âmbito, em 2023 lançou o livro“Mídia& pandemia: estratégias contra a desinformação”, que resulta do trabalho de pesquisa do OBJOR Semiárido intitulado“Interface comunicação-saúde no combate à pandemia do Covid-19: gestão de conteúdo nas mídias sociais, combate às fake news e agendamento midiático”, aprovada no edital do CNPq/Ministério da Saúde e Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. Participou de projetos em rede na área, a exemplo da pesquisa“Pandemia e contextos criativos: cartografia de tecnologias e arranjos de informação e comunicação de populações negligenciadas para enfrentamento da Covid-19”(2020-2023). Na área da extensão universitária coordenou e atuou nos seguintes projetos: Papo de Jornalista – construção de um jornalismo multimídia(2023); Cine Abrazo e Refúgio das Flores – políticas culturais como estratégia de inclusão de refugiados(as) venezuelanos em João Pessoa(2019); Papo de Jornalista – ações com foco no jornalismo especializado(2018-2019); Oficinas pedagógicas de educomunicação em comunidades quilombolas(2018), entre outras. Sandra Raquew coordena o projeto do Podcast Sintonia Feminina, em parceria com a Parahyba FM(Empresa Paraibana de Comunicação). Também participa do grupo do Núcleo de Estudos de Comunicação Comunitária e Local(COMUNI), da Associação Brasileira de Pesquisadores e Comunicadores em Comunicação Popular, Comunitária e Cidadã(ABPCOM) e da Associação IberoAmericana de Investigadores da Comunicação(Assibercom). Desde 2019 atua como cronista colaboradora no Jornal A União. O cotidiano das mulheres na construção de um mundo mais justo e igualitário é parte significativa de sua escrita, da narrativa de si e seu percurso enquanto pesquisadora e professora universitária. 328 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Principais publicações AZEVEDO, Sandra Raquew dos Santos. Gênero, rádio e educomunicação: caminhos entrelaçados. João Pessoa, PB: Editora UFPB, 2005. AZEVEDO, Sandra Raquew dos Santos. Cartografias: escritos sobre mídia, cultura e sociedade. João Pessoa, PB: Editora UFPB, 2008. AZEVEDO, Sandra Raquew dos Santos. Comunicação, mídia e imaginário: diálogos contemporâneos. João Pessoa, PB: Editora do CCTA, 2017. AZEVEDO, Sandra Raquew dos Santos; BÃDÃRÃU, Maryellen. A crônica feminina na imprensa paraibana: trajetórias, escritas de si e cotidiano. João Pessoa, PB: Editora UFPB, 2020. AZEVEDO, Sandra Raquew dos Santos. Comunicação no semiárido brasileiro. João Pessoa, PB: Marca da Fantasia, 2021. AZEVEDO, Sandra Raquew dos Santos. Mídia& Pandemia: estratégias contra a desinformação. João Pessoa, PB: Marca da Fantasia, 2023. 329 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS Adriana Simone da Costa Mestre em Jornalismo Profissional pelo Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPJ) da Universidade Federal da Paraíba(UFPB) e graduada em Jornalismo e Radialismo pela mesma instituição. adrianacosta001@yahoo.com.br Agda Aquino Doutora em Educação pela Universidade Federal da Paraíba(UFPB) e docente efetiva do curso de Jornalismo na Universidade Estadual da Paraíba(UEPB) e da UFPB. profagdaaquino@gmail.com Fabiana Siqueira Docente do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo e do curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba(UFPB). Doutora em Comunicação pela UFPB, com Doutorado-Sanduíche pela Universidad Complutense de Madrid. Possui Graduação em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal de Santa Maria(UFSM) e Mestrado em Engenharia de Produção(UFSM). É líder do grupo de pesquisa Jornalismo audiovisual e expandido(PPJ/UFPB). fabi.siq1@gmail.com Ingrid Farias Fechine Professora efetiva da Universidade Estadual da Paraíba(UEPB) e jornalista. Tem Pós-Doutorado pela Sorbonne Université e pela Université Paris Ouest Nanterre La Défense(bolsa Capes). É doutora em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba e pela Université Paris Ouest Nanterre La Défense, e é líder do Grupo de Pesquisa CNPq Comunicação, Memória e Cultura Popular. ingridfechine@yahoo.com.br Lígia Beatriz Carvalho de Almeida Doutora em Educação e mestra em Comunicação Midiática pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquista Filho(Unesp), com Pós-Doutorado pelo Programa de Doutorado Interuniversitário em Comunicação da Universidade de Huelva(Espanha). 330 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Professora associada dos cursos de Comunicação Social da Universidade Federal de Campina Grande(UFCG). Fundadora do núcleo nordeste e sócia da ABPEDUCOM. ligia.beatriz@professor.ufcg.edu.br Mabel Dias Possui Graduação em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba(UFPB) e Mestrado em Comunicação e Culturais Midiáticas pela UFPB. Especialista com MBA em Gestão de Mídias Digitais pela Faculdade Unicorp. É assessora de Comunicação do Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente(CENDAC) e da Federação de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares da Paraíba(FETAG-PB). mabeldiasjornalista@protonmail.com Patrícia Monteiro Cruz Mendes Professora adjunta do curso de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Docente do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo/UFPB. Doutora em Comunicação e Mestre em Comunicação e Culturas Midiáticas, ambos pela UFPB. Especialista em Teorias do Texto/ Universidade Federal de Sergipe(UFS) e jornalista pela Universidade Tiradentes. Líder do grupo de pesquisa Jornalismo Audiovisual e Expandido(JAE). patriciamonteiromendes@gmail.com Raija Almeida Possui Graduação em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal da Paraíba(UFPB), Mestrado em Serviço Social(UFPB) e Doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo(USP). Professora na UFGC e líder do grupo de pesquisa eCAiJ – Educomunicação e Cultura Audiovisual Infantojuvenil, certificado pelo CNPq. raijaalmeida@gmail.com Verônica Almeida de Oliveira Lima Possui Graduação em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Estadual da Paraíba(UEPB), Mestrado em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e é doutora em Ciências da Educação pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real/Portugal. Professora no Departamento de Comunicação Social da UEPB. veronicaoliveira@servidor.uepb.edu.br 331 PERNAMBUCO 332 Diego Gouveia Moreira 35 COMUNICAÇÃO EM PERNAMBUCO: CONFIGURAÇÃO DO CAMPO E DINÂMICAS REGIONAIS Em um Estado marcado por sua diversidade cultural, relevância histórica e protagonismo político no cenário nacional, a Comunicação assume um papel estratégico e estruturante. Em Pernambuco, tradições populares vibrantes convivem com polos econômicos dinâmicos e uma intensa efervescência intelectual, e os meios e práticas comunicacionais não apenas refletem essa complexidade, mas a constroem. A comunicação participa ativamente da difusão da cultura popular, da mobilização social, da cobertura política e da formação de identidades regionais. Opera como força viva na mediação entre saberes, territórios e interesses. Compreender esse campo, portanto, é também compreender os modos como Pernambuco narra-se, se organiza e se projeta para o Brasil e o mundo. O Estado de Pernambuco tem se preparado ativamente para as transformações do campo comunicacional por meio de uma oferta diversificada de cursos de Graduação e ampliação das Pós-Graduações. A criação e a reformulação de cursos também evidenciam o compromisso com a formação crítica e técnica de profissionais aptos a atuar em ambientes multiplataforma. Na Pós-Graduação, programas acadêmicos e profissionais de Mestrado e Doutorado promovem a produção de conhecimento alinhado às complexidades do ecossistema midiático atual, abordando temas como cultura digital, políticas da comunicação, práticas colaborativas e novas epistemologias. Essa estrutura acadêmica reflete um esforço consistente do Estado em acompanhar e, muitas vezes, protagonizar os debates e as práticas que atravessam o campo da comunicação no Brasil. Em Pernambuco as Graduações na área de Comunicação somam 16 formações, distribuídas em oito cursos: Jornalismo, Fotografia, Publicidade e Propaganda, 35 Jornalista e doutor em Comunicação. Professor do Núcleo de Design e Comunicação (NDC) e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Inovação Social(Pós-Com) do Centro Acadêmico do Agreste(CAA) da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). diego.moreira@ufpe.br 333 Cinema, Estudos de Mídia, Comunicação Social, Produção Publicitária e Filmmaker. As Graduações são ofertadas por oito Instituições de Ensino Superior, públicas e privadas. No Recife, capital pernambucana, estão localizadas a Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), por meio do Centro de Artes e Comunicação(CAC), o Centro Universitário Maurício de Nassau(Uninassau), o Centro Universitário UniFBV Wyden (UniFBV) e a Universidade Católica de Pernambuco(Unicap). Em Olinda, a oferta é feita pelo Centro Universitário AESO-Barros Melo(Uniaeso) e pela Faculdade de Olinda(FOCCA). Em Jaboatão dos Guararapes o responsável é o Centro Universitário dos Guararapes(UNIFG). Já no Agreste pernambucano, em Caruaru, os cursos são disponibilizados pelo Centro Universitário UniFavip Wyden(UniFavip), pelo Centro Universitário Maurício de Nassau(Uninassau) e pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) com o Centro Acadêmico do Agreste(CAA). No que se refere à Pós-Graduação, a área de Comunicação e Informação em Pernambuco conta com três programas em funcionamento. Dois são de natureza acadêmica, ambos vinculados à Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), sendo um no Campus Recife e outro em Caruaru. O terceiro é um programa de caráter profissional, oferecido pela Universidade Católica de Pernambuco(Unicap), também na capital. Inicialmente serão apresentados os cursos de Jornalismo, com destaque para sua instalação e evolução em Pernambuco. A Graduação da Unicap, no Recife, é a mais antiga do campo em todo o Norte-Nordeste. Desde 1960 está em funcionamento. Além dele, há outros quatro cursos em instituições públicas e privadas do Estado. O curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) começou a receber estudantes em 1984, resultado da consolidação de uma trajetória que teve início em 1972 com a criação do curso de Comunicação Social em convênio com a Fundação Cecosne. Na época, o curso também abrigava alunos da Faculdade de Filosofia do Recife(Fafire) e era dirigido por Armia Escobar Duarte. No início oferecia as habilitações Polivalente e Publicidade e Propaganda, funcionando em prédio anexo ao da Fafire, e, depois, na sede própria do Cecosne, no Bairro da Madalena. Na década de 1980 foi transferido para o Campus da UFPE, no Recife, adotando um perfil mais acadêmico e integrado ao conjunto de cursos da instituição, até chegar à criação da habilitação específica em Jornalismo em 1984. Em 2002 a Faculdade do Vale do Ipojuca(Favip), que mudou para Centro Universitário UniFavip Wyden, em Caruaru, passou a oferecer a Graduação em Jornalismo. A Faculdade Maurício de Nassau, Uninassau, abriu, no Recife, turmas de Jornalismo em 2004. A Faculdade Guararapes, UNIFG, começou, em Jaboatão dos Guararapes, as atividades do curso em 2015. Outra Graduação oferecida em Pernambuco é a de Estudos de Mídia, como passou a ser chamado, a partir de 2024, o curso de Rádio, TV e Internet da UFPE no Campus 334 COMUNICAÇÃO EM PERNAMBUCO: CONFIGURAÇÃO DO CAMPO E DINÂMICAS REGIONAIS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Recife. Criado em 1989, o curso de Rádio e TV passou por mudanças em sua estrutura para atender às atuais demandas do campo. De 2011 a 2024 o curso chama-se Rádio, TV e Internet, em um movimento de adaptação às necessidades daquele momento. A primeira instituição de Pernambuco a oferecer Graduação em Publicidade e Propaganda foi a UFPE, no Recife, em 1972. A Unicap iniciou as atividades do curso em 2002, enquanto a Uninassau, em 2004. A UNIFBV começou a receber estudantes em 2005. O curso tecnológico da Faculdade de Olinda(FOCCA) Produção Publicitária, com dois anos de duração, existe desde 2015. Na área de Cinema, o curso da UFPE funciona desde 2009 e o da Uniaeso, que se chama Cinema e Audiovisual, desde 2014. Há uma Graduação em Comunicação Social, sem habilitações, com ênfase em Produção Cultural e Mídias Sociais, oferecida, desde 2015, pela UFPE-Caruaru. O curso estabelece também uma relação necessária e pertinente – especialmente no caso da cidade de Caruaru – entre a Comunicação e a Produção Cultural, bem como com os arranjos produtivos locais e as indústrias criativas em operação no interior do Estado. Dois cursos de Tecnólogos em Fotografia são oferecidos no Estado: o da Unicap, desde 2010, e o da Focca, desde 2017. Há também o tecnólogo Filmmaker, ofertado em EaD pela Uninassau desde 2019. Após apresentar o panorama das Graduações, é importante destacar que Pernambuco também conta com oportunidades de formação em nível de Pós-Graduação na área da Comunicação. Pernambuco conta com três programas de Pós-Graduação na área da Comunicação. O mais antigo é o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), Campus Recife, em funcionamento desde 1998. Em 2017 foi criado o Programa de Pós-Graduação em Indústrias Criativas(PPGIC), de natureza profissional, na Universidade Católica de Pernambuco(Unicap), também no Recife. O mais recente é o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Inovação Social(Pós-Com), que iniciou suas atividades em 2025. O PPGCOM é o programa pioneiro no Estado; tem curso de Mestrado e Doutorado e conta com três linhas de pesquisa: 1) Comunicação, Linguagens e Processos Tecnopolíticos; 2) Estética e Culturas da Imagem e do Som; e 3) Processos Comunicacionais, Mediações socioculturais, interseccionalidades e Cidadania. O PPGIC oferece um Mestrado Profissional e conta com duas linhas: 1) Tecnologias, Linguagens e Produtos; e 2) Gestão, Mercado e Sociedade. O Pós-Com, por sua vez, oferta vagas para Mestrado a partir de duas linhas de pesquisa: 1) Cultura de inovação em novos fluxos comunicacionais; e 2) Indústrias Criativas e Territorialidade. A conquista com a criação de uma Pós-Graduação no Agreste pernambucano contribui para a interiorização do conhecimento e a redução de assimetrias. 335 No campo das publicações científicas Pernambuco conta com uma revista acadêmica vinculada à área de Comunicação. Produzida originalmente pelo PPGCOM, a Revista Ícone passou, a partir de 2025, a ser uma publicação interprogramas, também editada pelo Pós-Com. A Ícone atua em sintonia com as demais áreas das Ciências Humanas e Sociais, e abriga, em sua proposta editorial, temáticas e conexões interdisciplinares. O objetivo é discutir: a) problematizações de linguagem, produções e processos midiáticos e suas implicações sociopolíticas, práticas profissionais e relações de poder na Comunicação; e b) fenômenos estéticos como marcas das produções culturais, manifestos especialmente por meio da imagem e do som. Também há a Revista Jornalismo& Cidadania, que se apresenta como uma ação da universidade na sociedade, buscando contribuir para a ampliação da discussão pública, com a participação de intelectuais, artistas, professores, estudantes e cidadãos de uma maneira geral, bem como dos movimentos sociais que constituem a periferia da estrutura de poder composta pelas elites que controlam o aparelho de Estado e as corporações do mercado, especialmente em temas como comunicação, direitos humanos, inclusão e respeito às diferenças étnico-raciais, de gênero, regionais, nacionais e de orientações religiosas e sexuais. É uma publicação eletrônica do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade do Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM) da UFPE. A partir desse escopo, o periódico tem ênfase em pesquisas que abordam temáticas como ética, democracia e direitos humanos; consumo; ideologia e representações; estratégias narrativas e discursivas; reconfiguração de formatos e tecnologias; interações; teoria do cinema e gêneros fílmicos; estudos do som; imagem técnica; mídia e memória; experiência estética; fotografia; cena, rede musical e música popular massiva; teorias da imagem; fotodocumental; performance; e temas conexos. Com periodicidade quadrimestral, cada edição da Ícone divulga artigos sob a organização de dossiês temáticos, além de um bloco de resenhas e de artigos sob temática livre. Além disso, dispõe de seções especiais com a divulgação de entrevistas e informes do programa. Como agência de fomento, Pernambuco conta com a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco(Facepe), responsável por apoiar a pesquisa no Estado. Sua missão é promover Ciência, Tecnologia e Inovação por meio do financiamento de pesquisas, processos e produtos inovadores, contribuindo para o desenvolvimento de Pernambuco, da comunidade científica, do setor empresarial e da sociedade. Além do apoio à pesquisa, o cenário da Comunicação no Estado também se fortalece por meio de veículos próprios de produção e difusão de conteúdo. A Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) mantém emissoras de rádio e televisão. A Rádio Paulo Freire, com 60 anos de história, funciona como rádio-escola em modelo de 336 COMUNICAÇÃO EM PERNAMBUCO: CONFIGURAÇÃO DO CAMPO E DINÂMICAS REGIONAIS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste cogestão entre o Núcleo de TV e Rádios e o Departamento de Comunicação no Recife. Essa parceria igualmente administra o Cinema da UFPE, uma sala aberta e gratuita localizada no Campus do Recife, dentro do Complexo de Convenções, Eventos e Entretenimento. A universidade abriga ainda a TV Universitária, emissora universitária mais antiga em funcionamento no Brasil, e a Rádio Universitária. A produção acadêmica e a valorização da comunicação como campo de conhecimento também se expressam em outras iniciativas institucionais. A Universidade Católica de Pernambuco(Unicap) inaugurou, em 2021, a Cátedra Luiz Beltrão de Comunicação. O pesquisador, que dá nome à cátedra, fundou o curso de Jornalismo da Unicap e iniciou a pesquisa em Comunicação no Brasil ao criar o Instituto de Ciências da Informação(Icinform) em 1963, e a primeira revista científica brasileira da área, a Comunicações& Problemas, em 1965. O professor da Unicap Juliano Domingues atua como presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Os cursos da UFPE-Recife, UFPE-Caruaru e Unicap são anualmente premiados com projetos desenvolvidos por estudantes da Graduação na Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação(Expocom) da Intercom, além de receberem reconhecimentos em outras premiações nacionais. Para concluir, vale destacar uma iniciativa que reforça a valorização do jornalismo no Estado. Em Pernambuco, o Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco(Sinjope) realiza, todos os anos, o Prêmio Cristina Tavares de Jornalismo, uma das mais importantes premiações do Norte-Nordeste, que inclui categorias voltadas a estudantes de Graduação e recém-graduados. A trajetória da Comunicação em Pernambuco revela não apenas a consolidação de cursos, programas e iniciativas premiadas, mas também o papel central que a área exerce no desenvolvimento social, cultural e econômico do Estado. Da formação de profissionais qualificados à produção de conhecimento científico, passando pela difusão de conteúdos que fortalecem a democracia e a cidadania, a Comunicação afirma-se como um campo estratégico para conectar pessoas, dar visibilidade às diferentes realidades e impulsionar transformações. Em Pernambuco essa relevância traduz-se em uma rede ativa de instituições, projetos e talentos que mantém viva a tradição e aponta para um futuro de inovação e compromisso social. 337 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 338 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MADRE ESCOBAR Gêsa Cavalcanti Armia Escobar Duarte nasceu em 16 de dezembro de 1920 em São Borja(RS). Filha de Bernardino Duarte do Amaral e Madalena Escobar Duarte, aos 18 anos foi ordenada freira pela Congregação das Irmãs de Santa Doroteia, e, mesmo no ambiente acadêmico, continuaria sendo chamada de Madre Escobar. Bacharelou-se em Ciências da Educação pela Universidade Fordham e em Artes Plásticas e Artes Gráficas pela Escola de Design de Rhode Island, ambas nos Estados Unidos. Na Inglaterra concluiu Mestrado em Comunicação pela Escola de Televisão da Thomson Foundation, período em que colaborou com a produção de programas infantis da BBC. Mais tarde, já na Argentina, especializou-se em Programação de TV Educativa na Universidad del Salvador, em Buenos Aires. Embora gaúcha e formada no exterior, foi em Recife que construiu sua trajetória religiosa e profissional. Atuou durante o arcebispado de Dom Helder Câmara(de 1964 a 1985) como assessora de comunicação, que envolvia a articulação do arcebispado durante o regime ditatorial militar, coordenando a comunicação religiosa em todo o Nordeste, tendo sido reconhecida pelas iniciativas pastorais e sociais conduzidas pelo arcebispo. Os primeiros registros de sua atuação docente remetem às aulas ministradas na Faculdade de Filosofia do Recife(Fafire), mas a paixão pelo ensino foi além: em 1967 fundou o Centro Educativo de Comunicação Social do Nordeste(Cecosne), criado com o propósito de formar profissionais comprometidos com a comunicação popular. Além de idealizadora, Madre Escobar dirigiu o Centro por 25 anos. Em 1970 o Diário de Pernambuco destacou 339 seu esforço por maior inserção feminina na educação ao divulgar os cursos de Criatividade promovidos pelo Cecosne. A atuação do Centro não se restringia à comunicação, entre os exemplos estão a restauração do Engenho Três Marias, em Quipapá, destinado a fins turísticos e educacionais, em 1975, e sua participação no III Encontro Nacional sobre Controle do Câncer Ginecológico, no qual apresentou o painel“Aspectos educacionais de um programa de controle do câncer cérvico-uterino”. Madre Escobar foi pioneira no uso do teatro de bonecos e do mamulengo como recurso de educação popular, tendo fundado, em 1968, o Grupo Profissional de Teatro de Bonecos da Fundação Cecosne: o Teatroneco. Em 1972 realizou o I Encontro de Teatro em Nova Jerusalém, Fazenda Nova. Na ocasião foi responsável por uma palestra intitulada“Teatro como meio de comunicação de massa”. À frente do Cecosne formou dezenas de artistas e bonequeiros, especialmente no Nordeste, como Augusto(Bonequeiro) Oliveira e Fernando Augusto Gonçalves Santos. A capilaridade de seu trabalho fez com que o Cecosne oferecesse aulas com professores vindos da Europa e da Argentina, além de possibilitar a ida de grupos ao continente europeu. Em 1982 o Teatroneco apresentou-se no Festival Internacional de Bonecos de Charleville, na França, levando espetáculos como“Bumbá!” e“Bonecos e Terapia”. Sua contribuição, no entanto, não se limitou à arte popular e à comunicação comunitária, e sua atuação durante a ditadura militar colocou-a sob vigilância dos órgãos de segurança do regime, que a enquadrava como pertencente à“linha Reformista-Progressiva seguida por uma parte do Clero Católico”. Em 1972 teve um papel fundamental na criação do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), incentivada por Dom Helder Câmara, que considerava fundamental a presença da Igreja em espaços estratégicos como a universidade, e foi resultado de um convênio entre a Faculdade de Filosofia do Recife(Fafire) e a Fundação Cecosne. A coordenação do projeto ficou a seu cargo. O curso começou com as habilitações em Comunicação Polivalente e em Publicidade e Propaganda. Nos primeiros anos recebeu estudantes aprovados no vestibular da UFPE, Fafire e de ex-estudantes da Faculdade de Turismo e Comunicação(Faturc), desativada pelo Ministério da Educação (MEC) por questões legais. O projeto trouxe para o Nordeste uma proposta inspirada no modelo do Centro Interamericano de Estudos 340 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Superiores de Comunicação para a América Latina(Ciespal). Em meados de 1980 ela deixou de ser responsável pelo curso de Comunicação Social da UFPE. Em 1973 foi responsável pela elaboração do programa do Centro Cultural Luis Freire, em Olinda, criado em agosto do ano anterior, que atuava no apoio às manifestações culturais da cidade, tendo como foco folclore, teatro e manifestações relacionadas a festividades populares. Em 1977 foi editora responsável da Revista A Semana, informativo sobre belas-artes, bares, bibliotecas, boates, cinemas, cursos, manifestações religiosas, esportes, etc., na qual alunos do curso de Comunicação Social da UFPE faziam estágio. Em 1978 fundou uma emissora de rádio comunitária e, em 1979, integrou a equipe que garantiu o reconhecimento oficial do curso de Comunicação Social da UFPE/Cecosne pelo Conselho Federal de Educação(CFE). Participou, em maio de 1980, do I Encontro Norte/ Nordeste de Comunicação Social, criado em parceria pelos cursos de comunicação da UFPE, Universidade Católica de Pernambuco e Promídia, quando falou sobre“Posicionamento crítico frente aos meios de comunicação”. Fundou, junto com Dom Helder, o Arraial Intercultural de Circo do Recife(Arricirco), projeto de oficinas circenses que formava trupes profissionais e, sobretudo, educadores sociais conscientes de seu papel transformador. A experiência do Arricirco deu origem ao seu livro juvenil“O Circo dos Anjos”(1997). Seu trabalho nas áreas de Artes, Educação e Comunicação foi reconhecido por meio de premiações nacionais e internacionais: Medalha de Mérito Educacional Paulo Freire, concedida pelo Conselho Estadual de Educação de Pernambuco e Condecoração como Educadora no Festival Internacional da Criança em Vancouver, Canadá. Mesmo em idade avançada, Armia continuou oferecendo palestras e engajando-se nos campos da educação e comunicação. Em 2008 foi homenageada e palestrou na Unicap. Em 2021, durante o VII Congresso Internacional SESC de Arte/Educação, participou da exposição Vestígios do Amanhã, que celebrava a trajetória do Teatroneco. Armia Escobar faleceu em 5 de janeiro de 2023 aos 103 anos. Seu trabalho teve impacto nas áreas de comunicação popular, educação e artes, especialmente no Nordeste. 341 Principais publicações DUARTE, Armia Escobar. Processos didáticos: a revolução necessária para a melhoria da qualidade no ensino. In: KROHLING KUNSCH, Margarida M. O Ensino de comunicação: análises, tendências e perspectivas. São Paulo: ABECOM/ECA/USP, 1992. DUARTE, Armia Escobar. Organizando a contra-revolução. In: BENJAMIN, Roberto. Itinerário de Luiz Beltrão. Recife: AIP/UNICAP, 1988. p. 130. DUARTE, Armia Escobar. O circo dos anjos. Recife: Edições Bagaço, 1997. 62 p. 342 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste VAL D’ARCE Carla Teixeira e Mariana Reis Valdelusa D’Arce nasceu em 1940 em Correntes(PE). Mudouse, com a família, ainda na infância, para Garanhuns(PE), onde estudou no tradicional Colégio Ana Sofia. Radicada em Recife(PE), seguiu seus estudos no Colégio Padre Felix. Cursou Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Após formada, atuou como jornalista no jornal Diário de Pernambuco por mais de 30 anos, enquanto, em paralelo, exerceu a função de professora na Unicap, mesma instituição onde formou-se. Valdelusa começou a lecionar em 1973 e atuou como professora da Unicap por mais de 30 anos, coordenando o curso de Jornalismo durante quase uma década. Ao lado de colegas tão pioneiros quanto ela, formou um dos mais proeminentes grupos de jornalistas professores da sua época. Fez história no jornalismo pernambucano, especialmente no jornalismo cultural. Na vida pessoal, acadêmica e profissional, tinha especial apreço à cultura regional, ao cinema e ao carnaval. Na Unicap Valdelusa lecionou as disciplinas de Comunicação Comparada e Jornalismo Governamental e Empresarial, além de ter sido chefe do Departamento de Comunicação da instituição. Foi, também, por muito tempo, responsável pela Hemeroteca do curso de Jornalismo. Val atuou na área empresarial e em assessorias governamentais, além de ter exercido o cargo de secretária de turismo na Ilha de Itamaracá, sua terra do coração, onde também possuía uma casa. No Diário de Pernambuco trabalhou em várias 343 editorias, com principal destaque para a Editoria do Viver, no caderno de cultura. Valdelusa D’Arce faleceu em 2021, aos 81 anos de idade, vítima de um AVC. Era solteira e não deixou filhos. 344 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste LÚCIA NOYA Nataly de Queiroz Lima Lúcia Maria Noya Muniz da Rocha Galvão nasceu em 4 de julho de 1947 em Recife(PE). É filha de Dulce Noya e de Heitor Muniz da Rocha. Seus irmãos são Ronaldo José e Fernanda. Seus estudos básicos aconteceram em instituições tradicionais da capital pernambucana, como o Instituto Mauricéia, o Instituto Pedro II, o Ginásio de Madalena e o Colégio Arquidiocesano. O Ensino Médio foi cursado no Colégio Estadual de Pernambuco, escola pública. Cursou três Graduações: em 1965 foi aprovada em Direito, na Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), e Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco(UNICAP). Concluiu a Graduação na Faculdade de Direito do Recife em 1969 e, em seguida, retomou os estudos de Jornalismo na Unicap, concluídos em 1971. O terceiro foi em Administração, cursado na UFPE entre os anos de 1975 e 1979, quando já atuava no campo jornalístico. Ainda estudante de Jornalismo, iniciou suas experiências profissionais no Jornal do Commercio, tendo permanecido no veículo entre os anos de 1970 e 1979. Atuou como repórter setorista das áreas de Educação e Cultura, colunista e editora do suplemento infantil. Entre 1978 e 1979 assinou a coluna“Nosso Colégio, Nossa Vida” no Diário de Pernambuco. Também atuou em assessorias de comunicação em instituições como a Secretaria de Educação do Governo de Pernambuco, a Casa Militar e a Universidade Católica de Pernambuco. 345 Em 1971 tornou-se membro da Associação de Imprensa de Pernambuco, sendo, ainda, sócia efetiva, além de integrar a Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (Sinjope). Em 1974 iniciou sua trajetória como docente na Unicap, instituição onde graduou-se. Foi professora dos cursos de Jornalismo e Relações Públicas, ministrando disciplinas como Técnicas de Redação, História da Comunicação, Teoria da Comunicação, Comunicação Dirigida e Políticas de Comunicação. Entre os anos de 1982 e 1990 exerceu a função administrativa de chefe do Departamento de Comunicação Social. No total foram 28 anos de atuação como professora na Instituição de Ensino Superior(IES). Lúcia Noya também foi docente dos cursos de Publicidade e Propaganda e Recursos Humanos da Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM-Recife) e das Graduações de Jornalismo e Publicidade e Propaganda das Faculdades Integradas AESO Barros Melo(Olinda). Cursou Especialização em Jornalismo Político entre os anos de 1983 e 1984 na UNICAP, e, entre 2001 e 2003 cursou o Mestrado em Administração Rural e Comunicação Rural na Universidade Federal Rural de Pernambuco(UFRPE). Sua dissertação intitulouse“Comunicação Rural Governamental e Desenvolvimento Local: a recepção popular do jornal Ponto a Ponto, da Prefeitura de Camaragibe, Pernambuco”, e foi orientada por Maria Salett Tauk Santos. Lúcia Maria Noya Muniz da Rocha Galvão contribuiu com a formação de centenas de jornalistas, relações públicas e publicitários(as) em Pernambuco ao longo de mais de 40 anos de atuação como docente. Nessas quatro décadas consolidou-se como uma referência tanto em redações quanto em assessorias e na educação. Principais publicações GALVÃO, Lúcia Maria Noya Muniz da Rocha. Comunicação rural governamental e desenvolvimento local: a recepção popular do jornal Ponto-a-Ponto da Prefeitura Municipal de Camaragibe-PE. Pernambuco. 2003. Dissertação(Mestrado em Administração Rural e Comunicação Rural) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2003. 346 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste GALVÃO, Lúcia Maria Noya Muniz da Rocha; LIRA, Ute Ana de Farias Batista. Mensagem subliminar através das cores: seu uso na criação de marcas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 29., 2006, São Paulo. Anais[...]. São Paulo: Intercom, 2006. 347 TANÚZIA VIEIRA Talita Rampazzo Diniz Tanúzia Maria Vieira Espírito Santo nasceu em Maceió(AL). Mudouse com os pais aos dois meses para Recife. Concluiu a Graduação em Comunicação Social na Universidade Federal de Pernambuco, onde atuou como professora no início da década de 1970, tendo escolhido a habilitação em Publicidade e Propaganda. Com atuação como docente entre 1979 e 2013 no Departamento de Comunicação da referida universidade, atuou nas áreas relacionados à publicidade e propaganda, marketing, gestão da comunicação e comunicação institucional. Tanúzia criou e coordenou, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) e a Rede Globo Nordeste, o Projeto UniGlobo. Essa iniciativa é um dos maiores destaques de sua carreira, pois treinou e formou, ao longo de oito anos, entre 1996 e 2004, mais de cem estudantes da UFPE nas áreas de Publicidade e Administração. O Projeto levava estudantes dos dois cursos a trabalharem, por um período mínimo de seis meses e máximo de dois anos, no setor comercial da emissora televisiva. O projeto foi exitoso a ponto de ainda hoje ser um modelo de treinamento e capacitação. Com o UniGlobo, Tanúzia conquistou dois prêmios nacionais no ano de 1999: da Revista Meio& Mensagem, e da Associação Nacional dos Dirigentes Lojistas(ADVB); ambos reconheceram o mérito do projeto, a qualidade do treinamento ofertado e a contribuição para o mercado publicitário. 348 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Outra participação relevante de Tanúzia foi na coordenação administrativa e financeira do Programa de Liderança e Desenvolvimento Social para a América Latina e Caribe da Fundação Kellogg, lançado em 2003 em convênio com a UFPE. Selecionados anualmente 20 profissionais da região Nordeste que desenvolveram projetos e treinamentos em campo, direcionados ao Terceiro Setor. Como resultado, foram organizados conteúdos e ferramentas para a gestão social de projetos, programas e organizações. Ao longo do Programa, Tanúzia atuou com colegas da UFPE. Apoiou a fundação da Agência Escola de Publicidade em 1995, laboratório dos estudantes para aplicarem na prática os conteúdos adquiridos em sala de aula, conectando a teoria à realidade do mercado, além de sua iniciativa na organização da Mostra de Comunicação que, no início dos anos 2000, foi realizado no Centro de Artes e Comunicação(CAC). Tanúzia foi responsável por ministrar disciplinas como Introdução ao Marketing, Mercadologia, Marketing aplicado ao Rádio e à TV e Administração de Publicidade e Propaganda. Na Pós-Graduação lecionou Gestão da Comunicação em Serviços e Tópicos Avançados na Comunicação. Por meio da disciplina Administração de Publicidade e Propaganda, ofertada com ênfase em gestão e, na sequência, em empreendedorismo, incentivava propostas de novos negócios, e um deles chegou a fazer parte da Incubadora de Novos Negócios da UFPE. Ela obteve o título de mestre em Administração pela Universidade Federal da Paraíba(UFPB) em 1991, com a dissertação“A utilização dos instrumentos do marketing mix pelas diferentes lojas do Shopping Center Recife”, orientada por Júlia Van Dame. Além disso, atuou em diversos projetos reunindo os dois campos. Se Pernambuco e Recife alcançaram uma posição de destaque na Publicidade e Propaganda, o trabalho de Tanúzia auxiliou nesse processo. Seu legado na UFPE é a marca de uma educadora que uniu com excelência a academia e o mercado profissional. Após encerrar o seu ciclo em sala de aula, atuou na Fundação de Apoio ao Desenvolvimento(Fade), como coordenadora de comunicação corporativa por sete anos, de 2013 a 2020, sendo responsável por montar toda a estrutura de comunicação, incluindo uma revista corporativa e a organização de eventos. Ainda na UFPE teve passagem pela TV Universitária como assessora da diretoria. 349 Tanúzia Maria Vieira Espírito Santo teve formação pautada pela intersecção entre Comunicação e Administração e nessa articulação é referência para gerações de estudantes de Publicidade e Propaganda da UFPE. Principais publicações DE LA MORA, Luiz; VASCONCELOS, Ana; VIEIRA. Tanúzia; MORAIS, Wilma; NASCIMENTO, Fernanda. Parcerias interinstitucionais e eficácia da extensão. Parceria UFPE-Fundação Kellogg na implementação do programa de formação de liderança para o desenvolvimento. In: CONGRESSO IBERO-AMERICANO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, 8., 2005, Rio de Janeiro. 2005. VIEIRA, Tanúzia; MENDONÇA, Ricardo; VIEIRA, Marcelo. Gerenciamento de impressões, comunicações e ações simbólicas como elementos facilitadores na gestão de processos de mudança organizacional. In: ENANPAD, 23., 1999, Foz do Iguaçu: Enanpad 99, 1999. 350 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste ISALTINA GOMES Adriana Santana e Sheila Borges de Oliveira Isaltina Maria de Azevedo Mello Gomes nasceu em Aracaju(SE). É filha de José de Azevedo Mello e Joana Saraiva de Azevedo Mello. É mãe de Rafaella e Camilla e avó de Maria Luiza e Davi. Estudou no Colégio da Imaculada Conceição(Fortaleza- CE), onde cursou o Primeiro Grau; e no Esuda, escola em que cursou o antigo Segundo Grau. A família mudou-se para a Bahia e, depois, para o Ceará e Pernambuco, e foi no Recife que ela estudou para se preparar para o vestibular. Fez dois: Comunicação, na Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), e Letras, na Faculdade de Filosofia do Recife(Fafire). Começou os dois cursos, mas trancou o de Letras, retomado mais tarde. Quando investiu na docência, anos mais tarde, orientada por Luiz Antônio Marcuschi, realizou Mestrado, com a dissertação“Dos Laboratórios aos Jornais: um estudo sobre Jornalismo Científico” (1992/1995), e Doutorado, com a tese“A Divulgação Científica em Ciência Hoje – uma abordagem discursivo-textual”(1996/2000), dialogando com os campos que a seduziram desde a graduação. Começou na docência convidada, logo após graduar-se, aos 21 anos, como colaboradora do curso de Comunicação Social da UFPE, ministrando aulas de rádio. Em pouco tempo integrou um grupo de professores que organizou um movimento para a realização de concurso público. Fez e foi aprovada, passando a ser professora concursada em 1979. Como professora efetiva, dividiu a sua carga horária entre a sala de aula e as redações da TV e da Rádio Universitárias, veículos vinculados à UFPE. 351 Especializou-se em Produção de Programas Radiofônicos, no Ciespal(Quito-Equador), em 1983, com bolsa da Rádio Nederlands Training Centre, RNTC, Holanda. Na sequência, realizou outras Especializações: Metodologia do Ensino de Radiojornalismo, na Universidade de São Paulo(USP), em 1986, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); e Aperfeiçoamento para Professores de Jornal, em 1988, na Universidade Federal do Ceará(UFC). Cursou o Mestrado e o Doutorado em Linguística no Programa de Pós-Graduação de Letras da UFPE, realizando estudos sobre a interdisciplinaridade entre Comunicação e Letras, trazendo à tona as suas duas formações originais, sempre sob orientação de Marcuschi. Tornou-se especialista em estudos e pesquisas sobre as relações entre jornalismo, ciência e meio ambiente, assim como na área da divulgação científica, sendo, inclusive, uma das fundadoras da Agência Meio, gérmen do jornalismo científico na UFPE. Chegou a ocupar, entre 2011 e 2017, o Comitê Assessor de Divulgação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Entre 2020 e 2022, realizou Pós-Doutorado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto(FLUP-UP), em Portugal, em plena pandemia. Essa estada em terras portuguesas, levou-a liderar um projeto de pesquisa sobre“Dez anos de Pesquisa em Divulgação Científica no Brasil e em Portugal”. Ocupou uma cadeira na Diretoria da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós). Atua como professora titular no curso de Jornalismo do Departamento de Comunicação Social e no Programa de Pós-Graduação em Comunicação. É bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível 1D. Principais publicações GOMES, I. M. Conocimiento de la divulgación científica en la promoción de la Salud y el Medio ambiente. RECIIS – Revista Eletrônica de Comunicação, Informação& Inovação em Saúde, v. 19, p. 4.956, 2025. 352 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste GOMES, I. M.; REIS, M.“Ganhar a Vida” a partir do jornalismo e da cultura: os arranjos jornalísticos culturais do Nordeste do Brasil. Sur le Journalisme, About Journalism, Sobre Jornalismo, v. 13, p. 110127, 2024. GOMES, I. M. A. M.; FERRAZ, L M R. Ameaça e controle da gripe A(H1N1): uma análise discursiva de Veja, IstoÉ e Época. Saúde e Sociedade, USP, Impresso, v. 21, p. 302-313, 2012. GOMES, I. M. A. M. O simulacro da ciência na venda de produtos e serviços. Comunicação, Mídia e Consumo, São Paulo, v. 3, p. 147168, 2006. GOMES, I. M. A. M. Em busca de uma tipologia de eventos de divulgação científica. In: SILVA, Denize Elena Garcia da; VIEIRA, Josênia Antunes(org.). Análise do discurso – percursos teóricos e metodológicos. 1. ed. Brasília, DF: Editora Plano: Oficina Editorial do Instituto de Letras: UnB, 2002. p. 119-142. V. 1. GOMES, I. M. A. M. A ciência nos jornais. Galáxia, São Paulo: PUCSP, v. 1, n. 3, p. 93-108, 2002. 353 LUIZA NÓBREGA Amanda Tavares de Melo Maria Luiza Nóbrega de Morais Luiza Nóbrega iniciou sua trajetória acadêmica em 1971 na Graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), onde construiria a maior parte de sua carreira como docente, gestora e pesquisadora. Em paralelo, no intervalo entre 1973 e 1977, cursou a Graduação em Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco(Unicap), instituição que abriga o primeiro curso de Jornalismo de Pernambuco e um dos pioneiros no Brasil, fundado em 1961. No início dos anos 1980 realizou Especialização em Investigación y Planificación de Comunicación(1981) no Centro Interamericano de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina(Ciespal), em Quito, Equador. Luiza participou da Pós-Graduação como bolsista da Fundação Friedrich Ebert(FCE). Essa experiência reforçou sua inserção em uma rede internacional de debates sobre comunicação crítica e educação cidadã. Na sequência, concluiu o Mestrado em Administração Rural e Comunicação Rural realizado entre 1979 e 1986 na Universidade Federal Rural de Pernambuco(UFRPE), defendendo a dissertação“ A emissora rural do Estado de Pernambuco: análise da programação, orientada por Roberto Benjamin. A carreira de Luiza como docente iniciou na UFPE em 1980, dedicando-se ao ensino de disciplinas relacionadas a metodologias da pesquisa em comunicação, metodologias do trabalho científico e técnicas de projetos nos cursos superiores de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Rádio, TV e Internet. Além disso, ministrou disciplinas de Metodologia do Trabalho Científico no 354 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste curso de Especialização Lato Sensu em Jornalismo e Crítica Cultural, oferecido pela UFPE nos anos de 2007 e 2010. Sua atuação na gestão acadêmica é extensa: foi coordenadora de estágios curriculares e vice-coordenadora do curso de Comunicação Social em 1985, coordenadora da comissão de reestruturação do currículo de Jornalismo da UFPE em 2001, coordenadora pro tempore do curso em 2006 e ainda exerceu as coordenações dos cursos de Comunicação Social(habilitações em Jornalismo, Publicidade e Radialismo) entre 2006 e 2010. Entre 2010 e 2012 voltou à coordenação do Jornalismo e participou da Câmara de Graduação e do Conselho Departamental do Centro de Artes e Comunicação. Em 2005 foi eleita Diretora Regional Nordeste do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo(FNPJ), para o qual organizou encontros e buscou aprimorar as diretrizes para a formação técnica e profissional dos trabalhadores da comunicação no país. Foi também integrante da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(ex-Alcar). Além das atividades de gestão, sua carreira também foi marcada por uma produção técnica bastante diversificada. Foi membro de bancas de concursos para professores da UFPE e da Universidade Federal de Alagoas(UFAL), integrou as comissões julgadoras de prêmios de jornalismo e imprensa e participou como avaliadora de cursos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(INEP) e pelo Ministério da Cultura(MEC)(20022006). Orientou trabalhos de iniciação científica nas Graduações em Comunicação Social da UFPE e monografias de conclusão do curso de Especialização em Gestão Educacional, ofertado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco(UFRPE), e da Especialização em Extensão Rural para o Desenvolvimento Sustentável, realizada pela UFRPE. Coordenou projetos como: Pescando pescadores: políticas públicas e extensão pesqueira para o desenvolvimento local, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em conjunto com docentes e estudantes da UFRPE e do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPE; O processo civilizador no semiárido cearense, realizado entre 20122015, para mapear os projetos das organizações governamentais e não governamentais para o desenvolvimento da pesca artesanal 355 no nordeste brasileiro. Na UFPE coordenou o grupo de pesquisa História e imagens da comunicação, com o objetivo de recuperar a memória da mídia pernambucana entre os anos 1950 e 2000. Conduziu, ainda, a pesquisa Mulheres jornalistas na mídia pernambucana(1900-2000). Luiza foi agraciada com prêmios nacionais e títulos na área de comunicação, como o Prêmio Pão de Açúcar de Incentivo à Pesquisa em Comunicação, em 1995, na categoria Orientadora, e o Prêmio Expocom, em 2000, ambos concedidos pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação(Intercom). Em 2002, a Intercom concedeu-lhe o Diploma de Reconhecimento pelas suas contribuições à área. Atuou na consolidação dos cursos de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco, especialmente por sua participação em processos de reestruturação curricular e em funções de coordenação e presidência de colegiados. Suas contribuições dialogam com dimensões como a história da mídia em Pernambuco e no Nordeste, a presença feminina na imprensa como vetor de transformações sociais e a comunicação rural e popular vinculada a práticas comunitárias e de desenvolvimento local, revelando a preocupação em articular o estudo da comunicação com questões regionais e culturais mais profundas. Professora aposentada do Departamento de Comunicação Social da UFPE, Maria Luiza Nóbrega de Morais é uma figura-chave na estruturação e consolidação do ensino de Jornalismo e Comunicação em Pernambuco. Sua trajetória acadêmica e profissional perpassa áreas como processos curriculares, coordenações de curso e pesquisas que articulam múltiplos aspectos da comunicação, como história da mídia, comunicação e costumes e participação de grupos historicamente invisibilizados, como mulheres e grupos populares na imprensa e comunicação rural. Sua participação em redes científicas nacionais(Rede Alfredo de Carvalho e o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo) reforça o seu papel nos principais debates sobre o campo da comunicação entre as décadas de 1980 e 2010. Principais publicações MORAIS, M. L. N.; ANDRADE, C.; MELO, C. T. V.; BARRETO FILHO, E. T.; BENJAMIN, R.; OLIVEIRA, V.; BARBOSA, I. S. MARANHAO 356 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste FILHO, L.; ROCHA, M.; TAVARES, Solange(org.). A publicidade pernambucana no século XX(1900-2000). 1. ed. Recife: Escola Superior de Marketing, 2004. 251 p. V. 1. MORAIS, M. L. N.; TAUK SANTOS, M. S.(org.). Catálogo de pesquisa em comunicação em Pernambuco(1980-1996). 2. ed. Recife: FASA Editora, 1998. 133p. v. 1. MORAIS, M. L. N.; TAUK SANTOS, M. S. Uma proposta curricular para o curso de Relações Públicas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO – Intercom, 28., 2005, Rio de Janeiro. Anais[...]. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2005. V. 1. MORAIS, M. L. N. Campo profissional e mercados de trabalho em comunicação no Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO(INTERCOM), 20., 1998, Santos, SP. Anais [...]. São Paulo, SP: Intercom, 1998. p. 50-51. V. 1. MORAIS, M. L. N. ICINFORM: uma experiência pioneira. In: MELO, José Marques de; GOBBI, Maria Cristina(org.). Gênese do pensamento comunicacional latino-americano: o protagonismo das instituições pioneiras. 1. ed. São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo, 2000. p. 157-166. V. 1. MORAIS, M. L. N. Presença feminina no jornalismo pernambucano: primórdios à regulamentação profissional. In: CONGRESSO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MÍDIA, 5., 2007, São Paulo. Anais [...]. São Paulo, 2007. 357 WILMA MORAIS Talita Rampazzo Diniz Wilma Peregrino de Morais nasceu em 21 de maio de 1995 em João Pessoa(PB). É filha de Antonio da Silva Morais e Clarice Peregrino Morais. No primário frequentou o Externato Sagrado Coração de Jesus. Durante o ginásio até o segundo ano do científico, foi estudante do Colégio Estadual da Paraíba. Fez o terceiro ano prévestibular no Colégio Pio XII. A Graduação em Comunicação Social foi na Universidade Federal de Pernambuco, entre 1975 e 1978, quando obteve as habilitações em Publicidade e Propaganda e em Rádio e TV. Após formar-se começou a direcionar seus interesses para a linguagem, seu foco na carreira. Assim, fez a Especialização em Linguística Aplicada ao Ensino da Língua no ano de 1981. Começou a atuar como docente na instituição em 1980, antes mesmo da habilitação em Jornalismo existir. Foi a primeira coordenadora e uma das figuras centrais nas discussões sobre a composição curricular. Obteve uma bolsa Fulbright, de três meses, em 1991, para conhecer o curso de Jornalismo da Louisiana State University, Estados Unidos. Fez o Mestrado em Comunicação e Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC/SP), com orientação de Lucrécia D’Aléssio Ferrara, com a defesa, em 1987, da dissertação “Sonoras imagens”, um estudo que envolvia principalmente a linguagem e a história do rádio. Em 1992, com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), iniciou o Doutorado na Espanha, na Universidade Autônoma de Barcelona(UAB), sob orientação de Fèlix Balanzó Geridiain. Em 358 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste 1997 defendeu a tese“El periodismo y el arte de contar historias: un estudio acerca de la construcción de la noticia científica”, título inédito no Departamento de Comunicação da UFPE: a primeira mulher a tornar-se doutora. Como docente, exercido durante 30 anos, atuou com o texto jornalístico em suas diferentes manifestações de linguagem, principalmente em produções para veículos impressos e radiofônicos. Lecionou disciplinas do núcleo central, como as várias redações, tendo criado, com uma colega, a eletiva Jornalismo Científico, cujas produções colocavam os discentes a circular pela universidade. Na disciplina Agência de Notícias organizou as aulas e as entregas como um serviço de notícias. Na pesquisa integrou o Programa de Pós-Graduação em Comunicação nos seus primeiros anos de atividade, com orientações de dissertações com foco no discurso jornalístico. Promoveu o contato com a pesquisa de discentes da Graduação em Projetos de Iniciação Científica com temáticas relacionadas à construção e à circulação de notícias no jornalismo impresso, ao funcionamento de agências de notícias e ao documentário jornalístico televisivo. Na extensão foi coordenadora pedagógica no Programa de Liderança e Desenvolvimento Social para a América Latina e Caribe da Fundação Kellog g, lançado em 2003 em convênio com a UFPE, para incentivar a liderança local com estímulo à mudança social e geração de renda de participantes de iniciativas do Terceiro Setor. Por meio de convênio com a Controladoria Geral da União (CGU) foram integradas três disciplinas – Redação Jornalística 4, Técnicas de Entrevista e Reportagem 3 e Telecinejornalismo – para a produção de conteúdos disponibilizados, em 2011, no livro Comunicação& corrupção. A obra recebeu prêmio entre os cinco trabalhos que mais contribuíram no combate à corrupção, concedido pela CGU em 2012. Criou um jornal laboratório sobre saúde mental, realizado em parceria com a Secretaria de Saúde de Pernambuco. Além disso, acompanhou as turmas de pré-Trabalho de Conclusão, em que auxiliava na elaboração dos anteprojetos e encorajava os discentes a desenvolverem projetos que pudessem ter continuidade fora da universidade. 359 O impacto de seu trabalho foi reconhecido em premiações, como o Prêmio Cristina Tavares de Jornalismo do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco de 2008, categoria estudante no jornalismo impresso, no qual foi orientadora do melhor trabalho. Em 2000 foi orientadora da melhor Revista do Prêmio Intercom, edição nacional. Todo o percurso de Wilma Morais foi montado para trabalhar a linguagem jornalística e ensinar os estudantes a serem, acima de tudo, jornalistas humanos, atentos às necessidades sociais. Com a aposentadoria, em 2013, está praticando o que sempre desejou que os estudantes aprendessem: a escrita. Lançou um livro de crônicas chamado“Ambiente Familiar”, em coautoria com seu irmão. Principais publicações MORAIS, W. P.; MELO, C. T. V.; CAVALCANTI, F. G.; GOMES, I. M. A. M. Divulgação científica, ensino e pesquisa – o caso da UFPE. Ícone, Recife, PE, v. 1, n. 4, p. 73-91, 1999. MORAIS, W. P. Divulgação científica: público especializado ou público segmentado? Lumina, Juiz de Fora, MG, v. 2, n. 1, p. 89103, 1999. MORAIS, W. P. Comunicação& corrupção. 22. ed. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2011. 127 p. V. 1000. 360 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste ALINE GREGO Carla Teixeira Aline Maria Grego Lins nasceu em 2 de abril de 1960 em Recife (PE). É a quinta filha de Aline Grego Lins e José Estanislau Pedrosa Grego Lins. Tem sete irmãos. A maioria de sua formação foi feita em escolas públicas. Estudou em escolas privadas quando a família mudou de bairro: Colégio Maria Teresa. Aos 17 anos prestou vestibular para o primeiro curso de Jornalismo do Nordeste, o da Universidade Católica de Pernambuco. Começou a trabalhar no primeiro ano da faculdade como recepcionista em uma empresa, local onde havia estagiado e, depois, foi efetivada. Em seguida trabalhou em uma escola. Aos 19 anos foi convidada a trabalhar na Escola São Francisco de Assis, lecionando no maternal e primário. Graduou-se em Comunicação Social – Jornalismo – em 1981 na Universidade Católica de Pernambuco(UNICAP) e em Graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE1985), cursando quase simultaneamente ambos os cursos. Assim que concluiu este último, fez Magistério, curso voltado ao ensino de crianças, na Escola Pública Estadual Sylvio Rabelo. Jornalista e pedagoga, fez concurso público para o Estado e o município e passou a ensinar na Escola Estadual Coronel Castelar, depois na Escola Sylvio Rabelo e, paralelamente, na Escola Municipal José da Costa Porto, periferia do Recife. Por mais de dez anos trabalhou principalmente com a alfabetização de crianças. Fez Mestrado em Educação pela Fundação Getúlio Vargas-RJ(1993). A dissertação A alfabetização do olhar – uma experiência com 361 telejornais, foi orientada por Ana Maria Bianchi Baeta, e o Doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP-2000), quando desenvolveu a tese Processo de produção telejornalístico à luz da crítica genética, orientada por Cecília Almeida Salles. Marialva Barbosa, doutora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ/RJ), supervisionou seu Pós-Doutorado, quando produziu o e-book Percurso da indústria criativa em Pernambuco. Entre os anos de 1982 e 1987 atuou na TV Globo Nordeste. Nos dois anos seguintes na TV Pernambuco, e entre 1989 e 1996 na TV Jornal SBT, como repórter e editora. Na TV Globo foi redatora e eventualmente fazia reportagens para o TV Mulher local. Logo foi transferida para o departamento de jornalismo. Nos primeiros anos cobria esportes, cultura, política e cotidiano. Quando saiu da TV Globo foi convidada para a TV Pernambuco e trabalhou no programa Campo Livre. Foi convidada, então, para a TV Jornal, assumindo a editoria de esportes do Jornal do Meio-Dia. Ao assumir a editoria de esportes abriu mais espaço também para o esporte amador. A partir de 1988 tornou-se docente titular da Universidade Católica de Pernambuco. A combinação de telejornalismo e educação surgiu pela sua experiência com as crianças do Coque. A prática deu origem ao trabalho sobre a alfabetização do olhar desenvolvido no Mestrado, em 1991, e o Doutorado, em 1996. Além da docência, assumiu, na UNICAP, diversos cargos de gestão. Foi assessora do Departamento de Comunicação Social/coordenadora do curso de Jornalismo por quatro anos(2002 a 2005), coordenadora geral de Graduação por cinco anos(2007 a 2010) e, depois, Próreitora acadêmica no período de 2010 a 2018. Também foi diretora regional da Intercom Nordeste entre 2014 e 2017. Sua trajetória inclui premiações. Em 2021 recebeu da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) o troféu José Marques de Melo – Maturidade Acadêmica Regional. No ano de 2015 foi agraciada com a Medalha do Mérito Heroínas de Tejucupapo, da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB – Seção Pernambuco. Em 2012, Honra ao Mérito, pela Intercom. Em 2009, na 11ª Jornada de Iniciação Científica do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica(Pibic), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco(Facepe), 362 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste foi a orientadora do primeiro colocado na área de Ciências Sociais Aplicadas. De 2001 a 2003 as premiações chegaram por meio dos trabalhos de seus orientandos: vídeo na Expocom 2003, 8º Prêmio Cristina Tavares de Jornalismo – do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco – na categoria vídeo-documentário; prêmio do júri em 2001, no Festival de Documentários do Recife(Secretaria de Cultura do Município do Recife), pelo videodocumentário Olhinhos puxados; e Expocom, na categoria vídeo reportagem(2001). Em 2000 ficou entre os cinco primeiros lugares do Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, do Instituto Ayrton Senna, conquistado com o trabalho nas turmas de telejornalismo. Entre as publicações estão: A alfabetização do olhar, fruto de sua dissertação de Mestrado(1998); a série Mídia e cultura contemporânea: Série linguagem(2018), sendo a organizadora do terceiro volume; o texto O Typhis Pernambucano e a Confederação do Equador, publicado no livro História da imprensa no Brasil do Século XXI; o artigo O jornalismo recifense no século 20 nos registros de funcionários do Diário de Pernambuco: relações de categorias, gênero e poder, em coautoria, que integra o volume II de História de Pernambuco – novas abordagens(2021); Publicidade, eficiência e interesse público: análise da gestão da comunicação nas redes sociais do IFSC, em coautoria, no livro Gestão Pública: a visão dos técnicos administrativos em educação das universidades públicas e institutos federais; A questão do gênero nos suplementos literário e infantil dos jornais recifenses da primeira república, novamente em parceria, e Dispositivo fílmico e crítica social em doméstica, em coautoria, ambos publicados em Mídia e Cultura Contemporânea – Série Linguagens; Zita, mulher pernambucana, em parceria, no livro Radialismo no Brasil – cartografia do campo acadêmico – itinerário de Zita, a pioneira(2015). Aline atua na Graduação em Jornalismo e no curso Tecnológico em Fotografia da Universidade Católica de Pernambuco. Integrou a equipe responsável pela criação do primeiro Mestrado Profissional em Indústrias Criativas do país, na UNICAP, no qual foi docente de 2018 a 2025. Criou, em parcerias, o grupo de pesquisa Mídia e Cultura Contemporânea e fez parte do grupo de Crítica Genética da PUC São Paulo. Integra o grupo Indústrias da Mídia e Direitos Humanos – Medios –, também na UNICAP. Como gestora, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de PróReitora Acadêmica da Universidade Católica de Pernambuco e a 363 primeira mulher a assumir a Reitoria da UNICAP, algumas vezes, quando substituía interinamente o reitor. É uma das pioneiras na pesquisa sobre a relação entre a televisão e a educação, tema de seu Mestrado. É referência nos campos de estudos da mídia, história da imprensa, semiótica, educação midiática e indústrias criativas. Principais publicações AMARAL, T. L.; LINS, A. M. Grego. O jornalismo recifence no século 20 nos registros de funcionários do Diário de Pernambuco: relações de categorias, gênero e poder. In: SOARES, Thiago Nunes; SANTOS, Silvânia de Jesus Pina dos(org.). História de Pernambuco – novas abordagens. Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2021. p. 111-131. V. II. AMARAL, T. L.; LINS, A. M. Grego. A questão do gênero nos suplementos literário e infantil dos jornais recifenses da primeira república. In: FIGUEIRÔA, Alexandre; CARVALHO, Breno; ROCHA JR., Dario Brito(org.). Mídia e cultura contemporânea.(Série Linguagens). Porto Alegre: Editora FI, 2016. p. 113-131. FIGUEIROA, A.; LINS, A. M. Grego; BEZERRA, Cláudio; ROCHA, Maria Eduarda; BRITO, Y. C. F.; CAMPOS, A. P. Rastros de um processo de criação: o caso Lisbela e o Prisioneiro. In: FIGUEIRÔA, Alexandre; FECHINE, Yvana(org.). Guel Arraes: um inventor do audiovisual brasileiro. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 2008. p. 9-350. LINS, Aline Maria Grego. A alfabetização do olhar. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1998. LINS, Aline Maria Grego; LIRA, A. P. A. A imprensa recifense e a luta contra os regimes de exceção no século XX. In: MELO, José Marques de(org.). Síndrome da mordaça: mídia e censura no Brasil. São Bernardo do Campo, SP: Metodista Editora, 2007. LINS, Aline Maria Grego. O Typhis Pernambucano e a Confederação do Equador, publicado no livro Marialva Carlos Barbosa, Ana Paula Goulart e Antônio Hohlfeldt. História da imprensa no Brasil do Século XXI. 1. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2024. LINS, A. M. GREGO; MEDITSCH, E.; MELO, J. M.; PRATA, N.; MOREIRA, S. V. Zita, mulher pernambucana. In: MELO, José Marques de; PRATA, Nair(org.). Radialismo no Brasil – cartografia do campo acadêmico – itinerário de Zita, a pioneira. Florianópolis, SC: Insular, 2015. p. 163-175. 364 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste SALETT TAUK Mariana Ferreira Reis Maria Salett Tauk Santos nasceu em 4 de novembro de 1949 em Recife(PE). É a filha mais nova de Barbar Latouf Tauk e Veneranda dos Santos Tauk. Estudou no Colégio Damas(fundamental) e no Colégio Vera Cruz(curso Clássico). É casada, mãe e avó. Os estudos primário e secundário foram realizados em escolas cristãs exclusivamente para meninas. Fez toda a Graduação em Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco(UNICAP), entre 1968 e 1971, período atravessado pela ditadura militar. Nessa mesma universidade, mais tarde, teve sua iniciação na carreira docente, no mesmo curso de Comunicação Social. Nesta época atuou na coordenação de atividades culturais do Departamento de Comunicação Social, como congressos e seminários, e foi a primeira coordenadora da hemeroteca da UNICAP, instituição em que ficou até 1989. Seu Mestrado em Administração Rural e Comunicação Rural (CMACR) da Universidade Federal Rural de Pernambuco(UFRPE) foi realizado e defendido sob orientação de Roberto Benjamin. Fez parte da pioneira turma em 1979, defendendo a dissertação A ideologia do comunicador da rádio rural em 1982. Passou a tratar a comunicação rural indissociável da extensão rural na interdisciplinaridade com outras ciências, voltando suas pesquisas para a sistematização das trajetórias e modelos da comunicação para o desenvolvimento no Brasil e América Latina. Além disso, passa a teorizar esses temas alicerçados pelos estudos culturais, contribuindo com uma nova visão sobre a temática, como pode-se verificar em sua tese de Doutoramento em Ciências da 365 Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP) em 1994, sob orientação de Ismar Soares, intitulada“Igreja e pequeno produtor rural: a comunicação participativa do Programa CECAPAS/SERTA”. Na sua trajetória acadêmica na UFRPE, para a qual foi aprovada em concurso público em 1984, dedica-se também à gestão, com contribuições inovadoras a partir do Mestrado em Extensão Rural e Desenvolvimento Local(POSMEX), derivado do CMACR, no qual foi coordenadora de 2009 a 2012, e ainda criou a disciplina Comunicação e Culturas Populares. Foi pioneira ao idealizar, em 2009, a criação do Grupo de Pesquisa Comunicação e Desenvolvimento Regional e Local na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), grupo que coordenou até 2013 e no qual é uma das pesquisadoras mais ativas. Salett Tauk igualmente foi professora do Programa de Pós-Graduação em Consumo, Cotidiano e Desenvolvimento Social(PGDCS) da UFRPE e integrou o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Gestão em Educação a Distância da mesma instituição(2010-2013). Também atuou como coordenadora do Núcleo de Pesquisa Comunicação, Consumo, Tecnologia e Culturas Populares, como membro da equipe de coordenação do Observatório de Extensão Rural – Observater/UFRPE –, e é pesquisadora membro do Open Researcher and Contributor ID (ORCID), desenvolvendo uma profícua produção acadêmica e bibliográfica, palestras e orientação de dezenas de monografias, dissertações e teses. Principais publicações CALLOU, A. B. F.; TAUK SANTOS, M. S. Extensão rural, extensão pesqueira: estratégias de comunicação para o desenvolvimento. Recife: FASA, 2014. TAUK SANTOS, M. S.; CALLOU, A. B. F. Travessias acadêmicas das tecnologias de comunicação para o desenvolvimento. Recife: FASA, 2019. TAUK SANTOS, M. S. Comunicação para o desenvolvimento: redes da memória. Recife: CEPE, 2016. TAUK SANTOS, M. S. Inclusão digital, inclusão social? Recife: Bagaço, 2009. 366 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste TAUK SANTOS, M. Salett; MEIGS, D. F.; LOPES, M. I. V.(org.). Comunicação e informação: identidades e fronteiras. Recife: Bagaço, 2000. TAUK SANTOS, M. Salett; NOBREGA, L.(org.). Catálogo da pesquisa em comunicação em Pernambuco. Recife: UNICAP: UFPE: UFRPE, 1998. 367 YVANA FECHINE Cecília Almeida Rodrigues Lima Yvana Carla Fechine de Brito nasceu em 7 de dezembro de 1963 em Caicó(RN). É filha de Clenilza Fechine de Medeiros e de Alfredo de Medeiros Brito. Aos oito anos mudou-se com a família para Fortaleza(CE), onde cursou parte do 1º grau no Instituto João XXIII. Aos 12 transferiu-se para o Recife, estudando da 5ª a 8ª séries no Colégio Santa Terezinha e o 2º Grau no Colégio Radier. Em 1981 foi aprovada no curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco(UNICAP), e, quando concluiu a Graduação, em 1986, já acumulava experiências variadas em projetos de extensão e estágios em jornais, agências de publicidade e emissoras de televisão locais. Atuou como jornalista por mais de 12 anos em veículos como TV Globo(1987-1990), TV Jornal (1990), Jornal do Brasil(1990-1992) e O Globo(1992-1995). Foi contratada em 1988 como professora da UNICAP, onde deu aulas de telejornalismo até ingressar na Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), em 2005. Yvana fez Mestrado(1995-1997) e Doutorado(1998-2001) em Comunicação e Semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP). Durante o Mestrado passou a integrar o Centro de Pesquisas Sociossemióticas(CPS), ao qual permanece vinculada. Sua dissertação,“A enunciação no discurso videográfico: um estudo exploratório em vídeos do Festival Mundial do Minuto”, foi orientada por Amálio Pinheiro. O Doutorado foi sob orientação de Arlindo Machado, culminando na tese“Televisão e presença: uma abordagem semiótica da transmissão direta”. 368 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Entre 1996 e 2008 foi integrante da comissão organizadora do CPS, trabalhando com a diretoria executiva na organização de cursos, eventos e publicações, como os Cadernos de Discussão e os Documentos de Estudo. Além do CPS, em seu período na PUC-SP também atuou na equipe da Revista Galáxia. Tomou posse como professora do Departamento de Comunicação Social(DCOM) da UFPE em 31 de outubro de 2005. Na Graduação ministra disciplinas destinadas ao curso de Jornalismo, com ênfase às disciplinas de telejornalismo(Introdução à televisão, Telecinejornalismo e Técnica de Reportagem e Entrevista). Quando lecionou a disciplina de Edição(jornal-laboratório), coordenou e orientou a produção de um jornal para a comunidade do Coque, com participação dos jovens moradores do Bairro, lançado em 2006 e conquistando o Prêmio Caixa de Jornalismo Universitário 2007. Ele também foi o embrião do Coque Vive, uma rede de projetos de extensão que envolvia professores, alunos e egressos de outros Departamentos da UFPE, um espaço de articulação social da Universidade com entidades da sociedade civil. Em poucos meses na instituição juntou-se ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM), vinculado à Linha de Pesquisa Mídia, Linguagens e Processos Sociopolíticos e ao grupo de pesquisa Comunicação e Discurso. Orienta dissertações de Mestrado e teses Doutorado predominantemente focadas nas áreas de linguagens audiovisuais, transmidiação, linguagem no telejornalismo, semiótica e mídias, educação para as mídias, entre outros temas. Também publicou e coorganizou livros como“O Fim da Televisão”(2014) e“A linguagem da reportagem”(2021). Em 2007 participou da criação da Rede de Pesquisadores de Ficção Televisiva, Obitel Brasil, da qual foi pesquisadora até 2021. Durante sua coordenação da equipe Obitel da UFPE, dedicou-se à discussão dos fenômenos da convergência midiática e da transmidiação, com foco em telenovelas e séries de televisão brasileiras. Alguns trabalhos tornaram-se referência nos estudos de transmídia, a exemplo do texto“Como pensar os conteúdos transmídias na teledramaturgia brasileira? Uma proposta de abordagem a partir das telenovelas da Globo”, de 2013. Yvana foi bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) entre 2017 e 2023, coordenando projetos de pesquisa relacionados à televisão e plataformas digitais, orientados pela sua atuação 369 no Obitel. Desenvolve projetos que discutem a produção de desinformação no contexto da pandemia da Covid-19 e o fenômeno dos populismos digitais. Este último,“Processos interacionais e redes sociais no populismo digital: contribuições da semiótica à comunicação”, foi motivado pelo período de PósDoutorado realizado junto a Eric Landowski na Universidade de Limoges, em 2019. O resultado mais significativo do projeto foi o livro“Um bufão no poder: ensaios sociossemióticos”(2022), escrito em coautoria com Paolo Demuru. O ponto de virada em suas temáticas provavelmente foi a criação do projeto de extensão“Fora da Curva”, em 2017, programa jornalístico de entrevistas, veiculado ao vivo pela rádio Universitária FM 99,9. Também em 2017 coordenou o Grupo de Trabalho que transformou a rádio Universitária AM 820 em uma rádio escola, que, sob novo regimento e denominação – Rádio Universitária Paulo Freire –, fez sua primeira transmissão em 2019. Nela, integra a equipe gestora colegiada, além de colaborar com a produção jornalística e supervisionar a equipe responsável pelo“Manda no Zap”, spots informativos e educativos dirigidos aos territórios periféricos, projeto agraciado duas vezes com o prêmio Rubra de Rádio Universitário(2021 e 2022), promovido pela Rede Brasileira de Rádios Universitárias e pelo Grupo de Pesquisa Convergência e Jornalismo(Conjor). Desde 2012 Yvana Fechine é coordenadora do Laboratório de Imagem e Som(LIS), espaço de ensino-aprendizagem no qual são desenvolvidas produções em áudio e vídeo integradas às atividades dos cursos vinculados ao DCOM(Jornalismo; Publicidade e Propaganda; Rádio, TV e Internet; Cinema e Audiovisual). Integra, desde 2014, o Núcleo Docente Estruturante(NDE) de Jornalismo, e nele participou ativamente da elaboração do novo Projeto Pedagógico de Curso(PPC). Dessa forma, o compromisso de Yvana com a formação de estudantes de Graduação e Pós-Graduação vai além da sala de aula, estendendo-se por projetos de extensão e pelas funções administrativas que assumiu ao longo de sua atuação profissional. Principais publicações BRASIL. Resolução 87/2011, do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão(Consepe). 2011. 370 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste BRASIL. Resolução 24/77, de 24 de março de 1977, do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão(Consepe). 1977. FECHINE, Yvana; DEMURU, Paolo. Um bufão no poder. Ensaios sociossemióticos. 1. ed. Rio de Janeiro: Confraria do Vento, 2022. FECHINE, YVANA; ABREU E LIMA, Luisa. A linguagem da reportagem. Recife: Editora da Universidade Federal de Pernambuco – EdUFPE, 2021. FECHINE, Yvana.; CARLON, Mário(org.). O fim da televisão. 1. ed. Rio de Janeiro; Recife: Confraria do Vento: Editora Universitária, 2014. FECHINE, Yvana; GOUVEIA, Diego; ALMEIDA, Cecília; COSTA, Marcela; ESTEVAO, Flávia. Como pensar os conteúdos transmídias na teledramaturgia brasileira? Uma proposta de abordagem a partir das telenovelas da Globo. In: LOPES, Maria Immacoltada Vassallo de(org.). Estratégias de transmidiação na ficção televisiva brasileira. Porto Alegre: Sulina, 2013. FECHINE, Yvana; SQUIRRA, Sebastião(org.). Televisão digital: desafios para a comunicação. Porto Alegre: Sulina, 2009. FECHINE, Yvana. Televisão e presença: uma abordagem semiótica da transmissão direta. 1. ed. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008. FIGUEIRÔA, Alexandre; FECHINE, Yvana; MOTA ROCHA, Maria Eduarda; BEZERRA, Claudio; GREGO, Aline; CAMPOS, Ana Paula. Guel Arraes, um inventor no audiovisual brasileiro. Recife: Companhia Editora de Pernambuco – CEPE, 2008. 371 NELLY CARVALHO Izabela Domingues e Roberta Caiado Nelly Medeiros de Carvalho nasceu em 26 de julho de 1935 em Recife(PE). É filha de Aldemar Antunes de Medeiros e Emília Ramos de Medeiros. Estudou nos colégios Damas e Vera Cruz, em Recife. Ela teve quatro filhos: Teresa, Roberto, Ricardo e Sílvia, e seis netos: Bernardo, Raphael, Victor, Filipe, Luana e Alice. Na Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) fez seu curso de Graduação em Letras(1957), seguido pelo Mestrado em Letras na UFPE(1982), orientada por José Brasileiro Vilanova, defendendo a dissertação“Neologismos na linguagem jornalística recifense”. O Doutorado também foi em Letras na UFPE(1993), e sua tese intitulou-se“Léxico da publicidade”, orientada por Francisco Gomes de Matos. Nelly teve uma extensa trajetória profissional nos campos da Linguística e da Comunicação, com ênfase em Lexicologia, Publicidade e Propaganda e História da Língua Portuguesa. Sua experiência profissional começa em 1975, atuando como professora do Estado, ministrando a disciplina de Língua Portuguesa, atividade que exerceu até 1986. Entre 1985 e 1986 foi nomeada para trabalhar no Ministério da Educação(MEC). Após outras atividades, iniciou, em 1988, sua carreira no magistério superior no Departamento de Letras da UFPE. Na Europa, ministrou o curso de Publicidade Comparativa entre Brasil e França na Sorbonne Nouvelle em 2002. Retornou à UFPE, onde permaneceu até 2014, quando se aposentou. Mesmo após aposentar-se continuou na docência, lecionando nos cursos de Mestrado e Doutorado no 372 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem(PPGCL) da Universidade Católica de Pernambuco(UNICAP). A presença inspiradora de Nelly, cuja dedicação à docência, à pesquisa e à formação de professores marcou a vida cultural de Pernambuco por mais de 50 anos, não se limitou às salas de aula, expandindo-se para a construção de uma comunidade acadêmica comprometida com o estudo da linguagem, da lexicologia e do discurso, sempre com sensibilidade e rigor intelectual. Em vida, recebeu uma homenagem da Unicap que sintetiza o reconhecimento da sua relevância: a XXI Semana de Estudos Linguísticos e Literários – Entre Palavras, Textos e Discursos, a Presença de Nelly Carvalho, realizada de 22 a 24 de maio de 2018 pelo curso de Letras em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem. O evento promoveu diálogos entre estudos linguísticos, literários e múltiplas linguagens a partir de suas contribuições teóricas e pedagógicas, reafirmando a centralidade de sua obra e de sua influência no campo dos estudos linguísticos. Nelly formou gerações de pesquisadores e sua marca permanece viva nos orientandos que se tornaram referências acadêmicas. Entre os nomes mais significativos destacam-se aqueles e aquelas que seguiram produzindo na interface entre linguagem, lexicologia e discurso, bem como todos e todas que seguiram os estudos de Publicidade e Propaganda. Em 2025 o PPGCL da Universidade Católica de Pernambuco recebeu de sua família a doação do acervo pessoal de seus livros, os quais farão parte do Acervo Nelly Carvalho na biblioteca interna do Programa. Nelly permanece na memória acadêmica nacional por meio dos livros publicados, dos projetos de pesquisa desenvolvidos e, sobretudo, na formação crítica e ética de seus alunos e alunas. Sua obra e sua atuação projetam-se para além de sua trajetória pessoal, integrando-se à própria história das instituições em que atuou e com as quais dialogou, e ao compromisso com a excelência na formação humana e acadêmica. Alegre, bem-humorada e sempre muito dinâmica, Nelly também atuou na Universidade Frassineti(Faculdade no Recife, PE), integrou o Conselho Estadual de Educação, foi colunista do Jornal do Commercio e membro de comissão da Companhia Editora de Pernambuco(CEPE). 373 Ela foi a primeira Professora Emérita da Universidade Federal de Pernambuco(2014), onde atuou por mais de 30 anos no Departamento de Letras. Integrante da Academia Pernambucana de Letras(APL), ocupou a cadeira de número 26, de 2015 a 2024, ano em que faleceu, aos 88 anos, no Hospital Memorial Star, no Recife. Principais publicações CARVALHO, N. M. Publicidade, a linguagem da sedução. São Paulo: Editora Ática, 1996. CARVALHO, N. M. O batistério publicitário. Alfa, São Paulo, ILCSE: UNESP, v. 42, p. 57-70, 1998. CARVALHO, N. M. O discurso publicitário. Comunicação. Veredas, UNIMAR, v. 1, n. 3, p. 207-222, 2004. CARVALHO, N. M. Carga cultural partilhada: usos no discurso publicitário no Nordeste. Investigações, Recife, v. 17, n. 2, p. 129140, 2005. CARVALHO, N. M. O texto publicitário na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2014. CARVALHO, N. M. Neologismos populares no vocabulário do Nordeste. In: SEDRINS, Adeilson Pinheiros; SÁ, Edmilson José de (org.). Aspectos descritivos e sociohistóricos da língua falada em Pernambuco. Recife: EDUFRPE: FACEPE, 2015. 374 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste CRIS TEIXEIRA Lívia Valença da Silva Cristina Teixeira Vieira de Melo nasceu em 1º de setembro de 1968 em Recife(PE). É filha de Laécio Vieira de Melo e Ilda Carmem Teixeira Vieira de Melo. Cursou o 1º Grau no Colégio Estuda e o 2º Grau no Colégio Contato. Cursou o Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), terminado em 1990. Desde então suas áreas de atuação têm sido Ciências Sociais Aplicadas; Linguística, Letras e Artes; e Ciências Humanas. O Mestrado foi cursado em Linguística na UFPE em 1993, como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), defendendo, sob a orientação de Luiz Antônio Marcuschi, a dissertação“As revistas semanais, o Esopo moderno”. No Doutorado em Linguística, pela Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) e sob a orientação de Sírio Possenti, defendeu a tese“Cartas à redação, uma abordagem discursiva” em 1999. Em 2018, no seu Pós-Doutoramento em Comunicação, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Escola de Comunicação (PPGCOM/ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), realizou a pesquisa“Novas formas de morrer no contemporâneo: regularidades, contradições e interdições do discurso paliativista na TV”, sob a supervisão de Paulo Vaz. 375 Sua vida acadêmica como docente iniciou-se em Brasília(DF), quando lecionou no Centro de Ensino Unificado de Brasília(CEUB), entre os anos de 1992 e 1995, ministrando as disciplinas de Língua Portuguesa na Graduação de Relações Públicas e de Jornalismo. Em 1995, de volta a Recife(PE), ensinou em cursos de aperfeiçoamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial(Senac), disciplinas como Comunicação Verbal e Não verbal e Comunicação e Artes até o ano de 1998. Desde 1997, como professora substituta da UFPE e, a partir de 2002, como professora efetiva, Cris vem ministrando disciplinas na Graduação de Comunicação Social, tais como Redação para Rádio, para TV, Linguística, Direção e Produção de Programas, além de orientar Projetos Experimentais. Em 1999 começou a lecionar na Pós-Graduação em Comunicação – PPGCOM/UFPE –, ministrando disciplinas nas áreas de Análise do Discurso, Mídia e Argumentação e Tópicos Avançados em Bakhtin, por exemplo. Durante sua carreira lecionou em vários cursos de Especialização, sempre com disciplinas como Linguística; Texto e Construção de Sentido; Estudos Discursivos; e Identidade Cultural; além de orientar monografias. Atuou como coordenadora do curso Rádio, TV e Internet, entre os anos de 2003 e 2005. Ademais, foi, algumas vezes, membro da Comissão da Seleção do Mestrado PPGCOM/UFPE, avaliadora do Congresso Nacional de Iniciação Científica(Conic), do Congresso de Graduação da UFPE(Congrad), do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica e organizadora do Seminário Metodologias e Objetos da Comunicação. Desde 2003 é representante do Centro de Artes – CAC/UFPE – na comissão interna do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica(Pibic). Coordenou Grupos de Trabalhos(GT), além de ter participado da Comissão de Avaliação de Redação do Vestibular da UFPE por vários anos e ter composto bancas de concursos públicos nas áreas de Edição e Finalização para Cinema e Roteiro para Cinema e Audiovisual, tanto na UFPE quanto na Universidade Federal da Paraíba(UFPB). Ela desenvolve projeto de extensão universitária chamado Pontão de Cultura UFPE – trata-se da Rede de Integração e Acompanhamento dos Pontos de Cultura de Pernambuco –, em que atua, desde 2006, coordenando a produção dos programas de rádio e TV do Pontão de Cultura UFPE. Este é um projeto ligado ao Ministério da Cultura (Minc). Desde 2007 coordena o projeto de produção de vídeos 376 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste educativos da Universidade Aberta do Brasil(UAB) e a transposição dos seus conteúdos didáticos para o ambiente web. Cris atua como membro do Corpo Editorial do periódico Linguagem em(Dis)curso, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Universidade do Sul de Santa Catarina(Unisul) desde 2012; e da Revista Devires – Cinema e Humanidades, dos Programas de Pós-Graduação de Comunicação e Antropologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais(FAFICH-UFMG) desde 2007. Em 2000 Cris Teixeira recebeu o Prêmio da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), e, em 2002, o Prêmio Intercom de Incentivo à Pesquisa de Graduação em Comunicação Social – Iniciacom/Professor orientador. Desde 2020 coordena a pesquisa“Regimes de verdade, mídia e pandemia”, acerca das disputas nos campos cada vez mais polarizados da contemporaneidade, sobretudo em meio ao contexto pandêmico e à crise de verdade. Trata-se de um projeto guarda-chuva com a colaboração de pesquisadores do Mestrado e Doutorado do PPGCOM/UFPE. Cris orientou trabalhos e participou de inúmeras bancas de Mestrado e Doutorado nas áreas de análise do discurso jornalístico e publicitário, práticas documentárias, jornalismo cultural, estratégias narrativas e audiovisual, fotografia, identidade de gênero e comunicação comunitária. Na Pós-Graduação atuou como banca nas áreas de Linguística e Letras; Saúde da Criança e do Adolescente; Saúde Pública; Mídias da Educação; e Educação, Design e Tecnologias da Informação e da Comunicação. Atuou como organizadora na Enciclopédia Intercom de Comunicação: Dicionário brasileiro do conhecimento comunicacional – conceitos – Vol. 1, em 2010. Com publicação extensa dentro do seu escopo de atuação, a professora titular da Universidade Federal de Pernambuco, Cristina Teixeira Vieira de Melo, é uma das destacadas pesquisadoras da área de comunicação do Nordeste. Principais publicações MELO, Cristina Teixeira Vieira de. Cidade dos homens, a periferia no universo do visível. In: PRYSTHON, Ângela(org.). Imagens da 377 cidade, espaços urbanos na comunicação e cultura contemporâneas. Porto Alegre: Sulina, 2006. p. 54-75. MELO, Cristina Teixeira Vieira de. O documentário como gênero audiovisual. Comunicação& Informação, Goiânia: UFG, v. 5, n. 1/2, p. 23-38, 2002. Disponível em: https://revistas.ufg.br/ci/article/ view/24168/14059. Acesso em: 10 jan. 2024. MELO, Cristina Teixeira Vieira de. Um novo regime da morte na TV. E-Compós, Brasília, v. 20, p. 1-20, 2017. MELO, Cristina Teixeira Vieira de; VAZ, Paulo. E a corrupção coube em 20 centavos. Galáxia, PUC-SP, v. 39, p. 23-38, 2018. MELO, Cristina Teixeira Vieira de; VAZ, Paulo. Guerras culturais. Revista ECO-PÓS, on-line, v. 24, p. 1-40, 2021. 378 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste IRENILDA LIMA Mariana Reis Irenilda de Souza Lima nasceu em 14 de agosto de 1954 em Recife (PE). É filha de Nathanael de Souza Lima e Jael Ribeiro de Lima. Frequentou o antigo primário(Ensino Fundamental I) na Escola Rotary do Alto do Pascoal, no bairro periférico de Água Fria. No ginasial(Ensino Fundamental II) estudou no Ginásio Industrial Feminino do Recife, atual Colégio Oliveira Lima. O ensino científico (Ensino Médio) foi realizado no Colégio Estadual de Recife e na Escola Estadual Sizenando Silveira. Irenilda ingressou no curso superior em 1974, na Universidade Federal Rural de Pernambuco(UFRPE), onde cursou Medicina Veterinária. Nesse mesmo ano participou do Projeto Rural promovido pela UFRPE/Projeto Rondon. Nesse contexto, realizou um estágio na cidade de Santa Maria da Boa Vista, acompanhando o trabalho de Extensão Rural a partir de estratégias de comunicação em processos de educação não formal junto a agricultores familiares da região e da margem do Rio São Francisco. Sua primeira experiência na docência foi em 1980. Morando em São Luís de Montes Belos(GO), e sem formação pedagógica, por necessidade do sistema educacional local assumiu como professora de Biologia. No ano de 1984 iniciou o curso de Mestrado em Administração Rural e Comunicação Rural, também na UFRPE, no qual desenvolveu dissertação sobre inovação curricular e comunicação organizacional numa escola agrícola de Pernambuco. Fez Licenciatura em Ciências Agrícolas na mesma instituição, cuja conclusão foi em 1988. Nesse período, de 1984 a 1986, foi professora da Rede Estadual de 379 Pernambuco, ensinando na Escola Augusto Gondim, em Goiana, onde lecionava no curso Técnico Agrícola. No ano de 1985 ingressou na UFRPE, no corpo técnico administrativo e, em 1992, obteve aprovação no cargo de professora de Metodologia do Ensino Agrícola, atuando em disciplinas associadas à formação de professores. Na universidade assumiu várias coordenações de cursos de Graduação – Licenciaturas em Ciências Biológicas, Física e Licenciatura em Ciências Agrícolas –, este último do qual foi egressa. Entre 1998 e 2002 realizou Doutorado em Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(ECAUSP), no qual desenvolveu tese sobre Mídia Educação no Ensino Agrícola em Pernambuco. Durante o período do Doutoramento interessou-se por várias áreas de conhecimento concernentes ao campo dos estudos da comunicação, como: Educomunicação, Comunicação Contextualizada, Folkcomunicação, Culturas Populares, Comunicação Científica e, ainda, cursou disciplinas na Faculdade de Educação da USP(FEUSP). Articulou a comunicação como um princípio da didática, incluindo as novas formas de ensinar e aprender e o conceito de escola digital, além de Mídia Educativa e uso dos vídeos nas escolas agrotécnicas estaduais. Em 2008 realizou seus estudos de Pós-Doutoramento no Institut National de la Recherche Agronomique(INRA), na França, onde trabalhou com a Pedagogia da Alternância a partir das vivências com movimentos sociais do campo e extensão rural e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST), como a Pedagogia da Terra. Desde 2017 é professora titular na UFRPE. Foi professora do Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural e Desenvolvimento Local(Posmex), Mestrado stricto sensu, dessa mesma universidade, tendo igualmente exercido o cargo de coordenadora deste Mestrado entre 2013 e 2017. Ainda no campo da comunicação, contribuiu orientando dissertações dessa temática na linha de pesquisa Políticas e Estratégias de Comunicação do Posmex, bem como atuou em diversas bancas de defesa de dissertação na referida área. Irenilda Lima conta com uma profícua produção de artigos, capítulos de livros, apresentações orais e publicações que englobam os estudos da comunicação em sua interface com a comunicação popular e a extensão rural. Ela também participou ativamente como 380 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste associada de grupos de pesquisa e associações como Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) e Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas em Comunicação(Socicom). Principais publicações LIMA, I. S. Comunicação e inteligências conectadas na educação do campo. In: COSTA, Maria Aparecida Tenório Salvador da(org.). Educação do campo: questões teórico-metodológicas. 1. ed. Olinda: MXM Gráfica e Editora, 2016. p. 31-50. V. 1. LIMA, I. S.; MOURA, R. V. Pensamento comunicacional na extensão rural do Brasil: desenvolvimento local, cultura popular e tecnologia. In: MARCOS, Luís Humberto Marcos(org.). Travessias comunicacionais. 1. ed. Ilha da Madeira: AssiBercom: ISMAI, 2013. p. 1543-1554. V. II. 381 ANGELA PRYSTHON Rodrigo Almeida Angela Freire Prysthon nasceu em 27 de fevereiro de 1968 em Recife(PE). É filha de Walter e Cecília Prysthon e casada com Alfredo Cordiviola. Estudou na maior parte de sua infância e adolescência no Colégio Nossa Senhora do Carmo, em Recife. Angela ingressou no curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) em 1985, optando pela recémcriada habilitação em Jornalismo. Concluiu a Graduação em 1989, apresentando a monografia“No percurso das linguagens. Estudos sobre crítica”, pesquisa orientada por Wilma Morais. Em 1990 ingressou no Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da UFPE, na linha de Teoria Literária, e tornou-se mestra em 1993 com a dissertação“Absolute Beginners. Circunstâncias e algazarra na ficção pop do Brasil dos anos 80”, sob a coorientação de Michel Zaidan, pois Sebastien Joachim encontrava-se afastado. Nesse mesmo ano passou no concurso para professor auxiliar e começou a dar aulas na UFPE, ministrando, inicialmente, Teoria da Comunicação para diferentes cursos. No ano seguinte obteve o afastamento para realizar Doutorado na School of Critical Theory da University of Nottingham, no Reino Unido, sendo orientada por Bernard McGuirk e vinculando-se aos programas de Teoria Crítica e de Estudos Hispânicos. Estudos culturais e pós-coloniais e as revisões da Teoria da Crítica, embasaram sua tese“Cosmopolitismos periféricos. Aspectos cosmopolitas no pós-modernismo brasileiro dos anos 80 e 90”, material que, em 2002, foi reorganizado e publicado como livro, sob 382 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste o título de“Cosmopolitismos periféricos. Ensaios sobre modernidade, pós-modernidade e Estudos Culturais na América Latina”. De volta ao Brasil, entre outras atividades, foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE(20002003); vice-presidente da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós-2005-2007); coordenadora do curso de Cinema da UFPE(2008-2010), em que atuou desde a concepção, elaboração do projeto pedagógico e efetivação, e foi presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual(Socine-2017-2019). Angela é bolsista de Produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) desde 2006. Fez parte da comissão de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) em 2013 e foi membro do comitê de assessoramento do CNPq entre 2018 e 2021. Integrou a comissão de organização do XII Encontro da Compós em 2003 e do 14º Encontro da Socine em 2010. Atuou como jurada em diferentes eventos de cinema, como no I Janela Internacional de Cinema do Recife(2008), na 19ª Mostra de Cinema Tiradentes(2016), no 50º Festival de Cinema de Brasília (2017) e no III Festival Internacional de Cinema BRICS(2018). Realizou Pós-Doutorado na Universidade de Southampton, Reino Unido(2012-2013), relacionando o cinema britânico a partir da leitura do espaço urbano, e na Universidad Nacional de Córdoba, Argentina(2022-2023), pesquisando a experiência da pandemia para compreender as relações entre os seres e os espaços que os circundam no cinema e nas artes visuais. Participou da criação, apoio e manutenção do Cineclube Dissenso, espaço semanal de exibição, encontro e discussão de filmes, que movimentou a cena cinéfila do Recife na UFPE e na Fundação Joaquim Nabuco entre 2008 e 2014. No Departamento de Comunicação Social salienta-se sua atuação na disciplina de Comunicação Comparada ao tratar de importantes autores do estudo das culturas contemporâneas. Angela destaca-se em suas pesquisas sobre cinema e as cidades e cinema e paisagem, temas que aparecem também por intermédio de fotografias produzidas em diferentes lugares do mundo. Vale ressaltar sua contribuição na defesa de relevância teórica e prática de aspectos estéticos e identitários, considerados por muito tempo 383 menores na academia, tanto no campo de análise crítica, levando em conta marcadores de raça, território, sexualidade e gênero, quanto pela afeição ao campo da frivolidade, do kitsch e camp, da sensibilidade do banal, da noção de nostalgia na cultura pop, das potências do artifício, entre outros. Dentre suas principais contribuições para a área da Comunicação, destaca-se seu percurso por meio de análises sobre diferentes linguagens, em especial o cinema, o audiovisual, a música, a literatura e as artes visuais. Angela sempre nutriu um olhar aguçado sobre a paisagem urbana, inicialmente partindo da cidade do Recife, depois seguindo para os espaços contemporâneos na construção do real no Nordeste Brasileiro, em seguida expandido para a experiência urbana nas cidades latino-americanas, passando pela experiência estética, pelas imagens periféricas, pelo Terceiro Cinema, sempre em diálogo com uma produção cinematográfica de diferentes lugares do mundo. Principais publicações PRYSTHON, Angela. Recortes do mundo. Espaço e paisagem no cinema. 1. ed. Campinas: Pontes, 2023. PRYSTHON, Angela. Retratos das margens. Do terceiro cinema ao cinema periférico. 1. ed. Campinas: Pontes, 2022. PRYSTHON, Angela. Furiosas frivolidades: artifício, heterotopias e temporalidades estranhas no cinema brasileiro contemporâneo. Revista Eco-Pós, on-line, v. 18, p. 66-74, 2015. PRYSTHON, Angela. Utopias da frivolidade. 1. ed. Recife: Cesarea, 2014. PRYSTHON, Angela. Cosmopolitismos periféricos. Ensaios sobre modernidade, pós-modernidade e estudos culturais na América Latina. 1. ed. Recife: Edições Bagaço, 2002. 384 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste NERIVANHA BEZERRA Gabriela Bezerra Lima Nerivanha Maria Bezerra da Silva nasceu em 23 de março de 1954 em Caruaru(PE). Foi a terceira filha, entre sete, de Sabino Bezerra e de Josefa Bezerra. Seu nome foi registrado errado, seria Nerivania, como é chamada. Sua formação escolar foi realizada na Escola Vicente Monteiro e no Colégio Diocesano de Caruaru. Aos 16 anos, em 1970, mudou-se de Caruaru para o Recife. Influenciada pelo cenário cultural da capital, em 1974 ingressou na Graduação em Comunicação Social no Centro Educativo de Comunicação Social do Nordeste(Fundação Cecosne), em convênio com a Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), e em 1979 formou-se nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. No ano seguinte concluiu a Especialização em Comunicação em Educação na Faculdade Frassinetti(FAFIRE). Começou a dedicar-se à fotografia para registrar paisagens, festejos, objetos, mas tinha um olhar para o registro de pessoas em situações coloquiais. Nos anos seguintes trabalhou como fotógrafa freelancer, realizando registros para as atividades da Fundação Cecosne, sob a direção da irmã Escobar Duarte, e outras produções culturais da cena recifense. Em 1992, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), iniciou seu Doutorado na Faculdad de Bellas Artes da Universidad de Barcelona(Espanha), defendendo, em 1997, a tese Reflejos de la imagen – una propuesta de curso para la enseñanza de la fotografía, orientada por Maria Dolors Tapies. Em 1996 foi aprovada no concurso para professora adjunta do Departamento de Comunicação Social da UFPE. Foi docente nos 385 cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Rádio e Televisão. Atuou como chefe do Departamento de Comunicação Social da UFPE de 1998 a 2000, e foi membro do Colegiado Superior do Centro de Artes e Comunicação da mesma Universidade. Foi membro da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom) e da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós). Em 2001 ingressou como docente no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE. Foi orientadora em vários projetos de pesquisa de Graduação e Pós-Graduação, sendo a sua principal contribuição para o campo da comunicação a propagação do programa pedagógico proposto em sua tese de Doutorado, que está estruturado com base no conceito de“Equivalência”, do fotógrafo norte-americano Minor White. Na sua prática pedagógica saía com os alunos para fotografar em ambientes abertos, com conteúdos prévios(estímulo-pauta) para que fossem“traduzidos” em imagens fotográficas. É importante ressaltar sua contribuição nos projetos de Extensão, atuando em diversas causas, como o Movimento Pró-Criança, da Arquidiocese de Olinda e Recife. Constata-se que o modelo de ensino proposto por ela foi empregado na formação de diversos fotógrafos profissionais no Estado de Pernambuco, fazendo-a uma referência no ensino humanizado e sensível da fotografia como expressão pessoal e social. Nerivanha faleceu em 9 de março de 2008, vítima do câncer de mama, deixando um legado como competente chefe de Departamento, professora e pesquisadora dedicada ao aperfeiçoamento do ensino da fotografia como expressão social. Principais publicações BEZERRA, Nerivanha Maria. Reflejos de la imagen – una propuesta de curso para la enseñanza de la fotografía. 1997. Tese(Doutorado em Fotografia) – Universidad de Barcelona, Faculdad de Bellas Artes, Barcelona, 1997. LIMA, Cláudia Albuquerque de; SILVA, Nerivanha Maria Bezerra da. Representações em imagens equivalentes. Disponível em: https:// sapientia.ualg.pt/bitstream/10400.1/10435/1/biblioteca_726%20 %281%29.pdf. Acesso em: 27 maio 2023. 386 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste KARLA PATRIOTA Soraya Barreto Januário e Marcela Costa Karla Regina Macena Pereira Patriota nasceu em 18 de junho de 1969 em Recife(PE). É a filha mais velha, de três irmãos, de Neide Macena Pereira e Carlos Luiz Pereira dos Santos, e é mãe de Marcela e Davi. Estudou nos Colégios São João, Salesiano e Contato. Participou de concurso organizado pela Biblioteca Pública Estadual Presidente Castelo Branco com a história chamada“O índio medroso”, com a qual ganhou o primeiro lugar com direito à publicação do livro e uma tarde de autógrafos. No ano seguinte inscreve outra história, essa baseada em um sonho:“Um mundo sem Deus”, e mais uma vez leva o prêmio para casa. Karla conquistou 18 vezes o Prêmio de Mídia do Estadão de São Paulo, dos quais cinco deles foram na categoria Mérito, por sua contribuição no mercado de mídia e na orientação de estudantes com trabalhos voltados ao planejamento e pesquisa de mídia, e três vezes com prêmios profissionais, decorrentes de pesquisas e planejamentos executados por ela e sua equipe. Por fim, recebeu 10 prêmios na categoria estudante, com trabalhos sob sua orientação. Graduou-se em Relações Públicas pela Universidade Católica de Pernambuco(UNICAP-1987-1990). Durante a Graduação desenvolveu, como projeto experimental, um plano de comunicação para a Ordem dos Advogados de Pernambuco, orientada por Isaltino Bezerra. Também é graduada em Teologia pelo Seminário Anglicano de Estudos Teológicos(1997-2000). Foi sócia fundadora da Agência de Publicidade Enfoque Comunicação Marketing e Eventos(1994-1999). 387 Em sua jornada acadêmica ingressou no Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) no ano de 2001, tendo defendido a dissertação “O fenômeno do marketing religioso: análise do discurso da Igreja Renascer em Cristo”, orientada por Cristina Teixeira. Em 2004 ingressou no Doutorado, mas, desta vez, no Programa de PósGraduação em Sociologia. A pesquisa intitulada“O show da fé: a religião na sociedade do espetáculo – um estudo sobre a Igreja Internacional da Graça de Deus e o entretenimento religioso brasileiro na esfera midiática”, foi defendida em 2008, orientada por Roberto Mota. Foi pioneira no âmbito do Departamento de Comunicação da UFPE ao estudar a religião a partir da perspectiva de consumo e da mídia, o que também foi tema do seu PósDoutorados na Cambridge University(2013), no Reino Unido e na Universidade da Beira Interior, em Portugal(2022). O início de sua carreira profissional foi como servidora pública aos 18 anos, quando atuou por 14 anos entre a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos(EMTU) e o Tribunal de Justiça de Pernambuco(TJPE). Sua trajetória no mercado publicitário começa quando pede a exoneração do TJPE e funda a Agência Enfoque, citada anteriormente. Sua primeira experiência docente foi como substituta na Escola Superior de Relações Públicas(ESURP), mas foi na Universidade Salgado de Oliveira, entre 2002 e 2008, que desenvolveu a carreira de docente no Ensino Superior, tendo sido, também, coordenadora do curso de Publicidade e Jornalismo na instituição. Teve passagens na UNICAP, Faculdade Boa Viagem e Faculdade Pernambucana. Em 2008 ingressou na UFPE, no Departamento de Comunicação, voltada para o curso de Publicidade e Propaganda. Em 2009 inicia sua jornada como professora e pesquisadora do Programa de PósGraduação em Comunicação da UFPE(PPGCOM-UFPE), com enfoque em pesquisas sobre Mídia, Consumo e Religião. No mesmo ano tornou-se sócia da Denker Consultores Associados, dando seguimento a seu perfil híbrido, prestando consultorias de pesquisa acadêmica ao mercado. Karla contribui como membro do colegiado de Publicidade e do Núcleo Docente Estruturante do curso há vários anos, e coordena, desde 2010, um projeto integrador de extensão universitária que atende instituições sem fins lucrativos e oferece planejamento de comunicação, campanha e de mídia. Tem ministrado as disciplinas 388 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste de Mídia e Planejamento de Campanha, dentre outras. Foi líder do Grupo de Pesquisa Publicidade nas Novas Mídias e Narrativas de Consumo, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), de 2008 a 2016. É líder do Grupo de Pesquisa do CNPq Religião, Comunicação e Consumo. É, ainda, coordenadora do curso de Graduação em Publicidade e Propaganda da UFPE(2023-2025). Karla é conselheira do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária(Conar), órgão que fiscaliza as questões éticas das propagandas publicitárias no Brasil, tendo atuado nas 6ª e 8ª regiões. Do ponto de vista do mercado, possui ampla experiência em pesquisa, planejamento de mídia, de campanha e de comunicação, bem como em publicidade para o poder público, prestando consultorias para institutos de pesquisa de expressão nacional, como a Ipsos e o Kantar Ibope Media, e para empresas como Rede Globo e Twitter(X). É membro do corpo editorial de diversas revistas científicas, como E-Compós, Comunicação Mídia e Consumo, e Horizonte – Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, dentre outras. Além de sua atuação no curso de Publicidade e Propaganda (UFPE), destaca-se como uma das publicitárias mais expressivas e reconhecidas no mercado publicitário nacional, especialmente pela sua contribuição como consultora de mídia no mercado pernambucano e brasileiro e, ainda, pela consolidação das áreas de mídia e pesquisa de mercado nos cursos de Publicidade e Propaganda do Estado. Principais publicações PATRIOTA, Karla. 50 anos de pesquisa Marplan. 1. ed. São Paulo: Porto Palavra Editores Associados, 2013. PATRIOTA, Karla. A natureza das mídias digitais: novos paradigmas para a publicidade. 1. ed. Recife: UFPE, 2013. PATRIOTA, Karla. Igreja e modernidade: um“reino” que pertence a esse mundo. In: PRATA, Nair; PESSOA, Sônia Caldas(org.). Fluxos comunicacionais e crise da democracia. 1. ed. São Paulo: Intercom, 2020. p. 32-43. V. 1. PATRIOTA, Karla. Nós temos o que você precisa: uma reflexão sobre a religiosidade midiática na sociedade de consumo. In: MELO, José 389 Marques de; GOBBI. Maria Cristina; ENDO, Ana Cláudia Braun (org.). Mídia e religião na sociedade do espetáculo. São Paulo: Editora da Universidade Metodista de São Paulo, 2007. p. 87-97. PATRIOTA, Karla; FALCÃO, Carolina; RODRIGUES, Emanuelle. A cartografia de um campo: singularidades e possibilidades nas relações entre religião e consumo nos trabalhos desenvolvidos na Comunicação. Intercom, São Paulo, impresso, v. 40, p. 143-158, 2017. PATRIOTA, Karla. Nação dos 318: A religião do consumo na Igreja Universal do Reino de Deus. Comunicação, Mídia e Consumo, online, v. 11, p. 125/6-142, 2014. 390 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste NINA VELASCO Renata Rhayssa Cabral Mousinho e Carolina Dantas de Figueiredo Nina Velasco e Cruz nasceu em 19 de janeiro de 1975 no Rio de Janeiro(RJ). É filha de Iná Meireles e de Sebastião Velasco e Cruz. Nina tem duas filhas. Fez toda a sua formação escolar no Centro Educacional de Niterói. Sua jornada acadêmica iniciou em 1993 na Graduação em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal Fluminense(UFF). Migrou, no mesmo ano, para a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO-UFRJ). Fez monitorias no Jornal Universitário do Campus da Praia Vermelha e estágio em fotojornalismo no Jornal O Fluminense. No último ano de faculdade foi selecionada para uma bolsa de Iniciação Científica supervisionada por Kátia Valéria Maciel Toledo para auxiliar o Núcleo de Tecnologia da Imagem (N-Imagem), coordenado por André Parente, a realizar uma pesquisa sobre Hélio Oiticica. Transformou essa pesquisa em tema de Monografia, graduando-se em 1996 e submetendo um projeto para o Mestrado no mesmo ano. Em 1997, ainda sob a supervisão de Kátia Valéria Maciel Toledo, expandiu a pesquisa sobre a participação do espectador com a obra de arte, adicionando às análises as obras de Lygia Clark. Durante o processo de escrita da dissertação passou dois meses como bolsista do Deutsch Akademik Austausch Dienst(DAAD), em Freiburg, na Alemanha, estudando o idioma e a cultura do país. Em menos de dois anos terminou o Mestrado e, no ano de 2000, já iniciava o Doutorado, também na linha de pesquisa de 391 Comunicação, Tecnologia e Estética, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ. Na tese, intitulada“Arte, comunicação e tecnologia: as obras de Christa Sommerer& Laurent Mignonneau e Eduardo Kac”, trabalharia a interseção entre Ciência, Arte e Comunicação. Na pesquisa de Doutorado reportou-se ao boom da internet dos anos 2000, explorando as mudanças da relação das pessoas com a comunicação e a arte no meio digital. Durante o Doutorado começou sua jornada como professora, dando aulas na Universidade Salgado de Oliveira e na Universidade Cândido Mendes, até ter sido selecionada como professora substituta da UFF. Foi selecionada como substituta, em 2004, no curso de Estudos de Mídia da UFF, onde atuou por dois anos. Ainda nos anos 2000, no Encontro Nacional da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação(Compós), participava do Grupo de Trabalho(GT) de Comunicação e Poéticas Digitais. Em 2005 participou do concurso para professor de Processos Comunicacionais na Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), no qual foi aprovada em 2º lugar, o que possibilitou assumir uma vaga em Publicidade e Propaganda, mudando-se, tempos depois, para Recife. Num primeiro momento, ensinou Redação Publicitária além de Comunicação Comparada e Teoria da Comunicação. Em 2008 migrou do corpo docente de Publicidade para o do curso recém-criado de Cinema, mais identificado com as questões que envolvem Imagem Técnica e Arte, campo em que nunca deixou de atuar. Neste mesmo ano apresentou projeto de pesquisa focado na questão do impacto do digital na relação entre fotografia e memória. A incorporação da imagem em movimento às suas pesquisas foi um caminho natural, por isso começou a frequentar a Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual(Socine), fazendo parte do ST Cinema com Arte Vice e Versa. Coordenou o GT“Arte, Comunicação e Tecnologia da Imagem”, do qual foi cocoordenadora em seus primeiros dois anos. Por duas vezes foi contemplada com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) para desenvolver pesquisa pós-doutoral fora do país. No Canadá, em 2010, desenvolveu parte de sua pesquisa sobre Fotografia e Memória, sendo orientada por Will Straw, na McGill University. Em 2019 foi acolhida pelo professor Philippe Dubois na Universidade 392 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Sorbonne Nouvelle-Paris III para aprofundar suas pesquisas sobre dispositivo do Tableau Vivant e o gesto no audiovisual contemporâneo, participando de atividades de seu grupo até a interrupção das atividades por conta da pandemia de Covid-19. Além de diversas orientações, artigos e capítulos de livros publicados, Nina é coorganizadora dos livros“Barthes/Blanchot: um encontro possível?”(2007);“Foucault hoje?”(2007), e“Imagem, estética, política: territórios fluidos do contemporâneo”(2022). Nina Velasco e Cruz, radicada em Recife desde 2006, quando se tornou professora da UFPE, tem sua trajetória marcada pela dedicação à pesquisa e à sala de aula, especialmente no que se refere às questões relativas à imagem. Principais publicações CRUZ, N. V. O dispositivo do Tableau vivant e o gesto político em Faz que Vai(2015) de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca. Revista Galáxia, v. 46, p. 12, 2021. CRUZ, N. V. Fotografia digital, estética e sociedade de controle. Galáxia, PUC-SP, v. 8, p. 47-55, 2008. CRUZ, N. V.; QUEIROZ, André(org.). Foucault hoje? Rio de Janeiro: 7Letras, 2007 CRUZ, N. V.; QUEIROZ, André(org.). Barthes/Blanchot: um encontro possível? Rio de Janeiro: 7Letras, 2007. 169 p. CRUZ, N. V. Portraits de famille dans l’art contemporain:“ça a été joué”. In: ERBETTA, Alejandro(org.). La Photographicité: sur l’esthétique de la photographie a partir de François Soulages. 1. ed. Paris: L’Harmattan, 2017. p. 35-43. V. 1. 393 SOFIA ZANFORLIN Renata Rhayssa Cabral Mousinho e Carolina Dantas de Figueiredo Sofia Cavalcanti Zanforlin nasceu em 9 de junho de 1976 em Recife (PE). É filha de Sonia Cavalcanti e José Carlos Zanforlin. Estudou na Escola Vera Cruz(Recife) e no Colégio Dom Bosco(Brasília). Prestou vestibular para Direito, mas entrou na segunda opção: Economia. Fez novo vestibular e entrou na turma de 1997 de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Fez estágio em assessoria de imprensa e participou de monitorias e de iniciação científica. Formou-se em 2001 com a monografia intitulada “A Cidade Pós-Moderna e o Mercado: o Recife Antigo como um Produto Cultural”, e nesse mesmo ano mudou-se para Brasília. Em 2002 entrou para o Mestrado com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), tendo sido aprovada na seleção em 1° lugar. Orientada por Tânia Montoro, em 2004 defende a dissertação“Nem Comédia, nem drama: gay como gente. Análise crítica da série televisiva Os Assumidos( Queer as Folk)”. Antes da defesa já havia se mudado para o Rio de Janeiro(RJ). Começou o Doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2007, mas já frequentava a Escola de Comunicação (ECO) como voluntária do Programa de Educação Tutorial(PET) em Comunicação, coordenado por Mohammed Elhajji, com Ciclo de Leituras sobre Estudos Culturais, em que também contribuiu, orientando estudantes participantes do PET. Sua pesquisa de Doutorado, intitulada“Etnicidade, Migração e Comunicação: Etnopaisagens Transculturais e Negociação de Pertencimentos”, orientada por Mohammed Elhajji, foi defendida 394 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste em 2011, quando havia retornado a Brasília e já trabalhava no Instituto de Ensino Superior de Brasília(IESB), onde, além das aulas, coordenava a agência de notícias do IESB. Foi uma das organizadoras do 1° Fórum de Migração do Rio de Janeiro e participou do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Migratórios (NIEM) como forma de entender a questão das migrações, entre outras iniciativas, como a participação no GT“ Diaspora and Media” do IAMCR, do qual assumiu o cargo de vice-coordenadora por quatro anos a partir de 2016. Em 2011 assumiu vaga de professora na Universidade Católica de Brasília, onde suas pesquisas encontram espaço para serem desenvolvidas. Participa do Observatório das Migrações Internacionais(OBMigra) por pouco tempo, e em 2017 deixou a instituição. Em fevereiro de 2019 assumiu como professora e pesquisadora do Departamento de Comunicação Social da UFPE, mesmo ano em que foi reeleita como coordenadora do GT “ Diaspora and Media” para mais quatro anos. Em 2021, com o incentivo financeiro do IAMCR para projetos de seus GTs, junto com colegas propôs a realização de mesas redondas com o tema “ Global South Perspectives”. Na UFPE juntou-se a um grupo que trata de migrações, onde participa de trabalhos de extensão, cartografias e podcasts e dedicase ao projeto Fronteiras da mobilidade no Brasil contemporâneo: comunicação e experiência migrante na securitização do acolhimento e da integração social no âmbito da Operação Acolhida, com trabalho de campo realizado em Roraima. Sofia é conhecida por sua capacidade de criar conexões. Como destaques na sua produção bibliográfica estão os livros“Etnopaisajes en las Metrópolis Brasileñas – migración, comunicación y sentimiento de pertinência”(2016), resultado da pesquisa de Doutorado, e“Rupturas Possíveis: representação e cotidiano na série televisiva Os Assumidos( Queer as Folk)”(2005), que resultou da pesquisa de Mestrado. Principais publicações ZANFORLIN, Sofia Cavalcanti. Rupturas possíveis: representação e cotidiano na série Os Assumidos(Queer as Folk). 1. ed. São Paulo: Annablume, 2005. 200 p. V. 1. 395 ZANFORLIN, Sofia Cavalcanti. Etnopaisajes en las Metrópolis Brasileñas – Migración, Comunicación y sentimiento de pertenencia. 1. ed. Barcelona: Editorial UOC, 2016. 210 p. V. 1. ZANFORLIN, Sofia Cavalcanti. Etnopaisagens, migração contemporânea e as tecnologias da comunicação: o corredor da central e a nova migração africana para o Rio de Janeiro. In: COGO, Denise; Elhajji, Mohammed; HUERTAS, Amparo(org.). Diásporas, migrações, tecnologias da comunicação e identidades transnacionais. Barcelona: Bellaterra: Institut de la Comunicació: Universitat Autònoma de Barcelona, 2012. ZANFORLIN, Sofia Cavalcanti. Regionalismo e estetização. In: INTERCOM. Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(org.). Enciclopédia Intercom de Comunicação. São Paulo: Intercom, 2010. p. 1.051-1.052. V. 1. ZANFORLIN, Sofia Cavalcanti. Entre os muros da interculturalidade: o“homem marginal” como condição da contemporaneidade. In: PAIVA, Samuel; CÁNEPA, Laura; SOUZA, Gustavo(org.). Estudos de cinema e audiovisual Socine. São Paulo: Socine, 2010. p. 461470. V. 11. ZANFORLIN, Sofia Cavalcanti. Etnicidade e migração: representação e negociação da interculturalidade no cinema contemporâneo. In: PAIVA, Samuel; CÁNEPA, Laura; SOUZA, Gustavo(org.). Encontro Nacional da Socine, 7. 1. ed. São Paulo: Socine, 2010. p. 174-180. V. 10. 396 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste FABIANA MORAES Mariana Nepomuceno Fabiana Moraes da Silva nasceu em 12 de novembro de 1974 em Recife(PE). É filha de Neusa Moraes da Silva e José Manoel da Silva Neto. Estudou na Escola Mickey Mouse, na cidade de Abreu e Lima (PE), Escola Monsenhor Viana, no Recife, e Escola Ascenso Ferreira, em Jaboatão dos Guararapes(PE). Realizou a Graduação em Comunicação Social na Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) entre 1993 e 1997. Estagiou no Jornal do Commercio, onde foi contratada e seguiu por 20 anos até ser repórter especial. Suas reportagens premiadas foram Vida Mambembre, com o Esso Regional(2007); e Os Sertões, vencedora do Esso Nacional(2009). Em 2011 publicou o livro, O Nascimento de Joicy. O Mestrado em Comunicação foi realizado durante o período de 2003 a 2005 no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE, com orientação de Alfredo Vizeu. A dissertação chamouse“Do pseudo-evento à não-notícia: um estudo sobre a revista Caras”. O Doutorado, concluído em 2011, foi na Pós-Graduação em Sociologia da UFPE, com orientação de Maria Eduarda Mota Rocha, e produziu a tese“É tu nada, estrela: Revista Caras e o consumo da felicidade nos salões de beleza da periferia”. O tema celebridade e jornalismo seguiu em pesquisas até 2020. Entre 2020 e 2022 consolidou pesquisas iniciadas em 2015 sobre as relações entre jornalismo e subjetividade, analisando os pressupostos sobre os pilares da objetividade e da neutralidade no jornalismo brasileiro. Em 2016 foi aprovada como professora adjunta no concurso para docente do Curso de Comunicação Social do Núcleo de Design 397 do Centro de Ciências do Agreste, em Caruaru(UFPE), e lá atua na linha de pesquisa Mídia e subjetividade: uma análise sobre a manutenção do poder através da produção noticiosa e o fomento de estratégias insurgentes. Na UFPE também é professora dos cursos de Pós-Graduação em Comunicação Social na área de pesquisa sobre Hierarquização social, Jornalismo e subjetividade Fabiana coordena o Observatório da Vida Agreste(OVA), que acompanha o mundo do cidadão sob duas perspectivas: na produção de conteúdos nas mídias digitais e na formação cultural do morador da região. Coordena também a Aveloz, uma agência de conteúdo para as mídias sociais, que é laboratório do curso de Comunicação Social. Seus projetos de extensão tratam de atividades que incluem reportagens especiais e coberturas temáticas sobre o Interior de Pernambuco, e há o projeto O Moderno e o Popular, que discute relações entre regionalismo e contemporaneidade a partir de lives que foram realizadas durante o período de 2020 e 2021. É colunista do The Intercept Brasil e da Revista Gama e, em 2021, foi cocuradora da exposição temporária Língua Solta, marco da reabertura do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Dirigiu o documentário Dia de Pagamento, vencedor do prêmio de melhor documentário do Festival de Pirenópolis. Foi premiada com a medalha Heroínas do Tejucupapo pela Ordem dos Advogados do Brasil(OAB/PE). Em 2023 recebeu o Prêmio Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco(Facepe) como profissional de Comunicação. Foi colunista da Revista Piauí(2018) e UOL(2020). Estes são reconhecimentos que celebram as contribuições de Fabiana Moraes, evidenciando sua importância para o campo da Comunicação pernambucano. Principais publicações MORAES, Fabiana; OLIVEIRA, Aristides. Jomard Muniz de Britto – professor em transe. 1. ed. Recife: Companhia Editora de Pernambuco(CEPE), 2017. 243 p. MORAES, Fabiana. Os sertões. 1. ed. Recife: Companhia Editora de Pernambuco(CEPE), 2010. 119 p. 398 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MORAES, Fabiana. Nabuco em pretos e brancos. 1. ed. Recife: Massangana, 2012. 150 p. MORAES, Fabiana. No país do racismo institucional. Recife: Companhia Editora de Pernambuco(CEPE), 2013. MORAES, Fabiana. O nascimento de Joicy – transexualidade, jornalismo e os limites entre repórter e personagem. 1. ed. Porto Alegre: Arquipélago, 2015. 257 p. MORAES, Fabiana. A pauta é uma arma de combate: subjetividade, prática reflexiva e posicionamento para superar um jornalismo que desumaniza. 1. ed. Porto Alegre: Arquipélago, 2022. 368 p. 399 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS Adriana Santana Doutora e mestra em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), onde fez Jornalismo. Pós-Doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo(USP). Professora associada do Departamento de Comunicação Social/UFPE e do Programa de PósGraduação em Comunicação. Membro do Grupo Gênero, Escravidão e Maternidade/ USP e da Rede Antonietas, de Jornalismo, Gêneros e Interseccionalidades(SBPJor). adriana.masantana@ufpe.br Amanda Tavares de Melo Doutora em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Possui Mestrado em Comunicação e Graduação em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, ambos pela UFPE. É servidora do quadro permanente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba(IFPB), onde tem desenvolvido atividades nas áreas de comunicação institucional, jornalismo, divulgação científica, entre outras. amandatdemelo@gmail.com Carla Teixeira Doutora em Design pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Possui Graduação em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo – pela Universidade Católica de Pernambuco(UNICAP), Especialização em Desenho – Expressão Gráfica pela UFPE e Mestrado em Extensão Rural e Desenvolvimento Local pela UFPRE. É coordenadora da Pós-Graduação stricto sensu da UNICAP, onde é professora. carla.teixeira@unicap.br Carolina Dantas de Figueiredo Professora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Graduada em Jornalismo e em Administração de Empresas, 400 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste mestre em Sociologia e doutora em Comunicação Social, todos pela UFPE. carolina.figueiredo@ufpe.br Cecília Almeida Rodrigues Lima Professora adjunta do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco UFPE. Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da mesma universidade. Coordena o grupo de pesquisa da UFPE na Rede Brasileira de Pesquisadores de Ficção Televisiva – Obitel Brasil. É membro da Coordenação Colegiada do Obitel Brasil. cecilia.lima@ufpe.br Gabriela Bezerra Lima Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação Superior na Universidad Internacional de La Rioja(UNIR-Espanha). Doutora e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). gabi50@gmail.com Gêsa Cavalcanti Coordenou a finalização das bionotas de Pernambuco Mestre e doutora em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco(PPGCOM-UFPE). Pós-doutorada pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(ECA-USP). Professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO-UFRJ). gesa.cavalcanti@eco.ufrj.br Izabela Domingues Coordenou a finalização das bionotas de Pernambuco Pós-Doutorado no Centro de Estudos em Consumo/RJ. Doutora e mestre no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (PPGCOM/UFPE). Bacharel em Comunicação Social/UFPE. Especialista em Saúde Mental e Desenvolvimento Humano pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE e professora adjunta do Núcleo de Design e Comunicação( Campus Agreste-UFPE). Professora convidada do curso IA para Negócios da CESAR School(Porto Digital). izabela.domingues@ufpe.br Lívia Valença da Silva Professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Gestora/coordenadora da Agência Experimental do curso de Publicidade da UFPE – Agência Minerva. Graduada em Comunicação Social com 401 habilitação em Publicidade e Propaganda, mestre em Sociologia e doutora em Comunicação, com Especialização em Design da Informação, todos pela UFPE. liviavvalenca@gmail.com Marcela Costa Coordenou a fase inicial das bionotas da Região Nordeste. Professora do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). Possui Graduação em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade Católica de Pernambuco(UNICAP). Mestre e Doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Líder do Observatório de Tendências em Publicidade(OBTEP). marcelapup@gmail.com Mariana Nepomuceno Pós-Doutorado no Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho(LASAT) do Instituto Aggeu Magalhães(IAM/Fiocruz – Pernambuco). Mestra e doutora em Comunicação pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco(PPGCOM-UFPE). Tutora do Laboratório de Comunicação dos cursos de Medicina e Odontologia da Faculdade Pernambucana de Saúde e professora da Escola de Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco(UNICAP). nepomucenomariana@gmail.com Mariana Reis Coordenou a finalização das bionotas de Pernambuco Jornalista e doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mestra pela Universidade Federal Rural de Pernambuco(UFRPE). Foi professora do Centro Universitário UniFBV nos cursos de Comunicação Social e tutora do curso de Especialização em Mídias na Educação(UFPE/USP). Foi vicecoordenadora do GP Comunicação e Desenvolvimento Regional e Local da Intercom (gestão 2021-2024). É avaliadora dos prêmios estudantis Expocom/Intercom desde 2012. mariana.reis@ufpe.br Nataly de Queiroz Lima Graduação em Jornalismo e Especialização em Ciência Política pela Universidade Católica de Pernambuco(UNICAP), Mestrado em Extensão Rural e Desenvolvimento Local pela Universidade Federal Rural de Pernambuco(UFRPE), doutorado em Comunicação Social pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco(PPGCOM-UFPE). Professora adjunta de Jornalismo e Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Aeso Barros Melo. nataly.queiroz@prof.barrosmelo.edu.br 402 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Rodrigo Almeida Professor adjunto do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). Graduado em Comunicação Social – Jornalismo, com Mestrado em Comunicação e Doutorado em Comunicação, todos pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Membro-fundador do coletivo independente Queer Surto Deslumbramento e coordenador do projeto de extensão Mostra Monstra e do projeto de pesquisa Olhos Negros. rodrigoalmeidaufrn@gmail.com Sheila Borges de Oliveira Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia, mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e especialista em História Contemporânea pelo Programa de Pós-Graduação em História, todos pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Graduada em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco(UNICAP) e Publicidade e Propaganda pela UFPE. Professora adjunta do Núcleo de Design e Comunicação da UFPE. É vice-líder do grupo de pesquisa Observatório da Vida Agreste(OVA). sheila.boliveira@ufpe.br Soraya Barreto Januário Professora no Departamento de Comunicação e dos Programas de Pós-Graduação em Direitos Humanos e em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, Portugal. Pós-Doutorado no Institute for Gender, Sexuality and Feminist Studies, Montreal, Canadá. Líder do Grupo de Pesquisa/CNPq – Núcleo de Estudos Críticos de Feminismos, Gênero, Consumo e Capitalismo. Presidente-coordenadora da Rede de Mulheres pesquisadoras de futebóis no Brasil. soraya.barreto@ufpe.br Talita Rampazzo Diniz Docente da Graduação e da Pós-Graduação na Faculdade Cesar School, onde também exerce atividades no Núcleo de Carreiras da instituição. Coordena a Comissão Própria de Avaliação(CPA). É doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), onde também realizou Graduação em Jornalismo e Mestrado em Comunicação. talitarampazzo@gmail.com 403 PIAUÍ 404 Paulo Fernando de Carvalho Lopes 36 A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO POR PESQUISADORAS EM COMUNICAÇÃO NO PIAUÍ Escrever sobre a constituição de algo é sempre uma tarefa desafiante. O processo envolve muitas questões, mas, no caso específico do campo acadêmico-científico em Comunicação, no Piauí, um primeiro desafio é não ser repetitivo ou compilar em um novo texto o que já foi dito anteriormente pelas pesquisas e publicações feitas por outros/as pesquisadores/as(Said, 2001; Rêgo, 2006; Mendes, 2014; Ferreira, 2022); o segundo é narrar a mesma história de um lugar diferente. Em comum, os textos falam do que convencionamos identificar como os elementos constitutivos iniciais que nos levam a configurar historicamente, a partir de várias memórias(inclusive minhas), o campo comunicacional do nosso Estado. Como, no entanto, já alertava Braga(2011), o contorno e a forma como se dá a organização interna estão longe de ser consensuais porque cada um tem seu recorte e enquadramento, ou seja, mesmo que estejamos nos referindo ao mesmo processo, a perspectiva vai se diferenciar nas formas de mostrar e de dizer. No caso específico deste texto, retomo e me beneficio de muitas informações já postas nos trabalhos anteriores, apesar de ter como foco a atuação das mulheres enquanto pesquisadoras. O relatório final de 2020 do Projeto de Monitoramento Global de Mídia(GMMP) chama atenção para os números que indicam as assimetrias de gênero na produção noticiosa. O relatório mostra que,“apesar de um certo equilíbrio numérico entre mulheres e homens na produção das notícias, as mulheres ainda têm pouco espaço enquanto sujeitos/as e fontes nas histórias”(Brasil, 2020, p. 7). Uma situação similar acontece na Academia. Lopes e Gomes(2023) mostram, a partir de levantamento feito pela Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal do Piauí(UFPI), que, de 2011 a 2020, o número de mulheres é sempre maior que o número de homens entre os/as estudantes 36 Doutor em Comunicação e Cultura(Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ) e professor titular do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal do Piauí(UFPI). pafecalo@ufpi.edu.br 405 matriculados/as na Graduação do curso de Comunicação Social – Habilitação Jornalismo. Apesar de haver um número maior de mulheres começando e terminando a Graduação, no momento do ingresso no mercado de trabalho a situação invertese. Mesmo sendo maioria no processo de formação, no mercado local ainda há uma predominância do sexo masculino nos postos de trabalho jornalísticos, principalmente em cargos de chefia. Pensar o conceito de campo(Bourdieu, 1987) para caracterizar um campo de estudos em Comunicação no Piauí, ajuda a lançar um olhar e uma escuta atentos ao processo de constituição interna com especial atenção às memórias, às texturas, aos esquecimentos, aos silenciamentos, às dobras e aos esgarçamentos que o compõem. Partindo do entendimento de que um campo se constitui a partir da diversidade, de um contexto e de aspectos socioculturais, faz-se necessário observar a organização interna do mesmo. Neste texto ela está associada ao processo de institucionalização de um saber comunicacional que permita uma práxis jornalística legitimada por uma Instituição de Ensino Superior(IES). CENÁRIO CONSTITUIDOR DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO NO PIAUÍ A constituição do campo acadêmico-científico em Comunicação tem início em 1979 com o I Curso de Jornalismo do Piauí, realizado em Teresina pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC-Rio) e pela Fundação Universidade Federal do Piauí. Mendes(2014) salienta que era um curso de Extensão com o objetivo de capacitar os“profissionais de batente” que atuavam no jornalismo local devido ao Decreto-Lei 972/69 passar a regulamentar a profissão de jornalista. Para os Estados que não tinham faculdade de jornalismo, o Decreto abria uma brecha para emissão, por parte do Sindicato dos Jornalistas, para o registro de provisionado 37 . Ante o cenário de constantes ameaças e intimidações a jornalistas sem registro profissional e a inexistência de um curso de Ensino Superior em jornalismo no Piauí, surgiu a ideia do“Curso Intensivo de Jornalismo, para oferecer aos profissionais uma qualificação mínima a que se habilitassem ao registro”(Mendes, 2014, p. 34). 37 O registro especial de jornalista provisionado era concedido ao portador de um diploma de curso superior ou certificado de ensino de conclusão do 2º Grau. Dentre os documentos exigidos estava uma declaração que deveria ser fornecida pela entidade sindical representativa da categoria profissional, definindo a abrangência ao município no qual o provisionado iria desempenhar suas funções e que não havia jornalista associado do sindicato disponível no mercado local para contratação. O registro possuía caráter temporário, com duração máxima de três anos, renovável por mais três anos(Mendes, 2014). 406 A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO POR PESQUISADORAS EM COMUNICAÇÃO NO PIAUÍ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste O I Curso de Jornalismo do Piauí 38 ofertou 40 vagas. Com uma carga horária total de 300 horas, ofertou 12 disciplinas divididas em teóricas, práticas e teórico-práticas. Para a realização do curso estiveram envolvidos/as 12 docentes, todos da PUC-RJ, durante cinco meses. Com base nestes dados, foi possível fazer uma Tabela que permitisse a identificação da presença feminina nestes momentos iniciais. Discentes Homem Mulher Tabela 1 – I Curso de Jornalismo do Piauí Total 34 6 Docentes Homem 11 Mulher 1 Fonte: Mendes(2014). Total A forte atuação e presença das mulheres no jornalismo é um fato que, aos poucos, os estudos vêm recuperando. A Tabela supra retrata uma realidade recortada por um registro de maioria de homens tanto no corpo discente quanto docente. Variando entre 10% e 20%, as mulheres, neste momento, aparecem como minoria. Sabemos, no entanto, que muitas atuavam no mercado e, por diversas razões, que valeria outra pesquisa, não participaram desta primeira turma, seja enquanto docente ou discente. O II Curso de Jornalismo do Piauí aconteceu em 1982/1983. O curso manteve a proposta de ser uma continuação do primeiro. O Governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Comunicação, organizou o curso com apoio da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste(Sudene) e da Secretaria de Articulação com os Estados e Municípios da Presidência da República(Sarem). Rêgo(2011) e Mendes(2014) destacam que o professor Nilson Lage veio ao Piauí, em 1982, para ministrar uma das disciplinas do II Curso de Comunicação. Na época, após conversar com os profissionais de comunicação, fez um diagnóstico sobre a situação da comunicação no Piauí e elaborou o documento“Sugestões para uma Política de Comunicação no Piauí”. Sugeria, neste documento, entre outras ações, a instalação do curso Superior em Jornalismo. O final desta turma ocorreu, de acordo com Mendes(2014), no mesmo ano do Ato da Reitoria nº 935/83, de 16 de novembro de 1983, que cria a Graduação em Comunicação Social pela Resolução do Conselho Universitário(CONSUN) de 25 de novembro de 1983. O Conselho Federal de Educação aprovou, por meio da Resolução nº 2, de 24 de janeiro de 1984, o 38 Ficou sob a coordenação da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Piauí. As 40 vagas foram assim distribuídas(30 vagas para selecionados pelo Sindicato dos Jornalistas, 5 indicadas pela universidade e mais 5 pelo governo do Estado). 407 primeiro currículo do curso. Com a documentação aprovada, o curso foi ofertado já no vestibular de 1984. A CONFIGURAÇÃO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ(UFPI) A Graduação em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo –, na Universidade Federal do Piauí(UFPI), foi o último curso a ser criado no Nordeste e o primeiro no Estado. De 1950, quando foi instituído, na Bahia, o primeiro Bacharelado em Comunicação Social 39 , até 1984, início do curso em Teresina, por ordem de criação, estão: Rio Grande do Norte(1962), Ceará(1965), Sergipe(1967), Maranhão e Pernambuco(1970), Paraíba(1977) e Alagoas(1978). Conforme Mendes(2014) e Targino(2013), o primeiro projeto pedagógico e grade curricular do curso de Comunicação da UFPI foi produzido por professores dos cursos de Pedagogia, Educação Artística, Ciências Sociais, Geografia e História, com participação de representantes do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Piauí. Couto(2023) esclarece, ainda, que o processo começou no Departamento de Educação Artística, com total apoio e entusiasmo da Direção do Centro de Ciências da Educação e diálogos com professores da Universidade Federal de Pernambuco e da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Antes de continuarmos a história da criação do curso, é importante destacar que na década de 1970 quatro mulheres piauienses tiveram relevante papel por serem as primeiras graduadas em Comunicação fora do Estado e que retornaram ao Piauí, contribuindo para o atual contexto comunicacional. A jornalista Glória Maria Veras de Sandes Freitas, de acordo com Mendes(2014), foi a primeira mulher diplomada em Comunicação – habilitação em Jornalismo e Publicidade – em 1973 pela Universidade de Brasília(UnB). Ela retorna a Teresina, no primeiro mandato do governador Alberto Silva, para participar do Projeto Piauí 40 . Este projeto tinha uma Escola de Recursos Humanos que depois viria a ser responsável pelo curso de extensão em Jornalismo em 1979. Em entrevista a Mendes(2014), a jornalista fala sobre sua participação em disciplinas nesta escola, ou seja, é possível identificar, por já possuir Graduação, que não participou como aluna na primeira 39 O primeiro curso de Jornalismo do Nordeste, fundado em 1950, na Bahia, funcionava na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Em 1958 este curso foi encerrado, porém em 1962 outro curso foi criado para suprir a ausência de um curso universitário em jornalismo na Universidade Federal da Bahia(UFBA). https:// memorias.facom.ufba.br/capitulo-1/ 40 Foi um projeto de desenvolvimento pelo governo do Estado com apoio da Universidade Federal do Piauí(UFPI), que, nesta época, estava sob a direção do reitor professor João Ribeiro Moreira de Sousa, com o objetivo de modernizar o Estado. 408 A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO POR PESQUISADORAS EM COMUNICAÇÃO NO PIAUÍ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste turma, mas não foram achados indícios, na fonte recorrida, de sua atuação junto a equipe do governo na elaboração e viabilização do referido curso. Atuando como professoras no Departamento de Educação Artística, Walda Neiva de Moura Santos Leite e Lúcia de Fátima de Araújo e Silva Couto são formadas em Comunicação Social – habilitação Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Teleeducação – pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), respectivamente em 1977 e 1978. Ambas fizeram parte do conjunto de professores(as) que produziu o primeiro projeto pedagógico cujo currículo foi aprovado pelo Conselho Federal de Educação, Resolução nº 2, de 24 de janeiro de 1984. Couto(2023) relembra trazer a grade curricular da UFRJ, quando cursava o Mestrado, para ajudar no esboço da proposta acadêmica que a amiga Walda estava construindo. Ana Luiza Bucar Lobo formou-se na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1980. Apresentada a Walda Neiva depois de um tempo em que havia sido chamada para trabalhar na Editora e depois na Gráfica da UFPI, compôs o primeiro quadro docente do recém-criado curso de Comunicação Social, assim como a primeira banca de seleção para professor efetivo. Neste concurso passaram duas professoras: a piauiense Edite Maria de Morais Malaquias e a maranhense Joanita Mota de Ataide 41 , ambas formadas pela Universidade Federal do Maranhão(UFMA). Com a morte repentina da professora Walda Neiva em 24 de dezembro de 1985, foi substituta na coordenação do curso por alguns meses, até ir para Brasília ser assessora do senador piauiense João Lobo no mandato de 1983 a 1991. Com o fim do mandato, retoma as atividades de professora em regime de 20 horas na UFPI e servidora concursada na Secretaria Estadual da Fazenda. Em 1992 pede exoneração encerrando o vínculo com a Graduação e sua história no curso de Comunicação. O curso possui quatro fases ligadas aos projetos pedagógicos. A primeira fase aconteceu de 1984 a 1988. A característica desta primeira proposta de curso reflete bastante o perfil da formação das jornalistas supracitada. No campo da Comunicação dois autores destacam-se a partir de suas ideias: Paulo Freire e Juan Diaz Bordenave. O Centro Internacional de Estudos Superiores de Periodismo para a América Latina(Ciespal) teve também, nesta mesma época, grande importância na formação de pesquisadores brasileiros e, consequentemente, forte influência no perfil de muitos currículos brasileiros dos cursos de Comunicação instituídos nos anos de 1970 e 1980. A formação clássico-humanista dos alunos estava centrada em uma perspectiva considerada mais funcionalista e um modelo de ação difusionista. A junção das ideias e propostas teóricas dos três resultou no primeiro currículo, cujo perfil profissional, conforme descreve Targino(2013), era educador comunicativo 41 Como a professora também havia sido aprovada no concurso feito para UFMA, optou por ficar em sua terra natal. 409 popular. Neste primeiro currículo é possível identificar, nos argumentos de Rêgo (2011), Mendes(2014) e Targino(2013), que Nilson Lage e Juan Diaz Bordenave 42 deram suas contribuições. Couto(2023), que também contribuiu com a proposta curricular, destaca a contribuição do ex-professor dela e de Walda Neiva, Edson Bandeira de Mello, fundador do curso de Comunicação Social da UFPE. Comparando a grade de disciplinas ofertadas pelo I curso de Jornalismo do Piauí e a constante neste primeiro currículo, com algumas variações na nomenclatura, todas foram aproveitadas. O que se referia a comunicador popular, comunicador extensionista rural e comunicador educativo popular, aparecia nas disciplinas como comunicação rural, redação, produção e edição em pequenos meios, comunicação e difusão, dentre outras. A segunda fase começa a partir da reestruturação deste primeiro currículo em 1988 e encerra em 2005. Os ventos no país são outros após o fim da ditadura. O país está vivendo o processo de promulgação da Constituição, nomeada Constituição Cidadã. Até os anos 2000 os meios de comunicação viviam uma fase de apogeu com o aumento do público consumidor. O jornalismo, mesmo com vários veículos da grande imprensa tendo apoiado o golpe, continua sendo uma instituição séria, respeitada e considerada importante pela sociedade. O curso amplia o quadro de docentes, e dentre os aprovados nos últimos concursos estão as professoras Lavina Madeiro Ribeiro e Pandora Viana Dourado. A elaboração do segundo currículo é comandada pela professora Lavina Ribeiro, que questiona o perfil do egresso que precisaria sair, conforme a habilitação, jornalista, mas, devido ao currículo, aproximava-se mais de um comunicador social. Sem considerar isto um demérito, a proposta, ante o cenário jornalístico local e nacional, foi aumentar o número de disciplinas com ênfase no jornalismo e diminuir a quantidade de matérias focadas em um profissional educativo difusionista. É tempo da leitura de Jürgen Habermas(1984) para entender a mudança estrutural da esfera pública e a institucionalização do jornalismo. Vale destacar a predominância masculina de autores muito alta nas bibliografias indicadas nesta época, como Ciro Marcondes Filho, nos livros Imprensa e capitalismo (1984) e Capital da Notícia(1986), Carlos Eduardo Lins da Silva e o Mil dias – os bastidores da Revolução em um Grande Jornal(1988), Renato Ortiz e a A moderna tradição brasileira(1988), Alvin Toffler com a Terceira onda(1980) e Melvin L. DeFleur, Sandra Ball-Rokeach e o famoso Teorias da comunicação de massa(1993). Percebe-se neste recorte que só há uma única mulher presente e como coautora. 42 Lobo(2023) confirma a presença do paraguaio em Teresina e ajuda a professora Walda Neiva na proposta curricular. Segundo ela, pouco interagiu com os dois neste momento pela barreira da língua. 410 A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO POR PESQUISADORAS EM COMUNICAÇÃO NO PIAUÍ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste É o momento em que as grandes empresas nacionais lançam seus manuais de redação e estes tornam-se leitura obrigatória para as disciplinas práticas. Era o mercado impondo-se perante uma universidade carente de produção cientificamente forte o suficiente para se impor e/ou negociar a relação. A terceira fase começa em 2006 com a criação do novo projeto pedagógico do curso. Neste momento a internet começa a caminhar a passos largos. As modificações feitas pelo segundo currículo esbarram no surgimento das discussões sobre a incorporação dos novos formatos e modos de fazer surgidos com o advento da web 2.0. Surgem os portais, blogs, redes sociais, downloads, mp3, Ipod, webjornalismo, feed RSS, dentre outros termos. Conceitos como convergência, cibercultura, multimídia e interatividade dialogizam com um currículo que busca atualizar a formação de profissionais que começam a vivenciar o boom dos portais de internet e as mudanças tecnológicas que, pouco a pouco, levam os meios de comunicação tradicionais a migrarem para o mundo virtual. A comissão, coordenada pela professora Ana Regina Barros Rêgo Leal e composta pelos(as) professores(as): Muna Kalil Jacob Cerqueira, Fenelon Martins da Rocha Neto, Paulo Henrique Gonçalves de Vilhena Filho, Eliezer Alves de Sousa 43 , Luciene Silva Uchoa e Maria das Graças Targino, ficou responsável pela mudança curricular. O argumento para a mudança era a“evolução tecnológica e de postura dos meios de comunicação, que distantes da realidade de criação do Curso, há 20 anos atrás, se portam(...) completamente diferente”(Rêgo et al., 2005, p. 2). Segundo esta proposta, ao final da formação o(a) aluno(a) torna-se um(a) profissional com possibilidade de uma atuação mais ampla da praticada hoje no contexto piauiense. Nesta direção, o currículo passa a contemplar disciplinas com conteúdos necessários ao desenvolvimento das novas habilidades e competências do jornalista na atualidade, tais como: webjornalismo, cibercultura, jornalismo de fonte aberta, etc.(Rêgo e t al., 2005). A fase mais recente começou em 2019, após adaptação à Resolução CNE/CES nº 1, de 27 de setembro de 2013, que criava o Bacharelado em Jornalismo. Seguindo uma linha de pensamento contrária ao que levou à criação do primeiro curso de Jornalismo em 1979 – o Decreto-Lei 972/69, que regulamentava com rigor o exercício da profissão de jornalista –, a Comissão, presidida pelo professor José Marques de Melo, e composta, ainda, pelos professores Alfredo Vizeu, Carlos Chaparro, Eduardo Meditsch, Luiz Gonzaga Motta, Lucia Araújo, Sergio Mattos e Sonia Virginia Moreira, tinha alguns desafios: repensar o ensino de Jornalismo no contexto de uma sociedade em processo de transformação; a decisão do Supremo Tribunal Federal, que revogou 43 Por uma questão matrimonial e retorno à identidade judaica, anos depois passou a assinar Eliezer Castiel Menda. 411 a Lei de Imprensa e a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão; a crise pela qual o jornalismo do século 21 começava a passar ante as novas realidades; e o fim das habilitações e da formação de profissionais em Comunicação Social. Diferente dos outros projetos pedagógicos a que era designada uma Comissão de professores retirada das Assembleias Departamentais, este, para ser elaborado, ficou sob a responsabilidade do Núcleo Docente Estruturante(NDE) do curso de Comunicação Social da UFPI, na época composto pelos(as) professores(as) Cristiane Portela de Carvalho, Eliezer Castiel Menda, Fenelon Martins da Rocha Neto, Francisco Laerte Juvêncio Magalhães, Gustavo Fortes Said, Nilsângela Cardoso Lima, Paulo Fernando de Carvalho Lopes e Ana Maria da Silva Rodrigues. As Diretrizes clarificaram os objetivos do Projeto Pedagógico em Jornalismo: aperfeiçoar o ensino de jornalismo, valorizar a profissão e qualificar ainda mais os(as) alunos(as) ao seu exercício, e trazer de volta o estágio supervisionado obrigatório para que o(a) egresso(a) seja um(a) jornalista profissional diplomado(a), com uma formação universitária generalista, humanista, crítica e reflexiva. Depois de anos de embate na Academia, pelo menos na Graduação consegue-se oficializar a separação da Comunicação do Jornalismo, assim como, também, das outras habilitações. O argumento da Comissão foi que Jornalismo é uma profissão e Comunicação Social é um campo que reúne diferentes profissões. Para eles,“as diretrizes em vigor conduzem a interpretações equivocadas, ao confundirem a área acadêmica da comunicação com os cursos de graduação voltados para a formação das profissões que dela fazem parte”(Brasil, 2009, p. 9). O Departamento, atualmente, é composto por um total de 17 docentes efetivos e uma substituta. Quanto à formação, oito professoras são doutoras, uma especialista, a professora substituta é mestra, seis professores são doutores e dois mestres. O CAMPO AMPLIFICA COM A EXISTÊNCIA DE OUTROS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO Teresina possui(ou já possuiu) outros cursos de Graduação em Comunicação/ Jornalismo distribuídos em instituições públicas e privadas, a saber: Universidade Estadual do Piauí(UESPI); Centro de Ensino Unificado de Teresina(CEUT), que passou a ser Estácio em 2014; Associação de Ensino Superior do Piauí(AESPI); e Faculdade Santo Agostinho(FSA). Esta mesma informação repete-se no interior do Estado com o curso da Universidade Estadual do Piauí(UESPI), no município de Picos, e a Faculdade R. Sá(FRS), também em Picos. O segundo curso de Comunicação Social criado no Piauí começou a funcionar em 1998 no Centro de Ensino Unificado de Teresina Ltda.(CEUT). De acordo com o Parecer CNE/CES Nº 170/2010 do Ministério da Educação, foi autorizada 412 A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO POR PESQUISADORAS EM COMUNICAÇÃO NO PIAUÍ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste naquele ano a criação do Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Propaganda e Publicidade. Cinco anos depois, em novembro de 2003, foi autorizado o funcionamento de duas novas habilitações para o curso de Bacharelado em Comunicação Social: as habilitações em Jornalismo e em TV e Rádio. Cavalcante e Castelo Branco(2013) afirmam que as atividades dos novos cursos somente começaram em 2004 com a aula inaugural ministrada pelo professor José Marques de Melo. No ano de 2014 a Faculdade foi incorporada ao Grupo Estácio, passando a chamar-se Faculdade Estácio de Teresina – Estácio Teresina. Estão ativas as Graduações em Propaganda e Publicidade e em Jornalismo. O corpo docente é composto por seis professores: duas mulheres e quatro homens – uma professora doutora e uma mestra; em relação aos homens: um doutor e três mestres. No ano de 2001 ocorreu um crescimento na oferta de cursos superiores em Comunicação Social, com três IESs iniciando suas atividades: Universidade Estadual do Piauí(UESPI), Campus Poeta Torquato Neto, em Teresina, e Campus Professor Barros Araújo, na cidade de Picos, e Faculdade Santo Agostinho(FSA). A Resolução CONSUN nº 038/2001, de 29/10/2001, criou o Bacharelado em Comunicação Social da UESPI em Teresina, com as habilitações Jornalismo e Relações Públicas. Até 2016 estavam em vigor as duas habilitações, no entanto, a partir desse ano, permaneceu apenas o curso de Jornalismo. O projeto do governador Mão Santa de expandir a universidade para todo o Estado, encontrou alguns entraves iniciais, entre eles o orçamento para um grande número de campi fora de sede e a falta de concurso para a contratação de professores efetivos. Os(as) primeiros(as) professores(as) eram poucos, e ingressaram na universidade com contratos provisórios. A jornalista Cínthia Lages foi a primeira professora e coordenadora do recém-criado curso. Ferreira(2022) salienta que“o curso contava com apenas duas professoras com formação específica em Comunicação, Cínthia Lages e Cristiane Sekeff, ambas com contratos provisórios”(p. 198). Outra jornalista, Nairana Melo Machado de Oliveira, participou da equipe de elaboração do projeto pedagógico neste momento inicial, chegando, a posteriori, a ser coordenadora do curso. Fábia Adriana de Caldas Brito Vieira é o quarto nome que contribui neste processo inicial. Vieira(2023) afirma já estar na instituição na Assessoria de Imprensa quando começou o movimento de criação do curso, mas só entraria como professora dois anos depois e participaria da reforma do primeiro currículo em 2004. A falta de um número maior de professores fazia com que, em algumas situações, uma única professora ministrasse quase todas as disciplinas específicas do semestre. No ano de 2006 houve uma reformulação no currículo, da qual Fábia Vieira, como professora substituta, fez parte. A partir de 2016 tornou-se Bacharelado em Jornalismo. São 11 docentes efetivos. Destes, 6 são professoras e 5 professores. O corpo docente possui 3 doutoras, 3 mestras, 3 doutores e 2 mestres. 413 Com o objetivo de qualificar os(as) profissionais de Comunicação na região do semiárido piauiense, a Resolução CONSUN 38/2001, no dia 28 de outubro de 2001, autorizou a efetivação do curso de Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí(UESPI), Campus Professor Barros Araújo, na cidade de Picos, cidade situada a 309 quilômetros de Teresina. A luta por este Bacharelado foi uma iniciativa dos(as) profissionais que já atuavam nos jornais e rádios da região. Este campus da universidade foi o primeiro a ofertar a formação em Comunicação Social no interior do Piauí. A sua história começa diferente da coirmã da capital, apesar de o Projeto Pedagógico ser o mesmo sem adaptações ao contexto local. O professor Evandro Alberto de Sousa, formado em João Pessoa pela Universidade Estadual da Paraíba(UEPB), e a professora Maria Edilene Ramos da Luz, graduada pela Universidade Católica de Pernambuco(Unicap), eram professores substitutos na universidade. As primeiras professoras efetivas do curso de Picos foram Jaqueline da Silva Torres Cardoso e Sammara Jericó Alves Feitosa. Sammara Jericó professora no Campus de Teresina. Ferreira(2022) destaca o pioneirismo de ser o primeiro de todo o interior do Estado e, junto com o Campus Torquato Neto, em Teresina, um dos poucos a oferecerem duas habilitações no Nordeste. É importante esclarecer que, no caso, a especificidade do curso era oferecer as habilitações complementares, ou seja, o curso possuía um tronco comum em que o aluno, a partir do segundo ano, passava a cursar as disciplinas do tronco específico em Jornalismo e, caso quisesse complementar após terminar o primeiro curso, poderia, por mais dois anos, cursar a carga horária em Relações Públicas e ser diplomado pelos dois cursos. Em 2017 aderiu a já citada Resolução CNE/CES de 2013. O corpo docente é composto por cinco professoras efetivas(duas doutoras e três mestras), um professor (doutor) e quatro professores substitutos(uma mestra, um doutor e dois mestres). O curso de Comunicação da Faculdade Santo Agostinho foi o terceiro a ser instituído no ano de 2001. Outra mulher jornalista estava à frente deste processo. Cerqueira (2013) conta que a então mestra, Ana Regina Barros Rêgo Leal, desenvolveu o projeto pedagógico do curso que, naquela data, era o pioneiro entre as instituições particulares de ensino. A Associação Teresinense de Ensino S/C Ltda., entidade mantenedora da Faculdade Santo Agostinho, com sede na cidade de Teresina, no Estado do Piauí, criou, em 2001, o Bacharelado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, por meio do Processo nº 23024.002349/97-64 e Parecer n. 976/00 do CNE/CES. Como estratégia de engajamento para alunos e professores, foi organizado, no primeiro ano de funcionamento, o I Congresso Internacional de Comunicação e Cibercultura do Piauí. O segundo curso superior em Publicidade e Propaganda foi fundado em 2004 na faculdade AESPI(Ensino Superior do Piauí Ltda.), mediante a Portaria 961 de 17/5/2001 publicada no DOU 22/5/2001. O reconhecimento aconteceu um ano 414 A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO POR PESQUISADORAS EM COMUNICAÇÃO NO PIAUÍ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste depois por intermédio da Portaria 1.839 de 30/5/2005 – DOU 31/5/2005, ante a um cenário marcado pela prevalência dos cursos de Jornalismo e diante de um mercado publicitário local que ainda carecia de profissionais qualificados em uma IES. Em 2015 a AESPI foi comprada pela Universidade Paulista(UNIP), que criou a Faculdade do Piauí(FAPI) e, em 2019, recebeu a titulação de UniFapi Centro Universitário do Piauí. AESPI formou a última turma em 2021 e a FAPI encerrou as atividades do curso quando formou a última turma em 2022. O último curso a ser instituído no Estado foi também na cidade de Picos, em 2006. O Instituto de Educação Superior Raimundo Sá foi credenciado junto ao Sistema Federal de Ensino pela Portaria MEC nº 963, de 28 de abril de 2006(DOU de 2 de maio de 2006). Comunicação Social com habilitação em Jornalismo foi reconhecido pela Portaria nº 705 em 18.12.2013. Logo depois passou a ser denominado de Bacharelado em Jornalismo, em cumprimento às Diretrizes Curriculares Nacionais. Pertencente a uma IES privada, o curso tem o desafio, semelhante ao da UESPI, de capacitar recursos humanos locais que contribuam com a mudança da situação econômica de uma região. O corpo docente é composto por dois especialistas, quatro mestres e dois doutores; destes, cinco são mulheres e três homens. A CONSTITUIÇÃO HISTÓRICA DA PÓS-GRADUAÇÃO E A FORMAÇÃO DE GRUPOS DE PESQUISA NO ESTADO O processo da Pós-Graduação na UFPI possui cinco fases, não necessariamente cronológicas. Para efeito de estruturação deste item vai ser adotada uma organização segundo a formação do corpo docente e as ofertas de cursos. A professora Walda Neiva de Moura Santos Leite foi a primeira mestra titulada pela PUC-SP, orientanda do professor Décio Pignatari 44 . Neste momento, como ainda eram poucas as ofertas de cursos com titulações stricto senso, os concursos nas federais exigiam apenas a Graduação. A lógica era que o professor ia, ao longo da carreira acadêmica, titulando-se. No início dos anos da década de 1990, o professor Antonio Fausto Neto(UFRJ) esteve em Teresina para proferir uma palestra e incentivar os(as) docentes a se capacitarem em nível de Mestrado em Comunicação fora do Estado. Esta seria uma estratégia de fortalecimento e qualificação do Departamento, visando a um futuro Programa de Pós-Graduação no Nordeste que, na ocasião, só tinha um e, naquela data, apenas a professora Lavina Madeira tinha o título de mestra em Comunicação. Provocação aceita, em 1994 os professores Paulo Fernando de Carvalho Lopes e Marcos Luiz de Rezende Melo foram os primeiros a sair do Estado para cursar a Especialização em Teorias da Comunicação e da Imagem, oferecida pela Universidade Federal do Ceará(UFC) em convênio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro 44 Rasgo de memória da jornalista Ana Luiza Lobo. 415 (UFRJ). No ano seguinte foi a vez dos professores Jacqueline Lima Dourado, Francisco Laerte Juvêncio Magalhães e Eliezer Castiel Menda. A segunda fase começou com o processo de capacitação docente em 1998, com o Mestrado Interinstitucional(Minter) na Escola de Comunicação da UFRJ. A elaboração e coordenação local do projeto ficaram sob a responsabilidade da professora Lavina Madeira Ribeiro. Ao final da etapa de seleção a turma, com dez vagas, teve uma configuração de gênero equilibrada: cinco homens e cinco mulheres. Neste projeto apenas um homem e uma mulher não concluíram o Mestrado, totalizando, em 2000, oito novos(as) mestres(as) no Piauí. Com a Pós-Graduação em Comunicação inexistente na UFPI, os anos 2000 trouxeram os cursos Lato Sensu. Foram sete Especializações entre 2000 e 2008 45 . A primeira foi a Especialização em Comunicação Social e Marketing(2000 a 2001); depois, Comunicação Institucional(de 2001 a 2003); em 2003, novamente, foi ofertada Comunicação e Marketing; a seguir, Tendências e Perspectivas do Jornalismo(2005 a 2007); no mesmo ano começou também a Especialização em Telejornalismo. As duas últimas Especializações desta terceira fase foram Comunicação e Linguagens e Gestão de Processos Comunicativos(2008 a 2010). Ao todo, cerca de 350 alunos receberam, em uma década, o título de especialista. Esta demanda qualificada foi importante para argumentar a necessidade de criação de um Mestrado em Comunicação junto a Capes. O último investimento na formação dos docentes do Departamento que ainda não tinham titulação aconteceu com o Doutorado Interinstitucional(Dinter) em 2010. Desta vez o convênio foi assinado com a Unisinos. A elaboração e coordenação local do projeto ficaram sob a responsabilidade do professor Gustavo Fortes Said. Novamente foram ofertadas dez vagas, mas desta vez a quantidade de mulheres foi superior à de homens. O final do projeto implicou a defesa de tese de todos os quatro alunos e das seis alunas. Com um perfil diferente da experiência anterior, apenas dois professores do curso foram selecionados e as oito vagas restantes foram ocupadas por professores do curso de Turismo, Pedagogia, História, Serviço Social, Administração, Pedagogia. Um ano e meio após o início do Dinter o Mestrado foi aprovado na 124ª Reunião do Conselho Técnico-Científico(CTC) da Educação Superior da Capes, realizada entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março de 2011, e foi criado, internamente, pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPI no dia 28/6/2010, por meio da Resolução nº 113/2010, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação(PPGCOM). O Mestrado em Comunicação tem como área de Concentração“Processos Comunicacionais” e as Linhas de Pesquisa do Programa, a saber,“Processos e Práticas em Jornalismo” e “Mídia e Produção de Subjetividades”. 45 A universidade CEUT, que depois virou Estácio e a R. Sá, em Picos, são as duas IESs, fora a UFPI, que também ofertaram Especialização. 416 A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO POR PESQUISADORAS EM COMUNICAÇÃO NO PIAUÍ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Um ponto que constitui a identidade do programa é ser um polo estratégico de formação em Comunicação na região Meio-Norte do Brasil. A cidade de Teresina é um centro de confluência e acolhida de estudantes do interior do Estado, mas também dos vizinhos Estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Ceará. A proximidade territorial com a capital piauiense é um atrativo para a população de municípios que ficam muito distantes das capitais destes Estados. O corpo docente é composto por três professores e sete professoras com Doutoramento em diversos programas nacionais e temporalidades diferentes. Uma preocupação com a endogenia decorre das opções pelos programas interinstitucionais para capacitação dos(as) docentes. Ainda relativamente recente e pequeno, é possível identificar a diversidade e a predominância nos números relativos ao estágio pós-doutoral. A exogenia presentifica-se nos quatro estágios realizados em distintas universidades nacionais e internacionais, e do total de pós-doutores no PPGCOM três são mulheres. Tabela 2 – Programa de Pós-Graduação e formação docente PROGRAMA UFRJ – Comunicação e Cultura UNISINOS – Ciências da Comunicação UMESP – Comunicação Social UFMG – Comunicação Social PUC-RJ – Filosofia PROGRAMA UFRJ – Comunicação e Cultura Universidade da Beira Interior, UBI, Portugal Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova, FCSH, Portugal PUC-RJ – Filosofia DOUTORADO 1 5 2 1 1 PÓS-DOUTORADO 1 1 1 1 Fonte: Plataforma Lattes , out. 2023. Em funcionamento desde agosto de 2011, o Mestrado já realizou 13 seleções para novos(as) discentes desde então, contando com 11 turmas de egressos(as)(119 mestres formados(as)) e 2 turmas em funcionamento, que totalizam 31 alunos(as) matriculados(as). 417 Tabela 3 – Perfil de egressos(as) e orientações no PPGCOM-UFPI Discentes Mestras Mestres Total 81 38 Orientação Orientadoras Orientadores Total 79 40 Fonte: Sigaa/UFPI, Página do PPGCOM na internet, nov. 2023. Os dados supra mostram que é maior o número de mulheres ingressantes no PPGCOM do que o número de homens. O resultado totaliza 81 mestras, assim como o número de orientações de dissertações feitas pelas professoras do Programa é também maior que número de dissertações orientadas por professores. No que se refere, especificamente, aos Grupos de Pesquisa, a estratégia inicial foi a criação de dois núcleos de pesquisa, um para cada linha do Programa, para concentrar e coordenar os futuros grupos de pesquisas, mas, na prática, o processo ainda está disperso. O Núcleo de Pesquisa em Estratégia em Comunicação(NEPEC) teve sua aprovação pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão(CEPEX) da Universidade Federal do Piauí em 2003. Desde 2005 o Núcleo de Pesquisa em Jornalismo e Comunicação(NUJOC) está em atividade; o primeiro coordenado pela docente Lívia Fernanda Nery da Silva e o segundo pela professora Ana Regina Barros Rego Leal. Os dois núcleos desenvolvem atividades de pesquisa, organização de eventos e publicação de livros e artigos científicos. Apesar de ainda não possuir uma PósGraduação, a UESPI – tanto no Campus de Teresina quanto no de Picos – também possui grupos de pesquisa atuando na Graduação e na iniciação científica. Para uma melhor visualização, veja tabela a seguir. 418 A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO POR PESQUISADORAS EM COMUNICAÇÃO NO PIAUÍ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Tabela 4 – Grupos de pesquisa atuando na Graduação e na Iniciação Científica Universidade Grupo de Pesquisa Sigla Coordenação UFPI Campus Senador Petrônio Portela – Teresina Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Discursos Grupo de Pesquisa Comunicação, Economia Política e Diversidade Núcleo de Estudos e Pesquisas em Comunicação, Identidade e Subjetividade Núcleo de Estudos em Cinema e Visualidades Grupo de Estudos sobre Crianças, Infâncias, Educação e Mídias Sociais JORDIS COMUM NEPCIS CINEVIS CRINREDE Paulo Fernando de Carvalho Lopes Jacqueline Lima Dourado Gustavo Fortes Said e Monalisa Pontes Xavier Gustavo Batista Silvano Marta Maria Azevedo Queiroz UESPI Campus Poeta Torquato Neto – Teresina Grupo de Pesquisa Trabalho e Mídia: Teoria e Práxis Noticiosa Grupo de Pesquisa Comunicação, Memória e Práticas Jornalísticas Laboratório de Estudos em Telejornalismo Grupo de Pesquisa em Comunicação Alternativa, Comunitária, Popular e Tecnologias Sociais da UESPI TRAMPO LABETELEJOR Samária Araújo de Andrade Maria de Jesus Daiane Rufino Leal Rosane Martins de Jesus Orlando Maurício de Carvalho Berti e Evandro Alberto de Sousa UESPI Campus Professor Barros Araújo – Picos Liga Acadêmica Jornalismo, Educação e Memória JOEME Thamyres Sousa de Oliveira e Mayara Sousa Ferreira Ligados ao Nujoc estão o Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Discursos(Jordis) e o Grupo de Pesquisa Comunicação, Economia Política e Diversidade(Comum); e ao Nepec, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Comunicação, Identidade e Subjetividade (Nepcis), o Núcleo de Estudos em Cinema e Visualidades(Cinevis) e o Grupo de Estudos sobre Crianças, Infâncias, Educação e Mídias Sociais(Crinrede). A configuração do campo apoia-se na produção, como visto anteriormente, mas também nos prêmios recebidos. Os mesmos são um reconhecimento dos(as) profissionais que desenvolvem trabalhos, ações e pesquisas em Comunicação. A 419 professora Maria das Graças Targino recebeu, em 2004, o Prêmio Nacional Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação na categoria Liderança Emergente, dado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Em 2011 a docente Jacqueline Lima Dourado recebeu da Rede Folkcom a Menção Honrosa pela Maturidade Acadêmica. Em 2014 o curso de Comunicação Social da UFPI recebeu da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), o Prêmio Nacional Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação na categoria Grupo Inovador. Na edição de 2016 a professora Ana Regina Rêgo foi a vencedora do Prêmio Nacional Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação na categoria Liderança Emergente. No ano de 2018, Ana Regina Rêgo, quando era Presidenta da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar), ganhou o Prêmio Nacional Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação na categoria Instituição Paradigmática. Neste ano a mesma professora volta a ganhar o Prêmio Nacional Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, edição 2023, na categoria Grupo Inovador, como criadora e coordenadora da Rede Nacional de Combate à Desinformação(RNCD-Brasil). ALGUNS APONTAMENTOS É possível afirmar que após mais de 40 anos que o campo comunicacional começou a ser constituído no Piauí, dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(Unesco, 2021) revelam que o cenário, para as mulheres, precisa mudar, pois ainda existe um desequilíbrio de gênero na ciência. As mulheres são apenas 28% das pesquisadoras em todo o mundo. Embora representem 53% das pessoas graduadas em cursos superiores e com títulos de mestre, em âmbito global apenas 12% das mulheres são membros das academias científicas. A lista de perguntas enviadas para todas as universidades com cursos ativos mostrou que a Coordenação de todos os cursos de Graduação em funcionamento é ocupada por mulheres doutoras em Comunicação. Outro ponto interessante de se observar é que os dois cursos descontinuados e o que foi incorporado por outra universidade privada, eram coordenados por mulheres. Estas informações corroboram a pesquisa da Unesco(2021), que revela o patamar dos limites de ascensão feminina. As chefias de Departamento, direção de centro, Reitoria e os cargos que são indicações ou eleições internas, majoritariamente ainda são ocupados por homens. Delinear a constituição do campo acadêmico, como lembram Krohling Kunsch e Gobbi (2016), é aproximar-se de cenários diversificados e heterogêneos quer teoricamente quer pela formação das pesquisadoras. Foi possível unir neste texto desde a primeira piauiense formada em Comunicação, a primeira mestra na área, professora e coordenadora do curso de Comunicação da UFPI, a primeira pesquisadora a receber um prêmio nacional pela sua trajetória e contribuição para as pesquisas no campo, a 420 A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO POR PESQUISADORAS EM COMUNICAÇÃO NO PIAUÍ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste primeira egressa 46 doutora a passar no concurso para professora e também a se tornar Titular no Departamento de Comunicação, as primeiras piauienses a ocupar cargos nas entidades acadêmico-científicas da área em âmbitos local e nacional, além de tantas outras mulheres. Não será possível, no entanto, trazer, neste texto, aquelas que ocuparam os primeiros espaços jornalísticos na esfera pública local. A produção é também um indicador forte da consolidação do campo científico no Piauí. Foram defendidos quase dois mil Trabalhos de Conclusão de Curso, mais de mil monografias de cursos de Especialização e 119 dissertações de Mestrado. Os números são bastante expressivos quando se referem a livros, coletâneas, artigos em anais de congresso e artigos em revistas científicas publicados pelas pesquisadoras piauienses. Resgatar a importância de algumas mulheres que abriram os caminhos e até então não eram citadas ou apareciam dispersas em textos, é fundamental quando se busca traçar um panorama sobre a formação de um campo. Alguns protagonismos cumpriram a dimensão do seu tempo, no entanto buscamos chegar um pouco mais perto de algumas práticas cujos resultados silenciaram participações que“não deram certo” porque os caminhos e decisões afastaram algumas mulheres da continuidade no campo acadêmico, mas o legado histórico deixado revela um trabalho feminino na dimensão do coletivo com toda a importância dos primeiros passos. Referências BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1987. BRAGA, José Luís. Constituição do campo da comunicação. In: Verso e Reverso, v. XXV, n. 58, p. 62-77, jan./abr. 2011. BRASIL. Relatório da Comissão de Especialistas instituída pelo Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Jornalismo. Portaria Nº 203/2009, de 12 de fevereiro de 2009. BRASIL. Global Media Monitoring Project. National Report. Relatório. 2020. Disponível em: https://whomakesthenews.org/wp-content/uploads/2021/07/1Relatorio-GMMP-Brasil-portugues-12-07-21-completo-1.pdf. Acesso em: 26 out. 2023. CAVALCANTE, Patrícia; CASTELO BRANCO, Samantha. Universidade Estadual do Piauí(UESPI). In: MELO, José Marques et al.(org.). Pensa.Com Piauí. Teresina: EDUFPI, 2013. CERQUEIRA, Ailton. Faculdade Santo Agostinho(FSA). In: MELO, José Marques et al. (org.). Pensa.Com Piauí. Teresina: EDUFPI, 2013. 46 Professora doutora Samantha Viana Castelo Branco Rocha Carvalho. 421 COUTO, Lúcia de Fátima. Início curso Comunicação UFPI. 2023. Entrevista concedida a Paulo Fernando de Carvalho Lopes, Teresina, 4 dez. 2023. DEFLEUR, Melvin L.; ROKEACH, Sandra Ball. Teorias da comunicação de massa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. FERREIRA, Mayara Sousa. Bloco, caneta e diploma na mão: história dos cursos de jornalismo no Piauí. 2022. 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Teresina: Edufpi, 2013. 422 A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO ACADÊMICO POR PESQUISADORAS EM COMUNICAÇÃO NO PIAUÍ MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste TOFFLER, Alvin. A terceira onda. Petrópolis: Editora Record, 1980. VIEIRA, Fábia. Início curso Comunicação UESPI. 2023. Entrevista concedida a Paulo Fernando de Carvalho Lopes, Teresina, 7 dez. 2023. 423 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 424 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste GRAÇA TARGINO Thamirys Dias Viana Maria das Graças Targino nasceu em 20 de abril de 1948 em João Pessoa(PB). É a terceira filha de Pedro Targino da Costa Teixeira e de Maria Leite Targino. Cresceu entre o eixo João Pessoa(PB) e Recife(PE), ao lado dos irmãos Henriqueta, Roberto e Pedro. Sua formação escolar foi toda em Recife. Cursou o Primeiro Grau no Colégio Nossa Senhora do Carmo e no Colégio São José e o Segundo Grau no Colégio Vera Cruz. É Graduada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE)(1965-1968). Realizou Especialização em Biblioteconomia Médica pela Biblioteca Regional de Medicina(Bireme)(1977). É mestre em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal da Paraíba(UFPB)(1981-1983), orientada por Geraldina Porto Witter, cuja dissertação intitulou-se“A biblioteca na concepção de escolares: influência de variáveis do ambiente escolar”. Em 1981 tornou-se especialista em Organização de Bibliotecas Infantojuvenis pela UFPE. Seu Doutorado foi em Ciências da Informação pela Universidade de Brasília(UnB),(1995-1998), defendendo a tese “Comunicação científica: o artigo de periódico nas atividades de ensino e pesquisa do docente universitário brasileiro na PósGraduação”, orientada por Antonio Lisboa Carvalho de Miranda. Realizou sua segunda Graduação em Comunicação Social pela Faculdade Santo Agostinho(FSA)(2002-2006). No ano seguinte realizou o Máster Internacional de Comunicación y Educación pela Universitat Autònoma de Barcelona(UAB), Espanha 425 (2007). No mesmo ano iniciou um Pós-Doutorado pelo Instituto Interuniversitario de Iberoamérica da Universidad de Salamanca (USAL), Espanha(2007-2010), e, na sequência, Pós-Doutoramento na mesma instituição, sob a orientação de Ángel Badillo Matos (2010-2012). Atuou em diferentes instituições no país. Entre 1972 e 2019, na Universidade Federal do Piauí(UFPI), iniciou como bibliotecária concursada, estabelecendo-se mais adiante no cargo de professora do Centro de Educação Aberta e a Distância(CEAD/UFPI). Foi a primeira bibliotecária a atuar no Piauí, dando início à efetivação da Biblioteca Central. Ocupou cargos de direção e administração na Universidade Aberta do Brasil, Centro de Educação Aberta a Distância(CEAD) e na Pró-Reitoria de Ensino de Pós-Graduação da UFPI, além do Departamento de Comunicação Social, onde também ministrou aulas no curso de Mestrado em Comunicação Social. Entre 1983 e 1999 e 2013 e 2019, lecionou na UFPB como professora visitante; foi pesquisadora formadora do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica(Parfor) e do Programa Nacional de Informática na Educação(Proinfo). De 2008 a 2010 ocupou cargos como colaboradora, diretora e secretária geral na Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação(ANCIB). Foi professora adjunta da Universidade Estadual do Piauí(UESPI) e servidora da Fundação Cultural do Estado do Piauí(Fundapi), além de instrutora de diversos cursos na área de biblioteconomia em todo o Estado. Desde 1996 é colaboradora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). É consultora na elaboração de trabalhos técnico-científicos, dividindo-se com a produção de textos para coluna semanal no Jornal O Dia(Teresina), desde 2003, bem como colunista mensal do Portal Infohome de Florianópolis(SC) desde 2010. Também contribui mensalmente para o Portal Tuaventura, Barcelona – Espanha, desde 2007. Muitas são as revistas das quais é membro do corpo editorial e colaboradora: Comissão Editorial da revista Informação& Sociedade: Estudos do Curso de Mestrado em Ciência da Informação da(UFPB), desde 1999; Conselho Editorial da Revista Científica da FSA, desde 2008; Conselho Editorial Consultivo da publicação Intercom: 426 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Revista Brasileira de Ciências da Comunicação desde 2009; Comitê Científico da revista Fonseca Journal of Communication da Licenciatura de Communicación Audiovisual da Universidad de Salamanca desde 2010; Consejo de Redacción de la revista Fonseca Journal of Communication da Licenciatura de Communicación Audiovisual da Universidad de Salamanca, desde 2017. Trabalha nas seguintes linhas de pesquisa: Jornalismo de Fonte Aberta/Jornalismo Cidadão; Autoria e Coautoria de Textos TécnicoCientíficos; Comunicação Científica; Editoração; Redação TécnicoCientífica; Responsabilidade Social Universitária; Redes Eletrônicas de Informação e de Comunicação e Open peer review. Dentre os prêmios conquistados estão: Prêmio Nacional Luiz Beltrão de Comunicação(Intercom); Prêmio do Programa Informação para Todos(Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – Unesco); Título de Cidadã Teresinense concedido pela Câmara Municipal de Teresina; Prêmio“Mérito Jornalístico”, também concedido pela Câmara Municipal de Teresina; Open Box da Ciência – Protagonistas da Área de Ciências Sociais Aplicadas (Cartografia-2020); e Membro da Academia Teresinense de Letras. Entre as muitas publicações, pode-se listar:“Projetos Experimentais no ensino da comunicação”;“Comunicação, educação e cultura na era digital: Intercom Nordeste 2009”;“Acessibilidade e visibilidade de revistas científicas eletrônicas”;“Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (Ancib): reflexão e proposta para dinamização”; e ainda“Leitura e produção de gêneros acadêmicos em jornalismo: brincadeira que dá prazer”. Também destaca-se“Jornalismo cidadão: informa ou deforma?”, livro reconhecido pela Unesco com o Prêmio do Programa Informação para Todos( Information for All Programme, IFAP), promovido pela United Nation Educational, Scientific and Cultural Organization(Unesco), com a edição de sua tese de Doutorado: Jornalismo cidadão: informa ou deforma? Os trabalhos mais recentes são“Mapas do conhecimento científico: a difusão do conhecimento sob a perspectiva da teoria de redes sociais e complexas”;“Procedimentos no processo de estágio probatório dos servidores técnico administrativos em uma Instituição de Ensino Superior”;“Mapeamento de competências para cargos municipais comissionados”;“Isomorfismo, eficiência simbólica e legitimidade social na institucionalização da sustentabilidade socioambiental nas organizações contemporâneas”;“Análise sociométrica da estrutura 427 da rede de propriedade intelectual de uma universidade pública”; “Competência informacional e ética: um estudo bibliográfico no período de 2011 a 2015”;“Identificación de patrones de comportamiento informativo en los textos mediante el Análisis de Redes Sociales”;“Mídias e tecnologias na formação identitária e docente de uma professora com deficiência visual”;“Gamificação como técnica motivadora aplicada em comunidades de prática: uma análise bibliométrica”, entre outras dezenas de publicações em eventos, periódicos e livros. Maria das Graças Targino mantém atuação permanente nas áreas de Ciência da Informação e Comunicação Social, além de contribuições intelectuais de cunho literário. Seu perfil teórico pode ser resumido pela palavra diversidade, pois há uma heterogeneidade de temas com os quais trabalhou ao longo de sua trajetória – biblioteconomia, CI, metodologia da pesquisa científica, redação técnico-científica, entre outros. Principais publicações FERREIRA, S. M.; TARGINO, M. das G.(org.). Mais sobre revistas científicas: em foco a gestão. 1. ed. São Paulo: Senac São Paulo: Cengage Learning, 2008. FERREIRA, S. M.; TARGINO, M. das G.(org.). Preparação de revistas científicas: teoria e prática. 1. ed. São Paulo: Reichmann& Autores Editores, 2005. FERREIRA, S. M.; TARGINO, M. das G. Métricas alternativas de avaliação do impacto e do uso de revistas eletrônicas: estudo em ciências da comunicação. In: FERREIRA, S. M.; TARGINO, M. das G. (org.). Acessibilidade e visibilidade de revistas científicas eletrônicas. 1. ed. São Paulo: Senac São Paulo: Cengage Learning, 2010. TARGINO, M. das G. Jornalismo cidadão: informa ou deforma? 1. ed. Brasília: Unesco: IBICT, 2009. 428 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste EDITE MALAQUIAS Lívia Fernanda Nery da Silva Edite Maria de Morais Malaquias nasceu em 14 de fevereiro de 1955 em Piripiri(PI). Filha de Manuel Malaquias Alves e Maria de Lourdes Morais, é mãe de Mirna Marisa Morais de Freitas. Estudou os 1º e 2º Graus na Escola Patronato Santa Catarina Labouré. Graduada em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas(1980) pela Universidade Federal do Maranhão(UFMA), possui Especialização em educação rural(1987) pela Universidade Federal do Piauí(UFPI), Especialização em docência do ensino superior(2007) pela Faculdade Santo Agostinho e Mestrado em Administração Rural e Comunicação Rural(1997) pela Universidade Federal Rural de Pernambuco(UFRPE). Sua dissertação intitulase“Rádio e desenvolvimento local: um estudo de recepção em Misericórdia – Piauí” e foi orientada por Maria Salett Tauk Santos. Depois, realizou Doutorado em Geografia(2015) pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Sua tese chama-se“Rádio Regional e Desenvolvimento Territorial: as emissoras de rádio de São Raimundo Nonato-PI no desenvolvimento do território Serra da Capivara”; teve orientação de Caio Augusto Amorim Maciel e coorientação de Maria Salett Tauk Santos. Professora aposentada pela UFPI(1985-2003), foi docente do curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo e do Núcleo de Iniciação à Pesquisa da Faculdade Santo Agostinho (2003-2015). É professora assistente na Universidade Estadual do Piauí(UESPI). Possui experiência na área de comunicação, com ênfase em relações públicas, comunicação organizacional, rádio e desenvolvimento territorial. Edite acompanhou toda a introdução 429 do curso de Jornalismo na UFPI e, logo depois, integrou-se à equipe de docentes. Na UFPI ministrou as disciplinas Introdução à comunicação, História da imprensa piauiense e Teorias da comunicação. Foi coordenadora do curso de Comunicação Social por dois mandatos e chefe do Departamento de Comunicação Social por um mandato, ambos na UFPI. Trabalhou como assessora de comunicação e assessora de relações públicas da Secretaria de Educação do Piauí. Foi membro do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Santo Agostinho, de 2009 a 2011. Participou de eventos nacionais e regionais da área da comunicação, a exemplo do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), como avaliadora do sistema on-line do Expocom na categoria Relações Públicas(2009). Teve artigo publicado nos anais do evento, em 1995, com o tema“O uso das mensagens do rádio por uma comunidade de agricultores”, e publicação em 2002 com o tema“Rádio e desenvolvimento local”. Participou também de bancas de Trabalho de Conclusão de Curso em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Faculdade Santo Agostinho, UESPI e UFPI. Entre 2002 e 2004 orientou monografias no curso de Especialização em Comunicação e Marketing da UFPI. Em 2006 também orientou trabalhos em cursos de Graduação na UESPI. Atuou como membro da banca examinadora do concurso público para o cargo de professor assistente da UESPI em 2002, e para o cargo de professor efetivo da mesma instituição em 2009. Foi presidente de banca examinadora da comissão julgadora para professor auxiliar do curso de Comunicação Social, em 1986, da UFPI, de professor substituto, classe auxiliar I, da UFPI, em 2001, e de concurso público para o cargo de professor assistente da UESPI em 2003. Esteve na comissão de seleção para o curso de Especialização em Comunicação, Turismo e Desenvolvimento Sustentável, em 1999, curso de Especialização em Comunicação Institucional, em 2001, e curso de Especialização em Imagem e Publicidade, em 2001, da UFPI. Além disso, fez parte da comissão julgadora do Prêmio Carlos Castello Branco de Reportagem, promovido pela Coordenação de Comunicação do Estado do Piauí(CCOM), em 2008, e do Prêmio Pauta Cidadã para o Desenvolvimento Local, promovido pela mesma instituição em 2009. Organizou, na UESPI, o II e III Fórum de Relações Públicas, em 2007 e 2008, assim como o VIII Simpósio de Produção Científica, VIII Seminário de Iniciação Científica e V 430 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Simpósio de Pós-Graduação em 2008. Edite Malaquias faleceu em 16 de novembro de 2024, deixando um importante legado na área de estudo da rádio regional. Principais publicações MALAQUIAS, Edite Maria de Morais. O ensino de jornalismo no Piauí e a prática no mercado. In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORDESTE, 11., 2009. Anais[...]. 2019. MALAQUIAS, E. M. M. Rádio e desenvolvimento local. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 25., 2002, São Paulo. Anais[...]. São Paulo: Intercom, 2002. CDROOM. MALAQUIAS, E. M. M. O uso das mensagens do rádio por uma comunidade de agricultores. In: INTERCOM, 1995, Aracaju. Anais [...]. 1995, Aracaju, 1995. 431 SUELLY MAUX Monalisa Pontes Xavier Suelly Maria Maux Dias nasceu em 8 de dezembro de 1962 em Natal(RN). É filha de Francisco Eurídice Dias e de Gilkéa Maux Dias. Fez parte do curso primário em Alagoa Grande(PB), na Escola de Demonstração Centro de Formação e Treinamento de Professores. No ano de 1975 sua família foi morar em Guarabira(PB), onde cursou o ginasial e o curso pedagógico, ambos no Colégio Nossa Senhora da Luz. Foi professora de Educação Infantil no final da década de 1970 e início dos anos 1980, trabalhando também como professora de alfabetização de crianças. Desempenhou suas atividades, ainda, em comércio e em banco. Fez vestibular para química industrial. É graduada em Licenciatura Curta em Letras(1983) pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Guarabira(FAFIG). Em 1985 passou no vestibular para Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba(UFPB), e graduando-se em 1988. Em 2020 concluiu a Graduação em Ciências das Religiões(Bacharelado) e cursou História(Licenciatura EaD) pela Universidade Estadual da Paraíba(UEPB). Foi revisora do“Correio da Paraíba” e, por pouco tempo, do jornal“O Norte”. Ingressou quase imediatamente, após formar-se, quando, aos 26 anos de idade, foi aprovada em concurso público para docente do curso de Comunicação Social na Universidade Federal do Piauí(UFPI). 432 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Por ocasião do concurso público, mudou-se para Teresina(PI) em 1989, onde permaneceu até 1992. Atuou na UFPI como docente na área de rádio. Após alguns anos de docência decidiu cursar Mestrado em Biblioteconomia em João Pessoa(UFPB). Em 1997 defendeu a dissertação“A imagem violentada: publicização de atos anti-sociais no Jornal Correio da Paraíba – década de 80”, orientada por Luiz Custódio da Silva. Durante o Mestrado surgiu a possibilidade de ser transferida de Teresina para João Pessoa, quando retornou para a UFPB, onde permaneceu como professora associada lotada no Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA) do curso de Jornalismo. Em 2005 defendeu sua tese de Doutorado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), com o título“Marie Claire: cartas e histórias de vida. Um estudo de gênero e comunicação epistolar”, sob orientação de Beatriz Dornelles. No ano de 2015 realizou estágio Pós-Doutoral no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Mídia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), sob orientação de Josimeire Costa da Silva. Na UFPB coordena o Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Diversidade Cultural(Grujordi) e é pesquisadora do Núcleo de Estudos dos Media e Cidadania(Nemec). Suas linhas de pesquisa são Mídia, discursos e diversidade e Jornalismo, Diversidade Cultural e Discursos, sendo seus principais temas de atuação: Comunicação, Jornalismo de comportamento, leitura, gênero e imprensa feminina. Organizou os seguintes livros:“A Religião em suas diversas faces: história, educação e teorias” – volumes 1 e 2(2019, 2021); “Folkcomunicação e novas abrangências no desenvolvimento local” (2017); e“Diálogos da Comunicação: intensidade e temporalidade” (2011). É também autora e coautora de textos sobre folkmarketing e folkcomunicação. Figura como membro do corpo editorial da Revista Latino-Americana de Jornalismo, da Revista Internacional de Folkcomunicação e do Periódico Mídias e Culturalidades. Suelly Maux vê na Graduação sua militância ética e moral e, por esse motivo, aí centra sua dedicação e ancora nesse lugar sua contribuição para o campo da Comunicação visando à formação cidadã de estudantes universitários e à sociedade. 433 Principais publicações LUCENA FILHO, S. A.; MAUX, Suelly; DIAS, Suelly M. M; ALBUQUERQUE, A. K.; MARTINS, J.(org.). Folkcomunicação e novas abrangências no desenvolvimento local. 1. ed. João Pessoa: Ideia, 2017. 430 p. MAUX, Suelly. Jornal na mesa. Edição 002. Apresentação Mileide Moreira; Gheurly Lineker; Rúben Salomão. Edição Rúben Salomão. João Pessoa: DEJOR/CCTA/UFPB, 19 nov. 2020. MAUX, Suelly; DIAS, Suelly M. M.; PAIVA, J. M. F.; TRIGUEIRO, Annelsina(org.). Diálogos da comunicação: intensidade e temporalidade. João Pessoa: UFPB, 2011. V. 1. PINHEIRO, D. V. L.; SILVA, M. B.; MAUX, Suelly; DIAS, Suelly M. M. Religião em suas diversas faces. 1. ed. João Pessoa: Editora do CCTA, 2021. 370 p. V. 2. PINHEIRO, D. V. L.; SILVA, M. B.; MAUX, Suelly; DIAS, Suelly M. M (org.). A religião em suas diversas faces: história, educação e teorias. 1. ed. João Pessoa: Editora do CCTA, 2019. 227 p. V. 1. 434 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste JACQUELINE DOURADO Samária Andrade Jacqueline Lima Dourado nasceu em 26 de outubro de 1964 em Teresina(PI). É a mais nova de oito irmãos, sendo três mulheres, cujos pais são Eurípedes de Sousa Dourado e Antônia Rosina Lima Dourado. Estudou o primário e quase todo o ginasial em escolas de Teresina, como no Colégio das Irmãs, onde estudou a partir da sétima série. Concluiu o Ensino Médio no colégio particular Andreas. Casou-se com Marileide, mãe de Cibele e Alan. Antes de entrar na universidade foi professora de reforço escolar para crianças e adolescentes de 7 a 15 anos em situação de risco, projeto mantido pelo governo do Estado do Piauí(PI). Fez vestibular para Sociologia e para Comunicação Social, habilitação em Jornalismo na Universidade Federal do Piauí(UFPI) em 1986, aos 22 anos. Formou-se em jornalismo(1989) com o trabalho“Do banco de dados ao espetáculo da banca”, orientado por Laerte Magalhães. Durante o curso dava aulas de inglês no Colégio Andreas e aulas de reforço escolar a estudantes a domicílio. Trabalhou como assessora de Comunicação na Secretaria Municipal de Trabalho e Ação Comunitária da Prefeitura de Teresina. Na TV Antena 10 participou da equipe de montagem da televisão, sendo roteirista, produtora e diretora de programa. No Jornal da Manhã foi repórter, fotógrafa, fez caderno especial de cultura e participou do Conselho Editorial. No Jornal O Dia foi de estagiária à editora chefe. O Jornal, à época, não assinava o nome de uma mulher como editora, e ela foi creditada como Conselho Editorial. Em 1992 foi a primeira editora a participar de uma greve junto aos gráficos, o que lhe incorreu na perda do seu cargo. Após a demissão foi convocada 435 para a vaga de professora da UFPI, seleção da qual tinha participado em 1992. Fez Especialização em Teorias da Comunicação e da Imagem na Universidade Federal do Ceará(UFC) em 1996, e Mestrado Interinstitucional UFPI/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concluído em 2000, com orientação de Francisco Dória com a dissertação“A Televisão como pseudo-fórum de cidadania: o Ratinho e o cheiro do queijo”. Concluiu o Mestrado já aprovada para o Doutorado na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), em São Leopoldo(RS), orientada por Valério Cruz Brittos, concluído em 2008 com a tese“Estudo das estratégias da Rede Globo de Televisão na esfera da cidadania”, depois transformada em livro. Em 2018 concluiu o Pós-Doutorado em Comunicação e Artes pela Universidade da Beira Interior – UBI/Portugal –, estudando a produção cinematográfica do Piauí por meio de trabalhos do ator e diretor Franklin Pires. Jacqueline é uma das professoras que criou o curso de Mestrado em Comunicação da UFPI, inaugurado em 2013. Ela ocupou quase todos os postos de gestão que a Universidade dispõe: foi chefe de Departamento por duas gestões; superintendente de Comunicação durante oito anos, de 2013 a 2020; Presidente do Comitê Gestor de Crise nos meses mais agudos da pandemia da Covid-19; e é constantemente membro do Colegiado de Curso e do Núcleo Docente Estruturante. É professora associada IV da UFPI, professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação PPGCOM/UFPI(Mestrado), pesquisadora da Intercom no Grupo de Pesquisas(GP) “Comunicação, Economia Política e Sociedade”, Líder do GP em Comunicação Economia Política e Diversidades – COMUM – UFPI/ CNPq, pesquisadora do Grupo de Pesquisa Comunicação, Economia Política e Sociedade – CEPOS – e coordenadora de Comunicação do Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados(CIATEN-UFPI). Jacqueline Lima Dourado tem uma série de artigos em publicações e congressos no Brasil e fora do país. O Grupo COMUM, liderado por ela, tem história expressiva na pesquisa com referência em Economia Política da Comunicação e Cultura(EPC) e impacto científico, sendo citado pelas mais representativas instâncias de pesquisa. 436 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Principais publicações DOURADO, J. L. Rede Globo: mercado ou cidadania? 2. ed. Teresina: EDUFPI, 2012. DOURADO, J. L. Economia política do jornalismo – campo, objeto, convergências e regionalismo. 1. ed. Teresina: EDUFPI, 2013. DOURADO, J. L.; SILVA, D. M. M.; MARQUES, R. S.(org.). Economia política do jornalismo: tendências, perspectivas e desenvolvimento regional. 1. ed. Teresina: EDDOURADO, J. L.; MOSCO, V.; LOPES, D. M. M.; TEIXEIRA, J. F.; MARQUES, R. S.(org.). Political economy of journalism: new(and old) logics of production and consumption. Teresina: EDUFPI, 2019. 437 MUNA KALIL Sônia Mariah Muna Maria Kalil Jacob Cerqueira nasceu em 12 de março de 1948 em Bicas(MG). É filha dos libaneses Alice Afeich Jacob e Kalil Jacob. Única brasileira da família, é a mais nova do total de três filhos. Seu ensino primário foi cursado num colégio público. Aos 12 anos, morando no Rio de Janeiro, estudou no Colégio Santos Anjos para fazer o que equivale ao segundo ciclo do Ensino Fundamental. No momento do vestibular sua primeira opção fora Direito, a segunda Comunicação/Jornalismo, curso que passa a fazer na Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF), entre 1972 e 1976. Durante o curso foi acolhida como estagiária da Rádio Difusora de Juiz de Fora. Em 1977, casada e graduada, foi morar na cidade de Janaúba (MG), onde viveu por dois anos e tornou-se mãe. Passado este tempo, mudou-se para Caldas(MG), onde passou a ministrar aulas para estudantes do primário e ginásio. Desta forma, as primeiras experiências como professora foram com as disciplinas de Organização Social e Política Brasileira(OSPB), Educação Moral e Cívica e Português. O Piauí tornou-se sua nova moradia em 1987, quando o marido precisou mudar-se para Teresina. Na capital, foi trabalhar na TV Antena 10, num programa jornalístico chamado Espaço Local. Logo depois migrou para a redação da TV Educativa do governo do Estado. No veículo, em 1989, fez a programação da Rádio Antares. Em 1992 prestou concurso para docente do curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal do Piauí(UFPI). Nos seus 438 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste 24 anos de docência na Comunicação Social, ocupou cargos de gestão quatro vezes como coordenadora. Também foi membro do Conselho Departamental do Centro de Ciências da Educação entre 1994 e 1995 e em 2007 e participou de concursos seletivos para professores substitutos. Mais tarde participou de um aperfeiçoamento do corpo docente por meio de convênios com a Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Lá, entre 1998 e 2000, realizou seu Mestrado em Comunicação e Cultura com a dissertação“Jornal de Teresina: a possibilidade do novo”, orientada por Raquel Paiva de Araújo. Na UFPI vinculou-se a diferentes projetos: coordenou a pesquisa A Construção da Imagem do Presidente Lula, desenvolvida junto ao Núcleo de Estudos da Comunicação da UFPI(1999) e participou do Grupo de Pesquisa e Política. Outras investigações de sua autoria geraram cursos de extensão na área do Radiojornalismo: Rádio Comunitária e Cidadania(1999), Produção e Apresentação em Rádios Comunitárias(1998) e Redação, Produção e Edição em Radiojornalismo(1992). Os eventos científicos que contaram com suas contribuições foram: I Conferência Internacional de Metodologia Q(2008), o simpósio Rádio Educativa e sua produção (2007), o I Encontro Regional de Comunicação: o curso da UFPI e sua contribuição à Sociedade Brasileira(2004); além do 1º Seminário Direito e Comunicação(2000) e os simpósios A construção de uma matriz curricular e Rádio e Cultura(1994). Muna Kalil não possui uma área específica de contribuição, mas seu trabalho está presente em diferentes fragmentos e processos, conciliando com sua vida pessoal. 439 CRISTIANE PORTELA Lívia Moreira Barroso Cristiane Portela de Carvalho nasceu 14 de agosto em Teresina(PI). É filha única de Maria do Socorro Portela de Carvalho e Edmundo de Carvalho e Silva. Passou sua infância em Esperantina(PI), onde iniciou sua formação escolar, e, de retornou à capital, concluiu o Primeiro e o Segundo Graus no Colégio São Francisco de Sales(Diocesano). Em 1991 ingressou na Graduação em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo – no Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Piauí(UFPI) em Teresina. Seu trabalho de conclusão“Imprensa teresinense: descaso pela educação?” foi defendido em 1995. No ano de 1996 passou a atuar como jornalista do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência Social, onde produzia e editava o jornal do órgão e realizava as funções de assessora de imprensa em eventos. Durante o ano de 1998 deu início ao curso de Especialização em Educação e Saúde Pública na Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP). Participou do V Simpósio de Pesquisa em Comunicação do Nordeste(Recife/PE, 1997), apresentando o trabalho“Estudo exploratório das imagens do Natal piauiense”, o qual foi publicado na revista Ciência e Cultura em inglês, e em uma versão atualizada na revista Linguagem, Educação e Sociedade, com o título“Estudo exploratório das imagens do Natal na mídia piauiense”, e com mais aprofundamento como capítulo de livro pela Universidade Metodista de São Paulo(UMESP) com o título“De Belém a Bagé: imagens midiáticas do Natal brasileiro”. 440 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Sua permanência no Sindicato foi por quatro anos e, em 2000, iniciou a carreira docente no Centro de Ensino Unificado de Teresina (CEUT), junto ao curso de Comunicação Social – Habilitação em Publicidade e Propaganda –, quando ministrou diversas disciplinas: Ética e legislação publicitária; Estudo orientado da Comunicação; Cultura brasileira e mídia; Mídia e História da Comunicação; e Teorias e métodos da pesquisa em Comunicação. No ano de 2001 iniciou como professora na Faculdade Santo Agostinho ministrando aulas no curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo –, com destaque para as disciplinas de Ética e Legislação Jornalística e História da Comunicação. Em 2003 passou a fazer parte do quadro docente do curso de Comunicação Social –Habilitação em Publicidade e Propaganda – da Faculdade Integral Diferencial(FACID), com a disciplina“Ética e legislação publicitária”. Em outubro de 2004 foi aprovada no Mestrado em Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Concluídas as disciplinas do Mestrado, no início de 2006 reassume suas atividades nas faculdades Santo Agostinho e CEUT. Neste mesmo ano começou sua segunda Especialização, desta vez em Docência do Ensino Superior, pela Faculdade Santo Agostinho, concluída em 2007 com o trabalho de conclusão“A ética na percepção do aluno de Jornalismo da Faculdade Santo Agostinho”. Antes disso terminou seu Mestrado, em dezembro de 2006, com a dissertação “A construção da identidade feminina na revista Veja”, orientada por Isaltina Mello Gomes. No ano de 2007 ingressou como professora substituta na UFPI no curso de Jornalismo. Em 2009 entrou no Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo(UMESP), concluído em 2011 com a tese“A divulgação científica em revistas especializadas: estudo comparativo”, com orientação de Isaac Epstein, que, ao se aposentar, foi substituído por Wilson da Costa Bueno. Em 2013 tomou posse como professora efetiva do Departamento de Comunicação Social da UFPI, Campus de Teresina. Desde então tem sido professora das disciplinas da área de Webjornalismo – Redação para Webjornalismo e Laboratório Avançado em Webjornalismo, além de atividades administrativas – comissões e coordenação de curso. Cristiane tem concentrado suas pesquisas na área do Webjornalismo e do Jornalismo Digital, publicando sobre convergência midiática 441 dos veículos de comunicação piauienses O Dia e Meio Norte. O foco principal de seus estudos tem sido os processos e as práticas do Webjornalismo da sociedade contemporânea por intermédio da Análise de Conteúdo, olhando empiricamente para os meios de comunicação de longo alcance. Ela tem 16 artigos científicos publicados em periódicos/revistas entre os anos de 1998 e 2023, além de 1 livro autoral, 3 livros como organizadora e 18 capítulos de livro. Tem 28 artigos publicados em anais de congressos regionais, nacionais e internacionais e 49 trabalhos em eventos da área. Participou de 20 bancas de defesas de dissertações de Mestrado; 20 bancas de qualificação de Mestrado; e 132 bancas de Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação. Como professora orientadora, supervisionou 1 estágio de Pós-Doutorado, orientou 6 dissertações de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFPI, 44 Trabalhos de Conclusão de Curso e 9 iniciações científicas. A trajetória de Cristiane Portela muito tem contribuído para o campo de atuação da Comunicação, sobretudo no Estado do Piauí, uma vez que ela sempre atuou no seu Estado de origem. Principais publicações PORTELA, C. Mulher na mídia: a construção da identidade feminina na Revista Veja. Teresina: EDUFPI, 2016. PORTELA, C.; GRANEZ, M. S. Editorias no Webjornalismo: uma análise comparativa dos portais de notícias 180graus/PI e Noroeste Online/RS. Revista Pauta Geral – Estudos em Jornalismo, v. 8, 2021. COSTA, R. M. B.; PORTELA, C. Circulação e(re)circulação de notícias: análise das interações no Facebook e Instagram do portal Cidade Verde. Revista ECCOM – Educação, Cultura e Comunicação, v. 12, 2021. 442 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste KELMA GALLAS Ana Isabel Freire Ana Kelma Cunha Gallas nasceu em 17 de agosto de 1966 em Caxias (MA). É a segunda dos seis filhos de Kleber e Yerecê Gallas. Cresceu em Teresina(PI) e transitou entre os Estados vizinhos. Cursou o Primeiro Grau no Instituto Dom Barreto, Colégio Diocesano e Colégio Sagrado Coração de Jesus. O Segundo Grau foi realizado no Colégio Sagrado Coração de Jesus e Colégio Andreas. Em 1986 ingressou no curso de Comunicação Social – Jornalismo – da Universidade Federal do Piauí(UFPI), iniciando sua trajetória profissional ainda com o curso de Graduação em andamento. Estagiou na Fundação Rádio e TV Educativa do Piauí em 1987, integrando um projeto do governo do Estado para formar equipe multiprofissional que lançasse as bases para uma televisão criativa e com programação própria. Trabalhou no núcleo de criação, alcançando o cargo de diretora da TV. Ainda durante a Graduação começa a construir sua trajetória no Jornalismo Cultural no Jornal O Dia, onde trabalhou de 1992 a 1998 como repórter do Caderno de Cultura Torquato, e depois no Jornal Diário do Povo(entre 2000 e 2002), como editora do Caderno de Cultura Galeria. Mesmo após deixar as redações jornalísticas, o vínculo com a área da cultura permaneceu por meio dos trabalhos como redatora, roteirista e diretora. Fundou a Associação dos Quadrinistas do Piauí na década de 1990, pela qual foram organizadas as primeiras feiras de quadrinhos de Teresina, além de projetos de leitura e produção de oficinas em escolas da capital. O gosto pelos quadrinhos também inspirou-a em seus primeiros trabalhos acadêmicos, ainda na Graduação, quando 443 iniciou sua produção discutindo sobre linguagem, produção gráfica e relação espaço-tempo nas obras. Em 2002 ingressou na docência, ministrando aulas no curso de Jornalismo da Faculdade Santo Agostinho(FSA), localizada em Teresina. Assumiu as disciplinas de Comunicação Gráfica em razão da experiência adquirida nas redações onde trabalhou. Além da FSA, atuou como docente no curso de Comunicação Social da UFPI e foi nesse período que o interesse pela pesquisa se manifestou. Ministrar disciplinas como Edição e Planejamento Gráfico, Introdução à Comunicação, Introdução à Comunicação Gráfica, Novas Tecnologias em Comunicação, Redação Jornalística, Técnicas de Entrevista e Reportagem, Fotojornalismo e Edição para Jornal, foi determinante para que se tornasse também pesquisadora. A primeira fase de suas pesquisas foi marcada pela observação das mudanças tecnológicas que ocorriam no âmbito das redações, principalmente relacionadas a questões técnicas, como as impressões em offset. A segunda fase teve como foco as disputas mercadológicas que se estabeleciam com a entrada do Grupo Meio Norte no mercado jornalístico piauiense. Em sala de aula esteve vinculada a discussões que abordaram o fazer do profissional no jornal impresso: redação, diagramação, fotografia e toda a parte de produção gráfica de jornal. Dentre os projetos de extensão é destaque a Agência de Comunicação Organização, desenvolvida na FSA, para capacitar alunos de Graduação nas atividades inerentes à comunicação organizacional. Kelma também esteve por mais de 20 anos à frente do Núcleo de Comunicação da faculdade, do Centro Universitário Santo Agostinho(UNIFSA). Desde 2007 é organizadora, no UNIFSA, da Semana do Orgulho de Ser(ou Semana da Diversidade), projeto realizado em parceria com o grupo Matizes, que se dedica à defesa dos direitos humanos, com ênfase na defesa da população LGBTQIA+. Em 2011 passa a integrar o Grupo de Pesquisa SEXGEN da Universidade Federal do Pará(UFPA), voltando-se à discussão sobre corpo, sexo e gênero. Neste mesmo ano ingressou no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPI. Defendeu a dissertação “Redes de sociabilidade gays em Teresina: lógicas e estratégias de pertencimento”, orientada por Fabiano de Souza Gontijo. Em 2020 ingressou no Doutorado em Políticas Públicas da UFPI, e 444 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste em 2025 defendeu a tese“O ativismo antigênero do observatório interamericano de biopolítica”, orientada por Olívia Cristina Perez. Além do trabalho como jornalista, da dedicação à docência e à pesquisa, foi roteirista do filme“Flor de Abril”(2011) e supervisora de roteiro do curta-metragem“Onde moram os cavalos marinhos” (2017). Como escritora, publicou, em 2017, o romance“Espelhos e Miragens”, premiado na categoria Literatura do 18º Prêmio Cidadania em respeito à diversidade, da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Kelma Gallas tornou-se uma importante referência, pois seu trabalho enfatiza a importância da relação entre o mercado de trabalho e a academia, bem como aponta para a pesquisa como um caminho indispensável para a reflexão sobre as práticas profissionais e educacionais na área. Principais publicações GALLAS, A. K. C. Impacto das novas tecnologias no design gráfico. Revista FSA, Faculdade Santo Agostinho, v. 1, p. 17-44, 2004. GALLAS, A. K. C.; RODRIGUES, Maria da Luz. Processo de informatização da imprensa piauiense. Revista FSA, Faculdade Santo Agostinho, v. 2, p. 122-145, 2005. GALLAS, Ana Kelma Cunha; REIS, Pâmela Laurentina Sampaio. Inclusão e exclusão: etnografia das redes de sociabilidades gays e lésbicas em Teresina. Amazônica – Revista de Antropologia, v. 8, n. 2, p. 416-433, 2016. GALLAS, Ana Kelma Cunha. Mulher-macho, sim senhor: discutindo a ambiguidade de corpos e de gênero na literatura brasileira. Journal of Social Sciences, Humanities and Research in Education, v. 4, n. 1, p. 31-37, 2021. GALLAS, A. K. C.; SOUSA, L. M.; ALMEIDA, R. L. Igualdade, liberdade e emancipação na pandemia da Covid-19. In: PASSOS, Guiomar de Oliveira; SANTOS, Kleber Montezuma Fagundes dos (org.). Proteção e liberdade: as escolhas trágicas de um Estado em crise. 1. ed. Teresina: EDUFPI, 2022. p. 37-58. V. 1. GALLAS, Ana Kelma Cunha. Espelhos e miragens. São Paulo: Editora Vira Letra, 2017. 445 SAMANTHA CASTELO BRANCO Elizângela Carvalho Samantha Viana Castelo Branco Rocha Carvalho nasceu em 15 de março de 1973 em Teresina(PI). É filha de Delson Castelo Branco Rocha e Sheila Viana Castelo Branco Rocha. É mãe de Caio e de Amanda. Seu percurso escolar foi realizado primeiro no Educandário Santa Maria Goretti, onde frequentou até o final da Educação Infantil, e, depois, no Colégio Sagrado Coração de Jesus (CSCJ), onde o concluiu. Ao ingressar na Graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Federal do Piauí(UFPI), em 1991, participou de monitorias, grupos de pesquisa e fez estágios. Em paralelo, buscou a experiência profissional. Fez estágio como repórter no Jornal O Dia e no Jornal Diário do Povo. Também atuou nas Assessorias de Imprensa da Polícia Militar do Piauí, na Coordenadoria de Comunicação Social da UFPI e na extinta Telecomunicações do Piauí S.A.(Telepisa). Em 1995 veio a conclusão da Graduação após a defesa do trabalho intitulado“O mito dos Projetos Experimentais em Jornalismo”, orientado por Antonia Osima Lopes. Para seguir a formação acadêmica foi para São Paulo(SP). Iniciou a Pós-Graduação lato sensu na Faculdade Cásper Líbero e, ao mesmo tempo, buscou novos conhecimentos em pesquisa no Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação(CELACC), sediado na Universidade de São Paulo(USP). Após a Especialização, começou o Mestrado na Universidade Metodista de São Paulo(UMESP), concluído em fevereiro de 1998 com a dissertação“Os desafios dos Projetos Experimentais em Jornalismo”, sob orientação de Maria das Graças Conde Caldas. 446 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste No mesmo ano iniciou o Doutorado e seu percurso na docência superior na UMESP. Durante este período desenvolveu atividades de Comunicação para o Desenvolvimento Regional como pesquisadora da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura(Cátedra Unesco/UMESP); integrou a Comissão de Reestruturação Curricular dos cursos de Graduação em Comunicação das Faculdades Integradas Alcântara Machado(FIAM); assumiu o cargo de coordenadora do curso de Jornalismo da FIAM; integrou o quadro de sócios-fundadores da Rede de Estudos e Pesquisa em Folkcomunicação(Rede Folkcom); e publicou, em coautoria, diversas obras de expressão na área, a exemplo de“Pensamento Comunicacional Brasileiro”(1998); ao mesmo tempo atuou como jornalista na Gazeta Mercantil. Em 2001 concluiu o Doutorado com a tese intitulada “Internacionalização da Mídia Brasileira: a trajetória da Gazeta Mercantil”, orientada por Anamaria Fadul. Durante este período participou de projetos colaborativos junto a vários professores da USP. Em 2003 retornou a Teresina. No mesmo ano assumiu a docência e a Coordenação do curso de Comunicação da Faculdade Integral Diferencial(FACID), e começou a ministrar aulas no Instituto de Ciências Jurídicas e Sociais Professor Camillo Filho(ICF) e no então Centro Universitário de Teresina(CEUT). Em 2004 tornou-se professora efetiva da UFPI. Na instituição, além do exercício da docência na Graduação e na Pós-Graduação, desenvolveu orientação de dezenas de Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC) e de dissertações de Mestrado; executou projetos de pesquisa e de extensão; realizou atividades de gestão como subcoordenadora do curso de Comunicação Social e subcoordenadora do Programa de Pós-Graduação na área; e integrou Comissões e Colegiados. Além disso, assumiu a chefia da Unidade de Comunicação Social do Hospital Universitário(HU) no período de 2014 a 2021 e a chefia da Coordenadoria de Comunicação Social de 2011 a 2014. Entre 2022 e 2024 atuou como superintendente de Comunicação Social na UFPI, acumulando atribuições como planejar, criar, supervisionar, inspecionar e avaliar as diretrizes de uma política global de comunicação para a instituição. 447 Além das atividades permanentes na universidade, ministrou aulas em cursos de Pós-Graduação realizados em outras instituições, a exemplo das seguintes: Instituto de Estudos Empresariais(IEMP), Universidade Aberta do Piauí(UAPI), Centro de Educação Aberta a Distância(CEAD), Escola Judiciária Eleitoral(EJE) e CEUT. O desafio de contribuir para a formação de comunicadores(as) e jornalistas no campo jurídico, conduziu-a ao curso de Graduação em Direito no Instituto de Ciências Jurídicas e Sociais Professor Camillo Filho em 2007. Ao final do novo curso, em 2011, recebeu a láurea acadêmica pela obtenção do maior coeficiente de rendimento escolar durante a Graduação. Nos anos seguintes voltou aos programas de Pós-Graduação para cursar a Especialização lato sensu em Direito Tributário, concluída em 2013. Ao longo de todo esse percurso no Núcleo de Pesquisa em Jornalismo e Comunicação(Nujoc) da UFPI, foi responsável pelo projeto de pesquisa intitulado“Regionalização da mídia piauiense”, vinculado à linha de pesquisa“Processos e Práticas do Jornalismo” do PPGCOM. Depois, em parceria, coordenou o projeto de pesquisa“Cartografia do Pensamento Comunicacional Piauiense”, no período de 2011 a 2013, culminando com a edição do livro Pensa.Com Piauí. Concentra seus trabalhos nas linhas do PPGCOM/ UFPI, dentre as quais estão: Internacionalização e regionalização midiática; Gêneros Jornalísticos; e Rotinas, processos e práticas jornalísticas. Além de atuar na Rede de Estudos e Pesquisa em Folkcomunicação desde 1998, coordena o Projeto de Pesquisa“Regionalização e mídia”, no âmbito dos veículos midiáticos do Piauí. Também integra a Rede Nacional de Combate à Desinformação(RNCD) desde sua criação em 2022. Estas atividades têm se revertido em publicações em periódicos, livros e coletâneas, assim como em comunicações realizadas em Congressos. Publicou“Regionalização Midiática e Folkcomunicação: reflexões e diálogos” como capítulo do livro “Cartografia da Folkcomunicação: o pensamento regional brasileiro e o itinerário de internacionalização”;“As agências de notícias e o fluxo internacional de informação”. Ademais dos textos já referidos, estão:“Comunicação, saúde e qualidade de vida em tempos de Covid-19: experiência no âmbito do Hospital Universitário da UFPI”, publicado em 2023, no livro“Cidadania comunicativa na era da desinformação”;“TV Regional: um estudo do processo de regionalização da TV Meio Norte(PI)”, publicado na Revista 448 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Internacional de Folkcomunicação, em 2022;“As Agências de notícias e o fluxo internacional de informação”, publicado na Revista Passagens, em 2020; e“Regionalização e Redações Convergentes: Estratégias Mercadológicas na Produção de Conteúdo”, publicada na Revista Brazilian Journal of Development, em 2020. Samantha Castelo Branco tem dado à pesquisa, ao ensino e ao exercício do Jornalismo piauiense sua colaboração para a consolidação da Comunicação enquanto campo científico e área profissional fundamentais para a democracia e a cidadania. Principais publicações CASTELO BRANCO, S. Pensamento comunicacional brasileiro: o grupo de São Bernardo. São Bernardo do Campo: UMESP, 1998. 636 p. V. 1. CASTELO BRANCO, S.; MARQUES DE MELO, J.(org.). Octavio Frias de Oliveira: 40 anos de liderança no Grupo Folha. 1. ed. São Paulo: UniFIAM-FAAM: FACOM, 2002. 149 p. V. 1. CASTELO BRANCO, S. Herbert Levy. Dinamizador do jornalismo econômico. In: MELO, José Marques de(org.). Imprensa brasileira: personagens que fizeram história. 1. ed. São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo, 2005. p. 157-170. V. 2. CASTELO BRANCO, S. Metodologia folkcomunicacional: teoria e prática. In: DUARTE, J.; BARROS, A. T. de.(org.). Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2005. p. 110123. V. 1. CASTELO BRANCO, S. Regionalização midiática e folkcomunicação: reflexões e diálogos. In: NOBRE, Itamar de Morais; LIMA, Maria Érica de Oliveira(org.). Cartografia da folkcomunicação: o pensamento regional brasileiro e o itinerário da internacionalização. 1. ed. Campina Grande: EDUEPB, 2019. p. 255-270. V. 1. CASTELO BRANCO, S. Comunicação, saúde e qualidade de vida em tempos de Covid-19: experiência no âmbito do Hospital Universitário da UFPI. In: GOBBI, Maria Cristina; VENTURA, Mauro Souza(org.). Cidadania comunicativa na era da desinformação. 1. ed. Bauru, SP: Canal 6, 2023. p. 260-280. V. 2. 449 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS Ana Isabel Freire Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Mestra em Comunicação pela Universidade Federal do Piauí(UFPI). Especialista em Gestão de Marketing Digital pelo Centro Universitário Uninovafapi e bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela UFPI. Servidora pública no Ministério Público do Estado do PI. anaisabelfreiremsm@gmail.com Elizângela Carvalho Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de Coimbra. Mestra em Letras pela Universidade Federal do Piauí(UFPI) e graduada em Jornalismo pela mesma instituição. Coordena o Global Media Monitoring Project(GMMP) no Brasil e colabora com os centros de investigação ICNova(Nova) e IA(UBI). elizc.noronha@gmail.com Lívia Fernanda Nery da Silva Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Tem Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Piauí(UFPI). Coordena o programa de extensão Rede e Observatórios de Acompanhamento e Formação de Professores da Educação Básica(REAFORPEB). Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPI. livia@ufpi.edu.br. Lívia Moreira Barroso Doutora em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG). Mestra em Comunicação e Culturas Midiáticas pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e graduada em Jornalismo pela Universidade Estadual do Piauí(UESPI) e em Licenciatura em História pela Universidade Federal do Piauí(UFPI). Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPI. liviabarroso@ufpi.edu.br 450 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Monalisa Pontes Xavier Doutora em Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos). Mestre em Psicologia Social e graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará(UFC). Professora do curso de Psicologia e do Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Piauí(UFPI) e do Mestrado Profissional em Administração Pública. É coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Comunicação, Identidades e Subjetividades e da Liga Acadêmica de Saúde Mental Piauiense. monalisapx@yahoo.com.br Samária Andrade Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília(UnB). Mestra em Comunicação e graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Piauí(UFPI). Professora de Jornalismo da Universidade Estadual do Piauí(UESPI) e líder do grupo de Pesquisa Trampo(Trabalho e Mídia: teoria e práxis noticiosa – UESPI/CNPq). samaria.andrade@hotmail.com Sônia Mariah Mestra em História do Brasil pela Universidade Federal do Piauí(UFPI) e graduada em Jornalismo pela mesma instituição. Doutoranda em Comunicação na Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). Professora efetiva do curso de Jornalismo na Universidade Estadual do Piauí(UESPI). soniamaria@cceca.uespi.br Thamirys Dias Viana Doutora em Ciências da Informação pela Universidade Fernando Pessoa – Porto/Portugal. Tem Mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Piauí(UFPI) e graduação em Comunicação Social pela mesma instituição. viana.thamirys@gmail.com 451 RIO GRANDE DO NORTE 452 Valquíria Aparecida Passos Kneipp 47 TRAJETÓRIA DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO POTIGUAR: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO O PIONEIRISMO DO JORNALISMO O campo da Comunicação no Rio Grande do Norte, apesar de estar em desenvolvimento há mais de 60 anos, tem se constituído de forma dinâmica em sintonia com a sociedade e as reais necessidades que se apresentam a cada momento. Este texto pretende apresentar um panorama da criação dos cursos por meio de uma breve trajetória deles, das atividades desenvolvidas e das agências de fomento existentes no Estado e sua importância e relação com a consolidação da área. O primeiro dos cursos da área de Comunicação Social no Estado do Rio Grande do Norte foi o de Jornalismo, em 1962, pela Lei Estadual 2.783, que criou a Faculdade de Jornalismo Eloy de Souza, que, inicialmente, era uma unidade independente e depois de um ano passou a ser administrada pela Fundação José Augusto. O Conselho Federal de Educação reconheceu o curso em 25 de setembro de 1968 por meio do Decreto nº 82.313, publicado no Diário Oficial da União. De acordo com Luiz Lobo( apud Queiroz et al., 2018), Eloy de Souza trata-se de uma homenagem ao jornalista que pesquisou a seca no Nordeste e chamou a atenção ao declarar que, enquanto o governo combatesse a seca, ela iria continuar. O jornalista denunciou que a pesquisa de armazenar água fazia aumentar a seca e, com isso diminuía a possibilidade de chuva, desta forma eram criados enormes espelhos que refletiam calor para a atmosfera e impediam a formação de nuvens carregadas. Na época ele foi ridicularizado ao mencionar os rios que corriam abaixo da superfície de todo o Nordeste. 47 Doutora em Comunicação(ECA/USP) e professora de Graduação e Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN) e Universidade Federal do Ceará(UFC). valquiriakneipp@yahoo.com.br 453 Segundo Queiroz et al.(2018), o diferencial da criação do curso como escola isolada não o submetia ao modelo predominante naquele momento, onde os cursos de jornalismo estavam vinculados às faculdades de Filosofia, sendo a Faculdade de Jornalismo pioneira no Nordeste. Depois de dez anos, em 1973, com a Reforma Universitária e um movimento organizado pelos alunos e professores, conseguiu agregar a então Faculdade à Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), que havia sido criada em 1958 e federalizada em 1960 48 . Em 1974 o curso passou a fazer parte do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes(CCHLA) e sua denominação passou a ser Curso de Comunicação Social. Com o tempo, as inovações tecnológicas e as mudanças das mídias, houve a necessidade de uma ampliação do termo Comunicação Social e a subdivisão em duas habilitações: Jornalismo e Radialismo(criadas em 26 de junho de 2001). O curso de Radialismo, em 2017, passou por uma reformulação e foi descontinuado para a criação do curso de Audiovisual. A criação do curso de Publicidade e Propaganda aconteceu em 2009. Sessenta e dois anos depois da criação do primeiro curso, o Departamento de Comunicação Social(DECOM) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) representa uma potência significativa nos quesitos de ensino, pesquisa e extensão como sustentação da universidade pública de qualidade. São três cursos de Graduação – Jornalismo, Audiovisual e Publicidade e Propaganda – e um Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia, consolidado com Mestrado e Doutorado, com 15 anos de consolidação. O DECOM conta com 37 docentes, entre efetivos e substitutos, que desenvolvem 53 projetos de extensão, 27 projetos de pesquisa e 10 projetos de ensino, que contribuem com a produção de conhecimento e prestam relevantes serviços à comunidade norte-rio-grandense. O Departamento de Comunicação Social é responsável pela formação humana de parte dos comunicadores que atuam no Estado e fora dele, além de consolidar uma base científica relevante, que tem contribuído na consolidação científica e educacional do campo da Comunicação. OUTROS ATORES DENTRO DO CAMPO Dentro os atores que protagonizam e contribuem para o crescimento dos cursos de Comunicação na região, três universidades são registradas além da UFRN, já apresentada no tópico anterior: a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), a Universidade Potiguar(UnP) e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). 48 Disponível em: https://ufrn.br/imprensa/reportagens-e-saberes/58485/ decom-60-anos#:~:text=A%20trajet%C3%B3ria%20do%20Departamento%20 de,Augusto%2C%20fundada%20um%20ano%20depois 454 TRAJETÓRIA DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO POTIGUAR: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste No processo de desenvolvimento dos cursos de Comunicação no Rio Grande do Norte e de fortalecimento do campo da Comunicação no Estado, no ano de 2002 a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte(UERN) criou o curso de Comunicação Social com três habilitações – Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Radialismo 49 – na cidade de Mossoró, ampliando o oferecimento de vagas e descentralizando a oferta, que estava concentrada somente na capital, também para o interior. De acordo com o projeto pedagógico 50 de 2012, o curso de Jornalismo começou na instituição como uma habilitação do curso de Comunicação Social(Bacharelado), criado pela Resolução n° 054/2002 – Consepe, de 2 de outubro de 2002. O curso de Publicidade e Propaganda, que inicialmente era Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda, em 2013 iniciou a separação das habilitações do curso de Comunicação Social e a transformação delas em cursos independentes. A habilitação de Publicidade e Propaganda tornou-se o curso de Publicidade e Propaganda com um novo projeto pedagógico e matriz curricular. Sua primeira turma, nessa nomenclatura, foi iniciada em 2017.2. O curso conta com ementas e novas disciplinas que atendem às particularidades do curso em relação à formação acadêmica e social do discente, do mesmo modo aos fundamentos básicos da UERN (o ensino, a pesquisa e a extensão) 51 . O atual curso de Rádio, TV e Internet é originado da habilitação em Radialismo do curso de Comunicação Social(Bacharelado) da UERN. O funcionamento do curso de Comunicação Social aconteceu a partir do segundo semestre letivo do ano de 2003. No primeiro ano foram oferecidas 45 vagas, distribuídas igualmente entre as habilitações de Jornalismo, de Radialismo e de Publicidade e Propaganda, totalizando 15 vagas para cada habilitação. Observando a posterior necessidade de divisão igual entre o número de vagas para alunos(as) oriundos(as) de escolas públicas e privadas(50% para cada grupo), o curso passou a oferecer 48 vagas, progredindo para 16 o número de vagas para cada habilitação, introduzido no vestibular do ano de 2004 52 . A segunda universidade do campo de formação do Rio Grande do Norte é a Universidade Potiguar(UnP), que está presente no Estado há mais de quatro décadas com a missão de formar cidadãos comprometidos com os valores éticos, culturais, sociais e profissionais, contribuindo – por meio do ensino, da pesquisa e da extensão de excelência – para o desenvolvimento sustentável do Rio Grande do Norte. A UnP foi fundada por Paulo de Paula em 1985. Inicialmente funcionava no Colégio Salesiano, com os cursos de Administração e Ciências Contábeis. Mantida inicialmente pela Sociedade Potiguar de Educação e Cultura Ltda.(APEC) – pessoa jurídica de natureza privada, constituída como empresa limitada com finalidade lucrativa –, a UnP é a primeira Universidade particular do RN, com funcionamento provisório nas 49 Atualmente Rádio TV e Internet. 50 Disponível em: https://portal.uern.br/fafic/jornalismo/ 51 Disponível em: https://portal.uern.br/fafic/publicidade-propaganda/ 52 Disponível em: https://portal.uern.br/fafic/radio-tv-internet/ 455 salas alugadas do Colégio Salesiano São José, sede provisória da Faculdade no antigo Bairro da Ribeira, na cidade de Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte. Em 1994 criou o curso de Publicidade e Propaganda(focado no estudo dos meios de comunicação) e, em 1997, Jornalismo(focado no estudo dos meios de comunicação para criação e compartilhamento de notícias). Depois veio o curso de Relações Públicas, dirigido por Simone Farret, e o curso de Cinema e Audiovisual(focado na produção cinematográfica). Ambos tiveram funcionamento de 2010 até 2015. Em substituição ao curso de Cinema e Audiovisual foi instituído o curso Tecnológico em Produção Audiovisual(2015), com dois anos de duração. Na mesma época, em substituição ao curso de Relações Públicas, foi criado o curso de Comunicação e Marketing, que oferece oportunidade para atuar no desenvolvimento, execução e avaliação de planejamentos de Comunicação e no gerenciamento de sistemas de informação em marketing. Para fechar o cenário que compõe o arcabouço do campo da Comunicação no Rio Grande do Norte em termos de instituições de formação universitária, o Instituto Federal do Rio Grande do Norte oferece, desde 2009, o curso de Graduação Tecnologia em Produção Cultural, que forma profissionais que atuam na produção, organização e promoção de eventos, projetos e produtos artísticos e culturais, esportivos e de divulgação científica, desenvolvendo ações que perpassam todas as etapas deste processo: pesquisa, planejamento, marketing, captação de recursos, execução, controle, avaliação e promoção de qualquer evento ou produtos de interesse da área, tais como: shows, espetáculos de teatro, de música, de dança, artes visuais, produções cinematográficas, televisivas e de rádio, festivais, mostras, eventos e exposições, entre outros, tanto em instituições públicas quanto privadas. Por fim, em 2014 foi criado o curso de Tecnologia em Marketing, com o objetivo de formar profissionais capazes de tomar decisões nos diferentes níveis hierárquicos de uma organização, traçando e executando estratégias de Marketing para alcançar os objetivos que a empresa deseja atingir. 456 TRAJETÓRIA DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO POTIGUAR: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Quadro 1 – Trajetória de criação dos cursos de Comunicação no RN Instituição Faculdade Eloy de Souza UFRN UFRN/CCHLA UNP UNP UFRN/CCHLA UERN UERN UERN UFRN IFRN UNP UNP IFRN UNP UNP UERN UERN UERN Curso Jornalismo Jornalismo Comunicação Social – Jornalismo Publicidade e Propaganda Jornalismo Comunicação Social – Radialismo Comunicação Social Radialismo Comunicação Social – Jornalismo Comunicação Social – Publicidade e Propaganda Comunicação Social – Publicidade e Propaganda Tecnologia em Produção Cultural Cinema e Audiovisual Relações Públicas Tecnologia em Marketing Tecnólogo em Produção Audiovisual Comunicação e Marketing Jornalismo Publicidade e Propaganda Rádio TV e Internet Cidade Natal Natal Natal Natal Natal Natal Mossoró Mossoró Mossoró Natal Natal Natal Natal Natal Natal Natal Mossoró Mossoró Mossoró Criação 1962 1973 1974 1994 1997 2002 2003 2003 2003 2009 2009 2010 2010 2014 2015 2015 2017 2017 2017 Elaborado pela autora com base nos dados das IESs. 457 AGÊNCIAS QUE FOMENTAM A PESQUISA NO RIO GRANDE DO NORTE(RN) No Rio Grande do Norte existem duas agências de fomento à pesquisa, a Fundação de Amparo e promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (FAPERN) e a Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura(FUNPEC). A FAPERN foi criada pela Lei Complementar Nº 257, de 14/11/2003, e tem seu funcionamento regido pelo Decreto nº 17.456, de 19/4/2004. Atua com recursos previstos na Constituição Federal e na legislação relativa à pesquisa científica e tecnológica. É vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (SEDEC). Tem como missão apoiar e fomentar a realização da pesquisa científica, tecnológica e a inovação para o desenvolvimento humano, social e econômico do Estado. Atua com os objetivos de apoiar e fomentar os programas ou os projetos de pesquisa realizados em instituições públicas ou privadas, a criação, a complementação e a modernização de infraestrutura necessária ao desenvolvimento científico e tecnológico, a concessão de bolsas de estudos e de pesquisa no país e no exterior, e a formação ou atualização de acervos bibliográficos e bancos de dados e de transmissão de informações vinculados ao desenvolvimento do conhecimento 53 . A FUNPEC foi instituída no dia 19 de outubro de 1978. Na época, o reitor da UFRN era o professor Diógenes da Cunha Lima. Trata-se de uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria e com autonomia patrimonial, financeira e administrativa e possui estatuto próprio. Com a finalidade inicial de promover o fomento às atividades de pesquisa, atua como uma intermediária entre a produção criativa do pesquisador da UFRN e as entidades públicas e empresas privadas da sociedade norte-rio-grandense. Ao longo de 46 anos a FUNPEC vem passando por algumas modificações, como no final da década de 1990, quando a fundação mudou e o funcionários, antes pertencentes à UFRN, foram substituídos por contratados via a Consolidação das Leis do Trabalho(CLT), dando um aspecto de profissionalização e modernidade em termos de gestão. Depois em 2012 aprovou nova alteração estatutária para atender às exigências legais e adequar-se à nova realidade de crescimento da UFRN, modernizando-se de acordo com as novas formas de gerenciamento de projetos e adequando-se às exigências dos Órgãos de controle internos e externos. Com foco no Resultado e na Sustentabilidade, em 2020 a FUNPEC realizou seu planejamento estratégico pautado por valores como ética, transparência, inovação e responsabilidade socioambiental. De acordo com o site da instituição, a sua missão é de“intermediar a promoção do conhecimento científico, tecnológico e suas inovações por meio da excelência em gestão de projetos 53 Disponível em: http://www.fapern.rn.gov.br/Conteudo. asp?TRAN=ITEM&TARG=15168&ACT=&PAGE=0&PARM=&LBL=Institui%E7%E3o 458 TRAJETÓRIA DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO POTIGUAR: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste de pesquisa, ensino, extensão e cultura a fim de contribuir para o desenvolvimento tecnológico, científico e socioeconômico do Brasil” 54 . Referências AIRES, Janaíne Sibelle Freires; SILVA, Eduardo Fernandes. Formação de mão-de-obra no mercado audiovisual potiguar: a inserção profissional de egressos dos cursos de Comunicação Social – Radialismo e Audiovisual. Intercom, 2020. Disponível em: https://portalintercom.org.br/anais/nacional2020/resumos/R15-0594-1.pdf. Acesso em 28 de fev. 2024. FAPERN. Fundação de Amparo e promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte. Apresentação. Disponível em: http://www.fapern.rn.gov.br/ Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=15168&ACT=&PAGE=0&PARM=&LBL=Instit ui%E7%E3o. Acesso em: 29 fev. 2024. FUNPEC. Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura. Histórico. Disponível em: https://funpec.br/historico/. Acesso em: 29 fev. 2024. QUEIROZ, Geraldo et al. Memórias: Faculdade de Jornalismo Eloy de Souza. Natal, RN: EDUFRN, 2018. UFRN. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Decom, 60 anos. Disponível em: https://ufrn.br/imprensa/reportagens-e-saberes/58485/decom60-anos#:~:text=A%20trajet%C3%B3ria%20do%20Departamento%20 de,Augusto%2C%20fundada%20um%20ano%20depois. Acesso em: 28 fev. 2024. UERN. Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Projeto Pedagógico curso de Jornalismo. Disponível em: https://portal.uern.br/fafic/jornalismo/. Acesso em: 29 fev. 2024. UERN. Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Projeto Pedagógico curso de Publicidade e propaganda. Disponível em: https://portal.uern.br/fafic/publicidadepropaganda/. Acesso em: 29 fev. 2024. UERN. Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Projeto Pedagógico do curso de Rádio, TV e Internet. Disponível em: https://portal.uern.br/fafic/radio-tv-internet/. Acesso em: 29 fev. 2024. 54 Disponível em: https://funpec.br/historico/ 459 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 460 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste ANA MARIA COCENTINO Juliana Bulhões Ana Maria Cocentino Ramos nasceu em 14 de fevereiro de 1943. É filha de Zuleide de França Cocentino. Concluiu o curso de Jornalismo em 1966. Foi da segunda turma da Faculdade Eloy de Souza, que, depois, foi incorporada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). Posteriormente cursou Graduação em História. Ela começou a atuação como jornalista em 1967, na Tribuna do Norte, em Natal. Foi a primeira fotojornalista e a primeira diagramadora de jornalismo impresso. Em 1969 começou a lecionar a disciplina História do Jornalismo, passando, em seguida, a ser professora efetiva do Departamento de Comunicação da UFRN, onde permaneceu até 1991, quando se aposentou. Foi chefe do Departamento de Comunicação (Decom-UFRN) e diretora do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes(CCHLA-UFRN). Também foi a primeira superintendente de Comunicação e diretora geral da Televisão Universitária da UFRN(TVU). Enquanto estava na UFRN cursou Mestrado em 1983. Em 2001 fez Doutorado(2001) em Educação na mesma instituição, defendendo a tese“Virando a página: o jornal na sala de aula”, orientada por José Willington Germano. Sua atuação como jornalista era paralela ao trabalho na Universidade, tendo passado pela Tribuna do Norte e pelo O Poti. Foi assessora de imprensa da Secretaria de Educação do Estado e do Instituto de Previdência dos Servidores de Natal, além de correspondente das Agências de Notícia ANDA e Meridional. 461 Foi a primeira mulher presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte(1986-1989) e dirigiu a Associação Norte-Rio-Grandense de Imprensa(ANI)(1974-1978). Após aposentada, nos anos 1990, teve expressiva atuação jornalística no Diário de Natal como editora do caderno mensal DN Educação, do qual foi a primeira editora, e coordenadora do Projeto Ler. Ana Maria Cocentino é reconhecida como uma das jornalistas profissionais pioneiras no Estado do Rio Grande do Norte com importante atuação tanto em redações da capital quanto na UFRN como professora e em outros cargos. Principal publicação RAMOS, Ana Maria Cocentino. Virando a página: o jornal na sala de aula. Natal: EDUFRN, 2006. 462 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste OTEMIA PROPINO Valquíria Aparecida Passos Kneipp Otemia Porpino Gomes nasceu em 14 de outubro de 1943 em Pirpirituba(PB). É filha de Otaciano e Noemia. No final de 1950 toda família foi morar em Natal, no Rio Grande do Norte(RN). Estudou no Colégio Estadual Norte-Rio-Grandense Atheneu de Natal. Aos 26 anos casou-se com Valdemar Gomes de Paula, com quem teve dois filhos: Volney Porpino Gomes e Valtemia Porpino Gomes. Cursou Jornalismo na primeira turma do primeiro curso do Estado, entre os anos 1963 e 1966, na extinta Faculdade de Jornalismo Eloy de Souza(que, em 1973, passou a fazer parte da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN). Ao graduar-se foi uma das primeiras mulheres do Rio Grande do Norte a trabalhar como jornalista no Estado, no Diário de Natal. Depois trabalhou na Fundação José Augusto. Em 1978 entrou na UFRN, onde trabalhou como professora do Departamento de Comunicação Social. Durante 35 anos de trabalho dividiu-se entre atividades administrativas e atividades didáticas, ministrando disciplinas em todos os cursos do Departamento de Comunicação Social até o ano de 2010. Entre as disciplinas estão História do Jornalismo, Seminários Integrados e Comunicação, Projetos Experimentais em Jornalismo, Teoria da Comunicação, Teoria da Comunicação I, Introdução ao Projeto Experimental em Comunicação, Estudos Orientados, Projetos Experimentais em Radialismo, Semiótica e Estética da Comunicação e Publicidade Norte-Rio-Grandense. Também ocupou as funções de chefe do Departamento e de coordenadora de curso por várias gestões. 463 Com o passar do tempo no magistério superior, resolveu ingressar na Pós-Graduação como uma forma de ascender na carreira acadêmica. Em 1997 iniciou o Mestrado no Programa de PósGraduação em Educação da UFRN, que foi concluído em 1999 com a dissertação“Imprensa feminina: o jornal A Esperança(19031909)”, quando teve como orientadora Maria Arisnete Câmara de Morais. A pesquisa destacou escritos sobre a cidade de Ceará-Mirim e sobre a imprensa feminina Norte-Rio-Grandense, e identificou o papel desempenhado pelo Jornal na organização e desenvolvimento da sociedade letrada do município, revelando a participação da mulher nas práticas jornalísticas daquela época e o papel dessas pioneiras do jornalismo feminino em prol do letramento e da participação da mulher em atividades de caráter público. No ano de 1989 Otemia foi selecionada para fazer um curso na Alemanha Oriental com jornalistas de países de língua portuguesa por alguns meses. Em 2002 iniciou sua pesquisa de Doutorado sob orientação de Marlucia Menezes de Paiva, na Faculdade de Educação da UFRN, tendo resultado, em 2007, a tese intitulada “Formação do jornalista Potiguar”. A pesquisa diagnosticou e analisou a dimensão educativo-pedagógica nos processos inerentes a essa formação profissional no RN. Ao longo de sua carreira acadêmica participou de vários eventos, como o Terceiro Congresso Luso-Brasileiro de Educação, em Coimbra, no ano 2000, apresentando o trabalho“Histórias do Jornalismo Rio Grandense, no grupo de trabalho sobre Escolas, Culturas e Identidades”; em 1999 do Oitavo Encontro REDO, em Fortaleza, com o texto“Imprensa Feminina: o jornal A Esperança”; e no ano de 1998 do Encontro Enfoque Feminista, as Ciências e a Academia – Novos Desafios, com a apresentação da pesquisa “Jornal Esperança”. Tendo suas pesquisas voltadas para a história da mídia e sobre a participação da mulher na imprensa regional do Nordeste, a professora participou de bancas de Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação discutindo estes temas. Entre os temas pesquisados foram registrados, ao longo de sua carreira na UFRN, projetos de pesquisa desenvolvidos por ela, como“Retrospectiva do Jornalismo em Natal”(2001 e 2002) e“Mídia-Alerta”(2004). Em 2013 aposentou-se da UFRN, deixando um legado marcado pelo pioneirismo, pela dedicação e pela inovação na forma de 464 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste administrar, de ensinar e de pesquisar, revelando características dos primórdios do jornalismo potiguar e contribuindo com a formação de diversas gerações de jornalistas do Estado. Principais publicações GOMES, Otemia Porpino. Imprensa feminina: o jornal a esperança. 1999. Dissertação(Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Programa de PósGraduação em Educação, Natal, RN, 1999. GOMES, Otemia Porpino. Formação do jornalista Potiguar. 2007. Trabalho(Conclusão de Curso) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Programa de Pós-Graduação em Educação, Natal, RN, 2007. 465 MIRIAN MOEMA Emily Gonzaga de Araújo Mírian Moema Filgueira Pinheiro nasceu em 24 de junho de 1953 em Mossoró(RN). Filha de Heitor Pinheiro e de Aurí Filgueira Pinheiro, é primogênita de uma família de cinco filhos. Com as mudanças oriundas do trabalho do pai, viveu por quase dez anos em Maceió (AL). Retornou para Mossoró aos 12 anos, permanecendo cerca de um ano. Estudou no Colégio Municipal de Anadia(AL) e no Colégio Estadual Winston Churchill, em Natal(RN). Em 1976 prestou vestibular para jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), curso concluído em 1979, tendo sido contratada como funcionária da TV Universitária(TVU – RN) ainda quando era estudante. Em 1980 começa sua carreira docente na Universidade Federal da Paraíba(UFPB) na área de Telejornalismo. Durante seu tempo de atuação foi vice-chefe de Departamento e também passou pela Associação dos Docentes da Universidade Federal da Paraíba (ADUFPB), ocupando o cargo de diretora de imprensa da entidade pelo período de dois anos. Em meados de 1985, por motivos familiares, decide retornar para o Rio Grande do Norte para atuar na UFRN, sendo lotada, inicialmente, no Campus de Macau, no interior do Estado. No ano seguinte, 1986, consegue transferência para Natal e fica definitivamente no Departamento de Comunicação(Decom) da UFRN. No Decom ocupou diversos cargos administrativos: chefia e vicechefia de Departamento; coordenação de curso; e membro de colegiado de curso em mais de um mandato. Na TV Universitária 466 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste esteve na Direção da TV pelo período de dois anos, concluídos em 2021. É membro fundadora da base de pesquisa mais antiga do Decom/UFRN, a Comunicação, Cultura e Mídia(Comídia), a qual criou junto com colegas. Já participou de mais de 20 projetos de extensão, destacando-se iniciativas como TV Decom, TV Azulão, Jornal da Cientec, Memorial Jundiaí e o Projeto“75 anos do rádio potiguar”, dentre outros. Mirian fez todas as suas Pós-Graduações na UFRN. Sua pesquisa de Mestrado deu-se no campo das Ciências Sociais, no âmbito da Antropologia, sob orientação de Lisabete Coradini, e resultou na dissertação“O anonimato e a fama no reality show: um estudo do BBB3”(2008). Já o Doutorado(2012) foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem, tendo sido orientada por Adriano Lopes Gomes, defendendo a tese“A TV como objeto de leitura da imagem no contexto escolar: uma pesquisa-ação com alunos do Ensino Médio”, que originou o livro“A leitura da imagem na TV e a dinâmica da recepção em Hoje é dia de Maria”. Ao longo dos mais de 30 anos de atuação docente, Mírian Moema é uma referência para o telejornalismo potiguar, sobretudo em relação à sua contribuição enquanto acadêmica dedicada a essa área desde o início de sua carreira docente. Principais publicações AGUIAR, J. O.; IRINEU, R. K.; PINHEIRO, Mírian Moema Filgueira. Educando para a paz. 1. ed. Campina Grande Paraíba: UFCG, 2013. 110 p. V. 1. GOMES, Adriano Lopes; PINHEIRO, Mírian Moema Filgueira. A leitura da imagem na TV e a dinâmica da recepção em Hoje é dia de Maria. 1. ed. Natal, RN: EDUFRN, 2017. 301 p. V. 1 GOMES, Adriano Lopes; PINHEIRO, Mírian Moema Filgueira (org.). Olhares midiáticos. 1. ed. Natal, RN: EDUFRN, 2018. 274 p. V. 1. Disponível em: https://pgcl.uenf.br/arquivos/ olharesmidiaticos_311020182121.pdf GOMES, Adriano Lopes; ZILMAR, José; MENDES, M; PINHEIRO, Mírian Moema Filgueira. Linguagem e inovações midiáticas. 1. ed. Natal, RN: EDUFRN, 2011. 198 p. V. 1. 467 JOSIMEY COSTA Mônica Mourão Josimey Costa da Silva nasceu em 19 de dezembro de 1961 em Guarulhos(SP). É filha de Maria Costa da Silva e de José Gomes da Silva. Cursou o Primeiro Grau na Escola Doméstica de Natal(RN) e o Segundo Grau no Colégio Marista, também de Natal(RN). Graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN-1980-1984), assumiu diferentes funções como jornalista de veículos impressos e audiovisuais. Trabalhou nos seguintes veículos: A Tribuna do Norte, Revista RN Econômico, Rádio Trairi(CBN local), TV Cabugi(InterTV) e TV Tropical. Depois disso foi para a TVU, já concursada como jornalista na UFRN. Passou a dirigir a TV entre 1991 e 1995, antes de se tornar professora. Na TVU apresentou o programa“Leitura Dinâmica”. Ainda criou e dirigiu o programa infantil“Tengo Telengo”. Foi superintendente de Comunicação da UFRN entre 2007 e 2011, período em que houve a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que agregou militantes pelo direito à comunicação em todo o país. Em 2009 ela foi uma das agentes públicas que representaram o Rio Grande do Norte(RN) no evento. Em 1994 foi aprovada em concurso público para professora na UFRN e logo cursou Mestrado(1996-1998) em Ciências Sociais na UFRN. A dissertação “A palavra sobreposta: imagens contemporâneas da Segunda Guerra em Natal” foi desenvolvida sob orientação de Maria da Conceição Xavier de Almeida. A pesquisa também resultou no documentário “Imagem sobre imagem: a Segunda Guerra em Natal”. De 2000 a 2004 fez Doutorado em Ciências Sociais/Antropologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), 468 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste realizando um estudo intitulado“No limite da traição: comunicação de massa, cinema e vínculos sociais”, orientado por Edgard de Assis Carvalho. Como resultado da cidade em seus estudos, coordenou o Grupo de Pesquisa em Comunicação e Culturas Urbanas da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) de 2012 a 2016. Com Pós-Doutorado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ), segue como docente nos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais(PPGCS) e de Estudos da Mídia(PPGEM-UFRN), além de ser integrante do Grupo de Estudos Transdisciplinares em Comunicação e Cultura(Marginália/UFRN/ Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq). Também é colaboradora da agência de reportagem SaibaMais e do Coletivo Mulherio das Letras Nísia Floresta. A universidade talvez fique no passado, uma vez que pensa em encerrar todas as atividades para se dedicar à escrita. Em 2024 concentrou-se na publicação de uma pesquisa científica sobre o humor da série de charges Cartão Amarelo(publicada na imprensa de Natal), um livro de poemas e um romance autobiográfico sobre sua avó. Principais publicações BORELLI, Sílvia H. S.; ROCHA, Rose de Melo; OLIVEIRA, Rita de Cássia Alves(coord.); SILVA, Euzébio Santos; SILVA, Gislene; SILVA, Josimey Costa da; SOARES, Rosana de Lima. Jovens na cena metropolitana: percepções, narrativas e modos de comunicação. São Paulo: Paulinas, 2009. GALENO, Alex; ALMEIDA, Angela; CARVALHO, Edgard de Assis; Silva, Josimey Costa da(org.). Brasil em tela: cinema e poéticas do social. Porto Alegre: Sulina, 2008. GALENO, Alex; CASTRO, Gustavo de; SILVA Josimey C da(org.). Complexidade à flor da pele: ensaios sobre ciência, cultura e comunicação. São Paulo: Cortez, 2003. SILVA, Josimey Costa da. Quase conto. Natal: Editora da UFRN – EDUFRN, 2014. SILVA, Josimey Costa da. A palavra sobreposta: imagens contemporâneas da Segunda Guerra em Natal. Natal: EDUFRN, 2013. 469 SILVA, Josimey Costa da. No limite da traição: comunicação de massa, cinema e vínculos sociais. Natal: EDUFRN, 2012. 470 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste GRAÇA PINTO Lídia Raquel Herculano Maia Maria das Graças Pinto Coelho nasceu em 5 de janeiro de 1956 em Natal(RN). É filha de José Anchieta Espínola Pinto Coelho e Auta Galvão Pinto Coelho. O Primeiro Grau foi cursado na Escola Doméstica de Natal, no Colégio Vera Cruz de Recife e no Colégio São José em Recife. O Segundo Grau foi realizado no Colégio Estadual do Atheneu Norte-Rio-Grandense. Graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte(1981-1985), teve formação atravessada pela ditadura militar. No período da Graduação participou de movimentos estudantis, do Comitê de Anistia e do Primeiro Congresso da Mulher do Rio Grande do Norte no Colégio Marista de Natal em 1982, como coordenadora do grupo Mulher e Comunicação. Na ocasião fazia um Programa de Rádio, na Rádio Cabugí, denominado“Maria, Maria, a rádio Mulher”, no qual respondia cartas de ouvintes, a maioria mulheres, sobre violência, sexualidade e amor. Sua monografia foi intitulada“As Rosas Não Falam...”, sob orientação de Rogério Cadengue. Ainda durante a Graduação foi subeditora de política do Jornal Tribuna do Norte, em Natal, e correspondente colaboradora para o Nordeste da revista Istoé. Após a formatura, em 1985, mudou-se para o Rio de Janeiro(RJ) e trabalhou um mês na editoria de Cidades do Jornal O Globo. Ainda em 1985 foi para São Paulo(SP) para atuar como subeditora de Sociedade da Istoé. Em 1986 trabalhou no Jornal da Constituinte, tendo entrevistado Luiz Inácio Lula da Silva e Luís Carlos Prestes. Logo depois atuou no jornal Folha de São Paulo como repórter 471 especial de Cidades. Teve, ainda, passagens pela Fundação Roberto Marinho e Telecurso 2000. Essas experiências estimularam o apreço pela intersecção mídia-educação, que foi mais aprofundado a partir de sua condução do projeto“EP – O Valor do Ensino Público” para a Globotec – Globo Tecnologia. Fez Mestrado(1993-1996) em Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRB) sob orientação de Arnon A. M. de Andrade, defendendo a dissertação“Educação e cultura da informação: a sacralização do refugo”. No Doutorado(1998-2002), realizado no mesmo Programa, teve o mesmo orientador. Realizou estágio doutoral na Loughborough University(Reino Unido) no ano 2000, com bolsa-sanduíche da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes), sob a orientação de Peter Golding, participando de pesquisas Culture and Media Analysis Research Group(CaMARG). Sua tese intitulou-se“A Escola Plugada: novas ferramentas no processo ensino-aprendizagem”. No ano de 1994 ingressou na UFRN como professora substituta, função que desempenhou junto a atividade de assessoria da Associação de Docentes da instituição(ADURN) durante dois anos, e como conselheira do Sindicato Docente durante três mandatos. Em 1996 foi efetivada como docente no curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo. Nessa função ministrou as disciplinas de Comunicação, Cultura e Sociedade; Teoria da Comunicação; e Sociologia da Comunicação. No Programa de PósGraduação em Estudos da Mídia ministrou disciplinas de Mídia, Cultura e Sociedade; Economia Política das Mídias; Metodologias de Pesquisa; Teoria da Comunicação; e Seminários de Publicização e Socialização da Pesquisa. Por fim, ministrou disciplinas no curso de Pós-Graduação em Educação, como: Introdução à Educação a Distância, Processos de Significação dos Produtos Midiáticos na Educação, Planejamento e Práticas da Gestão Escolar, entre outras. Em 2002 fundou o Grupo de Estudos de Mídia(Gemini) – Análises e Pesquisas em Cultura, Produtos e Processos Midiáticos/Práticas Sociais, liderando pesquisas interinstitucionais e sendo contemplada por editais de fomento à pesquisa, como o do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica – PROCAD-NF 796 – no âmbito do projeto“Interações Midiatizadas: Transformações da Comunicação Midiática na Esfera Pública, nos Sistemas Culturais e na Organização da Vida Cotidiana”. 472 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Desde 2005 atua como membro da Comissão de Seleção para ingresso nos níveis de Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN, o que exerce também no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia na mesma instituição. Foi, ainda, coordenadora do Programa de PósGraduação em Estudos da Mídia(PPGEM) durante três períodos (2009/2011, 2013/2015 e 2015/2017) e criou e coordenou o núcleo estruturante do Mestrado e do Doutorado em Estudos da Mídia. Igualmente, cooperou como membro do Núcleo Docente Estruturante do Departamento de Comunicação Social por dois anos(2014-2016). Como orientadora supervisionou trabalhos sobre televisão, mídia-educação, artefatos sociodigitais, cidadania, processos de significação, sociabilidades e interações, práticas sociais e diferentes aspectos culturais. Atuou, ainda, em projetos de extensão, como o“Lendo imagens, formando professores: projetando alternativas para análise das narrativas midiáticas”. Participou várias vezes como consultora Ad Hoc de projetos e ações da Capes, em diferentes períodos. Em 2014 coordenou a Comissão de Premiação do Prêmio Capes de Tese na área de Comunicação e Informação. Foi membro do Comitê de Avaliação da área do triênio 2010-2012 e participou da elaboração do Documento de área do Triênio 2014-2016. Graça Pinto desenvolveu a pesquisa Mídia-Alerta(2003), que examinou produtos midiáticos, analisando o noticiário local, que originou o Papo Cabeça, focado na análise da cidadania na cultura digital a partir dos relatos sobre apropriações de interfaces digitais por estudantes no Nordeste. Tem se dedicado à análise de afetos e sociabilidades mediadas por dispositivos sociotécnicos, formulada no projeto“Sentimentos mediados: dinâmica dos ódios e afetos partilhados em conversações em redes sociodigitais”(2018-2019). Tal pesquisa é o foco do Pós-Doutoramento na Universidade do Porto(Portugal). Aposentou-se do curso de Comunicação Social da UFRN desde meados de 2019, mas continuou colaborando com o Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia. Principais publicações COELHO, Maria das Graças P.; OLIVEIRA, Geilson F.“Trabalhar para sempre. E sem drama”: neoliberalismo e construções pedagógicas distópicas em Exame. Intercom, v. 41, p. 121-135, 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/1809-5844201827 473 COELHO, M. G. P.; MAIA, Lídia R. H.; SOARES, Afra M. Sentimentos mediados: sensacionalista produz narrativas de risos e discordâncias sobre o Caso Charlie Hebdo. E-Compós, v. 19, p. 1-18, 2016. FREIRE FILHO, João; COELHO, Maria das Graças P.(org.). Jornalismo, cultura e sociedade: visões do Brasil contemporâneo. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2014. 256 p. V. 1. SILVA, Mauricio Ribeiro; MENDONCA, Carlos Magno C.; CARVALHO, Carlos Alberto; MENEZES, José Eugenio O.; COELHO, Maria das Graças P.(org.). Mobilidade, espacialidades e alteridades. 1. ed. Salvador, BA: Edufba, 2018. V. 1. WEBER, Maria Helena; COELHO, Maria das Graças P.; LOCATELLI, Carlos. Comunicação Pública: práticas e pesquisa. Porto Alegre: Insular, 2017. 474 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MARCILIA MENDES Daiany Ferreira Dantas Marcília Luzia Gomes da Costa Mendes nasceu em 27 de março de 1964 em Mossoró(RN). É filha de José Serafim da Costa e Maria Salete Gomes da Costa, que tiveram três filhos. O Primeiro e o Segundo Graus foram realizados no Colégio Diocesano Santa Luzia. Trabalhou como bancária do extinto Banorte e foi aprovada no curso de Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) em 1983, quando conheceu o movimento estudantil, sendo vice-presidente do Diretório Central de Estudantes(DCE,) na chapa Disparada. Em 1985 casou-se e foi morar em João Pessoa(PB), quando foi aprovada no vestibular de Comunicação Social da Universidade Federal da Paraíba(UFPB) optando pela habilitação em Jornalismo. A conclusão do curso, em 1990, foi com a monografia sobre a representação colonizada do personagem Zé Carioca. Ingressou no Mestrado em Biblioteconomia em 1994, orientada por Henrique Magalhães, e defende a dissertação“Fragmentos do Discurso Quadrinizado” no ano de 1998. Após a conclusão do Mestrado, trabalhou no setor administrativo da Biblioteca do Centro Universitário de João Pessoa até mudar-se para Natal(RN). Por volta do ano 2000 coordenou a primeira Especialização em Comunicação Social do Rio Grande do Norte na Universidade Potiguar(UnP), onde fez uma seleção para professora. Na UnP colaborou com a arquitetura pedagógica e o desenvolvimento de projetos de pesquisa. Coordenou a Especialização em Comunicação e Linguagem. Montou e coordenou a hemeroteca do curso de 475 Comunicação e participou do primeiro Núcleo de Pesquisa em Comunicação da instituição, o NUPEC. Em 2002, junto ao NUPEC, realizou a pesquisa Mídia e Poder Político no RN, uma das primeiras na área de comunicação a analisar a questão da economia política nas concessões de TV aos políticos locais, o que rendeu orientações de Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC) e iniciação científica. Em 2003 foi aprovada no Doutorado em Ciências Sociais na UFRN, sendo, inicialmente, orientada por Alípio Souza e, posteriormente, por Julie Cavignac, com a tese“Crianças de papel: a infância nos quadrinhos de Maurício de Sousa”, defendida em 2008. Em 2004, ainda doutoranda, foi aprovada no concurso que iria instalar o primeiro curso de Comunicação na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte(UERN). Aprovada na vaga, Marcília inscreveu-se para estruturar a área“Pesquisa em Comunicação”. Ao longo de sua atuação no curso, Marcília ministrou muitas disciplinas teóricas, como Teorias da Comunicação I e II, Pesquisa em Comunicação e História da Comunicação a turmas que reuniam entre 45 e 60 alunos, uma vez que integravam as 3 habilitações do curso. Foi fundadora do Grupo de pesquisa“Comunicação, Cultura e Sociedade”, líder e fundadora do Grupo“Comunicação, cultura e práticas sociais”. Coordenou 15 projetos de iniciação científica (PIBIC), entre eles“Relações de gênero e discurso de ódio”(20182019) e“Páginas que sangram: juventude e violência no município de Mossoró-RN”(2017-2018). No contexto da Pós-Graduação, colaborou com a aprovação de duas Apresentações de Proposta para Curso Novo(APCN) – Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas(PPGCISH) e Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem. Foi representante da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais junto ao comitê de pesquisa da Universidade, e coordenadora das Edições UERN, período no qual consolidou a editora, estabelecendo parcerias com consultores e atualizando os registros do ISBN e do ISSN junto a Biblioteca Nacional. Foi a primeira mulher chefe de Departamento, numa chefia pró-tempore que durou oito meses, e uma das coordenadoras da comissão da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom Regional), sediado na UERN em 2014. 476 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste As contribuições de Marcília Mendes refletem de forma contínua, ao longo de sua participação, e desdobrada, com a inserção de seus ex-alunos e alunas nos quadros do Departamento de Comunicação, na solidez do curso e nas mudanças da profissionalização do mercado local. Marcília fundou o primeiro curso de Comunicação da UERN e hoje é professora aposentada desta instituição. Principais publicações MENDES, M. L. G. C.; SILVA, F. V. Sem poder, explosiva e fora do baralho: discursos sobre a presidenta Dilma Rousseff em capas de revistas jornalísticas. Âncora – Revista Latino-Americana de Jornalismo, v. 5, p. 116-126, 2018. OLIVEIRA, Geilson Fernandes; MENDES, M. L. G. C.; MENDES, M. L. G. C. A subjetividade nos discursos da literatura de autoajuda. Linguagem em(Dis)Curso,( on-line), v. 21, p. 117, 2021. RODRIGUES, B. S.; OLIVEIRA, Geilson Fernandes; MENDES, M. L. G. C. Prescrições para um casamento feliz: análise discursiva da obra Casamento Blindado. Temática – Revista Eletrônica, publicação mensal, v. 14, p. 113, 2018. 477 SOCORRO VELOSO Alice Oliveira de A ndrade Maria do Socorro Furtado Veloso nasceu em 14 de julho de 1965 em Belém(PA). É a penúltima de uma família de nove irmãos. Estudou na Escola Estadual Teodora Bentes, em Icoaraci(PA), e no Centro Técnico de Educação Profissional(CETEP)(Centro de Estudos Superiores do Pará – CESEP), onde cursou Publicidade em nível técnico. Em 1983 passou a cursar dois cursos simultaneamente: Psicologia, na Faculdades Integradas Colégio Moderno(FICOM), Universidade da Amazônia(UNAMA), e Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal do Pará(UFPA). Ao final de 1984 iniciou seu primeiro estágio, realizado entre abril e novembro daquele ano na Assessoria de Imprensa do escritório da Petrobras, em Belém. Na ocasião foi orientada pelo jornalista Carlos Castilho, assessor de comunicação da estatal. Já no início de 1985 conquistou seu primeiro emprego formal no jornal O Comunicado, publicação semanal do Centro de Estudos Superiores do Pará (Cesep), onde trabalhou como redatora e editora. Devido à rotina de trabalho, optou por se afastar da UFPA e dedicar-se à conclusão do curso de Psicologia no tempo previsto (1996). Apesar de não ter exercido profissionalmente a formação, a Psicologia trouxe-lhe uma base fundamental. Em 1986 ingressou no jornal Diário do Pará, de Belém, onde atuou como repórter e editora. Um ano depois foi contratada como repórter especial do jornal O Tropical, de Macapá, no então Território Federal do Amapá. Em 1988 assumiu o desafio de comandar a criação do Jornal do Dia. 478 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Em janeiro de 1989 foi contratada como redatora de O Liberal, de Belém, onde desempenharia, também, as funções de chefe de reportagem e editora de Cidades. Em meados de 1994 assumiu uma vaga na Assessoria de Imprensa do escritório regional da Companhia Vale do Rio Doce(CVRD), em Belém, enquanto finalizava o curso de Jornalismo(1995). Em seu Trabalho de Conclusão de Curso abordou o avanço da AIDS no Estado do Pará, sob a orientação de Edgar Proença. Em 1997 ela foi contratada como assessora de imprensa pelo governo do Estado do Pará, passando seis meses à frente do setor de comunicação do Instituto de Previdência do Pará(IPASEP). Após essa trajetória no mercado, Socorro Veloso decidiu desenvolver carreira na área acadêmica e ingressou, em 1996, no curso de Especialização em Teorias da Comunicação e da Imagem, do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Ceará(UFC). Em março daquele ano foi convidada a trabalhar como redatora do jornal O Povo. Seu Trabalho de Conclusão de Curso analisou o recém-inaugurado site do jornal cearense Diário do Nordeste. Ainda na capital cearense, foi contratada por meio de concurso, pela assessoria de imprensa do Sindicato dos Bancários do Ceará, atuando na redação e edição do jornal da categoria, o Tribuna Bancária. A partir de 1997 fez Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Multimeios do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), e sua dissertação, intitulada“Do impresso ao online – O hipertexto da notícia na Web”, foi desenvolvida sob orientação de Ivan Santo Barbosa e defendida no ano de 2001, ao mesmo tempo em que trabalhava como editora nacional e internacional do jornal Diário do Povo de Campinas(SP), além de produzir um caderno de informática semanal, o Cosmo, editado pela Rede Anhanguera de Comunicação. No Doutorado, iniciado em 2004 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(USP), defendeu a tese intitulada“Imprensa, poder e contra-hegemonia na Amazônia: 20 anos do Jornal Pessoal”, em 2008, no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação, sob orientação de Laurindo Leal Filho. A tese resultou em livro lançado em 2014. 479 Além disso, realizou estágios Pós-Doutorais junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC-2021-2022) e Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa( NOVA FCSH-2014-2015), quando combinou estudos de literatura, mídia e política a partir da obra do escritor português José Saramago(1922-2010). Coordena o projeto de pesquisa“O pensamento social de José Saramago: considerações a partir de oito entrevistas publicadas em livros”. Como docente, passou por instituições como o Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino(UNIFAE, de São João da Boa Vista-SP), em 2000, onde foi responsável pela efetivação de dois veículos laboratoriais: o jornal Entrelinhas, em 2001, e o BIC – Boletim Interno de Comunicação, em 2005. Em 2005 apresentou à direção do UNIFAE um projeto de estudos da mídia intitulado Memória.Com. Desempenhou, ainda, atividades docentes em duas outras faculdades: Prudente de Moraes(FPM), de Itu(SP), em 2008, como professora da disciplina Técnicas de Reportagem, e Instituto Superior de Ciências Aplicadas(ISCA Faculdades), de Limeira(2003). Lecionou, também, nas instituições Centro Universitário Nove de Julho(Uninove) e Centro Universitário Sant’Anna(Unisant’Anna), ambas em São Paulo. Ingressou como professora no curso de Jornalismo do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(Decom/UFRN) em 2008, onde exerceu função de vice-coordenadora do curso e ministrou disciplinas como Estilos Jornalísticos, Introdução ao Jornalismo, História e Legislação do Jornalismo, Laboratório de Linguagem Jornalística, Mídia ContraHegemônica, Projetos Experimentais em Jornalismo, Jornalismo em Transição e Jornalismo Literário. Em trajetória no Programa de PósGraduação em Estudos da Mídia(PPGEM), orientou 14 pesquisas de Mestrado e 6 de Doutorado. Na Graduação são 63 Trabalhos de Conclusão de Curso(TCC) orientados, 17 de iniciação científica e 11 de extensão. Resgatar a história e a memória do jornalismo brasileiro fazem parte da trajetória da professora Socorro Veloso. Além das iniciativas já mencionadas, no Decom/UFRN é coordenadora do projeto de ensino Laboratório de Linguagens e Memórias do Jornalismo (LABJORN), que prevê o incentivo à produção de entrevistas, 480 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste reportagens e/ou fotorreportagens publicadas na coleção de e-books“Jornalismo Potiguar”. Em 2017 ela foi eleita a melhor educadora do Nordeste na 3ª edição do Prêmio Professor Imprensa. Além da prática docente no curso de Jornalismo, desenvolve pesquisas no campo da comunicação contra-hegemônica, mídia e política e jornalismo e literatura. Integra as bases de pesquisa Pragmática da Comunicação e da Mídia(Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq/UFRN) e Epistemologias e Práticas Emergentes e Transformadoras em Comunicação, Mídias e Cultura(CNPq/ UFRN), do Conselho Consultivo do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo(FNPJ) e da Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo (REBEJ). A professora Socorro Veloso, que tem construído uma carreira forjada, em um primeiro momento, na lida diária com a notícia, e depois com dedicação à docência, extensão e à pesquisa, tem contribuído significativamente para a formação de profissionais e pesquisadores no campo do Jornalismo no Rio Grande do Norte e no Brasil. Principais publicações VELOSO, Maria do Socorro F. Imprensa e contra-hegemonia: 20 anos do Jornal Pessoal(1987-2007). Belém: Paka-Tatu, 2014. VELOSO, Maria do Socorro Furtado; LOPES, John Willian(org.). Depoimentos para uma história da imprensa potiguar. Natal: Tribo, 2018. 199 p. E-book. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/ handle/123456789/52433 VELOSO, Maria do Socorro Furtado; PAVAN, Maria Angela. De Senhora de Nazaré a“Nazinha”: singularidades na expressão do afeto à padroeira do Pará. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 11, n. 3, p. 621-631, set./dez. 2016. VELOSO, Maria do Socorro Furtado; MENDES, Henrique Alberto. Documentar, ir a campo e narrar: aproximações técnicas e diálogos críticos entre Saramago e o jornalismo. Revista Mídia& Cotidiano, v. 14, n. 2, p. 65-82, 2020. VELOSO, Maria do Socorro Furtado; ANDRADE, Alice Oliveira de. Aquilombamento virtual midiático: uma estratégia metodológica 481 para o estudo das mídias negras. Revista Alceu, v. 21, n. 44, p. 172189, 2021. VELOSO, Maria do Socorro Furtado; MENDES, Henrique Alberto; LOPES, John Willian(org.). Vozes do jornalismo cultural no Rio Grande do Norte. Natal: Ed. dos Autores, 2023. 156 p. E-book. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/52558 482 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste VERUSKA SAYONARA Daiany Ferreira Dantas Veruska Sayonara de Góis nasceu em 9 de março de 1977 em Apodi (RN). É filha de Vilson Alves de Góis e Maria Elza de Góis. Até os seis anos morou entre Felipe Guerra, Mossoró e Lavras. Aprendeu a ler em casa, o que a fez“pular” um ano do Ensino Básico. Do primeiro ao oitavo anos estudou no Colégio Sagrado Coração de Maria, e o Ensino Médio no União Colégio e Curso, em Mossoró(RN). Em 1993 passou em dois vestibulares: na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte(UERN) para Administração e na Universidade Federal do Semi-Árido(UFERSA) para Agronomia. Fez um semestre de Agronomia. Cursou, de 1995 a 1999, Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Fez estágios em pequenos jornais e revistas de Natal, como o Correio de Natal. Também trabalhou na Agência Escola da InterTV Cabugi, repetidora da Rede Globo. Defendeu a monografia intitulada“A desconstrução da Antena, a perspectiva do curso de jornalismo da UFRN para o meio TV”. Na UFRN cursou uma Especialização em Direito e Cidadania, desenvolvendo o trabalho“A ética da imagem: um estudo acerca do acesso à informação nos programas jornalísticos da televisão aberta brasileira”(2000), salientando o fait divers como um princípio que se eleva já à época. Entre 2001 e 2005 fez Graduação em Direito na UERN enquanto trabalhava como jornalista na cidade de Mossoró. Foi repórter 483 no jornal A Gazeta do Oeste de 2001 a 2002 e, em 2003, como colaboradora. Veruska foi uma das idealizadoras das primeiras iniciativas de Introdução à Formação em Jornalismo, com cursos de extensão na UFERSA, e Introdução à Leitura Crítica do Jornalismo(2002) e Jornalismo para Iniciantes I e II, na UERN. Em 2004 participou da seleção para professor temporário do recémfundado curso de Comunicação Social na UERN, Campus Mossoró, tornando-se a primeira professora do curso. Naquele mesmo ano foi a primeira colocada na vaga de redação jornalística do concurso para professor efetivo. Seus primeiros anos de atuação como professora também coincidiram com a conclusão de sua formação em Direito. Entrou no Mestrado em Direito na UFRN em 2007. Desenvolveu a dissertação“O Direito à informação jornalística: garantias constitucionais ao direito de ser informado no sistema brasileiro”, defendida em 2009 e orientada por Edilson Pereira Nobre Júnior. Ao retornar à UERN como mestre, institucionalizou um projeto de pesquisa sobre o código de ética do jornalista. Ao mesmo tempo foi chamada para assumir a chefia departamental. Em 2010 Veruska aceitou o convite para integrar o corpo docente do curso de Direito da UERN, solicitando uma remoção departamental, sem, no entanto, abandonar a comunicação enquanto objeto. Disso resulta o seu livro Direito à informação jornalística, uma versão atualizada da dissertação(2012), que versa sobre a dispensa do diploma de Jornalista e a revogação da lei de imprensa. Faz parte do grupo de pesquisa Comunicação e Sociologia do Jornalismo, na linha de Deontologia. Neste, coordenou os projetos “Acesso à informação e políticas públicas: uma abordagem a partir do Estado do Rio Grande do Norte”(2022),“Transparência ativa nos sites dos municípios potiguares: investigando a cultura do acesso à informação e da governança corporativa virtual no RN” e“Transparência ativa nos sites dos municípios potiguares: investigando a cultura do acesso à informação e da governança corporativa virtual no RN”(2021). Veruska Góis também coordena o Núcleo Memória, Comunicação e Direito à Informação(Midi), um laboratório de divulgação científica para o qual convergem seus projetos de ensino, pesquisa e 484 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste extensão, vinculados aos temas das políticas públicas de informação e direito à comunicação. Principais publicações GÓIS, Veruska Sayonara de. Eu queria saber como tirar um vídeo do YouTube para ninguém ver mais nunca? Direito à autodeterminação informativa de adolescentes. In: CAMPOS, Ricardo; MARANHÃO, Juliano; SOUSA, Francisco Cavalcante de; LUCENA, Marina Giovanetti Lili(org.). SEMINÁRIO PROTEÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM AMBIENTES DIGITAIS, 1., 2023, São Paulo. Anais[...]. São Paulo: Legal Grounds Institute, 2023. p. 111-125. GÓIS, Veruska Sayonara de. A judicialização da comunicação e a internet como mídia: uma investigação a partir da jurisprudência do STF. Revista Internet& Sociedade, v. 2, p. 188-213, 2021. GÓIS, Veruska Sayonara de; RODRIGUES, R. F. Q.; NOGUEIRA, J. A.; SILVA, L. R.; SILVEIRA, José Ricardo da(org.). Direito e mídia: questões sobre liberdade de expressão. 1. ed. Mossoró: Edições UERN, 2021. 101 p. V. 1. GÓIS, Veruska Sayonara de. O direito à informação jornalística. 1. ed. São Paulo: Intermeios, 2012. 142 p. 485 KÊNIA MAIA Janaine Aires Kênia Beatriz Ferreira Maia nasceu em 13 de maio de 1967 em Corumbá de Goiás(GO). É filha de Nilda Alves Ferreira Maia e de Agostinho Caetano Maia, e é a quinta de oito filhos. Ela é mãe de Carolina. Nos anos iniciais estudou na Escola Menino Jesus, em Anápolis(GO). Já o ginásio cursou no Colégio Estadual José Ludovico de Almeida. No Ensino Médio, no Colégio Einstein, fez um curso integrado, que significava cursar em dois anos os três habituais. Aos 16 anos, em 1984, tornou-se graduanda do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Federal de Goiás(UFG). Ainda na Graduação foi contratada como assistente de Administração, em 1985, pelo governo de Goiás. Nesta ocasião trabalhou como assessora na Secretaria de Segurança Pública e como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa de Goiás. Com a Constituição de 1988 foi enquadrada no regime estatutário, no começo dos anos 1990, como Técnico de Nível Superior. Kênia nutriu o sonho de estudar no exterior e, em 1991, iniciou um curso de língua francesa. Inscreveu-se, ainda, em um programa de Au Pair para cuidar de crianças em troca de moradia, alimentação, transporte, previdência e uma remuneração. Licenciada do serviço público, mudou-se para Paris para aprimorar o francês e trabalhar no cuidado de uma criança de cinco anos. Revalidou sua Graduação e na Université Paris X – Nanterre – conquistou uma vaga no Diploma de Estudos Aprofundados (DEA), equivalente ao Mestrado, e uma etapa preparatória para 486 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste o Doutorado. Seu trabalho final versou sobre a construção do acontecimento do acidente césio 137 em Goiás por um jornal de Goiânia e pelo Le Monde. Após dois anos, em virtude da negativa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para fomento de sua pesquisa de Doutorado, retornou ao Brasil e ao trabalho como servidora. Em 1995, com uma bolsa para cursar seu Doutorado, retornou à França, inicialmente na Université de Paris XIII – Paris Nord. Em 2003 tornou-se doutora pela Université de Metz(Université de Lorraine). Sua tese,“Approche comparative de la fonction de mediateur de presse dans les quotidiens bresilien Folha de São Paulo et francais Le Monde”, teve orientação de Jacques Walter. Manteve colaboração com o Centre de Recherches sur les Médiations da Université Paul Verlaine – Metz. Retornando ao Brasil, atuou como professora no Centro Universitário de Rio Preto(UNIRP), em São José do Rio Preto(SP), e na Faculdade ALFA, em Goiânia. Em 2003 vinculou-se à Universidade de Brasília (UnB) como bolsista recém-doutora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq). Nesta ocasião desenvolveu a pesquisa“O papel do leitor no processo de produção da notícia”, e ministrou a disciplina de Introdução à Comunicação na Graduação e“Seminário de Pesquisa” na Pós. Kênia participou da organização do I Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, que aconteceu em 2003, o qual inaugurou as atividades da Associação Brasileira de Pesquisadores do Jornalismo(SBPJor), da qual foi membro do Conselho Administrativo nas gestões de 2005-2007, 2007-2009, diretora administrativa de 2009-2011 e vice-presidente de 2011-2013. Em 2004 ingressou como professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), vinculada ao Departamento de Comunicação Social. Dedicada ao curso de Comunicação Social com habilitação em jornalismo, atuou no processo de atualização da grade curricular e na criação das Diretrizes Curriculares do Jornalismo, uma vez que foi coordenadora do curso de Jornalismo entre 2016 e 2020. Suas primeiras disciplinas no Departamento versaram sobre o jornalismo impresso e o jornalismo científico, e ao longo de sua 487 carreira ministrou“Teoria da Comunicação”,“Projetos Experimentais em Jornalismo”,“Ética Jornalística” e“Teorias do Jornalismo”. Entre 2004 e 2006 foi diretora de Políticas Sindicais da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Adurn). Tornou-se presidente da associação em 2006. É fundadora e vice-líder do Marginália – Grupo de Estudos Transdisciplinares em Comunicação e Cultura. Em 2014 tornou-se integrante do Grupo de Pesquisa em Análise Textual dos Discursos. Fez parte do Grupo de Estudos de Mídia – Análises e Pesquisas em Cultura, Processos e Produtos Midiáticos(Gemini). Em 2009 participou do processo de criação do Programa de PósGraduação em Estudos da Mídia(PPGEM), ao qual está vinculada como professora permanente. Também esteve ligada ao Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação e do Conhecimento (PPGCI) e à Especialização em Mídias na Educação. Na PósGraduação também atuou como gestora. Inicialmente foi vicecoordenadora do PPGEM entre 2009 e 2011, e foi coordenadora entre 2011 e 2013 e entre 2022 e 2024. Em 2015 fez estágio Pós-Doutoral na Universidade do Minho a partir de um Acordo de Cooperação Transnacional entre a Universidade de Brasília e a universidade portuguesa pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia(FCT/Capes). Nesta ocasião desenvolveu o projeto“Políticas de Comunicação, radiodifusão pública e cidadania: subsídios para o desenvolvimento sociocultural em Portugal e no Brasil”. Publicou vários artigos científicos, a maioria com coautorias:“O agenda-setting no Brasil: contradições entre o sucesso e os limites epistemológicos”; “O jornalista brasileiro face ao fim da obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão: reagenciamento do repertório de legitimação profissional”;“A modelização e o discurso de legitimação profissional do ombudsman de Imprensa”;“Liberdade de imprensa e identidade profissional no jornalismo: mito fundador ou discurso de autolegitimação”;“Legitimidade de fontes e opinião sobre coronavírus em O Grande Debate”. Kênia Maia é uma pesquisadora com importantes contribuições para a sua principal associação de pesquisa, a SBPJor. Sua vertente alia a reflexão sobre as produções de sentido e os desafios para a legitimação da atividade jornalística no Brasil. Tem mantido cooperação com universidades nacionais e estrangeiras, e é articulada à defesa da universidade pública, gratuita, inclusiva e de qualidade. 488 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Principais publicações MAIA, Kênia Beatriz Ferreira; AGNEZ, Luciane F. O agenda-setting no Brasil: contradições entre o sucesso e os limites epistemológicos. E-Compós, Brasília, v. 13, p. 1-16, 2010. MAIA, Kênia Beatriz Ferreira. A modelização e o discurso de legitimação profissional do ombudsman de Imprensa. Revista Estudos em Jornalismo e Mídia, Florianópolis: UFSC, v. 1, n. 2, p. 101-115, 2004. MAIA, Kênia Beatriz Ferreira; PEREIRA, Fábio Henrique. Liberdade de imprensa e identidade profissional no jornalismo: mito fundador ou discurso de autolegitimação. Revista Logos, UERJ, v. 17, p. 191202, 2010. MAIA, Kênia Beatriz Ferreira; COSTA, Juliana. Legitimidade de fontes e opinião sobre coronavírus em O Grande Debate. Revista Reciis – Revista Eletrônica de Comunicação, Informação& Inovação em Saúde, v. 15, p. 505-524, 2021. PEREIRA, Fábio Henrique; MAIA, Kênia Beatriz Ferreira. O jornalista brasileiro face ao fim da obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão: reagenciamento do repertório de legitimação profissional. Revista Trabajo y Sociedad, v. 26, p. 35-50, 2016. 489 VALQUÍRIA KNEIPP Renato Ferreira de Moraes, Juliana Bulhões, Alberto Dantas Valquíria nasceu em 26 de novembro de 1964 em Bauru(SP). É filha de Almezinda Passos e de Apparecido e tem três irmãos mais velhos. Na infância estudou no Serviço Social da Indústria(Sesi) e cursou Técnico em Publicidade no Colégio Liceu Noroeste de Bauru(SP). Em 1986 mudou-se para São Paulo(SP) e trabalhou como secretária, prestando, no final daquele ano, vestibular na Universidade de Mogi das Cruzes(UMC), onde cursou o primeiro ano e, com a estadualização da Universidade de Bauru(Universidade Estadual Paulista – UNESP), conquistou uma vaga na universidade pública. Ainda na Graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, estagiou como repórter fotográfica no jornal Diário de Bauru entre 1989 e 1991. Concluiu a Graduação em 1990, com o trabalho“Ecovisão: a ecologia na TV”. Terminada a Graduação, começou a trabalhar em Mato Grosso do Sul na TV Morena, afiliada da Rede Globo. No ano seguinte voltou para o interior de SP, desta vez para Araçatuba, onde trabalhou no Sistema Araçá de Comunicação, rede afiliada ao SBT, até o final de 1992. Já na capital paulista trabalhou na TV Record, onde esteve em duas ocasiões, como produtora e na assessoria de imprensa. Ainda em São Paulo, tendo como tema Teoria da Comunicação, ela concluiu Pós-Graduação lato sensu em 1995 na Faculdade Cásper Líbero(FCL), orientada por Laan Mendes de Barros. Em 1998 iniciou o Mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade de São Paulo(USP). Sua dissertação foi intitulada 490 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste “O discurso da reeleição: uma leitura da propaganda televisiva de Fernando Henrique Cardoso na campanha para a presidência da República de 1998”, orientada por Terezinha Fátima Tagé Dias Fernandes e defendida em 2002. Nesse mesmo período Valquíria foi professora em instituições privadas, como a Universidade Santo Amaro(UNISA), o Centro Universitário Sant’Anna(Unisant’Anna), a Universidade Anhembi Morumbi(UAM) e a Fundação Álvares Penteado(FAAP). Em 2005 ingressou no Doutorado em Ciências da Comunicação na USP, orientada por José Marques de Melo. Em 2006, após cumprir todas as disciplinas, mudou-se para Fortaleza, onde seguiu a trajetória de docente em cinco instituições: Universidade de Fortaleza(Unifor), de 2008 a 2011; Faculdade 7 de Setembro, de 2008 a 2009; Sociedade de Ensino Superior do Ceará(SESCE), de 2007 a 2008; Faculdade Integrada da Grande Fortaleza(FGF), de 2007 a 2008; e Faculdades Nordeste(Centro Universitário Fanor Wyden – Unifanor), em 2007. Também em 2007 participou do processo de instalação da TV O Povo, retransmissora da TV Cultura na capital cearense, onde trabalhou como coordenadora de produção. Em 2008 defendeu a tese“Trajetória de formação do telejornalista brasileiro – as implicações do modelo americano”. Valquíria prestou concurso para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN) em 2009, sendo empossada no mesmo ano. A primeira disciplina ministrada foi Oficina de produção e realização em rádio e TV. Desde então já coordenou ou participou de projetos na extensão, no ensino e na pesquisa. Entre 2010 e 2012 coordenou seu primeiro projeto de pesquisa na UFRN: Tradições e Fronteiras da Edição Linear e Não Linear. Participou de outros 11 projetos executados entre 2011 e 2022. Coordena três pesquisas: Uma dieta da informação: para uma leitura crítica da mídia no combate à desinformação; Revisitando a teoria dos gêneros jornalísticos: o formato entrevista(um panorama dos programas de entrevista da televisão brasileira); e Por uma trajetória de formação do telejornalista Potiguar: memória e história profissional. Também coordena dois projetos de extensão(JORNAU LAB – Plataforma transmídia de conteúdo Jornalístico Audiovisual; e Com/n(s) Ciência – A Comunicação de clássicos da Ciência em entrevista de releitura e atualização). Ela coordenou outros 17 projetos de extensão desde 2010. Um projeto de extensão de 2018, que reorganizou um programa de entrevistas utilizado na formação 491 de alunos de comunicação da UFRN, resultou no e-book Xeque Mate: a experiência de aprender, produzir e realizar um programa de entrevista na TV Universitária RN, publicado em 2022. Desde o ingresso na UFRN Valquíria ocupou uma série de funções em instituições de pesquisa. Entre 2012 e 2019 foi vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa Imagem, Mercado e Tecnologia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq); vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia(PPGEM) de 2013 a 2015 e de 2015 a 2017; e coordenadora do Programa entre 2017 e 2019. Desde 2018 faz parte da Rede de Pesquisadores em Telejornalismo(SBPJOR-Rede Telejor) e do Grupo de Pesquisa(GP) Telejornalismo da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom). Na Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Alcar) foi coordenadora de Grupos de Trabalho(GT), diretora científica (2007-2011) e diretora de Comunicação no período 2019-2023. É diretora da regional nordeste(2023-2026). Integrou a Comissão de Assessoramento da Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação(Socicom) entre 2020 e 2022 e Rede de Pesquisadores de História Conectada da Comunicação na América Latina e da Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD) a partir de 2019. Em 2017 organizou o livro Trajetória da TV no Rio Grande do Norte: a fase analógica, que resultou de um projeto de pesquisa. Em 2021 publicou o e-book transmídia Voz e vez da redação: memórias da trajetória de formação do telejornalista brasileiro, com a recriação dos textos das entrevistas realizadas durante a pesquisa de Doutorado. A partir de 2020 passou a integrar o Grupo de Estudos da Nova Ecologia dos Meios(Genem) da UNESP de Bauru, como líder da Linha de Pesquisa Estudos da Mídia e Práticas Sociais. Em 2021 fez parte do Grupo de Pesquisa Jornalismo Popular e Alternativo (Alterjor) da Escola de Comunicações e Artes(Eca-USP), e do Grupo de Estudos de Mídia – Análises e Pesquisas em Cultura, Processos e Produtos Midiáticos(Gemini) da UFRN. Valquíria voltou a Bauru em 2020 para o estágio de PósDoutoramento na UNESP para investigar as transformações nos telejornais depois da digitalização, a partir dos fenômenos da midiatização e da narrativa transmidiática. 492 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Em 2022 criou a Revista Brasileira de Estudos da Mídia – Iniciação científica, publicação do Grupo de Pesquisa Gemini, do Centro de Ciências Humanas Letras e Artes, destinada a professores em parceria com estudantes de Graduação em Iniciação Científica, mestrandos e doutorandos. Na Graduação ministra as disciplinas Jornalismo regional, Laboratório de audiovisual, Tópicos especiais em TV e Metodologia e pesquisa em comunicação. Nos cursos de Mestrado e Doutorado, as disciplinas Seminário de formação doutoral I(pré-qualificação) e II(qualificação), Seminários de pesquisa(I, II e III – Doutorado), Seminários de orientação(I, II e III – Mestrado), Tópicos Especiais em Comunicação(Trajetória História e Memória da Mídia) e Estudos da Mídia e Práticas Sociais. Valquíria Kneipp tem contribuído na consolidação do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da UFRN, bem como nas pesquisas de jornalismo e na trajetória da televisão regional e telejornalismo. Principais publicações KNEIPP, Valquíria Aparecida Passos; MULATINHO, Alexandre Ferreira; MORAES, Renato Ferreira de; ARAÚJO, Emily Gonzaga de (org.). Xeque Mate: a experiência de aprender, produzir e realizar um programa de entrevista na TV Universitária RN. Natal: EDUFRN, 2022. KNEIPP, Valquíria. Voz e vez da redação: memórias da trajetória de formação do telejornalista brasileiro. Aveiro: Ria Editorial, 2021. KNEIPP, Valquíria; GOSCIOLA, Vicente; SEDEÑO, Ana, SUING, Abel; ORTEGA, Felix(org.). Narrativas: da televisão às novas linguagens e negócios. Aveiro: Ria Editorial, 2018. KNEIPP, Valquíria(org.). Trajetória da TV no Rio Grande do Norte: a fase analógica. Natal: UDUFRN, 2017. SUING, Abel; KNEIPP, Valquíria(org.). Olhares sobre a imagem em movimento. Aveiro: Ria Editorial, 2020. 493 ANGELA PAVAN Andrielle Cristina Moura Mendes Guilherme Maria Angela Pavan nasceu em 15 de setembro de 1961 em Pedreira (SP). É filha de Eunice Castello Pavan e de Nero Luiz Pavan. Cursou o Primeiro Grau na Escola Cel. João Pedro de Godoy Moreira e o Segundo Grau na Escola Prof. Anibal de Freitas. É graduada em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em Campinas(PUC-CAMP-1983) e mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP-1993), onde defendeu a dissertação“O vídeo como instrumento de animação cultural: estudo de caso dos trabalhadores ceramistas da cidade de Pedreira-São Paulo”, orientada por Luis Fernando Santoro. É doutora em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas(Unicamp-2003), defendendo a tese“A narrativa da televisão como suporte para a percepção do cotidiano: leitura crítica e mediações, a criança e a TV”, orientada por Antonio Fernando da Conceição Passos. Cursou o seu estágio Pós-Doutoral na Universidade de São Paulo(USP) entre 2014 e 2015. Em 2008 ingressou como professora na Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). Desde então atua no Departamento de Comunicação Social, e na Pós-Graduação em Estudos da Mídia (PPGEM) na linha de pesquisa Estudos da Mídia e Produção de Sentido. Foi vice-coordenadora do Grupo de Pesquisa Pragmática da Comunicação e Mídia(Pragma) e coordenou o curso de Comunicação Social – Audiovisual. Leciona Tópicos em Comunicação Midiática 2 e 3; Estudos de Mídia e Produção de Sentido; Economia Política do Audiovisual; Teorias das Imagens; TV 1; Documentário; Dramaturgia e Roteiro; Direção de fotografia; Gestão em Comunicação; Cultura 494 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste da Imagem na Contemporaneidade; Comunicação, Cultura e Sociedade; Introdução à Televisão; Linguagem Audiovisual, entre outras disciplinas ministradas na Graduação em Comunicação e no PPGEM. Angela atua como pesquisadora do Grupo de Estudos Semióticos em Comunicação e Cultura e Consumo(GESC3) da Escola de Comunicações e Artes(ECA) da USP e do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Linguagem, Ensino e Narrativa da Universidade Estadual Paulista(UNESP). Coordenou o grupo de Trabalho de História da Publicidade e da Comunicação Institucional da Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia(Rede Alcar) entre 2014 e 2019, e o Programa Nacional de Cooperação Acadêmica(Procad) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(Capes) – cujo tema foi“Comunicação e Mediações em Contextos Regionais: usos midiáticos culturais e linguagens”(USP/UFRN/Universidade Federal de Mato Grosso do Sul-UFMS), entre 2017 e 2020. Pesquisadora da Rede de Comunicação, Cidadania, Educação e Integração na América Latina(Rede Amlat), do Fórum para o Progresso da América do Sul(Prosul) e representante do Comitê Regional Nordeste da Associação Brasileira de Pesquisadores em Publicidade(ABP 2), tem desenvolvido trabalhos sobre a História do Audiovisual e Produção Audiovisual, Novas linguagens no Documentário, Imagens e Narrativas, História de Vida e Comunicação e Cultura. Em seus estudos já analisou diversos fenômenos comunicacionais, como modelos de desenvolvimento das televisões comunitárias; cinema e as questões étnicas; políticas públicas em comunicação no contexto latino-americano e especialmente no Brasil; gestos, segredos e cores de experiências de dragstars; identidade, histórias de vida e memória; imprensa contra-hegemônica na Amazônia brasileira; documentário e memória afetiva; a produção audiovisual no Nordeste, entre outros temas. Faz parte do projeto“Práticas e reflexões em torno de etnografias audiovisuais participativas”, que congrega pesquisadores da antropologia, das artes e da comunicação dedicados a analisar as produções audiovisuais participativas realizadas com populações nas cidades de Belém do Pará, Natal e em Melgaço do Minho e do Marajó, numa parceria entre a Associação de Animação e Produção Audiovisual em Portugal, Universidade Federal do Pará(UFP) e a UFRN por meio do Grupo de Pesquisa 495 em Antropologia Visual(Visagem), do Núcleo de Antropologia Visual(Navis), do Grupo de Estudos em Cinema e Narrativas Digitais (Cinemas) e Pragmática da Comunicação(Pragma). Organizou eventos como“A Universidade no Ar”, em 1998, além do XXXI Congresso Brasileiro de Ciência da Comunicação(2008); I Mostra Audiovisual da UFRN(2008);o Minicurso Narrativa Transmídia – do cinema para as novas mídias(2010); o X Seminário Internacional de Metodologias Transformadoras da Rede Amlat (2016); o XII Encontro Nacional de História da Mídia(Alcar), em 2019, e o Seminário Internacional de Pesquisa em Comunicação Midiática: Fundamentos Teóricos e Metodológicos na Investigação em Comunicação Intercultural(2014). No âmbito audiovisual, coproduziu os documentários Seu Pernambuco(2013); No mato das mangabeiras(2014); Divas do samba(2015) e O cantador de mortes(2019), entre outros. Angela Pavan faz parte do grupo dos professores que ajuda a acender o sol interior e ensina a cuidar dele como parte de sua atuação como professora e pesquisadora na UFRN. Principais publicações BARRETO FILHO, E. T.; MALULY, Luciano V. B.; PAVAN, Maria Angela; FERNANDES, M. L.(org.). Comunicação e mediações novas perspectivas. 2. ed. São Paulo: Editora da USP-ECA/USP, 2021. PAVAN, Maria Angela; MAIA, Marta Regina. A memória afetiva da propaganda. Novo Hamburgo, RS: Editora Feevale, 2008. PAVAN, Maria Angela; FISCHER, L.(org.). Alternativas, mídias e história da comunicação persuasiva e institucional. Piracicaba, SP: Gráfica e Editora Degaspari, 2011. PAVAN, Maria Angela; LISBOA FILHO, Flavi F.; MORAES, Ana Luiza Coiro(org.). Histórias e reflexões da publicidade e propaganda e da comunicação institucional. Natal, RN: EDUFRN, 2015. PAVAN, Maria Angela; LISBOA FILHO, F. F.; MORAES, A. L. C. Histórias e memórias da comunicação institucional e publicitária. Campina Grande, PB: EDUEPB, 2017. PAVAN, Maria Angela; CORADINI, Lisabete(org.). Narrativas, memórias e itinerários: cadernos de campo 1. Campina Grande: EDUEPB, 2018. 496 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS Alice Andrade Professora substituta do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(Decom/UFRN). Doutora e mestra pelo Programa de PósGraduação em Estudos da Mídia(PPGEM). Pesquisadora do Grupo de Pesquisa VISU – Laboratório de Práticas e Poéticas Visuais(UFRN/CNPq). aliceandrade@live.com Andrielle Cristina Moura Mendes Guilherme Doutora em Estudos da Mídia pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). Bolsista do Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia da Fundação Oswaldo Cruz(Fiocruz). Membro do Grupo de Pesquisa Pragmática da Comunicação e da Mídia e do Grupo de Pesquisa Visu, ambos da UFRN. andriellecmmg@gmail.com Daiany Ferreira Dantas Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte(UERN). Professora do curso de Rádio, TV e Internet da UERN. Doutora e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). daianydantas@uern.br Emily Gonzaga de Araújo Jornalista e doutora em Estudos da Mídia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN); professora substituta no Departamento de Comunicação da UFRN, onde ministra disciplinas nos cursos de Jornalismo, Audiovisual e Publicidade. Integrante da Recria – Rede de Pesquisa em Comunicação, Infância e Adolescências. gonzaga_araujo@yahoo.com.br Janaine Aires Professora do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia e do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). 497 Doutora e mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). Líder do EPA! – Grupo de Pesquisa em Economia Política do Audiovisual. janaineaires@gmail.com Juliana Bulhões Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília(FAC-UnB). Mestre em Estudos da Mídia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte(PPGEM-UFRN). Pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia(INCT) – Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho(CPCT) – Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia da Fundação Oswaldo Cruz(Fiocruz). Bolsista de Desenvolvimento Tecnológico Industrial do CNPq. julianabulhoes.ad@gmail.com Lídia Raquel Herculano Maia Pesquisadora Pós-doc no Programa Inova Fiocruz. Doutora em Comunicação Social pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos), com bolsa sanduíche na Flórida State University, e mestra em Estudos da Mídia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). lidiarhmaia@gmail.com Mônica Mourão Professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN), onde coordena o curso de Jornalismo. É doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense(UFF) e graduada em Comunicação Social – Jornalismo – pela Universidade Federal do Ceará(UFC). Integra o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. monica.mourao@ufrn.br Renato Moraes Doutor e mestre em Estudos da Mídia, bacharel em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN). Integrante do Grupo de Estudos sobre Nova Ecologia dos Meios(GENEM-Universidade Estadual Paulista – Unesp) e do Grupo de Estudos de Mídia(GEMINI) – Análises e Pesquisas em Cultura, Processos e Produtos Midiáticos(UFRN). rmoraes132@gmail.com Valquíria Aparecida Passos Kneipp Professora dos Programas de Pós-Graduação em Estudos da Mídia do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte(UFRN) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC). Doutora e mestre em Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Pós-doutora em Comunicação pela Universidade Estadual Paulista(Unesp) de Bauru. valquiriakneipp@yahoo.com.br 498 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS SERGIPE 499 Jean Fábio Borba Cerqueira 55 O DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE(UFS): UM BREVE PERCURSO HISTÓRICO A Universidade Federal de Sergipe(UFS), única universidade pública sediada no menor Estado da federação, foi criada em maio de 1968, e hoje atua nos municípios de Aracaju, Lagarto, Laranjeiras, Itabaiana e São Cristóvão, ofertando, anualmente, 5.260 vagas em 102 opções de cursos. Seu Departamento de Comunicação Social (DCOS) surgiu de forma tardia, em 2008, 16 anos após o início da oferta de curso de Graduação relacionado, em 1992, junto ao então Departamento de Letras. O DCOS oferece três cursos de Graduação – Bacharelados em Jornalismo, Cinema e Audiovisual e Publicidade e Propaganda, cujo ingresso anual totaliza 150 vagas, além do curso de Mestrado Acadêmico em Comunicação Social, oferecido pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social(PPGCOM), e do curso de Mestrado Interdisciplinar em Cinema e Narrativas Sociais, oferecido pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Cinema(PPGCINE). Seu corpo docente efetivo é formado por 28 professores, 10 deles atuando no curso de Jornalismo, 9 no curso de Publicidade e Propaganda e 9 no curso de Cinema e Audiovisual. As mulheres respondem por pouco mais da metade destas vagas. Ao longo de três décadas de existência, a UFS, por meio do DCOS, consolidou sua atuação no cenário comunicacional sergipano não apenas na formação de profissionais aptos para atuação no mercado, mas também no que diz respeito à pesquisa e à prática extensionista. Esta trajetória teve início com a oferta do curso de Graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe, no primeiro semestre do ano de 1993, em decorrência do Processo Nº 6657/92-46, aprovado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão(CONEP) no ano de 1992. Concretizava-se, desta forma, um antigo anseio da comunidade sergipana que remonta ao ano de 1968, quando da fundação da instituição. 55 Professor do curso de Cinema e Audiovisual do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe(UFS). jeanfabioufs@gmail.com 500 O DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE(UFS): UM BREVE PERCURSO HISTÓRICO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Na verdade, a perspectiva inicial era que as habilitações relacionadas integrassem o chamado Instituto de Letras, Artes e Comunicação(ILAC), que contaria com três Departamentos. No ILAC, contudo, apenas foi criado o Departamento de Letras, restando aos demais esperar pela superação de uma série de dificuldades legais e econômicas que comprometeram a expansão da UFS ao longo das décadas de 1970 e 1980. Assim, somente na década de 1990 as três habilitações que iriam compor a oferta de Graduação em Comunicação da UFS foram efetivamente concebidas, e o Departamento de Letras, pilar inicial do ILAC, foi protagonista deste processo. A Resolução nº 09/92/CONEP aprovou o projeto do curso de Graduação em Comunicação Social com as habilitações em Comunicação Social/Jornalismo (Bacharelado), Comunicação Social/Radialismo e Televisão(Bacharelado) e o curso de Arte-Educação(Licenciatura Plena em Artes Plásticas). Antes disso, e ainda no âmbito do ILAC, a Comunicação Social figurou apenas como curso de extensão, coordenado pelo Centro de Treinamento para o Desenvolvimento(CETRED) da UFS, conforme atesta a Resolução nº 13/78/CONEP. A oferta iniciada em 1993 contemplou 45 vagas preenchidas no primeiro semestre letivo por meio de concurso vestibular, distribuídas igualmente entre as três habilitações: 15 vagas para Comunicação Social/Jornalismo(Bacharelado), 15 para Comunicação Social/Radialismo e Televisão(Bacharelado) e as demais 15 para o curso de Arte-Educação(Licenciatura Plena em Artes Plásticas). A duração mínima prevista para a integralização das duas primeiras habilitações era de três anos, um a menos do que era exigido para a Licenciatura em Arte-Educação. Conforme projeto político pedagógico 56 inicial do curso, seus objetivos estavam alinhados ao contexto em vigor, pautando-se pelo primado midiático do jornalismo impresso, do rádio e da televisão, e que necessitava cada vez mais de profissionais qualificados ao exercício das funções. Neste sentido, a UFS assumiu seu papel social, esforçando-se para a formação de um espaço acadêmico de reflexão sobre a importância da comunicação para a sociedade sergipana. Ainda abrigado no Departamento de Letras, o corpo docente do curso de Graduação em comunicação foi gradativamente constituído ao longo dos anos 1990. Os primeiros professores aprovados em concurso público foram: Sebastião de Sá Figueiredo, que ingressou em Radialismo e Televisão no ano de 1993(aposentado em 2017); Carlos Eduardo Franciscato, no curso de Jornalismo em 1994; Mirian Nogueira Tavares ingressou em Radialismo e Televisão no ano de 1995(exonerada a pedido em 2008); Josenildo Luiz Guerra no curso de Jornalismo em 1997; Luciano Correia dos 56 Resolução Nº 09/92/CONEP que aprova Projeto do Curso de Comunicação Social. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/ downloadArquivo?idArquivo=31953&key=df6a202b0a2dc167ea2c5ffb10888e2c. Acesso em: 7 maio 2023. 501 Santos, ingressou no curso de Jornalismo, em 1997; Ênio Moraes Junior, no curso de Jornalismo em 1997(exonerado a pedido em 2002); e Lilian Cristina Monteiro França, professora do curso de Radialismo e Televisão, ingressou em 1997(aposentada em 2019). A estes somaram-se diversos professores em caráter temporário com o intuito de complementar a oferta curricular. Na verdade, em toda a sua existência tais professores foram decisivos para o efetivo estabelecimento das grades curriculares. A estrutura geral do curso de Graduação em Comunicação Social, observando especificamente as habilitações de Jornalismo e Radialismo e Televisão, mantevese praticamente inalterada até o ano de 2008, quando foi criada a habilitação em Audiovisual em substituição ao antigo curso de Radialismo e Televisão. Neste período, atualizações foram introduzidas: ainda na década de 1990 ajustes foram inseridos no projeto pedagógico do curso, uma vez que a Resolução Nº 08/96/CONEP substituiu a Resolução Nº 09/92/CONEP, delimitando, de forma mais evidente, as habilidades e competências de cada uma das habilitações, ampliando para quatro anos o tempo mínimo de conclusão, mediante alteração dos créditos obrigatórios exigidos, além de valorizar atividades de monitoria; por sua vez, a Resolução Nº 08/96/CONEP foi alterada pela Resolução Nº 29/2000/CONEP, incluindo alterações especificamente destinadas à habilitação em Radialismo e Televisão, revisando as habilidades e competências dos egressos, ampliando a carga horária total, e, de forma mais significativa, foram introduzidas disciplinas diretamente voltadas à linguagem do rádio e da televisão, para além do contexto jornalístico; a Resolução Nº 03/2002/ CONEP basicamente reduziu a carga horária total da habilitação em Jornalismo, que passou de 2.850 para 2.790 horas. É importante destacar que o curso de Comunicação Social enfrentou diversos entraves relacionados à sua estrutura laboratorial e à composição de um quadro docente efetivo adequado à sua oferta. Apesar deste contexto, em 2002 foi possível a constituição de um Departamento próprio, o que resultou na desvinculação do Departamento de Letras com a criação do Departamento de Artes e Comunicação (DAC), vinculado diretamente ao Centro de Educação e Ciências Humanas(CECH). O DAC introduziu alterações pontuais na habilitação em Radialismo e Televisão, a partir das Resoluções Nº 41/02/CONEP e Nº 14/2004/CONEP, e na habilitação em Jornalismo, com a Resolução Nº 13/2004/CONEP. Novos concursos para ampliação do corpo docente foram realizados resultando na incorporação dos seguintes professores: Maurício Gabriel Lotar Junior, ingressou em Radialismo no ano 2003(aposentado em 2016); Fernando Luiz Alves Barroso, entrou na habilitação em Jornalismo, em 2006(aposentado em 2019); Messiluce da Rocha Hansen, ingressou para o Jornalismo, em 2006; e Jean Fábio Borba Cerqueira, que foi aprovado para a habilitação em Radialismo e Televisão no ano de 2006. 502 O DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE(UFS): UM BREVE PERCURSO HISTÓRICO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Em 2008 o curso de Artes Visuais configurou seu núcleo acadêmico próprio. Com isso o DAC transformou-se no Departamento de Comunicação Social(DCOS), e, neste mesmo ano, iniciou o processo de extinção da habilitação de Radialismo e Televisão em favor da habilitação em Cinema e Audiovisual(Resolução Nº 60/2008/CONEPE), cuja oferta inicial é realizada no semestre 2009.1. Esta mudança foi significativa, sobretudo por alinhar o DAC a um contexto marcado pela pluralidade e diversidade de produtos concernentes às mídias audiovisuais, cuja habilitação anterior mostravase defasada. A habilitação em Audiovisual teve seu ingresso estabelecido via vestibular, com oferta anual de 50 vagas. Ainda em 2008 o DCOS aprovou a habilitação de Publicidade e Propaganda (Resolução Nº 70/2008/CONEPE) em sintonia com a expansão da atividade publicitária em Sergipe, cuja formação acadêmica estava centrada na oferta em instituição privada de Ensino Superior. Assim como a habilitação em Audiovisual, a oferta anual de 50 vagas deu-se via vestibular. Evidentemente, sua estrutura curricular demandou a ampliação do corpo docente, não apenas para atender à nova habilitação em Publicidade e Propaganda, mas também para complementar a oferta de audiovisual. Foram empossados os seguintes professores: Ana Ângela Farias Gomes, 2009, Maria Beatriz Colucci 2009, Maira Cinthya Nascimento Ezequiel, Cinema e Audiovisual, 2010, Diogo Cavalcanti Velasco, 2012, Armando Alexandre Costa de Castro, 2012(exonerado a pedido em 2014), Noel dos Santos Carvalho, 2012(exonerado a pedido em 2015), Ruy Vasconcelos de Carvalho, Cinema e Audiovisual, 2013(exonerado em 2015), ambos para a habilitação em Audiovisual; Matheus Pereira Mattos Felizola, 2009, João Dantas dos Anjos Neto, Publicidade, 2009(transferido para a Universidade Federal de Goiás(UFG) em 2020), Raquel Marques Carriço Ferreira, 2010, Alice Ângela Thomaz, 2013(exonerada a pedido em 2019), Renata Barreto Malta, 2014, Tatiana Guenaga Aneas, 2014, Mário César Pereira Oliveira 2014 e Carina Luísa Ochi Flexor, 2015(exonerada a pedido em 2019), ambos para a habilitação em Publicidade e Propaganda; e finalmente, os professores Sonia Aguiar Lopes, 2009, Vitor Jose Braga Mota Gomes, Jornalismo, 2013(transferido para a Universidade Federal de Alagoas(UFAL) em 2021) e Greice Schneider, Jornalismo, 2013. Essa ampliação do corpo docente deu-se em um contexto de criação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais(Reuni) na década de 2000. Também em decorrência do Reuni, em 2014, o DCOS passa a funcionar em um prédio próprio, uma antiga demanda departamental, e que almeja contemplar a demanda de atividades laboratoriais, com um estúdio de televisão e de fotografia, além de uma biblioteca setorial e de espaços para os projetos de pesquisa e extensão. 503 Em 2017, e contando com 24 anos de existência, o Departamento de Comunicação Social empreendeu mudanças substanciais em sua oferta. As antigas habilitações em Comunicação Social foram substituídas por cursos de Graduação com maior autonomia e respeito às suas especificidades. O curso de Graduação em Jornalismo é concebido com um total de 3.000 horas, e sua estrutura curricular é organizada nos seguintes eixos: Fundamentação Humanística; Fundamentação Específica; Eixo de Fundamentação Contextual; Fundamentação Profissional; Fundamentação Processual e Fundamentação Laboratorial. O Estágio Curricular Supervisionado é obrigatório e compreende um total de 240 horas, assim como as Atividades Complementares. A duração mínima estabelecida para sua integralização era de 4 anos, com oferta de 50 vagas anuais mediante processo seletivo adotado pela instituição. Na mesma ocasião a habilitação de Publicidade e Propaganda passou por sua primeira reformulação, com a aprovação do Projeto Político Pedagógico que deu origem ao curso de Graduação em Publicidade e Propaganda. Uma das principais motivações desta reformulação pode ser atestada pelo“Art. 4º O curso tem como justificativas para sua oferta a necessidade de profissionais da área de Publicidade e Propaganda para atender aos desafios que ora se apresentam, para o estado de Sergipe e Nordeste, no contexto contemporâneo de franca internacionalização”(Resolução Nº 07/2017/ CONEPE). A carga horária total prevista para o curso era de 2.820 horas, também com oferta de 50 vagas anuais mediante processo seletivo adotado pela instituição. Sua estrutura curricular contemplou disciplinas Basilares, de Gestão, Estratégicas e disciplinas de Criação/Produção. Atividades Complementares, assim como Estágio Supervisionado Obrigatório, foram privilegiados, além do incentivo à monitoria. Finalmente, a habilitação em Audiovisual foi preterida em razão da criação do curso de Graduação em Cinema e Audiovisual, cujo objetivo geral assinalava“formar profissionais capazes de atuar, de forma crítica, nas diversas áreas do setor de cinema e audiovisual, conscientes de sua inserção na sociedade e de seu papel na produção, preservação, estudo e fomento da memória audiovisual brasileira[...]”(Resolução Nº 18/2017/CONEPE, 2017, p. 2). A carga horária total prevista era de 2.730 horas, com duração mínima para sua integralização de 4 anos, com oferta de 50 vagas anuais mediante processo seletivo adotado pela instituição. É importante destacar que a estrutura curricular do curso foi orientada conforme disposto nas Diretrizes Curriculares para a área de Cinema e Audiovisual, sendo então organizada nos seguintes eixos: Técnica e Formação Profissional; Realização em Cinema e Audiovisual; Teoria, Análise e Crítica do Cinema e Audiovisual; Economia e Política do Cinema e Audiovisual; e Artes e Humanidades. Para esta habilitação o estágio curricular era não obrigatório. As Atividades Complementares, assim como a monitoria, foram valorizadas. Em decorrência direta destas mudanças, e com bastante empenho, novos concursos públicos para vagas de docentes foram realizados, ampliando o número de professores nos três cursos de Graduação: no curso de Cinema e Audiovisual ingressaram os 504 O DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE(UFS): UM BREVE PERCURSO HISTÓRICO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste professores Damyler Ferreira Cunha, em 2017, Mauro Luciano Souza de Araújo, em 2017 e Karliane Macedo Nunes, em 2019; o curso de Publicidade e Propaganda recebeu as professoras Patrícia Horta Alves, transferida da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) em 2017, e Valéria Maria Sampaio Vilas Boas Araújo, aprovada em concurso público em 2019; e, finalmente, os professores Vitor Curvelo Fontes Belém e Maira Carneiro Bittencourt Maia integraram o corpo docente do curso de Jornalismo em 2018 e 2019, respectivamente. Em linhas gerais, este breve percurso histórico, desde a oferta inicial do curso de Graduação em Comunicação Social até o presente momento, evidencia uma intensa contribuição da Universidade Federal de Sergipe(UFS) para o ensino, a pesquisa e a extensão nas áreas de Jornalismo, Cinema e Audiovisual e Publicidade e Propaganda. Essa trajetória de pouco mais de três décadas foi marcada por conquistas substanciais: ampliação na oferta de vagas, que passou das 45 iniciais para 150 vagas anuais; aquisição de uma sede própria, com a construção do prédio do DCOS – inicialmente a obra visava a abrigar o Centro de Educação Superior a Distância, mas dadas as reivindicações e necessidades do DCOS, terminou por ser destinado às suas atividades; e ampliação do corpo docente, muito embora ainda aquém da real demandada dos três cursos. Outro marco importante nesta trajetória foi a criação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social(PPGCOM), que completou, no ano passado, dez anos de intensa atividade em pesquisa. O Mestrado Acadêmico em Comunicação da UFS tem “Comunicação e Sociedade” como área de concentração, desenvolvendo as linhas de pesquisa“Produtos, processos e discursos midiáticos” e“Cultura, economia e políticas da comunicação”. Evidentemente, a consolidação de um curso de Mestrado em Comunicação Social foi consequência da qualificação do seu corpo docente, sobretudo àqueles envolvidos nos diversos grupos de pesquisa que contribuíram para esta trajetória: – Grupo de Pesquisa em Jornalismo Audiovisual(Jornau):“tem como objetivo desenvolver pesquisas relacionadas ao jornalismo audiovisual, a partir reflexões teórico-conceituais e proposições experimentais”; é constituído pelos professores pesquisadores Vitor Curvelo Fontes Belém e Maíra Bittencourt; – Grupo de Estudos da Produção e Recepção Midiática – RECEPCOM 57 :“o objetivo do grupo é empreender estudos que analisem as produções informacionaiscomunicacionais sob a perspectiva da sua apresentação, ou seja, construção temática e linguagem/tratamento estético, bem como, investigar a esfera da sua circulação e consumo: a audiência dos produtos midiáticos em suas vertentes de exposição/ recepção, interpretação, aprendizado e reforço/mudança dos comportamentos”; foi criado em 2011 e é liderado pela professora Raquel Marques Carriço Ferreira; 57 Disponível em: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/1714637379631400 505 – Laboratório de Empreendedorismo e Inovação(Lei) 58 :“O objetivo do Grupo é desenvolver estudos que permitam discutir aspectos do Empreendedorismo, da Inovação, da Comunicação Empresarial e do Desenvolvimento Tecnológico para disseminar a cultura da inovação no nordeste brasileiro”; criado em 2017 e liderado pelo professor Matheus Pereira Mattos Felizola; – Laboratório Interdisciplinar de Comunicação Ambiental(LICA) 59 :“O grupo têm publicado resultados das pesquisas em periódicos, capítulos de livros e eventos científicos, em especial o Encontro Interdisciplinar de Comunicação Ambiental (EICA), que o LICA organizou em 2011, 2013 e 2017 com conferencistas de peso nacional e internacional e participantes de vários Estados brasileiros. O III EICA ocorreu após o Doutoramento de dois pesquisadores, com estágio-sanduíche no exterior(Canadá e Portugal): um sobre a comunicação dos riscos socioambientais associados à transposição das águas do Rio São Francisco em populações tradicionais ribeirinhas; e o outro sobre os discursos ambientais nas“enviro-toons” brasileiras, sob a perspectiva da ACD. Além disso, estão em desenvolvimento quatros projetos investigando: desenvolvimento local de uma comunidade em situação de risco socioambiental; percepção de risco de minorias; desenvolvimento de uma educação ambiental para a cidadania; o mapeamento dos de discursos ambientais nas“envirotoons” sul americanas”; criado em 2009 e sob a liderança dos professores Jean Fábio Borba Cerqueira e Michele Amorim Becker; – Laboratório de Estudos em Jornalismo(LEJOR) 60 :“O trabalho dos pesquisadores do grupo têm abordado questões metodológicas sobre pesquisa aplicada em jornalismo, tanto a partir do desenvolvimento e aplicação de metodologias quanto da discussão de seus impactos em inovação de processos e produtos jornalísticos. Assim, temas como inovação, gestão da qualidade e de processos de produção tem se constituído no objeto do grupo, desdobrados da pesquisa de base dos líderes do grupo. O grupo tem produzido, apresentado e publicado seus resultados além de continuar suas pesquisas mediante projetos financiados por órgãos de fomento, como o CNPq. Os pesquisadores do grupo constituem o recém-criado Mestrado em Comunicação da Universidade Federal de Sergipe, atuando na linha“Processos, Produtos e Discursos Midiáticos”; criado em 2003 sob a liderança dos professores Josenildo Luiz Guerra e Carlos Eduardo Franciscato; – Comunicação, Economia Política e Sociedade(OBSCOM/CEPOS) 61 :“O eixo estruturador do grupo Comunicação, Economia Política e Sociedade(CEPOS) é a Economia Política da Comunicação e da Cultura(EPC). Coordenado até 2012 por 58 Disponível em: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/0233694568324959 59 Disponível em: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/3572995331825831 60 Disponível em: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/9324755657243576 61 Disponível em: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/2432585282042515 506 O DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE(UFS): UM BREVE PERCURSO HISTÓRICO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Valério Brittos, em 2013 transfere-se para o Observatório de Economia e Comunicação (OBSCOM) da UFS, onde, em 2016, funde-se com o grupo Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento(CT&D), adotando a sigla OBSCOM/CEPOS. Vincula-se à rede Economia Política das Tecnologias da Informação e da Comunicação, produtora do portal EPTIC, da revista EPTIC Online e do boletim EPnoTICias. Os grupos de EPC da Intercom e da ALAIC figuram na origem dessa rede, que, por sua vez, esteve na gênese da Unión Latina de Economía Política de la Información, la Comunicación y la Cultura(ULEPICC). Além da produção acadêmica dos integrantes(ver CV Lattes), destacam-se, entre suas atividades, a realização de eventos, culminando, em 2018, com o XVI Seminário OBSCOM/CEPOS. Em 2020, nas novas condições da produção intelectual pós-pandemia, o grupo reestrutura-se, atualiza linhas de ação e privilegia as relações com o novo grupo EPICc/CLACSO”; criado em 2013 sob a liderança dos professores César Ricardo Siqueira Bolaño e Verlane Aragão Santos; – Geografias da Comunicação Regional:“Os pesquisadores do grupo trabalham com uma temática de investigação que vem ganhando corpo teórico e metodológico muito recentemente – os estudos da mídia regional – de forma ainda dispersa pelo território nacional. Buscam, por isso, atuar colaborativamente, de forma interinstitucional e com foco interdisciplinar, para investigar os fenômenos comunicacionais e midiáticos em recortes espaciais específicos, a partir dos seus referenciais de proximidade e de identidade local e regional. Incluem-se, aí, os processos de regionalização dos meios de comunicação e das verbas publicitárias; a influência dos regionalismos sobre os produtos midiáticos; e as relações dos grupos de mídia com os projetos de desenvolvimento regional. Nesta perspectiva, ganham importância os conceitos basilares da Geografia – espaço, território, região, lugar e escalas. Em 2016 a produção do grupo envolveu: uma tese de Doutorado; um livro autoral; uma disciplina de Mestrado; projeto Pibic e artigos publicados. O Grupo possui três linhas de pesquisa: Estudos de Mídia Regional; Geografias da comunicação contemporânea; Jornalismo local-regional”; é liderado pela professora Sonia Aguiar Lopes. Apesar de sua relevante trajetória, o Departamento de Comunicação Social ainda enfrenta desafios, tanto no campo estrutural, uma vez que seus espaços laboratoriais necessitam de atualização(computadores, equipamentos de fotografia e vídeo, etc.), quanto na dimensão do corpo docente dos seus três cursos. Apesar das atualizações dos seus cursos e da ampliação do número de vagas ofertadas anualmente, apenas o curso de Jornalismo dispõe de um quantitativo mínimo de dez professores para atender à sua oferta curricular. Com o desmonte das Universidades Públicas, realizado pelas últimas gestões federais, desde o ano de 2016 os concursos para novas vagas ficaram estagnados. Mais recentemente, em um processo bastante acirrando, o DCOS teve direito a duas novas vagas docentes: uma delas para o curso de Jornalismo, preenchida pelo professor Demétrio de Azeredo Soster em 2023; outra para o curso de Publicidade, preenchida pela professora Erna Raisa Lima Rodrigues de Barros, também em 2023. 507 Nos demais casos, as vagas surgiram em decorrência de aposentadorias e redistribuições. Foi nesse contexto que ingressaram no DCOS os seguintes professores: Leonardo Pastor Bernardes Rodrigues, no curso de Cinema e Audiovisual em 2022; Michele da Silva Tavares, no curso de Jornalismo, em 2022; e Claudomilson Fernandes Braga, no curso de Publicidade, em 2023. Em síntese, este breve relato constitui tão somente um passeio geral pela trajetória do DCOS. De toda forma, ele resulta de uma compreensão institucional de alguns marcos do Departamento, não mencionando aqui as percepções dos seus egressos, desde as primeiras turmas, que transformam drasticamente o panorama da comunicação no Estado, ocupando as principais emissoras de rádio, de televisão e também as redações jornalísticas das mídias impressas e eletrônicas, até as turmas mais recentes, as quais refletem e traduzem políticas inclusivas tão relevantes ao contexto social, econômico e cultural do Brasil, cuja atuação tem se desdobrado no campo da comunicação nas mídias digitais. Deste modo, a Universidade Federal de Sergipe(UFS), por intermédio do DCOS, desempenha um importante papel em um contexto marcado pela dialética da reflexividade no campo comunicacional, uma vez que tanto contribui para a configuração deste espaço de práticas e discursos como também para o empreendimento de reflexões valiosas sobre o mesmo. Referências CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 06/70)/CONEPE, aprova reestruturação em caráter experimental, do Curso do Instituto de Letras, Artes e Comunicação. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/ sigrh/downloadArquivo?idArquivo=47981&key=7b50c1e6655a77f50b896b2fa328 d4d6. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 02/71)/CONEPE, aprova tipos de Cursos, Currículos e Novas Departamentalização do Instituto de Letras, Artes e Comunicação. Disponível em: https://www.sigrh.ufs. br/sigrh/downloadArquivo?idArquivo=47556&key=e51a5edc6c12517f80826371fa 5ae715. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 026/71)/ CONEPE, aprova Quadro Acadêmico do Instituto de Letras, Artes e Comunicação. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/downloadArquivo?idArquivo=47580&k ey=d1c216979f99c86b2b5b581bf18cc7bf. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 017/73)/ CONEPE, aprova novo Currículo do ILAC(Instituto de Letras, Artes e Comunicação). Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/downloadArquivo?idArquivo=47693&k ey=4b293bbed17ece3ab844c8fa28f94538. Acesso em: 20 maio 2023. 508 O DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE(UFS): UM BREVE PERCURSO HISTÓRICO MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 06/77)/ CONEPE, autoriza modificações no ILAC(Instituto de Letras, Artes e Comunicação). Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/downloadArquivo?idArquivo=31434& key=b5295183dc6d2d32638a53b3ff2a2adb. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 13/78)/CONEPE, aprova Curso de Extensão em Comunicação Social. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/downloadArquivo?idArquivo=31511&key=c009e618 5d3d715cd63f3307bd289818. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 09/92)/CONEPE, aprova Projeto do Curso de Graduação em Comunicação Social. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/downloadArquivo?idArquivo=31953& key=df6a202b0a2dc167ea2c5ffb10888e2c. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 08/96)/CONEPE, substitui a Resolução N° 09/92/CONEPE e dá outras providências (Projeto Didático-Científico do Curso de Comunicação Social). Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/downloadArquivo?idArquivo=32053&key=8be1b9de 245081ae54ab2734d2a53853. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 29/2000)/CONEPE, aprova Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Comunicação Social Habilitação Rádio e Televisão. Disponível em: https://www.sigrh. ufs.br/sigrh/downloadArquivo?idArquivo=32222&key=664f82976e6c92fac4398ed 330b00685. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 40/2002)/CONEPE, altera Res. N° 03/2002/CONEP – Referente Habilitações do Curso de Comunicação Social. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/downlo adArquivo?idArquivo=32333&key=9798f106f7d8a7b0d3154a5bf57cda58. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 13/2004)/CONEPE, aprova o Projeto Pedagógico do Curso de Comunicação Social Bacharelado Habilitação Jornalismo. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/ downloadArquivo?idArquivo=32422&key=efb2d426eb7c451397f657cc65c45ea4. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 14/2004)/CONEPE, aprova o Projeto Pedagógico do Curso de Comunicação Social Bacharelado Habilitação Radialismo. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/ downloadArquivo?idArquivo=32423&key=bc416f6ec21d60b597ec71052180ff68. Acesso em: 20 maio 2023. 509 CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 59/2008)/CONEPE, aprova a Extinção Gradativa do Curso de Graduação em Comunicação Social, Habilitação Radialismo, Modalidade Bacharelado Código 493 e dá Outras Providências. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/downloadArq uivo?idArquivo=32891&key=23a91ab2488b2305ad7a0b543271266c. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 60/2008)/CONEPE, aprova o Projeto Pedagógico do Curso de Comunicação Social, Habilitação Audiovisual, Modalidade Bacharelado e dá Outras Providências. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/downloadArquivo?idArquivo=32892& key=849333dcf90837ee30a4cbe2e65db342. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 70/2008)/CONEPE, aprova Projeto Político Pedagógico do Curso de Graduação em Comunicação Social, Habilitação Publicidade e Propaganda e dá Outras Providências. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/downloadArquivo?idArquivo=32902& key=4e921f864e9f450128063c2a91c51145. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 09/2009)/CONEPE, aprova Criação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, seu Regimento Interno e a Estrutura Curricular do Curso de Mestrado em Comunicação. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/downloadArquivo?idArquivo=32984& key=378c1bf9e4a4d74c75ebc22a311a472b. Acesso em: 20 maio 2023. CONEPE. Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS. Resolução Nº 16/2017)/CONEPE, aprova as alterações na Departamentalização do Departamento de Comunicação Social. Disponível em: https://www.sigrh.ufs.br/sigrh/downloadArq uivo?idArquivo=990351&key=30b5b83b392ddcc5654ce145f3d4764f. Acesso em: 20 maio 2023. DCOS. Departamento de Comunicação Social. Corpo docente. Disponível em: https://www.sigaa.ufs.br/sigaa/public/departamento/professores.jsf?id=117. Acesso em: 22 maio 2023. PPGCOM. Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe. Disponível em: https://www.sigaa.ufs.br/sigaa/public/programa/ portal.jsf?lc=pt_BR&id=728. Acesso em: 20 maio 2023. 510 O DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE(UFS): UM BREVE PERCURSO HISTÓRICO FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS 511 LILIAN FRANÇA Raquel Carriço e Eloy Vieira Lilian Cristina Monteiro França nasceu em 24 de fevereiro de 1964 em Americana(SP). É filha de Waldemar França e de Glória Aparecida Monteiro França. Estudou no Serviço Social da Indústria (Sesi), que, além de formação básica, ofereceu inserção nas artes industriais. Licenciou-se em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas(PUCCAMP)(1981-1984) e fez uma Especialização em Administração Financeira(1985-1986), iniciando carreira na área, momento em que recebeu um convite para trabalhar no Jornal da Cidade, em Americana, atuando como editora de primeira página e do Caderno de Cultura. Em 1984 iniciou o Mestrado na Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), tornando-se mestre em Filosofia da Educação, orientada por José Amálio de Branco Pinheiro, com a dissertação“Caos – Espaço – Educação”, posteriormente publicada como livro. Nesse período atuou, paralelamente, como membro do Conselho Curador do Museu de Arte de Americana(Maca), realizando a curadoria de exposições e a organização de Salões de Arte Contemporânea. O percurso no universo da arte e da crítica de arte levou-a a realizar seu Doutorado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica, sob a orientação de José Amálio de Branco Pinheiro. Defendeu a tese“Matemática e Arte – Aproximações históricoepistemológicas”, em 1995, com duas edições publicadas pela Editora da Universidade Federal de Sergipe(UFS). Ao longo do Doutorado integrou o Núcleo de Linguagens Visuais da PUC-SP. 512 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Em 1994 fez a seleção para professora substituta do Núcleo de Comunicação Social(Nucos), sob a guarda do Departamento de Letras. Em 1996 assumiu a direção do Centro de Editoração e Audiovisual(CEAV). Permaneceu como professora substituta até receber a bolsa de Desenvolvimento Científico Regional da Fundação de Amparo à Pesquisa(FAP)/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq) em 1996, atuando como professora/pesquisadora do Nucos até julho de 1997, momento em que foi aprovada em concurso público para a matéria de ensino“Teorias da Comunicação”, e ingressou no quadro de professores efetivos da UFS. Envolvida com a discussão acerca das Tecnologias da Informação e da Comunicação(TIC), coordenou o Núcleo de Comunicação e Educação(Nuce). Na ocasião organizou o primeiro curso de programação de Home Pages(linguagem HTML) no Estado, em 1995. O Nuce transformou-se em Grupo de Pesquisa do CNPq e passou a chamar-se Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Tecnologia(Nuca), do qual foi líder por duas décadas. Entre 1998 e 2002 foi coordenadora de Informação e Divulgação do Programa Xingó, na qualidade de Pesquisadora 2 A do CNPq, atuando em 42 municípios do semiárido, entre os Estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, integrando um projeto de desenvolvimento regional que visava a melhorar as condições de vida das populações impactadas pelas barragens da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco(Chesf). Lá também foi responsável por introduzir um sistema de comunicação utilizando a Hot Line, que deu início a primeira ação de divulgação científica pela internet no sertão. Paralelamente, começou a desenvolver as primeiras experiências internacionais. Em 1998 participou da organização, na UFS, do II Lusocom. As ações resultaram numa parceria com a Universidade Nova de Lisboa, Universidade do Minho e Universidade da Beira Interior, com as quais se estruturou um projeto de cooperação internacional (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes/Instituto de Cooperação Científica e Tecnológica Internacional – ICCTI) nos anos de 1998/1999, renovado para o período de 1999/2000. Ainda em razão deste projeto, Lilian realizou duas missões de trabalho: como professora visitante na Universidade Nova de 513 Lisboa, pesquisando no Observatório de Comunicação, no Centro Jacques Delors e na Fundação Calouste Gulbenkian(1998), e como professora visitante da Universidade do Minho, onde ministrou a disciplina“Tópicos Especiais em Audiovisual”(1999). Visitou, ainda, a Universidade da Beira Interior, sob a supervisão de Antonio Fidalgo, Paulo Serra e Manuela Penafria, trabalhando em um núcleo de estudos de audiovisual e uma Biblioteca sobre comunicação(Biblioteca On-Line de Ciências da Comunicação – BOOC). De volta, ao coordenar a III Bienal de Comunicação e Artes de Sergipe, trouxe diversos convidados internacionais. Pouco depois editou os“Cadernos UFS – Comunicação” e publicou uma série de artigos sobre as relações entre a comunicação digital e a cultura popular no início dos anos 2000. No âmbito administrativo, foi pró-reitora de Graduação (Prograd-2002), coordenadora da Universidade Aberta do Brasil na UFS(2007), diretora do Centro de Educação Superior a Distância (CESAD)(2007), coordenadora da Editora da UFS(2007) e coordenadora de Avaliação Institucional(Coavi/Coordenação Geral de Planejamento Estratégico – Cogeplan, 2009). Em 2005 afastou-se para o Pós-Doutorado na Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), sob supervisão de Jorge Coli, com um projeto intitulado“A história da Computer Art como recurso para a inclusão digital”, com bolsa do CNPq. Ainda no âmbito do Pós-Doutorado cursou o seminário Tópicos em Sociologia na Universidade Federal de São Carlos(UFSCar). Logo em seu retorno assumiu a coordenação do projeto Universidade Aberta. A partir daí tornou-se, também, uma das principais responsáveis por introduzir o sistema público de EaD no Estado de Sergipe. Como resultado, organizou um livro e publicou um capítulo intitulado“As TICs como ferramentas de apoio no processo ensino/ aprendizagem”. As pesquisas com as Tecnologias da Informação e Comunicação(TIC) e a educação levaram ao Projeto UCA –“Um Computador por Aluno”, do qual participou como coordenadora da área de avaliação no Estado. Após terminada a avaliação do UCA, foi convidada para assumir a Coordenação de Avaliação Institucional(Coavi) junto a Pró-Reitoria de Planejamento(2009), ajudando na organização da universidade ante os novos mecanismos de avaliação do Plano Nacional de Educação. 514 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Deixou o cargo em 2011 para assumir, em 2012, a vice-coordenação do DCOS. Naquele momento ainda desenvolveu o projeto de extensão Cine-debate, apresentando filmes para escolas públicas de Aracaju, e deu início ao projeto de ensino de jornalismo on-line na modalidade Massive Open Online Course(MOOC) em 2015. No que se refere à Pós-Graduação, em 1997 passou a integrar os quadros do Mestrado em Educação(Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGED), em que permaneceu até o ano de 2005, quando se afastou para fazer o Pós-Doutorado. Em 2007 foi convidada para integrar a comissão de criação do Mestrado em Letras(Programa de Pós-Graduação em Letras – PPGLE). Em 2011 integrou a comissão de criação do Mestrado em Comunicação (PPGCOM) e em 2017 a comissão da criação do Mestrado em Cinema(Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual – PPGCINE). Nos diferentes programas dos quais participou, orientou cerca de 25 Dissertações de Mestrado, participou de 5 bancas de Doutorado, 32 de Mestrado, 30 qualificações de Mestrado e 16 bancas de Especialização. Ainda, orientou 9 monografias de Especialização e 21 Trabalhos de Iniciação Científica. Coordenou 14 projetos de pesquisa, três deles projetos Internacionais: Capes/ICCTI e com o Hunter College/City University of New York – CUNY. Realizou uma missão de trabalho em 2011 visitando as obras de reconstrução da área devastada pelo furacão Katrina em 2005, discutindo patrimônio e memória. Esta atividade deu origem ao projeto“Rescue Memories”, patrocinado pela Hewlett-Packard – HP, que designou equipes para fazer a restauração de fotos que puderam ser resgatadas da área de desastre. Da segunda missão de trabalho, 2014, originou-se um protocolo de cooperação internacional, Convênio UFS/CUNY, cuja primeira etapa envolve a formatação do projeto“Subjugated knowledge – permitting narratives to emerge”. Passou a redirecionar seus estudos para a área de produção de narrativas em ambientes digitais. O tema é discutido no PPGCOM, com o projeto“Comunicação da Cultura”, e no PPGL, com o projeto“Linguagens do Texto Digital”. Publicou 8 livros, 9 capítulos de livros, 25 artigos em periódicos especializados(2 deles em uma publicação Qualis A1), 26 trabalhos completos, 30 resumos publicados em anais, 36 textos em jornais 515 e revistas e apresentou 69 comunicações orais em congressos e seminários. Participou dos principais congressos nacionais da área de Comunicação e foi uma das fundadoras da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual(Socine). Dentre as obras publicadas ou apresentadas nesse período, destacam-se o capítulo de livro intitulado:“Acessibilidade e novas tecnologias de acesso ao texto informativo – o caso dos jornais online”, e“Do copyright ao copyleft: reposicionamento do mercado editorial brasileiro em face às TICs e ao surgimento de novas formas de regulação dos direitos autorais”. A partir das atividades desenvolvidas na UFS, recebeu convites para atuar como consultora por diversas ocasiões(Banco do Nordeste do Brasil S.A., Prêmio Multicultural Estadão, CNPq, Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento, Capes, Serviço Social do Comércio, CURTA-SE), como membro de conselhos editoriais(Associação Nacional dos Programas de PósGraduação em Comunicação, Ciberlegenda, Editora da UFS, entre outras), como parecerista(Comissão Coordenadora do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica, Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica a Universidade Tiradentes, CAC.4 Computer Art Congress, Intercom) e como professora visitante (Unicamp, Universidade do Minho, Universidade Nova de Lisboa). Após os quase 30 anos de atuação na UFS, Lilian optou pela aposentadoria, mas tem se dedicado a estudar e produzir textos focados em temas que estão na ordem do dia, como algoritmização e inteligência artificial, especialmente em interfaces artísticas e midiáticas. Além disso, segue integrando a Associação Brasileira de Crítica de Arte como editora de Arte e Tecnologia da Revista Arte e Crítica. É secretária e coordenadora de Mídia da Associação Brasileira de Estudos do Século XVIII, professora de História da Arte da Escola das Artes(São Paulo) e do curso de formação em Arteterapia de Sergipe e coordenadora Editorial da Editora Amazilia Coral, além de colaborar como consultora de história da arte para colecionadores internacionais. Principais publicações FRANÇA, L. C. M. Caos-espaço-educação. São Paulo: Editora Annablume, 1995. 516 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste FRANÇA, L. C. M. The Facebook Instant-Articles Business Model. Aracaju, SE: Editora Criação, 2019. FRANÇA, L. C. M. Caos, espaço, educação. São Paulo: Annablume, 1994. 109 p. FRANÇA, L. C. M. Vigilância e políticas de privacidade na sociedade pós-cookie: O caso do The Guardian. Revista Eco-Pós( on-line), v. 18, p. 94-105, 2015. Disponível em: https://revistaecopos.eco.ufrj. br/eco_pos/article/view/2229 FRANÇA, L. C. M.; JACKS, Nilda; CHOCRON, Fernanda; Felizolla, M.; GOMES, V. J. M. B. O jovem no Facebook. Revista Olhar Diverso, v. 2, p. 9-52, 2016. FRANÇA, L. C. M. Identidades e Nicknames. Revista Tomo, out. 2005, DOI: 10.21669/ tomo.v0i0.5253 517 MIRIAN TAVARES Maíra Ezequiel Mirian Estela Nogueira Tavares nasceu em 1º de março de 1968 em Crato(CE). É filha de Francisco Tavares Bezerra e de Adilania Maria Nogueira Tavares. Completou toda sua formação escolar em Fortaleza, no Colégio Christus. De lá mudou-se para Vitória(ES) para cursar a Graduação em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal do Espírito Santo(UFES), iniciado em 1987 e concluído em 1990. Em 1990 seguiu para o Mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), finalizado em 1993 com uma dissertação intitulada“Da crítica de cinema”, orientada por Philadelpho Menezes. Iniciou o Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas(Pós-Com) em 1995 na Universidade Federal da Bahia(UFBA). Lá defendeu sua tese, em 1999,“A Arquitetura do Sonho: Buñuel e o Surrealismo”, orientada por Antonio Albino Canelas Rubim. Fez parte da primeira turma do Pós-Com. Durante esse período fez a ponte entre a Universidade Federal de Sergipe(UFS), a Secretaria de Educação do Estado e a Universidade Nova de Lisboa, fazendo o seu Doutorado-Sanduíche nessa última. Mirian chegou em Sergipe em 1994, antes de entrar no Doutorado, como professora visitante do curso de Artes e Comunicação da UFS, quando lecionou disciplinas como Estética e História da Arte, Arte e Sociedade, História da Arte no Brasil e Linguagem Visual. 518 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste A partir de 1995, já como docente efetiva da UFS, foi professora dos cursos de Jornalismo, Rádio e TV e Artes Visuais, nos quais ministrou disciplinas fundantes do campo da Comunicação e das Artes, como Estética e Cultura de Massa, Linguagem da Mídia, Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação, Fundamentos da Expressão e da Comunicação Humanas, Comunicação Visual, Comunicação Comparada e Tópicos Especiais em Produção e Edição de TV. Nessa universidade foi fundadora e primeira chefe do Departamento de Comunicação e Artes entre os anos de 2001 e 2002. Como tal, esteve presente em mais de uma dezena de bancas da primeira leva de seleção de professores efetivos para a composição do quadro docente daquele departamento. Ali também ocupou outros cargos e funções, por exemplo, membro do Conselho de Ensino e Pesquisa e do Conselho do Centro de Educação e Ciências Humanas, na qualidade de representante docente. Atuou ainda como colaboradora para a política educacional do Estado, trabalhando como assessora de Comunicação da Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe e, mais tarde, como assessora do secretário de Estado da Educação. Na Secretaria de Educação ajudou a criar a revista EducarSE, que pretendia ser um veículo de divulgação das políticas de educação do Estado, bem como um espaço para a divulgação de ideias e opiniões sobre a condução das políticas públicas no campo da educação. Sua formação e trajetória permitiram-lhe desenvolver ações e estudos em áreas transversais e interdisciplinares da Comunicação e das Artes. Ministrou os cursos livres Teorias do Cinema e Oficina de Crítica Cinematográfica, ambos no Departamento de Letras da UFS, em 1994, e Teoria e Crítica de Cinema, promovido pela Fundação Cultural Cidade de Aracaju(Funcaju), em 1997. Além disso, entre os anos de 1995 e 1996 organizou, coordenou e ministrou diversos cursos, exposições de artes e eventos acadêmicos de pesquisa e extensão. Em 1995 organizou a 1ª Bienal Sergipana de Comunicação na UFS, coordenando também a sua 2ª edição. Ainda em 1995 organizou o Colóquio Antero de Quental, promovido pela Fundação Augusto Franco, Fundação Joaquim Nabuco, Instituto de Filosofia Luso-Brasileiro e as Secretarias de Cultura dos Estados do Ceará e de Sergipe. Colaborou, igualmente, na realização do 1º Encontro de Pesquisa em Comunicação da Universidade Federal de 519 Alagoas(UFAL)/UFS, que foi realizado na universidade sergipana. De 1993 a 2000 publicou importantes trabalhos em suas áreas de pesquisa, com foco no cinema e no audiovisual. Entre os anos de 2002 e 2008 manteve-se vinculada à UFS, porém licenciada, atuando como professora visitante na Universidade do Algarve(UAlg), em Portugal, onde efetivou-se a partir de 2008, desligando-se permanentemente do Estado de Sergipe. A sua experiência na Universidade Federal de Sergipe foi fundamental para que ela fosse convidada a criar cursos de Graduação e de PósGraduação na Universidade do Algarve, onde é professora catedrática e coordenadora do Centro de Investigação em Artes e Comunicação. Principais publicações TAVARES, Mirian Estela Nogueira. Cinema x Vanguarda: o nascimento das principais teorias. Revista Cadernos de Comunicação, UFS, n. 1, p. 71-78, 1995. TAVARES, Mirian Estela Nogueira. Cinema e crítica: um casamento possível. Revista do NEPEC – Núcleo de Estudos e Pesquisas em Comunicação, Universidade Federal de Alagoas, jul. 1993. TAVARES, Mirian Estela Nogueira. Buñuel e Fellini: um paralelo possível. In: CAÑIZAL, Eduardo Peñuela(org.). Um jato na contramão. Buñuel no México. São Paulo: Editora Perspectiva, 1993.(Coleção Debates). TAVARES, Mirian Estela Nogueira. ¡ÁTAME! Última parada do desejo. In: CAÑIZAL, Eduardo Peñuela(org.). Urdiduras de sigilos: ensaios sobre o cinema de Almodóvar. São Paulo: Editora Annablume, 1996. TAVARES, Mirian Estela Nogueira. Do Androids Dream of Eletric Sheep? In: MARINHO, Monica Benfica; GUERRA, Josenildo(org.). Circunavegação: temas em comunicação contemporânea Salvador: Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, 1997. TAVARES, Mirian Estela Nogueira. Surrealismo e carnavalização: uma experiência cinematográfica. In: RUBIM, Antônio Albino Canelas; GHISLENE, Ione Maria; PINTO, Milton J.(org.). O olhar estético na comunicação. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2000. 520 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste VERLANE ARAGÃO Aianne Amado e Renata Barreto Verlane Aragão Santos nasceu em 19 de março de 1970 em Aracaju (SE). É filha de Edézio José dos Santos e de Maria dos Prazeres Aragão Santos. Cursou o Primeiro Grau no Colégio Graccho Cardoso, Colégio Dinâmico e no Colégio Estadual Tobias Barreto. O Segundo Grau foi no Colégio Estadual Atheneu Sergipense e no Colégio Unificado. Graduou-se em Ciências Econômicas na Universidade Federal do Sergipe(UFS) em 1988, fazendo cursos de outros Departamentos e os cursos livres do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Concomitantemente, estudou por um semestre no curso de Comunicação na Faculdade Tiradentes, hoje Universidade Tiradentes(UNIT). Durante a Graduação realizou estágios na Legião da Boa Vontade(LBV), na Unidade de Micro Empreendimentos Produtivos, na Secretaria de Planejamento do Estado de Sergipe (Seplan/SE), participando do levantamento de informações para o Censo Industrial de Sergipe, e, posteriormente, no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas(Sebrae). Formou-se em 1992 com a monografia“Mercado de Trabalho na Indústria de Transformação Nordestina(1960-85)”, resultado dos anos como bolsista de iniciação científica, orientada por Ricardo Oliveira Lacerda de Melo. Participou do Curso de Formação Teatral (CFT) desenvolvido no Centro de Cultura e Arte(Cultart) da UFS. Lá conviveu com o grupo“Fantomas”, que levou à participação em produções cinematográficas, como o média-metragem“O Futuro dura 37 min”. 521 Ingressou no Mestrado em 1994, que conciliaria com a atuação como docente universitária, sendo substituta na UFS no mesmo ano e contratada na UNIT. Pelo projeto Intercampus realizou intercâmbio na Universidad de Sevilla(Espanha), sob a tutoria de Elías Zamora Acosta em meados de 1997. No final do mesmo ano é aprovada para cargo efetivo para professor auxiliar no Departamento de Economia(DEE) da UFS para a disciplina de“Economia Política”. Já entre 1998 e 1999 ministra a disciplina de“Complementos de Audiovisual” no curso de Comunicação da Universidade do Minho, em Braga, Portugal. Sob orientação de César Bolaño, defendeu a dissertação“Da Tradição à Mercadoria: apontamentos para a discussão das culturas populares no capitalismo contemporâneo”, em 1999. Ingressa, então, no grupo do Observatório de Economia e Comunicação (Obscom). Ao longo dos anos ocupou os cargos de membro, vicecoordenadora e coordenadora do grupo; atuou na Revista de Economia Política das Tecnologias da Informação e da Comunicação (EPTIC on-line); participou de estudos e debates com pesquisadores nacionais e internacionais; e desenvolve orientações de iniciação científica, Graduação e Pós-Graduação. De volta a Sevilha, para a apresentação de trabalho, participou como sócia-fundadora da Unión Latina de Economía Política de la Información, la Comunicación y la Cultura(ULEPICC), criada em 2002. No Brasil, é convidada para atuar na Fundação Interuniversitária de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho(Unitrabalho), desenvolvendo atividades de pesquisa e extensão. Ali, acompanhou o processo de reestruturação da Cooperativa dos Trabalhadores de Confecção de Sergipe(Coopervest), bem como ministrou cursos de formação da Central Única dos Trabalhadores(CUT) a partir da Escola de Formação Sindical do Nordeste, em Recife. Verlane passa a dedicar-se ao mundo do trabalho, o que aconteceu a partir de 2003 durante seu Doutoramento pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Econômico(PPGDE) da Universidade Federal do Paraná(UFPR), com orientação de Liana Maria da Frota Carleial e coorientação de Walter Tadahiro Shima. Em 2005 mudou-se para o Rio de Janeiro para cursar disciplinas no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro(IE/UFRJ), além de iniciar suas pesquisas de campo, em São Paulo, com o Sindicato de Trabalhadores das Telecomunicações (Sintetel). No mesmo ano volta a Sevilha, agora para seis meses 522 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste em estágio-sanduíche, sob a supervisão de Francisco Sierra Caballero na Facultad de Comunicación. Lá escreve e publica o artigo“Políticas de Comunicação e Telecomunicações no Brasil, desde uma perspectiva da convergência: o caso Telefónica”(2008), já como parte dos resultados da pesquisa de Doutorado. A tese, com o título“Reestruturação capitalista e mundo do trabalho nas telecomunicações brasileiras: a firma-rede e as novas configurações do trabalho no STFC no Estado de São Paulo”, foi defendida em 2007, e, no ano seguinte, publicada como livro. De volta à atuação docente na UFS, passa a atuar, também, nos Programas de Pós-Graduação em Economia(Propec) e Comunicação(PPGCom) – participando na criação deste último em 2012. Em 2009 assume a chefia do DEE e, entre os anos de 2010 e 2018, coordena seis projetos de pesquisa relacionados à cadeia produtiva da cultura em Sergipe, dentre eles o Catálogo da Música de Sergipe 2013. Durante sua atuação, em 2016 o Obscom une-se ao grupo “Comunicação, Economia Política e Sociedade”(Cepos) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos) e conduz os Seminários Obscom/Cepos, de abrangência internacional. Também é presença constante em diversos encontros nacionais e internacionais do subcampo da Economia Política da Comunicação e Cultura(EPC): seja no Grupo de Pesquisa(GP) de Economia Política da Comunicação e da Cultura na Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Comunicação(Intercom), no GP da Asociación Latinoamericana de Investigadores en Comunicación(Alaic), no GT de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura do Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales(Clacso), ou nos encontros do capítulo nacional da ULEPICC, na qual também consta como uma das sócias fundadoras, assumindo a presidência da gestão no período 2022-2026. Entre 2021 e 2022 muda-se para São Paulo a fim de realizar o PósDoutorado no Programa de Pós-Graduação em Economia Política Mundial da Universidade Federal do ABC(UFABC), com o projeto “A centralidade do trabalho cultural no capitalismo do século XXI: das especificidades do trabalho concreto aos limites da subsunção real do trabalho no capital”. Após a conclusão do Pós-Doutorado, retorna à UFS, onde segue atuando como professora titular do Departamento de Economia, do 523 Programa de Pós-Graduação em Economia(Mestrado Profissional) e do Mestrado em Comunicação. Verlane, assim, consolida-se como notável nome da corrente brasileira da crítica da Economia Política da Comunicação e Cultura(EPC), especialmente nos estudos relacionados à indústria da música e ao tema do trabalho cultural. Principais publicações SANTOS, Verlane Aragão. Um diálogo com os estudos culturais, a partir da EPC. Revista Eletrônica Internacional de Economia Política da Informação da Comunicação e da Cultura,[ S. l.], v. 21, n. 2, p. 93-105, 2019. SANTOS, Verlane Aragão. Dimensões e implicações da convergência tecnológica no macrossetor das comunicações. In: BRITTOS, Valério Cruz; LOPES Ruy Sardinha(org.). Políticas de comunicação e sociedade. São Paulo: Intercom, 2012. SANTOS, Verlane Aragão. Comunicação e desenvolvimento: convergência, os novos mercados das telecomunicações e a atuação dos grupos multimidiáticos no Brasil. In: CABALLERO, Francisco Sierra; GALINDO, Juan Antonio Garcia; RAMOS, Murilo César; DEL BIANCO, Nelia R.(org.). Políticas de comunicação e da cultura: contribuições acadêmicas e intervenção social. 1. ed. Brasília: Casa das Musas, 2010. p. 95-111. SANTOS, Verlane Aragão. A firma-rede e as novas configurações do trabalho nas telecomunicações brasileiras. 1. ed. São Cristóvão: Editora da UFS, 2008. SANTOS, Verlane Aragão. Políticas de comunicação e telecomunicações no Brasil, desde uma perspectiva da convergência: o caso Telefónica. In: MORENO DOMÍNGUEZ, José Manuel; SIERRA CABALLERO, Francisco(org.). Comunicación y Cultura en Iberoamérica. El reto de las políticas públicas en la sociedad global. 1. ed. Madri: Gestión Editorial Visión Libros, 2008. p. 189-212. SANTOS, Verlane Aragão. Reestruturação capitalista e mundo do trabalho nas telecomunicações brasileiras: a firma-rede e as novas configurações do trabalho no STFC no Estado de São Paulo. São Cristóvão, SE: Editora da UFS, 200.(Coleção Biblioteca OBSCOM). 524 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste PAULA REIS Carolina Cavalcanti Paula Reis Melo nasceu em 15 de agosto de 1973 em Recife(PE). É a caçula de quatro irmãos, gerados por Beliza Reis Melo e José Geraldo Pedrosa de Melo. Fez toda a sua formação escolar, da Educação Infantil ao Terceiro ano do Segundo Grau, no Instituto Profissional Maria Auxiliadora. Formou-se jornalista na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1996. Foi nesse período(1991-1996) que começou a trabalhar com o rádio e com os movimentos sociais. Seu Trabalho de Conclusão de Curso,“Nas Ondas do Campo”, foi orientado por Luiz Anastácio Momesso, e analisou o programa de rádio do polo sindical do Agreste Setentrional de Pernambuco“A Voz do Trabalhador Rural”. Paula foi aluna da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) no Mestrado em Administração Rural e Comunicação Rural (1997-2000). Obteve o título de mestra em 2000 com a dissertação “Discurso e recepção: o sujeito político na recepção das mensagens do MST”, orientada por Maria das Graças Andrade Ataíde de Almeida. Tornou-se doutora em Ciências da Comunicação, área de concentração Processos Midiáticos, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(Unisinos) – com período-sanduíche na Universidade Nova de Lisboa, sob supervisão de Nelson Traquina. Defendeu a tese“Tensões entre fonte e campo jornalístico: um estudo sobre o agendamento mediático do MST”, orientada por José Luiz Warren Jardim Gomes Braga, em 2008. No Doutorado foi bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq-2004-2008). 525 Sua primeira experiência em sala de aula foi como professora substituta no curso de Jornalismo da UFPE(1998-2000). Depois, foi professora e coordenadora de curso na AESO(Centro Universitário Uniaeso), em Olinda(2001-2002), e professora de jornalismo (2002-2003; 2008-2009), além de coordenadora de curso(2009), na Universidade Católica de Pernambuco(Unicap), no Recife. Em 2009 regressou à UFPE como servidora efetiva, em regime de dedicação exclusiva. É professora associada do Departamento de Comunicação Social da UFPE, onde leciona nos cursos de Jornalismo e Rádio, TV e Internet(que mudou para Estudos de Mídia em 2023). Atua nas disciplinas Projetos Experimentais, Redação Jornalística 2, Técnica de Entrevista e Reportagem 1, 2 e 3, Técnica de Pesquisa Jornalística e Telecinejornalismo em Jornalismo; e Método de Pesquisa em Comunicação, Produção e Direção de Programa para TV, Produção Audiovisual e Debate Público, Projetos Experimentais 3, Redação para TV 2, Técnica de Projetos e Técnica de Produção para TV, em RTVI/Estudos de Mídia. Foi vice-coordenadora do curso de Jornalismo(2010-2012) e membro de comissões da UFPE e do Centro de Artes e Comunicação, ambas em 2013; do Conselho Departamental do Centro de Artes e Comunicação(CAC), como conselheira(2010-2015); além de membro da Comissão de Progressão Docente do Departamento de Comunicação Social(2017-2019). Em 2025 foi nomeada para integrar a Comissão da Verdade, Memória e Reparação da UFPE. É pesquisadora do campo da Comunicação, com ênfase em Processos Midiáticos, Jornalismo e Comunicação Popular, e coautora do livro “Matrizes interacionais: a comunicação constrói a sociedade”, junto com seu ex-orientador, José Luiz Braga e outros autores(2017). Na UFPE está à frente de projetos de extensão, como a Rádio Paulo Freire(820 AM) – transformada em 2018 em rádio-escola –, da qual é, desde 2019, coordenadora geral e pedagógica, e o programa radiofônico jornalístico Fora da Curva, cuja estreia aconteceu em 2017 e é apresentado ao vivo pelas rádios Universitária FM(99.9) e Paulo Freire da UFPE. Em 2020 coordenou“Rádio Paulo Freire Especial Coronavírus” que, na pandemia, produziu spots educativos para as populações vulneráveis sobre como se proteger do vírus da Covid-19. O resultado desse trabalho, em parceria com a Campanha Mãos Solidárias, foi publicado nos artigos produzidos com outros autores:“Rádio Paulo Freire Especial Coronavírus: uma 526 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste experiência de mobilização social e comunicação popular”(2021); e“Do negacionismo à mobilização: como movimentos sociais desafiaram e apoiaram a ciência durante a pandemia da Covid no Brasil”(2025). Juntamente com colegas, desenvolveu a pesquisa sobre os 60 anos da então Rádio Universidade(ex Universitária AM e hoje Paulo Freire). Como fruto da pesquisa foi realizada, em 2023, a exposição A Rádio que Paulo Freire Sonhou e o lançamento do documentário de mesmo título. O livro, de título igual, foi lançado em 2025, e Paula atuou como revisora. Neste ano também foi lançado um novo documentário com direção em parceria:“Encontro na rádio criada por Paulo Freire”, que registra o encontro entre Hugo Martins e Marcius Freire, que trabalharam na antiga Rádio Universidade. No final de 2024 iniciou um programa piloto de Residência em Comunicação Popular junto com a equipe gestora da Rádio Paulo Freire, no qual respondia pela supervisão pedagógica –“Do Monitoramento da mídia hegemônica à prática da comunicação popular: uma experiência de complementaridade de saberes”, com apoio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco(Facepe). Principais publicações BRAGA, J. L.; RABELO, L.; MACHADO, M.; ZUCOLO, R.; BENEVIDES, P.; XAVIER, M. P.; CALAZANS, R.; CASALI, C.; MELO, P. R.; MEDEIROS, A. L.; KLEIN, E.; PARES, A. D. Matrizes interacionais: a comunicação constrói a sociedade. Campina Grande: Editora da UEPB, 2017. FECHINE, Yvana. A Rádio que Paulo Freire sonhou. Revisão Paula Reis. Recife: Ed. UFPE, 2025. LIMA, C. A. R.; FECHINE, Y.; VELOSO, A. M. da C.; APOLONIO, C.; RAMOS, A. S. Rádio Paulo Freire especial Coronavírus: uma experiência de mobilização social e comunicação popular. In: NAOUAR, Oussama; ANDRADE, Adriano Dias de(org.). Enfrentamento à Covid-19: ações da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFPE. 1. ed. Recife: Editora Universitária UFPE, 2021. p. 200-221. 527 BEATRIZ COLUCCI Danielle Parfentieff de Noronha Maria Beatriz Colucci nasceu em 1º de março de 1964 em Juiz de Fora(MG). É filha de Laura Ramalho Colucci e Carlos Alberto Colucci. Cursou o Primeiro Grau na Escola Estadual Cônego Joaquim Monteiro em Matias Barbosa(MG) e o Segundo Grau no Colégio Cristo Redentor – Academia de Comércio em Juiz de Fora(MG). De 1982 a 1986 frequentou a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde concluiu sua primeira Graduação: Serviço Social. Voltou à UFJF em 1992 para cursar sua Graduação em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, finalizada em 1996. Nesse período foi membro-fundadora do Luzes da Cidade, grupo de cinéfilos e produtores culturais que realizou diversos cursos e mostras fílmicas em Juiz de Fora. Também foi bolsista do projeto Sombras Elétricas, que pesquisou a metalinguagem no cinema, ganhando, por duas vezes, o Prêmio Quiral de Iniciação Científica na área Linguística, Letras e Artes. De 1996 a 1999 dedicou-se à Especialização na área de fotografia, com ênfase em fotojornalismo, atuando como repórter fotográfica nos jornais Tribuna de Minas e Estado de Minas. No mesmo período atuou como fotógrafa freelancer e laboratorista p&b. Em 1999 iniciou na docência superior como professora de disciplinas como Introdução ao Jornalismo e Semiótica, no curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Pres. Antônio Carlos(UNIPAC), em Barbacena(MG). Sua trajetória na pesquisa acadêmica continua no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), junto ao 528 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Programa de Pós-Graduação em Multimeios, onde chega em 1997, sob a orientação de Adilson Ruiz. Defende a dissertação intitulada “Impressões fotogramáticas: as experiências dos fotogramas nas vanguardas artísticas”. Em 2006 concluiu o Doutorado em Multimeios na mesma universidade, com a tese“Violência urbana e documentário brasileiro contemporâneo”, sob a orientação do mesmo professor. Entre 2017 e 2018 voltou à UFJF para desenvolver sua pesquisa de Pós-Doutorado sobre o ensaio no documentário em língua portuguesa, com supervisão de Gabriela Borges Caravela, atuando no Observatório da Qualidade no Audiovisual. Mudou-se para Aracaju no começo de 2001, movida pela oportunidade da docência superior na área de fotografia, atuando, de 2001 a 2009, como docente na Universidade Tiradentes(UNIT), onde lecionou disciplinas de Fotografia e Fotojornalismo para os cursos de Design Gráfico, Jornalismo e Publicidade. Nessa época coordenou o jornal laboratório O Inconfidente, projeto de extensão do curso de Jornalismo da UNIT. Também lecionou nos cursos de Especialização de Jornalismo Cultural e Gestão de Processos da Imagem e da Comunicação. Como jornalista, assumiu a Gerência de Projetos da Fundação de Amparo à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC-SE), na área de Comunicação Científica, contribuindo para o desenvolvimento de pesquisas e eventos de formação e democratização do conhecimento científico, tais como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de Sergipe, da qual presidiu a organização em 2004. Também na UNIT, entre os anos de 2004 e 2009, assumiu as coordenações dos cursos de Comunicação Social, habilitações Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Como responsável pela coordenação pedagógica, participou da retomada de eventos importantes da universidade, como o Encontro Sergipano de Comunicação(Ensecom). Orientou e participou de bancas de mais de uma centena de Trabalhos de Conclusão de Curso na Graduação e na Especialização em Comunicação. Como docente de fotojornalismo, incentivou a realização de estágios extracurriculares em jornais sergipanos, abrindo espaços junto a editores de impressos e portais de informação, contribuindo para a formação de muitos(as) repórteres fotográficos. 529 Em 2009 Beatriz ingressou como professora efetiva do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe(UFS), assumindo as disciplinas de fotografia do antigo Departamento de Artes e Comunicação Social. Depois, tornou-se professora associada da Graduação em Cinema e Audiovisual, na qual passou a lecionar as disciplinas Fotografia para Audiovisual I e II, tendo ministrado, também, outras voltadas para fotografia e iluminação, como História da Fotografia, Fotografia Digital, Iluminação e Cenografia e Direção de Fotografia. Em 2016 ajudou a estruturar o Mestrado Interdisciplinar em Cinema e Narrativas Sociais, vinculado ao Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Cinema(PPGCINE/UFS), do qual também foi coordenadora(2019-2021). Nesse programa leciona disciplinas como Cinema e Educação, Documentário e Cinema e Narrativas do Contemporâneo. Na gestão fez parte da chefia e da coordenação pedagógica do Departamento de Comunicação Social, além de ter exercido as funções de assessora técnica junto a Pró-Reitoria de Extensão(PROEX) e de coordenadora da produtora de audiovisual da UFS. Como docente e pesquisadora da área da fotografia, tem desenvolvido projetos de ensino, pesquisa e extensão voltados às relações entre cinema e educação, aos processos criativos em fotografia e cinema e ao documentário contemporâneo. Dentre seus projetos de pesquisa destacam-se a análise de documentários contemporâneos, a investigação sobre autorrepresentação no documentário brasileiro, pesquisas sobre o ensaio e a etnografia no documentário em língua portuguesa, sobre pedagogia da imagem, cinema, educação e direitos humanos e sobre fotofilmes. É uma das coordenadoras do Programa Interdisciplinar de Cinema e Educação(NICE/UFS) e do Laboratório de Pesquisa e Produção Audiovisual(LAPPA). Com o NICE desenvolve projetos de extensão voltados para a formação de professores(as da rede pública do Estado em atividades de cineclubismo e criação audiovisual. Até o momento esse programa já contribuiu para a formação de mais de uma centena de docentes. Além disso, publicou artigos e capítulos de livros, em sua maioria voltados para questões sobre imagem, autorrepresentação, documentário, cinema, educação e direitos humanos. Dentre suas publicações mais relevantes destacam-se os artigos:“Performance 530 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste autobiográfica e o sensorial no documentário contemporâneo: uma passagem para Mário”, editado na revista Art&Sensorium(2021), “Imagens de si e construção social no cinema contemporâneo”, que saiu pela revista Animus(2020), e“Um modo elekô de pensar e fazer cinema”, pela Ambivalências(2020), todos publicados em coautoria com outras pesquisadoras e pesquisadores. Dentre os capítulos de livros mais relevantes assinou, em coautoria,“Das memórias ausentes à realização feminina no cinema contemporâneo”, parte do livro “Ensaios sobre memória”(2020);“Violência urbana no documentário brasileiro”, como parte da obra“Cinema e interdisciplinaridade” (2019), e“Luto como mãe e as políticas de autorrepresentação no documentário brasileiro”, que compôs o livro“Quebrada? Cinema, vídeo e lutas sociais”(2014), entre outros. Beatriz também tem sido colaboradora na produção de documentários e na realização de mostras fotográficas, dentro e fora da universidade. Tem, igualmente, uma vasta participação em organização de eventos, simpósios, seminários e colóquios voltados para as áreas da Comunicação e Interdisciplinar. Referência nas áreas de fotografia e documentário, Beatriz Colucci, ou Bia, como é mais conhecida na UFS, tem desenvolvido uma carreira acadêmica de extrema relevância para o fortalecimento do campo da Comunicação Social no Estado de Sergipe nas últimas duas décadas. Principais publicações ANJOS, Alinny Ayalla Cosmo dos; COLUCCI, Maria Beatriz. Ensino audiovisual nas periferias: reflexões sobre política e educação. In: GOMES, Ana Ângela Farias; COLUCCI, Maria Beatriz; MELO, Marcos de(org.). Cinema e educação em mapas abertos. Aracaju, SE: Criação Editora, 2021. COLUCCI, Maria Beatriz; CARAVELA, Gabriela Borges Martins. Imagens de si e construção social no cinema contemporâneo. Revista Animus, v. 19, n. 40, 2020. COLUCCI, Maria Beatriz. Violência urbana no documentário brasileiro. In: NOGUEIRA, Adriana Dantas; FRANÇA, Lilian Cristina Monteiro; SILVA, Renato Izidoro da. Cinema e interdisciplinaridade. Aracaju, SE: Criação, 2019, 531 COLUCCI, Maria Beatriz. Luto como mãe e as políticas de autorrepresentação no documentário brasileiro. VICENTE, Wilq (org.). Quebrada? Cinema, vídeo e lutas sociais. São Paulo: Editora da USP, 2014. GOMES, Ana Ângela Farias; COLUCCI, Maria Beatriz; MELO, Marcos de(org.). Cinema e educação em mapas abertos. Aracaju, SE: Criação Editora, 2021. SILVA, Maysa da Silva; COLUCCI, Maria Beatriz. Das memórias ausentes à realização feminina no cinema contemporâneo. In: OLIVEIRA, Maria Amália Silva Alves de; CURCINO, Alan; COSTA, Luciana Ferreira da; MAGALHÃES, Fernando(coord.). Ensaios sobre memória. Leiria, Portugal: Instituto Politécnico de Leiria, 2020. Vol. 1. 532 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste VALÉRIA BONINI Sílvia Góis Dantas Valéria Cristina Bonini nasceu em 26 de fevereiro de 1967 em Araraquara(SP). É filha de Ademia Peron Bonini e Domingos Bonini (ambos in memoriam). Ela tem três irmãos: Marco Antonio, Eduardo Henrique e José Fernando, e foi casada com Carlos Alberto. Estudou na Escola Estadual Pedro José Neto(Primeiro Grau) e no Colégio Objetivo(Segundo Grau). Graduou-se em Comunicação Visual em 1990 pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho(UNESP) de Bauru. Seu primeiro emprego foi na Fundação Cesp, em São Paulo, como diretora de arte e fotógrafa, de fevereiro de 1992 até dezembro de 1998. Exerceu outros cargos ligados à fotografia nas seguintes empresas: Curt Laboratórios Fotográficos; Colorcenter; Prisma Fotógrafos; Sociedade para a Reabilitação e Reintegração do Incapacitado(Sorri); Tilibra Comércio de Cadernos; Maravilha Promoções Produções e Comércio; Diário Popular; e Jornal Noturno. Foi, ainda, diretora de arte e fotógrafa na Ideia Fixa Marketing e Propaganda. No fim dos anos 1990 ganhou três prêmios: no Concurso Fotográfico Bauru e o Meio Ambiente, da Casa da Cultura de Bauru – Governo de Bauru(1990), Fase Municipal(1999) e Fase Regional(1999) do Mapa Cultural Paulista/99 na Modalidade Fotografia pela Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Depois de uma breve experiência pela Universidade Paulista(UNIP) como professora de Fotografia em 1999, chegou a Aracaju no mês de julho daquele ano para ser professora no curso de Comunicação Social, habilitação em Publicidade e Propaganda da Universidade Tiradentes(UNIT). 533 Candidatou-se a partir de um anúncio publicado na Folha de S. Paulo, desejando firmar-se na área acadêmica e morar numa cidade litorânea. Deu certo. Em Aracaju, construiu sua bem-sucedida carreira acadêmica e tornou-se, de fato e de direito, Cidadã Aracajuana, título recebido da Câmara de Vereadores em 6 de dezembro de 2016. Na instituição, além de lecionar para Publicidade e Propaganda, também ensinou nos cursos de Relações Públicas, Jornalismo e Design Gráfico. Atuou ainda como diretora de arte do Núcleo de Criação da Assessoria de Comunicação da UNIT no período de 1999 até 2004. Entre 2004 e 2006 foi professora substituta no Departamento de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde ministrou as disciplinas Fotografia e Iluminação, Fotojornalismo, Iluminação e Cenografia. Na UNIT tornou-se assessora dos cursos de Comunicação Social em fevereiro de 2005. Um ano depois foi coordenadora adjunta. Em 2009 assumiu a coordenação dos cursos, onde permaneceu até dezembro de 2020, enfrentando os desafios de adaptação para o ensino virtualizado no cenário pandêmico. Durante a sua gestão merece destaque a obtenção das notas 4 no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes(Enade) nos cursos de Jornalismo (2015) e Publicidade e Propaganda(2018). Com sua escuta ativa, paciente e generosa na coordenação, Valéria marcou um tempo de proximidade e confiança, criando laços afetivos na comunidade universitária com acolhimento, generosidade e disposição para olhar e atender o outro. Em janeiro de 2021 tornou-se responsável pela Coordenação Pedagógica, onde permaneceu até setembro daquele ano. A partir daí assumiu a direção do Complexo de Comunicação Social(CCS), considerado um dos mais completos centros de áudio e vídeo das escolas de comunicação do país, com estúdios de televisão e de fotografia e laboratórios de rádio, áudio, fotografia, editoração eletrônica, redação, produção e ilhas de edição. Bonini também é responsável pelos Projetos de Extensão dos cursos de Publicidade e Propaganda e de Jornalismo. Dentre eles, vale destacar o projeto Interações Sonoras( podcasts e videocasts); o UNIT Notícias, telejornal laboratório veiculado em emissora de TV aberta de Sergipe (TV Atalaia); e a Agência Prática Experimental de Comunicação, que ela coordena há mais de dez anos. 534 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Com sua determinação e capacidade de trabalho, Valéria Bonini ainda atua como membro do Colegiado de Curso e Núcleo Docente Estruturante(NDE) dos cursos de Publicidade e Propaganda e de Jornalismo, e continua em sala de aula como professora dos cursos de Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Design Gráfico. Dentre as muitas disciplinas que vêm ensinando ao longo de mais de duas décadas na UNIT, destacam-se: Fotografia, Fotografia Publicitária, Criação Publicitária, Comunicação Visual, Estética dos Meios de Comunicação, Fotojornalismo, Semiótica e Criatividade. Nesta retrospectiva, já contribuiu com a formação acadêmica de 1.285 jornalistas; 618 relações públicas; 1.462 publicitários e 876 designers gráficos, ou seja, mais de 4.200 profissionais formados pela UNIT. Já orientou dezenas de estudantes em Trabalhos de Conclusão de Curso e foi membro de mais de 200 bancas examinadoras. Seu destaque na área da educação no campo da Comunicação no Estado de Sergipe levou-a a conquistar o Prêmio Sergipano de Propaganda Guigó como Melhor Professor em 2015. No mesmo ano participou da sexta edição do Programa Top España Santander Universidades, representando a Universidade Tiradentes como professora na Universidad de Salamanca. Depois da Especialização em Potenciais da Imagem pela Universidade Federal da Bahia(UFBA), Bonini fez Mestrado em Educação na UNIT, defendendo, em 2012, a dissertação“Imagem, educação e conhecimento: a fotografia sobre o Reisado de Sabal”, orientada por Fabricia Teixeira Borges. Além de fazer história na UNIT, sua atuação humana também se revela na sua participação na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação(Intercom), onde é avaliadora da Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação(Expocom) em várias categorias por quase dez anos. Com seu olhar generoso para a vida, Valéria faz parte da formação de várias gerações de comunicólogos no Estado de Sergipe, que levam dela boas lembranças, grandes aprendizados e a importância de saber olhar para o que realmente interessa para captar mais que fotografias: o humano. Principais publicações ALCÂNTARA, Caio Mario Guimarães; BONINI, Valéria Cristina. Comunicação e contemporaneidade: conceitos e relações para a 535 formação da sociedade. CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 38., 2015, Rio de Janeiro. Anais eletrônicos [...]. São Paulo: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2015. BONINI, Valeria Cristina. Imagem, educação e conhecimento: a fotografia sobre o Reisado de Sabal. 2012. 133 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Tiradentes, Aracaju, 2012. BONINI, Valéria Cristina; BENIA, Renata Tavares. A estética na espetacularização da imagem fotográfica na contemporaneidade. Caderno de Graduação – Ciências Humanas e Sociais – UNIT – Sergipe, v. 3, n. 3, p. 285-300, out. 2016. BONINI, Valéria Cristina; BENIA, Renata Tavares. Singularidade do olhar a partir do filme“Janela da Alma”. CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORDESTE, 16., 2014, João Pessoa. Anais Eletrônicos[...]. São Paulo: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2014. 536 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MESSILUCE HANSEN Sonia Aguiar Messiluce da Rocha Hansen nasceu em 20 de janeiro de 1974 em Aracaju(SE). É filha de Manoel Messias da Rocha e Marluce Nunes da Rocha. É casada com Dean Hansen. Mais velha de três irmãs, tinha seis anos quando a família se mudou para Brejo Santo (CE), onde iniciou a vida escolar, estudando na Escola de Primeiro Grau Pe. Pedro Inácio Ribeiro. Três anos depois o pai foi transferido para Arapiraca(AL), onde estudou no Instituto São Luiz, na Escola Estadual Adriano Jorge e no Colégio Normal São Francisco de Assis, onde terminou o Primeiro Grau e iniciou o Segundo. Concluiu esta etapa no Colégio Cenecista Nossa Senhora do Bom Conselho. Ingressou no curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Tiradentes(UNIT) em 1993. Fez parte do grupo de estudantes que viajou a Curitiba para o Congresso Nacional de Jornalistas de 1994, organizado pela Federação Nacional dos Jornalistas(FENAJ). Também começou a fazer estágio em pequenos jornais de Aracaju. Um deles, especializado em Turismo, propiciou seu primeiro contato com jornalistas de outras regiões. Também teve uma breve passagem pela assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Meio Ambiente(Sema). Em 1995 foi aprovada no vestibular para ingressar no curso de Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe(UFS). Foi monitora de disciplinas e teve seu Trabalho de Conclusão de Curso(TCC) orientado por Lílian França. Após cursar disciplinas isoladas nos programas de Ciências Sociais e de Letras da UFS, foi aprovada para o Mestrado em Comunicação da Universidade de Brasília(UnB) e da Universidade Federal da 537 Bahia(UFBA), optando por esta última. Sua dissertação,“Esfera pública, democracia e jornalismo: uma análise comparativa das representações sociais de cidadania em Veja e IstoÉ”, foi orientada por Sonia Serra e defendida em 2003. Foi durante o Mestrado que iniciou sua atuação docente. Em 2001 foi contratada como professora substituta da UFS. Realizou Doutorado em Ciências Sociais na UFBA. Em 2009 defendeu a tese“Esfera pública midiática: um estudo a partir dos princípios do discurso público e do modelo de democracia deliberativa habermasiana”, orientada por Maria Victória Espiñeira González. Antes disso, em 2006, foi aprovada em concurso e tornouse professora efetiva da instituição, ministrando Teorias da Comunicação; Comunicação e Política; Comunicação Comparada; Deontologia da Comunicação; Estética e Cultura da Mídia; Fundamentos Sócio-históricos do Jornalismo; Jornalismo Digital; Métodos e Técnicas de Pesquisa em Jornalismo, entre outras. Em 2009 assumiu a chefia do Departamento de Comunicação Social, iniciando uma sequência de cargos em órgãos da gestão superior da Universidade(2012-2019), entre os quais a Chefia da Assessoria de Comunicação Social, a Diretoria Geral da Rádio UFS, a Coordenação do Núcleo de Editoração e Audiovisual(NEAV) e a Diretoria de Editoração, Comunicação Institucional e Produção Audiovisual, sem contar a participação em comissões organizadoras de eventos institucionais. Em 2017 assumiu a Coordenação da Comissão de Estágio do Curso de Jornalismo, que deixou em 2022 por conta da Coordenação do Curso de Jornalismo, seguida pela chefia do Departamento de Comunicação Social(DCOS). Nessas décadas de magistério, Messiluce Hansen teve duas breves passagens por Programas de Pós-Graduação na UFS: PPGCOM (2012-2014), onde ministrou as disciplinas Comunicação, Estado e Democracia e Seminários Avançados sobre Cultura, Economia e Política da Comunicação; e no Curso de Mestrado Profissional em Ciência da Informação(2017-2021), no qual ofertou as disciplinas Cidadania e Políticas Públicas de Informação no Brasil; Políticas Públicas e Competência Informacional; e Tópicos Especiais em Gestão da Informação e do Conhecimento. No Pós-Doutorado em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco(UFPE), retoma o caminho da pesquisa, ponto de virada de volta para a trajetória intelectual. Assim, consagra-se 538 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste como uma professora de jornalismo e pensadora habermesiana que tem orgulho das suas raízes nordestinas. Principais publicações HANSEN, Messiluce da Rocha. Comunicação, democracia e esfera pública: estruturas e dinâmicas da esfera pública em sociedades midiáticas. São Cristóvão: Editora UFS, 2013. 464 p. HANSEN, Messiluce da Rocha. Esfera pública, democracia e jornalismo: as representações sociais de cidadania em Veja e IstoÉ. São Cristóvão: Editora UFS, 2007. 312 p. HANSEN, Messiluce da Rocha. Esfera de visibilidade pública midiática, redes de comunicação e os atores coletivos da sociedade civil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 29., 2006. Brasília. Anais[...]. Brasília: Intercom, 2006. MARQUES, V. T.; HANSEN, Messiluce da Rocha(org.). Orçamento participativo, sociedade civil e hegemonia: dilemas da abertura de novos espaços deliberativos nas esferas públicas locais. In: SEMANA DE CIÊNCIA POLÍTICA DA UFPE, 2., 2006. Recife. Anais[...]. Recife, 2006. 539 ANA ÂNGELA FARIAS Erna Barros Ana Ângela Farias Gomes nasceu em 5 de agosto de 1970 em Fortaleza(CE). É filha de Dona Gal. Estudou, inicialmente, na Escola Pio X, e ingressou no Colégio Lourenço Filho com bolsa integral. Concluiu a formação escolar no Colégio Geo. Motivada pelo seu gosto pela escrita, ingressou no curso de Jornalismo em 1988 na Universidade Federal do Ceará(UFC), onde aproximou-se do cinema. Atuou em diversas funções no audiovisual – produção, direção e roteirização. Concluiu o curso de Jornalismo em 1993, enquanto trabalhava na extinta TV Manchete, e defendeu a monografia“Da imagem ao sentimento, do sentimento à imagem – a ficção no vídeo popular”, orientada por Erotilde Honório. Durante esse período também integrou a Associação Brasileira de Vídeo Popular(ABVP). Nos anos seguintes abraçou o jornalismo como prática profissional e ingressou no Mestrado em Sociologia da UFC em 1999, onde defendeu a dissertação“Reencantamento aquariano – religião e auto-ajuda na mídia”, sob orientação de Glória Diógenes. Sua formação acadêmica continuou com o Doutorado em Comunicação na Universidade do Vale do Rio dos Sinos(UnisinosRS) em 2003, sob orientação de Ione Bentz. Defendeu a tese“A midiatização do social – Globo e Criança Esperança tematizando a realidade brasileira”, em 2007. Durante sua permanência no RS, em 2004, iniciou sua carreira docente na Universidade Feevale, onde lecionou por cinco anos, ministrando diversas disciplinas e aprofundando seu envolvimento com o cinema. 540 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Em 2008 deixou a Feevale para se dedicar à maternidade e à preparação para concursos públicos. Foi aprovada em 2009 para o recém-criado curso de Comunicação Social – habilitação em Audiovisual – da Universidade Federal de Sergipe(UFS), onde passou a atuar como docente. Ministrou disciplinas como História do Cinema Mundial, História do Cinema Brasileiro, Linguagem Cinematográfica e, principalmente, Roteiro. Assumiu a coordenação do curso em dois momentos: quando ainda era uma habilitação dentro de Comunicação Social e, posteriormente, após a criação do curso de Cinema e Audiovisual, em 2016. Ainda em 2010 idealizou o projeto de extensão Cine Mais UFS, que teve apoio do Ministério da Cultura e realizou exibições semanais de filmes durante sete anos, promovendo debates e ocupando uma sala de projeção no campus com cerca de cem lugares. No campo da pesquisa iniciou investigando a relação entre televisão e meio ambiente. Com o tempo, passou a focar no cinema contemporâneo, com ênfase em narrativas que abordam o território urbano nordestino, subjetividade e narrativas cinematográficas latino-americanas. Em 2016 participou da criação do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Cinema – PPGCINE –, o primeiro da UFS voltado para o cinema em articulação com outras áreas do conhecimento. Foi a primeira coordenadora do programa e atuou de forma interdisciplinar, conectando o cinema a campos como Educação, Filosofia, Teatro, Letras, Psicologia, entre outros. Nesse contexto, desenvolveu também atividades de extensão voltadas à educação, como o projeto Inventar com a Diferença, da UFF, e a criação do Núcleo Interdisciplinar de Cinema(NICE). Ao iniciar seu Pós-Doutorado em 2018, Ana Ângela decidiu focar sua pesquisa no roteiro cinematográfico. Vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Artes da UFC, passou a investigar os processos criativos de roteiristas latino-americanos. Dessa pesquisa surgiu o projeto Maré Narrativa, que integra ensino, pesquisa e extensão com o objetivo de apoiar a criação de roteiros cinematográficos. Um dos principais desdobramentos do projeto são as“rodas de criação”, espaços colaborativos onde histórias são compartilhadas e desenvolvidas coletivamente. Com uma trajetória marcada pela dedicação ao cinema, à docência, à pesquisa interdisciplinar e ao fortalecimento do roteiro como área 541 de investigação e criação, Ana Ângela contribui significativamente para o campo do audiovisual no Brasil. Principais publicações GOMES, Ana Ângela Farias; RAMOS, V. A. Tem negras nessa novela? A representação da mulher negra em Lado a lado. Revista Tomo, v. 42, p. 1-20, 2023. GOMES, Ana Ângela Farias; FREIRE, K. A invenção colonial do Nordeste: processos de construção imagético-discursiva sobre um espaço regional“antimoderno”. Boletim Historiar, v. 10, p. 33-46, 2023. FARIAS GOMES, Ana Ângela; FIEL, Arthur Felipe; DE JESUS, Ângela Silva. Entre o cinema e a TV, processos de criação de roteiro na América Latina hoje: um diálogo com Lucas Paraizo. Esferas, v. 1, p. 268-289, 2021. GOMES, Ana Ângela Farias; GUIMARÃES, C.; MENDONÇA, F.; IZIDORO, R.(org.). Poéticas de pesquisa: cartografando o audiovisual. 1. ed. Aracaju: Criação, 2021. 253 p. V. 1. GOMES, Ana Ângela Farias; MELO, M. R.; COLUCCI, M. Beatriz (org.). Cinema-Educação em mapas abertos. 1. ed. Aracaju: Criação, 2021. 192 p. V. 1. GOMES, Ana Ângela Farias; FREIRE, K. Memória em rizoma: cinema brasileiro e uma certa ideia de Nordeste. Virus, v. 15, p. 1, 2017. 542 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste SONIA AGUIAR Renata Barreto Malta Sonia Aguiar Lopes nasceu em 8 de julho de 1953 no Rio de Janeiro (RJ). É filha de Mario Lopes e Maria do Carmo Aguiar Lopes. Cursou o primário na Escola Municipal República de El Salvador; o ginásio na Escola Municipal Bento Ribeiro(antes Colégio estadual); e no Instituto de Educação do Rio de Janeiro(IERJ) – Curso Normal(de formação de professores para o atual Ensino Fundamental). Aos 19 anos tornou-se professora concursada do então Estado da Guanabara. Prestou vestibular para a Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) e cursou Filosofia, que frequentou ao longo de 1972. Em 1973 começou a cursar Jornalismo na Universidade Federal Fluminense(UFF). O primeiro emprego na área, ainda estudante, foi como redatora do Departamento de Pesquisas da Bloch, a segunda maior editora de revistas do país na época. Atuou como redatora, ainda, na revista Fatos e Fotos(1978), no jornal O Globo(1983) e nos Cadernos de Ciência da Finep(1990). Sua atuação como professora do curso de Jornalismo da UFF foi a partir de 1984, inicialmente como substituta e em seguida como concursada. Durante boa parte dessa trajetória docente manteve um pé no mercado profissional, fosse conciliando dois empregos ou atuando como freelancer. Foi editora do semanário ligado ao PDT chamado Espaço Democrático. Em seguida tornou-se editora da primeira revista brasileira dedicada ao mundo dos personal computers(PCs), cargo que exerceu de 1986 a 1988 e a inseriu no jornalismo de informática. 543 Não por acaso, ministrou a disciplina Edição Jornalística por mais de uma década e escolheu esse tema para a sua dissertação de Mestrado, defendida em 1990 na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO-UFRJ), sob orientação de Muniz Sodré. Seu trabalho intitulou-se“Sobre o discurso jornalístico: verdade, legitimidade e identidade”. Sonia viu a Internet nascer no Brasil em 1995, quando era editora do Jornal da Cidadania. Da experiência como usuária da rede Alternex, no Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas(Ibase), fez o trabalho de campo para a sua tese de Doutorado, desenvolvida no Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia(IBICT) em convênio com a ECO-UFRJ(1992-1996). Sua tese“A teia invisível. Informação e contra-informação nas redes de ONGs e movimentos sociais”, foi orientada por Gilda Maria Braga e coorientada por Maria Nélida Gonzalez de Gomez. Passou a fazer parte do grupo de jornalistas que“cobriram” a Internet no Brasil na segunda metade da década de 1990. A pesquisa e a experiência profissional levaram-na a escrever o livro Desatando os nós da Rede: dicas para você não se enrolar na Internet(1997), um dos primeiros manuais sobre a história e o uso das redes no país. Temas de ciência e tecnologia marcaram a vida profissional de Sonia ao longo da década de 1990, tanto em passagens por veículos especializados quanto pela criação e edição da revista on-line Conex@o(1996-1998), uma das primeiras iniciativas de jornalismo“independente” nativo digital na rede brasileira. Criou duas disciplinas optativas nas quais o curso de jornalismo da UFF foi pioneiro no Estado do Rio de Janeiro: Jornalismo Científico (extensivo ao Jornalismo Ambiental) e Publicações Eletrônicas, de caráter laboratorial, que visava à produção de páginas jornalísticas para websites e portais, com textos e imagens. A carreira docente na UFF durou 20 anos, pois, em 2004, Sonia decidiu aposentar-se. Seguiu, contudo, trabalhando com consultorias ligadas à montagem e aos usos de portais de informação em instituições públicas. Em 2008 decidiu retomar a atividade docente para se dedicar efetivamente à pesquisa acadêmica. Foi aprovada em concurso público para docente do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe(UFS), iniciando na instituição em 2009. Lá, dedicou-se à Comunicação Ambiental associada ao desenvolvimento regional, 544 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste que, por sua vez, a levou à aproximação com os referenciais epistemológicos da Geografia. Com recursos do Edital Universal (2011) inventariou as Geografias da Comunicação Ambiental no Brasil e aproximou-se do grupo de jornalistas pesquisadores da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, sediada em Porto Alegre. Nessa direção, fundou o Laboratório Interdisciplinar de Comunicação Ambiental(LICA), responsável por três edições do Encontro Interdisciplinar de Comunicação Ambiental(EICA). A confluência de interesses interdisciplinares e a troca com colegas prosseguiu com a criação de um novo Grupo de Pesquisa(GP) na Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), dedicado ao emergente subcampo das Geografias da Comunicação. No Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM-UFS) – do qual é cofundadora e coordenou por duas vezes – criou a disciplina Geografias da Comunicação Contemporânea. Na Graduação orientou projetos de iniciação científica(PIBIC) e Trabalhos de Conclusão de Curso(TCCs) nessa mesma vertente. Entre 2014 e 2015 desenvolveu pesquisa Pós-Doutoral em Geografia Regional no Programa de Pós-Graduação em Geografia(PPGeo) da UFF, sob supervisão de Rogério Haesbaert, da qual resultou o livro Territórios do jornalismo: geografias da mídia local e regional no Brasil(2016). Em seguida, criou o grupo de pesquisa Geografias da Comunicação Contemporânea, certificado pelo CNPq, que teve adesão de pesquisadoras de todas as regiões. Em 2019 propôs a primeira comunicação coordenada em jornalismo local-regional do Encontro Nacional da SBPJor. Em 2023, após 14 anos, Sonia Aguiar despediu-se do ensino da Graduação em Jornalismo da UFS, mas permaneceu como voluntária no corpo docente permanente do PPGCOM. Principais publicações AGUIAR, Sonia. Desatando os nós da Rede: dicas para você não se enrolar na Internet. Rio de Janeiro: Editora Senac, 1997. AGUIAR, Sonia. Territórios do jornalismo: geografias da mídia local e regional no Brasil. Petrópolis: Vozes; Rio de Janeiro: Editora da PUC-Rio, 2016. AGUIAR, Sonia. Comunicação e cultura transnacionalizadas: contribuições de Armand e Tristan Mattelart às geografias da 545 comunicação. Matrizes, v. 14, n. 3, p. 175-195, 2020.(Dossiê Vertente Mattelart). AGUIAR, Sonia. A competência transgressora dos contraespecialistas na produção de conhecimento socialmente orientado e no confronto de saberes. Em Questão, Porto Alegre, v. 26, n. 1, p. 84-112, jan./ abr. 2020. LOPES, Sonia Aguiar. Sobre o discurso jornalístico: verdade, legitimidade e identidade. 1990. Dissertação(Mestrado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, ECO/UFRJ, Rio de Janeiro, 1990. LOPES, Sonia Aguiar. A teia invisível: informação e contrainformação em redes de ONGs. 1996. Tese(Doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia, UFRJ/ IBICT, Rio de Janeiro, 1996. 546 FUNDADORAS E CONSOLIDADORAS SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS Aianne Amado Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo(USP). Mestre em Cultura, Economia e Políticas da Comunicação no Programa de Pós-Graduação em Comunicação pela Universidade Federal de Sergipe(UFS). Bacharel em Imagem e Som pela UFSCar. aianne_amado@hotmail.com Carolina Cavalcanti Professora substituta de Jornalismo Audiovisual na Universidade Federal de Sergipe (UFS). É doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco(UFPE) (com estágio-sanduíche na UT Austin), mestra em Comunicação e Culturas Midiáticas pela Universidade Federal da Paraíba(UFPB) e em Jornalismo Internacional pela City (University of London). ana_carolinavc@yahoo.com.br Danielle Parfentieff de Noronha Professora do curso de Cinema e Audiovisual/Universidade Federal de Sergipe (UFS). Doutora em Mídia, Comunicação e Cultura pela Universitat Autònoma de Barcelona(UAB). Mestrado em Antropologia pela UFS e Graduação em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo(UMESP). É vice-líder do Grupo de Estudos Culturais, Identidades e Relações Interétnicas – GERTs – da UFS. danielledenoronha@gmail.com Eloy Vieira Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) com estágio-sanduíche na Universitat Autònoma de Barcelona(UAB). Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Sergipe(UFS) e graduado em Jornalismo pela mesma instituição. É professor visitante e pesquisador no PPGCOM/ UFS com bolsa de Pós-Doutorado(PDPG/CAPES). eloy.vieira@academico.ufs.br 547 Erna Barros Doutora em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe(UFS), mestre em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas(Unicamp) e jornalista pela Universidade Federal de Alagoas(UFAL). É professora efetiva do Departamento de Comunicação Social da UFS e professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da mesma universidade. ernabarros@academico.ufs.br Maíra Ezequiel Professora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Doutora em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Mestre em Comunicação e Semiótica pela Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas(UFAL). mairaezequiel@academico.ufs.br Raquel Carriço É professora no Departamento de Comunicação Social e no Programa de PósGraduação em Comunicação da Universidade Federal de Sergipe(UFS). É publicitária, mestre pela Universidade Metodista de São Paulo(UMESP), doutora pela Universidade Nova de Lisboa e pós-doutora pelo CIES ISCTE Lisboa. raquelcarrico@gmail.com Renata Barreto Malta Professora do Departamento de Comunicação Social e do Programa de PósGraduação em Comunicação Social/Universidade Federal de Sergipe(UFS). Coordenadora do Grupo de Pesquisa GENI – Gênero e Interseccionalidades na Comunicação. Doutorado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo(UMESP) e Pós-Doutorado na Facultad de Comunicación, Departamento de Comunicación Audiovisual de la Universidad de Sevilla – España. renatamaltarm@gmail.com Sílvia Góis Dantas Doutora em Ciências da Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo(USP). Mestra em Comunicação e Práticas de Consumo pela Escola Superior de Propaganda e Marketing(ESPM-SP). Especialista em Gestão Integrada da Comunicação pela Universidade Tiradentes (UNIT). Graduada em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – pela UNIT e em Direito pela Universidade Federal de Sergipe(UFS). silviagdantas@gmail.com 548 SOBRE AS AUTORIAS DAS BIONOTAS MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste Sonia Aguiar Jornalista graduada pela Universidade Federal Fluminense(UFF). É mestre e doutora em Comunicação pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro(ECO-UFRJ). Aposentada, foi professora na UFF entre 1984 e 2004. É professora voluntária da Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Sergipe(UFS). saguiar@academico.ufs.br 549 MULHERES DA COMUNICAÇÃO- Região Nordeste MULHERES DA COMUNICAÇÃO Região Nordeste Este livro celebra a trajetória acadêmica das mulheres que ajudaram a construir o campo da Comunicação na Região Nordeste. Organizado por regiões, os volumes resgatam as histórias de pesquisadoras que, como fundadoras e consolidadoras, desafiaram estruturas e deixaram sua marca na produção de conhecimento. A iniciativa dá visibilidade a essas mulheres, destacando suas contribuições para o ensino, a pesquisa e a extensão universitária, ao mesmo tempo em que preserva a memória de sua atuação no desenvolvimento da área. El Centro de Pensamiento en Comunicación de la Fundación Friedrich Ebert para América Latina conocido como FES Comunicación produce conocimiento sobre la comunicación como insumo y estrategia para el diálogo político y la profundización de la democracia social. Sus áreas de trabajo son: Comunicación Política y Libertad de expresión+ Medios de comunicación y Periodismo independiente+ Medios digitales y ciudadanos. www.fescomunica.fes.de/ @fescomunica 1