P E R S P E C T I VA Expedições Democráticas Rastreando o discurso iliberal: Como a retórica da extrema direita erode a democracia antes que as políticas restritivas entrem em vigor Lisa Zanotti e Hugo Marcos-Marné A estrutura interna das tendências iliberais – e as palavras que se escondem por trás dela Em 6 de janeiro de 2021, uma multidão invadiu o Capitólio dos EUA. Dois anos depois, em 8 de janeiro de 2023, um ataque semelhante ocorreu na Praça dos Três Poderes, no Brasil. Essas ações não aconteceram de forma isolada. Pelo contrário, foram consequência de anos de campanhas retó ricas contínuas que deslegitimaram os processos eleitorais, caracterizaram os oponentes políticos como ameaças exis tenciais e normalizaram a violência como uma ferramenta política legítima. Antes do ataque às instituições, houve o ataque à linguagem. No entanto, atores democráticos em todo o mundo continuam concentrados de forma despro porcional em rastrear mudanças políticas – como restrições à imigração, nomeações judiciais e regulamentações da mí dia –, enquanto a base discursiva para essas políticas está à vista de todos, normalizada pela repetição e difundida a partir da periferia radical em direção à política dominante. Para enfrentar de forma eficaz as consequências antidemo cráticas da onda global da extrema direita, devemos primei ro compreender a linguagem como sua principal arma. Por que o discurso importa mais do que pensamos Os partidos de extrema direita contemporâneos raramen te defendem a destruição total da democracia. Ao contrá rio dos movimentos fascistas do século XX, os atores ili berais de hoje atuam dentro dos sistemas democráticos, erodindo-os por dentro(Rovira Kaltwasser et al. 2024). Suas estratégias são mais sutis e, possivelmente, mais pe rigosas, pois tentam ocultar quaisquer elementos que possam ser inaceitáveis ​p​ ara grandes setores da popula ção. Essa abordagem se baseia em um ataque contínuo Rastreando o discurso iliberal 1 às instituições e normas que protegem os direitos das mi norias, garantem a independência judicial e a liberdade de imprensa. Tudo isso é feito por meio da retórica, muito antes que políticas e comportamentos iliberais tangíveis entrem em vigor. Isso é importante pela simples razão de que o discurso não exige a tomada do controle do Estado. Atores da oposição, candidatos sem poder governamental e empreendedores extra-institucionais podem utilizar noções iliberais para re formular o que é considerado legítimo, possível e até mes mo de«senso comum»(Newth e Scopelliti 2025). As estra tégias retóricas, ao contrário da implementação de políti cas, são de baixo custo e alta difusão, o que ajuda a explicar por que a erosão discursiva geralmente precede a mudança institucional. O«efeito de contágio» almejado pelos partidos de extrema direita está bem estabelecido. Pesquisas demonstram como(especialmente) os partidos conservadores tradicio nais, sob pressão eleitoral, tendem a acomodar posições de extrema direita, adotando plataformas restritivas sobre imi gração, crime e«soberania»(Meguid, 2008; Abou-Chadi e Krause, 2020). Nossa contribuição busca rastrear esse efei to no âmbito do discurso, onde a batalha é travada primei ro e onde a intervenção precoce ainda é possível.. O que medimos: dois pilares, sete arenas Com base no trabalho fundacional de Robert Dahl(1971), entendemos a democracia liberal como assentada em dois pilares necessários: a contestação pública(alternativas or ganizadas podem competir livremente sob a proteção das liberdades civis e de informação?) e a participação inclusi va(o sufrágio é amplo e as eleições são limpas?). Traduzimos esses pilares em sete arenas institucionais con cretas nas quais os líderes sinalizam seus compromissos democráticos – ou a falta deles: Contestação: (i) liberdades civis(discurso, reunião, expressão); (ii) mídia e informação alternativa(liberdade de imprensa, pluralismo); (iii) pluralismo e oposição(legitimidade dos rivais, aceita ção da dissidência); (iv) direito de organização(sindicatos, associações, protes tos); (v) freios e contrapesos e estado de direito(independência judicial, responsabilização horizontal) Participação: (vi) integridade eleitoral(eleições livres e justas, disputa de cargos); (vii) cidadania inclusiva(sufrágio amplo, critérios de ade são). O discurso iliberal, portanto, inclui a retórica que restringe a contestação e/ou limita a participação. Exemplos fre quentes incluem a deslegitimação de oponentes, a politiza ção dos tribunais, a pressão sobre a mídia, a exclusão de minorias e o questionamento da legitimidade eleitoral. Nossa análise se baseia em milhares de entrevistas com lí deres políticos de todo o espectro ideológico na Espanha e na Argentina. Nesses dois casos, incluímos variações no desenho institucional(parlamentarismo versus presidencia lismo), no posicionamento da extrema direita(oposição consolidada versus vitória de insurgentes) e nas estruturas da direita tradicional(fortes versus fracas). Para cada líder, mensuramos tanto a intensidade dos sinais iliberais(quão extrema é a retórica) como a ênfase dada a eles(com que frequência são utilizados), possibilitando comparações en tre e dentro dos contextos. Utilizamos um extenso modelo de linguagem(GPT-5) para codificar as transcrições das entrevistas, tratando cada res posta de um líder como uma observação e identificando a frequência e a intensidade com que a retórica iliberal apa recia. Cada resposta foi pontuada de 1(completamente li beral) a 4(completamente iliberal), num total de 255 entre vistas e 2.572 respostas individuais. O que descobrimos: dois padrões, um manual Espanha: um gradiente claro A importância do discurso iliberal na Espanha depende for temente da ideologia. O Vox de Santiago Abascal obtém a pontuação mais alta em quase todas as dimensões, exceto na de«mídia alternativa». Os líderes da direita tradicional (do Partido Popular) 1 situam-se no meio, com uma pontua ção notavelmente alta em mídia alternativa, mas mais mo derados em relação ao Estado de Direito e às liberdades ci vis. Os líderes de esquerda permanecem consistentemente os mais liberais em todas as dimensões(v. figura 1). Esse padrão se acentua quando se consideram os valores relativos. A média ponderada pela relevância do Vox atinge 2,72 em contestação, em comparação com 1,81 da esquer da. No geral, aproximadamente 84% da retórica iliberal na Espanha tem como alvo a contestação(mídia, tribunais, pluralismo) em vez da participação. A mensagem é clara: a estratégia iliberal espanhola concentra-se em deslegitimar 1   Os líderes do PP que analisamos são Pablo Casado e Alberto Nuñez de Feijó Rastreando o discurso iliberal 2 Intensidade da tendência iliberal no discurso dos líderes espanhóis Figura 1 3.0 2.9 2.9 2.9 2.8 2.4 1.9 1.7 1.7 1.7 2.4 2.5 2.1 2.1 2.0 1.8 2.5 2.5 2.3 1.3 1.1 Esquerda Mídia alternativa Pluralismo e oposição Fuente: elaboración de los autores Direita convencional Liberdades civis Direito de organização Integridade eleitoral Estado de direito Extrema direita Cidadanía inclusiva Intensidade da tendência iliberal no discurso dos líderes argentinos Figura 2 2.8 2.7 2.8 2.9 2.5 2.2 2.0 2.5 2.4 2.2 2.8 2.3 2.2 2.9 2.8 2.6 2.6 2.7 2.4 2.0 Esquerda Mídia alternativa Pluralismo e oposição Fuente: elaboración de los autores 1.3 Direita convencional Liberdades civis Derecho de organização Integridade eleitoral Estado de direito Extrema direita Cidadanía inclusiva Rastreando o discurso iliberal 3 rivais, politizar os tribunais e atacar a liberdade de impren sa, e essas estratégias são muito mais prevalentes no dis curso da extrema direita. cludente sobre cidadania, enquanto os padrões argentinos concentram o iliberalismo na contestação, independente mente do bloco político. Argentina: uma configuração bipolar A figura 2 mostra que a Argentina apresenta uma situação mais complexa: um padrão em forma de U no qual os dis cursos da extrema direita e da esquerda 2 convergem em ní veis iliberais semelhantes e elevados, enquanto a direita tradicional ancora a linha de base liberal. O iliberalismo de extrema direita de Javier Milei mira prin cipalmente a mídia/informação alternativa e o pluralismo/ oposição, mas também a dimensão de freios e contrape sos/Estado de direito. Isso é coerente com sua autodescri ção como«antiestablishment e libertária», que se baseia fortemente na deslegitimação sistemática dos rivais. Surpreendentemente, o discurso da esquerda argentina exi be os meios mais iliberais em relação aos mecanismos de controle e equilíbrio de poderes/Estado de direito e à mídia alternativa, indicando uma postura rígida em relação à su pervisão judicial e à esfera da informação. O discurso da direita tradicional(Juntos por el Cambio) é comparativa mente mais liberal, especialmente no que diz respeito à in tegridade eleitoral e à cidadania inclusiva. Na ponderação, tanto a extrema direita como a esquerda atingem níveis gerais em torno de 2,65 a 2,66, impulsiona das principalmente por seu foco constante em mecanismos de controle e equilíbrio de poder, mídia e oposição. A pon tuação mais baixa da direita tradicional(em torno de 2,3) reflete tanto uma intensidade moderada quanto uma dis tribuição mais equilibrada da atenção retórica. O fio conductor Apesar das diferentes configurações – o gradiente linear da Espanha versus a bipolaridade da Argentina –, surge aqui um padrão subjacente. O iliberalismo se difunde por meio de ataques à responsabilização horizontal e à esfera da in formação. Os líderes repetidamente promovem restrições não triviais ou politização(com pontuação de 2,3 a 2,9 em nossa escala) nas áreas associadas à contestação. Esses si nais iliberais de médio alcance, usados ​c​ om frequência, im portam ainda mais do que declarações extremas feitas de forma ocasional porque normalizam a pressão sobre o ecossistema da informação, a independência judicial e o pluralismo. O discurso sobre participação é escasso em ambos os paí ses. Quando surge, contribui de maneiras diferentes: a ex trema direita espanhola utiliza uma retórica claramente ex Além da intensidade: o poder da repetição Medir o quão antiliberais os líderes soam é apenas metade da história. Também precisamos saber com que frequência eles utilizam essas perspectivas. Um líder pode ter uma pontuação moderadamente iliberal(em torno de 2,5) ao discutir tribunais ou mídia, mas, se ele retornar a esses tó picos de forma repetida, entrevista após entrevista, essa mensagem persistente molda o discurso público muito mais do que declarações extremas ocasionais. Desse modo, portanto, combinamos a intensidade com a ênfase, ponderando nossas pontuações segundo a frequên cia com que cada líder aborda cada âmbito institucional. Isso revela dois padrões cruciais. Primeiro, o discurso iliberal mira sobretudo a contestação, não a participação. Na Espanha, cerca de 84% das men ções codificadas em todos os blocos políticos se concen tram na contestação; na Argentina, esse número sobe para aproximadamente 90%. Em segundo lugar, a frequência amplifica o risco. Na Espa nha, quando consideramos a ênfase, a pontuação pondera da do Vox sobre contestação atinge 2,72, em comparação com 1,81 para a esquerda, uma diferença impulsionada tan to por um conteúdo mais iliberal como por um uso mais frequente. A direita tradicional fica em 2,37, sugerindo al guma acomodação retórica. Na Argentina, tanto a extrema direita(Milei, 2,65) como a esquerda(2,66) convergem para níveis semelhantes quando ponderados pela frequência, enquanto a direita tradicional permanece mais baixa, em 2,30. Essas pontuações intermediárias(2,3–2,9), repetidas com frequência suficiente, normalizam a pressão sobre as instituições democráticas sem exigir linguagem extrema em nenhum caso específico. Em suma, a estratégia iliberal funciona através da repeti ção. Ataques de médio alcance contra tribunais, mídia e pluralismo, utilizados de forma consistente em centenas de entrevistas, têm mais peso do que declarações incendiárias isoladas. É por isso que a detecção precoce no nível discur sivo é essencial; quando as políticas mudam, a batalha re tórica já foi vencida. Por que isso importa: um sistema de alerta precoce Nossas conclusões oferecem três perspectivas cruciais para a defesa da democracia: 2   Em nossa análise, a líder de esquerda em questão é Cristina Fernández de Kirchner, enquanto na centro-direita nos concentramos em Mauricio Macri Rastreando o discurso iliberal 4 1. O manual dos iliberais é previsível. Atores de extrema direita em diversos contextos empregam estratégias retóricas notavelmente semelhantes: deslegitimar rivais, politizar tribunais, atacar a independência da mídia. Essa consistência torna a ameaça identificável e, portan to, passível de ser enfrentada. 2. O contágio é real e rastreável. O padrão de gradiente da Espanha sugere uma acomodação da direita tradicional à retórica da extrema direita, particularmente na mídia e nos mecanismos de controle e equilíbrio de poder. A menor força da direita tradicional na Argentina mostra como a fragmentação institucional afeta os caminhos de contágio e pode até mesmo revelar efeitos generalizados de contágio em todo o espectro ideológico. Compreender essas dinâmicas permite intervenções direcionadas. 3. O discurso é um sinal de alerta precoce. Quando as políticas restritivas são aprovadas, a batalha discursiva já está perdida. Nosso marco de análise funciona como uma ferramenta de diagnóstico, identificando onde a retórica iliberal está sendo normalizada antes que se torne lei ou mesmo que tenha expressões vio lentas fora das instituições. tas para identificar vulnerabilidades antes que elas se trans formem em crises. Expandir essa estrutura para a Itália, o Brasil e outros países representa um próximo passo para ma pear o repertório global de discursos iliberais e direcionar re cursos para onde eles são mais necessários. Referências Abou-Chadi, T. e Krause, W. (2020): The causal effect of radical right success on mainstream parties’ policy positions: A regression discontinui ty approach, in: British Journal of Political Science, 50(3): 829–847. Dahl, R. (1971): Polyarchy: Participation and Opposition. Yale Univer sity Press. Meguid, B.M. (2008): Party competition between unequals: Strategies and electoral fortunes in Western Europe. Cambridge University Press. Mudde, C. (2019): The far right today. Polity Press. Newth, G. e Scopelliti, A. (2025): Common sense, populism, and reaction ary politics on Twitter: An analysis of populist far-right common sense narratives between 2008 and 2022, in: Party Politics, 31(2): 375–391. Rovira Kaltwasser, C., Espinoza, G., Meléndez, C., Tanscheit, T. e Zanotti, L. (2024): Apoyo y rechazo a la ultraderecha: estudio comparado sobre Argentina, Brasil y Chile. Fundación Friedrich Ebert en Chile. Available at: https://library. fes. de/pdf-files/bueros/chile/21406. pdf. Recomendações: onde concentrar os esforços na defesa democrática Com base nessas constatações, recomendamos que os for muladores de políticas e a sociedade civil priorizem os se guintes pontos: → Proteja o ecossistema da informação. A mídia e a infor mação alternativa são as áreas mais disputadas em am bos os países. Defenda a liberdade de imprensa, apoie o jornalismo independente e combata a deslegitimação sistemática do jornalismo baseado em fatos. → Garanta a responsabilização horizontal. Os ataques à in dependência judicial e aos mecanismos de controle e equilíbrio de poderes são frequentes em todos os blocos. Fortalecer a resiliência institucional, documentar os ataques retóricos aos tribunais e construir coalizões para defender o Estado de direito. → Monitore a acomodação da política tradicional. Observe se os partidos de centro-direita adotam noções de ex trema direita. A detecção precoce do contágio permite mensagens corretivas e a formação de coalizões para re sistir à normalização. → Desenvolva contranarrativas. A retórica iliberal triunfa pela repetição. Os atores democráticos devem consider ar de forma proativa a contestação e o pluralismo como pontos fortes, não como obstáculos. Ao mensurar sistematicamente o discurso iliberal, esta abor dagem começa a fornecer aos atores democráticos ferramen Rastreando o discurso iliberal 5 Sobre os autores Lisa Zanotti é pesquisadora da Universidade Centro-Europeia em Budapeste, Hungria, e do Instituto de Pesquisa em Ciências Sociais da Universidad Diego Portales. Também é pesquisadora do Laboratório para o Estudo da Ultradireita(Ultra-Lab) em Santiago, Chile. Sua área de especialização é a política comparada, com foco particular em sistemas partidários, populismo e processos de radicalização, especial mente em relação à extrema direita na América Latina e na Europa Ocidental. Seus trabalhos foram publicados em periódicos como Gov ernment& Opposition, Political Studies, Nations& Nationalism, entre outros. zanotti-anderloniL@ceu.edu Hugo Marcos-Marne é professor associado de Ciência Política e membro da Unidade de Pesquisa sobre Democracia(DRU) da Univer sidade de Salamanca, Espanha. Sua pesquisa se concentra em com portamento eleitoral, opinião pública e partidos políticos, com foco especial em partidos populistas e radicais. marcosmarne@usal.es Sobre Expedições Democráticas Este ensaio baseia-se no artigo apresentado pelo autor no work shop Contesting the Far Right, Safeguarding Democracy: Com parative Insights from Europe and Latin America. Organizado por Daphne Halikiopoulou(Universidade de York, Reino Unido) e Carlos Meléndez(Instituto da Democracia da Universidade Centro-Europeia[CEU], Budapeste), o workshop foi realizado no Instituto da Democracia da CEU, em Budapeste, em 22 e 23 de setembro de 2025. Foi a segunda edição das Expedições De mocráticas, uma série de workshops internacionais de pesquisa, cuidadosamente elaborados e com acesso aberto, que visam jogar luz sobre questões pouco exploradas relativas a crises de mocráticas e lutas pela democratização. A iniciativa é uma parce ria entre o Escritório Regional da Fundação Friedrich Ebert para a Democracia do Futuro, em Viena, o Instituto da Democracia da CEU e o Departamento de Ciência Política da CEU. Impressão Publicado por Friedrich-Ebert-Stiftung e.V. Godesberger Allee 149 53175 Bonn, Alemanha info@fes.de Departmento responsável FES Regional Office for International Cooperation Democracy of the Future Reichsratsstr. 13/5 A-1010 Vienna Contato Filip Milačić filip.milacic@fes.de Tradução Eduardo Szklarz Design pertext| www.pertext.de As opiniões expressas nesta publicação não são necessaria mente as da Fundação Friedrich Ebert(FES) ou da organização para a qual o autor trabalha. 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