P E R S P E C T I VA Expedições Democráticas Arenas de ameaça da extrema direita e resiliência democrática Daphne Halikiopoulou Resumo Este artigo propõe um marco para comparar e avaliar a ameaça da extrema direita, levando em conta diferentes combinações de possíveis mudanças em três dimensões: (i) eleitores,(ii) partidos e(iii) instituições. Ao mapear as formas pelas quais distintas combinações de mudanças podem levar a uma série de diferentes resultados potenciais, identificamos distintos cenários de retrocesso democrático impulsionado pela extrema direita em diferentes países. Esse marco sugere que não existe uma única solução para todos os casos e permite a identificação de um leque de contraestratégias adaptadas especificamente a cada configuração. Essa estrutura destaca ainda um possível trilema de conflitos de escolha: enfrentar a extrema-direita em uma dimensão pode, simultaneamente, fortalecê-la em outra. Os formuladores de políticas podem, assim, adaptar as contraestratégias à configuração específica das ameaças em diferentes contextos, concentrando-se na principal fonte de vulnerabilidade e pesando os potenciais benefícios de atacar a extrema direita em uma dimensão contra os riscos de reforçá-la em outra. Introdução A extrema-direita é um fenômeno global. Partidos e líderes com agendas que promovem a soberania nacional, priorizando o grupo interno em detrimento do grupo externo e afirmando falar em nome do«povo», intensificaram seu apoio eleitoral em muitos países da Europa, das Américas, da Ásia e de outras regiões. Dado o surgimento, a consolidação e a proliferação desses partidos e líderes, assim como sua ampla aceitação nos respectivos sistemas, há uma necessidade premente de desenvolver estratégias de contestação eficazes. No entanto, o alcance global desse fenômeno dificulta a contestação. Para compreender como abordar esse fenômeno, precisamos de identificar o que o impulsiona em diferentes contextos e períodos. Mas as comparações entre regiões são desafiantes, pois exigem estabelecer um equilíbrio entre a especificidade de cada caso e a generalização. O que funciona em um caso pode não funcionar em outro. Diferentes características contextuais e padrões de sucesso da extrema direita podem exigir respostas diferentes. Portanto, é necessário um marco comparativo amplo e generalizável para o desenvolvimento de respostas abrangentes. Arenas de ameaça da extrema direita e resiliência democrática 1 Un marco comparativo Este artigo propõe um marco para comparar e avaliar a ameaça da extrema direita considerando diferentes combinações de potenciais mudanças em três dimensões:(i) eleitores,(ii) partidos e(iii) instituições(v. figura 1). Cada uma dessas dimensões representa uma arena específica de disputa política que pode determinar o sucesso dos partidos de extrema direita: a demanda, ou seja, os ressentimentos que tornam os partidos de extrema direita atrativos; a oferta, isto é, fatores relacionados com partidos e sistemas partidários; e as instituições, ou seja, as configurações da autoridade estatal e da organização social que moldam os resultados democráticos. Ao mapear as formas como diferentes combinações de mudanças ao longo dessas dimensões podem levar a diferentes resultados potenciais, identificamos diferentes cenários de retrocesso democrático impulsionados pela extrema direita em diferentes países. Com isso, os formuladores de políti cas podem desenvolver um leque de contraestratégias adaptadas especificamente a cada caso, dependendo da configuração da ameaça da extrema direita nas diferentes dimensões. Marco conceitual Eleitores Figura 1 Ameaça da extrema-direita à democracia ma direita por princípio; e aqueles motivados pelo protesto (eleitores periféricos), que tendem a apoiar a extrema direita como forma de expressar o seu descontentamento e punir o establishment(Halikiopoulou e Vlandas 2022). Dado que os eleitores periféricos constituem o maior grupo de eleitores da extrema direita, os partidos de extrema direita mais bem-sucedidos são aqueles que mobilizam amplamente os eleitores periféricos. Para medir a dimensão do «eleitor», precisamos examinar índices que captem a amplitude da base eleitoral da extrema direita e ofereçam informação sobre o tamanho dos grupos periféricos. (ii) Partidos Esta dimensão expressa a resiliência do sistema partidário. O sucesso dos partidos de extrema direita também depende, em parte, dos próprios partidos e da forma como eles operam nas suas arenas políticas internas. Para compreender isto, portanto, precisamos considerar tanto as dinâmicas internas da oferta(normalização do partido) como as externas(permissividade do sistema partidário). Em termos de oferta interna, sabemos pela literatura que os próprios partidos de extrema direita podem determinar, em grande medida, o seu próprio destino eleitoral(Mudde 2004) ao se apresentarem de forma aceitável como atores políticos legítimos. A literatura tem demonstrado que a normalização dos partidos de extrema direita(Valentim 2024) e a norma lização do nacionalismo«cívico»(Halikiopoulou et al. 2013; Turnbull-Dugarte et al. 2025) facilitaram este processo em vários países da Europa e em outros lugares. Em termos de oferta externa, o sucesso dos partidos de extrema direita depende das estruturas de oportunidade política disponíveis, da permissividade do sistema em que esses partidos operam(Golder 2016) e da institucionalização do sistema partidário, uma vez que os sistemas institucionalizados tanto podem viabilizar avanços de extrema direita como condicionar sua durabilidade. Para medir a dimensão«partidária», precisamos examinar índices que reflitam a normalização dos partidos de extrema direita, a permissividade do sistema partidário e a institucionalização do sistema partidário. Instituições Partidos (i) Eleitores Esta dimensão expressa a resiliência da base eleitoral. O sucesso dos partidos de extrema direita depende, em parte, da amplitude dos seus eleitorados. Sabemos, pela literatura sobre o comportamento eleitoral, que o potencial eleitoral dos principais partidos está associado a uma capacidade de mobilização que ultrapassa os grupos de eleitores centrais(Vasilopoulou e Halikiopoulou 2023). Para visuali zar a amplitude do eleitorado de extrema direita, podemos imaginar dois grandes tipos de eleitores: aqueles motivados pela ideologia(eleitores centrais), que apoiam a extre(iii) Instituições Esta dimensão reflete a resiliência das instituições democráticas. O sucesso dos partidos de extrema direita depende, em última análise, da capacidade que têm de assumir o controle das instituições. Por exemplo, partidos de extrema direita com ampla aceitação miram especificamente os mecanismos de controle e equilíbrio democráticos, como o Poder Legislativo e as salvaguardas judiciais, assim como as organizações da sociedade civil e a imprensa. Para medir a dimensão das«instituições», precisamos utilizar índices que considerem a robustez de um vasto leque de instituições democráticas, tanto no ponto inicial como no final, dentro de um determinado período de tempo, como os índices V-DEM(Coppedge et al. 2023). Arenas de ameaça da extrema direita e resiliência democrática 2 Visualização hipotética de múltiplos cenários utilizando um gráfico de triângulos Figura 2 Eleitores Instituições Cenário 1 Cenário 2 Cenário 3 Cenário 4 Cenário 5 Partidos Centro= maior ameaça da extrema direita Cenários de retrocesso democrático Diferentes combinações de mudanças nessas três dimensões podem levar a uma variedade de cenários diferentes de retrocesso democrático da extrema direita. A figura 2 apresenta uma visualização hipotética utilizando um gráfico de triângulos com cinco cenários e ângulos variáveis. Cada cenário se distorce em direção aos vértices(eleitores, partidos, instituições). Isto nos permite ver qual a força mais dominante em cada cenário de ameaça e onde reside a principal fonte de vulnerabilidade. Cada vértice represen ta um«índice» de resiliência: resiliência da base eleitoral, resiliência do sistema partidário e resiliência institucional. Pontuações mais elevadas em cada dimensão e maior proximidade às pontas do triângulo indicam uma menor ameaça da extrema direita. Pontuações mais baixas nestas dimensões e maior proximidade ao centro do triângulo indicam uma maior ameaça da extrema direita. Teoricamente, são possíveis múltiplas combinações de mudanças nas três dimensões, mas nem todas são empiricamente possíveis. Vamos nos concentrar brevemente em três exemplos(v. figura 3). O cenário(a) mostra um caso de instituições resilientes apesar da demanda generalizada por partidos de extrema direita e da permissividade do sistema partidário. Grande parte da Europa ocidental, com as suas instituições democráticas de longa data, enquadra-se potencialmente neste cenário(até o momento), apesar do apoio cada vez mais amplo aos partidos de extrema direita. O cenário(b) mostra um caso de resiliência do sistema partidário, apesar das instituições enfraquecidas e da demanda latente por partidos de extrema direita. Alguns casos no sul da Europa durante a crise económica, como a Grécia, enquadram-se neste cenário. O cenário(c) mostra um caso em que a base eleitoral da extrema direita não é tão ampla e as taxas de rejeição são elevadas, apesar das instituições fracas(ou enfraquecidas) e da permissividade do sistema partidário. Este poderia ser um caso em que a extrema direita goza de um poder desproporcional como parceiro de coligação ou o seu desempenho foi amplificado pelo sistema eleitoral ou presidencial, mas ainda existe um grande grupo de opositores. Alguns países latino-americanos, como o Brasil, enquadram-se neste cenário: Arenas de ameaça da extrema direita e resiliência democrática 3 Três cenários hipotéticos (a) Instituições se mantêm Eleitores (b) Sistema partidário se mantém Eleitores Figure 3 (c) Base eleitoral se mantém Eleitores Instituições Partidos Instituições Partidos Instituições Partidos a oposição a Bolsonaro foi elevada e houve uma mobilização substancial de eleitores não alinhados com a extrema direita(Rovira Kaltwasser et al. 2024). Quais contraestratégias podem ser eficazes Este marco nos ajuda a identificar estratégias específicas de acordo com cada dimensão, como se resume na tabela 1. Um trilema de contraestratégia? No entanto, pode haver conflitos de escolha a considerar na hora de decidir qual dimensão priorizar, uma vez que uma estratégia específica pode fortalecer uma dimensão e, ao mesmo tempo, enfraquecer outra. Por exemplo: → Mobilização de eleitores não alinhados com a extrema direita(dimensão do eleitorado): essa estratégia pode ajudar a enfraquecer a base eleitoral da extrema direita, mas poderia ser contraproducente se a extrema direita estiver no poder(dimensão do sistema partidário) e responder reforçando ainda mais seu poder executivo ou implementando reformas constitucionais/judiciais mais rápidas(dimensão institucional). Exemplos disso incluem o Fidesz na Hungria e o PiS na Polônia. → Demonização(dimensão do sistema partidário): essa estratégia pode ajudar a abordar a questão da permissividade do sistema partidário, mas pode simultaneamente minar a dimensão institucional se, por exemplo, a extrema direita se envolver ou ameaçar envolver-se em ações judiciais. O partido Reform do Reino Unido é um disso exemplo: em 2024, a BBC pediu desculpas ao Reform UK por ter chamado o partido de«extrema direita». Desde então, tanto no Reino Unido como em outros países da Europa, jornalistas e meios de comunicação social têm evitado sistematicamente utilizar o termo«extrema direita» por medo de repercussões legais(Hope Not Hate 2024) → Isolamento/cordão sanitário(dimensão do sistema partidário): essa estratégia pode ajudar a lidar com a questão da permissividade do sistema partidário, mas, ao mesmo tempo, poderia ser utilizada como estratégia de campanha pela extrema direita para mobilizar eleitores mais periféricos(dimensão do eleitorado). Dadas os trade-­offs, essas estratégias falharam na maioria dos países onde foram utilizadas, como no caso dos Democratas Suecos(SD). → Proibições partidárias e sanções legais(dimensão institucional): essa estratégia pode ser utilizada especificamente em contextos em que os partidos de extrema direita se envolvem em atividades violentas e criminosas. Embora ela possa ajudar a fortalecer a dimensão institucional, pode também servir para galvanizar o apoio latente à extrema direita(dimensão do eleitorado). O partido Aurora Dourada da Grécia é um exemplo disso. Os principais quadros do partido foram julgados e condenados por manterem uma organização criminosa, e o partido foi depois declarado ilegal. Embora essa estratégia tenha sido bem-sucedida na eliminação do Aurora Dourada, o apoio latente(dimensão do eleitorado) foi posteriormente canalizado para votos em outros partidos de extrema direita com ideologias menos extremistas, incluindo os Espartanos(posteriormente banidos), a Solução Grega, a Vitória e a Voz da Razão. Conclusões e recomendações O marco aqui apresentado oferece uma ferramenta estruturada para: realizar comparações entre regiões; maArenas de ameaça da extrema direita e resiliência democrática 4 Contraestratégias em cada dimensão Tabela 1 Dimensão Estratégia Detalhes e exemplos Dimensão do eleitorado Dissuasão de periféricos para «romper» coalizões de extrema direita → Focar em questões existenciais, conflitos distributivos e inseguranças econômicas → Reverter ou se opor a cortes nos serviços essenciais → Abordar a concorrência no sistema de bem-estar social, a falta de acesso à habitação pública e a insegurança no emprego(p. ex. Cavaillé e Ferwerda 2023) Mobilização de eleitores que não são de extrema direita → Organizar protestos e campanhas de conscientização para mobilizar a oposição Demonização Isolamento /cordão sanitário → Expor a extrema direita como extremista, e não apenas como«de direita» → Impedir que os partidos de extrema-direita entrem no governo → Evitar a cooperação com os partidos de extrema direita, pois isso pode levar à normalização e exacerbar a permissividade do sistema Dimensão do sistema partidário Confrontação → Evitar copiar a extrema direita em questões que«a pertencem» (p. ex., Abou-Chadi et al. 2021; Halikiopoulou e Vlandas 2022). → Comunicar visões partidárias que sejam diferentes das mensagens da extrema direita Organização da oposição parlamentar entre as famílias partidárias → Mobilizar coligações parlamentares → Enfatizar as distinções entre a centro-direita e a extrema direita Salvaguardas legislativas → Implementar práticas como o monitoramento eleitoral e buscar a a organização eficaz da oposição parlamentar(Haggard e Kaufman 2021) Dimensão institucional Respostas judiciais → Maximizar a eficácia dos mecanismos judiciais existentes: sanções/proibições legais, processos por infração e litígios em tribunais supranacionais(por exemplo, o Tribunal de Justiça da União Europeia) e nacionais(Blauberger e Kelemen 2016) Salvaguardas da sociedade civil → Desenvolver sistemas de alerta precoce, relatórios sistemáticos e campanhas de resposta a emergências para expor violações dos direitos individuais(Haggard e Kaufman 2021) pear o sucesso da extrema direita em múltiplos casos por meio de um formato visual; e formalizar os níveis de ameaça em diferentes cenários, fundamentando cada dimensão em indicadores mensuráveis. Desta forma, podemos captar não só a magnitude da ameaça, mas também a sua origem. Em outras palavras, se a principal vulnerabilidade ou força em cada caso decorre da base eleitoral, do sistema partidário ou da estrutura institucional. Há três conclusões principais a partir dessa análises: (i) Adaptar: não existe uma solução única para todos os casos, já que diferentes cenários de ameaça podem variar de acordo com o tempo e/ou país, dependendo de qual a dimensão mais forte ou mais vulnerável. (ii) Priorizar: podemos então enfatizar contraestratégias, dependendo se a principal fonte de vulnerabilidade ou força em cada caso(e em determinado momento) provém do apoio eleitoral, da dinâmica partidária ou da fragilidade institucional. (iii) Avaliar: considerar os trade-offs ao decidir qual dimensão priorizar, pois uma estratégia específica pode ajudar a fortalecer uma dimensão ao mesmo tempo em que enfraquece outra. Arenas de ameaça da extrema direita e resiliência democrática 5 Referências Abou-Chadi, T., Mitteregger, R. e Mudde, C. (2021): Left behind by the working class? Social Democracy’s electoral crisis and the rise of the radical right. Friedrich-Ebert-Stiftung. Blauberger, M. e Kelemen, R.D. (2016): Can courts rescue national democracy? Judicial safeguards against democratic backsliding in the EU. Journal of European Public Policy, 24(3): 321–336. Available at: https://doi.org/10.1080/13501763.2016.1229357. Cavaillé, C. e Ferwerda, J. (2023): How Distributional Conflict over In-Kind Benefits Generates Support for Far-Right Parties. The Journal of Politics, 85(1): 19–33. Coppedge, M., Gerring, J., Knutsen, C.H., Lindberg, S.I., Teorell, J., Marquardt, K.L., Medzihorsky, J., Pemstein, D., Gastaldi, L., Grahn, S., Pernes, J., Rydén, O., von Römer, J., Tzelgov, E., Wang, Y.-T. e Wilson, S. (2023): V-Dem Methodology v13. Varieties of De mocracy(V-Dem) Project. Golder, M. 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British Journal of Political Science. Vasilopoulou, S. e Halikiopoulou, D. (2023): Democracy and ­discontent: institutional trust and evaluations of system performance among core and peripheral far right voters. Journal of European Public Policy, 31(9): 2397–2421. Sobre Expedições Democráticas Este ensaio baseia-se no artigo apresentado pela autora no workshop Contesting the Far Right, Safeguarding Democracy: Comparative Insights from Europe and Latin America. Organizado por Daphne Halikiopoulou(Universidade de York, Reino Unido) e Carlos Meléndez (Instituto da Democracia da Universidade Centro-Europeia[CEU], Buda peste), o workshop foi realizado no Instituto da Democracia da CEU, em Budapeste, em 22 e 23 de setembro de 2025. Foi a segunda edição das Expedições Democráticas, uma série de workshops internacionais de pesquisa, cuidadosamente elaborados e com acesso aberto, que visam jogar luz sobre questões pouco exploradas relativas a crises democráticas e lutas pela democratização. A iniciativa é uma parceria entre o Escritório Regional da Fundação Friedrich Ebert para a Democracia do Futuro, em Viena, o Instituto da Democracia da CEU e o Departamento de Ciência Política da CEU Impressão Publicado por Friedrich-Ebert-Stiftung e.V. Godesberger Allee 149 53175 Bonn, Alemanha info@fes.de Departmento responsável FES Regional Office for International Cooperation Democracy of the Future Reichsratsstr. 13/5 A-1010 Vienna Contato Filip Milačić filip.milacic@fes.de Tradução Eduardo Szklarz Design pertext| www.pertext.de As opiniões expressas nesta publicação não são necessariamente as da Fundação Friedrich Ebert(FES) ou da organização para a qual o autor trabalha. O uso comercial de materiais publicados pela FES não é permitido sem o consentimento por escrito da FES. As publicações da FES não podem ser utilizadas para fins eleitorais. Novembro 2025 © Friedrich-Ebert-Stiftung e.V. Outras publicações da Friedrich-Ebert-Stiftung estão disponíveis em: ↗ www.fes.de/publikationen FES Regional Office for International Cooperation Arenas de ameaça da extrema direita e resiliência democrática 6