GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Coordenação do Projeto“Gênero: combatendo a violência com informação” Hellen Virginia da Silva Alves Larissa Zuim Maria das Graças Silva Nascimento Silva Elaboração textual Pesquisadoras e ativistas do Coletivo Gepgênero Danúbia Zanotelli Soares Deborah Monteiro dos Santos Elisangela Ferreira Menezes Hellen Virginia da Silva Alves Larissa Zuim Maria das Graças Silva Nascimento Silva Maria José Pires de Santana Maria Madalena Lemes Mendes Moreira Rogério Nogueira de Mesquita Roneide Soares Nunes Suzanna Dourado Tainá Trindade Pinheiro Ziley Alves de Souza Revisão Maria Aparecida de Jesus Gomes Ilustração Jessica Ribeiro Sousa Diagramação Marcos Alexandre Soares GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Sumário APRESENTAÇÃO................................................................................................................4 M ARIA M ADALENA L EMES M ENDES M OREIRA E H ELLEN V IRGINIA DA S ILVA A LVES .................................. 7 GÊNERO E SEXUALIDADES.................................................................................................8 T AINÁ T RINDADE P INHEIRO E R ONEIDE S OARES N UNES ....................................................................... 8 PATRIARCADO E MACHISMO........................................................................................... 13 S UZANNA D OURADO E L ARISSA Z UIM ............................................................................................. 13 VIOLÊNCIA E FEMINICÍDIO............................................................................................... 16 D ANÚBIA Z ANOTELLI S OARES E E LISANGELA F ERREIRA M ENEZES ......................................................... 16 IGUALDADE E EQUIDADE DE GÊNERO.............................................................................. 20 M ARIA DAS G RAÇAS S ILVA N ASCIMENTO S ILVA , M ARIA J OSÉ P IRES DE S ANTANA E Z ILEY A LVES DE S OUZA . 20 LGBTFOBIA E O CONTEXTO ESCOLAR............................................................................... 24 D EBORAH M ONTEIRO DOS S ANTOS E R OGÉRIO N OGUEIRA DE M ESQUITA ............................................. 24 FAMÍLIA E DIVISÃO SEXUAL DO TRABALHO DOMÉSTICO.................................................. 28 H ELLEN V IRGINIA DA S ILVA A LVES ................................................................................................. 28 QUER SABER MAIS SOBRE O TEMA GÊNERO E SEXUALIDADE? ACESSE NOSSO BLOG........ 32 TELEFONES DISK-DENÚNCIA............................................................................................ 33 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Poema I Ao mundo hoje peço licença Para mostrar a cartilha do Gepgênero Seu conteúdo jamais será efêmero E fará no mundo a diferença O Gepgênero na ciência marca presença Já provou em toda sua estatística Sua visão é peculiar e holística E é vista com grande alteridade Inovou as práticas da universidade Dinamizando a pesquisa científica II As relações de gênero e sexualidade São frutos de fortes discriminações Um preconceito presente em todas as nações Que traz a marca de empáfia e desigualdade O modelo da heterossexualidade Ainda é visto como modelo padrão O homem herdou o poder de ser machão Onde a mulher é sempre violentada A constituição é claramente desrespeitada E o agressor fica livre e sem punição III O poder afrontoso do patriarcado Insiste em manter sua atrocidade Acredita na sua superioridade Onde foi fortemente enraizado Este mal está sendo sepultado Pela força militante feminista Dando fim a sociedade machista E a superioridade masculina A mulher na sua marcha feminina Romperá com a mácula neofascista IV O feminicídio é uma forte execração De uma horripilante violência Ceifar a vida com ódio e truculência Parece ser delinquência sem razão Condenada à pena de cova e caixão A mulher perde a vida e o lar A mulher não pode mais retornar E seus filhos jamais poderão lhe ver Sem mãe, os seus filhos vão crescer Sem poder lhe abraçar, nem lhe beijar V A sociedade de modelo patriarcal Desconhece da mulher, o sentimento O seu lar é calvário e sofrimento E o mundo da família é desigual A desigualdade de gênero é um mal Que condena com escárnio a equidade Não existe uma relação de igualdade E a liberdade da mulher é cerceada A mulher sem defesa é condenada A viver sem ter mais felicidade VI O seu mundo de trabalho é violento E a mulher do que o homem sofre mais Seus salários ainda são desiguais E a mulher recebe menos no pagamento A mulher ainda sofre o constrangimento De sofrer assédio moral e sexual E o Fórum Econômico Mundial Nos remete à tristes desenganos O Brasil precisa mais de 200 anos Para sair desta vida desigual VII Na política ainda há forte exclusão Da mulher no cenário brasileiro É o pior no ranking estrangeiro E não há uma eficaz representação É preciso igualdade de gênero e inclusão Da mulher no processo eleitoral A equidade de gênero é essencial Para dar a mulher autonomia 4 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Com a mulher nas asas da democracia O seu voo terá efeito mundial VIII O Gepgênero também nos chama a atenção Para o crime de LGBTfobia Um preconceito que cresce a cada dia E que o Brasil se tornou o campeão Essa empáfia da descriminalização É uma prática cruel inaceitável É uma estúrdia considerada execrável Oriunda dos adeptos do fascismo Que assim como o crime de racismo Se tornou um crime inafiançável IX Atualmente no ambiente escolar Muitos jovens são vítimas de preconceito O combate a essa prática não surte efeito E oprimidos, eles buscam outro lugar A escola precisa assim evitar Que o ambiente não se torne opressor Que a evasão não seja o indicador Que promova essa triste exclusão Trabalhar na escola a conscientização É dar a vítima seu direito e seu valor X No hegemônico lar patriarcal Da instituição mátria da sociedade O trabalho doméstico é responsabilidade Da mulher, de forma espúria e social No embrutecimento da divisão sexual O trabalho doméstico não é remunerado A refeição tem o seu horário marcado E se não estiver pronta tem confusão A heroína chora triste no pé do fogão E seu peito materno é humilhado XI No espaço poético da imaginação A mulher se supera a cada dia Mostra a alma de toda sua valentia E não se rende a nenhuma dominação A mulher é símbolo da libertação E da coragem tenaz de sua vivência A mulher é a luz que ilumina a ciência Construindo sua história e seu viver A mulher com seu notável saber Mostra ao mundo seu sucesso e competência XII Sua alma dadivosa é fascinante Ela brilha em tudo que vivencia Todo dia para ela é um novo dia Sua jornada é algo divinizante A mulher tem um poder exuberante De mostrar sua verdadeira identidade Ela luta do campo até a cidade No seu espaço singular e planetário Seu espírito de luta é necessário Na conquista da própria liberdade XIII A mulher tem uma força transcendental E um espírito de luta verdadeiro O seu tiro na luta é certeiro É guerreira de uma mátria universal Não se deixa dominar pelo capital Que maltrata, que explora, que domina A mulher nos orgulha e nos ensina A resistir e jamais se entregar A mulher está pronta para brigar Carregando seu título de heroína XIV Verdadeiro símbolo de resistência Na riqueza de seu pertencimento Ela brilha na luz do empoderamento Sem deixar de lado a resiliência A mulher é ética por excelência Nos caminhos de sua autonomia O seu ser é alma, é ontologia Na axiologia que alimenta seus valores A mulher é forte e supera suas dores 5 Na vivência de sua heterotopia XV Nos estudos de pesquisa em geografia Admiro quem pesquisa sobre a mulher É preciso dedicar-se com muita fé Na ciência nossa de cada dia O Gepgênero hoje vivencia Uma pesquisa de respeito na UNIR Mas é preciso o governo investir E mostrar mais presença na Amazônia O Gepgênero é uma marca de Rondônia Que o Brasil precisa aplaudir Autor: Francisco Marquelino Santana GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO 6 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Apresentação Maria Madalena Lemes Mendes Moreira e Hellen Virginia da Silva Alves O Coletivo Gepgênero nasceu das ações desenvolvidas nas comunidades periféricas urbanas e rurais, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas pelas pesquisadoras/es do grupo de Estudos e Pesquisas em Geografia, Mulher e Relações Sociais e de Gênero(GEPGÊNERO) da Universidade Federal de Rondônia – UNIR. Atualmente, conta com a parceria de diversos/as pesquisadores/as, ativistas e lideranças comunitárias que se dedicam ao enfrentamento e à prevenção das diversas formas de violência que perpassam as relações sociais de gênero na Pan Amazônia. A atuação do Coletivo Gepgênero torna-se possível pela articulação em rede com atores públicos, privados e com a sociedade civil organizada que mobilizam esforços para mapear e atender demandas relacionadas ao gênero, às temáticas geracionais e étnico-raciais. O contexto socioeconômico e político vivenciado a partir de 2020 apresentou ao mundo novas demandas e novos desafios trazidos pela COVID-19 e, com isso, precisamos nos reinventar para continuar o importante trabalho de enfrentamento e prevenção às violências de gênero, pois acreditamos que compartilhar conhecimento e educar é o melhor caminho para tornar possível relações sociais de gênero equitativas. O objetivo desta cartilha é informar as pessoas para que elas possam prevenir, identificar e combater a violência de gênero. E você pode nos ajudar a difundir esses conhecimentos compartilhando esse e outros materiais que estão disponíveis em nossas redes sociais(Instagram, Facebook, Youtube e Blog do GepGênero). Nesta cartilha, você encontrará reflexões sobre: 1. Gênero e sexualidades; 2. Patriarcado e machismo; 3. Violência e feminicídio; 4. Desigualdades e equidade de gênero 5. LGBTfobia; 6. Família e divisão sexual do trabalho doméstico. Convidamos você, sua família e sua comunidade para fazer parte desta rede de diálogos e nos ajudar a quebrar preconceitos, diminuir a desigualdade, promover a equidade, a liberdade de expressão e empoderar pessoas. No final da cartilha você encontrará nossos endereços nas redes sociais. Desejamos uma ótima leitura e compartilhe!!! 7 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Gênero e Sexualidades Tainá Trindade Pinheiro e Roneide Soares Nunes Você já se perguntou sobre o porquê da distinção de papéis diferentes para homens e mulheres em nossa sociedade? Para entendermos como isso tudo ocorreu, é necessário voltar um pouco na história da nossa construção social, em que as relações foram estabelecidas. A divisão dos papéis foi hierarquizada pelo patriarcado, que é um sistema de dominação marcado por uma construção desigual nas relações sociais, não só de gênero, como também de raça, etnia, trabalho, entre outras, explicado por uma construção baseada em relações desiguais de poder. Esse sistema dividiu os papéis e definiu dois espaços na sociedade: o público e o privado. De acordo com Arendt(2007), o espaço público é ocupado por relações de poder, criação, decisões e autonomia, que foi destinado para os homens; e o segundo é ligado à reprodução, à invisibilidade, à dominação e à casa, que foi destinado às mulheres. Algumas características também foram definidas de formas distintas em função do gênero; desde criança a menina é ensinada a cuidar de sua boneca como uma espécie de treinamento para cuidar de seus futuros filhos. Mas será que ela vai querer ter filhos? As meninas também costumam ser ensinadas a cozinhar e a cuidar dos afazeres da casa. Mas, e se ela não quiser ser dona de casa quando crescer? Apesar de muitos meninos se tornarem pais durante a vida adulta, eles não costumam receber ensinamentos sobre os cuidados com a família e o lar. Os meninos costumam ter liberdade para brincar dentro ou fora de casa, enquanto as meninas ajudam as mães. Por que o pai não poderia cuidar da casa enquanto a mãe brinca de bola lá fora com as crianças, seja menino ou menina? 8 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Muita coisa mudou no mundo de uns tempos para cá e essas divisões foram ficando menos acentuadas. Atualmente, as mulheres vêm conquistando espaço e reivindicando uma sociedade mais igualitária. Vamos saber um pouco mais sobre como tudo isso aconteceu no próximo tópico. Você já ouviu falar sobre gênero e sexualidade? Após a Primeira Onda, no início do século XX, com a luta das mulheres inglesas pelo direito ao voto(as sufragistas), manifesta-se a Segunda Onda do movimento feminista no período de 1960 a 1980. As feministas travavam uma luta pelo fim da discriminação e pela igualdade de direitos entre os sexos. A partir de então, surgiram divergências e críticas sobre o conceito de gênero. É necessário compreender a diferença entre sexo e gênero, pois as pessoas nascem com o sexo biológico que as diferencia e classifica como homens ou mulheres(GIDDENS, 2008). O conceito de gênero faz referência a todas as diferenças entre homens e mulheres que foram construídas social e culturalmente e que condicionam relações de subordinação/dominação. Segundo definição de Joan Scott, gênero"é um elemento constitutivo das relações sociais, baseado em diferenças percebidas entre os sexos e é a maneira primordial de significar relações de poder"(1990, p.14). Então, o que é de fato a Sexualidade? Sexualidade é a vontade de receber e expressar afeto, é algo que motiva a ação e interação do indivíduo. Segundo Oliveira(2013, p.2),“ Sexualidade é um termo definido por alguns estudiosos como uma necessidade de receber e expressar sentimentos, valores e contato que todas as pessoas têm e que traz sensações prazerosas para cada um”. A sexualidade é um tema que precisa ser discutido em todos os âmbitos da vida social, seja no contexto escolar, em casa ou nos diversos espaços da vida cotidiana, para que a informação seja disseminada e preconceitos e discriminações sejam desconstruídos. A heterossexualidade considera somente os relacionamentos entre pessoas do sexo oposto, ou seja, é o relacionamento entre homem e mulher. Essa forma de sexualidade não é a única, mas ainda é considerada como sexualidade padrão ou normativa, invisibilizando as outras possibilidades de condição sexual como a homossexualidade e a bissexualidade (BEAUVOIR, 2009). 9 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Problemas sociais ligados às desigualdades de gênero e sexualidade Muitas são as marcas das desigualdades de gênero e sexualidades e o modelo hierárquico familiar, por exemplo, retrata muito bem essas marcas, pois ainda hoje muitas mulheres são socializadas para a condição de submissão ao pai, enquanto for solteira, e ao marido, após o casamento. Você talvez já tenha observado, presenciado ou, se for mulher, pode estar vivenciando essa situação. Um bom exemplo das desigualdades de gênero relacionadas ao modelo hierárquico familiar é a socialização das meninas para o exercício exclusivo da função de reprodutora (mãe) e de cuidadora das tarefas do lar e da família. Enquanto isso, é ensinado aos meninos o manejo do trabalho no espaço público, o conhecimento sobre automóveis e a função da responsabilidade do sustento financeiro da família. Algumas reflexões sobre esse modelo são necessárias: Mulheres e homens que constituem uma família precisam assumir as responsabilidades afetivas(cuidados, carinho, atenção) e financeiras(trabalho e geração de renda) de forma equitativa. O carinho e cuidado do pai é tão importante para as crianças quanto o carinho e o cuidado que recebem da mãe. As tarefas domésticas são responsabilidade de toda a família. A forma como lidamos com a diversidade da sexualidade humana também merece reflexões, pois nem sempre consideramos e respeitamos a condição das pessoas. Pessoas que não se encaixam nos padrões heterossexuais nem sempre são compreendidas e respeitadas, será que esse tipo de atitude não contribui para a desigualdade social? Sim. Imagine uma pessoa que é discriminada em função da sua sexualidade. Ela vai ser excluída, oprimida pela sociedade e certamente não vai se sentir livre para expressar suas emoções no seu cotidiano, pois, geralmente, essas pessoas são alvo de bullying, apelidos, indiferença, agressões e outras formas de preconceito e violência. Daí a importância de conhecer e conversar com outras pessoas sobre esses temas, pois pelo conhecimento podemos exercer nossa cidadania com justiça, dignidade e igualdade, sem julgar ou excluir ninguém, seja pela raça, pela cor, pelo gênero ou pela sexualidade. Como construir igualdade de gênero no dia a dia? Agora que compreendemos um pouco mais sobre as questões de gênero e sexualidade, fica mais fácil colocar em prática o que aprendemos. Pequenas mudanças de atitude no dia a dia fazem toda a diferença e contribuem para a construção da igualdade de gênero: 10 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Toda criança pode brincar, independente do tipo de brincadeira ou de brinquedo, pois esses momentos são importantes para a interação e para o desenvolvimento infantil. Toda forma de amor merece respeito, pois o amor se manifesta de diversas maneiras e, por isso, existem outras formas de relacionamentos afetivos, além do modelo heterossexual. Todas as pessoas podem aprender todas as profissões, pois mulheres e homens são livres para escolher e se dedicar à profissão que desejarem. Cada pessoa tem sua liberdade de amar e ser amada independente do sexo e gênero. E, principalmente, não devemos admitir nenhuma forma de violência de gênero ou de sexualidade, pois todas as pessoas devem ser respeitadas. Referências ARENDT, H. A condição humana. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária,2007. BEAUVOIR, Simone de. A força das coisas. Trad. Maria Helena Franco Martins. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. GIDDENS, Anthony. Género e Sexualidade. In Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2008. OLIVEIRA, Cleide Pereira. Sexualidade em casa, na escola e na vida. Seminário Internacional Fazendo Gênero 10, Anais Eletrônicos, Florianópolis, 2013. SCOTT, Joan. Gênero – uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade, Porto Alegre, v. iS, n. 2, jul/dez 1990. VOCÊ SABIA? Em 29 de janeiro comemora-se o Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais. Criada por uma campanha do Ministério da Saúde em 2004, a data tem como objetivo fortalecer a luta pelos direitos humanos e o respeito pela identidade de gênero. É uma forma de combater o preconceito e a violência contra travestis e pessoas trans. 11 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO DESAFIO Se você fosse um empresário e procurasse um profissional para ocupar uma vaga em cargo de chefia na área de engenharia civil, especificamente para a coordenação de uma equipe de trabalho composta por 12 homens, e duas pessoas se candidatam; ambas com experiência básica e cursos de aperfeiçoamento na área, sendo ela mãe de dois filhos e ele pai de dois filhos. Qual das duas pessoas você contrataria? Se você não pensou em excluir a candidata mulher deste processo seletivo, parabéns. Isso demonstra que você já enxerga através dos paradigmas de gênero preconceituosos que existem na sociedade! Muitas pessoas ainda imaginam que determinadas características de liderança são asseguradas às pessoas em função do gênero, ou seja, que homens são“naturalmente” habilidosos para tomar decisões e chefiar equipes, enquanto as mulheres têm mais habilidade para profissões relacionadas ao atendimento ao público, por exemplo. Na verdade, atualmente qualquer pessoa pode desenvolver as competências que desejar, desde que estude, qualifique-se e prepare-se profissionalmente. 12 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Patriarcado e Machismo Suzanna Dourado e Larissa Zuim Você que está nos lendo é mulher? Caso seja, a chance de você ter sofrido alguma situação machista no seu cotidiano é de 100%. Nós te garantimos isso, mesmo que em algumas situações a mulher não reconheça de imediato as ações machistas as quais são submetidas. Isso ocorre porque a sociedade patriarcal em que vivemos naturalizou a tal ponto esse tipo de comportamento, seja no ambiente de trabalho, em casa, na rua, que se torna imperceptível a olhares menos atentos. Durante séculos, as mulheres vêm sendo mantidas prisioneiras no ambiente privado, onde são destinadas a elas as funções de reprodução, educação dos filhos, cuidado dos idosos e demais membros da família e a administração do lar, mas raramente com direito a voz, ou seja, a decisão de todas as atividades, inclusive as consideradas de cunho feminino, são determinadas pelos homens. Isso porque o sistema patriarcal gera ações machistas. Mas o que é o patriarcado e o machismo? O patriarcado é um sistema político-social pautado na crença da superioridade masculina sobre a feminina. Ou seja, acredita-se que os homens são os mais capazes para comandar todas as áreas tidas como importantes, desde a política, a administração pública, até a vida familiar. O que significa dizer que, neste modelo, os homens são os provedores, os únicos a tomarem decisões e, por isso, devem ser respeitados. Como resume Saffioti(2011, p. 44) patriarcado“é o regime da domina çã o-explora çã o das mulheres pelos homens”. Muitas lutas foram empreendidas para que as mulheres pudessem adentrar nos espaços públicos e essa luta perdura até os dias atuais, pois as mulheres ainda seguem sendo discriminadas e subjugadas diariamente pelo simples fato de serem mulheres. A prática do machismo evidencia-se, aqui, como uma ação de opressão que viola a dignidade da pessoa 13 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO humana e que afeta negativamente uma pessoa com base no seu gênero, contribuindo para o aumento das desigualdades e da prática de violência. De acordo com a Agência Senado, só entre março e abril de 2020 foram registradas quase 20 mil denúncias e 143 mulheres foram mortas em crimes de feminicídio, pelo simples fato de serem mulheres. É com a finalidade de lutar pelos direitos das mulheres, dar voz às suas necessidades e diferentes realidades por meio de ações equitativas, que surge o movimento feminista, buscando a igualdade de gênero. Nesta sociedade machista, faz-se necessário o engajamento comunitário de mulheres a fim de apresentar o outro lado da história, o lado das mulheres. O movimento feminista é o responsável pelas conquistas femininas recentes, como trabalhar fora de casa e exercer o direito ao voto, e é por meio dele que ainda se luta por salários iguais, pelo fim da divisão sexual do trabalho e por uma divisão justa do trabalho doméstico e familiar. O enfrentamento contra as práticas machistas deve ser realizado em todos os âmbitos, seja na escola, no trabalho, na rua e, principalmente, dentro de casa. Um exemplo bem simples de que se está praticando machismo dentro de casa é tratar meninas e meninos de formas diferentes, como determinar as tarefas domésticas para as meninas enquanto os meninos observam ou executam algum outro tipo de tarefa que utilize a força física. Essa ação, por mais simples que pareça, está definindo quais são as atividades que podem ser desenvolvidas por meninas e meninos que, futuramente, quando forem adultos, poderão reproduzir esse modelo em suas famílias. Na luta contra o machismo, todas as ações são necessárias, dentre elas, encontra-se a articulação social em prol da defesa da dignidade da pessoa humana, podendo-se citar o feminismo como principal pilar de sustentação da igualdade de gênero. É importante evidenciar que o movimento feminista busca a equidade entre as pessoas, combatendo as atitudes sexistas, que nos dividem por gêneros. Então, as feministas fazem, ao mesmo tempo, uma crítica ao patriarcado e ao capitalismo, em particular, à sua faceta neoliberal. As mulheres se organizam para denunciar a destruição do ambiente natural, o modelo implantado no Brasil e a opressão sobre as mulheres, especialmente as mulheres dos campos, das águas, dos movimentos. É o reconhecimento de outras problemáticas para além de classe e gênero, um olhar pelas interseccionalidades. Ressalta-se a necessidade de explicar a diferença entre feminismo e femismo, sendo este o contrário de machismo, ou seja, colocando a mulher acima do homem. Essa é uma expressão deturpada, utilizada por alguns movimentos, muitos deles machistas, para diminuir ou negativar o movimento feminista. Pode-se dizer que as quest õ es tratadas hoje em dia pelo feminismo, para al é m das reivindica çõ es de igualdade nos espaços p ú blicos e das quest õ es relativas à esfera privada – fam í lia, sexualidade – estão, justamente, na imbricação desses diversos processos de opress ã o, na redefinição da exist ê ncia de uma articulação entre as esferas do p ú blico e do privado, levando 14 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO em consideração as diferentes formas como os mecanismos de dominação operam em cada situação. Diante do atual cenário, toda ajuda é importante para combater as práticas do machismo e romper com o sistema patriarcal. A possibilidade de garantir um mundo justo e igualitário é possível. Precisamos conversar sobre o machismo dentro de casa, na rua, nas escolas e em todos os espaços em que circulamos, para garantir que as meninas de hoje tenham uma vida plena no amanhã. Referências ONU. Princípios de empoderamento das mulheres. Disponível em: http://www.onumulheres.org.br/referencias/principios-de-empoderamento-das-mulheres. Acesso em 15 jan. 2017. SAFFIOTI, Heleieth. Gênero, patriarcado, violência. 2. reimpressão. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2011. SENADO FEDERAL. Índices de violência atualizados. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/datasenado/publicacoesportema?tema=Viol%C3 %AAncia. Acesso em 5 nov. 2020. 15 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Violência e Feminicídio Danúbia Zanotelli Soares e Elisangela Ferreira Menezes A violência é um fato social praticado em todas as sociedades e em todos os tempos, porém de maneiras distintas. Com relação à violência em si, a manifestação dessa pode se dar de diversas formas e, por isso, carrega conotações diferentes. Mas, em geral, a violência pode ser física ou simbólica. Em princípio, a violência pode ser definida como todo ato de coação, envolvendo um ou vários atores, que produz efeitos sobre a integridade física ou moral de pessoas. Uma questão deve ser compreendida com relação à violência: ela é sentida de formas diferentes em contextos e tempos diferentes e, por isso, se divide a violência física de outras formas simbólicas de violência. A exemplo desse fato, existe a violência de gênero que perpassa ainda pelos filtros sociais como algo normal e aceitável. O combate a esse tipo de violência torna-se mais difícil, justamente pela sua aparente aceitação social. A Convenção Interamericana para Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, em 1994, considerou como violência contra a m ulher:“Qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada”. Portanto, seguramente, o fator gênero denota uma relação de dominação e poder em que as mulheres são vítimas ao longo do tempo e de formas diferentes. Dito isso, a mulher nessa situação experimenta diversos tipos de dores e a primeira vem pela violência estrutural, promovida pelos aparelhos do Estado. Desse modo, Galtung (1969) identifica que a violência se constitui em um meio para alcançar um determinado fim. 16 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Ele distingue a violência visível da invisível. A visível, ou direta, seria a física ou a verbal, visível e identificável, na qual“há intenção de causar danos”(AMARAL, 2015). Algo comum é a alienação da população sobre as causas do fenômeno criminoso que, em geral, tende a culpabilizar a vítima e não consegue perceber o verdadeiro causador da violência. O Estado, ao restringir os direitos básicos da pessoa, gera a exclusão social e, por fim, a violência. Este é um fenômeno histórico e que, a cada mudança social, tomou formas diferentes de atuação. A violência estrutural e a violência cultural são a base de sustentação para a violência direta, ou seja, o resultado das formas assimétricas de relações e também em todas as formas de preconceitos, sexismos, machismos, abusos que se colocam naturalizadas na sociedade. Pode-se definir que o triângulo da violência em relação à mulher pode se manifestar de maneira que temos a: Violência direta – Tráfico de mulheres, feminicídio, agressão física, tortura, coação, gravidez forçada, abortos forçados, a criminalização do aborto em casos previstos em lei, trabalho forçado, escravidão, venda de crianças, retirada de órgãos, drogadição forçada, ameaça da pessoa e seus parentes, estupros individuais e coletivos, exploração e abuso sexual, mutilação, privação de liberdade, cárcere privado, perseguição. Violência estrutural – Estruturas de poder, sistema socioeconômico e político, regimes autoritários, marginalização, falta de cidadania, educação, exclusão social, políticas públicas, leis, fiscalização, policiamento, infraestrutura precária, guerras, fome, migração forçada, emprego, trabalho informal, formação profissional, saneamento básico, saúde pública, segurança pública, favelização, tráfico de drogas. Violência cultural(legitimada e normalizada) – Preconceito de gênero, racismo, homofobia, lesbofobia, machismo, sexismo, relações patriarcais, classismo, elitismo, etnocentrismo, eugenia, colonialismo, práticas discriminatórias e discursos de ódio. Os diversos atos de violência praticados contra as mulheres podem conduzi-las à morte, ou seja, a serem vítimas do crime de feminicídio. O feminicídio é o estágio máximo da violência de gênero no qual mulheres são mortas por pertencerem ao gênero feminino (SEGATO, 2016; LAN, 2019) e, na maioria das vezes é antecedido por um“ continuum” de violências(MENEGHEL; LERMA, 2017), composto por agressões físicas, verbais e psicológicas. O termo foi proferido pela primeira vez em 1976, em Bruxelas, por Diana Russel, socióloga e feminista que defendia o uso do conceito Femicíde que abrangia mulheres de todas as idades, o que, consequentemente, não ocorreria com o uso da palavra“ Woman”. Posteriormente, o termo foi adaptado para o castelhano“Femicídio”, e para a língua portuguesa,“Feminicídio”. Desde 2006, pesquisas realizadas por Montserrat Sagot e Ana Carcedo classificam o feminicídio de três maneiras: 17 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Feminicídio íntimo: quando a vítima e o assassino possuíam relação familiar e/ou íntima; Feminicídio não íntimo: quando a vítima não possuía qualquer ligação familiar e/ou de intimidade com o agressor e sua morte ocorre após a prática de outro crime; Feminicídio por conexão: quando a vítima vem a óbito após uma tentativa de salvar outra mulher de um assassinato. No Brasil, desde o dia 9 de março de 2015, a morte de mulheres em razão do gênero passou a ser enquadrada na Lei n°. 13.104/15, conhecida como Lei do Feminicídio, modificando o art. 121 do Código Penal do país, apontando o feminicídio circunstância qualificadora como crimes de homicídio, sendo ainda inserido no rol dos crimes hediondos(BRASIL, 2015). No Brasil, os crimes de feminicídio se enquadram em três condições: feminicídio reprodutivo, feminicídio doméstico e feminicídio sexual(ROMIO, 2017). Em todos os países, a maior parte dos crimes de feminicídio são praticados na privacidade do lar, confirmando os apontamentos de Sagot e Carcedo(2006) de que a família é o grupo social mais violento para meninas e mulheres, assim como a casa é o local mais inseguro. Há estreita ligação entre os crimes de feminicídio e o patriarcado, haja vista a intencionalidade dos atos de violência objetivando o controle sobre a vida e o corpo da mulher. Corroboramos com Judith Butler(2020) que é necessário descontruir as práticas centradas no patriarcado e no machismo, nos quais perdura a ideologia que o direito à vida da mulher está centrada nas mãos dos homens. Referências AMARAL, Rodrigo Augusto Duarte. Considerações sobre a violência pela ótica de Johan Galtung: alguns aspectos do terrorismo e o advento da intolerância. Cadernos de Campos, Revista de Ciências Sociais, 2015. BRASIL. Lei nº 13.104, de 9 de Março de 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13104.htm. Acesso em 08 de set. de 2020. BUTLER, Judith P. De quem são as vidas consideradas choráveis em nosso mundo público? 2020. Disponível em: https://brasil.elpais.com/babelia/2020-07-10/judith-butler-de-quemsao-as-vidas-consideradas-choraveis-em-nosso-mundo-publico.html. Acesso em 04 de set. de 2020. GALTUNG, J. Cultural violence. Journal of Peace Research, Manoa, v.27, n.3, 1969. 18 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO LAGARDE, Marcela. Antropología, feminismo y política: Violencia feminicida y derechos humanos de lasmujeres. In BULLEN, Margaret; DÍEZ, Carmen(coords). Retos teóricos y nuevas prácticas. XI Congreso de Antropología de la FAAEE, Donostia, Ankulegi Antropologia Elkartea, 2008. LAN, Diana. Cartografia de los femicidios en Argentina. 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Madrid/Argentina: Traficantes de Sonhos, 2016. 19 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Igualdade e Equidade de Gênero Maria das Graças Silva Nascimento Silva, Maria José Pires de Santana e Ziley Alves de Souza A desigualdade de gênero é um fenômeno social e cultural em que ocorre uma discriminação entre pessoas devido ao seu gênero, basicamente entre homens e mulheres. Seu impacto pode ser notado em diferentes dimensões como trabalhista, social e familiar. Por isso, vamos tratar nesse texto sobre Igualdade e Equidade de Gênero, em especial no mundo do trabalho, enfatizando também as consequências das desigualdades de gênero na vida da mulher. Para início de conversa, precisamos conhecer o conceito de igualdade: A igualdade reconhece que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos, responsabilidades e oportunidades, considerando que há comportamentos, aspirações e necessidades diferentes(PROGRAMA DE APOIO AOS ATORES NÃO ESTATAIS-PAANE, 2015). Nesse sentido, para se chegar à igualdade, é necessário tratar de todas as necessidades que temos, mas sem esquecer que temos os mesmos direitos, deveres e obrigações, apesar de sermos diferentes. Igualdade e equidade não são sinônimos, pois: Equidade de gênero significa conceder oportunidades iguais para mulheres e homens, meninas e meninos para desenvolver o seu potencial(PROGRAMA DE APOIO AOS ATORES NÃO ESTATAIS-PAANE, 2015). Portanto, o conceito de equidade defende a equivalência social entre os gêneros. Assim, tanto o homem quanto a mulher podem fazer suas escolhas sem as limitações definidas por estereótipos. Logo, a palavra equidade pode ser definida como uma justiça natural, 20 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO disposição para reconhecer imparcialmente o direito de cada um e isso significa reconhecer que todos precisam de atenção, mas não necessariamente dos mesmos atendimentos. São exemplos de práticas de equidade para se chegar a igualdade de gênero: Fonte: https://programaelas.com.br/diferenca-de-equidade-e-igualdade-de-genero/ Podemos definir equidade como maneiras de se fazer justiça e dar oportunidades para as pessoas independentemente do seu gênero. Na figura abaixo, podemos observar que na igualdade de gênero é criado um ponto de partida para todas as pessoas, sem pensar no seu gênero, mesmo sabendo que há diferença entre elas. Fonte: https://programaelas.com.br/diferenca-de-equidade-e-igualdade-de-genero/ 21 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Enquanto isso, podemos observar que na ilustração da equidade de gênero é criado um ponto de chegada para todas as pessoas sem que elas recebam distinções e privilégios por serem distintas. Nesse sentido a Equidade leva à Igualdade. Violência de gênero no mundo do trabalho No mundo do trabalho existem várias formas de violência de gênero, mas talvez a mais comum seja a prática de salários desiguais entre mulheres e homens, mesmo realizando as mesmas tarefas. Além de as mulheres receberem salários menores, elas ainda realizam mais trabalhos que extrapolam esse universo e não são remunerados, a exemplo dos trabalhos domésticos e de cuidadoras. As mulheres têm mais dificuldades para ascensão nos cargos de maior prestígio nas empresas, isso acontece porque algumas empresas consideram que cargos de liderança e decisão são incompatíveis com o“ser feminino”. Esse fenômeno favorece o fenômeno do “te to de vidro”, que representa as práticas subjetivas adotadas por empresas para dificultar a ascensão profissional das mulheres(HIRATA, 2007). O assédio moral e sexual a que as mulheres são submetidas, são alguns dos tipos de violência que afetam a saúde e o estado psicológico da mulher. Nas áreas rurais, as relações de trabalho e de salários também são desiguais para mulheres e homens, apesar da dupla, e até mesmo a tripla, jornada de trabalho das mulheres. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil precisa de mais 257 anos para alcançar a igualdade de gênero no mundo do trabalho, ou seja, só no ano de 2.277 vamos vivenciar essa igualdade nessa área. Também precisamos avançar quanto à participação das mulheres na política, pois o Brasil é o pior país no ranking mundial quando se trata de empoderamento político. Nós não elegemos mulheres para cargos em todas as esferas, seja Municipal, Estadual e Federal, a representação feminina é ínfima em relação a outros países da América Latina. É necessário e urgente implementar as práticas de igualdade de gênero para que se alcance a equidade de gênero em curto espaço de tempo, para que todas as mulheres e meninas possam ter direito à vida, à liberdade, à segurança pessoal, à liberdade de pensamento, à informação, à educação, à liberdade de reunião e participação política, direito a não ser submetida à tortura e maus tratos(Acordo da Organização das Nações Unidas – ONU). Referências HIRATA, Helena. Flexibilidade, trabalho e gênero. In: HIRATA, Helena; SEGNINI, Liliana(Org.). Organização, trabalho e gênero. São Paulo: SENAC, 2007. 22 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO KEIKO, H. Desigualdade de gênero: o que é, onde se manifesta e como combatê-la. Disponível em: https://www.dicasdemulher.com.br/desigualdade-de-genero/. Acesso em: 17.10.2020. Ministério Público do Estado de São Paulo. Cartilha: Mulher, Vire a Página. Disponível em: http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/Cartilhas. Acesso em 27.10.2020 REIS, Maira. A surpreendente verdade que não te contaram sobre equidade de gênero. Diversidade e inclusão, 2020. Disponível em: https://mairareis.com/equidade-de-genero/. Acesso em: 17.10.2020. SAIBA MAIS SOBRE AS GARANTIAS DA MULHER TRABALHADORA Licença Maternidade – Artigo 392 da CLT, garante 120 dias, sem prejuízo do emprego e salário. Igualdade Salarial é garantido no Artigo 7º da Constituição Federal. E na CLT os artigos 5º, no 46, no 373-A e no 461. Repouso após o aborto. Artigo 395 da CLT. Trata do aborto não criminoso, comprovado por atestado médico, dará direito à mulher a um repouso de duas semanas remunerado. 23 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO LGBTFOBIA e o Contexto Escolar Deborah Monteiro dos Santos e Rogério Nogueira de Mesquita No Brasil, segundo o Grupo Gay da Bahia(GGB), a cada 20 horas uma pessoa é barbaramente assassinada ou se suicida vítima da LGBTfobia, o que confirma o Brasil como campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais. O que éLGBTfobia? LGBTfobia é a violência e discriminalização cometidas por pessoas que se identifiquem dentro da sigla LGBTQIA+. Quem sofre LGBTfobia? As sexualidades são um conjunto de interações biopsicossociais, ou seja, a genética, o meio social e os aspectos psicológicos das pessoas influenciam diretamente em como nos relacionamos afetivamente e sexualmente com outras pessoas. Diversas são as sexualidades presentes na subjetividade humana e, por esse motivo, determinados movimentos sociais buscam direitos de representatividade para essas sexualidades e, como fruto dessa luta, foi criada a sigla LGBTQIA+, que designa as sexualidades e identidades de gênero abaixo: Lésbicas – Mulheres que se interessam sexual e afetivamente por outras mulheres. Gays – Também chamados de homossexuais, que são aqueles homens que se interessam sexual e afetivamente por outros homens. Bissexuais – Pessoas que se interessam sexualmente e/ou afetivamente por um ou mais gêneros. 24 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Transgêneros – Pessoas cuja sua identidade de gênero difere do sexo biológico. Transexuais – Pessoas que procuram passar por uma transição social que inclui tratamentos hormonais e/ou cirúrgicos a fim de se assemelhar com sua identidade de gênero. Travestis – Identidade de gênero exclusivamente latina e feminina. A travesti é uma mulher que foi designada como homem pelo seu sexo biológico, contudo, não se identifica com tais características, assumindo essa identidade de gênero. Queer – Pode ser a designação dada a qualquer pessoa que não corresponda ao padrão cisgeneroheteronormativo imposto pela sociedade. Assexual – Pessoa que não sente, ou sente muito raramente, atração sexual. Pansexual – Pessoa que sente atração sexual e afetiva independente do gênero da outra pessoa. O+ da sigla representa todas as outras sexualidades que ainda não conhecemos. E a escola? A escola pode ser um ambiente extremamente opressor para quem é jovem e LGBTQIA+. Quando esse espaço nega a existência dessa população, abre as portas para o preconceito, visto que muitos jovens ainda não se enxergam como LGBTQIA+ por falta de informações, trazendo grande angústia ao adolescente por não se entender e se sentir diferente. Todo e toda jovem LGBTQIA+ já passou por diversas situações desconfortáveis dentro do ambiente escolar. Dentre elas, as mais comuns são medo de descobrirem sua sexualidade e contarem isso para seus pais ou responsáveis, sofrer violência física, sexual e verbal, sentirse desconfortável em usar o banheiro ou participar das aulas de educação física, receber agressões e ameaças na internet. Essas formas de violência são um dos principais fatores de evasão escolar de alunos/as LGBTQIA+. Segundo a Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Escolar, de 2015, cerca de 43% dos jovens LGBTQIA+ se sentem inseguros em revelar sua sexualidade publicamente e 73% já sofreram preconceito dentro das escolas. Homofobia, por muito tempo, foi o nome dado às práticas de violência cometidas contra todas as pessoas LGBTQIA+, contudo, hoje falamos em LGBTfobia e a homofobia se tornou o nome da violência direcionada a homens gays, visto que a palavra homofobia não consegue contemplar todo o problema. É importante falar que o Supremo Tribunal Federal, por entender que há demora do Legislativo em tratar sobre o tema, considera a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero crime no Brasil, classifica os crimes de LGBTfobia na mesma legislação que fala 25 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO sobre discriminação sobre raça, intolerância religiosa e xenofobia(Lei nº 7.716/89). Assim como o racismo, o crime de LGBTfobia é inafiançável e prevê prisão de até 5 anos e multa. No Brasil, a LGBTfobia se apresenta de diversas formas, as mais visíveis são: A lesbofobia é a violência cometida contra lésbicas e que pode ser sutil, como a fetichização de seus colegas e alguns professores e gestores, muitas vezes devido ao consumo de pornografia, ou gravíssimas como o“estupro corretivo” que muitas vezes ocorre sob a alegação de tentar transformá-las em heterossexual pela violência sexual. No Brasil, por dia, 6 mulheres sofrem estupro corretivo devido à sua sexualidade. A bifobia é a violência destinada a pessoas bissexuais e costuma se manifestar pela invisibilização da sexualidade desses sujeitos que, muitas vezes, são vistos como pessoas promíscuas que querem chamar a atenção ou como pessoas confusas. As mulheres bissexuais também costumam ser alvo, tais como as lésbicas, da fetichização de seus corpos, de violências sexuais e verbais devido à sua condição sexual. Homens bissexuais sofrem, além da invisibilização, problemas semelhantes aos que alcançam os homens gays. A homofobia é a violência direcionada aos gays. As ofensas direcionadas a eles muitas vezes estão relacionadas ao modelo sexista de sociedade que coloca os homens gays em condição de inferioridade semelhante à da mulher, associandose a imagem do homem gay à fraqueza. Assim, as violências muitas vezes culminam em brigas e ataques à integridade física dos alunos nas escolas e, como consequência desse fenômeno, um homem é assassinado a cada 23h no Brasil, vítima da homofobia. A transfobia é a violência que alcança as pessoas representadas pela letra T da sigla LGBTQI+, ou seja, travestis, transgêneros e transsexuais. No Brasil, cerca de 91% dessas pessoas não conseguiu concluir o Ensino Médio devido à intolerância escolar. Devido à baixa escolaridade, boa parte dessa população não consegue inserção formal no mundo do trabalho e se dedica à prostituição. Estudos apontam que cerca de 90% dessas pessoas já precisou se submeter a essa atividade para viver. Em nosso país,80% dos assassinatos com violência extrema são cometidos contra pessoas trans, cuja expectativa de vida é de 35 anos. A violência extrema contra pessoas travestis, transgêneros e transsexuais cresce a cada dia. Só nos primeiros 4 meses de 2020, os assassinatos contra pessoas trans aumentaram em 48% comparados aos anos anteriores. 26 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO A escola como caminho para o fim da LGBTfobia Primeiramente, a escola precisa ser um espaço de diálogo aberto a todas as pessoas da comunidade, ou seja, aos alunos, aos colaboradores, responsáveis e familiares. Precisamos nos preparar para desconstruir conceitos pré-estabelecidos. Ainda que algumas religiões sejam terminantemente contra relações homoafetivas, todas as pessoas merecem ser acolhidas como são. A escola precisa ser o lugar da empatia e promover espaços de diálogo dentro e fora da sala de aula para que os alunos sintam confiança em falar sobre suas dores. Sexualidade é algo muito individual e particular de cada pessoa. Professor, não “denuncie” a sexualidade de seus alunos a seus pais ou responsáveis, ajude essa pessoa a construir a segurança necessária para falar sobre isso quando se entender e quando se sentir confortável. Sabemos que a adolescência é um momento de descobertas, para isso, é fundamental uma educação sexual de qualidade. A educação sexual também assume um importante papel frente à prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, ao planejamento familiar e às violências sexuais, não apenas com caráter LGBTfóbico, pois falar abertamente sobre sexualidade pode ajudar os jovens a perceber de forma clara a diferença entre paquera e assédio, por exemplo. É importante que a escola enfatize que todas as pessoas e tipos de corpos devem ser respeitados, independente de seu gênero ou condição sexual, seja na vida real ou no universo online. Estimule o amor ao próximo e a empatia nas discussões. Vale sempre a regra“jamais faça com o outro aquilo que não gostaria que fosse feito a si mesmo”. SAIBA MAIS Podcast: Bendita Geni(https://www.benditageni.com/) Livro: SILVA, Joseli Maria; ORNAT, Marcio José; CHIMIN JUNIOR, Alides Baptista. Espaço, gênero& masculinidades plurais. Ponta Grossa-PR: Toda palavra Editora, 2011. Filme: Orações para Bobby(Prayers for Bobby) 2009. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS. Secretaria de Educação. Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional no Brasil 2015: as experiências de adolescentes e jovens lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em nossos ambientes educacionais. Curitiba: ABGLT, 2016. GRUPO GAY DA BAHIA. Mortes Violentas de LGBT no Brasil: relatório 2017, v. 30, 2018. 27 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Família e Divisão Sexual do Trabalho Doméstico Hellen Virginia da Silva Alves Segundos dados do IBGE, no Brasil, as mulheres representam 45,6% da força de trabalho remunerada e o ingresso delas no mundo do trabalho remunerado cresce a cada ano. Porém, ao mesmo tempo em que o mundo do trabalho mudou, na divisão do trabalho doméstico em família pouca coisa aconteceu nos últimos séculos: as mulheres continuam trabalhando muito mais em casa que os homens. Para saber se isso é verdade, observe as famílias com quem você tem contato e veja se nesses lares há uma divisão igualitária do trabalho doméstico. Mas o que seria família, afinal? O conceito de família muda conforme o tipo de sociedade e o tempo histórico, pois sofre as influências dos acontecimentos sociais. Para a psicologia, família é“ Uma associação de pessoas que escolhe conviver por razões afetivas e assume um compromisso de cuidado mútuo e, se houver, do cuidado de crianças, adolescentes e adultos”(SZYMANSKI, 2002, p. 9). Para a sociologia, família significa “ Uma unidade social básica, ou seja, o grupamento humano mais simples que existe, por isso a família é a instituição básica da sociedade”(DURKHEIM, 2007). Apesar do conceito de família compreender compromisso de cuidado mútuo, a situação brasileira não é diferente da situação do resto do mundo. O trabalho doméstico não remunerado – ou seja, aquele trabalho de cuidar da casa, da alimentação e da higiene do lar – ainda é visto como“problema ou responsabilidade de mulheres”. Apesar de todas as conquistas das mulheres que asseguram direitos e oportunidades de estudo e trabalho, muitas pessoas ainda acreditam que o trabalho doméstico é responsabilidade exclusiva das mulheres. 28 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO A crença de que o trabalho doméstico e os cuidados com os filhos sejam tarefas exclusivamente femini nas constitui a base da desigual“divisão sexual do trabalho doméstico” e esse tipo de divisão ocasiona a sobrecarga de trabalho sobre as mulheres, adolescentes e meninas de uma família, o que pode ocasionar graves consequências para a saúde delas. Tome nota! A divisão sexual do trabalho é fruto da divisão social estabelecida nas relações sociais entre os sexos, divisão essa modulada histórica e socialmente e instrumento da sobrevivência da relação social entre os sexos. A divisão do trabalho que se estabeleceu entre os sexos atribuiu o cuidado do lar para a mulher, função, quando não invisível, tida como de pouco valor social, enquanto a produção material foi atribuída aos homens, tarefa considerada de prestígio e que confere poder dentro da sociedade(HIRATA; KERGOAT, 2007). Um relatório divulgado pela ONU, em 2015, aponta que as mulheres de países em desenvolvimento fazem, por dia, três horas a mais de trabalho não remunerado(trabalho doméstico e cuidado com os filhos) que os homens – em países desenvolvidos, esse índice é, em média, de duas horas a mais. Segundo estudos, a sobrecarga de trabalho doméstico pode aumentar as chances de a mulher desenvolver transtornos mentais, além de afetar a produtividade no trabalho, influenciando, consequentemente, o salário. 29 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Você já imaginou o que mudaria na vida das famílias se o trabalho doméstico fosse compreendido como uma responsabilidade de todos? Dentre as principais mudanças que poderiam acontecer, as mudanças imediatas fariam com que as meninas tivessem mais tempo para estudar e brincar, as adolescentes e os adolescentes aprenderiam a cooperar com as crianças e os adultos, os casais teriam mais tempo para realizar atividades juntos, as mulheres teriam tempo para se dedicar ao lazer ou a outras atividades do seu interesse, enfim, todos aprenderiam a ser mais responsáveis e independentes. Ao imaginar um lar onde o trabalho doméstico fosse visto como uma responsabilidade de todos os integrantes da família, podemos perceber que a divisão sexual do trabalho doméstico não afeta apenas as mulheres, mas interfere na rotina das crianças, dos adolescentes, dos homens e no bem-estar de todos. No Brasil, as políticas de assistência de empresas e dos governos e os estereótipos de gênero reforçam a divisão sexual do trabalho doméstico. As licenças, por exemplo, são destinadas às mães, reforçando o papel feminino nos cuidados e tarefas domésticas. Os homens têm direito a apenas cinco dias de licença paternidade, por exemplo, e isso limita a participação deles nos cuidados da criança. O estereótipo da mulher de séculos atrás não condiz com a sociedade do nosso tempo, onde as mulheres precisam estudar, trabalhar, cuidar da saúde e de si mesmas. Mas como podemos mudar essa situação? Cada um de nós deve desconstruir esses estereótipos de gênero e lutar para que as políticas públicas atendam verdadeiramente às necessidades das famílias. Nossa luta passa pela educação e pelo compartilhamento de informação de qualidade: porque as tarefas de casa podem e devem ser realizadas por todos, respeitando a idade, os potenciais, as limitações e até mesmo as preferências de cada pessoa. Afinal de contas, quem ama, cuida. Confira algumas dicas que podem te ajudar a promover algumas mudanças que tornem mais equitativa a divisão do trabalho doméstico em seu lar: Converse com todos os integrantes da família sobre a importância do compromisso de todos com a realização das tarefas domésticas: é importante que todos compreendam a importância da cooperação e conheçam os efeitos nocivos que a sobrecarga de trabalho pode acarretar, especialmente para as mulheres da família. Distribua as tarefas de acordo com a capacidade ou habilidade de cada membro da família: as crianças podem ajudar guardando brinquedos ou recolhendo calçados e demais objetos espalhados pela casa e colocando-os em seus respectivos locais e assim por diante. As tarefas de maior complexidade podem ser delegadas de acordo com as habilidades e preferências de cada um, por exemplo, algumas 30 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO pessoas podem ter habilidade para cozinhar e outras para varrer ou cuidar das plantas. Aproveite as tarefas para curtir momentos de brincadeiras com os filhos pequenos: torne esse momento um aprendizado sobre cooperação, respeito e trabalho em equipe e dê um toque lúdico. Com um pouquinho de jogo de cintura, você consegue transformar as atividades domésticas em tarefas muito interessantes. Referências – Para saber mais sobre o tema: ARAÚJO, Laudicéia Lourenço de. Geografia e as questões de gênero no contexto do trabalho: formas contemporâneas de inserção das mulheres no mercado de trabalho formal. Revista Pegada, v.16, n.2, 2015. Disponível em: http://revista.fct.unesp.br/index.php/pegada/article/ download/3928/3204. Acesso em: 01 set 2020. DURKHEIM, E. As regras do método sociológico. 1858-1917. São Paulo: Martins Fontes, 2007. HIRATA, H.; KERGOAT, D. Novas configurações da divisão sexual do trabalho. Cadernos de Pesquisa, v.37, n.132, p.595-609, set./dez. 2007. MARTINS, Conceição Garcia; LUZ, Nanci Stancki da; CARVALHO, Marília Gomes de. Relações de gênero no trabalho doméstico: um estudo a partir da realidade das trabalhadoras do Instituto Federal de Santa Catarina. Cadernos de Gênero e Tecnologia, a. 13, n. 23-24, jul/ago/set/out/nov/dez 2011. MENDONÇA, Elaine Cristina. A divisão sexual do trabalho no espaço doméstico: um estudo preliminar com mulheres pertencentes à burguesia e ao proletariado. Dissertação(Mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Sócio-Econômico, Programa de Pós-graduação em Serviço Social, Florianópolis, 2009. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/ 123456789/93404. Acesso em: 01 set 2020. SOUSA, Luana Passos de; GUEDES, Dyeggo Rocha. A desigual divisão sexual do trabalho: um olhar sobre a última década. Estudos Avançados, v. 30, n. 87, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ea/v30n87/0103-4014-ea-30-87-00123.pdf. Acesso em: 01 set 2020. SZYMANSKI, H. Viver em família como experiência de cuidado mútuo: desafios de um mundo em mudança. Revista Serviço Social e Sociedade, São Paulo, a. 21, n. 71, p. 9-25, set.2002. 31 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Quer saber mais sobre o tema gênero e sexualidade? Acesse nosso blog... https://gepgenerounir.medium.com/ ... e nossas redes sociais: Instagram: https://www.instagram.com/gepgenero/?hl=pt-br Facebook: https://www.facebook.com/GepG%C3%AAnero-UNIR100611957964733/ Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCrWT6wvAFvb8TnSsbyCOtsA 32 GÊNERO: COMBATENDO A VIOLÊNCIA COM INFORMAÇÃO Telefones disk-denúncia Disque 180 – Central de atendimento à mulher em situação de violência – Casos de violência contra a mulher. Disque 100 – Direitos Humanos – Casos de exploração sexual de crianças e adolescentes e violência contra idosos. Disque 190 – Delegacias de Polícia – Casos de violência a qualquer pessoa. Disque 129 – Defensoria Pública – Promotorias especializadas na defesa da mulher. Disque 192 – SAMU. 33