A cobertura da mídia sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito Relatório Vozes silenciadas A cobertura da mídia sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito Realização Apoio São Paulo, 2011 Vozes silenciadas A cobertura da mídia sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito Pesquisa e redação Mônica Mourão Colaboração Douglas Moreira Érica Daiane Gésio Passos Helena Martins João Brant Jonas Valente Mayrá Lima Paulo Victor Revisão Bia Barbosa Érica Daiane Gésio Passos Jacson Segundo Projeto gráfico e diagramação Ana Rita Cunha Capa- Gésio Passos Fotos Agência Brasil Agradecimentos Alan Santiago Fernanda Papa Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST) FITERT- Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão Apoio Fundação Friedrich Ebert Stiftung C3- Centro de Competencia de Comunicación para América Latina Fitert- Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão Intervozes- Coletivo Brasil de Comunicação Social www.intervozes.org.br Rua Rego Freitas, 454- Cj 122- 12º andar- República São Paulo- SP CEP: 01220-010- Tel: 11 3877.0824 Sumário 1. Introdução 6 2. Metodologia 7 3. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST) 13 4. Veículos analisados 15 5. Miniglossário de termos jornalísticos 17 6. Lista de siglas 18 7. Dados mês a mês 19 7.1. FEVEREIRO 19 7.2. MARÇO 22 7.3. ABRIL 25 7.4. MAIO 29 7.5. JUNHO 32 7.6. JULHO 35 8. Análise da cobertura 39 9. Considerações finais 56 10. Bibliografia 57 11. Anexo 58 Introdução V ozes S ilenciadas Q uem atua em movimentos sociais ou é sensível às suas causas tem a impressão de que a mídia não os trata como deveria. Já se tornou uma expressão comum“a criminalização dos movimentos sociais pela mídia”, que reflete esse incômodo com a cobertura da imprensa acerca das ações dos movimentos. É esse incômodo que move a presente pesquisa. Para saber se isso realmente acontece, é necessário fazer uma análise que não demonize, mas compreenda a lógica dos veículos da imprensa massiva. Por isso, a pergunta a responder é: como a mídia de referência nacional constrói sentidos acerca dos movimentos sociais? O presente estudo de caso aborda o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST). O próprio MST reflete sobre a atuação da“grande imprensa”. Seu conflito com a mídia é expresso no documento “Linhas Políticas para a Assessoria de Imprensa”. Nele, diz-se que a“grande imprensa” atua com a finalidade de cooptar os militantes através de três estratégias: personificação da luta; divisão do movimento através da contraposição de declarações de dirigentes; e criminalização, com a criação do estigma de movimento violento, clandestino e ilegal. Para o Movimento Sem Terra, essas ações possuem um sentido claro: desmoralizar e desvirtuar o verdadeiro sentido da organização dos movimentos 1 . Para dar conta do tema, foram utilizadas referências metodológicas que permitam ir além da dicotomia “interesses das empresas de comunicação x interesses dos movimentos sociais”. O seguinte relatório, resultado da análise de 301 matérias que mencionaram o MST ao longo do período em que ele foi alvo de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito(CPMI) no Congresso Nacional, traz a metodologia utilizada para a pesquisa; um pouco da história do MST; a relação dos veículos que fizeram parte do universo pesquisado; um miniglossário de termos jornalísticos e das principais siglas usadas no documento. Esses tópicos contextualizam a pesquisa para que o leitor tenha acesso, em seguida, aos dados numéricos de cada mês e, por fim, aos dados gerais com uma análise da cobertura. 1 Trecho escrito a partir de colaboração de Helena Martins do R. Barreto. 7 V ozes S ilenciadas Metodologia O objeto a ser pesquisado foi recortado de forma a se trabalhar com um movimento nacional consolidado e que tem sido pauta constante da mídia: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST). No ano de 2010, o MST foi objeto de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito(CPMI) no Congresso Nacional, realizada entre os meses de fevereiro e julho. O período a ser pesquisado vai, portanto, de 10 de fevereiro, data da primeira reunião da CPMI, a 17 de julho, dia da votação do relatório final da referida Comissão. O corpus da pesquisa é formado por três jornais de circulação nacional(Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo); três revistas também de circulação nacional(Veja, Época e Carta Capital); e os dois telejornais de maior audiência no Brasil: Jornal Nacional, da Rede Globo, e Jornal da Record. O corpus considera apenas matérias que citam explicitamente o MST. Para localizá-las, partiu-se do próprio clipping do Movimento, exceto no caso de telejornais, em que a palavra-chave“MST” foi pesquisada nos sites do Jornal Nacional e do Jornal da Record, totalizando um universo de 301 matérias. “Matéria”, neste caso, é qualquer unidade de produto jornalístico em formato de texto ou audiovisual. O nome genérico pode significar textos de gêneros diferentes e que, por isso mesmo, estabelecem com o leitor/ telespectador contratos de leitura diferentes. Assim, verifica-se se o texto é uma carta do leitor, um artigo ou uma notícia e cada formato é analisado de forma diferenciada – especialmente quando fazem parte do jornalismo informativo ou opinativo. Essas especificidades serão melhor explicadas ao longo da análise. Por agora, é importante acrescentar que do texto opinativo não se exige certos cuidados, por exemplo, em relação ao uso de adjetivos. Uma regra dos textos jornalísticos informativos é que esse tipo de palavra não deve ser usado quando representa um juízo de valor, enquanto nos textos que apresentam claramente a opinião do autor esse recurso seria aceitável. Vale lembrar que o jornalismo informativo tem pretensão à verdade. Portanto, ao invés de afirmar que um evento foi grandioso, por exemplo, cita o número de participantes. O resultado talvez seja o mesmo, mas a forma como o discurso é construído faz com que o texto se apresente para o leitor/ telespectador como um fato ou uma opinião. Em relação à metodologia empregada, ela envolve a análise de enquadramento, análise do discurso e análise de conteúdo. O objetivo de analisar a construção de sentidos acerca do MST parte do entendimento de que o jornalismo não é – nem poderia ser – retrato objetivo da realidade. Ao contrário do que afirma a chamada“teoria do espelho”, segundo a qual as notícias refletem a realidade, apesar de constituírem“um discurso centrado no referente”, elas são construções sociais que dependem de inúmeros fatores, como contexto sócio-histórico, ação pessoal 8 V ozes S ilenciadas e diretrizes institucionais das empresas de comunicação. Dessa forma, a decisão sobre o que é notícia ou como os acontecimentos passam à forma de notícia não deve ser atribuída apenas à“realidade”, nem à decisão subjetiva de uma ou algumas pessoas, nem às imposições das instituições produtoras de notícias (White apud Traquina, 1993). As notícias são fruto de contradições e consensos que envolvem todas as questões citadas acima, além de algumas outras. O jornalismo é formado, portanto, por práticas discursivas que têm pretensão à verdade. Embora, como afirmado, essa nunca possa ser alcançada, a pretensão à verdade aparece na linguagem e nas fontes procuradas pelos jornalistas para dar respaldo às notícias. As fontes autorizadas ou dignas de crédito costumam ser representantes da sociedade(como integrantes do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário) e especialistas. No primeiro caso, há fontes que, teoricamente, falam em nome do povo ou que tomam decisões com potencial para se tornar notícia, já que interessam a uma grande quantidade de pessoas. No segundo caso, estão aqueles que se consideram movidos por interesses científicos e, portanto, numa ideia positivista de ciência, não teriam interesses pessoais. Assim, suas declarações seriam confiáveis(Hall et. al. apud Traquina, 1993). Stuart Hall chama essas fontes de primary definers e atribui a elas grande influência na escolha das pautas e no enfoque das matérias. De acordo com Hall, os argumentos contrários a uma interpretação primária são obrigados a inserirem-se na sua definição de“o que está em questão” – devem ter como seu ponto inicial esta estrutura de interpretação.[...] Efetivamente, a definição primária estabelece o limite de todas as discussões subsequentes através do seu enquadramento do problema(Ibidem, p. 230, com grifos no original). Esses definidores primários ajudam a compreender por que o jornalismo, em sua maioria, adequa-se às ideologias dominantes numa sociedade. Embora tenhamos no Brasil um modelo de mídia concentrada em poucas empresas privadas que, normalmente, são parte de conglomerados de comunicação social ou mesmo de empresas que atuam com outros produtos, Hall considera pobre fazer uma associação automática entre esse fato e o enquadramento dominante dado às notícias. Por isso, enfatiza que“os media não criam automaticamente as notícias; melhor, estão dependentes de assuntos noticiosos específicos oferecidos por fontes institucionais regulares e credíveis”(Ibidem, 228). Essa observação de Hall conduz a não reduzir a postura ideológica das matérias simplesmente ao fato de que, em sua maioria, os interesses dos proprietários dos meios de comunicação social no Brasil coincidem com as ideias dominantes – contrárias às dos movimentos sociais. Porém, é o próprio autor que faz uma ressalva em relação à autonomia relativa da cultura, que significa não haver uma relação de determinismo entre os âmbitos econômico e cultural. Segundo Hall,“uma das formas pelas quais o poder opera na esfera aparentemente descentrada da cultura é através da luta por seu aproveitamento a fim de sobrepô-la, regular e cercar suas diversas formas e energias transgressivas dentro da estrutura e da lógica de um duplo movimento canônico”(Idem, 9 V ozes S ilenciadas 2008, p. 224). Assim, consideramos que, embora as relações econômicas não determinem as demais relações numa sociedade, a esfera que detém o poder busca controlar os diferentes espaços – social, político, cultural, entre outros. Parte-se também da compreensão de que discursos produzem sentidos e que tais sentidos criam ou enquadram olhares acerca dos acontecimentos e atores sociais. Como é através da mídia que a maioria dos fatos públicos são conhecidos, a forma como ela constrói essa realidade é a principal motivação desse trabalho. Considerando-se que o“real” é algo a que se tem acesso somente através da mediação da linguagem, a pesquisa foca sua atenção nos termos usados e na maneira como são tecidos os discursos midiáticos. Para isso, são utilizadas algumas técnicas de análise do discurso. A metodologia empregada não é uma análise do discurso pura; não trabalha com formações e sequências discursivas nem com o rigor exigido neste caso. Mas é uma das principais inspirações para a pesquisa, visto que a análise do discurso leva em consideração diversas das questões que movem esse trabalho. Dentre as preocupações do estudo estão o mapeamento das vozes e a identificação dos sentidos: saber quem são os locutores, a quem é dado direito à voz nas matérias analisadas e também que sentidos são construídos através delas. O dizer produz um efeito de literalidade, que é a impressão do“sentido-lá”(ORLANDI, 2001), a impressão de algo que“natural, óbvia e evidentemente só poderia significar isto”, como se o sentido existisse de forma independente e pudesse simplesmente ser acessado ou não.[...] A pretensão de desambiguizar o mundo(MARIANI, 1998), que sustenta o jornalismo a partir de seu objetivo de relatar“fielmente” os acontecimentos, relevase frágil e ilusória sempre que problematizada pelo viés da linguagem(Benetti, 2007, p. 108, com grifos no original). Assim, a análise do discurso propõe uma desconstrução, para que se chegue a algo anterior à forma como os sentidos aparecem que, segundo esse método, seria a ideologia(ou formações ideológicas). A ideologia não aparece apenas de forma consciente. Os discursos não se formam plenamente de maneira intencional, mas são o dizer possível em determinado contexto. No caso do jornalismo, assim como faz a análise de enquadramento, a análise do discurso precisa levar em conta também os constrangimentos organizacionais, ou seja, as relações de trabalho nas redações, a necessidade de referenciar o discurso através de fontes legítimas, a posição da empresa jornalística na sociedade. A análise do discurso trabalha não só com o discurso dito, mas também com o não-dito, com o silenciamento. Para isso, o pesquisador precisa ter conhecimento sobre o tema em questão, para que confronte suas referências externas ao discurso e, assim, possa localizar e interpretar o que está ausente. Quanto ao mapeamento de vozes, o jornalismo afirma-se como uma prática discursiva polifônica, que permite a audiência de uma pluralidade de locutores e enunciadores. Uma matéria que traz diversos pontos de vista seria um discurso polifônico. Contudo, nem 10 V ozes S ilenciadas sempre se atinge a polifonia ouvindo uma grande variedade de fontes. Isso porque é possível ter várias fontes que se situam numa mesma posição. Para complexificar a diversidade de posicionamentos ideológicos num discurso, a análise do discurso diferencia locutor de enunciador. O enunciador pode ser entendido como“a pessoa de cujo ponto de vista são apresentados os acontecimentos”(Ducrot, 1987, p. 195). O locutor é quem fala, o enunciador é aquele“a partir de quem se vê”. Ou seja: o enunciador deve ser identificado, na análise das vozes, como a perspectiva a partir da qual o enunciador enuncia. Essa perspectiva está diretamente associada a uma posição de sujeito, conformada também por inscrições culturais, sociais e históricas, que podemos(...) reunir nas formações ideológicas(Ibidem, p. 119). Assim, interessa não apenas a quantidade de locutores presentes numa matéria, mas também se eles se posicionam em formações ideológicas diferentes. Em geral, os locutores de uma matéria jornalística são as fontes, o jornalista-indivíduo(matéria assinada), o jornalista-instituição(texto não assinado), o leitor que assina a carta publicada(Ibidem, p. 116). Com relação à análise de conteúdo, foi utilizada especialmente a relação entre análise quantitativa e qualitativa e a preocupação com a“frequência com que situações, pessoas e lugares aparecem na mídia” (Shoemaker; Reese apud Herscovitz, 2007, p. 123). Dessa forma, foi feita uma contagem de frequência do conteúdo manifesto e uma avaliação do conteúdo latente a partir do sentido geral dos textos(Ibidem, p. 126, 127). Os três tipos de metodologia empregados surgem no questionário elaborado para ser aplicado em cada matéria do corpus. As perguntas feitas foram: VEÍCULO: EDIÇÃO/ DATA: TÍTULO: 01. Qual o tema da matéria? 02. Qual o tamanho da matéria? 03. Caso o MST não seja o tema central, qual o tamanho do trecho que se refere ao MST? 04. Qual o tipo de matéria? 05. Quais as fontes ouvidas? 06. As fontes ouvidas apresentam posições divergentes: a) entre elas? b) com a posição do autor da matéria(caso seja possível percebê-la)? 07. A matéria posiciona o MST e suas ações num campo de sentidos negativo, positivo, equilibrado ou não é possível perceber? 08. Qual o espaço dados às fontes(em caracteres ou em minutos)? 09. Alguma das fontes é citada no primeiro parágrafo(lide), no caso dos veículos impressos, ou na chamada da matéria televisiva(cabeça)? Qual? 10. Foram usados termos negativos em referência ao movimento, suas causas ou ações? Quais? 11. São usados adjetivos nos trechos que 11 V ozes S ilenciadas tratam do MST? Quais? A que atores sociais ou fatos eles se referem? 12. A matéria cita resultados de pesquisas e dados estatísticos? 13. A matéria cita legislação? Qual? 14. O ângulo da matéria é de conflito ou solução? 15. A matéria cita atos violentos? 16. Se sim, o MST é vítima ou autor? 17. O autor da matéria utiliza a primeira ou a terceira pessoa verbal? 18. O MST está no título da matéria? 19. Se sim, de forma direta ou indireta? 20. Se sim, o título coloca o MST num campo positivo ou negativo de sentidos, ou não é possível perceber? A escolha das perguntas desse questionário leva em conta tanto aspectos importantes para as metodologias selecionadas quanto para os critérios do que seria“jornalismo de qualidade”. Há uma subjetividade envolvida nesse conceito, porém, se o jornalismo se autorreferencia como espaço de pluralidade, um critério para considerar a matéria de qualidade seria, por exemplo, a diversidade de fontes. Além disso, quando se trata de textos informativos, todo dado que colabore com a acuidade dessa informação é bem-vindo. Por isso, é importante saber se os textos citam dados estatísticos, resultados de pesquisas, legislações. Significa que o autor cercou-se de cuidados ao contar e interpretar aqueles acontecimentos para seus leitores/ telespectadores. Em textos opinativos, não se faz esse tipo de exigência, mas se deve também levar esses critérios em consideração, pois eles fortalecem os argumentos do autor. A referência ao autor da matéria leva em conta que esse autor não é um único ser dotado de todo o poder para a construção de sentidos, mas sim uma imbricação entre as relações de trabalho nas redações, a política editorial dos veículos e os acontecimentos da realidade em construção. Além disso, como já citado, o autor pode ser o jornalista-indivíduo, o jornalistainstituição, o leitor que assina uma carta ou o colaborador que escreve um artigo. Mesmo no caso de textos feitos por autores de fora da redação, como os colaboradores e os leitores, não se pode perder de vista que a publicação de todo material é uma decisão daqueles que fazem o veículo. Portanto, também dizem algo acerca do jornal ou revista em questão. São consideradas fontes ouvidas em uma matéria alguém com voz ou algum documento citado, cujo posicionamento é relatado de forma direta ou indireta. A fonte é citada de forma direta quando se utiliza o discurso direto, com recurso das aspas ou do travessão para marcar que aquela fala é de outro locutor que não o autor da matéria. Mas também são consideradas fontes ouvidas quando, mesmo através do discurso indireto(usando construções como“segundo” ou“de acordo com”) aquele ator social tem suas ideias reproduzidas de forma explícita. Questões que se referem ao tamanho da matéria, ao espaço dado ao MST e às fontes, à presença de fontes no primeiro parágrafo ou do MST no título visam perceber qual a relevância que o Movimento tem naquela matéria. Assim, analisa-se se o MST aparece prioritariamente de forma tangencial ou de forma principal e se existe espaço para seu posicionamento. Considera-se que o MST aparece no título de 12 V ozes S ilenciadas forma indireta quando são usados termos que se referem ao Movimento(como“sem-terra”, por exemplo), permitindo ao leitor ou telespectador identificá-lo. No caso de palavras como“eles” ou“líder” a pesquisa não considerou que o MST estava no título. Quando a pergunta a responder é se determinada matéria cita adjetivos nos trechos referentes ao MST, foram considerados apenas os adjetivos que representam juízo de valor. Por exemplo: em reforma agrária ou propriedade rural não são mencionados adjetivos. Por outro lado, em partido radical ou instituições incompetentes, considerou-se o uso de adjetivos. Quanto às perguntas sobre os termos utilizados, a construção de sentidos e o posicionamento dos locutores, a pesquisa se aproxima das análises de conteúdo e do discurso. É uma busca por compreender o significado subjacente do conteúdo veiculado e, portanto, de que forma ele constrói sentidos para os leitores e telespectadores em relação ao MST. A questão sobre atos violentos procura confirmar ou rejeitar a percepção tida a priori: a de que os meios de comunicação de massa, em geral, criminalizam os movimentos sociais. Com relação ao MST, isso é feito frequentemente associando o Movimento a ações violentas, como invasão e destruição de propriedades. O ângulo da matéria reflete uma preocupação em perceber se o texto apenas relata conflitos ou se apresenta soluções a eles. Sabe-se que a maioria das matérias jornalísticas vira notícia justamente por ser algo que foge à normalidade, que explode em meio aos assuntos cotidianos. Contudo, o jornalismo pode apresentar esses acontecimentos incomuns de modo a apontar para saídas e consensos. Uma matéria pode apresentar questões de violência no campo, mas seu tom é de solução quando mostra como esses conflitos podem ser resolvidos. Saber qual a pessoa verbal usada pelo autor da matéria significa verificar se os sentidos foram construídos de forma pessoal ou impessoal. Fazê-lo de forma impessoal, apagando as marcas do narrador, é uma das estratégias dos discursos que têm pretensão à verdade. Dizer“eu acho” certamente tem menos força do que afirmar que“é”. Ao optar pela segunda forma, o jornalismo dá pouco espaço à contestação e deixa pequena a margem para se perceber que, assim como qualquer outro discurso, o jornalístico também é construído e, portanto, não significa a verdade. 13 V ozes S ilenciadas O Movimento dos Trabalhadores 2 Rurais Sem Terra A como história do MST começa antes ainda de sua formação, herdeiro de outros movimentos brasileiros pela distribuição de terra na área rural. Um desses movimentos foram as Ligas Camponesas, que começaram a ser organizadas na década de 1950 e foram reprimidas pela ditadura militar brasileira. Já nos anos 1960, o Movimento dos Agricultores Sem Terra (MASTER), ligado ao Partido Protesto do MST em 14 de junho de 2007. Foto: Wilson Dias/ABr Comunista Brasileiro(PCB) e à esquerda do Partido outros em aceitar terras fora do Estado teriam sido os Trabalhista Brasileiro(PTB), integrou as lutas dos primeiros sinais para a reorganização dos camponecamponeses no país. ses sem-terra. Com o golpe militar de 1964, os movimentos rurais foram sufocados. Os programas de colonização na Amazônia deviam responder aos excedentes do campo. Porém, o retorno de colonos que haviam participado de várias lutas sociais no Brasil e a recusa de Também teve papel importante nessa reorganização a criação, em 1975, da Comissão Pastoral da Terra(CPT), entidade ligada à Igreja Católica e, mais especificamente, à Teologia da Libertação. A CPT concentra sua atuação na denúncia da violência no cam2 Esse tópico foi escrito a partir de colaboração de Helena Martins do R. Barreto. 14 V ozes S ilenciadas po e na defesa dos direitos humanos. Os encontros promovidos pela CPT colaboraram para a articulação dos militantes que fundariam, em 1984, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST), com abrangência nacional. Já no princípio, havia a compreensão de que o principal inimigo dos sem-terra era o modelo de desenvolvimento econômico, que privilegiava os grandes empresários. Desse modo, os objetivos do movimento são não apenas garantir o direito à terra, mas também uma Reforma Agrária que implique numa mudança estrutural no campo, com uma política de Estado voltada para a sustentabilidade da produção de pequenas propriedades. Também desde o início do movimento foi elencada como objetivo a construção de uma sociedade mais justa, sem explorados e sem exploradores. Assim, o MST compreende a luta pela terra como um dos princípios para se alcançar essa sociedade mais justa, por relacionar a propriedade da terra ao poder. Protesto de mulheres do MST contra o então presidente norte-americano George Bush em 8 de maio de 2007. Foto: Marcello Casal Jr/ABr 15 V ozes S ilenciadas Veículos analisados jornais impressos O Globo Foi fundado em 1925, no Rio de Janeiro, pelo jornalista Irineu Marinho, que faleceu 21 dias depois da criação do periódico. O jornal seguiu administrado por sua família. Em seu surgimento, foi considerado pela imprensa carioca“moderno, com o feitio de um diário europeu, desapaixonado e muito noticioso” 3 , embora esse não fosse o tom de suas matérias durante seus primeiros anos de história(Barbosa, 2007, p. 96). Atualmente, faz parte das Organizações Globo, que congregam também emissoras de rádio e TV, portais na internet e revistas. O jornal apresenta linha editorial conservadora, assim como os demais veículos das Organizações Globo. O Estado de S. Paulo Fundado em 1875, o jornal é propriedade exclusiva da família Mesquita desde 1902. Atualmente, seus donos também possuem emissoras de rádio, agências de notícias e de publicidade. O Estado de S. Paulo se posiciona como um jornal liberal, que defende a família, a propriedade e a liberdade de expressão. Seus representantes afirmam-se contra extremismos tanto de esquerda, quanto de direita. Porém, o jornal preferia pender para esta última se o caso fosse combater o comunismo. Segundo editorial do próprio jornal, de 15 de julho de 1927:“Somos conservadores. Entre os regimes coletivistas ou comunistas que abolem a propriedade privada e os outros que a mantêm, não vacilamos, somos pelos outros”(Capelato, Prado, 1980, p. 105). Em 2010, O Estado publicou editorial apoiando a candidatura de José Serra(PSDB) à Presidência da República. Folha de S. Paulo Sua história se inicia em 1921, com a criação do jornal Folha da Noite. Nos anos seguintes(1925 e 1949, respectivamente) foram criadas também a Folha da Manhã e a Folha da Tarde. Apenas em 1960 os três periódicos foram fundidos em um só: Folha de S. Paulo. Em 1962, o jornal foi vendido para Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho. Nelson Werneck Sodré, autor de obra de referência para a história do jornalismo brasileiro, considera-o o primeiro jornal do país a surgir organizado como empresa(Silva, 1988, p. 39). Esse caráter empresarial foi reforçado durante a década de 1980, com a implementação do Projeto Fo3 Texto do jornal Diário do Povo citado em O Globo em 31 de julho de 1925(Barbosa, 2007, p. 96). 16 V ozes S ilenciadas lha, que visava justamente imprimir uma organização industrial na redação. Em 2010, foi alvo de críticas de leitores e da ombudsman Suzana Singer por sua cobertura contrária à candidata petista à Presidência da República. revistas hegemônicas no mercado, como Veja e IstoÉ. Inicialmente, tinha periodicidade mensal, que depois passou a ser quinzenal. Desde 2001, tornou-se semanal. Sua tiragem média é de 75 mil exemplares. Durante a gestão Lula, Carta Capital se posicionou claramente a favor do governo Federal. Veja Seu projeto começou a ser elaborado em 1959, mas o primeiro número da revista só viria a ser lançado nove anos depois, no dia 11 de setembro de 1968, com o título“Veja e leia”. Os responsáveis pela criação do periódico foram os jornalistas Victor Civita e Mino Carta. A revista Veja é publicada pela Editora Abril, conglomerado de propriedade da família Civita. Hoje com mais de 350 títulos, a Editora existe desde a década de 1950. A revista atualmente é conhecida por suas matérias editorializadas – ou seja, que apresentam a opinião do periódico – especialmente contrárias ao governo Federal encabeçado pelo Partido dos Trabalhadores(PT). Época É publicada pela Editora Globo, fazendo parte assim do conglomerado Organizações Globo. A revista é semanal, e seu primeiro número data de 25 de maio de 1998. Atualmente, a tiragem é de mais de 400 mil exemplares. Carta Capital Fundada em 1996 pelo jornalista Mino Carta, a Carta Capital foi criada como uma alternativa às revistas telejornais Jornal Nacional O Jornal Nacional está no ar desde 1969, quando era apresentado por Hilton Gomes e Cid Moreira. Transmitido de segunda a sábado, desde 1998 tem à frente o casal Fátima Bernardes e William Bonner. O JN é veiculado, desde sua criação, pela Rede Globo, integrante das Organizações Globo. A TV foi fundada pelo jornalista Roberto Marinho, em 1965, a partir de concessão cedida pelo governo militar, apoiado pela emissora. Jornal da Record Estreou em 1972 e vai ao ar de segunda a sábado. Atualmente, é apresentado por Celso Freitas e Ana Paula Padrão. É o telejornal noturno e de abrangência nacional da TV Record, canal aberto fundado por Paulo Machado de Carvalho em 1953. Na década de 1980, a emissora paulista, que fazia parte do grupo Silvio Santos, foi vendida para Edir Macedo, empresário e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. 17 V ozes S ilenciadas Miniglossário de termos jornalísticos lide É o nome dado ao primeiro parágrafo de matérias jornalísticas informativas. Vem do inglês, do verbo to lead, que significa“guiar”. O lide deve responder a seis perguntas que resumiriam toda a notícia:“quem?”,“o quê?”,“onde?”,“quando?”,“como?” e“por quê?”. cabeça É o primeiro parágrafo do texto de jornalismo televisivo. É lido pelo apresentador, na bancada, antes da veiculação da matéria feita pelo repórter. Em geral, responde a algumas das questões do lide. nota pelada É uma nota lida pelo apresentador de telejornal. Na nota pelada, aparece a imagem e a voz do apresentador, sem imagens externas ao estúdio. nota coberta Nota lida pelo apresentador de telejornal, mas coberta por imagens dos acontecimentos. Na nota coberta, assim como na nota pelada, não há a presença do repórter. 18 Lista de siglas cna Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária cpt Comissão Pastoral da Terra incra Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária mst Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra udr União Democrática Ruralista V ozes S ilenciadas 19 V ozes S ilenciadas Dados mês a mês Apresentamos, neste tópico, os números referentes a cada mês de cobertura. A análise dos dados pode ser conferida no próximo capítulo. FEVEREIRO tema Eleições Dissidentes Manifestado MST ção do MST 9 07 05 Corrupção 05 CPI do MST 4 03 Questão agrária/ fundiária 03 Reforma agrária 03 Total Política externa/ outros países Processo ou decisão judicial sobre MST Conflito no campo Campanha da fraternidade do CNBB 5 Judiciário Educação Questão indígena 03 03 02 01 01 01 01 47 4 Apesar de a“CPI do MST” ter sido uma comissão parlamentar mista, ou seja, uma CPMI, foi utilizada a nomenclatura empregada pela imprensa. 5 Confederação Nacional dos Bispos do Brasil. relevância do mst MST assina a matéria MST é tema central 0 30 MST não é tema central 17 Total 47 tipo de matéria Notícia Artigo 28 06 Carta do leitor 04 Coluna 04 Editorial 03 Nota 02 Total 47 20 V ozes S ilenciadas campo de sentidos Negativo Positivo 30 02 Equilibrado 03 Não é possível perceber 12 Total 47 termos negativos São usados 27 Não são usados 20 Total 47 São usados pelo autor 21 adjetivos São usados 24 Não são usados 23 Total 47 São usados pelo autor 18 dados estatísticos São citados Não são citados Total 11 36 47 legislação É citada 05 Não é citada 42 Total 47 ângulo da matéria Conflito 45 Solução 01 Não é possível perceber 01 Total 47 atos violentos MST é autor MST é vítima MST é autor e vítima 17 01 03 Não são citados atos violentos 25 Atos violentos não envolvem MST 01 Total 47 21 V ozes S ilenciadas fontes ouvidas Fonte Advogado Advogado de trabalhador rural Caixa Econômica Candidata Dilma CNA Dissidente do MST Empresa de agronegócios Especialista Executivo Federal Igreja INCRA Instituto Judiciário Legislativo Federal Mídia Nº de matérias 01 04 03 02 04 07 01 04 07 01 10 01 04 04 03 Fonte MST Não há fontes ouvidas Organismo internacional Partido político Pessoa física Polícia Político Proprietário rural Partico Político(PT) Sem-terra Sindicato/ entidade de classe Terceiro setor Trabalhador rural UDR Via Campesina Nº de matérias 09 07 01 01 01 04 04 01 06 01 01 01 03 01 01 divergência de posições Há posições divergentes entre as fontes Há posições divergentes entre fonte e autor 22 10 Não há posições divergentes 13 espaço das fontes MST tem mais espaço 0 MST tem menos espaço 02 Espaço é equilibrado 06 22 V ozes S ilenciadas relevância das fontes MST está no lide 0 pessoa verbal Terceira pessoa 41 Outra fonte está no lide 02 Terceira e primeira pessoa 06 Não há fontes no lide 07 Total 47 título Presença no título MST está no título de forma direta MST está no título de forma indireta MST não está no título 09 04 34 MST está no título de forma negativa 09 Sentido do título MST está no título de forma positiva MST está no título de forma que não é possível perceber 0 04 março tema Manifestação do MST Eleições Dissidentes do MST Reforma agrária Manifestação Abril Vermelho 6 Meio ambiente Corrupção 07 Saúde 06 Ação da CNA 05 Processo ou decisão judicial sobre MST 04 Presidente Lula 03 Direito 02 Política 02 Política externa/ outros países 02 Educação Total de temas 02 01 01 01 01 01 01 01 40 6 Jornada anual de lutas do MST para lembrar o Massacre de Eldorado dos Carajás, em abril de 1996, quando 19 militantes sem-terra foram assassinados pela Polícia Militar no sul do Pará. 23 V ozes S ilenciadas relevância do mst MST assina a matéria MST é tema central 01 27 MST não é tema central 12 Total 40 tipo de matéria Notícia Artigo Carta do leitor Coluna Editorial 16 05 08 02 01 Nota 05 Citação Entrevista Comentário Total 01 01 01 40 campo de sentidos Negativo Positivo 21 04 Equilibrado 03 Não é possível perceber 12 Total 40 termos negativos São usados 24 Não são usados 16 Total 40 São usados pelo autor 22 adjetivos São usados 15 Não são usados 25 Total 40 São usados pelo autor 10 pesquisas e dados estatísticos São citados Não são citados Total 05 35 40 legislação É citada 05 Não é citada 35 Total 40 24 V ozes S ilenciadas ângulo da matéria Conflito 36 Solução 02 Não é possível perceber 02 Total 40 atos violentos MST é autor MST é vítima 15 02 MST é autor e vítima 03 Não são citados Atos violentos não atos violentos envolvem MST 18 02 Total 40 fontes ouvidas Fonte Candidato Serra CNA Comissão Pastoral da Terra Dissidentes do MST Empresa Especialista Executivo Estadual Executivo Municipal INCRA Mídia Ministério Público MST Nº de matérias 01 02 01 03 01 02 01 04 03 02 01 07 Fonte Não há fontes ouvidas Partido político(PR) Partido político(PT) Personalidade/ artista Proprietário rural Sem-terra Sindicato/ entidade de classe Sindicato de proprietários rurais Sociedade Rural Brasileira Universidade Via Campesina Nº de matérias 16 01 02 01 01 01 01 01 01 01 01 divergência de posições Há posições divergentes entre as fontes Há posições divergentes entre fonte e autor 05 04 Não há posições divergentes 15 25 V ozes S ilenciadas espaço das fontes MST tem mais espaço 0 MST tem menos espaço 01 Espaço é equilibrado 03 relevância das fontes MST está no lide* Outra fonte está no lide 04 01 * Num dos casos tabulados, a fonte é dissidente do MST. Não há fontes no lide 02 pessoa verbal Terceira pessoa 37 Terceira e primeira pessoa 03 Total 40 título Presença no título MST está no título de forma direta MST está no título de forma indireta MST não está no título 08 05 27 MST está no título de forma negativa 05 Sentido do título MST está no título de forma positiva MST está no título de forma que não é possível perceber 0 8 abril tema Abril Vermelho 40 26 Eleições 25 Manifestação do MST 08 Ação da CNA 03 Conflito no campo 03 V ozes S ilenciadas Governo Lula Reforma agrária 03 Ação do Judiciário sobre conflito agrário 01 Regulamentação fundiária urbana 01 MST 01 03 Educação 01 Comissão Pastoral da Terra 01 Meio ambiente 01 PT 02 Política 01 Presidente Lula 01 Política externa/ outros países 02 Cultura 01 Questão agrária/ fundiária 01 Total de temas 103 Judiciário 02 Mídia 01 Ação da CNA 01 relevância do mst MST assina a matéria MST é tema central 0 61 MST não é tema central 42 Total 103 tipo de matéria Notícia Artigo Carta do leitor Coluna Editorial Nota Comentário Entrevista Nota coberta 53 08 18 08 03 06 01 03 03 Total 103 campo de sentidos Negativo Positivo 76 07 Equilibrado 04 Não é possível perceber 16 Total 103 termos negativos São usados 71 Não são usados 32 Total 103 São usados pelo autor 66 27 V ozes S ilenciadas adjetivos São usados 61 Não são usados 42 Total 103 São usados pelo autor 39 pesquisa e dados estatísticos São citados Não são citados Total 13 90 103 legislação É citada 04 Não é citada 99 Total 103 ângulo da matéria Conflito 98 Solução 02 Não é possível perceber 03 Total 103 atos violentos MST é autor MST é vítima MST é autor e Não são citados Atos violentos não vítima atos violentos envolvem MST 55 0 10 35 03 Total 103 fontes ouvidas Fonte Candidata Dilma Candidata Marina Candidato Serra Candidatos políticos CNA Nº de matérias 12 02 08 01 09 Fonte Movimento de Atingidos por Barragens Movimento dos Sem Teto do Centro Nº de matérias 01 01 MST 32 Não há fontes ouvidas 27 Partido Político(DEM) 01 28 V ozes S ilenciadas Comissão Pastoral da Terra 04 Dissidente do MST 02 Empresa do setor rural 05 Especialista 07 Executivo Estadual 02 Executivo Federal 04 Executivo Municipal 03 Frente da Luta por Moradia 02 INCRA 07 Judiciário 06 Legislativo Estadual 01 Líder indígena 01 Mídia 05 Partido Político(PMDB) 01 Partido Político(PT) 01 Partidos políticos 01 Personalidade/ artista 01 Pessoa física 02 Polícia 03 Político 04 Proprietário rural 02 Sindicato de empresa 01 Trabalhador rural 01 UDR 01 Universidade 01 divergência de posições Há posições divergentes entre as fontes Há posições divergentes entre fonte e autor 21 14 Não há posições divergentes 42 espaço das fontes MST tem mais espaço 03 MST tem menos espaço 04 Espaço é equilibrado 09 relevância das fontes MST está no lide 09 Outra fonte está no lide 01 Não há fontes no lide 19 29 V ozes S ilenciadas pessoa verbal Terceira pessoa 96 Terceira e primeira pessoa 07 Total 103 título Presença no título MST está no título de forma direta MST está no título de forma indireta MST não está no título 32 05 66 MST está no título de forma negativa 22 Sentido do título MST está no título de forma positiva MST está no título de forma que não é possível perceber 0 15 maio tema Eleições Redemocratização 23 02 Ações do Executivo Estadual Manifestação Conflito no campo PNDH-3 7 Ações do Executivo Federal Manifestação do MST 01 01 05 02 01 02 Política externa/ outros países Futebol Questão agrária/ fundiária Sindicatos/ entidades de classe MST CPI do MST Reforma agrária Presidente Lula Total 02 01 03 01 01 01 02 03 51 7 Terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos, construído com a sociedade civil organizada e lançado pelo governo Federal no fim de 2009. relevância do mst MST assina matéria MST é tema central 01 11 MST não é tema central 39 Total 51 30 V ozes S ilenciadas tipo de matéria Artigo Carta do leitor 02 18 Citação 01 Coluna 03 Entrevista 01 Nota 02 Notícia 24 Total 51 campo de sentidos Negativo Positivo 32 03 Equilibrado 0 Não é possível perceber 16 Total 51 termos negativos São usados 27 Não são usados 24 Total 51 Autor usa termos negativos 24 adjetivos São usados 25 Não são usados 26 Total 51 Autor usa adjetivos 18 dados estatísticos São citados Não são citados Total 03 48 51 legislação É citada 12 Não é citada 39 Total 51 ângulo da matéria Conflito 47 Solução 02 Não é possível perceber 02 Total 51 31 V ozes S ilenciadas atos violentos MST é autor MST é vítima 20 03 MST é autor e vítima 01 Não são citados atos violentos 21 Atos violentos não envolvem MST 06 fontes ouvidas Fonte Candidata Dilma Candidata Marina Candito político Candidato Serra CNA Comissão Pastoral da Terra Empresa Empresa de agronegócios Especialista Executivo Estadual Executivo Federal Executivo Municipal Forças Armadas Igreja N° de matérias 04 03 01 03 03 01 01 06 02 04 05 02 01 01 INCRA 01 Instituto 03 Fonte N° de matérias Legislativo Federal 02 Mídia 04 Movimento Social 01 MST 04 Não há fontes ouvidas 15 Personalidade/ artista 01 Pessoa física 01 PNDH-3 01 Polícia 01 Político 05 Proprietário de terra 01 Partido Político(PT) 01 Sindicato/ entidades de classe 04 Sindicato de proprietários 01 rurais Sistema Nacional de Infor01 mação(SNI) Trabalhador rural 02 divergência de posições Há posições divergentes entre as fontes Há posições divergentes entre fonte e autor 11 09 Não há posições divergentes 18 32 V ozes S ilenciadas espaço das fontes MST tem mais espaço 01 MST tem menos espaço 01 Espaço é equilibrado 01 relevância das fontes MST está no lide 03 Outra fonte está no lide 01 Não há fontes no lide 01 pessoa verbal Terceira pessoa 48 Terceira e primeira pessoa 03 Total 51 título Presença no título MST está no título de forma direta MST está no título de forma indireta MST não está no título 3 2 46 MST está no título de forma negativa 3 Sentido do título MST está no título de forma positiva MST está no título de forma que não é possível perceber 0 2 junho tema Dissidentes do MST 01 Eleições Desigualdade social 11 01 Educação Revisão do Código Florestal 01 01 Manifestação 01 CPI do MST 01 33 V ozes S ilenciadas Manifestação do MST 02 Cultura Meio ambiente Corrupção 01 01 03 Questão agrária/ fundiária Reforma agrária 05 02 Total de temas 31 relevância do mst MST assina matéria MST é tema central 01 09 MST não é tema central 21 Total 31 tipo de matéria Artigo Carta do leitor 04 05 Coluna 01 Editorial 01 Nota 04 Nota coberta 01 Notícia 15 Total 31 campo de sentidos Negativo Positivo 19 03 Equilibrado 01 Não é possível perceber 08 Total 31 termos negativos São usados Não são usados 15 16 Total 31 Autor usa termos negativos 12 adjetivos São usados 13 Não são usados 18 Total 31 Autor usa adjetivos 10 dados estatísticos São citados Não são citados Total 07 24 31 34 V ozes S ilenciadas legislação É citada 09 Não é citada 22 Total 31 ângulo da matéria Conflito 24 Solução 02 Não é possível perceber 05 Total 31 atos violentos MST é autor MST é vítima 11 0 MST é autor e vítima Não são citados atos violentos 01 19 Atos violentos não envolvem MST 0 Total 31 fontes ouvidas Fonte Candidata Dilma Candidato Serra Dissidentes do MST Empresa Empresa de agronegócios Especialista Executivo Federal INCRA Instituto Judiciário Legislativo Federal Mídia Ministério Público Nº de matérias 01 02 01 01 01 04 02 02 03 02 03 02 02 Fonte Nº de matérias Movimento social 02 MST 03 Não há fontes ouvidas 08 Personalidade/ artista 03 Pessoa física 02 Polícia 02 Sindicato/ entidade de classe 03 Sindicato de empresa 01 Terceiro setor 01 Trabalhador rural 01 UDR 02 Universidade 01 35 V ozes S ilenciadas divergência de posições Há posições divergentes entre as fontes Há posições divergentes entre fonte e autor 08 05 Não há posições divergentes 13 espaço das fontes MST tem mais espaço 0 MST tem menos espaço 01 Espaço é equilibrado 02 relevância das fontes MST está no lide 0 Outra fonte está no lide 0 Não há fontes no lide 03 pessoa verbal Terceira pessoa 28 Terceira e primeira pessoa 03 Total 31 título Presença no título MST está no título de forma direta MST está no título de forma indireta MST não está no título 04 04 23 MST está no título de forma negativa 04 Sentido do título MST está no título de forma positiva MST está no título de forma que não é possível perceber 01 03 36 julho V ozes S ilenciadas tema Eleições CPI do MST 23 03 Revisão do Código Florestal 01 Política externa/ outros países Total de temas 02 29 relevância do mst MST assina matéria MST é tema central 0 05 MST não é tema central 24 Total 29 tipo de matéria Artigo Carta do leitor 02 06 Citação 01 Coluna 04 Entrevista 01 Nota 02 Notícia 13 Total 29 campo de sentidos Negativo Positivo 20 02 Equilibrado 02 Não é possível perceber 05 Total 29 termos negativos São usados 14 Não são usados 15 Total 29 Autor usa termos negativos 07 adjetivos São usados 16 Não são usados 13 Total 29 Autor usa adjetivos 11 37 V ozes S ilenciadas dados estatísticos São citados Não são citados Total 0 29 29 legislação É citada 06 Não é citada 23 Total 29 ângulo da matéria Conflito 29 Solução 0 Não é possível perceber 0 Total 29 atos violentos MST é autor MST é vítima 10 0 MST é autor e vítima 02 Não são citados Atos violentos não atos violentos envolvem MST 17 0 Total 29 fontes ouvidas Fonte Candidata Dilma Candidato político Candidato Serra CNA Especialista Executivo Federal Legislativo Federal Nº de matérias 05 02 10 01 01 03 03 Fonte MST Não há fontes ouvidas Outros países PDT Político PT Nº de matérias 02 10 01 01 01 02 38 V ozes S ilenciadas divergência de posições Há posições divergentes entre as fontes Há posições divergentes entre fonte e autor 05 05 Não há posições divergentes 11 espaço das fontes MST tem mais espaço 01 MST tem menos espaço 0 Espaço é equilibrado 0 relevância das fontes MST está no lide 01 Outra fonte está no lide 01 Não há fontes no lide 0 pessoa verbal Terceira pessoa 28 Terceira e primeira pessoa 01 Total 29 título Presença no título MST está no título de forma direta MST está no título de forma indireta MST não está no título 04 0 25 MST está no título de forma negativa 04 Sentido do título MST está no título de forma positiva MST está no título de forma que não é possível perceber 0 0 39 V ozes S ilenciadas Análise da cobertura A presentamos aqui as tabelas referentes a cada pergunta do questionário, abrangendo o universo total de 301 matérias analisadas. GERAL TEMA O tema predominante são as eleições(97 inserções), com uma grande diferença em relação ao segundo lugar, o Abril Vermelho(42 inserções). Essa predominância de um tema que não se relaciona diretamente com o Movimento se dá tanto pelo interesse público da pauta, gerando procura da mídia quanto às eleições, como também por conta do poder de inserção na mídia dos envolvidos com essa temática: os chamados primary definers(Cf. Metodologia). Assim, durante o período em que ocorria a chamada“CPI do MST”(08 inserções), ela ficou ofuscada do debate público pelas eleições. Esse fato, de certa forma, seria natural se falássemos da cobertura geral dos periódicos. Mas devemos lembrar que, mesmo no universo de matérias que mencionam o MST, as eleições obtiveram maior relevância. Caso esse fenômeno fosse analisado apenas numericamente, poderia se pensar que o MST é um tema importante para o debate eleitoral. Contudo, não foram suas causas ou propostas que apareceram nessas matérias. O MST surge aqui como um elemento negativo usado pela campanha de José Serra, que tenta aproximar o Movimento do Executivo Federal e, por conseguinte, da candidata representante da continuidade, Dilma Rousseff. A candidatura da atual presidenta, por sua vez, rejeitava essa aproximação ideológica, o que gerava ainda mais matérias sobre sua suposta vulnerabilidade. Nas matérias sobre eleições, portanto, o MST não aparece nos debates sobre políticas agrárias, mas sim como ator social mencionado de forma negativa pelos dois principais candidatos do pleito nacional. Serra, por exemplo, critica o fato de Dilma ter usado o boné do Movimento e depois rejeitar identificação com ele. Dilma, por outro lado, para afastar-se dessa suposta ligação com o MST, afirmou que“movimento é movimento, governo é governo” e que não toleraria“ilegalidades”, frases repetidas em diversas matérias. O segundo lugar no ranking de temas, o Abril Vermelho, também foi abordado, em sua maioria, de forma negativa ou descontextualizada. Poucas foram as matérias que citaram o Massacre de Eldorado dos Carajás na cobertura sobre a jornada anual de lutas, predominando a ideia de que o MST é um movimento violento, que comete destruições e invasões, em detrimento da explicação de que o Abril Vermelho surgiu como protesto a uma violência praticada pelo Estado contra os sem-terra. Das 42 inserções sobre o Abril Vermelho, 24 citam atos violentos em que o MST é autor; em oito casos, o MST é autor e vítima de violên40 V ozes S ilenciadas cia; uma matéria cita atos violentos que não envolvem o MST; e apenas nove inserções não citam violência. Pela variedade de temas presentes, pode-se perceber que o MST aparece em muitas matérias que não dizem respeito diretamente ao Movimento. Muitas vezes, surge a título de comparação com algum ato considerado pela mídia violento ou ilegal e cometido por outros atores sociais. Apenas 25 matérias tratam de temas relevantes para o Movimento, como a reforma agrária e a questão agrária ou fundiária. Esses números deixam claro que as reivindicações, causas e propostas do MST pouco aparecem no espaço midiático. Observamos também que alguns temas são claramente negativos para o Movimento(como corrupção, CPI do MST, processo ou decisão judicial sobre o MST), totalizando 12 inserções. O termo“Abril Vermelho” refere-se à jornada de lutas do MST que acontece no mês de abril. As mesmas ações poderiam ser denominadas e contabilizadas na categoria“manifestação do MST”. Contudo, devido à relevância de um conjunto específico de manifestações, agrupado sob o nome“Abril Vermelho” e citado assim pela imprensa, a opção foi por criar uma categoria específica de contabilização de matérias. Outro tema que poderia ser abarcado por um mais geral é“Reforma Agrária”. Certamente, ele faz parte de “questão agrária/ fundiária”; porém, devido à importância da Reforma Agrária para o Movimento, a opção foi diferenciá-lo de outras questões relativas à terra ou às políticas de agricultura, mas que não tratam especificamente de Reforma Agrária. Os temas que se referem a ações do Executivo Estadual ou Federal constituem ações desses âmbitos que não necessariamente seguem uma coerência temática nem tem relação com questões ligadas ao MST, mas que são o foco de matérias onde o Movimento acabou sendo citado. É importante destacar que a decisão de que nomenclatura utilizar na pesquisa é resultado principalmente dos temas efetivamente identificados nas matérias e da forma como a imprensa os trata. Revisão do Código Florestal Eleições Abril Vermelho Manifestação do MST Reforma agrária Corrupção Dissidentes do MST Questão agrária/ fundiária Política externa/ outros países Conflito no campo CPI do MST Manifestação 02 ou 0,6% 97 ou 32,2% 42 ou 13,9% 24 ou 7,9% 14 ou 4,6% 10 ou 3,3% 13 ou 4,3% 12 ou 3,9% 10 ou 3,3% 10 ou 3,3% 08 ou 2,6% 05 ou 1,6% Cultura PT Saúde Política Redemocratização PNDH-3 MST Mídia Regulamentação fundiária urbana Comissão Pastoral da Terra Ação do Executivo Federal Ação do Executivo Estadual 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 41 V ozes S ilenciadas Presidente Lula Ação da CNA Educação Processo ou decisão judicial sobre MST Meio ambiente Judiciário Governo Lula 05 ou 1,6% 05 ou 1,6% 04 ou 1,3% 04 ou 1,3% 04 ou 1,3% 03 ou 0,9% 03 ou 0,9% Total Sindicato/ entidade de classe Ação do Judiciário sobre conflito agrário Futebol Desigualdade social Direito Campanha da fraternidade Questão indígena 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 301 ou 100% Relevância do MST A tabela seguinte reforça o argumento anterior. Embora com uma pequena diferença, na maioria dos casos estudados o MST não é tema central, sendo irrisória a quantidade de matérias assinadas por ele: 03, em um universo de 301. MST não é tema central 155 ou 51,5% MST é tema central 143 ou 47,5% MST assina a matéria 03 ou 1% Total 301 ou 100% rem parte do material disponibilizado pelo jornal para seu público e, portanto, selecionado pela redação. Notícia Carta do leitor Artigo 149 ou 49,5% 59 ou 19,6% 27 ou 9% Nota Entrevis- Nota ta coberta 21 ou 7% 06 ou 2% 04 ou 1,3% Total Coluna 22 ou 7,3% Citação 03 ou 1% Editorial 8 ou 2,6% Comentário 02 ou 0,7% 301 ou 100% Tipo de matéria Quanto ao tipo de matéria que cita o MST, a notícia é preponderante, com grande distância em relação ao segundo lugar no ranking: as cartas de leitores. Embora, obviamente, escritos por leitores, esses textos também entram no universo da pesquisa por fazeCampo de sentidos Esse item do questionário é, talvez, o mais subjetivo. Procurou-se, entretanto, embasar a classificação entre“negativo”,“positivo”,“equilibrado” e“não é possível perceber” em algumas evidências concretas, como presença de termos pejorativos, escolha do título e das fontes. A matéria foi considerada equilibra42 V ozes S ilenciadas da quando não foi possível diferenciar um maior peso para as evidências negativas ou positivas – contando com fontes e posicionamento do autor da matéria. São casos em que existe sim posicionamento, mas ele é diverso e ocupa os dois pólos. Essas inserções são diferentes daquelas em que não foi possível perceber o campo de sentidos. Essas são matérias que citam o MST de forma tão superficial que nem se pode compreender se há algum tipo de posicionamento. Negativo 198 ou 65,7% Não é possível perceber 69 ou 23% Positivo Equilibrado 21 ou 7% 13 ou 4,3% Total 301 ou 100% Termos negativos Os termos negativos foram uma das importantes evidências que colaboraram para a compreensão do campo de sentidos das matérias. Ao final deste relatório, encontra-se um anexo com a lista de termos usados. A maioria deles é claramente negativa. O termo que predominou – e elevou o número de matérias que utilizam expressões negativas – foi“invasão” e seus derivados, como“invasores” ou o verbo“invadir” em suas diferentes flexões, que traz consigo uma carga violenta. Ao todo, foram usados 192 termos negativos diferentes, entre expressões que procuram qualificar o próprio MST ou suas ações. O autor cita termos negativos em 63 notícias, oito notas e duas notas cobertas, totalizando 73 inserções de termos negativos no chamado“jornalismo informativo”. Somando as referências negativas em artigos e carta de leitores, chega-se a 178 inserções. São usados Não são usados Total 178 ou 59,1% 123 ou 40,9% 301 ou 100% São usados pelo autor 152 ou 50,4% Adjetivos A pesquisa considerou os adjetivos utilizados nos trechos das matérias que tratam do MST, mas não necessariamente usados em referência ao Movimento. Buscou-se mostrar que a autorreferenciação do jornalismo como uma atividade que produz textos objetivos não se sustenta quando os dados são verificados. Dentre as matérias em que o autor usou adjetivos, 28 são notícias. São usados Não são usados Total 154 ou 51,2% 147 ou 48,8% 301 ou 100% São usados pelo autor 102 ou 33,8% Pesquisas e dados estatísticos/ legislação As duas tabelas seguintes servem como um parâmetro para compreender até que ponto as matérias analisadas tiveram uma preocupação em contextualizar os relatos para seus leitores. Foram selecionadas duas formas de fazê-lo que, acredita-se, podem qualificar a cobertura jornalística. Os resultados mostram uma tendência que – pela observação não-metódica 43 V ozes S ilenciadas do dia-a-dia – pode ser característica também de outras coberturas. No caso pesquisado, comprovou-se que a imensa maioria das matérias não respalda suas informações em resultados de pesquisas, dados estatísticos ou legislações. Dados Estatísticos São citados Não são citados Total 39 ou 13% 262 ou 87% 301 ou 100% É citada 41 ou 13,6% Legislação Não é citada 260 ou 86,3% Total 301 ou 100% Ângulo da matéria Com relação ao ângulo da matéria, também foi observada uma tendência que parece ser quase inerente à atividade jornalística. Em geral, um acontecimento vira notícia por conter algum conflito. A cobertura jornalística, no entanto, seria enriquecida caso os textos apresentassem também possíveis soluções para os problemas expostos, em vez de apenas relatá-los. veículos abordam o MST. A maioria dos textos do universo pesquisado cita atos violentos, o que significa que a mídia faz uma ligação direta entre o Movimento e a violência. Não bastasse essa evidência, dentre as inserções que citam violência, quase a totalidade coloca o MST apenas como autor. Dentre as matérias em que o Movimento aparece como vítima, em sua maioria ele é também autor. Esse grande número se deve tanto aos casos em que são citados atos violentos de forma direta, com termos como“destruir” ou“quebrar”, mas também aqueles em que é usada a palavra“invadir” e suas variações. Como afirmado anteriormente, esse termo já traz embutida a noção de violência. Palavras como“crime” ou“ilegalidade” não foram computadas como referentes à violência, pelo fato de nem todo crime ou ato ilegal implicar em violência. MST é autor MST é vítima MST é autor e vítima 128 ou 42,5% Não são citados atos violentos 135 ou 44,9% 06 ou 2% Atos violentos não envolvem MST 12 ou 4% 20 ou 6,6% Total 301 ou 100% Conflito 279 ou 92,7% Não é possível perceber 13 ou 4,3% Solução 09 ou 3% Total 301 ou 100% Atos violentos A próxima tabela oferece um indicador bastante concreto para a compreensão da maneira como os Fontes ouvidas As fontes ouvidas refletem também as principais temáticas abordadas. Nos cinco primeiros lugares do ranking, estão os dois candidatos à Presidência da República que polarizaram a disputa eleitoral em 2010: Dilma Rousseff e José Serra. Em primeiro lugar, no entanto, com uma grande distância em relação aos demais, estão as matérias que não ouviram nenhuma 44 V ozes S ilenciadas fonte. Ou seja, a cobertura priorizou o posicionamento dos autores. Em segundo e quarto lugar, respectivamente, estão dois atores sociais relevantes para temas relacionados ao MST: o próprio Movimento e o INCRA, respectivamente. Apesar de a segunda colocação poder levar a pensar que o MST foi bastante ouvido pela mídia, isso aconteceu em apenas 57 matérias em um universo de 301. Fontes específicas foram associadas a categorias mais amplas. Por exemplo, em vez de tabular o nome do prefeito X, contabilizou-se uma fonte do“Executivo Municipal”. Diante da relevância do INCRA para as temáticas ligadas ao MST, a opção foi considerá-lo uma categoria à parte de“instituto”. Nesse caso, na categoria“Executivo Federal” foi considerado qualquer representante ou órgão desse poder(Presidente da República, Ministros ou secretarias federais), exceto o INCRA. Outro caso que merece atenção é o de movimentos sociais. Foram listados de forma específica apenas os movimentos que têm ligação mais próxima com o MST, como a CPT ou os que tratam de questões fundiárias. Os demais aparecem como“movimento social”, tenham sido citados de forma direta ou apenas como movimento de maneira geral. Em relação aos partidos políticos, apenas alguns foram especificados. A classificação genérica“partido político” foi adotada quando foi atribuída a mesma informação para um grupo de partidos; então a especificidade não foi levada em consideração. Para todos os demais casos, a categoria usada foi o nome do próprio partido, independente de qual seja e da quantidade de vezes que tenha sido mencionado. Por conta da polarização durante as eleições entre a candidata do PT e o candidato do PSDB, esses dois foram os partidos que mais apareceram. A categoria“político” foi usada nos casos em que são ouvidas pessoas que tiveram cargos públicos ou atuação político-partidária, mas que não estão, no momento, representando qualquer instituição. Em geral, foi a categoria utilizada para classificar ex-governantes. Há ainda uma diferença entre proprietário rural e empresa de agronegócios. Quando a matéria ouvia uma pessoa ou família dona de propriedade rural, foi usada a primeira categoria. A segunda foi adotada nos casos em que foi citado que a propriedade pertencia a uma empresa ou nela eram feitas atividades de caráter empresarial(como a empresa de laranjas Cutrale). O ângulo da matéria foi predominante neste caso. Mesmo sendo público que a família X é dona de uma fazenda que exerce atividade de agronegócio, a fonte foi considerada apenas como“proprietário rural” se essa foi a informação transmitida pela matéria. Esse também foi o critério para classificar declarações de fontes com dupla representatividade, como a senadora e presidente da CNA Kátia Abreu. Ela aparece em“Legislativo Federal” apenas nos casos em que fala como senadora; como fonte da“CNA”, quando representa a Confederação. Fonte Não há fontes ouvidas MST Candidato Serra Nº de matérias 83 ou 27,5% 57 ou 18,9% 24 ou 7,9% Fonte Ministério Público Caixa Econômica Universidade Nº de matérias 03 ou 0,9% 03 ou 0,9% 03 ou 0,9% 45 V ozes S ilenciadas Fonte Candidata Dilma INCRA Executivo Federal Especialista CNA Político Mídia Empresa de agronegócios Dissidentes do MST Legislativo Federal Judiciário Polícia Partido político(PT) Sindicato/ entidade de classe Executivo Municipal Instituto Trabalhador rural Executivo Estadual Pessoa física Personalidade/ artista CPT Candidata Marina UDR Candidatos políticos Proprietário rural Movimento social Nº de matérias 24 ou 7,9% 23 ou 7,6% 21 ou 6,9% 21 ou 6,9% 19 ou 6,3% 16 ou 5,3% 16 ou 5,3% 13 ou 4,3% 13 ou 4,3% 12 ou 3,9% 12 ou 3,9% 10 ou 3,3% 10 ou 3,3% Fonte Empresa Sindicato de proprietários rurais Terceiro setor Frente da Luta por Moradia Sindicato de empresa Via Campesina Corrente do PT Igreja Sem-terra Legislativo Estadual Líder indígena Partido político(PDT) Forças Armadas Nº de matérias 03 ou 0,9% 03 ou 0,9% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 09 ou 2,9% 09 ou 2,9% 07 ou 2,3% 07 ou 2,3% 07 ou 2,3% 06 ou 1,9% 06 ou 1,9% 06 ou 1,9% 05 ou 1,6% 04 ou 1,3% 04 ou 1,3% 04 ou 1,3% 03 ou 0,9% PNDH-3 Sistema Nacional de Informação (SNI) Partido Político(DEM) Movimento dos Sem Teto do Centro de São Paulo Partido político(PMDB) Outros países Sociedade Rural Brasileira Partido político(PR) Advogado de trabalhador rural Partido político Organismo internacional Advogado Movimento dos Atingidos por Barragens 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 46 V ozes S ilenciadas Divergência de posições No caso em que há fontes ouvidas, foi observado se essas fontes apresentam posições divergentes. Verificou-se que, na maioria dos casos, são consultadas mais de uma fonte para dizer o mesmo ou para reafirmar a posição do autor. Além disso, mesmo entre as inserções que apresentam divergência, há casos em que o autor utiliza uma opinião contrária à dele apenas como recurso para construir sua argumentação. Há posições divergentes entre as fontes 72 ou 23,9% Há posições divergentes entre fonte e autor 47 ou 15,6% Não há posições divergentes 112 ou 37,2% Espaço das fontes Quando as matérias citam o MST e também outras fontes, foi considerado importante verificar qual o espaço dado para cada uma delas. Em apenas cinco matérias, o MST recebeu mais espaço do que as demais fontes ouvidas. Dentre os casos em que o espaço foi considerado equilibrado, há cinco em que o MST está em posição de equilíbrio com uma fonte, mas de desequilíbrio com outra. Em um deles, está em equilíbrio com o Movimento de Libertação dos Sem Terra(MLST) e com menor espaço que um trabalhador rural. Em outro, está em equilíbrio com um trabalhador rural, mas tem mais espaço que o Executivo Municipal. Em mais um, está em equilíbrio com o INCRA, mas tem mais espaço que a CNA. Em outro está em equilíbrio com todas as demais fontes, mas tem menos espaço que o INCRA. E, ainda, existe uma inserção em que está em equilíbrio com a CNA, mas tem mais espaço que um proprietário rural. MST tem mais espaço 05 ou 14,3% Espaço é equilibrado 21 ou 60% MST tem menos espaço 09 ou 25,7% Total 35 ou 100% Relevância das fontes No caso de matérias que ouvem o MST, na maior parte dos casos, nenhuma fonte aparece no lide da matéria. Quando há alguma, em sua maioria é o próprio MST, o que significa estar numa posição de relevância na matéria. Numericamente, contudo, esse caso tem pouco impacto: foram apenas 16 inserções em que a opinião do Movimento foi retratada no início das matérias. MST está no lide 17 ou 29,9% Não há fontes no lide 32 ou 56,1% Outra fonte está no lide 08 ou 14% Total 57 ou 100% Pessoa verbal Os textos que têm pretensão à verdade usam como ferramenta o apagamento do autor. No caso, o 47 V ozes S ilenciadas autor empírico não se coloca no texto, não deixa marcas de sua subjetividade. Desse modo, não utilizar a primeira pessoa é uma das formas de fazer parecer que o texto apenas reflete“a” verdade, e não é uma versão sobre ela. Essa estratégia é usada no jornalismo de forma geral, não constitui uma tendência exclusiva dessa cobertura. A pretensão à verdade percebida através da pessoa verbal utilizada pode parecer contraditória, no entanto, com as marcas de subjetividade deixadas pelo uso de termos negativos e adjetivos. Essa mistura de tendências faz com que a opinião do autor(expressa, por exemplo, pelos termos negativos e adjetivos) pareça ser“a” verdade. No caso, como visto, uma verdade que transmite imagem negativa do MST. Terceira pessoa 278 ou 92,4% Terceira e primeira pessoa 23 ou 7,6% Total 301 ou 100% demonstra que o ângulo das matérias busca privilegiar outros enfoques, que não são os aspectos relativos ao Movimento. Presença no título MST está no título de forma direta MST está no título de forma indireta MST não está no título 60 ou 20% 20 ou 6,6% 221 ou 73,4% Sentido do título MST está no título de forma positiva MST está no título de forma que não é possível perceber MST está no título de forma negativa 01 ou 0,3% 32 ou 10,2% 47 ou 15,6% Cobertura por mídia Título O título é o chamariz da matéria. Nos veículos impressos, aparece em fonte de destaque e muitas vezes é a única informação lida. Daí a grande importância da forma como o MST aparece nos títulos 8 e, em sua maioria, isso acontece de maneira negativa. Ainda assim, considerando o universo total, na maior parte das inserções o MST não está no título, o que Jornais impressos A análise que pode ser feita em relação à cobertura dos jornais impressos não é diferente da feita no tópico anterior. São os jornais impressos que têm a maioria(95%) das matérias do universo total da pesquisa e dão o tom da cobertura completa. Seguem, nas próximas tabelas, os dados exclusivos das matérias dos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo. 8 No caso dos telejornais, foi considerado o título da matéria referente disponibilizada na internet. 48 V ozes S ilenciadas Eleições Abril Vermelho Manifestação do MST Dissidentes do MST Reforma agrária Corrupção Questão agrária/ fundiária Política externa/ outros países Conflito no campo CPI do MST Manifestação Presidente Lula Ação da CNA Meio ambiente Processo ou decisão judicial sobre MST Judiciário Educação Governo Lula Cultura PT Saúde Política Redemocratização PNDH-3 Revisão do Código Florestal MST Regulamentação fundiária urbana 91 ou 31,8% 40 ou 13,9% 21 ou 7,3% 13 ou 4,5% 13 ou 4,5% 9 ou 4,1% 12 ou 4,1% 10 ou 3,4% 10 ou 3,4% 08 ou 2,7% 05 ou 1,7% 05 ou 1,7% 05 ou 1,7% 04 ou 1,3% 04 ou 1,3% 03 ou 1,0% 03 ou 1,0% 03 ou 1,0% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 01 ou 0,3% Comissão Pastoral da Terra 01 ou 0,3% Ação do Executivo Federal 01 ou 0,3% Ação do Executivo Estadual 01 ou 0,3% Sindicato/ entidade de classe 01 ou 0,3% Mídia 01 ou 0,3% Futebol 01 ou 0,3% Direito 01 ou 0,3% Campanha da fraternidade 01 ou 0,3% Questão indígena 01 ou 0,3% Ação do Judiciário sobre conflito agrário 01 ou 0,3% Total 286 ou 100% Relevância do MST MST assina a matéria 02 ou 0,7% MST não é tema central 146 ou 51% MST é tema central 138 ou 48,3% Total 286 ou 100% Tipo de matéria Notícia Artigo Carta do leitor 142 ou 49,7% 26 ou 9,1% 59 ou 20,6% Coluna Editorial Nota 22 ou 7,7% 08 ou 2,8% 21 ou 7,3% Citação Entrevista Comentário 02 ou 0,6% 04 ou 1,3% 02 ou 0,6% Total 286 ou 100% 49 V ozes S ilenciadas Campo de sentidos Negativo Positivo 188 ou 65,7% 18 ou 6,3% Não é possível perceber 68 ou 23,8% Equilibrado 12 ou 4,2% Total 286 Termos negativos São usados Não são usados Total 169 ou 59% 117 ou 41% 286 ou 100% São usados pelo autor 144 ou 50,4% Adjetivos São usados Não são usados 147 ou 51,4% 139 ou 48,6% São usados pelo autor 97 ou 33,9% Total 286 ou 100% Pesquisa e dados estatísticos São citados Não são citados Total 35 ou 12,2% 251 ou 87,8% 286 ou 100% Legislação É citada 39 ou 13,6% Não é citada 247 ou 86,4% Total 286 ou 100% Ângulo da matéria Conflito 269 ou 94,1% Não é possível perceber 12 ou 4,1% Solução 05 ou 1,7% Total 286 ou 100% Atos violentos MST é autor MST é vítima 119 ou 41,6% Não são citados atos violentos 131 ou 45,8% 05 ou 1,7% Atos violentos não envolvem MST 12 ou 4,2% MST é autor e vítima 19 ou 6,7% Total 286 ou 100% Fontes ouvidas Fonte Não há fontes ouvidas MST Candidato Serra INCRA Candidata Dilma Executivo Federal CNA Especialista Político Mídia Dissidentes do MST Judiciário Empresa de agronegócios Legislativo Federal Polícia Executivo Municipal Sindicato/ entidade de classe Partido político(PT) CPT Nº de matérias 80 ou 27,9% 55 ou 19,2% 23 ou 8,0% 21 ou 7,3% 21 ou 7,3% 20 ou 6,9% 18 ou 6,2% 17 ou 5,9% 14 ou 4,8% 14 ou 4,8% 13 ou 4,5% 12 ou 4,1% 11 ou 3,8% 11 ou 3,8% 10 ou 3,4% 09 ou 3,1% 09 ou 3,1% 08 ou 2,7% 06 ou 2,0% 50 V ozes S ilenciadas Fonte Trabalhador rural Executivo Estadual Pessoa física Personalidade/ artista Instituto Proprietário rural UDR Candidatos políticos Candidata Marina Movimento social Ministério Público Empresa Sindicato de proprietários rurais Caixa Econômica Via Campesina Terceiro setor Frente da Luta por Moradia Universidade Sindicato de empresa Nº de matérias 06 ou 2,0% 06 ou 2,0% 05 ou 1,7% 05 ou 1,7% 05 ou 1,7% 04 ou 1,3% 04 ou 1,3% 04 ou 1,3% 04 ou 1,3% 03 ou 1,0% 03 ou 1,0% 03 ou 1,0% 03 ou 1,0% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% Fonte Corrente do PT Igreja Sem-terra Partido político(PDT) Forças Armadas PNDH-3 Sistema Nacional de Informação(SNI) Partido Político(DEM) Organismo internacional Advogado Movimento dos Atingidos por Barragens Legislativo Estadual Líder indígena Sociedade Rural Brasileira Partido político(PMDB) Movimento dos Sem Teto do Centro Outros países Partido político(PR) Partido político Nº de matérias 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 02 ou 0,6% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% 01 ou 0,3% Divergência de posições Há posições divergentes entre as fontes Há posições divergentes entre fonte e autor 67 ou 32,5% 42 ou 20,3% Não há posições divergentes Total 107 ou 51,9% 206 ou 100% 51 V ozes S ilenciadas Espaço das fontes MST tem mais espaço 05 ou 14,7% Espaço é equilibrado 21 ou 61,8% MST tem menos espaço 08 ou 23,5% Total 34 ou 100% Relevância das fontes MST está no lide Outra fonte está no lide 17 ou 30,9% 08 ou 14,6% Não há fontes no lide Total 30 ou 54,5% 55 ou 100% Pessoa verbal Terceira pessoa Terceira e primeira pessoa 265 ou 92,7% 21 ou 7,3% Total 286 ou 100% Título Presença no título MST está no título de forma direta MST está no título de forma indireta MST não está no título 56 ou 19,6% 19 ou 6,6% 211 ou 73,8% Sentido do título MST está no título de forma positiva MST está no título de forma que não é possível perceber MST está no título de forma negativa 01 ou 0,3% 30 ou 10,4% 43 ou 15,0% Revistas As três revistas que fazem parte do universo da pesquisa representam apenas 2,9% do total de matérias analisadas. Vale lembrar, entretanto, que são veículos semanais, o que não permite uma comparação direta com a quantidade de matérias dos jornais impressos diários. A cobertura das revistas apresenta peculiaridades, como a quantidade relativa de matérias que colocam o MST num campo positivo de sentidos(exatamente um terço do total) e a relevância dada à fonte“especialista”, talvez pelo caráter menos factual e mais analítico do que o dos jornais diários. Das três matérias que posicionam o MST em um campo de sentidos positivo, duas são da Carta Capital – sendo uma delas um artigo assinado por João Pedro Stédile, membro da Coordenação Nacional do Movimento – e outra da Época. Seguem os dados específicos dessa mídia: Tema Eleições Educação Desigualdade social 06 ou 66,7% 01 ou 11,1% 01 ou 11,1% Reforma agrária Total 01 ou 11,1% 09 ou 100% Relevância do MST MST é tema central 0 MST assina matéria 01 ou 11,1% MST não é tema central 08 ou 88,9% Total 09 ou 100% 52 V ozes S ilenciadas Tipo de matéria Notícia Entrevista Citação 05 ou 55,6% 02 ou 22,2% 01 ou 11,1% Artigo Total 01 ou 11,1% 09 ou 100% Campo de sentidos Negativo Positivo 05 ou 55,6% 03 ou 33,3% Não é possível perceber 01 ou 11,1% Equilibrado 0 Total 09 ou 100% Termos negativos São usados Não são usados Total 05 ou 55,6% 04 ou 44,4% 09 ou 100% Autor usa termos negativos 04 ou 44,4% Adjetivos São usados Não são usados Total 07 ou 77,8% 02 ou 22,2% 09 ou 100% Autor usa adjetivos 05 ou 55,6% Pesquisas ou dados estatísticos São citados Não são citados Total 04 ou 44,4% 05 ou 55,6% 09 ou 100% Legislação É citada 02 ou 22,2% Não é citada 07 ou 77,8% Total 09 ou 100% Ângulo da matéria Conflito 05 ou 55,6% Não é possível perceber 0 Solução 04 ou 44,4% Total 09 ou 100% Atos violentos MST é autor MST é vítima 05 ou 55,6% Não são citados atos violentos 03 ou 33,3% 01 ou 11,1% Atos violentos não envolvem MST 0 MST é autor e vítima 0 Total 09 ou 100% Fontes ouvidas Fonte Especialista Candidata Dilma Político Instituto Partido político(PT) Mídia Executivo Federal Universidade Candidato Serra Empresa de agronegócios Personalidade/ artista Legislativo Federal Candidata Marina Executivo Estadual Não há fontes ouvidas Nº de matérias 04 ou 44,4% 03 ou 33,3% 02 ou 22,2% 02 ou 22,2% 02 ou 22,2% 02 ou 22,2% 01 ou 11,1% 01 ou 11,1% 01 ou 11,1% 01 ou 11,1% 01 ou 11,1% 01 ou 11,1% 01 ou 11,1% 01 ou 11,1% 01 ou 11,1% 53 V ozes S ilenciadas Divergência de posições Há posições divergentes entre as fontes Há posições divergentes entre fonte e autor 04 ou 50% 04 ou 50% Não há posições divergentes Total 02 ou 22,2% 08 ou 100% Pessoa verbal Terceira pessoa 07 ou 77,8% Terceira e primeira pessoa 02 ou 22,2% Total 09 ou 100% Título Presença no título MST está no título de forma direta MST está no título de forma indireta MST não está no título 0 01 ou 11,1% 8 ou 88,9% Sentido do título MST está no título de forma positiva MST está no título de forma que não é possível perceber MST está no título de forma negativa 0 0 01 ou 11,1% trabalhado com programas que vão ao ar de segunda a sábado. Foram constatadas apenas 06 inserções, o que significa 1,9% do total da cobertura. Porém, essa pequena quantidade tem um grande peso. De acordo com pesquisa desenvolvida em 2010 pela Secretaria de Comunicação Social(Secom) da Presidência da República, 96,6% dos brasileiros assistem à televisão. Dentre estes, o telejornal é o programa mais importante da TV para 64,6%. Seguem os dados específicos dessa mídia: Tema Manifestação do MST 03 ou 50% Corrupção 01 ou 16,7% Abril Vermelho 02 ou 33,3% Total 06 ou 100% Relevância do MST MST assina matéria 0 MST não é tema central 01 ou 16,7% MST é tema central 05 ou 83,3% Total 06 ou 100% Tipo de matéria Nota coberta Notícia 04 ou 66,7% 02 ou 33,3% Total 06 ou 100% Telejornais O número de matérias veiculadas em telejornais foi o menor em relação aos demais formatos jornalísticos analisados, apesar de a pesquisa ter Campo de sentidos Negativo Positivo 05 ou 83,3% 0 Não é possível perceber 0 Equilibrado 01 ou 16,7% Total 06 ou 100% 54 V ozes S ilenciadas Termos negativos São usados Não são usados Total 04 ou 66,7% 02 ou 33,3% 06 ou 100% Autor usa termos negativos 04 ou 66,7% Adjetivos São usados Não são usados Total 0 06 ou 100% 06 ou 100% Autor usa adjetivos 0 Pesquisas ou dados estatísticos São citados Não são citados Total 0 06 ou 100% 06 ou 100% Legislação É citada 0 Não é citada 06 ou 100% Total 06 ou 100% Ângulo da matéria Conflito 05 ou 83,3% Não é possível perceber 01 ou 16,7% Solução 0 Total 06 ou 100% Atos violentos MST é autor MST é vítima 04 ou 66,6% 0 MST é autor e vítima 01 ou 16,7% Não são citados atos violentos 01 ou 16,7% Atos violentos não envolvem MST 0 Total 06 ou 100% Fontes ouvidas Fonte Não há fontes ouvidas MST INCRA Trabalhador rural Advogado de trabalhador rural Caixa Econômica CNA Empresa de agronegócios Pessoa física Nº de matérias 02 ou 33,3% 02 ou 33,3% 02 ou 33,3% 01 ou 16,6% 01 ou 16,6% 01 ou 16,6% 01 ou 16,6% 01 ou 16,6% 01 ou 16,6% Divergência de posições Há posições divergentes entre fonte e autor Há posições divergentes entre as fontes 01 ou 25% 01 ou 25% Não há posições divergentes Total 03 ou 75% 04 ou 100% Espaço das fontes MST tem mais espaço 0 Espaço é equilibrado 0 MST tem menos espaço 01 ou 100% Total 01 ou 100% 55 V ozes S ilenciadas Relevância das fontes MST está no lide Outra fonte está no lide 0 0 Não há fontes no lide Total 02 ou 100% 02 ou 100% Pessoa verbal Terceira pessoa 06 ou 100% Terceira e primeira pessoa 0 Total 06 ou 100% Título Presença no título MST está no título de forma direta MST está no título de forma indireta MST não está no título 04 ou 66,7% 0 02 ou 33,3% Sentido do título MST está no título de forma positiva MST está no título de forma que não é possível perceber MST está no título de forma negativa 0 01 ou 16,7% 03 ou 50% 56 V ozes S ilenciadas Considerações finais D iante da análise da vasta cobertura referente ao MST durante os meses de fevereiro a julho de 2010, é possível fazer algumas observações a título de conclusão. Em primeiro lugar, chama a atenção a grande quantidade de inserções, o que significa que não se pode afirmar que existe uma invisibilidade do MST para a grande imprensa. Por outro lado, essa quantidade não necessariamente significa que as causas e bandeiras do Movimento tenham visibilidade. Em muitos casos, o MST é citado como referência para baderna, violência ou relações de prevaricação com o poder público. Daí a diversidade de temáticas em que o Movimento aparece, muitas vezes apenas como exemplo de comparação para uma atitude“radical”, no sentido pejorativo do termo, de outros grupos sociais. A CPMI do MST, motivo da escolha do período analisado, não foi o foco da cobertura. Prevaleceu um tema que não tem ligação direta com o MST, as eleições, em que o Movimento foi usado como ponto negativo para a candidata do PT. Com relação mais próxima ao MST, o tema mais abordado foi o Abril Vermelho. Embora, na maioria das vezes, sem citar que se trata de uma jornada de lutas para lembrar uma violência sofrida, o Abril Vermelho tem o mérito de trazer à tona questões relativas à Reforma Agrária no país, mesmo que de forma tangencial. O que predomina na cobertura jornalística são as“invasões” de terra promovidas pelo MST. Quanto à sensação de que o MST é criminalizado pela mídia, os números comprovam que o Movimento é mostrado de maneira negativa. Mesmo que nem sempre se refira a crimes de forma direta, a maioria das matérias utiliza termos pejorativos ou cita atos considerados violentos cometidos por integrantes do MST. As bandeiras de luta do MST, em geral, não são mencionadas; quando isso acontece, normalmente são menosprezadas, em afirmações de que a Reforma Agrária já teria sido feita e que o MST não teria mais o que reivindicar. Tacham ainda o Movimento de ter se“afastado do seu objetivo original”, a distribuição de terras, e ter se transformado num movimento“político”, como se tratassem de conceitos contraditórios. Longe de uma cobrança por matérias positivas sobre o MST ou outros movimentos sociais, o que esse relatório mostra é que a grande imprensa, em geral, recai num negativismo em grande parte panfletário ao tratar desses temas. Vale lembrar que 27,5% das matérias analisadas não têm fontes ouvidas, e apenas 18,9% ouvem o próprio ator social de que discorrem: o MST. Este cenário de ausência de pluralidade de visões na mídia e da falta de espaço – ou silenciamento – dos movimentos sociais, não considerados fontes autorizadas nem sobre eles mesmos, é simbólico da violação da liberdade de expressão e do direito à comunicação de parcela significativa da sociedade brasileira. O Intervozes espera assim, com este relatório, estimular uma reflexão dos atores sociais e do poder público sobre esta questão, rumo à construção de uma sociedade plural e efetivamente democrática, onde os meios de comunicação sejam um espaço de livre circulação e expressão de todas as vozes. 57 V ozes S ilenciadas Bibliografia BARBOSA, Marialva. História cultural da imprensa: Brasil, 1900-2000. Rio de Janeiro: Mauad X, 2007. BENETTI, Marcia.“Análise do Discurso em jornalismo: estudo de vozes e sentidos”. In: LAGO, Claudia; BENETTI, Marcia. Metodologia de pesquisa em jornalismo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007, p. 107-122. BERGER, Cristha. Campos em confronto: jornalismo e movimentos sociais. As relações entre o Movimento Sem Terra e a Zero Hora. Tese de doutorado defendida em maio de 1996. HALL, Stuart(et. al.).“A produção social das notícias: o mugging nos media”. In: TRAQUINA, Nélson.(org.) Jornalismo: questões, teorias e“estórias”. Lisboa: Vega, 1993. HALL, Stuart. Da Diáspora: Identidades e Mediações Culturais. Organização: Liv Sovik; Tradução: Adelaine La Guardia Resende[et all]. Belo Horizonte, MG: Editora UFMG, 2008. HERSCOVITZ, Heloisa Golbspan.“Análise de conteúdo em jornalismo”. In: LAGO, Claudia; BENETTI, Marcia. Metodologia de pesquisa em jornalismo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007, p. 123-142. MARTINS, Helena do R. B. Onde só vento se semeava outrora. Comunicação: espaço de luta política. Análise da Rádio 25 de Maio FM, produzida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Monografia defendida em 2009. SILVA, Carlos Eduardo Lins da. Mil dias: os bastidores da revolução em um grande jornal. São Paulo: Trajetória Cultural, 1988. Sites consultados http://www.cartacapital.com.br/ http://www.globo.com/ http://www.mst.org.br/ http://www.r7.com/ http://revistaepoca.globo.com/ http://veja.abril.com.br/ 58 Anexo V ozes S ilenciadas Lista de termos negativos usados na cobertura: Ações ilegais Ações ilegais, destrutivas e hediondas Ações predatórias e ilegais Ações violentas Acusados de furtar Afrontar as leis Agressão Agressores Algazarra Aloprados Ameaçar Ameaçar radicalizar Ameaças ao direito de propriedade Aprontar Arbítrio Áreas invadidas Arruaceiros Associação ao tráfico de drogas Atacar Atear fogo Atitudes ilegais Atividades agressivas e criminosas Atividades terroristas Atos criminosos Atos de vandalismo Atos ilegais Aventuras Baderna Baderneiro Bandidagem Banditismo Bandos armados Bandos do MST Brutalidade Busca da impunidade Caos Cárcere privado imposto a empregados de fazendas Casos suspeitos Condenado por crimes de incêndio, furto e danos Conflitos Confusão Conspiração acintosa e pública Contendores desabridos Contribui para desmoralização das instituições democráticas Contumaz desafiante do sistema normativo Corrupção Crime* Crimes de danos Crimes de formação de quadrilha Crimes de formação de quadrilha, furto e dano qualificado Criminalidade Criminalizado Criminalizar Criminalizar a sua luta política Criminosos do MST Crônica impunidade Danos 59 V ozes S ilenciadas Delinquência pura e simples Demolir as bases da lei e da ordem Depredação Depredações de equipamentos Depredações de prédios públicos Depredar Derrubadas de cerca Derrubar Desafiar a Justiça Desordem Desrespeitar as determinações do Judiciário Desrespeito à ordem jurídica no campo Desrespeito ao Judiciário Desrespeito às leis Destruição Destruição de plantações Destruidores Destruir Devastar fazendas Ensanguentar o campo Entidade abstrata Esbulho Esbulho possessório Escória Esquerda radical Estorvo Estrago socioeconômico Estragos Estratégia criminosa de invasões de terras Exacerbação de marchas, invasões e saques de propriedades Expectativa de impunidade Extração indevida Extrema vassalagem Famílias invasoras Farc 60 Fazendas tomadas de assalto, invadidas com violência e depredações Formação de quadrilha Fraude Furto Furto qualificado Gente espalhafatosa Gente fora da lei Grave equívoco político Grupelho Grupo ensandecido e oportunista Grupos armados Grupos de ativistas políticos radicais Hedionda derrubada de pés de laranja Ilegal Ilegalidade Ilícito Impunidade Impunidade crônica Incendiar Incêndios criminosos Incorreto Insegurança jurídica Insegurança política e jurídica Instabilidade Inutilizar Invadida Invadir Invasão Invasões ilegais Invasões políticas Invasores Invasores de terra Irregular Irregularidades Jornadas de terror V ozes S ilenciadas Líderes desses grupos armados Males Manipulação política Matanças de animais Mazela Mecanismo violento, ilegal e inquietante das invasões de propriedades produtivas Medidas radicais bolivarianas Metáfora sanguinolenta Metodologia delituosa Métodos discutíveis e inaceitáveis Movimento irregular Movimentos violentos e intempestivos Mudança de natureza revolucionária socialista Multas Notórios dirigentes de invasões de terras Núcleo aferrado a valores do conservadorismo Objetivo predatório Organização ilegal Organização política de tinturas revolucionárias Organizações criminosas e terroristas Parar o Brasil de vez Passaporte vermelho da impunidade Pau-mandado** Perfis exóticos Porte ilegal de armas Possíveis irregularidades Prática delituosa Praticar esbulhos possessórios Prisões Propriedades invadidas Puxa-saco** Quadrilha organizada Quebra da ordem jurídica no campo Quebrar Radicalismo Roubo Saques Saquear Semiclandestinidade Sem-terra made in Paraguai Sequestros Sindicato armado Submissos Subservientes Suspeita de assassinato Terras invadidas Terrorismo Terroristas Tomadores de terra Tomar Tombar Tráfico Transgressores Truculência Tumultuar Verdadeira corrupção, institucional e financeira Violência Violência anunciada Violência das invasões de terra Violência do MST e insegurança jurídica Violência política Violências dos mais diferentes tipos Vítimas do MST *Numa de suas inserções, o termo“crime” foi utilizado propositalmente entre aspas por um leitor que pretendia negar que o MST cometa ilegalidades. **Termos utilizados por João Pedro Stédile para negar que o MST seja pau-mandado ou puxa-saco do governo Lula. 61 Apoio