Publications of the FoundationAgricultura familiarTitle
Bibliographic Metadata
- TitleAgricultura familiar : uma resposta para muitas crises
- Author
- Corporate name
- Published
- Description1 Online-Ressource (16 Seiten)
- LanguagePortuguese
- Series
- Document typePrint
- Topics
- Geographicals
- ISBN978-65-87504-32-2
- URN
- The document is publicly available on the WWW
- Reference
- Archive
A racionalidade neoliberal, aplicada aos sistemas alimentares, impôs a prevalência da economia sobre os direitos e sobre a natureza e a falta de regulação dos atores mais poderosos dos sistemas agroalimentares, contribuindo para a concentração de renda e o acelerado empobrecimento de grande parte da população, além de destruir a natureza. Hoje, os sistemas alimentares corporativos têm sido apontados como responsáveis por uma �sindemia global� - um conjunto de três pandemias: obesidade, desnutrição e mudanças climáticas - e por falharem em seu objetivo de alimentar a população de forma saudável. No Brasil, a fome atinge 9% da população e a tendência de sobrepeso e obesidade segue em crescimento, 55,7% da população adulta está com excesso de peso e 19,8% com obesidade. A fome (ou insegurança alimentar grave) é duas vezes maior nas áreas rurais do país, especialmente quando não há disponibilidade adequada de água para produção a de alimentos. Apoiar as(os) agricultoras(es) familiares é uma obrigação do Estado Brasileiro, como afirma a Declaração sobre os Direitos dos Camponeses e outras Pessoas que trabalham nas Zonas Rurais. Apoiar esse setor é também fundamental para que os sistemas alimentares ofertem alimentos de forma mais justa e menos destrutiva, e para a superação da pobreza e das desigualdades de classe, raça e gênero que se intensificam no país. Certo é que não alcançaremos transformações se seguirmos os mesmos passos que nos trouxeram aqui. É preciso um Estado democrático capaz de regular sujeitos que provocam violações de direitos nos sistemas alimentares, a exemplo do agronegócio e do sistema financeiro. É crítica a adoção de uma reforma tributária pautada pela perspectiva de justiça fiscal, que alcance o 1% da população que mais concentra renda no país. Por fim, são urgentes o compromisso e a luta pela construção de sistemas alimentares, que possam vencer a fome, garantir alimentos que promovam saúde e superar a crise ambiental que nos empurra para o colapso.