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Não dá para não ver : as mídias nas manifestações de junho 2013
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BRASIL aNÁLISE Não para não ver As mídias nas manifestações de junho 2013 Daniel Fonsêca O utubro 2013 Os protestos de junho provocaram um verdadeiro terremoto politico no Brasil. Partindo da reivindicação do​direito a um transporte coleti­vo acessível, as mobilizações levaram centenas de milhares de pessoas às ruas. Os manifestantes expressaram seu descontentamento com os lentos avanços na área da saúde publica e da educação, chamando atenção para a corrupção e para os altos gastos com os megaeventos esportivos e reivindicando m​ ais direitos e o​ fortalecimento da​demo­cracia no país. Os meios de comunicação tiveram um papel decisivo nos protestos. Enquanto as emissoras comerciais buscaram, no início, estigmatizar e criminalizar os manifestantes comovândalos, foram pressionadas a mudar, ainda que parcialmente,​sua rota editorial com os excessos da violência policial. A imprensa alternativa acompanhou os aconte­cimentos nas ruas ao vivo nas redes sociais, assegurando uma diver­sificação de informação e de interpretações alternativas. Contribuiu, assim, para que a discussão sobre a democratização da comunicação ganhasse espaço na agenda publica. Qualquer reforma politica deve ser precedida da reforma no marco regulatório das comunicações e, no mínimo, da regulamentação dos artigos da Constituição Federal que tratam especificamente da Comu ­nicação. O direito à comunicação tem um estatuto transversal, favore­cendo não apenas a pluralidade midiática, mas a garantia dos direitos civis, econômicos e coletivos.