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Mudanças e permanências nas desigualdades de gênero : divisão sexual do trabalho numa perspectiva comparativa
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BRASIL ANÁLISE 7/2015 Mudanças e permanências nas desigualdades de gênero: divisão sexual do trabalho numa perspectiva comparativa Helena Hirata O UTUBRO DE 2015 As consequências das políticas neoliberais, as privatizações, a externalização da produção e a diminuição dos serviços públicos em contexto de crise têm consequências desiguais sobre as con­dições de trabalho e emprego segundo o sexo do trabalhador. As dinâmicas de classe, de raça e dos movimentos migratórios não podem ser compreendidas sem a perspectiva de gênero. O gênero é um organizador-chave da globalização neoliberal. As dinâmicas internacionais do trabalho hoje mantêm e agravam um amplo leque de desigualdades sociais. Neste artigo, são tratados cinco aspectos da divisão sexual do trabalho e das relações de gênero, em uma perspectiva compa­rativa, identificando mudanças e permanências ao longo das últimas décadas, sobretudo a partir de meados dos anos noven­ta, isto é, nos últimos vinte anos: 1) divisão sexual do trabalho profissional e expansão do trabalho de cuidados; 2) precariza­ção social e do trabalho; 3) divisão sexual do trabalho, terciari­zação e terceirização; 4) divisão sexual do trabalho doméstico; 5) globalização e migrações internacionais femininas. A conclusão do artigo é de que não podemos mudar a divisão se­xual do trabalho profissional sem mudar a divisão sexual do traba­lho doméstico, a divisão sexual do poder e do saber na sociedade.