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O significado de Bandung e nossa resposta á crise do capitalismo global
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BRASIL PERSPECTIVAS 3/2015 O significado de Bandung e nossa resposta à crise do capitalismo global Walden Bello N OVEMBRO DE 2015 Bandung teve o mesmo significado que a Revolução Francesa de 1789 e a Revolução Russa de 1917. Foi uma condensação histórica de dezenas de lutas de independência e de libertação nacional, que vinham ocorrendo até então e continuariam ocorrendo no Sul Global. Bandung apontou uma realidade que buscava emergir das estruturas de opressão e exploração para uma nova era de liberdade e igualdade entre e nas nações. Bandung, porém, também foi sucedido por reveses, por contrarrevoluções inspiradas pelo imperialismo. A partir dos anos 1990, um novo protagonista veio revigorar a luta por li­bertação e igualdade: a sociedade civil. Agrupamentos da sociedade civil decorrentes da luta das mulheres por igualdade, a mobilização dos povos indígenas por liberdade e o desejo de proteger o planeta da devastação cons­tituíram uma nova e fundamental fonte de dinamismo e criatividade na luta para tornar realidade a visão de Bandung. Os pontos fortes dessas redes também eram vistos, muitas vezes, como ori­gem de suas fraquezas: sua natureza descentralizada, seu desprezo pela hie­rarquia e por sistemas representativos de tomada de decisão, a sua aversão à institucionalização de processos e a ambivalência das redes da sociedade civil em relação ao poder. Mas é necessário lidar com o poder e usá-lo, ao invés de simplesmente recusar-se a usá-lo. Em meio a crise do capital global, que irrompeu em 2008, a visão de Ban­dung permanece válida e inspiradora, mas para realizar aquele vislumbre de libertação humana, é preciso um aprofundamento do repensar criativo, a reconfiguração e a rearticulação das instituições ou dos mecanismos de liber­tação: o socialismo, o estado, o partido, a democracia e a sociedade civil. O desafio colocado a nós, que permanecemos fiéis a Bandung, é urgente e de suma importância.