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Da necessidade de repensar as políticas de comércio em tempos de des-globalização
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BRASIL PERSPECTIVAS 8/2016 Da necessidade de repensar as políticas de comércio em tempos de des-globalização Hubert René Schillinger O utubro de 2016 O livre comércio tem sido negativamente afetado por uma reação antiglobalização por parte da opinião pública de muitas economias avançadas, ao mesmo tempo em que contribui ativamente para que essa reação aconteça. Aumenta mais e mais a resistência contra uma maior liberalização comercial. Muito dessa reação pode ser visto como uma reação a políticas a ela inerentes que, no passado, pro­duziram tantosperdedores não apenasganhadores e, em especial, aumentaram a desigualdade de renda. A maioria dos benefícios imediatos da liberalização do comércio foi colhida. Na busca por maior economia de custos, a fronteira das negociações comerciais deslocou-se para longe das fronteiras nacio­nais e para dentro da arena das políticas nacionais. As tentativas de usar negociações comerciais para modificar regulamentações que expressam preferências sociais introduzidas por razões não relacio­nadas ao comércio internacional erodiram sobremaneira a confiança nas negociações comerciais e nos negociadores comerciais e con­tribuíram para aumentar a reação negativa. A crescente resistência a uma maior liberalização chega em um mo­mento em que a própria economia global está prestes a tornar-se menos global. A fim de evitar um retrocesso político ainda maior que venha a levar aguerras comerciais retaliatórias reminiscentes dos anos 1930, é necessário repensar a política comercial. As polí­ticas comerciais precisam tornar-se mais realistas e pragmáticas e não exagerar seus alegados benefícios e parar de pressionar por uma agenda empresarial agressiva. Os potenciais perdedores da li­beralização comercial devem ser identificados previamente e ade­quadamente compensados. Por fim, as políticas comerciais precisam tornar-se compatíveis e alinhadas com marcos internacionalmente acordados, como a Agenda do Trabalho Decente, a Agenda de De­senvolvimento Sustentável 2030 e o Acordo de Paris.