PERSPECTIVAS Nº7/2013 Considerações sobre os discursos de Lula sobre emprego durante três décadas de vida pública Luciana Panke Julio 2013 O ex-presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, é conhecido por seu carisma e se tornou referência como líder de uma economia emergente. Apresentamos aqui, uma breve análise sobre um dos temas mais destacados no gerenciamento econômico de um país: a questão do emprego. Na pesquisa foram observadas amostras dos discursos de Lula desde sua inserção no sindicalismo, na década de 70, até o primeiro ano do mandato presidencial, em 2003. A partir da investigação, classificamos seus discursos em três fases distintas: extrema-esquerda, transição e centro-esquerda. A primeira fase corresponde ao período de sindicalismo até a década de 90. Naquele momento, Lula representava a esquerda brasileira, defendendo em um discurso coloquial e crítico, alterações no sistema social e econômico vigente. Vale ressaltar que, o contexto permeava a ditadura militar no país, bem como a luta pela retomada à democracia. Além disso, no contexto mundial o comunismo entrava em decadência com a simbólica queda do Muro de Berlim, em 1989. Os discursos pediam liberdade de expressão, propiciando as reflexões para a criação de um partido político. Nesse momento, Lula, contestador, consagrou-se como uma liderança popular, abrindo a possibilidade de organização das massas. Ele contestava as relações entre capital e trabalho, defendendo a igualdade e um mundo sem dominantes e dominados. Durante o sindicalismo, a questão emprego se relacionava com as lutas pelos direitos trabalhistas e pela melhoria das condições de trabalho para o operariado. Com a criação do Partido dos Trabalhadores, no início da década de 80, os discursos articulavam questões mais abrangentes, como a organização política e as decisões na área econômica. Nesse momento, Lula inseriu na sua fala a necessidade de geração de empregos cobrando ações das esferas governamentais. As condições de produção correspondiam ao início da abertura democrática no Brasil e à organização das classes populares e o PT foi o primeiro partido a se manifestar na campanha pelas“Diretas Já!”, realizada em 1984. O mercado e suas leis eram tidos como injustos e passíveis de modificações estruturais
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