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Crise da democracia e extremismos de direita
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ANÁLISE 42/2018 Crise da Democracia e extremismos de direita Esther Solano M AIO DE 2018 Esta pesquisa busca entender o crescimento das novas direitas brasileiras, es­pecialmente da extrema direita mais antidemocrática, simbolizada no pensa­mento do deputado Jair Bolsonaro. Apresenta os resultados de entrevistas em profundidade com simpatizantes do pré-candidato, nas quais foram mapeados os principais elementos de identificação dos eleitores com o discurso do Bolso­naro e faz uma análise empírica e teórica das condições do surgimento desse fenômeno no Brasil. Para os entrevistados, Bolsonaro representa o tipo do político honesto em contraposição àclasse política corrupta. Consideram que, em uma alteração da ordem social, ocidadão de bem esta­ria desprotegido, seria a vítima abandonada e o criminoso estaria superprotegido pelo Estado. Segundo eles, as políticas públicas como Bolsa Família ou cotas raciais universitárias são negativas, porque fomentam a preguiça, o clientelismo e fazem do cidadão alguém passivo, que parasita o Estado. O self-made man é o modelo de sucesso. Movimento negro, feminismo ou movimento LGBTQIA, são, para os bol­sonaristas, grupos que sofrem preconceito, sim, mas estão abusando de seus di­reitos. Utilizam-se da vitimização, do mimimi para obter regalias do Estado e abalar os cidadãos que não pertencem a essas minorias. Jovens identificam o Bolsonaro como rebelde, como uma opção política que se comunica com eles e se contrapõe ao sistema, como uma proposta diferente. Se nos anos 70, ser rebelde era ser de esquerda, agora, para muitos destes jovens, é votar nesta nova direita que se apresenta de uma forma cool, disfarçando seu discurso de ódio em formas de memes e de vídeos divertidos. Vários dos entrevistados que proclamam seu voto em Bolsonaro, em 2018, admitiram ter votado no PT nos seus dois primeiros mandatos. Questionados sobre o porquê da mudança, a maioria coincide: Lula estava perto do povo, era carismático, alguém diferente dos políticos de sempre e era honesto. Hoje, essas pessoas adotam um forte discurso antipetista, fundamentado na retórica da co­rrupção do PT e na rejeição a muitas de suas políticas, das quais alguns foram beneficiados, e mobilizam alguns argumentos muito parecidos para justificar o voto em Bolsonaro: proximidade, carisma e honestidade.