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Os cuidados no Brasil : mercado de trabalho e percepções
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FES BRIEFING OS CUIDADOS NO BRASIL: MERCADO DE TRABALHO E PERCEPÇÕES Hildete Pereira de Melo, Lucilene Morandi e Lorena Moraes Junho de 2022 A pandemia de COVID-19 começou como uma crise sanitária e se tornou uma crise econômica e social, com efeitos severos sobre a economia e o mercado de trabalho, contribuindo para a amplificação das desigualdades e da pobreza em todo o mundo. A necessidade de isolamento social desnudou a pau­perização da população mundial, fruto sobretudo de políticas de austeridade neoliberais, adotadas na maioria das econo­mias desde meados dos anos 1980. As características especiais da crise da pandemia de COVID-19 impuseram o isolamento social para o controle do contágio e a redução de mortes, enquanto não se dispunha de remédios apropriados nem de cobertura vacinal significativa. Foi neces­sário o fechamento de escolas e creches, centros de atendi­mento sociais a pessoas idosas e com deficiências, além das empresas cujo produto ou serviço fosse considerado não es­sencial. O alargamento do prazo de isolamento e a clara per­cepção que seriam necessários desenvolvimentos de novos conhecimentos científicos(novas vacinas e medicamentos apropriados) para o efetivo controle da doença, demonstra­ram a necessidade da intervenção de políticas públicas para sustentar a economia, a fim de garantir a sobrevivência do máximo de pessoas, empresas e postos de trabalho. tragédia não foi maior devido à reação da maioria dos/as gover­nadores/as e prefeitos/as que, diante da calamidade, assumiram a responsabilidade em definir regras para o isolamento social, disponibilizar espaço para atendimento das pessoas infectadas, repasse de ajuda financeira a pessoas e empresas, além de coordenarem a vacinação em seus estados e municípios. Foi neste cenário que se desenvolveu a pesquisaOs cuidados no Brasil: mercado de trabalho e percepções, ao longo dos meses de junho a dezembro de 2021. Seus objetivos foram: i) fazer uma análise do impacto da pandemia na participação das pessoas no mundo do trabalho, especialmente das mulhe­res, as maiores responsáveis pelo trabalho não remunerado executado em prol das pessoas da família e essencial para a preservação e reprodução da vida; ii) entender com mais pro­fundidade como as pessoas no Brasil compreendem o que são os cuidados, sua importância e centralidade na vida humana. Estas impressões foram coletadas através de um formulário disponibilizado online e da realização de algumas entrevistas semiestruturadas por telefone, que incluíam perguntas relati­vas à compreensão do que são os cuidados, bem como sobre os impactos na vida dessas pessoas do redemoinho provoca­do pela pandemia de COVID-19. O Brasil teve muita dificuldade para controlar e combater a pandemia, basicamente porque o governo federal assumiu uma postura negacionista e impediu que houvesse uma coor­denação centralizada, situação agravada pela atuação não coordenada do Ministério da Saúde e das sucessivas trocas, sem critérios, do responsável pela pasta. Além disso, o gover­no federal não atuou para financiar e ampliar a capacidade de atendimento adequado do Sistema Único de Saúde(SUS), além de sabotar ou negar a possibilidade do uso do conheci­mento científico brasileiro acumulado ao longo dos anos de experiência em produção e aplicação eficiente de vacinas. A A análise socioeconômica da economia brasileira, dos anos de 2019, 2020 e do primeiro semestre de 2021, partiu das informa­ções da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C), publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Es­tatística(IBGE) 1 . Essa análise foi complementada com os dados extraídos da pesquisa relativa à compreensão das pessoas sobre 1 Para realizar a PNAD durante o período de isolamento social, o IBGE adaptou a PNAD Contínua e criou a PNAD Covid-19, realizada no pe­ríodo de maio a novembro de 2020, através de consulta telefônica. 1