43 aumento de 4% no trimestre do número de pessoas ocupadas não foi suficiente para reduzir significativamente o desemprego e resultou num nível de ocupação de 50,9%, pouco mais da metade da população em idade ativa, explicitando um grande retrocesso no emprego. Sobretudo, chama atenção que o nível de desemprego é elevado para os padrões históricos nacionais e agravado pela inflação alta atual. 1.2 Reflexões inconclusas As dificuldades que mulheres e homens, mas principalmente mulheres, enfrentarão no pós-pandemia apenas se delineiam no horizonte. Esta questão é inquietante porque as escolhas profissionais femininas têm se concentrado em ocupações relacionadas aos cuidados. O impacto das novas configurações do mercado de trabalho, a partir da aceleração da digitalização, expansão do uso de trabalho remoto pelas empresas e os novos avanços tecnológicos merecem análise cuidadosa e mais aprofundada. Certamente terão impacto também sobre a inserção das economias no âmbito internacional e sobre a capacidade competitiva da mão de obra num mercado de trabalho cada vez internacionalmente disputado. As mulheres especificamente estão mais representadas em setores com menor possibilidade imediata de substituição da mão de obra por tecnologia, aspecto que caracteriza a maioria das atividades dos cuidados. Mas, por outro lado, estes são empregos com menores salários e menores oportunidades de carreira. No longo prazo, se as discrepâncias entre homens e mulheres em relação aos setores onde mais trabalham permanecerem, a desigualdade entre rendimento médio de homens e mulheres tenderá a se ampliar com os avanços tecnológicos esperados pela expansão da indústria 4.0. Esta análise sugere que é preciso reconstruir a economia em melhores condições, com políticas públicas de longo prazo e não apenas ações
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Os cuidados no Brasil : mercado de trabalho e percepções
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