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Os cuidados no Brasil : mercado de trabalho e percepções
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101 Através das entrevistas foi possível descortinar outras questões que estavam além das opções fornecidas inicialmente pelo formulário, como no caso de Mônica(do estado do RJ, mulher negra, 40 anos, casada, uma filha e podóloga), que afirmou quetrabalhava muito, muito, porque a minha carga horária era bem pesada, apesar de eu ter uma folga no meio da semana, uma no domingo e uma na quarta, eu ficava de nove da manhã e ficava até às dezenove horas, então era uma carga horária extensa. Com a pandemia, a carga horária foi reduzida, porque a maioria das suas clientes eram idosas, mas isso também causou redução de sua renda. Ainda assim, Mônica percebeu essa mudança na sua rotina de trabalho como algo positivo, porque a possibilitou dedicar mais atenção à filha adolescente, além de-la permitido voltar a estudar. Clarice(do estado do RJ, mulher branca, 62 anos, solteira, sem filhos e funcionária pública) destacou que a redução na sua renda se deu por dois motivos. Primeiro, porque ela perdeu o auxílio transporte que recebia quando trabalhava presencialmente, uma vez que, por conta da idade, teve que ficar em trabalho remoto. E, segundo, pelo fato de ter perdido o bônus produtividade, um percentual acrescido ao salário mensal correspondente ao volume de trabalho do período. Como ela passou a ser menos demandada no trabalho remoto, chegou a perder até 15% de rendimento comparativamente ao salário médio percebido antes da pandemia. 3.1 Dificuldades para realização dos trabalhos remotos No período de distanciamento social e lockdown no Brasil, várias funções puderam ser realizadas de forma remota e, neste caso, as pessoas continuaram a trabalhar mais ou menos no mesmo ritmo, dependendo do tipo de atividade que exerciam ou da maior ou menor dificuldade de realizar as tarefas remotamente. A pesquisa incorporou