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Os cuidados no Brasil : mercado de trabalho e percepções
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109 3.3 O viver na pandemia: afazeres domésticos e cuidados O isolamento social e o fechamento da economia obrigaram as famílias a internalizar todas as tarefas domésticas e de cuidados necessárias para garantir o bem-estar de seus membros. Para as famílias que usavam apoios para estas tarefas, seja contratando pessoas para o trabalho de cuidados, seja usando empresas ou serviços públicos, como creches e escolas, a mudança foi mais drástica. Estas tarefas tiveram que ser distribuídas entre as pessoas da família. Mas, como discutido no início deste trabalho, histórica e culturalmente tais tarefas recaem sobre as mulheres. Dado que as mulheres são a maioria das respondentes, não surpreende que entre 25% e 35% das pessoas tenham afirmado que faziam, antes da pandemia, uma ou mais das tarefas domésticas listadas. Porém, um dado que se destaca nas respostas apresentadas no gráfico 31, é que 37,5% das pessoas respondentes de ambos os sexos afirmaram que contavam com a ajuda 30 do marido ou companheiro, percentual maior que o de pessoas que contam com trabalhadoras domésticas (27,3%), uma opção mais de acordo com o tradicional padrão brasileiro, e 19,4% declararam que recebiam ajuda da mãe. Ou seja, apesar da colaboração do marido ou companheiro, são as mães e trabalhadoras domésticas(46,7%) quem compartilham o trabalho doméstico e de cuidados não remunerado com as mulheres. 30  O termo ajuda é por vezes problematizado, uma vez que quem ajuda não se responsabiliza pela execução das tarefas, apenas auxilia a pessoa que tem a responsabilidade. Neste sentido, entendemos que o termo ajuda se enquadra bem para a questão que queremos retratar.