130 pensamento feminista europeu e norte-americano. O tema ficou mais recorrente a partir da crise dos cuidados, consequência também do aumento da longevidade da população. Esta literatura e definições foram incorporadas pela literatura da América hispânica, mas o Brasil acadêmico feminista só as incorporou nestas últimas décadas. 3.9 Como a pandemia foi vivida? Os relatos das entrevistas mostram que não houve discrepâncias entre as respostas, de homens e de mulheres, ao questionário e nos depoimentos ouvidos pela nossa equipe. Clarice(do estado do RJ, branca, 62 anos, solteira, sem filhos e funcionária pública) narra que “Ficou muito complicado, porque... tenho mais de 60 anos, … e lei federal dispensava..., mas no meu setor tem pouca gente, então a gente com mais de sessenta anos virou escala... porque muita gente do setor teve problema de saúde, e no lugar que eu trabalhava era muita gente de idade, muita gente pegou Covid e alguns faleceram”. Ao longo do ano de 2020, o isolamento social foi uma exigência sanitária e Gabriela (mulher solteira, arquiteta, uma filha pequena) relata a solidão de viver sozinha a pandemia com uma criança, trabalhando em home-office. Quanto às condições de trabalho, sobram queixas em relação ao trabalho remoto e à falta de infraestrutura para o trabalho, falta internet, planejamento da chefia com relação às atividades do dia e à substituição de outros funcionários. Outra situação, denunciada pela presidenta da FENATRAD Luiza Batista e ilustrada nesta pesquisa, foi a jornada mais extensa exigida pelo patronato das empregadas domésticas. Uma observação também presente nos depoimentos de outros/as trabalhadores/as, como Clarice, Iracema e Mário, nesse caso funcionárias/os públicos. O caso da empregada doméstica Catarina(do estado do PA, mulher parda, solteira, um filho) afronta a legislação,“...É,
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Os cuidados no Brasil : mercado de trabalho e percepções
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