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Transição energética : geopolítica, corporações, finanças e trabalho
Entstehung
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Rodrigo Pimentel Ferreira Leão e André Pimentel Ferreira Leão o processo de tomada de decisão dos Estados que estrutura a governança global energética. Nesse sentido, observa-se que o processo de transição energética é desafiador, complexo e dependente de variáveis diversas. Uma das tarefas mais difíceis é conciliar os interesses de Estados que apresentam caracte ­rísticas completamente distintas sobre recursos muito estratégicos para a garantia de suas respectivas soberanias. Em um ambiente internacional em que competição por poder e maior influência econômica, a segu ­rança energética significa assegurar o acesso a diferentes fontes de ener ­gia. Por isso, representa um ativo central na disputa de poder e dinheiro dos Estados Nacionais. A obtenção dessa segurança energética depende das estratégias nacionais, uma vez que podem modificar a geopolítica energética, como é possível observar por meio da Guerra da Ucrânia e da pandemia de Covid-19, que alteraram a demanda e a oferta mundial de energia. Esses fatores criam obstáculos à transição energética, tendo em vista que, ao se sentirem ameaçados em relação ao abastecimento de suas po ­pulações e regiões em que estão inseridos, os Estados podem frear o pro ­cesso de transição por terem que utilizar fontes de energia suja para su ­prir suas necessidades. Isso torna a transição instável e, em certa medida, imprevisível, que não clareza sobre quando o petróleo de fato será substituído por uma ou mais alternativas de energia limpa. Além disso, a abundância de determinados recursos, como o petróleo e o gás natural, pode levar determinadas regiões a adotar uma substituição mais lenta, buscando explorar ao máximo todas essas opções. Diante desse quadro, o presente capítulo visa discutir as diferentes interpretações para esse complexo processo e estrutura-se da seguinte forma: além desta introdução, a primeira seção descreve os principais ei ­xos de discussão sobre a transição energética. De um lado, é apresentada uma linha de interpretação em que esta terá um avanço sem grandes per ­calços, com liderança dos órgãos multilaterais; e, de outro, a interpretação da economia política, que a trata de forma mais instável e subordinada às decisões dos Estados Nacionais, influenciados pelas mudanças no cená ­rio geoeconômico e geopolítico. Na segunda seção, analisa-se como as es ­tratégias nacionais dos Estados são fundamentais para a consolidação da 13