Rodrigo Pimentel Ferreira Leão et al. Tal trajetória díspar está relacionada, em grande medida, à disputa e ao controle do mercado liderado por seus países de origem. Nesse sentido, a relação entre os Estados Nacionais e as petrolíferas parece ser decisiva na formulação estratégica dessas empresas nos médio e longo prazos. Historicamente, os planejamentos adotados pelas corporações nor te-americanas e europeias apresentaram discursos e práticas muito distintas quando comparadas entre si. No caso das estadunidenses – a despeito das iniciativas pioneiras no ramo de renováveis desde a segunda metade do século XX –, após a chegada de Reagan à Casa Branca no início da década de 1980, e com a forte desaceleração nos preços internacionais do barril de petróleo naquele período, seu interesse na diversificação de novas fontes de energia diminuiu drasticamente. Entre os principais motivos, estavam o fim dos incentivos federais para financiamento de proje tos de energia limpa – que passaram a onerar quase que exclusivamente as empresas com os custos da transição energética – e a flexibilização dos regulamentos para concessão de blocos de exploração de petróleo, que acabaram por estimular as grandes petroleiras a realocarem seus investimentos em prol do seu core business. Essa estratégia foi contrária àquela praticada pelas petrolíferas europeias, que apostaram na realização de aportes em energia limpa des de os anos 1980, quando o debate sobre a necessidade de substituição da matriz fóssil ganhou força após as duas crises do preço do petróleo. Essas majors não só mantiveram seus projetos voltados a novas fontes de energia, como também buscaram associar sua imagem à preocupação com as pautas ambientais, sobretudo aquelas que envolviam a redução das emissões de carbono na atmosfera. Havia nesse esforço mais do que uma mera conscientização. Dois fatores levaram as empresas(sobretudo as grandes poluidoras) a estar mais atentas às causas ecológicas, tanto para aperfeiçoar a sua imagem perante a opinião pública, quanto para desviar a atenção para os aspectos inevitavelmente negativos do seu negócio: a preocupação com o declínio de novas descobertas petrolíferas na Europa – que poderiam comprometer a autossuficiência energética do continente – e a crescente dependên cia da importação de energia somada ao ambiente político europeu, que 38
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Transição energética : geopolítica, corporações, finanças e trabalho
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