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Transição energética : geopolítica, corporações, finanças e trabalho
Entstehung
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José Sergio Gabrielli de Azevedo Todavia, há um crescente movimento nos mercados de capitais de aumento da pressão sobre as majors , com os investidores de títulos de dívida delas exigindo maiores taxas de retorno. Essa pressão se estende ao mercado de equity , com o aumento do ativismo dos acionistas em prol da redução de sua exposição a este tipo de indústria. Da mesma forma, a ação dos fundos financeirosverdes, principal ­mente no direcionamento e forma de participação na gestão das empre ­sas produtoras de energia, também deve resultar em alterações no ritmo da transição. De acordo com alguns especialistas,[] os fundosverdes com potencial de investimento em sustentabilidade de US$ 20 trilhões até 2030 terão papel fundamental no cumprimento das metas do Acor­do de Paris e na aceleração da transição energética(Nunes, 2020). Grupos militantes de investidores, que querem deixar de se expor a ativos fósseis, adotam como uma das táticas nas assembleias a apresenta­ção de proposições para que as empresas avancem nas metas de descar ­bonização e mudem o sistema de remuneração dos executivos, ampliando as métricas relacionadas à redução das emissões. Um dos principais obje ­tivos dos fundos militantes nas reuniões de acionistas é aumentar os com­promissos das companhias com os parâmetros de transição energética. Para eles, as metas de net zero emissions são insuficientes para atingir as do Acordo de Paris, demandando medidas para a redução absoluta das emissões(OConnor; Coffin, 2022), entre outras coisas, banindo a exploração em novas áreas. Um passo crítico é ampliar as metas para o chamado Escopo 3 38 . 3.2 Estoque de capital e transição energética Uma das dificuldades de uma rápida transição energética é o volu ­me investido nas estruturas, sistemas e equipamentos que utilizam car­bono 39 . O capital investido em máquinas, veículos, estradas, edificações, embarcações, aviões e outros ativos físicos, que ou emitem carbono ou 38 39 114 Escopo 1 e 2 incluem metas relacionadas às atividades operacionais da empresa e, o Escopo 3, amplia a avaliação de emissões para ir até o uso final dos consumidores. ENI, Repsol, TotalEnergies, bp, Shell, Equinor, Occidental e Chevron anunciaram metas do Escopo 3. Classificados em infraestrutura emissora, como plantas de geração elétrica e veículos de transporte, ca ­pital que viabiliza as emissões, redes de distribuição de combustíveis fósseis e capital que demanda energia, como as edificações, estradas e o desenho urbano( cf . FISCH-ROMITO et al. , 2021).