José Sergio Gabrielli de Azevedo mente em relação às métricas, certificados, abrangência das emissões e à própria conceituação de risco climático. A contabilidade tem evoluído ao longo do tempo, com ajustes para refletir os modelos de negócio, fluxos econômicos e financeiros, regulações e procedimentos amplamente aceitos. No que se refere especificamente à contabilidade das reservas de petróleo e gás natural, há ainda um certo descompasso entre sua valorização, com base no fluxo futuro de rendimen tos dos recursos descobertos, comercialmente viáveis e limites crescentes da legislação, que inibem as emissões de gases de efeito estufa e que podem inviabilizar a produção futura dessas reservas(Bebbington et al. , 2020). Os relativamente baixos preços do petróleo e gás natural foram os responsáveis pelo desenvolvimento das sociedades modernas, que hoje enfrentam os desafios dos impactos desse mesmo crescimento no aque cimento global, que ameaça o futuro da humanidade. Conter as emissões é uma necessidade cada vez mais aceita. Quem e como contê-las são motivos de disputas. As mensurações das reservas das fontes fósseis nos sistemas atuais de contabilidade continuam fortemente lastreadas nas expectativas de sua produção, ampliando os riscos de que os recursos registrados como reservas hoje possam se transformar, no futuro, em unburnable carbon por razões climáticas(Bebbington et al. , 2020). A percepção de que isso ocorrerá não corresponde à mesma cren ça sobre quando isso acontecerá, criando ceticismo em relação à possi bilidade de estarmos vivendo uma bolha especulativa e favorecendo as indústrias altamente emissoras de carbono. Essa bolha“estouraria” com as restrições que impediriam a produção de parte importante das atu ais reservas e com a aceleração da transição energética 48 . Ainda, povoam as controvérsias os debates sobre a posição relativa dessas reservas nas mãos de empresas estatais e governos versus a pequena parcela sob controle das companhias privadas internacionais de petróleo, além do desenvolvimento de tecnologias de CCUS que possibilitariam a continuidade do uso das atuais reservas e seu banimento(Bebbington et al. , 2020). 48 130 A International Renewable Energy Agency (IRENA, 2017) menciona nuances nas várias definições devido à amplitude do tipo de regulação – se específica para a transição energética ou não – e abrangência das mudanças, incluindo outros tipos de choques e/ou definições mais amplas.
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Transição energética : geopolítica, corporações, finanças e trabalho
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