Isadora Coutinho, Mahatma dos Santos e Ticiana Alvares O presente trabalho adota a agenda em torno da transição justa como o principal elemento norteador de suas análises e reflexões. Ao centrar-se nesta temática, tem como objetivo aprofundar o entendimento e promover discussões mais abrangentes sobre o processo mundial de descarbonização e mudança de matriz energética. Para tanto, apresenta-se na primeira seção um breve histórico da formulação da agenda da transição justa, com enfoque nas ações dos tra balhadores e organizações sindicais, abordando de que modo esses ato res têm se apropriado desse termo ainda em disputa e trazendo o debate para o contexto do S ul Global. A segunda seção se propõe a resgatar a relação entre a emergência dos conceitos de transição justa, desenvolvi mento sustentável e empregos verdes no âmbito internacional, em especial nas agências da Organização das Nações Unidas(ONU), destacando o papel do debate sobre os empregos verdes para pensar a dimensão social das transformações em curso decorrentes da transição para uma economia de baixo carbono. A seguir, a terceira visa situar a discussão no contexto brasileiro, apresentando reflexões sobre as particularidades da agenda da transição energética em âmbito nacional a partir de um breve panorama das transformações, iniciativas e debates em curso no sistema energético do país. Abordando tendências e desafios, procura evidenciar que, a depender da direção da agenda da transição justa no país, as espe cificidades brasileiras podem, por um lado, se tornar a locomotiva prin cipal para a retomada da industrialização e do desenvolvimento nacional ou, por outro, aprofundar uma inserção global subordinada à divisão in ternacional do trabalho, reconduzindo o país à condição de exportador de commodities, além de produzir diversos impactos adversos no mundo do trabalho. Por fim, são apresentadas as considerações finais. 2 BREVE HISTÓRICO DA AGENDA DA TRANSIÇÃO JUSTA A noção de“transição justa” surgiu a partir das atividades do Sindi cato dos Trabalhadores da Indústria de Petróleo, Químicos e Atômicos (OCAW, na sigla em inglês) nos anos 1970, nos Estados Unidos, com a realização da chamada““primeira greve ambiental” sobre questões de saúde e segurança nas refinarias da petrolífera Shell. O debate à época reconhe 143
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Transição energética : geopolítica, corporações, finanças e trabalho
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