Nelson de Chueri Karam e Luisa Cruz Em que pese as negociações coletivas entre trabalhadores e empre sários, os sindicatos brasileiros ainda não conseguiram avançar no tema ambiental – segundo o Dieese, apenas 1,5% das cláusulas acordadas pelos sindicatos, em 2019, incluíam questões ambientais. O mais emblemático de todos foi a proposição das Reservas Extrativistas para exploração dos seringais da floresta amazônica, formulada por um coletivo de tra balhadores coordenados pelo líder seringueiro e sindical, Chico Mendes, nos anos 1980. Outros exemplos importantes também merecem registro, como o papel dos sindicatos no combate à poluição no município de Cuba tão, na reparação pelos danos causados pela contaminação na produção de agrotóxicos pela Shell e Basf em Paulínia, na proposição de redução do uso das sacolas plásticas na capital de São Paulo e, mais recentemente, nas iniciativas sindicais sobre a transição energética justa. Para superar a interdição das questões ambientais nos espaços de negociação coletiva, é necessário compreender o meio ambiente para além do“chão de fábrica”. Neste sentido, as negociações deveriam avan çar das condições de trabalho e saúde do ambiente interno em direção ao externo, avaliando impactos ambientais do produto ou serviço prestado. Como diz Ailton Krenak em seu livro Ideias para adiar o fim do mundo (2019),“[…] fomos nos alienando desse organismo de que somos parte, a Terra, e passamos a pensar que ela é uma coisa e, nós, outra: a Terra e a humanidade”. O setor produtivo rapidamente identificou, no debate sobre desen volvimento sustentável e meio ambiente, uma clara oportunidade de negócios, em que o“verde” foi capturado pela perspectiva do lucro. Nesta direção é que se alinham o mercado de créditos de carbono, os“ greenbonds ” (títulos verdes do setor financeiro), as soluções baseadas na natureza (SBN), a pecuária sustentável, o carvão verde, entre outras. Logo, é possível observar, por parte de diversas empresas, a prática do chamado“ greenwashing ”, que consiste em camuflar impactos ambien tais das suas atividades através de estratégias de marketing que promovem discursos e propagandas falaciosas. 173
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Transição energética : geopolítica, corporações, finanças e trabalho
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