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Mercados laborales y polıt́icas ocupacionales en el Cono Sur : estudios nacionales
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1), tornando o país vulnerável aos humores dos investidores internacionais. Entre 1994 e 2000, as importações cresceram quase 70% em valor, enquanto as exportações apenas 26%(Tabela 1), tanto em virtude do protecionismo dos países desenvolvidos como da ausência de políticas de competitividade setoriais e de mecanismos de proteção ao mercado interno. O Brasil também se abriu ao capital externo das multinacionais, cuja entrada passou de US$ 2,6 bilhões para US$ 31,2 bilhões entre 1994 e abril de 2001. Ao mesmo tempo a taxa de investimento caía no período(Tabela 1). Ou seja, as multinacionais compraram empre­sas estatais e nacionais de capital privado, as quais, endividadas pela política de juros altos, venderam os seus ativos a preços baixos. Esse quadro, configura que o propa­lado ingresso de investimentos externos direto não correspondeu a uma ampliação do parque produtivo nacional. Fato que acentua a vulnerabilidade externa da economia brasileira, desde sempre um entrave estrutural ao crescimento e ao desenvolvimento econômico. O governo FHC fez, portanto, tudo que as políticas do Consenso de Washington sugeriam e agora o país amarga índices de desemprego e de endividamento público e privado altíssimos, aumento da concentração da renda e da informalidade e redução dos gastos com políticas sociais e de emprego ativas, ao passo que a nossa pauta de exportações se manteve estagnada, que não foram desenvolvidas políticas para ca­pacitar a indústria e agricultura nacionais para competir nos setores mais dinâmicos do comércio internacional. Vejamos agora a evolução do desemprego, do emprego formal, da informalidade, dos salários, da pobreza e concentração da ren­da durante os anos noventa. 4. O Desemprego no Brasil 4.1. Evolução da taxa de desemprego. O desemprego é um fenômeno recente no Brasil. Durante o período de industrialização da economia brasileira, entre 1930 e 1980, o país possuía vários problemas, tais como baixos salários, ausência de políticas sociais universais e extrema concentração da renda e da riqueza. Mas o desemprego não era uma realidade visível. Mesmo com um crescimento rápido da população economicamente ativa, o número de empregos criados era suficiente para manter o desemprego em níveis quase insignifican­tes. Isto mudou nos anos oitenta, quando da crise da dívida externa de 1982, o que elevou o desemprego, pela primeira vez, para níveis alarmantes. Ao final dos anos oitenta, a taxa de desemprego voltaria a se reduzir, situan­do-se contudo em níveis mais elevados do que os verificados no final dos anos setenta. Este processo de mudança de patamar do desemprego confirmou-se de forma defini­tiva durante os anos noventa quando da execução das políticas de abertura, privatização e desmonte do Estado, as quais se mostraram incapazes de propiciar um crescimento sustentado da economia. Entre 1989 e 1999, a taxa de desemprego para o país mais do que triplicou, saltando de 3% para 9,63%(Gráfico 2). Apesar da queda da taxa de desemprego no início do Plano Real, entre 1994 e 1995, a partir de então a economia foi desaquecida, sofrendo abalos intermitentes, em 1997 quando da crise asiática, e em 1998 por conta da crise russa- que arrastou a economia brasileira altamente vulnerável aos capitais de curto prazo consigo- funcionando o desemprego como a variável de ajuste inter­no. Em 1999, o país possuía cerca de 7,64 milhões de pessoas desempregadas, contra menos de dois milhões no início da década. Segundo estudo recente 4 , o Brasil apresentava ao final da década o terceiro 99