públicas regionais de todas as áreas sociais do MERCOSUL. Houve avanços no que se refere à livre circulação de produtos de assistência à saúde, assim como ao fortalecimento do sistema de vigilância epidemiológica do MERCOSUL. O Brasil tem se empenhado particularmente em garantir o desenvolvimento da política de medicamentos do MERCOSUL, área que compreende o acesso, o uso racional, a segurança, a eficácia e a qualidade dos medicamentos. Ainda nesta área, foram aprovadas medidas para a adoção de critérios que protejam a saúde pública de possíveis impactos negativos causados pelas regras internacionais de patente. Desde 2007, grupos de trabalho bilaterais foram criados ou reativados nas zonas de fronteira com o objetivo de garantir o acesso à saúde pública pelas populações dessas áreas. O acordo Brasil-Uruguai para a permissão de serviços de saúde entre pessoas físicas ou jurídicas facilita o acesso aos serviços de saúde para os cidadãos brasileiros e uruguaios residentes no Chuí, Santa Vitória do Palmar, Balneário Hermenegildo, Barra do Chuí, Jaguarão, Aceguá, Santana do Livramento e Quaraí(no Brasil); e em Chuy, 18 de Julio, Barra do Chuy, La Coronilla, Río Branco, Aceguá, Rivera, Artigas e Bella Unión (no Uruguai). Por meio de contratos entre as instituições públicas e privadas, o acordo garante a oferta de serviços de saúde aos cidadãos dos dois países, facilitando a organização de fluxos de atendimento. Isto permite, por exemplo, que gestantes de Barra do Quaraí sejam atendidas na vizinha Bella Unión, e vice-versa, evitando deslocamentos até unidades de referências nacionais mais distantes. Em Quaraí, pacientes brasileiros que necessitem de procedimentos de hemodiálise podem ser atendidos em Artigas, no Uruguai. O acordo já foi aprovado pelos Congressos de ambos os países. No Brasil, entrou em vigor na data de sua publicação, 14 de dezembro de 2009. Educação O setor educacional do MERCOSUL atua em favor da harmonização e da coordenação das políticas educacionais do bloco. Os temas centrais são, entre outros, o ensino obrigatório dos idiomas espanhol e português, o reconhecimento dos diplomas universitários, a mobilidade de alunos e professores, o estímulo à pesquisa, o incentivo à leitura, a criação de bibliotecas, o intercâmbio entre cursos de pós-graduação e a capacitação de funcionários públicos para atuação no MERCOSUL. O plano do setor educacional 2006-2010 estabelece cinco diretrizes de atuação:(1) contribuir para a integração regional por meio de acordos e da execução de políticas educacionais que promovam a cidadania regional e uma cultura de paz e respeito à democracia, aos direitos humanos e ao meio ambiente:(2) promover a educação de qualidade para todos como fator de inclusão social, de desenvolvimento humano e produtivo;(3) promover a cooperação solidária e o intercâmbio para a melhoria dos sistemas educacionais:(4) implantar e fortalecer programas de mobilidade de estudantes, docentes, pesquisadores, gestores, diretores e profissionais da educação;(5) negociar políticas que articulem a educação ao processo de integração. A partir de 2010 o ensino do idioma espanhol tornou-se obrigatório nas escolas brasileiras. O país conta com seis mil professores do idioma e são necessários 20 mil profissionais para alcançar a meta desejada. Este é um desafio imenso também para os demais países do bloco. Para enfrentá-lo foi criado um grupo de trabalho responsável por discutir a formação de professores de português e espanhol e propor políticas conjuntas de cooperação. Em 2009, o governo brasileiro criou a Universidade Federal da Integração Latino-Americana(UNILA), na qual metade dos alunos e professores é de brasileiros e a outra metade é composta por nacionais dos demais países latino-americanos. A universidade, que pretende chegar a um total de 10 mil alunos em cinco anos, foi implantada em Foz do Iguaçu (PR), de modo a atender os estudantes das cidades fronteiriças do Brasil, da Argentina e do Paraguai. As aulas tiveram início em agosto de 2010. Ainda em relação ao ensino superior, foi desenvolvido o Mecanismo Experimental de Credenciamento de Cursos de Graduação(MEXA), responsável pela implementação de critérios e parâmetros de qualidade para os cursos universitários. Até 2006, foram credenciados 18 cursos de agronomia, 35 de engenharia e 15 de medicina do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além do Chile e Bolívia. Além disso, há programas de mobilidade acadêmica que promovem o intercâmbio 154 | MERCOSUR 20 años entre alunos, docentes, pesquisadores e gestores de instituições de ensino superior nos cursos já credenciados. Finalmente, em relação à pesquisa científica e tecnológica, foi aprovada medida que isenta do pagamento da tarifa externa comum às importações de bens efetuadas por fundações e centros de pesquisa, bem como por cientistas e pesquisadores, destinadas à realização de atividades científicas. Agricultura familiar Com a aprovação do acordo sobre o reconhecimento e identificação da agricultura familiar no MERCOSUL, estabeleceuse que fazem parte do setor os produtores que utilizam mão-de-obra preponderantemente familiar, residem no estabelecimento ou localidade próxima, a família é responsável direta pela produção e gestão das atividades agropecuárias, os recursos produtivos utilizados são compatíveis com a capacidade de trabalho da família, com a atividade desenvolvida e com a tecnologia empregada, de acordo com a realidade de cada país. O acordo já foi incorporado às legislações nacionais e está sendo implementado pelos países do bloco. Segundo os critérios adotados, a agricultura familiar no MERCOSUL ocupa cerca de 20 milhões de pessoas. A partir dessa identificação, torna-se possível incrementar a implementação de políticas específicas para o setor. Ademais, estão sendo implementados os registros nacionais da agricultura familiar em todos os países do MERCOSUL. Até o surgimento da Reunião Especializada da Agricultura Familiar(REAF), apenas o Brasil e o Chile contavam com este tipo de instrumento, o que possibilita que os governos cadastrem as famílias da agricultura familiar. Em 2010, 40% do universo da agricultura familiar do MERCOSUL já foi registrado e tem se beneficiado de políticas públicas específicas destinadas ao setor. Outro destaque foi a criação, em 2008, do Fundo da Agricultura Familiar do MERCOSUL(FAF), que aguarda aprovação pelos parlamentos nacionais. Como nos outros fundos existentes no bloco, as contribuições são proporcionais ao tamanho das economias dos países, cabendo ao Brasil a maior parcela(60%, no caso do FAF). MERCOSUR 20 años | 155
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