Não consta na tabela 25 os valores de comércio com os países da África, que tomada em conjunto, já representa a quarta parceria brasileira nas exportações. Também representativo é o surgimento da Índia, que até alguns anos atrás se quer aparecia entre os maiores absorvedores das exportações brasileiras. Tabela 25. Exportações Brasileiras por Países China EUA Argentina Holanda Alemanha Japão Rússia Índia 2010 15,10 10,04 8,76 5,37 4,04 3,20 2,37 2,24 2009 13,20 10,20 8,36 5,33 4,04 2,79 1,83 2,23 Fonte: Secex 2010 Alguma teoria Os processos de integração regional não são de longa data na história. A obra de Georg Friedrich List 5 trata do assunto de forma pioneira. List abertamente desafia as noções de Adam Smith, quando o economista escocês em plena época do Iluminismo, tornou-se um dos principais teóricos do liberalismo econômico ao propor uma teoria que se baseava na idéia de que deveria haver total liberdade econômica para que a iniciativa privada pudesse se desenvolver, sem a intervenção do Estado. A livre concorrência entre os empresários regularia o mercado, provocando a queda de preços e as inovações tecnológicas necessárias para melhorar a qualidade dos produtos e aumentar o ritmo de produção. List justamente critica as causas materialistas do desenvolvimento econômico propostas por Smith e faz uma distinção real entre as economias atrasadas e desenvolvidas com base na qualidade e quantidade das forças produtivas. Para ele as forças produtivas são capital intelectual, o capital natural e o capital material, que podem ser encontrados em grandes quantidades nas economias desenvolvidas, enquanto estão presentes num grau muito menor em versões de economias atrasadas. De importância crucial para ele é a quantidade de capital intelectual, que é o elemento diferenciador mais importante dos desenvolvidos. Assim, o desenvolvimento é visto como um processo de aumento do capital mental. Isto leva List à conclusão de 5 Georg Friedrich List(economista nascido no Tirol, sul da Alemanha, em 1789 e falecido em 1846 foi um economista que teorizou sobre o proteccionismo. Um dos inspiradores da criação da União Aduaneira dos Estados Alemães de 1834( Zollverein), que abrangeu a maior parte das entidades políticas que formaram a Alemanha unificada, viveu nos Estados Unidos, onde sofreu a influência de Alexander Hamilton. Combateu os princípios da doutrina do liberalismo econômico de Adam Smith e defendia a predominância da idéia nacional, insistindo na determinação de cada nação dadas suas circunstâncias particulares e especialmente em favor do seu desenvolvimento. Questionava a retórica em favor do livre comércio das nações desenvolvidas, da Inglaterra em particular. A sua obra magna é“Sistema Nacional de Economia Política”. São Paulo: Abril Cultural, 1983. 326 | MERCOSUR 20 años que o principal papel do Estado na esfera econômica deve ser a alimentação do setor produtivo nacional. Ele propõe a idéia de um Zollverein, uma união aduaneira germânica, que conduziria à criação do Estado Alemão. Era partidário da intervenção do Estado para forçar a industrialização já que considerava que esta seria a única forma de tirar um país da pobreza. David Levi-Faur em artigo onde compara as obras de List e Robert Reich, professor de Berkeley e que foi secretário de estado no governo Clinton, afirma que ambos rejeitaram a sugestão de base do liberalismo econômico. Essa rejeição é forte e ecoou em todos os estudos de List. Seus vários ataques a Adam Smith foram tidos como muito duros e até mesmo injustos, porém, a essência de sua crítica continua poderosa ainda hoje. Da mesma forma, Reich sugere fortes críticas ao liberalismo econômico: esta posição laissez-faire não se realiza, porque a economia repousa sobre sentimentos nacionais baseados em uma ligação de princípios históricos e culturais que consubstanciam uma política comum. De acordo com Reich, o auto-interesse não pode servir como diretriz principal para a política social e econômica, no contexto da nova ordem econômica, o que seria ainda mais verdadeiro hoje do que no século passado. A lealdade a uma nação pode ser justificada, de acordo com Reich, em grande parte pelo apelo ao próprio auto-interesse econômico: os cidadãos apoiam a educação, a construção de estradas e outras melhorias cívicas, mesmo quando o individual é susceptível de se beneficiar apenas de uma pequena fração do que foi pago no curto prazo, pois admite-se que tais sacrifícios seriam amplamente recompensados ao final. Versões benevolentes e racionais do nacionalismo sempre fizeram parte da história humana, que são tão óbvias que parece desnecessário fornecer exemplos, dizia Reich. Além disso, apesar da atual negligência dos estudiosos e a impopularidade do nacionalismo na política, os mercantilistas e nacionalistas econômicos continuam tendo uma forte influência em termos de políticas econômicas e das relações econômicas internacionais. O conceito de nação importa, diz ele(ou pelo menos deveria importar) na formulação das políticas econômicas nacionais. Os imperativos que devem dirigir o curso da política econômica de uma nação, não só no que diz respeito às questões de segurança nacional, mas também no tocante ao bem-estar dos cidadãos da nação, diz ele, e que, portanto, é necessário explorar e discutir a economia política do nacionalismo. Estes argumentos são parte tanto da lista e agenda de Reich, o que os distinguem de laissez-faire, bem como de economias políticas socialistas. O advento da recente globalização colocou por terra estes argumentos e o neoliberalismo passou a ser hegemônico, prometendo que a abertura das economias produziria o bem estar planetário. A sucessão de crises provocada pela hegemonia do capital rentista acabou por levar desconfiança sobre as premissas neoclássicos sobre o equilíbrio, pondo em suspeição e descrédito o mainstream econômico. Passados os trinta anos neoliberais com o advento da crise provocada pelo setor imobiliário, a heterodoxia voltou à tona e as afirmações categóricas sobre o“there is no alternative” perderam credibilidade. No caso em questão, os processos de regionalização não são imediatamente considerados como um dos vetores e mecanimos da globalização, como se afirmava então que“se regionalizava para melhor globalizar”(Haesbaert:148), o que escondia o fato de que muitas vezes se regionalizava para se defender no mercado mundial, para se ter maior controle contra os diversos fluxos inerentes à globalização. Uma definição sumária dos termos região e regionalização, diz respeito, seja a uma repartição de um estado nacional em províncias/estados federativos ou ao reagrupamento de estados nacionais em um conjunto político ou econômico, federado ou não. A integração regional liga países geograficamente próximos entre os quais as relações econômicas tendem a liberar ou aliviar os limites políticos, territoriais e outros, para promover a formação de mercados integrados. Esta regionalização toma formas institucionais diversas, mas que tem por objetivo maior o de suprimir obstáculos às trocas no interior deste novo espaço ou região. Como afirmei em artigo sobre“Processos de Integração Econômica 6 ”(Costa Lima, 1999), o conceito de regionalização tem diversas compreensões teóricas, muitas delas contraditórias. Do ponto de vista empírico, a regionalização pode se manifestar com uma multiplicidade de formas, de assimetrias variadas, expressas na dimensão geográfica, de população, 6 Costa Lima, Marcos(1999),“Processo de Integração Econômica”.in: Política&Trabalho,nº15,set. p.43:62 MERCOSUR 20 años | 327
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