FES BRIEFING MAPA SINDICAL REGIONAL José Darí Krein e Andréia Galvão Maio 2023 RESUMO O sindicalismo na América Latina está em uma encruzilhada e precisa encontrar mecanismos para se fortalecer. Apesar das dificuldades enfrentadas, o sindicalismo persiste, mas para potencializar suas forças e superar suas debilidades, necessita renovar sua agenda e realizar uma transformação organizativa. Para isso, sugere-se utilizar as novas tecnologias informacionais na organização e formação dos trabalhadores; constituir estruturas organizativas mais amplas, que permitam incorporar setores precários; desenvolver uma agenda que leve em consideração dimensões relacionadas à interseccionalidade de gênero, raça e classe, além da necessária preocupação ambiental; estreitar a articulação com movimentos sociais; promover a intervenção no debate público. A articulação com os movimentos sociais é vital para criar canais de fortalecimento mútuo sobre os grandes temas em embate na sociedade. Ao mesmo tempo, cabe ao movimento sindical reposicionar o tema do trabalho, de modo a mostrar sua importância estratégica na construção de uma sociedade com menos desigualdades, opressão e discriminação e com maior nível de solidariedade. INTRODUÇÃO Este texto visa apresentar um panorama sobre a situação do sindicalismo na América Latina a partir da experiência de oito países: Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, México, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. A despeito das particularidades de cada país, especialmente no que se refere à estrutura organizativa dos sindicatos, às instituições de regulação do trabalho, à cultura política e à legislação existente, verificam-se similaridades relacionadas ao contexto político-econômico e ideológico, à estrutura do mercado de trabalho e às mudanças nas forças produtivas e relações de produção capitalista. Embora o mapeamento abarque um universo diverso e heterogêneo, nosso objetivo é ressaltar os aspectos comuns e mais recentes entre os países analisados pelas diferentes equipes de pesquisa envolvidas nesse trabalho. 1 Para isso, selecionamos alguns elementos apresentados nos relatórios e que, a nosso ver, são capazes de sintetizar as perspectivas que se abrem para o fortalecimento e a transformação do sindicalismo. O texto está dividido em quatro partes, que desenvolvem os seguintes argumentos e discutem as seguintes questões principais: 1. Contexto político-econômico e seu impacto no sindicalismo: nesse item destacamos tanto as mudanças quanto as permanências que caracterizam nossa região, pois os problemas enfrentados pelo sindicalismo são tanto de ordem estrutural(como a informalidade e o trabalho precário, as tradições políticas autoritárias e repressivas) quanto conjuntural. A partir disso, cumpre notar que o neoliberalismo e as novas tecnologias que reconfiguram o trabalho se sobrepõem a crises políticas que ameaçam a democracia e a ações antissindicais praticadas por empresas e governos. 2. Debilidades: a dificuldade de aumentar a sindicalização e de mudar a forma de organização dos trabalhadores fragiliza a capacidade de garantir e conquistar novos direitos, de enfrentar a ideologia do empreendedorismo e da empregabilidade, de mobilizar trabalhadoras e trabalhadores, sindicalizados ou não, na defesa de direitos continuamente ameaçados e de interferir na sociedade a fim de efetuar transformações sociais mais estruturais. 3. Forças: apesar das dificuldades, o sindicalismo persiste, sobretudo nos setores mais tradicionais(isto é, na 1 Bolívia: Yerko Ilijic Crosa; Brasil: Ana Paula Colombi, Anderson Campos, Andréia Galvão, Elaine Regina Aguiar Amorim, Flávia Ferreira Ribeiro, Hugo Miguel Oliveira Rodrigues Dias, José Dari Krein e Patrícia Vieira Trópia; Chile: Felipe Labra; Colômbia: Sandra Milena Muñoz Cañas, Alejandro Parra Giraldo, Martha Piedrahita Londoño e Carolina Rojas Ardila; República Dominicana: Tahira Vargas García; México: Arturo Alvar Gómez Xelhuantzi, Briguet Loami López Matias e Egbert Méndez Serrano; Uruguai: Jorge Peloche, Mariana Mendy, Cyntia Buffa, Fabio González Corbo, Ana Paula García e Carlos Rodríguez Torres; Venezuela: Jacqueline Richter. 1
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