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A construção de uma economia solidária para superar a crise
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FES BRIEFING A CONSTRUÇÃO DE UMA ECONOMIA SOLIDÁRIA PARA SUPERAR A CRISE Valmor Schiochet Julho de 2020 A pandemia reafirma a necessidade de reestruturação do atual sistema produtivo, à qual a experiência recen­te da economia solidária tem muito a contribuir. economia solidária foi uma resposta democrática dos movi­mentos sociais à crise provocada pela acumulação capitalismo e ao modelo societário do socialismo real. Em 1996, o economista Paul Singer, socialista democrático que se tornou uma das maiores referências mundiais para a economia social e solidária, escreveu um pequeno artigo de­nominadoEconomia solidária contra o desemprego num momento em que o desemprego constituía um enorme flage­lo para trabalhadores do Brasil e do mundo. Neste quase um quarto de século desde então, a economia solidária acumulou experiências econômicas e políticas e passou a integrar os pro­gramas locais e de organismos internacionais sobre alternati­vas para o futuro da humanidade. Cabe aqui um registro de inciativas como o bem viver na América Latina, a defesa do FIB (Felicidade Interna Bruta) como indicador sistêmico para inte­grar desenvolvimento econômico, ambiente e qualidade de vida, os esforços do Papa Francisco para promover uma eco­nomia socialmente justa, economicamente viável, ambiental­mente sustentável e eticamente responsável, além de inúme­ras propostas socializantes, democráticas e preocupadas com o futuro do planeta que estão sendo debatidas com a partici­pação de cientistas(muitos reconhecidos com o Prêmio Nobel) e militantes sociais. A emergência desta nova onda histórica do associativismo, do cooperativismo e do comunitarismo econômico foi uma res­posta das pessoas frente à crise que se abateu com a ascensão do neoliberalismo e da financeirização da economia. Mas também é parte da nova onda de mobilização social alternati­va iniciada nos anos de 1960 e ampliada nos movimentos de­mocráticos de base, na década de 1980, em contraposição ao socialismo real burocrático, a perda de legitimidade da buro­crática social democracia europeia e ao autoritarismo militar na América Latina e África. Assim, podemos afirmar que a Para além do movimento socialista de caráter libertário, a eco­nomia solidária está enraizada nos movimentos dos povos e comunidades tradicionais, movimentos de luta pela terra, águas e florestas, movimentos de moradia, movimentos socio­territoriais, movimento de desempregados, movimentos am­bientalistas, movimento negro, movimento feminista, movi­mentos em defesa da cultura popular, movimento da luta antimanicomial e tantos outros que constituíram e constituem a agenda da nas esperanças emancipatórias da atualidade. No Brasil sua base social é popular composta principalmente por camponeses, agricultores familiares, produtores agroeco­lógicos, catadores de materiais recicláveis e produtores artesa­nais e coletivos culturais. A forma de organização é associativa, cooperativa, comunitária, participativa e autogestionária. Sua articulação ocorre por meio da formação de redes de coope­ração e práticas federativas ou confederativas. É necessário reconhecer que a economia solidária ainda permanece invisibilizada para a sociedade em geral e para as estatísticas econômicas. Um esforço para superar este desafio foi realizado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária (extinta em 2016) com a realização de dois mapeamentos na­cionais dos empreendimentos econômicos solidários. Foi pos­sível registrar a existência de mais de 30 mil experiências en­volvendo diretamente mais de dois milhões de pessoas. É notório a contribuição deste tipo de organização econômica para incluir pessoas em situação de vulnerabilidade, promover processos de recuperação de empresas falidas, promover o desenvolvimento sustentável e a democratização da econo­1