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A inclusão social das mulheres e os desafios para um activismo feminista africano contemporâneo
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#6 JULHO 2018 A Inclusão Social das Mulheres e os Desafios para um Activismo Feminista Africano Contemporâneo Twasiima Patricia Bigirwa A desigualdade baseada no género e a exclusão das mulheres revelaram-se intratáveis no continente, apesar da proliferação de iniciativas nacionais e internacionais de desenvolvimento da África nas últimas décadas. Quando muito é feito em nome da inclusão social sensível ao género e pouco resultado é sentido pelas mulheres no local, devemos nos perguntar: o que deu errado? O que torna tão difícil redistribuir poder e lucro para as mulheres, que contribuem muito com o seu suor e sangue para manter o sistema capitalista a funcionar? E quais são os desafios para que o activismo feminista africano contemporâneo mude o cenário? Para compreender melhor o actual debate sobre a igualdade de género, inclusão e luta pelo poder, temos que reflectir e olhar para as realidades actuais à luz da história recente que pôs fim ao colonialismo com a promessa de criar uma nova sociedade. O nacionalismo africano foi uma ideologia de libertação da opressão, que expressou a resistência contra os regimes coloniais. Hoje, o discurso nacional é frequentemente usado exactamente para o oposto: como uma ferramenta para a opressão contra a crítica e ­referindo-se a argumentos culturais e religiosos- especialmente contra as mulheres rebeldes. Retrocessos Conservadores e a Reformulação Complicada do Nacionalismo Não entenderemos o ritmo das mudanças socioeconómicas e políticos nos nossos países se não considerarmos o ambiente político de um retrocesso conservador maciço com que estamos a lidar como activistas feministas. O ambiente em que muitos de nós trabalhamos é cada vez mais contra as mulheres, negros, LGBTI e pobres. Vozes desconfortáveis de protestos, especialmente vozes de mulheres, que exigem políticas efectivas pró-pobres e a inclusão política, são silenciadas e desqualificadas com argumentos de moral e cultura africanos, assim como o estigma de confrontar a causa nacionalista, contra a qual os outros(aqueles que estão no poder) lutaram. 1