BRASIL NOTAS Nº 21/2019 Motim contra as elites Paul Collier M AIO DE 2019 Paul Collier sobre as disfunções do sistema capitalista, a ira dos coletes amarelos e o Brexit. Professor Collier, no seu novo livro, o senhor fala em erosão da coesão social nas sociedades ocidentais. Qual é a sua explica ção para este fenômeno? Estamos diante dos corolários de dois importantes desenvolvimentos econômicos. A fissura nas nossas sociedades tem a ver, por um lado, com a separação geográfica entre as metrópoles pujantes e as províncias esvaziadas e enfraquecidas; por outro, está ligada ao fosso crescente entre mão de obra com boa formação e pessoas com baixa qualificação. O resultado: desde a década de 1980, as regiões mais pobres não têm conseguido acompanhar o avanço das mais ricas. Observamos esta divisão em praticamente todos os países desenvolvidos. Não se trata, porém, de um desenvolvimento recente... Exato, é consequência da deterioração de um sistema econômico que já se desenhava há décadas. O seu poder explosivo na sociedade só está, porém, sendo percebido apenas agora. Apesar disso, o senhor insiste no capitalismo no seu livro novo e defende meramente uma cara mais“social”. Por que o senhor é tão tímido? É preciso reconhecer que a história da civilização humana é contada há cerca de 15.000 anos nas mais diversas partes do mundo, mas apenas nos últimos 250 anos foi precisamente o capitalismo que se mostrou capaz de elevar o padrão de vida das massas. No seu livro, o senhor mesmo descreve que esta capacidade não se dá por acaso. Sim, mas também é verdade que o capitalismo nunca deve ser deixado à sua própria sorte. Logo no início do século 19, o capitalismo
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