BRASIL ANÁLISE Nº 2/2015 Uma economia para o cuidado e a sustentabilidade Nota conceitual a partir de uma perspectiva feminista 1 Cäcilie Schildberg(ed.) A GOSTO DE 2015 2 O conceito de economia verde proposto pela Conferência Rio+20 foi rejeitado por grande parte da sociedade civil, inclusive os movimentos feministas. Estes setores acreditam que tal“economia verde” não alcançará a drástica redução no uso de recursos que é necessária para diminuir as emissões de CO2, deter a perda de biodiversidade e evitar a destruição geral de nosso ecossistema. As críticas também apontam para o fato de se tratar, em grande parte, de um conceito cego para as questões de gênero; apoia-se fortemente nas tecnologias verdes e nos mecanismos de mercado, enquanto o modelo econômico continua a depender dos cuidados não remunerados ou mal remunerados, que estão a cargo principalmente das mulheres. Os debates multifacetados sobre cuidado e sustentabilidade ainda não conseguiram construir uma ponte entre estas duas questões. Enquanto alguns promovem uma economia mais verde que mantém as estruturas e a lógica capitalista do lucro, as organizações feministas afirmam que é necessário fazer mudanças estruturais no sistema econômico, dando ênfase aos aspectos do desenvolvimento sustentável vinculados à integração e à distribuição. O principal argumento é que para assegurar a sustentabilidade de um novo sistema econômico será necessário converter todo o campo das forças reprodutivas em eixos centrais de pensamento e ação.
Druckschrift
Uma economia para o cuidado e a sustentabilidade : nota conceitual a partir de uma perspectiva feminista
Einzelbild herunterladen
verfügbare Breiten