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Venezuela: aikido e direitos humanos
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BRASIL NOTAS 9/2017 Venezuela: aikido e direitos humanos Rafael Uzcátegui M AIO DE 2017 A situação dos direitos humanos se agrava na Venezuela. Felizmente, uma parte da esquerda começou a falar. O atual conflito venezuelano se assemelha ao aikido , arte marcial na qual, para vencer, utiliza-se a própria força do oponente con­tra ele. Em outubro de 2016, após ter chegado ao consenso de multidões e da comunidade in­ternacional para a realização de um referendum revocatório para dirimir a crise, porta-vozes da oposição participaram, improvi­sadamente, de uma mesa de diá­logo da qual se levantaram com a ideia deeleições gerais adianta­das. O governo se beneficiou do erro tático da Mesa da Unidade Democrática(MUD) e conse­guiu assim dinamitar a confiança de suas bases de apoio, enquan­to o sentimento de desilusão se generalizava. Meses depois, para castigar uma Assembleia Nacio­nal que aprovava uma declaração de apoio à aplicação da Carta Democrática Interamericana, o governo formalizou o processo de substituição de suas competên­cias em duas sentenças emitidas pela Sala Constitucional do má­ximo tribunal do país. Ainda que a neutralização do Parlamento se realizasse pela via dos fatos havia um ano, com escasso custo político para Miraflores, seu re­gistro formal gerou uma onda de rejeição que incluiu a procurado­ra geral da República, Luisa Or­tega Díaz. Os partidos políticos opositores conseguiram recom­por a confiança, nessa oportuni­dade, por um escorregão do cha­vismo, em uma onda de protestos que continua até o momento de escrever esta coluna.