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Os cuidados no Brasil : mercado de trabalho e percepções
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145 para as principais fornecedoras de cuidados: as mulheres. No campo acadêmico, compreendemos os cuidados como relação de serviço, apoio e assistência, implicando em responsabilidade diante de outrem (KERGOAT, 2016), além de classificarmos como uma categoria de trabalho(remunerado ou não), majoritariamente prestado por mulheres, que quando não comercializado não obtém valor mercantil, logo, comumente invisibilizado e desvalorizado pela sociedade. A pesquisa tem o mérito de mostrar que os cuidados refletem o modelo de socialização a que mulheres e homens são submetidos numa sociedade de cultura patriarcal. Também permite concluir que a discussão sobre os cuidados deve atravessar o muro da academia e alcançar as famílias, comunidades, associações e espaços de trabalho, envolvendo não apenas as famílias, mas as escolas, o poder público, as organizações sociais e o setor privado para que se definam diretrizes de políticas públicas dos cuidados, que visem a redução das desigualdades no Brasil, principalmente as desigualdades de gênero e raça. Para além dos achados na pesquisa, que se encontram em fase final de publicação, o estudo do tema reforçou a necessidade de visibilizar a importância de Políticas Públicas de Cuidados, a exemplo do que ocorre em outros países, e de sistematizar recomendações que devem compor essas políticas. É o que apresentamos a seguir. 4.2 Novos olhares sobre política econômica e social A pandemia de COVID-19 e seus reflexos sobre a produção, o mercado de trabalho e o funcionamento do que se entendia como normal da economia escancararam a importância e necessidade vital do trabalho