Sammelwerk 
Transição energética : geopolítica, corporações, finanças e trabalho
Entstehung
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José Sergio Gabrielli de Azevedo e Rodrigo Pimentel Ferreira Leão ves e bloqueios cresceu enormemente. Em resposta às pressões destes movimentos e para enfraquecê-los, as legislações se modificaram, e po ­líticas de bem-estar passaram a ser adotadas, ampliando a democracia e incluindo o sufrágio universal(Burkea; Stephens, 2018). O petróleo foi usado também para enfraquecer a mobilização dos mineiros de carvão. Podendo ser mais facilmente transportado e exigindo menor concentração de trabalhadores a partir de outro processo produti ­vo, a era do petróleo deslocou a produção a outras partes do mundo e di ­minuiu a força dos movimentos de ampliação das democracias, associan ­do-se a regimes autoritários e limitando o estado de bem-estar nos países consumidores. A enorme concentração de poder político e econômico é inerente à complexa rede de relações entre os vários setores da cadeia do petróleo, da sua extração ao seu consumo, requerendo gigantesca acumu ­lação de capital e controle dos aparelhos políticos de poder, incluindo a força militar. A partir da ascensão das energias renováveis, especialmente da solar e da eólica, este cenário tende a se modificar novamente. Os renováveis são mais adaptáveis a sistemas distribuídos, ainda que encontrem seve­ras limitações para armazenagem e integração com as redes de distribui ­ção. Estes sistemas conectam o poder gerador local a sub-redes locais, reduzindo a distância entre a geração e o consumo. As energias solar e eólica introduzem uma grande variação de carga nas redes, exigindo novo tipo de gestão da transmissão, assim como a re ­organização e construção de novas redes, que retornam o poder centrali ­zado de quem as opera. Sua integração com a hidroelétrica, por exemplo, geralmente com longas linhas de transmissão entre os pontos de geração e de consumo, reforça o poder das empresas de energia elétrica, concen ­trando também poder político universal(Burkea; Stephens, 2018). Enquanto o carvão e o petróleo se organizam distantemente da vida dos consumidores, os renováveis são mais próximos às comunidades, dando a estas maior poder e, portanto, possibilitando a ampliação de mecanismos democráticos de participação da cidadania. Apesar disso, grandes desafios para os trabalhadores, uma vez que a estrutura de em ­prego é significativamente diferente da indústria petrolífera. 69