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Rejeitar a extrema-direita: lições para defender a democracia
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P E R S P E C T I VA Expedições Democráticas Rejeitar a extrema-direita: lições para defender a democracia Cristóbal Rovira Kaltwasser Resumo Com base em evidências empíricas da Europa e da América Latina, este artigo demonstra que, embora a extrema direita tenha conquistado terreno eleitoral, também enfrenta taxas de rejeição persistentemente elevadas. Cerca de metade do eleitorado se opõe a ela. Essa dinâmica dupla de crescimento e resistên­cia torna a extrema direita uma força polarizadora. O artigo então aborda como melhor confrontá-la apre­sentando seis lições: reconhecer a diversidade dos oponentes da extrema direita e adaptar as respectivas estratégias; fundamentar os debates em dados empíri­cos em vez de retórica moralizante; evitar o engaja­mento reativo em relação às agendas da extrema di­reita; esclarecer as posições progressistas em lingua­gem acessível; contestar a ideia equivocada de que a extrema direita cresce à custa da esquerda, e não da direita tradicional; e defender consistentemente a de­mocracia contra ameaças autoritárias de qualquer campo político. A extrema direita: amada por alguns, mas rejeitada por muitos A extrema direita não é exatamente algo novo. O exem­plo histórico emblemático é, sem dúvida, o nacional-so­cialismo na Alemanha, mas mesmo naquela época existiam outros atores de extrema direita em grande parte da Europa e em outros continentes. A partir da Segunda Guerra Mundial, contudo, esses atores perde­ram terreno, enquanto os partidos de centro-direita tra­dicionais se fortaleceram, desempenhando um papel fundamental na consolidação da democracia na Europa do pós-guerra. De fato, o bom funcionamento da demo­cracia requer partidos de direita tradicionais, que cana­lizem as preferências daqueles que compartilham ideias de direita e diferentemente da extrema direita este­jam dispostos a respeitar as regras da democracia libe­ral(Bale e Rovira Kaltwasser 2021; Ziblatt 2017). Quan ­do os partidos de direita tradicionais(de centro) não existem ou se transformam em forças de extrema direi­ta, a probabilidade de erosão democrática gradual au­menta drasticamente. Rejeitar a extrema direita: lições para defender a democracia 1