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Rejeitar a extrema-direita: lições para defender a democracia
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Apoio e rejeição a líderes da extrema direita na Argentina, Brasil e Chile, 2023 Figura 2 58% 56% 55% Numa escala de 1 a 5, qual a probabilidade de você votar amanhã num candidato como... para presidente? 29% 26% 22% 1 Não, eu definitiva­mente não votaria nele 5% 4% 5% 2 Javier Milei 10% 8% 6% 3 Jair Bolsonaro 7% 4% 4% 4 José A. Kast 5 Sim, eu definitiva­mente votaria nele pública da Europa ocidental para analisar os níveis de apoio e rejeição a diferentes famílias de partidos(Rovira Kaltwasser 2024). 1 Essa abordagem tem a vantagem de mostrar quantas pessoas possuem visões tanto positivas como negativas em relação aos partidos que concorrem na disputa eleitoral. Como mostra a figura 1, as evidên ­cias revelam não apenas um apoio crescente à extrema direita(de 15% em meados da década de 1990 para 30% mais recentemente), mas também uma taxa crescente de rejeição(de 30% no final da década de 1990 para 50% atualmente). Isso demonstra que, apesar do crescimento eleitoral e da normalização da extrema direita, a oposição a ela também está aumentando, muito além das taxas de rejeição de outras famílias de partidos. Trazendo esse debate para o contexto latino-americano, encontramos um padrão semelhante. Um estudo recen­te comparando Argentina, Brasil e Chile revela que a ex­trema direita polariza o eleitorado: gera apoiadores fi­éis, mas também um grande grupo de detratores(Rovi­ra Kaltwasser et al., 2024). De fato, dados de 2023 sobre a disposição de votar em figuras de extrema direita mostram que, enquanto cerca de 30% do eleitorado apoia líderes como Milei, Bolsonaro e Kast, cerca de 60% se opõe a eles. Pouquíssimos entrevistados perma ­necem indiferentes a esses líderes. Essa evidência da América Latina pode parecer paradoxal, pois na Argentina, no Brasil e no Chile, candidatos de ex­trema direita(Milei, Bolsonaro e Kast, respectivamente) conseguiram vencer as eleições presidenciais apesar de mais da metade da população discordar deles. É importan­te notar, porém, que a maioria dos países latino-america­nos realiza um segundo turno entre os dois candidatos mais votados. Nessas circunstâncias, os líderes da extrema direita podem prevalecer não porque gozam de amplo apoio popular, mas porque muitos eleitores rejeitam a al­ternativa. Nesse contexto, é crucial reconhecer que a extre­ma direita pode ascender ao poder como resultado da dis­posição dos eleitores em punir os governantes por suas fa­lhas(por exemplo, dificuldades econômicas na Argentina ou corrupção no Brasil), e não porque a sociedade necessa ­riamente tenha se deslocado para a direita.(Rovira Kaltwa­sser 2023b). Defender a democracia contra a extrema direita Sabemos que a extrema direita está crescendo em todo o mundo e que isso está tendo um impacto negativo na de­mocracia. No entanto, ainda carecemos de conhecimento sobre a melhor forma de enfrentar esse fenômeno e quais estratégias são mais eficazes. Não existe uma solução má­1 Utilizamos dados do Estudo Comparativo de Sistemas Eleitorais(CSES) e médias nacionais de pesquisas realizadas na Europa ocidental entre 1996 e 2021 para um item que pedia aos entrevistados que avaliassem os partidos políticos em uma escala de 0 a 10, onde 0 indica forte rejeição e 10 indica forte apoio. Para medir o«apoio» a um parti ­do político, somamos os valores de 6 a 10; para medir a«rejeição», somamos os valores de 0 a 4. Os entrevistados que deram 5 não foram considerados na análise, assim como aqueles que não responderam a essa pergunta Rejeitar a extrema direita: lições para defender a democracia 3