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Como enfrentar a extrema direita: lições do Brasil
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esforços. Após as eleições de 2022 e os ataques de 8 de ja ­neiro, esses atores não estatais assumiram um papel mais destacado, refletindo uma mudança no locus da autodefe­sa democrática da política formal à mobilização social mais ampla. A experiência brasileira demonstra que respostas eficazes à extrema direita exigem coordenação entre diferentes insti­tuições, planejamento estratégico e disposição para con ­frontar diretamente as tendências autoritárias. Sugere tam ­bém que medidas proativas, baseadas na educação demo­crática, na formação de coalizões e na reforma institucional, são essenciais para evitar o retrocesso democrático. Em conjunto, esses três momentos o negacionismo da pandemia, a deslegitimação eleitoral e a insurreição de 8 de janeiro desencadearam um processo gradual, porém significativo, de aprendizado político no Brasil. Catalisaram a cooperação entre atores institucionais e extra-institucio­nais, incluindo partidos políticos, Judiciário, sociedade civil e imprensa. Com o tempo, esses atores passaram de res ­postas fragmentadas e reativas a uma defesa mais coorde­nada e proativa das instituições democráticas. O caso brasileiro demonstra que enfrentar o autoritarismo de extrema direita, especialmente após este chegar ao po ­der, exige mais do que uma oposição baseada em princí ­pios. São necessárias coalizões adaptáveis ​e​ intersetoriais que consigam responder às ameaças em constante evolu­ção, mantendo a legitimidade democrática. No entanto, a extrema direita brasileira continua sendo uma força política poderosa e organizada, capaz de in ­fluenciar o debate público e as agendas políticas. Essa pre ­sença persistente ressalta a necessidade de vigilância con­tínua e engajamento democrático constante. Enfrentar a extrema direita é uma responsabilidade social que exige ação coordenada entre múltiplos atores demo­cráticos. Requer um compromisso multifacetado e de longo prazo, que combine liderança política pautada por princí ­pios, fortes salvaguardas institucionais, engajamento ativo da sociedade civil e estratégias culturais criativas. Somente por meio dessa resistência abrangente, de cima para baixo e de baixo para cima, as democracias liberais poderão re­sistir à ameaça persistente da extrema direita e preservar as normas democráticas nos próximos anos. Bibliografia Art, David . 2011. Inside the Radical Right: The Development of An­ti-Immigrant Parties in Western Europe. Cambridge University Press. Bale, Tim, Christoffer Green-Pedersen, André A Krouwel, Kurt Richard Luther e Nick Sitter . 2010.»If You Cant Beat Them, Join Them? 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