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Mercosur 20 años : 20 años
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O caso do MERCOSUL como projeto de integração regional em perspectiva comparada com outras experiências internacionais Marcos Costa Lima 1 Uma América do Sul unida moverá o tabuleiro de poder no mundo, não em benefício de um ou outro de nos­sos países, senão em benefício de todos. Juntos seremos mais soberanos. Luis Inácio Lula da Silva 2 Introdução O MERCOSUL está a comemorar duas décadas em 2011. Neste sentido, é mais que oportuno estabelecer uma avaliação de sua trajetória, de seus percalços e pontos altos, das suas perspectivas para o futuro. A reflexão que será aqui realizada compreende a experiência do Bloco de países do Cone Sul como um processo de grande êxito. Contudo, não se furtará de apontar o que considera frágil ou o que precisa ser aprofundado, se o MERCOSUL quiser avançar e vir a ser considerado como um interlocutor decisivo no contexto das instituições internacionais do século XXI. Não se trata de retomar a história do Bloco, nem detalhar as suas diversas fases, que tem uma literatura abundan­te, embora partindo de premissas teóricas muito distintas.(Lavagna, R.1991);(Seitenfus, R.1992); Grandi, G.(1995); Vigevani,T.(1998);(Costa Lima, M.& Medeiros, M. Org., 2000);(de Sierra, G. et all, 2001);(Vaz, 2002)(Camargo, S. 2006); (Mariani, M.P., 2007). A meu ver, a primeira grande conquista do MERCOSUL foi possibilitar que países vizinhos que tinham rarefeita arti­culação econômica e cultural, passassem a se reconhecer e buscar identidades e propósitos comuns, escapando da trampa colonial. Se compararmos as relações externas do Brasil com os seus parceiros do MERCOSUL,-se conta de quanto caminhou a integração. Outro ponto central desse processo integracionista foi o de ter sido capaz de gerar um projeto que soube rejeitar a ALCA, projeto hegemônico dos Estados Unidos para as Américas(Costa Lima, M.; 2006). Podemos ainda indicar, para além do incremento do valor de comércio entre os países membros, do fato da Argentina ter se constituído em um parceiro decisivo para o Brasil. Evidente que tudo isso não ocorreu sem sobressaltos ou crises. Os anos 1990 foram a expressão da adoção do modelo neoliberal e das políticas doConsenso de Washington, que levaram muitos dos países da região à perda da senhoriagem da moeda. A Argentina adotou a paridade de sua moeda com o dólar no governo Ménem em 1991 e assim permaneceu até 2001, quando houve a renúncia do presidente de La Rua e de seu ministro da Economia Domingos Cavallo, o mesmo que havia implantado a currency board 3 no início da década. O País esteve perto de uma guerra-civil. O Brasil, em janeiro de 1999, atingido pela crise financeira que se inicia na Tailândia em 1997 e que tomou conta da economia mundial, decreta o fim da paridade fixa, desatrelando assim o câmbio entre os dois parceiros e provocando um longo período de estagnação nas trocas comerciais no MERCOSUL. 1 Doutor em Ciências Sociais pela UNICAMP SP. Professor Director Depto. de Ciência Política e Relações Internacionais– Universidade Federal de Pernambuco UFPE. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFPE. Vice-Chefe do Depto. de Ciência Política UFPE(2010-2012). 2 In:Umbrales de América del Sur. Ano 4, Mayo, julio 2010,p.45 3 Um currency board é um regime monetário e cambial no qual o país se compromete a converter, sob demanda, sua moeda local em outro ativo líquido de aceitação internacional, a uma cotação fixa. Originalmente, foi introduzido pela Inglaterra em algumas de suas colônias. No caso argentino, a conversibilidade esteve definida em dólares e foi constitucionalmente estabelecida na paridade de um dólar por peso. Trata-se de uma espécie de delegação das funções monetárias ao exterior, visto que a política monetária passa a depender do montante líquido de divisas retido pelo país. MERCOSUR 20 años | 321