60 Periferias no plural território brasileiro é construída a partir de um entendimento da estrutura racial do país como produtora de desigualdades. Buscando compreender as formas diversas de expressão da violência presente no cotidiano de sujeitos e territórios periféricos, encontramos suporte nos estudos já produzidos que podem fornecer ferramentas para o entendimento dos conflitos e violações identificados nas periferias. Ainda que as lentes analíticas escolhidas para compreensão de periferias no eixo de violência possam parecer estranhas frente a visões mais centradas nos aspectos de criação e potência das periferias, acreditamos ser de suma importância um olhar atento aos processos de racialização desses territórios e das estruturas que o sustentam enquanto um lugar também atravessado por profundas violações. Estas, por sinal, não eliminam a potência das pessoalidades periféricas e as artesanias tecidas a partir das vivências em territórios constantemente atacados. O controle de corpos negros é um ponto central da cultura política que atravessa a história do Brasil. Uma das formas deste controle é a produção e reprodução de um imaginário em que o sujeito negro aparece representado como inimigo e em que a negritude é associada à criminalidade e ao perigo – submetida a um contínuo projeto de embranquecimento – remetem ao período da escravização colonial, se arrastando na contemporaneidade, perpassando o período democrático, sem se divorciar por completo da lógica de predominância sobre outros corpos e na produção e manutenção de assimetrias raciais. A administração da vida e da morte – corporal, mental, cultural – coloca a população negra como alvo de uma violência racial que responde aos interesses de uma elite e a um projeto da branquitude de manutenção da ordem universalista, pautada na existência e experiência de sujeitos brancos ocidentais. A negação do racismo no Brasil é um entrave para o enfrentamento e superação de desigualdades que atingem sobremaneira a população negra. O mito da democracia forjou a crença de que o país teria superado o racismo pela miscigenação, sendo descrito nacional e internacionalmente como um paraíso de harmonia racial no século XIX. A tese de que o Brasil não poderia se desenvolver como uma nação moderna por sua maioria populacional negra, somada com a ideologia do branqueamento e as políticas de imigração adotadas no final do século XIX e começo do século XX, culminou numa forma própria de
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