198 Periferias no plural de povos indígenas e indígenas não fazem separação entre seres humanos e a natureza – a humanidade é a natureza, a natureza é a humanidade. Há o estabelecer dessa relação respeitosa, não predatória, não acumuladora, que harmoniza todos os viventes, que celebra a vida, que não tolera a fome, a miséria, que quer convívio de paz entre os seres humanos, que deseja extrair o melhor das relações humanas, que não estabelece relações hierárquicas ou de poder, porque sabe que o importante são as boas relações em nossa casa. Essa reconstrução é o nosso caminho, o único caminho que garantirá a nossa existência no planeta, portanto, contribui significativamente nessa repactuação necessária entre seres humanos e natureza, o que poderá impedir o aprofundamento do antropoceno, preocupação central com o agravamento da crise climática. Reconhecer que os povos indígenas estão periferizados historicamente e que muitos corpos indígenas estão periferizados e periferizados das suas identidades e que sofrem todo tipo de violências do colono-capitalismo, sem sequer ser estatística – já que formalmente não existem, logo, não fazem parte dos indicadores negativos aos quais a classe trabalhadora tem exposto as mazelas que sofre de um sistema perverso –, e são encarcerados e enterrados sem sequer ter tido acesso a sua memória ancestral, só para citar dois indicadores que muito nos mobilizam. Retomar territórios invadidos, lutar pela demarcação, retomar a consciência indígena que se reconecta com a natureza compreendendo a totalidade, reivindicar a periferia em sua dimensão humana e resistente para superar a periferia segregadora e opressora de corpos e mentes. Estes são desafios que estão colocados nessa quadra histórica, não só aos povos indígenas, mas ao conjunto daquelas e daqueles que têm o compromisso histórico de construir outra forma de reproduzir a vida e as relações entre todas e todos os seres viventes. Referências: ALMEIDA, T. F. de.“Um Brasil em movimento: a Marcha para o Oeste”. Revista Epígrafe USP-SP, 2018. AMANTINO, Marcia.“As Guerras Justas e a escravidão indígena em Minas Gerais nos séculos XVIII e XIX”. Varia HistoriaHistória , Varia Historia, vol. 22, n.núm. 35,, Minas Gerais, 2006.
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