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Periferias no plural
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Estamos vivos As relações entre as dinâmicas das periferias e o movimento hip-hop no interior de São Paulo a partir da Casa do Hip-Hop de Piracicaba Carolina Hummel Hara 1 Introdução O hip-hop emerge como um conjunto de formas culturais e estéticas criadas pelas comunidades negras e latinas alocadas nos guetos de Nova Iorque na dé­cada de 1970(chang, 2005; george, 1998; rose, 1994). O contexto de con­flito urbano, segregação e racismo na sociedade pós-industrial e pós-direitos civis combinado ao repertório da tradição da música estadunidense foram os elementos centrais na constituição da estética, das técnicas e das sensibilidades necessárias para o surgimento de um movimento que procurou ressignificar a condição da juventude, sobretudo negra, nas margens da metrópole. Conside­rando o hip-hop como um espaço de produção de sentidos e epistemes que cir­culam no cotidiano, procuro investigar os referenciais simbólicos do hip-hop que são incorporados para organizar e direcionar a relação desses indivíduos com a experiência da periferia urbana enquanto um mundo social complexo, denso e legítimo na formação de seus próprios sentidos. O debate acadêmico sobre periferias urbanas no Brasil se inicia com pes­quisas voltadas às favelas e periferias enquanto um espaço territorial e social­1 Mestre em Sociologia pelo PPGS/UFSCar, bacharel em Ciências Sociais pela mesma univer­sidade. Integrante do NaMargem Núcleo de Pesquisas Urbanas e do projeto de extensão Às Margens da Cidade, programa veiculado na Rádio UFSCar.