268 Periferias no plural É nesse processo de singularização estética que o rap começa a se tornar parte do processo de construção de uma representação específica da periferia no Brasil. Por conta das próprias dinâmicas sociais, culturais e econômicas do país, as relações entre raça e classe aparecem de forma complexa, e nesse momento, o processo de diferenciação do rap serve para a população que está situada na periferia como meio de construir sujeitos, para além da estigmatização e marginalização dos pobres nas margens da cidade. Ao questionar e ressignificar essa representação, o rap também estabiliza temporariamente algumas categorias que, com o passar dos anos, o próprio movimento hip-hop começa a questionar: a ideia de masculinidade negra, a diferenciação entre a experiência periférica e a experiência negra, a participação das mulheres, questões de sexualidade, posicionamentos políticos, entre outras. Referências: BERTELLI, Giordano; FELTRAN, Gabriel.(Orgs.) Vozes à Margem : periferias, estética e política. São Carlos: EDUFSCar/CEM, 2017. BOTELHO, Guilherme Machado. Quanto vale o show? O fino Rap de Athalyba-Man e a inserção social do Periférico através do mercado de música popular. Dissertação(Mestrado em Culturas e Identidades Brasileiras) – Instituto de Estudos Brasileiros, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018. CHANG, Jeff. Can’t Stop Won’t Stop : A History of Hip-hop Generation. Nova Iorque, Picador, 2005. D’ANDREA, Tiaraju. A formação dos sujeitos periféricos : cultura e política na periferia de São Paulo. Tese de doutorado em Sociologia, Universidade de São Paulo, 2013. DURHAM, Eunice.“A sociedade vista da periferia”. Revista Brasileira de Ciências Sociais . São Paulo, 1:84-99, 1986. FELTRAN, Gabriel. Desvelar a política na periferia : histórias de movimentos sociais em São Paulo. Dissertação(mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP, 2003. FELTRAN, Gabriel. Fronteiras de tensão : política e violência nas periferias de São Paulo. São Paulo: Editora Unesp: CEM: Cebrap, 2011. FELTRAN, Gabriel.“Transformações sociais e políticas nas periferias de São Paulo”. In: ROLNIK, Raquel; FERNANDES, Ana.(Orgs.). Cidades – Coleção Ensaios Brasileiros Contemporâneos. Rio de Janeiro: Funarte, v. 1, p. 41-68, 2016. GIMENO, Patricia. Poética versão : a construção da periferia no rap . Dissertação(mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP, 2009. HUMMEL, C. Estamos vivos : identidade, periferia e o espaço urbano na experiência da Casa do Hip-Hop de Piracicaba. Monografia(Bacharelado em Ciências Sociais) – Centro de Educação e Ciências Humanas, Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal de São Carlos. São Carlos, 2018.
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