370 Periferias no plural No século XXI, a partir das bases que encadearam as diversas noções de periferias em âmbito político, socioeconômico e cultural, outra noção de periferia agregadora das lutas sociais irrompe com o suporte das tecnologias digitais. Assim, observamos que a noção de periferia da atenção se delineia enquanto posicionamento de resistência a partir de movimentos sociais atuantes na internet, visando incluir a periferia no centro dos debates da opinião pública. Desta forma, a internet, enquanto esfera pública de discursos,(in)visibilidades e(des)construções, também se configura como arena de disputas. Nesse cenário, diante da lógica algorítmica, do controle e hegemonia na organização de dados em plataformas de busca, canais e sites jornalísticos, assim como sites de redes sociais na internet, observa-se a emergência de uma outra esfera de disputa que se constitui o que aqui chamamos de“periferia da atenção”. Como desdobramento do posicionamento das periferias, da herança dos movimentos sociais urbanos e do avanço das tecnologias digitais, a competição pela atenção humana adquire contornos diferenciados, quando pessoas à margem e coletivos de comunicação comunitária adquirem nuances de voz para resgatar potencialidades, oportunidades de resistência e visibilidades. Com o avanço das tecnologias digitais, a disputa pela atenção da sociedade adquire contornos diferenciados e sujeitos percebidos como periféricos buscam conquistar outros“espaços de fala”(ribeiro, 2017). No século XXI, as noções de periferias econômicas, urbanas, culturais e sociais podem ser compreendidas como expressão do estar à margem da atenção da sociedade. Nesse caso, a periferia(in)visível estaria associada não exclusivamente às condições materiais precarizadas nas quais se encontram essas populações(como pessoas em situação de rua, usuários de drogas, imigrantes e emigrantes, trabalhadores informais), mas à confluência de problemáticas histórico e socioeconômicas que desembocam na arena simbólica de disputa por atenção como um brado de potencialidades, resistência e(re)existências dos sujeitos periféricos. Perante esse cenário, a partir de estudos de autores como Bolaño, Moraes e Peruzzo(dentre outros) e tendo como referencial teórico-metodológico o campo da Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura, este estudo se propõe a investigar a contribuição, os avanços e os desafios proporcionados pelas tecnologias digitais para que vozes periféricas se destaquem
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