Periferias no centro da atenção 381 neste aspecto que nos atemos a compreender em que medida o novo paradigma de mudança na esfera pública pelas tecnologias digitais pode ter reacomodado forças dissonantes nas relações socioculturais estabelecidas no contexto midiático brasileiro e, consequentemente, catapultou a evolução do VOZ. As contribuições de Habermas(2003) sobre a esfera pública burguesa e sua mudança são relevantes para a reflexão sobre as relações sociais diante da evolução histórica da mídia. Contudo, necessitam ser recolocadas no atual momento, levando-se em consideração os avanços tecnológicos e um certo desenho de globalização. Deste modo, ainda que a interação não ocorra presencialmente, mas seja mediada por dispositivos que possibilitem o retorno imediato e sem filtros ou restrições no envio das mensagens, entendemos que as tecnologias digitais viabilizam a constituição de um processo relacional diferenciado. A esfera pública proporcionada pela internet representa o lugar em que há o potencial de disseminar outras opções de conteúdo, pautadas pelo conhecimento, informação e cultura. Desta forma, espera-se que as iniciativas comunitárias sejam reconhecidas tanto pelo Estado quanto pela sociedade, a partir do estabelecimento de políticas públicas que fomentem esses canais de expressão. Tal reconhecimento e tal incentivo são fundamentais uma vez que a comunicação comunitária pode ser percebida como espaço de voz para sujeitos políticos da localidade em que estiverem inseridas, com objetivo de legitimar uma atuação crítica num lugar de disputa de discursos perante os padrões normativos construídos pela grande mídia sobre o cotidiano das cidades e das periferias. Se o direcionamento da atenção para publicações realizadas por projetos comunitários é um dos fatores a considerar diante do alcance e interesse das comunidades, convém também investigarmos os processos socioculturais que embasam tais experiências. De acordo com Martín-Barbero,“fazer a história da classe operária implica necessariamente fazer a história da cultura popular” (1997, p. 37) e a perspectiva centrada na lógica de produção, ainda que omissa em muitos aspectos, nos impõe o desafio de conjecturar as influências econômicas e sua correlação com as estruturas políticas e culturais: A explicação da opressão e a estratégia da luta se situam assim em um só e único plano: o econômico, o da produção. Todos os demais planos ou níveis ou di-
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